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DIREITO

ELETRONICO
Profª . Maria Emilia G. Miranda de Barros

São Paulo – outubro de 2010


SUMARIO

Direito Eletrônico

1. Direito e nova tecnologia da informação eletrônica.


O direito eletrônico
Introdução e noções gerais
Conceito de Direito eletrônico ou Direito Digital
Natureza jurídica do Direito Eletrônico ou Digital: Direito Público ou
Direito Privado ?

2 Relação do Direito Eletrônico ou Digital com outros ramos

do Direito
2.1 Relação com o Direito Constitucional
2.2 Relação com o Direito Penal – Delitos Virtuais
2.3 Relação com os Direitos Humanos
2.4 Relação com a propriedade intelectual
2.5 Relação com o Direito Civil
2.6 Relação com o Direito do Consumidor
2.7 Relação com o Direito do Trabalho
2.8 Relação com o Direito Tributário
2.9 Relação com o Direito Eleitoral

3 Estudo analítico sobre legislação de Internet.


3.1 O documento eletrônico e a sua regulamentação
3.2 O documento eletrônico no Brasil

4 Aspectos mais problemáticos da relação virtual


4.1. Infidelidade Virtual
4.2 Delitos Cometidos pela Via Eletrônica
4.3 Direito digital e a questão da privacidade nas empresas

Conclusões

Bibliografia
1 Direito e nova tecnologia da informação eletrônica

O Direito eletrônico

Como sabemos, nos últimos vinte anos a digitalização com sua enorme
influência dos meios eletrônicos penetrou no campo das relações jurídicas
modificando e influenciando a rotina dos profissionais de direito, além, é claro,
da sociedade em geral.

Uma das principais ferramentas de trabalho do advogado, a máquina de


escrever, foi logo substituída pelo computador. Vários programas controlam
prazos processuais e até mesmo elaboram petições com vistas a facilitar o
trabalho, melhorando e tornando mais célere o serviço prestado.

Além disso foram criados sites institucionais nos quais o usuário em


segundos obtêm as informações concernentes ao seu processo. Portanto, a
informática trouxe e vem trazendo uma infinidade de benefícios que geraram
relações de consumo, comerciais, contratuais, etc....

Por outro lado, o próprio desenvolvimento econômico, baseado em um


mundo virtual, passou por profunda alteração. O conhecimento pode ser
difundido à distância, sem a necessidade da presença in loco do orientador. O
comércio passou a ser efetuado pelo mundo eletrônico, com transações
comerciais e bancárias não mais efetuadas única e exclusivamente no balcão
comercial ou bancário. Neste caso, por exemplo, ampliou-se de forma
considerável o horário para a efetivação de transações bancárias, alterando-se
as rígidas normas do Banco Central.

Introdução e noções gerais

As relações jurídicas resultantes das relações virtuais, pelo uso


principalmente da internet – rede mundial de computadores não tiveram até o
momento a atenção necessária para sair do lugar secundário em que estão,
em vez que tais relações ainda estão atreladas aos tradicionais ramos do
Direito.

Hoje as relações virtuais são uma realidade, e demonstram a cada dia a

tendência à substituição gradativa do meio físico pelo eletrônico, o que já


ocorre e justifica a adequação, adaptação e interpretação das normas jurídicas

nesse novo ambiente. È necessário, portanto, que se estabeleçam diretrizes

que proporcionem segurança às relações contidas no campo virtual, dada a

sua

especificidade.
Conceito de Direito Eletrônico ou Direito Digital

A informática jurídica ou direito eletrônico é a ciência que estuda a


utilização dos elementos físicos eletrônicos, como o computador, no Direito;
isto é, a ajuda que este uso presta ao desenvolvimento e aplicação do direito.
Em outras palavras, é o instrumental necessário a utilização da informática no
Direito.

O Direito Eletrônico, digital ou da Informática não se dedica apenas ao


estudo do uso dos aparatos da informática como meio auxiliar ao direito,
delimitado pela informática jurídica, mas, ao contrário, constitui o conjunto de
normas, aplicações, processos, relações jurídicas que surgem como
consequência da aplicação e desenvolvimento da informática, isto é, a
informática é geral deste ponto de vista e da forma como é regulado pelo
direito.

Desde que temos a comunicação em tempo real e interatividade


mundial de uma sociedade conectada, pode-se dizer que o direito também
deva acompanhar esse avanço, com a mudança comportamental, econômica e
social. Desta feita, o Direito eletrônico ou digital é a evolução do próprio Direito,
vez que não se trata de uma nova área, mas sim de todas as áreas já
existentes e conhecidas no âmbito jurídico que diante dos fatos e evolução
passam a integrar questões tecnológicas. Assim, o Direito Digital abrange
todos os princípios fundamentais e institutos que estão vigentes e são
aplicados até hoje, assim como também introduz novos institutos e elementos
para o pensamento jurídico, em todas as suas áreas.

Portanto entendemos o Direito Eletrônico como, "o ramo autônomo


atípico da ciência jurídica que congrega as mais variadas normas e
instituições jurídicas que almejam regulamentar as relações jurídicas
estabelecidas no ambiente virtual".

Natureza jurídica do Direito Eletrônico ou Digital: Direito

Público ou Direito Privado ?

O Direito eletrônico ou da informática ou digital como diversamente tem


sido denominado, apesar de sua relativa autonomia, com outros ramos do
direito, não é igual tradicionalmente falando. Devido a sua amplitude este
direito necessariamente penetra em todos os outros ramos, assim como a
informática tem penetrado em todos os âmbitos das atividades e saberes
humanos.

Assim, apesar do Direito eletrônico ter caráter Privado, já que existem


inúmeras situações que são de caráter privado, como por exemplo, o contrato
eletrônico, o contrato informático, o comércio eletrônico, o documento
eletrônico, e assim um sem número de figuras jurídicas pertencentes ao âmbito
particular ou privado, aonde se permite esse acordo de vontades, chave para
determinar a existência do Direito Informático privado.

Podemos entender quanto à natureza jurídica do Direito Eletrônico ou


Digital, tendo-se em vista que este constitui um ramo atípico do Direito e que
nasce como conseqüência do desenvolvimento e impacto que a tecnologia tem
na sociedade; assim como a tecnologia penetra em todos os setores, tanto no
Direito Público como no privado, igualmente sucede com o Direito Informático,
este penetra tanto no setor público como no setor privado.

O Direito Eletrônico ou Digital, portanto, a nosso ver, por se tratar de um


direito multifacetado e com peculiaridades próprias pertence tanto ao direito
público como ao privado.

Relação do Direito Eletrônico com outros ramos do Direito

Apesar de parecer o contrário, não devemos ter como verdadeira a


suposição de que existem dois universos, isto é, o "virtual" e o "humano", pois
esta não é a realidade. Existe, sim, um mundo virtual inserido no mundo
humano que precisa ser observado pelos doutrinadores, pois esse universo de
situações e suas consequências já faz parte de nosso cotidiano e por isso
mesmo deve ser tratado com mais seriedade em virtude do impacto decisivo
que tem nas relações sociais.

Apesar de possuir relativa autonomia não significa que não se


estabeleçam relações do Direito eletrônico com outros ramos do direito, pois a
ciência do Direito é una e o Direito precisa estabelecer elos entre as diversas
disciplinas.

Por isso vemos necessidade da exposição dessas relações


estabelecidas entre o Direito Eletrônico e os seguintes:

2. 1 – Relação com o Direito Constitucional

No que se refere ao Direito Constitucional a relação é ampla e


bastante clara, pois mesmo sem levarmos em conta a legislação vigente em
cada país, é a Constituição a essência do Direito em vigor e ainda que não
haja legislação infraconstitucional especifica relativa a Direito Eletrônico, a
pesquisa e importância do texto Constitucional, como base de estudo e
atenção do aplicador do Direito há de ser sempre em primeiro lugar, a própria
Constituição vigente.

O Direito Eletrônico tem uma estreita relação com o Direito


Constitucional no que direciona a forma e direção da estrutura e órgãos
indispensáveis do Estado, o que é matéria constitucional. Deve ser ressaltado
que referida direção e forma de controlar a estrutura e organização dos órgãos
do Estado, é materializada em grande parte pela utilização da informática,
colocando o Direito Eletrônico na berlinda, já que com o devido uso que é dado
a estes instrumentos informáticos, se levará a uma idônea e eficaz organização
e controle destes entes. De outro ponto de vista, a Constituição Federal de
1988 tem dado chancela a liberdade informática, quando estabelece em seu
artigo 5º caput:

"Todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, a igualdade, à segurança e à propriedade, nos
seguintes termos:

"XII – é inviolável o sigilo da correspondência........"

Dessa forma, no que diz respeito à privacidade muitos recursos


constitucionais poderão ser utilizados para compreendermos o sistema. Como
prevê o Prof. Demócrito Reinaldo Ramos: "na falta de um conjunto amplo e
concatenado de leis protetivas da privacidade em suas mais variadas
manifestações, o instrumento do jurista no trato desses assuntos será
inevitavelmente a Constituição Federal, onde estão assentes os princípios
basilares desse direito personalíssimo".

A nossa Constituição contempla o respeito à vida privada e a intimidade


do cidadão que tem o direito de se corresponder com os demais via e-mail –
apenas outra forma de correspondência – sem que ninguém possa interferir no
sentido de saber qual o conteúdo da correspondência por tratar-se de
informações privadas que só dizem respeito aos interessados e que tem o
direito de não vê-las violadas por terceiros.

Por outro lado, em algumas situações é possível o monitoramento do


e-mail bem como um desmembramento e redirecionamento dos princípios
assegurados na Constituição com o intuito de melhor adequá-los a realidade
virtual respeitando igualmente o interesse das partes envolvidas.

2.2 Relação com o Direito Penal – Delitos Virtuais

O elo de ligação entre o Direito eletrônico e o Direito penal parece-nos


bastante claro. Muitos atos criminosos tem sido perpetrados com o auxílio das
novas tecnologias que necessitam de específicas regulamentações com o
objetivo de conter os ilícitos penais. A importância deste aspecto é imensa e
alguns acreditam, principalmente os doutrinadores de origem alemã que exista
uma subespécie do Direito Eletrônico que seria o Direito Penal Informático.

