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EXTRATO CONSELHO

DA

ATA

DA

REUNIÃO DO

ORDINÁRIA

DO

SUPERIOR

MINISTÉRIO

PÚBLICO,

REALIZADA NO DIA 16 DE SETEMBRO DE 2008.

Aos dezesseis dias do mês de setembro de 2008, às 13h30min, na sala própria do 9º andar do Edifício do Ministério Público do Estado de São Paulo, situado na Rua Riachuelo, nº 115, nesta Capital, presentes o Procurador-Geral de Justiça, Doutor Fernando Grella Vieira, o Corregedor-Geral do Ministério Público, Doutor Antonio de Pádua Bertone Pereira, e os Conselheiros eleitos, nomeados na ordem decrescente de antigüidade, Doutores Pedro Franco de Campos, Luís Daniel Pereira Cintra, Nelson Gonzaga de Oliveira, João Francisco Moreira Viegas, Tiago Cintra Zarif, Paulo do Amaral Souza, Ana Margarida Machado Junqueira Beneduce, Marisa Rocha Teixeira Dissinger e Eloisa de Souza Arruda, foi realizada reunião ordinária do Conselho Superior do Ministério Público, que se desenvolveu consoante registrado adiante. I – CONFERÊNCIA DE QUORUM E INSTALAÇÃO DA REUNIÃO – Ante a presença de todos, a reunião foi desde logo instalada. II – LEITURA, VOTAÇÃO E ASSINATURA DA ATA ANTERIOR – De início, procedeu-se à verificação da ata da última reunião havida, cuja leitura foi dispensada, visto que dela todos receberam, antes, cópia. Aprovada, então, sem qualquer ressalva, ela foi assinada por todos que dela participaram. III – COMUNICAÇÕES DO SENHOR PRESIDENTE – Com a palavra, na seqüência, o Senhor Presidente, por ele foi acusado

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o recebimento de agradecimentos dos familiares da Senhora Ruth Corrêa Leite Cardoso, em face de haver o Conselho manifestado pesar por ocasião do falecimento dela. Fez referência o Senhor Presidente, mais, à visita que hoje fez aos Promotores de Justiça que oficiam no Forum Criminal da Barra Funda, fazendo que alusão hoje a seus detalhes. pelo Informou, Conselho, por para derradeiro, que os provimentos de cargos em decorrência das indicações serão feitas promoções e remoções, somente se darão no final de outubro, por conveniência do bom andamento dos serviços eleitorais, já que no aludido mês ocorrerão as eleições municipais. IV – COMUNICAÇÕES DOS CONSELHEIROS - Fizeram uso palavra, na seqüência, os Senhores Conselheiros. Por primeiro, manifestou o Doutor Viegas, nos seguintes termos: “Considerações precisam ser feitas sobre alguns pontos do que foi registrado pelo Senhor Corregedor-Geral na ata do último dia 9 de setembro. Refiro-me as suas afirmações de que a suspeita da existência de um espião do PCC não foi noticiada ao Conselho, porque só trazida ao seu conhecimento no dia 30 de agosto (data em que o assunto foi tornado público pelo jornal O Estado de São Paulo). Estranha-me essa afirmação, pois conforme registrado pelo jornal (fato não contestado pela Corregedoria, tampouco pela Procuradoria Geral), a suspeita de que a maior facção do crime organizado do país conseguiu se infiltrar no Ministério Público de São Paulo surgiu nas investigações realizadas pelos Promotores do GAERCO do Vale do Paraíba, nos meses de abril e junho deste ano. Consta mais, que as supostas destinatárias das informações, foram presas no final de julho, durante a Operação Prima Donna.

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Conhecendo a rotina dos trabalhos da instituição, não posso acreditar que fato de tamanha gravidade só tenha chegado ao conhecimento da Corregedoria, através de notícia veiculada na imprensa. Quanto a insinuação de uso político do fato, recomendo leia-se mais atentamente os artigos 36, XIV e XV da Lei Orgânica e 13, XX e XXII do Regimento Interno da Casa. Superado esse assunto, registro a visita que, na última sextafeira, nos fez o Doutor Felipe Loke Cavalcanti, ilustre membro do Conselho Nacional de Justiça. Na ocasião pode nos esclarecer e também aos Conselheiros Ana Junqueira, Eloísa Arruda, Nelson Gonzaga e Antonio Bertone, alguns fatos de interesse institucional, inclusive os motivos que o levaram a votar contra a edição de uma resolução regulamentando os procedimentos a serem seguidos pelas autoridades na realização de escutas telefônicas. Da mesma forma que Sua Excelência, acredito que a questão estaria melhor resolvida através de lei. Justificável, o temor de que a medida tomada pelo CNJ possa se degenerar numa espécie de supervisão estatística, lançando sombra de desconfiança sobre os magistrados que mais ordenam quebra de sigilo”. Seguiu-se a fala do Doutor Nelson Gonzaga, para mencionar que diversos colegas têm encaminhado sugestões à comissão instituída junto ao Conselho, para tratar da questão da reclassificação, oportunidade em que o Senhor Presidente deu conta de que também ele encaminhou à comissão, hoje, material que lhe foi oferecido por diversos colegas, da região de Presidente Prudente. Manifestou-se, por fim, o Doutor Luís Daniel, para lembrar que a reunião da próxima semana ocorrerá em Campinas, bem assim para rememorar algumas providências

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disso decorrentes. V – ORDEM DO DIA – Em continuação, foram examinadas as matérias constantes da ordem do dia, deliberando-se consoante segue consignado. 1) Pt. nº 71.880/08 – Interessado: Comissão de Representantes do Residencial Edifício “Torres da Mooca” e outros. Assunto: pedido de providências do Conselho Superior do Ministério Público, à vista de acordo firmado entre o Ministério Público e a Bancoop, nos autos de ação civil pública proposta (Pt. nº 137.681/06) – Depois de lido o relatório pela Conselheira Marisa Dissinger, foi dada a palavra, sucessivamente, à Dra. Lívia e ao Dr. Pedro Dallari, para sustentação oral, pelo tempo de 15 minutos cada um, em defesa dos interesses dos cooperados e da Bancoop, respectivamente. Ato contínuo, tornando a palavra à Conselheira Marisa, por ela foi feita a leitura do seu voto, oferecido por escrito (em 53 laudas, disponível no site do MP, no espaço reservado ao Conselho), já acostado aos autos; rematado com as conclusões que seguem literalmente transcritas: “(i) é o promotor de Justiça designado, na qualidade de órgão de execução, quem representa o Ministério Público na ação civil pública; (ii) em virtude da delegação, o promotor de Justiça designado deve observar os limites em que a recebeu, sendo-lhe vedado postular de modo diverso ou menos abrangente, ainda que por via reflexa; (iii) o acordo judicial contraria o que foi deliberado pelo Egrégio Conselho Superior do Ministério Público quando da rejeição da homologação do arquivamento; (iv) o acordo judicial contém cláusulas que são prejudiciais aos interesses dos cooperados, especialmente aqueles que discordam dos métodos de administração da Cooperativa; (v) não interessa para o

