PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL ASSINATURA ANUAL: Individual .....€ 29,93 Instituições ...

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Nº 3 – (XXIII) – Julho - Setembro 2005

ISSN 0870-8231

SUMÁRIO
Nota de Abertura ..............................................................................................
Isabel Pereira Leal

245 247

Dimensões socio-cognitivas na adesão das mulheres à contracepção .....
Emília Costa / Isabel Pereira Leal

As representações dos técnicos de saúde de uma Maternidade face à substituição gestacional e às hospedeiras gestacionais (“Barrigas de Aluguer”) ..................................................................................................................
Joana Leonardo / Nuno Nodin

261 269 277

Dadoras de ovócitos: Quem são? ......................................................................
Ana Oliveira Pereira / Isabel Pereira Leal Joana Coutinho / Isabel Pereira Leal

Atitudes de mulheres em relação à amamentação – Estudo exploratório Preocupações parentais dos pais de crianças nascidas por fertilização in vitro .........................................................................................................................
Ana Mafalda Serra / Isabel Pereira Leal

283

Bem me quer, mal me quer... Bem nos quer, mal nos quer. A sexualidade, (in)fertilidade e o cancro ......................................................................................
Ivone Patrão

289

Imagem corporal da mulher com cancro de mama: Impacto na qualidade do relacionamento conjugal e na satisfação sexual .......................................
Ana Sofia Ramos / Ivone Patrão

295

Satisfação sexual e percepção de saúde em mulheres com incontinência urinária ..................................................................................................................
J. Pais Ribeiro / A. Raimundo

305

A identidade (homo)sexual e os seus determinantes: Implicações para a saúde .....................................................................................................................
Henrique Pereira / Isabel Pereira Leal Henrique Pereira / Isabel Pereira Leal Raquel Almeida Vaz / Nuno Nodin

315 323 329

Medindo a homofobia internalizada: A validação de um instrumento ...... A importância do exercício físico nos anos maduros da sexualidade ........ Estudo exploratório da relação entre função eréctil, disfunção eréctil e qualidade de vida em homens portugueses saudáveis .........................................
J. Pais Ribeiro / Abel Santos

341

REVISTAS RECEBIDAS .....................................................................................

351

Nota de Abertura

Psicologia da Saúde Sexual e Reprodutiva é a designação genérica de um extenso e moderno campo de investigação e intervenção da Psicologia que toma como objecto a saúde sexual e reprodutiva. Se a Psicologia da Saúde é uma área de interesse e investigação bem delimitada, e a sua contribuição para a saúde sexual e reprodutiva tem sido efectiva ao longo da década de noventa, esta designação, que agrega conceitos próximos mas distintos: o da saúde sexual e o de saúde reprodutiva, necessita de uma explicitação complementar. A Saúde Reprodutiva surge da adaptação do conceito generalista de saúde, proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), às questões mais particulares da reprodução humana e, nesse sentido, pode ser vista como um estado de bem-estar físico, psíquico e social, relativamente ao aparelho e à função reprodutora (Miller & Bahamon, 1995). Por seu turno, a Saúde Sexual pode ser definida como a integração dos aspectos somáticos, emocionais, intelectuais e sociais do ser sexual, em direcção a um valorização positiva da sexualidade (WHO, 1975). A Saúde Sexual e Reprodutiva é pois um território de complementaridade disciplinar, em que, naturalmente, a Psicologia se foi instalando, de forma a responder aos desafios que uma concepção alargada da saúde permite legitimar uma sexualidade despreocupada e prazenteira (Sargeant, 1993). Numa primeira fase a Psicologia da Saúde Sexual e Reprodutiva interessou-se pelas questões da educação sexual como estratégia promotora de saúde e preventiva de doenças sexualmente transmissíveis, em particular do HIV, e de gravidezes indesejadas (Nodin, 2004). De facto, se a história da saúde sexual se pode contar até meados do século XX, em torno, por um lado das preocupações sobre os comportamentos sexuais e das patologias ou desvios que lhe estavam associados e, por outro lado, do desenvolvimento de especialidades médicas e para-médicas centradas sobre o aparelho sexual e o nascimento (ginecologia, urologia e obstetrícia), os anos oitenta do século vinte inauguraram uma magna preocupação relacionada com o aparecimento e expansão avassaladora do HIV como pandemia universal. A educação sexual, já em vigor em muitos países como currículo escolar, ficou na ordem do dia, como única possibilidade formativa e preventiva desta doença sem cura. De caminho o destaque foi também para as gravidezes indesejadas, em particular na adolescência, mas também em qualquer período da vida fértil em que a ausência de informação e de uma atitude consciente de adesão ao planeamento familiar, implicavam interrupções de gravidez ou filhos não desejados. 245

Se, entre nós estes temas continuam a ser prioritários, e a educação sexual continua a ser um cavalo de batalha inconsequente, os números da infecção pelo HIV continuam a crescer, a gravidez adolescente coloca-nos num desonroso segundo lugar no ranking europeu de países com mais jovens mães e as legislações sobre a interrupção de gravidez facilitam abortos clandestinos, o evoluir das sociedades e das mentalidades, e também dos recursos tecnológicos aplicados à bio-medicina, trouxeram para a ribalta novas preocupações. Este número de Análise Psicológica dedicado à Psicologia da Saúde Sexual e Reprodutiva pretende, exactamente, mostrar alguns exemplos dos actuais interesses de investigação e intervenção nesta área. Assim, os 12 artigos aqui apresentados, uns teóricos outros decorrentes de resultados de investigação, clarificam temas diversificados que vão desde a apresentação de um modelo de adesão à contracepção, a representação que os técnicos de saúde têm perante o fenómeno designado como de “barrigas de aluguer”, o “estado da arte” sobre o que se sabe das dadoras de ovócitos, as atitudes das mulheres em relação à amamentação, as preocupações parentais dos indivíduos que passaram a esta condição por recurso a fertilização in vitro, até questões antigas, mas nem por isso menos pertinentes, como as que têm que ver com a sexualidade, a infertilidade e o cancro, a imagem corporal das mulheres com cancro de mama e as repercussões ao nível no relacionamento conjugal e sexual, a satisfação sexual e percepção de saúde em mulheres com incontinência urinária, a identidade sexual e os seus determinantes, a homofobia internalizada e os seus instrumentos de medida, o impacto do exercício físico na sexualidade dos mais velhos ou a relação entre função eréctil e qualidade de vida em homens sem doença.

ISABEL PEREIRA LEAL

246

considera que: «a promoção da saúde é um conceito multidisciplinar. Calado. verificando-se uma associação entre a baixa adesão às consultas pré-natais e a gravidez imprevista (Mbizvo. Para Banyard (1996). traçadas pelas entidades ligadas à promoção da saúde. a adesão à vigilância de saúde no decurso da gravidez. 1999). a opção é a manutenção da mesma. A gravidez não desejada é apontada como uma das causas que concorrem para a vigilância pré-natal inadequada. se reconhece a capacidade que os indivíduos possuem. 68). económicos. Bonduelle. apontam Portugal como um dos países europeus com maior número de grávidas sem vigilância de saúde. cerca de 100 terminaram em IVG. a mudança de comportamento. outras questões se colocam. tem sido uma preocupação dominante nas estratégias de intervenção. Lisboa. face à gravidez imprevista. conducente à adopção de um estilo de vida saudável» (p. em última análise.) inclui aspectos organizacionais. em cada 100 gravidezes de mulheres com idade superior a 45 anos 70 terminam em IVG (Portugal – Instituto Nacional de Estatística. no documento “Saúde em Números”. o conjunto de estratégias que os profissionais de saúde encontram. Axinn & Thornton. face à temática da vigilância da gravidez. nomeadamente na área da saúde reprodutiva. os números são significativos: em cada 1000 gravidezes ocorridas em mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos. 1997). Chadzuka. pela adopção 247 . 10% a 40% das gravidezes ocorridas em mulheres com idades compreendidas entre os 35 e os 44 anos terminam em IVG.Análise Psicológica (2005). A prevenção da gravidez imprevista constitui pois. ambientais. por forma a incrementar a sua saúde e a evitar a doença. nomeadamente. Lindmark & Nystrom. Silva e Guerreiro (1997).. 3 (XXIII): 247-260 Dimensões socio-cognitivas na adesão das mulheres à contracepção EMÍLIA COSTA (*) ISABEL PEREIRA LEAL (*) Diminuir a incidência de gravidez imprevista. (. Cada vez mais. Quando. 1997). Muito embora os dados disponíveis requeiram uma análise reservada.. de fornecer contributos importantes para a sua própria saúde. é um dos aspectos fundamentais da promoção da saúde. a par de estratégias visando. A associação entre esta temática e a interrupção voluntária da gravidez (IVG) é uma característica importante. (*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada. no sentido de encorajar as pessoas a mudar os seus comportamentos. uma importante linha de intervenção no âmbito da promoção da saúde. Surge ainda como relevante a influência que a vivência de uma gravidez com estas características exerce na saúde mental da mulher e na relação afectiva mãe-filho (Barber. dado o presente enquadramento legal da IVG. Ribeiro (1998) referenciando-se a diversos autores.

evitando os comportamentos comprometedores do seu bem estar. implicando um envolvimento voluntário. dos cuidados de saúde. defendem a existência de uma variedade de factores. factores da personalidade e factores cognitivos. analisam a razão pela qual os indivíduos falham na manutenção de um comportamento que se comprometem ter. Permitem diferenciar indivíduos com o mesmo “background”. que desenvolvem os comportamentos de saúde. O termo “compliance” é entendido como a medida em que. Os modelos que referem.g. a presente abordagem no contexto da adesão das mulheres à contracepção. neste contexto.» (p. diferentes variáveis socio-cognitivas: 248 Atitudes Informação Potencial eficácia dos comportamentos Características da rede social . Como atrás referido. 1999) o termo adesão é concordante com o conceito atrás referido como “adherence”. Conner e Norman (1996) justificam: . o termo “adherence” é defendido como sendo mais activo. factores relacionados com o acesso aos serviços de saúde.de comportamentos saudáveis. Em inglês. Estes factores suportam características individuais que modelam os comportamentos e que são adquiridas pelo processo de socialização. No Dicionário da Língua Portuguesa (Torrinha. Daí. tendo na base da sua definição conceitos essenciais. muito embora de conteúdos distintos. união e consentimento. como sendo importantes causas dos comportamentos que mediam os efeitos de muitos outros determinantes (e. A identificação dos factores que estão na base dos comportamentos ditos imunogénicos (Matarazzo. sociais. mais colaborante em aceitar um determinado comportamento com o qual. classe social). Os autores acima citados enumeram. implica ainda neste sentido.As dimensões socio-cognitivas assumem-se como mais facilmente alteráveis do que outros factores (e. são habitualmente denominados de Modelos de Cognição Social e são reconhecidos como tendo fornecido um importante contributo para a compreensão dos indivíduos. sendo este frequentemente entendido como o responsável por não aderir ao prescrito. Como componente fundamental dos modelos de cognição social. que condicionam a predisposição para aderir ou desenvolver comportamentos de saúde. pretende atingir um resultado desejado. Contrapondo. “Noncompliance”. percepção de sintomas. pressupondo neste sentido a figura participativa e responsável do in- .g. 45). . personalidade). verificou-se que os factores cognitivos têm sido amplamente estudados. que abordam as condicionantes dos comportamentos no âmbito da saúde. são apontados como centrais. no universo das diferenças individuais. uma atitude negativa relativamente ao paciente. Na perspectiva de Ogden (1999): «os Modelos de Cognição Social analisam os factores que predizem os comportamentos e/ou as intenções comportamentais e além disso. emocionais. em termos da sua predisposição para desenvolver determinados comportamentos de saúde. sobre os quais se pode intervir. Conner e Norman (1996) partilhando a perspectiva de outros autores. os factores cognitivos. preventivo ou terapêutico. 1984) tem sido foco de grande parte da investigação em Psicologia. Pela revisão da literatura.As dimensões socio-cognitivas assumem-se. Turk e Meichenbaum (1991) sublinham nesta distinção a componente passiva “versus” activa do sujeito.Controlo sobre o desempenho do comportamento. em outras áreas relacionadas com a saúde. A ADESÃO EM SAÚDE Na contextualização dos condicionamentos aos comportamentos de saúde é inevitável a abordagem ao conceito de adesão. são ainda variáveis predisponíveis à mudança. como bons predictores da variação dos comportamentos sociais. Tem sido dada especial importância às dimensões socio-cognitivas no contexto dos comportamentos de saúde. factores demográficos. assim como. como sejam. surgem as cognições sociais. Os factores referidos. num número significativo de modelos. surgem dois termos paralelos. conotando com este termo um papel passivo para o paciente. o paciente é obediente e segue estritamente as instruções e prescrições dos técnicos de saúde. Os mesmos autores sublinham ainda que “adherence” implica escolha e reciprocidade no planeamento e implementação do tratamento. nos quais se incluem.

epilépticos. . Neste sentido. três vezes ao dia. o planeamento da gravidez. pelo que o acontecimento de uma gravidez imprevista é entendido como resultante de uma atitude pouco assertiva relativamente à contracepção. indivíduos com artrite reumatóide. estado civil e idade ainda não foram consistentemente relacionados com a adesão. quer particularmente ao nível de todos os profissionais na área da saúde. por forma. . . quer ao nível dos sistemas de saúde em si. 1996. aos indivíduos com doença mental e às crianças com doença crónica. Os profissionais de saúde ao terem acesso a este tipo de informação. que a tecnologia contraceptiva actual permite. socio-económicos.. como seja.Característica do prestador de cuidados: . asmáticos.A relação entre características da personalidade e adesão não foi ainda claramente definida. Numerosos autores (Dunbar-Jacob et al. identificamos o uso de métodos contraceptivos como uma solicitação de adesão a um regime por um longo período. segundo estes. os prestadores que são mais afáveis e dedicados provavelmente terão utentes com maiores níveis de adesão. com um nível aceitável de segurança.Entre as características relevantes identificadas. . Face à diferenciação efectuada. Os números são relevantes. . .divíduo em qualquer programa de saúde. a incrementarem a adesão aos regimes terapêuticos dado que.Características do regime terapêutico: . o deixar de fumar. 80% dos pacientes não aderem ao seu tratamento na medida suficiente. implicando um determinado comportamento periódico e sistemático.Solicitações de adesão por um curto período. segundo Dunbar-Jacob.Quanto maior for a frequência em que o regime tem de ser repetido maior a probabilidade de episódios de não adesão. exige numa primeira fase a compreensão do tipo de solicitação que é efectuado. este deverá 249 . .Solicitações para abandonar determinados comportamentos prejudiciais. concluí-se que em cada indivíduo estão presentes factores que condicionam os níveis de adesão em diferentes momentos ou circunstâncias. Tem sido dada particular atenção aos hipertensos.Características do paciente ou utente: .A adesão tende a diminuir ao longo do tempo. Ao pretendermos abordar a temática da Adesão à Contracepção assumimos que esta apresenta características comuns ao tratamento de doenças crónicas. a indicação de aumentar a ingestão de legumes e o exercício físico.Factores demográficos. o uso de um antibiótico durante 7 dias. Relativamente ao prestador de cuidados. género. Os estudos efectuados na área da adesão em saúde versam essencialmente as doenças de evolução crónica. . Burke e Puczynski (1996) em: . o caso dos diabéticos e hipertensos. em grande parte as características citadas. encontram-se as expectativas de auto-eficácia e o suporte social. por forma a obter benefícios terapêuticos. como seja. diabéticos. Banyard (1996) considera quatro tipos distintos de solicitação: . Ogden. . Assume-se o pressuposto.Estes autores defendem que as habilidades relacionais dos prestadores de cuidados e as suas atitudes perante os pacientes são factores chave na adesão aos regimes terapêuticos. como seja. como seja. Burke e Puczynski (1996) presentemente calcula-se que.Foi encontrada relação entre alguns elementos cognitivos e a adesão. poderão mais eficientemente traçar estratégias no âmbito da promoção da saúde. 1999. com um tratamento simples. são manipuláveis. pois cada indivíduo pode apresentar níveis de adesão diferentes em diferentes aspectos do tratamento ou manifestar adesão variável em diferentes momentos da sua vida.Solicitações para o incremento de comportamentos positivos ao estilo de vida. como posteriormente será esclarecido.Solicitações de adesão a regimes terapêuticos por longos períodos. Turk e Meichenbaum (1991) fazem uma importante ressalva. os indivíduos não devem ser entendidos ou classificados como aderentes ou não. 1991) concordam em reconhecer o importante impacto que o problema da baixa adesão às prescrições de saúde tem tido. Uma análise sobre a problemática da adesão. Estes factores podem ser agrupados segundo Dunbar-Jacob. Turk & Meichenbaum.

. p. a sua resistência à adversidade.. o esforço despendido. que níveis de stress e depressão irão experimentar ao lidar com sobrecargas de exigências ambientais e os seus níveis de realização.). foi definida como conceito por Albert Bandura em 1977 e denominada como auto-eficácia. que pode considerar-se aleatória. quer sobre o seu bem estar em particular. 1991). Acrescenta ainda que. Estas preocupações dificultam a acção e deslocam a atenção da tarefa para a centrar em si próprio. Bandura (1997) defende. 390). tem a oportunidade de atingir objectivos desejados e de prevenir factos indesejados. As orientações para a saúde são recebidas num contexto psicossocial específico. (. que o conjunto de dimensões de carácter socio-cognitivo possui uma influência significativa na forma como os indivíduos percepcionam a sua saúde e no investimento que fazem para a sua promoção. . e a atitude face à sexualidade. quer a estilos de vida tem na sua base a individualidade de cada utente dos serviços de saúde.). enfatiza-se a percepção de auto-eficácia..). nas habilidades relacionais que desenvolve com vista à implementação de um clima de confiança recíproco.) perceptions of the goals of the treatment. no âmbito da promoção e protecção da saúde e também na prevenção e reabilitação das doenças.. o tempo de persistência face aos obstáculos e às experiências de insucesso. Neste sentido. sobre os quais tem poder para exercer algum tipo de controlo. avaliadas de acordo com as expectativas pessoais e implementadas em vários níveis face aos padrões socio-culturais (Turk & Meichenbaum.. 260). o indivíduo ao influenciar ou modificar os aspectos da sua vida. family involvement» (p. a satisfação com o suporte social. skills. face à situação específica da adesão à contracepção. self-efficacy (. a forma como os seus padrões de pensamento funcionam face ao estímulo negativo ou positivo. (. nos factos reais ou causas.. Pretende-se pois ressaltar. que os níveis de motivação. Estas condições têm vindo a ser investigadas e é claramente assumido. a percepção da auto-eficácia é relativa às convicções que os indivíduos possuem nas suas capacidades de organização e execução de acções. Auto-eficácia Geral Ao longo da história. estas crenças influenciam o sentido da acção escolhido. os estados afectivos e os comportamentos dos indivíduos estão essencialmente baseados nas suas crenças.ter presente a importância da sua atitude face ao utente. Segundo Ribeiro (1995) a teoria da auto-eficácia apresentada por Bandura aponta uma das variáveis mais importantes dos últimos anos. todo o tipo de acontecimentos que exercem influências quer sobre a sua vida em geral. é notória a ambição per250 manente do homem em controlar. perhaps none is more influential in people’s everyday lives than conceptions of their personal efficacy» (Bandura. De facto quanto maior for a percepção de eficácia mais persistente o esforço: aqueles que se sentem incapazes de fazer frente às exigências da situação evitam envolver-se nela recorrendo às mais variadas justificações. concretizável no conceito: planeamento da gravidez. O mesmo autor reportando-se ainda a Bandura defende que as pessoas tendem a evitar as situações que julgam exceder as suas capacidades e a enfrentar aquelas que se julgam capazes de gerir. condicionando diferentes reacções a situações comuns. não só no que diz respeito à informação técnico/científica fornecida mas também. no sentido de gerir prováveis acontecimentos. No conjunto das dimensões socio-cognitivas associadas teoricamente ao conceito de adesão.. Este autor acredita que «among the different aspects of self-knowledge. mais do que. que cada indivíduo possui um universo de condições que se conjugam de uma forma. and practices. o locus de controlo para a saúde. existing health-related knowledge. A crença de se poder actuar adequadamente numa situação particular. Nesta sequência o mesmo autor afirma que. que com eles interagem. 1986. Turk e Meichenbaum (1991) acreditam mesmo que se os técnicos de saúde pretendem incrementar a adesão em saúde é necessário que tenham em consideração as expectativas dos clientes e nomeadamente: «(. No que diz respeito às características do utente são assumidas como potencialmente modificáveis pela habilidade e competência dos profissionais. DIMENSÕES SOCIO-COGNITIVAS A adesão quer a regimes terapêuticos..

a auto-eficácia é consistentemente o melhor predictor das intenções e da mudança de comportamentos. que o indivíduo ao enfrentar determinada situação fá-lo munido de expectativas relativas aos prováveis resultados do seu comportamento. existe também aquele que tudo atribui à sorte ou ao destino ou ainda quem considera como única fonte do seu bem ou mal estar. Schwarzer teoriza ainda que. o locus de controlo. a auto-eficácia funciona como contributo importante na escolha de métodos contraceptivos mais eficazes. verificar-se de facto que. por Basen-Engquist e Parcel em 1992 e Kasen. determinando grande parte das vezes o curso da sua recuperação. tendo este autor concluído que. da expectativa individual que aquele comportamento irá conduzir a um determinado reforço e por outro lado. Neste enquadramento. a auto-eficácia promove e mantém os planos e o controlo da acção. relativamente às relações de contingência versus não contingência. Neste sentido Rotter parece pois sugerir. destacando-se o estudo de O’Leary em 1992 que comprova a importância da auto-eficácia no controlo do comportamento sexual e os estudos de Kaeming e Bootzin em 1990 e Basen-Engquist e Parcel em 1992. Vaughan e Walter em 1992 documentam a associa- ção entre a auto-eficácia e o uso correcto do preservativo. verificando-se da mesma forma o inverso (Barros. as instituições. dado que. Barros & Neto. o locus de controlo é definido como uma crença.Bandura (1977) acrescenta ainda que. O que de facto se verifica é que esta atitude inicial condiciona a forma como o indivíduo reage aos desequilíbrios. Barros. foi uma temática abordada por Julian Rotter no âmbito da Teoria da Aprendizagem Social. da valorização atribuída a esse reforço. envolve crenças sobre as capacidades que os indivíduos possuem de mobilizar os recursos cognitivos. donde pôde concluir. Schwarzer (1992) destaca a importância da auto-eficácia. Outros estudos referidos por Oddens (1997) e realizados por Brafford e Beck em 1991. entre os reforços e o comportamento» (p. O locus de controlo tem por base o que Norman e Bennett (1996) consideram o princípio essencial da Teoria da Aprendizagem Social de Rotter. os profissionais de saúde. resulta em parte. facto confirmado por diversas investigações que o revelaram notório nomeadamente no uso efectivo de contraceptivos. 1993). face a uma dada situação. este «refere-se basicamente às expectativas que as pessoas mantém. 3). Locus de Controlo Cada indivíduo assume atitudes particulares quando surge o confronto com determinado problema de saúde. uma percepção ou expectativa de contro251 . Existe o indivíduo activo que sente como sua a responsabilidade da saúde ou doença. onde teve origem o constructo Locus de Controlo. motivacionais e comportamentais necessários. que considera que a probabilidade de um determinado comportamento ocorrer. dado que e segundo defende. dentro do contexto da abordagem do processo de acção para a saúde. Estas diferentes percepções do controlo que os indivíduos assumem face aos acontecimentos. que documentam a importância da auto-eficácia na protecção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Ribeiro (1995) salienta também alguns estudos efectuados. as expectativas de auto-eficácia se traduzem na convicção de executar com êxito os comportamentos necessários para atingir as consequências desejadas. Barros e Neto (1993) definem. Assim. em termos de desenvolvimento da intenção de agir e implicitamente em termos da fase cognitiva em que decorre a acção. o estado. Assim. a auto-eficácia prediz consistentemente a variável saúde. relativamente a determinados comportamentos. Cerdeira e Palenzuela (1998) defendem que este constructo pode ser entendido como uma experiência de controlo percebido. Holden (1991) estudou a relação entre auto-eficácia e saúde em 56 artigos publicados entre 1981 e 1989. como sendo as expectativas generalizadas de controlo interno “versus” externo do reforço e explicam. Ressalta-se ainda a relação encontrada por Levinson (1996) entre as decisões de carácter contraceptivo e a confiança pessoal na capacidade de usar um método contraceptivo de forma correcta e constante. expectativas estas alicerçadas em experiências anteriores. as experiências passadas e presentes sugiram um resultado compensador. determinado comportamento será mais frequente na medida em que. contribuindo para a manutenção da mesma. usando a denominação de Rotter. para o exercício de controlo sobre as exigências das tarefas.

27). uma alta expectativa de internalidade com uma moderada expectativa de sorte. versus o grau em que as pessoas esperam que o reforço ou o resultado seja uma função do acaso. Muito embora. extreme internality is potentially pathologic since it flaunts reality» (p. a percepção da incontrolabilidade desencadeia desânimo. Barros et al. Rotter sugere que as pessoas diferem na forma como percepcionam a origem ou o “lugar” do controlo sobre os acontecimentos das suas vidas. Levenson (1974) instigou à criação de um instrumento multidimensional para a avaliação do . Rotter considera o locus de controlo não como uma tipologia. 1993. não excluindo no entanto as expectativas específicas. Barros et al.Esta escala conceptualizava o locus de controlo como um constructo unidimensional. como uma variável que afecta o comportamento e que oscila num continuo entre dois pólos. no entanto a sua utilização suscitou algumas criticas que Norman e Bennett (1996) distinguem: . (1993) defendem mesmo. Esta percepção do controlo (controlo percebido.. 62). (1993). pode estar simultaneamente presente. Segundo este autor a posição que revela maior maturidade é aquela em que o indivíduo adopta uma internalidade geral com uma ligeira dose de externalidade. não é correcto generalizar e considerar que é melhor ser interno do que externo. quando afirmam que a percepção do controlo conduz a reacções positivas ao passo que.O grau de variância dos comportamentos de saúde explicado pela escala de Rotter apresentava-se tipicamente baixa . não existe uma fronteira perfeitamente definida entre internalidade/externalidade. Desta forma. admitem que cada indivíduo segundo as circunstâncias face às quais se encontra. Relativamente ao locus de controlo.lo do reforço. (1993) considerem existir um substracto mais ou menos estável. que por exemplo. o que significa que não sentem controlo sobre os acontecimentos. ou esteja sob controlo de outros poderosos ou seja simplesmente imprevisível. mas sim. Por outro lado existem pessoas que se sentem com um locus de controlo interno. Barros et al. algumas pessoas sentem que possuem um locus de controlo externo. que se dá a generalização. p. segundo este autor o controlo interno versus o controlo externo refere-se ao grau em que as pessoas esperam que um reforço ou um resultado do seu comportamento esteja dependente (contingente) do seu próprio comportamento ou de características pessoais. da sorte ou do destino. Rotter (1990) faz questão de clarificar que não podemos polarizar. que «não é lícito afirmar que quanto mais interno melhor» (p. Banyard (1996) esclarece. Empiricamente concorda-se com Barros et al. quer a nível do indivíduo (que pode mudar em função da idade e das circunstâncias) quer dos grupos sociais ou das populações» (Barros et al. Este instrumento foi também aplicado no campo da saúde. não controlo real) encontra-se imbuída de uma particularidade – a individualidade. considera o locus de controlo uma expectativa essencialmente geral. um indivíduo com uma forte internalidade pode por vezes experimentar acentuados sentimentos de culpa quando a situação não resulta no esperado. 174). nomeadamente no campo da educação. constituída por 29 itens sob o formato de escolha forçada. em determinadas actividades de competência. ou seja. Fanelli (1977) comen252 ta este facto: «while extreme externality is pathologic in its posture of helplessness and avoidance of responsibility. um grau de tendência. Este constructo foi largamente aplicado em diversos estudos. Considera-se assim o locus de controlo como «uma variável sociocognitiva da personalidade ou uma cognição menos estável. Neste enquadramento. pode assumir-se simultaneamente interno ou externo. A sua avaliação foi essencialmente feita tendo por base a escala de Rotter I-E. um indivíduo com um elevado grau de internalidade em meio laboral. que o indivíduo com um locus de controlo externo pode em determinadas situações.. 28) e explicam. 174). está presente sim. pois segundo ele. Rotter (1975) sublinha a importância de não nos rendermos a uma dicotomia de mau/bom. surge uma questão: o locus de controlo é uma expectativa geral? ou seja. o que se traduz na percepção de controlo sobre os acontecimentos das suas vidas: «they do things» (p. defendem também. ter comportamentos mais adaptados à realidade e ainda que. se as expectativas gerais exercem influência sobre as específicas é também a partir destas. comporta-se da mesma forma no seio da sua família?. Rotter (1975). sentem as suas vidas controladas por forças exteriores: «things happen to them» (p.

o locus de controlo para a saúde se encontra relacionado com o facto dos indivíduos introduzirem ou não. .locus de controlo. Locus de Controlo para a Saúde A escala multidimensional de locus de controlo para a saúde avalia as expectativas gerais de controlo. pode ter uma importante componente adaptativa. particularmente no decurso de doenças crónicas. a saúde mental e física dos indivíduos. assim como. Desta forma encontramos autores como Sarason et al. Este é um constructo de reconhecida importância no âmbito da Psicologia da Saúde. no qual se encontra correlação entre o locus de controlo interno e o uso de contraceptivos. prognóstico e tratamento.A primeira dimensão avalia a medida em que. todas elas apresentam pontos positivos em diferentes circunstâncias. relativamente à promoção da saúde. enfatizam distintos aspectos. No entanto Norman e Bennett (1996) salientam a importância de reconhecer e aceitar as di- ferenças individuais. Suporte Social É amplamente aceite a associação positiva existente entre o suporte social. a periodicidade do acompanhamento e as expectativas de adesão e sucesso. solicitando informações mais especificas e detalhadas. constata-se por exemplo que os indivíduos cujo locus de controlo se situa nos “outros poderosos” podem ter vantagens. 1996). Saliente-se o estudo efectuado por Morrison (1985). Considera assim que os indivíduos “internos” têm mais probabilidade de adoptar comportamentos do tipo preventivo. Acrescenta ainda. relativamente à saúde.A terceira avalia a medida em que. Williams e House (1991) consideram. a importância deste constructo na avaliação das particularidades de cada utente. numa consulta de planeamento familiar o conhecimento da mulher/casal relativamente às suas expectativas de controlo. ao longo de 3 dimensões: . um locus de controlo moderadamente centrado na sorte. para adequar os métodos e o tipo de informação fornecida. (1983) que salientam a componente 253 . a não ser que. face aos objectivos conjuntamente definidos. em contrapartida. Defendem ainda que em situações em que pouco há a fazer relativamente a modificações no “status” de saúde. Weinman (1990) salienta algumas características importantes segundo o locus de controlo dos indivíduos. necessitam de sentir-se mais bem informados sobre a sua situação de saúde. Wallston e DeVellis em 1978 responderam a este criticismo desenvolvendo a Escala Multidimensional de Locus de Controlo para a Saúde – “Multidimensional Health Locus of Control” – MHLC. por forma a direccionar adequadamente as intervenções para a promoção da saúde. pois. (1998) um dos seus principais conceitos. enquanto que os que acreditam nas “outras pessoas poderosas” têm dificuldade em orientar e organizar o seu próprio tratamento. com base em alguns estudos efectuados. assim e não obstante acreditar-se que os indivíduos com um locus de controlo interno aderem mais facilmente a actividades de promoção para a saúde. Wallston. os indivíduos acreditam que a sua saúde é devido à sorte ou ao destino (Norman & Bennett.A segunda avalia a medida em que. os indivíduos sentem a sua saúde sob o controlo de outros poderosos. Na opinião de Williams e House (1991) as redes sociais podem ser descritas teórica e empiricamente em termos da sua existência. . sendo mesmo considerado por Dunbar et al. Constata-se pois. os indivíduos acreditam que a sua saúde é resultado das suas próprias acções. que os vínculos sociais se encontram tão intimamente relacionados com aspectos do estado de saúde do indivíduo que operam provavelmente através de múltiplos caminhos biológicos condicionando neste. modificações nos seus comportamentos e com o tipo e o estilo de comunicação que esperam obter dos profissionais de saúde. a diminuição da vulnerabilidade à doença. Ogden (1999) corrobora esta assunção afirmando que. Os internos de uma forma geral. É assim imperativo. estrutura ou conteúdo funcional. que “internos” e “externos” apresentam diferenças relativamente às suas necessidades em termos de comunicação. este seja cuidadosamente especificado e monitorizado por um profissional da saúde. aos externos parece satisfazer uma informação mais geral e menos pormenorizada. pelo que surgem diversas abordagens que ao definirem o constructo suporte social.

o aspecto central da promoção da saúde. . o indivíduo pode usufruir de um importante suporte instrumental e afectivo e no entanto sentir-se insatisfeito ou pouco apoiado. que neutraliza os efeitos nefastos do stress. como um importante componente promotor da saúde. conduz o indivíduo a acreditar que é parte integrante de uma rede de comunicação e de obrigações mutuas. mas também. O suporte social surge pois. a participação de membros da família nos cuidados de saúde. os hospitais. acrescentando que. Refere-se aqui um estudo efectuado por Oddens . entre as quais se incluem as expectativas de auto-eficácia e o envolvimento familiar. enfermeiros. vários autores documentam o papel do suporte social como variável a ter em conta. Sublinha-se ainda aqui. se os profissionais de saúde pretendem incrementar a adesão e não apenas lamentar os insucessos. não só favorecendo a reabilitação dos indivíduos em desequilíbrio. a distinção feita por Dunst e Trivette (1990) relativa às fontes de suporte social: . 1997). O papel desempenhado pelo suporte social no âmbito da saúde tem sido mote de um elevado nú254 mero de investigações. p. diversas investigações efectuadas parecem apontar para a importância da distinção entre suporte social percebido e suporte social recebido (Cramer. comportamentais. informativos e instrumentais. os técnicos de saúde podem melhorar o suporte social disponível dos indivíduos. Cobb (1976) defendendo uma perspectiva mais abrangente. Banyard (1996) realça o importante papel desempenhado pelos profissionais de saúde no estímulo à adesão. psicólogos. sendo provavelmente a nível relacional. Também Dunbar-Jacob et al. Johnston. rematam este encadeamento de ideias ao defender que «perceived support is a more useful measure for predicting health outcomes or health behaviour than is real support» (citado in Banyard. Ou seja. Williams e House (1991) acreditam ainda que. deverão considerar as perspectivas do indivíduo e as suas expectativas. 1996. Na temática da adesão em saúde. conduzindo à fundamentação da sua intervenção favorável na saúde dos indivíduos. as características enfatizadas na definição do constructo. as intervenções com vista à adesão consistem geralmente em estratégias educativas. considerando que o suporte social se traduz na existência de pessoas com as quais podemos contar. funcionando como estímulo à sua manutenção.Suporte social formal: abrange organizações sociais formais. Este autor acredita que. não só no uso de estratégias de interacção face a face mas também. o suporte social abrange intercâmbios afectivos. mas também. na mobilização de outros recursos como sejam. fomentando a adopção e manutenção de comportamentos saudáveis. . que se encontram organizados no sentido de fornecer assistência a quem necessite. defendem que. O suporte social recebido é aquele que de facto foi fornecido por alguém.Por outro lado.De acordo com esta abordagem o suporte social actua como uma reserva ou recurso. que nos valorizam e que gostam de nós. o suporte social pode ainda actuar no sentido da promoção de comportamentos de saúde. ou seja. capacitando os indivíduos para a adaptação efectiva a altos níveis de stress. de auto-eficácia e de suporte social. reforçando os comportamentos adequados que os indivíduos desenvolvem. Henderson e Scott. Banyard (1996) aponta duas linhas justificativas do papel do suporte social na saúde: . 38). O suporte social percepcionado é aquele que o indivíduo percebe como disponível caso necessite.Suporte social informal: onde se incluem os indivíduos e os grupos sociais em condições de fornecer apoio face aos acontecimentos do dia a dia. determinadas estratégias ou programas governamentais e determinados profissionais como sejam médicos. Turk e Meichenbaum (1991) defendem que. pode favorecer a adopção de comportamentos saudáveis. considera que o suporte social consiste num tipo de informação que o indivíduo possui e que não só o faz crer na existência de um grupo de pessoas que se preocupam com ele e que o valorizam. as condições educativas que contemplam o suporte familiar demonstram maiores níveis de adesão do que as que o não fazem. (1996) ao abordarem a temática da adesão em saúde. como sejam.emocional. Não obstante. Wright e Weinman.

o livre acesso às consultas e outros meios de planeamento familiar. aptas a fornecer o apoio necessário aos indivíduos ou comunidades. consagrando medidas no âmbito da educação sexual. implica ainda o acesso a serviços de saúde que lhes proporcionem uma correcta vi- gilância de saúde. 6. no seu art.. 1.º 120/99 de 11 de Agosto reforça as garantias do direito à saúde reprodutiva e visa conceder maior eficácia aos dispositivos legais que garantem a promoção de uma vida sexual e reprodutiva saudável.Serviços de informação para casais e indivíduos. ..A Lei n.Cuidados pré-concepcionais.º relativo às incumbências especiais do Estado define que cabe a este (Estado) a organização de um sistema descentralizado de serviços de consulta sobre planeamento familiar.º 3/84 de 24 de Março relativa à educação sexual e planeamento familiar define no seu art. o uso de contraceptivos parece ser um comportamento social. tem-se em mente as entidades estrutural e funcionalmente organizadas.A Lei n. nomeadamente: . Esta lei define a implementação de um programa educativo nos estabelecimentos de ensino básico e secundário que proporcione uma informação adequada sobre sexualidade humana. nomeadamente para adolescentes (Portugal – Ministério da Saúde. .A Lei n. 1998. O art.º o direito garantido pelo Estado.º.(1997) relativo aos determinantes no uso de contraceptivos numa população específica. mais gratificante e responsável. A saúde reprodutiva comporta ainda. onde se documenta o papel das percepções relacionadas com o contexto social nas decisões contraceptivas. que as pessoas possam ter uma vida sexual satisfatória e segura e que tenham a capacidade de se reproduzir e decidir se. pela divulgação dos métodos de planeamento familiar e pela organização das estruturas jurídicas e técnicas que permitam o exercício de uma maternidade e paternidade conscientes. quando e com que frequência o fazem» (Portugal – Ministério da Saúde. Ao fazer referência ao suporte social formal. implica o direito que homens e mulheres possuem. pelo desenvolvimento de uma atitude individual responsável relativamente à sexualidade. p. do reforço do acesso ao planeamento familiar e aos métodos contraceptivos. surgem como a principal dimensão. de serem adequadamente informados e terem acesso aos métodos de planeamento familiar que escolherem e que estes sejam seguros e eficazes. podem considerar-se diferentes fontes de suporte social. à educação sexual como componente. sem qualquer tipo de discriminação. De acordo com o programa de acção da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento realizada no Cairo em 1994 «o conceito de saúde reprodutiva implica. . 5). tendo em vista. entre outros aspectos: .). dado possuírem competências técnicas e recursos materiais. independentemente da sua idade. . com vista à promoção da saúde sexual e reprodutiva dos indivíduos. Desta forma a promoção da saúde sexual e reprodutiva. do direito fundamental à educação. nomeadamente. Oddens afirma mesmo que. Ao abordar a temática da adesão à contracepção. a prevenção de gravidezes indesejadas e o combate às doenças sexualmente transmissíveis (. Suporte Social Formal Como atrás descrito. Neste estudo. Encontra-se esta preocupação presente no nosso país.º 4/84 de 5 de Abril estabelece o regime jurídico de protecção à maternidade e paternidade. documentada por legislação diversa.º define a gratuitidade das consultas de planeamento familiar e dos métodos contraceptivos fornecidos por entidades públicas. 5. a atenção centraliza-se essencialmente na prestação de cuidados de saúde primários e em todo o conjunto de estratégias encontradas pelas entidades governamentais ou outras. pré-natais e de planeamento familiar. 7. Garante-se ainda no art. responsável pela protecção da família. 1999b). com vista à criação das condições para uma melhor saúde. na escolha de contraceptivos hormonais orais. informação e apoio pré-conceptivo e contraceptivo. as influências sociais. estrato social ou condição económica. sendo ainda este (Estado). Ga255 .Serviços de informação sobre saúde reprodutiva e sexual.

Reflectindo nesta associação. donde destacamos: . o documento Saúde um Compromisso – A Estratégia de Saúde Para o Virar do Século. com vista à educação dos indivíduos. nomeadamente. dar uma resposta rápida. no centro de saúde ou serviço hospitalar. Parecem pois. na contingência de inúmeros factores.Melhorar o acesso à consulta pré-concepcional. que a utilização adequada dos recursos contraceptivos disponíveis conduz ao incremento da saúde sexual e reprodutiva dos indivíduos. decorrente da localização dos serviços de saúde. pela utilização adequada dos recursos contraceptivos na opção por uma maternidade/paternidade planeada e consciente. . Entre as metas definidas encontramos em primeiro lugar as relacionadas com o ciclo vital e família. concretizáveis em 5 anos. reflectindo não só o impacto sobre os indicadores de saúde. às questões que se revelam. Neste mesmo documento foram definidos objectivos gerais com vista à melhoria da prestação de serviços de saúde e dos vários sectores de saúde. a adesão à contracepção surge como um comportamento de saúde ou mesmo. como preocupação importante de uma parte considerável da população portuguesa. No entanto. na promoção dos cuidados pré-concepcionais. segundo os autores.Melhorar o cumprimento de saúde reprodutiva e planeamento familiar. no reforço da educação sexual e do planeamento familiar» (Portugal – Ministério da Saúde. Neste contexto foram ainda delineadas orientações de actuação tendo em vista a concretização dos objectivos gerais e específicos preconizados: .Reforçar as actividades de educação dirigidas às adolescentes e às mulheres jovens. o atendimento aos jovens em qualquer consulta de planeamento familiar. nos serviços de saúde. . criadas as condições legais. objectivos específicos quantificáveis. traduzindo segundo os autores. nas áreas da sexualidade e reprodução. . para o incremento dos cuidados de saúde. providenciar no prazo de 7 dias. o acesso à consulta de planeamento familiar a toda a mulher aí atendida. Nas maternidades é garantida à puerpera informação sobre contracepção em consulta de planeamento familiar. Considera-se pois. é importante ter presente que o suporte legal fornece as garantias mas é a nível local que se concretizam os objectivos. Desta forma no suporte social formal afigura-se também importante a satisfação dos indivíduos com o tipo de apoio que lhes é proporcionado. para uma vivência sexual mais saudável.rante-se ainda. estando muitas vezes a realização destes. São traçadas as linhas gerais de actuação que pretendem melhorar a saúde em Portugal. na organização dos cuidados pré-natais. Em Dezembro de 1999 foi apresentado publicamente pelo Ministério da Saúde. É ainda da responsabilidade do estabelecimento de saúde. Dentre estas medidas destaca-se: «a extensão do programa de saúde reprodutiva. com o objectivo de diminuir a taxa de repetição da Interrupção Voluntária da Gravidez. como sejam. Dado que a atitude é a predisposição para realizar determinado . . utilizando a denominação de Matarazzo (1984): um comportamento imunogénico. 1999a. 18).Garantir a qualquer pessoa o acesso a cuidados adequados de saúde reprodutiva. destas realçamos: .Aumentar a oferta de cuidados adequados de planeamento familiar. planeamento familiar. a formação. p. No contexto da estratégia de actuação foram definidas medidas imediatas ou de curto prazo através das quais se pretendia. Foram ainda previstas metas a atingir até 2002. ainda que não seja na sua área de residência. particularmente nas áreas mais carenciadas. por interrupção voluntária da gravidez. actualização e motivação dos técnicos e as limitações de ordem económica e material.80% das mulheres em idade fértil que não 256 desejem engravidar utilizarão um método contraceptivo eficaz. Atitudes Tem-se vindo a contextualizar a problemática da adesão em saúde nomeadamente no relativo às dimensões socio-cognitivas na adesão das mulheres à contracepção.Estabelecer metas locais para a cobertura pré-concepcional. como também a melhoria na prestação dos serviços. condição que se entende indispensável à prestação dos cuidados.

