Gestão do Conhecimento: O Conhecimento Como Fonte de Vantagem Competitiva Sustentável Autoria: Ricardo Lanna Campos e Francisco Vidal Barbosa

RESUMO: Globalização, aumento da competitividade, necessidade de organizações mais “enxutas”, grande avanço das tecnologias de informação: estes são os principais fatores que devem ser considerados pelas as organizações a fim de que estas elejam o conhecimento como a única forma de se obter vantagem competitiva sustentável. Neste sentido, a Gestão do Conhecimento busca mapear os ativos intelectuais residentes em uma organização de forma a converter as competências essenciais de cada indivíduo em conhecimentos que permaneçam na organização, mesmo sem a presença de tais indivíduos. Este artigo tem caráter descritivo e exploratório e tem como objetivo desenvolver um tema que vem sendo estudado de forma crescente no meio acadêmico, e que, porém, ainda é pouco considerado, na prática, pelas organizações. Através dos conceitos de conhecimento, criatividade, aprendizagem e tecnologia da informação, busca-se fundamentar o que vem a ser a Gestão do Conhecimento, seus objetivos, sua importância e como ela pode ser aplicada na prática pelas empresas. 1. INTRODUÇÃO O contexto econômico atual se caracteriza pela alta competitividade, pela sofisticação dos consumidores e pela velocidade com que ocorrem mudanças. A efetividade operacional, baseada na redução dos custos, no aumento da produtividade e na melhoria dos produtos é, atualmente, um imperativo para que as empresas consigam competir num mercado cada vez mais acirrado. Por outro lado, as empresas devem ser flexíveis o suficiente para atender a sofisticação dos consumidores, ou seja, oferecer produtos de qualidade e adequados às necessidades e características individuais dos clientes. Para atingir estes objetivos, as empresas devem estar continuamente revisando seus processos produtivos, seus produtos, seus relacionamentos com clientes, fornecedores, etc. Para isso, é necessário que haja uma constante inovação que, por sua vez, é responsável pela velocidade com que ocorrem as mudanças nas formas de gestão empresarial. Neste sentido, as organizações têm procurado desenvolver novas formas de trabalho, de comunicação, de estruturas e tecnologias e novos vínculos com os diversos agentes com os quais interagem. Num ambiente turbulento como o que se apresenta nos dias de hoje, não há vantagem competitiva sustentável senão através do que a empresa SABE, como consegue UTILIZAR o que sabe e a rapidez com que APRENDE algo novo. No passado a vantagem competitiva era obtida através da localização, do acesso à mão de obra barata, aos recursos naturais e ao capital financeiro. Entretanto, quase sempre, a concorrência conseguia igualar estes diferencias competitivos. Hoje, uma das principais formas de se obter vantagem competitiva sustentável é através da gestão pró-ativa do conhecimento, já que este é passível de gerar retornos crescentes e dianteiras continuadas. Isto ocorre porque o conhecimento reside nas pessoas e pode ser utilizado para a geração de novos conhecimentos, alavancando, desta forma, os negócios de uma empresa.
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só foi possível após uma lenta e gradual evolução dos modelos de gestão. Porém. ainda é incipiente e carente de maiores estudos. as empresas se encarregam de estimular e recompensar boas idéias e melhorias propostas pelos funcionários. De uma maneira geral.pelo contrário. Por último. diferentemente de épocas anteriores. de uma maneira crescente. aponta estudos que comprovam que as taxas de retorno sobre investimentos em qualificação são mais do que duas vezes maiores que aquelas obtidas em investimentos em fábricas e equipamentos. A CONCEPÇÃO DO CONHECIMENTO FRENTE AOS PRIMÓRDIOS DAS TEORIAS ORGANIZACIONAIS Considerando a evolução do capitalismo e dos diversos modelos de gestão. visando construir um arcabouço de idéias no qual possa se fundamentar os aspectos referentes a definição e implantação de uma Gestão do Conhecimento. nacionais e internacionais. Platão. à aprendizagem e à criatividade.Assim sendo. pelo seu conhecimento e criatividade. entre outros . TERRA (1999). onde se reconhecia apenas a força da mão de obra e se descartava qualquer tipo de raciocínio no chão de fábrica. Nos tempos do artesanato. Apesar do conhecimento não ser um tema recente . os conhecimentos sobre produtos e processos eram dominados e integrados numa única pessoa: o artesão. Porém. em sua tese de doutorado. a capacitação e a responsabilidade de um trabalhador atual. O desafio de utilizar o conhecimento existente na empresa. a partir da publicação do clássico “A riqueza 2 . Máquinas e robôs têm se ocupado da realização dos serviços manuais e cuja realização prescindia do esforço físico humano. foi discutido por diversos filósofos da antiguidade que remontam a Aristóteles. e uma tese de doutorado defendida em 1999. 