MÉTODO DE APRENDIZADO DE ELETRÔNICA DIGITAL BASEADO EM PROJETO E IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS DEDICADOS EM HARDWARE

Alexandre Marques Amaral1, Carlos Augusto Paiva da Silva Martins2
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Instituto Politécnico da Universidade Católica / Laboratório de Sistemas Digitais e Computacionais 2 Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica / Instituto de Informática Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Av. Dom José Gaspar 500, 30535-610 Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

alexandre.marques.am@terra.com.br, capsm@pucminas.br

Abstract. In this paper, we present a new learning method of digital electronic. Our main objective is to propose and develop mechanisms that guide, stimulate, facilitate and optimize the learning process, by means of the development and implementation of projects of realistic digital circuits. As verification of this method, we present two case studies: a digital image convolution circuit and a logical controller of step engines. We conclude that, with the use of the proposed method, we reach the related foreseen objectives to the orientation, stimulation and motivation of the students for the study of the practical and theorical concepts of digital electronic, and the consequent optimization of learning process.

Resumo. Neste artigo, apresentamos um novo método de aprendizado de eletrônica digital. Nosso objetivo principal é propor e desenvolver mecanismos que orientem, estimulem, facilitem e otimizem o processo de aprendizado, por meio do desenvolvimento e implementação de projetos de circuitos digitais realísticos. Como verificação do método, apresentamos dois estudos de caso: um circuito de convolução de imagens digitais e um controlador lógico de motores de passo. Concluímos que, com a utilização do método proposto, alcançamos os objetivos previstos relacionados à orientação, estímulo e motivação dos alunos para o estudo dos conceitos e práticas de eletrônica digital, e a conseqüente otimização do aprendizado.

que vem evoluindo através da sua utilização em novas aplicações e complexidade dos circuitos. capazes de implementar circuitos mais complexos e podendo ser reconfigurado parcial ou totalmente. Os FPGAs. simplificando a vida dos usuários dos produtos. que manipulam dados digitais (discretos). podemos citar: facilidade de projeto. nos aspectos de utilização. viabilizou o surgimento de sub-áreas como a de controle e automação de processos.1. dependendo da sua arquitetura [Martins Ordonez et al. sendo relativamente fácil o desenvolvimento de sistemas cujo comportamento segue um conjunto de instruções previamente armazenadas. A tecnologia de integração de circuitos digitais tem evoluído bastante desde a integração em pequena escala (SSI Small scale integration). Introdução Nos últimos anos. Dentre as causas da superação dos sistemas digitais sobre os sistemas analógicos. os projetistas e profissionais da área necessitam estar constantemente atualizados com as novidades. 2003]. pontos obtidos por amostras de uma grandeza física. dentre outras. dentre outros. Nos últimos anos. Electrically Eraseable Programmable Logic Device (EEPLD). tecnologia. Atualmente existem vários tipos de CIs com essa característica. 2003]. Apesar de a evolução tecnológica ser tão intensa atualmente. Field Programmable Gate Array (FPGA) [Martins Ordonez et al. agregando um número cada vez maior de funcionalidades. permanecem inalterados. sendo que circuitos de chaveamento especiais podem reter informações por um tempo indeterminado. No entanto. Estas sub-áreas foram as principais responsáveis por tamanha evolução da eletrônica digital. 2003] [Ordonez Penteado et al. Um sistema digital é constituído de dispositivos que são construídos para manipular informações discretas. pois trabalham com valores aproximados. os conceitos básicos de eletrônica digital. processamento e transmissão de dados e sinais. ao mesmo tempo em que esse avanço tecnológico traz benefícios. até os dias atuais como alguns microprocessadores contendo alguns milhões de portas lógicas (ULSI Ultra large scale integration) [Tocci 2000]. como por exemplo. mas sim o seu valor aproximado [Tocci 2000]. observamos um constante avanço da eletrônica digital. ou seja. 2003][Ordonez Penteado et al. utilizados no projeto e compreensão da grande maioria dos circuitos digitais existentes. os conceitos da lógica booleana. com menos de 12 portas por CI. baixa susceptibilidade a ruídos. Estes conceitos são ensinados nas instituições de ensino. podendo ser reconfigurados. como podemos citar: Eraseable Programmable Logic Device (EPLD). sendo que o valor exato das informações físicas não é importante para seu correto funcionamento. são os que possuem uma tecnologia mais avançada. facilidade de encapsulamento (circuitos integrados) [Tocci 2000]. facilidade de programação das operações. facilidade de armazenamento de informações. com a simples adição de mais circuitos de chaveamento. Complex Programmable Logic Device (CPLD). uma vez que são circuitos de chaveamento. através de . circuitos integrados capazes de implementar em hardware circuitos descritos em forma de software. podendo haver tantos dígitos de precisão quantos forem necessários. estática ou dinamicamente. dentre os citados. O aparecimento dos atuais sistemas de informação. precisão e exatidão da saída do circuito (resposta) são maiores. vêm ganhando espaço no mercado.

