Vanessa Oliveira Arruda

CROSSMÍDIA E CONVERGÊNCIA NO JORNALISMO CIENTÍFICO:
uma análise dos veículos da National Geographic

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI - BH) 2010

Vanessa Oliveira Arruda

CROSSMÍDIA E CONVERGÊNCIA NO JORNALISMO CIENTÍFICO:
uma análise dos veículos da National Geographic

Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientadora: Profa. Lorena Tárcia

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI - BH) 2010

“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado na penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa

inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos muito pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido”. (Charles Chaplin, em O Grande Ditador - The Great Dictator, 1940 – EUA)

AGRADECIMENTOS

Agradeço a

primeiramente e principalmente ao meu pai, fonte inesgotável de sabedoria, que me trouxe até aqui através de seus ensinamentos e caráter. Minha mãe por sua imensa bondade e excesso de preocupação. Meus irmãos por simplesmente fazerem parte da minha vida. Meu sobrinho pela proporção de gargalhadas sem fim. Obrigada Camila por ter puxado minha orelha quando precisei e ser a amiga que todos sonham em ter. Especialmente agradeço minha orientadora Lorena, que durante 4 anos se tornou para mim fonte de inspiração como pessoa e profissional. E por fim, aos demais amigos que estiveram antes, durante e que permanecem ao meu lado nessa jornada sem fim que se chama Vida.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: 1959 ano em que a primeira edição apresentou imagens coloridas .................... 41  Figura 2: Capas internacionais da National Geographic (Espanha e Japão) ....................... 41  Figura 3: 1995, A Garota Afegã foi uma das capas mais famosas publicadas.................... 42  Figura 4: Revista da NG usa crossmídia para chamada de programa na TV ...................... 46  Figura 5: NG apresenta novo canal através de crossmídia.................................................. 48  Figura 6: Capa da Revista indica para Site......................................................................... 49  Figura 7: Crossmídia da Revista para o Site ....................................................................... 49  Figura 8: Aproveitando o tema da matéria Revista faz crossmídia para Site...................... 50  Figura 9: Interatividade – fotos enviadas para o Site podem aparecer na Revista .............. 51  Figura 10: Logo no topo da tela faz crossover para o Site Fonte: tela do canal Nat Geo ... 52  Figura 11: Site destinado exclusivamente ao canal Nat Geo............................................... 53  Figura 12: Capa do site americano, todo conteúdo em um só lugar.................................... 54  Figura 13: Na capa do site da NG já é possível visualizar elementos de convergência...... 55  Figura 14: Conteúdo publicado na Revista é disponibilizado livremente na internet ......... 56  Figura 15: NG presente nas mídias sociais – Twitter, Facebook, Youtube e Orkut ........... 57  Figura 16: Vídeos colocados na internet expressam a convergência do site da NG Brasil. 58  Figura 17: Ao contrário do site brasileiro, natgeo.com é exemplo em convergência. ........ 61 

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 08  1 COMUNICAÇÃO EM REDE E CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS .......................... 10  1.1 A Rede das Redes: internet e novos fluxos comunicacionais ....................................... 13  1.2 As consequências para as empresas e processos de comunicação ................................ 15  1.3 Cultura da convergência ................................................................................................ 16  1.3.1 Novas relação entre empresas de mídia e seus públicos............................................ 18  1.3.2 Novas rotinas produtivas............................................................................................ 19  1.3.3 O conteúdo da comunicação ...................................................................................... 20  1.3.3.1 Web 2.0 e os fenômenos da nova mídia................................................................... 21  1.4 Crossover de Mídias ...................................................................................................... 21  1.5 Narrativas transmidiáticas ............................................................................................. 25  2. COMUNICAÇÃO E A CIÊNCIA ............................................................................... 25  2.1 O jornalismo especializado............................................................................................ 27 2.2 Jornalismo Científico..................................................................................................... 30  2.3 A transmissão de notícias científicas............................................................................. 36  3 CROSSMÍDIA E CONVERGÊNCIA DOS VEÍCULOS DA NATIONAL GEOGRAPHIC ................................................................................................................. 39  3.1 Metodologia................................................................................................................... 39  3.2 Descrição do Objeto ...................................................................................................... 39  3.2.1 Revista .................................................................................................................... 40  3.2.2 National Geographic Channel................................................................................. 40  3.2.3 NGBRASIL.COM.BR ............................................................................................ 44  3.3 Crossmídia e Convergência ........................................................................................... 45  3.3.1 Crossmídia.................................................................................................................. 45  3.3.1.1 Revista para TV ................................................................................................... 45 

3.3.1.2 Revista para o Site ............................................................................................... 48  3.3.1.3 TV para a Revista ................................................................................................ 50  3.3.1.4 TV para o Site ...................................................................................................... 51  3.3.1.5 Online para TV .................................................................................................... 52  3.3.1.6 Online para Revista.............................................................................................. 53  3.3.1.7 Online para Online............................................................................................... 55  3.3.2 Convergência de Mídia............................................................................................... 57 3.3.2.1 O site brasileiro .................................................................................................... 57  3.3.2.2 O site norte-americano......................................................................................... 59  CONCLUSÃO.................................................................................................................... 62  REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 64 

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INTRODUÇÃO

Crossmídia e convergência de mídias são fenômenos da atualidade que invadiram a realidade brasileira e mundial e afetaram a vida social em diversos aspectos inclusive nas práticas jornalísticas. Uma das muitas definições1 de convergência indica como sendo a “disposição de linhas e raios luminosos que se dirigem para o mesmo ponto”. Em nossa Era, a cibercultura pode ser comparada a uma rede de pesca, na qual cada nó é informação e as teias são os mecanismos que fazem a ligação desses conteúdos.

A convergência veio para revolucionar esse enlaçamento de informações, estabelecendo comunicação sem fronteiras. É o encontro de mídias que faz com que a informação possa ser lida, ouvida, sentida, alterada ou tudo ao mesmo tempo. No fundamento básico, toda idéia e história só será capaz de envolver seu público se com ele se conectar. Chega ao fim a ditadura de como e quando a informação deve ser construída e transmitida. Cria-se conectividade entre emissor e receptor, em que o consumidor possui liberdade para moldar e selecionar informações a seu critério.

A crossmídia, assim como a convergência, é fundamental para a propagação de informação de forma integrada. É a interação e co-relação entre as mídias, criando laços de comunicação. Não há mais muros que limitem essa difusão e, por esse motivo, não há mais restrição de um meio a si próprio. É necessário interagir para sobreviver. Sem subjugar a qualidade, pois inversamente proporcional à perda de fronteiras existe o aumento da concorrência.

A cada segundo novos veículos de informação surgem, e o público é composto por pessoas comuns com voz ativa e motivação para se fazerem ouvir. Nesse território, ganha quem não perde em qualidade e não menospreza seu receptor e nem a informação prestada. Sendo assim, o fator humano é imprescindível para a fomentação do conteúdo hipermidiático. Não basta ter coragem, é necessária referência cultural, histórica e editorial para se ter eficácia na interação entre crossover de mídias e convergência digital.

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Dicionário Silveira Bueno da Língua Portuguesa

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A dificuldade enfrentada pelas grandes empresas atualmente tem sido a de se adaptar a essas ferramentas unindo-as aos diversos meios de disseminação de informação. A National Geographic é uma dessas empresas, que há 122 anos tem moldado e tentado adaptar sua forma de comunicar ciência, conforme exige a contemporaneidade. Dotada de múltiplos meios de comunicação, tenta trabalhar a crossmídia e a convergência digital em seus canais.

Trata-se de um reconhecido e importante meio de divulgação de informação de caráter científico.Por esse motivo foi escolhida como estudo de caso desta pesquisa, que pretende observar como as ferramentas (crossover de mídias e convergência digital) são aplicadas e interagem nos meios da National Geographic.

O primeiro capítulo dedica-se a entender a comunicação em rede e o papel da convergência. O seu fundamento foi colocado por autores como Lorena Tárcia (2007), que tenta traçar, através de vários estudos, uma linha do tempo que explique o papel da comunicação em conjunto com as novas, e cada vez mais abundantes, técnicas de disseminação de conteúdos. Vera Veiga França (2002) procura explicar a realidade em que se encontra a comunicação, assim como suas expectativas, aliada a Zymunt Bauman (1999), que aborda os efeitos da globalização. Para falar de internet e novos fluxos comunicacionais, nos baseamos no teórico Manuel Castells (2003). Machado, Palácios (2003) e Tárcia (2007) explicam as conseqüências para as empresas jornalísticas. Jenkins (2001, 2008) ainda acrescenta sobre cultura de convergência assim como Tárcia (2007), que também comenta sobre a nova relação entre empresas de mídia e seus públicos, novas rotinas produtivas, sobre o conteúdo da comunicação e a Web 2.0.

A explicação sobre o que é crossmídia fica a cargo de Luiz Miguel Pato (2003), Mônica Carniello (2004), Lorena Tárcia (2007) e Iyer (2006). Assim como Luli Radfahrer (2010) explica sobre as narrativas transmidiáticas.

O segundo capítulo é dedicado ao Jornalismo Científico história do jornalismo especializado e sua atuação no Brasil. Nele estão presentes autores como Fabíola Oliveira (2005), Mário Erbolato (1981), Furio Colombo (1998), José Júnior (2005), Wilson Bueno (1998), Sônia Aguiar Lopes (2009), Tavares (2009), Nilson Lage (2005) e Maria Teresa

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Mercado Saéz (2006). Burkett (1990) e Enea (2001) explicam, mais detalhadamente, a transmissão de notícias científicas e as especificidades deste tipo de jornalismo. O terceiro capítulo analisa, por meio de estudo de caso o conteúdo , os processos de convergência e crossmídia nos meios de comunicação da National Geographic (Canal televisivo Nat Geo, site brasileiro: ngbrasil.com.br e revista mensal)

Esperamos, com este trabalho, contribuir para ampliação do debate em torno de duas áreas do conhecimento em jornalismo, cujos estudos ainda são ainda escassos: jornalismo científico e as novas linguagens jornalísticas possibilitadas pelas tecnologias digitais de comunicação e informação.

Ao final da nossa análise, foi adicionado um breve relato sobre o site da National Geographics dos Estados Unidos, por apresentar importante contraste em relação à realidade dos veículos brasileiros estudados.

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1 COMUNICAÇÃO EM REDE E CONVERGÊNCIA DE MÍDIAS

[...] Só quero viver a minha vida!” Bem, se esta é a sua posição, tenho más notícias para você. Se você não se importa com as redes, as redes se importarão com você, de todo modo. Pois, enquanto quiser viver em sociedade, neste tempo e neste lugar, você terá de estar às voltas com a sociedade de rede. Porque vivemos na Galáxia da Internet. (CASTELLS, 2003, p. 230)

Até algum tempo atrás, a comunicação era percebida como vetor, tendo um fluxo linear de informação entre o emissor e o receptor. Na década de 1940, a Indústria Cultural é apresentada por Adorno e Horkheimer, conceituando o processo de massificação e alienação vindo da prática cultural-mercadológica dos meios de transmissão da informação. Já na década de 1970 estudos sobre o Imperialismo Cultural propõem que um emissor, dominador e cheio de poder, produza mensagens para um receptor, dominado e passivo (FRANÇA, 2002).

