O CONCEITO DE PAISAGEM CULTURAL COMO ESTRATÉGIA PARA PRESERVAÇÃO DO COMPLEXO DA FÁBRICA RHEINGANTZ EM RIO GRANDE – RS

SILVA, ROGÉRIO P. (1); BLANK, DIONIS M. P. (2); SCHMIDT, KELLY R. (3)
1. Mestrando em Memória Social e Patrimônio Cultural pela UFPel. Professor da Universidade Federal do Rio Grande – Furg. E-mail: piva_furg@hotmail.com 2. Mestrando em Memória Social e Patrimônio Cultural pela UFPel. E-mail: dionisblank@gmail.com 3. Mestranda em Memória Social e Patrimônio Cultural pela UFPel. Bolsista da CAPES. E-mail: kel.tur@gmail.com

A Fábrica Rheingantz, fundada em 1873 na cidade do Rio Grande foi a pioneira na industrialização no Rio Grande do Sul e a primeira na produção de lã no país, chegou a empregar 1.200 funcionários em uma área de 143 mil metros quadrados. Seu complexo é formado pela vila operária, casas de mestres, um grupo escolar, jardim de infância e cassino dos mestres. Esse conjunto de edificações permanece erguido, apesar da degradação ambiental e econômica que vem sofrendo desde que a atividade chegou ao fim em 1968. Este trabalho foi desenvolvido por meio do método de abordagem dedutivo, descritivo e pesquisa de campo com o objetivo de apresentar o conceito de paisagem cultural como estratégia de preservação do complexo da fábrica Rheingantz. Para tanto, fundamentou-se nas referências teóricas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), na Carta de Cracóvia (2000), entre outros. Conclui-se que a instituição do conceito de paisagem cultural, permitirá aos órgãos públicos promoverem modelos de gestão compatíveis com a preservação do patrimônio material e da memória, desenvolvendo estratégias de uso local potencializando a economia, resguardando os saberes e fazeres locais. Palavras-chave: Fabrica Rheingantz. Paisagem Cultural. Preservação.

1. INTRODUÇÃO A primeira indústria de lã do país e a pioneira no processo de industrialização no Rio Grande do Sul teve origem na cidade do Rio Grande no ano de 1873, sob o nome de Rheingantz e Vater. A “fábrica Rheingantz”, como é conhecida até hoje, situada na principal avenida de acesso ao centro da cidade, chegou a empregar 1.200 funcionários em uma área de 143 mil metros quadrados. Essa estrutura criou uma nova dinâmica, com características próprias, alterando a paisagem local, uma vez que, para Berque (2004), sujeito e paisagem são co-integrados em um conjunto unitário que se autoproduz e autorreproduz. O complexo da fábrica Rheingantz é formado pela vila operária, casas de mestres e técnicos, um grupo escolar, jardim de infância, cassino dos mestres, além de vias de deslocamento e construções originadas pelo trabalho industrial. Sua implantação foi fundamental na urbanização, no crescimento portuário e na expansão da malha férrea do Rio Grande. Esse conjunto de edificações que permanece erguido, apesar da degradação ambiental e econômica que vem sofrendo desde que a atividade entrou em declínio e chegou ao fim por volta da década de 1970, configurou a ruína do espaço, bem como a retração da atividade econômica e consequente empobrecimento da cidade. Conjuntamente com a memória construída ao longo de gerações, esse complexo

representa um patrimônio cultural do país e, em função disso, deve ser preservado. Todos os esforços já empreendidos nesse sentido utilizaram a mémoria como foco principal para o tombamento, contudo fracassaram. A demora na implantação de uma política de proteção e do tombamento de estruturas arquitetônicas em geral e do complexo da Fábrica Rheingantz, particularmente, tem efeitos devastadores não só para os bens edificados mas também, para compreensão do processo histórico de formação da industria e ocupação interiorana no Brasil. A compreensão da paisagem segue o componente cultural através dos fatos históricos formadores da identidade. Essa associação de paisagem e identidade possibilita a utilização do conceito de Landscape Character Areai já utilizada nos estudos de Usher em 1999, que demonstra ser possível identificar a paisagem através da relação identitária por meio de métodos quantitativos. Deste modo, este trabalho foi desenvolvido utilizando-se do método de abordagem dedutivo, com relação aos seus objetivos o estudo classifica-se como pesquisa descritiva, quanto aos métodos de procedimento utiliza-se da pesquisa de campo com a técnica de
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o qual. 45. tendo como limites: ao Norte./32º 39.questionário empregada na coleta de dados com o objetivo de apresentar o conceito de paisagem cultural como estratégia de preservação do complexo da fábrica Rheingantz em Rio Grande. ao Sul. localiza-se na planície costeira sul do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre.1. DESCRIÇÃO E ESTADO ATUAL DO OBJETO DE ESTUDO 2. Está sobre os paralelos 31º 47. 2. Para tanto. antes que todo esse patrimônio desapareça como podemos observar na secção 2. ao Leste. e de outros documentos relevantes para a pesquisa. 02.3. É o mais antigo município do Estado e dista a 317km ao sul da capital. 3 . a qual. 10. Arroio Grande e a Lagoa Mirim. na Portaria n. da Carta de Bagé (2007). fundamentou-se o objeto nas referências teóricas da Organização das Nações Unidas para a Educação. Localização O município do Rio Grande conta com uma população de aproximadamente 200 mil habitantes e um PIB anual de cerca de 04 bilhões de reais.º 127. 01). criou um instrumento nacional de reconhecimento da paisagem cultural brasileira definido como chancela. o município de Pelotas e a Laguna dos Patos. 10 (fig. os municípios de Capão do Leão. LOCALIZAÇÃO. o Município de Santa Vitória do Palmar. Figura 1 – Localização do objeto de estudo. de 30/04/2009. da Carta de Cracóvia (2000). a Oeste. em 1992. Fonte: Elaborada pelo autores. incorporou a categoria “paisagem cultural” a fim de valorizar as inter-relações entre o homem e o meio ambiente. o Oceano Atlântico e o Canal do Rio Grande./52º 44. a Ciência e a Cultura (UNESCO). e os meridianos 52º 03. do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN).