2. será discutido o conhecimento frente a evolução das teorias organizacionais. serão feitas algumas considerações sobre as características e a importância da Tecnologia da Informação para a Gestão do Conhecimento. Somente através da compreensão destes conceitos torna-se possível entender a importância do conhecimento nos dias atuais e como ele pode se tornar uma fonte de alavancagem da competitividade empresarial. torna-se crucial. o sucesso nos negócios do século XXI depende basicamente da qualidade do conhecimento que cada organização aplica nos seus processos corporativos / empresariais. bem como de seus conceitos correlatos. com o objetivo de criar vantagens competitivas. Este trabalho tem como objetivo desenvolver algumas questões a respeito dos princípios da Gestão do Conhecimento. Este artigo se trata de um estudo exploratório de caráter descritivo sobre o tema Gestão do Conhecimento. pode-se dizer que hoje se vive na era do Capitalismo Intelectual.a utilização do conhecimento na área empresarial. De forma simultânea. os trabalhadores assumem a função de planejar e controlar a produção e de pensar em novas formas de eficiência produtiva. Primeiramente. incluindo artigos e livros. A evolução das tecnologias produtivas tem feito com que os trabalhadores sejam reconhecidos. A metodologia utilizada para a sua realização consistiu de uma ampla revisão bibliográfica do material acadêmico que vem sendo escrito nos últimos anos. Posteriormente serão abordados temas referentes ao conhecimento. como fonte capaz de gerar diferenciais competitivos.

Faz-se importante. aprendizagem e criatividade. que tinha como objetivo analisar os movimentos necessários para a execução de uma atividade. Ford buscava um ajuste ótimo entre as demandas mecânicas do trabalho e os requisitos físicos do trabalhador. conhecimento e criatividade: estes podem ser definidos como processos ativos e laboriosos.das nações”. iniciou-se uma gradual separação do projeto do produto e do processo em relação à produção propriamente dita. Ford criou em suas fábricas o trabalhador intercambiável. gera algumas conclusões a respeito das principais teorias sobre aprendizagem. O conhecimento é criado apenas pelos indivíduos e a eles pertence. A tendência de desqualificação do operário atingiu seu momento crítico na virada do século XX através da propagação dos conceitos e princípios Fordistas e Tayloristas. Através do cronômetro foi possível realizar o Estudo de Tempos e Movimentos. é preciso cuidar para que ele seja catalogado. de Adam Smith. a gerência era responsável pela função de reunir todos os conhecimentos tradicionais e reduzi-los a normas úteis ao operário para a execução do seu trabalho diário. para mudar sempre. Além da geração e/ou aquisição de conhecimento. Para Taylor. CONHECIMENTO. Para viabilizar a implantação deste modelo de gestão houve uma inovação na forma de remuneração: o chamado “US$ 5. consequentemente. Mais do que isso. minimizar o tempo total de realização da tarefa. Em síntese. que envolvem todos os sentidos do corpo.00 / day”. A inteligência e a comunicação eram totalmente desnecessárias. o que antes tinha um caráter estático passa a ser visto de maneira dinâmica: não basta integrar o conhecimento. é preciso estabelecer uma dinâmica de contínua aprendizagem. vivemos uma situação na qual há certa reversão: o que era fragmentado e isolado precisa ser integrado. os operários estariam teoricamente isentos de precisar de qualquer conhecimento sobre processo e produto. uma postura de aprender a aprender. Uma organização não pode criar conhecimento sem as pessoas. para que não houvesse qualquer desperdício de energia. propor formas ideais de execução e. em virtude da divisão do trabalho e especialização na execução das tarefas. não 3 . não apenas em nível dos indivíduos. neste ponto. assimilado e utilizado. TERRA (1999). inter-organizacional. uma revisão sobre os conceitos de conhecimento. transferido. Hoje. APRENDIZAGEM E CRIATIVIDADE Apesar das evidências da importância crescente do conhecimento na gestão de negócios. Utilizando-se princípios de padronização do trabalho e do trabalhador. mas em nível organizacional e. A chamada “Administração Científica” proposta por Taylor visava resolver “cientificamente” o uso eficiente dos recursos humanos e desta forma garantir a “eficiência nacional”. em certos casos. Com essa separação. seriam as organizações capazes de gerenciar o conhecimento? A resposta a esta pergunta não é simples. O que pode fazer é apoiar pessoas criativas e prover ambientes adequados para que estas gerem conhecimento. 3. O mais importante é a integração dos conhecimentos. através de uma ampla revisão bibliográfica.

