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I – INTRODUÇÃO À MICROBIOLOGIA

1 – Origem da Microbiologia
2 – Biogênese X Abiogênese
3 – Teoria Microbiana da Fermentação
4 – Teoria Microbiana da Doença
5 – Primeiros Estudos sobre a Imunidade

1 – Origens da Microbiologia

1.1 – O que é microbiologia

A microbiologia é o ramo da biologia dedicado ao estudo dos seres microscópicos,


geralmente muito pequenos para serem observados a olho desarmado. A palavra
microbiologia deriva de três palavras gregas - mikros “pequeno”; bios “vida”; logos
“ciência”.

1.2 – Surgimento da microbiologia

A microbiologia nasceu da especulação do homem sobre a origem da vida, sobre as


fontes das doenças epidêmicas e transmissíveis, da putrefação da matéria e processos de
fermentação. O Velho Testamento contém referências a algumas regras para evitar
doenças. O Livro de Leviticus contém descrições detalhadas da lepra:

“Se os pêlos presentes se tornarem brancos e a chagas apresenta ser


mais profunda de que a pele circundante, trata-se da temível doença de pele ...
[lepra] contudo, se a chagas não parece ser mais profunda do que a pele circundante
e os pêlos não se tornarem brancos, o sacerdote deverá isola-lo por sete dias.
[conceito de quarentena]”

Nas antigas civilizações, as causas das doenças infecciosas eram atribuídas a natureza
como o aparecimento de um cometa, ou um desagrado a uma divindade, no entanto
preconizava-se alguns métodos de higiene e a quarentena.
Hipócrates, médico grego, estabeleceu alguns conceitos de doença que influenciaram a
prática até a Idade Média e vários conceitos sobre as doenças infecciosas ainda datavam
da era a. C.. Em 1546, Girolano Francastoro, médico italiano, definiu que o contágio
ocorria: 1 – pelos contatos; 2 – através de fômites ou objetos; 3 – a distância (através do
ar).

1.3 – As primeiras observações ao microscópio

Já em 1673, Antony van Leeuwenhoek, após ter inventado o microscópio, começou a


fazer observações dos primeiros seres invisíveis ao olho desarmado, chamando esses
seres microscópicos de “pequenos animálculos”. Entre 1683 a 1695, Leeuwenhoek
enviou cartas a Sociedade Real de Londres fornecendo descrições claras das bactérias
encontradas na cavidade oral.
Esboços de bactérias da
cavidade bucal, observadas
por Leeuwenhoek. Também
mostrou a motilidade de
algumas bactérias, no
traçado C-D.

2 – Biogênese X Abiogênese

Após essas descobertas realizadas por Leeuwenhoek, surgiram calorosas discussões


sobre a origem dos microrganismos. Muitos pesquisadores acreditavam que a vida
surgia de objetos inanimados, sendo este processo denominado de abiogênese. Por outro
lado, outros pesquisadores defendiam que os animálculos de Leeuwenhoek se
originariam de outros seres de igual espécie, esse tipo de origem se denominou de
biogênese. A idéia de geração espontânea ou abiogênese se deu origem na Grécia
Antiga, onde acreditava-se que as rãs e minhocas surgiram espontaneamente de
pequenos lagos de lama.
Em 1745, John Needham cozinhou pedaços de carne para destruir os microrganismos
preexistentes e colocou em frascos abertos, posteriormente ele observou colônias de
microrganismos crescendo na carne e concluindo que, em cada partícula de matéria
orgânica, havia uma “força vegetativa” capaz de levar a matéria orgânica a brotar uma
vida. Spallanzani (1765-1776) concluiu, corretamente que não bastava fechar
hermeticamente os frascos contendo as infusões aquecidas, pois era importante que o ar
acumulado acima do líquido não contivesse “animálculos” ou “germes”. Não havia
crescimento de microrganismos na infusões fervidas quando o ar, livre de germes pelo
aquecimento, penetrava nos frascos. Seus oponentes replicaram que o aquecimento
havia viciado o ar, deixando-o incapaz de vitalizar a matéria orgânica.
Mas, no século XVII, pensadores e críticos foram discordando dessa idéia. Após quase
cem anos depois do primeiro experimento de Needham, Franz Schulze (1815-1873),
em 1835 e Theodor Schwann (1810-1882), no ano seguinte, tentaram resolver a
controvérsia da “essencialidade do ar”. O primeiro fez passar o ar por uma solução de
ácido forte e depois passava por uma infusão de carne previamente fervida em um
frasco fechado.
O segundo, Schwann, fez o ar passar por um tubo aquecido ao rubro e então aerizava o
caldo, matando assim, nos dois casos, os micróbios do ar e evitando a contaminação dos
meios.
Porém os defensores da geração espontânea não ficaram convencidos com tais
experimentos. Eles diziam que o ácido e o calor alteravam o ar não permitindo o
crescimento microbiano. Até o ano de 1854, os cientistas não haviam resolvido esse
debate sobre a passagem do ar. Para isso colocaram algodão em um tubo e o ar passava
livremente até um caldo nutriente estéril, não havendo crescimento microbiano, o que
forneceu ainda mais os argumentos para os defensores da biogênese.
2.2 – Demonstração da Biogênese