Em 1891. a peculiaridade do conjunto costeiro com um porto marítimo e hidrovias e a alfândega riograndina somados ao forte comércio com a Europa e ao capital acumulado pelos comerciantes. o objeto desse estudo. o mais antigo farol (Farol Capão da Marca. com a Revolução Federalista (1893-95) o rebanho é praticamente dizimado pondo fim ao projeto de expansão. Descrição do objeto de estudo Até 1880 Rio Grande contava apenas com estabelecimentos artesanais. o time de futebol mais antigo do Brasil. Entretanto. No que se refere ao Patrimônio Cultural Histórico não é diferente. As instalações de 43 mil metros quadrados foram construídas em um terreno de 143 mil metros quadrados. Após esses imensos prejuizos a empresa muda 4 . inaugurado por Dom Pedro II em 1849). a mais antiga loja maçônica do Rio Grande do Sul (1840). A Fábrica Rheingantz foi fundada em 1873. fábricas de biscoitos e de alimentos em conservas. Em 1881 a sociedade é dissolvida ficando sob administração de Carlos Rheingantz que em 1884 altera a denominação para Rheingantz & Cia.O município apresentou uma multiplicidade de experiências históricas desde o início de seu povoamento em 1737. quarta entidade de classe mais antiga do Brasil). Conforme Martins (2006) a sociedade industrial foi formada com noventa conto de réis. o Esporte Clube Rio Grande. faz com que surja um impulso industrialista (COPSTEIN. A fábrica de Charutos e a Moinhos Rio-grandense em 1891. a fixação de estrangeiros. a primeira indústria de lã do Brasil. na cidade do Rio Grande pelo descendente de Alemães Carlos Guilherme Rheingantziii e o Alemão Hermann Vater com a denominação de Rheingantz e Vater. sua importância era principalmente comercial. Rio Grande foi a primeira capital do Estado. teve a primeira câmara de Vereadores (1761). a primeira biblioteca pública gaúcha (1846). compra áreas pastoris e rebanho para obtenção de lã. entre outros. entretanto. historicidades inovadoras que se destacam no contexto regional e nacionalii. fundado em julho de 1900 e também. 1974). cedido pela municipalidade. a primeira Câmara de Comércio (em 1844. correarias. Rheingantz e Vater (1873). a primeira mulher formada em medicina no país (Rita Lobato Velho-1887).2. Enquanto primeiro núcleo sistemático de colonização lusobrasileira no atual Rio Grande do Sul. 2. a localidade acumulou ao longo do período colonial e imperial. Além da Rheingantz em 1873. Pesavento (1985) confirma esse impulso elencando alguns dos empreendimentos no período.

nome que se manteve até a década de 1960. Mas não haviam apenas alemães trabalhando na Rheingantz. mais de 1200 pessoas – se levarmos em consideração que neste período residiam na cidade cerca de 20 mil pessoas podemos vislumbrar a dimensão e importância dessa indústria – era um local onde segundo 5 . Rio Grande – RS. ao comércio exterior e aos estados de São Paulo e Rio de janeiro. Fonte: Acervo da Biblioteca Pública do Rio Grande. destinados basicamente.novamente sua denominação passando a chamar Companhia União Fabril. Figura 3 – Saida dos funcionários da Tecelagem Rheingantz em 1944. A “Fábrica” que chegou a empregar no início do século vinte. Sua principal atividade baseava-se na produção de tecidos de lã. Figura 2 – Tecelagem Rheingantz. Fonte: Acervo da Biblioteca Pública do Rio Grande. algodão e na confecção de tapetes. 1884. Roche (1969) afirma que “os capatazes e contramestres e toda a mão-de-obra especializada haviam sido importados da Alemanha ao mesmo tempo que as máquinas”.

estabelecia um controle extra-fábrica. enfermaria. 6 . cassino dos mestres. assistência médica. isto é. Embora. Figura 4 – Complexo da Fábrica Rheingantz na primeira metade do século XX.Paulitsch (2006). para Pesavento (1988) tais práticas escamoteavam por meio de medidas assistencialistas a coerção econômica imposta aos trabalhadores. Fonte: Elaborada pelos autores em 15/05/2010. Fonte: Acervo da Biblioteca Pública do Rio Grande Praticamente desde o início de suas atividades a fábrica Rheingantz. Cassino dos Mestres e algumas casas de operários ao fundo. norte-americanos e espanhóis mesclavam-se num emaranhado de sotaques e tradições”. Figura 5 – Parte da fachada principal. escola primária. “brasileiros. italianos. casas para operários e mestres. biblioteca. creche. alemães. portugueses. etc. Organizou uma cooperativa de consumo. farmácia. já possuía uma polítca de incentivos e de responsabilidade social.

