PLANO DE ENSINO CURSO

COMPONENTE CURRICULAR CÓDIGO DA DISCIPLINA

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO 1 AN CARGA HORÁRIA

DOCENTE

JOSÉ SOARES ANDRADE NETO

SEMESTRE

2010.2

60 h/a

EMENTA

Introdução à Epstemologia Jurídica. A Ciência do Direito. Direito e Ciências Afins. Teoria do Ordenamento Jurídico. Teoria da Norma Jurídica. O Fato Jurídico. Os Sujeitos de Direito. A Relação Jurídica. Direito Subjetivo, Direito Objetivo e Direito Potestativo. O Dever Jurídico. O Ilícito. A Sanção Jurídica. Fontes do Direito. Noções sobre os Principais Ramos do Direito Público e do Direito Privado.

OBJETIVO GERAL DO COMPONENTE CURRICULAR

O curso de Introdução ao Estudo do Direito da Faculdade da Cidade do Salvador tem como objetivo geral preparar o estudante do primeiro semestre para o aprendizado do direito, fornecendo-lhe com clareza e objetividade o arcabouço teórico necessário à compreensão e análise crítica da teoria e da prática jurídica.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Refletir e responder a perguntas como: o que é direito? Qual a sua finalidade? Promover a discussão acerca do caráter epistemológico (científico) do Direito, através da compreensão do processo de formação do conhecimento e de suas características básicas; Estudar o direito como Ciência e situá-lo no quadro das ciências; Informar acerca da teoria das normas e do ordenamento jurídico, realizando uma análise crítica acerca das teorias existentes; Dar breves noções básicas acerca das disciplinas existentes no curso de direito bem como das profissões correlatas.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

1 – Introdução à Epstemologia Jurídica. 1.1 - A Ciência do Direito; 1.2 - Direito e Ciências Afins; 1.3- Dogmática Jurídica e Zetética Jurídica. 2- Teoria do Ordenamento Jurídico; 2.1 – O Ordenamento Jurídico; 2.2- Direito Positivo e Direito Natural; 2.3 - Teoria Pura do Direito (Hans Kelsen); 2.4 – Teoria Tridimencionalista do Direito (Miguel Reale); 2.5 – Teoria Crítica do Direito; 3- Teoria da Norma Jurídica. 3.1 – Espécies de Normas; 3.2 – A Norma Jurídica; 3.3 - O Fato Jurídico; 3.4 - Os Sujeitos de Direito. 3.5 - A Relação Jurídica. 3.6 - Direito Subjetivo; 3.7 - Direito Objetivo; 3.8 - Direito Potestativo; 3.9 - O Dever Jurídico. 3.10- O Ilícito. 3.11- A Sanção Jurídica. 4- Fontes do Direito; 4.1 – Lei como fonte primária do direito; 4.2 – Princípios; 4.3- Costumes; 4.4 – Jurisprudência; 4.5 – Doutrina; 5- Noções sobre os Principais Ramos do Direito Público e do Direito Privado. 5.1 – Direito Público: 5.1.1- Direito Constitucional; 5.1.2- Direto Administrativo; 5.1.3- Direito Penal 5.2- Direito Privado; 5.2.1- Direito Civil ; 5.2.2 – Direito Empresarial;

DETALHAMENTO DO PLANO DE ENSINO CRONOGRAMA DAS AULAS SEMANA 21/07 01-03 CONTEÚDO ATIVIDADE (indicar a(s) estratégias s) didáticas a ser(em) utilizadas (s) em cada aula) Proporcionar ao discente o conhecimento sobre os métodos eficazes para o melhor desempenho nas atividades acadêmicas.

Palestra Abre-aulas: "Como estudar adequadamente" • Dinâmica de apresentação aos estudantes; Informes sobre o curso e avaliações; Leitura e discussão do Plano da disciplina;; Apresentação problema PPI;

28/07 04-06

• • •

Introdução ao conhecimento científico. Utilização de transparências e materiais necessários para a compreensão do aluno (textos).

- Introdução à Epstemologia Jurídica
- As várias formas de conhecimento e o conhecimento científico; - A Ciência do Direito (direito como ciência e como objeto); - Direito e Ciências afins; Dogmática Jurídica e Zetética Jurídica; -Teoria do Ordenamento Jurídico - O ordenamento jurídico; - Direito Positivo e Direito Natural; - Apresentação do texto: Crime sem perdão - Discussão do texto: divisão de equipes para apresentação nas proxímas aulas. Teoria Pura do Direito (O ordenamento jurídico segundo Hans kelsen); 18/08 13-15 25/08 16-18 01/09 19-21 08/09 22-24 15/09 25-27 22/09 28-30 29/09 31-33 - Teoria Tridimensionalista do Direito (O ordenamento jurídico segundo MiguelReale);

Utilização de transparências e materiais necessários para a compreensão do aluno. ATIVIDADE EXTRA CLASSE: Didática utilizando texto de grande importância para o entendimento do Direito Positivo e Direito Natural (atividade em grupo) Didática com perguntas pertinentes ao entendimento do conteúdo, buscando do aluno uma reflexão sobre a ciência do Direito.

04/08 07-09

11/08 10-12

Utilização de transparências e materiais necessários para a compreensão do aluno.

ATIVIDADE EXTRA CLASSE: Aula de motivação ao aluno a leitura, indicação de livros necessários para a compreensão do assunto (visita á biblioteca). Utilização de data – show e materiais necessários para a compreensão do aluno. Trabalho da I unidade. Com o objetivo de refletir sobre o pensamento positivista e naturalista e sua aplicabilidade em um caso específico. Trabalho da I unidade. Com o objetivo de refletir sobre o pensamento positivista e naturalista e sua aplicabilidade em um caso específico. Preparar o aluno para avaliação. Verificação da aprendizagem Estudo acerca das espécies de normas existentes, suas principais distinções das normas jurídicas; conhecimento e reflexão acerca dos fatos jurídicos, da estrutura e dos elementos que a compõem.

- Teoria Crítica do Direito;

Apresentação do trabalho: texto “crime sem perdão” Apresentação do trabalho: texto “crime sem perdão” Revisão da 1º avaliação 1º AVALIAÇÃO Teoria da Norma Jurídica - Espécies de Normas e a Norma Jurídica; - Fato Jurídico; - Continuar a entrega de Provas em Sala

3

de Aula se necessário. - Sujeitos de Direito; - Relação Jurídica; - Direito Subjetivo/Potestativo/Objetivo - Dever Jurídico - Ilícito e Sanção (enfoque nas sanções jurídicas) Fontes do Direito - Lei como fonte primária do direito; Demais fontes: - Princípios; -Costumes; - Jurisprudência; - Doutrina; Noções Sobre os Principais Ramos do Direito Disciplinas de Direito Público: Direito Constitucional; Administrativo e Processual. Tributário; Financeiro e Seguridade Social Disciplinas de Direito Privado: Direito Civil; Direito Empresarial; Direito do Trabalho. Obs: Discussão sobre o TID Principais Carreiras Jurídicas - Advocacia (Pública e Privada); – Magistratura; Utilização de data – show e materiais necessários para a compreensão do aluno. Dinâmica e exposição sobre casos práticos da relação jurídica

06/10 34-36

Utilização de data – show e materiais necessários para a compreensão do aluno. Debate sobre as fontes do direito e aplicação de questão problematizadora para reflexão dos discentes.

13/10 37-39

20/10 40-42

Breves noções acerca dos principais ramos do direito público.

27/10 43-45

Breves noções acerca dos principais ramos do direito privado

03/11 46-48

Breves noções acerca das principais carreiras jurídicas.

10/11 49-51

- Ministério Público; – Defensoria Pública; – Delegado de Polícia; - Aplicação do questionário

Breves noções acerca das principais carreiras jurídicas.

17/11 52-54 24/11 55-57 01/12 58-60

Preparar o aluno para avaliação. Revisão da 2º avaliação 2º AVALIAÇÃO Entrega das Atividades Avaliativas Revisão Prova Final Verificação da aprendizagem

Aula de discussão sobre a II AVALIAÇÃO

Obs.: os registros acima correspondem a 60 horas/aula de 50 minutos.

4

UNIDADE

CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES DISCENTE EXTRA CLASSE ATIVIDADE CONTEÚDO Entrega de texto para discussão: O Direito como meio Introdução ao Conhecimento Cientifico de pacificação social. Texto para discussão: Crime sem perdão. Direito Positivo e Direito Natural Aula de motivação ao aluno a leitura, indicação de livros necessários para a compreensão do assunto (visita á Teoria do Ordenamento Jurídico biblioteca) Dinâmica e exposição sobre casos práticos da relação jurídica. Debate sobre as fontes do direito e aplicação de 2 questão problematizadora para reflexão dos discentes. Teoria da Norma Jurídica Fontes do Direito

2º Aplicação de questionário com todo conteúdo Teoria da Norma Jurídica; programático da unidade, envolvendo os alunos em Fontes do Direito; uma discussão importante para a conclusão da Disciplinas do Direito Público e Privado; disciplina. Principais Carreiras Jurídicas Obs.: os registros acima correspondem a 10 horas de atividades acadêmicas efetivas.

CRITÉRIOS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO A avaliação será processual e contemplará o conhecimento adquirido pelo aluno, a freqüência e a participação nas atividades. A verificação formal será realizada, em cada unidade, conforme quadro abaixo. Será aprovado o aluno que atingir 70% de aproveitamento nas unidades (média sete).

5

0 3 Grupo OUTROS 10.ATIVIDADE VALOR PESO DATA OBSERVAÇÃO UNIDADE I TRABALHOS INTERDISCIPLINAR 10.0 7 Individual UNIDADE II TRABALHOS INTERDISCIPLINAR INTERDISCIPLINAR 10.0 6 .0 - Grupo ou Individual PROVA 10.

Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. Maria Helena. fundado e demonstrado através de um método científico adequado. 2005. UNB. Ricardo Maurício. Conhecimento religioso. “O conhecimento científico é aquele que procura dar às suas constatações um caráter estritamente descritivo. entre outros equipamentos e recursos disponibilizados pela instituição para que se proponha ao aluno uma aula mais interessante e dinâmica. 17). 5. São Paulo: Saraiva. Lições preliminares de direito. 1995. 3. São Paulo: Saraiva. 6. Maria Helena. comprovado e sistematizado” (M. slides.. 8. NOGUEIRA. 3ª edição. Editora: Noeses 4ª edição. DINIZ. 1969. Rubem. Rio de Janeiro: Forense. apresentação com data. Conhecimento filosófico. IHERING. Saraiva. Introdução ao Estudo do Direito. A. dirigido a um determinado objeto devidamente delimitado. Ed. Curso de Introdução ao Estudo do Direito. Helena Diniz. 7. São Paulo: Atlas 4. FREIRE.FERRAZ JÚNIOR. conforme regras da ABNT) 1. 6ª edição.L. 2004. Miguel. Conceito de Ciência Ciência é um complexo de enunciados verdadeiros. 1) 1. 2001. Brasília. 2007.BOBBIO. Rudolf Von.1) • • • • Introdução à Epistemologia Jurídica Formas de Conhecimento: Senso comum. Teoria do Ordenamento Jurídico. rigorosamente sistematizado. MACHADO NETO. Salvador: Juspodivm. 17ª edição. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES (em ordem alfabética. REFERÊNCIAS BÁSICAS (em ordem alfabética. 7 . Iniciação na Ciência do Direito. 3. Conhecimento científico.RECURSOS Serão utilizados textos. A Luta pelo Direito. REALE. São Paulo. Curso de Introdução ao Estudo do Direito. conforme regras da ABNT) 1. MAXIMILIANO. 2006. 2009. pág. Rio de Janeiro: Editora Forense. DINIZ. 2. Norberto. Carlos. TELLES JÚNIOR.show. 2001. 2. genérico. As lacunas do Direito. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 27ª ed. Tércio Sampaio. 2004. São Paulo. Compêndio de Introdução ao Estudo do Direito. 1987. 3ª edição. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Saraiva. Goffredo. 19ª edição.

Principais elementos do conhecimento científico: a) Sujeito cognoscente dotado de neutralidade axiológica (I. verificando.Evolução: Jurisprudência romana. delimitação de seu objeto temático.3) A Epistemologia Jurídica. Ciência atual. Pós-Glosadores. b) Objeto cognoscível delimitado. 1. Glosadores. .2) Epistemologia = Teoria da Ciência 1. quais os métodos mais adequados ao estudo do direito. A epistemologia jurídica ocupa-se com o estudo da ciência do direito principalmente no que diz respeito à análise seus pressupostos. ainda. 2) A Ciência do Direito. Superação como parte do processo de conhecimento. (Limitação do objeto/Corte epistemológico) c) d) e) Métodos específicos. (Indutivo/dedutivo/dialético/tópico) Sistematização. Kant). Ciência do Direito 8 .Surgimento (O que surgiu primeiro: direito ou ciência?). . Idade Média.

. pág.O QUE É O DIREITO? PORQUE O DIREITO OBRIGA? 1.2) IED é ciência? . 16.Qual a sua finalidade? 2. em suma.1) Objeto da ciência do Direito. tem por objeto o fenômeno jurídico tal como ele se encontra historicamente realizado. É NECESSÁRIA A RELAÇÃO DO DIREITO COM OUTRAS CIÊNCIAS? 1.Ausência de objeto delimitado. adaptado). através de métodos bem definidos (Miguel Reale. Estuda.O que é direito? .A) FILOSOFIA E DIREITO FILÓSOFO = AMIGO DA SABEDORIA (Pitágoras) FILOSOFIA DO DIREITO = DISCUSSÃO DO DIREITO EM SUA ESSÊNCIA.A Ciência do Direito. pois. 2. A FILOSOFIA DO DIREITO RESPONDE A PERGUNTAS COMO: . o direito sistematicamente. ou Jurisprudência. para saber. 2000. como os grupos humanos se organizam e se 9 .B) SOCIOLOGIA E DIREITO “A sociologia tem por fim o estudo do fato social na sua estrutura e funcionalidade. 1) DIREITO E CIÊNCIAS AFINS.