Contudo, neste campo especifico, muito cuidado deve ser tomado em


relação as esses tipos de delitos pois alguns deles já não podem mais ser
alcançados pelas sanções penais vigentes que apresentam-se totalmente
desajustados com as novas tecnologias, não sendo permitido a interpretação
extensiva ou por analogia, havendo portanto, grandes lacunas legais.

Devemos nos lembrar que no campo penal existem algumas premissas


legais e doutrinárias tradicionais que não permitem a aplicação da legislação
penal em atos delituosos cometidos através de um computador. O primeiro
argumento é baseado no princípio da reserva legal que obriga que a legislação
tipifique determinado fato como criminoso, uma vez que, sem lei, não há crime.
(art. 1º do CPP e 5º, XXXIX da CF)

Além disso, a doutrina hoje ainda é pacifica e majoritária em dizer que


não é possível a construção de interpretações extensivas e analógicas (salvo
exceção), muito menos se estas trouxerem considerações que venham a trazer
prejuízo no julgamento do acusado. A analogia é aceita portanto, apenas in
bonam partem e mesmo assim com sérias restrições feitas pela doutrina e
jurisprudência conforme permissão legal do artigo 3º.Código de Processo
Penal. Assim, Levando em consideração essas afirmações podermos chegar à
conclusão de que os crimes chamados virtuais são atípicos e não poderão ser
punidos com base na legislação penal vigente.

Parte da doutrina que defende a punição, contudo, baseia-se no fato


de que os crimes praticados pela via eletrônica são os mesmos tratados pelo
Código Penal, com a peculiaridade de serem apenas versões modernas dos
tipos, ou seja, a modificação ocorreria apenas no modus operandi e, portanto

não teria o condão de mudar o tipo penal que enseja punição penal.

O que se pode concluir quanto aos delitos virtuais é que – nem a


corrente doutrinária que entende que não se aplica a tipificação penal
existente, nem a corrente que entende que seja aplicável, por se tratarem dos
mesmos crimes apenas com outra roupagem, nenhuma das interpretações traz
segurança suficiente para o julgamento e é por isso que devemos desenvolver
mais institutos que visem tipificar estas figuras delituosas viabilizando uma
correta e justa aplicação do Direito Penal. Cabe ainda o estudo do direito
estrangeiro de alguns países que tenham estudos mais avançados sobre o
assunto. 1

Diante do quadro apresentado podemos ver que estamos passando


por um processo de mudança e evolução mundial que deve ser acompanhado
pelo estudioso da área jurídica que, de maneira alguma, poderá ficar alheio aos
desafios que a Sociedade Informatizada impõe. Não devemos, portanto, medir
esforços para desenvolver respostas coerentes, gerar modelos de
conhecimento, métodos de análises inovadores que alcancem fórmulas que
permitam um correto e justo desenvolvimento da Justiça Penal.

1
Na legislação de outros países identificamos também as duas tendências. A primeira delas é a de

adoção da interpretação extensiva como forma mais adequada de abarcar os delitos provenientes das
relações virtuais e a segunda é a promulgação de leis específicas para combate e punição desses tipos
de delitos como é o caso da Alemanha, que 1986 promulgou lei contra a criminalidade econômica que
contempla os delitos de espionagem e falsificação de dados e a fraude eletrônica; da Áustria na lei de
reforma do Código Penal de 22 de dezembro de 1987 que prevê os delitos de destruição de dados (art
126) e fraude eletrônica (art. 148); da França na lei n 88-19 de 05 de janeiro de 1988 dispõe sobre o
acesso fraudulento a sistema de elaboração de dados (462-2), sabotagem (462-3), destruição de dados
(462-4); falsificação de documentos eletrônicos (462-5) e uso de documentos informatizados falsos (462-
6) e; dos Estados Unidos com a adoção de Ata Federal de Abuso Computacional que modificou a Ata de
Fraude e Abuso Computacional de 1986 direcionada a atos de transmissão de vírus.
Como bem acentua Maria Helena Junqueira Reis, "precisamos cuidar
dos crimes ligados à alta tecnologia porque, além de mais ruinosos, são sub-
reptícios e podem fomentar a baixa criminalidade. Quem detém a informação,
detém o poder e pode levar o mundo onde desejar" 2

2.3 Relação com os Direitos Humanos

A defesa dos Direitos fundamentais do homem tais como a vida, a


igualdade, a liberdade, o respeito individual, vida privada e intimidade que
levam o homem a ser digno e portanto, a ter dignidade, como o que permite
considerar as pessoas como íntegras, convivendo em ambiente de respeito, de
liberdade e fazendo possível a sociedade verdadeiramente civilizada, passam
necessariamente pela proteção dos direitos humanos.

No entanto, qual seria a ligação fundamental desse ramo do Direito


com o Direito eletrônico? Sabemos apenas a titulo de exemplo, que muitas
melhorias advindas da agilidade nos processos judiciais já valeriam a menção
a essa ligação. Questão das mais lembradas é a melhoria que o uso eficaz da
informática poderia trazer na agilização de processos de milhares de detentos
de presídios de nosso país. Ou quanto a informática e a aplicação do Direito
seriam fundamentais para que tivéssemos julgamentos mais céleres,
progressões de regimes automáticas dentre outras medidas que diminuiriam
consideravelmente as injustiças que o Estado tem perpetrado contra vários
apenados que muitas vezes já cumpriram suas penas, mas que, da forma
tradicional, continuam no cárcere esperando uma solução jurisdicional.

Embora o Judiciário brasileiro lentamente esteja se informatizando,


com a utilização das regras de Heredia 3, ainda temos um longo caminho a

percorrer para que os direitos humanos sejam respeitados. A própria jurisdição


civil dos processos judiciais em geral se bem exercida e célere traria muito
mais justiça aos cidadãos, o que é um direito fundamental.

Portanto, referidos meios tem o cunho de aplicação, efetivação ou


mesmo auxílio na busca da proteção dos direito humanos que se realizadas
através de vias tradicionais poderiam falhar ou não atingir seus objetivos.

2
Preocupados com o avanço da criminalidade no Brasil existe atualmente o Projeto de Lei nº 1589/99 da
Ordem dos Advogados do Brasil/SP, que enfatiza o combate a alguns crimes tipificando alguns delitos
cometidos por meios eletrônicos.

3
Importante documento já elaborado sobre a difusão de informação judicial em Internet estabelecendo-
se regras mínimas a serem adotadas pelos órgãos responsáveis por esta divulgação.
Referidas regras tem o objetivo de servir como modelo a ser adotado pelos tribunais e instituições
responsáveis pela difusão de jurisprudência de todos os países da América Latina. Suas premissas
auxiliarão os tribunais no trato de dados veiculados em sentenças e despachos judiciais em Internet sem
que haja prejuízos a transparência de suas decisões além de servir de modelo a ser seguido por todas as
instituições que desejem proteger seus dados.
Estas orientações foram chamadas de "Regras de Heredia" e encontram-se disponíveis no site
(http://www.iijusticia.edu.ar/Reglas_de_Heredia.htm).
2.4 Relação com a propriedade intelectual

A interpenetração mais forte dos dois ramos do Direito é a relação


entre o Direito eletrônico e propriedade intelectual. Embora se saiba que o
conteúdo disponibilizado na internet não seja de domínio público, mas que ao
contrário possui proteção legal pela Lei de Direitos Autorais, 4 o que enseja
uma série de preocupações por parte dos estudiosos, pois pela grande
facilidade de utilização lo público usuário da internet se utiliza indevidamente
do seu conteúdo (imagens, textos, músicas, etc). As implicações jurídicas
decorrem, portanto, da facilidade de reprodução e utilização da propriedade
intelectual que pode ser violada com um simples toque de comando por
intermédio de um computador.

Silvia Regina Dain Gandelman, citada por Paiva, observa os


grandes impactos nessas relações. O primeiro deles diz ser "o surgimento das
máquinas de reprografia, que acabou por ser neutralizada pelo controle efetivo
das máquinas, principalmente aquelas localizadas nas grandes instituições de
ensino. A previsão de Mc Luhan, entretanto, torna-se verdadeira mais de vinte
anos passados, uma vez que a tecnologia digital permite cópias perfeitas,
enquanto que a Internet, sem fronteiras, propicia rápida disseminação das
cópias, sem custo de distribuição. Um simples aperto de teclas tem o dom de
colocar a obra copiada ao alcance de centenas de pessoas.

Estamos diante de uma enorme copiadora, sem fronteiras e sem moral,


já que a facilidade operacional gera no usuário uma sensação de liberdade e
impunidade. Esta liberdade de navegação nos faz lembrar a época dos
grandes descobrimentos, em que Portugal e Espanha, dotados da tecnologia
náutica necessária, partiram à conquista de mares nunca dantes navegados e
terras desconhecidas.

Para os estudiosos do Direito e em especial para aqueles que atuam


labutam na área jurídica da proteção à propriedade intelectual, o desafio é
ainda maior, pois reclama-se uma solução imediata e a pirataria assume
proporções alarmantes, enquanto o respeito às liberdades individuais e
questões de responsabilidade civil chamam a nossa atenção. Como conciliar
os diversos interesses em jogo dentro do oceano indiviso da Internet?"

2.5 Relação com o Direito Civil

No que se refere ao Direito Civil podemos perceber, desde logo,


inúmeros pontos de convergência materializados pelo direito contratual e das
obrigações. Já fazem parte de nosso dia-a-dia a relações contratuais
estabelecidas via internet, como por exemplo a compra de livros ou quaisquer
outras mercadorias pelo site de grandes lojas ou pequenos intermediários, ou
a contratação de um prestador de serviços de qualquer tipo.
4
LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998 - Altera, atualiza e consolida a legislação sobre
direitos autorais e dá outras providências e posteriores alterações.
Este tipo de contratação, via internet, tem crescido a cada dia no
Brasil, suscitando grandes dúvidas, que aos poucos têm sido resolvidas pelos
operadores do direito, mas, ainda assim, seria necessária lei própria para
regular aos contratos e o comércio eletrônico, o que conferiria uma estabilidade
muito maior às relações jurídicas.

Porém, enquanto tal estabilidade não é conferida por lei própria, cabe
aos profissionais do direito a análise minuciosa de todo e qualquer detalhe
existente na elaboração de um contrato eletrônico, sempre objetivando os
princípios da livre manifestação de vontade e da obrigatoriedade do
cumprimento do contrato ("pacta sunt servanda"), conferindo integral
segurança jurídica às partes contratantes, e, assim, mantendo a ordem jurídica
e social, sem qualquer desequilíbrio ou má-fé. .