Como explica Tárcia (2007), através das palavras de Echeverria (1999), poderíamos dividir a história comunicacional do homem em três etapas.

• •

Primeiro entorno social (E1): seriam as atividades humanas ligadas à natureza; Segundo entorno social (E2): é caracterizado pela industrialidade social, relacionadas ao ambiente urbano;

Terceiro entorno social (E3): teve seu início a partir de sete tecnologias: telefone, rádio, televisão, dinheiro eletrônico, redes telemáticas, multimídias e hipertexto. É o cenário em que as ações são medidas por tecnologias digitais, em que se deixam de perceber as fronteiras.

Vera França (2002) explica que atualmente a realidade da comunicação é outra. Tendências mais recentes procuram questionar a simplificação do modelo informacional, enfatizando o papel mais ativo dos receptores, a natureza produtiva de consumo e as complexas mediações culturais. Fator esse provido, sobretudo, das modificações na realidade, com a revolução das tecnologias de informação, o desenvolvimento das redes

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digitais e a globalização que permitiram o fim do conceito linear de comunicação. É a vez da interatividade. Com a internet, assiste-se a um sistema de informação em rede no cotidiano. Percebe-se que a comunicação não possui limites determinados e deve ser buscada na pluralidade de seus elementos e junções. Dando voz a Lévy, Vera França reforça que é importante não tomar a rede como algo pronto, mas como um caminho adequado para compreensão da dinâmica relacional que marca os processos comunicacionais.

Ouvi em algum lugar (acho que a expressão de uma criança) uma definição curiosa de rede: “rede é um monte de buracos costurados juntos”. É engraçado pensá-la assim – já que essa “definição”, assim como aqueles quebra-cabeças infantis que brincam com a forma e o fundo, inverte a ênfase do olhar – dos fios para os “buracos”. Pode ser rico pensá-la desta maneira, brincar com a inversão – tomando os buracos não como vazios, mas potencialidades que se realizam (ou não) nessa costura transformadora, que é a relação com o outro, o viver em sociedade. (FRANÇA, 2002, p. 16).

Castells (2003) explica que redes de pesca são unidas por nós. Em nosso tempo, as redes transformam-se em redes de informação energizadas pela internet.

Zymunt Bauman (1999) percebe que a globalização não permite que o indivíduo permaneça imóvel em um determinado lugar, pois mesmo quando ele se mantém em um lugar físico específico está sempre em movimento. Como exemplo, ele cita a internet e os canais televisivos, “via satélite ou a cabo, saltando para dentro e para fora de espaços estrangeiros com uma velocidade muito superior à de jatos supersônicos e foguetes interplanetários” (BAUMAN, 1999, p.85).

O autor (BAUMAN, 1999) explica que o mundo perdeu suas fronteiras naturais, e que não há razão de permanecer apenas em um específico lugar, pois onde quer que se esteja em algum dado momento, já se pensa que se poderia estar em outro lugar. Sendo assim, o que sustenta o consumismo é a esperança que se tem de satisfação dos desejos, situação essa explicada pela Indústria Cultural.

No entanto, essa satisfação na verdade é um placebo e por esse motivo logo há a necessidade de haver um novo desejo. “Para os bons consumidores não é a satisfação das

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necessidades que atormenta a pessoa, mas os tormentos dos desejos ainda não percebidos nem suspeitados que fazem a promessa ser tão tentadora”. (BAUMAN, 1999, p. 90)

1.1 A Rede das Redes: internet e novos fluxos comunicacionais

Castells (2003) considera que, em nossa Era, a internet pode ser comparada à rede elétrica: enquanto o motor elétrico é capaz de gerar energia a todo um território populacional, a internet distribui informação por todo domínio da atividade humana.

Em razão de sua flexibilidade e capacidade de adaptação, as redes possuem vantagens muito significativas, que se aplicam num ambiente de rápida mutação. Por essa razão, as redes têm se expandido para todos os lados do conhecimento, em toda a sociedade, derrubando organizações, burocratas e burocracias centralizadas e ganhando em desempenho (CASTELLS, 2003).

Segundo o autor, é possível, pela primeira vez, a comunicação de muitos com muitos, em escala global, graças à internet. E o uso dessa ferramenta como sistema de comunicação e forma de organização se proliferou nos últimos anos do segundo milênio. No final de 1995, eram cerca de 16 milhões de usuários de redes de comunicação por computador no mundo, no início de 2001 esse número superava 400 milhões (CASTELLS, 2003).

Manoel Castells (2003), expressa sua convicção de que até 2010 seria alcançada a marca dos 2 bilhões de internautas. Já em 2010 uma pesquisa divulgada pela International Telecommunication (ITU), em maio, afirma que até o final do ano, o mundo deve atingir a marca de 5 bilhões de usuários na internet. Segundo o estudo a telefonia móvel é o principal responsável por esse aumento. Sendo que a quantidade de internautas, de 2003 para 2009, duplicou, chegando a cerca de 26% da população mundial.

Castells (2003) também enfatiza que, no topo do construto cultural, que fundamentou a criação da internet, está a cultura tecnomeritocrática da excelência científica e tecnológica. Essa tecnomeritocracia foi inscrita numa missão de dominação do mundo pelo poder do conhecimento.

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Por sua vez, os empresários descobriram na internet um novo planeta, povoado por inovações tecnológicas extraordinárias. Sendo assim, a cultura empresarial orientada para o dinheiro partiu para a conquista do mundo e fez da rede o suporte para nossas vidas. A cultura da internet é uma cultura feita por crenças no progresso dos seres humanos através da tecnologia (CASTELLS, 2003).

Os primeiros estágios do uso da internet, na década de 1980, foram anunciados como a chegada de uma nova era da comunicação livre e realização pessoal nas comunidades virtuais formadas em torno da comunicação mediada pelo computador. Esse fator distância a internet das alegações de que ela seria fonte de comunitarismo renovado ou a culpada pela possível alienação do mundo real. Segundo o autor, a interação social na internet não parece ter um efeito direto sobre a configuração da vida cotidiana, exceto por adicionar interação on-line às relações sociais existentes. (CASTELLS, 2003)

Em um levantamento feito com mais de 40 mil usuários dos Estados Unidos pelo site da National Geographic, em 1998, constatou-se que o uso do e-mail contribuía para interação face a face, por telefone e por carta, e não substituía as outras formas de interação social. Existem também relatos conflitantes sobre os efeitos do uso da internet na sociabilidade. Foram realizados nos EUA dois estudos: um levantamento on-line da Universidade de Stanford e outro difundido estudo de Pittsburgh.

Observou-se um padrão de interação pessoa-a-pessoa declinante e perda de envolvimento social entre usuários assíduos da internet, ao mesmo tempo em que a maioria dos usuários relatou que não houve mudança significativa em suas vidas.

A internet é capaz de propiciar um canal de comunicação horizontal, não controlado e relativamente barato, tanto de um para um quanto de um para muitos. Há, de acordo com Castells (2003), um crescente uso desse canal por jornalistas rebeldes, ativistas políticos e pessoas de todo tipo com o objetivo de difundir informações.

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1.2 As consequências para as empresas e processos de comunicação

Palácios (2003) estabelece algumas premissas para que se evite a tentação de considerar a internet e outros suportes digitais como opositores ou que se acredite na superação dos formatos midiáticos anteriores.

Tárcia (2007) cita uma pesquisa, de 2001, produzida pela Innovations in Newspapers, que tentou responder a pergunta sobre o estágio em que se encontravam seus 200 jornais associados, em termos de produção multimídia e em rede. Apenas 5% se consideraram um modelo nesse quesito, enquanto outros 73% disseram que a convergência estava começando a acontecer em suas redações e 19% afirmaram que nada havia mudado.

De acordo com a Associação Mundial dos Jornais, também citada por Tárcia (2007), no decorrer do tempo, as empresas de comunicação atravessaram três estágios. O primeiro foi o da diversificação, no qual instituições investiram na compra de outras corporações, defendendo-se assim de competição e garantindo sua liderança.

O segundo estágio, da convergência, seria o processo de unificação de tecnologias das mídias através da eletrônica. A ampla reestruturação tecnológica possibilitou, em curto espaço de tempo, promover conteúdo jornalístico em escala global.

O terceiro estágio é o da integração, no qual estratégias mercadológicas e editoriais passaram a acreditar que o jornalismo online é um fenômeno à parte. Muitos empresários cometeram o erro de criar campanhas inteiras dedicadas exclusivamente a suprir esse novo mercado.

Jenkins (2008) destaca que, atualmente, o grande desafio dessas empresas é passar por uma visão mais ampla do que representa a convergência das mídias em escala global.

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1.3 Cultura da convergência

Mesmo não havendo consenso sobre a utilização do termo convergência, fato é que ela está transformando a natureza dos meios de comunicação em sua totalidade. Ela leva empresas, em todo o mundo, a buscar de formas lucrativas de explorar a convergência de TV, internet e celular, possibilitando acesso do público a todas as mídias e atendendo de forma adequada a demanda.

Citando Fidler (1997), Lorena Tárcia (2007) acredita que estamos vivendo no terceiro grande estágio de transformação nos meios de comunicação, em uma midiamorfose. O autor explica que o surgimento de novas mídias acontece devido à evolução na busca pela adaptação do processo comunicacional, sendo assim o surgimento de uma nova mídia raramente provocaria a morte de outra. A midiamorfose se dá, principalmente, em torno da convergência dos meios.

Filder (1997), conforme explica Tárcia (2007), expressa que Nicholas Negraponte aparece como a primeira pessoa a perceber e constatar o fenômeno da convergência. Sendo que, em 1979, Negraponte alertou para a metamorfose que as tecnologias de comunicação estavam sofrendo.

Já Jenkins (2001) afirma que cada vez mais estamos entrando em uma Era em que a mídia estará em toda a parte. No entanto, o autor é pragmático ao dizer que nunca haverá um único aparelho responsável pela transmissão de todo o conteúdo de notícias.

Para melhor compreensão, o autor classifica a convergência em:

• Convergência tecnológica: a transformação de átomos em bits, a digitalização do conteúdo de todas as mídias. Acontece quando palavras, imagens e sons são transformados em informação digital, possibilitando o seu fluxo entre as diversas plataformas existentes. • Convergência econômica: é a integração horizontal na indústria do entretenimento, a reestruturação da produção cultural ao redor de “sinergias”, a exploração de

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marcas em processo de trans e crossmídia (Harry Potter, Matrix, Crepúsculo, Tomb Raider, Star Wars etc.). • Convergência social ou orgânica: é navegar o ambiente da nova era informacional, pode acontecer dentro ou fora de um computador, mas ultimamente tem acontecido dentro da mente do usuário. • Convergência cultural: é a explosão de novas formas de criatividade e de encontro das várias tecnologias de mídias, proporciona uma nova cultura de participação popular ao permitir o acesso e incentivar notícias em crossmídia. • Convergência global: é como o hibridismo cultural que resulta na circulação mundial do conteúdo nas mídias. Como o cinema asiático, que tem moldado o americano (O Grito, O Chamado, animes etc.).

Jenkins (2008) percebe a convergência como fluxo contínuo de assuntos através de diversos suportes midiáticos, a cooperação entre esses vários mercados e o comportamento do receptor desses meios, que é capaz de ir a qualquer lugar em busca das experiências. Falar em convergência seria definir todas as transformações sofridas pela sociedade (tecnologia, mercado, cultura, sociedade).

