FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS DE ITABUNA – FTC Curso: DIREITO Disciplina: Direito Civil II Professor: Paulo Sérgio dos Santos

Bomfim (apud Prof. Rafael de Menezes)

DIREITO CIVIL II – TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES – FTC Neste semestre começa a ser estudada a parte especial do Direito Civil, esta que é a mais extensa disciplina do curso de Direito, com sete períodos, um da parte geral, já visto, e seis da parte especial. Além de disciplina mais extensa e mais importante do curso, o Direito Civil hoje predomina sozinho no Direito Privado. Vocês sabem que as normas jurídicas têm duas grandes divisões conforme estudado na Teoria Geral do Direito: o Direito Público e o Direito Privado. É Direito Público o Direito Constitucional, Administrativo, Processual, Penal e Tributário. Já o Direito Civil, Comercial e do Trabalho integram o Direito Privado, mas só o Direito Civil é privado por excelência. Isto porque o Direito Comercial tem se aproximado do Direito Público neste séc. XXI de mundo globalizado e mercados internacionais como a União Européia, o Mercosul – Mercado Comum do Sul, a Nafta da América do Norte, a Alca – Área de Livre Comércio das Américas, etc. Cada vez mais as nações participam e se integram em blocos econômicos, aproximando o Direito Comercial do Direito Público. Igualmente o Direito do Trabalho, um filho do Direito Civil, aproxima-se do Direito Público na medida em que o Estado interfere nas relações empregatícias para proteger e tornar indisponíveis direitos dos trabalhadores. Tenho um artigo no meu site chamado “A importância do Direito Privado apesar da publicização do Direito” onde afirmo inclusive que o Direito do Trabalho é Direito Público, confiram! A publicização é justamente este avanço do Direito Público sobre o Direito Privado, com o Estado sufocando nossas atividades, atrofiando a economia, controlando nossa rotina, cobrando multas e impostos, porém fornecendo pouco em troca... O que vocês acham? Bem, voltando ao cível, hoje vocês começam o estudo da parte especial do Direito Civil, e durante seis semestres serão

estudados os quatro grandes temas cíveis: obrigações, reais, família e sucessões. No Direito das Obrigações vocês vão conhecer as normas que tratam das relações das pessoas entre si, é por isso que o Direito das Obrigações é também conhecido como Direito Pessoal. As obrigações entre as pessoas se originam de vários modos, especialmente do contrato. Já no Direito Real serão estudadas as normas que tratam das relações das pessoas com os bens, sendo também chamado de Direito das Coisas. Existem vários direitos reais (art. 1.225) e o principal deles é a propriedade. Então ao longo da nossa vida, eu, vocês, João, José e Maria nos relacionamos com várias pessoas, através dos contratos, e nos apropriamos de vários bens, adquirindo propriedade, para a formação de um patrimônio. Este é o sentido da vida: estudar e trabalhar para ficar rico! O Direito Civil é o direito dos ricos! Perdoem-me os espiritualistas, mas dinheiro é muito importante na nossa vida, especialmente na nossa velhice quando estamos mais vulneráveis. Pois bem, todo esse patrimônio que nós juntamos na nossa vida será transferido a nossos herdeiros após nossa morte. Desta transmissão de bens cuida o Direito das Sucessões. O Direito das Obrigações, o Direito das Coisas e o Direito das Sucessões integram a chamada autonomia privada, ou seja, é o campo do Direito Civil onde os particulares se relacionam entre si, com grande liberdade, na celebração de contratos e na apropriação de bens que lhes interessam, para a formação de um patrimônio que será transferido aos familiares após a morte. Se no Direito Público só se pode fazer o que a lei permite, no Direito Civil pode-se fazer tudo o que a lei não proíbe, ou seja, a liberdade aqui é bem maior. Dos quatro ramos do Direito Civil, só o Direito de Família sobra deste raciocínio. Sem dúvida o Direito de Família pertence ao Direito Civil, afinal trata das relações entre familiares, e nada é tão íntimo e privado quanto a família de cada um de nós. Além disso, tais familiares, via de regra, são os herdeiros do patrimônio adquirido na nossa vida. Mas no Direito de Família as questões econômicas não predominam tanto quanto no resto do Direito Civil, afinal o que alimenta a família é o amor, é a sensibilidade, é a amizade e não o

dinheiro. Em suma, o Direito de Família integra o Direito Civil, mas não integra a autonomia privada. Concentrando-nos no Direito das Obrigações, objeto dos próximos dois semestres, podemos conceituá-lo como a disciplina que trata das relações harmônicas entre as pessoas para a satisfação dos seus interesses individuais. Digo “relações harmônicas” porque a sociedade exige harmonia, sob pena de conflito e caos social. Digo “satisfação de interesses” porque uma pessoa não consegue produzir sozinha tudo que precisa para viver, e por impulso precisa se relacionar com outra para obter bens de seu interesse. As relações obrigacionais acontecem a todo instante e são o suporte econômico da sociedade moderna de consumo, especialmente através do contrato de compra e venda. Quanto mais a gente compra, aluga, troca, empresta, etc., mais dinheiro circula na economia, mais as lojas vendem, mais as fábricas produzem, mais os empresários lucram, mais empregos são gerados e mais impostos são arrecadados.Todos ganham! Mas para gastar é preciso ter dinheiro, e para isso é preciso trabalhar, e para isso é preciso estudar. Estudem pois! OBRIGAÇÃO Na primeira aula conceituamos o Direito das Obrigações e o situamos dentro do Direito Civil, bem como situamos o Direito Civil dentro do ordenamento jurídico. Vamos hoje tratar da obrigação. Conceito: Todos temos obrigações na nossa vida, seja para com o país (ex: serviço militar, votar nas eleições, pagar impostos) seja para com a família (1.566). Mas a obrigação que nos interessa neste curso é a obrigação civil. Num conceito mais simples, a obrigação é o direito do credor contra o devedor. Num conceito mais completo, a obrigação é um vínculo jurídico transitório em virtude do qual uma pessoa fica sujeita a satisfazer uma prestação econômica em proveito de outra. Expliquemos: - vínculo jurídico: o vínculo é o motor da obrigação e precisa interessar ao Direito; um vínculo apenas moral (ex:

ser educado, ser gentil, dar “bom dia”) ou religioso (ex: ir a missa todo Domingo) não tem relevância jurídica; - transitório: a obrigação é efêmera, tem vida curta (ex: uma compra e venda de balcão dura segundos), podendo até ser duradoura (ex: alugar uma casa por um ano), mas não dura para sempre. Inclusive um direito de crédito se extingue quando é exercido (ex: José bate no carro de Maria, quando Maria cobra o prejuízo e José paga, a obrigação se extingue). Já os Direitos Reais são permanentes, e quanto mais exercidos mais se fortalecem (ex: a propriedade sobre uma fazenda passa por gerações de pai para filho, e quanto mais a fazenda for usada mais cumprirá sua função social, ficando livre de invasões e desapropriação). Há outras diferenças dos Direitos Reais para os Direitos Obrigacionais que serão abordadas em Civil 4. - prestação: é o objeto da obrigação e se trata de uma conduta ou omissão humana, ou seja, sempre é dar uma coisa, fazer um serviço ou se abster de alguma conduta. Dar, fazer e não-fazer, estas três são as espécies de obrigação, voltaremos a elas abaixo. - econômica: toda obrigação precisa ter um valor econômico para viabilizar a responsabilidade patrimonial do inadimplente se não for espontaneamente cumprida. Em outras palavras, se uma dívida não for paga no vencimento o credor mune-se de uma pretensão e a dívida se transforma em responsabilidade patrimonial. Que pretensão é esta de que se arma, de que se mune o credor? É a pretensão a executar o devedor para atacar/tomar seus bens através do Juiz (391, 942). E se o devedor/inadimplente não tiver bens? Então não há nada a fazer pois, como dito, a responsabilidade é patrimonial e não pessoal. Ao credor só resta espernear, é o chamado na brincadeira “jus sperniandi”. Realmente já se foi o tempo em que o devedor poderia ser preso, escravizado, esquartejado e morto por dívidas, pois isto hoje atenta contra a dignidade humana. Os únicos casos atuais de prisão por dívida são no contrato de depósito, que veremos em Civil 3 (652), e na pensão alimentícia, assunto de Direito de Família. Elementos da obrigação: são três: a) duplo sujeito: o Direito das Obrigações trata das relações entre pessoas, então toda obrigação tem dois

sujeitos, um ativo, chamado credor, e um passivo, chamado devedor. Não existe relação obrigacional com apenas um sujeito (381). Pode haver num dos pólos mais de um credor e mais de um devedor (257). Numa relação simples, sabe-se exatamente qual das partes é a credora e qual é a devedora (ex: José bate no carro de Maria, então José é devedor e Maria é credora), mas numa relação complexa ambos os sujeitos são simultaneamente credores e devedores (ex: contrato de compra e venda, onde o comprador deve o dinheiro e é credor da coisa, e o vendedor deve a coisa e é credor do dinheiro). Tais obrigações complexas são também chamadas de sinalagmáticas. Os sujeitos precisam ser bem identificados para que o devedor saiba a quem prestar, e o credor saiba de quem receber. Excepcionalmente o devedor pode ser desconhecido (ex: qualquer pessoa que adquira imóvel hipotecado responde pela dívida, apesar de não ter originariamente assumido a obrigação; 303, mais detalhes em Civil 5) e o credor também pode ser desconhecido (ex: o credor faleceu ou desapareceu, deve então o devedor pagar na Justiça para se livrar da obrigação, 334; outro ex: 855). b) vínculo jurídico: o vínculo liga os sujeitos ao objeto da obrigação. O vínculo é a força motriz da relação obrigacional. O vínculo seria qualquer acontecimento relevante para o direito capaz de fazer nascer uma obrigação (ex: um acidente de trânsito gera um ato ilícito, um acordo de vontades produz um contrato, etc). c) objeto: atenção com o objeto! O objeto da obrigação não é uma coisa, mas um fato humano/uma conduta ou omissão do devedor chamada prestação. A prestação possui três espécies: dar, fazer, ou não-fazer. Na obrigação de dar o objeto da prestação é uma coisa (ex: dar dinheiro, dar uma TV), mas o objeto da obrigação é a ação de entregar a coisa, não a coisa em si. Na obrigação de fazer o objeto da prestação é um serviço (ex: o cantor realiza um show, o advogado redige uma petição, o professor ministra uma aula). Finalmente, na obrigação de não-fazer, o objeto da prestação é uma omissão/abstenção (ex: o químico da fábrica de perfume é demitido e se obriga a não revelar a fórmula do perfume). Como o objeto da obrigação é a prestação, mesmo na obrigação de dar o credor não tem poder sobre a coisa, mas

encontrar um dinossauro vivo). Acrescentem “valor econômico” ao art. do CC. FONTES DAS OBRIGAÇÕES O Direito se origina dos fatos = ex facto iur oritur. onde o comprador se obriga a pagar o preço e o vendedor se obriga a entregar a coisa). devo sim exigir perdas e danos. assunto de Direito Tributário. não posso por isso invadir a loja e pegar a geladeira à força. como dito acima). vejamos: 1 – Contratos: esta é a principal e maior fonte de obrigação.sim sobre a prestação (ex: compro uma geladeira e a loja promete me entregar em casa. 243) e ter valor econômico para viabilizar o ataque ao patrimônio do devedor em caso de inadimplemento (947). etc). e a de não-fazer é a chamada obrigação negativa.696). ex: obrigação de alimentar os parentes necessitados. obrigação dos homens de prestar serviço militar. procurar um anel no mar. 389 – trata-se da responsabilidade patrimonial do devedor. Mas e as obrigações patrimoniais privadas? Como surgem as relações concretas entre particulares tendo por objeto determinada prestação? São três as fontes segundo o Código Civil. No caso das obrigações. etc. 104. As obrigações de dar e de fazer são positivas. assunto de Direito Eleitoral. As fontes do Direito são a lei. determinável (a coisa devida precisa ser identificada. O objeto da obrigação para ser válido precisa ser lícito (ex: comprar drogas. obrigação de votar. quais suas fontes? De onde se originam as obrigações? Ressalto que há muitas obrigações que interessam a outras áreas jurídicas e que têm por fonte a lei. mas a loja não cumpre. possível (ex: viagem no tempo. No próximo semestre serão estudados com detalhes os . II. a jurisprudência. assunto de Direito de Família (1. contratar o serviço de um “pistoleiro”. Através dos contratos as partes assumem obrigações (ex: compra e venda. conforme estudado em Introdução ao Direito. a doutrina e os costumes. obrigação de pagar impostos.

empréstimo. 2 – Atos unilaterais: segundo nosso Código. transporte. Na autonomia privada. são os quatro capítulos entre os arts. se as partes não ajustarem de modo diferente. ESPÉCIES DE OBRIGAÇÃO São três. obrigando-me perante qualquer pessoa que cumpra a tarefa). ou seja. .inúmeros contratos (ex: locação. como dito na aula 1. mas um ato unilateral gerador de obrigação. Diz-se por isso que a maioria das normas de direito privado são supletivas. seguro.1 – obrigação de dar coisa certa: vínculo jurídico pelo qual o devedor se compromete a entregar ao credor determinado bem móvel ou imóvel. mandato. a liberdade das partes é grande. 1 – obrigação de dar: conduta humana que tem por objeto uma coisa. etc). 233. duas positivas (dar e fazer) e uma negativa (obrigação de não-fazer). 1. doação. revisem o art. Não temos aqui um contrato. salvo acordo entre as partes. enquanto a maioria das normas de direito público são imperativas = obrigatórias. 3 – Atos ilícitos: já estudados no semestre passado. obrigação de restituir e obrigação de dar coisa incerta. vão prevalecer as disposições legais. perfeitamente individualizado. 854 e 886. subdividindo-se em três: obrigação de dar coisa certa. fiança. e o Código Civil serve mais para completar a vontade das partes caso haja omissão no ajuste entre elas. O estudo dos atos ilícitos deve ser aprofundado na importante disciplina Responsabilidade Civil (927). 186 (ex: João bate no carro de Maria e se obriga a reparar os prejuízos). como será visto no próximo semestre. com destaque para a promessa de recompensa (ex: perdi meu cachorro e pago cem a quem encontrá-lo. Tal obrigação é regulada pelo Código Civil a partir do art.

