ALIMENTO DE GUERRA EM TEMPO DE PAZ

Título em Português Autor Ronaldo Montezuma Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sob qualquer forma sem a autorização por escrito do autor. © Ronaldo Montezuma - 2003

APRESENTAÇÃO Ronaldo Montezuma, médico veterinário especializado em tecnologia de alimentos e vivência em marketing de varejo. Construiu sua carreira na Industria alimentícia e no Varejo, trabalhando nos grupos SADIA e SONAE. Tem atuado como executivo e consultor há mais de 20 anos, desenvolvendo novas tecnologias e projetos no segmento alimentício. Atualmente, está inovando a industria alimentícia e facilitando a vida dos consumidores, promovendo e implementando a tecnologia de conservas alimentícias esterilizadas em "retort pouch", a lata flexível. O desenvolvimento desse sistema de embalagem possibilitou a conservação natural das Refeições prontas para comer (Meal ready to eat - MREs) estáveis à temperatura ambiente usadas nas guerras. As quais, hoje, são também utilizadas pelos organismos internacionais de ajuda humanitária como alimentos de sobrevivência para desabrigados e refugiados. O nosso país, importante produtor mundial de alimentos pode com esta tecnologia agregar valor a suas exportações transformando-se no principal provedor mundial de refeições prontas. Contribuindo também para o combate a fome e a desnutrição causada pelo desequilíbrio tecnológico, econômico e social entre os povos. Dr. Montezuma mostra sinteticamente neste e-book as vantagens deste sistema de embalagem e apresenta sua nova concepção "o retort pouch com o formato da lata retangular". Se o leitor deseja saber mais sobre esta tecnologia de ponta, contate-o pelo mailto:ronaldo-montezuma@bol.com.br

AGRADECIMENTOS Somos célebres em pensar que "criamos", quando de fato estamos sendo conduzidos e programados pela Grande Inteligência Universal para "descobrirmos" o Mundo Ideal, criado para o bem estar da humanidade. Ao Nosso Criador, o principal agradecimento. A todos empresários e colegas, que ajudaram a fazer acontecer muitas melhorias na Industria brasileira de alimentos. Obrigado, por terem sido os meios para o beneficiar muitas pessoas. Nesta ocasião, um terço da humanidade comemora 2003 anos do Seu nascimento. Que a fé que Ele nos ensinou, intensifique nossa boa vontade para realizarmos um mundo melhor. São Paulo, dezembro de 2003. Ronaldo Montezuma

VIAJANDO NO TEMPO - O RETORT POUCH, DAS MOCHILAS DOS SOLDADOS, ÀS NAVES ESPACIAIS E NOSSAS COZINHAS!
A evolução da industria de processamento de alimentos em conservas na América pode ser historicamente comparada à sua evolução no velho mundo, iniciada com os serviços de Nicolas Appert, engajados por Napoleão Bonaparte para produzir rações estáveis para que suas tropas carregassem na batalha. A indústria de enlatamento surgiu em 1809 e evoluiu durante dois séculos em uma indústria madura e confiável, para processar termicamente grandes quantidades de alimentos, para a crescente população mundial. Durante a segunda guerra mundial, o alto comando alemão solicitou ao Fraunhofer-ILU, o principal instituto de pesquisa de alimentos baseado em Munique, que desenvolvesse uma embalagem conveniente para fornecer para exército alemão refeições saborosas, nutritivas, prontas para comer. Heiss e colaboradores conceberam o primeiro retort pouch composto por um filme de celofane, alumínio e polímero plástico. O exercito americano usava refeições prontas termicamente processadas em latas cilíndricas, na era compreendida entre a segunda guerra mundial e a guerra do Vietnã. Em 1970,

resolveu modernizar as rações militares e substituiu as latas cilíndricas por Refeições prontas para comer (MREs) em retort pouch. Desenvolvimento realizado em cooperação com a Industria e Universidade pelo Natick Soldier Center, órgão do U.S. Army Soldier Systems Center (Natick). A NASA passou a fornecer refeições prontas em retort pouch para suas expedições espaciais em 1970. Durante a guerra do Golfo pérsico o retort pouch demonstrou sua importância militar para manter as tropas alimentadas, movimentando milhares de soldados em ambientes hostis sem recursos de sobrevivência. Versões humanitárias de MREs foram desenvolvidas para serem usadas como suprimento de sobrevivência, pelas organizações internacionais como a cruz vermelha, em ações de ajuda a refugiados e desabrigados.