Essa discussão durou até meados de 1860, quando um químico francês chamado Louis
Pasteur realizou seus experimentos clássicos que derrubaram definitivamente a teoria
da geração espontânea. Ele utilizou frascos com um pescoço semelhante a um pescoço
de cisne, preenchidos com caldo nutritivo e fervidos. Demostrou com isso, que a poeira
do ar continham muitos microrganismos e que os mesmos, contaminavam os meios
nutritivos. Essas infusões fervidas permaneciam estéreis indefinidamente pois o frasco
com o gargalo semelhante a um “S” evitavam a passagem dos microrganismos, mais
não do ar propriamente dito.
O físico John Tyndall, em 1881, contribuiu para a confirmação da teoria da biogênese
realizando um experimento onde usou uma câmara de cultivo ou caixa, onde demostrou
que o ar poderia ficar sem microrganismo simplesmente por permitir que as partículas
de poeira se sedimentassem no fundo de uma caixa fechada.

Vários tipos de frascos utilizados por Pasteur em suas pesquisas.


Câmara de Tyndall utilizada para confirmar a teoria da biogênese.

3 – Teoria Microbiana da Fermentação

A fermentação já era utilizada na Grécia antiga para a fabricação de vinho, na China


(2.300 a. C.) uma cerveja chamada de kiu e no Japão o saquê bebida derivada da
fermentação microbiana do arroz. Por volta de 1850, Pasteur foi solicitado pela
industria do vinho francês para examinar lotes de vinho, encontrando microrganismos
diferentes no vinho de qualidade superior e no lote de qualidade inferior. Para resolver o
problema ele aqueceu o suco de uva por vários minutos e depois resfriou.
Com isso, eliminou os microrganismos existentes no suco, e em seguida, inoculou no
mesmo os microrganismos que estavam presentes nos vinhos de boa qualidade.
Observou-se então que a qualidade dos produtos fermentados não se baseava na
tentativa e no erro, mas sim no tipo de microrganismo que realizava a fermentação. O
processo utilizado para a eliminação dos microrganismos presentes no suco foi
denominado, posteriormente de pasteurização.
4 – Teoria Microbiana da Doença
4.1 – Histórico

Girolamo Francastoro (1483-1553): sugeriu que as doenças surgiam devido a


organismos, pequenos demais para serem vistos, se propagavam de uma pessoa para
outra e foram baseadas em fatos narrados por marinheiros sobre a propagação das
doenças. Anton von Plenciz (1705-1786): após 200 anos, além de estabelecer que seres
vivos eram causadores de doença, como diferentes agentes eram responsáveis por
diferentes doenças, vivendo um no outro, retirando seus nutrientes (parasitismo).
Louis Pasteur (1822-1895): foi requisitado para investigar a doença do bicho-da-seda e
durante seis anos tentou provar que um protozoário causava a doença. Também estudou
o papel dos microrganismos nas doenças dos seres humanos e dos animais. Em 1880 ele
descobriu o que bactérias atenuadas conferiram proteção contra a cólera aviária e em
1884, relatou que os vírus atenuados protegiam contra a raiva. Pasteur com a finalidade
de matar esporos, iniciou a prática de esterilizar as infusões empregando o vapor sob
pressão (15 libras a 121oC), enquanto que materiais estáveis eram esterilizados em
fornos com calor seco na temperatura de 160oC.
Robert Koch (1843-1910): médico e rival de Pasteur, provou que as bactérias eram
responsáveis pela doença do carbúnculo. Foi o primeiro a provar que um tipo específico
de micróbio causa um tipo definido de doença. Em 1877 foi o primeiro a utilizar o
cristal violeta com sucesso para a coloração do antraz, Paul Ehrlich utilizou o azul de
metileno e F Ziehl e F. Neelsen desenvolveram a coloração pelo ácido, permitindo que
Koch observasse mais tarde o bacilo da tuberculose. Introduziu também o meio
contendo ágar, identificou o bacilo da tuberculose e foi o primeiro a isolar as bactérias
causadoras do antraz e da cólera asiática. Koch, por volta de 1880, organizou postulados
baseado em quatro critérios necessários para provar que um micróbio específico causa
uma doença particular.