etc. A obrigação não geral direito real ( = sobre a coisa). Eventual perda/roubo da geladeira/celular trará prejuízo para o dono.O que vai caracterizar a obrigação de dar coisa certa é porque o objeto da prestação é coisa única e preciosa. então quando compro uma geladeira. Mais detalhes sobre tradição e registro em Civil 4. Excepcionalmente. B não pode tomar o capacete de C. ex: a raquete de Guga. seja ele a loja ou o consumidor. admite-se efeito real caso a coisa continue na posse do devedor (ex: A combina vender a B o capacete de Ayrton Senna. (235). 475 do CC que vocês estudarão em Civil 3). pago a vista e aguardo em casa sua chegada. E se a obrigação não gera direito real. não é quem pagou o preço ou quem tem as chaves. Por sua vez. resolvendo-se o litígio em perdas e danos (389). ainda que mais valiosa. o credor não pode tomá-la. esta é a interpretação do art. se compro um celular a prazo e saio com ele da loja. Ao contrário. até a tradição (492). de modo que o dono do apartamento não é quem mora nele. seja o comprador ou o vendedor. Tradição é a entrega efetiva da coisa móvel (1226 e 1267). mas caso estivesse ainda com A poderia fazê-lo através do Juiz. salvo acordo com o credor (313 – mais uma norma supletiva). mas apenas direito pessoal ( = sobre a conduta). o aparelho já será meu embora não tenha pago o preço (237). a depender do momento da tradição. só serei dono da coisa quando recebê-la. . Se o devedor danificar a coisa antes da tradição. terá que indenizar o comprador por perdas e danos (239). o capacete de Ayrton Senna. o que vai gerar? Resposta: a tradição para as coisas móveis e o registro para as coisas imóveis. o registro é a inscrição da propriedade imobiliária no Cartório de Imóveis. É a confirmação do brocardo romano res perit domino (= a coisa perece para o dono). Então o 389 é a regra e o 475 (execução forçada do contrato) é a exceção. O dono da coisa imóvel é aquele cujo nome está registrado no Cartório de Imóveis (1245 e § 1º). Se o devedor recebe o preço e se recusa a entregar a coisa. O devedor obrigado a dar coisa certa não pode dar coisa diferente. Tradição e registro são assuntos de Direitos Reais mas que já devo adiantar. B paga mas depois A recebe uma oferta melhor e termina vendendo o capacete a C. a camisa dez de Pelé.

enquanto na obrigação de restituir a coisa pertence ao credor. é apenas a posse que se transfere ao cliente. ficando o vizinho com a obrigação de devolver o veículo após o uso. Igualmente se eu empresto um carro a meu vizinho. mas sim é uma coisa genérica determinável pelo gênero e pela quantidade (243). Difere da obrigação de dar. Mas é preciso cuidado para evitar fraudes (238.2 – obrigação de restituir (já vistas na aula passada) 1. Ao invés de uma coisa determinada/certa. Como se vê.3 – obrigação de dar coisa incerta: nesta espécie de obrigação a coisa não é única. dez . também não pode ser apropriado.233. singular. 1. Como a coisa é do credor.1 – obrigação de dar coisa certa 1. então se “achado não é roubado”. seu extravio antes da devolução trará prejuízo ao próprio credor (240). Locação e empréstimo são exemplos de obrigação de restituir. ex: alugo um carro que depois é furtado. do mesmo artigo. Então na locação o cliente/devedor tem a obrigação de restituir o bem ao locador após o prazo acertado (569. o prejuízo será da loja. pois nesta a coisa pertence ao devedor até a tradição. mas mantendo o credor direito real de propriedade sobre ela. IV). ficando a coisa em poder do devedor. apenas sua posse é que foi transferida ao devedor. ESPÉCIES DE OBRIGAÇÃO (continuação) 1 – obrigação de dar 1. exclusiva e preciosa como na obrigação de dar coisa certa. sempre prevalece a máxima res perit domino. Em ambos os casos. na obrigação de restituir a prestação consiste em devolver uma coisa cuja propriedade já era do credor antes do surgimento da obrigação. apenas a posse é que é transferida.2 – obrigação de restituir: é também chamada de obrigação de devolver. temos aqui uma coisa determinável/incerta (ex: cem sacos de café.ú. eu continuo dono/proprietário do carro.1. devendo quem encontrar agir conforme o p. por isso é prudente a locadora sempre fazer seguro). mas dá para entender que quando se aluga um filme. Posse e propriedade são conceitos que serão estudados em Direitos Reais. enquanto na obrigação de dar o extravio antes da tradição traz prejuízo ao devedor. Outro exemplo de obrigação de restituir está no art. a locadora continua sendo proprietária do filme.

tratando-se este artigo 244 de uma norma supletiva. voltando as partes ao estado anterior. contagem e expedição da coisa. etc). indicada apenas pelo gênero e pela quantidade no início da relação obrigacional. Tal coisa incerta. medição. mas coisa sujeita a determinação futura. Todavia. Antes da concentração a coisa devida não se perde pois genus nunquam perit (o gênero nunca perece). pedreiro construir um muro. Pela importância da concentração. e se a plantação de João se perdeu ele pode comprar as frutas em outra fazenda (246). Se João deve cem laranjas a José não pode deixar de cumprir a obrigação alegando que as laranjas se estragaram. caso as laranjas se percam (ex: incêndio no armazém) a obrigação se extingue. 2 – obrigação de fazer: conduta humana que tem por objeto um serviço.). até para que o credor fiscalize a qualidade média da coisa a ser escolhida. Conceito: processo de escolha da coisa devida. etc. sem se exigir perdas e danos (234. que apenas completa a vontade das partes em caso de omissão no contrato entre elas. devolvendo-se eventual preço pago. As partes podem combinar que a escolha será feita pelo credor. pois cem laranjas são cem laranjas. 389. médico realizar uma consulta. ou por um terceiro. após a concentração. Esta escolha chama-se juridicamente de concentração. Após a concentração a coisa incerta se torna certa (245). feita via de regra pelo devedor (244). 402). na obrigação de fazer o objeto da prestação é um serviço (ex: professor ministrar uma aula. cantor fazer um show. vem a se tornar determinada por escolha no momento do pagamento.cabeças de gado. pesagem. E se . Então se João deve cem laranjas a José. de média qualidade. Conceito: espécie de obrigação positiva pela qual o devedor se compromete a praticar algum serviço lícito em benefício do credor. estas frutas precisam ser escolhidas no momento do pagamento para serem entregues ao credor. A concentração implica também em separação. conforme o caso. advogado redigir uma petição. um carro popular. Ressalto que coisa “incerta” não é “qualquer coisa”. o credor deve ser cientificado quando o devedor for realizá-la. Enquanto na obrigação de dar o objeto da prestação é uma coisa.

sem prejuízo para o credor. Se ocorrer recusa do devedor de executar obrigação fungível. São as circunstâncias do caso e a vontade do credor que tornarão a obrigação de fazer fungível ou não. eletricista. de modo que na obrigação de fazer não se pode exigir a execução forçada como na obrigação de dar coisa certa (art.eu quero comprar um quadro e encomendo a um artista. Chama-se esta espécie de obrigação de personalíssima ou intuitu personae ( = em razão da pessoa). quando o devedor for facilmente substituível. 2. não é razoável o Juiz mandar a polícia para forçá-lo a trabalhar “manu militari”. faça o serviço (ex: médico e advogado são profissionais de estrita confiança dos pacientes e clientes). Havendo urgência. diferente do devedor. a princípio para o credor não há problema). Ninguém pode ser diretamente coagido a praticar o ato a que se obrigara. a obrigação é fungível (ex: pedreiro. Em caso de inexecução da obrigação de fazer o credor só pode exigir perdas e danos (247). mecânico. Viola a dignidade humana constranger o devedor a fazer o serviço por ordem judicial. a execução “in natura” do art. num autêntico caso de . a obrigação será de fazer ou de dar? Se o quadro já estiver pronto a obrigação será de dar. 475 – sublinhem exigir-lhe o cumprimento). Assim. não importa quem seja o devedor (304). o coerente é o credor do show exigir perdas e danos (389). às custas do devedor (249). pelas suas qualidades pessoais. o credor pode agir sem ordem judicial. o credor pode pedir a um terceiro para fazer o serviço.2 – infungível: ao credor só interessa que o devedor. As obrigações de dar são sempre fungíveis pois visam a uma coisa. caso não possam fazer o serviço e mandem um substituto. A obrigação de fazer tem duas espécies: 2. se ainda for confeccionar o quadro a obrigação será de fazer.1 – fungível: quando o serviço puder ser prestado por uma terceira pessoa. 475 do CC deve ser substituída por perdas e danos quando for impossível (ex: a coisa devida não está mais com o devedor) ou quando causar constrangimento físico ao devedor (ex: obrigação de fazer). ou seja. Imaginem um cantor se recusar a subir no palco.

é uma expressão muito ligada ao Direito. Como na autonomia privada a liberdade é grande. ESPÉCIES DE OBRIGAÇÃO (continuação) 1 – Obrigação de dar 2 – Obrigação de fazer (já vistas) 3 – Obrigação de não-fazer: trata-se de uma obrigação negativa cujo objeto da prestação é uma omissão ou abstenção. caso José aumente o muro. Tudo é uma questão de bom senso. ou que sacrifiquem a liberdade das pessoas. de não ter religião. inclusive tem um artigo no site sobre a razoabilidade na aplicação da lei. o condômino que se obriga a não criar cachorro no apartamento onde reside. Mas se tal recusa decorre de um caso fortuito (ex: o cantor gripou e perdeu a voz). ex: obrigação de não se casar. Exemplos: o engenheiro químico que se obriga a não revelar a fórmula do perfume da fábrica onde trabalha. o professor que se obriga a não dar aula em outra faculdade.realização de Justiça pelas próprias mãos (pú do 249. Mas se for viável. Pode haver limite temporal para a obrigação (1. ex: consertar o telhado de casa ameaçando cair). que poderia livremente praticar. João poderá exigir a . o comerciante que se obriga a não fazer concorrência a outro. O devedor vai ter que sofrer. etc. o credor poderá exigir o desfazimento pelo devedor (ex: José se obriga a não subir o muro para não tirar a ventilação do seu vizinho João. Gosto muito da expressão “razoável”. se não tivesse se obrigado em benefício do credor. as obrigações negativas podem ser bem variadas. de não trabalhar. tolerar ou se abster de algum ato em benefício do credor. Os romanos chamavam de obrigação ad non faciendum.147). confiram! A violação da obrigação negativa se resolve em perdas e danos. são proibidas. mas obrigações imorais e anti-sociais. extingue-se a obrigação (248). então se o engenheiro divulgar a fórmula do perfume terá que indenizar a fábrica. etc. ou de razoabilidade. Conceito: vínculo jurídico pelo qual o devedor se compromete a se abster de fazer certo ato.

etc. CLASSIFICAÇÃO ou MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES Vistas as espécies. 251). o novo morador terá que respeitar a obrigação? Não. Mais detalhes em Civil 5 (vide no site aulas 8 e 9 de Direitos Reais na Coisa Alheia). pois corresponde a uma obrigação moral. uma servidão predial vincula uma pessoa a uma coisa. São exemplos: obrigação de dar gorjeta. Enquanto uma obrigação vincula pessoas (João a José). pois o Direito Público predomina sobre o Direito Privado (250 – é o chamado “Fato do Príncipe”. A primeira modalidade é: 1 – Obrigação Natural: a obrigação civil produz todos os efeitos jurídicos. então a segurança para o credor é bem maior. e por se tratar de um direito real. então uma indenização por perdas e danos é a solução (389). Ainda tratando do exemplo do muro. Servidão predial é assunto de Civil 5. se José se mudar. todos os futuros proprietários da casa não poderão aumentar o muro (1. fazer ou não-fazer. pois quem celebrou o contrato não foi ele. Neste exemplo do muro. em alusão aos monarcas que governavam os países na Europa medieval). Mas se João. mas que sempre irão corresponder a uma das três espécies de dar.378). já se percebe sua maior força em relação a um direito obrigacional.demolição. . São várias modalidades. e se a Prefeitura obrigar José a aumentar o muro por uma questão de estética ou urbanismo? José terá que obedecer e João nada poderá fazer. fizer com José uma servidão predial. obrigação de pagar dívida de jogo (814). Há autores que a chamam de obrigação degenerada. No caso do perfume não há como desfazer a revelação do segredo. obrigação de pagar dívida prescrita (205). mas a obrigação natural não. ao invés de um simples contrato de obrigação negativa. vamos passar as próximas aulas tratando das modalidades de obrigações.

pois o credor dispõe da soluti retentio. não podendo o credor recorrer à Justiça. bem diferente da obrigação civil.A obrigação natural não pode ser exigida pelo credor. . que terá que devolver o dinheiro. Conceito: obrigação natural é aquela a cuja execução não pode o devedor ser constrangido. em direito “repetir” significa “devolver”. Vocês sabem que se uma dívida não for paga no vencimento o direito do credor mune-se de uma pretensão. Mesmo tratando-se de uma obrigação moral. mesmo sendo moral. Mas não se confunda obrigação natural com obrigação inexistente: se João paga dívida inexistente o credor não pode ficar com o dinheiro. Na obrigação natural não cabe a repetitio indebiti. mas não pode ser judicialmente cobrada. e o devedor só vai pagar se quiser. Falaremos mais de enriquecimento sem causa e pagamento indevido na aula 12. mas quem recebe dívida inexistente não (ex: pago a meu credor João da Silva. Então quem efetua pagamento indevido pode exigir a devolução do dinheiro ( = repetitio indebiti) para que outrem não enriqueça sem motivo. “a obrigação natural não se afirma senão quando morre”. mas cujo cumprimento voluntário é pagamento verdadeiro. Então se João paga dívida prescrita e depois se arrepende não pode pedir o dinheiro de volta. e João terá direito à repetitio indebiti ( = devolução do indébito. pois o credor tem direito à retenção do pagamento (882). A dívida natural existe. o credor não terá a pretensão para executar o devedor e tomar seus bens (189). o pagamento de obrigação natural é pagamento verdadeiro e o credor pode retê-lo. 876). é com o pagamento e sua extinção que a obrigação natural vai existir para o direito. ou seja. e a dívida se transforma em responsabilidade patrimonial. ensejando ao credor a soluti retentio. Por que a obrigação natural interessa ao Direito se corresponde a uma obrigação moral? Porque a obrigação natural. Como diz a doutrina. e “indébito” é o que não é devido). O credor de obrigação natural tem direito à soluti retentio. Mas tratando-se de obrigação natural. mas por engano faço o depósito na conta de outro João da Silva. possui um efeito jurídico: soluti retentio ou retenção do pagamento.