Versões humanitárias de MREs

O SUCESSO DA APLICAÇÃO EM PET FOOD
Inicialmente, a nova tecnologia retort pouch não foi aprovada nos Estados Unidos para a alimentação humana. Essa aplicação começou a ser utilizada no segmento de rações úmidas a base de carnes e pescados para pequenos animais. Na Ásia houve boa receptividade dessa tecnologia para alimentação humana proporcionando o crescimento desse importante mercado e o desenvolvimento da industria de equipamentos de processamento. O mercado de pet food, representado pelas rações úmidas a base de carne, apresenta importantes níveis de crescimento mundial e vêm incrementando a aplicação dessa tecnologia em substituição as latas. Mantemos um proveitoso intercambio tecnológico com profissionais desse setor que possuem considerável experiência neste tipo de processamento. Eles têm considerado que o custo elevado da embalagem importada limita o crescimento do mercado nacional de embalagens úmidas. As rações úmidas, para animais de estimação são utilizadas como fonte única, principalmente na alimentação de gatos. Ou para enriquecer, melhorar a palatabilidade e variar o sabor, sendo misturada à ração seca aumentando assim o nível de proteína digerível e de alto valor biológico nas dietas oferecidas principalmente aos cães. Os gatos que recebem ração úmida são muito exigentes e selecionam pelo olfato, qualquer diferença no frescor da ração úmida conservada em geladeira domestica. Portanto estas embalagens devem conter pequenas porções para

administração diária. Esta questão foi considerada um fator de influencia direta na questão do custo da embalagem, durante um fórum que participei com profissionais e fornecedores desse setor. A tendência é um melhor aproveitamento e uma maior conveniência dessa embalagem. Utilizando a abertura uniforme através semicorte gravado a laser e o zíper para manter a embalagem fechada e também membrana interna para dividir dois sabores.

COMO PAGAR A CONTA DA INOVAÇÃO A redução do custo da embalagem e o valor do investimento nos sistemas de processamento com a utilização de equipamentos nacionais com custo menor. São fundamentais para viabilizar a instalação de novas linhas de processamento retort pouch. A base para definição pela mudança para esta tecnologia consiste no estudo tecnológico e mercadológico dos produtos. Seguida pela definição do projeto, sistemas de processamento e cálculo do retorno do capital investido (P&B). A razão principal para a inovação está na conquista de novos produtos que são mais bem remunerados pela diferenciação e conveniência. Aumentando assim a participação no faturamento geral dos produtos de maior valor agregado em relação aos produtos ordinários. A implementação de um novo projeto deve seguir etapas de acordo com o desenvolvimento do mercado. As grandes Industrias deveriam considerar a adoção de modalidades de negócios como as terceirizações, parcerias e alianças, tanto nas áreas; industrial e operacional como distribuição e varejo. Dividir os custos do investimento inicial em novos projetos muitas vezes pode ser a solução para a viabilidade econômica.

Isto influenciará na velocidade de crescimento de novos produtos que dependem da relação; valor agregado e valor real percebido pelo consumidor. As redes de Varejo percebem claramente esta relação e trabalham hoje com um índice muito confiável que é a relação de comparação dos preços da marcas próprias em relação aos preços das marcas lideres. Os apelos dos clientes importadores para a modernização face às necessidades do mercado, impulsionaram os primeiros projetos de conservas para exportação. O custo atual da embalagem importada ainda é inviável para a substituição das latas ou vidros em conservas alimentícias no mercado interno. Há dois anos estamos desenvolvendo fornecedores globais de estruturas e filmes com formulações otimizadas competitivas em relação às latas de aço para o mercado de exportação de carnes e MREs. Obtivemos um pequeno diferencial favorável no custo dessa embalagem somado a uma economia real do frete e operação logística. A LATAFLEX, uma aliança com a Industria de conservas alimentícias, já iniciou nos seus projetos a substituição das embalagens importadas por embalagens com estruturas retortable fabricadas integralmente ou convertidas no Brasil, com custos competitivos. Tem fomentado o crescimento dessa aplicação através da orientação mercadológica, transferência de tecnologia, elaboração, implementação do projeto e assistência técnica. A gestão deste negócio deve focar o aspecto relevante que é a redução do custo da unidade de embalagem esterilizada viável e a melhoria da qualidade do produto. Essas ações possibilitarão um incremento nas vendas abrindo espaço para a mudança e agregando maior valor no produto,

possibilitando o investimento na modernização do parque nacional de conservas. Abaixo apresentamos um gráfico que mostra o incremento da relação de custo em função do decréscimo do tamanho da embalagem para conservas de carne. No penúltimo tópico comentaremos a economia gerada na redução do custo do frete e energia.

Relação de custo em US$ por Kg do produto embalado em retort pouch e na lata de aço.