Postulados de Koch:
1 - Um microrganismo específico deve sempre estar associado a uma doença.
2 - O microrganismo deve ser isolado e cultivado em cultura pura, em condições
laboratoriais.
3 - A cultura pura do microrganismo produzirá a doença quando inoculada em animal
susceptível.
4 - É possível recuperar o microrganismo inoculado do animal infectado
experimentalmente.
Devaine (1863): utilizando sangue de animais infectados pelo antraz, transmitiu
infecções em camundongos, carneiros e gados sadios. A filtração do sangue infectado
em filtros de barro removia os organismos do filtrado e dessa forma não induzia a
doença, enquanto os depósitos sobre o filtro produzia a doença.
Oliver W. Holmes (1809-1894): médico americano, insistiu em 1843 que a febre de
parturiente era contagiosa e , portanto, era transmitida de uma mulher para outra pelas
mãos dos médicos e das parteiras
Ignaz Philipp Semmelweis (1818-1865) pesquisava uma maneira de manter as incisões
cirúrgicas livre de contaminação pelos microrganismos usando soluções cloradas na
antisepsia das mãos dos médicos.
Após a descoberta dos vírus, agentes que não crescem em laboratório, como fazem as
bactérias, foram requeridas algumas alterações dos postulados de Koch. Dentro de um
curto período de tempo depois do estabelecimento da teoria microbiana, o postulado
conduziu à descoberta da maioria das bactérias que causam a doença humana.
Dmitri Ivanovski (1864-1920): em 1892, descobriu que o agente do mosaico do tabaco
podia ser transmitido por um suco filtrado da planta doente. Esse agente era o vírus,
palavra derivada do latim que significa líquido viscoso ou veneno. A partir do
conhecimento de que os microrganismos causam doenças, os cientistas começaram a
dar maior atenção a sua prevenção e tratamento, surgindo conceitos como anti-sepsia,
imunização e quimioterapia. A descoberta do microscópio eletrônico, por volta de
1934, introduziu uma nova era na citologia molecular, estimulando o sucesso a
renovação da pesquisa, com aplicação de técnicas histoquímicas estabelecidas. A era da
antibiótica deu início com a descoberta da penicilina por Fleming (1929) que foi
desenvolvida durante a segunda Guerra Mundial.

5 – Estudos sobre a Imunidade

O ramo da imunologia desenvolveu-se dos estudos iniciais da bacteriologia.


Porém os chineses, persas e brahmins já praticavam a variolização, técnica consistida
da exposição de um indivíduo são às crostas secas de um indivíduo que se recuperava
da doença. Em 1776, Edward Jenner, introduziu a prática de imunização ativa,
expondo indivíduos a antígenos da varíola humana mais branda, protegendo-os da
forma mais agressiva.
Pasteur, após 100 anos, estendeu o conceito de imunização ativa, quando observou que
a cólera aviária podia ser evitada inoculando cultura velha de bacilos, com a sua
virulência reduzida. Em seguida ele aplicou este princípio de imunização na prevenção
do carbúnculo, denominando as culturas avirulentas de vacinas (do latim vacca, vaca) e
o processo de imunização, com tais culturas, de vacinação. Ele desenvolveu este
método através da utilização de organismos atenuados e preparou vacinas protetoras
contra o antraz, a erisipela suína e contra a raiva.
Koch iniciou estudos sobre as relações celulares do hospedeiro às infecções, o clássico
de imunidade mediada por células foi a observação, que o mesmo fez, quando injetou
um antígeno derivado do organismo causador da tuberculose, ocasionando reações
inflamatórias tardias em seres humanos e animais quando expostos.
Elie Metchnikoff (1884) observou que os leucócitos eram capazes de ingerir bactérias
(fagocitose) e destruí-las através da ingestão intracelular. Porém somente depois dos
anos 40 é que a imunidade mediada por células foi reconhecida totalmente como um
mecanismo imune muito importante. Metchnikoff, enquanto trabalhava no instituto
Pasteur, formulou a teoria que os fagócitos eram a primeira e mais importante linha de
defesa contra a infecção, ganhando o Nobel (1908).

6 – Bibliografia
7
BIER, O. Microbiologia e Imunologia . v. 1, 30ª ed., São Paulo –
Melhoramentos, 1994.
NISENGARD, R. J., NEWMAN, M. G. Microbiologia Oral e
Imunologia. 2ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.
PELCZAR, M. J., et al. Microbiologia: Conceitos e Aplicações. v. 1, 2ª
ed., São Paulo: Makron Books, 1997