gostaria de transcrever a valiosa opinião de Washington de Barros Monteiro sobre a raridade da obrigação natural e a absurda proteção que a lei dá ao devedor no nosso ordenamento: . tal doação não se extinguirá já que não foi feita por liberalidade. 32ª edição. porém mesmo assim João resolveu pagar e doou uma jóia a Maria. Mas se por trás dessa doação existe uma obrigação natural. que não tem direito a nada. suscetível de pagamento voluntário. 1ª parte. vocês verão em Civil 3 que o donatário deve ser grato ao doador. mas por um dever moral. ex: João deve dinheiro a Maria mas a dívida prescreveu. CLASSIFICAÇÃO ou MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES 1 – Obrigação Natural (já vista) 2 – Obrigação Alternativa . Finalizando. e a moral influencia o Direito. Maria lhe deve gratidão pelo resto da vida. aparece como verdadeiro anacronismo a obrigação natural. tal doação não se revoga por ingratidão (564.numa época em que a noção do prazo tende a desaparecer. pois bem. então se João doa um carro a Maria. 215). tanto que a lei lhe atribui o efeito jurídico da soluti retentio. pág. Saraiva. substituída pelo espírito de moratória e pela esperança da revisão. Ed. a obrigação natural não se cumpre por bondade ou liberalidade ou doação. em que o devedor conhece a arte de não pagar as dívidas e em que aquele que paga com exatidão no dia devido não passa de um ingênuo. caso Maria venha no futuro a agredir João. III.Em suma. apesar de desprovida de ação (vide Direito das Obrigações. mas sim em cumprimento de obrigação natural). em que as leis se enchem de piedade pelos devedores e em que as vias judiciárias se mostram imprescindíveis como imposição ao devedor civil. não podendo agredi-lo ou ofendê-lo sob pena de perder a doação (557). Falando de doação.

ou por sorteio (817). se o devedor. embora indeterminado até a concentração. semelhante a da obrigação de dar coisa incerta. mais um ex: o comerciante que se obriga com outro a não lhe fazer concorrência. qualquer delas vai satisfazer o credor (253 e 256). pode repeti-lo para exercer a opção. É um caso raro de retratação da c) d) . caso qualquer das prestações venha a perecer. a exoneração do devedor se dá mediante a realização de uma única prestação. ressalto todavia que não se confunde a obrigação alternativa com a de dar coisa incerta. mas a obrigação alternativa tem por objeto duas ou mais prestações. art 442). essa escolha chama-se de concentração. Características da obrigação alternativa: a) b) nasce com objeto composto. cabendo o direito de escolha. por um terceiro. ou seja. duas ou mais possibilidades de prestação. sem ter que se partir para as perdas e danos. o adimplemento de qualquer das prestações resulta no cumprimento da obrigação. ou então a lhe pagar certa quantia. 1701. o que aumenta a chance de satisfação do credor. mas o contrato pode prever que a escolha será feita pelo credor. exemplo da lei: art. outro ex: um artista bate no seu carro e se compromete a fazer um show na sua casa ou a pagar o conserto. de regra.A obrigação simples só possui um objeto. ignorando que a obrigação era alternativa. mas apenas uma será cumprida como pagamento. outro exemplo da lei. É muito comum na prática. até para facilitar e estimular os negócios (ex: vendo esta casa por vinte mil ou troco por terreno na praia. ao próprio devedor (252). Como o credor aceitou mais de uma prestação como pagamento. já na obrigação alternativa há pelo menos dois objetos. fizer o pagamento. nesta o objeto é único. o devedor pode optar por qualquer das prestações.

então imaginem que da Fazenda A sai um aqueduto para a Fazenda B. levando água. há casos específicos na lei que contemplam obrigações facultativas. mas não se confunde com a obrigação alternativa. mas o dono pode. já abandonar a coisa é prestação acessória do seu dono. então quem encontra coisa perdida deve restitui-la ao dono. ao invés de pagar a recompensa. Exemplo: art. 3 . O abandono da coisa não é obrigação. Outro exemplo: art. abandonar a coisa. e aí quem encontrou poderá ficar com ela. 1234. 1382. tem o dono da Fazenda A a obrigação facultativa de abandonar suas terras para o dono da Fazenda B. o devedor .concentração. mas confere ao devedor o direito excepcional de substitui-lo por outro. Ou seja. e) nas obrigações periódicas admite-se o jus variandi. Ao invés de conservar o aqueduto. assunto de Civil 4. Pois bem. e cabe ao devedor a prova de que não sabia da possibilidade de escolha (877). conforme exemplos que veremos abaixo. 252). tem o devedor a faculdade de dar a coisa ao credor. pode-se mudar a opção a cada período (§ 2o do art. ou seja. porque as partes dificilmente contratam prevendo uma obrigação facultativa. pagar a recompensa é a prestação principal do devedor. assunto de Civil 5. mas faculdade do seu dono. com a obrigação. Ao invés de pagar a recompensa. de que o dono da Fazenda A deverá conservar a obra. e o dono fica obrigado a recompensar quem encontrou. A doutrina critica essa mudança de prestação porque gera instabilidade para o credor. tanto que nosso Código não reservou para ela um capítulo próprio. Conceito: é aquela cujo objeto da prestação é único. é uma prima pobre.Obrigação Facultativa É parecida. É também muito rara. Sua fonte está mais na lei do que no contrato. ajustada em contrato. ao invés de manter o aqueduto.

e que cada credor tenha direito apenas a parte da prestação. Comecemos pela divisibilidade e indivisibilidade: Obrigação divisível é aquela cuja prestação pode ser parcialmente cumprida sem prejuízo de sua qualidade e de seu valor (ex: uma dívida de cem reais pode ser paga em duas metades. Ressalto que a impossibilidade de cumprimento da prestação principal extingue a obrigação. pois a prestação devida é única e só o devedor pode optar pela prestação facultativa. na próxima aula. Então quem encontrar coisa perdida e não receber a recompensa. o devedor tem a excepcional faculdade de se liberar mediante prestação diferente. Mas caso existam na mesma relação vários devedores ou vários credores. não poderá exigir o abandono da coisa. 253. não se aplicando o art. ao contrário da alternativa. resolvendo-se em perdas e danos. Tanto na indivisibilidade como na solidariedade. mas sim deverá processar o devedor pelo valor da recompensa. numa obrigação existe apenas um credor e um devedor. a prestação acessória não é obrigação. o credor nunca tem a opção e só pode exigir a prestação principal. e de solidariedade. e cada devedor responde também pelo todo (259 e 264). um curso de Direito Civil pode ser ministrado . Na obrigação facultativa. como já dito. dando-as ao vizinho. que veremos hoje. Classificação ou modalidades de obrigações (continuação) 4 – Obrigação divisível e indivisível Em geral. Essa regra sofre exceção nos casos de indivisibilidade. cada credor pode reclamar a prestação por inteiro. pois. o razoável é que cada devedor pague apenas parte da dívida. Ao nascer a obrigação o objeto é único. mas faculdade do devedor.tem a faculdade de abandonar suas terras. embora concorram várias pessoas. mas para facilitar o pagamento. É vantajosa assim para o devedor.

pelo que o devedor deverá pagar a todos os credores juntos. seus filhos irão pagar estas dívidas dentro dos limites da herança recebida do pai (1792. cada credor só pode exigir sua parte (257). . agora é do irmão pagador contra os outros irmãos. cada filho responde pela dívida toda. para se livrar logo daquela obrigação. eventualmente. 258. Se a prestação for divisível. para que um não engane os outros. mesmo que a prestação seja divisível (314). venha a ser lesado pelo credor que recebeu todo o pagamento. o devedor deve pagar de uma vez só. cobrará o quinhão correspondente de cada irmão (259 e pú – veremos sub-rogação em breve). Mas sendo indivisível aplica-se o 260. o fiador poderá ser processado pelos prejudicados. 263). 260. Se o devedor pagar sem as cautelas do art. 1997). mas não encontra os três para pagar. e a insolvência de um deles não aumentará a quota dos demais (257). Ou então o devedor deverá pagar àquele credor que prestar uma garantia ( = caução) de que repassará o pagamento aos outros (ex: João deve um carro a três pessoas.pluralidade de devedores: imaginem que um pai morre e deixa dívidas. afinal quem paga mal paga duas vezes. Como dito. Então o credor do pai terá mais de um filho para cobrar esta dívida. fiança é assunto de Civil 3). terá que pagar de novo àquele credor que.e se a pluralidade for de credores? Sendo divisível a prestação. e aquele que pagar ao credor. concordam? Diz-se por isso que o pagamento integral da dívida a um só dos vários credores pode não desobrigar o devedor com relação aos demais concredores. A relação obrigacional antes era do credor com os filhos do pai morto. deixa de ser indivisível. Mas a depender do acordo entre as partes. mas se tal cavalo perecer e a dívida se converter em pecúnia.em várias aulas). . cada filho responde pela parte correspondente a sua herança. caberá aos credores buscar sua parte . Mas se a prestação for indivisível. paga ao credor que ofereceu uma fiança. a indivisibilidade vai despertar interesse prático quando houver mais de um credor ou mais de um devedor. Mas pagando o devedor corretamente. assim. se este credor não repassar o carro aos demais credores. Já na obrigação indivisível a prestação só pode ser cumprida por inteiro (ex: quem deve um cavalo não pode dar o animal em partes.

88. mas dar um cavalo é indivisível. etc). mas perderia valor (ex: obrigação de dar um diamante.com o credor que recebeu tudo (261). Percebe-se que qualquer das três espécies de obrigação (dar. Tratando-se de coisa indivisível (ex: carro. então um lote deste tamanho não pode ser dividido em dois). a obrigação é também solidária. obrigação de restituir o imóvel locado. ex: dois devedores se obrigam a pagar juntos certa quantia em dinheiro. que os lotes nos loteamentos terão no mínimo 125 metros quadrados. . quando numa obrigação indivisível concorrem vários devedores. c) legal: é a lei que proíbe a divisão (ex: a lei 6. Mas pode haver obrigação solidária mesmo de coisa divisível devida por várias pessoas. todos estão obrigados pela dívida toda. mas não pescar e não caçar na fazenda do vizinho é divisível). como se existisse uma solidariedade entre eles (259). II. e 259). não revelar segredo é indivisível. casa). que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano.766/79. pois sua divisão alteraria sua substância ou prejudicaria seu uso (ex: obrigação de dar um cavalo. art. Classificação ou modalidades de obrigações (continuação) 5 – Obrigações solidárias Como visto na aula passada. pintar um quadro é obrigação de fazer indivisível. barco. o que vai favorecer o credor que poderá exigir tudo de qualquer deles. Assim. 4º. 258 in fine. mas plantar cem árvores é divisível. determina no art. fazer e não-fazer) pode ser divisível ou indivisível (ex: dar dinheiro é divisível. 87). ou então vendê-la e dividir o dinheiro (1320). se várias pessoas devem coisa indivisível. b) econômica: o objeto da prestação fisicamente poderia ser dividido. d) convencional: é o acordo entre as partes que torna a prestação indivisível (art. Espécies de indivisibilidade: a) física: a prestação é indivisível pela sua própria natureza. poderão os credores usar a coisa em condomínio.

Pelas suas características a solidariedade não se presume. converte-se em perdas e danos e os co-devedores deixam de ser responsáveis pelo todo (263).o devedor de obrigação solidária que paga sozinho a dívida ao credor. decorre de contrato ou da lei (265). Então A. vai cobrar dos demais co-devedores a quota de cada um. fazer um quadro.se a coisa devida em obrigação solidária perece. As obrigações solidárias e indivisíveis têm conseqüências práticas semelhantes. A vai cobrar a quota de B e C sem solidariedade entre B e C. . sem solidariedade que não se presume (265 e 283). Se A pagar a dívida toda ao credor. III. . mas o devedor a vários credores solidários se desobriga pagando a qualquer deles (269). mesmo sendo coisa divisível. na indivisibilidade cada devedor só deve uma parte. I).pode haver obrigação solidária de coisa divisível (ex: dinheiro). ou mais de um devedor. Na solidariedade cada devedor deve tudo. . mas tem que pagar tudo diante da natureza da prestação. como se fosse o único (264). B e C devem solidariamente dinheiro a D.o devedor a vários credores de coisa indivisível precisa pagar a todos os credores juntos (260. vejamos: . Tal solidariedade nas coisas divisíveis serve para reforçar o vínculo e facilitar a cobrança pelo credor. lote urbano. cada um com direito ou com responsabilidade pela dívida toda. diamante. de modo que todos os devedores vão responder integralmente pela dívida. mas permanece a solidariedade (271 e 279).Conceito legal: há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. Se a coisa devida em obrigação indivisível perece. Exemplo de solidariedade decorrente de lei é a patroa que responde pelos danos causados a terceiros por sua empregada doméstica (932. mas são obrigações diferentes. torna-se divisível. mas por força de contrato não pode. . pois resulta da natureza da prestação (ex: cavalo. etc). . 942 e pú). tratando-se de uma garantia para favorecer o credor. barco.a obrigação indivisível é impossível pagar por partes. converte-se em perdas e danos. Já a obrigação solidária até poderia ser paga por partes.

Por estes inconvenientes a solidariedade ativa é rara. Outro inconveniente é que se um dos credores perdoar a dívida.Elementos da obrigação solidária: a) multiplicidade de credores ou de devedores. Pagando apenas a um dos credores solidários. terão sim que reclamar daquele que embolsou o pagamento. A solidariedade ativa é rara porque na sua principal característica está sua principal inconveniência (269). I). e os demais concredores terão que exigir sua parte daquele que perdoou (272). o devedor fica liberado. e reter ou perder a quota dos demais. c) co-responsabilidade dos interessados. e se este credor for desonesto ou incompetente. o devedor se desobriga. na solidariedade ativa cada credor fica sujeito à honestidade dos outros concredores. os concredores nada poderão reclamar do devedor. Assim. 5. o pagamento deverá ser feito ao mesmo (268). o devedor não precisa pagar a todos os concredores juntos. chamados concredores. afinal não interessa ao credor. ou ainda. ficando tal credor prevento para receber o pagamento com prioridade em nome de todos os concredores. mesmo sem autorização dos demais. Como se vê. como na obrigação indivisível (260. Mas caso algum dos concredores já esteja executando judicialmente o devedor. b) unidade de prestação. facilita a cobrança e . o que se chama de prevenção.Solidariedade ativa Configura-se pela presença de vários credores. 5.2 – Solidariedade passsiva Esta é comum e importante. devendo ser estimulada já que protege o crédito. de uns e de outros. reforça o vínculo.1 . todos com o mesmo direito de exigir integralmente a dívida ao devedor comum (267).

