Revisto histórico... Alvor-Silves & Odemaia Janeiro de 2011. Volume 2, nº 1.

D. João II exige papagaio aos franceses

Quando a França praticou uma actividade corsária sobre um navio que vinha da Mina, D. João II decretou um embargo que não levantou até que fosse restituído um papagaio, que ainda faltava... Perguntado sobre a razão de tal severidade, D. João II terá respondido:

Melgueiro, Chack & Amundsen... Tormentas
(página 4)

Tiahuanaco e Baalbec

"Quero que se entenda, que a bandeira Portuguesa defende e protege, até um papagaio."
... outros tempos, outros governantes, menos papagaios!

(página 26)

(página 3)

Marco Polo, Anian e Mapas Chineses
(página 7)

Ebreus do Ebro

Uma pequena população em migração focada, mesmo em ritmo lento, pode deslocar-se sem dificuldade 100Km por ano... Sendo menos do que isso, desfocaria o seu propósito migratório. Ao fim de 40 anos falamos no mínimo em 4000Km. Um deserto com 4000Km, partindo do Egipto, e sem encontrar civilizações, apenas faz sentido a Ocidente. Nesta “estória”, Moisés teria escapado do Egipto com o propósito de atingir, não a península do Sinai, mas sim a península Ibérica, e mais além! Essa sim, seria a sua terra prometida...
(página 18)

Alvor-Silves 2 ... A relação do Português com o Latim 3 ... D. João II exige o papagaio aos franceses 4 ... Melgueiro, Chack & Amundsen... Tormentas 5 ... Brouscon: incompetência na América versus … 6 ... Mar Vermelho 7 ... Marco Polo, Anian e mapas chineses 9 ... A separação de poderes 11 ... Magos (3) 13 ... Haiti, a derrota da Hispaniola 15 ... Heliocentrismo e Evolucionismo (1) 18 ... Ebreus do Ebro 20 ... De Luanda e de Angola à contra-costa 22 ... Passarolas e Balões 24 ... Heliocentrismo e Evolucionismo (2) 26 ... Tiahuanaco e Baalbec Odemaia
28 ... Giroflé-Girofla, 29... Locomotiva Russa 30 ... e Vénus aqui tão perto, 31... A electricidade e a luz

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A relação do Português com o Latim

O Latim teve uma particularidade invulgar... sendo a língua oficial do Império Romano, e depois mantendo-se como língua documental durante toda a Idade Média, é e foi mantida como língua morta durante dois milénios. A questão da origem das línguas latinas com base no Latim foi colocada de forma acutilante pelo Cardeal Saraiva numa memória (Vol.9-pg.165) enviada à Academia das Ciências (1837): Em que se pretende mostrar, que a Lingua Portuguesa não he filha da Latina, nem esta foi em tempo algum a lingua vulgar dos Lusitanos.Colocamos aqui a imagem que antecipa o texto:

O Cardeal Saraiva acaba por recorrer aos argumentos mais simples, e encontra forte suporte nalguns dados documentais. O opúsculo de quarenta páginas é de fácil leitura e compreensão, mas foi e será certamente polémico, pois como é óbvio esbarrava com toda a teoria oficial. Saraiva foi uma figura marcante do liberalismo e teve o apoio do Duque de Palmela (Pedro Holstein). Curiosamente, é imediatamente a seguir à sua morte que eclode, no seu Minho natal, a revolta da Maria da Fonte. O seu nome marcante tem expressão num jornal local. Em poucas palavras, é óbvio que há semelhanças entre português, espanhol, italiano, francês... e romeno, mas isso não se justifica necessariamente pelo domínio romano. Como Saraiva argumenta, se tal fosse um requisito de ocupação, então toda a bacia mediterrânica não teria escapado a essa língua comum. Nada justificaria que os povos da península ibérica ou os gauleses abdicassem da sua língua anterior, a ponto de o basco ser a única excepção. A tese de Saraiva leva a uma justificação mais simples, a influência do Latim nestas línguas foi recíproca.

Haveria uma cultura de origem linguística comum que se estenderia pela "zona celta". A excepção romena pode acomodar a justificação oficial (deportação da população, e colonização romana), ou pode ainda reflectir a conexão mítica entre as civilizações do Mar Negro com a península ibérica. Os gregos não perderam a sua língua, e Saraiva cita as queixas de Cícero, dizendo que o grego era mais falado do que o latim, que reduzia a sua expressão à região natal do Lácio. Argumenta ainda que só uma pressão inusitada, ou um quase extermínio, poderia levar ao completo desaparecimento da língua. Dá o exemplo egípcio, que mantiveram a língua mesmo sob ocupação da dinastia Ptolomaica grega, e depois sob ocupação romana, tendo restado apenas a sua presença nos Coptas, após o longo domínio árabe. É mais evidente que no caso ibérico, a resistência linguística foi muito para além da presença árabe. Não haveria razão aparente para manter a tradição linguística romana, quando em documentos romanos se reconhece a presença de línguas locais. Saraiva invoca ainda Cícero para notar que já nesse tempo havia uma língua basca, muito diferente... a ponto de Cícero dizer que era mais próxima a cultura e língua gaulesa com a da Hispânia, do que com o povo que habitava a zona basca. Saraiva torna evidente que a situação linguística no tempo do Império Romano não seria muito diferente da que emergiu para os nossos dias. Mais, acrescenta que as tentativas de formalização linguística ocorridas durante o Renascimento, essas sim procuraram uma base rigorosa no Latim. Ou seja, a língua portuguesa (e as restantes) terão sofrido uma maior transformação voluntária posteriormente, no sentido de ganharem um corpo gramatical mais rigoroso. De facto, notamos essa influência gramatical no alemão, que guardou mais regras gramaticais romanas do que o próprio italiano! Se nos é difícil ler documentos medievais mais antigos, é porque estão mais próximos da língua original. A alteração de credibilização das línguas locais feita no Renascimento, ao beber no Latim, tornou as várias línguas mais próximas entre si e acentuou o uso de termos latinos. A influência da colonização não ocorreria nas línguas germânicas doutra forma. Saraiva acaba por aproximar do milhar o número de palavras latinas que não eram usadas na Idade Média, e que foram depois importadas do Latim (atribui a Camões mais de cem novas palavras). Se na Grã-Bretanha encontramos uma tradição de língua gaélica, que permaneceu, parece difícil conceber que as línguas ibéricas tenham todas desaparecido, à excepção do basco... quando essa diferença já era notada por Cícero.
Alvor-Silves, publicado em 1 Jan 2011

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 1.

Nota ao Leitor

Esta publicação em formato magazine, é uma compilação da maioria dos artigos publicados nos blogs Alvor-Silves e Odemaia, e destinada a impressão, para mais fácil leitura. O âmbito destes artigos foi e é despretencioso, variado, tentativamente acessível, sem procurar ir mais longe do que onde o senso comum, e uma boa amálgama de informação, nos levam. Os factos estão perfeitamente identificados e bem sinalizados, as nossas conjecturas seguintes também… umas vezes mais explícitas, outras vezes mais implícitas. Fica ao leitor de avaliar e fazer o próprio juízo, de preferência não estático, e complementado com outra informação, que deve procurar. O que está aqui escrito reflecte a nossa visão à data, não estática, porque será corrigida de bom grado, se tal se revelar necessário e se para tal concorrerem outros dados relevantes. A única certeza que nos move é a evidência da adulteração da história do nosso conhecimento, e uma tentativa de condicionar o nosso raciocínio. Perante tal cenário, somos todos crianças que descobrem uma nova realidade e tentam ainda juntar as peças do puzzle. Haverá informação fiável? A fiabilidade da informação não está nunca dissociada do seu emissor, e do seu intuito. Os tempos modernos levaram-nos a um paradigma completamente diferente… se antes a inquisição, e depois a censura, eram os meios mais usados para evitar a propagação de informação indesejável… os processos tornaramse sofisticadamente mais brandos, mas não menos eficazes. Uma publicação pode ser evitada por desinteresse, falta de mercado, ou ficar simplesmente perdida num canto escuro onde os néons iluminam a dispersão da atenção por inúmeros assuntos. Teorias alternativas há muitas, e concorrentes, algumas puras, outras propositadamente contaminadas para descredibilizar as outras. Por isso, o papel do leitor passivo e crédulo tem que dar lugar ao leitor activo e inquisitivo . 14 de Fevereiro de 2011

D. João II exige papagaio aos franceses

Há algumas frases que pelo seu conteúdo não deixam de ser reveladoras, e ao mesmo tempo humorísti-cas. Trata-se do episódio de pirataria no mar, pelos franceses, de uma caravela que vinha da Mina, com uma carga rica em ouro e não só... conforme descrito pelo Cardeal Saraiva. D. João II, decretou um embargo a todos os navios franceses que estavam nos portos nacionais, até que fosse restituída toda a carga.

Saraiva cita André Rezende sobre o episódio, dizendo que Charles VIII se prontificou a devolver todo o ouro, mas isso não foi suficiente. D. João II não levantou o embargo até que fosse restituído um papagaio, que ainda faltava... Perguntado sobre a razão de tal severidade, D. João II terá respondido:

"Quero que se entenda, que a bandeira Portuguesa defende e protege, até um papagaio."
... outros tempos, outros governantes, menos papagaios!

Claro que o bicho seria raro... pela nossa História oficial, só poderia ser o único Papagaio Africano, vindo do Benim, onde era suposto estar a Mina! Uma tal piada faria parte das frases lapidares da História Portuguesa... porém não poderia ser atribuída ao seu autor. Como bem sabemos, só poderia haver papagaios nas embarcações nacionais a partir de 1500, data da descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral, e já estaríamos em reinado de D. Manuel. Assim, a frase de sério humor perdeu-se no registo temporal, talvez Saraiva tenha sido o último a querer escrevê-la.

Alvor-Silves, publicado em 2 Jan 2011

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Melgueiro, Chack & Amundsen... Tormentas
Citando o Cardeal Saraiva (Obras Completas, Vol.5): Anno de 1660: A este ano se faz memória de um Português apelidado Melgueiro, que sendo mestre, e piloto de um navio Holandês, saiu do Japão em Março, dirigiu-se aos mares do pólo árctico, subindo até 84º, passou entre a antiga Groenlândia e Spitzberg, e deixando à esquerda a Escócia, viera a Portugal. O escritor, que nos subministrou esta noticia, cita Mr. de Buache, no "Paralléle des Fleuves", Historia da Academia das Sciencias de Paris, anno 1753, e Memorias da mesma Academia, pag. 885. E acrescenta por testemunho de Mr. de Buache, que os Batavos tinham, e ocultavam com recato o Diário desta navegação, única até àquele tempo. O mesmo escritor nos dá ainda outra noticia, que diz ser sabida: "Notum etiam est Martinum Chack Lusitanum... etc."; isto é, que um Português, por nome Martim Chack, governando uma nau em conserva de outras duas pelo mar Pacífico, fora correndo os mares, arrojado por huma violenta tempestade, e ventos ocidentais, achando-se por fim à parte meridional da Irlanda, d'onde viera a Lisboa. Presume-se que Saraiva fale do relato de um diplomata/espião francês, o Seigneur de la Madeleine, sobre a viagem de David Melgueiro (relato publicado quarenta anos mais tarde). Esta viagem de Melgueiro é semi-oficial, tendo sido divulgada algumas vezes (mais raramente, após o 25 de Abril). Phillipe Buache já foi aqui citado a propósito de Fusang, quando colocou a colónia chinesa em terras americanas. Um outro seu mapa polémico, e que se revelou falso, é este da Antártida (note-se ainda que o mapa coloca apenas a metade holandesa da Austrália, por ser anterior a Cook):

