OUT 1999 NBR ISO 10012-2

Garantia da quaIidade para
equipamentos de medição
Parte 2: Diretrizes para controIe de
processos de medição
Origem: Projeto 25:003.01-002:1999
ABNT/CB-25 - Comitê Brasileiro da Qualidade
CE-25:003.01 - Comissão de Estudo de Equipamentos de Medição
NBR ÌSO 10012-2 - Quality assurance for measuring equipment - Part 2:
Guideli nes for control of measurement process
Descriptors: Measuring instruments. Quality assurance. Specifications.
Measurement. Measuring systems. Control procedures
Esta Norma é equivalente à ÌSO 10012-2:1997
Válida a partir de 29.11.1999
Palavras-chave: Ìnstrumentos de medição. Garantia da
quali dade. Especificações. Medição.
Sistemas de medição. Procedimentos de
controle
15 páginas
Sumário
Prefácio
Ìntrodução
1 Objetivo
2 Referências normativas
3 Definições
4 Requisitos
4.1 Aspectos gerais
4.2 Documentação
4.3 Processos de medição
4.4 Planejamento e projeto dos processos de medição
4.5 Sistema de comprovação metrológica
4.6 Sistema de controle dos processos de medição
4.7 Análise dos dados para controle dos processos de medição
4.8 Supervisão dos processos de medição
4.9 Ìntervalos de supervisão
4.10 Ìndicação de falhas do processo de medição controlado
4.11 Verificação do processo de medição
4.12 Ìdentificação dos processos de medição verificados
4.13 Registros do controle dos processos de medição
4.14 Pessoal
4.15 Auditoria e revisão periódica do sistema de controle dos processos de medição
ANEXO A: Visão geral
A.1 Generalidades
A.2 Uso de padrões de controle
A.3 Freqüência de monitoração dos processos de medição
A.4 Monitoração dos limites de controle
ANEXO B: Bibliografia
Prefácio
A ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo
conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ONS),
são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo
parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros).
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NBR ÌSO 10012-2:1999
2
Esta Norma é uma tradução da ÌSO 10012-2:1997, já incorporando as decisões tomadas na reunião plenária do SO/TC/176
de 1997, realizada no Rio de Janeiro, na qual decidiu-se orientar os Organismos Nacionais de Normalização a alterar tanto
na ÌSO 10012-1 quanto na ÌSO 10012-2 o termo •RecomendaçõesŒ para •requisitosŒ. Esta alteração está sendo conside-
rada na revisão em curso na ÌSO.
A NBR ÌSO 10012 consiste nas seguintes partes, sob o título geral •Requisitos de garantia da qualidade para equipamento
de mediçãoŒ:
- Parte 1: Sistema de comprovação metrológica para equipamento de medição
- Parte 2: Diretrizes para controle de processos de medição
A Parte 1 (sob revisão) foi publicada com o título •Requisitos de garantia da qualidade para equipamento de medição -
Parte 1: Sistema de comprovação metrológica para equipamento de mediçãoŒ.
Os anexos A e B desta parte da NBR ÌSO 10012 são somente para informação.
Introdução
A NBR ÌSO 10012 é parte da família de normas NBR ÌSO 9000.
Esta parte da NBR ÌSO 10012 tem por objetivo servir de documento-guia para gestão da qualidade ou como documento de
requisitos mediante acordo entre o fornecedor e o cliente. Esta Norma está redigida no contexto de um cliente e um
fornecedor, sendo ambos os termos interpretados em sentido amplo. O •fornecedorŒ pode se tratar de um fabricante, um
instalador ou uma empresa prestadora de serviços. O •clienteŒ pode ser um comprador ou cliente que utilize um produto. Os
fornecedores tornam-se clientes quando adquirem produtos dos fornecedores ou de outras fontes externas.
Recomenda-se que seja feita referência a esta Norma:
- por um comprador ao especificar produtos solicitados;
- por um fornecedor ao especificar produtos oferecidos;
- por interesse de um consumidor ou empregado, ou por órgãos legislativos ou de regulamentação;
- na avaliação e auditoria do controle dos sistemas de medição.
Esta parte da NBR ÌSO 10012 inclui (na seção 4) tanto recomendações quanto orientações. Foi escrita no contexto de um
cliente e um fornecedor para um produto, com todos os termos interpretados em sentido amplo, como apresentado na
NBR ÌSO 8402.
Para que se faça clara distinção entre requisitos e orientações, a seção 4 destaca as orientações, grafando-as em itálico e
colocando-as em uma caixa de texto após cada parágrafo correspondente, sob o cabeçalho •ORÌENTAÇÃOŒ.
O texto em destaque sob a denominação •ORÌENTAÇÃOŒ é apenas para informação e não contém requisitos. As afirma-
ções aí contidas não devem ser interpretadas como adicionais, limitadoras ou modificadoras de qualquer requisito.
A parte 1 da NBR ÌSO 10012 contém requisitos gerais de garantia da qualidade para o controle de equipamento de medi-
ção. A parte 2 fornece orientações adicionais na aplicação do controle estatístico do processo, quando isto for apropriado
para atingir objetivos da parte 1.
A medição deve ser considerada um processo global. Os métodos para o controle dos processos de medição, baseados na
monitoração regular e na análise dos dados de medição, são aplicáveis em todos os níveis de medição, abrangendo desde
a calibração dos padrões de medição do fornecedor, por parte de um laboratório de metrologia externo, até as medições de
rotina do próprio fornecedor. Procedimentos para o controle dos processos de medição podem ser usados:
- para detectar variações não usuais na operação do processo de medição;
- para detectar problemas com a repetitividade;
- para identificar e quantificar fatores de compensação ou correção para qualquer desvio;
- para auxiliar na identificação de variações periódicas previsíveis, incluindo variações cíclicas;
- para prover alguma documentação necessária para os requisitos da garantia da qualidade.
Este conceito de •Controle do Processo de MediçãoŒ também é conhecido como •Garantia de MediçãoŒ.
Na prática, o controle dos processos de medição aplica-se especificamente aos sistemas de medição críticos ou complexos
(como, por exemplo, para fins econômicos ou de segurança). Um fornecedor pode considerar que o sistema de compro-
vação especificado na NBR ÌSO 10012-1 fornece controle adequado para processo de rotina, tais como ensaios de compo-
nentes não-críticos.