PREDOMINA FUNÇÃO DIRETIVA. Classificação dos comportamentos humanos como lícitos ou ilícitos. . HISTÓRIA. bem como da influência deste na construção do direito. Samuelson e William D. MEDICINA. A) DOGMÁTICA JURÍDICA: .desenvolvem. 1. etc.OS DOGMAS NÃO SÃO DISCUTIDOS. 10 .D) OUTRAS CIÊNCIAS . em função dos múltiplos fatores que atuam sobre as formas de convivência. . ENGENHARIA. Nordhaus)” Infra-estrutura e superestrutura (Marx) (economia) (direito) O direito é um mero reflexo da economia? A economia é independente do direito? RELAÇÃO DIALÉTICA ENTRE DIREITO E ECONOMIA. “Economia pode ser definida como a ciência que estuda a forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com valor e de como os distribuem entre os vários indivíduos (Segundo Paul A. pág.C) DIREITO E ECONOMIA. 2) DOGMÁTICA E ZETÉTICA JURÍDICA. . 2000.” (REALE.ENFOQUE NAS RESPOSTAS/SOLUÇÕES. 19) SOCIOLOGIA JURÍDICA: Estudo das implicações do direito e da sua efetividade num determinado meio social. 1.PARTE-SE DE PRESSUPOSTOS FIXOS.PSICOLOGIA.

ENFOQUE NOS QUESTIONAMENTOS. 1. CAPUT – ESTRANGEIRO E PRINCÍPIO DA ISONOMIA.B) ZETÉTICA JURÍDICA: .. O DIREITO NÃO É NORMA.QUESTÃO POSSESSÓRIA (DOGMÁTICO) .OS PRESSUPOSTOS SÃO SUBSTITUÍVEIS.DEUS NA FILOSOFIA (ENFOQUE ZETÉTICO) . TEORIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO.. MAS UM CONJUNTO COORDENADO DE NORMAS. OU O SISTEMA DE NORMAS COERCITIVAS QUE REGULAM A CONVIVÊNCIA SOCIAL PACÍFICA (NOGUEIRA. .PREDOMINA FUNÇÃO INFORMATIVA. . (BOBBIO. PORTANTO.DEUS NA TEOLOGIA (ENFOQUE DOGMÁTICO) . .OS DOGMAS SÃO DISCUTIDOS. 2) ART. CF E INCISOS – TRABALHADORES URBANOS E RURAIS X SERVIDORES PÚBLICOS. MAS ESTÁ LIGADA A OUTRAS NORMAS COM AS QUAIS FORMA UM SISTEMA NORMATIVO.A) DIREITO POSITIVO “É O CONJUNTO DE NORMAS JURÍDICAS RECONHECIDAS E APLICADAS PELA AUTORIDADE PÚBLICA.JUSTIÇA DA POSSE (ZETÉTICA) 2) O ORDENAMENTO JURÍDICO “. E QUE. 5º. 21) EXEMPLOS DE SISTEMATIZAÇÃO DAS NORMAS: 1) ART. SENDO EVIDENTE QUE UMA NORMA JURÍDICA NÃO SE ENCONTRA JAMAIS SÓ.SÓ SE PODE FALAR EM DIREITO ONDE HAJA UM COMPLEXO DE NORMAS FORMANDO UM ORDENAMENTO. EXEMPLOS: . 7º . 28)” 11 . CF. PÁG. PÁG.

“.TEORIAS DO POSITIVISMO (PURA. “ENQUANTO O DIREITO PÚBLICO REGULA AS RELAÇÕES ENTRE ENTES PÚBLICOS OU ENTRE ESTES E PARTICULARES. 245) .O DIREITO POSITIVO É O CONJUNTO DE NORMAS ESTABELECIDAS PELO PODER POLÍTICO QUE SE IMPÕEM E REGULAM A VIDA SOCIAL DE UM DADO POVO EM DETERMINADA ÉPOCA.. INSPIRAM O LEGISLADOR AO ELABORAR O DIREITO POSITIVO E VALEM COMO PADRÃO AO HOMEM PARA JULGAR O DIREITO ESCRITO”. TRATANDO DE INTERESSES PÚBLICOS. -RAMOS DO DIREITO PÚBLICO E PRIVADO. -DIREITO NATURAL E TEOLOGIA (ESCOLÁSTICOS). IGUAIS PARA TODOS E UNIVERSAIS. O DIREITO PRIVADO TRATA DAS RELAÇÕES ENTRE OS ENTES PRIVADOS. POSITIVISMO ANALÍTICO E TRIDIMENSIONAL). 1.” EXEMPLOS: 1) LICITAÇÃO DE OBRA PÚBLICA. (DNIZ. 2) CONTRATO DE LOCAÇÃO. DIREITO NATURAL E ANTROPOCENTRISMO. . PÁG.DIREITO OBJETIVO E SUBJETIVO. -DIREITO PÚBLICO E PRIVADO. NA RESOLUÇÃO DOS SEUS INTERESSES PARTICULARES..B) DIREITO NATURAL “O DIREITO NATURAL SE COMPÕE DE PRINCÍPIOS SUPERIORES IMUTÁVEIS. NECESSÁRIOS. QUE SEMPRE E POR TODA PARTE EXISTIRAM. 12 .

condenado a sete anos de reclusão pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso por crime de estupro contra menor de 14 anos. seria julgado pela 1ª Turma do STF. os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram que a união estável entre ofensor e vítima. inicialmente. não é suficiente para a extinção da punibilidade. O relator da matéria. Mas. contra a aplicação da pena a um homem que havia estuprado uma 13 . do Código Penal. nos termos do artigo 107. a aplicação da norma anterior. Crime sem perdão Casar com vítima menor não livra estuprador da culpa por Alexandre Machado Por maioria de votos. NATURAL: “O BEM DEVE SER FEITO. requereu a reforma da decisão. que tinha a seguinte redação: “art.. em caso de estupro. Trabalho. O dispositivo já foi revogado pela lei 11.) VII – pelo casamento do agente com a vítima. equiparação entre a união estável e o casamento no caso. De acordo com suas fundamentações. por analogia. em razão da relevância.. (EX: Vida. onde começou a ser julgada em março do ano passado.. haveria. nos crimes contra os costumes. 107: Extingue-se a punibilidade: (.106/05. definidos nos Capítulos I. que deveria haver prudência e seria importante evitar a formalidade excessiva.. o réu... etc. Liberdade. à época. ainda. Na primeira instância ele havia sido absolvido. a matéria foi enviada ao Pleno. Firmar pactos justos. VII. se fosse o caso. acolheu o recurso. O tema. deveria ser mantida. O MAL EVITADO” SUAS NORMAS SÃO UNIVERSAIS E IMUTÁVEIS. NATURAL: A NATUREZA CRIA AS NORMAS.PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DO DIR.) DIREITO POSITIVO X DIREITO NATURAL POSITIVO: O HOMEM CRIA AS NORMAS. Mas como a revogação criou uma situação menos favorável ao réu. ministro Marco Aurélio. A discussão girou em torno da equiparação da união estável ao casamento para fins de extinção da punibilidade.)”. No pedido. nove anos. II e III do Título VI da Parte Especial deste Código (. A decisão foi tomada no julgamento de recurso menor de. Um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes suspendeu o julgamento. O ministro entendeu.

o ministro Carlos Brito. para fins de incidência do art. cumpre deliberar se o mais importante para o Estado é a preservação da família ou o remédio para a ‘ferida social’ causada pelo insensato intercurso sexual. Por sua vez. a figura da união estável. é condenável. nos dias atuais. Para Mendes. o fato. sustentou Marco Aurélio. vigente há 60 anos. “A união estável. na hipótese. em flagrante abuso de sua autoridade. confiada a um tutor que. explicou Marco Aurélio. nem muito menos. de forma livre e consciente. qual o bem da vida que juridicamente é protegido pela norma constitucional inserta neste dispositivo?” O ministro considerou essencial destacar é o fato de se tratar de uma situação fática repugnante: uma criança. De acordo com o ministro. destacou. que mantém relações sexuais com seu tutor legal. o fato de adolescente. §3º. O ministro não escondeu o espanto ao ressalvar o fato de que a vítima do estupro. do Código Penal”. um casamento. Para Gilmar Mendes. no Código Penal. para ocorrer o casamento. é uma relação de convivência e afetividade em que homem e mulher de idade adulta. 107. VII. não pode ser considerado como hipótese típica de perdão. segundo a qual a família é base da sociedade e está protegida pelo Estado. da Constituição Federal. ao trazer seu voto para o julgamento. que acompanhou a divergência entendeu. 226. “Quanto ao confronto de valores. no confronto entre os artigos 227 e 226 da Constituição da República. visto que. 14 . Brito avaliou que. reconhecer. que se equipara a casamento por força do art. Ato repugnante Nesta quinta-feira (9/2). portanto. o que prevalece é a determinação da Constituição Federal (artigo 226. o ministro Gilmar Mendes afirmou: “O que justifica o meu pedido de vista é a preocupação com a hipótese concreta em que ocorre a discussão dos presentes autos: uma menina de idade entre 9 e 12 anos. dada a idade da jovem — situação não de todo surpreendente. é preciso debater se “a situação concreta apresentada no caso pode ser considerada união estável para fins do art. Fez questão de esclarecer que o “pano de fundo”. o relator pediu para se pronunciar. Ou seja. “Temos uma realidade que não pode ficar em segundo plano. depois de ter o filho. 226. a partir dela. antes de se discutir a equiparação entre a união estável e o casamento. Assim. Depois de Brito. mantém com o intuito de constituírem família. manteve com ela relações sexuais desde que esta tinha 9 anos de idade. A vítima compõe uma família”. a iniciação sexual começa visivelmente cada vez mais cedo”. da Constituição Federal de 1988. “Ninguém encampa a idéia do abuso. mas no meu voto eu dei conseqüências ao fato”.em razão de ter o conceito de família sido alterado — não havendo. com quem ela vivia desde os 8 anos de idade”. Não se pode equiparar a situação dos autos a uma união estável. sequer havia menstruado. “A proteção à criança e ao adolescente é absoluta prioridade”. deve prevalecer o primeiro. vir a juízo afirmar que vive maritalmente com o seu opressor. quando do acontecimento. homem e mulher devem ter consciência e estrutura para manifestarem suas vontades. disse o ministro. extinguindo a punibilidade. então marido de sua tia. parágrafo 3º). §3º.

E chegou a ponderar sobre a possibilidade da situação de convivência entre agressor e vítima configurarem uma ofensa à dignidade da pessoa humana. VII. em razão de idade. 107. Ellen Gracie. Sepúlveda Pertence acompanhou o relator. O ministro Cezar Peluso. artigo 1551 — não desfaz o casamento.376 Leia o voto do ministro Gilmar Mendes O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES: Trata-se de recurso extraordinário interposto por José Adélio Franco de Moraes (Réu nos autos da Apelação Criminal nº 2003. da Constituição Federal. 121141). duradoura. lembrou da atenção especial dispensada pela Constituição à família. bem como a ausência de amparo legal. reconheça a união de fato. do Código Penal (fls. RE 418. 111) O argumento principal do presente recurso extraordinário é o de que houve contrariedade ao disposto no artigo 226. engravidando-a. que não há razão para se extinguir a punibilidade do ora apelado. uma vez que a decisão recorrida deixou de reconhecer a união estável entre homem e mulher como uma entidade familiar. “Ainda que a Constituição Federal. prática de estupro com violência presumida contra sua sobrinha Jardelina Corrêa Paixão. Como a progressão de regime em caso de crime hediondo está sob a análise do próprio Supremo. Marco Aurélio levantou questão de ordem sobre o regime de cumprimento da pena.O ministro Celso de Mello acompanhou o relator. a situação de fato. sob o argumento de que. haja vista a gravidade da conduta. postulando reforma da decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul. da Constituição.005622-0). é inequívoca. Entendeu que os sete anos deveriam ser apenas inicialmente em regime fechado. 11) E conclui: “A toda evidência. Ao final. para efeitos da aplicação da cláusula de extinção da punibilidade prevista no art. porém. 102. ao cuidar do amparo à família. com fundamento na alínea “a” do art. resultante de gravidez. Lembrou ainda que a lei civil — Código Civil. §3º. inciso VII. inclusive. o Pleno entendeu por bem resolver a questão depois. razão pela qual a prova do concubinato não é suficiente para que se reconheça a extinção da punibilidade pretendida. 15 . do Código Penal não foi derrogada. e deverá ser julgado na próxima semana. em razão da idade. a vítima é incapaz de consentir. III. condenando o acusado.”(fl. Nesse sentido.”(fl. menor de 14 anos de idade. portanto. a da convivência pública. a exigência legal contida no artigo 107. Para ele. reafirmou que. a divergência iniciada por Joaquim Barbosa. que deu provimento ao recurso de apelação do Ministério Público.

