Richard Saul Wurman ©1989

ÍNDICE
1. A EXPLOSÃO DA NÃO INFORMAÇÃO......................................................................................... 3 1.1 Informação................................................................................................................................... 3 1.2 Os cinco anéis .............................................................................................................................. 4 1.3 Sinais reveladores......................................................................................................................... 5 2. A INDÚSTRIA DA COMPREENSÃO............................................................................................... 6 2.1 Ode à ignorância .......................................................................................................................... 6 2.2 Organizando informação .............................................................................................................. 6 2.3 Exemplos de informação organizada ............................................................................................ 7 2.4 No início está o fim ...................................................................................................................... 8 3. A ARTE DA CONVERSA................................................................................................................. 9 3.1 Falar é profundo........................................................................................................................... 9 3.2 A arquitetura das instruções ....................................................................................................... 10 4. LINGUAGEM E PENSAMENTO ................................................................................................... 10 4.1 Expressões triviais...................................................................................................................... 11 5. A ARTE DA COMUNICAÇÃO....................................................................................................... 12 5.1 Comunicar é lembrar como era quando não se sabia ................................................................... 13 6. APRENDIZADO - AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO..................................................................... 14 6.1 Aprender é lembrar o que interessa............................................................................................. 14 6.2 Conexões de interesse................................................................................................................. 14 7. EDUCAÇÃO E APRENDIZADO .................................................................................................... 15 7.1 Fantasias de aprendizado............................................................................................................ 15 8. APRENDIZAGEM E COMPREENSÃO.......................................................................................... 16 8.1 Posse da informação................................................................................................................... 16 8.2 Tema e variações........................................................................................................................ 16 8.3 Aprender é fazer conexões.......................................................................................................... 16 8.4 O jogo dos números.................................................................................................................... 17 9. FRACASSO E SUCESSO................................................................................................................ 17 9.1 A correta administração do fracasso leva ao sucesso ................................................................... 17 9.2 Informação cultural .................................................................................................................... 18 9.3 A desigualdade da percepção...................................................................................................... 19 10. INFORMAÇÃO DE REFERÊNCIA .............................................................................................. 19 10.1 Os mapas como metáfora.......................................................................................................... 19 10.2 Mapas de números e idéias....................................................................................................... 20 10.3 Diagramas e gráficos................................................................................................................ 20 11. TECNOMANIA............................................................................................................................. 21 11.1 Informação como mercadoria ................................................................................................... 21 11.2 O efeito de ricochete ................................................................................................................. 21 12. RECEITA CONTRA ANSIEDADE............................................................................................... 22 12.1 Menos, menos, menos .............................................................................................................. 22 12.2 Decisões indolores.................................................................................................................... 22 12.3 Atitudes firmes......................................................................................................................... 22 12.4 Ações vigorosas........................................................................................................................ 23

Ansiedade de Informação

Como transformar informação em compreensão
Trechos selecionados

Tradução de

Virgílio Freire

EDITORA Cultura Editores Associados ©1991

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1. A EXPLOSÃO DA NÃO INFORMAÇÃO
• Informação não é conhecimento. Você pode produzir dados primários em massa e incríveis quantidades de fatos e números. Mas não pode fazer produção em massa de conhecimento, que é, criado por mentes individuais, partindo de experiências individuais, separando o significativo irrelevante, realizando julgamentos de valor. Com novas informações, surgem novas exigências que desafiam nossas capacidades. Precisamos aprender novos conceitos e vocabulários. Hoje, a língua inglesa soma aproximadamente 500 mil palavras disponíveis — cinco vezes mais do que no tempo de Shakespeare. O número de livros nas principais bibliotecas duplica a cada quatorze anos, dando um novo peso à expressão "pôr a leitura em dia". Ansiedade de informação é o resultado da distância cada vez maior entre o que compreendemos e o que achamos que deveríamos compreender. É o buraco negro que existe entre dados e conhecimento, e ocorre quando a informação não nos diz o que queremos ou precisamos saber. Nossa relação com a informação não é a única fonte de ansiedade de informação. Também ficamos ansiosos pelo fato de o acesso à informação ser geralmente controlado por outras pessoas. Dependemos daqueles que esquematizam a informação, dos editores e produtores de noticiários que decidem quais notícias iremos receber, dos que tomam decisões nos setores público e privado e podem restringir o fluxo da informação. Também sofremos de ansiedade causada pelo que deveríamos saber para atender às expectativas das outras pessoas a nosso respeito, sejam elas o presidente da empresa, os colegas ou até nossos pais. Nos últimos trinta anos, produziu-se um volume de informações novas maior do que nos cinco mil anos precedentes. Cerca de mil livros são publicados no mundo por dia e o total do conhecimento impresso duplica a cada oito anos. É inquietante ouvir que os computadores irão nos suprir com mais informação. Talvez você sinta que já está sendo bombardeado com informação demais. Mas o que as pessoas realmente querem, quando falam de informação, é significado, não fatos. Indubitavelmente, somos bombardeados com fatos demais — bits de dados isolados e sem contexto... Atribuir significado exige mais informação para organizar a que já temos. Os computadores dispõem desse talento organizador. Eles podem reunir grandes quantidades de fatos e convertê-los em comparações, listagens, gráficos. Em suma, podem nos auxiliar a atribuir significados. Mais significado o menos fatos. Esta é a idéia, enfim. Dados são fatos; informação é o sentido que os seres humanos atribuem a eles. Elementos individuais de dados pouco significam por si mesmos; é só quando esses fatos são de alguma forma agrupados ou processados que o significado começa a se tomar claro. • •

de trabalho engajada em ocupações principalmente voltadas para o processamento de informação. A mudança para uma sociedade baseada na informação vem sendo tão rápida que ainda não nos adaptamos às implicações que isso gera. Um processamento de informação melhor pode resultar no aumento do fluxo de dados, mas é de pouca ajuda ler a listagem, decidir o que fazer com ela ou encontrar um significado mais alto. Significado requer meditação, que leva tempo, e o ritmo da vida moderna trabalha contra a idéia de nos dar tempo para pensar. A compreensão da diferença entre dados brutos e aqueles que podem ajudar na compreensão e aumentar o conhecimento, entre informação como coisa e informação como significado, tornará você um processador de informação mais competente. Maior competência lhe dará mais confiança e mais controle, permitindo-lhe relaxar. Sentindo-se mais relaxado e menos culpado, você chegará à compreensão. Comunicação demais pode acabar resultando em nenhuma comunicação. Talvez devamos adicionar o corolário de Don Juan: assim como quanto mais se seduz menos se ama, também quanto mais se é "informado" menos se sabe.

1.2 Os cinco anéis
• Estamos todos cercados por informação que atua em diferentes níveis de urgência sobre nossa vida. Estes níveis podem ser divididos de forma simplificada em cinco anéis, embora aquilo que constitui informação em um nível para uma pessoa possa atuar em nível diverso para outra. Eles se irradiam desde a informação mais pessoal, a que é essencial para nossa sobrevivência física, até a forma mais abstrata de informação, que abrange nossos mitos pessoais, desenvolvimento cultural e perspectiva sociológica. O primeiro anel é o da informação interna. São as mensagens que governam nossos sistemas internos e possibilitam o funcionamento do nosso corpo. Aqui, a informação toma a forma de mensagens cerebrais. Provavelmente, temos um controle menor sobre este nível de informação do que sobre os outros, mas é o que mais nos afeta. O segundo anel é o da informação conversacional. São as trocas formais e informais, as conversas que mantemos com as pessoas à nossa volta, sejam amigos, parentes, colegas de trabalho, estranhos na fila de embarque ou clientes em reuniões de negócios. A conversa — talvez por sua natureza informal — constitui uma importante fonte de informação, embora nossa tendência seja desprezar ou ignorar seu papel. E, no entanto, esta é a fonte de informação sobre a qual mais exercemos controle, tanto como emissores quanto como receptores de informação. O terceiro anel é o da informação de referência. Aqui nos voltamos para a informação que opera os sistemas do nosso mundo — ciência e tecnologia — e, mais imediatamente, para os materiais de referência que usamos em nossa vida. A informação de referência pode ser qualquer coisa, desde um manual de física quântica até a lista telefônica ou o dicionário. O quarto anel é o da informação noticiosa. Ela abrange os eventos da atualidade — a informação transmitida pela mídia sobre pessoas, lugares e acontecimentos que talvez não afetem diretamente a nossa vida, mas podem influenciar nossa visão de mundo. O quinto anel é o da informação cultural. Esta é a forma menos quantificável. Abrange história, filosofia e artes, qualquer expressão de uma tentativa de compreender e acompanhar nossa civilização. Informações colhidas nos outros anéis são incorporadas aqui para construir o conjunto que determina nossas atitudes e crenças, bem como a natureza de nossa sociedade como um todo. A ansiedade de informação pode nos atingir em qualquer nível e pode resultar tanto de excesso como de carência de informação. Existem várias situações gerais que costumam provocar ansiedade de informação: não compreender a informação; sentir-se assoberbado por seu volume; não saber se uma certa informação existe; não saber onde encontrá-la; e, talvez a mais frustrante, saber exatamente onde encontrá-la, mas não ter a chave de acesso. Você está sentado diante do seu computador, que contém todas as listagens para justificar o dinheiro que está usando para desenvolver um novo produto, mas não consegue lembrarse do nome do arquivo. A informação permanece no limiar e fora do seu alcance.