6,000 5,000 4,000 3,000 2,000 1,000 0,000

5,896 2,720 0,300 $0,37 $0,28 0,500 $0,29 $0,21 0,340 $0,41 $0,37 $0,12 $0,13 $0,10 $0,14
custo em lata

peso da custo em embalagem pouch

PERFIL DO CONSUMIDOR
As mudanças econômicas e sociais que tem alterado o perfil da família tradicional e a busca por uma melhor qualidade de vida, principalmente nos grandes centros, têm impulsionado e aprimorado o segmento de serviço de alimentação como restaurantes self service, fast foods e cozinhas industriais. A industria de pratos prontos pode ocupar boa parte deste mercado e oferecer refeições naturais, saborosas e nutritivas com variação culinária adequada e garantindo a segurança alimentar devido seu alto nível sanitário e tecnológico. O desenvolvimento das refeições prontas para comer (MREs), iniciado por uma estratégia militar e expedicionária. Hoje propicia ao segmento de refeições prontas e conservas, uma excelente alternativa tecnológica para suprir o mercado com refeições prontas ou alimentos cozidos em retortable pouches. Socialmente estes produtos têm grande importância na melhoria da qualidade de vida das famílias, que poderão dispor de mais tempo para desfrutar do convívio familiar durante as refeições, e resgatam a satisfação dos alimentos preparados do modo caseiro tradicional. As embalagens metálicas rígidas (latas) têm uma larga aplicação para alimentos prontos completamente cozidos. Entretanto, o processo térmico normalmente utilizado para sua esterilização comercial, modifica significativamente as propriedades de frescor em relação aos alimentos somente cozidos mantidos congelados ou resfriados. Os consumidores estão preferindo alimentos frescos preservados pelo congelamento, resfriamento, a vácuo ou em atmosfera modificada, em detrimento das conservas em embalagens metálicas. A utilização de embalagens plásticas flexíveis tem incrementado largamente nas industrias alimentícias em todo

mundo e as previsões indicam um significativo incremento no Brasil nos próximos anos.

TECNOLOGIA DA LATA FLEXÍVEL

A embalagem retortable pouch consiste em uma bolsa flexível, onde o alimento é embalado, sendo selada hermeticamente a vácuo ou com injeção de vapor ou atmosfera modificada; cozido e esterilizado dentro da própria embalagem. Devem ser utilizadas autoclaves com imersão total em água quente estáticas ou rotativas ou com spray de água quente e vapor (hot water spray). O formato achatado do pouch, sua parede mais fina e o contato completo e justo com a superfície do alimento melhoram bastante a penetração de calor no centro do alimento durante o processamento térmico. Isto permite obter alimentos cozidos e esterilizados adequadamente, sem o sabor e odor de queimado, muitas vezes presentes na superfície do alimento que fica em contato com a folha da lata. A alta temperatura e o curto tempo de esterilização cerca de 25 a 50% do tempo utilizado para as latas, preservam as propriedades dos alimentos como sabor, consistência e valor nutritivo, evitando a desnaturação de proteínas, enzimas e destruição das vitaminas. As estruturas dessas embalagens possuem ótimas características de flexibilidade, brilho, resistência e especificamente propriedades de altíssima barreira. Impedindo a migração de oxigênio, gás carbônico, nitrogênio, compostos aromáticos, água/vapor, luz e micro organismos. Como resultado, mantém todos os componentes dos alimentos e evita as alterações por estes fatores presentes na atmosfera. A principal característica do retort pouch consiste em ser uma embalagem flexível que pode ser esterilizada até a temperatura de 150 graus centígrados, e proporcionar uma

vida útil, estável à temperatura ambiente, dos alimentos superior a um ano. Essas estruturas são resistentes a temperaturas elevadas e contra pressão uniforme. Tipicamente possui uma composição de quatro camadas. Uma camada interna de polipropileno (CPP) que é inerte ao alimento e tem a função da selagem hermética a quente (solda) por fusão do plástico. Uma segunda camada opcional de nylon (poliamida orientada OPA) ou polietileno tereftalato (PET) que proporciona resistência a toda estrutura, funcionando também como uma camada barreira estepe caso ocorra fraturas ou trincas no filme de alumínio. A terceira camada geralmente é um filme de alumínio que tem a propriedade de altíssima barreira característica das latas de metal ou de alta barreira como PVDC, EVOH ou PET com óxido de silício (SiOX). A quarta camada (externa) de PET proporciona proteção a perfurações, rasgos e abrasão e oferece brilho e características para impressão reversa de imagens de excelente qualidade (facing). Esses filmes são laminados em etapas de acordo com processo produtivo e colados com um adesivo especial resistente a altas temperatura e pressão incapaz de migrar para o alimento. As tintas usadas na impressão são especiais e suas cores e as qualidades da impressão não se alteram devido ao processo térmico. A integridade das estruturas laminadas retortable depende da capacidade do adesivo de laminação de promover uma força de adesão adequada entre as camadas. Uma banda adesiva é constituida pelos materiais: substrato + adesivo + substrato. Após a adesão e cura dos materiais além dos componentes da formulação forma-se uma região de