Já o nome Martim Chack, identificado como português, tem ocorrência única neste texto de Saraiva. Nem é mesmo claro que a descrição corresponda à Passagem Nordeste ou à Passagem Noroeste... apenas lemos que, por efeito de uma habitual tormenta, se viu do Oceano Pacífico no Atlântico, próximo da Irlanda. As diversas passagens, Noroeste, Nordeste, Pólo Sul e Norte, podem ser todas atribuídas a Amundsen. Há uma tentativa de distribuição dos louros, incluindo o sueco Nordenskjöld para a passagem Nordeste, e Robert Peary, para o Pólo Norte, mas o seu registo não terá sido suficientemente meticuloso. Lembramos é claro da épica disputa entre Amundsen e Scott, que levou ao falecimento de Scott no Pólo Sul. A coroa de glória britânica a nível de explorações foi completamente destroçada por Amundsen, acabando por ser um reconhecimento final às diversas explorações marítimas dos vikings... afinal, Shakespeare também coloca Hamlet no reino da Dinamarca (e Noruega)... pátria original dos Saxões. Acerca das Passagens Noroeste e Nordeste, já aqui referimos o mapa Theatrum Mundi de Lavanha, que é razoavelmente indicativo do conhecimento que havia já no Séc. XVI acerca destas passagens. Por outro lado, não vimos nenhum Cabo das Tormentas, mas encontrámos uma Ilha das Tormentas, assinalada, quer na carta "Pedro Reinel a fez", quer no Tratado de Marinharia:

Ilha(!) das Tormentas... situada no Labrador : mapas de Pedro Reinel (~1500 , em cima), e de João de Lisboa (~1514, em baixo).

Alvor-Silves, publicado em 3 Jan 2011

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Brouscon:

incompetência na América versus competência na Austrália?
É difícil perceber como a proibição de descoberta da Austrália, ou da costa norte da América terá sido encarada pelos cartógrafos do Séc.XVI, e da forma como terão se adaptado a esse facto, sabendo que a História iria repetir-se, ocultando novos territórios durante mais uns séculos. A incompetência dos navegadores seria implícita. Depois de percorrerem dezenas de milhares quilómetros, chegando a Timor, falhariam durante séculos um enorme território a escassas centenas de quilómetros (a Austrália)... uma navegação exequível num pequeno batel. Poderíamos falar no Estreito de (Luis Vaz de) Torres, onde seria quase difícil passar sem avistar a Austrália, mas a História é assim, e as mais perfeitas evidências não são "factos históricos". Nem sempre há tormentas que afastam os navios da costa... Tormentas seriam, claro está, pois seria tormentoso o problema de reportar ou silenciar qualquer relato de novo território. Porém, o assunto principal não é aqui esse... o assunto é este incompetente mapa da América do Sul, de Guillaume Brouscon, de 1543, que pode também ser um competente mapa da Austrália:

Recordamos este exemplo, a propósito do mapa de Ph. Buache em que aparesenta um continente Antártico separado... No entanto, apesar do erro grosseiro, é possível vislumbrar uma imagem da Austrália que encaixaria completando a informação que falta na metade do território atribuído a Tasman. (Luís Vaz de) Camões, no Canto V.§25-26, antes do Adamastor, descreve assim a passagem por Gama do Trópico de Capricórnio (Semicapro peixe), em que são chegados à "espaçosa parte", "à terra que outro povo não pisou", entre o Trópico e o Circulo Austral, "parte do mundo mais secreta"... Desembarcamos logo na espaçosa Parte, por onde a gente se espalhou, De ver cousas estranhas desejosa Da terra que outro povo não pisou; Porem eu cos pilotos na arenosa Praya, por vermos em que parte estou, Me detenho, em tomar do sol a altura E compassar a universal pintura. Achamos ter de todo já passado Do Semicapro pexe a grande meta, Estando entre elle & o circulo gelado Austral, parte do mundo mais secreta: Eis de meus companheiros rodeado Vejo hum estranho vir de pelle preta, Que tomaram por força, em quanto apanha De mel os doces favos na montanha. A descrição poderia adequar-se aos indígenas da África do Sul, ou aos aborígenes da Austrália... A parte do mundo mais secreta seria, no tempo de Camões, sem qualquer dúvida, a Austrália... Afinal, Ceilão ou Sumatra, foram nomes usados para identificar a grande ilha Taprobana, mas essa grande ilha nunca chegou a poder ser a Austrália. - Que "parte do mundo mais secreta", quando Bartolomeu Dias tinha passado o Cabo da Boa Esperança dez anos antes?

Há inúmeros exemplos deste genéro, mas que não são tão evidentes. Estes mapas não serviam os marinheiros, na maioria dos casos serviam as colecções da aristocracia. O problema de reportarem, ou não, uma verdadeira costa, colocar-se-ia mais nas discussões cortesãs.

-Claramente... imaginação poética que tudo mistura, sem nada querer significar. - Feliz infeliz quem assim o entender.

Alvor-Silves, publicado em 4 Jan 2011

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Mar Vermelho

Há várias representações no Séc. XVI, do actual Golfo da Califórnia, que lhe atribuíam o nome Mar Vermelho. Para além de Lavanha, que já aqui referimos, temos por exemplo esta representação de Ortelius:

Apesar de ser bem sabido que se tratava de uma península, a representação da Califórnia enquanto ilha permaneceu durante dois séculos na cartografia europeia. Fazendo parte integrante do México, teve uma curta tentativa independentista enquanto República da Califórnia, acabando por resultar numa parcial inclusão norte no Estados Unidos. A parte sul, da península e do golfo, ficou sempre sob domínio mexicano. É ainda na mesma zona da Califórnia, que aparecem novas referências às Sete Cidades:

ou esta representação de Ghisolfi:

ou ainda mais evidentemente, ambos os mares de vermelho, nesta representação de Batista Agnese (1544):

Há algumas semelhanças geográficas, quer a nível de latitude, quer a nível de forma, entre os dois mares, situados em continentes diferentes. No entanto, esta semelhança de designação e representação parece querer indicar uma relação mais profunda. Em ambos os casos os mares estão próximos de pirâmides, num caso das egípcias, noutro caso das mexicanas; há ainda vastos desertos nas proximidades, e uma costa com mar a ocidente.

Isto já tinha sido focado no mapa Theatrum Mundi de Lavanha, mas apresentamos aqui um outro mapa do Séc.XVI, atribuído a Francesco Ghisolfi, pois é dos raros casos em que vemos um mapa em projecção pseudocilíndrica. Notamos que no contemporâneo mapa de Ortelius, a mesma região (o Grand Canyon do Colorado) é designado por Toto Teac, e não por Sete Cidades. As Sete Cidades tendo sido referidas inicialmente no Atlântico (no texto de Francisco de Souza), associadas possivelmente à zona da Terra Nova ou Acadia, acabaram por ser posteriormente ligadas à Califórnia. Os registos portugueses apontaram sempre para uma ilha atlântica, da qual já se dava notícia na regência do Infante D. Pedro, e com Afonso V, através de um pedido de Fernão Teles. Esta colocação de lugares míticos na costa oeste americana, e a ausência de exploração oficial a norte da Califórnia, durante mais de dois séculos, revelará talvez a presença de registos de uma cultura americana muito antiga cujos traços acabaram por ser completamente ocultados. O Mar Vermelho estando ligado a toda a lenda da fuga de Moisés aos Egípcios, sendo associado a uma parte remota na Califórnia, com as semelhanças geográficas e culturais já aqui apontadas, traz alguma dose de mistério adicional. É pouco natural que havendo a sul civilizações avançadas (Aztecas, Maias, Incas), detectadas logo no início do Séc. XVI, depois não fosse encontrado nenhum registo civilizacional semelhante a norte... quando esses territórios eram tão ou mais férteis e aprazíveis. Ou seja, talvez a ocultação tenha sido impossível a sul, pela tempestividade da conquista espanhola, mas tenha sido possível de forma mais cuidada e laboriosa, durante dois séculos, nos territórios a norte (parte dos quais, como já foi aqui referido, sob domínio colonial chinês em Fusang, o que teria dificultado a progressão).
Alvor-Silves, publicado em 6 Jan 2011

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Marco Polo, Anian e Mapas chineses

Estava definido o início de uma afirmação europeia que passaria a omnipresença mundial, em todos os palcos. Marco Polo O relato de Marco Polo (Marco Paulo, para muitos antigos autores portugueses), que o acabou por levar à prisão, faz notar a época de secretismo e as consequências para quem o desrespeitasse. A viagem de Marco Polo à China nada teria de tão extraordinário. Era perfeitamente normal que os comerciantes venezianos, mais ousados, pudessem ter seguido nas caravanas pela Rota da Seda até ao Oriente. O que seria invulgar e notável é que Marco Polo, tendo ganho a confiança do Khan, tivesse conseguido embarcar com a tripulação chinesa em direcção a Fusang, passando pelo Estreito de Anian. Isso sim, teria marcado uma viragem enorme na política europeia para o Séc. XIV. Subitamente, a Europa dava-se conta que para além da ameaça a Oriente, poderia ficar cercada com uma ameaça a Ocidente, caso a expansão chinesa por terras americanas chegasse à costa atlântica da América. Ou seja, para além do espectro da invasão dos Hunos, a que se seguiu a expansão árabe/turca, a Europa poderia ser confrontada com uma presença chinesa no continente americano. É provavelmente nessa altura que começam as dissensões sobre a atitude a tomar face à América, a política de ocultação tinha agora uma outra faceta de defesa de uma ameaça a Ocidente, em terras americanas. É nesse contexto que surge uma expansão secreta portuguesa na direcção ocidental... que chegará até à colónia de Fusang. A última bandeira que consta no globo de João de Lisboa de 1514 é justamente uma bandeira no norte da Califórnia... acima desse ponto estaria o domínio da colónia chinesa de Fusang. O reconhecimento do Reino e do Estreito de Anian, nos mapas de Ortelius, de Lavanha, e vários outros, mostra que os cartógrafos davam como certo o relato de Marco Polo, associando

Apresentamos aqui um mapa chinês que tem servido para muita especulação sobre as viagens chinesas. Pretende ser uma cópia do Séc. XVIII de um mapa de 1418. Na nossa opinião este mapa pode ter usado um outro mapa de 1418, mas juntou informação típica dos mapas europeus do Séc. XVIII, pelo que será indissociável alguma contaminação. É completamente improvável que, a ser um mapa chinês de 1418, o cartógrafo viesse a efectuar os mesmos erros que os cartógrafos de Séc. XVII e XVIII fizeram - e cito apenas dois exemplos: • colocar a Califórnia enquanto ilha • errar na localização da Austrália, deixando uma ilha maior em posição que era associada ao Borneo ou à Nova Guiné, mal representando essa parte da mesma forma que os cartógrafos europeus. Ou seja, não há novidades que apontem uma originalidade para além do conhecido à data da cópia, 1763. Não há erros apreciáveis nas partes polares, mas não difere muito dos mapas do final do Séc. XVI, que recomeçavam a ser corrigidos à época (a viagem de Cook dá-se poucos anos depois)... A época, especificamos melhor é - depois de 1755, do Terramoto de Lisboa. Esta data que vai marcar uma mudança que se reflectirá na independência americana, na ascensão russa de Catarina, a Grande, e só depois na revolução francesa.

