RESUMO ESQUEMÁTICO DE DIREITO CIVIL

1. Pessoa natural ou pessoa humana surgem alguns conceitos básicos importantes:
É o ser humano considerado como sujeito de direitos e obrigações. Para ser uma pessoa, basta existir, basta nascer com vida, adquirindo personalidade. O artigo 1. º do Código Civil dispõe que: “toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. O Código Civil de 1916 dizia "todo homem é capaz de direitos e obrigações na ordem civil". Com a palavra “homem”, o legislador afastou toda e qualquer situação em que os animais fossem capazes de direitos e obrigações (exemplo: um animal não poderá ser beneficiado por testamento). Porém, note que a atual legislação substituiu a palavra "homem" por "pessoa", deixando mais técnica a disposição, alterando ainda a palavra "obrigação" por "dever", tendo ambas a mesma conotação. 1.1) Capacidade de Direito – é a capacidade para ser sujeito de direitos e deveres na ordem civil (art. 1º). 1.2) Capacidade de fato – é a capacidade para exercer direitos. Aqueles que não detêm capacidade de fato são denominados incapazes. CAPACIDADE CIVIL PLENA: capacidade de direito + capacidade de fato 2) Personalidade: é a soma de aptidões da pessoa natural 3) Incapazes: São elencados nos arts. 3º e 4º do novo Código Civil, devendo ser representados e assistidos, respectivamente: Representados: absolutamente incapazes (Menores de 16 anos; enfermos e doentes mentais, sem discernimento para a prática dos atos da vida civil; pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir sua vontade). Assistência: relativamente incapazes (Menores entre 16 e 18 anos 9 menores púberes; ébrios habituais, toxicômanos e pessoas com discernimento mental reduzido; excepcionais sem desenvolvimento completo; pródigos). - Quanto aos silvícolas (índios), sua situação não é mais tratada pela nova codificação. Os ausentes não são mais absolutamente incapazes. Ausência significa, na verdade, morte presumida, inexistência da pessoa (art. 22 e 39 do novo CC). - Os atos e negócios praticados pelos absolutamente incapazes sem representação são nulos (nulidade absoluta). Os celebrados pelos relativamente incapazes sem assistência são anuláveis (nulidade relativa). OBS: Silvícolas É vulgarmente chamado de índio e sujeito a regime tutelar estabelecido em leis e regulamentos especiais, o qual cessará à medida que se adaptar a civilização do país. O artigo 4. º, parágrafo único, do Código Civil, estabelece: "A capacidade dos índios será regulada por legislação especial". A incapacidade estabelecida por lei especial não é uma restrição e sim uma proteção. Há uma lei federal (Lei n. 6.001/73) que regulamenta a proteção dos silvícolas, que ficam sob a tutela da União (tutela estatal). Na vigência da lei anterior à Lei n. 6.001/73, foi criado um órgão para tutelar os silvícolas em nome do Estado: a FUNAI. Os silvícolas não possuem registro de nascimento civil, sendo que seu registro é feito na própria FUNAI. Se um silvícola se adaptar à civilização, poderá requerer sua emancipação, tornando-se, assim, pessoa capaz. Para a emancipação, os silvícolas devem comprovar que já completaram 21 anos de idade, que já conhecem a língua portuguesa e que já estão adaptados à civilização, podendo exercer uma atividade útil. O Estatuto do Índio (Lei n. 6.001/73) dispõe que todo ato praticado por silvícola, sem a assistência da FUNAI, é nulo. O próprio Estatuto, no entanto, dispõe que o juiz poderá considerar válido o ato se constatar que o silvícola tinha plena consciência do que estava fazendo e que o ato não foi prejudicial a ele. 4) Emancipação: ato jurídico pelo qual se antecipa a maioridade e a correspondente capacidade para momento anterior àquele em que a pessoa atinge a idade de 18 anos. 4.1) Emancipação voluntária: parental, ou seja, por concessão dos pais ou de um deles na falta do outro. Para que ocorra a emancipação parental, o menor deve ter, no mínimo, 16 anos completos. 4.2) Emancipação Judicial: por sentença do juiz, em casos, por exemplo, em que um dos pais não concordar com a emancipação, contrariando um a vontade do outro.

4.3) Emancipação legal matrimonial, pelo casamento do menor. Interessante lembrar que a idade núbil tanto do homem quanto a da mulher é, agora, de 16 anos (art. 1517 do CC), sendo possível o casamento do menor se houver autorização dos pais ou dos seus representantes. 4.4) Emancipação legal: para exercício de cargo público efetivo; por colação de grau em curso superior reconhecido; por estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de relação de emprego, obtendo o menor as suas economias próprias, visando a sua subsistência. Necessário que o menor tenha ao menos 16 anos. 5. Diretos da Personalidade: são os direitos inerentes à pessoa e à sua dignidade> Mantêm relação direta com os princípios do Direito Civil Constitucional: dignidade da pessoa humana, solidariedade social e isonomia ou igualdade em sentido amplo. Os direitos da personalidade estão relacionados com cinco ícones principais: 5.1) Vida e integridade física: teoricamente o bem supremo da pessoa humana 5.2) Honra: subjetiva (auto-estima) ou objetiva 9 repercussão social da honra) 5.3) Nome: sinal que representa a pessoa no meio social, com todos os seus elementos; 5.4) 5.5) Imagem: retrato (fisionomia) ou atributo (soma de qualificações) Intimidade: a vida privada é inviolável

Os direitos da personalidade não podem ser concebidos conforme um rol taxativo, muito menos quanto às suas características principais. Para fins didáticos, contudo, podemos afirmar que tais direitos são inatos, absolutos, intransmissíveis, indisponíveis, irrenunciáveis, ilimitados, imprescritíveis, impenhoráveis e inexpropriáveis. Diante disso é de se entender pela existência de uma claúsula geral de tutela da personalidade, pela qual deve haver tanto a prevenção quanto a reparação de qualquer lesão à pessoa e à sua dignidade. Para nós, tanto o nascituro quanto o morto possuem tais direitos. OBS: Nome O nome apresenta dois aspectos: • aspecto individual: diz respeito ao direito que todas as pessoas têm ao nome; • aspecto público: é o interesse que o Estado tem de que as pessoas possam se distinguir umas das outras, por isso regulamentou a adoção de um nome por meio da Lei n. 6.015/73 (Lei dos Registros Públicos). O nome integra os direitos da personalidade (artigo 16 do Código Civil) e se compõe de três elementos: • prenome ou nome; • patronímico ou sobrenome; • agnome. a) Prenome Pode ser simples ou composto e é escolhido pelos pais. A regra é de que o prenome é definitivo (artigo 58 da Lei n. 6.015/73). O prenome era imutável até o advento da lei 9708/98, passando não mais a ser adotado o princípio da imutabilidade e sim o princípio da definitividade. O nome passou a ser substituível por um apelido público notório. Existem, além da hipótese acima, algumas outras exceções a regra da definitividade. São elas: • Em caso de evidente erro gráfico: quando o escrivão escreveu o nome errado e necessita de uma correção (exemplo: o nome deveria ser escrito com Ç e foi escrito com SS). A mudança pode ser feita por requerimento simples ao próprio Cartório e será encaminhada para o Juiz-Corregedor do Cartório, sendo ouvido o Ministério Público. Se o juiz verificar que realmente houve um erro, autorizará a sua correção; • Prenomes que exponham o seu portador ao ridículo: hoje é mais difícil alguém registrar o filho com prenome que o exponha ao ridículo, visto que, com a Lei n. 6.015/73, o escrivão tem o dever de não registrar tais prenomes. Os pais poderão requerer autorização ao juiz no caso de o escrivão não registrar o nome escolhido. Caso haja necessidade da mudança do prenome por este motivo, deve-se entrar com ação de retificação de registro e, se o juiz se convencer, autorizará a mudança. Em todos os pedidos de retificação, o Ministério Público requer que o juiz exija do requerente a apresentação da folha de antecedentes. • Costumes – Além de apelidos públicos notórios que seriam outros nomes próprios substitutivos ao que consta no registro, temos o apelido no seu sentido pejorativo, isto é, um nome sem significado certo (exemplos: Pelé, Lula, Xuxa, Maguila etc.); • Lei de Proteção às Testemunhas: as pessoas que entrarem no esquema de proteção à testemunha podem mudar o prenome e, inclusive, o patronímico, a fim de permanecerem no anonimato; • ECA: o Estatuto da Criança e do Adolescente criou nova exceção, no caso de sentença que determina a adoção plena, em que se cancela o registro da criança, podendo os adotantes mudar tanto o prenome quanto o patronímico;

com caráter permanente.2.78 no CC.). • Com o casamento. James por Thiago). Provada por um laudo médico e pelo atestado de óbito. c) Agnome É a partícula que é acrescentada ao final do nome para diferenciar as pessoas da mesma família que têm o mesmo nome (exemplos: Júnior.b) Domicílio necessário ou legal: é aquele imposto pela lei. ainda. não há como se provar a morte real. 7. A diferença é que no artigo 56 a mudança será administrativa e no caso do artigo 57 deve ser o pedido motivado e mediante ação judicial. o novo Código Civil consolida dois domicílios para a pessoa natural: a residência e o local do trabalho. no primeiro ano após completar a maioridade. 6. 6. fazer a mudança pelos mesmos motivos (artigo 57). o domicílio do preso é o local em que o mesmo cumpre a pena. fazer mudanças no seu nome completo. mas se colocaram tantos obstáculos que raramente se vê um pedido deferido feito pela companheira. tendo em vista regras específicas que constam no Código Civil. mudar o prenome para a tradução de prenome estrangeiro (Willian por Guilherme. poderá. se a mulher não quiser.2. o domicílio pode ser assim classificado. desde que não modifique seu patronímico.2) Morte presumida: ocorre quando não há corpo presente. • A dissolução do casamento poderá mudar o patronímico. domicílio do servidor público é o local em que exercer. O patronímico também poderá ser mudado: • Em caso de adoção plena. poderão os contratantes especificar o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. com a dissolução poderá voltar a usar seu nome de solteira.1) Morte Real: ocorre quando a pessoa tem morte encefálica. A Lei dos Registros Públicos dispôs que a companheira também pode utilizar o patronímico de seu companheiro. Obs. ou seja.: Habitação ou moradia .1) Residência: é o local em que a pessoa se estabelece com o intuito de permanência. Combinando-se.a) Domicílio voluntário: aquele fixado pela vontade da pessoa.Desaparecimento do corpo da pessoa. admite-se somente a inclusão de patronímico dos pais que não foram acrescentados. Trata-se de uma faculdade do casal. 6.2) Domicílio: significa qualquer local em que a pessoa pode ser sujeito de direitos e deveres na ordem civil.é o local e que a pessoa eventualmente é encontrada. as suas funções. Quanto à origem. Desse modo. o domicílio do marítimo ou marinheiro é o do local em que o navio estiver matriculado. 7. Não é escolhido pelos pais.”. o domicílio engloba os seguintes conceitos: 6.c) Domicílio contratual ou convencional: é aquele previsto no art. sendo extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida hipótese semelhante à justificação (art. 7º do novo CC prevê dois casos. Neto etc. . no entanto. 6. quando do casamento. o domicílio do militar é o do quartel onde servir ou do comando a que se encontrar subordinado. De acordo com o artigo 56 da Lei de Registros Públicos. esse artigo com o artigo 58 da mesma lei (prenome imutável). Presente nas seguintes hipóteses: 7. Se transcorrer o período disposto no artigo 56. ainda. Por regra é o local de residência da pessoa. visto que. 6. pode ser classificada da seguinte forma: 7. ou seja. visto que tanto a mulher quanto o homem poderão utilizar o patronímico um do outro. a mulher que utilizou o patronímico do marido. não será obrigada a utilizar-se do patronímico do marido. pelo qual “nos contratos escritos. qualquer pessoa poderá.2. Domicílio da Pessoa Natural Em sentido amplo. como era antigamente. b) Patronímico É o que designa a origem familiar da pessoa. 88 da Lei de Registros Públicos). Eventualmente pode ser também o seu local de trabalho. a saber: . 3º e 4º do novo Código Civil) é o mesmo dos seus representantes.• Pode-se.2. para se fugir dos homônimos. a saber: o domicílio dos absolutamente incapazes (art. Morte: põe fim à personalidade.a) Morte presumida sem declaração de ausência: O art. visto que a pessoa já nasce com o patronímico deles.