por sua vez. valores. de uma maneira um pouco mais detalhada. eles passam a ser considerados informações. Os dados se transformam em informações a partir do momento que o seu criador lhes agrega valor. em grande medida. é necessário que haja um trabalho de comparação. e. O conhecimento se origina da informação da mesma maneira que esta se origina dos dados. Entretanto. Uma vez que estes assumem algum propósito. para ocorrer a transformação da informação em conhecimento. estão associados a mudanças de comportamento.havendo distinção entre o processo emocional e mental. incluem a capacidade de combinar diferentes “inputs” e perspectivas e compreender relações complexas. são consideradas como tal a partir do momento em que contêm uma mensagem a ser transmitida de um emissor para um receptor. 3. exercer algum impacto sobre seu julgamento e comportamento. As informações. ou significado. no subconsciente. Entretanto. apesar de dependerem das experiências. resultam da resolução de tensões e liberação de angústias. Sua função seria mudar o modo como o destinatário vê algo. que será abordado posteriormente. alguns conceitos e características do conhecimento. De acordo com DAVEMPORT & PRUSAK (1998) “conhecimento é uma mistura fluida de experiência condensada. são processos sociais que dependem da interação com outros indivíduos. sendo importante ressaltar o conhecimento tácito. tentativas e erros individuais.1 CONHECIMENTO Estabelecendo-se uma hierarquia de valores. a qual 4 . se processam. por fim. os dados por si só possuem pouca relevância. pode-se identificar o conhecimento como o topo de uma pirâmide que possui como base os dados: CONHECIMENTO INFORMAÇÃO DADOS Fonte: Autor DAVEMPORT & PRUSAK (1998) definem dados como “um conjunto de fatos distintos e objetivos. relativos a eventos”. da aprendizagem e da criatividade. A seguir serão descritos. por meio de um permanente processo de reformulação dos modelos mentais e mapas cognitivos. informação contextual e insight experimentado. análise das conseqüências e das conexões entre as informações e um processo de interlocução com outras pessoas para a validação do conhecimento.

Além disso. Este tipo de conhecimento se relaciona aos procedimentos. transportável e compartilhável. o que realmente importa é como o conhecimento é adquirido e como nós podemos usar este conhecimento – tanto explícito como tácito – de maneira a alcançar resultados positivos que venham de encontro às necessidades da empresa. 06). perspectivas e valores. p. o espaço e o reconhecimento da importância e da necessidade de se alimentar o projeto. O que se pode fazer é tentar mapeá-lo para que ele seja localizado quando necessário. Algumas formas de se gerar o conhecimento são descritas abaixo: • • • • • • Aquisição: pode ocorrer através da compra de uma outra empresa ou da contratação de indivíduos que possuam o conhecimento Aluguel: geralmente se dá através de convênios e incentivos para a pesquisa acadêmica e através da contratação de consultorias Recursos dirigidos: criação de departamentos específicos para a criação e difusão do conhecimento Fusão: união de pessoas de diferentes setores da empresa para trabalharem em um problema ou projeto de forma a se chegar a uma resposta conjunta. Apesar da possibilidade de codificação. processos e conhecimentos organizacionais impulsionada por fatores ambientais Redes informais: através de encontros e conversas informais. complexo e não é passível de ensino. o conhecimento pode se solidificar e se tornar formalizado com o tempo Por fim. • Numa visão mais objetiva. 5 . significa o conhecimento pessoal enraizado na experiência individual e envolvendo crenças pessoais. Adaptação: necessidade de se adequar atividades. 1998.” O conhecimento tácito é substancial. Não existem formas eficientes de se codificar o conhecimento tácito em documentos ou banco de dados. Para que haja uma descentralização deste tipo de conhecimento é necessário a sua disseminação através de orientações e processos de aprendizagem. A vantagem deste tipo de geração de conhecimento é a sinergia entre as pessoas da empresa. o conhecimento explícito deve ser avaliado e tornado acessível a pessoas que possam fazer algo com ele e beneficiar a organização. pode ser articulado através da linguagem e transmitido a indivíduos. para que uma empresa seja bem sucedida na geração do conhecimento é importante a presença de três fatores: o tempo. o conhecimento pode assumir duas formas: • Conhecimento explícito: também chamado de conhecimento codificado ou formal. às patentes e aos relacionamentos com os clientes. não se pode observá-lo em uso e nem documentá-lo. não é articulado. substituível.proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações” (DAVEMPORT & PRUSAK. Com base na abordagem de POLANY (1997). Refere-se também ao poder de inovação e à habilidade dos empregados de uma empresa para realizar as tarefas do dia-a-dia. Polany cita uma frase que representa bem o conhecimento tácito: “Podemos saber mais do que podemos dizer. O conhecimento possui algumas características próprias como o fato de ser difundível. aos bancos de dados. Conhecimento tácito: também chamado de informal.