4) que. fig 07. portas destruidas. sem qualquer função. Como pode-se observar na fachada principal (fig. através da produção fabril ajudou a impulsionar a economia local e está marcado na memória da população como parte integrante de sua identidade. roubos de peças e maquinários e cobertura ruindo. 6 e 7). 2. Fonte: Elaborada pelos autores em 15/05/2010. alinhadas ao limite do terreno. enfileiradas. expandindo-se para 458 hectares no final do século XIX. conforme Martins (2006). Figura 6 – Fachada principal. bairros e etc. viu surgir em seu entorno vias de acesso. com recuo e predominância do estilo germânico. as dos mestres e contramestres eram isoladas. 3. a ação do tempo e do homem estão atuando inexoravelmente para o total comprometimento da estrutura. Todas estas construções mudaram a paisagem local e deram início a expansão da cidade.Enquanto as casas dos operários foram construídas tipo fita. 7 . vidros quebrados. A fábrica que está localizada na principal avenida de entrada da cidade e próxima ao centro histórico. A empresa teve sob sua administração 169 propriedades. encontra-se abandonada. Também foi construído o cassino dos mestres que servia para hospedar técnicos vindos de outras regiões e para o lazer dos empregados com cargos hierarquicamente superiores. Segundo Copstein (1982) a cidade do Rio Grande tinha uma área de aproximadamente 175 hectares em 1878. A “Fábrica” hoje: discussão judicial e estado de conservação Todo esse complexo (fig. abrigando desocupados e sendo alvo de vândalos.

Enfim. 10). urge que se determine de uma forma ou de outra.Figura 7 – Fachada principal. e algumas casas de Mestres. em grande parte resista. 8 . se nada for feito. 8 e 9. Figura 8 – Cassino dos mestres (vista lateral). perigamos perder talvez o único sítio industrial urbano histórico do Estado do Rio Grande do Sul que ainda mantém parte de sua estrutura edificada. Portanto. figs. a estrutura do complexo e sua história. embora. ao tempo e a degradação (apesar do péssimo estado de conservação de algumas casas como é o caso do cassino dos mestresiv. ainda hoje. rapidamente. Fonte: Elaborada pelos autores em 15/05/2010. fig. o tombamento e todos os procedimentos oriundos de sua chancela. Fonte: Elaborada pelos autores em 15/05/2010.

Fonte: Elaborada pelos autores em 15/05/2010. Figura 10 – Cassino dos mestres. Depois de muitos anos de discussão. Em 22/12/1994. arquitetônico e urbanístico em razão de ter autorizado a demolição de dois prédios que estavam elencados como bens de interesse sócio-cultural. a sentença foi proferida em 10/05/2006. incluindo a Vila Operária interna e o Grupo Escolar Comendador Rheingantz. estético. A condenação do Estado-réu a estabelecer por ato próprio a delimitação do entorno com relação aos bens para o tombamento e a condenação do Município-réu a indenizar os danos causados ao patrimônio cultural.Figura 9 – Cassino dos mestres (vista frontal). arquitetônica e urbanística do conjunto urbano da Fábrica Rheingantz. o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul ingressou com Ação Civil Pública em desfavor do Município do Rio Grande e do Estado do Rio Grande do Sul buscando declarar a relevância histórica. Na oportunidade. cultural. sendo os réus obrigados também a estabelecer o entorno. com a condenação dos réus a realizarem o tombamento ou instaurarem o procedimento de tombamento do prédio da Fábrica Rheingantz. Fonte: Elaborada pelos autores em 15/05/2010. histórico. a julgadora decidiu pela extinção do processo sem julgamento do mérito 9 .