Uma importante controvérsia que se coloca é a questão do foro a ser


considerado nas resolução de lides quando de trata de contratação por
comercio eletrônico. Hoje a maioria dos julgadores e doutrinadores concorda
que é vigora o foro do local onde ocorre o evento danoso.

Para Patrícia Regina Pinheiro Sampaio e Carlos Affonso Pereira de


Souza "até o momento, essa questão tem sido alvo de profundas
controvérsias, entendendo a maioria da doutrina que se o fluxo de informações
foi direcionado para o Brasil, o juiz brasileiro poderá se declarar competente.
Essa assertiva torna-se ainda de melhor aceitação em sede de questões
envolvendo relações de consumo, pois a tela do computador do consumidor
ludibriado pode ser considerada o local da ocorrência do delito, a justificar a
competência do órgão do Poder Judiciário local. Assegurando os mesmos que
"art. 100 do CPC dispõe que em matéria de responsabilidade civil, inclusive a
contratual, é competente o foro do local do ato causador do dano. No entanto,
na rede, a existência de espaços virtuais dificulta, senão inviabiliza, a
individualização do lugar onde se deu o evento danoso"

Tem sido bastante freqüente também as ações de indenização por


difamação na internet, o que envolve a prova as vezes bastante difícil, pois as
informações são muito voláteis, se perdendo rapidamente.

2.6 – Relação com o Direito do Consumidor


¤ ¤ ¤¤
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§ ¤
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¤ ¤

¤ §¤ ¤
¤ ¤ ¤ ¤¤ ¤-

¤ público alvo, etc), a cada ano o comércio eletrônico se


aperfeiçoa e atinge maiores patamares de faturamento.

O problema mais marcante e mais difícil de resolver, é como


sempre, o relativo aos aspectos jurídicos envolvidos. Como poderemos
regulamentar as relações de consumo estabelecidas via internet ? Em uma
economia mundial, como a que vivemos, como devemos estabelecer o Tribunal
competente para a relações entre consumidores e fornecedores de países
diferentes ? Qual o direito a ser utilizado ? Qual validade jurídica dos contratos
celebrados ? Questões que proliferam e deixam o jurista perplexo e que só
poderão ser resolvidos através da aproximação do Direito do Consumidor com
o Direito Eletrônico.

Uma outra questão bastante importante, ainda relacionada com o


Consumidor é o problema da propaganda e mensagens em geral institucionais,
não solicitadas, um dos temas mais intrigantes da atualidade no mundo todo e
que traz prejuízos e aborrecimentos a um sem número de usuários da Internet
é a que diz respeito ao chamado spam. (há ate um ditado spam bom e o

spam morto)

Mas o que é spam ?

É uma das modalidades da chamada ACE (abuso no correio


eletrônico) como são denominadas as diversas atividades que transcendem os
objetivos habituais do serviços de correio e prejudicam de alguma forma, ainda
que indiretamente, os usuários. Alguns dos termos habitualmente associados
à internet a estes tipos de abuso são spamming, mail bombing, unsolicited bulk
e-mail (UBE), unsolicited commercial e-mail (UCE), junk mail etc., abraçando

um amplo leque de formas de difusão.

Dos tipos de abusos englobados na ACE (abuso no correio eletrônico)


o que mais se destaca é o spam que é o termo aplicado a mensagens
distribuídas a grande quantidade de destinatários de forma indiscriminada. O
spam portanto é "o correio eletrônico não solicitado ou não desejado
encaminhado a um grande número de usuários com o objetivo de divulgar
promoções comerciais ou a proposição das mais diversas idéias".

Geralmente, as mensagens spam veiculam publicidade, ofertas por


assistência financeira ou para convidar o usuário a visitar determinada página
na home-page. Estas mensagens são enviadas a milhares de usuários
simultaneamente. É similar ao correio postal com publicidade endereçado a
sua casa. Isto ocorre via uma lista legítima de mailing.

Os que enviam spam constroem suas listas utilizando várias fontes.


Alguns utilizam programas que reconhecem direções de e-mail. Outros
reconhecem direções de outras listas de subscritores. Outros também utilizam
buscadores web que buscam dentro do código HTML os tags "malito:".
Também podem ser recolhidos por intermédio de diretórios de e-mail on line.
Inclusive desde uma seção de chat. A lista de mailing spam também pode
haver sido comprada de um vendedor legítimo ao qual você deu sua direção de
e-mail ao comprar algum serviço ou ao registrar-se em algum cadastro.

O spam é, na verdade, um roubo de recursos. Enviar e-mails não


custa quase nada à pessoa que os envia; o receptor da mensagem arca com
todos os custos. Quando um usuário recebe uma dúzia de mensagens spam
em uma semana, o custo não é tão óbvio, no entanto, quando volume de
mensagens alcança alguns milhares como no caso de grandes corporações os
spams trazem prejuízos consideráveis utilizando-se dos servidores SMTP para
processar e distribuir mensagens, bem como tomando espaço no disco do
servidor e no disco dos usuários finais (CPU). Ademais, a distribuição do spam
pode multiplicar o risco de distribuição de ataques de vírus simultaneamente
expondo o mesmo arquivo infectado a um número enorme de usuários.
2. 7 Relação com o Direito do Trabalho

É Parece-nos bastante clara a correlação entre o direito Eletrônico e o


direito do trabalho nos mais variados aspectos que vão desde a automação das
empresas até a verificação do poder hierárquico exercido pelo empregador,
horário de trabalho, com a flexibilização das jornadas e nas relações entre os
próprios funcionários.

Segundo Josecleto(5) "o tema central é, sem dúvida, o dilema e a

precarização do mundo do trabalho, e por conseqüência, o desemprego e


as inseguranças no porvir. O mito de que não existem alternativas para o
mundo globalizado é mais uma falácia do neoliberalismo; porém, esse
ideário em no paradigma do Estado mínimo e da flexibilização dos
direitos sociais (desemprego, a perda da referência, contrato de trabalho,
etc..) o único, a perda da referência, contrato de trabalho, etc..) o único
caminho para solucionar todos os problemas da sociedade
contemporânea.

Além disso, o mundo do trabalho vem sofrendo revezes da


extraordinária mobilidade do capital, das novas tecnologias e do
processo de desindustrialização, e, por conseqüência, as inseguranças
no trabalho, no emprego, na contratação por prazo determinado e na
representação sindical terminam por afetar profundamente as ações
sindicais.

Nesse quadro complexo, no qual a democracia e a cidadania estão


ameaçadas, deve-se criar formas defensivas e se indignar diante dessa
lógica irracional da sociedade de mercado; ela vem fragmentando o
tecido social de todas as sociedades.

Enfim é preciso repensar o individualismo egocêntrico que se


incorporou ao homem pós-moderno, o qual vem se alimentando de uma
guerra sem fim, como diz Hobbes, "a guerra de cada um contra cada um".

A preocupação do autor remonta desde os tempos da Revolução


Industrial e que agora é acentuada pelo avanço da tecnologia empregada nos
meios de produção e que gera um sem número de demissões e mais grave
ainda gera a extinção de postos de trabalho, como por exemplo, no setor
bancário. No entanto o processo de modernização é irreversível e a nível
mundial tal situação é vista, o que podemos fazer a nosso ver é modificar a
mentalidade da sociedade principalmente dos empresários no sentido de
demonstrar a verdadeira importância do empregado para a evolução da
empresa e que aliado a modernidade sejam criados novos postos de trabalhos
em outros setores que gerem mais renda e produtividade para a empresa.

O que necessitamos é de um empresário criativo, humano e


compromissado com políticas sociais dentro da empresa. Precisamos de
5
PEREIRA, Josecleto Costa de Almeida. Ciberespaço e o direito ao trabalho, in Direito, Sociedade e
informática: limites e perspectivas da vida digital, Coord. Aires José Rover. Florianópolis, Fundação
Boiteux, 2000, pág 55.
empresários que ao mesmo tempo em que introduzam em suas fábricas
inovações tecnológicas garantam o emprego de seus subordinados.

No Direito do Trabalho a aplicação do Direito Eletrônico é essencial


pois a tecnologia invadiu literalmente a empresa gerando uma gama variada de
situações que necessitam ser reguladas por convenções ou acordos coletivos
que previnam litígios que poderão ter conseqüências graves para a relação de
emprego.

2.8 Relação com o Direito Tributário

O próprio Poder tributante, o Estado, em sua fúria arrecadadora cada


vez mais se utiliza dos meios eletrônicos para ter um volume maior de
arrecadação. Recentemente as Notas Fiscais Eletrônicas foram implantadas
com sucesso no Brasil, em alguns Estados da Federação. A própria Receita
Federal há muitos anos se utiliza da Declaração por meio eletrônico o que
facilita muito a arrecadação do Estado.

Contudo, o comércio eletrônico próprio ou direto é aquele que não


envolve bens tangíveis, onde a operação começa, se desenvolve e termina nos
meios eletrônicos, normalmente a Internet. Atualmente, estas operações estão
fora do campo da tributação. Como se percebe, há, ainda. muita discussão
sobre serviços e produtos que ficam de fora da tributação e que em sua ânsia
arrecadadora o Estado não tardará a incluir na hipótese de incidência tributária.

Assim, mais uma vez nos deparamos com questões envolvendo o


Direito Eletrônico com outra matéria tradicional do direito, o Direito Tributário
que necessita adaptar-se enquanto a legislação específica não se vislumbra.

2. 9 Relação com o Direito Eleitoral

Segundo Osvaldo MANESCHY 6 "as urnas eletrônicas começaram


a ser usadas no Brasil em 1996. Naquele ano os brasileiros das cidades
com mais de 200 mil eleitores – na proporção de 1/3 do eleitorado –
votaram nelas pela primeira vez. Em 1998 todas as cidades com mais de
40 mil habitantes, na proporção de 2/3 do eleitorado, usaram as urnas. O
problema é que não existe em qualquer outro país no mundo algo
comparável: eleição totalmente informatizada, do início ao fim, do registro
do eleitor à totalização dos votos, passando pelo ato de votar, só existe
no Brasil. Isto não significa, para quem entende de informática, que
tenhamos alcançado um patamar tecnológico único ou tenhamos
assumido a liderança mundial no domínio dos meios eletrônicos de votar.
Afinal voto eletrônico existe nos Estados Unidos, na França, no Japão, na
6
MANESCHY, Osvaldo. Fraude eletrônica nas eleições. In: Jus Navigandi, n. 45. [Internet]
http://www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=1552 [Capturado 31.Mai.2002]
Alemanha e em muitos outros países desenvolvidos. Mas sempre como
apoio ao sistema tradicional, de cédulas de papel".

