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Curso: DIREITO 1 A, B,C


Disciplina: Filosofia
Código da Disciplina: Carga Horária: 36
Prof (a): Dr. José Marcos Miné Vanzella Curso: Direito
Período: noturno A e B , matutino C Ano Letivo: 2008

EMENTA: Conceito de Filosofia. Sócrates Platão, Aristóteles, Epicuro, Cícero,


Jusnaturalismo, Kant, Marx, Kelsen. Lógica: juízo, proposições, inferências imediatas,
inferências mediatas

OBJETIVO GERAL DO CURSO.


O objetivo principal do curso de Direito do Centro Unisal – Unidade de Ensino de Lorena,
é a busca incessante pela excelência no ensino e aprendizagem de cada uma das disciplinas
lecionadas no curso. Fazer com que o aluno egresso possa atuar com sapiência e
profundidade em qualquer área do Direito é uma prioridade de nosso curso. Dar ao
acadêmico um cabedal mínimo necessário para que possa desenvolver seus conhecimentos
jurídicos é um objetivo geral do curso de Direito de Lorena.
Não obstante, o fato de primar pela criação de excelentes profissionais, não afasta o curso
de Direito de Lorena do seu objetivo de buscar a formação integral da pessoa, que a leve a
inserir-se criticamente na sociedade circundante e na sociedade global, dentro dos valores
do diálogo e da justiça.
Enfim, objetiva implementar um modelo pedagógico baseado no sistema preventivo de
Dom Bosco, no diálogo ciência-filosofia-teologia, no ideal da interdisciplinaridade, na
adoção de estratégias diversificadas de ensino-aprendizagem como o estudo de caso, o
seminário e o desenvolvimento da oralidade, no desenvolvimento da pesquisa acadêmica e
de uma postura crítica frente à realidade que nos cerca.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA DISCIPLINA


1. (Objetivos conceituais da disciplina)
• Compreender a articulação entre a argumentação lógica e a
fundamentação da Ética, especialmente quanto a questão da
justiça.
• Compreender o desenvolvimento histórico da filosofia, para
articular a Ética com as diferentes visões de mundo.
• Conhecer o pensamento dos grandes autores que influenciaram a
história da filosofia do direito.

2. (Objetivos procedimentais da disciplina)


• Capacitar os alunos a utilizar teorias filosóficas para fundamentar
a produção de textos escritos, como para apresentação oral.
• Capacitar os alunos a detectar as principais formas de sofismas e
falácias.
2

• Capacitar os alunos a compreender e articular a argumentação


lógica com a ética.

3. (Objetivos atitudinais da disciplina).


 Compreender a fundamentação da ética na história do pensamento e
sua articulação com a discussão da justiça.

 Abrir aos valores da procura da verdade, do diálogo com as


diferentes posições, da profissão vivenciada com competência,
espírito de solidariedade e comprometimento social.

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NA


DISCIPLINA

1. Favorecer o desenvolvimento da dimensão humanística e ética.

2. Desenvolver a capacidade de inter-relacionar pensamentos, idéias e conceitos.

3. Capacitar para a pesquisa.

4. Desenvolver o raciocínio lógico e crítico.

5. Saber conviver e trabalhar em grupo.


PERFIL DO EGRESSO
Pretendemos formar um profissional de Direito que se realize plenamente como ser no
mundo, capaz da compreensão, interpretação, argumentação e aplicação do Direito; que
tenha um bom nível técnico-jurídico, sem perder de vista a dimensão humanística e ética
do Direito; que seja um operador do Direito capacitado para a pesquisa e sua aplicação na
área jurídica; que se expresse bem, com clareza e precisão, de forma fluente, com um
vocabulário rico, primando pelo raciocínio lógico e crítico; que seja apto a resolver
problemas jurídicos e a exercitar técnicas de negociação. Outrossim, pretendemos que o
profissional formado no Centro Unisal de Lorena tenha plena capacidade de conviver e
trabalhar em grupo, bem como de inter-relacionar pensamentos, idéias e conceitos, tendo
em vista que o Direito é uno e indivisível e utilizar ferramentas tecnológicas
contemporâneas.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
DATA CONTEÚDO DA DISCIPLINA ATIVIDADES A SEREM
Turmas DESENVOLVIDAS
AC B
Fevereiro 05 06 O que é e qual a importância da Filosofia Aula expositiva dialogada
12 13 Introdução ao pensamento de Platão Aula expositiva dialogada
Total de 19 20 Introdução ao pensamento de Aristóteles Aula expositiva dialogada
aulas: 08
3

26 27 (Continuação) Exercício EM GRUPO


Março 04 05 A justiça na república de Platão Debate Por grupo
11 12 Epicurismo: Ética, prazer e sensação Aula expositiva dialogada
Total de 18 19 Cícero: Estoicismo romano e lei natural Aula expositiva dialogada
aulas: 08
25 25 Jusnaturalismo Aula expositiva dialogada
Abril 01 02 Kant: Criticismo e Deontologia Aula expositiva dialogada
08 09 (continuação) Exercício EM GRUPO
15 16 Prova Prova
Total de 22 23 Kelsen Aula expositiva dialogada
aulas: 08 29 30 Marx Aula expositiva dialogada
Maio 06 07 Lógica e argumentação Aula expositiva dialogada
13 14 O Juízo e a proposição Aula expositiva dialogada
Total de 20 21 Inferências Imediatas Aula expositiva dialogada
aulas: 08 27 28 Exercício Exercício prático
Junho 03 04 Inferências Mediatas Aula expositiva dialogada
10 11 Exercício Exercício prático
Total de 17 18 Prova Prova
aulas: 08
24 25 Encerramento do semestre
Total 40
ATIVIDADE EXTRACLASSE

Atividade: Leitura síntese e comentário do livro I da República de Platão.


Objetivo: Discutir a importância da relação da justiça com a ordem social.
Competências e Habilidades
Capacidade de leitura e sistematização sobre o tema escolhido;
- Capacidade de “aprender a aprender”;
- Capacidade de aprofundar a temática da disciplina;
- Capacidade de relacionar a disciplina com a futura profissão

Previsão de Aplicação: Turmas A e C 04/03 Turma B 05/03


Critério de avaliação: Trabalho escrito individual e participação no grupo de debate.
Carga horária prevista: 8 horas

METODOLOGIAS DE ENSINO

Aulas expositivas teóricas, mas participativas; aulas práticas de exercício, resumos,


leituras sistemáticas, debates.

RECURSOS INSTRUCIONAIS

Quadro, giz, retroprojetor, data show, vídeo, internet, laboratório de informática,


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biblioteca.

SISTEMA DE AVALIAÇÃO

Avaliação contínua: Provas, resumos, fichas, leitura sistemática e debate.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

1. ALVES, Alaor Café Lógica, Pensamento Formal e Argumentação, Elementos para o


Discurso Jurídico. Bauru, Edipro 2000

2. BITTAR, Eduardo C.B.; ALMEIDA, Guilherme Assis de. Curso de Filoslofia do


direito São Paulo, Atlas, 2001.

3. CHAUI, Marilena Introdução a história da filosofia São Paulo Companhia das Letras
2002

4. SACADURA ROCHA, J. Manuel de Fundamentos de Filosofia do Direito da


Antiguidade aos nossos dias. São Paulo Atlas 2007

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

1. HABERMAS, Jürgen Direito e Democracia. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 2v.


1998.
2. MORRIS, Clarence Os grandes filósofos do direito. Trad. Reinaldo Guarany. São
Paulo: Martins Fontes, 2002
3. PERELMAN, Chaim Ética e Direito São Paulo: Martins Fontes 2004
4. PLATÃO, A república, Lisboa Caloustre G. 2006
5. REALE, Miguel Filosofia do Direito. São Paulo: Saraiva 2002

PERIÓDICOS

DIREITO& PAZ- UNISAL- Lorena


Crítica – USP – São Paulo
Éthica – UGF - Rio de Janeiro
Síntese Nova Fase - Belo Horizonte

INTRODUÇÃO

1. A importância da filosofia.
O homem é capaz de ação e pensamento. A ação drena o potencial reflexivo para sustentar
suas carências e necessidades. Por isso a reflexão implica um distanciamento da atividade
5

para observação e análise. 19 O filósofo é o “amigo da sabedoria”, aquele que se encontra