Alport referido pela mesma autora acrescenta. Verifica-se pois. 1996. Lopez e Fuertes (1991) identificam 3 componentes. experiências afectivas ou comportamentais). por forma a ser mais facilmente compreendida. com conotação social das referidas mudanças.Alteração parcial de um dos componentes.Restabelecimento do equilíbrio original por rejeição do novo elemento. além disso. segundo o mesmo. sentimentos e tendência a comportar-se de determinada forma. Green (1977). Atitude Face à Sexualidade A sexualidade é regulada em algum grau não só pela particularidade biológica de cada indivíduo. Lima (1993) ao referir-se às crenças acrescenta. o conhecimento da estrutura de determinada atitude. o indivíduo não tem informação científica.Alteração de um ou dois componentes. no sentido de manter ou modificar a atitude.Restruturação de todos os componentes da atitude. as atitudes representam a tendência para agir positiva ou negativamente face a determinado objecto. Na opinião de Rosenberg e Hovlan (1960) as «atitudes são predisposições para responder a determinada classe de estímulos com determinada classe de respostas» (citado in Lima. são levados em conta diferentes factores. que este conceito traduz-se numa valorização particular com algum grau de aprovação ou desaprovação face ao objecto da atitude. induz a necessidade de uma actividade que restabeleça o equilíbrio. ou seja. 168). Eagly e Chaiken (1993) sublinham ainda. duas noções importantes. interrelacionadas: . se esse é o nosso objectivo. o carácter do elemento ou elementos novos. . que para que se dê uma destas alterações. possibilitando o delinear de intervenções. pode ser subdividida. a atitude não é imutável. a tendência para um determinado comportamento. só neste sentido se pode pretender “medir” as atitudes. que as atitudes são predisposições do indivíduo para valorizar de uma forma favorável ou desfavorável determinado objecto. manifestadas por mudanças biológicas internas e externas e interpretações subjectivas. podendo esta ocorrer sob diferentes formas: .Cognitiva (opiniões e crenças) . Importa também reflectir sobre a componente social que Green (1977). Desta forma. Na opinião de Lopez e Fuertes (1991) esta predisposição embora se constitua num todo. esta pode sofrer um desequilíbrio ou reestruturação. organizado através de experiência e exercendo uma influência dinâmica sobre as respostas individuais a todos os objectos ou situações com que se relaciona» (p. que as opiniões são ideias ou crenças relativas a questões discutíveis ou a aspectos sobre os quais. com base nas experiências pessoais. tomando forma ao longo da vida. a tendência é procurá-lo. um novo elemento (conhecimentos. que facilitem a mudança. ao qual se pode associar uma probabilidade de veracidade. direcção e intensidade. esta valorização é dinâmica. Habitualmente quando o indivíduo considera determinado objecto como negativo ou perigoso tende a sentir rejeição. 168).Afectiva (sentimentos) .comportamento (Ribeiro. Salientam ainda que. atribui ao conceito atitude. em opiniões.Comportamental (tendência a actuar de determinada forma) Como já referido. como uma resposta implícita considerada socialmente significativa. nomeadamente no campo da sexualidade. No contexto das atitudes. o nível de consistência da atitude prévia. Para Lopez e Fuertes (1991) as opiniões são acompanhadas de sentimentos. Os autores supra citados defendem ainda. a idade do indivíduo. . traduzem sim. que é a informação que se dispõe face a determinado objecto. Os sentimentos são reacções fisiológicas. as atitudes não se resumem a opiniões e sentimentos. Lopez e Fuertes (1991) defendem. . evitando-o. mas também pelo contexto social em 257 . permite uma mais fácil compreensão das diferentes condutas sexuais. associa ao conceito atitude. na opinião dos autores supra citados quando é introduzida uma alteração num dos componentes da atitude. p. como seja. pelo contrário se algo é entendido como positivo e agradável. esta tendência de resposta pode ser mais intensa face a determinados aspectos do ambiente que face a outros. definindo esta. que: «a atitude é um estado de preparação mental ou neural. 1998) surge aqui a abordagem deste conceito. Como já atrás sublinhado. sublinhando este autor a importância do contexto social.

Acrescentam ainda. por mudanças históricas. Byrne. facto no qual devemos reflectir enquanto profissionais de saúde. Na opinião de Lopez e Fuertes (1991) a atitude adoptada perante determinados temas. admitem melhor as fantasias e pensamentos de carácter sexual. DISCUSSÃO A adesão em saúde afigura-se assim como um fenómeno complexo. Os autores supra citados colocam no outro extremo deste continuo. relativamente estável. 191-216. relacionados com a sexualidade durante o processo de socialização. sublinham que. culturais e também económicas.. Self-efficacy: Toward a unifying theory of behavioral change. demográficas. Estes indivíduos. (1986). esta é uma classificação que enfatiza essencialmente a componente afectiva da atitude. sobre todo o tipo de condutas sexuais. sendo menos rígidos quando julgam as condutas sexuais dos outros. 84. nos seus juízos. se nos sentimos neles particularmente envolvidos. New Jersey: Prentice-Hall. Lopez e Fuertes (1991) consideram a erotofobia-erotofilia como os extremos de uma atitude ou traço da personalidade. de afecto. mais ou menos positivo ou negativo. são menos frequentes as situações de disfunção sexual. Quando falamos em adesão aos recursos contraceptivos encontramos um paralelísmo com a adesão aos regimes terapêuticos das doenças crónicas relativamente ao tipo de solicitação efectuado. Têm mais dificuldade em aceitar as condutas sexuais dos outros e mostram-se mais rígidos. dado que. tendendo a repeti-la. Fisher. que é uma disposição aprendida face à exposição particular a restrições e castigos. 1988). cuja mensuração directa é difícil e profundamente impregnada pela individualidade de cada utente dos cuidados de saúde. adoptando mais facilmente métodos anticoncepcionais. 140). 139) e teorizam ainda que «any sex-related information – such as contraception – is more easily learned 258 by those with positive feelings and attitudes about sex» (p. Muitas áreas da sexualidade ainda suscitam socialmente polémica e todos os indivíduos de uma forma ou de outra se sentem nela particularmente implicados. REFERÊNCIAS Bandura. Psychological Review. como uma disposição para avaliar e responder aos estímulos sexuais. A. os indivíduos erotofóbicos reagem de forma negativa ou menos positiva face aos estímulos sexuais e tendem a evitar a actividade sexual. Bandura. . com um grau previsível.que este se insere. Estes autores. (1988) definem erotofobia-erotofilia. e de acordo com este modelo teórico (Fisher et al. Social Foundations of Thought and Action. não aceitam tão facilmente a anticoncepção e têm menos fantasias e pensamentos de carácter sexual. Assim. Neste grupo. muito especialmente se estão sujeitos a polémica e ainda mais. os indivíduos erotofilicos. No caso da sexualidade estas duas condições estão fortemente presentes. A Social Cognitive Theory. and retrieving sexual or contraceptive information» (p. Este condicionamento encontra-se mediado. pessoas ou situações influenciam determinantemente a nossa conduta. decididos a traçar estratégias de promoção da saúde cada vez mais eficazes e adequadas às necessidades das nossas populações. se requer um comportamento periódico e sistemático para atingir níveis de eficácia satisfatórios que permitam prevenir o surgimento de gravidezes imprevistas. Esta reacção situa-se ao longo de um continuo: erotofobia-erotofilia. Têm uma maior capacidade para falar com o parceiro sobre o tema sexualidade. White e Kelley (1988) referem ainda relativamente às diferenças na aprendizagem da informação de carácter sexual e contraceptivo que: «erotophobic individuals are hypothesized to have greater difficulty than erotophiles in attending to. referente à forma como as pessoas reagem face aos estímulos sexuais. (1977). O enquadramento bibliográfico efectuado permite-nos concluir que as dimensões socio-cognitivas surgem associadas de forma importante à adesão dos indivíduos aos recursos contraceptivos. Indivíduos que identificam a actividade sexual de forma mais positiva. Fisher et al. São mais atentos à informação de carácter sexual e contraceptivo. É mais provável que sofram de disfunções sexuais. A. processing.

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. regra geral. inserido numa determinada sociedade. Mesmo na sociedade pós-moderna. uma grande parte dos casais planeia a formação de uma família tão meticulosamente como a educação. adequado para começar uma família. 771).) e como portadores de interesse e variedade à vida dos pais.. pesando todos os factores e escolhendo o momento (*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada.. a profissão. p. algumas das decisões possíveis poderão ser a de permanecer sem filhos. a situação de um casal que deseja procriar e que não consegue concretizar esse objectivo é. Para estes. A existência com filhos é encarada como mais rica e mais interessante do que sem eles. seja porque não preenchem os requisitos necessários a um processo de adopção. tem acerca do papel social da mulher e da maternidade têm sido alteradas progressivamente mas. apesar das modernas técnicas de reprodução medicamente assistidas poderem ultrapassar muitas das causas de infertilidade. actualmente. a de recorrer a dadores (de óvulos e/ou de esperma) externos ou a hospedeiras gestacionais para concretizarem os seus desejos de parentalidade. parte do poder atribuído à mulher tem estado relacionado com a sua capacidade reprodutora» (Leal et al. a de esperar por novas e eficazes técnicas de reprodução medicamente assistidas.Análise Psicológica (2005). a habitação e o investimento económico. 772). seja por terem que estar inscritos em listas de espera durante anos a fio.» (Leal et al. 3 (XXIII): 261-267 As representações dos técnicos de saúde de uma Maternidade face à substituição gestacional e às hospedeiras gestacionais (“Barrigas de Aluguer”) JOANA LEONARDO (*) NUNO NODIN (*) As representações e concepções sociais que cada indivíduo. em que existe uma limitação significativa dos nascimentos pelo uso de métodos anticoncepcionais. As hospedeiras gestacionais são mulheres que disponibilizam o seu útero 261 . esta alternativa não chega para preencher as necessidades dos casais inférteis que querem formar uma família. 2000. Apesar de existir a possibilidade da adopção. seja porque não encontram a criança que idealizaram para si. «desde sempre. Lisboa. A História mostra o quanto a procriação tem sido considerada importante nas mais variadas épocas e culturas: «geralmente [os filhos] são vistos como fonte de satisfação emocional (. p. vivida de forma dramática (Conner. 2000. 1976).. Actualmente.

para que aí se desenvolva. uma criança filha biológica de outras duas pessoas que não ela própria. a substituição gestacional. O autor refere ainda que não apenas as mulheres poderão recorrer a hospedeiras gestacionais. Do ponto de vista da mulher que se dispõe a ser hospedeira gestacional. compreensão e tentativa de resolução do problema de casais que não podem ter filhos biológicos e para quem a adopção acaba por ser um processo moroso ou praticamente impossível. bem como casais que já não estejam em idade fértil ou que nunca conseguiram adoptar uma criança e que pretendam ter filhos. ou que estejam sujeitas a terapias radio ou quimioactivas. e através do estabelecimento de um contracto baseado na confiança mútua e no respeito com uma segunda mulher (a hospedeira gestacional). razão pela qual frequentemente se encontram hospedeiras que o são dos próprios familiares e amigos. O altruísmo. após um estudo de três anos com hospedeiras gestacionais. 2. Muitas delas sentem-se realizadas por saberem que “mudaram as vidas de outros para melhor” e que permitiram que “um sonho se tornasse realidade”. Aigen (1997). O interesse económico. a auto-imagem e a estrutura psíquica já existente. como é o caso dos casais homossexuais masculinos e dos casais de pessoas que consideram ter esperado um período de tempo excessivo por uma criança. a sofrerem a experiência traumática da “perda” quando têm que entregar a criança ao casal intencional. A compaixão para com todos os que não podem ter filhos. que sejam inférteis. tendo uma parte activa em todo o processo. a substituição gestacional é vivida como uma experiência particularmente feminina. materialistas. Quase todas as hospedeiras da amostra (n=200) apontam uma 262 variedade de razões emocionais para levarem a cabo uma gravidez por e para outrém: poderem permitir a parentalidade a outros. para se sentirem actualizadas e para enaltecer a sua identidade. De acordo com a autora desta investigação. é um processo muito relevante porque o que se está a dar tem um valor único. A realidade da substituição gestacional surge da solidariedade. por envolver o acto de dar algo de si próprio. ou não). o que as tornará vulneráveis a serem exploradas e a “prostituírem-se” reprodutivamente e. relacionada com a experiência e com o significado da maternidade. Deste modo. O amor pelos seus próprios filhos. O estereótipo que se encontra associado a hospedeiras gestacionais considera-as geralmente como mulheres oriundas de classes sociais pouco diferenciadas. Aigen (op. apesar do dinheiro ser um importante motivo para muitas hospedeiras. . Em contraste com esta imagem. Nestes casos. finalmente. que tenham insucessos de gravidez recorrentes. mas também o poderão fazer os homens com orientação homossexual ou sem parceira(o). imaturas. Muitas mulheres decidem tornar-se hospedeiras gestacionais para ajudar pessoas próximas com problemas de infertilidade. 3. uma experiência capaz de alterar e transformar a identidade. sozinhas. que sofram de doença cardiovascular ou que tenham hipertensão arterial. perdidas. durante o período de gestação. uma representação ou uma chamada de atenção. três das mais usuais motivações apresentadas para tal são: 1. que já sofreram múltiplas Fertilizações In-Vitro (FIV). Assim. ser hospedeira tem o potencial de ser um evento propiciador de mudança. a gratificação que estes lhes dão e o desejo de partilhar estas experiências são dos factores mais referidos por estas mulheres. dificilmente a substituição gestacional pode ser entendida como um mero acting-out. A memória desta acção passa a ser uma reserva psicológica permanente contra acontecimentos mais negativos. e o dever de ajudar. que sejam perimenopausicas. Deste modo. não é o prioritário. De acordo com Sweet (1998). verificou que. cit) refere que encontrou mães normais que são felizes com os seus filhos e que gostariam de ajudar outras mulheres a sê-lo também. o recurso a uma hospedeira gestacional é apropriado para mulheres que não tenham útero (congenitamente ou por histerectomia) ou em que este se encontre com algum tipo de patologia adquirida. Hanafin (1990) caracteriza as hospedeiras gestacionais como sendo mulheres que: a) gostam de estar grávidas. o casal pode estar intimamente envolvido em todos os detalhes e pormenores daquele seu futuro filho (que poderá ser geneticamente descendente de um ou mesmo dos dois membros do casal.

quanto muito. b) Mulher que tem que ter pelo menos um filho seu – apenas alguém que já tenha passado por uma gravidez. h) têm a oportunidade de atravessar uma gravidez previamente terminada e delimitada. inúmeras questões permanecem sem resposta. livres e independentes. não só porque a gravidez se desenrola num “recinto” estranho como também porque o novo ser está a ser alimentado com um sangue diferente do da mãe intencional. são habitualmente as seguintes: a) Mulher com idade compreendida entre os 21 e os 38 anos – uma hospedeira com menos de 21 anos poderá não ter a maturidade que lhe permita lidar com todos os factores que influenciam a substituição gestacional e o efeito que a sua decisão poderá ter nela própria e nos seus filhos. de forma inquestionável. mulheres economicamente estáveis e que não estejam desesperadas por dinheiro. a mãe engravida sem querer. Do ponto de vista das características exigidas por alguns dos centros médicos que trabalham nesta área. a idade máxima é definida com base em considerações médicas. sentido os movimentos do bebé e a experiência de ter dado à luz poderá compreender a situação e saber se quer. Na substituição gestacional. Existe então uma relação carregada de emoções e de intimidade pelo que serão compreensíveis alguns vínculos afectivos e emocionais que surjam nas hospedeiras gestacionais. se presta a ser hospedeira gestacional. relativamente a potenciais hospedeiras gestacionais. Os que são contra apontam o facto de. para os que são a favor é apenas o pagamento pelos serviços prestados por uma mulher que passa pela gravidez e pelo parto. c) Mulher que tem que ter estabilidade financeira – uma vez que o dinheiro não deverá ser o maior factor motivacional para que alguém se torne hospedeira gestacional. Para os que são contra. portanto. a mãe ter o direito de não querer dar a criança após o parto e de só tornar a situação oficial depois de assinados os papéis. Apesar disso. de facto. deverá assinar um 263 . Não há dúvida de que a substituição gestacional é um processo atípico. nomeadamente a relação entre a idade e as gravidezes de risco. para eles. a taxa paga à hospedeira aquando da gravidez é uma forma de comprar e vender bebés. uma vez que se introduz mais um interveniente: a hospedeira gestacional que tem uma relação de nove meses com a criança de quem está grávida e que irá parir. os “verdadeiros” pais são os que cuidam e acarinham. Para os que são contra. normalmente. o exame genético da criança gerada por uma hospedeira gestacional mostra. de facto. portanto. a mulher não engravida quando quer e. Outros há que vêm as relações e o amor como sendo o que os torna “reais” e. requerem-se. Esta questão ainda se torna mais difícil de responder no caso da substituição gestacional. c) têm uma oportunidade para se sentirem especiais. f) têm a oportunidade de fazer uma contribuição única. ser uma hospedeira gestacional. g) ganham financeiramente com a situação para si e para a sua família. nos procedimentos de adopção. as respostas a estas e outras questões variam consoante a nossa própria forma de estar no mundo e de olharmos a substituição gestacional. os que são a favor apontam o facto de que. Desta forma. maioritariamente. e) dão importância aos seus próprios filhos nas suas vidas. que os seus pais biológicos foram os que lhe providenciaram o seu material genético através dos gâmetas. A questão que se coloca é: quem são. Contudo. a substituição gestacional é socialmente indesejável pois são as mulheres pobres quem. logo. contudo. nos procedimentos de adopção. a mulher que dá à luz a criança. e do ponto de vista ético. d) têm empatia por casais sem filhos. Segundo Gitlin (1990). Hinman (1992) refere que poderão surgir várias dúvidas do ponto de vista da paternidade das crianças que nascem através deste processo. os pais “reais” são ou o casal genético (não necessariamente o casal intencional) ou. poderão fazer do seu corpo o que quiserem. os que são a favor (nomeadamente alguns movimentos pró-feministas) argumentam que as mulheres são adultas.b) ficam com um historial de gravidezes simples e fáceis. os pais “reais” deste novo ser? Alguns autores vêm a biologia como sendo o factor mais real de modo que. para estes.

distingue as “boas mães” das “más mães”. Foi aplicado um pré-teste a 10 técnicos de saúde. do assistente social e o de outros que estejam envolvidos. composta por 5 questões abertas. 264 Os questionários foram distribuídos por locais estratégicos da Maternidade Dr. após o qual foram feitas algumas alterações até se atingir a versão final do questionário. Com efeito. não só o do ginecologista ou obstetra como o do médico assistente. com as suas atitudes e desempenho profissional enquanto transmissores de informação. torna-se importante estudar as representações que os técnicos de saúde de uma maternidade têm da substituição gestacional. essencialmente. esconder. são do sexo feminino (81. é fácil perceber que o papel do técnico de saúde neste processo é essencial. Trata-se. Assim.3%). enquanto formadores que também podem influenciar as atitudes e comportamentos dos outros e na forma como percepcionam o seu papel numa estratégia global de prevenção da gravidez. As representações que os técnicos de saúde vão construindo sobre a substituição gestacional poderão relacionar-se com a qualidade dos cuidados de saúde que prestam às hospedeiras gestacionais.contrato no qual promete dar a custódia da criança ao casal intencional. Participantes A amostra é composta por 80 indivíduos. uma vez que estas poderão influenciar as suas atitudes e comportamentos em relação a possíveis casos de maternidade por substituição que possam surgir no seu contexto profissional. Estes julgamentos procuram afastar. Instrumento Partindo de um brain-storming construiu-se um questionário que se encontra dividido em três partes: a primeira. constituída por 28 questões fechadas apresentadas sob a forma de uma escala tipo Lickert. sendo que a grande maioria não gostaria de ter mais filhos. Grande parte da amostra tem um curso superior (70%) e a maior percentagem destes técnicos insere-se na carreira dos técnicos de saúde. a hospedeira gestacional é representada pelo outro.5%). Alfredo da Costa. do psicólogo. a problemática da substituição gestacional reflecte a maturidade humana e cultural de uma sociedade. A maioria dos indivíduos situa-se na faixa etária compreendida entre os 26 e os 35 anos e é. de ambos os sexos sendo que. do reflexo da subjectividade do sujeito. sendo influenciado pelos valores e atitudes culturais específicos de uma sociedade. há uma “relatividade cultural” que está na base do julgamento social que. predominantemente. através das quais se tenta aceder às representações sociais dos indivíduos da amostra. a segunda. mascarar ou estigmatizar as “indesejáveis” cuja presença ofende e ameaça a ordem social. ética e moral. Com tantos factores de diversa ordem que se lhe encontram associados. ou seja. na medida em que a representação da gravidez remete para um conjunto de relações que o sujeito (técnico de saúde) estabelece com o objecto (grávida/hospedeira gestacional). mas sim pela forma como o outro a vê através do que ela faz. técnicos de saúde da Maternidade Dr. não por ser quem é. casados e com uma média de dois filhos por casal. o que se justifica uma vez que o número de mulheres a trabalhar nesta instituição é superior ao número de profissionais do sexo masculino. constituída por um conjunto de questões que permite fazer a caracterização da amostra. sem fazer comparação de grupos. Alfredo da Costa e entregues a chefes de serviço e a enfermeiras chefe dos vários serviços para que os distribuíssem pelos técnicos que têm sob sua responsabili- . e a terceira. Pretende-se detalhar as representações sociais da população dos técnicos de saúde sobre esta temática. portanto. constituída por católicos. dada a ausência de investigação de carácter psicológico sobre substituição gestacional no nosso país. ramo de Enfermagem (42. através das quais se tenta aceder às atitudes dos sujeitos face à substituição gestacional e que variam num espectro entre “Concordo Totalmente” e “Discordo Totalmente”. Em muitos aspectos. Procedimento MÉTODO Delineamento do Estudo O presente estudo é de carácter exploratório.

Por outro lado. foram-se inserindo os resultados das perguntas fechadas no programa estatístico SPSS (Statistical Program for Social Sciencies).dade. ou seja.3% dos sujeitos. para a maioria da população inquirida. facilmente se verifica que. tendo um elevado poder económico. se “vendem filhos”). pressupõe-se que. contrapondo a cerca de 25% que acham 265 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os principais resultados verificados resumem-se de seguida. Considerou-se pertinente o cruzamento de itens. económico. apenas 5% da amostra daria apoio e emprestaria o dinheiro. Assim. Donde se verifica que. Muitos dos questionários foram também entregues pessoalmente a técnicos.uma mulher com graves questões psicológicas associadas ao narcisismo. 15% daria apoio mas não emprestaria dinheiro e.uma mulher com carências económicas que só quer ganhar dinheiro. não se enquadra nos seus quadros internos de pensamento. as mulheres da amostra não aceitariam ser hospedeiras gestacionais. . o casal intencional é visto como: infértil. eles não o dariam. Na grande maioria.uma mulher que não deverá reclamar o direito à criança depois de esta nascer. para os técnicos de saúde inquiridos. essencialmente. procura ajudar amigos ou familiares. sendo combinado em que local seriam posteriormente recolhidos. etc. nem emprestaria algum dinheiro para a sua realização. à auto-estima e ao self. cruzando as respostas dos itens “O governo deveria legalizar a substituição gestacional” e “A legislação portuguesa deveria contemplar a substituição gestacional”.uma situação que não lhes provoca stress.um contrato económico (em que. Em suma. À medida que se procedeu à recolha dos questionários. . . . para a maior parte dos indivíduos. .podendo desempenhar tão bem a função da parentalidade como outro casal que não recorra a hospedeiras. não perdendo a sua dignidade enquanto indivíduos pelo facto de recorrerem a hospedeiras gestacionais. Para a maioria da população inquirida. nem deve ser considerada como uma situação de último recurso). Relativamente às questões abertas. Em relação à legislação sobre esta matéria. o apoio possível neste tipo de situações é essencialmente de índole afectivo-emocional. Em suma. estando obcecado por ter um filho. não dariam apoio mas emprestariam dinheiro. proporcionando outro nível de análise dos dados verificados. através do cruzamento das respostas dadas ao item “Se me pedissem apoio (emocional. . para um total de cerca de 40% dos sujeitos não deverá existir qualquer tipo de legislação que contemple os direitos de todos os intervenientes no processo. 16. logo.) para concretizar o processo de substituição gestacional dá-lo-ia” com as do item “Se uma pessoa próxima me pedisse dinheiro para o processo de substituição gestacional não lho emprestaria”. independentemente dos motivos que a suportam.uma questão que não deveria ser legalizada em Portugal (porque existem outras opções como a adopção ou porque não é necessária. parece existir uma maior facilidade de compreensão/aceitação social do casal intencional (compreensão de uma necessidade) do que para a disponibilidade (física e emocional) das hospedeiras gestacionais. a substituição gestacional. Para a maioria da população inquirida. foi efectuada a categorização das respostas e posteriormente realizada uma análise qualitativa das mesmas. Assim. Semanalmente procedeu-se à recolha e análise dos mesmos de modo a verificar se preenchiam o requisito essencial. se fosse pedido a estes técnicos apoio para concretizarem o processo. . obtêm-se os seguintes resultados mais significativos: 15% dos inquiridos não daria qualquer apoio para realizar o processo de substituição gestacional se este lhe fosse solicitado. por solidariedade. a substituição gestacional é vista como: . saber se tinham sido preenchidos por um técnico de saúde.uma mulher que. a hospedeira gestacional é vista como: . Os que não cumpriam com este requesito foram de imediato invalidados e destruídos.

pode-se concluir que. Women’s liberation and sexual liberation. 2001) Conner. O aparecimento de novos fenómenos biomédicos requer sempre uma “abertura social”. nas questões abertas se referiram com alguma incidência às hospedeiras gestacionais como “mulheres sem escrúpulos que só querem ganhar dinheiro” ou como “aquelas que se dedicam à prostituição”. [Online]. Surge também que. Motivations of surrogate mothers: parenthood. Esperamos que esta investigação possa ter contribuído nesse sentido. sendo que exclusivamente 5% concordam com as mesmas. sugerimos o estudo de outras dimensões relacionadas com a substituição gestacional e de outras populações técnicas. da conjuntura histórica.. (1997). éticos. contribuir para a sensibilização relativamente à necessidade de evoluir para modelos de sociedade baseados em direitos de cidadania. Foi possível verificar alguma ambiguidade na postura dos inquiridos que. neste caso a intervenção em contexto de saúde. cultural e social. cerca de 56. parece-nos que a elaboração de folhetos de divulgação e sensibilização para esta temática poderá ser importante para dar a conhecer à população técnica. & R. enquanto que. que a substituição gestacional é sobretudo um fenómeno que requer. nem por razões de cariz médico nem por razões de índole psicológica os sujeitos modificam a sua postura face ao processo e às próprias hospedeiras gestacionais. Necessário também seria fazer investigações de foro psicológico junto das próprias hospedeiras gestacionais. (1976). (1990). altruism and self-actualization.que deverá existir. bem como não técnica. Assim. religiosos. já que cada um tem o direito de viver a vida como 266 assim o entender e que as opções são individuais e influenciadas por um tempo histórico. nas questões fechadas. & Lipianski. ou seja. Gordon. para a sua compreensão. necessária para a (trans)formação de atitudes e representações existentes numa sociedade.4% dos inquiridos afirma que discorda (parcial ou totalmente) de ambas as afirmações. nesse sentido. 216-247). De resto. se verificou que 51% dos sujeitos discordam que se seja “pior mãe” por se passar por um processo de substituição gestacional e que as pessoas que necessitam de recorrer a este género de serviços não perdem nenhuma da sua dignidade enquanto seres humanos. No que diz respeito às razões que poderão levar uma mulher.html. Sexuality today and tomorrow (pp. W. North Scituate: Duxbury Press. Dechonchy. seriam contra essa situação. ao cruzarem-se as respostas dadas aos itens “Seria contra a possibilidade de uma parente próxima ser hospedeira gestacional” e “Seria contra a possibilidade de uma parente próxima recorrer a uma hospedeira gestacional” se obterem resultados de cerca de 33% de sujeitos que discordam (parcial ou totalmente) da atitude desfavorável apresentada em ambos os itens (“ser contra”) e de apenas 17. social. R. Idéologie et Représentations Sociales. sem que os sujeitos consigam identificar com precisão de quais se tratam. uma análise mais abrangente. Neste sentido. Available: http://www.com/psychres/ article. S.surrogacy.). Aigen. Esta discrepância. esta nova realidade. O diagnóstico de como se percepciona e reage face ao processo de substituição gestacional pode. Concluiu-se. política e ético-moral em que essa prática ocorre. REFERÊNCIAS Aebischer. à excepção da prioridade que deverá ser dada à adopção. são predominantemente alegadas questões de infertilidade ou de incapacidade para levar uma gravidez a termo e. J-P.. Fribourg: DelVal. P. nomeadamente que trabalhem noutras instituições de saúde. sociais. tendo por base esta amostra. pela análise do cruzamento dos itens “Quando a grávida não tem condições médicas para a gravidez sou a favor da substituição gestacional” e “Quando a mulher não tem condições psicológicas para a gravidez sou a favor da substituição gestacional”. deve-se (ou pelo menos assim os sujeitos o afirmam) a uma posição não tão crítica face aos outros. é impossível dissociar uma prática profissional. (07 Jan. . Como argumentos a suportar a não existência de legislação são apontados genericamente alguns factores morais. um homem ou um casal a optar pela substituição gestacional.6% afirmar que. como já foi referido anteriormente. V. Libby (Eds. no sentido de estudar de modo mais aprofundado os factores psicológicos e emocionais associados à disponibilidade destas mulheres em disponibilizarem-se para esta prática. In S. de facto. entre outros. B.

). (1993). surrogate motherhood. 2001) Hinman. (2000). barrigas de aluguer. (12 Mar. 211-250. 12-33). I. S. C. Dos resultados e na generalidade. H. tendem a sobrepor-se aos conhecimentos científicos sobre a temática em estudo. J. I. & A. [On-line].) a exercer funções numa maternidade sobre o fenómeno da substituição gestacional e sobre as próprias hospedeiras gestacionais. I. psicólogos. L. Moscovici. 771-777).acused. Caractéristiques des représentations sociales. 2001) Hanafin. Available: http://ethics. Desejo de um filho. A.com/med fres/article/aspects. the results show that personal inferences of the health professionals about the subject under investigation were related with pre-existent representations and preconceptions and not with scientific knowledge Key words: Surrogacy. In J. Notes towards a description of social representations.Doise. H.html. Lisboa: ISPA. In general. Cameira. Reproductive technology and surrogacy: an introduction to the issues. social representations.creatingfa milies. An instrument was developed composed of five open questions and twenty three closed questions in a Likert scale.com/surrogacy/smprf.org/ART.aaml. Leal.surrogacy. W. 2001) Vala.html. P. & Ribeiro. cos de serviço social. [On-line]. M. enfermeiros. J. hospedeiras gestacionais. in what concerns surrogacy. etc.htm. nurses. & Pa1monari. verificou-se que as inferências pessoais. L’étude des représentations sociales (pp. (1990). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Este instrumento foi aplicado a uma amostra de oitenta técnicos de saúde de uma maternidade lisboeta. Gitlin. Dias (Eds. European Journal of Social Psychology. Palavras-chave: Substituição gestacional. surrogate mothers. relacionadas com representações preexistentes. surrogate motherhood and surrogate mothers. (25 Mar. dieticians. (1988). Surrogacy is one answer. (1998).. Paris: Delachaux et Niestle. Representações Sociais – Para uma Psicologia Social do Pensamento Social. J. In W. Available: http://www. The surveys were filled by a sample of eighty health professionals of a maternity hospital in Lisbon. Actas do 3. Sweet.edu/Papers/Introduction %20to%Reproductive%20Technologies. técni- 267 .º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde (pp. foi desenvolvido um questionário do qual faziam parte cinco questões abertas e vinte e três questões fechadas em escala de Lickert. social workers. representações sociais. fisioterapeutas. (12 Jan. RESUMO Neste estudo pretendeu-se caracterizar e descrever as dimensões avaliativas que se poderão encontrar nas representações sociais de técnicos de saúde (médicos. Para o efeito. [On-line]. dietistas. psychologists. Ribeiro. physiotherapists) working in a maternity hospital. 18 (3).HTML..). (1986). técnicos de análises clínicas.. (1990).. assisted reproductive technologies the other. Available: http://www. Cabral. Palmonari (Eds. [On-line]. Doise. Surrogacy: practical medical aspects. Available: http://www. ABSTRACT The goal of this study was to characterize and describe the evaluative dimensions that may be found in the social representations of health professionals (physicians. S. & M. 2001) Leal. (1992).(04 Jan. L. Based on surrogate parenting: reassessing human bonding – a surrogate mother profile.

A doação de ovócitos é providenciada de diferentes formas. O número de mulheres dispostas a doar ovócitos é sempre insuficiente face ao número de casais a necessitar deles. Inicialmente o procedimento de recolha de ovócitos era realizado por laparoscopia1.M. muitas das situações de infertilidade de factor feminino. Letur-Konirsch. 1 Laparoscopia é uma técnica que consiste em fazer um orifício no corpo. a troco de um menor custo nos seus próprios tratamentos. com uma reserva ovárica reduzida ou já na menopausa (ASRM. 269 .Análise Psicológica (2005). em mulheres com idade reprodutiva avançada. situação que ocorre em 1 a 5% das mulheres. 1992). teve o seu início em 1983 e a sua utilização rapidamente se generalizou a todo o mundo. mulheres com risco de transmissão de doenças genéticas. esta indicação foi alargada a outros grupos: mulheres com ausência congénita de ovários (1:10. Para lá de outros factores. através do qual se introduz o equipamento cirúrgico.. o casal referencia alguém cujos ovócitos são doados anonimamente a outro casal. es- (*) AVA Clinic. 1990). recebendo em troca ovócitos de uma dadora que desconhece (Frydman et al. Lisboa. LIsboa. 2002). uma das principais razões é que. e por isso. Outra fonte é as dadoras recrutadas pelos casais dentro do seu círculo de família ou amigos. mas levanta contudo algumas objecções. naquilo que é comummente referido como doação conhecida. Um dos primeiros processos referenciados é o egg-sharing. & Frydman. Neste processo.).A. O QUE É A DOAÇÃO DE OVÓCITOS te método ainda implica um assinalável desconforto físico para a dadora. ocorre uma troca de dadoras. vulgarmente denominado “anonimato personalizado” (Raoul-Duval.000). 3 (XXIII): 269-276 Dadoras de ovócitos: Quem são? ANA OLIVEIRA PEREIRA (*) ISABEL PEREIRA LEAL (**) 1. e nos últimos anos. Este processo é usualmente muito valorizado pelos casais. embora as técnicas para a recolha dos ovócitos tenham sofrido evolução. Uma situação menos comum é a doação directa de ovócitos de uma mulher conhecida. no qual mulheres em tratamentos de infertilidade partilham os seus ovócitos com outras na mesma situação. ou seja. dado permitir ultrapassar com sucesso. como as atitudes pessoais ou o desconhecimento desta necessidade social. Inicialmente o processo destinava-se a mulheres com falência ovárica antes dos 40 anos. invocando-se possíveis consequências para o futuro relacionamento familiar nesta forma de doação. Atendendo às elevadas taxas de sucesso. a A doação de ovócitos como técnica de Reprodução Medicamente Assistida (R. mulheres sujeitas a ablação dos ovários. (**) Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

é administrada uma injecção subcutânea que amadurece os ovócitos e os liberta para o líquido folicular. presentemente a principal fonte de gâmetas femininos é constituída por mulheres presumivelmente férteis. em menor número. Contudo. durante 7 a 14 dias. nomeadamente laqueação tubária. 1999). a prática mostra que o maior receio dos responsáveis dos programas é o de que o conhecimento da existência de descendentes possa criar na dadora o desejo de os conhecer. Um dos argumentos apresentados contra a divulgação do resultado da doação é o receio que. Com a generalização da colheita de ovócitos através de sonda vaginal dirigida por ecografia. este acto é feito com analgesia ou anestesia. revelam que as dadoras avaliam negativamente o facto de não saberem o resultado do processo mas apenas gostariam de ter conhecimento sobre o desfecho. (2001) entre outros. diariamente e sensivelmente à mesma hora. ou. QUEM SÃO AS DADORAS DE ÓVOCITOS Um ângulo de debate que tem emergido e sido objecto de investigação é o que concerne aos direitos das dadoras. Söderström-Anttila (1995) e Partrick et al. Estas hormonas são administradas na zona da barriga com uma pequena agulha. 2. dando origem aos embriões que posteriormente serão implantados no útero da receptora e. Por outro lado. de acordo com o maior ou menor grau de divulgação junto de grupos alvo. que de forma anónima se dispõem a entrar neste processo. consiste na introdução de uma sonda vaginal. Este procedimento. A monitorização do desenvolvimento dos folículos é feita com 2/3 ecografias vaginais. o número de potenciais dadoras vai aumentando de forma progressiva. as mulheres possam sentir que o seu esforço foi em vão. Para evitar a dor. reduziu-se o risco médico associado ao processo. à qual está acoplada uma agulha que perfura o último terço da vagina. que dura cerca de 15-30 minutos. ao saberem de um eventual insucesso. podendo a técnica ser feita só com sedação (Brindsen. para além de terem de revelar informação médica e pessoal. por mulheres em tratamento cirúrgico. A sua colheita é efectuada 36 horas após a injecção. Por esse facto. Após a menstruação é efectuada uma ecografia vaginal para verificar se o medicamento fez efeito e se os ovários e o útero estão em repouso. pouco ou nada ficam a saber sobre o casal receptor e sobre os resultados do processo. Aí irá puncionar cada um dos folículos maduros aspirando o líquido folicular onde se encontram os ovócitos. As taxas de sucesso desta técnica são das mais altas de todas. Os ovócitos obtidos são fertili270 zados com esperma do elemento masculino do casal. dadoras conhecidas que estavam dispostas a enfrentar os riscos da cirurgia.9%. e eliminou-se a necessidade de internamento. Trata-se de um engano. com consequências psicológicas2. porquanto Schover (1990). O procedimento médico para doação corresponde ao protocolo habitual de uma FIV. O tratamento da dadora dura cerca de 4-5 semanas (embora a fase mais activa dure aproximadamente 12 dias). dando lugar a eventuais sentimentos de fracasso. segundo dados publicados pela ESHRE (2004). Reame (2000) defende que estas não só cumprem uma função social. atingindo a percentagem de 32. Quando os folículos estão suficientemente maduros (com cerca de 17 mm).doação era principalmente realizada por utentes em tratamentos FIV. crio preservados. eventualmente. referindo não ter pensamentos obsessivos ou preocupações sobre a existência de descendência. apesar disso. 2 É o caso da determinação do cariótipo e da análise ao HIV. embora algumas mulheres refiram não sentir incómodo ou dor excessiva. até chegar aos ovários. Inicia-se então uma estimulação dos ovários através de hormonas que levam ao desenvolvimento de um número elevado de folículos. . iniciando-se no final do ciclo menstrual anterior ao da doação. Numa primeira fase é administrada uma injecção subcutânea que inibe a produção hormonal e impede que haja uma ovulação. através de uma punção realizada com controlo ecográfico. que os especialistas defendem dever ser acompanhado de aconselhamento específico. Apesar das exigências físicas do processo. submetem-se a procedimentos dolorosos e. como se envolvem num processo pesquisa que pode levar à descoberta de desordens médicas ou genéticas.