Aquele devedor que pagar integralmente a dívida. se obriga ao pagamento da dívida toda (275). os patrões lucram. Entendo até que. as lojas vendem. não a ativa. sempre é devedor solidário. pois o credor terá várias pessoas para cobrar a dívida toda. para proteger o crédito. 265. por isso a solidariedade passiva não concede tal benefício aos co-devedores. mas se ele insistir seja seu fiador com benefício de ordem. Violando o art. a solidariedade passiva. o credor terá três pessoas para processar e exigir pagamento integral. mas jamais fiador-solidário ou avalista. mesmo que a obrigação seja divisível. deveria ser presumida. Assim. por isso se algum amigo lhe pedir para ser avalista não aceite. o coobrigado tem o direito de ver executado primeiro os bens do devedor principal (ex: fiança. havendo três devedores solidários. geram empregos e o governo arrecada tributos. O que é isso? Pelo benefício de divisão o devedor pode exigir a citação de todos os coobrigados no processo para juntos se defenderem. O credor escolhe se quer processar um ou todos os devedores (pú do 275). Pelo benefício de ordem. terá direito de regresso contra os demais coobrigados (283). 829 acertadamente faz presumir a solidariedade passiva conforme será visto em fiança. chamado coobrigado. mais as pessoas emprestam dinheiro. Na solidariedade passiva não se aplica o benefício de divisão e nem o benefício de ordem. Conceito: ocorre a solidariedade passiva quando mais de um devedor. II). com seu patrimônio (391). 827). O avalista nunca tem benefício de ordem. E quanto mais se protege o credor. Mas o fiador pode renunciar ao benefício de ordem e se equiparar ao devedor solidário (828.aumenta a chance de pagamento. Isto é ruim para o credor porque atrasa o processo. Fiança e aval são exemplos de solidariedade passiva decorrente de acordo de vontades. e com mais dinheiro os consumidores se equipam. Como se sabe: proteger o crédito é estimular o desenvolvimento sócio-econômico. as fábricas produzem. Então a Universidade . por isso mesmo. o art.

obrigação líquida é aquele cuja existência é certa e cujo valor é conhecido. e não deixar isso para uma fase posterior do processo. E de quanto é essa indenização por morte? A lei responde no art. geralmente exige um fiador ou um avalista (897). afinal não se pode executar obrigação ilíquida (947). certa quanto à sua existência e determinada quanto à sua qualidade. o credor irá processar o devedor. no comodato (585) e na gestão de negócios (pú do 867). o fiador ou o avalista. e também interessa ao Direito Civil para a punição ao bolso do infrator. A . devendo o Juiz dizer logo o valor da indenização. um crime interessa ao Direito Penal para a punição com a prisão do infrator. precisa ser apurada pelo Juiz em processo de liquidação para poder ser executada. Vocês sabem que se uma dívida não for paga no vencimento o credor mune-se de uma pretensão e a dívida se transforma em responsabilidade patrimonial. de modo que se o devedor não pagar a dívida no vencimento.quando financia o curso de um estudante. 948. Em outras palavras. Esta pretensão consiste no poder de executar o devedor para tomar seus bens através do Juiz e satisfazer o credor. Pois bem. Sendo a obrigação ilíquida e não havendo acordo entre as partes. 946. ou seja. natureza e objeto. quantidade. Fiança será estudada em Civil 3 e aval em Direito Empresarial. Inclusive entendo que o Juiz deve sempre proferir sentenças líquidas para evitar mais demoras ao credor. Exemplo: o Juiz condena João a indenizar Maria porque João matou o pai dela. a ação de execução só é possível quando a obrigação é líquida. Modalidades de obrigações (continuação) 6 .Obrigações líquidas e ilíquidas Líquida é a obrigação certa e determinada. Assim. Exemplos de solidariedade passiva decorrente da lei estão na responsabilidade civil (932).

mas o contrário não. Então quem aluga uma casa celebra um contrato principal de locação e pode exigir um contrato acessório de fiança para garantir o pagamento do aluguel na hipótese de inadimplência do inquilino. a fiança. Exemplo legal de obrigação cumulativa é o contrato de empreitada onde o engenheiro pode fazer o serviço E dar os materiais para a construção de uma casa (610). dispensando parte do burocrático aparelho estatal.punição civil é mais rápida e não depende de Delegado e nem de Promotor. muitas prestações estão na obrigação e muitas no pagamento. a hipoteca e o penhor produzem obrigações acessórias que vão se agregar a uma obrigação principal. Inclusive. Então uma compra e venda. Mais detalhes na importante disciplina Responsabilidade Civil. Na obrigação cumulativa todas as prestações interessam ao credor. muitas prestações estão na obrigação e apenas uma no pagamento. um empréstimo e uma locação são contratos que geram obrigações autônomas. mas o inverso não (art. já a obrigação acessória depende da principal. Na cumulativa. na alternativa apenas uma delas. . ou seja. pois liberdade todos têm para perder. 7 – Obrigação principal e acessória Principal é a obrigação autônoma. como a locação. 8 – Obrigação cumulativa ou conjuntiva Caracteriza-se pela pluralidade de prestações (ex: troco uma casa por um carro e uma lancha). mas obrigação cumulativa (carro E lancha). por exemplo. Já na alternativa. 184. tem vida própria. nula será a fiança. Por outro lado. Mas se o infrator não tiver bens. agregando-se a ela. Não se trata de obrigação alternativa (carro OU lancha). sendo nula a locação. 2ª parte). A locação existe sem a fiança. só haverá punição penal.

O encargo precisa ser pequeno para não caracterizar uma contraprestação (ex: dou um carro a meu vizinho com o ônus de levar meus filhos e eu para a escola e o trabalho diariamente. . o termo (ou prazo) e o encargo (ou modo. pode ou não acontecer. Se o encargo for absurdo (ex: mandar rezar missa todo dia para o falecido) o Juiz pode interferir na obrigação privada para modificá-la. mas você não pode entrar nela. afinal o Ministério é público e o Direito Civil é privado. este é um dos poucos casos de participação do Ministério Público no direito patrimonial. ou ônus). ou seja. só depende do inexorável passar do tempo. mas contratação de um motorista). 122). trinta dias são o prazo e o prazo é um evento certo. Então pode-se doar uma fazenda com o ônus de construir uma escola para as crianças carentes da região (553. o Promotor de Justiça fiscalizará sua execução (pú do 553. no art. Ou pode-se deixar uma herança para um sobrinho com o ônus de mandar rezar mensalmente uma missa para o falecido. vender as roupas não é uma certeza. 121.obrigação a termo: subordina a obrigação a evento futuro e certo (ex: pagarei o tecido em trinta dias. Se o encargo for de interesse público (ex: construir uma escola). isso não é doação. ora. 876) Condições absurdas são proibidas (ex: alugo minha casa a você. vamos exemplificar: . Estas modalidades vocês conhecem de Civil 1. isso é o que a lei chama de “privar de todo efeito o negócio jurídico”.obrigação condicional: subordina a obrigação a evento futuro e incerto (ex: o alfaiate compra tecido da fábrica e combina só pagar o preço se vender as roupas. 132). é toda aquela cuja eficácia não está subordinada a qualquer das três modalidades dos negócios jurídicos: a condição. ou ônus) é imposto ao beneficiário de uma liberalidade como uma doação ou herança. . . 136).obrigação modal: o modo (ou encargo.9 – Obrigação pura É a obrigação simples.

mas os direitos reais não. O adquirente do bem vai se tornar devedor. O proprietário da coisa assume a obrigação automaticamente. adquire automaticamente essa obrigação real. embora tenha sido o dono anterior que não pagou a taxa. e não do contrato. decorrente da coisa (real = res = coisa). a lei determina que quem compra um apartamento com dívida de condomínio assume esta obrigação. Observação sobre o conceito: a OR se origina apenas da lei. é aquela que não for 10ª e última modalidade de obrigação: Obrigação Real Trata-se de uma obrigação propter rem ( = em razão da coisa). mesmo sem querer. Esta vinculação da obrigação à coisa.345. então a obrigação segue a coisa. Conceito: obrigação real corresponde ao vínculo jurídico que se origina da lei com característica dos Direitos Reais e transmissão automática ao novo proprietário da coisa. Não decorre de um contrato. por isso chama-se obrigação real (res = coisa). sendo numerus clausus (1225). só a lei pode criá-los. mas da propriedade sobre um bem. O Direito Real e o Direito das Obrigações formam o Direito Patrimonial Privado (vide aula 1).Então obrigação simples condicional. por isso as obrigações reais originam-se sempre da lei. a termo ou modal. apenas pelo fato de ter sucedido o dono-devedor anterior na propriedade da coisa. sendo natural que algumas vezes eles se interpenetrem. em decorrência de sua condição de dono desse bem. Sequela é uma palavra que se origina do verbo seguir. são numerus apertus (425). Exemplo: 1. Quem adquire certo bem. não importa quem seja seu dono. . que é uma característica dos Direitos Reais. É também chamada de obrigação mista porque apresenta características de Direito das Coisas ( = Direito Real) e de Direito das Obrigações ( = Direito Pessoal). deriva da sequela. qualquer que seja seu dono. Os contratos podem ser inventados pelas partes. A obrigação está vinculada à coisa.

torna-se devedor de eventual obrigação real sobre o bem apropriado. 1383 (quem compra imóvel com servidão predial tem a obrigação de manter a servidão. então se a coisa é vendida. art. e quem for proprietário dessa coisa será o devedor. ex: um promotor de eventos contrata um cantor para fazer um show. Em suma. se o artista desistir. embora a cerca tenha caído na época do dono anterior). por exemplo. vamos encerrar a primeira unidade deste semestre tratando da cláusula penal (CP). A cláusula penal é acessória. para não comprar barato um terreno e depois. terá que pagar uma indenização de cem mil). não é obrigatória. Mais exemplos de OR: art. então se a dívida não for paga no vencimento ( = se o cantor não . descobrir que nele não se pode construir para não tirar a vista do edifício de trás. o novo dono se tornará o devedor. a obrigação propriamente dita vincula uma pessoa (credor) a outra pessoa (devedor). não podendo o devedor deixar de assumi-la. a OR é irrecusável. e já fixa no contrato que.Originando-se da lei. por isso observem sempre o registro do imóvel antes de fazer a compra. CLÁUSULA PENAL Concluído o estudo das dez modalidades de obrigações. Outra observação: o devedor da obrigação real varia caso a coisa mude de dono. 1297 (quem compra uma fazenda tem a obrigação de fazer a cerca. já a obrigação real está vinculada a uma coisa. Quem se torna titular do direito real ( = propriedade). assunto de Civil 5). este exemplo corresponde a uma servidão predial de vista. Conceito: CP é a cláusula acessória a um contrato pelo qual as partes fixam previamente o valor das perdas e danos que por acaso se verifiquem em conseqüência da inexecução culposa da obrigação (408.

se a obrigação principal for nula. mas a CP reitera essa sanção. afinal. pelo que o .fizer o show). mora) do devedor no cumprimento da obrigação. semelhante a uma obrigação alternativa). que corresponde ao dolo (inexecução voluntária) e à culpa stricto sensu (em sentido restrito = imprudência e negligência). 402 do CC. tornando a obrigação líquida (vide aula 9). para só depois possibilitar o ataque pelo credor (o promotor de eventos) ao patrimônio do cantor. eliminando recursos processuais ao dispensar o Juiz de calcular o valor previsto no art. é o Juiz quem irá fixar a indenização devida pelo cantor. com ampla liberdade para as partes. terá que pagar a CP. Se a obrigação for cumprida pelo devedor. pagará cem mil ao Hospital do Câncer). e não existir cláusula penal no contrato. Mas se o cantor não fez o show porque pegou uma gripe. a cláusula penal se extingue. a cláusula penal também o será. A CP geralmente é pactuada em dinheiro. trata-se de um caso fortuito que isenta de responsabilidade (393 e pú). ou a fazer. Então se o cantor não fez o show porque não quis (dolo) ou porque bebeu demais e perdeu a voz (imprudência). ou seja. Essa é a grande vantagem da cláusula penal: pré-fixar as perdas e danos. ou não-fazer algum serviço. refiro-me à culpa em sentido amplo (lato sensu). economizando tempo. É verdade que a lei prevê automaticamente uma punição ao devedor (389). Quando uso no conceito a expressão inexecução “culposa”. Outra vantagem da CP é a de intimidar o devedor. b) CP moratória: aplica-se em caso de atraso (= retardo. ele já fica sabendo que terá uma pena se não cumprir a obrigação. in fine). A CP geralmente reverte em favor do credor. Espécies: a) CP compensatória: aplica-se em caso de inexecução (= inadimplemento) da obrigação pelo devedor (410. mas pode corresponder a obrigação de dar outra coisa. mas o contrato pode prever que será paga a terceiros (ex: se o cantor não fizer o show. então o credor poderá optar pela obrigação principal ou pela cláusula penal. segue o destino da principal (184. como cláusula acessória.

usava o verbo “poderá”. contratos. 413). Vocês hoje. usaram o telefone? Acredito que sim.devedor pagará a multa pelo atraso e cumprirá a obrigação. 1 . atos ilícitos. . celebraram algum contrato. atrofiando a economia e trazendo insegurança jurídica. tomaram algo emprestado. Critico a publicização num artigo no site sobre a importância do Direito Privado e os riscos da intervenção estatal na autonomia dos cidadãos. Ambas as espécies estão previstas no art. no art. 416). Confiram! Fim da 1ª parte do curso de Direito das Obrigações. pelo que o devedor poderá ser judicialmente processado pelo credor. pois toda obrigação nasce para ser satisfeita. Rafael de Menezes Uma obrigação é um fenômeno jurídico que ocorre a todo momento. de modo que o devedor fica liberado. Mas é justo o Estado-Juiz se imiscuir nos contratos privados.Pagamento: é a principal forma de extinção das obrigações. então vocês hoje fizeram acontecer uma obrigação jurídica. que corresponde a esse 413. Só uma minoria das obrigações é que não são satisfeitas. existem inúmeras obrigações. assumiram alguma obrigação. etc. 409. 411 (ex: multa de 10% em caso de atraso no pagamento de aluguel. Veremos nesta 2ª unidade do curso de Direito Civil 2 os vários modos pelos quais as obrigações se extinguem. 924. o Juiz deverá reduzi-la (412. enquanto o novo CC usa o verbo “deverá”. que nasce e se extingue a todo instante. sendo realizados/ocorrendo lá fora na rua. alterando aquilo que foi estabelecido livremente pelos particulares? Reflitam! O velho CC.. e o primeiro e principal desses modos é o pagamento. Se a cláusula penal compensatória tiver um valor muito alto. compraram alguma coisa. EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES Prof. A imensa maioria das obrigações são cumpridas/pagas. como consequência da publicização do Direito e a proteção maior que o Estado dá hoje aos devedores. O pagamento é muito comum e ocorre com grande frequência na sociedade. Enquanto estamos aqui conversando. por exemplo.

