COMPÊNDIO DE FARMACOLOGIA

(ano lectivo 2004 / 2005)

Prefácio
A Farmacologia é uma Ciência de evolução rápida que obriga a uma insuficiência permanente dos textos de Farmacologia. Por isso, a actualização anual é o melhor meio para se manter vivo um texto desta natureza, que, contudo, não dispensa o aluno ou o leitor de consultar as principais revistas da especialidade. É absolutamente necessário, porém, que não haja dispersão por artigos que pouco adiantam ao avanço terapêutico na área de interesse. Daí que nos limitemos a aconselhar as revistas que melhor sirvam este objectivo, que não são muitas vezes as que melhor servem o investigador na área da Farmacologia. Quanto aos livros de texto, contêm conceitos básicos que só lentamente se irão desactualizando, permanecendo por isso como instrumentos úteis de aprendizagem. Não podemos actualmente dispensar a informação que podemos obter na Internet, o que justifica a indicação de alguns endereços da rede. Como um texto de esta natureza feito apenas por um autor incorre em riscos de inexactidão ou insuficiência, todas as achegas serão agradecidas. Também as dúvidas poderão ser esclarecidas pessoalmente, no horário expresso, mas o meio mais eficiente em que nunca há desencontro de horários é o correio electrónico: cfontes@crb.ucp.pt fontes.ribeiro@clix.pt fontesri@imagem.ibili.uc.pt

BIBLIOGRAFIA Livros de texto
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Terapêutica Medicamentosa e suas Bases Farmacológicas, 4ª edição. Editado por W. Osswald e S. Guimarães. Porto Editora, 2001. Basic & Clinical Pharmacology. Bertram G. Katzung, 9th edition (2004), Lange Medical Books / McGraw-Hill. Goodman and Gilman’s. The Pharmacological Basis of Therapeutics, 10ª edição. Editado por A. G. Gilman et al. Pergamon Press, 2003. Pharmacology and Therapeutics for Dentistry, 4ª edição. Por J.A. Yagiela, E.A. Neidle, F.J. Dowd. Publicado pela Mosby, 1998. Textbook of Dental Pharmacology and Therapeutics. 2ª edição. Por J.G. Walton, J.W. Thompson e R.A. Seymour. Oxford Medical Publications, Oxford, 1994. Farmacología em Clinica Dental. Por J. Esplugues, E.J. Morcillo e F. AndrésTrelles. J. R. Prous Editores, Barcelona, 1993.

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4. quer se tratem de substâncias nocivas ou benéficas. medicamentos oficinais e magistrais. modulação da substância química e seu comportamento perante os seus locais de ligação e acção). Este estudo é feito desde o computador (por exemplo. Simpósio Terapêutico. Desdobrou-se em outras ciências.GENERALIDADES. medicamento. Caracterizar o nome genérico e o medicamento "genérico". é de realçar que um medicamento não tem apenas aspectos positivos. 3. Índice Nacional Terapêutico. fármaco. Como estas acções e efeitos pressupõem que o fármaco chegue ao seu local de acção (chamado de biofase). Assim. 6. a Farmacocinética). tecidos. Farmacopeias. Significado de Formulários. Prontuário Terapêutico. Assim. a Farmacologia também estuda o trajecto dos fármacos no organismo (ou seja. Informar sobre as estruturas que regulamentam os medicamentos em Portugal e na União Europeia. a Farmacologia estuda as acções e os efeitos das substâncias químicas em membranas. Objectivos: 1. segurança. Em suma. tóxico. 5. a Farmacologia estuda geralmente o trajecto e as acções e efeitos de substâncias (fármacos) em materiais biológicos. células. seja maioritariamente nociva (tóxico) ou benéfica (medicamento) para um organismo vivo. organelos. conveniência e custo dum medicamento. Para além destes . 2. Estabelecer o conceito de Farmacologia. FARMACOLOGIA é a ciência que estuda os fármacos. Da definição de Farmacologia deduz-se o conceito de fármaco: é uma substância química. Toxicologia. orgãos e aparelhos ou sistemas. ou seja na relação benefício / risco. Definir diferentes tipos de medicamentos . como a Toxicologia. tóxico é uma substância que tem sempre uma relação benefício/risco desfavorável. especialidades farmacêuticas.1ª PARTE: FARMACOLOGIA GERAL CAPÍTULO 1 .enquanto que medicamento tem esta relação favorável. Eficácia. Terapêutica. havendo de considerar por vezes o surgimento de efeitos que não pretendemos e que podem prejudicar o tratamento.MSRM e MNSRM. manipulação galénica. No entanto. Para qualquer medicamento é necessário pensar sempre na eficácia e na segurança. Farmacologia Clínica. até aos estudos físicoquímicos in vitro e aos estudos in vivo. Como se deduz desta definição o seu campo de acção é muito vasto e engloba conhecimentos de quase todas as ciências. efectividade.

Geralmente é feita em voluntários saudáveis.aspectos o medicamento também tem de ser avaliado em termos de conveniência (por exemplo. órgãos e animais inteiros (Farmacologia pré-clínica) e se fôr considerado útil para um determinado fim será então estudado na espécie humana. Define-se a dose a utilizar em clínica. Este último estudo. a partir de ensaios clínicos com doses crescentes (estudos de dose-resposta). a um doente com diarreia não se deve prescrever um supositório e quando se administra um medicamento devemos ter em conta as possíveis interacções) e de custo (seja para o Estado. Em alguns casos. exercício. dietas. etc). que nos últimos anos se desenvolveu e constituiu em especialidade médica. que constitui o objectivo da Farmacologia Clínica. ou pelo menos nos ensaios clínicos. quer usando substâncias medicamentosas ou não medicamentosas (agentes físicos. A Farmacologia estuda os fármacos nos animais e no homem. Enquanto que a eficácia é avaliada em condições experimentais protocoladas (por exemplo. . Neste último caso chama-se Farmacologia Clínica. a qual estuda o modo de tratar as doenças. Um fármaco começa por ser testado em fragmentos de células. Não se deve confundir com Terapêutica. células. um fármaco citotóxico com a indicação clínica de tratamento de um tumor maligno). desde o médico (a relação médico / doente é fundamental!). 2ª Fase ou Fase II: O fármaco já será estudado num número pequeno de doentes (poucas dezenas) que apresentem a doença para a qual o fármaco estará indicado. o fármaco também pode ser estudado nesta fase num número restrito de doentes (e. procurando-se estudar a influência do organismo sobre o fármaco e do fármaco sobre as funções biológicas. Procura-se sabera farmacocinética e as acções e efeitos do fármaco na nossa espécie. Um aspecto relacionado com a eficácia é a efectividade.. a efectividade é testada nas condições da prática clínica (com doentes com várias patologias e eventualmente polimedicados).g. para a Sociedade ou para o doente). Procura-se estabelecer eficácia e segurança. tecidos. com um ensaio clínico aleatorizado e controlado). é feito em quatro fases: 1ª Fase ou Fase I: Estudo do fármaco num número restrito de voluntários. Terapêutica é a arte de tratar um indivíduo com uma determinada doença. o tratamento dum doente pode beneficiar muito da relação do doente com a equipa de saúde. os ensaios clínicos que avaliam a efectividade chama-se de pregmáticos. quando o fármaco tem um mecanismo de acção que previsivelmente pode prejudicar um indivíduo são. Quanto a este último aspecto. o enfermeiro e mesmo o pessoal administrativo. É a primeira vez que o fármaco entra em contacto com a espécie humana. para além da farmacocinética na população doente de interesse.

I. qualquer medicamento no mercado deve estar sujeito à Farmacovigilância (ver à frente). ao contrário dum fármaco para tratar uma afecção . 4ª Fase ou Fase IV: O medicamento já foi introduzido no mercado e. Quando um fármaco é usado em doses terapêuticas. para além de se quantificarem outros aspectos relacionados com o medicamento como. de modo a se estabelecer com maior significado a eficácia e a segurança (de notar que as reacções adversas menos frequentes só surgem quando o número de doentes estudados é elevado). ao longo deste texto tomaremos como sinónimo efeitos secundários e reacções adversas. embora em sentido estricto estes serão os efeitos laterais. se houver uma relação benefício / risco favorável o promotor pode apresentar a documentação dos estudos feitos (químicos ou farmacêuticos. estudos de custo / utilidade). por exemplo. Algumas vezes também se chamam às reacções adversas efeitos secundários. No entanto. haverá sempre de se fazer um balanço entre os benefícios e os riscos da utilização dum fármaco (por exemplo. a sua influência na qualidade de vida (para se fazerem. por exemplo. um fármaco para tratar uma hipertensão arterial ligeira terá de evidenciar muito poucas reacções adversas. que os avalia no sentido de conceder uma A. por exemplo). Se o fármaco evidenciar uma relação eficácia/segurança favorável passa à 3ª fase. São geralmente ensaios multicêntricos.M. tem efeitos que não se pretendem (reacções adversas). nesta fase realizam-se estudos de segurança e de efectividade (estudos pragmáticos. por isso. além do seu efeito medicamentoso desejável ou clinicamente indicado (efeito principal). fármaco-toxicológicos (ou pré-clínicos) e clínicos) à entidade ou agência regulamentar. 3ª Fase ou Fase III: O medicamento será estudado num número alargado de doentes (que pode chegar a alguns milhares). o medicamento passa à fase seguinte ou fase IV. Estes últimos podem resultar do próprio mecanismo de acção do fármaco (efeitos previsíveis) ou serem imprevisíveis (efeitos idiossincrásicos ou alérgicos). Evidentemente que nem todos os doentes serão vítimas de reacções adversas e a sua aceitação depende da gravidade da doença a tratar. Se tal acontecer.Nesta segunda fase o fármaco é testado num único centro clínico que está preparado para isso. De notar que qualquer medicamento no mercado deve continuar a ser observado de modo a se detectarem as reacções adversas menos frequentes ou a se quantificarem correctamente as já descritas. Ou seja. Após a conclusão dos estudos ou ensaios clínicos de fase III. (autorização de introdução no mercado). ou seja.

emolientes. A este propósito. na maioria das vezes por efeitos psicológicos (efeito nocebo). mesmo um placebo (substância sem acções farmacológicas. como as suas propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas. A ciência que estuda os efeitos tóxicos dos medicamentos (em doses supraterapêuticas) e os tóxicos (substâncias nocivas ou com relação benefício/risco desfavorável) é a Toxicologia. excipientes) para dar forma e consistência ao medicamento. armazenado e administrado ao doente. o fármaco é distribuído pelo sangue aos tecidos. No entanto. Na maioria das vezes o fármaco constitui uma pequena parte da forma farmacêutica (aspecto do medicamento quando se dá ao doente . Para que um fármaco exerça os seus efeitos é necessário que seja fabricado. Outro exemplo da importância da manipulação galénica é a obtenção de formas farmacêuticas com absorção prolongada. Uma ciência bastante relacionada com a Farmacologia é a Farmácia. suspensão. A ciência que estuda as formas farmacêuticas é a Farmácia Galénica. corantes. edulcorantes. Num sentido mais amplo. etc) e são necessárias outras substâncias (adjuvantes. O seu objectivo será estudar o fármaco.por exemplo. ou inclui-se o fármaco numa matriz ou forma. inerte) poderá desencadear reacções adversas. Constitui uma etapa fundamental para o êxito dum tratamento. Após a absorção. onde é metabolizado e transformado numa substância mais hidrossolúvel com o objectivo de . conservantes e. juntam-se determinados adjuvantes e/ou excipientes. creme. não consensual. Também convém distinguir entre efeito adverso e reacção adversa: o primeiro surge durante ou após a administração do medicamento e não pressupõe a obrigatoriedade causal com o medicamento. principalmente. supositório. se um comprimido for muito duro será defecado na sua maior percentagem. Em sentido restrito pode-se afirmar que estuda a qualidade dos medicamentos. também estuda os outros aspectos do fármaco.comprimido. a Toxicologia também pode abranger o estudo das reacções adversas.rapidamente letal). enquanto que a reacção adversa tem relação com a administração do medicamento (embora possa ter uma relação causal de possível a certa ou definitiva). controlada ou “retardada” ("retard"). Neste caso. principalmente nas suas vertentes de preparação e armazenamento. sendo actualmente as suas fronteiras pouco nítidas. que tornam a absorção constante e demorada. já que uma forma farmacêutica tem de se desagregar em condições óptimas no seu local de absorção .

Stesolid®. No exemplo acima citado essa escolha resultou no nome "diazepan" (ou escrito em português: "diazepam") (7-cloro-1. É um nome demasiado complexo e. é o nome conhecido em qualquer país (passa a designar-se “Denominação Comum Internacional” ou DCI). a comunidade científica simplifica-o. Ou seja. que. distribuição. Por exemplo. sendo reconhecido pela Organização Mundial de Saúde. Unisedil®. Um fármaco tem um nome químico. geralmente por via renal. O estudo destas propriedades (farmacocinética) tem por objectivo a obtenção de concentrações eficazes dum fármaco no seu local de acção (biofase). No exemplo. O estudo da absorção. no sangue) o fármaco já pode ser metabolizado. para o diazepam existem outros nomes comerciais Bialzepam®. Este último fica registado como propriedade industrial ou comercial e não pode ser usado por mais nenhum laboratório. metabolização e eliminação (sistema ADME) dum fármaco constitui a Farmacocinética. NOMES DOS FÁRMACOS. ou o que o fármaco faz ao organismo.4benzodiazepina-2-ona. No entanto. Todavia. que identifica correctamente a substância do ponto de vista químico. Metamidol®. Actualmente não existe limite para a introdução de similares no mercado . tornando-a facilmente transmissível como mensagem.3-dihidro-1-metil-5-fenil-2H-1. "GENÉRICOS".ser eliminado.4-benzodiazepina-2ona). acima citado um dos nomes comerciais é "Valium". constitui a Farmacodinamia. a maioria dos medicamentos que conhecemos tem outro nome que é o nome de fantasia escolhido pelo laboratório que comercializa o medicamento: nome comercial. Como o fármaco original é o diazepam da Roche (Valium®).3-dihidro-1-metil-5-fenil-2H-1. Habitualmente escreve-se o nome comercial seguido dum asterisco ou ®: Valium* ou Valium®. De notar que durante a absorção (por exemplo. A este nome simplificado chamamos nome comum ou genérico. Esta simplificação é feita utilizando apenas algumas letras e/ou sílabas do nome químico. O estudo das acções e efeitos dum fármaco.alguns fármacos chegam a ter 71 similares! Os medicamentos fabricados de um modo . na parede do tubo digestivo) ou a distribuição (por exemplo. chamamos a estes últimos similares ou cópias. estuda o trajecto do fármaco no organismo ou como este actua sobre o fármaco. por isso. 7-cloro-1.

Como não precisam da experimentação necessária à introdução dos novos fármacos (estudos fármacotoxicológicos e clínicos). De notar que a partir de 1996 Portugal passou a reconhecer as patentes de existência dos medicamentos (até aí apenas reconhecia as patentes de fabrico). que será comercializado com o nome comum ou genérico (ou DCI). Um genérico tem sempre uma empresa responsável pela sua produção e distribuição. podendo diferir no aspecto que o medicamento tem. actualmente a lei portuguesa pode obrigar o proprietário dum genérico a fazer estudos de bioequivalência (ver adiante o que significa). não sendo obrigatória a menção do nome do laboratório farmacêutico. Em Portugal. sendo ainda responsável pela eficácia e segurança do seu produto. etc) e qualidade biofarmacêutica ou bioequivalência. Daqui resulta como aconselhável que se deve fornecer sempre o genérico da mesma empresa farmacêutica para não confundir o doente (ou até a Sociedade se habituar à possibilidade de troca de especialidades farmacêuticas). desde a sua composição em princípios activos e excipientes. A este propósito.industrial por laboratórios da indústria farmacêutica chamam-se especialidades farmacêuticas: os cinco nomes citados para o diazepam são cinco especialidades farmacêuticas. Esta qualidade deve ser entendida em duas vertentes: qualidade farmacêutica (propriedades físico-químicas do medicamento. dissolução. os "genéricos" têm um preço mais baixo. Um genérico deve ser prescrito pela DCI. um fármaco tem uma protecção da sua patente como produto industrial durante bastante anos (15 – 20 anos. . o que não acontece com os medicamentos similares ou cópias! De um modo sistemático o INFARMED tem exigido estudos de bioequivalência para os genéricos (têm de demonstrar que a extensão e a velocidade de absorção são iguais às do produto de referência. à semelhança do que acontece no resto do mundo. o que é bastante útil. que é o medicamento original ou inovador). o que significa que os medicamentos novos autorizados a partir daquele ano só podem ter os similares ou cópias que o laboratório farmacêutico autorizar (neste caso são cocomercializações). Um "genérico" poderá ser fabricado e comercializado por várias empresas. estabilidade. findo os quais qualquer laboratório com capacidade para isso poderá fazer esse mesmo fármaco. desde que se tenha a certeza da sua qualidade. Devido a este último facto estes fármacos chamam-se genéricos. dependendo da duração até à sua introdução no mercado). desagragação.

antigamente chamado de "bula". no Parque de Saúde. farmacotoxicológica e clínica). para os genéricos o processo é ligeiramente diferente.M. Num futuro próximo esta agência poderá introduzir todos os novos medicamentos a nível da União Europeia. incluindo peritos dos diversos países (das agências nacionais do medicamento). que a partir de 1996 Portugal . Para as cópias ou similares dos medicamentos que já existem basta apresentar a documentação farmacêutica e fazer um processo bibliográfico (com citações da literatura).ESTRUTURAS QUE REGULAMENTAM OS MEDICAMENTOS. Acresce que cada embalagem de medicamento deve ser acompanhada de um folheto informativo (FI). A nível da União Europeia a estrutura que regulamenta os medicamentos é a Agência Europeia do Medicamento (EMEA). que deverá ser apresentado ao médico ou ao farmacêutico quando o medicamento fôr lançado no mercado e em todas as ocasiões em que apresenta o seu medicamento a estes profissionais de saúde.RCM). A AIM que citámos é a necessária para os medicamentos novos (originais). De notar. Um medicamento novo para ser introduzido no mercado tem de apresentar na Agência Regulamentar (INFARMED ou EMEA) um pedido de Autorização de Introdução no Mercado (A. localizado em Lisboa. Evidentemente que esta agência está em contacto permanente com as estruturas dos países membros. Estes documentos incluem um resumo de todas as características do medicamento (Resumo das Características o Medicamento . que reúne toda a documentação sobre o medicamento (partes farmacêutica.). Em Portugal a estrutura que regulamenta a introdução e a manutenção dos medicamentos no mercado português é o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (INFARMED). uma das quais autoriza as especialidades farmacêuticas novas (CPMP – “Committee for Proprietary Medicinal Products”). a cartonagem e a rotulagem estão publicadas em legislação própria. A EMEA está subdividida em diversas secções. que serve para informar o doente das características fundamentais do medicamento.I. As partes que devem constituir o RCM. Também o contentor e a caixa devem estar bem caracterizados. localizada em Londres. o FI. já que a comissão de avaliação de medicamentos (CAM) do INFARMED pode julgar necessário exigir estudos de bioequivalência (ver à frente).

têm surgido diversos modos de publicidade indirecta.ou de medicamento OTC ("over-the-counter") nos países anglo-saxónicos).MNSRM -. antigamente chamado de medicamento de venda livre . o que já não acontece com os medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM). se acontecer alguma reacção adversa grave. tendo por base a documentação entregue. Nem todos os medicamentos estão sujeitos à obrigatoriedade da receita médica para serem vendidos na farmácia (em Portugal os medicamentos só podem ser vendidos na farmácia). sempre com o controlo da EMEA. existem ainda os processos centralizados (estudados e reconhecidos a nível da EMEA e que tornam a sua aprovação extensível e obrigatória em todos os países membros da União Europeia) e os processos por reconhecimento mútuo (RM) (após o medicamento ter sido aprovado num país membro da União Europeia . Os medicamentos mais seguros e que se destinem à automedicação poderão ser autorizados pelo INFARMED a serem vendidos sem receita médica (medicamento não sujeito a receita médica . . o que significa que a partir desse ano só poderão existir as cópias que o laboratório da indústria farmacêutica deixar (se forem lançadas ao mesmo tempo serão AIMs de co-comercialização). Todavia.reconhece a patente do registo do medicamento (até então só reconhecia a patente de fabrico). No processo de RM um país da União Europeia pode recusar conceder a AIM.MVL . Para completar estas referências aos diversos tipos de AIM. o país de referência deve elaborar um relatório sobre o medicamento. em qualidade ou quantidade. Os detentores destes medicamentos podem fazer publicidade ao público . Os medicamentos têm ainda de renovar a sua licença de 5 em 5 anos (renovação de AIM). que só podem fazer publicidade directa junto do médico e farmacêutico. As situações clínicas passíveis de automedicação são as reconhecidas pelas associações internacionais de médicos.cumprindo as regras publicadas em lei -. o medicamento também poderá ser suspenso do mercado pelo INFARMED (sob a supervisão da EMEA).. se o requerente insistir na obtenção de AIM para este país terá de haver arbitragem das estruturas de governo em Bruxelas.país de referência em que o medicamento foi aprovado por processo nacional .o laboratório requerente apresenta na EMEA os estudos e o requerimento para os países membros da União Europeia em que pretende ver aprovada a AIM.. Infelizmente. apresentado as suas razões. o que serve para "pressionar" o médico.

conveniência e custo. . Processo Centralizado Análise dos estudos por peritos designados pela EMEA e aprovado na EMEA. embalagem e rótulo aprovados por processo centralizado) Questões para estudo: Qual é o âmbito da Farmacologia. este medicamento é obrigatoriamente introduzido em todos os países da União Europeia (RCM. segurança. Tipos de Autorização de Introdução no Mercado (AIM) Processo Nacional Completo (com documentação sobre estudos farmacêuticos. fármacotoxicológicos e clínicos) Bibliográfico (com documentação farmacêutica e relatório de perito com referências da literatura) Para “Genéricos” (com documentação farmacêutica. de reconhecimento mútuo ou centralizado. genérico (DCI) e comercial. FI. Os medicamentos podem ter AIM por processo nacional. Pode ser extensível a qualquer medicamento. incluindo os genéricos. relatório e estudo de bioequivalência) Processo por Reconhecimento Mútuo Processo nacional è reconhecido por outros países da União Europeia. Os estudos de Fase III ainda são limitados para o conhecimento do medicamento. Os medicamentos têm um nome químico. A indicação clínica constitui o efeito principal que pode ser efeito secundário se o medicamento for usado noutra indicação clínica. da Terapêutica e da Toxicologia? Os efeitos secundários são previsíveis? Qual é a diferença entre o efeito dum tóxico e o efeito tóxico dum medicamento? Quais são as vantagens e desvantagens do uso do nome genérico? Quais são as diferenças entre farmacocinética e farmacodinamia? Qual a sua importância para a utilização clínica dum fármaco? O INFARMED é dependente da Agência Europeia do Medicamento? Os medicamentos não sujeitos a receita médica têm a mesma relação benefício/risco dos medicamentos sujeitos a receita médica? Quais são as vantagens e desvantagens dum formulário? E da Farmacopeia? Os “genéricos” têm mais inconvenientes do que os medicamentos de marca? Temporalmente a Farmacocinética é antes ou depois da Farmacodinamia? Qual é a diferença entre efeito farmacológico e efeito terapêutico? Conceitos a reter: Um medicamento caracteriza-se pela eficácia. A efectividade é a eficácia nas condições da prática clínica. Os “genéricos” são medicamentos geralmente com estudos de bioequivalência. Se aprovado.Quadro 1. As reacções adversas podem ser previsíveis (do tipo A).

I . Quando o fármaco tem de atravessar uma membrana. Identificar as diversas formas farmacêuticas. incluindo nesta o excipiente e os adjuvantes. o Índice Nacional Terapêutico. enzimas ou bombas. que é uma bicamada lipídica com proteínas "semeadas". 3. Objectivos: 1.. que. Conhecer as Farmacopeias. CAPÍTULO 2 . O local mais utilizado para a absorção é a mucosa intestinal. Se aplicarmos o medicamento na própria corrente sanguínea a absorção é total (100%). atravessa-a facilmente. A absorção é função das características físico-químicas do fármaco e da forma farmacêutica. tem de obedecer a determinadas condicionantes: se o fármaco fôr lipossolúvel.. tem de utilizar as proteínas da membrana (transportadores. de um modo geral. distribuição. Caracterizar a absorção de fármacos. o Guia dos Preços de Referência.Absorção. o Prontuário Terapêutico. os Formulários de Medicamentos. e canais).FARMACOCINÉTICA. ou seja. Entretanto. com as vantagens e desvantagens de cada uma. Assim. é longe do ponto de aplicação do fármaco. 2. 4. Descrever as vias de administração de medicamentos. se for demasiado lipossolúvel não sai da membrana. um fármaco tem de possuir características farmacocinéticas adequadas para que tenha efeitos terapêuticos. se o fármaco for hidrossolúvel. bem como as formas farmacêuticas que se podem aplicar em cada uma. mas outras mucosas e a pele também podem ser usadas.- O MNSRM pode ter publicidade regulamentada junto do público. o Guia dos Genéricos. embebendo-se nos próprios lípidos (porém. o Simpósio Terapêutico. tem de ser absorvido e distribuído pelo sangue aos tecidos onde vai actuar. Para que um medicamento actue é necessário que atinja concentrações eficazes no seu local de acção. metabolização e eliminação (sistema ADME) dos fármacos chama-se farmacocinética.). vai sendo metabolizado e eliminado. À absorção. Daqui resulta três tipos fundamentais de transporte através de membranas: .

Os fármacos são transportados principalmente por difusão simples. assim. transportada -------------------------------------------------------------------------------------------------------Transporte activo Difusão facilitada Difusão simples SIM SIM NÃO SIM NÃO NÃO SIM SIM NÃO SIM NÃO NÃO Transportador Consumo de ou outra energia proteina* (ATP. Quando se utiliza uma proteína para transporte há selectividade desse transportador ou “carrier” para a substância a transportar (na difusão facilitada e no transporte activo). como a filtração (devido á diferença de pressão de um e do outro lado da membrana). As substâncias não ionizadas são lipossolúveis (as ionizadas são hidrossolúveis). uma base ioniza no meio ácido do estômago. Um número reduzido de fármacos. a osmose (passagem de moléculas através de uma membrana semipermeável. Consiste na abertura de uma concavidade na membrana que engloba a . da subst. A ionização depende do pKa da substância e do pH do meio (por exemplo. O transporte activo pode ainda ser primário (com consumo directo de ATP. como. hidrossolúveis. de modo a igualar o número de moléculas de um e do outro lado da emembrana) e a pinocitose (a pinocitose e a fagocitose representam a endocitose. são transportados por difusão facilitada e transporte activo. a pinocitose é praticamente o único mecanismo para transporte de proteínas através duma membrana.ex. tal não acontecendo com os ácidos). através dos lípidos da membrana (são moléculas pequenas e lipossolúveis).) Saturável * Os canais para iões na difusão simples são constituídos por proteínas. necessita de sair da célula pela bomba de Na+ e K+ que consome ATP). p. Existem ainda outros tipos de absorção. No entanto. enquanto que o “despejar” do conteúdo de vesículas para o meio extracelular define a exocitose). na bomba de protões e na bomba de Ca++) ou secundário (aproveitando o gradiente electroquímico do Na+. por exemplo na bomba de Na+ e K+.Dum local de menor para um de maior conc. que. mas que são bastante menos importantes.