(imagem em www.marcopolovoyages.com)

Estrecho de Anian - Mapa de Willem Barentsz (1597)

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a presença chinesa em terras americanas. O Estreito de Anian só passa a Estreito de Bering com a expansão de Pedro I, da Rússia, o Grande... Até essa data haveria o conhecimento do estreito, mas o seu controlo não estaria em poder ocidental, estaria muito provavelmente sob controlo chinês de Fusang, ou do Reino de Anian. Será só em 1784 que os russos irão desembarcar no Alasca, talvez data em que conseguem derrotar a colónia de Fusang/Anian. Após Marco Polo, cujos relatos procuram ser silenciados e desacreditados, e após alguns séculos, a Europa consolida por completo a sua hegemonia, acabando com o controlo completo de Pacífico (após Cook e Bering). Os russos dominam a parte do Pacífico a norte, que depois cedem aos Estados Unidos, e a Austrália é consolidada como colónia inglesa. A tentativa de ressurgimento chinês, com a revolta dos Boxers termina com uma imposição ocidental através da Aliança de 8 nações. Nota (o estreito de Anes): Um interessante mapa apresentado Portugalliae no blog

apresenta o Estreito de Davis como Estreito de Anes. Apesar de datado de 1630, o mapa tem característica de ser anterior, ou de ser uma cópia de mapa anterior. Aparece claramente o meridiano de Tordesilhas, sendo por isso muito semelhante ao mapa "Pedro Reinel a fez". Neste caso, poderia referir-se à celebração de alguma viagem de um certo "Anes", e não ao Estreito de Anian situado em parte oposta. A contracção "Estreito d'Eanes", poderia mesmo levar a uma conjectura simples - o cabo Bojador que Gil Eanes teria passado seria muito mais uma passagem a latitudes árticas... No entanto, não temos nenhum outro dado que corrobore esta simples suposição.
Alvor-Silves, publicado em 7 Jan 2011

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A separação de poderes
Charles de Montesquieu ficou conhecido pela obra "Espírito das Leis", onde se encontra o princípio de separação de poderes: Poder Executivo (exercido pelo regente) Poder Legislativo (exercido pelo parlamento) Poder Judicial (exercido pelos magistrados) Este velho princípio de separação de poderes (que alguns traçam até Aristóteles) faz parte de qualquer constituição contemporânea em países democráticos. No entanto, apesar de ter sido introduzido nas primeiras constituições modernas (constituição da Córsega, dos Estados Unidos), convém referir que Montesquieu elaborou o texto em período absolutista francês e, nesse contexto, influenciado pelo exemplo inglês, advogava apenas uma Monarquia Parlamentar.

Já referimos que a prática da teoria de Monstesquieu foi concretizada por Paoli na Constituição da Córsega, que porém teve aí uma curta vida, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos. A prática norteamericana acabou por se implantar e servir de referência. Foi essa mesma prática que tornou claro a existência de um Quarto Poder - a informação, através da comunicação social. Numa república, sendo o povo chamado a escolher dirigentes, essa escolha deve ser informada, sem interferência dos restantes poderes. Caso isso não aconteça, a informação pode ser contaminada, pelo simples facto de não se assegurar uma independência semelhante à judicial. Ninguém consideraria razoável um órgão judicial dependente, em que os magistrados estivessem sujeitos a remuneração condicionada por ditames económicos. Isso comprometeria a sua independência.

Montesquieu e Pasquale Paoli

No entanto, torna-se cada vez mais claro que há julgamentos mediáticos, que comprometem a clareza da informação transmitida. A divulgação desiquilibrada pode confundir o receptor com vista a propósitos patrocinados. Só uma independência informativa, pelo menos com um quadro de independência semelhante ao judicial, poderia garantir alguma viabilidade e credibilidade de um sistema eleitoral. No quadro de uma antiga monarquia parlamentar poderia haver uma separação dos três poderes, já que o rei não estando sujeito ao escrutínio popular, teria um poder executivo efectivamente separado na nomeação do governo. No quadro actual são os partidos políticos que acumulam a função executiva e legislativa, pois os governos viabilizados dispõem do poder executivo, mas também do legislativo através da maioria parlamentar que é suportada nos mesmo partidos. Assim, apenas o controlo judicial escaparia a uma oligarquia capaz de controlar a comunicação social. Porém, como sabemos, nem mesmo os órgãos judiciais conseguem isentar-se dessa influência. Basta uma campanha publicitária bem coordenada para mostrar a fragilidade desse poder, perante o descontrolo dos órgãos informativos. Num sistema eleitoral, o ponto fulcral é a formação de opiniões através da informação. Começa na parte educativa, pois é aí que se formam os esquemas cognitivos básicos, as certezas e os medos. É na História que aprendemos os principais exemplos, e a informação aí transmitida condiciona a nossa percepção da sociedade, e dos seus conflitos. Se uma notícia da actualidade pode influenciar um governo, uma notícia histórica pode influenciar um regime, e a própria organização social. Um sistema educativo, uma rede de publicações, de divulgação da informação, sob completo controlo de um grupo dá a esse grupo um poder oligárquico. Esse controlo estabelece-se para além da sua geração. Quando Platão enuncia a Alegoria da Caverna, o exemplo vai para além da questão existencialista, e terá objectivos políticos. A ilusão da verdade na sociedade pode ser criada sem que os intervenientes se apercebam. Uma Odisseia no Mediterrâneo, um panteão de deuses, contrapõem-se à sua descrição da Atlântida, a um reino humano perdido no Atlântico, uma América, cujo conhecimento seria negado ao povo grego. O próprio Alexandre Magno poderia ter conquistado toda a Terra, conforme pretendia... e há registos que o colocam na Hispânia. No entanto, foram os seus cronistas, e a divulgação ao longo de séculos, que definiu não só a sua glória, mas também os limites do seu império, conforme avisava Poliziano.

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 1.
O problema de condicionamento da informação, torna-se numa ilusão para além de sensorial, torna-se numa ilusão social. Não se trata de um problema de liberdade de expressão. As perturbações pela liberdade de expressão colocamse apenas em meios restritos, e são facilmente abafadas por vários meios - uma descredibilização do locutor, um condicionamento dos ouvintes, ou em último caso, processos de eliminação mais literais. Trata-se de um problema de divulgação. A informação pode ser quebrada eliminando, circunscrevendo ou contaminando a sua transmissão. Quando há falhas, ou fugas, os processos de minimização do problema são vários, e a utilização de meios drásticos revela-se mais prejudicial do que útil. Uma pequena contaminação da mensagem acaba por ser mais eficaz. O indivíduo pode até ser reconhecido, mas a mensagem transmitida acaba por ser outra (divulgam-se os romances de Garrett e Queirós, mas não os seus textos de intervenção mais literais). O elogio do indivíduo acaba por ser prejudicial à sua obra, e ao seu objectivo. A mensagem é reduzida e condicionada, interpretada por autores posteriores, cuja ignorância dos motivos tratará de iludir o conteúdo. O autor que preze a mensagem da sua obra tem que deixar que ela se imponha por si, sem aparecer. A obra tem que prevalecer sobre o autor, sob pena de se confundir consigo. A referência ao autor, e todas as associações externas posteriores, condicionariam irremediavelmente a mensagem. A única adição necessária a uma obra é a explicação do seu contexto.

(excerto da Republica de Platão) Alvor-Silves, publicado em 8 Jan 2011

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Magos (3)
Santa Helena de Constantinopla, mãe do imperador Constantino, o Grande, conduziu a empresa de recuperação dos vestígios da vida de Cristo. Em particular, a Igreja do Santo Sepulcro viria a definir o Gólgota, e Santa Helena encontraria a madeira da cruz da crucificação. A Vera Cruz, ou o Santo Lenho, teve a sua madeira dividida pelas mais variadas catedrais europeias, constituindo uma das relíquias mais preciosas da Idade Média.

A abertura recente do relicário parece ter mostrado conter crânios de homens em diferentes idades, conforme a tradição que se manteve posteriormente. Nem sempre terá sido essa a tradição, conforme mostram sarcófagos do Séc. III e IV, onde todos os elementos aparentam ter a mesma idade e a mesma figura:

Santa Helena e a Vera Cruz - relíquia na Igreja do Santo Sepulcro.

Sarcófagos em Roma: Séc.IV (em cima), Séc. III (em baixo, à esq.), e mosaico em Ravena Séc. VI (em baixo. à direita)

A oficialização do cristianismo coincidiu com a ligação imediata ao culto do relicário, havendo mesmo uma divisão bizarra deimportância das relíquias. Esse culto foi claramente acentuado no cristianismo medieval, e nas crónicas da dinastia de Avis é notória a veneração ao Santo Lenho. A Vera Cruz pode ser associada ao pau brasil, pela cor vermelha que ligaria a madeira ao sangue... mas Vera Cruz será também o nome dado à primeira cidade de Cortés na sua conquista do México. Na mesma altura acabam por ser definidos, de forma mais invulgar, e ainda por Helena de Constantinopla, os restos dos Três Reis Magos... que são depois levados para Milão, sendo finalmente levados por Frederico Barbarrosa para a Catedral de Colónia, ficando num magnífico Relicário em ouro:

É na posterior imagem bizantina, do Séc. VI, que vemos haver uma diferença de figuras e idades, procurando evidenciar uma proveniência de diferentes partes, e representando diversas gerações. Porém, mais importante - o ponto comum a todas estas imagens - são os barretes, mais precisamente barretes frígios, com já tinhamos aqui salientado. O mesmo barrete ostentado pela Liberdade, como no celebrado quadro de Delacroix, que levou à imagem da República

A liberdade (com o barrete frígio) guiando o povo, quadro de Delacroix (1830).

Se para os gregos o barrete frígio seria um símbolo "bárbaro", quando os romanos associam o mesmo símbolo à liberdade, e o identificam com heróis troianos, como Páris, o contorno implícito é diferente. http://alvor-silves.blogspot.com/2011/01/magos-3.html

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A isso se associa a ligação de Cibele (equivalente frígia da deusa Gaia) ao semi-deus frígio Átis: Lembramos a reportada viagem de contorno de África, por parte de Menelau, marido de Helena. O problema irá repetir-se com outros contornos, alguns milénios depois, entre D. Pedro e Inês de Castro. O rapto de Helena, assumiria assim contornos de contaminação de informação secreta. A Ilíada não fornece pistas para o problema do sigilo da navegação, mas toda a Odisseia é dedicada justamente a esse propósito. Nesse sentido, a própria tradição intelectual grega não desfavoreceria o ideal de liberdade derrotado, que se colocaria acima do seu patriotismo.
Alvor-Silves, publicado em 9 Jan 2011 Páris troiano, e Átis frígio (consorte de Cíbele), ambos com um barrete frígio

Já aqui mencionámos que a Ásia Menor acabou por albergar diferentes reinos. A Frígia, vizinha da Lidía, e o reino de Tróia, são apenas alguns exemplos... Ao mesmo tempo que estas culturas avançadas se acotovelavam no espaço da península turca, as extensas planícies da França e da Hispânia permaneciam um largo espaço vazio, sob presença rarefeita de culturas megalíticas. É suposto ter sido assim... Se também já aqui referimos, várias vezes, a ligação do nome de Ulisses a Lisboa, não podemos ignorar as semelhanças evidentes dos nomes Paris e Páris. Não conhecemos nenhuma pretensão de qualquer ligação dos parisienses ao herói troiano, nem tão pouco dos vizinhos troyens ao nome de Tróia. No entanto, no registo da diáspora troiana, em que Virgílo faz Eneias migrar para fundar Roma, não é de excluir outras migrações para paragens gaulesas. Mais interessante é a associação troiana/frígia ao ideal da Liberdade... uma tradição preservada por romanos, identificada a Reis Magos que homenageiam Cristo, é depois retomada na revolução francesa. No que diz respeito aos romanos é especialmente notável, já que ao tomarem o partido troiano, que associam à liberdade, fazem-no contra a tradição grega que honra Aquiles, um Aquiles venerado por Alexandre Magno, que o procurou imitar. Também é notável a posição ambivalente adoptada por Homero. A Ilíada é um elogio grego, mas que não deixa de enaltecer o adversário troiano. Na Guerra de Tróia pode ter havido uma batalha para além dos interesses comerciais. O rapto de Helena por um presumido camponês do Monte Ida, Páris, feito príncipe de Tróia, seria talvez ilustrativo de uma ameaça de contaminação de segredos de castas, que colocaria em causa o domínio aristocrata.