Segundo o autor, a circulação de conteúdos pelos diferentes meios depende em maior parte da participação ativa de seu público. A convergência concebe uma mutação sócio-cultural, na medida em que esses consumidores são estimulados a procurar novas informações e a fazer vinculações entre conteúdos dispostos. “Os velhos meios de comunicação não estão sendo substituídos. Mais propriamente, suas funções e status estão sendo transformados pela introdução de novas tecnologias” (JENKINS, 2008, p. 39 - 40).

O autor também explica que a convergência pode ser tanto um processo coorporativo, de cima para baixo, quanto um processo a partir do consumidor, de baixo para cima. Ambas coexistem, a convergência corporativa e alternativa; é a primeira na criação e busca de canais para aumentar lucros, sendo a segunda de consumidores que aprendem sobre as novas tecnologias e trocam experiências com iguais. Todos estão interconectados em uma rede de constante metamorfose, com um único objetivo: melhorar a interação com o meio e com as pessoas.

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Bem vindo à cultura de convergência, onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis (JENKINS, 2008, p. 27).

1.3.1 Novas relações entre empresas de mídia e seus públicos

Lorena Tárcia (2007) explica que os consumidores de mídia são agora vistos como usuários ativos, ao invés de receptores passivos, como sugere a teoria hipodérmica na década de 1930. Um novo fenômeno é a interatividade e o acesso do público ao conteúdo, fazendo dele produtor ativo. A era da mídia de massa está cedendo espaço para uma mídia pessoal e participatória, tendência que mudará a percepção que temos hoje de toda a sociedade.

Segundo a autora, em 2005 a Pew Internet & American Life Project revelou que 57% dos adolescentes americanos estavam criando conteúdo para a internet. Uma nova revolução está marcada por novas palavras, que com o seu uso tão frequente acabam por ser incorporadas nos dicionários. Exemplo disso é a palavra “Blog2” que foi incorporada ao dicionário Webster em 2004, enquanto no ano seguinte o New Oxford American Dictionary inseriu em seu conteúdo o termo “podcast3”.

A convergência digital significa maior poder de escolha dos usuários, principalmente quanto ao conteúdo. Mas, segundo Moraes, citada por Tárcia (2007), a variedade de oferta dos consumidores continuará sendo definida pelas empresas que comandam a comunicação mundial.

Parece que os jovens e a audiência em geral têm aprendido a identificar onde está a credibilidade, o que vale e o que não merece atenção. O modelo atual de comunicação
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Blog, contração do termo "Web log", é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou "posts". Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog. 3 Podcast é o nome dado ao arquivo de áudio digital, geralmente em formato MP3 ou AAC (este último pode conter imagens estáticas e links), publicado na internet. A palavra é uma junção de iPod e broadcast (transmissão de rádio ou televisão).

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apresenta diversas fontes e deixa para a audiência a responsabilidade de tirar suas próprias conclusões sem influência (TÁRCIA, 2007)

Anderson (2006), citado por Tárcia (2007), acredita que estamos entrando na Era em que a riqueza cultural e de escolhas é tão abundantes que nunca se viu na história nada semelhante, é um fenômeno social.

1.3.2 Novas rotinas produtivas

Wolton (1999) prevê que ficará ao encargo dos comunicólogos o papel de mediação, como um desempenho técnico, pois quanto maior a quantidade de informações, maior será a necessidade de intermediários qualificados para filtrarem e organizar tais dados.

Machado, Palácios (2003) acredita que com o crescimento do volume de informações creditados aos cidadãos, torna-se cada vez mais fundamental o papel que é desempenhado por profissionais da área da comunicação. Para Tárcia (2007), a rotina de trabalho dos jornalistas sofre a cada momento mais transformações. A tecnologia digital passou a exigir mais dos repórteres, que são obrigados a desempenhar inúmeros papeis durante a produção da notícia. Tais técnicas ampliaram as competências exigidas aos profissionais e deram à publicação de informações um ritmo frenético e de instantaneidade, sem sobrar tempo para o descanso.

Klinenberg, citado por Tárcia (2007), explica o processo de “polivalência midiática”, no qual se torna rotina encontrar nos veículos de comunicação a produção e veiculação de materiais em linguagens diversas. A pressão sofrida pelo profissional não é apenas na relação de tempo para a publicação de informação, mas também referente à adaptação da linguagem necessária. Daí a preocupação de que jornalistas venham a se ocupar mais com a forma do que com o conteúdo, perdendo o equilíbrio entre ambas.

Em 2001 uma pesquisa feita pela Innovations in Newspaper, citada por Tárcia (2007), revelou que, segundo líderes do setor, o maior obstáculo à convergência de mídias seriam a

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falta de recursos financeiros, empatada em 31% com “a natureza individualista dos jornalistas”. Dos entrevistados, 30% alegaram que seria a falta de modernos sistemas de edição multimídia.

Tárcia (2007) explica que quando se trata de convergência, o jornalista precisa estar na linha de frente da batalha pela conquista e manutenção do seu público. A lógica comercial se inverte quando se trata de jornalismo online. Os usuários online só trarão retorno monetário se permanecerem e circularem pelas notícias, não caindo na tentação de ir para a concorrência. Isso significa que a responsabilidade do autor jornalista aumenta quanto à conquista do usuário que visita suas páginas de publicação.

1.3.3 O conteúdo da comunicação

Antes da convergência, o processo de distribuição de notícia consistia de um sistema de mensagens transmitidas através de palavras, imagens e sons. Na era da convergência de mídias acrescentam-se às formas anteriores novos paradigmas. Tárcia (2007) explica que na época anterior alguém decidia que o jornal iria ao ar em determinado horário e não havia muito que se podia fazer. Atualmente, a tecnologia disponibiliza escolhas, como no caso da TV digital, onde o espectador pode escolher a câmera de sua preferência para assistir, por exemplo, a um jogo de futebol, ou voltar à transmissão, para rever algum lance, sem perder nenhum momento de exibição.

Mesmo com a mudança da lógica de produção, veiculação e recepção de informações considera-se o aspecto de tempo e velocidade, no qual o conteúdo chega ao usuário em tempo real.

Informações em tempo real são preocupantes quando veículos começam a optar por agências de notícias e a rapinagem entre sites. No desespero por se sentirem prontos o mais rapidamente possível, as leituras e reflexões são descartadas, o que compromete o processo de qualidade e absorção do conteúdo pelos consumidores (TÁRCIA, 2007).

1.3.3.1 Web 2.0 e os fenômenos da nova mídia

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Tárcia (2007) explica que na Web 1.0 as páginas permanecem estáticas, ou seja, não se permite manipulação ou alteração do conteúdo pelo usuário. A Web 2.0 diz respeito a uma nova geração de serviços e aplicativos responsáveis por mudanças significativas na forma como as pessoas se relacionam com a internet. O alicerce da Web 2.0 está na produção de conteúdo pelos usuários e na integração de sites e serviços.

Encontram-se ferramentas de fundamental importância para o universo das comunicações dentro da Web 2.0, por isso surgem várias discussões sobre este modelo, da educação e do jornalismo. Resultando em uma ampliação das formas de usos pelos usuários dessas tecnologias e serviços (TÁRCIA, 2007).

1.4 Crossover de Mídias A proposta de crossmídia4 não é nova, porém é mais observada na publicidade. Percebe-se, até agora, a existência de uma divisão no pensamento que consiste as três formas de mídia (impresso, rádio e TV).

Luiz Miguel Pato (2006) faz uma breve descrição do que seria a base do conceito de crossmídia, definindo que se trata do encontro entre as tecnologias digitais (como a televisão digital), das comunicações móveis, impresso e a internet. Tendo como base a situação atual e o futuro do desenvolvimento dos serviços digitais interativos.

Segundo o autor, mesmo com grandes inovações invadindo o cotidiano das pessoas e afetando a forma de se comunicar e interagir, como acontece com conteúdos televisivos interativos, a verdade é que as inovações não são ainda suficientes para falar de modelos concretos.

Historicamente, crossmídia ainda não foi fundamentado, porém há uma idéia consensual de que significa o uso de múltiplos meios de comunicação em prol da maior e melhor acessibilidade. Segundo Pato (2006), o conceito é melhor determinado por Célia Quico como um produto e/ou serviço interativo que envolve mais do que um meio, presente desde

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Também conhecida como Cross mídia, Cross media , Cross-media, Crossover de mídias e/ou Transmídia.

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que as editoras conseguiram publicar obras em formato eletrônico, como, por exemplo, o caso das enciclopédias que incluíam formato digital em CD Rom.

Segundo Iyer (2006), citado por Tárcia (2007), quando se trata de transmídia, embora haja operações de mesclagem fazendo um trabalho razoável de interação, é raro se presenciar alguma harmonia entre as mídias. Ford (2006), também aludido por Tárcia (2007), questiona se seriam as mídias impressas as mais beneficiadas com esse processo e, se sendo, assim como ficaria o mercado para toda essa miscelânea atual? A discussão entre pesquisadores é ampla e até o momento inconclusa, quanto ao papel de cada uma das mídias. No entanto, percebe-se que a convergência está além do possibilitado pela crossmídia.

Pato (2006) acrescenta que o desafio das empresas envolvidas na indústria da comunicação está proposto na busca por promover e desenvolver produtos e serviços para n meios em simultâneo. Percebe-se a necessidade de se superar os obstáculos existentes do ponto de vista da compatibilidade das plataformas tecnológicas e até de definições. Tendo em conta esta situação, o autor explica que o escritor Jak Boumans chegou à conclusão de que crossmídia se baseia em quatro critérios práticos:

• • •

Mais do que um meio – que interage, ou não (analógicos e digitais); Tem como alvo produção integrada; O uso de uma multiplicidade de meios tem como objetivo: tema, história, propósito, e uma mensagem de acordo com o tipo de projeto;

A existência de crossmídia não se justifica somente com uma justaposição de aparelhos diferentes, mas consegue relevância quando um conteúdo que é difundido, através de diferentes plataformas, consegue diferentes níveis/formas de interação.

Para constatar esta visão futurista, citada acima, da implementação da crossmídia, em que se observam as alterações e os procedentes característicos que se sucedem e são demonstradas neste processo comunicativo, Pato (2006) apresenta o seguinte esquema:

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Content Creation (Criação de conteúdos): Embora, historicamente, contar histórias fosse uma função linear; fazê-lo de uma forma digital abre uma variedade de opções aos utilizadores em termos narrativos e/ou de plataformas;

Packaging (Compressão): O horário de emissão já não afeta o formato do conteúdo. Com a crossmídia, o formato será pensado a partir da sua forma de difusão (como no caso da internet e comunicações móveis, que pode ser acessada a qualquer hora);

Technology Platforms (Plataformas tecnológicas): o formato de difusão, será a extenção de arquivos em formato MPEG5 (imagens e vídeo) para a difusão da internet e todo o tipo de comunicações.

Distribution (Difusão): a difusão de conteúdos na crossmídia irá ter uma margem que, para além da tecnologia analógica e digital terrestre, envolverá também a que é difundido por cabo, satélite, internet, comunicações móveis e sistemas de gravação de voz.

