Revisto histórico... Alvor-Silves & Odemaia Fevereiro de 2011. Volume 2, nº 2.

Alinhamento piramidal

Pensacola & Zapatera
(página 3)

Âncoras Suiças
O Alinhamento das pirâmides de Gizé leva-nos a um meridiano que junta a linha dos Camarões, que inclui as ilhas de St. Tomé e Príncipe, ao Estreito de Magalhães (outrora Cola do Dragão), ou ainda a Heliopolis (Baalbek) e ao Monte Ararat…
(página 6)

(página 2)

Cáspio

A última viagem de Gulliver a Lilliput
(página 22)

Erro na Longitude?

Ou como um aumento do nível do mar torna consistente algumas descrições feitas em mapas antigos… Mares que passaram a lagos, como o Cáspio, ou ainda lagos desaparecidos, como o Parime.
(página 12)

A. Carvalho da Costa (1682) explica em poucas linhas como o problema da longitude não era inultrapassável.
(página 10)

Alvor-Silves 2 ... Âncoras Suiças 3 ... Pensacola e Zapatera 4 ... João de Lisboa, piloto de Magalhães 6 ... Alinhamento piramidal 8 ... Idade do Bronze e Oricalco 10 ... Erro na longitude? 12 ... Cáspio 14 ... Porto de Mós e Dom Fuas 16 ... Mar Eritreu, vulgo Vermelho 18 ... Taybencos, a que agora chamamos Chins 20 ... A última viagem de Gulliver a Lilliput Odemaia
22 ... Axum e Lalibela, 23 ... Alinhamento piramidal (cont.) 24 ... Romanas maiúsculas 25 ... Tasmânia .-muralhas de Jerusalém

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Âncoras suiças
Fala-se frequentemente das evoluções climáticas e geográficas que podem ter ocorrido durante a história da Terra, e em particular durante a presença humana. A teoria de que o planeta teria saído de uma idade do gelo há 12 500 anos é do suiço Agassiz. Se houve mudanças climáticas recentes assinaláveis, o mesmo já não se pode dizer de alterações geográficas. Essas grandes mudanças são reportados a períodos de milhões de anos... eventualmente os únicos testemunhos de tais mudanças seriam contemporâneos de dinossauros. É claro que são reportados achados de pegadas humanas em conjunto com as de dinossauros - coisa típica de sites criacionistas, e difícil de atestar a veracidade ou não.... afinal um achado desses implicaria uma revisão de toda a enfabulação "científica" de datações. Neste momento deveria dizer que sendo possível datar com seriedade a evolução terrestre, também seria do universo... e isto só não é uma piada, porque é suposto ser teoria científica aceite a datação do universo! Afinal, as amibas também podem construir uma teoria semi-consistente do seu universo, antes de serem confrontadas com um corante na lamela do microscópio. O que se passa é simples, e bem conhecido estatisticamente - com um conjunto qualquer de dados pode fazer-se uma teoria e uma extrapolação que se adaptará à maioria dos casos conhecidos... quando há dados que caem fora do intervalo, pois esses dados são tornados secretos e eliminados. Chama-se a isto manipulação científica - quem aceita está dentro, quem não aceita fica de fora. Vem esta introdução a propósito do relato de António Galvão sobre achados na Suiça:

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Galvão faz este relato nos anos 1560's, e só encontramos figuras ilustrativas na Austrália, em Wreck Beach

[várias âncoras incrustadas na rocha, pretensamente ocorridas em 2 naufrágios no Séc.XIX, na Austrália]

Que os ingleses levaram Galvão muito a sério, e traduziram-no antes de começarem os seus descobrimentos, é facto assente, como já aqui mencionámos várias vezes. Nós também levamos, e se Galvão escreve que era relatado esse achado na Suiça, é porque ele daria crédito a essa informação, que circulava na época. Âncoras e cascos de navios incrustados nos Alpes... Dir-se-ia que isto seria um daqueles segredos do Vaticano, guardado pelos suiços, desde essa época, ou talvez um pouco antes, desde 1506:

(...) "Assim contam que acharam cascos de naus,

[guarda suiça no Vaticano desde 1506]

âncoras de ferro, nas montanhas da Suissa, muy metidas pela terra, onde parece que nunca houve mar nem água salgada".

Alvor-Silves, publicado em 1 de Fevereiro de 2011

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Pensacola e Zapatera

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Continuamos com um dos relatos das viagens de E. G. Squier, neste caso à Nicarágua, onde encontramos registos de estátuas interessantes. Squier vai abordar ainda a questão do Canal... na hipótese de vir a ser na Nicarágua e não no Panamá, como depois veio a ser escolhido. Comecemos por apresentar os "ídolos de Pensacola", conforme Squier lhes chamava:

A menção à pequena ilha Pensacola (que Squier coloca à distância de tiro de canhão do antigo castelo de Granada) parece ter desaparecido, e todas as estátuas são identificadas à ilha grande, Zapatera. A confusão com o nome Pensacola, chega mesmo a várias batalhas, com mesma designação. Nessa ilha de Zapatera, no lago da Nicarágua, são encontradas outras estátuas notáveis, e com algumas característica semelhantes:

Estátuas de ídolos em Zapatero - desenhos de E. G. Squier Estátuas de ídolos em Pensacola - desenhos de E. G. Squier

Através destes desenhos, vemos que se enquadram bem nalguns mitos, e poderá quem queira ver nelas algum factor alienígena. Quanto às estátuas originais, chegámos a duvidar se ainda existiriam... inicialmente só encontrámos os desenhos de Squier e também no trabalho um pouco posterior do sueco Carl Bovallius, na obraNicaraguan Antiquities (1886), que é focado em Zapatero - ilha de Zapatera. Porém, acabamos de localizá-las num museu de Granada (Nicarágua), consideravelmente mais degradadas:

São alguns destes desenhos que vamos encontrar de novo na obra de Bovallius, alguns anos mais tarde. A forma acidental como eram encontrados nas florestas da Nicarágua denota que havia bastantes vestígios ainda no Séc. XIX, já depois da inspecção e inquisição espanhola. Talvez pelo facto da Nicarágua ter conseguido resistir ao primeiro ímpeto invasor, e ter mantido uma resistência prolongada nas montanhas. O destino posterior destes vestígios, seria muito naturalmente, no Séc. XIX, a ida para museus ou colecções privadas... Squier parece ter participado nisso. É pelo registo posterior de Bovallius que entendemos o destino de algumas estátuas: The statues were less well preserved, and had evidently been subjected to greater violence, probably also to attempts at removal. Indeed we know through Squier, that such has been the case.Some statues had been transported to Granada before his visit, and Squier himself sent some to Washington.
Alvor-Silves, publicado em 5 de Fevereiro de 2011

As estátuas de Pensacola/Zapatera num museu de Granada, Nicarágua. Têm os nomes "montezuma" e "el diablo".