história de patologia psiquiátrica ou de personalidade. pelos custos e riscos associados ao tratamento. verificou-se que: 76% desejavam saber se os ovócitos tinham fertilizado. No entanto mais de 80% negavam possuir qualquer ligação com a criança. usada e partilhada. a doação não pareceu ser motivo de desconforto emocional nem um processo secreto: 92% das mulheres tinha discutido o assunto com o marido/companheiro e 69% tencionava contar às suas crianças. desenvolvida em França. (1990). percurso escolar. e sobre o modo como a informação deles resultantes será guardada. Uma delas. e cerca de metade não tinha objecções a que a criança as contactasse no futuro. mas só 45% gostariam de receber informação sobre casais. motivação para a doação. No aconselhamento deverá certificar-se se o dador foi informado sobre todos os aspectos relevantes do tratamento médico. contra apenas 45% das pacientes em eggsharing. Sauer (1997). no sentido de poderem dar um pleno consentimento informado. recompensando a dadora nos mesmos valores que receberia se estivesse a trabalhar3. o estudo das motivações das dadoras era feito recorrendo a escalas de atitudes. INVESTIGAÇÃO SOBRE DADORAS 3 Com base em estimativas de 1993. As guidelines da ASRM (2002 e 2004) recomendam que o processo de avaliação dos dadores seja efectuado por técnico qualificado. as duas entidades mais respeitadas na área da Medicina da Reprodução. No que se refere aos resultados do processo. encontramos duas grandes linhas de investigação. sendo que 28% pensavam que a criança tem o direito de conhecer a sua origem genética. construídas a partir de indicadores obtidos nas entrevis271 . (1999). Deverá ser prestada informação sobre o número e tipo de testes a doenças infecciosas que serão necessários. dificuldades ou situações traumáticas na história reprodutiva. ainda.Resultados similares encontraram Power et al. estabilidade. seguia protocolos direccionados para uma compreensão dinâmica das motivações e vivências das dadoras. e incida nos seguintes aspectos: história familiar. Noutro estudo de Perks e Winston (1991) com 154 potenciais dadoras. e com capacidade de compreender o processo e as suas várias implicações. relacionamento interpessoal. 65% ficariam satisfeitas se informação não identificativa fosse dada aos casais. abuso de substâncias do próprio ou de parentes em primeiro grau e. Apenas 38% referiu estar disposta a aceitar o contacto da criança aos 18 anos. Já nos restantes países. e defendia a vantagem da doação ser acompanhada de um processo psicoterapêutico para a dadora e receptores. história sexual. história legal. demográficos e psicológicos subjacentes ao processo de doação. O dador deverá também ser informado sobre todos os aspectos relacionados com a utilização de gâmetas e embriões resultantes. Na maior parte dos programas de doação é prática corrente comparticipar financeiramente as dadoras. A ASRM e a ESHERE. factores de stress actuais e existência de estratégias de coping. a dadora gasta cerca de 56 horas nos procedimentos associados à doação (ASRM. Apenas 42% pretendia saber da ocorrência de gravidez não evolutiva. refere que o reembolso pela doação de gâmetas decorreu da prática já existente. 52% gostaria realmente de saber se tinha nascido uma criança. a gratificação deveria ter em conta o número de horas dispendido em deslocações e tratamentos. definiram as linhas orientadoras do processo de selecção e aconselhamento na doação de ovócitos. 75% se os embriões tinham sido transferidos. A doação de ovócitos obedece a protocolos que têm vindo a ser estabelecidos de modo muito preciso e semelhante nos vários países que a promovem. Para Marina et al. de recompensar indivíduos participantes em pesquisas clínicas. 2000). Fazendo uma análise retrospectiva dos estudos sobre os aspectos sociais. que concluem que 85% das dadoras anónimas deseja conhecer o resultado da sua doação. existência de abuso ou negligência. Entretanto. Também se deverá avaliar da existência de potenciais riscos psicológicos ou coerção (financeira ou emocional). O princípio básico pressupõe o recrutamento e avaliação de mulheres com um bom potencial para o sucesso do tratamento. sobretudo nos EUA. 3. 69% se a gravidez havia resultado.

quando esses aspectos são debatidos e as expectativas sobre os ganhos psicológicos do processo são realistas. o processo de ajudar outra mulher pode ser extremamente reparador. Noutro estudo de Schover (1991) a motivação 272 mais comum era o desejo de ajudar um casal infértil. e para os autores poderia dever-se às exigências inerentes ao processo. Um pequeno número tinha algumas interrogações acerca da sua potencial fertilidade. com o fim de avaliar as motivações de dadoras em situação de anonimato personalizado. na ocorrência de pelo menos um trauma relacionado com a reprodução. Tratava-se de uma situação de doação conhecida ou de doação anónima personalizada. Essa tensão emergia na forma de agressividade para com o staff. Como era de esperar. estando sensibilizadas para o problema. No entanto. centrada na motivação para a doação e na identificação de perfis psicológicos. pode especular-se se a motivação altruísta ou financeira poderia estar a mascarar uma motivação para resolver conflitos relacionados com culpa face a comportamentos sexuais ou IVG no passado. (1998). Já Sauer e Paulson (1992) apontam para que. (1992). manifesta a convicção de que a doação de ovócitos seja uma forma saudável de algumas mulheres lidarem com sentimentos relacionados com experiências traumáticas do passado. Em menor número surgiam as que desejavam contribuir para o avanço científico. pois não esperavam vir a ter filhos. Lessor et al. é referido Também Kalfoglou e Gittelsohn (2000) referem o caso de 3 mulheres para quem a doação era a oportunidade de transmitirem os seus genes sem terem a responsabilidade pela criança resultante. encontrou diferenças face a um grupo de controlo. sem que existisse uma contrapartida correspondente. tal como encontrado por Fielding et al. O autor faz referência a um estudo de Bril e Levin sobre as motivações altruísticas de 10 dadoras. ou sentiam empatia com o desejo profundo de maternidade das outras mulheres. Weil et al. Cerca de metade do grupo encarava a doação como um acto de solidariedade feminina. querendo confirmá-la através deste processo. Assim sendo. embora a principal motivação na sua amostra fosse ajudar outros. outras tinham amigos ou familiares que tinham vivido uma situação de infertilidade. com divórcio dos pais ou com abuso sexual. evolui-se para o estudo quer da adaptação após a concretização da doação. Apesar disso. de ajuda a uma mulher a partir da sua própria capacidade fértil. Alguns dos primeiros estudos realizados em França. ou seja. Num estudo retrospectivo com a população total de Finlandesas dadoras de ovócitos. as que se predispunham a doar para ajudar um familiar ou amigo. (1994) exploraram as representações de um grupo de dadoras em relação ao óvulo. por Raoul-Duval et al. aquelas mulheres que fizeram mais de uma doação referiram ser a compensação o aspecto determinante para a nova participação. 1992. 52). e BertrandServais et al. com a morte de parente.tas clínicas. (1993) e Braverman e Corson (2002) encontraram mulheres que não queriam ter filhos mas queriam transmitir o seu material genético4. duas mulheres queriam expiar a culpa por IVG realizadas e uma queria doar por uma questão de aventura. quer da avaliação retrospectiva das motivações. num estudo com 26 dadoras. mas para as quais o processo parecia corresponder a uma necessidade de compensação e resolução de conflitos relacionados com interrupções voluntárias de gravidez ocorridas no passado. realizado por Söderström-Anttila (1995). sendo os seus ovócitos “trocados” para outro casal. Para o autor. uma das motivações referidas por essas mulheres era «the hope that these women could experience the supreme female accomplishment of motherhood» (Raoul-Duval et al. No entanto. Num estudo interessante. (1993) basearam-se em entrevistas semi-directivas. e outros aspectos ligados com o processo.. Se nos primeiros tempos as investigações se centravam nas questões da motivação e na personalidade das mulheres dadoras. Algumas mulheres tinham uma amiga ou familiar infértil. encontrava-se também um grupo de mulheres que pensavam ser este um meio de transmitir os seus genes. vista pelos autores como resultante de um movimento de identificação com a mulher infértil. 4 . Numa linha de abordagem diferente. p. (1990). Schover et al. não deixavam de avaliar o processo como sendo exigente do ponto de vista emocional. para tomar uma decisão independente dos pais.

relativamente às mulheres que estudaram. muitas mulheres contaram ter sentido preocupação acerca da qualidade dos seus ovócitos. Klock citado por Hershberger (2004). apesar da sua motivação inicial ser a compensação financeira. embora isso não constituísse motivo de preocupação. Estando estabelecidas as motivações variadas e a existência de diferentes histórias pessoais. a boa relação com o pessoal médico. contudo duas delas apresentavam alguma dificuldade em «dealing with the possibility that a women could give birth to someone with half of my genes and characteristics» e «I’d be concerned that the parents were not the type of individuals who would be poor parents» (p. A grande maioria delas (90%). ao longo do processo acabaram por vivenciar sentimentos de altruísmo. mostra que. algumas mulheres referiram sentir-se contentes em saber que 273 . Esta constatação é diametralmente oposta à de Kokkinos (2000) que fez um estudo qualitativo no sentido de perceber a experiência individual de 8 mulheres um ano após a doação. perturbação familiar. a possibilidade de fazer parte de um procedimento clínico arrojado e receber uma recompensa financeira. essencialmente porque o facto de terem ajudado os outros as fez sentirem-se melhores pessoas. Englert et al. (1991) realizaram estudos de follow-up pretendendo avaliar o impacto do processo na adaptação psicológica. a doação não as compensou por esses perdas. e com 74% a manifestar disposição para doar novamente.que elas encaram o óvulo como uma célula de que não precisam. Kalfoglou e Gittelsohn (2000) afirmam que. num período que variou entre os 6 e 24 meses após a concretização da doação. Embora a maior parte reportasse a existência de perdas reprodutivas. Também foi referida a existência de confusão e o receio dos efeitos secundários da medicação hormonal. (2004) defendem serem raras as mulheres que espontaneamente se dispõem a doar os seus ovócitos sem qualquer forma de compensação. Metade das mulheres referiu pensar na aparência da criança. Sobre a vivência ao longo do processo de doação. (1990) e Schover et al. referiram que teriam feito a doação mesmo sem compensação. 2742). Também no estudo de Söderström-Anttila (1995) se concluiu que a maioria das mulheres pensava por vezes na possibilidade de haver crianças resultantes da doação. tornava-se importante realizar outro formato de investigação. ou se as mulheres acabam por interiorizar a motivação que a clínica e os médicos consideram mais aceitável. tendo como motivação inconsciente um reconhecimento e reparação massiva. manifestando alguma surpresa pelo facto de sentirem tanta satisfação pessoal. Nos dois estudos não se encontrou qualquer correlação significativa entre os valores elevados obtidos na escala do MMPI. Isto porque valorizavam muito a maternidade e porque se avaliavam como sendo ao mesmo tempo tradicionalistas e feministas. não estabelecendo nenhuma ligação a uma criança. e outra metade na família receptora. empáticas e com sentimentos positivos sobre as suas gravidezes passadas. O aspecto referenciado como mais positivo foi a oportunidade de ajudar um casal (o mesmo constatou Fielding et al. referindo que a experiência de doar as ajudou a compensar a perda dessa gravidez. Os seus dados apontam para que se tratava de um grupo de mulheres muito altruístas. com 91% delas a referirem estar moderadamente a extremamente satisfeitas com a experiência. Num estudo de Klock et al. e a história pessoal traumática. (1999) 17% das mulheres reportou uma história de trauma. Schover et al. Afirmaram ter memórias e sentimentos positivos sobre o processo. Um dos estudos mais detalhados sobre as atitudes e expectativas dessas mulheres foi feito por Kalfoglou e Geller (2000). as mulheres estão psicologicamente ajustadas.. referiu que a doação alterou de forma positiva as suas vidas. motivação financeira ou variáveis demográficas. Apesar da compensação financeira ter sido útil. ao permitir uma outra gravidez através da doação. após a concretização da doação. Quanto à informação sobre o resultado do processo. no geral. e frequentemente trata-se de mulheres com personalidade frágil e algum tipo de distúrbio de personalidade. Os autores interrogavam-se se o desenvolvimento desses sentimentos corresponde realmente a mudanças internas. Rosenberg (1995) realizou um estudo no sentido de explorar as memórias relacionadas com a doação ocorrida cerca de 18 meses antes. nomeadamente a adaptação psicológica das dadoras. As conclusões apontam para que a doação tenha sido uma experiência positiva para a maioria das mulheres. Ao contrário. 1998).

Já duas tinham perdido familiares por morte ou adopção. 1993). ter incluído um grupo de controlo. (1993) pretenderam analisar as características sociais e psicológicas de um grupo de 95 dadoras. e posteriormente foi feita uma lavagem intra uterina para remoção do embrião. citado por Lessor et al. Pretendiam de igual modo. Schover et al. etc. Nos EUA. outras referiram que esse tipo de informação poderia dificultar a sua adaptação futura. Importante é o facto da maioria estar disposta a ser contactada na eventualidade de ser necessário fornecer dados médicos ou doação de medula. mostrando ser altamente eficazes e adaptadas ao trabalho. mostraram tratar-se de uma amostra de mulheres com tendência à aventura. (1990) continuou este estudo. nomeadamente quanto à existência de disfuncionalidade na família. Neste grupo. Um dos primeiros estudos realizado com a população de dadoras foi o de Kelly e Simon. juntando mais 13 dadoras. abandono afectivo. Algumas manifestavam curiosidade em saber o sexo da criança. Ao contrário dos estudos anteriores. destinado a medir os níveis de perturbação psicológica. os programas de avaliação e selecção das candidatas a dadoras recorrem a entrevista clínica. revelador da existência de depressão. Em resumo. nomeadamente o MMPI. no que dizia respeito a life-events na história sexual e reprodutiva. 13% tinham tido um aborto e 27% não tinha filhos por desejo do companheiro. O mérito deste trabalho foi o de. encontrar um instrumento eficaz e padronizado para a selecção das candidatas e para isso utilizaram também o SCT (Sentence Completion Test). antes pretende medir traços adaptativos. com o fim específico de avaliar a consistência entre os dados obtidos em entrevista clínica e os resultantes da utilização do MMPI. os seus interesses “intensamente femininos” serviam para modular esta impulsividade. Os resultados obtidos no MMPI.. ansiedade e níveis elevados de stress. e afirmavam que essa informação era uma parte da recompensa para a sua dádiva. Embora respeitadoras das regras sociais. confirmou-se que havia diferenças significativas entre os grupos: nas dadoras 47% reportava a existência de gravidez ilegítima. abuso emocional e sexual. No conjunto das 26 mulheres. contudo. porque as candidatas tendiam a minimizar os sintomas psicológicos. 31% tinham feito IVG. A incidência de divórcio. ou seja. quanto a eventos traumáticos relacionados com a história reprodutiva: IVG. Tratava-se de uma amostra de 33 mulheres que voluntariamente se sujeitaram à técnica da lavagem de embriões. ausência involuntária de filhos. o qual foi apresentado no encontro anual da APA em 1983 (não publicado. No entanto. equivalente 274 quanto à educação. medida em quantidade de eventos. A média dos resultados do CPI mostrou ser este um grupo de mulheres tolerantes e confortáveis no relacionamento social. Quanto a perturbação familiar. já que os valores médios da amostra (aproximadamente 41) estavam abaixo dos esperados para uma amostra de mulheres saudáveis (50). da utilização de testes padronizados com vista ao despiste de psicopatologia. abuso ou abandono e conflitos no relacionamento afectivo ou conjugal. Considerou que este não era um bom instrumento de avaliação para esta situação. preferindo não saber. as mulheres da amostra não revelaram existência de psicopatologia. foram inseminadas com esperma do receptor. 73% do grupo das dadoras tinham tido um trauma reprodutivo versus 35% do grupo de controlo. Algumas das candidatas revelaram história pessoal ou familiar de trauma ligado com a reprodução ou maternidade. gravidezes não desejadas. embora com valores médios normativos. no qual utilizou o SCL-90. a experimentar conflitos conjugais e “prone to sexual acting out”. Kennard (1989) realizou um estudo com 13 mulheres. pela primeira vez. abortos espontâneos.a doação teve êxito. seguido da respectiva transferência para a receptora. ausência ou morte do pai e morte da mãe. eram auto-suficientes e capazes de pensar por si próprias. foram encontradas correlação entre os resultados do MMPI e os dados obtidos na entrevista. . no sentido de averiguar da existência de diferenças entre os dois grupos. Lessor et al. ocupação e raça. o grupo de dadoras mostrou ter vivido maior número situações de divórcio. a correr riscos. Estes valores eram discrepantes com a avaliação e o material obtido nas entrevistas. e passando a utilizar como instrumentos o MMPI e o CPI (Califórnia Personality Inventory) – este último um inventário de personalidade que não está focado na psicopatologia. idade. acompanhadas. para além de possuírem preocupações altruístas. abandono ou adopção.

. A comparison of oocyte donors’ and gestational carriers/surrogates’ attitudes towards third party reproduction. May..). Fabienne. P. 14 delas referiam a existência de maus-tratos físicos e 6 o ter sofrido de abuso sexual. & Delbare. 50% tinha sofrido de alguma forma de perda parental precoce (divórcio. A. Results generated from European Registers by ESHRE. E. (2004). Supp. (2004).American Society for Reproductive Medicine (2004). Fielding.. e com capacidade de manifestar opiniões contrárias às da sua religião. 77 (6). S6-S8. Brindsen (Ed. (2002). attitudes and experience of donation: a follow-up of women donating eggs in assisted conception treatment. como fazemos. Duqueno. ASRM .. M. Tratava-se de mulheres não convencionais e com propensão a correr riscos. De facto. & Lui. (1998). na literatura mais recente. Weaver. revelando níveis adequados de reconhecimento das dificuldades psicológicas. L. embora já frequente. prática. socialmente extrovertidas e com espírito gregário. Raoul-Duval.. R. R. H. 43% de IVG. & Frydman.etc. 4. 171-184).. (1999). 19 (3). (1993). 19 (10). Os valores médios da amostra estavam dentro dos valores normais.. os direitos à parentalidade do casal receptor e os direitos das crianças nascidas destas práticas reprodutivas de conhecer a sua origem. S. 81 (5). morte ou abandono) e algumas tinham recebido apoio psicoterapêutico. DISCUSSÃO Não havendo legislação em Portugal que enquadre a doação de óvocitos verifica-se que esta 275 . Os resultados do MMPI revelaram uma amostra de mulheres socialmente convencionais. não diferia dos encontrados para a população em geral. Chantal. 874-879. Sperm and oocyte donation: gamete donor’s issues.. L. New York. Noutro estudo retrospectivo com 150 candidatas. pp. Apesar disso. estudos com o objectivo de avaliar a existência de psicopatologia. Journal of Assisted Reproduction and Genetics. 462-469. tentaram determinar a adequação do MMPI para detectar patologia nas populações de dadoras. Contudo. crenças e comportamentos. podemos afirmar que genericamente se trata de uma população livre de patologia. Fertility and Sterility. Oocyte recovery and embryo transfer techniques for in vitro fertilization. Philipe. Assisted Reproductive Technology in Europe.. com orgulho nas capacidades maternais. Fertility and Sterility. Handley. Psychological considerations of anonymous oocyte donation. não revelaram uma assumpção de papéis tradicionais femininos ou de submissão. In P. Guidelines for oocyte donation. mantendo-se valores mais clássicos sobre a paternidade e sobretudo sobre a maternidade.. Journal of Community & Applied Social Psychology.. Human Reproduction. em que o recurso às técnicas de reprodução medicamente assistidas se torna cada vez mais frequente. Constataram que na sua amostra. International Congress Series 1266. e que as levou a querer proporcionar essa vivência a outros casais. livre de psicopatologia. Serena. June. S27-S28 Bertrand-Servais.. ESHRE – European Society of Human Reproduction and Embryology. Essa repetida constatação levou a que não se encontre. The Parthenon Publishing Group Limited. A textbook of in vitro fertilization and assisted reproduction: the Bourn Hall guide to clinical and laboratory practice (2nd ed. é fundamental perceber o que fazemos. A. 8. Novamente se constatou que as dadoras não se identificavam com papéis tradicionais quanto ao género. S. 490-503. Braverman. 5. paranóia e tendência para comportamentos obsessivo-compulsivos. Klock et al. Também mostravam alto grau de energia. Donation of gametes. 303-310. Motivations. 17% das mulheres tinham episódios de assalto sexual na sua história. 4.. & Corson. (1999). para as quais o nascimento e o cuidar dos filhos tenha sido um factor muito importante nas suas vidas. S. 273-287. D. A orientação para a relação e a centração nas crianças (child focused) foram confirmadas pelo SCT. D. S. Suppl. Human Reproduction.American Society for Reproductive Medicine (2002). Letur-Konirsch. 2000. Na sequência da revisão feita dos estudos sobre a personalidade das dadoras. Y. porque o fazemos e quais são as possíveis consequências a prazo para todos os intervenientes. Englert. acompanhado por valores abaixo da média quanto a depressão. aparentando ser independentes.. A. os direitos das receptoras. numa fase de transição das práticas reprodutivas. se inscreve num território silencioso e sub-reptício em que se que se questiona tudo o que é possível: os direitos das dadoras. Brindsen. 8 (6). REFERÊNCIAS ASRM .

Expósito. Raoul-Duval. Sauer. Human Reproductio. Oocyte donor selection from 554 candidates.. H.. 1844-1845. O’Connor. Recipients of oocyte donation: an integrative review. Cornet. 5 (3). Fertility and Sterility. Saber quem são estas mulheres e o que a parca investigação realizada nos diz sobre o assunto é o objectivo desta revisão de literatura. Making babies in the 21st century: new strategies... (2000). The psychological evaluation of oocyte donors. Cervantes. Journal of Obstetric. The Sciences and Engineering.. Gynaecologic. 53 (4). E. and Neonatal Nursing. & Vergés. G.. 1487-1491. 111-116. & Davidson.. & Frydman (1992). Anonymous oocyte donation: a follow-up questionnaire. 798-805. M.. (2000). anonymous. M. J.. Smith. Collins. A follow-up study with oocyte donors exploring their experiences. & Salat-Baroux. 666-672. A program for matched. R. Fertility and Sterility.. A.. 74 (4). 6 (10). E..... Collins.Frydman. G. Fertility and Sterility. RESUMO A doação de ovócitos como técnica de reprodução medicamente assistida permite ultrapassar a maior parte das situações de infertilidade de factor feminino. Kalfoglou. Letur-Konirsch. & Asch. 51 (4). Lessor. (1995).. M.. J. Follow-up of Finnish volunteer oocyte donors concerning their attitudes to oocyte donation. (1994).. B. 5778. old dilemmas. J. Rosenberg. M. Reis. T. R. P. Nadal. M. (1989). Schover. 33. 7 (5). 10 (10). & Bashford. 11. 2741-2747. anonymous oocyte donation.. J. Sauer. & Studd. and attitudes about the use of their oocytes and the outcome of the donation. Weil. 7 (1). R. D. Human Reproduction.. knowledge.. A principal fonte de ovócitos é constituída por mulheres presumivelmente fertéis. Baber. M.. J. Fertility and Sterility.. (2000).. 2770-2776. Kennard. & Geller. J. Gynaecol. 152-159. D. J. R. 3073-3076. 9 (7). V. (1999). Klock. J. A comparison of the attitudes of volunteer donors and infertile patient donors on an ovum donation programme. G. L. R. A... Mandelbaum. Supp. Söderström-Antilla. Masramón.. M. 60 (11B). R. Hershberger. 14 (11). (1995). L. 65-71. 6. (2004).. Meyer. L. Human Reproduction. 12 (9). Fertility and Sterility. 1034-1036. J. personality. (1993). Kanoti. Perks. Human Reproduction. J. Psychosom.. S.. W. Reame.. & Quigley. J.. (2000). & Gittelsohn. (1997). 660-667. An analysis of social and psychological characteristics of women volunteering to become oocyte donors. J. Marina. Kalfoglou. Human Reproduction. Abdalla. (2001). S. 1344-1347. Quigley. Reproductive prohibition: restricting donor payment will lead to medical tourism. (1991). A. The main oocyte is constituted by women presumably fertile who are willing to enter anonymously in this process. A protocol for satisfying the ethical issues raised by oocyte donation: the free. ABSTRACT The oocyte as medically assisted reproduction overcomes most of the female factor infertility situations. Human Reproduction. 276 . 352-355. & Quigley. R.. Sibony. Blankstein. An analysis of the attitudes of oocyte donors. 610-621.. Marina. Kokkinos. Letur-Konirsch. (1990). Raoul-Duval. 299-309 Schover. Kanoti. L. Women’s Health Issues. J. Power. Oocyte donors: a demographic analysis of women at the University of Southern California. (1992). Fertility and Sterility.. C.. Blankstein. (1999). H. R. R... J. N. (1990)... (1990).. 72 (6). M. (1991). A. A. N. personalidade. M. & Selva. 51-54. Blankstein. In this revision of the “state of the art” we presented some research about this woman and her personality. 655-660. A. Bydlowski. M. 10 (3). Psychological aspects in anonymous and non-anonymous oocyte donation. Analysis of Minnesota Multiphasic Personality Inventory-2 profiles of prospective anonymous oocyte donors in relation to the outcome of the donor’s selection process. Balmaceda. Follow up study of anonymous ovum donors. N.. Key words: Oocyte donation.. Obstet. Psychological follow-up of women evaluated as oocyte donors. Palavras-chave: Doação de ovócitos.. 59 (1). 1066-1072.. H. & Winston. & Kanoti. Reiss. & Paulson. R. Human Reproduction. Human Reproduction. A. G. 1. Human Reproduction. 15 (4).. H. L. Schover. and fertile donors. Kirkland. R.. Human Reproduction. Leonard. Anonymous oocyte donation: a psychological study of recipients. Stout. R. M.. 75 (5). M. 726-728. R. E. infertility. que de forma anónima se dispõem a entrar neste processo. A.. donors and children. A qualitative follow-up study of women’s experience with oocyte donation. de Ziegler. Abst. Human Reproduction. 10 (11).. F. Egg donors: a study of women’s experience. W. J. Partrick. infertilidade. Collins.

medos e lendas (Lothrop. 2001). Segundo as conclusões e directivas da “World Declaration and Plan of Action for Nutrition”. produzindo alterações nas suas próprias experiências de gravidez e maternidade (Canavarro. De facto. Alguns estudos mostram que as atitudes das mães relativamente aos métodos de alimentação dos seus filhos determinam parcialmente o seu comportamento (Manstead & Smart. 1983). existe um aconselhamento generalizado por parte dos técnicos de saúde. em Roma. mente. altura que coincide. preconceitos. com a licença de parto que a legislação portuguesa prevê. a Organização Mundial de Saúde considera que todas as mulheres devem ter a oportunidade de alimentar os seus filhos. as atitudes das mulheres em relação à amamentação constituem um importante componente na explicação dos seus comportamentos e parece-nos. Entre modas e filosofias médicas que tem propiciado diferentes atitudes em relação à gravidez e ao parto. 277 . sendo que a maioria não chega ao segundo mês de aleitamento (Mendes. Em Portugal o que acontece mais frequente- (*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada. em Dezembro de 1992. As razões encontradas para o abandono da amamentação podem guiar e orientar esforços no sentido da promoção da saúde com a finalidade de aumentar a duração do aleitamento materno (McLennan. Na persecução desta directiva. decorrente da “International Conference On Nutrition”. Lisboa. consultas de especialidade e políticas de protecção à amamentação. 2000). destaca-se hoje as atitudes em relação à prática da amamentação com os seus hábitos. 3 (XXIII): 277-282 Atitudes de mulheres em relação à amamentação – Estudo exploratório JOANA COUTINHO (*) ISABEL PEREIRA LEAL (*) A maternidade tem sido percepcionada de formas diferentes. 2001). Num país como Portugal. 2002). uma vez que curtos períodos de aleitamento materno estão associados com o aumento da morbilidade e mortalidade infantil (McLennan. que tem a maior taxa de trabalho feminino da Europa e um período de licença de parto nunca superior a 4 meses. exclusivamente com leite materno nos primeiros 6 meses e como complemento até aos 2 anos de vida do bebé (WHO. 2001). 2001). é amamentar a criança no máximo durante os primeiros quatro meses.Análise Psicológica (2005). Este padrão de abandono precoce da amamentação representa uma preocupação. ao longo do tempo de acordo com a cultura e a sociedade em que a mulher se encontra. portanto importante abordá-las a fim de perceber como estas influenciam os comportamentos das mulheres em relação à escolha do método com que desejam alimentar os seus filhos.

questões relacionadas como os seus motivos para deixar de amamentar ou para não amamentar e questões relativas à sua indecisão em amamentar e existência de influência de outros em relação a esta decisão.6%)) e têm filhos (63.5%).7%). são activas profissionalmente (64.8349. Procedimento A amostra é não probabilística. na faixa etária dos 31 e 40 anos de idade (26. A maioria das mulheres revela não ter recebido qualquer influência quanto à sua decisão de amamentar (82. adoptando um nível de significância de p<0. A resposta a cada uma das questões é dada numa escala de tipo Likert com 5 posições. duas questões sobre a existência de filhos ou não e o número de filhos. tem por base a perspectiva de Ajzen (1988) e é composto por 50 questões relacionadas com as várias classes de resposta atitudinal e que constituem as 4 sub-escalas: cognitiva (dividida nas questões relacionadas com os factores que facilitam a amamentação e 278 RESULTADOS Comportamento em relação à amamentação Verifica-se que 91. Os principais motivos apresentados pelas mulheres para a desistência da amamentação foram a insuficiência de leite (44. estado civil. pois é constituída por indivíduos que acidentalmente participaram no estudo. em que os únicos critérios de inclusão são possuir um nível de escolaridade igual ou superior ao 1.2%). de auto-preenchimento. Os sujeitos foram directamente convidados a participar no estudo e procedeu-se à aplicação dos questionários. um de caracterização sociodemográfica da amostra e uma escala de atitudes. Após a recolha de dados e de forma a verificar a existência ou não de relações significativas entre as variáveis criou-se uma base de dados para possibilitar um tratamento estatístico em SPSS. assegurando a confidencialidade e o consentimento informado.interessa-nos perceber a compatibilidade entre diversas variáveis.1% destas fizeram-no durante menos de 6 meses. MÉTODO Participantes A amostra é constituída por um grupo de 460 mulheres.1%). preocupações com a sua forma física (20. As mulheres pertencentes à amostra situam-se.8%). ou mesmo a sua inexistência (23. Atitudes face à amamentação 85% das mulheres revelam uma atitude posi- .8%) e mostraram. ainda. nos obstáculos percepcionados).05. predominantemente. A maioria das mulheres que não amamentaram relataram não o ter feito por não terem leite (29. também. no entanto 61.9%). O instrumento de caracterização sociodemográfica utilizado neste estudo é de auto-preenchimento e é composto por uma parte inicial onde se pretende caracterizar as variáveis demográficas da amostra – idade. ou este ser insuficiente (20.3%) e a rejeição por parte do bebé (10%) (Figura 1). Material Foram elaborados dois instrumentos. A consistência interna avaliada com o Alfa de Cronbach para a escala total foi de 0.8%) (Figura 2). nível de escolaridade e situação profissional. afectiva e comportamental. O questionário de atitudes elaborado é. de conveniência. possuem formação a nível do ensino secundário (41. o objectivo principal deste estudo é investigar as atitudes das mulheres em relação à amamentação.6%).º ciclo do ensino básico e ter idade superior ou igual a 14 anos.8% das mulheres amamentaram os seus filhos.7%). Assim. após uma breve explicação sumária sobre o objectivo do estudo. o regresso da mãe ao trabalho (12. são casadas ou vivem em união de facto (57.1%). um conjunto de questões sobre o comportamento das mulheres em relação à amamentação ou à sua intenção comportamental. nem ter estado nunca indecisa quanto a vir a fazê-lo (93.

Constatou-se a existência de uma atitude positiva perante a componente cognitiva facilitadores. mais saudável. consideram que os técnicos de saúde ajudam as mulheres e que a amamentação é um método socialmente aceite. é indispensável. mais favorável seria a atitude das mulheres. pois esta tem que estar sempre próxima do bebé e este está demasiado dependente da mãe.FIGURA 1 Motivos para abandonar a amamentação FIGURA 2 Motivos para não amamentar tiva face à amamentação. revelam que amamentar sujeita a mulher a horários rígidos. contribua para o aumento de peso da mãe ou provoque 279 . relativamente à amamentação. de 4 ou 5 pontos. Para as mulheres o apoio dos seus companheiros. mais natural. considerou-se atitude positiva quando as mulheres obtiveram uma pontuação. ou que estrague o peito. tem mais vantagens. que os bebés amamentados até aos seis meses são mais saudáveis que os alimentados exclusivamente com leite artificial e que o leite materno tem todos os nutrientes necessários à criança nos seus primeiros seis meses de vida. que amamentar não é compatível com a vida profissional da mulher. fortalece o sistema imunitário do bebé e o leite não se altera quando retirado com antecedência e guardado para dar ao bebé posteriormente. que amamentar provoque cansaço. previne o cancro da mama. ainda. bem como. na escala de Likert. confessam sentirem-se embaraçadas quando amamentam à frente de um desconhecido. mais eficaz. Revelam. Revelam. sendo que as mulheres consideram que amamentar é melhor para o bebé que o leite artificial. Em relação à componente cognitiva obstáculos verifica-se a existência de uma atitude positiva. As mulheres pertencentes à amostra. que o leite materno é mais barato. sendo condicionante da sua liberdade. bem como para a mãe e para o estabelecimento da relação entre ambos. uma vez que se considerou que quanto mais alta fosse a pontuação nas respostas dadas. também. Discordam. Assim. Acreditam. ainda. que a limita.

com as afirmações de que o leite artificial seja mais eficaz ou mesmo igualmente saudável. 96.624. Confessam ainda sentir-se incomodadas quando uma mulher toma a decisão de não amamentar ou decide não o fazer por razões estéticas e ficam perturbadas quando as mulheres decidem não amamentar por questões profissionais.000) e finalmente entre a componente comportamental e a situação profissional (donde as mulheres activas profissionalmente apresentam uma componente comportamental mais elevada) (M=260. p<0. deve amamentar. que são casadas. São significativas as diferenças entre a componente cognitiva – facilitadores e a situação 280 . também a maioria considera que todas as mulheres devem amamentar. verificou-se que as mulheres que amamentaram têm uma atitude positiva (χ2=30.293. H=13. p<0. p<0. revelando. mas concordam que seria desejável que todas as mães amamentassem os seus filhos e que a decisão de amamentar é apenas da responsabilidade da mãe.00. p<0. mesmo que estejam muito ansiosas. p<0.004).021). H=14.000.2% consideram que se tivessem outro amamentariam e das que nunca tiveram.006) e tendem a aconselhar mais as suas amigas a amamentar (componente comportamental) (M=41086.000). Não concordam.00. na medida em que a maioria das mulheres encorajaria as suas amigas a amamentar mesmo se estas já se tivessem decidido pelo leite artificial.4% consideram que amamentariam se viessem a ter. p<0. a maioria da amostra uma intenção comportamental no sentido favorável à amamentação. p<0. que existe uma atitude negativa perante a componente afectiva. mas concordam que produz alterações na imagem física da mulher. com o ensino secundário e profissionalmente activas são aquelas cujas atitudes foram tendencialmente mais positivas.0.59.00. Relação entre atitudes face à amamentação e variáveis secundárias profissional (as mulheres activas percepcionam mais aspectos facilitadores da amamentação) (M= 252. H=12.0.20. p<0. Discordam que as mães que não amamentam sejam más mães ou que quando a mãe não quer. nomeadamente no que diz respeito à componente cognitiva – facilitadores (M=71215. p<0. entre a componente cognitiva obstáculos e o estado civil (as mulheres casadas tendem a percepcionar menos obstáculos à amamentação) (M=247. mas não o fariam se as amigas se encontrassem muito ansiosas ou não quisessem mesmo fazê-lo. sendo que percepcionam menos obstáculos (componente cognitiva – obstáculos) (M=40 796.000). também.50.85. à componente cognitiva – obstáculos (M=73062. assim.007). p=0.0. Não consideram a amamentação uma experiência dolorosa.001).001).5. uma vez que revelam valores mais positivos nestas componentes.034). U=2269.867.000) e à componente comportamental (M=71907. Relação entre atitudes e o comportamento No que diz respeito ao comportamento face à amamentação. que o materno seja fraco ou necessite de um complemento ao bebé. U=20954. que amamentar seja difícil ou que não permita ao pai envolver-se. ainda. Relação entre atitudes e a existência ou não de Filhos As mulheres que já foram mães apresentam uma atitude mais favorável que as que não tiveram filhos (χ2=29.07. que introduza perturbações na vida familiar e social.00. pois.001. entre a componente afectiva e o nível de escolaridade (as mulheres com o ensino superior apresentam um valor elevado para esta componente) (M=270. Verificou-se. Intenção comportamental Das mulheres que tiveram filhos 94. H=31.854. apesar da maioria das mulheres avaliar a amamentação como uma experiência gratificante e emocionalmente satisfatória. tentavam influenciá-las. As mulheres que revelaram ter intenção de Relação entre atitudes e variáveis demográficas Verifica-se que as mulheres cuja idade se situa entre os 31 e os 40 anos de idade. U=20262. p<0.205. U=1978.desconforto físico. U=19107. Constatou-se que existe uma atitude positiva perante a componente comportamental.

Huttly. e Phillips (1997). Tudo isto faz-nos questionar se a enorme margem de atitudes positivas face à amamentação não é sobretudo um produto da desejabilidade social.. A grande maioria das mulheres revelou. As mulheres reconhecem alguns benefícios para a criança e para a mãe.50. sendo válidos apenas para o grupo específico de sujeitos estudados.021). como afectivo. Canavarro. e Ashworth. No entanto. no entanto. M. Estas mulheres revelam. I. Thorpe. estes resultados encontram-se de acordo com os estudos de Libbus. Holmes. DISCUSSÃO Os resultados do presente estudo. Psicologia da gravidez e da maternidade. Verifica-se que as mulheres que de alguma forma já se confrontaram com a possibilidade do comportamento (tiveram filhos ou amamentaram) manifestam atitudes mais positivas. Barranco.006). O tema que abordámos. Manstead (Ed.). Para McLennan (2001). Hiller e Turnbull (2001) e Jones (1986) que também verificaram a existência de elevados níveis de intenção comportamental. Coimbra: Quarteto. Bush.5. Australian And New Zealand Journal Of Public Health. & Phillips. Batista. mesmo quando não o desejam. tanto do ponto de vista físico. Ainda assim. Attitudes and personality traits. Great Britain: Open University Press. e Hockman (1997) e Talayero.. donde este estudo apenas pretende fornecer algumas informações e pistas de acção para futuras investigações. verifica-se que a maioria da amostra (61.5. p<0. Camacho. p<0. e Abad (1999).50. como os que estão relacionados com o embaraço e com alguns prejuízos para a mãe. sendo talvez esse o motivo de tantas mulheres terem alegado estes factores para o abandono da amamentação. A continuidade das investigações nesta área irá fornecer quer ao psicólogo.8%) para o abandono da amamentação. L. Ferrer. as mães podem sentir-se culpabilizadas quando decidem não amamentar ou abandonar precocemente a amamentação. p<0. ter amamentado os seu filhos e não ter estado indecisas quanto vir a fazê-lo. (1988).amamentar o seu filho no futuro possuem atitudes positivas. Serrano. W. 281 . chegando mesmo. a considerar que todas devem amamentar. J. ainda. Palomares. U=1650. C. Por outro lado revelam alguns obstáculos à amamentação. cognitiva-obstáculos (M=41975. que particularmente neste virar de século.5. In T. (2001). estimulando intervenções na área da promoção da saúde. verificou-se que quase a totalidade das mulheres que tiveram filhos os amamentaram. Influences on infant-feeding beliefs and practices in an urban aboriginal community. quer aos outros técnicos de saúde conhecimentos que possibilitem um evidenciar de esforços. Lima. uma intenção comportamental no sentido da amamentação. revelaram que existe uma atitude de aceitação generalizada das vantagens da amamentação. é de sublinhar que são as mulheres activas que mais amamentam e que percepcionam a amamentação como tendo menos obstáculos. com vista à compreensão dos factores envolvidos no início da amamentação e na sua manutenção e à mudança comportamental necessária à diminuição do abandono precoce.1%) abandona precocemente o aleitamento e que destas só 12.000) e comportamental (M=41713. (2001). neste trabalho.50. concretamente em relação às componentes cognitiva-facilitadores (M=41561. daí ser para elas mais aceitável basearem a sua escolha em aspectos independentes da sua vontade e controlo. Apesar das recomendações de que as mães amamentem exclusivamente até aos 6 meses e até aos dois anos como complemento. REFERÊNCIAS Ajzen. Silva. o que se revela de acordo com os estudos de Holmes. U=1498. o tempo de duração da amamentação é inferior àquele que seria desejável. personality and behavior (pp. (1997).1% ou inexistência – 23. é rico e ainda pouco explorado. 504-510.3% invocaram como razão o regresso ao trabalho. Attitudes. 21 (5). do que em razões pessoais. as mulheres que já foram mães. Lira. Thorpe. Estes dados são apoiados pelos estudos de Marques. É de salientar que a maior parte das mulheres alega motivos exteriores à sua vontade (insuficiência de leite – 44. se algumas mulheres reconhecem dificuldades e embaraços. ainda. Feijoo. U=1236. McIntyre. 1-24). são cada vez mais do domínio da intervenção do psicólogo clínico na saúde.

Ferrer. Palomares. Huttly. A. (1997). D. (2000).. M. Consultado em 12 de Janeiro de 2002 através de http://www. Pediatrics. Silva. (2001).unicef. E. J. UNICEF (2002). Responderam a um questionário de auto preenchimento. L. Consultado em 12 de Janeiro de 2002 através de http://www. Serrano. Dominican Republic: mother`s community perceptions and personal practices. 9 (6). H. Social Science And Medicine. Consultado em 24 de Fevereiro de 2002 através de http://www... and school level above the first level of the basic school. RESUMO O objectivo deste estudo exploratório é investigar a atitude das mulheres relativamente à amamentação.. Mendes. M. Lima. Participants constitute a convenience sample of forty hundred sixty women with more than fourteen years of age. Nutrition: world declaration and plan of action for nutrition. attitudes and sociocultural ambiguity.. (2001). com mais de 14 anos de idade. Tudo sobre amamentação. A. L. & Smart.. (2001). S. International conference on nutrition. 24 (6). Key messages: what every family and community has a right to know about breastfeeding. A.alei tamento. Participants fulfil a questionnaire that includes a demographic questionnaire and an attitude questionnaire to breast-feeding. & Hockman. Brasil: Paulinas Editora. M. N. Amamentação é vida. A. Batista. ABSTRACT The aim of the present exploratory study is to identify attitudes to breast-feeding of a sample of Portuguese women. R. P. 44 (4). 9 (1).Jones.saude.int/nut/publications. (2001)... T. Camacho. Participaram 460 mulheres. A. 144-150.htm#pol. M. A. 50-66. Barranco. Feijoo. (1983). WHO (2002).pt/gkbv/25 3565.. 282 . que incluía a caracterização sócio demográfica e uma escala de atitudes para com a amamentação.who. Attitudes towards infant feeding among adults in a low socioeconomic community: what social support is there for breastfeeding? Breastfeeding Review. Predicting and understanding mother`s infant-feeding intentions and behavior: testing the theory of reasoned action. & Abad. M.sapo. attitudes. Journal Of Personality And Social Pshychology. Bush. Key words: Breastfeeding. S. N. 23 (11).. Attitudes of breast-feeding mothers: a survey of 649 mothers. que constituíram uma amostra de conveniência. E. Breast feeding: knowledge.br/.. Amamentação: quando ele mais depende de nós Consultado em 24 de Fevereiro de 2002 através de http://www. M. Libbus. Manstead.. M. McLennan.med. L. Breastfeeding and early weaning practices in northeast Brazil: a longitudinal study. R.. Lothrop. Marques. Lira. Hiller. K. Palavras-chave: Amamentação. Talayero. & Ashworth. (1986). J. Revista Panamericana De Salud Publica/Pan American Journal Of Public Health.html McIntyre. com escolaridade superior ao 1.º ciclo do ensino básico. 13-24.. 34 (2).. 1151-1156.org/ffl/04/key_messages. 657-671. Atención Primaria. Early termination of breast-feeding in periurban Santo Domingo. 337-343. A. htm. International Journal of Nursing Studies.. atitudes. 362-367. 108 (4). & Turnbull.. (1999). Breastfeeding beliefs of low-income primigravidae. Santos. J. (2001). J. L..

