V Semana de Administração, Orçamentária, Financeira e de Contratações Públicas

Entendendo a Lei de Responsabilidade Fiscal

Organização: EDSON RONALDO NASCIMENTO

Abril de 2008

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1. Introdução ao Estudo das Finanças Públicas

As questões que envolvem a participação do Estado na economia ganharam relevância com os estudos empreendidos por Peggy e Richard Musgrave (1980), autores que relacionaram o papel do Setor Público às três funções econômicas clássicas: alocação de recursos, estabilidade econômica e distribuição de renda e riqueza. Para Musgrave, a gestão orçamentária é vista como peça fundamental no desenvolvimento econômico e social de um país. Dentro dessa perspectiva, uma alocação eficiente dos recursos (materiais e humanos) determinará a estabilidade econômica e a distribuição eqüitativa dos recursos sociais. Alocar recursos de forma eficiente significa, nessa perspectiva, condicionar o aumento das despesas à capacidade de arrecadação das receitas e a real capacidade de pagamentos do setor público. Em síntese, uma política orçamentária eficiente no que se refere à alocação dos recursos públicos, de acordo com Musgrave, torna-se peça determinante na busca pelo bem-estar social . Dentro de uma análise evolutiva do Setor Público em nosso país, podemos identificar a função alocativa durante o Regime Militar, onde um “governo empresário” realizou grandes obras de infra-estrutura; o Governo FHC que teve como meta fundamental a estabilidade econômica atingida com o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal; e o Governo Lula, com uma filosofia socialista, influenciada pelo Estado do Bem-Estar Social (Welfare State), desenvolvendo uma política distributiva de renda por meio de Programas de Transferências Condicionadas como o Bolsa Família. 1.1. Princípios e Objetivos da Política Fiscal Os principais objetivos da política econômica são a geração de um maior nível de emprego, o controle da inflação por meio da política monetária e o crescimento econômico. Nesse sentido, a política fiscal engloba a intervenção do governo na economia por intermédio da arrecadação de tributos e dos gastos públicos com o propósito de regular a atividade econômica. Essa intervenção afeta diretamente a demanda agregada e, dessa forma, influencia o nível de emprego e crescimento econômico de curto prazo. Segundo as orientações de políticas econômicas derivadas do modelo keynesiano, o aumento do gasto público (política expansionista) tem papel semelhante ao de expansão dos investimentos. Ao incrementar a demanda agregada, as empresas ampliam a produção, gerando renda adicional na economia. Parte dessa nova renda será consumida, gerando nova demanda agregada e novo aumento do PIB e da renda. Esse processo ocorre sucessivamente pelo mecanismo conhecido como “multiplicador da renda”. Se o governo adotar políticas de redução de impostos (expansionista), o impacto da intervenção econômica atua sobre o consumo à medida que menos tributos significam mais renda disponível para os consumidores. De qualquer forma, o objetivo será sempre deixar a economia mais próxima do produto potencial, ou seja, sem desemprego dos fatores. Entretanto, existe a possibilidade de ocorrer defasagens de tempo entre a adoção de uma medida política e os efeitos dessa intervenção, 2

o que reduziria a eficácia da política fiscal sobre a atividade econômica. Se isso acontece, uma política restritiva poderia começar a ter efeitos no momento errado, isto é, seus efeitos surgiriam num período de recessão, quando a economia necessitasse realmente de efeitos de política expansionista. O governo dispõe de alguns mecanismos para evitar esse descompasso de tempo entre a execução e os impactos da política fiscal sobre as flutuações econômicas. Trata-se dos chamados “estabilizadores automáticos”, que compreendem ações do próprio sistema econômico que contribuem para reduzir mecanicamente as forças de recessão ou de expansão da demanda agregada, sem que o governo tenha que adotar medidas discricionárias de política econômica para cada situação. São exemplos de estabilizadores automáticos: -os impostos progressivos: o imposto de renda, em que as alíquotas (e, portanto, a arrecadação) são crescentes em razão da renda; - o sistema de seguro-desemprego: os gastos do governo aumentam automaticamente quando a renda e o emprego da economia diminuem, sustentando a demanda agregada nos períodos de crise. Em resumo, a política fiscal é uma opção para minimizar as flutuações econômicas de curto prazo, mas sua utilização exige cuidado à medida que seu impacto depende da capacidade produtiva da economia e do grau de utilização dessa capacidade. Caso contrário, a política fiscal pode expandir o déficit público e aumentar a taxa de juros, sem alcançar seus objetivos sobre o produto. A Lei de Responsabilidade Fiscal nos termos da Constituição Federal é uma lei complementar de finanças públicas (art. 163 da CF/88). As características e os objetivos da LRF, em especial o equilíbrio das contas e a observação de limites para gastos e endividamento, permite associar a norma legal à função estabilizadora na economia, conforme proposta por Musgrave. Com a estabilidade econômica os governos reunem condições para o aumento na oferta de serviços públicos essenciais, além da execução de programas governamentais voltados para a distribuição de renda. Nesse sentido, Matias-Pereira (2006) destaca que o Estado tem o poder de atuar como indutor da economia, criando condições básicas para estimular, de forma seletiva, grande número de atividades econômicas. Não se pode dissociar o desenvolvimento social de uma nação sem levar em consideração a situação econômica, a produção e a divisão das riquezas. Outra questão importante no que se refere à atuação do setor público na economia está na manutenção do equilíbrio nas contas governamentais. Quando o volume de despesas públicas mantém-se em patamar muito superior ao das receitas arrecadadas, as alternativas buscadas para o equilíbrio passam pela alienação de ativos e a contratação de operações de crédito (receitas de capital). De acordo com Nascimento (2006), quando o setor público realiza um volume de despesas muito superior a arrecadação de tributos fomenta o déficit público, aumentando o nível de 3

endividamento, o que traz como conseqüência uma maior absorção de recursos financeiros disponíveis ao setor privado. A busca por recursos financeiros para a cobertura do déficit nas contas de custeio principalmente prejudica a formação da poupança interna cujo objetivo é o financiamento do investimento produtivo. Esse mecanismo é conhecido como fenômeno crowding-out. Nesse caso, para cobrir sua necessidade de financiamento, o setor público, por meio de uma política de juros elevados, absorve parte da poupança interna sinalizando ao setor financeiro as taxas que deverão ser praticadas no mercado. De fato, funciona nesse caso a lei básica de oferta e procura por moeda. Em outras palavras, o desajuste das contas governamentais contribui para a elevação do preço da moeda e das taxas de juros. Portanto, o endividamento público, em última instância, representa um fator de desajuste na economia. Durante o Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), buscou-se por meio de alienação de ativos federais a redução do estoque da dívida. Nesse período, os recursos das privatizações juntamente do superávit primário em nível federal reduziram o montante da dívida em R$ 135 bilhões, aproximadamente (Nascimento e Debus – 2002). No que se refere ao superávit primário, o Governo FHC conseguiu destinar, em média, cerca de 2,8% do PIB para o pagamento dos encargos da dívida entre 1995 e 2001. Já durante o Governo Lula, sem novos ativos disponíveis para alienação, o governo vem optando por uma política fiscal restritiva no sentido de gerar superávit primário em nível superior ao praticado no governo anterior visando dessa forma reduzir o endividamento pelo aumento no fluxo de pagamentos. 2. Características Gerais da LRF De acordo com Nascimento e Debus (2002), a Lei de Responsabilidade Fiscal - Lei Complementar n º 101, de 4 de maio de 2000, visa a regulamentar a Constituição Federal, na parte da Tributação e do Orçamento (Título VI), cujo Capítulo II estabelece as normas gerais de finanças públicas a serem observadas pelos três níveis de governo: Federal, Estadual e Municipal, além do Distrito Federal. Em particular, a LRF vem atender à prescrição do artigo 163 da CF de 1988, cuja redação é a seguinte: “Lei complementar disporá sobre: I - finanças públicas;(grifo nosso) II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades controladas pelo poder público; III - concessão de garantias pelas entidades públicas; IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública; V - fiscalização das instituições financeiras; VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional.”

