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4 Visões Sobre a Divina Providência
WILLIAM LANE CRAIG
Estou feliz por você estar aqui para o podcast do Fé Racional. Eu sou o Kevin Harris, no estúdio com o Dr. William Lane Craig. Kevin Harris, anfitrião do podcast Fé Racional

Kevin: Dr. Craig, você contribuiu em um livro chamado "Quatro Visões Sobre a Divina Providência." E eu acho que esse é um livro e um tópico muito importante porque a forma como vemos a Providência de Deus em nossas vidas e como e porquê Ele nos salva realmente molda nossa visão de Deus. Você concorda que isso é mais do que apenas sutilezas teológicas? Craig: Sim, concordo. Eu acho que isso afeta radicalmente seu conceito de quem Deus é, como Ele é... ...e como Ele se relaciona com o mundo. E isso também tem muito valor na apologética. Porque uma visão que concilie liberdade humana e soberania divina terá uma grande vantagem ao apresentar uma visão bíblica a um descrente. Kevin: Bem, por exemplo, nosso companheiro Greg Boyd é um dos contribuidores. E ele defende uma visão chamada Teísmo Aberto. E, se pastores ou líderes da igreja, como resultado da obra dele, começarem no futuro a aceitar suas idéias, isso pode atingir a congregação e

radicalmente mudar nossa visão sobre Deus, o que Deus sabe, Sua pré-ciência e soberania, etc... Então, isso é importante!

Craig: Sim, certo. Na visão de Greg, Deus não conhece eventos contingentes futuros, Ele não sabe o que vai acontecer e, por isso, ele precisa fazer planos de contingência baseado no que criaturas livres podem fazer mas Deus, na verdade, não sabe o que vai acontecer no futuro, nessa visão. Agora, em contraste, na visão defendida pelos outros dois participantes no livro, Ron Highfield e Paul Helseth, que são teólogos reformados, Deus causalmente determina tudo o que acontece, de forma que, cada ato moralmente maligno, cada pecado no mundo, cada movimento maligno da vontade humana é causado por Deus! E Deus, depois, pune as pessoas por fazerem essas coisas que Ele as fez fazer. Então isso também resulta em uma visão de Deus radicalmente diferente, que afetará como você vê quem Deus é. Kevin: E isso é jogado contra os cristãos todo o tempo por ateus, agnósticos, céticos, pessoas de outras fés. Que essa é uma visão inconsistente, ou pelo menos, muito indesejável do ponto de vista moral. E a visão que você defende é o Molinismo... Craig: Certo, a visão que eu defendo no livro é a perspectiva Molinista, baseada na obra de Luis Molina, que foi um contra-reformador do século 16 que desenvolveu uma teoria sobre a providência divina e a liberdade humana em resposta ao determinismo que ele viu em Calvino e Lutero. E, apesar dos defeitos na soteriologia de Molina, eu acho que... Kevin: Ou, sua visão sobre salvação.

Craig: Sim, sua visão sobre justificação e salvação. Eu acho que os reformadores estão absolutamente certos aí. Mesmo assim, acho que a sua análise sobre a compatibilidade da liberdade humana e soberania humana é brilhante! E, uma vez que você a entende, eu acho

que é o conceito teológico mais frutífero que eu já encontrei e que avança bastante na iluminação de vários textos bíblicos. Kevin: Bill, eu não sei se você percebeu nas suas viagens e interações com as pessoas, mas no website, parece que a maioria das questões é sobre o argumento cosmológico Kalam e o segundo nível de perguntas que são feitas sempre será na área do Molinismo. Isso é muito importante, há muito material também, alguns podcasts sobre a visão Molinista. Então, parece meio injusto que haja duas visões Calvinistas aqui. As visões deles diferem de alguma forma? Craig: Eles realmente não diferem muito! E essa foi uma das coisas estranhas do livro. Eu me pergunto porque o editor Dennis Jowers escolheu dois Calvinistas, cujas visões são virtualmente indistinguíveis no livro. Eu pensei que teria sido melhor escolher alguém, por exemplo, que represente a visão de que existe genuína liberdade libertária, existe plena soberania divina, e que a reconciliação deles é simplesmente um mistério, não temos nenhuma idéia de como reconciliá-los! Mas ninguém no livro realmente representa esse ponto de vista, em vez disso, nossos dois participantes Calvinistas são Deterministas. Eles são Deterministas Divinos Universais que defendem uma visão Compatibilista da liberdade humana. E, no lado Libertariano, você tem Greg Boyd, o Teísta Aberto e eu, o Molinista. Mas não há alguém representando aquilo que poderia ser chamado de "a visão do Mistério."