1.1 Informação
• Dados brutos podem ser informação, mas não necessariamente. A não ser que sejam usados para informar, não têm valor intrínseco. Eles devem ser imbuídos de forma e aplicados para se tomar informação significativa. Contudo, em uma época faminta de informação como a nossa, frequentemente permite-se que passem por informação. Assim, a grande era da informação é, na verdade, uma explosão da não-informação — uma explosão de dados. Para enfrentar a crescente avalanche dos dados, é imperativo fazer a distinção entre dados e informação. Informação deve ser aquilo que leva à compreensão. Cada um precisa dispor de uma medida pessoal para definir a palavra. O que constitui informação para uma pessoa pode não passar de dados para uma outra. Se não faz sentido para você, a denominação de informação não se aplica. As diferenças entre dados e informação tornam-se mais críticas à medida que a economia mundial caminha para um sistema de economias dependentes de informação. A informação impulsiona o campo educacional, a mídia, empresas de consultoria e de prestação de serviços, correios, advogados, contadores, escritores, alguns funcionários governamentais, bem como os que trabalham em comunicação e armazenamento de dados. Muitos países já possuem a maior parte de sua força

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A ansiedade surge em conseqüência da superestimulação que não pode ser descarregada por meio da ação.

2. A INDÚSTRIA DA COMPREENSÃO
• • Na indústria da comunicação, existem apenas três tipos de atividade ligados à difusão da informação: transmissão, armazenamento e compreensão. O ramo da transmissão é facilmente reconhecido. Abrange a televisão, o telégrafo, o telefone, o telex — tudo o que comece com "tele" e possa ser transmitido por fios, rebatido por um satélite ou impresso numa página. O armazenamento de informação não é domínio exclusivo das grandes empresas. Na verdade, envolve companhias de todos os tamanhos, entre as quais estão os fabricantes de computadores e os bancos de dados. A atividade de compreensão, por sua vez, permanece ainda praticamente inexplorada. A compreensão constitui a ponte entre os dados e o conhecimento — é o objetivo da informação. Embora existam pessoas preocupadas com esse fator, são poucas até agora as empresas delicadas a ele. As velhas fórmulas e os antigos sistemas de processamento de dados são impotentes diante da complexidade da informação que precisamos assimilar atualmente. Necessitamos desenvolver novas fórmulas para a compreensão. Precisamos tratar a compreensão como uma atividade econômica e uma indústria em si, não apenas como um componente das outras áreas.

1.3 Sinais reveladores
Se a caixinha de "Entrada" de seu escritório lança sobre sua mesa uma sombra corno a do monte Annapurma e se à simples menção da palavra "informação" você se arrepia de pavor, é provável que esteja sofrendo de ansiedade de informação. Mas, se não tem certeza, os comportamentos a seguir são indicativos de que lidar com informação talvez seja um problema em sua vida.

Falar compulsivamente que não consegue se manter atualizado com o que ocorre a seu redor. Sentir-se culpado com aquela pilha cada vez mais alta de periódicos à espera de leitura. Balançar a cabeça compenetradamente quando alguém menciona um livro, um artista ou uma notícia de que você, na verdade, nunca tinha ouvido falar. Descobrir que é incapaz de explicar algo que pensava ter entendido. Xingar-se por não ser capaz de seguir as instruções para montar uma bicicleta. Recusar-se a comprar um novo eletrodoméstico ou equipamento apenas por medo de não conseguir operá-lo. Sentir-se deprimido por não saber para que servem todos aqueles botões do seu videocassete. Comprar aparelhos eletrônicos de alta tecnologia, achando que pode aprender a tecnologia por osmose. Qualificar um livro de "genial" mesmo sem ter entendido sua resenha, que foi tudo o que você leu a respeito. Consultar seu relógio digital para registrar a hora exata no livro de entradas e saídas de um prédio de escritórios, mesmo sabendo que na verdade ninguém liga para isso. Dedicar tempo e atenção a notícias que não têm qual quer impacto cultural, econômico ou científico em sua vida Ao preencher um formulário, sentir-se compelido a ocupar todos os espaços em branco. Reagir emocionalmente à informação que você de fato não compreende - por exemplo, entrar em pânico ao saber que o índice Dow Jones caiu 500 pontos, mesmo sem saber o que ele realmente é. Achar que a pessoa ao seu lado está entendendo tudo e você não. Ficar muito receoso ou encabulado de dizer "Não sei". Ou, pior, chamar de informação alguma coisa que você não compreende.
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2.1 Ode à ignorância
• Para compreender qualquer tipo de informação nova seja ela um relatório financeiro, o manual de um eletrodoméstico ou urna nova receita, você precisa passar por certos processos e preencher certas condições prévias. Deve ter algum interesse em receber a informação; descobrir a estrutura ou o arcabouço em que ela está ou deveria estar organizada; relacioná-la a idéias que já compreenda e examiná-la sob diferentes perspectivas para poder "possuí-la" ou entendê-la. Mas o pré-requisito mais essencial para a compreensão é ser capaz de admitir a ignorância quando não entender alguma coisa. A capacidade de admitir que não se sabe é libertadora. Permitir-se não saber tudo fará você relaxar, e este é o estado de espírito ideal para receber informação nova. Você precisa estar tranqüilo para ouvir, para realmente escutar a informação nova. Quando puder admitir a ignorância, irá perceber que, não sendo propriamente um êxtase, ela é um estado ideal para se aprender. Quanto menos preconceitos você tiver diante de um assunto e quanto mais à vontade se sentir em relação a não saber, mais aumentará sua capacidade de compreender e aprender. Ao admitir que não sabe, você pode superar o medo de que sua ignorância seja descoberta. A curiosidade, essencial ao aprendizado, prospera com a superação do receio. Isto mexe com uma insegurança quase universal: a de sermos de certa forma inferiores se não compreendemos algo. Vivemos com medo de que descubram nossa ignorância e passamos a vida tentando contar vantagem para o mundo. Se pudéssemos nos deleitar com a nossa ignorância e usá-la como inspiração para aprender, em lugar de considerá-la uma vergonha a esconder, não haveria ansiedade de informação. Quando lhe perguntaram qual havia sido o evento mais útil no desenvolvimento da teoria da relatividade, Albert Einstein respondeu: "Descobrir como pensar sobre o problema". A chave para a compreensão é aceitar que qualquer relato de um evento é sempre subjetivo, não importa o empenho do relator em ser exato e objetivo. Uma vez aceito que a informação sempre chega filtrada pelo ponto de vista de outra pessoa, ela de certa forma se torna menos ameaçadora; você começa a compreendê-la em perspectiva e a personalizá-la, que é o que conduz à posse.

2.2 Organizando informação
• As formas de organizar informação são finitas. Ela só pode ser organizada por: (l) categoria, (2) tempo, (3) localização (4) alfabeto, (5) seqüência. Estas formas são aplicáveis a quase qualquer projeto — desde as e suas pastas de arquivo pessoais até as empresas multinacionais. Elas constituem o arcabouço da organização de relatórios anuais, livros, conversas, exposições, catálogos, convenções e até de depósitos.

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Categoria. Refere-se à organização dos bens. Lojas de varejo são normalmente organizadas desta forma, por tipos diferentes de mercadoria, ou seja, artigos de cozinha em um departamento e roupas em outro. A categoria pode significar diferentes modelos, diferentes tipos ou até mesmo diferentes perguntas a serem respondidas, como num folheto dividido em perguntas sobre uma em . Este modo resta-se bem a reorganizar itens de importância similar. A categoria é bem reforçada pela cor, ao contrário dos números, que possuem valor intrínseco. Tempo. O tempo funciona melhor como um princípio de organização para eventos que ocorrem em intervalos fixos, tais como convenções. Também tem sido usado criativamente para organizar lugares, como na série de livros Um dia na vida (de um determinado país). Funciona com exposições, museus e histórias, seja de países ou empresas. O projetista Charles Eames criou uma exposição sobre, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin apresentada como uma linha de tempo em que os visitantes podiam ver quem estava fazendo o que e quando. O tempo é uma estrutura facilmente compreensível a partir da qual observar e fazer comparações. Localização. E a forma natural a escolher quando você está tentando examinar e comparar informação vinda de diferentes fontes ou locais. Se estiver envolvido com um ramo industrial, por exemplo, pode interessar-lhe o modo como ele se distribui pelo mundo. Médicos usam as diferentes localizações no corpo como agrupamentos para estudar medicina.(Na China, os médicos usam manequins em seus consultórios para que os pacientes possam apontar o local específico de sua dor ou problema). Alfabeto. Este método presta-se muito bem para grandes conjuntos de informação, como as palavras de um dicionário ou os nomes de uma lista telefônica. Como a maioria decorou as letras do alfabeto, a organização alfabética da informação funciona quando o público ou os leitores abrangem um amplo espectro da sociedade que talvez não admitisse a classificação por outra forma, como categoria ou localização. Seqüência. Organiza os itens por ordem de grandeza do menor ao maior, do mais barato ao mais caro -, de importância etc. É o modo ideal quando se deseja conferir valor ou peso à informação, querendo usá-la para estudar algo como um setor industrial ou uma empresa.

