You are on page 1of 80

Uma viagem no tempo

Leopoldina: povoamento, café e atualidades

Por:

Lucilene Nunes da Silva


Mestre em Saúde Coletiva (UFRJ)
Especialista em História e Escrita (FAFIC)
Professora da Rede Municipal de Ensino de
Leopoldina e de Cataguases

Natania Aparecida da Silva Nogueira


Especialista em História do Brasil – concentração
em História Regional (UFJF)
Professora da Rede Municipal de Ensino de
Leopoldina

Ilustrações
Igor Bastos

Revisão
Ana Cristina Miranda Fajardo

Secretaria Municipal de Ensino de Leopoldina


Prefeitura Municipal de Leopoldina
2008
SILVA, Lucilene Nunes, NOGUEIRA, Natania A. Silva.
Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e
atualidades. Leopoldina (MG): Secretaria Municipal de
Educação de Leopoldina, 2008.

Bibliografia.
ISBN:

1. História – Zona da Mata - Leopoldina


Agradecimentos

Gostaríamos de agradecer a oportunidade para


desenvolver este trabalho. Um trabalho que nos trouxe
muita satisfação e que nos fez sentir uma grande
vontade de pesquisar ainda mais sobre a nossa cidade.

Agradecemos às pessoas que colaboraram conosco, seja


através de entrevistas, seja nos indicando ou
emprestando material de pesquisa.

Agradecemos a nossa família e a nossos colegas de


trabalho, que nos deram o incentivo de que
precisávamos.

Agradecemos, enfim, a todos que querem conhecer e


preservar um pouco mais a história da nossa Leopoldina.
Aos professores

Esperamos que este pequeno livro seja um


guia para um conhecimento ainda maior e
que vocês, nossos colegas, possam ser
mensageiros da nossa história e ajudar a
fazer dela a grande história de um grande
povo que, desde pequeno, já sabe o valor
de lembrar e preservar aquilo que foi
construído com o trabalho de quem veio
antes de nós.

Aos alunos

Que vocês possam viajar na nossa história,


usando sua imaginação e descobrindo
coisas novas sobre nosso município. Que o
prazer da descoberta os ajude a crescer
como pessoas responsáveis e que sabem
dar valor a tudo que os cerca.
Índice

Apresentação

Viajando na História

Parte I – A ocupação de Minas Gerais


1.1 – Minas Gerais, a terra do ouro
1.2 – Os Sertões Proibidos
1.3 – Os primeiros habitantes, os índios

Parte II – O nascimento de Leopoldina


2.1 – O arraial do Feijão Cru
2.2 – Leopoldina: uma cidade rumo ao progresso
2.3 – O café em Leopoldina
2.4 – A decadência econômica de Leopoldina

Parte III – Quem trabalha em Leopoldina?


3.1 – O escravo
3.2 – O imigrante
3.3 – A colônia Constança

Parte IV – A cultura popular da nossa terra

4.1 – Nosso folclore e tradições


4.2 – Memória de nossos carnavais

Parte V – A Leopoldina de hoje!


5.1 – Como é formado um município?
5.2 – O Poder Executivo
5.3 – O Poder Legislativo
5.4 – O Poder Judiciário

Anexos
História e ciência
Trabalhando com imagens
História da nossa música
Símbolos da nossa cidade
Os prefeitos de Leopoldina
Nossas Escolas Municipais
Nossas Unidades de Saúde
Apresentação

Este livro veio como um desafio que tivemos que


enfrentar em poucos dias, dias estes em que tentamos
colocar no papel um pouco daquilo que há cerca de dez
anos temos lido, estudado e pesquisado em Leopoldina.

Não se trata, exatamente, de um livro completo, com


tudo que a história de Leopoldina pode nos oferecer.
Trata-se de um breve resumo da nossa história, uma
introdução ao estudo da história de Leopoldina, que é
construída e redescoberta a cada dia.

Para tentar melhor introduzir esta história a nossos


alunos, pedimos ao desenhista Igor Bastos que criasse
três personagens, símbolos da nossa cidade. Feijó,
representando os colonizadores que para cá vieram, na
primeira metade do século XIX; Princesa Leopoldina, em
homenagem à Dona Leopoldina, a quem a cidade deve o
nome; e João Feijão, um símbolo da nossa cidade, do
nosso povo.

João Feijão é o nosso mascote mais querido. Um


representante deste povo mestiço que é o povo de
Leopoldina, um município que se fez através do trabalho
de escravos africanos, de imigrantes europeus e de
homens vindos de várias partes de Minas Gerias e do
Brasil, ainda no início do século XIX.

Sempre com um sorriso nos lábios, João Feijão fala da


nossa história. Vamos aprender com ele e seus
companheiros a manter viva a nossa memória.

Uma boa leitura!


As autoras
VIAJANDO NA HISTÓRIA
Igor Bastos
PARTE I

A OCUPAÇÃO DE MINAS GERAIS


1.1 – Minas Gerais, a terra do ouro

No final do século XVII, os bandeirantes Coroa Portuguesa:


paulistas (colonos que se dedicavam à caça e à referente ao rei
de Portugal e a
escravidão dos índios e também à procura de metais sua corte.
Colônia: território
preciosos) finalmente encontraram ouro no Brasil, administrado por
outro país.
para felicidade da Coroa Portuguesa. As pessoas Sertão: área
passaram a se referir ao local como a região das inexplorada.
Cataguás: índios
"minas dos Cataguás" ou "minas dos Cataguases". coroados

Eram tantos os lugares com ouro, que logo as


pessoas começaram a chamar a região como as
"minas do ouro" ou as "minas gerais".

Milhares de pessoas, de várias partes da colônia e de


Portugal, para lá se dirigiram em busca de fortuna. Mas, naquele
sertão, não havia plantações ou criação de animais, nem mesmo
estradas pelas quais pudessem ser levados mantimentos para os
mineradores. Foram tempos muito difíceis, onde pessoas morriam
de fome, com os bolsos cheios de ouro.
Durante muito tempo, a
produção de ouro foi muito
grande, mas ela diminuiu
fazendo com que as vilas e
cidades mineradoras se
esvaziassem, e muitas famílias
procurassem outras regiões
para morar e trabalhar. Assim,
Minas Gerais começou a
crescer e a aumentar seu
território. No fim do século Mineiros do centro minerador -
XVIII, começou a ocupação das http://www.tratosculturais.com.br/
atuais regiões da Zona da
Mata, Norte de Minas,
Triângulo Mineiro e Alto
Paranaíba.
HORA DE ESTUDAR
Após ler o texto, responda estas perguntas em seu caderno:

1 - Feijó foi para as Minas Gerais, virou garimpeiro, mas está


triste... por que será? Explique com suas palavras:

UM POUCO MAIS.....
2 – Leia este texto com muita atenção e faça o que se pede:

“Cada ano vem nas frotas quantidade de p ortugueses e de


estrangeiros, para passare m às minas. Das cidades, vilas,
recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos,
e muitos índios, de que os paulist as se servem. A mistura é de
toda a condição de pessoas: homens e mulheres, moços e
velhos, pobres e ricos, nobres e pleb eus, [...] religiosos de
diversos institutos, muitos dos quais não têm no Brasil nem
convento nem casa”.
André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil. São Paulo: Nacional, s.d. p.

a) Monte uma ficha do documento, anotando os seguintes dados.


• Nome do autor.
• Assunto.
• Nome da obra.
b) Quais as pessoas que se dirigiam às minas?
c) De onde elas vinham?
d) O que aconteceu com a chegada de tanta gente à região das
minas deve ter provocado?
e) Por que será que os mineradores levavam índios para a região
das minas?
PARA APRENDER MAIS...

2 - Leia o trecho abaixo e responda as perguntas:

OS ESCRAVOS NA MINERAÇÃO
Em Minas Gerais da época do ouro, amaior parte da população era for-
mada por escravos de origem africana. Eles trabalhavam principalmentena
mineração.
O trabalho nas minas era exaustivo.Trabalhando no leito dos rios, os
escravos passavam longas horas comos pés na água, o que causava sérias
doenças pulmonares. Nas galenassubterrâneas, eles estavam sujeitos à
contaminação por gases e aos riscosde desabamento.
Os escravos expressaram, dediversas maneiras, sua revolta contraa
escravidão. As fugas e a formaçãode quilombos foram as formas de luta

a) Cite os riscos que o trabalho nas minas causava à saúde dos


escravos.
b) Imagine como era um dia de trabalho dos escravos nas minas.
Escreva um pequeno texto sobre o que você imaginou e ilustre
com um desenho.
c) Você já foi a uma mina de ouro? Será que existe alguma aqui
perto? Vamos pesquisar?
1.2 - Os Sertões Proibidos (ou áreas
proibidas)
Inicialmente conhecida como Sertões Proibidos, a Zona da
Mata era utilizada pelos contrabandistas de ouro como caminho
para levar o ouro tirado das minas, escondido do governo para
assim não pagar imposto. Para evitar o contrabando, o governo
Português proibia a colonização da região, dizendo que os índios
habitantes daqui eram extremante perigosos.

O nome da Zona da Mata está ligado à presença da mata


Atlântica que cobria as encostas da serra da Mantiqueira.

A Zona da Mata passa a ser um importante centro de


desenvolvimento de Minas, com a redução da extração do ouro.
O início da chegada de pessoas para morarem na Zona da Mata
se faz a partir do Caminho Novo, estrada que ligava Minas
Gerais à capital do país. Por este caminho levava-se ouro e
buscava-se mantimentos e escravos para as minas de ouro. São
construídos nesse caminho locais de parada para atender os
viajantes que passavam pelo interior das Gerais.

As famílias que queriam morar aqui recebiam a doação de


uma sesmaria. O sistema de Sesmaria foi criado pelo governo
português, no ano de 1375, para organizar a distribuição de
terras doadas pelo rei. Sesmaria era o nome que se dava a um
pedaço de terra que era doado a uma pessoa (o sesmeiro) ou a
uma família. Nesta terra ele deveria produzir alguma coisa: criar
gado, cultivar, etc.

HORA DE ESTUDAR

1 - Com a ajuda de seu professor, desenhe em seu caderno o


mapa de Minas Gerais e localize nele a Zona da Mata.

2 - Explique com suas palavras por que a Zona da Mata era


chamada de Sertões Proibidos.

3 - Escreva o que foi o sistema de sesmarias:

4 - Procure no vocabulário as palavras que você não entendeu e


escreva seu significado no caderno.
5 - Aponte os municípios vizinhos de Leopoldina, que aparecem
no mapa:

Fonte: http://www.amweb.com.br/filgueiras/mapas_mg.html
2.1 Os primeiros habitantes, os índios
Apesar de serem grandes inimigos, os índios Puris
(descendentes dos Goitacazes) e Coroados habitavam a região
da Zona da Mata, onde hoje estão localizados os municípios de
Viçosa, Coimbra, Ervália, São Geraldo, Visconde do Rio Branco,
Guiricema, Ubá, Tocantins, Rio Pomba, Cataguases, Miraí,
Miradouro, Muriaé, Laranjal, Santana de Cataguases e
Leopoldina.