desenvolvemos esse trabalho como uma forma de solução. que são utilizados para a resolução de muitos problemas cotidianos. O Método de Aprendizado Tradicional Inicialmente analisamos os métodos tradicionalmente usados no ensino e aprendizado de eletrônica digital nos cursos de graduação em ciência da computação e engenharias. geralmente. exercícios. relatando as suas diretrizes e seus principais conceitos. As aulas teóricas tradicionais não têm o objetivo de fazer os alunos participarem ativamente das discussões. a fim de otimizar a sua inserção no mercado de trabalho. em forma de exercícios manuais. ficam desanimados. tais como: (i) falta de motivação dos alunos para o estudo/aprendizado. finalmente são apresentadas as conclusões da discussão dos resultados. . (ii) os projetos dos circuitos didáticos tradicionais não estimulam os aprendizes para o estudo. os alunos não são motivados para o estudo dos conceitos do tópico antes e após o término da aula. analisando e comparando os circuitos digitais dedicados. 2. ou num futuro curso de pós-graduação. nas quais os problemas propostos são problemas didáticos e de simples resolução. como os atuais aparelhos eletrônicos e computacionais. aplicações nos projetos de circuitos dedicados. Este artigo é composto por uma descrição crítica do método tradicional e a apresentação e descrição do método proposto. passando a não gostar das aulas e da própria eletrônica digital. Com base nos problemas citados anteriormente. com os circuitos utilizados nos modelos didáticos para o ensino de eletrônica digital. propondo um novo método de aprendizado de eletrônica digital. projetos e provas são realizados manualmente. para eles. não representando. Percebemos que estes métodos eram compostos de aulas puramente teóricas ou de aulas puramente práticas. projeto. podemos destacar alguns problemas. com nenhum enfoque em alguma aplicação realística. A seguir apresentamos os principais problemas identificados nestes dois tipos de aulas. não são projetos do interesse dos aprendizes. práticas e projetos. analisando as suas vantagens e desvantagens em relação ao método tradicional. (iii) formar profissionais que sejam capazes de realizar atividades mais complexas de estudo. os conceitos são passados para os alunos de maneira mecanizada. não estimulando-os a buscar o conhecimento adequado para o projeto. os alunos que deveriam ser os principais interessados pela aula. (iv) formar profissionais com uma certa intimidade em determinadas sub-áreas da eletrônica digital. (ii) facilitar e otimizar o processo de aprendizado dos conceitos teóricos e práticos de eletrônica digital. pois o que é ensinado nas aulas tradicionais são conceitos teóricos. podendo ocorrer uma grande quantidade de erros de projeto difíceis de serem detectados. as principais contribuições e possibilidades de trabalhos futuros. sendo de difícil entendimento os motivos de certos comportamentos dos circuitos digitais. desenvolvimento e implementação desses circuitos. (iii) os circuitos dedicados propostos pelos professores. Nosso método tem como principais objetivos: (i) incentivar os aprendizes ao estudo de eletrônica digital. desenvolvimento e implementação. Porém.exercícios. somente com uma orientação. Conseqüentemente. posteriormente é descrito como o método foi validado e realizada a discussão dos resultados da aplicação do método proposto.

