Legislação Penal Especial Professor Sérgio Salomão Shecaira

Digitadores: Flávio Perioto Ciro Koyama Revisor: Allan C Souza

Para a prova, da parte do Shecaira a matéria é só crimes ambientais e execução penal. Já da parte da Lia, a matéria é crimes contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro, sendo que a pergunta da prova será uma das nove que ela passou. Aula do dia 29/03/2006 – Monitora Lia

Lei dos crimes contra a ordem tributária e econômica – Lei nº 8.137/90
Esta lei já se configura como um Direito de vanguarda, com uma visão mais preocupada com o futuro. Também conhecida como lei do Colarinho Branco. Antes, conforme as idéias de Cesare Lombroso, o criminoso era visto como um “anormal”, um ser patológico dentro da sociedade. Já no Séc. XX, abandona-se o antropologismo lombrosiano, substituídos por conceitos oriundos da psicologia, etc. O delito deixa de ser visto como conduta desviante, meramente patológica. Com a influência do pensamento de Marx e Durkhein, o delinqüente passa a ser visto como “normal”, pois o crime é algo que faz parte da sociedade. Toda sociedade tem os seus criminosos. Estas idéias favoreceram o desenvolvimento da C1iminologia, surgida nos EUA, que estuda as causas e as conseqüências do delito. O crime desvincula-se da pobreza. Surge o white collar crime (crime do colarinho branco). Com a confecção desta lei, o enfoque dos legisladores sai da micro-sociedade para a macro-sociedade. Passa-se a visar os bens jurídicos difusos, não só os individuais. O bem jurídico protegido nesse caso é a Ordem Tributária. Estes conceitos surgem no início da década de 90. Os danos sociais são de um crime desses são imensos. O valor de um ano de roubos e furtos não alcança o valor de apenas um crime do colarinho branco. Entretanto, uma pesquisa do IBOPE que diz que a maioria dos brasileiros cometeria irregularidades em cargos públicos, além de outros crimes (pirataria, suborno, sonegação fiscal, etc.). Na Espanha e América Latina estas tolerâncias ao crime estão bastante arraigadas. Mas por que há tolerância a esses crimes? Roberto dos Santos Ferreira justifica com os seguintes fatores: 1º: poder socioeconômico dos autores dos crimes; 2º: organização destes autores; 3º: complexidade das leis, facilmente manipuláveis por juristas e técnicos contábeis; 4º: complexidade dos meios empregados na prática dos delitos;

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5º: cumplicidade das autoridades; 6º: despreparo dos órgãos encarregados para percepção criminal; 7º: despreparo dos Tribunais para julgamento destes crimes; 8º: certa inadequação legislativa, material e processual; 9º: falha de percepção pelo público deste tipo de crime. Sonegar: vem do verbo latino “negare” (negar de algum modo). É toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir total ou parcialmente o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador. A Lei 8.137/90 é subdividida em duas partes: - Crimes contra a ordem tributária: arts. 1º ao 3º; - Crimes contra a ordem econômica: arts. 4º ao 6º. Os arts. 1º e 2º tratam de crimes praticados por particulares, cada um com 5 incisos. O art. 3º trata de crime praticado por funcionário público típico (vinculado à administração fazendária). O art. 1º é um crime material (depende do resultado). Traz o que se entende por obrigação tributária. As condutas referem-se à constituição tributária. Crime apenado com reclusão. Aula do dia 05/04/2006 – Monitora Lia No CP: Art. 297: falsificação de documento público. Art. 298: falsificação de documento particular. Art. 299: falsidade ideológica. Art. 172: duplicata falsa. Na Lei 8.137/90 (lei de sonegação fiscal): Art. 1º: Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: O primeiro aspecto do art.1º é a finalidade do agente. É um crime material (prevê a conduta e o resultado). O agente suprime ou reduz o tributo e deve obter esse resultado. Os incisos também trazem condutas que se caracterizam como crimes materiais. I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Correspondência com o art. 299 do CP. O agente deve conseguir o resultado (redução ou supressão do tributo), caso contrário, a conduta é atípica. Discute-se se a tentativa é possível ou não. Na falsidade material, o vício é exterior ao documento (rasura, borrão, etc.). Na ideológica, a falsidade recai sobre as declarações. O art. 299 do CP não é aplicado neste caso pelo princípio da especialidade da lei.
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Discute-se na doutrina se é crime material como os do art. É muito semelhante ao inciso I do art. CP. fatura. IV – elaborar. II – deixar de recolher. Correspondência com o art. O “sujeito passivo de obrigação” é quem deveria recolher impostos aos cofres públicos e deixa de fazê-lo no prazo. Há divergências. 1º é muito maior. ou fornecê-la em desacordo com a legislação. mas aqui admite-se o dolo eventual. refere-se ao fato gerador. 1º. Por isso a pena do art. Anterior ou não. 299 do CP. Tanto documentos públicos quanto privados estão inclusos neste inciso. III – falsificar ou alterar nota fiscal. distribuir. No art. nota de venda. ou omitindo operação de qualquer natureza. total ou parcialmente. na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos. pune a mera conduta no momento do pagamento. bens ou fatos. 172 do CP não ocorre a transação. O resultado deve ocorrer. Neste inciso. Correspondência com os arts. no prazo legal. Restringe-se ao pagamento de tributos. I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas. ou qualquer outro documento relativo à operação tributável. Correspondência com o art. e lá são materiais. e no art. senão o fato é atípico. 2º. ou empregar outra fraude. duplicata. nota fiscal ou documento equivalente. Mais uma vez. Depende da avaliação do juiz. V – negar ou deixar de fornecer. desobrigar-se indevidamente. fornecer. descontado ou cobrado. Este inciso possui uma peculiaridade em relação ao resto da lei 8137 : todas as condutas previstas nesta são dolosas. Falsidade ideológica e material. Eximir-se é isentar-se. 168 – A. em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Condutas comissivas e omissivas. 172 do CP. inserindo elementos inexatos. “Em desacordo com a legislação” é elemento normativo do tipo. quando obrigatório. 297/298 do CP. Parecido com o art. houve a transação. No art.II – fraudar a fiscalização tributária. mas aqui são crimes formais. efetivamente realizada. para eximir-se. falsidade ideológica. relativa à venda de mercadoria ou prestação de serviço. Art 2º: Constitui crime da mesma natureza: Crime equiparado. do pagamento de tributo. valor de tributo ou de contribuição social. Ao falar de “prazo legal” configura-se uma norma penal em branco. emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato. 1º. Falsidade ideológica. Página 3 . Fraude que acarreta supressão ou redução de tributos.