mesmo pagando sob força judicial. e vocês já sabem que tal prestação é uma conduta humana. modo e lugar previstos no título constitutivo. em pequenos contratos. . se o devedor só paga após ser judicialmente executado. que corresponde à execução voluntária e exata por parte do devedor da prestação devida ao credor. tecnicamente isto não é pagamento pois foi feito sob intervenção judicial. pois em linguagem jurídica pagar é executar a obrigação. um fazer ou um omitir-se (não-fazer).formal: o pagamento é formal pois a prova do pagamento é o recibo. ou a realização real da obrigação. isto é o que importa. pagamento é aquele voluntário e exato. Muitas vezes. . pagamento é o ato jurídico formal. Num conceito mais completo. se o credor aceitou e se satisfez.voluntário e exato: lembrem-se sempre disso.unilateral: pois é de iniciativa do devedor. Mas tecnicamente. 320. é um hábito que nós temos e vocês sabem que o costume é também uma fonte do direito. mas nem sempre em dinheiro (ex: A paga a B para pintar um quadro. além de voluntário. pagamento é a morte natural da obrigação.prestação: é o objeto da obrigação. que é o sujeito passivo da obrigação. pagamento é voluntário e exato. . de fazer um serviço ou de se abster de alguma conduta (não-fazer). . unilateral. ao penhorar/tomar bens do devedor. e deve atender às formalidade do art. tal recibo em direito é chamado de quitação. o pagamento deve ser exato. nós não pedimos recibo pra não perder tempo. pode ser um dar. ou pagando coisa diferente da devida. Falaremos mais da quitação adiante. seja essa obrigação de dar uma coisa. no tempo. O leigo tende a achar que todo pagamento é em dinheiro. Pagar é cumprir esta prestação. Vamos comentar este conceito: . em ambos os casos. mas nem sempre.Conceito: num conceito mais simples. em linguagem jurídica. De qualquer modo. tecnicamente isto não foi pagamento. então se A deve cinquenta a B e paga com um livro. de modo que a obrigação de B será fazer o quadro. o pagamento de B será realizar o serviço).

veremos sub-rogação em breve). Regras do pagamento: 1) satisfação voluntária e rigorosa da prestação (dar uma coisa. 2) o credor não pode ser obrigado a receber prestação diferente. no art. 1. fazer um serviço. Para evitar especulações ou constrangimentos. assunto do final do semestre. pois quem paga mal paga duas vezes (308). 313). quem esteja pagando. O terceiro que paga sem interesse jurídico (ex: o pai. que dispõe sobre pagamento pelos herdeiros de dívida do falecido. Se o devedor quer impedir que um terceiro pague sua dívida deve se antecipar e pagar logo ao credor. 962. Se a obrigação for personalíssima (ex: A contrata o cantor B para fazer um show). apenas por pena ou para humilhar. penhor. avalista.997.. etc) vai poder cobrar do devedor original. afinal o credor quer receber. que dispõe sobre o concurso de credores. mas não pode ser forçado a aceitar (356).tempo. seja ele o devedor ou não. assunto de Civil 7. a lei trata diferente o terceiro que paga por interesse jurídico do terceiro que paga sem interesse jurídico. A quem se deve pagar? Ao credor. ou a seu representante. Quem deve pagar? O devedor. esta regra tem duas exceções. respeitando a data. Em suma. ou abster-se de uma conduta) porque o pagamento é exato. o terceiro interessado tem reembolso e subrogação nos eventuais privilégios. Solvens é o pagador. o inimigo. Se o credor é . sob pena do pagamento ser feito outra vez. Em geral para o credor não importa quem seja o solvens. o lugar e a maneira de pagar. o credor pode aceitar receber prestação diferente. mas nada impede que um terceiro pague. Mas se a obrigação não for personalíssima. o solvens só pode ser o devedor. Assim. ainda que mais valiosa (art. o credor vai aceitar o pagamento de qualquer pessoa. e no art. seja ele o credor ou não. o terceiro que paga com interesse jurídico (ex: fiador. 3) o credor não pode ser obrigado a receber por partes uma dívida que deve ser paga por inteiro (314). mas sem eventuais privilégios ou vantagens (ex: hipoteca. modo e lugar: o pagamento precisa atender a estas regras previstas no contrato na lei ou na sentença que fez nascer a obrigação. e o accipiens é quem recebe o pagamento. herdeiro) vai se sub-rogar nos direitos do credor (349. já o terceiro juridicamente desinteressado só tem direito ao reembolso. 305).

Ônus da prova: quem deve provar que houve pagamento? Se a obrigação é positiva. A quitação tem vários requisitos no art. Quitação é o documento escrito em que o credor reconhece ter recebido o pagamento e exonera o devedor da obrigação. é a mais comum. Assim. assim se você é devedor. pois não é razoável exigir que o devedor prove que se omitiu. mas B morre e deixa um testamento nomeando C seu herdeiro. 320. guarde bem seu recibo. e o Juiz fará a quitação no lugar do credor. C é que vai ter que devolver o dinheiro ao verdadeiro herdeiro de B. Credor putativo: é aquele que parece o credor mas não o é (ex: A deve a B. Espécies de quitação: 1) pela entrega do recibo. fazendo o que não podia. o devedor pode consignar/depositar o pagamento se o credor não quiser dar a quitação. que significa aquietar.menor ou louco. de dar e de fazer. pois se considera um representante do credor aquele que está com o recibo. A não vai precisar pagar novamente pois pagou a um credor putativo. e mais fácil exigir que o credor prove que o devedor deixou de se omitir. pois o devedor tem o direito de ficar livre das suas obrigações. pague a seu pai ou curador. tranqüilizar. Idem no caso do 311. então A paga a C. o ônus da prova é do devedor. Como se prova o pagamento? Já dissemos. pagar é também um direito. embora depois se prove que tal accipiens furtou o recibo do credor. mas depois o Juiz anula o testamento. Veremos em breve pagamento em consignação. com o recibo/quitação. Se o credor não quiser fazer a quitação. é até um alívio para muita gente pagar seus débitos. Mas pagar não é só uma obrigação do devedor. Quitação vem do latim “quietare”. descumprindo aquela obrigação negativa. neste caso o devedor não vai pagar outra vez. sob pena de anulabilidade (310). 309). mas em muitos casos da vida prática a quitação é informal/verbal e decorre dos costumes (ex: compra e venda em banca de revista/bombom). 2) pela devolução do título de crédito (324). ou seja. acalmar. Se a obrigação é negativa o ônus da prova é do credor. o devedor poderá não pagar (319). . assunto que vocês vão estudar em Direito Empresarial/Comercial. cabe ao credor provar que o devedor descumpriu o dever de abstenção. o credor deverá buscar o pagamento do accipiens falso.

e se não houver vencimento é porque o credor pode exigir o pagamento imediatamente. 333. bom. 395). excepcionalmente. É a chamada satisfação imediata do art. 78). o local da coisa determina o lugar do pagamento (328). sob pena de mora do credor (394. A doutrina classifica as dívidas em quesível (querable) e portável (portable): nesta. ou seja. cobrança antes do vencimento caso o devedor esteja em dificuldade financeira. esperar a mercadoria chegar do exterior. Ocorre pagamento indevido quando o devedor paga a alguém que não é o credor. etc. Uma das hipóteses de enriquecimento sem causa é através do pagamento indevido. 400. O vencimento é uma data que favorece o devedor. que é aquele prazo razoável. a iniciativa é do credor. assunto do final do semestre.MODOS DE EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 1 – PAGAMENTO (continuação) Lugar: onde o pagamento deve ser feito? No local de livre escolha das partes. mas paga a outro José da Silva. para dar ao devedor um tempo mínimo de se organizar. mas o credor só pode exigir a partir do vencimento. do bom-senso. Enriquecimento sem causa e pagamento indevido: Enriquecer sem causa é enriquecer repentinamente sem motivo justo. sob pena de juros e multa ( = mora. 331. nos casos do art. sem trabalhar. o lugar do pagamento será no domicílio do devedor (327 e pú). sacar o dinheiro no banco. afinal no Direito Civil predomina a autonomia da vontade (art. Quem recebe pagamento indevido enriquece sem causa (ex: A deve a José da Silva. o accipiens não é o credor. sob as penas do 939. cabe ao devedor ir pagar no domicílio do credor. Se o contrato/sentença for omisso. então o devedor pode pagar antes do vencimento. por isso estes dois assuntos devem ser estudados em conjunto. veremos mora mais adiante). A lei todavia permite. sem herdar. e o devedor agiu por engano. homônimo do . Tempo: quando deve ser feito o pagamento? No vencimento previsto no título. Tratando-se de imóvel. Mas deve-se sempre tolerar um prazo moral. Já na dívida querable cabe ao credor ir exigir o pagamento no domicílio do devedor.

mas também por uma questão de ordem civil (876. Então a ação é para o falso credor devolver aquilo que não lhe era devido. Há outros casos de enriquecimento sem causa além das hipóteses de pagamento indevido. . Esta ação tem este nome pois. Tal ação prescreve em três anos (206. sem justa causa. 2 – se o falso credor não quiser voluntariamente devolver o pagamento. A obviamente vai exigir o dinheiro de volta do outro José da Silva que enriqueceu sem causa. mas o verdadeiro credor não precisa esperar. não só por uma questão moral (= direito natural). não cabe devolução. pú do 1817. 877) ou em cumprimento de obrigação natural (ex: gorjeta. dívida prescrita. ao longo do extenso curso de Direito Civil. § 3º. afinal como explicar à Receita Federal um súbito aumento de patrimônio? O objetivo dessa devolução é reequilibrar os patrimônios do devedor e do falso credor. Porém não cabe a repetição quando o “solvens” agiu por liberalidade (ex: doação. em linguagem jurídica. afinal ninguém pode se beneficiar da própria torpeza (ex: pagou ao pistoleiro errado para cometer um homicídio. alterados sem fundamento jurídico. pois quem paga mal paga duas vezes. em prejuízo de outrém. etc. IV). Ocorre enriquecimento sem causa quando alguém aufere um aumento patrimonial. A efetuou pagamento indevido e vai ter que pagar de novo ao verdadeiro credor. dívida de jogo.verdadeiro credor. 884) e tributária. ex: 578. “repetir” significa “devolver” e “indébito” é aquilo que não é devido. ele não tem nada a ver com isso). Também se aplicam as regras do pagamento indevido quando se paga mais do que se deve. 882. 1255. Dois efeitos do pagamento indevido: 1 – aquele que enriqueceu sem causa fica obrigado a devolver o indevidamente auferido. Estudaremos esses exemplos oportunamente. 814) ou quando o “solvens” deu alguma coisa para obter fim ilícito. surge o segundo efeito que é o direito do devedor de propor ação de repetição do indébito (repetitio indebiti) contra tal accipiens. 883). sem causa justa.

Imputar o pagamento é determinar em qual dívida o pagamento está incidindo. mas na prática pode ser melhor o credor aceitar alguma coisa e depois brigar pelo . Se o devedor não imputar. Mas se o objeto do pagamento indevido for um imóvel que o falso credor já tenha alienado a um terceiro. Lembrem-se que pelo art. quando A vai pagar apenas uma destas dívidas precisa dizer a B qual está quitando. o credor poderá fazê-lo (353). e o devedor deve ser orientado por seu advogado para quitar logo a dívida de juro maior e a dívida com garantia (ex: hipoteca. É preciso que haja mais de uma dívida. tal alienação vale por uma questão de segurança das relações jurídicas e porque em geral os móveis são menos valiosos do que os imóveis. doação não) e o terceiro estiver de boa-fé. Assim. da mesma natureza (ex: obrigação de dar dinheiro) e o pagamento ser menor do que a soma das dívidas. fiança. 314 o credor não está obrigado a receber pagamento parcial. mas pode acontecer de alguém ter mais de uma dívida com o mesmo credor. se A deve a B cem reais decorrentes de um empréstimo e outros cem reais decorrentes de um ato ilícito (ex: A bateu no carro de B). dizer qual dívida está quitando.E se o objeto do pagamento indevido já tiver sido alienado pelo falso credor a um terceiro? Bem.IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO: o normal é entre duas pessoas haver apenas uma obrigação. De qualquer modo o falso credor vai responder pelo equivalente em dinheiro. Num conceito mais técnico. tal alienação só valerá se feita onerosamente (venda sim. Caso contrário o solvens poderá perseguir o imóvel e recuperá-lo do terceiro (879). Cabe ao devedor fazer a imputação. imputação de pagamento é a operação pela qual o devedor de mais de uma dívida vencida da mesma natureza a um só credor. devendo o credor ser orientado por seu advogado para pedir a quitação na dívida de juro menor e na dívida quirografária ( = dívida sem garantia). MODOS DE EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 1 – Pagamento (já visto) 2 . se tal objeto era coisa móvel. penhor. indica qual das dívidas está pagando por ser tal pagamento inferior ao total das dívidas (352). todas vencidas. porque aí o devedor libera a coisa dada em garantia/o devedor libera o fiador).

não é exemplificativo. é um direito também. realizada pelo devedor nas hipóteses do art. IV). afinal já dissemos que pagar não é só um dever. concordam? Imaginem que o locador morreu e o inquilino desconhece seu herdeiro. se o . o processo fica fácil de aprender (335. deve então consignar o aluguel para evitar a mora e o despejo. enquanto as duas mulheres seguem no processo disputando o dinheiro (793. 335. 335 do CC. que servirá de quitação. conforme art. Outro exemplo. É prudente a seguradora fazer isso até para não correr risco de pagar à mulher errada e efetuar pagamento indevido. Este artigo é taxativo (= exaustivo). A parte operacional da consignação em pagamento vocês vão estudar em processo civil. e o Juiz vai ter que arranjar um depositário para cuidar dessas coisas até o credor aparecer (343). 3 – PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO Este é o terceiro dos modos de extinção das obrigações que nós estamos estudando. então a seguradora vai pagar a qual das duas? Paga em Juízo. Se o devedor e o credor não fizerem a imputação. mas apenas coisas.restante. 355 ( = imputação legal). o credor é o réu e a quitação vem com a sentença. III – credor desconhecido). Consignar onde? Em Juízo. gado. Percebam que na ação de consignação o autor é o devedor. e o Juiz vai procurar o sucessor do credor. É através da consignação que o devedor vai exercer o seu direito de pagar. só que o falecido tinha uma esposa e uma companheira. Conceito: pagamento por consignação consiste no depósito judicial da coisa devida. de modo que não há outras possibilidades de consignação. mas conhecendo o direito. A sentença dirá se a consignação equivale ao pagamento. em geral dinheiro. em conta à disposição do Juiz. colheita. pois não se pode depositar um serviço (obrigação de fazer) ou uma omissão (obrigação de não-fazer). a lei fará na dívida de maior valor. o Juiz dá uma sentença à seguradora. imaginem que alguém morre e deixa a mulher como beneficiária do seguro de vida. Quando o depósito é de pecúnia (dinheiro) coloca-se em banco oficial: Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal. etc (341). Admite-se também depósito de imóveis. Outro detalhe importante: só existe consignação nas obrigações de dar. numa conta a disposição do Juiz.

