Camille Paglia, a "intelectual americana da cultura pop" - classifica a VEJA nas páginas amarelas da semana passada -, acha que

Angelina Jolie deveria "gastar tempo estudando arte em vez de tentar provar que é Madre Teresa ou Joana d'Arc", ela está decepcionada com a cantora Madonna substituída no trono da intelectual por Daniela Mercury. Mas a intelectual parece mesmo irritada com a atriz a ponto de querer dizer: "Pare de falar e vá se concentrar em outra coisa". Ela quer convertê-la do modelo "Madre Teresa" para o modelo "Camille Paglia". Recentemente houve bastante discussão também sobre dois modelos e visões de mundo: a visão criacionista e a visão evolucionista (naturalista). De um lado, os criacionistas com a abordagem do Design Inteligente (D.I.) se apresentando como ciência - é impossível achar que tudo seja obra do acaso (é como encontrar um relógio na beira da praia e supor que foram milhões e milhões de anos e diversos fenômenos naturais que o construíram) - e do outro lado os naturalistas convictos de que a visão do D.I. não passa de "balela cristã". Mas quem define o que é ciência? Quem quer converter quem? Conversão é uma palavra que assusta muita gente, especialmente quando é a intenção de alguma pessoa religiosa. Os evolucionistas naturalistas não aceitam o D.I. também por suspeitar de que se trata apenas de um movimento religioso com "maléficas intenções" disfarçado de ciência - embora existam cientistas sérios e competentes dentro do criacionismo científico buscando espaço para desenvolver suas teorias. Por outro lado, Camille Paglia quer a "conversão" de Angelina à sua visão de mundo: "Normalmente, eu desaprovo atores que se passam por militantes políticos. Tudo bem aparecer ocasionalmente em um evento beneficente, mas eles não devem partir para cruzadas" - diz ela. O relativismo nos faz pensar que liberdade é cada um produzir ou escolher as suas verdades. Porém, se "tudo é relativo" até mesmo essa afirmação pode ser relativa, o que nos leva a...: aceitar certos absolutismos. Portanto, não é apenas natural mas é também lógico que pessoas busquem concordância e conversão umas nas outras. Jesus oferece uma alternativa quando deixa claro que não é na liberdade que encontramos a verdade, mas é a verdade que nos liberta (João 8.32). Por outro lado afirmar verdades pode ser uma forma de poder - Foucault, Nietzsche e Jesus concordam com isso. Entretanto, nem toda verdade é uma forma de poder. Por isso no centro do cristianismo está Deus servindo e não subjugando: nascendo como ser humano e morrendo por toda a humanidade, inclusive seus inimigos. Dessa forma, tentando passar por essa aparente contradição de todos os que questionam o absolutismo de Deus, mas não o seu próprio, eu procuro entender a Camille e os evolucionistas, e mesmo outras religiões como essas que também tentam converter pessoas às suas razões. É possível entender perfeitamente que todos queiram me converter. Porém algumas verdades aprisionam, outras libertam. Rahel Victor Lehenbauer – rahelvictorlehenbauer@gmail.com Cristão Luterano