em que basta apenas a ação ou omissão do agente para a configuração do delito.Aula do dia 19/04/2006 – Monitora Lia A matéria de que trata a lei 8137/90 é também tratada na CF. pode-se sonegar mais de um imposto. de quinze dias a seis meses. A Lei surge com o intuito de proteger o erário. esta é uma lei especial em relação ao art. e multa. Lei 8. Pode ser o contribuinte ou um terceiro (laranja). um bem jurídico supra-individual. 1º fala em supressão ou redução de tributos e traz cinco condutas comissivas ou omissivas. no prazo de 10 (dez) dias. continuado? Diz Rui Stoco que “não há como dar a esse preceito o tratamento de crime formal ou de mera conduta. 330 .detenção. cujo objetivo é coibir a burla tributária. mas costuma-se recorrer ao art. Protege. A falta de atendimento da exigência da autoridade. O art. 1º. O perigo de dano não basta. portanto. § único da Lei 8. A falsidade é o crime-meio dos crimes previstos na Lei 8. na figura de suas Fazendas (da União. 145 a 169 (parte chamada de Constituição Econômica). Aula do dia 26/04/2006 – Monitora Lia O Art.137/90 – Art 1º Parágrafo único. nos arts.137/90 traz um conflito aparente de normas com o art 330 do Código Penal. 3º do Código Tributário Nacional. O Estado é o sujeito passivo direto. 330 do CP. eventualmente. dos Estados. com apenas uma ação. Seria uma norma penal em branco? Ou elemento normativo do tipo? Há defesas para ambas as correntes. contudo. Página 4 . que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência. Exige-se a particular intenção de desviar o numerário que pertence ao Fisco”. trazer uma definição do que seja isto. dos Municípios). Código Penal Desobediência Art. A lei fala diversas vezes em “tributo” sem. Como ele relacionou isso? (questão que a monitora Lia lançou à classe para reflexão). É um tipo misto ou de conteúdo variado (várias condutas para uma mesma finalidade). Contudo. Qual a conseqüência jurídica disto? Crime formal. Há uma relação entre uma assertiva e outra? Ele fala de crime formal e depois fala de intenção. caracteriza a infração prevista no inciso V. Contudo.Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena . onde há a definição de “tributo”.137. um particular. O sujeito passivo indireto é a sociedade e. O sujeito ativo dos crimes previstos na lei corresponde ao sujeito passivo da obrigação tributária.

Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nesta lei. O MP pode entrar com a ação penal. o trabalho das autoridades fiscais é dificultado. como patrimônio. que regulamenta o processo administrativo em matéria tributária.137/90 traz os crimes cometidos por particulares. exige a representação fiscal. já que a pena é muito mais gravosa que a prevista no CP.ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais à vida ou à saúde. Diferenciação: no inciso V do art. V).137/90 é de reclusão de 2 a 5 anos e multa. Parte da doutrina acha que o art. 1º. P. A Lei 9. O erário não é encarado. O artigo 2º traz os crimes cometidos por funcionários públicos. 172 do CP. C. R. § único. 2° e 4° a 7°: I .137/90 é inconstitucional. II . mas como receita estatal.137/90. Aula do dia 03/05/2006 – Monitora Lia O artigo 1º da Lei 8. com pena de 15 dias a 6 meses. III . 1º aplica-se aos artigos 2º e 3º. 1º. 330.A pena prevista no art.ser o crime cometido por servidor público no exercício de suas funções. Exige-se esta para poder-se entrar com ação penal? A jurisprudência diz que não. L. pois. na lei. para fugir de “bis in idem” Art. fornecendo-lhe por escrito informações Página 5 . O inciso II não incide sobre o art. BORGES defende que essa figura é inconstitucional. art.430/96. há a previsão do crime de desobediência.ocasionar grave dano à coletividade. Se o contribuinte não cumprir a exigência de autoridade. 16. mesmo sem representação fiscal. São crimes-meio para a prática dos crimes previstos na lei. PRADO diz que esse inciso é plausível. a operação nem chega a ocorrer. no caso previsto. Há necessidade da burla e do crime de falso. 3º. No CP. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade as penas previstas nos arts. C. 1º admite o dolo eventual. se houve a supressão de vários tributos. No art. Não há conduta culposa prevista nesta lei. 1º é de ação múltipla ou tipo variado. Apenas o inciso IV do art. Mas a prudência aconselha aguardar a conclusão do procedimento administrativo. desde que comprovado que se deve o crédito tributário. Art. da Lei 8. 12. O art. O art. é crime de desobediência (inc. 1º da Lei 8. Diz que o legislador pretendeu tipificar o crime de desobediência à autoridade fiscal. § único da Lei 8. mas não é documentado. 1°. o crime ocorre.