estudo e conseqüente aprendizado de eletrônica digital. As possíveis vantagens da aplicação do método são: (i) Os aprendizes sentem-se motivados para a busca de problemas que seriam interessantes para o seu próprio aprendizado. Apresentação do Método Proposto O método proposto é uma nova abordagem para o ensino. (ii) o aprendizado dos conceitos pertinentes ao problema escolhido tornase um desafio. baseado no projeto. são compostas por práticas de montagem de circuitos digitais simples e não realísticos. não utilizando para tal nenhum equipamento de medição. (viii) contato com a pesquisa por meio de projetos de iniciação científica. não representando um complemento no aprendizado. os alunos poderão escolher o circuito a ser projetado. (iv) uso de problemas reais relacionados à eletrônica digital como forma de aprendizado. O método tem como objetivo principal o incentivo do estudo dos conceitos básicos por meio de suas aplicações em circuitos digitais realísticos e coerentes com as tecnologias disponíveis.1. Com isso. .As aulas práticas tradicionais são caracterizadas por serem apenas uma verificação do funcionamento de certos circuitos didáticos. utilizando os conceitos de aprendizado baseado em problemas (Problem Based Learning PBL) [Goulart 1998]. Verificamos que. por meio de LEDs. o aprendiz ficará incapaz de realizar atividades de análise e de síntese de projetos de circuitos normalmente produzidos e utilizados na indústria eletrônica. preparando-os para o mercado atual. quando aplicadas certas combinações de níveis lógicos nas entradas. (iii) incentivo à independência dos aprendizes com relação às atividades de estudo de conceitos e práticas. os projetos e montagens de circuitos digitais são. para a verificação dos protótipos são observados apenas os níveis lógicos nas saídas. O Método Proposto 3. (v) orientação dos aprendizes para linhas de raciocínio baseadas em métodos científicos para o projeto e desenvolvimento de circuitos. como conseqüência da aplicação do método tradicional. como osciloscópios e multímetros. o aprendiz deve buscar referências bibliográficas e estudar. não é permitido aos alunos a escolha das ferramentas e métodos de prototipação mais interessantes a eles. na maioria dos casos. 3. que para ser vencido. bem como a produção de artigos científicos. (vi) uso de simulações computacionais como ferramenta de aprendizado. fazendo com que os alunos não possam determinar um projeto de circuito que satisfaça seus interesses. ao passo que o aprendiz não consegue associar essa teoria carregada de informações importantes com as suas possíveis aplicações. as aulas ficam carregadas de teorias e práticas isoladas. propostos pelos professores. (vii) uso da internet como auxílio à determinação e resolução dos problemas escolhidos. Com ele. escolhidos pelos próprios alunos. como forma de continuação dos estudos após a finalização das atividades. desenvolvimento e implementação de circuitos digitais que resolvem problemas realísticos. assim como as ferramentas e tecnologias de simulação e implementação do mesmo. para desenvolvimento e montagem desses projetos. os alunos não são incentivados a buscar alguma novidade do mercado para realizar práticas de montagem.

5. Estudo dos conceitos necessários. o professor deverá considerar o conhecimento adquirido pelos alunos durante as fases citadas acima. utilizados no projeto e desenvolvimento dos circuitos. Aula inicial do professor. em sala de aula. 9.2. nas saídas e nos módulos parciais que compõem o circuito. Não é obrigatória a execução de todas as etapas. e a documentação final que deverá relatar o desenvolvimento de cada uma das fases citadas. 10. 6.3. por meio da utilização de osciloscópio. respeitando as limitações de estrutura da instituição. com análise dos resultados obtidos e elaboração da documentação final. assim como estes devem desenvolver atividades de estudo. Estes poderão ser utilizados nos trabalhos e definição das principais etapas. Avaliação dos resultados obtidos e decisão de finalização do projeto ou retorno a alguma das etapas anteriores se o comportamento do circuito não está semelhante ao esperado. 11. é necessário respeitar as devidas limitações de estrutura. 7. Teste e verificação do comportamento e funcionamento dos circuitos. ficando a critério dos aprendizes a definição dos métodos e ferramentas de implementação e montagem dos mesmos. o comportamento parcial e total do circuito. com a definição dos seus principais parâmetros e características de funcionamento. análise e seleção dos problemas motivadores e dos circuitos a serem projetados. Projeto e desenvolvimento dos circuitos. No entanto. apresentada pela instituição de ensino. que pode ser um professor . 2. Quando for avaliar os trabalhos. assim como as ferramentas de desenvolvimento e simulação funcional e/ou estrutural dos mesmos. para a complementação do processo de aprendizado. ficando a critério dos aprendizes a definição dos métodos de projeto. que deverá ser entregue ao professor. multímetro e LEDs para efetuar os devidos testes nas entradas. realizados pelos aprendizes. Principais Diretrizes do Método Proposto O nosso método é fundamentado em aprendizado baseado em problemas (Problem Based Learning PBL) e estruturado em onze etapas: 1. Finalização do projeto. Avaliação das atividades. Implementação e montagem dos circuitos. deve existir uma entidade que promove a orientação dos aprendizes (ensino). a organização e estruturação do projeto. para apresentação dos principais conceitos básicos de eletrônica digital. O orientador das atividades de aprendizado. fazendo parte da avaliação. 8. que os alunos deverão seguir. 3. Apresentação dos trabalhos e dos principais conceitos utilizados no projeto. Especificação dos circuitos realizada pelos aprendizes. para testes e verificação do funcionamento dos circuitos. 4. Os aprendizes deverão iniciar um estudo. Na utilização deste método. Os aprendizes que tiverem dificuldades no processo de aprendizado dos conceitos de seus projetos poderão ser orientados pelo professor da disciplina.