Consumers (Consumidores): com a crossmídia, o consumidor poderá ter a liberdade de interagir com o produtor e com o produto à medida que os vai consumindo. Assim, será possível conseguir que os utilizadores consumam mais quantidades de informação (aprendendo mais acerca de cada aparelho – devido à interação que desenvolvem com eles). Sendo que numa maior variedade de aparelhos, há um aumento do grau das relações entre o produtor e utilizador.

Segundo Monica Franchi Carniello (2004), a principal característica da crossmídia é de levar os consumidores de uma mídia outra, pensando também na participação das mídias

O Moving Picture Experts Group (MPEG), em português Grupo de Especialistas em Imagens com Movimento, foi formado pela ISO para definir padrões para a compressão e transmissão de áudio e vídeo, a partir do momento em que ficou clara a necessidade de aliar imagem com tecnologia digital.

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digitais nesse precesso. Mas, para sua eficácia é necessário criar uma relação de integração e complementaridade entre esses meios, explorando suas características e linguagens singulares.

Como exemplo a autora cita o reality show Big Brother, transmitido pela Rede Globo de Televisão. A Globo aposta na interação entre telefonia móvel, internet, mídia impressa e televisão como forma de apresentação do programa e interação com o consumidor. Programas como esse demonstram a intenção de fidelizar o público, prometendo uma participação mais ativa, ou criando essa ilusão, já que o programa, mesmo com as interferências do público, jamais sai do rígido controle da emissora (CARNIELLO, 2004).

A autora explica que o conceito de crossmídia “mais do que desviar o olhar para outras mídias, faz a mudança de interface. Hoje, a diferença entre as mídias é cada vez menor, sendo que todas se baseiam na plataforma digital. O que há é a mudança de interface. O meio passa a ser multifuncional” (CARNIELLO, 2004, p. 124). O fator tempo não pode ser visto em evolução e, sim, em simultaneidade. Sendo que uma mídia deve encaminhar a outra independente de uma linha evolutiva, pois as mídias compartilham funções, remetendo à multimídia.

As mídias se reconvertem, se sampleiam, se emulam, mudam a funcionalidade conforme a necessidade. Assim, a aglutinação de funções derruba as especificidades de cada mídia. Essa multifuncionalidade propicia cada vez mais o uso de estratégias cross media, que tende a se tornar estratégia básica de um universo midiático digital caracterizado fundamentalmente pela mobilidade das mensagens pelos diversos veículos, todos unificados pela homogeneidade da linguagem digital. (CARNIELLO, 2004, p. 125)

Estas possibilidades tecnológicas passam a conferir novas narrativas e linguagens.

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1.5 Narrativas transmidiáticas

Transmedia Storytelling, ou narrativa trasmidiática, segundo Radfahrer (2010), seria um tipo de narrativa que se dá por meio de várias mídias, tentando se misturar com a vida dos indivíduos, contando histórias e forjando mitos.

O autor (RADFAHRER, 2010) explica que se trata de um texto que não conhece fronteiras, pode ser lido, ouvido, sentido, alterado ou todas as coisas ao mesmo tempo. No fundamento básico. Toda idéia e/ou história só será capaz de envolver seu público se com ele estabelecer alguma conexão, que só acontecerá com a ativação da imaginação. Sob esse aspecto, percebe-se que todas as narrativas já eram trasmidiáticas muito antes da invenção das próprias mídias, como conhecemos hoje.

No século XX, as mídias elétricas se popularizaram, as revistas adotaram as fotografias e ilustrações em grande parte de suas páginas, o rádio liberou o som das palavras e a TV trouxe um mundo inteiro para dentro da casa. (RADFAHRER, 2010)

Enquanto se começou a trabalhar com vários formatos e recombiná-los, a criatividade também se expandiu. Radfahrer (2010) explica que histórias dependeram, durante muito tempo, do formato com que foram criadas, e ninguém imaginava recriá-las em novos formatos.

A flexibilidade que possuem as mídias digitais começa a mudar essa perspectiva. Um bom exemplo se baseia na série de sucesso LOST6, produzida pela emissora ABC, que pode ser percebida como uma amostra do que pode ser feito quando as histórias trançam mídias.

Esse tipo de narrativa também tem muita presença no mundo dos jogos e infelizmente muitos destes ainda dependem de dedicação e bom treino dos consumidores, o que desestimula as pessoas a participarem. Conforme explica Radfahrer (2010), quem rompeu
Durante a transmissão do seriado (2004-2010), quem apenas acompanhou a série pela TV não possui um entendimento tão profundo da história, quanto quem acompanhou pela internet. Durante seu período de exibição foram postados na internet arquivos que agiam como pistas para se desvendar o mistério no qual a história se baseia.
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essa barreira, como o console Wii7 e o site de relacionamento Facebook8, têm se dado muito bem até o momento.

O cenário, antes muito analógico, tem se tornado mais denso e complexo com a evolução para as mídias digitais e a fragmentação de conteúdo para diversos formatos. Atualmente, qualquer um pode ter voz sobre qualquer assunto e qualquer coisa, crescendo assim as referências cruzadas. Construir narrativas ficou cada vez mais fácil, porém administrá-las se tornou praticamente impossível.

Luli Radfahrer (2010) exemplifica com um acontecimento recente e amplamente discutido: a campanha presidencial dos EUA de 2009, na qual se trabalhou todos os tipos de mitos e formas de narrativas para promover a imagem de Barack Obama como um líder transformador. Passada a eleição, percebe-se, que o produto adquirido é diferente do que foi ofertado. Distante do que se prometeu Obama se porta mais como um executivo do que como líder.

Porém a política não é o objeto de nosso estudo. Pretendemos analisar o jornalismo em formato corssmídia e a convergência de mídias produzida pela National Geographic Society, com foco no jornalismo científico, tema do nosso próximo capítulo.

O Wii é um console de videogame doméstico produzido pela Nintendo. O console destaca-se pelo seu controle sem fios, o Wii Remote, dotado de um acelerômetro capaz de detectar movimentos em três dimensões. Outra característica do console é o WiiConnect24, que permite receber mensagens e atualizações através da internet durante o modo stand-by. 8 Facebook é um website de relacionamento social lançado em 2004. O website possui mais de 120 milhões de usuários ativos. Dentre sua várias funcionabilidades a página fornece jogos simples, de fácil compreensão e com ótimos gráficos.

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2. COMUNICAÇÃO E A CIÊNCIA

2.1 O jornalismo especializado

Tavares (2009) explica que pensar em jornalismo especializado é ter de buscar um consenso sobre três manifestações empíricas. 1 – Associada a meios de comunicação específicos (mídias), 2 – a temas (editorias) e 3 – da junção de ambos (editorias em mídias específicas).

Segundo o autor (TAVARES, 2009), na Espanha, o jornalismo especializado tem destaque na formação de estudantes, onde já é reconhecido desde a década de 1970, como atividade acadêmica. Sua principal aplicação é como objeto de estudo e como uma área científica dentro da chamada Periodística, nas Ciências da Comunicação. No entanto, em solo brasileiro essa área de atuação ainda é pouco explorada, onde há poucas publicações sobre o assunto, assim como poucos cursos (e disciplinas) especializadas no tema.

O jornalismo especializado é percebido a partir de duas vertentes. A primeira, mais direcionada ao caráter científico, é composta de textos voltados para os preceitos e técnicas dessa prática e dos processos jornalísticos. A segunda está direcionada à formulação de um lugar teórico para a livre manifestação no campo do Jornalismo. (TAVARES, 2009)

Tavares (2009) percebe também a presença da reivindicação sobre a existência e a necessidade de um maior número de investigações e pesquisas que se voltem para a especialização jornalística, com uma reflexão crítica sobre este tipo de jornalismo e suas particularidades. Segundo o autor o conceito de jornalismo especializado tem seus métodos de pesquisa e teorias próprias, a fim de cercar uma possibilidade para se pensar o Jornalismo Especializado como uma disciplina científica.

A especialização periodística está associada, em grande parte, à evolução dos meios de comunicação e à formação de grupos sociais consumidores de mídia cada vez mais distintos. Tavares (2009) acrescenta que é com a introdução de outros meios e, consequentemente de critérios de produção da notícia, que essa especialidade passou a questionar a lógica da especialização, ou seja, de uma outra especialidade jornalística.

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Frederico Tavares (2009) percebe que com a transmissão de rádio e posteriormente da televisão, tem-se o surgimento de uma crise da especialização jornalística, que gera uma crise de credibilidade informativa, fez-se presente a necessidade a uma adequação aos novos públicos e a uma revolução textual. É necessário que a especialização deva ser pensada também como ligada a uma nova metodologia do trabalho jornalístico, fundadora de novos produtos e serviços.

Nilson Lage (2005) também explica que mesmo com as redações divididas em editorias, que pressupõe algum conhecimento específico, deve-se também transformar jornalistas em especialistas. É dever do jornalista facilitar o acesso à informação, torna-la melhor compreensível, principalmente quando se fala termos técnicos, mas deve-se ter cautela para não se deixar inundar pelo senso comum. Cada profissão é merecedora de suas próprias convenções e por tanto responsável por seus próprios estigmas, o que pode levar a um problema de veiculação de informações. Por esse motivo é mais produtivo e econômico para toda a sociedade que o jornalista se especialize.

A Teoria da Cognição sustenta que entender o preceito básico para uma eficaz transmissão de conhecimento. Portanto, é necessário que se faça um modelo mental, aproximado e referido ao contexto cultural. "Isto significa que um repórter de política nacional, por exemplo, não precisa ser um cientista político [...], mas deve dispor do máximo de informações sobre a história recente, a organização do Estado e a natureza dos fatos políticos" (LAGE, 2005, p. 111 - 112).

A respeito disso Tavares faz das palavras de Juarez Bahia (1990) suas, quando afirma que, "seja qual for a seção do veículo jornalístico, quem deve realizar a 'literatura técnica do produto a ser comunicado' é um 'especialista treinado em notícias'" (TAVARES, 2009, p. 121).

Tavares (2009) ainda acrescenta que no processo de nascimento e consolidação da especialização jornalística, segundo apontam vários autores, valoriza-se a competência de tradução de setores muito especializados da vida social, quando em codificações de alcance generalizado.

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Atribui-se a esse tipo de jornalismo, portanto, o papel de buscar intermediar saberes especializados na sociedade, construindo um tipo de discurso que, noticioso, ou "apenas" informacional, promova um outro tipo de conhecimento que se funde - geralmente - na compreensão conjunta do universo científico e do senso comum. Uma característica que, como aponta o professor Esteve Ramírez (1999) marca o seu "lugar" como disciplina, direcionando e formatando seus objetos de estudo, assim como construindo seu próprio paradoxo epistemológico: o Jornalismo Especializado é "una disciplina especializada en unificar las distintas especializaciones" (TAVARES, 2009, p.123)

Os estudos, voltados para área cientifica, que se apresentam hoje possuem uma certa notoriedade, sendo assim, preferem não afirmar sobre qual seria realmente o objeto de estudo e da atenção deste campo. No entanto, segundo Tavares (2009), nas definições que se formulam, permite-se pensarmos de forma teórica e metodológica sobre o lugar empírico e profissional do jornalismo especializado. Nesse sentido, vale pensarmos outras conceituações e seus cruzamentos.