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- No ano de 1493, aos 25 do mês de Outubro, tornou Christovã Colõ às Antilhas, e da barra de Calez tomou sua derrota, levando 17 velas e 1500 homens nelas (...) - (...) logo viram muitas outras, a que puseram o nome Virgens, ainda que os da terra lhe chamam as Quiribas, por ser de homens guerreiros e bons flecheiros(...) - Destas ilhas em outras foram ter à principal delas, a que os da terra chamam Boliquem, e os castelhanos Sã João, donde chegaram à Espanhola e acharam todos os homens mortos, que na terra deixaram, por ofensas que aos da terra fizeram aqui (...) Quanto à nomenclatura, vemos Quiribas para as Virgens, e Boliquem para Porto Rico (provavelmente), acrescenta depois a Iamaica que se chamava então Santiago. Derrota é uma palavra comum até ao Séc.XIX e tinha o significado que atribuímos a rota...

Haiti,

a derrota da Hispaniola
Colombo marca o fim da sua aventura nas Caraíbas em 1492, na ilha do Haiti. Renomeou-a Hispaniola, mas quando regressou já não havia sobreviventes espanhóis na sua colónia. António Galvão é sempre uma referência primordial. Diz ele sobre a viagem de Colombo: - A primeira ilha que visitaram se chamava Greinani, saíram em terra, tomaram posse dela, puseram-lhe o nome Sam Salvador. - despois viram muytas a que chamaram As Princesas, por serem as primeiras por eles vistas, mas os da terra lhes chamam os Lucayos, ainda que todas têm nomes separados, e estão da parte do Norte, quasi debaixo do Trópico de Cancro, da parte do Norte de 16 até 17º, que é a ilha de Santiago. - Daqui foram à ilha que os da terra chamam Cuba, e os Castelhanos puseram o nome Fernandina, por el rey D. Fernando, a qual está em 22º, - donde os Indios os levaram à outra que eles chamam Ahyti, e os Castelhanos Isabela, em memória da rainha de Castela, e também a Espanhola. (Galvão, edição de 1563, pág. 23.v) Não é o primeiro relato semelhante que vemos. Sem saber a história que se iria contar, mas talvez prevendo a perda de nomes, Galvão dá-nos o relato da origem dos nomes Haiti e Cuba. Eram designação dos "indígenas"... Mais do que uma contaminação alentejana na América, seria de averiguar a contaminação do nome no Alentejo. Até na grafia, Ahyti é mais parecido com a grafia crioula Ayiti. Por isso, se Galvão escreve Greinani, será de ponderar o nome Guanahani dado à ilha do primeiro desembarque... sendo que isso tem apenas importância para os detalhes e os seus demónios. Tem-se ignorado que o Haiti foi um bastião de independência, perante a avassaladora presença europeia. Isso aconteceu desde o início... Depois de falar nos papagaios que os espanhóis e Colombo levaram consigo do Haiti, e da rota que tomaram pelos Açores, passando por Lisboa, Galvão relata a segunda viagem:

É nesta segunda viagem americana, e depois constatar que os compatriotas tinham sido mortos, que Colombo decide enveredar por uma colonização mais efectiva, deixando a maioria dos homens nessa ilha. A resistência prossegue com Anacaona, enforcada em 1504, que tornará num dos muitos símbolos. Carlos V tentou resolver o problema em 1517, e teria havido uma deportação para a parte oriental da ilha, actual República Dominicana, perdendo-se muito do registo ocidental, com resistência nas montanhas, até ao período de registo de piratas e corsários já no Séc.XVII. A ilha costeira a norte, Tortuga, seria uma base de piratas, os Bucaneiros. É preciso entender que qualquer organização fora da alçada dos governos europeus seria entendida como fora-da-lei, ou pirata. Doutra forma, as potências europeias arriscavam-se a uma multitude de reinos independentes em ilhas distantes. A coligação Bethren terá tido aqui o seu período áureo. O registo seguinte mais significativo é revolução do Haiti na transição de 1800, primeiro com Toussant, que acaba preso, e depois com Jacques I, que mantém a independência e sagra-se imperador do Haiti em 1805. Acabara de derrotar a armada francesa liderada pelo cunhado de Napoleão.

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Toussant, e Jacques I, líderes que resistem a Napoleão

Não estamos a falar de uma pequena proeza... e os esforços de emendar o Haiti continuaram. Apesar de ter já uma Constituição, teria que ser submetido ao caminho civilizacional do colonialismo europeu. Será este pequeno reino esquecido que acolhe Simon Bolivar em 1815 e financia a sua iniciativa independentista da América do Sul, com o compromisso de que nas novas repúblicas terminasse com a escravatura. As tentativas de isolar o pequeno país mantiveram-se, para além do bloqueio comercial, e de impostos de independência sob ameaça militar francesa, por Charles X. Seguiu-se durante uma parte razoável do Séc. XX, após ocupação de 1915, por Th. Roosevelt, um domínio ou ocupação dos Estados Unidos, a que se seguiram as ditaduras dos Duvalier, e as instabilidades conhecidas. O terramoto que ocorreu há um ano, foi um pequeno terramoto na escala Richter, mas num país como o Haiti não surpreende a opinião pública que o número de mortos seja de centenas de milhar. Haiti, foi uma "derrota" de muitos navegadores, mas a sua derrota é muito mais a derrota dos valores da nossa civilização.
Alvor-Silves, publicado em 10 Jan 2011

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Heliocentrismo e Evolucionismo (1)

Houve duas teorias que marcaram o advento da concepção científica descentrada do homem: • primeiro o heliocentrismo, recuperado por Galileu do trabalho de Copérnico (apesar de Aristarco de Samos ser mesmo citado por Arquimedes); • depois o evolucionismo, em que Darwin propõe a evolução das espécies, colocando o homem como apenas mais uma espécie.

De facto, o sistema geocêntrico deverá ter sido usado na concepção do mecanismo encontrado em Antícitera... um mecanismo de relógio, com a posição do Sol e Lua (e talvez de planetas), com mais de 2100 anos, que só teria sido igualado no Séc. XVIII. Do ponto de vista prático, seria mais importante conhecer as posições na Terra do que ter uma visão externa do sistema. Este mecanismo dá-nos uma clara ideia de que o conhecimento na Antiguidade era muito superior ao que foi relatado e transmitido ao longo de gerações... até hoje. Excluindo, é claro, um eventual conhecimento secreto. Comparação de visões Ninguém se preocupa com os detalhes do sistema geocêntrico. No entanto, o primeiro problema são as fases da Lua. A rotação da Lua diferiria em ~1/28 para comportar uma diferença de iluminação, que permitisse regressar à fase inicial ao fim de ~28 dias. Galileu argumentará com as fases de Vénus e com os satélites de Júpiter, mas nada disso invalidaria a aparente rotação em torno da Terra. Ilustramos, numa simples simulação computacional, ambas as visões, no caso geocêntrico mais puro:

Estas concepções marcaram o afastamento do Homem e a Terra do centro do universo, deixando de ocupar um lugar especial no mundo, seja por criação divina, seja por razão natural. Ao que parece, o matemático Pedro Nunes, quando informado pela teoria publicada por Copérnico, seu contemporâneo, terá respondido que era "matematicamente equivalente". De facto, não é difícil perceber que, ao contrário do que é popularizado, ambas as representações: - geocêntrica ou heliocêntrica - são absolutamente equivalentes. É uma relatividade de posição trivial. Convirá desmistificar a "falsidade" da posição geocêntrica... Devem distinguir-se duas posições geocêntricas. Num caso mais puro não se admite a rotação terrestre, noutro caso admite-se essa rotação, mas não a rotação em torno do Sol. O sistema ptolomaico era complexo e muito ajustado às observações terrestres, que conseguiria obter com o auxílio de órbitas adicionais nos planetas que manifestassem movimentos retrógrados. Ptolomeu parece ter referido que, mais importante do que a validade do sistema, era o aspecto de poder calcular sem grande erro, as posições planetárias... não se tratava de entrar em conflito com o sistema heliocêntrico de Aristarco. Anticítera

Descrição parcial das órbitas dos 4 primeiros planetas, de forma equivalente, na visão heliocêntrica e geocêntrica pura, num período de 84 dias (~ revolução de Mercúrio). Na visão geocêntrica pura, a rotação da Terra é substituída pela rotação de todos os outros corpos, o que complexifica o sistema. Apesar da simplificação heliocêntrica, ambas as representações são equivalentes (note-se que a posição relativa dos planetas é a mesma).

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A rotação terrestre não é perceptível na imagem da visão heliocêntrica, enquanto na imagem geocêntrica ela é predominante e como consequência complexifica as órbitas na forma espiral... A mais elaborada visão Ptolomaica (tal como Oresme Séc. XIV) admitiria uma simplificação com a rotação terrestre. Nesse caso, o sistema geocêntrico fica mais simples, sem órbitas diárias, mas mesmo assim demasiado complexo: A posição geocêntrica de Mercúrio, Vénus e Marte teria que contemplar o caso desses planetas estarem mais próximo ou mais longe da Terra do que o Sol. Assim a sua posição relativa seria indecidível entre os quatro, Marte pode estar mais próximo da Terra do que o Sol, Mercúrio ou Vénus. Apenas um planeta com órbita do Sol acima de 2 UA (1 UA= distância da Terra ao Sol) ficaria sempre mais longe do que o Sol... Acima de 2UA é a distância ao Sol do cinturão de asteróides, e depois dos planetas externos, com Júpiter, Saturno, etc. Isidoro de Sevilha É neste contexto de ambiguidade que encontramos a obra de Isidoro de Sevilha (de Rerum Natura, Séc. VI). Vemos que há uma separação de Vénus, é colocado Lucifer, anterior ao Sol, e Vesper, posterior ao Sol - ambos os nomes correspondem a designações de Vénus. Lucifer é a estrela de alva, e Vesper a sua aparição ao entardecer. De forma estranha, como não é mencionado Marte podendo aqui colocar-se uma identificação de Marte a Vesper, já que também Júpiter aparece nomeado como Faeton (optando pela nomeação grega). Mercúrio e Saturno aparecem designados normalmente.

Sistema geocêntrico, onde a rotação terrestre é suprimida do modelo, permitindo visualizar o modelo num espaço de 7 anos. É mais facilmente perceptível o movimento retrógrado dos planetas.