os quais realizam as principais funções dos circuitos. de modo a ajudar para que estes aspectos não fiquem aquém do esperado. Algumas delas são: (i) os FPGAs são circuitos que podem ser reconfigurados estática ou dinamicamente. (iii) os FPGAs possuem alta eficiência. com interesses comuns. Existem muitas vantagens na utilização da tecnologia de implementação de circuitos dedicados utilizando FPGAs sobre as outras tecnologias [Martins Ordonez et al. Eletronic Work Bench [EWB 2004]. 2003]. é o responsável pela definição das etapas que serão executadas e relatadas na documentação final. o aprendiz pode implementar o circuito projetado utilizando uma linguagem de descrição de hardware. 2003][Xilinx 2004][Altera 2004]. 2003]. e circuitos mais complexos. relatórios. como FPGAs. utilizando bibliotecas já prontas que descrevem portas lógicas. (ii) a implementação das soluções em hardware possibilita um alto índice de desempenho. É importante deixar claro que o professor deve acompanhar de perto as fases de escolha do problema e especificação do circuito. 3. dentre outros.de aula prática ou teórica. programando num modo estrutural [Martins Ordonez et al. são utilizados CIs de portas lógicas elementares interligados com CIs MSI (Medium Scale Integration). o usuário deverá sintetizá-lo para o tipo de arquitetura reconfigurável utilizada. Após a finalização do esquema ou do programa que descreve o circuito. antes dessa avaliação. simulação e implementação dos circuitos dedicados. O aprendiz também pode optar por fazer captura de esquemático. os alunos deverão apresentar uma análise dos conceitos e o comportamento ideal de um circuito dedicado usado para resolver o problema proposto. dentre outras. A característica que deve representar maior peso na avaliação é o fato de o circuito implementado resolver corretamente o problema proposto. Esses CIs são interligados de forma a compor um circuito mais complexo que resolve o problema proposto. como decodificadores e multiplexadores. Como ferramentas de simulação funcional dessas implementações são utilizados softwares como Circuit Maker [Circuitmaker 2004]. o aprendiz descreve a estrutura do circuito. Para implementações em hardware com os métodos tradicionais. considerando que todo o circuito estará . não influenciando diretamente na avaliação dos trabalhos. Para implementações em dispositivos reconfiguráveis. parcial ou totalmente. montagem. Aspectos de Implementação dos Circuitos Os projetos deverão ser realizados em grupos de poucos alunos. montando um esquema do circuito no ambiente de desenvolvimento específico de cada fabricante. considerando que. os alunos terão a liberdade de definir as tecnologias e ferramentas de desenvolvimento mais adequadas para eles.3. A avaliação das demais características. como organização. desenvolvimento. possuindo grande flexibilidade. dependendo de sua arquitetura interna. e descarregar os bitstreams (bits de configuração) obtidos utilizando o próprio ambiente de desenvolvimento de projetos [Martins Ordonez et al. No projeto. geralmente. Utilizando linguagens como VHDL (VHSIC (Very High Speed Integrated Circuits) Hardware Description Language) [Ashenden 1990] e programando de maneira estrutural. como por exemplo decodificadores e multiplexadores. Os professores deverão estar aptos para avaliar os trabalhos projetados e implementados pelos alunos. devem ficar a cargo do professor.

