Das pessoas jurídicas 1. Conceito.

A lei tem sempre como objetivo o homem, sempre o objeto de uma lei é o homem, e ao tratar das pessoas jurídicas não foi diferente, tanto que as pessoas jurídicas é uma separação do indivíduo para existir uma nova pessoa, uma pessoa invisível, intocável. Mas que para a lei passa a ter existência, personalidade e até mesmo direitos da personalidade. Teorias negativistas, teorias que negam a existência das pessoas jurídicas dizendo ser apenas um conjunto de bens que as constitui. Reunião de pessoas ou bens para consecu de um objetivo comum, segundo ção a teoria destes não se pode igualar bens a pessoas, Teoria de Cristiano chaves e Nelson Rosenvald. 1.1. Inicio da Personalidade jurídica. No que tange as pessoas físicas ou naturais observamos que o registro tem caráter meramente declaratório, assim o nascimento era o fato que gerava a aquisição de direitos. Já com as pessoas Jurídicas o registro é indispensável para aquisição de personalidade, tanto que a pessoa jurídica só passa a existir para o direito após a devida inscrição no registro competente (Art. 45 do CC). Teoria da Realidade Técnica (Flávio Tertuce) Pagina 235. 1.2.Direitos da Personalidade das pessoas jurídicas. É titular de direitos e deveres tão quanto as pessoas naturais, claro que não podem exigir para si todos os direitos assegurados as pessoas naturais tendo protegido a Honra o Nome, o domicilio e o próprio patrimônio. Sumula 227 STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. E mais modernamente o direito a imagem da pessoa jurídica é protegida de forma as proteger os próprios produtos. Cristiano chaves e Nelson Rosenvald. Pag. 352/352. 2. Classificação das Pessoas Jurídicas. Inicialmente como grande lastro o diploma civil divide as pessoas jurídicas em pessoas jurídicas de direito público e pessoas jurídicas de direito privado. Quanto a Nacionalidade; Nacional e Estrangeira. Quanto à Estrutura interna; Fundação e Corporação. Quanto às Funções e Capacidade; Direito público e direito privado. 2.1. Pessoas jurídicas de direito público. São regidas pelo direito Constitucional, Administrativo e Internacional. 2.1.1. Pessoas jurídicas de direito público interno.
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Faz parte a União, seus Estados, Distrito Federal, os Municípios e as Autarquias e as Demais entidades de caráter público criado por lei. 2.1.2. Pessoas jurídicas de direito público externo. São os Estados estrangeiros e as demais organizações regidas pelo direito internacional. 2.2.Pessoas Jurídica de direito privado. Estas sim tem como fonte o código civil dessa forma o código divide as pessoas jurídicas de direito privado em: 2.2.1. Fundações. Do instituidor e da área de atuação. Fundações são pessoas jurídicas diferente das outras, pois não são uma associação de pessoas e sim de bens com fins não lucrativo, de forma que atuação da fundação se limita de acordo com o artigo 62 do diploma civil: ³Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá -la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência.´ De forma que o enunciado n° 9 da justiça federal diz que este rol é exemplificativo, admitido outros fins, tal como educacional, do meio ambiente e científico de forma que exclua sempre os fins lucrativos. ³9 ± Art. 62, parágrafo único: o art. 62, parágrafo único, deve ser interpretado de modo a excluir apenas as fundações com fins lucrativos´. A fundação e voltada para sociedade, isso a diferencia em grande parte das associações que é voltada a um grupo restrito de pessoas. A pessoa que retira os bens de seu patrimônio e concede a fundação é denominado instituidor, é ele que em via de regra elaborara o estatuto da fundação, ele não o fazendo será responsabilidade da pessoa ao qual ele incumbir, na falta desta elaborará o estatuto o próprio Ministério Público. Na elaboração do estatuto o mesmo deve ser aprovado pela autoridade competente que no caso é o MP, assim no caso da elaboração pelo MP a autoridade passa a ser o MP. Da forma da disposição dos bens. Para a formação da Fundação a lei exige que o instituidor faça a dotação dos bens por meio de Testamento ou de Escritura pública sempre referindo ao fim de que se destinam a fundação. No caso de doação de bens e estes forem insuficientes para formar a fundação será incorporado à outra com finalidade semelhante.
