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FACULDADE 7 DE SETEMBRO – FA7 CURSO GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

EMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELAS

LUIZA DÉBORA JUCÁ DAMASCENO

Fortaleza – 2010.1

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LUIZA DÉBORA JUCÁ DAMASCENO

EMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELAS

Monografia apresentada à Faculdade 7 de Setembro como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Administração.

Orientador: Prof. Maiso Dias, Ms.

Fortaleza – 2010.1

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EMPREENDEDORISMO FEMININO: UM ESTUDO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS COM MODELO PROPOSTO POR DORNELAS

Monografia apresentada à Faculdade 7 de Setembro como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Administração.

________________________________________ Luiza Débora Jucá Damasceno

Monografia aprovada em: ______ / ______ / ______

___________________________________ Prof. Maiso Dias, Ms. (FA7)

1º Examinador: ______________________________________ Prof. ___________________________Instituição:__________

2º Examinador: ______________________________________ Prof. ___________________________Instituição:__________

______________________________ Prof. Hercílio Brito, Ms. (FA7) Coordenador do Curso

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Dedico este trabalho ao meu avô (pai), Alci Menezes Jucá, (in memoriam) que hoje estaria muito feliz por essa conquista e sonho realizado. À minha mãe que sempre lutou para que eu pudesse chegar até aqui e ao marido pelo incentivo em todos esses anos de estudo, principalmente agora, em que estão todos muito orgulhosos e felizes por mais essa conquista.

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus, fonte de todo amor e fortaleza, pelas bênçãos derramadas em minha vida, pela graça de estar cursando essa faculdade, que sempre foi um sonho, pela força e coragem durante esta longa jornada.

À minha mãe, Ana Célia Sales Jucá, pela formação, pelo grande apoio que me de u em minha vida. E em especial ao meu esposo, Wladimir Damasceno Silva, que sempre me incentivou e apostou plena confiança em minha trajetória acadêmica esperando esse grande dia.

Aos amigos conquistados durante a jornada na faculdade e aqueles adquiridos ao longo da vida, pelos momentos de alegrias e tristezas compartilhados e por tudo que aprendemos e crescemos juntos.

Ao meu primo e sócio, Walter Winner de Andrade, pelas palavras de incentivo e paciência nesse período difícil até a conclusão des te trabalho.

Ao meu professor e orientador Maiso Dias, por ter sido mais que um professor, sendo um mestre e com certeza um grande amigo, que com seu incentivo e grande conhecimento tornou este trabalho realizável, acreditando no meu potencial. Em especial também, ao professor Teobaldo Mesquita, por toda a dedicação e paciência por me ajudar na construção desse trabalho.

Às professoras Mariana Aguiar, Luciana Freire, Roseilda Nunes , Luciana Guilherme, Liliane Ramalho e Madalena Matos que me apoiaram no meu dia a dia nos estudos acadêmicos, nos momentos difíceis e principalmente nos momentos mais importantes com palavras de incentivo que muito valeram à minha vida. Agradeço também ao professor Ricardo Coimbra por me ajudar a aprender matemática da forma mais simples da vida e a não temê-la. Aos demais professores e ao coordenador Hercílio Brito, pela dedicação que sempre tiveram . Irei levá-los comigo

ajudando e apoiando seus alunos incessantemente para a edificação de um perfil profissional e ético. ideal para o mercado de trabalho. À Faculdade 7 de Setembro. por ser uma instituição séria que acredita em princípios básicos e faz valer todos eles. . Agradeço a colaboração de todas as empreendedoras que puderam me ajudar com suas experiências para que esta pesquisa fosse concluída. agradeço a todos que acreditaram em mim e me incentivaram para que eu pudesse chegar até aqui. Por fim.5 em todos os seus ensinamentos.

O objetivo geral da pesquisa foi analisar o perfil empreendedor das mulheres em Fortaleza de acordo com a visão da teoria de Dornelas (DORNELAS. diante desse crescimento eminente das mulheres como empreendedoras no Brasil. 2008) e concluiu-se que as mulheres possuem muitas características similares de acordo com a visão do autor. paixão pelo que fazem e com o jeito feminino de ser. . conseguem ser mulheres de sucesso como empreendedoras. e que encaram o mercado competitivo com muito otimismo. porém.6 RESUMO De acordo com os dados atuais da pesquisa internacional GEM – Global Entrepreneurship Monitor (2009) as mulheres pela primeira vez em dez anos da pesquisa no Brasil superaram em 53% e os homens em 47%. Visto que suas maiores dificuldades são suas culpas e cobranças por estarem ausentes na vida familiar. Palavras-chave: Empreendedorismo. decidiu-se identificar o perfil empreendedor da mulher em Fortaleza e saber qual o grau de adequação desse perfil às condições competitivas do mercado. garra. mesmo assim. Foi feita uma pesquisa de natureza qualitativa e aplicado um roteiro de entrevista e um teste de perfil com uma amostra de micro e pequenas empresárias de Fortaleza. Mulheres Empreendedoras.

KEY-WORDS: Entrepreneurship. Really having their greatest difficulties in their blames and demands for being absent from family life. The main purpose of this research was to assess the entrepreneurship profile of women in Fortaleza according to Dornelas’s (DORNELAS. vigor. passion for what they do and with a feminine touch. Enterprising women.7 ABSTRACT According to current data of the international research GEM – Global Entrepreneurship Monitor (2009) the women for the first time in ten years of the research in Brazil exceeded to 53% and men 47%. however still being successful women as entrepreneurs. 2008) theory overview and we concluded that women have many similar features according to the author’s point of view and that they face the competitive market with a lot of optimism. . we decided to identify the profile of the enterprising women in Fortaleza and learn what degree of adequacy of this profile is in competitive market terms. A research of qualitative nature was created an interview guide and a profile test with a sample of micro entrepreneurs from Fortaleza was applied. in face of this eminent growth of women as entrepreneurs in Brazil.

........27 3 – Evolução das Proporções dos Empreendedores Nascentes e Novos do Brasil de 2001 a 2008......................................................................................15 2 – Características de Acordo com Filion..............................................................23 3 – Oportunidade x Necessidade......................29 FIGURAS 1 – Evolução da Taxa de Empreendedores Iniciais (TEA) Brasileira em Comparação com a Média dos Países Participantes do GEM de 2001 a 2008...........................................27 .............................26 2 – Evolução dos Empreendedores Iniciais......................................................................................................... Empreendedores Nascentes e Empreendedores Novos do Brasil de 2001 a 2008...............................8 LISTAS DE ILUSTRAÇÕES QUADROS 1 – Histórico do Empreendedorismo...........................

.. REFERENCIAL TEÓRICO...............................................................................2 2....................... Análise Histórica do Empreendedorismo...... Objetivos Específicos...............................2 1...........................................1 1.. 10 11 12 12 12 14 14 18 21 24 28 30 35 38 38 39 42 50 52 55 3 3........................................... Técnica de Coleta de Dados..................................1 1......................................................1.......................................................................................... Empreendedorismo: Oportunidade x Necessidade............................................................................................ Objetivos........ .................................... Características do Empreendedor......................... Diferença entre Administrador e Empreendedor..........1 2................................................................1 3........................ O Perfil da Atividade Empreendedora do Brasil.....2 4 5 METODOLOGIA.................................. APÊNDICES.............................................1............................................. Pesquisa Qualitativa........................................................ Estrutura do Trabalho ............. RESULTADOS..........4 2......................................................................................................................1...........................................5 2..7 INTRODUÇÃO.................................6 2...............9 SUMÁRIO 1 1.....................................................................................................3 2.................................................................... Objetivo Geral................................................................................ Empreendedorismo Feminino.................... Dificuldades Enfrentadas pelas Mulheres Empreendedoras......... REFERÊNCIAS ......................................3 2 2................................. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................

Foi escolhido para esta pesquisa o livro “Empreendedorismo – Transformando Idéias em Negócios”. decidiu-se identificar o perfil empreendedor das mulheres e saber como as elas enfrentam dificuldades para tornarem-se mulheres de sucesso. Estudos referentes aos tipos de empreendedor. Em dez anos da pesquisa GEM no Brasil.10 1 INTRODUÇÃO O empreendedorismo.6 milhões de empreendedores e em 2009 os dados já superaram em 53% para as mulheres e em 47% para os homens. Quanto mais informação o empresário tiver.060 inscrições. para iniciar e gerenciar um empreendimento com sustentabilidade. pode-se observar que as mulheres têm crescido consideravelmente como empreendedoras. . Diante desse crescimento intensificado das mulheres como empreendedoras no Brasil. Os resultados dessa pesquisa são representativos para aqueles que trabalham com o fenômeno empreendedorismo e a grande novidade é que. do Dornelas (2008) para ser feita uma análise comparativa de acordo com a teoria abordada. muita coisa mudou no perfil e na postura empreendedora dos brasileiros. as razões de sucesso de alguns empreendimentos e as variáveis que influenciam o processo de empreender geram a cada dia novas variáveis e novos modelos a serem estudados. intensificando ainda mais o grau de capacitação e responsabilidade. o Ceará ficou em 3º lugar no ranking do Nordeste. Já a pesquisa internacional GEM – Global Entrepreneurship Monitor (2008) mostrou que elas já representam 46% do total de 14. mais competitiva será a empresa. o empreendedorismo passou a ter visibilidade no Brasil. o melhor caminho é sempre o do conhecimento. Outro detalhe é que as mulheres também superaram os homens como empreendedoras por oportunidade. com 134 mulheres de negócios inscritas. as mulheres obtiveram um resultado superior. De acordo com algumas pesquisas realizadas em fontes de dados atuais em alguns sites. Com o apoio do SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e a SOFTEX – Sociedade Brasileira para Exportação de Software. pela primeira vez. bem como o perfil empreendedor e as razões que levam ao ato de empreender são assuntos de muitos pesquisadores na área de administração. O SEBRAE e outras parcerias criaram o Prêmio SEBRAE Mulher de Negócios e obtiveram na última edição 3. Empreendedores e empresários de negócios de pequeno porte já entenderam que.

O problema de pesquisa é um assunto em forma de questionamento que carece de uma resposta. em Fortaleza. De acordo com o que foi apresentado até aqui. E conceitua pesquisa como um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. 1989). onde a pesquisa será aplicada. contribuirão para a criação de parâmetros de análise e interpretação do potencial empreendedor (TIMMONS. executa e transforma a sua história abstrata em fato real. A escolha da amostragem de julgamento segundo Anderson (2008) é quando o pesquisador escolhe seus elementos por julgar serem mais representativos sobre o assunto. através de conceitos e fundamentos. 1. do contexto do cenário nacional e explorar um pouco mais o cenário de Fortaleza. desde que seja de tamanho adequado e que represente adequadamente uma população. Quando se estuda uma amostra. como ele pensa. o empreendedorismo feminino ganha importância para a economia nacional e desperta muitas curiosidades pelo tema. estabelecendo índices que.1 Objetivos Os objetivos a seguir são um resultado a ser alcançado no estudo. A pesquisa terá a seguir o objetivo geral e os específicos e posteriormente o referencial teórico sendo dividido por seções sumarizadas. pode proporcionar resultado. e é . quando analisados e comparados. por meio de estudos aplicados. será possível criar atributos que permitam identificar semelhanças e diferenças entre os empreendedores pesquisados.11 Como destacado anteriormente. Gil (2007) afirma que toda pesquisa se inicia com algum tipo de problema. Caso se possa conhecer a mente do empreendedor. Esse método torna-se um pouco mais simples de selecionar a amostra. foi definido como a problemática da pesquisa a seguinte pergunta: Como se caracteriza o perfil empreendedor da mulher em Fortaleza e qual o grau de adequação desse perfil às condições competitivas do mercado? A pesquisa é de natureza qualitativa. bibliográfica e de campo com a aplicação de um roteiro estruturado através de uma entrevista com uma amostra por julgamento de empresárias de segmentos diferentes. pode-se obter melhor resultado fazendo um trabalho mais cuidadoso do que seria feito em uma população inteira. age. O presente trabalho tem como objetivo analisar o perfil do empreendedorismo feminino. É visto que o estudo de uma amostra.

