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John Rawls é reconhecido atualmente como um dos grandes filósofos do século XX.

Isto s
e deve pelo fato de ter contribuído de maneira significativa para um resgate ou re
vitalização de discussões referentes à filosofia moral e política, fomentando novamente um
amplo interesse no debate filosófico dessas questões, na medida em que ele próprio pr
opôs uma teoria que se mostrou deveras atrativa. Sua teoria da justiça como equidade a
traiu a atenção e simpatia de filósofos das mais diversas tradições, chegando mesmo a se p
opularizar em outros meios além do estritamente filosófico. A obra Uma Teoria da Jus
tiça, onde Rawls expõe pela primeira vez de modo sistemático sua teoria, é considerada p
or muitos como um marco na história da filosofia moral e política.
No entanto, ao mesmo tempo em que se manifestavam apoiadores e entusiastas da teor
ia da justiça como equidade, Rawls recebe diversas críticas, sendo que esse diálogo qu
e realiza com seus opositores o leva à uma constante explicitação e mesmo revisão de sua
teoria da justiça como equidade. Deste modo encontramos nas obras de Rawls umwo r
k in progress, um constante esforço pelo aperfeiçoamento de sua teoria, sendo que a
teoria da justiça como equidade, tal como fora apresentada em Uma Teoria da Justiça,
está longe de ser a sua versão final. Apesar disso, para o desenvolvimento da prese
nte dissertação assumimos, como o faz o próprio Rawls, que em seu trabalho há uma contin
uidade de posição que se sobrepõe às diversas mudanças que sofre a teoria da justiça como e
uidade. Deste modo, apesar de alguns comentadores falarem de um primeiro Rawls no
que se refere às posições assumidas em Uma Teoria da Justiça e de um segundo Rawls ou Ra
tardio no que se refere aos posicionamentos assumidos em seus últimos escritos (co
mo em O Liberalismo Político), acreditamos não haver uma ruptura radical. Em muitos
pontos, há mais uma mudança de ênfase em relação aos temas envolvidos na discussão do que u
a mudança de posicionamento em relação a estes temas. Um exemplo disso é a mudança da util
ização da terminologia contratualista para a do construtivismo. No entanto, é inegável q
ue há pontos em que Rawls não somente reformula sua posição (no sentido de apenas aprese
ntá-la de modo mais claro), mas em que efetivamente muda sua posição, abandonando tese
inicialmente adotadas e assumindo outras. Como exemplo, podemos mencionar o aba
ndono das pretensões fortemente universalistas iniciais. Deste modo, ao realizarmo
s uma pesquisa centrada nos escritos de Rawls, estamos diante de um autor cuja o
bra não apenas é extensa e conceitualmente complexa, mas cujo conjunto da obra apres
enta ainda maiores dificuldades, dado o caráter dework in progress que o caracteri
za. Como podemos entender uma possível conciliação entre a posição apresentada em Uma Teor
ia da Justiça, centrada na utilização de um aparato conceitual contratualista, com a p
osição apresentada por exemplo n O Liberalismo Político, centrada na argumentação a partir
de uma idéia de razão pública? Por que Rawls parece abandonar as pretensões fortemente u
niversalistas de Uma Teoria da Justiça e aproximar-se cada vez mais de posições caract
erísticas do assim chamado comunitarismo? Seriam essas posições realmente conciliáveis o
u a idéia de uma continuidade no trabalho de Rawls não é pertinente? É considerando ques
tões como estas que acreditamos na relevância do tema construtivismo moral na obra de
Rawls: o construtivismo pode ser tomado como um fio condutor, que nos permite ac
ompanhar todo o desenvolvimento que Rawls dá à sua teoria. E é tendo em vista isso que
na presente pesquisa nos centramos nos seus escritos da década de oitenta: são os e
scritos em que aparecem as primeiras formulações explícitas de Rawls acerca do aparato
conceitual construtivista, e, ainda, tais escritos podem ser considerados como
constituindo por assim dizer uma posição intermediária entre a posição de Uma Teoria da J
iça e a de seus últimos trabalhos. Na formulação inicial de nosso projeto de pesquisa tính
amos como tema especificamente o véu da ignorância enquanto dispositivo procedimental
de representação no construtivismo rawlsiano . Nossos objetivos principais eram estud
ar o papel deste dispositivo na compreensão da equidade da posição original e de suas