afirmando. são terríveis. nesse contexto. repita-se. 107. cumprido o decreto condenatório. Os avanços da sociedade. inexistente óbice ao casamento.” O Ministro Joaquim Barbosa divergiu do Relator. sendo. em regime integralmente fechado. negando provimento ao recurso extraordinário. exclui a consideração do preceito medular do § 3º do artigo 226 da Constituição Federal? A resposta é desenganadamente negativa. alçando-a a patamar que. tendo em vista que envolve estupro de uma menina de nove anos de idade. no texto constitucional. protegida pelo Estado. do Código Penal. Descabe cogitar de preservão da união estável a ser protegida pelo Estado quando se substitui decisão absolutória do Juízo por condenatória à pena de sete anos de reclusão. embora distinto do relativo ao casamento. sinalizando-se quanto à conversão em casamento. nos seguintes termos: “A proteção visada não foi do agente em si.O Ministro Marco Aurélio. não se cogitava da união estável. a interpretação analógica. também votou pelo desprovimento do recurso. Existente. a 16 . reconhecendo união estável no caso dos autos e. o Ministro Cezar Peluso. incentivando-a. VII. a interpretação sistemática. no que esta vise a beneficiar o agente. que na sua avaliação. em 1940. afigurando-se esta com a mesma dignidade merecedora de atenção. que uma criança de 9 ou 10 anos não tem a mesma consciência de uma pessoa adulta para distinguir entre o discurso do carinho e o discurso erótico. da união estável. Há de se admitir que a realidade levou ao agasalho. o acusado? O fato de o inciso VII do artigo 107 do Código Penal fixar como causa de extinção da punibilidade o casamento do agente com a vítima. muito menos de previsão constitucional revelando-a. equiparando-a ao casamento para fins de aplicação da hipótese de extinção da punibilidade prescrita no art. é próprio à proteção do Estado. estável entre homem e mulher como entidade familiar. mas da família surgida. tem-se a família. Acompanhando a divergência. de forma que. Relator. como se casamento houvesse. os novos ares vividos desaguaram na norma do artigo 226 do Diploma Maior de 1988. em síntese. Indaga-se: é possível abandonar. para tanto devendo a lei dispor a respeito. a entidade familiar formada. votou pelo provimento do recurso extraordinário. nos crimes contra os costumes. a base da extinção da punibilidade. por dois argumentos principais: a) o de que somente o casamento regularmente celebrado teria o condão de extinguir a punibilidade no caso. dissolvendo-se. e b) as circunstâncias específicas do caso. À época da promulgação deste.

. com quem ela vivia desde os 8 anos de idade. no presente recurso extraordinário. 107. como supre a solução. o fato de ter sido revogada. também foi objeto de consideração. CF/88). pela Lei nº 11. O que justifica o meu pedido de vista é a preocupação com a hipótese concreta em que ocorre a discussão dos presentes autos: uma menina de idade entre 9 e 12 anos.. nos crimes contra os costumes. aquela família que deva ser preservada a partir dos valores constitucionais. São palavras do Ministro Cezar Peluso: “Diante desse fato e do meu ponto de vista – parece que a idiossincrasia não era apenas minha.]que começa com uma violência contra uma menina de 9 anos . 226.].. da Constituição 17 . que merece a proteção do Estado. nos termos do comando constitucional em discussão. então marido de sua tia. §3º. ao Estado. 226. pelo vênia ao eminente Ministro Marco Aurélio para negar provimento ao recurso.” Por fim. AnteriorPáginas 1 2 continuação Mas também revela-se necessário investigar uma questão prévia a esta: se a situação concreta apresentada no caso pode ser considerada união estável para fins do art. a qual reproduz depoimento da vítima na fase policial . apresentou pelo menos dois argumentos incisivos para acompanhar a divergência: 1) o não-cabimento de interpretação analógica em matéria penal. a família da qual nasce a sociedade civil e depois se realiza. mas foi agora assumida pelo legislador -.cfr. é a equiparação do instituto da união estável ao casamento (art. em aparte do Ministro Celso de Mello. para a hipótese “[. que mantém relações sexuais com seu tutor legal. definidos nos Capítulos I. E continua “[.” O Ministro Eros Grau.106/05. VII.e aparentemente prossegue com mais violência ainda –[. para efeitos de aplicação da hipótese de extinção da punibilidade prevista no art. na minha pré-compreensão. acompanhando a dissidência. na hipótese. do Código Penal (VII – pelo casamento do agente com a vítima. a hipótese de extinção de punibilidade discutida nos autos... II e III do Título VI da Parte Especial deste Código). 112).. e 2) a não-caracterização da família. §3º. em seu voto.Nem ela é. fl. Não há dúvida de que uma questão jurídica central trazida para exame da Corte.”.absolvição do crime de estupro.] não é seguramente. (Essas informações estão explicitadas na decisão recorrida. representaria uma agressão ao processo de formação da própria personalidade humana.

Cuida-se. com absoluta prioridade. nos termos do art. se é dever do Estado proteger a família. o direito à vida. como célula básica da sociedade brasileira.. conforme preceituado no art. no seu art. qual o bem da vida que juridicamente é protegido pela norma constitucional inserta neste dispositivo? O dispositivo constitucional em questão tem o seguinte teor: “Art. no caso dos autos. independentemente de ser fruto de uma união oficializada perante o Estado (casamento civil) ou de uma união estável. 227 da Constituição Federal.. 226 A família. em flagrante abuso de sua autoridade. crueldade e violência por parte daquele que tinha o dever de protegêla contra esses males. violência. que se equipara a casamento por força do art.. é o fato de se tratar de uma situação fática repugnante: uma criança. à alimentação.Federal de 1988. ao respeito. também é seu dever. da Constituição Federal. §8º: “O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram. §3º. base da sociedade. extinguindo a punibilidade. crueldade e opressão” (grifos nossos) Assim. o que parece essencial destacar. manteve com ela relações sexuais desde que esta tinha 9 anos de idade. discriminação. vir a juízo afirmar que vive maritalmente com o seu opressor. de forma 18 . 226. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. na discussão posta. é preciso registrar que a própria Constituição constrói o conceito de família. 226. A união estável. de uma menina de 12 anos que engravidou. à saúde. à educação. a exploração. tem especial proteção do Estado. após manter relações sexuais com o marido de sua tia. §3º Para efeito da proteção do Estado. Não se pode olvidar o fato de tratar-se. devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. submetida pela sua condição de vida. criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações..” Sua finalidade é proteger a instituição família. à dignidade. Por interpretação sistemática. do Código Penal. confiada a um tutor que. enfatizando. “[.]assegurar à criança e ao adolescente. 107. seu tutor legal desde os 8 anos de idade. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. de permanente coação psicológica e moral a uma criança. [. O fato de esta adolescente.]. VII. depois de ter o filho. exploração. é uma relação de convivência e afetividade em que homem e mulher de idade adulta. não pode ser considerado como hipótese típica de perdão. é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar. em verdade.” Ora. Ou seja.

num plano mais específico. e do Judiciário. e que tem como conseqüência a sensível diminuição da discricionariedade (liberdade de conformação) do legislador. um dever de proteção por parte do Estado. Ano XXXII. a inconstitucionalidade pode advir de proteção insuficiente de um direito fundamental-social. na perspectiva do dever de proteção. que se consubstancia naqueles casos em que o Estado não pode abrir mão da proteção do direito penal para garantir a proteção de um direito fundamental. mantém com o intuito de constituírem família. (. a partir dela. num plano mais geral. reconhecer. marco/2005. de outro. Ou seja. A dupla face do princípio da proporcionalidade: da proibição de excesso (Übermassverbot) à proibição de proteção deficiente (Untermassverbot) ou de como não há blindagem contra normas penais inconstitucionais.livre e consciente. caso em que determinado ato é desarrazoado. Nesse sentido. p. o Professor Ingo Sarlet: “A noção de proporcionalidade não se esgota na categoria da proibição de excesso. nº 97. a inconstitucionalidade pode ser decorrente de excesso do Estado. notadamente no que diz com os desdobramentos da assim chamada 19 .. inclusive quanto a agressões contra direitos fundamentais provenientes de terceiros.”(Streck. Quanto à proibição de proteção deficiente. caracterizando-se típica hipótese de proteção deficiente por parte do Estado. Não se pode equiparar a situação dos autos a uma união estável. para fins de incidência do art. ao contrário do garantismo negativo (que se consubstancia na proteção contra os excessos do Estado) já consagrado pelo princípio da proporcionalidade. já que abrange. resultando desproporcional o resultado do sopesamento (Abwägung) entre fins e meios. A proibição de proteção deficiente adquire importância na aplicação dos direitos fundamentais de proteção. Revista da Ajuris. a doutrina vem apontando para uma espécie de garantismo positivo. que a proporcionalidade possui uma dupla face: de proteção positiva e de proteção de omissões estatais. VII. estar-se-ia a blindar. assim. do Código Penal. situação fática indiscutivelmente repugnada pela sociedade. Este duplo viés do princípio da proporcionalidade decorre da necessária vinculação de todos os atos estatais à materialidade da Constituição. de tal sorte que se está diante de dimensões que reclamam maior densificação. como ocorre quando o Estado abre mão do uso de determinadas sanções penais ou administrativas para proteger determinados bens jurídicos. um casamento. De outro modo. por meio de norma penal benéfica. ensina o Professor Lênio Streck: “Trata-se de entender. Lênio Luiz.. na hipótese. 107.). nem muito menos. ou seja.180) No mesmo sentido.

para além da costumeira compreensão do princípio da proporcionalidade como proibição de excesso (já fartamente explorada pela doutrina e jurisprudência pátrias). 226.”(Sarlet.) Dessa forma. na esfera da política criminal. no caso. ano XXXII. Revista da Ajuris.) E continua o Professor Ingo Sarlet: “A violação da proibição de insuficiência. 107. no que diz com o cumprimento de um imperativo constitucional. por conseguinte. onde encontramos um elenco significativo de exemplos a serem explorados. ao condenar o ora Recorrente pela prática do crime de estupro (deixando de acolher a tese de que ocorrera a hipótese do inciso VII do art. Conferir à situação dos presentes autos o status de união estável. a qual abrange uma série de situações. portanto. 132. Ingo Wolfgang. junho/2005. nego provimento ao recurso extraordinário.proibição de insuficiência no campo jurídico-penal e. há uma outra faceta desse princípio. p. 20 . propriamente. Revista da Ajuris. VII. Ingo Wolfgang. da Constituição Federal. 107. §3º. a decisão recorrida. dentre os quais evidentemente está o Poder Judiciário. dentre as quais é possível destacar a dos presentes autos. nº 98. Constituição e proporcionalidade: o direito penal e os direitos fundamentais entre a proibição de excesso e de insuficiência. 107 do Código Penal) não infringiu a norma constitucional prescrita no art. p. encontra-se habitualmente representada por uma omissão (ainda que parcial) do poder público. ano XXXII. Constituição e proporcionalidade: o direito penal e os direitos fundamentais entre a proibição de excesso e de insuficiência. mas não se esgota nesta dimensão (o que bem demonstra o exemplo da descriminalização de condutas já tipificadas pela legislação penal e onde não se trata. equiparável a casamento. Isso porque todos os Poderes do Estado. Diante do exposto. Joaquim Barbosa. para fins de extinção da punibilidade (nos termos do art. acompanhando a divergência. do Código Penal) não seria consentâneo com o princípio da proporcionalidade no que toca à proibição de proteção insuficiente. nº 98. um imperativo de tutela ou dever de proteção. duma omissão no sentido pelo menos habitual do termo). sendo este mais um motivo para acompanhar a divergência inaugurada pelo Min.”(Sarlet. estão vinculados e obrigados a proteger a dignidade das pessoas. Assim sendo. junho/2005.

segundo ele. vinha sendo deturpada pelos estudos sociológicos. • O plano da Teoria Pura era atingir a autonomia disciplinar para a ciência jurídica. políticos. no Direito. Separa por completo a idéia entre direito e justiça. os ideais de toda a ciência: objetividade e exatidão. como medida de garantir autonomia científica para a disciplina jurídica. Kelsen propõe uma depuração do objeto da ciência jurídica. 21 . O ordenamento piramidal de Kelsen: • CF LEIS Norma Hipotética Fundamental REGULAMENTOS SENTENÇAS Norma hipotética fundamental: pressuposto lógico de validade do ordenamento jurídico. uma concepção de ciência jurídica com a qual se pretendia finalmente ter alcançado. • Para alcançar tais objetivos. psicológicos e filosóficos. na sua obra Teoria Pura do Direito. que.conjunto das normas válidas hierarquicamente estabelecidas. • Ordenamento jurídico positivo . sem importar a justiça do seu conteúdo material.TEORIA PURA DO DIREITO HANS KELSEN (1881-1973) • Hans Kelsen apresenta.

