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RESENHA DESCRITIVA:

A RODA DOS EXPOSTOS E A CRIANÇA ABANDONADA NA HISTÓRIA DO


BRASIL – 1726 - 1950.
Marcilio, Maria Luiza (1997). A roda dos expostos e a criança abandonada na
História do Brasil colonial: 1726-1950. In: Freitas, Marcos Cezar de (Org.),
História Social da Infância no Brasil. 3ª Ed. São Paulo: Cortez, 1997.

Por: Eva Lucia de Andrade e Silva

A roda dos expostos e a criança abandonada na História do Brasil


(In:1997/p.53-79): - Um trabalho da autora Maria Luiza Marcilio, professora,
pesquisadora, com doutorado na França nos anos 60, orientanda de Fernand
Braudel e, posteriormente, Louis Henry, o que lhe possibilitou passear com
facilidade entre a História Social e a Demografia Histórica.

Maria Luiza, neste trabalho nos apresentou apenas alguns aspectos


particulares da história da assistência a infância abandonada no Brasil, “aquela
realizada pela velha roda dos expostos”. (p.55)

A roda dos expostos foi uma das instituições brasileiras de mais longa
vida; - Criada no Brasil colonial, perpassando pelo período imperial e
conseguindo manter-se durante a República e, somente na década de 50 que
foi extinta em definitivo. Era um sistema que se originou na Idade Média e na
Itália. Esse sistema era uma forma de preservar o expositor no anonimato,
aquele que depositava nela o bebê enjeitado. Também, uma forma de
estimular que mais bebês fossem para a roda e que, não fossem largados nas
ruas e/ou nas matas (p.53-54).

No Brasil, os órfãos acolhidos através da roda já no século XVIII; caberia


a Santa Casa de Misericórdia a assistência à infância abandonada contando,
porém, com o auxílio da respectiva Câmara Municipal. Nesse sentido, foi
possível observar recorrentes tensões entre a entidade religiosa e o poder
local, principalmente pela obrigação pública de contribuir financeiramente para
a manutenção da Santa Casa.
A criança recebida pela Santa Casa de Misericórdia seria criada por uma
ama-de-leite geralmente até os três anos e depois, uma ama seca cuidava até
completarem sete anos, quando eram encaminhados para atividades
produtivas. Essas amas em quase suas totalidades eram mulheres pobres e na
maioria sem nenhuma instrução. Algumas casadas ou escravas que recebiam
um pagamento pelos serviços prestados, o que podia prolongar o período de
permanência dos pequenos, caso a Casa tivesse condições de pagá-la durante
esse tempo. Além disso, essa situação dava margem para diversos tipos de
fraudes, como mães que abandonavam seus bebês e logo em seguida se
ofereciam como nutrizes1. Por falta de recursos, a instituição procurava logo

1
Após deixarem seus filhos na roda; ofereciam-se para serem amas-de-leite do próprio filho.
empregar os órfãos – de algum oficio ou ocupação (ferreiro, sapateiro, caixeiro,
balconistas etc.) no caso dos meninos e como domésticas no caso das
meninas. Ainda, para os meninos havia a possibilidade de serem enviados para
as Companhias de Aprendizes Marinheiros ou de Aprendizes do Arsenal de
Guerra, verdadeiras escolas profissionalizantes dos pequenos desvalidos,
dentro de dura disciplina militar (p.75-76).

Em 1828, a promulgação da Lei dos Municípios, que isenta a


responsabilidade da Câmara para com os pequenos abandonados nas
províncias onde houvesse uma Santa Casa de Misericórdia que assumisse a
tarefa, vai significar uma das etapas de um processo de transformação do
caráter caritativo da assistência para um caráter mais com espírito filantrópico,
com maior intervenção do Estado. É importante lembrar que as concepções de
público e privado são assimiladas historicamente pelo imaginário social, dessa
forma o que pertence ao âmbito restrito do público ou do privado permeia as
discussões e ideologias de todo o século XIX. O que é atribuição exclusiva de
um e não de outro é uma questão flexibilizada e difícil de responder nessa
época.

É também durante o século XIX que iniciou-se forte campanha para


abolição da roda dos expostos. Esta passou a ser considerada imoral e contra
os interesses do Estado. No Brasil, esse movimento, partiu inicialmente dos
médicos higienistas; a medicina social ganha maior poder político e respaldo
social através dessa crescente intervenção, suas inúmeras críticas à estrutura
urbana e moral a sua volta. No que concerne a Casa dos Expostos, apontavam
principalmente as altas taxas de mortalidade e a dinâmica da ama-de-leite,
contando com o poder jurídico, que já esboçava outros meios de intervenção,
mais corretiva e moralizante.

Inicia-se então uma fase filantrópica assistencialista que pensa a educação


"moralizante" das crianças como meio fundamental de torná-las úteis e de
resguardar a própria sociedade. Na verdade, filantropia e caridade se
permeiam, adquirindo características mútuas: de um lado as estratégias
filantrópicas de prevenção da desordem e de outro, os preceitos religiosos da
caridade. Outrossim, erram os que pensam que a primeira situação é um
reflexo automático do processo de desenvolvimento econômico. Na realidade,
a melhoria da condição infantil foi resultado de muitas lutas populares e de
uma compreensão das formas especificas da organização familiar das
camadas populares.

Por fim, no que se pode observar; o trabalho de Marcilio deu-se num grande
projeto de investigação, incumbindo-se do estudo da historia da infância
abandonada, mesmo apresentando apenas alguns aspectos particulares da
história da assistência à infância.

Os.: vê se complementa esse final...