E, continua "ninguém foi tão longe quanto o Brasil na adoção da


votação por computador devido aos complexos problemas de segurança
que a questão envolve. É por isso que até nos países mais desenvolvidos
o voto eletrônico ainda está em discussão, enquanto o Brasil já aposenta
este ano a cédula de papel e a urna de lona. O eleitor brasileiro não tem
opção: ou ele vota na máquina, ou não vota. Situação diferente, por
exemplo, dos contribuintes do Imposto de Renda. A Receita Federal
introduziu a declaração informatizada, mas a declaração tradicional, em
papel, ainda é uma opção à disposição dos contribuintes."

Com a modernização do processo eleitoral em todo país os eleitores


passaram a exercer seu direito de voto utilizando a evolução tecnológica
evidenciada pela urna eletrônica. A partir desse momento muitos benefícios
advindos dessa modificação no sistema eleitoral foram colhidos no entanto
ainda enfrentaremos uma série de adaptações a essa inovação por parte dos
brasileiros que não tem familiariedade com a informática.

Os operadores do Direito – Advogados, Promotores, Juízes podem


perceber que terão grandes discussões e um longo caminho a percorrer se
pretenderem solucionar de forma correta as dúvidas suscitadas com relação ao
Direito Eletrônico, surgidas no processo eleitoral.

Primeiramente devemos todos ter um conhecimento básico a respeito


dos termos técnicos utilizados para em seguida começar a desenvolver as
questões jurídicas propriamente ditas. Por esta razão o eminente Prof.
Bruzano7 selecionou um glossário de termos técnicos que devem
merecer atenção e compreensão por parte dos profissionais que desejem
militar nessa área, muitos termos dos quais se aplicam também a outro
ramos do direito. Tais termos encontram-se no final deste trabalho
elencados no Anexo 1.

7
FILHO, Amílcar Bruzano. Avaliação da segurança do eleitor com a urna eletrônica brasileira.[on line]
[citado em 28.06.2002]
3 Estudo analítico sobre legislação de Internet

3.1 O documento eletrônico e a sua regulamentação

Para analisarmos especificamente a regulamentação legal do


documento eletrônico, precisamos primeiro compreender alguns conceitos
fundamentais, um dos quais o de documento.

O Código Civil em diversos artigos refere-se a documento, porém não o

define. Por seu turno, o Código de Processo Civil no Título VIII, Capítulo VI,
Seção V, trata da prova documental. Contudo, nenhum dos 35 artigos dessa
seção define o que seja documento. Assim, tal tarefa coube à Doutrina.

"Na definição de Carnelutti, documento é ‘uma coisa capaz de


representar um fato.’ 8

É o resultado de uma obra humana que tenha por objetivo a


fixação ou retratação material de algum acontecimento.

Contrapõe-se ao testemunho, que é o registro de fatos gravados


apenas na memória do homem.

Em sentido lato, documento compreende não apenas os


escritos, mas toda e qualquer coisa que transmita diretamente um
registro físico a respeito de algum fato, como os desenhos, as
fotografia, as gravações sonoras, filmes cinematográficos, etc.

Mas, em sentido estrito, quando se fala da prova documental,


cuida-se especificamente dos documentos escritos, que são aqueles
em que o fato vem registrado através da palavra escrita, em papel ou
outro material adequado."

"Documento é toda coisa capaz de representar um fato. Pode


constituir prova documental se for apta a indicar diretamente este fato
ou prova documentada, quando a representação do fato se dê de forma
indireta."

Como se vê, a noção que se tem de documento, de um modo geral,


não difere muito da definição jurídica. Em sentido amplo, documento é todo
objeto material destinado a provar um fato, podendo ser um texto, uma
imagem, gravação, etc. Em sentido estrito, documento seria apenas o texto
destinado à prova de um fato.

No entanto, devemos lembrar que nem todo bem corpóreo é um


documento. O conceito não comporta essa elasticidade. É documento apenas
o bem corpóreo que se destina à prova de um fato. Por exemplo, uma foto,
devidamente revelada, é um bem corpóreo. Porém, nem toda foto é

8
GAGLIANO, Pablo Stolze, PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil. São
Paulo: Saraiva, 2004. v. 1. p. 259-261
documento. Assim seriam apenas as fotos feitas com a intenção de provar um
fato, como a que retrata atividade ilícita, objetivando fazer prova em um
processo.

3.2. O documento eletrônico no Brasil

Em 24 de agosto de 2001, o Presidente da República editou a


Medida Provisória nº 2.200-2, que instituiu a Infra-Estrutra de Chaves Públicas
Brasileira, o ICP-Brasil

"O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que


lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida
Provisória, com força de lei:

Art. 1º Fica instituída a Infra-Estrutura de Chaves Públicas


Brasileira - ICP-Brasil, para garantir a autenticidade, a integridade e a
validade jurídica de documentos em forma eletrônica, das aplicações de
suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certificados digitais,
bem como a realização de transações eletrônicas seguras.

Art. 2º A ICP-Brasil, cuja organização será definida em


regulamento, será composta por uma autoridade gestora de políticas e
pela cadeia de autoridades certificadoras composta pela Autoridade
Certificadora Raiz - AC Raiz, pelas Autoridades Certificadoras - AC e
pelas Autoridades de Registro - AR."

9
Esta Medida Provisória ainda está em vigor.
Segundo nos esclarece o Professor Parentoni, em artigo intitulado “A regulamentação legal do
documento eletrônico no Brasil” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7154)

O estudante mais atento, neste ponto, já deve ter refletido se a referida medida provisória continua em
vigor, tendo em vista o disposto no § 3º do art. 62 da Constituição da República, na redação dada pela
Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001:

"Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar


medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

(...)

§ 3º. As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão sua eficácia,


desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos
termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto
legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes."

A resposta é afirmativa, conforme explicamos. A Medida Provisória nº 2.200-2 está em vigor.


As novas disposições constitucionais, decorrentes da Emenda nº 32, são aplicáveis apenas às
medidas provisórias editadas após a sua entrada em vigor, ou seja, após 11 de setembro de 2001 . A
Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, é anterior à Emenda nº 32. e por essa razão não
foi atingida por esta.
Essa medida provisória foi a primeira iniciativa legal visando à
regulamentação jurídica do documento eletrônico no país e, ainda hoje,
constitui seu principal fundamento.

A referência a grande parte da legislação já publicada no Brasil


sobre a certificação digital encontra-se no final deste trabalho, no Anexo
2.

O procedimento é basicamente o seguinte:

"A Medida Provisória 2200-2, de 24 de agosto de 2001, permite o


uso da certificação digital como ‘forma de garantir a autenticidade, a
integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica.’ A
MP também regulamenta os órgãos governamentais e empresas
privadas que atuam na certificação. Para isso, foi criada a Infra-
estrutura de Chaves Públicas (ICP-Brasil), que é composta por um
autoridade gestora de políticas e pela cadeia de autoridades
certificadoras, que são a autoridade raiz (AR), as certificadoras (AC) e
as de registro (AR).

A autoridade certificadora raiz é o Instituto Nacional de


Tecnologia da Informação (ITI), que é responsável pela fiscalização e
pode aplicar sanções e penalidades em forma de lei. É também a Ar
que emite, expede, distribui, revoga e gerencia os certificados de uma
AC. As autoridades certificadoras, por sua vez, emitem os certificados
para as autoridades de registro (AR), que fazem o atendimento ao
público em geral. Na prática, quer dizer que tudo é gerenciado pelo ICP
e, conseqüentemente, pelo governo federal."

Destacamos apenas os artigos de maior relevância, uma vez que a


maioria dos dispositivos da medida provisória é meramente descritiva e
procedimental, não apresentando maiores dificuldades.

Assim, para melhor definirmos o significado de documento eletrônico,


cabe transcrever o artigo 10 e seu parágrafo primeiro:

"Art. 10. Consideram-se documentos públicos ou particulares,


para todos os fins legais, os documentos eletrônicos de que trata esta
Medida Provisória.

§ 1º As declarações constantes dos documentos em forma


eletrônica produzidos com a utilização de processo de certificação
disponibilizado pela ICP-Brasil presumem-se verdadeiros em relação
aos signatários, na forma do art. 131 da Lei nº 3.071, de 1º de janeiro
de 1916 - Código Civil."

Não obstante a precisão técnica, o § 1º do art. 10 é um dispositivo que já


nasceu desatualizado. Ele se refere ao Código Civil de 1.916, norma revogada
em 10 de janeiro de 2003, quando entrou em vigor o novo Código (Lei nº
10.406 de 10 de janeiro de 2002).

Entretanto, do ponto de vista material, o § 1º não foi prejudicado, pois o


art. 219 do novo Código repete, ipsis litteris, o texto do art. 131.

Importantíssimas são as disposições contidas no artigo 8º e no § 2º do


artigo 10:

"Art. 8º. Observados os critérios a serem estabelecidos pelo


Comitê Gestor da ICP-Brasil, poderão ser credenciados como AC e AR
os órgãos e as entidades públicos e as pessoas jurídicas de direito
privado."

"Art. 10. (...)

§ 2º. O disposto nesta Medida Provisória não obsta a utilização


de outro meio de comprovação da autoria e integridade de documentos
em forma eletrônica, inclusive os que utilizem certificados não emitidos
pela ICP-Brasil, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito
pela pessoa a quem for oposto o documento."

Como afirma o Professor Parentoni, já citado, tais dispositivos definem


quem poderá realizar a certificação digital de documentos perante o
consumidor. Como se depreende da leitura dos dispositivos, adotou-se um
modelo misto, em que tanto os atuais cartórios quanto pessoas jurídicas de
direito privado, mediante delegação do Poder Público, podem realizar a
certificação.

Desta forma, podemos concluir quanto ao documento eletrônico que o


Brasil já possui os pressupostos necessários à plena utilização do documento
eletrônico. A Medida Provisória nº 2.200-2 fornece suporte legal para a
certificação digital baseada em técnicas de criptografia, visando a garantir a
autenticidade e a integridade dos arquivos eletrônicos.