Índios Puris e Croatas - http://www.tratosculturais.com.br/

Os Puris
Oca: habitação indígena
Os Puris eram pacíficos e tinham uma brasileira.
Maloca: conjunto de
vida muito simples, em contato com a habitações de indígenas.
natureza. Não conheciam a rede e dormiam Embira: casca
usados para amarrar.
ou cipó

no chão, em buracos cavados na terra. Suas Embaúba: designação


comum a várias espécies de
tribos não possuíam ocas nem malocas. árvores, podendo chegar a
15 m de altura. Pertence ao
Procuravam fazer seus abrigos debaixo das estrato das plantas pioneiras
grandes árvores para evitar os raios solares; da Mata Atlântica. É também
chamada de árvore da
fugiam o mais que podiam do sol, pois eles o preguiça, pois seus frutos
são alimento preferido por
consideravam prejudicial à saúde. este animal.
Fisicamente eram miúdos e franzinos, Timbó: planta cuja seiva é
utilizada na pescaria para
possuindo uma estatura pequena. envenenar peixes.
Balaios: cestos de palha ou
cipó.

Gostavam de pescar, usando para isto


uma linha sem anzol, na ponta da qual
amarravam minhocas. Em águas mais fundas,
usavam redes feitas com o fio do tucum ou
com a embira da embaúba branca.
Também pescavam com timbó ou com balaios de boca larga que
possuíam uma armadilha para fechar a tampa quando o peixe
entrasse. Nadavam muito bem e construíam jangadas.

Caratinga: nome dado a várias Da terra tiravam favas de caratinga,


espécies de trepadeiras ornamentais,
de raízes comestíveis. batatas doces, bananas da terra e milho,
Botoque: arco para atirar bolas de
barro endurecidas ao fogo,
mas não desenvolveram a agricultura.
pedrinhas, etc, também chamado de Alimentavam-se, também, de mel, frutas,
atiradeira.
Aguardente: cachaça. raízes, principalmente a raiz do caratinga.
Puberdade: é uma parte da
adolescência; compreendendo o Eram grandes corredores e muito bons
período das transformações físicas
em meninos e meninas até que o
caçadores. Andavam sempre agachados.
corpo complete seu desenvolvimento Os índios Puris só tinham como arma a
e a parada do crescimento. A idade
de início da puberdade ocorre entre flecha e o bodoque. Alguns furavam
10 e 14 anos, variando de meninos
para meninas. orelhas, lábios e pintavam todo o corpo
com uma tinta azul.

"EIVIR", "VIRU" ou "CATIPUERA" era o nome da bebida


usada pelos Puris, e era preparada com farinha de milho
fermentada. Tinha um gosto semelhante ao da cerveja, mas era
muito mais forte. O uso dessa bebida fez com que os índios
apreciassem a aguardente trazida pelos aventureiros e
comerciantes.

Aos poucos foram se misturando


aos brancos, e seus serviços eram
pagos com cachaça, bebida na qual
acabaram se viciando. O principal
serviço era derrubar a mata.
Desapareceram aos poucos, ou por
emigrarem para o Espírito Santo ou
por causa do sarampo. Leopoldina
foi o último pouso dos índios Puris,
exterminados pelo homem branco
em menos de meio século.

Os Puris casavam-se por afeição, e


casavam-se jovens, na puberdade.
Como não possuíam instrumentos
musicais, o único recurso de que
dispunham para exprimir o ritmo
era a voz. Suas danças eram
acompanhadas de cantigas. As
danças, de caráter religioso, eram Tipos de cabanas ou choças indígenas
em louvor ao sol, à lua e às de_chocas_e_cabanas
Fonte: http://www.bibvirt.futuro.usp.br/
estrelas.

Os Botocudos
Os índios Botocudos eram diferentes dos
Puris, sendo um grupo muito violento. O termo
botocudos é a denominação dada pelos
portugueses aos indígenas que usavam
botoques labiais e auriculares (peças
arredondadas, às vezes grandes, que fixavam
nos lóbulos das orelhas e nos lábios, conferindo-
Índio com Botoques
lhes aparência particularmente assustadora). labiais e auriculares

Tupi: designa os
povos indígenas que Também chamados Aimoré, pertenciam a um
habitavam a estreita
faixa da planície
grupo não-tupi que vivia do sul da Bahia ao norte
litorânea atlântica, do Espírito Santo e região do vale do rio Doce, em
desde o Estado do Rio
Grande do Sul, para o Minas Gerais. Ainda há Botocudos nas bacias dos
Norte, até o Estado da
Bahia. Rios Mucuri, Pardo e Doce.

Atacavam as aldeias dos Puris, seus adversários


tradicionais, ou caravana de viajantes e até fazendas,
incendiando o que encontravam no caminho. Habitavam o litoral.
Com a colonização dos portugueses, fugiram para o interior do
Brasil, para escaparem da escravidão.

O casamento acontecia de
acordo com a vontade do casal
e de seus pais, sem cerimônia.
Poderia acabar com muita
facilidade. As mulheres e os
filhos trabalhavam muito e
obedeciam ao marido e ao pai.
Além da colheita e da pesca, a
mulher construía a cabana e
transportava objetos pesados,
inclusive os filhos pequenos,
carregados às costas ou pelas Aldeia de índios coroados – Fonte: :
mãos. Quanto à religião, há http://www.tratosculturais.com.br/
poucos registros sobre suas
crenças, sabe-se apenas que a
lua era venerada como Iam.

Os Botocudos eram muito supersticiosos e atribuíam aos Puris


todas as desgraças que lhes aconteciam. Até mesmo a morte de
um membro da tribo era atribuída aos Puris. Para vingar seus
mortos, os Botocudos faziam grandes caminhadas através da
mata para encontrar os Puris e matá-los, vingando, assim, os seus
parentes falecidos.

PARA APRENDER MAIS

1 - Anote em seu caderno quais objetos os índios utilizavam e


quais ainda são usados por você em sua casa.

3 - Os índios Puris tinham cuidado em não tomar muito sol. Hoje,


nós fazemos o mesmo? Por quê?

4 - Quais os cuidados que devemos ter com os raios solares?

5 – Faça um desenho ou uma produção de texto sobre nossos


índios. Procure destacar suas qualidades, seus hábitos e suas
características físicas.

PARA OBSERVAR E CONCLUIR

5 – Observe a tirinha abaixo e responda ao que se pede:

Tirinha mostrando a chegado dos colonizadores, com suas


mulas carregadas de objetos e os índios escondidos observando
curiosos e/ou assustados

a) Quem são os homens que estão entrando na mata?


b) Se você fosse um índio, o que estaria pensando sobre estas
pessoas estranhas?

VAMOS PESQUISAR?

6 – Será que temos algum antepassado indígena? Procure saber


se na sua família há ou houve alguém de origem indígena.
Parte II
O nascimento de Leopoldina
2.1 – O Arraial do Feijão Cru

Localizado na Zona da Mata


Leste, o município de
Leopoldina ocupa atualmente
uma área de 942,74 km². Em
1828, os primeiros exploradores
chegaram ao território que hoje
pertence ao município de
Leopoldina, que ficou
inicialmente conhecido com
Mapa do Município de Leopoldina Arraial do Feijão Cru.

Essa história é narrada de forma folclórica, pela Lenda do


Feijão Cru, tida como marco do surgimento de Leopoldina,
encontra-se representada em um painel pintado pelo artista
Funchal Garcia, no centro da Cidade de Leopoldina, na Praça
Felix Martins.

Sabemos, no entanto, que o processo de nascimento do


município foi bem mais complicado.

São considerados seus fundadores, e


receberam as primeiras sesmarias, o
tenente Joaquim Ferreira de Brito e
seu genro Francisco Corrêa de
Lacerda. Em 1831, eles doaram terras
de suas sesmarias para que fosse
construída a primeira igreja (onde hoje
está a Igreja do Rosário) e as duas
primeiras casas do arraial. No entanto,
existe uma dúvida sobre quem deu
início à ocupação de Leopoldina: se a
família Almeida ou a família Monteiro
de Barros. A lei que teria criado o
distrito de paz e policial foi a de 30 Leopoldina Teresa Francisca Carolina
de setembro de 1830, por época da Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de
Bragança e Bourbon (1847 - 1871),
elevação da localidade a distrito da princesa do Brasil, Princesa de Saxe-
Vila de São Manuel do Pomba , em Coburgo-Gota, Duquesa de Saxe (ou na
Saxônia.Fonte: http://pt.wikipedia.org
1837, tendo pertencido,
anteriormente, a Barbacena e mais
tarde a Mar de Espanha.

Em 1854, o município de Leopoldina foi separado do


município de Mar de Espanha e, no dia 27 de abril daquele ano,
através da Lei 666, criou-se o município da vila de Leopoldina.
Sua instalação ocorreu no ano seguinte, no dia 20 de janeiro.
Em 1861, a vila de Leopoldina, sede do município, é elevada à
categoria de cidade.

Leopoldina de hoje
Leopoldina de ontem

O primeiro recenseamento realizado no Brasil foi em 1872,


por ordens de D. Pedro II, e encontrou na província de Minas
Gerais 3.184.099 habitantes e na Paróquia de São Sebastião de
Leopoldina, tínhamos 4.835 habitantes. O município possuía 481
casas.

A dificuldade em estudar, devido à falta de escolas, fez com


que 3.386 pessoas fossem analfabetas, sendo a maior parte
mulheres. Em Leopoldina, no ano de 1872, havia apenas 160
estudantes, dos quais 97 eram homens. Nessa época a mulher
era criada para ser apenas obediente ao homem, portanto, para
elas não era fácil aprender.

Já no ano de 1890, Leopoldina possuía uma população de


13.942 habitantes, destes 2.586 sabiam ler e escrever,
continuando grande o número de pessoas que não podiam
estudar.

A luz elétrica chega a Leopoldina em 1908, com o início do


funcionamento da Companhia Força e Luz Cataguases
Leopoldina, também atendeu aos municípios vizinhos, como São
João Nepomuceno, Cataguases e Rio Novo.
PARA OBSERVAR E CONCLUIR

1 - Depois de ler este documento, responda:

Em 13/03/1904 “sob o título Força e Luz – Cataguases e


Leopoldina está sendo organizada uma sociedade anônima
para exploração industrial da eletricidade, em suas
diferentes aplicações e o comércio de materiais elétricos, nos
municípios de Cataguases, Leopoldina e outros.

São incorporadores os srs. coronel Araújo Porto, João Duarte


Ferreira, major Mauricio Murgel e o Doutor Ribeiro Junqueira.
(...)”. Gazeta de Leopoldina, 13/03/1904.

a) De qual empresa estamos falando?


b) Qual sua função?
c) Você acredita ser importante para sua família e para a
cidade de Leopoldina os serviços que são prestados por ela?
d) Você já ouviu falar ou conhece alguém com um dos
sobrenomes citados acima? Qual?
e) Quantos anos se passaram depois dessa notícia?

HORA DE ESTUDAR

2 - Qual o primeiro nome do nosso município?


3 - Em que ano Leopoldina se tornou um município?
4 - A lenda do Feijão Cru conta a história da chegada dos nossos
primeiros colonizadores. Faça um desenho representando este
momento da nossa história:

UM POUCO MAIS...
5 – Sugestão de atividade:
- Junto com seu professor, faça um passeio pelo centro antigo da
nossa cidade e observe as casas, lojas, igrejas e depois dê uma
passada na praça Felix Martins e visite o famoso painel que
mostra a ocupação de Leopoldina. Depois, faça uma produção de
texto dizendo como você viu nossa cidade (se estamos cuidando
dela) e o que achou mais interessante:

6 - Após ler esta lei, faça em seu caderno as questões abaixo:

“LEI Nº 666 _ de 27 de abril de 1854.