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Os modelos que foram tomados como referencial para a elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal são destacados a seguir: Fundo Monetário Internacional . de acordo com metodologia do FMI . Comunidade Econômica Européia. conhecida como “Lei Camata”. Nesse sentido revoga legislação anterior (Lei Complementar nº 96/1999). aliado ao princípio de “accountability”. destacando-se o estabelecimento de metas de uma relação estável entre dívida e Produto Interno Bruto (dívida/PIB).FMI. o artigo 163 da Constituição Federal de 1988”. reforça esse entendimento. as influências referem-se às experiências daquele país na administração financeira orçamentária. juntamente da transparência das contas públicas. Nova Zelândia. conforme analisaremos a seguir. de 1994 de onde se buscou a idéia da imposição de limites e restrições aos gastos públicos na busca do ajuste fiscal. complementando. Nesse caso. Estados Unidos. que dão fundamento ao artigo 9º da LRF na forma de limites para empenhos de despesas e medidas de compensação. além de outras dívidas autorizadas pelo Senado Federal . a União ficou autorizada a assumir a dívida pública mobiliária dos Estados e do Distrito Federal. 2. em especial por meio de dois mecanismos básicos: o sequestration e o pay as you go. destacando que a LRF “surge no cenário nacional como instrumento legal definidor de normas nacionais de finanças públicas. A LRF atende também ao artigo 169 da Carta Magna. consistia na assinatura de um Programa de Reestruturação e de Ajuste Fiscal com a observação de metas compromissos referentes a: 5 . e que tem editado e difundido normas de gestão pública em diversos países. com a edição da Lei n° 9. Cumpre ainda ressaltar que antes da LRF outro instrumento legal já estabelecia normas e regras para uma gestão fiscal responsável e o equilíbrio nas contas públicas no Brasil. a partir do Tratado de Maastricht que estabeleceu condições e regras para os países membros. entre outros. Em setembro de 1997. cujas normas de disciplina e controle de gastos do governo central levaram à edição do Budget Enforcement Act. pode-se verificar que a LRF incorpora alguns princípios e normas internacionais. através do Fiscal Responsibility Act. Origens da Lei de Responsabilidade Fiscal Dentro da perspectiva de uma Administração Pública Comparada. além do compromisso da manutenção do equilíbrio fiscal visando a auto-sustentabilidade.496.1. que determina o estabelecimento de limites para as despesas com pessoal ativo e inativo da União a partir de Lei Complementar. A principal influência recebida do FMI diz respeito ao princípio da transparência nas contas públicas por meio de uma abertura das contas governamentais à população de forma simplificada e inteligível. A exigência para esse que seria o último programa de refinanciamento de dívidas antes da edição da LRF . organismo do qual o Brasil é Estadomembro.Matias-Pereira (2006).

Ressalte-se que a partir da edição da LRF. coincidindo com a duração de um mandato do Chefe do Executivo. da Constituição Federal. 35 da LRF). Intensificação na arrecadação das receitas próprias. estendida também aos municípios brasileiros por meio da Medida Provisória nº 2. 165. inciso I.1. em relação às regiões Sul e Sudeste. ou mesmo a postergação de dívidas contratadas por entes públicos. 3. 3. são elas mais pertinentes ao PPA federal. medida que visava controlar o principal componente das despesas públicas em nível estadual: a folha de pagamentos.Dívida financeira em relação à receita líquida real – RLR. o que importava no aumento da eficiência na arrecadação de tributos estaduais. Nosso entendimento é que não se aplicam. em especial do Norte. a Lei de Diretrizes Orçamentárias LDO. Plano Plurianual . nas esferas estadual e municipal. A LRF e o Planejamento A Constituição de 1988.118/1998 e suas reedições. para servir de elo de ligação entre aqueles dois instrumentos. Limites para despesas de investimento como proporção das receitas líquidas (RLR). atribuindo novas e importantes funções ao Orçamento e à LDO. que tinha por objetivo garantir que o endividamento nos Estados não cresceria nos anos seguintes. as disposições concernentes à regionalização. conforme se depreende da leitura do parágrafo 7º do referido mandamento. abrangendo um período de quatro anos. a prática de refinanciamento. destinado às ações de médio prazo. está proibida no Brasil (art. permissão ou concessão de serviços públicos. além de uma reforma administrativa e patrimonial. entendido como os recursos que deveriam ser gerados para o pagamento dos juros e do principal da dívida refinanciada. Limites para as despesas com funcionalismo público. e. estas mais desenvolvidas sob 6 .PPA. Programa de privatização. O primeiro deles. objetivos e metas da administração para as despesas de capital e outras delas decorrentes. ao tornar compulsória a elaboração dos três instrumentos básicos para esse fim. A LRF procura aperfeiçoar a sistemática traçada pela norma constitucional. A assinatura do Programa de Ajuste e a observância rigorosa do cumprimento das metas fiscais passaram a ser as principais características desta nova etapa de refinanciamento de dívidas. o Orçamento Anual. pois. o PPA tem a função de estabelecer as diretrizes. no tocante ao planejamento na administração pública.PPA Previsto no Art. Nordeste e Centro-Oeste. para discriminar os gastos de um exercício financeiro. Resultado primário. teve a clara preocupação de institucionalizar a integração entre os processos de planejamento e orçamento. O objetivo visado pelo Poder Constituinte de 1988 era a redução das disparidades entre as regiões geográficas do País. o Plano Plurianual .

