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Cloud computing como apoio gerencial em curso a distância on-line

Isabel Pereira dos Santos1


FE/USP
isabelps@gmail.com

José Erigleidson da Silva2


TIDD/PUC-SP
jerigleidson@gmail.com

Maria Salete Prado Soares3


NCE/USP
salete.soares@gmail.com

Resumo:

Este trabalho aborda a maneira inovadora como o curso Mídias na Educação, administrado
pelo NCE/USP, utilizou-se do que está sendo chamado de “computação em nuvem” (cloud
computing), aproveitando o novo paradigma da Web 2.0 para gerenciar o curso do MEC
para o estado de São Paulo. Para a elaboração desse artigo fizemos uma revisão da
literatura para investigar o conceito de cloud computing e suas implicações para as práticas
educacionais e realizamos um estudo de caso. Análise do caso aponta que a implementação
de aplicativos de cloud computing contribui de forma significativa para a melhoria da
gestão do curso on-line.

Palavras-chave: cloud computing, computação nas nuvens, Educação a Distância,


gerenciamento, Educação, formação docente.

1
Doutoranda da Faculdade de Educação da USP na área de Ensino de Ciências e Matemática. Mestra em
Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Especialização em Matemática no IME/USP. Bacharel em
Matemática. Integra a equipe de coordenação do curso Mídias na Educação - NCE/USP. Experiência com
Educação a Distância desde 1993. Foi docente do ensino superior em Matemática. Foi pequisadora da Escola
do Futuro / USP de 1993 a 2009.
2
Mestrando em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (PUC-SP). Especialista em Design Instrucional
(UFJF).Coordenador de Educação Distância da Escola da Magistratura do TRT 2 (EMATRA2). Membro do
Subcomitê Nacional de Educação a Distância do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).
3
Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Coordenadora de tutoria do curso Mídias na
Educação – NCE/USP – SP. Professora/tutora de pós-graduação lato sensu do SENAC-SP. Assessora do
Programa Nas Ondas do Rádio da Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo.
Introdução

Novas formas de gerenciamento de cursos em EaD delineiam-se a partir do surgimento da


da Web 2.0. A tecnologia chamada de “cloud computing” possibilitou uma revitalização
dos procedimentos gerenciais em um curso a distância de formação de professores do
Ministério de Educação e Cultura – MEC, ofertado pelo NCE/ECA/USP. O presente artigo
pretende analisar a utilização do conceito cloud computing no Programa de Formação de
Professores a Distância Mídias na Educação no Estado de São Paulo.

Cloud Computing

Cloud computing, ou computação nas nuvens, é um conceito que se relaciona com o uso de
recursos computacionais em ambiente de rede, tais como infraestrutura de hardware,
capacidade de processamento e armazenamento dados. A palavra “cloud”, na expressão
cloud computing, refere-se à rede de computadores na qual o poder de processamento, as
aplicações e sistemas estão distribuídos entre muitas máquinas (JOHNSON; LEVINE;
SMITH, 2009). Silva (2009) considera ser um novo paradigma que agrega conceitos e
tecnologias para promover um ambiente computacional ubíquo.

Com base em diferentes autores, Silva (2009) conclui que cloud computing pode ser
entendido como:

Uma coleção ubíqua de recursos computacionais, softwares e serviços, que


proporcionam a seus usuários um ambiente altamente escalável e provisionado de
maneira dinâmica. Esse ambiente pode apresentar sofisticadas combinações de
tecnologias e conceitos para a habilitação de serviços. (SILVA, 2009, p. 115-116)

Trata-se, também, de uma arquitetura computacional emergente na qual as aplicações


encontram-se no ciberespaço, permitindo, dessa forma, que os usuários possam acessá-las a
partir de qualquer dispositivo conectado à Internet. Se antes a infraestrutura de hardware, o
software, o processamento e o armazenamento eram locais, agora, com a emergência das
“data farms”, fazenda de dados (JOHNSON; LEVINE ; SMITH, 2009), tudo encontra-se
numa nuvem computacional que pode ser acessada a qualquer hora (anytime) e em
qualquer lugar (anywhere).