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deslinde da ação civil pública ou, também, para a solução desta representação se o acordo judicial repete, na essência, a proposta de ajustamento de conduta, pois esta não foi anteriormente conhecida pelo Colegiado; (vi) até que sobrevenha eventual homologação do acordo judicial, não há falar em anular esse ajuste, por ora ineficaz; (vii) diante da inobservância dos limites da delegação, bem como para preservar a consciência do promotor de Justiça que celebrou o acordo, é necessário substituí-lo, de modo que os autos devem ser remetidos à Procuradoria Geral de Justiça para que edite portaria designando o respectivo substituto automático para prosseguir na ação civil pública”. Seguiu-se o voto do Conselheiro João Viegas, acompanhando a Conselheira Relatora, nos seguintes termos: “Reclamação formulada pela Comissão de Representantes do Empreendimento Residencial Edifício Torres da Mooca, insatisfeita com os termos do acordo firmado pelo Promotor de Justiça João Lopes Guimarães Júnior com a Cooperativa Habitacional do Bancários de São Paulo – BANCOOP, já encaminhado ao juízo da 37ª Vara Cível da Capital, para homologação. Alegam que o acerto lhes é altamente prejudicial, além de manifestamente em desacordo com o que havia sido determinado pelo Conselho Superior do Ministério Público. Junta diversos documentos, entre eles cópia integral da decisão que negou a promoção de arquivamento do inquérito civil (IC nº 14.161.446/06-01) e determinou o ajuizamento de ação civil contra a cooperativa, bem como, da que não conheceu subseqüente proposta de acordo. Ao pleito destes cooperados, aderem outros, também organizados em comissões. É o relatório, decido. A reclamação merece êxito. E

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o motivo é simples: O Doutor João Lopes Guimarães Júnior, mercê da rejeição do arquivamento do IC 14.161.446/06-01, não atua neste caso por atribuição própria, e sim por delegação deste Conselho Superior do Ministério Público, que, em fundamentada decisão, explicitou os pedidos que deveriam ser deduzidos na ação civil pública, quais sejam: (i) registrar, no prazo de 60 (sessenta) dias, os memoriais de incorporação imobiliária dos empreendimentos lançados pela empresa, de modo a impedir constrições judiciais sobre as unidades dos cooperados, (ii) realizar a separação das contas dos empreendimentos (uma para cada empreendimento, com CNPJ próprio), como estabelece o Estatuto da cooperativa, (iii) efetuar, no tocante aos imóveis não construídos, a devolução de todas as importâncias pagas, sem nenhuma retenção, aos cooperados que solicitarem sua retirada da cooperativa, devolução esta que deverá ser feita em valores atualizados monetariamente e no máximo em 6 (seis) parcelas; de obrigações de não fazer, consistentes em (iv) não realizar o lançamento de nenhum empreendimento enquanto não forem registradas as incorporações de todos os empreendimentos lançados, bem como separadas suas respectivas contas e concluídas as obras dos edifícios paralisadas, (v) abster-se de cobrar as parcelas de reforço de caixa e apuração final dos empreendimentos, enquanto não demonstrada a necessidade de sua cobrança, de acordo com os cronogramas físicofinanceiros dos empreendimentos em construção e concluídos, devidamente aprovados pela Caixa Econômica Federal; e (vi) desconsiderada a personalidade jurídica da sociedade cooperativa, nos termos do artigo 28 do Código de Defesa do

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Consumidor, pedido de condenação genérica dos dirigentes da Bancoop a indenizarem os danos (materiais e morais) causados aos cooperados, nos termos do artigo 95 do Código de Defesa do Consumidor. Indicação que se fez acompanhada da observação de que se tratava de rol mínimo, assegurado ao promotor tão somente à possibilidade de acrescentar outros pedidos, desde que não colidentes com aqueles especificados pelo órgão delegante. O que significa, em outras palavras, dizer que estava o Conselho Superior determinando ao promotor encarregado do caso não apenas a propositura da ação, mas também atenção a um rol mínimo de pedidos; pedidos que por assinalados com tal qualidade, fixavam os limites de eventual futura transação. Sabido, por todos, que nos casos de rejeição de arquivamento pelo Conselho Superior do Ministério Público, o promotor designado para propor a ação não age por atribuições próprias e sim por delegação do colegiado. Impertinentes e descabidas objeções fundadas em possível violação à liberdade de convicção ou à independência funcional, pelo simples fato desses princípios só existirem em favor do promotor natural, não do que age por delegação. Nesse sentido, o magistério de Mazzilli. Peço vênia para transcrever suas palavras:’Na verdade, não há violação alguma à liberdade de convicção dos Membros do Ministério Público, quando tenham pelos de cumprir de designações administração legitimamente superior da formuladas órgãos

instituição. Nas hipóteses em que a lei cometa ao procuradorgeral ou ao Conselho Superior do Ministério Público agir por atribuições próprias, estes, em vez de agir diretamente, têm a opção de efetuar a designação de um outro membro da

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instituição para, em nome deles, tomar as providências que entendam cabíveis; neste caso, estarão apenas delegando uma atribuição própria a outro órgão da mesma instituição. Ora, delegar ‘é conferir a outrem atribuições que originariamente competiam ao delegante’. Assim, o órgão designado não age em nome próprio, nem por atribuições próprias, mas age como apenas delegado, em nome do órgão superior da mesma instituição, e em cumprimento a determinação legal. É um caso de unidade e hierarquia administrativa, em decorrência das quais o designado não aprecia o caso, mas cumpre determinação do órgão superior. Diversa é a atuação do primeiro promotor de justiça – aquele que originariamente pedira o arquivamento do inquérito policial ou promovera o arquivamento do inquérito civil. Esse primeiro promotor oficiava por atribuições próprias, com plena independência funcional; agia com relação a organicidade, vinculando o Ministério Público. Em sua atuação, estava somente limitado pela lei e por sua consciência. Contudo, quando foi acionado o sistema de controle do arquivamento, o poder de decidir, pelo Ministério Público, se o caso era de arquivamento ou de propor a ação civil pública, - tal poder passou a caber diretamente a outro órgão da mesma instituição. Esse tinha, então, três opções: ou mantinha a posição favorável ao arquivamento, ou agia ele próprio (pois quem pode delegar pode agir), ou designava outro órgão da instituição para promover a ação civil pública. Neste caso, este segundo órgão – o designado – não concentra nas suas mãos atribuição originária alguma para apreciar o caso, senão estaria sendo uma instância de revisão do que já foi decidido em grau de revisão pelos órgãos