• HETERONOMIA. VALOR – ASPECTO AXIOLÓGICO. desprezando-se o conteúdo das normas insertas no ordenamento. se tem vigência. mas sim se é válida formalmente. mas obriga e compele o cumprimento das suas normas. • BILATERALIDADE ATRIBUTIVA.Segundo Kelsen. O direito não só recomenda. É legítima a exigência de uma prestação ao tempo em que é devido o seu cumprimento. pelo poder 22 . não cabe à ciência jurídica dizer se uma norma é ou não justa. legislativo competente. ou se é ou não obedecida. CAUSALIDADE (SER) E IMPUTAÇÃO (DEVER-SER) • • Dado um fato “A” será “B” (Causalidade – Ciências Naturais) Dado um fato “A” deve ser “B” (Imputação – Ciência Normativa) Crítica Principal à Teoria Pura do Direito de Kelsen: Exclusão dos Valores. NORMA – DOGMÁTICA JURÍDICA. • COAÇÃO. TEORIA TRIDIMENSIONAL DO DIREITO (MIGUEL REALE (1910 2006) FATO – ASPECTO SOCIAL E CULTURAL. A elaboração das normas se dá por terceiros. ou seja.

que melhor corrija as desigualdades sociais e econômicas. com a contribuição de pensadores europeus que estudavam o Direito de modo crítico. Rejeição à fonte estatal do direito. bem como contesta o tipo de justiça apresentado por determinado ordenamento jurídico. que seria insuficiente para resolver os conflitos que brotam das necessidades populares. nasce o direito Alternativo.). com a manchete JUÍZES GAÚCHOS COLOCAM DIREITO ACIMA DA LEI. A reportagem buscava desmoralizar o grupo de estudos e. combate os dogmas do positivismo e do naturalismo. No Brasil as discussões acerca da importância pedagógica da teoria crítica no Direito ganharam força a partir da metade dos anos 80.. ampliou seu objeto de crítica. o que se tem denominado uso alternativo do direito. veiculou um artigo redigido pelo jornalista Luiz Makouf. que no início limitava-se a se opor aos fundamentos do positivismo jurídico.TEORIA CRÍTICA DO DIREITO • A Teoria Crítica aparece no Direito no final dos anos 60. (Benedito Calheiros Bomfim. sob a ótica do interesse social e das exigências do bem comum".” "Uma terceira perspectiva é aquela que enfatiza. graças ao incentivo de alguns professores de filosofia e sociologia jurídicas em diversas faculdades de Direito do País. Apoio ao pluralismo das fontes em detrimento do monismo. voltando-se também contra o jusnaturalismo. como Roberto Lyra Filho. um uso diferenciado do direito estatal. não 23 • • • • • • • . que nada mais é do que a aplicação da lei em função do justo. Luiz Fernando Coelho e Luiz Alberto Warat. ExPresidente do IAB) O Movimento pelo Direito Alternativo é valido enquanto luta por um direito mais justo. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS: Oposição às linhas tradicionais do pensamento jurídico. A teoria jurídica crítica busca um novo paradigma para a resolução de conflitos que emergem da vida sócio-comunitária. isto é. Foucault. de São Paulo. DIREITO ALTERNATIVO “O episódio responsável pelo surgimento do movimento do Direito Alternativo ocorreu no dia 25 de outubro de 1990. de modo não tradicional (Althusser. quando um importante veículo da imprensa escrita. Tércio Sampaio Ferraz Jr. A Teoria Crítica é importante na medida em que confere ao Direito um sentido sociopolítico. e se assim procede. é justamente para contestar o modelo superado de legalidade estatal convencional. mais moderno. em especial. entre códigos e justiça.." (João Maurício Adeodato) "Do desencontro entre a lei e o direito.. na expressão "direito alternativo". A Teoria Crítica do Direito. o magistrado Amílton Bueno de Carvalho. o Jornal da Tarde.

DEFESA DO DIREITO ALTERNATIVO Mas. A Constituição de 1988 traça em seus artigos iniciais os fundamentos da República. ou naquilo que "Ele" julga justo sem qualquer compromisso com o ordenamento jurídico. que outra origem é esta? Pelo que se depreende do exposto abaixo a origem estaria na cabeça do julgador. filosófico e sociológico. ainda que teóricos que o sustentem. etc. no arcabouço jurídico. 2. entre outras. como modelo de legítima organização social da liberdade. poder-se-ia invocar os ensinamentos de Amílton Bueno. CRÍTICAS AO DIREITO ALTERNATIVO 1. com vistas à construção de uma sociedade mais justa e solidária. transcendem a literalidade da lei com vistas a desvendar os seus conteúdos político. indo além do legalismo. mas basta que se diga que os juízes alternativos se preocupam sociologicamente com o resultado de suas decisões e que. o Direito Achado na Rua é o encontro dos Novos Movimentos Sociais e o Direito. entenda-se o statu quo da classe dominante.. Isso porque o juiz tem no seu mister a distribuição de justiça. Edmundo Arruda. por que tanta reação? Certamente porque a postura dos juízes em desvencilharem-se do embuste de que são os porta-vozes da lei e de que lhes cabe tão-somente o estrito cumprimento da lei abala a “segurança jurídica”. o Direito Alternativo visa a resgatar. no processo de interpretação e aplicação do direito. O denominado Direito Alternativo não é uma das escolas jurídicas a exemplo do que ocorreu com o historicismo. Não é e provavelmente não será pela falta de fundamentos. Atualmente é uma linha de pesquisa do Núcleo de Estudos para a Paz e Direitos Humanos – NEP. e não de leis. valorização do trabalho e pluralismo político. DIREITO ACHADO NA RUA O Direito Achado na Rua foi a expressão criada por Roberto Lyra Filho para pensar o Direito derivado da ação dos movimentos sociais.se podendo confundir nunca tal movimento com a pretensão retrógrada de alguns de substituir a lei (norma genérica) pela sentença (norma individual). afinal. Os objetivos fundamentais da República estão no art. A lei é não é um fim em si mesma.. Em última análise. entre eles: a dignidade da pessoa humana. que vê na lei um instrumento de manutenção de privilégios. se o Direito Alternativo é “só” isso. o que é Direito Alternativo? Para responder a essa indagação. afastando-se. nas reivindicações do povo. Alternativo significa outra outra+origem. Mas. o respeito à dignidade da pessoa humana. Baseado na Nova Escola Jurídica Brasileira – Nair. realismo jurídico. Lédio Rosa. ou seja. de uma aplicação apenas tecnicista do ordenamento jurídico. 3o. a saber: 24 . portanto. que deve ser o fundamento de todos os direitos e pressuposto de qualquer lei. mas um dos meios de que se serve o Direito para alcançar a justiça. 3. ideológico. procurando encontrar o Direito na "rua". positivismo. no espaço público.

Pietro Perlingieri. COM O DESALOJAMENTO DO FILHOS MENORES. Como já observado. Se ele decidir pela ilegalidade estaríamos anuindo com a retroatividade da norma (de sententia ferenda produzida pela sentença). promoção do bem de todos independente de raça. devido processo legal. 5. É por isso que atualmente se fala em Direito Civil Constitucional (sobre isso. Robert Alexy) pouco afeta. SEPARADO DA MULHER QUE CONTINUA NO IMOVEL COM QUATRO FILHOS MENORES. 5o. da família (com ou sem casamento). muito embora reconheçamos na teoria kelseniana pelo menos um início de onde possamos partir para um sistema jurídico mais justo e estável. erradicação da pobreza.construção de uma sociedade justa e solidária. Florez-Valdez e outros do gênero). Temos ainda as garantias e direitos fundamentais arroladas no art. a defesa do hipossuficiente (acesso à justiça. AS NORMAS PRIVATISTAS DO CODIGO CIVIL QUE DIZEM COM A POSSE NAO TEM APLICACAO NO CASO CONCRETO. São 77 incisos. 227 E 229 DA CONSTITUICAO. 9. infelizmente. 226. O problema. Veja. ACAO IMPROCEDENTE. contraditório. Tribunal de Alçada do RS. não vemos a menor necessidade de se buscar "alternativamente" o Direito. 7.etc.se também a questão da função social da propriedade. Konrad Hesse. Da Constituição devem emanar todas as interpretações (são princípios irradiadores de interpretação). ele poderá muito bem julgar ilegal uma conduta que até a data do julgamento não era ilegal. aos cursos de graduação. EXEMPLOS POSSESSORIA. HERDEIRO UNICO DO BEM QUE. Isso é que faz com os graduandos "se empolguem" com o canto da sereia alternativista. etc). É isso que fazem os autores supracitados. Não estamos aqui fazendo uma defesa do Positivismo Jurídico. é unicamente de exegese e de domínio da teoria dos direitos fundamentais (sobre isso ler Canotilho. desta forma. APELACAO PROVIDA. sexo. Luis Edson Fachin. a defesa do consumidor. É a partir de Kelsen que devemos repensar a ciência jurídica. 8. PORQUANTO A PROCEDENCIA DA ACAO. Alguém precisa mais que isso para se chegar a uma decisão justa? 4. já que quem vai decidir não buscará fundamento no ordenamento jurídico (de lege ferenda). ler Gustavo Tepedino. A questão da segurança jurídica deve ser levada em consideração sim! Sob pena de estarmos praticando um ato ilegal sem o sabermos. Julgado em 06/05/1993) 25 . IMPLICARIA OFENSA AOS ARTS. Relator: Ruy Armando Gessinger. (Apelação Cível Nº 192214617. Sexta Câmara Cível. a questão passa pelo estudo dos direitos fundamentais previstos na Carta e pelo estudo de uma nova exegese A PARTIR DA CONSTITUIÇÃO e dos princípios nela insculpidos. COMODATO "INTUITU FAMILIAE". a defesa da meio ambiente. NOTIFICA-A A DESOCUPAR O BEM. nos parece.

quais são eles? 2. Explique os principais elementos do conhecimento cientifico? 26 . O que é ciência? 4. No estudo da Epistemologia Jurídica encontramos vários tipos de conhecimento.Revisão da prova da I unidade Assunto: Introdução a Epistemologia Jurídica 1. Qual a função do conhecimento cientifico? 3.

De acordo com os seus estudos. Qual a diferença entre Dogmática e Zetética Jurídica? Assunto: Ordenamento Jurídico 10. Assunto: Direito e Ciências Afins 8. Explique o que você entende sobre epistemologia jurídica? 6. 12. ( ) O Direito subjetivo é a possibilidade que as pessoas tem de exigir ou não o que está escrito. O Direito tem necessidade de se relacionar com outras ciências. coloque um exemplo de um caso concreto que você poderia resolver das duas formas.5. ) De acordo com Nogueira o Direito Positivo é o conjunto de normas jurídicas reconhecidas. e aplicadas pela autoridade pública. Dê o conceito de Direito Positivo e Direito Natural. b) Regras que estabelecem comandos de conduta. explique a sua Teoria: 13. o que é ciência do Direito? 7.Coloque verdadeiro ou falso: ( ) O Direito Objetivo são as normas que devem ser seguidas. ) Quando tratamos de positivismo significa que sempre vai estar escrito. ou o sistema de normas coercitivas que regulam a convivência social pacifica. 9.Quais são elas? Explique. Sobre a o grande jusfilosófo Hans Kelsen. c) Conjunto de normas jurídicas que servem para prevenção e resolução de conflitos sociais. ( ( ( ) As normas do Direito Natural são universais e mutáveis. Caracterize as seguintes definições: a) Instrumento oficial adequado para introdução de normas para o ordenamento jurídico. 11.Explique a Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale: 27 .

deve ser normalmente esperado ou querido como comportamento normal de seus membros." • NORMAS JURÍDICAS "São regras de conduta estabelecidas por autoridade competente. LEI COMO VEÍCULO INTRODUTOR DE NORMAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO 2) ESPÉCIES DE NORMA • NORMAS MORAIS "Regras de conduta que traduzem a previsão de um comportamento que. sendo obrigatório o seu cumprimento." • NORMAS DE CONDUTA SOCIAL (FOLKWAYS) "Normas de etiqueta existentes numa sociedade de acordo com determinado padrão cultural." • NORMAS FAMILIARES "Regras de conduta estabelecidas no seio da família pelos próprios entes familiares. à luz da escala de valores dominantes numa sociedade." 28 .TEORIA DAS NORMAS JURÍDICAS 1) • • LEI X NORMA (CONCEITO) NORMA COMO COMANDO QUE ESTABELECE REGRAS . com base num contexto cultural. sob pena de aplicação de sanção institucional coercitiva pelo Estado.

JURÍDICA SUJ. JURÍDICO) ILÍCITO SANÇÃO JURÍDICA 5) REPRESENTAÇÃO ESTRUTURAL DA NORMA JURÍDICA: FATO JURÍDICO REL. 4) ESTRUTURA DA NORMA JURÍDICA • FATO JURÍDICO • • • • • RELAÇÃO JURÍDICA SUJEITO ATIVO (DIR.JUÍZO DISJUNTIVO (Dado Ft deve ser P ou dado nP deve ser S ) P = Prestação nP = não Prestação Ft = Fato S = Sanção 29 . Subjetivo) ILÍCITO (Não Prestação) SANÇÃO • SUJ.3) DISTINÇÕES PRINCIPAIS ENTRE AS DIVERSAS ESPÉCIES DE NORMAS E AS NORMAS JURÍDICAS • VEÍCULO INTRODUTOR OFICIAL (ESTADO). SANÇÃO JURÍDICA (COERCITIVA). • • BILATERALIDADE ATRIBUTIVA. SUBJETIVO) SUJEITO PASSIVO (DEV.JUÍZO HIPOTÉTICO (Dado nP deve ser S)]  COSSIO . PASSIVO (Dever Jurídico) NATUREZA LÓGICA DA NORMA:  KELSEN . ATIVO (Dir.

Ex: A PRÓPRIA SOCIEDADE. “Aquele que quisesse realizar o direito sem a história não seria jurista nem sequer um utopista. 2007.J. 141) ESPÉCIES DE FONTES DO DIREITO HISTÓRICAS: INDICAM A GÊNESE DAS MODERNAS INSTITUIÇÕES JURÍDICAS. 30 .. pág.FONTES DO DIREITO CONCEITO: “Inquirir sobre a fonte de uma regra jurídica é buscar o ponto pelo qual sai das profundidades da vida social para aparecer na superfície do Direito. COM A INTRODUÇÃO DE NORMAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO. ÉPOCA LOCAL E RAZÕES QUE DETERMINARAM A SUA FORMAÇÃO. LEI LATU SENSU X LEI STRICTU SENSU. COSTUMES. DOCUMENTOS HISTÓRICOS. FORMAIS: MEIOS ATRAVÉS DOS QUAIS AS NORMAS SE EXTERIORIZAM. Ex: TEXTOS DE LEGISLAÇÕES ANTIGAS. LIVROS HISTÓRICOS. AS FONTES FORMAIS     A LEI COMO FONTE FORMAL DO DIREITO. Ex: LEI.” (Sternberg) MATERIAIS: É DE ONDE SURGEM OS FATOS QUE SE TORNARÃO JURÍDICOS APÓS A POSITIVAÇÃO. Forense. COM SEUS FATOS SOCIAIS RELEVANTES AO DIREITO. não traria à vida nenhum espírito ordenamento social consciente. CONCEITO: É O INSTRUMENTO FORMAL CAPAZ DE INTRODUZIR NORMAS NO O.” (Paulo Nader. PARA SER FORMAL A FONTE TEM QUE TER O PODER DE CRIAR O DIREITO..