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NBR ÌSO 10012-2:1999 3
O Sistema de Comprovação Metrológica descrito na NBR ÌSO 10012-1 destina-se a assegurar que as medições (reali-
zadas com o uso de equipamentos que estão dentro do seu intervalo de comprovação) são suficientemente exatas para o
fim a que se destinam. No entanto, enquanto o intervalo de comprovação, baseado na experiência, garante uma elevada
probabilidade de que o equipamento ainda esteja funcionando corretamente ao final do seu prazo de comprovação, não
existe qualquer garantia contra falhas aleatórias ou insuspeitas e danos não facilmente visíveis. Adicionalmente, o sis-
tema de comprovação metrológica não oferece qualquer garantia de que o equipamento de medição esteja sendo usado
corretamente. É possível que até o mais exato equipamento de medição forneça resultados incorretos se usado indevida-
mente. Procedimentos de medição corretamente elaborados e redigidos devem constituir uma garantia, mas nem sempre
é possível assegurar que os procedimentos estejam sendo devidamente seguidos ou observados. O controle das medi-
das como processos, de acordo com a parte 2 da NBR ÌSO 10012, reduz as possibilidades de problemas provenientes de
falhas aleatórias, danos ou mau uso. A eficácia ou grau de tais reduções é determinada por quão freqüentemente as
verificações (controles do processo) são realizadas. A freqüência é uma questão de julgamento comercial ou gerencial e,
portanto, recomendações específicas (quantificadas) referentes à freqüência não serão feitas nesta parte da
NBR ÌSO 10012.
O equipamento de medição é apenas um entre os diversos fatores que afetam ou interferem nas medições. O conceito de
•Processo de mediçãoŒ considera a medição como um processo completo, partindo da análise das implicações das bases
científicas da medição, rastreabilidade dos valores dos padrões de medição, calibração e, se necessário, ajuste através
da verificação e comprovação metrológica aos resultados produzidos pelo equipamento de medição no local de trabalho e
sob as condições de uso.
A operação do sistema de comprovação metrológica freqüentemente implica o deslocamento do equipamento de medição
do seu local de uso em geral para um laboratório central de metrologia, para fins de calibração, ajuste ou reparo, se ne-
cessário, verificação e recomprovação. Nota-se freqüentemente que tal equipamento está, de fato, operando correta-
mente, sem necessidade de reparos ou ajustes. Na realidade, se isso não ocorresse com a maioria dos equipamentos,
haveria uma chance significativa de que resultados incorretos fossem obtidos com os mesmos na medida em que se
aproximasse o final do seu intervalo de comprovação. Se o equipamento de medição retornar para comprovação, sim-
plesmente por ter chegado ao fim do intervalo e estiver funcionando corretamente, é possível argumentar que ele poderia
ter permanecido em uso, por conveniência e economia. Os riscos de obtenção de resultados incorretos geralmente im-
põem que este argumento não seja aceito.
A combinação da comprovação metrológica com o controle dos processos de medição, considerada adequada, depende,
entre outros aspectos, de fatores econômicos, de segurança e de adequação ao uso.
Uma visão geral do conceito de considerar o controle de instrumentos e equipamentos como processos contínuos é apre-
sentada no anexo A.
Uma lista de referências informativas é apresentada no anexo B.
Requisitos de garantia da qualidade para equipamento de medição.
1 Objetivo
Esta parte da NBR ÌSO 10012 contém os requisitos de garantia da qualidade que podem ser utilizados por um fornecedor
para oferecer ampla garantia de que as medições sejam efetuadas com a exatidão pretendida. Esta parte também con-
tém as recomendações para a implementação dos requisitos.
O objetivo desta parte da Norma é servir de guia para gestão da qualidade ou como documento de requisitos mediante
acordo entre o fornecedor e o comprador.
Esta parte da NBR ÌSO 10012 aplica-se aos processos de medição. Trata dos elementos que podem afetar os resultados
da medição, tais como procedimentos de medição, pessoal, etc., não extensivamente cobertos na NBR ÌSO 10012-1.
1.1 Esta parte da NBR ÌSO 10012 aplica-se a:
- organizações onde a medição seja utilizada para demonstrar a conformidade com requisitos especificados;
- fornecedores de produtos que operem um sistema da qualidade em que os resultados de medição sejam usados
para demonstrar atendimento aos requisitos especificados; incluem-se aí os sistemas operacionais que atendem aos
requisitos das NBR ÌSO 9001, NBR ÌSO 9002 e NBR ÌSO 9003.
2 Referências normativas
As normas relacionadas a seguir contêm disposições que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta
parte da NBR ÌSO 10012. As edições indicadas estavam em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está
sujeita a revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se
usarem as edições mais recentes das normas citadas a seguir. A ABNT possui a informação das normas em vigor em um
dado momento.
NBR ÌSO 8402:1994 - Gestão da qualidade e garantia da qualidade - Terminologia
NBR ÌSO 10012-1:1993 - Requisitos de garantia da qualidade para equipamento de medição - Parte 1: Sistema de
comprovação metrológica para equipamento de medição
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NBR ÌSO 10012-2:1999
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3 Definições
Para os propósitos desta parte da NBR ÌSO 10012, as definições apresentadas na NBR ÌSO 8402 e as seguintes são
aplicáveis. Grande parte dessas definições baseia-se no vocabulário internacional de termos fundamentais e gerais de me-
trologia (VÌM) (Portaria nÿþ29, de 10/03/1995 - ÌNMETRO). Algumas delas foram obtidas da NBR ÌSO 10012-1. Números de
referência relevantes são apresentados entre colchetes após as definições. Estas definições estão incluídas para facilitar a
compreensão dos conceitos utilizados nesta parte da NBR ÌSO 10012, sem a necessidade de consultar muitos outros do-
cumentos.
3.1
exatidão da medição
Grau de concordância entre o resultado de uma medição e um valor verdadeiro do mensurando.
NOTAS
1 •ExatidãoŒ é um conceito qualitativo.
2 O termo precisão não deve ser utilizado como exatidão.
[VÌM:1993, 3.5]
3.2
ajuste (de um instrumento de medição)
Operação destinada a fazer com que um instrumento de medição tenha desempenho compatível com o seu uso.
NOTA - O ajuste pode ser automático, semi-automático ou manual.
[VÌM:1993, 4.30]
3.3
caIibração
Conjunto de operações que estabelece, sob condições específicas, a relação entre os valores indicados por um instru-
mento de medição ou sistema de medição ou os valores representados por uma medida materializada ou um material de
referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões.
NOTAS
1 O resultado de uma calibração permite tanto o estabelecimento dos valores do mensurando para as indicações, como a determinação
das correções a serem aplicadas.