A primeira subseção abordará o empreendedorismo dentro do contexto histórico.3 Estrutura do Trabalho A seção de número dois contextualiza sobre referencial teórico e as explicações das escolhas quanto aos temas abordados na presente pesquisa.12 através de sua definição que se comprovará o que será atingido e realizado durante a investigação. da sua fase inicial até os dias de hoje. 1.1 Objetivo Geral Analisar o perfil empreendedor das mulheres em Fortaleza de acordo com a visão da teoria de Dornelas. A segunda subseção irá mostrar as diferenças entre o administrador e o empreendedor.  Descobrir dentro do perfil das mulheres entrevistadas se houve empreendedorismo por necessidade ou por oportunidade. Segundo os autores pesquisados.2 Objetivos Específicos  Identificar as principais características empreendedoras das mulheres no mercado de Fortaleza. o objetivo é dividido em dois momentos: o objetivo geral e os objetivos específicos.1.1. A terceira vem relatar as características do empreendedor abordando as principais de alguns autores e ainda mais detalhadamente do Dornelas que será mais aprofundado neste trabalho. 1. Onde esse tema vem se colocando e esclarecendo algumas dúvidas através do perfil de comportamento e como se deve esse processo. Descreve os fundamentos teóricos referentes ao tema tornando o discurso relevante para a sua conceituação. . 1.1. em que são abordados e divididos em sete subseções.  Identificar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras no mercado competitivo de Fortaleza.

às vezes. A quinta subseção abordará um dos temas mais contemplados em várias discussões que é o empreendedorismo por necessidade x o empreendedorismo por oportunidade.13 A quarta subseção tratará sobre o perfil da atividade empreendedora no Brasil. principalmente. De que forma encararem os negócios e a vida pessoal. iniciado em casa. Para finalizar o presente trabalho estarão relacionadas as referências bibliográficas e os anexos contendo o roteiro de entrevista e o teste de perfil utilizados na pesquisa. além de observações imprescindíveis sobre as possíveis pesquisas no campo acadêmico. A forma como reagem no estilo de acordo com suas características particulares e como vêm alcançando novas taxas de crescimento vistas sobre o tema. onde será tratado o que é o empreendedorismo feminino. A sexta subseção chegará ao tema da pesquisa. Na sétima e última subseção será visto como as empreendedoras enfrentam dificuldades e superam o grande preconceito. A terceira seção será para a explanação da metodologia do presente trabalho. já que o tema é a cada momento movido a mudanças de cenário. Onde será vista a comparação com a teoria e a prática. como tem sido a evolução deste tema e os dados de acordo com pesquisas. marido e filhos. A quarta seção será a análise dos resultados da pesquisa e em seguida serão feitas as considerações finais. Como as mulheres iniciaram seu espaço e como se comportam atualmente. Como os empreendedores estão entendendo que não se deve empreender sem antes haver um planejamento mais adequado. . incluindo.

fala que o termo "empreendedor" surgiu na França por volta dos séculos XVII e XVIII. significa: aquele que se compromete com um trabalho ou uma atividade específica e significante. O quadro 1 relata de forma detalhada como seguiu essa evolução. Para que essas inovações possam se tornar motivos de sucesso. como esse tema foi evoluindo e vem ganhando espaço dentro do cenário empresarial. no sentido da geração de técnicas e métodos ou mesmo do reaproveitamento do que já existe. Para exemplificar. o . o termo tem sido basicamente utilizado através de um olhar meramente economista. existem pessoas ou grupos de pessoas com características que são consideradas visionárias. empreendem. Marco Pólo concordou em vender as mercadorias de um homem que possuía dinheiro (hoje chamado de capitalista). Alves (2008). Enquanto o capitalista assumia os riscos de forma passiva. principalmente no século XX. o primeiro uso do termo empreendedorismo. Dornelas (2008) considera que é importante fazer uma análise histórica. 2003). 2. Como empreendedor. que querem algo diferenciado e fazem acontecer. com forte viés de uso para a geração de valor econômico e para a exploração das oportunidades de mercado (MESQUITA.14 2 REFERENCIAL TEÓRICO As seções a seguir foram escolhidas por terem sido avaliadas de forma necessária para que a pesquisa fundamente-se em uma base bibliográfica e assim possa avaliar sua amostra e consiga obter as conclusões esperadas. desse processo. que é o desenvolvimento da teoria do empreendedorismo. A subseção seguinte resgatará a análise da história do empreendedorismo. ou seja. Desde então. Em francês.1 Análise Histórica do Empreendedorismo As transformações que o mundo vem sofrendo nos últimos períodos. que tentou estabelecer uma rota comercial para o Oriente. mas que ninguém ousou olhar diferente. pode-se dizer que tudo começou com um empreendedor chamado Marco Pólo. revolucionaram o estilo de vida das pessoas.

Quadro 1. um dos primeiros a utilizar o termo entrepreneur foi o economista francês Jean Baptiste Say. dando ênfase a que o empreendedorismo tenha surgido de fato como conseq uência das mudanças tecnológicas e sua rapidez. correndo riscos físicos e emocionais. Empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship. suas origens. para referir-se aos indivíduos capazes de gerar valor ao estimular o progresso econômico através de novas e melhores maneiras de fazer as coisas. seu sistema de atividades e seu universo de atuação (MELO NETO. 2004). . utilizada para designar os estudos relativos ao empreendedor.Histórico do Empreendedorismo De acordo com Dees (2008).15 empreendedor aventureiro assumia o papel ativo. 2002). FROES. seu perfil. (MOTA. De acordo com os avanços tecnológicos surgiram mais empreendedores.

com relação à incapacidade de criar uma ciência do comportamento dos empreendedores. enquanto as segundas já sabem como administrar o seu ramo de negócio. por eles. mostrando a importância dos empreendedores nesse contexto. As primeiras precisam especializar-se na administração dos novos negócios. Schumpeter também contribui para o desenvolvimento econômico.. precisando. que. na visão dos economistas modernos. idealizador de negócios. Porém. a diferença entre a administração empreendedora e a tradicional. Nesse período acreditava-se que não somente economistas poderiam ser considerados empreendedores. a partir do momento em que a influencia e molda profundamente. também citados por Filion (1999). aprender a empreender e inovar constantemente neste período de rápidas mudanças (ALVES. e como aquele que assume riscos. compreendendo o papel do empreendedor como motor do sistema econômico. merece destaque o campo dos economistas. (ALVES. Say e Schumpeter. desafios e tendências distintos daqueles apresentados pelas empresas já existentes. na realidade. Segundo Drucker (1987). considerando que “[. citados por Filion (1999). Considera-se. o termo empreendedorismo é explicado e amplamente debatido quando entendido por economistas como Cantillon. 2008). destacando-se algumas abordagens por eles desenvolvidas em campos específicos (ALVES. com suas ideias e contribuições para a ciência na área. ao defender que as novas iniciativas empresariais apresentam problemas. que realmente deram início ao empreendedorismo. . Os mesmos passaram a ser criticados pelo ponto de vista ideológico. 1942). todo empreendedor é importante para a economia e provoca impacto. em que eles sejam deslocados de seu emprego tradicional e sujeitos a novas combinações” (SCHUMPETER. ainda. então. as ideias de Schumpeter. o empreendedorismo teve início com seus primeiros pensadores. criador de empreendimentos.16 Segundo alguns pesquisadores. e por comportamentalistas como Weber. quebrar seus paradigmas de racionalismo. 2008)..] sempre tem a ver com criar uma nova forma de uso dos recursos nacionais. através de sua associação visível com a inovação. contudo. Ressalta. 2008). sinalizador de oportunidades. McClelland. para se manter no mercado. eles precisavam. já que apresentavam alguns comportamentos de quem não só se importavam com o dinheiro propriamente dito.

conforme Filion (1999). passam a ser parecidas de uma forma ou de outra. buscar feedback a respeito de sua performance. pois além de perfis para se poder garantir algo. implicam bem mais fatores do que somente conjunto de características empreendedoras. necessidades e hábitos de dada região. que tentaram entender o empreendedorismo. algumas pesquisas têm sido fonte de várias linhas. ratificando ainda a impossibilidade de se afirmar que uma pessoa será ou não bem-sucedida em seu negócio. 1961). Do ponto de vista do comportamento empreendedor. 1999). (ALVES. Suas ações nesse sentido são: analisar os riscos. as características empreendedoras são determinadas quando se desenvolvem na prática. Participando com suas teorias. que em certa medida inclui comprometimento. baseadas em apenas dois fatores principais. ainda.17 No campo dos comportamentalistas. destacam-se os psicólogos. McClelland defendia. sociólogos e outros profissionais da área do comportamento humano. o que implica dizer que há diferentes características para diferentes tipos de negócios e áreas de atuação. ajudando futuros empreendedores a se situar melhor. numa variedade de diferentes estudos (MCCLELLAND. determinado por culturas. aplicando seus estudos em certos setores de atividade econômica (FILION. marcadamente pelas análises evolucionistas do Ocidente (VIANNA. 2008) Vale ressaltar. a necessidade de autorrealização como característica da personalidade empreendedora. McClelland consagrou-se como um grande idealizador do empreendedorismo. o empreendedorismo parece ser um fenômeno regional. McClelland (1972) coloca como principal característica do empreendedor a busca por seus objetivos. a propensão ao risco e os valores pessoais. Embora nenhum perfil científico tenha sido traçado. Weber (1930) foi o precursor das primeiras contribuições ao assunto. 1999). Outro relevante estudo desenvolvido por Weber foi a contribuição acerca do desenvolvimento econômico do Brasil. que mesmo não havendo um perfil psicológico científico do empreendedor. em que procurava associar o sistema de valores dos empreendedores como elemento explicativo dos seus comportamentos. definição de métricas de desempenho e controle de resultados. Desde então. ser persistente e inovador. como o autocontrole. psicanalistas. o campo tem examinado diferentes traços da personalidade. . no caso a necessidade de realização e a necessidade de poder dos empreendedores.