34.sobre o fato e a autoria.Código Penal (Título XI.848. Só com a quitação. Tem relação com o art. Foi restabelecido pela lei 9249/95 (art. 3º da Lei 8. vantagem indevida. Capítulo I): I . de 14 de julho de 1965. o lugar e os elementos de convicção. o co-autor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. representada por pessoas físicas – agente fiscal (busca-se evitar a quebra de confiança entre este e a sociedade). quando o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social. acarretando pagamento indevido ou inexato de tributo ou contribuição social. Lei 10. sonegá-lo. 16. Extingue-se a punibilidade dos crimes definidos na Lei nº 8. bem como indicando o tempo. direta ou indiretamente. cometidos em quadrilha ou co-autoria. inclusive acessórios. extingue-se a punibilidade. ou aceitar promessa Página 6 . Sonegar é ação omissiva. 3° Constitui crime funcional contra a ordem tributária. Acarretando é crime material (deve haver o resultado). ou inutilizá-lo. Objeto de tutela: arrecadação material (não é primordial a proteção do patrimônio. Parágrafo único. Para outra. funcionamento da máquina estatal. Art. só se desmontar toda a trama. mas em razão dela. Havendo quitação. Nos crimes previstos nesta Lei. de que tenha a guarda em razão da função. 34). Já Inutilizar é ação comissiva. Este artigo foi revogado pela Lei 8. solicitar ou receber. Sobre o parágrafo único do art. de 27 de dezembro de 1990. O art. de 7 de dezembro de 1940 .extraviar livro oficial.exigir. para uma parte da doutrina. antes do recebimento da denúncia. Aula do dia 10/05/2006 – Monitora Lia O art. qualquer delação pode ser configurada como delação premiada.684/03: o parcelamento do tributo suspende a pretensão punitiva do Estado e a prescrição penal. total ou parcialmente. 327 do CP. processo fiscal ou qualquer documento. independente de estar ou não cadastrado no REFIS. mas sim o fator social). que trata dos crimes cometidos por funcionário público. Art.729. ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício. Documento pode ser até aquele gravado em computador? Há restrições quanto a isso. e na Lei nº 4. 98).383/91 (art.137/90 trata dos crimes funcionais (que só podem ser praticados por funcionário público). 14 trazia as causas de extinção da punibilidade. para si ou para outrem. II . Luiz Regis Prado diz que pode.137. além dos previstos no Decreto-Lei n° 2.

12. O Congresso Nacional. Penal. (Não era. e multa. Causalismo: relação de causa/efeito baseada em fatos empíricos que reflete o eixo principal do crime. o professor quis fazer algumas considerações sobre o que é o código. que havia anteriormente. com duplicidade de interesses. Bastava um resultado típico ocorrido no mundo empírico para que fosse caracterizado o crime. um tema muito importante foi pouco discutido. fez um acordo com a Câmara. III . Representou um avanço em relação à “bagunça” do Legislativo. Há aumento de pena no art. valendo-se da qualidade de funcionário público.reclusão. o tipo era só objetivo.de tal vantagem. é proibido. Tipo subjetivo: dolo ou culpa. de 3 (três) a 8 (oito) anos. sem critérios de valor. Pena . que legislava de forma desregrada.) Antes de entrar no âmbito da lei ambiental. impedindo que esta voltasse ao Senado. (A questão da culpabilidade será tratada mais adiante. a acepção de código como um livro que compila leis existentes. interesse privado perante a administração fazendária. O que é um código? Há várias acepções para a palavra código. por exemplo. No causalismo. um código) Página 7 . direta ou indiretamente. Por exemplo: Matar passarinho  crime inafiançável. Pena .605/98 A lei em questão trouxe algumas coisas muito boas. 3º. Shecaira Código Ambiental – Lei nº 9.reclusão. Corrupção própria: o funcionário público pratica um ato que a princípio já é ilícito. Funcionário público advogando por particular. Administrativo. solicitar ou receber vantagem indevida. Advocacia administrativa. Basta exigir. Alguns exemplos: • Código de Hamurábi: misturava diferentes disciplinas – Direito Civil. mas privilegiando alguém. deteve-se a discutir um dispositivo sobre poluição sonora. que não incide sobre o art. Aula do dia 09/05/2006 – Prof.patrocinar. uma questão nova e muito importante que era trazido pela lei. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. uma vez que uma banca evangélica dizia que era inconstitucional por ferir a liberdade ao culto. Não importa onde esteja lotado. A partir do resultado parte-se para verificar a ação. para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social.) À época da promulgação da lei. (Representava liberalidade do legislador. FHC. atabalhoada. e multa. porém. Corrupção imprópria: pratica um ato a princípio lícito. dizendo que vetaria a lei de qualquer forma. O recebimento seria o exaurimento de “exigir” ou “solicitar”. Tipo objetivo: subsunção do fato à norma. então. propriamente. segundo o professor. ou cobrá-los parcialmente. Era a questão da culpabilidade penal.

lei anterior e mais gravosa? Sim. descrição das condutas e estabelecimento das penas. Ler os últimos artigos do Código Penal: “(.2 Aplica-se.. responsabilizavam-se cidades. 2) Função ordenadora: finalidade de unificar o desvalor da conduta e desvalor do resultado. (Também não era código. a lei ambiental faz isso muito bem. tratava do Direito Penal e Processual Penal. art. É uma grande inovação na legislação brasileira. a questão da Responsabilidade Penal – CF 88. E para que serve essa divisão em parte geral e parte especial? 1) Finalidade garantidora: objetivo de sistematizar racional e legalmente através da dicotomia parte geral/parte especial. O Código Ambiental traz que a responsabilidade das pessoas jurídicas se dá em três esferas: Sanções penais. O primeiro código que a adota é o Penal. por exemplo. 225 trata do meio ambiente. Parte geral: explica o funcionamento do sistema. Todos os Códigos Penais do Brasil A famigerada Lei de Molestamento de Cetáceos (L. 3) Função compiladora: saber o que está em vigor e o que não está. em seus estudos. Sutherland – Criminalidade Empresarial – Teoria da Associação Diferencial: “criminalização do risco”. Ela surgiu no Iluminismo1. 82 da Lei Ambiental: “Revogam-se as disposições em contrário” – tudo o que não for contrário é vigente. 4) Função transformadora: identificar qual a norma expulsa do sistema e qual será a mais condizente aos dias que correm. Daí o termo “crimes de colarinho branco”. Abertura – como se opera o sistema.. Das 70 maiores empresas 1 Leitura recomendada pelo professor: PIERANGE. Sutherland. as condutas permissivas (era desordenado). é aplicada ainda. enquanto a lei ambiental é a norma geral. Para o professor. A função compiladora não é expressa. enquanto empresários vestiam uma camisa branca por baixo do terno. José Henrique. individual. O livro V. sanções administrativas e reparação do dano.• Ordenações do Reino: organizada em livros. cada tipo proibitivo possuía. estabelece um contraste nos EUA: operários vestiam um macacão azul. A conduta humana é. 3) Capitalismo Industrial/Monopolista  afirma-se através do poder dado às empresas Pós-1929: Crise do capitalismo. então. Não existia a condição do indivíduo – pessoa era indestacável do grupo (Sociedade arcaica de Durkheim). Quais os bens jurídicos relevantes.)revogadas as disposições em contrário”. Verificou os ilícitos praticados por empresas. portanto. por não existir a dualidade Parte Geral/Parte Especial) Essa dualidade parte geral / parte especial define o que é código. Art. 2 Página 8 . 2) A individualidade só nasce na revolução francesa. Responsabilidade penal da Pessoa Jurídica Há que se destacar da lei. também.643/87) não é revogada. Parte especial: normas em espécie. dentro dele mesmo. mesmo havendo dispositivo semelhante no código. 7. pois é lei especial. Antes disso. Iluminismo: Princípio da personalidade – Punição individual. Histórico da Responsabilidade 1) Antiguidade/Idade Média: Responsabilidade era coletiva. Mera compilação de normas.

