1946 – JÚRI – CONDENAÇÃO PELO ARTIGO 121, §§ 1º E 2º, INCISOS III E IV, DO CÓDIGO PENAL – COEXISTÊNCIA DO PRIVILÉGIO COM AS QUALIFICADORAS OBJETIVAS

– POSSIBILIDADE – HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO – HEDIONDEZ NÃO RECONHECIDA – PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL – CABIMENTO – LIMINAR DEFERIDA.
“1. Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 604.945, Rel. Min. Felix Fischer), assim ementado:

“PENAL. REGIME.

RECURSO

ESPECIAL.

HOMICÍDIO

QUALIFICADO.

CONDENAÇÃO.

Ressalvadas as exceções legais expressas aos crimes elencados na Lei nº 8.072/90, é de ser observado o disposto no seu art. 2º, § 1º. (Precedentes do Pretório Excelso e do STJ.) Recurso provido.” (fl. 271)

O paciente foi condenado pelo júri popular à pena de 13 (treze) anos e 8 (oito) meses de reclusão pela prática dos crimes previstos no art. 121, §§ 1º e 2º, III e IV, e art. 121, caput, c/c art. 14, II, na forma do art. 69, todos do CP (fls. 65-66). A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul deu provimento em parte a ambos apelos: “o defensivo, para rebaixar a pena do homicídio qualificado consumado para 10 anos de reclusão; e o ministerial, para majorar a sanção concernente ao homicídio simples tentado para 03 anos e 06 meses de reclusão. Julgaram prejudicados os recursos em relação aos demais aspectos neles contidos. Regime. Suprindo a omissão da sentença, fixa-se em inicial aberto o regime de cumprimento da sanção relativa ao homicídio simples tentado e em inicial fechado o regime de cumprimento da pena referente ao homicídio qualificado consumado” (fl. 71). O Superior Tribunal de Justiça deu provimento a recurso especial interposto pelo Ministério Público, determinando o cumprimento da pena de homicídio qualificado em regime integralmente fechado.

Daí a impetração do presente writ, em que se alega, em síntese, que “o homicídio qualificado-privilegiado (pelo qual foi condenado

por conter norma de caráter subjetivo. . 121 do CP). 2ª Turma. rel. no que concerne ao homicídio consumado. e de um direito penal garantista” (fl.072/90. a do inciso III do parágrafo 2º do art. corolário lógico do princípio da legalidade em matéria penal. não pode concorrer com a qualificadora que contiver preceito de natureza subjetiva (Damásio E. Requer a concessão de liminar para ser declarada a suspensão do acórdão da Quinta Turma do STJ.072/90 são taxativas (numerus clausus). afasta a hediondez do homicídio.2004: “Há correntes divergentes quanto a possibilidade de coexistência do homicídio privilegiado com o qualificado.12. algumas situações previstas na regra são de natureza subjetivas e outras são objetivas. com o encaminhamento do paciente de volta ao regime semi-aberto (na Fundação Patronato Lima Drummond). 17). 1º da Lei 8. Aponta precedentes do STJ e TJ/RS.2. portanto. § 2º). in Código Penal Anotado) No entanto. A previsão contida no art. Min.” No mesmo sentido. eis que “o reconhecimento da privilegiadora (parágrafo 1º do art. 11).2000. sem ofertar qualquer outra motivação autorizadora de tal incidência”. de natureza objetiva. 2ª Turma. pois as hipóteses previstas no art. Nelson Jobim no HC 77. DJ de 15.196. 121 do CP). Já no homicídio qualificado(CP art. o HC 76. DJ de 20. 121 do CP. mesmo que em convivência com qualquer qualificadora de natureza objetiva (no caso. sendo que a decisão da 5ª Turma do STJ acabou por aplicar o regime integralmente fechado sob este equivocado e ilegal fundamento. colho trecho do voto proferido pelo Min. III. compatível. de Jesus. 2.347. 121. 121. de sua relatoria. Maurício Corrêa. No caso em exame. foi reconhecida a qualificadora prevista no § 2º.o ora postulante) não autoriza a incidência da Lei nº 8. coexistem. com a forma privilegiada prevista no § 1º. por maioria. § 1º (homicídio privilegiado) traz circunstâncias de natureza subjetiva. Doutrina ensina que o homicídio privilegiado. o privilégio e a qualificadora objetiva. até a decisão final do presente habeas corpus (fl. em harmonia. Quanto à possibilidade da coexistência entre os §§ 1º e 2º do art.

