1 TUD SOBRE ALFABETIZAÇÃO Edição Especial | 03/2009

Alfabetizar é todo dia O professor deve planejar com antecedência e constantemente as atividades de leitura e escrita. Por isso, manter-se atualizado com as novas pesquisas didáticas é essencial

MÃO NA MASSA As crianças precisam ser confrontadas com situações de escrita desde o início do processo. Foto: Ricardo Beliel Alfabetizar todos os alunos nas séries iniciais tem implicações em todo o desenvolvimento deles nos anos seguintes. Segundo a educadora Telma Weisz, supervisora do Programa Ler e Escrever, da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, “a leitura e a escrita são o conteúdo central da escola e têm a função de incorporar a criança à cultura do grupo em que ela vive”. Por isso, o desafio requer trabalho planejado, constante e diário, conhecimento sobre as teorias e atualização em relação a pesquisas sobre as didáticas específicas (leia o artigo abaixo).

Esta edição especial traz o que há de mais consistente na área. Hoje se sabe que as crianças constroem simultaneamente conhecimentos sobre a escrita e a linguagem que se escreve. Conhecer as políticas públicas de Educação no país e seus instrumentos de avaliação é um meio de direcionar o trabalho. Um exemplo é a Provinha Brasil, que avalia se as crianças dominam a escrita e também seus usos e funções. Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda e Silva, o grande mérito do teste de avaliação que mede as competências das crianças na fase inicial de alfabetização é fornecer instrumentos para o professor interpretar os resultados, além de sugerir práticas pedagógicas eficazes para alcançá-los. “É um material que ajuda o professor na reflexão porque

2 nenhuma avaliação serve para nada quando se limita a constatar. Ela só faz sentido para mudar práticas e identificar as dificuldades de cada aluno.” Telma Weisz A saída é a formação do professor alfabetizador Para desenvolver este artigo, parto de dois pressupostos. Primeiro: o que garante a qualidade da Educação que acontece de fato nas escolas é, sobretudo, a qualidade do trabalho profissional dos professores. O segundo: a qualidade do trabalho profissional dos professores tem dependido essencialmente da formação em serviço, pois a inicial tem se mostrado inadequada e insuficiente. Diante disso, me concentro numa questão: a competência da escola pública brasileira para produzir cidadãos plenamente alfabetizados, requisito mínimo para falar em Educação de qualidade. É preciso admitir que nossa incapacidade para ensinar a ler e a escrever tem sido responsável por um verdadeiro genocídio intelectual. A existência de um fracasso maciço, o fato de ele ter sido tratado como natural até poucos anos atrás e a fraca evolução desse quadro em 40 anos comprovam como vem sendo penoso ensinar os brasileiros que dependem da rede pública. Pesquisas de campo mostram a enorme dificuldade que os educadores têm para avaliar o que os alunos já sabem e o que eles não sabem. Aqueles que produzem escritas silábicoalfabéticas e alfabéticas na 1ª série e que teriam condições de acompanhar a 2ª série – pois podem ler e escrever, ainda que com precariedade – são retidos. Por outro lado, os bons copistas e os que têm letra bonita ou caderno bem feito são promovidos. Quando se trabalha com esse tipo de indicador, até avanços na aprendizagem acabam sendo prejudiciais. Muitas crianças que aprendem a ler começam a “errar” na cópia. Elas deixam de copiar letra por letra e passam a ler e escrever blocos de palavras, em geral unidades de sentido. Isso faz com que cometam erros de ortografia ou unam palavras. O que indicaria progresso é interpretado como regressão, pois, por incrível que pareça, nem sempre o professor sabe a diferença entre copiar e escrever. Essa é uma dificuldade de avaliação comum nos quatro cantos do país e que explica em grande parte por que muitos alunos de 4ª série não leem e não entendem um texto simples. Eles costumam ser os que terminam a 1ª série sem saber ler ou lendo precariamente. Nas séries seguintes, passam o tempo copiando a matéria do quadronegro ou do livro didático. Ao serem perguntados sobre o que fariam para melhorar a qualidade da leitura e do texto produzido por esses estudantes, os profissionais que lecionam para a 2ª, 3ª ou 4ª série costumam dizer que não há o que fazer, já que eles foram mal alfabetizados e, além disso, as famílias não ajudam. Nos últimos 25 anos, estive envolvida com programas de formação docente em serviço

3 em todos os níveis possíveis: desde a implantação de uma unidade educacional até a formação em nível nacional. Essa experiência me dá condições de afirmar que não existem soluções mágicas para resolver em pouco tempo os problemas da escola brasileira. A qualidade da Educação – e especificamente da alfabetização – só melhorará quando as políticas educacionais forem um projeto de Estado e não de governo.
TELMA WEISZ é supervisora do Programa Ler e Escrever, da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo

E não há tempo a perder. No início do ano, como agora, a tarefa essencial é descobrir quais as hipóteses de escrita das crianças, mesmo antes que saibam ler e escrever convencionalmente (leia mais sobre como fazer um bom diagnóstico). Assim, fica mais fácil acompanhar, durante o ano, a evolução individual para planejar as intervenções necessárias que permitam que todos efetivamente avancem. Essa sondagem inicial influi na distribuição da turma em grupos produtivos de trabalho, como mostra a reportagem Parceiros em Ação.

CERCADA POR TEXTOS Todos os materiais escritos do cotidiano, como livros, jornais e revistas, devem ser levados para a sala de aula. Foto: Marcelo Min Da mesma forma, organizar a rotina é imprescindível. Uma distribuição de atividades deve ser estabelecida com antecedência, contemplando trabalhos diários, sequências com prazos determinados e projetos que durem várias semanas ou meses (confira dicas preciosas sobre o planejamento). Ao montar essa programação, cabe ao professor abrir espaço para as quatro situações didáticas que, segundo as pesquisas, são essenciais para o sucesso na alfabetização: ler para os alunos, fazer com que eles leiam mesmo antes de saber ler, assumir a função de escriba para textos que a turma produz oralmente e promover situações que permitam a cada um deles escrever até que todos dominem de fato o sistema de escrita. A partir da página 34, você encontra as bases teóricas e casos reais de professoras que obtiveram sucesso ao desenvolver cada uma das situações (com sugestões detalhadas de atividades). Sabe-se, já há algum tempo, que as crianças começam a pensar na escrita muito antes de ingressar na escola. Por isso, precisam ter a oportunidade de colocar em prática

4 esse saber, o que deve ser feito em atividades que estimulem a reflexão sobre o sistema alfabético. No livro Aprender a Ler e a Escrever, as educadoras Ana Teberosky e Teresa Colomer apontam que o desenvolvimento do aluno se dá “por reconstruções de conhecimentos anteriores, que dão lugar a novos saberes”. Essa condição está presente nos 12 planos de aula deste especial. Em todos, transparece a necessidade de abrir espaço para que a turma debata o que produz, permitindo que a reflexão leve a avanços nas hipóteses iniciais de cada estudante.

Expectativas para o 1º ano
COMUNICAÇÃO ORAL • Fazer intercâmbio oral, ouvindo com atenção e formulando perguntas. • Mostrar interesse por ouvir e expressar sentimentos, experiências, ideias e opiniões. • Recontar histórias de repetição e/ou acumulativas com base em narrações ou livros. • Conhecer e recontar um repertório variado de textos literários, preservando os elementos da linguagem escrita. LEITURA • Ouvir com atenção textos lidos. • Refletir sobre o sistema alfabético com base na leitura de nomes próprios, rótulos de produtos e outros materiais - listas, calendários, cantigas e títulos de histórias, por exemplo -, sendo capaz de se guiar pelo contexto, antecipar e verificar o que está escrito. • Ler textos conhecidos de memória, como parlendas, adivinhas, quadrinhas e canções, de maneira a descobrir o que está escrito em diferentes trechos do texto, fazendo o ajuste do falado ao que está escrito e o uso do conhecimento que possuem sobre o sistema de escrita. • Buscar e considerar indícios no texto que permitam verificar as antecipações realizadas para confirmar, corrigir, ajustar ou escolher entre várias possibilidades. • Confrontar ideias, opiniões e interpretações, comentando e recomendando leituras, entre outras possibilidades. • Relacionar texto e imagem ao antecipar sentidos na leitura de quadrinhos, tirinhas e revistas de heróis. • Inferir o conteúdo de um texto antes de fazer a leitura com base em título, imagens, diagramação e informações contidas na capa, contracapa ou índice (no caso de livros e revistas).

à linguagem escrita. listas. relacionálas ao tema e fazer perguntas sobre os assuntos abordados. • Produzir texto de memória de acordo com sua hipótese de escrita. contos e muito mais). se preparar para se comunicar em . “O governo está fazendo uma intervenção específica nas séries iniciais para ter resultados rapidamente. revistas. com dois docentes por sala. a intervenção do professor é vital para negociar a passagem da linguagem oral. ouvindo com atenção e formulando perguntas sobre o tema tratado. Para impedir que mais pessoas fiquem restritas a compreender apenas enunciados simples. enciclopédias etc. que devem ainda abordar todos os gêneros de escrita (textos informativos. • Ouvir com atenção crescente a opinião dos colegas. • Produzir escritos de autoria (bilhetes. quando possível. • Reescrever histórias conhecidas . • Escrever usando a hipótese silábica. cartas. mostra que só 28% da população brasileira está na condição de alfabetizados plenos. • Escrever o próprio nome e utilizá-lo como referência para a escrita. • Aprender a respeitar modos de falar diferentes do seu. o desempenho escolar nos anos iniciais precisa de resultados melhores. E. nas atividades de produção de texto. recuperando características da linguagem do texto original. expressar suas ideias. Essa preocupação deve ser compartilhada por professores e órgãos públicos. O número mais recente do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). assim. • Aprender a falar de maneira mais formal e. material didático de apoio. secretária estadual de Educação de São Paulo.ditando para o professor ou para os colegas e. considerando as ideias principais do texto-fonte e algumas características da linguagem escrita. Variedade é realmente fundamental para os alfabetizadores. gibis. de próprio punho -. mais informal. Expectativas para o 2º ano COMUNICAÇÃO ORAL • Participar de situações de intercâmbio oral. jornais. instrucionais). afirma Maria Helena Guimarães de Castro. de 2007. formação continuada e avaliação bimestral”. • Recontar histórias conhecidas. (Baseadas nas expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa da rede municipal de São Paulo) É fundamental levar para a escola as muitas fontes de texto que nos cercam no cotidiano.5 ESCRITA E PRODUÇÃO TEXTUAL • Conhecer as representações das letras maiúsculas do alfabeto de imprensa e a ordem alfabética. como livros. com ou sem valor sonoro convencional.

textos conhecidos. nas histórias em quadrinhos. listas. para compreender etc. poemas. legendas. com ajuda do professor e dos colegas. evitam repetições. LEITURA • Apreciar textos literários. compreender a revisão como parte do processo de produção. adivinhas. além de placas de identificação. nos contos. • Ler. fazem uso da letra maiúscula. entre outras. assim. (Baseadas nas expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa da rede municipal de São Paulo) . • Produzir textos simples de autoria.6 situações como entrevistas. • Colocar em ação diferentes modalidades de leitura em função do texto e dos propósitos da leitura (ler para buscar uma informação. ainda que com erros ortográficos (ausência de marcas de nasalização. ler diferentes gêneros (literários. no que se refere tanto aos aspectos textuais como à apresentação gráfica.). em textos esportivos e nas notícias de jornal). • Reescrever histórias conhecidas. ler minuciosamente para executar uma tarefa. • Ampliar suas competências leitoras: ler rapidamente títulos e subtítulos até encontrar uma informação. canções e trava-línguas. recitais. • Compreender a natureza do sistema de escrita e ler por si mesmo textos conhecidos. de divulgação científica. em cartazes. saraus. ESCRITA E PRODUÇÃO TEXTUAL • Escrever alfabeticamente. • Revisar textos coletivamente. ditando-as ou de próprio punho. para se entreter. • Coordenar a informação presente no texto com as informações oriundas das imagens que o ilustram (por exemplo. cantorias e seminários. por si mesmo. quadrinhos e rótulos. hipo e hipersegmentação. características do portador. gênero e sistema de escrita. manchetes de jornal. selecionar uma informação precisa. instrucionais. como parlendas. como resolvem os diálogos. notícias). reler um trecho para retomar uma informação ou apreciar aquilo que está escrito. entre outros). da pontuação). • Aprender a se preocupar com a qualidade de suas produções escritas. • Analisar textos impressos utilizados como referência ou modelo para conhecer e apreciar a linguagem usada ao escrever (como os autores descrevem um personagem. para melhorá-los e. apoiando-se em conhecimentos sobre tema. • Com a ajuda do professor.

adaptada por NOVA ESCOLA. E. em 2009. “Aí fiquei furiosa comigo mesma”. isso tem a ver com a própria concepção de ensino. Desde então. dona de uma generosidade sem igual. aprofundou-se como ninguém no assunto e. muitos acharam que . refletir sobre a própria prática para melhorá-la. Em sua trajetória profissional. como a estadual e a municipal de São Paulo. mudou seu olhar sobre os alunos. o PROFA. revela a educadora. Antigamente. é preciso um compromisso dos coordenadores pedagógicos em utilizar os horários de trabalho coletivo para afinar a capacitação das equipes. você pode adequar suas propostas de trabalho e fazer com que. Telma Weisz viveu o conflito de ter trabalhado durante anos numa perspectiva mais tradicional. até ter contato com as ideias da psicogênese da língua escrita. Para garantir que essas expectativas de aprendizagem sejam atingidas. nenhum aluno da turma fique para trás. que coordenou em 2008 o Programa de Orientações Curriculares da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. “Pesquisas. Com base nela. ela supervisiona a versão paulista do programa. quando começamos a descobrir que ensinar é criar condições e situações para a aprendizagem e quando os professores ouviram falar. Nos quadros acima. você confere uma lista. Pois superar os desafios da alfabetização é apenas o primeiro passo para que todos tenham uma vida escolar cheia de aprendizagens cada vez mais significativas. percebeu que não se pode subestimar a capacidade intelectual de nenhuma criança. dedicou-se a transformar a prática de milhares de professores alfabetizadores por meio do principal curso de formação em Alfabetização do Brasil. sugere Célia Maria Carolino Pires. Hoje. explica por que eles acontecem. Ainda há professores que não transmitem informações às crianças por pensar que elas aprendem sozinhas? Qual é a origem dessa dificuldade? Telma Weisz Na verdade. sem aprofundamento. Nos últimos 30 anos. com a autoridade de quem soube. muitos deles cometidos no passado por ela mesma. Telma abusa de exemplos cotidianos para mostrar equívocos. que ocorrem na árdua tarefa de ensinar a ler e escrever. o Ler e Escrever. o mais importante. trabalham com a meta de alfabetizar as turmas em no máximo dois anos.7 As principais redes de ensino do país. debates e orientações curriculares têm de ser incentivados”. todos tinham a ideia de que ensinar era transmitir informações.Fundamentos Edição Especial | Março 2009 REPORTAGEM: Aposte alto na capacidade dos alunos Ela é a mais respeitada especialista em alfabetização do país. Língua Portuguesa Alfabetização inicial . Nesta entrevista a NOVA ESCOLA. que as crianças constroem seu conhecimento. da Secretaria Estadual da Educação. de expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa para o 1º e o 2º ano da rede municipal paulistana. por meio do conhecimento científico.

A professora.8 bastava o contato com as letras e o material escrito para que o conhecimento aparecesse naturalmente. a intervenção era pequena. observei uma menina que estava repetindo a 1ª série havia cinco anos. pois é um equívoco. a situação é outra. todos falam. naquele dia. disse “eu sempre saio da escola no meio do ano porque não consigo aprender as letras. ele havia escrito “balãsa”. Certa vez. mas é preciso ter condições e critérios para saber quais estudantes podem aproveitá-las. pela primeira vez). mas todos têm a oportunidade de expressar o que pensam. buscava tornar visíveis as hipóteses que elas formulam quando estão aprendendo a ler e a escrever. E essa é uma questão delicada porque não há um guia de coisas permitidas ou proibidas. Eu espero que não. Se o menino já está escrevendo alfabeticamente. quando se acalmou. em um trabalho de pesquisa. porque todos os saberes que estão sendo construídos são provisórios. A primeira é: “MI é o M e o I”. A interpretação enviesada do construtivismo também tem a ver. Há uma quantidade enorme de informações que cabe ao professor oferecer. A garota teve uma crise descontrolada de choro e. O entrevistador. apresentava à classe o alfabeto (para aquela aluna. mas se não é dita. Depende das circunstâncias e daquilo que as crianças pensam em cada momento. Em uma sala. por geração espontânea. Como o objetivo era deixar que os professores vissem-nas pensando em voz alta. Não sei se ainda há quem pense assim. que no caso era eu. Como essas dúvidas se revelam na prática? Telma Por exemplo. se você tem um aluno que está escrevendo uma letra para cada sílaba e ele pergunta “qual é o MI”. ajudando-o a encontrar uma resposta que caiba na estrutura teórica com a qual ele está trabalhando. mas também tem suas características. til”. A. todos estão em atividade intelectual. em parte. como ela vai saber? Outro exemplo: uma .” É uma informação simples. você pode dar duas respostas. Quando vi. elaborados por meio de um processo permanente de aproximação com o conhecimento objetivo. com o fato de que a teoria da psicogênese foi popularizada no Brasil por um conjunto de vídeos de entrevistas com as crianças. O que foi mal compreendido é que aquilo não era uma situação de ensino nem de pesquisa. A validação deve acontecer. Esses mal-entendidos fizeram com que muitos tivessem dúvidas não só sobre informar ou não. porque não tive o cuidado de perguntar “para escrever o quê?”. mas sobre o que informar. Era uma tentativa de ilustrar o que estava no livro [Psicogênese da Língua Escrita. de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky] e que não era de fácil compreensão. um outro me perguntou “Como se escreve lã?”. E a segunda: “O que você quer escrever?”. Isso só se consegue fazendo avaliação constante da classe. E eu disse “L. não teria ficado tanto tempo aqui até aprender. todos elaboram ideias e constroem conhecimento. Não ao mesmo tempo – e esse é outro equívoco –. Se eu soubesse. Dei uma informação errada. Mas eu não sabia que eram tão poucas. O papel do professor é ser aquele que sabe mais dentro da classe e que valida a informação que circula. Há muitos anos.

só acontece se não nos colocamos no lugar de quem está aprendendo. Sem a ajuda da ciência. de onde virá? O que acontece quando não nos colocamos na perspectiva do aluno? Telma “Cegamos” o aluno. imagina-se que há uma disfunção. recusam a ideia de que os artigos sejam palavras. somos obrigados a olhar de outro jeito. dessa perspectiva. estava explicando a eles as hipóteses sobre a escrita e dizendo que. o mesmo som pode ser com S. Qualquer alfabetizador já viu crianças escrevendo com uma letra para cada sílaba ou com menos letras. no inicio. é uma perda de tempo. ainda que entre vogais.9 criança pergunta “cozinha é com S ou com Z?” O que você faz? Diz a ela “pense para descobrir?” Não tem como pensar para descobrir. Não há. Muitos falam em “palavras”. E. Há muitos anos. não eram escrita. Colocar-se no lugar do aprendiz é essencial para ensinar. mas que. ao assumir essa perspectiva. Não estou dizendo para não usar a terminologia. perguntei a uma menina o que era “palavra”. ou aproveitar a situação para explicar que é com Z. Mas. para mim. A vida inteira. as crianças . Não olhávamos para isso como uma ação inteligente delas. Trata-se de um momento necessário do processo. quando trabalhei com professores indígenas no Acre. porque já tinha visto aquilo tudo. É preciso aprender a escrever assim para depois pensar na questão das separações. E é claro que. É porque somos alfabetizados que ouvimos e vemos coisas que. para os que ainda não sabem ler e escrever. mas é preciso ter claro que o que se está nomeando não é exatamente o que as crianças pensam que é. Só com pesquisa cientifica é possível compreender o outro que pensa diferente de você. mesmo quando já fazem isso. Ela respondeu: “É o que está escrito na Bíblia. dependendo das condições do grupo. pode saber o que são palavras. não dávamos importância. Um exemplo simples: muitos professores estão convencidos de que o branco entre as palavras é uma coisa que se pode escutar. que já escreve e segmenta o texto.” E eu insisti: “Por quê?”. Na verdade. Intuitivamente. o que. Até o dia em que li sobre a psicogênese. “Por que a Bíblia é a palavra de Deus”. Assim. como se as crianças soubessem o que é isso. Você tem duas alternativas: mandála ao dicionário. mas que foi apagada. numa espécie de esquecimento cognitivo. vi meninos escreverem coisas que. na mesma ordem. não se pode recuperar uma visão que já se teve. Nunca parei para refletir sobre o que eles estavam pensando. ninguém é capaz de fazer isso. ao vê-las escrevendo tudo grudado. Isso só pode acontecer a uma pessoa cuja percepção da relação entre escrita e leitura está de tal maneira organizada em cima da sua própria competência leitora que nem passa por sua cabeça que a fala é um contínuo e que jamais as crianças vão encontrar no falado os elementos que permitirão separar as palavras. de qualquer maneira. não eram nada. Imaginar que é obvio escrevermos exatamente como falamos. Mas só gente alfabetizada. é introduzida uma série de informações que nem todos talvez possam utilizar. Certa vez. muitas vezes. às vezes. E aí fiquei furiosa comigo mesma. em determinadas circunstâncias. um problema. Porque. não estão lá. se isso não vier do professor.

escrever com uma letra só. duas letras também é muito pouco. pois precisa colocar alguma coisa para não cometer um “sacrilégio”. abandonar essa hipótese que. A segunda versão é uma leitura parcialmente equivocada do que chamamos de conflito cognitivo. com uma abordagem psicogenética da alfabetização. O que acontece com uma língua como o português. E que. ler. que está lá. é preciso estimular o máximo possível a reflexão sobre o que se escreve. E os professores. só podem recorrer ao conhecimento cientifico para recuperar isso. Mas o conflito ou é do aprendiz ou vira uma . havia feito um desenho e assinado NBT. como a de que não pode escrever uma mesma letra repetida. via bom senso ou afetividade. o que faz um menino. “vai fixar o erro”. do ponto de vista teórico.10 pensam que. Na visão construtivista. o que é muito diferente de dar informações para obter um produto correto. A partir dessa explicação. Na verdade. que para eles é a letra. Em uma delas. pois essa ideia de hipótese era muito estranha à cultura local. por sua vez. E é claro que isso corresponde a uma concepção de aprendizagem. A média estatística da exigência é em torno de três letras. para alguns. não se chega a lugar algum. Nós não temos a memória viva do que é ser alguém que tem de aprender. faz parte de um processo do aluno. Eles me olhavam com estranheza. errada segundo os padrões convencionais. de forma alguma. com uma quantidade enorme de palavras dissílabas? Toda vez que a criança escreve um dissílabo. a mais tradicional e frequente. escrever. Porque. “o aluno achará que está certo”. Essa contradição entre os esquemas explicativos que ela tem para a leitura e a escrita é que dá origem e espaço ao que chamamos de conflito cognitivo. os professores fazem uma assimilação de que é preciso produzir situações conflitivas o tempo todo. escrever com poucas letras e. usamos uma letra. fica claro que aquela escrita. Mas. É possível e necessário subsidiá-lo para ajudá-lo. o saber errado e o saber certo. Quais são os equívocos mais comuns na escolha das intervenções para fazer a turma avançar nas hipóteses de escrita? Telma Vejo duas versões sobre isso. tem um problema. ele tem outras. imaginando que isso os ajuda a chegar a uma hipótese mais avançada. naquele momento. bem satisfeito da vida. Ou seja. basta um pedaço de escrita. “O que os pais vão pensar?”. Nós não nos lembramos de quando não sabíamos calcular. mostra-se aos silábicos quais letras faltam. que não sabe nada sobre determinada coisa. Era recémalfabetizado e ainda tinha o documento de suas próprias hipóteses. é tão elegante? Como é que ele avança? Além da hipótese de que. para escrever um pedaço do que se fala. Até que um deles puxou uma folha antiga de sua pasta. Há uma dificuldade enorme de aceitar e deixar no caderno uma escrita que não esteja ortograficamente correta. como tais. escrevendo uma letra para cada sílaba e conseguindo se virar assim. falta compreensão da diferença entre trabalhar o processo de aprendizagem e trabalhar sobre o produto que a criança está realizando. cuida de evitar que se fixem na memória ideias erradas. Ele se chamava Norberto. Foi uma situação interessante ver um adulto recuperar esse esquecimento. para a qual o ensino. para cada vez que abrimos a boca. Toda a tradição de correção com caneta vermelha e de cópia dos erros vem daí – existe o não saber.

no papel. na ordem em que se fala. uma em cada sílaba. Esse tipo de atividade tem um papel extremamente importante e não aprendemos isso com a psicolinguística ou com a didática. parlendas e trava-línguas. que são as “palavras” (mas. Eles acompanharão o texto e começarão a localizar as partes do escrito e relacioná-las ao falado. na leitura de textos memorizados. nos países nórdicos. usadas em brincadeiras de roda e jogos verbais. tudo o que têm de intercambiar é que letras colocar e onde. e que borracha. o professor escreve a palavra. na primeira linha. com investigações sobre como as populações antigas se alfabetizaram. a leitura que alguém faz. de forma que uma possa contribuir com a outra) para produzir uma escrita. não é qualquer texto que pode ser utilizado. Por exemplo. Uma das atitudes equivocadas mais clássicas nessa linha é mandar contar os pedaços de uma palavra falada. “ovo” e “amarelinho”. usados em dois tipos de atividades muito interessantes. Outro tipo de trabalho é pedir que acompanhem. Se você tem “a galinha do vizinho”. Pode ser em uma transição. Então. bater três palmas. tem oito letras”. tomam decisões em função desse conhecimento prévio. Mas sendo um texto estável. por exemplo. Como as duas sabem de memória. pergunta quantas letras tem e diz: “Você pensa que abrimos a boca três vezes e que é preciso colocar três letras. eles procurarão as letras). sabendo o que está escrito em cada verso. Isso está certo? Telma Não está clara. mas não necessariamente nessa ordem. Mas com a história da leitura. Existe um vasto repertório infantil. para quem pensa dessa forma. não teriam um problema comum para resolver. Protestantes de orientação calvinista. pensam que está escrito “galinha” e “vizinho”. que as crianças já sabem ou podem aprender oralmente na escola. “a galinha do vizinho bota ovo amarelinho”. os mais avançados podem achar que está escrito “bota”. Você pode perguntar onde está escrito “vizinho”. Para “bota ovo amarelinho”. isso não faz o menor sentido. Uma é juntar duas delas (com níveis próximos de conhecimento. se você disser “palavras”. Elas sabem que. “bota ovo amarelinho”. É interessante pedir para localizar e ler pedaços. não o segundo parágrafo da história da Bela Adormecida. está escrito “a galinha do vizinho” e. São versinhos. Em primeiro lugar. É comum a ideia de que. a importância do trabalho com textos memorizados. Ou você pode – e para isso é preciso conhecê-la intelectualmente – dizer: “Você sabe fazer melhor do que isso. eles tinham uma prática sistemática de . Deve ser um texto estável. No início. na segunda. sem omitir nada. Descobriu-se que. para “borracha”. mas eu estou mostrando que não é. o importante é guardar a grafia das palavras. toda a população era alfabetizada antes de haver escolas. Por exemplo. Se estivessem redigindo um texto inventado. A própria criança começa a batalhar para colocar as letras. naturalmente memorizado. imagina-se que só se escreve os substantivos. Dependendo de em que nível os meninos estejam. E certamente não fará quando estão colocando três letras. Pense mais um pouco”. O que está por trás disso? O fato de que ninguém nasce sabendo que se escreve tudo aquilo que se fala. porque você informou.11 conversa sem nexo para ele. mas aí não é necessário ficar contando quantas vezes a boca abre ou quantas letras a palavra tem.