Essa norma faculta, inclusive, a utilização de padrões internacionais de


criptografia, já testados e aprovados em outros países.

Em interessante artigo intitulado “A Assinatura Digital é Assinatura


Forma”,

Paulo Roberto G. Ferreira 10 assinala que ainda se questiona se a assinatura


digital seria realmente pessoal ou não. A origem, a autoria é certa. A
assinatura digital não se repete. A de próprio punho também não. São únicas e
ambas podem ser arquivadas e periciadas como marca pessoal representativa
da emissão da vontade de alguém. Pode haver fraude com a assinatura digital,
alguém pode obrigar outrem a apor sua assinatura em um documento? Claro,
assim como, sob ameaça de uma arma, assinamos de próprio punho, contra
nossa vontade. Sobre o temor que não estaria ligada a um meio físico, posso

10
Disponível em:<http://www.cbeji.com.br/br/novidades/artigos/main.asp?id=229 > Acesso em.: 13 set.
2007.
tranqüilizar lembrando a tradução da abreviatura "HD": hard disk, em português
disco rígido.

A assinatura digital é transferível: é outro argumento daqueles que


são contra a assinatura digital. Mas nem sempre. Ela pode estar ligada a
caracteres biológicos do emissor, exigindo a impressão digital, a íris, a voz, a
palma da mão, o ritmo personalíssimo do teclar... Estes caracteres físicos já
podem ser agregados às assinaturas digitais, o que me parece ocorrerá no
futuro como regra. Mas esta "deficiência" não me parece desconfortável, ao
contrário. Sempre foi possível delegar a outros a tarefa de expressar a vontade
em nome alheio. O mandato existe a milênios. Ele pode ser verbal, até tácito
(art. 1290 do Código Civil). Porque eu não poderia delegar a alguém a tarefa de
apor minha assinatura digital? Nem novidade seria: está aí a chancela
mecânica, inclusive com autenticação notarial, largamente utilizada.

Agora, para indagarmos sobre a sua formalidade, ou não, seria


necessário verificar como a lei brasileira trata o assunto.

Como sabemos, um dos princípios basilares da Democracia é o de que


ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão por
exigência legal (art. 5º, inciso II da Constituição Federal). A lei, então, exige
forma para a assinatura?
Não. O artigo 129 do Código Civil diz que a validade das declarações de
vontade não depende de forma especial, senão quando a lei expressamente
exige.Porque ressaltei a palavra expressamente? Porque o texto diria a mesma
coisa sem ela. Portanto, a palavra está lá para enfatizar o conteúdo da norma.
No artigo 131, finalmente, lemos que as declarações constantes de
documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários
Sendo a forma assim tão livre, como provar os atos quando for necessário?

Também quanto à prova, temos a mais ampla liberdade. Todos os meios


legais ou moralmente legítimos são hábeis para provar a verdade dos fatos, diz
o artigo 332 do Código de Processo Civil.
As normas legais são claras, portanto. Assim,, com fundamento nestas
duas liberdades, a de forma dos atos e manifestações de vontade e a ampla
liberdade de prova, concluo que a assinatura digital e o documento eletrônico
são aceitos no ordenamento jurídico brasileiro. Não precisamos, indo além, de
lei que os prevejam ou regulem, exceto, talvez para celebrarmos
cerimonialmente o advento da novidade tecnológica
¤
¤
µ
§
¤

Muitas são as mudanças havidas no âmbito das relações humanas com o


advento da internet, podendo-se destacar as seguintes:
4.1 Infidelidade Virtual

Para GUIMARÃES11, a infidelidade virtual é um relacionamento erótico-


afetivo mantido por meio da internet, consumando-se o adultério no caso de
relações sexuais. Isto interessa ao Direito por envolver eventual dissolução do
casamento ou da união estável.

PEREIRA (apud BEMBOM, 2000), em artigo publicado no jornal Estado


de Minas, afirma que sempre haverá quem burle a lei para ir ao encontro da Lei
do Desejo, nem sempre coincidente com a norma jurídica. Portanto, a
infidelidade moral que se estabelece pela internet é apenas uma faceta da
busca do desejo que o sistema legislativo pátrio não conseguirá solucionar
satisfatoriamente por encontrar-se atado à noção de culpa.

Na relação virtual, a pessoa sai do seu espaço imaginário para


relacionar-se com uma pessoa invisível, mas que está lá e lhe corresponde,
podendo essa infidelidade acarretar o adultério propriamente dito. A Lei do
Divórcio autoriza o pedido unilateral de separação ao cônjuge que foi vítima de

infidelidade moral, como é a infidelidade virtual, pelo descumprimento de um


dever legal, o que é considerado injúria grave.

Além das causas patológicas, a infidelidade também pode caracterizar-


se fuga da vida real, na hipótese de falta de coragem do cônjuge para
promover a separação formal. Aí está a razão da maioria dos relacionamentos
virtuais.

4.2 Delitos Cometidos pela Via Eletrônica

A doutrina classifica os delitos virtuais como puros (próprios) e impuros

impróprios). Para DAMÁSIO (apud LOPES, 2006), nos crimes puros, o objeto

tutelado é a informática (segurança dos sistemas, titularidade das informações

e integridade dos dados, dos periféricos e da máquina). Já nos crimes impuros,

o agente se vale do computador para produzir resultado ofensivo ao mundo

real, como ocorre com os crimes contra a honra (calúnia e difamação – arts.

138 e 139 do CP), que se consumam com o simples envio de e-mail.


Vale observar que o crime de pornografia infantil se consuma no ato do
encaminhamento das imagens pelo agente, ou seja, no local onde está o
computador que envia as imagens ilícitas. A localização do provedor de
internet, no qual as imagens estão armazenadas, não interfere na avaliação do
juízo que vai processar a ação judicial.

11
Marilene Silveira GUIMARAES é Advogada em Porto Alegre-RS, Presidente do Instituto interdisciplinar

de Direito de Família (IDEF-RS) e Professora da Escola Superior de Advocacia da OAB-RS


4.3. Direito digital e a questão da privacidade nas empresas

Como se sabe, as novas tecnologias permitem cada vez mais, o


controle e vigilância dos ambientes presenciais e digitais. Isto ocorre com as
câmeras de vídeo, as webcams, os circuitos internos de TV, os filtros de e-mail
e de monitoramento de navegação na Internet. Todas as pessoas estão
sujeitas a este monitoramento, desde o funcionário que usa o computador da
empresa até a babá que cuida de crianças em casas de famílias ou creches

É importante que a finalidade deste controle esteja clara, já que o


mau uso da tecnologia pelos empregados envolve a responsabilidade civil e
criminal dos empregadores. Sabe-se que, muitas vezes, a pressão psicológica
de se estar sendo observado, contribui para evitar que as pessoas quebrem as
regras ou cometam crimes (como a pedofilia, por exemplo).

No mundo virtual, contudo, onde tudo está conectado por meio do fluxo
de informações em tempo real, é cada vez mais difícil definir os limites do
Universo do Indivíduo. Em nosso Ordenamento Jurídico o Direito à privacidade
está previsto na Constituição Federal no art. 5º, inciso X que diz o seguinte:

“CF/88 - Art. 5°. – X “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a


honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação.”

Uma característica importante do Direito à Privacidade é sua clara


distinção em relação ao anonimato, vedado pela Constituição Federal em seu
art. 5º, inciso IV. Observa-se que o anonimato é um obstáculo à segurança
virtual, devido à possibilidade de o indivíduo entrar ocultamente no ambiente, e
ao estímulo à prática delituosa, seja em ambiente virtual ou presencial.

É preciso deixar claro, contudo, que o ambiente da empresa não é


privativo, pois se não o fizer, se presume como tal. A não ser que se trate de
espaço público e aberto, ou mídia de comunicação social, como é a Internet.
As pessoas não podem alegar privacidade se andarem nu pelas ruas, mas o
banheiro de uma empresa, por exemplo, apesar de ser de sua propriedade,
traz consigo um princípio de privacidade, de zona de intimidade.

Portanto, a orientação legal é de que sempre se faça o aviso prévio no


próprio ambiente, quando este não for privativo ou estiver sujeito ao
monitoramento, que serve para validar a captação de dados, imagens e sons,
que podem ser usados posteriormente como prova.

Nesse sentido:

“Uso indevido de e-mail – Ciência do Empregado

Correio eletrônico. Monitoramento. Legalidade. Não fere norma


constitucional a quebra de sigilo de e-mail corporativo, sobretudo
quando o empregador dá a seus empregados ciência prévia das normas
de utilização do sistema e da possibilidade de rastreamento e
monitoramento de seu correio eletrônico. (...) Comungo do entendimento
a quo no sentido de afastar a alegada ofensa aos incisos X, XII, LVI do art. 5º
constitucional, por não ferir norma constitucional a quebra de sigilo de e-mail
fornecido pela empresa, sobretudo quando o empregador avisa a seus
empregados acerca das normas de utilização do sistema e da possibilidade
de rastreamento e monitoramento de seu correio eletrônico. Também o
julgado recorrido consignou ter o empregador o legítimo direito de regular o
uso dos bens da empresa, nos moldes do art. 2º da CLT, que prevê os
poderes diretivo, regulamentar, fiscalizatório e disciplinar do empregado,
inexistindo notícia acerca de excessiva conduta derivada do poder
empresarial.” (TST, Ag. Instr. em RR nº 1130/2004-047-02-40, Rel. Min.
Vieira de Mello Filho, jul. 31/10/2007).