implicações no que se refere à vinculação da posição original com a idéia de justiça proced
pura. No decorrer da pesquisa, porém, além de verificarmos que havíamos assumido cert
as hipóteses de trabalho equivocadas (como por exemplo a idéia de que Rawls pretendi
a derivar o razoável do racional , pois havíamos nos centrado apenas no texto de Uma Te
oria da Justiça), consideramos que este tema era demasiado circunscrito para a ela
boração de uma dissertação, e que ainda, para que fosse satisfatoriamente desenvolvido,
teria de ao menos pressupor uma discussão referente à toda a problemática do construti
vismo kantiano e do modo como Rawls o entende e aplica à sua teoria da justiça como
equidade. Foi tendo em vista isso que nos vimos levados à trabalhar esta temática ma
is geral, e assim elaborar a presente dissertação tendo como tema a relação entre o cons
trutivismo kantiano e a teoria da justiça como equidade. Nosso objetivo foi basica
mente explicitar em que consiste o modelo construtivista e como Rawls o utiliza
em sua teoria. Embora não mais nos centramos apenas na tematização específica do véu da ig
norância, este último é um elemento fundamental na caracterização do construtivismo kantia
no, e portanto faz parte de nossa discussão. Procuramos deste modo caracterizar o
modelo construtivista e a sua variante kantiana, para assim nos determos na apli
cação que Rawls faz deste modelo para sua própria teoria da justiça, a partir de sua noção
e posição original .Entre nossos objetivos específicos principais encontra-se a explicitaç
da função que a posição original assume na teoria: se ela deve ser tida como desempenhan
do a função de justificar os princípios de justiça da teoria da justiça como equidade, e,
em caso afirmativo, como tem de ser entendida essa justificação. Para tanto, procura
mos compreender como Rawls justifica a própria descrição da posição original, assim como q
uais são as pretensões e exigências de uma concepção política de justiça. Tendo isso em vis
também procuramos discutir a vinculação da idéia de justiça puramente procedimental com a
posição original, que, como mencionamos anteriormente, foi um problema que orientou
nossa pesquisa desde o início.
Rawls reivindica, desde Uma Teoria da Justiça, uma filiação kantiana para sua teoria, e
denomina o seu modelo construtivista de construtivismo kantiano, reconhecendo in
clusive em Kant a origem histórica do modelo construtivista em filosofia moral. Ap
esar de diversos comentadores questionarem e mesmo oporem-se a esta filiação, consid
erando que Rawls seria mais kantiano em intenção do que nas posições teóricas que propriam
ente assume, nós deixamos de lado essa discussão, e em nenhum momento procuramos de
algum modo problematizar essa vinculação da teoria da justiça como equidade com a filo
sofia prática de Kant. Apenas assumimos esta vinculação como sendo o caso, e isto por
três motivos principais. Primeiro, porque o próprio Rawls assume que este vínculo não se
trata de uma relação de identidade entre a teoria da justiça como equidade e a filoso
fia prática de Kant, como se a primeira fosse simplesmente um desenvolvimento da p
osição kantiana: a relação entre a teoria da justiça como equidade e a filosofia prática ka
tiana é antes uma relação de analogia; a teoria da justiça como equidade é de inspiração ka
ana, não se preocupando em ser rigorosamente fiel a Kant. Segundo, porque caso fôsse
mos tentar apresentar possíveis discrepâncias entre a teoria da justiça como equidade
e a filosofia prática de Kant, isso exigiria um envolvimento, tanto com a obra de
Kant quanto com a vasta bibliografia secundária a ela associada, que ultrapassaria
nossas possibilidades, e que a princípio não seria fundamental dados nossos objetiv
os. E terceiro, porque Rawls apresenta uma interpretação de Kant que, além de extremam
ente complexa, configura-se como uma interpretação inovadora, dada a utilização do apara
to conceitual construtivista para a abordagem de sua filosofia moral, de modo qu
e traçar uma comparação entre os textos kantianos e a interpretação oferecida por Rawls se
ria novamente um empreendimento que ultrapassaria nossas possibilidades e objeti
vos. No entanto, uma vez assumida essa interpretação, o vínculo entre a teoria da just
iça como equidade e a filosofia prática kantiana fica muito mais claro.