• estabelecer critérios e formas de limitação de empenho. com as linhas gerais da política econômica nacional e de desenvolvimento social.todos os aspectos. 3. • disciplinar as transferências de recursos a entidades públicas e privadas. a LDO recebe novas e importantes funções. razão pela qual todos os demais planos e programas devem subordinar-se às diretrizes. O texto da LRF. ao menos em tese. de forma a garantir a realização das metas e objetivos contemplados no PPA. • quantificar o resultado primário a ser obtido com vistas à redução do montante da dívida e das despesas com juros. destinado a demonstrar a compatibilidade dos objetivos e metas plurianuais nele contidos. Conforme o artigo 35. em cento e vinte dias do prazo para remessa da proposta do PPA ao Legislativo (até o final de maio). compatibilizando as diretrizes do Plano à estimativa das disponibilidades financeiras para determinado exercício. Trata-se. portanto. • estabelecer limitações à expansão de despesas obrigatórias de caráter continuado. • dispor sobre o controle de custos e avaliação dos resultados dos programas financiados pelo orçamento. uma certa uniformidade de linhas de ação entre as esferas Federal. na sua concepção original. previa a antecipação. na ocorrência de arrecadação da receita inferior ao esperado. com o mínimo de conflitos e superposições.2. no exercício financeiro subseqüente. E uma das formas idealizadas para alcançar esse objetivo foi através do investimento público. o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro (até meados de abril) e 7 . Estadual e Municipal. de instrumento que funciona como elo entre o PPA e os orçamentos anuais. sob o argumento de que a exigüidade do prazo inviabilizaria o aperfeiçoamento metodológico do PPA. de modo a comprometer as metas de resultado primário e nominal previstas para o exercício. O que deve ser ressaltado é a condição do PPA como documento de mais alta hierarquia no sistema de planejamento de qualquer ente público. essa parte foi objeto de veto pelo Presidente da República. além da elaboração de um Anexo de Política Fiscal. objetivos e metas nele estabelecidos. da Constituição Federal de 1988. aprovado no Senado Federal. a LDO deverá estabelecer os parâmetros necessários à alocação dos recursos no orçamento anual.LDO A LDO. Dessa forma. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias . Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal. do qual o PPA vem a ser o instrumento canalizador de recursos. De acordo com a doutrina. assegurar-se-ia. No entanto. de modo a lograr-se o máximo de resultado nas ações desenvolvidas. sendo as mais importantes: • dispor sobre o equilíbrio entre receitas e despesas. além de estabelecer as prioridades e metas da administração. tinha como função básica orientar a elaboração dos orçamentos anuais. bem como a seleção mais criteriosa de programas e ações prioritárias de governo.Lei de Diretrizes Orçamentárias .ADCT.

analisado na sessão anterior. prevista no artigo 165. próprias do orçamento. Lei Orçamentária Anual . cuja principal finalidade é administrar o equilíbrio entre receitas e despesas públicas. Distrito Federal e Municípios o que estiver disposto nas suas respectivas Constituições e Leis Orgânicas.LOA Da mesma forma que na LDO. pela LRF. por acompanhamento. parágrafo 5º da Constituição Federal. Estes prazos. a LOA. A Lei Orçamentária Anual. em geral. O seu papel consiste em ajustar as ações de Governo. que a LDO deverá prever para o atendimento às despesas previstas no Anexo de Riscos Fiscais. o demonstrativo da compatibilidade da programação do orçamento com as metas da LDO previstas no respectivo Anexo de Metas Fiscais. sem trânsito pelo Parlamento. Conforme o artigo 35 do ADCT.3. De acordo com o artigo 5º da LRF. 3. Anteriormente à vigência da atual Carta Magna. ampliou o papel e a importância da LDO tornando-a. 8 . tanto na LOA como nas leis de créditos adicionais. Neste caso. em percentual da RCL. destinada ao pagamento de restos a pagar e passivos contingentes. isenções. A LRF. prevalecendo para Estados. na sistemática de elaboração do orçamento anual. constitui o mais importante instrumento de gerenciamento orçamentário e financeiro da Administração Pública. traça as metas anuais e indica os rumos a serem seguidos e priorizados no decorrer do exercício financeiro. não se detendo em situações específicas ou individuais. etc. a LOA demonstrará que está compatível e adequada ao Anexo de Metas Fiscais. Além disso. a previsão da reserva de contingência. elemento de planejamento para a realização de receitas e o controle de despesas públicas. com o objetivo de alcançar e manter o equilíbrio fiscal. às reais possibilidades de caixa. ainda. É o que se observa. subsídios. além de outros imprevistos fiscais. as prioridades do setor público eram definidas unilateralmente pelo Poder Executivo. por sua vez. o demonstrativo de efeitos sobre as receitas e as despesas decorrentes de anistias. A LOA deverá apresentar as despesas relativas à dívida pública. Esses prazos dizem respeito à União. várias alterações estão sendo introduzidas. previstas no PPA. Dentre as principais. destacam-se: 1. na reserva de contingência. também são observados pelos Estados e Municípios. sendo orientada pela LDO. mobiliária ou contratual e respectivas receitas. o projeto de lei orçamentária da União será encaminhado ao Legislativo até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro (final de agosto) e devolvido para a sanção até o encerramento da sessão legislativa (até meados de dezembro). a LDO estabelece regras gerais substantivas. A Lei de Diretrizes Orçamentárias tem também o mérito de submeter à soberania popular a definição das prioridades para a aplicação dos recursos públicos.devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa (final de junho). ainda. tendo ainda. deve manter os objetivos definidos nesta. sendo o refinanciamento da dívida (e suas receitas) demonstrado de forma separada. 2.

4. verificou-se que a busca pelo equilíbrio fiscal no Brasil não se restringe ao incremento na arrecadação mas. através do Capítulo III. dentre elas: • o IOF. visa a resgatar a importância das receitas próprias na realização de projetos e manutenção da máquina pública. uma queda nas receitas próprias do Governo Central. Houve. Finalmente. Desta forma. a União. Além disso. combustíveis e minerais. em nível local. A Carta Magna aumentou significativamente a participação dos Estados e dos Municípios na repartição do “bolo fiscal”. Estes impostos passaram a fazer parte da base de cálculo do ICMS. a LRF. • as contribuições sociais aumentaram a sua participação na carga tributária (de 24% em 1988. de acordo com o artigo 5º. Neste caso. antes instrumento de política monetária.A dívida pública terá um tratamento especial na LOA. em detrimento da União. em 1992). a uma política de gastos mais restritiva. cabendo aos Municípios a fatia de 25% deste que é o principal imposto estadual. chegando próximo aos 70% do "bolo fiscal" no período. na proporção do incremento das transferências. Outras transformações importantes foram observadas na estrutura tributária brasileira a partir da CF/88. representavam percentual pouco significativo das receitas correntes totais. que aumentou significativamente na década de 90. O serviço da dívida (encargos mais amortizações). • como o IOF e as contribuições sociais não são transferidos aos Estados e Municípios. O incremento nas receitas de Estados e Municípios não livrou esses entes do problema do endividamento público. passou a assumir caráter arrecadatório. para 26%. previsto contratualmente. já que a Constituição Federal retirou os impostos únicos sobre energia elétrica. Isso ocorreu em virtude do aumento das transferências de recursos através dos fundos de participação (FPE e FPM). que detinha cerca de 75% do total dos recursos tributários arrecadados no País antes da Constituição de 1988. a participação da União na arrecadação apresentou uma ligeira recuperação em 1994. Não havia estímulo para a arrecadação de impostos que. também. passou a contar com cerca de 66% desse total. tendo atingido 29. em alguns casos. A LRF e as Receitas e Despesas Públicas A Constituição Federal de 1988 possibilitou o incremento na carga tributária brasileira a partir daquele período. Estados e 9 . e as receitas para esse fim devem estar destacadas na Lei. não foram repassados aos governos estaduais e municipais as obrigações e os encargos pertinentes. o aumento das transferências da União trouxe como conseqüência a renúncia a parte das receitas próprias em alguns governos subnacionais. Em 1989 ela representava cerca de 22% do PIB nacional.5% em 1990. a partir de 1989. do campo da competência Federal. Portanto. ainda.