Lei declarando à cathegoria de Freguezia e de Villa o Districto de


S. Sebastião do Feijão-Crú com a denominação de Villa
Leopoldina, e contêm outras disposições a respeito. [...]

Art. 1º Fica elevado à Freguezia o Districto de S. Sebastião do


Feijão-Crú do Municipio do Mar d’Hespanha.

Art. 2º Fica elevada à cathegoria de Villa com a denominação


de _Villa Leopoldina_ a Freguezia de S. Sebastião do Feijão-Crú
creada por esta lei.

Art. 3º O Municipio da Villa Leopoldina fica pertencendo à


Comarca do Pomba e comprehenderá os Districtos da Villa,
Piedade, Rio Pardo, Madre de Deos, S. José do Parahyba,
Conceição da Boa-Vista, Capivara, Laranjal e Meia Pataca,
desmembrados dos Municípios do Mar d’Hespanha e Presidio.

Sellada na Secretaria da Presidencia da Provincia em 29 de abril


de 1854.

Antonio José Ribeiro Bhering”.

a) Com a ajuda de seu professor, reescreva essa lei, mudando


a ortografia para a atual.
Após realizar a atividade anterior, responda:
b) Do que fala a lei?
c) Qual é a cidade?
d) Qual a data da lei?
e) Antes de ser elevada à Vila, a cidade possuía um nome, qual
era? E depois, qual nome passou a ter?
f) Quais as localidades que fazem parte da nova Vila?
g) Você conhece ou já ouviu falar delas?
h) Se já, quais hoje são consideradas cidades?
2.2 – Leopoldina: uma cidade rumo ao
progresso

Ferrovia Leopoldina Railway Ltda. Estação Ferroviária de Providência

No final da década de 1870, a Estrada de Ferro Leopoldina


Railway foi construída na nossa região, ao mesmo tempo a
produção de café aumentou muito. Essa ferrovia foi construída
com dinheiro de fazendeiros da nossa região e seu trajeto
acompanhou as fazendas do café.

A facilidade de transporte ajuda a aumentar a venda do


café. Ela trazia novos trabalhadores para a lavoura cafeeira, os
imigrantes. A ferrovia ajuda, também, a desenvolver o comércio
local.

A ferrovia chega primeiro a Cataguases, e depois, a partir


do ramal de Vista Alegre, chega a Leopoldina, nossa cidade. Em
1877, a Leopoldina Railway transportou 12,9 milhões de quilos de
café de Além Paraíba, Leopoldina e Cataguases, para a cidade do
Rio de Janeiro, onde era vendido para outros países.

A ferrovia levava o café e trazia mercadorias que eram


vendidas na cidade, para aqueles que possuíam dinheiro – que
eram poucos, pois o café não trouxe riqueza para todos. Os
vagões do trem traziam, também, estudantes que,
principalmente na década de 1910, entravam na cidade em
grande quantidade, atraídos pela excelente rede de escolas
particulares.
Atenas: Cidade da
Entre 1896 e 1914, foram fundadas cerca de 12 Grécia, famosa por
ser um centro
escolas particulares, oferecendo diversos cursos, cultural antigo.
recebendo a cidade o apelido de Atenas da Zona da
Mata.

Em 1907 foi criado o Grupo Escolar de


Leopoldina que, mais tarde, em 1922,
passou a se chamar Grupo Escolar
Ribeiro Junqueira. Essa escola ficou
conhecida em todo o Brasil por ter tido
como diretor o professor paraibano
Augusto dos Anjos, em 1914. Augusto
dos Anjos morreu em Leopoldina, aos 30
anos, tendo publicado apenas um livro de
poesias “Eu”, mas que o tornaria famoso
Augusto dos Anjos –(1884-
em todo o país. Ele foi enterrado no 1914)
cemitério de Leopoldina, onde há também
um memorial em sua homenagem. Pessoas Fonte:
http://br.geocities.com/edterr
de todas as partes do Brasil vêm a anova/auguscar.htm
Leopoldina para visitar seu túmulo.
Memorial: Escrito que
recorda as coisas boas O teatro, a música e o cinema eram formas de
que uma pessoa fez.
Companhias teatrais:
arte e lazer muito apreciados pela população da
Grupos de atores de nossa cidade. Era comum os jornais anunciarem a
teatro que viajam pelo
país apresentando suas apresentação de companhias teatrais, saraus e
peças teatrais.
Saraus: Festa noturna, em filmes.
casas particulares, em
clubes ou teatros, onde de
A cidade crescia e prosperava, graças ao café.
declama poesias, toca-se Em 1907, Leopoldina foi assim descrita pelo
instrumentos musicais,
etc. Jornal do Comércio, de Juiz de Fora:

“Leopoldina apresenta deslumbrante


aspecto. Nas ruas, pelas quais se
viam palmeiras, galhardes, flores, era
enorme o movimento, notando-se a
presença de grande número de
pessoas vindas de fora. À entrada da
rua Cotegipe, foi erguido um arco
triunfal, no qual se lê o nome do sr.
Dr. João Pinheiro, circundado de
bandeiras da nossa nacionalidade.
Essa rua, à noite, apresentava
brilhante aspecto, pela sua profusa
Em 1913, o Almanack Hénault assim descrevia Leopoldina:

“A cidade é toda iluminada à luz elétrica,


calçada e conta com 4 jardins públicos. Sua
população é calculada em 35.000 habitantes,
dos quais 3.000 vivem na cidade, com 3.327
eleitores.”

Na cidade viviam aproximadamente 10% do Agregados: agricultor pobre


total de habitantes do município, enquanto que vive e trabalha em uma
terra que não é sua, como
que nos distritos rurais estava o restante dos empregado.
Ruralistas: pessoas que
leopoldinenses. Essa população que vivia no trabalham e vivem na zona
campo era formada, principalmente, por rural.
Meação: quando o agricultor
pequenos agricultores, agregados, ruralistas divide com o dono da terra
onde trabalha os lucros do
que trabalhavam em regime de meação ou seu trabalho.
Gêneros alimentícios:
em troca de um salário. Havia também alimentos.
imigrantes, principalmente italianos, que Zona Urbana: referente ao
espaço ocupado por uma
residiam na Colônia Constança, localizada a cidade.
Elite agrária: proprietários de
alguns quilômetros da sede do município, terra ricos.
onde hoje é o bairro Boa Sorte. Estes eram
os responsáveis por boa parte da produção
de gêneros alimentícios comercializados na
cidade.

A indústria de Leopoldina
resumia-se (até 1913) em duas
máquinas de beneficiamento de
arroz e um engenho de café,
estando mais próxima do campo
do que da zona urbana. Os
membros da elite agrária e os
comerciantes limitavam-se a
conquistar novos benefícios
urbanos. Mas estes benefícios Rua Sete de setembro
não eram para todos e não Fonte:
http://www.redenetmail.com.br/leofotos/pagin
chegavam aos trabalhadores a1.htm
mais pobres.

Podemos afirmar, então, que havia uma Leopoldina


moderna e uma Leopoldina atrasada.
Apesar de ser um município agrário, onde a economia
girava em torno do café, leite e gêneros alimentícios como arroz,
Leopoldina, a cidade, buscava acompanhar de perto a
modernidade. A cidade representada era diferente dos distritos
rurais. Ela estava sempre preocupada com os avanços do
progresso.

O principal líder político de Leopoldina,


naquela época, foi José Monteiro Ribeiro
Junqueira (1871- 1946). Foi um dos
homens mais importantes do nosso
município. Foi banqueiro, promotor,
advogado, empresário e fazendeiro. Fundou
o Ginásio Leopoldinense, a Companhia
Força e Luz, o Banco Ribeiro Junqueira,
dentre outros empreendimentos. Na política
José Monteiro Ribeiro
Junqueira
foi deputado estadual, deputado federal e
senador.

PARA TRABALHAR COM DOCUMENTOS

1 - Estes são os números da estação de ferro Leopoldina, leia-os:

Estação de Ferro Leopoldina número de estações da estrada de ferro:


Redes extensões tráfego número de estações
Fluminense 1.213.584 122
Mineira 876.456 84
Espírito Santo 37.900 3
2.127.940 209

Fonte: Gazeta de Leopoldina, 20/02/1896.

Agora responda:
a) Qual o local com maior número de estações?
b) E em Minas Gerais, quantas eram as estações?
c) Escreva em seu caderno o que você acha que os trens
carregavam.
d) De onde foram retirados esses números? Você já ouviu falar
desse jornal?
e) Você já andou em um trem de ferro ou viu um de perto?
Onde?
f) Você sabe onde ficava a estação de trem de Leopoldina?
Onde?
UM POUCO MAIS...

2 - Leia este trecho de um poema e responda.

"Agora sim Bota fogo


Café com pão Na fornalha
Agora sim Que eu preciso
Voa, fumaça Muita força
Corre, cerca Muita força
Ai seu foguista Muita força.”
Manuel Bandeira. Café com pão. Trem de
ferro.
a) Como funciona a locomotiva descrita no poema?
b) O ritmo do poema lembra o movimento do trem. Você concorda?
Explique.

PARA TRABALHAR COM DOCUMENTOS

3 - Este é um trecho de Dom Pedro II, Imperador do Brasil,


quando visitou Leopoldina, no ano de 1881. Leia-o com atenção e
depois responda ao que se pede.

“Na estação de Vista Alegre (10h 35') tomou-se o ramal da


Leopoldina. Aí cheguei às 11 e meia à casa de um amigo. (...)

Câmara e Cadeia - idem (sic). A casa não e má. Aula primária de


meninos que não me desagradou. A sala é muito pequena. Colégio
de meninas que não me pareceu mau, tendo a mestra fisionomia
inteligente. Aula primeira de meninos do grau superior. Sofrível. A
aula primeira de meninas não tem agora professora. O cura não
explica doutrina aos meninos na igreja, como quase nenhum faz.

Oração na igreja de onde se goza de boa vista; subida íngreme;


fomos de trole e de lá por boa ladeira
para a estação.

Partida à 1h e três quartos. Chegada às 2h 10' a Vista Alegre. O


estacionário é casado com uma filha do Gadele. (...). Seguimos
cerca das 2h e um quarto”.
a) O im perador do Brasil chegou a Vista Alegre utilizando qual m eio de
transporte?

b) Com o ele viu o ensino na cidade?

c) “Oração na igreja de onde se goza de boa vista; subida íngreme;


fomos de trole e de lá por boa ladeira para a estação”. A partir da
leitura desse trecho, diga de qual igreja ele está falando.

PARA IR ALÉM...

8 – Sugestão de atividade:

– Augusto dos Anjos foi um importante poeta que viveu em


Leopoldina. Vamos conhecer mais sobre ele? Faça uma pesquisa
na biblioteca e monte um lindo memorial em sua homenagem.
Tire uma aula para falar sobre poesia e declamar versos na sala
de aula, junto com o professor.
2.3 – O café em Leopoldina
O café veio trazido para o Brasil no início do século XVIII. Era
plantado nos quintais das grandes propriedades, para uso dos
moradores. Mas, a partir de 1870, tornou-se uma importante
mercadoria para exportação.