Roget’s Thesaurus - As palavras são organizadas alfabeticamente, mas os sinônimos sob cada uma delas aparecem em disposição seqüencial conforme a proximidade do significado em relação à palavra base. TVGuide - Normalmente, as programações dos canais são organizadas por tempo e os filmes de televisão, alfabeticamente. Existem também índices de pro gramação infantil e esportiva. Famílias Organizadas por grau de autoridade e poder.

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Corpo humano Organizado por categoria funcional (sistema circulatório, sistema nervoso etc.). Embora a localização seja importante, ela não é a base fundamental de organização dos seres humanos como entidades biológicas. Fábrica ou linha de montagem - As fábricas que não utilizam linhas de montagem podem ser organizadas por categoria, por tempo ou por seqüência. As fábricas com linhas de montagem são organizadas por tempo. A linha de montagem em si é normalmente organizada por tempo, começando com as primeiras coisas a serem montadas. Um produto - Os produtos com partes móveis são organizados por localização, porque as peças precisam conectar-se às outras com base no lugar em que estão. Produtos eletrônicos não são necessariamente obrigados à isso, portanto, a arrumação dos componentes pode basear-se em outros atributos, tais como tamanho (seqüência), necessidade de acesso (seqüência), seqüência de montagem (seqüência), submontagem (seqüência ou categoria) etc. Descobrir os princípios de organização é como ter o cabide definitivo. Ele é tão essencial para você trabalhar com conjuntos já existentes de informação quanto para desenvolver seus próprios programas de informação. O tempo gasto para compreender o método de organização de outra pessoa irá reduzir o tempo empregado na procura de itens específicos. Quando você organiza a informação, a estrutura assim criada vai poupá-lo da frustração de fazer malabarismos com as partes desconexas. Muita gente acaba se confundindo quando mistura os diferentes métodos de organização na tentativa de descrever algo simultaneamente em termos de tamanho, localização e categoria, por falta de uma compreensão clara de que estes são todos modos válidos, mas separados, de estruturar a informação. Compreender a estrutura e a organização da informação lhe permite extrair dela valor e significado. Desde que você tenha um senso de organização, mesmo que instintivo, pode ficar à vontade com este conhecimento e começar a examinar a informação de diferentes perspectivas, o que lhe permitirá compreender as relações entre conjuntos de informação. Pergunte-se: como posso encarar esta informação? Posso distanciar-me dela? Ela pode ser resumida? Posso vê-la em algum contexto? Posso chegar mais perto dela, de modo que não seja identificável com base em minha impressão anterior sobre o assunto? Posso observar os detalhes? Seja qual for o seu problema na vida — relacionamentos pessoais, uma transação comercial, o projeto de uma casa —, ele pode ser esclarecido com a formulação destas perguntas. Como posso safar-me da situação? Como vejo a coisa ao mudar de escala? Como posso olhar o problema de diferentes pontos de vista? Como posso dividi-lo em partes menores? Como arrumar e rearrumar estas partes de modo que seja possível lançar uma nova luz sobre o problema? Cada ponto de vista, cada modo de organização criará uma nova estrutura. E cada estrutura nova lhe permitirá ver uma forma diferente de significado, funcionando como um novo método de classificação a partir do qual o todo pode ser captado e compreendido.

2.3 Exemplos de informação organizada
• Páginas Amarelas - Estes catálogos são organizados por categoria e apresentados alfabeticamente, com listagens alfabéticas dentro de cada atividade; por exemplo: os advogados são listados alfabeticamente sob o título "Advogados" na letra A. Dicionário - As palavras são organizadas em ordem alfabética; as definições, por categoria de significado; e as etimologias, por tempo. Goodels World Atlas -A organização geral é por categoria, conforme o tipo de mapa (temático, de cidades ou regional). A informação dentro dessas seções é, em seguida, organizada por localização. World Almanac Organizado por assuntos (categorias) e, dentro destes são usadas as cinco formas possíveis, em diferentes níveis de organização (alguns chegam a três níveis de aprofundamento). Catálogo da Sears - Este catálogo é organizado por categorias e, dentro destas, em forma seqüencial de preço ou de sofisticação. O índice vem em ordem alfabética. EPCOT Center A organização de um lugar pode ser feita sob qualquer das cinco formas - não somente por localização mas, como o EPCOT Center, por culturas nacionais, épocas históricas etc. Uma conversa - Uma conversa não possui fluxo determinado ou padrão e se desloca seqüencialmente por diferentes tópicos. Romeu e Julieta Como a maior parte das histórias, novelas e anedotas, este livro é organizado por tempo; a maioria dos programas de televisão e os comerciais também. Disneylândia - Ao contrário do EPCOT Center, a Disneylândia é organizada por categoria (Terra da Aventura,Terra da Fronteira etc.). Estas são categorias e não localizações, pois não estão baseadas em locais reais, mas em combinações de locais reais. Governos - Organizados por localização de autoridade e poder, avançando por grau de autoridade e poder. • • • •

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2.4 No início está o fim
• Antes de desenvolver qualquer solução para uma dada tarefa, deve-se encetar um movimento no sentido de descobrir o seu início. Compreender o veio da questão é o caminho para resolvê-la. A melhor maneira de concluir um projeto é definir sua finalidade essencial, seu objetivo mais básico. Qual o objetivo a ser alcançado? Qual o motivo para iniciá-lo? É aqui que reside a solução. Existem duas partes na solução de qualquer problema: o que você pretende conseguir e como deseja fazê-lo. Mesmo as pessoas mais criativas atropelam essas questões, omitindo o que pretendem e indo direto para o como desejam fazer. Existem muitos "comos" e apenas um " quê". O "o quê" dirige os "comos". Você deve sempre perguntar "o quê?" antes da pergunta "como?".

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Se você não se perguntar o objetivo do projeto, suas escolhas tornam-se arbitrárias, e essa ansiedade gera uma sensação incômoda. Você fica, então, imaginando ansiosamente se não haveria uma solução melhor.

3.2 A arquitetura das instruções
• Os blocos construtivos da boa instrução são os tijolos da descrição. Quanto melhor você descreve a situação ou o ambiente existentes, mais corretamente seguidas serão suas orientações — esteja você explicando a um convidado como chegar em sua casa ou dizendo a uma agência de publicidade o que espera de uma campanha. Dispomos de apenas três meios para descrever: as palavras, as imagens e os números. A gama é limitada. Geralmente, as melhores instruções utilizam os três, mas em qualquer caso uma forma deve predominar enquanto as outras duas auxiliam e esclarecem. A chave para dar boas instruções é escolher os termos apropriados.

3. A ARTE DA CONVERSA
• Os computadores tornaram-se um símbolo onipresente de uma nova era, mascotes da era da informação e de um novo modo de pensar. Contudo, os computadores não são, nem deveriam ser, um modelo da mente. Por um lado, se é difícil encontrar quem discorde desta afirmação, por outro, a reverência, a adulação e o culto a eles sugerem que chegamos ao ponto de acreditar não apenas que se baseiam no modelo da mente humana, como também que seria muito melhor se nossas mentes humanas fossem modeladas por eles. Existe um único método para transmitir o pensamento, para comunicar a informação de uma forma que praticamente capte o espírito da mente: a conversa. A conversa pode ser o espelho da mente, um espaço de desenvolvimento para as idéias. Ela nos permite comunicar nossos pensamentos de modo bastante similar à forma como eles ocorrem em nossa mente. •