de modo que o pagamento por sub-rogação assemelha-se à cessão de crédito por se tratar da substituição da pessoa do credor (348. Ex: A deve cem a B. alegando que o credor se recusa a receber. Isso acontece na prática quando o devedor usa o cheque especial. então B vai se satisfazer e A vai passar a dever a C. I do 335. enquanto os credores discutem em Juízo (345). mas não extingue a dívida e nem libera o devedor. mas C resolve pagar essa dívida. 4 – Pagamento por sub-rogação Sub-rogar é substituir o credor. concordam? No Código de Processo existe uma consignação extrajudicial. Excepcionalmente admite-se o credor como autor da ação quando mais de uma pessoa se diz credor. para dívidas em dinheiro. quando o devedor precisou de crédito o banco emprestou. Em algumas consignações o credor está certo de não querer receber pois o devedor quer pagar menos do que deve. mas existe uma “justa causa” para isso no 314. deve se antecipar e cumprir logo suas obrigações. Ora. Vocês verão isso lá em Processo Civil. sem precisar de advogado ou Juiz. e depois quer pagar sem incluir os juros contratados. então qualquer deles pede ao devedor que consigne o pagamento. Então o devedor consigna com base no inc. etc. veremos cessão de crédito mais adiante). então se o devedor quer evitar isso. atrasa o cartão de crédito. que podem ser feitas diretamente no banco. Como vocês já sabem. O .devedor teve razão ao consignar e se a obrigação está extinta. Conceito: ocorre a sub-rogação quando a dívida de alguém é paga por um terceiro que adquire o crédito e satisfaz o credor. Efeitos do pagamento por consignação: 1) liberatório: libera/exonera o devedor da obrigação. a lei permite que qualquer pessoa pague a dívida dos outros. 2) extintivo: a consignação extingue a obrigação (334). e vocês sabem que o credor não está obrigado a receber por partes. Via de regra não há prejuízo para o devedor que passa a dever a outrem. que passa a dever a esse terceiro. então na hora de pagar é preciso cumprir o contrato.

além de. Os romanos chamavam de datio in solutum. desde que o pagamento tenha sido feito por sub-rogação (349). Por favor. ou seja. do verbo dar. vai adquirir todas as eventuais vantagens. Ex: A deve cem a B com uma garantia de fiança ou hipoteca. Não pode haver imposição do devedor em pagar algo diferente do devido (313). Dação vem assim do verbo dar. Veremos fiança e hipoteca. A lei trata diferente para evitar especulações e constrangimentos. em Civil 3 e Civil 5. Conceito: é o acordo liberatório em que o credor concorda em receber do devedor prestação diversa da ajustada (356). não é “da ação” em pagamento. III). O credor primitivo vai se satisfazer com o pagamento feito pelo terceiro. a sub-rogação não extingue a dívida. diferente da coisa devida. quando o terceiro solvens faz acordo com o credor primitivo e fica com o direito de sub-rogação mesmo sem interesse jurídico e mesmo sem a anuência do devedor. é óbvio. mas “dação” mesmo. 2) convencional: depende de acordo escrito entre as partes. mas a obrigação permanece para o devedor. a lei determina independente da vontade das partes. depois revisem a aula 11. Caso C não possua interesse jurídico só terá direito ao reembolso (305). igual a uma cessão de crédito (347 e 348). Espécies de sub-rogação: 1) legal: decorrente da lei. nas hipóteses do art. 346. lembram? Se o terceiro solvens tem interesse jurídico vai se subrogar nos direitos do credor primitivo. respectivamente. garantias e preferências do credor primitivo. se C pagar essa dívida terá direito a cobrar os cem de A. mas só terá direito à garantia da fiança ou da hipoteca caso C possua interesse jurídico (346. vimos isso algumas aulas atrás. afinal quem deve . 2) translativo: o novo credor vai receber todas as vantagens e direitos do credor primitivo. exigir o reembolso. Efeitos da sub-rogação: 1) satisfativo em relação ao credor primitivo.terceiro que paga essa dívida pode ou não ter interesse jurídico. privilégios. Através de acordo escrito se transferem todas as vantagens do credor primitivo para o solvens. 5 – Dação em pagamento É dar alguma coisa em pagamento.

anuência do credor. Ser “evicto” é ser afastado da coisa recebida em pagamento. Veremos evicção em Civil 3. então o verdadeiro dono vai exigir a devolução da coisa e a obrigação vai renascer (359). pois a dívida se extingue e o devedor se exonera da obrigação. Evicção: imaginem que A deve 100 e paga com um objeto furtado. Com a novação se extingue uma dívida e se cria uma nova dívida entre as mesmas partes. É mais prático fazer uma dação em pagamento ou uma cessão de crédito. até onde as dívidas se compensem. por uma questão de lógica e de simplicidade. concordância. pois nesta a obrigação nasce com duas opções de pagamento. uma casa. pois o credor pode preferir receber coisa diversa do que receber com atraso ou nada receber. mesmo recebendo outra coisa. 2) liberatório em relação ao devedor. etc. na dação é só depois que as partes trocam o objeto do pagamento. Ocorre a evicção quando alguém perde a propriedade da coisa em virtude de decisão judicial que reconhece a outrem direito anterior sobre essa coisa. Saibam apenas que se trata da extinção de uma obrigação por outra diferente. Ex: devo dinheiro e pago com uma TV. Estes dois efeitos são os mesmos do pagamento natural. Efeitos da dação: 1) satisfatório em relação ao credor. que não era dele. destinada a substituí-la. então não se trata de obrigação alternativa. credoras e devedoras entre si. Conceito: a compensação extingue as obrigações do mesmo gênero das pessoas que são. 2) prestação diversa da ajustada. Requisitos da dação: 1) consentimento. MODOS DE EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES (continuação) 7 – COMPENSAÇÃO: é um modo de extinção das obrigações que deve ser estimulado pois representa a lei do menor esforço. 6 – Novação: está em desuso e é rara. enfim não se muda muita coisa. por isso não vamos estudá-la. Ex: A deve cem a B decorrente de um .dinheiro só paga com um objeto se o credor aceitar. continua a existir uma obrigação entre as mesmas partes. reciprocamente. um livro.

. A compensação pode ser parcial caso a outra dívida seja inferior. nem Promotor. como uma compra e venda. Dívidas de qualquer tipo podem ser compensadas. heterogenias ou não vencidas. 369). nem Delegado. sempre que as dívidas forem líquidas ( = valor certo). e no direito civil a liberdade das partes é grande. 368). nem Juiz. b) compensação judicial: determinada pelo Juiz no caso concreto. repito. Por isso já foi revogado o art. a compensação vai extinguir as duas obrigações mediante um pagamento fictício (art. decorre da transação entre as partes. A compensação exige pluralidade de obrigações. afinal o interesse público do governo em receber tributos é maior do que o interesse particular do cidadão que teve seu carro avariado. Vedações: algumas obrigações. mesmo que uma das partes se oponha. dando o Juiz seus motivos/fundamentos na sentença. c) compensação convencional: decorre do acordo de vontades. ninguém tem nada a ver com isso. o que vai representar mais uma exceção ao art. vencidas e homogêneas (= mesma espécie e qualidade. então um não vai cobrar do outro. afinal os alimentos são indispensáveis por uma questão de sobrevivência. é a chamada autonomia privada. onde o comprador deve o preço e o vendedor deve a coisa. pois elas fogem ao direito patrimonial privado. eu não posso deixar de pagar imposto de renda para compensar com o governo o prejuízo pela não conservação das ruas. as partes podem dispor de seus bens com ampla liberdade. não pode haver imposição de uma parte sobre outra. por uma questão de praticidade. Espécies: a) compensação legal: ocorre por força da lei.empréstimo e B deve cem a A porque bateu no carro de A. não existindo compensação numa obrigação única. sejam ilíquidas. São aquelas obrigações de caráter alimentar e tributário. Idem se meu carro cai num buraco na rua. pela sua natureza. não podem ser compensadas. 314. depende de acordo. ao entender que deve haver compensação por uma questão de economia processual. 374 do novo CC. Então se meu filho bate com meu carro eu não posso deixar de sustentá-lo (ex: deixar de pagar a faculdade alguns meses) para compensar o prejuízo. afinal a compensação deve ser estimulada. Mas. afinal cada um sabe o que faz com seu patrimônio.

mas o pai morre e A herda o apartamento. do art. voluntariamente. 8 – CONFUSÃO: esta confusão aqui. satisfaz o credor e libera o devedor. 158. Assim se A é insolvente (tem muitos credores) não pode perdoar seus devedores para não caracterizar uma fraude contra seus credores. do direito das obrigações. o que se assemelha a uma transação. como vocês estudaram no semestre passado. e que estudaremos em Civil 4. Ressalto que remissão é gesto nobre de pessoas solventes. extinguindo a obrigação de pagar aluguel face à confusão. in fine). Espécies de remissão: pode ser total ou parcial (parte da dívida ou dispensa dos juros). A confusão que nos interessa hoje é mais um modo de extinção das obrigações semelhante ao pagamento por impossibilidade lógica de permanecer o vínculo. dispensa o crédito. afinal ninguém pode ser devedor ou credor de si mesmo. como prevê o art. instituto da execução contra devedor que vocês vão estudar em processo civil. se ele não aceitar a remissão deve consignar o pagamento. que corresponde à mistura de líquidos. Trata-se inclusive de uma presunção absoluta de fraude a remissão de dívida feita pelo insolvente. ex: A é inquilino de seu pai B. . veremos transação em breve). 9 – REMISSÃO: escreve-se com dois “s”.Efeitos da compensação: os mesmos do pagamento: extingue a obrigação. ou seja. Mas em geral a remissão é aceita e se assemelha a uma doação. de modo que o dono de uma pessoa jurídica pode dever a sua empresa. pois B vai reunir as qualidades de credor e devedor. é diferente da confusão dos direitos reais. Conceito: remissão é a liberação do devedor pela autoridade do credor que. pode ser gratuita (mais comum) ou onerosa (nesta remissão o credor perdoa a dívida mas pede algo em troca. ao contrário de remição. e vice-versa. 1272. A remissão (com dois “s”) é o popular perdão da dívida. quem está em dificuldades financeiras não pode perdoar seus devedores. pode ser expressa (por escrito) ou tácita (ex: devolução do título de crédito). A confusão exige identidade de pessoas e de patrimônios. perdoa o débito e extingue a obrigação (385). Mas como pagar é um direito do devedor. afinal estará prejudicando seus próprios credores (385. Art 381.

mas não transação. Assim. “é melhor acordo ruim do que briga boa”. O Juiz inclusive deve incentivar a transação entre as partes. que são justamente estas obrigações que nós encontramos aqui no Direito Civil. do Código de Processo. pois Civil 3 é a cadeira mais extensa do curso de Direito Civil. e o réu reconhece a culpa em troca de uma pena menor. Diz-se que a transação é por isso indivisível. quando as partes transacionam sobre pensão alimentícia. Aplicação: a transação não se aplica a todas as obrigações. Igualmente. É curioso que se uma das cláusulas do contrato de transação for nula. mas para alguns autores a transação é modo de extinção das obrigações. ou seja. É essencial que na transação existam concessões mútuas. mas não transação. ou seja. como no Direito de Família. Conforme ditado popular. conforme art. Vocês conhecem a expressão “intransigente”? Pois intransigente é aquele que não faz transação. a uma conciliação para extinguir a obrigação. tolera-se transação em outras áreas. Conceito da doutrina: transação é a solução contratual da lide.10 – TRANSAÇÃO Trata-se na verdade de um contrato. pois a nulidade de uma cláusula quebra esse equilíbrio das concessões que as partes buscaram (848). ou no Direito do Trabalho quando as partes transacionam sobre salários atrasados. se o devedor perde tudo existe pagamento. mas apenas às obrigações de caráter patrimonial privado (841). Todavia. 840. cada uma das partes perde e ganha um pouco. art. mas as concessões têm que ser mútuas. Se uma das partes perde tudo e esta parte é o credor existe remissão da dívida (vide item 9). que não faz concessões. As concessões podem ser desproporcionais. vamos logo conhecer aqui a transação que corresponde a um acordo. 125. o Código Civil trata como contrato. conceito da lei: transação é o contrato pelo qual as partes terminam ou previnem um litígio mediante concessões mútuas. Eu entendo que é um contrato. ou no Direito Penal quando o Ministério Público transaciona com o réu. mas no próximo semestre vocês terão muito assunto para estudar. ou no Direito Administrativo quando o Governo transaciona com o contribuinte para . IV. uma parte pode se quiser perder mais do que a outra. o contrato todo será anulado.

pois foi feita perante o Juiz. por contrato escrito e assinado pelas partes. testemunhas e advogados. ou seja. pela influência deste político pernambucano na sua aprovação. Se A e B fazem uma transação civil. (849) Eu repudio a banalização destes argumentos pois já disse a vocês que a transação é um contrato. vai responder penalmente por lesão corporal e civilmente pelos danos causados a B com tratamento médico. conhecida como Lei Marco Maciel.receber impostos. Trata-se de um tema moderno e maravilhoso para uma monografia de final de curso. a transação é típica do Direito Civil. tempo que ficou sem trabalhar. Efeito: a transação extingue a obrigação decorrente daquela controvérsia entre as partes. quando o acordo é homologado pelo Juiz. 11 – ARBITRAGEM Nosso CC chama a arbitragem de compromisso e existe uma lei específica sobre arbitragem de nº 9. alegando uma das partes que foi coagida. devo dizer que a transação civil sobre fato que constitui crime não extingue a ação penal. A vantagem da transação judicial é que ela não pode ser mais discutida. Espécies: a) preventiva: visa evitar uma ação judicial. as partes fazem um acordo antes de submeter a lide ao Judiciário. . Vocês verão em responsabilidade civil a relação entre a Justiça Penal e a Civil quando um mesmo fato interessa a ambas (935). sempre pode ser questionada em Juízo. tornando-se coisa julgada. Falando de Direito Penal. pode ser feita por instrumento particular. b) terminativa ou judicial: é a transação feita na Justiça. danos morais se for o caso. se houver.307/96. etc. após iniciado o processo. ou seja. mas pelas suas vantagens admite-se cada vez mais em outras áreas. Já a transação preventiva. País nenhum se desenvolveu sem respeitar dois institutos de Direito Civil: contratos e propriedade. Vamos encontrar estas duas espécies no art. Ex: se A agride B e quebra seu braço. embora também segura. etc. e contrato é para ser cumprido por uma questão de segurança na sociedade. não impede o Promotor de continuar processando A criminalmente para receber uma pena de prisão (846). Enfim. que se enganou. 842.