Foi o Vale do Paraíba (que vai do Rio de Janeiro a Minas


Gerais) que começou a produzir café, em 1830. Como essa região
estava ligada à Zona da Mata de Minas, o café acabou chegando
até nós. Era plantado principalmente no Sul e na Zona da Mata, e
utilizava basicamente a mão-de-obra escrava. O plantio de café era
feito em grandes propriedades de terra, grandes fazendas
chamadas de latifúndios.

Fonte: http://br.geocities.com/fcpedro/vidaesc.html

Minas Gerais acabou se tornando um grande produtor de


café, graças à presença de muitas terras livres para cultivo, além
de trabalhadores para as lavouras, primeiro escravos, depois
homens livres, com destaque para os municípios de Leopoldina,
Juiz de Fora, Mar de Espanha, Cataguases e Ubá. Em um discurso
feito à Assembléia Mineira, em 1859, o Visconde de
Caravelas, Carneiro Campos, falava sobre a importância do
crescimento da lavoura de café nos municípios de Mar de
Espanha e Leopoldina.

O município de Leopoldina se tornou um grande centro


produtor de café, um dos mais ricos e importantes da Zona da
Mata. Toda a produção de café era comercializada no Rio de
Janeiro e de lá embarcada em navios para outros países.
Exportar: vender
para outro país.
Unidade produtiva:
As fazendas eram bastante numerosas. De
local onde se 1883 a 1887, em Leopoldina, existiam cerca
produz alguma
coisa, pode ser um de 42 unidades produtivas. Havia muitas
pedaço de terra,
uma fábrica, etc. pequenas propriedades, mas a maior parte da
Pequenas
propriedades:
terra estava nas mãos dos grandes
sítios. proprietários, que tinham melhores condições
de expandir o cultivo.

APRENDER FAZENDO

1 – Quando o café chegou ao Brasil e onde ele era plantado?


2 – O que é um latifúndio?
3 – Qual foi a importância do café para Leopoldina?
4 – Sugestão de trabalho em grupo na sala de aula:
- Vamos fazer uma feira de café?
- Forme um grupo de trabalho e pesquise tudo que puder
encontrar sobre o café. Faça cartazes, consiga ramos de café.
- Procure receitas, escolha uma e faça. O professor irá marcar um
dia para que todos mostrem seus trabalhos e ao mesmo tempo
possam dividir, em um grande lanche, as comidas gostosas que
podemos fazer com o café.
2.3 – A decadência econômica de Leopoldina
No início do século XX, o preço do café começou
a baixar, porque a concorrência de outros países Impostos: tributo,
contribuição,
estava prejudicando o Brasil, e os fazendeiros geralmente paga
em dinheiro.
perderam muito dinheiro. Minas Gerais era o segundo Disponíveis: livres.
maior produtor de café do Brasil, perdendo apenas Comendas:
homenagens,
para São Paulo. Durante os trinta primeiros anos do condecorações.
Industrializar: ter
século XX, o município de Leopoldina lutava para muitas indústrias,
quando uma
salvar a lavoura do café. cidade é
industrializada
significa que a
Em 1930, já não havia mais esperança para a indústria produz
mais riquezas do
cafeicultura e muitos fazendeiros perderam suas que a
agropecuária.
fortunas. Os municípios que dependiam do café
também foram afetados, pois como o dinheiro
começou a sumir, os impostos recolhidos também
diminuíram. Foi o que aconteceu com Leopoldina, um
município rico que acabou se tornando um município
pobre.

Políticos como José Monteiro


Ribeiro Junqueira passaram a
incentivar a policultura e a
criação de gado leiteiro, que se
tornou mais tarde muito
importante para nosso município.
Em 20 de setembro 1900, foi
criada a lei 353, criando a feira
de gado de Leopoldina, com o
objetivo de incentivar a produção
Antigo parque de exposições – Fonte: oferecendo prêmios e comendas.
http://www.redenetmail.com.br/l A Cooperativa dos Produtores
de Leite de Leopoldina tornou-
se em pouco
tempo uma das maiores fornecedoras do produto para o Estado
do Rio de Janeiro.

Leopoldina nunca conseguiu se industrializar, como a


vizinha Cataguases, e a sua população foi aos poucos se
reduzindo. O município que recebia trabalhadores e estudantes
vindos de várias regiões de Minas e do Brasil e que, em 1872
possuía mais de 40 mil habitantes, foi esvaziando. Mas isso não
aconteceu apenas aqui: poucos foram os municípios da Mata que
conseguiram sobreviver ao fim da cafeicultura na região.

HORA DE ESTUDAR

1 – Responda:
a) Por que a cafeicultura acabou em Leopoldina?
b) Que atividades passaram a substituir a produção de café?
c) Para onde ia nossa produção leiteira?
Parte III
Quem trabalha em Leopoldina?
3.1 – O escravo

Nós sabemos que o Brasil foi


um país escravista, ou seja,
onde quase todo o trabalho era
feito pelo escravo. Os primeiros
escravos foram os índios, que
foram tirados de suas aldeias
para trabalhar em fazendas de
cana-de-açúcar. Depois, vieram
os negros africanos. Estes
trabalhadores eram capturados
na África e trazidos para o
nosso país para trabalharem,
primeiro nas plantações de
cana-de-açúcar, na mineração
e depois nas plantações de Escravas pilando café
Fonte: http://www.cliohistoria.hpg.ig.com.br
café. A escravidão é uma parte
triste da nossa história, que
durou mais de 300 anos.

Muitas pessoas tinham preconceito contra o trabalho,


África: A África é o
segundo continente que era tido como “coisa de escravo”, a maior parte
mais populoso da
Terra (atrás da Ásia)
das atividades realizadas na agricultura, na cidade ou
e o terceiro
continente mais
nas casas eram feitas por escravos negros. A colheita
extenso (atrás da do café também era feita pelos escravos. Eles
Ásia e das
Américas). arrancavam os grãos com as mãos e peneiravam
Cativos: escravos.
para separar as folhas. Depois de colhido, era lavado
e colocado para secar. Os grãos secos eram
amontoados e ensacados.

Havia propriedades com muitos escravos, chegando a


centenas, mas nas pequenas propriedades rurais, o número de
cativos não passava de cinco. Em Leopoldina existiam pequenas
e grandes fazendas.

Leopoldina teve muitos escravos, que trabalhavam nas


lavouras de café. Em 1872, a população do nosso município era
de 41.886 habitantes, dos quais 15.253 eram escravos e 26.633
livres. Os municípios que possuíam mais escravos eram Juiz de
Fora e Leopoldina. Em 1883, Leopoldina já era a segunda cidade
com maior número de escravos de Minas Gerais, com 16.001.
Em 1876 nossa cidade possuía 15.253 escravos, passando
para 16.001 em 1883. O aumento do número de escravos mostra
o tamanho da riqueza produzida pelo café no município, pois o
escravo era uma mão-de-obra muito cara. Por essa razão, os
nossos senhores de escravos lutaram contra a sua libertação.

Senzala: é um grande Apesar de viverem sem liberdade, obrigados a


alojamento que se
destinava à moradia dos trabalhar e sem receber nenhum pagamento pelo
escravos das fazendas no
Brasil até o século XIX. seu serviço, os escravos podiam constituir
Corte: (com a sílaba tônica
cor pronunciada como em
famílias, se casavam com as bênçãos dos padres,
corpo) eram os nobres que tinham padrinhos em seus casamentos que
viviam em torno do rei em
Portugal e depois no Brasil. poderiam ser outros escravos, seu proprietário,
Costuma-se chamar de
corte a cidade de onde o algum homem ou mulher branca, ou mesmo um
Rei governa. No caso do
Brasil, a corte era a cidade
escravo que já havia se libertado. Os filhos de
do Rio de Janeiro. escravos também eram batizados e tinham
padrinhos livres ou escravos.

Os escravos
trabalhavam e
enriqueciam nossos
fazendeiros, que
viviam no luxo,
possuindo tudo o que o
dinheiro pudesse
comprar, sempre
imitando a moda do
Rio de Janeiro. Os
escravos moravam nas
senzalas e possuíam
Escravo sendo castigado – Pintura de Debret.
apenas a roupa com Fonte: http://postmania.wordpress.com/
que trabalhavam e
recebiam uma refeição
simples.

Quando não trabalhavam direito, podiam ser castigados de


forma cruel, com chicotadas e surras. Muitos de nossos
fazendeiros lutaram contra o fim da escravidão, através de
nossos representantes políticos na Corte.

Mas nem todos os donos de escravos eram cruéis e nem


todos os leopoldinenses defendiam a escravidão. A historiadora
Nilza Cantoni nos conta que em Leopoldina havia pessoas que
eram contra a escravidão. Um desses casos foi o do José
Jeronymo de Mesquita, o Barão do Bonfim, proprietário da
Fazenda do Paraíso que, em 15 de abril de 1888, alforriou 182
escravos e os levou para a cidade onde assistiram juntos a uma
missa, como homens livres.

Segundo sua biografia, o Barão do Bonfim teria recebido a


fazenda Paraíso como presente de casamento de seu avô. A
fazenda de café possuía 300 escravos, que eram bem tratados e
cujos filhos, inclusive, recebiam aulas. Ele chegou a construir uma
sala de música para os escravos aprenderem a tocar
Alforiar: dar a
instrumentos musicais. liberdade a um
escravo.
Biografia: é a história
da vida de uma
Um dos grandes abolicionistas brasileiros, que pessoa.
Abolicionistas: pessoas
morou e trabalhou em Leopoldina, foi o Dr. que lutavam pelo fim
da escravidão.
Antônio Augusto de Lima (1859-1934), Academia Brasileira de
jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e Letras: A Academia
Brasileira de Letras
político. Nasceu em Congonhas de Sabará (hoje é o órgão lingüístico e
literário mais
Nova Lima), MG. Foi eleito para a Academia importante do Brasil,
fundada no Rio de
Brasileira de Letras, em 5 de fevereiro de 1903. Janeiro, a 20 de julho
Foi nomeado promotor do Termo de Leopoldina, de 1897.
Imigrante: pessoa
e, em 1885, era juiz municipal. Chegou a ser vinda de outro país.

governador de Minas Gerais, em 1895 (na época


título de governador correspondia a “presidente
do Estado”).

Em 13 de maio de 1888, a Princesa Izabel


assinou a Lei Áurea, que libertava todos
os escravos do Brasil. Os donos de
escravos leopoldinenses se sentiram
prejudicados e realizaram vários protestos
contra a monarquia, pois eles
acreditavam que o governo brasileiro os
havia prejudicado com tal lei e que eles
deveriam, portanto, receber indenizações,
pagamentos devido à perda da
mercadoria deles. Mas bem antes disso, o
Princesa Isabel Leopoldina trabalho do escravo já estava sendo
Bourbon de Bragança substituído pelo trabalho livre do
Fonte: http://pt.wikipedia.org
imigrante, vindo da Europa, em busca de
uma nova vida no Brasil.
PARA APRENDER MAIS....

