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Maria Lucília Viveiros Araújo.

Circulação de livros em São Paulo, 1800-1860

(Pesquisadora de pós-doutorado da FEA-USP, grupo Hermes & Clio, apoio FAPESP)

O estudo sobre bibliotecas, livros e leituras tem despertado interesse do grupo


acadêmico brasileiro, no entanto, não há pesquisas sobre o tema para São Paulo do século
XVIII e só recentemente apareceram trabalhos sobre a comercialização de livros do
século XIX.
A tradição historiográfica paulista sempre pressupôs que a região era
geograficamente isolada, avessa às novidades, às leituras e aos forasteiros até a fase de
construção das ferrovias, por isso ninguém procurou averiguar as leituras dessa gente
inculta. Para Manuel Antônio Álvares de Azevedo, que freqüentou o curso jurídico nos
anos 1840, em São Paulo “Nem há passeios q. entretenhão, nem bailes, nem sociedades
— parece isto uma cidade de mortos — não há nem uma cara bonita em janella, só
rugosas caretas desdentadas — e o silencio das ruas só e quebrado pelo ruído das bestas
sapateando no ladrilho das ruas” (AZEVEDO, 1976, p. 114).
Essa impressão foi-nos transmitida também pelos viajantes que passaram pela
cidade na primeira metade do século XIX, sendo reforçada pelas histórias contadas de
memória dos seus habitantes (BUENO, 1976), e confirmada por Elizabeth Rabello.
Segundo essa historiadora, os moradores e os negociantes paulistas raramente
tinham bibliotecas, ou os poucos livros encontrados nos inventários post mortem
paulistanos eram religiosos e comerciais (RABELLO, 1988). Pretendemos então
relativizar a idéia do completo isolamento cultural da sociedade paulista nessa época, e
apresentar dados sobre a circulação de livros nas primeiras décadas do século XIX, ou
seja, visa a contribuir com o estudo da formação cultural paulista.
História dos livros em São Paulo
A pesquisa historiográfica dos livros da antiga São Paulo teve início com Myriam
Ellis, que publicou a lista das obras da primeira biblioteca pública paulista de 1825
(ELLIS, 1957). Essa publicação visava a estimular os estudos dos livros e leituras da
capitania de São Paulo. A maioria dos estudos recentes sobre São Paulo versa sobre os
livros da passagem do século XIX e XX. Por exemplo, a tese da biblioteca da fazenda

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Pinhal, interior de São Paulo (SILVA, 2002). Marisa Deaecto abordou a circulação e
consumo de livros em seus trabalhos, concentrando sua atenção nas mudanças culturais
do final do século XIX, além disso, ela pesquisou os editores de São Paulo do início do
século XX (DEAECTO, 2004; idem, 2007). No entanto, a maioria das teses sobre livros e
leituras na América Portuguesa ateve-se à capitania de Minas Gerais e ao Rio de Janeiro
na passagem do século XVIII e início do século XIX (ABREU, 2003; ALVARENGA,
2003; FRIEIRO, 1945; VILLALTA, 1999). Resumindo, estamos apresentando
documentação e assunto de rara divulgação pela historiografia.
Tradição literária
No Antigo Regime os livros passavam por censura antes da edição, na América
Portuguesa não se permitiu sua publicação até a transferência da Corte em 1808
(ALGRANTI, 2004). D. João VI trouxe a Real Biblioteca, a Real Mesa Censória e a
tipografia para o Rio de Janeiro, os livros puderam então ser confeccionados na região,
mas a censura permaneceu até 1821 (SILVA, 2003). Além disso, a Coroa havia
estabelecido um sistema educacional mínimo nas terras luso-brasileiras, isto é, primeiras
letras, ensino religioso e práticas artesanais corporativas; o ensino superior ou
especializado era oferecido apenas em Portugal.
Apesar dos recursos culturais limitados, surgiram alguns escritores na Capitania
de São Vicente e São Paulo no século XVIII, entre eles: Pedro Taques de Almeida Paes
Leme e seu primo, frei Gaspar da Madre de Deus, José Arouche de Toledo Rendon,
Manoel Cardoso de Abreu e Martim Francisco Ribeiro de Andrada, no início do século
XIX.
Pedro Taques nasceu em São Paulo em 1714 e faleceu em 1777, filho de
Bartolomeu Paes e Leonor de Siqueira. Ele redigido duas importantes obras da História
de São Paulo, Nobiliarchia paulistana, genealogia das principais famílias de São Paulo, e
História da Capitania de São Vicente, de 1772 (LEME, 1953; LEME, 1847)1. Viajou
para Lisboa para publicar seus manuscritos, mas eles permaneceram arquivados por
quase um século, tendo sido resgatados e publicados em fascículos pela Revista do
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de 1869 a 1872.