ESPÉCIES LEGISLATIVAS: EMENDAS À CONSTITUIÇÃO.  PUBLICAÇÃO.LEI FORMAL X LEI MATERIAL. DECRETOS LEGISLATIVOS. DESUSO E REVOGAÇÃO DAS LEIS (DERROGAÇÃO E ABROGAÇÃO).  REVISÃO DO PROJETO PELA OUTRA CASA LEGISLATIVA. LEIS DE ORDEM PÚBLICA X LEIS ORDEM PRIVADA.  PROMULGAÇÃO. LEIS DELEGADAS. 31 . PROCESSO LEGISLATIVO:  INICIATIVA DE LEI PELO LEGISLATIVO OU PELO EXECUTIVO (REGIME NORMAL E DE URGÊNCIA – ART.  EXAME PELAS COMISSÕES TÉCNICAS. RESOLUÇÕES.  SANÇÃO E VETO. 64. § 4º. LEI SUBSTATANTIVA X LEI ADJETIVA. LEIS COMPLEMENTARES. CF). LEIS ORDINÁRIAS.

INSTITUIÇÕES E ÓRGÃOS. CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS CONSTITUIÇÕES: • • • • • • MATERIAIS / FORMAIS ESCRITAS / NÃO ESCRITAS DOGMÁTICAS / HISTÓRICAS PROMULGADAS / OUTORGADAS IMUTÁVEIS / RÍGIDAS / FLEXÍVEIS/SEMI-RÍGIDAS ANALÍTICAS / SINTÉTICAS 4) PODER CONSTITUINTE. O MODO DE AQUISIÇÃO E LIMITAÇÃO DO PODER E PREVISÃO DAS DIVERSAS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS. MANDADO DE INJUNÇÃO.DIREITO CONSTITUCIONAL 1) CONCEITO: RAMO DO DIREITO PÚBLICO DESTACADO POR SER FUNDAMENTAL À ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DO ESTADO. ORGANIZAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. SOCIAL E JURIDICAMENTE ORGANIZADO. 5) • • DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS TUTELA CONSTITUCIONAL DAS LIBERDADES: HABEAS CORPUS. ESTABELECENDO SUA ESTRUTURA. HABEAS DATA. • • PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO PODER CONSTITUINTE DERIVADO (REFORMADOR E DECORRENTE) DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (ART. OBJETO: TEM POR OBJETO A CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO ESTADO. 32 2) 3) 5) . É A MANIFESTAÇÃO SOBERANA DE SUPREMA VONTADE POLÍTICA DE UM POVO.

Di Pietro. REGIME DE DIREITO PÚBLICO. 3) REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO. AGENTES E PESSOAS JURÍDICAS ADMINISTRATIVAS QUE INTEGRAM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. pág. • • REGIME DE DIREITO PRIVADO. (Supremacia do Interesse Público sobre o privado) (Indisponibilidade do Interesse Público) 4) PRERROGATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO. 5) PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. • • ADMINISTRAÇÃO EM SENTIDO SUBJETIVO. .DIREITO ADMINISTRATIVO 1) ORIGEM: O DIREITO ADMINISTRATIVO COMO RAMO AUTÔNOMO. .Autotutela. ADMINISTRAÇÃO EM SENTIDO OBJETIVO.Mitigação da exceção do contrato não cumprido. 2001) 2) CONCEITO: RAMO DO DIREITO PÚBLICO QUE TEM POR OBJETO OS ÓRGÃOS. 33 . ANTERIORMENTE EXISTIAM APENAS NORMAS ESPARÇAS PARA TRATAR DE ALGUMAS RELAÇÕES ENTRE ESTADO E PARTICULAR. (Maria Sylvia Z. 23. -Presunção de legitimidade e veracidade dos atos. NASCEU POR VOLTA DO FINAL SÉCULO XVIII E INÍCIO DO SÉCULO XIX. Administrativo. Dir. A ATIVIDADE JURÍDICA NÃO CONTENCIOSA QUE EXERCE E OS BENS DE QUE SE UTILIZA PARA A CONSECUÇÃO DE SEUS FINS. DE NATUREZA PÚBLICA.

PUBLICIDADE.(Como forma de limite ou restrição à atuação da Administração sobre os particulares) • • • • • LEGALIDADE. a pena como conseqüência. para estabelecer a aplicabilidade das medidas de segurança e a tutela do direito de liberdade em face do poder de punir do Estado (José Frederico Marques). a. Economia Mista) DIREITO PENAL 4) CONCEITO: é o conjunto de normas que ligam ao crime. como fato. Públicas e Soc. EFICIÊNCIA. 5) PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL • • • • LEGALIDADE / TIPICIDADE ANTERIORIDADE IRRETROATIVIDADE PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 6) APLICAÇÃO DA LEI PENAL. b. 34 . • ADMINISTRAÇÃO DIRETA (Entes Federativos e Autarquias) • ADMINISTRAÇÃO INDIRETA (Emp. 7) ENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. 6) ATO ADMINISTRATIVO. LICITAÇÃO E CONTRATO ADMINISTRATIVO. IMPESSOALIDADE. MORALIDADE. DIREITO PENAL OBJETIVO E SUBJETIVO. e disciplinam também as relações jurídicas daí derivadas. DIREITO PENAL COMO ÚLTIMA RAZÃO.

TEM INÍCIO APÓS O NASCIMENTO COM VIDA. 3) CAPACIDADE JURÍDICA: É POSSIBILIDADE DE EXERCER PESSOALMENTE OS SEUS DIREITO E CONTRAIR OBRIGAÇÕES. 7) • • • • TEORIA GERAL DO CRIME. IDÔNEAS A SATISFAZER OS INTERESSES DOS INDIVÍDUOS E DE GRUPOS ORGANIZADOS. ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL. ABSOLUTAMENTE INCAPAZES: MENORES DE 16 RELATIVAMENTE INCAPAZES: ENTRE 16 E 18 35 . ATRAVÉS DA UTILIZAÇÃO DE DETERMINADOS INSTRUMENTOS JURÍDICOS. Qualquer lugar do iter criminis). CRIME DOLOSO E CULPOSO CRIME HEDIONDO (LEI 8072/90) DIREITO CIVIL • • 1) CONCEITO: RAMO DO DIREITO PRIVADO QUE REUNE UMA SÉRIE DE REGRAS DIRIGIDAS A DISCIPLINAR ALGUMAS DAS ATIVIDADES DA VIDA SOCIAL. 2) PERSONALIDADE: PESSOA FÍSICA E JURÍDICA: APTIDÃO PARA EXERCER DIREITO E OBRIGAÇÕES. mesmo sendo outro o lugar do resultado).• • NO ESPAÇO (Lugar do crime – Teoria da Ubiquidade. Quando foi praticado. NO TEMPO (Momento do crime – Teoria da Atividade. FATO TÍPICO ILÍCITO CULPÁVEL EXCLUDENTES DE ILICITUDE ESTADO DE NECESSIDADE. LEGÍTIMA DEFESA.

CONSUMÍVEIS E NÃO CONSUMÍVEIS.CAPAZES: MAIORES DE 18. A partir de um exemplo concreto. 2. 4. EMPRESARIAL. Diferencie as normas jurídicas das normas não . FAMÍLIA. DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS. TANGÍVEIS E INTANGÍVEIS. () Uma lei material é considerada também uma lei substantiva. OBRIGAÇÕES. SUCESSÕES. CONTRATOS. Qual a estrutura da norma jurídica? Explique cada um dos seus elementos.jurídicas. enquanto a lei material trata a lei independentemente da relevância do seu conteúdo. 3. () A lei formal revela-se através do conteúdo da lei. MÓVEIS E IMÓVEIS. REAIS. Coloque verdadeiro ou falso para as seguintes afirmativas: () Das fontes materiais do direito surgem os fatos que se tornarão jurídicos após a sua positivação. Questionário de revisão do 1 semestre 1. () As fontes históricas do direito indicam a gênese das instituições jurídicas atuais. • BEM DE FAMÍLIA (LEI 8009/90) 9) • • • • • • DIVISÃO DO DIREITO CIVIL PARTE GERAL. identifique e correlacione os elementos da norma jurídica: 36 . 8) CLASSIFICAÇÃO DOS BENS FUNGÍVEIS E INFUNGÍVEIS.

b) Classificações da constituição. De acordo com o seu conhecimento adquirido em sala de aula. c) Direitos e garantias fundamentais. O desuso altera a Lei? 14. De acordo com seus estudos e discussões em sala de aula. Comente exemplificando. 9. diferencie personalidade jurídica de capacidade jurídica e diga as principais características dos dois institutos. Estado de necessidade e estrito cumprimento do dever legal.5. direito potestativo e direito objetivo. Diferencie Legitima defesa. Indique e exemplifique os entes da administração direta e indireta. de modo que a norma positivada (transformada em lei) que seja considerada imoral pode ser 37 . Conceitue direito subjetivo. De que forma as fontes do direito. Diferencie. Lei Latu Sensu e Lei Strictu Sensu. Relação entre Direito e Moral O direito natural seria o conjunto de valores morais universais e imutaveis. sobre o Direito Constitucional. sobre os princípios do Direito da Administração Pública: 11. 12. princípios e costumes. 6. 7. no direito penal. 10.A Jurisprudência é considerada uma fonte estatal? Explique as características desta fonte do direito. determine: a) Conceito. explique como se dá a alteração de uma lei. Em relação aos conteúdos discutidos em sala de aula. para o jusnaturalismo os direitos se encontram dentro do campo da moral. 13. podem interferir em uma decisão judicial? 8. nesse sentido.

de Sófocles com a afirmação do “justo por natureza” que seria o que é justo conforme a razão. defende duas teses: A Dualidade (existem duas manifestações do direito. sendo que o primeiro registro dessa idéia de direito natural aparece na obra Antígona. Jusnaturalismo Antigo e Medieval As primeiras manifestações do jusnaturalismo apareceram na Grécia. Jusnaturalismo Moderno A esfera política da era moderna foi marcada pelo surgimento do Estado Moderno. tendo como principal característica a centralização do poder. O positivismo tem uma visão distinta dessa relação entre direito e moral. Jusnaturalismo O jusnaturalismo é a doutrina que reconhece a existência de um direito natural. resolvendo portanto a confusão de idéias entre o conceito antigo e medieval do direito natural. porque um requisito de validade das normas é estar dentro do campo da moral. Santo Thomas de Aquino entendeu que a “lei natural” é uma parte da ordem imposta pela mente de Deus que se encontra na razão do homem. De modo distinto. no moderno trata-se de uma doutrina exclusivamente de direito subjetivos. Nessa época foi muito importante a doutrina de Grócio que excluiu a figura de Deus da idéia do direito natural. pois de acordo com essa teoria o direito e a moral são esferas separadas. 38 . Todo jusnaturalista.descartada. Essa teoria se baseia na idéia da mutabilidade do direito (mas isso fica para um outro dia). de modo que. difundindo essa idéia de direito natural e da necessidade de que o direito positivo e as Constituições dos Estados deveriam se adequar a esse direito. suas normas não precisam estar dentro do campo de abrangência da moral e e ele não tem a obrigação de proteger as normas morais que se encontram fora dele. o positivo e o natural) e a Superioridade (O direito natural é superior ao positivo). Nesse período a ideia de direito natural foi absorvida e adaptada. para o positivismo só há um direito: o positivo. prevalescendo a idéia de que o direito natural tinha origem na razão. vários filosofos também vão citar essa idéia do “justo por natureza”. Além disso. portanto. mas foram os Estóicos que construiram o conceito de direito natural e foi Cícero que levou esse conceito de direito natural para a cultura romana. que tem validade em si e é anterior e superior ao direito positivo. embora o direito proteja alguns valores morais. A principal diferença é que enquanto no jusnaturalismo antigo e medieval o direito natural consistia numa norma objetiva. devendo prevalescer caso haja um conflito entre as normas do direito positivo e as do direito natural. Na Idade Média utiliza-se esse conceito de Direito Natural. mas atribui-se ao Deus Cristão a origem desse direito.