disciplinando o entorno. expedindo relatório das condições em que se encontram e das providências que serão adotadas. mais uma vez. o valor histórico e cultural dos imóveis que fazem parte do complexo da Fábrica Rheingantz é inquestionável. precise decretar o tombamento. lugares de memória que se transformaram. em 29/08/2007. atuando em diversas frentes como o resguardo ao prédio (os casos de roubos de fios de 10 .° 11. conforme evidencia Ferreira (2009. foi proposta a execução da sentença. em razão de não merecer correções a sentença prolatada.585/2001. negar provimento às apelações. Diante disso. o Município do Rio Grande e o Estado do Rio Grande do Sul apelaram. sob pena de multa diária de dois salários mínimos nacionais. Conforme descrito até aqui. de vigilância. sob o fundamento de que ora seria afirmado que o tombamento já estaria determinado e ora daria a entender que apenas estaria. por meio da Lei Estadual n. o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul entendeu. sustentando que haveria contradição na decisão do Tribunal. Entretanto. A autora acresce que a ação do Estado sempre se caracterizou como de omissão e negligência. julgou procedente ao efeito de condenar os réus a instaurarem procedimento de tombamento do conjunto urbano da Fábrica Rheingantz. bem como o avanço da degradação dos prédios e maquinários. Assim. p. se determinado a instauração do procedimento de tombamento. o Tribunal manifestou-se. no prazo de três meses. Nesses termos. obrigatoriamente. 29) o declínio e consequente esvaziamento da fábrica como unidade produtiva. a qual perdura até hoje. por maioria. contudo não.quanto aos pedidos de inventário. condenar os réus (o Estado no que tange aos bens por ele tombados e o Município no que se refere aos prédios relacionados como de interesse sócio-cultural) a fiscalizá-los. de declaração de relevância histórica. cabendo aos antigos funcionários cumprirem uma espécie de função guardiã da empresa. no prazo de um ano. Não contentes com a sentença. Ainda não satisfeito. sob pena de multa diária de dois salários mínimos nacionais. Por fim. determinou improcedente o pedido contra o Município do Rio Grande de indenização pela demolição dos prédios referidos. o Estado moveu embargos de declaração. esclarecendo que o ente federado está obrigado a instaurar o procedimento de tombamento. Todavia. até porque o tombamento tem a natureza de um ato discricionário. geraram um sentimento de luto e a necessidade de reter alguns desses vestígios do passado. arquitetônica e urbanística do conjunto urbano da Fábrica Rheingantz e de delimitação pelo Estado-réu do entorno dos bens já tombados. tanto que já foram declarados como integrantes do “Patrimônio Cultural do Estado”. cultural.

a apropriação de objetos pequenos que eram levados para serem guardados nas residências dessas pessoas. No entanto. consiste na observação dos fatos tal como ocorrem espontaneamente. inclusive. no sentido de dar uma solução ao impasse.cobre havia se tornado frequente). trata-se da paisagem cultural como estratégia para preservação do complexo da fábrica Rheingantz. Marconi e Lakatos (2006) enfatizam que o método dedutivo caracteriza-se pela conexão descendente entre a teoria e a ocorrência dos fenômenos. situações e nas condições que já existem. seja em nível federal ou estadual. pelo contraste e singularidade que representa em uma cidade com estilo predominantemente Açoriano-Português a estrutura basicamente germânica do complexo da Rheingantz. medidas como a de tombamento para que a Administração Pública possa conservar tais sítios. a teoria em evidência. que segundo Koche (1997). a proposta desta pesquisa foi apresentar uma outra solução ao complexo. fundamentando-o em vasta legislação existente. 11 . com inteira razão o Ministério Público trouxe à discussão o tema. evidenciando. METODOLOGIA Este estudo foi desenvolvido de acordo com o raciocínio dedutivo buscando analisar os conceitos de paisagem cultural. na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente para posteriores análises. a luta pelo reconhecimento do lugar como portador de uma memória da cidade. Não só pelo valor histórico e a identidade que ele forma. como pesquisa de campo. no que concerne ao dever de preservação do patrimônio histórico e cultural. que de acordo com Oliveira (2001). mas também. neste caso. o processo de execução remonta mais de três anos e já foram realizadas inúmeras audiência públicas com a população local e as autoridades. Quanto aos seus objetivos o estudo classifica-se como pesquisa descritiva. esta pesquisa classifica-se também. Nesse contexto. também constata e avalia essas relações à medida que essas variáveis se manifestam espontaneamente em fatos. apesar disso. 3. agora sob a ótica de paisagem cultural. estuda as relações entre duas ou mais variáveis de um dado fenômeno sem manipulá-las. Dessa forma. agir com descaso com imóveis que retratam a cultura do nosso povo seria um verdadeiro crime contra a história. Por conta deste fato e observando o estado de ruína do complexo da Fábrica Rheingantz. Quanto aos métodos de procedimento.

a paisagem cultural é modelada a partir de uma paisagem natural por um grupo cultural. 1996. paleontológico e arqueológico. num dado momento. O homem é um dos elementos de valor na paisagem. 4. Foram entrevistados 218 riograndinos. A paisagem testemunha e preserva dados de épocas passadas. 12 . A paisagem é uma chave para a compreensão do passado. do presente e do futuro. A técnica utilizada para apreciação dos dados foi a análise qualitativa do conteúdo dos questionários que. espaço e valor. “A paisagem é um conjunto de formas que. a área natural é o meio.A técnica de coleta de dados empregada na pesquisa foi questionário com questões previamente formuladas e testadas. segundo Martins (2002). Quanto à forma de abordagem do problema esta pesquisa classifica-se como quantitativa e qualitativa. crenças religiosas e ideológicas perpassam cada paisagem. um diferente valor patrimonial. O espaço são as formas mais a vida que os anima” (SANTOS. Técnicas materiais. Para Delphim (2005).FURG.1. um novo significado. muitas vezes o principal. A noção de patrimônio está ligada a três categorias: tempo. a paisagem cultural o resultado. Sob a ótica cultural a leitura e a compreensão da paisagem não se limitam ao espaço. A paisagem cultural é um artefato simultaneamente natural e cultural constituída por elementos que a tornam portadora de diferentes valores que podem lhe conferir interesse patrimonial. o valor da paisagem cultural decorre de sua função e de sua capacidade de reter marcas e registros antrópicos. busca descrever ou interpretar o conteúdo das mensagens. da Universidade Federal do Rio Grande . no período compreendido entre os dias 07 (sete) e 11 (onze) de junho de 2010. por bolsistas do Centro de Estudos Urbano-Portuário-Industrial do Rio Grande – CEUPIRG. exprime as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre o homem e a natureza. A PAISAGEM CULTURAL E SUAS GENERALIDADES 4. A cultura é o agente.103). sob os pontos de vista geológico. A amostra da pesquisa foi por conveniência. Qualquer marca que o homem introduza na paisagem significa uma modificação para sempre. Conceitos e normas para o reconhecimento Nas palavras de Sauer (1998). É também temporal. p.