Segundo dados publicados pelo Pew Internet e American Life Project, 69% de todos os
americanos on-line estão envolvidos em atividades que se relacionam ao uso de cloud
computing (HORRIGAN, 2008).

Uso de webmail como Hotmail, Gmail, Yahoo mail. 56


Armazenamento de fotos pessoais on-line 34
Uso de software on-line como Google Documents e Adobe 29
Photoshop Express
Armazenamento on-line de vídeos pessoais 7
Armazenamento on-line pago de arquivos 5
Backup do HD (hard drive) para site on-line 5
Quadro 1 – Atividades de Cloud Computing. Usuários de
Internet que fazem as seguintes atividades on-line %.
Fonte: Pew Internet & American Life Project apud Horrigan, 2008.

Em acordo com Valente e Mattar (2007), entendemos que a Web 2. 0 aproxima-se de um


verdadeiro sistema operacional. Aqui, temos a mudança do paradigma do desktop para o
webtop (COBO e PARDO, 2007).

Longe de ser um incremento meramente técnico, a possibilidade de uma plataforma


computacional on-line descortina possibilidades para o trabalho colaborativo, além de
reduzir custos com a aquisição e manuntenção de infraestrutura e softwares, dentre outras
possibilidades. Valente e Mattar (2007) apontam algumas vantagens da utilização
softwares on-line:

a) possibilidade para que diferentes atores possam trabalhar no mesmo documento,


simultaneamente e em a qualquer lugar do mundo;

b) dispensa a necessidade de aquisição de aplicativos. Basta um computador conectado à


Internet e um browser para acessar os arquivos;

c) dispensa a necessidade armazenamento de dados em pendrives, CD ou DVD;

d) dispensa a realização de backups.


Podemos entender cloud computing como o melhoramento do que Lemos (2004) chama de
Computador Coletivo (CC). Esse autor identifica três fases da microinformática. A primeira
delas, situada nos anos 70-80, caracteriza-se pelo surgimento do PC (personal computer). A
segunda fase coincide com o advento da Internet, situada nos anos 80-90, com o avanço da
Internet, surge o que ele chama de Computador Coletivo – CC. “Aqui a idéia é que os
computadores sem conexão são instrumentos subaproveitados e que, na verdade, o
verdadeiro computador é a grande rede” (LEMOS, 2004, p.19). Para ele, a terceira fase
estaria acontecendo agora com o desenvolvimento das tecnologias móveis, seria a vez do
Computador Coletivo Móvel, o CCm . Segundo Lemos, o que está em jogo agora é uma
ampliação generalizada das conexões tipo homem-homem, homem-máquina e máquina-
máquina que estariam sendo “motivadas pelo nomadismo tecnológico da cultura
contemporânea e pelo desenvolvimento da computação ubíqua (LEMOS, 2004, p.19).

Foi desse conceito que o curso Mídias na Educação, oferecido pelo Estado de São Paulo
pelo NCE/USP – Núcleo de Comunicação e Educação, apropriou-se para reformular as
ferramentas e os procedimentos de gerenciamento e comunicação do curso.

O Programa Mídias na Educação

Em 2006, a Secretaria de Educação a Distância do MEC (SEED) criou o Programa de


Formação Continuada a Distância em Mídias na Educação e estabeleceu uma parceria com
a Secretaria de Educação dos estados e das Universidades Públicas. O objetivo era
contribuir para a formação de profissionais da educação, de modo a propiciar um curso que
atendesse à forte demanda por conhecimento na área de Comunicação e Educação na
utilização de tecnologias e diferentes mídias na educação. Assim, o curso Mídias na
Educação foi criado para atender todo o Brasil com os seguintes objetivos :