de modo que a nova geração jusnaturalista considerava o direito natural como histórico. a idéia do jusnaturalismo. para facilitar a identificação de qual norma se aplicava a qual situação. o que leva a dois problemas sérios: A insegurança jurídica e a quebra da tripartição dos poderes. aplicar as determinações do código criou-se a prática do positivismo. e não como universal e imutável. XIX Com a crescente tendência de sistematização do conhecimento e como havia uma gama imensa de fontes de direito. que entendia que a garantia de uma fonte única de direito gerava segurança. juntando todo o conhecimento disponível em um só compendio.Com o surgimento das teorias contratualistas surgem novas idéias que dão uma “nova cara” ao conceito de direito natural. mas a principal levanta a questão de que escapar do modelo positivista implica aumentar muito o poder do juiz. pois existia uma necessidade de controle do Estado. sujeito ao exercício voluntário do individuo. ressaltando o aspecto seu aspecto subjetivo. Ao definir o direito natural como subjetivo diminui-se um pouco a sua força. 39 . obrigatóriamente. em muitos casos. ou seja. ao definir que o juiz deveria. Ainda assim. Essa prática deu origem ao modelo positivista. Surgiram diversas criticas a esse “renascimento” do jusnaturalismo. revitalizando o jusnaturalismo. pois o xercício dos direitos fica. foram abertas concessões quanto ao conceito de direito natural. portanto. buscava-se positivar o direito natural. pois o judiciário acabaria tendo o poder de legislar. Isto ocorre em virtude do surgimento de um Estado que define a lei objetiva. No entanto. que culminou na criação da ONU. Jusnaturalismo no séc. O Estado passa a ser considerado. Esse jusnaturalismo moderno tem grande influência nas doutrinas políticas de tendência liberal. uma obra voluntária dos individuos que tem a obrigação de proteger os direitos naturais. ressaltando a importância de que a as autoridades políticas respeitem os “direitos inatos do individuo”. Jusnaturalismo Contemporâneo Após a II Guerra Mundial. por se fundamentar em valores morais. havia uma consciência de que não existiam valores morais universais. Acreditava-se que a sistematização era o auge do direito natural. parecia uma boa solução para a situação que havia se formado.

através deste estudo. mestre em Direito Público pela UFPE. servindo para aumentar a distância entre os diversos atores sociais. No presente trabalho. (1) Esta e tantas outras distorções (2). dentro do contexto atual. garantindo a paz. INTRODUÇÃO O direito. plasmando em toda a comunidade um sentimento de agradabilidade (3) para o desenvolvimento da humanidade. O Direito. O Direito na busca da semelhança e paz nas relações sociais: conclusões . solucionando conflitos com base em dados empíricos cientificamente comprovados. Note-se. enfim. Por exemplo. conduzem a um desvirtuamento do fenômeno jurídico que acaba por se concretizar como uma maneira de controlar as classes menos apaniguadas. arcaico e cientificamente não desenvolvido com base em dados empíricos. assim. segurança e harmonia. O direito e a sociedade: suas inter-relações .3. Introdução . aplicar. O DIREITO E A SOCIEDADE: SUAS INTER-RELAÇÕES 40 .2. Marcos André Couto Santos procurador federal junto ao INSS em Recife (PE). (4) 2. enquanto fenômeno social.2000. a mera análise dos diversos diplomas legais sobre crimes contra o sistema financeiro. com a perpetuação de sentimentos que aproximem cada vez mais os indivíduos e atores sociais. pensar e entender o Direito. dando apenas guarida e preservando uma elite político-econômica dominante. crimes contra a ordem econômica atesta a suavidade das penalidades aplicadas se comparados a um pequeno furto de um pão para alimentação de uma família carente. mostrar que a principal função do direito é reduzir desigualdades. que em especial o direito legislado/legal visa a perpetuar um status quo vigente. equilíbrio. harmonia e igualdade dentro da sociedade. Procurar-se-á. as formas de resolução de conflitos e a produção normativa: busca de alternativas .4.5. Bibliografia Referencial. atestando algumas modificações que já vem sofrendo os ordenamentos jurídicos centrais e periféricos. professor universitário Sumário: 1. 1. objetiva-se tecer considerações sobre uma nova forma de produzir.O Direito como meio de pacificação social: em busca do equilíbrio das relações sociais Elaborado em 08. é mais observado pela maioria como um instrumento para manutenção da ordem e segurança do que como um meio efetivo de implementação da paz. baseadas na vigência de um direito dogmático.

nestes períodos primordiais da sociedade humana. Este direito de início imposto pelo Rei (Monarca) passa depois a ser produzido pelas Assembléias ditas Populares. deu-se a esta estrutura estatal. dono das terras e dos meios de produção. burocrática e centralizadora a função precípua de produzir as normas jurídicas que eram reduzidas a leis e códigos. procurando não interferir tanto nas relações humanas. tinha um cunho bem individualista. Bom exemplo disto reside na civilização greco-romana. cada grupo construiu suas regras e padrões de comportamento desejados visando à manutenção especialmente da ordem e da segurança. ganha neste momento a feição de dogma que não pode ser discutido. restando. as normas jurídicas passaram a ser impostas pelo Senhor Feudal. já que não se têm espaços efetivos/reais para que os menos favorecidos e culturalmente dotados de conhecimentos manifestemse sobre o direito produzido e a ser elaborado por estas Assembléias Legislativas/Parlamentos. esta democracia é bem relativa. como produto da cultura humana. onde surgiu o velho adágio: " dar a cada um o que é seu". ditos redutos da democracia. sociedade. em especial aqueles ofensivos aos antepassados e às figuras veneradas como deuses. refletida ideológica e topicamente a vontade popular na produção das normas jurídicas que irão salvaguardar os valores e sentimentos mais fundamentais para manutenção e continuidade das relações sociais dentro da evolução do grupo/Estado. só atuando em casos de conflitos latentes. que ditava as regras dentro dos limites de suas propriedades. (10) Entretanto. Aqueles valores e sentimentos que não podem ser afrontados sob pena de perturbar o equilíbrio das relações sociais. havendo enormes levas de servos que se submetiam com o objetivo de receber proteção e segurança. (7) O direito. (6) Com o passar do tempo. Em sua evolução histórica. (9) O direito. mas cumprido por todos. o direito. tais como: guerras. Estado.O direito é um dos meios de resolução de conflitos existentes no seio de um grupo. A presença do direito dentro da sociedade é tão sentido que já vem desde a época dos romanos expressa no brocardo: "ubi societas. assim. As normas estabelecidas muitas vezes pela tradição cultural secular eram um meio de manter o grupo coeso com finalidade de enfrentar as guerras e produzir o sustento econômico. jogos. Este Estado teria também o monopólio da jurisdição. deixando um sentimento de desagradabilidade entre os atores sociais. Não se tinha muito a idéia de justiça. era bastante confundido com a religião e moral. dentro da ideologia contemporânea da participação de todos no poder. (8) Aparecendo o Estado Moderno. sob pena até de banimento ou morte do indivíduo que as descumprisse. Não se pensava tanto em interesses coletivos que não tivessem um conteúdo bem amplo. (11) 41 . Com a Idade Média. ibi jus. adquirindo feições até místicas a serem respeitadas." (5) Deve o direito refletir os valores e sentimentos básicos a serem preservados dentro da contextura social. no início das civilizações. que se reduzia à lei.

O direito tem de se adaptar rápido às mudanças para realizar seu objetivo basilar de manter em ordem. 42 ... estabelece que o salário mínimo deverá atender a todas as necessidades do trabalhador e do povo nas áreas de saúde. VI. No Brasil. o fato de reduzir-se o direito à lei é algo extremamente irracional. enquanto delimitam objetivos do Estado e buscam garanti-los. segurança e com paz a coletividade. milhares de normas de diferentes graus. o excesso da produção legislativa e suas anomalias. O direito. tendo um efeito simbólico ao tentar demonstrar que o Estado Brasileiro garante uma vida digna aos seus trabalhadores com base em uma remuneração que atende a todos os anseios. por exemplo. afastamento. alimentação.A forma como o direito desde a modernidade até os dias atuais vem sendo produzido. exclusão. apenas voltado para iludir uma classe menos favorecida e estimular uma elite dominante. (12) Na maioria dos diplomais legais atuais. dessemelhanças e desigualdades. habitação. há um excesso de produção legislativa. Esta norma ilude os menos esclarecidos. O cidadão e operador do direito não sabem empiricamente o conteúdo de tantas leis e normas que servem como forma de impor valores e regras muitas vezes em total dissonância com a realidade fática subjacente. torna-se excludente. pensado e aplicado acaba tornando-o também um instrumento perverso da manutenção das diferenças. levando o direito a um descrédito e perplexidade. 7º. como a acima relatada. porque as relações sociais tem uma dinamicidade. reacionária e extremamente desigual. Segundo. etc. cultura. a Constituição Federal Brasileira de 1988 em seu art. na maioria reduzido à lei. O que na realidade fática não ocorre. Normas. dessemelhança. O efeito que estas normas acabam produzindo é de um sentimento de desagradabilidade. simbolizando uma ideologia de uma sociedade excludente. a demora na solução dos conflitos pelo Poder Judiciário. não se efetivando na prática (eficácia social) por falta de cientificidade em sua elaboração e ausência de reflexão crítica quanto à sua aplicação e conseqüências. refletido. Assim. níveis e espécies estão em vigor. criam um direito sem cunho de cientificidade e de difícil implantação que serve mais para manutenção do status quo do que para redução de desigualdades entre os indivíduos e entes que compõem o corpo social. percebe-se um efeito meramente ideológico e simbólico das normas jurídicas. A própria redução do direito à lei. exploração dentro do contexto social. reduzir o fenômeno jurídico só a lei é algo conservador e ultrapassado. bem como a forma como são elaboradas as leis pelos Parlamentos. uma evolução temporal e tecnológica cada vez maior que não se adaptam bem a uma realidade jurídica cristalizada em Códigos/Leis de dezenas de anos atrás. (13) Por exemplo. em especial em Estados Subdesenvolvidos. Vejam-se estas razões de desequilíbrio e descrédito acerca do fenômeno jurídico. apenas servindo para estabelecer um controle através de uma elite políticoeconômica. servindo como meio de contenção de avanços sociais maiores. têm um latente cunho programático (14). abaixo delineados: Primeiro.

decidindo por demais com base em leis já totalmente defasadas e contra o "espírito" e vontade popular. Este muitas vezes demora anos para solver as pendências que lhes são apresentadas. produzindo leis que beneficiem e aumentem as diferenças existentes. E o segundo que regulamentado traria mais numerário/dinheiro aos cofres públicos com uma maior redistribuição de renda. crimes contra a ordem econômica e financeira são extremamente lacônicas e de difícil aplicação. atestando-se que mesmo em regimes ditos democráticos não se baseia o fenômeno jurídico em elementos empíricos que dêem ao 43 . a legislação. Neste aspecto. o processo de escolha já torna difícil o acesso a pessoas de todos os ramos/classes sociais. sem discussão e análise prévia do Parlamento (povo em tese). (15) Outra situação de deturpação do fenômeno jurídico ocorre quando o Poder Público produz normas e regras para salvar organizações financeiras falidas e mal geridas. as leis que disciplinam e tipificam os crimes contra a previdência social. dando e implantando um efeito psicológico de monta para diminuição das desigualdades sócio-econômicas existentes. Câmaras). Existe aqui a tendência do Parlamento em criar normas mais favoráveis a elite. podendo-se contar o número de empresários que estão presos por crimes cometidos contra estes bens jurídicos que afetam milhares de brasileiros (veja-se o caso da ENCOL. muitas vezes recebe interpretações literais de Magistrados que não percebem o dano social que cometem ao manter em liberdade indivíduos que cometem tão grandes abusos contra a população brasileira. já que apegados a um legalismo fetichista e estrito. Segundo. utilizando-se para tanto de milhões de reais. não atende ao anseio social. no Estado Brasileiro. deixando mesmo de produzir normas que beneficiariam as classes menos favorecidas. o Judiciário é o principal ente procurado para resolver conflitos sociais existentes. protegendo a grande massa de brasileiros. 7º. as normas jurídicas de cunho geral (leis) são elaboradas pelos Parlamentos (Assembléias. O primeiro que deveria ser regulamentado para evitar abusos em despedidas de trabalhadores. Terceiro. quando alguns programas sociais não recebem sequer pequenas ajudas para desenvolver um papel relevante junto aos mais necessitados do Brasil. I. do Juiz Nicolau.Não bastasse isto. não atuando significativamente no sentido de diminuir as dessemelhanças existentes. e mesmo omitir-se na produção de outras que afetariam as classes controladores/dominantes. da CF/88 (despedida arbitrária). com aplicação restrita por parte do Judiciário para solução das contendas. muitas de cunho geral. Logicamente. Analise-se: Primeiro. formados por representantes escolhidos pelo povo. Um exemplo de omissão do Legislativo Brasileiro para favorecer as elites está na não regulamentação do art. (16) O direito legislado é imposto pelo Estado. VII). ainda têm-se as famigeradas medidas provisórias que são uma imposição do Poder Executivo que cria estas normas jurídicas. o Brasil oferece muitos exemplos. Quarto. Enfim. estes parlamentares irão refletir as idéias e anseios desta elite dominante. nem do imposto sobre grandes fortunas (art. dos anões do orçamento). a redução do direito à forma legislada (legal). 153. além de frágil e de não se basear em dados de ciência empírica. Entretanto. acabando-se por serem eleitos na maioria indivíduos da elite econômica ou com esta comprometida (vejam-se os custos para eleger um deputado/vereador/senador).