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máximos do Ministério Público. Recebe nas mãos, antes, um encargo ou uma determinação, ou seja, é destinatário de uma designação para executar um ato específico, certo e delegado: propor uma ação civil pública. Nenhuma subserviência nenhum rebaixamento funcional há em cumprir a lei, em o promotor de justiça ser compelido a aceitar executar o conteúdo da designação expedida por um dos órgãos da administração superior do Ministério Público. O juiz também cumpre o acórdão que reforma sua sentença; cumpre o próprio arquivamento do inquérito policial, objeto da insistência do procurador-geral de justiça, ainda que entendesse aquele que o caso seria de promoção da ação penal. A esse propósito já disse o Tribunal de Justiça paulista: Não vai nisso nenhuma humilhação, mesmo porque não há diminuição alguma em se submeter à lei. Assim age erroneamente o órgão designado do Ministério Público que, embora dizendo-se vinculado ao mérito da designação feita pelo procurador-geral, e a pretexto de discutir apenas aspectos processuais, passa a discutir a própria justa causa para a propositura da ação penal ou ação civil pública. Que a autoridade judicial rejeite a denúncia ou indefira a inicial de uma ação civil pública, admite-se, pois não está ela obrigada a priori a admitir o processamento de qualquer ação, ainda que determinada pelos órgãos superiores do Ministério Público. Contudo, que o órgão do Ministério Público designado se recuse a agir sob pretexto de ter posição pessoal ou jurídica diversa, no caso isso é inadmissível. Desta forma, agindo por delegação, o designado não poderá deixar de cumprir a decisão institucional, já tomada pelo órgão designante. E ainda há mais: seu dever funcional não se limita a propor a ação e

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abandoná-la a própria sorte. Não. Deverá bem propô-la e melhor sustentá-la, inclusive recorrendo em caso de indeferimento da inicial ou de indeferimento de provas aptas a evidenciar a pretensão nela exposta’ (O Inquérito Civil, Saraiva, 2000, págs. 318-20). Igualmente vazia qualquer objeção fundada na Súmula 25, haja vista ser ela dirigida a situações em que o promotor oficia no processo por atribuição própria, não por delegação. Conhecida a razão que levou Mazzilli a afirmar que o controle dos arquivamentos judiciais deve sempre ser exercido pelo Conselho, qualquer que seja a hipótese (ob. cit., págs. 294-95). A cautela se justifica pela simples circunstância da transação implicar na extinção da própria ação civil pública. Ora, se os compromissos de ajustamento tomados nos autos do inquérito civil são submetidos à aprovação do Conselho Superior, qual a razão para se afastar as transações judiciais desse controle? Como Mazzilli, não encontro resposta aceitável. E mesmo que admitisse, por hipótese, a viabilidade da aplicação da súmula a casos de delegação, isso aqui não seria possível, mercê da prévia estipulação de um rol mínimo de pedidos. Há mais um fator impeditivo. O Doutor João Lopes Guimarães Júnior estava ciente do fato de que o Conselho Superior, em outra oportunidade, já havia manifestado seu repúdio a acordo bastante semelhante ao que acabou firmando com a Banccop. Confira-se o teor do voto condutor, proferido pelo Conselheiro Marcos Zanelato: ‘A Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo – Bancoop apresentou à douta Promotoria de Justiça do Consumidor petição em que se propõe a subscrever termo de compromisso de ajustamento de conduta, depois deste E.

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Conselho haver deliberado pela propositura de ação civil pública em face de tal cooperativa. O ilustre promotor de justiça oficiante, Doutor João Lopes Guimarães Júnior, em razão da precitada deliberação, houve por bem encaminhar os autos do inquérito civil a este Colendo Conselho, para apreciação da proposta em questão. Com o devido respeito aos ilustres advogados que subscrevem a petição em apreço, cumpre dizer, de início, que tal pedido não pode ser conhecido, por falta de amparo legal. Com efeito não há previsão legal para a formulação do pedido em apreço, pois ele obrigaria este E. Conselho a reconsiderar sua decisão sobre o aforamento da ação civil pública, sem base legal para tanto. Ademais, a esta altura, soaria no mínimo estranha a reconsideração da deliberação em questão, pois ela já foi amplamente divulgada pela mídia, criando a expectativa nos cooperados de que a ação coletiva será proposta na defesa de seus interesses, porquanto tem por escopo fazer cessar as irregularidades perpetradas pelos dirigentes da Bancoop e levar à indenização dos cooperados que foram prejudicados, bem ainda prevenir a ocorrência de novos danos aos cooperados. E ainda que o pedido seja conhecido, malgrado a inexistência de base legal para sua formulação, como antes já foi referido, ele não atende ao cumprimento das obrigações que serão objeto do pedido da ação coletiva, a medida que não as comtempla integralmente, confundindo-se com as argumentações que foram expedidas pela Bancoop quando de sua defesa no inquérito civil, já apreciadas por este C. Conselho na ocasião do reexame da promoção de arquivamento do inquérito civil, a qual resultou, como se sabe, rejeitada, para o fim de ajuizamento de ação

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civil pública. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do pedido em apreço, a fim de que os autos retornem à origem, para o cumprimento da deliberação anterior deste E. Conselho, que determinou o ajuizamento de ação civil pública em face da Bancoop’. Frente a tais circunstâncias não há como negar que o promotor designado, ao menos por prudência, deveria ter ouvido previamente o Conselho Superior. Cautela de todo recomendável também pelo fato de estar a Bancoop sendo alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público local e pelo Federal, em razão de supostas infrações aos Códigos Penal e Eleitoral e a Lei de Improbidade. Ao não tomar as cautelas que lhe competiam, acabou o Promotor João Lopes Guimarães Júnior, descumprindo o mandato que lhe havia sido conferido, assinando acordo com cláusulas manifestamente lesivas aos mais de 15.000 cooperados da cooperativa habitacional e sabidamente repudiadas pelo Conselho. Como bem assinalou a ilustre Conselheira-Relatora, ‘os limites da delegação foram excedidos, com prejuízo para o pleno e integral cumprimento da deliberação adotada por este colegiado. Bem por isso, conciliando-se o respeito pela convicção técnica do DD. Promotor de Justiça com a defesa da autoridade da deliberação deste Conselho, considero necessário que, desde logo, seja designado o substituto automático do Dr. João Lopes Guimarães para que prossiga na condução, como representante do Ministério Público, da ação civil pública nº 583.00.2007.245877-1, em curso na 37ª Vara Cível da Capital. A esse órgão de execução do Ministério Público caberá acompanhar o processo em todos os seus termos e adotar as providências adequadas para o