§ 2. c) Sucessão definitiva . ou não. praticando atos ilícitos. deve-se elaborar um Estatuto como ato constitutivo. ao se reunir. não sendo encontrado até dois anos após o término da guerra. 9. exemplificativamente. Observância das condições legais As condições que a lei impõe também devem ser observadas pelas pessoas jurídicas. porém.2 Requisitos para a Constituição da Pessoa Jurídica A doutrina aponta três requisitos para a constituição de uma pessoa jurídica. Quando há vontade para a criação de uma pessoa jurídica. esse requisito é denominado affectio societatis. Enquanto o ato constitutivo não for registrado. .c). a saber: 8. 8.a).2. b) Registro do ato constitutivo Somente a partir do registro a pessoa jurídica passa a ter existência legal. com tratamento entre os arts 22 a 39 do Novo Código Civil: a) A curadoria dos bens do ausente. subclassificadas da seguinte forma: . não sendo da alçada do Código Civil.Desaparecimento de pessoa envolvida em campanha militar ou feito prisioneiro. passa a distorcer suas finalidades. necessitando da autorização do governo. algumas das sociedades que precisam da autorização do governo. com o decorrer do tempo. que exercerá atividade empresarial. Esse rol é meramente exemplificativo. visto que hoje todas as instituições financeiras. de forma a inserir em seu conceito a moralidade dos atos e objetivos perseguidos. tenha a intenção de criar uma pessoa jurídica. última parte. às sociedades de fato. § 1. consórcios e muitas outras foram inseridas nessa relação por meio de lei. Se a pessoa jurídica tiver fins lucrativos.ocorre nos casos em que a pessoa está em local incerto e não sabido. c) Autorização do governo Algumas sociedades necessitam dessa autorização para constituição e funcionamento válido (artigo 45. seja uma sociedade civil ou comercial. Vontade humana criadora É necessário que o grupo de pessoas.Comoriência: leva-se em consideração o momento da morte. no aspecto processual. do Código de Processo Civil que deu legitimidade tanto ativa quanto passiva. com existência distinta dos membros que o compõem. parentes. º. Registre-se que a expressão licitude de objetivos deve ser entendida de modo amplo.b) Licitude de seus objetivos É necessário que o objetivo da pessoa jurídica seja lícito. º. Pessoa Jurídica: é o conjunto de pessoas ou bens arrecadados.2. mas tem legitimidade passiva. Se duas ou mais pessoas.1) Corporações: conjunto de pessoas. do Código Civil de 1916 mencionava. Classificação da pessoa jurídica de direito privado: 9. inciso VII. poderá ser extinta. do Código Civil). Envolve três fases específicas. em razão das finalidades perseguidas. Para a maioria das pessoas jurídicas basta o registro para que elas tenham existência legal.Morte presumida com declaração de ausência .. até porque elas só existem em razão de um expediente técnico criado pelo ordenamento. O artigo 20. não havendo indícios das razões do seu desaparecimento. 8. o contrato social deverá ser registrado na Junta Comercial. b) Sucessão provisória. Se uma pessoa jurídica for constituída com fins lícitos e. a exemplo das Cooperativas. As fundações possuem como ato constitutivo o testamento ou a escritura pública. O artigo 45 do Código Civil dispõe que a existência legal da pessoa jurídica começa com o registro dos seus atos constitutivos. São condições impostas pela lei: a) Elaboração do ato constitutivo Sendo uma associação. O Código Civil atual não trouxe disposição paralela visto ser a matéria de direito público. a pessoa jurídica não passa de uma mera sociedade de fato. Tal disposição restou derrogada em razão do texto do artigo 12. 8. falecerem em uma mesma ocasião. Haverá presunção relativa de que o falecimento ocorreu ao mesmo tempo. não havendo prova efetiva de quem faleceu primeiro. do Código Civil de 1916 dispunha que a sociedade de fato não tem legitimidade ativa. Uma sociedade de advogados terá seu registro na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil mais próxima. Caixas Econômicas etc. que tem por natureza a inexistência de fins lucrativos. 8.2. elabora-se um Contrato Social como ato constitutivo. O artigo 20. No caso de sociedade comercial. O novo código Civil adota a teoria da realidade técnica que seria uma conjunção da teoria da ficção e da teoria da realidade orgânica. Esses atos deverão ser registrados no Cartório do Registro Civil das Pessoas Jurídicas.

ar.Sociedades: conjunto de pessoas em que há fim lucrativo determinado. penhor. culturais.2) Classificação: A) Quanto à tangibilidade: . por meio da curadoria das fundações. Assim.Bens corpóreos. 10) Domicílio da Pessoa Jurídica: as regras estão previstas no art. Admitem a seguinte subclassificação: .Corporações sui generis – são organizações religiosas e partidos políticos. sendo suscetível de apropriação. religiosas ou de assistência. c) Herança jacente e vacante nos termos dos arts. Ex: direitos autorais. b) Espólio: conjunto de bens formado com a morte de alguém. não deixando a pessoa sucessores.Os Municípios têm domicílio no lugar onde funciona a sua administração . casos de concubinato impuro. também em casos de abuso. Sua formação.Bens incorpóreos. 1819 e 1823. um veículo. 11) Desconsideração da Personalidade Jurídica: prevista no art. 13.Bens imóveis por natureza ou essência: são formados pelo solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente (art. .1) Bens imóveis: São aqueles que não podem ser removidos ou transportados sem a sua deterioração ou destruição. quebra com a regra tradicional pela qual a pessoa jurídica não se confunde com os seus membros. teoria que é conhecida como sucessão de empresas. . 75 do novo CC. estende a responsabilidade de uma empresa de uma empresa para outra. 9. podendo ser tocados.As pessoas jurídicas de direito privado têm domicílio no lugar onde funcionam as respectivas diretorias e administrações. B) Quanto à mobilidade: B.2) Fundações: conjuntos de bens arrecadados que devem ter finalidades morais. por exemplo.Associações: conjunto de pessoas sem que haja finalidade lucrativa instituída pelos seus membros. 50 do novo CC. Podem ser sociedades simples (sem fins empresários) ou empresárias. bem como a União de pessoas impedidas de casa. caso. intangíveis: são aqueles com existência abstrata e que não podem ser tocados pela pessoa humana. ou onde elegerem domicílio especial nos seus estatutos. imateriais. 12) Entes ou grupos despersonalizados: não constituem pessoas jurídicas: a) Família: seja decorrente de casamento. Mas a desconsideração deve ser utilizada com responsabilidade. . Exemplos: uma casa. materiais ou tangíveis: são aqueles bens que possuem existência corpórea.O domicílio dos Estados e Territórios são as respectivas capitais. atuação e extinção devem ser fiscalizadas pelo Ministério Público. sentimentos. 13) Dos bens 13. um animal. o sócio ou administrador que agir em abuso de direito pode ser responsabilizado..1) Conceito: São coisas que proporcionam ao homem alguma utilidade. nos casos de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial. com tratamento específico no livro que trará do direito das coisas. união estável ou entidade monoparental. Há entendimento pelo qual continuam sendo sociedades. . A Jurisprudência. g) Condomínio:conjunto de bens em co-propriedade. 79 do novo CC) . muitas vezes. os seus bens devem ser destinados ao Poder Público d) Massa falida: conjunto de bens formado com a quebra ou decretação de falência de uma pessoa jurídica e) Sociedade de fato: grupos despersonalizados presentes nos casos envolvendo empresas que não possuem sequer constituição. a saber: . f) Sociedade irregular: ente despersonalizado constituído por empresas que possuem estatuto que não foi registrado. de uma sociedade anônima não registrada na Junta Comercial estadual.