de acordo com o interesse e motivação de cada uma das áreas. apresentamos os principais resultados obtidos dos testes para verificação do funcionamento deste circuito. Resultados da Verificação do Método Proposto Para verificação do nosso método realizamos testes com dois alunos. já considerando os seus tempos de atraso. 4. (iv) é possível simular o funcionamento e comportamento dos circuitos. 4. na disciplina Introdução aos Sistemas Lógicos (2º período). Se os alunos tiverem problemas e o professor não souber orientá-los de maneira adequada.implementado num único CI. e o segundo aluno é do curso de Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações. são matrizes numéricas que irão modificar a freqüência espacial da imagem a ser filtrada. além de disponibilizar a documentação necessária para sua utilização. orientar de forma concisa.1. este deverá buscar soluções. diminuindo a possibilidade de ocorrência de ruídos externos. depois descrevemos o circuito projetado e implementado. Definições A convolução e correlação são operações fundamentais para a compreensão de técnicas de processamento de imagens digitais baseadas na transformada de Fourier [Gonzalez Woods 2000].1. Neste teste de verificação foram projetados. Nas seções a seguir apresentamos resumidamente esses dois projetos. devido a possibilidade de reconfiguração parcial e dinâmica. Circuito Convolucionador de Imagens Digitais Neste item apresentamos o circuito convolucionador de imagens digitais. O termo freqüência espacial é análogo ao termo . também chamados de máscaras. desempenho e flexibilidade. Esses filtros. Devemos considerar que para a correta utilização do método de ensino proposto neste artigo. Subdividimos esta seção em três partes: primeiramente apresentamos as principais definições a respeito de um processo de convolução de imagens digitais. finalmente. projetado e implementado pelo aluno de ciência da computação.1. onde os filtros lineares são geralmente descritos por matrizes de convolução. O aluno de ciência da computação projetou e implementou um circuito convolucionador de imagens digitais. na disciplina Sistemas Digitais II (4º período). (vii) o software do ambiente de desenvolvimento ISE [Xilinx 2004] possui uma versão para estudantes grátis na internet. e assim. 4. (v) os CIs possuem um baixo custo. (vi) os circuitos implementados possuem alta tolerância a falhas. sendo que um é do curso de Ciência da Computação. os professores das disciplinas deverão conhecer um pouco cada uma das tecnologias citadas nessa seção. Um exemplo dessa utilização ocorre na filtragem de imagens. enquanto que o aluno de engenharia eletrônica projetou e implementou um circuito controlador lógico para motor de passo. e. desenvolvidos e implementados dois circuitos realísticos. comparando com os benefícios em relação à integração. ambos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). de forma que ele seja capaz de orientar a respeito das vantagens e desvantagens de cada implementação.

Figura 1 Diagrama de blocos de um circuito convolucionador de imagens digitais . validou sua arquitetura por meios de simulações funcionais e implementou o circuito no FPGA XC2S200 da Xilinx e. o termo Parte_Imagem é uma parte da imagem que estará sendo convoluída para determinar um ponto (pixel) da imagem filtrada. Descrição e Análise do Circuito Projetado e Implementado O circuito convolucionador implementa a operação apresentada no item anterior. desenvolveu. e determina a velocidade de variação da taxa de luminosidade de uma imagem em uma determinada direção [Albuquerque Albuquerque 2004]. Nestas ferramentas ele desenvolveu a descrição do hardware do circuito utilizando VHDL estrutural. utilizou as ferramentas do pacote ISE da Xilinx (Project Navigator. verificando o funcionamento através de subtração de uma imagem corretamente filtrada pela imagem filtrada com o circuito implementado. ModelSim. o termo m será o número de linhas da máscara e o termo n será o seu número de colunas. O aluno de ciência da computação. Impact) [Xilinx 2004]. simulou e implementou o circuito.freqüência temporal. A convolução será concluída quando a máscara percorrer toda a imagem a ser filtrada. que projetou. fazendo o somatório das multiplicações ponto a ponto e efetuar o quociente com o somatório dos coeficientes da máscara. 4.1. Para realizar uma filtragem utilizando máscaras de convolução. Na figura 1 apresentamos um diagrama esquemático da estrutura simplificada do circuito.2. para a realização dessas etapas. basta realizar a seguinte operação: m n (Parte_ Imagem(i)(j) * Mascara(i)(j)) Pixel i j m n Mascara(i)(j) i j Sendo que. finalmente.