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João de Lisboa, piloto de Magalhães
É frequentemente aqui citado o Tratado ou Livro de Marinharia de João de Lisboa, porém tinha-nos escapado um detalhe importante, que encontrámos na obra "História Geral do Brasil", do historiador brasileiro Francisco Adolfo Varnhagen (1816-78, visconde de Porto Seguro):

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Francisco Varnhagen

A certa altura, sobre a viagem de Magalhães, Varnhagen começa por notar que Magalhães teria começado por tentar mudar o nome do Rio de Janeiro, para Baía de Santa Luzia... facto de menor importância, mas que ilustra que num dos objectivos da viagem de Magalhães se encontraria uma renomeação dos vários pontos geográficos conhecidos (página 31, do Tomo 1): Façamos porém excepção em favor da pequena frota do primeiro circum-navegador Fernão de Magalhães. Em vão quiz este mudar para bahia de Santa Luzia o nome do golfo, em que aportou no dia do orago daquella santa, e ao qual os primeiros navegantes chamaram tão impropriamente Rio de Janeiro. Deixemo-lo passar adiante sem detença; que o resoluto nauta portuense tem reservadas para si paginas mais brilhantes na historia das navegações em torno do globo, que ele emprehendeu levar avante a preço da propria vida e do labéo, miseravelmente mal cabido, quando se trata de tão grande homem e de tão grande feito, de traidor a um rei e a um paiz que o não ajudavam. Mas, a parte mais importante é sem dúvida a seguinte: Consignemos porém de passagem que com o Magalhães ia o piloto portuguez João de Lisboa, que já no Brazil havia estado antes, e que escreveu um livro sobre marinharia, cujo aparecimento seria talvez de trascendente importancia para a historia geographica. Não restam dúvidas que o aparecimento do Tratado de Marinharia seria de transcendente importância... apesar de nunca ter sido dado como perdido!

A diferença é que se à data de Vernhagen ele seria "impublicável“… Agora, apesar de estar acessível na internet, continua como se estivesse fechado no cofre mais seguro, ou perdido para sempre. Por muito que se fale da velocidade de propagação da informação na internet, isso é um puro mito... só funciona se tiver um circuito lubrificado que estimula o boato. Pela nossa parte, há um ano que temos mantido essa informação acessível, e certamente chegou a centenas de pessoas, mas não tem depois nenhum efeito retransmissor visível. O próprio interesse das pessoas é canalizado para assuntos de outra natureza, por boa fé na sociedade onde cresceram, e onde definiram os seus valores. Desconhecem como a História pode influenciar definitivamente a actualidade... no fundo, não querem largar o conforto maternal das certezas, e concluir todas as incertezas! Esta informação adicional, só tem importância no contexto. Afirmámos que os mapas de João de Lisboa, que tinham o Estreito de Magalhães, eram de 1514, anteriores à viagem... conforme datado no Livro. A "Cola do Dragão" foi assim representada antes da viagem oficial, conforme já dissera António Galvão... Ao encontrarmos João de Lisboa como piloto de Magalhães, encaixam várias coisas... e coloca em causa a datação da sua morte. Pura e simplesmente, João de Lisboa não consta na lista de 18 sobreviventes da viagem. A história contada por Magalhães a Pigaffeta sobre um eventual mapa de Martin Behaim ganha ainda outros contornos de simples despiste ao cronista. Já tínhamos referido que Pedro e Jorge Reinel teriam ajudado Fernão de Magalhães com os mapas. Agora, conclui-se que ainda levava consigo João de Lisboa que tinha desenhado 5 anos antes um mapa com o Estreito, e que mais uma vez recordamos...

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O facto de já estar escrito "estreito dos Magalhãis" aparenta ter sido uma "torta" inclusão posterior (conforme já extensamente mencionado). Aliás alguns dos nomes coincidem (São Julião... Puerto de San Julian, Baía de São Matias... Golfo de São Matias, Rio da Cruz... Rio de Santa Cruz), mas a maioria não... e de um modo geral, o contorno não corresponde a uma fiável linha de costa. De entre os nomes que não coincidem... destacamos o singular nome: Cabo dos Trabalhos ... e assim a expressão "cabo dos trabalhos" tem outro significado relacionado com esta empresa! Já nos tínhamos apercebido ser duvidosa a data da morte de João de Lisboa em 1525, aliás Vernhagen acaba por dizer em nota, que se sabia que em 1535 era morto, pois nessa data Heitor de Coimbra pedia o seu lugar de "piloto mor do Reino". Apesar do seu nome não constar no desembarque com Sebastian Elcano, não é de excluir que João de Lisboa tenha desembarcado num qualquer outro ponto do império português (afinal a nau Trinidad acabaria por ser capturada). Apesar do serviço a esta empreitada espanhola, continuaria como "piloto mor do reino"? Todo o registo histórico é suficientemente estranho, e apenas claro no sentido de mostrar que a viagem de Magalhães acabou por servir mais como uma formalidade necessária, acordada talvez uma ajuda adicional de D. Manuel a Carlos V, para consumar a partilha dos hemisférios. Varnhagen parece ir no mesmo sentido, ainda que escudado pela menção à história brasileira: A navegação de Magalhães, com respeito à historia do Brazil, só interessa pelo facto da conquista das Molucas, que fez descubrir as primeiras dúvidas na intelligencia dos pontos questionáveis do tratado de Tordesilhas, pontos que a historia hoje elucida; mas que em direito nunca se aclararam, apezar dos muitos gastos e esforços ostensivos feitos pelas duas coroas, como veremos. Esta aventura conjunta, ou consentida, terá profundas consequências na demarcação do antimeridiano. A obstinação de D. Sebastião em recusar a união com a casa de Filipe II, que oferecia as Filipinas como dote da sua filha, teria consequências irreversíveis para Portugal.
Alvor-Silves, publicado em 9 de Fevereiro de 2011

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Alinhamento piramidal

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Num comentário recente, Calisto indicava-nos um artigo na Discovery News, Giza Pyramids Align Toward City of Sun God, sobre uma investigação de Giulio Magli, professor universitário do Politecnico de Milano. Sem ir tão longe, é facilmente observável que as duas grandes pirâmides de Gizé estão perfeitamente alinhadas, conforme evidenciamos com a ajuda do Google Maps:

Os impérios mamelucos e persas tinham ficado fortemente danificados pela acção de Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque, e os otomanos acabaram por definir o novo centro de poder para Istambul. Perante a curta invasão napoleónica e o posterior domínio inglês, seguiu-se uma conjuntura internacional de guerra-fria, onde a independência esbarrava com os grandes centros de decisão americanos e russos. Se as pirâmides ainda guardam segredos, para além do conhecido, pois isso é muito natural e terá sido bem guardado, a pedido de centros de decisão externos… A questão é sempre a mesma, e não aplicável apenas ao Egipto... com a mudança de regime haverá uma efectiva liberdade para o seu espólio arqueológico, ou os segredos que minam os regimes irão prevalecer?
Alvor-Silves, publicado em 11 de Fevereiro de 2011

E dada a notícia, é de facto notável, reparar o alinhamento com Heliopolis, ou Baalbek, no Líbano! Aditamento [em 12/02/2011] Curiosamente decidimos prolongar o meridiano que segue o alinhamento piramidal, já que depois de Baalbec, parecia-nos provável a passagem pelo Monte Ararat e assim se confirmou! Não só... nesse prolongamento está a linha de ilhas que sai do Golfo da Guiné, e que passa por São Tomé, Santa Helena, em direcção às Malvinas e ao Estreito de Magalhães. A evidência é colocada no Google Earth

As linhas paralelas tornam evidente o alinhamento de Gizé com Heliopolis-Baalbek (Nota: a projecção deste meridiano num planisfério não seria exactamente uma recta, mas dada a proximidade, a diferença é negligenciável).

