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Meio ambiente e comunicação: a utilização das mídias para contenção

da devastação da Amazônia¹
Victor Hugo Raposo Ferreira²

Introdução

Com o grande avanço da discussão em torno das mudanças climáticas e suas


conseqüências para a humanidade, é necessário que todas as áreas estejam engajadas
para buscar soluções para esse problema, dentro deste contexto incluímos a
comunicação, que deve não ser tratada como ferramenta, mas como componente
essencial do processo, e trabalhar a informação de forma que atinja os diversos públicos
estratégicos para as organizações.
O senso comum acredita que o problema é pelo fato de não haver verbas para
esta área, mas é fato que a comunicação é uma das áreas dentro dos governos que mais
detém verbas, pois engloba todas as áreas, o grande problema é que não há uma
uniformidade do trabalho, pois o gestor da saúde, por exemplo, quer trabalhar
paralelamente ao gestor de comunicação tendo em vista que cada fatia dos governos tem
assessoria de comunicação, e uma secretaria que teoricamente seria para gerir o
processo, mas em sua grande maioria se preocupa em construir uma imagem positiva do
governo.

Comunicar é necessário

Como fazer que a sociedade civil e as instituições reconheçam que é preciso


mudar seu ângulo de atuação para a questão ambiental, várias peças de comunicação
foram e são feitas, contudo a devastação da floresta amazônica continua, todos os dias
são desmatadas áreas equivalentes a vários campos de futebol.
Trabalhar com a linguagem, saber falar o que realmente se quer e se fazer
entender, não fragmentando a mensagem, democratizar a informação são tarefas que
devem ser pertinentes nos debates entre governantes e elite intelectual da sociedade,
mas não basta apenas discutir e sim colocar em prática o que foi falado.

¹Artigo destinado a obtenção da segunda nota da disciplina de Filosofia e Comunicação


²Aluno do curso de Comunicação Social - Relações Públicas
Dá ao receptor a devida relevância preocupando-se com a comunidade que está
sendo realmente atingida pelo problema, não basta se preocupar com os problemas que
sua instituição ou sua individualidade serão afetadas e sim que o mundo precisa de
ajuda e que se deixarmos prolongar nem para debater estaremos.
Fazendo uma correlação com a filosofia da linguagem, que pode ser
caracterizada como uma “análise da linguagem” e ou “crítica da linguagem”, desvelar a
verdadeira intenção por trás das peças de comunicação, ativar o nosso “terceiro-olho”,
enxergar além do que é mostrado, esse é o papel do comunicador, não um criador de
persuasão e sim um profissional que busca esclarecer realmente os fatos, o grande
problema é que para as organizações é melhor deixar as escuras, por isso os
comunicadores se marginalizam e se transformam em fantoches do sistema, produtores
de falsa imagem.
Como falar da Amazônia sem se ligar ao regional? Talvez esse tenha sido o
grande problema da maioria dos trabalhos de comunicação, um egocentrismo, tratando
do problema como se estivesse de fora, e sim fazer um papel de antropólogo, entrando
no contexto, como fazer uma peça de conscientização, se não se sabe as nuances da
questão que está sendo tratada, falar que a Amazônia precisa ser salva é fácil, mas o que
fazer para que isso ocorra?
Ficar dentro de um escritório vendo o que o Jornal Nacional fala do assunto,
fazer pesquisa no Google, será que apenas isso é necessário para saber do que se está se
falando e transmitir de forma convincente, para que os diversos públicos tenham o
mesmo entendimento.
A comunicação não pode ser tratada como uma agulha hipodérmica que penetra
na pele sem oferecer resistência, o público é formado de diversas pessoas com gostos e
preferências diversas, e devem ser tratados de forma diferencial, participando do debate
não só recebendo informação, mas como um componente do processo.
A sociedade necessita de uma comunicação dialógica onde emissor e receptor
assumem simultaneamente os dois papeis, e o profissional de comunicação deve criar e
manter relações entre os públicos e as organizações, buscando ter uma opinião pública
favorável. A questão ambiental deve sair do âmbito ecológico e ser reconhecida como
relevante para o funcionamento de todos os setores, se hoje há essa grande preocupação
com o que a ação do homem pode ocasionar em um futuro que parece que já é presente,
é porque o meio ambiente pode ter papel decisivo nas questões econômicas futuras, e os
países que estão no topo não querem deixar esse posto, mesmo sabendo que em troca do
desenvolvimento deles o mundo chegou a esse ponto, políticas de desenvolvimento
sustentável serão necessárias para que possamos continuar vivendo com
pseudoqualidade.

Considerações Finais

Quantos fóruns sociais ainda terão que ser feitos? É uma questão que precisa ser
respondida, será que essas pessoas que foram ao fórum são realmente aqueles que irão
construir um novo mundo, ou são apenas baderneiros que não sabem o quê e pra quê
reivindicam, se são apenas marionetes do sistema pensando que estão lutando contra
ele, filhinhos de papai em busca de turismo e farras, políticos querendo construir a
imagem de bom moço que vai nos salvar do fim, comunidade local que nem sabe do
que aquilo se trata.
Essas e outras questões devem ser repensadas para que nós não precisemos mais
escrever sobre esse assunto, para que todas tenham acesso à comunicação e que a mídia
não seja só um instrumento de manipulação, onde a informação é dominada pelos
“grandes” e o resto da população fica a mercê desses.
Esperamos que a comunicação fosse responsável pela conscientização da
sociedade e que essa seja feita de forma organizada e uniforme, de forma que se faça
entender por todos, não uma mensagem camuflada de interesse de alguém que só pensa
em fins lucrativos. Mas há uma esperança, pois as pessoas só mudam na beira do
precipício.
Bibliografia

MARCONDES, Danilo. Filosofia, linguagem e comunicação – 4 ed. – São


Paulo: Cortez, 2001.
REZENDE, Antonio (organizador). Curso de filosofia: para professores e
alunos dos cursos de segundo grau e de graduação – 13. Ed. – Rio de Janeiro: Jorge
Zahar Ed., 2005.
COSTA, Cláudio Ferreira. Filosofia da Linguagem. - 2ª Ed. - Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Ed., 2003.