em sua busca, enxerga com distanciamento a visão completa do horizonte. 20 Um bom
exemplo é a diferença de visão do jogador e do técnico de futebol.
As ações respondem a estímulos a partir de decisões. A ação jurídica reclama decisão. 21
A atitude que pensa os fundamentos, os princípios e conseqüências mediante a razão é
tipicamente filosófica. É grande aliada da ação pela investigação. E enquanto humanista
reflete sobre o próprio homem. A filosofia representa um potencial de libertação do
homem, abrindo espaço para outros horizontes. 22
2 Podem os filósofos modificar o mundo?
Algumas idéias uma vez acolhidas trazem certa modificação do mundo. Por isso o filósofo
age sobre o mundo por meio do pensamento. 23
As Filosofias dos clássicos determinaram o percurso intelectual da humanidade durante
séculos. Seria possível imaginar a modernidade sem Kant? 24 E as revoluções sociais do
séc. XX sem Marx? Desconsiderar essas influências seria o mesmo que dizer que a
descoberta do átomo em nada influenciou na formação da bomba atômica. Filosofias mais
propriamente jurídicas determinaram a fundamentação lógica e sistemática do Direito,
como ocorre com a doutrina de Hans Kelsen. 25
Filosofia – é uma reflexão profunda, abrangente e de conjunto dos problemas humanos.
(Savianni) Um esforço de levantar mediante a razão as questões que dão sentido a vida.
(Oliveira).
4. Partes da Filosofia
Trata-se de uma subdivisão didática:
Metafísica, Teoria do Conhecimento, Filosofia da Linguagem Antropologia, Cosmologia,
Lógica, Estética, Epistemologia, Filosofia Política e Ética. 29 -30
5. Método, ciência, filosofia e senso comum
5.1 Filosofia ciência e senso comum. 33
A relação entre filosofia ciência e senso comum deve ser de colaboração. A ciência é no
fundo uma especialização de saberes do senso comum que foram aperfeiçoados e que agora
passam por um processo mais rigoroso de reconhecimento. 34-36
5.2 Ciências jurídicas como ciências humanas
Preso ao positivismo acreditou-se que o raciocínio e a lógica jurídica obedecem ao mesmo
grau de certeza dos saberes das ciências naturais. Tirou-se das ciências jurídicas seu caráter
valorativo.
As ciências humanas diferem das ciências naturais pelo peso do valor na construção
racional da realidade. Onde há cultura há valor. 37
Os métodos em ciências humanas não podem mascarar assunção de tendências e muito
menos de ideologias. A ciência jurídica é ciência normativa aplicada. Comunga com as
demais ciências sociais a natureza de um saber voltado para as preocupações valorativas.
Aqui o que está em jogo é o comportamento humano. O cerne do problema jurídico é o
problema do valor. 38
Filosofia do Direito como parte da filosofia?
A Filosofia do Direito é considerada parte da filosofia até Hegel. Hoje nota-se a tendência
de uma investigação exclusivamente jurídica. Filósofos do direito que não trabalham com a
filosofia geral. 39-40.
Filosofia do Direito: conceito, atribuições, funções.
Para alguns autores a Filosofia do Direito deve ocupar-se do justo e do injusto. Para outros
o justo e o injusto estão fora do alcance do jurista, e são objeto de estudo da ética. Para
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outros a Filosofia do Direito deve ser um estudo combativo, politicamente e lutar contra a
tirania.
As ciências jurídicas partem da norma para seus resultados aplicativos e/ou conseqüências;
a especulação filosófica volve da norma a seus princípios, a suas causas, a suas
deficiências…
A Filosofia do Direito é um saber Crítico a respeito das construções jurídicas erigidas pela
Ciência do Direito. 43
A Filosofia do Direito possui metas: crítica às atividades dos operadores do direito; crítica à
atividade legiferante; crítica à ciência jurídica e ao jurista; depurar a linguagem jurídica;
investigar a eficácia dos institutos jurídicos; esclarecer a teleologia do Direito;resgatar
origens e valores fundantes dos processo e institutos jurídicos; auxiliar o juiz no processo
decisório. 44-45

PLATÃO:
Idealismo, Virtude e Transcendência Ética.

3.1 Virtuosismo platônico e socratismo.


Pressupostos transcendentes:
• A preexistência da alma
• Reminiscência das idéias
• Subsistência da alma
A prudência converte-se em vida teórica, modelo de felicidade.
A alma é dividida em:
• Alma racional (logística) – cabeça – filósofo.
• Alma irascível- tronco – coragem, virtude cavalheiresca.
• Alma apetitiva – baixo ventre - artesãos, comerciantes e povo.
A alma logística é hegemônica sobre as outras, é capaz de opinião, reflexão, imaginação e
razão, que permite ao homem acessar as idéias.
A ciência só é possível do que é certo, eterno e imutável. (As idéias)

3.2 Virtude e vício: ordem e desordem


A virtude é excelência de uma faculdade humana.
Virtude significa controle, ordem, equilíbrio, proporcionalidade, sendo que as almas
irascível e concupiscente submetem-se aos comandos da alma racional.
A ética é a harmonia entre as partes da alma. O vício está onde reina o caos entre as
partes da alma. Buscar a virtude é buscar o melhor o excelente.
O desejo do filósofo visa o aprimoramento da alma.
O corpo nos oferece obstáculos. Para conhecer é necessário abandonar o corpo.
Virtuosos e viciosos submetem-se ao julgamento dos deuses.
A justiça aponta para mais além da vida e da morte.
Sendo a alma imortal, só pode escapar de seus males sendo melhor e mais sábia.

3.3 Idealismo ético e mito de Er


O núcleo da teoria platônica é a noção de idéia. A idéia de Bem governa todo o cosmo.
7

Incumbe a alma logística, a contemplação da verdadeira Realidade, ilustrada pelo Mito da


caverna. Em que um prisioneiro da caverna consegue sair e conhece um mundo
maravilhoso. Ao retornar e contar para os outros é desacreditado e rejeitado.
Mito de Er. Guerreiro que voltou à vida e descreveu o julgamento dos justos e injustos, os
quais recebem dez vezes mais pelo que fizeram na terra. Depois as almas reencarnavam.

3.4 Ética, justiça e metafísica.


A admissão de uma realidade divina importa na admissão de uma justiça divina. No Hades
vige a doutrina da paga como forma de justiça Universal.
No reino das aparências (mundo terreno), o que parece ser justo não é; o que parece ser
injusto, em verdade não é.
A justiça só é realizável no além.
A justiça é causa de bem para aquele que a pratica, e de mau para quem a transgride. Ao
justo a ilha dos bem aventurados; ao injusto, o Tártaro.

3.5 Ética, alma e ordem política.


À estrutura da alma tripartite corresponde a estrutura do Estado.
A justiça na cidade é ordem, a injustiça desordem.
A justiça é a saúde do corpo social, composto dos três tipos de homens.
O Estado ideal é apenas meio para realizar a justiça. O Estado ideal deve ser governado
por quem sabe governar. O filósofo.

Conclusões
A Ética é mais que a localização da ação virtuosa e seu discernimento da ação viciosa.
A Educação da alma tem por finalidade destiná-la ao Bem Absoluto.

ARISTÓTELES: Justiça como Virtude

4.1 O tema da justiça e da ética 84


Falar de justiça é comprometer-se com questões afins.
Para Aristóteles a justiça, definida como virtude (dikaiosýne), é o foco das atenções da
ciência prática, intitulada ética. Cumpre investigar e definir o que é o justo e o injusto. 85
“…a investigação ética não se destina a especulação (ciências teoréticas) ou a produção
(ciências produtivas), mas à prática; o conhecimento ético, o conhecimento do justo e do
injusto, do bom e do mau, é uma primeira premissa para que a ação converta-se em uma
ação justa ou conforme a justiça, ou em uma ação boa ou conforme o que é melhor.” A
política compete traçar as normas suficientes e adequadas para orientar a atividade da polis,
e dos sujeitos que a compõe, para a realização palpável do Bem Comum. Há clara
imbricação entre ética e política na teoria aristotélica, uma vez que o bem do todo é
coincidente com o bem das partes. É a observação do homem no convívio social que
permite a formulação de juízos éticos. 86
Os princípios éticos não se aplicam a todos de forma única estando condicionados ao
exame do caso particular para que, a cada um, de maneira personalizada e singularizada, se
aplique o justo meio (mesótes).
8

4.2 Justiça como virtude


A justiça é uma virtude e como tal um justo meio. 87
“Somente a educação ética, ou seja, a criação do hábito do comportamento ético, o que se
faz com a prática à conduta do que é deliberado pela reta razão (ortós lógos) à esfera das
ações humanas, pode construir o comportamento virtuoso.” Ethos significa hábito,
reiteração da prática virtuosa.
A justiça é uma virtude à qual se opõe a injustiça. Somente a atividade do injusto constitui
propriamente um vício. 88
“ a noção de felicidade (eudaimonia) é uma noção humana, e, portanto, humanamente
realizável.” (…) A ciência prática que cuida da conduta humana, tem esta tarefa de elucidar
e tornar realizável, factível, a harmonia do comportamento humano individual e social.” 88
No homem “…encontra-se apenas a capacidade de discernir entre o justo e o injusto, e de
optar pela realização de ações conformes a um ou a outro.”89 A virtude e o vício adquire-se
pelo hábito com conhecimento de causa e com o acréscimo da vontade deliberada.
4.3Acepções acerca do justo e do injusto: o justo total
Aristóteles analisa as diversas acepções de justiça:
Justiça total (díkaion nomimón) consiste na virtude de observância da lei, no respeito
àquilo que é legítimo e que vige para o bem da comunidade. 89 O fim da lei (nómos) é o
Bem Comum.
O legislador ao operar no sentido da construção do espaço normativo da pólis, nada mais
está a fazer senão exercendo a prudência (phrónesis) legislativa. O legislador virtuoso na
arte de bem conduzir a comunidade nas coisas comuns, age de acordo com a nomothesía.
Toda a virtude, naquilo que concerne ao outro, pode ser entendida como justiça, e é nesse
sentido que se denomina justiça total ou universal. (areté téleia)
Aquele que contraria as leis contraria a todos que são por elas protegidos e beneficiados;
aqueles que as acata, serve a todos que por elas são protegidos ou beneficiados.
O hábito humano de conformar as ações ao conteúdo da lei é a própria realização da justiça
nesta acepção (justiça total); justiça e legalidade são uma e a mesma coisa, nesta acepção
do termo. Esse tipo de prática causa efeitos altruístas, de acordo com a virtude total.
Em essência, porém, difere a justiça total (díkaion nomimón) da virtude total
(dikaiosýne). Esta é apenas uma disposição de espírito, enquanto aquela envolve não
somente o animus subjetivo humano, mas também, e sobretudo, os importes relacionais
para com o outro, ou seja, a alteridade.
Na produção de efeitos em meio ao convívio social, justiça e virtude são idênticas, uma vez
que o conteúdo de toda legislação é o agir num sentido que corresponde à conduta que
representa o meio-termo.
Diz-se de um homem é justo ao agir na legalidade; diz-se que um homem é virtuoso
quando, por disposição de caráter, orienta-se segundo esses mesmos vetores, mesmo sem a
presença da lei. 91
4.4 Acepções acerca do justo e do injusto: o justo particular
A justiça particular refere-se ao outro singularmente no relacionamento direto entre as
partes. É espécie do gênero justo total. O justo particular admite divisões: de um lado, o
justo distributivo (díkaion dianemetikón); de outro o justo corretivo (díkaion dianemetikón)
O justo distributivo é todo tipo de distribuição levada a efeito no Estado.
O justo corretivo dá-se nas relações entre os indivíduos. Trata-se de uma justiça apta a
produzir a reparação nas relações. Está a presidir a igualdade nas trocas e demais relações
9

bilaterais. 92 Biparte-se para abranger tanto as relações voluntárias, como as relações