O último poder independente do Cairo caiu em 1516 com a derrota dos mamelucos às mãos dos otomanos. http://alvor-silves.blogspot.com/2011/02/alinhamento-piramidal.html

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E listamos lugares relevantes para esse meridiano (circulo máximo): •Gizé - alinhamento das pirâmides •Baalbec •Monte Ararat •Mar Cáspio (Aqtau, Cazaquistão) •Astana (Cazaquistão) •Lago Baikal •Hokaido (Sapporo) •Ilhas Phoenix •Ilhas Cook •Estreito de Magalhães (Cola do Dragão) •Ilhas Malvinas (ou Falkland) •Ilha de Santa Helena •Ilha de São Tomé e Príncipe •Ilha de Fernando Pó •Monte Camarões •N'Djamena 2º Aditamento [em 17/02/2011] Não terei dado a devida importância ao ponto na linha costeira, o Monte Camarões (é um vulcão, com última actividade em 1999-2000, e o ponto mais alto da África Ocidental): Na antiguidade clássica o Monte, com o seu cume fumegante, de que só havia notícia incerta, era conhecido pelo "Carro dos Deuses", uma alusão ao carro que transportava o Sol no seu movimento diurno. (wikipedia)

Este transporte solar pode ser tipicamente relacionado com a linha Equatorial. Ora o monte está próximo do Equador, e curiosamente também sobre esta linha piramidal que segue a Linha dos Camarões... o ponto de intersecção será mais próximo do Ilhéu das Rolas, em S. Tomé e Príncipe, conforme já referido [cf. Odemaia]. A outra nota relevante é a posição singular da minúscula Sta. Helena, segundo cativeiro de Napoleão, sendo que o primeiro lugar de cativeiro, a ilha de Elba, ficava também alinhada na perpendicular. Coincidências de cativeiro para quem empreendeu uma expedição singular ao Egipto, a primeira sob orientação da modernidade ocidental.

Monte Camarões um dos pontos da chamada Linha dos Camarões, que inclui as ilhas Fernando Pó, S. Tomé e Príncipe, e Ano Bom... que coincide assim com a linha de Gizé.

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Idade do Bronze e Oricalco
Bronze, liga de cobre e estanho, tem pronúncia e escrita semelhante em quase todas as línguas europeias (mesmo no basco, magiar, suomi...), com excepção do grego onde a palavra é bastante diferente - Kratéroma. Quem leu as traduções que nos passam do relato de Platão sobre a Atlântida, deve ter reparado na referência a um metal quase tão valioso quanto o ouro... o chamado oricalco. Oricalco (Ορείχαλκο) é a palavra grega para a liga de cobre e zinco, ou seja, o latão ou pechisbeque! Está instalada mais uma confusão... já que as designações para bronze e latão confundem-se em várias línguas. Por exemplo, em grego, a Idade do Bronze é também chamada Idade do Oricalco.

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metáfora, talvez signifique ter sido exactamente nessa altura que foi generalizada a escravidão, enquanto sistema social. De qualquer forma, havendo diversos registos megalíticos impressionantes na Idade do Bronze, isso envolveria trabalho necessariamente pesado para uma parte da população. Há um progresso substancial ao passar do cobre para o bronze ou latão, mais complexos no fabrico das ligas metálicas, do que na consolidação do ferro em aço pela adição de carbono. Torna-se quase indiscutível que isto levou a uma civilização comercial de cariz global, pelo simples facto de serem raras as minas de estanho, necessário ao bronze. Os pontos de extracção eram tipicamente as ilhas britânicas e também a península ibérica. Há aliás traços claros de uma civilização do Atlântico Ocidental, que ligava toda a costa atlântica, começando em Portugal, indo até às ilhas britânicas e estendendo-se até à Dinamarca ou Noruega, provavelmente.

O disco Nebra. Um artefacto de bronze e ouro, de índole astronómica, onde se vê a Lua, o Sol, e provavelmente as 7 Pleiades, entre outras estrelas.

A transição da Idade do Bronze para a Idade do Ferro parece ter sido devastadora. É natural que os efeitos dessa devastação ainda se façam sentir hoje, pelas razões que tentamos explicar. Em quase todas as culturas permaneceu a ideia de que a felicidade se teria perdido nessa transição. Na cultura greco-romana isso é simbolicamente representado pela deposição de Saturno/Cronos pelo seu filho, Júpiter/Zeus. As saturnálias, correspondentes carnavalescas em Roma, pretendiam reviver esse tempo de felicidade popular, ao ponto dos escravos, por um dia, trocarem de lugar com os seus senhores. Este indício de

Cassitérides As Cassitérides foram tomadas literalmente como Ilhas do Estanho (Κασσίτερος), sendo normalmente identificadas à Grã-Bretanha, havendo porém quem advogue tratarem-se de ilhas na Aquitânia, antes do assoreamento... entre outras teorias. Eram ainda alvo de referência longínqua para os Romanos, e aparentemente não foi dada nenhuma indicação de confusão com a Britânia. O geógrafo Estrabão (séc. I) coloca as ilhas Cassitérides a noroeste da Hispania, em número de 10 pequenas ilhas, dispostas em forma de anel... Para esta descrição, a única localização que nos ocorre é a do Arquipélago dos Açores, se bem que sendo hoje 9 ilhas, e só o grupo central se poderá considerar disposto em forma minimamente anelar... Para além disso, é claro que não há nenhuma referência a exploração de nenhum minério nessas ilhas (a menos que o chá se dê bem com o estanho).

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Os touros de Creta Os vestígios da civilização minóica, em Cnossos, são um dos mais interessantes monumentos da idade do Bronze. Magníficos murais ilustram uma paixão pelos touros... cravar o Ferro num símbolo da idade do Bronze. A luta é propositadamente desigual e não se pretende qualquer surpresa para o desfecho. Nesse ponto, os incas tentaram reproduzir o mesmo cenário desigual atando um condor a um touro, procurando desfazer simbolicamente a invasão, na sua interpretação. O que mais impressiona é a nossa aceitação natural deste cenário de touros em Creta, sem questionar a ausência de vestígios de touros nessas paragens. A própria presença de touros nos registos mesopotâmicos deixa a dúvida da sua original existência nessas paragens, ainda que aí seja mais natural uma extinção, de forma semelhante à que supostamente ocorreu com os leões. ... e como bem sabemos são conhecidos os enormes prados com inúmeros touros em Creta! Bom, não será bem em Creta... talvez na Grécia, talvez em Itália, talvez na Turquia. É escusado, se há local onde sempre se associaram touros, e uma forte tradição taurina, é a Hispania! Creta dificilmente teria condições para a criação taurina, tal como toda a Grécia, em geral. A tradição era de tal forma forte que criou a ideia do Minotauro... do rei Minos. Ora, há especificamente um sítio que tem o registo "Minus", desde o tempo dos Romanos - é o Rio Minho! Será que no palácio dos nossos Vice-Reis na Índia não haveria murais, ou quadros com representações de paisagens portugueses? Ou seja, por que não considerar que estamos na presença de um palácio num entreposto comercial avançado, em Creta, destinado a negociar com os povos próximos gregos, egípcios, hititas, etc... Não restou um único vestígio semelhante na Hispania, é claro! Da mesma forma que não restaram vestígios identificáveis da presença árabe em Portugal, apesar de ser bem mais recente e ter sido prolongada, com importantes taifas independentes, como a de Silves. O nível de destruição de registos históricos em Portugal tem aí um exemplo bem ilustrativo. Na Hispania, só na tradição dos forcados os touros seriam respeitados da mesma forma que vemos no mural. Pela parte da aristocracia, que entretanto se implantou, o espectáculo consistia, e consiste, em http://alvor-silves.blogspot.com/2011/02/idade-do-bronze-e-oricalco.html Os povos do mar O final da idade do Bronze está muito associado à invasão pelos chamados "povos do mar"... desconhecidos que invadiram e pilharam as civilizações clássicas. É o período que se segue ao registo da Guerra de Tróia, e vai fazer a transição de milénio ~ 1000 a.C. introduzindo a idade do Ferro. Na linha do que aqui temos sugerido, há uma efectiva hipótese de que uma civilização de carácter comercial e marítimo ligasse toda a Idade do Bronze, não apenas na costa atlântica, mas estendendo-se ainda a entrepostos mediterrânicos, nalgumas ilhas, como Malta, Sicília ou Creta. A Guerra de Tróia poderá ter significado o fim dessa estrutura organizativa, deixando na sociedade fracturada alguns marinheiros, entregues a um novo destino de pilhagem. Ou seja, os "povos do mar" seriam o resto da sociedade que se fracturava com o fim da organização centrada numa Tróia ocidental. Uma parte significativa desta população ocidental poderá ter levado a uma reorganização em torno de Tiro, e de Sídon... a fénix iria renascer sob o nome Fenícia, e depois em Cartago, mantendo o espírito e a tradição de navegação.
Alvor-Silves, publicado em 16 de Fevereiro de 2011

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Erro na Longitude?