este não entrará no módulo multiplicador enquanto o sinal de clock não habilitá-lo. um contador de 0 a 3. o módulo contador em anel muda de estado e o módulo contador (0 a 3) conta mais uma unidade. para que o produto seja armazenado no primeiro buffer. os sinais vão passando pelos módulos somadores. . Quando ocorrer o primeiro pulso de clock após esse momento. Este processo ocorre para todos os produtos. enquanto que a matriz de cima representa os pontos (pixels) da imagem de baixo filtrada com a máscara representada na figura 2. em direção à saída. fazendo com que a LUT acesse o primeiro registro e fornecendo esse sinal na outra entrada do módulo multiplicador. As palavras de oito bits da matriz de baixo representam os pontos (pixels) da imagem colocada na entrada do circuito. A seguir apresentamos a matriz de convolução utilizada na simulação apresentada na figura 3. É importante salientar que alguns aspectos são fundamentais para o correto funcionamento do circuito. um contador em anel. alterando o registrador de leitura da LUT. a do contador será colocada em zero. fazendo com que sejam multiplicados os dois valores que estiverem na entrada do módulo multiplicador. possui os seguintes módulos: Uma LUT (Look Up Table) com registradores de oito bits. Apresentando esse comportamento de realizar tarefas diferentes simultaneamente em hardware. representado de forma simplificada na figura 1. um deslocador de bits (shift register). tais como: os registradores da LUT contêm as combinações de bits equivalentes aos valores decimais da matriz de mascara desejada. O correto funcionamento do circuito segue a seguinte linha de raciocínio: a cada pulso de clock. Gostaria de salientar que enquanto os demais produtos vão sendo armazenados nos seus respectivos buffers. um multiplicador. sessenta e dois somadores de oito bits. um gerador de pulsos de clock. sendo armazenados nos buffers correspondentes. o circuito possui características de pipeline. o sinal de clock e o tempo de intervalo entre pixels no barramento serial foram ajustados respeitando os tempos de atraso existentes no FPGA. 1 1 1 Figura 2 1 2 1 1 1 1 Máscara de convolução utilizada no circuito convolucionador A figura 3 é um diagrama que representa a simulação de uma imagem hipotética 8x8 sendo filtrada por uma máscara 3x3 (figura 2). por meio do multiplexador. Cada palavra de bits é uma representação binária de um nível de 0 a 255 tons de cinza. ao apresentar o produto na sua saída. Quando chega o primeiro pixel da imagem a ser filtrada no barramento serial. um multiplexador. sessenta e quatro buffers de três estados.O circuito projetado. o sinal C1 será colocado em nível lógico alto. Quando ocorrer mais um pulso de clock. o sinal C1 ainda deve estar em nível lógico alto.

4. como: scanner . no circuito projetado e no software de edição de imagens Paint Shop Pro 9 [Jasc 2004]. finalmente. sendo que suas bobinas residem no estator. 4. onde o passo é o menor deslocamento angular [Jones 2001]. Posteriormente verificamos o correto funcionamento do circuito através da configuração de um dispositivo reconfigurável e realizando uma comparação com as imagens resultantes da convolução. enquanto que o rotor é um ímã permanente ou composto por ligas de ferro doce.2. e.2. Definições Motores de passo são motores elétricos sem comutadores. apresentamos os principais resultados obtidos dos testes para verificação do funcionamento deste circuito. Circuito Controlador Lógico de Motor de Passo Neste item apresentamos o circuito controlador lógico de motor de passo. efetuando as operações descritas no item anterior. depois descrevemos o circuito projetado e implementado.1.Figura 3 Simulação de um circuito convolucionador de imagens digitais Analisando a figura 3. Esta constatação se deu através da varredura da máscara de convolução (figura 2) na imagem. Este tipo de motor converte energia elétrica em movimento controlado através de pulsos. São utilizados em aplicações que requerem movimentos com alta precisão. projetado e implementado pelo aluno de engenharia eletrônica. observamos que a operação de convolução da imagem da matriz de baixo está correta. Subdividimos esta seção em três partes: primeiramente apresentamos as principais definições a respeito de um processo de controle de motores de passo.