que geram uma permanente revisão de conceitos aprendidos. três se destacam: o Modelo Behaviorista. em termos passíveis de observação.2 APRENDIZAGEM FLEURY & FLEURY (1997) definem aprendizagem como um processo de mudança resultante de prática ou experiência anterior. Este modelo procura utilizar dados objetivos. Entre os vários modelos desenvolvidos objetivando-se explicar o processo de aprendizagem. O modelo de aprendizagem organizacional dever ser capaz de resolver o dilema de conferir inteligências e capacitações de aprendizagem a uma entidade não humana. Neste sentido. pois este é observável e mensurável. envolvendo experiências concretas. Ou seja. serviços e sistemas. O desejo de aprender vai mais adiante: é criativo e produtivo. o Modelo Cognitivo e o Modelo do Aprendizado Experiencial. Ainda segundo este autor. o Modelo de Aprendizado Experiencial infere que o aprendizado é. que pode vir. A aprendizagem organizacional não pode ser apenas a transposição da aprendizagem individual.. as organizações devem desenvolver cinco “disciplinas” fundamentais para este processo de inovação e aprendizagem: 6 . que ocorre através da interação entre o indivíduo e o ambiente. ou não. pesquisa o processo de aprendizagem por insights. Insight caracteriza-se como um processo que. precursora do cognitivismo. Segundo o Modelo Behaviorista. mensuração e réplica científica. comportamentais e dados subjetivos. As definições mais comuns de uma organização que aprende enfatizam sua capacidade de adaptação ao ritmo acelerado das mudanças que ocorrem atualmente. O seu foco principal é o comportamento. observação e reflexão. a adaptabilidade crescente constitui apenas o primeiro passo no processo de aprendizagem. Para KLEIN (1998) a aprendizagem organizacional pode ser vista como a capacidade de uma organização criar novo conhecimento. por natureza. o aprendizado é verificado à medida que as pessoas mudam seu comportamento em resposta a estímulos do ambiente. planejar o processo de aprendizagem implica definir todo o processo. a manifestar-se em uma mudança perceptível de comportamento. Por fim. O Modelo Cognitivo tenta explicar o aprendizado de fenômenos mais complexos e ocorre a partir da compreensão das relações lógicas entre meios e fins e entre causa e efeito. um processo de tensão e conflito. o aprendizado é um processo e não um produto. dá à pessoa a impressão de ter subitamente compreendido alguma coisa ou chegado à solução de um problema. difundi-lo na organização como um todo e incorporá-lo a produtos. A Teoria da Gestalt. quando completado. De acordo com SENGE (2000). Também leva em consideração as crenças e percepções dos indivíduos que influenciam seu processo de apreensão da realidade. Na aprendizagem individual tem-se o processo de mudança de convicções que são codificadas como modelos mentais individuais.3.