Kevin: Parece que você estaria no meio dessas duas visões. Greg Boyd estaria em um extremo, Ron e Paul no outro extremo.

Craig: Muito mesmo! E é muito interessante, Kevin, eu não posso deixar de rir com isso, com a forma como o Molinismo se tornou uma espécie de centro de gravidade nesse debate de forma que, o Teísta Aberto é puxado para o Molinismo de um lado, e o Calvinista é puxado para o Molinismo de outro lado! Então, você tem pessoas como Greg Boyd descrevendo sua visão como "Neo-Molinismo." E pessoas no lado Calvinista dizendo que acertam certos elementos da

visão Molinista. Então, em virtude de ser uma espécie de posição moderadora, o Molinismo se tornou o centro de gravidade desse debate. Kevin: E eu acho que isso é muito importante! Esse simples fato, ao trabalharmos nisso, é muito encorajador e nós podemos ter idéias muito boas e chegar a algumas conclusões bíblicas.

Craig: Espero que sim. Kevin: Vamos falar um pouco sobre a visão de Greg Boyd. Muito controverso... Como Boyd foi criticado por essa visão do Teísmo Aberto! Parece que a visão dele tem sido vista como pouco ortodoxa por muitos. Craig: Bem, o que Boyd argumenta é que o futuro não é causalmente determinado. E que, por isso, não há fatos futuros contingentes. Declarações sobre o que contingentemente acontecerá não são verdadeiras nem falsas, são apenas indeterminadas. E, por isso, não é uma violação da Onisciência divina não conhecer fatos futuros contingentes. Porque Onisciência significa "conhecer apenas todas as verdades." E se não há verdade sobre o futuro para Deus saber, então você não pode contestar a Sua Onisciência por Ele não saber aquilo que não é verdade! Kevin: Em outras palavras, assim como a Onipotência não pode criar círculos quadrados, a Onisciência não pode saber o que não está lá para ser sabido. Craig: Sim, mas é ainda mais radical que isso. Não é que não haja nada para ser sabido, é que não há valor de veracidade nessas proposições futuras contingentes, como “Romney vencerá a eleição presidencial de 2012." Isso não é nem verdadeiro nem falso, porque ainda não foi causalmente determinado. Agora, eu acho que a dificuldade com a visão de Greg é que não há razão para pensar que declarações sobre o futuro que são causalmente contingentes não têm

valor de veracidade. Não há razão para pensar que as únicas proposições sobre o futuro, que são verdadeiras ou falsas, são as que são causalmente determinadas agora. Eu quero afirmar com Greg Boyd a abertura do futuro no sentido de que o futuro é causalmente indeterminado. Eu não acredito, como Helseth e Highfield, que tudo no futuro está causalmente determinado. Eu também concordo com Boyd que o tempo envolve um desenrolar temporal, que o futuro de nenhuma forma existe. Não é como se os eventos futuros estivessem diante de nós esperando-nos chegar até eles. Em vez disso, o desenrolar temporal é real: as coisas vêm á existência e deixam de existir. Então, Boyd e eu estamos na mesma posição quando se trata da natureza do tempo, que envolve um verdadeiro desenrolar temporal e com respeito à natureza da liberdade libertária: que o futuro não é causalmente determinado. Mas o non sequitur1 na visão dele é pensar que isso de alguma forma significa que aquilo que a lógica chama de Princípio de Bivalência não se aplica a proposições futuras contingentes. O Princípio de Bivalência diz que, para qualquer proposição, essa proposição é ou verdadeira ou falsa. Ou, em outras palavras, é verdadeira ou não. A falsa é aquela que não é verdadeira. Toda proposição é ou verdadeira ou falsa. E esse princípio parece ser obviamente verdadeiro, auto-evidentemente verdadeiro. E, de fato, a negação desse princípio nos exigiria mudar a lógica clássica. Levaria a revisões na lógica clássica de uma natureza bem radical. Então, o que queremos saber de Greg é: porque não pode haver verdadeiras proposições no tempo futuro sobre eventos contingentes? Não quer dizer, por exemplo, que foi causalmente determinado que Romney vencerá as eleições de 2012, apenas significa que, quando 2012 chegar, então Romney vencerá ou não vencerá, e tudo o que acontecer será de acordo com qual era a proposição verdadeira.