o ser humano inevitavelmente os transforma. que têm o seu valor determinado de acordo com associações feitas acerca delas. verificando-se a existência de bens que podiam ser incluido nas duas categorias. Conforme referem Nunes. Foi apenas em 1992. até o momento. como as associações espirituais de povos tradicionais com determinadas paisagens. estabeleceu a inscrição de bens como patrimônio mundial em duas categorias diferentes: patrimônio natural ou patrimônio cultural. b) paisagens evoluídas organicamente. no mesmo ano em que se realizou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. seja modificando-os ou criando novos elementos e introduzindoos no ambiente original.Por definição. assim como nenhum sítio inscrito no Livro do Tombo 13 . entre o natural e o cultural. Cultural e Natural. para aqueles que tinham sua inscrição justificada tanto por critérios naturais quanto culturais. nenhum sítio brasileiro reconhecido como paisagem cultural na lista de patrimônio mundial da Unesco. no texto da convenção. que se subdividem em paisagens-relíquia ou fóssil. A interação do homem e do ambiente natural resulta na criação da paisagem. como consequência. também chamadas de “essencialmente evolutivas”. valorizando todas as interrelações entre homem e meio ambiente. que são aquelas desenhadas e criadas intencionalmente. no Rio de Janeiro. que a Unesco adotou a categoria “paisagem cultural”. mas sem uma análise da integração entre ambos. Algum tempo depois. o que. um conjunto de características relacionadas entre si que conferem o diferencial de cada localidade. ao estabelecer seus próprios valores e significados aos locais que ocupa. c) paisagens culturais associativas. foi criada a classificação de bem misto. reflexo da origem bipartite da preocupação com o patrimônio mundial. um antagonismo entre as categorias cultural e natural. aprovada em 1972. a paisagem cultural surge quando é conferido valor aos bens agenciados pelo homem sobre o seu espaço e expressa a sua relação com o meio natural. como jardins e parques construídos por razões estéticas. as paisagens culturais são classificadas em três categorias. oriunda de dois movimentos separados: um que se preocupava com os sítios culturais e outro que lutava pela conservação da natureza. cria novas relações e dinâmicas. Nos termos de Santilli (2009). Santiago e Rebolo Squera (2006). para fins de inscrição como patrimônio mundial: a) paisagens claramente definidas. mostrando as transformações que ocorrem ao longo do tempo. conforme destaca Ribeiro (2007). A Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial. em que os processos evolutivos ainda estão em curso. e paisagens contínuas ou vivas. Não há. Havia. imprime nos elementos nativos da localidade a sua marca. cujo processo de construção terminou no passado.

transformação. p. Assinada em Florença no dia 20 de outubro de 2000 por 28 países. as primeiras plantações de café do sudeste de Cuba. A Carta de Cracóvia (de 26 de outubro de 2000) está baseada nos mesmos objetivos da Carta de Venezav. conservação. na Suécia (data da inscrição: 2000). A conservação deste patrimônio cultural deve integrar-se com o planejamento econômico e a gestão da comunidade. Acorda também para a necessidade de identificar os riscos. 4) levam em consideração os contínuos processos de mudança. 14 . Entre as paisagens culturais inscritas na lista do patrimônio mundial da Unesco estão alguns sistemas agrícolas tradicionais e locais: os terraços de arroz das cordilheiras filipinas (data da inscrição: 1995). há 5. enquanto fator de qualidade de vida das pessoas e da consolidação da identidade levou o Conselho Europeu a discutir a elaboração da Convenção Européia de Paisagem (CEP). a memória e ao passado. atuando preventivamente através de planos de emergência. em Portugal (data da inscrição: 2001). qualitativo e social. na Hungria (data da inscrição: 2002). a paisagem agrícola do sul da ilha de Öland. urbano ou paisagístico. reparação. As estratégias de gestão para o patrimônio cultural abordadas na Carta de Cracóvia (2000. manutenção. além de organizar a cooperação européia nesses aspectos. a paisagem cultural da região vinícola de Tokaj. a CEP entrou em vigor em março de 2004. desenvolvimento e a necessidade da adoção de regulamentos apropriados nas decisões tomadas durante os processos e no controle dos resultados.Arqueológico. as paisagens vinícolas da ilha vulcânica do Pico. que privilegia as interações entre cultura e natureza e os componentes materiais e imateriais. A Convenção tem como objetivo promover a proteção. no mar Báltico. e gestão. e apresenta a importância de uma conscientização relacionada a identidade. a um ambiente hostil. Etnográfico e Paisagístico que tenha sido tombado por seu valor enquanto “paisagem cultural”. situadas no pé da Sierra Maestra (data da inscrição: 2000). Por isso. é importante criar uma estrutura de comunicação que requer a participação efetiva dos cidadãos. no sentido definido pela Unesco. Cabe ainda salientar que a importância de proteger a paisagem. e apresenta métodos ligados diretamente à preservação do patrimônio. Está fundamentada na mudança de valores que há em diferentes momentos históricos e contextos sociais relacionados ao patrimônio arquitetônico.000 anos. a gestão e o ordenamento da paisagem. restauração. que integra o arquipélago de Açores (data da inscrição: 2004) e do Alto-douro. contribuindo para o desenvolvimento sustentável. sua identificação. onde o homem se adapta. que é dominada por um platô de calcário.