3 (XXIII): 283-288 Preocupações parentais dos pais de crianças nascidas por fertilização in vitro ANA MAFALDA SERRA (*) ISABEL PEREIRA LEAL (*) A preocupação dos pais em relação aos seus filhos manifesta-se. Dependendo da causa da sua infertilidade. cada vez mais casais se deparam com um quadro de infertilidade. Alguns estudos realizados anteriormente revelam que as crianças FIV. meiro por processos como a estimulação ovárica. 1998) e para perturbações relacionais e do comportamento. visto que este é o processo mais avançado no tratamento da infertilidade. mas quando não acontece a gravidez tão desejada o casal entra numa fase de viver um “luto”. Há casos em que a ferida no Ego dos casais inférteis é sentida de uma forma tão intensa e duradoura.. cit. que se não for bem ultrapassado pode comprometer o futuro psíquico do casal (Faria. Hoje em dia. a qual pode ser mais ou menos intensa consoante a forma como é vivenciada (Cramer. sem conseguirem restaurar o narcisismo parental (Mahlstedt. 1990). 1996. 1994). em que a dimensão dinâmica do casal é a principal responsável (Faria. 1990). que mesmo depois de conseguirem engravidar permanecem os sentimentos associados à infertilidade. normalmente. através de uma queixa ou inquietação a respeito da criança. Algumas problemáticas familiares. 1997. 1987. levam-nos a pressupor que tipo de consequências poderão vir a manifestar-se na parentalidade. 1989).. Greenfeld et al. etc. como a infertilidade dos pais. têm um risco acrescido para o desenvolvimento de problemas do foro emocional (Shiff et al. Estas características dos casais inférteis. “preciosas”. inseminação artificial com o esperma do marido. devido ao sobreinvestimento materno (Greenfeld et al. Além disso..Análise Psicológica (2005). No início acreditam que vão ter sucesso. McMahon et al. 2000). ou da própria criança são consideradas como indutoras de inquietação e poderão originar o chamado stress parental (Algarvio de Castro. vulneráveis (Mahlstedt et al. Lisboa. os casais passam pri- (*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Weaver et al. Hahn & DiPietro. 2001). Os casais que recorrem ao tratamento FIV são casais que já lidam com a sua infertilidade há algum tempo. 1996. O adiamento do nascimento do primeiro filho. são consideradas pelos pais como mais “especiais”. 1993. a utilização de métodos contraceptivos prejudiciais. 283 ... antes de entrarem em processo FIV. devido ao estilo parental ansioso e superprotector. mas também os efeitos emocionais que se encontram entre os dois parceiros podem conduzir à esterilidade conjugal. tratamentos espermáticos.

A criança queixar-se de dores de cabeça (item 13) 8.. a idade da mãe. 1997.º ano de vida e os 11 anos. o que poderá prejudicar a constituição da criança como indivíduo separado dos pais. Se a criança está preparada para ir para a escola (item 32) II. por Hahn & DiPietro. os pais dão-lhes mais carinho. Deste modo. a idade do pai. A criança controlar dificilmente os seus comportamentos (item 3) 3. A criança ter medo do escuro (item 20) 3. 2001) e. Os pais não estarem de acordo em relação às regras e disciplina (item 8) 3. Algarvio & Leal. A criança comer pouco (item 7) 3. A criança ter medos (item 28) 2. 2000) e são muito ansiosos na separação (Hahn & Di Pietro.. Sub-Escala de Comportamentos Negativos: 1. A criança ter medo de animais (item 9) 4. 2. A criança ter o sono agitado (item 14) 5. A criança ter dificuldades em adormecer (item 33) 6. cit. A criança não comer certos alimentos (item 35) 4. A criança ter pesadelos (item 2) 7. a das crianças nascidas por Fertilização In Vitro (FIV). quem preencheu o questionário. Sub-Escala de Medos: 1.McMahon et al. o sexo da criança. Sub-Escala de Desenvolvimento infantil: 1. Material Foram utilizados dois instrumentos (com carácter anónimo e de auto-resposta): um questionário para caracterização da amostra e a Escala de Preocupações Parentais de Algarvio e Leal (2000. Como preparar a criança para mudar de casa (item 11) 2. Sub-Escala de Problemas Familiares e Preocupações Escolares: 1. A criança entender o que é a morte (item 12) 3. A criança não gostar de partilhar (item 19) MÉTODO Participantes A população do estudo é constituída por 19 pais de crianças nascidas por fertilização in vitro. Todos os participantes são casados e foram seleccionados através da Maternidade Alfredo da Costa (MAC). 2002. A criança não dar atenção ao que digo (item 1) 2. A criança não obedecer (item 5) 4. A criança sujar-se (item 15) 5. as causas da infertilidade. Sub-Escala de Preparação: 1. A educadora/professora entender a criança (item 17) 5. Os pais discutirem muito (item 18) 6. sendo que 12 são do sexo feminino e 7 do sexo masculino. se tinham irmãos e se estes eram FIV. A criança queixar-se de dores de barriga (item 30) III. 2004). o nível socio-económico dos pais. A criança ser sujeita a maus-tratos (item 25) 7. estas com idades compreendidas entre o 1. por isto. A criança fazer birras (item 16) 6. O que a criança deve comer (item 6) 2. Algarvio & Leal. Se a criança tem o que precisa na escola (item 10) 4. o tempo de espera da FIV. O que deve ser dito à criança em caso de separação dos pais (item 27) 8. as tentativas de gravidez. Em caso de separação dos pais qual deve ficar com a custódia (item 4) 284 . A Escala de Preocupações Parentais é constituída por 5 sub-escalas e cada uma integra questões específicas que consistem em (são indicados à frente os números correspondentes aos itens da Escala): I. A criança ter medo do papão ou de monstros (item 36) V. na Consulta de Infertilidade. 2001). mas menos autonomia (Sousa et al. A criança entender a morte de alguém próximo (item 31) IV. O questionário de caracterização da amostra é constituído por: a idade da criança. este estudo tem como objectivo principal saber quais são as preocupações parentais dos pais de uma população específica.

A criança não querer ir para a cama (item 21) 8. o que perfaz 23.41. nada (5). posicionando-se nos extremos de muitíssimo (1). Assim. Foram entregues um total de 80 cartas incluindo a carta de apresentação. poderá ser esta a mais significativa. Os questionários foram obtidos através da Maternidade Dr. visto que se descrevem os acontecimentos que ocorrem sem intervir neles. utilizou-se o teste de Kruskal-Wallis. entre Abril e início de Setembro de 2002.A criança não assumir responsabilidades (item 23) 11.57). com uma média de 1. O item de maior preocupação foi “a criança ser sujeita a maus-tratos” (Sub-Escala de Problemas Familiares e Preocupações Escolares). pouco (4).47). para os pais de crianças nascidas por FIV. Quem respondeu ao questionário e a Causa de Infertilidade). usou-se o teste de independência do χ2. A devolução dos questionários foi realizada pelos pais.57. que os pais consideraram como os mais preocupantes pertencem à Sub-Escala de Problemas Familiares e Preocupações Escolares e são: “A criança ser sujeita a maus-tratos” (média 1. A Escala está aferida nas idades compreendidas entre os 0 e os 11 anos e avalia o grau de intensidade da preocupação dos pais que pode variar entre: muitíssimo (1). razoavelmente (3). Destes 80 questionários recebemos 19. focando um único grupo representativo da população num determinado momento. Os pais possuem sentimentos ambivalentes em relação aos seus filhos e poderão expressá-los através do receio de que lhes possa suceder alguma coisa. e o nível de medida da primeira variável era pelo menos ordinal.A criança mentir (item 26) 14. A criança ser mandona e exigente (item 22) 9. bastante (2) e razoavelmente (3). As cartas foram enviadas pela MAC. visto que contém os itens a que os pais responderam com um maior grau de intensidade. para o Departamento de Psicologia Clínica da MAC. Através do Quadro 1. “A professora/educadora entender a criança” (média 2. com uma validade interna de 0. também. Na análise entre amostras independentes com três ou mais grupos e em que o nível de medida da primeira variável é. ou não se aplica (6).7. Alfredo da Costa (MAC). Quando o nível de medida da primeira variável é nominal (Sexo da criança. item 15 “a criança sujar-se muito” com M=4. não havendo nenhuma diferenciação relativamente à idade das crianças. embora o item com que os pais menos se preocuparam em toda a Escala se encontrar na sub-escala de Comportamentos Negativos. Quando existiam apenas dois grupos. RESULTADOS Para analisar os resultados obtidos. para mais uma vez garantir o anonimato de toda a informação.A criança queixar-se muito (item 29) 13. A sub-escala onde os pais revelaram menor preocupação foi na dos Medos (M=3. na análise entre amostras independentes com dois ou mais grupos.18). verifica-se que a média mais baixa é a da sub-escala Problemas Familiares e Preocupações Escolares (M=2.80 (alfa de Cronbach).93).16) e “Se a criança está preparada para ir para a escola” (média 2.29). os quais fornecem informação. “Os pais discutirem muito” (média 1. pelo menos ordinal. A criança ser muito dependente (item 34) 10. através do envelope de retorno com selo.A criança ser muito activa (item 37) Esta Escala obteve-se através da análise factorial de todas as questões com uma maioria de respostas de preocupação (respostas resultantes da aplicação de dois questionários anteriores). Procedimento O desenho de investigação do estudo é observacional – descritivo transversal. em toda a Escala de Preocupações Parentais. em consequência da 285 . Os itens. que resume as médias obtidas nas cinco sub-escalas. a Escala de Preocupações Parentais e um envelope de retorno com selo. Posteriormente. bastante (2). recorreu- se à análise descritiva dos dados. Podemos observar no Gráfico 1 os itens de menor e de maior preocupação para os pais de crianças nascidas por fertilização in vitro. a fim de obter as frequências e as respectivas percentagens de respostas dadas pelos pais aos itens da Escala de Preocupações Parentais. utilizou-se o teste U de Mann-Whitney. o questionário inicial. efectuou-se a análise entre amostras independentes. A criança chorar e/ou gritar muito (item 24) 12.75% de retorno.

41. O item que os pais consideraram como menos preocupante em toda a Escala refere-se à “A criança sujar-se muito” (Sub-Escala de Comportamentos Negativos).43 GRÁFICO 1 Itens mais e menos preocupantes em cada sub-escala projecção maciça dos seus fantasmas. De referir que embora estes pais tenham tendência a serem mais protectores e a darem pouca autonomia à criança parece que tal não se verificou nesta questão particular.98 Desvio Padrão 0. visto que face às necessidades de exploração e face às 286 actividades que as crianças da idade da nossa amostra praticam.90 3. os pais manifestam maior preocu- .29 2. com média de 4.47 2.QUADRO 1 Médias e desvio-padrão relativos à intensidade da preocupação em cada Sub-Escala Sub-Escalas Problemas Familiares e Preocupações Escolares Desenvolvimento Infantil Preparação Medos Comportamentos Negativos Médias 2.32). é normal que elas se sujem. Pensamos que isto poderá ser benéfico. os pais de FIV tem tendência a proteger excessivamente os seus filhos e a vê-los como mais vulneráveis e portanto. Mais ainda.46) e menos preocupados com “A criança não comer certos alimentos” (M=3. (M=2.44 0. Na sub-escala de Desenvolvimento Infantil os pais demonstraram estar mais preocupados com “A criança ter dor de cabeça”. podem preocupar-se bastante com a eventualidade de estes serem sujeitos a maus-tratos.15 3.52 1.32 0. Relativamente à sub-escala de Preparação.72 0.

causa de infertilidade e tempo de espera da FIV. aspectos directamente associados a uma considerada boa maternalidade. 287 . nos comportamentos negativos. Algarvio & Leal. especial e o que eles têm de mais precioso e. Por fim. os pais sentem este filho como muito gratificante. Os pais destas crianças são considerados perfeccionistas e protectores. mais de 2 anos. nomeadamente. mais de 3 tentativas. na totalidade da escala. representam para estes pais. assim. 2002. de serem. poderemos concluir que os pais das crianças FIV estão mais preocupados com questões de parentalidade e da infância em geral. no que diz respeito à Sub-Escala de Desenvolvimento Infantil.93).83) e menor preocupação em “Como preparar a criança para mudar de casa” (M=3. verificamos que se referem aos maus tratos (M=1. As maiores preocupações destes pais são relativas a problemas familiares e a comportamentos negativos por parte da criança. Parece necessário referir que esta gravidez não é de nove meses como as habituais.95) e menos preocupados com “A criança ter medo de animais” (M=3. sobre as questões ligadas aos problemas familiares e preocupações escolares. a professora entender a criança (M=2.57). também gratificantes para este filho e isso parece ser expresso por lhes poderem proporcionar um bom desenvolvimento. visto que as preocupações foram mais intensas quando existiam mais de 3 tentativas. ao analisarmos os itens considerados mais preocupantes pelos pais. quem mais se preocupa com alguns dos itens da escala são os pais que tiveram um tempo de espera superior a 2 anos. Talvez por terem sonhado tanto tempo com esta criança e porque a qualidade conjugal possa estar um pouco comprometida.28). estes pais demonstram estar muito preocupados com o seu desenvolvimento. a criança mentir (M=2.pação com “A criança entender a morte de alguém próximo” (M=2. os pais revelaram ter mais preocupação com “A criança mentir” (M=2. Percebe-se. quem mais se preocupou foram os pais que tiveram um tempo de espera da FIV superior a 2 anos. Por terem sido tão desejados. Algarvio & Leal. Podemos verificar. para este grupo de pais. como uma criança milagre e portanto revelam a preocupação com questões deste género. Nos Medos os pais estão mais preocupados com “A criança ter medos” (M=2. muito desejadas. e menor preocupação em “A criança sujar-se muito” (M=4. Em relação aos resultados que apresentaram diferenças significativas com a variável independente tentativas de gravidez operacionalizada em 0 a 3 tentativas vs.46). No tempo de Espera da FIV operacionalizada em 0 a 2 anos vs. Este filho é sempre percepcionado pelos pais como uma criança muito desejada.16). Em relação ao tempo de espera da FIV. poderá existir maior preocupação em os pais não estarem de acordo quanto à educação dos seus filhos. DISCUSSÃO As preocupações parentais dos pais de crianças nascidas por FIV centram-se. 2004). preciosos e especiais.33) e a criança ter dores de cabeça (M=2. a criança poder ser sujeita a maus tratos. no que diz respeito à sub-escala considerada mais preocupante pelos pais. resultados estes que se afastam bastante dos obtidos numa população considerada normativa. nível socio-económico. os pais com mais de 3 tentativas de gravidez são os que mais se preocuparam.33). os pais discutirem muito (M=1. que existem diferenças entre as tentativas de gravidez dos casais. Parece tratar-se da questão da vulnerabilidade e da preciosidade que as crianças FIV. com “A criança ter o sono agitado” e “A criança não comer certos alimentos”. talvez.41). Encontrámos diferenças estatisticamente significativas para: quem respondeu ao questionário.86). tentativas de gravidez. No entanto. se a criança tem o que precisa na escola (M=2. Assim. ainda. “milagre”. sendo a questão mais preocupante. do que com o desenvolvimento dos seus filhos em particular. portanto. Os resultados descritos vão no mesmo sentido dos resultados obtidos no estudo de Algarvio de Castro (2000. Estes revelaram como mais preocupante as questões relacionadas com: “Os pais não estarem em acordo quanto às regras e disciplina” (sub-escala Problemas Familiares e Preocupações Escolares) e “A criança ser muito activa” (sub-escala de Comportamentos Negativos). Vêem os seus filhos como mais vulneráveis. que o investimento e o tempo de espera para poderem ter um filho influenciam as preocupações sentidas pelos pais. com maior intensidade.33). mas sim de mais de 2 anos e nove meses.

cognitive. & Leal. children conceived by in vitro fertilization. Análise Psicológica. 4 (4). Ribeiro. T. In vitro fertilization and the family: Quality of parenting. J.). Infertilidade: Desejo ou Maldição. Proceedings of the 16th Conference of the European Helth Psychology – Society Health through the life cycle: A life span perspective (pp. in vitro fertilization.. C. 234-256. Lory. Dias (Eds. S. C. Alfredo da Costa. family functioning and child psychosocial adjustment. 288 . RESUMO O objectivo deste trabalho foi avaliar as preocupações parentais de pais de crianças nascidas por fertilização in vitro... Parental concerns: Construction of an instrument of evaluation. Botelho. R. (2000). Journal of Clinical Child Psychology. 145-158. P. selected from Infertility Consultation in Maternidade Dr. Preocupações Parentais: Validação de um Instrumento de Avaliação. (2002). 2004). & Leal. (1994). Preocupações Parentais: Proposta de uma Escala de Avaliação. 2004). 5-16. 13. 5 (2). Problemas Familiares e Preocupações Escolares. com idades compreendidas entre 1 ano e 11 anos. in Lisbon. and behavioral outcomes in school-age children conceived by in-vitro fertilization. parenthood.. Shiff. Dimitrovsky. M. Hay. Preocupações Parentais: A necessidade de intervenção precoce no desenvolvimento normal e patológico. Sousa. & Baptista. A. Os participantes. The results pointed to a major concern in sub-scale I. C. 459-471). 2002. parentalidade. Algarvio. Faria.. A. Urologic Clinics of North America. práticas parentais educativas e ajustamento emocional materno em crianças nascidas de gravidez natural e por fertilização in vitro. 419-423.. ABSTRACT In order to study parental concerns in a group of parents with children conceived by in vitro fertilization we used a Parental Concerns Scale (Algarvio & Leal. Estudo comparativo do desenvolvimento infantil. Algarvio. Developmental Psychology. (2004). Mahlstedt.. J. Actas do 3. E. S. Mahlstedt. with a range of age between 1 and 11 years old. & Leal. & M. (1987). (1996). I. seleccionados na consulta de infertilidade da Maternidade Dr.. A. 21 (3). P. 2002.. Profissão: bebé. Leal.. Saúde & Doenças.. (2000). I. S. Os resultados obtidos parecem indicar que as maiores preocupações deste grupo de pais se centram na sub-escala I. 165-172). 12 female and 7 male. Algarvio & Leal. Journal of Psychosomatic Obstetrics and Gynaecology. P. número de tentativas de gravidez. D. N. D. A. nível socio-económico. & Decherney. M. In J. 37-48. Family and School Problems.. D. Actas do 5. Pais-Ribeiro (Eds. 27 (3). 14. & Di Pietro.. constituíram uma amostra de conveniência de 19 pais de crianças nascidas por fertilização in vitro. G. Lisboa: ISPA. (1998).º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde – A Psicologia da Saúde num mundo em mudança (pp. Dissertação de Mestrado. S. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. & J.. In I. Psicologia. Foram encontradas diferenças significativas para quem respondeu ao questionário. Greenfeld. E. Weaver. I. S. através de uma Escala de Preocupações Parentais (Algarvio & Leal. em Psicologia da Saúde. fertilização in vitro. Lisboa: ISPA. social-economic level. R. & Bernstein. T. em que 12 eram do sexo feminino e 7 do sexo masculino. 8 (4). Cramer.. & Har-Even.. L. J. 265-270). B. (1989). 37 (1). Leal. Faria.. Algarvio de Castro. I. Algarvio & Leal. Emotional factors and the in vitro fertilization and embrio transfer. Clifford. Gordon. Lisboa: Terramar.). F. Lisboa: ISPA.. Hahn. 232-236. 266-274. emotional. The participants. (1993). A follow-up study of “successful” IVF/GIFT couples: social-emotional wellbeing and adjustment to parenthood. Leal. Key words: Parental concerns. were 19 parents with IVF children. causa de infertilidade e tempo de espera da FIV. (1990). A. T. Medical. Attitudes of IVF parents regarding the IVF experience and their children.. H. infertility cause and expecting time of IVF. Ribeiro (Eds. Vakil. & J. Diamond.º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde (pp.). Alfredo da Costa. Palavra-chave: Preocupações parentais. (2001). & Robinson. M. We found significant statistical differences for: the person answering the questionnaire. Shahar. S. In I. (2004). pregnancy attempts. M. Macduff. P. Journal of Assisted Reproduction and Genetics. crianças nascidas por fertilização in vitro.REFERÊNCIAS Algarvio. L. Psychological issues of infertility and assisted reproductive technology. 320-329. Journal of Clinical Child Psychology.

(in)fertilidade e o cancro IVONE PATRÃO (*) 1. apesar de ter uma das mais baixas taxas de mortalidade na Europa. Ao entrar nesse túnel escuro do cancro será importante não ser pessimista e «não carregar no botão. que crenças tem sobre a doença/tratamento.. para deixar de ver a luz lá ao fundo» (Marujo. FCT 10047/2002. e os que lhe estão próximos (por exemplo: “a culpa é minha. aumentam também o número de sobreviventes com cancro. 1994). um europeu em cada três será atingido pela doença. 26). pela associação à morte. Em Portugal. mal nos quer” como consequência no adoecer com cancro. pois tenho uma vida muito stressada”. assustadores. não tem cura” – são crenças que não facilitam uma estratégia de confronto com a situação). por vários motivos. Na Europa uma em cada quatro pessoas já teve. mas inegáveis. INTRODUÇÃO Este artigo pretende abordar as consequências ao nível: da sexualidade (no desenvolvimento da criança e/ou adolescente. O cancro é a segunda causa de morte nos países desenvolvidos e a sua incidência tem (*) Bolseira de doutoramento em Psicologia da Saúde ISPA/Universidade Nova. que estado emocional). é importante encarar a realidade. vindo a aumentar. será a positiva.Análise Psicológica (2005). que ninguém quer – pela palavra que ainda é tabu. “é uma doença contagiosa. Neto & Perloiro. mal me quer. p. 3 (XXIII): 289-294 Bem me quer. A melhor estratégia de coping face a esta situação. 1999. diagnóstico e tratamentos do cancro. mal nos quer A sexualidade. e não a pessimista (Watson et al. e no funcionamento na idade adulta). o cancro também é a segunda causa de morte. que suporte social. Ao manter-se a taxa de crescimento. que estratégias de coping uti289 . que projectos. nomeadamente por novos avanços na medicina ao nível da detecção precoce e do tratamento do cancro.. referem alguns autores. e esta dá números indesejados. pelos tratamentos às vezes violentos e intrusivos. Bem nos quer. Por outro lado. 1999). que conflitos. Na descoberta desta doença. No entanto. Espera-se sempre com ansiedade pelo “me quer. e pela necessidade continua de ligação aos hospitais e a uma equipa de saúde – muitas podem ser as reacções psicológicas.. Espera-se sempre que as consequências sejam as mais diminutas e restritivas possíveis. Para compreender a reacção de cada indivíduo é importante avaliar: como decorria a sua vida antes do diagnóstico (que objectivos. tem ou poderá vir a ter de enfrentar o cancro. a de confronto. a lutadora. e da (in)fertilidade no adoecer com cancro. bem nos quer” e não pelo “mal me quer. uma importante causa de incapacidade (Miranda. segundo dados da OMS.

A sexualidade tem a sua construção ao longo do desenvolvimento. CONSEQUÊNCIAS AO NÍVEL DA SEXUALIDADE E FERTILIDADE A forma como se vive todo o caminho que o cancro exige (diagnóstico. que pode ser transitório ou permanente. com perdas no presente e para o futuro. muitas vezes difíceis de controlar. facilitar o coping e o controlo sobre a situação. Se. As perdas podem surgir a diferentes níveis: no funcionamento sexual (por ex. psicológico e no domínio interpessoal. de resistência e de transformar o mau em bom. por vezes negativa. sexuality is something we are. então. Esta situação tem uma influência no desenvolvimento. na aparência física (por ex. de ser pai. Nas crianças e nos adolescentes tem um impacto ao nível da trajectória do desenvolvimento psicosexual (estádios). ausência de pelos. 2. Ninguém quer adoecer com algo que pode limitar a sua capacidade de amar. um equilíbrio entre: físico. na intimidade. estar físico 290 e psicológico. entre outras variáveis pertinentes. Esta relação pode ser influenciada por diferentes contextos: familiar. A importância de avaliar todos estes aspectos. alterações na capacidade reprodutiva/ /fertilidade. ou de até mesmo de transmitir a doença aos filhos. O cancro tem um impacto diferente quando é diagnosticado numa criança.» (Woolverton & Ostroff. As crianças começam a centrar as suas energias nas amizades. Pois. O objectivo último é de minorar as consequências negativas. em projectos comuns – um deles pode ser o desejo de ter filhos. passa pela elaboração de uma estratégia de intervenção adequada a cada situação. Sexualidade «While sex is something we do. alterações de peso). de forma a diminuir níveis de stress (Die-Trill. A sexualidade e a fertilidade são áreas muito importantes na vida dos indivíduos. no sentido de desmistificar algumas crenças. de não ter filhos.liza em situações de adversidade. 1998). O diagnóstico de uma doença pode alterar esse desenvolvimento e bem-estar. adolescente e/ou num adulto. como um “acordar para a vida”. Estas possíveis perdas ao longo do tempo podem levantar medos: de não encontrar um parceiro.. a mobilização de recursos (internos/externos) é diferente.1. vigilância regular) influencia certamente a forma de lidar com as adicionais consequências. Isto indica alguma capacidade de resiliência. O que pode acontecer ao nível da Sexualidade e Fertilidade. pelas hospitalizações e pelos sucessivos tratamentos e exames. fazendo com que os desejos inerentes fiquem no domínio da probabilidade. 930) A sexualidade constitui os recursos psicossociais que cada um tem para manter uma relação de intimidade. Para alguns. Um desenvolvimento psico-sexual saudável implica. alterações na libido. centra-se as energias na partilha com o outro. podendo existir variações no mesmo indivíduo. toda a situação à volta do seu cancro. e que dela possa retirar prazer ao nível sexual. ao longo do desenvolvimento psicosexual dito normal surgem dificuldades. nestes . e na fase adulta. dificuldade na erecção). Pois. de não ter uma relação de intimidade. Nos adultos tem um impacto no funcionamento psicosexual. entre outros. às vezes. de ser mãe – pelo menos a disponibilidade para isso (Woolverton & Ostroff. 1998. em situações traumáticas (quando existiram). como um desafio para ganhar e ultrapassar. por vezes. Quando assim não acontece o bem-estar psico-sexual pode estar em risco. e encaram toda esta situação como traumática. forçosamente há uma separação repentina dos pais e de todo o seu mundo. que podem aqui resultar afectadas. de ser amado. 2000). Para outros. e menopausa precoce. serve para reapreciar a vida. Para as crianças e adolescentes a história começa pela diferença em relação aos pares. frutos que não se quer colher. Ao longo desse percurso. tratamentos. para a sua qualidade de vida. O cancro tem.. reorganizar prioridades. p. 2. os adolescentes na exploração do seu corpo e na atractividade perante os outros. ocorre quando se inicia uma trajectória de conquista de confiança em si próprio. existem respostas consideradas mais e/ou menos ajustadas. pares. ausência de menstruação. como tipo de personalidade.

podem surgir algumas dificuldades ao longo do seu desenvolvimento psicosexual. no discurso destes adolescentes. este sentimento é denominado por: Damocles Syndrome. ao nível da imagem corporal (por ex. pensamentos e sentimentos que se tem sobre si próprio em todos os aspectos da vida. 1998. p. Nos adultos com cancro a história começa quando já existiram algumas conquistas ao nível do funcionamento psicosexual. Para perceber o impacto do cancro. com a experiência dum cancro pode fazê-lo de forma diferente. e pelas perspectivas futuras. Alguns relatos de adolescentes e jovens adultos. Ostroff. pelo contínuo olhar ao espelho e não se ver. initially he was silent. Muitas vezes cura-se a ferida física. trauma sexual. O cancro é mais uma experiência. & J. evidenciam a influência por vezes negativa do cancro na formação da sua identidade: «I can´t believe someone would find me appealing. O regresso ao futuro acaba por ser problemático. no adolescente com cancro ou que já passou por ele quando era criança. É difícil sonhar um futuro ameaçado por vários medos: da recorrência. Tudo isto depende do estádio do cancro e do tipo e número de tratamentos (cirurgia. 1998. mas psicologicamente num estádio anterior. de ter filhos. 1998. When my friends would say to me “You told your mother about that?”. A crise de identidade que geralmente surge. As experiências contadas por estes adolescentes confirmam esse sentimento: «… When she told him about her past cancer history. pela pouca intimidade. pela pouca socialização anterior. é importante avaliar como era vivida a sua sexualidade anteriormente. O desenvolvimento e bem-estar psicosexual são influenciados: pela formação da identidade (corporal e sexual). o ser diferente. violência doméstica. As perspectivas futuras também são uma preocupação. he dumped me. casam menos. da seguinte forma: «I got to use to telling my mon everything (…) After my first sexual experience my mon was the first to know. pelos sentimentos de autonomia. 933). no adulto. e pode alterar o tempo da puberdade. mas a “ferida psicológica” pode permanecer. Muitas vezes surge uma ambivalência entre o desejo de abraçar a vida e o medo do que a vida pode trazer. vivem mais tempo com os pais. cancro da próstata) (Andersen & Golden-Kreutz. p. quando já se realizaram alguns desejos. e a nível relacional (existiam algumas interferências/conflitos. Woolverton. pode incorporar um corpo que falhou. duplica-se. pois já existiu um momento forçado de separação dos pais. com o objectivo de perceber se acontecimentos ante291 . de ligação. & J. pelas inseguranças. Relativamente à autonomia muitas vezes também não é fácil. Finally. e até de prosseguir com uma carreira profissional. O adolescente deve incorporar o seu novo self físico. até porque existe medo da rejeição dos pares. I felt like I was to drop dead any minute. incerteza do estatuto de saudável – que origina uma certa relutância para ter uma relação de intimidade. and. you look great”. que problemas. na sua autonomia e no seu caminho para o futuro. abuso de substâncias. por vezes. ou seja. cancro da mama) e da vivência da sexualidade (por ex. De facto. he told me he couldn´t stand to lose me if my cancer returned. “hey. e revela-se pelos medos. my knee-jerk response is: Who me?» (Woolverton & Ostroff. na integração do seu corpo.adolescentes essas dificuldades podem ser sentidas como a “duplicar”. radioterapia). entre outras). de casar. mas diferenciação do self. vigia-se. 2000). A dificuldade no adolescente com cancro está no desejo inverso. estes adolescentes. How ironic» (K. da família e dos amigos. e agora surgem algumas perdas. pelo sentimento de pouca pertença ao grupo. p. e pelo sentir-se limitado na exploração da sua sexualidade. 934). Woolverton. que dificuldades). Ostroff. quimioterapia. Daí resulta a ausência de sincronia com os pares. Geralmente. o ter um corpo a evoluir. e têm dificuldades na dependência económica. Esta dificuldade surge. a chegar a adulto. é necessário avaliar a história passada a nível sexual (satisfatória ou não. Autonomia não indica ruptura. essas perdas atingem a identidade de cada um. A identidade forma-se pelas experiências. que passaram pela experiência de cancro. I felt lucky to be so close to my mon (…) I’m beginning to see that the relationship failed because it had a very “crowded” bed (…) To this day. it’s still hard for me to hold things back from mon» (K. When a guy says. despite my reassurances that my cancer had been gone for over 15 years. a este nível. Alguns estudos referem que. then he became very overprotective. e pelo cancro ser um segredo difícil de falar. 935). por exemplo: uma relação extra-conjugal.

pode-se optar: pelo “sperm banking” (com risco do sémen ser de pobre qualidade). numa mulher que faz uma vulvectomia. para que essa mulher possa viver a sua sexualidade. mais tratamentos que podem ou não ter sucesso. a gravidez não surge. de não satisfazer o parceiro. têm menos desejo de ser pais (Schover. mais visitas ao hospital. e as tentativas resultam sempre falhadas. na mulher. agora e mais uma vez. A outra questão. passa pelo: “conseguir ou não conseguir ter filhos. Por exemplo. assim como vêm descritas no DSM–IV (1994). mais exames invasivos. e pode ter associada dor. da hereditariedade (passar o cancro para o filho/a). há o medo de passar o gene BRCA1 ou o BRCA2 para a filha. 2000). e de não conseguir ser bom pai/mãe. resolução (que implica sensação de relaxamento. cognitivos. que consiste na escolha de múltiplos embriões. mais facilmente emergem alguns medos. nos homens. a dispareunia e o vaginismo. se o início da resposta sexual está perturbado. Quando o desejo surge. Alguns estudos indicam que estas dificuldades são vivenciadas com maior gravidade em indivíduos mais novos. Quando o tempo passa. 2000). depois do cancro?”. no cancro da mama. até pelo estado emocional). mas os medos também têm o seu peso: o medo da recorrência do cancro. pois existem menos sinais fisiológicos. Apesar de por vezes existir o medo da genética. como aos que passam pelo cancro em adultos (com e/ou sem filhos). é a perda da erecção e. Para quem ainda não teve filhos esta dúvida pode ser vivida de forma mais intensa. 2000). com desfiguramento radical. Estes sobreviventes de cancro. A reacção aos tratamentos para a infertilidade pode ser inicialmente de repulsa. como o medo de perder o desejo. de perda da sensibilidade. afectivos e comportamentais). que se coloca de igual forma. Uma das consequências. de transmissão da doença para o futuro filho/a. tanto aos que passaram pelo cancro 292 na infância e na adolescência. 2000). 1998). que pode existir em conjunto com a anterior. o que são óptimos “skills” para ser pai/mãe (Schover. com relacionamentos recentes. e antes dos tratamentos. da morte (e deixar o filho/a). são classificadas de disfunções sexuais. geralmente. A solução passa pelos tratamentos para a Infertilidade (Schover. No entanto.2. a ansiedade tende a aumentar face à frustração de não conseguir ter um filho. de carácter não transitório. 2. ou por dor. pois para além de ter passado por todos os tratamentos e exames na situação do cancro. de não ter capacidade financeira. Este último medo muitas vezes parece não ter fundamento. como uma perturbação no ciclo da resposta sexual. a resposta sexual fica alterada. Por exemplo. pela pouca experiência de intimidade e pela dúvida quanto ao tempo de permanência de todas as dificuldades sentidas (Andersen & Golden-Kreutz. mas com permanência ao longo do tempo.riores podem funcionar como potenciadores das dificuldades actuais. e não ser só a doença e os tratamentos em si que explicam essas mesmas dificuldades. excitação (diminui. Geralmente. Quando o cancro surge. mas como existe desconforto na actividade sexual. que impede a penetração – estas restrições podem influenciar negativamente o seu estado emocional. Apesar de já existir uma solução técnica para esta situação: a “preimplantation genetic diagnosis”. e assim começa uma “bola de neve” difícil de inverter. Quando a sexualidade é vivida de forma satisfatória sem interferências passadas. Algumas situações. pois o “fruto proibido é o mais apetecido”. Fertilidade Adoecer de cancro pode deixar consequências também ao nível da fertilidade. uma das questões passa pelo: “ter ou não ter filhos depois do cancro?”. Estas opções permitem realizar mais tarde uma FIV (fertilização in vitro). e por uma resposta negativa a oportunidades seguintes (devido ciclo de dificuldades e de tentativas falhadas). surge reacção negativa). porque a experiência de cancro dá-lhes mais resistências paras as dificuldades do dia-a-dia e capacidade para apreciar mais o momento. e pelo congelamento de embriões. existem soluções diferentes para a infertilidade. Ao longo do ciclo da resposta podem existir perturbações quanto: ao desejo (diminui. mais tratamentos. das complicações da gravidez. a partir daí os restantes níveis podem ser afectados. e através de . ou por contracção involuntária. ainda que com restrições (Schover. ou com múltiplos parceiros sexuais. solteiros. orgasmo (ausência de prazer). pela colheita de óvulos (com risco de estarem num estádio imaturo).

. M. 2003). Por vezes. 3. nomeadamente: “third-party reprodution”. A. (2000). Andersen. 494-498). B. B. Rickard. The psychosocial impact of infertility on young male cancer survivors: A qualitative investigation. passar pelos tratamentos de infertilidade traz uma vivência emocional de optimismo e de expectativa no início. (1990). Beliefs about câncer causation and their influence on family function. M. Psycho-oncology. C. vigilância regular) influencia certamente a forma de lidar com as adicionais consequências. tratamentos. mas levantam o problema de como dizer à futura criança como se processou a sua concepção..). 141-152 Juraskova. (2003). E. Psychosexual sequeale. Butow.. 2000). & Horne. 354. que implica um dador de sémen. (2000). e da (in)fertilidade no adoecer com cancro. 241-248 293 . In J. H. mesmo a nível psicológico (Schover. Cancer and the family (2nd ed. B. 2003. (1998). M. New York: John Wiley & Sons. In J. 12. L.. Não obstante.. A infertilidade: desejo ou Maldição.. L.)... 267-279. de óvulos ou até ter uma barriga de “aluguer”. Rastreio do cancro. New York: Oxford University Press. & Bliss. In L. Influence of Psychological response on survival in breast cancer: a population-based cohort study. C. pelos elevados níveis de stress e dificuldades em lidar com toda a situação (Anilo. Schover. fornecida por um técnico especialista. Die-Trill. Sexual self-concept for the women with cancer. Baider.).. C. A forma como se vive todo o caminho que o cancro exige (diagnóstico.. 1990). 119-133). Marujo. & Perloiro. J.). (1994). 12. Handbook of Psychooncology. Greer. Psycho-oncology.). D. a infertilidade ganhou. P. De-Nour (Eds. Handbook of Psychooncology (pp. A sexualidade e a fertilidade são áreas muito importantes na vida dos indivíduos. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM–IV. & Ostroff. Journal of Sex & Marital Therapy. ou não surgem mesmo. Educar para o Optimismo. Meiser. 57-60 Schover.. Watson.. I. Cooper. 12 (3). Anilo. & A. Lisboa: Editorial Presença. & Golden-Kreutz (2000). Psycho-Oncology. Faria. (2000). Green. pp. Davidson. Cooper.. Neto. (2000). mais uma frustração. Outras soluções surgem quando. & Hacker. J. N. (1999). Deciding to have children. Sexual Dysfunction.. 26.. As soluções médicas são cada vez mais. Miranda. R. e pode ser difícil passar para o domínio da aceitação (Faria. 4. B. Washington DC: APA. J. Robertson. The infertility and menopause-related information needs of young women with a diagnosis of breast cancer: A qualitative study. 2003.biopsia. CONCLUSÕES De forma a que as consequências do cancro e dos seus tratamentos sejam menores é muito importante prestar uma informação adequada. De-Nour (Eds. L. mas se os resultados tardam a surgir. H.ª ed. L. Cancer and the family (2nd ed. estas soluções têm algumas críticas da sociedade.. & A. The Lancet. New York: John Wiley & Sons. 311-333). Post-treatment sexual adjustment following cervical and endometrial cancer: A qualitative insight. vive-se mais um desapontamento. Galvin. S. e a adopção. para a sua qualidade REFERÊNCIAS American Psychiatric Association (1994). à medida de cada um. Análise Psicológica. RESUMO Este artigo pretende abordar as consequências ao nível: da sexualidade (no desenvolvimento da criança e/ou adolescente. que reforça o sentimento de frustração de não conseguir atingir um objectivo – ter um filho/a – sem ajuda. New York: John Wiley & Sons. 2000. 419-423. Holland (Ed. K. McLeod. Handbook of Psychooncology (pp. Pelo o impacto psicossocial que pode ter na relação de intimidade e no desejo de ter um filho/a é importante que essa mesma informação inclua todas as ofertas possíveis. In L. Haviland. elimina-se os que tiverem a mutação genética. Juraskova et al. C. L.. existe necessidade de recorrer à intervenção psicoterapêutica. 930-939). Woolverton. de facto. Green et al. (1999). & Friedlander. Baider...). Thewes et al. 1331-1320. Thewes. sem mais uma vez lutar contra uma contrariedade. (2003). Estas soluções dão tranquilidade quanto à transmissão genética. C. 12. Holland (Ed. pp. 335-347). Baider. 8 (4). Cancer and the family (2nd ed. e no funcionamento na idade adulta). De-Nour (Eds. J. pp. & A. Sharpe.. Sexual life after breast cancer.. e cada vez mais vão ao encontro da diminuição de futuras complicações. 500-511. New York: Oxford University Press. Para além disso. J. In L. (2003).. Cooper.. Revista Portuguesa de Saúde Pública. F..

ABSTRACT This article deals with the consequences of cancer disease in the fields of sexuality (in the development of child and/or adolescent. anxiety increases given the frustration of being unable to have a child. Nos adultos tem um impacto no funcionamento psicosexual. cancro. Cancer consequences in terms of fertility are similar for those that experienced cancer in the childhood. Nas crianças e nos adolescentes tem um impacto ao nível da trajectória do desenvolvimento psicosexual.de vida. Key words: Sexuality. adolescence. e em adultos (com e/ou sem filhos). a gravidez não surge. In adults it impacts their psychosexual functioning. The way patients live all through the cancer process (diagnosis. treatments. As consequências ao nível da fertilidade colocam-se de igual forma tanto aos que passaram pelo cancro na infância. and adult life (with children or not). a ansiedade aumenta face à frustração de não conseguir ter um filho. e as tentativas resultam sempre falhadas. As time goes by and pregnancy does not happen. Sexuality and fertility are very important areas for the individual’s quality of life that can be damaged in presence of cancer. infertilidade. either in a transitory or permanent way. que podem aqui resultar afectadas. regular vigilance) influences the way they cope with its additional consequences. Palavras-chave: Sexualidade. 294 . que pode ser transitório ou permanente. Quando o tempo passa. In children and adolescent it has an impact on their psychosexual development. infertility. na adolescência. and in regular life of adults) and (in)fertility. cancer.