Devemos deixar bem claro, que hoje o entendimento no Brasil de que os


acessos à internet também podem ser monitorados. A jurisprudência entende
que tanto os e-mails como qualquer ambiente virtual na empresa pertencem a
ela e, portanto, devem ser utilizados com fins profissionais, para tráfego de
informações pertencentes à empresa, podendo, desta forma, ser monitorados
por ela. Neste sentido:

“.... os direitos do cidadão à privacidade e ao sigilo de correspondência,


constitucionalmente assegurados, dizem respeito apenas à comunicação
estritamente pessoal. O e-mail corporativo, concluiu, é cedido ao empregado
e por se tratar de propriedade do empregador a ele é permitido exercer
controle tanto formal como material (conteúdo) das mensagens que
trafegam pelo seu sistema de informática.” (AIRR 613/2000-013-10-00.7)

Para finalizar a questão da privacidade, que, ao contrário do que se


pensa, está muito bem regulamentado em termos legais no Brasil
(www.privacidade.org.br) e, internacionalmente, em normas como Livro Verde
(Socinfo), CNPD – Portugal, CNIL – França, Registro Banco de Dados,
obrigatório e sujeito a sanções na Comunidade Européia, que envolve os
Comissários de Privacidade, OECD – Group of Experts on Information Security
and Privacy, Diretiva da Comunidade Européia 2002/58/CE, 2001 - EUA –
HIPAA - Health Insurance Portability Accountability, 2001 - CEE/EUA – Safe
Harbor que diz: "Empresas européias não devem realizar negócios on-line com
empresas de países com padrões inferiores de proteção à privacidade, 2001 -
EUA – PATRIOTA – Provide Appropriated Tolls to Obstructe Terrorism, 2000 -
EUA – COPPA – Children Online Privacy Protection.

Conclusões

É patente o avanço tecnológico vivenciado por grande parte do

mundo, em especial pelo Brasil.


Por outro lado, há uma forte resistência à sistematização do
Direito Eletrônico. Sem dúvida, um anacronismo que não se pode mais admitir,
em face do avanço das modernas tecnologias e, também, por se tratar de um
direito multifacetário e com peculiaridades próprias
Por fim nos utilizamos dos ensinamentos do Prof. Arnoldo Wald
quando leciona que as "novas formulações hão de ser criadas, outros
equilíbrios devem ser encontrados, no plano dos contratos, da família, da
sociedade e do próprio Estado, para que o direito não seja uma espécie de
camisa-de-força que impeça a boa utilização das novas técnicas, e que
prevaleça um clima de cooperação dominado pela ética"

Bibliografia

BEMBOM, Marta Vinagre. Infidelidade Virtual e Culpa. In Revista Brasileira


de Direito de Família, do IBDFAM, v. 5, abr.-jun./2000, Síntese Editora, pp. 29-
35.
BLUM, Renato M. S. Opice; ABRUSIO, Juliana Canha. Direito Autoral
Eletrônico. Caderno Jurídico – jul. 2002 – Ano 2 – n. 4 – ESMP
DE LUCCA, New to net al. Direito e Internet. Bauru: Edipro, 2000.
GANDELMAN, Silvia Regina Dain. A propriedade intelectual na era digital: a
difícil relação entre a internet e a lei [on line} [citado em 03.05.2002
<http://www.cbeji.com.br/artigos/artsrdaing05.htm>)
LOPES, Ana Maria. A Responsabilidade das Instituições Financeiras pelas
Fraudes Virtuais. Dissertação apresentada à Faculdade de Direito Milton
Campos, como requisito para obtenção do título de Mestre em Direito
Empresarial. Disponível em: <

http://www.mcampos.br/posggraduacao/mestrado/dissertacoes/anamarialopesr
esponsabilidadeinstituicoesfinanceirasfraudesvirtuais.pdf >. .
PAESANI, L. Minardi. Direito de Informática. São Paulo: Atlas, 2005.
PAIVA, Mário Antônio Lobato de. Os institutos do direito informático Teresina, ano
6, n 57, jul.2002. Disponível em:

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2571>. Acesso em: 03 out. 2010.


LEVY, Pierre. O Que é Virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.
PINHEIRO, Patrícia Peck. SLEIMAN, Cristina Moraes. Direito digital e a
questão da privacidade nas empresas. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, 55,
31/07/2008 Disponível em http://www.ambito-
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Acesso em 06/10/2010.
RAMOS, Demócrito Reinaldo. Privacidade na "Sociedade da Informação". In
Direito da Informática: Temas polêmicos. Edipro 1O. edição 2002, pág 28)
SAMPAIO, Patrícia Regina Pinheiro e SOUZA, Carlos Affonso Pereira de
Souza. Contratos eletrônicos – um novo direito para a sociedade digital?;
[on line] (<http://sphere.rdc.puc-
rio.br/sobrepuc/depto/direito/pet_jur/cafpatce.html#_ftn21>)
ANEXO 1 Glossário de termos técnicos de

informática

O presente glossário refere-se aos termos técnicos de informática

mais usuais para o Direito eleitoral e o Direito Eletrônico

Apuração dos Votos – É o processo de contagem dos votos de cada


urna. No caso da urna eletrônica a apuração é feita na própria Seção Eleitoral
onde se deu a votação. No caso de urnas tradicionais, a apuração se dá nas
Zonas de Apuração.

Totalização dos Votos – É o processo de contagem dos votos de


todas as urnas de todas as seções eleitorais. É feita por programas contidos
na Rede de Totalização do TSE, a qual tem terminais de acesso em todos os
TRE estaduais e nas sedes das Zonas Eleitorais municipais.

Boletim de Urna (BU) – É o documento que contém o resultado da


apuração de cada urna eletrônica. Por lei, deve ser impresso, publicado na
própria seção eleitoral e distribuído aos partidos políticos. Uma versão
digitalizada do BU é gravada num disquete magnético para servir de transporte
do BU para os terminais de entrada da Rede de Totalização.

Lista de Votação – É aquela lista impressa com os nomes e números


dos eleitores, que há em todas as seções eleitorais. Nela o eleitor coloca sua
assinatura e dela é destacado o comprovante de voto.

CPU ou UCP – Unidade Central de Processamento. É o componente do


computador responsável pelo controle dos fluxos de dados entre todas os
demais componentes. Todos os dados que trafegam de um componente do
computador para outro passam, normalmente, pelo controle da CPU, com
poucas exceções.

Periféricos – São todos os demais componentes ou equipamentos que


constituem o computador, fora a CPU. Exemplos de equipamentos periféricos
são: o teclado, o monitor de vídeo, as memórias temporárias (RAM) ou
permanentes (Disquetes e Flash-Cards), a impressora.

Programa Básico – Trata-se do conjunto autônomo de programas da


urna eletrônica posto para funcionar logo que este é ligado. É destinado a
servir de base de apoio para outros programas comuns, chamados de
Programas Aplicativos, os quais serão iniciados posteriormente. O Programa
Básico é composto por: Sistema Básico de Entrada e Saída (BIOS), Sistemas
Operacional (VirtuOS) e Gerenciadores de Dispositivos (Device Drivers). O
Programa Básico é o responsável pelo acesso aos equipamentos periféricos,
Programa Aplicativo – Trata-se de programa de computador, não autônomo
(precisa que um Sistema Operacional esteja instalado e funcionando), que é o
responsável pela recepção e ordenação dos dados originados ou destinados
aos equipamentos periféricos. Por exemplo, o Aplicativo recebe do Sistema
Operacional os dados digitados no teclado pelo eleitor, ordena-os para
comporem uma tela e os remete de volta para o Sistema Operacional escrevê-
los no vídeo propriamente dito.

BIOS - Sistema Básico de Entrada e Saída. Programa componente do


Programa Básico, normalmente gravado em memória permanente fixa
(EPROM) e, por isto, é as vezes chamado de "Firmware". É o primeiro
programa a ser executado quando se liga o

Sistema Operacional (OS) – é o componente principal do Programa


Básico, e as vezes é confundido com este. Detêm o controle geral de todos os
processos (programas e sub-programas) e é o responsável por coordenar toda
a troca de dados entre tais processos.

Gerenciadores de Dispositivos (Device Drivers) – São os


componentes do Programa Básico destinados exclusivamente a estabelecer o
contato do Sistema Operacional com um equipamento periférico. Normalmente
são produzidos pelos

Criptografia – São técnicas matemáticas de se embaralhar (cifrar) um


conjunto de dados ou textos, com a finalidade de esconder ou tornar
incompreensível as informações ali contidas, ou seja, a Criptografia
normalmente é utilizada para defender a confidencialidade dos dados. As
técnicas de criptografia normalmente utilizam dois elementos no seu processo:
1) a fórmula ou algoritmo de ciframento; 2) uma seqüência de números,
chamados "chave". Para se reconstruir o texto ou dados originais necessita-se
conhecer a chave inversa (ou de "deciframento") mais a fórmula ou algoritmo
inverso (ou Assinatura Digital – São técnicas matemáticas utilizadas para
que se possa saber quem ou que equipamento gerou certo documento e se tal
documento não foi adulterado, ou seja, a Assinatura Digital é utilizada para se
garantir a integridade dos dados. Estas técnicas normalmente utilizam
algumas fórmulas peculiares de criptografia, chamadas de "assimétricas" ou de
"Chaves Públicas", onde tanto a fórmula de ciframento, quanto a chave e a
fórmula de deciframento são divulgadas para conhecimento público. Apenas a
chave usada para ciframento é mantida secreta por aquele que vai fazer a
assinatura digital. Assim, qualquer pessoa que conheça os dados públicos
pode verificar que tal documento, assinado digitalmente, proveio de
determinada pessoa ou equipamento.

Sistemas Fechados – Diz-se de um sistema criptográfico onde tanto


as chaves quanto as fórmulas de criptografia e de deciframento são mantidas
em segredo. Um ataque externo à um sistema fechado é dificultado pois não se
conhece a fórmula de deciframento. Porém sistemas fechados tem pouca
resistência ao ataque de elementos internos (que tiveram acesso à suas
fórmulas). Outro problema é que sistemas fechados não podem ser
provados como matematicamente seguros. Utilizar um Sistema Fechado de
Criptografia implica diretamente em confiar cegamente no fornecedor.
Sistemas Abertos – Diz-se de um sistema criptográfico onde as
fórmulas de criptografia e de deciframento são divulgadas publicamente e
apenas as chaves são mantidas em segredo. A vantagem de Sistemas Abertos
é que se pode calcular e provar qual o tempo médio que um atacante, que não
conheça a chave secreta, terá que gastar para reconstruir o texto original por
tentativa e erro. Se este tempo médio for maior (bem maior) que o tempo em
que a informação deve permanecer protegida, considera-se o sistema seguro.
Um sistema de Assinatura Digital é sempre um Sistema Aberto, por sua
própria concepção.

Ataque – Ação de algum agente, interno ou externo à corporação, com


o objetivo Ataque Destrutivo – Um ataque cujo objetivo é paralisar ou atrasar
o funcionamento regular do sistema-alvo, visando reduzir sua disponibilidade
para uso (availability) sem, no entanto, construir algum resultado falso.