4. LINGUAGEM E PENSAMENTO
• • A linguagem é uma chaleira rachada na qual tocamos ritmos toscos para ursos dançarem, desejando fazer música para derreter as estrelas. Gustave Flaubert O QUE VEIO PRIMEIRO - A LINGUAGEM OU O PENSAMENTO? Os lingüistas discordam quanto à relação entre a linguagem e o pensamento e, portanto, quanto à compreensão. Alguns consideram que a língua determina o pensamento, podendo este ocorrer apenas dentro das regras e dos limites de uma linguagem. Outros acreditam exatamente o contrário: que o pensamento determina a forma da linguagem. Quanto a mim, acredito que, a relação entre pensamento e linguagem é uma combinação dessas duas idéias opostas. A linguagem é usada para organizar e comunicar o pensamento. Ela é, em parte, um reflexo de como pensamos e, em parte, uma influência e, às vezes, uma limitação sobre como pensamos. Às vezes, a compreensão depende bastante do vocabulário. Se você não tiver a palavra adequada, torna-se difícil comunicar um conceito (e, às vezes, até pensar nele). Quanto mais conceitos compreender, mais poderoso seu pensamento, mais combinações poderá fazer e mais criativo será. Isto não significa que quanto mais palavras você souber, melhor. O importante não é a palavra em si, mas o conceito por ela representado. Você deve escolher e desenvolver seu próprio vocabulário, recheando-o com palavras/conceitos que façam sentido para você. As matérias-primas estão à sua disposição, mas só você pode tomar as decisões sobre o que é adequado ou não. Compreender conceitos é muito mais difícil do que ensinar nomes, datas e eventos. No entanto, é muito mais importante. O conceito de "equilíbrio" parece bastante simples quando aplicado ao peso e à gravidade, mas se você o compreende realmente, pode aplicá-lo a tudo, desde nutrição, movimento e economia, até filosofia, política e design. O que significaria equilíbrio no contexto do cérebro? Da ecologia? De um dicionário? De um carro? Compreender o significado desta palavra e de seu conceito é conseguir mais um tijolo para a construção.

3.1 Falar é profundo
• Planejamento de reuniões. As pautas de reuniões deveriam ser organizadas de modo a possibilitar a participação de todos os presentes. Deveriam incorporar mecanismos para a exposição de novas idéias, para ajustar a, complexidade da informação com base nas respostas dos participantes. Deveriam ser flexíveis o suficiente para permitir desvios e mudanças de rumo. • Treinamento e educação de empregados. Os novos funcionários deveriam participar da preparação de seu treinamento, adaptando seus próprios programas, cada um aprendendo segundo seu próprio ritmo. Deveria ter a oportunidade de fazer perguntas, de parar e testar seu aprendizado no caminho. O treinamento deveria se programado como uma conversa ampliada. • Trocas sociais. As conversas desempenham um papel cada vez mais insignificante em nossa vida, contribuindo para sentimentos de alienação e de isolamento em relação à sociedade. Todos têm a oportunidade de utilizá-la como um modelo para a comunicação. Embora isso pareça ser absurdamente simples e a maioria das pessoas afirme que já faz isso todos os dias, o que realmente fazemos a maior parte do tempo é preleção. Conversar, em sua forma mais pura, significa ouvir, responder a novos estímulos, trocar idéias. Exige reflexão, atenção e uma paciência que pouca gente tem. • A boa comunicação é tão estimulante e torna tão difícil dormir depois quanto o café. • A leitura faz um homem completo; a meditação, um homem profundo; o discurso, um homem claro. Benjamin Franklin • A alta administração tem a responsabilidade de determinar a política de comunicação e de criar um ambiente em que os empregados sejam encorajados a dizer o que pensam. O relatório do Centro de Liderança Criativa sugeria que os executivos adotassem os seguintes passos para estimular o diálogo produtivo com seus empregados: • Atenuar as diferenças hierárquicas. O tamanho e a posição dos escritórios dos executivos podem ser definidos de modo a criar maior proximidade entre o empregado e o executivo. • Criar mecanismos geradores de crítica construtiva. Os empregados de todos os níveis deveriam poder avaliar os executivos com a mesma facilidade com que são criticados por seus superiores. • Empregados sérios, leais, francos, devem ser incentivados. Se sua organização tem um ou dois indivíduos aos quais esta definição se aplica, considere-se um sujeito de sorte; a coragem nunca foi endêmica nas organizações. • Redes. Os executivos também podem estabelecer o tipo de linha de comunicação que seus empregados provavelmente vêm mantendo há anos.

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4.1 Expressões triviais
• Se as expressões a seguir parecem ocupar grande parcela do seu discurso ou da sua escrita, escolha algumas a cada semana e tente exorcizá-las. Substitua-as por palavras e frases mais significativas. Uma linguagem muito estática torna-se demasiado insípida.

5. A ARTE DA COMUNICAÇÃO
• Qualquer que seja o projeto no qual esteja envolvido, provavelmente a comunicação tem nele um lugar especial, e quanto mais você enriquecer sua linguagem, mais possibilidades terá de comunicar suas idéias. Quanto mais aprender sobre a linguagem que usa, menos ansioso ficará-em relação a se comunicar com os outros. Lee Iacocca, presidente da Chrysler Corporation, concorda. Um de seus oito mandamentos para a boa administração é: "Fale claro e seja breve. Escreva do jeito que fala. Se você não fala assim, não escreva assim”... A linguagem da transmissão de informação está cheia de armadilhas que nos desviam da preocupação com o desempenho e nos levam à ansiedade, à confusão e ao mal-entendido. Você pode ficar à vontade e aprender, simplesmente permanecendo atento a elas. Tenha-as em mente quando mergulhar em nova informação, quando folhear um jornal, assistir o noticiário, iniciar um novo projeto ou tirar da caixa uma nova torradeira. Compreender as ciladas da comunicação de informação constitui uma defesa contra ser intimidado ou subjugado por ela.

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.

Quem guarda tem Para encurtar a história Desnecessário dizer Indo direto ao ponto Não se incomode comigo É a vida Só tenho duas mãos De corta forma Está no papo

21. Você está em casa agora? 22. São coisas da vida 23. Bom demais 24. Todo dia é dia 25. Estou numa roda-viva 26. Posso ser franco? 27. Subiu feito um rojão 28. Tudo o que sobe desce 29. Na verdade 30. Criança tem cada uma 31. Falei, está falado 32. Está brincando 33. Isto deve dar para o gasto 34. Não quero ouvir um pio 35. O tempo voa 36. Para dizer a verdade 37. Você tirou as palavras da minha boca 38. Chovendo canivete 39. Isola no madeira 40. Vamos levando

41. Nada como um dia depois do outro 42. As voltas que a mundo dá 43. Evidentemente 44. Tudo tem um limite 45. Não estou no meu normal 46. De volta para o batente 47. Em cheio no alvo 48. Onde termina isso? 49. Já sei onde você quer chegar 50. Ele é boa gente 51. De qualquer modo 52. Para ser bem honesto 53. Jogar verde 54. Por outro lado 55. Nunca mo aconteceu 56. Diga o que tem a dizer 57. Deixa como está para ver como é que fica 58. Seguro as pontas 59. Eu ia mesmo te ligar 60. Nunca vou me conformar

10. Morri de modo 11. Então, como é que é? 12. Que história é casa? 13. Posso dizer uma coisa? 14. Vou ser claro com você 15. Estou lhe falando como amigo 16. Diga o que está pensando 17. Algo me diz que 18. Conte de novo 19. Posso lhe fazer uma pergunta? 20. Está na ponto da língua

• A doença da familiaridade. A familiaridade gera confusão. Sofrem deste mal todos os especialistas do mundo que, de tão atolados em seu próprio conhecimento, normalmente omitem os pontos principais quando tentam explicar o que sabem. • Parecer bom é ser bom. O mal da boa aparência é confundir a estética com o desempenho. Uma informação funciona quando comunica bem uma idéia, e não quando é transmitida de forma agradável. A informação sem comunicação não é informação. • A síndrome do “hã-hã”. Ocorre quando o receio de parecer burro supera o desejo de compreender. Os sintomas são os meneios involuntários de cabeça e a repetição do "hã-hã", que fingem um conhecimento que não temos. • Comparações inconsistentes. Comparar incógnitas ou coisas intangíveis, bem como elementos que não têm nada em comum é não-informativo. • Se é exato, é informativo. Um não é necessariamente consequência do outro. A solução é aprender a ir além dos fatos, até o significado, e reconhecer a natureza do receptor. A exatidão dos fatos não toma necessariamente as coisas compreensíveis. • Exatidão desnecessária. Arrendondar não é pecado. A exatidão extrema nem sempre constitui informação e frequentemente é desnecessária. • O culto do arco-íris ou adjetivite aguda. Trata-se de uma crença epidêmica a de que mais cores e linguagem mais enfeitada irão por si sós aumentar a compreensão. • Amnésia de sobrecarga. É uma variante da disfunção de memória do jantar chinês, que ocorre mais especificamente como resultado do fato de você sobrecarregar-se de dados. Quando sobrecarregada, sua memória não só libera os dados que você tenta reter, como também pode arbitrariamente descarregar outros arquivos. • A síndrome da opinião especializada. Temos tendência a achar que quanto mais opiniões especializadas obtivermos - sejam elas legais, médicas, automobilísticas ou outras. • Não me diga como termina. A popularidade do gênero de suspense em livros e filmes levou as pessoas a extrapolarem esse aspecto de manter o interesse pelo suspense quando estão transmitindo informação nova. Embora o suspense tenha seu espaço, ele tende a produzir ansiedade, que provavelmente não é o estado ideal para se receber informação. Se você sabe o final, pode relaxar e desfrutar a forma de algo que está sendo apresentado.