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Non sequitur (tradução: não se segue): em palavras leigas, é aquela idéia que você não sabe de onde a pessoa tirou, como: “A evolução é um fato. Logo, DEUS NÃO EXISTE!” Opaaa! Espera aí! Isso é um non sequitur! Você tirou isso do nada! O fato da evolução não mostra que Deus não existe! Outros exemplos que são discutidos no livro “Em Defesa da Fé” de Lee Strobel: “Existe sofrimento e dor no mundo. Logo, DEUS NÃO EXISTE!”; “A igreja patrocinou cruzadas e caça às bruxas. Logo, DEUS NÃO EXISTE!”; “Minhas orações não foram respondidas. Logo, DEUS NÃO EXISTE!”.

Kevin: Deixe-me ver se eu posso entender isso: se é verdade que Romney vencerá a eleição futura, então essa proposição tem valor de veracidade, mesmo que não tenha acontecido ainda, mesmo que não seja causalmente determinado se é verdade que ele vencerá a eleição de 2012, Deus sabe isso, porque Deus sabe todas as proposições verdadeiras. Craig: Certo, eu acho que Boyd concordaria com isso: se tem um valor de veracidade, Deus sabe. E, nesse sentido, ele não pode ser acusado da heresia de negar a onisciência essencial de Deus. Pelo contrário, ele concorda que, se é verdade, Deus sabe. Mas, o que ele nega é que essas proposições sejam verdadeiras. E ele reinterpreta proposições envolvendo o tempo futuro "vai ___" como sendo causalmente determinadas. Então, se você diz "X vai acontecer", Greg interpreta isso como sendo causalmente determinado a acontecer. Mas isso é apenas uma visão particular da língua inglesa que é peculiar a Greg Boyd. Eu não acho que você pode encontrar qualquer dicionário que lhe diga que esse é o significado da palavra "vai". Na verdade, em muitas línguas, você nem tem o tempo futuro expresso com um verbo auxiliar como "vai". No Francês, por exemplo, você apenas conjuga o verbo para fazer uma forma futura. Ou, no Alemão, você às vezes usa o tempo presente para expressar sentenças no tempo futuro, você não usar um verbo auxiliar como "vai". Então, não há razão para pensar que afirmações no tempo futuro sobre eventos contingentes no futuro não possam ter um valor de veracidade a menos que esses eventos sejam causalmente determinados. E é interessante: Boyd não dá justificação para isso, esse é apenas um grande non sequitur na sua visão. Não há argumento dado para dizer que não pode haver proposições futuras contingentes falsas e verdadeiras. Kevin: Parece que a crítica feita contra Greg Boyd é que isso pode levar à erosão da soberania e pré-ciência de Deus.

Craig: Isso mesmo. O que Boyd tem a dizer é que Deus é tão esperto que Ele tem planos de contingência para tudo o que acontecer. Então ele é uma espécie de gênio do xadrez jogando contra um computador. E o gênio do xadrez é tão habilidoso, que ele sabe o que fará em

resposta aos movimentos do computador. Ele não sabe o que computador fará. O computador pode fazer coisas inesperadas. Mas ele sabe que, em qualquer movimento que o computador fizer, ele saberá como responder. Agora, o estranho nisso, é que isso dá a Deus uma espécie de conhecimento-médio divino sobre Suas próprias decisões. Que Deus sabe "se o computador fizer assim, é assim que eu reagirei." E isso, na verdade, destrói a liberdade divina, pois faria Deus ter conhecimento-médio sobre Suas próprias ações antes do decreto divino de criar o mundo. E, na visão Molinista, Deus tem conhecimento médio sobre o que as criaturas livremente fariam em quaisquer circunstâncias. Mas Deus não sabe a verdade de declarações sobre o que Ele faria em qualquer circunstância antes do decreto criador divino. Isso removeria ou aniquilaria a liberdade divina. Em vez disso, o que Deus sabe por seu conhecimento médio é que qualquer criatura livremente faria em qualquer circunstância. E, então, Deus escolhe realizar um desses mundos envolvendo essas circunstâncias e ao mesmo tempo declarar o que Ele fará nessas circunstâncias. Então, na visão de Boyd, se ele acha que Deus tem esse conhecimento médio pré-volicional de Suas próprias decisões, isso, na verdade, vai destruir a liberdade divina, paradoxalmente. Então, eu acho que a visão de Greg não foi cuidadosamente pensada. Na verdade, depois, ele admite que, quando se trata da liberdade de Deus, ele adota uma visão compatibilista da liberdade de Deus. E ele pensa que, no paraíso, nós teremos um livre-arbítrio compatibilista onde, tudo o que fizermos, não teremos a habilidade de fazer o oposto, mas mesmo assim seremos livres no sentido de que isso será voluntário. Então, eu acho irônico que, quando se trata de Deus e dos abençoados no paraíso, Greg abandona a liberdade libertária e adota a visão compatibilista reformada dos dois contribuidores no livro. Kevin: Então, o Compatibilismo é uma coisa que podemos analisar, é uma das uma das opções sobre livre-arbítrio no debate sobre livre-arbítrio e providência.