1
LEME, Pedro Taques de Almeida Paes. Nobiliarchia paulista historica e genealogica. 3a ed. SP: Martins,
1953. 3 vol. Idem [1772]. Historia da capitania de S. Vicente desde a sua fundação por Martim Affonso de
souza em 1531. Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro, Rio de Janeiro, tomo IX, 1847.

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Gaspar Teixeira de Azevedo era filho de Domingos Teixeira de Azevedo e Ana
Siqueira de Mendonça, nascido em Santos, em 1715, e falecido em 1800. Ordenou-se
monge beneditino com nome de frei Gaspar de Madre de Deus. Publicou as Memórias
para a história da Capitania de São Vicente hoje chamada de São Paulo em 1797
(AZEVEDO, 1797).
Manoel Cardoso de Abreu nasceu em Lisboa em 1750, mas residia em São Paulo,
num grande sobrado da Rua São Bento, até 1804, com nove escravos, e a esposa
Escolástica Maria Joaquina de Oliveira. Foi oficial escrivão da secretaria de governo. Sua
crônica, Divertimento admiravel: para os historiadores observarem as machinas do
mundo reconhecidas nos sertões da navegação das minas de Cuyabá e Matto Grosso, é de
1783 (ABREU, 1900-01).
Padre Manoel da Fonseca relatou a Vida do venerável padre Belchior de Pontes,
da Companhia de Jesus da Província do Brasil, essa obra foi oferecida ao capitão-mor
Manoel Mendes de Almeida, da cidade de São Paulo, editado em Lisboa, Oficina de
Francisco da Silva, em 1752 (FONSECA, 1752). Com a deportação dos jesuítas em 1759,
o livro foi censurado em 1771, pois encerrava fatos políticos. Padre Belchior de Pontes
(São Paulo 1644 — 1719) foi religioso jesuíta com destacado papel no processo de
colonização e catequização das cidades de Itapecerica da Serra e Embu.
José Arouche de Toledo Rendon nasceu em São Paulo em 1756 e faleceu em
1834. Ele era membro de uma tradicional família paulista, atuou como negociante e
produtor. Formou-se em Coimbra, ocupou diversos cargos em órgãos administrativos da
Capitania de São Paulo, foi juiz das medições das sesmarias (1782-1783), arrematante do
contrato de Cubatão (1796-1798), diretor geral dos índios (1798), fiscal da Casa de
Fundição do Ouro (1799), juiz de órfãos (1806-1808), deputado à Assembléia
Constituinte dissolvida em 1823, dentre outros. Escreveu várias obras, a mais conhecida,
editada em 1788, Reflexões sobre o estado em que se acha a agricultura na Capitania de
São Paulo, propondo melhorias na agricultura comercial paulista (RENDON, 1978).
Martim Francisco Ribeiro de Andrada (Santos 1775 — 1844) era filho de
importante negociante de Santos, Bonifácio José Ribeiro de Andrade. Foi político,
presidente da Câmara dos Deputados e ministro da fazenda do Império do Brasil.
Graduou-se em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra em 1798. Deixou

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obras escritas sobre mineralogia e uma Memória sobre estatística. Em Jornais das
viagens pela Capitania de São Paulo relatou a viagem que executou como inspetor das
minas e matas, e naturalista da mesma capitania, em 1803 e 1804, e publicou também o
Diário de uma viagem mineralógica pela Província de São Paulo no ano de 1805
(ANDRADA, 18--).
Documentação
Para este estudo utilizamos inventários post mortem; atas da Câmaras; Almanak
Administrativo, Mercantil, e Industrial da Provincia de São Paulo, para o ano de 1857 e
1858, o Farol Paulistano.
Os inventários post mortem forneceram-nos a relação de livros disponíveis nas
casas de morada dos falecidos (autor, título, língua, volumes, estado de conservação e
valor) e dos livros à venda nas lojas e armazéns da cidade na primeira metade do século
XIX (ARAÚJO, 2004; Idem, 2004). Daniel Roche utilizou esta documentação em seu
trabalho sobre cultura, leituras e as idéias revolucionárias (ROCHE, 2004).
O Farol Paulistano foi o primeiro periódico da província de São Paulo. O jornal
circulou entre 1827 e 1833, era semanário e passou a bisemanário; o Dr. José da Costa
Carvalho era editor e proprietário, Antônio Mariano de Azevedo Marques, seu
organizador. Esse jornal era mantido por diversos anunciantes da província,
especialmente pelos lojistas da cidade de São Paulo, somente por esses anúncios
constatamos que a vida comercial da capital dos anos vinte era mais diversificada do que
transparece em algumas memórias da época.
O Almanak administrativo, mercantil, e industrial da província de São Paulo para
o anno de 1857, editado por Marques & Irmãos, marcou o início das publicações
especializadas em assuntos de comércio e indústria em São Paulo (MARQUES & Irmãos
1857-58); esse almanaque foi editado por dois anos, seguiu o modelo da edição dos
irmãos Laemmert do Rio de Janeiro.
Circulação e posse de livros
No início do século XIX, a “livraria” de Dias Coelho fornecia leituras de todos os
gêneros para o diversificado público da região: clérigos, profissionais liberais,
funcionários do governo, estudantes.