Actualmente. familiar e social. Xavier & Costa. mudanças nos padrões de vida que ocorrem como consequência do desconforto psicológico (nível (*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Sendo «uma doença potencialmente mortal que estigmatiza a doente enquanto mulher» (Dias. como a radioterapia e a cirurgia (radical ou conservadora) ou sistémicos. 304). de facto. acarretando sentimentos de inferioridade e rejeição. de actividade alterado e disrupção marital e sexual). uma das doenças mais temidas pela humanidade. Manuel. ou seja. expondo a mulher a alterações na sua imagem corporal. o cancro de mama tem consequências ao nível do funcionamento biopsicossocial da doente conduzindo à necessidade de readaptação das suas vivências intrapsíquicas. depressão e ira). 1990) identificou o impacto psicossocial do cancro de mama em três grandes níveis: desconforto psicológico (ansiedade. Meyerowitz (1980. por isso.Análise Psicológica (2005). existem vários tipos de procedimentos aplicados ao tratamento do cancro de mama. sendo um dos tumores que aparece mais frequentemente nas mulheres. Lisboa. Esta figuração inclui também a integridade corporal. Existem vários tipos de tumores. cit. as cirurgias de tipo radical constituem. p. A mama é um símbolo corpóreo da sexualidade por excelência. Estes podem ser locais. a imagem corporal não significa apenas a aparência física. e medos e preocupações relacionados com a cirurgia e o receio de morte. Segundo Palhinhas (2000). O cancro de mama. como a quimioterapia e a terapia hormonal (Keitel & Kopala. 3 (XXIII): 295-304 Imagem corporal da mulher com cancro de mama: Impacto na qualidade do relacionamento conjugal e na satisfação sexual ANA SOFIA RAMOS (*) IVONE PATRÃO (*) O tumor maligno é uma das maiores causas de morte a nível mundial sendo. uma ameaça à 295 . completo e funcionando inteiramente. O prognóstico do cancro de mama é incerto e os tratamentos são geralmente agressivos. 2001. 2000). o que nos leva a pensar que qualquer patologia que ameace este órgão leva a uma perda de auto-estima. tem repercussões aos mais variados níveis: físico. por Rowland & Holland. a percepção do corpo como intacto. psicológico. Segundo Hopwood (1993).

analisar o grau de satisfação marital. descritiva e transversal das variáveis principais (imagem corporal. Segundo a autora. ou não. Porém. No mesmo sentido. na mulher mastectomizada. De acordo com Dias et al. Pereira e Mestre (1997) referem que as perdas narcísicas associadas à cirurgia e tratamentos terão um impacto grave na vida relacional da mulher que sofre de cancro de mama. 1987. Dada a existência de estudos que apresentam algumas limitações metodológicas no que toca a aspectos como a satisfação marital e sexual num período antecedente à cirurgia. . Não obstante. a relação com o companheiro. são: . incluídas como variáveis secundárias. habilitações literárias. tempo de duração do relacionamento conjugal. medir o grau de satisfação sexual. Embora as temáticas da imagem corporal. há evidência que este é um aspecto que sofre sempre um determinado impacto. e perceber a relação entre estas três variáveis. (2001). 2000. tipo de cirurgia realizado. 1978. 1990. o status marital e sexual anterior (percebidos pela doente) serão variáveis tidas em conta neste estudo. O’Mahoney & Carrol. cit. a verdade é que poucos foram os estudos realizados em Portugal. por Anillo. No mesmo sentido. (2001) consideram que.Relacionar as variáveis principais (imagem corporal. No que toca à sexualidade. Contrariamente ao referido por estes autores. 2000). dois anos ou mais após o tratamento. porém.integridade corporal e à satisfação da paciente com o seu corpo. MÉTODO O presente estudo define-se como uma investigação exploratória. cit. Schover (1991. a diminuição da auto-estima. Dias et al. status marital e status sexual anteriores à cirurgia). sobretudo no período que sucede a cirurgia e os tratamentos (Frank. o tempo decorrido após o término dos tratamentos e a duração do relacionamento conjugal serão. a doença oncológica acaba por fortalecer a relação conjugal no que toca à comunicação e à intimidade. cit. procurou-se. a existência de resultados contraditórios relativamente ao impacto da cirurgia nestas áreas. qualidade do relacionamento conjugal e satisfação sexual) com as variáveis secundárias (idade. Os objectivos específicos do presente trabalho. com este trabalho. tempo decorrido após os tratamentos. tipo de cirurgia.Averiguar a valorização atribuída ao corpo doente. qualidade do relacionamento conjugal e satisfação sexual) e das variáveis secundárias (idade. alguns deles revelam até melhoramentos na qualidade geral do seu relacionamento (Lichtman. 2000) diz. que apenas uma minoria dos casais apresenta disfunções sexuais significativas após o tratamento do cancro de mama. Taylor & Wood. traduz a necessidade de se realizar uma investigação. No mesmo sentido. 1997). o autor alerta para o facto de os problemas sexuais serem mais frequentes em casais que já tinham problemas a este nível e entre mulheres que dão maior importância à sua aparência. repercute-se na sua auto-imagem. e verificar se a qualidade do relacionamento conjugal e a satisfação sexual destas mulheres se encontram. Anderson & Rubinstein. algumas investigações revelam que a maioria dos casais apresenta um bom ajustamento marital após o diagnóstico de cancro sendo que. por Anillo. estudar a imagem corporal de mulheres com cancro de mama submetidas a uma cirurgia (radical ou parcial) e posterior tratamento. Auchincloss (1990) afirma que a falta de desejo sexual pode durar um. con296 jugalidade e sexualidade de mulheres com cancro de mama seja um assunto de profundo interesse em termos de investigação. no entanto. também. Neste sentido. A idade das pacientes. duração do relacionamento conjugal . tempo decorrido após tratamentos. afectando a sua sexualidade e. as preocupações pessoais da doente e o impacto ao nível da sua auto-imagem remetem para medos e fantasias recalcadas que comprometem a relação conjugal e a sua sexualidade. afectadas. por consequência. Da mesma forma. por Auchincloss. o evitamento sexual é mais susceptível de ocorrer quando o casal tinha já problemas sexuais que são exacerbados pela crise emocional que o tratamento acarreta. na maior parte dos casos. Crawford & Cardoso. Estapé (2002) diz-nos que as relações conjugais são o factor mais deteriorado nos pacientes com cancro de mama.

92.90. submetidas a uma cirurgia (radical ou parcial) e posterior tratamento. A baixa consistência interna verificada nas três últimas dimensões poderá estar relacionada com o facto de estas agruparem um baixo número de itens (Ribeiro. o alpha estimado para a escala total é de 0. 0-6. esta escala dividese em quatro sub-escalas que podem ser analisadas separadamente: consenso diádico. De acordo com Hopwood. Todas as participantes são casadas ou vivem em união de facto e mantêm uma actividade sexual com o companheiro.73 e 0. Lee e Al Ghazal (2001). cit. a fidelidade da escala total regista um alpha de 0. As habilitações literárias das participantes vão desde o ensino básico ao universitário. sendo que 1 corresponde à resposta Raramente e 5 à resposta Ha297 . Instrumentos a) Questionário de Caracterização da Amostra Este questionário contém questões como: idade.96. Participantes A amostra deste estudo é constituída por 30 mulheres com cancro de mama. Neste estudo. b) Escala de Imagem Corporal “Como me Relaciono com o meu Corpo” Esta escala foi adaptada por Palhinhas. posteriormente. Um pouco. a fidelidade estimada é de 0. 2000). somados dando origem a uma pontuação total que pode variar entre 0 e 21. existência de relação afectiva. pontuados de 0-1.42. Uma pontuação total igual a 0 (ze- ro) representa a inexistência de sintomas e as pontuações mais elevadas indicam a existência de sintomas. Este questionário é constituído por 7 itens cujas respostas variam entre: Não. Neste estudo foi apenas utilizada a segunda parte da escala (avaliação do corpo mórbido). caracterização do relacionamento conjugal antes da cirurgia (nada satisfatório. Algumas vezes.84. variando nas sub-escalas entre 0. doente ou não) e o corpo mórbido (valor atribuído ao corpo doente). e caracterização da vida sexual num período precedente à cirurgia (nada satisfatória. melhor será o relacionamento conjugal. 1999). Às quatro opções de resposta correspondem quatro pontuações diferentes: zero. a fidelidade da escala total regista um índice de alpha de 0. cujas respostas variam entre: Raramente ou Nunca. As idades variam entre os 39 e os 67 anos. É constituída por 32 itens. O valor final obtido (transformado em percentagem) vai indicar a satisfação/insatisfação em relação ao relacionamento conjugal sendo que. por Lim & Ivey. existência de actividade sexual. satisfação diádica – 0. É constituída por 25 itens (uns com valência positiva e outros com valência negativa). Tapadinhas e Ribeiro em 1999 com base na Body Image Scale de Hopwood (1993). 0-5. respectivamente. satisfação diádica e coesão diádica. Nas sub-escalas os índices de alpha são: consenso diádico – 0.38. muito satisfatória).85. d) Índice de Satisfação Sexual Esta é uma escala que permite avaliar o nível de satisfação/insatisfação sexual tendo em conta a dimensão sexual de uma dada relação. Bastantes vezes e Habitualmente ou sempre. expressão de afectos. sendo que o nível de escolaridade predominante é o ensino básico (ao qual pertence 40% da totalidade da amostra). pouco satisfatória. pouco satisfatório.e status marital e sexual anteriores à cirurgia). sendo que o total da pontuação varia entre 0 e 151 pontos. Neste estudo. um. Embora pretenda avaliar a qualidade do relacionamento conjugal no geral. quanto mais elevado for o Perfil obtido. expressão de afectos – 0. coesão diádica – 0. Foi criada por Hudson em 1974 e traduzida por Cardoso e Soares em 1995. Moderadamente e Bastante. Pretende avaliar a imagem corporal da mulher de duas formas: o corpo pré-mórbido (isto é. A cotação varia entre 1 e 5.93. muito satisfatório). destina-se a estudar a qualidade do relacionamento conjugal em adultos. habilitações literárias.46. 0-4. Fletcher. tempo de duração da relação. De acordo com Spanier (1976. dois e três pontos. c) Escala de Relacionamento Conjugal Esta escala foi criada por Spanier em 1976 e traduzida e adaptada por Tavares em 1990. Os 7 itens são. Poucas vezes. valor atribuído ao corpo no geral.

Procedimento Na primeira fase deste trabalho procedeu-se à realização de uma revisão da literatura.3% classificou-a como sendo “pouco satisfatória”. a fidelidade estimada da escala total é de 0.90. procedeu-se à recolha da amostra a qual foi efectuada na associação “Movimento Vencer e Viver” e no serviço de Senologia da Maternidade Dr. É definido um “ponto de cisão” (resultado de 30 pontos) em que. realizado através do programa SPSS (Statiscal Package for Social Sciences). Alfredo da Costa havendo. com intervalos de 5 anos. O tempo de duração de relação foi avaliado de acordo com oito níveis que variaram entre «<10 anos» e «40-45 anos». Foi também dito aos sujeitos que o anonimato e a confidencialidade seriam tomados em conta ao longo da realização do estudo. Finalmente. no que respeita à caracterização da actividade sexual no período que antecedeu a cirurgia.bitualmente ou sempre (ou o inverso nos itens de valência positiva). esta escala regista um índice de alpha de 0. 2002). casos em que o tratamento ainda se encontrava em curso aquando do preenchimento dos questionários. Depois de se obter o resultado final. Verificámos que 33. os desvios padrão e os valores mínimos e máximos dessas pontuações (Quadro 2). O tempo decorrido após os tratamentos foi avaliado por quatro níveis que vão de «<1 ano» a «>5 anos». procedeu-se à cotação dos questionários bem como ao tratamento estatístico.3% das participantes terminou os tratamentos há «1-2» anos atrás. ainda. verificou-se que 46. 298 RESULTADOS Análise Descritiva das Variáveis Secundárias A análise das variáveis secundárias é feita mediante as frequências e as percentagens obtidas em cada um dos sub-grupos das variáveis (Quadro 1). Relativamente ao tipo de tratamento pós cirúrgico. Posteriormente. Quanto menor for o valor obtido. Finalmente. tendo em conta as variáveis secundárias necessárias à identificação de cada uma das participantes do estudo. De acordo com Hudson (1992. verificou-se que grande parte das participantes (30%) efectuou hormonoterapia. alguns questionários recolhidos como “bola de neve”. no entanto.3% das 30 mulheres foram submetidas a uma mastectomia parcial. averiguou-se a existência de escalas que permitissem uma medição correcta das variáveis em estudo (Escala de Imagem Corporal.3% achou que era “pouco satisfatória” e 10% classificou-a como “nada satisfatória”. tendo sido efectuada uma pesquisa bibliográfica consonante à temática estudada. maior será o grau de satisfação sexual. Escala de Relacionamento Conjugal e Índice de Satisfação Sexual). por McCabe. 30%). no entanto.7%) classificou a sua relação como “muito satisfatória” e 23. Numa segunda fase. Observou-se um maior número de participantes cuja duração do relacionamento varia entre os 30 e os 35 anos. 43. se o resultado for menor ou igual a 30 pontos revela que não existe problemática sexual e se for maior que esta pontuação. As instruções dadas foram ao encontro do pedido do auto-preenchimento dos questionários com o máximo de sinceridade possível e foi alertado o facto de não se pretender a avaliação das respostas num sentido pessoal. bem como. resultando daqui um valor que se situa entre 0 e 100. Neste estudo. quimioterapia em conjunto com radioterapia (também. com intervalos de 1 ano. subtrai-se um valor constante de 25. A maioria das participantes (86. Análise Descritiva das Variáveis Principais A análise das variáveis principais tem em conta as médias das pontuações totais obtidas nas três escalas. Quanto à caracterização da relação conjugal no período pré-cirúrgico. . elaborado o Questionário de Caracterização da Amostra. cit. constatou-se que a maioria das participantes (76.7%) realizou uma mastectomia radical e apenas 13.7% das 30 mulheres considerou que antes da cirurgia a sua vida sexual era “muito satisfatória”.92 ao nível da sua fidelidade total. existirá problemática sexual. existindo. Foi.

3 76.7 16. Relativamente ao Perfil obtido na Escala de Relacionamento Conjugal (total da escala sem a aná- lise separada das dimensões). verifica-se que a pontuação total média é de 74.7 10 0 16.3 7 3 9 9 1 1 23.3 46.3 0 23.QUADRO 1 Análise Descritiva das Variáveis Secundárias N Tipo de Cirurgia Mastectomia Radical Mastectomia Parcial Tipo de Tratamento Quimioterapia Radioterapia Hormonoterapia Quimioterapia + Radioterapia Quimioterapia + Hormonoterapia Quimioterapia + Radioterapia + Hormonoterapia Tempo Decorrido Após Tratamentos <1 ano 1-2 anos 2-3 anos 3-4 anos 4-5 anos >5 anos Ainda em curso Tempo de Duração do Relacionamento Conjugal <10 anos 10-15 anos 15-20 anos 20-25 anos 25-30 anos 30-35 anos 35-40 anos 40-45 anos Caracterização da Relação Nada Satisfatória Pouco Satisfatória Muito Satisfatória Caracterização da Actividade Sexual Nada Satisfatória Pouco Satisfatória Muito Satisfatória % 26 4 86.3 10 30 30 3. assim.7 33. podemos concluir que o valor 74.63.7 3.7 13. o que indica que.7 3 13 14 10 43.04%.3 6.7 0 7 23 0 23.3 2 10 5 3 0 5 5 6. Relativamente à análise das sub-escalas cons299 . em média.3 3.7 2 1 0 7 6 10 2 2 6. Tendo em conta que o perfil total varia entre 0 e 100%.3 16.3 20 33. que a média das pontuações totais relativa à Imagem Corporal é de 7.7 6. as participantes não apresentam problemática no que respeita à valorização da sua aparência.04% reflecte a existência de um bom relacionamento conjugal entre as 30 participantes.7 Verificamos.

33 50 25 10 Máximo 21 88.03.62 Mínimo 0 46.46 100 78 100 58 tatamos que todas elas revelam um resultado positivo.29 7.41 76. em média.QUADRO 2 Análise Descritiva das Variáveis Principais N Imagem Corporal Perfil ERC (%) Consenso Diádico (%) Expressão Afectos (%) Satisfação Diádica (%) Coesão Diádica (%) Satisfação Sexual 30 30 30 30 30 30 30 Média 7. procedeu-se.33 66.69 33.63 74. Análise da Relação entre as Variáveis Principais Para se testar a normalidade da distribuição das variáveis principais.11 34.36 47.67 66.29 12. aumenta. as participantes evidenciam a existência de problemática sexual. Uma vez que quanto mais elevada é a pontua300 ção obtida na Escala de Imagem Corporal. .04 82.03 Desvio.41%). constatamos que a média da pontuação total registada pelos 30 sujeitos é de 34. ao estudo da normalidade das variáveis. também. maiores são os problemas ao nível da valorização da aparência e que quanto mais elevada é a pontuação registada no Índice de Satisfação Sexual.011 <α=0. a insatisfação sexual.Padrão 6. Por outro lado.11%.05.08 98.05).As variáveis Imagem Corporal/Idade. o que significa que. respectivamente). As dimensões Satisfação Diádica (relativa à avaliação da qualidade da relação) e Coesão Diádica (referente à forma como o sujeito vive a sua relação) são as dimensões que registam valores médios mais baixos (66. Constatou-se a existência de uma correlação significativa positiva entre a Imagem Corporal e a Satisfação Sexual (p=0.05) e uma correlação significativa negativa entre a Qualidade do Relacionamento Conjugal e a Satisfação Sexual (p=0. concluímos que ao aumentarem as problemáticas ao nível da imagem corporal.37 17.003 <α=0.90 9. pelo que foi aplicada a ANOVA a um factor para a análise de diferenças. Qualidade do Relacionamento Conjugal/Idade e Satisfação Sexual/Idade seguiam uma distribuição normal. maior é a insatisfação sexual.70 14.33% e 66. sendo a dimensão Consenso Diádico (que avalia a dimensão social da relação) aquela que regista uma pontuação total média mais elevada (82. Verificou-se a ausência de normalidade em todas as variáveis principais pelo que foi utilizado o coeficiente de correlação não-paramétrico de Spearman para inferir acerca da influência das três variáveis entre si. Assim. Quanto ao grau de satisfação sexual. concluímos que quando aumenta a qualidade do relacionamento conjugal diminui a insatisfação sexual. recorreu-se ao teste de normalidade de Shapiro-Wilk que permitiu inferir acerca do tipo de distribuição de cada uma das variáveis comparadas. tendo em conta que os valores elevados das pontuações totais da Escala de Relacionamento Conjugal significam a existência de um bom relacionamento conjugal e que as baixas pontuações totais do Índice de Satisfação Sexual evidenciam a presença de satisfação sexual. inicialmente.07 17. O nível de significância utilizado foi de α=0. Concluiu-se que: . Análise da Relação entre as Variáveis Principais e as Variáveis Secundárias No sentido de analisar a relação entre as variáveis principais e as variáveis secundárias. recorreu-se ao teste de Shapiro-Wilk.

98 0. logo um melhor relacionamento conjugal. verifica-se que as diferenças se situam: .. dois a dois. No que respeita à relação Qualidade do Relacionamento Conjugal/tempo decorrido após os tratamentos. verificou-se que as diferenças se situam no grupo que caracterizou a sua actividade sexual antes da cirurgia como sendo “pouco satisfatória” e no grupo que a caracterizou como “muito satisfatória”.C. aquele que apresenta pontuações mais elevadas na E.R.66 Kruskal-Wallis Wilcoxon Mann-Whitney 301 . 0.16 0.. concluímos que as QUADRO 3 Análise da Relação entre as Variáveis Principais e as Variáveis Secundárias Teste Estatístico Anova Variáveis Comparadas Imagem Corporal e Idade Qualidade do Relacionamento Conjugal e Idade Satisfação Sexual e Idade Imagem Corporal e Tempo Após Tratamentos Qualidade do Relacionamento Conjugal e Duração do Relacionamento Qualidade do Relacionamento Conjugal e Tempo Após Tratamentos Satisfação Sexual e Status Sexual Anterior à Cirurgia Satisfação Sexual e Tempo Após Tratamentos Imagem Corporal e Tipo de Cirurgia Qualidade do Relacionamento Conjugal e Tipo de Cirurgia Qualidade do Relacionamento Conjugal e Status Marital Anterior à Cirurgia Satisfação Sexual e Tipo de Cirurgia E.05. Verificamos.33 0.49 p-value 0. foi caracterizada (Quadro 3).31 11. antecedente à cirurgia.Nos grupos de participantes que terminaram os tratamentos há «3-4» anos e «>5 anos».T.83 2.As restantes variáveis não seguiam distribuição normal pelo que foi aplicado o teste de Kruskal-Wallis (no caso de comparação de mais do que duas amostra) e o teste de Wilcoxon Mann-Whitney (no caso de duas amostras) para a averiguação de diferenças.75 0.23 0.02 0.41 -1.61 3.51 0. maior é a insatisfação sexual. O nível de significância utilizado foi de α=0. As diferenças encontradas são apresentadas no Quadro 4. que é o grupo cuja actividade sexual antecedente à cirurgia se caracteriza como “pouco satisfatória” aquele que obteve valores mais elevados nas pontuações totais do Índice de Satisfação Sexual. A análise da relação entre as variáveis principais e as variáveis secundárias permitiu-nos concluir que: a qualidade do relacionamento conjugal varia consoante o tempo decorrido após os tratamentos e consoante a forma como a relação marital é caracterizada no período antecedente à cirurgia.45 -0.47 -1.07 0. Tendo em conta que quanto mais elevados são os valores totais desta escala. Aqui é o grupo de mulheres que terminaram os tratamentos há «>5 anos».63 0. sendo que é o primeiro grupo aquele que regista pontuações mais elevadas na Escala de Relacionamento Conjugal. do que o grupo de mulheres que terminaram os tratamentos há «>5 anos». Para percebermos quais os grupos das variáveis secundárias que diferem entre si. .85 1. o que significa que têm melhor relacionamento conjugal do que as mulheres que terminaram os tratamentos há «3-4 anos».32 7.Nos grupos de participantes que terminaram os tratamentos há «1-2» anos e «>5 anos».84 5. No que respeita à relação Satisfação Sexual/ /status sexual anterior à cirurgia. e que a satisfação sexual varia em função da forma como a actividade sexual.05 0.51 0. também.57 0. procedeu-se à realização do teste de Wilcoxon Mann-Whitney a fim de serem comparados os grupos.01 0.

50 6.50 -2. também. talvez outras variáveis possam influir nestes resultados.50 -2. também. menor satisfação sexual do que as mulheres que caracterizaram a sua actividade sexual como “muito satisfatória”.79 0.02 239. melhor é o relacionamento conjugal. tam- .02 -2. Observou-se. Constatou-se. eventualmente. no entanto.T. diminui a insatisfação sexual. e. portanto.01 mulheres que definiram a actividade sexual (antecedente à cirurgia) como “pouco satisfatória” têm. Desta forma. que a qualidade do relacionamento conjugal é influenciada pelo tempo decorrido após os tratamentos e pelo grau de satisfação conjugal anterior à cirurgia. p-value 60.50 406. Finalmente. Por outro lado. Grande parte dos resultados aqui observados vem no mesmo sentido daqueles encontrados na literatura. terem idades médias superiores a 50 anos. parece. após a realização de uma cirurgia à mama (radical ou parcial) e tratamentos. Desta forma. Finalmente. Quanto aos dados verificados ao nível da imagem corporal. Verificou-se.00 30. é definido como “muito satisfatório” têm.50 59. Vimos. no que respeita à relação Qualidade do Relacionamento Conjugal/status marital anterior à cirurgia. antes da cirurgia. ainda. actualmente.01 Perfil ERC 58. no entanto.00 -2. CONCLUSÃO Através dos resultados obtidos na presente investigação. que quanto maior é a pontuação total desta escala. que as participantes revelam uma insatisfação relativamente à sua sexualidade. tais como: o facto de as participantes não fazerem. um melhor relacionamento conjugal (após a cirurgia). quando comparadas com as mulheres que caracterizaram o seu relacionamento conjugal antecedente à cirurgia como “pouco satisfatório”. que quando existem problemas ao nível da valorização da aparência existe também uma maior insatisfação sexual. foi caracterizada. verificou-se que a satisfação sexual após a cirurgia é influenciada pela forma como a actividade sexual. concluímos que as mulheres cujo relacionamento. constatou-se que ao melhorar a qualidade do relacionamento conjugal.45 0. antecedente à cirurgia.QUADRO 4 Análise das Diferenças nos Sub-Gupos das Variáveis Secundárias Rank Sum Perfil ERC Tempo Após Tratamentos 1-2 anos Mais de 5 anos 3-4 anos Mais de 5 anos Índice Satisfação Sexual Status Sexual Pouco Satisfatório Muito satisfatório Status Marital Pouco Satisfatório Muito Satisfatório E. grande investimento no órgão doente. que existe alguma divergência com outros estudos efectuados na área.50 138.25 0.40 0. é possível verificar-se que é o grupo de mulheres que classificou a o seu relacionamento conjugal num período antecedente à cirurgia como sendo “muito satisfatório” aquele que obteve pontuações totais mais elevadas na Escala de Relacionamento Conjugal. verificou-se que as participantes não revelam problemas no que respeita ao modo co302 mo valorizam a sua aparência e que não existem alterações ao nível do relacionamento conjugal.

submetidas a uma cirurgia e que mostram a existência de problemáticas a este nível. a intervenção psicológica parece tornar-se indispensável. Holand. P. Sexual life after breast cancer. Counseling women with breast cancer. In M. Consultado em 15 de Abril de 2004 através de http:// www. (2000). (1997).. R. Ouvir. Handbook of psychoncology: Psychological care of the patient with cancer (pp. caso a doente seja informada acerca desta problemática e incentivada a expor as suas dificuldades. parece-nos pertinente afirmar que uma das primeiras preocupações do psicólogo deverá incidir. 22 (4). 241-248. O cancro da mama no «seio» da família.. S. 37. & Carroll. T.bém. Territórios da psicologia oncológica (pp. Dias. Family Therapy. compreender e ajudar o casal a enfrentar esta nova e indesejável situação ajudará ambos os cônjuges a se reajustarem a uma série de novos papéis e funções e proporcionará uma melhor comunicação entre ambos. Ribeiro. no sentido de se valori- zar as questões da imagem corporal. 29A (2). L. D. Relationship functioning and sexuality among people with multiple sclerosis. Leal. Auchincloss. (2000). por isso. (2001). (2000). Lisboa: Climepsi. & Cardoso. California: Sage. Lisboa: ISPA. C. dar um contributo para a extensão do conhecimento que abrange a patologia mamária. em grande parte dos casos. A. J. Ajudar a mulher a lidar com as alterações corporais. Sexual dysfunction in cancer patientes: Issues in Evaluation and treatment. McCabe. New York: Oxford University Press. Dias. Não devemos. & J. I. A relação marital e a dimensão sexual dessa mesma relação parece ser outro foco de intervenção psicológica. Disfunciones sexuales en pacientes de cáncer.. (Eds. The impact of breast cancer and its treatment on marital functioning. descurar aquilo que se tem vindo a estudar relativamente à imagem corporal de mulheres com cancro de mama. A guide for professionals. I. Pereira. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. P. 187-207). J. Fletcher. Monografia de Licenciatura em Psicologia Clínica. 4 (4). M. 453-465. & M. In M. In J. a desenvolver estratégias de coping que lhe permitam encarar as mudanças na sua aparência. 303 . M. A terapia sexual pode constituir uma ajuda essencial no que respeita ao desenvolvimento de novos padrões de comportamento sexual e à desmistificação de falsas ideias que possam surgir no decorrer da cirurgia e tratamentos. a verdade é que a ajuda só é possível. & E. Hopwood. 303-320). Lisboa: Climepsi. & Mestre. a pessoa com maior contacto directo com a doente. Estapé.º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde (pp.) (1997). 397-415. P. Manuel. M. K.. (2000). REFERÊNCIAS Anillo. menores são as dificuldades encontradas durante todo o seu processo. Territórios da psicologia oncológica (pp. Pretendeu-se com esta investigação. M. Palhinhas. H. The assessment of body image in cancer pacients.). P. Hopwood.htm O’Mahoney. M.). Actas do 3. A body image for use with cancer patients. 276-281. É já sabido que quanto mais informado o paciente estiver acerca da sua doença. Durá (Eds. (2000). R.. O parceiro da doente é. Dias. A. (1990). Lim. S. A. (2002). (1993). S. Lisboa: Glaxowellcome.. A dimensão sexual na doença crónica: Que avaliação? Que intervenção? In J. P. Crawford. Dura (Eds... European Journal of Cancer. (2001). V. European Journal of Cancer. Xavier.. 521-525). Embora os problemas sexuais sejam um assunto por vezes demasiado íntimo para ser exposto. R. sob esta perda corporal. relacionamento conjugal e sexualidade quando se fala de intervenção psicológica em mulheres com cancro de mama. o facto de nem todas terem sido submetidas a uma cirurgia radical. The assessment of marital adjustment with Chinese populations: A study of the psychometric properties of the dyadic adjustment scale. & Costa. Adaptação psicológica e imagem corporal em mulheres com cancro de mama. 235-263). com/p/articles/mi_m2372/is_4_ 39/ai_96621269.findarticles. Lee. Senologia prática. O acompanhamento psicológico da doente e do seu companheiro torna-se fundamental ao bem-estar e à qualidade de vida de mulheres com cancro de mama.). L. & Al Ghazal.. Rowland (Eds. 26.). Journal of Clinical Psychology in Medical Settings. A.. Sobretudo em mulheres que realizam uma terapêutica radical. Keitel. B. Dadas as consequências físicas que a cirurgia e os tratamentos implicam. precisamente. 189-197. Dias (Orgs. & Kopala. Journal of Sex & Marital Therapy. & E. (2001). informando-a que a sua feminilidade continua a existir são algumas das formas como um psicólogo pode intervir. P. S. & Ivey. M. R. M. Informar a doente que as dificuldades sexuais são um aspecto concomitante aos tratamentos é essencial para a prevenção de futuros problemas desta ordem.

J. In J. The Marital Relationship Scale and The Index of Sexual Satisfaction. To evaluate the studied variables. The obtained results showed the inexistence of body image and marital relationship quality problems. submetidas a uma cirurgia (radical ou parcial) e posterior tratamento (quimioterapia. Handbook of psychoncology: Psychological care of the patient with cancer (pp. radioterapia e/ou hormonoterapia). Holand. ABSTRACT The aim of the present investigation was to study RESUMO Este trabalho teve como objectivo o estudo da imagem corporal. da qualidade do relacionamento conjugal e da satisfação sexual de mulheres com cancro de mama. Neste estudo participaram trinta mulheres com cancro de mama. Rowland. we used: The Body Image Scale. Constatou-se. P.Ribeiro. breast cancer. Breast Cancer. Todas as participantes eram casadas ou viviam em união de facto e mantinham uma actividade sexual com o companheiro. a Escala de Relacionamento Conjugal e o Índice de Satisfação Sexual. radiation therapy and/or hormone therapy). were found. Key words: Body image. 304 . some difficulties concerning to sexual satisfaction of the participants. sexual satisfaction. satisfação sexual. L. Investigação e avaliação em psicologia da saúde. In this study participated thirty women with breast cancer. qualidade do re- the body image.. & Holland. 187-207). (1999). a existência de problemática ao nível da satisfação sexual das participantes. who were submitted to a breast surgery (mastectomy or lumpectomy) and post treatment intervention (chemotherapy. Os resultados obtidos apontaram para a inexistência de problemas ao nível da imagem corporal e da qualidade do relacionamento conjugal. Para a avaliação das variáveis em estudo utilizou-se: a Escala de Imagem Corporal “Como me relaciono com o meu corpo”. J. However. no entanto. marital relationship quality. marital relationship quality and sexual satisfaction of women with breast cancer. All subjects were married and had sexual activity with their partners. Rowland (Eds. C. lacionamento conjugal. & J. New York: Oxford University Press. Lisboa: Climepsi. Palavras-chave: Imagem corporal. (1990). J. cancro de mama. H.).

em diversos países. . 1988) explica que a IU é a perda involuntária de urina.. que variam entre 10% e 30% para as mulheres entre os 15 e 64 anos (Krause. PAIS RIBEIRO (*) A. Kujanson. 2002). 3 (XXIII): 305-314 Satisfação sexual e percepção de saúde em mulheres com incontinência urinária J. Walker-Engstrom. Dado o efeito negativo no estilo de vida da mulher e dos seus cuidadores. 2001). 26 a 31% para todas as idades (Hagglund. 1998). 1998). 1998).5% entre os 40 e 60 anos (van der Vaart. Brink & Mayer. 2003). 8 a 51% (O’Conor. ou os 5 a 35% em idosos (Dugan et al. que tem consequências sociais e/ou higiénicas. A investigação mostra que a perda acidental de urina tem um impacto negativo no dia a dia das mulheres. que constitui um problema clínico major. seja mais agressivo (Lalos. Laippala & Metsanoja. 2001). Johannesson. O seu tratamento. diagnóstico de IU. com capacidade para ler e escrever e sem doença mental. e que constitui uma causa significativa de incapa- cidade e dependência. MÉTODO Participantes Participaram 93 mulheres com IU. Apesar da variabilidade destes dados reconhece-se que é um problema relativamente comum e desagradável. 2000) melhora a qualidade de vida. Apesar de tudo os estudos sobre o impacto da relação entre vida sexual e IU são reduzidos. explica a declaração. Hughes. que constituem uma amostra de conveniência.. Roovers & Heintz. os 14 e 71. Wells. a percepção de saúde e a satisfação sexual. RAIMUNDO (*) A Incontinência Urinária (IU) é um problema comum entre as mulheres de todas as idades. Talset & Vinsnes. É um sintoma e não uma doença. Lalos. 1996. a IU é associada a baixa qualidade de vida e com impactos negativos na vida sexual (Berglund & FuglMeyer. de Leeuw. com referências de prevalência estimada.Análise Psicológica (2005). Hass & Kobelt-Nguyen. A declaração de consenso do National Institute of Health dos Estados Unidos da América de 1988 (NIH Consensus Statement. 2001). ou menos agressivo (Bø. Berglund & Lalos. tão grave. As condições de inclusão no estudo eram as seguintes: Mulheres adultas. O objectivo do presente estudo é estudar a relação entre a IU. nas relações sociais e no bem estar (Dugan et al. Larson & Leppert. os 20 e 45% acima da meia idade (Stach-Lempinen. 2001). sem 305 (*) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

e frequência). DP 60. tendo este grupo desenvolvido posteriormente duas versões mais reduzidas. 6.4 94.2 15. portanto. 9.1 41.4 37.9 6. 2004). Snow. viúvas) Número de filhos Número de gravidezes Vida sexual activa Sim Não Frequência das relações sexuais Mais 1 vez/semana 1 vez/semana 2 vezes/mês 1 vez/mês Menos 1 vez/mês n/respondeu Sem vida sexual Duração da IU (em anos) Frequência de episódios < 2 vezes mês > 2 vezes mês Percepção do grau de IU Mínimo Leve Moderado Grave M.47.8 3.5 4. número de gravidezes.2 25. divorciadas. Material Recorreu-se a um questionário que incluía as seguintes partes: Questionário demográfico: que incluía questões relacionadas com idade.75. O questionário utilizado inclui.6 10. o SF-12 e o SF-8.8 Moda=2 Moda=2 85.33. escolaridade.9 0-10 0-23 Min-Máx 35-81 0-17 12.2 48. uma forma reduzida do SF-36 (Pais-Ribeiro. Questionário sobre sintomas de IU: que incluía 306 questões sobre: duração da IU.1 6. e o número corresponde ao número de itens do questionário.91 4.2 41. Questionário de percepção do estado de saúde: recorreu-se ao SF-8. vida sexual (sim/não. O acrónimo SF significa forma reduzida (short-form). número de filhos.35 5.98 0.9 17.6 intervenção cirúrgica para UI.43 74. oito itens que definem dois componentes. Kosinski. e Gandek (1993).3 2. frequência de episódios.QUADRO 1 Características demográficas e da IU % Idade Escolaridade Estado civil Casada/união de facto Sem Companheiro (solteiras. estado civil.15. um Componente Físico e um Componente Mental. O SF-36 foi desenvolvido por Ware. . 3. No Quadro 1 apresentam-se as características demográficas e da UI das participantes.

Domínio das relações sexuais e domínio da confiança. 2002). e 0.. corrigidas para sobreposição. Inclui 14 itens na versão original (13 na versão adaptada para Português.59 para a dimensão “Relacionamento em Geral”. O domínio da confiança avalia a apreciação pessoal e a satisfação com a relação com o companheiro. O domínio das relações sexuais avalia a satisfação e a confiança em iniciar e manter relações sexuais.72 para o Componente Mental (Pais Ribeiro. Estas versões de questionários de avaliação da percepção de saúde desenvolvidos pelo grupo de John Ware são dos instrumentos mais utilizados na avaliação da qualidade de vida. A Análise de Componentes Principais confirmatória.81 para a dimensão “Auto-estima”. 2004). Na adaptação aqui utilizada só uma palavra foi mudada na totalidade do questionário (homem por mulher). Cada componente fornece uma nota entre “0” e “100” em que 100 expressa melhor percepção de saúde. com excepção de um item que foi retirado (Pais-Ribeiro & Raimundo.80 para a dimensão “Relações Sexuais”. Consiste numa lista de seis sintomas onde a respondente assinala se tem esse sintoma e. Questionário de satisfação com o relacionamento sexual: com o nome original self-esteem and relationship questionnaire.71 para o Componente Físico e 0. 2004). 0..53 e 0.73 0. É uma escala desenvolvida para homens para avaliar a disfunção eréctil e é neste contexto que tem sido utilizada. a variar entre 0. assinalado numa escala ordinal de quatro posições entre “nenhum incómodo” até “grande incómodo”. O domínio da confiança. conhecido pelo acrónimo SEAR questionnaire (Cappeleri et al.83 0. qual o grau de incómodo que ele provoca. Pais-Ribeiro & Raimundo.92 0. Questionário de avaliação do incómodo causado pela IU: O urogenital Distress Inventory (UDI) (Dugan et al. A investigação mostra que este questionário é sensível ao tratamento (Althof et al.87 com os valores dominantemente na casa dos 0. 2003). Os valores da consistência interna são substanciais com valores de correlação item escala a que pertence. 1998) foi desenvolvido especificamente para avaliar o grau de incómodo (distress) provocado por sintomas de IU em mulheres. por sua vez inclui duas dimensões: auto-estima e relacionamento em geral. se sim. O estudo da versão portuguesa exibe os valores de consistência interna mostrados no Quadro 2. A nota total da escala varia entre “0” se os sintomas não causam incómodo e “18” se os sintomas cau- QUADRO 2 Dados da Consistência interna da SEAR Dimensão Relações sexuais Auto-estima Relacionamento em geral Confiança (auto-estima + relacionamento em geral) Escala total Número de itens 7 4 2 6 Item tipo “Senti-me confiante no desempenho sexual” “Senti-me uma mulher completa” “Eu estou satisfeita com a nossa relação em geral” Alfa de Cronbach 0.50 a 0.85 13 0. A resposta ao questionário é ordinal e varia entre duas e seis alternativas. 2004). A inspecção da validade de conteúdo mos- tra uma adequação total com o construto que estuda em mulheres. distribuídos por duas dimensões ou domínios. mostra que a distribuição de itens pelas dimensões está de acordo com a versão original.90 307 .com quatro itens cada. Cada item é uma afirmação em que a resposta é dada numa escala ordinal de cinco posições.. A consistência interna medida pelo alfa de Cronbach para os componentes é de 0.

58. Por outro lado quando inspeccionamos o valor da correlação das variáveis “gravidade ou grau de IU percebido” e “sintomas de distress provocados pela IU”.48 308 .72 DP 4. com as dimensões da variável “satisfação sexual” observam-se valores muito semelhantes. grave”. o que significa que a proporção da variância de uma variável explicada pela outra variável é baixo. moderado. Os resultados da UDI mostram a existência de impacto dos sintomas em todos os participantes. ou como reconhecem Krause et al. Do mesmo modo a variável há quanto tempo tem IU não mostra correlação com quer a gravidade ou grau percebido e a UDI.1% das participantes tinham todos os sintomas. depois de cumpridas as exigências éticas. moderada ou grave. de acordo com a Declaração de Helsínquia e as regras das diversas instituições. Procedimento Os resultados foram recolhidos por uma psicóloga com experiência em consultas de uroginecologia e fisioterapia de cinco instituições de saúde da cidade de Lisboa. Ou seja estes duas variáveis que era suposto basearem-se no mesmo conteúdo. O Quadro 3 mostra os resultados globais da UDI. Inspeccionando os resultados do UDI consoante o grau de gravidade percebido verifica-se que há uma evolução razoável consoante os va- QUADRO 3 Resultados do questionário UDI N UDI 93 Mínimo 1 Máximo 18 Md 12 M 11. de facto não o fazem.40 com a frequência de episódios de IU. como uma média de 11.73. quer os sintomas verifica-se que a gravidade percebida exibe uma correlação de r=0. RESULTADOS Número de sintomas e percepção do grau de gravidade da IU Para responder à questão sobre qual o melhor modo de avaliar a gravidade da IU. Comparando a nota do UDI com a percepção do grau de gravidade verifica-se que o valor da correlação é moderado (r(93)=0. decidimos incluir os dois modos de avaliação e compará-los. Os resultados mostram que a média e a mediana da nota do impacto dos sintomas está mais próximo dos valores máximos do que dos valores mínimos. leve.sam grande incómodo. Inspeccionando a correlação entre a frequência de episódios de IU e quer a gravidade percebida. Estes resultados apontam para que a percepção de gravidade parece ser influenciada pela frequência de episódios e não pelo impacto dos sintomas. (2003) que não há consenso sobre como medir IU leve. A consistência interna calculada com o Alfa de Cronbach mostra um valor de 0.72. como mostra o Quadro 4.41). e não há correlação estatisticamente significativa entre a UDI e a frequência de episódios. Dado que a investigação questiona sobre o modo mais adequado de medir a gravidade da IU. procedemos à comparação das duas medidas: a que é recolhida com o UDI e que descreve o incómodo ou distress provocado pelos sintomas de IU e a escala de percepção da gravidade da IU. e somente o resultado total da escala de satisfação sexual exibe correlação estatisticamente significativa. e que “uma medida objectiva pode ser menos importante que a percepção subjectiva da mulher da gravidade da IU” (p. A nota que espelha o incómodo da IU variava entre um e 18. 54). Percepção geral do grau ou da gravidade da IU: avaliado com um item em que se questiona “considera o grau de incontinência urinária: mínimo.