e se a parte sucumbente não cumpri-la. caso o sucumbente voluntariamente não acate. que deve ser uma pessoa idônea. especialista na área do litígio (ex: engenheiro. através de mediação. porém se pode escolher o árbitro. enquanto na arbitragem as partes escolhem o árbitro. e desde então a arbitragem vem crescendo em todo o país e contribuindo para desafogar a Justiça. Ressalto que na transação. entraves burocráticos e formalidades desnecessárias previstas no arcaico Código de Processo Civil. já na Justiça Estatal existem inúmeros recursos (cerca de trinta). mas não escolhem a decisão. em 2002. preparada. e) impossibilidade de recurso: a decisão do árbitro é irrecorrível. e precisa sempre nomear um perito para lhe ajudar a julgar processos nestas áreas. médico. concordam em ter sua lide submetida à decisão de um árbitro. d) escolha do árbitro: não se pode escolher o Juiz. pois depende sempre das regras de competência e da distribuição no Fórum.307 foi alvo de muitas controvérsias. f) paz social: a solução . isto é uma questão crucial pois o Juiz não entende de medicina. a parte vencedora vai executá-la perante o Juiz. contador). provocando desgaste emocional. as partes escolhem a solução da lide. como se fosse uma sentença judicial. tendo em vista a conhecida sobrecarga do Judiciário e os entraves da legislação processual. c) sigilo: o processo arbitral não é público como o processo judicial. Vantagens da arbitragem: a) celeridade: maior rapidez na solução da lide. de um “juiz particular”. engenharia. contabilidade. para executar a decisão arbitral com a força do Estado. Através da arbitragem as partes pedem a um terceiro que aprecie a lide.Conceito: arbitragem é o acordo pela qual as partes. por não chegarem à transação. conhecida das partes. onde as decisões são divulgadas na internet e no Diário Oficial. só aqui é que o Juiz entra. afastando tal lide da Justiça Estatal. e tal decisão deverá ser cumprida pelas partes. até que o Supremo. graus de jurisdição (cerca de oito). etc. b) custo menor: quando se ganha tempo também se ganha dinheiro. julgou sua constitucionalidade. Esta lei 9.

esta cláusula é mera precaução. funciona uma corte arbitral com mais de mil anos. .ccbc. e os árbitros são os próprios agricultores. na solução de divergências obrigacionais entre empresas multinacionais.iccwbo. Atualmente já há vários escritórios de advocacia especialistas em arbitragem. edição de outubro de 2003.rápida da arbitragem traz paz social e elimina as incertezas entre particulares que atrapalhem a realização de negócios e a circulação de dinheiro na sociedade. Desvantagens da arbitragem: ela só faz sentido para casos sofisticados e de valor elevado. administrativas e tributárias.307/96. caso contrário a solução será injusta com o agravante que não cabe apelação. tem que ser conduzida por árbitros com conhecimento e tribunais com estrutura para fazer perícias e produzir provas. a lide será submetida à arbitragem e não à Justiça. ou na solução de disputas entre países soberanos (ex: dúvidas sobre a fronteira entre dois países). Alguns Juízes são contra a arbitragem por achar que vão perder poder. Espécies: a) cláusula compromissória (853): as partes celebram um contrato e dispõem numa cláusula que. responsabilidade civil. estimulando mais negócios e comércio. b) compromisso arbitral (851): já existe litígio entre as partes e elas resolvem submeter a questão a um árbitro e não a um Juiz para solucionar a controvérsia. acho que é pura vaidade destes colegas.org e www. conforme publicado no Jornal do Magistrado da AMB. Aplicação da arbitragem: no Direito Internacional.br e leiam a lei 9. É um tribunal privado que julga problemas com o uso de água entre os agricultores numa região árida. Na Espanha inclusive. mas eu discordo. no Direito Civil em matéria patrimonial (852.org. como nas questões penais. se houver algum litígio futuro entre elas. e nós devemos aceitar tudo que venha para desafogar a Justiça e beneficiar a população. contratos. direito autoral. é preciso pagar os honorários do árbitro e as despesas do Tribunal. g) alivia a Justiça: a utilização da arbitragem deixa o Judiciário com mais tempo para agir nas questões onde a presença do Estado é indispensável. na cidade de Valencia. Depois acessem www. direito da informática. etc). ex: direito de vizinhança.

A culpa do devedor pode ensejar a mora ou o inadimplemento. tanto por culpa do devedor (mora solvendi) como por culpa do credor (mora accipiendi). Se o devedor atrasa sem culpa (ex: por causa de um acidente. A regra é toda obrigação ser cumprida. excepcionalmente. Vejamos primeiro a mora e seus efeitos. uma cheia. A mora é o atraso no pagamento enquanto o inadimplemento é a falta de pagamento. a mora de . afinal o contrato faz lei entre as partes. vamos agora avançar para a mora e o inadimplemento das obrigações. Porém. Mas a mora do credor independe de culpa e o devedor nesse caso deve consignar o pagamento.DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES Concluímos os modos de extinção das obrigações. pois as moras recíprocas se anulam. Conceito: mora é a impontualidade culposa do devedor no pagamento ou do credor no recebimento (394). I – observem que tal inciso usa a expressão “se o credor não puder”. Efeitos da mora do credor: o credor que não quiser ou não for receber o pagamento conforme acertado sujeita-se a quatro efeitos: 1) o credor em mora libera o devedor da responsabilidade pela conservação da coisa (ex: A deve um cavalo a B que ficou de ir buscá-lo na fazenda de A. Se ambos tiverem culpa não haverá mora. e como diziam os romanos “pacta sunt servanda”. mesmo que sejam decorrentes de um caso fortuito). é todo contrato ser cumprido. não importando assim os motivos pelos quais o credor não pôde ir buscar o pagamento. A mora do credor é mais rara. ou seja. mas B se recusa a aceitar alegando que os grãos estão estragados). o devedor precisa exercer seu dever e seu direito de pagar através da consignação (335 . um caso fortuito ou de força maior) não haverá mora (396). Assim não importam os motivos da mora do credor. uma greve. e na próxima aula inadimplemento: MORA: é o atraso no pagamento ou no recebimento. as obrigações podem não ser cumpridas por culpa do devedor ou por culpa do credor ou por algum acidente ( = caso fortuito ou de força maior). o credor pode se negar a aceitar o pagamento (ex: A deve milho a B. Curioso é que a mora pode também ser do credor.

Ex: A compra docinhos para o casamento da filha. 3) possibilidade de cumprimento tardio da obrigação com utilidade para o credor. 4) último efeito: o credor em mora não pode cobrar juros do devedor desse período. como vocês estudaram em ato ilícito no semestre passado. Mas se o atraso foi por causa de uma enchente que derrubou a ponte. 400 do CC vamos encontrar estes três efeitos. mais multa. é evidente que esta mora corresponde a um inadimplemento (pú do 395). mas A entrou em mora para levar o cavalo . se não há qualquer culpa. No art. Efeitos da mora do devedor: 1) o devedor responde pelos prejuízos causados. mas a comida atrasa e chega depois da festa. afinal foi do credor a culpa pela atraso no pagamento. que se divide em imprudência e negligência. Se eu atraso o pagamento do condomínio eu estou em mora e vou pagar a multa. juros. 3) obriga o credor a pagar um preço mais alto pela coisa se a cotação subir. caso contrário teremos inadimplemento e não mora (pú do 395).B não responsabiliza A caso o cavalo venha a morrer mordido por uma cobra após o vencimento. B deve pagar as despesas de A com ração e medicamento desde o vencimento). além de devolver o dinheiro. sem os acréscimos das perdas e danos. vai ter que pagar as perdas e danos do 389. soja. (veremos mais perdas e danos em breve) Pressupostos da mora do devedor: 1) crédito vencido (397). etc. etc (395). este efeito se aplica a coisas que têm preço na bolsa de valores. 2) o devedor em mora responde pelo caso fortuito ou de força maior ocorridos durante o atraso (399. açúcar. 2) culpa do devedor: esta é a culpa lato sensu (= em sentido amplo) que corresponde ao dolo e à culpa stricto sensu (= em sentido restrito). como ações. a doceira só terá que devolver o dinheiro. 2) o credor em mora deve ressarcir o devedor com as despesas pela conservação da coisa (no exemplo do cavalo. § 2º do 492). mas é evidente que esta mora não corresponde a um inadimplemento pois interessa ao condomínio receber o pagamento atrasado. 396). ex: A deve um cavalo campeão a B. Se o atraso foi por culpa da doceira. mas caso fortuito ou de força maior não existe mora do devedor (393. café. Mora do devedor: a mora solvendi pode se equiparar ao inadimplemento e o credor exigir então perdas e danos (389).

95).para B. Conceito de juro: é a remuneração que o credor exige por emprestar dinheiro ao devedor. conforme art. conforme art. Caso as leis jurídicas fossem superiores . Voltando aos juros. Juro é igual a rendimento. JUROS LEGAIS: um dos efeitos da mora do devedor é o pagamento de juros ao credor (395). pois contrato é para ser cumprido. os juros devem ser livres. 406 do CC combinado com o art. pois o Direito não manda na Economia. se a cheia chegasse antes do vencimento A também não iria responder perante B pela morte do cavalo pois se tratou de um caso fortuito ou de força maior). Bom. purgar a mora é consertar/sanar as consequências da mora. § 1º do Código Tributário Nacional. estes serão de um por cento ao mês. não adianta dizer que os juros são altos. Os frutos civis são os juros e os rendimentos. principalmente nas obrigações de dar dinheiro ( = pecuniárias). é igual a fruto civil. salvo se conseguir provar que a cheia também atingiu a fazenda de B e que o cavalo morreria do mesmo jeito se estivesse lá. 161. fixados pelas partes ou pelo mercado. remediar. Depois de assinado o contrato. reparar. A mora do devedor pode também ser purgada se o credor perdoar/remir/dispensar as perdas e danos do 395. Não confundam frutos com produtos. sendo fixados pelas partes no contrato ou pelo mercado financeiro. os frutos industriais são. então vem uma cheia e mata o cavalo. enquanto os frutos se renovam. como acreditam alguns populistas. pois este é o juro devido no pagamento de impostos. A irá responder por perdas e danos. resolvendo-se em perdas e danos. Não pode a lei querer limitar os juros. por exemplo. conforme art. os carros produzidos por uma fábrica de automóveis. Os frutos em direito podem ser civis. um poço de petróleo). 401. Purgação da mora: purgar significa emendar. 406. Realmente. vocês já estudaram frutos e produtos lá em Civil 1 (art. tanto para o devedor como para o credor. Em caso de inadimplemento do devedor não se purga mais a mora. uma mina de ouro. Se as partes não fixarem os juros. naturais ou industriais. pois estes se esgotam (ex: uma pedreira. os frutos naturais são as frutas das árvores e as crias dos animais. estes são livres.

e a culpa em sentido restrito: negligência e imprudência. É o inadimplemento culposo que vai gerar responsabilidade patrimonial por perdas e danos (391). afinal não existe prisão por dívida. se este inadimplemento for culposo (389). O inadimplemento culposo vai corresponder ao não cumprimento da obrigação de forma . que limitava os juros em 12% ao ano. então a obrigação se extingue face à ilicitude do objeto. desde 1988.. enquanto a mora é o atraso do devedor no pagamento ou do credor no recebimento. se o inadimplente não possui bens. acabando com o desemprego. mas é ônus do devedor provar o caso fortuito ou de força maior.às leis econômicas. para resolver todos nossos problemas. etc. salvo no depósito (veremos em Civil 3) e na pensão alimentícia (veremos em Civil 6). o fato precisa ser superveniente/futuro e imprevisível para justificá-lo. roubo) que o devedor não contribuiu para sua ocorrência e nem poderia evitar. acabando com a recessão. Mas não é assim que o mundo moderno funciona. § 3º da CF. Se o inadimplemento não for culposo o devedor está isento das perdas e danos. apesar de vigorado por quinze anos. em sentido amplo. é o chamado na brincadeira de jus sperniandi. porém vem uma lei proibindo o fumo no país. sobre os bens do devedor. ao credor só resta lamentar. Espécies de inadimplemento: culposo e fortuito. 192. doença. Efeito do inadimplemento: responsabilizar o devedor por perdas e danos. precisamos ser realistas e não demagógicos. chama-se fato do príncipe em alusão ao Estado. pois antigamente os governantes eram monarcas). bastaria um decreto/uma lei acabando com a inflação. É um problema (ex: cheia. inadimplemento é só do devedor. O fato do príncipe é também um caso fortuito (ex: A deve cigarro a B. greve. por isso é que o art. Assim. mora pode ser de ambas as partes (aula 17). seca. a) culposo: é a culpa lato sensu. INADIMPLEMENTO Inadimplemento é o não pagamento/cumprimento da obrigação. foi revogado em maio de 2003 sem nunca ter efetivamente sido aplicado. que envolve o dolo (intenção). O caso fortuito ou de força maior está conceituado no pú do 393.

Todavia. pleiteiam danos morais porque ficaram presos na porta giratória de um banco. mas sim de uma compensação financeira pelos danos sofridos pelo credor. sejam danos morais. Os danos materiais correspondem aos lucros cessantes e ao dano emergente. lucro cessante é a perda de um lucro esperado. Mas o dano pode também ser moral (186). os atributos físicos (o corpo. intimidade. ou porque o celular deixou de funcionar. PERDAS E DANOS: o que são estas perdas e danos devidas pelo inadimplente ao credor? Não se trata de um enriquecimento do credor (403). etc. que é o dano que atinge a honra da pessoa (art. mas não pode ser banalizado para não ser desmoralizado. abalo psicológico. e não um lucro presumido ou eventual (403). ou porque o carro quebrou na esquina. O dano moral se desenvolveu muito em nosso Direito na última década. lataria amassada. O dano moral ofende os direitos da personalidade da pessoa. etc. Viola o devedor sua obrigação de cumprir a prestação e deverá arcar com perdas e danos. nome. imagem) da pessoa. Repito: dano moral se justifica especialmente quando atinge o . em alguns contratos. atrás de lucro fácil. psíquicos (sofrimento) e morais (honra. ao invés de perdas e danos. 20). que provoca sofrimento. a vida). perda do sono da vítima. Enfim. a depender da prestação. etc – damnum emergens) e pelo lucro cessante (os dias que o taxista ficará sem trabalhar enquanto o carro é consertado – lucrum cessans). mas quem estiver curioso pode ver no nosso e-mail um comentário a esse artigo 475). Dano emergente é aquilo que o credor efetivamente perdeu e lucro cessante é aquilo que o credor razoavelmente deixou de lucrar (402). o dano moral é uma coisa séria. é a diferença entre o que a vítima tinha antes e depois do ato ilícito. ou seja. assim eu repudio condutas de cidadãos que.intencional (dolo) ou culposa (culpa stricto sensu = negligência e imprudência). terá então que indenizar o taxista pelo dano emergente (farol quebrado. O dano emergente é o desfalque sofrido pelo patrimônio da vítima. não é qualquer aborrecimento do cotidiano. Ex: A bate seu carro num táxi. pintura arranhada. o devedor poderá ser obrigado pelo Juiz a cumprir o contrato (art 475 – veremos isso em Civil 3. sejam danos materiais.

afinal o comprador está muito distante para verificar a seriedade destes transtornos. soja. etc. lembram? Só não responde se provar que a coisa iria perecer também nas mãos do credor. diante do art. de regra. material ou moral (pú do 927). livre de indenizar o credor (393). in fine). aflição espiritual e humilhação (ex: alguém que perde uma perna ou um filho num acidente). o direito não manda na economia. Porém.o devedor pode expressamente se responsabilizar pelo caso fortuito. (vide 393. desgosto. é mais importante do que a culpa. é a dor. do Código do Consumidor. há casos de responsabilidade sem culpa que veremos logo aqui em Civil 2. as partes retornam ao estado anterior. desde que haja dano: . Não deixem de estudar RESPONSABILIDADE CIVIL oportunamente. angústia. mesmo que haja uma greve. mas desde que exista dano. porque eles têm seguro contra furto/roubo do seu carro. Obs: nas relações de consumo a loja/supermercado não pode se isentar do furto do carro no seu estacionamento. é por isso que os shoppings cobram pelo estacionamento.equilíbrio emocional da vítima. b) inadimplemento fortuito: o devedor não paga diante de um caso fortuito ou de força maior. ele responde pelo caso fortuito (399). assim não se fala em indenização por inadimplemento se não houve dano. então quando se exporta açúcar. O comprador insere no contrato uma cláusula onde o devedor assume a obrigação mesmo diante de um caso fortuito. apesar de ser um caso fortuito e apesar das placas que eles colocam. 51. vimos isto na aula passada. isto é comum nos contratos internacionais. IV. O dano é muito importante. etc. . é um dos efeitos da mora solvendi. mas merece um livro próprio. Eu já escrevi pouca coisa sobre RC no nosso e-mail.. ficando assim. é um assunto próximo de inadimplemento das obrigações. uma seca. a lei dá com uma mão e o mercado tira com a outra. mas sem indenização do 389. ou pagar as perdas e danos. . e vocês verão também em Responsabilidade Civil que existe até responsabilidade sem culpa. A obrigação vai se extinguir. depois dêem uma lida. é o que eu digo a vocês.se o devedor está em mora. Veremos logo abaixo. o devedor se obriga a mandar o produto. carne.