.consta a composição e a natureza ou origem.. suspensão. FORMAS FARMACÊUTICAS. ou ser digerida pela célula desde que entre em contacto com as enzimas dos lisossomas ou peroxissomas. os alimentos podem interferir na absorção gastrointestinal de alguns fármacos). e até a Organização Mundial de Saúde possui a sua. o modo de fabrico e conservação) .como a União Europeia . determinadas associações de países . já que as duas se condicionam mutuamente. onde para os medicamentos elaborados numa determinada área . o que está dependente da forma farmacêutica e das suas propriedades galénicas. etc). ou do médico ou "magister"). Para que um fármaco actue é necessário que atinja os locais de acção e para isso é preciso que seja absorvido. elaborado por uma comissão de peritos. Podem ter fabrico industrial. seguindo as instruções da Farmacopeia Portuguesa (livro "oficial".possuem a sua Farmacopeia.formas oficinais . pode então atravessar a célula. A absorção depende ainda do estado fisiológico da pele e das mucosas (íntegras ou lesadas) e da presença de outros elementos (por exemplo. Não existe apenas uma Farmacopeia. pomada. supositório. sendo actualizado com bastante frequência. ou serem feitas na farmácia ("oficina"). ou seguindo as instruções do médico que prescreveu o medicamento. chamando-se especialidades farmacêuticas e identificando-se por um nome comercial que é propriedade da firma que as produz.neste caso Portugal . Esta. incluída em vesículas. Relacionado com esta fase farmacocinética iremos abordar as formas farmacêuticas e as vias de administração de medicamentos. Este é um livro onde constam os medicamentos considerados úteis para uma determinada população por uma comissão de personalidades conhecidas. de modo a permitir a países pobres ou menos evoluídos o seu uso. O que é então uma forma farmacêutica? É o aspecto ou forma que o medicamento tem quando se dispensa ao doente (comprimido. Neste último caso chamam-se formas magistrais (feitas segundo receita do tipo magistral. Cada farmácia portuguesa deve por lei possuir um exemplar da Farmacopeia Portuguesa . creme.está em vigor a edição actualizada de 1988.substância a transportar. Não se pode confundir Farmacopeia com Formulário.

Nele constam as descrições das especialidades farmacêuticas (composição. formas de apresentação). Existem actualmente edições electrónicas do Simpósio e do Índice. Também produzido por uma empresa comercial (tal como o simpósio) existe ainda o Índice Nacional Terapêutico. Em Portugal existe publicado o Formulário Nacional Hospitalar. Tenta-se actualmente fazer um formulário para a Medicina Familiar / Clínica Geral. Existe também em edição electrónica e num futuro próximo estará disponível na Internet. contraindicações. De notar que qualquer médico deve ir formando o seu próprio formulário. reacções adversas. Outro livro bastante usado pelos médicos é o Simpósio Terapêutico. e sujeito a revisões periódicas. corregindo-o consoante as circunstâncias e as oportunidades. Existe ainda o chamado Prontuário Terapêutico. com actualizações anuais. indicações. um . é necessário chamar a atenção para o facto de. uma determinada percentagem poderá ser absorvida e provocar reacções adversas. convidados pelo INFARMED. que estão citadas por ordem alfabética. precauções. que tem as especialidades farmacêuticas por grupos farmacoterapêuticos. As formas farmacêuticas destinam-se a uso tópico (quando não se tem por objectivo um efeito que implique a sua absorção) ou a uso sistémico (quando o medicamento é absorvido e distribuído pelo sangue aos seus locais de acção). É actualmente um dos meios mais úteis para se avaliar da relevância clínica dos medicamentos existentes no nosso mercado. O Índice é fornecido gratuitamente.Pode ainda incluir conceitos sumários sobre terapêutica e/ou normas de tratamento. É feito por uma comissão de peritos. posologia. Quando o não fazem prescrições extraformulário . No entanto. principalmente quando se aplicam em pele ou mucosas lesadas (exemplo do anestésico local lidocaína que aplicado sobre a pele queimada pode ser absorvido e provocar depressão cardio-vascular. nomeadamente em crianças) ou quando se utilizam determinados excipientes ou se faz penso oclusivo (por exemplo. apesar de muitos medicamentos se destinarem a uso tópico.têm de justificar cientificamente o seu procedimento. o que obriga os médicos hospitalares a prescreverem os medicamentos aí descritos. que é um livro em que estão descritas as especialidades farmacêuticas e onde se tecem considerações acerca das suas características e utilidade clínica. com actualizações periódicas. com funções apenas orientadoras (já existe o chamado Formulário Europeu). havendo a descrição mais detalhada (como no simpósio) apenas para algumas especialidades farmacêuticas.

Geralmente têm forma discóide e são homogéneos. corantes. Grânulos .Resultam da compressão de pó ou granulado. aglutinantes. consequentemente. Se possuirem ranhuras. para uso interno. influi decisivamente no grau de dispersão e absorção do fármaco. aglutinando as partículas.São partículas grosseiras. o que demora a absorção. significa que se podem dividir.fármaco aplicado nas nádegas duma criança a que se veste depois uma “calça plástica” pode ser absorvido. Os comprimidos destinam-se a variadas vias de administração. para uso interno (como um antiácido para as úlceras gastrointestinais) ou externo (como o vulgar "talco"). As formas farmacêuticas classificam-se habitualmente. sem revestimento. líquidas e gasosas. A manipulação galénica (modo de preparar as formas farmacêuticas) é uma etapa fundamental para o êxito dum tratamento: consoante o fármaco e a via de administração escolhe-se a forma farmacêutica. . Pó . correctivos. Tudo isto. já que a pele não liberta normalmente o seu transpirado e a tensão de vapor como que "afasta" as células.São micropartículas com dispersão homogénea. etc. tendo em cada parte uma quantidade igual de fármaco. em formas sólidas. ajudando o fármaco a penetrar). o granulado destina-se apenas a uso .São partículas esféricas. e. o tipo de excipiente (e de adjuvantes. mantendo-se níveis sanguíneos eficazes de fármaco durante mais tempo. Comprimidos . semi-sólidas. Granulado interno.). Formas farmacêuticas sólidas. segundo o seu estado físico. tanto para fim tópico como sistémico. que resultam muitas vezes da incorporação de açucar. que resultam da adição de determinados excipientes ou da inclusão do fármaco numa certa matriz. Estão neste caso as chamadas formas de absorção prolongada ou retardada (ou formas "retard"). grandes. bem como o tipo de compressão dos componentes.

5-3 g de peso) e outros. grageas ou drageas) . Quando a pílula é drageificada chama-se confeito. enquanto que as pequenas e esféricas chamam-se pérolas.São formas farmacêuticas com o formato de "balas". Destinam-se também à via oral. Supositórios . granulado. Ficou com este nome devido à forma farmacêutica (pílula) dos primeiros medicamentos anovulatórios (anticoncepcionais). Há supositórios para adultos (com cerca de 2. líquidos ou semi-sólidos. A capsulização destina-se principalmente a evitar o cheiro ou sabor desagradável dos medicamentos. enquanto que no segundo caso contêm substâncias semisólidas ou líquidas (daí que também se chamem cápsulas moles). Os comprimidos podem ser rotulados consoante a via de administração: comprimidos bucais (uso tópico). se fôr de gelatina. As cápsulas esféricas e grandes designam-se por glóbulos. Podem ser constituídas por dois opérculos que encaixam um no outro (cápsulas operculadas) ou serem inteiriças (cápsulas inteiras). Pílulas . que se destinam à via rectal. vaginais (uso tópico). melhorar a sua conservação. serão cápsulas gelatinosas. etc. já que têm também um invólucro duro). Este revestimento tem por objectivo evitar o cheiro ou sabor desagradável dos medicamentos. grânulos. De notar que a vulgar pílula (anticoncepcional) é constituída por comprimidos ou drageias. Se as cápsulas forem "drageificadas".Cápsula significa "pequena caixa" e designa formas farmacêuticas constituidas por um invólucro (ou "caixa") que contém pó.São comprimidos revestidos. evitar o contacto com o estômago (para evitar lesá-lo ou para proteger o fármaco dos sucos gástricos) ou tornar o medicamento mais atraente. no primeiro caso contêm substâncias sólidas (daí que também se designem por cápsulas duras. como às cápsulas como já foi referido. Outro modo de designar as cápsulas é pela natureza do revestimento: se fôr de amido. poderão evitar a acção corrosiva dos sucos gástricos ou evitar lesar o estômago. mais .uso interno ou externo. Drageias (grageias. sublinguais (uso sistémico).São comprimidos esféricos: são feitas não por compressão mas por rolamento. Destinam-se a usar pela via oral. Cápsulas . O processo de drageificação pode-se aplicar a outras formas farmacêuticas. serão cápsulas amiláceas.

pelo perigo da formação de êmbolos. mas com menor importância.São formas farmacêuticas que resultam da moldagem duma substância que muitas vezes contém gomas. São constituídos por um excipiente que amolece próximo da temperatura corporal. Suspensões .Onde as partículas (fase dispersa) são insolúveis no excipiente (fase dispersante). Estas formas farmacêuticas não podem ser usadas numa via sanguínea. consoante a quantidade de princípio activo e não devido ao seu peso ou forma. Formas farmacêuticas líquidas. São homogéneas e estáveis. Podem ficar homogéneas desde que se junte um estabilizador da emulsão. intra-cardíaca).Resultam da mistura de dois líquidos não miscíveis entre si. adulto.pequenos. Não devem ser aplicadas numa via sanguínea. devido à formação de êmbolos. o que significa que no tempo muito quente devem ser conservados no frigorífico. a partir das quais se definem outras formas farmacêuticas líquidas. intraarterial. como o azeite e a água. directa ou indirecta. Podem ser administradas por qualquer via. o que implica a agitação da embalagem antes do uso. Existem outras formas farmacêuticas sólidas. embora a maioria se destine a um fim sistémico. destinando-se a uso tópico na via bucal. . apenas as soluções aquosas poderão ser usadas numa via sanguínea (endovenosa. para crianças (cerca de 1.Onde as partículas estão completamente dissolvidas na fase líquida ou dispersante (solvente). Soluções . As soluções oleosas provocariam embolização. Existem supositórios para uso tópico. Por vezes obstruem o lúmen das agulhas. júnior. consoante o excipiente seja água ou óleo (as soluções hidroalcoólicas estarão incluídas nas aquosas). infantil. Podem ser aquosas ou oleosas. De notar que muitas vezes os supositórios têm a designação lactente. Com o repouso e a acção da gravidade sedimentam. Todavia. São representadas fundamentalmente pelas soluções. Emulsões .5 g de peso). Pastilhas . suspensões ou emulsões.

durante pelo menos vinte minutos. Tinturas .São soluções açucaradas e aromatizadas que se destinam à via oral e são preparadas segundo receita. geralmente um vegetal fresco. iso ou hipertónico) ou dextrose ou NaCl (a 0.000 ml). 250 ml. a 4oC. Têm de ser isentos de micro-organismos. As formas farmacêuticas líquidas administram-se às gotas (20 gotas de água destilada pura. Podem ser isotónicos (com osmolaridade próxima do sangue: 300 mOsm/l). hipotónicos (< 300 mOsm/l) ou hipertónicos (> 300 mOsm/l).nunca superior a algumas semanas.9% ou 9 ‰ chama-se soro fisiológico) ou outros sais. ou mesmo lípidos ou proteínas (para a chamada "alimentação parenteral"). o chá preto). Uma forma de soluções aquosas são os soros laboratoriais.Xaropes . São soluções. Já a infusão resulta da adição de água fervente a plantas secas (geralmente folhas. duma substância orgânica. Antes de serem usados devem ser clarificados por decantação ou por filtração. 1. por exemplo. pesa uma grama. enquanto que uma de sobremesa ou de sopa tem 10 ou 15 ml de capacidade.São soluções alcoólicas de minerais ou extractos de plantas ou animais. Aplicam-se quase sempre por via endovenosa. São de grande volume (100 ml. Estas formas farmacêuticas destinam-se à via oral (absorção gastro-intestinal). . Geralmente resultam da junção dum xarope (correctivo) a uma solução aquosa na proporção de 1/5 a 1/6 do peso total final da forma farmacêutica. Uma vez a embalagem aberta deve ser consumida dentro do prazo indicado . Podem conter glicose (soro glicosado hipo. São de composição variada. equivalem a 1 ml) ou às colheres (uma colher de chá tem 5 ml de volume. Aplicam-se interna (às gotas) ou externamente (por exemplo. respectivamente). Podem ser simples (água com açucar) ou compostos (água com açúcar e fármaco).São soluções saturadas de açúcar. Notem que um ml de água pura. a 4oC. Cozimentos ou cozeduras resultam da preparação em água fervente. Poções . a usar conforme a situação clínica. tintura de iodo). 500 ml.

etc). também se aplicam noutras vias além da percutânea (vaginal. rectal. Aplicam-se quando existem lesões cutâneas exsudativas.São fluidos.. pelica. há geles para outras vias de administração (oral.Formas farmacêuticas semi-sólidas. já que resultam da incorporação de pó em grande percentagem. São representadas principalmente pelos cremes. rectal. pastas e geles. bucal.). Os unguentos são formas farmacêuticas semi-sólidas que contêm resinas (por ex. Geles . etc. Os emplastros são formas que amolecem à temperatura corporal. Pomadas . vaginal. Porém. Também se usam noutras vias de administração (ocular. vaginal.Têm uma consistência do tipo da gelatina (aparência "trémula"). tendo como excipiente uma gordura... papel (por ex. Pastas .. geralmente de pouca consistência. nos cremes e nas pomadas são-nos de modo mais lento porque o óleo/gordura constituem um depósito a partir do qual o fármaco se vai libertando com maior dificuldade para penetrar na pele).São mais consistentes. que pode ser tela.. nasal. Quando essa forma é constituida por farinhas ou polpas chamam-se cataplasmas. Nos esparadrapos o medicamento está apoiado num suporte. Têm uma acção abrasiva. são-no rapidamente. auricular . Todavia. nasal. pomadas. bálsamo do Canadá)..). Cremes . ocular. Espalham-se perfeitamente pela pele e ajudam o fármaco a penetrar (os fármacos em gel quando absorvidos. ocular. não exsudativas. São parecidos com emulsões (óleo em água). rectal. São constituídos por polímeros. "emplastro Leão"). . como os eczemas crónicos. se fôr de farinha de mostarda designar-se-á por sinapismo. Após a sua aplicação a pele fica brilhante. gaze. Espalham-se perfeitamente pela superfície cutânea.Têm a consistência de pó bastante molhado (por ex. Destinam-se a afecções "secas". luzidia. "pasta de dentes").

Os aerossóis e os sprays não são formas gasosas porque são suspensões de micropartículas num gas (aerossóis) ou a mistura de dois líquidos e do vapor de um deles (sprays). Os gases precisam de aparelhos apropriados para serem administrados. para isso. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DOS MEDICAMENTOS. As formas farmacêuticas também determinam a utilização de uma determinada via. terá de ser introduzido no organismo ou aplicado superficialmente. bem como em função do efeito tópico. ou local onde se aplica o medicamento. Destinam-se quase sempre à via respiratória. Também as nebulizações são dispersões de gotas para aplicação na via respiratória e as errinas são gotas para aplicação no ouvido externo. Na próxima secção iremos estudar os locais do organismo onde podemos aplicar os medicamentos. intensidade e duração da resposta pretendida. À porta de entrada no organismo. As vias de administração são escolhidas em função da rapidez. mas é necessário ter em linha de conta que as formas farmacêuticas já são feitas tendo em atenção o tipo de efeito pretendido.ATRAVÉS DA PELE Via percutânea Via auricular .Formas farmacêuticas gasosas.INDIRECTAS 1 . Para que um fármaco actue é necessário que atinja o local de acção e. condicionando-se mutuamente. Podem-se classificar as vias de administração de medicamentos do seguinte modo: A . As formas farmacêuticas estão intimamente associadas às vias de administração. regional ou sistémico a alcançar. chamamos via de administração.

2 - ATRAVÉS DE MUCOSAS Digestiva Via bucal Via perlingual Via oral (gastrointestinal) Via rectal Respiratória Via rinofaríngea (nasal) Via traqueobrônquica Via alveolar ou pulmonar Outras Via ocular ou conjuntival Via genitourinária via uretral via vaginal .

B - DIRECTAS Via subcutânea* Via intramuscular* Via intravenosa* Via intra-arterial Via intracardíaca Via intrarraquídea Via intramedular (óssea) Via intra-articular Via intraperitoneal Via intrapleural * As mais usadas

VIAS INDIRECTAS

A sua utilização não implica nenhum traumatismo ou "picada". O fármaco é absorvido através da pele ou das mucosas, ou aplicado nestas estruturas. Via percutânea - A pele é constituída pela epiderme e a derme. A epiderme possui várias camadas de células (córnea, estratos lúcido, granuloso, espinhoso e basal), além de ter uma camada de gordura na sua superfície, o que dificulta a passagem de substâncias (a córnea é o factor mais limitante). A derme, pelo contrário, possui bastantes capilares. Um fármaco para penetrar através da pele tem de ser lipossolúvel e possuir ainda um veículo ou excipiente adequado (há fármacos que penetram mal mas adicionados a determinados excipientes já ultrapassam aquelas barreiras). Todavia, é necessário ter em atenção que uma pele lesada, que perdeu algumas das suas camadas, como num queimado, já pode deixar passar fármacos. Nesta via de administração aplicam-se fármacos para fins tópicos e, menos vezes, para fins sistémicos. Algumas vezes, porém, fármacos que não se destinam a ser absorvidos, são-no, podendo provocar efeitos adversos. Já dissemos que juntando determinados veículos, como o dimetilsulfóxido ou o propilenoglicol, podemos aumentar o poder de penetração do fármaco, mas também existem determinadas manobras mecânicas que o podem fazer: fricções intensas e o chamado penso oclusivo (aplicação de um material impermeável - como plástico - sobre a zona de aplicação do fármaco); estas duas manobras estão presentes quando se coloca o medicamento em determinadas zonas do organismo como nas axilas, pregas cutâneas, etc. As formas farmacêuticas que se aplicam nesta via são: - Semi-sólidas (cremes, pomadas, geles ou geleias, pastas, unguentos, emplastros ...) - Líquidas (soluções, emulsões, suspensões) - Algumas sólidas, como o pó (por exemplo, talco) e as esponjas. Algumas formas líquidas e sólidas podem ainda ser usadas na forma de aerossóis (dispersões finas de um líquido ou sólido num gás que se aplica na forma de "nevoeiro") ou de "sprays" (sistema a 3 fases: dois líquidos não miscíveis ou emulsionáveis e um vapor, normalmente de um dos líquidos). A via cutânea oferece vantagens, como a possibilidade de acção directa sobre superfícies externas e, por vezes, extensas, e grande simplicidade técnica, mas tem também desvantagens, como uma penetração pobre, a maior capacidade alergizante dos

fármacos quando aplicados nesta via e a possibilidade de efeitos tóxicos após absorção; a irritação da pele é outra possibilidade. Via auricular - Destina-se à aplicação no pavilhão auricular e/ou no canal auditivo externo de solutos previamente aquecidos até à temperatura corporal, ou próximo dela, ou de formas semi-sólidas. Pretende-se, geralmente, um efeito calmante, antisséptico ou de amolecimento do cerúmen. Via bucal - O medicamento é aplicado directamente na boca, para aí ter a sua acção. Não deve ser deglutido. Pretende-se um efeito tópico. Aplicam-se antissépticos, como as soluções de azul de metileno e de eosina, calmantes (anestésicos locais nas gengivas), correctores de mau hálito (ex., pastilhas com mentol). Via sublingual - O medicamento, geralmente na forma de comprimidos sublinguais, aplica-se sob a língua, de modo a contactar com o pavimento da boca e a face inferior da língua. É uma mucosa bastante fina, húmida e vascularizada, o que significa que o fármaco é rapidamente absorvido. Por outro lado, evita na primeira passagem a acção metabolizadora do fígado, já que vai à veia cava superior e depois ao coração. É uma via usada em situações de urgência para medicamentos potentes - como nitroglicerina para a angina de peito. Se o que foi dito constitue vantagens, o facto de só se poderem administrar alguns medicamentos - potentes - e o seu sabor desagradável constituem desvantagens. Via oral - É a via mais usada. Os medicamentos destinam-se à mucosa gastrointestinal. Oferece uma administração cómoda, feita pelo próprio doente, sem necessidade de cuidados especiais de antissepsia. Usa-se para fins tópicos (por exemplo, os antiácidos para neutralizar o ácido clorídrico no lúmen gástrico) e, principalmente, para fins sistémicos. Neste último caso os medicamentos são absorvidos e pelo sistema venoso porta chegam ao fígado onde grande parte é metabolizada em maior ou menor grau, consoante o fármaco e o estado do fígado: efeito de primeira passagem. De notar que, apesar desta designação se aplicar sobretudo à metabolização hepática após a absorção, de um modo lato deve-se entendê-la como referindo a metabolização por um órgão logo após a absorção do fármaco (por exemplo, metabolização pela pele e tecido celular subcutâneo de certos fármacos após a sua aplicação cutânea). De referir ainda que

cremes. São vantagens da via rectal: . impossibilidade do seu uso quando existem vómitos. por exemplo). Via rectal . Tem mecanismos próprios de absorção .ou sistémico . xaropes. drageias. etc. suspensões e emulsões. A via oral (ou per os: p.5 ml). máabsorção. As formas líquidas devem ser aquecidas à temperatura corporal. também de medicamentos. O intestino é o local apropriado para a absorção de alimentos e. o que também é efeito de primeira passagem. não absorção de alguns fármacos.analgésicos antipiréticos e/ou anti-inflamatórios. calmante. laxante . cápsulas). de sobremesa (volume = 10 ml). As formas líquidas podem ainda ser administradas doutros modos: "banhos de assento". ampolas bebíveis. principalmente se são de grande volume.Os fármacos são administrados no recto.transporte activo. pílulas. Administram-se supositórios. cápsulas com líquido!) e as semi-sólidas.anestésico local. As formas farmacêuticas que se podem usar são as sólidas (pó. perda de consistência. anticonvulsivantes.alguns fármacos começam a ser metabolizados na parede gastrointestinal. Os medicamentos que lesem a mucosa gástrica devem ser ingeridos no meio ou no fim das refeições . pomadas (anti-hemorroidárias. clisteres ou enemas (com soluções. poções. osmose e pinocitose . tinturas.de um modo geral. como as geleias ou geles. vascularização. difusão simples.o. através do ânus. de café (volume = 2.uma enorme superfície. efeito de primeira passagem. a absorção será mais retardada e o pico (ou Cmax) atingido menor. suspensões. de chá (volume = 5 ml). irritação (por vezes) gástrica e/ou intestinal. Pode-se pretender um efeito tópico . emulsões ou geleias). antisséptico. a absorção é mais ou menos segura) mas também tem desvantagens (degradação do fármaco (fármacos de natureza proteica). facilitado. motilidade e secreções apropriadas (que também podem ser uma desvantagem ao degradarem o medicamento). não é necessária antissepsia. com cânulas ou outros aplicadores. de modo a atingirem a sua mucosa. mas a quantidade absorvida não sofre alteração. geles. adstringente. comprimidos. por isso. que podem ter a forma de gotas.) oferece vantagens (possibilidade de administração pelo próprio doente. recusa do doente ou dificuldades na deglutição). Por vezes pretende-se apenas atingir a região anal para um efeito tópico ou regional. granulados. As formas líquidas podem ainda ser administradas às colheres: de sopa (volume = 15 ml). as líquidas (solutos.

enquanto que as de menores dimensões já atingem os alvéolos pulmonares.Absorção irregular (e. sprays ou aerossóis.é aqui que se situa o sentido do cheiro e o epitélio é adaptado com pêlos. por exemplo). sprays e insufladores (aparelho que provoca uma dispersão muito fina de pó. alguns medicamentos e drogas que se usam com fins sistémicos: "spray" de hormonas para descongestão mamária nas mulheres que amamentam ou pó de cocaína (uso ilícito).Os medicamentos aplicam-se na mucosa do nariz. Via nasal . cremes. pomadas. Para o uso dos aerossóis e sprays é do fígado . . . As de maiores dimensões depositam-se na boca. de modo a filtrar e aquecer o ar que se respira . por vezes. por exemplo. geles.Evita o sabor e cheiro desagradáveis de alguns medicamentos. podem provocar efeitos laterais (para além do principal). . solutos e suspensões (quando se aplicam em dispersões de gotas com invólucros plásticos chamam-se nebulizações) e emulsões.Parte significativa do fármaco escapa à primeira acção metabolizadora (evitamento parcial do efeito de primeira passagem). respectivamente. .Absorção mais rápida que por via oral. É necessário ter em conta que os fármacos que se aplicam topicamente são absorvidos em maior ou menor quantidade e.Pode-se usar em doentes com vómitos ou inconscientes.Os medicamentos têm de ser constituidos por partículas de dimensões muito pequenas (entre 3 e 20 m) para aí chegarem.Evita a irritação gástrica por alguns fármacos ou a acção degradante das secreções gastrointestinais sobre fármacos. . por isso.. mesmo nula). porém.Incomodidade para algumas pessoas. orofaringe ou laringe.porque poderão causar atrofia da mucosa (rinite atrófica). Os medicamentos não devem ser aplicados durante tempo excessivo nesta via . sem a ajuda de qualquer veículo). No entanto. Aplicam-se pós. Via traqueobrônquica . apresenta também algumas desvantagens: . .Facilidade de administração (evitando muitas vezes a recusa de alguns doentes à utilização da via oral: crianças. geralmente com fins tópicos: gotas de vasoconstritores na constipação. Existem.Não deve ser usada quando existe diarreia ou lesões anais. . Os medicamentos têm de ser aplicados com aparelhos especiais: aerossóis.Possibilidade de irritação da mucosa. .

muito fino e está em contacto estreito com os capilares. Deste modo. esta via é muito utilizada: se os fármacos fossem usados pela via oral teriam muitos efeitos secundários ou seriam mal absorvidos. e após o "disparo" é necessário fazer ums inspiração prolongada (± 10 seg). sendo a asma a afecção mais vezes a tratar e. a noção que prevalece é a de designarem apenas as formas líquidas aplicadas em gotas). Pela enorme incidência destas afecções na nossa população. Pretende-se um efeito tópico ou regional (nesta última situação o fármaco tem de ser absorvido até aos planos internos dos olhos). por isso. Via genitourinária . suspensões e emulsões. com o local do "disparo" voltado para cima. Usam-se gases. isotónicas com as lágrimas e isentas de microorganismos. vapores ou dispersões de partículas muito finas (com menos de 3 m). Esta coordenação e inspiração sustida é difícil de cumprir neste tipo de doentes e mesmo impossível nas crianças. desde que o fármaco atinja os pulmões pode ser facilmente absorvido (quase instantaneamente). Via alveolar (ou pulmonar) .As soluções aplicadas têm de ser neutras.O epitélio alveolar é extenso. É uma via muito usada em anestesia (administração de gases e vapores de anestésicos gerais) e. surgiram os insufladores (o pó é inalado quando se faz apenas a inspiração) e aparelhos que "disparam" pelo acto de inspirar. fundamentalmente sobre os brônquios. também os tubos extensores servem para aumentar a duração da inspiração do fármaco. pomadas e geles. As formas líquidas chamam-se colírios (embora alguns autores chamem colírio a toda a forma aplicada nesta via . menos vezes. a bronquite crónica. Os fármacos aplicados nesta via destinam-se a um efeito tópico. podem manifestar reacções adversas. Usa-se para aplicação tópica: desinfecções e lavagens. pelos fumadores! Via ocular ou conjuntival . mas a mucosa conjuntival absorve fármacos que. Podem-se usar ainda soluções oleosas. o que acontece muito pouco quando se inalam (apenas uma percentagem muito pequena é absorvida). infelizmente. aplicação de fármacos em dose elevada para afecções locais .A mucosa vesical comporta-se de modo algo semelhante à pele e os fármacos dificilmente podem ser absorvidos.necessário seguir uma técnica rigorosa para se obterem resultados terapêuticos: a embalagem deve estar uns 10 cm afastada dos lábios (excepto se já tem um tubo extensor).os pós seriam colírios secos -. assim como cremes. Ou seja.