Estas visões geocêntricas são tão exactas quanto a heliocêntrica, é uma questão de referencial, tal como na mecânica se pode pode optar por coordenadas Eulerianas, fixas, ou Lagrangianas, ligadas ao corpo em movimento. Mas, a visão heliocêntrica teve a sua vitória final com o modelo gravitacional de Newton. À simplificação matemática, acrescia uma base física, a lei da gravidade. A concepção Ptolomaica tinha ainda erros, de averiguação difícil, no que dizia respeito à ordenação planetária. Em particular, porque os planetas internos (Mercúrio e Vénus), próximos do Sol, são apenas visíveis no período crepuscular (aprox. 20º (1h30m) para Vénus e 10º (45 min) para Mercúrio, antes do nascer ou após o pôr do Sol). A difícil observação de um trânsito de Vénus (sobre o Sol), clamada pelo persa Avicena, terá sido influência para considerar Vénus mais próximo da Terra. Tal é particularmente notável num época em que não era claro que Vénus ao anoitecer fosse o mesmo planeta que ao amanhecer!
Sistema planetário por Isidoro de Sevilha (Séc. VI).

É razoavelmente bizarra a associação depois dada ao nome Lucifer ("portador da luz") a Vénus, enquanto estrela da manhã, e prende-se com interpretações da literatura bíblica, e à influência posterior das obras de Dante e Milton. Ao contrário, o aparecimento de Vénus a ocidente, no pôr do sol, era associado à esperança com o nome Hesper (ou Vesper), muitas vezes associado ainda às Hespérides, ilhas paradisíacas ocidentais... cujo nome viria de Hespero, um dos reis míticos da Ibéria. (alvorsilves@gmail.com)

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Manifestação clara da dualidade Ocidente/Oriente, em que o Ocidente era associado à terra prometida ocidental, ou seja à América... à esperança de regressar ao Paraíso Perdido (trazendo o título de Milton). Bartolomeu Velho Dentro da concepção geocêntrica, posterior a Copérnico, a representação de Bartolomeu é interessante, pois assume apenas uma rotação solar anual, e não propriamente a visão pura, da rotação diária do Sol. O tempo já é outro, e este será já um esquema geocêntrico de compromisso que assume claramente a rotação terrestre. Não há uma ligação directa entre o tempo de revolução e a distância em léguas para o grau, não se conhecendo outra razão para os valores apontados. O mapa-mundi incluso também não apresenta nenhuma novidade à época. Contexto O modelo heliocêntrico de Aristarco deverá ter sido considerado em todo o mundo grego, e nem o próprio Ptolomeu o terá querido colocar em causa. Como é óbvio, no período de regressão civilizacional que se seguiu, os textos de Aristarco caíram no esquecimento, e o Almagesto de Ptolomeu acomodaria uma visão popular e ao mesmo tempo bíblica. O heliocentrismo puro (Sol no centro do universo) acabou por ser rapidamente substituído, por uma visão galáctica recomeçada com a catalogação de Messier no Séc. XVIII, e com a inclusão da própria Via Láctea enquanto mais um entre tantas galáxias.

Sistema geocêntrico sem rotação - Bartolomeu Velho (1568).

Apresenta as curiosas esferas de Ar e Fogo, antes da Lua. A posição dos astros indica claramente a ordem crescente do seu tempo de revolução: • Lua: 27 dias e 8 horas (~correcto -15 min.) ; • Mercúrio: 70 dias e 7 horas (~88 dias) • Vénus: 273 dias e 23 horas (~225 dias) • Sol: 365 dias e 6 horas (~correcto -ano bissexto) • Marte: 2 anos, 730 dias (~687 dias) • Júpiter: 12 anos (~11,86 anos) • Saturno: 30 anos (~29,4 anos); • Estrelas: 36000 anos Os valores são bons atendendo à época, sendo o valor mais estranho os 36000 anos para a revolução estelar. Mais curioso ainda é arriscar valores para as circunferências. Sendo o valor 6300 léguas correspondente à dimensão do perímetro equatorial terrestre, com uma légua aproximadamente 6,3 Km... obtemos praticamente 2 UA para a localização das estrelas, enquanto para a distância ao Sol, dá menos de 1% do valor conhecido.

Grupo de seis galáxias - sexteto de Seyfert

A Terra perdeu o seu lugar especial no Universo, e os homens ficaram reduzidos na sua dimensão... seriam simples habitantes de um planeta minúsculo. Ainda assim, habitantes especiais, feitos à imagem de Deus... Ora, sobre essa questão coube a Darwin postular a nossa insignificância seguinte.
Alvor-Silves, publicado em 14 Jan 2011

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Ebreus do Ebro
Quando a dúvida sobre a História oficial se torna uma certeza, é natural querer reencontrar o enorme puzzle criado com as sucessivas mudanças de nomes, de atribuições, etc. A partir daqui, vivem apenas as especulações, mais ou menos baseadas, e por isso falamos apenas de Estórias. Qualquer associação mais séria poderia levar a confusões com pessoas que tomam apenas o oficial como sério. Esta estória tem como dúvida fundamental a deambulação de 40 anos no deserto, de Moisés com o seu povo. É um dado mais preciso do que qualquer nome mudado de localização perdida... Uma pequena população em migração focada, mesmo em ritmo lento, pode deslocar-se sem dificuldade 100Km por ano... Sendo menos do que isso, desfocaria o seu propósito migratório. Ao fim de 40 anos falamos no mínimo em 4000Km. Se pretendermos colocar essa deslocação do Monte Sinai para Israel, falamos de 10% desse valor, ou seja, não parece lógico migrar apenas 10 ou 20 Km por ano... isso seria a periferia do acampamento. Um deserto com 4000Km, partindo do Egipto, e sem encontrar civilizações, apenas faz sentido a Ocidente. Ou seja, a partir daqui colocamos a nossa Estória de travessia do deserto no Norte de África. Há até nomes que encontramos sem esforço, por exemplo Massah é referido no Exodo e é ainda nome de uma cidade Líbia. Nesta estória, Moisés teria escapado do Egipto com o propósito de atingir, não a península do Sinai, mas sim a península Ibérica, e mais além! Essa sim, seria a sua terra prometida...

O tempo histórico de Moisés segue na linha de perturbações no Egipto, que poderiam corresponder à transição entre Hatchepsut e Tutmoses III, ou ao fim do culto monoteísta de Akhenaton, sob forte convulsão e perseguição (a datação é duvidosa, porque estranhamente o nome dos faraós contemporâneos de Moisés não é referido). As navegações egípcias envolveriam o Mediterrâneo até à Hispânia, e mais além... isto seria do conhecimento da corte a que Moisés pertenceria. Uma dissidência natural seria procurar a outra Egitânia... literalmente terra do Egito, nome recuperado para Idanha-a-Velha no tempo Suevo. A haver uma fuga para a península do Sinai, seria uma fuga estranha, colocada à mercê de qualquer perseguição egípcia, encurralados pela própria geografia do local inóspito. A localização medieval da passagem no Mar Vermelho foi logo disputada pela própria tradução de Yam Suph que se referiria literalmente a um mar de algas (sargaços?)... São poucos os lagos que foram chamados mares... e certamente é estranho chamar-se Mar Morto e não Lago Morto, dadas as suas pequenas dimensões. Já por oposição ao Oceano Atlântico, o Mar Mediterrâneo pode até ser visto como um mar de águas calmas... o novo destino que levaria ao mar de sargaços, deixaria atrás um mar morto. Nesta estória, o êxodo de 40 anos teria seguido a direcção ocidental, iludindo a perseguição egípcia que levaria a uma mais natural perseguição oriental, na direcção oposta. Moisés abriria caminho por terra, enquanto que os seus perseguidores seriam iludidos, e teriam sofrido sorte diferente no mar a oriente. Procurando evitar confrontos com as populações ou avistamentos costeiros, a migração seguiria por ocidente, pelo longo deserto saariano, durante longos anos, guiada pela fé de Moisés em atingir o destino ocidental. A última passagem seria agora o estreito de Gibraltar... não logo no início da estória, mas sim quase no fim dela. De início figuraria como propósito, o objectivo traçado que os afastaria definitivamente dos inimigos. Moisés terminaria sem ver a "Terra de Canã", e caberia a Josué conquistar esse território. Faltarão imensos detalhes da estória, contada muito posteriormente... mas sendo negado a Moisés vislumbrar o Atlântico, feita a passagem do estreito, poderia não ter passado o rio Guadalquivir. Quanto a montes sagrados, pois a serra Nevada cumpriu esse papel, mesmo durante o domínio do reino de Granada, com "o vermelho" Alhambra.

Mosaicos no Monte Nebo (Séc. V) - lugar jordano atribuído à morte de Moisés.

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Do outro lado, a evidência é maior... Jabal Musa Monte de Moisés é o nome dado ao monte Sinai, mas também ao monte que está no lado marroquino do estreito! Quando Nabucodonosor II estende o seu domínio para além do Egipto, derrotando Neco II, vai preocupar-se em sitiar Tiro durante vários anos... a Fenícia é conquistada depois do Egipto, aparece em conjunto com a derrota hebraica, mas mais uma vez sem qualquer auxílio de uma eventual Cartago, já então existente. Ao período de deportação, segue-se um longo cativeiro sob regime esclavagista, só terminado com a invasão persa de Ciro II. Camões recupera "Sôbolos rios que vão por Babilónia", bem conhecido dessa diáspora hebraica, ainda que num contexto diferente... o Sião já é outro. A cidade cantada como Sião é identificada a Jerusalém, afinal poderia ser outra, situada numa outra costa ocidental?

Jebel Musa (monte de Moisés), mesma designação: no monte Sinai, e num dos pilares de Hércules.

Outro nome, Hebron, sem H revela-nos Ebron... e se o rio Ebro derivava de Ibero, pois a designação Ebreu poderia abreviar a descendência ibérica. Acresce a "nossa" curiosa troca de B por V... já que quando nos referimos a Éber, a grafia hebraica é Éver, havendo vários outros casos semelhantes (por exemplo, Reoboão e Rehavam...). As designações "israelitas", "hebreus", "judeus", podem referir-se não apenas a períodos de tempo distintos, mas também a resultado de migrações e partes geográficas diferentes. A existência de um poderoso Rei Salomão não teria passado despercebida na literatura grega ou egípcia, se o seu domínio se acotovelasse com o Rei Hirão de Tiro, na exígua faixa marítima mediterrânica (que foi depois consagrada a ambos). Seria mais natural uma coabitação entre fenícios e hebreus na extensão ibérica. Isso justificaria aliás as diversas nomenclaturas e origens de povos mencionados, bem como a presença de nomes tipicamente fenícios (como Balaam ou Balak). Seria mais natural uma exploração marítima de Salomão, na pista do mar dos sargaços, na rota do acadiano Sargão. A terra prometida iria agora mais além do que o exíguo território que se colocava na tradição israelita. Seria essa memória que ficaria na tradição posterior, aquando do cativeiro na Babilónia. Aliás, a separação hebraica dá-se a seguir a Salomão, havendo posteriormente uma conquista por Sargão II, agora Assírio, pelo que uma Jerusalém independente em Israel estaria sob diversas vicissitudes da região...
Cativeiro na Babilónia (c. 600-537 a.C.)

Nesta estória, são também os hebreus ibéricos que são deportados. Quando Ciro II concede a libertação desses escravos, eles serão recolocados no reino de Judá, perdendo-se a anterior ligação ibérica, quiçá apenas mantida no nome alternativo hebraico. Estando perdida uma parte apreciável da memória, por eliminação das elites em cativeiro, grande parte da história foi reescrita nessa altura persa de Ciro II e redireccionada para o único território admissível, Israel. Uma eventual remniscência foi depois recuperada pelos judeus sefarditas, na sua nova diáspora por terras ibéricas, na altura dos descobrimentos. Talvez se tenha tornado claro que as descrições do período de Salomão se poderiam adaptar a uma presença ibérica, e assim justificar a perda de todos os registos.
Alvor-Silves, publicado em 15 Jan 2011

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de Luanda e de Angola à contra-costa...