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• Imposturas de informação. Absurdos nos são impostos disfarçados como informação. Automaticamente damos um certo peso aos dados, dependendo da forma como eles nos são transmitidos. Dado que não paramos para questionar, supomos estar recebendo alguma informação. • Administrativite. É uma doença que se manifesta em escolas, instituições e grandes empresas, onde os indivíduos pensam que estão mandando no sistema, sendo que, na prática, acontece exatamente o contrário. É caracterizada por uma grande preocupação com os detalhes de operação — questões administrativas, salários, área das salas em metros quadrados, material de escritório — e por um total descaso pelos objetivos de operação. • Construtivite. É um mal caracterizado pela crença de que um edifício melhor ou um escritório mais bem decorado ou um relatório anual mais enfeitado irão resolver todos os problemas.

6. APRENDIZADO - AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO
6.1 Aprender é lembrar o que interessa
• Aprender pode ser definido como o processo de lembrar aquilo que interessa. E ambos andam de mãos dadas com a comunicação. Os comunicadores mais eficazes são aqueles que compreendem o papel do interesse no sucesso da transmissão de mensagens, seja para tentar explicar astrofísica ou para orientar proprietários de automóveis em estacionamentos. Assim como comer sem vontade faz mal à saúde, também estudar sem gosto faz mal à memória, que não retém nada do que recebe. Leonardo da Vinci Em seu livro Liberdade de aprender em nossa década, Carl Rogers afirma que o único aprendizado que influencia significativamente o comportamento é o "auto descoberto" e "auto-apropriado". Somente quando o assunto é percebido como relevante para os próprios fins da pessoa ocorrerá um volume significativo de aprendizado. A ansiedade de informação resulta da constante superestimulação; não nos dão tempo ou oportunidade de fazer transições de um cômodo a outro ou de uma idéia para a próxima. Ninguém funciona bem perpetuamente tomando fôlego. O aprendizado e o interesse requerem "paradas intermediárias" em que possamos nos deter e pensar sobre uma idéia antes de prosseguir até a seguinte. Aprender sem meditar é inútil; meditar sem aprender é perigoso. Confúcio As pessoas lembram 90 por cento do que fazem, 75 por cento do que dizem e 10 por cento do que ouvem. NINGUÉM SE PERDE NOS CAMINHOS DO INTERESSE - A importância de estimular e manter o interesse permeia toda a mídia e todas as formas de expressão. Qualquer apresentação escrita ou verbal deve ser desenvolvida para estimular o interesse ao longo do caminho. O roteiro deve ser flexível o suficiente para permitir ao leitor ou ouvinte ver as conexões entre o tópico em pauta e outros.

5.1 Comunicar é lembrar como era quando não se sabia
• A informação é a matéria-prima que alimenta toda a comunicação, pois a motivação básica de qualquer comunicação está em transmitir de uma mente para outra algo que será recebido como informação nova. Assim, talvez, a armadilha mais universal, aquela em que se cai inevitavelmente quando se tenta comunicar informação, é o esquecimento de como é não saber. No instante em que passamos a saber algo, esquecemo-nos de como era quando ignorávamos. Podemos não ser capazes de escapar completamente desta armadilha, mas, se pelo menos tentarmos nos colocar no lugar de alguém que nada sabe sobre o que estamos falando, poderemos prever algumas de suas perguntas e nos transformar em melhores transmissores de informação. Se podemos simular cegueira tapando os olhos, também podemos tentar nos lembrar de como é não saber ao comunicar novas informações aos outros. • •

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6.2 Conexões de interesse
• A idéia de ser possível expandir um interesse em uma variedade de outros torna suas opções menos ameaçadoras. Você pode mergulhar num assunto em qualquer nível e segui-lo não apenas até seus níveis mais altos de complexidade como passar para outros assuntos. Parte do trauma da tomada de decisão está no seu receio de ter de eliminar alternativas talvez mais viáveis do que aquela que escolheu. Mas quando você percebe que um interesse pode sempre ser conectado a outro, esse receio é afastado. Se optar por estudar automóveis, isso não significa que não possa estudar história também. DIFERENCIANDO INTERESSES E OBRIGAÇÕES - O problema com os interesses não é tanto o de fazer opções, mas o de diferenciá-los das obrigações. Muitas pessoas não conseguem distinguir seus interesses genuínos dos assuntos que elas pensam que as tornariam mais interessantes como indivíduos — interesse verdadeiro versus culpa ou status. O truque está em separar seus interesses reais de tudo aquilo que você pensa que deveria interessá-lo. A busca do primeiro proporcionará prazer; a do segundo produzirá ansiedade. Tendo determinado seus interesses, você pode desenvolver seu potencial de curiosidade maximinizando as conexões entre eles. Como evoluir do seu interesse por vasos Ming para a história chinesa e daí para seu trabalho como avaliador? Qual a importância da palavra interesse na sua vida cotidiana? O que você persegue de forma planejada

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para aumentar seu envolvimento com esses interesses? Seu trabalho deveria ser uma extensão de seu hobby. • A IMPORTÂNCIA DE ESTAR INTERESSADO - Se minha premissa de que você só lembra aquilo que lhe interessa for correta, então o interesse torna-se uma palavra-chave na assimilação da informação e na redução da ansiedade. No entanto, o interesse normalmente ganha no máximo um papel secundário em nossa vida. Tem para nós a insignificância de um hobby. Um item que está desaparecendo dos currículos profissionais é o das "áreas de interesse". Passou a ser chamado de "interesses externos". E estes quase se tornaram algo que as pessoas não deveriam ter - desvios de seu objetivo ou de sua missão final. Deveríamos observar com atenção o que a palavra "interesse" significa para nós. O conceito de interesse pode ser simplório, mas acredito que por isso mesmo deveria ser uma palavra de especial deleite, por representar uma forma de entrar em contato com a clareza.

• Viva o erro! É possível aprender mais pelo estudo das coisas que não funcionam do que das que funcionam. A maioria dos grandes avanços tecnológicos e científicos partiu do exame de coisas que falharam. • Lista de espera. Gastamos boa parte do tempo esperando — em filas de caixa, em guichês, em consultórios médicos. Como poderíamos ocupar melhor esse tempo? • Como explicar algo para que sua mãe entenda? O reconhecimento da capacidade de compreensão do outro é essencial em toda comunicação e, no entanto, é algo em que raramente pensamos. Supomos que os outros podem compreender as mesmas coisas que nós. • A diferença entre a verdade e os fatos. Os fatos só têm significado quando ligados a idéias e relacionados à sua experiência e, no entanto, eles são oferecidos em lugar da verdade. • O óbvio e como admiti-lo. Em nosso zelo por parecer cultos, frequentemente não apenas esquecemos como evitamos o óbvio. E, no entanto, é no domínio do óbvio que reside a maioria das soluções.

7. EDUCAÇÃO E APRENDIZADO 8. APRENDIZAGEM E COMPREENSÃO
• • A EDUCAÇÃO ESTÁ PARA O APRENDIZ COMO O TURISMO EM GRUPO PARA A AVENTURA A escola é o lugar onde são formados nossos hábitos de informação e, no entanto, saímos dela mal preparados para manipular a avalanche de informação nova que teremos de adquirir continuamente. Sofremos de ansiedade de informação principalmente devido à maneira como fomos treinados, ou não, para aprender. Os pesquisadores identificaram quatro estilos de aprendizado: o dos ativos, que aprendem melhor com as atividades enquanto estão envolvidos nelas; o dos reflexivos, que aprendem com as atividades que tiveram a oportunidade de revisar; o dos teóricos, que aproveitam as atividades quando oferecidas como parte de um conceito ou teoria; e o dos pragmáticos, que aprendem melhor quando há uma ligação direta entre o assunto e um problema da vida real. Alan Mumford, "Learning Styles and Learning'. É impossível para um homem aprender aquilo que ele pensa já saber. Epiteto Quem aprende pela descoberta tem sete vezes mais capacidade do que quem aprende por ouvir falar. Arthur Guiterman

8.1 Posse da informação
• A interação com a informação é o que lhe possibilita a posse. Colocando-se no contexto, você criará uma conversação que permitirá o aprendizado. Você pode fazer perguntas, corrigir erros e ajustar-se a novas idéias num ambiente ativo. VOCÊ SÓ APRENDE O QUE TEM RELAÇÃO COM O QUE COMPREENDE. No século IV a.C., Aristóteles observou que a lembrança de determinado conhecimento era facilitada mediante associação com outra, fosse por contigüidade, seqüência ou contraste. O aprendizado comparativo, fazendo ligações entre uma informação e outra, é conceito do qual derivo minha primeira lei: “você só aprende o que tem alguma relação com o que compreende”.