A cessão de crédito também não se confunde com a cessão de contrato que é a cessão de direitos e deveres daquela relação jurídica. é a transferência ativa da obrigação que o credor faz a outrem de seus direitos. já a cessão de crédito pode envolver valores diversos tendo em vista a liberdade entre as partes (ex: A deve cem a B para pagar daqui a seis meses. C então se oferece para adquirir este crédito contra A por oitenta pagando a B a vista. Em direito a sucessão pode ocorrer inter vivos ou mortis causa. a cessão é a venda do crédito. independentemente da autorização do devedor. isto acontece no comércio no desconto de cheques “prédatados”). A cessão de crédito corresponde à sucessão entre vivos no direito obrigacional. Conceito: cessão de crédito é o negócio jurídico onde o credor de uma obrigação. . sua posição ativa na relação obrigacional. chamado cedente. chamado cessionário.mas não deixem de cursar esta disciplina caso seja oferecida como eletiva. que é a herança. Quando estudamos pagamento por sub-rogação vimos que a cessão de crédito é uma de suas espécies (348). Anuência do devedor: como já disse. C age na esperança de ter um lucro ao receber os cem de A no futuro. A sucessão mortis causa nós vamos estudar em Civil 7. ou seja. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES Cessão de Crédito e Assunção de Débito 1 – Cessão de crédito: é a venda de um direito de crédito. mas na sub-rogação a dívida mantem o valor. e não apenas de um crédito. afinal o cedido continua devendo a mesma coisa. corresponde à sucessão ativa da relação obrigacional. o terceiro pode comprar o crédito ou simplesmente ganhá-lo (= doação) do cedente. Tal transferência pode ser onerosa ou gratuita. que se chama cedido. transfere a um terceiro.

só que esta coisa é um crédito. duplicatas. Vide art. Espécies de cessão: 1) convencional: é a mais comum. Além do exemplo acima do desconto de cheques “pré-datados”. estando ligados à sobrevivência das pessoas. III – tutela é assunto de Civil 6). não para autorizá-la. feita em Cartório de Notas. A lei proíbe também a cessão de alguns créditos como o crédito penhorado (298 – vocês vão estudar penhora em processo civil) e o crédito do órfão pelo tutor (1749. mas para ter efeito contra terceiros deve ser feita por escrito (288). 215. salário). multas e juros). através da troca de títulos de crédito (ex: cheques. o cedido ( = devedor) deve ser notificado da cessão. e decorre do acordo de vontades como se fosse uma venda (onerosa) ou doação (gratuita) de alguma coisa. caso contrário. explicando os motivos na sentença para resolver litígio entre as partes. O cessionário ( = novo credor) perante o cedido/devedor fica na mesma posição do cedente ( = credor velho). 290). Forma da cessão: não exige formalidade entre o novo e o velho credor. mas para pagar ao cessionário ( = novo credor. pode até ser verbal. salvo se o devedor se antecipar e pagar logo sua dívida ao credor primitivo. afinal tais créditos são inalienáveis e personalíssimos. caso queira impedir a cessão o devedor terá que se antecipar e pagar logo. 2) legal: imposta pela lei (ex: nosso conhecido 346. Todavia. como já disse. O contrato particular é feito por qualquer advogado. em defesa da moeda e da disciplina cambial. notas promissórias. Justificativa: a cessão de crédito se justifica/se fundamenta para estimular a circulação de riquezas. A cessão dispensa a anuência do devedor que não pode impedi-la. no 287 também é imposto pela lei a cessão dos acessórios da dívida como garantias. O devedor pode também impedir a cessão desde que esteja expresso no contrato celebrado com o credor primitivo. A escritura pública é aquela do art. 3) judicial: determinada pelo Juiz no caso concreto.só muda o seu credor. 286. Que créditos podem ser objeto de cessão? Todos. . salvo os créditos alimentícios (ex: pensão. a cessão de crédito é muito comum entre bancos e até a nível internacional do Governo Federal. títulos que vocês vão estudar em Direito Comercial/Empresarial).

na pro soluto o cedente responde pela existência e legalidade do crédito. nós percebemos que “quem cala consente” no art. Ressalto que o silêncio do credor na troca do devedor implica em recusa. afinal para o devedor faz pouca diferença trocar o credor ( = cessão de crédito). trata-se de um risco que B assume). A assunção é rara e só ocorre se o credor expressamente concordar. com autorização expressa do credor. 303. Mas primeiro deve o cessionário cobrar do cedido para depois cobrar do cedente. trata-se . o credor pode também se opor. idem se a cessão foi gratuita e o cedente agiu de má-fé (ex: dar a terceiro um cheque sabidamente falsificado gera responsabilidade do cedente. responsabilizando-se pela dívida e pela obrigação que permanece íntegra. mas não garante que o devedor/cedido C vai pagar a dívida. mas o cedente só responde pro solvendo se estiver expresso no contrato de cessão (296).295). Observação: ao contrário do pú do 299. E mesmo que o novo devedor seja mais rico. mas não responde pela solvência do devedor (ex: A cede um crédito a B e precisa garantir que esta dívida existe. 2 – Assunção de dívida: é a transferência passiva da obrigação. pois o novo devedor pode ser insolvente. então se C não pagar a dívida (ex: o cheque não tinha fundos). Quando a cessão é onerosa. Na cessão pro solvendo o cedente responde também pela solvência do devedor. afinal foi doação mesmo . não é ilícita. mas se o cedente não sabia da ilegalidade não responde nem pro soluto.A cessão pode também ser “pro soluto” ou “pro solvendo”. o cedente sempre responde pro soluto. etc. ao contrário da fiança onde o fiador responde por dívida alheia (veremos fiança em Civil 3). mas para o credor faz muita diferença trocar o devedor. Conceito: contrato onde um terceiro assume a posição do devedor. afinal em direito nem sempre quem cala consente (pú do 299). enquanto a cessão é a transferência ativa. Na assunção o novo devedor assume a dívida como se fosse própria. e muitos devedores ricos usam os infindáveis recursos da lei processual para não pagar suas dívidas. (299 e 391). afinal mais dinheiro não significa mais caráter. irresponsável. o cessionário poderá executar o cedente.

Uma obrigação ilíquida não pode ser executada porque é preciso saber efetivamente quanto é devido em pecúnia para o correto ataque ao patrimônio do devedor. O ideal para o credor é sempre o cumprimento natural do contrato. 475. se uma dívida não for paga no vencimento o direito do credor munese/arma-se de uma pretensão e a dívida se transforma em responsabilidade patrimonial. pois não existe prisão/escravidão/morte por dívidas. Então se o devedor for inadimplente o credor vai se armar do direito de executar os bens do devedor para se satisfazer. afinal na hipoteca a garantia é a coisa (assunto de Civil 5). Esta frase é a essência do direito obrigacional. A obrigação ilíquida é o contrário. é aquela que não pode ser expressa por uma cifra e que necessita de prévia apuração. então a única saída são as perdas e danos. Apenas os bens. como no referido exemplo do cantor. pois não se pode constranger o devedor. O jeito é resolver em perdas e danos. Liquidação das Obrigações Obrigação líquida é aquela certa quanto a sua existência e determinada quando a seu objeto. Como fazer tal substituição? Como fazer a liquidação? Espécies de liquidação: . o que fazer? Chamar a polícia para que ele cante à força? Não. procurem memorizá-la e compreendê-la.de uma aceitação tácita do credor para a troca do devedor. cotas de patrocínio. os ingressos vendidos. Ou seja. etc. Para a execução a obrigação precisa ser líquida. cachê pago. Qual a importância desta distinção? Ora. Mas qual o valor desta indenização tendo em vista a frustração dos consumidores. Imaginem que um cantor se embriague na hora do show e não possa subir ao palco. Veremos tal assunto em Civil 3 mas já existe um comentário a este artigo no nosso e-mail. é o que chamamos de “execução in natura” do art. Há casos porém em que não é possível o cumprimento exato do contrato. substituindo-se a prestação por dinheiro (947). como no passado.? Antes então de executar o cantor é preciso liquidar a obrigação. a obrigação líquida existe e tem valor preciso. o desgaste para o promotor de eventos.

vocês já sabem que salvo os casos do depósito (assunto de Contratos) e dos alimentos (assunto de Dir. Se o devedor tem muitos bens. ou não tem bem nenhum não se aplica o concurso de credores. Então o que o credor deseja/precisa é de receber o dinheiro. Bom. não haverá satisfação do credor. não existe prisão por dívida. de Família). então enquanto o Promotor processa o réu na Vara Criminal para que o Juiz lhe aplique uma pena de prisão. ou seja. E se o devedor não tem bens? Ao credor só resta ter raiva. O Juiz nunca pode deixar de julgar alegando omissão da lei. na brincadeira é o “jus sperniandi” (391. pode pagar suas dívidas. pois a dívida permanecerá sem pagamento.1 – convencional: decorre da transação. Concurso de Credores O novo código chama de “preferências e privilégios creditórios”. Depois leiam os arts. o advogado da vítima (ou seus familiares) também processa o réu na Vara Cível para que o Juiz tome seus bens como indenização. o que fazer? Resposta: aplicar as regras do concurso de credores. E se o devedor tem bens. 948. 949 a 954 que trazem casos de liquidação legal no cível para condutas criminosas. então em vários casos de indenização o Juiz arbitra o valor da dívida. E mesmo que a lei autorize a prisão. sob pena de execução. de modo que o credor precisa atacar o patrimônio do devedor para se satisfazer. dando seus motivos. as partes chegam a um acordo quanto ao valor pecuniário da obrigação que será executada. Então se A mata B. quanto a família de B vai pedir de indenização a A? Resposta no art. 3 – judicial: esta liquidação é feita pelo Juiz sempre que as partes não chegam a um acordo e sempre que a lei não traz parâmetros. porém possui mais dívidas do que bens. 2 – legal: a lei traz os parâmetros/limites para a liquidação da obrigação. 942). Vocês verão em responsabilidade civil que os crimes têm repercussão no cível. Mas sempre que o passivo do devedor . e quem achar ruim que recorra. É por isso que encontramos sentenças muito variadas pois o Juiz tem muito poder e cada cabeça é um mundo.

todo crédito é quirografário. Os empregados e dependentes do devedor insolvente recebem em primeiríssimo lugar. devem ser pagas as dívidas tributárias do insolvente. a pessoa física que possui mais satisfazer todas elas. A ordem de preferência estabelecida pela lei é a seguinte: 1 – créditos alimentícios: salários. pagam-se os credores do terceiro grupo: 3 – créditos com garantia real. . penhor. Então insolvente é dívidas do que bens para deverá ser instaurado o declaração de insolvência. então se A me empresta cem reais. satisfeito o poder público. pois falência é indicado para as empresas. são aqueles créditos com hipoteca.for superior a seu ativo. sem nenhuma vantagem/privilégio/preferência entre eles. pensão alimentícia. Se B bate no meu carro. etc. este crédito de regra é quirografário. Como se dá esse rateio? Se todos os credores forem iguais. sobrando dinheiro. 2 – créditos tributários: satisfeitos os créditos alimentícios. os impostos e taxas devidos pelo insolvente. ou insolvência. Que créditos são preferenciais? São aqueles com vantagem concedida pela lei a certos credores para terem prioridade sobre os concorrentes no recebimento do crédito. Mas se existem créditos quirografários ( = crédito simples. anticrese e alienação fiduciária. o rateio é proporcional ao crédito de cada um (957. é preciso dividir seu bens com os credores. sem qualquer vantagem) ao lado de créditos preferenciais. Prefiram o termo insolvência. De regra. créditos trabalhistas. ou seja. 962). pelo que concurso de credores com a para a correta divisão dos bens Efeito do concurso de credores: rateio dos bens do devedor entre os credores. Esta é a chamada falência da pessoa física. este crédito também será quirografário. entre os credores (955). ou seja. conforme vocês verão em Direito Comercial/Empresarial. os preferenciais receberão primeiro.

então agora os credores com garantia real recebem com prioridade sobre os créditos tributários em caso de falência de uma empresa. Mais detalhes vocês terão em Direito Comercial. publicada este semestre. pois os credores supra são de direito público. c) a Lei de Falências nova. Digo rateio proporcional porque se os quirografários também receberem na íntegra não haveria necessidade de ter sido instaurado o concurso de credores. 964. 6 – finalmente. alterou esta ordem para as empresas. Observem que os primeiros credores de direito privado estão aqui. então só se passa para o grupo seguinte após satisfação integral do anterior. 5 – créditos com privilégio geral: são aqueles credores do art. 965. em terceiro lugar. os créditos quirografários (961 – o crédito “simples” a que se refere este artigo é o crédito quirografário). b) só após satisfação integral dos créditos preferenciais (1 a 5) é que se faz o rateio proporcional entre os quirografários.Veremos tais direitos reais de garantia em Civil 5 (958). . 4 – créditos com privilégio especial: são aqueles credores do art. Assim os quirografários sempre recebem parcialmente. Observações importantes: a) os créditos preferenciais com prioridade recebem integralmente antes de outros créditos preferenciais.