). calmantes. antibióticos. tem alguns inconvenientes: dor.(citostáticos. falta de cooperação do indivíduo a quam se administra o medicamento). criado pela acção dos lactobacilos aí existentes). Os medicamentos não devem irritar a mucosa e respeitar o ecossistema (meio ácido da vagina. endovenosa ou intravenosa . Também se chamam vias parentéricas porque são alternativas à via oral (com a respectiva absorção entérica de medicamentos). há "absorção" total e instantânea. Deve-se usar material "descartável" e evitar sempre o contacto da nossa pele com material biológico (sangue. A via uretral é pouco usada e apenas na sua parte terminal (velas .c. intramuscular (i. geles.. pomadas.) e subcutânea (s. VIAS DIRECTAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS. ou seja. óvulos.forma farmacêutica com o formato dum lápis ou "vela" pequenos -. podem exercer reacções sistémicas adversas. No entanto. As vias directas que são utilizadas com mais frequência são as vias intra ou endovenosa (e.. apesar de se pretender um efeito tópico.O fármaco é introduzido na corrente sanguínea. uma absorção mais completa e ultrapassar dificuldades na utilização da via oral (destruição do fármaco no tubo digestivo. saliva . . Designam-se vias directas de administração de medicamentos aquelas que fazem uso de agulhas para penetrar nos tecidos.. suspensões. formas líquidas). Também se podem aplicar na via vaginal determinados dispositivos (como os pessários ou o preservativo feminino). cremes. substâncias com fins anticoncepcionais.). insconsciência. emulsões.m. antissépticos. pomadas e espumas vaginais).v. má-absorção. vómitos. necessidade de outra pessoa para administrar o medicamento (nem sempre) e assepsia. geles. cremes. Evidentemente que o fármaco tem de ser aplicado com instrumentos especiais e na forma líquida. Usam-se comprimidos ("comprimidos vaginais". Via venosa.). A administração parenteral tem por objectivo geral a obtenção de efeitos mais rápidos.) doutra pessoa. soluções. mas a via vaginal já tem ampla utilização para substâncias cicatrizantes. As mucosas uretral e vaginal podem absorver determinados fármacos que.. administrados com aplicador).

principalmente.Esta via permite obter efeitos rápidos. a veia femural. Utilizam-se os seguintes locais de injecção: região deltoideia. se a injecção fôr demasiado rápida pode surgir respiração superficial. provocando necrose. controlar rigorosamente as doses.os chamados soros laboratoriais. Apresenta. soluções aquosas. ou dar pequenas palmadas sobre a região a utilizar ou fazer movimentos de flexão/extensão dos dedos (para as veias da flexura. Depois da desinfecção local. Os locais utilizados para injecção intravenosa são as veias da "região do sangradouro" (flexura do cotovelo). retira-se o garrote e injecta-se lentamente o medicamento (salvo raras excepções). Na via endovenosa administram-se apenas soluções alcoólicas. administrar substâncias irritantes para os tecidos sem causar dor ou irritação tecidular (no entanto. as veias do dorso das mãos ou dos pés.aplicado com uma tensão situada entre a tensão arterial máxima e mínima). a veia jugular. quase imediatos (é a via de utilização nas urgências!). suspensões). lesões da parede da veia (tromboflebites). após as veias se tornarem túrgidas. Via muscular ou intramuscular . sobretudo pela depressão cardiovascular provocada pela injecção rápida. no entanto. . infecções. podem surgir tromboflebites) e administrar grandes quantidades de soluções aquosas .A absorção é rápida (o medicamento facilmente penetra nos capilares do tecido muscular) e a injecção causa menos dor que pela via subcutânea (mas mais que pela via endovenosa). queda da tensão arterial e paragem cardíaca. para verificar se a agulha está no lúmen da veia. emulsões. punciona-se a veia (primeiro pica-se a pele num trajecto paralelo à veia e só depois é que se perfura a parede da veia). alguns perigos: não há possibilidade de retirar o fármaco após a sua administração. nomeadamente na veia mediana cefálica. hidroalcoólicas e. face anterolateral da coxa e quadrantes superiores e externos das nádegas (para evitar traumatizar o nervo ciático). Após aspiração. já que os movimentos musculares "chamam" sangue que depois não sai devido ao garrote . possibilidade de extravasão de um líquido irritante para os tecidos perivasculares. aplica-se um garrote (nos sítios onde é possível) e. podem-se formar embolias (com soluções oleosas. Com as duas primeiras é necessário estar atento a eventuais reacções adversas. Para tornar as veias mais salientes às vezes é útil aplicar calor local sobre elas.

O exercício físico . emulsão) é injectado debaixo da derme. irritação e necrose de tecidos (as soluções deveriam ser neutras e isotónicas para não causar irritação ou dor).A massagem . 2º . Há algumas técnicas que aumentam a velocidade de absorção: . Uma boa técnica de administração aconselha: 1º . infecções.injectar uma pequena quantidade de líquido. 4ª . a face externa da coxa. a adição de vaso-constrictores ou a aplicação dum garrote (quando possível) retardam a absorção. em volumes que não ultrapassam os 10 ml (variáveis consoante o volume da massa muscular).aspirar novamente (a agulha pode estar obstruída e. Os acidentes possíveis são a picada de vasos e nervos.aspirar após a picada. É uma via mais dolorosa que a endovenosa ou intramuscular. ficando na vizinhança dos capilares sanguíneos e linfáticos. Existem ainda outras vias directas de administração de fármacos que são usados com fins específicos. alcoólicas). Apesar disso. 3º . a região deltoideia. Os locais de injecção possíveis são a parede abdominal anterior. de diagnóstico ou tratamento: Via arterial ou intra-arterial .A aplicação local de calor Evidentemente que a aplicação local de frio. A velocidade de absorção é menor que pelas outras duas vias. os antebraços e o quadrante superoexterno da nádega. oleosas. estar dentro dum vaso).Utiliza-se para a injecção de substâncias opacas aos raios X.Podem-se injectar soluções (aquosas. suspensão. é muito utilizada pelos diabéticos para administrarem insulina. irritação e necrose de tecidos. de modo a diagnosticar . para visualizar o trajecto de artérias (arteriografias). embolias (má técnica!). emulsões e suspensões. Via subcutânea . apesar de não surgir sangue na primeira aspiração. Podem surgir alguns acidentes na utilização da via intramuscular: picada de vasos ou nervos. Para usar esta via deve-se fazer uma prega com a pele e picar na base da prega (a agulha como que fica "solta" dentro da pele). que terá de atravessar para ser absorvido. infecções.injectar o medicamento.O medicamento (solução aquosa. oleosa ou alcoólica.

velocidade semelhante à da via endovenosa. ou para retirar líquido cefalorraquidiano para análise (para confirmar a existência duma meningite. O local mais utilizado para atingir o espaço subaracnoideo (com líquido cefalorraquidiano) é abaixo da 3ª vértebra lombar (nos espaços entre a 3ª e a 4ª. Pretende-se introduzir o fármaco no espaço articular ou junto a tendões inflamados. É . É uma via utilizada em situações especiais e por pessoal especializado. já que envolve o risco de lesar o tecido nervoso. provocar aderências e sindromas suboclusivos ou oclusivos. injectando-o através do tórax.É usada sobretudo em reumatologia. Muitas vezes é usada para fins de diagnóstico de doenças hematológicas. ou entre a 5ª lombar e o osso sagrado). Há o perigo de perfurar ansas intestinais.A sua utilização destina-se à administração de substâncias que devem actuar no sistema nervoso central mas que não atravessam a barreira hematoencefálica (ou barreira formada pelas células endoteliais dos vasos do sistema nervoso central que ficam tão unidas que não podem ser atravessadas pelos fármacos).Pode ser usada nas crianças (tíbia e fémur) e adultos (esterno) como alternativa à via endovenosa. mais frequentemente. ou. fina e bem irrigada. por exemplo). Via cardíaca ou intracardíaca . para administração de corticóides (infiltrações). ou infecção da cavidade peritoneal (peritonite).uma trombose dum vaso. Via intrarraquídea. ou substâncias de contraste (mielografia). É utilizada em situações de paragem cardíaca. Pelos problemas que causa (deterioração da articulação) deve ser utilizada com fins precisos e com precaução. raquídea ou intratecal . Via articular ou intra-articular . Via óssea ou medular . por exemplo. entre a 4ª e a 5ª vértebras lombares. pelo que os fármacos são rapidamente absorvidos . junto ao apêndice.Pretende-se introduzir o medicamento directamente no coração. Podem administrar-se grandes volumes de soluções. Via peritoneal ou intraperitoneal . Também se usa para a terapêutica regional (como na administração dum vasodilatador para tratamento da isquémia dum membro se se administrasse por via endovenosa faria uma vasodilatação geral). ou para a injecção de anestésicos locais (raquianestesia).Nesta via a superfície de absorção é grande.

Injecta-se o medicamento na espessura da própria pele (na derme). II .Distribuição. Via pleural ou intrapleural . para descomprimir um abdomen ascítico que provoca dispneia (falta de ar).É usada para retirar ar da cavidade pleural. a tuberculose da pleura num jovem provoca um derrame pleural). o fármaco ligado à albumina não actua nem é metabolizado e eliminado. janela terapêutica. para retirar líquido (de ascite) para diagnóstico. semivida de distribuição e de eliminação. Se a administração fôr bem feita. Só a fracção livre ou não ligada é que pode actuar. incluindo o estudo das formas farmacêuticas e das vias de administração. por exemplo). quase paralela à pele. de modo a atingirem aí concentrações elevadas (citostáticos no mesotelioma. pica-se esta. Após a absorção o fármaco é distribuído pelo sangue aos tecidos. abordaremos as outras fases da farmacocinética. Para isto "estica-se" a pele e com uma agulha fina. Objectivos: Compreensão do significado de fármaco livre (ou não ligado) e fármaco ligado às proteínas. . de modo a tratar o pneumotórax. Tmáx. Via intradérmica . principalmente à albumina. a injecção do líquido deve fazer uma pápula. ou líquido (por ex.usada para fazer diálise (peritoneal). Após a descrição mais detalhada da absorção. biodisponibilidade absoluta ou relativa. Todavia. Nesta via injectam-se décimas do mL. VD.. compartimento. O local utlizado para atingir a cavidade peritoneal situa-se cerca do ponto médio duma linha que une o umbigo à espinha ilíaca antero-superior. que serve assim da proteína de transporte. bioequivalência. no lado esquerdo. para injectar fármacos (principalmente em Farmacologia Experimental). No sangue o fármaco liga-se aos elementos físicos que aí circulam. Cmáx ou concentração de pico. Também é usada para injectar fármacos na cavidade pleural. que doutro modo seria impossível atingir. Cmín ou concentração de vale.

a mesma concentração. 1. No entanto. Um fármaco pode distribuir-se pelo sangue e por outros tecidos. aumenta a quantidade de forma livre. atingindo neles uma cinética uniforme . O equilíbrio entre as duas fracções significa que a percentagem de ligada ou livre é constante. o que para uma concentração total de 20 mg/l significa que 18 mg/l estão na forma ligada e 2 mg/l na forma livre.por exemplo.2 mg/l na forma livre. ou seja. para uma concentração de 2 mg/l. por exemplo. Ao espaço por onde o fármaco se distribui de modo homogéneo chama-se compartimento. diminui a quantidade na forma livre e solta-se também fármaco da forma ligada. por metabolização e eliminação. assim. por onde é rapidamente distribuido e de onde sai para ser metabolizado e eliminado. Ao compartimento para onde o fármaco é absorvido. desde que neles tenha um comportamento cinético diferente. A partir do . Se a substância tiver dois comportamentos cinéticos diferentes em dois espaços do organismo. tem uma cinética diferente.8 mg/l estarão na forma ligada e 0. por exemplo. Não se deve confundir semi-vida com a duração de acção ou efeito do fármaco. Este último modelo a dois compartimentos representa o que se passa com a maioria dos fármacos (Figura 1). À medida que o fármaco vai sendo metabolizado e eliminado. chamamos compartimento central (ou compartimento 1 ou alfa). dizemos que o fármaco se distribui por dois compartimentos. podendo aparecer sinais de toxicidade. podendo ser de várias semi-vidas. de forma a manter o equilíbrio ou percentagem constante.ser matabolizada e eliminada. Ao tempo que o fármaco leva para reduzir para metade a sua concentração sanguínea chama-se semivida (t/2 ou t1/2). Entre cada compartimento o fármaco passa segundo constantes que definem a transferência desse fármaco (K12 e K21). Em cada compartimento diferente o fármaco. o compartimento periférico (compartimento 2 ou beta) é representado pelos tecidos para onde o fármaco vai a partir do sangue ou líquido intersticial. em cada um tem uma semivida diferente. que é o tempo de duração de efeito. mais tempo permanece no organismo. há um equilíbrio constante entre as duas fracções (ligada e livre) e se existe uma doença que dificulte a fracção ligada (como a baixa da concentração de albumina no sangue (hipoalbuminémia)) ou outro fármaco que compita para a mesma ligação à proteina de transporte. O fármaco vai desaparecendo progressivamente do sangue. a difenilhidantoina tem uma ligação de 90% às proteinas plasmáticas de transporte. Às cinéticas diferentes corresponderão diferentes compartimentos. por definição. É uma característica fundamental dum fármaco: quanto maior for.

ou VD. distribui-se e começa a ser metabolizado e eliminado. o V D é obtido dividindo a quantidade de fármaco no organismo no tempo t (Qt) pela sua concentração sanguínea nesse tempo t (Ct) (VD=Qt/Ct)]. V2 = volume de distribuição do compartimento periférico ou compartimento 2 ou β ).Kg-1 para uma pessoa de 70 Kg) não sai do sangue.compartimento central o fármaco é eliminado a uma determinada velocidade. Quando um fármaco é absorvido para a corrente sanguínea. Como a quantidade que chega inicialmente ao sangue é maior do que a que sai do mesmo. o que significa que estes conceitos são obtidos a partir de raciocínios matemáticos. já que este é o volume sanguíneo normal. o que algumas vezes não tem tradução fisiológica linear [por exemplo. segundo a constante Ke (ver adiante na secção Eliminação). Modelo farmacocinético a dois compartimentos (V1 = volume de distribuição do compartimento central ou compartimento 1 ou α . FIG. De notar que neste último exemplo a pessoa tem 70 Kg de peso e um volume de distribuição de 140 L.Kg-1 para uma pessoa de 70 Kg) distribui-se muito bem por todos os tecidos. um fármaco atinge neste período uma concentração máxima (Cmax) ou pico de concentração (fig.07 L. 2). V2 K12 VD = V1 + V2 O volume do compartimento (modelo mono-compartimental). Um fármaco que tenha um VD de 5 L (ou 0. Num modelo a dois compartimentos o V é a soma dos volumes de distribuição em cada compartimento (VD = V1 + V2). o tempo que demora a . que mede o espaço por onde o fármaco se distribui de modo homogéneo. tendo em conta as condições em que se administra o fármaco. chama-se volume de distribuição. atingindo mesmo locais de difícil acesso. 1. Outro fármaco que tenha um VD de 140 L (ou 2 L.

subentende-se que é o VD total. Fig. respectivamente (ver figura 1). Plasmática (mg/l) Fase alfa . A primeira corresponde à distribuição pelo compartimento central ou compartimento 1 ou alfa. Quando não se faz menção ao tipo de volume de distribuição. a segunda correlaciona-se com o compartimento periférico ou compartimento 2 ou beta. e o volume de distribuição por V1 (ou VDα ) e V2 (ou VDβ ). (mg/l) Cmax plasmática Cmín (conc. Antes de nova administração de fármaco ao doente a concentração sanguínea desse fármaco atinge o valor mais baixo (concentração de vale ou Cmín). ou tempo de latência para o Cmax. Nova administr. 2 Conc. de vale) Tmax Tempo (h) Administr do fárm. Com o decorrer do tempo um fármaco distribui-se no sangue de duas maneiras distintas: numa primeira fase de modo rápido e numa segunda de modo lento (Figura 3). de fárm. Conc.atingir o Cmax após a sua administração. respectivamente. 2). designa-se por Tmax (Fig. Em cada um a semi-vida do fármaco designa-se por T/2α e T/2β . Este último conceito apenas é válido quando o fármaco de administra duma forma repetida – Fig 2.

o nível sanguíneo será baixo. Neste sangue havia uma concentração de fármaco de 6 mg/l. não tendo o doente tomado ainda a difenilhidantoina. ao pequeno-almoço. para a difenilhidantoína as concentrações sanguíneas situam-se entre 10 e 20 mg/L.Fase beta Tempo (h) Fig. o médico baixou a dose de difenilhidantoina. Perante este resultado. O não respeito por estes conceitos pode ter consequências sérias. Para isto comparamos o nível sanguíneo obtido com os existentes em tabelas que mostram os níveis sanguíneos que controlam a maioria dos doentes com a afecção em causa. o enfermeiro colheu sangue às 11 horas. antes do doente tomar o medicamento. o que. No entanto. como consequência. Como havia um nível sanguíneo de 23 mg/l. apesar de se compreender claramente que quando se colhe o sangue demasiado tarde. indica-nos se a quantidade prescrita de medicamento está correcta. Por exemplo. tornando-se necessário para manter o efeito farmacológico administrar novamente o fármaco. e que quando se colhe o sangue após a tomada do medicamento o seu nível sanguíneo será elevado. intoxicando então o doente. aumentou a frequência das crises convulsivas e surgiu nistagmo. 3. Ao longo do tempo a concentração sanguínea do fármaco vai diminuindo. Por exemplo. quando estes são administrados de modo correcto. ou conjunto de concentrações terapêuticas que controlam a maioria dos doentes sem . é fundamental que o doente tome os medicamentos conforme o prescrito e que a colheita de sangue seja feita correctamente. a determinação das concentrações sanguíneas da maioria dos fármacos. o médico aumenta a dose diária. Outro exemplo com o doente anterior: o sangue também foi colhido às 11 horas mas o doente tomou os 300 mg de fármaco às 9 horas. Antes desta nova administração. às 8 horas da manhã. ao intervalo entre a concentração mínima e máxima eficazes. Para um fármaco. um doente toma 300 mg por dia de difenilhidantoina. e havendo ainda história de convulsões (a difenilhidantona é um antiepiléptico). Este último aspecto é muitas vezes negligenciado. Curva de concentrações plasmáticas ao longo do tempo após administração endovenosa dum fármaco. Pedido o doseamente sanguíneo.

por certa via) / AUC(após admin. o fármaco tem de ser hidrossolúvel para se administrar por via endovenosa. sanguínea (mg/l) T (h) . têm de se realizar colheitas de sangue ao longo do tempo para aí se dosear o fármaco em questão. a biodisponibilidade absoluta (ou "F") é a razão de AUC(após admin. Deste modo. Para muitos fármacos existem publicadas as suas margens terapêuticas. obtidas após cuidados estudos de Farmacologia Clínica.v. e. Fig.reacções adversas inaceitáveis. 4. o que significa também a percentagem de absorção do fármaco (se aquela razão é multiplicada por 100) (Fig. De certo modo relacionado com estes conceitos existe a biodisponibilidade absoluta dum fármaco. Esta última necessidade tem como consequência que para alguns fármacos não se pode ter uma informação correcta da sua biodisponibilidade absoluta. Deste conceito inferem-se dois factos: primeiro. que traduz a razão entre as quantidades desse fármaco existentes no sangue após a sua absorção por uma determinada via de administração e a quantidade de fármaco existente no sangue após a sua administração endovenosa (100 % de absorção). chama-se margem terapêutica ou janela terapêutica.). 4). A quantidade de fármaco no sangue é traduzida pela área sob a curva (Area Under Curve: AUC) das concentrações sanguíneas versus o tempo durante o qual se fizeram as colheitas de sangue. Curvas das concentrações plasmáticas versus tempo para o mesmo fármaco administrado por via oral (B) ou por via endovenosa (A). segundo. Biodisponibilidade absoluta = AUCA / AUCB B Conc.

oxidação. redução. descarboxilação. As reacções enzimáticas podem ser de dois tipos: de fase I ou de fase II. saber as consequências do polimorfismo genético. A metabolização processa-se nos tecidos que possuam as enzimas necessárias para tal .. Objectivos: Saber o significado da metabolização por enzimas de fase I e/ou II. III . A primeira transforma a molécula. A segunda junta à molécula existente outra .mas é no fígado que atinge a sua maior expressão. Para se dizer que duas especialidades farmacêuticas são bioequivalentes não poderá haver diferença estatisticamente significativa entre as suas AUCs e Cmax (já poderá haver maior variação para o Tmax). Significa que as quantidades no sangue dum fármaco proveniente de laboratórios diversos da indústria farmacêutica (por exemplo. e administrado nas mesmas condições (a mesma dose. Um indivíduo cujo fígado está seriamente lesado metaboliza mal a maioria dos fármacos.a maioria .Outro tipo de biodisponibilidade é a biodisponibilidade relativa ou bioequivalência.Metabolização. Daí que nestas circunstâncias a dose a administrar deva ser menor. através de reacções de hidrólise. Os produtos da metabolização chamam-se metabolitos. duas especialidades farmacêuticas similares). podendo haver uma intoxicação. a mesma forma farmacêutica. não diferem de um modo estatisticamente significativo.) a indivíduos com as mesmas características. A EMEA e a FDA consideram que os intervalos de confiança a 90% para as razões dos valores logaritmizados das AUCs e das Cmaxs para os medicamentos de que estamos a testar a bioequivalência dever-se-ão situar entre 80 e 125%. Esta última é testada através de ensaios clínicos. identificar as vantagens e desvantagens dos pró-fármacos e da indução e inibição enzimáticas. à mesma hora do dia. Este conceito define a bioequivalência. já que existe também a equivalência farmacêutica (nas duas especialidades farmacêuticas existe o mesmo fármaco e nas mesmas doses) e a equivalência terapêutica (as duas especialidades farmacêuticas administradas nas mesmas condições a grupos de doentes com as mesmas características originaram efeitos terapêuticos estatisticamente similares). definir o efeito de primeira passagem. etc. desaminação..

tornando-se hidrossolúvel e eliminável pelos rins. a velocidade de metabolização depende da quantidade de fármaco e de enzimas: se a quantidade destas proteínas fôr baixa e a quantidade de . por exemplo. as moléculas a conjugar podem ser. o que já acontece menos se forem administrados na forma prófármaco). por isso. e.molécula. que tornam as moléculas hidrossolúveis. Estas transformações dos fármacos são as mesmas que existem para as substâncias endógenas. Também existem compostos que só se tornam francamente tóxicos quando são activados . há alguns fármacos (poucos) que são convertidos em compostos mais potentes. mais facilmente elimináveis. CYP3A4). A este propósito é necessário referir a existência dos pró-fármacos que são substâncias administradas em formas pouco activas ou mesmo inactivas e que no organismo se transformam no fármaco activo. e/ou melhorar o transporte do fármaco até ao local de acção. principalmente o ácido glucurónico. Este conjunto de enzimas tem tipos de enzimas (CYP1 a CYP13) e cada um destes ainda se subdivide em subtipos (por exemplo. ou seja. Os fármacos podem ser metabolizados por uma ou mais enzimas deste complexo P450. como. os fármacos em compostos hidrossolúveis. as nitrosaminas do tabaco pelo sistema do citocromo P450. e também menos activos ou mesmo inactivos. Mas existem algumas excepções. As reacções de conjugação acontecem quase sempre no fígado e são reacções metabólicas terminais. como esta bilirrubina é ainda lipossolúvel é então conjugada com o ácido glucurónico. com a isoniazida. As reacções enzimáticas de fase I são principalmente realizadas pelo sistema do citocromo P450 (CYP). A metabolização transforma.por exemplo. a hemoglobina é primeiro cindida nos seus componentes heme e globinas e depois o heme é transformado na bilirrubina (enzimas de fase I) e Fe++. conjuga-a com outra substância. Deste exemplo também se deduz que quase sempre acontece primeiro a transformação da molécula e só depois a sua conjugação. Por outro lado. Esta é primeiro acetilada e depois transformada (fase I). CYP3A). Porém. também se chama a este tipo de reacção enzimática reacção de conjugação. sulfatos. por exemplo sobre as mucosas (os antiinflamatórios lesam as mucosas. de um modo geral. Cada um destes subtipos é composto por enzimas próprias que têm um nome codificado (por exemplo. por exemplo. por exemplo. acetatos e. se o for apenas por uma há maior possibilidade de interacções enzimáticas com outros fármacos que estimulam ou inibam esta enzima. A vantagem do pró-fármaco é evitar a acção adversa directa do fármaco.

como acontece com o álcool etílico. Cinéticas de metabolização de grau 0 (ou de ordem 0) e grau 1 (ou de ordem 1 ou 1ª ordem ou grau). que associa primeiro a cinética de grau 0 e depois a de grau 1. Actividade enzimática Grau 1 Grau 0 Concentração de substrato . quanto maior concentração de fármaco houver. se a quantidade de enzimas fôr superior à do fármaco.fármaco elevada. Estes conceitos compreendem-se melhor com a representação gráfica das figuras 5 e 6. 5. Existe ainda a cinética mista ou de MIchaelis-Menten. Grau 0 Actividade enzimática Grau 1 Concentração de substrato Fig. sendo degradada sempre a mesma quantidade de fármaco pela unidade de tempo (cinética de grau ou ordem 0). o número de enzimas existente no organismo está saturado com o fármaco. maior será a metabolização (cinética de grau 1 ou de 1ª ordem ou linear).

Geralmente é referido à metabolização pelo fígado dum fármaco absorvido através da mucosa gastrointestinal. ou através da inibição enzimática. que significa diminuição da metabolização por inibidores das enzimas. Outros exemplos bastante bem conhecidos de polimorfismo genético são a variabilidade da actividade da 11-beta-hidroxiesteróidedesidrogenase.Fig. através do aumento da actividade enzimática e/ou. 6. principalmente. sexo. . que metaboliza esteróides. podendo o doente nestas circunstâncias ter enjoos e vómitos pela acumulação de acetaldeido. Através da indução enzimática. IV . Já se referiu a capacidade de o complexo P450 activar nitrosaminas. Relacionado com a metabolização. principalmente devido a razões genéticas. É a metabolização dum fármaco por um órgão logo após a sua absorção. Pode ser muito ou pouco importante. causando o cancro. dependendo do fármaco e das condições fisiológicas do fígado.Eliminação. o que faz com que tolerem bastante mal o etanol. O metabolismo dos fármacos é influenciado pela raça. que o podem actuar de dois modos. existe o chamado efeito de primeira passagem. Como exemplo da inibição enzimática temos o metronidazol (para certas leucorreias) que inibe a metabolização do etanol. Nem todos os indivíduos metabolizam de igual modo os fármacos. que significa aumento da metabolização dos fármacos. Cinética de metabolização mista ou de Michaelis-Menten. podendo a mulher engravidar. o que varia consoante as características genéticas dos indivíduos: polimorfismo genético. Também é bem sabido que os japoneses têm baixa actividade da enzima acetaldeído-desidrogenase. Um exemplo prático de indução enzimática é fornecido pela administração de fenobarbital a uma mulher que toma fármacos anovulatórios de muito baixa dosagem: o fenobarbital induz a metabolização dos esteróides do anovulatório. idade e por outros fármacos ou substâncias. e da N-acetiltransferase (existem acetiladores rápidos ou lentos). do número de enzimas.

até aos ureteres. de aminoácidos e de glicose (senão o indivíduo morria em poucas horas). terá de haver a reabsorção da maioria da água. fármacos hidrossolúveis e não metabolizados eliminamse pelos rins na sua forma inalterada. Todavia. pode-se aumentar a sua eliminação inibindo essa reabsorção tubular. fundamentalmente pelos rins. Nos rins o principal processo de excreção é por filtração glomerular. Por qualquer via de eliminação os fármacos utilizam os mecanismos de transporte já referidos a propósito da absorção. Como já foi referido. Também os fármacos são ultrafiltrados e alguns reabsorvidos. Após a metabolização o fármaco é eliminado. Estes capilares têm poros por onde o sangue é filtrado para a coifa ou cápsula de Bowman perto de 200 L/dia ! Desta cápsula o ultrafiltrado é levado por um sistema de túbulos túbulo contornado proximal. possuindo as características deste tipo de transporte. de sais minerais. que tem uma determinada pressão. ansa de Henle. depuração dum fármaco. uma vez no lúmen dos túbulos do nefrónio. túbulo contornado distal. cálice. Se se inibir estas proteinas. Outros são excretados do sangue para os túbulos. No entanto. Também o processo de secreção tubular precisa de transportadores ou enzimas para o fármaco ou metabolito. ciclo enterohepático. o que depende da existência de transportadores apropriados na parede dos túbulos e de gradientes de concentração apropriados para esse transporte. Se um fármaco fôr filtrado e uma parte significativa reabsorvida. o que acontece principalmente nos túbulos contornados proximais. bacinete . compreender a relação do envelhecimento com a diminuição da depuração dos fármacos. secreção e reabsorção tubulares. A quantidade de fármaco ou metabolitos eliminados depende do tipo de fármaco: por exemplo. após se tornarem capilares. no processo de filtração glomerular o fármaco chega no sangue. e é ultrafiltrado como acontece com os constituintes de baixo peso molecular do sangue. o fármaco é . túbulo e tubo colectores. uma parte significativa do fármaco também pode ser eliminada pelos rins na sua forma inalterada. "enovelam-se" e formam "aglomerados" ou glomérulos rodeados por uma coifa.Objectivos: Entender os conceitos de filtração glomerular. embora alguns fármacos também o sejam por secreção tubular (através dos túbulos renais). o fármaco ou metabolito pode ou não ser reabsorvido (reabsorção tubular). Tanto a reabsorção como a excreção tubulares processam-se fundamentalmente através de "carriers" (ou transportadores). sem passar pelos glomérulos. Os vasos que conduzem o sangue aos rins.