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8.2 Tema e variações
• O que isoladamente é apenas um fato pode tornar-se informação se colecionado junto com outros fatos. O conhecimento é obtido pela compreensão do tema e das variações. Se eu lhe mostrasse um repolho, você pensaria que os repolhos são redondos, verdes e cheios de folhas. E são. Mas se eu lhe mostrasse um repolho roxo, um verde e um repolho chinês, você começaria a compreender as características essenciais — o odor, a textura e a densidade que definem o repolho. Isto é informação. Esse conjunto lhe permite entender muito mais sobre cada elemento, vendo as relações entre eles — as variações sobre um tema. As pessoas desperdiçam tanta energia procurando o melhor exemplo para um argumento, quando talvez fosse melhor usar três exemplos medíocres.

7.1 Fantasias de aprendizado
• Aprender a aprender. Para mim, este deveria ser o único curso durante os seis primeiros anos da escola. • A pergunta e como formulá-la Fazer perguntas é o passo mais importante para achar as respostas. Melhores perguntas provocam melhores respostas. • O círculo de cinco minutos. O que poderia fazer ou ver em cinco minutos a partir de onde está sentado? • O círculo de cinco quilômetros. O que poderia fazer, ver e compreender sobre sociologia, estrutura das escolas, da vida urbana e dos sistemas num raio de cinco quilômetros a partir de onde está sentado? • Este é seu novo mundo. Se você fosse rei desse reino de cinco quilômetros, como o governaria? Você iria mudá-lo, compreendê-lo, comunicar-se com ele? • Curso sobre uma pessoa. Você poderia fazer um curso sobre Albert Einstein, Louis Kahn ou Yasser Arafat. •

8.3 Aprender é fazer conexões
• Estou convencido de que agrupar idéias é vital para a comunicação. Um número num relatório anual por exemplo, o do faturamento não lhe diz muita coisa. Mesmo uma curva de tempo, que mostre os valores ao longo de dez anos, não lhe diz o que você quer saber. Interessa-lhe saber o lucro de cada ano e como se compara a lucratividade de uma empresa com a de outra do mesmo setor. A forma de extrair sentido de dados brutos é recorrer à comparação e ao contraste para captar as diferenças. Fazendo uma analogia com um mapa: este não é o próprio território, mas as diferenças — seja de altitude, vegetação, população, terreno. Gregory Bateson, Steps to an Ecology of Mind.

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8.4 O jogo dos números
• Os números têm o poder de resumir aspectos relevantes da realidade e, no entanto, é muito comum a incapacidade de compreendê-los, especialmente os grandes números. Quantas pessoas sabem a diferença entre um milhão e um bilhão? Quantas são.capazes de entender a diferença entre gastar bilhões ou trilhões de dólares num projeto do governo? No entanto, isso afeta nossa vida. NÃO CHOVA NO MEU DESFILE - Estatísticas sobre a distribuição de renda podem não significar grande coisa, mas imagine se a altura das pessoas refletisse sua renda. Um desfile de uma hora com os 38 milhões de britânicos que têm renda começaria com vários minutos de gente sem altura alguma (pessoas que, embora trabalhem, estão perdendo dinheiro), continuaria por mais de meia hora com pessoas muito baixas (principalmente mulheres, aposentados e adolescentes). Só depois de quarenta minutos começariam a aparecer as de altura média, seguidas por umas poucas ridiculamente altas, pairando 32 km acima da cabeça das que começaram o desfile. The Economist Nós nos deixamos levar pela informação (especialmente sob a forma de estatística) e admitimos que ela tome decisões por nós. Se não questionarmos os fatos e os números que nos chegam, não poderemos compreendê-los, e é mais provável que sejamos enganados. Você sempre se sairá melhor se ignorar a informação que não entende do que se tentar agir com base nela. Os números se tornam significativos quando podem ser relacionados a conceitos passíveis de ser captados visceralmente. Um bilhão e um trilhão não têm significado sem um quadro de referência. O que se pode comprar com l trilhão? Os números são meramente simbólicos em toda a informação. A não ser que possam ser comparados com algo que você já entende, eles não têm nenhuma utilidade. Comparar os dados pode responder à pergunta: "Onde está o dinheiro?", mas não esclarece sobre renda disponível ou sobre onde estão as pessoas ricas. Estas são perguntas diferentes. Isso é parte do processo de informação; você tem de construir a partir de coisas que compreende. As comparações permitem o reconhecimento. Acho que temos uma sobrecarga de dados, mas pouquíssimas pessoas realmente conseguem utilizar bem a informação. Quando dizemos informação, a palavra de certo modo sugere que ela informa, e "informa" significa que você está compreendendo e aprendendo alguma coisa e que possivelmente está interessado naquilo. Acho que "dados" é uma palavra melhor do que "informação", porque é mais uma nomenclatura de máquina (o que estamos discutindo) e é algo extremamente inamistoso. Os dois extremos são constituídos de dados em uma ponta e conhecimento na outra. John Sculley. O conhecimento deve ser interessante, compreensível e relevante para os seus interesses. Os dados, por outro lado, não têm contexto. Como você lhes dá um contexto? A maioria dos dados não passa nesse teste. John Sculley. Acho que o mais difícil é dar à informação uma forma reconhecível, a fim de que as pessoas a considerem suficientemente importante em sua vida para desejar mudar seu comportamento. John Sculley. Tudo o que temos feito é perceber a forma como as máquinas criam dados e os ampliam. Estamos concluindo que os dados correspondem à escala da máquina e não à escala do homem. Simplesmente não é muito útil ter essas quantidades maciças de dados. John Sculley.

Se o fracasso puder ser visto como um prelúdio necessário para a grande realização, o processo do êxito pode ser mais bem compreendido. O QUE VOCÊ NÃO SABE É TÃO IMPORTANTE QUANTO O QUE SABE A explosão da informação equivale a urna explosão de conhecimento? A resposta é não! Conversei com meu amigo Carlos Fuentes, que afirmou: "O maior desafio que se apresentará à civilização moderna será o de como transformar informação em conhecimento estruturado." Para isso, as pessoas precisam aprender a superar sua falta de dimensão e descobrir como fazer melhores conexões entre as informações. As pessoas frequentemente despejam não-informação como informação, informação obsoleta como verdadeira ou atual. A noção clássica de conhecimento tem duas partes. Uma delas é saber o que se sabe. Saber o que não se sabe é a outra metade. Saber o que se sabe e saber o que não se sabe é o conhecimento total. Muitas vezes vi para onde deveria ir ao me encaminhar para outro rumo. R. Buckminster Fuiler Toda saída é uma entrada para outro lugar. Tom Stoppard “... Planos são uma coisa e destino outra. Quando coincidem, resulta o sucesso. Contudo, o sucesso não deve ser considerado absoluto. Questiona-se inclusive se ele é uma resposta adequada à vida. O sucesso pode eliminar tantas opções quanto o fracasso". Tom Robbins Parte do problema atual é que não ensinamos as pessoas a conviver com a adversidade e com o fracasso. Pensamos que elas deveriam aprender apenas com o sucesso — e isso é parte da gratificação instantânea, do conhecimento instantâneo que as pessoas exigem. "Dê-me apenas o remédio; poupe-me da agonia de aprender" — é o que dizem. Verdadeiras inovações na compreensão — o tipo de percepção que pode revitalizar uma empresa — geralmente só vêm depois de algum tipo de queda. Nessa queda, é como se o administrador chegasse ao fundo. Ao chegar ao fundo, ele tem a traumática experiência de descobrir que na realidade ajudou a criar a confusão, o sistema que não funcionou. Essa percepção é um primeiro passo importante para ele começar a ver as coisas de uma nova maneira. Henry Thoreau conta uma história sobre um viajante a cavalo que chega à beira de um pântano. Ele pergunta a um jovem nativo se o fundo do pântano é firme. O rapaz garante ao viajante que sim, mas, à medida que este avança pelo pântano, começa a afundar. "Pensei que você tivesse dito que o fundo deste pântano era firme", diz o viajante ao rapaz. "E de fato é", responde o jovem, "mas você ainda não avançou nem a metade para chegar até ele". Fracassado é um homem que errou e não foi capaz de aproveitar a experiência. Elbert Hubbard Quase todos os meus sucessos são baseados em fracassos anteriores. Louis Parker Minha definição de fracasso é: sucesso com efeito retardado.

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9.2 Informação cultural
• Algumas coisas é preciso ver para crer. S. Harward Em algumas coisas é preciso crer para ver. L Ralf Hodgson Quantes vezes em minha vida fiquei decepcionado com a realidade porque, na ocasião em que a estava observando, minha imaginação, o único meio pelo qual eu poderia desfrutar a beleza, não foi capaz de funcionar devido à lei inexorável que determina que apenas o que está ausente pode ser imaginado. Marcel Proust • •

9. FRACASSO E SUCESSO
9.1 A correta administração do fracasso leva ao sucesso
• • O sucesso explora as sementes plantadas pelo fracasso. O malogro contém uma tremenda energia de crescimento. Os esforços humanos que falham dramatizam a nobreza do empenho inspirado e persistente. Grandes realizações foram construídas sobre os alicerces da inadequação e do erro.