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Limitações do Testador, nos caso de herdeiros necessários o testador não pode dispor de mais de 50% da seu patrimônio, e em vida não pode dispor de tudo e ficar sem o necessário para a sobrevivência. ³Art. 548. É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte, ou renda suficiente para a subsistência do doador.´ Da alteração do estatuto. A alteração do estatuto deve sempre respeitar as norma do artigo 67 do CC, assim o fim que se destina a fundação tem caráter perpetuo não podendo ser alterado por meio de emenda ao estatuto. Da fiscalização das fundações. As fundações tem sempre como fiscais o MP e a sociedade, reza o artigo 66 do diploma civil o seguinte: ³Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. § 1º Se funcionarem no Distrito Federal, ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público Federal. § 2º Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público.´ Cabe ressaltar a imensa falha do 1° parágrafo do referido artigo, em que deixa ao encargo do MPF a fiscalização das fundações que funcionem junto ao Distrito federal ou territórios, sendo que os mesmos dispõem de Ministério Público próprio para aquela região federativa. Tem se o projeto de lei n° 6960/2002 com o objetivo de suprir a falta de atenção do legislador pátrio. O referido artigo foi objeto de ADIN n° 2794-8 D.O.U (2007) e foi declarado inconstitucional. ADI n. 2.794-8(DOU de 1º-2-2007) ³declara a inconstitucionalidade deste parágrafo, sem prejuízo da atribuição ao Ministério Público Federal da veladura pelas fundações federais de direito público, que funcionem, ou não, no DF ou nos eventuais territórios.´ Da extinção das fundações. Qualquer cidadão poderá requerer a extinção da fundação, desde que sua finalidade se torne ilícita, inútil ou que vença o prazo e sua existência. Dado o caráter social da fundação essa extinção será declarada pelo juiz. Dessa forma o patrimônio desta fundação será transmitido à outra com finalidade semelhante a critério do juiz, se o ato constitutivo não dispuser em contrário. Artigo 554 do código civil: A doação a entidade futura caducar se, em dois á anos, esta não estiver constituída regularmente. Após esse prazo os bens voltarão ao patrimônio do doador. 2.2.2. Corporações: As corporações tem como núcleo as pessoas de forma diferente das fundações, assim as corporações se distinguem em Associações e Sociedades, de forma que o que
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as diferencia são os fins, enquanto uma tem fito lucrativo (as sociedades) a outra tem fins sociais (a associação). 2.2.2.1. Associações; Do inicio da existência. A associação passa a existir a partir do registro de seu estatuto no órgão competente a saber o cartório de pessoas jurídicas de sua principal sede. ³Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I - a denominação, os fins e a sede da associação; II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III - os direitos e deveres dos associados; IV - as fontes de recursos para sua manutenção; V - o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei nº 11.127 , de 2005) VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII - a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei nº 11.127 , de 2005)´ Sobre a extinção das associações reza a constituição que esta só pode ser dissolvida por sentença com transito e julgado, já o direito de reunião das associações pode ser suspensa por ordem fundamentada da autoridade judiciária competente. ³Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais.´ De forma que poderá ter associados com vantagens maiores que os demais, a utilizar o serviço médico do clube por exemplo. ³Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideaisreferidas no parágrafo único do art.56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes.´ Diante disso, se após a repartição de acordo com as frações de cada umdos sócios houver um patrimônio líquido sobrando, este será destinado a outras associações que tenham os mesmos fins que a referida, entretanto, caso não haja associações com o mesmo fim no Município, no Estado, no DF, ou no Território, em que a associação referida tenha sede, o patrimônio líquido se devolverá à Fazenda do Estado, do DF ou da União. 2.2.2.2. Sociedades; Reunião de pessoas imbuídas de um objetivo comum e lícito, com finalidade lucrativa. 2.2.2.2.1. Simples;