A TEORIA DA JUSTIÇA John Rawls Baseando-se na sociedade justa de Platão, Rawls suger
e que: O primeiro passo a dar seria o surgimento da mesma igualdade de oportunid
ades aberta a todos e em condições de plena equidade O segundo comportamento seria b
aseado nos benefícios nela auferidos, que deveriam ser repartidos preferencialment
e com os membros menos privilegiados da sociedade, os worst off, satisfazendo as
expectativas deles, porque justiça social é, antes de tudo, amparar os desvalidos.
Para se conseguir isso é preciso, todavia, que uma dupla operação ocorra. Os better of
f, os talentosos, os melhor dotados (por nascimento, herança ou dom), devem aceita
r com benevolência em ver diminuir sua participação material (em bens, salários, lucros
e status social), minimizadas em favor do outros, dos desassistidos. Esses, por
sua vez, podem assim ampliar seus horizontes e suas esperanças em dias melhores, m
aximizando suas expectativas A Teoria da Justiça de John Rawls terá possibilidades d
e implementação, se houver um movimento de compreensão dessa doutrina e se da sua apli
cação resultar benefícios para todos Eu considero a teoria com boas possibilidades de
cativar as pessoas, porquanto, a colocá-la em prática, viria a tornar a sociedade ma
is harmoniosa e mais agradável A Humanidade não precisa de ser rica, precisa apenas
de ser mais justa Mas para isso, as pessoas têm de se convencer, que o objectivo d
a vida é o bem estar social e não uns estarem bem e outros mal, pela via do capital.
È claro que este comportamento da sociedade só se consegue obter se os que têm mais d
isponibilidades, abdicarem desse excesso e permitirem que os detentores de menor
es recursos possam ver melhorados os seus proventos Para que este modelo vingue,
é preciso reeducar as pessoas em dois aspectos; o emocional e o produtivo Em prim
eiro lugar, seria importante consciencializar as pessoas, para que se autoeduque
m na direcção do colectivo. O que passa a valer é o todo e uma pessoa de per si não tem
qualquer possibilidade de sobreviver. Depois seria interessante não perder os ince
ntivos profissionais, agora direccionados em favor de uma sociedade mais justa..
Penso que isto é possível de obter e penso também que temos andado a perder tempo. SO
USAFARIAS
John Rawls, o mais conhecido e celebrado filósofo político norte-americano, falecido
aos 81 anos, em 2002, é tido como o principal teórico da democracia liberal dos dia
s de hoje. O seu grande tratado jurídio-político A Teoria da Justiça, de 1971, o alinh
ou entre os grandes pensadores sociais do século 20. Um legítimo sucessor de uma lin
hagem ideológica que origina-se em Locke. Os temas que hoje provocam polêmica, tal c
omo o sistema de cotas para os negros nas universidades e nos cargos públicos, der
iva diretamente da concepção de sociedade justa estabelecida por Rawls.
Certa vez, Hegel escreveu que a Filosofia - tal como a coruja que só alça o vôo depois
do entardecer - somente elabora uma teoria após as coisas terem ocorrido. Foi bem
esse o caso da contribuição de John Rawls, surgida em livro em 1971, A Theory of Ju
stice, a Teoria da Justiça, resultante direto do sucesso da campanha pelos Direito
s Civis. Herdeiro da melhor tradição liberal, que principia com Locke, passando por
Rousseau, Kant e Stuart Mills, Rawls debruçou-se sobre um dos mais espinhosos dile
mas da sociedade democrática: como conciliar direitos iguais numa sociedade desigu
al, como harmonizar as ambições materiais dos mais talentosos e destros com os ansei
os dos menos favorecidos em melhorar sua vida e sua posição na sociedade? Tratou-se
de um alentado esforço intelectual para conciliar a Meritocracia com a idéia da Igua
ldade.