Quantas vezes pragmaticamente fica-se desiludido e sem esperanças na resolução de uma pendência levada ao conhecimento do Judiciário ?? Quantas vezes não se questiona a respeito da utilidade desta forma de resolução de conflitos. este modelo de um direito dogmático. conhecedor de todas as leis. Por isso. Atualmente. (19) 44 . o Direito deve ser dotado e informado por elementos de ciência empírica que atestem quais os valores a serem preservados dentro de cada grupo social/estatal na busca de soluções para os conflitos subjacentes. globalizado e culturalmente diversificado vivenciado atualmente ??? (18) Realmente. acrescente-se a própria lentidão dos procedimentos judiciais. Isto porque as partes deverão resolver compor o conflito com base em uma conciliação na qual vão tentar evitar maiores tumultos e relações de afastamento e desagradabilidade. não satisfazendo e acalmando empiricamente as partes que sentem nas decisões judiciais um "mal-estar". não tendo. O Juiz. todavia. AS FORMAS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS E A PRODUÇÃO NORMATIVA: BUSCA DE ALTERNATIVAS Pelo anteriormente visto. 3.direito cientificidade para refletir os reais valores e sentimentos de todo o grupo social. o Juiz é distante. tem-se de valorizar as conciliações. conservador. impositivo e aplicado pelo Judiciário mais respaldo nos dias atuais. em sua maioria conduzindo a relações sociais de afastamento entre os indivíduos e grupos de uma sociedade. arbitragem. debatendo-se sobre a justiça e coerência das decisões ?? Popularmente. comissões prévias de resolução de conflitos. sempre tentando a composição das partes de forma amigável com base na realidade social que informa a pendência existente. justas e democráticas. mesmo dito um ser imparcial. recompondo de imediato o equilíbrio social. Estas formas de resolução de pendências são mais coerentes. aplicando um direito oficial também muitas vezes desconexo com os anseios sociais atualmente prevalecentes. O questionamento central pode ser o seguinte: consegue o Estado regular toda a vida social impondo normas gerais a uma realidade humana tão multifacetada e que se altera por demais tendo em vista o ambiente altamente tecnológico. O DIREITO. está bem distante faticamente da realidade das partes litigantes. Servem precipuamente as normas jurídicas para atender a interesses desarrazoados de uma elite dominante. dito por alguns como necessário. não conhecem mesmo !!! Além desta desilusão e falta de confiança no Judiciário. deve-se buscar a solução dos conflitos de um modo menos traumático possível. ainda se questionando se só cabe ao Estado produzir as normas jurídicas a merecem guarida e proteção. o Estado avocou o monopólio da jurisdição e da elaboração das normas jurídicas há mais de dois séculos. (17) Destaque-se que a forma de resolução de conflitos a ser estimulada contemporaneamente não é mais a judicial. visando a manter o equilíbrio nas relações sociais. Mas qual o Magistrado que conhece efetivamente a contextura social na qual se desenvolveu empiricamente um conflito ?? Na maioria das vezes.

em especial refletindo os reais valores e bens jurídicos a merecer proteção por todos os que compõem o seio social. As normas a serem aplicadas nas conciliações. deverá o conflito ser submetido a julgamento por parte de comissões existentes dentro das empresas formadas por trabalhadores e empregadores (questões trabalhistas). o Estado e o Judiciário também serviriam para conter abusos de poder na composição dos litígios através das formas conciliatórias. tentando resolver o conflito com base em regras jurídicas. comissões e arbitragem não precisariam ser necessariamente as estatais. resultando numa pacificação ampla com conseqüente maior equilíbrio das relações sociais. família). Além disto. evitando conflitos com fins de promover o desenvolvimento do grupo social (sociedade) com redução das desigualdades existentes. (21) 4. com aplicação de normas gerais e específicas pela própria coletividade. porque as normas aplicadas a realidades específicas refletiriam indubitavelmente os valores e sentimentos de cada segmento social. estampando um sentimento de agradabilidade perante o grupo. comissões formadas por consumidores e lojistas (questões de consumo). então. Além disto. A resolução dos conflitos. sendo testadas. convencionais e de comissões. O DIREITO NA BUSCA DA SEMELHANÇA E PAZ NAS RELAÇÕES SOCIAIS: CONCLUSÕES O objetivo precípuo do direito deve ser. éticas e morais que se apresentam perante o grupo com objetivo de manter a paz e a harmonia entre todos. a garantia da paz e do equilíbrio das relações sociais. Este modelo (20) proposto é essencialmente científico. a aplicação e adaptação das regras gerais às contexturas sociais reais conduziriam a uma maior aproximação. 45 . Estas Comissões aplicariam normas de equilíbrio. analisando a riqueza da lide em toda sua amplitude e complexidade. respeitando apenas o núcleo mínimo de direitos e garantias estabelecidas nas Constituições e Cartas Fundamentais de cada Estado. poderiam ser as normas previstas e prescritas por cada segmento específico. (22) A solução de conflitos deve se basear neste tipo de normas que surgem do contexto social. comissões de bairro/comunitárias (questões de vizinhança.Caso não seja possível a composição. só se levariam as questões mais intrincadas e que exigissem realmente a análise tópica de dispositivos legais. conduziria a soluções mais eqüanimes e céleres dos conflitos. e refletem a própria essência do homem e do grupo em toda sua riqueza empírica. Ao Judiciário. Estas comissões aplicariam o direito mais justo a cada caso concreto com base nos valores plasmados na legislação vigente e na realidade social subjacente. comprovadas e baseadas em dados de ciência empírica que atestem a conformidade das normas com a realidade social posta. tais como questões de controle de constitucionalidade das leis. distantes de dados de ciência que devem informar o direito. resolvendo-se os conflitos de uma forma coerente e justa. Os conflitos devem ter uma solução próxima da realidade (23) para não se criarem decisões artificiais. impostas e dissociadas da realidade empírica. As regras jurídicas surgem no meio social.

só é possível no momento em que a sociedade tem interesse em reduzir as desigualdades existentes entre os diversos indivíduos. Como já ressaltado. associada a soluções alternativas dos conflitos. 46 . que reflita o sentimento social de semelhança e ajude a produzir relações de interação social positivas de cooperação.O direito deve ir além da dogmática. as classes sociais tendem cada vez mais ao afastamento. com vistas à construção de um direito transformador e real. Um direito. buscando aproximar as pessoas. mental e espiritual. fazem surgir um direito novo. tendo também vários Juizes tomado consciência de seu papel. arbitragem. Não havendo esta redução de desigualdades materiais. que a produção de um direito legislado. paz e equilíbrio das relações sociais. para aplicar as idéias aqui expostas. aplicando um direito alternativo. na realidade. (24) Assim. que. acaba por ser um instrumento transformador da realidade social. Este direito não pode se restringir ao Estado. apoiado em elevado grau de solidariedade humana. É necessário para surgimento deste direito real e vivo. já começa haver a tentativa de adotar um direito mais voltado à realidade social. nem tampouco à lei. harmonia e equilíbrio social. para que efetivamente ocorra a transformação da realidade posta em benefício de todos os seres humanos. paz e harmonia. todavia. desenvolvendo-se formas de composição de conflitos baseadas em conciliações. Importante notar. comissões. obtidos através de dados de ciência empírica e fatos. devendo ser informado por dados empíricos de ciência que reflitam processos sociais de aproximação. com base empírica e em dados de ciência. implementado e permitindo desenvolver sentimentos de agradabilidade entre os diversos atores sociais. pacificando conflitos por ventura existentes e mantendo o equilíbrio do grupo que atinge um nível maior de satisfação. estabelecedor da paz. sendo o direito uma forma de controle e solução de conflitos. delineado desta forma. a sociedade e o direito estão umbilicalmente ligados. que não haja grandes distâncias sociais e econômicas entre os indivíduos que compõem a sociedade. qual seja: os dotados de capacidade econômica e política. entes sociais. necessário se faz a diminuição das distâncias sócio-econômicas existentes. em especial através de composições. construindo a elite um direito imposto que refletirá apenas os anseios de uma pequena parcela do grupo. com uma evolução social. é o direito formado por sentimentos gerais de agradabilidade que emergem do seio da sociedade. é bem mais amplo (26). conciliações. Espera-se que o direito. A aplicação das normas que emergem dos grupos e dos valores fundamentais informadores de toda a sociedade. (25) No Brasil. no qual se estabelece um sentimento geral de agradabilidade. visando a manutenção da harmonia. já referidos no item anterior. para que possam todos compartilhar de semelhantes anseios e sentimentos de altruísmo e cooperação para se desenvolverem. arbitragem. a sua formação e aplicação sofram influência destas premissas. promovendo sentimentos de agradabilidade.

Sociologia Jurídica. ed. A constitucionalização simbólica. ___________________________. Sociologia e Direito – leituras básicas de sociologia jurídica. 1994. 1987. 26. BARROSO. Rio de Janeiro: Editora Renovar. ASCENSÃO. São Paulo: Acadêmica. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. Tempo do Direito Alternativo : uma fundamentação substantiva. Introdução Geral ao Direito – vol I. _________________. 1975. O Direito Constitucional e a Efetividade de suas Normas: Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. Elicio de Cresci. Enrique R. João Maurício.5. Pressupostos e diferenças de um direito dogmaticamente organizado in Boletim da Faculdade de Direito – Stvdia Ivridica. AFTALIÓN. KELSEN. SOBRINHO. 1999/2000. 1994. Paulo Dourado de. 2. José de Oliveira. Cláudio e SOUTO. 1998. Joaquim. Ciência e Ética no Direito: uma alternativa de modernidade. Solange. ed. 1997. GUSMÃO. São Paulo: Saraiva. 1998. SOUTO. BIBLIOGRAFIA REFERENCIAL ADEODATO. O Direito – Introdução e Teoria Geral – Uma Perspectiva Luso-Brasileira. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Martins Fontes. 1. Marcelo da Costa Pinto. 1981. ed. Rio de Janeiro: Renovar. Introdução Geral ao Direito – vol II. Justiça Alternativa. Introdução ao Estudo do Direito. 1994. Rio de Janeiro: Editora Forense. 1999. José Afonso da. Cláudio e FALCÃO. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. ed. Luís Roberto. Rio de Janeiro: livros Técnicos e Científicos Editora S/A. Antônio Luís. ed. 1994. SOUTO. 47 . Teoria da Ciência Jurídica. São Paulo: Revista dos Tribunais. NEVES. ed. Introduccion al Derecho. MACHADO NETO. São Paulo: Livraria Pioneira Editora. 1992. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. Sociologia do Direito. 1993. Cláudio. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. 1995. Luis Alberto. Hans. 1. nº 48. 1982. SILVA. 6. José. 3. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. Teoria Geral do Direito e do Estado (tradução de Luís Carlos Borges). Abeledo-Perrot. Coimbra: Coimbra Editora. & VILANOVA. Porto Alegre: Livraria do Advogado. SOUTO. ed. Buenos Aires. 1980. ______________. WARAT. 2.

04. 1981. essencialmente. Antônio Luís. Abeledo-Perrot. (. Vejam-se algumas penalidades: " se um homem furar o olho de um homem livre. Ao contrário. Sobre uma evolução das idéias jurídicas ao longo da história da humanidade desde os tempos primitivos até a modernidade. o que é o mesmo) entre pólos de interação social. Cláudio Souto sintetiza a necessidade de interações sociais positivas para que possa o direito se desenvolver plenamente: " O princípio geral teórico seria o de que quanto maior a aproximação (ou menor a distância. 05. cf. p. 59). entendida como o momento atual e não necessariamente o melhor. Esta opinião é coadunada com a de Machado Neto: " (. Deve-se buscar ao contrário do distanciamento uma aproximação. São Paulo: Saraiva. e se aproximam. Ciência e Ética no Direito: uma alternativa de modernidade. ser-lhe-á furado o olho. 203 a 298. 1998. Introduccion al Derecho. As representações que o integram pulverizam nossa compreensão do fato de que a história das verdades jurídicas é inseparável (até o momento) da história do poder. pp. 06. e se afastam. a sistematização normativa da dogmática e a problemática estimativa da filosofia jurídica. As penalidades contidas são bem radicais. 15). 24). & VILANOVA.NOTAS 01. Cláudio. está ligada ao postulado da semelhança entre os sentimentos. Buenos Aires. 2. 1975. 1992.. se um médico tratar ferida grave do paciente com punção de 48 . O Código de Hamurabi é um exemplo típico deste direito primitivo mesclado com a religião. não se prega o fim da dogmática jurídica ou da filosofia diante de sua superação pela sociologia do direito. Solange. p. Rio de Janeiro: livros Técnicos e Científicos Editora S/A. 02. Cláudio e SOUTO. AFTALIÓN.. na medida em que eles se consideram dessemelhantes no que aceitam. entendendo-se o direito enquanto regras de acordos sociais com base em dados de ciência. a que tantas vezes nos reportaremos nesta monografia. SOUTO.)" (SOUTO. Aqui. José.. 124." (WARAT.. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. e idéias e vontades dos atores sociais. Esta idéia de agradabilidade. O senso comum dos juristas é o lugar do secreto. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. Luís Alberto Warat afirma que as tradições e costumes jurídicos já trazem uma grande carga de dominação e controle social.) o problema já não mais se coloca em termos de substituição. um grupo social qualquer só o é na medida em que seus indivíduos se considerem semelhantes no que aceitam. Por conseguinte se canonizam certas imagens e crenças para preservar o segredo que escondem as verdades. maior a favorabilidade ao direito. Sociologia do Direito." (MACHADO NETO. ed. sendo certas crenças e valores jurídicos tomados como verdades que só servem para iludir e subjulgar: " Resumindo: os juristas contam com um emaranhado de costumes intelectuais que são aceitos como verdades de princípios para ocultar o componente político da investigação de verdades. Teoria da Ciência Jurídica. 1994. Luis Alberto. e não o é. Basta notar que. Enrique R. cf. cultuando-se a chamada Lei de Talião. gerando conseqüentemente uma maior conexão do direito com a realidade social posta. privilegiando as interações sociais de aproximação e coesão. os diversos âmbitos do estudo do direito devem ser analisados em busca de um maior amadurecimento teorético-científico. 03. mas de coexistência pacífica entre a compreensão empírica da sociologia. Introdução Geral ao Direito – vol I. p. p.