• destacar as linguagens de comunicação mais adequadas aos processos de ensino


e aprendizagem;
• incorporar programas da Seed (TV Escola, Proinfo, Rádio Escola, Rived), das
instituições de ensino superior e das secretarias estaduais e municipais de
educação no projeto político-pedagógico da escola
• desenvolver estratégias de autoria e de formação do leitor crítico nas diferentes
mídias. (BRASIL, 2009a)

Para isso, foi desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância - SEED do Ministério
da Educação - MEC - um software público, licenciado por meio da GPL-GNU, Licença
Pública Geral. Assim foi criado o ambiente e-Proinfo < http://eproinfo.mec.gov.br/>, um
ambiente colaborativo de aprendizagem que, de acordo com o MEC,

permite a concepção, administração e desenvolvimento de diversos tipos de


ações, como cursos a distância, complemento a cursos presenciais, projetos de
pesquisa, projetos colaborativos e diversas outras formas de apoio a distância e ao
processo ensino-aprendizagem de acordo com ele para abrigar cursos. (BRASIL,
2009b)

No estado de São Paulo, a parceria foi firmada com o Núcleo de Comunicação e Educação
- NCE/USP, por intermédio da Universidade Federal de Pernambuco. O objetivo principal,
para o NCE, era desenvolver autoria e formação de leitura crítica nas diferentes mídias.

Mídias na Educação é um programa de educação a distância, com estrutura mais


adequadas aos processos de ensino e aprendizagem; incorporar programas da
Seed (TV Escola, Proinfo, Rádio Escola, Rived), das instituições de ensino
superior e das secretarias estaduais e municipais de educação no projeto político-
pedagógico da escola e desenvolver estratégias de autoria e de formação do leitor
crítico nas diferentes mídias. (USP, [s.d.] )

E tinha como objetivos específicos:

1. Formar uma Comunidade Virtual que garanta aos educadores das escolas
públicas do Estado de São Paulo a democratização de acesso e domínio das
linguagens de informação e comunicação;

2. Identificar e discutir aspectos teóricos e práticos referentes às mídias


enquanto linguagens de comunicação: sonora, visual, impressa, audiovisual e
informática, ampliando os processos de ensino e aprendizagem;

3. Orientar os docentes na contextualização das várias mídias em seus projetos


pedagógicos a partir de uma perspectiva educomunicativa. (USP, 2008)

Após as duas primeiras ofertas do curso em São Paulo, sob a coordenação do NCE/USP,
foram introduzidas fundamentais mudanças na gestão do curso que acarretaram em maior
eficácia, eficiência e agilidade.
Características da primeira oferta

Na primeira oferta do curso Mídias na Educação no Estado de São Paulo, entre 02/10/2006
e 30/08/2007, as 40 turmas que a compuseram foram divididas em 5 grupos formado por
8 tutores cada.

O coordenador de cada grupo centralizava as informações referentes ao curso,


acompanhava o andamento das atividades dos tutores e enviava essas informações à
Coordenação Geral, ao final de cada um dos 6 módulos, no ciclo básico.

A autonomia de que os grupos dispunham gerou grandes diferenças entre eles. Alguns não
funcionaram adequadamente, enquanto outros foram muito bem administrados.

A planilha de acompanhamento dessa primeira oferta era feita de modo “manual”, ou seja,
os tutores recebiam, ao final do módulo, uma planilha em Excel que deviam preencher.
Muitas vezes, passava-se um longo período de tempo até que ela fosse enviada ao
coordenador e depois à Coordenação Geral.

A estrutura da primeira oferta não privilegiava a comunicação com a Coordenação Geral,


que dispunha de poucos dados sobre o andamento do curso e das turmas, principalmente
em relação ao relatório e à planilha de atividades.

Características da oferta 3

A oferta 3 que aconteceu entre 21 de abril de 2009 e 30 de dezembro de 2009 apresentou


uma série de inovações que, entre outras coisas, sanaram vários problemas apresentados na
oferta 1, muito embora o número de cursistas e de turmas fosse ainda maior: 56 turmas e
mais de 3.000 alunos.