1 – Responda:
a) Quem foram os primeiros escravos do Brasil?
b) De onde vinham os negros que eram escravizados?
c) Onde os escravos trabalhavam?
d) Todos os donos de escravos os tratavam mal em Leopoldina?
Cite um exemplo:

2 – Faça uma história em quadrinhos falando sobre a escravidão


em Leopoldina.

PARA INTERPRETAR DOCUMENTOS

3 – Leia o documento com atenção e depois responda no seu


caderno o que se pede:

“Chama-se feitor, na roça, o encarregado pelo proprietário


de fiscalizar o cultivo das terras, a alimentação dos escravos e a
disciplina que deve reinar entre estes; estas funções dão-lhe o
direito de castigá-los.
Os vícios punidos são: a embriaguez, o roubo e a fuga; a
preguiça é castigada a qualquer momento com chicotadas ou
bofetões distribuídos de passagem”.
Jean-Baptiste Debret. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil.
São Paulo, Martins/Edusp, 1972, t. l, v. I e II. p. 195.
a) Quem é o autor do texto?
b) Você saberia dizer o nome da obra?
c) Qual o assunto do texto?
d) Quem é o feitor? Onde ele trabalha?
e) O que levava um escravo a ser punido?

PESQUISANDO PARA SABER MAIS

4 – Em Leopoldina havia muitos escravos. Você conhece alguma


descendente de escravo? Procure uma pessoa que saiba alguma
história sobre escravos em Leopoldina e conte para seus colegas
e sua professora.
3.2 – O imigrante

Com o fim da escravidão, em 1888, Minas Gerais


tentou solucionar o problema da falta de trabalhadores para a
lavoura. Já há alguns anos, fazendeiros estavam libertando seus
escravos e substituindo o trabalho escravo pelo livre. Eles
ofereciam aos seus ex-escravos a oportunidade de continuarem
trabalhando nas fazendas, recebendo um salário. Eles também
traziam para suas fazendas imigrantes.

Os imigrantes vinham para


o Brasil com suas famílias,
fugindo da fome e das
guerras que estavam
acontecendo na Europa,
principalmente entre os
anos da década de 1870. A
maioria deles era de
italianos e alemães. Os
imigrantes vinham em
busca de trabalho e de
terras. Muitos traziam toda
a sua família e a maioria
preferia trabalhar em São
Paulo, onde o salário pago
era muito maior do que o
oferecido pelos fazendeiros
de Minas Gerais. Imigrantes aguardando embarque em Gênova –
Itália
Fonte: http://www.imigrantesitalianos.com.br/

Europa: Europa é a
parte ocidental do Minas Gerais era a região mais populosa do Brasil, ou
supercontinente
euroasiático. seja, tínhamos mais habitantes do que outros
Trabalhadores
nacionais:
Estados. Por esta razão, na Zona da Mata havia mais
trabalhadores nascidos trabalhadores nacionais do que imigrantes, mas eles
no Brasil.
Comerciantes: pessoas também foram muito importantes na construção da
que vivem do
comércio, da compra e nossa história. Os imigrantes alemães preferiam
venda de mercadorias. trabalhar nas cidades em pequenas fábricas ou
abrindo pequenos comércios. Os italianos já eram
mais ligados ao campo, e procuravam terras para
cultivar.
Os primeiros imigrantes que chegaram em Leopoldina
foram comerciantes, na década de 1850, quase sempre
identificados como "turcos". A sala de suas casas era a loja. Entre
eles estão os primeiros mascates, homens que visitavam as
fazendas levando os produtos para serem vendidos. Entre 1860 e
1888, com a abertura da estrada que servia para transportar a
produção de café, foi fundada a Companhia União e Indústria,
que contratou engenheiros, técnicos e operários especializados
na Alemanha em 1856. Muitos deles, juntamente com suas
famílias, permaneceram na Zona da Mata.

A partir de 1877, com a chegada da ferrovia, o número de


imigrantes em Leopoldina aumentou. Há relatos de que em Vista
Alegre havia uma hospedaria de imigrantes, local onde os
imigrantes descansavam até serem enviadas para fazendas ou
cidades onde iriam morar e trabalhar.

Relatos: história contadas


Hospedaria de imigrantes: estruturas
especificamente criadas a partir da
segunda metade do século XIX para
receber cidadãos estrangeiros recém-
chegados ao Brasil, que seriam
posteriormente destinados a colônias e
fazendas no interior do país ou mesmo a
serviços urbanos em cidades como São
Paulo e Rio de Janeiro.
Museu do Imigrante – São Paulo
Antiga Hospedaria de Imigrantes
Fonte: http://www.virtual.epm.br/

Com o fim da escravidão, em 1888, o número de imigrantes


que aqui chegaram aumentou bastante. A partir de então, nossa
região passou a receber agricultores, espanhóis e italianos.
Diferentemente dos primeiros imigrantes que aqui chegaram,
esses eram, em geral, pessoas de origem muito humilde,
analfabetos em nossa língua e, por esta razão, acabaram por ser
explorados pelos fazendeiros, muitos dos quais os tratavam como
escravos e nem sempre lhes pagavam o salário devido.

Os primeiros que conseguiram se livrar dos abusos dos


fazendeiros estabeleceram-se no trecho que ligava a sede do
município a Tebas. Na Onça e na vizinha Fazenda da Constança,
famílias de alemães e espanhóis haviam fixado residência e
receberam os novos imigrantes sem dificuldades e,
principalmente, sem o preconceito que os impedia de
participarem ativamente da vida econômica da cidade.
PARA APRENDER MAIS...

1 – Responda em seu caderno:


a) Por que os imigrantes vinham para o Brasil?
b) Para onde a maioria dos imigrantes se dirigia?
c) Quais foram os primeiros imigrantes a chegarem em
Leopoldina?
d) Por que era fácil para os fazendeiros enganar os imigrantes?

2 - Após ler a tabela, junto com seu colega, responda:

Não sabem ler e escrever


Brasileiros e População
estrangeiros
Homen Mulher Total Total %
s es Analfabetos
5.779 5.577 11.35 13.942 81,5
6
Fonte: Recenseamento Brasileiro de 31/12/1890.

a) Dos que não sabiam ler e escrever, qual o maior número: o


de homens ou o de mulheres?
b) Se a população total do município era de 13.942 pessoas,
11.356 não sabiam ler e escrever. Faça a conta e descubra
quantas pessoas sabiam ler e escrever.
c) Você achou muito pequeno ou grande o número de pessoas
que sabiam ler e escrever?
d) E as que não sabiam, o seu número era grande ou pequeno?
3.3 - A Colônia Constança

Mapa mostrando a localização da Colônia Constança (1930) – Fonte:


http://www.cantoni.pro.br/colonia/centenario11.html

A organização de colônias agrícolas, em Minas Gerais,


surgiu da necessidade de oferecer vantagens que fixassem os
imigrantes em seu território. Lembrem-se de que a maioria deles
preferia ir para São Paulo, trabalhar nas lavouras de café ou na
cidade. Oferecer lotes de terra para famílias cultivarem – mesmo
que elas não fossem proprietárias – era uma maneira de atrair
para nosso Estado trabalhadores.

Em Leopoldina foi criada a Colônia Agrícola Constança


pelo decreto nº 280, em 12 de abril de 1910 e foi constituída
inicialmente a partir das fazendas Constança, Boa Sorte, Onça e
Puris, adquiridas pelo Estado. Foram divididos e distribuídos lotes
de terra para imigrantes que desejassem produzir ali gêneros
alimentícios variados, para serem vendidos na cidade ou na
"venda de secos e molhados" do Sr. Augusto Timbiras, que
ficava na entrada do Bairro Boa Sorte. Colônias agrícolas:
propriedade geralmente
dividida em lotes que
Os italianos que chegaram em Leopoldina recebiam famílias de
imigrantes que desejassem
vinham quase todos da região de Veneto, na trabalhar na produção de
Itália, e na chegada ao Brasil, em 1910, ficaram alimentos agrícolas.
Veneto: O Vêneto (em
alojados na Hospedaria da Ilha das Flores, no italiano Veneto) é uma
região do norte da Itália
Rio de Janeiro, até que foram transferidos para a com 4,5 milhões de
habitantes e 18 264 km²,
Colônia Constança. A partir de junho de 1910, cuja capital é Veneza.
eles passaram a ser o maior grupo residente na
Colônia, assim como o mais ativo. Um exemplo
disso era que Leopoldina já possuía, um ano
depois, um representante de Victor Manoel III,
Rei da Itália naquela época.

Os imigrantes vinham para


trabalhar na colheita do café
e produzir gêneros
alimentícios, mas
desenvolviam, também,
outras atividades, como a
produção de telhas e tijolos,
serviços de carpintaria,
pedreiros, carreteiros,
podadores, ferreiros e outros
serviços. O dinheiro extra era
poupado para, futuramente,
a compra de uma pequena Foto de uma família de imigrantes que se fixou
em Leopoldina
propriedade rural. Fonte: arquivo particular de Nilza Cantoni

Muitos imigrantes que foram para Juiz de Fora, onde ficaram


durante algum tempo na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz
de Fora, vieram para Leopoldina entre o final de 1888 e 1909,
para trabalhar na Colônia Santo Antônio.

A Colônia Santo Antonio foi um núcleo


Carpintaria: trabalhar
organizado pela Câmara Municipal de Leopoldina,
madeira, produzindo desde localizado nas proximidades da Igreja de Santo
móveis, ferramentas, artigos
para construção civil, entre Antônio do Onça, e que durou pouco tempo. Estes
outros.
Carreteiro: Um carreteiro é imigrantes estiveram, quase sempre, ligados ao
uma
homem)
pessoa
que
(geralmente
transporta
distrito de Tebas. Em 1917, a população da
produtos, mantimentos e Constança chegava a 1065 habitantes, cerca de
artigos variados se valendo
de carreta de bois. Ele sabe 15 pessoas para cada lote.
como lidar com os bois, como
cangá-los ao carro, como
manter a carreta, como guiá-
la nos diferentes terrenos e
Um grupo de famílias de colonos alemães chegou
bem acomodar a a carga para a morar na colônia Agrícola da Constança, antes
que não se estrague e nem se
perca. da primeira Guerra Mundial, mas não desejavam
Podadores: pessoa que poda
e apara ramos de árvores ou ficar no campo e sim trabalhar na cidade, por isto
arbustos. acabaram indo embora algum tempo depois.
Tivemos também espanhóis, franceses, gregos,
holandeses que se encantaram com nossa terra e
por aqui permaneceram.
O inglês M. Lintz, pai da senhora Judith Lintz, é um
exemplo de imigrante que veio para Leopoldina e por aqui ficou.
Ele foi professor no Ginásio Leopoldinense (hoje chamado de
Escola Estadual Professor Botelho Reis), que era considerado um
dos melhores estabelecimentos de ensino particular do Brasil.
Sua filha acabou tornando-se professora, também. Por sua
dedicação ao magistério, o seu nome acabou sendo dado a uma
de nossas escolas municipais, a Escola Municipal Judith Lintz
Guedes Machado, localizada no bairro Bela Vista.

Em 1911, chegam diversos italianos a Leopoldina se


dedicando à lavoura, depois passam a investir suas economias
em pequenas oficinas. Outros são sapateiros, donos de bar,
padres, sacristãos, açougueiros, alfaiates, jardineiros e exercem
outras atividades.