SEXRG – Domínio do relacionamento com o companheiro em geral.88 12.93 4. SESXRS – Domínio das relações sexuais. percepção de gravidade.0001. (t(79.56.01).22. a escala de satisfação com a relação sexual. Estes resultados estão de acordo com a investigação noutros países (Bø 309 .11 6. e depois o incómodo provocado pelos sintomas de IU. Ao mesmo tempo existem diferenças estatisticamente significativas quanto ao tempo que sofre de IU com as mulheres com vida sexual activa com mais tempo de IU (M=8. (t(91)=5.09 lores da UDI.513)=2.71. p<0.33 11. QUADRO 5 Número de sujeitos que se classificaram em cada grau de gravidade e valores de estatística descritiva da variável UDI Gravidade percebida G1 G2 G3 G4 N 10 3 45 35 Mínimo 1 7 2 6 Máximo 11 18 18 18 M 5.80 14.35 3.14 anos) do que as que têm IU há menos tempo (M=4. SEAR – nota total do questionário de satisfação sexual. de doença e de satisfação com a relação sexual Os resultados mostram que as variáveis que contam para a percepção de saúde dividida pelos dois componentes saúde mental e saúde física são. GRAU – qual o grau de IU percebido. SEXAE – Domínio da auto-estima. De salientar que 86.26 -0. UDI – número de sintomas de IU. número de filhos. saúde mental e saúde física e incómodo causado pela IU.83). Comparação de variáveis demográficas entre as mulheres com e sem vida sexual activa Há diferenças estatisticamente significativas entre as mulheres com vida sexual activa que são mais novas M=56. Relação entre variáveis demográficas. excepto para algumas mulheres que consideram o seu grau como dois e exibem o valor de sintomas na UDI mais elevado (Quadro 5). e percepção de saúde O Quadro 6 mostra as correlações entre a Percepção de Saúde Mental e a Percepção de Saúde Física e as variáveis demográficas.29* -0. de satisfação com a sexualidade e de IU.12 do que as sem vida sexual activa M=65.20 -0.21 SEXRG -0. O componente de percepção de saúde para o qual a contribuição é maior é a Saúde Mental. Para a escolaridade.14 SEXAE -0.21 SEAR -0. Pode então aceitar-se como hipótese o tempo de IU permitindo um ajustamento que facilita o regresso à vida sexual activa. em primeiro lugar.QUADRO 4 Correlação entre incómodo provocado pelos sintomas e percepção da gravidade da IU SESXRS GRAU UDI -0. Por outro lado pode igualmente colocar-se a hipótese que a existência de vida sexual activa é um factor mais associado à idade do que à IU.27* Legenda: * Correlação significativa ao nível 0.02% das participantes classificam a gravidade da IU no grau 3 e 4. não se verificam resultados estatisticamente significativos entre os dois grupos. p<0.97 DP 3.05 (2-tailed).20 -0. em geral e por cada uma das dimensões que a compõem.

e satisfação com a sexualidade As correlações entre a escala de satisfação com a intimidade das 52 mulheres que mantêm vida sexual activa e as variáveis demográficas e de saúde são apresentadas no Quadro 7. provavelmente. o tempo de IU ajuda as pessoas a ajustarem-se à situação no que respeita à prática da sexualidade. UDI – Número de sintomas de IU. SEXAE – Domínio da auto-estima. SEAR – Nota total do questionário de satisfação sexual. SESXRS – Domínio das relações sexuais. de saúde. as mulheres que praticam sexo com mais frequência estão mais satisfeitas e têm mais confiança na sua capacidade de realizar a relação sexual (o valor negativo deve-se a que a maior frequência de relações sexuais se atribuiu o valor mais baixo). TEMPO – Há quanto tempo tem IU. et al. NGRAVIDE – Número de gravidezes. e para a escala SEAR total. a satisfação com a prática sexual está associada com a frequência da prática sexual.29** -0. Por outro lado verifica-se uma forte relação entre as variáveis escolaridade e frequência de prática sexual. com variáveis demográficas e de satisfação sexual (para a variável de satisfação sexual o n=52) SMENTAL IDADE ESCOLA NFILHOS NGRAVIDE FREQSEXU FREQEPIS TEMPO GRAU UDI SESXRS SEXAE SEXRG SEAR SFISICO 0. O tempo de existência de sintomas mostra uma correlação negativa com o domínio de relações sexuais e com a SEAR em geral sugerindo que. Por sua vez o resultado da UDI e o grau percebido mostram uma correlação negativa com a nota da SEAR em geral sugerindo que embora sem impacto no domínio de satisfação e confiança no acto sexual elas têm impacto no conjunto do relacionamento íntimo.41** 0. Isto está de acordo com as conclusões de Laumann. Stach-Lempinen et al. NFILHOS – Número de filhos. FREQEPIS – Frequência de episódios de IU. A escolaridade tem uma relação modesta mas estatisticamente significativa com a percepção de saúde física. 1998). ** Correlação significativa ao nível 0. Ao mesmo tempo. 2001).05 (2-tailed). GRAU – Qual o grau de IU percebido.. FREQSEXU* – Frequência de relações sexuais..25* 0.44** 0. 1998.20* 0.QUADRO 6 Correlações de Pearson entre percepção de saúde mental e de saúde física.. Estes resultados estão de acordo com outras investigações (Dugan et al. Com efeito.50** -0. Hagglund et al. SFISICO – Percepção de saúde física. .39** Legenda: * Correlação significativa ao nível 0.01 (2-tailed). única variável que se relaciona de modo estatisticamente significativo com todos os domínios de satisfação sexual e com a SEAR global. SMENTAL – Percepção de saúde mental.48** 0. IDADE – Idade. Paik e Rosen (1999).29* 0. O’Conor. SEXRG – Domínio do relacionamento com o companheiro em geral. é a saúde mental. A escolaridade parece sugerir que as 310 mulheres com mais informação ou com mais capacidade para lidar com a informação se ajustam melhor à IU. de IU. 2000. ESCOLA – Escolaridade. 2001. Verifica-se que a variável mais importante quando analisadas em separado..33* 0. Relação entre variáveis demográficas.

deixando de fora as variáveis independentes que não contribuem de modo estatisticamente significativo para o resultado da variável dependente. O Quadro 8 mostra os resultados da análise de regressão linear múltipla. UDI – Número de sintomas de IU. ** Correlação significativa ao nível 0. 85.33* 0.05 (2-tailed).44** -0. FREQSEXU – Frequência de relações sexuais. FREQEPIS – Frequência de episódios de IU.34* -0.28* -0. somente a percepção de saúde mental contribui para a explicação da sua variância. SFISICO – Percepção de saúde física.44** 0. SEXRG – Domínio do relacionamento com o companheiro em geral. 337).48** 0. Para os domínios “auto-estima” e “relacionamento com o companheiro”. NFILHOS – Número de filhos. Para a SEAR total a percepção de saúde mental e a frequência de prática do acto sexual são as duas variáveis que contribuem para explicar a sua variância. as variáveis serem analisadas em bloco e depois incluídas à vez consoante a sua importância na explicação do resultado da variável dependente.50** 0. SEXAE – Domínio da auto-estima. SESXRS – Domínio das relações sexuais. onde a frequência da prática sexual.29* -0.01 (2-tailed).1% têm vida sexual activa. (1998) que «a IU não tem consequências devastadoras para muitas pessoas» (p. de IU. IDADE – Idade.32* 0. De facto enquanto 74.35* -0. em que cada uma das dimensões da satisfação com a relação sexual era considerada variável dependente das variáveis independentes que exibiam correlações significativas tal como se pode observar no Quadro 7.6% das mulheres casadas ou em união de facto reportam não ter vida sexual 311 . nele. Isto mesmo considerando que 86% das mulheres que têm vida sexual activa considera que a IU tem um impacto moderado a grave na sua vida. SMENTAL – Percepção de saúde mental. e os domínios de satisfação sexual Para precisar as variáveis com impacto na satisfação sexual recorremos à análise de regressão linear múltipla. TEMPO – Há quanto tempo tem IU.43** SEXAE SEXRG SEARS 0. De facto 24. de percepção de saúde. a escolaridade e a saúde mental contribuem para essa confiança. SEAR – Nota total do questionário de satisfação sexual. NGRAVIDE – Número de gravidezes. Recorreu-se ao método stepwise dado.QUADRO 7 Correlações entre a escala de satisfação com a intimidade das 52 mulheres que mantêm vida sexual activa e as variáveis demográficas e de saúde SESXRS IDADE ESCOLA NFILHOS NGRAVIDE FREQSEXU FREQEPIS TEMPO GRAU UDI SMENTAL SFISICO -0. Em geral.27* -0.2% das mulheres são casadas/união de facto. Este resultado está de acordo com a afirmação de Dugan et al.39** 0. O valor de variância mais elevado é o domínio da satisfação e confiança nas relações sexuais.27* 0. ESCOLA – Escolaridade.41** Legenda: * Correlação significativa ao nível 0. DISCUSSÃO Os resultados mostram que as mulheres do estudo convivem com a IU há muito tempo e que no que respeita à prática sexual elas se ajustam de modo satisfatório. é modesta. GRAU – Qual o grau de IU percebido. a variância de cada uma das variáveis dependentes explicada pelas variáveis independentes incluídas na equação. Análise de regressão linear múltipla entre as variáveis demográficas.29* 0.

activa e 0. Se compararmos a idade das mulheres casadas/união de facto com vida sexual activa com as que não têm vida sexual activa verificamos que há diferenças estatisticamente significativas. FREQSEXU – Frequência de relações sexuais.12 0. dado que o desenvolvimento demográfico mostra o envelhecimento da população e que a IU cresce com o aumento da idade.33(0.. S. A. SEXRG – Domínio do relacionamento com o companheiro em geral. GRAU – Qual o grau de IU percebido.. IDADE – idade.001). Diuguid. M.47(0.28 Legenda: SESXRS – Domínio das relações sexuais.94 (t(67)=3. Estes dois grupos não se diferenciam de modo estatisticamente significativo quanto aos sintomas consoante o UDI e consoante a percepção do grau de gravidade da IU. com as que têm vida activa com M=55.03) 0. REFERÊNCIAS Althof.05) 0.QUADRO 8 Análise de regressão linear múltipla entre as variáveis demográficas e de IU e as dimensões de satisfação com a relação sexual SESXRS Beta (p) IDADE ESCOLA FREQSEXU TEMPO GRAU UDI SMENTAL S FISICA R2 ajustado SEXAE Beta (p) SEXRG Beta (p) SEARS Beta (p) 0.... Shpilsky. SEARS – Nota total do questionário de satisfação sexual.44 (0. Neste estudo não se pode tirar ilações sobre a 312 direccionalidade da influência entre estas duas variáveis.24(0. SEXAE – Domínio da auto-estima.38(0.006) -0. Treatment responsiveness of the self-esteem and relationship questionnaire in erectil dysfunction. ESCOLA – Escolaridade. (2003). J.001) 0. SFISICO – Percepção de saúde física. é importante o estudo não só de como melhorar os sintomas de IU.27(0.21 0. que melhor explica essa satisfação. principalmente se a isso se juntar a IU.88 anos de idade e as que não têm M=64. Urology. enquanto a percepção de saúde mental mostra ser a variável. S. V.33(0. 61 (5). Um resultado importante é a constatação que a percepção de saúde física não explica a satisfação com a prática sexual. nomeadamente na vida sexual. Dado que a IU é um problema que afecta quase um terço da população. UDI – Número de sintomas de IU. Ou seja pode aceitar-se como natural uma redução da vida sexual com o aumento da idade. Stecher.. SMENTAL – Percepção de saúde mental. sugerindo que o trabalho psicológico poderá ter efeitos positivos nesse ajustamento.0001) 0. Este resultado aponta para a importância do ajustamento das mulheres à condição de IU. das estudadas. Os estudos sobre a relação entre IU e satisfação sexual não são frequentes.005) 0. dado que a expectativa de saúde é um conceito que se tem desenvolvido a par com a expectativa de vida e que a vida sexual é uma dimensão importante na saúde das pessoas. mas parece claro que elas andam juntas e que se uma melhorar a outra também melhora. Fica a questão do papel da IU nessa redução. & Duttagupta.64. p<0.34 0. Cappeleri.3% têm vida sexual activa fora do casamento/relação de facto.006) -0. TEMPO – Há quanto tempo tem IU. C. . 888-892. Sweeney. mas igualmente como as ajustar a esta situação.

Berglund, A.-L., & Fugl-Meyer, K. (1996). Some sexological characteristics of stress incontinence women. Scandinavian Journal of Urology and Nephrology, 30, 207-212. Cappeleri, J., Duttagupta, S., Shpilsky, A., Diuguid, C., Stecher, V., Sweeney, M., & Althof, S. (2002). Correlations between the erectile dysfunction inventory of treatment satisfaction (EDITS) and self-esteem and relationship (SEAR) questionnaire following treatment with viagra (sildenafil citrate): Results from a multicenter open-label study. Quality of Life Research, 11 (7), 668. Dugan, E., Cohen, S., Robinson, D., Anderson, R., Preisser, J., Suggs, P., Pearce, K., Poehling, U., & McGann, P. (1998). The quality of life of older adults with urinary incontinence: Determining generic and condition-specific predictors. Quality of Life Research, 7, 337-344. Krause, C., Wells, T., Hughes, S., Brink, C., & Mayer, R. (2003). Incontinence in women: effect of expectancy to regain control and severity of symptoms on treatment outcomes. Urologic Nursing, 23 (1), 54-61. Hagglund, D., Walker-Engstrom, M., Larson, G., & Leppert, J. (2001). Quality of life and seeking healp in women with urinary incontinence: A populationbased study. Acta Obstectricia and Gynecologica Scandinavica, 80, 1051-1055. Lalos, O., Berglund, A., & Lalos, A. (2001). Impact of urinary and climateric symptoms on social and sexual life after surgical treatment of stress urinary incontinence in women: a long-term outcome. Journal of Advanced Nursing, 33 (3), 316-327. Laumann, E. O., Paik, A., & Rosen, R. C. (1999). Sexual dysfunction in the United States: prevalence and predictors. The Journal of the American Medical Association, 281 (6), 537-544. NIH Consensus Statement (1988). Urinary Incontinence in adults. National Institute of Health Consensus Statement, 7 (5), 1-32. O’Conor, R., Johannesson, M., Hass, S., & Kobelt-Nguyen, G. (1998). Urge incontinence: Quality of life and patients’ valuation of symptom reduction. Pharmacoeconomics, 14 (5), 531-539. Pais Ribeiro, J. (2005) O importante é a saúde: Estudo de adaptação de uma técnica de avaliação do Estado de Saúde – SF-36. Lisboa: Fundação Merck Sharp & Dohme. Pais Ribeiro, J., & Raimundo, A. (2004). Estudo de adaptação da escala de satisfação com o relacionamento íntimo (em preparação). Stach-Lempinen, B., Kujanson, E., Laippala, P., & Metsanoja, R. (2001). Visual analogue scale, urinary incontinence severity score and 15D – Psychometric testing of three different health-related qualityof-life instruments for urinary incontinent women. Scandinavian Journal of Urology and Nephrology, 35, 476-483.

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RESUMO A incontinência urinária (IU) é um problema comum entre as mulheres de quase todas as idades. O problema de higiene associado ao conceito de IU tem impacto na vida do dia a dia das mulheres, na sua percepção de saúde e qualidade de vida e na vida sexual, nomeadamente na satisfação sexual. O objectivo do presente estudo era descrever as relações entre variáveis demográficas, variáveis clínicas relacionadas com a IU, percepção de saúde e satisfação sexual. Participaram 93 mulheres com diagnóstico de IU. Responderam a um conjunto de questionários que incluíam variáveis demográficas, variáveis relacionadas com a IU (duração da IU, frequência da perda de urina, percepção da gravidade da IU), à versão portuguesa do Urogenital Distress Inventory, de Dugan et al. (1998), do Self-Esteem and Relationship Questionnaire, de Cappeleri et al. (2002), e o SF-8, uma forma reduzida do SF-36 desenvolvido por Ware et al. (1993). Os resultados mostram que a idade, a escolaridade, o tempo de existência de sintomas, sintomas de IU segundo o UDI, frequência de relações sexuais e percepção de saúde mental são as variáveis que descrevem melhor a satisfação com as relações sexuais. A análise de regressão linear mostra que as variáveis que permanecem na equação e que explicam a variância da satisfação sexual são a escolaridade, a frequência de relações sexuais e a saúde mental (mais escolaridade, mais relações sexuais e mais educação), com particular relevância para a saúde mental. Os resultados sugerem que o apoio psicológico visa a melhoria da saúde mental e pode contribuir para um melhor ajustamento em geral e à IU em particular. Palavras-chave: Incontinência urinária em mulheres, percepção de saúde, satisfação sexual.

ABSTRACT Urinary incontinence (UI) is a common problem among women of nearly all ages. The hygienic problem of UI impacts health perception or quality of life, sexual life satisfaction with sexual life. The aims of the present study were to describe the relationships between demographic variables, clinical variables related with IU (length of symptoms, frequency of urinary leakage, perception of severity of IU), health perception and sexual satisfaction. 93 women with a diagnostic of UI respond to the Urogenital Distress Inventory by Dugan et al. (1998), the Self-Esteem and Relationship Questionnaire by Cappeleri et al. (2002), and the SF-8, a reduced form of the

313

SF-36 developed by Ware et al. (1993). Result shows that age, education, clinical data of IU (length of symptoms, perception of severity of IU), and symptoms of IU are statistically related with health perception and sexual satisfaction. Multiple linear regression shows that variables that explain best sexual satisfaction are mental health, frequency of sexual activity and edu-

cation (more sexual activity, more education and better mental health are related with better sexual satisfaction). Results suggest that psychological support visa mental adjustment can contribute to better adjustment to UI. Key words: Urinary incontinence in women, health perception, sexual satisfaction.

314

Análise Psicológica (2005), 3 (XXIII): 315-322

A identidade (homo)sexual e os seus determinantes: Implicações para a saúde
HENRIQUE PEREIRA (*) ISABEL PEREIRA LEAL (**)

Nos últimos anos, temos assistido a uma notória mudança no que diz respeito ao modo como se tem lidado com os assuntos relacionados com a população homossexual. Desde que a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade dos seus critérios de diagnóstico das doenças mentais em 1973, e desde que a maior parte dos governos ocidentais “despatologizou” as identidades gay, lésbica e bissexual, produzindo legislação protectora, que se criou uma nova legitimidade relativamente à expressão cultural destes indivíduos. No entanto, verifica-se uma grande décalage entre as mudanças legislativas e de enquadramento de saúde mental (que são positivas) e a legitimidade social, representada pelos estereótipos e discriminação que ainda são marcantes nas nossas sociedades. O entendimento dos processos de construção da Identidade Sexual traz consequências muito importantes na prática da Psicologia e das Ciências da Saúde. De facto, há um conjunto de pedidos na prática clínica em que a falta de compreensão destes assuntos pode comprometer um apoio

psicológico eficaz. Deste modo, importa explicar como se constrói a identidade homossexual e compreender os seus determinantes para tal não acontecer.

A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE (HOMO)SEXUAL

O processo de construção da identidade é um processo de auto-classificação no qual o indivíduo reconhece e aplica um rótulo (Mondimore, 1998). No entanto, a aprendizagem e a aplicação desse rótulo leva muitas vezes ao confronto com a negatividade. Por esta razão, a questão “sou homossexual?”, é muitas vezes respondida com muita ansiedade, dado que a qualidade da resposta terá implicações directas em todos os aspectos da vida do indivíduo, incluindo a sua saúde. Existe muita especulação e diferentes pontos de vista relativamente ao modo como os indivíduos que se identificam como homossexuais (gays ou lésbicas). Neste processo, o coming out1 é um fenómeno central, pois envolve um conjunto de transformações intra e interpessoais que levam

(*) Universidade da Beira Interior. (**) Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa.

1 Por não existir nenhum vocábulo na Língua Portuguesa que expresse o sentido integrado de coming out, recorre-se ao termo original na Língua Inglesa.

315

passando para uma aceitação privada da identidade. e eventualmente uma abertura total. As etapas são as seguintes: (in)compatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais. pode ser centrada no sexo (identificação homossexual após os primeiros contactos homossexuais) ou centrada na identidade (identificação homossexual sem contactos sexuais prévios) (Dube. tendo em conta as experiências significativas materializadas pelos determinantes sócio-culturais. os indivíduos poderão tolerar a sua identidade homossexual (com baixos níveis de homofobia internalizada). Hunter. de acordo com os autores. mas distintas como a fantasia. tendo em conta as experiências significativas materializadas pelos determinantes sócio-culturais. 2001). . Do confronto com novas experiências significativas poderá haver uma aceitação privada integrada da identidade. Do confronto com novas experiências significativas poderá haver uma aceitação privada integrada da identidade. Do confronto com novas experiências significativas poderá haver uma aceitação privada integrada da identidade. que propõe que o constructo deve compreender quatro componentes distintos: o sexo biológico (tal como é geneticamente determinado). por causa da sua sexualidade. Apresentamos um modelo de identidade homossexual que parte da concepção de identidade sexual de Shively e DeCecco (1977/1993). A IDENTIDADE (HOMO)SEXUAL E A SAÚDE As várias dimensões associadas ao processo de construção identitária têm sido correlacionadas com um conjunto de factores ligados à saúde física e psicológica. confusão identitária. O modelo da identidade homossexual que propomos explica quatro trajectórias identitárias possíveis. consoante a existência de um conjunto de determinantes sócio-culturais. passando para uma aceitação privada da identidade. a identidade do género (a convicção de cada indivíduo como sendo homem ou mulher). Gwadz & Smith. que ao diminuírem possibilitam uma aceitação privada da identidade. as atitudes negativas estão ligadas ao sexo desprotegido. reconhecimento da diferença.ao reconhecimento da identidade sexual (Davies. tendo em conta as experiências significativas materializadas pelos determinantes sócio-culturais. tendo em conta as experiências significativas materializadas pelos determinantes sócio-culturais. os indivíduos poderão tolerar a sua identidade homossexual (com baixos níveis de homofobia internalizada). por causa da sua sexualidade. os indivíduos poderão reagir com confusão identitária. 1996). 316 Terceira trajectória: partindo duma incompatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais e de um reconhecimento da diferença. e eventualmente uma abertura total. os papéis sexuais sociais (definidos pelo conjunto de características socialmente associadas ao feminino e ao masculino). O comportamento homossexual desempenha um papel importante no processo de identificação homossexual na medida em que. aceitação privada e integrada da identidade e abertura total. os indivíduos poderão passar imediatamente a uma aceitação privada da identidade. 2000). a ansiedade e o sexo desprotegido (Rosário. Maguen. Quarta trajectória: partindo duma incompatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais e de um reconhecimento da diferença. Os mais comuns são a auto-estima. aceitação privada da identidade. e eventualmente uma abertura total. tendo em consideração dimensões tão importantes. a sequência através da qual os indivíduos reconhecem as suas atracções homoeróticas. De facto. Do confronto com novas experiências significativas poderá haver uma aceitação privada integrada da identidade. e eventualmente uma abertura total. e a orientação sexual (inclinação afectivo-sexual que um sujeito exerce face a outro de sexo oposto ou do mesmo sexo. o desejo e o comportamento). As quatro trajectórias são as seguintes: Primeira trajectória: partindo duma compatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais e de um reconhecimento da diferença por causa da sua sexualidade. tolerância identitária. na medida em que essas actividades são associadas a uma não identificação homossexual com abertura total. Segunda trajectória: partindo duma compatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais e de um reconhecimento da diferença por causa da sua sexualidade. seguindo-se a tolerância identitária com elevados níveis de homofobia internalizada.

Apesar de as pesquisas sistemáticas dos efeitos da não-aceitação identitária serem escassas, os psicólogos têm-na correlacionado com muitos resultados adversos no que diz respeito à saúde mental e física. Meyer e Dean (1998) demonstraram que a não consolidação identitária poderia ser encarada como um factor preditivo para problemas de saúde mental, problemas de intimidade e comportamentos de risco em relação ao VIH/SIDA. A existência de homofobia internalizada pode ser encarada como um entrave para a chegada às etapas finais do modelo proposto, na medida em que induz a confusão identitária, a tolerância e a não-aceitação. Assim, podemos afirmar que as associações entre homofobia internalizada e infecção pelo VIH resultantes da ocorrência de comportamentos sexuais de risco e abuso de substâncias (Jurek, 1999) estão igualmente relacionadas com a não identificação homossexual. Os estudos em relação ao comportamento de risco face ao VIH/SIDA têm mostrado uma relação inconsistente entre homofobia internalizada, afiliação comunitária e comportamento de risco (Sandfort, 1995). De facto, no nosso estudo sobre homofobia internalizada e comportamentos para a saúde (Pereira & Leal, 2002) com uma amostra de homens homossexuais, verificou-se que os sujeitos com maiores níveis de homofobia internalizada tinham mais comportamentos para a saúde quando se consideravam dimensões internas e globais de percepção do estigma, mas menos comportamentos para a saúde quando se tinha em conta a dimensão externa, corroborando a ideia de que as etapas finais de identificação com o rótulo implicam a interiorização do estigma. Assim, se pensarmos que a não identificação identitária está intimamente ligada a factores de inibição psicológica, pode-se adivinhar uma relação entre a mesma e resultados de saúde física e psicológica, dos quais a progressão em relação ao VIH e a sintomatologia psicossomática são apenas alguns exemplos (S. W. Cole, M. E. Kemeny, S. E. Taylor & B. R. Visscher, 1996).

OUTROS DETERMINANTES NA CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA

A pesquisa levada a cabo nos últimos cinquenta anos tem revelado que os estilos parentais têm

um grande impacto no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes (Parish & McCluskey, 1992). Neste sentido, a influência dos pais e dos familiares sobre o processo de construção da identidade homossexual será seguramente importante. Savin-Williams (1990) por exemplo, refere que as lésbicas se sentem mais confortáveis com a sua própria orientação sexual quando ambos os pais aceitam a sua homossexualidade, havendo maior atribuição da importância à aceitação da mãe do que à aceitação do pai. A reacção dos pais à homossexualidade dos seus filhos é, muitas vezes imprevisível, o que nem sempre facilita o coming out, devido, sobretudo a uma antecipação da rejeição, facto este que pode colocar stress acrescido à relação pais/filhos (Cramer & Roach, 1988). Por outro lado, os jovens homossexuais provenientes de famílias com valores morais mais tradicionais revelam-lhes menos a sua homossexualidade do que os jovens provenientes de famílias com valores morais menos tradicionais (Newman & Muzzonigro, 1993). Armesto e Weisman (2001) estudaram os factores que contribuem para a rejeição parental dos jovens homossexuais tendo demonstrado consistentemente que quanto maior fosse a percepção dos pais para controlar a homossexualidade dos seus filhos e quanto maior fosse a propensão para se sentirem envergonhados por causa deles, maior seria a sua probabilidade de reagiram negativamente. Elizur e Ziv (2001) argumentam que a existência de uma família heterossexista ou demasiado protectora representa um factor de risco para o desenvolvimento identitário das pessoas homossexuais. Para os autores, são factores preditivos de uma boa adaptação psicológica as seguintes variáveis: apoio familiar, aceitação familiar e conhecimento da homossexualidade no seio familiar. No entanto, alguns estudos suscitam uma reflexão mais aprofundada sobre este assunto, uma vez que é possível que a abertura familiar possa ter um impacto negativo. D’Augelli, Hershberger e Pilkington (1998) referem que os jovens que informam os seus familiares acerca da sua orientação sexual registam maior abuso físico e verbal por parte desses mesmos familiares e maior suicidalidade do que aqueles que não informam. A Investigação com homens homossexuais com 317

SIDA (Kadushin, 1996) e com casais gays e lésbicos (Kurdek, 1988), demonstrou que os amigos são percepcionados como fornecedores de apoio social mais importantes do que a família. De facto, quase todos os modelos de identidade prevêem um papel primário para o apoio dos amigos ou do apoio comunitário, sendo inclusive comum dentro da comunidade homossexual o recurso à expressão “família de escolha” (Weston, 1991) na medida em que fornece uma compensação do apoio que a família real não quer ou não pode dar.

Material O questionário de Identidade Homossexual foi construído e validado no presente estudo e é constituído por 21 itens que abrangem as seguintes dimensões: (in)compatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais; reconhecimento da diferença; confusão identitária; tolerância identitária; aceitação privada; aceitação privada e integrada; e abertura total. Optou-se pela formulação de perguntas de resposta fechada, uma vez que este formato permite uma melhor codificação e um melhor tratamento dos dados. Por outro lado, optou-se pela medida das variáveis através de uma escala nominal (ou categorial), com apenas duas categorias: verdadeiro ou falso. Os dados resultantes do preenchimento do questionário foram submetidos a uma análise factorial dos componentes principais com rotação Varimax (variância explicada de 60%) e depois de submetidos a uma análise da sua consistência interna, obteve-se um alpha de 0.6819.

MÉTODO

Participantes A amostra é constituída por 805 indivíduos que se identificaram como homo ou bissexuais e que utilizam a Internet. Na Tabela 1 podem ver-se mais detalhadamente as suas características demográficas.

TABELA 1 Número de sujeitos Homens Mulheres Idade (média) Proveniência geográfica N=805 (100%) 714 (88,7%) 91 (11,3%) 30,5 anos Não respondem – 3,2% Grande Lisboa e Grande Porto – 60,2% Resto do País – 22,2% Brasil e Outros Países – 14,3% Baixo/Médio-Baixo – 10,3% Médio – 47,3% Médio-Alto/Alto – 42,4% Até 12 anos – 24,8% Formação superior – 75,2% Não responde – 1,2% Homossexual – 80,2% Bissexual – 18,6%

Estatuto Socio-Económico

Escolaridade

Orientação Sexual

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Procedimentos A recolha da amostra para foi concretizada pelo recurso à Internet. O questionário esteve disponível num endereço electrónico entre os meses de Julho e Novembro de 2003. O site foi visitado por cerca de dez mil utilizadores da Internet. Destes, 805 completaram com sucesso o instrumento. A publicitação do site foi efectuada através de vários meios, nomeadamente pela inscrição em comunidades virtuais, pelo envio de e-mail a mailing lists de grupos temáticos, e pela participação em portais de temática homossexual, recrutando participantes na sala de conversação de Portugal. Todos os procedimentos éticos associados à investigação psicológica mais tradicional foram preservados. Análise Estatística Primeiramente, submeteram-se os itens do Questionário de Identidade Homossexual a uma análise factorial dos componentes principais com rotação Varimax. Seguidamente, submeteram-se os itens a uma análise de frequências. Para averiguar as diferenças entre grupos de comparação, constituíram-se novas variáveis, resultantes do somatório das possibilidades de respos-

ta para cada dimensão do questionário de Identidade Homossexual e consequente transformação em variáveis dicotómicas. Esta transformação resultou da necessidade de aplicação de tabelas de contingência do Qui-quadrado para procurar diferenças significativas entre as variáveis principais e as secundárias. O critério de decisão de rejeição ou não da Hipótese Nula (Ho = Não existem diferenças significativas) foi de acordo com um alpha de 0.01. Resultados Relativamente às variáveis principais (constituintes do modelo de Identidade Homossexual) obtiveram-se os resultados apresentados na Tabela 2. Relativamente às variáveis secundárias, obtiveram-se os resultados apresentados na Tabela 3. Da análise comparativa, revelaram-se mais significativos os seguintes resultados: se para cada uma das dimensões propostas no modelo, as variáveis “apoio dos amigos”, “força do self”, “auto-estima”, “número de parceiros”, “qualidade de relacionamentos”, “gratificação sexual” e “discriminação indirecta”, estavam positivamente correlacionadas com etapas mais desejadas em termos

TABELA 2

DIMENSÃO INCOMPATIBILIDADE RECONHECIMENTO DA DIFERENÇA CONFUSÃO IDENTITÁRIA TOLERÂNCIA IDENTITÁRIA ACEITAÇÃO PRIVADA ACEITAÇÃO PRIVADA E INTEGRADA ABERTURA TOTAL Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com Sem Com

% 83,1 16,9 55,0 45,0 69,9 30,1 63,6 36,4 11,8 88,2 2,5 97,5 65,5 34,5

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5% Não – 7. Importa aprofundar a variável “apoio familiar”.3% Não – 24.9% Sim – 84. “discriminação directa”.7% Não – 13.3% de uma aproximação final a uma identidade integrada.8% Sim – 86.2% Poucos – 51.4% Não – 19.8% Sim – 92. Os sujeitos sem apoio familiar apresentaram menores níveis de incompatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais e reconheceram menos que são diferentes por causa da sua sexualidade. Os sujeitos que tiveram experiências directas de discriminação apresentaram menores níveis 320 de abertura total.8% Sim – 80.9% Sim – 42.4% Não – 37.1% Não – 69. Os sujeitos sem sentido de pertença ideológica apresentaram menores níveis de tolerância identitária e maiores níveis de aceitação privada. apresentaram menores níveis de tolerância identitária.5% Sim – 75. Os sujeitos que têm preocupações de saúde por causa da sua sexualidade apresentaram menores níveis de abertura total. se por um lado parece . mas menor reconhecimento de serem diferentes por causa da sua sexualidade. “preocupações com a saúde” e “afiliação religiosa/ideológica”.6% Sim – 30. na medida em que.3% Muitos – 48.2% Não – 82. tal não foi o caso. já para as variáveis “apoio familiar”. o mesmo não aconteceu para a dimensão abertura total. No entanto. DISCUSSÃO Os resultados obtidos corroboram a noção da importância dos factores sócio-culturais que condicionam a expressão da identidade homossexual.7% Sim – 77. na medida em que os sujeitos sem apoio familiar apresentaram também menos abertura.2% Não – 15.TABELA 3 Apoio Familiar Apoio de Amigos Força do Self Auto-Estima Número de Parceiros Relacionamentos Significativos Relações Sexuais Gratificantes Experiências de Discriminação Directa Experiências de Discriminação Indirecta Preocupações de Saúde Pertença a um grupo ideológico/filosófico/religioso organizado Não – 57.6% Sim – 62.1% Não – 22. e apresentaram maiores níveis de aceitação privada.7% Sim – 17.

Thousand Oaks. P. (2001). I. Gay and Lesbian Youth: Expressions of Identity. (1990).).. Gwadz. D. G. CA: Sage. O modelo que aqui se apresentou procura responder às limitações avaliadas desde um ponto de vista social construccionista dentro da Psicologia e das Ciências da Saúde. B. S. Y. 2947. R. Hunter. Family support and acceptance. Garnets. Kurdek. lesbian. and psychological adjustment: A path model.. G. M. C..condicionar negativamente o processo de construção de uma identidade integrada. (1988). (2001). & Leal.. 28 (109). No entanto. Components of Sexual Identity. Taylor. Family Process. 60 (6-B). J. and Sexual Behavior among Gay and Bisexual Men. Cramer... E. T. 504-509. L. A. (1998). (1996). Gay men with AIDS and their families of origin: An analysis of social support. (1992). F. Jurek. Journal of Personality and Social Psychology. (1993). 68. A. gay male identity formation. E. & Weisman. 141-149. Pink Therapy – A Guide for Counsellors and Therapists working with lesbian. American Journal of Orthopsychiatry. & DeCecco. In D. S. J. 125-145. o objectivo de servir como um agente de mudança social e de integração científica.. The effects of traditional familiy values on the coming out process of gay male adolescents. (2001). Afinal. de todos os participantes da amostra. & DeCecco. 361-371. Meyer.. o conceito de identidade sexual são constructos que continuarão a sofrer mudanças. A homofobia internalizada e os comportamentos para a saúde numa amostra de homens homossexuais. Kimmel (Eds. M. & Smith. In G. D. Internalized Homophobia. Portanto. (1996). Health and Social Work. influenciarão o modo como as pessoas constroem a sua identidade. Cole.. Pereira. Gay and Bisexual youth and their families: Disclosure of sexual orientation and its consequences. D. New York: Hemisphere Publishing Corporation. 21. (1998). A. B. Maguen. J. J. Kadushin. 27 (109). P. Elizur.. Buckingham: Open University Press. Kemeny. Adolescence. & Dean.. 243-251. E. Davies. Herek (Ed.. (1988). Una Historia Natural de la Homosexualidad. Mondimore. Assumiu-se. 80-88). Familiy Process. Shively. 20 (1). & Roach. A sexualidade humana e. C. 15 (4). logo. o papel da psicologia e das ciências da saúde deverá ser o de compreender e aceitar as pessoas que se identificam como não-heterossexuais e trabalhar para uma sociedade que lhes possibilite uma expressão identitária em liberdade. J. Coming out to mom and dad: a study of gay males and their relationships with their parents. & Visscher. 40 (2). Dube. 3 (1). (1993). M. 915-018.. L. The relationship between parenting styles and young adults’ self-concept and evaluations of parents.. Components of Sexual Identity. R. I.). & Muzzonigro. & Ziv. P. Rosario. Hershberger. 29 (1). nem tão pouco a necessidade de continuar a relacioná-lo com a saúde. (1999). R. Dissertion Abstracts International: Section B – The Sciences and Engineering. particularmente. Chichester. In L. (1996).).. que também mostrava que os sujeitos sem apoio familiar também tinham menos abertura total. REFERÊNCIAS Armesto. M. 321 . cerca de 58% não o têm. & McCluskey. 15. (2000). NY: Columbia University Press. M. Stigma and Sexual Orientation. American Journal of Community Psychology. & C. A proposta de um modelo de construção da identidade homossexual não se esgota aqui. M. and bisexual youths: Stipulation and exploration of a model. Davies. 54. tais são os condicionalismos de ordem cultural que determinam interacções diferentes e. Lesbian. Attributions and emotional reactions to the identity disclosure (‘coming out’) of a homosexual child. M. H. Psychological perspectives on lesbian and gay male experiences (pp. N. gay and bisexual clients. 145-162. Homophobia and Heterosexism. Adolescence. (2002). Journal of Homosexuality. 41-48 Shively. S. Savin-Williams. os resultados obtidos chamam a atenção para a importância dos determinantes sócio-culturais que ainda continuam a influenciar o bem-estar dos indivíduos. & D. G.. Análise Psicológica. Psychosocial factors predicting high risk sexual behavior in hiv negative gay men (immune deficiency). 213-226. Intimacy. Journal of Homosexuality. Health Psychology.. confirmada pelo resultado para a variável abertura total. 107-113. 37 (2). 79-91. H. & Pilkington. Barcelona: Paidós Newman. S. The role of sexual behavior in the process of gay and bisexual males. Neal (Eds. Perceived social support in gays and lesbians in cohabitation relationships. The Journal of Sex Research. R. 133-161. W. 123-133. The coming-out process and its adaptational and health-related associations among gay. (1998). Parish. (1977). D’Augelli. por outro verifica-se que. M. adivinha-se aqui uma antecipação da rejeição.. 40 (2). Elevated Physical Health Risk Among Gay Men who conceal their Homosexual Identity. portanto.

and how a positive formation has direct implication to physical and psychological health. São também exploradas as implicações de uma construção positiva da identidade para a saúde física e psicológica. health. recta”. and “indirect discrimination”. É apresentado um modelo de construção da identidade homossexual baseado em sete fases: a (in)compatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais. delineou-se uma investigação com a participação de 805 indivíduos que responderam ao questionário de identidade homossexual. Apresentaram-se negativamente correlacionadas as seguintes variáveis: “apoio familiar”. RESUMO Este artigo tem como objectivo fornecer um enquadramento explicativo do modo como os indivíduos que se identificam como homossexuais constroem a sua identidade e como a construção de uma identidade positiva tem implicações para a saúde. private and integrated acceptance. “self-esteem”. Implications for physical and psychological health derived from a positive identity formation are also explored. bem como os determinantes a ela associadas. 322 . “strength of self”. and “religious/ideological affiliation”. a aceitação privada e integrada e a abertura total. “health concerns”.Weston. saúde. “gratificação sexual” e “discriminação indirecta”. kinship. 805 individuals participated in the study by answering to the homosexual identity questionnaire. “preocupações com a saúde” e “afiliação religiosa/ideológica”. “discriminação diABSTRACT This article aims to supply an explanatory framework to the manner self-identified homosexual individuals form their identity. identity confusion. verificaram-se como determinantes correlacionados com uma boa construção da identidade. (1991). “sexual gratification”. Key words: Homosexual identity. The following presented negative correlations: “support of relatives”. private acceptance. determinantes. recognition of being different. a confusão identitária. a tolerância identitária. as seguintes variáveis: “apoio dos amigos”. A model of homosexual identity is presented based on seven phases: (in)compatibility of understanding social sexual role. Procurando dar corpo metodológico a este objectivo. o reconhecimento da diferença. identity tolerance. “auto-estima”. From the results obtained. correlated to a positive identity formation are: “support of friends”. “direct discrimination”. “número de parceiros”. K. “qualidade de relacionamentos”. “quality of relationships”. “força do self”. determinants. Palavras-chave: Identidade homossexual. Families we choose: lesbians. gays. “number of partners”. New York: Columbia University Press. and total disclosure. Dos resultados obtidos. a aceitação privada.