Esse critério de consuntibilidade adotado pelo Código de Defesa do Consumidor. aformoseamento e comodidade. Ex: Um trator incorporado a uma fazenda. será denominado bem móvel semovente.Bens imóveis por disposição legal: tais bens são considerados como imóveis. na grande maioria das vezes. Desse modo. Os bens móveis podem ser assim subclassificados: .Se o consumo do bem implica em destruição.2) Bens consumíveis: são bens móveis. 16) Classificação quanto à divisibilidade: 16. por força própria ou de terceiro. sendo também denominados côo pertenças essenciais.Bens fungíveis: nos termos do art. .Bens móveis por natureza: são bens corpóreos que se podem transportar sem qualquer dano. sem deterioração ou destruição. traz a classificação muito próxima da relacionada com a consuntibilidade física. ..Bens móveis por determinação legal: surgem situações em que a lei determina que o bem é móvel. . vejamos a classificação em questão: 15. para que possam receber melhor proteção jurídica. 86 do novo CC) 15. ou seja. pela visualização de casos específicos. Ex: Direitos autorais e energias.Bens infungíveis: são aqueles que não podem ser substituídos por outros da mesma espécie. 14) Classificação quanto à fungibilidade: . por força própria ou alheia. O Código de Defesa do Consumidor. 16. são os bens móveis que podem ser substituídos por outras da mesma espécie.2) Bens móveis: os bens móveis são aqueles que podem ser transportados. essencial para as atividades nela desenvolvidas. Os bens duráveis desaparecem facilmente com o consumo. no seu artigo 26. entendemos que merece maior pertinências o primeiro critério (consuntibilidade física). quantidade e qualidade.Se o bem pode ser ou não objeto de consumo. 85 do novo CC. .Bens imóveis por acessão física intelectual: conceito relacionado com tufo o que foi empregado intencionalmente para exploração industrial. constituindo uma ficção jurídica. Tais bens imóveis têm origem em construções e plantações. lenha cortada. sem deterioração. pois deixariam de formar um todo perfeito. São os bens móveis que foram imobilizados pelo proprietário. A indivisibilidade pode decorrer da natureza do bem.Bens móveis por antecipação: são os bens que eram imóveis. permitindo que se retire a sua utilidade.1) Bens divisíveis – São os que podem se partir em partes reais e ideais. não podendo removê-lo sem destruição ou deterioração. de imposição legal ou da vontade de seu proprietário. Para fins jurídicos. .3) Classificação quanto à individualidade: . Exemplo: Hipoteca B. . Ex: árvore removida do solo. 16.2) Bens indivisíveis – são os bens que não podem ser partilhados. mas que foram mobilizados por uma atividade humana. os produtos ou bens podem ser classificados em duráveis e não duráveis. aformoseamento e comodidade.3) Bens inconsumíveis: são aqueles que proporcionam reiteradas utilizações. ao contrário dos bens não duráveis. por força própria. se pode ser alienado – consuntibilidade jurídica ou de direito. qualidade e quantidade.078/1990. Pela Lei 8. eis que as regras quanto à possibilidade de alienação serão estudadas oportunamente. cujo uso importa na destruição imediata da própria coisa (art. formado cada qual um bem individualizado autônomo e distinto. 15) Classificação quanto à consuntibilidade: 15.1)Dois parâmetros de classificação são utilizados pelo Código Civil: .consuntibilidade física ou fática . Quando o bem móvel puder se mover de um local para outro.Bens imóveis por acessão física industrial ou artificial: são formados por tudo o que o homem incorporar permanentemente ao solo. gerando desvalorização. situações em que ocorre a intervenção humana.Bens imóveis por acessão física e intelectual: conceito relacionado com tudo que foi empregado intencionalmente para a exploração industrial. como é o caso dos animais.

.2) Bens Públicos ou do Estado: são os que pertencem a uma entidade de direito público interno. jardins. morte etc. Bens de uso especial: são os edifícios e os terrenos utilizados pelo próprio Estado para a execução de serviço público especial. quem for o proprietário do bem principal será também do bem acessório. havendo uma destinação especial. previstos no ordenamento jurídico brasileiro: . Os bens coletivos são constituídos por várias coisas singulares.4) Classificação quanto à dependência em relação a outro bem (bens reciprocamente considerados) a) Bens principais e bens independentes: são os bens que existem de maneira autônoma e independente. possam ser considerados independentes em relação aos demais (art.Frutos: são bens acessórios que têm sua origem. conforme o art. ruas. denominado bem principal. Estados. Fatos Humanos Também chamados de atos jurídicos em sentido amplo. Municípios. praias.: nascimento. são as que têm por fim conservar ou evitar que o bem se deteriore Úteis: são as que aumentam ou facilitam o uso da coisa. Os Bens podem decorrer de uma universalidade fática ou jurídica. sem necessidade de permissão especial. . visando a sua conservação ou melhora da sua utilidade.Partes integrantes: são bens acessórios que estão unidos ao bem principal. b) Bens acessórios de dependentes: são os bens cuja existência e finalidade pressupõem a um outro bem. mares. 17) Classificação em relação ao titular do domínio: 17. denominada afetação Bens dominicais ou dominiais: são os bens públicos que constituem o patrimônio disponível e alienável da pessoa jurídica de direito público. 89 do novo CC) . rios. 17. que nascem do bem principal. a natureza jurídica do acessório será a mesma do principal. 16. das praças. caso. Por essa razão.1) Bens particulares e privados: são os que pertencem às pessoas físicas ou jurídicas de direito privado.Bens coletivos ou universais: são os bens que se encontram agregados em um todo. 18) Dos fatos 1. sem diminuição da quantidade ou da substância. etc. Podem ser classificados como: • • • Bens de uso geral e comum: são bens destinados à utilização do público em geral. • Extraordinários: são aqueles que chamamos de caso fortuito e força maior. São bens acessório. 92 do novo código civil.). A pertença pode ser essencial ou não. • • • Necessárias: são essenciais ao bem principal. diminuindo a quantidade e substância dessa última.Bens singulares ou individuais: são bens singulares aqueles que.). entre outros. como o caso da União.Pertenças: são bens destinados a servir um outro bem principal. . tornando-a mais útil. . Distrito Federal. mas apenas tornam mais agradável o uso.Produtos: são bens acessórios que saem da coisa principal. consideradas em conjunto e formando um todo individualizado.2. de forma concreta ou abstrata. tendo importância para o direito porque excluem qualquer responsabilidade (exemplo: tempestade.1. Fatos Naturais Podem ser: • Ordinários: são aqueles que normalmente acontecem e produzem efeitos relevantes para o direito (exemplos. 1. estradas.Benfeitorias: são bens acessórios introduzidos em um bem móvel ou imóvel. por vontade do trabalho intelectual do proprietário. entre outros.. podendo ser: • Ilícitos: é a conduta voluntária ou involuntários que está em desacordo com o ordenamento jurídico. mantendo a integridade desse último. que não facilitam a utilidade da coisa. formando com este último um todo independente. Voluptuárias: são as de mero deleite. de mero luxo. golfos. abrangendo tanto móveis quanto imóveis. . embora reunidos. por exemplo.

Inovou o Código Civil ao determinar que a simulação é uma hipótese de negócio jurídico nulo (artigo 167). o negócio que tem objeto ilícito. É mais perfeita que a do artigo 82 do Código Civil de 1916. Negócio Jurídico: é mais amplo porque permite a obtenção de múltiplos efeitos não necessariamente previstos em lei. por ser de ordem pública. mas sim um Negócio Jurídico. pode-se dizer que o negócio jurídico possibilita a obtenção de múltiplos direitos e é bilateral. sendo um ato imprescritível. enquanto na simulação relativa existe um negócio jurídico a ser encoberto. para motivar uma ação de despejo contra o inquilino. o motivo determinante também ilícito. diz que é nulo o negócio jurídico. As partes fingem o negócio que de forma alguma querem ou desejam. A incapacidade absoluta será suprida pela representação e a incapacidade relativa será suprida pela assistência. O artigo 166 do Código Civil determina que o negócio nulo é aquele celebrado por pessoa absolutamente incapaz. impossível ou indeterminável. REQUISITOS DE EXISTÊNCIA DOS ATOS JURÍDICOS A teoria dos atos de inexistência surgiu no Direito de Família para resolver os problemas dos casamentos inexistentes. quais sejam: a) Agente Capaz Para que um contrato seja válido. decorrendo uma da norma. Temos duas espécies de simulação. esta forma será considerada requisito de validade (exemplo: venda de imóveis – a lei dispõe que será válido somente por escritura pública). O Anteprojeto de 1972 na Parte Geral. quando o objeto for ilícito. A impossibilidade do objeto pode ser física ou jurídica. temos uma simulação absoluta. 18. temos uma simulação relativa. De acordo com o artigo 115 do Código Civil. pelo Órgão do Ministério Público e até pelo Juiz de ofício. a eficácia é retroativa. os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo interessado. como a do pai que representa o filho. tendo em vista haver o problema de ser considerado válido um casamento entre pessoas do mesmo sexo. visto que o Código Civil dispunha somente sobre casamentos nulos e anuláveis. O ato nulo não pode se ratificado e o defeito não convalesce. É uma burla intencional. c) Forma Prescrita e Não Defesa em Lei Nos casos em que a lei dispõe sobre a forma que o ato deverá ser realizado. Impossibilidade jurídica ocorre quando a prestação esbarra numa proibição expressa da lei (exemplo: o artigo 426 do Código Civil. Ex: reconhecimento de um filho. viola o interesse público e deve ser fulminado através de uma ação declaratória. Por tais razões. esta deverá ser suprida pelos meios legais. O ato nulo. Os requisitos de validade estão dispostos no artigo 104 do Código Civil. do Código Civil. dever-se-á observar se o contrato é válido ou não. sempre se lembra de contrato. Quando o proprietário de um imóvel. 2. pois não existe venda alguma por trás do ato fraudulento. determinado ou determinável. para que não produza qualquer efeito válido. o agente deverá ser capaz. e outra da vontade das partes. tendo por finalidade criar. modificar ou extinguir direitos. estando ausente um elemento substancial para que o negócio jurídico ganhe validade. Já na hipótese da venda do imóvel consignando preço inferior para ser pago menos imposto. 19) DA REPRESENTAÇÃO Inovou o Código Civil de 2002 ao introduzir um Capítulo exclusivamente para tratar da representação. A simulação é uma declaração enganosa da vontade que visa produzir efeito diferente do ostensivamente indicado. finge vender o imóvel a terceiro. com colaboração do Ministro Moreira Alves já tratava desse Capítulo. A redação do artigo 104. que proíbe herança de pessoa viva). O ato nulo é aquele que vem inquinado com defeito irremediável. Na simulação absoluta não há qualquer negócio jurídico a ser encoberto. inciso II. do Código Civil. O Código Civil trata do ato jurídico em sentido estrito e do negócio jurídico como sendo ambos os negócios jurídicos: Ato jurídico em sentido estrito (meramente lícito): configura-se quando houver objetivo de mera realização da vontade do titular de um determinado direito. os doutrinadores passaram a adotar a teoria dos atos inexistentes. como no caso do mandato. pagamento de uma obrigação. Quando um ato qualquer tem por finalidade modificar ou criar direitos. No caso de incapacidade. o negócio jurídico sem forma prescrita em lei ou que venha preterir alguma solenidade formal ou ainda qualquer outra hipótese em que a lei taxativamente declarar nulo. . possível.• • • Lícitos: a conseqüência da prática de um ato lícito é a obtenção do direito. Como o rol do artigo 183 do Código Civil de 1916 era taxativo. o negócio jurídico que tenha por finalidade fraudar a lei. pois temos um negócio real e um negócio aparente. Então. O ato nulo pode ser alegado por qualquer pessoa. O artigo 166. inciso II. Oferece uma aparência diferente do efetivo querer das partes. não será apenas um ato jurídico. que falava apenas em objeto lícito. Impossibilidade física ocorre quando a prestação não pode ser cumprida por nenhum humano. possui um defeito irremediável. um conluio das partes que almejam disfarçar a realidade enganando terceiro. b) Objeto Lícito O objeto deve ser lícito. Quando se fala em negócio jurídico. Temos então uma representação legal e outra convencional.1) Elementos essenciais do negócio jurídico Presente os requisitos de existência. a absoluta e a relativa.