A forma adequada de organizar esse tipo de atividade é. estuda. para aproveitar as possibilidades de uma atividade em que se leia um texto memorizado em público. por exemplo. o professor bate palma. Se não estiverem. não acontece nada. Quando se tem .mas nessas duas instituições o aprendizado é apenas para os homens. é preciso estudar. Se simplesmente diz “acompanhe com o dedo” e vai embora. O professor ainda acredita que. tentamos constituir bons comportamentos leitores. De repente. A leitura da escrita não entra pela pele.. Muita gente repete isso. sem observar se ela faz a relação do escrito com o falado? Telma Sobre esse assunto. re-elaborado e compartilhado. em si. ao pedir que a criança acompanhe a leitura com o dedo. também precisa ser um leitor. e não a que produziriam se estivessem pensando em como se escreve. mas é uma bobagem. o que é ainda pior. eu disse “ler com o dedinho”. ajuda a entender a posição certa. Essa prática de ler uma história e depois pedir um desenho não tem nada a ver com a ideia de que o que se lê pode ser aprofundado. é capaz de fazê-la ler. pára numa determinada palavra e anda pela sala para ver se os dedos estão onde deveriam estar. pede ajuda à família. os alunos. Mas. aponta e tenta acompanhar. Essa situação de focalização e de achar as partes do texto para se apresentar de forma adequada ajuda a descobrir em qual pedaço está escrito o quê. explorado. Sempre que os professores insistem na memorização da forma.12 acompanhar nos textos o que se falava nos cultos. Para isso. É preciso construir uma situação de aprendizagem e não ficar alisando papel. buscar uma compreensão teórica que vai muito além de apenas saber identificar uma hipótese de escrita. Para um sarau de poesia. em um vídeo. eu gostaria de fazer um “mea culpa público”. passar o dedo embaixo. por exemplo. Já a memorização da forma escrita produz um efeito contrário. pois terá de se apresentar publicamente. Quando lemos com ou para as crianças.. depois de dizer muitas vezes “ler apontando com o dedinho”. O intercâmbio de ideias a partir de uma situação de leitura é algo que se faz apenas quando se tem uma experiência significativa e intensa como leitor. produzem uma escrita caótica. cada um tem um poema. Isso também aconteceu nas escolas religiosas judaicas e ocorre nas escolas religiosas muçulmanas . para que você funcione como um modelo desses comportamentos. leva para casa. As pessoas acompanhavam e decoravam para se aproximar desse objeto sagrado que era a escrita. essencial. Todos eram incorporados a esse universo em que a palavra escrita nos textos religiosos era tratada como uma coisa básica. decora. no esforço de lembrar como as palavras são escritas. Faz sentido apenas se houver reflexão sobre a grafia das palavras e se quem está lendo tenta ajustar aquilo que fala ao que está escrito. Agora. quando lemos um livro? Telma Ou pedir que façam um desenho. O que leva o professor a passar questionários em vez de promover comentários sobre as histórias lidas – como fazemos com amigos. Certa vez. todos cantarem uma canção juntos. Essa é a origem do trabalho que fazemos com textos memorizados. não é nada. Ler acompanhando com o dedo serve.

para selecionar o texto. a ideia do narrador. Porque a personagem é. apenas uma vaga intuição. Esse espaço de intercâmbio é um espaço de trocas. Mas ele oferece variedade de materiais de leitura? Telma A variedade dos gêneros ultrapassa a ideia dos livros. menos um menino. na verdade. Quando se falava em leitura e escrita. “ela existe de verdade?”. Também é interessante perguntar “quem estava contando essa história? A personagem? A mãe dela?”. A escritora disse isso?” Aparece. uma discussão louca surge na classe. saber de que época eram e o que faziam. E você pode questionar “mas aqui diz ‘eu não gosto que me penteiem os cabelos porque arranca e dói’. então. O professor já compreendeu a importância dos livros na alfabetização. Só no jornal e nas revistas há uma variedade enorme de gêneros. sabe-se que ela produz em mim um impacto diferente do que em você. uma representação do desejo da menina que se salva das maldades dos adultos. É uma mudança de gênero. aprende como explorar os gêneros que há dentro deles. ele saía de perto e ia fazer outra coisa. Se você pergunta “quem é essa amiga grande?”. Mas acho que o problema é anterior: o professor tem de ler para si mesmo. Aprendeu a ler em dias. Aparentemente. Se o professor não entende isso. subgêneros. Eu tenho visto perguntarem “de que pedaço você gostou mais?”. achei muito interessante a forma com que o autor escreveu. Há uma escritora que escreve em espanhol e tem uma série de livros sobre uma menina com uma amiga igualzinha a ela. Nesse dia. São todos livros de ficção. que. usa esses portadores para recortar letras. Precisamos reconhecer essas diferenças. outros de assombração ou de fadas. em geral. e que eu posso ter observado mais um aspecto do que outro e que podemos nos interessar por coisas diferentes. Eu acompanhei uma classe de alfabetização em que todos estavam envolvidos com os livros de histórias. não tinha interesse. Os livros infantis. Se entende. Até o dia em que chegou uma enciclopédia de dinossauros. eu diria. para as crianças. Em geral. eu pensei nisso. me lembrei daquilo. ele tinha alma de cientista. Se não souberem como fazer isso. mas alguns falam de mistério. Mas as crianças não têm isso claro. que seria “quem achou uma coisa interessante que gostaria de contar aos amigos?”.13 a concepção de que a leitura não é simplesmente fazer barulho com a boca diante das marcas gráficas. você dá o modelo: “Lendo esse texto. com critérios. Assim. parecia que ele queria dizer uma coisa. Mas ele tinha muita vontade de aprender a ler para classificar os dinossauros. mas queria dizer outra”. É interessante fazer perguntas sobre aspectos de uma história que talvez poucos tenham entendido. . Só que isso nunca é dito explicitamente. respondem que “é a escritora”. mas foi também uma mudança de mundo para o garoto. Têm. antes de levá-lo para as crianças. Ele não tinha alma de ficcionista. não têm uma grande variedade de gêneros. o menino ficou absolutamente fascinado. Ele não tinha vontade de aprender a ler para ler sozinho as histórias infantis. mas que é gigante e aparece sempre que a garota precisa se proteger dos adultos. podam o intercâmbio real. agarrou a enciclopédia. é completamente misturada à do escritor. “E você?”.

por que acontece. mas também sua linguagem. Com um mapa múndi na classe você aponta. O fato de trabalhar no limiar superior faz com que avancem muito mais do que quando se pensa “elas não vão entender”. no dia seguinte. Poucas fazem isso. ajustada àquilo que as crianças mostram que são capazes de pensar e fazer. Quando se espera pouco. O problema são os que ainda não compreenderam o sistema. elas devolvem um pouquinho. Esse trabalho é fascinante. a busca de informações em diversas fontes? Telma Há um medo mortal de trabalhar verdadeiramente com jornais porque se pensa que é um texto adulto. você pode perguntar se a turma deseja escutar a história contada no jornal impresso. Nele. Certa vez. há alfabéticos que não são leitores. textos de ficção. por exemplo. que não é algo que vem sozinho. Não uma aposta cega. o subtítulo da reportagem. produzir textos. ela levava o jornal impresso para a sala. quando as crianças ouvem o adulto ler. Eu sou uma defensora convicta da presença do jornal na sala de aula porque os fatos são a fonte da história. vi uma professora fazer um trabalho muito interessante. Quando se espera mais. E. Você não vai. Mas é preciso ter a inteligência das crianças em alta conta. é preciso ter um sentido para isso. O professor encontra dificuldades em dar atividades diferenciadas para os que já estão alfabéticos e também precisam avançar? Como agir nesses casos? Telma Isso é o mais fácil.14 Variar os gêneros é importante. escrever. sem olhar se a turma está acompanhando. O que os diferentes gêneros permitem é abrir o leque das possibilidades de leitura e oferecer o discurso escrito em suas diversas formas. onde ocorreu uma avalanche e aborda questões como o que é isso. Os já alfabéticos podem ler. A variedade tem de ser selecionada em função daquilo que a turma pode aprender. mas não é uma ideia mecânica. Por que ainda é pequeno o acesso a materiais que favoreceriam. por exemplo. Às vezes.sa Não é porque uma criança colocou todas as letras que ela já sai lendo. mais detalhada. jornais. para que encontrassem as informações sobre os fatos do dia anterior. É claro que sozinhas elas não entendem. Estes não são o problema. sim. revistas. A maioria precisa construir uma prática de leitura para se soltar. Quando alguém relata algo que viu. quem ganhou o campeonato ou a corrida. das diferenciações que os alunos já têm condições de fazer e que você se sente em condições de oferecer. propor a leitura de uma reportagem sobre uma chacina. Tenho uma experiência recente com uma que estava . não aprendem só o enredo. ser envolvidos em projetos mais complexos. é preciso construir situações que ajudem a desembaraçar a leitura. Nesse caso. Mas pode ler sobre quem jogou no domingo. lemos sobre acontecimentos de países distantes. Ler os títulos. Isso não é verdade. a mais alta possível. na verdade. uma parte inicial do texto é algo muito possível de fazer. tenho um foco. Os meninos tinham de assistir o noticiário da TV e. elas devolvem mais. tenho outro. se vou ler histórias. que não é igual a dos outros. Para ler poemas. especialmente quando se tem sensibilidade para escolher o quê. Porque. Tudo isso vale para enciclopédias. na produção de um texto. Mas é preciso fazer uma aposta alta. Quando introduzimos um gênero novo.

Na medida em que pedi para que avançasse além dessa leitura letra por letra. O nome do conteúdo não muda e. Porque ela senta na frente da TV. mas não sei ler. Mas elas adoram ouvir uma história grande em capítulos. O fracasso reiterado mata essa disponibilidade. Ainda persiste a ideia de que as crianças só podem ter contato com histórias curtinhas. Mas dizia “eu não sei nada porque escrevo. Minha experiência pessoal é a de escolher livros pela grossura. ele não tinha se soltado da ideia de que era necessário ler todas as letras. com as letras de forma e de imprensa. principalmente. O que acontece é que muitos imaginam que. quem brigou com quem e o que vestia em tal dia. cheia de erros de ortografia. Eu escrevo nessa letra e tudo o que eu vejo está escrito numa letra que eu não conheço”. sim. ele se treinou.15 escrevendo silabicamente com valor sonoro. quem casou com quem. foi possível pensar em trabalhar questões como “essa letra serve para escrever esse som. voltou e disse: “Estou lendo tudo”. quem tem problemas de memória somos nós. a vontade de ler cresceu e a leitura melhorou. Todas as vezes que não conseguia reconhecer uma letra. Esse é um ciclo virtuoso. ela avançou rapidamente para uma escrita alfabética. Passei a propor que lesse desse jeito e. Elas têm tudo fresquinho na cabeça. mas alfabética. Porque. Em primeiro lugar. o menino via na tira. agora aguardem o capitulo de amanhã! Quem que acha que elas não gostam nunca experimentou. tudo está para ser aprendido e a disponibilidade para a aprendizagem é enorme. um desrespeito enorme. o que está lá dentro. contados um por dia e. Mas isso empacava a leitura. nunca lidas em capítulos? Telma Essa mania de que tudo tem de ser pequenininho é uma deturpação da concepção de criança e. Elas são muito mais inteligentes do que os adultos porque. Conforme passou a compreender o que lia. não quero que ela acabe! Esse lugar do leitor que tem prazer na leitura é o que o professor teria de encarnar. Como deve ser o trabalho do 3º ano em diante no que se refere ao aprimoramento da leitura e da escrita? Telma Você já disse a palavra: aprimoramento. nesse momento da vida. ele teve de usar as estratégias de leitura. ninguém deveria chegar ao final da segunda série sem compreender o sistema de escrita e sem ler. vê uma novela em 180 capítulos. voltasse a estudá-lo para ler rápido. Sozinho. todo o trabalho é de estabelecer objetivos cada vez mais complexos para a mesma coisa. no fim da leitura: “tchan tchan tchan tchan. lembra de todos os personagens. Eu sempre escolho os livros mais grossos porque. já não sabia mais sobre o que era o texto. que é ler e escrever. pois só se entende o que se lê quando se lê rápido. uma história pequena é pobre e chata. Quando ele terminava a segunda palavra. Quando perdem isso é porque os adultos destruíram. E estava mesmo. Para elas. Daí pra frente. Quando ela já sabia todas as letras. ao contrário do que alguns fazem. Isso fez com que ganhasse velocidade e compreensão. na verdade. depois de destrinchar todo o texto. As crianças não têm problemas de memória. fiz uma tira de correspondência. Então. mas é só essa? Tem mais? Você poderia colocar outra no lugar?” Então. É claro que histórias grandes podem ser pobres e chatas. se a história for boa. quando se é capaz de colocar .

Alfabetização inicial . Isso os impediu de construir a capacidade de ler textos de certo grau de complexidade. os pequenos trabalham pensando quais e quantas letras são necessárias para escrever as palavras. criam as apostilas.16 todas as letras e ler alguma coisa. Aprende-se a ler e a escrever ao longo da vida toda. As letras de fôrma maiúsculas são as ideais para essa tarefa. que já têm a lógica do sistema de escrita organizada. em vez de deixá-los ler textos acadêmicos adequados à competência deles. porque infelizmente as faculdades onde estudaram. o destino depois da quinta série é o fracasso.br) Esta escolha está relacionada ao processo de construção das hipóteses da escrita. emendadas umas às outras. . já que são caracteres isolados e com traçado simples diferentemente das cursivas. Durante a alfabetização inicial. desde que tal contato fique restrito à leitura. Esse trabalho os transforma em leitores cada vez melhores e de uma gama mais ampla de gêneros. no pior sentido da palavra. Quando entendemos isso. E aprender por meio dos textos é condição para estudar os outros conteúdos na escola. de um determinado gênero. está encerrada a aprendizagem da leitura e da escrita. simplificando o conteúdo. Para quem não sabe aprender a partir de um texto escrito. ainda que silabando. Antes de estarem alfabetizadas. O aprendizado das chamadas "letras de mão" deve ser trabalhado com crianças alfabéticas. Uma prova de que isso não é verdade é que os meus alunos na pós-graduação estão aprendendo a ler textos acadêmicos.Fundamentos Edição 217 | 2008/11/01 | Atualizado em 2008/11/01 Por que as crianças devem aprender a escrever com letra de fôrma para depois passar para a cursiva? Beatriz Vichessi (bvichessi@abril. ajudamos os meninos a se aproximar de textos cada vez mais complexos. elas entram em contato naturalmente com as letras cursivas e as de fôrma minúscula e até podem ser apresentadas a elas.com. Não basta ser alfabético e ser capaz de ler um outdoor para ser alfabetizado.

permitimos que sejam abertos novos caminhos: torna-se um compromisso inadiável entender cada vez mais e melhor como esses processos funcionam para planejar as aulas de alfabetização. Trata-se da síntese das principais contribuições de Emilia para a história e as descobertas sobre a alfabetização. uma mão que pega um instrumento para marcar e um . e prioriza a análise das produções infantis. somos convidados a construir uma escola igualmente inteligente! E. tel. um par de ouvidos. inaugurando uma maneira inédita de alfabetizar: a autora transfere a investigação do jeito de ensinar para o que tem de ser aprendido. Ana Cláudia Rocha. Cortez.. 11/38640111. revolucionou o jeito de ensinar as crianças a ler e escrever e fez da autora uma referência mundial sobre o tema. ao sabermos o que as crianças pensam e como pensam. Mergulhar nas informações sobre a pré-história das elaborações infantis a respeito das marcas da linguagem expressas no mundo que nos rodeia acende uma luz definitiva sobre a alfabetização: diante de construções tão inteligentes. iniciada em 1979. A investigação acadêmica organizada por Emilia Ferreiro a respeito da alfabetização. é um dos melhores materiais concebidos pela educadora argentina para quem quer iniciar o estudo das pesquisas realizadas por ela a respeito da psicogênese da língua escrita. que surpreendem muito ao mostrar quão originais (e nem um pouco mecânicas) são as construções cognitivas que os pequenos são capazes de realizar.17 Alfabetização inicialFundamentos Edição 218 | 2008/12/01 | Atualizado em 2008/12/01 A criança e a escrita A pesquisadora Emília Ferreiro escreve sobre alfabetização. 15 reais). Ed. com foco nas concepções que as crianças têm sobre o sistema de escrita. O livro Reflexões sobre Alfabetização (104 págs. a escrita como sistema de representação da linguagem. Temos uma imagem empobrecida da criança que aprende: a reduzimos a um par de olhos. Porém é importante que o leitor passeie pelas refllexões propostas no texto com olhos e pensamento atentos. O texto instiga o educador e dá subsídios para que ele questione sua prática e revitalize o modo de compreender o ensino. diretora do Projeto DICA de formação docente Trecho do livro "Temos uma imagem empobrecida da língua escrita: é preciso reintroduzir. pois irá deparar-se com saberes infantis sofisticados e engenhosos. lançado em 1981. quando consideramos a alfabetização.

demonstrando a originalidade e a provisoriedade dessas concepções.Convida o educador à consciência da dimensão política da alfabetização. colocando o foco naquele que aprende. Um novo método não resolve os problemas. .. . que age sobre o real para fazê-lo seu.Fornece elementos para compreender por que a escola tem formado analfabetos funcionais. É preciso reanalisar as práticas de introdução da língua escrita.Apresenta o percurso pelo qual as crianças elaboram suas próprias idéias sobre o sistema de escrita. tratando de ver os pressupostos subjacentes a elas.." Por que ler . entendida como ferramenta de construção de cidadania. Os testes de prontidão também não são neutros. alguém que pensa. .Expõe exemplos de como se dá o pensamento infantil sobre o sistema de escrita.18 aparelho fonador que emite sons. que constrói interpretações. . (. Atrás disso há um sujeito cognoscente. e até que ponto funcionam como fi ltros de transformação seletiva e deformante de qualquer proposta inovadora.Aproxima o leitor da pesquisa que representou uma revolução conceitual na alfabetização.) É sufi ciente apontar que a 'prontidão' que tais testes dizem avaliar é uma noção tão pouco científi ca como a 'inteligência' que outros pretendem medir. .

resolvem problemas e elaboram conceituações. realizadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky no fim dos anos 1970 e publicadas no Brasil em 1984. que permite identificar quais hipóteses sobre a língua escrita as crianças têm e com isso adequar o planejamento das aulas de acordo com as necessidades de aprendizagem. a produção espontânea de uma lista de palavras sem apoio de outras fontes e pode ou não prever a escrita de algumas frases simples. Ela permite uma avaliação e um acompanhamento dos avanços na aquisição da base alfabética e a definição das parcerias de trabalho entre os alunos. sobre aquilo que escrevem. com a ajuda do professor. mostraram que as crianças constroem diferentes ideias sobre a escrita.19 Edição Especial | 03/2009 Para conhecer a nova turma Mesmo antes de saber ler e escrever convencionalmente. com quantas letras ela é escrita e em qual ordem as letras devem ser colocadas. o que torna necessário propor ao resto da turma uma atividade que dispense ajuda. Descobrir em qual nível cada uma está é um importante passo para os professores alfabetizadores levarem todas a aprender MANTENHA O FOCO A sondagem deve ser individual. a criança elabora hipóteses sobre o sistema de escrita. O guia ressalta também que é por meio da leitura que o alfabetizador “pode observar se o aluno estabelece ou não relações entre aquilo que ele escreveu e aquilo que ele lê em voz alta. Essa lista deve. entre a fala e a escrita”. necessariamente. Foto: Marcos Rosa Nos primeiros dias de aula. ou seja. das secretarias estadual e municipal de Educação de São Paulo. No Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever. Aí entra o que pode ser considerado uma palavra. conta Regina . As pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita. o professor alfabetizador tem uma tarefa imprescindível: descobrir o que cada aluno sabe sobre o sistema de escrita. a sondagem é descrita como uma atividade que envolve. num primeiro momento. representa um momento no qual as crianças têm a oportunidade de refletir. ser lida pelo aluno assim que terminar de escrevê-la. “Essas hipóteses se desenvolvem quando a criança interage com o material escrito e com leitores e escritores que dão informações e interpretam esse material”. É a chamada sondagem inicial (ou diagnóstico da turma). Além disso.

semelhantes aos que os seres humanos se colocaram ao longo da história da escrita”. Para escrever. Ana Teberosky e Teresa Colomer ressaltam que as “hipóteses que as crianças desenvolvem constituem respostas a verdadeiros problemas conceituais. as crianças procuram diferenciar o desenho da escrita. pois revelam que os pequenos já começaram a pensar sobre a escrita antes mesmo de ingressar na escola e que não dependem da autorização do professor para iniciar esse processo. Diagnosticar o que os alunos sabem. No primeiro. São as chamadas hipóteses. quais hipóteses têm sobre a língua escrita e qual o caminho que vão percorrer até compreender o sistema e estar alfabetizados permite ao professor organizar intervenções adequadas à diversidade de saberes da turma. dando lugar a novas construções”. COMBINE ANTES É importante que a criança saiba que ela pode escrever da melhor forma que conseguir. E completa: o desenvolvimento “ocorre por reconstruções de conhecimentos anteriores. a silábica. No livro Aprender a Ler e a Escrever. a criança utiliza letras aleatórias (geralmente presentes em seu próprio nome) e sem uma quantidade definida. As quatro hipóteses Ferreiro e Teberosky observaram que. a silábico-alfabética e a alfabética. elas constroem dois princípios organizadores básicos que vão acompanhá-las por algum tempo durante o processo de alfabetização: o de que é preciso uma quantidade mínima de letras para que alguma coisa esteja escrita (em torno de três) e o de que haja uma variedade interna de caracteres para que se possa ler.20 Câmara. As conclusões desse estudo são importantes do ponto de vista da prática pedagógica. na tentativa de compreender o funcionamento da escrita. mesmo que não convencionalmente. as crianças elaboram verdadeiras “teorias” explicativas que assim se desenvolvem: a pré-silábica. Ela se caracteriza em dois níveis. . membro da equipe responsável pela elaboração do material do Programa Ler e Escrever e formadora de professores. “Todos eles precisam de oportunidades para pôr em jogo o que sabem para se aproximar pouco a pouco desse objeto importante da cultura”. Aqueles que não percebem a escrita ainda como uma representação do falado têm a hipótese pré-silábica. Já no segundo nível. nem tão difíceis que se torne impossível para as crianças realizá-las. identificando o que é possível ler. ressalta Regina. O desafio é propor atividades que não sejam tão fáceis a ponto de não darem nada a aprender.