2 A calibração pode, também, determinar outras propriedades metrológicas como o efeito das grandezas de influência.
3 O resultado de uma calibração pode ser registrado em um documento, algumas vezes denominado certificado de calibração ou relatório
de calibração.
[VÌM:1993,6.11]
3.4
padrão de controIe
Equipamento de medição, produto, ou outro objeto servindo para coletar um dado base para o controle de um processo de
medição, por estar sendo medido por este processo.
NOTAS
1 Ver também VÌM:1993, 6.7, nota 2.
2 Um padrão de controle deve somente ser usado como padrão de controle.
3 Uma visão geral do uso dos padrões de controle é dada no anexo A.
3.5
controIe dos processos de medição
Monitoração e análise dos dados obtidos de um processo de medição, juntamente com as ações corretivas, tendo como objetivo
manter continuamente o processo de medição dentro das especificações.
NOTA - Ìsso pode incluir o uso de padrões de controle, gráficos de controle ou equivalentes.
3.6
erros máximos admissíveis (de um instrumento de medição)
Iimites de erros admissíveis (de um instrumento de medição)
Valores extremos de um erro admissível por especificações, regulamentos, etc., para um dado instrumento de medição.
[VÌM:1993,5.21]
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NBR ÌSO 10012-2:1999 5
3.7
mensurando
Grandeza específica submetida à medição.
EXEMPLO - pressão de vapor de uma dada amostra de água a 20°C.
NOTA - A especificação de um mesurando pode requerer informações de outras grandezas como tempo, temperatura ou pressão.
[VÌM:1993,2.6]
3.8
medição
Conjunto de operações que tem por objetivo determinar o valor de uma grandeza.
NOTA - As operações podem ser realizadas automaticamente.
[VÌM:1993,2.1]
3.9
procedimento de medição
Conjunto de operações, descritas especificamente, usadas na execução de medições particulares, de acordo com um
dado método.
NOTA - Um procedimento de medição é usualmente registrado em um documento, que algumas vezes é denominado procedimento de
medição (ou método de medição) e normalmente tem detalhes suficientes para permitir que um operador execute a medição sem infor-
mações adicionais.
[VÌM:1993,2.5]
3.10
processo de medição
Conjunto de recursos, atividades e influências inter-relacionadas que produzem uma medição.
NOTAS
1 Os recursos envolvidos incluem equipamento de medição, procedimentos de medição e operador.
2 •ÌnfluênciasŒ são todos os fatores, tais como os causados pelo ambiente, que possam ou não ser controlados ou controláveis e que
contribuem para a variabilidade ou tendência do processo.
3 Ver também a definição 1.2 •processoŒ da NBR ÌSO 8402.
4 Um processo de medição pode consistir em medições feitas, por exemplo, por:
a) vários operadores utilizando um instrumento de medição de uso geral, em condições reais de trabalho, empregando métodos ou
procedimentos informais; ou
b) técnicos treinados de laboratórios de calibração utilizando um sistema de medição com banho de óleo de temperatura controlada,
resistores-padrão de referência, comparadores e outros equipamentos;
c) auxiliares, e seguindo um procedimento detalhado para calibração de outros resistores-padrão; ou qualquer combinação ou varia-
ção dos dois exemplos anteriores.
5 Um processo de medição pode consistir no emprego de um único instrumento de medição.
3.11
equipamento de medição
Todos os instrumentos de medição, padrões de medição, materiais de referência, dispositivos auxiliares e instruções ne-
cessárias para a execução da medição, incluindo o equipamento de medição usado no decorrer do ensaio e da inspeção,
assim como aquele usado na calibração.
NOTAS
1 Este termo inclui o equipamento de medição usado no decorrer da inspeção e ensaio, bem como aquele utilizado na calibração.
2 Nesta parte da NBR ÌSO 10012 considera-se que a expressão •equipamento de mediçãoŒ engloba •instrumentos de mediçãoŒ. Além
disso, um •material de referênciaŒ é considerado uma espécie de •padrão de mediçãoŒ.
[Adaptado da NBR ÌSO 10012-1:1992, 3.2]
3.12
instrumento de medição
Dispositivo utilizado para uma medição, sozinho ou em conjunto com dispositivo(s) complementar(es).
[VÌM:1993,4.1]
Cópia não autorizada
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3.13
comprovação metroIógica
Conjunto de operações necessárias para assegurar-se de que um dado equipamento de medição está em condições de
conformidade com os requisitos para uso pretendido.
NOTAS
1 Comprovação metrológica normalmente inclui, entre outras atividades, calibração, qualquer ajuste ou reparo necessário e a subseqüente
recalibração, assim como qualquer lacração ou etiquetagem que se faça necessário.
2 Nesta NBR ÌSO 10012-2 faz-se referência a este termo usando-se apenas •comprovaçãoŒ.
[NBR ÌSO 10012-1:1992, 3.1]
3.14
auditoria da quaIidade
Exame sistemático e independente, para determinar se as atividades da qualidade e seus resultados estão de acordo com
as disposições planejadas, se estas foram implementadas com eficácia e se são adequadas à consecução dos objetivos.
NOTAS
1 A auditoria da qualidade se aplica essencialmente, mas não está limitada, a um sistema da qualidade ou aos elementos deste, a pro-
cessos, a produtos ou a serviços. Tais auditorias são chamadas, freqüentemente, de •auditoria do sistema da qualidadeŒ, •auditoria da
qualidade do processoŒ, •auditoria da qualidade do produtoŒ, •auditoria da qualidade do serviçoŒ.
2 As auditorias da qualidade são executadas por pessoas que não têm responsabilidade nas áreas a serem auditadas, mas que, de
preferência, trabalhem em cooperação com o pessoal destas áreas.
3 Um dos objetivos de uma auditoria da qualidade é avaliar a necessidade da melhoria ou de ação corretiva. Não se deve confundir a
auditoria com atividades de •supervisão da qualidadeŒ ou inspeção, executadas com o propósito do controle do processo ou aceitação de
produto.
4 As auditorias da qualidade podem ser realizadas com propósitos internos ou externos à organização.
[NBR ÌSO 8402:1994, 4.9]
3.15
resoIução (de um dispositivo mostrador)
A menor diferença entre indicações de um dispositivo mostrador que pode ser significativamente percebida.
NOTAS
1 Para dispositivo mostrador digital, é a variação na indicação quando o dígito menos significativo varia de uma unidade.
2 Este conceito também se aplica a um dispositivo registrador.
[VÌM:1993,5.12]
3.16
estabiIidade
Aptidão de um instrumento de medição em conservar constantes suas características metrológicas ao longo do tempo.