Citado pelo autor (TAVARES, 2009), Orive e Fagoaga (1974) explicam que a especialização periodística é aquela em que se analisa a estrutura da analise da realidade, proporcionando aos leitores uma melhor interpretação do mundo, tanto quanto possível, acomodando a linguagem a um nível o médio e aprofundando seus interesses e necessidades.

Para Maria Teresa Mercado Saéz (2006), também citada por Tavares (2009), a especialização jornalística abarca "todo o processo comunicativo", apresentando a realidade através dos múltiplos âmbitos temáticos que são objetos de tratamento pela profissão, satisfazendo assim aos usuários e às suas demandas.

Um exemplo desse jornalismo é o que se preocupa com a metodologia de trabalho bem como as formas textuais delas resultantes é a reportagem, que tem sua produção derivada desses distintos métodos. A reportagem acompanha a especialização determinada por um veículo ou seção cumpre e exerce um papel de aprofundamento sobre as especialidades de que trata. Hector Borrat (1993), citado por Tavares (2009), acredita que o jornalismo especializado é uma maneira de se produzirem textos periodísticos.

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2.2 Jornalismo científico

O surgimento da imprensa, no século XV, impulsionou a difusão científica e possibilitou o nascimento do jornalismo especializado nas ciências no século XVII. Com a revolução científica, que se expandiu entre os séculos XVI e XVII, apareceram personagens de grande importância e influência. Newton, na Inglaterra, foi responsável por dar início à divulgação de ciência, implantando assim o chamado Jornalismo Científico. Pioneirismo que incentivou outros cientistas a colocarem em circulação suas idéias e descobertas. (OLIVEIRA, 2005).

Segundo Oliveira (2005), foi o alemão Henry Oldenburg que percebeu a combinação do caráter informal e fragmentado das cartas (meio de comunicação adotado entre os intelectuais da época) e seu verdadeiro potencial de alcance como texto impresso, incentivando o surgimento do profissão especializado em jornalista científico. Foi ele quem criou, em 1665, o periódico científico Philosophical Transactions, que se tornou modelo para posteriores publicações.

A literatura sobre jornalismo científico recebeu grande impulso a partir da segunda metade do século XIX. Fabíola Oliveira (2005) conta que as duas guerras mundiais contribuíram fortemente para o avanço dessa área, tanto na Europa como nos EUA. Jornalistas ávidos por reunir conteúdo e conhecimento para interpretar as novas tecnologias bélicas criaram as primeiras associações dedicadas ao jornalismo científico. O primeiro Pulitzer9, em 1917, foi destinado ao jornalista Alva Johnston, por sua série de reportagens na cobertura da reunião da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS). Desde a década de 1920, jornalistas dedicados à ciência já trabalhavam em estreita colaboração com a comunidade científica. Oliveira (2005) acrescenta que a ploriferação do conhecimento acerca da ciência e tecnologia foi intensificada com a Primeira Guerra Mundial, resultando no aumento significativo da cobertura desse jornalismo especializado, com ênfase na significância da ciência.
O Prêmio Pulitzer, criado em 4 de junho de 1917, é um prêmio concedido nos EUA, outorgado a pessoas que realizem trabalhos de excelência na área do jornalismo, literatura e música. É administrado pela Universidade de Columbia, e considerado a maior honra prestada a um profissional.
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A primeira agência de notícias dedicada ao tema o Science Service, foi fundada em 1921, nos Estados Unidos, por E. W. Scripps. É considerada, ainda hoje, segundo a autora, um dos principais serviços de notícias científicas naquele país..

Fabíola Oliveira (2005) cita que em 1934, em Washington, jornalistas fundaram a Associação Nacional de Escritores de Ciência (em inglês NASW), com o objetivo de promover a disseminação de informações precisas sobre ciência, bem como estimular a interpretação da ciência e de seu real significado para a sociedade, com elevados padrões jornalísticos. Em parceria, a AAAS e a NASW, desde 1945, promovem o Prêmio de Jornalismo Científico AAAS, além de publicarem mensalmente a revista, mundialmente reconhecida, Science, fundada por Thomas Edson10, em 1880.

A partir da segunda metade da década de 1940, a ciência entrou definitivamente na agenda governamental brasileira e social, que foi muito influenciada pelo término da Segunda Guerra Mundial e pelo avanço tecnológico. Em 1951, teve início o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) que representou o primeiro esforço significativo de regulamentação da ciência e tecnologia no Brasil (OLIVEIRA, 2005).

Oliveira (2005) esclarece que com a economia mundial globalizada, a partir da década de 1990, o poder concentrou-se cada vez mais nas mãos dos países que detêm maior grau de conhecimento e dos grandes grupos econômicos capazes de produção tecnológica em grande escala.

Erbolato (1981) explica que, quando uma descoberta científica se estabelece, antes que surja o resultado final, muitas vezes ela é divulgada pela imprensa, mesmo sem a comprovação de seus efeitos. Isso pode se dar por meio de declarações e entrevistas dos cientistas responsáveis pelo trabalho ou até mesmo pela indiscrição de um repórter.

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Thomas Alva Edison (1847-1931) foi inventor e empresário. Desenvolveu vários dispositivos de grande interesse industrial. Entre as suas contribuições mais universais para o desenvolvimento tecnológico e científico encontra-se a lâmpada elétrica incandescente, o gramofone, o cinescópio ou cinetoscópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone. Edison é um dos precursores da revolução tecnológica do século XX.

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Levar descobertas científicas ao conhecimento de leitores é um trabalho árduo e a função do jornalista científico é passar as informações de forma acessível, correta e sem desvio da verdade. Não promovendo, inclusive, esperança vã no caso de cura a doenças. (ERBOLATO, 1981)

Manuel Hernandez, citado por Erbolato (1981), acredita que as grandes forças do mundo moderno são a ciência e o jornalista. Sendo que os jornalistas estão obrigados a conhecer e valorizar a força e importância da ciência de nossa era. Eles são os porta-vozes de milhares de pessoas que se dedicam a buscar métodos de assegurar um bom futuro a todo um planeta.

O autor (Erbolato, 1981) ainda esclarece que para divulgar ciência não se devem deixar esquecidas as normas gerais da redação. Os jornais precisam informar e sintetizar o máximo possível as descobertas científicas, mesmo quando tal descoberta já seja considerada como senso comum.

Deve ser preocupação dos jornalistas incorporar termos e conceitos ao linguajar comum, tornando acessível a informação inclusive a crianças em idade escolar. Exemplo citado por Erbolato (1981) é a penicilina e a bomba atômica, que não eram de conhecimento popular em 1930, e hoje podem ser temas de discussões entre diversas classes, graças à publicação informativa.

Mário Erbolato (1981) considera que os setores a serem abrangidos pelo jornalismo especializado em ciência podem ser divididos da seguinte forma:

1. Exploração da natureza e do cosmos; 2. Previsões de progresso à base de observações e experimentos realizados nos laboratórios; 3. Tentativas de penetrar o desconhecido e o misterioso; 4. As revoluções na indústria; 5. Novos meios de entretenimento e repouso espiritual; 6. Filosofias e doutrinas políticas sociais; 7. Combate às enfermidades;

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8. Luta entre o homem e a máquina; 9. Decoração e adornos; 10. Preparação para a guerra.

No cotidiano jornalístico todos os dias os profissionais dessa área enfrentam problemas científicos, concluídos ou em fase de conclusão, preocupando-se com o que de fato pode ser útil em favor dos leitores. Ao redigir uma matéria, ele não estará só publicando a informação, mas também indicando cuidados que seus leitores deverão adotar para, por exemplo, evitar o contágio por alguma doença (ERBOLATO, 1981).

Segundo Erbolato (1981), em uma reunião, em 1969, dos Ministros de Educação da América Latina, em Trindad, foi aprovado que a Organização dos Estados Americanos que criasse um Centro Interamericano de Produção de Material Educacional e Científico para a Imprensa (CIMPEC), com sede em Bogotá, fornecia artigos e notícias para os jornais das Américas. Eram metas do CIMPEC: a promoção da investigação, a formação de recursos humanos, a defesa do ambiente, a proteção da saúde e o aproveitamento cabal dos recursos naturais. Após a morte do fundador e diretor do centro, Josué Muñoz Quevedo, em 1987, a iniciativa não teve seguimento.

Na divulgação de ciência, o jornalista restringe-se à realidade, abstendo-se de fantasia. Não leva em consideração o descrédito ou desconfiança acerca das descobertas, nem promove entusiasmo sem razão a seus leitores. Erbolato (1981) ressalta que deve-se valorizar a importância de todo fato científico veiculado, mostrando que ambos (ciência e jornalismo) estão a serviço da coletividade no combate à indiferença.

Não é necessário que todos os jornalistas tenham um grande conhecimento sobre ciência, pois quando se tem um conhecimento muito extenso corre-se o risco de produzir reportagens compreensíveis apenas a especialistas. Deve-se respeitar estudiosos e leitores comuns, tornando a informação acessível a todas as classes, sem desmerecer a qualidade daquilo que é relatado. (ERBOLATO, 1981)

Folhear um ano de jornais diários significa separar com três ou quatro versões diferentes da mesma verdade científica, sem que ninguém procure realçar a contradição, por vezes,

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clamorosa, entre uma versão e outra. Colombo (1998) esclarece que existem casos em que figuras autorizadas ou fontes diversas, que tratam do mesmo tema e apresentam uma explicação que vai para o jornal sem qualquer mediação. Não há qualquer tentativa de coordenar a notícia com outras que já tenham surgido sobre o mesmo assunto, possivelmente até no mesmo jornal.

O problema, explica o autor, da notícia científica agrava-se particularmente quando se entra no campo das ciências sociais, estando este campo, mais do que nunca, exposto a influências do pensamento político. "O jornalismo controla a literatura e, de um modo geral, tudo aquilo que pertence ao mundo humanístico, às enunciações filosóficas, as tomadas de posições políticas, as teorias sobre a história e sobre o mundo". (COLOMBO, 1998, p.105)

Quando se trata de jornalismo científico devem-se adotar medidas de segurança, como inserir a notícia em um contexto, baseado em uma memória histórica (informações já veiculadas). Mas, segundo Colombo (1998) a melhor dica a ser seguida é fazer uma notícia científica que não se baseie em tendências políticas e culturais do momento.

José Soares Júnior (2005) cita, segundo dados do Institute for Scientific Information (ISI), que entre 1981 e 2000, no ranking mundial de produção científica, o Brasil passou da vigésima oitava posição para a décima sétima. O que colocou o país à frente de países como a Bélgica, Escócia e Israel, e bem próximo da Coréia do Sul, Suíça, Suécia, Índia e Holanda.

O autor relembra a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na década de 1960, quando foram implantados vários cursos de pós-graduação destinados à formação de novos pesquisadores. Já em meados da década de 80, a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia enfatizou a política científica e definiu áreas estratégicas para investimento e apoio (JÚNIOR, 2005).

Utilizando as palavras de Wilson Bueno, Soares Júnior (2005) determina a diferenciação entre a divulgação científica e o jornalismo científico, não se tratando estes de campos antagônicos, mas complementares, pois ambos têm o mesmo público alvo, a população em

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geral. O Jornalismo Científico se trata de um gênero específico, possui linguagem própria de decodificação das notícias e constitui uma categoria à parte. No entanto, deve-se perceber que nem tudo o que é publicado nos veículos de comunicação especializados é científico (JÚNIOR, 2005).