é fundamental uma observação cotidiana e atenta do percurso dos alunos. O aluno começa a atribuir a cada parte do falado (a sílaba oral) uma grafia. sem relação com os sons que ela representa. consigo pensar melhor como será a rotina do bimestre e quais as intervenções devo fazer para ajudar os menos avançados a entender a lógica do sistema de escrita. o silábico com valor sonoro. Quando a escrita representa cada fonema com uma letra. Essa é a estratégia usada por Eduardo Araújo. um jogo etc. na Grande São Paulo. uma letra escrita. os alunos ainda apresentam erros ortográficos. um ou vários alunos terem dado um salto”. explica Regina. Enquanto isso. E como esse processo é dinâmico e na maioria das vezes evolui muito rapidamente. diz-se que a criança se encontra na hipótese alfabética. que podem ajustar seus programas de formação continuada de professores em regiões onde os resultados mostram que os estudantes não estão evoluindo da maneira desejada. que deve tentar escrever algumas palavras e uma frase ditadas. ressalta Regina.” Investigação individual O melhor é que a atividade seja feita individualmente. depois. Araújo sabe bem o valor da sondagem inicial. ao fim de cada bimestre. Alfabetizador há mais de sete anos.). A hipótese silábico-alfabética corresponde a um período de transição no qual a criança trabalha simultaneamente com duas hipóteses: a silábica e a alfabética. mantendo um registro criterioso do processo de evolução das hipóteses de escrita das crianças.” . ora representando as unidades sonoras menores. O professor deve realizar a primeira sondagem no início do período letivo e. apenas alguns dias depois da sondagem. a criança se encontra na hipótese silábica. Ora ela escreve atribuindo a cada sílaba uma letra. Alguns dias após o retorno às aulas. ela representa cada sílaba por uma única letra qualquer. “Conhecendo a situação de cada aluno. No segundo. em São Bernardo do Campo. “As sondagens bimestrais são importantes também por representarem dispositivos de acompanhamento das aprendizagens para os pais. Ao mesmo tempo. “Nesse estágio. mas já conseguem entender a lógica do funcionamento do sistema de escrita alfabético”.21 Quando a escrita representa uma relação de correspondência termo a termo entre a grafia e as partes do falado. “A atividade de sondagem representa uma espécie de retrato do processo naquele momento. Essa etapa também pode ser dividida em dois níveis: no primeiro. pode acontecer de. ele deixa as crianças envolvidas com jogos e brincadeiras sob a supervisão da estagiária que o acompanha em sala. bem como um retrato da qualidade do ensino para as redes. ou seja. o resto da turma precisa estar envolvido em uma atividade diversificada em que não seja necessária a ajuda do professor (a cópia de uma cantiga. chamado silábico sem valor sonoro. há um avanço e cada sílaba é representada por uma vogal ou consoante que expressa o seu som correspondente. os fonemas. a produção de um desenho. na EMEB Helena Zanfelici da Silva. com o professor chamando um aluno por vez.

Deve-se evitar que as palavras tenham vogais repetidas em sílabas próximas. ou seja. agregados por uma unidade de sentido. No começo de 2008. por causar um grande conflito para as crianças que estão entrando no Ensino Fundamental. “O ideal é preparar uma lista de termos de um mesmo campo semântico. Após a lista. E a frase escolhida foi: usei a pá na reforma. a escola onde Araújo leciona passava por grande reforma. e uma frase adequada ao contexto desse grupo”. recomenda a formadora de professores Regina Câmara. As palavras ditadas foram ferramenta. sobretudo de forma espontânea. ele resolveu trabalhar com uma lista de objetos usados na obra do prédio.22 ADOTE SINAIS Fazer luma marcação nos textos produzidos é útil para registrar como o aluno lê o que escreve e se ele se detém ou não em cada letra. cuja hipótese de escrita talvez faça com que creiam ser impossível escrever algo com duas ou mais letras iguais. Os monossílabos ficam para o fim do ditado. um aluno comentou com o professor Araújo: . de uma dissílaba e. Por exemplo: um aluno com hipótese silábica com valor sonoro convencional. para poder observar se o aluno volta a escrevê-la de forma semelhante. Observação e registro Ficar atento às reações dos alunos enquanto escrevem também é fundamental. O ditado deve ser iniciado por uma palavra polissílaba. Na sondagem inicial feita com a lista de palavras relacionadas à reforma da escola. ferro e pá. ou seja. marque a separação das sílabas (leia no quadro abaixo como preparar a lista de palavras). pode ajudar a perceber quais as ideias deles sobre o sistema de escrita. precisaria escrever AAAI. como ABACAXI. Esse cuidado deve ser tomado porque. poderão se recusar a escrever se tiverem de começar por ele. que utiliza vogais. por exemplo. é preciso ditar uma frase que envolva pelo menos uma das palavras já mencionadas. a escolha certa das palavras e da frase (e da ordem em que elas serão ditadas) é essencial. no caso de as crianças escreverem segundo a hipótese do número mínimo de letras. Lista bem feita Na sondagem. de uma monossílaba – sem que o professor. Aproveitando a curiosidade das crianças. seguida de uma trissílaba. se a escrita da palavra permanece estável mesmo num contexto diferente. por último. do Programa Ler e Escrever. martelo. ao ditar. Anotar o que eles falam.

Se o aluno escreveu LGA para o ditado da palavra martelo e associou cada uma das sílabas dessa palavra a uma das letras. Fotos Marcos Rosa Com o comentário. O aluno parou um instante. sem a respectiva leitura. é imprescindível pedir que a criança leia o que escreveu. é que se pode observar se ela estabelece ou não relações entre o que escreveu e o que lê em voz alta – ou seja. é necessário registrar abaixo a relação de cada letra com uma sílaba. O professor pode anotar em uma folha à parte como ela faz a leitura. “Uma lista de palavras produzida pelo aluno. não é? E termina com “o”. usando marcação com sinais que indique quais as associações feitas pela criança: LGA (mar) (te) (lo) Ou ainda: LGA ||| É possível que o aluno utilize muitas e variadas letras. CRIE UMA TABELA O ideal é construir um quadro para anotar a evolução das hipóteses de cada estudante. afirma Regina.23 – Ferro começa com “fe”. o professor conseguiu perceber que a criança entrou em conflito. se aponta com o dedo cada uma das letras. não permite analisar essa produção e identificar sua hipótese de escrita”. tentou contar “as partes” da palavra com os dedos e ficou um pouco incomodado. em situação de sondagem. ao mesmo tempo. sem que o critério de escolha . se associa aquilo que fala à escrita etc. Terminado o ditado. Demorou bastante até se manifestar: – Mas essa não dá para escrever. tinha construído a hipótese de que para cada emissão sonora uma letra basta. Por meio da interpretação dela sobre a própria escrita. Há duas maneiras de fazer esse registro. pois pensava que só se pode ler ou escrever palavras com três ou mais letras e. Essa é fácil. Fica só uma letra e isso não pode. de Felipe. durante a leitura. entre o falado e o escrito – ou se lê aleatoriamente. – Agora eu quero que você escreva “pá” – disse o professor.

se ele ler sem se deter em cada uma das letras. conhecendo os que demandam mais atenção. o professor precisa acompanhar a evolução de todos. que podem ajudar no momento de decidir pelo uso de uma determinada letra? Encontram na escola um ambiente favorável à pesquisa. O ideal é que seja construída uma tabela que contenha a evolução das hipóteses de cada um. que oferece novas informações sobre a escrita e orienta seu olhar para os materiais escritos disponíveis na sala de aula. posteriormente. pois permite observar com mais clareza a hipótese que a criança tem e. quantos têm hipóteses mais avançadas e os que estão alfabetizados. essa comparação traz agradáveis surpresas em relação aos que. sendo encorajados a se arriscar e escrever segundo suas hipóteses? . comparando quanto evoluiu ao longo do ano. como a ortografia. realizaram avanços significativos em comparação com sua escrita do início do ano. particularmente. Nesse caso. que os ajudam a compreender o que está envolvido na leitura e na escrita? Têm a oportunidade de tentar ler por si mesmos? Contam com o apoio do professor. Atividades diversificadas REGISTRE TUDO A observação da produção de cada um ao longo do ano mostra com clareza como ele avançou. LPIEMAN Esse tipo de marcação é importante. Com frequência. é possível também fazer uma análise crítica da rotina e das atividades que estão sendo contempladas. Esses últimos. necessitam de outros conteúdos de ensino. Com base nessa tabela. os avanços que ela obtém ao longo do ano. ainda que com erros de ortografia –. Será que todos interagem com outras fontes de texto e. nessa interação. refletem sobre a escrita e seu uso? Recebem informações de colegas mais experientes. é necessário anotar o sentido que ele usou nessa leitura. Para que os alunos atinjam o objetivo previsto para o 1º ano – escrever alfabeticamente.24 desses caracteres tenha alguma relação com a palavra falada. apesar de não escreverem convencionalmente.

que vem a São Paulo para a Semana da Educação. fala das hipóteses que os estudantes fazem sobre a pontuação na alfabetização inicial CELIA DÍAZ ARGÜERO "Oferecer textos prontos e pedir para pontuar não ajuda o professor em nada.25 É por meio das sondagens e da observação cuidadosa e constante das produções dos estudantes durante o ano que se pode saber em que momento se encontra cada um. talvez seja hora de rever alguns conceitos. se sua abordagem e rotina estão funcionando. Aspas aparecem quando queremos mostrar que alguém disse alguma coisa. . "Só que as crianças nem sequer entendem o que isso significa. ela coordena desde 2003 um trabalho com crianças das séries iniciais para descobrir como elas efetivamente apreendem o sentido de dividir e reagrupar as ideias no papel usando sinais de pontuação para que qualquer pessoa possa entendê-las. qual a expectativa razoável de evolução para os que ainda se encontram em hipóteses mais primitivas e como ajustar o planejamento do trabalho para que. dizemos que ela serve para separar unidades sintáticas e organizar o texto". E mostra que esse jeito tradicional de ensinar não resolve o problema da garotada." Vírgulas servem para indicar breves pausas para respirar.Produção de textos Edição 225 | Setembro 2009 Célia Diaz Argüero: "A organização do texto vale tanto quanto vírgula e ponto" Especialista." Pesquisadora e professora do Instituto de Pesquisas Filológicas da Universidade Nacional Autônoma do México. "Na sala de aula. Se você aprendeu pontuação assim (ou ensina seus alunos usando apenas essas informações).lPrática pedagógica . Pontos indicam pausas mais longas. Alfabetização inicia . O melhor é colocar a garotada para escrever e observar a organização gráfica. ao fim do ano letivo. afirma Celia Díaz Argüero. todos estejam alfabetizados.

para ela. nesse primeiro momento. a pontuação tem a ver com o que as crianças pensam sobre o idioma. devem ser feitas via internet). ao realizar o trabalho. Em outras palavras. Elas compreendem que todos falamos em "blocos". existem diferentes unidades. É essencial ter a clareza de que. que já estão abertas. Mas é bastante claro que a organização gráfica do texto é muito importante para a grande maioria dos alunos em início de alfabetização. que ajuda a entender como os alunos constroem os principais conceitos sobre a pontuação. A forma como os pequenos colocam as palavras no papel e a forma como exploram os espaços em branco na folha dizem muito sobre suas concepções de linguagem. Confira a seguir algumas das principais conclusões de sua pesquisa. Porque essas unidades textuais não são nada óbvias para quem está aprendendo a ler e escrever. O que suas pesquisas revelam sobre a forma como as crianças aprendem o que é (e como usar) a pontuação? CELIA DÍAZ ARGÜERO Em primeiro lugar. é muito difícil para uma criança entender que uma lista de itens precisa de sinais de pontuação porque. o uso que as crianças fazem dos sinais de pontuação atende a ideias específicas que elas têm sobre a função de tais marcas gráficas na construção de um texto . a lista é uma unidade em si. a organização dos textos não é só uma questão sintática. que a explicação oficial para o que é a pontuação está muito distante do que as crianças de 6 e 7 anos sabem sobre os usos da língua. na alfabetização inicial. de criança para criança. é essencial saber disso e observar a organização visual das produções para poder avaliá-las e ajudar a garotada a avançar. Mas as crianças trabalham com tudo junto: letra.e essas ideias não têm a ver com os conceitos formais que a escola divulga sobre o que é pontuação. . palavra. sílaba. Como isso se traduz nas produções dos estudantes em classe? CELIA Não há um comportamento igual em 100% dos casos. promovida pela Fundação Victor Civita (as inscrições. há enormes diferenças de compreensão das regras de pontuação. Além disso. O que descobrimos. Ela é visual também. como palavras e parágrafos. Para o professor. Ao contrário. é que os alunos rapidamente compreendem que a pontuação está associada a duas coisas: à entonação e à ideia que se completa. De que forma as crianças organizam o texto quando ainda não compreendem o sentido da pontuação? CELIA Entre a unidade letra e a unidade texto. parágrafo. mas a passagem da fala para a escrita é muito mais complexa do que falar em "unidades sintáticas". Isso significa que nas séries iniciais é relativamente fácil compreender que o sinal "?" está associado a uma pergunta porque falamos com uma entonação diferente quando propomos uma questão a alguém. Por outro lado. mas não necessariamente com o que a escola quer que elas aprendam.26 Celia vem a São Paulo em outubro como uma das palestrantes da Semana de Educação.

que já foram amplamente estudados e reproduzidos em diversos países. Cada um desses professores ficou responsável pela coordenação de uma. com mais facilidade. Como eu acredito que a única forma de desenvolver um trabalho com professores é de forma contínua . como deveria ser feito em todas as escolas quando se pensa num bom trabalho de alfabetização. avançam de um estágio para outro. Outro: "Muitos de . o professor faz muitas atividades de leitura de textos e também muitas de revisão . Só assim é possível observar a organização visual que cada criança constrói. no Ministério. Durante o primeiro ano. Um deles diz: "Nossas escolas são feitas de uma mistura de barro e palha.tudo tendo por base os estudos psicogenéticos realizados por Emilia Ferreiro e as pesquisas de didática da alfabetização realizadas por Delia Lerner. oferecendo materiais que nos ajudem a entender os processos das crianças. estava ligado a programas de formação permanente. no estado de Nayarit. não só nos de língua espanhola como também no Brasil. Essa é mais uma das razões para fazer com que todos.e não com grandes eventos e conferências que acabam isoladas do dia a dia das equipes docentes -. também produzam muito em sala de aula. para apresentar nossa proposta. tudo o que fazíamos. Como é a rotina de trabalho? CELIA Para começar. não lançado por aqui). Como a pesquisa surgiu? CELIA O trabalho nasceu em 2003. o melhor caminho é colocar a garotada para escrever. continuamos atuando regularmente com esse grupo. o secretário de Educação local imediatamente se comprometeu a dar início a um projeto de longa duração. quando eu ainda trabalhava para o Ministério da Educação do México. o que o professor pode fazer para avaliar melhor a turma? CELIA Oferecer textos prontos aos estudantes e pedir para todos colocarem a pontuação é um tipo de tarefa que não ajuda o professor em nada nesse processo. Não têm luz elétrica. E. além de ler muito. trabalhamos três dias por semana com os 80 professores (40 de pré-escola e outros 40 de 1º ano). em textos reais de uso social. elas começam a entender que. E. abreviaturas etc. desde então. O ponto de partida foi um livro chamado E de Escuela (de autoria de Tomàs Abella. Nesse momento. Sem dúvida. No dia a dia. que traz fotos de crianças africanas e textos curtos que descrevem a Educação local. existem inúmeros sinais gráficos. duas ou três escolas. do total de 120 na região. E trabalhamos com textos variados. Por sorte. nosso país é muito ensolarado e podemos aproveitar a luz que entra pelas janelas". Quando chegamos à cidade de Tepic. as crianças têm acesso a textos escritos desde o primeiro dia. Aliás. Em que momento as crianças avançam para um uso mais convencional da pontuação? CELIA Uma das conclusões de nossa pesquisa é que as crianças aprendem a usar a pontuação como se espera quando têm (ou passam a ter) contato com livros.27 Na prática.

Desde o início. e responder a quatro perguntas: Quem sou eu? Como é a nossa escola? Como chegamos à escola? O que fazemos na escola? E por que essas práticas fazem diferença na aprendizagem? CELIA De cara. Diversos alunos escrevem uma frase sobre um assunto. sinais de pontuação. O mesmo ocorre com o número de erros de ortografia. O resultado é que esses alunos se desenvolvem mais do que a média. Quais são as dificuldades mais comuns apontadas pela pesquisa? CELIA O "erro" que as crianças mais cometem nesse processo de entender o que é e para que serve a pontuação é a dificuldade de identificar as tais unidades sintáticas.. Mas. Veja dois exemplos reais. Sem ponto nem nada. "Existem crianças que brigam e crianças tranquilas na escola na escola temos televisão. numa folha de papel. As crianças percebem que escrevem para alguém que vai ler .28 nossos pais e mães não puderam ir à escola quando eram pequenos. como o uso do espaço na folha de papel? . Colocam dois pontos para indicar o horário ("12:30"). Cada um deve fazer a atividade individualmente. avança da periferia para o centro. como escreveu Emilia Ferreiro? De que forma as crianças incorporam as informações que a escola lhes oferece? Que relação existe entre a pontuação e a ortografia? Que relação existe entre a pontuação e outros recursos para organizar os textos. Isso os anima a frequentar a escola para adultos". acompanhamos outras (em outra cidade) que não têm nenhum tipo de acompanhamento. sim. Qual é o papel do professor diante de situações como essa? CELIA Acredito que todo professor precisa se fazer algumas perguntas para ajudar a turma a se desenvolver. Quais sinais os alunos utilizam primeiro? Quais são os mais usados por cada um? A pontuação. o total de palavras nos textos é de 145 nas salas que participam do projeto e de apenas 77 no grupo de controle. que é bem maior entre as crianças que não recebem a orientação. Daí propomos uma tarefa: escrever um texto para que as crianças da África saibam quem somos e como é nossa escola. há os estudantes que usam. Além disso. E o desempenho dos nossos alunos é claramente melhor do que os desse grupo de controle. quando viajam para vender a colheita ou os animais no mercado. além das turmas que participam do projeto.. mas não sabem fazer isso de forma convencional. percebem a importância de saber ler e escrever. Em média. saber que é preciso ter um destinatário para qualquer produção textual é fundamental para o sucesso do trabalho. mas não sabem se o correto é pôr uma vírgula ou um ponto." e "Vendem-se muitas coisas no centro no centro existem muitas lojas". emendam uma nova frase sobre outro tema.não só porque o professor está mandando. de fato.

é essencial entender que o que fazemos é um primeiro passo para descobrir como os alunos aprendem . Cada linha é uma frase e cada frase tem apenas um verbo. então. para delimitar frases no interior de um parágrafo. e. Ela não usa corretamente as maiúsculas e organiza o texto praticamente sem pontuação. O que realmente importa é observar os alunos e entender o processo para ajudá-los a superar as barreiras. em geral. Uma linha ao longo de toda a superfície do papel também aparece com frequência para separar parágrafos. e nem é isso que buscamos com a pesquisa. assim como um travessão no fim de cada linha. Eu me chamo Karina eu vivo em Santa Maria tenho 7 anos Minha professora se chama Maria Cruz Minha casa é grande e branca" E por aí vai. no fim de abreviaturas. O ponto. faz um trabalho genial. Que elementos a garotada costuma usar primeiro em seus textos? CELIA As formas mais comuns são os espaços em branco para separar frases ou parágrafos.a chamada psicogênese . pois é bastante fácil compreender o sentido. todos os professores dão nota zero.e que ainda não há pesquisas específicas na área de didática que ajudem a pensar em atividades ou sequências que garantam um avanço mais eficaz na direção de fazer as crianças aprenderem a usar a pontuação. ocupando uma página inteira. os pequenos passam a usar vírgulas para separar elementos numa lista. Na verdade. claro. Por mais que existam atividades eficazes para dar início ao trabalho. para concluir o texto. Quando percebem que isso aparece em outros textos. . Como. para delimitar os parágrafos. atuar para fazer a garotada entender as regras de pontuação e usálas de forma convencional? CELIA Não há soluções mágicas. No entanto. Também há os que usam aspas para títulos e para delimitar grupos (2º ano "A") e os dois pontos antes de uma lista ou para indicar horário.29 É possível dar um exemplo de uso do espaço como forma de pontuação? CELIA Veja um trecho de um texto produzido por uma de nossas alunas: "MINHA ESCOLA Quem sou. é empregado no fim da linha (mesmo que não seja o fim de uma frase).

ou seja.br) PROFESSORA ESCRIBA Os alunos produzem um texto sobre os polos norte e sul.Prática pedagógica .30 Alfabetização inicial . ambos em São Paulo. explica Silvana Augusto. a adequação a um gênero e a organização da linguagem escrita. Isso mudou . Livres de questões relacionadas à grafia e ao sistema de representação.tanto nos objetivos como na forma. eles se concentram nos desafios da produção do texto: a definição do conteúdo. ditando as informações que pesquisaram em duplas. individual ou coletivamente Anderson Moço (novaescola@atleitor.com. pois o conhecimento do sistema alfabético não é pré-requisito para a produção de texto.Produção de textos Edição Especial | Março 2009 Produzir texto sem escrever Ao desempenhar o papel de escriba e pedir que os estudantes criem oralmente um texto. não é preciso saber grafar as letras para organizar as ideias tal como se escreve". A criança que não sabe escrever de forma convencional está diante de uma situação-problema que permite a ela observar o desenvolvimento de seu processo de aprendizagem e da compreensão da linguagem escrita. . Foto: Marcos Rosa Por anos. o docente trabalha o comportamento escritor. Hoje. o ditado foi patrimônio do professor: um texto ou uma lista com o propósito de avaliar se a turma sabia escrever de acordo com as regras da ortografia. "É importante criar espaços para que as crianças usem a linguagem escrita antes de ler e escrever. as diferenças entre a linguagem oral e a escrita e a importância de sempre revisar o que é produzido. formadora do Instituto Avisa Lá e professora do Instituto Superior de Ensino Vera Cruz. uma das quatro situações didáticas previstas pelos principais programas oficiais de alfabetização inicial é pedir que os alunos produzam textos oralmente para se perceberem capazes de escrever antes de estarem alfabetizados.

.por meio das leituras e releituras do que já foi escrito . a recomendação de um livro lido etc.Propõe a produção de texto com propósitos comunicativos claros. a criança desenvolve critérios para a formação das preferências". ritmo e velocidade.e fazem adequações na produção: incluem pausas. ressalta Silvana Augusto A produção precisa ter um destinatário real. . que anotei no quadro-negro. "É um comportamento usual entre as pessoas indicar os livros de que gostam mais. nos quais as crianças expõem sua opinião e aprendem a reconhecer e expressar preferências como leitoras. repetem partes quando necessário e distinguem o que dizem para ser escrito do que dizem como interlocutores. sugerindo como melhorar a narrativa.). O texto que será grafado pelo professor precisa ter uma função comunicativa definida (a produção de um bilhete. Ao fazer isso. os alunos da 1ª série contam com a ajuda do professor para escrever o texto. Na hora da revisão.Seleciona um material de leitura de significativo valor estético. No começo do ano. do escritor galês Roald Dahl. as crianças escolhem uma das leituras realizadas para que seja produzida uma recomendação. Durante o ditado para o professor. contemplando diferentes gêneros. o professor: . Na EE Nelson Fernandes. os alunos comandam a produção do texto no conteúdo e na forma .Oferece às crianças espaço de troca de experiências e preferências. em São Paulo. Semanalmente. pedi que elas me ditassem um texto de indicação literária. Diário da professora Carlene Fernandes Lima . Foi o que aconteceu com a sala da alfabetizadora Carlene Fernandes Lima após a leitura de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Elas ditam seu parecer sobre o material e os motivos para recomendar essa leitura. Essa situação didática deve fazer parte da rotina da alfabetização inicial. Fotos Marcos Rosa Uma atividade de ditado para o professor que não deve ficar fora do planejamento das aulas diz respeito à produção de textos de indicação literária. Indicação literária Neste trabalho.Após a leitura de um livro que as crianças adoraram. . que será encaminhada a outras turmas.31 A elaboração de um texto vai muito além do registro gráfico. as indicações literárias fazem parte do planejamento de toda a escola. mudando o tom de voz. elas foram percebendo expressões repetidas no texto e frases que precisavam ser alteradas.