NOTAS
1 Quando a estabilidade for estabelecida em relação a uma outra grandeza que não o tempo, isto deve ser explicitamente mencionado.
2 A estabilidade pode ser quantificada de várias maneiras, por exemplo:
- pelo tempo no qual a característica metrológica varia de um valor determinado;
ou
- em termos da variação de uma característica em um determinado período de tempo.
[VÌM:1993,5.14]
3.17
rastreabiIidade
Propriedade do resultado de uma medição ou do valor de um padrão estar relacionado a referências estabelecidas,
geralmente padrões nacionais ou internacionais, através de uma cadeia contínua de comparações, todas tendo incertezas
estabelecidas.
NOTAS
1 O conceito é geralmente expresso pelo adjetivo rastreável.
2 Uma cadeia contínua de comparações é denominada cadeia de rastreabilidade.
[VÌM:1993,6.10]
Cópia não autorizada
NBR ÌSO 10012-2:1999 7
3.18
incerteza de medição
Parâmetro associado ao resultado de uma medição, que caracteriza a dispersão dos valores que podem ser fundamen-
talmente atribuídos a um mensurando.
NOTAS
1 O parâmetro pode ser, por exemplo, o desvio-padrão (ou um múltiplo dele), ou a meia extensão de um intervalo que tenha uma mar-
gem de segurança definida.
2 A incerteza da medição inclui, em geral, muitos fatores. Alguns deles podem ser estimados com base na distribuição estatística de re-
sultados de séries de medições e podem ser caracterizados por desvios-padrão experimentais. Os outros componentes, que também po-
dem ser caracterizados por desvios-padrão, são avaliados por meio de distribuição de probabilidades assumidas, baseadas na ex-
periência ou em outras informações.
3 Entende-se que o resultado da medição é a melhor estimativa do valor do mensurando, e que todos os componentes da incer-
teza, incluindo aqueles resultantes dos efeitos sistemáticos, como os associados com correções e padrões de referência, contri-
buem para a dispersão.
[VÌM:1993,3.9]
4 Esta definição foi extraída do •Guia para expressão de incerteza da mediçãoŒ, no qual sua fundamentação é detalhada (ver, em parti-
cular, 2.2.4 e o anexo D).
3.19
verificação
Confirmação, por exame e fornecimento de evidência objetiva, do atendimento aos requisitos especificados.
NOTAS
1 No projeto e desenvolvimento, a verificação refere-se ao processo de examinar o resultado de dada atividade para determinar sua con-
formidade com os requisitos estabelecidos para a mesma atividade.
2 O termo •verificadoŒ é usado para designar o estado após a verificação.
[NBR ÌSO 8402:1994, 2.17]
4 Requisitos
4.1 Aspectos gerais
Cabe ao fornecedor estabelecer e documentar os critérios e procedimentos objetivos de desempenho e controle dos pro-
cessos de medição. Estes critérios e procedimentos devem ser específicos na medida em que os processos de medição
estão sujeitos as determinações desta parte da NBR ÌSO 10012.
O fornecedor deve assegurar que todos os procedimentos sejam adequados às suas finalidades. Os procedi-
mentos devem conter as informações suficientes para garantir a sua implementação correta, para assegurar a con-
sistência de utilização entre uma aplicação e outra, bem como a obtenção de resultados de medição válidos.
Os procedimentos devem proporcionar a detecção imediata de desvios que excedam os limites de tolerância estabe-
lecidos, e sua correção em tempo hábil.
Os procedimentos devem ser colocados à disposição do pessoal envolvido na realização das medições e do con-
trole dos processos de medição.
ORIENTAÇÃO
Os procedimentos poderão incluir, mas não se limitar, a compilação das publicações referentes às práticas de controle
dos processos de medição. O nível de detalhes dos procedimentos deve ser compatível com a complexidade das me-
dições e do controle dos processos de medição.
Não é econômico para o fornecedor e o cliente controlar todos os processos de medição igualmente. Eles deverão
examinar os processos de medição complexos e chegar a um acordo quanto aos requisitos e as partes do processo
consideradas críticas e adequadas para aplicação dos requisitos desta parte da NBR ISO 10012.
4.2 Documentação
O fornecedor deve documentar os métodos utilizados para implementar cada requisito desta parte da NBR ÌSO 10012.
Estes documentos deverão ser parte integrante do sistema da qualidade do fornecedor e devem ser específicos em ter-
mos de quais itens do equipamento (inclusive hardware e software) que estão incluídos em cada processo de medição.
Os referidos documentos deverão conter as atribuições de responsabilidades e as ações a serem tomadas. O desempe-
nho previsto para o processo de medição deve também ser documentado.
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NBR ÌSO 10012-2:1999
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ORIENTAÇÃO
A documentação deve incluir, por exemplo:
- especificação dos instrumentos de medição;
- procedimentos de medição;
- instruções para operador;
- relatórios de validação;
- relatórios de verificação;
- estimativas de incertezas das medições;
- limites de erro permissíveis;
- detalhes de e/ou listagens de programas de computador utilizados.
NOTA - A palavra •DocumentaçãoŒ é usada no sentido mais amplo possível para cobrir todos os significados de registro e informação apre-
sentada.
4.3 Processos de medição
As características de desempenho requeridas para o uso pretendido do processo de medição devem ser definidas.
ORIENTAÇÃO
Exemplos de características para instrumentos, equipamentos ou métodos incluem:
- incerteza no uso;
- estabilidade;
- faixa;
- resolução;
- repetitividade;
- reprodutibilidade;
- habilidade do operador
Outras características podem ser importantes para alguns processos de medição.
Os processos de medição e a respectiva documentação devem ser mantidos de forma a considerar e incluir quaisquer cor-
reções, condições de uso (incluindo as condições ambientais), etc. que sejam necessárias para que se obtenha o de-
sempenho previsto.
O fornecedor deve especificar e documentar na íntegra cada processo de medição submetido a controle.
A especificação completa de cada processo de medição deve incluir a identificação de todos os equipamentos relevantes,
procedimentos de medição, software de medição, condições de uso, capacitação do operador e quaisquer outros fatores
que afetem a confiabilidade da medição.
ORIENTAÇÃO
Um processo de medição pode ser limitado ao uso de um único instrumento de medição.
Pretende-se que esta parte da NBR ISO 10012 se aplique ao controle dos processos de medição, principalmente no
que diz respeito ao uso de padrões de controle.