é necessário compreender o ciclo entero-hepático: alguns fármacos/ metabolitos são eliminados da via biliar para o lúmen do duodeno e como continuam a ser lipossolúveis (ou desde que sejam hidrossolúveis tenham uma proteina própria para o transporte. que provém da creatina muscular. para alguns antibióticos).é o processo mais frequente de intoxicação iatrogénica (pelo medicamento) na prática clínica! A este propósito é necessário chamar a atenção para o facto do funcionamento renal ser normalmente extrapolado a partir dos valores de creatinina sérica. se a depuração renal para um fármaco é de 50 mL. Se o doente tem uma insuficiência renal e o medicamento é eliminado pelos rins. Se o indivíduo tiver poucas massas musculares. pelas fezes (via gastrointestinal. Destes factos deduz-se que a maioria dos fármacos são eliminados por filtração glomerular. Como este facto traduz um mau funcionamento renal.é a segunda via mais importante e que não exige que o fármaco ou metabolito seja hidrossolúvel). pode acontecer uma grave intoxicação . de modo a manterem a córnea húmida). por exemplo. Esta última via de eliminação é bastante rápida: após a interrupção da administração dum gás anestésico geral a eliminação inicia-se imediatamente. aumentando o tempo de permanência no organismo.pelo suor: com insecticidas. O volume de sangue depurado dum fármaco ou metabolito durante a unidade de tempo indica-nos a depuração ou "clearance" desse fármaco. a este propósito lembro que há uma produção contínua de secreções lacrimais. Por exemplo. é também eliminado pelas unhas). como acontece com os brometos e iodetos. o valor da creatininémia pode ser baixo e. dependendo das propriedades fisicoquímicas dos mesmos: a via biliar (pelo fígado e via biliar consequente . num minuto 50 mL do sangue que passa nos rins são "limpos" desse fármaco. no entanto. pelas lágrimas (via ocular. pelos pêlos e pela descamação da epiderme: como com o arsénio. que. como acontece com a penicilina cuja eliminação pelos túbulos é inibida pelo probenecide. Esta . acordando o doente logo ao fim de alguns minutos. Também existem outras vias para eliminar fármacos. inclusivamente. pela pele (via cutânea . lembrem-se do hálito a aguardente!).eliminado menos. os fármacos também serão mal eliminados por esta via. pode haver uma depuração renal dessa creatinina bastante baixa.min -1. o que acontece raramente) são novamente reabsorvidos. pela respiração (via respiratória: gases e vapores. A propósito da eliminação pela via biliar.

é uma situação frequente no doente idoso: um indivíduo de 80 anos tem.Como se pode evitar o efeito de primeira passagem? .Como pode um fármaco atravessar a barreira hematoencefálica? . metade dos valores da depuração de creatinina dum adulto jovem. . apesar do sedimento da sumária de urinas ser aparentemente normal. em média. o que obriga a reduzir a posologia neste grupo de doentes. Questões para estudo: .Qual é o significado do polimorfismo genético? Dê dois exemplos.Numa situação de hipoalbuminémia o que poderá acontecer a um fármaco com forte ligação à albumina? .Qual é a via de eliminação de um fármaco lipossolúvel? .Um fármaco pode só ser metabolizado por uma cinética de grau 0? .Quais são os parâmetros a ter em conta para se avaliar a bioequivalência entre dois medicamentos? .As proteínas podem ser transportadas através das membranas? .Quais são as vantagens e as desvantagens da indução enzimática? .Como podemos interferir na eliminação renal dum fármaco? .Duração de acção e semivida são sinónimos? .

Alguns fármacos podem servir ainda para prevenir doenças através do fornecimento de substâncias que farão falta ao organismo em situações de maior consumo. como acontece com as hormonas tiroideias prescritas a um doente após se retirar cirurgicamente a glândula tiroideia (no caso de neoplasia da glândula.CAPÍTULO 3 .. na gravidez e na adolescência há maior necessidade de ferro. 2. após tuberculose das glândulas suprarrenais . Compreender os mecanismos gerais de acção dos fármacos a partir dos conceitos aprendidos em Fisiologia..FARMACODINAMIA. Outro exemplo é fornecido pela possibilidade de influenciar a inactivação das substâncias naturais ou endógenas (por ex. neuromodulador. modulação ou inibição de receptores. ou com o cortisol (ou um fármaco com o mesmo perfil). caracterizando os parâmetros utilizados para a sua quantificação. Os fármacos podem ter uma acção de substituição duma substância endógena. O fornecimento deste metal em baixas doses pode prevenir esta doença. Compreender o significado de afinidade e eficácia. Os fármacos podem ainda excitar ou inibir funções fisiológicas ou naturais do hospedeiro ou infectantes (por exemplo. . Diferenciar um neurotransmissor dum A Farmacodinamia estuda os mecanismos de acção e os efeitos dos fármacos. podendo sobrevir uma anemia. 3. por exemplo). Entender os locais onde os fármacos podem actuar. inibidores da metabolização dos neurotransmissores). Por exemplo. De qualquer modo.. inibição da excitação cerebral pelos fármacos antiepilépticos ou inibição da multiplicação e crescimento bacteriano pelos antibióticos). desenvolver o conceito de autacóide. Mecanismos gerais das acções dos fármacos. 4. extrapolando as acções e efeitos que daí podem advir. Objectivos: 1. os fármacos exercem a maioria destas acções através da estimulação.

Por exemplo. com o menor número possível de efeitos secundários. que atravessa várias vezes a membrana. o receptor ligado à proteína G (transductor) atravessa 7 vezes a membrana celular (é um receptor com 7 domínios transmembranares). de modo a desencadear-se um efeito.Conceito de receptor. Por exemplo. Conforme a substância que reconhecem especificamente. os receptores são "baptizados" e universalmente reconhecidos.ou inespecífico . H2 e H3 da histamina. por exemplo. associadas ao receptor.modificando directamente as propriedades físico-químicas das membranas ou de outras estruturas das células. Procuram-se obter fármacos cada vez mais específicos. O receptor pode ainda estar associado a canais iónicos ou no núcleo aumentar a transcrição do ADN. Grande parte dos conhecimentos da farmacologia actual gira em torno do conceito de receptor. para a histamina há 3 tipos de receptores a que chamamos receptores H1. Os fármacos podem actuar de modo específico . e também segundo a ordem de descoberta. ligações S-S ou do tipo hidrogéneo) que determinam uma estrutura secundária.sobre receptores . Os receptores podem estar associados a cinco tipos de mecanismos transductores/efectores: . podem formar uma "bolsa" onde se liga a substância endógena). Para além das ligações peptídicas. O que é então um receptor? É uma proteína (ou complexo proteico) contido na bicamada lipídica das membranas biológicas. Estas proteínas são chamadas de proteínas transductoras ou transductores. Após a estimulação dum receptor. activa-se uma cascata de proteínas. formando locais de ligação específica (por exemplo. potentes. ou no citoplasma ou núcleo das células. os aminoácidos estabelecem ligações entre alguns deles (por exemplo. Os receptores são proteinas com uma estrutura primária representada pela cadeia de aminoácidos. que estão associadas a outras proteínas ou efectores (como. enzimas) que podem sintetizar um segundo mensageiro. e que apenas reconhece plenamente uma determinada substância produzida pelo organismo (endógena) ("a sua substância ou ligando").

progesterona -. Num desses mecanismos. apesar de todos identificarem a "sua substância" (o mesmo neurotransmissor. Um exemplo deste tipo surge quando o ácido gama-aminobutírico (GABA) estimula o receptor GABA-A e abre um canal de Cl-. Este tipo de receptor é bastante utilizado por factores de crescimento. uma vez estimulado. estradiol. o receptor da insulina é estimulado pela insulina (no lado extracelular) e pela sua capacidade de tirosina-cinase (no lado interno) fosforila os resíduos de tirosina nas proteínas intracelulares. o cortisol ou a aldosterona). Um quarto tipo é exemplificado pelos esteróides (como as hormonas sexuais testosterona. O segundo mensageiro pode também difundir na célula e activar ou inibir canais iónicos. Outro exemplo é representado pela ligação do complexo da proteína G à fosfolipase C que a partir do PIP2 forma IP3 (trifosfato de inositol) e DAG (diacilglicerol). uma vez no citoplasma. O complexo receptor/esteróide vai até ao núcleo onde por transcrição do ADN aumenta a síntese de ARNm que. o receptor está associado a um complexo proteico de 3 subunidades (alfa. As proteínas dos receptores podem ter pequenas variações e. como a triiodotironina (T3). 4. induzindo a transcrição. Um segundo mecanismo transductor/efector é representado pela associação directa do receptor a um canal iónico. Um terceiro mecanismo transductor/efector é representado pelo receptor que também possui actividade enzimática. por sua vez. Finalmente. 2. por sua vez. induz a síntese de proteínas (enzimas. que. que pode ser estimulado ou inibido. cuja dinâmica estimula ou inibe (Gs ou Gi) uma unidade catalítica (uma enzima). 5. etc. chamado de proteina G (liga GTP). Um exemplo deste mecanismo é representado pelo receptor adrenérgico beta (Figura 7) que.1. Por exemplo. que facilmente atravessam a membrana celular (são lipossolúveis) e "ligam-se" ao seu receptor citoplasmático. transportadores. produz uma ou mais substâncias (segundos mensageiros) que se difundem na célula e activam (e/ou inibem) diversos mecanismos. a um receptor no núcleo. 3. Outro exemplo é representado pelo glutamato que pode estimular o receptor NMDA e activar um canal de Ca++. que são os segundos mensageiros. activa o complexo da proteína G que. beta e gama). o quinto tipo de mecanismo (no fundo uma variante do anterior) é representado pela ligação da substância. neuromodulador ou . activa a adenilciclase que produz AMPc (2º mensageiro).).

predominam num determinado tecido). também são reconhecidos selectivamente pelos receptores. Todavia. desencadeados noutros tecidos ou órgãos. A afinidade dum antagonista para o seu receptor é geralmente maior do que a dum agonista. se o valor de Ki for 1 nM (ou 10-9 M) o valor .hormona). existem tipos e subtipos de receptores. Estes últimos impedem ainda que a substância endógena actue. Como estes subtipos têm uma distribuição heterogénea pelos tecidos (ou seja. Diz-se então que um agonista tem afinidade e eficácia. Por exemplo. já que bloqueiam o receptor. reconhecem especificamente fármacos diferentes. beta2 (para o salbutamol) e beta3. São como chaves (fármacos) que servem apenas para uma fechadura (receptores). por isso. os receptores para a noradrenalina (NA) podem ser do tipo alfa ou beta. KD ou Ki [o logaritmo negativo destes valores será o valor de pKi (por exemplo. havendo nestes os subtipos alfa1 e alfa2 (que reconhecem especificamente a prazosina e a ioimbina. têm afinidade para o receptor mas menor eficácia ou actividade intrínseca (<100%) que a dos agonistas totais. enquanto que um antagonista tem afinidade mas não tem eficácia. alguns fármacos ligam-se ao receptor. o que significa que geralmente são necessárias menores doses de antagonistas. Ou seja. reforçando o efeito principal e evitando a maioria de possíveis efeitos secundários. activam-no e desencadeiam a cascata de acontecimentos que leva à obtenção dum efeito (são os fármacos agonistas ou simplesmente agonistas) e outros fármacos ligam-se aos receptores mas não desencadeiam nenhum efeito (são os fármacos antagonistas ou simplesmente antagonistas). consegue-se em farmacologia actuar com alguma selectividade num determinado órgão. sendo expressa em valores de CI50 (ou IC50) (concentração inibitória média). funcional (fisiológica ou farmacológica). A afinidade também pode ser determinada em estudos com fármacos marcados com 3H ou 125I ou 14C (radioligandos). A afinidade exprime-se através de determinados valores. Estes valores são obtidos através de metodologia própria. No que respeita aos agonistas parciais. Os fármacos têm estruturas químicas semelhantes às substâncias endógenas e. respectivamente). e os subtipos beta1 (para a dobutamina). A eficácia ou actividade intrínseca também pode ser medida em percentagem do efeito máximo. próprios de cada fármaco: a dos agonistas é a constante KA ou pD2. a dos antagonistas são as constantes KB ou pA2.

do cérebro. Para se obter o efeito máximo geralmente um agonista não precisa de ocupar ou estimular todos os receptores mas apenas uma parte desses receptores. do pâncreas. é . No entanto. se obtivermos um fármaco selectivo apenas para o receptor adrenérgico beta2 já não teremos tal inconveniente. do fígado. Se utilizado nesta última indicação clínica.9 µM -------------------------------------------------------------------------------------------------------- E como é que os fármacos mais selectivos para um receptor têm menos efeitos secundários que os menos selectivos? Imaginemos a orciprenalina que por estimular os receptores adrenérgicos beta1 provoca taquiarritmia e os receptores adrenérgicos beta2 broncodilatação (efeito antiasmático). já que evidenciam grande quantidade de reacções adversas. pA2. etc). Alguns fármacos actuam não sobre receptores mas sobre outras estruturas celulares. dos rins.0)]. existe uma reserva de receptores que não é normalmente utilizada. Alguns valores de pD2. de modo não específico. através da análise de Scatchard). São fármacos com muitas acções e efeitos (o álcool etílico provoca alterações do estômago. todavia.07 0. Foi o que aconteceu com o salbutamol (só quando administrado em determinadas condições porque a selectividade deixa de existir quando o fármaco é administrado em doses elevadas!). Um exemplo é o álcool etílico que desorganiza os lípidos das membranas celulares. qualquer célula está sujeita à sua acção. KA e KB. a taquicardia será um efeito secundário.52 3 nM noradrenalina aorta de rato 6. por exemplo. ou seja.de pKi será de 9. Geralmente têm pouca utilidade farmacológica. Só quando a doença está algo avançada. com destruição da reserva de receptores. Isto é. é que surge diminuição do efeito. por vezes. _____________________________________________________________________ fármaco estrutura pD2 KA pA2 KB -------------------------------------------------------------------------------------------------------prazosina aorta de rato 8. o número máximo de receptores por peso de tecido (Bmax) (realizando curvas de saturação com análise matemática própria – como. Só serão utilizáveis desde que não se disponha de fármacos mais selectivos. Nestes estudos com radioligandos apenas se estuda a afinidade e.

Um exemplo é fornecido pelos barbitúricos que há bastantes anos julgava-se que actuavam de modo não específico e que hoje sabemos que actuam sobre locais próprios associados ao receptor GABA-A do GABA. a) Os neurotransmissores são substâncias químicas fabricadas nas células nervosas. b) As hormonas são também substâncias endógenas mas que exercem o seu efeito sobre estruturas distantes do local onde são produzidas. como as prostaglandinas. a inactivação ou a acção dos neurotransmissores. têm uma acção contingente. c) Os autacóides são substâncias produzidas numa célula e que exercem o seu efeito na própria célula (secreção autócrina) ou em células vizinhas (secreção parácrina). Uma vez libertados vão actuar sobre receptores de outras células e da própria célula [neste caso inibem a libertação de mais neurotransmissor (retrocontrolo negativo) ou aumentam essa libertação (retrocontrolo positivo)]. aí armazenadas e libertadas por acção de determinados estímulos. São "hormonas locais". . ou seja. desenvolver-se-ão estes conceitos. De certo modo aparentadas com estas substâncias existem ainda as citocinas (ou citoquinas). na introdução ao capítulo dos fármacos que actuam no sistema nervoso central. Relacionados com os neurotransmissores. Estas substâncias actuam no local onde são libertadas. que são substâncias que ajudam a controlar a produção. Abordemos agora algumas substâncias que são reconhecidas selectivamente pelo seu receptor. existem os neuromoduladores. inibição ou modulação produzidos por células e que se destinam a actuar em receptores de certas linhas celulares.necessário ressalvar que muitas vezes caracterizou-se um fármaco como não selectivo simplesmente porque não se conhecia o sistema de receptores em que actuava. São obrigatoriamente transportadas pelo sangue. que são factores de crescimento. a libertação. Mais à frente. Substâncias endógenas reconhecidas pelos receptores. São substâncias peptídicas produzidas por células para actuarem perto dessas células ou em ambientes que têm repercussão sobre essas células.

Autacóides é um conceito que se aplica a substâncias produzidas localmente para um efeito local e que foi desenvolvido para substâncias que não estariam bem caracterizadas. chama-se margem terapêutica ou janela terapêutica. os interferões (interferão α. IL-13. a partir do qual não haverá mais efeitos terapêuticos. etc. GM-CSF). Avaliação dos custos dum medicamento. Objectivos: 1. MEDICINA BASEADA NA EVIDÊNCIA. β ou γ ). A margem terapêutica tem uma relação benefício/ risco aceitável para. INFLUÊNCIA DOS FÁRMACOS NAS ANÁLISES DE LABORATÓRIO. os factores de crescimento das colónias de granulócitos e /ou monócitos (G-CSF.Como exemplo de citocinas temos as interleucinas (IL-1. “COMPLIANCE”. os factores de necrose de tumores (TNFα ). 4. Caracterizar as reacções qualitativas e quantitativas a fármacos. CUIDADOS GERAIS NA ADMINISTRAÇÃO DE FÁRMACOS. De notar que existem autacóides que são neurotransmissores ou neuromoduladores. 3. mas apenas efeitos tóxicos (ou seja. IL-6. REACÇÕES QUALITATIVAS E QUANTITATIVAS A FÁRMACOS. M-CSF. O conjunto das doses terapêuticas. 5. INTERACÇÕES ENTRE FÁRMACOS. O efeito que corresponde à dose mínima eficaz é o limiar terapêutico. 6. 2. ou o intervalo entre a dose mínima eficaz e a dose máxima eficaz. FARMACOVIGILÂNCIA. Compreender o sistema de farmacovigilância. bem como as interacções entre fármacos. os factores de crescimento dos nervos (NGF). surgem efeitos por sobredosagem ou "overdose"). 90% da população tratada com esse medicamento. Caracterizar os modos possíveis de os fármacos poderem alterar os valores das análises do laboratório. Para um determinado conjunto de doses há geralmente proporcionalidade directa com o efeito provocado: . pelo menos. FARMACOECONOMIA. Conceito e desenvolvimento da Medicina Baseada na Evidência – aplicações práticas. REACÇÕES QUALITATIVAS E QUANTITATIVAS A FÁRMACOS Doses crescentes de fármacos provocam efeitos crescentes até determinado ponto (curva dose-resposta). Avaliar a extensão da não adesão do doente ao tratamento. IL-2. etc). É um conceito que continua confuso. de modo a ser interveniente activo.

Por outro lado. no fim do tempo correspondente a mais uma semivida fica 50% da segunda dose administrada mais 25% da dose inicialmente administrada. 10. para que surja um terapêutico pleno é necessário que o fármaco atinja concentrações suficientes no sangue e nos tecidos (concentração de "patamar" ou de equilíbrio ou de "steady-state"). Se o administrarmos a intervalos curtos.% do efeito máximo log Dose Fig. após administração endovenosa. antes de ser completamente eliminado. conduzindo na maioria das vezes a reacções adversas. ao fim de mais . um fármaco vai sendo eliminado do organismo. Todavia. o que acontece por acumulação ao fim de quatro a cinco semi-vidas. vai-se depositando ou acumulando no organismo. desde que o fármaco seja administrado a intervalos iguais às semividas (entende-se facilmente este conceito se nos lembrarmos que. Curva dose – efeito para um fármaco. ao fim de uma semivida fica no organismo metade da quantidade administrada.

Terminado este período é necessário que a absorção iguale a eliminação. quando um fármaco contraria outro porque tem efeitos contrários (são ambos agonistas). quando o antagonista se liga irreversivelmente ao receptor ou o antagonista se liga a um local que alostericamente influencia o receptor onde o agonista se liga. exemplos do segundo tipo de antagonismo são bastante frequentes em Farmacologia e serão muitas vezes referidos na Farmacologia Especial. ou farmacológico. o sinergismo de adição acontece principalmente quando se juntam em doses baixas dois fármacos que actuam sobre o mesmo receptor. pode haver uma interacção entre eles e resultar um sinergismo ou um antagonismo. O antagonismo farmacológico pode ainda ser do tipo competitivo (aumentado a concentração do agonista desloca-se o antagonista do receptor e começa a haver efeito farmacológico) ou do tipo não competitivo.25 % + +3. no fim de 5 semividas (e desde que o fármaco tenha sido administrado com intervalos iguais ao tempo de semivida) a quantidade que fica é: 50 % + 25 % + 12.5 % + 6. Sinergismo significa que o efeito total resultante da adição de dois fármacos é igual ou superior à soma dos efeitos de cada fármaco administrado isoladamente [efeito total = ou > (efeito de fármaco A + efeito de fármaco B)]. . Um exemplo de sinergismo de potenciação é fornecido por um inibidor (fármaco A) da metabolização de um outro fármaco (fármaco B). Pode ser fisiológico. permanece 50% da última dose administrada mais 25% da dose anteriormente administrada e mais 12. Um exemplo de antagonismo fisiológico é o efeito resultante da administração de um fármaco laxante (por estimulação de receptores colinérgicos) juntamente com um fármaco obstipante (por estimulação de receptores adrenérgicos)..125 % = 96.. Diz-se que há antagonismo quando um fármaco diminui o efeito de outro. No sinergismo de potenciação. de modo a não haver acumulação. o efeito total é superior à soma dos efeitos de cada um (efeito total > efeito de A + efeito de B).uma semivida. Fala-se de sinergismo de adição quando dois fármacos adicionados conjuntamente têm um efeito global que é igual à soma dos efeitos produzidos por cada fármaco (efeito total = efeito de A + efeito de B).5 % da dose inicialmente administrada. Quando se administram dois fármacos a um doente. quando um dos fármacos ocupa um local ou receptor (fármaco antagonista) e não deixa que outro (fármaco agonista) ocupe e estimule esse receptor ou receptores em ligação com ele.875% (de notar que já no fim de quatro semividas se atingem percentagens acima de 90%).

a . ou um fármaco e uma solução. Ao desencadeamento duma tolerância rápida costuma chamar-se taquifilaxia (com as anfetaminas.Se os dois fármacos reagem directamente entre si. inclusivamente para as "drogas sociais" como o tabaco. Como exemplo da dependência física pura temos a administração diária de hormonas tiroideias para manter um indivíduo vivo após extracção cirúrgica da glândula tiróide. diminuindo-se mutuamente os efeitos. É uma reacção física ou química entre duas substâncias. Pode ser: a) orgânica ou física. dizemos que são incompatíveis.Sobre a definição de dependência há alguma confusão. quando o indivíduo sente necessidade e compulsão para o consumo da droga (Nota: é este tipo de dependência que caracteriza uma droga). ou adicção ou vício.Dependência . que nalguns casos é suficientemente grave para provocar a morte. quando após a suspensão da administração dum fármaco surge um sindroma de privação ou abstinência.Quando ao longo do tempo para se ter o mesmo efeito são precisas doses cada vez maiores de fármaco. Um exemplo bastante frequente em clínica é o uso das benzodiazepinas como fármacos antiepilépticos. reagem entre si. c) psicológica e física (há forte repercussão psíquica e orgânica após a sua suspensão. já a dependência física não existe para todas elas. Quando os dois fármacos. destruindo-se ou provocando a formação de outras substâncias. ao contrário do antidotismo. à dependência psicológica também se chama apetência ou adicção. Tal reacção nunca é procurada terapeuticamente. No entanto.Acostumação ou habituação ou tolerância . O seu conhecimento é útil para as evitar. tranquilizantes ou hipnóticos. . Um fármaco pode revelar ainda algumas reacções qualitativas. Como foi referido. e existe para todas as "drogas". habitualmente englobadas nas reacções adversas. podemos defini-la coma a situação em que o indivíduo não pode passar sem o fármaco. diz-se que há antidotismo. . por exemplo). b) psicológica (não há rebate orgânico após a sua suspensão).