2. Ele ainda complementa que as organizações assumiram importância sem precedentes na sociedade e na vida das pessoas. colocando assim que a .2 Diferença entre Administrador e Empreendedor Antes de surgirem objetos de estudo para o empreendedor. já existia sobre o administrador. com incubadoras. mas em 2000 o Brasil pode participar e levantaram a questão do capital de risco “venture capital” em cada país participante. O principal divulgador foi Fayol. Em 1997 foi criada a pesquisa internacional GEM – Global Entrepreneurship Monitor. consultoria para esses empreendedores. no início do século XX e desse período em diante os demais autores reformularam ou complementaram os seus conceitos. a subseção abordará um tema bastante comentado pelos livros e por pessoas em geral: as diferenças entre o administrador e o empreendedor. palestras em universidades. o país hoje é considerado preparado para o movimento de empreendedores e despertou para saber que não se resume apenas em abrir um negócio. Assim encontraram diversas alternativas para reduzir seus custos e permanecer competitivas. pesquisas detalhadas. O que na realidade difere nas suas características que. o empreendedorismo passou a ter visibilidade no Brasil. Isso ocorreu devido à preocupação com a criação de pequenas empresas que passaram a ter que inovar para continuar no mercado. A seguir. Hoje se pode diferenciar claramente um empreendedor do empresário e as causas de sucesso ou de fracasso de ambos. ao mesmo tempo. Após todos esses anos. que tinha inicialmente como propósito apenas levar para o ambiente acadêmico o melhor sobre o empreendedorismo e o crescimento econômico em vários países. ainda existem muitas dúvidas sobre o que o administrador faz.18 Nos últimos anos o empreendedorismo no Brasil passou a ser um termo bastante discutido. principalmente no final da década de 1990. Com a criação do SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e a SOFTEX – Sociedade Brasileira para Exportação de Software. dirigir e controlar. porém mesmo assim. organizar. tornam-se intrínsecas para a maioria. Fayol afirma que o administrador concentra-se nos atos de planejar.

Na construção do século XXI.42): Uma tendência do século XXI é o desemprego. seja de um indivíduo. econômico e social e com isso levaram ao surgimento de novas técnicas para administrar as organizações. pois na grande parte do tempo está focado no mercado. criação. mas normalmente constam tipos de comportamento semelhantes (HISRICH. em tempo relativamente curto que moldou inúmeras características da sociedade atual (MAXIMIANO. riqueza e risco. mas sim um comportamento. tecnológico. e não a intuição. à solução de conflitos e de circunstâncias desfavoráveis para a empresa. 2004). (2004. Cada definição é um pouco restritiva. Para Drucker (2003). A perda das pers pectivas de emprego duradouro e de carreira nas grandes organizações estimulou muitas pessoas a procurarem ser seus próprios pat rões. O espírito empreendedor é uma característica distinta. Embora muitos autores definam o empreendedor de uma perspectiva um pouco distinta. Com a globalização. porque alguns empreendedores são de profissões distintas. Durante muitos anos os paradigmas foram mudando constantemente. o empreendedor é aquele que cria algo novo. (MAXIMIANO. a administração empreendedora (complementando a tradicional formadora de empregados ) tornou-se uma t endência s ocial importante. mas com a Revolução Industrial provocou uma mudança de grande magnitude. como novidade. ou seja. organização. algo diferente. p. Segundo Maximiano. ou de uma instituição. algo que mude os valores. e suas bases são o conceito e a teoria. sejam eles: competitivo. em contraste com as sociedades comunitárias do passado. nos . a Administração Empreendedora. todas possuem noções semelhantes. O administrador se enquadra no mundo corporativo e está mais relacionado aos processos gerenciais. Essas mudanças foram chamadas de novos paradigmas da administração. as grandes empresas proc uram estimular o espírito dos empreendedores internos. Com isso. O empreendedor nem sempre se faz presente nas corporações. as pessoas capazes de descobrir e implementar novos negócios. 2004). Não é um traço de personalidade. Ao mesmo tempo.19 sociedade moderna é uma sociedade organizacional. 2004). nas oportunidades. quando aconteceu a passagem da era pós-industrial e a Revolução Digital provocou a mudança de muitos pensamentos tradicionais e assim dentre as mudanças surge. aconteceram muitas mudanças em todos os tipos de ambientes.

 Comprometimento com a oportunidade O domínio empreendedor é pressionado pela necessidade de ação.  Estrutura administrativa Na estrutura dentro do domínio administrativo. de acordo com a necessidade e não se importa em apenas acumular recursos e sim arriscar no que for mais viável. na inovação. porque na verdade existe a pressão pelo poder. tais como: orientação estratégica. na criatividade.20 produtos. Já com o administrador é voltada para a pressão gerencial. o comprometimento é geral e em alguns casos longo demais. é formalizada e hierárquica por natureza.  Comprometimento de recursos O empreendedor na maioria das vezes está acostumado a ver seus recursos comprometidos a intervalos periódicos que com frequência se baseiam em cumprimento de metas. O empreendedor é o oposto que luta para realizar qualquer tipo de transação. As diferenças entre os estilos empreendedores e os administrativos podem ser vistos em cinco dimensões importantes. comprometimento de recursos e estrutura administrativa (HISRICH. comprometimento com a oportunidade. pelo status e pela compensação financeira.  Controle de recursos O administrador é recompensado pela eficiente administração de recursos. escassez de informações para a tomada de decisão. Já o administrador responde à fonte de compensações oferecidas e se sentem pessoalmente gratificados ao administrar seus recursos sob seu controle. tem suas linhas clara mente definidas e tem como base na . e na maioria das vezes ele acumula o máximo possível. O domínio administrativo não só é lento em agir com as oportunidades. pois é mais interessado no negócio presente e futuro. e muita disposição para assumir riscos e pouco especialista para tomada de decisões. 2004):  Orientação estratégica A orientação estratégica do empreendedor é mais voltada para percepção da oportunidade. como também quando as ações se concretizam.

Possuem atributos pessoais que se somam a características sociológicas e do próprio cotidiano que eles acabam inovando. que diferenciam do seu comportamento. p.3 Características do Empreendedor Em 1960. No empreendedorismo. Segundo Dolabela (1991. De acordo com Dornelas (2008).70-71). Na estrutura dentro do domínio empreendedor. nem sempre o administrador possui as habilidades de um empreendedor e isso pode fazer muita diferença dentro de uma empresa. como é fiel ao seu desejo de independência. David McClelland. denominado por ele de motivação da realização. A próxima subseção mostrará as características do empreendedor de acordo com alguns autores e um pouco mais aprofundadas pelo autor Dornelas que foi o escolhido para a visão dessa pesquisa. 2. emprega a estrutura plana com redes informais. Chegando à conclusão sobre essas diferenças e similaridades pode-se perceber que todo empreendedor precisa ser um bom administrador para poder tomar as decisões mais adequadas. o empreendedor possui características extras. desenvolver e realizar sua visão. É preciso extrair a criatividade e a ousadia do empreendedor para que o aprendizado diário possa ser mais motivador. o ser é mais important e do que o saber: este será conseqüência das características pessoais que determinam a metodologia de aprendizagem do candidato a empreendedor. identificou nos empreendedores bem-sucedidos um elemento psicológico crítico. O indivíduo portador das condições para empreender saberá aprender o que for necessário para criar. Já por outro lado. . Normalmente as mais citadas pelos empreendedores de sucesso são: a) São visionários Têm habilidade de saber como será o futuro para o negócio e para a sua própria vida. psicólogo da Universidade de Harvard.21 teoria da recompensa.

pois dedicam-se 24 horas ao próprio negócio. i) Ficam ricos Para eles não é o principal objetivo. g) São otimistas e apaixonados pelo que fazem O otimismo faz com que eles enxerguem o sucesso e não pensem no fracasso. d) Sabem explorar ao máximo as oportunidades Eles identificam a oportunidade na hora certa. podendo assim ser mais independentes e gerar empregos. e) São determinados e dinâmicos Sabem superar os obstáculos com vontade de fazer acontecer e não gostam da rotina. k) São bem relacionados Sabem criar uma rede de relacionamentos para servir de ajuda no ambiente externo.22 b) Sabem tomar decisões São rápidos nas tomadas de decisão e são seguros quanto a elas. c) São indivíduos que fazem a diferença São pessoas que sabem agregar valor aos serviços e produtos que se propõem a colocar no mercado. pois acreditam que será uma consequência dos atos. h) São independentes e constroem o próprio negócio Não querem ser empregados e querem criar algo novo. normalmente são adorados pelos seus colaboradores. l) São organizados São racionais e assim conseguem gerenciar recursos da melhor forma de organização. Adoram trabalhar e amam o que fazem. ficando sempre atentos a tudo e aproveitam as chances para adquirir conhecimento. planejam . f) São dedicados Comprometem sua rotina e seus relacionamentos. Sabem recrutar pessoas competentes e formam um ótimo time. m)Planejam. j) São líderes e formadores de equipe Eles possuem um perfil de liderança. pois adoram o que fazem. planejam.

De acordo com Filion (1991). O quadro 2 extraído de Filion (1993) apresenta algumas das características atribuídas aos empreendedores: Inovadores Líderes Tomadores Moderados de Riscos Independentes Criadores Enérgicos Originais Otimistas Orientados por Resultados Flexíveis Engenhosos Uso de Recursos . maior será sua influência na escolha para o estabelecimento de um sistema de relações. visando fortalecer suas visões complementares. por isso buscam maior conhecimento em tudo que fazem no dia a dia como nas antigas experiências. As relações que o indivíduo vai estabelecendo durante a vida. pois eles sabem calcular o risco e fazem disso uma estimulante jornada para o sucesso. são de importância fundamental para o fortalecimento de sua visão central (FILION. n) Possuem conhecimento Entendem que o conhecimento auxilia de forma importante para o sucesso. como em cursos e livros. por exemplo. certamente moldará os tipos de visão inicial que um empreendedor possa vir a ter. No entanto. p) Criam valor para a sociedade Eles utilizam seu capital intelectual para gerar valor para a sociedade. A família.23 Planejam desde o princípio tudo o que vão fazer no seu negócio e sabem apresentar aos seus investidores de forma ordenada. o) Assumem riscos calculados Essa é uma das principais características. gerando empregos e sempre buscando criatividade. quanto mais articulada for a visão. 1991). 1991). Vale ressaltar também que a habilidade para desenvolver uma visão parece conferir liderança e esta. para o empreendedor. parece depender do desenvolvimento da visão (FILION. a rede de contatos parece ser o fator mais influente para explicar a evolução da visão.