interfase entre o substrato e o adesivo devido à interposição dos substratos. A delaminação pode ocorrer de duas formas: 1) Na interfase entre o adesivo e o substrato, quando o adesivo tem adequada capacidade de coesão. 2) Na camada de adesivo em condiçoes favoráveis. De modo contrario quando a camada de adesivo tem alto poder de coesão. Ocorre uma deformação do adesivo nas margens da interfase provocando à ruptura do adesivo na região interfacial e separação da banda entre o adesivo e o substrato. A força de toda banda adesiva depende de um perfeito processo de laminação, tempo e temperatura de cura. Falhas podem ocorrer pela aplicação desuniforme e presença de bolhas de ar ou grumos sólidos no adesivo quando líquido e também alterações nas superfícies dos cilindros de laminação. Estes defeitos podem causas zonas de concentração de tensão provocando a delaminação das camadas. A adequada qualidade viscoelastica e o equilíbrio na composição dos substratos são fundamentais, para evitar a formação de zonas de concentrações de tensões em determinas camadas, que ocasionam defeitos na estrutura durante o manuseio e processamento térmico. Bolsas flexíveis esterilizáveis ou retortable pouches devem ser esterilizados em sistemas com controle de temperatura independente da pressão. Nas autoclaves que funcionam somente com vapor puro ocorre uma correspondência física entre a pressão e a temperatura no interior do vaso de processo. As latas são normalmente esterilizadas em autoclave com vapor puro sem contra pressão. A pressão interna do vapor e gases, formados dentro da lata, durante a esterilização é contrabalançada pela pressão do vapor no

interior da autoclave e pela rigidez da parede metálica. Deve ser devidamente controlada para evitar a expansão excessiva e comprometer a integridade da solda e recravação. Existem sistemas especiais capazes de manter uma contra pressão no interior do vaso de processamento, gradativa e uniforme, suficiente para contra balançar a pressão interna do pouch. Condição imprescindível para evitar a explosão ou expansão (blow up) excessiva que não é notada após a retirada das embalagens da autoclave. Essa alteração pode comprometer a hermeticidade, causando micro vazamentos e pode aumentar a porosidade das camadas internas da embalagem diminuindo assim o período de shelf life estabelecido. O resfriamento também deverá ser realizado com contra pressão decrescente e uniforme até a temperatura de condensação do vapor e resfriamento dos gases no produto. A curva de contra pressão no interior da autoclave vai depender de muitas variáveis que influem na curva de pressão interna do pouch. Deve ser estabelecidos para cada tipo de pouch, volume, produto e esquema de cozimento, esterilização e resfriamento. São recomendados, portanto os sistemas com softwares programáveis para a assegurar a repetibilidade do processo térmico preconizado e a curva de contra pressão. Para o estabelecimento de qualquer processo térmico, antes de tudo deve ser avaliado o risco biológico, através de analises microbiológicas da carga média inicial dos tipos de bactérias termo resistentes patogênicas e deteriorantes no alimento a ser esterilizado. Aplica-se o critério exigido de segurança sanitária de 12 reduções decimais (12 D) para os esporos de clostridium botulinum. Simplificando 10.000.000.000.000 unidades de esporos devem ser

reduzidos a uma unidade. Utilizam-se os respectivos valores de letalidade (Z) para calcular o valor de esterilização mínimo (Fo) a ser aplicado para redução de cada tipo de carga bacteriana. Embora os princípios científicos para a esterilização de retortable pouches sejam os mesmos utilizados para esterilização de latas. Estas embalagens necessitam de uma metodologia especial nos testes de distribuição e penetração de calor e no estabelecimento do processo térmico. Devem-se realizar inúmeros testes de penetração e distribuição de calor com significância estatística, para conhecer o valor de esterilização obtido no alimento de acordo com os respectivos tempos e temperaturas de esterilização e resfriamento aplicados nos testes em cada autoclave. Uma outra variável critica adicional que deve ser estabelecida para o processamento térmico de pouches através de ensaios práticos é a curva de contra pressão nas fases de aquecimento, cozimento, esterilização e resfriamento.