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O folclore habitual, repetido a leigos, ensina que a determinação da longitude era um problema quase inultrapassável, até à invenção do cronómetro por Harrison, em 1714, aquando do Longitude Prize... Três décadas antes, em 1682, no prólogo do seu tratado de Astronomia Metódica, começava assim o padre António Carvalho da Costa: Se para matéria tão larga te parecer pequeno este livrinho, sabe que não foi nossa tenção escrever volume corpulento, senão doutrina substancial; porque mais queremos aproveitar com a lição breve & clara do que ostentar erudições dilatadas & sempre confusas, nas quais de ordinário com pouco fruto se consome o tempo. (...) E quando as erudições te façam saudade, aí estão os Ptolomeus, os Copérnicos, os Tichos Brahes, os Longomontanos, os Ricciolios, os de Chales & outros infinitos, onde não só poderás gastar o teu tempo, mas também a paciência. Se este nosso método te agradar, prossegue: que aqui começa a obra; & se não for do teu gosto, fecha o Livro, porque aqui se acaba. Por isso, logo na página 9, tem um capítulo intitulado: "Como se achará a diferença de longitude entre quaisquer dois lugares" Observe-se em cada um dos lugares o tempo, em que se acaba o eclipse da Lua: a diferença entre os dois tempos observados convertida em arco do Equador dará a diferença de longitude buscada. Não é preciso dizer mais nada... é esta a suposta complexidade inultrapassável, quando na realidade basta uma boa observação lunar. Na realidade, Carvalho da Costa diz mais, ilustrando a relação entre 15º e a diferença de 1 hora, dá um exemplo da diferença de latitude entre Londres e Lisboa para 42 minutos, ou seja 10º30', que era o valor visível em quase todos os mapas da época, mas que terá um erro de 1º face ao actual. Como sabemos, é preferível admitir um excesso de 4 minutos no relógio do que sequer imaginar que a crosta terrestre se pode movimentar 1º em 300 anos.

É claro que cépticos de serviço argumentarão que para efeitos de navegação, ninguém estaria à espera de eclipses lunares para se movimentar... e certamente Carvalho da Costa saberia isso muito bem. O que interessa é o princípio! Ou seja, a partir da afirmação de possibilidade de usar a Lua para determinar a longitude, é quase imediato pensar-se noutros processos eficazes de o fazer em tempo real. Assim que li isto, tornou-se óbvio que se poderia usar a predição da Lua Nova, ou outro conhecimento absoluto sobre o movimento lunar. De facto, se Harrison ganhou o 1º prémio, o 2º prémio foi dado a um método de distância lunar, de Tobias Mayer e de Euler, coisa que também estaria nos planos de Newton.

método de distância lunar - wikipedia

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 2.
Como os cronómetros eram raros e caros, durante um século acabou por ser este método de distância lunar a ser usado pela generalidade dos marinheiros, com o auxílio de tabelas lunares. Os detalhes podem ter sido descritos no concurso na proposta de Mayer e Euler, mas a ideia fulcral encontramo-la antes em Carvalho da Costa. Haveria um problema de medição associado à refracção atmosférica... e por isso mesmo, as 8 páginas anteriores são parcialmente dedicadas a esse tema. A ideia de Carvalho da Costa não se aplicava à navegação, mas era extremamente eficaz para a cartografia. Aquando de um eclipse lunar, bastaria que todos os enviados do reino registassem eficazmente a hora local, para que se soubesse exactamente a longitude desse ponto, com a maior precisão devida à brevidade do eclipse. Isso permitiria desvios inferiores a 1º, se o relógio estivesse operacional. Seria esta uma ideia original de Carvalho da Costa? Quase de certeza que não. Ele não a propõe, nem a detalha... apenas a indica, já que se trataria de um livro para estudantes ou divulgação. Sendo algo simples, um método da distância lunar seria conhecido pelos marinheiros portugueses... e bastará seguir correspondência do reino, para ver se foram reportadas horas exactas de eclipses. Há um livro de Jerónimo Chaves, de 1534, que evidencia o interesse sistemático nos eclipses lunares. Pela sua simplicidade, o método lunar permitiria a qualquer estado organizado saber as longitudes, de forma tão fácil quanto as latitudes. Seria muito provavelmente conhecido na antiguidade. É claro que é suposto dizer-se que na antiguidade não haveria relógios, mas também sabemos que isso não seria verdade, já que o mecanismo de Antícítera veio mostrar o contrário. Qual então o Erro na Longitude? A longitude não seria de tão fácil verificação quanto a latitude (coisa ao alcance de crianças), mas como vimos o método lunar substituiu-se ao cronómetro durante um século, com o uso de tabelas, conforme proposto por Meyer e Euler. Ou seja, não era necessário nenhum mecanismo sofisticado, bastava uma observação astronómica cuidadosa e organizada. O erro na longitude é um erro induzido nos historiadores, de forma a convencerem-se da extrema dificuldade da navegação e reportá-la apenas a tempos recentes. São iludidos com nomes diferentes para coisas semelhantes, como quadrantes, sextantes, octantes, astrolábios, nónios... aparelhos simples que apenas se destinavam a medir ângulos, fazendo crer numa longa evolução. O erro na longitude é exagerar-se nas consequências que esse erro traria. É uma forma análoga de trazer monstros, a ideia da terra plana, e outros medos, como justificação para o injustificável.
Alvor-Silves, publicado em 17 de Fevereiro de 2011

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Cáspio

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 2.

Não nos chegaram mapas dos geógrafos antigos, ainda que certamente os haverá guardados... e um dos candidatos naturais será a biblioteca do Vaticano. Porém, pelas descrições encontram-se incertezas nas descrições de alguns pontos importantes, e que dada a proximidade de contacto, com gregos e romanos, não deveriam oferecer grandes dúvidas. Um deles é o Mar Cáspio... nuns casos era considerado lago, noutros casos mar: - Heródoto, Ptolomeu: consideravam-no como lago; - Hecateu, Dionísio Periegetes, Pompónio Mela, Estrabão: consideravam-no como mar ligado ao oceano (a norte ou a nordeste).

colocada a uma altura razoavelmente baixa. Para tornarmos a situação mais clara identificámos todo o registo de baixa altitude (essencialmente a verde) com o registo do oceano, obtendo-se o seguinte cenário (computação automática):

Situação orográfica com um incremento do nível do mar nalgumas centenas de metros

A ligação do Cáspio ao Oceano parece difícil ser proposta sem razão. Por isso, consideramos um simples mapa orográfico, que põe em evidência as altitudes dos diversos pontos no globo:

Mapa-reconstrução de Estrabão - ligação do Mar Cáspio ao Oceano

Ou seja, basicamente toda a Europa de Leste, e grande parte da Rússia desapareceria com um incremento do nível do mar nalgumas centenas de metros. A Europa ficaria basicamente reduzida a uma ilha ligando as cadeias montanhosas da meseta ibérica pelos Alpes ao Peleponeso. A Índia passaria a ser uma ilha... e nesse caso talvez se devesse chamar Taprobana! Não é necessário porém exagerar a situação ao ponto anterior, para que se compreenda como uma menor subida do nível do mar poderia deixar o Cáspio ligado ao Oceano:

A verde estão representados os locais de mais baixa altitude até 500m, altura que já é representada por um beije acastanhado até valores superiores a 1500m, já a branco.