EUA. Debate entre Savigny (Pessoa jurídica . 3 Leitura: SHECAIRA. Da mesma forma a responsabilidade da pessoa jurídica está prevista nesse sistema (holandês/francês): só se admite a imputação à conduta de pessoas físicas. fevereiro/1998 4 Leitura recomendada: DIAS. atentado violento. É o “meio do caminho” entre Direito Administrativo e Penal. A pessoa jurídica não pode ser julgada eticamente4. China. Algumas figuras não admitem imputação da pessoa jurídica. então. existencial – decisão da postura de vida da pessoa Página 9 . A regra é: quando não está escrito nada no tipo proibitivo. previsto em nosso ordenamento. ou seja. deve estar previsto de forma expressa que se admite imputação à pessoa jurídica. Não é bem uma responsabilidade jurídica. Somente previstos esses casos 2) Intermediária (Alemanha)  Direito Penal de Intervenção. 3) Responsabilidade criminal da pessoa jurídica – Nasce na Common Law. portanto. a rigor.do país. França – 1994). deixava de ser individual. etc. A empresa é considerada na esfera cível e/ou multada na esfera administrativa. para admitir a forma culposa. 69 praticavam crimes (Não divulgou quem era a que não praticava). A criminalidade. deve estar expressamente previsto. Boletim do IBCCRIM. ato obceno. por exemplo. Diferenciação no resultado punitivo  deixa de ter julgamento ético. por exemplo. Colômbia. salvo em casos previstos em lei. Shecaira Sistemas básicos existentes no mundo da Responsabilidade Divisão tradicional 1) Refratária (Espanha e Itália)  não pode haver Responsabilidade Penal coletiva de maneira alguma. mas tem grande aceitação na Civil Law (Inglaterra . Há.década de 30. Holanda – década de 50 na legislação extravagante e 1976 na legislação penal para todos os crimes. Japão. não enfrenta.realidade). Nos sistemas Holandês e Francês (Parte Geral). não pode haver este julgamento. somente admite-se a forma dolosa. apenas. trata de forma semelhante ao instituto do crime culposo. É punido pelo Judiciário. Sérgio Salomão. é diferença entre uma multa no âmbito criminal (que. dois sistemas distintos: Responsabilidade na Parte Geral (de que fazem parte os países supra citados) Reponsabilidade nas leis extravagantes (Brasil. Liberdade e Culpa – Postura ética. Mas é dada pelo Judiciário.ficção) e Gierke (Pessoa jurídica . Na Alemanha: pena de multa sem juízo ético. Portugal. dentre outros) No Brasil a responsabilidade só se aplica pelo permissivo constitucional – crimes ambientais. estupro. paralelo aos das causas comuns. Jorge Figueiredo. mas corporativa. é uma situação intermediária. Venezuela. 6. causa efeitos como a perda da primariedade) e uma multa no âmbito administrativo. Dentro dessa concepção existencialista. Responsabilidade da pessoa jurídica e delitos ambientais.3 Aula do dia 16/05/2006 – Prof. não pelo órgão administrativo como ocorre no Brasil. Áustria. o problema judicial (culpa no sentido ético). vol. sem discussão do juízo ético. Otto Gierke defendia que a pessoa jurídica era diferente da soma das pessoas que a compõe. Sua visão é a que prevalece.