A cada nova passagem. pois. passaram a ditar uma descrição do enredo. que não deixa a gente perder a atenção . Diário da professora Rozangela Barbosa Cardoso . Expressões como "e".Permite aos alunos que se sintam escritores e produtores de texto antes de saber grafá-lo. ressalta Silvana. O debate foi acalorado. as crianças se identificaram com o personagem principal. textualizar e revisar. "aí" e "daí" (marcas da oralidade) precisam ser trocadas por outras mais adequadas à linguagem escrita e que marquem a temporalidade e a causalidade.Vamos colocar que esta é uma história encantadora e envolvente.disse um aluno.Aborda questões relacionadas ao gênero e às características da linguagem escrita. então. Terminada a leitura. . . muitas vezes utilizando expressões que tinham visto no livro. a professora passou mais de uma semana lendo diariamente um ou dois capítulos de cada vez. os pequenos ditaram os motivos que os levaram a escrever aquela recomendação e utilizaram expressões que estavam nos modelos de indicação literária que Carlene havia mostrado. negociar significados e propor a substituição de palavras repetidas. Ele deve chamar a atenção sobre a estrutura. . como "de repente".ditou uma das crianças.Desenvolve o comportamento escritor: planejar. ele explicita aos estudantes os comportamentos próprios de quem escreve". . . prática que elas já estavam acostumadas a realizar. estimulando a turma a expor suas ideias. Reescrita de história Neste trabalho.Depois de lermos na sala de . Todos.Como vamos começar esse texto? perguntou a professora. e partiu delas mesmas a iniciativa de escrever uma recomendação para a 1ª série C. "O papel do professor aqui é fundamental. Carlene relia o que estava escrito. o professor: .A gente tem de contar um pouco da história para que eles também tenham vontade de ler .32 Por ser um livro grande. Por fim. o menino Charlie. ao escrever no quadronegro. Carlene abriu a conversa.

pois uma parte tinha ficado confusa. em Umuarama. eles encontraram respostas nos livros lidos. Em um primeiro momento.Começa por "era uma vez". professora .Mas será que a gente não consegue encontrar outro começo? Esse não é muito comum? Nas histórias que lemos. aprender a reescrever. explica Silva Augusto.. das convenções e das formas. Que tal "um certo dia"? – propôs outra criança.. sobretudo. da EM Sebastião de Mattos. ela explicou que eles produziriam coletivamente um conto sobre bruxas e iniciou a leitura de diversos livros que tinham essa personagem. Depois a professora pediu que eles destacassem oralmente o que caracteriza uma história de bruxa. . É importante ajudar a turma a perceber como se trabalha um texto. Ela escreveu no quadro-negro uma lista intitulada "Nas histórias de bruxas tem. . que tipo de reflexão deve ser feita na hora de escolher a forma e a sequência dos fatos e destacar as . Professora da 2ª série. "A reescrita não equivale a uma cópia porque a criança fará uma versão pessoal do texto fonte". dos gêneros.disse um dos alunos.Eles usam outras palavras. uma roda de conversa sobre o texto era realizada. Rozangela desenvolveu um projeto de reescrita de histórias de bruxas. O próximo passo foi começar a produzir o texto. Foi o que fez Rozangela Barbosa Cardoso. no início do ano ela se deparou com uma situação comum nas escolas brasileiras: menos de um terço de seus alunos estava no nível alfabético. os alunos produziram uma versão própria. o professor deve realizar situações de leitura de diferentes textos de um mesmo gênero para a ampliação do repertório linguístico dos alunos e a apropriação de suas características. a pesquisadora argentina Ana Teberosky afirma que a orientação que se dá para a utilização do textomodelo pressupõe que aprender a escrever é. consistem em recriar algo com base no que já existe. . Para melhorar o texto. como os autores fizeram? . Fotos Ivan Amorim As atividades de reescrita de textos diversos favorecem a apropriação das características da linguagem escrita. No livro Aprender a Ler e Escrever. em que viram como os autores resolvem problemas semelhantes. Esse tipo de intervenção da professora é de grande valia nas situações de produção.33 aula vários livros com bruxas como personagens. a 580 quilômetros de Curitiba.indagou a professora. Antes de propor essa atividade. pedi que eles retomassem a história. Planejadas com o objetivo de eliminar algumas dificuldades inerentes à produção de textos." para que os alunos pudessem consultar as características que haviam encontrado. A cada conto finalizado. Num segundo momento.

eles produziram um texto informativo sobre a vida de um bicho. grifando passagens e propondo que juntos tentassem melhorar o texto. A atividade de produção do texto oral com destino escrito no gênero informativo é fundamental na alfabetização inicial. . Diário da professora Anna Lúcia Schneider .Amplia o universo de conhecimento e informação do aluno acerca de um tema específico. No dia seguinte. pois eles permitem o acesso a informações diversas e contribuem para o aprendizado dos procedimentos de pesquisa e de estudo. em outra aula.Pedi que os estudantes pesquisassem nos livros informações sobre os polos norte e sul para saber como vivem ali as pessoas e os animais. Fotos Marcos Rosa É muito importante que desde cedo os alunos tenham contato com uma boa variedade de textos informativos e de caráter científico. pedindo que revisassem e tentassem encontrar partes que ainda precisavam ser trabalhadas. Com os dados coletados na pesquisa e a leitura feita por mim. . Os estudantes continuaram ditando a história até que a primeira versão fosse finalizada. Terminada a segunda versão. entregou uma cópia para cada um deles. relendo. Rozangela digitou no computador a história e.34 questões de estilo e de efeito que deve provocar no leitor. para alterar algumas expressões e acrescentar novas frases para que a história ficasse mais redonda. a professora retomou a produção. Eles trabalharam em duplas e um deles ficou com a tarefa de escrever o que ambos julgaram importante. Depois da pesquisa.Explora as características do texto de caráter científico e informativo. eles pediram. seguindo as pesquisas mais ." Texto informativo Neste trabalho. o professor: . então.Propõe a pesquisa e a busca de informações. "As crianças perceberam que precisávamos melhorar a coerência da narrativa para que o leitor não tivesse dúvidas. Saber extrair informações de textos e aprender com eles é uma condição para se tornar estudante. Sugeri que eles procurassem nos livros como os autores resolvem esses problemas.

ela explicou que o produto final da atividade seria um livro ilustrado e que cada um receberia uma cópia. explica Silvana Augusto. A cada texto finalizado. "Ao participar desse tipo de situação de escrita. Ela circulava pela sala para ver se alguém precisava de ajuda. o estudante passa a se familiarizar com as maneiras de buscar e apresentar informações". Além disso.).35 consistentes na área. ele tem mais uma oportunidade de analisar e refletir sobre o sistema de escrita e ainda entra em contato com informações variadas. tentou descobrir o que o grupo conhecia sobre o tema. Em seguida. . O trabalho com produção escrita deve ser uma prática continuada. Na Escola Alecrim. Ela levou livros com informações sobre as regiões e os animais e pessoas que vivem nelas. Todos eram estimulados a trocar informações e a mostrar para os colegas o que haviam descoberto. utilizando a linguagem. na qual se reproduz o contexto cotidiano em que escrever tem sentido. Anna Lúcia propunha uma discussão. em São Paulo. O passo seguinte foi a escrita coletiva. explicações e curiosidades. clima etc. Depois. Primeiro. as características do comportamento escritor e a importância de trabalhar o texto que a criança vai avançar na compreensão da linguagem que usamos para escrever. É percebendo a função social da linguagem escrita. formou duplas e pediu que cada uma pesquisasse sobre um aspecto dos polos (animais. a organização e as expressões características. As informações estão de acordo com o que lemos? Será que o leitor vai entender o que queremos dizer? Eles consultavam os livros para checar se estava tudo certo e se havia uma maneira melhor de construir o texto. a professora Anna Lúcia Schneider propôs um projeto sobre os polos norte e sul.

Leitura pelo aluno Edição Especial | 03/2009 Desde o começo É preciso oferecer textos à criança já nas primeiras atividades de alfabetização porque conhecer seus usos e suas funções favorece a reflexão sobre o sistema de escrita APRENDER A LER LENDO Os alunos podem avançar se colocados em atividades que proporcionam a eles situações reais de leitura. O longo processo de conhecimento da linguagem escrita tem início antes de ela frequentar a escola. a escrita ultrapassa os limites da sala de aula. na Espanha. o professor: • Propõe a reflexão sobre o sistema alfabético de escrita. professora da Universidade de Barcelona. Está presente em todas as etapas da vida e atinge o ser humano desde que surge o interesse pela representação gráfica. que comunicam referentes com facilidade.36 Alfabetização inicial . Diferentemente dos desenhos. A criança não tarda em reconhecer e distinguir palavras de figuras ao abrir um gibi ou um livro. . que se alternam e se combinam para formar um significante. O segredo para ensinar a ler é dar condições para o aluno resolver problemas que lhe permitam avançar como leitor e escritor. Foto: Marcelo Min A criança compreende o sistema alfabético na prática de leitura. uma das quatro situações didáticas básicas para a alfabetização.Prática pedagógica . Segundo Ana Teberosky. o sentido da escrita alfabética é adquirido com o tempo: as palavras se dispõem quase sempre em linha reta e descontínua e possuem uma quantidade de letras. Texto memorizado Neste trabalho. confrontando-se com textos desde o início da alfabetização.

37 • Proporciona situações reais de leitura com cantigas e parlendas. • Permite que os alunos estabeleçam uma relação entre o oral e o escrito.

Diário da professora Ana Rosa Piovesana - Um aluno leu a letra da cantiga que escrevi em um papel pardo, preso na parede a uma altura que permitia acompanhar com o dedo. Eu também dei uma cópia do texto para cada um colar no caderno e acompanhar a leitura na carteira e fiz algumas intervençoes para que todos analisassem mais do que a primeira letra da palavra e usassem diversas estratégias. Fotos: Kriz Knack Segundo Beatriz Gouveia, coordenadora do programa Além das Letras, do Instituto Avisa Lá, em São Paulo, é o contato com o texto que permite ao aluno refletir sobre o funcionamento do sistema de escrita. “A reflexão constante possibilita desenvolver estratégias de leitura”, explica a educadora. Tais estratégias são postas em prática pelas crianças sempre que tentam “ler” mesmo sem saber ler. “Elas antecipam o que pode estar escrito. Como ainda não dominam o sistema, estão o tempo todo usando informações sobre a escrita do próprio nome, do nome dos colegas ou outros que trazem da própria experiência.” Beatriz esclarece que essa tentativa de leitura não é aleatória. Ao contrário, “é um trabalho intelectual. A criança compara as palavras, seleciona, olha para todas as pistas e só então verifica o que está escrito”. Existem atividades que ensinam o aluno a ler ao mesmo tempo em que proporcionam situações reais de “leitura”. Um exemplo é uma coletânea de cantigas e parlendas que as crianças já conheçam de cor. A letra da música é afixada pela professora na parede da sala de aula de maneira que todos possam acompanhar a leitura enquanto cantam. Assim – sempre com a intervenção da professora –, constroem relações entre o que pronunciam e a escrita correspondente. A professora Ana Rosa Piovesana conseguiu alfabetizar todos os alunos no 1º ano da EMEB Rosa Scavone, em Itatiba, a 89 quilômetros de São Paulo, lançando mão de atividades de leitura e escrita de cantigas e parlendas, entre outras. No início de 2008, sua sala tinha oito crianças pré-silábicas, duas silábicas sem valor, oito silábicas com valor, uma silábica-alfabética e duas alfabéticas. Antes de tudo, Ana Rosa pergunta quais cantigas todos conhecem. Esse levantamento é importante para saber que canções fazem parte do repertório comum da classe. Como as crianças ainda não dominam o sistema de escrita, a memorização prévia da canção que será “lida” é essencial para saber o que está escrito e tentar ler onde está

38 escrito: se trabalha a música O Sapo Não Lava o Pé, por exemplo, o estudante saberá que as estrofes que tentará ler durante a atividade correspondem tão-somente à letra dessa música. “Escrevo a letra das cantigas num papel pardo e coloco na parede da sala. Também entrego uma cópia para cada um colar no caderno para levar para casa e ler com os pais”, diz Ana Rosa. “Então cantamos a música, acompanhando a letra, apontando e fazendo o ajuste do falado ao escrito conforme ela vai sendo cantada. Depois, peço que encontrem palavras da música.” Ana Rosa descreve as intervenções realizadas com um de seus alunos durante o trabalho com uma das cantigas. Os versos em questão eram: “Havia uma barata/ Na careca do vovô/ Assim que ela me viu/ Bateu asas e voou”. Ana perguntou: – Lucas, encontre para mim na cantiga a palavra “vovô”. Ele apontou a palavra “voou”. – Lucas, diga com que letra começa a palavra “vovô”? – Com “v”, de Vanessa. – Muito bem, mas... – Mas esta também começa com “v” – disse Lucas, se antecipando à docente e apontando para a palavra “vovô”. – Então, com que letra termina a palavra “vovô”? A intervenção nesse caso levou o garoto a analisar mais que a primeira letra da palavra para conseguir lê-la e encontrá-la. “Lucas observou que ‘voou’ não tinha a letra ‘o’ no fim, percebeu que aquela não era a palavra correta e recorreu novamente à música para encontrar o que havia sido pedido”, explica Ana Rosa.

Títulos de livros
Neste trabalho, o professor: • Propõe a reflexão sobre o sistema alfabético de escrita. • Aciona estratégias de leitura que permitam descobrir o que está escrito e onde (seleção, antecipação e verificação).

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Diário da professora Tatiana Garcez Jora - Escrevi os títulos dos livros que selecionei em pequenas tarjetas de cartolina e apresentei três delas de cada vez aos estudantes. Depois que cada um escolheu o título de uma obra, pedi que eles procurassem por ela em uma caixa que matenho na sala de aula. Antes de retirar o que seria levado para casa, cada um colocou o título da história em um caderno que registra os empréstimos. Fotos Tatiana Cardeal O objetivo da leitura de títulos de livros é oferecer ao aluno o desafio de encontrar, entre muitas histórias, uma que gostaria de escutar em casa pela voz dos pais. Esse é o motivo pelo qual ele é levado a procurar em uma lista o título de sua história preferida. Isso é feito com base nos conhecimentos sobre a escrita de que já dispõe e naqueles que adquire com o passar do tempo – a escrita do próprio nome, do nome de colegas etc. Na EMEF Laura Lopes, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, Tatiana Garcez Jora começa essa atividade colocando os estudantes em círculo para que comentem o livro que leram com a família. A professora permite que eles citem os trechos da história que mais chamaram a atenção. A intenção é fazer com que apresentem as obras uns aos outros, despertando o interesse coletivo. Tatiana prepara pequenas tarjetas de cartolina. Em cada uma, vai escrito o título de um dos muitos livros que podem ser encontrados numa caixa que fica na sala de aula. Então um aluno se sente atraído por Branca de Neve. A professora seleciona três tarjetas, A Bela Adormecida, Branca de Neve e A Bela e a Fera, lê os títulos numa ordem e os apresenta à criança em outra. O fato de que os três títulos terem palavras começadas com “b” impõe a necessidade de encontrar na extensão da palavra mais indicativos – tamanho, outras letras etc. A professora fica ao lado do aluno durante as tentativas de leitura, fazendo intervenções que promovam a reflexão sobre o sistema de escrita, seja para levá-lo a repensar uma escolha, seja para pedir justificativas se ele aponta corretamente o título (leia a atividade permanente). Uma vez que o encontra, o estudante coloca o título num caderno para registrar o empréstimo e vai à caixa de livros, onde estará envolvido em outra atividade de busca, com o auxílio das imagens nas capas. Utilizar essas tarjetas que apresentam apenas o título das histórias, em vez de exibir as imagens na capa dos livros, permite o foco exclusivamente no contexto escrito – objetivo da alfabetização.

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Texto informativo
Neste trabalho, o professor: • Expõe o procedimento que os leitores experientes usam para buscar informações. • Formula questões sobre o que será lido e procura no texto como respondê-las.

Di ário da professora Lóide Carvalho de Vasconcelos - Pedi que as crianças procurassem na biblioteca da escola livro sobre girafas. Ajudei na leitura dos índices das obras para buscar as informações desejadas. Mostrei que apenas ver as figuras não basta. É preciso verificar se a informação está escrita. Organizei uma roda na sala para uma leitura coletiva das informações encontradas. Fotos Marcelo Min Em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, a professora Lóide Carvalho de Vasconcelos iniciou com a turma de 1º ano da EMEB Anísio Teixeira o projeto Conhecendo os Animais. “Primeiro, perguntei a todos quais animais queriam conhecer melhor. Eles chegaram a um consenso e decidiram se aprofundar na vida da girafa”, explica Lóide. “Então levantamos questões sobre o que a girafa come, onde mora, quantos anos vive etc.” Para confirmar as respostas que os alunos deram às perguntas, a solução foi encaminhá-los à biblioteca. Na rede municipal de São Bernardo, a pesquisa não apresenta as dificuldades tradicionais que uma criança encontraria numa biblioteca comum. As obras estão dispostas por temas e divididos por cores. Os livros se organizam em ordem alfabética pelo sobrenome do autor e ficam com a capa à mostra para que o aluno que está aprendendo a ler possa utilizar as imagens como um instrumento adicional de busca. As estantes são baixas para que a criança alcance as obras. Lóide diz que os estudantes são orientados sobre como usar a biblioteca antes de sair à procura de informação. “Eles foram atrás de dicionários e enciclopédias em que pudessem constar informações sobre as girafas, além de livros e revistas” (leia atividade permanente).

placa. assim. testar e avançar nas próprias hipóteses MUITO ESFORÇO Na atividade de redigir uma lista. além de formular. que não fazem sentido para as crianças.. palavras e frases soltas. e-mail. “Mesmo que as crianças não saibam ler de forma convencional.. o alfabetizador tem um aliado: a escrita pelo aluno – uma das quatro situações didáticas básicas da alfabetização.41 As obras são selecionadas. calendários. cartazes. não é diferente: está em cada carta.Leitura pelo aluno Edição Especial | 03/2009 Na ponta do lápis Desde as primeiras aulas. Alfabetização inicial . escrever leva a turma a refletir a respeito do sistema alfabético. Lóide formou uma roda e leu os textos para responder às dúvidas sobre a girafa. No livro Aprender a Ler e a Escrever. o aluno escreve as palavras dentro de sua hipótese alfabética. elas conseguem realizar a leitura e. “Se um aluno trazia um livro porque tinha visto uma figura de mamíferos.Prática pedagógica . e não apenas como sílabas. Nessas entrelinhas. revistas. livros. segundo pesquisas na área – como um instrumento com razão de existir. eu lia o sumário com ele para saber se ali há elementos sobre a girafa”. para ‘apropriar-se da linguagem escrita’ é necessário que . receita e bilhete. Depois.” Alunos e professora escolheram quatro livros. Fora da escola. relata Lóide. seguindo os mesmos procedimentos. conclui a professora. cada um escolheu um animal para pesquisar individualmente. “Esse procedimento ensina a buscar informações de maneira cada vez mais autônoma e a compreender que só o desenho não esclarece tudo: é preciso ler. Foto Marcos Rosa No dia-a-dia da sala de aula. a escrita aparece em listas de presença. quando há um contexto gerador de informações. O papel da professora é investigar junto com a turma se os livros trazidos podem ou não servir para aprimorar o conhecimento sobre o tema. Ana Teberosky e Teresa Colomer falam sobre a importância com esse cuidado: “Apesar de a criança aprender graças à interação com diferentes materiais gráficos. por exemplo. aprendem a ler”.

Fotos: Ricardo Beliel Em 2008. conta a professora (leia o projeto didático). Mas. a 65 quilômetros do Rio de Janeiro. ambos ficam relutantes e não querem abrir mão de suas opiniões. Ciente da importância de propor à turma de 1º ano a escrita de textos conhecidos. da EM Robert Kennedy. juntos. sem prender o pensamento à criação”. mas são as práticas culturais de interpretação que as transformam em objetos simbólicos e linguísticos. existam os que queiram colocar apenas vogais e outros que optem por usar somente consoantes. o professor: • Foca a atenção do aluno apenas para o ato de escrever. Diário da professora Cecília Pinheiro . separou o grupo em duplas para que um complementasse as ideias do outro.” Assim. diz Cecilia. • Oferece espaço de troca de opiniões entre as crianças. entre os silábicos com valor sonoro. investiu em parlendas e cantigas para alavancar o processo de alfabetização. “É comum que. Um desses momentos foi a produção escrita de Atirei o Pau no Gato. “Assim. Fiz intervenções para incentivar a reflexão e a discussão dentro de cada parceria. Dividi a turma em duplas para permitir que um complementasse as idéias do outro.Levei os garotos para o pátio da escola e eles memorizaram a cantiga enquanto brincavam. em Petrópolis. sem a preocupação de criar o texto. Já em sala. Antes de começar. a classe foi ao pátio da escola para cantar e brincar com a letra da cantiga. No começo. a professora propôs a produção de um cartaz que ficasse no corredor da escola para que outras turmas também apreciassem os versos da canção. Parlendas e cantigas Neste trabalho. contempla-se o preceito colocado pela psicolinguista argentina Emilia Ferreiro de que qualquer escrita é um conjunto de marcas gráficas intencionais. as crianças tiveram mais oportunidades de se voltar apenas para o próprio ato de escrever. Cecilia decidiu fazer disso uma atividade permanente. Depois. percebem que faltam elementos nos dois casos e passam a negociar”. .42 ela participe de situações em que a escrita adquira significação. a professora Cecilia Pinheiro.