A separação das turmas por grupo foi apenas nominal, não havia um coordenador único
responsável por elas. Em compensação, esses dividiram-se em diferentes tarefas que
abrangiam todos os cursistas. Alguns mecanismos foram instituídos:
• A criação de um e-mail dedicado a cada turma, de modo a facilitar o
acompanhamento das mensagens trocadas entre o tutor, cursista e coordenação.
Esses e-mails mantinham uma senha única que permitia o acesso da Coordenação
sempre que desejasse;
• A utilização do recurso disponível pelo Google Docs, que permitiu a atualização das
planilhas de acompanhamento e seu compartilhamento em tempo real com tutores e
coordenadores, num ambiente que estamos aqui denominando de cloud computing;
• A criação de dois blogs de apoio a cursistas e tutores do curso Mídias na Educação,
para complementação, com tutoriais, dicas e novidades;
• A disponibilização da planilha de atividades de cada turma, atualizada
semanalmente, no blog do curso para acompanhamento dos cursistas;
• A utilização frequente de um fórum de discussão, entre tutores e coordenadores,
para sanar dúvidas por meio do software de comunicação Skype;
• A elaboração de relatórios on-line na finalização dos diferentes módulos;
• A elaboração de relatórios de planejamento on-line na finalização da oferta 3 para
otimizar ações subsequentes.

Na estrutura da oferta 3, os coordenadores dividiram-se por tarefa. Assim, havia um


responsável por monitorar as atividades do ambiente e-proinfo, como o fórum e biblioteca
em especial, verificando a abertura, acompanhando as postagens e dando suporte aos
tutores; outro era responsável por acompanhar as planilhas de atividades postadas no
Google Docs. Um terceiro verificava a qualidade dos trabalhos postados pelos cursistas e
alimentava o segundo blog com eles. E finalmente, outro checava os e-mails do curso e dos
tutores.

O acompanhamento da oferta 3 foi mais frequente, mais rígido, mais impessoal e mais
eficiente nas atividades dos tutores pelos coordenadores. A utilização dessas ferramentas de
gerenciamento foram fundamentais para o sucesso da terceira oferta, com destaque para a
planilha de acompanhamento das atividades que foi disponibilizada no Google Docs e,
posteriormente, colocada no blog de apoio aos cursistas.

O Google Docs
O Google Docs ( Figura 1) é um conjunto de aplicativos disponibilizado em ambiente de
cloud computing, sendo composto por editor de texto, editor de planilha eletrônica, editor
de apresentação, editor de formulário e uma aplicação para edição de desenho.

Figura 1- Site do Google Docs

O Google Docs surge dentro do conjunto de inovações do que se convencionou chamar de


Web 2.0, relacionando-se mais precisamente com a idéia de web como plataforma. Isso
significa pensar a Internet como sendo mais que uma rede de computadores, podendo ser
entendida também como uma plataforma na qual é possível executar softwares antes
exclusivos de desktop. Assim, praticamente todo tipo de tarefa pode ser processada on-line,
da edição de um texto ao tratamento de som e imagem.

Como vantagens para o uso educacional do Google Docs, destacamos:

a) Ubiquidade: Por estar numa “nuvem computacional”, o Google Docs permite


que alunos, professores e administradores acessem os softwares e arquivos a qualquer hora
e de qualquer lugar, basta ter um dispositivo conectado a Internet;

b) Pronto para uso: não é preciso instalar nenhum software na máquina do usuário, basta ter
uma conta de e-mail do Google para começar a utilizar;

c) Facilidade: como interface é semelhante aos softwares correspondentes de desktop mais


populares, como o Microsoft Office e BrOffice, a curva de aprendizagem é baixa;
c) Colaboração: permite que vários atores trabalhem no mesmo arquivo;

d) Compartilhamento: é possível compartilhar as produções de várias modos: por e-mail,


em formato de página web ou embutir-las em qualquer documento HTML editável;

e) Tempo real: permite a visualização instantânea das alterações realizadas pelos diferentes
colaboradores, ou seja, o acesso a versão mais recente de um arquivo é sempre garantida;

f) Custo zero: além de não existir o curso de aquisição, também não há necessidade de
atualizações dos softwares.