involuntárias, como conseqüência de uma clandestinidade ou uma violência. 93
4.5 Justo particular distributivo
Atribuição a membros da comunidade de bens pecuniários, de honras, de cargos, assim
como de deveres, responsabilidades, impostos,…
Pressupõe uma relação de subordinação entre as partes que se relacionam, entre aquele que
distribui e aqueles que recebem.
Ocorrendo a injustiça, injusto é aquele que distribui, se consciente do mal que comete, uma
vez que é deste que parte a iniciativa da ação de aquinhoamento e partição.
A justiça distributiva consiste numa medida a ser estabelecida entre quatro termos de uma
relação, sendo dois desses sujeitos que se comparam e, os outros dois, os objetos. A
distribuição atingirá seu justo objetivo se proporcionar a cada qual aquilo que lhe é devido,
dentro de uma razão de proporcionalidade participativa, pela sociedade, evitando-se assim,
qualquer um dos extremos que representam o excesso (tó pléon) e a falta (tò élatton). 93
Entre o mais e o menos o justo aqui reside no meio (méson) e representa o igual (íson). 94
A justiça distributiva é igualdade de caráter proporcional, pois é estabelecida de acordo
com um critério de estimação dos sujeitos analisados.
O critério de avaliação subjetiva não é único: a liberdade é para o governo democrático o
ponto fundamental de organização do poder; para a oligarquia é a riqueza ou o nascimento;
e para a aristocracia, a virtude.
A igualdade estabelecida é de tipo geométrico, visa a manutenção de um equilíbrio. 94
4.6 Justo particular corretivo
Destina-se a ser aplicada em todo tipo de relação a ser estabelecida entre indivíduos que se
encontram em uma situação de coordenação de iguais entre iguais, agindo como indivíduos
em paridade de direitos e obrigações em face da legislação.
Vincula-se à idéia de igualdade perfeita ou absoluta. 95
Uma parte pratica a injustiça e a outra sofre. A noção de igual não tem em vista o critério
de mérito na distribuição, mas exclusivamente a idéia aritmética, de perfeição na divisão.
A justiça aqui está em se retirar de uma que há de mais e se juntar à de que há de menos.
(dikaion) 96 Aplica-se nas relações voluntárias e involuntárias.
Voluntárias: compra, venda e troca de serviços que não se correspondem. 97
Para que haja trocas um parâmetro de comensurabilidade deve existir. A presença da moeda
estabelece um liame entre os elementos e estabelece a medida. A moeda é um convenção,
que deriva da lei 98 e que tem função definida de consentir um desenvolvimento natural
das trocas.
A justiça reparativa tem função primordial no âmbito das interações involuntárias.
Igualdade rompida por clandestinidade ou violência. O sujeito ativo de uma injustiça recebe
o respectivo sancionamento por ter agido como causador de um dano indevidamente
provocado a outrem, assim como o sujeito passivo da injustiça vê-se ressarcido pela
concessão de uma reparação. 99 A injustiça é desigualdade aritmética, cabendo ao juiz
(dikastés) igualar novamente as partes.
4.7 Justo da cidade e da casa: justo político e justo doméstico.
O justo político (díkaion politikón) (…) diverso do justo doméstico (oikonomikòn
dikaion) (…) é a justiça que organiza um modo de vida que tende à auto-suficiência da vida
comunitária (autárkeian), vigente entre homens que partilham de um espaço comum,
dividindo atividades segundo a multiplicidade de aptidões e necessidades de cada qual,
1

formando uma comunidade que tem por fim a eudaimonía e a plena realização das
potencialidades humanas. 100
Igualdade geométrica ou aritmética não são flexíveis o suficiente para comportar os
estrangeiros, menores, mulheres e escravos.
Se cidadão é aquele que governa e que é governado (…) e deste conceito excluem-se
aqueles que não alcançaram a idade legalmente considerada como suficiente para a
participação na vida cívica, as mulheres, e aqueles que não gozam de liberdade,
imediatamente temos que a estes não se aplica a justiça política.
O filho do cidadão, assim como o escravo, estão de tal maneira próximos ao pai-senhor
que são concebidos como se parte do mesmo fossem,… 101
Tendo a mulher maior liberdade e não sendo de todo subordinada ao homem.
O objeto próprio do justo político é a criação de uma situação de convivência estável e
organizada, além de pacífica e racional, quando se tem plena atualização do ideal nele
inscrito.
Discriminando-se o justo do injusto, é a razão que passa a regrar a polis. (…) a justiça é o
discernimento do justo e do injusto, de modo que somente a constância do exercício
racional, aplicado às relações humanas, pode garantir a subsistência da estrutura social. 102
4.8 Justo legal e justo natural
O justo político, abrange o justo legal (díkaion nomikón) e o justo natural (díkaion
physikón)
O justo natural, por todas as partes, possui a mesma potência e não depende da
positividade, de qualquer opinião ou conceito.
O justo legal constitui o conjunto de disposições vigentes na pólis definida pela vontade do
legislador. A lei possui força fundada na convenção. 103
As leis, em sua maior parte, dirigem-se genericamente a um grupo de cidadãos.
É da opinião de alguns que o justo político, resume-se ao justo legal (dikaion nomikón),
pois, no argumento destes as leis são mutáveis e não poderia existir uma justiça por
natureza que admitisse a mutabilidade. “… entre os homens, o justo por natureza, está
também sujeito à mudança. Assim, deve-se admitir aquilo que é mais mutável (justo legal)
subsistindo ao lado do que é menos mutável (justo natural), porém mesmo assim, mutável.
Ambas as formas de justo político (dikaion politikón), pois são mutáveis.
O justo convencional ou justo legal, equipara-se às demais convenções humanas, variando
de local para local.
O justo natural, consiste no conjunto de todas as regras que encontram aplicação,
validada, força e aceitação universais. É a parte do justo político que encontra respaldo na
natureza humana, sendo por conseqüência de caráter universalista.
Compartilham os povos noções e princípios comuns. O justo legal aponta para a
multiplicidade, enquanto o justo natural para a unidade. 105
A natureza é princípio (arché) e causa ( aitía) de tudo que existe; mais ainda, é princípio e
fim do movimento, e não busca fora de si o movimento. Dentro de um pensamento
teleológico cada coisa dirige-se para seu bem. (agathós). O movimento, ou seja, a
atualização das potências de um ser, realiza-se guiado por uma pulsão natural interna do
ser. Certa relatividade permeia o processo natural, uma vez que não é de todo absoluto e
harmônico o movimento de atualização do ser; falhas e distorções existem que estão a
produzir o engano, o inesperado e o monstruoso.
1

Phýsis, algo independente da vontade humana, como algo que decorre da essência e da
estrutura da coisa sem que para isso sejam necessárias a intervenção ou a vontade do
legislador.
Sendo naturalmente ser político, o homem é condicionado a sua natureza: à sociabilidade, à
politicidade, à autoridade, ao relacionamento, à reciprocidade. Reger-se sob o signo da
natureza significa estar sob o governo da razão. É a justiça natural o princípio e causa de
toda justiça legal.
A justiça natural não é algo imutável. A natureza, estando submetida a contingência
temporal também é mutável e relativa. Assim, aquilo que é por natureza, para o homem,
ser racional, só pode ser algo que necessariamente varia na mesma proporção em da razão.
107
O justo legal tem sua origem no justo natural, princípio comungado por todos os seres de
natureza racional do qual se deduz especificações. Não há no pensamento aristotélico
oposição dicotômica entre justiça natural e legal, estando ambas ligadas ao justo político.
Só as leis justas estão a serviço do bem comum as injustas estão a serviço de formas de
governo corrompidas. Constituições boas podem ter alguns dispositivos injustos e
constituições más alguns dispositivos justos.
4.9 Equidade e justiça
Equidade e justiça não se equivalem.
“Equo” trata-se de uma excelência ainda maior daquela contida no conceito do que é bom.
O equo é algo melhor e mais desejado que o justo. É a equidade a correção dos rigores da
lei.
A lei prescreve conteúdos de modo genérico dirigindo-se a todos, sem diferenciar, por isso
é injustiça. Cada caso é um caso e demanda uma atenção especial e específica. 110
A equidade é a medida corretiva da justiça legal quando esta engendrada a injustiça pela
generalidade de seus preceitos normativos. Fazer uso da equidade significa ter em conta
não a letra da lei, mas a intenção do legislador, não a parte, mas o todo.
O julgador, que se faz legislador no caso concreto é um homem equo, neste sentido. 111
O apelo à razão é o mesmo que o apelo à natureza das coisas que se encontram em
profunda mutação, diante da relativa estabilidade das leis.
Como algo superior a um tipo de justiça, à justiça legal, a equidade também origina-se na
subjetividade como qualquer outra virtude, ou seja, como uma disposição de caráter (éxis)
cultivada pelo homem equitativo. 112
4.10 Amizade e justiça
A amizade (philía) é o liame que mantém a coesão de todas as cidade-estado. O homem
alheio ao convívio social, ou é uma besta ou é um deus.
A mais genuína forma de justiça é uma espécie de amizade. A amizade entre pessoas
virtuosas é a mais desinteressada, a mais excelente e a mais perfeita manifestação do
sentimento de amizade que se possa conceber. 113 Para cada forma de comunidade, uma
forma diferente de amizade e de justiça. 114 O grau de justiça está mais presente onde
maior a proximidade e a afeição.
4.11 Juiz justiça animada
O juiz (diastés) é o mediador de todo o processo de aplicação da justiça corretiva. Incumbe
ao juiz colocar os indivíduos desiguais em uma situação de paridade, de igualdade absoluta,
de acordo com o estado inicial em que se encontravam antes, e do convencionado e
consubstanciado na legislação.
Conclusão
1

A justiça é entendida como sendo uma virtude, portanto aptidão ética humana que apela
para a razão prática, ou seja, para a capacidade humana de eleger comportamentos para
realizar fins. A ciência prática, que discerne o bem e o mau, o justo e o injusto, se chama
ética e recorre a noção de mesotés.
Se por natureza político, e por natureza, racional; o homem exerce essa racionalidade no
convívio político.
A comunidade organizada ao bem tende a realização da felicidade. O homem é capaz de
deliberar e escolher o que é melhor para si e para o outro. 118
A justiça também não é única e Aristóteles distingue suas espécies. A equidade é algo para
além do juízo de mediedade.
A justiça total, virtude de obediência a lei, vem complementada pela noção de justiça
particular corretiva ou distributiva. Também exercida nas relações domésticas.
Aos juizes compete a equanimização das diferenças. 119