Isto torna evidente que grande parte da Europa de Leste, em particular a grande extensão russa está

Neste mapa fica evidente uma separação Europa/Ásia que é definida pelos Urais, mas também pela depressão que ligaria o Cáspio ao Oceano, pelo norte. Ou seja, a inexistente separação entre os dois continentes ficaria assim evidenciada, com algumas consequências explicativas, que até aqui têm ficado por explicar.

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(i) Havendo uma continuidade entre a Europa e a Ásia, como se justificaria a significativa diferença entre as características dos povos asiáticos e europeus, sem uma clara continuidade pelas estepes russas? Com um nível do mar mais elevado, haveria um efectivo isolamento entre os dois continentes, a menos de passagem pelos Himalaias/Tibete... Uma Índia reduzida a uma grande ilha Taprobana, deixaria ainda o Nepal e o Tibete como zonas quase costeiras. (ii) A invasão dos Hunos, que ensombrou a Europa com o pesadelo asiático, pode ter sido consumada pela consolidação da paisagem, em que a taiga russa ganhou terreno a esse espelho de água do Cáspio. Com o recuo das águas esse mar teria-se desvanecido, numa evolução pantanosa que ainda caracteriza a taiga siberiana. Desertos e areia... Há ainda uma outra questão razoavelmente complexa, e que diz respeito à excessiva quantidade de areia em desertos interiores. A areia é tipicamente resultante da acção prolongada da erosão marítima, e é difícil encontrar outra força erosiva que permita reduzir uniformemente pedras em grãos minúsculos.

(De forma semelhante, em Portugal uma parte significativa da paisagem foi ganha ao mar pela consolidação de grandes extensões de areia, com pinhais. As coníferas são também as árvores que definiram a taiga.)

Areias no deserto Gobi - Mongólia... onde chega a nevar!

(iii) A localização de algumas cidades, no interior da Ásia, no Afeganistão, no Cazaquistão, como Astana, teriam uma razão de relevância diferente nessa conexão marítima para um Cáspio mar. Uma significativa parte da rota da seda poderia ser resultado de uma remniscência dessa ligação marítima. (iv) Curiosamente, neste segundo mapa, a América do Sul aparece desenhada com um lago interior, conforme indicado em mapas do séc. XVII, o chamado Lago Parime supostamente lendário... Curiosamente aponta ainda para uma grande entrada no rio da Prata, conforme aparecia exagerado em mapas portugueses iniciais. Uma boa parte dos vestígios arqueológicos situam-se em pontos interiores, que nada teriam para uma escolha particular. Porém, na perspectiva diluviana, com o nível do mar algumas centenas de metros acima do actual, uma boa parte desses locais, agora interiores, seriam locais costeiros. Progressivamente a descida do nível do mar, consolidada com vegetação, pode ter permitido uma fixação posterior, em pontos mais baixos.

Esta hipótese diluviana, em que o nível das águas esteve prolongadamente alto, permitiria justificar a presença costeira de zonas internas, como o Deserto de Góbi, ou mesmo o Deserto do Saara. Seria essa presença marítima que teria produzida grande quantidade de areia. Com o progressivo recuo das águas, e por acção de ventos, estas paisagens foram consolidadas em grandes dunas, nalguns casos quando o clima não permitiu a consolidação da paisagem com vegetação. Porém, na maioria dos casos terá havido uma consolidação que progressivamente foi levando à paisagem actual.
Como exemplo entre nós, basta reparar que há uns duzentos anos Alfeizerão era considerado um bom porto marítimo, e agora está a uns 5 Km da costa... ou então ver como a Figueira da Foz foi ficando com uma praia de grandes dimensões. A fixação desse terreno arenoso com pinheiros seria uma ideia semelhante à que D. Dinis teve relativamente à parte de Leiria. Alcobaça teria sido muito provavelmente uma cidade costeira, antes do progressivo assoreamento... mas isso são outros mapas, que guardamos para outra altura!

Alvor-Silves, publicado em 19 de Fevereiro de 2011

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Porto de Mós e Dom Fuas
Há várias localidades cujo nome tem um associação marítima difícil de ignorar. O caso mais singular é Porto de Mós, que teve como alcaide, Dom Fuas Roupinho, o primeiro almirante da Marinha Portuguesa. Actualmente, Porto de Mós está bastante longe da linha de costa, aproximadamente a 20Km... que sentido colocar um almirante e um nome de Porto a uma localidade inserida na Serra dos Candeeiros? Mais uma vez recorremos a simples mapa orográfico e a um aumento do nível do mar, abaixo de 50 m:

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Pederneira. Aqui é bastante revelador que a antiga vila da Pederneira, está algumas dezenas metros acima da actual Nazaré, que só se afirmou como lugar no séc. XIX. O mesmo se passa com Alfeizerão, uma pequena vila interior, e que até ao Séc. XVIII era considerada como porto de navios. Também é conhecido que Óbidos tinha uma ligação marítima através da sua lagoa, que Peniche chegou a ser uma ilha, e que o porto costeiro era Atouguia da Baleia, agora bem no interior.

A costa da Estremadura, com um aumento de algumas dezenas de metros no nível do mar.

Torna-se evidente que há uma depressão que segue pela Marinha Grande, Leiria, até Porto de Mós. Ou seja, faz sentido considerar uma possível ligação marítima que tornasse estas cidades costeiras. Por outro lado, tornam-se ainda evidentes outras ligações marítimas... Uma delas avançaria até Coimbra, pela actual bacia do Mondego, começando em Buarcos/Figueira da Foz. É claro que algumas destas depressões estão associadas a vales de rios, e pode admitir-se que foram os rios que provocaram por erosão essas depressões... porém, nada impede o cenário equivalente - os rios seguiram os percursos definidos pelas depressões. Aconteceria algo semelhante se o nível do mar descesse na costa da Galiza - algumas dessas entradas costeiras assemelham-se a erosão fluvial, e poderiam ser confundidas como tal. Outro ponto interior que se revela no contacto marítimo é Alcobaça, pela entrada no antigo porto da

Mapa do Séc. XVII com a costa da Estremadura, evidenciando ligações marítimas perdidas. O estuário do Mondego tinha ilhas interiores e seria semelhante à ria de Aveiro.

Citamos Lorenzo Anania, que no Séc. XVI faz um relato sobre os portos nacionais: Vedesi por Viana, Possende, Villa del Conde, & poco discosto sbocca il Doro, maggior fiume di Spagna, il quale nascendo appresso Moncaio, prende tanti fiumi, che fattosi alla sembianza d'un stretto di mare, rende il debito all Oceano à canto à Porto, laquale é una città, dove hora si lavorano finissime arme: quindi si passa à San Giovanni della Fos, Hovar, & Avero; onde si parte ogni anno la flotta di molte navi, che và à pescare i Baccallai à Terra Nuova. Segue appresso Boarco su la bocca del Mondego, Pedernera, Alfizzaraona, Ataguia, & Pignieri: al cui rincontro si scuopre l'isola Barlinga, detta anticamente Landobria: Para além de revelar que o Douro, seria o rio maior da Espanha, aparentava ter um estreito de mar na Foz (dita S. João da Foz), diz em 1576 que todos os anos partia de Aveiro uma frota de numerosos navios para a pesca do Bacalhau na Terra Nova.