Quando o fármaco activa algumas células (linfócitos) contra si e induz a formação de anticorpos.Quando o indivíduo reage mais do que é habitual a um medicamento (por exemplo. máculas ("rash"). e cujo mecanismo de acção é dificilmente explicável. provocando reacções citolíticas ou de imunidade tardia. . Esta molécula maior pode ser uma simples proteína de transporte . algumas poderão não causar dependência física. As drogas provocam sempre dependência psicológica ou adicção ou vício. por isso. podem ficar sensibilizados outros tipos de linfócitos que após novo contacto com o mesmo fármaco reagem. hipotensão arterial. Assim.. os tranquilizantes nalgumas pessoas deprimem fortemente o sistema nervoso central). com nova administração de penicilina esta irá ligar-se a esses anticorpos e activará a libertação pelos mastócitos dos seus mediadores que provocarão broncoconstricção. . Não confundir esta hipersensibilidade com a hipersensibilidade imunológica ou alergia.Define a reacção inesperada a um fármaco.Idiossincrasia . Estes anticorpos ligam-se a alguns tecidos que com nova administração do fármaco (antigénio) ficam lesados ou libertam substâncias que originam determinados sintomas ou sinais correlacionados com a alergia ou outras reacções de imunidade. Precisam doutra molécula maior para que em conjunto sensibilizem o indivíduo. e como exemplo.dependência aos opiáceos (exemplo.. etc. que ficará alérgico a esse fármaco. a maioria dos fármacos são moléculas muito pequenas e. mas todos os quatro tipos de reacções imunológicas. A penicilina pode servir de exemplo: nalguns indivíduos provoca a formação pelos linfócitos de anticorpos (antipenicilina) que se vão depositar nos mastócitos. . incapazes de desencadear os fenómenos imunológicos . Só surge uma reacção de imunidade quando houver um contacto prévio com o fármaco .são chamados nestas condições de haptenos. morfina) e ao álcool etílico é psicológica e física. As reacções adversas aos medicamentos (RAMs) deste tipo (idiossincrásicas e também as imunológicas) são classificadas como reacções .Hipersensibilidade . Como reacções imunitárias contra fármacos não existe apenas a alergia.Alergia .é necessário sensibilizar o indivíduo! Por outro lado.

que inclui a preparação do medicamento para ser administrado.Farmacodinâmica. No entanto. A este propósito é necessário referir que quando um medicamento é irritante das mucosas deve ser administrado durante ou no fim das refeições. Quando um fármaco é ingerido com ou entre as refeições a quantidade absorvida é quase sempre a mesma .Farmacêutica. Podem ocorrer durante as fases: 1 .9 %) estar indicado para dissolver quase todos os fármacos. é sabido que os alimentos retardam a absorção dos fármacos mas impedem ou diminuem a irritação da mucosa gástrica por fármacos.Farmacocinética. Quanto à absorção. também os antiácidos diminuem a absorção de muitos fármacos. Durante a fase farmacêutica. as reacções adversas esperadas a partir do conhecimento do mecanismo de acção do fármaco são as RAM do tipo A. há incompatibilidades físicas e/ou químicas entre fármacos e/ou soluções. Exemplos de interacções a nível da absorção são representados pelo uso da metoclopramida e outros gastrocinéticos que. Apesar do soro fisiológico (NaCl a 0. Um exemplo de incompatibilidade nesta fase é a difícil dissolução de difenilhidantoína em soluto glicosado a 5% ou a precipitação em meio de pH neutro de soluções ácidas. aumentando o esvaziamento gástrico. se o não é e há vantagens em ser rapidamente absorvido. INTERACÇÕES ENTRE FÁRMACOS. atingindo um Tmax mais precoce e uma Cmax maior. existem alguns fármacos cuja quantidade total absorvida pode variar. como as tetraciclinas. as penicilinas e as cefalosporinas (antibióticos) são instáveis em meio aquoso.o intestino tem uma superfície de absorção suficientemente extensa para ao longo de horas ir absorvendo o fármaco. já que muitos fármacos competem pela ligação às proteinas de . a metabolização ou a eliminação). aumentam a rapidez de absorção. Durante a fase farmacocinética podem acontecer interacções a qualquer nível do trajecto do medicamento no organismo (durante a absorção.adversas do tipo B. 3 . deve ser administrado antes das refeições. Durante a distribuição surge a maioria das interacções. que também são prejudicadas pela administração de sais de ferro. 2 . a distribuição.

transporte no sangue . Durante a fase farmacodinâmica pode haver sinergismo ou antagonismo. . etc) deslocam os anticoagulantes orais. A este propósito já se referiu a indução e a inibição enzimáticas. Durante a metabolização também podem acontecer algumas interacções. álcool etílico com outros depressores do sistema nervoso central. os anti-inflamatórios não esteróides (salicilatos.o probenecide inibe a secreção tubular renal da penicilina G e do naproxeno. aumentam o catabolismo de numerosos fármacos. ibuprofeno. os barbitúricos. o metronidazol e outros imidazóis inibem a metabolização do etanol. Surge sinergismo quando se co-administra verapamil ou outros antiarrítmicos com bloqueadores adrenérgicos beta (maior depressão das funções cardíacas). como os diuréticos. provocando a acumulação de acetaldeido que causa enjoos e vómitos ("efeito dissulfiram"). enquanto que as sulfamidas inibem a pseudocolinesterase ou colinesterase plasmática que metaboliza a procaina e o suxametónio. durante a eliminação dos fármacos também podem acontecer algumas ineracções farmacológicas . aumentando a sua concentração na forma livre ou não ligada. que é a que difunde e actua. como benzodiazepinas (maior depressão do sistema nervoso central). como exemplo da primeira.. é sabido que a griseofulvina. a rifampicina.por exemplo.. os antidiabéticos orais e alguns fármacos anticonvulsivantes da sua ligação à albumina. aumentando as probabilidades de reacções adversas. Finalmente. incluindo o próprio (auto-indução enzimática). Há antagonismo entre alguns anti-hipertensores. a carbamazepina.. bem como entre este último tipo de fármacos e a acção anti-concepcional do DIU (dispositivo intra-uterino). e os anti-inflamatórios não esteróides. a nicotina. o álcool etílico..

como depressão. tratar doenças associadas. da glicémia ou do peso de crianças. incluir no objectivo a atingir também a família. desde o médico. ao enfermeiro e o pessoal administrativo. quando toma doses superiores ou inferiores às prescritas. vizinhos e até pelos "mass media" . Para melhorar a adesão do doente deve-se estabelecer uma boa relação com ele. . quando não mantém a duração do tratamento.Informação deficiente (pela família. rever o doente ao fim de um curto intervalo de tempo. Diz-se que um doente não adere à terapêutica quando não faz o número prescrito de administrações ou não mantém os intervalos entre as mesmas.O número elevado de administrações diárias do fármaco. . como as refeições. É sabido que mais de 50% dos doentes não aderem ao que lhes foi prescrito (não-adesão ou "non-compliance"). optar por medicamentos que possam ser administrados apenas uma ou duas vezes por dia. nomeadamente quanto à posologia. . destacando-se: .O tipo de doença (doentes crónicos e com menos sintomatologia. como a medição periódica da tensão arterial. As razões apontadas são várias.O surgimento de reacções adversas. deverão ser . . . seja nas enfermarias (onde está muito tempo em convívio com o doente) ou no ambulatório.A existência de doenças do foro psiquiátrico.exemplo recente: o alarme quanto à ligação entre o sindroma de Reye e a aspirina levou ao abandono da aspirina em baixas doses por muitos doentes que a tomavam para prevenir trombo-embolias).A falta de confiança no médico. ligar a administração do fármaco a um acontecimento inevitável do dia. Alguns cuidados primários.O isolamento social de alguns doentes. Na relação com o doente é importante englobar toda a equipa de saúde. Uma parte razoável da vigilância da saúde do doente deve ser feita pelo enfermeiro. . . como os hipertensos). como a depressão.CUIDADOS GERAIS NA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS Adesão ("compliance") do doente à terapêutica. principalmente os idosos. quando falta aos controlos.O baixo nível socio-económico. Para que um tratamento resulte é necessário que o doente cumpra as instruções que lhe foram dadas.

Deste modo. a difenilhidantoína. se forem tomados no meio ou após as refeições. que as vias de administração sanguíneas . a não ser que sejam óbvias. o que significa que deve ser dissolvida em solução fisiológica (administração de urgência). e alguns medicamentos necessitam de ser guardados no frigorífico. e em relação à via oral. a 4o C nestas situações estas recomendações vêm indicadas na caixa. não devemos expôr à luz o conteúdo de cápsulas protegidas da mesma. .realizados pelo enfermeiro. intra-arterial e intracardíaca . ao calor ou ao ar.endovenosas.apenas suportam soluções aquosas ou hidroalcoólicas. As incompatibilidade são numerosas e será pela prática diária que serão melhor aprendidas. Assim. em estreita colaboração com o médico. pelo perigo de nos infectarmos .e o uso de seringas "descartáveis". o enfermeiro colaborará obrigatoriamente na vigilância dos tratamentos e será uma peça importante no desejável aumento da adesão do doente à terapêutica. Outros cuidados na administração dos medicamentos.em regra com álcool a 70o . deve-se ter o máximo cuidado em não nos conspurcarmos. dissolve bastante mal em soluto glicosado. e mais uma vez. há medicamentos que devem ser tomados antes das refeições de maneira a tornar a sua absorção mais rápida. como não expôr supositórios a temperaturas acima de 35o C. há determinados cuidados gerais que também devem ser seguidos. Deste modo. um fármaco antiepiléptico.não faz sentido defecar após a aplicação dum supositório! As vias parentéricas implicam a desinfecção do local utilizado . Por outro lado. Se ter a certeza de que o doente tomou os medicamentos já representa um relativo avanço terapêutico. Há fármacos que se degradam à luz. já que também a sua conservação o aconselha. Quanto à via rectal devemos ter em conta os hábitos de defecação . pelo virus da hepatite B e da SIDA.por exemplo. Lembro ainda. Ainda sobre este capítulo convém recordar que há fármacos que são incompatíveis entre si ou com determinadas soluções. haverá menor irritação da mucosa. Deste modo. Não é só a administração de medicamentos que exige determinados cuidados.

A nível da região centro (Aveiro.o que levou ao progressivo abandono deste antibiótico -. as envia para o centro nacional. Nacional de Farmacovigilância. Depois é experimentado sucessivamente em pessoas saudáveis para testar efeitos (fase I do ensaio clínico). para estudar a possibilidade de reacções adversas pouco frequentes. Torna-se assim fundamental continuar a vigiar o fármaco após a sua comercialização: farmacovigilância. existem fichas ou impressos que deverão ser preenchidos com a identificação do doente (pelas iniciais do nome) e do médico ou farmacêutico e a descrição do sinal ou sintoma observado.FARMACOVIGILÂNCIA. a depressão da medula óssea pelo cloranfenicol acontece com uma frequência de 1/10. O NFC pode ser visitado também em: www.pt (o E-mail é: farmacovigilancia@nfc.pt ). . bem como com a descrição sumária da doença para a qual se receitou o medicamento e de outras doenças que o doente tenha (ver folha junta de notificação). sediado na Faculdade de Medicina de Coimbra. que tem a responsabilidade de formar e informar sobre Farmacovigilância e de receber. Guarda. Antes de ser administrado à espécie humana. nomeadamente com o da Organização Mundial de Saúde. É necessário. Leiria. e num número ainda maior de doentes. após o respectivo tratamento dos dados aí fornecidos. Todavia. já em fase de comercialização controlada (fase IV). mesmo nesta última fase e nas melhores condições o número de doentes nunca ultrapassa alguns milhares e as reacções adversas menos frequentes não serão detectadas (por exemplo. fazê-lo de modo organizado e científico. sendo difícil detectar esta reacção adversa nos ensaios clínicos).nfc. Para isso. Por sua vez o centro nacional colabora com centros internacionais. por sua vez. num número alargado de doentes (geralmente em ensaios mulricêntricos) para confirmar e alargar as observações anteriores sobre eficácia e segurança (fase III do ensaio clínico). Nessa ficha deverão ser ainda indicados todos os medicamentos que o doente toma. Coimbra. num pequeno número de doentes para testar efeitos terapêuticos e pesquisar a possibilidade das reacções adversas mais frequentes (fase II do ensaio clínico). um fármaco é experimentado em células e tecidos isolados e em animais inteiros. Viseu) existe o Núcleo de Farmacovigilância do Centro (NFC). porém. Em seguida. pelos Centros Regionais de Farmacovigilância e pelos profissionais de saúde. validar e orientar as notificações espontâneas.000 . essas fichas são encaminhadas para o centro regional de farmacovigilância que. Castelo Branco.

Todavia. A notificação espontânea dos eventos adversos é uma responsabilidade dos médicos e farmacêuticos (e dos enfermeiros para as vacinas). A notificação espontânea pode ser feita a nível de todo o país. pela entidades nacionais e internacionais regulamentares. Devem-se notificar os eventos adversos não esperados e os graves. por telefone.A notificação do evento adverso deve ser feita quando existe um sinal ou sintoma possivelmente devido ao medicamento. como. a AIM do medicamento é suspensa e o medicamento retirado do mercado. a primeira pressupõe já a atribuição de causalidade. existem ainda outros modos de colher dados sobre as reacções adversas aos medicamentos. As reacções adversas implicam uma reavaliação constante da relação benefício / risco. sendo a população alvo toda a população que toma o medicamento. Esta notificação pode ser feita por carta (após preenchimento do impresso acima referido). por exemplo. Tem de haver uma rigorosa colheita de dados. Se esta passar a ser desfavorável. A imputação é feita analisando diversos parâmetros: . já que algumas terão de ser conhecidas pelo laboratório da indústria farmacêutica que tem a AIM do medicamento. O tratamento das notificações no centro de farmacovigilância deve ser rápido. um medicamento e o médico ou farmacêutico. enquanto que o evento adverso pode ser devido ao medicamento ou a doença ou outra situação (não há ainda o estabelecimento de causalidade). Após recepção da notificação o centro de farmacovigilância que a recebe deve fazer a validação primária. Se surgirem reacções da mesma natureza para um determinado medicamento gera-se “um sinal”. por fax ou por correio electrónico (na própria home-page do Núcleo de Farmacovigilância do Centro existe a folha para preenchimento e envio automático para este núcleo. a monitorização da prescrição. de modo a se poder fazer a imputação da reacção adversa ao medicamento. que significa verificar se estão assinalados os dados fundamentais para a análise do evento adverso. que implica que esse medicamento passa a ficar sobre farmacovigilância intensiva. A este propósito é necessário distinguir entre reacção adversa a um medicamento e evento adverso. um doente.

tal diarreia não será devida ao medicamento que um desses elementos toma). Reintrodução com ressurgimento da reacção adversa. de tabelas (como a de Karch e Lasagha e as do sistema francês de Farmacovigilância).de modo a se conseguir um sistema eficaz. o que dificulta a certeza da imputação. Evidentemente. farmacêutico . Esta imputação pode ser feita utilizando diversos métodos – através de algoritmos (como o de Kramer). só estes profissionais são capazes de detectarem e notificarem o evento adverso. suspendeu-o e melhorou. Esta análise é feita a nível do núcleo regional e do centro nacional de Farmacovigilância. apesar do doente continuar a tomar o medicamento. Suspensão da medicação imputável com regressão da sintomatologia (sinais observados).Cronologia do efeito verificado em relação à administração do medicamento (por exemplo. É o parâmetro de maior peso. A observação dum efeito adverso tem de ser feita por quem contacta com o doente . reintroduziu-o e piorou. suspeitou que o fármaco lhe provocava dores no estômago. Contudo. Existem outros meios de se detectarem as reacções adversas dos medicamentos. mas que é irrealizável na maioria das vezes devido a imperativos éticos: não é admissível provocar doença! Todavia. seja o médico ou o farmacêutico. que uma lesão irreversível não regredirá. . se o efeito ocorreu antes da administração do fármaco não é devido a este).. Também a recolha e análise dos eventos adversos relatados nos ensaios clínicos é útil. enfermeiro. Também existem muitos efeitos secundários que são transitórios.. como a monitorização da prescrição e os estudos de coorte ou caso-controlo. Existência de outras explicações para a reacção verificada (se surgiu uma diarreia simultaneamente em vários elementos da família. O notificador.médico. A análise dos dossiers sobre reacções adversas exige conhecimentos sólidos de clínica e farmacologia. esta condição é realizada pelo doente num grande número de casos: por exemplo. não deve ter a responsabilidade de fazer esta imputação ou atribuição de causalidade. Descrição prévia em livros ou revistas (bibliografia ou referências) da reacção observada.

Para evitar a interferência dos fármacos na metodologia de análise laboratorial devem-se usar métodos bastante específicos (para a glicose. Outro exemplo deste último tipo de efeitos é dado pelo fenobarbital que causa indução enzimática e. por isso. alterando. todas as substâncias oxi-redutoras serão doseadas como se fossem glicose. em consequência. se a glicémia for medida através dum método químico de oxi-redução. por isso. da sua concentração e do estado fisiopatológico do órgão.FÁRMACOS E EXAMES LABORATORIAIS. o método da glicoseoxidase). Como exemplo do segundo tipo de interferência. Este último efeito depende do fármaco. Os fármacos podem interferir nos métodos de determinação das constantes bioquímicas ou podem alterar as funções fisiológicas dos órgãos. Questões para estudo: Qual é a importância clínica de se conhecerem cada vez melhor os diversos subtipos de receptores? Os fármacos apenas actuam a nível dos receptores ou também nas estruturas que estes controlam? O antagonista tem maior afinidade para o receptor do que o antagonista? Quais são as limitações dos agonistas com estrutura peptídica? A existência numa célula de um gene para um determinado tipo de receptor significa que exista nessa célula esse receptor? Quais são os riscos do desenvolvimento da tolerância aos fármacos? Quanto maior fôr a tolerância maior será a acumulação dum fármaco? Qual é a importância da história medicamentosa na caracterização e prevenção da alergia a um fármaco? Qual é a diferença entre antidotismo e incompatibilidade? Como se pode melhorar a adesão dum doente à terapêutica? Tem interesse comunicar ao Centro Nacional de Farmacovigilância as reacções adversas pouco importantes? Um medicamento pode ter vários modos de interferir nos valores analíticos (análises do laboratório)? Como se pode melhorar a notificação de reacções adversas? Que critérios se devem cumprir para que uma reacção adversa seja certa (definitiva)? Como se pode melhorar a “compliance”? Qual é a relação da Farmacovigilância com o estabelecimento da relação benefício / risco para um medicamento? A Farmacovigilância “vigia” a qualidade da prescrição? Há responsabilidade civil quanto às reacções adversas que se notificam? Qual o número e gravidade de reacções adversas aceitáveis para um medicamento? . as enzimas que reflectem este efeito também aumentam. aumenta os níveis sanguíneos de gama-glutamiltransferase (sem haver lesão hepática). os anovulatórios podem provocar colestase (retenção dos sais biliares no fígado) e. Em relação ao primeiro tipo de interferência. as constantes bioquímicas medidas.

que pode ou não ser um neurónio. é útil fornecer algumas noções de fisiologia. É a nível das sinapses químicas que pode haver profunda e variável intervenção farmacológica. uma vez no espaço que separa as células (fenda sináptica) vão estimular especificamente estruturas proteicas. já que a sua modificação está na base de muitos efeitos procurados ou de efeitos não desejados.CAPÍTULO IV NEUROTRANSMISSÃO. Uma célula nervosa (ou neurónio) comunica com outra célula. através de estruturas de continuidade por onde é transmitido o impulso nervoso (sinapses eléctricas) ou através da produção e libertação de substâncias que. ou receptores. seja no sentido de aumentar ou de diminuir a . nomeadamente quanto à neurotransmissão. desencadeando uma resposta (sinapses químicas). Antes de abordar especificamente alguns grupos de fármacos. neurotransmissão.

que pode ser um neurónio ou outra célula. nem pelo tecido neuronial nem pelo tecido extraneuronial (o mecanismo próprio para captar uma proteína é a pinocitose). As substâncias transmissoras ou moduladoras são então libertadas por exocitose. Começa-se agora a verificar que nalguns casos o neurónio também liberta enzimas que poderão metabolizar o neurotransmissor na própria fenda sináptica. Não existem para a acetilcolina (metabolização muito rápida na fenda sin+aptica) e para os peptídeos. Existem ainda . e uma vez na fenda sináptica podem estimular receptores pós e pré-sinápticos. como já foi referido. as substâncias neurotransmissoras ou neuromoduladoras são armazenadas em vesículas ou grânulos nas terminações nervosas. é a membrana pós-sináptica. A substância transmissora é sintetizada na terminação nervosa (pré-sináptica) a partir de precursores que são captados pela terminação. existem enzimas na fenda sináptica ou na membrana celular que degradam ou metabolizam este tipo de substâncias. Um neurotransmissor ou neuromodulador proteico não é captado. podendo chegar a outros tecidos. Aos receptores pré-sinápticos que reconhecem a própria substância libertada por essa terminação nervosa chamamos auto-receptores. Estes podem desencadear mecanismos de retrocontrolo positivo ou negativo (o habitual). habitualmente num cotransporte com o Na+. Seja ou não de natureza peptídica. As substâncias transmissoras de natureza proteica são uma excepção. Em cada uma destas estruturas existem receptores (receptores pré-sinápticos e receptores pós-sinápticos). visto que são fabricadas no corpo celular. Os mecanismos de captação representam o meio mais eficaz para retirar a maioria das substâncias transmissoras do local de acção (junto dos receptores). A maioria das substâncias transmissoras é captada pela própria terminação nervosa (captação neuronial ou do tipo I) e em menor percentagem por outros tecidos adjacentes (captação extraneuronial ou do tipo II). sendo depois transportadas pelo axónio até à terminação nervosa (transporte axonal anterógrado). A membrana que limita o início da segunda célula.À membrana que delimita a terminação nervosa que produz a substância transmissora chamamos membrana pré-sináptica. após a chegada dum estímulo nervoso (despolarização percorrendo o axónio até à terminação) e entrada de Ca++ pelo respectivo canal do tipo N (não é antagonizado pelos habituais antagonistas do cálcio). vão ser metabolizadas ou difundir pelo líquido intersticial. a nível dos ribossomas livres no citoplasma e do retículo endoplasmático rugoso.

que consiste em estimular directamente receptores no núcleo. Existe ainda uma outra possibilidade. GMPc. Às substâncias que são produzidas num neurónio e. causando efeito. Existe uma grande variedade de receptores. como acontece com receptores para factores de crescimento ou para a insulina. chamamos neurotransmissores. estradiol. d) ou se estão no citoplasma migram até ao núcleo da célula após se ligarem com a substância transmissora ou moduladora. IP3 (inositol-trifosfato)). uma vez no núcleo aumentam a transcrição do ADN para ARNm. Às substâncias que são sintetizadas por um neurónio e que servem para actuar na célula seguinte (estimulando-a ou inibindo-a). b) ou têm actividade enzimática (por exemplo. Deste modo. receptor com actividade de tirosina-cinase ou serina-cinase). c) ou estão ligados a canais iónicos . Um exemplo deste tipo de mecanismo transductor é o utilizado pelos esteróides (testosterona. por exemplo.ou saída de K+ da célula (com inibição). geralmente de vários subtipos. seja através da entrada de Na+ e/ou Ca++ na célula (com estimulação) ou através da entrada de Cl. vão actuar sobre um terminação nervosa. após a sua libertação. por exemplo. aldosterona. chamamos neuromoduladores. usada. provocando a transcrição do ADN. a noradrenalina ao estimular os receptores beta2 dos . Nesta última situação. que no citoplasma desencadeia a síntese de proteinas.receptores pré-sinápticos para substâncias libertadas por neurónios adjacentes ou que são provenientes do sangue . Estas últimas substâncias vão actuar em hetero-receptores da terminação nervosa que produz o neurotransmissor. aumentando ou diminuindo a síntese e/ou libertação do neurotransmissor. progesterona). o mesmo neurotransmissor pode originar acções excitatórias ou inibitórias conforme o subtipo de receptor em causa.hetero-receptores. para um mesmo neurotransmissor ou neuromodulador. pelas hormonas da tiróide. variante desta. Por sua vez os receptores estão: a) acoplados através de proteinas intermédias (proteína G) a enzimas que fabricam os chamados segundos mensageiros (AMPc. DAG (diacilglicerol). que na célula vão desencadear múltiplos mecanismos. activando ou inibindo a célula.

Para que haja aumento da neurotransmissão podem-se fornecer precursores do neurotransmissor (ex. . levodopa). aumentar a libertação através duma aumento da exocitose (para além do possível antagonismo dos receptores pré-sinápticos). inibir a captação neuronal e/ou extraneuronal.. inibir os mecanismos transductores/efectores.brônquios provoca relaxamento e se o fizer a nível dos beta1 do coração causa estimulação cardíaca. inibir receptores pré-sinápticos. hiperpolarizar a terminação da célula nervosa através da entrada de Cl. inibir a sua libertação. antagonizar a síntese do neurotransmissor. L-5-OH-triptofano.ou da saída de K+. Para inibir a neurotransmissão podese inibir a captação de Ca++ pela terminação nervosa. estimular receptores pós-sinápticos e estimular os mecanismos transductores/efectores. estimular receptores pré-sinápticos. antagonizar receptores pós-sinápticos. antagonizar enzimas de inactivação.

sendo a maior parte da sua actividade realizada através de reflexos autónomos. A partir da medula espinhal sai um nervo composto de axónios que fazem sinapse com neurónios situados perto da coluna vertebral ou longe do órgão (simpático) ou junto ao órgão que inervam (parassimpático). Ou seja. e do Sistema Nervoso Autónomo. Esta sinapse junta-se a outras e forma os chamados gânglios (do sistema nervoso autónomo). evidentemente. uma sinapse ganglionar. O neurotransmissor libertado nas sinapses ganglionares. representa cerca de 75% do sistema nervoso parassimpático (inerva quase todos os órgãos intratorácicos e abdominais). existem receptores sensitivos a nível de um orgão. pelos sistemas nervosos simpático e parassimpático.NEUROTRANSMISSÃO A NÍVEL DO SISTEMA NERVOSO AUTÓNOMO O Sistema Nervoso consta de duas partes: Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico. O sistema nervoso autónomo é "comandado" por centros nervosos situados no hipotálamo e no tronco cerebral. o parassimpático é composto por nervos cranianos (III. VII. de neurónios sensitivos. os barorreceptores situados a nível das aurículas. o que significa que as raízes lombares e sagradas percorrem um certo trajecto no canal vertebral até sairem dele). as quais dão o seu nome às raizes nervosas: raiz D1 significa que sae ou entra por um orifício formado pela primeira vértebra dorsal. ou nervo pneumogástrico ou vago. Entretanto. que inervam os músculos esqueléticos ou estriados. Este último é composto de nervos motores. a sinapse será. da aorta e das carótidas são estimulados e enviam essa informação por neurónios sensitivos (arco aferente) até ao sistema nervoso central que responde fazendo com que o simpático contraía os vasos sanguíneos e aumente a tensão arterial (arco eferente). Por sua vez. O X par. que é composto pelos plexos nervosos do tubo digestivo e. que enviam informações até à espinhal medula e/ou tronco cerebral. se a tensão arterial baixar. principalmente. a medula espinhal vai "encurtando" à medida que se aproxima da região caudal. IX e X pares) e nervos sagrados (recordo que os segmentos da medula espinhal originam ou recebem raízes nervosas que saem ou entram por orifícios formados pelas vértebras. tanto . que levam informações até ao SNC. trazendo daqui a respectiva ordem para que se mantenha a homeostasia (por exemplo. Os axónios que constituem o sistema nervoso simpático saem dos segmentos da medula espinhal compreendidos entre o primeiro segmento dorsal (ou torácico) e o segundo lombar (de D1 a L2).

liberta-se maioritariamente adrenalina (e também noradrenalina). e. sendo as . já que são estimulados pela nicotina. seguinte pode ver-se a cadeia de síntese da dopamina. enquanto que para o parassimpático é sempre a acetilcolina. noradrenalina e adrenalina. diferentes dos existentes na membrana sarcoplasmática . a noradrenalina e a adrenalina são constituidas por um grupo catecol e por uma cadeia alifática com um grupo amina. Os receptores pós-sinápticos a nível da sinapse ganglionar são nicotínicos [receptores nicotínicos neuronais. por isso. O segundo neurónio do SNA vai inervar o orgão respectivo através duma nova sinapse (sinapse terminal ou sinapse pós-ganglionar). Na Fig. Nesta sinapse o neurotransmissor libertado no caso do simpático é na maioria das vezes a noradrenalina (é a acetilcolina na terminação pós-ganglionar para as glândulas sudoríparas). se chamam catecolaminas.do simpático como do parassimpático. Os fármacos que antagonizam a acetilcolina a nível destes receptores são os Ganglioplégicos (por exemplo. como a nicotina. antagonizados pela (+)-tubocurarina]. A nível da medula suprarrenal. o hexametónio ou o trimetafano). L-Tirosina Hidroxilase da L-tirosina (enzima limitante) L-Dopa Descarboxilase dos aminoácidos aromáticos (enzima não específica) Dopamina (DA) Hidroxilase em beta da DA (ou DA-ß-hidroxilase) Noradrenalina Metiltransferase Adrenalina A dopamina. Estes neurotransmissores são degradados por várias enzimas. é a acetilcolina. os fármacos que aumentam a neurotransmissão ganglionar. que tem o 2º neurónio do simpático. são Estimulantes ganglionares. e a nível das glândulas sudoríparas liberta-se acetilcolina que vai estimular receptores muscarínicos (apesar de a inervação ser simpática!).receptores nicotínicos musculares.