embora tenha parte geral e parte especial). mas há como minorá-la. Quanto a considerar a Lei Ambiental como código. Responsabilidade Ética Página 10 . o sócio sofreria o mesmo prejuízo. o Geleião.Algumas outras. por razões políticas. O Estado deve ser justo em sua resposta punitiva  objetivo da pena é pública. mas pública: a pena se tem um sentido. é uma lei. O professor defende que o minoritário deve ter direito de regresso. por ser eminentemente pessoal. segundo o professor. para não chamar de cínica. o Beira-Mar também não se arrependeram de seus crimes. Aqui cabe retomar a questão do sentido da pena. são punidos? Enquanto Paulo Maluf e seu filho ficaram presos por alguns dias e depois foram soltos. portanto. como foi a reforma francesa de 94. restando impunes. e procurou. Os crimes de colarinho branco. já que não é código. Questão: “pode resultar pena que cause prejuízo às pessoas que não tiveram culpa na decisão ilícita tomada pela pessoa jurídica. nesse caso. e não 5 Leitura recomendada: DIAS. deve-se observar a dificuldade de se inserir tais regras em um ordenamento. não são admitidas pelo legislador: roubo. Qual é a finalidade? Moral? Religiosa? Relevância pública de prevenção? Hoje.A condenação é patrimonial – a pessoa física estaria prejudicada e a pena não pode passar da pessoa do condenado. 2) “Não se pune a pessoa jurídica com pena privativa de liberdade” (rever estudos de Sutherland). é provável que o Marcola. Mas nós punimos a pessoa jurídica pelo crime econômico-financeiro. em que a responsabilidade criminal da pessoa jurídica é admitida em lei extravagante. Diferente é o “Código Ambiental” (que não é código. cabe ressaltar que não votamos para cometer o ilícito (não existe. não se pode prender a pessoa jurídica. De fato.” . laica. na mesma semana a mídia noticiava uma velhinha de 76 anos presa em Campinas. é o da prevenção geral. Não há como negar essa objeção. Jorge Figueiredo. Essas figuras ficam a critério do legislador. atribuímos o arrependimento ao criminoso? Não há relevância moral. se só houvesse responsabilidade Civil ou Administrativa. Contudo. por exemplo. mas não é razoável (conforme critica Reneé Docci). rebatê-las) Objeções 1) “Prejuízo às pessoas que não tem culpa e que fazem parte das sociedades” (questão dos sócios minoritários). A objeção é. válida. por que devemos nos preocupar com a punição da pessoa jurídica do empresário? Segundo o professor. por exemplo. 3) “Pessoa jurídica é incapaz de se arrepender” 5 Esta também é uma objeção que não temos como revidar. esta é uma objeção mesquinha. não necessita estar expressa em “parte geral”. Se nós não nos preocupamos com a punição da pessoa do empresário. ato comissivo evidente. Porém. crime a ser votado na ata da Assembléia) . Ficou um bom tempo discorrendo sobre as principais objeções jurídicas que são feita à Lei Ambiental. o professor discorda da opinião de Luiz Régis Prado. na medida do possível.Primeiramente. o professor fez algumas considerações sobre a lei. (Daqui em diante.

que costuma dizer “Nunca fui condenado pelas acusações que me fizeram. Este é o peso simbólico do Direito Penal.moral-religioso. 3) Intervenção judiciária. Mas é exigível que ele agisse em conformidade com o direito? É um julgamento externo. A tutela punitiva no âmbito penal aumenta a respeitabilidade. após ser preso. mas age como massa. O professor questiona o que ocorreria se ele não tivesse morrido e fosse julgado. De acordo com o fundamento Jungiano-Freudiano de culpabilidade. novamente. Tem caráter de prevenção geral. 2) Perda de bens ou confisco. Página 11 . Pode punir administrativa ou civilmente. no Rio de Janeiro com morte de uma refém. há que se considerar o inconsciente coletivo (rever Durkheim). Shecaira 4) “A responsabilidade pode se dar na esfera Administrativa” Os atos ilícitos da pessoa jurídica são normas administrativas: empresa conhece a lei e sabe quais são as regras e os limites. Se é uma construção teórica-filosófica. Punir administrativa/civilmente ou criminalmente é opção legislativa. que também morreu. Mas volta a pergunta: por que a maior tutela? Porque atribuo maior valor. Shecaira 6 O professor recomendou o filme “Ônibus 174”. Aula do dia 30/05/2006 – Prof. Daí temos que é preferível ser multado por um guarda de trânsito do que ter uma multa decorrente de uma condenação penal. O descumprimento dessas regras é uma afronta à responsabilidade social. então a culpabilidade da pessoa jurídica é um assunto de menor importância.. é desnecessária a tutela penal. que conta a história de um roubo a ônibus. tem consciência potencial de ilicitude. impacto comunitário. Responsabilização do indivíduo: “ajo como todos agem” – em conformidade com o direito (totalitarismo). No âmbito penal. O sujeito era imputável? É maior de idade e são. efeito simbólico do Direito Penal. honestidade: ausência de condenação criminal. O professor citou. O objetivo da pena é dar publicidade. 4) Divulgação da sentença às expensas da pessoa jurídica (efeito simbólico. Culpabilidade como fundamento filosófico para justificar a punição: existe um juízo ou é uma construção teórica? Se existe. o Dr. Paulo Maluf. Aula do dia 23/05/2006 – Prof. O filme conta a história do bandido. Quanto às penas da Lei Ambiental: 1) Multa: caráter simbólico. 5) “É impossível punir coletivamente o crime culposo” Nesse caso. nunca foi condenado.. mas é provável que ele acumule inúmeras condenações civis.”. Pode ter uma resposta positiva. serve como anti-propaganda para a comunidade: Responsabilidade Social). Juízo de Culpabilidade: “consciência potencial de ilicitude” + “possibilidade de agir em conformidade com o direito”6. a culpa é individual? Gofredo Silva Telles discorre da consciência individual x consciência coletiva. Conceito de Massa x Povo – o povo conserva a individualidade. Mas o que diferencia o Direito Penal do Direito Civil? A relevância/tutela jurídica ao bem. maior peso a esses bens tutelados.

a autoridade competente observará: I . no interesse ou benefício da sua entidade. II fala dos antecedentes do infrator. Parágrafo único. no caso de multa. Art. portanto. O art. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas. Art. embora isso não esteja disposto expressamente. autoras. 6º.a culpabilidade. Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade. a conduta social e a personalidade do condenado. antes. tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente. bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. Página 12 . II .tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos. 2º.a situação econômica do infrator. 6º e subseqüentes. Responsabilidade da pessoa jurídica . III . ou órgão colegiado no interesse ou benefício de sua entidade  pessoa jurídica pode ser co-autora. nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual. ou de seu órgão colegiado. portanto.O Código Ambiental O primeiro artigo da Lei é o art. os antecedentes. pois o 1º foi vetado (já começou bem!) Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: I .os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental. civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. II . Não havia. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa. O art. a possibilidade de prever antecedentes da pessoa jurídica.a gravidade do fato. Párágrafo Único: sistema de dupla imputação – responsabilidade recai sobre pessoa física E pessoa jurídica. co-autoras ou partícipes do mesmo fato. só atingem a pessoa física.representante legal ou contratual. Personalidade da pessoa jurídica: pode ser desconsiderada para atingir a pessoa física.