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Os portos relevantes que se seguem são: Buarcos, Pederneira, Alfeizerão, Atougia. O nome Pignieri deve indicar Peniche, pela sua ligação às Berlengas. Continua directamente para o "Cabo de Cascais" e Sintra. Conclui-se assim que há não muitos séculos houve portos relevantes que se tornaram interiores, resultado de um assoreamento e de duma fixação de dunas. Por outro lado, a imagem que gerámos computacionalmente revela-nos um Mar da Palha ainda mais largo, ao ponto de deixar a península de Setúbal como uma verdadeira ilha... O que é significativo é que este aumento do nível do mar não submerge nenhuma das vilas antigas. Para além disso, justifica melhor a sua localização, e vários nomes interiores claramente ligados a portos, a marinhas, ou a actividades marítimas.
Nota: É claro que não estamos aqui a falar de movimentos tectónicos, mais antigos... no entanto não deixa de ser interessante reparar num pormenor - é suposto cadeias montanhosas como os Pirinéus, os Alpes, ou os Himalaias estarem associados a esses movimentos, no entanto a cada um deles associa-se uma extensa parte de baixa altitude. No caso dos Pirinéus, à "ilha ibérica" sucede uma planície da Aquitânia, no sul de França. No caso dos Alpes, o vale do Pó antecede a "ilha italiana". No caso dos Himalaias, o vale do Indo e Ganges antecede a "ilha indiana".

Alvor-Silves, publicado em 20 de Fevereiro de 2011

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Mar Eritreu, vulgo Vermelho
Quando publico um deste tópicos normalmente reúno diversas informações que me convencem da verosimilidade do conteúdo, mas nem sempre coloco todos, muitas vezes por puro esquecimento. Foi o caso do texto sobre o Mar Vermelho (ou Ebreus do Ebro), onde já teria tido oportunidade de colocar este assunto relativo ao Mar Eritreu. Literalmente, Mar Eritreu vem do grego ερυθρό vermelho, ou seja seria o Mar Vermelho. Em latim a variação seria Mare Rubrum. Não há grandes dúvidas, por isso apresentamos os mapas de Estrabão, Pompónio Mela, e Dionísio Periegetes, segundo a reconstrução de Edward Bunbury (1879)... o Mar Vermelho seria o Oceano Índico:

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Reconstrução de Bunbury do Mapa de Dionísio Periegetes

Reconstruções são o que são... por exemplo, para Pompónio Mela (encontrámos outras duas... uma do séc.XVII e outra de 1898). Não têm significado especial no aspecto gráfico, mas no conteúdo são reveladoras. Não há propriamente espaço para dúvidas... pelo simples facto de que o actual Mar Vermelho era designado por Mar Arábico (ou Golfo/Sinus Arabicus). Quando se deu a mudança? Definitivamente foi consolidada no final do Séc. XIX, com a colonização italiana da província da Eritreia... assim convenientemente nomeada, pela sua localização na costa do Mar Vermelho. No entanto, a confusão que levava o nome Mar Vermelho em vez de Sinus Arábico encontra-se já em quase todos os mapas do Séc. XVI e posteriores. A questão não fica por aqui... porque os próprios romanos tratavam das suas próprias confusões. -Colocar uma Eritreia no Oriente, por contraposição aos gregos e à sua Ilha Eriteia ( ρύθεια)... uma ilha Ocidental! Ilha Eritheia Essa ilha Eritheia era associada às ilhas míticas Hespérides, onde estaria Gades, agora associada a Cadiz. Porém, reparamos que aumentando o mapa de Pompónio Mela, vemos representadas Gades e Erytheia (para além das Fortunatas, e Hespérides) enquanto ilhas diferentes...

Reconstrução de Bunbury do Mapa de Estrabão

Reconstrução de Bunbury do Mapa de Pompónio Mela

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confunde com o Mar Vermelho... noutras paragens. Termino, com algumas passagens dos Lusíadas: Tu, que a todo Israel refúgio deste Por metade das águas Eritreias; (...) Passam também as ondas Eritreias, Que o povo de Israel sem nau passou; (...) Lá no seio Eritreu, onde fundada Arsínoe foi do Egípcio Ptolomeu, (...) E assim a água, com ímpeto alterada, Parecia que doutra parte vinha, Bem como Alfeu de Arcádia em Siracusa Vai buscar os abraços de Aretusa. (...) Passadas tendo já as Canárias ilhas, Que tiveram por nome Fortunadas, Entramos, navegando, pelas filhas Do velho Hespério, Hespérides chamadas; (...) Que quem da Hespéria última alongada, Rei ou senhor de insânia desmedida, Há de vir cometer com naus e frotas Tão incertas viagens e remotas?

Eritheia - zoom do "mapa de Pompónio Mela“

Com um suposto aumento do nível do mar, a península ibérica ganha um aspecto ligeiramente diferente

... ou seja, as zonas montanhosas da serra algarvia poderiam ser ilhas. Assim, a mítica Eritheia, com a sua cidade Gades, não teria que ficar confinada à minúscula ilhota de Cádis. O mapa aqui apresentado tem um cenário que mostra ainda que bastaria um aumento do nível do mar na ordem das duas centenas de metros para tornar a península ibérica numa grande ilha ocidental. Assim, quando no texto "Ebreus do Ebro", falámos de uma possível ligação à Ibéria, e na existência de um Monte Moisés no Estreito de Gibraltar, acrescenta-se agora esta designação Eritheia, Ilha Vermelha, ligada a Gades-Cádiz, e que assim se
O jardim das três deusas Hespérides: Eritheia, Aretusa e Héspera.

Alvor-Silves, publicado em 21 de Fevereiro de 2011

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Taybencos, a que agora chamamos Chins
Já houve tempos de censura... e hoje estamos a ser conduzidos para tempos de auto-censura. O exemplo do wikileaks não é tanto um caso de censura, é uma indicação para auto-censura. O que é difundido pelos meios de comunicação tem um propósito. Neste caso, os jornalistas são avisados que devem ser contidos na liberdade de expressão... ou arriscam-se às consequências. Se os agentes secretos devem estar reservados ao sigilo, pelo seu compromisso profissional, os jornalistas que sabem dessa informação não fizeram nenhum voto de sigilo, para estarem comprometidos a uma efectiva limitação da sua liberdade de expressão. António Galvão, que é uma nossa fonte preferida, dizia algo bastante instrutivo: (…) não podia ser a Terra toda sabida, e a gente comunicada, uma com a outra, porque quando assim fosse se perderia pela malícia e sem justiça, dos habitantes dela. É um efectivo aviso ao mundo onde começava a viver... um mundo global, sem qualquer alternativa, nunca se livraria da malícia e da injustiça dos homens, seus governantes. Mais do que um mundo global, avizinhava-se uma prisão global. Como é claro, a prisão só é percepcionada por aqueles que viram a altura das paredes que os cercam... todos os outros, que não vislumbram restrições, esses consideram-se livres. Afinal, nunca nenhuma ditadura suprimiu a liberdade de expressão para receitas de culinária e casos de futebol. Os limites da liberdade de expressão só são perceptíveis por quem tem algo inconveniente para revelar. Feita esta pequena introdução conjuntural, continuamos com António Galvão, acerca dos descobrimentos chineses: E porque os maiores descobrimentos e mais compridos foram por mar feitos, principalmente em nossos tempos, desejei saber quais foram os primeiros inventores disto, depois do Dilúvio. Uns escrevem que foram os Gregos, outros dizem que os Fenícios, outros querem que os Egípcios... Os Índios não consentem nisso, dizendo que eles foram os primeiros que navegaram, principalmente os Taybencos, a que agora