4.4 PIanejamento e projeto dos processos de medição
O fornecedor deve determinar os limites de incerteza e os requisitos operacionais dos processos de medição com base nas
necessidades do comprador. Os processos de medição projetados para atender a estas necessidades devem ser com-
pletamente documentados e, se necessário, acordados com o comprador. Ìsto é particularmente importante para processos
de medição novos para o fornecedor e/ou onde dados relevantes do processo são insuficientes.
ORIENTAÇÃO
Todas as grandezas de influência que afetam a obtenção dos requisitos do processo de medição devem ser
identificadas. O impacto das grandezas de influência sobre o processo de medição deve ser quantificado. Pode ser
necessário projetar e realizar experimentos ou investigações específicas para isto. Quando isto não é possível, devem
ser usados os dados, especificações e advertências fornecidas pelo fabricantes do instrumento (ou equipamento).
Cópia não autorizada
NBR ÌSO 10012-2:1999 9
4.5 Sistema de comprovação metroIógica
Todos os equipamentos de medição essenciais ao correto desempenho dos processos de medição devem estar em total
conformidade com a NBR ÌSO 10012-1.
As informações coletadas para o controle do processo de medição pelo uso de padrões de controle podem auxiliar na
determinação dos intervalos de calibração como requerido pela NBR ÌSO 10012-1
4.6 Sistema para ControIe dos Processos de Medição
O fornecedor deve implementar um sistema para o controle do processo de medição que seja adequado para assegurar
que o desempenho do processo de medição esteja dentro dos limites de incerteza requeridos. Este sistema deve levar
em conta qualquer risco de falha definido e aceito que esteja de acordo com os requisitos especificados. O fornecedor
deve ter condições de demonstrar ao cliente que o desempenho previsto é atingido.
O fornecedor deve seguir procedimentos documentados ao tomar decisões com base nos dados provenientes dos siste-
mas de controle dos processos de medição.
4.7 AnáIise dos Dados para ControIe dos Processos de Medição
Para cada processo de medição submetido a controle, o fornecedor deve identificar os elementos do processo de medi-
ção para análise e deve estabelecer os limites apropriados para estes elementos.
ORIENTAÇÃO
Por exemplo: para o processo de medição da impedância, a resistência pode ser escolhida como um elemento para
análise.
A escolha dos elementos e limites de controle deve ser tal que mantenha a exatidão de medição requerida, compatível
com o risco de falha para concordar com os requisitos especificados. Este pode incluir os efeitos dos operadores, equipa-
mento, condições ambientais, grandezas de influência, método aplicado, etc.
O fornecedor deve documentar as fontes conhecidas de variabilidade de medição que não estão incluídas no processo
especificado e deve documentar como as contribuições da incerteza são computadas na incerteza da medição
ORIENTAÇÃO
Diferentes conjuntos de variáveis do processo especificado podem resultar em processos de medição que diferem em
um específico nível de significância (ver ISO 5725). A existência ou a ausência de diferenças estatisticamente sig-
nificativas deve ser documentada. Esta documentação pode ser parte do balanço global de incerteza de medição para o
processo.
EXEMPLOS:
1 A variabilidade ou tendência de um padrão de trabalho pode ser quantificada por meios tais como gráfico de tendência
ou equivalentes.
2 Uma diferente composição da equipe que executa o processo de medição ou uma diferente faixa de condições am-
bientais pode constituir um processo que difere no nível de significância especificado.
4.8 Supervisão do processo de medição
O controle dos processos de medição deve ser conduzido de acordo com os procedimentos documentados, aplicando os
princípios de controle de processos geralmente aceitos.
O processo de medição controlado deve ser monitorado em um ou mais valores do mensurando. Estes valores devem ser
apropriados à faixa de valores em que o processo é utilizado.
Os resultados obtidos devem ser registrados.
ORIENTAÇÃO
O uso de padrões de controle com gráficos de controle pode mostrar objetivamente adequação com esta recomen-
dação. Os gráficos de controle demonstram o desempenho real, o que facilita a auditoria, mas eles podem ser pronta-
mente substituídos por métodos numéricos equivalentes. Outros métodos de supervisão são aceitáveis somente se
forem baseados nos princípios de controle de processo geralmente aceitos.
Uma série de medições do padrão de controle pode ser analisada utilizando-se um gráfico de controle ou meios equiva-
lentes, para julgar se um determinado processo de medição está ou não em estado de controle.
NOTA - O uso de padrões de controle e gráficos de controle pode não identificar todos os erros que podem advir no ou do processo de
medição.
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4.9 IntervaIos de supervisão
O fornecedor deve documentar, através de procedimento ou de outro meio, os intervalos nos quais o processo está sendo
controlado.
ORIENTAÇÃO
Inicialmente a freqüência de controle deve ser elevada mas, na medida em que o processo se mostra confiável, a fre-
qüência pode ser reduzida, se isto se mostrar apropriado. (Ver ISO 8258:1991, 10.4).
4.10 FaIha indicada de um processo de medição controIado
Quando um parâmetro relevante do processo de medição exceder os limites especificados, ou quando uma seqüência de
verificações apresentar um comportamento inaceitável, o fornecedor deve também adotar ação corretiva para resgatar as
condições de controle do processo de medição, ou confirmar que o mesmo permanece sob controle.
O fornecedor deve documentar os critérios adotados para a tomada da ação corretiva.
Quando o sistema de controle do processo de medição indicar uma falha para atender os requisitos definidos para o
processo de medição, o fornecedor deve adotar as ações corretivas necessárias. O fornecedor deve documentar estas
ações corretivas.
ORIENTAÇÃO
As ações corretivas que podem ser adotadas quando o desempenho programado não atender aos objetivos propostos,
por exemplo, consistem em:
- redução dos intervalos entre as verificações de um ou mais processos ou dos instrumentos utilizados em um ou
mais processos;
- reparação ou eliminação dos instrumentos instáveis ou não confiáveis;
- aumento do intervalo de tempo de realização das medições;
- redução da incerteza aceitável para o equipamento de medição quando da comprovação (i.e. aumento da exatidão
requerida para o equipamento de medição);
- aumento do número de grandezas de influência a serem controladas;
- melhorar a qualificação do operador.
4.11 Verificação do processo de medição
Os resultados da supervisão do processo de medição e de quaisquer ações corretivas resultantes devem ser documen-
tados pelo fornecedor para demonstrar que o processo de medição que está sendo verificado está continuamente coerente
com os requisitos acordados (estabelecidos).
A documentação da verificação referente a cada processo de medição deve assegurar que os resultados da calibração dos
equipamentos de medição podem ser rastreados aos padrões de medição utilizados, dentro da incerteza declarada.
ORIENTAÇÃO
Para rastreabilidade aplicada aos padrões de medição, ver a NBR ISO 10012-1, 4.15.