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cumprimento efetivo da deliberação anterior deste Conselho. Caberá a Sua Excelência, inclusive, o ajuizamento de ação anulatória de futura e eventual sentença homologatória, providência que, como é óbvio, só se mostrará pertinente e necessária caso o MM. Juiz de Direito da 37ª Vara Cível da Capital homologue o acordo judicial ora pendente de apreciação naquele juízo. Sabemos todos que a deliberação definitiva do Conselho — que já não pode ser revista aqui — tem, no âmbito do Ministério Público, uma autoridade para cuja defesa a lei não previu instrumento específico. Mas, na minha opinião, este órgão da por Administração força de Superior tem para competência implícita, compreensão,

deliberar, quando for o caso, pelo ajuizamento da ação anulatória, cuja petição inicial seria, evidentemente, elaborada por Promotor ou Promotora de Justiça, após designação específica do Chefe da Instituição, por aplicação analógica do art. 10, IX, “d” da Lei nº 8.625/93. Se o Conselho nada pudesse fazer em defesa da autoridade de suas decisões, o poder de revisão atribuído a este órgão se tornaria simbólico: algo assim como um sino sem badalo. E, em defesa desta minha afirmação, lembro que na interpretação e aplicação do Direito é importante ‘a ponderação das conseqüências’ (cf. Karl Larenz, Metodologia da Ciência do Direito, trad. de José Lamego, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989, p. 460), com as quais o intérprete se preocupa, preferindo, sempre que possível, ‘o sentido conducente ao resultado mais razoável, que melhor corresponda às necessidades da prática’ (cf. Carlos Maximiliano, Hermenêutica e Aplicação do Direito, 6ª ed., Rio: Freitas Bastos, 1957, n. 178, p. 209). Bem advertiu Carlos

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Maximiliano que ‘se prefere a exegese de que resulte eficiente a providência legal (...), à que torne aquela sem efeito, inócua’ (cf. ob. cit., n. 179, p. 210). Aliás, foi por necessidade prática e por interpretação com E pretoriana o qual que os surgiu o instituto da sua reclamação, letra morta. Tribunais que ‘a defendem

competência e impedem que suas decisões se convertam em todos sabemos hermenêutica constitucional, especialmente no que tange ao problema das competências, além de considerar os poderes explícitos conferidos a um órgão, leva em conta os poderes implícitos, sem os quais ficaria ele impedido de exercer suas atribuições de maneira autônoma’ (cf. parecer de 23.9.81, In: Representação de inconstitucionalidade nº 1.075-9 - Órgão Especial do Tribunal de Justiça: eleição de seus dirigentes, São Paulo: Lex Editora, 1981, p. 36). De resto, se não fosse possível construir essa competência implícita do Conselho, sempre restaria a possibilidade de reivindicá-la em Juízo. Afinal, está em causa a defesa da autonomia e das funções de um órgão da Administração Superior do Ministério Público”. Daí porque, pelo meu voto, fica a reclamação acolhida, para a designação de outro promotor em substituição ao anterior. Cabendo a este último, acompanhar o processo em todos os seus termos e adotar as providências que se mostrarem necessárias e adequadas ao efetivo cumprimento das deliberações deste Conselho Superior, ajuizando ação anulatória, se necessário”. Sobreveio o voto do Conselheiro Nelson Gonzaga, oferecido oralmente, na própria reunião, nos seguintes termos: “Inicialmente, gostaria de cumprimentar a Ilustrada Relatora, pela qualidade e substância de seu voto, pedindo vênia para só

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acompanhá-lo parcialmente, notadamente em seu intróito, onde reproduz o disposto no artigo 88, do Ato Normativo n° 484/06-CPJ, que traz regra assentada há mais de dez anos neste Colegiado, inserta na Súmula nº 25/CSMP, qual seja, a da ‘não intervenção do Conselho Superior do Ministerio Publico quando a transação for promovida pelo Promotor de Justiça no curso de ação civil pública ou coletiva’. Ouso divergir, entretanto, da posição da Eminente Conselheira para, ao contrário de S.Exa., interpretar de forma mais restritiva a disposição daquele Ato Normativo e do teor da aludida Súmula, uma vez que, adotando seu voto e minudenciando as cláusulas pactuadas, iniludivelmente estaremos intervindo no acordo já formalizado pelo Órgão de Execução de Primeiro Grau que, a meu sentir, atuou no pleno exercício de suas funções e amparado pelo princípio constitucional da liberdade de convicção. Com todo o respeito, ao contrário do sustentado, inclusive pelo Conselheiro Viegas, em seu voto, na regra acima mencionada, não há qualquer distinção entre a situação do Promotor de Justiça natural e de Promotor de Justiça designado, não se cogitando dessa construção. A rigor, o CSMP possui atribuição legal de exercer o controle administrativo do arquivamento do IC, posicionando-se de forma conclusiva a respeito de sua homologação ou rejeição e, nesse caso, a determinação do ajuizamento da respectiva ACP. Proposta a ação, subtrai-se do Colegiado a possibilidade de intervenção no feito, submetendo-se o ajuste ao exclusivo controle do Poder Judiciário, restando-se aos órgãos de Administração Superior do MP: a CGMP e a PGJ, no exercício do Poder Disciplinar, a apuração de eventual desvio de conduta funcional do PJ

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designado. Lembro, ainda, recente posição do E. CNMP, extremamente formalista, fundamentando sua decisão pelo respeito à ‘segurança jurídica’ de regra estabelecida neste CSMP em mero assento que, por força de disposição regimental, constitui simples recomendação, sem caráter vinculante e passível de revisão. Assim sendo, considerando ainda que a ação civil pública terá regular prosseguimento, com relação a temas não abrangidos pelo acordo e que eventual cooperado prejudicado ou associação interessada poderá postular em Juízo o que julgar pertinente, conhecendo o pedido, voto pelo seu indeferimento”. Colhidos, em seguida, os votos dos demais Conselheiros, findou aprovado, por maioria, o voto divergente apresentado pelo Conselheiro Nelson (secundaram-no os Conselheiros Luís Daniel, Pedro Franco, Eloisa, Ana Margarida, Paulo do Amaral, Tiago Zarif e Fernando Grella, ao passo que o Conselheiro Bertone também acompanhou a Conselheira Relatora), diversos deles fazendo declaração, oralmente, como segue consignado: Conselheiro Pedro Franco: “Acompanhei a divergência aberta pelo ilustre Conselheiro Nelson e, com todas as vênias possíveis, discordo do posicionamento posto no erudito voto da ilustrada Conselheira relatora, pelos seguintes fundamentos: 1. A existência da Súmula nº 25, deste E. Colegiado no sentido de que havendo ação civil já em andamento, não pode o Conselho Superior do Ministério Público, intervir, até porque, a fiscalização de eventual proposta de acordo a ser homologada, é de responsabilidade do juiz da causa. Vale lembrar que a referida Súmula decorre do que está posto no artigo 88, do Ato Normativo nº 484-CPJ, de 5 de outubro de 2.006; 2. O Conselho