Por exemplo. eles escreveram quem estava na imagem e qual era o local. De acordo com Denise Maria Milan Tonello. a professora ofereceu letras móveis para permitir a reflexão da dupla e fez uma intervenção: . Em duplas. o professor: • Mostra a importância do destinatário na construção do • Permite às crianças a discussão de critérios de seleção. conforme as crianças avançavam na alfabetização. ao ver que uma dupla se deparou com o dilema de escrever “dona” como “oa” ou “dn”. Álbum de legendas Neste trabalho. As dúvidas aparecerão naturalmente e renderão boas chances de pesquisa. O trabalho com as letras . A cada nova dúvida solucionada. mas. Diário da professora Sandra Santos da Silva Jacques . Cecilia também conta que a cobrança da ortografia não foi uma preocupação nessa atividade. responderam. os alunos podem fazer um levantamento de outras em que o ‘q apareça e perceber que ele está sempre acompanhado do ‘u’”. “não adianta mesmo falar em ‘s’ ou ‘ç’ para crianças que ainda não estão plenamente alfabetizadas. voltar a elas quando necessário. Isso só ganhou destaque ao longo do ano. Ainda em relacão às dúvidas ortográficas. ao surgir a questão de o ‘qu’ nao escrever a palavra ‘queijo’.Pedi que os alunos explicassem as fotos de viagens que trouxeram de casa. . em São Paulo.O “d” sozinho não consegue formar o “do”.43 A escrita começou com lápis e papel. a turma pode escrever as grafias corretas e. o Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do Programa Ler e Escrever sugere não só o uso do dicionário como também consultas a uma lista de palavras organizadas coletivamente. pedagoga e orientadora do Colégio Miguel de Cervantes.E como se escreve o “na”? Com o “n” sozinho? Não falta alguma coisa aqui? Falta o “a”. Que letra está faltando? A letra “o”. berraram os dois. texto. depois.

os pequenos levantem ideias do que escrever de acordo com o que veem nas imagens.” Outra questão recorrente nas discussões foi a temporalidade. optou por legendar um álbum de fotos dirigido à família da garotada. Lista de personagens Neste trabalho. “Escreva Marcelo no lugar do ‘eu’. Além disso. a professora Sandra Santos da Silva Jacques. sabendo que o álbum se destina aos pais e parentes. Depois a turma iniciou a seleção das fotografias que entrariam no álbum e a escrita de legendas. As crianças se apropriam da estrutura das legendas e percebem. Fotos: Fernando Vivas Um aspecto que deve ser abordado nas primeiras atividades com a linguagem escrita é o destinatário. em um passeio. viagem ou brincadeira.44 móveis propiciou a reflexão sobre o que escreviam e permitiu revisões. quem o acompanhava (leia o projeto didático). em Salvador. por exemplo. Com sua turma de 5 anos. juntos. o professor: • Propõe a reflexão sobre o sistema de • Desenvolve na turma comportamento leitor e escritor. elas se comprometem com a tarefa porque preveem um propósito de leitura claro e ganham possibilidades de discutir critérios de seleção dos textos. Ao mesmo tempo. Ela também considera que o trabalho em duplas colabora com a construção dos textos e permite que. solicitou fotografias tiradas nas férias. A docente levou a turma a refletir sobre isso. assim você informa qual é o seu nome. A professora explicou a ele que o texto não poderia ser “Eu na fazenda” porque seria lido em outro lugar por pessoas que não o conheciam. que não são extensas e não começam com ‘era uma vez’”. Para isso. onde estava. É preciso que as crianças tenham a chance de se questionar para quem escrevem e o que é preciso garantir no texto para que o leitor compreenda as informações registradas. escrita. do Colégio Miró. as crianças são motivadas a explicar as informações de forma que possam ser compreendidas de maneira clara por qualquer leitor. Quando um aluno escreveu a legenda de sua própria foto. “Textos curtos e em que apareça o nome do colega favorecem a realização da atividade. relata Sandra. Alguns alunos escreviam nas legendas indicadores como “no mês passado” ou “no fim de semana”. . cada um relatou o que fazia no momento da foto. a posição do enunciador se mostrou um problema. Com as imagens em mãos.

a cada etapa do trabalho. é indispensável confirmar o que foi produzido. Para evitar que as crianças se percam em problemas como “cadê o L?”. com uma gravura ou ilustração de um dos personagens previamente listados. escrever o nome do personagem que aparecia nela. as letras móveis funcionam como boas aliadas. se possível. Entre as demais expectativas estão compreender o funcionamento alfabético do sistema de escrita. na ordem do abecedário. ela sugere não misturar uma quantidade grande de letras e.45 Diário da professora Adriana de Oliveira Rocha . Como a reflexão sobre o sistema de escrita é permanente e requer que a produção seja avaliada e revista pelas crianças. os alunos redigiam os nomes individualmente e com lápis e papel. do Colégio Sidarta. escreviam seu nome com letras móveis.Utilizei as letras móveis para a atividade de listar personagens de contos infantis porque elas permitem revisar e mudar o texto facilmente. os alunos realizam o ajuste entre o que se fala e o que se escreve e. em Cotia. Então. A seleção para a escrita por parte dos alunos incluía elementos como ingredientes de receitas. Adriana montou uma lista de personagens a serem nomeados por escrito pelos pequenos. Com a ajuda de peças móveis ou no papel. Uma das listas foi a que compôs uma galeria de personagens conhecidos como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho (leia a sequência didática). diz Denise Tonello. tornam as falhas mais aparentes. Cada dupla de alunos teve de observar uma ilustração e. A atividade começou com uma conversa sobre quais histórias faziam parte do repertório da turma e quais eram mais apreciadas. cada criança escreveu os nomes individualmente com lápis e papel. brinquedos que os pequenos levavam de casa e nomes de fantasias. Depois da fase de discussões em duplas. escrever textos que . Depois de identificarem coletivamente quem era ele e de qual história fazia parte. Com base nessa checagem inicial. guardá-las em caixas com divisões. lançou mão das listagens com crianças de 5 a 6 anos no ano passado. das secretarias estadual e municipal de Educação de São Paulo. então. “Elas permitem mudar o que foi escrito”. ela distribuía uma ficha de atividade individual. Tal habilidade é tão importante que figura nas expectativas de aprendizagem do Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever. desse modo. Ao ler o que escreveram. Fotos: Marcos Rosa A professora Adriana de Oliveira Rocha. na Grande São Paulo. Após as intervenções da professora e da troca de experiências dentro de grupos de trabalho.

como bilhetes. "As crianças conhecem narrativas. . o projeto dessa galeria ajudou a desenvolver comportamentos leitores e escritores ao longo do ano. reportagem sugerida pela leitora Josélia de Castro Silva. da Fundação Victor Civita. Petrópolis. O desejo de aprender a ler para decifrar os livros preferidos com autonomia e descobrir novas histórias aumenta de intensidade". Essa é uma das quatro situações didáticas básicas no processo de alfabetização. de acordo com Denise. como explorar livros da biblioteca de sala. aumentar a familiaridade com a língua. RJ COMPORTAMENTO LEITOR É fundamental que toda a turma participe da atividade. desenvolver o comportamento leitor e iniciar o processo formal de alfabetização . Foto: Tatiana Cardeal Sempre que o professor lê para a turma. revela as múltiplas possibilidades que os textos oferecem. lugares. Alfabetização inicialPrática pedagógicaLeitura pelo professor Edição Especial | 03/2009 Pequenos leitores Ouvir permite às crianças ampliar o repertório cultural. que. Segundo Adriana. diz Ana Flavia Alonço. expondo suas ideias sobre o que foi lido. reescrever histórias conhecidas e produzir textos de autoria. pedagoga e formadora de professores do Projeto Entorno.46 conhece de memória. A cada proposta. surgiam novos desafios. personagens e autores e têm a oportunidade de se encantar com a leitura. cartas e instrucionais. identificar a história com base no seu título e escrever a lista dos personagens. colaboraram muito na evolução da escrita das crianças.

A figura de pais e professores é fundamental. pois faltam os procedimentos necessários à mediação entre o professor. ter em mente a intenção da leitura. "a leitura é um momento mágico. do governo do estado de São Paulo.por exemplo. não dá conta de alavancar o processo de alfabetização. pois eles assumem o papel de condutores de seus ouvintes para um mundo fantástico. que essas marcas têm poderes especiais: basta olhá-las para produzir linguagem". Mas também deve estar ciente dos objetivos didáticos a que ela se destina . os alunos e a linguagem escrita. diferenciar a linguagem escrita da falada ou conhecer o estilo de um autor"." Sirley Aparecida Mastini da Costa. em São Paulo. pois o interpretante informa à criança. apenas duas eram alfabéticas no início do ano letivo. guardou a frase na lembrança.47 A leitura. diferenciar versões da . "Quando o professor lê. "Professora. emociona. bem que você disse que eu ia adorar aprender a ler. capaz de ser desenvolvido desde muito cedo com a ajuda dos mais experientes. a leitura. Indicação literária Neste trabalho. debatendo ideias. Conteúdo relacionado Sequência Didática • Comparar histórias Projeto Didático • Leituras simultâneas de contos Atividade Permanente • Leitura compartilhada e debate É preciso. levantando e explicitando hipóteses. como prática social. ao efetuar essa ação aparentemente banal. da EMEF Padre Gregório Westrupp. que chamamos de 'um ato de leitura'. Os alunos não tinham o hábito de ouvir e comentar histórias. informa e diverte. De 33 crianças. Dita por um aluno de 1º ano em 2008. Não basta simplesmente fazer uma sessão por dia sem propósito comunicativo. afirma Célia Prudêncio. • Lê o texto tal qual está escrito. Nas palavras da psicolinguista argentina Emilia Ferreiro. • Comunica os motivos pelos quais selecionou o livro. comentando o que foi lido. porém. se os objetivos não estiverem claros. ela mostra o resultado de um investimento feito desde o primeiro dia letivo – incluir a leitura na rotina da classe. pode ser ensinada em situações em que a turma toda participe. tem de considerar sua ação como prática social que entretém. Em dezembro esse número saltou para 29 e todos passaram a participar de discussões sobre as obras lidas. por si só. Atitudes como essas compõem o chamado comportamento leitor. Segundo ela. o professor: • Apresenta à turma autores em obras de reconhecida qualidade. formadora do Programa Ler e Escrever.

A atenção dos pequenos ouvintes ficou cada vez maior e cresceu também a vontade de conhecer outros livros. retiram livros das estantes e leem para os colegas".Antes de iniciar a leitura. "Depois que uma atividade acaba. Diário da Professora Sirley Aparecida Mastini da Costa . se houver. Após a sessão. diz Sirley. converso com as crianças sobre o autor e sobre o que o título da história parece sugerir". "Atuar como leitores competentes é também um aprendizado. Resta. treinar a história em voz alta. orienta Ana Flavia. seleciono obras clássicas e atuais para ler diariamente". eu destaco a capa dos livros. “Além da história. Além disso. é importante definir previamente possíveis intervenções que auxiliem na compreensão do texto e. então. A escolha dos textos requer cuidados especiais. Percebem que. uma boa preparação requer uma pesquisa detalhada sobre o autor. Fotos: Tatiana Cardeal Com tais objetivos em vista. que encantem as crianças. Aspectos como esses devem ser levados em consideração durante o planejamento da aula. participar de atividades de contação de histórias organizadas pelos mais velhos e. Eles passaram a levar exemplares de casa para a escola. é comum as crianças formarem grupos e retirarem outros livros das estantes. a professora investiu na organização dos momentos de leitura: "Para entrar no clima. “Devem ser obras bem escritas. Por isso. conta Sirley. todos a serviço da produção de sentido por parte dos pequenos. já alfabetizados. vão por conta própria para o fundo da sala. montar as próprias rodas literárias. é preciso ter muitas letras e . lembrando sempre que a quantidade de vezes em que ela é realizada é menos relevante do que a qualidade da situação didática. sempre que possível. Ou seja. E é importante que o professor também conheça e aprecie a história”. as crianças assimilam aspectos da estrutura do texto. pois a leitura em voz alta é uma porta fundamental para que os pequenos entrem no mundo letrado (leia a sequência didática). para escrever. cobrar os momentos de leitura. com ritmo e gestos. A qualidade se faz ainda mais necessária.48 mesma história e conhecer o trabalho de autores como Ziraldo e Monteiro Lobato. definir qual o melhor momento da rotina para a leitura em voz alta. o ilustrador e. apresento seus autores e falo de outras obras deles. a coleção elementos que não apenas enriqueçam o repertório da turma como também sirvam de base para as escolhas que todos farão como leitores.

diz. que tem até uma boneca de pano como mascote. Entre os textos literários. a medida é importante "porque cada palavra contribui para a beleza do texto literário e também porque. • Desperta nos alunos a vontade de cuidar dos livros. procuro mostrar que. Diário da professora Maria Aparecida de Araújo Silva . Aí os meninos passam a escolher livremente o que ler e se espalham pela sala. é recomendável evitar aqueles em que a transmissão de uma moral supere a qualidade literária. em Presidente Prudente. leio um livro ou texto avulso. Fotos: Fernando Vivas Todos os dias. É a biblioteca circulante. Ela também investiu na decoração da sala de leitura com almofadas e . responsável pela sala de leitura da EM Teresa Cristina. Abastecida com frequência pela biblioteca da escola. subtítulos e legendas. as crianças exploram as obras para escolher a história que lerei a seguir". em Salvador. basta procurá-las no dicionário". depois dessa atividade. Escolha de obras Neste trabalho.49 colocadas em lugares certos”. dicionários e publicações sobre arte e animais. sentindo a necessidade de cada um. ao ouvir histórias. do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp). a 565 quilômetros de São Paulo. A intervenção inicial dura cinco minutos. que levo do lado de fora para criar um clima gostoso. • Aponta estratégias para buscar informações em títulos. poesia. as crianças estabelecem relações acerca dos termos que não conhecem e ampliam seu repertório". passa pelas salas de Educação Infantil e dos primeiros anos do Ensino Fundamental levando uma mala de rodinhas que esconde um verdadeiro tesouro. Depois disso. "Antes de começar abrir a mala. para descobrir o significado de termos desconhecidos. diz Maria Aparecida. Outro cuidado de Sirley é em relação ao vocabulário. o professor: • Apresenta a variedade de gêneros literários. entre obras literárias. afirma Maria Peregrina de Fátima Rotta Furlanetti. "Ao contrário.Eu ajudo os alunos na escolha do livros e na leitura. ela contém mais de 40 livros. a professora Maria Aparecida de Araújo Silva. De acordo com Ana Flavia. despertar neles a preocupação de cuidar dos volumes. Consegui. Ela não troca nem simplifica palavras.

todos querem cuidar dos volumes. ou seja. "Explique que muitas dúvidas são respondidas no desenrolar da história e que. que servem de estantes em todas as salas até o 2º ano. Esse contato permite à criança apreender as características específicas de cada gênero. poemas e notícias. Juntos. como quem é o personagem principal ou onde a trama se passa. fornece elementos que ajudam os pequenos a formular suas primeiras hipóteses. Desse modo. da Unesp.só não deve cair na rotina de. as crianças se organizam ao redor da professora. então. pedir a releitura de trechos e até folhear o exemplar". ler diferentes textos com diferentes objetivos".conhecimentos do leitor. de modo que todas possam escutá-la claramente e enxergar as páginas da publicação. uma dramatização. um debate de ideias ou até mesmo o silêncio". têm hoje só leitores interessados e responsáveis. De acordo com Célia Prudêncio. que lotam na hora do recreio. Maria Aparecida comenta. escolher as obras preferidas e até inventar as próprias histórias". o professor: • Aproxima os alunos de diferentes gêneros literários. É importante garantir a diversidade textual. que podem ser um reconto. "a variedade de gêneros deve ser um eixo do trabalho do professor. que antes do início do projeto de biblioteca circulante chegaram a estragar 45 livros em uma semana. por exemplo. então. • Cria situações em que eles possam atuar como leitores. realizando a leitura de obras literárias. sugere Maria Peregrina Furlanetti. dados do texto e informações fornecidas pelo contexto. selecionar dados e reler para retomar dúvidas ou apenas voltar a trechos apreciados. "Independentemente da idade. e na instalação de sapateiras. Livros variados Neste trabalho. algum aspecto da história. Esse momento posterior à leitura é bastante flexível . num processo ativo de construção de significados. bem como os propósitos com que são escritos e lidos. os resultados não demoram a aparecer. Assim.50 tapetes doados. E vale lembrar que esse é um ótimo momento para combinar com as crianças que elas devem evitar interrupções. . sempre terminar com um desenho sobre a história que foi apresentada. As turmas. "É preciso ter sensibilidade para perceber as necessidades da turma. • Abre espaço para que elas demonstrem livremente suas impressões. que coordena informações de diversas procedências . conta a professora. Por exemplo: buscar informações em títulos. poderão perguntar o que não entenderam. contos. Em cada momento de leitura. no fim da leitura. entre outros (leia o projeto didático). professor e alunos exploram essa imensa gama de possibilidades. diz Ana Flavia Alonço.

a textos informativos. fazem roda para comentar o que gostaram. ela treina a entonação. um tema atual ou um personagem curioso . lê o título. Antes de entrar em sala. É enriquecedor voltar aos trechos comentados pela turma e ajudar a identificar pontos em que as imagens são fundamentais para o desenrolar da história. ilustrações interessantes. se leram com ajuda ou não. na Grande São Paulo.e deixar claro qual será o gênero. as obras vão de clássicos. cada aluno escolhe um livro para levar para casa. Já com os alunos. em especial porque queriam muito encontrar as informações". Fotos Kriz Knack Daniela Ribeiro deu aulas em 2008 para a turma de 1º ano da EMEF Rosalvito Cobra. o que não agradou. Quando mais de uma criança falar ao mesmo tempo. as crianças se divertem falando sobre o lugar onde ele mora e outras curiosidades. Para tanto. é importante não interromper e não induzir a opiniões. É nesse espaço que podem demonstrar livremente suas impressões.tem frases engraçadas. mas criar situações em que as crianças possam atuar como leitoras. Nesse caso. o que faz dela algo especial . Na segunda. Eles buscam as ilustrações e as relacionam com trechos da história que eu narrei. conta. basta pedir que esperem a vez. sem trocar palavras para simplificar o vocabulário. ela não pensa duas vezes: a leitura. O cardápio de textos oferecidos é bem variado.Antes de começar a leitura em roda com os alunos. eu explico porque escolhi o livro do dia. que ela lê em capítulos. em São Caetano do Sul. por exemplo. como O Mágico de Oz. se as expectativas foram correspondidas . eles se sentiram cada vez mais motivados a ler. Eu complemento a atividade oferecendo exemplares que eles podem levar para casa. . Toda sexta-feira. comenta o tema e abre o livro. Quando alguém pergunta qual é o segredo para terminar o ano com todos os alunos alfabetizados.51 Diário da professora Daniela Ribeiro . é importante explicar por que determinada leitura foi escolhida. Na sala de Daniela.hábitos que podem ser construídos antes mesmo de a turma dominar a escrita. "Depois de ouvir a leitura de um texto sobre um animal. Todas as sessões de leitura são seguidas de conversas para a exposição de ideias (leia a atividade permanente). Ensinar a ler não é transmitir conteúdos. Revelar esses elementos ajuda as crianças a selecionar as próprias leituras e justificar tais escolhas. A roda de biblioteca complementa a leitura diária. ao longo do ano. Foi assim que os alunos de Daniela passaram a agir. “Percebi que.

acima do quadro. no campo de visão de todos os alunos.de preferência. Se sabem que "gato" se escreve com G. mas esqueceram o jeitão dele. ele ocupa uma posição central na classe .52 Alfabetização inicialPrática pedagógicaEscrita pelo aluno Edição 220 | Março 2009 O alfabeto não pode faltar Ferramenta indispensável nas salas de séries iniciais. O alfabeto da classe é um companheiro permanente para quem ensaia os primeiros passos no universo da escrita. o alfabeto ajuda as crianças a tirar dúvidas sobre a grafia das letras com autonomia Rodrigo Ratier (rodrigo. é só caminhar pela sequência de letras até encontrá-lo.com.br) É ASSIM QUE SE FAZ Na EM Atenas.ratier@abril. Conteúdo relacionado Reportagens • • • Pequenos leitores Alfabetizar é todo dia Tudo sobre alfabetização Atividades . a turma consulta o alfabeto na parede para conferir a grafia correta das letras. Foto: Gilvan Barreto Pendurado na parede desde o primeiro dia de aula. Material de apoio precioso para um ambiente alfabetizador na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental. a resposta também está lá. é a ele que os pequenos recorrem quando querem encontrar uma letra e saber como grafá-la. Se na hora de escrever "mar" bater a dúvida de quantas perninhas tem o M.

sim. No caso de Janine. 1º ou 2º ano.sala de alfabetização inicial. ele é um precioso instrumento de consulta para as situações de escrita. A proposta foi adotada pela professora Janine Caldeira Veiga. diz. o instrumento é útil durante todo o início da alfabetização. Responder aos dois principais problemas da alfabetização SABER NECESSÁRIO Agendas telefônicas mostram a importância da ordem alfabética numa situação real.53 • • • • Nomes próprios Legendas para fotos Hora da chamada Criar agendas telefônicas Não espanta o consenso de que um alfabeto. Para que o alfabeto realmente ajude na compreensão do funcionamento da escrita. que teve o alfabeto como aliado em todas as etapas. da EM Atenas. é preciso saber usá-lo. Nessa tarefa. "Ele ajudou a turma do 2º ano a conferir a grafia e a pronunciar o nome das letras ou como apoio à memória para saber qual a posição de uma delas na sequência". mas esse saber deve ser acionado pelas crianças durante atividades de reflexão sobre a escrita". em toda . a leitura pelo aluno e a produção oral com destino escrito. Foto: Gilvan Barreto Uma oportunidade de fazer isso é trabalhar com a construção de agendas telefônicas (leia o projeto didático). ele não é nada além de uma lista de letras. quando o professor atua como escriba). formadora do Instituto Avisa Lá. Apenas mandar a garotada ler a sequência de A a Z não faz ninguém avançar na alfabetização. uma das quatro situações didáticas mais importantes nesse processo (as outras três são a leitura pelo professor. Se você leciona para pré-escola. "Memorizar a ordem das letras é importante. deve estar presente em toda . organizado em cartazes ou painéis de tamanho razoável. no Rio de Janeiro. O . a confecção das agendas fez parte de um projeto amplo. a utilidade da ordem das letras fica clara: ela serve para tornar a busca de nomes mais rápida e precisa. em São Paulo. ajudando a responder aos dois principais problemas de quem está entrando no processo. precisa dominar essas práticas. De fato. afirma Clélia Cortez. Isoladamente. Afinal. Uma excelente chance para conhecer esses e outros procedimentos essenciais para o letramento é a edição especial NOVA ESCOLA Alfabetização (leia o quadro "Um raio X da alfabetização").

a escrita representa? . o B. vem adornado por uma asa de borboleta. alfabeto É com o que P. letra de começa "pato". exatamente.pode ser enfrentado quando alguma palavra apresentar falta de letras. provoque uma reflexão e questione: Me indique Está no ali. Paula. O segundo desafio . Nessa fase. coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. A forma do G é uma das mais problemáticas. ela imita a escrita e ainda não consegue determinar com clareza o que é central e o que é periférico. O alfabeto deve ter letras de imprensa. em que elas ainda não entendem que a escrita é uma representação da fala. se um aluno escreve "AO" para representar "pato". . Para desenvolver a autonomia.como se organiza a escrita? . com um contorno que se mistura ao da letra. Foto: Gilvan Barreto Atenção. Por exemplo. qualquer elemento supérfluo acaba sendo reproduzido". Onde a gente pode colocar o P na sua escrita? Outra dúvida comum diz respeito à grafia das letras.54 primeiro . Ainda são muito comuns os modelos que trazem as letras de A a Z decoradas. com figuras cuja inicial é a letra em questão. pois a associação com desenhos confunde a criança. "Nessa fase inicial de aprendizado.Isso mesmo.mobiliza sobretudo as crianças na fase pré-silábica. com letras de imprensa e cursivas. sem decorações PASSOS SEGUINTES Alfabetos mais sofisticados. enfatizar a diferença entre desenhar e escrever é fundamental. O melhor é que o alfabeto seja composto de letras de imprensa maiúsculas. . incentive a criança a procurar a letra pela recitação do alfabeto. o que realmente faz parte da letra e o que é somente um enfeite.o que. colaborando para distingui-las dos números e de outros símbolos. por exemplo. porém. Agora olhe o que você escreveu: "AO". Você pode usar o alfabeto para apresentar as letras que compõem a escrita. Não é o ideal. aprimoram a escrita. argumenta Regina Scarpa. de contornos mais limpos e claramente identificáveis quando reunidos em palavras. Por isso. Assim. antes de produzir o alfabeto da classe.

como a de imprensa minúscula (o que vai ampliar a compreensão de livros. Ed. RJ. jornais. Ed.são. (21) 2413-3809 BIBLIOGRAFIA Aprender a Ler e a Escrever. 192 págs. 0800-703-3444.55 Depois que os pequenos já entenderam o que a escrita representa e como ela se organiza. Quer saber mais? CONTATOS Clélia Cortez EM Atenas. Um raio X da alfabetização A edição especial que a equipe de NOVA ESCOLA preparou traz mais de 50 páginas de material inédito sobre a alfabetização inicial. 12 projetos e sequências didáticas -. Ana Teberosky e Teresa Colomer. Artmed. um modelo um pouco mais sofisticado. tel.dessa vez. você deve mostrar outros tipos de letra. R. Rio de Janeiro. essa etapa também pode se beneficiar da colaboração de um alfabeto pendurado na parede . 52 reais .e como ajudar os pequenos com mais dificuldades? O especial chega às bancas no dia 16 de março. sim. Artmed. 300 págs. Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. ao todo. com a letra maiúscula em destaque e os outros quatro tipos correspondentes logo abaixo. 49 reais NOVA ESCOLA Alfabetização.. Gentil de Ouro. s/nº. revistas e outros materiais impressos) e a cursiva maiúscula e minúscula (facilitando o contato com notas e bilhetes manuscritos e produções escolares). 4.80 reais. Totalmente voltadas para a prática de sala .. tel. edição especial. as reportagens mergulham no passo-a-passo do processo e respondem às principais questões que interessam a todo alfabetizador: como identificar o que as crianças sabem sobre a escrita? Quais as melhores estratégias para ensinar? O que os alunos precisam ter aprendido ao fim de cada série? Como acompanhar o avanço da sala . nas bancas a partir de 16 de março Psicogênese da Língua Escrita. Novamente. aí. 23063-340.

a garotada passa por experiências enriquecedoras. tel.. 15 reais Edição 213 | 06/2008 Mais do que letras Até dominar a leitura e a escrita. antes de ler a história do livro • Plano de aula para a situação didática Nomes próprios • Plano de aula para a situação didática Trabalhando uma questão ortográfica com ditado interativo • Plano de aula para a situação didática Projeto Biografias e autobiografias • Plano de aula para a situação didática Regras de brincadeira • Plano de aula para a situação didática Estudando seminários • 20 20 21 22 22 23 23 24 . como ler sem saber ler e escrever sem saber escrever Cada criança chega à escola em uma fase da alfabetização – o nível de compreensão depende das possibilidades prévias de contato com o mundo da escrita.56 Reflexões sobre Alfabetização.. afirma Telma Weisz. Emilia Ferreiro. “O ambiente escolar deve ser pensado para propiciar inúmeras interações com a língua escrita”. 104 págs. Conteúdo relacionado Plano de aula Seqüência didática Contos do mundo todo • Seqüência didática Prática de leitura • Procure no Ponto de Encontro por comunidades sobre alfabetização • Plano de aula para a situação didática Comparando diferentes versões de Chapeuzinho Vermelho • Plano de aula para a situação didática Comparando diferentes versões de Pinóquio • Plano de aula para a situação didática Lendo o livro . todos podem aprender. (11) 36119616. especialista em Psicologia Escolar e uma das maiores autoridades em alfabetização no Brasil. Apesar de uma classe ter alunos em estágios diferentes de conhecimento. Cortez. O papel do professor é mediar interações.. Ed.