Ataque Dirigido ou Construtivo – Um ataque que visa construir, de


forma escamoteada, um resultado falso durante o funcionamento do sistema
atacado, tentando fazer o resultado falso ser aceito como verdadeiro.

Ataque de Força Bruta – É o ataque a um sistema de criptografia ou


de bloqueio de acesso no qual que tenta descobrir a senha ou a chave por
tentativa e erro de todas as combinações possíveis. Quando se fala que existe
"prova matemática" que um dado sistema informatizado resiste a um ataque
por tanto tempo, normalmente está se referindo a Ataque de Força Bruta.
Assim, esta "prova matemática" não garante a inviolabilidade do sistema
pois outras formas de ataque, que se valham de características particulares
dos sistemas ou do vazamento de informações podem, eventualmente, obter
sucesso em tempo menor.

Vício em programa – refere-se a modificações espúrias introduzidas


em programas de computador com a finalidade de provocar um funcionamento
diferente do objetivo do projeto.

Potencial de dano – Numa análise da segurança de um sistema deve-


se atribuir um valor ao "potencial de dano" de cada risco de falha ou fraude que
existir. Este valor deve refletir a grandeza e a importância dos danos
provocados se tal fraude ocorrer. Por ex., uma fraude que possa eleger um
governador, como ocorrido no Rio de Janeiro em 1982, que ficou conhecida
como "Caso Proconsult" (anexo 10), deve ter um valor de "Potencial de Dano"
bem maior que uma fraude que só possa eleger um vereador, como a compra
de votos de alguns eleitores.

Valor do Risco – O Valor do Risco de uma fraude é calculado como o


produto do seu Potencial de Dano versus sua Probabilidade de Ocorrência. É
um valor que os auditores de segurança procuram obter para que seja possível
comparar sistemas e riscos diferentes Sistemas de Alto Risco – Diz-se de
sistemas informatizados cujo Potencial de Dano é muito elevado e a
Probabilidade de Ocorrência não é desprezível. Normalmente, sistemas que
envolvam risco de vida ou de grandes danos ambientais, como um sistema de
controle de aeronaves ou usinas nucleares, são classificados como de alto
risco. O Processo Eleitoral Informatizado tem as características de Sistema de
Alto Risco pois a Probabilidade de Ocorrência de Fraudes é grande e o
Potencial de Dano, que é entregar o poder político a um Validação – refere-se
ao processo de análise de um projeto de equipamento ou de um programa de
computador, com a finalidade de se determinar se atende ao objetivo desejado.
A validação se dá antes da produção final do equipamento ou programa.

Certificação – refere-se ao processo de acompanhamento da produção


de um equipamento ou da carga de um programa em computador de forma a
se verificar se o produto final corresponde ao projeto ou programa que foi
validado anteriormente. A certificação se dá ao final do processo de
implantação ou fabricação do sistema e antes da sua operação.

Portanto utilizando-se da relação Direito Eleitoral e Direito Eletrônico e


conhecendo um pouco dos termos técnicos o profissional de direito terá uma
maior habilidade e certeza na solução dos casos ocorridos no processo
eleitoral
ANEXO 2

LEGISLAÇÃO NACIONAL SOBRE CERTIFICAÇÃO DIGITAL E

OUTROS ASSUNTOS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

Consulte as principais leis, decretos e instruções normativas que regem o uso


da Certificação Digital no Brasil

ICP-BRASIL

· DECRETO Nº 3.996, DE 31 DE OUTUBRO DE 2001 Dispõe sobre a


prestação de serviços de certificação digital no âmbito da Administração Pública
Federal.
· DECRETO Nº. 4.414, DE 07 DE OUTUBRO DE 2002. Altera o Decreto Nº.
3.996, de 31 de outubro de 2001, que dispõe sobre a prestação de serviços de
certificação digital no âmbito da Administração Pública Federal.
· DECRETO Nº. 3.872, DE 18 DE JULHO DE 2001. Dispõe sobre o Comitê
Gestor da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - CG ICP-Brasil, sua
Secretaria-Executiva, sua Comissão Técnica Executiva e dá outras providências.
· MEDIDA PROVISÓRIA Nº. 2.200-2, DE 24 DE AGOSTO DE 2001 Institui
a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, transforma o
Instituto Nacional de Tecnologia da Informação em autarquia, e dá outras
providências.

Instituto Nacional de Tecnologia da Informação

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 1, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007


Aprova a versão 2.1 dos PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS A SEREM
OBSERVADOS NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE SISTEMAS E
EQUIPAMENTOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL NO ÂMBITO DA ICP-
BRASIL.

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 2, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007


Aprova a versão 2.0 da ESTRUTURA NORMATIVA TÉCNICA E NÍVEIS DE
SEGURANÇA DE HOMOLOGAÇÃO A SEREM UTILIZADOS NOS
PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE SISTEMAS E EQUIPAMENTOS
DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL NO ÂMBITO DA ICP-BRASIL (DOC ICP-
10.02)

· INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 3, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007.


Aprova a versão 3.0 dos REQUISITOS TÉCNICOS A SEREM OBSERVADOS
NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE CARTÕES INTELIGENTES
(SMART CARDS), LEITORAS DE CARTÕES INTELIGENTES E TOKENS
CRIPTOGRÁFICOS NO ÂMBITO DA ICP-BRASIL e dá outras providências.

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 4, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007


Aprova a versão 2.0 dos PADRÕES E PROCEDIMENTOS TÉCNICOS A
SEREM OBSERVADOS NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE
SOFTWARES DE ASSINATURA DIGITAL, SIGILO E AUTENTICAÇÃO
NO ÂMBITO DA ICPBRASIL e dá outras providências.

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 5, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007


Aprova a versão 1.0 dos PADRÕES E PROCEDIMENTOS TÉCNICOS A
SEREM OBSERVADOS NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE
MÓDULOS DE SEGURANÇA CRIPTOGRÁFICA (MSC) NO ÂMBITO DA
ICP-BRASIL e dá outras providências.

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 6, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007


Aprova a versão 1.0 dos PADRÕES E PROCEDIMENTOS TÉCNICOS A
SEREM OBSERVADOS NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE
SOFTWARES DE BIBLIOTECAS CRIPTOGRÁFICAS E SOFTWARES
PROVEDORES DE SERVIÇOS CRIPTOGRÁFICOS NO ÂMBITO DA ICP-
BRASIL e dá outras providências.

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 1, DE 14 DE FEVEREIRO DE 2006


Aprova a versão 2.0 dos PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS A SEREM
OBSERVADOS NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE SISTEMAS E
EQUIPAMENTOS DE CERTIFICAÇÃO DIGITAL NO ÂMBITO DA
ICPBRASIL.

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 2, DE 14 DE FEVEREIRO DE 2006.


Estabelece a Estrutura Normativa Técnica e os Níveis de Segurança de
Homologação a serem utilizados nos processos de homologação de sistemas e
equipamentos de certificação digital no âmbito da ICPBrasil e dá outras
providências.

· INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 3, DE 14 DE FEVEREIRO DE 2006.


Aprova a versão 2.0 dos REQUISITOS TÉCNICOS A SEREM OBSERVADOS
NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE CARTÕES INTELIGENTES
(SMART CARDS), LEITORAS DE CARTÕES INTELIGENTES E TOKENS
CRIPTOGRÁFICOS NO ÂMBITO DA ICPBRASIL e dá outras providências.
· INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 05, DE 18 DE MAIO DE 2006. Aprova a
versão 1.0 do documento ATRIBUIÇÃO DE ID NA ICPBRASIL O DIRETOR
PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA
DAINFORMAÇÃO, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pelo inciso
I, do art. 1º, do anexo I, do Decreto nº 4.689, de 7 de maio de 2003, e pelo art. 1º
da Resolução nº 33 do Comitê Gestor da ICP-Brasil, de 21 de outubro de 2004, e

· INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 06, DE 18 DE MAIO DE 2006. Aprova


adendos aos documentos da ICP-Brasil.
· INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 08, DE 18 DE MAIO DE 2006. Estabelece
regras para a adaptação, pelas entidades da ICPBrasil, de seus procedimentos
operacionais e de sua documentação ao disposto nas Resoluções 38 a 45 do
Comitê Gestor da ICPBrasil.
· INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 09, DE 18 DE MAIO DE 2006. Aprova a
versão 1.0 dos PADRÕES E PROCEDIMENTOS TÉCNICOS A SEREM
OBSERVADOS NOS PROCESSOS DE HOMOLOGAÇÃO DE SOFTWARES
DE ASSINATURA DIGITAL, SIGILO E AUTENTICAÇÃO NO ÂMBITO
DA ICPBRASIL e dá outras providências.

·INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 10, DE 15 DE SETEMBRO DE 2006


Aprova a versão 1.1 do documento CARACTERÍSTICAS MÍNIMAS DE
SEGURANÇA PARA AS AR DA ICP-BRASIL O DIRETOR-PRESIDENTE
SUBSTITUTO DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pelo inciso I,
do art. 1º, do anexo I, do Decreto nº 4.689, de 7 de maio de 2003, e pelo art. 1º
da Resolução nº 33 do Comitê Gestor da ICP-Brasil, de 21 de outubro de 2004, e

Normas Fiscais

· DECRETO Nº. 15.059, de 27 de janeiro de 2006. Normatiza a Escrituração


Eletrônica mensal do livro fiscal e a Declaração Eletrônico Anual ser realizada
por meio do “software” ISSQNDec e dá outras providências.
· DECRETO Nº 25.223, DE 15 DE OUTUBRO DE 2004. Institui o Serviço
Interativo de Atendimento Virtual - Agênci@Net, que estabelece a
obrigatoriedade de entrega de informações econômicofiscais e documentos
eletrônicos com aposição de assinatura digital, e dá outras providências.
· DECRETO Nº 6.022, DE 22 DE JANEIRO DE 2007. Institui o Sistema
Público de Escrituração Digital - Sped.
· Instrução Normativa SRF Nº. 222, de 11 de outubro de 2002. Institui o
Serviço Interativo de Atendimento Virtual (Receita 222).
· Instrução Normativa SRF Nº. 503, de 2 de fevereiro de 2005 Aprova o
programa gerador e as instruções para preenchimento da Declaração de Débitos
e Créditos Tributários Federais Mensal (DCTF Mensal) na versão "DCTF
Mensal 1.0". Revogada pela IN SRF nº 520, de 11 março de 2005.
· Instrução Normativa SRF Nº. 580, de 12 de dezembro de 2005 Institui o
Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte da Secretaria da Receita Federal
(e-CAC).
· Instrução Normativa SRF Nº. 695, de 14 de dezembro de 2006 Dispõe sobre
a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Alterada pela
IN SRF nº 730, de 22 de março de 2007.
· Instrução Normativa SRF Nº. 156, de 22 de dezembro de 1999 Institui os
Certificados Eletrônicos da Secretaria da Receita Federal - SRF e-CPF e e-
CNPJ.
· LEI Nº. 12.333, DE 23 DE JANEIRO DE 2003. Estabelece a escrituração
fiscal digital para contribuintes do ICMS.
· PORTARIA MF/SRF Nº. 259, DE 13 DE MARÇO DE 2006 - DOU Dispõe
sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da
Secretaria da Receita Federal.
· PORTARIA Nº. 309, DE 14 DE OUTUBRO DE 2005. Estabelece a
obrigatoriedade de apresentação da Guia Informativa Mensal do ICMS com
aposição de assinatura digital, e dá outras providências.