a literatura sobre este tema se apresenta bastante fragmentada. Entretanto. Isto tem tornado este campo de estudo extremamente amplo de maneira a englobar diversos outros conceitos. inteligência competitiva. Assim sendo. Um ponto positivo desta multidisciplinariedade é a reunião em uma linha de pensamento de conceitos que têm o mesmo objetivo. ou seja. Sentir dificuldades. 3. 2. 3. ensino à distância. em seu estudo sobre criatividade. a utilização do conhecimento para se alcançar as metas organizacionais.3 CRIATIVIDADE A criatividade é um aspecto que contribui para o êxito de vários tipos de profissões. de maneira precisa. (1990). GESTÃO DO CONHECIMENTO A Gestão do Conhecimento surgiu devido a diversos fatores como as mudanças na economia global. respeitando-se as diferenças individuais e equilibrando-se as emoções resultantes. DUALIBE & SIMONSEN JR. definem as soluções criativas como uma liberação de energia necessária à eliminação de angústias. a multidisciplinariedade da Gestão do Conhecimento apresenta algumas desvantagens como a perda de foco e a incapacidade de lidar. a tendência mais recente é de analisá-la como um processo mental e emocional. o que evita que cada uma seja vista de forma isolada. de uma forma coerente de teoria e prática. tais como o aprendizado organizacional.• • • • • Domínio pessoal Modelos mentais Visões partilhadas Aprendizagem em grupo Pensamento sistêmico O pensamento sistêmico é responsável pela integração entre as demais “disciplinas”. A este processo. chama “tensão criativa”. 7 . problemas ou gaps nas informações Adivinhar e formular hipóteses sobre estas deficiências Avaliar. com todas as questões que lhes são impostas por sua abrangência. TORRANCE ( 1998). considera quatro fases para a ocorrência do processo criativo: 1. SENGE (2000). testar e revisar estas adivinhações e hipóteses Comunicar os resultados Por fim. Entretanto. etc. como modismos desenhados para provocar mudanças organizacionais. vale ressaltar que o conhecimento e a criatividade só podem ser realizados a partir do estabelecimento de inter-relações entre pessoas e destas com o contexto no qual estão inseridas. a preferência por organizações enxutas e o grande avanço das tecnologias nos campos da informação e das comunicações. 4. Os conceitos e princípios da Gestão do Conhecimento tem se difundido rapidamente. 4.

assim como do relacionamento entre elas e seus clientes. de recursos dirigidos. proposta por SVEIBY (1998). ou seja. Para conseguir isso. da adaptação e / ou através de redes informais No que se refere à disseminação do conhecimento. é conveniente notar que a primeira comunica uma idéia de processo. O mapeamento dos ativos intelectuais significa a identificação e localização de conhecimento de um grupo de pessoas sobre um assunto específico. tem suas competências mapeadas e classificadas de acordo com o nível de conhecimento do assunto. é importante que a empresa estimule o “benchmarking interno”. da fusão. Através do mapeamento é possível localizar os principais “detentores” do conhecimento. a geração do conhecimento pode se dar através da aquisição. recursos multimídia e de hipertexto. compartilhando as melhores práticas e a tecnologia que torna possível este processo. onde cada funcionário. é converter o capital humano em capital intelectual. a Gestão do Conhecimento inclui a identificação e o mapeamento dos ativos intelectuais ligados a organização. ou colaborador. localizar os principais fatores da eficiência interna e desenvolver a disseminação das práticas bem sucedidas. infere que as organizações criam valor através da inteligência e competência das pessoas. Apesar das expressões Gestão do Conhecimento e Capital Intelectual serem muitas vezes usadas indistintamente. O principal objetivo da Gestão do Conhecimento. é preciso ser capaz de visualizar a empresa apenas em termos de conhecimento e fluxos de conhecimento.Apesar da diversidade de conceitos e perspectivas a respeito do tema Gestão do Conhecimento. 8 . do aluguel. No caso específico do conhecimento tácito. um maior detalhamento do conceito de Capital Intelectual que aliado à Gestão do Conhecimento vem sendo considerado uma nova fonte de vantagem competitiva sustentável. a geração de novos conhecimentos para oferecer vantagens na competição pelo mercado e a acessibilidade a grandes quantidades de informações corporativas. Desta forma. parece sintetizar as definições propostas por outros autores: “Gestão do Conhecimento é a arte de criar valor alavancando os ativos intangíveis. o qual pode e deve ser gerenciado. Este mapa é uma representação das habilidades e competências segundo uma visão integrada com o processo de negócios da organização. Faz-se necessário neste ponto. enquanto que a segunda referese à noção de estoque. em termos de aplicação. a seguinte definição. a disseminação ocorre através da interação entre as pessoas e este processo pode ser auxiliado por alguns recursos computacionais como intranets. é possível a disseminação do conhecimento e a formação de equipes de trabalho para novos projetos de uma maneira mais ágil e dinâmica. Como foi dito anteriormente. diferentemente do paradigma da era industrial no qual a agregação de valor se dava pela adição de recursos como energia e mão de obra. assim como as pessoas ou grupos que apresentam uma maior deficiência sobre um determinado assunto específico.” Esta definição. portanto dinâmica e abrangente. Na prática.

