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LUMINOTÉCNICA APLICADA Por Juliana Iwashita

CAPÍTULO Ii
Sistemas de iluminação e
fotometria

Nomearemos como sistemas de iluminação o ou pó, choques mecânicos e fogo. Já o desempenho


conjunto de equipamentos necessários para obtermos elétrico descreve a eficiência da luminária e de seus
efeitos de luz, compreendendo luminárias, lâmpadas equipamentos auxiliares ao produzirem luz e seu
e todos os equipamentos auxiliares, tais como reatores, comportamento elétrico.
transformadores, fontes de alimentação, etc. Neste Para análise do desempenho fotométrico de lumi­
capítulo, abordaremos alguns conceitos fotométricos nárias, é necessário conhecimento de suas características
de sistemas de iluminação relacionados às luminárias fotométricas. Nesse sentido, apresentamos, a seguir, os
técnicas. principais conceitos fotométricos:
As luminárias são aparelhos que têm a função Fluxo luminoso (φ):
de distribuir, filtrar ou modificar a luz emitida pela(s) É a quantidade total de luz emitida por uma fonte
lâmpada(s). A iluminação emitida pode ser classificada luminosa em todas as direções. Unidade: lúmen [lm].
conforme a sua distribuição: para cima (iluminação Intensidade luminosa (I):
indireta) ou para baixo (iluminação direta). A Figura 1 É a radiação luminosa emitida em um determinado
indica os tipos de iluminação provenientes das luminárias. ângulo sólido (em esferorradiano) em uma determinada
direção. Unidade: candela [cd].
Iluminância (E):
Indica a quantidade de luz que atinge uma
superfície por unidade de área. Relativa à luz incidente,
não visível. Unidade: lux [lx] = lm/m2.
Luminância (L):
É o brilho ou intensidade luminosa emitida ou
refletida por uma superfície iluminada em direção ao
olho humano. Relativa à luz refletida, visível. Unidade:
Figura 1: Classificação das luminárias conforme tipo de distribuição Candela/m2 [cd/m2].
luminosa
Curva de distribuição de intensidade luminosa (CDL)
A forma como a luz é distribuída é dada pela Curva, geralmente representada em coordenadas
fotometria da luminária. Fotometria é o ramo da ciência polares, que representa a intensidade luminosa em um
encarregado de medir a luz e como o seu brilho é plano que passa através da luminária, em função de
percebido pelo olho humano. Segundo a Sociedade de diversos ângulos e a partir de uma direção determinada.
Engenharia da Iluminação da América do Norte (Iesna), A Figura 2 representa as curvas de distribuição de
o desempenho de uma luminária pode ser considerado intensidades luminosas nos planos longitudinal,
uma combinação entre a qualidade fotométrica, transversal e diagonal de uma luminária.
mecânica e elétrica. O desempenho fotométrico está
relacionado com a eficiência e a eficácia da luminária
ao direcionar luz para o alvo desejado. É determinado
pelas propriedades fotométricas da lâmpada e do
projeto da luminária e pela qualidade dos componentes
de controle da luz. O desempenho mecânico descreve
o comportamento da luminária sob stress, incluindo
condições extremas de temperatura, jatos de água Figura 2: Curvas de distribuição de intensidades luminosas de uma
luminária

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As curvas de distribuição luminosa são geralmente representadas participa da iluminância somente indiretamente, via reflexão do teto.
em cd/1.000 lm, visto que luminárias com lâmpadas de mesma Nota-se que as luminárias com maiores rendimentos são luminárias
dimensão possuem a mesma curva de distribuição, alterando-se apenas sem componentes de controle de luz. Elementos como refletores,
as intensidades luminosas conforme o fluxo luminoso das lâmpadas. refratores, difusores e louvres diminuem o rendimento da luminária na
Os valores em cd/1.000 lm encontrados na CDL devem ser medida em que absorvem, refletem e transmitem a luz pelos materiais
multiplicados pelo fluxo luminoso da lâmpada em questão (dado em utilizados na sua confecção.
catálogos de lâmpadas) e, posteriormente, esses valores são divididos Dessa forma, na especificação de uma luminária, o rendimento
por 1.000 lm para se obter os valores de intensidade luminosa em cada ou a eficiência deve ser ponderado, analisando-se conjuntamente a
ângulo. distribuição luminosa e o controle de ofuscamento que a luminária
As intensidades luminosas são obtidas por meio de ensaios deve possuir para a atividade a ser desenvolvida. Recomenda-se,
fotométricos em goniofotômetros e permitem a obtenção de todos os portanto, que o rendimento seja considerado para comparar luminárias
demais dados fotométricos das luminárias, que são necessários para a do mesmo tipo.
especificação de uma luminária técnica, tais como rendimento, tabela O rendimento de uma luminária varia de acordo com a sua forma
de fator de utilização e diagramas de luminância. e curva ótica, com a presença de componentes de controle de luz, tais
como refletores, aletas e difusores, com as características dos materiais
Rendimento da luminária da luminária e com o tipo de lâmpada utilizada e suas dimensões.
O rendimento ou a eficiência de uma luminária é definido como a
razão do fluxo luminoso emitido pela luminária e o fluxo luminoso total Fator de utilização
da(s) lâmpada(s). É a razão entre o fluxo luminoso recebido em uma superfície de
Uma questão muito importante a ser observada quanto ao referência e o fluxo luminoso emitido pelas lâmpadas. Indica a eficiência
rendimento é que ele não considera a distribuição luminosa da luminosa da luminária, lâmpada e recinto, levando em consideração as
luminária, englobando tanto o fluxo emitido para o hemisfério inferior dimensões do ambiente e as refletâncias do teto, paredes e piso. O
como para o superior. Para a escolha de uma luminária eficiente, fator de utilização é empregado em cálculos luminotécnicos por meio
devem-se considerar as luminárias com os maiores rendimentos no do Método dos Lúmens e é dado pelo fabricante de luminárias em
hemisfério inferior, visto que a luz emitida para o hemisfério superior tabelas.