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Cada um de nós tem sua própria interpretação daquilo que vê. Assim como um artista pinta um quadro que traduz sua visão, nós usamos nossas próprias percepções para compor uma imagem do mundo. Nossa estrutura cultural é um reservatório de informação ao qual nós, indivíduos, recorremos para comparar acontecimentos casuais e lhes dar um sentido, e no qual a sociedade em que vivemos procura parâmetros de comparação com uma ideologia cultural ou com a história. Esses acontecimentos, uma vez confrontados com nossas idéias pré-existentes, podem ser transpostos para diversas categorias dentro de nosso reservatório de informação, descartados ou apagados no esquecimento individual ou coletivo. Estamos cada vez mais sujeitos a presenciar acontecimentos que se contradizem uns aos outros e a nossas opiniões anteriores, o que nos faz questionar nossa própria capacidade de observação. Não sendo vivenciada em nível urgente, imediato ou mesmo tangível, a ansiedade produzida pela informação cultural é muito mais difícil de ser superada e mais ainda de ser compreendida. Embora possamos facilmente

Os mapas podem apresentar uma infinidade de formas. Uma tomografia computadorizada é um mapa do corpo humano. Uma lista de mantimentos é o mapa de uma excursão à mercearia. Um gráfico da produção anual de uma empresa mapeia seu rendimento. Um pedido de empréstimo é um mapa mostrando o caminho entre sua situação financeira atual e a situação desejada. Você pode mapear idéias e conceitos tanto quanto locais físicos.

10.2 Mapas de números e idéias
• Apesar de não tão exóticos quanto os mapas geográficos de terras distantes, gráficos, diagramas, ilustrações e até formulários são também mapas — da palavra escrita, de números, de conceitos. Eles nos permitem "formar imagens" da informação. Podem dar sentido ao caos, definir o abstrato através do concreto e, de modo geral, funcionam como armas com as quais conseguimos dominar idéias complexas e números rebeldes. Mapas bem feitos podem reduzir a ansiedade; também reduz a ansiedade a capacidade de reconhecer em que os mapas são inadequados. Mapas de números e de idéias podem ser passivos quando vêm completos, como gráficos e diagramas, ou podem ser ativos, como no caso dos formulários e requerimentos que exigem nossa participação.

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9.3 A desigualdade da percepção
• Em parte, a ansiedade surge porque relutamos em aceitar que a percepção não é apenas uma ação fisiológica que funciona da mesma forma para todos. Recusamo-nos a aceitar que a percepção humana não é absoluta e, teimosamente, tentamos agir como se assim fosse. Quando procuramos explicar alguma coisa a alguém, ou supomos automaticamente que o outro pode ver e compreender do mesmo modo que nós, ou gastamos um tempo enorme tentando forçá-lo a isso. Duelo de informação - Na interação diária com outras pessoas, fazemos milhares de avaliações e julgamentos sem questionar a origem de nossas opiniões. Estes julgamentos influem sobre nosso discernimento; chegam até mesmo a ameaçar nossa auto-estima, quando superestimamos as pessoas que nos rodeiam e imaginamos ser inferiores, sub informados ou mal preparados. Ver é algo mecânico. A percepção implica perceptividade, introspecção e intuição — a capacidade de fazer observações significativas sobre acontecimentos e idéias, de relacionar um conjunto de imagens a outro. Perceber envolve nossas faculdades mentais, nossa criatividade, nossa visão pessoal. A ansiedade surge quando confundimos ver com perceber, quando supomos que, por termos visitado o Louvre, necessariamente enriquecemos nossa percepção. A sociedade em que vivemos incentiva a perceptividade em todos os campos: artes, negócios, ciência, universidade. Assim, a condição para crescermos no nosso setor de atividade é o desenvolvimento da percepção.

10.3 Diagramas e gráficos
• Um diagrama ou um gráfico é um mapa cujo fim específico é ajudar os leitores a processar a informação. Gráficos e diagramas nos permitem tirar conclusões das estatísticas, de forma a não perdermos o rumo no meio um emaranhado de números desconexos. As quatro formas mais comuns de gráficos usados para comunicar estatísticas são gráficos de barras, circulares, de evolução e tabelas. Cada um deles se presta a tipos específicos de informação. A escolha de uma determinada forma deve ter por base o tipo de informação a ser mapeado. "Na maior parte dos casos, é o próprio material que irá determinar o tipo a ser utilizado, já que ele ficará visualmente mais claro naquela forma do que em qualquer uma das outras. A finalidade de um gráfico é esclarecer ou tornar visíveis fatos que de outro modo permaneceriam enterrados em um aglomerado de material escrito, listas, balanços ou relatórios". Gráficos de barra - os gráficos de barras são bons para a comparação de quantidades. A altura da barra representa a quantidade. Gráficos circulares - outro exemplo de gráficos que podem levar freqüentemente à confusão em lugar de esclarecer é o dos circulares. Os gráficos circulares têm sido excessivamente utilizados, em parte por serem relativamente fáceis de criar por computador. Somos atolados por eles diariamente nos jornais, nos relatórios anuais e até nos anúncios. A área do círculo é uma forma inadequada para comparar quantidades simples, porque é impossível compreender pelo olhar a relação entre o diâmetro e a área de um círculo. Gráficos de evolução - Os gráficos de evolução são ótimos para indicar tendências. Linhas que sobem ou descem são tão fáceis de entender que esse tipo de "gráfico de montanha" é provavelmente o mais usado. Mas assim como nos gráficos de barras, se a escala dos gráficos de evolução não for constante ou não estiver claramente indicada, a informação comunicada se torna, na melhor das hipóteses, confusa e, na pior delas, enganadora. Sempre pergunte: "Qual é a escala?" Tabelas - As tabelas são mapas maravilhosos quando se deseja saber quantidades exatas. As tabelas de imposto usadas para determinar quanto devemos ao fisco poderiam ser feitas na forma de gráficos de evolução ou de barras, mas seria irreal esperar que algum tipo de gráfico, exceto uma tabela, determine valores exatos em dinheiro.

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10. INFORMAÇÃO DE REFERÊNCIA
• As formas padronizadas de comunicação que usamos podem ser vistas como mapas. Através deles extrapolamos nossas próprias idéias e encontramos novas informações. intercambiamos percepções e idéias através da moeda de troca que são os mapas. Teoricamente, um mapa pode ser uma linguagem, um símbolo, um bastão ou um desenho na areia. Um mapa é qualquer coisa que mostre o caminho de um ponto a outro, de um nível de entendimento a outro. Um mapa apresenta a rota através da informação, seja ela um local geográfico ou um tratado de fisiologia. •

10.1 Os mapas como metáfora
• A maior parte das pessoas tem um conceito bastante limitado do mapa como a representação de um local geográfico específico. Para achar nosso caminho através da informação, precisamos contar com mapas que nos digam onde estamos em relação à informação, que nos dêem um sentido de perspectiva e nos permitam fazer comparações entre as informações.

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11. TECNOMANIA
11.1 Informação como mercadoria
• Uma das grandes ironias da era da informação é que, à medida que a tecnologia de transmissão da informação se torna mais sofisticada, a possibilidade de conseguirmos processá-la fica mais remota. É como se estivéssemos na ponta de uma linha de produção que despeja dados a uma velocidade alarmante, e a máquina não tem botão de desligar. O real benefício dos computadores pode ser a análise do desconhecido, usando técnicas como gráficos computadorizados interativos para explorar os dados, em busca do inesperado. Novas técnicas nos permitem tomar um grande conjunto de variáveis para cada Estado do país e integrá-las de tal forma que nos contem uma nova história sobre as diferenças ou semelhanças entre eles", Pela primeira vez existe um equipamento para fazer ais comparações essenciais que dão significado à estatísticas. Os sistemas de computação evoluíram das tarefas de “fundo de escritório" até o ponto de proporcionar o fluxo de informações necessário para a tomada de decisões empresariais vitais. Muitos executivos, no entanto, não compreendem que gastar mais em tecnologia de informação pode mudar sua estratégia empresarial. Não sabem sequer como separar a informação importante da rotineira. As empresas precisam pensar em reconstruir os sistemas existentes e criar novos sistemas que forneçam os dados de qualidade necessários para que as decisões sejam tomadas de maneira oportuna o responsável. Peter R. Scanlon O que você deve pesar, em relação à tecnologia, assim como em relação à informação, é sua capacidade de usá-la e avaliá-la. O que é exato? O que é suficiente? Qual a necessidade de saber? Tem alguma importância saber que o tempo de vôo do avião é de 4 horas, 21 minutos, 13 segundos e 4 milissegundos, ou então que voaremos a uma altitude de 9.549 metros? De que grau de exatidão você necessita? De que tipo de som? O que percebe com o paladar? Algumas pessoas treinam para conseguir distinguir a diferença entre os champanhes. Há certas áreas em que minha percepção pode discernir coisas que são realmente importantes para mim — e para essas coisas eu quero estar cercado da qualidade que minha opinião e julgamento exigem. Mas não em áreas além da minha capacidade de percepção.