Normas Judiciais

· INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 28 Dispõe sobre o Sistema Integrado de


Protocolização e Fluxo de Documentos Eletrônicos da Justiça do Trabalho (e–
DOC).
· LEI No 10.740, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003. Altera a Lei no 9.504, de 30
de setembro de 1997, e a Lei no10.408, de 10 de janeiro de 2002, para implantar
o registro digital do voto.
· LEI Nº. 11.280, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2006. Altera os arts. 112, 114,
154, 219, 253, 305, 322, 338, 489 e 555 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de
1973 - Código de Processo Civil, relativos à incompetência relativa, meios
eletrônicos, prescrição, distribuição por dependência, exceção de incompetência,
revelia, carta precatória e rogatória, ação rescisória e vista dos autos; e revoga o
art. 194 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil.
· LEI Nº. 11.419, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006. Dispõe sobre a
informatização do processo judicial; altera a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de
1973 – Código de Processo Civil; e dá outras providências.
· PROVIMENTO Nº. 1321/2007 Institui o Diário da Justiça Eletrônico.
· PROVIMENTO CG. Nº. 32/2007 O DESEMBARGADOR GILBERTO
PASSOS DE FREITAS, CORREGEDOR GERAL DA JUSTIÇA DO ESTADO
DE SÃO PAULO, no uso das suas atribuições legais.
· Regulamentação da Utilização do e-Doc no TRT 17 Institui o peticionamento
eletrônico.
· ATO TRT GP Nº. 310/2006 Institui o peticionamento Eletrônico no Tribunal
Regional do Trabalho da 3 Região.
· RESOLUÇÃO N. 4/2007–TJ Altera dispositivo da Resolução n. 8/06 – TJ, que
instituiu o Diário da Justiça Eletrônico.
· RESOLUÇÃO Nº. 154, DE 15 DE OUTUBRO DE 2007 Institui o Diário da
Justiça Eletrônico, no âmbito da Justiça Militar da União, e dá outras
providências.
· RESOLUÇÃO Nº. 287, DE 14 DE ABRIL DE 2004. Institui o e-STF, sistema
que permite o uso de correio eletrônico para a prática de atos processuais, no
âmbito do Supremo Tribunal Federal.
· RESOLUÇÃO N° 344, DE 25 DE MAIO DE 2007. Regulamenta o meio
eletrônico de tramitação de processos judiciais, comunicação de atos e
transmissão de peças processuais no Supremo Tribunal Federal (e-STF) e dá
outras providências.
· RESOLUÇÃO Nº. 397, DE 18 DE OUTUBRO DE 2004. Estabelece diretrizes
para implantação do uso da certificação digital, no âmbito do Conselho da
Justiça Federal e da Justiça Federal de 1º e 2º graus.
· RESOLUÇÃO Nº. 126, DE 22 DE ABRIL DE 2003. Dispõe sobre o
processamento eletrônico nos Juizados Especiais Cíveis da Justiça Federal da
Terceira Região
· RESOLUÇÃO Nº. 341, DE 16 DE ABRIL DE 2007. Institui o Diário da
Justiça Eletrônico do Supremo Tribunal Federal e dá outras providências.
· RESOLUÇÃO Nº. 350, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2007 – STF. Dispõe
sobre o recebimento de Petição Eletrônica com Certificação Digital no âmbito
do Supremo Tribunal Federal e dá outras providências.
· RESOLUÇÃO Nº. 351, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2007 – STF. Altera
dispositivos da Resolução nº. 179, de 26 de julho de 1999.

Órgãos Diversos

· CARTA-CIRCULAR 3134 – Banco Central do Brasil Divulga os


procedimentos e padrões técnicos para uso de a assinatura digital em contratos
de câmbio.
· CIRCULAR 3.234 do Banco Central do Brasil Altera a regulamentação
cambial para prever a assinatura digital em contratos de câmbio por meio da
utilização de certificados digitais emitidos no âmbito da Infra-Estrutura de
Chaves Públicas (ICP-Brasil), e dá outras providências.
· CIRCULAR SUSEP Nº. 277, de 30 de novembro de 2004. Faculta a utilização
da assinatura digital, nos documentos eletrônicos relativos às operações de
seguros, de capitalização e de previdência complementar aberta, por meio de
certificados digitais emitidos no âmbito da Infra-estrutura de Chaves Públicas
(ICP-Brasil), e dá outras providências.
· RESOLUÇÃO CFM Nº. 1.821/07 Aprova as normas técnicas concernentes à
digitalização e uso dos sistemas informatizados para a guarda e manuseio dos
documentos dos prontuários dos pacientes, autorizando a eliminação do papel e
a trocade informação identificada em saúde.

· PORTARIA NORMATIVA Nº. 083/MD, DE 30 DE JANEIRO DE


Estabelece a diretriz para a implantação do Sistema de Certificação Digital de
Defesa para operação no âmbito e de acordo com as prescrições da Infra-
Estrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), e dá outras providências.
· PORTARIA Nº. 3.121, DE 9 DE SETEMBRO DE 2005 Dispõe sobre os
procedimentos de manutenção de bolsas e de emissão de Termos Aditivos ao
Termo de Adesão no Sistema do Prouni - SISPROUNI, e dá outras providências.
· Portaria nº 3.268 de 18 de outubro de 2004. Dispõe sobre os procedimentos
para a Adesão de Instituições de Ensino Superior ao Programa Universidade
Para Todos - PROUNI e dá outras providências.
· PORTARIA Nº. 3.794, DE 27 DE OUTUBRO DE 2005. Altera os prazos para
os procedimentos operacionais do Programa Universidade para Todos - Prouni.
· Provimento Nº. 97/2002 - OAB Institui a Infra-Estrutura de Chaves Públicas da
Ordem dos Advogados do Brasil e dá outras providências.

· Resolução N° 117/05 - Revista Eletrônica da Propriedade Industrial - INPI


Institui a Revista Eletrônica da Propriedade Industrial.
· Resolução CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE - CFC Aprova
a NBC T 2.8 - Das Formalidades da Escrituração Contábil em Forma Eletrônica.
· RESOLUÇÃO CFM Nº. 1.821/07 Aprova as normas técnicas concernentes à
digitalização e uso dos sistemas informatizados para a guarda e manuseio dos
documentos dos prontuários dos pacientes, autorizando a eliminação do papel e
a troca de informação identificada em saúde.
· RESOLUÇÃO CFM Nº. 1.639/2002 Aprova as "Normas Técnicas para o Uso
de Sistemas Informatizados para a Guarda e Manuseio do Prontuário Médico",
dispõe sobre tempo de guarda dos prontuários, estabelece critérios para
certificação dos sistemas de informação e dá outras providências.
· RESOLUÇÃO ANVISA- RDC Nº. 208 Dispõe sobre a possibilidade do Setor
Regulado utilizar-se da assinatura digital nos procedimentos eletrônicos de
petição com a ANVISA.

Órgãos e Governos Estaduais

· DECRETO Nº. 10.473 DE 27 DE SETEMBRO DE 2007 Dispõe sobre a


contratação da prestação de serviços de Certificação Digital, no âmbito da
Administração Pública Estadual, e dá outras providências.
· Decreto 43.888/2004 de 05 de outubro de 2004. Dispõe sobre a utilização de
certificação digital no âmbito daAdministração Pública Estadual.
· DECRETO Nº. 48.599, DE 12 DE ABRIL DE 2004 Dispõe sobre a
contratação da prestação de serviços de certificação digital no âmbito da
Administração Pública Estadual, e dá providências correlatas.
· DECRETO Nº. 1378 - 29/08/2007 Súmula: Define procedimentos a serem
adotados pelo Departamento de Imprensa Oficial do Estado para a edição e
publicação do Diário Oficial estadual em meio eletrônico, e dá outras
providências.
· DEPARTAMENTO DE TRÂNSITO DE MINAS GERAIS Cria o sistema de
registro automático de automóveis.

Projetos de Lei em Tramitação no Congresso Nacional

· Projeto de lei Nº. 1.532-C, de 1999. Dispõe sobre a elaboração e o


arquivamento de documentos em meios eletromagnéticos.
· Projeto de Lei 299/2007 Dispõe sobre a autenticidade e o valor jurídico e
probatório de documentos produzidos, emitidos ou recebidos por órgãos
públicos federais, estaduais e municipais, por meio eletrônico, e dá
outrasprovidências.
· PROJETO DE LEI 7316 Disciplina o uso de assinaturas eletrônicas e a
prestação de serviços de certificação.
· Projeto de Lei DO SENADO Nº. 288, de 2007 Acrescenta parágrafo único ao
art. 121, altera o art. 126 e acrescenta parágrafo único ao art. 127 da Lei nº.
6.404, de 15 de dezembro de 1976, para permitir a participação em assembléia-
geral por meio de assinatura eletrônica e certificação digital, e para instituir o
requisito de depósito prévio do instrumento de mandato para a representação do
acionista em assembléia-geral.
· PROJETO DE LEI Nº. 146 de 2007 Dispõe sobre a digitalização e
arquivamento de documentos em mídia ótica ou eletrônica, e dá outras
providências.
· PROJETO DE LEI 7709/2007 Altera dispositivos da Lei no 8.666, de 21 de
junho de 1993, que regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição, institui
normas para licitações e contratos da Administração Pública, e dá outras
providências.