de 30/04/2007.2. representativa do processo de interação do homem com o meio natural. a paisagem cultural brasileira é uma porção peculiar do território nacional. coordenação. por cobrir todas as paisagens. o Brasil criou um instrumento nacional de reconhecimento das paisagens culturais brasileiras. onde os diferentes fatores evoluem. Sendo verificada a pertinência do requerimento para chancela da paisagem cultural brasileira. tombamento. em cuja circunscrição o bem se situar. denominado chancela e regulado pela Portaria n. Além das paisagens culturais de “excepcional valor universal”. desapropriação e “outras formas de acautelamento e preservação”. A instauração do processo 15 . instrução e análise do processo.º da Constituição Federal de 1988. registros. O requerimento para a chancela da paisagem cultural brasileira.Nesse sentido. que determina que o poder público. e qualquer pessoa natural ou jurídica é parte legítima para requerer a instauração de processo administrativo visando a rubrica de uma paisagem cultural brasileira. ao Presidente do IPHAN ou ao Ministro de Estado da Cultura. por meio de inventários. será instaurado processo administrativo. De acordo com a referida Portaria. com a colaboração da comunidade. Tal instrumento foi criado com fundamento no artigo 216. inclusive aquelas que não têm valor excepcional. Ela estabelece normas de proteção e gestão de todas as formas de paisagens e incentiva a participação dos cidadãos nas decisões sobre as políticas relativas às paisagens nas quais vivem. vigilância. e defende a necessidade de que a legislação a proteja contra eventuais danos e ações lesivas. dinâmico e instável. acompanhado da documentação pertinente. reconhecidas pela Unesco através de sua convenção internacional. parágrafo 1. poderá ser dirigido às Superintendências Regionais do Iphan. do presidente do Iphan. a CEP se distingue da convenção da Unesco não por ter abrangência apenas regional (e não internacional) como também. O Departamento do Patrimônio Material e Fiscalização (DEPAM/Iphan) é o órgão responsável pela instauração. Conceito e normas de reconhecimento no Brasil O arquiteto de paisagem e técnico do Iphan Carlos Fernando de Moura Delphim (2007) define a paisagem cultural como um sistema complexo. à qual a vida e a ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram valores. promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro.º 127. 4. A paisagem cultural brasileira é declarada por chancela instituída pelo Iphan. de forma conjunta e interativa. mediante procedimento específico.

no prazo de trinta dias. considera o caráter dinâmico da cultura e da ação humana sobre as porções do território a que se aplica. as entidades. com ampla publicidade do ato por meio da divulgação nos meios de comunicação pertinentes. remetendo-se o processo administrativo para deliberação ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. o processo administrativo será submetido para análise jurídica e expedição de edital de notificação da chancela. visando a gestão compartilhada da porção do território nacional assim reconhecida. a súmula da decisão será publicada no Diário Oficial da União. nos termos preconizados na Constituição Federal. Finalizada a instrução. complementando e integrando os instrumentos de promoção e proteção existentes. O pacto convencionado para proteção da paisagem cultural brasileira chancelada poderá ser integrado de Plano de Gestão a ser acordado entre as diversas entidades. Para a instrução do processo administrativo poderão ser consultados os diversos setores internos do Iphan que detenham atribuições na área. com publicação no Diário Oficial da União e abertura do prazo de trinta dias para manifestações ou eventuais contestações ao reconhecimento pelos interessados. órgãos e agentes públicos e privados envolvidos. órgãos e agentes públicos e privados envolvidos. dando-se ciência ao Ministério Público Federal e Estadual. Sendo aprovada a chancela da paisagem cultural brasileira pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Além disso. a sociedade civil e a iniciativa privada. sendo o processo administrativo remetido pelo Presidente do Iphan para homologação final do Ministro da Cultura.será comunicada à Presidência do Iphan e às Superintendências Regionais em cuja circunscrição o bem se situar. A chancela da paisagem cultural brasileira implica no estabelecimento de pacto que pode envolver o poder público. convive com as transformações inerentes ao desenvolvimento econômico e social sustentáveis e valoriza a motivação responsável pela preservação do patrimônio. A aprovação da chancela da paisagem cultural brasileira pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural será comunicada aos Estados-membros e Municípios onde a porção territorial estiver localizada. com vistas à celebração de um pacto para a gestão da paisagem cultural brasileira a ser chancelada. Tem por objetivo atender ao interesse público e contribuir para a preservação do patrimônio cultural. mediante prévia oitiva da Procuradoria Federal. 16 . devendo ser revalidada num prazo máximo de dez anos. o qual será acompanhado pelo Iphan. Após. as manifestações serão analisadas e as contestações julgadas pelo DEPAM/Iphan.