Wilson

Bueno

(1998)

explica

a

dificuldade

no

relacionamento

entre

cientistas/pesquisadores e jornalistas, em que o próprio sistema de produção nas duas áreas é reconhecidamente distinto. Esta distinção seria responsável por conflitos no

relacionamento entre os representantes das duas áreas, já que tendem a enxergar sob óticas diversas no processo de divulgação dos resultados de pesquisa. O cientista incomoda-se com a superficialidade das informações veiculadas pelos meios de comunicação e pelo caráter sensacionalista, adotado em alguns casos. O jornalista encara estes aspectos de maneira tranquila, já que a falta de densidade das suas matérias e o uso de recursos de comunicação constituem-se na essência de seu trabalho.

Parte-se do pressuposto de que, enquanto a Ciência e a Tecnologia decorrem de processos de longa maturação e que, portanto, não estão condicionadas à obtenção de resultados a curtíssimo prazo, a Comunicação, e o Jornalismo em particular, dependem estritamente da coleta e da circulação rápida de informações. (BUENO, 1998, p. 3)

A preocupação do cientista é de que suas declarações sejam mal traduzidas. Em alguns casos este temor tem a ver com o fato de o cientista revelar dificuldade para imaginar o público-alvo do jornalismo científico. Segundo Bueno (1998) o jornalista, por sua vez, percebe o cientista com arrogância, porque o vê como uma fonte pouco acessível, nem sempre disposta a se fazer entender. Deve-se reconhecer, no entanto, que esse relacionamento tem melhorado, ao longo dos últimos anos, devido ao contato mais frequente e aprendizado mútuo.

Outra preocupação que não deve passar despercebida é a decodificação do discurso científico, muitas vezes denso, o que impossibilita o entendimento do leitor leigo ao conteúdo. É trabalho do jornalista decodificar esse discurso e torná-lo acessível, assim como é preocupação do cientista que a transcrição de seu estudo seja equivocamente disseminada. (BUENO, 1998)

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2.3 A transmissão de notícias científicas

Segundo Burkett (1990), as notícias científicas para rádio e televisão chegam em tamanhos e qualidades variáveis. Podem ser notícias curtas, de vinte ou noventa segundos, e por isso encaixada entre eventos locais e mundiais nos noticiários da noite; ou podem ser documentários elaborados de uma hora, ou mais, de duração, produzido para canais especializados, como a National Geographic.

O autor (Burkett, 1990) explica que produzir ciência para o público pode levar semanas, às vezes meses ou anos. Isso acontece pois é necessário se alcançar os padrões técnicos da rede com auxílio de equipamentos elaborados de produção e filmagem. O que se reflete no lado final,os tornando expansivamente caros. Outro fator de influência é que programas voltados exclusivamente para a ciência e medicina são vistos por um público limitado.

Com frequência, programas de ciência natural são encaixados em brechas de tempo onde o nível de audiência é baixo. (BURKETT, 1990)

Bueno (2010) explica que a internet tem propiciado vantagens aos jornalistas e comunicólogos no que diz respeito ao acesso a informações relevantes. Segundo o autor, em uma pesquisa nos principais sites de pesquisa lhe permitiu levantar 50 artigos/documentos sobre Jornalismo Científico (incluindo Jornalismo Ambiental, Jornalismo em Saúde e Jornalismo Econômico). Esses arquivos foram encontrados em diversos idiomas, o que favorece a perspectiva plural e mais abrangente dos problemas e desafios do Jornalismo Científico em todo o mundo.

Em muitos casos, é possível, localizar e recuperar documentos perdidos, com a ajuda dos internautas. O negativo de tudo isso é que alguns links, ao longo do tempo se percam, com a reformulação dos sites de origem. Enea11 (2001) acredita que entramos na era das comunicações eletrônicas e cada cientista pode tirar vantagem do advento das ferramentas multimídia e de melhorias da World Wide Web para a criação interativa de documentos científicos, tornando-os disponíveis em todos
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Tradução nossa

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os lugares para todos. Quase todas as universidades, organizações governamentais, instituições e sociedade científicas possuem um site que fornece para o grande público informações úteis sobre os cientistas que são membros de sua equipe, seus objetivos científicos e principais realizações. Para a maioria dos cientistas, usar a web e trocar mensagens eletrônicas tornou-se muito comum, porque isto é muito útil para envio de resumos ou publicações, para obter informações ou se inscrever em encontros de sua área de interesse, dentre outras inúmeras funcionabilidades.

Segundo Enea (2001), muitos profissionais de revistas científicas ainda trabalham seus textos de forma não interativa, e por isso não usufruem tanto das formas digitais. Portanto, uma parte das tarefas mais difíceis de cientistas e editores é manter a qualidade científica das publicações técnicas e, ao mesmo tempo melhorar a sua apresentação através da introdução de imagens em cores, desenhos animados feitos em computador, sequências de vídeo, simulações por computador e fornecer referências interativas com conteúdo relacionado.

Um novo tipo de escrita, cada vez mais diferente do utilizado até agora em papel, tem que ser inventado, se quisermos aproveitar as possibilidades oferecidas pelas ferramentas multimídia já disponíveis para a produção de trabalhos mais atraente e abrangentes. A criação de um novo modelo de escrita cibernética para as publicações científicas, escrito por cientistas, requer do autor científico ter alguma experiência em escrever storyboards12 de documentos audiovisuais e interativos e que esteja familiarizado com as ferramentas de multimídia a serem utilizadas. (ENEA, 2001)

Segundo o autor, (ENEA, 2001) essas experiências multimídia têm sido encorajadoras e agora as forças devem ser concentradas no desenvolvimento de um novo tipo de documentos científicos, diferente das declarações emitidas em revistas profissionais científicas on-line. É importante para a produção de publicações on-line, porque a capacidade de transmitir informação científica e técnica para todo o mundo é maior, o

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Storyboard são organizadores gráficos tais como uma série de ilustrações ou imagens arranjadas em sequência com o propósito de pré-visualizar um filme, animação ou gráfico animado, incluindo elementos interativos em websites. Um storyboard tem como finalidade marcar as principais passagens de uma história que será contada em um filme da forma mais próxima com a qual ela deverá aparecer na tela.

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custo de publicação é reduzido e armazenamento de informações em forma digital é mais fácil. No entanto, o conteúdo on-line de versões impressas e é quase idêntico.

Enea (2001) explica que deve-se ter a pretensão de utilizar todas as possibilidades oferecidas pelas ferramentas multimídia, como inserir sons, imagens coloridas, desenhos etc. Além disso, palavras e imagens podem ser ativadas com links de informação científica e técnica prestada aos níveis de especialização diferentes. A disponibilidade de documentos multimídia, na web, torna a informação acessível não apenas aos especialistas, mas a todos com acesso a internet.

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3 CROSSMÍDIA E CONVERGÊNCIA DOS VEÍCULOS DA NATIONAL GEOGRAPHIC

3.1 Metodologia

Para a realização das análises da convergência de mídia e crossmídia presentes nos meios de comunicação da National Geographic (Canal televisivo Nat Geo, site brasileiro: ngbrasil.com.br e revista mensal) proposto ao presente estudo, o método a ser utilizado é de análise de conteúdo. Foram recolhidos nesses meios todo material referente aos temas de discussão. Esses assuntos serão divididos, primeiramente, em duas categorias:

Primeiro será analisado o crossover de mídias entre os meios: Da revista para a TV Da revista para o Site Da TV para a revista Da TV para o Site Site para TV Site para Revista Online para Online

Posteriormente, analisaremos a convergência de linguagens presente no universo online, onde serão observadas as características da internet e utilização de áudio, imagem, vídeo, hipertexto, animação e interatividade.

A unidade de registro da amostragem tratará de qualquer conteúdo, dentro dos meios selecionados, destinado à convergência digital e à crossmídia, captados no período de análise. Sendo que todos os documentos relativos ao assunto de pesquisa, recolhidos do material empírico, deverão ser considerados.

O material empírico analisado consiste na revista National Geographic de Maio/2010; 05 horas consecutivas da exibição do canal Nat Geo, do dia 17/05/2010; mapeamento e análise do site www.ngbrasil.com.br, com material recolhido no dia 11/05/2010. O período

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escolhido foi o do mês de maio, para que se possa avaliar a integração entre os assuntos apresentados nos múltiplos meios.

3.2 Descrição do Objeto

Segundo informações do site (www.ngbrasil.com.br), o surgimento da National Geographic Society (NGS) deu-se em uma reunião, em Washington (EUA), no ano de 1888, formada por um grupo com os 33 principais cientistas e intelectuais da época. Juntos perceberam a necessidade de se comunicar, de compartilhar experiências e analisar as transformações ocorridas na sociedade. Sendo assim, se reuniram com o propósito de viabilizar uma organização que promovesse o crescimento e a difusão do conhecimento geográfico no convívio social. O desejo comum de prestigiar o estudo científico e disponibilizar os resultados para o público personificou o espírito de aventura e descoberta, dos fundadores da NGS, que passou a ser associado à organização.

3.2.1 Revista

A primeira edição da revista National Geographic, segundo o site da NGS, foi publicada em outubro de 1888, em brochura. Desde o início, a revista adotou uma mistura interessante entre ciência e aventura, como em um dos artigos da primeira edição, que se baseava em um relato acadêmico e denso escrito por WJ McGee sobre "A Classificação das Formas Geográficas Segundo a Gênese". O volume também continha, encartado, um texto sobre uma tempestade de grandes proporções ocorrida naquela época, nos Estados Unidos, com tabelas isotérmicas e meteorológicas e uma descrição sobre a sobrevivência do barco-piloto Charles H Marshall, de Nova York.

Muito densa e técnica, a revista precisou se modernizar e foi em 1889 que a National Geographic (NG) começou a publicar ilustrações coloridas – as primeiras foram desenhos em pastel de cenas da Nicarágua. A revista tinha publicação esporádica e era um desastre comercial. Com o intuito de aumentar a circulação de exemplares, em 1896, foram

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disponibilizados volumes da revista em bancas. Inspirando-se nos periódicos de mais sucesso da época, ela se transformou em uma “Publicação Mensal Ilustrada”. Mas foi com a direção de Alexander Graham Bell13 (1897-1920) que a revista adotou uma cobertura popular, facilitando a compreensão na leitura de temas geográficos, combinando relatos a fotografias (Fig.1).

Figura 1: 1959 ano em que a primeira edição apresentou imagens coloridas

A publicação tornou-se internacional, quando em 1995, a National Geographic Society lançou sua primeira edição em japonês. Pouco tempo depois, edições em espanhol começaram a circular na Espanha e pela América Latina. Logo, a revista se espalhou de Portugal a Taiwan, passando pela Rússia, sendo publicada em uma dúzia de idiomas locais por parceiros licenciados da NGS. Hoje, segundo dados da própria NG, um em cada quatro leitores lê a revista em uma língua que não o inglês (Fig. 2).

Figura 2: Capas internacionais da National Geographic (Espanha e Japão)

13

Alexander Graham Bell (1847-1922) era cientista, inventor e foi o fundador da companhia telefônica Bell.