ed. Machado Neto bem destaca esta mudança: " Outro aspecto da mudança cultural que afeta profundamente o direito é aquele de inovação. A partir da Idade Moderna. Elicio de Cresci. Rio de Janeiro: Editora Forense. Se o morto for o filho do dono da casa. o arquiteto deverá ser morto. conhecida como "Idade das Trevas". em determinado contexto histórico. as mudanças sociais passam a ser crescentes na sociedade humana e o direito sofre influências e também influencia tais modificações na contextura político-sócio-econômica. Introdução ao Estudo do Direito. na lei e no ordenamento. Luis Alberto. Cappelletti bem observa isto: " há razões e condicionamentos sociais e culturais que. matando o dono. seja que tenham sido trazidas pelo contato cultural ou pelo desenvolvimento imanente à própria cultura local. 6. uma festa coletiva que prefigura o acesso autônomo do indivíduo como ator político. se um arquiteto construir para outrem uma casa e não a fizer bastante sólida. ADEODATO. São Paulo: Saraiva. reproduz crítica ao direito posto. Paulo Dourado de. 161). Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor.. mas do que é falado. estão e operam na norma e na instituição. 290 e segs. Introdução Geral ao Direito – vol II. 26. e também na interpretação e em geral na atividade dos juizes e dos juristas. ed. 1999. asseverando que este reflete mais o interesse do poder constituído: " As 49 . p." (MACHADO NETO. João Maurício. 1987. conduzindo o grupo a um totalitarismo evidente: " Enfim quero lembrar que o autoritarismo é sempre a ausência de teatro. ed. 89. deverá ser morto o filho do arquiteto. terá as mão decepadas. Pressupostos e diferenças de um direito dogmaticamente organizado in Boletim da Faculdade de Direito – Stvdia Ivridica. Rio de Janeiro: Editora Forense. nº 48. está faltando o palco. Coimbra: Coimbra Editora. Daí que não se possa pensar em deslocar a ordem imaginária e discursiva do processo autoritário de reconhecimento das identidades sociais. devido ao caráter excludente dos regime vigentes. O direito em qualquer momento histórico reflete a contextura social latente. 1994. Cláudio Souto. Introdução ao Estudo do Direito." (WARAT. de novos institutos jurídicos e até de novos ramos do direito. 26. 357). 10." (GUSMÃO. de identidades autoritárias. 09." apud SOBRINHO. Outros exemplos de cultura primitiva regulada por um direito arcaico são o Código de Manu e a Lei Hebraica que já trazem uma conotação mais humanista nas penalidades aplicadas. 11. abundantes. da criação de novas relações e formas de vida. nesse sentido. pp. sem fazer do lugar onde se fala. Paulo Dourado de. particularmente através da inteira história moderna do Ocidente em que uma nunca vista aceleração do tempo histórico tem determinado um surto incomparável de mudança cultural. cf. é um fomentador criador de novas leis. e se ele morrer. Justiça Alternativa.. 1999/2000. mesmo destacando as virtudes da filosofia da justiça. pp. o espaço público para a grande atmosfera de festa que é a democracia como processo participativo. GUSMÃO. 290/291). Quando nos reconhecemos socialmente através de ordem. Os exemplos são. Antônio Luís. 07. 08. p. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. mas sofrem ainda extensamente a influência da religião. 1999. p. Este autor assevera que faltam espaços para debates e efetiva participação. Sociologia Jurídica.bronze. Warat entende não existir democracia atualmente. 1995. cf. se a casa ruir. em especial na Idade Média. 12. (.) Se o direito atua como conservação e modificação da cultura assimilada ou inovada.

2. Hans. 16.. Rio de Janeiro: Renovar. Mas seu discurso tem sido vago e. 13. O que significa que o verdadeiro jurista é e só pode ser incômodo para os interesses instalados. Aplicabilidade das Normas Constitucionais.) cabe ao jurista. só auferem soluções justas com a utilização de dados de ciência que apoiem e sirvam para fundamentar as decisões/sentenças.. 3. Sobre a aplicabilidade das normas constitucionais e o caráter programático de boa parte delas." (SOUTO. 1993. NEVES. ao contrário. Sem levar em consideração o fato de que. Cláudio. São Paulo: Martins Fontes. Acredito estar equivocado o citado autor porque a análise empírica com base em dados de ciência permite a aferição de soluções mais justas perante cada caso concreto. retiram desse caráter vago a possibilidade do uso da bandeira liberal a serviço de seus interesses. devem ser baseadas em dados de ciência empírica. cf. ainda estamos inteiramente desprovidos dos métodos científicos para realizar tal investigação. pp. na verdade. desse modo. 19). ed. SILVA. mas de 50 . 15. Assim é que defrontamos com concepções que – em nome mesmo da justiça e de um liberalismo de pretensos resultados populares – têm legitimado aquele poder real de poucos. São Paulo: Acadêmica. O Direito – Introdução e Teoria Geral – Uma Perspectiva Luso-Brasileira. Deve-se mudar este paradigma para se apoiar o entendimento e aplicação do direito dentro de uma contextura social nova. para produzirem efeitos. p. na linguagem da doutrina norte-americana. 1997." (ASCENSÃO. pôr a nu dissonâncias menos visíveis. a formação dos operadores do direito ainda se apoia numa visão do direito enquanto fenômeno restrito à lei. José de Oliveira. 251). Infelizmente. e que a retórica dos lobbies é radicalmente incompatível com a construção científica do direito. 1982. As normas jurídicas. não é suficiente a edição de leis formais distantes da realidade social e de dados científicos. de sociedades harmonicamente coesas. veja-se a opinião de José de Oliveira Ascensão: " (. Para superar as crises existentes. São Paulo: Revista dos Tribunais. 14." (KELSEN. 1. ed. que. Investigá-las todas está fora de questão. casamento de homossexuais. de um grande número de circunstâncias. 17. Cf. O Direito Constitucional e a Efetividade de suas Normas: Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. Marcelo da Costa Pinto. Luís Roberto. ed. BARROSO. visando-se à construção. justamente porque ergue o sistema do direito que é. revelar as contradições que nele se inserem em relação aos princípios que exprime ou para que deveria tender. pela prática. Tempo do Direito Alternativo: uma fundamentação substantiva.ideologias e as filosofias da justiça. desvelar os pontos em que a pretensa racionalidade do sistema é afinal a expressão de interesses espúrios e não de qualquer exigência superior. Kelsen em posição diametralmente oposta afirma que não pode o Juiz decidir os casos concretos com base em análise de particularidades e dados de ciência empírica. Bem claro é Cláudio Souto a este respeito ao asseverar que: " Na verdade. 1. hoje. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 1998. José Afonso da. 1994. 1994. A constitucionalização simbólica. Veja-se a crítica do Mestre de Viena: " O que certo juiz decidirá num caso concreto depende. pouco apto a contribuir para deslocar os centros reais do poder econômico e político. enfim os chamados "hard cases". Rio de Janeiro: Editora Renovar. p. ed. Teoria Geral do Direito e do Estado (tradução de Luís Carlos Borges). 179/180). da liberdade e da igualdade procuram há séculos explicar os desequilíbrios sociais. tudo indica que o desenvolvimento de uma ciência empírica do direito (que seja ciência não apenas de formas sociais. por exemplo: o problema dos transgênicos.

São Paulo: Livraria Pioneira Editora. analisar empiricamente e estruturar normativamente os interesses sociais. Bem ressaltam tal fato Lawrence Friedman e Jack Ladinsky: " A mudança social ocorre quando há alterações reconhecíveis nos padrões correntes de interação das relações pessoa-a-pessoa. 100). a aproximação entre os pólos interagentes (a exemplo das interações de cooperação). Cláudio. Cláudio." (SOUTO. Assim. simplesmente. Joaquim. são. 18. a complexidade das relações sociais atualmente é evidente. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. Justiça Alternativa. havendo relações de distanciamento bem fortes em especial diante das grandes diferenças sócio-econômicas existentes. 49). Sociologia e Direito – leituras básicas de sociologia jurídica. 1980. 1997. p. onde não se desconsidere a realidade empírica do ‘sentimento de justiça’ (sentido de agradabilidade em face ao que se acha que deve ser) operante socialmente. de conflito ou de hierarquização (todas implicando a preponderância da idéia de dessemelhança entre os interagentes). 19. conciliação. e inseparavelmente. a proposições genéricas. Veja-se a lição de Cláudio Souto: " Interações sociais de competição. 1994.conteúdos sociais) a estará conduzindo a esquemas conceituais menos imprecisos e. conduzindo a uma maior realização/efetivação do direito. Realmente." (SOUTO. Ciência e Ética no Direito: uma alternativa de modernidade. mesmo. Interessante observar que a busca da resolução dos conflitos no âmbito social através de formas alternativas. 20. Cláudio Souto bem destaca a necessidade de um direito informado por dados de ciência empírica que. reintroduzir o direito no interior das relações sociais. superando o mito da estabilidade e aceitando até uma práxis alternativa de resolução de conflitos: " uma práxis jurídica alternativa significa. Ciência e Ética no 51 . abra-se cognitivamente para a realidade empírica existente: " Como o direito é forma e conteúdo ao mesmo tempo. Elicio de Cresci. em si mesmas. processos de afastamento no espaço social. p. Acaba-se com estas soluções breves e céleres resgatando a paz e a harmonia. 22. a segurança cognitiva deste. é preciso informá-lo de lógica em sua forma. 21. evidentemente. Quanto à expressão modelo. 20). Tempo do Direito Alternativo : uma fundamentação substantiva. Isto supera a ilusória visão da estabilidade da ordem de imutáveis situações privilegiadas." (SOUTO. 1992. como arbitragem. produzindo uma maior interação social entre os entes. p. se se lhe quer atribuir o máximo possível de segurança cognitiva. deve-se entendê-la como conjunto de valores e idéias aplicadas ao disciplinamento do fenômeno jurídico dentro de uma determinada realidade posta. maior. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. ou quando emergem e se estabelecem novas relações. Por isto. mesmo sendo formalmente estatuído. 229). Porto Alegre: Livraria do Advogado. Mudança social aqui é encarada como alteração de padrões de comportamento em face do estabelecimento de novos tipos de interação social. E quanto mais rigorosa seja a ciência substantiva que informe o jurídico. p. pois." (SOBRINHO." (SOUTO. sem distanciar-se o aplicador do justo. isto é. e de ciência substantiva em seu conteúdo. são sempre favoráveis ao jurídico. Já as interações sociais onde prepondera a idéia de semelhança e. é vital a reintrodução do direito dentro destas relações complexificadas. os interesses dos diversos atores sociais são bem divergentes. Cláudio. Cláudio e FALCÃO. deve-se à crescente mudança social existente na contemporaneidade. nelas não se forma clima favorável ao direito – a não ser quando essas interações previnam afastamento ainda maior (que passaria a existir sem elas).

Entende-se aqui por espaço social simplesmente o espaço da interação social."(WARAT. e que são típicas do mundo de hoje. p.. sendo desfavoráveis à idéia de justiça/agradabilidade: " Naturalmente. 1981. mantendo-se. p.. 1981. A evolução do conhecimento e o próprio progresso sócio-econômico geram maiores cobranças e conflitos multifacetados. Rio de Janeiro: livros Técnicos e Científicos Editora S/A. 1995. conduzem internacional e nacionalmente a um equilíbrio social instável porque fechado a um desenvolvimento não só econômico. 25.mas em nível nacional. Rio de Janeiro: livros Técnicos e Científicos Editora S/A. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. provocar uma profunda aproximação nos espaços sociais internos e internacionais e. Desse modo. Veja-se: " Assim. o sistema macrogrupal apresentaria o máximo de estabilidade e de abertura à mudança em seu equilíbrio. que provocam processos de afastamento nos seus espaços sociais. Tais conflitos clamam por soluções também diversas das estampadas em realidades pretéritas. A multivocidade do direito e sua relação com a sociedade não podem ser escamoteadas. indeterminada a natureza da sociedade.Direito: uma alternativa de modernidade.) Essas dessemelhanças acentuadas. Bem assevera Cláudio Souto sobre as dessemelhanças econômicas que ensejam uma ruptura e desequilíbrio nas relações sociais. mas a serviço de semelhança social objetiva e subjetivamente mais profunda. no sentido da favorabilidade ao direito. Luis Alberto. 133). assim. p. p. o problema do desenvolvimento econômico e social não se coloca apenas em nível internacional – nível das dessemelhanças acentuadas entre os chamados países ‘desenvolvidos’ e ‘subdesenvolvidos’ ou ‘em desenvolvimento’. 175). o tipo ideal de um macrossistema social de maior abrangência. 24. mas reificadas constantemente dentro do contexto em que se realizam: " A sociedade então não pode ser definida como uma unidade substancial. Uma sociedade democrática exige uma permanente reinvenção simbólica. Sociologia do Direito. 23. 1992. impensados em outros tempos históricos. com referência às nítidas dessemelhanças quanto ao ritmo de desenvolvimento entre regiões de um mesmo país (. seria aquele em que houvesse um máximo de semelhança objetiva e subjetiva entre todos os seus interagentes e em que fossem todos esses interagentes socializados na idéia da semelhança essencial entre todos os homens. A diminuição das distâncias sócio-econômicas conduziria a uma alteração de paradigmas existentes. Sociologia do Direito. com isso. tendo um efeito transformado no seio social. 26. capaz de. correspondentemente. 52 ." (SOUTO. Solange. Cláudio e SOUTO." (SOUTO. baseada num trabalho de interrogação sobre as significações intertextualmente dadas. 363). Cláudio e SOUTO. Solange. a estabilidade do equilíbrio nesses espaços. Introdução Geral ao Direito – vol II. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor. 90).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful