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ANS definirá regras para o VGBL Saúde

Data: 18.02.2011 - Fonte: CVG-SP Apesar de permanecer estacionado sob mesa dos técnicos da Receita Federal há algum tempo, aguardando a definição da forma de tributação diferenciada a ser aplicada, o VBGL Saúde está avançando em outras frentes. O produto, que oferece benefícios fiscais sobre os recursos resgatados exclusivamente para o custeio de gastos com saúde, é uma das grandes apostas do setor para manter o ritmo de crescimento da previdência, juntamente com o VGBL Educação. Ambos já percorreram algumas etapas rumo à regulamentação. Mas, neste mês de fevereiro, o VGBL Saúde deu um passo à frente. Depois de passar pela análise e aprovação da Susep e de outros órgãos ligados ao Ministério da Fazenda, agora o produto deverá ser avaliado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No início deste mês, representantes da Federação Nacional de Previdência e Vida (Fenaprevi) e da Federação Nacional de Saúde (Fenasaúde) apresentaram o projeto de regulamentação do VBGL Saúde ao novo presidente da ANS, Maurício Ceschin. “Como a ANS está sob nova direção, consideramos oportuno reposicioná-la sobre o produto”, disse o vice-presidente da Fenaprevi, Renato Russo, à reportagem do CVG Notícias. Ele conta que o resultado do encontro foi bastante positivo. “A ANS foi muito receptiva ao produto, que se mostrou alinhado com a sua agenda regulatória. Agora, a agência deverá constituir um grupo de trabalho, juntamente com a Susep, para aparar alguma aresta”, revelou. Segundo Renato Russo, a ANS exercerá um papel importante na formatação do VGBL Saúde, que reúne coberturas de previdência e saúde suplementar. “Caberá à ANS definir as regras para a utilização dos recursos em planos de saúde, estabelecendo as condições, os valores e a lista de procedimentos médicos incluídos”, disse. Modelo americano Para o especialista em previdência complementar e diretor executivo da NKL2 Soluções Atuariais, Eder Carvalhaes da Costa e Silva, o VGBL Saúde seria um produto mais completo se fosse acoplado a um plano de saúde. “Da forma como foi concebido, todo o dinheiro eventualmente acumulado pelo cidadão seria gasto na primeira grande cirurgia ou internação”, afirma. Segundo ele, nos Estados Unidos, dois produtos semelhantes ao modelo brasileiro – o FSA (Flexible Spending Accounts) e o HSA (Health Savings Accounts) –, são atrelados a um plano de saúde específico. O FSA, por exemplo, é custeado por empresas aos seus empregados, sem incidência de impostos, e pode ser gasto apenas em despesas médicas não custeadas pelo plano de saúde empresarial. Já o HSA pode ser adquirido apenas por pessoas físicas que possuam um plano de saúde individual para cobertura de grandes riscos, do tipo HDHP, sigla que traduzida para o português

significa planos de saúde com franquia elevada. O especialista explica que as contribuições que não forem gastas anualmente com saúde, são acumuladas em contas individuais. Os resgates feitos antes da aposentadoria, mas não destinados ao pagamento de despesas com saúde, sofrem pesada tributação. Já os resgates feitos após a aposentadoria, mas não destinados ao pagamento de despesas com saúde, têm vantagens fiscais, mas são tributados. Primeiro passo “Embora o VGBL Saúde seja um produto muito bom, sei que para alguns ainda não é perfeito”, reconhece Renato Russo. Para ele, o mercado deve superar essa fase de discussões, porque, enquanto isso, o problema se agrava. “Precisamos dar o primeiro passo. Vamos começar e depois nada impedirá que surjam novos produtos”, disse. Além de permitir acumular recursos para que, no futuro, o consumidor consiga arcar com despesas médicas ou com o pagamento de um plano de saúde, o VGBL Saúde dispõe de outros argumentos positivos. “O produto incentivará a formação de uma poupança de longo prazo, gerando uma nova fonte de recursos para a saúde suplementar. A idéia é que os planos sejam amarrados com um sistema de acumulação, sem que seja preciso esperar anos e anos para isso”, analisa Renato Russo. A boa aceitação da ANS pode significar meio caminho andado para a regulamentação do produto, mas ele admite que algumas etapas ainda precisam ser vencidas até o VGBL Saúde chegar às prateleiras das seguradoras. A mais importante, no momento, é a definição da Receita Federal quanto à forma de tributação, a qual envolverá algum tipo de renúncia fiscal do governo, daí o impasse. “Quando a questão tributária estiver resolvida e for dado o sinal verde, então haverá todo um trâmite regulamentar”, explica. Nesse trâmite, segundo ele, o VGBL Saúde ainda terá de ser aprovado pelo Ministério da Saúde, pelo Congresso Nacional e ser sancionado pela presidente da República.