EPICURISMO: ÉTICA, PRAZER E SENSAÇÃO


BITTAR, Eduardo C.B. ALMEIDA, Guilherme Assis de Curso de filosofia do Direito. São
Paulo, Atlas, 2001
5.1 Doutrina epicúrea
Elege no prazer a finalidade do agir humano. 120
Fundamentalmente empírica essa doutrina anuncia a explicação do mundo a partir dos
elementos que o integram. O cosmos é infinito, “…porém , funciona como um conjunto
concatenado de elementos mínimos, os átomos, que interagindo causam as condições de
formação da vida. (…) a dissolução da vida é somente a desagregação dos átomos que a
ela deram origem, o que causa a privação de toda sensação; a morte nada significa à
medida que deixa de existir a causa de todo conhecimento, de toda dor e de todo prazer, a
saber, a sensação.” 121
“Não há divindade, não há transcendência nem autoridade sobre o cosmos; ele
autogoverna-se a partir das partículas em que se subdivide.” A metafísica sacerdotal, com
seus mitos, lendas e crenças é insuficiente para responder as concretas necessidades
humanas.
5.2 Ética epicúrea
“O homem vive e experimenta o mundo a partir das sensações. A percepção humana do
mundo se dá em função da abertura que seus sentidos lhe conferem.”
“…acima de qualquer poder lógico-racional humano, acima de qualquer capacidade
intuitiva humana, para os epicuristas, está a sensação (aisthésis) . Outras formas e fontes
de conhecimento existem (…), mas todas devem-se submeter ao crivo do que
verdadeiramente pode ser tateado, visto, provado… por meio dos sentidos.” 122
“…é na base das sensações de dor e prazer que se organizam os comportamentos
humanos. Todo homem que age, o faz no sentido de evitar a dor e procurar o prazer; a
insatisfação dos sentidos é a dor, enquanto a satisfação dos sentidos é o prazer.”
“…Toda deliberação de meios e fins , com vistas no agir, é governada pelas orientações
que se formam com base nas experiências de dor e prazer”.
“O que seja o prazer e o que seja o doloroso é, (…) algo relativo (…) é certo que toda dor
é um mal (…), e que todo prazer é um bem…” Entretanto, “Podemos mesmo deixar de
1

lado muitos prazeres quando é maior o incômodo que os segue; e consideramos que muitas
dores são melhores do que os prazeres quando conseguimos, após suportá-las um prazer
ainda maior”
O prazer então é o móvel da ação humana. Se a somatória das dores for menor que a
somatória dos prazeres, essa vida poderá ser considerada feliz. “O sábio buscará (a)
prolongar os prazeres; (b) reduzir e suportar as dores; (c) favorecer a que os outros
participem do prazer.”
“O prazer, na concepção epicurista, gera a tranquilidade de alma, a estabilidade das
sensações e a satisfação do corpo. No entanto, para alcançar este estado anímico, será
mister a ascese dos desejos.” Que se da pela prudência (phrónesis). “O discernimento
permite ao homem domar seus instintos e vencer suas temeridades.” O controle das
paixões pela razão. 124
Os desejos são: necessários e naturais; não necessários e naturais; não necessários e não
naturais.
5.3 Prazer e justiça
No confronto com o cristianismo, o epicurismo tornou-se sinônimo de perdição, o que é
injusto. 125
O prazer epicurista é ausência de dor.
“Quando dizemos que o prazer é a meta, não nos referimos aos prazeres dos depravados e
dos bêbados, como imaginam os que desconhecem nosso pensamento, (…) mas sim à
ausência da dor psíquica e à ataraxia da alma.
“Da ética individualista do prazer surge uma ética social do prazer” 126
“Não é possível viver feliz sem ser sábio, correto e justo.”
“O justo goza de uma perfeita tranqüilidade de alma; o injusto, em compensação…”
“Não causar danos e não sofre-los é o ideal do direito natural (…) Tal convenção tem por
objeto o prazer geral da sociedade e a garantia da tranquilidade e do equilíbrio das relações
que envolvem uma pluralidade de indivíduos.” 127
“Se há que se evitar a dor, há também que se evitar a injustiça.”
“A justiça não é algo naturalmente instintivo no homem, mas como um pacto útil para a
subsistência da sociedade à medida que evita a causação dos danos mútuos.”
As leis podem ser injustas ou justas, quando se mostram prejudiciais ou úteis ao convívio
social. 128
Não é um Bem Supremo, nem a mediedade, mas o equilíbrio que proporciona a
felicidade. (ataraxia) A sensação é origem do conhecimento, o fim do agir humano, a
forma que torna possível interagir com o mundo. 129

CÍCERO: ESTOICISMO ROMANO E LEI NATURAL

6.1 Pensamento ciceroniano


Marcus Túllius Cícero, como estóico afirma que a natureza humana só se pode realizar
uma vez observada as regras do cosmo e a ordem divina das coisas. 132
“… o que é moral não pode estar vinculado a nenhum outro atrelamento senão à própria
realização moral.”
“A ética estóica caminha no sentido de postular a independência do homem com relação a
tudo o que o cerca, mas, ao mesmo tempo, no sentido de afirmar se profundo atrelamento
1

com causas e regularidades universais. A preocupação com o conceito de dever (kathékon)


irrompe com uma série de conseqüências histórico-filosóficas que haviam de marcar
nuanças anteriores inexistentes. Razão, dever, felicidade, sabedoria e autonomia,
relacionam-se com proximidade inusitada dentro da tradição romana…” 133
6.2 Ética estóica
A ética estóica é uma ética da ataraxia. O homo ethicus do estoico é o que respeita o
universo e suas leis cósmicas e se respeita. (…) é capaz de alcançar a ataraxia, o estado de
harmonia corporal, moral e espiritual, por saber distinguir o bem do mal. Este homem
não se abala excessivamente nem pelo que é bom nem pelo que é mau,…
Significa, então, descoberta de sua interioridade, posse de um estado imperturbável
diante das ocorrências externas. 134
Na ética estóica convivem conhecimentos lógicos e físicos, não é a contemplação a
finalidade da conduta humana, mas sim a ação, pois é nesta que reside a capacidade de
conferir felicidade ao homem. É por meio da ação que surgem as oportunidades de ser ou
não ser; é na ação que reside o ideal de vida estóico.
A ética estóica (…) determina o cumprimento de mandamentos éticos pelo simples
dever. (…) A ética deve ser cumprida porque se trata de mandamentos certos e
incontornáveis da ação. 135
“Se o que nos leva a ser honrados não é a própria honradez, mas sim a utilidade e o
interesse, então não somos bons, somos espertos” 135
“Mas, o maior absurdo é supor-se justas todas as instituições e leis dos povos.” 136
“Essa obediência aos mandamentos éticos se deve ao fato de tais mandamentos
decorrerem de leis naturais. (…) É da phýsis que emanam as normas do agir.” 136
A justiça, a sabedoria, a fortaleza e a temperança, constituem a as virtudes cardeais.
A felicidade, a harmonia e a sabedoria residem num estado de alma em que o homem se
torna capaz de ser indiferente às mudanças que estão a sua volta, a um só tempo: a) por
reconhecer a fugacidade de todas as coisas, por ser temente a Deus; b) por confiar na justiça
que decorre de seus atos; c) por estar certo de que age de acordo com sua lógica; d) por
conhecer de um conhecimento certo as coisas pela causa física e) por respeitar a natureza e
os preceitos dela decorrentes; f) por viver conforme o que é capaz de produzir um benefício
para a comunidade. 137
6.3 Ética ciceroniana e justiça
Duas contribuições são importantes, a formação da ética a partir da intuição natural e a
afirmação da ação.
“No cosmos é que Cícero encontra a reta razão (…) que a tudo ordena, e de acordo com a
qual se devem pautar todas as condutas humanas. A ética ciceroniana movimenta-se a partir
de uma lei absoluta preexistente, imutável, intocável, soberana e perfeita que tudo
governa:” 138
“O parâmetro da conduta humana deverá ser a observância da lei natural, e isso porque
nela se encontra a noção de bem que deve ser seguida.” 138
“Se o bem é louvável é porque encerra em si mesmo algo que nos obriga a louvá-lo; pois o
bem não depende das convenções e sim da natureza.”
“Se a razão é o distintivo humano, a virtude de acordo com a reta razão será o distintivo
do ser humano justo:”
“Para que se possa iniciar um estudo acerca das leis, ter-se-á, então, que iniciar um
estudo sobre a natureza e as leis naturais,…”
1

“Temos de explicar a natureza do Direito e buscaremos a explicação no estudo da


natureza do homem.”
(…) a lei é a razão suprema da natureza, que ordena o que se deve fazer e proíbe o
contrário.
“… para falar de Direito devemos começar pela lei; e a lei é a força da Natureza, é o
espírito e a razão do homem dotado de sabedoria prática, é o critério do justo e do injusto.”
140
“A razão é o que há de ligação, (…), entre os homens e os deuses.” 140
A razão justa é a lei, outro vínculo entre os homens e os deuses. Logo, devemos
considerar que o nosso universo é uma só comunidade, constituída pelos deuses e pelos
homens.
“Em suma, não há felicidade sem uma boa constituição política; não há paz, não há
felicidade possível, sem uma sábia e bem organizada República”. 141
“…a natureza nos criou para que participássemos todos do Direito e o possuíssemos em
comum.”
A lei natural e eterna é a fonte do Direito. 141
“… a noção intuitiva de bem, de acordo com a razão eterna e divina, precede a qualquer
convenção humana e a qualquer ato legislador.”
“Por isso a lei verdadeira e essencial, a que manda e proíbe legitimamente, é a razão do
grande Júpiter.”
“Assim como a mente divina é a lei suprema, do mesmo modo a razão é a lei quando atinge
no homem seu mais completo desenvolvimento; mas este desenvolvimento só se encontra
na mente do sábio.” 142
“A república pressupõe Direito, e o Direito pressupõe leis, e as leis pressupõem leis
naturais, e as leis naturais pressupõem Deus. Assim, a investigação ciceroniana em torno
do problema da justiça, da virtude e do Direito se entrelaça com razões cósmicas, com
razões naturais…” 145-146
“A primeira obrigação da justiça é não fazer mal a ninguém, sem que se seja provocado
por qualquer injúria; e a segunda, usar dos bens comuns como comuns, e como próprios
dos nossos em particular.” 146
Numa profunda ordenação cósmico-natural se pode encontrar o fundamento de toda
ética e de todo conceito de justiça na teoria ciceroniana.
“As virtudes são estimuladas pela lei natural, e os vícios são repreendidos por ela. ”
“É a sociabilidade condição natural humana, de modo que a organização do Estado,
das leis, da justiça são condições para a realização da própria natureza humana.”
Tem-se uma ética do dever, na base da lei natural, cuja finalidade é governar o todo. “É
com a república que surge a felicidade humana.” 147