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Superior do Ministério Público depois de ter determinado a propositura da ação civil, mas antes do seu ajuizamento, recebeu proposta de ajustamento entre as partes e dela não conheceu. Agora, depois de proposta a ação, impossível, a meu ver, qualquer questionamento a respeito das cláusulas do acordo a ser homologado por decisão judicial; 3. Mesmo na hipótese de ser homologado o acordo, a ação civil, proposta por determinação deste Conselho, não será extinta e, quem se sentir prejudicado com inconformismo através o de ajustamento recurso posto perante o 4. Aplicação judiciário e homologado por ele, poderá manifestar seu próprio; extensiva da interpretação do artigo 28, do Código de Processo Penal, que permite ao Promotor de Justiça designado para oferecer denúncia (delegação do Procurador-Geral de Justiça), ao final do processo poder pedir a absolvição do denunciado. Uma vez proposta a ação penal, o Promotor de Justiça designado, mesmo agindo por delegação do chefe da instituição, é o dono da ação penal; Daí porque acompanho o voto divergente para conhecer da ‘reclamação’ e indeferir o pedido nela deduzido.”; Conselheira Eloisa Arruda: “Cumprimento os dignos advogados que fizeram uso da palavra. Parabenizo a Conselheira Relatora Dra. Marisa Rocha Teixeira Dissinger pelo brilhante voto que demonstra a análise aprofundada e cautelosa de todo o procedimento, o estudo da doutrina nacional e estrangeira e da jurisprudência de nossos Tribunais. Acompanho, contudo, a divergência manifestada pelo nobre Conselheiro Nelson Gonzaga de Oliveira. Acrescento considerar inviável e até mesmo temerária a discussão administrativa pelo CSMP de um ato judicial pratica por

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Promotor

de

Justiça.

Acolher

a

reclamação

apresentada

significa instituir recurso não previsto em lei, posto que ao CSMP compete tão-somente a homologação ou não de inquéritos civis. A partir do precedente eventualmente instituído no caso presente, qualquer pessoa descontente com os rumos de demanda judicial interposta pelo Ministério Público, poderá querer se valer do mesmo expediente para fazer com que o CSMP proceda à análise do mérito de ações já em curso. Diga-se ainda, que o Promotor de Justiça Dr. João Lopes Guimarães cumpriu a determinação do CSMP, propondo a ação civil pública da qual foi incumbido. A partir daí tinha sim a liberdade utilizar a via do acordo na persecução da melhor tutela dos direitos dos consumidores. Não se verifica na atuação do Dr. João Lopes Guimarães qualquer ilegalidade ou falta funcional. Por isso mesmo, não há motivo para que seja afastado da ação como se propôs. Sugiro todavia, o encaminhamento das cuidadas observações formuladas pela Conselheira-Relatora a respeito das cláusulas do acordo, ao Promotor de Justiça oficiante, para que possam ser aproveitadas, caso entenda conveniente, em aditamento aos termos já pactuados.”; Conselheiro Fernando Grella: “Conheci inicialmente da reclamação porquanto a questão nela ventilada é polêmica e os fatos têm notório clamor público. Nego-lhe, todavia, deferimento e o faço pelas razões que seguem alinhavadas. O aventado conflito, a meu ver, precisa ser dirimido a partir da compreensão que se dê ao alcance e à extensão da decisão proferida pelo Conselho Superior do Ministério Público, na condição de órgão legalmente investido da função de revisar a promoção de arquivamento do inquérito

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civil. A Carta da República afirma que é função do Ministério Público ‘promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos’ (art. 129, inc. III). Instrumento de natureza informativa, o inquérito civil destinase a apurar fato determinado ou determinável que em tese cause danos a interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos ou outros interesses que incumba ao Ministério Público defender, servindo como preparação ao eventual exercício da ação civil pública, à celebração do compromisso de ajustamento de conduta ou até mesmo para a expedição de recomendação, quando assim permitir a natureza do interesse defendido. Insere-se no âmbito da competência discricionária do Ministério Público decidir se deve ou não se utilizar desse meio. Trata-se de liberdade legal para apreciar um dado que seja do interesse da sociedade, do interesse público. Essa avaliação dos critérios determinantes para a instauração de inquérito civil incumbe ao órgão do Ministério Público com atribuições legais pré-determinadas para agir em obediência ao princípio do Promotor Natural, que para tanto deverá considerar as circunstâncias concretas com que se deparar. Ao tomar conhecimento de fato que em tese determine a intervenção, e com respeito ao mesmo não esteja convicto de como deverá agir, não lhe restará alternativa senão instaurar o inquérito civil. Instaurado e instruído o procedimento e ao final promovido o arquivamento, compete então ao Conselho Superior do Ministério Público o dever jurídico de intervir como órgão revisor, oportunidade em que exercerá a função de controle da defesa dos interesses coletivos em sentido amplo,

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função esta que a lei lhe atribui devido a importância que a ordem jurídica contemporânea atribui à tutela desses interesses como instrumento de facilitação do acesso do cidadão à Justiça, como meio de superação da concepção individualista do processo. Assim, na tutela dos interesses extrapenais, o princípio da obrigatoriedade consiste no dever cometido ao Ministério Público de concretamente tomar as providências extrajudiciais e judiciais necessárias, adequadas e proporcionais à prevenção ou à cessação da situação lesiva dos interesses transindividuais ou à recomposição dos mesmos, se lesados, sociedade. como Nesse a autêntico contexto, relevância representante como dos dito adequado linhas da acima,

considerando:

interesses

coletivos,

notadamente de natureza social; que o processo deve dar a quem tem um direito, tudo aquilo que ele tem direito de obter (Chiovenda), e que a ação civil pública é o instrumento eficaz de acesso do cidadão à Justiça, é que a lei instituiu o sistema de reexame necessário do arquivamento do inquérito civil ou das peças informativas. Essa é a relevantíssima função do Conselho Superior: a de zelar pela efetiva defesa dos interesses transindividuais e pelo princípio da obrigatoriedade da ação quando identificar causa que exija a intervenção do Ministério Público em defesa da sociedade, não homologando o arquivamento, oportunidade em que ordenará o ajuizamento da ação civil pública por outro membro do Ministério Público, designado para essa finalidade. Temos então que ao membro do Ministério Público designado compete dar efetivo cumprimento à decisão do Conselho Superior, propondo a ação civil pública. Trata-se de uma ordem que unilateralmente é