subvenções ou doações. Art. 21) devem ter previsão no tipo proibitivo.Parágrafo único. 22. na descrição do tipo. O art. cumulativa ou alternativa à pessoa jurídica. Página 13 . As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: I . de acordo com o disposto no art. recaem nessa conversão. As penas aplicadas alternativa ou cumulativamente (a que se referem o art. à semelhança do que o Código Penal instituiu após a Lei Ambiental (Lei nº 9714 reformou o CP. Art.proibição de contratar com o Poder Público. 15 (incisos) – agravantes. já que a pena é menor que 4 anos em quase todos os crimes previstos na lei. 7º trata da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas. Art. Descreve pena para a pessoa jurídica. Os artigos seguintes (até o 13) definem as penas. isolada. Inciso I: todos os crimes. III . Nota-se. II .multa. então. 8º As penas restritivas de direito são: I .interdição temporária de direitos. praticamente. V . e na parte geral é prevista.prestação de serviços à comunidade. Os juízes estão ignorando esta inconstitucionalidade levantada pelo professor e aplicam a pena que lhes “der na telha”. Fere. pode ter valor aumentado. III . bem como dele obter subsídios. Foge ao que o CP estatui para o ordenamento geral. a pena à pessoa jurídica. O art.suspensão parcial ou total de atividades. 21 apresenta uma “novidade”. IV . substituição (para as pessoas físicas).recolhimento domiciliar. As penas não são substitutivas. II . Não tenho. 8º .restritivas de direitos. A prestação pecuniária amplia o leque e alcance das penas alternativas. As penas aplicáveis isolada. mas não há uma única pena prevista para a pessoa jurídica (Ex. 3º. Cabe destacar a prestação pecuniária. posterior à Lei Ambiental).suspensão parcial ou total de atividades. Art. portanto.prestação pecuniária. 21. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída. Na prática. 54 – poluição.elenca penas restritivas de direito. A Lei Ambiental é importante também por introduzir estas penas. 18 – multa: critérios do Código Penal – em função da vantagem econômica adquirida. III . II . Pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa). que estamos falando de pessoa física. 7º. são: I . o princípio da legalidade. não é ruim. obra ou atividade. O art.prestação de serviços à comunidade.: Art. Difere do art. Art.interdição temporária de estabelecimento.

mas o professor diz que não sabe. como fazer para calcular a multa? Sim. como na ação civil ou trabalhista? Mas. o critério é em relação ao ganho mensal. salvo casos excepcionais. abate de animal. uma controvérsia: penalistas defendem que a lei é inaplicável para a pessoa jurídica. Prevê aplicação da Lei nº 9099. Então. não é crime. é bifásico: avalia-se o ilícito cometido e a condição do infrator (pena mínima é de um terço do salário mínimo e a máxima é obtida pela multiplicação 15 x 360 salários mínimos). E no caso da empresa não pagar? Então executa. se houver bens. Art. há um vácuo na lei. Faz-se a citação dos administradores da pessoa jurídica. então. Então. é vedada a analogia. para depois poder comprar gás a preço abaixo do de mercado. Não tem caráter sexual.. E a pessoa jurídica pode mentir? O representante pode mentir? Necessita uma lei de adaptação para tal.. A Lei não diz uma palavra sobre multa. há um problema: no processo penal. Comete um crime ambiental. CP – maus tratos). maus-tratos de animais. A pena é de 3 meses a 1 ano. Se for para a alimentação. O Art.) § 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios. Não há lei prevendo a execução da pessoa jurídica. Uma outra “novidade” da lei é a Surcis para até 3 anos (e não 2). pode até falir a empresa. A pena mais alta é de 5 anos.(. faz-se pelo rendimento mensal da empresa. fazendo isso. Se for animal nocivo. 29 – observa-se que a maior parte das penas são bastante curtas (ex: 6 meses a 1 ano). também não é. “Chuta-se” um valor qualquer? Deve ter critério. Porém. Trata-se de abuso do trabalho do animal. pesca. o que seria fato atípico. Mas estava apenas 6 meses no país e somente investia.. Mas baseado em que lei? Não diz que deve converter em multa. que não existe. a pena é de 2 meses a um ano! (136. o do mês anterior é negativo.. Página 14 .. 32 – abuso. 23 – fala da prestação de serviços à comunidade. Qual o critério da multa para a pessoa jurídica? Para a pessoa física. Comentários de alguns crimes em espécie Art. subvenções ou doações não poderá exceder o prazo de dez anos Verifica-se que as penas previstas são gravíssimas – chega a ser absurdo. Ambientalistas defendem que “pode-se dar um jeito”. E se eu abusar do trabalho da empregada doméstica? Aí é fato atípico! Art. Não há nenhuma norma penal ou de processo penal. promove o animal à categoria de racional. também não tem o rendimento do ano anterior. Exemplo: A Petrobrás se instala na Bolívia.37 (incisos) – caça. Faz-se por analogia na falta de critério? No Direito Penal. segundo o professor.. Se eu abusar do dono. pode ser um problema na prática. as pessoas podem mentir. por exemplo. Mesmo assim. não há lucro mensal. Mas para a pessoa jurídica não tem critério. “chuta-se” um valor qualquer. I – legítima defesa! O legislador supõe que pode haver agressão legítima do animal à pessoa. Há.