4.12 Identificação dos processos de medição verificados
Os elementos de um processo de medição verificado devem ser claramente identificados, individualmente ou coletivamen-
te.
Os instrumentos ou equipamentos comprovados para uso somente em um processo ou processos particulares de medição
devem ser claramente identificados ou etiquetados para indicar este fim. Ìsto é particularmente importante quando instru-
mentos usados para controle de produção são também utilizados para medições do padrão de controle.
4.13 Registros do controIe dos processos de medição
O fornecedor deve manter registros suficientes para demostrar a conformidade com os requisitos do sistema de controle do
processo de medição, incluindo:
- uma completa descrição do sistema de controle do processo de medição implementado, abrangendo todos os elementos
específicos, ou seja, os operadores, os equipamentos de medição empregados, os padrões de controle usados e as
condições relevantes de operação.
ORIENTAÇÃO
A identificação dos lotes pode adequar-se aos itens consumíveis usados no controle do processo de medição.
- os dados relevantes obtidos a partir do sistema de controle dos processos de medição, incluindo qualquer informação
relevante para a incerteza da medição;
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- quaisquer ações tomadas como um resultado dos dados de controle do processo de medição;
- as datas nas quais cada atividade de controle do processo de medição foi realizada pela supervisão do fornecedor e
pelo programa de verificação;
- identificação de qualquer verificação relevante e de outros documentos;
- identificação da pessoa responsável pelo fornecimento das informações nos registros;
- qualificações do pessoal (pré-requisitos e as adquiridas).
O fornecedor deve manter procedimentos documentados para a retenção e salvaguarda dos registros. O tempo de re-
tenção desses registros deve ser estabelecido e documentado.
4.14 PessoaI
O fornecedor deve garantir que todos os controles dos processos de medição sejam realizados por pessoal que tenha
adequada qualificação, treinamento, experiência, aptidão e supervisão. O fornecedor deve especificar a apropriada qua-
lificação, treinamento, experiência e supervisão para o pessoal envolvido nas atividades de controle do processo de me-
dição, e garantir que o pessoal atenda a estas especificações.
4.15 Auditoria periódica e revisão do sistema de controIe dos processos de medição
O fornecedor deve realizar ou providenciar a realização de auditorias da qualidade, periódica e sistemática no sistema de
controle dos processos de medição, a fim de assegurar a contínua e efetiva implementação e adequação com os requi-
sitos desta parte da NBR ÌSO 10012. Baseado nos resultados das auditorias da qualidade dos sistemas de controle dos
processos de medição e em outros fatores relevantes, tais como comentários dos clientes, o fornecedor deve revisar e
modificar o sistema de controle do processo de medição, conforme necessário.
Planos e procedimentos para a auditoria da qualidade e revisão do sistema de controle do processo de medição devem
ser documentados. A condução da auditoria da qualidade e revisão, e quaisquer ações corretivas subseqüentes, devem
ser registradas.
ORIENTAÇÃO
Falhas no sistema de controle dos processos de medição devido, por exemplo, à deterioração do padrão de controle ou
à mudança na qualificação do operador, podem ser reveladas por ocasião de:
- análises de gráficos de controle;
- inspeções subseqüentes;
- comparações interlaboratoriais;
- reclamação do cliente.
_________________
/ANEXO A
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Anexo A (informativo)
Visão geraI
A.1 GeneraIidades
O objetivo deste anexo é dar uma visão geral do controle das medições como um processo contínuo e não como ações
isoladas. Concentra-se na descrição do uso de padrões de controle. Como o controle dos processos de medição é uma
abordagem relativamente nova para o controle de medidas, uma bibliografia é fornecida no anexo B. Estas referências,
embora não esgotem o assunto, descrevem os fundamentos do controle dos processos de medição, ajudam a resolver os
problemas e contribuem para a melhoria da qualidade do produto.
Até o momento, a maioria da literatura sobre controle de processos de medição foi escrita com referência à •Garantia da
MediçãoŒ.
Para auxiliar o usuário desta parte da NBR ÌSO 10012 a entender alguns dos conceitos apresentados neste anexo, as se-
guintes definições adicionais são apresentadas.
A.1.1
tendência (de um instrumento de medição)
Erro sistemático da indicação de um instrumento de medição.
NOTA - Tendência de um instrumento de medição é normalmente estimada pela média dos erros de indicação de um número apropriado
de medições repetidas.
[VÌM:1993, 5.25]
A.1.2
VaIor verdadeiro convencionaI (de uma grandeza)
Valor atribuído a uma grandeza específica e aceito, às vezes por convenção, como tendo uma incerteza apropriada para
uma dada finalidade.
EXEMPLOS
a) Em um determinado local, o valor atribuído a uma grandeza, por meio de um padrão de referência, pode ser tomado
como um valor verdadeiro convencional;
b) O CODATA (1986) recomendou o valor para a constante de Avogadro como sendo A: 6,022 136 7 x 10E23 mol
-1
.
[VÌM:1993, 1.20]
A.1.3
Fator de correção
Fator numérico pelo qual o resultado não corrigido de uma medição é multiplicado para compensar um erro sistemático.
NOTA - Uma vez que o erro sistemático não pode ser perfeitamente conhecido, a compensação não pode ser completa.
[VÌM:1993, 3.16]
A.1.4
erro (de indicação) de um instrumento de medição
Ìndicação de um instrumento de medição menos um valor verdadeiro da grandeza de entrada correspondente.
NOTAS
1 Uma vez que um valor verdadeiro não pode ser determinado, na prática é utilizado um valor verdadeiro convencional.
2 Este conceito aplica-se principalmente quando o instrumento é comparado a um padrão de referência.
3 Para uma medida materializada, a indicação é o valor atribuído a ela.
[VÌM:1993, 5.20]
A.1.5
grandeza de infIuência
Grandeza que não é o mensurando, mas que afeta o resultado da medição deste.
EXEMPLOS
a) A temperatura de um micrômetro usado na medição de um comprimento;
b) A freqüência na medição da amplitude de uma diferença de potencial em corrente alternada;
c) A concentração de bilirrubina na medição da concentração de hemoglobina em uma amostra de plasma sangüíneo
humano.
[VÌM:1993, 2.7]
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A.1.6
precisão
A proximidade da concordância entre resultados de testes independentes sob condições estipuladas.
NOTAS
1 Precisão depende apenas da distribuição de erros aleatórios e não se refere ao valor verdadeiro ou valor especificado.
2 A medida da precisão usualmente é expressa em termos da imprecisão e computada como um desvio-padrão dos resultados dos
testes. Menor precisão é refletida por um maior desvio-padrão.