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imposta pelo Órgão revisor ao membro designado, que por sua vez possui o dever jurídico de cumpri-la. Atendida a ordem e proposta a ação, o membro da Instituição designado passa a ser o Promotor Natural da causa, com o inafastável dever de exercer suas funções segundo os preceitos da lei, zelando pela consecução dos interesses identificados pelo Órgão revisor sob o signo da independência funcional, e assim sempre buscar a melhor essas solução para o conflito, sem outras descurar da da indisponibilidade do direito material, que não lhe pertence. A considerações, acrescentem-se seguinte ordem. Data maxima venia, o membro do Ministério Público designado tem o dever de cumprir a ordem propondo a ação civil, mas longe está de agir como longa manus do Órgão revisor. Como longa manus age quem recebe competência (atribuição) que legalmente não possui, por meio de delegação. Há delegação, quando autorizado por lei o órgão confere a outro, algumas das suas competências legais para assegurar mais celeridade, maior economia e eficácia à providência pretendida. O Conselho Superior do Ministério Público não tem atribuição legal para a propositura da ação civil pública. Sua relevante atuação, nos termos da lei, consiste, como ressaltado, no dever de zelar pelo princípio da obrigatoriedade da ação civil pública quando identificar justa causa para sua propositura. A lei não atribui ao Conselho Superior a função de execução de propor a ação. A Lei Federal nº 8.625, de 12 de fevereiro de 1993, que Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, no capítulo que versa sobre as funções dos Órgãos de Execução (IV), dispõe que: ‘Art. 30. Cabe ao Conselho Superior do Ministério Público rever o arquivamento

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de inquérito civil, na forma da lei’, assim como o faz a Lei Complementar nº 734, de 26.11.1993, institui a Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de São Paulo no capítulo que rege as funções dos órgãos de execução (III): ‘Art. 118. Ao Conselho Superior do Ministério Público cabe rever o arquivamento de inquérito civil ou de peças de informação, na forma da lei e de seu Regimento Interno’. Diverso é o que ocorre na hipótese do arquivamento do inquérito policial, quando a lei confere ao Procurador-Geral de Justiça a atribuição de propor a ação penal caso decida não mantê-lo: ‘...e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender’, diz a lei (art. 28, do CPP). Nessa hipótese há delegação, pois se transmite atribuição que a lei lhe confere, e que logicamente poderia exercê-la por si. Aliás, conforme ensinamento de Pontes de Miranda imprescindível a distinção entre competência e exercício da competência para bem compreender o instituto da delegação porquanto esta alcança, no que toca às funções de estado, apenas e tãosomente o exercício da competência e não esta própria. Daí porque não se poderia cogitar, no caso, de o Conselho Superior delegar algo que não detém, ou seja, o poder de promover a ação civil pública. Por sinal, a designação de outro membro em substituição ao que promoveu o arquivamento rejeitado faz-se apenas para a preservação da livre convicção do membro do parquet. A designação de membro diverso daquele que teve o arquivamento rejeitado vem em abono à independência funcional e também pela causa de incompatibilidade decorrente da convicção firmada na manifestação anterior: a

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designação ‘deverá recair no substituto automático do membro impedido ou, na impossibilidade de fazê-lo, sobre membro do Ministério Público com atribuição para, em tese, oficiar no caso, segundo as regras ordinárias de distribuição de serviço’, é a dicção do artigo 100, § 3º, do Ato Normativo nº. 484-CPJ, de 5 de outubro de 2006, e do artigo 11 da Resolução nº 23, de 17 setembro de 2007, do Conselho Nacional do Ministério Público: Não oficiará nos autos do inquérito civil, do procedimento preparatório ou da ação civil pública o órgão responsável pela promoção de arquivamento não homologado pelo Conselho Superior do Ministério Público ou pela Câmara de Coordenação e Revisão. Ao dispor sobre o compromisso de ajustamento formalizado nos autos da ação civil pública, preceitua o artigo 88 do Ato Normativo nº 484/2006 – CPJ, que ‘não haverá intervenção do Conselho Superior do Ministério Público’, sem excepcionar outra situação. Por fim, não tendo o Ministério Público o monopólio da ação civil, a realização do compromisso de ajustamento, no inquérito civil ou em juízo, não impede as ações individuais (art. 5º, inc. XXXV, da CF), dos co-legitimados retira tão somente o interesse processual para demandar em juízo com relação ao objeto do mesmo, autorizando em conseqüência a propositura de ação visando a defesa dos interesses eventualmente não resguardados no ajuste, que, inclusive, só será eficaz após o necessário controle realizado pelo Poder Judiciário e, mais, poderá ainda ser objeto de ação anulatória (art. 486, do CPC), se o caso. Nessa ordem de considerações, o voto é no sentido de não ser possível a intervenção deste E. Conselho Superior na atuação do Promotor de Justiça designado, uma vez que o mesmo propôs a

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ação civil pública nos termos da deliberação que deixou de homologar a promoção de arquivamento, cumprindo assim a ordem que lhe foi dirigida”. Anunciado, então, o resultado final da votação, solicitou o Conselheiro Viegas que o ofício a ser encaminhado ao juízo por onde se processa a ação civil pública seja instruído também com cópia dos votos proferidos. 2) Pt. nº 30.311/08 – Representação formulada pelo CorregedorGeral do Ministério Público, com pedido de – Verificado, antes, mediante apregoamento, que nem o Promotor representado, tampouco a sua advogada e procuradora, se faziam presentes, procedeu o Conselheiro Relator, Doutor Paulo Amaral, à leitura do seu relatório e voto, concluindo pelo acolhimento da representação, deliberando-se, na seqüencia, pela suspensão do julgamento, por uma sessão (art. 114, § 1º, do RICSMP), retomando o julgamento o seu curso, portanto, na sessão do próximo dia 30. 3) Indicação para o preenchimento, mediante promoção por merecimento, de cargo de Procurador de Justiça, em vaga decorrente da aposentadoria do Doutor Paulo Mario Spina – Foram indicados os Doutores Maria Trindade Cardoso de Mello, João Eduardo Soave e Olheno Ricardo de Souza Scucuglia (todos por v.u.). 4) Indicações para preenchimento de cargos nas entrâncias final, intermediária e inicial – Colocado o tema, manifestou-se o Conselheiro Luís Daniel, secundado pelos Conselheiros Nelson Gonzaga, Pedro Franco, Eloisa Arruda, Ana Margarida, Paulo Amaral, Tiago Zarif, Antonio Bertone e Fernando Grella, nos seguintes termos: “Tendo em conta que os critérios valorativos objetivos aplicáveis não me permitem segura diferenciação dos candidatos disputantes dos cargos em concurso, orientarei os