a Carta de Bagé ou Carta da Paisagem Cultural. pré-histórico. valor e singularidade do lugar. de migração e de fronteira. que tem como objetivo a defesa das paisagens culturais em geral. Entre os sítios que estão sendo considerados para chancela como paisagens culturais brasileiras estão o Vale do Ribeira (SP). A PAISAGEM CULTURAL COMO ESTRATÉGIA DE PROTEÇÃO DO COMPLEXO DA FÁBRICA RHEINGANTZ Com base no exposto. a Serra da Bodoquena (MS). Segundo sua regração. essa representatividade. Podemos constatar na análise do questionário aplicado a 218 riograndinos. econômico. pela sua capacidade de ilustrar elementos culturais distintos da região e pelo reconhecimento da sociedade. envoltórias ou associadas a um meio urbano. A Fábrica Rheingantz atende a todos esses requisitos. bem como áreas contíguas. paleontológico. oficializou-se na cidade de Bagé. religioso. étnico. legendário. para serem incluídas na lista do patrimônio. Canudos (BA) e os Céus de Brasília. simbólico. conforme se observa na Figura 11. “a paisagem cultural é o meio natural ao qual o ser humano imprimiu as marcas de suas ações e formas de expressão. resultando em uma soma de todos os testemunhos resultantes da interação do homem com a natureza. A Carta de Bagé sugere nas intervenções. O Artigo 10 do documento define que: “A paisagem cultural inclui. 5. Por ser a primeira indústria do país na produção de lã e a pioneira no processo industrial do Rio Grande do Sul. a participação da comunidade residente. científico. geológico. pela sua representatividade em termos de uma região geocultural claramente definida. no Rio Grande do Sul. 44% do sexo feminino e 56% masculino. A faixa etária dos participantes é bastante diversificada. mesmo tantos anos após o fim das atividades ainda é lembrada por grande parte da população riograndina como representante de sua identidade. as paisagens culturais. reciprocamente.Em agosto de 2007. conceito de paisagem cultural abarca também as idéias de pertencimento. devem ser selecionadas pelo seu valor universal. significado. 17 . Portanto. pareidólico. da natureza com o homem”. o Vale do Itajaí (SC). esotérico. sítios de valor histórico. tem um valor e uma representatividade inquestionável. e. industrial. Na escala local. turístico. dentre outros. mítico. artístico. literário.

18 . E. no máximo. Figura 12. Fonte: Elaborada pelos autores.Faixa Etária 16% 15% 22% 18 a 25 26 a 29 30 a 39 11% 40 a 49 50 a 59 60 ou mais 17% 19% Figura 11 – Faixa etária. o ensino médio completo. ESCOLARIDADE fundamental 15% 8% 4% 38% 19% 16% funfamental incompleto médio médio incompleto superior superior incompleto Figura 12 – Escolaridade. Fonte: Elaborada pelos autores. 74% deles afirmam que o complexo da Rheingantz representa um patrimônio cultural histórico do Rio Grande (Figura 13). O grau de escolaridade de 73% das pessoas que participaram da entrevista é de.

76% dos entrevistados responderam que sim (Figura 14) demonstrando uma forte identidade com o objeto pesquisado. através do reconhecimento dos valores e significados. A relação entre a comunidade e o espaço onde vivem. Para Luca (2007). suas formas tradicionais de ocupação e uso do solo são fundamentais para a gestão da paisagem.NA SUA OPINIÃO A FÁBRICA RHEINGANTZ REPRESENTA UM PATRMÔNIO CULTURAL HISTÓRICO RG? 12% 14% sim não já representou mas representa mais 74% Figura 13 – Opinião quanto a representatividade Patrimonial do Complexo Rheingantz. VOCÊ ACREDITA QUE A" FÁBRICA DEVE SER "TOMBADA COMO PATRIMÔNIO " RIOGRANDINO? 24% sim não 76% Figura 14 – Opinião quanto ao tombamento da Fábrica. a maior dificuldade em relação à paisagem de valor patrimonial é a sua preservação. Fonte: Elaborada pelos autores. O envolvimento da comunidade promove a valorização de sua identidade e seus valores é peça chave para a identificação de seu papel na preservação da paisagem local. Quando foi perguntado se a fábrica Rheingantz deveria ser tombada como patrimônio cultural riograndino. Fonte: Elaborada pelos autores. Cada paisagem é específica em sua relação aos lugares. 19 . às culturas e às instituições. É preciso enfatizar a participação da própria população.