passa a ser uma obrigação. A partir da vigência da LRF. as estimativas da receita devem estar acompanhadas de demonstrativo da sua evolução. nos três anos anteriores e nos dois seguintes àquele a que se referirem. 4. • Demonstrar que a renúncia delas decorrente foi considerada ao se estimar a receita do orçamento e que não afetará as metas de resultados fiscais previstas na LDO.3. • Prever medidas de compensação nos três exercícios já referidos. há comentado. podendo ser através de: elevação de alíquota. não só ao que dispuser a LDO. nos termos da LRF e. nos casos de erro ou omissão.Municípios possuem legislação tributária própria e devem explorar com eficiência o seu potencial de arrecadação. Na verdade. 4. de ordem técnica ou legal. 9º. cobrar impostos.Previsão e Arrecadação da Receita A instituição. sendo que nos dois últimos casos o benefício só entrará em vigor após a 10 .1. desvinculando-se cada vez mais da dependência do Governo Federal. Ressalte-se a importância dessa medida.028 (Lei de Crimes Fiscais). 13 da LRF determina que o Poder Executivo deverá. Metas Bimestrais de Arrecadação O art. previsão e a efetiva arrecadação de todos os tributos é ressaltada pelo texto da LRF como requisito essencial da responsabilidade na gestão fiscal.2. efetuar o desdobramento das receitas em metas bimestrais de arrecadação. pelo Poder Legislativo. mais do que um direito da administração pública. Renúncia de Receita A concessão indiscriminada dos chamados “incentivos fiscais” é prática danosa às finanças de qualquer ente público. Permanece também o mandamento constitucional que somente admite reestimativa de receita. informando quais medidas serão adotadas para o combate a sonegação. além de observar as normas técnicas e legais e a respectiva metodologia de cálculo. nos termos da Lei 10. a cobrança da dívida ativa e os créditos executáveis pela via administrativa. Para a sua previsão. tais iniciativas deverão atender. até trinta dias após a publicação do orçamento anual. A determinação para a cobrança de tributos deve ser vista como um estímulo ao administrador para o desenvolvimento do sistema tributário próprio. ampliação da base de cálculo ou novos tributos ou contribuições. uma vez que tais metas bimestrais de receita servirão de parâmetro para a limitação de empenho e movimentação financeira a que se refere o art. mas ainda aos seguintes requisitos: • Estimar o impacto orçamentário financeiro no exercício inicial de sua vigência e nos dois seguintes. 4. O descumprimento dessa norma terá como conseqüência a imediata suspensão das transferências voluntárias ao ente público que se mostrar negligente nessa questão. e deve estar sujeita a regras disciplinadoras.

Some-se ainda a restrição do parágrafo 3º do art. irregular e lesiva ao patrimônio público. Despesa Pública A regra básica da LRF (art. não só para a aquisição de bens. derivada de lei. Estas medidas deverão observar ainda.” 11 . o pagamento de “bolsa-escola” para famílias carentes que comprovem a freqüência dos filhos em idade escolar na rede pública de ensino. como também para a desapropriação de imóveis urbanos. de acordo com a Constituição. é considerada: não autorizada. 17: é despesa corrente. para todo e qualquer aumento de despesa pode ser assim traduzida: toda e qualquer despesa que não esteja acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro nos três primeiros exercícios de sua vigência. é condição prévia. o princípio da anterioridade. A novidade aqui está no conceito de despesa obrigatória de caráter continuado que. geradora de obrigação legal de sua execução por um período superior a dois exercícios. define o aumento permanente de receita como o “proveniente da elevação de alíquotas. Essa norma. o PPA e a LDO e. Algumas ações governamentais objetivas poderão esclarecer um pouco mais este conceito: • em nível municipal. 15). aprovado no Plenário do Senado Federal em 2000. Estão isentos das restrições acima apenas os cancelamentos de débitos em valor inferior aos seus custos de cobrança. 4. no caso de despesa obrigatória de caráter continuado.ocorrência do aumento da receita. serviços e obras.4. Como se vê. majoração ou criação de tributo ou contribuição. deverá ser paga em dinheiro . da sua adequação orçamentária e financeira com a LOA. que. ampliação da base de cálculo. de suas medidas compensatórias. sem deixar margem para criatividade. Diante do que estabelece a nova lei. ambas de grande ônus político: aumento permanente de receita ou redução permanente de despesa. para a questão do aumento nas despesas. atendem aos requisitos propostos: gerarão despesas correntes. derivadas de lei e execução por período superior a dois exercícios financeiros. as despesas geradas a partir dessas ações. por exemplo. medida provisória ou ato administrativo normativo. 17 que. nos termos do Código Tributário Nacional. • projeto para criação de Territórios Federais na Região Amazônica. nos termos do art. duas alternativas são dadas. de acordo com o § 4º do artigo 16 da LRF.

fixas e variáveis.De nada valerão. 4. 4. para que não haja a menor chance de alguma brecha ou artifício legal. Além disso. Certamente que o aumento da participação da folha de pagamento nas receitas de Estados e Municípios deveu-se. portanto. o princípio que embasa tal conduta não é outro que o de “gastar apenas o que se arrecada”. Não é de estranhar. a partir dos recursos que lhe são entregues na forma de impostos. Vencimentos e vantagens. iniciativas do tipo “combate à sonegação”. militares e de membros de Poder. No entanto. “bolão fiscal” e outras medidas do gênero. o conjunto dos Estados brasileiros gastou em média. 2. etc. 4. Além disso.5. sem a correspondente fonte de recursos. Despesas com inativos e pensionistas. A definição desses limites busca simplesmente permitir que o administrador público cumpra o papel que a sociedade lhe atribuiu: proporcionar bem-estar à população. saúde e segurança. Por conseguinte. Somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos.6. a limitação dos gastos com pessoal em percentual da RCL deve-se. o crescimento populacional demanda um programa de investimentos crescente por parte dos governos. 67% de suas receitas líquidas (receitas disponíveis) com pagamento de pessoal. a despesa com pessoal apresenta um componente vegetativo importante. como já foi visto. E. à necessidade de manter o setor público com os recursos necessários à sua manutenção e ao atendimento das demandas sociais. antes de mais nada. Mandatos eletivos. cargos. entende-se como despesas de pessoal: 1. Entre 1996 e 2000. pelo menos para esse fim. 12 . civis. responsável pelo crescimento deste tipo de despesa de forma continuada. saneamento. sem considerar a manutenção de estradas e vias urbanas. Limites com Pessoal De acordo com a LRF. que este seja um dos pontos que mais tem suscitado críticas por parte dos governantes nos diversos níveis da Federação. diante das barreiras que são impostas a aumentos de despesa. O que acontece quando um ente público despende 70% de suas receitas líquidas com a folha de pagamento? Significa que restam 30% para a realização dos serviços públicos básicos. como educação. a preservação do patrimônio público. à estabilidade econômica e a queda nos índices inflacionários. Despesas com Pessoal: fiscalização e controle Os gastos com a folha de pagamento de pessoal representam o principal item de despesas de todo o setor público brasileiro. funções ou empregos. com quaisquer espécies remuneratórias. a lei equipara a aumento de despesa a prorrogação daquela já criada por prazo determinado. Uma crítica constante à Lei de Responsabilidade Fiscal diz respeito à imposição de limites para os gastos com pessoal. 3.