“Aprendi que a leitura para a classe é uma delas e faço isso diariamente. regras de jogos etc. As cinco situações didáticas de Língua Portuguesa estão descritas em duas fases. jornalísticos. da EM Tempo Integral. propor . Maria Ussifati. A educadora incentiva a escrita utilizando letras móveis ou lápis: “É para que as crianças descubram que tudo o que falam pode ser escrito”. Além de contos de fadas. Quando Diariamente. 20 Leitura para a classe (na alfabetização inicial) O que é A turma forma uma roda. de Umuarama. Nas séries seguintes. o docente tem à disposição algumas atividades consagradas. dos jornais (que trazem notícias) e dos textos instrucionais (que incluem regras de jogos ou receitas culinárias). da EMEB Professor Bráulio José Valentim. ela explica. é importante identificar em que fase cada aluno está e escolher atividades adequadas para a turma. Ela se familiariza com a linguagem e os elementos dos livros (que contam histórias). a garotada aprofunda conhecimentos sobre diferentes gêneros de texto e ganha maior autonomia na produção e na leitura. por exemplo) e textos informativos mais complexos. na zona rural de Mogi Mirim. falo sobre o autor e leio por cerca de 15 minutos”. Também é imprescindível garantir a qualidade do material à disposição da meninada. propor O que a criança aprende Os usos e as funções da escrita. vê o progresso de seus alunos da 4ª série. mostro um livro. afirma Cintia Dante de Queiroz Minelli. valem notícias que tratem de algum assunto de interesse de crianças. A conclusão da alfabetização inicial ocorre após os dois primeiros anos de escolaridade. O objetivo é que a turma construa uma compreensão coletiva de cada obra. a 160 quilômetros de São Paulo. e o professor lê em voz alta textos literários. Sento-me em roda com a turma.57 Para auxiliá-lo na tarefa de facilitar o ingresso da meninada no universo da linguagem escrita. Os gêneros devem variar para que o repertório se amplie. Eles lêem uns para os outros e indicam títulos a amigos. Como o nível de leitura e escrita varia dentro de uma classe. “Percebo que mesmo os que não têm o hábito de ler ficam interessados quando vêem o colega com um livro ou contando uma história curiosa”. Leitura para a classe (na continuidade) O que é Leitura de livros literários mais longos (podem ser selecionados capítulos inteiros. a 600 quilômetros de Curitiba. Quando Diariamente. alfabetização inicial e continuidade (veja a seguir). as características que distinguem os gêneros e as diferenças entre o oral e o escrito.

Sabendo o que es tá escrito (nomes de frutas. ela pode localizar e selecionar informações apoiandose em títulos.58 O que a criança aprende Características de textos mais difíceis e de diferentes gêneros (leia o quadro). por exemplo). Podem ser feitas perguntas para provocar participações e estruturar a escrita. Quando Em dias propor de atividades alternados aos de escrita. subtítulos ou imagens e apontando o que é interessante. Eles ficam com o controle do que se escreve e acompanham como isso é feito. Além disso. ela compreende como acionar as primeiras estratégias de leitura. Leitura para aprender a ler (na continuidade) O que é O crescimento da autonomia. Ao fim da atividade. Quando Várias vezes propor que por semana. Durante a leitura. O que a criança aprende A organizar as idéias principais de um texto conhecido e a modificar a linguagem. sempre houver uso da escrita. 23 Produção textual (na alfabetização inicial) O que é Os pequenos ditam um texto. entre outras formas (leia o quadro abaixo). aprender a buscar informações e a ler para estudar. e o professor escreve no quadro. a produção deve ser revisada. assim. O estudante pode entrar em contato com diferentes gêneros para saber quando e como usá-los e. canções e travalínguas). . O que a criança aprende O funcionamento do sistema de escrita. Quando Em dias propor de atividades alternados aos de escrita. 21 Leitura para aprender a ler (na alfabetização inicial) O que é A tentativa de ler listas ou textos conhecidos de memória (poemas. é possível antecipar o que pode estar escrito e confirmar por meio do conhecimento das letras iniciais ou finais. O que a criança aprende A compreender textos mais desafiadores.

formulando perguntas e adequando sua fala a diferentes situações formais. Quando Algumas vezes por desenvolvimento. 24 Comunicação oral (na alfabetização inicial) O que é Atividades em que a garotada narra histórias. revisa e cuida da apresentação final. defendendo pontos de vista. propor atividades em mês. dependendo dos projetos e das O que a criança aprende A utilizar a linguagem oral com eficiência. Produção textual (na continuidade) O que é A reescrita e a produção de textos com autonomia crescente. propor atividades em mês. É interessante incentivar a turma a falar com base em um roteiro e a fazer entrevistas e seminários. propor O que a criança aprende A usar procedimentos de escritor: planejar o que escrever. reler e revisar. declama poemas. o propósito e o gênero. relatando acontecimentos. Alfabetização inicial . Comunicação oral (na continuidade) O que é Preparação e realização de atividades e projetos que incluam a exposição oral. O aluno define o leitor. formular perguntas. Quando Algumas vezes por desenvolvimento. Podem ser feitos saraus e apresentações para expor um tema usando roteiros ou cartazes para apoiar a fala. Quando Diariamente. articulando conteúdos de linguagem verbal e escrita. responder a elas justificando suas respostas e fazer exposições sobre temas estudados. dependendo dos projetos e das O que a criança aprende A participar de situações que requeiram ouvir com atenção. apresenta seminários e realiza entrevistas. fazer rascunhos. intervir sem sair do assunto tratado.59 passando da forma oral para a escrita.

há professores dedicados que não aceitam desculpas extraclasse para não ensinar. vêm de famílias que não têm acesso à leitura e à escrita e. saiam da 1ª série lendo e escrevendo Thais Gurgel (thais.Nestas páginas. acabam permanecendo nessa situação de exclusão. um de cada seis alunos que entram na 1ª série é reprovado. NOVA ESCOLA encontrou três profissionais que acreditam.br) Todo dia é dia de ler: Mariluci forma a roda de crianças e lê para elas.. moradores da maior favela de São Paulo. Outros 18% chegam à 4a série sem terem sido alfabetizados.com. de Porto Alegre. Alfabetizar na 1a série. que todos podem aprender. de fato. sempre caprichando na intonação para aumentar o interesse. Mariluci Kamisaka garante que seus alunos. em São Paulo. da escrita e das demais matérias escolares. Em várias escolas brasileiras. As histórias de Janice Cunha. Essas crianças. mal atendidas pelo sistema de ensino. de Utinga (BA). .Evita que o fracasso seja uma marca na vida das crianças já no início da escolaridade. porém.gurgel@abril.60 Edição 204 | 08/2007 ''Vou alfabetizar todos eles até o fim do ano'' Com um planejamento que inclui atividades diversificadas e muito estudo e dedicação. você encontra no nosso site.Garante que os alunos avancem no aprendizado da leitura.. você vai conhecer Mariluci Falco Fernandes Kamisaka e sua turma de 1ª série da EE Maria Odila Guimarães Bueno. condenadas ao fracasso no início da escolaridade. Foto: Tatiana Cardeal Todo ano. . e Edinelma Ferreira de Souza. Conteúdo relacionado .

quase todas moradoras da favela de Heliópolis.). até o fim do ano. todos os itens estão contemplados: “Meus alunos podem e vão aprender. quando os alunos ditam e ela escreve no quadro. ela tem uma turma com 32 crianças. a maior da cidade. e Janice Cunha. revistas e jornais circulam naturalmente e em que a leitura é valorizada e a escrita utilizada no dia-a-dia. Quando propor: diariamente. O que a criança aprende: esse é o principal canal de acesso ao mundo da escrita.Com conhecimento teórico. Muito do que essa professora de 39 anos faz está descrito nos Indicadores de Qualidade na Educação – Ensino e Aprendizagem da Leitura e da Escrita. Eu trabalho para que isso aconteça”. tomando o cuidado de trabalhar cada tipo de texto várias vezes. notícias. trabalhar e participar da sociedade em pé de igualdade. para que a turma se familiarize com ele. cartas etc. O documento defende que os estudantes tenham contato com diferentes tipos de texto.61 Assista a quatro vídeos mostrando a professora Mariluci promovendo em classe as atividades de leitura e escrita descritas na reportagem. a leitura de textos reais feita pelos que ainda estão tentando ler. pela Ação Educativa e por outras entidades ligadas à alfabetização. Da prática de Mariluci fazem parte ao menos quatro situações essenciais – de acordo com pesquisas da área de didática da alfabetização –. recomenda que a escola ofereça uma rotina de trabalho variada e que os professores os incentivem o tempo todo. de Utinga (BA). Elas são filhas de pais com baixa escolaridade e têm pouco acesso a materiais escritos – o que as diferencia das nascidas em ambientes em que livros. essencial para os filhos de pais analfabetos ou que têm pouco contato em casa com . que muitos consideram condenada ao fracasso. elaborados pelo Ministério da Educação (MEC). No que depender de Mariluci. ela tem evitado que seus alunos sigam na escola e na vida enfrentando dificuldades para fazer da leitura um meio de aprender. Mariluci não inventou nenhum método revolucionário. receitas. • Confira. ouçam histórias todos os dias e observem adultos lendo e escrevendo. Atividade Leitura para a classe O que é: o professor organiza a turma em uma roda e faz a leitura em voz alta de diferentes tipos de texto (contos. que você acompanha nos quadros de atividades desta reportagem: a leitura em voz alta feita pela professora para a turma (leia abaixo). quatro outros vídeos mensais mostrando o avanço dos alunos de Mariluci • Leia como trabalham as professoras Edinelma Ferreira de Souza. não assusta Mariluci. se informar. e de variar os gêneros. a escrita feita pelos que ainda estão aprendendo o sistema alfabético e a produção de texto oral com destino escrito. para que o repertório se amplie. Além disso. de Porto Alegre • Neste ano. Ensinar para essa clientela. poemas. uma prática bem planejada e muita dedicação. Ao contrário.

Mariluci sempre mostra a ilustração da capa e pergunta quem saberia dizer qual é o título.Assim. Na atividade. Na hora da determinar o que será lido. do Brasil e do mundo. Assim. A cada trecho importante. Reportagens de jornal.Alguns se arriscam baseados na ilustração. trazem listas de produtos em oferta nos supermercados.mas também leva para a sala histórias de autores atuais. assim. Os livros infantis. As etapas da trama ganham também comentários pessoais – “que complicação!” –. é essencial garantir que todos se interessem pela leitura antes de iniciá-la. Organização da turma e apresentação do material: ao propor a formação de uma roda. . têm a função de informar sobre as notícias da cidade.Depois que todos já sabem o nome da obra. dos manuais (que ensinam a usar um aparelho) etc. têm lugar de destaque na rotina de Mariluci. que pressupõe interação e diálogo. Mais próximos uns dos outros. quais foram os trechos preferidos? Que partes cada um achou mais engraçadas? Ela sempre pergunta. Quando lemos um livro por prazer. os pequenos podem desviar a atenção com facilidade. ela aprende que cada um é produzido e apresentado de uma forma diferente e.62 livros. porém. ela pede que todos falem de que imaginam tratar o enredo. seja para indicar a leitura. Por isso. A professora lê os tradicionais contos de fadas. COMO MARILUCI TRABALHA Escolha do material: nesse momento diário de contato com materiais impressos. A atividade reproduz o que acontece com os adultos. ela não faz nenhuma simplificação. seja para discutir algo polêmico ou marcante da narrativa. Mesmo que haja palavras difíceis. dos jornais (que trazem notícias). ela já sinaliza à turma que a atividade tem uma dinâmica diferente. pois é só dessa forma que o vocabulário das crianças se amplia. revistas e outros materiais. num momento de dificuldade vivido pelo protagonista. Discussão final: a atividade termina com Mariluci abrindo espaço para que todos se manifestem sobre o que foi lido. A escolha do texto é coerente com o objetivo de trabalho que ela estabelece para cada dia. No caso do livro de histórias. Mariluci familiariza os alunos com vários tipos de texto. mas sempre fazemos comentários com parentes e amigos. nesse momento. mostra as ilustrações da página para toda a roda. por sua vez. vão aparecendo diferentes impressões sobre a trama. se alguém tem alguma dúvida sobre o texto e gostaria de apresentá-la aos colegas. Quando vai ler um livro de histórias. no entanto. não respondemos a nenhum questionário. por exemplo. e rápidas recapitulações para chamar a atenção no decorrer da atividade. Os folhetos informativos. Leitura do texto: a professora capricha na entonação – principalmente na fala dos personagens – para criar dramaticidade e dar ritmo à leitura. a criança se familiariza com a linguagem dos livros (onde há histórias que divertem). ela se pauta pela qualidade literária da obra e não por seu tamanho – livro para crianças pequenas não precisa ser curto. começa a perceber a diferença entre a língua falada e a escrita.

Veja como poderia ser a escrita da palavra camiseta de acordo com cada hipótese: ■ Pré-silábica: P B V A Y O ■ Silábica sem valor sonoro: E R F E ■ Silábica com valor sonoro: K I Z T ■ Silábico-alfabética: K A I Z T A ■ Alfabética: C A M I Z E T A . para escrever. os alunos ainda apresentam erros de ortografia.” Nem sempre.63 Em seu planejamento diário – são quatro horas e meia de aula –. quais são elas e em que ordem elas aparecem. A obra revolucionou a percepção sobre a alfabetização ao considerar que o ponto de partida da aprendizagem é a própria criança e permitiu compreender por que a escola conseguia alfabetizar alguns e não outros. garante que haja espaço para Matemática ou História e Geografia. Quando Mariluci começou a lecionar. finalmente. ela dedica a maior parte do tempo à alfabetização. O lançamento de A Psicogênese da Língua Escrita. conta Mariluci. recém-formada em Pedagogia. Quando passa a registrar uma letra para cada emissão sonora. mesmo nessa fase. Na fase em que o aluno adota simplesmente o critério de que. inspirava os primeiros trabalhos feitos por pesquisadores brasileiros. a mesma pela qual ela havia sido ensinada quando criança. suas aulas foram tão organizadas e focadas na aprendizagem do aluno. E. as crianças elaboram diferentes hipóteses sobre o funcionamento do sistema de escrita – com quantas letras se escreve uma palavra. já replicadas no mundo inteiro. no entanto. as escritas incluem sílabas representadas com uma única letra e outras com mais de uma letra. Teoria HIPÓTESES DE ESCRITA De acordo com as pesquisas de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. considera-se que ele compreende o princípio alfabético de nossa escrita. Na hipótese silábico-alfabética.“Hoje sei dosar melhor o tempo e se não consigo dar conta de alguma delas num dia compenso no outro. No entanto. quando começa a representar cada fonema com uma letra. A novidade conceitual ainda estava distante das salas de aula e poucos sabiam explicar como de fato as crianças aprendem os degraus pelos quais elas passam durante esse processo (leia o quadro abaixo). No entanto. ela está no nível silábico – inicialmente sem valor sonoro e depois com a correspondência sonora nas vogais e/ou nas consoantes. livro de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. “Já tive dificuldade de balancear a rotina porque muitas atividades têm de ser realizadas com freqüência quase diária”. havia uma linha didática predominante na alfabetização. a hipótese é considerada pré-silábica. em meados dos anos 1980. é preciso uma quantidade de letras (no mínimo três) diferentes entre si. O importante é a continuidade.

que precisa ser trabalhado pela professora. depois as sílabas e as palavras e só então vinha o trabalho com textos. “Hoje sabe-se que as crianças constroem simultaneamente conhecimentos sobre o sistema de escrita e sobre a linguagem que se escreve. se o aluno tem pouco contato. lembra Mariluci.64 Nesse último exemplo. para Mariluci – assim como para a massa de professores brasileiros –. Essa avaliação deve ser feita logo no início do ano e repetida no mínimo uma vez por bimestre. Dentro dessa concepção.se as letras. é um sistema de representação que cada um reconstrói até estar plenamente alfabetizado. Mesmo entre os que concluíram o Ensino Médio. em alguns casos extremos. afirma Telma Weisz. muitos professores sofrem ao perceber que alguns estudantes vão ficando para trás e se sentem impotentes para ajudá-los ou. o conhecimento sobre a escrita deveria se dar em etapas: primeiro aprendiam. simplesmente desistem dessas crianças como se elas fossem incapazes de aprender. “O que me incomodava naquela época era insistir com os alunos no ponto que eles não compreendiam e não saber contornar a situação com outra abordagem”. da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Percebendo os avanços e as dificuldades dos pequenos. 43% não possuem essas habilidades. É a prova de que a escola apenas perpetua essa exclusão. Dados do 5º Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). cabe ao professor diagnosticar em que nível está cada aluno (leia o quadro) para planejar as aulas e ajudar todos a avançar sempre mais. As pesquisas iniciadas por Emilia Ferreiro e comprovadas por diversos outros estudiosos transformaram a compreensão do que é a escrita: em vez de um código a ser assimilado. Ainda hoje. você consegue planejar uma boa aula e propor atividades adequadas para levar cada um a se desenvolver ainda mais e chegar ao fim do ano lendo e escrevendo. mostram que 74% dos brasileiros adultos não conseguem ler textos longos. relacionar informações e comparar diferentes materiais escritos. realizado pelo Instituto Paulo Montenegro em 2005. Hoje é amplamente sabido que o que mais pesava era o contato com a escrita no cotidiano. E. a aprendizagem fica prejudicada. Os reflexos dessa situação são sentidos no país. seus usos e funções”. . Nos anos 1980. temos o que já seria considerada uma escrita alfabética. mas ainda com um erro ortográfico. Teoria O VALOR DO DIAGNÓSTICO Conhecer o nível em que está a turma é essencial durante a alfabetização – e no decorrer de toda a escolaridade. pois não está ensinando a utilizar a leitura e a escrita para dar conta das demandas sociais e para continuar aprendendo ao longo da vida – como o Inaf define o que seja uma pessoa alfabetizada. supervisora do programa Letra e Vida.

uma dissílaba e uma monossílaba). manteiga. muitos poderiam querer escrever A A A e achar que isso não faz sentido. se você ditar “arara”. Terminado o ditado. primeiro. do MEC. Como elas acham ainda que as palavras devem ter um número mínimo de letras – por volta de três –. registre tudo. pois é ela que permite ao professor verificar se o aluno estabelece algum tipo de correspondência entre partes do falado e partes do escrito”. Ao propor atividades como essa. seus alunos participam de diversas atividades de leitura e produção de texto mesmo sem terem aprendido isso formalmente. aponta o Profa. avisar a turma sobre o tema da lista e depois ditar as palavras. por exemplo). Para finalizar. Com essas palavras. peça que cada um leia o que escreveu. Portanto. traz uma sugestão: ditar uma lista de quatro palavras (uma polissílaba. Mariluci introduz a garotada no universo da escrita. explica a formadora Beatriz Gouveia. a professora mudou a forma de ensinar. ajustando a fala ao que está escrito (leia o quadro). Veja aqui dois exemplos possíveis: itens para um lanche coletivo (refrigerante. Isso porque a maioria das crianças que começa a se familiarizar com o sistema de escrita inicia os registros apenas com vogais e acredita que é necessário usar letras diferentes para escrever. é preciso escolher como atividade algo que seja feito regularmente. boi). se você ditar só monossílabos elas também podem se recusar a escrever. O Módulo 1 do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa).65 Para realizá-la adequadamente. brinquedos etc. camelo. Atividade Ler para aprender a ler O que é: a confrontação da criança com listas (de nomes. em 2003. “Essa leitura é tão ou mais importante do que a própria escrita. como as listas – de frutas. acompanhar a evolução de cada um e montar os agrupamentos produtivos. você provoca o estudante a refletir sobre a forma de representação. pão) e bichos vistos no zoológico (rinoceronte. zebra. propondo que neles ela encontre palavras ou “leia” trechos (antes mesmo de estar alfabetizada). fica mais fácil planejar atividades que façam os alunos avançar. Desde que teve a oportunidade de fazer uma formação em alfabetização. Além de aprenderem o sistema de escrita. no dia-a-dia. Como? Eles “leem” a letra de uma música que sabem de cor. “O professor deve. animais etc. . os alunos podem pensar mais em como escrever (quantas e quais letras usar.) e textos que ela conhece de cor – como cantigas. cores. Com esse material. sem marcar as sílabas”. queijo. É preciso lembrar também que. Como os alunos já conhecem o tema que deve ser posto no papel. parlendas e trava-línguas –. É preciso tomar o cuidado para que as sílabas próximas contenham vogais diferentes. mesmo sem essa sondagem. uma trissílaba. frutas. é possível verificar como a turma está se saindo individual e coletivamente.

como a antecipação. A professora se vale com freqüência da estratégia. ela roda pela classe para acompanhar como cada um ou cada dupla está se saindo e pede que uma criança encontre determinado termo no texto. a professora provoca a reflexão e faz a turma avançar. COMO MARILUCI TRABALHA Escolha do texto: Mariluci utiliza listas conhecidas pelos pequenos – como a de nomes da turma. Quando trabalha com a letra de uma canção. A atividade deve ser realizada só com alunos não alfabéticos. questiona sobre o poema A Foca. no caso dos textos memorizados. como parlendas e canções. Proposta de leitura: individualmente ou em duplas. No caso das listas. ele prevê qual será determinada palavra por já conhecer o tema em questão – frutas.As perguntas são feitas a diversos alunos. Outra estratégia é a verificação. ela pede que todos leiam um verso para achar determinada palavra. É condição didática dessa atividade saber o que está escrito para descobrir onde está escrito. Para os alfabetizados. Teoria . Isso acontece porque ele já sabe “o que” está escrito (condição para a realização da atividade) e precisa pensar somente no “onde”. que consiste na identificação de uma letra conhecida que esteja no começo ou no fim da palavra e que confirme a antecipação feita. Novamente. A mesma oportunidade Mariluci proporciona aos estudantes. é aconselhável propor outras tarefas de leitura. já que eles conseguem ler com autonomia. “Começa com N”. que fica exposta na parede – e textos memorizados. mas Mariluci pede uma justificativa. em que a equipe aproveita para estudar o tema. intervém em dificuldades específicas. a professora pede que os alunos encontrem certas palavras em uma lista. o aluno busca meios de “descobrir” as palavras fazendo o ajuste do falado para o escrito. O que a criança aprende: acompanhando o texto com o dedo enquanto recita os versos. Dessa forma. ela convida um a um a ler o cartaz com o poema. A criança mostra a palavra correta. fazendo dessa interação um importante instrumento de aprendizagem (leia mais no quadro). ele se vale de estratégias de leitura. por já saber o que está escrito. Trocar idéias sobre a prática é extremamente rico para qualquer professor. Intervenção da professora: durante a tarefa. por exemplo.66 Quando propor: em dias alternados com as atividades de escrita (leia o quadro na página 41). Para isso. Ele reconhece as primeiras letras e partes de palavras conhecidas ou identifica as que se repetem. é a resposta. “Onde está escrito ‘nariz’?”.de Vinicius de Moraes. trabalhando muitas vezes em duplas. que só é produtiva porque ela aprendeu a diagnosticar as hipóteses sobre a escrita que cada um tem e junta alunos que estão em níveis próximos. Depois. que podem contar com a ajuda dos colegas de classe. Ela compartilha sua rotina com os colegas nas duas semanais de trabalho pedagógico coletivo. cores – e.

que leva ao avanço na aprendizagem. Atividade Escrever para aprender a escrever O que é: a escrita de textos memorizados – como cantigas. ■ As de hipótese silábica sem valor com as de hipótese silábica com valor. Essa troca. como a produção de texto oral com destino escrito. afirma Beatriz Gouveia. quando os alunos ditam para o professor ou a leitura pelo professor e posterior discussão pela classe. Quando se reúnem crianças de níveis muito diferentes. É essencial conhecer quanto os alunos já sabem sobre o desafio que será proposto. afirma Francisca Izabel Pereira Maciel. é importante juntar os que apresentam níveis diferentes. diretora do Centro de Alfabetização. confrontar suas idéias com as dos colegas e oferecer e receber informações é essencial. possa evoluir. observando e intervindo de acordo com as necessidades de cada aluno”. em suas carteiras). Atuar em duplas pressupõe também que as crianças já conheçam o conteúdo para fazer alguns progressos sem a intervenção direta e constante do professor (mesmo porque é impossível acompanhar todos. é possível organizar duplas com crianças de níveis diferentes. Isso vale para as perguntas que você fizer e também para as informações que der. trava -línguas e quadrinhas – ou de listas (de nomes. parlendas. Leitura e Escrita (Ceale).67 AGRUPAMENTOS PRODUTIVOS Para toda criança. obrigando os outros a uma atitude passiva de recepção”. Lembre: se os grupos têm níveis diferentes. por exemplo. da Universidade Federal de Minas Gerais. como explica Ana Teberosky no livro Os Processos de Leitura e Escrita. frutas. brinquedos etc. o ideal é fazer intervenções específicas para que haja reflexão sobre as letras e palavras a usar. . ■ Os já alfabéticos trabalham entre si. Há os casos em que toda a turma pode atuar na mesma atividade. como as mostradas a seguir: ■ As de hipótese pré-silábica com as de hipótese silábica sem valor sonoro. o tempo todo. já que a organização da turma não pode ser aleatória.) que podem ser escritos com lápis e papel ou com letras móveis. “É importante que o professor atue nessas tarefas como um mediador. “Se o objetivo é que eles decidam conjuntamente sobre a escrita de um texto. Quando a garotada vai escrever uma cantiga já memorizada (como a da atividade mostrada no quadro). Assim. acaba-se reproduzindo a situação escolar de “alguém que ‘sabe’ mais que os demais. mas próximos entre si. você deve levar isso em conta também na hora de fazer suas intervenções para que eles estabeleçam novas relações. numa situação de escrita. precisa ser bem planejada. para que haja uma verdadeira troca”. assim. porém próximos. ■ As de hipótese silábica com valor com as de hipótese silábico-alfabética. O sucesso no trabalho com agrupamentos produtivos depende do tipo de tarefa: ela deve ser sempre desafiadora para que a turma use tudo o que sabe na sua resolução e.