Continuamos com o registo precioso do Cardeal Saraiva sobre as viagens portuguesas. Saraiva queixase frequente da forma pela qual os franceses procuravam reescrever o nosso período de descobrimentos. Um dos problemas era justificar a limitação dos portugueses ao território descoberto entre 1498 e 1514, sempre com D. Manuel (adicionase o Japão trinta anos depois, com D. João III). Em particular, era invocado pelos franceses uma falta de curiosidade de explorar o interior dos territórios... assunto que estava em voga na época em que o Cardeal Saraiva escreve o seu texto (anterior às expedições africanas de Stanley e Livingstone). Como exemplo da crítica de Saraiva, apresentamos este excerto sobre uma pretensão francesa para a descoberta de Tombuctu: (Saraiva cita o autor): "A sua viagem é anterior a 1670. Ele acompanhava seu amo, Português renegado, enviado a Tombuctu pelo governador de Tafdet" ; (Saraiva então escarnece) : aonde achamos notável que o douto escritor nomeie o francês Imbert como primeiro Europeu que chegou a Tombuctu sem advertir que o Português, amo de Imbert, naturalmente iria adiante do seu criado, e entraria primeiro na cidade! O protesto do Cardeal Saraiva é contínuo, e suportado por documentação, em que se mostram diversas ordens de expedição ao interior de África para a ligação entre a costa ocidental e oriental. Saraiva vai mais atrás e relata a crueza das explorações terrestres, logo no início... Gama e Cabral levavam criminosos, que lançavam em diversas paragens na costa com instruções de penetrarem no interior, tanto quando possível. João da Nóvoa em 1501 teria encontrado um António Fernandes em Quíloa, lançado por Cabral em Melinde. Cyde Barbudo e Pedro Quaresma tiveram instruções de ir do Cabo da Boa Esperança até Sofala. Fala depois duma expedição de Francisco Barreto em 1569, seguido por Vasco Homem, que chegaram às terras de Monomotapa e às minas de Chicova, Rutroque, Chicanga e Mocarás... É particularmente interessante a citação que faz ao Padre Manoel Godinho em 1663:

O caminho de Angola por terra à India não é ainda descoberto, mas não deixa de ser sabido, e será fácil em sendo cursado (...) quem pretender fazer este caminho de Angola a Moçambique, e daqui à India, atravessando o sertão da Cafraria deve demandar a sobredita lagoa Zachaf, e achando-a descer pelos rios aos nossos fortes de Téte e Sena, destes à barra de Quilimane, de Quilimane a Moçambique, etc. Que haja a tal lagoa dizem-no não só os Cafres, senão os Portugueses que já lá chegaram, navegando pelos rios acima, e por falta de prémio se não tem descoberto até agora este caminho. (...) Este registo é aliás invocado por Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, no seu livro posterior, "De Angola à contra-costa", 1886, acabando de concretizar essa ligação, que lhes foi oficialmente reconhecida... embora esse (re)feito nacional esbarrasse com o ultimato inglês sobre o mapa cor-de-rosa! Dizemos (re)feito, porque Saraiva é claro: Finalmente, no ano de 1807, sendo Governador e Capitão-General do Reino de Angola (...) António Saldanha da Gama, Conde de Porto Santo, se realizou, de mandado dele, a primeira expedição de Luanda à contra-costa, a qual voltou no ano de 1809, trazendo a embaixada dos Molluas, nação que já comerciava com Moçambique. Imediatamente enviou o digno Governador outra expedição com ordem expressa de ir até Moçambique, o que efectivamente se executou, voltando esta expedição a Luanda com cartas de Moçambique estando já a governar Angola José Oliveira Barbosa.

1885 - Capelo e Ivens: - de Angola à contra-costa Enquanto quase 80 anos antes (1809) - de Luanda à contra-costa Capelo e Ivens vão honrar com nome similar a sua viagem, e usam uma citação esclarecedora, agora do francês L'Abbé Durand (em carta à Soc. Géographie de Paris, 1880), no início do seu texto: L'Afrique intérieure a été découverte et parcourue par les Portugais au XVI siècle... Les portugais de cette époque connaissaient mieux l'intérieur de ce continent, la Région des Lacs, etc. qu'on ne la connaît aujourd'hui... Livingstone a donc retrouvé seulement ce que les anciens portugais avaient découvert, et encore il s'est servi de renseignements portugais sans avoir la loyauté de le dire.

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Capelo e Ivens fazem relato semelhante ao do Cardeal Saraiva, podem acrescentar novos nomes, como o de Silva Porto, e explicam o não reconhecimento desta viagem... porque Saldanha da Gama encarregara um tenente Honorato de enviar Pedro Baptista e Amaro José, que não foram considerados homens que garantissem "o mais singelo valor científico" à viagem. António Saldanha da Gama será o representante de Portugal no Congresso de Viena, em conjunto com o Duque de Palmela. Este feito de 1807-09 não terá sido reconhecido pela posterior Conferência de Berlim, em 1885, pelo que Ivens e Capelo repetiram a proeza, de acordo com as normas estipuladas na conferência, para direito colonial.. É notável que passados séculos, os procedimentos não tenham mudado em nada. Continua a ensinar-se uma versão oficial que distorce os feitos, e o contexto em que foram produzidos. Como se viu, Stanley e Livingstone limitaram-se a calcorrear caminhos já gastos, ficando com louros para a glória vitoriana, acordada com Leopoldo II. Um Victoria's Secret... afinal congeminado na corte europeia de Bruxelas por Leopoldo I, permitiu uma partilha de África que agradava à Prússia de Bismark, e reordenou a velha ordem com um novo fôlego. Este processo de descoberta, de atribuição deslocada, imprópria, condicionado pela política, não terminou no Séc. XVI, nem no Séc. XVIII ou XIX... e como é óbvio é claro que não terminou depois. Nem tão pouco este processo de glorificação pessoal se resumiu às explorações territoriais... todo o processo de descoberta, mesmo científica, teve o seu processo de escolha de heróis glorificados. Por essa razão nada disto é ensinado, e a História e os seu feitos singulares, envolvem-se num conjunto de enfabulações destinadas a moldar a nossa percepção...
Alvor-Silves, publicado em 21 Jan 2011 Gravura no livro de Capelo e Ivens (1886).

O Cardeal Saraiva que morre em 1845 já não presenciará esta repetição... não sabemos como a sua ironia descreveria o ridículo da situação. Como é habitual, já não encontramos referências actuais ao feito ordenado por Saldanha da Gama... e que certamente era já uma repetição continuada. A História com a sua real-politik obrigava a escrever Capelo e Ivens como descobridores desse interior africano. Será como dizer agora, que se comemoram os cem anos, que Amundsen não foi o primeiro a chegar ao Pólo Sul, porque afinal não estavam presentes 1000 pessoas como testemunhas. Abria-se nova corrida ao Pólo Sul e, passados alguns anos, a História ignoraria o feito de Amundsen... que convenhamos, dado o contexto, não é nada claro que tenha sido o primeiro! Nada disto era novo... afinal a certificação da viagem de Colombo, de Cook, e de tantos outros, passou por um processo de chancela. É óbvio que não se trataram dos primeiros descobridores!...

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Passarolas e Balões

Com Bartolomeu de Gusmão ocorreu a mais notável e estranha proeza científica nacional... em 1709 teria sido o primeiro a criar uma máquina voadora. Como desde o tempo dos descobrimentos foram sempre muito secretas quaisquer proezas científicas, este é um caso singular. Começa por ser singular num aspecto raramente mencionado... Bartolomeu, brasileiro de Santos, teria apenas 24 anos quando construiu a máquina, e a apresentou em Lisboa perante a corte e o povo. A recepção popular granjeou-lhe a fama de voador, já a recepção cortesã só lhe trouxe problemas, e rapidamente se recolheu à Universidade de Coimbra, para a disciplina de Direito Canónico... e só é revisto numa lista de 30 pessoas com que o Conde da Ericeira formou a Academia Real de História. Morrerá aos 37 anos no degredo, escapando à Inquisição, em Toledo.

Os conhecimentos que temos de aeronáutica tornam ridícula qualquer ideia de que tal máquina pudesse voar. Fala-se por isso de um mau desenho, e que a obra de Gusmão seria mesmo um balão aerostático vulgar, propulsionado pela impulsão dos mais leves... porém nada indica tal coisa nos desenhos! Do que se fala nos desenhos é de magnetos, e âmbar... sendo por isso sugestionada a interpretação de engenho electromagnético. Porém, aqui reside o problema... nada semelhante foi feito desde então. Uma explicação afinal simples, é encontrada num excelente resumo Revista Brasileira do Ensino de Física (2009, vo. 31, nº3) ... e tudo não teria sido mais do que um falso desenho promovido por Gusmão, com a ajuda do jovem 2º Marquês de Abrantes, então com 14 anos. Mencionar o âmbar e os magnetos seria algo que fascinaria a atenção da época... mas também a suspeição. Acrescenta-se que a inspiração para o despiste, poderá ter origem num outro desenho mais antigo:

O espanto foi de tal forma grande que terá permanecido na memória, até ser reabilitado como grande feito... já no início do Séc. XIX, isto porque 75 anos depois, no final do Séc.XVIII, os irmãos Montgolfier seriam reconhecidos como primeiros, com proeza semelhante, no prelúdio da Revolução Francesa. A proeza de Gusmão levanta enormes dúvidas, e com razão... Primeiro, as descrições/desenhos encontrados não permitiram nenhuma reprodução que fosse voadora: Esboços da Passarola, de 1709: em cima, publicado num jornal de Viena, É neste desenho de Francesco Terzi de 1670, que um "balão" é desenhado e assim mencionado... A palavra "balão" tinha outro significado em textos portugueses mais antigos. (...) pelo que voltou para trás, e houve vista da outra frota, e despediu um balão a Francisco da Sylva de Meneses, com recado em que o avisava que eram as Naus dos Holandeses. Chegado o balão com o recado, ajuntou Francisco da Sylva de Meneses na sua Nau todos os capitães(...) Esta nomenclatura "balão" ocorre assim noutro contexto... Cada nau levaria balões - pequenos botes a remos - para rapidamente expedir mensagens. http://alvor-silves.blogspot.com/2011/01/passarolas-e-baloes.html

em baixo, encontrado numa missiva na Biblioteca do Vaticano.