Quando desenvolvemos e implementamos o primeiro projeto de retort pouches na Industria de Carnes no Brasil, optamos pela tecnologia de processamento térmico em imersão total em água aquecida com vapor e rotação. Principalmente porque é uma tecnologia mundialmente aceita e aprovada pelo FDA. Imersas na água as embalagens flutuam e ficam livres do seu peso pela força do empuxo que age na vertical de baixo para cima. A força de empuxo num objeto submerso em um líquido é igual ao peso do líquido deslocado pelo objeto. As forças

que agem lateralmente contra a embalagem se equilibram. Estas forças agem estabilizando as tensões internas durante a expansão do pouch, sendo portando comprovadamente na pratica, o processo ideal para embalagens plásticas que se deformam facilmente. Esse sistema é utilizado pela industria farmacêutica para esterilizar completamente soluções parenterais em ampolas de polietileno as quais ficam com as paredes completamente amolecidas durante o processo térmico e a manutenção da estrutura e formato dependem do perfeito balanceamento entre a pressão interna e externa. A circulação da água é mantida eficientemente por uma bomba centrífuga que produz uma intensiva turbulência e uma constante distribuição de temperatura no vaso de processo. A contra pressão é mantida por uma coluna de água previamente aquecida no vaso superior com pressão de vapor injetada no topo deste vaso acima do nível da água. Pelas características deste processo os pouches flutuam e devem ficar presos durante todo o processo através de bandejas ou colméias bem dimensionadas para cada tamanho de pouch para evitar abrasão e danificação das embalagens. Esse sistema é muito produtivo e trabalha com Alta Temperatura e Curto Tempo de processo (HTST) e a rotação provoca uma convecção forçada em produtos líquidos, líquidos mais sólidos e pastosos. Também evita o sobre cozimento da parte externa do bloco do produto principalmente em produtos sólidos em pouches grandes. Reduzindo em até 80% o tempo de processamento térmico dos produtos esterilizados em latas. Como exemplo, podemos esterilizar comercialmente 6 kg de cubos grandes de carne com 90% de peso drenado em pouches planos em 45 minutos a 125 C ou 340 g de cubos de carne ou almôndegas em 20 minutos a 125 C com velocidade de rotação 6 RPM.

Devido à diferença de temperatura na parte superior e inferior do vaso de processo essas autoclaves devem ser horizontais e preferencialmente com rotação, para misturar a água e os pouches passarem por todos os pontos da autoclave sofrendo o mesmo tratamento térmico. O nível da água quente de processamento deve cobrir completamente os produtos durante todo processo.

Predominam nas industrias de conservas muitas autoclaves verticais antigas com vapor puro para esterilização de latas. Muitas são convertidas para imersão em água aquecida com vapor e contra pressão para esterilização de vidros e embalagens flexíveis. Neste processo alternativo tanto a agitação como a contra pressão são obtidas com a injeção de ar comprimido e uma bomba para circulação da água quente. O ar comprimido causa uma intensa turbulência ajudando na uniformização da temperatura da água de processo. Existe uma diferença de pressão entre a parte superior e inferior em um vaso cheio de água. A pressão aumenta proporcionalmente da superfície ao fundo em função do peso da coluna de água. Isto faz com que o controle da contra pressão em vasos verticais seja inadequado. Nos processos de imersão total em água, as embalagens com produtos mais densos que a água o suficiente para afundarem, devem ser empilhadas nas bandejas ou

separadores e permanecerem presas para não serem suspensas pela agitação da água e não sofrerem danos. De uma forma contraria para os produtos (Ex. sopas e carne e vegetais com molho) em pouches com densidade próxima a da água. Eles flutuam e devem ficar presos dentro do espaço previsto para a expansão (blow up) entre as bandejas ou dentro das colméias para retê-los impedindo seu deslocamento. Outra tecnologia de esterilização mais moderna e econômica é a denominada spray de água quente (hot water spray). Funciona com uma mistura de vapor que entra pela parte inferior do vaso e o spray de água quente que entra pela parte superior que atinge as embalagens na parte superior e laterais. Ocorrendo uma alta turbulência e convecção distribuindo uniformemente a temperatura. A contrapressão é controlada independente da temperatura com injeção de ar comprimido.

Outra opção com custo de investimento menor é o sistema de vapor puro com contra pressão através da circulação forçada de ar. Este sistema mais simples e bastante utilizado para pequenos pouches vem sendo muito utilizado pelas principais industrias de pet food e ultimamente para cozimento e esterilização de arroz pronto em pouches para microondas na Europa.