1998:161) – consiste na canalização para o self do próprio homos-sexual de todas as atitudes de valor negativas. Estabelecer medidas para a homofobia internalizada e sua operacionalização não tem sido fácil. Logicamente. mais abrangentemente. «o conceito de homofobia internalizada reveste-se de extrema importância no âmbito da Psicologia. Nestas circunstâncias. em relação à existência humana no seu todo. 3 (XXIII): 323-328 Medindo a homofobia internalizada: A validação de um instrumento HENRIQUE PEREIRA (*) ISABEL PEREIRA LEAL (**) Muitos homens e mulheres homossexuais vêem-se confrontados com um conflito entre os seus sentimentos e os valores e as normas sociais no que diz respeito à sexualidade. sobretudo devido à não-clarificação de conceitos relevantes (por exemplo. da psicopatologia. Williamson. Outra das grandes dificuldades tem a ver com a dúvida em relação à dimensão de abertura da homossexualidade de alguém como uma medida válida de homofobia internalizada. nas áreas do desenvolvimento. intimidade e. Dean. o não revelar da sua homossexualidade pode ser um processo adaptativo particularmente válido para aqueles que vivem em locais isolados e não podem ter acesso a in323 . 2000). 2000). Lisboa. Como argumenta Shidlo (citado por Williamson. com isso. avaliar o risco de indivíduos e grupos. bem (*) Universidade da Beira Interior. & L. citado por I. auto-estima) e a falta de diferenciação tradicional entre a homofobia inter-nalizada e consequências intra-psíquicas ou comportamentais. Por um lado. resultando em conflitos internos e pouca auto-estima.Análise Psicológica (2005). (**) Instituto Superior de Psicologia Aplicada. 1992. 2000). mas a literatura indica que alguns gays que se sentem bem com a sua homossexualidade vêem a comunidade gay como um lugar hostil e agressivo e também preferem não assumir a sexualidade num ambiente anti-homossexual de violência e vitimização como é a sociedade geral (Herek & Berril. torna-se muito importante a existência de escalas psicométricas fiáveis que meçam níveis de homofobia internalizada para. psicoterapia e prevenção». Meyer. tais como dificuldades de intimidade ou depressão (I. A homofobia internalizada – tal como foi definida por Meyer e Dean (I. como o sucesso de intervenções terapêuticas ou preventivas. pois permite a compreensão de factores únicos da comunidade gay e lésbica. o assumir da sexualidade (coming out) e o desenvolvimento de uma identidade gay bem integrada. Williamson. levando à desvalorização desse self. podem ser indicadores válidos de reduzida homofobia internalizada.

surgiram alguns instrumentos que não contemplam estas diferenças de uma maneira clara. Para tal. e crenças em relação à aceitação religiosa ou moral da homossexualidade. Williamsom. Quem me dera não ser gay/bissexual. desde há 30 anos.edu/ rainbow/html/ihpitems. a HI é vista pelos psicológos e psicoterapeutas afirmativos como uma etapa primária de um processo de desenvolvimento (I. e uma escala de abertura que media o grau de conforto com os outros sabendo que a sua homossexualidade era conhecida por eles (I. É importante fazer esta distinção. Apesar de tudo. tais como: afiliação à comunidade. Também desenvolvido a partir dos critérios de HED da DSM-III. & B. 9. Já tentei sentir mais atracção sexual por mulheres. Um total de 9 pontos representava ausência de homofobia internalizada na escala. 1996) descrevem uma série de associações significativas entre as dimensões estudadas e uma variedade de outras medidas. 2. atitudes face à homossexualidade per se. Williamson. Gostava de poder desenvolver mais sentimentos eróticos por mulheres. & L. R. À medida que o indivíduo assume a sua sexualidade. surgiu uma escala para medir a Homofobia Internalizada entre gays e foi desenvolvida por Ross e Rosser (M. As respostas cotavam as frequências com que os indivíduos tinham tido os pensamentos descritos na escala no ano prévio à realização da entrevista. constituída por nove itens. 2000). 2000). Rosser. W. 2000).ucdavis. Sinto que ser gay/bissexual limita-me a nível pessoal. que construiu uma escala de avaliação da homofobia internalizada. 5. S. 324 3. W. Tradicionalmente. 1996). Ross. surgiu o Instumento de Atitudes face à Homossexualidade de Nungesser – IAHN (Nungesser Homosexuality Attitudes Instrument – NHAI). 1998). a homofobia internalizada (HI) era vista como equivalente à Homossexualidade Ego-Distónica (HED). Rosser. Meyer.psychology. Mais recentemente. os níveis de HI baixem. S. O instrumento mais citado na literatura e que assenta nos critérios da HED é o de Ilan Meyer (I. Sinto-me alienado de mim próprio porque sou gay/bissexual. 6. Esta escala era muito mais extensa do que a de Meyer e compreendia três sub-escalas que representavam as atitudes do indivíduo face à sua própria homossexualidade. respondiam numa escala de tipo Likert que variava de muitas vezes (5 pontos) até nunca (1 ponto). Se me dessem a oportunidade de ser completamente heterossexual. pois possibilita análises quantitativas fundamentais ao estudo e prevenção de dificuldades na saúde. percepção do estigma associado ao ser gay. Estes autores sugeriram quatro dimensões relevantes para o constructo: identificação pública como sendo gay. há diferenças concretas que importa reforçar: a HED foi descrita como uma condição estática e as intervenções terapêuticas realizadas tinham como objectivo reverter a orientação sexual. & B. consequentemente. eu aceitaria. Por outro lado. Já tentei deixar de me sentir atraído por homens em geral. tal como vinha descrita na terceira edição do Diagnostic Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-III) da Associação Americana de Psiquiatria. A validade preditiva das sub-escalas “identificação pública” e “conforto social” parecia ser muito mais forte do que nas escalas de Meyer e Nungesser (I. Dean. Williamson.html): 1. 8. Gostaria de arranjar ajuda profissional para poder mudar a minha orientação sexual de gay/bissexual para heterossexual. apesar de serem conceitos semelhantes. 4. Sinto muitas vezes que é melhor evitar um envolvimento pessoal ou social com outros homens gays ou bissexuais. R. No entanto. Ross. o desenvolvimento de escalas que permitam o medir a Homofobia Internalizada é muito importante.fra-estruturas sociais afirmativas ou que têm famílias e amigos altamente homofóbicos. grau de conforto social com outros gays. Os nove itens da escala são os seguintes (tradução livre para homens a partir do original para mulheres – www. pois no desenvolvimento da pesquisa nesta área. é suposto que ocorra um ajustamento saudável e. MÉTODO A construção do instrumento de avaliação do . Ross e Rosser (M. relações duradoiras e satisfatórias e abertura pessoal e no local de trabalho. 7.

traduzida e adaptada do original. não é claro para muitos homens que o facto de terem um comportamento homossexual os torna. penso em situações negativas Sinto-me confortável ao ser visto em público com uma pessoa explicitamente gay Sinto-me confortável ao falar sobre homossexualidade num local público É importante para mim controlar quem sabe da minha homossexualidade A maioria das pessoas tem reacções negativas à homossexualidade A homossexualidade não é contra a vontade de Deus A sociedade ainda pune as pessoas por serem gays ou bissexuais Eu protesto se contarem alguma piada contra homossexuais na minha presença 17. em termos de identidade ou do comportamento. Não estou preocupado com que descubram que sou gay/bissexual 24. percepção do estigma associado à homossexualidade. no que diz respeito à identificação dos seus membros como homo ou bissexuais. isto é. 4. W. contemplou-se uma opção de resposta para quem não sabia ou não queria responder à pergunta sobre a sua orientação sexual. assegurando-se no entanto. Preocupo-me com o meu envelhecimento sendo homossexual/bissexual 18. A discriminação dos homossexuais ainda é comum 25. interessava-nos obter respostas de sujeitos homo ou bissexuais. 1996). com uma média de idades de 37 anos e a análise factorial produziu quatro factores de estudo: identificação pública como gay. 9. S. 5. 14. Homens homossexuais obviamente efeminados fazem-me sentir desconfortável Prefiro ter parceiros sexuais anónimos A vida seria mais difícil se eu fosse heterossexual A maioria dos meus amigos são homossexuais/bissexuais Não me sinto confiante para me ‘atirar’ a um homem Sinto-me confortável em bares gay Situações sociais com homens gays fazem-me sentir desconfortável Não gosto de pensar na minha homossexualidade/bissexualidade Quando penso em homens homossexuais/bissexuais. Esta distinção prende-se com uma dificuldade inerente à comunidade homossexual. Mesmo que pudesse mudar a minha orientação sexual. A homossexualidade é tão natural como a heterossexualidade PRÉ-TESTE No sentido de averiguar se haveriam dificuldades de compreensão ou erros de linguagem. Os itens da escala são os seguintes: 1. Para alcançar o maior número de pessoas ho325 . 3. que desenvolveram uma escala de avaliação da homofobia internalizada em quatro dimensões divididas por 26 itens. A maioria das pessoas não discrimina os homossexuais 21. R. 12. 11. 2. passou-se à fase de recolha da amostra. RECOLHA DA AMOSTRA 10. de facto. Por esta razão. Pronta a escala de avaliação em termos gráficos. homossexuais. foi passada uma escala a 10 sujeitos. Preferia ser mais heterossexual 20. & B. conforto social com homens gays. que havia contacto com outros homens. não mudava 26. a escala ficou terminada. Sinto-me confortável com a minha homossexualidade/bissexualidade 22. A homossexualidade é moralmente aceitável 23. 16. Com base nos vários items desta escala. A partir destes dados passou-se à fase da elaboração gráfica da escala. 8. construiu-se uma escala em português. 7. Rosser. cujo critério principal fosse o facto de terem relações sexuais com outros homens. 15. Ross. 6. recorrendo a uma notação do tipo Likert para as respostas dos sujeitos. 13. e aceitação moral e religiosa da homossexualidade. Emendados os erros e adaptadas as opiniões e as sugestões.presente estudo teve por base o trabalho levado a cabo por Ross e Rosser (M. Preocupo-me com o deixar de ficar atraente 19. Neste caso. Os referidos autores utilizaram uma amostra de 184 homens.

644 . prosseguimos com a recolha da amostra nos bares Bric-a-bar e Max (bares e discotecas gay).142 .645 .137 .248 -.284 1 2 total . O prazo de recolha dos questionários respondidos foi entre finais de Novembro de 2000 e princípios de Fevereiro de 2001. ordenados de acordo com as dimensões 1 e 2. O computador apresentou duas dimensões principais de acordo com os esquemas apresentados na Tabela 1. Assim. uma percepção interna e externa do estigma associado à homossexualidade. bissexuais ou apenas com comportamentos homossexuais. Seguidamente. 1999: 418) é um valor aceitável.147 .451 . Os restantes questionários (cerca de 60) foram obtidos através do método da bola de neve.394 .250 RESULTADOS Para avaliar a validade interna submetemos os 304 casos para os 26 itens ao α de Cronbach. eliminar os itens com menor correlação entre si e ver se o α de Cronbach aumentava.162 . pelo que se decidiu manter todos os itens. segundo Pestana e Gageiro (M.058 -. os itens foram.449 .222 .mo.263 -. Aqui foram recolhidos perto de 160 questionários.458 .132 . TABELA 1 Component Loadings Dimensão α de Cronbach Variância acumulada total (Eigenvalue) 4.302 .466 -.897* * α de Cronbach total baseado no Eigenvalue total item 1 item 1 item 2 item 3 item 4 item 5 item 6 item 7 item 8 item 9 item 10 item 11 item 12 item 13 item 14 item 15 item 16 item 17 item 18 item 19 item 20 item 21 item 22 item 23 item 24 item 25 item 26 Dimensão 1 .180 .123 .001 . o que.289 .328 -.231 . & J.029 . O total de questionários respondidos de modo válido foi de 304.647 -.397 .570 . H.633 7. no qual obtivemos o maior apoio de todos os seus membros e participantes.568 -.428 . Aqui foram recolhidos cerca de 100 questionários. recorreu-se a todos os meios da cidade de Lisboa que se tornaram possíveis. o α de Cronbach diminuiu.651 2.318 . submeteu-se as respostas a uma análise de correspondência – CATPCA (Principal Components Analysis for Categorical Data) para avaliar os factores (ou as dimensões) em jogo. verificou-se que os itens de cada uma delas remetiam para. O resultado obtido foi α = 0.298 .284 -.226 .422 .199 .075 -. por tentativa e erro.519 .482 .078 -.594 -.640 .592 . 326 . Foi ainda efectuada uma correlação de variáveis transformadas (Correlations Transformed Variables) para.7440.576 .091 .682 .506 . uma vez que se tratava de uma escala de tipo Likert. Gageiro.123 -. Pestana.446 . Analisadas as características conceptuais das duas dimensões.223 . O primeiro local tratou-se do Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa da Associação ILGA-Portugal. respectivamente.069 . Seguidamente. Eleminando esses itens.452 Dimensão 2 . N.816 .205 -.

Não me sinto confiante para me “atirar” a um homem item 6 .Sinto-me confortável com a minha homossexualidade/ bissexualidade item 22 .Preocupo-me com o meu envelhecimento sendo homossexual/ bissexual item 18 .A discriminação contra os homossexuais ainda é comum DISCUSSÃO Os dados obtidos devem ser interpretados tendo em conta que se baseiam numa amostra de homens homossexuais que frequentam o Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa.Preferia ser mais heterossexual item 21 . não se torna possível ga- rantir que seja representativa da população homossexual portuguesa.É importante para mim controlar quem sabe da minha actividade homossexual item 14 .Sinto-me confortável ao falar sobre homossexualidade num local público item 12 .Situações sociais com homens gays fazem-me sentir desconfortável item 8 .A maioria das pessoas não discrimina contra os homossexuais item 24 .A vida seria mais difícil se eu fosse heterossexual item 13 .Não estou preocupado com que descubram que sou gay/bissexual item 25 .A homossexualidade é tão natural como a heterossexualidade DIMENSÃO 2 Percepção externa do estigma associado à homossexualidade item 3 . bem como bares e discotecas de conotação homossexual em Lisboa.A maioria das pessoas tem reacções negativas à homossexualidade item 15 .74) sugerem que é possível medir a Homofobia Internalizada e classificá-la em duas dimensões distintas.A maioria dos meus amigos são homossexuais/bissexuais item 5 . penso em situações negativas item 10 .A homossexualidade é moralmente aceitável item 23 .Homens homossexuais obviamente efeminados fazem-me sentir desconfortável item 2 .A sociedade ainda pune as pessoas por serem gays ou bissexuais item 17 .Não gosto de pensar na minha homossexualidade item 9 .Sinto-me confortável ao ser visto em público com uma pessoa explicitamente gay item 11 .Prefiro ter parceiros sexuais anónimos item 4 . No entanto. não mudava item 26 . Por essa razão.Quando penso em homens homossexuais/bissexuais.A homossexualidade não é contra a vontade de Deus item 16 .Preocupo-me com o deixar de ficar atraente item 20 .DIMENSÃO 1 Percepção interna do estigma associado à homossexualidade item 1 .Sinto-me confortável em bares gay item 7 . sendo elas a Percepção Interna do Estigma face à Homossexua327 .Eu protesto se contarem alguma piada contra os homossexuais na minha presença item 19 .Mesmo que pudesse mudar a minha orientação sexual. a dimensão da amostra (n=304) e a boa validade interna (a=.

W.. H. 41-65). Análise de Dados para as Ciências Sociais. 97-107. obteve-se um alfa de Cronbach de 0. ABSTRACT In the present paper we refer to the methodological steps taken in order to validate an instrument of assessment of internalized homophobia. B. M. percepção do estigma. Williamson. tendo-se ainda averiguado a existência de duas dimensões envolvidas no instrumento: a dimensão interna da percepção do estigma e a dimensão externa da percepção do estigma. S.). Pink Therapy – A Guide for Counsellors and Therapists working with lesbian. Herek (Ed. gay and bisexual clients (pp. homosexuality. Palavras-chave: Homofobia internalizada. 15 (1).74. Davies. 160-186). 15-21.. (1996). (2000). (1998). Com uma amostra de 304 sujeitos. In D. N. referimos os passos metodológicos levados a cabo para validar um instrumento de avaliação da homofobia internalizada. With a sample of 304 subjects. stigma perception. Homophobia and Heterosexism. Buckingham: Open University Press. we got a Cronbach´s alpha of 0. Internalized Homophobia and health issues affecting lesbians and gay men. homossexualidade. Thousand Oaks. Intimacy. (1996). & Dean. (1999). & Gageiro. REFERÊNCIAS Davies.74.). L. I. and Sexual Behavior among Gay and Bisexual Men. & Rosser. Stigma and Sexual Orientation (pp. R. Ross. Pestana. Meyer. 52 (1). R. M. 328 . Lisboa: Ed.. Internalized Homophobia. CA: Sage. Sílabo. Journal of Clinical Psychology. D. RESUMO No presente trabalho. Key words: Internalized homophobia.lidade e a Percepção Externa do Estigma face à Homossexualidade. I. J. & C. Health Education Research – Theory and Practice. Measurement and Correlates of Internalized Homophobia: a Factor Analytic Study. having also established the existence of two different dimensions: the internal and external perception of the stigma. Neal (Eds. In G.

irá ge- neralizar-se. consequentemente. a variabilidade histórica e social do conceito de velhice exprime uma diversidade de valorizações que condicionam e são condicionados pela posição social dos indivíduos 329 . ENVELHECIMENTO (*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada. de resto. Tal fenómeno está associado a um declínio da fecundidade. verificando-se alguma preocupação e disponibilidade para os problemas da Geriatria e da Gerontologia. a velhice foi encarada de formas diversas. justificando-se. Portugal também tem experienciado grandes alterações na sua estrutura populacional.8% em relação ao total da população. ora venerada. Ao longo da História. Esta importância crescente dos idosos no panorama demográfico dos países desenvolvidos faz com que as questões que dizem respeito a esta faixa etária assumam uma pertinência cada vez maior. 2000) este fenómeno. cit. um conceito socialmente construído e não universal (Pereira. segundo Robert (1994. a qual fica reduzida na base e alargada no topo (Paúl. 2000). Ou seja. no âmbito das suas associações mútuas. 1988). Deste modo. 1997). cit. tem existido um efectivo aumento da população chamada de Terceira Idade nos países industrializados devido aos avanços da Medicina que permitiram um alargamento da esperança de vida nas últimas décadas (Santos & Trindade. por Fernandes. a abordagem psicológica desta etapa da vida torna-se fundamental (Paúl. 1997). 3 (XXIII): 329-339 A importância do exercício físico nos anos maduros da sexualidade RAQUEL ALMEIDA VAZ (*) NUNO NODIN (*) A partir da segunda metade do século XX tem vindo a assistir-se a um processo de envelhecimento demográfico nos países industrializados (Nazareth. Este aumento da esperança de vida é quase exponencial. estão de acordo com a respectiva organização social. 1999). Lisboa. Aliás. portanto. invertendo-se assim a forma da pirâmide das idades. 1997). variando consoante a cultura e a sociedade. analisadas no presente trabalho. prevendo-se. a um aumento da percentagem de idosos. como é o caso da sexualidade e da actividade física. o que leva a uma diminuição da percentagem de jovens e. segundo Natário (1991. aos países em vias de desenvolvimento. o estudo de temáticas que possam contribuir para o bem estar do idoso. a compreensão do significado social da velhice passa por analisar os valores de cada sociedade que. Deste modo. não se prevendo uma inversão. ora desprezada. que no ano de 2025 a proporção de pessoas com 65 ou mais anos seja de 17. Além deste aumento proporcional. É. por sua vez. de um modo progressivo. por Fernandes.Análise Psicológica (2005).

cit.. cit. é aos 65 anos. Assim. do próprio tempo de Vida» (op. expectativas e referências ao grupo social. pp. 1994. reacções psicossomáticas. Podem surgir sentimentos negativos face às alterações fisionómicas provocadas pelo envelhecimento e a sensação que se perdeu a beleza do passado (Léger et al. o desenraizamento e outros traumatismos que podem causar problemas psicológicos (Fernandes. O envelhecimento associa-se a uma série de factores e condicionalismos que podem. 2000). ser responsáveis por algumas perturbações mentais no idoso. cit. cit. as situações de stress. como refere Barreto (1984. em Portugal. Do ponto de vista biológico. fazem-no por motivos bem distintos do envelhecimento e muitas delas continuam em actividade (Santos. por Fernandes. Sabe-se que a aceitação da mudança ligada ao medo de envelhecer. O exercício pode aumentar o bem-estar psicológico. distinguindoo de actividade física. podendo estas perdas ameaçar a integridade da pessoa idosa. cit. reforçando a auto-estima e autoconfiança . 1968. 180). mas também pelo envelhecimento social (papéis sociais esperados pela sociedade como sendo os apropriados) e o envelhecimento psicológico (adaptação ao processo de senescência). 1993). a perda de auto-estima ou o sentimento de abandono. psicológico e social complexo. O funcionamento cognitivo também sofre alterações provocadas pelo envelhecimento. 1993). que são palpáveis. a doença. estão relacionadas com as auto-percepções da idade. como seja a morte de alguém ou perdas económicas e sociais que se associam frequentemente a um conjunto de perdas simbólicas. mas antes um tempo. por Santos. por Paúl. no caso do exercício. depressão. não é a diminuição das funções cognitivas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) (1989. cit. 1993). ansiedade. 2000). no caso de um acidente. resultam de movimentos intencionais. cit. provocado pela acção do tempo sobre o organismo.. por Santos & Trindade. De acordo com Mestre (1999) «o envelhecimento é um processo biológico. segundo Solomon e Davis (1995. cit. As perdas mais frequentemente vividas pelos idosos estão relacionadas com os papéis. cit. No que diz respeito às perdas. afastamento e descompromisso. 1997). existe um declínio de algumas delas (Schaie. Esta variabilidade cultural da velhice faz com que seja árdua a tarefa de definir com precisão a idade do seu início. o que dificulta mais a capacidade de adaptação do idoso. sendo importante conhecer e compreendê-los de modo a agir de forma a manter o equilíbrio do idoso. (1985. tanto através do exercício como da actividade física dão-se mudanças físicas e biológicas que. 18-19). refere que é difícil de precisar em que idade ela começa.(Lima & Viegas. 1988). por exemplo. Deste modo. o processo de envelhecimento é composto não só pelo envelhecimento biológico (senescência). 1999) como sendo um «movimento corporal planeado e repetitivo executado para melhorar ou manter um ou mais componentes da boa forma física». O exercício é tido como fundamental para a promoção de um bom estado de saúde. Em termos gerais a definição de “velho” ou “idoso” é associada à idade da reforma que. tanto ao nível físico como psicológico. e a satisfação de vida. 2000). 1988). como se o organismo fosse uma máquina. que se inicia muito antes da velhice propriamente dita e que não é uma doença.. são confrontados com diversos tipos. Porém após a reforma muitas pessoas que deixam de trabalhar nos seus empregos. co330 mo. podendo estas ser graduais. mas sobretudo a perda de papéis sociais. sendo esta «qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte num consumo de energias» (op. o envelhecimento é um processo de transformação das células e dos tecidos. os idosos. foi definido por Caspersen e col. E existem perdas. apesar de várias competências intelectuais se manterem estáveis ao longo da vida e de algumas aumentarem mesmo até próximo dos 60 anos. o que leva a um risco cada vez maior de mortalidade. por Santos. por Barreto. dependendo este desgaste das condições de vida de cada organismo. há um desgaste do organismo vivo devido à acção do exterior. mas dinâmico. por Ogden. 1997). como é o caso das doenças. cit. pois depende de diversos factores intrínsecos (inerentes à própria pessoa) e extrínsecos (inerentes ao meio envolvente) de cada pessoa. Como refere Sousa (1976. EXERCÍCIO FÍSICO NA VELHICE O exercício físico. Relativamente à adaptação. Segundo Schroots e Birren (1980. ou súbitas. por Fernandes. suscitando nalguns casos. p. segundo o mesmo autor.

Masters e Johnson num estudo clássico (1966) afirmavam que a resposta sexual do homem diminui 331 . A idade. a sexualidade é reconhecida como um aspecto importante da saúde e. na espécie humana. de forma a enriquecer a personalidade. há uma maior satisfação em relação ao corpo. Neste sentido. cit. para isso. mantendo-se uma pessoa independente e autónoma e. o exercício físico pode ser encarado como uma medida preventiva face o aparecimento de incapacidades locomotoras resultantes do processo biológico de envelhecimento. favorecendo uma atitude positiva em relação a si mesmo e aos outros. além da função reprodutora. p. Ainda segundo o mesmo autor. o seu nível e ritmo. 1996) referem que sobressaem características de personalidade mais desejáveis. é fonte de equilíbrio e harmonia para a pessoa.. apenas a própria condição física individual deve determinar a prática de exercício. por Moreia & Côrte-Real. Apesar de existirem interesses sexuais nas várias etapas da vida (infância. alimentação. adolescência. a comunicação e o amor» (op. SEXUALIDADE E EXERCÍCIO FÍSICO NA VELHICE Como referem Sanchez e Fuertes (1989) todo o nosso ser é mediatizado pela sexualidade. deste modo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1975 (cit. isto porque. por Ogden. segundo King e col. ocorrendo uma promoção e melhoria da auto-eficácia. Deste modo. Conclui-se assim que o idoso deve realizar actividades que mantenham em funcionamento o seu corpo e o seu cérebro (Parreño. cit. o exercício contribui para que haja um equilíbrio psíquico e afectivo do idoso. Machado & Mota. tendo como objectivo. etc. psicológicas e no relacionamento conjugal que se reflectem no comportamento sexual dos casais. é importante evitar o sedentarismo e. intelectuais e sociais do ser sexuado. Berger e Mclnman (1993. por si só. se for vivida satisfatoriamente. pois proporciona uma integração social. 1994). tendo características próprias em cada uma delas. 1999). intelectuais e sociais que ainda conserva (Lehr & Thomae. No idoso. além de uma diminuição nos níveis de tensão. segundo Parreño (1984). fomentando-se a passividade.do sujeito. Relativamente aos benefícios psicológicos do exercício físico nos idosos. a vivência da sexualidade muda com a idade. sendo muito difícil definir esta dimensão. 1984). o que faz com que hajam poucas possibilidades para treinar e melhorar as capacidades corporais. 271). 1984). já que a sexualidade não se reduz à prática do acto sexual e à satisfação orgástica. de modo a que possa prescindir ao máximo da ajuda de outros para a realização das actividades de vida diária (mobilidade. Além disso. p. já que existe uma falta de disposição para se mover. da satisfação com a vida e da qualidade de vida. não é contra-indicação para a prática de qualquer tipo de actividade física ou desportiva.. A partir da meia idade surgem mudanças orgânicas.. 205). por Cruz. Dado o facto da mobilidade ser um indicador de saúde e de qualidade de vida para o idoso. além disso. 1999). 1999) definiu saúde sexual como sendo a «integração harmoniosa dos aspectos somáticos. cit. Esta inactividade pode ser reforçada caso o idoso seja “objecto de cuidados” excessivos. adultícia e velhice). o que conta é a situação de cada indivíduo e os hábitos que manteve em etapas anteriores da vida (Parreño.). aumentam os sentimentos de realização e auto-eficácia e. ansiedade e depressão. a prática do exercício depende da vontade do próprio idoso. com uma melhor qualidade de vida. Segundo Parreño (1984) «só é velho aquele que quiser sê-lo (. a tendência habitual para a inactividade é um factor psicossocial. a actividade social associada ao exercício físico conduz a uma melhoria de apoio social e uma maior auto-eficácia (Ogden. A sexualidade não pode ser entendida apenas conhecendo a anatomia e a fisiologia sexuais. No fundo. (1992. psíquicas. No que diz respeito à capacidade sexual.. velho no sentido limitativo da pessoa e porque se considera incapaz de certas actividades» (op. vestuário. cit.). correspondendo a um certo alheamento relativamente à vida comunitária. sendo igualmente importante ter em conta a psicologia e a cultura em que cada indivíduo vive. é importante que o idoso realize diariamente uma actividade física de modo a vencer a inércia. o que é ainda mais reforçado quando as actividades são em grupo e entre pessoas que têm aptidões e preferências semelhantes. a obtenção de prazer.

por Anderson. . . . o declínio da capacidade sexual frequentemente resulta em sentimentos de frustração. 1993). por Silny. levando a que se evitem contactos sexuais. pois cada uma das partes pode oferecer ao outro algo que o agrada e satisfaz. sobretudo por parte do homem. 1968. segundo Butler e Lewis (1993). por Silny. levando a 332 que haja um distanciamento e. . segundo Butler e Lewis (1993).Diminuição da produção de testosterona. e desta forma a pessoa reconhece que o seu corpo é capaz de dar e receber prazer. Esta situação. já que a resposta sexual masculina é externa e mais evidente comparativamente com a feminina. cit. atribuindo como causa desse evitamento as mudanças corporais que observa em si própria na fase da menopausa que. 1996.Lentificação e diminuição em quantidade da lubrificação vaginal. 1998).Diminuição do tamanho dos seios e perda da sua firmeza. e as mulheres que tiveram uma actividade sexual regular antes da terceira idade. a prática de exercício físico é acompanhada por uma maior satisfação de vida e melhoria de capacidades funcionais (Anderson. Todas as atitudes negativas face à sexualidade na velhice. Na mulher. 1961. .Diminuição do tamanho e perda de elasticidade da vagina. por sua vez. 1960. poderão surgir desentendimentos. 1998). cit. Como refere Herrero (1984). pois existem idosos que nunca se interessaram significativamente por sexo. Rubin. como referem Sanchez e Fuertes (1989). a experiência e as atitudes sobre si próprio e sobre a sexualidade são provavelmente o que mais pesa sobre o funcionamento sexual e sobre a satisfação sexual numa idade mais avançada. as alterações biofisiológicas mais frequentes.Alargamento do período refractário. constatando-se que os homens que foram sexualmente activos na juventude e idade adulta tendem a ser sexualmente activos na terceira idade (Newman & Nichols. As alterações biofisiológicas mais frequentes que poderão condicionar a sexualidade na velhice são. os idosos .Lentificação da erecção. apesar destas alterações serem mais evidentes no homem. são um reflexo do nosso medo de envelhecer e morrer. em algumas situações.Redução da tensão muscular durante a relação. que necessita de uma maior estimulação. sendo esse desinteresse uma continuação do que acontecia na juventude e na fase adulta.Alterações na figura corporal. nas pessoas idosas.Ejaculação mais retardada e menos vigorosa. Deste modo. Sexualidade e Exercício Físico Observa-se que. em alguns casos.Diminuição da produção de esperma. cit. Assim. segundo os mesmos autores. se verificar falta de comunicação entre o casal. . dando origem a preconceitos e estereótipos que assentam sobre a ideia da anulação da sexualidade das pessoas idosas e que funcionam como factores inibidores. . No homem com idade mais avançada. . No mesmo sentido. O mesmo acontecerá com a mulher. no homem: . contribuindo para a diminuição da actividade sexual nesta fase da vida (Rubin. . são: . contribuindo para isso variáveis fisiológicas e psico-sociais. apesar de tal ser também verdade na juventude e na fase adulta. nesta fase poderão continuar a tê-la com igual prazer (Masters & Johnson. adicionado a esta situação. fazem-na sentir-se menos atraente. sendo necessário reforçá-la. Se. poderá fazer com que a mulher se sinta negligenciada pelo marido. o desinteresse sexual só é sinal de preocupação se for desencadeador de problemas pessoais ou relacionados com o casal. Freeman. De acordo com Silny (1993). a actividade sexual de um casal idoso permite que a identidade de cada cônjuge seja reafirmada. 1993). 1965. aumentando a sua auto-estima que tende a diminuir na velhice. sob influência de preconceitos e estereótipos impostos pela sociedade.Elevação menor e mais lenta dos testículos. verifica-se que os idosos que se mantêm sexualmente activos são os mais activos fisicamente e os que praticam exercício físico regularmente (Clements. 1966). a procura de outros parceiros de forma a poder afirmar a sua sexualidade. Verifica-se que o nível de actividade e de interesse sexual das pessoas idosas se encontra relacionado com a sua actividade e interesse sexual na juventude.com a idade.

o que. encontrando-se entre estes a actividade sexual. leva a uma redução dos níveis de satisfação e de qualidade de vida. Portanto. Ambos os grupos que constituem a amostra foram seleccionados no Distrito de Lisboa em diferentes instituições frequentadas por idosos. por Santos. É um questionário que permite avaliar diferentes aspectos da vida sexual depois dos 60 anos. Como referem Butler e Lewis (1993) é importante ter em atenção que uma boa forma física é a condição básica para se ter uma boa aparência. há casais idosos que deixam de viver a sua sexualidade. e operações ao útero). com mais duas (alterações ao nível da erecção e da ejaculação). elaborado por M. mas sim claro e conciso. cit. de modo a que o mesmo não se tornasse vago e denso. frequência e importância atribuída às relações sexuais. actividades lúdicas e partilha com o parceiro e desejo sexual. foi encontrado um questionário traduzido e adaptado por Santos (1993) para a população portuguesa intitulado “Questionário sobre a sexualidade depois dos 60 anos” do original “Recherche sur la sexualité au-delá de 60 ans”. da literatura sobre esta temática ressalta a ideia de que a velhice não implica um estagnar e que a sexualidade pode continuar viva. METODOLOGIA Tipo de estudo No sentido de perceber se a sexualidade de um idoso que pratica exercício físico é diferente da do idoso que não pratica qualquer exercício físico. sonhos. Chavanne Frutiger (1988. sendo o objectivo central o de dar um contributo ao estudo da sexualidade na terceira idade. dos quais 27 fazem parte de um grupo de idosos que praticam exercício físico e os outros 27 fazem parte de um grupo de idosos que não praticam exercício físico. masturbação. comparativamente com os não desportistas. da qual é retirado maior prazer se existir uma boa saúde e um “corpo sem dores”. sendo discriminativo e focalizado. Além disso. interesse pela vida sexual. o questionário utilizado neste estudo tem 47 questões. alterações na vida sexual e sentimental. tal como avaliada pelo instrumento utilizado. utilização de medicação hormonal de substituição. na maior parte dos casos. experiência do orgasmo. Material Na sequência da procura de um instrumento estruturado que fosse adequado ao tema deste estudo e ao objectivo pretendido. desenhamos um estudo observacional-descritivo de comparação entre grupos. apenas foram integradas as questões mais relevantes para este estudo. Ao todo. interesse por material erótico. e outra dirigida aos homens. em que a variável independente é a prática de exercício físico e a dependente a vivência da sexualidade. Porém. são considerados geralmente como sendo os mais saudáveis e os mais activos sexualmente. Neste sentido. no sentido de que a ordem dos itens que integram o instrumento e a linguagem utilizada fossem o mais simples possível. iniciativa para a actividade sexual. com mais sete questões (menopausa e sintomas associados. o que facilita a objectivação. podendo tal estar relacionado com um certo desinvestimento no próprio corpo. factores que influenciam a vida sexual. Participantes Este estudo incidiu sobre uma amostra extraída de uma população de idosos casados e com idade compreendida entre os 65 e os 75 anos de idade. M. optou-se por investigar se a sexualidade de um idoso que pratica exercício físico é diferente da do idoso que não pratica qualquer exercício físico. A amostra utilizada foi constituída por 54 participantes. 38 das quais integram uma parte comum. No que diz respeito à idade. duas partes. comunicação sobre sexualidade com o parceiro. Existem além disso. Este questionário foi ainda sujeito a algumas adaptações. razões pelas quais ter relações sexuais. uma dirigida às mulheres. relações extra-conjugais. tornando o questionário acessível e de fácil leitura. Da versão portuguesa deste questionário. foram acrescentadas algumas informações adicionais que consideramos relevantes para a compreensão das questões. uma boa disposição e as reservas físicas necessárias para aproveitar uma série de interesses da vida. As áreas cobertas por estas questões são: sensações com as relações sexuais. 1993). em ambas as amos333 .desportistas.

pediu-se a colaboração das instituições. RESULTADOS Tratamento dos Dados Após a aplicação dos questionários procedeuse ao tratamento dos dados obtidos.1% que fizeram a escola primária.1% do sexo masculino. Todos os sujeitos não praticantes de exercício físico.7% com a escola primária incompleta e 18.7% dos sujeitos com a escola primária. no conjunto. tendo os sujeitos ficado com um contacto telefónico para o caso de surgirem algumas dúvidas. deste modo. No grupo de idosos não praticantes de exercício físico existem 40. Foi realizado um pré-teste com um pequeno 334 grupo de sujeitos pertencentes à população em estudo. Relativamente aos sujeitos que praticam exercício físico em ginásios. deveria ser preenchido individualmente e sem perturbações. No grupo de idosos praticantes de exercício físico existem 51. Procedimento Após terem sido contactados os locais para recolha da amostra e de ter sido obtida autorização para a aplicação do instrumento. um nível de escolaridade superior comparativamente com a amostra dos idosos não praticantes. mas existe uma maior percentagem (37%) de sujeitos que têm um companheiro/a mais velho/a. isto porque uma parte dos sujeitos era analfabeta e os restantes sujeitos preferiram que fosse o entrevistador a fazer as perguntas. 18. No grupo dos idosos praticantes de exercício físico há 33. Os resultados obtidos foram analisados em várias fases.3% dos sujeitos que têm o curso superior.5% que fizeram o ciclo preparatório e 11. no sentido de nos informarem quais os utentes casados e com idades entre os 65 e os 75 anos.tras. Os idosos não praticantes de exercício físico distribuem-se equitativamente em termos de resposta.5% que têm o curso comercial. É notória a diferença entre as duas amostras ao nível de habilitações literárias. verifica-se que a amostra dos idosos praticantes de exercício físico têm. de modo a verificar a necessidade de efectuar ajustes em algumas questões do mesmo. Foi ainda explicado que o questionário era individual e que.5% que têm o magistério primário. a maioria dos idosos de ambas as amostras são católicos praticantes ou não praticantes. Efectuámos uma análise estatística para tratamento de dados através do programa informático SPSS.5% analfabetos.3% do sexo masculino. devido à inexistência de uma sala onde pudessem ser feitas as entrevistas. No conjunto. os 75 anos. Numa primeira fase. existindo 77. que serviu para testar a clareza do instrumento. tendo as questões sido colocadas pelo entrevistador e o questionário preenchido pelo mesmo. os sujeitos distribuem-se por todas as idades entre 65 e 75 anos. agradecendo-se à partida a colaboração no respectivo estudo e referindo-se o facto do questionário ser anónimo. No que respeita à religião. 18.3% dos idosos que praticam exercício físico que são católicos não praticantes.7% sujeitos do sexo feminino e 33. fizemos uma análise descritiva dos dados. 18. 40. No grupo dos idosos que não praticam exercício físico o número de homens e de mulheres é mais equilibrado.9% de sujeitos do sexo feminino e 48. sendo a moda entre os que não praticam exercício físico os 70 anos e.9% de sujeitos cujo companheiro/a é mais velho/a. efectuámos uma análise comparativa. No grupo dos idosos que praticam exercício físico há 66. Para tal recorremos ao teste . entre os idosos que praticam exercício físico. apresentando-se os resultados referentes a cada uma das questões do instrumento utilizado para cada um dos grupos estudados. Seguidamente. foram entrevistados individualmente numa sala cedida pela instituição. após explicar que o questionário continha questões relacionadas com a sexualidade após os 65 anos e que seria usado para um estudo sobre sexualidade. Foi dito a todos os sujeitos entrevistados que o questionário estava enquadrado num estudo sobre a sexualidade depois dos 65 anos. existem 32 sujeitos do sexo feminino e 22 sujeitos do sexo masculino. Deste modo. existindo 51. seleccionados em Centros de Dia.8% dos idosos que não praticam exercício físico que são católicos praticantes e 59. pediu-se aos sujeitos que levassem o questionário para casa e foi combinado um dia para a sua recolha. de modo a detectar a existência de diferenças estatisticamente significativas entre as duas amostras.

um aspecto importante da sua relação com o/a seu/sua parceiro/a? * Diferenças estatisticamente significativas.447 . comparativamente com os não praticantes de exercício físico que respondem com maior frequência “não tenho”. p=. para a qual foram utilizados os testes de Mann-Whitney (U) e do Qui-Quadrado (X2).000 598.007).05. o teste de MannWhitney revelou que.007* . Numa última fase foi feita uma análise de correspondência que permite perceber quais as características principais dos sujeitos de cada amostra e compreender que factores se associavam mais a uma ou a outra amostra.000 639.009). Notou modificações na sua vida sentimental. TABELA 1 Resultados do Teste de Mann-Whitney Questões 8.718 . em comparação com os não praticantes de exercí- cio físico.000 p . U 528. p=.001). dos quais existem mais que têm um “fraco” ou “nenhum” interesse.Modificações notadas ao nível de actividades/divertimentos comuns com o/a companheiro/a (questão 30. p=. em comparação com os não praticantes de exercício físico.001* . Em média com que frequência tem tido relações sexuais? 18. U=207. existindo uma maior percentagem de sujeitos praticantes de exercício físico que afirmam tomar a iniciativa para ter relações sexuais. do ponto de vista estatístico. Análise dos Resultados Iremos limitar-nos aqui à apresentação dos resultados relativos à análise comparativa. “muitas vezes”.001* . U=150. nestes últimos anos? 30. As relações sexuais são para si.Frequência em média de relações sexuais (questão 9.Iniciativa para ter relações sexuais (questão 8.000. Como nos mostra a Tabela 1. U=220.500. Tem tomado a iniciativa para ter relações sexuais? 9.500 737. “por semana”.500 723.363 335 .000 695.Interesse pela vida sexual (questão 18. “algumas vezes” ou “poucas vezes”. Notou modificações no que diz respeito à forma como se entendem enquanto casal? 32.500 706. . . existindo uma maior percentagem de sujeitos praticantes de exercício físico que tem um interesse “médio” ou “grande” pela vida sexual.000 602. os quais respondem com maior frequência “nenhumas vezes”.000. havendo mais sujeitos praticantes de exercício físico a ter relações sexuais.05. tendo os resultados sido analisados para um nível de significância de 0. U=224. havendo uma maior percentagem de sujeitos não praticantes de exercício físico que consideram que as mesmas “aumentaram” comparativamente com os sujeitos que praticam exercício. Notou modificações no que diz respeito à frequência de relações sexuais? 38. Foi considerado um nível de significância estatístico de p ≤0. Notou modificações quanto à ternura entre ambos? 33.de Mann-Whitney para as variáveis de nível ordinal e ao teste do Qui-Quadrado ou de Pearson para as variáveis nominais. existem diferenças significativas entre as duas amostras no que diz respeito a: .000.000 585. p=. . Como avalia o seu interesse pela vida sexual? 29.001).055 . Notou modificações no que diz respeito a actividades/divertimentos comuns com o/a seu/sua companheiro/a? 31.924 .009* . “por mês” ou “por ano”. em média. os quais respondem com maior frequência que as actividades/divertimentos estão “na mesma” ou que “diminuíram”.