exprime. pode ser associada. Tem um valor e uma representatividade indiscutível por ser a primeira indústria do país na produção de lã e a pioneira no processo industrial do Rio Grande do Sul. Seguindo o conceito de Vieira (2008) “a paisagem ao mesmo tempo em que é produto da história. A Fábrica Rheingantz atende a todos os requisitos exigidos para ser incluido na lista de patrimônio. 76% acreditam que o complexo deve ser tombado. porque não exister vedação no âmbito legislativo. parece sensato propor sua preservação por meio da utilização do conceito de paisagem cultural. reproduz a história. A estrutura basicamente germânica. ofícios e saberes se constróem estabelecendo uma experiência singular. uma alternativa que merece ser considerada no contexto atual. edificada em 143 mil metros quadrados de área. no mínimo. produto da história reproduzindo história. portanto. ressaltada a importância do complexo da Fábrica Rheingantz. Na escala local é reconhecida como patrimônio cultural histórico por 74% da população. o complexo representa uma pequena porção da cultura e arquitetura alemã dentro de uma área com características essencialmente Portuguesa. 151) definiria como uma “porção do espaço relativamente ampla que se destaca visualmente por possuir características físicas e culturais suficientemente homogêneos para assumirem uma individualidade. também. p. CONCLUSÃO Ao analisar a história do complexo da fábrica Rheingantz é possível concluir que é plausível considerar o conceito de paisagem cultural para embasar o processo de transformação no local. Um suporte de memória que remete aos tempos de pujança produtiva e importância no desenvolvimento industrial brasileiro.No que se refere a capacidade de ilustrar elementos culturais distintos da região. Portanto. ao conceito que HOLZER (1999. 6. mostra a concepção que o homem teve de diversas atividades e necessidades. 20 . O complexo da Rheingantz é assim. É. Do total dos questionados. O conceito é utilizado porque há uma condição onde as celebrações. as características próprias dos homens que a criaram”. porquanto significou no passado na expansão da região sul do Brasil e o que representa essa memória a um considerável grupo de indivíduos. por representar a identidade do povo local. bem como.

II. 29-64. Carlos Fernando de Moura. Org. Brasília: IPHAN. KOCHE. p.43-68. Portanto. 124p. O patrimônio arquitetônico e a paisagem cultural em sítios históricos rurais de imigração italiana. jan.. 248p. Paisagem-Matriz: Elementos da problemática para uma geografia cultural. DELPHIM. A Rheingantz talvez seja o único sítio industrial urbano histórico do Estado do Rio Grande do Sul que ainda mantém parte de sua estrutura ainda edificada apesar da grande degradação que vem sofrendo ao longo desses 137 anos. Rio de Janeiro: EdUERJ. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Paisagem. Imaginário e Identidade: alternativas para o estudo geográfico. lugares de memória. p. 2009. 2ª ed. A necessidade de intervenção no complexo fica explicitado quando observa-se a sua diminuição e desintegração ao longo dos anos. 2004. Carlos Fernando de Moura. Zeny.. p. Universidade Federal de Santa Catarina. 2007. 1975. Tempo e Cultura. In: ROSENDHAL. Boletim gaúcho de Geografia. Zeny. 1. nº4. Rio de Janeiro: Iphan.1997. Roberto L. In: ROSENDHAL. REFERÊNCIAS BERQUE. CORRÊA. HOLZER. entretanto. Florianópolis. o tempo atua de forma inapelável acelerando sua transformação. 2004. Porto Alegre. Patrimônio industrial: lugares de trabalho. Petrópolis: Vozes. 206 f. n. 1982. Paisagem. Virgínia Gomes de. Raphael. Cap. Roberto L. quando nada é feito para preservá-los. p. Evolução Urbana do Rio Grande. 4. Werther. 84-91. Augustin. CORRÊA. Maria Letícia Mazzucchi. Org. 1999. Paisagem. urge que se determine de forma ou de outra o tombamento e todos os procedimentos oriundos de sua chancela. COPSTEIN. Paisagem-Marca. Revista eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio. 2007. FERREIRA. Porto Alegre. 152 p. Intervenção em jardins históricos: manual. 21 . DELPHIM. O Trabalho estrangeiro no município do Rio grande. _________________. Teoria e prática da pesquisa./jun. 22-35. n.Paisagem e identidade são elementos fortemente vinculados. v. Fundamentos de Metodologia Científica. Rio de Janeiro: EdUERJ. Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Manifestações da Cultura no Espaço. LUCA.122.

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urbanos ou rurais.º . 1.O conceito de monumento histórico engloba. quer às realizações mais modestas que tenham adquirido significado cultural com o passar do tempo. Este conceito é aplicável. atual cidade de São Lourenço. nos quais sejam patentes os testemunhos de uma civilização particular. ou algum acontecimento histórico.iii Carlos Guilherme Rheingantz que foi agraciado com o Título de Comendador no ano de 1893 pelo Imperador D. de uma fase significativa da evolução ou do progresso. Art. fundador da Colônia Alemã de São Lourenço. quer às grandes criações. 23 . 1964. mas também os sítios. v CARTA INTERNACIONAL SOBRE A CONSERVAÇÃO E O RESTAURO DE MONUMENTOS E SÍTIOS. iv Prédio construído em estilo enxaimel que se encontra praticamente em ruína. Pedro II era filho do Alemão Jacob Rheingantz. não só as criações arquitetônicas isoladamente.

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