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chamamos Chins... e alegam para isso serem já senhores da Índia até ao Cabo de Boa Esperança, e a Ilha de São Lourenço por ser povoada deles ao longo da praia (...) O nome Taybencos (Taibencos, ou Tabencos) associado aos Chineses encontro-o exclusivamente na obra de Galvão e nas citações que lhe foram feitas. Seria mais associável à Tailândia, mas Galvão é claro, e as traduções seguem-no. Há ainda que notar que Galvão usa uma expressão geral de Índios... talvez a única adequada à época. Os índios não seriam mais do que todos os povos de feição oriental. Por isso, haveria as Índias Ocidentais e as Orientais... as feições do povo eram consideradas semelhantes, em partes geográficas distintas. Também não havia notícia de chineses em Madagáscar (Ilha de São Lourenço)... e porém aqui está o registo do seu povoamento ao longo das praias da ilha. É sempre preciso colocar António Galvão no seu devido lugar, e para isso é preciso recorrer a autores estrangeiros. Quando o Almirante Charles Bethune reedita a obra de Galvão em 1862, traduzida por Hayklut em 1601, diz claramente que: But his deeds were not limited to earthly conquest. Galvano, so intrepid at the head of this troops, might also be seen, with a crucifix in this hand, preaching the Gospel publicly, whereby he became known as the "Apostle" of the Mollucas. (...) Faria e Sousa sums up his high qualities in these words: "His fame will never perish so long as the world endures; for neither weak kings, nor wicked ministers, nor blind fortune, nor ages of ignorance, can damage a reputation so justly merited" He spent the latter part of his life in compiling an account of all known voyages, and thus he may be styled the father of historical geography.

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Para o Almirante Bethune, Galvão é o Pai da Geografia Histórica, para os portugueses será um completo desconhecido, ausente de qualquer referência condicente na História de Portugal. O último registo é a reedição de Miguel Lopes Ferreira, em 1731, dedicada ao Conde da Ericeira, D. Luiz Meneses. O tempo de D. João V irá terminar, e com o Marquês de Pombal, todos os registos vão cair na destruição do Terramoto. O livro ficará com o epíteto de "raríssimo" até aos dias de hoje... tão somente porque as mesmas forças que condenaram a figura ímpar de Galvão à mendicidade, nunca deixaram de estar presentes e a comandar os nossos destinos. Galvão prossegue na descrição: ... e os Jaos [Java], Timores, Selebres [Celebes], Macasares [?], Malucos [Molucas], Borneos, Mindanaos, Luções, Léquios, Japões e outras ilhas, que há muitas, e as terras firmes de Cauchenchinas [Conchinchina, Vietname], Laos, Siamis [Sião, Tailândia], Bremas [Birmânia], Pegus [Birmânia], Arracões [?], até Bengala & além disto, a Nova Espanha, Perú, Brasil, Antilhas e outras conjuntas a elas, como se parece nas feições dos homens, mulheres & seus costumes, olhos pequenos, narizes rombos, & outras proporções que lhe vemos. E chamarem ainda agora a muitas destas ilhas & terras Batochinas, Bocochinas, que quer dizer Terras da China. Ou seja, Galvão aparenta deduzir pela semelhança fisionómica que todos estes povos [basicamente a maioria das ilhas do Pacífico, Indico, e toda a América] estavam ligados aos chineses, e eram seus descendentes, por colonização... invocando a designação Batochinas com possessões chinesas. Mas Galvão acrescenta ainda mais razões para serem os Chineses os primeiros navegadores: Além disto os nossos escritores deixaram escrito que a Arca de Noé, se assentara da parte norte dos montes da Arménia, que está de 40º para cima [o monte Ararat está a 39º42'], e que logo dali fora a Schytia povoada por ser terra alta e a primeira das águas a ser descoberta. E como a província dos Thaibencos seja uma das principais da Tartaria (se assim é como dizem) bem se mostra serem eles dos mais antigos povoadores e navegadores. Pois neles se acaba aquela terra do levante & os mares são tão bons de navegar como os rios destas partes, por jazerem entre os trópicos onde dias e noites não fazem muita diferença, assim nas horas como na quentura, por onde não há ventos tão destemperados que alevantem as águas, nem as façam soberbas. E por experiência o vemos nos pequenos barcos em que navegavam, com um ramo por mastro, & vela, & um remo na mão com que governam, correm muito mar e costa. E assim, nuns paus a que chamam Catamarões, em que se escancham ou assentam & vão com o outro remando. E querem ainda que estes Chins fossem senhores da maior parte da Scithia & que navegassem toda a sua costa, que parece estar até 70º da parte norte. Cornélio Nepote referido, assim o aprova, onde diz, que Metelo, colega de Afranio, estando por consul em França, el rey da Suévia lhe mandara certos índios, que vieram pela parte do norte, às praias da Alemanha, & segundo isto devia ser da China, por estar de 20º, 30º, 40º para cima, e tem naus fortes e de pregadura que podeiam sofrer mares e terras tão frias e destemperadas como aquela. Se o primeiro argumento está envolto naquilo a que nos habituámos a ver como mito do Dilúvio, os outros argumentos já são de mais difícil contraargumentação. Por um lado encontramos o primeiro registo aos Catamarãs... designados por Catamarões, e de facto a navegação naquelas partes nada tem a ver com as dificuldades atlânticas. Por outro lado, o registo romano de Cornélio Nepote (100-30 a.C), mostra um argumento de navegação organizada, exploratória, que contactou a Alemanha os Suevos, Suevos que depois se iriam instalar em Portugal e Galiza. Ou seja, esse registo pode não ter sido esquecido dos reis Suevos, ao focarem a sua migração ibérica. Esse registo é tanto mais notável quanto mostraria uma eventual travessia da Passagem Nordeste. Galvão tem o relato vivido da época. Se os portugueses conquistam o Indico e atingem a China em menos de 20 anos, com D. Manuel, isso mostra um enfraquecimento de qualquer poderio naval, seja dos muçulmanos, seja dos chineses. No entanto, Galvão procura ter o distanciamento suficiente para aceitar que os relatos chineses corresponderiam a efectivas navegações... e essa verdade contrariaria toda a História que se estava a preparar para ser contada durante séculos até hoje!

Alvor-Silves, publicado em 22 de Fevereiro de 2011

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A última viagem de Gulliver a Lilliput
Diz Diogo de Couto, na sua Quarta Década da Ásia: O quinto Arquipélago é o de Amboino, que está ao sul de Maluco, tem muitas ilhas, que se governam por suas cabeças (...) Há muitos povos por estas ilhas, em que os filhos comem os pais como são velhos - têm muitos ritos e costumes bárbaros, que nós não relatamos por fugir proxilidade. (...) A sul de Amboino estão as Ilhas de Banda, e a Leste delas perto de 300 léguas, segundo alguns afirmam, está uma ilha de muito ouro, cujos naturais não passam de 4 palmos de alto, e se assim é, são os verdadeiros Pigmeus. Pouca gente terá lido as Décadas da Ásia de João de Barros, continuadas por Diogo de Couto, e se chegaram a ler este relato, não terá despertado nenhuma especial atenção... passando por mítico. Acontece que em 2004 foram descobertos na Ilha das Flores, na Indonésia, restos humanos, agora denominados Homo Floresiensis que comprovam a existência de humanos cuja dimensão rondava 1 metro de altura... os tais 4 palmos de altura, que referia Diogo de Couto.