o Brasil. Tenacidade Agressivos Tendência para Confiar nas Pessoas Dinheiro com Medida de Desempenho Envolvimento de Longo Prazo Iniciativa Quadro 2 – Características de Acordo com Filion A subseção seguinte abordará o assunto sobre o perfil do empreendedor no país e suas taxas.24 Sensibilidade com os Outros Necessidade de Realização Autoconhecimento Autoconfiança Aprendizagem Tolerantes a Ambigüidade e Incertezas Fonte: adaptado de Filion (1993). A GEM tem entre suas finalidades avaliar. A pesquisa GEM é realizada no exterior desde 1999. Chegou ao Brasil em 2000 por meio do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ).72% contra uma TEA média dos . A Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial . sendo considerada uma das mais dinâmicas do mundo.02% continua superior a 10%. Segundo a Pesquisa GEM 2007. 2. por apresentarem taxas de empreendedorismo mais elevadas. A TEA média brasileira de 2001 a 2008 é de 12. ficou fora do grupo dos dez países com maiores taxas de empreendedorismo. Mostrará de forma mais sucinta se detendo não nos detalhes e sim no contexto da atividade como um todo no Brasil. Em 2001. divulgar e influenciar as políticas de incentivo ao empreendedorismo no Brasil e no mundo. a taxa de empreendedorismo do brasileiro foi sempre superior a 10. ter ficado fora do grupo dos dez países com maior taxa de empreendedorismo não significa que o Brasil tenha piorado na última pesquisa.TEA de 12. portanto. passou a contar com a participação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). pela primeira vez. situação gerada por causa da inserção de países que não participaram em edições anteriores e que ocuparam posições entre os dez primeiros colocadas no ranking.4 O Perfil da Atividade Empreendedora no Brasil Na Pesquisa GEM 2008. onde tem crescido e quais suas quedas de acordo com pesquisas internacionais desde 1999.

nota-se que o mercado de trabalho tem sofrido grandes transformações nas últimas décadas. 2010). Uruguai e Irã (SEBRAE. 21. essa é uma das razões que fazem os empreendedores iniciarem seus negócios. pois ainda não foram divulgadas todas as informações da edição de 2009. com 15. A TEA é formada pela proporção de pessoas com idade entre 18 e 64 anos envolvidas com empreendimentos em estágio inicial ou com menos de 42 meses de existência. Isso reforça que o Brasil é um país de alta capacidade empreendedora e que na média entre 2001 e 2008 o brasileiro é 75. o Brasil ficou na frente de países como Argentina.3%. A taxa brasileira está acima da média histórica do país. e mais de 180 mil pessoas no mundo. refletindo -se na forma de organização das empresas. de todas as regiões brasileiras. em 2009. De forma global. A motivação para iniciar uma atividade empreendedora é um dos temas relevantes para a pesquisa GEM. o que equivale a 18. A seguir são apresentadas as taxas de evolução dos empreendedores iniciais entre 2001 a 2008. selecionados por meio de amostra probabilística. a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial-TEA brasileira é a sexta maior entre os países com nível comparável de desenvolvimento econômico. Em 2008. entre 18 e 64 anos. . principalmente para se conhecer melhor a natureza do empreendedorismo em países em desenvolvimento. que é de 13%.58% mais empreendedor que os outros (SEBRAE.47%. Para compor a pesquisa no Brasil. a taxa foi de 12%. 2010). Entre os anos de 2000 a 2009 foram entrevistados no Brasil. conta ainda com opiniões de 36 especialistas brasileiros. que tem nível de confiança de 95% e erro amostral de 1.9 mil adultos.25%. por exemplo.25 demais países GEM de apenas 7. 2010). Na décima edição da pesquisa no país.8 milhões de pessoas (SEBRAE. foram entrevistados 2 mil indivíduos de idade adulta. Em 2009. A pesquisa.

observou-se uma inversão na proporção entre os empreendedores nascentes com relação aos empreendedores novos.26 FONTE: Pesquisa GEM 2001 a 2008. FIGURA 1 – EVOLUÇÃO DA TA XA DE EMPREE NDEDORES INICIA IS (TEA ) BRAS ILE IRA EM COMPA RAÇÃO COM A MÉDIA DOS PA ÍSES PARTICIPANTES DO GEM DE 2001 A 2008 Considerando a evolução da taxa de empreendedorismo nascente em relação à taxa de empreendedores novos (figura 2). a atividade empreendedora demonstra um aumento do tempo de duração que auxilia significativamente o conjunto da economia tanto do ponto de vista da atividade quanto o da renda. conforme a figura 3. se tinha 65% de empreendedores nascentes para 35% de empreendedores novos. e em 2008 há 24% de empreendedores nascentes para 76% de empreendedores novos. Nesse sentido. . A seguir. as figuras 2 e 3 mostram a evolução dos empreendimentos iniciais e sua proporção dentro do período de 2001 a 2008. Em 2001. no período de 2001 a 2008.

Paulo Okamotto. mais importante do que verificar isoladamente a taxa de empreendedorismo. EMP REENDEDORES NAS CENTES E EMPREENDE DORES NOV OS DO BRAS IL DE 2001 A 2008 FONTE: Pesquisa GEM 2001 a 2008 . FIGURA 3 – EVOLUÇÃO DAS PROP ORÇÕES DOS EMPREENDEDORES NASCE NTES E NOVOS DO BRAS IL DE 2001 A 2008 De acordo com a matéria da Revista Época (2010). o GEM também tem papel fundamental por analisar questões . FIGURA 2 – EVOLUÇÃ O DOS EMPREE NDE DORES INICIA IS. para o presidente do SEBRAE.27 FONTE: Pesquisa GEM 2001 a 2008.

Nos outros anos. ou seja.3%. em geral.5%. Através de dados de pesquisa.5 Empreendedorismo: Oportunidade x Necessidade Empreendedorismo por oportunidade ocorre quando o indivíduo identifica uma oportunidade de negócio. nas idades de 18 e 34 anos. esta última taxa se mantém inalterada em toda a série histórica do estudo. motivação para empreender e recortes por gênero e faixa etária. “Observamos que em termos quantitativos o Brasil vai muito bem. atingindo 52. 20.8% estão na faixa de 18 a 24 anos enquanto 31. O presidente do SEBRE aproveita para destacar a evolução do empreendedorismo no Brasil nos últimos anos. “Flagramos melhorias como a redução na mortalidade das empresas. Do total de empreendedores.7% encontram-se entre 25 e 34 anos. Ao analisar isoladamente os números. avalia Okamotto. Empreendedorismo por necessidade ocorre quando o indivíduo sente-se forçado a iniciar o próprio negócio por não haver outras opções de trabalho ou por estar insatisfeito com as condições do trabalho existentes. escolhe o empreendimento dentre as diversas e possíveis opções existentes no mercado. o aumento das capacitações dos trabalhadores e o surgimento de um ambiente mais propício aos novos negócios a partir da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa”. demanda menos recursos e um nível menor de serviços devido a sua baixa sofisticação operacional e tecnológica. 2. A GEM 2009 demonstra também que a população empreendedora brasileira está concentrada entre os jovens. A próxima subseção abordará o tema das diferenças entre empreendedorismo por oportunidade e empreendedorismo por necessidade. mas ainda precisamos melhorar em termos qualitativos”.28 como nível de inovação. E. demonstrando que é nesta faixa que se concentra a maior parte dos empreendedores brasileiros. o empreendedorismo por necessidade superou o índice de empreendedorismo por oportunidade. A menor taxa ficou entre os adultos de 55 a 64 anos. o empreendedorismo motivado por oportunidade teve crescimento significativo em relação ao empreendedorismo motivado por . apenas no ano de 2002. O que tem crescido mais atualmente e o que realmente motiva cada empreendedor por essa escolha. com representa tividade de 4. assinala.

Para que isso ocorra. econômico e inovativo. pode ter mais persistência e segurança no que faz ou irá fazer. do empreendedorismo por necessidade para o empreendedorismo por oportunidade. Isso demonstra que o mercado brasileiro está possibilitando a implementação de novos empreendimentos e o empreendedor brasileiro está identificando essa oportunidade e investindo em novos segmentos. de um dia para o out ro. relacionadas à educação. Já foi a proporção inversa. O principal alvo do SEBRAE está justamente no empreendedor por oportunidade. a capacitação gerencial. por exemplo. O quadro 3 detalha um pouco mais as diferenças entre empreendedorismo por oportunidade e empreendedorismo por necessidade: OPORTUNIDADE Usam de habilidade para enxergar o negócio atraente Têm uma hora certa. que normalmente envolvem maior risco e requerem mais recursos. Especialistas consultados pelo GEM acreditam que a desoneração fiscal e trabalhista. linhas adequadas de crédito. portanto. Um dos destaques da pesquisa GEM 2008. no entanto. Em 2008. Os empreendedores por necessidade. oportuna São ideias que agregam valor a um produto ou serviço É sempre analisado onde poucos enxergam Fonte: elaboração da autora NECESSIDADE Enxergam como a forma de sair da qualificação de empregado Utilizam como forma de sustento Não procuram pesquisar um pouco mais se o negócio já existe Não procuram se capacitar antes de arriscarem Quadro 3 – Oportunidade x Necessidade De acordo com Greco (apud IBQP. 2009): É impossível saltar. é a melhoria observada entre empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. são necessárias medidas de caráter estrutural e. de longo prazo. e esse dado é extremamente promissor.29 necessidade. não podem . pela opção escolhida. que. foram registrados dois empreendedores por oportunidade para cada empreendedor por necessidade. em particular para as atividades associadas a processos de inovação. capacitação e apoio institucional e de infraestrutura são fundamentais para o fortalecimento do empreendedorismo no país. ao desenvolvimento tecnológico.

A seguir a subseção detalhará um pouco desse fenômeno empreendedorismo feminino. p.4% são mulheres e 46. Sobre este aspecto.6%. é comum ouvir jovens empreendedores falando que suas ideias são únicas e que não existem concorrentes. O SEBRAE tem investido fortemente para disponibilizar conhecimento e informação a um número cada vez maior de empreendedores. pois envolvem riscos e precisarão de recursos. o estudo da pesquisa GEM 2009. De acordo com Dornelas (2008). vieram muitas responsabilidades: As condições de independência adquiridas pela mulher vão além da Revolução Feminista de 1969. 36). Nunca poderão pensar racionalmente e procurar ajuda para esclarecimento. homens. constatou que dos empreendedores por oportunidade 53. na maioria das vezes. precisam ainda mais de apoio e capacitação. como aponta a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . As brasileiras estão praticando um empreendedorismo cada vez mais planejado e consistente. pois isso o levará a perceber a diferença de ideias e oportunidades. muitas vezes. Raposo e Astoni (2007) ressaltam que foi importante a iniciativa das mulheres em reivindicar seus direitos. isso mostra como as mulheres estão identificando mais do que normalmente querendo empreender por necessidade. como iniciou e como atualmente se comporta dentro de um cenário inicialmente feito para homens.30 ser esquecidos e. A atual conjuntura econômica empurra a mulher a auxiliar nas questões financeiras da família. É muito importante que o empreendedor teste sua ideia ou fale sobre o seu negócio com pessoas mais experientes ou com clientes em potencial. Esse tipo de comportamento pode levar o empreendedor a acreditar que possui algo espetacular e será levado pela paixão e não pela razão. 2007. ASTONI. . a chefe da casa. quando várias mulheres protestantes queimaram peças íntimas em praça pública.IBGE (RAPOS O. tornando se. mas que através dessa atitude. e os resultados desse trabalho são na grande maioria gratificantes.6 Empreendedorismo Feminino Analisando a questão da independência da mulher. 2.