12. RECEITA CONTRA ANSIEDADE
• Numa era de informação, todos precisam forçosamente começar a se encarar como processadores de informação. Toda vez que escutamos um noticiário, falamos com um colega, lemos uma revista, olhamos para aquele mar de rostos em um congresso, estamos percebendo e processando informação. Uma vez aceito esse fato, poderemos aperfeiçoar nossa habilidade como processadores de informação em todos os níveis de nossa vida. Isto exigirá: • Mudar nossas percepções, atitudes, e chegar a uma compreensão mais ampla da sociedade em que vivemos (informação cultural) • Melhorar nossas habilidades de comunicação (informação conversacional) • Aprender a discenir nas informações disponíveis o que nos serve e melhorar a qualidade da informação que geramos (informação de referência) • Extrair mais da mídia (informação noticiosa)

12.1 Menos, menos, menos
• O segredo para processar informação é limitar seu campo de informação dentro do que é relevante para sua vida, isto é, escolher cuidadosamente que tipo de informação merece seu tempo e sua atenção. A tomada de decisões se torna mais crítica à medida que aumenta o volume de informação. Muitos encaram as decisões com apreensão, porque elas implicam eliminar possibilidades.

12.2 Decisões indolores
• Ter de escolher entre muitas opções não é o único fator de ansiedade na tomada de decisões. Estas têm sido tradicionalmente vistas como degraus que levam à ação. Assim, decisões erradas são identificadas com ações erradas e, portanto, abordadas com receio. Não precisa ser assim. Vários sociólogos que trabalham nesse campo concluíram que tomar decisões leva apenas a tomar mais decisões. Por exemplo, eu poderia decidir me mudar. Depois teria de decidir para onde ir. Vou para outra cidade? Para o interior? Para uma casa ou um apartamento? De quantos dormitórios eu necessito? Uma decisão leva a muitas outras. Em lugar de conduzi-lo à ação, as decisões podem funcionar como uma tática de protelação. Freqüentemente servem quase só para adiar a ação, pois muitas vezes as decisões tomadas para uma determinada ação têm pouca relação com as decisões anteriores. Informação potencialmente infinita, acoplada a capacidades limitadas, exige algumas tomadas de decisão, ou uma seleção. Assim, qualquer coisa que você possa fazer para simplificar e limitar esse processo irá acarretar menos ansiedade.

11.2 O efeito de ricochete
• Os canais através dos quais recebemos informação tem não apenas sua forma, mas também nossa percepção de sua importância. Cada canal tem seu próprio sentido de urgência. Pacotes que vêm pelo correio normal parecem menos urgentes do que os que vêm pelo malote. Chamadas telefônicas e mensagens por fax parecem mais urgentes do que a correspondência. Se recebo uma carta pelo correio, devo supor que minha atenção imediata não é exigida. Sinto, em relação às máquinas de fax, uma impressão de urgência que não me ocorre em relação ao serviço do correio. Nossa tendência é reagir de acordo com a forma pela qual a informação é transmitida; mas a forma de transmissão é frequentemente determinada muito mais pela tecnologia disponível do que pela natureza da informação que está sendo enviada. Deixamos, então, que nossa reação reflita a transmissão, em lugar de refletir o valor da informação. O material que recebo o tempo todo pelos malotes dificilmente merece minha atenção, imediata ou não. No entanto, não consigo evitar uma sensação urgência, não pelo assunto em si, mas pela maneira como foi enviado. Atribuímos à informação um elemento de pânico desnecessário. No entusiasmo de exercitar as novas máquinas, criamos ansiedade inútil; a síndrome do brinquedo novo funciona tanto com um equipamento de telecomunicações como com um brinquedo de lata. Sem a tecnologia, a ansiedade de informação existiria em um nível desprezível. Foi a tecnologia de armazenamento e de transmissão que trouxe o dramático crescimento da informação e permitiu sua disseminação global instantânea. Os esforços dessas duas áreas superam os serviços de apoio, as políticas institucionais e os programas Institucionais e sistemas que nos permitiriam manipular enormes quantidades de informação pela compreensão. •

12.3 Atitudes firmes
• Aceite que existem muitas coisas que você não compreende. Deixe que aquilo que você não sabe seja a centelha de sua curiosidade. Visualize a expressão "não sei" como um recipiente que pode agora ser enchido com a água do conhecimento. • À medida que você aprende algo, tente se lembrar de como era não saber. Isto aumentará imensamente sua habilidade de explicar coisas aos outros. • Reduza os sentimentos de culpa em relação ao que não leu, reconhecendo que a quantidade de informação é tanta que você não pode ler tudo. • Sempre que deparar com uma idéia nova, tente relacioná-la a alguma outra coisa. Ache uma ligação entre a nova idéia e modelos anteriores. • Pense nos opostos. Quando tiver um problema, pense numa solução, depois no seu oposto. Quando escolher uma direção, pense no que aconteceria se você fosse na direção oposta.

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12.4 Ações vigorosas
• Familiarize-se com as armadilhas e emboscadas da comunicação de informação. Descubra se você é uma vítima de: 1. Doença da familiaridade 2. Achar que boa aparência é boa informação 3. Síndrome do "hã-hã" 4. Comparações inconsistentes 5. Pensar que, se algo é exato, é informativo 6. Exatidão desnecessária 7. Culto do arco-íris ou adjetivite 8. Disfunção de memória do jantar chinês 9. A sedução do "favorável ao usuário" 10. O lance da "pequena montagem necessária" 11. Síndrome da opinião especializada 12. Não me diga como termina 13. Não conseguir reconhecer imposturas de informação 14. Administrativite 15. Construtivite • Estabeleça seu próprio nível de adequação quanto à exatidão. Apenas porque uma informação leva a exatidão • Faça uma lista dos termos que você usa sem entender realmente, como o índice da Bolsa de Valores, Ml, M2 e M3, por exemplo, e proponha-se a aprender o que eles significam — um de cada vez. • Planeje sua dieta de informação como você planeja as férias. Esboce um sistema para classificar as necessidades de informação em sua vida com base em suas respostas às seguintes perguntas: • Qual a informação de que você necessita para seu trabalho? • Quanta informação é essencial? • Quanta informação é desejável? • Que assuntos despertam seu interesse? • Sobre o que você gosta de falar? • Em que informação você gasta tempo sem necessidade? • Como a eliminação dela mudaria sua vida? • Depois de ter estabelecido categorias, elabore um quadro de seus hábitos informacionais, os jornais que lê, os programas a que assiste, os livros que consulta etc. Como eles se enquadram nas grandes categorias e subgrupos? • Descubra qual o seu método preferido de aprendizado.Algumas pessoas aprendem melhor lendo um livro; outras, fazendo um curso, experimentando, perguntando a alguém. Depois, quando necessitar de informação sobre um assunto, tente encontrar um modo compatível com sua forma preferida de aprender. Pessoalmente, eu aprendo mais conversando com outra pessoa. • Isole as áreas informacionais que lhe provocam mais ansiedade. Elas podem ser: • Médica (falar com médicos) • Financeira (bancos, hipotecas, formulários de seguro, requerimentos de empréstimo) • Eletrônica (comprar e operar equipamentos) • Materiais de referência (horários de vôo ou estudos estatísticos) • O ato de elaborar uma lista já fará você se sentir menos ansioso. Agora tem por onde começar a reduzir sua ansiedade. Classifique os itens de um a dez. Imagine o que teria de acontecer para reduzir sua ansiedade em cada área. Você teria de fazer um curso, estudar por dois anos, ou bastaria telefonar para alguém? Em seguida, você pode decidir o que vale a pena assumir e o que não vale. Pode decidir que prefere pagar um contador para calcular seu imposto a enfrentar sua fobia de formulários. Se você aceitar que não pode saber tudo, ficará muito mais à vontade com a idéia de desconhecer alguma coisa.

• Reduza aquela pilha de material de leitura que parece olhar para você acusadoramente do alto de sua mesa enquanto espera interminavelmente para ser lida. Eu uso a abordagem das etapas. Primeiro deixo que a pilha de periódicos (amontoada no chão ao lado de minha mesa) chegue até uma determinada altura (cerca de sessenta centímetros); em seguida, dou uma folheada e separo todos os artigos que me interessam. Isso reduz minha pilha de culpa a um pequeno monte de artigos que se tornam minhas fatias de interesse. •

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