Os sistemas de imersão com rotação são indicados para produtos que necessitam cozimento uniforme e/ou com tempo de processo longo. Este sistema possibilita esterilizar qualquer tipo de produto e embalagem adequadamente. Os sistemas hot water spray são eficientes, modernos e econômicos e de fácil manutenção. Existem restrições para aprovação dos sistemas que utilizam o ar, que é um mal condutor térmico, durante a fase de processo térmico por parte dos auditores de qualidade e inspetores sanitários internacionais. As bandejas separadoras devem ser projetadas para evitar o deslocamento do pouch na horizontal e são empilhadas em níveis de acordo com a distancia máximas de expansão dos pouches. Estas bandejas permitem automatização e facilidade do carregamento e descarregamento. Para definir um sistema ideal de esterilização é necessário um estudo detalhado. Primeiramente deve-se estabelecer o esquema de processamento de cada produto testando as tecnologias mais adequadas sob o ponto de vista qualidade, conveniência para o consumidor e segurança do alimento. Para tanto existem autoclaves piloto com multi processos de esterilização com rotação. Após a definição do processo ideal calcula-se o custo da unidade esterilizada, baseado no valor do investimento, capacidade produtiva, consumo de vapor, energia e água. É importante, que o estabelecimento do processamento térmico dos alimentos esterilizados comercialmente em retort

pouches, seja realizado por um profissional capacitado, com experiência em processamento térmico destas embalagens e certificação em processamento térmico de alimentos por órgãos reconhecidos oficialmente, como o Food and Drug Administration FDA (USA) e Instituto de Tecnologia de Alimentos ITAL (SP).

VISÃO DE FUTURO
Tem havido ultimamente muitas publicações sobre o ressurgimento do retort pouch no ocidente. Alguns especialistas da indústria americana têm afirmado que nos próximos três a cinco anos, a lata de aço se transformará em uma curiosidade histórica. As vantagens ecológicas do retort pouch em relação às latas de aço devem-se ao seu peso 90% inferior e com o mesmo desempenho requerido para este tipo de embalagem. Agregando-se a isto, obtemos uma economia de energia de 50 a 75% no processamento térmico, redução dos custos industriais, mão de obra, armazenagem e frete. A industria do atum enlatado, que esta iniciando a mudança para a embalagem retort pouch, é um bom exemplo da percepção destas vantagens. Os consumidores nos Estados Unidos classificaram o atum em retort pouch lançado pela StarKist Seafood, notadamente superior em qualidade, frescor, textura, aparência e conveniência do que o produto enlatado. Devido a marcante preferência do consumidor pelo atum em retort pouch, estão investindo mais de 20 milhões de dólares em campanhas de marketing, para dar suporte ao lançamento nacional do produto. A enorme quantidade de capital investido em linhas de latas, associadas à produtividade e eficiência, retardará sua substituição maciça por máquinas de pouch. Nos próximos anos, teremos plásticos biológicos biodegradáveis, com propriedades especiais comparáveis aos polímeros derivados de petróleo, sintetizados a partir de cultivos de bactérias em estratos vegetais. Aumentará muito o uso do alumínio, substituindo o aço em muitas aplicações, como também, o uso de ligas leves de metais super resistentes. Isto diminuirá a extração de ferro,

salvaguardando a polaridade magnética do planeta. As fontes de energia renovável com menor impacto ambiental prevalecerão no mundo moderno. A estrutura da embalagem do retort pouch que teve um desenvolvimento conceitualmente correto, encontrará num futuro próximo, o suprimento renovável de seus materiais que causarão um mínimo impacto ambiental ao nosso planeta, firmando-se como uma embalagem ecologicamente correta. Parece bem claro, que o retort pouch em embalagem de varejo, ressurgiu para ocupar espaço nas prateleiras dos supermercados, em função das condições atuais favoráveis. Alem disso, o amplo mercado institucional composto por industrias processadoras, serviços de alimentação, catering etc., necessitam da conveniência dos alimentos prontos, principalmente se forem termo estáveis. Para que o retort pouch cresça em relação ao mercado de latas, uma nova forma de exposição nos supermercados será necessária, por outro lado possibilitará uma racionalização do espaço nas Centrais de Distribuição (CDs) do varejo e atacado. ALIMENTOS FRESCOS VERSUS CONSERVAS A preferência dos consumidores por alimentos frescos, preservados pelo congelamento, resfriamento, a vácuo ou em atmosfera modificada tem limitado e reduzido o mercado de conservas. Esta preferência impulsionou muita a evolução da industria e varejo nestas aplicações. Enquanto que o segmento de conservas estagnou. Quando os grandes grupos de varejo direcionaram sua estratégia de competitividade, através do crescimento orgânico, aquisições e associações. Houve uma grande evolução nos departamentos de perecíveis, através de uma