já que a contagem retroage 11 meses12. Na esfera estadual o limite de 60% será repartido da seguinte forma: • • • • 2% para o Ministério Público. Somente o RGF referente ao último quadrimestre do ano apresentará as despesas de pessoal verificadas na unicidade do exercício financeiro.9% para o Executivo. com percentuais específicos para cada Poder. Adicionais de qualquer natureza.6% para o Ministério Público. A apuração dos gastos com pessoal será feita com base em um período de 12 meses. Encargos sociais e 10. Neste caso. tais limites serão agora repartidos entre todos os Poderes públicos.RGF do primeiro e do segundo quadrimestre. horas extras e vantagens pessoais. Na esfera Federal o limite será de 50% da RCL. assim dividido: • • • • 40. e • 54% para o Executivo. Na esfera municipal o limite de 60% será assim repartido: • 6% para o Legislativo. 13 . É o caso da Lei Complementar nº 96 de 1999. os limites serão repartidos. conhecida como Lei Camata II. e 49% para o Executivo. 7. e 60% da RCL para Estados e Municípios. A LRF determina dois limites distintos para os gastos com pessoal no setor público: • • 50% da RCL para a União. e 0. reformas e pensões. 3% para o Legislativo.5% para o Legislativo. 8. De acordo com a LRF. 6.5. somarão despesas com pessoal relativas a dois exercícios financeiros. 6% para o Judiciário. fica revogada qualquer outra legislação que verse sobre estes limites. Nos Poderes Legislativo e Judiciário. quando houver. Cumpre ressaltar que após a publicação da LRF. Contribuições recolhidas pelo Ente às entidades de previdência. 2. proventos de aposentadoria. Subsídios. Gratificações. os limites a serem apresentados no Relatório de Gestão Fiscal . na proporção das despesas que vinham sendo realizadas em exercícios anteriores. incluindo o Tribunal de Contas do Município. 9. incluindo o Tribunal de Contas do Estado. entre os seus diversos órgãos. 6% para o Judiciário.

isto significa que o órgão A terá um limite de 2. Atente-se para o fato de que as receitas originárias das contribuições a fundos não compõem o cálculo da RCL. este limite será igual a 3.Um exemplo: digamos que nos três exercícios financeiros anteriores à publicação da LRF (1997. assim como a comprovação de que não serão afetadas as metas de resultados fiscais previstas na LDO. além da indicação de sua fonte de custeio total. custeadas pela União. não há porque serem somadas aos limites (60%). enquanto que o Executivo perderá este percentual a maior do seu limite (0. • As despesas com pessoal do Estado do Amapá. A partir de maio de 2000.6%. • As despesas com inativos custeadas com recursos de fundos próprios. enquanto que para o órgão B. Sua contagem no limite de pessoal desestimularia programas dessa natureza. De modo idêntico aos demais aumentos de despesa. se estas despesas não são pagas com as receitas destes Estados. Em outras palavras. o cumprimento do art. o PDV. 5. • As despesas com pessoal verificadas em decorrência de convocação extraordinária do Congresso Nacional. Parece lógico que. majoração ou extensão de qualquer benefício que integre a seguridade social requer.4%). em geral utilizado pontualmente e dirigido ao conjunto dos servidores. aquele dispositivo obriga à demonstração da origem dos recursos que custearão qualquer aumento na despesa. a criação. Não faria sentido decisão diferente. Nos Estados onde houver Tribunal de Contas dos Municípios. aumentará a despesa com pessoal no mês em que estiver sendo executado.6% da RCL. por ocasião do afastamento. • As despesas relativas ao incentivo à demissão voluntária. a partir de mecanismos de compensação. nem por isso a LRF é menos severa em relação aos aumentos de gastos com a seguridade social. o limite para os gastos com pessoal do Legislativo será igual a 3. com a limitação dos gastos com pessoal sendo igual a 6% da RCL para o Poder Judiciário. resta relacionar aquelas despesas que não serão computadas para o atendimento dos limites definidos nesta seção: • As despesas com indenização por demissão de servidores ou empregados. 17. o servidor recebe valores superiores àqueles que receberia se continuasse na ativa.1998 e 1999) dentro do Poder Judiciário a média das despesas com pessoal foi dividido entre o órgão A e o órgão B na proporção de 40% e 60% respectivamente. o que torna nula esta operação do ponto de vista contábil. que versa sobre a despesa obrigatória de caráter continuado. já que. 14 . e da competência de período anterior ao da apuração das despesas com pessoal (somando-se o mês de referência com os onze meses anteriores). Roraima e do Distrito Federal. que passará então para 48. • As despesas decorrentes de decisão judicial (em geral classificadas na rubrica “Sentenças Judiciais”).4% da RCL. o chamado PDV. Despesas com a Seguridade Social Embora este assunto tenha merecido apenas um breve artigo. Apenas para relembrar. Finalmente.4% da RCL para as despesas com pessoal. de acordo com o § 2º do artigo 18.

operações de crédito e empresa estatal dependente. e os recursos de terceiros. a dívida pública consolidada não inclui as obrigações entre cada ente público e seus respectivos fundos. 15 e 16. • das obrigações financeiras do ente da Federação. contratos. Por definição. 15 . fundações e empresas estatais dependentes ou entre estes. quase o dobro. convênios ou tratados. sem duplicidade: • das obrigações financeiras do ente da Federação. tenha chegado. inciso I da LRF. que em 1994 representava 10% do PIB. abertura de crédito. que provém nas receitas de impostos e transferências. que condicionam os aumentos de despesa a: • Estimativa de impacto orçamentário-financeiro nos três primeiros exercícios de sua vigência. de 21/12/2001. a LDO e a LOA. • dos precatórios judiciais emitidos a partir de 5 de maio de 2000 e não pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido incluídos. dívida pública mobiliária. em 6 anos ? No Capítulo I da Resolução do Senado Federal n° 43. em razão de mútuo.6. embora de prazo inferior a doze meses. Já a dívida pública mobiliária é representada por títulos emitidos pela União. em atendimento ao disposto no artigo 30. em 2000 a 18% do PIB. Considera-se dívida pública consolidada o montante total apurado. Pelo disposto no parágrafo primeiro do art. pelos Estados. observar os termos dos arts. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. portanto. tenham constado como receitas no orçamento. inclusive as decorrentes de emissão de títulos. a assunção. a partir do aumento nas transferências do Governo Federal. o que significa endividar-se. sem a contrapartida do incremento das receitas próprias. • Adequação orçamentária e financeira com o PPA. A LRF e a Dívida Pública A dívida líquida do setor público brasileiro cresceu significativamente entre os anos de 1994 e 2000. 29 da LRF. são apresentadas as definições dos termos relacionados à dívida pública consolidada. assumidas em virtude da realização de operações de crédito para amortização em prazo superior a doze meses ou que. autarquias. a Constituição Federal de 1988 aumentou a disponibilidade de recursos para Estados e Municípios. emissão e aceite de título. E este endividamento desproporcional e crescente arquitetou-se a partir do aumento nas despesas públicas. o reconhecimento e a confissão de dívidas pelo ente público são equiparadas as operações de crédito. devendo. Além disso. ainda. Operações de crédito correspondem a compromissos assumidos com credores situados no País ou no exterior. Como já foi ressaltado anteriormente. Como explicar então o fato de que a dívida dos entes subnacionais (Estados e Municípios). principalmente nos Estados e Municípios. existem dois mecanismos fundamentais utilizados para a cobertura do déficit público: os recursos próprios. assumidas em virtude de leis.