Hoje o artigo 117 do Código Civil autoriza o contrato consigo mesmo. o evento é futuro e certo.3 Termo É o dia em que nasce e se extingue o negócio jurídico. A condição afeta sempre a eficácia do negócio. isto é.b) Condições Suspensivas e Resolutivas Condições suspensivas são aquelas cuja eficácia do ato fica protelada até a realização do evento futuro e incerto. sujeitando-se ao puro arbítrio de uma das partes. está revestido de duas qualidades jurídicas diferentes. O representante que pratica um negócio jurídico contra o interesse do representado. Traria incerteza aos institutos públicos. Exemplo: Empresto o quadro enquanto você morar em São Paulo. devendo estar chovendo durante o espetáculo. Temos como exemplo.133). se eu quiser. o terceiro de boa-fé jamais pode alegá-la se obrou com desídia. Já no termo. a convenção em que um só sujeito de direito. que subordina a eficácia do negócio jurídico a um evento futuro e incerto. nunca a sua existência. 20. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto". de uma vontade somado a um evento natural. Condições resolutivas são aquelas cuja eficácia do ato opera desde logo (entabulamento) e se resolve com a ocorrência do evento futuro e incerto. sendo totalmente lícitas: Ex: Alguém institui uma liberalidade a favor de outrem. Prescreve o artigo 121 do Código Civil: "Considera-se condição a cláusula que. Exemplo: Compro o carro se não sair modelo novo.d) Negócios Jurídicos Que Não Admitem Condição São os negócios que depende de norma cogente. ninguém pode aceitar ou renunciar a herança sob condição (artigo 1808 do Código Civil). 1 PRAZO Conceito É o lapso de tempo entre a manifestação válida de vontade e a superveniência do tempo. 20. 20. Exemplo: Condição baseada na prostituição. atuando simultaneamente em seu próprio nome. Exemplo: Vendo um carro e faço doação se beneficiário provocar a morte de alguém. 20. a possibilidade da pessoa vender um bem a si mesmo. um acréscimo aposto ao ato jurídico pela vontade das partes.b) Quanto à origem da condição Causais – são aquelas que têm origem em eventos naturais.2. bem como no nome de outrem. Estão presentes no Direito de Família e Sucessão. 20) CONDIÇÃO. A diferença entre a condição e o termo é que na condição. Exemplo: Compro uma escultura se esta ganhar prêmio. através de um contrato de mandato. * Mistas: são aquelas que dependem.2. Vendo um pesqueiro sob a condição dos peixes se reproduzirem em cativeiro em dois anos. A condição é impossível quando não realizável física ou juridicamente.2. Ex: Dou-lhe um veículo. O Código Civil de 1916 rechaçava a hipótese (artigo 1. 21. A condição juridicamente impossível fere a lei. sujeitando-se ao desfazimento com a ocorrência de evento futuro e incerto no acordo. Potestativas . Exemplo: Ninguém pode se casar sob condição. o negócio se desfaz.1) Condição * Conceito e Elementos É a cláusula acessória.a) Condições Lícitas e Ilícitas Condições lícitas são aquelas que estão de acordo com a lei e os bons costumes. Condições Possíveis e Impossíveis A condição é possível quando realizável física ou juridicamente.O limite da representação é exatamente o limite de poderes que vincula o representante com o representado (artigo 116 do Código Civil). Na condição suspensiva há uma expectativa de direitos. 20. . segundo esse mesmo dispositivo. Exemplo. Exemplo: Doação de dinheiro pela captura de mula-sem-cabeça. ao mesmo tempo. É a cláusula que subordina a eficácia de um negócio jurídico a um evento futuro e certo. Portanto. derivando exclusivamente da vontade das partes. A condição não é impossível se atingir apenas uma pessoa ou pequeno grupo. uma vez que a vontade foi legítima. Se frustrar a condição. São ilícitas. Ex: Alguém se compromete a vender um bem a outrem caso chova. 20. a moral e os bons costumes. Ex: dou-lhe um veículo se você cantar amanhã. na hipótese do fato ser do conhecimento do terceiro ou no fato do mesmo ter a obrigação de ter a ciência gera anulabilidade (artigo 119 do Código Civil). A impossibilidade deve alcançar todas as pessoas. o evento é futuro e incerto.2. isto é.2.são as condições em geral. TERMO E ENCARGO 20. Exemplo: A doação do imóvel só vai ocorrer com o casamento. A condição tem dois elementos fundamentais: a) Futuridade e b) Incerteza. dependente de um desempenho artístico (cantar num espetáculo) * puramente potestativas: dependem de uma vontade unilateral. O negócio se aperfeiçoa desde logo. Condições ilícitas são as contrárias às leis e aos bons costumes. 21. * simplesmente ou meramente potestativas: dependem da vontade intercaladas de duas partes.

São seis as hipóteses de vícios. § 3.hora . Esse princípio é adotado em todos os ramos do direito. ou seja. entretanto uma intenção de prejudicar terceiros ou fraudar a lei. Real é o erro que causa um efetivo prejuízo.º dia de cada mês. só se pode falar em erro se a pessoa se engana a respeito de algo que.Lei 810/49 .dia . desculpável. Nos vícios sociais. O terreno é automaticamente doado antes mesmo do início das obras.Prazo em favor do herdeiro e do devedor. não precisando ser exclusivamente gratuito. não ocorrendo a suspensão do direito enquanto não cumprido o encargo. o erro que a maioria das pessoas cometeria.Período de doze meses do início ao dia e mês correspondente ao ano seguinte. É uma condição cujo evento apresenta como elemento de fato certa modificação de alguma vantagem auferida pela parte.Minuto a minuto.2 Contagem Art. § 2. 4. coação. Desde o Direito Romano . isto é.Exclui-se o dia do começo e inclui-se o do vencimento. O tempo de pena inclui o dia do começo. Isso porque a manifestação de vontade pode estar subordinada a uma condição. DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO São aqueles defeitos que decorrem. O fato de o legislador estabelecer algumas exigências (artigo 138 do Código Civil). há uma contradição entre aquilo que a pessoa deseja e o que ela faz. MEADO . afora o Direito Penal. Não inclui "ponto facultativo" e "dia santo". ou seja.º. do Código Civil . Escusável é o erro aceitável. A vontade declarada não corresponde com a intenção do agente. torna as ações baseadas no erro muito raras.É aquele que a modificação da vantagem auferida implica numa prestação impossível física ou juridicamente . estado de perigo e lesão) e o vício social da fraude contra credores. 132.2 Espécies 1. "caput". Temos como exemplo a doação de um terreno para a construção de um hospital. FERIADOS . se ela soubesse. ou no imediato. Há dois critérios para se saber se um erro é escusável ou não: . Se o prazo cair no feriado . Se há um engano a respeito de um aspecto irrelevante. a vontade declarada corresponde exatamente à intenção do agente. existe um elemento subjetivo. ANO .º . Exemplo: 8 de março de 1989 a 8 de março de 1990.É aquele que se apresenta como mero conselho ou recomendação.(artigo 132.É uma variedade de condição. jamais faria o negócio. que não vicia a vontade. O encargo é diferente da condição porque é coercitivo. não faria o negócio.É o lapso de tempo entre dois termos. o contrato não poderá mais ser anulado.º . recai no dia 1. não sendo encargo. Não há encargo por não obrigar juridicamente.º de março. do Código Civil).São datas festivas em que.(artigo 132. 23.mês . Não se computam frações de dia. O decurso do prazo decadencial vem a sanar o defeito do negócio jurídico (artigo 178. MÊS . O encargo vai aparecer em doações ou legados. mas sim erro acidental. não se trabalha.Encargo propriamente dito – é aquele estabelecido no artigo 136 do Código Civil. 22. Foi retirada a simulação dos vícios. Nos seis casos. se faltar exata correspondência. 22. escusável e real para que o contrato seja anulável. do Código Civil). em princípio.º . Utiliza-se o calendário comum. Os prazos são contados por unidade de tempo . havendo um prazo decadencial de 4 (quatro) anos para requerer a anulação.a) Vícios do Consentimento * Erro e ignorância No erro.Ou a modificação é não escrita ou invalida o ato (juridicamente impossível) (artigo 137. Contagem da hora – artigo 132. O erro é de difícil prova. Por não haver tal dia. sendo inserida a hipótese entre os atos nulos. Exemplo: 13h30min às 14h30min h. fine. a pessoa se engana sozinha a respeito de uma circunstância importante que.prorroga-se até dia útil seguinte. ENCARGO OU MODO DO ATO JURÍDICO 22. o que a pessoa manifesta não é o que ela realmente desejaria fazer. não será considerado um erro substancial. 23. Artigos 133 e 134 . o inicial e o final. Nos vícios do consentimento. da manifestação de vontade. dolo. 21. Caso não seja respeitado esse prazo. tendo em vista o que se passa na mente da pessoa. 3.Exclui o dia do começo incluindo-se o do vencimento.º) – os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número de início. do Código Civil). se ela conhecesse. § 4. o contrato será anulável. É uma restrição a uma vantagem para o beneficiário de um negócio jurídico.º) – 15. O erro é substancial quando diz respeito a aspectos relevantes do negócio. a parte não pode se eximir de cumprir o encargo.1 Conceito É uma limitação trazida a uma liberalidade. incisos I e II. 2.º . O erro deverá ser substancial.ano. do Código Civil . Por exemplo: período de um mês – 30 de janeiro e deveria recair no dia 30 de fevereiro. em geral. (artigo 136. se subdividindo em vícios do consentimento (erro.