Os receptores pré-sinápticos intra-sinápticos no simpático (auto-receptores) são do subtipo adrenérgico α 2. enquanto que a acetilcolina excita receptores muscarínicos (M). A nível periférico. de medo. Um modo fácil de compreender as acções do simpático e do parassimpático (quadro 1) é saber que o primeiro é o sistema das reacções de alerta. na realidade existem cerca de 70% de ß1 e 30% de ß2). o DOPEG. numa reacção de fuga (simpático) é necessária uma maior abertura do campo visual (midríase). enquanto que o segundo é o sistema de repouso e da preparação (digestão) e armazenamento da energia necessária aos conflitos futuros. maior quantidade de sangue nos orgãos "nobres". Deste modo. o facto de se dizer que um determinado tecido é rico em certo subtipo de receptor não significa que apenas exista esse receptor nesse tecido (por exemplo. no coração. nesta situação também é necessária uma maior chegada de oxigénio aos pulmões (broncodilatação). menor preocupação com "necessidades imediatas" (obstipação e retenção urinária) e maior oferta de glicose para fabrico de energia (hiperglicémia).Amanita muscaria). M3. maior tensão intra-ocular. assim chamados por serem estimulados pela muscarina (um alcalóide extraído dum cogumelo . Estes diversos subtipos de receptores têm uma distribuição heterogénea pelos tecidos. A MAO existe em duas isoformas: a MAO A e a MAO B. existem vários subtipos de cada um destes receptores.mais importantes a MAO (monoaminoxidase) e a COMT (catecol-orto- metiltransferase). de fuga e de raiva. a dopamina tem como principais metabolitos o DOPAC e o ácido homovanílico. ou seja. para os ß os receptores ß1. A noradrenalina vai estimular receptores (adrenérgicos) alfa (α ) e beta (ß). No entanto. apesar de se dizer que a nível cardíaco existem receptores ß1. que chamam sangue dos outros tecidos onde existe vasoconstrição (palidez)). da dilatação das coronárias e dos vasos nos músculos esqueléticos e no cérebro. o MOPEG e as metanefrinas o são para a adrenalina e a noradrenalina. Todavia. De notar que o aumento do débito cardíaco e a vasoconstrição . M4 e M5. havendo inibidores específicos de cada um destes tipos de enzima. enquanto que o ácido vanilmandélico. ß2 e ß3. músculos e cérebro (através dum melhor bombeamento de sangue estimulação cardíaca -. Assim.M2. e para os muscarínicos os receptores M1. para os α existem os receptores α 1 e α 2.

depressão cardíaca [funções cronótropa (frequência). dromótropa (condução eléctrica). das coronárias e pouco mais). aumento dos movimentos e do tónus das vísceras ocas (tubo digestivo. SIMPÁTICO PARASSIMPÁTICO ALFA (α ) BETA (ß) MUSCARÍNICOS (M)____ Estimulação (1) Depressão Contracção (2) Relaxamento Relaxamento (3) Relaxamento (4) Contracção Relaxamento Contracção Relaxamento Diminuição (5) Diminuição (5) Relaxamento Relaxamento Contracção Relaxamento Relaxamento Relaxamento Contracção Aumento (6) Contracção Contracção Contracção (miose) Aumento do glicogénio RECEPTORES Coração Vasos sanguíneos Brônquios Útero Tubo digestivo Esfíncteres Motilidade e Tónus Secreções Via biliar Bexiga Trígono e esfíncter Detrusor Olhos Músculo radial Músculo constritor Fígado Adipócitos Contracção (midríase) Glicogenólise(7) Lipólise (8) QUADRO (1) Sobretudo pelos receptores ß1 (2) Existe contracção de todos os vasos (efeito predominantemente α 1). via biliar. vasodilatação (pouco intensa e notada a nível dos músculos esqueléticos. este último tem os efeitos contrários aos descritos para o simpático (quadro 1): miose. já no coração há um equilíbrio entre os dois. as vísceras ocas têm predominantemente um tónus parassimpático e os vasos sanguíneos um tónus fundamentalmente simpático. repondo as reservas de energia). Por exemplo. com excepção das coronárias. diminuição da tensão intraocular. batmótropa (excitabilidade) e inótropa (contractilidade) negativas]. dos que irrigam os músculos esqueléticos e o cérebro. É de referir que os orgãos têm um determinado tónus ou predominância de um dos sistemas do neurovegetativo. Como existe equilíbrio entre o simpático e o parassimpático. via urinária) e aumento das secreções (o aumento das secreções exócrinas causa uma melhor digestão e consequente absorção de nutrientes. broncoconstrição.periférica (vísceras e pele) causam aumento da tensão arterial (tensão arterial = débito cardíaco x resistência vascular periférica. sendo o débito cardíaco = frequência cardíaca x volume de ejecção sistólica). .

à medida que se aumenta a concentração deixa de haver tal selectividade. enquanto que para o parassimpático é a acetilcolina. que a selectividade para um receptor só acontece para concentrações baixas do agonista. Modificadores a nível das terminações do simpático Existem simpaticomiméticos que estimulam os receptores α e/ou ß. Por outro lado. inibição da colinesterase). ou apenas um subtipo dos α ou dos ß. existe grande variabilidade de indivíduo para indivíduo na distribuição e densidade de receptores num tecido. enquanto que os fármacos que diminuem a neurotransmissão simpática são os simpaticolíticos. Os fármacos que antagonizam os receptores adrenérgicos (α ou β ) chamam-se adrenolíticos ou antagonistas α ou β .(3) (4) (5) (6) (7) (8) Efeito pouco intenso Receptores ß2 Efeito pouco intenso A secreção gástrica é da responsabilidade dos receptores M1 Resulta hiperglicémia. Receptores β 3. No quadro seguinte estão descriminados agonistas e antagonistas dos receptores adrenérgicos α e/ou ß. Por sua vez. e os antagonistas dos mesmos receptores parassimpaticolíticos (ou fármacos anticolinérgicos). no entanto. os fármacos que estimulam (agonistas) os receptores α e/ou β são chamados de simpaticomiméticos (α e/ou β ). tanto uns como os outros podem ser utilizados num significado mais amplo. ou de fármacos colinérgicos. No entanto. Devo dizer. sendo os que aumentam a neutransmissão na sinapse terminal do simpático designados de simpaticomiméticos directos (agonistas) ou indirectos (outros mecanismos) e os que aumentam a neurotransmissão na sinapse terminal parassimpática designados de parassimpaticomiméticos directos (agonistas) ou indirectos (por exemplo. Já se afirmou que o neurotransmissor da terminação nervosa do simpático é a noradrenalina (excepto na medula suprarrenal e nas glândulas sudoríparas). Os agonistas dos receptores muscarínicos são chamados de parassimpaticomiméticos. De notar que a estimulação dos receptores adrenérgicos pré- .

tanto a nível do sistema nervoso autónomo como do SNC. isto é. existem terminações que fabricam e libertam principalmente dopamina nervos dopaminérgicos. além de estimular receptores α e ß. tem um efeito simpaticolítico (distinguir um fármaco simpaticolítico dum efeito simpaticolítico).dopaminérgicos -. ADRENÉRGICOS α α   AGONISTAS Noradrenalina Adrenalina Dopamina* Fenilefrina Clonidina Nafazolina α 2 REC. As concentrações necessárias para que a . que a nível vascular Ioimbina Atenolol Bisoprolol Butoxamina Propranolol provocam relaxamento (por ex. estimula receptores próprios . nas artérias renais e mesentéricas) A noradrenalina.sinápticos α 2 provoca diminuição da libertação de noradrenalina.receptores dopaminérgicos (D1 a D5). A dopamina. REC.. a adrenalina e a dopamina são sintetizadas no organismo. A maioria das terminações nervosas do simpático liberta principalmente noradrenalina. ADRENÉRGICOS ß ß1 Noradrenalina Adrenalina Dopamina* Isoprenalina Terbutalina Fenoterol Salbutamol Salmeterol Formoterol ß2 ANTAGONISTAS Fentolamina Fenoxibenzamina Prazosina Alfuzosina QUADRO *Também estimula receptores próprios . no entanto.

terbutalina.. formoterol..um é o neurotransmissor e o outro(s) é(são) neuromodulador(es). Os agonistas estimularão os orgãos que possuem o seu subtipo de receptores e os antagonistas impedirão a acção do simpático nesses orgãos. Actualmente sabe-se que um neurónio sintetiza geralmente mais do que uma dessas substâncias (cotransmissão) .) e os efeitos adversos cardíacos já não atingem aquela gravidade. Este facto levou à morte de muitas pessoas por taquiarritmias. diminuição do gasto cardíaco). Por exemplo. diminuição da força de contracção . a sua selectividade e os principais efeitos secundários. ou são ambos neurotransmissores ou dois neurotransmissores e um neuromodulador. Muitas vezes a importância dos conhecimentos sobre o sistema nervoso autónomo leva-nos a inferir facilmente os efeitos secundários de alguns grupos de . a nível do sistema nervoso parassimpático a acetilcolina é nalgumas terminações nervosas libertada conjuntamente com o VIP e/ou ATP.por exemplo. um agonista adrenérgico ß1 estimulará o coração (taquicardia. já que não é selectiva de um dos subtipos de receptores adrenérgicos ß (Quadro ).dopamina estimule cada um destes subtipos de receptores são diferentes . deixam de ser selectivos.) e um antagonista do mesmo receptor deprimirá as funções desse orgão (bradicardia.. concentrações baixas estimulam preferencialmente os receptores dopaminérgicos. Até há poucos anos pensava-se que cada neurónio sintetizava apenas um único tipo de neurotransmissor ou neuromodulador (princípio de Dale). salmeterol. fenoterol. Lembro o que acontece com a isoprenalina para tratamento da asma: provoca broncodilatação mas também estimulação cardíaca. Hoje usa-se um fármaco agonista selectivo dos receptores adrenérgicos ß2 (salbutamol. Quanto mais selectivo fôr um fármaco.. a noradrenalina é libertada juntamente com o ATP e o NPY.. No entanto. que têm um efeito modulador da neurotransmissão adrenérgica. No quadro mostro os principais fármacos em uso. Por exemplo. USOS CLÍNICOS Sabendo-se os efeitos do simpático (Quadro ) deduzem-se facilmente as acções e efeitos dos modificadores deste sistema. se a dose administrada destes fármacos for excessiva. aumento da força de contracção . menos efeitos secundários evidenciará..

deduz-se que podem causar boca seca. que normalmente é utilizado para a captação intraneuronal de catecolaminas. Choque cardiocirc. a partir do conhecimento da neurotransmissão a nível da sinapse terminal do simpático pode-se inferir que os mecanismos possíveis para aumentar a quantidade de neurotransmissor na fenda sináptica é fornecer precursor (L-dopa). do simpát. por libertação de catecolaminas através do transportador de membrana (tiramina). que também inibem o catabolismo e estimulam receptores adrenérgicos). por inibição da MAO-B (selegilina).(asma) idem Inalatór. Infiltr. simpaticomimét) Estimul. do simpático Estim. Por exemplo. e. USO CLÍNICO VIA DE ADM.(2) “ “ “ “ idem “ idem (longa duração de acção) “ idem (longa duração de acção) “ . ß e DA eß 1 Controlo de Tópica hemorragias Potenc. com antagonistas dos receptores adrenérgicos pré-sinápticos α 2). por exemplo. taquicardia e obstipação. por inibição da captação extraneuronal de catecolaminas (corticosteróides). de anest.v. por esvaziamento das vesículas sinápticas (ou “desgranulação” sináptica) (anfetaminas. Paragem cardíaca Intracard. por inibição da captação neuronal de catecolaminas (cocaína). do simpático(1) Estim. “ Estim. EFEITOS SECUNDÁR. Por outro lado.fármacos. por inibição da MAO-A (moclobemide). inibir a recaptação neuronal e/ou extraneuronal. sabe-se que os antidepressores tricíclicos têm efeitos anticolinérgicos . por inibição da COMT (entacapone) FÁRMACOS RECEPT. Note-se que os fármacos que aumentam a neurotransmissão simpática através do aumento da quantidade de neurotransmissor (noradrenalina) na fenda sináptica são os chamados simpaticomiméticos indirectos: por oferta de precursor (l-dopa ou levodopa. do simpático Rinite atrófica (uso prolongado) e se absorv.loc. AGONISTAS α e/ou β Adrenalina α eß Dopamina Nafazolina Fenilefrina Terbutalina Fenoterol Salbutamol Salmeterol Formoterol α α α ß2 ß2 ß2 ß2 ß2 . inibir as enzimas de metabolização (sobretudo a MAO e/ou a COMT) e aumentar a sua libertação (por ex. (=> efs.. Descongestão nasal Nasal " " " Broncodil. já que a oferta de l-tirosina não aumentará significativamente a síntese devido à existência limitada de hidroxilase da tirosina (enzima limitante)).

Atenolol ß1 Isq. Arritmias broncoconstrição.. a pirenzepina tem maior afinidade para os receptores M1 que para os outros receptores muscarínicos.. do miocárdio Oral Isquémia das extrem. Em concentrações sanguíneas elevadas deixam de ser selectivos para os receptores ß2. síntese catecol... . (3) Para as alterações funcionais da hipertrofia benigna da próstata (4) Utiliza-se associada à levodopa (ou l-dopa) para não aumentar a síntese periférica de catecolaminas. ainda não existem parassimpaticomiméticos com razoável selectividade. Hipertensão arterial hipotensão art. (5) No organismo vai-se transformar em α -metilnoradrenalina que tem propriedades agonistas α 2.v...... do miocárdio Sotalol ß1 Arritmias Oral Depressão cardíaca. No entanto.. já que não atravessa a barreira hematoencefálica.v Hipotensão ortostática Prazosina α1 Hipertensão arterial Oral " " Alfuzosina α1 Hipertrofia benigna Oral Hipotensão arterial da próstata Ioimbina α2 Afrodisíaco (?) Oral Hipertensão arterial Propranolol ß Hipertensão arterial Oral Broncoconstrição. insuf. alguns parassimpaticolíticos já discriminam bem os subtipos de receptores muscarínicos.. Arritmias. Tremor essencial agravam. isquémia quicas (pesadelos). α -Metildopa (5) Hipertensão arterial oral Hipotensão ortostática (1) Devido à aplicação tópica estes efeitos são ligeiros (2) Depende da via de administração e da dose administrada. Modificadores do parassimpático Os fármacos para este sistema estão actualmente a sofrer profundas evoluções. Por exemplo. Sonolência . Bisoprolol ß1 Idem Oral Idem SIMPATICOLÍTICOS (por diminuição da libertação de catecolaminas) Carbidopa (4) Inib. Ansiedade isquémia das extremids. dopamina). card. sem interferir na síntese central destas aminas (eg. e para efeitos clínicos.. Enxaqueca (prev) perturbações psíArritmias. oral Guanetidina Hipertensão arterial e.ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES ADRENÉRGICOS (ADRENOLÍTICOS) Fentolamina α Feocromocitoma e. No entanto. o que implica a sua utilização apenas como fármaco anti-secretor gástrico no tratamento de gastrites e úlceras gastroduodenais.

Os agonistas dos receptores muscarínicos, ou parassimpaticomiméticos directos ou fármacos colinérgicos, usam-se para aproveitar e acentuar as funções fisiológicas do parassimpático (Quadro ). Deste modo, servem para diminuir a tensão intraocular no tratamento do glaucoma (pilocarpina), para estimular os movimentos intestinais no pósoperatório (betanecol), para estimular a secreção de saliva na xerostomia (pilocarpina). Os antagonistas dos receptores muscarínicos, ou parassimpaticolíticos ou antimuscarínicos ou anticolinérgicos, servem para aumentar a frequência cardíaca (atropina), para prevenir um choque vagal durante uma intervenção cirúrgica (atropina), para diminuir a secreção ácida gástrica (pirenzepina), para aliviar os espasmos do tubo digestivo ou da via urinária (butilescopolamina), para provocar broncodilatação na doença asmática e bronquite crónica (ipratrópio e tiotrópio). Evidentemente que devemos estar atentos aos eventuais efeitos secundários; por exemplo, se a atropina bloqueia a depressão provocada pelo parassimpático a nível do coração, também pode causar obstipação, retenção urinária, diminuição das secreções, aumento da tensão intraocular, pele seca e quente, etc. Esperamos que num futuro próximo surjam mais fármacos específicos dos subtipos de receptores muscarínicos, de modo a termos na clínica fármacos com menos efeitos secundários, à semelhança do que já temos com a pirenzepina. Lembro, no entanto, que existe um modo de evitar efeitos secundários: é o uso duma via de administração que previna a absorção do fármaco. É o que acontece com o ipratrópio ou o tiotrópio: é administrado por via inalatória, chega aos brônquios e é muito pouco absorvido (além de se utilizar uma via para efeitos tópicos, estes dois fármacos são ionizados e, como tal, não são lipossolúveis e absorvíveis). Colinesterases A acetilcolina, libertada a nível dos gânglios neurovegetativos, nas terminações nervosas do parassimpático ou nas terminações do simpático nas glândulas sudoríparas, é rapidamente hidrolisada pelas colinesterases em colina e acetato. A colina pode ser novamente recaptada pela terminação nervosa, servindo para a síntese de nova acetilcolina. Um modo de aumentar a neurotransmissão colinérgica é usar fármacos que inibam as colinesterases – são os chamados parassimpaticomiméticos indirectos. Deste modo, a acetilcolina não é degradada e permanece mais tempo na fenda sináptica.

É

pelo

uso

destes

fármacos

que

por

competição

deslocamos

os

parassimpaticolíticos dos seus receptores, como, por ex., no pós-operatório (usando neostigmina) para deslocar a atropina que começou a ser administrada no início da anestesia geral. Ou, pelo contrário, é pelo uso de parassimpaticolíticos, como a atropina, que combatemos os efeitos do excesso de acetilcolina que resulta das intoxicações por insecticidas irreversíveis) organofosforados -, ou quando paratião, malatião, com etc (anticolinesterásicos gravis [Os tratamos doentes miastenia

anticolinesterásicos, como a piridostigmina, inibem reversivelmente as colinesterases das sinapses terminais do parassimpático - ficando a acetilcolina em maior quantidade e disponível para estimular os receptores muscarínicos e da placa neuromuscular (músculo estriado) – podendo a acetilcolina estimular receptores nicotínicos. Como o efeito que se pretende é a nível do músculo estriado, o uso de atropina evita os efeitos adversos a nível do parassimpático]. Questões para estudo: - Qual é o mecanismo para haver sub ou sobrerregulação dos receptores?
- Como se pode farmacologicamente aumentar ou diminuir a neurotransmissão? - A difusão tem a mesma importância em todos os tipos de sinapse? - Pode haver retrocontrolo a nível da cadeia de síntese do neurotransmissor? - Um neurotransmissor não pode ser um neuromodulador? - Quais são os efeitos de estimulação do simpático ou do parassimpático? - Que tipo de auto-receptores existem nas diversas sinapses do SNA? - O fornecimento de colina é eficaz para aumentar a síntese de acetilcolina? - Que tipos de hetero-receptores existem nas terminações nervosas do simpático? - Um fármaco adrenolítico alfa2 pode ser simpaticomimético? - Quais serão os efeitos da estimulação de receptores pré-sinápticos alfa2 nas terminações nervosas do parassimpático? - É possível um antagonista dos receptores alfa2 evidenciar um efeito simpaticolítico? - Sendo a cocaína um inibidor da capatação neuronal de catecolaminas, quais serão os seus efeitos no organismo humano? A que se deverá a morte por “overdose”? - É possível um fármaco antagonista dos receptores alfa1 provocar taquicardia? - A administração de agonistas adrenérgicos beta2 pode causar taquicardia? - Tendo em atenção o mecanismo de acção da nicotina, quais serão as suas acções no organismo?

CAPÍTULO V FARMACOLOGIA DOS MODIFICADORES DA DOR

1ª PARTE Objectivos: A partir do conhecimento das vias da dor distinguir os diversos tipos de dor e as razões da utilização de fármacos com mecanismos de acção distintos.

Vias da sensibilidade dolorosa. A dor é uma das formas de sensibilidade que tem vias próprias onde poderão actuar os fármacos. Os nociceptores são quase sempre terminações nervosas livres (os receptores sensoriais polimodais poderão também originar a dor) que através de fibras nervosas finas (Aδ ou C) conduzem este tipo de sensibilidade até às pontas posteriores da medula espinhal ou até ao tronco cerebral (nervos cranianos sensoriais). Neste local estas fibras nervosas fazem sinapse com um segundo neurónio que leva a sensibilidade até ao sistema reticular ou até ao tálamo; as fibras que terminam no sistema reticular fazem sinapse com neurónios que se projectam para diversos locais do cérebro, nomeadamente para o sistema límbico e para o tálamo. A partir do tálamo há um neurónio que se projecta para o córtex parietal (primeiro, para o córtex sensorial primário situado na circunvolução parietal ascendente (ou áreas 1, 2 e 3 de Brodmann), e daqui para o córtex sensorial secundário, associativo ou integrativo, situado no restante córtex parietal). Desta descrição sumária das vias da dor ressaltam vários aspectos: a) A dor é normalmente originada em estruturas periféricas (dor somática ou visceral) mas também pode ser produzida por estimulação de qualquer local no trajecto da via sensorial (dor central), seja nas fibras sensitivas periféricas (dor neuropática), nas pontas posteriores da medula, nas projecções ascendentes ou no tálamo. b) A sensibilidade dolorosa é transmitida por fibras nervosas finas (Aδ ou C), de condução lenta. C) Há sinapses na

d) As fibras do tipo C conduzem a dor mais demorada. Ou seja. e) As sensações elementares recebidas na circunvolução parietal ascendente têm depois de ser integradas em sensações mais complexas ou percepções. activando o sistema de alerta ou de vigília. como a dor urente ou em queimadura. à memória. por exemplo. a nível das fibras sensitivas e das pontas posteriores da medula espinhal ou no tronco cerebral). e/ou a respostas do sistema nervoso autónomo ou sistema endócrino (projecções para o sistema límbico). serotoninérgico. associadas. também o aumento da neurotransmissão serotoninérgica reforça este sistema analgésico endógeno. o que pode ser feito através de fármacos . enquanto que as fibras Aδ podem também activar interneurónios inibitórios que inibem depois a neurotransmissão nas sinapses da via mais lenta da dor (teoria da cancela). pelo stress e pelo exercício físico. Os axónios deste último neurónio fazem sinapse directa ou indirectamente (neste caso através de interneurónios encefalinérgicos) com a via da dor. Sistema analgésico endógeno.substância reticular do tronco cerebral que daqui se projectam para o cérebro activando o sistema de vigília (alerta para a dor) ou originando ou associando-se a determinados comportamentos. o CGRP (peptídeo relacionado com o gene da calcitonina). situado nos núcleos do rafe a nível do tronco cerebral. como as encefalinas) na substância cinzenta periventricular ou periaqueductal (do aqueducto de Silvius) e daqui fazem sinapse com um segundo neurónio. modificando o humor e a afectividade. a dor aguda. a nocicepção é integrada em dor. Este sistema é activado pela dor. inibindo a libertação de neurotransmissores ("da dor") como a substância P (SP). a dor crónica. como a dor em picada. enquanto que as fibras do tipo Aδ conduzem a dor "mais rápida". As vias da sensibilidade dolorosa estão associadas ao sistema analgésico endógeno constituído por vias descendentes e por sistemas segmentares (ou regionais. Também é reforçado por medicamentos que inibem a degradação das encefalinas ou que são agonistas a nível dos seus receptores (substâncias opiáceas ou opióides). As vias descendentes são activadas directa ou indirectamente pela dor e têm origem (primeiro neurónio que produz e liberta substâncias opióides endógenas. as fibras do tipo C são as que também têm condução até à substância reticulada. a NKA (neurocinina A) e o glutamato.

Podem ainda reforçar o sistema analgésico endógeno. A condução da “dor” é feita por fibras mais finas. por um reforço da 5-HT (serotonina) endógena (por ex.. Onde actuam os fármacos que podem inibir ou aliviar a dor? Podem actuar inibindo a formação de substâncias algogénicas ou sensibilizadoras para a dor. Deste modo.do primeiro neurónio. . Os receptores sensoriais (nociceptores) são estimulados por diversos agentes físicos e principalmente químicos. as citoquinas. no tálamo e no córtex sensorial. no sistema límbico. CGRP. etc). os seus receptores. amitriptilina).. da estimulação eléctrica transcutânea de alta frequência (TENS). É deste modo que se explica o efeito analgésico da massagem. da pressão. e além de seguir para os cordões posteriores activa também um interneurónio inibitório (que produz e liberta encefalinas. Assim. uma dor somática. o que conduz a menor estimulação dos receptores sensoriais. Estes últimos são os eicosanóides. inibindo a libertação de SP. antagonizando.) chega rapidamente ao SNC (por fibras Aß. a histamina. A condução de determinado tipo de sensibilidade através de fibras grossas (pressão.antidepressivos que sejam inibidores da recaptação neuronal de 5-HT (por exemplo. que aplica a teoria da cancela ("gate theory"). Associado a este sistema existe o sistema analgésico segmentar. de condução mais lenta (fibras nervosas Aδ ou C). massagem. nomeadamente à medula espinhal. Uma das principais células responsáveis pela sua produção e libertação são os macrófagos. por exemplo). através de fármacos antidepressores) ou por estimulação dos receptores dos opióides endógenos (pelas substâncias opióides ou opiáceas).. por exemplo).. da acupunctura (também reforçará as vias descendentes).. a serotonina. glutamato e outros mediadores desta via). nas pontas posteriores (principalmente na terminação .pré-sináptica .) que inibe a neurotransmissão a nível da via da dor ("fecha a cancela" na sinapse que produz e liberta SP. glutamato. ao longo da via ascendente. NKA. as cininas. vibração. por exemplo. podemos inibir a dor através da inibição da produção destas substâncias (pelos fármacos antiinflamatórios) ou da inibição da sua acção. originada pela inflamação dum tecido. podem actuar nas fibras nervosas periféricas... prejudicando também a integração da dor. outro modo de acção poderá ser através da diminuição da excitabilidade dos neurónios (pelos anticonvulsivantes.

feita pela enzima fosfolipase A2. de modo a se saber como actuam os fármacos analgésicos actuais e como serão os do futuro. . O ácido araquidónico pode seguir várias vias metabólicas. Os eicosanóides são ácidos gordos com vinte carbonos e duplas ligações. Eicosanóides. São produzidos a partir do ácido araquidónico que por sua vez resulta duma hidrólise de fosfolípidos das membranas. 2ª PARTE Objectivos: Conhecer as substâncias que induzem dor e compreender o seu mecanismo de produção e acção.poderá ser tratada por um fármaco antiinflamatório. Duas delas estão representadas na figura seguinte. que já não serve para uma dor central (responde muito melhor a determinados anticonvulsivantes ou antidepressores).