seja na expansão nos níveis educacionais ou na maior oferta de cursos superiores. Qual foi o fator impulsionador daquela Revolução? Simples: a competência. ainda. Mas a realidade hoje é outra: pode-se verificar uma mudança no comportamento das mulheres. obstáculos aos planos de ascensão a cargos de chefia.31 Ao longo da história da humanidade. afora isso. a das mulheres aumentou 43%. mas sim para competir em igualdade com os mesmos (CATARDO. durante os anos 1990. não para se assimilarem aos homens. E. diferenciais de rendimentos entre os dois sexos. o papel da mulher na sociedade foi sempre bem definido: dona de casa. etc. são vários os dados que endossam essa tendência de igualdade: 54% dos médicos e 50% dos advogados são mulheres. A participação feminina no mercado de trabalho cresceu significativamente nas últimas décadas e dados estatísticos mostram que as mulheres estão presentes em todos os segmentos e classes empresariais. 2005). já as empreendedoras abandonam a antiga ocupação com alguma frustração e assim passa a ser uma busca pessoal e não apenas profissional. 29% dos juízes também pertencem ao sexo feminino. enquanto a renda média dos homens aumentou 19%. as mulheres diferem em termos de motivação. Mesmo as características de empreendedores e empreendedoras sejam semelhantes. ambos possuem o mesmo interesse e experiência no seu negócio. 2004) . Segundo dados do Endeavor Empreendedorismo (2004). assim como a Revolução Industrial se deu para os homens no século XX. especialmente em áreas como: sistema de apoio. não tendo direito de expressar suas vontades ou de realizar seus sonhos. (HISRICH. preparando-as e qualificandoas mais adequadamente para o mercado de trabalho (MUSSAK. a Revolução dos sexos está para a mulher hoje. Em geral. pode-se esperar. O processo inicial de um negócio também difere para homens e mulheres. entre outros. visivelmente. invariavelmente submissa aos pais ou ao marido. habilidades empresariais e histórico profissional. 2004). apresentando melhores indicadores. Segundo Mussak (2004). responsável pelo zelo e bem-estar dos filhos e da casa. visto que também a educação da parcela feminina vem. fontes de recursos e problemas. uma melhora nesses índices. mas os empreendedores normalmente se inserem em algo relacionado ao seu emprego anterior ou até mesmo complementam o mesmo. apesar de ainda existirem desigualdades de oportunidades no mundo do trabalho.

quase sempre em área de prestação de serviços. elas ganham menos por trabalharem menos horas e por interromper a carreiras mais vezes. O histórico de mulheres e homens geralmente é semelhante. . deixando a vida pessoal de lado e conciliando um pouco mais tarde. Mesmo as mulheres ficando em desvantagem quanto à parte administrativa. entre trabalhadores com alto nível de educação. mesmo tendo experiência no campo dos seus empreendimentos.32 As mulheres apontam seus maridos como primeira opção de grupos de apoio. ou seja. mesmo sofrendo dificuldades machistas. conselheiros externos como advogados ou contadores. Com certeza. Em termos de trabalho. entre outros aspectos. em segundo lugar ficam suas esposas. a metáfora de teto ou parede de vidro. por causa da família. Segundo um estudo publicado em 2009 pelo National Bureau of Economic Research (ONG americana que realiza pesquisas no campo da economia). onde deveria obter-se maior lealdade. com esse perfil pode-se perceber um pouco menos de confiança em aconselhamento dentro da própria casa. possuem uma forma de administrar com mais segurança. Quando elas passam a ser empreendedoras. Isso acontece porque elas têm outras prioridades que podem ser tão ou mais importantes do que o trabalho. os homens possuem tendências em fabricação. já a grande maioria das mulheres tem experiência administrativa limitada ao nível de administração intermediária. algo frágil que pode ser quebrado. em segundo os amigos e por ultimo os envolvidos no negócio. um pouco mais tardio devido à família e filhos. finanças ou áreas técnicas. ou quando mais cedo. alguns autores colocam as diferenças entre homens e mulheres. na maioria elas possuem uma habilidade bem distinta dos homens e vem a cada momento ganhando mais espaço dentro das empresas. o empreendedorismo é uma alternativa de muita importância para as mulheres para a inserção no mercado de trabalho. Vários autores costumam citar como exemplo a mulher enfrentando dificuldades no meio empresarial. Agora os homens escolhem como primeira opção. que as mulheres tendem a não serem tão obsessivas com a carreira como os homens. mesmo sendo mais flexíveis e mais tolerantes quanto a comportamento do que os homens. elas conseguem aos poucos um destaque na sociedade atual. sendo que a maioria das mulheres quando empreendem tem a faixa de 35 a 40 anos. As novas análises mostram.

O dado é referente ao ano de 2008 e foi divulgado pelo governo na Relação Anual de Informações Sociais (REVISTA ÉPOCA. Existem também as que fazem parte de outra estatística. É o que mostra uma pesquisa exclusiva encomendada à Sophia Mind. De acordo com um levantamento do banco Goldman Sachs. marido e mulher passam a se dedicar muito e isso torna a mulher um pouco dividida entre o trabalho e os filhos. O estudo Global Gender Gap Report (Relatório Global sobre a Diferença entre os Gêneros) é feito em 134 países. foi apresentada a última edição do ranking que mede a desigualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho. o Brasil perdeu nove posições e ocupa o 82º lugar. Durante o Fórum Econômico Mundial 2010. Apesar de dividirem o comando às vezes com o marido. Apesar de ganhar menos do que os homens. Essa porcentagem cai para 48% em onze grandes países em desenvolvimento. que permeia as relações de trabalho no país. em Davos.9% da que os homens com o mesmo grau de escolaridade. que diz respeito às mulheres no comando de empresas. As trabalhadoras ainda ganham menos. Pouco menos que a metade. é Sônia quem cuida da administração da empresa. na Suíça. elas ganham 57% do que eles ganham. O número é ligeiramente menor entre a faixa dos 31 a 40 anos de idade 33% ainda não dedicaram algum tempo ao assunto.33 Se a dedicação ao emprego for maior do que aos filhos e ao marido. as mulheres são tão indisciplinadas quanto eles quando o assunto é poupar. No Brasil. As diferenças salariais é uma forma de medir o tamanho da desigualdade entre homens e mulheres nas empresas. Neste ano. disseram não pensar na aposentadoria ainda. enquanto ele se ocupa com a criação dos produtos. 2010). no mundo. O Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) estima que 40% dos micro e pequenos empreendimentos hoje são gerenciados por elas. 40%. Normalmente quando decidem trabalhar juntos. O levantamento foi feito virtualmente com mais de 2 mil mulheres que moram em seis capitais brasileiras. consultoria recém-criada cuja especialização é o mundo feminino. explícita ou velada. Entre as mulheres que têm . a tendência é de que a mulher se sinta culpada por isso. A queda na classificação representa a discriminação. a remuneração das mulheres que têm nível superior completo representou 57.

Entretanto. Ou seja. ou ainda por estar desempregada. mostra o crescimento do desemprego dos chefes de família o que induz mais mulheres.3%). Segundo dados do SEBRAE (2010) as mulheres empreendedoras. ter sido demitida ou estar insatisfeita com a empresa em que trabalhava (13%). São vários os fatores que influenciaram nesse crescimento: importante desempenho apresentado por empresas geridas por mulheres. (HISRICH. os homens também se tornam mais assíduos. O estudo alerta que os indicadores não melhoraram nas empresas em que elas são colocadas em determinados postos por meio de sistema de cotas. representatividade da força de trabalho feminino. bem como a intensificação da competitividade econômica e o constante aumento na taxa de desemprego (MACHADO. 2002). 2004). As mulheres gostam mais de trabalhar em grupo e isso vem sendo um grande diferencial do comportamento feminino . levando as mulheres com empreendimentos de menor porte e consequentemente ao um menor lucro líquido. de acordo com o motivo pelo qual adentraram no ramo do empreendedorismo. pode-se classificá-las em empreendedoras por acaso. pois na área de crescimento mais acelerado na economia é na prestação de serviços e isso leva às empreendedoras femininas um melhor resultado. em . apontaram como principais as seguintes razões: identificação de uma oportunidade de negócios (62. controle e fiscalização. experiência anterior (30. 43% ainda estão avaliando como vão se preparar para a aposentadoria. elas são muito mais assíduas a reuniões de conselho e tendem a participar mais de comitês de monitoramento. Devido a algumas transformações da estrutura familiar.34 entre 41 e 50 anos. Entre altos executivos. Com a presença de mulheres nessas instâncias.1%). um comportamento positivo das executivas contagia os colegas de trabalho. Assim. nos EUA. o resultado não é bom se a inclusão de mulheres no alto escalão for forçada. empreendedoras forçadas ou ainda empreendedoras criadoras. quando indagadas dos motivos que as levaram a abrir um negócio por conta própria. Mesmo com essas diferenças as oportunidades para as mulheres são maiores do que para os homens. Os negócios iniciados por homens e mulheres diferem em termos da natureza do empreendimento. concluiu um estudo publicado em 2009 no Journal of Financial Economics da Universidade Rochester.

esse crescimento ocorre devido ao aumento da participação do setor de comércio e serviços no total do PIB brasileiro. setor em que as mulheres respondem por dois terços dos novos negócios. Segundo Barboza (apud IBQP. que é a preocupação vinculada à constituição de uma família (ANDREOLI. Reconhecida pela sua força. De acordo com Jonathan (2005) as mulheres empreendedoras caracterizamse por serem destemidas. Uma das novidades do estudo é que pela primeira vez a proporção de mulheres empreendendo por oportunidade supera a de homens na mesma condição. Esse é o resultado que mostra a mais nova edição da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. o GEM 2009. o que representa cerca de 5. apaixonadas e identificadas com seus empreendimentos. Dos 18. o número de mulheres indicadas como “chefe de família” aumentou 79%. e Guatemala. quando essa variação em relação aos homens foi de apenas 25%. 53% são mulheres e 47%.5 milhões de mulheres empreendedoras em estágio inicial (IBQP. 2. A subseção a seguir trará o que as mulheres enfrentam para tornarem-se mulheres empreendedoras de sucesso. com 54%. maridos ou filhos.61% das entrevistadas. o empreendedorismo feminino do Brasil foi o décimo mais atuante no mundo. além do Brasil. Pode-se dizer que um dos motivos para que isso ocorra é porque as mulheres carregam consigo um peso adicional. a ingressar na força de trabalho buscando complementar o orçamento familiar. entre 1996 e 2006. homens. 2007 apud MACHADO. apenas outros dois países registraram taxas de empreendedorismo feminino mais elevadas que as dos homens: Tonga. O Relatório GEM de 2007 mostra que.35 particular as casadas e com filhos.8 milhões de pessoas à frente de empreendimentos em estágio inicial ou com menos de 42 meses de existência no país. com 61%.7 Dificuldades Enfrentadas pelas Mulheres Empreendedoras As dificuldades mencionadas pelas mulheres empresárias estão geralmente relacionadas com os pais. 2002). Em 2008. autoconfiantes. . 2009). Em 2009. a mulher brasileira supera os homens no mundo dos negócios nos dados atuais. 2009). com taxa de 9.