O Google Docs permite o trabalho de forma compartilhada e colaborativa com


funcionalidade e eficiência. Armazenados em um só espaço, os trabalhos podem ser
editados por aqueles que têm acesso a ele, evitando assim a criação de diversas versões de
um mesmo documento.

Planilhas, apresentações, documentos e outros podem ser conservados em um local on-


line, com segurança, de onde apenas as pessoas autorizadas possam acessar de modo
simultâneo a partir de qualquer navegador. É possível a apresentação na web ou em
conferências em tempo real, desde que a publicação seja feita previamente e abertamente
para os usuários da Internet.

Figura 2: Visualização do editor de texto do Google Docs


Cloud computing no Mídias

Para poder acompanhar o trabalho dos tutores e seus cursistas, as planilhas anteriormente
utilizadas (ofertas 1 e 2) apenas eram elaboradas ao final do cada módulo e, muitas vezes,
após um longo período de tempo. A Coordenação não tinha dados durante a realização do
módulo.

Na oferta 3, optou-se por pedir a planilha atualizada semanalmente. Para isso, foi utilizado
o Google Docs. Depois de um início de adaptação dos novos procedimentos, instaurou-se
uma rotina muito profícua. Obtinha-se, assim, um banco de dados, em forma de planilha,
ágil e acessível. O objetivo era obter um instrumento que:
• pudesse ser atualizado, editado, frequentemente, sem perda de dados;
• fácil de ser acessado por várias pessoas, ao mesmo tempo;
• pudesse ser editado por essas pessoas.

Estudo do caso

A utilização do Google Docs no Mídias da Educação - São Paulo, ciclo básico da terceira
oferta, mostrou-se eficaz pelo fato de ter possibilitado a visualização em tempo real do
desempenho dos cursistas. Para cada turma foi criada uma planilha referente ao módulo
vigente, que era atualizada pelo tutor na medida em que as tarefas eram realizadas pelos
alunos. O registro dos envios das atividades era realizado sistematicamente, no mínimo,
uma vez por semana. Dessa forma, as planilhas das turmas eram visualizadas pelas três
instâncias do programa: cursistas, tutores e coordenadores/gestores. Uma das vantagens da
atualização constante das planilhas via Google Docs era possibilitar que:
1. A gestão obtivesse dados sistematicamente atualizados dos aspectos gerais e
específicos do programa para identificação imediata dos avanços e problemas, para
tomada de decisão.
2. Os tutores acompanhassem com frequência quase que diária e registrassem o
desempenho de sua turma.
3. Os cursistas verificassem e acompanhassem os conceitos recebidos pelas atividades
enviadas desde que tivessem uma conexão por perto.
4. Os pesquisadores acompanhassem o desdobramento de um programa de formação
de professores continuada e em serviço.
5. Indicadores fossem gerados para avaliação do programa como um todo.

O cursista tinha acesso ao seu desempenho sempre que o desejasse, assim como ao
desempenho de sua turma. Isso era possível verificando os arquivos de todas as turmas por
meio do blog do programa de formação continuada Mídias na Educação – São Paulo :
(http://midiaseducacao.blogspot.com/). Cada participante podia acompanhar o conceito
obtido em cada atividade, seu percentual de participação no módulo e conceito final do
módulo vigente. Em outras planilhas do arquivo da turma, o cursista podia visualizar o seu
desempenho nos diferentes módulos do programa. Existia ainda outra planilha que
apresentava a visão geral do desempenho do cursista como integrante do programa Mídias
na Educação. Para os cursistas, a implementação do arquivo em Excel de cada turma no
Google representou a transparência, organização e possibilidade de cada um acompanhar
seu próprio processo de aprendizado.