3 •Resultados de testes independentesŒ significa resultados obtidos de uma maneira não influenciada por qualquer resultado prévio sobre
o mesmo objeto de teste ou similar. Medidas quantitativas de precisão dependem essencialmente das condições estipuladas. Condições
de repetitividade e reprodutibilidade são conjuntos particulares de condições extremas estipuladas.
[ÌSO 3534-1:1993, 3.14]
A.1.7
vaIor verdadeiro (de uma grandeza)
Valor consistente com a definição de uma dada grandeza específica.
NOTAS
1 É um valor que seria obtido por uma medição perfeita.
2 Valores verdadeiros são, por natureza, indeterminados.
3 O artigo indefinido •umŒ é usado preferivelmente ao artigo definido •oŒ em conjunto com •valor verdadeiroŒ, porque podem haver muitos
valores consistentes com a definição de uma dada grandeza específica.
[VÌM:1993, 1.19]
A.2 UtiIização dos padrões de controIe
A.2.1 Um padrão de controle é um dispositivo que é similar em tipo aos itens que estão sendo medidos pelo processo de
medição a ser controlado. Pela execução de medições regulares através de um padrão de controle, o qual se espera que
seja estável, e plotando os dados sobre um gráfico de controle, obtém-se a avaliação tipo A de uma ou mais contribuições
para a incerteza da medição. Quando a média das medições de um padrão de controle diferir do valor previamente esta-
belecido para o referido padrão, pode-se suspeitar que uma tendência aparente tenha sido introduzida no processo de
medição. Esta aparente tendência pode ser testada para determinar sua significância. Testes estatísticos rigorosos estão
disponíveis para este fim. Qualquer tendência deve ser removida ou compensada, conforme o caso.
A.2.2 Um padrão de controle não necessita ser um único objeto; por exemplo, em circunstâncias específicas e limitadas,
a diferença entre dois padrões pode ser usada como padrão de controle. Um dos resultados disto é que a definição de pa-
drão de controle deve ser enquadrada para incluir uma ampla gama de possibilidades (ver 3.4).
A.2.3 Um padrão de controle deve ser medido ou calibrado por um processo que seja independente e também mais
preciso do que o processo controlado. No entanto, mesmo sem tais independências e/ou precisão, o padrão pode, apesar
disso, ter uma função útil para controle do processo. A rastreabilidade da medição independente ou calibração do padrão
de controle é essencial se os resultados obtidos são usados para avaliar a tendência no processo de medição que está
sendo controlado e para avaliar a contribuição da incerteza devido a quaisquer correções aplicadas.
A.2.4 Plotando os dados simplesmente como obtidos, ou mais formalmente como um gráfico de controle, pode-se identifi-
car tendências temporárias inesperadas ou variabilidades do processo, assim como tendências de longo prazo. Se o valor
medido do padrão de controle muda com o tempo, deve-se concluir que o padrão de controle está mudando ou o pro-
cesso de medição está mudando, ou ambos. Nestes casos, a confiança no processo de medição deverá ser suspensa até
que a causa da variação seja encontrada e o controle estatístico possa ser novamente recuperado.
A.2.5 Deve ser observado que o controle estatístico de um processo dependente do tempo pode ser obtido se seu com-
portamento em função do tempo for conhecido.
Se uma medição no padrão de controle indicar uma possível condição fora de controle, então a medição deve ser repe-
tida. Os métodos dos gráficos de controle formais estabelecem regras específicas para lidar com medições únicas fora
dos limites especificados (ver também A.4).
Uma situação de ausência de controle confirmada deve ser identificada e corrigida.
A.2.6 Há muitos tipos diferentes de gráficos de controle para variáveis que podem ser aplicados ao controle dos
processos de medição. Os gráficos para médias ( X ) e amplitude (R) são particularmente utilizados. A saída de um
processo está sob controle somente quando sua média (gráfico X ) e sua variabilidade (gráfico R) estão sob controle. Ìsto
será assim quando os valores plotados permanecerem dentro dos limites estabelecidos e com validação estatística para
alguns pontos (outliers) fora destes limites. Quando não for assim, uma mudança no processo de medição é indicada e as
razões disto devem ser investigadas.
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A.2.7 Alguns fornecedores preferem utilizar os gráficos de soma cumulativa (CUSUM) ao invés do gráfico ( X ) e gráfico
(R). Gráficos CUSUM são freqüentemente mais adequados para detectar pequenas mudanças com maior confiança para o
processo de medição que está sob controle.
A.2.8 Algumas vezes, desvios-padrão das amostras s são usados ao invés de amplitudes, resultando em gráficos s. Os
gráficos R, no entanto, são os mais recomendáveis para medir a variabilidade do processo, desde que eles sejam melhores
que o desvio-padrão como estimativa da variabilidade do processo quando as amostras são pequenas. Estatisticamente, o
desvio-padrão torna-se melhor quando mais que dez observações estão disponíveis. No entanto, geralmente o número de
observações é reduzido em função do tempo e do custo para sua obtenção.
A.3 Freqüência de monitoração dos processos de medição
A.3.1 Cuidados devem ser tomados para garantir que a freqüencia das medições do padrão de controle seja apropriada
para o processo de medição. Os efeitos básicos do tempo sobre o processo de medição devem ser completamente inves-
tigados e entendidos. Às vezes, são requeridas algumas horas ou vários dias para se obter as observações necessárias
para uma medição de controle. Curtos períodos de tempo podem causar o surgimento de variabilidades significantes •entre
gruposŒ, o que impede o estabelecimento do controle estatístico.
A.3.2 A freqüência das medições do padrão de controle dependem de quatro fatores principais:
- a quantidade de controles;
- o grau de garantia requerida;
- o grau de criticidade da incerteza da medição;
- a estabilidade do processo.
Normalmente, repete-se as medidas do padrão de controle para um novo processo e/ou novo padrão de controle. Uma vez
que se ganhe experiência e o processo se mostre estável e que permaneça estatisticamente controlado, os intervalos entre
as medições podem ser ampliados.
A.3.3 Medições do padrão de controle e sua freqüência devem, é claro, ser especificados por procedimentos, como to-
dos os outros importantes requisitos do processo de medição. Processos de medição bem definidos e com um histórico de
poucas causas determináveis podem exigir um menor número de medições do padrão de controle que outros processos.