o Capital de Clientela é representado pelo valor do relacionamento de uma organização com seus clientes. as competências essenciais do Capital Humano seriam a experiência. A figura abaixo demonstra a inter-relação entre o Capital Humano. com o Capital de Clientela. estruturas. Desta forma. incluindo lealdade para com um produto ou a companhia. O Capital Estrutural de Inovação se caracteriza como os processos. sistemas de informação e patentes que permanecem na empresa quando os funcionários a deixam. A perda da memória da corporação como resultado de downsizing é uma das principais razões para 9 . de forma a gerar o Capital Intelectual: Capital Humano Experiência Know-How Habilidades Criatividade Relacionamentos Capital Estrutural de Inovação Tecnologia da Informação Documentos Planos Dados Invenções Processos Capital de Clientela Padrões de Compra Reputação Poder Aquisitivo Capital Intelectual Patentes Direitos Autorais Marcas Registradas Segredos Comerciais Fonte: Autor A conversão do Capital Humano em Capital Intelectual através da Gestão do Conhecimento busca reduzir o risco de perda de valores e conhecimento caso pessoas deixem a organização. as habilidades. baseado em reputação. a criatividade e os relacionamentos. Diferentemente do Capital Estrutural de Inovação. o Capital Estrutural de Inovação e o Capital de Clientela. O Capital Humano é a parcela renovável do capital intelectual e se caracteriza como as competências essenciais da cada indivíduo capazes de gerar vantagens competitivas para a organização. Por último. o Capital Humano pertence às pessoas e não à organização. o know-how. padrões de compra ou poder aquisitivo. compreendido pelo somatório do Capital Humano.O Capital Intelectual é o conhecimento de valor para uma organização. com o Capital Estrutural de Inovação.

Percepção do executivo quanto à necessidade de gestão do conhecimento para melhorar a performance da organização 2. uma ampla infra-estrutura de tecnologia e de informação e o apoio da alta gerência. Posteriormente. porém uma infra-estrutura tecnológica é um ingrediente necessário para o sucesso de projetos do conhecimento. A implantação da Gestão do Conhecimento pode ser resumida em sete etapas de acordo com BUENO (1999): 1. As organizações vêem a Gestão do Conhecimento como uma forma de se evitar a repetição de erros. O que se busca é que o usuário certo esteja com a informação certa no momento certo e tome a melhor decisão. A cultura orientada para o conhecimento é um dos principais alicerces para o sucesso de um projeto do conhecimento. Para que a implantação da Gestão do Conhecimento seja bem sucedida é imprescindível que haja a presença de três condições fundamentais: uma cultura orientada para o conhecimento. Elaborar um projeto-piloto para o problema ou oportunidade identificado na etapa anterior 4. É preciso especificar as ações necessárias para atingir uma melhor utilização e agregação de valor e revisar o uso do conhecimento de forma a assegurar que os resultados obtidos estejam sendo úteis para o desenvolvimento de vantagens competitivas para a organização. e de se aproximar dos clientes. os projetos do conhecimento terão uma maior probabilidade de sucesso se contarem com uma ampla infra-estrutura tecnológica e informacional. IMPLANTAÇÃO DA GESTÃO DO CONHECIMENTO A implantação de um projeto de Gestão do Conhecimento deve começar por um problema empresarial reconhecidamente relacionado com o conhecimento. Alguns exemplos de problemas seriam a perda de clientes. Levantamento de competências. Levantamento de características culturais e ambientais da organização que dificultam a troca de experiências 5. para aplicação em questões cotidianas da organização 7. 5. o mal desenvolvimento de novos produtos ou a perda de pessoaschaves dentro da empresa. independentemente de suas localizações físicas. Preparar a infra-estrutura. permitindo que elas troquem informações de forma colaborativa numa rede.a adoção das práticas em questão. é necessário a identificação dos ativos do conhecimento e como estes podem agregar valor dentro da organização. de se reduzir a duplicação de esforços e o tempo para a resolução de problemas. incluindo a tecnologia necessária. Não se deve fazer uma gestão centrada na tecnologia. A presença de tais ferramentas facilita a 10 . No que se refere às tecnologias de informação. de se estimular a inovação e a criatividade. 6. Identificar um problema a ser resolvido ou oportunidades de negócios capazes de serem alavancadas pelo gestor do conhecimento 3. É através de uma cultura organizacional que valoriza o conhecimento que as pessoas se sentirão propensas a compartilhar aquilo que sabem e se tornarão receptoras de novos conhecimentos úteis para o desenvolvimento de suas atividades. Reiniciar o ciclo continuamente Estas etapas têm como objetivo conectar pessoas.