[Cinco livros da década doze, Diogo do Couto, 1645 (capítulo16)]

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O nome "balão", agora em desuso como sinónimo de bote, tinha um significado apropriado colocado nas pequenas embarcações flutuantes. Fica uma dúvida mais legítima... como poderia alguém aos 24 anos, sem nenhum tutor especial, sair-se do zero para uma máquina tão sofisticada, e nunca pensada? Haveria alguma tradição científica que permitisse tal progresso aeronáutico? Aqui uma resposta é o interessante nome Gusmão não é o nome original de Bartolomeu Lourenço... é um nome que ele adopta em honra ao seu preceptor e ministro da corte, Alexandre Gusmão. Bartolomeu Lourenço fará mais algumas invenções interessantes... e conforme é mencionado no artigo da Revista Brasileira do Ensino da Física, de Visoni e Canalle, é muito natural que houvesse uma recuperação de textos antigos de Arquimedes. A biblioteca lisboeta era ainda importante em 1709, e só 46 anos mais tarde seria destruída pelo incêndio que arrasou Lisboa, depois do terramoto. Nos seus primeiros anos de reinado, D. João V, com 20 anos, ainda desafiaria com alguma irreverência a corte... depois as coisas complicar-se-iam. Afinal, o mesmo cardeal que assiste à demonstração de Gusmão na Casa da India será justamente o próximo papa. A fénix portuguesa não iria renascer... ao contrário iria auto-incenerar-se! Suponhamos que Nero ao invés de ser conhecido como "aquele que incendiou Roma", seria afinal aquele que a mandou reconstruir depois de um trágico acidente. Acrescente-se a isso que se promulgava, a partir daí, que antes de Nero Roma estava em decadência. Pois... Portugal após a regência de Pombal não ficou mais próximo dos outros reinos europeus, ao contrário consolidou definitivamente uma margem inalcançável. Foi chamado progresso ao que não se destruiu, e foi pintada uma Lisboa medieval, antes de Pombal. Tudo poderá não ter passado de um maquiavélico plano de propaganda... De D. João V ficaram vários monumentos, e uma tentativa de renascimento, do seu filho D: José e do seu marquês, ficou um terramoto, e uma pressuposta auto-elogiada reconstrução. Nada mais? Uma ditadura sanguinária e uma censura temível...
Alvor-Silves, publicado em 28 Jan 2011

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Heliocentrismo e Evolucionismo (2)
Conforme já referimos, o heliocentrismo e o evolucionismo retiraram o Homem do seu papel central anterior. Estamos de tal forma habituados a aceitar esta perspectiva científica que não damos conta da orfandade a que fomos remetidos nessa visão. A frieza científica reduz a espiritualidade humana a uma opção psicológica, no sentido de lidar com o seu fim anunciado e irremediável. Do ponto de vista espiritual, a mesma ciência nada oferece como resposta, limita-se a deixar os homens órfãos perante uma natureza implacável... como um acidente combinatório provocado por uma sequência genética. Faltará a prova impossível... a fabricação de uma consciência artificial, sendo certo que a manifestação de inteligência artificial não será difícil, nem trará nada de novo. Há já manifestações computacionais de pretensa inteligência, que nada acrescentam à questão principal. A inteligência de índole material, como a capacidade de cálculo, é apenas uma adaptação fisiológica... tal como será uma visão apurada, ou a excelência num certo ofício. Essas podem ser simuladas computacionalmente... a inteligência humana revela-se na capacidade criadora, e não na imitadora. Quando em 1859 Darwin apresenta a "Origem das Espécies" usa uma verdade de La Palisse: - os organismos que não se reproduzem, não deixam uma árvore de descendência. Apesar de simples, a observação não deixa de ser importante, e aparentemente original quando associada à justificação das espécies. Nenhuma novidade seria aí vista pela aristocracia... esta perspectiva animal estava há muito presente na preservação das linhagens. Não esperariam concerteza é que isso implicasse traçar a sua linha de progenitores a um qualquer primata africano... eficazmente, a árvore parava em Carlos Magno. Se é evidente o argumento de Darwin, a sua única pertinência não trivial - justificar assim toda a diversidade animal, ficou sempre por demonstrar.

Ou seja, é óbvio que a sobrevivência de indivíduos vai seleccionar possibilidades, pela semelhança de características com os progenitores - o factor dessa selecção estará sempre presente, mas seria suficiente para justificar toda a diversidade? Há um contraponto interessante com a anterior teoria de Lamarck que admitia uma transmissão condicionada pela própria experiência da geração anterior. Se a evolução por selecção natural é inquestionável, a transmissão de características experimentadas foi rapidamente esquecida, e serviu apenas para ilustrar a maior pertinência de Darwin. No entanto, de entre todas as possibilidades genéticas, não é claro como se processa a escolha, e de que forma ela é completamente aleatória. Não sendo completamente aleatória, será ou não de considerar uma influência da própria vivência do progenitor. Esta concepção Lamarckiana é tanto mais relevante, quanto é certo que a aleatoriedade pura, é um objecto ideal... que não existe na prática. A evidência de rápidas mudanças, veio colocar em causa a tese da lenta selecção natural.

Novas descobertas, como a de um dente de Homo Sapiens com 400 mil anos, vão questionando as habituais datações e a cronologia humana cuidadosamente estabelecida... Apesar disso, esta seguirá o seu percurso, ocultando ou negligenciando sempre os pequenos detalhes inconvenientes. Por exemplo, a existência das tribos da Patagónia, e algumas ossadas fossilizadas gigantescas:

Com as novas evidências, fala-se agora num regresso de Lamarck...

Os patagões (séc.XVIII)... e descoberta de gigantescos ossos fossilizados

Os relatos à época, referiam gigantes na Patagónia (e noutras partes da América), e isso foi um facto aceite até ao Séc.XIX, altura em que a Argentina independente se interessou pelos domínios a sul, que eram independentes.

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O extermínio dos patagões e tehuelches (começado com os araucanos) até início do Séc.XX, levou a uma estranha consequência - não se conhece nenhuma ossada que ateste essa gigante presença indígena. De assumido facto relatado até ao Séc.XVIII, passou à história como mito. Não discutimos aqui as teorias de Darwin ou Lamarck... há um aspecto mais notório que permite traçar a evolução - a concepção do feto. Os passos evolutivos são reproduzidos na gestação, e por aí é fácil traçar as semelhanças e diferenças (por exemplo: chimpanzés, gorilas, orangotangos, têm tempos de gestação entre 8 e 9 meses, próximos dos humanos). Há claramente uma linha de gestação que molda uma evolução e o suporte comum. A teoria de Darwin nada acrescenta de definitivo para além disso, constata apenas a trivialidade do fim de uma espécie sem descendentes. A própria visita "naturalista" de Darwin às Galápagos não seria inédita, já que Tomás da Berlanga teria também trazido algumas espécies, quando aportou em 1535. O próprio nome "Galápagos" revelava já a notabilidade das suas tartarugas... (que sendo o seu nome em grego talvez evidencie conhecimento anterior). Mais do que a visão naturalista darwinista, a opção benigna de reduzir o Homem à sua componente natural retirou-lhe, posteriormente, o carácter espiritual... como se isso fosse apenas mais um passo evolutivo. Não serviu para aproximar os animais dos homens, serviu para aproximar os homens dos animais. Esta dialética esteve ainda na escravatura - o problema dos não-abolicionistas foi colocado no medo de que todos se tornassem "escravos do sistema", sob o pretexto de libertar alguns!
Alvor-Silves, publicado em 29 Jan 2011

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Tiahuanaco e Baalbec
Encontramos muitos registos soltos, e cada um poderia dar para um artigo... porém é difícil encontrar um registo que dê para muitos artigos. É o caso do enorme trabalho de E. G. Squier, um americano pouco conhecido, que calcorreou a América Central e a América do Sul, fazendo um trabalho historiográfico notável. As suas gravuras do Séc. XIX estão ao nível de qualidade fotográfica... e ensinam-nos muito sobre o que estava e o que restou! Squier chama a Tiahuanaco, a Stonehenge, da América do Sul! a Baalbec ou

Mais interessante (... e há tanta coisa interessante nos relatos de Squier), é a sua gravura da outra porta, a porta da Lua, que ele chama "mais pequena“:

O notável é que haveria um enorme megalito que tombava sobre essa porta, e que pura e simplesmente desapareceu!... Não seria o único megalito rectangular. A razão pela qual Squier lhe chamava Stonehenge americana, está aqui:

Tal como no caso de Stonehenge, as pedras de Tiahuanaco foram movidas e recolocadas posteriormente.

"Porta do Sol" de Tiahuanaco à época de Squier (1863, publ. 1877)

Os megalitos rectangulares, estruturas verdadeiramente notáveis, e invulgares, apareceriam na paisagem numa sucessão, como num cromeleche. Porém, também estes megalitos vieram a desaparecer do registo de Tiahuanaco.
Pela sua singularidade, não vamos negar que nos fizeram lembrar os megalitos rectangulares que Kubrick ilustrou no seu "2001, Odisseia no Espaço", e afirmações de Buzz Aldrin sobre a existência de um megalito em Phobos, satélite de Marte!

Sequência de megalitos em Tiahuanaco, à época de Squier (o registo/foto semelhante foi coberto com paredes)

"Porta do Sol" de Tiahuanaco, conforme é apresentada hoje... o monumento foi parcialmente desenterrado, e os blocos juntos!

Destas primeiras imagens torna-se óbvio que houve alteração, podendo essa alteração ter inclusivé mudado a posição e orientação do monumento. Deve por isso ter-se sempre atenção este facto quando se analisam posições solares de monumentos que foram sujeitos a alteração posterior... e há imensos ditos sobre isto. A melhor análise científica vale zero, se não considerar a deturpação histórica...

Squier mostra ainda o amontoado de pedras rigorosamente talhadas, feito notável e difícil de conseguir mesmo nos standards do Séc. XIX, e também aquilo que ele pensava ser um "modelo em escala" de um outro templo, incrustado numa rocha.

Amontoado de pedras em Tiahuanaco conforme Squier (à esquerda), e (à direita) pedra inscrustada com possível modelo/planta de templo.

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Squier segue um percurso por diversos monumentos notáveis que encontrou na sua viagem pelos Andes, e um site muito bom, com fotos actuais que seguem a mesma pista, é de D. Pratt, poupando-nos o trabalho de reescrever o muito que já foi escrito. Notamos apenas que o posterior trabalho de alvenaria inca, usa ainda de junções milimétricas, mas não segue linhas geométricas tão bem definidas. Mais do que construir, perante a impossibilidade de destruir, talvez tenha sido ideia romana ocultar as pedras ciclópicas sobre uma nova construção que dedicariam a Júpiter. Mitologicamente adequado, já que Júpiter fazia uso dos cíclopes, filhos de Gaia e Úrano, para forjar armas contra Saturno e os titãs. Há assim vários pontos de contacto, com estruturas megalíticas, de grande precisão, que ocorreram em tempos remotos, e muitas vezes identificadas impropriamente a estruturas romanas (como nos parece ser o caso de Centum Cellas). Essa civilização megalítica seria talvez lembrada pelos toscos menires europeus, cuja origem é talvez celta, mas teria tido um outro apogeu, bem anterior... seria uma civilização de gigantes, de ciclopes, de titãs? Disso apenas nos restou alguma mitologia e certas ossadas que parecem ser ocultadas...
Alvor-Silves, publicado em 30 Jan 2011

Essa geometria não perfeita pode ser considerada um retrocesso, mas não o é necessariamente... estas junções adaptadas funcionariam melhor numa região andina sujeita a intensos terramotos. Não havendo linhas de ruptura facilmente identificadas, a estrutura resistiria por diversos ângulos aos movimentos terrestres. A resistência das muralhas incas acaba por ser prova disso. Squier não tem dúvidas em associar estas estruturas megalíticas a uma época remota, ligando aos mais notáveis de todos os megalitos... os de Baalbek, ou Heliopolis, cidade Fenícia de que já aqui falámos:

O enorme megalito rectangular de Baalbec

Falamos dos maiores megalitos do mundo, estimados em mais de 1 milhão de quilos... a força humana para a proeza de levantar tal coisa, cifra-se em dezenas de milhares de homens! A posterior construção romana parece tacanha sobre alguns dos megalitos, conforme se evidencia em certas imagens:

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Giroflé-Girofla
Giroflé-Girofla é uma ópera bufa (com tudo o que o cómico pode delatar) de 1874 de Charles Lecocq. No enredo temos um Don Bolero com dificuldades financeiras, que procura contornar com a ajuda da esposa Aurora, casando por conveniência as filhas gémeas: Giroflé e Girofla. Casam-se com os credores do pai - um rico comerciante, e um chefe mouro, que o ameaçara de morte. Porém, com o rapto de uma delas, a outra vê-se numa situação cómica de ubiquidade, procurando substituir a irmã, para que o marido dela, líder mouro, não note a sua ausência. Giroflée-Girofla é ainda uma canção de denúncia e resistência contra a subida de Hitler ao poder, composta em 1937. Que tu as la maison douce Giroflée Girofla L'herbe y croît, les fleurs y poussent Le printemps est là. Dans la nuit qui devient rousse Giroflée Girofla L'avion la brûlera. (...) Giroflé-Giroflá é finalmente mais conhecida como canção infantil. A letra francesa é razoavelmente diferente, próxima do enredo da ópera. No caso português ficou limitada ao jardim Celeste e à busca da Rosa. Bom... e o que é afinal o Giroflé?