2002) “EXCECUÇÃO PROGRESSÃO DE PENAL – HOMICÍDIO QUALIFICADO- PRIVILEGIADO INEXISTÊNCIA – DE REGIME PRISIONAL – POSSIBILIDADE – INCOMPATIBILIDADE.Tenho por plausível a alegação do impetrante no sentido de que o STJ “não examinou o aspecto de ser o delito homicídio qualificado/privilegiado. da Lei nº 8. DJ 11.210/84).261/RJ. 2º. REGIME PRISIONAL. CORPUS. PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL. depreende-se que a Corte a quo limitou-se a reiterar.” (HC 23. 2. Sexta Turma.07. Quinta Turma. A concessão de progressão de regime e de livramento condicional são questões que devem ser levadas ao Juízo da Execução. 263-271. CRIME HEDIONDO. ou outros crimes hediondos. PROCESSUAL PENAL. Com efeito. ou seja. por primeiro. na linha de precedentes do STJ e STF. HOMICÍDIO QUALIFICADO- CONCESSÃO PARCIAL DA ORDEM. DJ 01.072/90. Min. que elenca os crimes hediondos. De fato. alíneas 'b' e 'e'.” (HC 18. Min. 1. sem. da leitura do acórdão de fls.2002) “HABEAS PRIVILEGIADO. induzido ao erro os argumentos do Órgão Ministerial” (fl. HOMICÍDIO QUALIFICADO- PRIVILEGIADO. Hamilton Carvalhido. Rel.11. Ordem parcialmente concedida. de casos de homicídio qualificado puro ou tráfico de entorpecentes. possível é a progressão de regime'. não faz qualquer alusão à hipótese do homicídio qualificado-privilegiado.973/MS. a quem cabe. 3. colho precedentes do STJ que indicam o entendimento daquela Corte no sentido de que o homicídio qualificado-privilegiado não é crime hediondo: “HABEAS CORPUS. examinálas (artigo 66. examinar a peculiaridade de se tratar de homicídio qualificadoprivilegiado. da Lei nº 7. 'Se a Lei nº 8. O homicídio qualificado-privilegiado é estranho ao elenco dos crimes hediondos. . POSSIBILIDADE. José Arnaldo da Fonseca. baseando-se para sua decisão em jurisprudência diferente do caso em julgamento. contudo. a constitucionalidade do art. § 1º.072/90. 8). Rel. inciso III. Precedentes desta Corte Ordem concedida.

05. . Verifico.2004. Comunique-se.04 – DJU 01. com urgência.– Conforme jurisprudência desta Corte e do Pretório Excelso. com o encaminhamento do paciente de volta ao regime semi-aberto.” (HC 13001/SP. sendo possível. Quinta Turma. Publique-se.2003 foi concedida. até a decisão final do presente writ.10. Ante o exposto. para reconhecer ao paciente o direito à progressão do regime prisional. o homicídio qualificado-privilegiado não integra o rol dos crimes hediondos. ao paciente. Estando os autos suficientemente instruídos. acrescido a documentos nos autos que demonstram estar o paciente estudando e trabalhando(fls. Ante a inexistência de previsão legal. DJ 20. – Ordem concedida para que seja possibilitada a progressão. a progressão ao regime semi-aberto (fl. ao Juízo da Vara de Execuções Criminais da Comarca de Porto Alegre/RS. Quinta Turma.348-0-RS – Rel. Min. em razão da comunicação do trânsito em julgado da decisão do STJ (fl. entendimento que. Brasília.12. Precedente. (STF – HC n° 85. 29).02. Min. além disso. Edson Vidigal. Ellen Gracie – decisão de 28. consumado ou tentado. tenho por presente o fumus boni iuris. Min. DJ 09.2002) (HC “PROCESSUAL PENAL. que em 19. 287). colha-se a manifestação da Procuradoria-Geral da República. 2. indicam que a conduta do paciente é compatível ao regime semi-aberto. 28 de dezembro de 2004”. Rel. 3. 180-216). defiro a liminar para suspender os efeitos do acórdão proferido nos autos do REsp 604.12. Jorge Scartezzini. CRIME HEDIONDO.945 pela Quinta Turma do STJ. o homicídio qualificado-privilegiado não pode ser considerado como crime hediondo. HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO. tendo em vista a contradição entre o presente caso e a jurisprudência reiterada da Corte a quo. reputo relevante. regime esse que somente foi modificado para integralmente fechado em 20.12. portanto. 1.2000) Dessa forma.05. pág. ante a inexistência de previsão legal. REGIME PRISIONAL. bem como o menor desvalor da conduta em comparação ao homicídio qualificado. a progressão de regime. Esse fato. Pedido de Habeas Corpus deferido. 175). Rel.” 17064/RJ. em juízo prefacial.

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