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Entre 1980 e 2005, a revista foi redesenhada e transformou-se em uma das publicações mais relevante para os leitores da atualidade, em sua categoria (Fig. 3). Artigos a respeito da saúde global, do comércio ilegal de diamantes ou das armas de destruição em massa agora apareciam ao lado de reportagens que anunciarem novas descobertas arqueológicas ou descrevia estudos científicos.

Figura 3: 1995, A Garota Afegã foi uma das capas mais famosas publicadas

A revista National Geographic Brasil completou em Maio de 2010 dez anos de existência, a primeira edição, em português, publicada, foi a de Maio de 2000. Ao longo dessa década o periódico alcançou homens e mulheres, de idades e classes diversas (Graf. 1).

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Perfil do Leitor

Gráfico 1: Perfil do leitor Fonte: Pesquisa Nacional Abril jun/09

O perfil do leitor abrange, em sua maioria, pessoas dos 20 aos 44 anos (62%), pertencentes a classes A, B e C, enquanto as classes D e E não apresentam números significativos. A região brasileira onde há maior circulação de revista é a Sudeste, precedida do Sul (Graf. 2).

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A circulação mensal da revista é superior os 43 mil exemplares, abrangendo, nos últimos seis meses, 523 mil leitores14. O periódico possui aproximadamente 25 seções e recebe por mês de 3 a 5 grandes reportagens, com uma média de 20 a 24 páginas cada, preenchidas com textos, fotos, ilustrações, infográficos e mapas (Graf. 3).

Gráfico 2: Tiragem Fonte: Projeção Brasil de Leitores consolidado 2008

Informações Técnicas A revista é produzida em papel couche especial, de 151g para a capa e 75g para o miolo. Sua dimensão final é de 175x254m, com lombada quadrada. A periodicidade é mensal, e seu preço é de R$14,99.15 3.2.2 National Geographic Channel

O National Geographic Channel (Nat Geo ou NGC) é um canal de televisão pago, que apresenta, para crianças e adultos, documentários, séries e programas educativos sobre ciência, tecnologia, história e meio ambiente. Na parte da manhã, o canal é destinado a crianças, com desenhos e documentários em linguagem de fácil compreensão.

Lançado no Reino Unido, na Escandinávia e na Austrália em 1º de setembro de 1997, o Nat Geo, em 2003, foi o canal de televisão a cabo com maior crescimento no mundo,
14 15

Fonte: Projeção Brasil de Leitores consolidado 2008 http://www.publiabril.com.br/marcas/55/revista/informacoes-gerais

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chegando a mais de 160 milhões de residências em 154 países e 26 línguas. Quando o canal estreou nos EUA, em janeiro de 2001, foi o segundo lançamento mais rápido de canal a cabo doméstico na história do país, alcançando mais de 40 milhões de residências em apenas dois anos.16

Segundo o site da NGS a exibição no Brasil começou em 1º de novembro de 2000. Com apurada qualidade visual, o NGC apoia exploradores ao redor do mundo e leva aventura, exploração, vida selvagem, cultura e fenômenos naturais para a casa dos seus espectadores. Os documentários de gêneros diversos são o foco do canal, que também conta com séries próprias.

Informações Técnicas O NGC é um empreendimento da National Geographic Television, da Fox Entertainment Group e da National Broadcasting Company (NBC) e atualmente é assistido por mais de 80 milhões de assinantes (incluindo as transmissões parciais da programação) em 15 idiomas, para 110 países fora dos Estados Unidos.17 3.2.3 NGBRASIL.COM.BR

Em 1996, a National Geographic passou a atingir amplo público internacional por meio da internet. Logo que entrou no ar, o www.nationalgeographic.com atraiu milhões de visitantes a explorá-lo. No Brasil a NG se divide em dois sites, um respectivo a revista (www.ngbrasil.com.br) e outro ao canal televisivo (www.natgeo.com.br) Segundo o Google Analytics18, mensalmente são registrados 6.074.477 visualizações de página, por 724.218 visitantes, que permanecem no site por um tempo médio de 9:27 minutos. O acesso é feito em sua maioria por mulheres (Graf. 3).

16 17

Fonte: www.ngbrasil.com.br Fonte: www.nationalgeographic.com; www.ngbrasil.com.br 18 Fonte: Google Analytics abr/10

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Gráfico 3: Perfil do internauta Fonte: Pesquisa Nacional Abril jun/09

3.3 Crossmídia e Convergência

3.3.1 Crossmídia 3.3.1.1 Revista para TV

Figura 4: Revista da NG usa crossmídia para chamada de programa na TV Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, maio. 2010. p. 134.

Percebe-se nesse exemplo (Fig. 5), extraído da revista da National Geographic, que há presença de crossmídia, pois, como sugere Luiz Pato (2006) há interação entre múltiplos

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meios de comunicação. Nesse exemplo, a revista evoca para a TV, através de uma chamada para um programa específico de televisão, a ser exibido no canal da emissora.

Esse processo leva os consumidores de uma mídia (revista) para outra (TV), como fundamento da crossmídia, segundo Mônica Carniello (2004). Há influência de um meio no outro, pois eles estabelecem uma mensagem, independente de seus formatos. Percebe-se que o conteúdo a ser abordado no programa não diverge do apresentado na revista, informações de caráter social e científico.

Como benefício dessa estratégia, o consumidor poderá ter informações, através da revista, sobre conteúdo de seu interesse a ser exibido na TV, recebendo mais informação acerca do tema e dos meios de comunicação envolvidos. Essa é, segundo Pato (2006), uma característica do crossover de mídias, no qual o consumidor poderá obter mais conhecimento acerca de cada aparelho, do produtor e do produto.

A mesma técnica foi usada para anunciar a estréia de um novo canal da emissora (Fig. 6). Como se trata de um novo canal televisivo, a revista apela para a credibilidade do canal Nat Geo (“o Wild segue o padrão de qualidade dos documentários exibidos no NatGeo”). Novamente, há uma interação de conhecimento entre consumidor, produto e produtor. Dessa forma, há interação tanto com o Nat Geo Channel, como com o novo Nat Geo Wild19.

19

Canal destinado à programação de alta definição para TV digital.

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Figura 5: NG apresenta novo canal através de crossmídia Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, maio, 2010. p. 134

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3.3.1.2 Revista para o Site

Figura 6: Capa da Revista indica para Site Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, maio, 2010. Capa

Já na capa da revista (Fig. 7) há referência de crossmídia, com chamada para o site. Sendo essa a segunda informação relevante apresentada (de cima para baixo), antes mesmo do nome da revista. Utilizando do conhecimento prévio do leitor, em um assunto recente e amplamente abordado no mês de abril, a erupção do vulcão Eyjafjallajokull na Islândia, a Revista faz crossmídia (Fig. 8) de um desastre geológico semelhante, de 30 anos atrás, mostrando suas

consequências após esse período, mas para saber mais é necessário acessar o Site.

Como critério básico do crossover de mídias, segundo Mônica Carniello (2004), um meio leva a outro, onde só o que se modifica é a interface. E assim como sugere Pato
Figura 7: Crossmídia da Revista para o Site Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, maio, 2010. p. 136.

(2006), se estabelecer uma mensagem.

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Figura 8: Aproveitando o tema da matéria Revista faz crossmídia para Site Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, maio, 2010. p. 87)

Uma das grandes reportagens da revista no mês de maio explica curiosidades acerca do sono, “Os segredos do SONO – desde que nascemos, passamos dormindo um terço de nossa vida. Mesmo após décadas de pesquisa, ainda não sabemos direito por que é assim”20. Aproveitando o tema, a revista coloca no pé de página (Fig. 9), no final da reportagem, uma chamada para o site, onde disponibiliza um gráfico interativo que expressa a diferença do sono ao redor do mundo.

O site disponibiliza todo material veiculado pela edição impresa (texto e fotos), no entanto não foi encontrado nenhum material extra, como o anunciado pela revista (Fig. 8). Essa quebra de comunicação representa uma falha significativa no sistema de crossmídia, pois um meio induz a outro, através de uma indução enganosa: o que foi prometido não foi disponibilizado.

Outra forma de levar o leitor ao site é a participação dele na revista (Fig. 10). Essa corelação entre os meios permite que o leitor se sinta mais participativo acerca do conteúdo veiculado. O espaço “Sua Foto” é dedicado às fotos dos leitores da NG, que desejam ter suas imagens publicadas. São selecionadas as melhores fotos enviadas ao longo do mês para publicação.

O interessante desse tipo de crossover de mídias é o retorno ao meio de partida. Através da revista, leitores são estimulados a entrar no site, para posteriormente acompanhar sua participação online na revista. (Revista Site Revista)

Há também chamadas para conteúdos complementares do site, como mapas e infográficos.
20

Título original da matéria (edição de Maio de 2010).

50

Figura 9: Interatividade – fotos enviadas para o Site podem aparecer na Revista Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, maio, 2010. p 8

3.3.1.3 TV para a Revista

A única referência que o canal Nat Geo faz à revista é uma propaganda, de 30 segundos aproximadamente (exibido de hora em hora), ressaltando o tema principal da edição e as principais matérias. O apelo à revista é pouco significativo no decorrer da programação.

A falta de apresentação de conteúdo que remeta à Revista é significativa. Percebe-se uma falha mercadológica entre os meios da NG, em que a Revista traz conteúdo que sugere a crossmídia para TV, no entanto o crossover da TV para a Revista é muito superficial.

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3.3.1.4 TV para o Site

Durante toda a programação, inclusive durante os intervalos, uma logo no canto superior esquerdo da tela indica o site natgeotv.com (Fig. 11), que direciona para o www.natgeo.com.br. Nas propagandas, também há apelo ao site (natgeotv.com), quando são exibidos comerciais do próprio canal.

Figura 10: Logo no topo da tela faz crossover para o Site Fonte: tela do canal Nat Geo

No início de cada bloco dos programas exibidos, é liberada na tela uma animação que instiga o espectador a explorar o site, “ACESSE: netgeotv.com”.

A falta de crossover para o site NGBRASIL.COM pode ser entendida como uma falha no processo que leva um meio ao outro. Como já explicado o site dedicado à Revista é um e o dedicado a TV é outro, no entanto a Revista faz menção à TV, o que não é recíproco na TV, que só sugere o site dedicado a si mesma. Mesmo o comercial de chamada para a Revista o site NGBRASIL não é indicado.

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3.3.1.5 Online para TV

A National Geographic, em relação à TV, disponibiliza um site próprio (Fig. 12), à parte do trabalhado em conjunto com a revista (ngbrasil.com.br). Percebe-se uma quebra de comunicação, na qual a revista incentiva o acesso ao site já por meio de sua capa, porém não há nesse site nenhum conteúdo relativo ao National Geographic Channel, nem há chamada para o site dedicado à Nat Geo.

Em sua versão americana, www.nationalgeographic.com (Fig. 13), a NG utiliza apenas um site, comum para a revista e para a televisão.

Figura 11: Site destinado exclusivamente ao canal Nat Geo Fonte: http://www.natgeo.com.br

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Figura 12: Capa do site americano, todo conteúdo em um só lugar

Fonte: http://www.nationalgeographic.com

3.3.1.6 Online para Revista

Já na capa do site (Fig. 14) há várias chamadas para a revista. O visitante do site não só consegue acompanhar as matérias e imagens publicadas na revista, como pode votar para escolha da capa do próximo mês.