Figura 3: Planilha com os conceitos parciais e final obtidos pelo cursista no decorrer do curso

Para o tutor, a inserção do arquivo da turma no Google Docs significou que sua
responsabilidade no acompanhamento e registro on-line dos dados aumentou, pois havia
um integrante da equipe de coordenação responsável pelo acompanhamento do
preenchimento, feito pelos tutores, das planilhas de cada módulo. Assim era
possível verificar o status do desempenho de cada turma no módulo vigente. O
acompanhamento era apresentado semanalmente via e-mail para todos os tutores do
programa Mídias na Educação São Paulo assim como para todos os coordenadores.
Abaixo os conceitos obtidos pelos cursistas em determinado módulo:

Figura 4: Planilha específica de um módulo

O uso Google Docs como ferramenta de suporte à gestão foi fundamental para a tomada de
decisões compartilhadas, no ciclo básico da terceira oferta do programa. Para a visão geral
do desempenho da turma, foi criada uma planilha de distribuição dos conceitos
representados percentualmente em cada módulo do programa assim como a representação
gráfica desses percentuais. Dessa forma, era possível analisar os números e gráficos e
identificar pontos críticos para que ações retificadoras fossem tomadas. Essa planilha fazia
parte do arquivo de todas as turmas, compartilhado para os participantes do programa
Mídias na Educação – São Paulo – terceira oferta.

Na perspectiva da “computação nas nuvens” e no contexto do Programa Mídias na


Educação, o uso do Google Docs permitiu que os tutores atualizem as planilhas sem a
necessidade de possuir o aplicativo Excel instalado em seu computador. O tutor, nesse
sentido, passou a ser coautor de um sistema colaborativo de organização e
compartilhamento de informações que, ao serem socializadas entre os integrantes do
programa, iriam contribuir para:
1. A avaliação do processo de aprendizagem dos professores cursistas;
2. A visualização geral da produção de cada cursista;
3. A visualização geral da produção de cada turma;
4. A visualização geral do acompanhamento de cada tutor;
5. A criação de indicadores gerais que retratem o programa para suas diferentes
instâncias.
Abaixo a distribuição percentual dos conceitos recebidos em cada módulo pela turma 31:

Figura 5: Planilha com percentual de conceitos, por módulo

Os dados obtidos a partir das planilhas on-line geraram indicadores que retrataram totais e
percentuais gerais oferecendo uma visão macro de resultados. Abaixo alguns deles.

Figura 6: Planilha com porcentuais

Identificou-se a potencialidade dos blogs para a apresentação dos desempenhos dos


cursistas. Assim sendo, mais uma vez o conceito de nuvem computacional ou cloud
computing foi utilizado e fez-se presente no universo do Programa Mídias na Educação –
São Paulo – terceira oferta. Esse recurso permitiu que cursistas pudessem conectar-se à
Internet, acessar o blog dos cursistas e visualizar a sua atuação no Programa. As planilhas
on-line também podem ser acessadas via blog dos tutores/coordenadores.
Abaixo a reprodução da tela dos blogs dos cursistas e dos tutores/coordenadores
(http://midiaseducacao.blogspot.com/), local onde os cursistas obtém acesso às
informações do Programa e às planilhas on-line.

Figura 7: Blog do Mídias na Educação

Considerações finais
Com o advento das nuvens computacionais ou computações nas nuvens, ou ainda cloud
computing, as aplicações baseadas em arquiteturas distribuídas por meio da Internet passou
a fazer parte do universo educacional e em especial como importante aliado da EaD. Com o
uso do Google Docs no Programa Mídias na Educação – São Paulo – 3ª oferta, ciclo básico,
foi possível socializar e gerenciar de forma sistemática e aberta as planilhas on-line, os
registros e formulários. Incorporou-se assim, novos recursos ao Programa intervindo
positivamente no diálogo com as diversas instâncias e colaborando com a promoção da
produção colaborativa e formativa dos profissionais da rede pública.

Referências

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