fornecedores e acionistas. O terceiro e último mito é o de que as mulheres não criam empresas de alto potencial e boa rentabilidade. nos Estados Unidos. Assim mostra como as mulheres . a jornalista e psicóloga diz que elas querem recompensas não apenas financeiras. Percebe-se que essas dificuldades são oriundas de uma sociedade marcada por uma formação histórica predominantemente machista. No grupo de executivos estudados. que existem incontáveis exemplos de sucesso na indústria da tecnologia norte-americana que mostram o contrário. gostam de ser úteis e se preocupam com o efeito que causam nos outros. tais como: satisfação. um mito no mínimo contraditório. exigindo da mulher maior capacitação e um melhor empenho para a implementação e gerenciamento de um novo negócio (ANDREOLI. As mulheres parecem trabalhar para buscar algo mais do que dinheiro. vestimentas. segundo (ANDREOLI. é a crítica mais argumentada por parte das mulheres. as mulheres empreendedoras têm de lidar com vários mitos associados ao fato de serem mulheres.36 A falta de apoio seja por parte de seus familiares ou amigos (emocional). ou seja. demonstram que 88% das proprietárias de empresas foram suas fundadoras. já que. e apenas 12% correspondem a empresas familiares. mais masculino. chegaram a concluir que as mulheres estão menos inclinadas a negociar o salário com a chefia em busca de aumento. o hábito de negociar. bem-estar e sensação de colaborar com algo importante. Logo em seguida vem a descrença ou falta de confiabilidade por parte de clientes. mas também "intrínsecas". entre outras. Um deles é a crença de que as mulheres apenas criam empresas em áreas que lhes parecem familiares. 2004). as mulheres avisam quando estão saindo e homens esperam uma contraoferta. cosméticos. como as de produtos alimentícios. Na maioria. Elas têm interesses mais amplos. Também se fala muito que as mulheres com o cargo de liderança da empresa só o têm porque o herdaram de seus pais ou maridos. por especialistas. por parte dos bancos que inviabilizam a concessão de empréstimos (financeira). De acordo com algumas pesquisas realizadas relacionadas com a liderança feminina do Babson College. 2007 apud NAN LANGOWITS. reduziu em média 17 meses o tempo de espera até o próximo aumento ou promoção. 2007 apud MACHADO. Além dessas dificuldades mencionadas. Em "The sexual paradox". ou ainda o desmerecimento e/ou menosprezo sofrido por colegas de trabalho. Analisado o comportamento de um grupo de jornalistas. 2002).

Apesar de ser uma tarefa mais árdua para mulheres conciliar a vida pessoal e profissional. com mil mulheres entre 22 e 35 anos.37 conseguem enfrentar suas dificuldades com um pouco mais de equilíbrio emocional e são mais cautelosas quanto às suas mudanças. 94% afirmam que creem poder atingir uma vida profissional satisfatória e pessoal gratificante. um jeito de trabalhar feminino. os homens profissionais autônomos são mais propensos a trocar de clientes e ganham mais. de acordo com uma pesquisa publicada no ano passado pela London Business School. Quando trabalham como profissionais autônomas. E há exemplos de que elas estão certas. Os estudos mostram que há. as jovens acreditam cada vez mais que isso é possível. Por isso. Segundo pesquisa realizada pela Accenture. . No entanto. A seção seguinte abordará a metodologia escolhida para a realização desta pesquisa e como será a amostragem para a escolha da fonte que melhor conseguirá extrair das suas entrevistadas. as mulheres criam vínculos mais longos com seus clientes. Elas trocam de clientes com menor frequência do que seus concorrentes homens. são nas trocas que surgem os aumentos de remuneração. mostrando o porquê de seus empreendimentos serem mais suscetíveis a durabilidade e ao sucesso desejado. sim.

técnicas de observação de campo e . os qualitativos incluem rótulos ou nomes usados para identificar cada elemento. O método é apenas um meio de acesso (CERVO.38 3 METODOLOGIA A presente seção aborda os procedimentos metodológicos desenvolvidos para o estudo em questão. Essa investigação pode ser reforçada como uma pesquisa qualitativa por ter sido fundamentada em análises das transcrições das falas das entrevistadas em instrumentos de coleta de dados. Nas pesquisas qualitativas.23) “nas ciências. p. e a partir daí situe sua interpretação dos fenômenos estudados. ao longo do seu desenvolvimento. 2002). além disso. É através da inteligência e reflexão que se descobrem o que os fatos e os fenômenos realmente são. Ela costuma ser direcionada. e os eventos ao serem desvendados devem guiar o uso do método. utilizando-se um formulário de entrevista e um roteiro de entrevista. entende-se por método o conjunto de processos empregados na investigação e na demonstração da verdade”. não emprega instrumental estatístico para a análise de dados. Os quantitativos necessitam de valores numéricos. como. segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada. entrevistas estruturadas. Os dados podem ser classificados como quantitativos ou qualitativos.1 Pesquisa Qualitativa A pesquisa será de uma abordagem qualitativa. Para esta pesquisa. por sua vez. utilizaram-se algumas técnicas qualitativas. geralmente. Para Cervo e Bervian (2002. O objetivo do método científico é descobrir a realidade dos fatos. segue uma construção orientada para obtenção do máximo de confiabilidade da pesquisa científica. (ANDERSON. 2008). não busca enumerar ou medir eventos e. é frequente que o pesquisador procure entender os fenômenos. que. Primeiramente se faz importante que se conceituem métodos e técnicas para poder ter um melhor entendimento sobre metodologia. por exemplo. 3. O método escolhido foi qualitativo e no decorrer desta subseção será detalhado o método escolhido e todos os detalhes dessa construção. BERVIAN.

2 Técnica de Coleta de Dados A técnica escolhida para amostragem não probabilística foi a por julgamento. 3. valores. que visa a construção da realidade. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. Na próxima subseção será abordada qual técnica escolhida para o resultado da amostra. (ANDERSON. no entanto. por sua vez. Nesta pesquisa foi utilizado o método de pesquisa através de um roteiro com perguntas. pois a seleção é feita quando a pessoa conhece mais sobre o tema abordado. para Minayo (2007). É descritiva.39 análises de conteúdo. por fim. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. A metodologia de pesquisa. 1985). em que uma delas formula questões e a outra responde. 2008). a atividade básica da ciência na sua construção da realidade. 1991). Para a de coleta de dados em levantamentos são utilizadas as técnicas de interrogação: o roteiro de entrevista e o formulário como teste de avaliação. É uma maneira relativamente fácil. é o caminho do pensamento a ser seguido. significados e outros construtos profundos das relações que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem (LAKATOS. Entrevista. (ALVES. sendo desenvolvida uma entrevista estruturada e um teste de avaliação . A pesquisa é assim. mas que se preocupa com as ciências sociais em um nível de realidade que não pode ser quantificado. pode ser definido como a técnica de coleta em que o pesquisador formula questões previamente elaboradas e anota as respostas (GIL. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. pode ser entendida como uma técnica que envolve duas pessoas numa situação “face a face”. 2008). através da transcrição das mensagens captadas das entrevistadas. A pesquisa qualitativa. Ocupa um lugar central na teoria e trata-se basicamente do conjunto de técnicas a ser adotadas para construir uma realidade. Formulário. trabalhando com o universo de crenças. trata-se de uma atividade da ciência.

A coleta de dados para esta pesquisa obedeceu a duas situações. sendo da seguinte forma: . que deve ser alguém que tenha familiaridade com o tema pesquisado. A preparação da entrevista é uma das etapas mais importantes da pesquisa que requer tempo e exige alguns cuidados. a escolha do entrevistado. 1996). a preparação específica que consiste em organizar o roteiro ou formulário com as questões importantes (LAKATOS. que deve ter em vista o objetivo a ser alcançado. conforme sugere Leite (2004). as condições favoráveis que possam garantir ao entrevistado o segredo de suas confidências e de sua identidade e. visando obter das entrevistadas o que elas consideram os aspectos mais relevantes de determinado problema. Será aplicado um teste de avaliação de perfil empreendedor extraído do livro do Dornelas “Transformando idéias em negócios” – 2008 onde será feito um paralelo de acordo com as características empreendedoras do livro com as das entrevistadas. todas perguntas apenas de assinalar com um “X” na nota que mais se adequava a resposta. porém em duas etapas: 1ª Etapa – Teste de Avaliação – em que foi aplicada para todos as empreendedoras com escala de importância relacionadas para atribuição de notas de 1 a 5. a disponibilidade do entrevistado em fornecer a entrevista que deverá ser marcada com antecedência para que o pesquisador se assegure de que será recebido. entre eles destacam-se: o planejamento da entrevista. 1996). a oportunidade da entrevista. O principal motivo deste zelo é a possibilidade de comparação com o mesmo conjunto de perguntas e que as diferenças devem refletir diferenças entre os respondentes e não diferença nas perguntas (LODI. 2ª Etapa – Roteiro de Entrevista – que utilizou um roteiro também aplicado a todos os respondentes. ou seja. por fim. 1974 apud LAKATOS. As entrevistas estruturadas são elaboradas mediante questionário totalmente estruturado. é aquela onde as perguntas são previamente formuladas e tem-se o cuidado de não fugir delas.40 de perfil empreendedor extraído do livro do Dornelas (2008) com um universo de oito empreendedoras de Fortaleza. As perguntas foram preformuladas. sendo divididas quanto a algumas características onde as entrevistadas assinalavam a nota correspondente com apenas um “X”. explorado durante toda a entrevista. ou seja. O teste contendo 30 perguntas. sendo feitas durante o processo da entrevista.

Regular 4. Excelente Ao final do teste. na análise de desempenho dos dados.41 1. 90 a 119 pontos = considerado que possui características empreendedoras. As empreendedoras selecionadas foram de perfis de idade e classe sociais diferentes. A seguir será explanado o resultado da coleta de dados e a análise quanto aos resultados da pesquisa. . A pesquisa obterá os dados primários através de entrevistas contendo quinze perguntas com uma amostra de oito mulheres microempresárias ou empresárias de vários segmentos no estado do Ceará. mas pode melhorar com algumas atitudes. Bom 5. 60 a 89 pontos = ainda não é muito empreendedora. Menos de 59 pontos = deve reavaliar sua carreira. para que assim se pudesse intensificar a existência de semelhança de características que as tornaram empreendedoras de sucesso. Fraco 3. 2008) é feita a avaliação de acordo com a soma das notas: 120 a 150 pontos = considerado que já é uma empreendedora. Será aplicado um teste de avaliação de perfil empreendedor extraído do livro do Dornelas “Transformando idéias em negócios” – 2008 onde será feito um paralelo de acordo com as características empreendedoras do livro com as das entrevistadas. (DORNELAS. Insuficiente 2. pois não é empreendedor. mas precisa equilibrar os pontos ainda fracos com os pontos fortes. pois possui características comuns aos empreendedores.