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Antônio José Dias Coelho (1748 – 1806), natural De Santiago de Chamoim,
arcebispado de Braga, morador na chácara do rego de São Francisco, com casas de 3
lanços, quintais e pastos, era negociante de fazendas secas. Residiu em Lisboa por dez
anos, servindo ao clérigo que seria sagrado arcebispo dioclesiano de São Paulo; ele
acompanhou o religioso na viagem para a Capital, onde estabeleceu loja, tendo se casado
em 1781. Ele mantinha contas-correntes com vários negociantes do Rio de Janeiro, sua
rede de amizades e de negócios era formada de clérigos e irmãos leigos das ordens
religiosas paulistas.
Em 1803 foi renovada sua licença para vender com exclusividade livros e cartas
de jogar (SÃO PAULO, 1921, p. 185), sua loja foi inventariada duas vezes, pelo
falecimento de Rosa Maria do Rosário Pedrosa, em 1803, a seguir por sua morte em 1806
(Arquivo do Judiciário do Estado de São Paulo, inventários nº 1197 e 1182). No primeiro
inventário, o casal tinha 63% do valor dos estoques em 844 volumes de livros de 119
títulos; no segundo, havia 446 volumes de 164 títulos. Era das lojas com maior estoque
de livros na cidade, ainda assim vendia também produtos de armarinho, de higiene, de
consumo pessoal, ferragens e instrumentos de trabalho. Sua especialização em livros e
cartas de baralhos devia-se à exclusividade que lhe foi concedida pelo Senado da Câmara
por diversos anos, conseqüentemente, após sua morte, outros lojistas puderam
comercializar também esses produtos.
Cremos que apenas parte dos livros dos negociantes da capital ficava nos
estoques, aqueles exemplares de venda mais rápida, pois no inventário de Dias Coelho
havia muitas encomendas de livros feitas por clérigos paulistas. Os maiores devedores do
casal eram os reverendos Luís Gonzaga Rodrigues, José Moreira da Rocha, João
Damaceno Maciel, Manoel Ferraz, Antônio Antunes, Antônio Feijó, além do padre
Tristão Ferreira de Faria. Ele era fornecedor do comerciante de Piracicaba, Manoel
Joaquim Amaral Gurgel.
Em seu estoque localizamos 85 Livros de Santa Bárbara, o mais popular livro
religioso da América Portuguesa; além de outros, Viajante instruído, ou Notícias do
mundo antigo e moderno, do francês Laporte, tradução, pela Typografia Rollandiana,
licença da Meza do Desembargo do Paço de 1799; Arte de rhetorica que ensina a falar,
escrever, e orar: escrita em portuguez pelo doutor Valadares, Lisboa: Francisco Luiz