mercadorias ou serviços. da Lei Complementar nº 101 de 2000 destinam-se exclusivamente à cobertura de déficits de empresas e devem ser alocados diretamente no orçamento da empresa beneficiária. de custeio em geral ou de capital. a exemplo do conceito de empresa estatal dependente e de algumas classificações orçamentárias. definido pela Resolução n° 43/01. na forma da legislação. considera-se ainda subvenção econômica a transferência permanente de recursos de capital para empresa controlada deficitária nos termos do caput deste artigo”. recebido recursos financeiros de seu controlador. inclusive com o uso de derivativos financeiros. direta ou indiretamente. Para efeitos desta portaria.320/64. as aplicações financeiras e os demais haveres financeiros. neste último caso. a assunção direta de compromisso. 3º Port. Embora a Lei nº 4.320. existindo algum dispositivo 16 . de 27-12-2001. 589). 2º. confissão de dívida ou operação assemelhada. com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços. 18 da Lei 4. considerando-se ainda as obrigações a pagar que deverão ser deduzidas das disponibilidades financeiras. a LRF estabelece normas de finanças públicas voltadas para a gestão fiscal. 7º da Portaria Interministerial STN/SOF nº 163. Os objetivos das duas legislações são claramente distintos: enquanto a Lei nº 4320/64 estabelece as regras gerais para a elaboração e o controle dos orçamentos e balanços. autorização orçamentária para recebimento de recursos financeiros com idêntica finalidade. No que tange à dívida fundada. do art. Posteriormente. aceite ou aval de títulos de crédito e a assunção de obrigação. Parágrafo único. no exercício anterior. Quanto à dívida consolidada líquida. salvo lucros e dividendos. De acordo com esse dispositivo legal: “A subvenção de que trata o caput do art. corresponde à dívida pública consolidada deduzidas as disponibilidades de caixa. a Portaria n° 589 da STN. de acordo com a Resolução n° 43/01. que tenha. a maioria do capital social com direito a voto. com fornecedor de bens. destinados ao pagamento de despesas com pessoal. arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas. dá continuidade a esse conceito. de 04-05-2001. (Art. excluídos. sem autorização orçamentária. prevalece a vontade da Lei mais recente. no exercício corrente. a partir do seu artigo 3°. pelo Distrito Federal ou pelo Município. recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços. Empresa estatal dependente. de 17 de março de 1964 e o repasse de recursos previsto no inciso III.320/64 tenha sido recepcionada pela Constituição Federal com status de Lei Complementar. mediante emissão. e tenha.aquisição financiada de bens. Cabe por fim ressaltar que a LRF não revoga a Lei nº 4. aqueles provenientes de aumento de participação acionária. é empresa controlada pelo Estado. Equiparam-se a operações de crédito o recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha. nos termos do art.

calculada na forma do art.Limites de Endividamento de acordo com a LRF Diz o artigo 30 da Lei de Responsabilidade Fiscal: Art. consoante os incisos I e II.Congresso Nacional: projeto de lei que estabeleça limites para o montante da dívida mobiliária federal a que se refere o inciso XIV do art. estabelecendo limites e condições para contratação de operações de crédito e endividamento de Estados e Municípios já haviam sido publicados. 4. cumprindo o que estabelece o inciso VI do art. O Senado Federal editou em dezembro de 2001 (portanto. § 3º da LRF (receita de 12 meses).conflitante entre as duas normas jurídicas. 3. sendo que os entes que estavam acima dos limites legais (Estados acima de 2 vezes a RCL e Municípios acima de 1. terão um prazo de 15 anos para retorno ao limite dentro de uma trajetória decrescente.Senado Federal: proposta de limites globais para o montante da dívida consolidada da União.Síntese da Resolução nº 40 do Senado Federal: 1. e apenas eles. 6. A dívida consolidada líquida dos Estados e do Distrito Federal terá por limite 2 vezes a sua RCL.2. na proporção de 1/15 avos por ano. até o mês de março de 2003 apenas as Resoluções do Senado Federal. 48 da Constituição. Estados e Municípios. atendido o disposto no inciso I do § 1o deste artigo. 2º. 52 da Constituição. respectivamente. A dívida consolidada líquida dos Municípios terá um limite igual a 1. bem como de limites e condições relativos aos incisos VII. 2. o Presidente da República submeterá ao: I . calculada na forma do art. O Poder Executivo respeitou o prazo para encaminhamento das propostas ao Senado Federal e ao Congresso Nacional. acompanhado da demonstração de sua adequação aos limites fixados para a dívida consolidada da União. Conforme relatórios fiscais publicados em dezembro de 2001 (e republicações posteriores) existiam no Brasil 6 Estados com excesso de endividamento quando da publicação da 17 . dos Estados e dos Municípios e sobre limites e condições para contratação de operações de crédito e concessão de garantias. No entanto. 30. § 3º da LRF (receita de 12 meses).2 vezes (ou 120%) a RCL.2 vezes) nessa data.1. 2º. A observação desses limites valerá a partir de dezembro de 2001. 16 meses após encaminhamento das propostas) as Resoluções nº 40 e nº 43 versando sobre limites globais para o montante da dívida pública consolidada e da dívida pública mobiliária do Distrito Federal. II . Os entes que em dezembro de 2001 estavam dentro do limite legal e ultrapassarem os limites após dezembro de 2001 não terão 15 anos. VIII e IX do mesmo artigo. deve ser observada a Lei de Responsabilidade Fiscal. No prazo de noventa dias após a publicação desta Lei Complementar. 6. mas dois quadrimestres para ajustarem-se. conforme disposto no artigo 31.

MIP editado pelo Ministério da Fazenda. a Resolução nº 20 do Senado Federal.Resolução nº 40: Goiás. podendo chegar a 32% da RCL. Distrito Federal e Municípios será o equivalente a 22% da RCL. O saldo devedor das operações de crédito por antecipação de receita orçamentária (aro´s) não poderá ultrapassar. valerão as regras contratuais.Síntese da Resolução nº 43: 1. 6. Ressalte-se que a Resolução nº 43 de 2001 revogou a Resolução nº 78 de 1998. não poderá ultrapassar a 11. Mato Grosso do Sul. nas condições previstas na Resolução nº 43. No que se refere aos limites e condições para endividamento do Governo Federal. entre eles o Município de São Paulo e o Município de Maceió. A contratação de operações de crédito para Estados e Municípios.5% da RCL. Ressalte-se que. Maranhão. O comprometimento anual com o serviço da dívida (encargos mais amortizações).5 vezes a RCL. reduzindo o excesso dentro de uma proporção de 1/15 avos ao ano. Esses Estados terão até o exercício de 2016 para chegarem a uma relação Dívida Consolidada Líquida/Receita Corrente Líquida igual a 2. 2. devem ser observadas as regras dispostas na Resolução nº 96. passa de 3 para 4 quadrimestres. dentro de um exercício financeiro. • de 1º de janeiro de 2003 a 30 de abril de 2005 fica suspensa a obrigatoriedade de cumprimento dos limites e condições estabelecidos nos artigos 3º e 4º da Resolução SF nº 40/2001. 3. Minas Gerais e Rio Grande do Sul. conforme previsto inicialmente no artigo 31 da LRF.5 vezes (ou 350%) a RCL anual do Governo Federal. As novas regras para contratação de operações de crédito estão dispostas no Manual de Instrução de Pleitos . no exercício em que estiver sendo apurada. de 7 de novembro de 2003 alterou dispositivos da LRF e da Resolução SF nº 40/2001. cerca de 20 Municípios estavam em dezembro de 2001 acima de 1. de 1989. Além desses Estados. os Estados. a saber: • o prazo para reenquadramento aos limites da dívida consolidada. a 7% da RCL. deverá observar o limite de 16% da RCL. o projeto encaminhado ao Congresso Nacional determinava um limite de endividamento (Dívida Consolidada Líquida) igual a 3.2 para a relação Dívida Consolidada Líquida/Receita Corrente Líquida. o Distrito Federal e os Municípios devem estar ajustados aos limites fixados ou à trajetória da dívida. • em 1º de maio de 2005. Enquanto não forem editadas as novas Resoluções que tratarão do endividamento do Governo Federal. para aqueles contratos em andamento (cujo pagamento de dívidas superem os limites da Resolução nº 43). 4. Mato Grosso. 18 . Já a dívida mobiliária teria um limite diferenciado.3. O saldo global das garantias concedidas pelos Estados. O Ministério da Fazenda substituiu o Banco Central nas análises dos pleitos para a contratação de operações de crédito estaduais e municipais. equivalente a 6. Finalmente.

19 . A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. nunca menos de dezoito. doze por cento do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. no mínimo. compreendida a proveniente de transferências. Os recursos dos Estados. No caso dos Estados e do Distrito Federal. dos recursos oriundos dos impostos. na forma da lei.Dos recursos da União apurados nos termos deste artigo. na forma da lei. ao menos 25% devem ser aplicados pelos Estados na manutenção e desenvolvimento do ensino.Despesas com Saúde e Educação A Constituição de 1988 determinou que. o valor apurado no ano anterior. podendo ainda lançar mão de recursos transferidos por convênios. anualmente. As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribuição social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. de setembro de 2000. no mínimo. no ano 2000. do Distrito Federal e dos Municípios destinados às ações e serviços públicos de saúde e os transferidos pela União para a mesma finalidade serão aplicados por meio de Fundo de Saúde que será acompanhado e fiscalizado por Conselho de Saúde. previstos em lei. inciso I. por exemplo. Isso não quer dizer.A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório. como os recursos do FUNDEF (FUNDEB) e Salário-Educação. 158 e 159. recolhida pelas empresas na forma da lei. e os Estados. O Estado. em ações e serviços básicos de saúde. entretanto. no caso dos Municípios e do Distrito Federal. da receita resultante de impostos. quinze por cento do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. utiliza recursos oriundos de outras fontes. serão aplicados nos Municípios. corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto – PIB. cinco por cento. deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos municípios. Ainda. na manutenção e desenvolvimento do ensino. O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação. segundo o critério populacional. até o exercício financeiro de 2004. nos termos do plano nacional de educação. alínea a. inciso I. 156 e dos recursos de que tratam os arts. além dos impostos. A União aplicará. De acordo com o artigo 212 da CF/88. o montante empenhado em ações e serviços públicos de saúde no exercício financeiro de 1999 acrescido de. De acordo com o texto da Emenda Constitucional nº 29.No caso da União.7. os recursos mínimos aplicados nas ações e serviços públicos de saúde serão aqueles definidos a seguir. e inciso II. quinze por cento. alínea b e § 3º. 155 e dos recursos de que tratam os arts. recolhida pelas empresas. 157 e 159. do ano 2001 ao ano 2004. o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento. no mínimo. que todos os recursos aplicados na manutenção e desenvolvimento do ensino são oriundos exclusivamente de impostos.

Moraes (2004) entende que o princípio da eficiência visa “garantir maior qualidade na atividade pública e na prestação dos serviços públicos”. tendo por tema o artigo 37 da CF/88. Analisando diversos trabalhos publicados.8. Passados dez anos da promulgação da Lei Maior. moralidade e publicidade. enquanto que Meirelles (1996) entende que a eficiência impõe a todo agente público a necessidade de realizar suas atribuições com “presteza. Por outro lado. trouxe em seu artigo 37 os chamados “princípios da administração pública brasileira”. No meio jurídico. as ciências econômicas procuram entender o princípio da eficiência dentro de um modelo de Equilíbrio Geral. por exemplo. uma forma de mensurar essa satisfação. Já para os economistas a eficiência está relacionada à maximização na utilização dos recursos sociais (visão quantitativa). sendo que a mensuração da eficiência poderá ser feita a partir de modelos matemáticos como o Data Envelopment Analysis (DEA) e o Free Disposable Hull (FDH). impessoalidade. em geral ligados à área das Finanças Públicas.19). esses princípios correspondiam originalmente à legalidade. 20 . Para Rigolin (2002. Schuknecht e Tanzi (2005). podemos inferir que trabalhos na área do Direito Administrativo associam a eficiência a uma busca pela satisfação dos cidadãos (visão qualitativa). na medida em que não possível ao Estado Democrático de Direito conviver com uma Administração Pública ineficiente. normas que passaram a orientar os administradores e gestores do patrimônio público nas três esferas de governo. Estabelecendo um paralelo entre a concepção jurídica e a abordagem econômica a respeito da eficiência na Administração Pública.Eficiência na Administração Pública A Constituição Federal do Brasil. alguns autores ligados ao Direito Administrativo vêm discorrendo a respeito das origens epistemológicas e conceituais do princípio da eficiência e da sua relevância no contexto da Administração Pública. Considerando a necessidade da intervenção do Governo na Economia. não indicando. percebe-se que não existe consenso entre os doutrinadores. Elencados no texto original da Carta Magna. p. no entanto. 2001. farsa teatral do governo para dar satisfação à sociedade”. 69). Cumpre por fim ressaltar que entre os juristas existe ao menos um ponto em comum: a certeza de que o princípio da eficiência sempre esteve implícito da Constituição Federal. publicada em outubro de 1988 (CF/88). Já os estudos econômicos sobre eficiência. destacam a preocupação mais com as questões da mensuração da eficiência do que com seus fundamentos epistemológicos. Na mesma linha de raciocínio caminha o magistério de Santos (2004) para quem “a irracionalidade desse processo de pseudo-reforma é agravada pelo viés alienado dos que não conseguem superar o formalismo e se apegam a mudança das normas”. p. o princípio da eficiência foi acrescentado ao texto constitucional por meio da EC nº 19/98. a EC 19/98 “não passa de indisfarçada fraude. perfeição e rendimento funcional”. onde os bens e os recursos públicos devem ser alocados de forma a alcançar uma situação ótima de mercado (RIANI. no âmbito de um Programa de Reestruturação e Reforma da Administração Pública nacional. Nessa linha de raciocínio destacam-se os trabalhos de Thanassoulis (2001) e Afonso.