intensa padronização e controle das operações, investimento em treinamento e qualificação de mão de obra. A melhoria da qualidade e lucratividade dos perecíveis foi alcançada com as seguintes ações. Uma maior oferta de OPLS (outros perecíveis livres de serviços, padronizados e embalados) pelas industrias alimentícias. A centralização nas lojas modelos ou centrais de distribuição (CDs) das operações de fracionamento, fatiamento e embalagem em bandejas prontas "case ready" dos perecíveis frescos (carnes, pescados, lácteos, embutidos e fiambres). A utilização das tecnologias de preservação como atmosfera modificada, vácuo, skin pack etc. O ponto fundamental, no crescimento dos perecíveis, em relação aos alimentos em conservas, deve-se principalmente ao conceito genérico que o consumidor incorporou a estas, a uma idéia de um alimento com conservantes e de baixa qualidade. Os vegetais em latas como ervilha, milho verde, seleta de legumes etc. (com exceções dos importados em latas de alumínio). Estão perdendo espaço, em relação aos congelados, principalmente para os consumidores de maior valor aquisitivo que querem qualidade culinária. O que a industria de conservas precisa perceber, é que a preferência pela melhor qualidade e textura, leva os consumidores a pagar mais pelo produto congelado. A esterilização dos alimentos embalados em pouches é realizada em autoclaves próprias, em curto espaço de tempo e alta temperatura "HTST" (High Temperature and Short Time). Isto faz a diferença positiva na textura, sabor e frescor do alimento. O crescimento do mercado de marcas próprias no varejo, as exigências de certificações de origem, qualidade, segurança alimentar e a necessidade de conveniência dos produtos, são

condições favoráveis ao crescimento das Refeições prontas para comer, carnes, pescados e vegetais cozidos em retort pouches. CONVENIENCIA Existem muito recursos técnicos hoje disponíveis para um melhor aproveitamento da embalagem retort, tais como, abertura uniforme com semicorte gravado a laser, zíper para manter a embalagem fechada e membrana interna para dividir dois sabores. Estes diferenciais aumentam o custo do retort pouch, mas ampliam suas aplicações substituindo outros tipos de embalagem. Estão também disponíveis, versões transparentes, na qual o filme de alumínio é substituído pelo oxídio de alumínio. São compatíveis com o forno micro ondas, podendo substituir as embalagens de vidro esterilizadas ou acidificadas.

MUDANDO O RUMO NA HISTORIA DA INDUSTRIA DE CONSERVAS DO BRASIL
Como nada acontece por acaso, a vanguarda tecnológica "lata flexível" chegou na maior e mais antiga fábrica de enlatados da América Latina. Conclui a implementação deste projeto em julho de 2003, tendo sido avaliado de uma forma bastante otimista pelos importadores. Estão sendo substituídas as latas de 4 kg de cubos de carne cozida em salmoura, destinada a produção de comida pronta mexicana, por retortable pouches planos de 6 kg. Isto resultou numa economia de frete aumentando a capacidade de peso liquido do produto por container de 24 toneladas em 13 %. Redução de US$ 0,04 por Kg de produto no custo da embalagem. Melhorou as características

organolépticas do produto reduzindo em 80% o tempo de processamento térmico em relação ao tempo aplicado para latas de 9 libras. Iniciamos nesta mesma planta a produção de produtos chamados Hot packs regularmente oferecidos em latas 410 g e 340 g embalados na forma sólida e liquida (carne e molho). Muito provavelmente, os novos investimentos em linhas para produção destes produtos serão direcionados para linhas de pouches, em função da maior facilidade existente de automatização, a exemplo das linhas retort pouch de pet food. Na industria de processamento de atum nos paises desenvolvidos. O custo da embalagem de aço e a mão de obra de processamento tem sido o principal fator para substituição das latas por retort pouch, além da modernização, qualidade e conveniência do produto. Na Industria nacional, existem novos projetos em andamento de atum em retortable pouches a serem lançados em 2004. As MREs já estão no varejo no final da fase piloto com dois fornecedores avaliando o mercado consumidor na cidade de São Paulo. O negócio de pet food em retortable pouches tem um mercado muito potencial no Brasil mais tem desenvolvido lentamente devido ao custo elevado da embalagem e está direcionado para exportação.

INOVAÇÃO NO RETORT POUCH - FORMATO PARA CONSERVAS SÓLIDAS FATIAVEIS
Um dos principais itens na exportação de conservas de carne é a carne bovina em conserva "corned beef" que é fornecida