Vício redibitório é o defeito oculto (não aparece facilmente) que torna a coisa imprestável ao uso a que se destina. mas dá direito a perdas e danos. o dolo acidental não anula o mesmo. expressamente adite o erro de direito e anulação do negócio jurídico. o dolo de terceiro não anula o ato. temperamento. Geralmente o dolo é praticado por ação. a cada caso concreto o critério do artigo 152 do Código Civil (que trata da coação). o erro seria escusável. e outras condições). O dolo pode ser exercido por ação ou por omissão. não tendo o outro contratante conhecimento do dolo. só não poderá ser alegada em caso de descumprimento da lei (artigo 3. O juiz deve levar em conta as condições pessoais para saber se ela seria levada ao erro (exemplo: uma pessoa semi-analfabeta seria mais facilmente levada ao erro do que alguém que possui curso superior). a saúde. O artigo 140 do Código Civil dispõe sobre o falso motivo (falsa causa) como razão determinante do contrato. pode haver erro no negócio quando há algum defeito na mensagem devido ao instrumento ou à pessoa intermediária. incisos I a III. Deve-se distinguir o erro quanto às qualidades essenciais do objeto e vício redibitório. entretanto. mas dispõe expressamente na escritura que está fazendo a doação porque foi informada que o donatário é seu filho. se fosse conhecida pelo outro contratante. do Código Civil. então. O artigo 141 do Código Civil fala do erro em caso de mensagem “truncada”. por analogia. O legislador quis. Poder-se-á alegar ignorância da lei para anular o contrato). que possuem ações e prazos distintos. quando haverá aspecto relevando o negócio. Caso concreto: é o critério aplicado pelos tribunais. alegar que não se conhecia a lei. for declarada falsa. as pessoas não se sentem enganadas porque já esperam esse tipo de dolo. só caberá à . tentando ajudar. Se a causa do contrato. o sexo. é normal. o contrato poderá ser anulado (exemplo: uma pessoa fica sabendo por terceiros que tem um filho. faz uma doação. ou seja. salvo se a outra parte souber do dolo. O artigo 139. inciso III. Em princípio. Quando a mensagem é transmitida erroneamente por meio de instrumento ou de intermediário. o dolo pode ser: • Principal: aquele que é a causa do negócio. fazendo parte do comércio. Dolo é o induzimento malicioso à prática de um ato que é prejudicial ao agente. Existe um elemento objetivo de induzimento. O artigo 147. Segundo o disposto no artigo 146 do Código Civil. visto que o terceiro não é parte no negócio. mas engana-se quanto às suas qualidades). entretanto. a doação poderá ser anulada).º da Lei de Introdução ao Código Civil). não se pode alegar erro de direito. o erro que diz respeito à natureza do negócio (a pessoa se engana a respeito da espécie do contrato que celebrou). Se não houvesse o induzimento. e não causa nulidade do negócio. poderá ser considerado vício do consentimento. que divide o dolo em: • Dolus bonus (dolo bom): é o dolo tolerável nos negócios em geral. a pessoa não faria o negócio. Não foi esse. caso seja comprovado que o donatário não é filho. no artigo 139. Em geral. No Código de Defesa do Consumidor o prazo é de 30 dias para bem não durável e 90 dias para bem durável. desde que seja colocada expressamente como razão determinante do negócio. às qualidades essenciais do objeto (a pessoa adquire o objeto que imaginava. A ignorância da lei.• • Homo medi us: toma-se por base a média das pessoas. é o dolo que foi responsável pelo negócio. O desconhecimento da lei poderá ser alegada para justificar a boa-fé (ex. proteger a boa-fé nos negócios. que determina que o juiz leve em conta as condições pessoais da vítima (deve-se levar em conta a idade. situação em que um dos contratantes omite uma circunstância relevante que. O Código Civil tem uma regra especial sobre o dolo de terceiro. ou seja. Erro quanto às qualidades essenciais é de natureza subjetiva e a ação cabível é a anulatória. Então. com prazo decadencial de 4 anos. As ações cabíveis são chamadas de Edilícias e são de duas espécies: ação redibitória (para rescindir contrato). não haveria o negócio. quando haverá erro substancial. O prazo dessa ação é decadencial de trinta (30) dias para bem móvel e um (1) ano para bem imóvel (artigo 445 do Código Civil). prevê um dolo por omissão. *Dolo A pessoa é induzida em erro pelo outro contratante ou por terceiro. sendo o contrato anulável. ao objeto principal da declaração (a pessoa adquire coisa diferente daquela que imaginava estar adquirindo). Será relevante. O dolo pode ser da parte ou de terceiro. mas em condições melhores para a vítima. causa nulidade do negócio. no caso de o terceiro agir por si só. o critério aplicado pelos tribunais. e ação quanta minoris (pedido de abatimento no preço). ou seja.: firma-se um contrato de importação de uma mercadoria e logo após descobre-se que existia uma lei que proibia a importação de tal mercadoria. se for provado. Como não é a causa do negócio. no entanto. É de natureza objetiva. desde que não implique em recusa à aplicação da lei e desde que seja o único ou principal motivo do negócio. O Código Civil dispõe. com isso. É aplicado. sendo mais fácil a sua prova. • Dolus malus (dolo mau): é aquele exercido com a intenção de prejudicar e. tendo visto poder haver testemunhas. Se um homem médio também cometeria o engano. Há uma segunda classificação doutrinária. e à pessoa (nos casos de contratos personalíssimos ou no caso de se contratar um profissional que se acreditava ser bom e não era). ou seja. Essa omissão dolosa pode ser chamada de reticência. • Acidental: aquele que a seu despeito o negócio teria sido realizado.

o dolo pode ser unilateral e bilateral. assume obrigação excessivamente onerosa. Não é um vício do consentimento. O autor da promessa anulada enriqueceu indevidamente. o Juiz deve levar em conta as condições pessoais da vítima. visto terem ambas agido de má-fé. quando causa um fundado temor. A doutrina entende que a palavra “família” descrita na lei deve ser entendida no seu mais amplo sentido. não considera coação o exercício normal de um direito. a idade. premido da necessidade de salvar-se.º Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. Dispõe o artigo 148: "Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro. • a coação deve ser proporcional. visto que sequer houve o consentimento. visto que houve a manifestação da vontade. visto que existem coisas que possuem grande valor estimativo.vítima ação de perdas e danos contra o terceiro que agiu de má-fé. O legislador entendeu que a coação é mais grave que o dolo e. o juiz decidirá segundo as circunstâncias". ao apreciar a gravidade da coação. • a coação deve recair sobre a pessoa do contratante. ou seja. o temperamento. existe um vício do consentimento. * Lesão Disciplina o artigo 157 do Código Civil: "Ocorre a lesão quando uma pessoa. o ato é inexistente. Nos casos de negócio jurídico. alguém de sua família ou seus bens. O artigo 153 do Código Civil não considera coação o simples temor reverencial. Neste caso. Portanto. se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. coação ilegal. que terá a opção de ceder ou de resistir à ela. ou por inexperiência. a lesão é o prejuízo que um contratante experimenta quando. apenas o contrato foi efetuado de maneira desvantajosa. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante. a mera anulação do negócio jurídico. há dolo de ambas as partes. É. § 2. agindo mecanicamente. Neste caso. ocorre quando o coator faz uma grave ameaça à vítima. ou seja. São requisitos da coação: • a coação deve ser a causa do negócio. por conseqüência. em que ambas as partes obram de boa-fé. um receio na vítima. ou seja. deixa de receber valor correspondente ao da prestação que forneceu. Deve-se levar em consideração que essa proporcionalidade é relativa. ameaçado por perigo iminente. na 2. Temos o exemplo do náufrago que oferece ao seu salvador recompensa exagerada ou o caso do doente que se dispõe a pagar alta cifra para obter a cura pelo médico. exonerando o declarante de cumprir sua obrigação conduz a um resultado injusto. ainda que subsista o negócio jurídico. embora sob pressão. * Coação Ocorre quando alguém força uma pessoa para que ela faça ou deixe de fazer alguma coisa. Nesses casos. o juiz deve apenas invalidar o negócio jurídico no que exorbite como determinou o parágrafo único do artigo 156 do Código Civil. a saúde. Nas hipóteses acima mencionadas não é nem justo que o salvador fique sem remuneração e nem justo que o obrigado empobreça. por isso o problema não é simples. se não houvesse a coação não haveria o negócio. não há ação cabível para nenhuma das partes. anui em pagar preço desproporcional para o seu livramento. O dolo bilateral é quando os dois contratantes tentam enganar-se um ao outro. o sexo e outras circunstâncias que possam influir na gravidade da coação. em caso contrário. o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou". a hipótese de alguém. se for oferecido suplemento suficiente. ainda que o outro contratante não tenha sabido que houve coação por parte de terceiro. ou seja. portanto. O artigo 152 do Código Civil dispõe que. ou a pessoa de sua família.ª parte. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito". visto que não houve um dos requisitos de existência do negócio jurídico. visto que não tem gravidade suficiente. Apresenta como principais requisitos: . * Estado de Perigo Dispõe o artigo 156 do Código Civil: "Configura-se estado de perigo quando alguém. Parágrafo único. O ato calamitoso não foi provocado por ninguém. a coação exercida por terceiro sempre viciará o ato. ou seja. ou seja. O artigo 153. o artigo 151 do Código Civil faz uma série de exigências para que se caracterize a coação que vicie o negócio. que é a manifestação de vontade. • a coação deve ser grave. Ainda.º Não se decretará a anulação do negócio. Neste caso. em contrato comutativo. se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. A coação pode ser: • Absoluta: quando o coator usa força física e a vítima não chega a manifestar a sua vontade. • a coação deve ser injusta. O perigo não é provocado por qualquer contratante. sob premente necessidade. o legislador exige que haja uma certa proporção entre os prováveis prejuízos que a vítima possa ter. • Relativa: também chamada de coação moral. § 1. Diante da contraposição de interesses. A coação pode ser da própria parte ou de terceiro. de grave dano conhecido pela outra parte. É uma instituição fundada na eqüidade e se inspira na idéia de equivalência das prestações. devendo ser incluídas todas as pessoas que possuem uma relação de intimidade com o contratante que está sendo coagido.