Também tem acções vasodilatadoras e quimiotácticas. É produzida na maioria dos tecidos a partir do cininogéneo. sendo produzida principalmente a nível do endotélio. por sua vez.A enzima ciclooxigenase (COX) origina a prostaglandina G2 (PGG2) e esta a PGH2 que. a sua adesão ao endotélio e a sua diapedese. Estes últimos são constrictores da musculatura lisa (induzem vaso e broncoconstrição. aumentam a permeabilidade a nível das vénulas e aumentam a produção de muco. É destruída pela bradicininase que é inibida pelos inibidores da enzima de conversão da angiotensina I em angiotensina II (IECAs). Bradicinina. por exemplo). Deste modo. a enzima lipooxigenase dá origem aos leucotrienos. PGF2α . O TXA2 é maioritariamente produzido nas plaquetas e tem efeitos vasoconstrictores e agregantes plaquetares. O LTB4 é quimiotáctico – causa a marginalização de leucócitos. etc). à prostaciclina (PGI2) ou ao tromboxano A2 (TXA2). nomeadamente as prostaglandinas. pelo contrário. dá origem às diversas prostaglandinas (PGE1. Potenciam ainda a acção e o efeito dos outros eicosanóides. a PGI2 (ou prostaciclina). Os eicosanóides. Existem duas formas de COX: a indutível ou COX-2 (formada nos tecidos inflamados) e a constitutiva ou COX-1 (que existe no estômago. LTD4 e LTE4 (“slow-reacting substance of anaphylaxis” (SRS-A)). por exemplo). O LTA4 é sintetizado a partir do ácido araquidónico pela enzima 5-lipooxigenase e leucotrieno (LT) sintetase. Deste modo. O LTA4 pode então ter duas vias de síntese: para LTB4 ou para os LTC4. PGE2. a inibição da COX terá efeitos analgésicos e antiinflamatórios. Como . Actua em receptores próprios e a sua acção é potenciada pelas prostaglandinas. para prevenir as tromboembolias interessa inibir a produção de TXA2 e aumentar (ou pelo menos não diminuir) a produção de PGI2. nos rins e nas plaquetas. tem efeitos vasodilatadores e antiagregantes plaquetares. É uma poderosa substância estimulante das terminações nervosas livres da via da dor. são em grande parte responsáveis pela inflamação e sensibilização dos tecidos à dor.

levocetirizina. . Podem algumas vezes difundirem-se pelo sangue e actuarem à distância. que são selectivos para estes receptores. A histamina actua em três tipos de receptores: H1.a estimulação pela bradicinina de receptores próprios nos brônquios provoca tosse (do tipo irritativo). desloratadina. úlceras gastro-duodenais. Existem anti-histamínicos H1 de primeira geração (para além do antagonismo dos receptores H1 também antagonizam outros receptores como os muscarínicos para a acetilcolina). armazenadas em grânulos. intestinal ou outro. Uma das substâncias que está contida nos grânulos é a histamina. loratadina. A nível do endotélio aumenta a produção de substâncias vasodilatadoras e causa aumento da permeabilidade vascular. esofagite por refluxo gastro-esofágico). causando alguma sonolência (dimenidrato. seja vascular. A histamina é produzida principalmente pela estimulação dos mastócitos. dimetindeno. Estas células contêm substâncias pré-formadas. e os antihistamínicos H2 (cimetidina. causando contracção. Citocinas. As citoquinas são peptídeos produzidos por células para actuarem na própria célula (secreção autócrina) ou em células vizinhas (secreção parácrina). os fármacos antihistamínicos H1 (ou antagonistas dos receptores H1) têm como indicação clínica as alergias (por exemplo. ciclizina. não causando sonolência significativa. uma das reacções adversas dos IECAs é a tosse. rinite alérgica) e a urticária. H2 e H3. Estas últimas acções também são feitas através da estimulação dos receptores H2. ranitidina) usam-se para diminuir a produção de HCl (gastrites. Os receptores H1 estão localizados principalmente no endotélio vascular e no músculo liso. que também existem nas células parietais do estômago. Assim. Histamina. cetirizina. ebastina. como hormonas. hidroxizina). eicosanóides). A histamina é sintetizada a partir do aminoácido L-histidina por acção da enzima respectiva. originando a produção de HCl. mas podem também formar de novo determinadas substâncias quando são estimuladas (por exemplo. e anti-histamínicos H1 de segunda geração (astemizol. famotidina. ruspatadina).

as interleucinas (desde a interleucina 1 (IL-1) até à interleucina 15 (IL-15)). etc). factor de crescimento derivado das plaquetas (PDGF). seja dos monócitos (M-CSF) ou dos granulócitos e monócitos (MG-CSF). β ou γ ). os factores estimulantes das colónias (CSF).A maioria é moduladora de funções celulares ou são factores de crescimento. Existem numerosas classes ou tipos. . como os factores de crescimento (do endotélio vascular: VEGF. os interferões (interferão α.

ibuprofeno. ou por agentes exógenos.. A este sistema endógeno chamamos sistema analgésico endógeno. clonixina.3ª PARTE ANALGÉSICOS Naturais: Morfina. tramadol A dor resulta da estimulação das terminações nervosas periféricas por substâncias químicas produzidas localmente.as pessoas sentem a dor de modo bastante diverso entre si. Sintéticos: Metadona. como já antes foi referido. . petidina. sejam químicos ou físicos. Após a estimulação periférica o estímulo nervoso é conduzido pelos nervos sensitivos até ao SNC onde. como as prostaglandinas. é percebido no contexto das vivências do indivíduo e modulado por diversos sistemas neuroniais (percepção ou integração central).. Em suma. naproxeno. encefalinas e dinorfinas) e a serotonina. após um longo percurso em feixes que cruzam para o lado oposto. a dor é sentida perifericamente e integrada centralmente. A estimulação nociceptiva activa no próprio organismo a produção de substâncias que atenuam a dor: são os chamados opióides endógenos (endorfinas. que na maioria das vezes também produzem localmente substâncias nociceptivas. paracetamol Analgésicos anti-inflamatórios: AAS ou acetilsalicilato de lisina (doses elevadas). codeína Centrais ANALGÉSICOS Analgésicos "puros": Glafenina. metamizol "Periféricos" Analgésicos antipiréticos: AAS. Trata-se dum mecanismo de retrocontrolo negativo (o aumento da dor activa a produção de substâncias que diminuem a dor) com marcada variabilidade inter-individual . buprenorfina.

podemos continuar a chamar-lhes analgésicos periféricos. como o hipotálamo está em ampla conexão com o sistema nervoso autónomo (ou periférico). Como se pretende apenas a analgesia. do centro respiratório (provoca respiração superficial e bradipneia. Ou seja. os analgésicos periféricos produzem grande parte dos seus efeitos através duma acção central. por exemplo). Tem efeitos estimulantes ou excitantes sobre o centro de vómito (é nauseante e emética). a depressão da vigília (o indivíduo fica apático).Existem fármacos analgésicos que actuam a nível periférico ("periféricos"). muitas vezes fatal. e efeitos excitantes. de modo a evitar a depressão respiratória. Dos primeiros destaco o aumento do limiar para a dor (analgesia). podendo ir até à paragem respiratória) e da tosse (é antitússico). como já foi dito. Os analgésicos centrais podem produzir uma marcada depressão do SNC (narcóticos). como a morfina ou a metadona. de que se vai diminuindo paulatinamente a dose. principalmente quando usada em "overdose" (sobredosagem). o núcleo do X par craniano (bradicardia . . como o tramadol. principalmente.. Em relação à morfina é necessário sublinhar ainda a tolerância que se desencadeia e a marcada dependência física (com síndroma de abstinência) e psíquica (vício ou adicção) que provoca. desmotivando o indivíduo em relação à própria dor. ou não a causar de modo significativo (não narcóticos). o núcleo do III par de nervos cranianos (provoca miose: pupilas em "ponta de alfinete").. encefalinas e dinorfinas). e outros que agem a nível do SNC (centrais).) e. A propósito de dependência verificou-se que esta se desenvolve mais rapida e profundamente nos "drogados" que nos indivíduos com dores que exijam este tipo de fármacos (doentes com neoplasias. com menor (metadona) ou muito menor (buprenorfina) capacidade de depressão e dependência. No entanto. Neste caso. nomeadamente a nível do hipotálamo. Todavia. Tem efeitos depressores. é uma das "drogas duras" de uso mais corrente (intoxicação crónica) e para cujo "desmame" se usa um outro fármaco analgésico central (metadona ou buprenorfina). por exemplo). O protótipo dos analgésicos narcóticos é a morfina. sobre a musculatura lisa das vísceras ocas (causa obstipação. A morfina é ainda causa frequente de intoxicação aguda. todos os outros efeitos são secundários (ou reacções adversas). É um alcalóide do ópio (que provém da papoila dormideira) e que actua em receptores específicos no organismo (estimulados pelas endorfinas. deve-se administrar um fármaco antagonista (naloxona) ou agonista parcial. principalmente diminuindo a síntese de prostaglandinas.

Os fármacos deste tipo (e. Tem numerosas reacções adversas. enfarte do miocárdio. mas com muito menor capacidade de depressão do SNC. perturbação da vigília e das capacidades intelectuais. O representante mais antigo desta família é o ácido acetilsalicílico (AAS). embora raramente. Como analgésicos centrais existem ainda outros fármacos potentes que não deprimem significativamente a respiração nem provocam dependência. diminuem as temperaturas corporais elevadas. Podem causar náuseas e vómitos. além de diminuirem a dor. em doses diárias baixas . por exemplo.nalguns minutos reverte-se a depressão respiratória! Os representantes mais conhecidos são a naloxona e a naltrexona. não baixam a temperatura duma pessoa normal . Porém. menos potente que a morfina. A petidina ou demerol é outro analgésico de acção central.A codeína é outro analgésico central. prevenindo as tromboembolias (angina de peito. a morfina). Provoca dependência e ao contrário da codeína não é antitússica. já que não conduz à expulsão das secreções que se vão acumulando na árvore respiratória. É usado ainda em outras duas indicações: como antitússico ou como antidiarreico. Outro uso corrente destes antagonistas. Em doses elevadas (3 a 10 gramas por dia) é ainda anti. nomeadamente da naltrexona (é de uso oral. provoca. no entanto. o temível choque anafilactóide.g.. já que na presença de naltrexona a morfina ou a heroína (diacetilmorfina) não actuam. o que levou à recomendação feita pela Agência Europeia do Medicamento de só se utilizar a glafenina nas situações em que os outros analgésicos periféricos falharam. como a glafenina.são apenas antiagregantes plaquetares. franca variação inter-individual. menos potente. enquanto que a naloxona é de uso parentérico). Raramente provoca dependência. AVC. a . Como antitússico pode ser perigoso. Os analgésicos "periféricos" puros.-inflamatório. são úteis em situações ligeiras que não envolvem inflamação nem hipertemia. tramadol e buprenorfina) representam um enorme avanço no combate às dores muito intensas. é nos drogados em fase de não consumo. Já referi que nos casos de intoxicação aguda por fármacos opiáceos se deve usar um antagonista dos receptores opiáceos . A glafenina não causa irritação gástrica apreciável. etc). Pelo contrário. havendo. Todavia. Os analgésicos antipiréticos. narcótico.da ordem dos 50 a 300 mg . Deve ser utilizado apenas nas tosses irritativas.não são hipotermizantes (como. ou que apenas combatem a dor.

os salicilatos. o que leva a contraindicar os salicilatos nas crianças com gripe. a influenza (gripe). polipneia. associa-se o poder de lesar a mucosa com a potência antiinflamatória do fármaco .maioria dose-dependente: irritação da mucosa gástrica e intestinal. discrasias sanguíneas. que a dose analgésica já pode ser de 200 mg enquanto que para a antiinflamação usam-se doses mais elevadas (de 400 a 800 mg) (DDD como antiinflamatório de 2400 mg). Dentro deste grupo existe ainda o diflusal e formas tamponadas de salicilatos. Existe uma associação positiva entre o acetilsalicilato. O AAS deu origem a um grupo de fármacos. não anti-inflamatório. dispersa-se melhor no lúmen gástrico e é mais rapidamente absorvido. Como analgésicos ou analgésicos / antipiréticos existem ainda outros fármacos. quando ingerida em dose elevada (acima de 10 g) pode causar necrose hepática. mas que será estudado nos anti-inflamatórios não esteróides. "rashes". como analgésicos. É destituído de efeito agressivo sobre a mucosa . como a clonixina ou o clonixinato de lisina. asma. de referir. as crianças e a síndroma de Reye (necrose hepática e encefálica). Também desde há muito que se usam os derivados das anilinas como analgésicos antipiréticos. têm algumas particularidades. Outro analgésico / antipirético muito usado é o ibuprofeno. Esta reacção adversa deve-se ao facto de um metabolito hepatotóxico do paracetamol necessitar de glutatião para ser eliminado. principalmente. as doses necessárias para hepatite tóxica são menores. zumbidos. . se houver depleção de glutatião. O mais utilizado é o paracetamol. os menos anti-inflamatórios são os que causam menos irritação gastrointestinal. retenção de água e sal. Assim.por isso. pouco agressivo para a mucosa gastrointestinal. De um modo geral. o acetilsalicilato de lisina é facilmente solúvel na água e. A dipirona ou metamizol é outro analgésico antipirético. por isso. acufenos. o que acontece após difusão do fármaco a partir do sangue e não por contacto directo no estômago).quase inócuo em doses terapêuticas. desequilíbrio ácidobásico. como acontece com os alcoólicos. o que significa que provoca menos irritação gástrica por contacto directo (note-se que a irritação gástrica é por diminuição da síntese de eicosanóides protectores gástricos. no entanto. mas que pode provocar agranulocitose. Todavia. que embora repartindo as características. que apesar de também poderem ser antiinflamatórios (risco semelhante) apenas são usados como antipiréticos e. não anti-inflamatórios.

vários analgésicos em dosagens baixas podem ter apenas um efeito aditivo (a eficácia seria a mesma com uma dose maior de um único analgésico) mas com maior risco (maior possibilidade de reacções adversas do tipo B – alérgicas ou idiossincrásicas). a dose de cafeína associada é ineficaz (abaixo de 100 mg. .Existem analgésicos associados a outras substâncias (associações ou combinações fixas). por exemplo). demonstrada em ensaios clínicos aleatorizados e controlados robustos (por exemplo. mas que nos devem levantar reservas devido: a dose de vitamina C associada não tem qualquer efeito nas indicações clínicas propostas (melhoria ou prevenção da gripe ou constipação. a associação de l-arginina). porque acima desta dose pode haver aumento do efeito analgésico) ou pode causar reacções adversas como o aumento da excitabilidade (um café expresso contém de 100 a 200 mg de cafeína). os aminoácidos acrescentados não trazem mais valia terapêutica significativa. Segundo uma norma ou “guideline” da Agência Europeia de Avaliação dos Medicamentos (EMEA) as associações fixas de fármacos só são de admitir quando resulte sinergia de potenciação ou quando resulte maior segurança. ou mesmo a outros analgésicos.

onde também se activam células locais ou se libertam substâncias. como a imunidade contra certas substâncias do próprio corpo . que possuem um núcleo esteróide ou núcleo ciclopentanofenantrénico (antiinflamatórios esteróides ou corticóides ou corticosteróides). pode haver lesão dos tecidos. dor (os quatro sinais de Celsus) e a impotência funcional. osteoporose (osteoporose dos corticóides). além da dor e da deterioração do estado geral. Provocam irritação gastrointestinal. tumor. É o que acontece na artrite reumatóide com a sua destruição de articulações.doenças autoimunes.ou externo. Os anti-inflamatórios esteróides [cortisona.ANALGÉSICOS ANTI-INFLAMATÓRIOS Salicilados Derivados das pirazolonas ANALGÉSICOS ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES (AINEs) Derivados do indol Derivados do ácido arilacético Derivados do ácido propiónico Derivados do ácido antranílico Oxicams Nimesulide Nabumetona Coxibes A inflamação é uma resposta do organismo a uma agressão causada por um agente que o próprio organismo não reconhece como seu. desde os salicilados até aos derivados do ácido propiónico e os coxibes. hiperglicémia. Importa. Se a inflamação é muito intensa ou perdurar por demasiado tempo. como os agentes infectantes. beclometasona. por exemplo . fluticasona. deflazacort] são derivados da hormona cortisol e. e os fármacos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). existem os fármacos derivados do cortisol. . metilprednisolona. para em conjunto combaterem o elemento estranho. pois. Pode ser interno. agressor. prednisolona. dexametasona. combater a inflamação. partilham das suas propriedades. budesonido (ou budesonídeo). Para isso. Têm numerosos efeitos secundários. tornam manifestos os sinais cardinais da inflamação: calor. Ao fazê-lo. rubor. desequilíbrio hidroelectrolítico (retenção de Na+ e água e eliminação de K+). por isso. apesar de serem potentes. Numerosos leucócitos migram até ao local da agressão.

para a colite ulcerosa pode-se administrar budesonido (não é absorvido) em enema. mas possuem menos reacções adversas. deposição anormal de gordura (facies "em lua cheia" e "pescoço de búfalo"). a repetir várias vezes por dia) são principalmente analgésicos antipiréticos. Têm uma razoável potência mas nas doses em que devem ser usados (AAS: 1000 mg) causam irritação com muita frequência. dificuldade na cicatrização das feridas. para o choque anafiláctico deve-se administrar o corticosteróide (prednisolona ou metilprednisolona) por via endovenosa.diminuição das defesas imunitárias (possibilidade de infecções). acetilsalicilato de lisina) são os anti-inflamatórios não esteróides usados há mais tempo. Quando administrados por qualquer via para efeito sistémico todos provocam irritação gastrointestinal. Têm. diflunisal. sugilações. psicoses. com indicações precisas e rigoroso controlo médico. Os anti-inflamatórios não esteróides são menos potentes. A indicação clínica e a segurança aconselham uma via de administração apropriada: para a prevenção das crises asmáticas administram-se diariamente em sprays ou aerossóis para a via traqueobrônquica (pode haver candidíase oral mas as repercussões sistémicas são mínimas. havendo um atraso de 2-3 cm no crescimento ao fim de muitos anos de uso). azapropazona. embora de grau variável consoante o fármaco estão contraindicados em indivíduos com história de úlcera gastroduodenal. oxifenilbutazona) são potentes como anti-inflamatórios. cremes. soluções. suspensões) uma vez por dia (pode haver atrofia da pele ao fim de algumas semanas de uso). Devem ser reservados para situações especiais. geles. no entanto. para o tratamento do eczema de contacto administram-se (a sua potência também depende do excipiente usado) em formas tópicas (pomadas. atrofia do córtex suprarrenal ao fim de semanas de uso (obrigam a uma descontinuação progressiva (“desmame”) da administração ao longo de semanas). Em doses mais baixas (de cerca de 500 mg por toma. feprazona. benorilato. Os salicilados (ácido acetilsalicílico (AAS). tendo ainda a vantagem duma longa duração de acção. em doses muito elevadas. reacções adversas que provocaram o seu progressivo e justificado "esquecimento": irritação gastrointestinal. Os derivados das pirazolonas (fenilbutazona. retenção de água e . Estas reacções adversas dependem da via de administração usada e não têm a mesma intensidade com os diversos corticosteróides...

O nimesulide é usado como analgésico. principalmente sob exposição ao sol (fotossensibilidade). o piroxicam provoca com alguma frequência dermatites. Os derivados do ácido propiónico (ibuprofeno. principalmente. sulindac) também são potentes no combate à inflamação. Não devem ser usados como analgésicos. a azapropazona parece não estar claramente implicada. O seu metabolito hidroxi-nimesulide também é activo. Os derivados do ácido acético (ou arilacético) (fenclofenac... ácido flufenâmico) são fármacos mais analgésicos que anti-inflamatórios e. Além das reacções adversas próprias do grupo (irritação gástrica). estas últimas com maior frequência que com outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides. Tem uma semivida de 3 a 6 h. flurbiprofeno . provocam cefaleias e confusão mental. Como reacções adversas pode causar dermopatias (desde o eritema à . tenoxicam) são anti-inflamatórios não esteróides com longa semivida (apenas se administram uma única vez por dia) e potentes. depressão da medula óssea (a produção das células sanguíneas diminui: leucopenia que pode chegar à agranulocitose). acemetacina. são utilizados com maior frequência nas dores dentárias. provocam cefaleias e dermatites (mais "rashes"). Além dos efeitos secundários próprios deste tipo de fármacos. Os derivados do ácido antranílico (ácido mefenâmico. No que respeita a esta última reacção adversa. possuindo ainda propriedades analgésicas e antipiréticas. por isso. antipirético e antiinflamatório nas doses diárias usuais. o que o distingue de outras classes antiinflamatórias. Além das reacções adversas comuns a este grupo de fármacos. Os derivados do oxicam (piroxicam. Possui um grupo funcional sulfonanilídico. É um grupo numeroso e com grande variabilidade na farmacocinética (desde o ibuprofeno com semivida curta até ao naproxeno com semivida longa). nomeadamente no idoso.sal (causando edemas e hipertensão arterial) e. Além da irritação das mucosas. excepto em situações especiais (eg. diclofenac) têm longa duração de acção e razoável poder anti-inflamatório. hemicrânea crónica paroxística. hemicrânea contínua). Os derivados do indol (indometacina. na dismenorreia e outras situações dolorosas simples. É um inibidor selectivo da COX-2 e também é um neutralizador de radicais livres. cetoprofeno. fenoprofeno. o que significa que pode ser administrado duas vezes por dia. naproxeno.) são dos anti-inflamatórios não esteróides menos irritantes das mucosas. provocam diarreia e anemia hemolítica.

Não deve ser administrado a crianças com menos de 12 anos de idade. porém. perturbações gastrointestinais e alterações hepatobiliares (colestase ou citólise). o que acontece após difusão a partir do sangue. em doses elevadas. devido à deposição de cristais de ácido úrico nas articulações. etoricoxibe. contudo. As crises de gota. que. do mesmo modo que o meloxicam (um derivado do ácido propiónico)]. atendendo aos milhões de prescrições deste fármaco. São fármacos de diversa estrutura química e que inibirão selectivamente a COX-2 [o nimesulide deve ser considerado um inibidor preferencial da COX-2. ao contrário dos fármacos anteriores. . entre outras. e a COX-2 exprime-se principalmente nos tecidos inflamados. No entanto. ou à colchicina (as doses que se têm de usar causam diarreia). De facto.e que se houver lesão gástrica não impedem que surja uma lesão ulcerosa mais grave ou perfuração (a COX-2 é necessária para a cicatrização). rofecoxibe. que a toxicidade para a mucosa gastrointestinal é devida à inibição da síntese de eicosanóides. é apresentado como tendo menos reacções adversas gastrointestinais. respondem aos AINEs mais potentes (indometacina. parecoxibe. um fármaco inibidor selectivo da COX-2 evidenciaria menos reacções adversas gástricas. estando na base da defesa destes tecidos contra a agressão. não alteraram significativamente a razão eficácia/segurança. De referir que existem reacções adversas dependentes da dose (do tipo A) e outras idiossincrásicas ou alérgicas (do tipo B) que são mais raras e de aparecimento imprevisível (como a anemia hemolítica com o ácido mefenâmico). Note-se. Engl J Med 2000. o número de reacções adversas gastrointestinais é menor com os representantes deste grupo – celecoxibe. já foram descritas algumas dezenas de hepatites tóxicas. valdecoxibe.epidermólise tóxica). é necessário ter consciência de que poderão aumentar os fenómenos tromboembólicos e a isquémia do miocárdio (N. Tendo em atenção que a COX-1 está mais relacionada com a produção de prostaglandinas pela mucosa gástrica e pelos rins. por isso. 343: 1520-8) – há síntese de TxA2 . ao contrário dos anteriores e. azapropazona). Os coxibes têm um nome que apenas os relacionam com a inibição das ciclooxigenases (COX inhibition) e não com qualquer aspecto químico de classe. A nabumetona é um composto não acídico.

infliximab). hidroxicloroquina). Anti-inflamatórios não esteróides.). D-penicilamina. a osteoartrose e a doença gotosa. Anti-inflamatórios esteróides ou corticosteróides. sais de ouro (auranofina. Antipalúdicos (eg. D-penicilamina. azatioprina) -------------------------------------------------------------------------------------------------------- Sais de ouro. Podem atrasar a evolução da doença mas não a “curam”. São exemplos desta possibilidade a artrite reumatóide. salazopirina.FÁRMACOS UTILIZADOS COMO MODIFICADORES DA EVOLUÇÃO DE DOENÇAS REUMATOLÓGICAS Algumas doenças reumatológicas podem ser modificadas na sua evolução (“tratamento de fundo”). Não citotóxicos (antipalúdicos (cloroquina ou hidroxicloroquina). ciclofosfamida. Classificação dos fármacos utilizados no tratamento da artrite reumatóide (AR). a espondilite anquilosante. Citotóxicos (metotrexato. clorambucil. 2. -------------------------------------------------------------------------------------------------------Fármacos modificadores dos sintomas (tratamento sintomático) da AR (“symptom-modifying anti-rheumatic drugs” ou SMARDs): 1. . estes fármacos são pouco potentes. imunomoduladores (ciclosporina. Sulfassalazina. Com excepção da gota. Infliximab ou etanercept (ver adiante) Metotrexato. Quadro . Fármacos modificadores da evolução da AR (“Disease-modifying antirheumatic drugs” ou DMARDs) 1. sais de ouro i. Ciclosporina. 2.m.

. É um anticorpo monoclonal contra o TNFα . Inibe a oxidase da xantina. É um antagonista dos canais de cálcio do retículo endoplasmático. Suxametónio ou succinilcolina. é aconselhável usar simultaneamente nos primeiros dias a colchicina ou o AINE mais aconselhado (ver atrás). impedindo a reacção inflamatória. Reconhece o TNFα . Nas doses aconselhadas nesta indicação clínica são algo eficazes mas causam sonolência. RELAXANTES MUSCULARES Relaxantes musculares (miorrelaxantes) centrais São usados nas contracturas musculares esqueléticas (eg.. Pode diminuir as defesas imunitárias.) Benzodiazepinas (diazepam). Deprimem os reflexos polissinápticos. É um agonista adrenérgico alfa-2 pouco potente. torcicolo. lumbago. No início do tratamento pode desencadear uma crise gotosa e. As reacções adversas mais frequentes são as dermopatias. MODIFICAÇÃO DA EVOLUÇÃO DA OSTEOARTROSE. Como é uma proteína.TRATAMENTO DE FUNDO DA ESPONDILITE ANQUILOSANTE Infliximab. diminuindo a síntese de ácido úrico. como receptor . Dantroleno: apenas se usa na hipertermia maligna ou na síndroma maligna dos neurolépticos. Etanercept. PREVENÇÃO DA DOENÇA GOTOSA Alopurinol. reactivando uma tuberculose. neutralizando o referido TNFα . Apenas um dos fármacos existentes no mercado português – a glucosamina evidenciou algum efeito (pouco) na evolução da artrose. . por isso. em doses elevadas e quando se administrou durante bastantes meses. Relaxantes musculares (miorrelaxantes) periféricos Despolarizantes. Deprimem os reflexos polissinápticos. tem de ser administrado por perfusão endovenosa e pode desencadear uma reacção febril durante o tratamento. Outros (tiocolquicosido). Tizanidina. Sem interesse.

São fármacos que se utilizam para evitar ou tratar as crises de vómitos. A maior parte causa sonolência e alguns são anticolinérgicos. loratadina. gastroenterite. não devem ser usados como antieméticos. fexofenadina) não são ou são muito pouco sedantes mas alguns não atravessam a barreira hematoencefálica e não fizeram ensaios clínicos no tratamento das náuseas e vómitos. Os fármacos ditos antivertiginosos (betahistina. Os vómitos por dificuldade na progressão ao longo do tubo digestivo (obstrução) devem-se ser tratados por sonda nasogástrica e terapia da situação causal. Também os vómitos por tóxicos. Causam alguma sonolência. devendo-se fazer o tratamento apropriado (por exemplo. por isso. vecurónio. trimetazidina. podendo haver antagonismo dos receptores muscarínicos. Estes fármacos aumentam a libertação de acetilcolina nas terminações do vago. Para outro tipo de vómitos pode ser necessário administrar antagonistas dopaminérgicos: metoclopramida ou domperidona. atracúrio. alcurónio. de que é exemplo a hidroxizina. cinarizina. flunarizina) são pouco eficazes ou ineficazes. apesar de ser também um antagonista dopaminérgico. otites ou outras infecções devem ser tratados de modo etiológico. manobra de Epley na lesão do canal semicircular posterior). Os vómitos também podem acompanhar uma síndroma vertiginosa. principalmente de primeira geração. por acção a nível de receptores serotoninérgicos. a domperidona não atravessa a barreira hemato-encefálica e. a difenidramina. Tubocurarina. Deste modo.Competitivos ou curarizantes. e . Não é de mais lembrar que os vómitos são sintomas apenas. Para o "enjoo das viagens" é suficiente administrar um anti-histamínico dos receptores H1. Enquanto que o primeiro atravessa a barreira hemato-encefálica e. Os antihistamínicos H1 de segunda geração (azelastina. cetirizina. ebastina. o dimenidrinato e a prometazina. pode causar uma síndroma extrapiramidal (é um neuroléptico). não causa tal síndroma. devido ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2. desloratadina. pancurónio. CAPÍTULO X MODIFICADORES DO APARELHO DIGESTIVO ANTIEMÉTICOS ou ANTIVOMITIVOS. levocetirizina.