JUSNATURALISMO
11.1 Iluminismo e racionalismo: ruptura com a teocracia
Deixando as concepções religiosas, o Direito Natural elege a reta razão como guia das
ações humanas. 221
No direito natural Grego a natureza é a fonte da lei. O princípio, não é mais Deus, nem a
natureza, mas sim a razão.
11.2 Hugo Grócio
1

Delft, cidade comercial, estruturada de forma corporativa, autônoma, se transforma no


moderno conceito de soberania. Hugo Grócio reflete esse desejo de autonomia frente à
teocracia. 222 “Os ditames da reta razão são o que a natureza humana e a natureza das
coisas ordenam.” 223
O método dedutivo possibilita à reta razão alcançar as regras invariáveis da natureza
humana 223
“Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da
família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da
justiça e da paz no mundo.” 223
A lei natural que regula a convivência das diversas nações é o Direito das Gentes e esse
direito é um fragmento destacado da lei natural. 223
As relações baseiam-se na idéia de um contrato. 224
11.3 Pufendorf
Defende o estabelecimento das sociedades políticas como absolutamente necessário para
a ordem. 224
Alemão discípulo de Grócio evidencia sua adesão ao método das ciências matemáticas e ao
raciocínio indutivo. Compreende o direito natural como imutável. 224
11.4 Locke
A lei natural é uma verdade que podemos conhecer, servindo-nos do modo justo
daquela faculdade que recebemos da natureza.
O surgimento do contrato que dá origem à vida social está ligado à idéia de que é
imprescindível um terceiro para a decisão das lides surgidas na vida social. O Estado
Civil é erigido para garantir a vigência e proteção dos direitos naturais que correriam
grande perigo, no estado de natureza, por encontrarem-se totalmente desprotegidos. 226
Se os magistrados não protegem os direitos naturais a oposição dos cidadãos é totalmente
legítima.
Conclusões
No séc. XVII, o direito natural surge como reação racionalista à situação teocêntrica, onde
Deus deixa de ser visto como emanador das normas jurídicas, pensamento que prepara a
Revolução Francesa. 227

KANT: CRITICISMO E DEONTOLOGIA

14.1 Racionalismo Kantiano


O criticismo kantiano é reação ao dogmatismo racionalista e ao “ceticismo” empirista.
258
Para Kant o conhecimento é possível a partir de condições materiais, vindas da experiência
e formais, pertencentes à estrutura do sujeito. 259
O homem governa-se com base em leis inteligíveis e naturais. 260
14.2 Ética Kantiana
Kant desvincula a ética da felicidade. 261
Funda a prática moral, em uma lei apriorística inerente à racionalidade universal humana,
que chama de imperativo categórico.
“age só, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei
universal”. 262
1

A razão pura prática é aqui imediatamente legisladora. A vontade é concebida como


independente de condições empíricas, por conseguinte, como vontade pura determinada
pela simples forma da lei, e este princípio de determinação é visto como a condição
suprema de todas as máximas. 262
O a priori é tudo aquilo que é valido independentemente de qualquer condição ou
imposição derivada da experiência.
O imperativo que se refere à escolha dos meios para a própria felicidade, isto é, o preceito
da sagacidade, é hipotético. 263
O agir livre é o agir moral, o agir moral é o agir de acordo com o dever; o agir de acordo
com o dever é fazer de sua lei subjetiva um princípio de legislação universal, a ser inscrita
em toda a natureza. 264
A felicidade não é fundamento da moral, mas sim o dever. “Designo por lei pragmática a
lei prática que tem por motivo a felicidade; e por moral, se existe alguma, a lei que não
tem outro móbil que não seja indicar-nos como podemos tornar-nos dignos da
felicidade” 265 apud.
O homem figura como ser racional fim em si mesmo, capaz de governar-se a si próprio.
265.
Imperativo prático: “age de tal modo que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa
como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca somente
como meio” 266 apud.
Vontade livre e vontade submetida a leis morais são a mesma coisa.
“Vontade é uma espécie de causalidade dos seres vivos, enquanto racionais, e liberdade
seria a propriedade desta causalidade, pela qual pode ser eficiente, independente de
causas estranhas que a determinem”. 266 apud
“A moralidade é, pois a relação das ações com a autonomia da vontade, isto é, com a
possível legislação universal, por meio das máximas da mesma.”267 apud.
O mundo moral é o mundo conforme as leis da moralidade. É a vontade que governa, na
prática, por leis a priori o homem. 267
Todas as máximas têm:
1. uma forma que consiste na universalidade;
2. uma matéria, que o ser racional deve servir como fim por sua natureza;
3. que todas as máximas devem concordar em um reino possível de fins. 268
14.3 Direito e moral
Direito e moral distinguem-se como duas partes de um mesmo todo unitário. O agir ético
tem um único móvel, a saber, o cumprimento do dever pelo dever. O agir jurídico
pressupõe outros fins. A juridicidade também pressupõe coercitividade. 269
O Estado será o instrumento para a realização dos direitos, que regulamente o convívio das
liberdades. 270
Conclusões
Kant faz da ética o lugar da liberdade. Esta reside na observância e na conformidade do agir
com a máxima do imperativo categórico.
O domínio do dever é o domínio da liberdade do espírito. Diferente da moralidade a
juridicidade lida com os conceitos de coercitividade exterioridade e pluralidade de fins
na ação. 271
1

A FILOSOFIA DO DIREITO DE KANT


( PRIMEIROS PRINCÍPIOS METAFÍSICA DA DOUTRINA DO DIREITO)
INTRODUÇÃO A METAFÍSICA DOS COSTUMES
I
A relação das faculdades da mente humana com as leis morais
Livre arbítrio
Razão humana Vontade pura condicionado nd Impulsos

Liberdade: A vontade é a capacidade da razão pura de ser prática.


A razão prática: forma da máxima do ato de vontade.
As leis da liberdade são leis Morais que determinam nossas ações internas e externas.
As leis Jurídicas: só afetam ações externas e sua legalidade.
Morais: também princípios de determinação das nossas ações.
A concordância de uma ação com as Leis Jurídicas e chamada legalidade.
A concordância de uma ação com as Leis Éticas é chamada Moralidade.
II
A idéia e necessidade de uma metafísica dos costumes difere de uma doutrina da felicidade.
Moralidade estabelece ordens para todos, apenas porque o indivíduo é livre. A Razão
ordena a maneira como devemos agir.
IV
Concepções preliminares gerais, definidas e explicadas.
As leis externas, cuja obrigatoriedade pode ser reconhecida a priori pela Razão sem uma
legislação Externa, são chamadas de LEIS NATURAIS. As leis que não são obrigatórias
sem uma efetiva Legislação Externa são chamadas de Leis Positivas.
O princípio que converte uma Lei Prática em dever é uma Lei Prática.
A Regra do agente, que ele forma como princípio para si mesmo sobre fundamentos
subjetivos é chamada de sua MÁXIMA
O imperativo categórico: “aja de acordo com uma Máxima que pode ser válida, ao mesmo
tempo como uma Lei Universal.”
O princípio do dever é aquilo que a Razão estabelece de maneira absoluta, objetiva e
universal na forma de uma Ordem.
INTRODUÇÃO À DOUTRINA DO DIREITO: DEFINIÇÕES GERAIS E DIVISÕES
A
O que é a Doutrina do Direito
A DOUTRINA DO DIREITO tem como objeto os princípios de todas as leis que podem
ser promulgadas por legislação externa.
Advogado leis positivas – jurisprudência
Doutrina do direito – conhecimento teórico do Direito e da lei em princípio. Conhecimento
filosófico e sistemático dos Princípios do Direito Natural. E é desta ciência que os
princípios imutáveis de toda Legislação positiva devem ser derivados pelos Legisladores e
Juristas praticantes.
B
O que é Direito?
1. O conceito de Direito – diz respeito apenas à relação externa e prática de uma pessoa
com outra. 2. Apenas a relação com o arbítrio de outrem. 3 não leva em consideração a
matéria do ato da vontade, apenas a forma da transação é levada em conta. O arbítrio é
1

assim considerado apenas na medida em que é livre, e se a ação de um pode harmonizar-se


com a liberdade do outro, de acordo com uma Lei universal.
DIREITO, portanto, abrange o todo das condições sob as quais as ações voluntárias de
qualquer Pessoa podem ser harmonizadas na realidade com o arbítrio de outra Pessoa, de
acordo com uma lei universal da liberdade.
C
Princípio universal do Direito
“Toda Ação é justa quando, em si mesma, ou na máxima da qual provém, é tal que a
liberdade da Vontade de cada um pode coexistir com a liberdade de todos, de acordo com
uma lei universal”.
A Lei Universal do Direito: “Aja externamente de tal maneira que o livre exercício de tua
Vontade possa coexistir com a liberdade de todos os outros, de acordo com uma lei
universal.”
D
O direito está associado ao título ou à autoridade para obrigar
Todo Direito é acompanhado de um Título ou garantia implícitos que sofrerá coerção
qualquer um que o transgrida de fato.
E
O Direito estrito também pode ser representado como a possibilidade de uma coerção
universal recíproca em harmonia com a liberdade de todos, de acordo com leis
universais.
Baseia-se no princípio da possibilidade da coerção externa, tal como pode coexistir com a
liberdade de cada indivíduo de acordo com Leis universais.
F
Observações adicionais sobre direito ambíguo
A EQUIDADE e o DIREITO DE NECESSIDADE. O primeiro alega um Direito
destituído de coerção; o segundo adota coerção destituída de Direito…
I eqüidade
A Máxima da Eqüidade: “O Direito mais estrito é a maior injustiça”. Mas esse mal não
pode ser remediado pelas formas do Direito, embora se relacione com uma questão de
Direito; porque o agravo a que dá origem só pode ser apresentado diante de um “Tribunal
da consciência”, ao passo que toda questão de Direito deve ser levada perante um
TRIBUNAL CIVIL.
II direito de necessidade
Usar de violência contra alguém que não usou de violência contra mim. Exemplo do
naufrágio… “salve-se quem puder” a punição ameaçada pela lei não poderia ter maior
poder do que o medo de perder a vida. Um ato de violenta autopreservação não deve ser
totalmente considerado como livre de condenação; apenas deve ser sentenciado como
isento de punição.
DIVISÃO DA DOUTRINA DO DIREITO
A
Divisão geral dos deveres do direito.
1. “viva corretamente”. A retidão jurídica, ou honra, consiste em se manter o próprio valor
como homem em relação a outros. “Não faça de si mesmo um mero Meio para o uso de
outros, mas seja para eles também um fim.
2