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Sociedade simples é a sociedade de pessoas com fins lucrativos mas que exercem atividades não empresarias, tem como exemplo o advogados (OAB), ou ainda as cooperativas. 2.2.2.2.2. Empresária; Tem como objetivo o lucro, mas se sujeitam as atividades de empr esário assim o código estabelece: ³Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços´. 2.2.3. As organizações religiosas; É livre a criação de entidades religiosas, gozando ainda de imunidades tributárias. 2.2.4. Os partidos políticos; A Constituição Federal assegura de acordo com o art.17,§§ 2º e 4º, que: ³Art.17,§2º.Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. (...) Art.17,§4º.É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização para militar.´ 3. Extinção da pessoa jurídica; Dá-se, via de regra com a dissolução da pessoa jurídica ou com a cassa da ção autorização de suas atividades. E pode ser: Convencional: por deliberação de seus membros, conformequorum previsto nos estatutos ou na lei; Legal: em razão de motivo determinante na lei - artigo 1.033 e 1.044/CC; Administrativa: quando as pessoas jurídicas dependem de aprovação ou autorização do Poder Público e praticam atos nocivos ou contrários aos seus fins. Pode haver provocação por qualquer do povo ou do MP; Natural: resulta da morte de seus membros, se não ficou estabelecido que prosseguirá com os herdeiros. Importante notar que segundo Nelson Rosenvald e Cristiano Chaves PG 375, vale notar que a morte só extingue as sociedades individuais não sendo causa para extinção das sociedades coletivas ; Judicial: quando se configura algum dos casos de dissolução previstos em lei ou no estatuto e a sociedade continua a existir, obrigando um dos sócios a ingressar em juízo, conforme o artigo 1.034/CC. 4. Responsabilidade Civil da pessoa jurídica. ³Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
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Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê -lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.´ Em regra geral a teoria adotada para as responsabilidade da pessoa jurídica é a da responsabilidade subjetiva, qual seja, a que decorre da conduta comissiva ou omissiva, ao qual o lesado deve comprovar a lesão ao direito, e o nexo de casualidade havendo também de se perquirir a culpa lato sensu (culpa ou dolo) existente na conduta do representante da pessoa jurídica. Entretanto em determinados casos foge a regra geral aplicando a responsabilidade objetiva que independe da comprovação de culpa lato sensu (dolo e culpa), nas relações de consumo (art. 12 e 18 CDC), nos casos de dano ao meio ambiente, e no caso de contrato de transporte em geral e nos contratos de transporte aéreo, 734 a 742 do CC e lei 7565/86, e nos casos de empresa privada concessionária de serviço de serviço público. A responsabilidade é contratual e também extracontratual. Pode haver a compensação ou diminuição da responsabilidade no caso de culpa exclusiva ou compensação de culpas quando a vítima de alguma forma contribui para o evento danoso. Ou exclusão da responsabilidade decorrente de Caso fortuito ou força maior ou por ação exclusiva de terceiros (se aparentemente o terceiro exerce a atividade da empresa, para o terceiro de boa-fé ele será, e assim a pessoa jurídica responderá por tal ato). 4.1. Responsabilidade penal da pessoa jurídica. Previsto primeiramente no artigo 225 da Constituição Federal, e tornado concreto com o advento da lei dos crimes ambientais (9605/1998) tratando das penas nos artigos 22 e 23 do referido dispositivo legal. Tendo em vista a natureza das pessoas jurídicas é inviável a proteção de seus direitos em sede criminal por meio de Habeas corpus sendo assim para proteção de seus interesses o remédio necessário é o mandado de segurança em sede criminal. 5. Desconsideração das pessoas jurídicas; As pessoas jurídicas via de regra tem respaldo dos seus bens, gozam de uma proteção patrimonial distinta dos sócios que a compõem. A teoria da desconsideração da pessoa jurídica traz para o direito um meio de defesa do sistema jurdico, assim os í sócios não podem se esconder atrás do patrimônio da empresa para praticar atos que são totalmente amorais, ilegais ou ilícitos. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os
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efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 5.1. Desconsideração Inversa Conquanto que na desconsideração da pessoa jurídica você atinge o sócio ou administrador, na inversa você salda a parte do sócio que está agregada a pessoa jurídica. Enunciado 283 da jornada de direito civil: 283 ± Art. 50. É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada ³inversa´ para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros. 5.2. Desconsideração expansiva Desconsideração da personalidade jurídica pode ocorrer entre sociedades controladas e controladoras, de forma que sociedade A se dissolve irregula rmente para formar sociedade B, assim poderá ser desconsiderada a personalidade jurídica da sociedade A para atingir seu patrimônio na sociedade B. Autores: Rafael da Silva Soares. João Gabriel Cardoso. Felipe Figueiredo. Visite o Blog: HTTP://direitoirs.blogspot.com

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