Diversos portugueses também vieram morar em nossa


cidade, dedicando-se a atividades diversas; entre elas, o
comércio de atacado e varejo, dirigindo jornal, cuidando da
agricultura, sendo médico, barbeiro e artistas.

HORA DE ESTUDAR...

1 – Responda:
a) Onde se localizava a Colônia Constança?
b) Quais eram as nacionalidades dos imigrantes que lá moravam?
c) Cite as atividades exercidas pelos imigrantes em Leopoldina?

APRENDER FAZENDO

2 – Você é descendente de um imigrante? Vamos descobrir?


1º - Faça uma pesquisa em sua casa, com seus parentes e
procure saber quais sobrenomes sua família possui.
2º - Pergunte aos mais velhos de onde veio sua família.
3º - Por fim, faça uma lista, começando dos parentes mais velhos
para os mais novos, até chegar em você, falando o que cada um
foi ou fez. Ex:
Meu avô: Joaquim da Silva, foi pedreiro, teve 4 filhos: João, Maria,
Marta e José
Minha avô: foi costureira e gostava de fazer doces
Meu pai:...
PARTE IV

A CULTURA POPULAR DA NOSSA TERRA


4.1 – NOSSO FOLCLORE E TRADIÇÕES Tradição: é uma transmissão
oral de lendas ou narrativas
ou de valores espirituais de
Leopoldina é um município com mais de geração em geração. Uma
crença de um povo, algo que
153 anos. Ao longo de todo esse tempo, é seguido
conservadoramente e com
fomos criando e renovando nossas tradições respeito através das
dentro da nossa comunidade. Em nosso gerações. Uma recordação,
memória ou costume.
município, pessoas de todas as idades, ricas Preservar: cuidar.
Manifestação: ato ou efeito
ou pobres, ajudam a preservar um pouquinho de se manifestar, de
mostrar, revelar.
da nossa história através do folclore e das Lenda: é uma narrativa
tradições populares. fantasiosa transmitida pela
tradição oral através dos
tempos. As lendas combinam
fatos reais e históricos com
Folclore é uma palavra de origem fatos irreais que são
produtos da imaginação
inglesa cujo significado é ''conhecimento humana.
popular''. O termo Folk-Lore foi usado pela Artesanato: é o próprio
trabalho manual ou produção
primeira vez em 22 de agosto de 1846. Folk de um artesão.
Geração: conjunto de
quer dizer povo; lore, o saber, o pessoas nascidas em uma
mesma época.
conhecimento, o costume. Pode-se afirmar: Ninar: fazer dormir.
Folclore é o saber do povo. Não é transmitido
através de escolas e nem de livros e sim por
imitação ou por força de tanto ver e ouvir.

As manifestações da cultura de um povo, sejam através das


suas lendas, da sua alimentação, do seu artesanato, das suas
vestimentas e de muitos de seus hábitos originais, enriquecidos
com novos hábitos. O folclore é passado de pais para filhos,
geração após geração. As canções de ninar, as cantigas de roda,
as brincadeiras e os jogos, e também os mitos e lendas que
aprendemos quando criança são parte do folclore que nos
ensinam em casa ou na escola.

O folclore é o meio que o povo tem para compreender o


mundo. Conhecendo o folclore de um país, podemos
compreender o seu povo. E assim passamos a saber, ao mesmo
tempo, parte de sua História.

Em Leopoldina as tradições folclóricas resistem, aos poucos,


às mudanças impostas pela modernidade e pela influência de
meios de comunicação como televisão, rádio e jornal. Vamos
conhecer um pouco do folclore e das pessoas que ajudam a
divulgá-lo em nossa cidade?

A Dança
O Grupo Folclórico Assum Preto – ligado ao CEFET/MG
– Uned/Leopoldina - dedica-se a ensinar danças folclóricas e a
fazer apresentações dentro e fora do nosso município. Ele foi
fundado em 1984 e desenvolve um trabalho social de grande
importância. Nesse grupo, jovens leopoldinenses de todas as
origens sociais e também jovens de municípios vizinhos
aprendem um pouco mais sobre o que é o folclore, sua
importância e acabam por se tornar instrumentos importantes de
transmissão deste conhecimento.

Roupas do usadas na dança Aruanâ


Fonte: acervo particular

No grupo, os jovens aprendem danças típicas como o


mineiro-pau, a “congada”, o Aruanã (uma dança indígena),
dentre muitas outras. O grupo existe graças à dedicação de seus
componentes e consegue encantar a todos que assistem às suas
apresentações.

A Folia de Reis e a Folia de São Sebastião

Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa


Festejo: festa. ligado às comemorações do culto católico do Natal
Crença: acreditar
que, trazido para o Brasil, mantém-se vivo nas
em alguma coisa.
manifestações folclóricas de muitas cidades. A
crença popular diz que, ao nascer na manjedoura, o
menino Jesus foi visitado por três reis magos, cada
qual de uma parte do mundo, guiados por uma
estrela, e ofereceram ricos presentes ao menino
Jesus.

O primeiro dia em que se toca a folia é 25 de dezembro e, a


partir de 1º de janeiro, inicia-se a representação da viagem dos
reis magos. Os devotos caminham durante 6 noites, de casa em
casa, como se estivessem seguindo a estrela guia. Cantanto nas
casas que visitam, contam a história do nascimento de Cristo,
fazendo uma oração com cantos rimados e acompanhados por
violas, pandeiros, caixas e bumbos:

No azul dos grandes passos/ Um raio de Luz seguiu


Uma luminosa estrela / Do firmamento fugiu
Os três reis do oriente/ do vosso reino saiu
Guiado da mesma Estrela/Caminho de Belém seguiu.1

A Folia de Reis se transforma em Folia de São Sebastião,


no dia 06 de janeiro, para poder, então, fazer homenagem a São
Sebastião, santo católico padroeiro de Leopoldina, cuja
consagração se comemora no dia 20 de janeiro.

As folias são uma forma de expressão da religiosidade dos


leopoldinenses e delas participam pessoas de todos as idades.
Leopoldina possui cerca de 23 folias de reis e essa é uma de
nossas tradições mais antigas. Existe um grupo de folia,
localizado na comunidade rural, chamada de Folia da Serra,
que é mais antigo do que o próprio município: surgiu em 1817.
Devoto: pessoa que se
dedica a um culto
religioso.

A Capoeira Pandeiro: Pandeiro é


um instrumento
musical de percussão
com rodelas (soalhas)
duplas de metal
Capoeiras era o nome das clareiras onde os enfiadas em intervalos
ao redor de um aro de
escravos treinavam seus golpes, daí o nome da luta. madeira. Pode ser
brandido para produzir
Seus golpes, quase acrobáticos e com aspecto de som contínuo de
dança, muito contribuíram para enganar os senhores entrechoque, ou
percutido com a palma
de engenho, que permitiam a prática, julgando-a da mão e os dedos.

1 Bumbo:
Giovanni Junior, Oswaldo. Folguedos da Mata: um registro do folclore da Zona da Mata. Leopoldina: Um bumbo ou
Do autor,
bombo é um tambor
2005. cilíndrico de grande
dimensão, de som
grave e seco.

Acrobático: que usa


acrobacias, saltos,
piruetas, pulos
como uma brincadeira dos escravos. O jogo da
Capoeira é acompanhado por instrumentos musicais,
comandados pela figura máxima do berimbau, o qual
dá o tom e comanda o ritmo para a execução das
cantigas: Cantos Corridos ou Ladainhas. No início, o
berimbau servia para dar ritmo ao jogo, também
servia para anunciar a chegada de um feitor, ou seja,
a hora de transformar a luta em dança.

Ê berimbal, eê, berimbal.

Ê berimbal, eê berimbal.
Ê berimbal, eê berimbal.
A cabaça, um arame, um
pedaço de pau,
como é gostoso tocar
berimbal.
Ê berimbal, eê berimbal.
Ê berimbal, eê berimbal.
Ê berimbal, eê berimbal.
A cabaça, um arame, um
pedaço de pau,
como é gostoso tocar
berimbal.
Ê berimbal, eê berimbal.

A capoeira é, ao mesmo tempo, uma luta, uma dança, uma


arte, é também folclore, esporte, educação e lazer. Ela trabalha a
criatividade, a coordenação motora, a agilidade, a habilidade de
resolver problemas rapidamente, sendo ainda uma prática
saudável e que ensina a valorizar nossa cultura e o respeito
mútuo.
Coordenação
motora: capacidade
A capoeira, antes treinada livremente pelos escravos,
de coordenação de é agora treinada dentro das academias. A primeira
movimentos,
decorrente da academia de capoeira de Leopoldina foi fundada em
integração entre
comando central 1974, e chamava-se Kajucagi, tendo como professor
(cérebro) e unidades
motoras dos
o mestre capoeirista cataguasense Serginho
músculos e Gafanhoto. A academia se localizava na antiga
articulações.
Academia: aqui Capela do Colégio. Mais tarde, em 1978, surge uma
significa escola onde
se ensina algum tipo segunda academia, sob a liderança do José Dimas
de atividade física,
como musculação,
de Sousa (mestre Dimas), o grupo Cobrinha
ginástica, capoeira,
etc.
Mansa, nome este dado em homenagem ao grande
mestre de capoeira Cobra Mansa, que levou a
capoeira para fora do Brasil.

Mestre Dimas nos conta que um dos registros mais antigos


de prática de capoeira em Leopoldina é de 1890, quando um
homem, José Francisco Peres, foi preso, no distrito de Cataguases,
por prática de capoeira, que na época era uma das formas de
auto-defesa, mais difundidas entre negros e mulatos.

Leopoldina atualmente conta com três grupos de capoeira.


Além do Cobrinha Mansa, há também o grupo Nova Era – que
trabalha junto à pastoral do menor – e o grupo Abadá, que
funciona com apoio da Companhia Força e Luz. A capoeira de
Leopoldina possui reconhecimento internacional, participando de
eventos por todo o Brasil e em outros países.

HORA DE ESTUDAR...

1 – Sobre o folclore, responda:


a) O que é folclore?
b) Qual a importância do folclore?
c) Procure no texto as manifestações do folclore, presentes em
Leopoldina:

PARA APRENDER MAIS...

2 – Sugestão de trabalho extraclasse:


- A Capoeira é uma das mais completas manifestações da nossa
cultura popular.
- Você já assistiu a uma roda de capoeira?
-Vamos saber mais sobre ela?
- Reúna-se com outro colega e faça uma entrevista com um
capoeirista. Prepare um questionário com aquilo que você quer
saber e depois faça um relatório para apresentar na sala de aula.
4.2 - Memória de nossos carnavais

No Brasil, o primeiro carnaval surgiu em 1641, promovido pelo


governador de Salvador Correia de Sá e Benevides em
homenagem ao rei Dom João IV, mas foi no final do século XIX
que a festa começou a se popularizar. As pessoas se fantasiavam,
decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das
cidades. Está aí a origem dos carros alegóricos, típicos das
escolas de samba atuais.

No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada


vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a
ajuda das marchinhas carnavalescas. Marchinhas são músicas
curtas e ritmadas que alegraram durante muitos anos os bailes e
blocos de carnaval. Composta em 1899, Ó abre alas é a primeira
marcha registrada na História do Carnaval Brasileiro. Essa
marchinha foi composta pela nossa primeira maestrina,
Chiquinha Gonzaga.

Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
Não posso negar
Eu sou da Lira
Não posso negar

Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar
Leopoldina teve muitos
carnavais, onde as
pessoas se divertiam.
Nossos carnavais
mudaram muito, mas a
animação do nosso
povo continua a
mesma. Em
Leopoldina, era muito
comum amigos se
reunirem para
comemorar o carnaval,
Carnaval antigo de Leopoldina em blocos. Ainda hoje
se faz isso.

Um tipo de bloco de carnaval muito comum era o bloco


dos sujos, onde as pessoas desfilavam com seus rostos
tampados com um pano branco ou uma fronha de travesseiro
velha, usando trapos como roupa, pregando sustos e fazendo
brincadeiras com quem encontrassem nas ruas.

Nosso mais famoso carnavalesco foi Mestre Vitalino


Duarte, conhecido em Leopoldina por promover festas populares.
Nasceu no dia 15 de agosto de 1932. Em 1955 começou a se
interessar pelo carnaval e, em 1959, fundou a Escola de Samba
Acadêmicos de Leopoldina, da qual foi presidente. Morreu em
2003, depois de 47 anos como carnavalesco.

Em seus primeiros carnavais, Mestre Vitalino desfilava pela


cidade com uma Baiana e uma burrinha, arrastando multidões e
cantando:
Arranjei uma burrinha,
Para brincar no carnaval,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!

A orelha era de palha


E o rabo de jornal,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!

Ê, ê, ê!
Ê, ê, a,
Montado na Burrinha,
Devagar eu chego lá!
Atualmente nosso carnaval acontece nas ruas e nos clubes.
Nas ruas ainda existem desfiles de blocos, alguns muito bem
humorados, onde homens vestem-se de mulheres e aplicam
trotes nas pessoas que assistem ao seu desfile, muitas vezes
desorganizados. Há, também, blocos que reúnem pessoas de
uma mesma profissão. O Bloco do Pó de Giz já ganhou espaço
nos carnavais, contando com a presença dos professores da
cidade e seus parentes. Outro bloco é o Bloco dos Fajardos,
que reúne no carnaval os membros dessa família, uma das mais
tradicionais de Leopoldina.

VAMOS PESQUISAR PARA SABER MAIS?

1 – Sugestão de atividade:
- Em Leopoldina, temos muitos compositores que produzem todos
os anos sambas-enredo e marchinhas de carnaval.
- Vamos conhecer um pouco mais sobre eles?
- Com ajuda do professor, faça uma pesquisa sobre músicas de
carnaval tocadas em Leopoldina e apresente uma para seus
colegas.
Parte V

A Leopoldina de hoje!
5.1 - Como é formado um município?

Unidade administrativa:
município, cidade ou Estado
que possui um governo.

Administrar: gerir, organizar


uma empresa, um município ou
um Estado.

Plano de governo: é o
planejamento feito por um
governo onde ele determina o
que deve ser feito durante um
determinado período dando
prioridade ao que mais se
necessita.
Prestar contas: tornar público,
mostrar o que se está fazendo.

Prefeitura de Leopoldina
Fonte: http://www.asminasgerais.com.br/

O Brasil, assim como outros países, é formado por estados.


Os estados, por sua vez, são divididos em municípios. O
município, que é a menor unidade administrativa utilizada na
divisão do território brasileiro, é administrado por um prefeito e
uma câmara de vereadores, é composto de uma área urbana e
uma área rural.

Para administrar o município nós contamos com o prefeito,


que recebe ajuda de seus secretários municipais, vereadores
que compõem a Câmara Municipal e os juízes municipais.

O Poder Executivo

O prefeito faz parte do Poder Executivo, é ele quem


executa as leis e é o responsável pela ad ministração da nossa
cidade e por resolver os problemas que nela surgem. Ele é a
maior autoridade do Poder Executivo, é eleito pelas pessoas que
moram em Leopoldina, e deve ficar comandando a prefeitura
por quatro anos, podendo ser reeleito para mais quatro anos. É
responsável também pelos serviços sociais como casas de
cultura, postos de saúde, escolas e lazer, entre outros.

Um exemplo de ajuda para o prefeito governar é a


Secretaria de Educação, que cuida dos assuntos ligados às
escolas municipais de Leopoldina, devendo agir de acordo com o
plano de governo do município, mas deve prestar contas de suas
ações ao prefeito. Quem governa nossa Minas Gerais é o
governador que também é representante do Poder Legislativo,
como também é o Presidente da República que é a pessoa que
governa o Brasil.

HORA DE ESTUDAR....

1 - Você sabe quem é o prefeito de Leopoldina?


2 - E quantos são os vereadores?
3 - O que é uma prefeitura?
4- Como é composto o Poder Executivo?
5- Quem representa o Poder Executivo?
O Poder Legislativo

O Poder Legislativo é aquele que elabora as leis, quem


compõe o Poder Legislativo são os vereadores, também eleitos
pelos leopoldinenses para um mandato de quatro anos, nos
quais eles devem fiscalizar as ações do prefeito e elaborarem as
leis do município.

Fiscalizar: verificar se uma Um vereador pode apr esentar uma lei


pessoa, uma empresa,
governante ou uma unidade
um
que pode ou não ser aprovada pelos outros
administrativa está fazendo vereadores, como também o prefeito pode
correntemente seu trabalho.
Rejeitada: recusada. enviar para a Câmara de Vereadores uma lei
Projeto: plano.
Sancionar: aprovar. que será aceita ou rejeitada. Caso uma lei
Assembléia Legislativa: é o órgão
que representa o poder legislativo
votada pelos vereadores não seja aceita pelo
em cada Estado. prefeito, ele pode vetá-la, mas somente
Congresso Nacional: o órgão
constitucional que exerce, no uma vez; se os vereadores revisarem o
âmbito federal, as funções
legislativas e fiscalizatória do projeto e esse for novamente aprovado, o
Estado Brasileiro, com funções
típicas. Exerce, ainda, duas outras
prefeito é obrigado a assinar a lei. Quando o
funções atípicas: administrar e prefeito concorda com uma lei, ele a
julgar.
Câmara dos Deputados: órgão sanciona, ou seja, ele a aprova.
onde os deputados que
representam cada Estado do
Brasil se reúnem para apresentar
e votar novas leis.
No Estado de Minas Gerais quem
Senado: órgão que reúne os representa o Poder Legislativo são os
senadores e onde são discutidas
as leis aprovadas pela Câmara deputados estaduais que trabalham na
dos Deputados.
Assembléia Legislativa Estadual, em Belo
Horizonte, e quem cuida das leis do Brasil
são os deputados federais e senadores que
atuam no Congresso Nacional , composto
pela Câmara dos Deputados e pelo Senado
que ficam em Brasília.

UM POUCO MAIS...

1 - Como se dá a aprovação de uma lei?


2 - O que é um projeto vetado e sancionado? Quem pode fazer
isto?
3 - Reúna com seus colegas e elaborem um projeto que na
opinião de vocês seja muito importante para nossa cidade.
4 – Sugestão de atividade:
a) Dividir a sala em grupos, de acordo com o bairro, rua ou
região de cada um.
b) Cada grupo irá pesquisar o que tem e o que falta onde mora.
c) Em seguinda, irá eleger, em sala de aula, um “vereador” em
cada grupo.
d) Depois de eleitos, os vereadores de cada grupo irão participar
de uma “sessão” e propor soluções para os problemas do lugar
onde mora.
O Poder Judiciário

Concurso Público:
prova através da qual
uma pessoa pode
conseguir um emprego
em algum órgão ligado
ao poder legislativo,
executivo e judiciário.

Fórum de Leopoldina
Fonte: Fonte: http://www.asminasgerais.com.br/

Quem é responsável por fiscalizar se as leis são cumpridas no


município é o juiz municipal, ele é membro do Poder Judiciário. O
juiz não é eleito pelo povo, ele alcança seu cargo por meio de
concurso público. Nossa cidade é uma Comarca pois possui
Fórum (local onde os juízes trabalham) e juiz. Quando uma
pessoa não pode contratar um advogado, o Estado deve
providenciá-lo, pois ninguém pode ficar sem defesa.

PARA IR ALÉM....

1 - Qual a importância do Poder Judiciário?


2 - De quantos em quantos anos temos eleição para prefeito?
3 - Quais são os problemas mais graves em nossa cidade de
acordo com a opinião de vocês? Quem deveria resolvê-los?
HISTÓRIA E CIÊNCIA

Em 1902, a Gazeta de Leopoldina alertava a população sobre a


tuberculose. Leia estes trechos.

“A tuberculose é produzida por um micróbio muito pequeno,


visível somente ao microscópio de grande aumento, que vive
muito bem na temperatura do corpo humano (37º graus)
podendo atacar os pulmões e intestinos.

É a doença mais comum no mundo. Morrem a cada minuto


3.000 vidas e em cada ano 1.075.000. Em São Paulo, mata por
ano 2.000 pessoas.

Ataca a qualquer um, mais aos pobres devido à falta de


conforto e limpeza. Sendo as pessoas que ficam mais doentes os
indivíduos entre 15 e 60 anos, é uma doença de jovens e idosos.

É uma moléstia de família, pois junto ao tísico se pega


facilmente. O bacilo está na saliva, nas fezes, na urina e poeira,
nos escarros. O escarro seco e a poeira transmitem a doença a
longas distâncias.

As gotas de saliva (perdigotos) transmitem até a mais de


um metro. Pode ser transmitida pela carne, leite, por isso
deve-se ter o cuidado com a escolha das amas de leite.

O meio de se evitar a doença é fugindo da convivência com


os tísicos, suprimindo as comidas suspeitas e os excessos que
enfraquecem o corpo.

O micróbio vive muito bem nas casas velhas, sujas, sem ar


e sem luz – devem ser desinfetadas. Existe cura para a doença,
porém é mais fácil evitá-la.

Para se tratar o paciente deve ter hábitos higiênicos, como


ficar mais tempo ao ar livre, respirar de dia e de noite o ar puro
dos campos, repousar o corpo e o espírito, ter uma alimentação
sadia, variada e abundante.”
Da Revista Médica de São Paulo (Gazeta de Leopoldina).

Como você pode observar, a preocupação em prevenir doenças já


existia em Leopoldina no início do século XX, agora responda a
estas perguntas, se precisar peça ajuda a seu professor ou a
algum adulto:

a) Qual a doença de que trata o texto? Você já ouviu falar dela?


b) Como eram tratados os doentes? Você acha correto?
c) E o tratamento, como era feito?
d) Hoje, você conhece alguma campanha da prefeitura para
evitar doenças? Cite-a.
HISTÓRIAS DA
NOSSA MÚSICA

Você já ouviu falar do Serginho do Rock? Pois é, talvez não,


mas com certeza seus pais já ouviram e, quem sabe até já
cantaram suas músicas. Antônio Sérgio Lima Freire (Serginho do
Rock) nasceu no dia 26 de outubro de 1940, em Leopoldina. Ele
foi um dos nossos grandes compositores, sempre com músicas
que falavam de Leopoldina e de sua gente.