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Ameno, 1750; Aventuras de Telemaco, filho de Ulysses: com um discurso sobre a poesia
épica, e excellencia do poema de Telemaco e notas geograficas, e mythologicas para a
intelligencia do mesmo poema, de Francisco da Salignac da Motha Fenelon, 1651-1715,
Lisboa: Typ. Rollandiana, 1785; Antonio Felix Mendes, Arte da Gramática Latina,
reformada; Antonio Pereira, Novo Método da Gramática Latina reduzido a Compendio
para uso das Escolas da Congregação do Oratório.
Identificamos, também, livros nos estoques dos inventários de 6 negociantes, a
saber: Antônio Álvares dos Reis, de 1810, 18 obras; de 1812, Domingos Fernandes Lima,
15 livros; em 1813, Gregário José Soares, 31 exemplares; 1815, José Pinto Tavares, 21;
em 1819, Brig. Luís Antônio de Sousa, 45 exemplares; 1823, Antônio Floriano Alvim, 25
livros; a maioria dos livros versava sobre temas religiosos, dicionários, gramáticas e
poesias, em português, espanhol, francês e latim.
Após a abertura comercial, especialmente, com o fim da censura prévia dos livros
em 1821, as casas da capital anunciavam, em O Farol Paulistano, diversos títulos de
leitura leiga. Por exemplo, a loja de fazendas da Rua do Rosário casa n° 13 vendia uma
porção de livros Medicina curativa, em 4 volumes, do médico da Corte José Maria
Bomtempo; a loja da Rua do Comércio nº 3 anunciava especialmente livros de direito e
matemática, tais como: Guia dos juízes de paz; Guia das câmaras municipais do Brasil,
provavelmente de Antônio Diogo Feijó; Demonstrações da necessidade de abolição do
celibato clerical, de Feijó; Diálogo constitucional brasiliense, José Paulo de Figueirôa
Nabuco de Araújo, de 1827; Constituição do Império, de 1824; Compêndio de História
dos EUA; Os elementos de Euclides; Compêndios de direito público, de Emmerich de
Vattel; Cours de mathématiques, de Etiènne Bézout. Tomaz de Molina e Gabriel
Henriques Pessoa ofereciam Princípios de direito nacional, compilados por José Maria
Avellar Brotero; e na Rua Direita n° 8, Mapa das garantias do cidadão brasileiro, além
de livros franceses.
Havia 14 mercadores e lojas de livros no Rio de Janeiro, 4 franceses. Esses
imigrantes instalaram-se na Corte e passaram a dedicar-se ao comércio livreiro com
distribuição para as outras províncias. Pierre Plancher-Seignol, editor do Jornal do
Comércio (MOREL, 2005), vendia livros na loja de Joaquim Lazaeta, na Rua do Rosário
nº 19, em São Paulo. Os livros anunciados em 1829 eram Coleção de leis do Império do

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Brasil, Guia da conversação, Código penal militar, Código mercantil da França, Frutas
do Brasil, Heloísa e Abeillard, o distribuidor paulista informava ainda que receberia
encomendas de outras obras. Os almanaques de 1857 e 1858 relacionaram somente dois
livreiros na capital, Bernardino José Dias Torres de Oliveira, Rua da Imperatriz e José
Fernandes de Sousa, Largo do Colégio.
Além da “livraria” de Dias Coelho, identificamos livros nas casas de doze
comerciantes da capital, acreditamos serem obras de uso pessoal, pois não havia duas
obras com o mesmo título. Francisco Inácio de Sousa Queirós, paulista, negociante com
loja na Rua Direita, herdada do pai, deixou uma biblioteca com 89 títulos de temas
variados: poesia, romance, filosofia, direito, história, teologia, gramática; Francisco José
de Sampaio Peixoto, natural do Porto, advogado, contratador e negociante de tropas,
genro do negociante Dr. José Vaz de Carvalho, foi outro grande leitor, sua biblioteca
continha 79 títulos em português, espanhol e francês. Na maioria dessas bibliotecas havia
livros de gramática, aritmética e retórica, renovados pela reforma pombalina, contudo,
apenas dois títulos de práticas comerciais, Perfeito contador (FREIRE, 1746) e
Secretário português (OLIVEIRA, 1754). Enfim, estes dados nos permitem deduzir que
os negociantes de São Paulo da primeira metade do Oitocentos era um grupo sócio-
profissional instruído se comparado com a disponibilidade de livros de outros moradores.
Em nossa tese (ARAÚJO, 2006) publicamos os livros da biblioteca de José da Costa
Carvalho, casado com Genebra de Barros Leite, viúva do Brigadeiro Luís Antônio.
Considerações finais
No início do século, os livros circulavam de forma muito lenta, pois a importação
de livros passava por censura régia e sua comercialização, pela fiscalização do Senado da
Câmara. Nessa fase, a “livraria” de Dias Coelho fornecia leituras de todos os gêneros
para o diversificado público da região: clérigos, profissionais liberais, funcionários do
governo, estudantes. Apesar dos entraves à circulação e publicação de livros na América
Portuguesa, o livros participavam do cotidiano dos moradores das vilas paulistas,
estimulados pelas ordens religiosas ou de leigos, alguns moradores se dispuseram a
registrar a memória e os costumes locais desde o século XVIII.
Após a Independência, a oferta de livros foi ampliada, várias casas comerciais
divulgavam novas publicações pela imprensa, muitos desses negociantes declaravam-se

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representantes das livrarias instaladas na Corte. Os novos livros oferecidos tratavam
especialmente de temas políticos, teóricos do direito e do Estado, em língua nacional ou
francês. Grandes livrarias e editoras

Referências bibliográficas

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