o devedor se tornou insolvente. c) Pagamento de dívida ainda não vencida. são encontradas nos artigos 1861 a 188. Os tribunais estabeleceram quando o terceiro teria motivos (parentes próximos.º) Grande desproporção. nos artigos 927 a 943 e 944 a 954. Se isso ocorrer. A lesão abarcada pelos dispositivos legais trata-se daquela que cause dano. negócios feitos anteriormente etc. portanto. a presunção de fraude se torna absoluta. Ocorre a fraude contra credores quando um devedor pratica negócios que o torne insolvente. O referido artigo impõe a todas as pessoas o dever de não lesar outrem (neminen laedere). dando-lhe uma garantia real (exemplo: hipoteca de um imóvel). os outros devedores poderão ingressar com uma ação contra o credor que recebeu. já insolvente.º) decisão judicial. estando o devedor insolvente (artigo 163 do Código Civil) Quando o devedor. se restarem bens suficientes para pagar as dívidas. o diploma . desde que a vítima prove que o causador do dano agiu com culpa. não será considerado insolvente. perdoando o terceiro devedor. Assim. negligência ou imprudência. tanto de natureza patrimonial quanto de natureza moral. Neste caso. 2. O terceiro adquirente poderá estar de boa-fé (quando não sabe da situação real do devedor) ou de má-fé (quando sabe da situação real do devedor). a infração ao dever de não lesar outrem. visto que o legislador deixou meio vago quanto aos motivos. Todo aquele que causa um dano deve repará-lo. os bens não retornam ao devedor para o pagamento dos credores. • artigo 159 do Código Civil prevê duas presunções de má-fé do terceiro adquirente: quando era notória a insolvência do devedor. 23. d) Concessão de garantia real a um credor quirografário. por ação ou omissão voluntária. Se o devedor vende seus bens. Não há necessidade de prova da má-fé do terceiro adquirente. a intenção é sempre de prejudicar um terceiro. São dois os requisitos exigidos para que os credores tenham sucesso na ação contra o devedor que vende seus bens para fraudar os credores: • eventus damni: o credor deve provar que. tornando-se insolvente. estando o devedor insolvente (artigo 162 do Código Civil) Quando o devedor já está insolvente e privilegia o pagamento a um credor que tem uma dívida ainda não vencida. Dispõe o artigo 186 do diploma civil que aquele que. • consilium fraudis (má-fé do terceiro adquirente): não há necessidade de se provar que o terceiro adquirente estava combinado com o devedor. Havendo o pagamento de dívida não vencida.). no Código Civil.º) Possibilidade da parte reequilibrar o contrato. Remédio Jurídico: AÇÃO PAULIANA * ATOS ILÍCITOS As disposições sobre os atos ilícitos. gerando enriquecimento para uma das partes e empobrecimento para outra. Ainda que o devedor venda algum bem. *Fraude contra credores Baseia-se no princípio da responsabilidade patrimonial: “é o patrimônio do devedor que responde por suas obrigações”. 4. comete ato ilícito. 3. ainda que exclusivamente moral. as quais passamos a analisar: a) Alienações onerosas (artigo 159 do Código Civil) É a situação mais comum de fraude contra credores. O Código Civil dispõe quatro situações em que podem ocorrer fraudes contra credores. Havendo boa-fé do terceiro adquirente. Deve haver presunção de equivalência das prestações. tendo ambas as partes pré-ciência de suas prestações.º) Desequilíbrio entre as prestações no momento da celebração do contrato. A verificação da culpa e a avaliação da responsabilidade regulam-se pelo disposto nesse código. com a venda. o único requisito que os credores devem provar é a insolvência do devedor. b) Alienações à título gratuito e remissões de dívidas (artigo 158 do Código Civil) Quando o devedor faz doações de seus bens. Essa presunção não é absoluta. • quando o terceiro adquirente tinha motivos para conhecer a má situação financeira do devedor. violar direito ou causar dano a outrem. Só o juiz pode rescindir ou modificar o contrato.1. Ato ilícito é. os outros credores podem ingressar com uma ação para anular essa garantia. Quando se trata de doações. bastando a prova de que ele estava ciente da situação financeira do devedor. 5. amizade íntima.º) Comutatividade contratual. d) Vício Social No vício social embora a vontade se manifeste de acordo com o desejo dos contratantes. caracteriza-se fraude contra credores. não mais possuindo bens suficientes para o pagamento de suas dívidas. Ocorre fraude na remissão de dívidas quando o devedor é credor de terceiro e deixa de cobrar o seu crédito. resolve privilegiar um dos credores quirografários.

e podem. O dano material segue. deve-se salientar que. Quanto ao dano moral. segundo a qual se deve proceder na análise da existência de culpa do agente. Exemplo: matar o marido que paga pensão à esposa. que podem ser simples ou compostos. A Constituição Federal/88 acolheu o princípio de que o dano moral é indenizável. O dano moral é aquele que afeta não o patrimônio. ou seja. Em casos de lesões corporais. Além das perdas e danos.). gera um prejuízo à vítima. conforme se verifica na Súmula n. não se leva em conta o grau de culpa. temos a responsabilidade civil do pai que responde pelo ato do filho. em que cabe a título de exemplo. podendo. Há possibilidade de cumulação das duas “modalidades” de dano. Na indenização podem incidir outras verbas. O dano pode ser: • direto. • extrapatrimonial (moral): atinge a dignidade. dignidade. do Estado que responde pelos atos do servidor. negligência ou imperícia) e recebe a denominação de culpa aquiliana. considera-se que o restante (um terço) era gasto pelo próprio do falecido. • indireto: chamado de dano em ricochete. O artigo 1. pleiteia-se a “reparação”. Permite-se a cumulação do ressarcimento do dano moral com a indenização do dano material. Todo prejuízo deve ser indenizado. As pessoas jurídicas têm honra objetiva (bom nome. A título de exemplo. a teoria subjetiva. atinge um terceiro. mas. a que se refere o artigo 186.º. a honra. sobre o valor do prejuízo incidem os juros moratórios desde a data do fato”. As implicações decorrentes de um ilícito civil são diferentes daquelas que decorrem de um ilícito penal. dentre eles. da Constituição Federal que é assegurada a reparação do dano moral junto com o material quando ocorre ofensa à honra. o ato poderá ser ilícito tanto na esfera civil quanto na penal. Com relação aos ilícitos penais. Entretanto. outras verbas costumam ser acrescidas. o direito à dignidade. Todo prejuízo que a vítima puder provar será indenizado. Tanto é que as pessoas jurídicas podem pleitear o ressarcimento pelo dano moral. que também teriam direito à compensação do dano material. 37 do Superior Tribunal de Justiça: “São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato”. assim. As pessoas legitimadas a ingressar com ação pleiteando indenização por danos morais são as diretamente prejudicadas. mas os direitos da personalidade (honra. Quando o falecido se trata de arrimo de família. Ao tratar do dano patrimonial. à imagem ou à intimidade. ofende os direitos da personalidade. tem-se admitido o reexame das lesões. tem sentido amplo.civil pátrio adotou. a teor do que dispõe o artigo 186 do Código Civil (responsabilidade civil) sendo tal responsabilidade de cunho patrimonial. . na maioria das vezes. ser indenizado. cabe ao prejudicado pleitear o “ressarcimento” do prejuízo. Em alguns casos.º da Constituição assegura certos direitos básicos. 54 do Superior Tribunal de Justiça: “Mesmo quando o fato é mero ilícito civil. ou quase sempre. conforme se verifica na Súmula n. a regra do artigo 402 do diploma civil (perdas e danos). Assim. abrangendo tanto o dolo quanto a culpa em sentido estrito (imprudência. uma vez que aquele tem como conseqüência tornar o agente responsável pela reparação do dano. como regra. no quanto vinha rendendo em determinado período. Esse artigo explica em que consistem as perdas e danos: o que a pessoa efetivamente perdeu (dano emergente) e o que ela razoavelmente deixou de lucrar (lucro cessante). A cumulação de pedidos de dano moral e dano material é possível. como no caso de morte do chefe de família. Este pode ser: • patrimonial (material): atinge os bens da pessoa. ainda. A prova do lucro cessante é mais difícil. O dano moral atinge também a honra objetiva. tais como a correção monetária. para sua apuração. do patrão que responde por ato de seu empregado. ou seja.5% ao mês. ou seja. sendo a responsabilidade de cunho pessoal. O dano moral tem o sentido de compensação. intimidade etc.º salário. indiretamente. assim como os juros. * DANO Dano é o efetivo prejuízo sofrido pela vítima de um ato. pois é sempre baseada no pretérito. ser somente um ilícito penal. A “culpa” pelos atos ilícitos. que é aquele que atinge uma pessoa. conceito na sociedade). Os juros legais são da ordem de 0. que incide desde a data em que a pessoa sofreu o prejuízo. sem preocupação de encontrar um valor que corresponda exatamente ao valor que supra a dor experimentada pela vítima. esta passa a receber 2/3 (dois terços) dos rendimentos mensais que o falecido ganhava. o ilícito penal é também ilícito civil. Juros simples são contados sempre sobre o montante inicial do prejuízo e incidem desde a data do fato. não se transferindo a terceiros como é possível de ocorrer na responsabilidade civil. conforme anteriormente mencionado. ao agente é imputado castigo corporal. não se pode indenizar o dano futuro e meramente hipotético. Para se calcular o valor do dano. incisos V e X. determina o artigo 5. pois este sempre. O dano deve ser certo e atual. Trata-se de “consolo” à vítima. Além disso. O cálculo da indenização é feito com base na extensão do prejuízo. que se trata daquilo que outras pessoas pensam sobre o indivíduo. em decorrência de sua origem (Lex Aquilia). o pagamento de 13.