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meus votos pela antigüidade deles. Considerarei, no entanto, inspirado em norma baixada pelo próprio Conselho Nacional do Ministério Público (art. 4º, parágrafo único, da Resolução nº 2/2005), o tempo que têm na entrância ou no cargo (sem olvidar, por óbvio, a relação de precedência existente ao tempo da reclassificação operada no final de 2005), conforme se trate, respectivamente, de pleito de promoção (movimentação vertical) ou de remoção (movimentação horizontal). Não o farei, contudo, de modo a permitir ou fomentar que, por conta do mero colecionamento de indicações, em boa parte das vezes por quem sequer interesse efetivo no cargo tem, possam os mais modernos ter vantagem, imediata ou mediata, sobre os mais antigos, prática que, penso, deve ser desestimulada a qualquer custo, pelo total desvirtuamento que tem havido na sua utilização. Evitarei, por conta disso, desde que possível, propiciar (a) que um candidato venha a acumular mais de uma indicação no mesmo concurso e (b) 4ª ou 5ª indicação em favor de quem não seja o candidato mais antigo dentre os interessados”. Também os Conselheiros João Francisco Viegas e Marisa Dissinger fizeram referência aos critérios que utilizariam para a orientação dos seus votos, como segue: “À mingua de elementos suficientes para a correta aferição do merecimento de cada um dos promotores inscritos, faremos nossas indicações dentro da estrita observância da antigüidade na entrância, exceção aberta aos casos onde exista anotação de demérito na ficha funcional. Tendo por sérias e verdadeiras todas as inscrições apresentadas, não deixarmos de fazer indicação do mais antigo, a pretexto de que esse estaria apenas buscando colecionar indicações; pela mesma razão e

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em respeito a garantia traçada no artigo 92, II, “a”, da Constituição Federal (estendida aos membros do Ministério Público, pelo artigo 129, IX, § 4º), não deixaremos de fazer indicações que eventualmente impliquem na obrigatoriedade da promoção ou remoção do promotor. E rejeitamos, desde logo, a idéia, por alguns aqui manifestada, de dispensar nos concursos de remoção, a fundada análise do merecimento, a pretexto de se estar seguindo a antiguidade no cargo”. Seguiuse, então, a coleta dos votos, obtendo-se os resultados que se vê adiante: entrância final: (a) remoção antigüidade: (i) 32º PJ Criminal da Capital: Delton Esteves Pastore; (ii) 70º PJ Criminal da Capital: Virgílio Antonio Ferraz do Amaral; (iii) 14º PJ da Infância e da Juventude da Capital: Reynaldo Mapelli Júnior; (b) remoção merecimento: (i) 35º PJ Criminal da Capital: José Reinaldo Guimarães Carneiro e Nelson Cesar Santos Peixoto (ambos por v.u.), além de Luís Claudio de Carvalho Valente (com 9 votos, dos Conselheiros Nelson Gonzaga, Luís Daniel, Pedro Franco, Eloisa Arruda, Ana Margarida, Paulo do Amaral, Tiago Zarif, Antonio Bertone e Fernando Grella), sendo também votado o Silvio Antonio Marques (com 2 votos, dos Conselheiros Marisa Dissinger e João Francisco Viegas); (ii) 115º PJ Criminal: Josely Mara Litrenta de Oliveira Donato (por v.u. – única candidata no 1º quinto e com estágio); (c) promoção antigüidade: (i) 10º PJ de Diadema: Mariana de Oliveira Santos Franco; (d) promoção merecimento: (i) 2º PJ de Praia Grande: Fernando Pereira da Silva, Gustavo Albano Dias da Silva e Alexandre Mauro Alves Coelho (todos por v.u.); entrância intermediária: (a) remoção antigüidade: (i) 4º PJ de Itanhaém: Alessandro Bruscki; (b) remoção merecimento: (i)

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1º PJ de Ferraz de Vasconcelos: Daniela Hashimoto e Claudio Cavallini (ambos do v.u.), além de Flavio Eduardo Turessi (com 9 votos, dos Conselheiros Nelson Gonzaga, Luís Daniel, Pedro Franco, Eloisa Arruda, Ana Margarida, Paulo do Amaral, Tiago Zarif, Antonio Bertone e Fernando Grella), também sendo votada Karina Scutti Santos (com 2 votos, dos Conselheiros Marisa Dissinger e João Francisco Viegas); (c) promoção antigüidade: (i) 6º PJ de Atibaia: Marcio Augusto Friggi de Carvalho; (ii) 3º PJ de Cubatão: Daniel Santerini Caiado; (iii) 2º PJ de Itapeva: Jaime Meira do Nascimento Junior; (iv) 1º PJ de Jaboticabal: Paulo Henrique de Oliveira Arantes; (d) promoção merecimento: (i) 3º PJ de Caraguatatuba: Carlos Eduardo da Silva Anapurus, Carmem Pavão Camilo da Silva e Débora de Camargo Aly (todos por v.u. – únicos candidatos remanescentes); (ii) 3º PJ de Itanhaém: Ana Carolina Fuliaro Bittencourt (por v.u.), Débora de Camargo Aly e Eduardo Gonçalves de Salles (estes com 9 votos, dos Conselheiros Nelson Gonzaga, Luís Daniel, Pedro Franco, Eloisa Arruda, Ana Margarida, Paulo do Amaral, Tiago Zarif, Antonio Bertone e Fernando Grella), também sendo votados Carlos Eduardo da Silva Anapurus e Carmem Pavão Camilo da Silva (com 2 votos, dos Conselheiros Marisa Dissinger e João Francisco Viegas); (iii) 3º PJ de Itapeva: Débora de Camargo Aly (por v.u. - única candidata remanescente); entrância inicial: (a) remoção antigüidade: (i) 2º PJ de Presidente Venceslau: Wanshington Gonçalves Vilela Junior; (b) promoção antigüidade: (i) PJ de Cerqueira Cesar: Renata Cristina de Oliveira; (ii) 2º PJ de Ituverava: Debora Anderson; (iii) 2º PJ de Lucélia: Cassiano Gil Zancoli; (iv) 2º PJ de Miracatu: Tiago de Toledo Rodrigues; (c)