Pode ser suficiente fazer a medição no padrão de controle em tempos selecionados aleatoriamente durante um dia ou se-
mana de trabalho. Se medições do padrão de controle não forem feitas com cada medição dos mesurandos desconhe-
cidos, deve-se garantir que as medições sejam efetuadas em momentos aleatórios. Uma medição que é executada sempre
à mesma hora do dia, por exemplo, pode mascarar erros aleatórios entre grupos. O mesmo se aplica a quaisquer outras
condições que se mantenham constantes unicamente para a medição do padrão de controle.
A.3.4 Alguns processos de medição, no entanto, não são suficientemente críticos para justificar medições do padrão de
controle e a manutenção dos gráficos de controle.
A.4 Monitoramento dos Iimites de controIe
Todos os dados obtidos pelo uso de padrões de controle devem ser computados e prontamente plotados. Os gráficos
resultantes devem ser regularmente monitorados e avaliados por pessoa independente (ou seja, por alguém que não esteja
executando a medição). Quando do monitoramento dos resultados obtidos do uso do padrão de controle, é importante que
todos os dados sejam considerados. Tal monitoramento e avaliação devem ser realistas; por exemplo, se os limites de
incerteza determinados para o processo de medição são tão rigorosos, indicações de um acréscimo da variabilidade do
processo podem ser freqüentes. Tratando-se, no entanto, de processo bem definido, é melhor verificar se houve alteração
de um processo, ao invés de recalcular os limites de incerteza para ampliá-los. Com os limites de controle fixados em mais
ou menos duas vezes o desvio-padrão (geralmente chamados •limites de advertênciaŒ), pontos fora na faixa de dois a três
desvios-padrão são estatisticamente previstos, de tempos em tempos. A ocorrência deste ponto necessariamente não
significa que o processo está fora de controle. O procedimento normal, nessa situação, seria repetir a medição do padrão
de controle. Se pontos subseqüentes caírem nos limites de advertência, o processo ainda está sob controle. Periodicamen-
te, a freqüência da ocorrência de pontos fora deve ser investigada, e as possíveis causas identificadas. Se a freqüência dos
pontos fora de causas indefinidas indicar que eles são prováveis de ocorrer freqüentemente do que poderia ser estatis-
ticamente previsto, o processo mudou e deverá ser reavaliado.
_________________
/ANEXO B
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Anexo B (normativo)
BibIiografia
[1] ÌSO 3534-1:1993, Statistics - Vocabulary and symbols - Part 1: Probability and general statistic terms.
[2] ÌSO 3534-2:1993, Statistics - Vocabulary and symbols - Part 2: Statistical quality control.
[3] ÌSO 3534-3:1993, Statistics - Vocabulary and symbols - Part 3: Design of experiments.
[4] ÌSO 5725-1:1994, Accuracy (trueness and precision) of measurement methods and results - Part 1: General principles
and definitions.
[5] ÌSO 5725-2:1994, Accuracy (trueness and precision) of measurement methods and results - Part 2: Basic method for
the determination of repeatability and reproducibility of a standard measuriment method.
[6] ÌSO 5725-3:1994, Accuracy (trueness and precision) of measurement methods and results - Part 3: Ìntermediate
measures of the measures of the trueness of a standard measurement method.
[7] ÌSO 5725-4:1994, Accuracy (trueness and precision) of measurement methods and results - Part 4: Basic methods for
the determination of a standard measurement method.
[8] ÌSO 5725-5:1994, Accuracy (trueness and precision) of measurement methods and results - Part 5: Alternative
methods for the determination of a standard measurement method.
[9] ÌSO 5725-4:1994, Accuracy (trueness and precision) of measurement methods and results - Part 5: Use in practice of
accuracy values.
[10] ÌSO 7870:1993,Control Charts - General guide and introduction.
[11] ÌSO 7873:1993,Control charts for arithmetic means with warning limits.
[12] ÌSO 7966:1993,Acceptance control charts.
[13] ÌSO 8258:1991,Shewhart control charts.
[14] NBR ÌSO 9000-1:1994, Normas de gestão de qualidade e garantia da qualidade - Diretrizes para a seleção de uso.
[15] NBR ÌSO 9001:1994, Sistemas da qualidade - Modelo para garantia da qualidade em projeto, desenvolvimento,
produção, instalação e serviços associados.
[16] NBR ÌSO 9002:1994, Sistema da qualidade - Modelo para a garantia da qualidade em produção e instalação.
[17] NBR ÌSO 9003:1994, Sistema da qualidade - Modelo para a garantia da qualidade em inspeção e ensaios finais.
[18] NBR ÌSO 9004-1:1994, Gestão da qualidade e elementos dos Sistema de qualidade - Diretrizes.
[19] NBR 10011-1:1990, Diretrizes para auditoria dos sistemas de qualidade - Parte 1: Auditoria.
[20] ÌSO GUÌDE 30:1992, Terms and definitions used in connection with reference materials.
[21] ÌSO GUÌDE 33:1989, Use of certified reference materials.
[22] Vocabulário Ìnternacional de Termos Fundamentais e Gerais de Metrologia.
Portaria nº 29, de 10 de março de 1995 - ÌNMETRO.
[23] GUM - Guide to the expression of uncertainty in measurement.
First edition ,1993:ÌSO:ÌSBN 92-67-10188-9 [GUM].
[24] Eisenhard, C. Realistic Evaluation of the Precision and Accuracy of Ìnstrument Calibration Systems. Journal of
Reasurch of the national Bureau of Standards - C. Engineering and Ìnstrumentation, 67C, No. 2 (April-June) 1963.
[25] SHEWHART, W. A . Economic Control of the Quality of Manufactured Product. Van Nostrand Company, New Jersey,
1931 (Re-published by ASQC, Quality Press, Milwaukee, WÌ, USA, 1980).
[26] CAMERON, J. M. Measurement Assurance. NBSÌR 77- 1240. National Bureau of Standards, Washington, DC, USA,
April 1997.
[27] ASTM Manual on Presentation of Data and Control Chart Analisys: 6th edition: ASTM Manual Series: MNL 7 -
Revision of Special Technical Publication (STP) 15D. American Society for Testing and Materials, Philadelphia, 1990.
[28] OÌML Ìnternational Document No.16, Principles of assurance of metrological control.
[29] DAVÌD, H. A . Order statistics. John Wiley, New York, 1981.
[30] KOTZ, S., JOHNSON, N.L. (eds) Encyclopedia of Statistical Sciencies. Wiley Ìnterscience, New York, vol. 2 (1982)
and vol. 7 (1986).
[31] OAKLAND, J. S., FOLLWELL, R. F. Statistical Process control. 2nd edition, Heinemann Newnes, London, 1990.
_________________
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