2. “Não faça mal a ninguém”. “Não faça mal a ninguém, mesmo que, para cumprir esse
Dever, seja necessário interromper toda associação com os outros e evitar toda
Sociedade.”
3. “Conceda a cada um o que lhe pertence” “Faça parte de um estado no qual cada um
possa ter aquilo que é seu assegurado contra a ação de todos os outros.”
B
Divisão universal dos direitos
1. Direito Natural e Direito Positivo
Direito Natural assenta-se sobre Princípios racionais puros a priori; o Direito Positivo ou
Direito Estatutário é o que provém da Vontade de um Legislador.
II Direito inato e Direito adquirido
…Direito inato é aquele que pertence a cada indivíduo por natureza.
Direito adquirido é aquele que está baseado em atos jurídicos
Existe somente um Direito Inato, o Direito Inato a Liberdade. É, por conseguinte a
qualidade inata de cada homem em virtude da qual ele deve ser seu próprio senhor por
Direito…
DIRETIO PRIVADO: OS PRINCÍPIOS GERAIS DO MEU E TEU EXTERNO
CAPÍTULO PRIMEIRO
Do modo de ter alguma coisa externa como própria.
1. O significado de “Meu” em Direito,
ALGO é “Meu” por Direito, quando meu vínculo com ele é tal que, se alguma outra
pessoa fizesse uso dele sem meu consentimento, causaria a mim uma lesão ou injúria. A
condição subjetiva do uso de alguma coisa é a Posse dela.
2. Postulado jurídico da razão prática.
Qualquer objeto sobre o qual o arbítrio pode ser exercido deve permanecer objetivamente
em si sem um dono como res nulius, é contrário ao Princípio do Direito.
Portanto é uma suposição a priori da Razão prática considerar e tratar todo objeto dentro do
âmbito do meu livre exercício do meu arbítrio como objetivamente um possível Meu ou
Teu…
5 definição do conceito de meu e teu externo
“O meu externo é qualquer coisa fora de mim tal que, se houvesse algum impedimento a
que eu fizesse livre uso dela, seria injuriado ou injustiçado, pela violação daquela minha
liberdade que pode coexistir com a liberdade de todos os outros , de acordo com uma Lei
universal”
“O meu externo é qualquer coisa fora de mim tal que qualquer impedimento a que eu
fizesse uso dela seria uma injustiça, embora eu possa não estar de posse dela no sentido de
estar segurando-a como um objeto.”
6 dedução do conceito de posse puramente jurídica de um objeto externo.
7 Aplicação do princípio da possibilidade de um Meu e Teu externo a objetos da
experiência
… se eu continuo na posse desse lugar, embora tenha me retirado dele e ido para outro
local, somente nessa condição está envolvido meu Direito externo em relação a ele.
8 Considerar alguma coisa externa como propriedade de alguém só é possível num estado
civil ou jurídico de sociedade sob a regulamentação de um poder legislativo público
9 Pode haver, entretanto, um Meu e Teu externo instituído como um fato no estado de
natureza, mas é apenas provisório
2

A posse que é encontrada em realidade no estado Civil será uma Posse perenptória ou
garantida…

MARX: HISTÓRIA, DIALÉTICA E REVOLUÇÃO.

16.1 A história como prova da ruptura marxista


Marx é causador de inúmeras transformações nas estruturas do pensamento e da
legislação dos séc. XIX e XX. 295
O marxismo instala-se como pensamento comunista. Que faz prevalecer os interesses
comuns do proletariado, com o objetivo de derrubar a burguesia e conquistar o poder
político.
Desenvolve o materialismo dialético. 296
A um nível determinado do desenvolvimento das forças produtivas dos homens
corresponde uma forma determinada de organização da sociedade civil. A uma sociedade
civil determinada corresponde uma situação política, expressão dessa sociedade civil. 297
Os homens não dispõem livremente de suas forças produtivas. Toda força produtiva é já
adquirida produto de uma atividade anterior. Seu encadeamento e evolução forma a
história. 298
Trata-se de transformar o mundo. Todos os mistérios que desviam a teoria para o
misticismo encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão desta
prática. 299
Marx propõe uma organização internacional e a luta de classes como motor da história.
300
Os comunistas apóiam em toda parte qualquer movimento revolucionário contra o estado
de coisas social e político existente. 301
O séc. XX não pode ser lido e entendido sem Marx. 302
16.2 Capitalismo e desigualdades sociais
A criação de instrumentos de “servilização” do homem pelo homem, a formação de uma
economia burguesa que extrai da propriedade e da mercadoria a forma de instauração
da diferença social são temas de grande significado.
O modo de produção burguês é um tipo histórico que dá seqüência a uma lógica de
exploração remota, que revoluciona materialmente a vida humana, mas que perpetua a
desigualdade e a diferença. 304
Quanto mais aumenta o capital, tanto mais se estendem a divisão do trabalho e o
emprego da máquina, mais a concorrência entre os operários cresce e mais se contrai seu
salário.
Enquanto uma classe detém os meios de produção, outra classe dispõe apenas de sua
capacidade de trabalho, e a garantia do capital reside exatamente na manutensão desse tipo
de relação social.
É o domínio do trabalho acumulado, sobre o trabalho vivo que transforma a
acumulação em capital. 305
Cada benefício para uns é necessariamente prejuízo para outros. Os governos põem-se a
favor da hegemonia de uma classe em detrimento da outra. 306
O Capitalismo perverte a noção de trabalho. O proletário é o principal instrumento de
que se vale o capitalista, que, aliado à técnica, permite a multiplicação da mais-valia. O
2

salário é o que permite simplesmente que o proletário sobreviva e se reproduza, garantindo


a continuidade do sistema capitalista de acumulação de lucro. 307
A revolução do proletariado é instrumento teórico e prático para a fixação da igualdade
no meio social. Para ter êxito devem contar com o número, a organização e o
conhecimento.
16.3 Marx e o direito
As relações jurídicas não podem ser entendidas de modo formal, isoladamente de fatores
sociais e econômicos. Toda relação jurídica possui um fundo econômico.
Diante do caos social, da exploração do homem pelo homem, do desrespeito da condição
humana, arquiteta-se o governo provisório do proletariado, para romper com o status
quo. 309-310
A revolução surge como uma reação ao que está implantado. O Direito e o Estado são
vistos como superestrutura que somente ratificam a vontade dos dominadores. 310
No Estado, corporifica-se diante de nós o primeiro poder ideológico sobre os homens. A
sociedade cria um órgão para a defesa de seus interesses comuns. Mas apenas criado esse
órgão se torna independente da sociedade e torna-se órgão de uma determinada classe.
310
Uma vez independente da sociedade o Estado cria uma nova ideologia. Nos políticos e
nos juristas a consciência da relação com os fatos econômicos desaparece por completo.
311
O Direito não é nem instrumento para a realização da justiça, nem a emanação da vontade
do povo, nem a mera vontade do legislador, mas uma superestrutura ideológica a serviço
das classes dominantes. 311
A propriedade é vista como igrediente que diferencia os homens entre si. 312
Viver do trabalho dos outros será uma atitude correspondente ao passado. 312
No fundo, a questão primacial da reflexão marxista está na justiça social. O proletariado
utilizará sua supremacia política para arrancar pouco a pouco todo capital à burguesia.
Medidas propostas:
Expropriação da propriedade latifundiária.
Imposto fortemente progressivo.
Abolição do direito de herança
Confiscação da propriedade de todos os emigrados.
Centralização do crédito nas mãos do Estado.
Multiplicação das fábricas
Trabalho obrigatório para todos
Combinação do trabalho agrícola e industrial.
Educação pública e gratuita a todas as crianças.
O comunismo não admite conciliação com a idéia de justiça natural. A chave para a solução
dos problemas humanos decorreria de uma solução econômica para problemas
econômicos. 314
Conclusões
O marxismo tornou-se uma bandeira político ideológica no mundo inteiro, com sensíveis
repercussões no Direito. 315