4.2. forma prescrita ou não defesa em lei. a tradição. Já os contratos ilícitos ofendem a lei. em que o beneficiário é terceira pessoa).) Essas leis estabelecem os valores mínimo e o máximo. em casos excepcionais. é um acordo de vontades. objeto lícito. sendo de observação necessária se exigida. * Princípio da relatividade O contrato é celebrado entre pessoas determinadas. Há contratos em que a lei exige o consentimento expresso. ou seja. Lei de Locações. trazia alguns critérios para apuração do dano moral (situação econômica do ofendido e do ofensor etc. para se aperfeiçoarem. Conceito de Contrato Contrato é um negócio jurídico bilateral. podendo ser expresso ou tácito. do qual o contrato juridicamente impossível é espécie. por exemplo. poderá o juiz reduzir. utiliza-se o sistema aberto. mitiga o princípio da autonomia da vontade e faz prevalecer o princípio da supremacia da ordem pública. O Supremo Tribunal Federal diz que esse limite máximo estaria revogado tacitamente pela Constituição Federal. Quando o Estado intervém nas relações contratuais. Autonomia da vontade é a liberdade de contratar. arbitramento pelo juiz a cada caso (artigos 944 a 946 do Código Civil). Exemplos: Consolidação das Leis do Trabalho. não deixando de observar o princípio da reserva legal (não há pena sem prévia cominação legal). temos o disposto no artigo 944: "A indenização mede-se pela extensão do dano. *Princípio do consensualismo O contrato considera-se celebrado com o acordo de vontades. Os contratantes podem acordar o que quiserem.1. eqüitativamente a indenização". que foi revogado pela Lei de Imprensa de 1967. O Código Brasileiro de Telecomunicações de 1962. entretanto. o Novo Código Civil além de diferenciar já no artigo 186 o dano moral do dano material. São chamados contratos reais.Surge o problema de como calcular o dano moral. Exemplos: mútuo (empréstimo de coisa fungível). O contrato de prostituição é um contrato juridicamente possível. como a situação econômica do ofensor e do ofendido (“a dor do pobre vale menos que a dor do rico”). que o silêncio valha como aceitação tácita. Hoje. 24. não valendo o silêncio como aceitação. posto que se trata de princípio aplicável a todo o ordenamento jurídico. Há alguns contratos. Esta compensação tem duplo caráter. sendo a tradição apenas o meio de transferência da propriedade. Por esse motivo. 24. por exemplo. possível e determinado. Requisitos de Validade do Contrato São os seguintes os requisitos de validade do contrato: agente capaz. no mesmo pensamento já adotado tanto pelo Supremo Tribunal Federal quanto pelo Superior Tribunal de Justiça. No Brasil não é seguido o sistema do tarifamento para apuração do prejuízo sofrido em decorrência do dano moral. O princípio da relatividade ocorre nas estipulações em favor de terceiro (exemplo: seguro de vida. Nada obsta que a lei determine. Aqui. 24. O consentimento tácito ocorre quando se pratica ato incompatível com o desejo de recusa. a alguém que não seja contratante exigir o cumprimento de um contrato. com a finalidade de produzir efeitos no âmbito do Direito. vinculando as partes contratantes. no entanto. Código de Defesa do Consumidor etc. que não estabeleceu limite. pois visa ao ressarcimento e à sanção. Além da norma acima citada. Contratos 24. O contrato juridicamente impossível só ofende a lei. a moral e os bons costumes. Como falamos acima. além do acordo de vontades. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano. o que impede que haja interpretação restritiva. comodato (empréstimo de coisa infungível). O contrato ilícito é gênero. Princípios do Direito Contratual * Princípio da autonomia da vontade e princípio da supremacia da ordem pública Esses dois princípios devem ser vistos harmonicamente. fala-se em buscar o valor como forma de compensação. que podem variar de 5 a 200 salários mínimos. ou pelo menos determinável. Parágrafo único. depósito. que exigem. como. doação de bens móveis de pequeno valor (também chamada doação manual). outorgou absoluta liberdade ao juiz para fixar o montante da indenização por danos morais. a jurisprudência entende que devem ser levados em conta alguns critérios. mas ilícito. um acordo de vontades. respeitando os requisitos de validade do contrato. É possível. Forma prescrita é a forma que a lei impõe. e não apenas no Direito Penal. A compra e venda de bem móvel. * Princípio da obrigatoriedade e princípio da revisão dos contratos .3 Requisito especial dos contratos É o consentimento. Aqui não se aplica o brocado: quem cala consente. a compra de uma safra futura. 24.

trazida pela Teoria da Imprevisão. esse deve ser obedecido. *Princípio da boa-fé Até prova em contrário (presunção iuris tantum). portanto. se não contém prazo. na hipótese. por carta ou mensagem. O Código Civil faz distinção entre proposta feita a pessoa presente e proposta feita a pessoa ausente. rescinde-se o contrato.-lei n. Não sendo possível. Deve ser argüida na contestação. A aceitação da proposta "entre ausentes" pode ser feita por carta ou telegrama. Arras Arras é o sinal depositado por um dos contratantes no momento em que o contrato é celebrado. 24. da Recepção e da Cognição. de um dos contratantes. Se o vendedor se recusa a passar a escritura. Há vozes no sentido de existir. nenhum dos contratantes pode exigir judicialmente a prestação do outro enquanto não tiver cumprido a sua (artigo 476 do Código Civil). com prazo para resposta. Se o contrato não for cumprido corretamente. • fato imprevisível e geral. pois ainda não passam de especulação de valores e condições. Existem outras teorias a respeito da aceitação da policitação entre ausentes.o contrato faz lei entre as partes. A proposta feita pela Internet é considerada "entre ausentes". Núncio é o nome que se dá ao mensageiro. O compromisso de compra e venda de imóvel loteado é sempre irretratável e irrevogável.Os contratos de execução prolongada no tempo continuam obrigatórios se não ocorrer nenhuma mudança Princípio rebus sic stantibus. salvo previsão em contrário.12. presume-se que todo contratante está de boa-fé. * Contratos bilaterais com prestações simultâneas Nesses contratos. 24. Há. Em ambos os casos é permitida a repropositura da ação. o comprador pode requerer a sua adjudicação compulsória. Se a proposta não fixar prazo para resposta. Se a proposta é feita a uma pessoa presente e contém prazo de validade. aperfeiçoando-se o contrato quando da expedição daqueles. É uma exceção e não uma objeção. . é inadmissível o arrependimento no compromisso de compra e venda sujeito ao regime do Dec. É possível arrepender-se da aceitação feita por carta. O compromisso de compra e venda de imóvel não-loteado é irretratável e irrevogável. É possível que. 166 do Supremo Tribunal Federal.. A nossa legislação acolhe em parte a regra rebus sic stantibus. a defesa se chama exceptio non rite adimpleti contractus. Quanto maior o valor dos bens. • onerosidade excessiva. porém não foram adotadas pelo nosso sistema. O Decreto-lei n.6 Peculiaridades dos Contratos Bilaterais Os contratos bilaterais são aqueles que geram obrigações recíprocas para os contratantes. Se a proposta é feita à pessoa ausente. a proposta deve ser aceita de imediato. julgamento de mérito. Tem natureza de contrato real. É possível argüi-la tanto se o autor não cumpriu sua parte no contrato como se a cumpriu incorretamente. A primeira atitude a ser tomada deve ser a revisão do contrato com a tentativa de se restaurar as condições anteriores. Quem faz a proposta deve sustentá-la. bastando para isso que a retratação chegue ao conhecimento da outra parte antes ou concomitante à aceitação (artigo 433 do Código Civil). surja. Também gera a extinção da ação. *. Essa proposta também é chamada policitação ou oblação. que tem natureza de multa. maiores serão as negociações preliminares. Essas negociações não obrigam e não vinculam os contratantes. A parte contrária defende-se alegando a exceção do contrato não cumprido – exceptio non adimpleti contractus. 58/37 dispõe que os contratos de compromisso de compra e venda de imóveis loteados são irretratáveis e irrevogáveis. A proposta feita por telefone é considerada "entre presentes". As arras não se confundem com a cláusula penal. a possibilidade de o contrato ter cláusula de retratação. teorias da Declaração. devendo o processo ser extinto sem exame do mérito. desde que a parte cumpra primeiro sua obrigação. após essa fase. esta deverá ser expedida no prazo estipulado. salvo previsão em contrário. Segundo a Súmula n. A proposta ainda não é o contrato: este só estará aperfeiçoado quando houver a aceitação. que tem os seguintes requisitos: • contratos de execução prolongada. uma proposta. só se aperfeiçoa com a efetiva entrega do valor ao outro contratante. pois o juiz não pode conhecê-la de ofício. 58 de 10. É o famoso “pegar ou largar”.5 Fases da Formação do Contrato Os contratos começam com as negociações preliminares. o Código Civil dispõe que deve ser mantida por tempo razoável (que varia de acordo com o caso concreto). Há quem diga que a exceção do contrato não cumprido configura falta de interesse de agir. Opõe-se ao Princípio pacta sunt servanda .1937. a qual vinculará o proponente.

Os contratos unilaterais geram obrigação apenas para um dos contratantes. Exemplo: compra e venda da safra de arroz do ano seguinte. 24. Caso contrário. Vale o brocardo popular: a pessoa compra “gato por lebre”.). restando apenas deveres ao mutuário. o contrato bilateral é oneroso. a) Arras penitenciais Previstas no artigo 420 do Código Civil. O contrato de adesão é o contrato redigido inteiramente por uma das partes. modificá-las. As arras penitenciais aparecem se no contrato constar cláusula de arrependimento. cabe ao outro contratante pedir rescisão do contrato mais perdas e danos e a devolução das arras. *. Não há possibilidade de desistir das arras para pedir perdas e danos.078/90) regulamenta e conceitua essa espécie de contrato no seu artigo 54. só vale se não trouxer prejuízo ao aderente. devendo haver a efetiva entrega da quantia.7 Classificação dos Contratos * Unilateral e bilateral O critério diferencial é o número de obrigações. 8. * Diferença entre vício redibitório e erro • Erro é a falta de percepção da realidade. estabelecer cláusulas.8 EFEITOS DOS CONTRATOS *Vícios Redibitórios (artigos 441 a 446 do Código Civil) Vícios redibitórios são os defeitos ocultos que existem em um determinado bem. deverá devolvê-las em dobro. É contrato unilateral porque se aperfeiçoa com a entrega do numerário ao mutuário. as partes não conhecem as suas vantagens e desvantagens. porém a coisa vem com defeito oculto. * Paritários e de adesão No contrato paritário as partes têm possibilidade de discutir. prefixando as perdas e danos. são chamados contratos sinalagmáticos. Os contratos bilaterais geram obrigações recíprocas. Se o inadimplemento for de quem deu as arras. . não bastando o acordo de vontades. e o unilateral. as arras serão sempre confirmatórias.Não se confundem com prefixação de perdas e danos. Os contratos gratuitos trazem vantagens econômicas e patrimoniais somente para um dos contratantes (exemplo: doação pura). No presente texto serão estudados os vícios previstos no Código Civil. aquele que deu causa responderá por perdas e danos. • No vício redibitório a pessoa compra exatamente o que queria. para ambos (exemplos: compra e venda. a outra apenas adere a ele. b) Arras confirmatórias De acordo com o artigo 417 do Código Civil. quando de cláusulas obscuras. Exemplos: contrato de cláusulas abusivas (artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor): • eleição de foro. Há sempre um elemento de risco neles. A coisa já é adquirida com um defeito oculto. gratuito.Há dois tipos de arras: penitenciais e confirmatórias. No Brasil só existe um contrato unilateral e gratuito: é o contrato de mútuo feneratício (empréstimo de dinheiro a juros). no momento da celebração. A interpretação dos contratos de adesão. • cláusula de plano de saúde que restringe cobertura de doenças epidêmicas e AIDS. as partes já conhecem suas vantagens e desvantagens. No erro a pessoa adquire uma coisa que não é a que desejava. nos termos do artigo 396 do Código Civil. ou diminuindo-lhe o valor. os onerosos. • cláusula que impõe a perda das parcelas pagas. 24. no momento da celebração. Gratuito e oneroso Diferenciam-se no que diz respeito à vantagem patrimonial. o mutuante exime-se de sua obrigação. presume-se que o comprador o conheça. Feita a entrega. Via de regra. Se o defeito é aparente. Se houver rescisão do contrato. seguro de vida etc. o valor das perdas e danos será abatido desse montante. tornando-o impróprio ao uso a que se destina. pois estas funcionam como prefixação daquelas. as arras confirmatórias têm a função de confirmar o contrato e torná-lo obrigatório. Os contratos onerosos subdividem-se em: • comutativos: aqueles de prestações certas e determinadas. O ponto em comum que existe entre as arras penitenciais e as arras confirmatórias é a simultaneidade à celebração do contrato. perdê-las-á. atuam como pena convencional quando as partes estipularem o direito de arrependimento. Se quem desistir do contrato for quem deu as arras. O Código de Defesa do Consumidor (Lei n. Não gera direito de exigir perdas e danos. Se quem inadimpliu o contrato foi quem recebeu as arras. • aleatórios: aqueles que. se quem desistir for aquele que as recebeu. deve ser em favor do aderente.