encontrando certa desconfiança do parceiro. Dessa forma. Ao ver o colega começar o primeiro verso com A – quando deveria ser escrita a palavra “cai” –. Desenvolvimento da atividade: em uma das aulas do mês de junho. “Com M!”.Argumentando com o colega e trocando idéias. os dois concordaram. pensando em quantas e quais letras usar. liberando os dois para discutir os próximos passos. avançando no processo de alfabetização. Os dois se entreolharam. “Não está faltando letra nesse verso. perguntou. A atividade deve ser realizada com alunos não alfabéticos. O desafio era escolher letras e formar as palavras necessárias para compor o texto com a ajuda do parceiro. Quando passa nesses grupos para acompanhar o andamento da tarefa e vê que há erros ortográficos. Mariluci junta crianças com níveis próximos. essa atividade tem outro objetivo. “Com que letra começa ‘mão’?”. Ao perguntar a uma dupla o que já tinha escrito. então?”. Confirmar o que está escrito: uma última etapa é fundamental nessa atividade: a professora pede que os alunos leiam o que acabaram de produzir. Ela passa ao menos uma vez pelas carteiras no decorrer do trabalho. mas ensina a buscar a . uma menina sinalizou que não era essa a letra. Balão. a professora sugeriu que a turma escrevesse a letra da música Cai.“E onde está escrito mão?”. Trabalhando entre si. Um deles mostrou: “NU”. a criança pode se voltar apenas ao “como escrever”.“Coloca o C de cai!”. mas juntando umas às outras. questionou ela. Permitindo que os alunos trabalhem em dupla. Para os alfabéticos – que vão se tornando mais numerosos com o passar do ano –. ela não corrige. COMO MARILUCI TRABALHA Organização da turma: a produção escrita é uma atividade em que a formação de agrupamentos produtivos tem ótimo resultado. indagou. pedindo que o aluno comparasse a palavra “cai” com um dos nomes da turma – Carina. já que eles sabem escrever. uma vez que eles já sabem escrever. Mariluci interveio. a criança não só consegue organizar sua concepção sobre a escrita como também repensá-la. é aconselhável propor um trabalho sobre ortografia ou pontuação. eles devem melhorar a ortografia e a segmentação – é comum escreverem as palavras corretamente. Ela se esforça para encontrar formas de representar graficamente o que necessita redigir. disse ela. há espaço para problematizar a diferença entre o que se lê e o que se escreve. Assim. soube que os três primeiros versos estavam ali representados. ela deixa de ser a única informante válida na classe e ganha mobilidade para dar atenção a quem precisa de mais ajuda. Para os alfabetizados. escreveram a palavra e passaram adiante na tarefa.Assim. Cai. O que a criança aprende: concentrada apenas no sistema de escrita – pois o conteúdo ela já sabe de cor –. perguntou Mariluci. respondeu o outro aluno. já memorizada por todos.68 Quando propor: em dias alternados com as atividades de leitura para reflexão sobre o sistema de escrita (leia o quadro na página 38). “O começo das duas palavras não é parecido?”. Mariluci convida os estudantes a consultar o dicionário.

Mais do que isso. Nas aulas. ou seja. folhetos de propaganda e enciclopédias. “A criança deve saber que. textos literários costumam ser lidos por prazer. Ou seja. diz a professora (leia mais no quadro). Toda semana. por exemplo. “Digo que as crianças vão sentir que o empenho em aprender está sendo reconhecido. cabe a você garantir a elas o acesso à maior diversidade possível de textos – literatura. que compreendam o que lêem e enxerguem nela uma maneira de se informar e se desenvolver pessoalmente No dia em que a garotada traz os livros de volta para a classe. Sua tarefa é formar pessoas que tenham familiaridade com a leitura e seus propósitos. “Ofereço uma diversidade de textos à qual eles dificilmente teriam acesso”. que tem o objetivo prático de fazê-lo funcionar corretamente”. nos intervalos entre as atividades ou nos momentos especialmente destinados a isso. por exemplo. Momentos de leitura e escrita individuais também fazem parte do planejamento porque é necessário que cada aluno tenha espaço para desenvolver as próprias idéias. explica Francisca Maciel. a escola representa o único meio de contato com o universo da escrita. anúncios publicitários etc. ela organiza uma roda de conversa e até quem ainda não está alfabetizado conta a história para os colegas. manuais de instruções. Ela está se apoiando na experiência do professor e no conhecimento da postura de quem lê”. imita um gesto porque já sabe que ele faz sentido e é parte do aprendizado. reportagens. é necessário mostrar que um livro de literatura se lê passando página por página e olhando as ilustrações até chegar ao fim e que um dicionário – que também tem a forma de um livro – é útil para verificar a grafia das palavras. diferentemente de um manual de montagem de um produto. É nesse espaço que ficam reunidos materiais como livros. Já o jornal pode ser consultado. afirma Beatriz Gouveia. Só assim os estudantes saberão como lidar de maneira adequada com cada um deles no dia-a-dia. as crianças podem escolher uma obra e levá-la para casa com a recomendação de ler com os familiares. jornais. .69 grafia correta. Até mesmo o rótulo de um produto pressupõe comportamentos leitores específicos: ali podem ser buscados os ingredientes e o valor nutricional. no cantinho de leitura. que a turma freqüenta diariamente.” Teoria ACESSO À DIVERSIDADE DE TEXTOS Para grande parte das crianças brasileiras. como se estivesse lendo. Isso acontece. socialmente. “A criança que lê sem estar alfabética não está brincando de faz-deconta. é necessário apresentá-los no contexto em que são utilizados. A importância desse momento é enfatizada nas reuniões de pais. quando se quer ler uma notícia. em que Mariluci os incentiva também a acompanhar o progresso dos filhos pelos cadernos. Assim.

COMO MARILUCI TRABALHA Proposta da atividade: antes de convidar a turma a produzir coletivamente um conto de fadas já conhecido. Por isso. Dessa forma. bilhete. Como a garotada já conhecia o enredo. receita. Há ainda o trabalho de revisão dessa produção. mesmo sem estar alfabetizada. 14 eram silábicos sem valor sonoro. Mariluci faz um aquecimento.Ninguém vai saber como são escritas (e como se leem) uma notícia de jornal ou uma receita de bolo se nunca tiver ouvido uma antes. Ela iniciou o trabalho. A escrita de Chapeuzinho: na hora em que Mariluci pediu para a garotada ditar Chapeuzinho Vermelho. Esse tipo de atividade é importante para que a garotada. convites etc. aliada à atenção constante ao desempenho de cada um. a criança sabe diferenciá-los. foi “era uma vez”. Mariluci propõe diversas discussões com os alunos. oito silábicos com valor sonoro e só quatro silábico-alfabéticos. Atividade Ditado para escriba O que é: a turma cria oralmente um texto num gênero específico – conto. Expressões típicas da linguagem oral. ela garantia que todos articipassem. É condição didática para a atividade as crianças conhecerem o gênero. mesmo sem dominar ainda o sistema de escrita. em março. Sempre que o uso da escrita se fizer necessário no dia-a-dia da sala de aula (escrita de bilhetes. e a professora escreve no quadro. Quando propor: várias vezes por semana.70 Desenvolver esse comportamento leitor só é possível com atividades diárias. fazendo perguntas para que a turma recontasse a história ditando na forma de texto. como era de esperar. pedindo que todos relembrem as características do gênero. com o seguinte quadro: seis dos 32 estavam no nível pré-silábico. –. O que a criança aprende: ela se aprimora na linguagem escrita ao adaptar a linguagem oral (mais coloquial) às exigências de um texto no que se refere às suas características. mesmo quem não sabe escrever convencionalmente é capaz de ditar um conto de fadas (leia o quadro). carta. notícia etc. A prática de tantas atividades. Revisão e conclusão: durante a escrita. como “e daí”. O conto geralmente se passa num tempo distante e num local indefinido e traz adjetivos como “belo” e “terrível”. mesmo sem saber definir o que são uma carta ou um conto de fadas.) e no desenvolvimento de projetos de leitura e escrita. aprenda a compor um texto . tem feito os alunos de Mariluci avançar. O começo. logo apareceram exemplos de expressões e vocabulário adquiridos com as leituras feitas por ela em classe. são substituídas por “depois” ou simplesmente retiradas. Enquanto escrevia no quadro. o desafio era organizar as sugestões. eliminando palavras repetidas.

46 reais INTERNET Faça o download dos Indicadores de Qualidade na Educação: Ensino e Aprendizagem da Leitura e da Escrita em www. ela propõe a releitura e a revisão do que se escreveu para identificar possíveis erros e também formas de melhorar o texto. Ed. Ed.acao educativa. Ed. fazer contas e trabalhar com livros. seja ele de que gênero for.. Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. São Paulo. 32 reais Os Processos de Leitura e Escrita.. 34 reais Ler e Escrever na Escola. Ana Teberosky e Marta Soler Gallart.71 escrito. Delia Lerner. Os especialistas afirmam que quanto antes elas conhecerem a . aliás. Ed. Artmed.. 52 reais Psicogênese da Língua Escrita. No fim. 128 págs. Inspirar-se no exemplo de Mariluci (e das outras professoras que aparecem no site) é fundamental para o Brasil superar o atraso educacional– e passar a acreditar que há esperança para nossas crianças. 350. Quer saber mais? CONTATO EE Maria Odila Guimarães Bueno. tel. 0800-703-3444. Hoje se sabe que na Educação Infantil é possível pesquisar. Artmed. 175 págs. (11) 6215-5339 BIBLIOGRAFIA Contextos de Alfabetização Inicial.br Língua Portuguesa Alfabetização inicial Outubro 2007 Interação com a linguagem escrita Em contato com a escrita As crianças pequenas não vão mais à escola apenas para receber cuidados e brincar.. 300 págs. R Américo Samarone. tel.org. eram 31 crianças – uma foi transferida – na seguinte situação: uma pré-silábica. Seu compromisso é chegar em dezembro com todos os alunos alfabetizados. SP. Artmed. No fim do primeiro semestre. 13 silábicas com valor sonoro. Artmed. Emilia Ferreiro e Margarida Gomes Palácio. três silábico-alfabéticas e 14 alfabéticas. 274 págs. como tem ocorrido nos últimos anos.

Os nomes estão em jogo IDADE: 5 anos. Escreva os nomes das crianças aleatoriamente nas cartelas e distribua. Para isso. Sobre as mesas. Escreva o nome de cada uma em pedacinhos de papel e coloque-os dentro do saco. PREPARAÇÃO: No começo do ano letivo. Os espaços devem ter 5 por 2 centímetros. Comece o jogo sorteando um nome. caneta hidrocor. Não há necessidade de escolher um livro para ensinar algo além da linguagem. A leitura tem valor em si. Lembre-se de que elas devem ser diferentes umas das outras para que todas as crianças não ganhem juntas. ESPAÇO: Sala de atividades. Dê um tempo para que todos procurem nas cartelas. etiquetas ou tiras de papel e fita adesiva. Quadricule os pedaços de papel cartão. Entregue a cada criança o cartão com o nome dela.72 linguagem escrita mais possibilidades de inclusão terão numa sociedade letrada. Se você tiver crianças não-leitoras. depois. A turma dita. você escreve IDADE: 5 anos. etiquetas e lápis ou canetas hidrocor. mas proporcionar a interação com a língua escrita. Ganha quem conseguir preencher a cartela primeiro. Caso utilize tiras de papel. escreva nos pedaços de papel cartão o primeiro nome de cada criança com letra bastão maiúscula. quando a turma tem novos materiais. necessariamente. tesoura. como uma moral. Cada uma escreve o próprio nome com base no modelo fornecido por você e. saco plástico e botões. OBJETIVO: Ler e escrever os nomes próprios para identificar o material pessoal. ensinar a ler e escrever. coloque punhados de botões que serão usados como marcadores. escreva o nome sorteado no quadro para que elas possam procurar. lápis ou canetas hidrocor. como cadernos e pastas. MATERIAL: Pedaços de papel cartão com 20 por 12 centímetros. ou associá-lo a um questionário ou a um desenho. Sempre utilize letra bastão maiúscula. TEMPO: De 20 a 30 minutos. Este é o meu material IDADE: A partir de 4 anos. MATERIAL: Pedaços de papel cartão com 20 por 7 centímetros. ESPAÇO: Sala de atividades. etiqueta o material. . é fundamental selecionar bons livros e evitar os textos simplificados e infantilizados. Ensine à turma onde e como colar. oriente a turma a fixá-las com a fita adesiva. TEMPO: 30 minutos. OBJETIVO: Ler e escrever usando os nomes próprios por meio de jogos. régua. O objetivo nesta fase não é.

chame a atenção do grupo perguntando se há algo para ser modificado. No dia seguinte. evita-se que uma faça toda a tarefa). MATERIAL: Retroprojetor. É possível que a turma não perceba alguns erros. revisar. lápis e papel. Após essa etapa. Bons livros são exemplos IDADE: A partir de 4 anos. pois é um conteúdo de que ainda não têm domínio. folhas de transparência. Se puder. OBJETIVOS: Criar uma nova versão para um enredo conhecido. ESPAÇO: Sala de atividades. Se não for possível. Marque as alterações com caneta de outra cor. e apropriar-se da linguagem escrita. No último dia. é fazer pequenas intervenções quando necessário e anotar como elas estão escrevendo para saber o quanto cada uma ainda pode avançar. Seu papel. . você pode montar um livro para ser doado à biblioteca ou ser dado de presente para os pais. Divida a turma em grupos de quatro.73 TEMPO: De 15 a 30 minutos. MATERIAL: Figuras do mesmo campo semântico (não misture objetos com animais. elas a recontam e depois ditam o texto para você escrevê-lo no quadro-negro. você passa essa história para a folha de transparência exatamente com os termos que elas usaram. Letras móveis IDADE: 5 anos. enquanto elas escrevem. Quando chegarem a um consenso. Entregue algumas ilustrações para cada grupo e peça às crianças que escrevam o nome da figura. mantenha as letras organizadas em uma caixa para as crianças as visualizarem melhor. Cuide para que as crianças do mesmo grupo tenham níveis de aprendizagem parecidos (assim. TEMPO: De 20 a 30 minutos. os cartazes e os textos que ficam na sala de aula servem de apoio nessa hora. trabalhe em duplas. As crianças apontam quais revisões devem ser feitas. TEMPO: De 40 a 50 minutos. Repita esse procedimento com mais três ou quatro contos. canetas de duas cores para retroprojetor. A pontuação ainda não é corrigida por elas. Peça às crianças que elejam uma história de que gostem e que seja conhecida de todas. É importante voltar ao trabalho inicial (o texto que elas ditaram para você) para que a turma compare com o produto final e perceba a importância da revisão e que aspectos do texto foram modificados. OBJETIVO: Escrever com a ajuda de letras móveis. Nesse caso. por exemplo) e letras bastão maiúsculas móveis. Providencie uma quantidade maior de alfabetos do que os grupos da sala. coloque de novo o texto já corrigido no retroprojetor. coloque o texto no retroprojetor e leia. ESPAÇO: Sala de atividades. produzir textos orais com destino escrito. Depois. A lista de nomes.

Ícones. como estrelinhas ou bolinhas. . Isso inclui uma sala com boa acústica e uma apresentação envolvente. ESPAÇO: Sala de atividades. TEMPO: Variável. MATERIAL: Um mural. Você pode variar a atividade fazendo sozinha a chamada ou pedindo que cada um marque o próprio nome.. MATERIAL: Acervo de livros. com histórias interessantes do ponto de vista da linguagem. Escreva nelas os nomes de todas as crianças em uma coluna. papéis e um acervo de bons livros. É comum isso acontecer quando os nomes têm a mesma inicial. à esquerda. tapete e almofadas. Os demais acompanham a leitura. Você deve mostrar às crianças o que está lendo. ESPAÇO: Sala de atividades. a pele branca como a neve e os lábios vermelhos como sangue". em um reino distante. Eventualmente. TEMPO: Cerca de 15 minutos. podem ser usados. A segunda: "Nasceu Branca de Neve. É importante combinar com as crianças a forma de marcar as faltas e as presenças. à direita. se houver muita poluição sonora a atenção das crianças tende a se dispersar. faça esta atividade fora da sala. a linguagem é pobre. A primeira: "Certo dia. Proponha que um voluntário vá até a parede para ler o nome de cada um em voz alta e verificar a presença ou a ausência dos colegas. você encontra uma história cheia de detalhes. Livros 5 Estrelas IDADE: 5 anos. pois o escolhido pode não saber algum nome ou se confundir.. MATERIAL: Folhas de cartolina. Prepare o melhor clima para o momento da atividade. É importante conhecer o texto previamente para saber que ritmo será empregado na hora da leitura. Na outra. Cada coluna será destinada a um dia do mês. Veja a diferença entre duas versões de Branca de Neve. Quem está presente? IDADE: A partir de 4 anos." Na primeira. Risque outras linhas verticais. PREPARAÇÃO: Confeccione uma lista de chamada grande utilizando as cartolinas. nasceu uma linda princesinha. mas lembre-se de que. OBJETIVO: Familiarizar-se com a linguagem escrita por meio de livros Um requisito importante é ter um bom acervo de livros. uma menininha muito bonita. converse sobre quem faltou e faça com a turma a contagem de quantos foram. Cole os cartazes na parede numa altura ideal para a turma. reúna a turma sentada em um semicírculo próximo aos cartazes. No final.74 ESPAÇO: Sala de atividades. lápis. Logo no início do dia. OBJETIVOS: Aprender a ler e escrever usando os nomes próprios e identificar o nome dos colegas. Escolha uma história e leia. com os cabelos negros como ébano. fita crepe e giz de cera ou canetas hidrocor.

Por fim.75 OBJETIVOS: Desenvolver o comportamento leitor. será apenas um nome a cada dia. do Instituto Avisa Lá. em São Paulo. CONSULTORIA: Bia Gouveia. fazer um intercâmbio cultural. mas. Este. e Rosemeire Brait. e criar uma comunidade de leitores. da Escola Municipal de Educação Infantil Inês dos Ramos. é possível convidar a turma a pensar quem será o próximo da sequência. ESPAÇO: Sala de atividades. todos ditam o texto e você escreve. à medida que o trabalho avançar. Mostre às crianças o lugar de cada informação escrevendo os dados de uma delas no quadro. por exemplo. OBJETIVOS: Ler e escrever usando os nomes próprios. Elas farão isso por meio de recados que serão colocados num mural. Peça às crianças que pensem num livro de que gostem muito e que desejem recomendar aos colegas de outra classe. MATERIAL: Papel. do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária. No início. Para começar. organize as folhas de cada um em ordem alfabética e grampeie. Liste em um papel o lugar onde vai ficar cada informação da agenda: nomes. TEMPO: 30 minutos. Se a garotada ainda não souber escrever. durante um semestre. Se houver crianças que não tenham telefone. Se precisar. pode dizer se gostou ou não e também recomendar outro livro. É importante que os espaços já estejam delimitados para facilitar a organização na hora que as crianças forem completar. Funciona assim: o Jardim A. Agenda da Turma IDADE: 5 anos. em São Caetano do Sul (SP) . que deve estar num local comum às turmas de toda a escola. Paula Stella. Agora cada um tem sua agenda. você deve determinar a ordem na qual os nomes vão aparecer. por sua vez. fazer cópia. indica um livro para o Pré B. Peça à turma que traga anotado o próprio número de telefone e o dia do nascimento. A atividade deve ser feita com grupos que já tenham certa familiaridade em ouvir histórias. elabore uma agenda com os endereços. em São Paulo. usar uma agenda. grampeador e canetas ou lápis. familiarizar-se com a escrita e obter informações sobre os colegas. envie um bilhete aos pais pedindo essas informações. Risque todos os outros papéis da mesma forma ou tire cópias. mas esse ritmo deve aumentar conforme a atividade se tornar familiar. números de telefone ou endereços e datas de aniversário. para este trabalho. Reserve um dia na semana. Cada uma deve copiar essas informações no seu papel.

como "ploft" e "grrr". A começar pelos personagens. que. O mesmo vale para os balões." Mas o grande trunfo são os recursos gráficos. peças de teatro e desenhos na televisão. Os quadrinhos são uma excelente opção para incentivar a leitura em quem está entrando no mundo das letras. As imagens aparecem associadas a textos coloquiais e permitem que a criança antecipe o enredo e atribua sentido à história. Para Beatriz Gouveia. as crianças podem acompanhar a leitura em voz alta pelo professor. selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. explica o psicólogo José Moysés Alves. são atraentes para a garotada. fica fácil entender a trama". gritando ou conversando. Só de olhar é possível saber se um personagem está pensando. jogos. Ela lembra que as publicações são baratas e acessíveis. o que permite a compra de vários exemplares da mesma edição para distribuir na sala. Isso promove a identidade e a familiaridade entre eles. estão presentes em brinquedos. do Instituto Avisa Lá. "Com essas informações.com. embalagens. em São Paulo.br) Foi-se o tempo em que os gibis eram proibidos na sala de aula e as crianças tinham de escondê-los sob a carteira. mesmo sem saber ler. por si só. as onomatopéias. Com isso. afirma Silvana Augusto.76 ''Eu já sei ler gibi!'' Esse gênero literário colorido. coordenadora do programa Além das Letras. ilustrado e cheio de recursos gráficos estimula as turmas de pré-escola a tomar gosto pela leitura Adriana Toledo (novaescola@atleitor. também são importantes para facilitar a compreesão de diversas situações e emoções. roupas. "Eles despertam interesse por serem bem conhecidos". têm pesadelos e medo de dentista. Sem contar que os protagonistas passam por situações parecidas com as de seus leitores: vão à escola e ao parque. Conteúdo relacionado Tudo sobre • Produção de texto Reportagens • • Aulas que estão no gibi Gibis podem ser usados em sala de aula? Como? Galeria • Calvin e seus amigos "Afinal. . da Universidade Federal do Pará.