Através do concurso “Sua Foto”, o internauta envia pelo site sua fotografia, que, se aprovada, é publicada na próxima edição da revista. Ele também tem acesso a imagens, papéis de parede e conteúdo da edição do mês, que são disponibilizados livremente

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Figura 13: Na capa do site da NG já é possível visualizar elementos de convergência Fonte: http://www.ngbrasil.com.br

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Figura 14: Conteúdo publicado na Revista é disponibilizado livremente na internet

Fonte: http://www.ngbrasil.com.br

Na bandeja de menus do lado esquerdo, o visitante tem acesso à edição do mês, com uma explicação sobre o tema da edição e a disponibilização das matérias veiculadas (Fig. 15). Assim como também pode ver o conteúdo das edições anteriores, até novembro de 2009 e visualizar as capas desde 2003.

3.3.1.7 Online para Online

Além da opção de busca por palavras-chaves no conteúdo do site, o visitante tem acesso, através do menu a outras páginas que complementam o conteúdo da National Geographic:

História da National Geographic Society, desde sua fundação até a atualidade; Redirecionamento para o site da Editora Abril, onde podem-se obter informações sobre a assinatura da revista; Menu ESPECIAL, onde são colocados links para matérias especiais. Na ocasião de consulta os temas indicados eram: “Bichos do Brasil”, “Espaço”e “Energia”;

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Menu FOTOS, disponibilização de imagens da edição atual e anteriores, assim como papeis de parede para o computador; Menu MULTIMÍDIA, contém conteúdo complementar às matérias da revista: vídeos, infográficos e mapas; Menu PARTICIPE, concurso Sua Foto – todo dia uma foto enviada por internautas é publicada, as melhores saem na próxima edição da revista. História do concurso, já finalizado, Vira-Lata, acesso a mídias sociais das quais a NG participa (Twitter, Facebook, Youtube e Orkut) (Fig. 16);

Figura 15: NG presente nas mídias sociais – Twitter, Facebook, Youtube e Orkut

Fontes: http://twitter.com/ngbrasil; http://www.facebook.com/group.php?gid=18181684399 ; http://www.youtube.com/NationalGeographicBR; http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=86381

Menu BLOGS, blog com atualizações da National Geographic e blogs individuais dos fotógrafos da revista.

O site (www.ngbrasil.com) indica para os sites:

Viagem do conhecimento: Concurso para alunos do ensino fundamental promovido pela NG (http://www.viagemdoconhecimento.com.br/) NG norte-americana: Site norte-americano da NG, em uma página dedicada a música (http://worldmusic.nationalgeographic.com/view/page.basic/home)

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3.3.2 Convergência de Mídia

3.3.2.1 Site Brasileiro

Jenkins (2008) explica que a convergência consiste em uma mutação sócio-cultural, na medida em que esses consumidores são estimulados a procurar por novas informações. Novas tecnologias são introduzidas aos velhos meios de comunicação, transformando assim suas funções e status.

Figura 16: Vídeos colocados na internet expressam a convergência do site da NG Brasil

Fonte: http://www.ngbrasil.com.br

Segundo Pato (2006), imagens, vídeos, fotos e animações interativas são assim introduzidas na rede, a fim de convergir usuários aos meios e ao conteúdo de comunicação, complementando seu conhecimento. Mesmo insuficientes, são as novidades tecnológicas responsáveis por agregar grandes inovações, que invadem o cotidiano das pessoas e afetam sua forma de se comunicar e interagir.

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Segundo Tavares (2009) a especialização periodística está associada à formação de grupos sociais consumidores de mídia cada vez mais distintos. Com a introdução de outros meios e, consequentemente de critérios de produção da notícia, que essa especialidade passou a questionar a lógica da especialização, ou seja, de uma outra especialidade jornalística.

Enquanto Wilson Bueno (2010) explica que a internet tem propiciado vantagens aos jornalistas e comunicólogos no que diz respeito ao acesso a informações relevantes. Enea21 (2001) acredita que estamos vivendo a era das comunicações eletrônicas e cada cientista pode tirar vantagem do advento das ferramentas multimídia para a criação interativa de documentos científicos, tornando-os disponíveis em todos os lugares para todos. Trabalhando seus textos de forma interativa e multimídia, sem deixar de manter a qualidade científica das publicações técnicas e, ao mesmo tempo melhorar a sua apresentação através da introdução de imagens em cores, desenhos animados feitos em computador, sequências de vídeo, simulações por computador e fornecer referências interativas com conteúdo relacionado.

No site NGBRASIL.COM.BR podemos perceber os seguintes exemplos de convergência entre mídias e linguagens de áudio, vídeo, hipertexto, imagens, animações e interatividade:

IMAGENS Todos os dias uma foto, enviada por algum internauta, é publicada no site. As melhores do mês são veiculadas na revista22. São disponibilizadas no site imagens para download, relativas às edições da revista23. São disponibilizados no site downloads de papeis de parede para computador, com imagens relativas às edições da revista24.

VÍDEOS Vídeos, complementares ao conteúdo da revista, são postados no site a cada edição25 (Fig. 17).
21 22

Tradução nossa http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/sua-foto/ 23 http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/fotos/ 24 http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/papeis-de-parede/

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INTERATIVIDADE Mapas e infográficos, complementares ao conteúdo da revista, são disponibilizado no site, separados por edição26.

Pato (2006) afirma que o grande desafio de empresas envolvidas na indústria da comunicação é propor uma busca que desenvolva produtos e serviços para n meios em simultâneo. Essa dificuldade de interação de meios é muito presente na National Geographic. A lógica de comunicação é perdida quando os meios se dividem de forma desordenada, como no caso da existência de dois sites brasileiros que não interagem entre si.

Ao contrário do que acontece no Brasil, o site americano se mostra como exemplo de trabalho em convergência. Nele, todos os meios convergem em um só, promovendo a interatividade.

3.3.2.2 O site norte-americano

Durante a análise do conteúdo de crossmídia e convergência da National Geographic, tivemos acesso ao site produzido nos Estados Unidos. Apesar de não ser nosso objeto de análise, consideramos importante citá-lo, ainda que brevemente, para demonstrar as possibilidades existentes na internet e utilizadas de maneira confusa pelos sites brasileiros.

25 26

http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/videos/ http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/interatividades/

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Figura 17: Ao contrário do site brasileiro, natgeo.com é exemplo em convergência.

Fonte: http://www.natgeo.com

O site traz um menu interativo, que direciona o internauta a várias páginas. Em todas elas são acrescidos vídeos, imagens, mapas, infográficos etc., respectivos ao tema abordado,

HOME: Notícias do dia*, Revista* (Conteúdo interativo da revista), Mapas* (mapa mundi interativos, coleção de vários tipos de mapas, jogos de quebra-cabeça com mapas), Ciência* (conteúdo27sobre ciência e o espaço), Educação* (conteúdo sobre educação), Jogos, Música*, Blogs*, Filmes* (Filmes e documentários produzidos pela NG), No Campo* (bastidores da produção de conteúdo), Celular* (conteúdo exclusivo para celular), Mapa do Site.

FOTOGRAFIA: Fotografia do dia*, Galeria*, Papeis de Parede*, Tipos de Fotos*, Fotógrafos*, Compre Imagens*.

ANIMAIS: Notícias sobre animais*, Fotos de animais*, Quizz sobre animais, Programas do NatGeo Wild*, Programação NatGeo Wild, Blog Wild*.

* representa existência de material interativo multimídia na página, como vídeos, imagens, sons etc.

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MEIO AMBIENTE: Energia*, Água Potável*, Aquecimento Global*, Habitats*, Desastres Naturais*, O oceano*, Guia Verde* (Guia de prevenção ao aquecimento global e preservação do meio ambiente).

VIAGENS: Países*, Cidades*, Parques*, Top 10*, Revista NG Traveler*, Blogs*, Fotos*, Quizes, Viagem com a gente28.

AVENTURA: Guia de Equipamentos* (Guia de materiais para viagens), Guia de Viagens (Preços e detalhes de viagens), Fotografia*, Vídeos*, Blogs de Aventura*, Mapas TOPO29.

NATGEO TV: Programação, Shows*, Vídeos*, Jogos, Celular*, Curiosidades*. KIDS: Redirecionamento para site dedicado as crianças30. SHOP: Redirecionamento para site de vendas da NG31.

É bastante perceptível a diferença do site americano comparado ao brasileiro, o trabalho de convergência explorado nos Estados Unidos tem qualidade muito superior ao do oferecido pelo Brasil. Sendo assim, o domínio natgeo.com.br deveria se inspirar no nationalgeographic.com para que seu trabalho de comunicação seja integrado e eficiente.

28

Redirecionamento para site de viagens da NG: http://www.nationalgeographicexpeditions.com/home/?source=NavTravWith 29 Redirecionamento para site de mapas do NG: http://www.topo.com/?source=NavAdvTopo 30 http://kids.nationalgeographic.com/kids/?source=NavKidsHome 31 http://shop.nationalgeographic.com/ngs/index.jsp?code=NG94000&source=NavShopHome

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CONCLUSÃO

Percebeu-se na análise do objeto que a crossmídia e convergência de mídias da National Geographic é insuficiente e dotada de falhas. O crossover, como citado na análise, possui falhas notáveis, como no caso de a revista chamar para um conteúdo que não está disponível no site; enquanto a TV chama muito superficialmente para a revista e omite a existência do site dedicado a revista.

Outro problema observado foi a existência de dois sites, um dedicado à revista e outro voltado para o canal televisivo, sendo que um não faz menção ao outro. Chega a parecer que são dois sites feitos para empresas distintas, pois eles não se relacionam. Essa divisão de tarefas confunde o consumidor na busca por informação sobre o conteúdo da revista e da TV.

Apesar de o site dedicado à revista possuir grande quantidade de imagens, é pouco valorizado quanto a outras ferramentas de convergência, como vídeos e áudios.

Notou-se no decorrer da análise que, ao contrário do que acontece no Brasil, o site norteamericano é rico em conteúdo de convergência. Ele fornece em uma única página todo o conteúdo oferecido pela National Geographic (que nos EUA é consideravelmente mais abundante que no Brasil). De 51 páginas analisadas dentro do site, apenas sete não apresentam inserção de opções multimídia (vídeos, áudios, imagens, fotos etc.), o que contabiliza que há, dentro do próprio domínio, cerca de 86,3% de convergência de mídias.

Enquanto que, na versão brasileira, dos quatorze links apresentados no sumário do site cinco são destinados a conteúdo de convergência, uma média de 35,7% de convergência de mídias presente no site. No entanto, a quantidade de material disponível no endereço eletrônico norte americano é muito superior à apresentada no site brasileiro.

Com esse trabalho foi possível visualizar o quanto é importante o papel do jornalista dentro da comunicação entre mídias. É fundamental que o profissional tenha conhecimento de como fazer a conexão entre esses meios, de forma eficaz, proporcionando conhecimento ao consumidor ao invés de frustração. Na nossa visão, o comunicólogo é imprescindível para

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que a boa e adequada comunicação flua de forma concisa e compreensível, pois é papel dele pensar no receptor e na melhor forma de absorção das informações prestadas.

Por fim, vale ressaltar a importância da continuidade dos trabalhos de monitoramento das novas possibilidades de linguagens para o jornalismo científico na web, uma que se trata de uma área em permanentes e constantes mudanças.

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REFERÊNCIAS

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