Nas organizações existem alguns cargos-chaves que. A Gestão do Conhecimento deve estar integrada ao processo normal de trabalho dos funcionários. os recursos informacionais eram construídos objetivandose a coleta e a disponibilização de dados.alavancagem de iniciativas e de idéias criativas. ela lida com desafios e indagações que fazem crescer sua consciência crítica. tais como o “cafezinho” e os “bate-papos” informais. a empresa será capaz de obter um maior rendimento de seus funcionários e uma maior produtividade de uma maneira geral. O provisionamento de recursos para o estabelecimento de uma infra-estrutura adequada também seria uma forma de apoio da alta gerência. Por fim. a concentração do conhecimento em uma única pessoa ou grupo. os projetos da gestão do conhecimento beneficiam-se com o apoio da alta gerência. fatalmente. poderão alavancar. tornou-se necessária a utilização de ferramentas computacionais para a 11 . que significa a má vontade em aceitar idéias e sugestões de pessoas de outros setores ou de posições relativamente mais baixas dentro da organização. garantir o emprego. Os gestores do conhecimento devem estimular a troca de informações e conhecimentos. se bem trabalhados. um modelo de reestruturação hierarquicamente rígido seria. A autonomia é um objetivo chave de muitos “trabalhadores do conhecimento” e desta forma. era voltada para o gerenciamento de dados. gerando aquilo que se chama de “escassez artificial”. 6. Um destes fatores é o monopólio. Tal é o caso de empresas que desenvolvem novos produtos: se todos os projetistas compartilharem experiências adquiridas no desenvolvimento de diversos projetos. mas da empresa como um todo. CONSIDERAÇÕES SOBRE A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÀO A utilização da informática no gerenciamento de negócios. O monopólio pode fazer com que o conhecimento se torne de difícil acesso para as demais pessoas da empresa. Outro fator que pode afetar o desenvolvimento da Gestão do Conhecimento é a denominada barreira de classe. como qualquer outro tipo de programa de mudança. mal sucedido. É interessante notar que boa parte desta troca é realizada em encontros e conversas informais entre os funcionários. Além disso. Para isso é necessário que as atividades sejam explicitadas e remodeladas com o auxílio das pessoas que executam tais atividades. ou seja. Este apoio se dá através da divulgação dos princípios da gestão do conhecimento de forma a gerar uma cultura propícia para o desenvolvimento deste tipo de gestão. ao contrário do que se possa pensar. a princípio. Entretanto os dados não são suficientes para o suporte às decisões e. as pessoas devem perceber que seus conhecimentos disseminados na organização podem alavancar novos negócios. Desta forma. no que se refere a Gestão do Conhecimento. Alguns fatores podem gerar distorções capazes de inibir o fluxo do conhecimento dentro de uma empresa. então. Uma pessoa que passa abertamente o que sabe para seus colegas tem uma alta empregabilidade uma vez que. não só a produtividade e capacidade de um determinado setor. o detentor do conhecimento pode exigir favores ou benefícios em troca da difusão daquilo que sabe. gerar melhores condições de trabalho e. ao disseminar seu conhecimento. Para superar as distorções descritas acima.