POSITIVISMO JURÍDICO: O NORMATIVISMO DE HANS KELSEN 323


2

Afirma o positivismo jurídico, como movimento de pensamento antagônico a qualquer


teoria naturalista, metafísica, sociológica histórica, antropológica etc. 324
18.1 Positivismo jurídico e normativismo
Kelsen procurou delinear uma Ciência do Direito desprovida de qualquer outra influência
que lhe fosse externa, isolando o método do Direito, como descrição pura do Direito. 324
A Teoria Pura do Direito propõe-se a uma análise estrutural de seu objeto, uma
sistematização estrutural do que é jurídico propriamente dito. 325
Explicita a questão da responsabilidade e irresponsabilidade. O dever-ser jurídico não se
enraíza em qualquer fato social. A norma jurídica é o alfa e o ômega do sistema
normativo.
Todo Estado é um ordenamento jurídico. Mas apenas o ordenamento jurídico
centralizado pode ser dito Estado. 325
Ser válida significa estar de acordo com procedimentos formais de criação normativa
previstos por determinado ordenamento jurídico. A validade não submete a norma ao juízo
do certo e do errado, mas ao juízo jurídico, ao juízo da existência ou não para determinado
ordenamento jurídico. 326
O sistema jurídico é unitário, orgânico, completo e auto-suficiente; nele nada falta para
seu aperfeiçoamento. 326
A teoria do direito possui dois juízos de valor: 1. valores de direito, cujo parâmetro
objetivo é a norma jurídica; 2. valores de justiça, cujo parâmetro subjetivo repousa em
dados variáveis.
Existe o consentimento de todas as pessoas em aceitar a constituição e é a partir desse
dado que deve raciocinar o jurista. Esse é o princípio da eficácia. 327
A interpretação trata das possibilidades de sentido de um texto normativo, em sua
literalidade. Enquanto a ciência do direito polemiza, o aplicador do direito define. 328
Ciência do direito
A Teoria Pura, ou ciência do Direito, possui um objeto, que é o Direito Positivo. 329
Procura identificar como relevante para a pesquisa jurídica o estudo da validade, a
vigência, a eficácia. É ciência que procura descrever o funcionamento e o maquinismo das
normas jurídicas. 330
18.3 Justiça e direito
Discutir sobre justiça é discutir sobre normas morais, não sobre Direito. A doutrina da
justiça não é objeto de conhecimento do jurista, que deve estar afeito a compreender a
mecânica das normas jurídicas. 331
A natureza do Direito, para ser garantida, não requer nada além do valor jurídico. 331
A doutrina da justiça é objeto da Ética.
Kelsen também se dedica ao estudo da questão da justiça. Mostra o conflito entre o Antigo
e o Novo Testamento por isso não acredita num valor absoluta da justiça. 333
O direito positivo deve ser obedecido, pois seu fundamento está na natureza e na
transcendência da própria justiça absoluta. Esta, porém é inatingível.
Ao analisar Aristóteles, Kelsen declara insuficiente remeter o conceito de justiça a uma
fórmula vazia, ao “a cada um o seu”.
Em qualquer teoria do Direito natural, sempre se estará procurando uma constância de
valores imanentes à natureza. 335
Na avaliação de Kelsen a demonstração, método próprio da ciência natural é confundida
com a avaliação, método próprio das ciências valorativas. O jusnaturalismo, portanto,
não estaria apto a responder ao desafio do que seja justiça.
2

A justiça deve ser um valor relativo, nunca absoluto. Justiça não determina a validade de
determinado direito positivo. 336
O que é justo está no plano das especulações.
2

SEGUNDA PARTE: LÓGICA

7.1 O JUÍZO

O juízo é essencialmente a afirmação de uma relação de conveniência ou de


desconveniência entre dois conceitos.
Não apresentamos idéias soltas. O juízo é o primeiro movimento de composição intelectual.
234

7.1.2 Elementos do Juízo São três:


O sujeito: é a idéia da qual se declara alguma coisa.
Predicado: é a idéia que se declara convir ou não convir ao sujeito.
A cópula: é o elemento que une o sujeito ao predicado. 237

7.1.3 Espécies de juízos


(1) Quanto à forma:
a) Juízos afirmativos: quando afirmam uma relação de conveniência.
b) Juízos negativos: quando afirmam uma relação de não conven…
(2)quanto à matéria:
a) Juízo analíticos: quando o atributo é idêntico, essencial, próprio ao sujeito. É obtido
por análise, não por experiência. Sujeito e predicado estão numa relação necessária e
universal. 237
b) Juízos sintéticos: quando o atributo guarda uma relação contingente e acidental. É
obtido pela experiência, não pela análise.

7.1.4 Regras Formais do juízo


1. Todo juízo analítico é necessariamente verdadeiro (formal) 238
2. Todo juízo sintético, não pode ser declarado, sem prévia experiência nem verdadeiro,
nem falso. 239
3. Todo juízo analítico, no qual o predicado é contraditório com a noção do sujeito, deve
ser rejeitado como absurdo e necessariamente falso. 239

7.2 A PROPOSIÇÃO

A proposição é a expressão verbal do juízo.


7.2.2 Espécies de Proposições
1) Quanto a quantidade: tem por fundamento a maior ou menor extensão do conceito -
sujeito da proposição.
a) Universal: quando o sujeito é tomado em toda a sua extensão (distribuído) 240
b) Particular: quando o sujeito é tomado só em parte da sua extensão. (não distribuído)
241
c) Singular: quando nomeia um objeto individualizante.
d)Indefinido: quando o sujeito é de extensão indefinida. Ex. O homem é virtuoso.
2

2) Quanto a qualidade: tem por fundamento a qualidade da cópula


a) Afirmativa, quando há relação de conveniência entre sujeito e predicado.
b) Negativa, quando há uma relação de não conveniência entre sujeito e predicado.
3) Quanto a complexidade: da própria proposição
a) Simples ou categóricas: é aquela formada por elementos de uma só proposição.
b) Compostas ou hipotéticas: quando há mais de uma proposição interdependente por
uma relação hipotética. 241

7.2.3 Combinações entre Quantidade e Qualidade nas proposições.


Afirmo e Nego
(A) Universal afirmativa: “todo homem é (algum ser) mortal”
(E) Universal negativa: “toda ave não é (todo ser) racional”
(I) Particular afirmativa: “algum homem é (algum ser) bom”
(O) Particular negativa: “algum animal não é ( todo ser) vertebrado”. 242 –243

7.2.4 Extensão dos termos na Proposição


A quantificação dos termos depende da quantidade da proposição para quantificar o
sujeito, e da qualidade da mesma para quantificar o predicado.

1) Na proposição afirmativa:
“O homem é mortal” (mortal é tomado em parte da sua extensão).
Lei: nas proposições afirmativas, o predicado é tomado em parte de sua extensão, ou
seja, o predicado não está distribuído. 244

(2) Na proposição negativa:


“O homem não é azul.” A extensão de azul acha-se totalmente excluída da extensão de
homem.
Lei: Nas proposições negativas, o predicado é tomado em toda sua extensão, ou seja, o
predicado está distribuído.

RELAÇÃO ENTRE AS PROPOSIÇÕES

8.1ESPÉCIES DE INFERÊNCIAS.
Inferência é uma operação discursiva do pensamento tendo em vista uma conclusão.
Inferir é tirar uma proposição de uma ou mais proposições em que está implicitamente
contida.
A inferência imediata, de uma só proposição conclui outra.
A inferência mediata, é quando se conclui de várias proposições dispostas regularmente.
Supõe um terceiro termo e uma proposição intermediária. São previsíveis e controláveis
através das regras lógicas. 248

8.2 INFERÊNCIAS IMEDIATAS


Sendo dada uma proposição, tendo em vista sua qualidade e sua quantidade, podemos tirar
a verdade ou a falsidade de outra.
2

8.2.1 Oposição
Oposição é a relação de duas proposições que, tendo o mesmo predicado e o mesmo
sujeito, diferem pela qualidade pela quantidade ou por ambas ao mesmo tempo. 250
Oposição é a relação de rejeição entre duas proposições, nas quais uma afirma e a outra
nega o mesmo predicado do mesmo sujeito.
Quatro casos: contradição, contrariedade, subcontrariedade e Subalternação.
8.2.1.1 Contradição
Proposições que tendo o mesmo sujeito e o mesmo predicado, diferem pela qualidade e
quantidade ao mesmo tempo; a contradição se dá entre “A” e “O” e entre “E” e “I” 250
Regra: de duas proposições contraditórias, se uma é verdadeira, a outra é falsa
necessariamente, e reciprocamente.
8.2.1.2 Contrariedade:
Proposições que tendo o mesmo sujeito e o mesmo predicado, são universais e diferem só
pela qualidade. Se dá entre “A” e “E” 251
Regras:
(1) se uma proposição for verdadeira, a outra é falsa necessariamente; (princípio
de contradição)
(2) da falsidade de uma não se pode concluir a verdade da outra. (matéria
necessária, analítica uma proposição ao menos é verdadeira), (matéria não
necessária, sintética, ambas podem ser falsas, pois quem afirma ou nega o faz por
excesso de extensão) 252

8.2.1.3 Subcontrariedade
Proposições que tendo o mesmo sujeito e o mesmo predicado, são particulares e diferem
pela qualidade. Se dá entre “I” e “O”.
Regras:
(1) se uma proposição for falsa, a outra será necessáriamente verdadeira;
(2) da verdade de uma não se pode concluir a falsidade da outra.
Se a matéria é necessária (analítica) uma proposição é verdadeira e a outra é falsa; se a
matéria e contingente (sintética), podem ser ambas verdadeiras. 252
8.2.1.4 Subalternação
Proposições que tendo o mesmo sujeito e o mesmo predicado, diferem apenas quanto a
qualidade. Se dá entre “A” e “I” ou “E” e “O” Não chega a ser uma relação de oposição. A
proposição universal é denominada subalternante e a particular subalternada.
Regras
1 Se a universal é verdadeira, também o é a particular, pois o que se afirma ou se nega
do todo deve-se também afirmar-se ou negar-se da parte.
2 Se a universal é falsa, não se pode concluir nada com a particular (inconclusiva),
porque se o predicado não convém a toda a extensão do sujeito, pode, entretanto,
convir a uma parte desta extensão.
3 Se a particular é verdadeira, não se pode concluir nada com a universal (é o inverso
da segunda regra).
4 Se a particular é falsa, também falsa é a universal, porque quando o predicado não
convém a alguns sujeitos, não se pode dizer, sob pena de contradição, que convém à
totalidade deles.
2

8.2.1.5 Quadro das Oposições:

contrárias
(A) Todo homem é justo (E) Nenhum homem é justo

subalternas contraditórias subalternas

(I) Algum homem é justo (O) Algum homem não é justo


Subcontrárias

Exercícios de Lógica

1. Identifique a quantidade e a qualidade das seguintes proposições:


( ) Algum juiz é desonesto.
( ) Nem todo criminoso é desonesto.
( ) A maioria dos juizes são honestos.
( ) Nenhum advogado é incorruptível.
( ) Todo advogado conhece leis.