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Diagrama de luminância Para analisar a adequação de uma luminária a uma determinada


LUMINOTÉCNICA APLICADA

É a representação das luminâncias de uma luminária nos ângulos atividade, deve-se cruzar o nível de iluminância e a classe de
críticos de visualização contraposta a um diagrama que indica os limites qualidade requerida no ambiente, obtendo-se a sua respectiva
de luminâncias, para luminárias em classes diferentes de qualidade. curva de limitação (“a” a “h”). Se as curvas de luminâncias (curva
A Comissão Internacional de Iluminação (em francês, Commission azul e vermelha) mantiverem-se à esquerda da curva de limitação
Internationale de L'Éclairage – CIE) define os ângulos entre 45° e 85°, selecionada, significa que a luminária é apropriada, de acordo com
de acordo com a Figura 3, como críticos para evitar ofuscamentos e o nível de controle exigido, em termos de ofuscamento.
define cinco classes de qualidade, conforme Tabela 1. A CIE define, para os diversos tipos de ambiente, as classes de qualidade
e os níveis de iluminância. A Tabela 2 indica alguns desses valores.
Área Iluminância padrão Classe
em serviço (lux)
Áreas gerais do edifício
Áreas de circulação, corredores 100 D–E
Escadas, escadas rolantes 150 C–D
Vestiários, lavabos 150 C–D
Armazéns 150 D–E
Escolas
Salas de aulas, auditórios 300 A–B
Laboratórios, bibliotecas, salas de leitura, 500 A–B
salas de arte
Escritórios
Figura 3: Ângulos críticos de visualização que causam ofuscamentos diretos Escritórios gerais, mecanografia, salas de gerência 500 A–B
Escritórios gerais de grandes dimensões 750 A–B
Classe de qualidade para limitação de ofuscamento Salas de desenho 750 A–B
Salas de reunião 750 A–B
Classe A Qualidade muito elevada Edifícios e processos industriais
Classe B Qualidade elevada Oficinas de montagem
_Trabalho grosseiro: montagem de maquinaria 300 C–D
Classe C Qualidade média
pesada
Classe D Qualidade baixa _Trabalho médio: montagem de motores e 500 B–C
Classe E Qualidade muito baixa carrocerias
_Trabalho fino: montagem de equipamentos 750 A–B
Tabela 1:
eletrônicos e máquinas de escritório
O diagrama de luminância possibilita a avaliação do grau de _Trabalho muito fino: montagem de 1500 A–B
instrumentos
controle de ofuscamento da luminária por meio da análise das
Lojas e áreas de exposição
curvas de luminância no plano longitudinal e no plano transversal Lojas convencionais 300 B–C
da luminária e as curvas de limitação de ofuscamento, nos ângulos Lojas de auto-serviço 500 B–C
Supermercados 750 B–C
críticos de visualização. Salas de exposição 500 B–C
Cada curva de limitação de ofuscamento na Figura 4 (linhas Museus e galerias de arte:

representadas de “a” a “h”) refere-se a um valor de iluminância em _Exposições de material com sensibilidade à luz 150 B–C
_Exposições de materiais não sensíveis 300 B–C
serviço e uma classe de qualidade. Residências
Quartos
Classe Iluminância em serviço [lx] _Geral 50 B–C
_Cabeceira 200 B–C
A 2000 1000 500 ≤300 Banheiros
B 2000 1000 500 ≤300 _Geral 100 B–C
_Espelho 500 B–C
C 2000 1000 500 ≤300
Estar
D 2000 1000 500 ≤300 _Geral 100 B–C
E 2000 1000 500 ≤300 _Leitura, costura 500 B–C
_Escadas 100 B–C
a b c d e f g h
Cozinhas
_Geral 300 B–C
_Áreas de trabalho 500 B–C

Continua na próxima edição

Juliana Iwashita é arquiteta pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo


da Universidade de São Paulo, mestre em engenharia elétrica pela Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo, consul­tora luminotécnica e
diretora da Arquilum Arquitetura e Iluminação.
juliana@arquilum.com.br

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36 Fevereiro 2008