Nesta música, Serginho do Rock declara seu amor a


Leopoldina, a cidade onde nasceu, viveu e morreu. Preste
atenção na letra:

Mineira Gostosa

Protegida pelos contrafortes Sentindo saudades, seus


Das altas montanhas de Minas melhores momentos
Driblando o tempo, de Águas passadas já são gotas
maneira ladina de chuva
Ainda parece menina Filosofia de estrada, vã
literatura
Isto é Leopoldina, sonora De rimas quebradas
verdade
Mineira Gostosa, minha Rebuscando suas velhas
cidade histórias
Era apenas um pontinho no
De longe seus filhos lhe amam mapa
De perto seus filhos reclamam Mais verde, mais culta, pacata
Condenam sua vida tão calma Atenas da Zona da Mata
Mas lhe querem no fundo da
alma Alienada em função do futuro
O ócio desprende do gênio
Centenária vaidade, retendo o Da bela da Mata que espera
tempo no escuro

A luz do terceiro milênio


Algumas pessoas brincam e dizem que em Leopoldina
temos dois hinos: um oficial, composto pelo Cônego Gerardo
Naves, que é tocado nas cerimônias cívicas da cidade; e outro
não oficial, que é uma música composta por Serginho do Rock.
Vamos comparar os dois?

Hino a Leopoldina

A cordilheira de desfez, E marcha sem temor,


Em mil pedaços a sorrir, Buscando dirigir
E, na baixada, à luz do sol, Seus filhos à luz
Linda cidade viu surgir. Do bem que conduz
A glórias em seu porvir.
Como um sorriso de mulher,
Como um anseio de menina, Atenas a ensinar
Surgiu no seio da terra Aos filhos do Brasil,
Esta formosa Leopoldina. A trilha segura
Do bem e do dever.
Nasceu para vencer
E ser como um padrão. Não sabe silenciar
Por isto, esta cidade À luz do céu de anil,
É grande por tradição. O quanto procura
Lutar pelo saber.

Morro Do Cruzeiro

Neste pedaço de serra Frutos naturais


O mundo é bem diferente
Aqui eu vivo sempre contente Deixe os traumas lá embaixo
E a vida é pura e natural E suba o Morro do Cruzeiro
Sua paz envolvente Vem ouvir o seu silêncio
Me faz bem consciente Este meu velho companheiro
De viver longe do mal
Situado no ponto culminante
Vivendo com os animais Vejo o sol nascendo e se
Dentro do meu quintal pondo
Em contato permanente Por trás da linha do horizonte
Com as coisas reais Lá embaixo, no vale que
Plantando e colhendo aparece
Vejo apertada entre as colinas

Minha pequena Leopoldina


SÍMBOLOS DA
NOSSA CIDADE

Bandeira de Leopoldina

Brasão de Leopoldina
OS PREFEITOS DE
LEOPOLDINA

Leopoldina teve muitos prefeitos, e todos eles deixaram sua


marca na nossa cidade. Você sabe quem eles foram?

NOMES DE PREFEITOS PERÍODO DE


GOVERNO
Francisco Andrade Bastos 1937 – 1945
Dr. Oswaldo Vieira 1945 – 1947
Francisco Barreto de Faria Freire 1947 – 1948
José Ribeiro dos Reis 1948 – 1951
Dr. Newton Monteiro de Barros 1951 – 1955
José Ribeiro dos Reis 1955 – 1959
Dr. Jairo Salgado Gama 1959 - 1963
Dr. Joaquim Furtado Pinto 1963 – 1967
Francisco Barreto de Faria Freire 1967 – 1971
Darcílio Junqueira Reis 1971 – 1973
Osmar Lacerda França 1973 – 1977
Dr. Joaquim Furtado Pinto 1977 – 1979
Wilson Pimentel (vice-prefeito que 1979 – 1983
ocupou a vaga do Dr. Joaquim)
Osmar Lacerda França 1983 - 1988
Dr. Antônio Márcio Cunha Freire 1989 – 1992
Dr. José Roberto de Oliveira 1993 – 1996
Dr. Antônio Márcio Cunha Freire 1997 – 2000
Dr. José Roberto de Oliveira 2001 – 2004
Dr. José Roberto de Oliveira 2005 - 2008
NOSSAS ESCOLAS
MUNICIPAIS
Escolas Urbanas Escolas Rurais
Escola Municipal Botelho Reis Escola Municipal Francisco
Praça Professor Ângelo – Centro. Pinheiro de Lacerda
Rua Alto Distribuidora – Abaiba

Escola Municipal Ribeiro Escola Municipal Joaquim


Junqueira Ferreira Brito
Praça Francisco Pinheiro de Lacerda, Arraial dos Montes – Povoado de São
47 – Centro. Lourenço

Escola Municipal Judith Lintz Escola Municipal Arthur Dorigo


Guedes Machado Tito
Avenida dos Expedicionários, s/n – Povoado das Virgens - Palmeiras
Bairro São Sebastião.
Escola Municipal Professora Escola Municipal Afrânio Reis
Maria da conceição Monteiro de Junqueira
Resende Rua Principal, s/n – Povoado São
Rua Sebastião Ferreira Lacerda, 20 – Martinho – Providência
Bairro Eldorado.

Escola Municipal Osmar Escola Municipal Carlos Rubens


Lacerda França de Castro Meirelles
Rua Nicácio Salles, 210 – Bairro São Comunidade dos Coelhos - Tebas
Cristóvão.

Escola Municipal Rotary Escola Municipal Nova Usina


Rua Manoel A. Almeida – Bairro Três Maurício
Cruzes. Nova Usina Maurício - Piacatuba

Escola Municipal Dr. Aroldo Escola Municipal Vargem Linda


Maranha Fazenda da EPAMIG -
Rua Antônio Lima dos Reis, 99 Piacatuba
Bairro Pedra Pinguda

Centro de Educação Infantil Escola Municipal Maurício


Maria Aparecida da Silva Conte Lomba Junior
Rua Nilo Colona dos Santos Fazenda Bocaina – Ribeiro Junqueira
NOSSAS UNIDADES DE SAÚDE
Programa Saúde da Família

O Município de Leopoldina coloca à disposição da população


postos de atendimento do Programa Saúde da Família. Saiba
onde encontra-los:

Unidade Bairro/Localidade
PSF I Quinta Residência
PSF II Bandeirantes
PSF III São Cristóvão
PSF IV Bela Vista I
PSF V Bela Vista II
PSF VI Tebas/Piacatuba
PSF VII Providência/Abaiba/São
Martinho/ Arraial dos Montes
PSF VIII Seminário
PSF IX Vale do Sol
PSF X Três Cruzes
PSF XI Ribeiro Junqueira
PSF XII Alto da Ventania/Copasa/Vila
Miralda
Bibliografia

ACAIACA, Centenário de Leopoldina. Leopoldina, 1954.

ALMANACK d’Arrebol. Ginásio Leopoldinense: 1906 -1986.


Leopoldina:
Arte & Cultura; n. 8, 1986.

ALMANACK, Renalt. Anuário Brasileiro Comercial Illustrado;


Rio de Janeiro, anno 6; 1912-1913.

ALVES, Márcio Resende Ferrari. Economia na Zona da Mata


Mineira: passado e presente - dois casos de análise
econômica. Viçosa; Folha de Viçosa, 1993.

ANDRADE, Rômulo. Cafeicultura na Zona da Mata. In: Revista


Brasileira de História. São Paulo. n. 22, p. 93-131. 1992.

BLASENHEIN, Peter. Uma história regional: a Zona da Mata


Mineira (1870-1906). In: Seminário de Estudos Mineiros: a
República Velha em Minas. Belo Horizonte; UFMG/PROED,
1982; p. 73-90
Jornal do Commercio, Juiz de Fora

------------------------------------ As ferrovias de Minas Gerais no


século XIX. Locus: revista de História. Juiz de Fora: EDUFJF. v. 2
(2); p. 81/110, 1996.

CARRARA, Angelo Alves. A Zona da Mata: diversidade


econômica e continuísmo (1834-1909). Niterói; 1993.
Dissertação de Mestrado, UFF.

IGLÉSIAS, Francisco. Política econômica do Estado de Minas


Gerais (1890 – 1930); In. Seminário de estudos Mineiros: a
República Velha em Minas. Belo Horizonte UFMG/PROED,
1982. p. 145-164.

JOSÉ, Oiliam. O negro na economia mineira. [s.l.s.n]. 1993


LAMAS, F. G., SARAIVA, L. F., ALMICO, R. C. S. A zona da Mata
mineira: subsídios para uma historiografia. V Congresso
Brasileiro de História. 2002.
NOGUEIRA, Natania A. Silva. Ginásio Leopoldinense: mito
político e formação de elites na Zona da Mata. Monografia
de conclusão do curso de especialização em História do Brasil -
área de concentração em História Regional - UFJF/ICHL, 1997.

OILIAN, José. Indígenas de Minas Gerais : aspectos sociais,


políticos e etnológicos. Belo Horizonte : Imprensa Oficial, 1965.

PAULA, D. A. Passado, trilhos e esquecimento: A trajetória


da estrada de ferro Leopoldina. Revista do Instituto histórico
geográfico brasileiro. Rio de Janeiro, Jan-mar , pág. 37/62, 2002.

PAULA, R. Z. A. Indústria em Minas Gerais: Origem e


desenvolvimento. X Seminário sobre a Economia Mineira.
CEDEPLAR, p.1-18, 2002.

PIRES, Anderson. Capital agrário, investimento e trabalho na


Zona da Mata. Dissertação de Mestrado. UFF. 1993.

REZENDE, Francisco de Paula Ferreira. Minhas recordações.


1832-1893. – Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora
Universidade de São Paulo, 1988.

SILVA, Lucilene Nunes da. A saúde do operário têxtil em


Cataguases, Zona da Mata Mineira, 1941. In: NASCIMENTO, Dilene
Raimundo, CARVALHO, Diana Maul, MARQUES, Rita de Cássia
(org.). Uma história brasileira das doenças. Editora Mauad X,
Rio de Janeiro, 2007.

SILVEIRA, J.M.P. Os ramais da Estrada de Ferro Leopoldina


no sul da Zona da Mata. Em Minas Gerais – 1872 a 1898.
Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de
Janeiro, jan – mar, p.9-36, 2002.

Periódicos

A Gazeta de Leopoldina, diversos números, Leopoldina (1896-


1914).
Jornal do Comércio – diversos números, Juiz de Fora (1900 –
1917)

Links visitados

http://www.senado.gov.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leopoldina_(Minas_Gerais)
http://www.tratosculturais.com.br
http://www.redenetmail.com.br/leofotos/pagina1.htm
http://www.beatrix.pro.br/literatura/anjos.htm
http://br.geocities.com/edterranova/auguscar.htm
http://www.biblio.com.br/conteudo/biografias/augustodelima.htm
http://www.genealogiafreire.com.br/khl_jose_jeronymo_de_mesqui
ta.htm
http://www.cantoni.hpg.ig.com.br/
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=688
http://postmania.wordpress.com/
http://www.cliohistoria.hpg.ig.com.br/bco_imagens/escravos/imag
ens.htm
http://www.cantoni.pro.br/colonia/constansa.htm
http://gingabrasileira.vilabol.uol.com.br/ginga_5.htm
http://www.amweb.com.br/filgueiras/mapas_mg.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Leopoldina_de_%C3%81ustria
http://www.imigrantesitalianos.com.br/
http://www.virtual.epm.br/uati/corpo/museu_do_imigrante.htm