A resposta que Rawls encontrou para resolver essas antinomias e posições conflitante
s fez história. Nem a social-democracia européia, velha de mais de século e meio, adot
ando sempre um política social pragmática, havia encontrado uma solução teórica-jurídica pa
a tal desafio. Habermas, o maior filosofo alemão do pós-guerra, considerou-o, o livr
o de Rawls, um marco na história do pensamento, um turning point na teoria social
moderna, abrindo caminho para a aceitação dos direitos das minorias e para a política
da Affirmative Action , a ação positiva. Política de compensação social adotada em muitos
estados dos Estados Unidos desde então, que visa ampliar e facilitar as possibilid
ades de ascensão aos empregos públicos e aos assentos universitários por parte daquela
s minorias étnicas que deles tinham sido até então rejeitadas ou excluídas. Cumpre-se de
ssa forma a sua meta de maximize the welfare of society's worse-off member, de f
azer com que a sociedade do Bem-estar fosse maximizada em função dos que estão na pior
situação, garantindo que a extensão dos direitos de cada um fosse o mais amplamente e
stendido, desde que compatível com a liberdade do outro. Se foi o projeto da Grand
e Sociedade quem impulsionou a teoria de Rawls, suas proposições, difundindo-se univ
ersalmente, terminaram por lançar as bases dos fundamentos ético-jurídicos do moderno
Estado de bem-estar Social, vinte ou trinta anos depois ele ter sido implementad
o.
A sociedade justa
De certo modo Rawls retoma, no quadro do liberalismo social de hoje, a discussão o
corrida nos tempos da Grécia Antiga, no século 5 a.C., registrada na "República" , de
Platão. Ocasião em que, por primeiro, debateu-se quais seriam os fundamentos de uma
sociedade justa. Para o filósofo americano os seus dois pressupostos são: 1) igualda
de de oportunidade aberta a todos em condições de plena eqüidade e: 2) os benefícios nel
a auferidos devem ser repassados preferencialmente aos membros menos privilegiad
os da sociedade, os worst off, satisfazendo as expectativas deles, porque justiça
social é, antes de tudo, amparar os desvalidos. Para conseguir-se isso é preciso, to
davia, que uma dupla operação ocorra. Os better off, os talentosos, os melhor dotado
s (por nascimento, herança ou dom), devem aceitar com benevolência em ver diminuir s
ua participação material (em bens, salários, lucros e status social), minimizadas em f
avor do outros, dos desassistidos. Esses, por sua vez, podem assim ampliar seus
horizontes e suas esperanças em dias melhores, maximizando suas expectativas.
Para que isso seja realizável numa moderna democracia de modelo representativo é per
tinente concordar inclusive que os representantes dos menos favorecidos (partido
s populares, lideranças sindicais, minorias étnicas, certos grupos religiosos, e dem
ais excluídos, etc..), sejam contemplados no jogo político com a ampliação da sua deputação
mesmo que em detrimento momentâneo da representação da maioria. Rawls aqui introduz o
principio ético do altruísmo a ser exigido ou cobrado dos mais talentosos e aquinho
ados - a abdicação consciente de certos privilégios e vantagens materiais legítimas em f
avor dos socialmente menos favorecidos.
Há nisso uma clara evocação, de origem calvinista, à limitação dos " direitos do talento",
em a qual ele considera difícil senão impossível por em pratica a equidade. Especialme
nte quando ele lembra que uma sociedade materialmente rica não significa necessari
amente que ela é justa. Organizações sociais modestas, lembrou ele, podem apresentar u
m padrão de justiça bem maior do que encontra-se nas opulentas. Exemplo igual dessa
" secularização do calvinismo" visando o apelo à concórdia social, é a abundância no texto
e Rawls de expressões como, além do citado altruísmo, "benevolência", " imparcialidade",
"desinteresse mútuo", "desejos benevolentes", "situação eqüitativa", " bondade", " objeção
de consciência", etc...
Worst off - Os socialmente desfavorecidos - Devem ter suas esperanças de ascensão e
boa colocação social maximizadas, objetivo atingido por meio de legislação especial corr
etiva, reparadora das injustiças passadas.
Better off - Os mais favorecidos - Devem ter suas expectativas materiais minimiz
adas, sendo convencidos através do apelo altruístico de que o talento está a serviço do
coletivo, preferencialmente voltado ao atendimento dos menos favorecidos.