Esses últimos representam a velocidade do movimento. O circuito projetado. a entrada Brake trava o eixo do motor e a entrada Disengage desenergiza todas as bobinas. rotor de discos flexíveis. O circuito gera a seqüência de controle para girar o eixo do motor. ModelSim. possui os seguintes módulos: dois decodificadores. A2. o aluno também utilizou as ferramentas do pacote ISE da Xilinx (Project Navigator. O movimento entre um alinhamento completo e outro é chamado de passo completo [Diniz Campos Martins 2003]. realiza o controle com as configurações alto nível e passo completo. é necessário que uma bobina de cada vez seja energizada. [Yeadon Yeadon 2001] Data é um barramento de dados de oito bits usado para entrada de dados. e verificação do seu correto funcionamento do mesmo. B1. dentre outros.2. Para fazer com que o motor de passo gire. 4. Este deslocamento se deve pelo fato de o rotor ser um ímã permanente. A1. motor de braços mecânicos nas plantas industriais. um núcleo de controle e dois registradores. respectivamente. ClkDivider e NumSteps. Para a realização das atividades. produzindo um pequeno deslocamento no rotor. Descrição e Análise do Circuito Projetado e Implementado O circuito controlador lógico. Possui opções que permitem configurar a velocidade e o número de passos a serem executados pelo motor. A entrada Clock Extr estabelece as transições dos passos. Restart definem se o motor está em movimento ou parado e a inicialização do mesmo. As entradas Shift (S1 e S0) controlam o carregamento dos dados nos registradores internos. simulado e implementado pelo aluno de engenharia eletrônica. dentre elas podemos citar: movimento de passo completo (movimento inteiro) ou meio passo (metade do passo completo). O controlador para motor de passo é um circuito que tem como objetivo proporcionar as corretas combinações de sinais nos terminais de entrada do motor. Impact)[Xilinx 2004]. representado em diagramas de blocos na figura 4.2.óptico. a entrada Direction define o sentido de giro do motor. B2 são as saídas lógicas que devem ser aplicadas ao driver de potência do motor de passo. movimento de alto e médio nível. um controlador de pulsos de clock. Existem vários tipos de configurações funcionais que o controlador pode determinar ao motor de passo. desenvolvido. projetado. As entradas RunStop. movimentação de telescópios. sendo que o de alto nível possui um controle da velocidade de rotação do rotor e o de baixo nível possui uma velocidade constante. A entrada ClockExt é um clock de referência para o controle da velocidade do motor. tendendo a se alinhar com as pás do rotor. A verificação do correto funcionamento do circuito foi realizada por meio do acionamento de um motor de passo. O circuito foi descrito em VHDL estrutural. horário ou anti-horário. . e a energização das bobinas gerarem um campo magnético de grande intensidade. foram realizadas simulações funcionais e a implementação feita descarregando os bits de configuração no FPGA XC2S200 da Xilinx. para que ele gire com as características requeridas por cada situação.

fazendo o motor girar. percebe-se que o controlador irá alternar as suas saídas. apresentamos a simulação funcional do circuito projetado realizando o controle do motor a partir das combinações lógicas das entradas. A entrada de dados (data) é decodificada para determinar a ordem de habilitação das saídas. a2. podemos comprovar as vantagens do método proposto neste artigo em relação ao método didático tradicional. e quando as bobinas do motor estiverem energizadas (disengage). Observa-se a correta variação das saídas a1. normalmente utilizado nas . 5. apenas quando a entrada runstop for ativa. b1 e b2 quando aplicadas diferentes níveis lógicos nas entradas descritas acima. Figura 5 Simulação do controlador lógico de motor de passo Analisando a figura 5. Análise dos Resultados da Verificação do Método Com base nos resultados obtidos.Figura 4 Diagrama de blocos do controlador lógico de motor de passo Na figura 5. habilitando o clock interno (clkint).

Os alunos aprovaram a utilização do método. eles terão que se atualizar a respeito das novas tecnologias de projeto. deve ser feita uma análise prematura dos alunos. Algumas dificuldades da aplicação do método foram observadas. podemos concluir que os principais objetivos desta pesquisa foram alcançados.instituições de ensino superior. enquanto que o aluno de computação escolheu um problema que normalmente é resolvido por meio de processamento de algoritmos computacionais. desenvolvimento. e a maior flexibilidade de projeto. (iii) a aplicação do método incentivou a independência no aprendizado dos conceitos e dos procedimentos práticos para desenvolver e implementar o projeto. Para o sucesso do projeto. verificando o maior desempenho se comparado com as implementações em hardware programável (microprocessadores). percebemos que os aprendizes conseguiram aprender os conceitos necessários para a realização do projeto escolhido. (v) os aprendizes aprovaram a liberdade de escolha da tecnologia de desenvolvimento e implementação. assim como a respeito dos problemas propostos pelos alunos e suas possíveis soluções. (ii) para implementação do método deve haver o consentimento dos professores para realização das mudanças necessárias na estrutura das aulas. 6. para a orientação. Assim como o principal deles. (viii) formação de alunos que dominam tecnologias atuais desse processo. Conclusão Com base na observação e análise dos resultados obtidos. (iii) os professores que fizerem uso do novo método devem estar cientes que. Observamos também que os problemas são pertinentes à área de atuação do aluno. Apresentamos algumas delas: (i) Os aprendizes aprovaram o incentivo e sentiram-se motivados para buscar problemas que fossem de áreas do seu interesse. implementação e teste dos projetos. sendo que o aluno de engenharia escolheu projetar e desenvolver um circuito para controlar um dispositivo. que foi o estímulo e motivação dos alunos para o estudo/aprendizado dos conceitos e práticas de projeto. dizendo que o estímulo do professor ao estudo é o principal fator para o ótimo aprendizado durante um curso . (vii) o método capacita o aluno a compreender melhor como é o processo de projeto. as atividades são prazerosas quando são os próprios alunos que estipulam o problema e especificam o circuito. Consultando os alunos após a finalização de seus trabalhos. comprovando as vantagens deste tipo de implementação. normalmente implementado em microcontroladores dedicados. (vi) observamos que os alunos escolheram problemas realísticos. prevendo se eles serão capazes de finalizar as atividades até o prazo definido pelo professor. seguindo o raciocínio científico. (ii) após a apresentação dos trabalhos. Verificamos que em ambos os casos os alunos implementaram as soluções em hardware reconfigurável. apesar de parecer um tanto quanto difícil realizar as etapas do método. dentre elas: (i) os alunos necessitam de tempo disponível para realizar as atividades extra classe do método. comparando com implementações em hardware fixo. (iv) uso de simulações computacionais como forma de verificação das expectativas de correto funcionamento do circuito e análise do comportamento simulado. deixando de lado os problemas didáticos tradicionais não interessantes. concluímos também que. desenvolvimento e implementação de um circuito digital realístico. desenvolvimento e implementação de circuitos digitais realísticos e normalmente utilizados pela indústria.