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controlo holandês em 1851. Pela influência dos missionários dominicanos portugueses, a população remanescente tornou-se católica até hoje, e a miscenização levou a que fossem chamados "Portugueses Pretos" pelos Holandeses. These have no Forts, but depend on their Alliance with the Natives: And indeed they are already so mixt, that it is hard to distinguish whether they are Portuguese or Indians. Their Language is Portuguese; and the religion they have, is Romish. They seem in Words to acknowledge the King of Portugal for their Sovereign; yet they will not accept any Officers sent by him. They speak indifferently the Malayan and their own native Languages, as well as Portuguese.
Texto de W. Dampier, oficial inglês, em 1699

Tudo o que não conhecemos, tem sido epitetado como descrições míticas e fabulosas... e por isso os marinheiros têm tido a fama, ao longo de séculos, de grandes mentirosos. Face à mentira instituída, a verdade será sempre mentira. A única maneira de passar a informação tem sido por vezes sob forma ficcional... é aqui que entra Johnatan Swift e as suas populares Viagens de Gulliver (retomadas no cinema em 2010).

comparação entre um crânio floresensis e um crânio humano microcefálico

Para termo de comparação, lembramos que a maioria das crianças com 3/4 anos tem mais de 1 metro de altura! Esta ilha seria uma autêntica Lilliput povoada por pequenos humanos. Esta informação recentemente colocada no blog Portugalliae despertou-me a atenção nesta leitura do texto de Diogo de Couto. Conforme José Manuel dizia, os portugueses mantiveram lugares chave na sua exploração do Mundo, enquanto puderam. Após invasão parcial, a ilha das Flores acabou por passar a

Johnatan Swift e as Viagens de Gulliver

O aspecto tenebroso é a extinção... não há nenhuma razão para duvidar do relato de Diogo de Couto, que é corroborado pelo achado de ossadas na Ilha das Flores. Não é nada claro que Diogo de Couto se referisse às Flores, mas sim a outra ilha nas proximidades, adicionando-lhe a riqueza em ouro.

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Fala-se do Dodó, e da sua extinção nas Ilhas Maurícias, sob controlo holandês, em 1681, e um pouco menos do Tigre-da-Tasmânia, em 1937... mas o aspecto do genocídio ter chegado ao ponto da extinção de uma raça humana, em tempos recentes, tem contornos tenebrosos. No final das viagens de muitos Gullivers, menos bem intencionados, os liliputianos ou gigantes desapareceram do nosso registo. Ora é assim que, ao jeito surpresa, se anuncia que somos afinal a única espécie humana sobrevivente. Poderia ter sido diferente?

Alvor-Silves, publicado em 23 de Fevereiro de 2011

Extintos: o Dodó das Maurícias e o Tigre da Tasmânia

É na sequência da extinção do Dodó, que aparece o conto de Lilliput e Gulliver em 1726. Usa-se o aspecto alegórico, e a comparação entre as guerras anglo-francesas, mas não convém esquecer o aspecto sinistro de uma raça humana ameaçadora Yahoo, nem tampouco o registo da ilha flutuante de Laputa (mais uma vez sinalizamos o blog Portugalliae e a referência à cidade flutuante de Laputa). Finalmente, sobre o contraponto gigante... os Brobdingnag, poderíamos encontrar a referência mítica aos gigantes da Patagónia... também estes extintos. Convém notar que nos populares mapas de John Tallis, de 1851, a Patagónia permanecia ainda como território inexplorado... habitado por "índios". Pouco tempo depois o estado de La Plata daria origem à moderna Argentina com a brutal anexação desses territórios a sul.

A Patagónia, antes da anexação Argentina, em 1851

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Axum e Lallibela

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 2.

Talvez na linha da tradição egípcia, a Etiópia resistiu à pressão muçulmana, fez obeliscos, e foi alvo da lenda europeia enquanto Terra do Prestes João, factor muito citado nos textos à época dos descobrimentos. Apesar do seu controverso transporte por Mussolini para Roma, e demora na devolução recente (longo processo finalizado entre 2002 e 2008) são pouco conhecidos os enormes e surpreendentes obeliscos de Axum, na Etiópia:

Também surpreendente, e claramente prova da primeva presença cristã na Etiópia, é a insólita igreja de Lalibela. Quando a defesa e a estrutura da igreja é esculpida a partir da própria rocha, num conjunto uno:

Este obelisco estaria fraccionado aquando do transporte para Itália, e foi ainda danificado por um relâmpago em 2002, quando foi decidido devolvê-lo. Tem 24 metros de altura e datará do Séc. III.

As suas inscrições em relevo sugerem motivos e corte de rocha que encontramos, por exemplo, em Tiahuanaco...

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Alinhamento piramidal (cont.)
Conforme referido no blog alvor-silves as duas grandes pirâmides de Gizé estão alinhadas, e sendo aí referido a afirmação de G. Magli, face ao alinhamento a Baalbec, podemos extrapolar a linha, e seguir ainda a linha perpendicular. No sentido desse alinhamento corresponder a uma possível indicação de um antigo equador... se o admitirmos, o aspecto desse outro alinhamento terrestre seria este:

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 2.

... ou seja, temos uma perspectiva em que o clima teria forçosas alterações. A zona europeia mais a norte corresponderia à Galiza, Bretanha, Irlanda e Grã-Bretanha, Noruega. A Islândia (Thule) e a Gronelândia (Ultima Thule), teriam climas amenos, e o pólo norte ficaria próximo de Washington! A América do Norte faria o papel de uma enorme Antártida, enquanto esta faria o papel de uma luxuriante América do Sul! A inclinação axial da rotação terrestre é de 23º face à normal órbita. Esta alteração corresponderia ao dobro, ou melhor 45º, e a uma rotação não inclinada face à órbita. Pode já ter acontecido? Poderá corresponder a uma transição brusca, quando o eixo de rotação ultrapassa uma exagerada inclinação? Curiosamente, um dos dois pontos, onde se intersectam o actual equador e este meridiano de Gizé (que poderia referir um antigo equador) está em São Tomé e Príncipe, mais propriamente, no (ou próximo do) Ilhéu das Rolas :

Esta é uma boa imagem, pois mostra o mapa, apontando justamente na direcção do meridiano de Gizé...

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Romanas maiúsculas

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 2.

Sabemos que os gregos usavam letras maiúsculas (... ou será majúsculas?!) e minúsculas. No entanto, o que nos chegou dos romanos aparece sempre escrito em maiúsculas... as minúsculas que usamos são essencialmente fabrico posterior, de influência gótica. Analisando algumas interessantes imagens de inscrições romana em Pompéia, podemos ver uma diversidade de escrita corrente, algumas da qual dificilmente legíveis para leigos.

É perfeitamente natural que houvesse uma variedade de caligrafia popular, para além do standard majúsculo que nos chegou.

A este detalhe (actual correspondência comercial-institucional em maiúsculas) junto a herança romana, com a sua ausência institucional de minúsculas. Algo que foi mantido ainda durante todo o período medieval. As inscrições que vemos em igrejas, ou epitáfios, adoptaram sempre a forma maiúscula, mesmo muito depois da queda do império romano. Afinal, o latim manteve-se institucionalmente como língua oficial durante a Idade Média.

Alvor-Silves, publicado em 20 de Fevereiro de 2011

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Tasmânia – muralhas de Jerusalém

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 2.

Num comentário antigo foi referida a existência na Tasmânia de Parques Naturais, denominados Walls of Jerusalem

Cradle Mountain ... mas também interessante é sem dúvida o "Campo de Adão"... ou melhor, Adamsfield: Esta estrutura torna-se apenas visível a uma certa altitude... provavelmente nem é notada por quem visite o parque. Sob certa forma é semelhante à Estrutura de Richat, uma formação circular, que está localizada bem no meio do Saara: Tem o epíteto de "olho de África" e foi anunciado pela observação da missão espacial Gemini, em 1965.

Ainda uma estrutura circular curiosa é o Lago Bosomtwe, no Ghana. Essa orografia é vísivel pelas montanhas circundantes que fazem um lembrar um lago numa cratera vulcânica.

http://odemaia.blogspot.com/2011/02/tasmania-muralhas-de-jerusalem.html

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 1.

João de Lisboa, 1514

http://alvor-silves.blogspot.com/ http://odemaia.blogspot.com/

Volume 2 – Número 2
Fevereiro de 2011
Página 26

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