Deve-se criar uma base de dados de clientes para. e do aprendizado contínuo. encontrar e implementar tecnologias e sistemas de informação. perspectivas. uma organização é capaz de obter vantagens competitivas reais e sustentáveis. Através do gerenciamento de informações é possível alcançar a valorização do conhecimento. Além disso. A área de Tecnologia da Informação dentro da empresa tem como desafios identificar. foi possível constatar a importância do conhecimento nos dias atuais. desenvolver protótipos e criar soluções. Algumas das principais Tecnologias de Informação para a Gestão do Conhecimento são: • • • • • • • • • • Videoconferência Groupware Painéis eletrônicos e grupos de discussão Bases de dados on-line CD-ROOMs Internet e Intranet Sistemas Especialistas Agentes de pesquisa inteligentes Data warehouse / data mining Gerenciamento eletrônico de documentos 7. A Tecnologia da Informação deve ser utilizada para facilitar as atividades essenciais. que ajudam a prevenir a fragmentação das informações e permitem criar redes globais para o compartilhamento do conhecimento. se estreitar o relacionamento com o consumidor. para a evolução da empresa. Deve fornecer meios para que as pessoas possam representar seus problemas. com a solução de problemas e inovação. tornando mais fácil para as pessoas compartilharem problemas. As tecnologias úteis para a Gestão do Conhecimento são aquelas que propiciam a integração das pessoas. É importante também que a Tecnologia da Informação migre de sua posição de suporte a processos para o suporte a competências e proporcione um ambiente favorável para o desenvolvimento de redes (grupos) informais. CONCLUSÃO Com base no que foi discutido. a Tecnologia da Informação assume um papel estratégico. que facilitam a superação das fronteiras entre unidades de negócio. por exemplo. idéias e soluções. Através da utilização da capacidade de reflexão e análise dos indivíduos. esta área deverá proporcionar apoio a comunicação e a troca de idéias e experiências para facilitar a integração entre as pessoas. Dentro da Gestão do Conhecimento. sendo responsável por ajudar o desenvolvimento do conhecimento coletivo.transformação dos dados em informações. através das informações fornecidas por estes dados. As ferramentas devem ser flexíveis e fáceis de usar. 12 .

Como conseqüência. M. PRUSAK. H.147--170 BUENO. Gestão do Conhecimento. Rio de Janeiro: Qualitymark. seria interessante ilustrar a importância e a função do conhecimento através de uma frase proferida pelo Professor Paul Quintas da Open University. vol. Knowledge Fusion. um vasto campo para a difusão e aplicação dos conceitos e princípios da Gestão do Conhecimento onde a verdadeira vantagem é a capacidade de aprender e gerar mais conhecimento. A. a maioria ainda não é capaz de transformar estas informações em conhecimento e difundi-las de maneira organizada e integrada dentro da empresa.. 33. nº 2. Aprendizagem e inovação organizacional. The Tacit Dimension. Brasília: 1999. & SIMONSEN. CORRAL. copiado e adaptado visando a melhoria da estrutura organizacional. Are We in the Knowledge management Business? In: Cio Magazine. Jr. São Paulo Atlas. D. p. durante um seminário sobre Gestão do Conhecimento: “Saber é interagir e honrar o mundo usando o conhecimento como ferramenta. BIBLIOGRAFIA BARROSO. permitem que os indivíduos cresçam e se insiram num ambiente de aprendizagem constante..Tão importante quanto a acumulação do conhecimento é a sua difusão por toda a organização. 1997 HILDEBRAND. desenvolvido. In: Revista de Administração Pública. 1998 DUALIBI. et al. GOMES. C. A. de conhecimentos. de soluções criativas.” 8. In: http//www. MA. & FLEURY. março/abril 99..cjb. M. a organização também crescerá e se tornará cada vez mais competitiva Apesar de muitas organizações possuírem complexos sistemas de coleta e análise interna e externa de dados. McGraw-Hill. L. 1998. junho 2000-07-31 KLEIN. T. C. Para finalizar este trabalho. Cria-se assim. Newton. 1997 13 . Rio de Janeiro: Editora Campus. E. Butterworth-Heinemann. S. Conhecimento Empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. In: Cio Magazine. A Gestão Estratégica do Capital Intelectual: recursos para a economia baseada em conhecimento.julioesm. T. capazes de gerar um grande volume de informações.net. A. 1990 FLEURY. POLANY. S. A. L. dezembro 1999. Tentando Entender a Gestão do Conhecimento. C. R. Criatividade & Marketing. Knowledge in Organizations. A troca de experiências. Esse conhecimento está tanto na organização como fora dela e pode ser criado. DAVEMPORT. in: Laurence Prusak (ed).

C. Cambridge: Cambridge University Press (1988) 14 . São Paulo: Best Seller. Rio de Janeiro: Campus. in: R. A Nova Riqueza das Organizações. The Nature of Creativity as Manifest in its Testing. 2000. P. J. Stenberg (ed) The Nature of Creativity.SENGE. A Quinta Disciplina: a arte e a prática da organização que aprende. Universidade de São Paulo. E. Gestão do Conhecimento: Gestão do Conhecimento: Aspectos Conceituais e Estudo Exploratório Sobre as Práticas de Empresas Brasileiras. M. TERRA. 1998. 1999. Tese de Doutorado. TORRANCE. K. C.P. SVEIBY.