Craig: Essa seria a visão de que a liberdade é compatível com ser causalmente determinado a fazer o que você faz. Então, os dois contribuidores do livro para a perspectiva reformada, Highfield e Helseth, ambos adotam o Determinismo Universal Divino com respeito a tudo o

que acontece. Até mesmo decisões pecaminosas. Essas são todas causalmente determinadas por Deus. Mas, porque eles são compatibilistas, eles dizem que isso é compatível com a liberdade humana. E, portanto, responsabilidade. Kevin: Bill, o homem nas ruas ficaria perturbado por essas duas visões, parece... Antes de tudo, é perturbador que Deus tenha que esperar e ver o que acontece para poder agir. E, por outro lado, é perturbador que Deus seja causalmente responsável por nosso pecado e depois nos culpe por isso.

Craig: Eu sei. Para mim, a visão calvinista é moralmente inaceitável. Os contribuidores reformados são realmente ansiosos para magnificar a majestade e glória de Deus. Mas me parece que essa visão faz exatamente o oposto! Ela impugna o caráter e a grandeza de Deus! Eu não acho que é magnificar a glória e majestade de Deus dizer que Ele determina criaturas a fazer ações pecaminosas e que depois as pune eternamente por fazer coisas que Ele as fez fazer! Eu não vejo nada nisso que glorifique a Deus, então... Eu acho que a visão libertária é muito mais bíblica e muito mais redundante para a glória e majestade de Deus: Que Deus criou um mundo de livres criaturas a quem Ele deu a habilidade de rejeitar Suas iniciativas graciosas e de se separar dEle eternamente, mesmo que isso seja contrário à Sua vontade. Então, Ele permite que criaturas até mesmo se condenem eternamente, se é isso o que elas escolherem fazer. Kevin: Me perguntaram noutro dia qual é a primeira pergunta que vou fazer a Deus quando estiver diante dEle. Antes de tudo, não vou fazer perguntas a Deus, não quero o mesmo tratamento que Jó recebeu. Mas tenho muitas perguntas para Paulo! Craig: Aaaah! Muito bom! xD Kevin: Se Paulo não souber, vou a Deus. Mas, essas seriam coisas... capítulos como Romanos 9, que têm sido interpretados de tantas formas... Que parecem cair na Ortodoxia, mas que

erodem essa Ortodoxia de alguma forma, se não houver cuidado. Boyd parece fazer isso e esses calvinistas radicais2 parecem fazer isso. Eles parecem desequilibrados, não apenas biblicamente, mas filosoficamente. Craig: Sim, acho que é verdade. E biblicamente, acho que eles estão fora dos limites. Nossos contribuidores reformados enfatizam bem fortemente o quão bíblicas suas visões são. Mas, na verdade, a Bíblia não ensina o Determinismo Universal Divino. Ela ensina Soberania Divina, e o controle de Deus sobre tudo o que acontece, mas dizer que isso deve ser explicado pelo Determinismo Universal é dar uma explicação filosófica! Uma interpretação do ensino bíblico que vai muito além do que a própria Bíblia realmente ensina. E eu acho que isso fica óbvio quando entendemos a distinção que o Molinista apresenta entre Deus fortemente realizar uma situação e Ele fracamente realizar uma situação. O que quero dizer com isso? Bem, Deus realiza fortemente uma situação quando Ele a cria diretamente, por Seu poder causal. Ele causaria o eu surgimento! Isso seria fortemente realizar uma situação. Mas Deus pode fracamente realizar uma situação através do Seu conhecimento médio, colocando pessoas em um certo conjunto de circunstâncias as quais Ele sabia que livremente realizariam alguma situação! Então, por exemplo, Ele pode fracamente realizar a crucificação de Jesus arranjando para que José Caifás seja o sumo sacerdote no tempo de Jesus, fazendo Pôncio Pilatos ser o prefeito da Judéia na época, Herodes ser o rei fantoche local, certas pessoas na multidão favorecer Barrabás em vez de Jesus, se lhes fosse pedida uma aclamação. Colocando todas essas pessoas livres nessas circunstâncias, Deus sabia o que elas livremente fariam. E, portanto, Ele fracamente realiza a crucificação de Jesus através das livres decisões de criaturas. E, uma vez que você conhece essa distinção, Kevin, entre forte realização e fraca realização, então você pode ver que, quando a Bíblia diz coisas como, sobre o suicídio de Saul, “Assim, Deus matou Saul e entregou o reino a Davi" (I Cr 10.14), você não pode dizer que isso significa que Deus causalmente determinou Saul a se atirar sobre sua espada!