Art. Conflito de leis aparente. Página 15 . A pena é de 3 meses a 1 ano por “maltratar uma samambaia ornamental”. Aqui é aplicado o critério da especialidade da lei. acaba por incitar o crime. Art. 1º: traz o conceito de instituição financeira. A gestão temerária seria uma figura dolosa.são abertos. Algumas críticas à lei Quase todos os tipos previstos: . 4º: Gestão fraudulenta e gestão temerária. No caso deste artigo. apesar de ter quem diga que é uma figura culposa. somente aplica-se quando a fraude e abuso atingir o sistema financeiro. por exemplo. Art. Há figuras equiparadas: setor bancário. Art.admitem forma culposa .: “Conspurcar” significa sujar. não foram obedecidos os requisitos e tomados os cuidados exigidos para a concretização dos negócios. 38 e 39 – Se eu cortar duas árvores ou uma floresta inteira. A pena dos diferentes tipos de gestão são diferentes e a desproporção é grande. Obs. Então. Art. 49 – muitos verbos. por uma relação de custo-benefício. a pena também é de 3 meses a 1 ano. 51 – comércio de moto-serra. segurador e mercado de valores mobiliários. . Art.parágrafo único: crime culposo? Obs.: posso cortar a árvore da minha propriedade se a raiz estiver danificando o prédio. 3º: delito equiparado ao “fraude e abuso” do CP. não houve o beneplácito do Banco Central para a realização do negócio (critérios para identificar a temeridade. caracterizando uma perda de segurança jurídica . Tutela o furto da rosa com a mesma pena de uma lesão corporal: se eu cortar um dedo. acrescentadas por doutrina e jurisprudência. Há quem diga que não há diferença entre as duas.492/86 Esta lei é repleta de normas penais em branco e elementos normativos do tipo. segundo Pitombo). 65 – criminaliza a pichação de muros (antes não era criminalizado).Art. A gestão temerária envolveria um excesso de risco: os negócios realizados não estão dentro dos limites da atuação de quem os realizou.constituem crimes de perigo quando a lógica são crimes de dano Aula do dia 31/05/2006 – Monitora Lia Lei dos crimes contra o Sistema Financeiro – Lei nº 7. a pena é a mesma. O que eu não posso é cortar a de um logradouro público ou de propriedade alheia.

Aula do dia 06/06/2006 – Prof. concurso formal nesta lei. . . Não houve aula de monitoria no dia 07/06/2006. . . e em outros não. era a pena de morte. 4) 1854 – Sistema irlandês Página 16 . Principais sistemas: 1) 1776 – Pennsylvania. a prisão passa a ser um sistema. . sistema auburniano. e não haveria.210/84 (O professor deu uma aula bastante conceitual e histórica. para a conclusão da matéria.liberdade: livramento condicional. por definição. Não sei se cai na prova a matéria. com a expiação da Igreja Católica. 3) 1840 – Sistema inglês. Se falasse mais do que isso. Mais tarde. mas de qualquer forma é bom dar uma lida. a pena. pode haver concurso de normas e alguns casos.) Histórico Situar quando nasce a execução penal é importante. sistema pensilvânico. 2) 1797 – Nova Iorque. de acordo com o trabalho executado o preso ganhava pontos (daí o outro nome por qual o sistema é conhecido: Mark System). Há artigos especiais em relação ao art. A pena de prisão só surge na Idade Média.isolamento diurno e noturno com células individuais. 4º. Executado em Norfalk. ficando a parte mais “prática” da execução penal para o finalzinho. com adição do trabalho diurno. na Holanda e Inglaterra. portanto. Não se pode afirmar que havia uma norma de execução penal. Uma forma de cumprimento de pena. Shecaira Lei de Execução Penal– Lei nº 7. Quackers (igual o da aveia Quacker). Houve e jogo e não houve aula. seria punido). quando daria aula normalmente (dia de jogo do Brasil). Em dado momento. como forma de punição de seus clérigos (reclusão em paz – penitenciária era o local em que a pessoa se penitenciava de seus males). Caracterísiticas: .isolamento celular.abstinência. Silent System. No passado. Disse que ia terminar na próxima semana. Austrália. a pena de prisão chega aos leigos.orações. como forma de disciplina do trabalho.Fábio Bittencourt da Rosa diz que como aqui se fala em gestão fraudulenta e em outros artigos fala-se também. mas de modo mais específico.trabalho diurno em silêncio. Mesmas caracterísiticas do sistema pensilvânico.silêncio absoluto (havia o direito do preso falar por três vezes durante um ano. .

10. Havia a necessidade de conter o proletariado. Também chamado de sistema progressivo de cumprimento de pena.D. Conselho Regional de Psicologia e Conselho Regional de Medicina – pareceres interdisciplinares. muito interessante. Juiz + Conselho  processo se iniciava no Conselho e era mandado para o juiz que ratificava a decisão do Conselho. Ministério Público Federal. Em 1924. 3) Fase da jurisdicionalização – juiz: trâmite jurisdicionalizado. com fase intermediária entre o trabalho e o livramento através de trabalhos externos.792 – reforma na execução penal (3 alterações importantes): I – fim do exame criminológico/progressão de regime II – instituição de regime mais gravoso – Regime Disciplinar Diferenciado (R. Cria-se. quase perfeito. criação do Partido Comunista. O índice de fuga era praticamente zero.) – para contenção da violência de grupos criminosos como o PCC. introdução da suspensão condicional da pena (Surcis). alguns acontecimentos influenciaram dois decretos. demorava muito.. Introduziu o sistema da APAC. Alguns pedidos. porém. III – Fim do Conselho Penitenciário para exame do livramento condicional. 2003: L. Página 17 . Ministério Público Estadual.” 2) Fase da administratividade – introduz alguns mecanismos administrativos No Brasil: 1890 (Código Penal da República) – instituto do livramento condicional criado. Passa a ser totalmente jurisdicionalizado. Conselho Penitenciário é criado.D. Tinha a função de julgar quais os condenados eram merecedores de livramento (um órgão em cada Estado). mas pouco aplicado (não havia regras). Vigora até a reforma de 1984. Fases: 1) Fase do penitenciarismo: penalista despreza a execução. 7 Nagashi Furukawa – Foi importante juiz de execução da região de Bragança Paulista. Na época São Paulo e Rio de Janeiro “ferviam”: Levante dos 18 do Forte.. Infelizmente. cujos membros eram a OAB. deveriam passar pelo Conselho Penitenciário. diretor da penitenciária é que se preocupa com as normas de execução – o condenado fica “na mão do diretor da penitenciária. então. já que a sede é na cidade de São Paulo.). Trata-se de um órgão composto por um lente da Faculdade de Direito. o mesmo vigente no Brasil (trabalhos externos em institutos penais agrícolas ou industriais). portanto. sendo responsável por apresentar os problemas do presidio e dialogar com autoridades. O exame podia demorar 6 meses (ia para São Paulo e voltava. regulamentação do livramento condicional. se eu estou preso em Dracena. greves. o preso que tinha um certo grau de respeitabilidade dentro do presídio exercia uma espécie de liderança. um exército de reserva para atacar o proletariado. 1984: Lei de Execução Penal + modificação do CP  subtrai do Conselho o sistema de progressão de penas. O nascimento da execução da pena.Semelhante ao inglês. não conseguiu transportar suas conquistas para o sistema estadual paulista como um todo. Projeto de Nagashi Furukawa7. Antes. porém. 1940 – CP/1941 – CPP: introdução do elemento juiz. um da Faculdade de Medicina e o diretor da Penitenciária. representando os demais presos. segundo o professor. se dá junto com o da prisão. Nesse sistema. Procuradoria do Estado.