X2 12. verifica-se que se lhe en- TABELA 2 Resultados do Teste do Qui-Quadrado Questões 7.001). X2=1.587 3. p=. livros. Tem actividade masturbatória (auto-estimulação do órgão sexual)? 35. U=317. p=. Tem sonhos com conteúdo erótico/sexual? 23. livros.444 . p=.006* .190 .718) e à importância atribuída às relações sexuais dentro do casal (questão 38.001* . a falar sobre sexo com o/a parceiro/a (questão 26. foi possível averiguar que existem diferenças estatisticamente significativas entre as duas amostras relativamente a: . X2=2. p=1. associando outros níveis de análise. p=. ao interesse pelo conteúdo erótico de programas da TV. às modificações no que concerne a frequência de relações sexuais (questão 33.019.Em relação às modificações sentidas na vida sentimental (questão 29. Além disso. Fala sobre sexo com o/a seu/sua parceiro/a? 27. Sente interesse pelo conteúdo erótico de programas da TV. p=. p=. a falta de iniciativa para ter relações sexuais e a crença de que a vida sexual é influenciada pela saúde. X2=25. existindo uma maior percentagem de sujeitos praticantes de exercício físico que afirma que as relações sexuais dão a sensação de “prazer” ou “bem estar”. p=.000.363) o teste de Mann-Whitney não detectou quaisquer diferenças significativas entre as duas amostras.500.000 . assinalam por vezes sentir “fadiga” ou “dever” em relação às mesmas. a ter actividade masturbatória (questão 27. Quanto à amostra dos idosos que praticam exercício físico. jornais ou filmes (questão 23.083).001 1.Sensação obtida através das relações sexuais (questão 7. o que está mais associado à amostra dos idosos não praticantes de exercício físico é a inexistência de interesse pela vida sexual. Através da análise de correspondência foi possível observar que. às modificações ao nível da ternura no casal (questão 32.714. em comparação com os sujeitos não praticantes de exercício físico que. p=. U=261.006). X2=1. verifica-se que se associa mais aos sujeitos desta amostra o ser católico praticante. Acha que a vida sexual é influenciada por que factor? 21. Se houve modificações notou-as desde quando? * Diferenças estatisticamente significativas.000 .150) e relativamente a desde quando foram notadas as modificações sentidas (questão 35.313). As restantes questões não foram analisadas por estes testes por terem respostas múltiplas.447). X2=3. As relações sexuais dão-lhe que sensação? 20.077.467 25.150 . U=359. p=. o analfabetismo e o ter a escola primária incompleta. a ter sonhos com conteúdo erótico/sexual (questão 22.467.000).077 1. além de responderem em menor percentagem as opções referidas.O que consideram que influencia a vida sexual (questão 20. X2=12. X2=. a ausência de relações sexuais.200. Tem sonhos com conteúdo sentimental? 22.714 2. em termos globais. havendo mais sujeitos praticantes de exercício físico que consideram ser o “estado físico” o que mais influencia a vida sexual.924).200 .313 336 .000. p=.587. com- parativamente com os não praticantes de exercício físico que respondem com maior percentagem ser a “saúde”.055).444).083 1.000. U=354.001. p=. Através do teste do Qui-Quadrado. às modificações notadas sob a forma como se entende o casal (questão 31.190). p=. U=328. .019 p .000. jornais ou filmes? 26. e/ou por o número de sujeitos respondentes às mesmas ter sido muito reduzido. Não foram detectadas quaisquer diferenças significativas entre as duas amostras no que respeita a ter sonhos com conteúdo sentimental (questão 21. X2= .500.

no geral. poderá não estar fisicamente e psicologicamente tão apta como uma pessoa que o pratica e. estar menos disponível se- xualmente. constatámos que os sujeitos que praticam exercício físico dividem as suas respostas entre “prazer” e “bem estar”. ser católico não praticante e ter o curso comercial ou o magistério primário. observámos que entre os sujeitos que praticam exercício físico. observámos que. como “prazer” ou “bem estar”. ao serem menos activos fisicamente poderão de337 . Deste modo. É de referir que a sensação de dever é expressa unicamente pelas mulheres. ao passo que os sujeitos que não praticam exercício físico. ter relações sexuais em média uma vez por mês. Assim. pois alguns dos sujeitos não praticantes de exercício físico. 77. 22.8% consideram que a vida sexual é influenciada pelo estado físico. DISCUSSÃO Neste estudo. estes resultados poderão estar relacionados com a imagem cultural da sexualidade. verificámos que. deste modo. por Anderson.8% têm a sensação de “dever”. preocupam-se em cuidar do seu corpo. na nossa sociedade. à semelhança de estudos anteriores como o de Clements (1996. talvez devido ao facto do acto sexual ser doloroso fisicamente para o próprio. enquanto que 51. os sujeitos que praticam exercício físico atribuem às relações sexuais uma sensação mais agradável do que os que não praticam exercício físico. coloca-se a hipótese dos resultados poderem não corresponder totalmente à realidade. devido ao facto do acto sexual implicar um esforço físico. constatámos que existem algumas diferenças estatisticamente significativas entre as duas amostras. existem 25. os idosos que são sexualmente mais activos são os que praticam exercício físico regularmente. Não podendo ser retirado prazer da relação sexual. com o facto de. como aliás foi verbalizado por alguns sujeitos durante as entrevistas. No que diz respeito ao interesse pela vida sexual. ao contrário dos sujeitos que atribuem às relações sexuais sensações mais agradáveis. considerar que a vida sexual é influenciada pelo estado físico. se uma pessoa não praticar exercício físico. isto é.2% afirmam sentir “fadiga” e 14. esta poderá implicar fadiga ou dever. Esta situação poderá fazer sentido se pensarmos nos benefícios fisiológicos e psicológicos que o exercício físico acarreta. apesar de mais de metade dos sujeitos de ambas as amostras afirmar ter um interesse “médio”. dando origem a uma situação de fadiga ou mesmo de dor.9% dos que não praticam exercício físico afirmam ser o estado de saúde. ao contrário dos elementos do outro grupo que preencheram o questionário individualmente. Quanto ao que os sujeitos consideram mais influenciar a vida sexual. o que vem ao encontro de uma das questões que pretendemos estudar neste trabalho que remete para a possibilidade de existir uma relação entre a prática de exercício físico por parte do idoso e a sua actividade sexual. deste modo.contra mais associado o ter algumas vezes iniciativa para ter relações sexuais.9% dos sujeitos não praticantes de exercício físico que afirma não ter qualquer interesse enquanto que nenhum dos sujeitos que praticam exercício físico o afirma. nomeadamente à ideia de que a mulher tem uma obrigação para com o marido no que respeita à satisfação dos seus desejos sexuais. admitir sentir-se interesse pela vida sexual ser considerado de modo negativo e. ou seja. para além de responderem com menor frequência às opções “prazer” e “bem estar”. Esta diferença de resultados entre as duas amostras reflecte o que é mais valorizado pelos sujeitos. ao passo que entre os sujeitos não praticantes de exercício físico. já que os sujeitos não praticantes de exercício físico foram entrevistados. e deste modo poderem ter respondido o que consideram ser socialmente correcto. 1998). neste sentido. para o qual o seu corpo não está preparado. poder-se-á dizer que existe uma maior percentagem de sujeitos não praticantes de exercício físico a não ter relações sexuais. podendo tal estar relacionado com factores culturais. Desta forma. Relativamente à sensação obtida através das relações sexuais. cit. Os sujeitos que praticam exercício físico valorizam mais o estado físico e. ao atribuírem às relações sexuais sensações como “fadiga” ou “dever” é de esperar que não sintam interesse pelas mesmas. verificando-se que há uma relação entre a prática de exercício físico e algumas das dimensões que dizem respeito à sexualidade do idoso. Estes resultados coincidem com o que atrás foi referido. Por outro lado.

ao passo que no grupo dos praticantes de exercício físico existem mais sujeitos que consideram que estão na mesma. o falar. S. Psicologia. 19. os resultados obtidos neste estudo mostram que.. O. Masters. J. M. psicológicos e sociais que o exercício físico acarreta.. P. J. Machado. J. Available: http://www. 205-213). 1. os idosos praticantes de exercício físico são mais activos sexualmente e vivem a sua sexualidade de um modo mais satisfatório do que os idosos 338 não praticantes de exercício físico. O envelhecimento e a mobilização. Mestre. já que. encontrando-se entre estes a actividade sexual. como refere Parreño (1984). H. Electronic Journal of Human Sexuality. o idoso pode exprimir a sua sexualidade de várias formas. Lehr. Efeitos e benefícios psicológicos do exercício e da actividade física. Moreira. como podem ser agradáveis as relações coitais que. o facto dos sujeitos que praticam exercício físico terem respondido que as actividades/divertimentos comuns estão na mesma poderá indicar que nas suas vidas ocorreu uma continuação do que já acontecia anteriormente.ejhs..... Cruz (Ed. o que é acentuado pelo facto de existir uma grande percentagem de sujeitos praticantes de exercício físico respondendo que. . Aspectos psicológicos do envelhecimento. Além disso. New York: Little Brown. Uma abordagem da sexualidade no idoso. (2000). não ter uma capacidade de reacção perante a possível doença como tem quem pratica exercício físico e. (1984). estando os dois membros do casal no mesmo Centro de Dia. & Côrte-Real. fica a ideia de que o avançar da idade não implica um estagnar da actividade sexual. parece-nos possível afirmar que existe uma relação entre a prática de exercício físico por parte do idoso e a sua sexualidade. advindo possivelmente esta relação dos benefícios fisiológicos. Love and sex after sixty. & Mota. Lima.. F. Fernandes. R. W. por esse motivo. é de esperar que este tenha mais possibilidades para partilhar actividades e divertimentos. U. & Lewis. Por outro lado. o acarinhar. 6 (1). o olhar ou o ouvir ternamente tão agradável. Cruz. V. Braga: S. Por outro lado. Psicossomática e Psicologia (pp. REFERÊNCIAS Anderson. valorizar mais o estado de saúde. embora existam e sejam igualmente adequadas na terceira idade. New York: Balantine Books. A. Oct. da qual é retirado maior prazer se existir uma boa saúde e um “corpo sem dores”. 8. 8. (1993). I. (1988). 1989). (1996). Barreto. (1998). No que concerne às modificações sentidas pelos sujeitos na sua vida nestes últimos anos ao nível das actividades/divertimentos. (1999). A diversidade cultural do envelhecimento: a construção social da categoria de velhice. (1988). levando a que haja uma melhoria das capacidades funcionais e uma maior satisfação de vida. o tocar. como os resultados deste estudo revelam. Sexuality and senior olympians. (1999). tornando-se o abraçar. A Depressão no Idoso. Manuais de Psicologia. A. A. Manual de Psicologia do Desporto (pp. não há quaisquer modificações. N. H.). Psicologia da velhice. em algumas dimensões da sexualidade abrangidas pelo instrumento utilizado.senvolver alguns problemas de saúde ou. M. & Thomae. A sexualidade na velhice. pois como referem Butler e Lewis (1993) uma boa forma física é a condição básica para se ter uma boa aparência. como aconteceu no grupo seleccionado.org/volume1/ anderson/olympian. apesar de existirem alguns sujeitos que já não têm relações sexuais. 159-170. [On-line]. apesar de não se poder menosprezar a importância que as diferenças sócio-educacionais das nossas amostras possam ter sobre estes resultados. A nível geral. Psicologia. uma boa disposição e as reservas físicas necessárias para aproveitar uma série de interesses da vida. O. 264-269). De qualquer modo.htm. Saúde. 91-116). 6 (2). Saúde. Butler. Este resultado pode estar relacionado com o facto de a amostra dos sujeitos que não praticam exercício físico ter sido recolhida em Centros de Dia e nestes ser frequente organizarem-se passeios e excursões que beneficiam o convívio e. M. Herrero. 18-27. In J. & Johnson. Coimbra: Quarteto. In Temas de Psiquiatria. ao nível da forma como se entende o casal. (1984). & Viegas. existem 63% dos sujeitos que não praticam exercício físico que consideram que as mesmas aumentaram. Prevenção de acidentes. Human sexual response. 276-285. Lisboa: Grupo Português de Psiquiatria Conciliar-Ligação e Psicossomática. (1966). P. 116 (12). existe uma maior percentagem de sujeitos que continua a tê-las. 149-158. não preenchem o todo da sexualidade (Sanches & Fuertes. Geriatria.. P.

A. Sanchez. Lisboa: Climepsi. (1988). e de acordo com a amostra em estudo. com idades compreendidas entre 65 e 75 anos. & Trindade. Money (Eds. Utilizou-se como instrumento um questionário sobre a sexualidade após os 65 anos. and the results were analyzed using the Mann-Whitney (ordinal level answer options) and Qui-Square (nominal level answer options) tests. The investigation was designed as an observationaldescriptive study of inter-group comparison. Santos. M.). namely the sexual initiative. da sensação obtida através das relações sexuais e ainda ao nível dos factores que consideram influenciar a vida sexual. Coimbra: Livraria Almedina. with the questionnaires being filled by the interviewer.º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde (pp. existindo uma relação entre a prática de exercício físico e algumas das dimensões da sexualidade do idoso. A. Ogden. after some adjustments. Lá para o fim da vida: idosos. Averiguámos que existem diferenças estatisticamente significativas entre as duas amostras no que diz respeito a algumas das dimensões da sexualidade. (1999). (1993). do interesse pela vida sexual. physical exercise. Saúde e Bem Estar. L. The results showed statistically relevant differences between the two samples on some of the studied dimensions. Silny. os resultados foram analisados utilizando os testes de Mann-Whitney (opções de resposta de nível ordinal) e do Qui-Quadrado (opções de resposta de nível nominal). 270-275. the perceived changes of the couple’s mutual activities/ /amusements. elderly people.. Handbook of Human Sexuality (pp. Quanto aos sujeitos praticantes de exercício físico. one of which consists of 27 subjects who regularly exercise. the mean frequency of sexual intercourse. Incide sobre a população idosa. I. Palavras-chave: Envelhecimento. O envelhecimento demográfico. Atividades físicas na vida diária do idoso. Intervenção psicológica em programas de saúde para idosos. Key words: Aging.. ABSTRACT The aim of this work is to study the influence that physical exercise may have upon the sexuality of elderly people. 123-146). Para compreender la sexualidad. Saúde. sexualidade. 8. idoso. 6 (2). A. L. J. Constatámos que. NJ / London: Jason Aronson. the sensations obtained through sexual intercourse and the factors the subjects consider influence sex life. família e meio ambiente. exercício físico. damente ao nível da iniciativa para ter relações sexuais. Sexuality and aging. Tratando-se de um estudo observacional-descritivo de comparação entre grupos. 135-146. RESUMO O presente estudo tem como objectivo estudar a influência que poderá ter o exercício físico de um idoso sobre a sua sexualidade. Paúl. Parreño. os questionários foram preenchidos pelo próprio e entregues nos seus ginásios. Psicologia. Lisboa: ISPA. 46-47. R. The remaining subjects filled their own enquiries. C. F. The non-exercising subjects were interviewed individually in a room at their respective day care centers. In B. which were handed at their gymnasiums along with filling instructions. (1989).). a nível geral. on a general level. Northvale. the other consisting of 27 subjects who do not exercise. I. A. it was observed that exercising subjects are sexually more active than non-exercising subjects and a relation was established between the practice of physical exercise and some dimensions of elderly sexuality. Pereira. Os sujeitos não praticantes de exercício físico foram entrevistados individualmente em centros de dia. (1999). 85-398). The sample is composed of 54 married subjects. Santos. Pais Ribeiro (Ed. A questionnaire about sexuality after the age of 65 was used as our instrument. J. sexuality. Wolman. (1997). Um estudo exploratório (Monografia de Licenciatura em Psicologia Clínica). M. J. após lhes terem sido dadas as devidas instruções. Esta divide-se em dois grupos. um dos quais constituído por 27 sujeitos que praticam exercício físico e o outro por 27 indivíduos que não praticam exercício físico. sendo a amostra constituída por 54 sujeitos casados.Nazareth. (1984). In J. Estella (Navarra): Verbo Divino. adaptado por nós. with an age range of 65-75 years. J. nomea- 339 . os sujeitos praticantes de exercício físico são sexualmente mais activos do que os sujeitos não praticantes de exercício físico. & J. B. A sexualidade dos idosos. On this sample. Psicologia da Saúde. 58. (1993). Lisboa: ISPA. das modificações notadas sobre as actividades/divertimentos comuns com o/a companheiro/a. It was divided into two groups. tendo os questionários sido preenchidos pelo entrevistador. the interest in sex life. da frequência em média de relações sexuais. (1997). O que é a terceira idade?. Actas do 2. & Fuertes.

(2002) também numa população France341 . can Psychiatric Association. A prevalência de DE não é clara e está sujeita a diferentes modos de ser avaliada. Lisboa. e Fugl-Meyer (2003).2% de algum grau de DE. Chew.pt (**) Hospital de Sta. Moreira. DE e disfunção sexual são por vezes utilizados como sinónimos. Earle. Abdo. Wagner. Stuckey. Sachs (2000) salienta que FE e DE são mecanismos diferentes. dado o funcionamento sexual incluir outras dimensões como está estabelecido no Disgnostic and Statistical Manual da Ameri- (*) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. disfunção eréctil e qualidade de vida em homens portugueses saudáveis J. e Rosen (1999) a disfunção sexual atinge 31% dos homens entre os 18 e os 59 anos de idade nos Estados Unidos da América.up. DSM-IV e na International Classification of Diseases. Lobo e Fittipaldi (2001) reportam para a população masculina Brasileira 46. PAIS RIBEIRO (*) ABEL SANTOS (**) A Disfunção Eréctil (DE) designa a «incapacidade do homem conseguir a erecção do pénis como parte de um processo global e multifacetado do funcionamento sexual masculino» (NIH Consensus Statement. Kubin. E-mail: jlpr@psi. Avances e Wagner (2003). Braun et al. referem 5 a 20% dos homens têm DE de moderada a grave. Reconhece-se no documento de consenso referido acima que o desejo. Teloken. Sogari e Vargas Souto (2002).4% de DE. (2000) referem para a Alemanha 19. Para os Estados Unidos da América ela é de 5% para os homens de 40 anos. Torres.2% (entre os 30 e 80 anos). e contribuírem para o sentimento de inadequação da função sexual. Numa população Francesa entre os 17 e os 70 anos. 3 (XXIII): 341-349 Estudo exploratório da relação entre função eréctil. p. encontraram uma prevalência de 25%. Rhoden.Análise Psicológica (2005). Por outro lado.9%. A DE abrange uma variedade de aspectos físicos com uma importante contribuição de aspectos psicológicos e comportamentais. Jamrozik e Keogh (2000) encontraram 39. Noutra amostra Brasileira entre os 40 e 90 anos de idade. Numa amostra Australiana com idades entre 18 e 91 anos. Paik. e Giuliano et al. É a forma adequada para expressar o que antes se designava por impotência e que é considerado um termo pejorativo. ICD-10. e segundo Laumann. e de 15 a 25% para os homens acima dos 65 anos segundo a relatório de consenso referido. Maria. Costa. para a Alemanha. 1992. 1). Por exemplo. encontraram valores de DE de 53. as capacidades orgástica e ejaculatória podem estar intactas ou podem ser deficientes. Por outro lado o Funcionamento Sexual parece estar muito dependente da Função Eréctil (FE) embora esta deva ser vista mais como a parte visível do iceberg.

Índice Internacional de função eréctil O Índice Internacional de Função Eréctil – International Index of Erectil Function . para obter ou manter uma erecção apropriada até ao final da actividade sexual. alprostadil. b) A alteração provoca mal estar ou dificuldades de relação interpessoal. p.. 2003. a auto estima e o relacionamento em geral.4% de DE.21. 2002. Embora a prevalência desta disfunção seja elevada cerca de 70% dos homens nesta condição não são tratados (Kubin et al. (2003) reportam que a DE afecta a relação sexual. é o oposto.. 2003. 2003). e a melhora da DE associa-se a melhoria da QDV (Giuliano. Nied. & Macdonagh. 2001). De qualquer modo o que parece é que a avaliação em jogo neste questionário visa principalmente o funcionamento sexual em geral. Função Orgástica. o questionário foi desenvolvido para ser uma medida da FE (p. Willke et al. Pena.. 823). é um questionário de auto resposta com 15 itens que avalia a percepção de funcionamento sexual. Satisfação Global (Rosen et al. Meyer. Salienta-se que o modo de encontrar os números referidos são muito variados.. a sua falha é susceptível de ser fonte de stress e afectar a interacção com a família e próximos. dado que a falha em conseguir completar a relação intima resulta em medo. para «fornecer avaliação de resultados sensíveis e específicos em ensaios clínicos de DE» (Rosen et al. 1992). persistente ou recorrente. perda de auto confiança e da sua imagem. 1997. Desejo Sexual.sa com os critérios do IIEF-5 encontraram 31. Gillatt. Seyam et al. um questionário de avaliação da função eréctil e um questionário de percepção geral do estado de saúde. Segundo estes autores. 2003. Não fica claro porque os autores não o discutem. o que explica a frequência da utilização deste instrumento na avaliação do sucesso de medicação para o tratamento da disfuncionalidade sexual (sildenafil citrate. A DE pode ter um efeito negativo na saúde em geral. 2003). com e sem DE e. se a Função Eréctil.) O DSM-IV e o ICD-10 descrevem como critérios de diagnóstico para a DE: a) Incapacidade. que constitui um dos domínios do questionário e é o elemento central do IIEF.39). 2003. e depressão (NIH Consensus Statement. No processo de desenvolvimento do IIEF os autores identificaram um conjunto de domínios do funcionamento sexual masculino e desenvolveram itens para os avaliar. ou doentes (De Berardis et al. O objectivo do presente estudo é a) comparar a Percepção Geral de Saúde ou QDV entre dois grupos. & Dhanani. Numa população Sul Americana com mais de 40 anos. e pode ser episódico. 1997). 21 anos de idade (M=13.. que constituíram uma amostra de conveniência. mas em qualquer caso mostra que os valores são elevados e que aumentam com a idade. A DE pode ser consequência de inúmeras doenças ou de acontecimentos de vida. 1998).6% de DE. Nesta última vertente ele tem sido utilizado para identificar a eficácia de medicação ou outros procedimentos que visam restaurar a funcionalidade sexual.(IIEF). DP=4.86. Embora para alguns homens a FE possa não ser a melhor medida de satisfação sexual. Litwin. 1998. DP=14. se define a DE ou qual o modo como está ligado à DE. Lockyer. 823) e de DE (p. mais genericamente. b) identificar a relação entre FE e QDV em homens Portugueses saudáveis. Althof et al. (2002) encontraram valores de 53. por esta e por outras razões. Sasayama et al.. ser uma variável fortemente associada à DE em homens saudáveis (Sanchez-Cruz et al. Depois dos tratamentos iniciais do questionário encontraram cinco domínios: Função Eréctil. 828) ou.. A Qualidade de Vida (QDV) pode. afirma a declaração de consenso (NIH Consensus Statement.. com uma escolaridade entre os 4 e 342 . Material Recorreu-se a três questionários: Um questionário sumário de dados demográficos em que se questionava a idade e a escolaridade. etc. Morillo et al. c) A DE não se explica melhor pela presença de outro trans- MÉTODO Participantes Participaram 133 indivíduos do sexo masculino com idades entre os 21 e 78 anos (M=43. 1992). Mishra & Smith. Satisfação com a Prática Sexual. Guest & Das Gupta.31).

99) D. 0. – Função Orgástica.53) p<0.S. O Quadro 1 mostra características métri- cas da versão utilizada neste estudo em comparação com a versão original. Aliás recorrendo a uma Análise de Componentes Principais sobre os domínios do IIEF verifica-se que se agrupam num único factor que explica 64. Os autores reportam estudos em 17 idiomas.E.47) p<0.35) p<0. com base nesta escala. de facto. 0.0001 D.0001 Consistência Interna 0. De facto a Satisfação com a Prática Sexual e a Função Eréctil desempenham um papel central nos resultados do IIEF.77(0.76) p<0.37) p<0.0001 0.66(0. F. o IIEF parece ser um instrumento mais adequado para avaliar o funcionamento sexual em geral do que para diagnosticar a DE. S.87) S.G. Entre parêntesis apresentam-se os dados da versão original dos EUA para a população normal apresentados pelos autores.S.30) p<0. alguns deles em curso à data da publicação do artigo.P.65(0. Os autores reportam para a versão original do IIEF (dos Estados Unidos da América) boas características psicométricas e clinimétricas. 0.G.87) Legenda: F. S.22(0.60) p<0.0001 0.E.87 (0.0001 S.30(0.0001 0. genericamente com os valores mais elevados e mais baixos seguindo padrões semelhantes à versão americana. que pertence a uma categoria diferente de disfunção tanto no DSM-IV como no ICD-10.S. D. 3 0.O.96) F.0001 0. Não se conhecem estudos sobre uma versão portuguesa. por exemplo.42(0.S. Apresentaremos mais à frente este instrumento. com o fim mais claro de diagnosticar a DE.P. 2 0. 6 F.0001 0. Verifica-se que os valores de correlação mais elevados são entre a Função Eréctil a Satisfação com a Prática Sexual a Função Orgástica e a Satisfação Global. drogas ou fármacos) ou a uma doença médica.0001 S. – Satisfação Global 343 .39) p<0.. 2 0.tornos do Eixo I (que não seja disfunção sexual) e não é devido exclusivamente a efeitos fisiológicos directos de uma sustância (p.71 (0. Ora o IIEF inclui como um dos domínios. A versão Portuguesa mostra padrões idênticos à escala original com as correlações inter-escalas mais elevadas entre a Função Eréctil e a Satisfação com a Prática Sexual e. – Função Eréctil. Um estudo de validação confirmatório e conservador do IIEF está em vias de publicação (Pais Ribeiro & Santos. Ou seja. – Desejo Sexual.47(0. O mesmo sucedendo com a consistência interna. No entanto os mesmos autores desenvolveram.G. F.43(0.56(0.92 (0. seguidas da Satisfação Global.68% da variância e que os domínios com maior carga factorial são estes QUADRO 1 Correlação entre dimensões da versão portuguesa do IIEF utilizada no presente estudo.94 (0. seguidos do valor de significância estatística de p para o valor de correlação apresentado e para a versão portuguesa Número de itens F. 0.S. 2 0.87(0.O.94 (0.55) p<0.S. incluindo o Português.O. Em resumo dado que a escala IIEF portuguesa exibe propriedades métricas idênticas à original assumimos que ela pode ser utilizada como medida com as mesmas funções desta. o IIEF-5 que inclui apenas alguns dos itens do IIEF.E.53) p<0.P.009 0. o Desejo Sexual. ex. 2004). – Satisfação com a Prática Sexual.82) S.

2005). fornece um sumário de medidas mentais. É um questionário de auto-resposta. Smith. Funcionamento Social. Após a recolha dos questionários estes eram introduzidos em base de dados e tratados como números. ou seja. de doença ou de tratamento (Ware & Gandek.92). cuja versão é aqui utilizada. As propriedades métricas desta versão são adequadas e semelhantes. Junto com o questionário era enviado um envelope RSF com a morada do investigador.80). Desempenho Físico. Segundo estes autores o SF-36 mostrou-se útil na comparação entre populações gerais e específicas. aquele provável enviesamento não tem um impacto forte nos resultados. o Componente Mental (resultante do agrupamento de quatro escalas) e físicas. 1998). Cappelleri. simultaneamente. que pode ser utilizada para múltiplos objectivos. Desempenho Emocional. RESULTADOS Número de indivíduos com DE segundo o IIEF-5. Os autores desenvolveram uma escala breve com cinco itens (IIEF-5) visando identificar a presença e a gravidade da DE e cujos resultados mostraram que era adequado para essa função (Rosen. Foram validados 133 questionários. explicando a finalidade do estudo.três: Satisfação com a Prática Sexual (0. Este questionário conserva cinco itens do IIEF que se aproximam dos critérios do DSM-IV e do ICD10 para a definição de DE. Era disponibilizado um número de telefone para esclarecimentos adicionais. 1999). mas sim de identificar a relação entre variáveis na população normal em geral. Dor Corporal. na estima344 tiva da sobrecarga de várias doenças. Kosinski & Gandek. Lipsky & Pena. garantindo o anonimato e a confidencialidade dos dados.93). Procedimento A recolha de dados recorreu a uma metodologia mail type. Função Eréctil (0. O SF-36 é um dos questionários mais utilizados na investigação em contexto de saúde e de doença para a avaliar a qualidade de vida. se os resultados apontarem para DE. de fácil resposta que apresenta uma versão em português reconhecida pela organização que o desenvolveu. 1993). 1999). e no rasteio de doentes individuais. Embora este valor seja reduzido. Saúde Mental) mais um item de Transição de Saúde. Contém 36 itens dos quais 35 se agrupam em oito escalas ou dimensões (Funcionamento Físico. foram identificados os participantes com DE. ele é normal em estudos com esta metodologia em que não está em causa a representatividade da população. Como o objectivo do estudo não é identificar as variáveis em estudo na população Portuguesa. o sujeito deverá consultar o seu médico. tanto à versão original como às versões de outros países que a estudaram e adaptaram (Pais Ribeiro. Estes autores encontraram um ponto de corte com uma nota de 21 para designar aqueles que tinham algum grau de DE. No entanto o IIEF-5 tem funções de screening. Vitalidade. Percepção Geral de Saúde.. De qualquer modo alerta-se para que os valores que forem encontrados provêm de uma amostra enviesada embora se desconheça o sentido do enviesamento. O SF-36 fornece um perfil de notas a partir destas oito escalas e. Os que têm este valor . e que é uma das medidas mais utilizadas para avaliar a QDV geral. e Satisfação Global (0. em que os questionários eram enviados a homens via correio. Snow. É uma medida genérica do estado de Saúde que difere de outras medidas que tendem a visar especificamente um grupo de idade. na diferenciação dos benefícios para a Saúde decorrentes de diversos tratamentos. Questionário de Percepção do Estado de saúde – SF-36 O questionário de Percepção do Estado de saúde reduzido (short form de 36 itens ou SF-36 – SF-36 Health Survey) (Ware. e sua relação com a QDV ou Percepção Geral de Saúde Baseado no questionário IIEF-5 (Rosen et al. o Componente Físico (resultante do agrupamento das outras quatro escalas). Cada uma das oito dimensões fornece uma nota reduzida a partir da nota bruta que varia entre “0” e “100”. onde o respondente deveria introduzir o questionário depois de ser respondido e colocar no correio. O número de questionários devolvidos foi inferior a 20% dos enviados. é uma medida breve de avaliação do Estado de Saúde.

assumindo que valores mais elevados correspondem a melhor funcionamento sexual.G. Idade – idade.03 (ns) S. -0.457)=2.8%) estava na categoria de DE.02.P.44) se comparado com o grupo sem DE (M=90.30.98) (t(129)= 3.G. p=0.27).. com 8.30) (t(66. – Função Orgástica.28(0. F. Comparando os dois grupos quanto às variáveis em análise verificamos que o grupo com DE é.32(0.S..02). -0. p=0. 2000. -0.34) se comparado com o grupo sem DE (M=87.20) se comparado com o grupo sem DE (M=70. – Satisfação Global 345 . Idade Escola -0. Resultados da FE Os dados seguintes referem-se ao IIEF e os dados são tratados como variável contínua. e para o Componente Mental com o grupo com DE a apresentar valores mais baixos (M=65. – Satisfação com a Prática Sexual.01). 1. Escola – escolaridade. sugerindo que a funcionalidade sexual tem uma relação mais forte com os aspectos físicos do que com os mentais.16) se comparado com o grupo sem DE (M=41. ligeira. D.21) (t(63. Na amostra do nosso estudo cerca de um terço dos participantes (32.4% na categoria grave. 2001. então.172) =3. (2002) com o mesmo questionário. Chew et al.. S. p=0. com o grupo DE com valores mais baixos (M=70. (t(69.P. Relação entre idade e escolaridade e funcionamento sexual segundo o IIEF O Quadro 2 mostra a relação estatística entre as variáveis demográficas idade e escolaridade e os domínios do IIEF. p=0.002). de modo estatisticamente significativo. Funcionamento Social com o grupo DE com valores mais baixos (M=70.05) se comparado com o grupo sem DE (M=80. p=0.002).6% moderada. Os valores encontrados vão no sentido das investigações em geral que mostram que há correlação estatisticamente significativa entre aumento da idade e diminuição da Função Eréctil (Braun et al. – Função Eréctil. e 18. p=0.11) (t(129)= 3. -0.01.64.16. 2003.14(ns) -0.46) se comparado com o grupo sem DE (M=73. & Murai.230)=2.16. 2000. o IIEF-5 (31.O. Percepção Geral de Saúde com o grupo DE com valores mais baixos (M=60. A significância estatística é maior para o Componente Físico. Os três primeiros domínios pertencem ao Componente Físico e o quarto ao Componente Mental.O.001) -0. moderada a ligeira.24. F.27(0. Nakashima. Estes valores são idênticos aos encontrados por Giuliano et al. e os domínios deste componente evidenciam mais diferenças estatisticamente significativas. 4. moderada.S.S.0001) 0. Marumo.S. Moreira et QUADRO 2 Correlação entre idade e escolaridade e dimensões de funcionalidade sexual. p=0. – Desejo Sexual.E. Verificaram-se diferenças para os seguintes domínios da QDV ou Percepção do Estado de Saúde: Funcionamento Físico com o grupo DE com valores mais baixos (M=82. Não se verificavam diferenças estatisticamente significativas para a escolaridade.13(ns) S. Comparando os dois grupos (DE e sem DE) para os dois componentes (Físico e Mental) verifica-se que o grupo com DE apresenta valores mais baixos (M=71. A classificação define 5 categorias de DE: grave.007). S. mais velho (M=49.E.33) para o Componente Físico se comparado com o grupo sem DE (M=81.ou abaixo deveriam. Entre parêntesis exibe-se o valor de significância estatística da correlação.04(ns) D.6% ligeira a moderada.02). Costa et al. consultar o seu médico para um diagnóstico mais adequado.07(ns) Legenda: ns – não significativo.3% ligeira.002) 0.45)=3.11(ns) -0.01 (ns) F. e sem DE.6%).83) (t(129)=2. F. Desempenho Físico.79) (t(54.004).

Ou seja verifica-se que a percepção de funcionalidade sexual. (2003) com os mesmos questionários. Desejo Sexual e Satisfação com a Prática Sexual.al.0001) -0. Seyam.36 com os domínios do SF-36 que compõem o Componente Mental.05 (ns) V -0. Idade – idade.34 (0. o domínio Satisfação Global do IIEF mostra valores de correlação acima de 0. DP – Desempenho Físico. 2001. O domínio satisfação global do IIEF mostra correlações mais elevadas com QUADRO 3 Correlação entre idade e escolaridade e dimensões de QDV ou Percepção do Estado de Saúde. 2003).. Rhoden et al.. Os resultados estatisticamente significativos embora modestos são entre os domínios Função Eréctil. Acres- centa-se os dois componentes do SF-36.0001) 0. Entre parêntesis exibe-se o valor de significância estatística da correlação (p). Moreira.01) 0.. Satisfação com a Prática Sexual e Satisfação Global.31 (0. Os resultados mostram que a variável idade apresenta correlações estatisticamente significativas e moderadas com os domínios do Componente Físico do Questionário SF-36 (Funcionamento Físico.08 (ns) SM -0.19 (0.35 (a negrito) os resultados mostram uma relação mais forte entre as dimensões de Desempenho Físico e os domínios Função Eréctil.02 (ns) -0.02 (ns) -0. Relação entre variáveis demográficas e QDV ou Percepção do Estado de Saúde O Quadro 3 exibe as relações estatísticas entre as mesmas variáveis demográficas (idade e escolaridade) e os domínios de QDV.15 (ns) 0. Dor Corporal. Estes resultados apresentam um padrão semelhante ao do estudo de Sanchez-Cruz et al. 346 . Tomando em consideração os valores de correlação acima de 0. A escolaridade não evidencia relação com nenhum dos domínios do IIEF. Desempenho Físico. DE – Desempenho Emocional. e entre o Funcionamento Físico do SF-36 e os domínios Função Eréctil e Satisfação com a Prática Sexual. mostrando que mais escolaridade está associada a melhor funcionalidade física. Nicolosi. DISCUSSÃO Tanto a DE como a FE parecem ter uma relação mais forte com o Componente Físico do questionário de QDV. 2003. SG – Percepção Geral de Saúde. Villa. resultantes da agregação das dimensões do SF-36. e a idade. A escolaridade só exibe uma correlação modesta com Funcionamento Físico. FF – Funcionamento Físico. DC – Dor Corporal.14 (ns) Legenda: ns – não significativo. Físico e Mental. FS – Funcionamento Social.02 (ns) FS 0. Morillo et al. Por outro lado. FF Idade Escola DP DC SG -0. SM – Saúde Mental.02 (ns) 0.0001) -0.07 (ns) DE 0. Glasser. e Percepção Geral de SaúdeSaúde) no sentido de. 2002. Erectile Dysfunction Epidemiology Cross National Study Group. salientando que os aspectos da sexualidade avaliados com o IIEF estão mais associados à funcionalidade.38 (0. Relação entre IIEF e QDV ou Percepção do Estado de Saúde O Quadro 4 mostra a relação entre os domínios ou dimensões do SF-36 e as do IIEF. 2002. mais idade menor QDV.01 (ns) 0.21 (0. V – Vitalidade.02) 0. tal como é avaliada com o IIEF se associa de modo estatisticamente significativo com a percepção do estado de saúde tal como é avaliado com o SF-36. Escola – escolaridade.02 (ns) 0.

. Mishra.10(ns) 0. P. Treatment responsiveness of the self-esteem and relationship questionnaire in erectil dysfunction.01) 0.01(ns) 0. F. CFISICO – Componente Físico. S.. Dado a QDV ser uma variável de resultado (outcome) poderia sugerir-se que a intervenção que visasse melhorar a funcionalidade sexual poderia ser um contributo significativo na melhoria deste resultado (QDV).42(0. Avances..27(0.13(ns) 0. 13 (1).26(0.P. S. Sweeney. Erectile dysfunction in general medicine practice: prevalence and clinical correlates. Di Nardo.27(0. M. C.006(ns) 0. S.. B..16(0. 0.36(0. Valentini. Greenfield. 0. 382-389. L.05) 0.0001) 0.36(0.. – Função Eréctil.26(0..20(0. S.. Tognoni. F. M. Tsatsaris.0001) 0. Stecher.21(0.P. REFERÊNCIAS Althof..0001) S.. Progress in Urologie.. International Journal of Impotence Research.001) 0... FS – Funcionamento Social.02) 0..099 men aged 17 to 70. A.. V. Chew. Tal como todos os dados de investigação tendem a apontar há uma relação moderada e estatisticamente significativa entre a Função Eréctil e a QDV com valores de correlação mais elevados entre o Componente Físico e as dimensões do IIEF “Função Eréctil” e “Satisfação com a Prática Sexual”.36(0. Prevalence of erectile dysfunction in France: results of an epidemiological survey of a representative sample of 1004 men.0001) 0. & Nicolucci. 109-117.23(0. C. M.. G.28(0.QUADRO 4 Correlação entre dimensões de funcionamento sexual e dimensões e componentes de percepção de saúde.002) 0. J.28(0. Entre parêntesis exibe-se o valor de significância estatística da correlação (p). G.. & Duttagupta. DE – Desempenho Emocional. Belfiglio. (2000).0001) 0. Erectile dysfunction and quality of life in type 2 diabetic patients: a serious problem too often overlooked.0001) 0..S.36(0. (2003). CMENTAL – Componente mental o Componente Mental. C. 25 (2). 12 (6).29(0.0001) 0.33(0. M.30(0. & Keogh..03) 0. Health-related quality of life in a UK-based population of men with erectile dysfunction.S.20(0.001) 0. V – Vitalidade..009) 0. Costa. 20 (2). 0.41(0. B. 61 (5)... B. A.20(0. Reifenrath. (2003). 42 (4). Results of a French study of 5. Wassmer. salientando que o funcionamento sexual em geral integra diversas dimensões de modo articulado e integrado.41(0. Chevret-Measson. C. (2001). Murino. U.01) 0.003) 0.003) F. D. 2 (1).10(ns) 0. 347 . Giuliano. F.E. & Das Gupta. F.16(ns) 0.22(0.43(0. 284-291.25(0. G.0001) 0. M. DP – Desempenho Físico. Earle.16(ns) 0.001) 0.29(0.009) 0. M.002) 0. European Urology. J.22(0.0001) 0. 888-892. Epidemiology of erectile dysfunction: results of the ‘Cologne Male Survey’. Giuliano. Stuckey.06(ns) S.002) 0. P..O.G.0001) 0.35(0. – Função Orgástica.0001) Legenda: ns – não significativo.. 0.13(ns) 0. Quality of Care and Outcomes in Type 2 Diabetes (QuED) Study Group (2002).25(0. De Berardis. – Satisfação Global. & Wagner.S.0001) 0.0001) 0.42(0. Cappeleri.004) 0. 359-369..001) 0. SG – Percepção Geral de Saúde..007) 0... & Engelmann.. Mathers.004) 0. Shpilsky. H. Erectile dysfunction: knowledge. G. 85-91. R. M. & Smith. F. Jamrozik. 305-311.36(0. 41-45. S. Klotz. M. A. International Journal of Impotence Research. (2000). (2003).. M. Kaplan.03) 0.001) 0.46(0. Quality of Life Research. B.. Diabetes Care. DC – Dor Corporal. Guest. J. S.40(0.. Reitz.18(0.24(0. E.25(0. T. Urology..S.18(0. 10 (4). M. Pharmacoeconomics. M. FF DF DC SG V SM DE FS CFISICO CMENTAL 0. K.. Sacco. Braun.37(0.001) 0. FF – Funcionamento Físico.002) D. – Desejo Sexual.E.27(0. Pena. A.G.02) 0. Efficacy results and quality-of-life measures in men receiving sildenafil citrate for the treatment of erectile dysfunction...O. & Thonneau. Diuguid.33(0. – Satisfação com a Prática Sexual.0001) 0. K. e o Componente Mental com valores mais elevados para a “Satisfação Global”. wishes and attitudes. Franciosi..0001) 0.0001) 0. K. F. (2002). Pellegrini. SM – Saúde Mental.11(ns) 0. F.

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8% of the sample) exhibits statistically significant lower results in physical domains of QOL in comparison with the non-Ed group. uma versão reduzida do IIEF (International Index of Erectile Function). que responderam a um questionário de auto resposta segundo uma metodologia mail type.de vida (QDV). The EF as a result of all the domain of IIEF increases as the scores of the scales of the SF-36 increase (mainly the physical domains). com idades entre 21 e 78 anos (M=43. Em conclusão encontrámos uma associação clara e positiva entre a percepção de FE e a QDV com preponderância para as dimensões do componente físico desta mas com uma clara interacção com o Componente Mental. A DE foi definida segundo os critérios do IEEF-5.8% da amostra) manifesta valores de QDV mais baixos dos que o grupo não DE principalmente nas dimensões do componente físico. This association was stronger for the physical summary component than for the mental one. SD=14. Palavras-chave: Disfunção eréctil. but with a consistent interaction with the mental component. ED was defined using the Reduced International Index of Erectile Function (IIEF-5) and the FE using the general form of IIEF. Os dois componentes do SF-36 (físico e mental) mostram tendência para aumentar quando a FE aumenta. A QDV foi avaliada com recurso ao SF-36. In conclusion. answer to a self-rated questionnaire mail typed. Results shows that the ED group (32.86. Key words: Erectile dysfunction. QOL was measured through the SF-36 questionnaire.39). quality of life. ABSTRACT Erectile Dysfunction (ED) it’s a prevalent dysfunction in modern societies partly because these societies are growing old. 349 . Os resultados mostram que o grupo DE (32. The two SF-36 summary components (physical and mental) showed an upward trend. função eréctil. erectile function.86. 133 Portuguese healthy males. Participaram 133 homens Portugueses saudáveis. DP= 14. and significant differences between the ED group and the non-Ed group favouring the non-Ed group for the same variables. A FE enquanto resultado proveniente de todos os domínios do IIEF aumenta (principalmente nos domínios do Componente Físico). qualidade de vida. The purpose of this work is to assess the quality of life (QOL) factors associated with ED and EF. aged between 21 and 78 years of age (M=43.39). we found a clear pattern of positive association between self-perceived EF and QOL. Erectile Function (EF) is an important component of sexual functioning but with moderate relation with ED.

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