na lata de formato trapezoidal e tornou-se um hábito alimentar no Reino Unido no pós-guerra até os dias de hoje. Existe um nicho de mercado deste produto oferecido em grandes latas de 10 libras em formato de paralelepípedo destinadas a centrais de fatiamento. Estas abastecem as principais redes de supermercado do Reino Unido com o corned beef resfriado fatiado e embalado em bandejas com atmosfera modificada. É importante notar que mesmo no mercado inglês com tradicionais e conservadores consumidores de produtos enlatados, estão preferindo esse produto, que é caracteristicamente produzido em latas, fatiado, embalado em bandejas com atmosfera modificada resfriado e com aspecto de fresco. A lata de aço para corned beef quase não evoluiu nos últimos 20 anos. Quando passamos a exigir dos fabricantes de latas que retirassem o chumbo da solda. Superamos um paradigma sobre a dificuldade de confeccionar latas soldadas com estanho puro. Procuramos evoluir rápido para garantir um produto livre de metais pesados. Aprovamos a tecnologia de produção de latas de folhas de flandres eletricamente soldadas e testamos um projeto de latas abre fácil para retirar o bloco do produto completamente pelo fundo, no sentido de substituir a chave utilizada para rasgar o semicorte da folha de flandres e abrir a lata. Todo este esforço parece desnecessário quando mudamos completamente o foco da visão sobre o problema. Pois poderíamos nos perguntar, caso tivéssemos experiência com a tecnologia de retort pouch. - Podemos processar o corned beef em embalagem flexível? Há pouco tempo, técnicos da industria de enlatamento afirmaram que o corned beef e o fiambre enlatado que têm formato trapezoidal ou retangular, jamais poderiam ser

embalados em retort pouch, pois, estes produtos consistem em blocos com formato geométricos específicos para sua apresentação e fatiamento. Encaramos o desafio e partindo do "know how" na fabricação de embutidos, presuntos cozidos e carne cozida congelada. Desenvolvemos a embalagem e concebemos a tecnologia para conservas sólidas em retort pouch que pode ser utilizada pela industria de presunto cozido e enlatados para cozinhar, pasteurizar e esterilizar os produtos e tomarem a forma de bloco. Característica de sua apresentação para o fatiamento, substituindo assim as latas como embalagem e as formas de aço para o cozimento. Esta tecnologia simplifica o processo de produção e dispensa a imensa infra-estrutura necessária para funcionamento das linhas de enlatamento como estamparia, confecção de latas, depósitos, oficinas mecânicas, retíficas etc. As industrias processadoras estão exigindo uma alternativa para as grandes latas que oneram muito a operação de abertura, causam acidentes de trabalho e geram um volume e peso excessivo de sucata de latas para descartar. No caso do nosso retort pouch conformado, a embalagem e dez vezes mais leve que a folha de flandres e opcionalmente vem com uma aba de abertura através de um semicorte gravado a laser muito fácil de ser rasgado uniformemente. O desenho da embalagem é específico para este tipo de aplicação, de forma que quando preenchida com o produto aplicando a nossa tecnologia adquire o formato de uma lata retangular. Este método de processamento e a configuração da embalagem são objetos de propriedade tecnológica e fornecida exclusivamente pela LATAFLEX.

Lataflex®
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A evolução na preservação e conveniência de alimentos

ALIANÇA ESTRATÉGICA LATAFLEX - EXPERTIZE E SUPORTE TÉCNICO A industria de enlatamento nacional conseguiu atingir um bom padrão de segurança e maturidade. A migração para a tecnologia retort pouch requer profissionalismo e experiência. É fundamental para o êxito desta nova aplicação no mercado de alimentos o comprometimento técnico no estabelecimento do processo junto aos clientes, fornecendo suporte tecnológico para garantir a segurança alimentar. Disponibilizando para seus aliados consultoria e assistência técnica desde o desenvolvimento do produto, mercado, projeto, transferência de tecnologia, instalação e desenvolvimento de mercado. Projetam com o melhor custo benefício plantas e sistemas de processamento customizados com as melhores opções para suas necessidades. Orientada para o mercado atua como parceira no desenvolvimento de novos produtos e clientes viabilizando o investimento dos novos projetos e apoiada na experiência de seus profissionais de 30 anos no mercado internacional de alimentos. Desenvolve e fornece embalagens com autorização de uso pelo DIPOA/MA e validadas por Institutos Oficiais de Pesquisa de Alimentos com Certificação de Qualidade Assegurada, através de um sistema de reposição continua sincronizada com o ciclo de produção e embarque. As embalagens supridas pela Lataflex são laminadas ou convertidas no Brasil e são fornecidas tradicionalmente para grandes clientes na Europa e Brasil. A manutenção de um estoque estratégico para os processadores aliados de filme laminado em grandes bobinas em processo de cura. Possibilita a impressão, conversão e entrega das embalagens de forma "just in time". Isto evita as freqüentes interrupções de produção quando se utilizam

embalagens importadas, sujeitas a dificuldades no desembaraço e greves do serviço público, onerando os custos com despachantes e armazenagem no porto e principalmente prejudicando o compromisso com os clientes importadores. Esta condição logística também possibilita uma maior agilidade e versatilidade em relação às embalagens impressas, possibilitando o lançamento ágil de novos rótulos.

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