esse resultado foi bem diferenciado. A próxima característica tratava da tolerância ao risco. outros bons e a minoria chegou a ser excelente. ambiguidade e incertezas relacionadas às perguntas 10 a 14. pois alguns deram regulares. . Mostra que elas realmente são apaixonadas pelo que fazem.42 4 RESULTADOS De acordo com o referencial teórico sobre a evolução do empreendedorismo no Brasil e principalmente nas diferenças entre o administrador e o empreendedor através dos dados analisados dentre a amostra pode ser avaliado que a grande maioria já pode ser considerada empreendedora de fato e algumas que possuem muitas características empreendedoras. de acordo com o autor Dornelas. Podese perceber que é uma das características em que muito se divergiu. O resultado quanto às características de comprometimento e determinação eram das perguntas 1 a 6 . no caso gostam de avaliar bem as oportunidade que surgem para elas. obteve -se a metade das entrevistadas o resultado bom e a outra metade excelente. Das perguntas 7 a 9 tratava-se da obsessão pelas oportunidades e quase por unanimidade as entrevistadas obtiveram o resultado bom. mas precisam equilibrar alguns pontos fracos aos pontos fortes para serem consideradas empreendedoras de fato. Os negócios das empreendedoras foram todos bem diferentes:  Loja de material de construção  Indústria de lingerie  Indústria de roupas femininas  Rede de lojas de bijuterias  Rede de lojas de sapatos  Boutique de multimarcas femininas  Gráfica  Loja de variedades em bairro Primeiramente será explorado junto ao referencial teórico o resultado do teste de avaliação de perfil empreendedor de acordo com a visão do Dornelas.

autoconfiança e habilidade de adaptação. pois sozinhas não poderão crescer. Nas cinco e últimas perguntas foi abordado o tema liderança e o resultado obtido foi a maioria com a nota 4-bom e apenas duas entrevistadas com a nota 5excelente. O próximo perfil explorado no teste das perguntas 20 a 26 foi motivação e superação. nesse as entrevistadas obtiveram o mesmo resultado com a nota 4 – bom. as demais obtiveram a somatória superior a 120 pontos.43 Os itens 15 a 19 abordaram a relação com a criatividade. Com isso pode-se concluir que todas as entrevistadas são consideradas empreendedoras e possuem o perfil traçado por Dornelas. Esse perfil é muito importante. quatro obtiveram a somatória abaixo de 119 pontos e por coincidência. pode ser percebido que a maioria obteve o resultado bom e apenas duas das entrevistadas deram o resultado regular. Esse perfil de liderança é de muita valia para que elas possam desenvolver equipes e consigam o sucesso esperado. respondendo ao primeiro objetivo específico da pesquisa. elas devem ser as primeiras em motivação para que seus colaboradores sejam também. duas delas obtiveram a mesma de 113 pontos. pois sendo empreendedoras. As principais características da amostra pesquisada através do teste e das respostas de algumas perguntas do empreendedoras são:  Otimistas  Líderes  Apaixonadas pelo que fazem  Assumem riscos calculados  Autoconfiantes  Criativas  Determinadas  Comprometidas roteiro da entrevista foram que as . caso seja necessário. Da amostra das entrevistadas. Pode se concluir que as empreendedoras possuem autoconfiança e bastante criatividade para se reinventarem.

D e H por oportunidade. nunca gostei de pedir nada nem a meus pais. sabe-se se foi por necessidade ou oportunidade. F e G foram por necessidade e as C. pai que eram empresários.44 O histórico dessas mulheres foram dentro da área do segmento atual. ele sempre foi um ícone para mim. acompanhando o trabalho do meu pai. como a procura aumentou. a mercadoria agradou e eu tive que pedir minhas contas para ajudar na produção das peças. Entrevistada A Houve sim. Entrevistada H A possibilidade de ter um horário mais flexível depois que me casei e tive filhos e a necessidade do meu marido em ter uma pessoa de confiança e que entendesse do financeiro na empresa. sempre batalhei muito para conseguir as minhas coisas. De acordo com Filion (1991) no . desde criança. Entrevistada B Dinamismo do meu pai. Entrevistada F A vontade de proporcionar uma vida mais confortável aos meus filhos. outras em empregos fixos. precisei sair do meu emprego fixo e dedicar-me completamente ao novo negocio. algumas iniciando como autônomas. E desde pequena as minhas férias eram na empresa. na verdade eu fabricava as lingeries para aumentar a renda. outras dentro do negócio familiar e depois aconteceu o “disparo” para se tornarem empreendedoras. de acordo com algumas respostas. Uma das respostas obtidas: Necessidade de aumentar a renda da fam ília e incentivo de amigos e parentes. Entrevistada G Foi daí que houve o disparo. Segue a exploração dos próximos dados de acordo com a análise da entrevista. então para mim aquilo sempre foi a minha visão de futuro. A três primeiras perguntas foram importantes para se responder ao terceiro objetivo da pesquisa. Entrevistada B Pode ser percebido claramente que as entrevistadas A. Entrevistada D A nossa empresa é familiar e desde pequena cresci na empresa. B. Entrevistada A A necessidade e o desejo de vencer. onde se questiona que fatores influenciaram para cada uma tornar-se empreendedora e. Entrevistada C Eu penso que foi o histórico familiar de avô.

Sendo assim. mas todas não fizeram nenhum planejamento antes da abertura e nem uma pesquisa de mercado. certamente moldará os tipos de visão inicial que um empreendedor possa vir a ter. montando um plano de negócios. seja ela financeira ou mesmo de horário de trabalho. o estudo da pesquisa GEM 2009. As entrevistadas A. A entrevistada relata que por necessidade de flexibilidade de horário e novamente se encontra a questão da independência. Um das entrevistadas colocou o seguinte conselho para quem q uer empreender: Confesso que não tenho muita habilidade em dar conselhos a esse respeito. procurar conhecimento e etc. Todas as entrevistadas possuem certo tempo de negócio variando de 10 a 30 anos. Entrevistada H . B e G trazem a necessidade de abrir seu próprio negócio de acordo com o perfil abordado por Dornelas (2008) que são independentes e constroem o próprio negócio. visite em várias cidades negócios semelhantes no Brasil e fora do Brasil. pois com as oscilações em relação ao mercado não nos permite uma boa margem de acerto. homens. pois o empreendedor que montar seu negócio por oportunidade terá mais chance de permanecer no mercado. Como elas não abriram o negócio recentemente.4% são mulheres e 46. A família. testes cegos).6%. por exemplo. se confirma de acordo com os dados sobre este aspecto. Sendo que na pergunta 13. e ainda assim questione com todos seus amigos e família. pesquise. não querem ser empregados e querem criar algo novo.45 referencial teórico relata que a rede de contatos parece ser o fator mais influente para explicar a evolução da visão. as empreendedoras C e D mostram de forma precisa que desenvolveram a visão empreendedora para enxergar a oportunidade da abertura do negócio. buscando inovações para criar negócios diferenciados. Entrevistada B Contrate uma ótima consultoria e faça um estudo completo de viabilidade do negócio (pesquisa de mercado. mas aconselho que estude. leia o livro Vendas 3. isso mostra como as mulheres estão identificando mais do que normalmente. constatou que dos empreendedores por oportunidade 53. que pede a elas o aconselhariam as novas empreendedoras.0 e faça todos os exemplos sugeridos em seus futuros produtos. querendo empreender por necessidade. todas colocaram que deveriam pesquisar e entender mais do negócio. podendo assim ser mais independentes e gerar empregos.

transpareceram com muito otimismo e apesar do Estado ser polo . já as que foram por necessidade passaram a adquirir conhecimento posteriormente. me agregam sempre.46 A amostra respondeu ao terceiro objetivo específico de forma bem clara que algumas foram por oportunidade e outras por necessidade e que em tempos atrás o empreendedorismo por necessidade tinha maiores taxas e que atualmente é que esses dados mudaram e as próprias já identificam isso como um fator muito importante. De acordo com o período que as mulheres passaram a ser empreendedoras se adéquam a alguns dados do referencial teórico. durante os anos 1990. segundo dados do Endeavor Empreendedorismo (2004). Que hoje quem tiver vontade de tornar-se empreendedora em Fortaleza deve fazer um bom plano de negócios para que não venha a falir. As que abriram por oportunidade responderam que sim. Entrevistada D Não. foram analisadas através de três perguntas que fizeram com que as entrevistadas respondessem o que realmente enfrentaram ou até mesmo q ue enfrentam. só depois concluí o segundo grau através de supletivo e em 2005 iniciei minha faculdade. Algumas destacaram da seguinte forma: Muito! Uso muito que aprendi na faculdade e em principal no MBA de gestão. Quando as entrevistadas abordaram sobre a competitividade do mercado de Fortaleza. nessa época. afora isso. Em relação ao segundo objetivo específico. Com o crescimento do Estado. o consumidor tornou-se mais especialista e não é tolerante com a falta de capacitação em alguns aspectos. Entrevistada B Através desses dados pode ser visto como a partir da evolução do empreendedorismo feminino elas tiveram a visão de se aperfeiçoarem para o mercado atual. Penso que todos os cursos que fiz complementares. enquanto a renda média dos homens aumentou 19%. são vários os dados que endossam essa tendência de igualdade. há 25 anos eu só tinha o primeiro grau. a das mulheres aumentou 43%. que precisa identificar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras no mercado competitivo de Fortaleza. pois o mercado tornou-se mais exigente. No roteiro da entrevista consta uma pergunta sobre o g rau de escolaridade. se houve ajuda ou não para a abertura do negócio.

e o negativo é a falta de tempo para família. Realmente passa ser algo muito pessoal. devido ao tempo que ficou pouco. fez com que meu marido e eu nós tornássemos mais unidos e com objetivos em comum. ambos possuem o mesmo interesse e experiência no seu negócio. Entrevistada F . Seguem abaixo alguns dos relatos: Com muito otimismo. mas os empreendedores normalmente se inserem em algo relacionado ao seu emprego anterior ou até mesmo complementam o mesmo. pois todas colocam que amam o que fazem. quando a cidade ainda era meio provinciana. mas a nível Brasil e até internacional. e como negativo tem a questão do tempo que precisa ser dedicado. brincar com elas e nisso tudo estar sempre disposta a ser companheira do esposo! Super mulher. 2004). com o crescimento da cidade e com a informatização. as empreendedoras de acordo com o referencial abordado: em geral. seja ele: produto. Por outro lado. Tinha muito peixe grande que se aproveitava das influências e conseguia muita informação privilegiada. por serem empreendedoras. pois o que nos motiva a melhorar como empreendedoras é a concorrência. e chegaram até contar com a fé em Deus. Entrevistada A Afeta em principal os meus filhos que precisam se adaptar à ausência e se tornarem mais cedo independentes. as coisas estão mais equiparáveis. não só de Fortaleza. A maioria destacou: O lado positivo é ver suas ideias serem colocadas em práticas. fizeram o dever. elas apostam no diferencial. porém. Entrevistada D O positivo é que nos tornamos independentes.47 crescente. tecnologia. chegar a casa e verificar se as crianças comeram. Hoje. Entrevistada B Já foi pior. tomando muita vitamina e fazendo atividade física (6:00) para ter condicionamento. o que afeta muitas vezes o dia a dia da fam ília. É exaustivo trabalhar mais que a carga horária. qualidade no atendimento. já as empreendedoras abandonam a antiga ocupação com alguma frustração e assim passa a ser uma busca pessoal e não apenas profissional. (HISRICH. Precisamos estar sempre atentos ao mercado. principalmente quem trabalha com moda. quando foi visto quais pontos negativos ou o que afetou em sua vida familiar. Entrevistada F Ainda com algumas diferenças entre os homens. Entrevistada G De certa forma me afastou um pouco dos meus pais e irmãs.