2. Identifique as inferências imediatas abaixo, se são válidas (V) ou inválidas ( I), e qual a
regra que invalida ou confirma a inferência.

Não é verdade que todos os juizes de Taubaté são honestos. Logo é verdade que alguns
juizes de Taubaté são honestos. ( )
Oposição ___________ Regra:

Que todo homem não é racional está errado. Logo todo homem é racional. ( )
Oposição ____________ Regra

É verdade que alguns presos na cadeia de Lorena são culpados. Logo é falso que alguns
presos na cadeia de Lorena não são culpados. ( )
Oposição ___________ Regra

Algum advogado não é bacharel, é verdadeira. Logo, afirmar que todo advogado é
bacharel, é falso ( )
Oposição _____________ Regra
É falso que algum advogado não é bacharel. Logo é falso que todo advogado não é
bacharel. ( )
Oposição _____________ Regra
2

É verdade que alguns advogados que não agiram conforme a ética se deram bem. Logo é
verdade que todos os advogados que não agiram conforme a ética se deram bem. ( )
Oposição _____________ Regra

(É verdade que) Muitos bacharéis de direito não são aprovados no exame da ordem dos
advogados, logo é (necessariamente verdade que) alguns bacharéis de direito são aprovados
no exame da ordem dos advogados Tipo de oposição ____________________
( ) Regra ( )
(É verdade que) muitos países que possuem armas de destruição em massa estão sujeitos à
invasão norte americana. Logo é verdade que todos os países que possuem armas de
destruição em massa estão sujeitos a invasão norte americana.
Tipo de oposição ________________________
( ) Regra ( )
(É Falso que) Todos os países que possuem armas de destruição em massa estão sujeitos a
invasão norte americana, logo (é verdade que ) Algum país que possui arma de destruição
em massa está sujeito a invasão norte americana.
Tipo de oposição ___________________
a) (É falso que ) Todo ditador não é representante legal de seu povo. Logo ( é falso que)
algum ditador seja representante legal de seu povo
Tipo de oposição ____________________ ( ) Regra ( )
b) (É verdade que) Alguns ataques não provocam mortes de civis Logo (é verdade que)
Alguns ataques provocam morte de civis.
Tipo de oposição ____________________ ( ) Regra ( )
c) ( É falso que) alguns ditadores não são representantes legais de seu povo. Logo ( é
verdade que alguns ditadores são representantes legais de seu povo.
Tipo de oposição ____________________ ( ) Regra ( )

a) (É Falso que) Todos os países que possuem armas de destruição em massa estão
sujeitos a invasão norte americana, logo (é verdade que ) Algum país que possui arma
de destruição em massa está sujeito a invasão norte americana.
Tipo de oposição ___________________
( ) Regra ( )

b) (É verdade que) Muitos bacharéis de direito não são aprovados no exame da ordem dos
advogados, logo é (verdade que) alguns bacharéis de direito são aprovados no exame da
ordem dos advogados. Tipo de oposição ____________________
( ) Regra ( )

c) (É falso que) muitos países que possuem armas de destruição em massa estão sujeitos a
invasão norte americana. Logo é falso que todos os países que possuem armas de destruição
em massa estão sujeitos a invasão norte americana.
Tipo de oposição ________________________
( ) Regra ( )

INFERÊNCIAS MEDIATAS
3

É o ato de tirar de mais de uma afirmação uma conclusão, passando por um intermediário.
260
A) A indução é a operação mental que vai dos fatos a uma proposição geral. Damos um
salto do contingente, particular para a lei. O que pode levar a um estereótipo, a
transformação de uma proposição sintética em analítica por convenção. O processo
indutivo, não nos dá uma certeza lógica e necessária. 260
B) Dedução: operação lógica que consiste em concluir uma terceira proposição de duas
outras dadas, indo dos princípios para uma conseqüência logicamente necessária.
Apóia-se nos princípios lógicos de identidade e de não contradição. 261
C) Analogia: É o raciocínio que conclui ser um predicado conveniente a um sujeito pelo
fato de o mesmo ser conveniente a um outro sujeito semelhante. O raciocínio análogo
é precário, porém tem um papel extremamente significativo para o Direito e ciências
sociais. A analogia lida com o parcialmente idêntico e parcialmente diferente. É mais
própria da teoria da argumentação. 262

9.2 Silogismo e seus elementos


O raciocínio é o processo pelo qual compara-se duas idéias com uma terceira, para julgar se
as primeiras se convêm. 263
9.2.2 Definição de silogismo
O silogismo é uma forma de argumentação dedutiva, pela qual de um antecedente (duas
premissas), relacionando dois termos (extremos) a um terceiro (o médio), tiramos um
conseqüente (conclusão) que une esses dois ternos (extremos) entre si. A argumentação é a
disposição correta de premissas para uma conclusão.
É o movimento de provar uma asserção (conclusão), por meio da combinação de asserções
já aceitas, que se chamam premissas.
9.2.3 Elementos do Silogismo
O silogismo compõe-se de matéria e forma.
A matéria: são os termos irredutíveis e as proposições (decomponíveis).
(A) Os termos (ou matéria remota) são:
Maior (maior extensão, predicado da conclusão);
Menor (menor extensão, sujeito da conclusão);
Médio (termo de conexão, não figura na conclusão).
(B) As proposições (matéria próxima) são:
- antecedente
Premissa maior, (termo maior e médio),
Premissa menor ( termo médio e termo menor),
- conseqüente
Conclusão (termo menor e maior)
(C) A forma é a adequada disposição das proposições para a inferência da conclusão. 265
Regras do silogismo
(A) Referem-se aos termos as regras seguintes
1. Qualquer silogismo deve possuir apenas três termos, nem mais nem menos, mantendo
todos sempre o mesmo sentido.
Pecam por excesso: termos equívocos, (4 termos) Ex. touro
Por falta: tautológica (2 termos) Ex. Homem
3

2. Nenhum termo deve ter, na conclusão, maior extensão do que nas premissas.
Ex. todo animal é mortal; ora algum ser não é animal; logo algum ser não é mortal
3. O termo médio não entra na conclusão
Ex. Napoleão foi pequeno; ora Napoleão foi capitão; logo Napoleão foi pequeno capitão.
4. O termo médio deve ser tomado pelo menos uma vez em toda a sua extensão, isto é,
universalmente.
Ex. Todo racional é homem; ora, Pedro é homem; logo pedro é racional.
(B) Referem-se às proposições as regras seguintes:
1. De duas premissas afirmativas, a conclusão é afirmativa.
Ex. todo animal é mortal; a ave é anima; logo, a ave é mortal.
2 De duas premissas negativas nada se pode concluir.
Ex. os chineses não são arianos; ora, os hindus não são chineses; logo, … (nada se pode
concluir)
3. De duas premissas particulares, nada se pode concluir
(a) Duas particulares afirmativas.
(b) Duas premissas particulares e negativas
(c) Duas premissas particulares, sendo uma afirmativa e uma negativa. Ex. ‘Algum
líquido é metal; algum corpo não é líquido; logo algum corpo não é metal’
4. A conclusão segue sempre a premissa fraca
A particular é mais fraca que a universal e a negativa mais fraca que a afirmativa.
Ex. (E) Nenhum homem é animal bruto; ora, (I) algum homem é justo; ( O)logo algum
justo não é bruto.

EXERCÍCIOS DE SILOGISMOS

Analise a validade dos raciocínios que seguem identificando com ( X) todas as regras que
foram violadas:
1.Existem biscoitos feitos de água e sal.
O mar é feito de água e sal. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo, o mar é um biscoito. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
2. Nenhum metal é vivente.
Algum corpo é metal. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo, algum corpo não é vivente. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
3. Existem gatos que são pardos.
Alguns homens são pardos. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo alguns homens são gatos. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
4. Todo ser vivo é inteligente.
Meu amigo Ferroni é um ser vivo. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Portanto Ferroni é inteligente. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
5. Todo homem não é imortal.
3

Algum homem não é ser. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )


Logo algum ser vivo não é imortal. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4
( )
6. As baleias são mamíferos.
Alguns mamíferos são animais marinhos. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo as baleias são animais marinhos. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
7. Algum preso não é culpado.
Alguns presos são inocentes. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Assim algum inocente não é culpado. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
8. Totó é um cão.
O cão dispara o revolver. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo totó dispara o revólver. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
9. Todo homem é animal.
Todo lobo é animal. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo todo lobo é homem. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
10. Muitos bandidos cresceram na favela.
João da Cunha cresceu na favela. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo João da Cunha é bandido. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
11. Nação politicamente organizada é Estado.
O Brasil é nação politicamente organizada. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo o Brasil é Estado. Regras das proposições 1( )2( )3 ( ) 4( )
12. Alguns corruptos são políticos. Regras dos termos 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( )
Todos os corruptos são imorais. Regras proposições 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( )
Todos os políticos são imorais.
13. Todos os empresários sonegam impostos. Regras dos termos 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( )
Alguns que sonegam impostos não são honestos. Regras proposições 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( )
Logo alguns empresários não são honestos.
14. Os semoventes são capazes de aprender. Regras dos termos 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( )
Os inteligentes são capazes de aprender.
Logo os inteligentes são semoventes. Regras proposições 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( )
15. Nenhum metal é vivente.
3

Algum corpo é metal. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )


Logo, algum corpo não é vivente. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
16. Existem gatos que são pardos.
Alguns homens são pardos. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Logo alguns homens são gatos. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
17.Algum direito não é constitucional. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Algum direito é inconstitucional Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
Assim alguma inconstitucionalidade não é constitucional.
18. Todo direito não é inconstitucional. Regras dos termos 1( )2( )3 ( ) 4( )
Algum direito não é legal. Regras das proposições 1( )2( ) 3( ) 4( )
Logo o não é legal não é inconstitucional.
19. Todos os homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.1( ) 2 ( )3 ( ) 4 ( )
Os alunos do segundo ano são homens e mulheres. 1( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( )
Logo os alunos do segundo ano são iguais em direitos e obrigações.
20. As baleias são mamíferos. 1( ) 2 ( )3 ( ) 4 ( )
Alguns mamíferos não são animais marinhos. 1( ) 2 ( )3 ( ) 4 ( )
Logo as baleias não são animais marinhos.