Vendo as coisas a esta distância, talvez isto fosse um post mais apropriado para o 25 de Abril... no entanto há coisas que aparecem nos nossos espíritos, por santas campanhas repetitivas que soam como campaínhas. A ópera de Lecocq poderia reflectir uma dualidade francesa na partilha colonial do mundo que ocorreria na conferência de Berlim, dez anos mais tarde (1884). Os intervenientes em dívida, e a contemplar no casamento poderiam bem incluir um rico comerciante europeu e um chefe mouro... o Giroflé, esse vem ainda hoje de Madagascar. Porém, Don Bolero, era claramente um personagem espanhol. Depois, para além da posição ambígua tomada aquando da ascensão de Hitler, a simples transcrição da canção infantil para o caso português terá sido simples e fortuita... é óbvio que o cravo com se quis marcar a revolução de 25 de Abril nada a tinha a ver com especiarias, nem a canção se chamava Oeillet, Oeillat... O cravo, cujo nome vulgar é ainda Oeillet Giroflé, era cantado pelas crianças, ainda antes de 1974 (data em que a ópera fazia cem anos). Uma pequena manifestação subtil de coordenação de vontades, para além da vontade reinante... Não indiciando certamente nenhum prelúdio de acontecimento, que registo ficou desta admirável coincidência? Passado pouco tempo, outra palavra "o crava" entrou rapidamente no jargão, e em espírito irónico falava-se na "revolução dos cravas". Uma simples mudança no final... Girofle, Girofla! E em tempo de cravas, continuaremos a ouvir as crianças a cantar: Giroflé, Giroflá... o que foste lá fazer? Fui lá buscar uma rosa...
Odemaia, publicado em 10 Jan 2011

Cravo - especiaria (Girofle, em francês)

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Locomotiva Russa
Estávamos avisados para a diferente educação russa, que colocaria russos na invenção de muitas coisas que fomos habituados a atribuir a outros, normalmente na Inglaterra, França ou Alemanha. Porém, acabámos por não saber quem eram esses outros inventores... a educação russa terá ficado entremuros e dificilmente cativará o mundo ocidental para acomodar os seus numa nova versão histórica de personalidades. Fui surpreendido ao ler a pretensão de que a lâmpada eléctrica teria sido inventada por Alexander Ladygin, conforme se encontra neste artigo descritivo da North American Review:
A locomotiva dos Cherpanovs agora tida apenas como primeira locomotiva russa..

Agora, mais importante que esses esquecidos Cherepanovs, é uma promessa do hóquei, curiosamente denominado Cherepanov, Siberian Express. Os motores de busca não têm dúvidas de quem apresentar em primeiro lugar.

Da mesma forma que quem procurar Cândido Costa será presenteado com um jogador do FC Porto, e não encontrará o escritor português. Estas coincidências repetem-se, e uma das que mais me surpreendeu foi a de Olavo Bilac.

Acontece que esta própria relevância nada tem de estranho, sendo facilmente justificada. Independentemente disso, condiciona a informação a que temos acesso. A história só pode ser contada por quem tem capacidade de fazer ouvir a sua voz... as outras histórias ficam guardadas pelos mudos, condenadas ao progressivo desaparecimento. A indiscutível presença espacial americana e russa poderá não passar de uma pequena lembrança quando os dados forem jogados de novo - Alea jacta est... e o que era deixa de ser, tal como aconteceu com as navegações portuguesas, ou outras anteriores. O registo que nos parece perene e intemporal, é tão somente acaso da conjuntura política de cada época, procurando influenciar as gerações futuras. Aquiles não existiria sem Homero, e sem o relevo que os escritores posteriores lhe consagraram. A maior obra pode passar completamente esquecida e ser apropriada posteriormente, na altura considerada certa, e atribuída como recompensa a alguém conveniente. Lendo os textos portugueses à altura dos descobrimentos, percebe-se perfeitamente que os nossos autores adivinhavam esse esquecimento programado. Por outro lado, sabiam perfeitamente, e escreviam-no, que muito desse conhecimento português era apenas fruto de uma reedição de conhecimento antigo, aparentemente perdido.
Odemaia, publicado em 17 Jan 2011

É óbvio que o período das invenções singulares, na transição para o Séc. XX, trouxe várias disputas sobre a autoria dos inventos. Edison está no meio delas, na sua disputa com o genial Nikola Tesla, e aparece agora ligado à própria criação anterior da lâmpada eléctrica. O nome Ladygin era-me desconhecido, e nem tão pouco consta da wikipedia (ao contrário do nome do autor do artigo Emil Draitser).No entanto, seria uma referência vulgar na escola soviética, tal como a Locomotiva dos Cherepanovs ser anterior à de R. Stephenson, conforme se pode ler no artigo.

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... e Vénus aqui tão perto

Desde 1975... já lá vão mais de 35 anos que a nave russa Venera 9 enviou imagens da superfície venusiana, depois em 1982 tivémos as últimas das Venera 13 e 14:

A sonda Magellan em 1994 terá calado alguma suspeita de desinteresse por Vénus, mas de facto apenas produziu imagens por interpretação de dados. As imagens artificiais obtidas com o sistema SAR, mostraram-nos coisas semelhantes à Lua, Marte ou Mercúrio:

Pseudo-imagem da superfície de Vénus pelo sistema SAR

Por grande azar das aterragens, as imagens foram sempre parecidas... Desde há praticamente 30 anos que Vénus não teve mais visitas. Os americanos nunca enviaram nenhuma sonda com objectivo de tirar fotografias da superfície... ao passo que enviaram múltiplas sondas a planetas muito mais distantes. O último interesse parece ter sido europeu, através da Venus Express que terá detectado actividade geológica, mas tal como a americana Magellan, não foi enviada nenhuma sonda à superfície. Os argumentos são vários, desde há muito... o efeito de estufa CO2, colocará a temperatura da atmosfera acima de 400ºC. Coisa que parece não ter afectado muito as sondas russas, há 30 anos... A NASA, sempre gostou de nos presentear com a sua galeria artística, misturando imagens fabricadas com fotos. Para além de ciência, a NASA preza muito a pintura, produzindo quadros de qualidade discutível, para ser apreciada pelo grande público:

Afinal, apesar de ter uma densa atmosfera, pior que a da Terra, Vénus parece também sujeito ao grande impacto de meteoros... esse é aliás um problema de Mercúrio, que é uma lua com imensas crateras:

Imagem de Mercúrio

Em contraponto, colocamos aqui as notáveis imagens de Saturno e dos seus anéis, enviadas pela sonda Cassini. Uma das luas de Saturno, Dafne, tem a particularidade de orbitar no meio dos anéis...
Imagem dos anéis de Saturno

Quanto a Vénus, é certo que as nuvens mantêm o desinteresse e o melhor que se pode arranjar para o planeta mais perto da Terra, são imagens assim:

Afinal, para quê mostrar uma imagem correcta, se podemos desenhar um quadro bonito? Não é bem desenhar a Lua com uma expressão facial, mas não anda longe!

Vénus: imagem em cor real (Mariner 10), e em infravermelho (Galileo)

É notável não haver uma imagem nítida, tirada pelo Hubble, ou similar, ao planeta mais perto da Terra... todas as restantes resultam de tratamento após simulações computacionais!

Odemaia, publicado em 20 Jan 2011

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 1.

A electricidade e a luz…
É bem conhecida a afirmação de Einstein que estabeleceu como dogma na sua teoria: - nada se propaga mais rapidamente do que à velocidade da luz (no vácuo). Haveria pouca evidência experimental relevante da sua teoria, mas a aceitação foi quase absoluta em termos da comunidade científica, em pouco tempo. Sem razão aparente, todos aceitavam um máximo de velocidade, como se tal fosse natural, e nunca se tivesse falado em nada mais rápido... Não é bem assim. Fomos encontrar, num artigo de 1866 do Intelectual Observer, a seguinte tabela:

Porém, estas coisas vão mudando com os tempos... e encontramos um artigo na Scientific American (18 Junho 2010): Faster-than-light electric currents could explain pulsars A introdução do artigo é ilucidativa: Claiming that something can move faster than light is a good conversation-stopper in physics. People edge away from you in cocktail parties; friends never return phone calls. You just don't mess with Albert Einstein. Não se trata exactamente do mesmo assunto... mas não é de deixar ficar surpreendido. • Primeiro, porque houve uma pretensa medição correcta acima da velocidade da luz. • Segundo, porque o dogma de Einstein acabou definitivamente com essas considerações. • Terceiro, porque apesar de evidências que tornam difícil continuar a aceitar o dogma de Einstein, as novas experiências que se vão realizando começam a desafiar o silêncio... e o politicamente correcto pode começar a estalar o verniz académico Quando se assume a propagação de uma partícula, pois o fotão é aquele que temos como partícula elementar mais veloz... No entanto aqui não se trata de supor isso! Como no caso do pêndulo de Newton: A velocidade de propagação do sinal entre as 3 bolas estáticas, parece instantânea, pois é muito superior à velocidade do movimento da bola que embate. Essa é uma velocidade de propagação interna, que neste caso se propaga enquanto onda de choque à velocidade do som. Da mesma forma, é diferente assumir-se a velocidade do fotão (que se move), relativamente ao sinal electrónico transmitido pelos electrões na camada superior dos átomos metálicos... e este poderá ser mais rápido. Tal como no pêndulo, o último electrão sai, quase instantâneamente... tudo depende da propagação do sinal, do choque, a nível intra-atómico. Estas considerações não fazem parte das teorias físicas estocásticas habituais a nível intra-atómico, pois aí o conceito de partícula é meramente estatístico.
Odemaia, publicado em 27 Jan 2011

O que é surpreendente, é haver uma tabela com valores praticamente correctos para todas as velocidades, e aparecer uma velocidade superior à velocidade da luz... a "velocidade da electricidade": 464 000 Km/s. Ora tem sido bastante desacreditada a velocidade da electricidade, dizendo-se que os "electrões são lentos", e que só por efeito dominó, o resultado da velocidade será maior. Desconheço a base destes valores apresentados, nem tão pouco que experiências foram feitas para a medição, e sob que condições (por exemplo, se seria um valor máximo, ou médio...). Ao longo dos anos, manteve-se esta ideia da electricidade ser muito mais lenta que a luz, apesar de ser quase uma constatação prática sermos presenteados com velocidades altíssimas. Ninguém se lembra de ter um delay na resposta quando efectuava um telefonema para a Califórnia ou para a Austrália... e falamos de cabos não ideais, em condições de passagem por vários circuitos.

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 1.

João de Lisboa, 1514

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Janeiro de 2011
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