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A palavra usada foi “hardcore”, no sentido de radicais, durões, capazes de acreditar numa visão de mundo que seja desconfortável, tipo John Piper e Mark Driscoll...

Ou, quando diz de José e seus irmãos no livro de Gênesis, "Vocês o intentaram para o mal, mas Deus o intentou para o bem, e fez isso acontecer" (50.20), você não pode inferir que isso é o resultado do Determinismo Universal Divino, porque pode ter sido através de realização fraca: Saber que, se os irmãos estivessem nessa circunstância, é isso que livremente fariam e, assim "Deus fez isso acontecer." Então, o ponto é que, até mesmo o calvinista está fazendo mais do que apenas exegese. Ele está dando uma interpretação filosófica para os dados das Escrituras, que vai além das Escrituras, quando ele apela para o Determinismo Causal Universal. E, então, eu acho que a visão Calvinista falha não apenas filosoficamente, mas também falha biblicamente - ou não é justificada biblicamente, vamos dizer dessa forma - porque precisa interpretar todas essas passagens sobre Soberania em termos de forte realização somente e, assim, atropela todas essas passagens que ensinam liberdade humana e contingência. Kevin: Aí está a importância disso. Nós dissemos no início desse podcast, não se trata apenas de sutilezas teológicas de discussões de pessoas com phDs. É esse último mas, ao mesmo tempo, isso é vitalmente importante! Não são sutilezas teológicas, isso influenciaria como vemos a Deus. E como você vê a Deus afetaria como você vê as pessoas. E esses amigos meus que estão aderindo a essa visão calvinista que estivemos descrevendo, eles são bem durões! Eles podem ser bem duros de coração às vezes. E eles gostam da dureza disso, e do fato que "Deus é tão radical que Ele pode realizar tudo isso ao mesmo tempo!” Mas isso não mantém, eu acho, o caráter de Deus que vemos na Bíblia.

Craig: Eu não poderia concordar mais, Kevin. E eu acho que você pode ser mentalmente fiel sem ser duro de coração. É isso que eu quero ser: quero ser mentalmente fiel, no sentido de rigor intelectual, boa exegese, boa filosofia, boa teologia sistemática, que seja de primeira e, também, ter um coração que é brando e compassivo com o perdido e que queira alcançá-lo com o Evangelho.

Kevin: Obrigado, Dr. Craig. Sabe, esse tópico está bem no topo da lista de perguntas feitas sobre Deus. E fico orgulhoso por poder apontar você para muitos outros recursos que temos no ReasonableFaith.Org sobre esse tópico. Quero encorajar você a estudar os artigos do Dr. Craig sobre isso, revisar as perguntas que ele respondeu na sessão de perguntas e respostas e ficar de olho no ReasonableFaith.Org para informações sobre esse novo livro "Quatro Visões Sobre a Divina Providência." Enquanto você está navegando nosso website, saiba que há um subsídio equivalente de 100 mil dólares generosamente oferecido ao ministério de Fé Racional. Essa é sua chance de dobrar seu impacto ao doar a esse ministério. Você pode dar online, fácil e seguramente, e apreciamos seu apoio. Acho que você concordará que o trabalho do Fé Racional é necessário mais do que nunca na cultura atual. Então, por favor, dê o que puder e aproveite o subsídio equivalente oferecido agora. Eu sou Kevin Harris, obrigado por ouvir. Nos vemos na próxima no Fé Racional com o Dr. William Lane Craig.

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