E tudo isso antes mesmo de estarem alfabetizados. ele reproduziu algumas histórias em transparências para a turma perceber detalhes da paisagem e dos personagens. Com esses dados. Uma carroceria de caminhão cedida pela prefeitura foi adaptada para transportar as crianças e o acervo e virou o Trenzinho da Leitura. por exemplo. Com a ajuda de um retroprojetor. Ele fez uma pesquisa e descobriu que 70% das crianças não vivenciavam situações de leitura em casa. falava um pouco das características físicas e psicológicas de cada um. o professor Marcelo Campos. em Pompéia. Marcelo lia o texto na íntegra para todos entenderem a ordem seqüencial. apostou nas histórias em quadrinhos para iniciar o trabalho com classes de crianças com 4 e 5 anos (veja no quadro ao lado uma seqüência didática para desenvolver um projeto nessa área). criando as noções de como se comporta um leitor de quadrinhos. com o apoio do Ministério da Educação). ele chamou a atenção para o fato de ela só usar roupas vermelhas e sempre se irritar com o Cebolinha. Por isso. As crianças podiam levá-los para casa duas vezes por semana e tinham de devolver no dia combinado e cuidar do material. Como a escola não tinha as revistinhas. Em pouco tempo.77 Quadrinhos e fantoches Para explorar essas características. Compartilhar os gibis Para encerrar o trabalho. o professor organizou uma verdadeira gibiteca itinerante. Isso permitiu que todas manuseassem as histórias. espalhando cartazes pela vizinhança e pedindo ajuda aos pais. Seu objetivo? Disseminar o prazer de ler. Foi a forma que ele encontrou de antecipar informações e facilitar a compreensão do enredo. Atividades Seqüência didática Conteúdos • Leitura e manuseio de histórias em quadrinhos. Marcelo organizou uma leitura coletiva. confeccionou fantoches dos mais populares e. Marcelo começou perguntando quais eram as histórias e os personagens mais conhecidos. procurando. Marcelo mobilizou a comunidade para montar a gibiteca. criou o projeto Semeando o Prazer de Ler com as Histórias em Quadrinhos – vencedor do Prêmio Professores do Brasil (dado pelas fundações Orsa e Bunge. Na etapa seguinte. cerca de 300 gibis já estavam catalogados na escola. Uma vez por semana. a turma visita outras unidades educacionais do bairro para apresentar os personagens e falar sobre as histórias. . No fim de cada projeção. formar rodas de leitura com crianças de todas as idades e emprestar as revistinhas. nas encenações. O saldo do projeto foi animador: todos se tornaram loucos por gibis. no interior de São Paulo. Ao apresentar a Mônica.os espontaneamente. da EMEI Sonho de Criança.

cartolina. escolha uma das histórias. Tempo estimado Dois meses. • Envolvimento de crianças. pergunte: "O que será que vem no próximo?". 2ª etapa Prepare transparências com algumas seqüências e apresente as histórias com a ajuda de um retroprojetor. pais e comunidade em situações de leitura. Aproveite para convidá-los a participar. transparências e retroprojetor. tesoura. Outra é perguntar sobre a possibilidade de eles comparecerem durante uma hora na escola. catalogue e organize-as por título para ficar mais fácil encontrar o desejado. Desenvolvimento 1ª etapa Reúna as crianças e pergunte quais personagens elas conhecem. leia o texto completo para a turma entender a seqüência.78 • Valorização da leitura como fonte de prazer e cultura na escola e na comunidade. pois o ideal é mostrá-los um a um. Organize a sala em grupos e distribua um montinho com uma seqüência . Depois que a turma tiver um bom repertório. Chame a atenção para o formato dos balões e as onomatopéias. 3ª etapa Para a leitura compartilhada. Ao receber as doações. Uma das maneiras é pedir a doação de gibis. em duplas ou trios. Anote as datas de retirada e de devolução. Faça uma máscara de cartolina para cobrir os quadrinhos. faça carteirinhas de sócios para todos (que tal colocar uma foto também?). no decorrer do projeto. Para animar a garotada e controlar os mpréstimos. • Formar leitores competentes. Dessa maneira. Depois de analisar cada um. Aproveite os momentos de organização do acervo para ensinar a manusear o material corretamente: as páginas devem ser viradas com cuidado e com as mãos limpas para não rasgar nem amassar. Depois. Depois dessa conversa inicial. mande um bilhete aos pais ou fale com eles sobre a importância do projeto. distribua exemplares do mesmo gibi para que todos possam acompanhar a história individualmente. Discuta as principais características de cada um e apresente algumas informações comportamentais e físicas. objetivos • Estimular nas crianças o prazer de ler antes da alfabetização. Explique que é preciso se comprometer a devolver o gibi na data estipulada para que outros colegas possam ler depois. ANO Préescola. Assim estará montada a gibiteca. para ler para a turma ou participar como ouvintes das rodas de leitura. com o máximo possível de exemplares repetidos. Material necessário Gibis variados. todos vão fazer uma observação minuciosa das expressões fisionômicas dos personagens e dos detalhes das cenas. • Aproximar a escola e a comunidade por meio da leitura. para estimular as crianças a antecipar o enredo. recorte os quadrinhos e embaralhe-os.

Ed. 650. Quer saber mais? CONTATO EMEI Sonho de Criança. R. Contexto. Uma idéia é levar os pequenos para ler no parque.79 completa para cada um. 17580-000. observe se depois dessas atividades as crianças buscam espontaneamente a leitura de gibis e com que freqüência. (11) 3832-5838. É hora de chamar os pais que se dispuseram no início a participar do projeto para comparecer à sala.com.br) . Cuide para que esses momentos sejam bem descontraídos. (14) 3405-1503 BIBLIOGRAFIA Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula. se comentam as histórias preferidas e se adquiriram o hábito de levá-los emprestados para casa. Eles podem ser leitores ou simplesmente ouvir as histórias na roda. Pompéia. 4ª etapa Repita os momentos de leitura várias vezes durante a semana – o ideal é fazer disso uma atividade permanente durante o ano. Avaliação Para saber se os objetivos foram alcançados. Consultoria Marcelo Campos Pereira. tel. Outra. SP. turma de alfabetização aprende a transmitir suas ideias utilizando o desenho e a palavra Denise Pellegrini (dpellegrini@abril. espalhar colchonetes e deixá-los curtir os quadrinhos à vontade. José de Moura Resende. 25 reais Aulas que estão no gibi Ao criar histórias em quadrinhos. O desafio é remontar na ordem correta. em Pompéia. Angela Rama e outros. tel. SP. professor da EMEI Sonho de Criança.. 160 págs.

fez exatamente o contrário: usou o material preferido de seus alunos da pré-escola para animar suas aulas de Português e Educação Artística. "As revistas têm a particularidade de unir duas formas de expressão cultural: a literatura e as artes plásticas". do Colégio Mopyatã. considero bastante oportuna sua utilização em sala de aula". uma das elaboradoras dos PCN de 5ª a 8ª séries. completa Waldomiro. entre as vantagens de utilizar esse recurso na alfabetização está a possibilidade de a turma ler textos só em letras maiúsculas. no final do ano. a experiência se enquadra tanto nos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil quanto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). entre eles os quadrinhos. No caso dos quadrinhos.80 As crianças desenharam seus personagens preferidos. justifica. e pesquisaram os diferentes tipos de balão: trabalho para entender as variações da língua Houve tempo em que levar revista em quadrinhos para a classe valia repreensão e castigo e o aluno ainda se arriscava a perder o gibi. como o Cascão. Além disso. Investigando os balões A experiência de Cynthia começou com o material de que ela dispunha em sala. Conteúdo relacionado Tudo sobre • Produção de texto Reportagens • • Gibis podem ser usados em sala de aula? Como? ''Eu já sei ler gibi!'' Galeria • Calvin e seus amigos Waldomiro Vergueiro. endossa as palavras de Cynthia. De acordo com a consultora de Português Maria José Nóbrega. Pois a professora Cynthia Nagy. "Isso permite exercitar a autonomia da leitura recém-conquistada". afirma. o resultado é um veículo extremamente atraente para as crianças. relata Cynthia. Ambos falam da importância do trabalho com diferentes tipos de texto. Colocados num canto. "Enquanto eram alfabetizadas. estavam desenhando e escrevendo histórias". analisa a professora. coordenador do Núcleo de Pesquisas em História em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). na capital paulista. "Por isso. "Cada vez mais os produtos culturais se entrelaçam". Quem não sabia ler escutava as histórias contadas por ela e pelos sete colegas já . os gibis estavam sempre ao alcance de seus 22 alunos. as crianças aprenderam as características desse tipo de linguagem e.

Um dos primeiros itens investigados pelos alunos foram os balões. como os de fala. "Também é interessante mostrar à classe personagens desconhecidos". No princípio. Viram que. afirma Marcelo Campos. Nesta fábrica. "Expliquei que essa foi a técnica utilizada pelos primeiros desenhistas no Brasil". gratuitas na Grande São Paulo. Confira no quadro ao final da reportagem o telefone para informações. diz Cynthia. "Tudo o que as crianças descobriam era socializado com os colegas nas discussões em roda"." Os artistas dão uma aula prática sobre o processo de produção de uma revista. Depois. instigam a turma a criar os personagens. "Os quadrinhos têm uma linguagem própria e o mais importante é entender seus códigos". grito. sonho. a matéria-prima é a ideia Artistas mostram aos alunos como se faz um gibi Ao trabalhar com revistas na sala de aula deixe claro para seus alunos o seguinte: não é necessário fazer desenhos e textos maravilhosos. núcleo de produção e ensino dessa técnica localizado em São Paulo. os profissionais esboçam o desenho. pensamento. é a idéia. além de palavras comuns. "Eu e as crianças procurávamos tiras nos jornais e colávamos as melhores num cartaz. lançam um mote. recomenda. descrevem as etapas envolvidas na confecção de um gibi. Esse exercício fez parte da rotina das aulas de Cynthia. um dos quatro profissionais que cuidam da Fábrica de Quadrinhos. conta Cynthia. os pequenos copiavam os desenhos das revistas com papel vegetal e mudavam apenas o texto. As primeiras historinhas começaram a ser feitas depois de a classe conversar sobre as revistas preferidas. De frente.81 alfabetizados. informações históricas como essa são importantes para que a criança conheça bem o gênero de linguagem com que está trabalhando. traziam onomatopéias ou mesmo um simples desenho. "Sempre alertamos a turma para a necessidade de respeitar o perfil que eles mesmos deram aos personagens". eles avisam. amor. em palestras de 30 minutos. distribuindo a informação pelo espaço disponível. As crianças recortaram das revistas vários tipos. diz Marcelo. Marcelo e seus companheiros visitam escolas e. cochicho e uníssono. de costas e de perfil . Para Maria José. estudaram o que eles continham. As palestras. Em seguida. são agendadas de acordo com a disponibilidade da equipe. "O desafio é passá-la para o desenho. Primeiro. Enquanto os alunos inventam a história coletivamente." A pesquisa foi uma constante no projeto. A base de qualquer tira.

Atenta a esse detalhe." Para estimular o processo de criação. As técnicas de arte vieram em seguida. "No final do ano. tel. Após essa fase. coordenadora pedagógica do Colégio Mopyatã. As melhores tiras.82 Na hora de escolher personagens para suas histórias. ainda freqüentes. apenas dois alunos não estavam alfabetizados". Melhoramentos. lembra. A narrativa foi transformada em quadrinhos. 47. O trabalho que veio a seguir fascinou a turma. A professora tirava cópias das histórias e apagava balões ou quadros inteiros. na opinião de Maria José. avalia Maria José. "Todas as atividades propostas pela professora deram às crianças competência para produzir seus roteiros". As demais formaram um almanaque. 0_ _113874-0884). que eram refeitos pela turma. vários exercícios se seguiram. com a ajuda do programa Oficina do Livro (Iona. de costas e de perfil. . eles tentavam dividir a narrativa em quadros e criar os diálogos. Em grupo. Essa foi uma ótima forma de concluir o trabalho. a turma ficou com os de Mauricio de Sousa. O projeto. cada criança criou sua história e fez um esboço.20 reais na Dudes Shop) "Recomendei que evitassem as falas de narrador e tornassem os diálogos curtos como os dos gibis". festeja Cynthia. ela distribuía uma história recortada para ser colocada em ordem. Silvana resolveu incorporar o gosto da turma de 5a série a suas aulas de Português. do Colégio Montessori Santa Terezinha. Depois deram movimento às figuras. eles descreveram os principais integrantes da Turma da Mônica. No quadro-negro. Cynthia ensinou como transformar uma ideia em quadrinhos. os alunos da professora Silvana Vívolo. "Eu lia um texto curto e repetia. a corrida ou um pulo. foram publicadas no jornal bimestral da escola. trecho por trecho. escolhidas em votação.40 reais. 11. mostrando o andar. para que as alunos fizessem um esboço". Os erros dos textos. em quatro quadros." Três jeitos de contar uma história Alunos conferem diferenças entre os quadrinhos. Cynthia passou o que as crianças tinham escrito para cartazes. em São Paulo. de acordo com a descrição feita anteriormente. o livro e o teatro Assim que terminavam suas tarefas. não foram corrigidos por ela. Quando todos se familiarizaram com a tarefa. "Primeiro. Ela pediu que a classe lesse o livro Cuidado: Garoto Apaixonado (Toni Brandão. tiravam um gibi da mochila e se divertiam com a leitura. eles desenharam os personagens de frente. Outras vezes. explica Silvana. "É importante que as crianças vejam suas criações publicadas em veículos típicos do gênero. explica Regina Scarpa. "A escrita só era melhorada até o ponto em que a criança tinha condições de chegar". teve grande influência na alfabetização da turma. apesar de não ter sido o único em Português. que eram consultados por todos na hora de criar as tiras.

. SP.Av. porém.9 de Julho. (011) 884-8867 BIBLIOGRAFIA O Mundo das Histórias em Quadrinhos.R. Farjalla Koraicho. CEP 04321-130. SP. São Paulo. SP. 443.R. São Paulo.Av. (0-11) 818-4324 Maria José Nóbrega . De acordo com Waldomiro Vergueiro. tel. (0-11) 6090-1500. CEP 05724-020. (0-11) 3744-2571 Colégio Montessori Santa Terezinha . Ribeiro do Vale. Leila Rentroia Lannone e Roberto Antônio LAnnone. 13 reais Era uma vez. SP. CEP 04568-000 Fábrica de Quadrinhos . CEP 01407-000. tel. São Paulo. 183. a professora levou a classe para ver uma peça de teatro baseada no mesmo livro. Modema. O maravilhoso mundo dos contos de fadas e seu poder de formar leitores O bicentenário do escritor infantil Hans Christian Andersen é uma boa oportunidade para explorar a fantasia das crianças com histórias clássicas como O Patinho Feio e O Soldadinho de Chumbo . São Paulo. conclui. tel. SP.Av.83 Antes que fosse ao laboratório de informática. Giovanni Gronchi. é importante oferecer aos alunos o contato com várias linguagens. da USP. Quer saber mais? CONTATOS Colégio Mopyatã . tel.. CEP 05508-990. São Paulo. 51. tel. 4000. 3265. Lúcio Martins Rodrigues. Prof. "Eles percebem que uma mesma mensagem pode ser transmitida de diferentes maneiras e que não há uma mais nobre que a outra". (0-11) 5011-1022 Waldomiro Vergueiro .

Andersen é definitivamente o primeiro escritor infantil. na poesia e na melancolia com que trata o sofrimento infantil. Sua obra foi traduzida para mais de 100 línguas. que era sapateiro. O menino não se tornou ator.84 Medo. Foto: Karine Basílio Era uma vez um garoto pobre e feio que queria ser ator. Os escritores que o antecederam. já que ele teria que sustentar a família. assim como a introdução "era uma vez". fadas madrinhas. Mais sobre alfabetização Reportagens • • • • Emília Ferreiro. Quando o pai morreu. E rendeu muitos. como o francês Charles Perrault (1628-1703) e os irmãos alemães Jakob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859). susto e raiva: a professora Maristela. a estudiosa que revolucionou a alfabetização Produzir textos sem escrever Alfabetizar é todo dia Edição especial sobre alfabetização Vídeos • • • Entrevista com Telma Weisz Diagnóstico na alfabetização inicial item Planos de aula • • • Leituras simultâneas de contos Leitura de textos informativos Reescrita de histórias conhecidas A genialidade de Andersen está na leveza. É fácil reconhecer um conto de fadas. O aniversário de 200 anos do autor é uma oportunidade de desenvolver um projeto de leitura na escola e de explorar as características dos contos de fadas — gênero literário que dá ao leitor oportunidade de encontrar significado para a vida. As narrativas se . como em O Patinho Feio. apenas registravam no papel as histórias já contadas oralmente pelo povo. Um dia. mas ficou rico e famoso escrevendo histórias infantis. do Instituto Educacional Stagium. A vida do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) daria um conto de fadas. pois em cada narrativa escrita por ele há um pouco de suas tristezas e alegrias. o garoto partiu para bem longe e passou fome e frio até conhecer um homem que pagou seus estudos e viagens pelo mundo. viaja com a turma para o mundo da imaginação. Uma de suas poucas alegrias era assistir histórias populares encenadas pelo pai. reis e rainhas não podem faltar. em um teatrinho feito de papelão. Ele é autor de cerca de 160 contos e seis romances. como Chapeuzinho Vermelho. Animais que falam. em Diadema (SP). além de poesias e de uma autobiografia. o sonho do menino ficou mais distante.

85 passam em um lugar distante — "muito longe daqui" — e têm personagens com nomes comuns ou apelidos. As histórias infantis e os contos populares. no Japão e no Oriente Médio — como a coleção de contos árabes As Mil e Uma Noites. com a descoberta da prensa. diz a terapeuta Mariúza Pregnolato Tanouye. explica Lilian Mangerona Corneta Rotta. Esses elementos facilitam a memorização e tornam a narrativa apropriada à oralidade. Que criança não fica com medo ao imaginar o Lobo Mau devorando a Vovozinha? Ou odeia a bruxa quando ela prende Rapunzel na torre? Para a escritora Ana Maria Machado. especialista em contos de fadas pela Universidade de Nova York. Essa é a magia da fantasia"." A idéia foi difundida após a divulgação dos estudos do psicólogo austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990). Ou seja. Uma obra é clássica e referência em qualquer época quando desperta as principais emoções humanas. a fantasia ajuda a formar a personalidade e por isso não pode faltar na educação. Para Bettelheim. mestre em literatura pela Universidade Estadual Paulista. Para ele. os contos de fadas pertencem ao gênero literário mais rico do imaginário popular. na Índia. Algumas histórias tratam de temas que fazem parte da tradição de muitos povos e apresentam soluções para problemas universais. saindo mais feliz dessa experiência. de São Paulo. conta Katia Canton. pois eles ensinam sobre os problemas interiores dos seres humanos e apresentam soluções em qualquer sociedade. O que os pequenos mais temem na infância? A separação dos pais. O personagem representa o desejo de vingança do mais fraco contra o mais forte". "A fantasia é um mecanismo inventado pelo homem na era medieval para superar as dificuldades da vida real". no entanto. como João e Chapeuzinho Vermelho. e esse drama existencial aparece logo no começo de muitas histórias consideradas referências na literatura. "É o caso de O Pequeno Polegar. "Essas histórias funcionam como válvula de escape e permitem que a criança vivencie seus problemas psicológicos de modo simbólico. A leitura das histórias no passado tinha mais um propósito muito claro: apontar padrões . nenhum tipo de leitura é tão enriquecedor e satisfatório do que os contos de fadas. Os pequenos se identificam com os heróis e experimentam diversas emoções. o leitor é transportado para um mundo onde tudo é possível: tapetes voam e galinhas põem ovos de ouro. a agressividade e o descontentamento com irmãos. Fantasia ajuda a formar a personalidade A literatura infantil surgiu somente no século 17. "No conto maravilhoso. na China. Há notícias de histórias antigas na África. afirma Lilian. a rivalidade entre irmãos em Cinderela e a separação entre as crianças e os pais em Rapunzel e O Patinho Feio. existem desde que o ser humano adquiriu a fala. mães e pais são vivenciados na fantasia dos contos: o medo da rejeição é trabalhado em João e Maria. "A criança aumenta seu repertório de conhecimentos sobre o mundo e transfere para os personagens seus principais dramas".

parece ser exatamente a sensação de viver por empréstimo grandes aventuras. Já garotas desobedientes. Assim. Aliás. também era o casamento. Na versão original de Chapeuzinho Vermelho. Fazer paródias.. A vida da menina foi poupada na versão dos irmãos Grimm. em Diadema (SP). Para Marisa Lajolo.. A cada dia. mas é preciso apresentar primeiro as obras que mais se aproximam dos originais. a professora mostra uma página e pede para as crianças adivinharem a . diz Katia Canton. por exemplo. sinaliza que é hora de a professora Maristela Aparecida Martins de Paiva contar histórias. Em A Polegarzinha. Dedolina. Não é saudável evitar que as crianças enfrentem os conflitos". Um tapete mágico. Essa história tinha forte caráter moral na sociedade rural do século 17: camponesas não deviam andar sozinhas. como enfrentar o Lobo Mau. Especialistas afirmam que a tendência de retirar o mal. e o Caçador não existe.86 sociais para as crianças. "As mudanças de enredo apaziguam as emoções que precisam ser vividas. O objetivo das moças ingênuas era encontrar um príncipe. a recompensa final da protagonista. promover uma visão crítica dos temas tratados e indicar a época em que as novas versões foram escritas ajudam a garotada a refletir. o mais importante é que pais e professores se sintam confortáveis ao contar uma história. de Andersen. Ela explica. grandes amores e. "Isso mostra como os contos serviam para instruir mais que divertir". Medo e morte devem fazer parte dos contos Por que histórias de reis e rainhas e de moçoilas à espera de um príncipe ainda fazem sentido hoje em dia? "Os contos são um patrimônio da humanidade. a turma senta ansiosa ao seu redor. e as obras infantis devem ser respeitadas como a literatura para adultos". no entanto. confeccionado com retalhos pelos próprios alunos. o Lobo devora a Vovó e a própria Chapeuzinho. afirma Mariúza. como Chapeuzinho Vermelho. um livro é apresentado aos pequenos aos poucos. Um critério é escolher livros traduzidos por um escritor conhecido. deparavam com situações dramáticas. Assim que ela coloca o tapete no chão. foram retirados de histórias antigas. por exemplo. Canibalismo e incesto. "Todos os estudiosos do assunto afirmam que as crianças gostam de violência. lembra Katia. Clássicos são clássicos porque se perpetuam. é possível usar e abusar de filmes que recontam A Bela e a Fera e O Patinho Feio. o medo e o castigo das narrativas é forte atualmente. com muito suspense. os contos de fadas fazem parte das atividades diárias na Educação Infantil e são explorados com criatividade pelos professores. como mostrado em A Bela Adormecida e Cinderela." A atividade é completada com a moldura mágica. um dos prazeres da arte. Toda semana. professora da Universidade de Campinas. para crianças e adultos. que as histórias mudam de acordo com a cultura e a época. Eles foram escritos em outra época e a criança consegue compreender isso. "É importante criar esse universo de magia e curiosidade para facilitar o mergulho das crianças nas histórias. grandes crueldades também!" Leitura também para adolescentes No Instituto Educacional Stagium.

Companhia das Letras.. 88 págs. Melhoramentos. Os campeões são o Lobo Mau. Só na sexta-feira Maristela lê a obra inteira.. tradução de Ana Maria Machado. rico. tel. Paulus. O Soldadinho de Chumbo (1838) O protagonista é um boneco de uma perna só. 38 reais OS CONTOS DE GRIMM. Após passar por muitas aventuras nas mãos de crianças. (11) 3789-4000. Ática. Ed. o Soldadinho de Chumbo. Ada Priscila da Silva. tradução de Heloisa Jahn. tel. Os pais também participam do projeto: oficinas de leitura de histórias acontecem nas reuniões para que eles aprendam a proporcionar aos filhos esses momentos de magia.. tel. Na Escola Novos Caminhos. (11) 3990-2100.. Branca de Neve e Cinderela — os adolescentes traçam um paralelo com os políticos atuais e com as cobranças dos padrões sociais. Na adolescência. tradução de Fernanda Lopes de Almeida. 15. Obras que não podem faltar na escola CONTOS DE PERRAULT. tel.90 reais HISTÓRIAS MARAVILHOSAS DE ANDERSEN. 54 reais OS TRÊS PORQUINHOS. Ed. É o primeiro livro escrito pelo autor dinamarquês. passa a ajudar os pobres. "Eles se emocionam e contam fatos significativos vividos em família e proporcionados pela leitura. alunos de 5ª a 8ª série também lêem os contos durante as aulas. (11) 3874-0644 . Mas é jogado em uma . 16 págs. (11) 3707-3500. professora de Língua Portuguesa. esse tipo de leitura contribui para a formação de alunos leitores e críticos. em Santos (SP). 16 reais RAPUNZEL. 288 págs. 120 págs. É um estímulo para os estudos de literatura.. 32 págs. pede para cada aluno levar um livro de casa e relembrar momentos de leitura com os pais. Ed." Quais personagens mais marcaram a vida dos jovens? Os alunos respondem e justificam as escolhas com uma redação. ele se apaixona por uma boneca bailarina. Ed.87 história pela ilustração. tradução de Tatiana Belinky. tradução de Maria Heloisa Penteado.90 reais Os mais famosos contos de Andersen O Isqueiro Mágico (1835) Um soldado encontra um isqueiro mágico que realiza todos os seus desejos. Ática. 15. Depois de perder tudo o que ganhou. ele faz um novo pedido e. Os contos de fadas não devem ficar restritos às séries iniciais. Ed.

366 págs. Santos. (21) 2556-7824. (11) 4056-8063 ESCOLA NOVOS CAMINHOS. 49. tel. Ed. Av. É a história que representa de maneira mais explícita a vida do autor. Ana Maria Machado. 29. (13) 3251-5174 Bibliografia A PSICANÁLISE DOS CONTOS DE FADAS. SP. SP. A história não tem um final feliz. tel. 146 págs. mas acaba acendendo todos. Ed. tel. 495. Senador Pinheiro Machado. Paz e Terra. 29. R. 09910-200. Ela tenta vender fósforos para se sustentar. A Pequena Vendedora de Fósforos (1846) No último dia do ano.90 reais . 11075-000. que ilustrou diversos contos de Andersen. (11) 3337-8399. Ele foge e descobre que é na verdade um belo cisne. A ilustração ao lado foi feita em 1847 por Vilhelm Pedersen. Objetiva. tel. É considerado um dos contos mais tristes da literatura infantil. para se aquecer.88 lareira junto com sua amada. Bruno Bettelheim. Japão. Quer saber mais? INSTITUTO EDUCACIONAL STAGIUM. Trata-se do primeiro conto totalmente criado por Andersen.. Diadema.50 reais COMO E POR QUE LER OS CLÁSSICOS UNIVERSAIS DESDE CEDO.. O Patinho Feio (1843) Um pato feio e desengonçado é rejeitado pela família por ser diferente. uma menina perambula pelas ruas frias de uma cidade. Andersen se inspirou na infância da mãe para escrevê-lo. um a um.