mas nessa época a minha outra irmã já estava conosco e foi aí que ela mostrou sua habilidade com financeiro e negociação. pois precisava esperar vender.Entrevistada E No início eu não tinha noção do comércio. de acordo com Jonathan (2005) as mulheres empreendedoras caracterizam-se por serem destemidas. apaixonadas e identificadas com seus empreendimentos. acabou achando uma saída que nos tirou do aperto. Entrevistada A Foi quando o presidente Collor confiscou nosso dinheiro. autoconfiantes. Todas colocaram que se identificam muito com os seus negócios e que lutam para continuarem a crescer. Tais como: A principal dificuldade foi o crédito e o capital de giro. ficamos desesperadas. receber para poder comprar novas matérias-primas e produzir novamente. como amam o que fazem. Já colocado no referencial sobre como as mulheres encaram a questão da maternidade. mas as demais tiveram no decorrer do negócio e enxergaram de forma um pouco negativa essa ausência com os filhos. logo justificam com esse perfil. um pouco mais tardio devido à família e filhos. Porém. Como isso chega a afetar o convívio familiar e chega a gerar desconforto por parte dos homens com relação às mulheres no mercado de trabalho. Entrevistada C . Entrevistada B Financeira do mercado. e fui aprendendo tudo no dia a dia. No caso da amostra coletada. e após dois anos (depois) resolvi contratar uma consultoria. ou quando mais cedo deixando a vida pessoal de lado e conciliando um pouco mais tarde. apenas uma das empreendedoras não possui filhos. ou seja. abrindo novos fornecedores e conseguindo prazos maiores. se adequando à realidade do mercado.48 De acordo com os relatos acima percebe-se como as mulheres empreendedoras lidam com essas questões até mais pessoais do que profissionais. Enfrentamos diminuindo os custos. Outros tipos de dificuldades elas também enfrentaram e até hoje. algumas enfrentam dentro do mercado. Conforme abordado no referencial sobre isso. q ue a maioria das mulheres quando empreende está na faixa de 35 a 40 anos. Foi percebido em alguns momentos da entrevista que algumas das entrevistadas se sensibilizaram quando foi abordada essa questão.

reconhecida pela sua força. com mil mulheres entre 22 e 35 anos. a mulher brasileira supera os homens no mundo dos negócios nos dados atuais. apenas duas não possuem sócio (a). Os dados obtidos através da pesquisa foram muito importantes e com isso pode-se obter as respostas a todos os objetivos específicos encerrando -se aqui a análise dos dados.49 A falta de capital de giro. as crises econômicas no período de inflação alta e as incertezas financeiras. 53% são mulheres e 47%.8 milhões de pessoas à frente de empreendimentos em estágio inicial ou com menos de 42 meses de existência no país. Dificuldades. fornecedores e fiscais de não gostarem de ser atendidos por uma mulher. As empreendedoras colocaram que seus sócios vieram a somar com suas habilidades e que foi de muita importância para o seu sucesso. nordestina. 94% afirmam que creem poder atingir uma vida . não. falta de experiência e até mesmo das crises nacionais em determinados períodos. principalmente por ter começado muito nova. ou melhor. as maiores dificuldades foram as financeiras. que foram superadas com muito sacrifício por parte dos dois e com a venda de alguns imóveis para passar pelos apertos dos primeiros anos. Outro detalhe é que das empreendedoras entrevistadas. segundo pesquisa realizada pela Accenture. Entrevistada F De acordo com os relatos das empreendedoras. De acordo com o relatado anteriormente no referencial teórico sobre a satisfação das mulheres. Dos 18. Entrevistada F Por ser mulher sofri muito no início. homens. A última pergunta do roteiro é sobre o tema do preconceito por serem mulheres e foi surpreendente. as demais ou iniciaram com sociedade ou vieram a adquirir no decorrer da trajetória. mais uma vez. Entrevistada D As demais empreendedoras relataram que não sofreram nenhum tipo de preconceito por serem mulheres e donas de um negócio próprio. pela falta de capital de giro. O que se pode perceber é que até mesmo as que pouco sabiam lidar com aqueles fatores conseguiram uma saída mostrando. até acho que ser mulher ajuda muitas vezes. de alguns clientes. mas o maior preconceito que sinto hoje é por ser cearense. que possuem muita garra e determinação para enfrentar as dificuldades do mercado diariamente. De acordo com os dados do GEM 2009. pois apenas duas das entrevistas colocaram que sim. com as seguintes declarações: Preconceito sim.

E há exemplos de que elas estão certas.50 profissional satisfatória e pessoal gratificante. . inclusive dentro da amostra feita nesse estudo.

considerou-se como este perfil é bem semelhante dentro da amostra analisada. paixão pelo que fazem. Essa monografia estabeleceu três objetivos específicos e conseguiu obter respostas para todos.51 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho se desenvolveu com a problemática de analisar o perfil empreendedor da mulher em Fortaleza e identificar qual o grau de adequação desse perfil às condições do mercado competitivo. criatividade. O segundo objetivo específico seria identificar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras no mercado competitivo de Fortaleza e de acordo com a análise dos resultados. otimismo. coragem. Já as que não possuíram esse perfil tornaram-se por necessidade e nenhuma delas fez planejamento. Nenhuma se mostrou com nenhuma preocupação com a competitividade do mercado e sim em evoluir sempre para continuarem firmes em seus negócios. O primeiro objetivo específico seria identificar as principais características empreendedoras das mulheres no mercado de Fortaleza. continuam apostando no diferencial na qualidade nos produtos e atendimento. resolveram abrir seus negócios por experiências anteriores ou por gostarem do negócio como um . todas transpareceram com muito otimismo e apesar do Estado possuir muita concorrência. inovando e aperfeiçoando o mundo dos negócios. Dentro deste contexto. com muito otimismo. foi identificado que algumas foram por necessidade e outras por oportunidade. assumem riscos calculados. Constatou-se que as mulheres entrevistadas possuem grande capacidade empreendedora. As entrevistadas que tiveram uma condição financeira mais favorável e influência de familiares empreendedores tornaram-se por oportunidade. De acordo com os resultados da amostra foram identificadas como as principais: determinação. tão escassos e concorridos nos dias de hoje. fornecendo assim importante fomento para crescimento econômico. sendo responsáveis por uma diversidade na forma de gerenciamento de empresas e por um aumento na oferta de empregos. na tecnologia e com muita fé em Deus. amam o que fazem e a cada momento estão inovando para continuarem obtendo sucesso. O terceiro e último objetivo específico seria para descobrir dentro da amostra se houve empreendedorismo por necessidade ou por oportunidade.

pois trazem informações que viabilizam um melhor direcionamento no processo de formação de um negócio. Foi necessário lembrá-las e explicar o grau de importância. Atualmente elas já deixaram como conselho para futuras empreendedoras que devem pesquisar e criar um plano de negócio.52 todo. . onde ela entra em conflito sobre a vida profissional e a vida pessoal. Acredita-se que os resultados do estudo constituem info rmações relevantes para os alunos do curso de administração e para as futuras empreendedoras . Sugerem-se futuras pesquisas sobre uma abordagem mais específica da mulher empreendedora. Houve limitações na pesquisa quanto à disponibilidade das empreendedoras para aplicação do roteiro de perguntas.

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org. Jessé (org. in SOUZA. “Weber e a interpretação do Brasil”. Luis Werneck. Jeffry A. M. Luiz. 187p.). The Entrepreneurial Mind. Andover.br/documents/BR/library/MulheresEmpreendedoras-pdf.: The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism. London. Endeavor Empreendedorismo.55 Brochers. WEBER. Massachussetts: Brick House Publishing Company. Brasília: Universidade de Brasília. O malandro e o protestante: a tese weberiana e a singularidade cultural brasileira. 1999. 1942. WEVER. 1930. VIANNA. Disponível em: <http://www.endeavor. THIMMONS. Mulher empreendedora: pronta para encarar os novos desafios.1989. .

Alguém da sua família é empreendedor (a)? 3. Você fez algum tipo de planejamento para a abertura do negócio? 7. dona de um próprio negócio? MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO! . Quais seus pontos fortes e pontos a melhorar como empreendedora? 10. Quais conselhos daria a alguém que pretende abrir um negócio? 14. Quais as maiores dificuldades enfrentadas no negócio e como foram superadas? 11. Que fatores a influenciaram a se tornar empreendedora? 2. Você já sofreu ou sofre algum tipo de preconceito ou dificuldades por ser mulher.56 FACULDADE SETE DE SETEMBRO – FA7 CURSO GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS APÊNDICE I ROTEIRO DE ENTREVISTA ENTREVISTA – MONOGRAFIA Data da Entrevista ___/___/___ Idade: ___________________ Nome da Empresa:________________________________________ Entrevistada: ____________________________________________ Função: ________________________________________________ 1. Como você encara o mercado competitivo de Fortaleza? 15. Qual experiência profissional teve antes de tornar-se empreendedora? 8. A sua formação (faculdade/curso/colégio) foi importante para a abertura do negócio? 5. Qual é o lado positivo e negativo de ser empreendedora? 13. Como sua carreira afetou sua vida familiar? 12. Como identificou a oportunidade do negócio? 6. Houve algum evento de “disparo” para iniciar o negócio? (Demissão? Insatisfação no trabalho? Outros?) 4. Você iniciou sozinha ou com sociedade? Caso tenha sido com sócios: eles completaram suas habilidades para tocarem o negócio? 9.

É proativo na tomada de decisão 2. Tolera as incert ezas e falta de estrutura 13. Procura ter conheciment o profundo das necessidades do cliente 8. É persistente ao resolver problemas 5. É obcecado por criar valor e satisfazer os clientes 10.MONOGRAFIA Data da Entrevista ___/___/___ Idade: ___________________ Nome da Empresa:________________________________________ Entrevistada: ____________________________________________ Função: ________________________________________________  Assinale com um único “X” a opção que mais se adequar ao seu perfil e atribua a nota à pontuação correspondente de cada opção. É hábil em resolver problemas e integrar soluções 15. Tem disciplina e dedicação 4. É tenaz e obstinado 3. Tolera o estresse e conflitos 14. Excelente 5 Bom 4 Regular 3 Fraco 2 Insuficiente 1 Nota . Procura minimizar os riscos 12. Não é convencional. Corre riscos calculados (analisa tudo antes de agir) 11. É capaz de imersão total nas atividades que desenvolve 7. É dirigido pelo mercado 9. Características 1. É disposto ao sacrifício para atingir metas 6. tem cabeça aberta.57 FACULDADE SETE DE SETEMBRO – FA7 CURSO GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS APÊNDICE II AVALIAÇÃO DO PERFIL EMPREENDEDOR (A) .

Tem iniciativa 27. Transmite integridade e confiabilidade 29. É ciente de suas fraquezas e forças 25. Tem poder de autocont role 28. Tem senso de humor e procura estar animado 26. É dirigido pela necessidade de crescer e atingir melhores res ultados 22. É hábil em definir conceitos e detalhar ideias 20. É hábil em se adapt ar a novas situações 18. É paciente e sabe ouvir 30. Não se conforma com o status quo 17. Tem aut oconfiança 24.58 pensa 16. Sabe construir times e trabalhar em equipe TOTAL MUITO OBRIGADA POR SUA COLABORAÇÃO! . Não se preocupa com status e poder 23. É orientado para metas e resultados 21. Não tem medo de falhar 19.