Carlos Roberto Gonçalves que “o fundamento da responsabilidade pelos vícios redibitórios encontra-se no princípio de garantia. b) Perda da propriedade. ou lhe reduzir o valor * Remédio Jurídico: Ações edilícias Havendo vício redibitório cabem ações edilícias. cumulada com pedido de perdas e danos. 443)”. Se estava de boa-fé. e da alienação reduzido à metade se quando o negócio jurídico o comprador já estava na posse do bem. ou seja. que a atribui a outrem por causa jurídica preexistente ao contrato”. a coisa não tem nenhum defeito. art. Carlos Roberto Gonçalves: “O alienante só responde pela perda decorrente de causa já existente ao tempo da alienação”. b) O vício tem de ser oculto Vício oculto é aquele que não é percebido quando um homem normal examina a coisa. o alienante será obrigado a resguardar o adquirente dos riscos da perda da coisa para terceiro. Carlos Roberto Gonçalves: “Evicção é a perda da coisa em virtude de sentença judicial. Deve ser ato de autoridade judiciária ou administrativa. Não pode reclamar por vício redibitório quem adquirir a coisa em hasta pública. • Ação quanti minoris ou estimatória: o comprador fica com a coisa. * Fundamento jurídico Ensina o Prof. e em um ano se foram imóveis. A celebra um contrato de compra e venda com B. sensível à necessidade de alterar prazos. a título oneroso. B tem ação de evicção contra A? Depende. pode-se pedir a restituição do que o mesmo recebeu.Requisitos da evicção a) Somente existe em contrato oneroso Se ocorre em contrato gratuito. o uso da coisa por ele adquirida e para os fins a que é destinada. e) Denunciação da lide (artigo 70. O prazo é contado da entrega efetiva. É aquele contrato em que. d) Sentença que atribua o bem a terceira pessoa A apreensão administrativa também gera a evicção. do Código de Processo Civil) . *Evicção (artigos 447 a 457 do Código Civil) Segundo o Prof. apenas não corresponde ao desejo íntimo da pessoa. Pode-se mover a ação edilícia esteja o vendedor de má-fé ou boa-fé. se os requisitos do usucapião tiverem sido preenchidos antes da venda. Para o vício oculto o prazo só conta do momento em que ele se exterioriza. C move ação de usucapião contra B. A ignorância dos vícios pelo alienante não o exime da responsabilidade. . Exemplo: A é dono de um terreno. salvo se esta foi expressamente excluída. o adquirente não está sofrendo prejuízo. A opção cabe ao adquirente. segundo o qual todo alienante deve assegurar ao adquirente. * Requisitos do vício redibitório a) Só existe em contrato comutativo É subespécie de contrato oneroso. Observações: Quando ocorre erro. pois se trata de uma venda forçada. inciso I.• • No erro. O Código Civil. 447 do Código Civil prescreve que. No vício redibitório o erro recai na coisa. estabelecendo-se um prazo máximo de 180 dias para exteriorizar nos bens móveis. contados da efetivação do negócio. cabe ao adquirente pedir somente a rescisão do contrato ou o abatimento no preço.Essas ações podem ser: • Ação redibitória: objetiva rescindir o contrato. no momento da celebração. estabeleceu no artigo 445 que o direito de obter a redibição ou abatimento no preço decai no prazo de 30 dias se a coisa for móvel ou de um (1) de for imóvel. c) A existência do vício deve ser anterior ao contrato d) O vício deve tornar a coisa imprópria ao uso a que se destina. Ocorre que C habitava o terreno. por força de decisão judicial em que fique reconhecido que aquele não era o legítimo titular do direito que convencionou transmitir”. mas com o valor reduzido. com abatimento no preço. posse ou uso do bem c) A causa da evicção deve ser anterior ao contrato De acordo com o Prof. Se os requisitos não estavam preenchidos na época da venda. nos últimos contratos onerosos. sendo injusto permitir essa ação contra o expropriado do bem. ou a redução do valor. “O art. Daí dizer-se que é objetivo. que tem prazo prescricional de quatro anos. Exemplo: quando o agente compra um carro furtado e a Polícia o apreende o adquirente ficará sem o carro e sem o dinheiro. B terá ação contra evicção sofrida por causa de A. os contratantes já sabem quais são suas vantagens e desvantagens. É subjetivo. a ação cabível é a ação anulatória. Se o vendedor agiu de má-fé. de comum acordo (CC. B não tem direitos e deverá arcar com os prejuízos.

). Seguindo a orientação mais completa e didática trazida pelos Professores Carlos Roberto Gonçalves. Se A move uma ação reivindicatória contra B e essa é julgada procedente. mas A acha que o imóvel é seu. concomitantes ou supervenientes a ele. perderá o direito ao ressarcimento dos prejuízos sofridos com a evicção. As condições a serem observadas para validade do acordo são: capacidade das partes e livre consentimento (subjetivos). Se B não denuncia. o comprador não sofrerá nenhum prejuízo. portanto.8 EXTINÇÃO DOS CONTRATOS (artigos 472 a 480 do Código Civil) A classificação e delimitação das formas de extinção dos contratos é controvertida. 24. diferida (entrega do bem no mês seguinte). deve ser obrigatória quando for possível. a pessoa que deu causa à evicção poderá ser condenada nos honorários da denunciação da lide e a ressarcir o comprador dos honorários advocatícios que despendeu com a ação principal. A denunciação da lide é decorrente da evicção. B sofrerá evicção. * Forma Anormal de Extinção dos Contratos Ocorre com a inexecução do contrato por fatores anteriores. não o sendo. o comprador pode requerer perdas e danos. os prejuízos da evicção são requeridos por meio de ação autônoma. O denunciante é o comprador que corre risco de sofrer a evicção. com o cumprimento do seu objeto. objeto lícito e possível (objetivos). • custas e honorários. A execução pode ser instantânea (pagamento à vista.Causas anteriores ou contemporâneas ao contrato a) Nulidade O não-preenchimento dos requisitos necessários à perfeição do contrato gera sua nulidade.Para grande parte da doutrina é a única hipótese em que a denunciação da lide é obrigatória. A nulidade decorrente da não-observação dessas exigências pode ser absoluta – quando ferir norma de ordem pública. Maria Helena Diniz e Orlando Gomes. O denunciado é o vendedor. b) Condição resolutiva – Resolução . . • se o vendedor vendeu o bem de má-fé. deve promover a denunciação da lide de C. A pessoa que sofre a evicção tem direito de cobrar do vendedor os seguintes valores: • restituição integral do preço pago. feita pelo credor de acordo com o artigo 320 do Código Civil. ou relativa – quando o vício contido for passível de convalidação. entrega imediata de um bem etc. Exemplo: C vende a B um imóvel. Para B resguardar-se da evicção. forma prescrita em lei (formal). tem-se o seguinte gráfico: instantânea FORMA NORMAL DE EXTINÇÃO – execução diferida continuada absoluta – nulidade relativa – Anteriores ou contemporâneas ao contrato expressa – condição resolutiva tácita – direito de arrependimento FORMA ANORMAL DE EXTINÇÃO – Supervenientes à formação do contrato – inadimplemento voluntário inadimplemento involuntário – onerosidade excessiva – bilateral – Resilição – unilateral – Morte de um dos contratantes – Rescisão * Forma Normal de Extinção dos Contratos O contrato extingue-se. ou continuada (pagamento em prestações). em regra. O cumprimento do contrato é provado pela quitação.

. c) Morte de um dos contratantes É forma de extinção anormal dos contratos personalíssimos. c) Direito de arrependimento As partes podem ajustar. apenas um contratante não pode romper o avençado. causando prejuízo ao outro contratante. b) Resilição (artigos 472 e 473 do Código Civil) Deriva da manifestação de uma ou ambas as partes.Deve ser verificada judicialmente e pode ser tácita – os artigos 475 a 477. ou decorrentes de lesão (quando uma parte aproveita-se da inexperiência ou necessidade da outra para auferir vantagem). ou expressa – quando convencionadas pelas partes as conseqüências da inexecução do contrato. que não cumpre o avençado. As conseqüências estão previstas nos artigos 476 e 477. salvo na hipótese do artigo 399 do Código Civil – se estiver em mora e não conseguir demonstrar que o dano sobreviria mesmo que a obrigação fosse cumprida a seu tempo. − Por inadimplemento involuntário: origina-se no caso fortuito ou força maior. em regra. permitem à parte lesada pelo inadimplemento requerer a rescisão do contrato com perdas e danos. expressamente. que impõe a regra rebus sic stantibus. do Código Civil. o direito de arrependimento. cláusula resolutiva tácita. sujeitando ainda o inadimplente à cláusula penal (arts. − Por onerosidade excessiva: deve decorrer de fato extraordinário. A manifestação bilateral verifica-se no distrato. o devedor não responde pelos prejuízos ocasionados. Os efeitos do arrependimento estão previstos no artigo 420 do Código Civil. Todo contrato bilateral possui. . 409 e seguintes do Código Civil). implicitamente. que não permitem a execução pelos sucessores do de cujus. d) Rescisão Utilizado como sinônimo de resolução e resilição trata-se de modo específico de extinção de certos contratos celebrados em estado de perigo (quando uma parte tem a intenção de prejudicar a outra com o contrato). que possibilita a extinção do contrato sem que seja cumprido. do Código Civil. e a unilateral é vista como exceção. extingue o contrato pela aplicação da teoria da imprevisão. de acordo com o artigo 393 do Código Civil.Causas supervenientes ao contrato a) Resolução − Por inadimplemento voluntário: sucede da culpa de uma das partes. porque.

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