Não é necessário fazer algo errado dentro da cadeia.perda de visistas. que o preso assista a jogos da Copa pela televisão. Apêndice – Revisão de algumas noções sobre escolas do pensamento do Direito Penal Aula do dia 17/05/2006 – Monitora Lia Positivismo .D.. recentemente.não trabalha (volta a 1776. que acabou não prevalecendo. pois não está na lei (há que se lembrar que a lei é de 1984).)..). mas talvez seja XVIII) – apogeu do positivismo científico características: 1) negativismo 2) empirismo 3) cientismo 4) avaloratividade – não axiológica método causal-explicativo: Página 18 . Imagine a arbitrariedade que poderia haver caso fosse retirado o poder do juiz e dado ao administrador do presídio. defendeu.D. Art. Basta “fundadas suspeitas”. O presídio em que se cumpre o R.saída por duas horas diárias (banho de sol). . . o mesmo Furukawa. 194 a 197: jurisdicionalização do sistema. conforme previa o projeto de desjurisdicionalização de Furukawa. portanto. no (extremo?) oeste paulista.D. 52: Regime Disciplinar Diferenciado (R. fica em Presidente Bernardes.: O STJ defende que o uso de celular dentro da prisão não é falta grave..Final do séc XIX (ela falou XIX. mas apenas suspeita.  Falta grave (páragrafo 1º do artigo): representar “alto risco”. que foi um juiz liberal de execução. Com a desjurisdicionalização.D.D.Curiosamente. Características do R.. um projeto de desjurisdicionalização da execução. a administração é quem decidiria acerca dos assuntos carcerários. Obs. .cela individual.D. 41: rol de direitos do preso Cabe destacar que tem direito à informação. Não é preciso ter certeza. o que temos hoje. . Art. portanto.. Não é vedado. Alguns artigos importantes: Arts. Fica submetido quem cometer uma falta grave..

que constituem-se de muitos e indeterminados riscos).tipo objetivo: descrição de uma conduta humana . A característica do sistema é a auto-gestão. Há quem diga que o risco sempre existiu numa sociedade. hoje em dia. visando um fim  valor. Aula do dia 24/05/2006 – Monitora Lia Funcionalismo: escola pós-finalista.. Finalismo (1950 – 1970) Ação: .antijuridicidade: formal/material (dano social) . mas Página 19 . não mais tanto pela Filosofia. mas adiciona elemento material à antijuridicidade  tem que haver um dano social da cultura – de que determinada atitude é conduta ilícita (geralmente já positivada no ordenamento). Influenciada principalmente pela Sociologia. deve ser necessária. É baseada principalmente nos autores Beck (criador do conceito de sociedade de risco.tipo. e o Direito é um subsistema dentro dela.Escola da Exegese Delito: .observação . Se não for necessária para o funcionamento do sistema.culpabilidade  psicológica – ação + nexo causal + resultado Causalidade – ação e reação Neo-Kantismo . Não basta ser merecida. Substitui criminologia “pura”. passa a constituir dolo/culpa (Teoria da Adequação Social) . Criou o conceito com base nos crimes ambientais. Contudo.culpabilidade: psicológico-normativa Funcionalismo Beck – sociedade de risco Indivíduo deixa de ser o centro  coletividade (supra-individual) Roxim/Jacobs  função político-criminal Sistema aberto de Direito Penal  incluem filosofia/sociologia. intenção final . não.antijuridicidade  formal: não se analisa dano social . que antes era formal. pode deixar de ser aplicada.códigos/leis .experimentalismo . e Luhmann (segundo o qual a sociedade é um sistema.final.Final do séc XIX Crítica à valoratividade Mesma estrutura do delito. antes sabia-se onde estava o risco. O Direito seria uma idéia fechada dentro de uma sociedade.formalismo .

uma visão mais moderada. A crítica que se faz é que o sistema tornar-se-ia facilmente manipulável: cumpra-se o que diz a norma. se é preciso aplicar a pena (aspecto preventivo da pena). Para ele. A pena existiria apenas para mostrar a funcionalidade do Direito: este funciona. porque vai contra o sistema. Política criminal: dita as características do Direito Penal como este deveria ser. independentemente do seu conteúdo. sob a ótica do delinqüente. Aula do dia 31/05/2006 – Monitora Lia Jakobs tem uma visão mais radical. das idéias do funcionalismo de Luhmann. Jakobs não utiliza o conceito de bem-jurídico protegido pela norma. Roxin trabalha com a idéia de pena como prevenção (que pode ser geral – aquela que orienta a sociedade com o fim de evitar crimes e especial – aplicada à pessoa do condenado). e esta deve ser acatada. o Direito passa a ter uma função social. Página 20 . É. a norma continua válida e o indivíduo foi punido por não a obedecer. aqui. A violação é disfuncional.deve estar aberto ao que a sociedade diz). o que importa é o que diz a norma. Com essa escola. É analisado. assim. e por isso é bastante criticado. A responsabilidade é acrescentada aos elementos do crime. pois de nada adiantou a violação. Roxin criou a teoria do teleologismo-funcional (que é uma linha mais moderada). Ele trabalha com os fins do Direito Penal baseando-se nos fins das penas. por isso. Parte. Daria justificativa ao direito nazista. Dentro da mesma escola.