o método proposto foi aplicado na eletrônica digital. desenvolvimento. Assim como os alunos. e ao realizar atividades como esta. sendo beneficiada indiretamente. Algumas das principais contribuições desta pesquisa são: (i) um novo método de aprendizado. caracterizando-se por ser um método interdisciplinar. foi observada. (iv) incentivo à constante atualização dos professores. nas quais ele poderá realizar pesquisas futuras e se especializar. (iii) a instituição de ensino. realizando futuras dissertações de mestrado e teses de doutorado em tais áreas. ele percebe. que serão os primeiros beneficiados. Observamos que nos casos onde são aplicados os métodos didáticos tradicionais. além de publicações de artigos em congressos e periódicos da área. ocorre a desmotivação por parte dos alunos em relação ao curso. Porém no seu desenvolvimento foi considerada a possibilidade de uma aplicação em outras áreas da ciência. Concluímos que. eles terão que se manter atualizados. respectivamente.superior. (vi) recursos materiais elaborados para orientação da correta utilização do novo método. continuando a pesquisa na área de interesse. os professores aprovaram a utilização do método. (ii) os professores. fazendo com que as aulas deixem de ser no formato de palestras. Como . Portanto o método proporciona aos professores um aprendizado com os alunos. realizar uma análise quantitativa e qualitativa do uso do método nessas disciplinas em relação ao uso do método tradicional. a formação de alunos interessados em realizar projetos de iniciação científica. com o objetivo de gerar mais recursos materiais e humanos nesta área. Além dos objetivos iniciais. com a formação de profissionais cientes da carência do mercado de especialistas em determinadas áreas e conhecedores dos conceitos e técnicas de desenvolvimento de projetos. para sua verificação. com clareza. com sua utilização. Estes também participarão ativamente das aulas pronunciando seus pontos de vistas e os conceitos adquiridos com o estudo do problema e suas possíveis soluções. (v) formação de recursos humanos e materiais nas áreas de interesse dos aprendizes. (ii) estímulo do aprendizado fundamentado no desenvolvimento de soluções baseadas em problemas realísticos (PBL). no que diz respeito às novas tecnologias de projeto. assim como no que diz respeito a problemas realísticos e suas possíveis soluções. passados pelos próprios aprendizes. durante a pesquisa. os horizontes das áreas de seu interesse. de problemas realísticos. Neste artigo. implementação e teste de circuitos. ocorre exatamente o oposto: o aluno começa o curso com sentimento de aprender. Com a utilização do método proposto. onde os professores conhecem a fundo o assunto e os alunos o ignoram. aprendendo adequadamente os conceitos e práticas de projeto e desenvolvimento de soluções. Concluímos que trabalhos utilizando o método proposto são de grande importância para: (i) os aprendizes. de projeto e implementação de circuitos digitais. Os possíveis trabalhos futuros relacionados ao método proposto são: Aplicação do método em uma turma das disciplinas Introdução aos Sistemas Lógicos e Sistemas Digitais II dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia Eletrônica e de Telecomunicações. (iii) possibilidade de obtenção de muitos conceitos e práticas realísticas por parte dos alunos submetidos ao método. implementadas em circuitos digitais. Existe forte possibilidade de estes alunos continuarem na carreira acadêmica. aplicado na área de eletrônica digital. que estarão constantemente atualizados com os conceitos e técnicas.

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