A ipeca ou ipecacuanha. São fármacos que aumentam a motilidade do estômago e a eficiência do esfíncter gastro-esofágico. o que na nossa opinião não deve ser feito devido à fraca relação benefício / risco. EMÉTICOS. causa vómitos ao fim de 30 a 60 minutos. GASTROCINÉTICOS. Pode ser útil na criança. cisplatinum) ou pela radioterapia a terapêutica antiemética mais aconselhável são os fármacos antagonistas dos receptores serotoninérgicos 5-HT3: ondansetron. que se caracteriza por gastroparésia). tropisetron ou granisetron. ESPASMOLÍTICOS. Os fármacos parassimpaticomiméticos são gastrocinéticos mas têm uma relação benefício / risco que não os aconselha nesta indicação clínica. Devido a estas propriedades são gastrocinéticos (reforçam o esfíncter gastroesofágico e esvaziam o estômago no sentido do duodeno) – usam-se na doença do refluxo gastroesofágico e na dispepsia. administrada por via oral. quando há dificuldade na indução mecânica dos vómitos. São exemplos o cisapride (pode causar arritmias cardíacas graves quando associado a antibióticos macrólidos ou a antifúngicos do grupo dos imidazóis e por isso é de utilização muito restrita).em consequência aumentam a motilidade do tubo digestivo. na dispepsia. É exemplo desta situação uma neoplasia do . para aumentar a absorção de analgésicos na crise de enxaqueca. a cleboprida. Nalguns países ainda se utilizam fármacos anticolinérgicos como antieméticos. Os espasmos traduzem muitas vezes uma lesão que provoca resistência à passagem do conteúdo do tubo digestivo. na potenciação da absorção de alguns fármacos (por exemplo. Também o antibiótico eritromicina é gastrocinético mas não deve ser usado como tal (entre outros problemas. Estão indicados na doença do refluxo gastroesofágico. a domperidona e a metoclopramida. Para os vómitos provocados por fármacos antineoplásicos (por exemplo. há o risco de desencadear resistência microbiana). Têm uma boa relação eficácia / segurança mas têm um custo muito elevado.

dicicloverina. Também se podem administrar antagonistas do cálcio (pinavério) ou relaxantes directos da fibra muscular lisa (papaverina ou derivados: mebeverina). Já existem preparações farmacêuticas comercializadas.intestino delgado. No entanto. que se dissolvem num determinado volume de água – em 250 ou 500 mL. O organismo pode defender-se dum agente agressor através da diarreia (è procurar a causa). Há o perigo de desencadearem obstipação. É muito mais eficaz (mas menos segura) quando administrada por via parentérica. Os parassimpaticolíticos diminuem os movimentos do intestino (por ex. por exemplo).. como a água ou caldo de arroz. a butilescopolamina é um derivado amónio quaternário e por isso é pouco absorvido. clidínio. Quanto a estes fármacos é necessário atender às contraindicações. por isso. A diarreia é a principal causa de morte a nível mundial. Como antidiarreicos utilizam-se bastantes vezes esporos de microrganismos saprófitas (Bacillus subtilis ou o Saccharomyces boulardii. prefere-se usar a loperamida ou o difenoxilato (são aparentados dos opiáceos mas sem causar a maioria dos seus efeitos secundários. só se deve utilizar esta terapêutica sintomática após sabermos a causa dos espasmos ou cólicas do tubo digestivo (ou de outro órgão oco). A trimebutina é um agonista dos receptores das encefalinas que à semelhança de alguns dos outros espasmolíticos é usada no cólon irritável. alguma sonolência. podem causar. No entanto. apatia. beladona (planta de onde se extrai a atropina). náuseas ou vómitos). tiropramida . oligoelementos e hidratos de carbono. Muitas vezes o doente também se queixa de diarreia. Também se . É útil iniciar uma terapêutica à base de alimentos líquidos e que “prendam o intestino”. atropina). em carteiras. Antes de administrar um fármaco antidiarreico é necessário iniciar uma terapêutica não farmacológica – hidratação. têm muitos efeitos secundários e. ANTIDIARREICOS. precauções e efeitos secundários. sais minerais. Deste modo. propinoxato. o que não se confirma pelo interrogatório cuidado. no entanto. Também devem ser evitados alimentos que aumentem a defecação – alimentos com fibras – ou que sejam algo laxantes. Podem-se administrar parassimpaticolíticos: butilescopolamina.

Apesar de não terem a potência dos fármacos anti-secretores de HCl. acidez de "rebound" (carbonato de cálcio). O magaldrato é uma combinação de hidróxido de alumínio. hidróxido de magnésio e sulfato. as propriedades de antagonistas do cálcio dos antibióticos neomicina e bacitracina (em combinação). Também devem ser administrados nas doses suficientes (geralmente usam-se doses subterapêuticas). na presença de diarreia deve-se fazer sempre dieta (líquida. Devem ser administrados fora dos períodos em que naturalmente se faz neutralização do HCl pelos alimentos: entre as refeições (1 e 3 horas após) e ao deitar. com sais minerais e sem alimentos que aumentem o número e o volume das fezes. A melhor terapêutica é a dieta – não comer alimentos cuja digestão cause flatulência. INIBIDORES DA SECREÇÃO ÁCIDA GÁSTRICA. alcalose (bicarbonato de sódio). ANTIÁCIDOS. ANTIFLATULENTES. Além de tratar a acidez (e as suas consequências) podem causar diarreia [sais de magnésio (por exemplo. embora na maioria das vezes de forma errada.. Para contrariar os efeitos secundários usam-se misturas de antiácidos: sais de magnésio e de alumínio. obstipação (sais de alumínio como o hidróxido ou o fosfato ou o silicato de alumínio). enquanto estão no lumen gástrico) o HCl.. 2) acetilcolina do parassimpático (vago ou pneumogástrico). Como já foi escrito acima. hidróxido ou silicato de magnésio)]. Quando se sabe a causa da diarreia deve fazer-se o tratamento específico – por exemplo. São fármacos usados para neutralizar o HCl gástrico: actuam topicamente. antibióticos na cólera.pode aproveitar. . O simeticone e o dimeticone são referidos como antiflatulentes. 3) histamina dos mastócitos (que podem ser estimulados pelas terminações vagais). Pode-se aumentar a secreção ácida do estômago através da estimulação da célula parietal da parede do estômago com: 1) gastrina [segregada no estômago (antro) em resposta à sua distenção causada pelos alimentos]. cirurgia na síndroma suboclusiva do colon. os antiácidos aliviam rapidamente a dor da gastrite ou úlcera péptica. já que neutralizam rapidamente (embora transitoriamente.

ranitidina (actualmente o anti-H2 mais usado). interacções (com anticoagulantes. Parassimpaticolíticos selectivos para a secreção ácida gástrica (antagonistas dos receptores M1): Pirenzepina. acetilcolina e formação de HCl pela bomba de protões. taquicardia. 2. 3. Fármacos antigastrínicos (antagonizando os receptores da gastrina): Proglumida è poucos efeitos secundários mas pouco eficaz. Por serem menos potentes que os inibidores da bomba de protões. que ao unirem-se ao Cl..). obstipação. que dependendo da dose.Célula parietal: estimulação pela gastrina. ginecomastia. retenção urinária. famotidina. por ex.. confusão mental. raramente.). um outro método de diminuir eficazmente (o mais eficaz. nizatidina. também pode bloquear os outros receptores muscarínicos situados noutros orgãos. pode-se diminuir a secreção por: 1. já que se inibe a via final comum) a secreção de ácido é a inibição da bomba de protões. o que origina reacções adversas (boca seca. Ou seja. Em consequência. já são pouco usados. . histamina.entretanto difundido para fora da célula formam o HCl. Outro fármaco com características semelhantes é a telenzepina. A estimulação destes receptores provoca uma extrusão de protões pela bomba de protões. Fármacos antagonistas dos receptores H2 (anti-H2): Cimetidina (pode causar.

9 1. apesar da semivida ser de cerca de duas horas.0 .5-1. deveria ser mais potente que este e ter menos reacções adversas. Porém.5 .0 1. esomeprazol. pantoprazol.7 0.9-2.3-1.2-1.2 1. rabeprazol são compostos benzimidazólicos. Também necessitam de se converter na forma protonada. por isso.0 1. num meio muito ácido) São fármacos bem absorvidos após a sua administração por via oral. Inibem de modo irreversível a bomba de protões e em consequência o efeito é de dias.9-1.3-2. Farmacocinética dos inibidores da bomba de protões_______________________ Omepraz Lansopraz Pantopraz Esomepraz Rabepraz (20 mg) (30 mg) (40 mg) (20-40 mg) (20 mg) ----------------------------------------------------------------------------------------------------*Biodisponibilidade absoluta oral (%) 30-65 83-86 77 50-89 52 *Tmax (h) 0. Fármacos inibidores da bomba de protões: omeprazol.4. não é mais potente (mg por mg) e o espectro de eventos adversos é semelhante.5 1. devem ser administrados em jejum ou antes das refeições (o meio ácido facilita a formação da forma protonada).6 2-5 *Ligação às proteínas (%) 95 97 98 97 95-98 *t1/2β (h) 0.5 0. Mecanismo de acção dos inibidores da bomba de protões_(IBP)______________ Os IBP são bases fracas lipofílicas è è São transportados através da membrana da célula parietal para o meio ácido canalicular (da célula parietal) è è sulfenamidas protonadas è è ligação covalente com a H+/K+-ATPase è inibição irreversível O rabeprazole forma uma ligação parcialmente reversível e é activado num intervalo amplo de pH (sem significado clínico porque estes fármacos destinam-se a inibir a secreção de HCl. por isso. lansoprazol.3.1-4. O esomeprazol é um isómero do omeprazol e. e.

45 77 0..1-3.46 0.13 71 .74 80 0.08-0. sendo usados na doença do refluxo gastroesofágico.13-0.6-1. náuseas.Colonização bacteriana [depende do grau de redução de HCl (e. Os anti-secretores representam apenas um meio de diminuir a agressão da mucosa gástrica.g.20-0. rash. na úlcera gástrica e/ou duodenla. respectivamente) –Alívio sintomático: Lansoprazole 30 > omeprazole 20 / pantoprazole 40 > esomeprazole 40 –Manutenção: Rabeprazole 10 ou 20 = omeprazole 20 # Úlcera gástrica ou duodenal (Oregon Health Resources Comission.17 0. diarreia.*Cmax (mg/L) *Vd (L/Kg) *Cl (L.28 14 – 23 1.. Eficácia dos inibidores da bomba de protões_______________________________ # Esofagite erosiva (Oregon Health Resources Comission. 1996) è risco de 1.41 0. os estudos têm resultados controversos e não conclusivos!] A absorção de vitamina B12 pode diminuir em tratamentos muito prolongados -------------------------------------------------------------------------------------------------------São fármacos muito eficazes na redução da produção de HCl. Outra maneira de proteger o estômago será pela administração de .1 a 1. obstipação As reacções adversas graves são muito raras (e. A sua eficácia na dispepsia é menor.1-4.34 0.6 vezes para infecções intestinais] è Nitratos -------------- nitritos  nitrosaminas (cancerígenas) bactérias [todavia. Abril de 2004): –PPIs similares.08-8 0.h/Kg) * % elim pelos rins 0.80 2.. Reacções adversas dos inibidores da bomba de protões_____________________ 1-3%: Cefaleias.g.2 0.3 0.Thorens et al. Abril de 2004): –Taxas de cura (4 e 8 semanas): Lansoprazole 30 = esomeprazole 40 = pantoprazole 40 = omeprazole 40 (mas um ensaio em doentes com esofagite grave: esomeprazole 40 > lansoprazole 30 (> de 5 e 4 % da taxa de cura às 4 e 8 semanas. hepatite e nefrite) .39-0. na gastrite. na síndroma de Zollinger-Ellison.50 30 .35 Estes fármacos evidenciam poucas reacções adversas (a bomba de protões acessível a estes fármacos existe em poucos locais)..31-0..

ou Inibidor da bomba de protões. cora de negro as fezes. um modo actual de curar a úlcera péptica é administrar antibióticos.Misoprostol . respectivamente. omeprazol). . ao diminuirem a produção de HCl ou ao neutralizarem o HCl. respectivamente ) ou frequentes. LAXANTES. obstipação.não provocará as encefalites atribuídas ao bismuto. Alguns trabalhos referem que diminui a taxa de recidivas da úlcera gastroduodenal. também protegem a mucosa gástrica). . origina. As recidivas que antigamente eram muito frequentes passaram a ser pouco . Pode causar cólicas do intestino ou do útero e/ou diarreia.é um análogo das prostaglandinas (hormonas locais para a comunicação célula a célula e que no estômago (PGE1 e PGE2) contribuem para a estimulação da produção de muco e da irrigação sanguínea ).d. Actualmente não é praticamente usado.Sucralfato . por vezes. claritromicina e metronidazol. Interfere na absorção gastrointestinal de fármacos. descobriu-se há poucos anos que o Helicobacter pylori está na base da úlcera péptica e é causa das recidivas frequentes. Deste modo. amoxicilina. PROTECTORES DA MUCOSA GÁSTRICA. Inibidor da bomba de protões. No entanto. Tanto os fármacos anti-secretores como alguns dos protectores da mucosa gástrica utilizam-se em terapia curativa (durante 4 a 6 semanas) ou preventiva (durante meses mas em doses reduzidas). amoxicilina e claritromicina (20 mg + 1 g + 500 mg b.protectores da mucosa gástrica (os antissecretores e os antiácidos.i.Bismuto coloidal . amoxicilina e metronidazol.. junto com fármacos antissecretores – por exemplo: Inibidor da bomba de protões (eg.une-se ao colagéneo “descoberto” nas úlceras e forma um penso (“penso gástrico”). .

E. cáscara sagrada. diminui a absorção das vitaminas lipossolúveis – A. já que não servem para a discinésia biliar nem são hepatoprotectores. Podem ser: Colagogos: fármacos que fazem com que a vesícula se contraia e esvazie Coleréticos: fármacos que aumentam o fluxo total de bílis e diminuem a sua viscosidade (sais e ácidos biliares. ispaghula.Parafina líquida (cuidado com pneumonias por ingestão deste óleo.Fenolftaleína. trepibutona).Alteram reflexamente a actividade intestinal ou estimulam os mecanismos neuromusculares do intestino.Dioctilsulfosuccinato de sódio e cálcio. tocanfil. deplecção em água e electrólitos (sódio. sene. . aumentando o volume das fezes. b) Laxantes que actuam por aumento ou expansão do volume das fezes ( são laxantes ditos “fisiológicos”): Plantago. agar-agar è "incham" com a água. D. Podem provocar habituação.Óleo de castor ou de rícino. deve-se ter cuidado com a “dependência”. K – e pode originar granulomas). . picossulfato de sódio. aloés.Citrato de sódio (em microclisteres). magnésio e potássio). (refeições gordas. Sorbitol Manitol Lactulose (é útil no tratamento da encefalopatia hepática). Na realidade não têm nenhuma indicação clínica. bisacodil. a) Laxantes de contacto ou estimulantes ou irritativos ou purgantes (aumentam os movimentos peristálticos e produzem hipersecreção): .chamam a água. Metilcelulose. MODIFICADORES DAS FUNÇÕES BILIARES. tolerância. . carboximetilcelulose Farelo Sais de Mg++ e Na+ . - c) Laxantes salinos e/ou osmóticos - d) Laxantes para amolecimento das fezes (emolientes): . sais de magnésio). florantirona. É de desaconselhar o seu uso. .

a pessoa pode ficar com diarreia oleosa. arginina. por isso. A acarbose inibe a alfa-glucosidase. Se não houver uma dieta adequada (excesso de gordura).. pancreatite crónica. Para terapêutica da litíase biliar (cálculos de colesterol radiotransparentes. Os fármacos referidos como protectores hepáticos têm uma eficácia duvidosa – silimarina e seus componentes. utilizam-se a sulfassalazina e . é utilizada como adjuvante no tratamento da diabetes mellitus tipo 2. A sua eficácia é limitada (50%). É um adjuvante do tratamento da diabetes mellitus tipo 2 (90% das diabetes). diminuindo a absorção de hidratos de acarbose. ANTIINFLAMATÓRIOS INTESTINAIS. diarreia e dores abdominais. A melhor protecção é conferida pela alimentação cuidada. juntamente com a dieta. pelo que devem ser administrados ao longo de muitos meses. não calcificados) usa-se o ácido ursodesoxicólico e o ácido quenodesoxicólico (“dissolvem” lentamente os cálculos. O orlistat é um inibidor da lipase gástrica e pancreática que é utilizado no tratamento da obesidade. em que existe quase sempre excesso de peso.. A pancreatina pode ser usada como terapêutica de substituição em situações em que há deficiência de secreção pancreática exócrina (fibrose quística. podem causar diarreia e hepatotoxicidade). dimecroato. PROTECTORES HEPÁTICOS.Como terapêutica dos espasmos da via biliar usam-se parassimpaticolíticos. No tratamento da colite ulcerosa e da doença de Crohn são úteis compostos não absorvíveis e com actividade antiinflamatória. orazamida. a sua eficácia é pequena. após pancreatectomia). evitando excesso de álcool e outros agressores hepáticos. INIBIDORES ENZIMÁTICOS E SUPLEMENTOS ENZIMÁTICOS. pelo que num número significativo de casos tem de se recorrer à cirurgia. e. Pode causar flatulência. Para além de corticosteróides (o budesonido quando aplicado em enema não é absorvido).

As tosses irritativas. É fundamental fazer uma dieta para amolecer as fezes. O único fármaco que demonstrou uma relação benefício / risco aceitável (mas com risco!) é a pilocarpina (é um agonista muscarínico que implica reacções adversas).. usam-se venotrópicos (como a diosmina) em doses elevadas e por via oral. Se houver tromboflebite. que também não é absorvido (a sulfassalazina dá ainda um metabolito tóxico.. a messalazina. . Apesar de não haver evidência disponível. para além de corticosteróides tópicos. Usa-se na xerostomia – após radioterapia da cabeça ou devida a doenças do foro reumatológico. ou não produtivas. ao não deixarem o doente descansar. As glândulas salivares são estimuladas pelo sistema nervoso parassimpático. e.o seu metabolito activo. absorvível . CAPÍTULO X MODIFICADORES DO APARELHO RESPIRATÓRIO ANTITÚSSICOS A tosse pode ser útil quando expele secreções ou exsudatos (tosse produtiva) ou outro material estranho da via respiratória. por isso. Também se pode usar saliva artificial. o tratamento mais eficaz para a doença de Crohn é o infliximab (já referido a propósito da artrite reumatóide). Actualmente. através dos pares craneanos VII e IX. Pode ser útil a sua eliminação. podem ser prejudiciais ao irritarem ainda mais a via respiratória. AUMENTO DA PRODUÇÃO DE SALIVA. TRATAMENTO ANTIHEMORROIDÁRIO. ao provocarem complicações no pós-operatório. para além do tratamento da eventual causa da crise hemorroidária. Nestas situações deve-se facilitá-la através da sua fluidificação e consequente expulsão. o aumento da neurotransmissão terminal colinérgica aumenta a secreção de saliva.a sulfapiridina). deve-se fazer um tratamento adequado.

Os mucolíticos rompem as ligações sulfuradas das mucoproteínas. mas não são estupefacientes. Codeína: pode causar obstipação. ciclidrol. Folcodina.De notar que a tosse é apenas um sintoma e não uma doença. a guaifenesina e a ipeca). e ambos são os mais usados clinicamente no ambulatório. de acção directa (óleos voláteis e essências balsâmicas) e mucolíticos (acetilcisteína. o que obriga a pesquisar a sua causa. sobrerol)] Os expectorantes por acção reflexa actuam por irritação da mucosa gástrica e em consequência levam a uma estimulação vagal reflexa e aumento da secreção da mucosa brônquica. Antitússicos de acção central (actuam sobre o centro da tosse e noutras estruturas do SNC. Usam-se nas tosses irritativas ou não produtivas. diminuindo a viscosidade do muco e permitindo a sua remoção pela actividade ciliar do epitélio respiratório e pela tosse. carbocisteína. Expectorantes [podem ser de acção reflexa (expectorantes salinos como o benzoato e citrato de sódio e o cloreto de amónio. dependência ligeira. têm uma acção semelhante ao ópio e à morfina. Clobutinol Dextrometorfano. Como forma de aumentar a expectoração não esquecer a hidratação do doente. Os expectorantes de acção directa estimulam directamente as células secretoras brônquicas. alguma depressão respiratória. Em doses elevadas começam a surgir as acções do tipo opiáceo. não tendo os seus inconvenientes). Oxolamina. bromexina. vómitos. náuseas. . Os efeitos secundários são bastante raros e constam de sedação (em grandes quantidades). A bromexina tem como metabolito activo o ambroxol. A codeína é ainda usada como analgésica e como antidiarreica. Deve-se hidratar bem o doente. epigastralgias. Não se devem usar preparados com combinações de antitússicos ou antitússicos e expectorantes. ambroxol.

. tremores. Utilizam-se principalmente na prevenção – por exemplo.). ácaros. parentérica e traqueobrônquica (em aerossóis. fluidificando-a. também produzem broncodilatação. Estes fármacos usam-se principalmente no tratamento da crise de asma – são um tratamento sintomático. tulobuterol). ansiedade. fenoterol. pelos de animais domésticos. clembuterol. Simpaticomiméticos beta2 a) De curta duração de acção (salbutamol. As xantinas. Também tem inflamação e broncoespasmo. das crises nocturnas ou antes do exercício físico. Quando a crise de asma é previsivelmente desencadeada numa determinada circunstância (como. com hiperreactividade brônquica. habituação (?). formoterol. nomeadamente a aminofilina/teofilina e a cafeína. por exemplo. . Muitas vezes está associada ou é desencadeada por um estímulo extrínseco (alergenos sazonais. b) De longa duração de acção (8 a 12 horas) (salmeterol. é a via mais indicada porque a quantidade de fármaco absorvido é muito pequena). Para tratar esta doença é necessário suprimir o factor causal. Terão as reacções adversas dos de curta duração de acção. A estimulação do simpático (receptores adrenérgicos beta2) e o bloqueio do parassimpático (receptores muscarínicos) relaxam o músculo liso brônquico. A DPOC é constituída pela bronquite crónica e enfisema pulmonar. e relaxar o músculo brônquico. Podem ser administrados por via oral..TRATAMENTO DA ASMA E DA DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÓNICA (DPOC) A asma é considerada actualmente uma doença inflamatória crónica das vias aéreas. pó da casa. procaterol). excitação. reduzir o edema da parede brônquica (acção antiinflamatória) e aumentar a expectoração. Podem provocar taquiarritmias. . insónia. terbutalina. pelo exercício físico) a administração de um destes fármacos pode ser preventiva. Os fenómenos ou intercorrências infecciosas devem ser tratadas com antibióticos.

São mais eficazes na bronquite crónica que na asma. Utilizam-se por via endovenosa. hiperexcitabilidade cardíaca. não são muito úteis na terapêutica das crises de broncoespasmo. na via traqueobrônquica. fluticasona . Por via parentérica tem um efeito sintomático (tratamento das crises). Ultimamente utilizam-se muito as formas de absorção retardada. Bloqueando os receptores colinérgicos diminui-se o tónus brônquico. Têm uma absorção irregular a partir da via rectal. pelo que actualmente poderá ser o preferido. Parassimpaticolíticos (ipratrópio. pelo que estando ionizados são muito menos absorvidos que os outros parassimpaticolíticos. Como efeitos secundários pode acontecer: insónia. As formas tópicas (administradas em aerossol) – beclometasona. Interagem com numerosos fármacos a nível farmacocinético. Têm um início lento de acção e. pelo que algumas vezes é necessário dosear a teofilina no sangue. Estas formas farmacêuticas permitem a administração numa ou duas vezes por dia. porque diminuem a sua hidrólise. Como efeito secundário pode surgir secura das secreções. náuseas. administram-se em aerossol. Xantinas (teofilina). Corticosteróides. budesonido. A margem terapêutica é muito estreita (entre 10 e 20 mg/l). vómitos. tiotrópio). por via oral.Um problema que pode surgir com os simpaticomiméticos é a diminuição de resposta do organismo (subregulação dos receptores). ou oral. por isso. nervosismo. sendo a absorção mais regular. diarreia. O tiotrópio tem maior duração de acção (4 a 6 horas) e menor flutuação de efeito ao longo do dia. Por via parentérica usam-se em urgência e por via oral nos casos refractários à terapêutica antiasmática habitual. Estes dois fármacos são amónios quaternários. tremor.são capazes de prevenirem as crises asmáticas . Existe grande variabilidade interindividual na resposta a uma mesma dose. A teofilina por via oral tem um efeito preventivo. Como mecanismo de acção sabe-se que aumentam o AMP cíclico. A teofilina tornada hidrossolúvel (mistura estável com a etilenodiamina) é a aminofilina. provavelmente porque diminuem as secreções (são parassimpaticolíticos).

estimulação do apetite e aumento de peso. desde que aplicadas cerca de meia hora antes. Tratamento preventivo da asma e da DPOC______________________________ Corticosteróides tópicos (beclometasona. budesonido. Os antagonistas dos leucotrienos (dos receptores do leucotrieno D4) são fármacos recentes que evidenciam eficácia e segurança (alguns casos de cefaleias. Provoca alguma sonolência. astenia. zafirlucaste) Antiinflamatórios não esteróides (cromoglicato ou nedocromil).Podem ser usados também na profilaxia das crises asmáticas induzidas pelo exercício físico. Antiinflamatórios não esteróides.. Actuam através da sua acção antiinflamatória e provavelmente da sua capacidade de aumentarem a resposta à estimulação simpaticomimética. fluticasona)* Antagonistas dos receptores dos leucotrienos (montelucaste. São fármacos preventivos das crises asmáticas (não deixam que os mastócitos libertem os mediadores da inflamação). São exemplos o montelucaste e o zafirlucaste. Cromolinas (cromoglicato de sódio e nedocromil). É útil para prevenir as crises de asma na criança. Cetotifeno. . secura da boca . Antihistamínicos H1. Cetotifeno (na criança). São pouco potentes (menos que os corticosteróides).) na prevenção das crises asmáticas. Os leucotrienos estão implicados nos processos inflamatórios e alérgicos. Têm muito menos interesse na DPOC. Antagonistas dos receptores dos leucotrienos..e são actualmente a “chave” do tratamento preventivo da asma. artralgias. São usados por inalação e não são absorvidos. já que se administra por via oral.

Agonistas adrenérgicos beta2 de longa duração [na prevenção da asma nocturna ou da asma induzida pelo esforço físico (os de curta duração de acção também podem ser utilizados nesta indicação clínica)]. budesonido.juntamente ou não com um antihistamínico H1.. a fenilefrina. a oximetazolina. . Corticosteróides (beclometasona. Causam tolerância e irritação nasal quando administrados de modo repetido e prolongado. São simpaticomiméticos alfa e provocam vasoconstrição. por exemplo. Descongestionantes nasais. MEDICAMENTOS PARA APLICAÇÃO NASAL. Outros – corticosteróides por via endovenosa. a xilometazolina) ou sistemicamente (com mais efeitos secundários) – fenilpropanolamina. Teofilina de absorção retardada. Ipratrópio ou tiotrópio # * Não terão interesse na DPOC # Mais úteis na DPOC Tratamento sintomático da asma_ou das exacerbações da DPOC______________ Agonistas adrenérgicos beta2 de curta duração de acção (administração traqueobrônquica). geles . Os vasoconstrictores nasais não devem ser utilizados durante mais que uma semana. Administram-se localmente (gotas.. pseudoefedrina . se utilizados em dose excessivo podem provocar taquicardia. Utilizam-se em situações clínicas de obstrução nasal por aumento do exsudato e transudato nasal (rinite alérgica ou não alérgica. Aminofilina (via parentérica).. inquietação e insónias.. a tramazolina. coriza ou constipação). fluticasona. adrenalina por via subcutânea. mometasona).. pelo risco de isquémia da mucosa e consequente atrofia.

Também como anestésico local pode ser usada a lidocaína. ebastina. cromoglicato de sódio) São usados no tratamento da rinite alérgica. hexetidina. Os antissépticos (cloro-hexidina.. fusafungina) (todavia... que pode ser administrada em sistemas transdérmicos . levocetirizina.São usados na rinite alérgica e na recorrência da polipose nasal. macrólido (eritromicina. em pastilhas para absorção perlingual e oral ou em formas orais... a tetracaína ou a oxibuprocaína. triancinolona na forma de comprimidos aplicados sobre a lesão (Aftach®.) também podem ser usados na boca. já que é antisséptica e anestésica local. claritromicina. bem como alguns antibióticos (tirotricina. iodopovidona. Medicamentos para aplicação tópica na boca e na orofaringe A faringite é frequentemente de causa bacteriana e nesta situação deve-se usar um antibiótico sistémico [betalactamina (penicilina oral ou penicilina G intramuscular).]. Segundo o New Engl J Med [2000. principalmente os de segunda geração (cetirizina. na maioria das situações o uso clínico de antibióticos tópicos é muito discutível). Também os antihistamínicos H 1 sistémicos podem ser usados nesta indicação clínica. Podem provocar secura das muscosas. em comprimidos bucais muco-adesivos). na doença de Behçet) podem ser tratadas com nicotina. bacitracina. Se administrados em grandes quantidades podem desencadear efeitos sistémicos (após absorção). A benzidamida (associada ou não ao anestésico local benzocaína) é útil nas lesões bucais ulceradas. azitromicina. irritação local e facilitação de processos infecciosos locais. Os corticosteróides tópicos podem ser utilizados no tratamento da estomatite aftosa (por exemplo...).. . Antihistamínicos tópicos (azelastina. amoxicilina.). 343(24):18167] as úlceras aftosas recorrentes (por exemplo.