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promoção merecimento: (i) PJ de Fartura: Daniela Priante Bellini e Letícia Stuginski Stoffa (ambas por v.u. – únicas candidatas remanescentes); (ii) 1º PJ de Jacupiranga: Marcelo Sanchez Lorenzo, André Bandeira e Letícia Stuginski Stoffa (todos por v.u. – únicos candidatos remanescentes); (iii) 1º PJ de Miracatu: Felipe José Zamponi Santiago; Bruno de Moura Campos e Carlos Eduardo Perez Fernandez (todos por v.u.). 5) Pt. nº 47.351/08 – Of. nº 2171/08, enviado pelo Doutor Wallace Paiva Martins Junior, Promotor de Justiça e Assessor – Tomaram ciência, determinando o arquivamento. 6) Pt. nº 109.268/08 – Of. nº 194/08, enviado pelo Doutor Mágino Alves Barbosa Filho, Procurador de Justiça e Secretário-Executivo da Procuradoria de Justiça Criminal, instruído com cópia da ata da reunião ordinária realizada em 18.08.08, do relatório da distribuição e das atividades da referida Procuradoria, referente ao mês de agosto p.p. – Tomaram ciência, determinando o arquivamento. 7). Pt. nº 108.588/08 – Of. nº 172/08, enviado pelo Doutor Paulo Álvaro Chaves Martins Fontes, Procurador de Justiça e Vice-Secretário Executivo da Procuradoria de Justiça de Habeas Corpus e Mandados de Segurança Criminais, instruído com cópia da ata da reunião realizada em 27.08.08 – Tomaram ciência, determinando o arquivamento. 8) Pt. nº 110.672/08 – Of. nº 200/08, enviado pelo Doutor Mágino Alves Barbosa Filho, Procurador de Justiça e Secretário-Executivo da Procuradoria de Justiça Criminal, encaminhando cópia do Relatório de Atuação da Câmara Especializada da Procuradoria, referente ao mês de agosto/2008 – Tomaram ciência, determinando o arquivamento. 9) Pt. nº 111.336/08 – Of. nº 441/08 (Ref. I.C. 07/07 - Pt. nº 69.947/07) enviado pelo Doutor

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João Carlos Talarico, Promotor de Justiça de Pacaembu, comunicando que o acordo firmado nos autos do referido inquérito civil foi totalmente cumprido – TomAram ciência, determinando o arquivamento, com anotações. 10) Pt. nº 111.305/08 – Of. nº 3390/08 (Ref. I.C. 113/93 - Pt. nº 61.063/00) enviado pela Doutora Claudia Maria Beré, Promotora de Justiça de Habitação e Urbanismo, comunicando que o acordo firmado nos autos do referido inquérito civil foi totalmente cumprido – Tomaram ciência, determinando o arquivamento, com anotações. 11) Pt. nº 110.438/08 – Of. nº 136/08 (Ref. I.C. 03/05 - Pt. nº 117.164/05) enviado pela Doutora Claudia Rodrigues Caldas Lourenção, Promotora de Justiça de Botucatu, comunicando que o acordo firmado nos autos do referido inquérito civil foi totalmente cumprido – Tomaram ciência, determinando o arquivamento, com anotações. 12) Pt. nº 109.456/08 – Of. nº 374/08 (Ref. I.C. 23/06 - Pt. nº 86.971/07) enviado pela Doutora Rosana Colletta, Promotora de Justiça Substituta de Limeira, comunicando que o acordo firmado nos autos do referido inquérito civil foi totalmente cumprido – Tomaram ciência, determinando o arquivamento, com anotações. 13) Pt. nº 110.262/08 – Of. nº 1546/08 (Ref. I.C. 313/01 - Pt. nº 102.309/05) enviado pelo Doutor Jorge Alberto de Oliveira Marum, 4º Promotor de Justiça de Sorocaba, comunicando que o acordo firmado nos autos do referido inquérito civil foi totalmente cumprido – Tomaram ciência, determinando o arquivamento, com anotações. 14) Pt. nº 110.509/08 – Of. nº 2219/08, enviado pelo Doutor Cláudio José Montesso, Presidente da ANAMATRA, agradecendo ao Colegiado, e em especial ao Doutor João Francisco Moreira

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Viegas, a manifestação de apoio consignada em ata – Tomaram ciência, determinando o arquivamento. 15) Pt. nº 106.192/08 – Requerimento formulado pelo Doutor Paulo Sérgio de Castilho – Deliberaram favoravelmente (por v.u.). 16) Estagiário – (a) Pedidos de Transferência - Com acolhimento dos pareceres do Senhor Secretário, que em todos eles autou como Relator, foram apreciados e deferidos os pedidos de transferência formulados pelos seguint4es estagiários: Daniel Dezan Imazawa (Pt. nº 108.037/08); Ademir Dalecio Junqueira (Pt. nº 108.531/08); Cinthia Costa Chaves Rodrigues (Pt. nº 108.530/08); Nátali Yumi Mochiduky (Pt. nº 108.311/08). (b) Fixação do número de vagas para o XV Concurso de Credenciamento de Estagiários do Ministério Público – À vista das solicitações de vagas feitas pelos Secretários das Promotorias de Justiça, foram inicialmente fixadas em 871 (oitocentos e setenta e uma) as vagas de estagiários para o próximo concurso de credenciamento. VI – SESSÃO PÚBLICA DE JULGAMENTO E DE INQUÉRITOS CIVIS, PEÇAS DE INFORMAÇÃO EXPEDIENTES CONEXOS – Dando

continuidade aos trabalhos, procedeu-se ao julgamento dos inquéritos civis, peças de informação e expedientes conexos pautados, então sendo julgados 7 (sete) deles pelo Pleno e 226 (duzentos e vinte e seis) pelas Turmas (146 pela 1ª Turma e 83 pela 2ª Turma), alcançando-se em tais julgamentos, num total de 233 (duzentos e trinta e três), os resultados especificados no aviso respectivo, que, publicado e arquivado em pasta própria, faz parte integrante desta. VII – ENCERRAMENTO – Finalmente, sendo 18h00min, encerrou-se a reunião, ficando a próxima designada para o dia 23 p.f., a partir das 10h00min, na

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Comarca de Campinas. Nada mais havendo a relatar, eu, Luís Daniel Pereira Cintra, Secretário do Conselho, lavrei a presente ata, que vai assinada por mim e pelos demais membros do Conselho Superior do Ministério Público. 1) A ata está sendo publicada por extrato, de conformidade com o que preceituam a Lei Orgânica Nacional (art. 15, § 1º), a Lei Orgânica Estadual (art. 35, § 3º) e o RICSMP (art. 14, XII, 1, art. 15, II e XII, 1 e art. 43, § 1º). 2) Os resumos das manifestações dos Conselheiros foram elaborados por eles próprios, de conformidade com o que foi deliberado pelo CSMP, em sua reunião do dia 22/01/2008. 3) A íntegra da ata será disponibilizada no site do Ministério Público, na área de acesso reservado aos seus membros.