instrumento que associa a eficiência à capacidade de pagamentos dos entes públicos e a Lei de Responsabilidade Fiscal . qüinqüênios. etc. 9. 21.1. mesmo durante o último ano de mandato. realização de despesas que se estenderão até o exercício seguinte (Restos a Pagar) e as chamadas transferências voluntárias. contratação de operações de crédito. 9.LRF.Cumpre ainda ressaltar que algumas normas legais vigentes no Brasil sugerem formas para a aferição de uma eficiência econômica e financeira na alocação dos recursos públicos. nenhum ato que provoque aumento desses gastos poderá ser editado (art. Também se configura como exceção a esse parágrafo os casos de excepcional interesse público para a contratação de serviço público. 37 da Constituição Federal. As despesas. legislação federal que relaciona a eficiência à observação de limites para o endividamento público e para as despesas com pessoal.LRF introduziu algumas regras de final de mandato que deverão ser observadas pelos governantes nessa fase da administração dos Municípios brasileiros. Atente-se para o fato de que tal mandamento não alcança os aumentos originários de vantagens pessoais a que os servidores públicos têm direito por força de dispositivo constitucional. essas regras referem-se aos gastos com pessoal. Basicamente. Outra exceção à regra definida no referido parágrafo único da LRF é a que se refere às despesas com pessoal da educação. É o caso dos anuênios. No entanto. sendo excedido o limite de gastos ou descumprido o compromisso de redução quadrimestral do excesso. não há prejuízo ao equilíbrio fiscal já que as despesas com a folha de pagamentos aumentarão na mesma proporção das receitas recebidas. aplicam-se as penalidades previstas (reclusão de 1 a 4 anos. que deverão ser pagos normalmente. A Lei de Responsabilidade Fiscal . obedecendo-se o disposto no inciso IX. 60% deverão ser utilizados no pagamento de salários. nos termos do art. dos quais. Esse texto apresenta as principais regras que deverão ser observadas nesse período de transição e de final de mandato e visa orientar os gestores municipais na observação das normas da responsabilidade fiscal. dependerão do desempenho das receitas que comporão os recursos transferidos para os fundos de educação estaduais e municipais. que determina. in verbis: 21 . 359-G do Código Penal). § único da LRF). endividamento.2. nesse caso. de 1997 do Ministério da Fazenda. o que deverá manter as despesas dentro do mesmo limite porcentual para gastos com pessoal definido na LRF (60% da RCL para Estados e Municípios e 50% para União). do art. Destacam-se nesse sentido a Portaria nº 89. Final de Mandato em 2008: regras gerais para os Municípios 9. nos 180 dias que antecedem o término da legislatura ou do mandato do Chefe do Poder Executivo. Introdução O ano de 2008 finaliza uma etapa política de 4 anos para o mandato municipal. Gastos com Pessoal No que se refere às despesas de pessoal. salário-família. Além disso.

Os gastos com pessoal deverão obedecer o limite da receita disponível. Nos demais casos.DCL2. ao seguinte: (. deduzida das disponibilidades de caixa. Dívida Pública No que se refere às operações de crédito (empréstimos). o descumprimento à regra não está no aumento nominal das despesas.) Omissis IX . do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. ISSQN). qualquer aumento salarial. 20 da LRF. a chamada Lei de Crimes Fiscais – LCF. Ressalte-se que o aumento nas despesas com folha de pagamentos (incluindo pessoal ativo e inativo) deverá observar como parâmetro as receitas dos entes públicos. nessas operações. são proibidas no último ano do 1 Receita disponível. As ARO’s. sendo que em ano de final de mandato..028 de 2000. os tributos são oferecidos em garantia. após as transferências constitucionais. estabelecido em Resolução do Senado Federal (200% da RCL para Estados e 120% da RCL para Municípios). exceto as destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária. também. se o limite máximo para a dívida consolidada líquida . Em outras palavras. for ultrapassado no primeiro quadrimestre do último ano de mandato. fundada). Operações de ARO’S são aquelas em que o setor financeiro antecipa aos entes públicos as receitas tributárias futuras (IPTU. De acordo com o artigo 20 da LRF. deverá reduzir o excesso nos dois quadrimestres seguintes. ficará vedada a realização de operações de crédito. moralidade. sendo que. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. impessoalidade. o aumento nas despesas sujeitará os titulares dos Poderes ou órgão referidos no art. publicidade e eficiência e. 22 . 2 Corresponde ao total da dívida contratual (de longo prazo. não haverá esse prazo para o reenquadramento: as ações punitivas ocorrerão imediatamente se houver excesso no último ano da administração do Município. 9. Além disso. Ainda nos termos da Lei Fiscal. No entanto. se um ente público ultrapassar o limite em um quadrimestre. há três regras que deverão ser observadas no final do mandato: para o montante da dívida. o § único do artigo 21 da LRF é claro: nessa etapa. dos Estados. mesmo sendo aumento nominal. está vedado. se houver. por sua vez.a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público” (grifei). às sanções previstas na Lei 10. mas no seu descolamento em relação às receitas arrecadadas.. as despesas com pessoal nos Estados e Municípios não poderão superar a 60% da Receita Corrente Líquida (RCL)1 e 50% da RCL na União. para as operações de crédito por antecipação de receitas (ARO´s) e para os Restos a Pagar. Já os Restos a pagar são despesas contratadas em um exercício e que serão pagas no todo ou em parte nos exercícios seguintes.“Art.3.

quando em último ano de mandato. configurando-se então uma “rolagem extra-orçamentária” de dívidas. freqüentemente não contemplava espaço para esses gastos que. Restos a Pagar A rubrica Restos a Pagar. mas jamais transferidas para o sucessor. embutia autorização para assunção de compromissos que não eram acompanhados pela efetiva arrecadação de receitas. ainda mais. sob pressão do próprio pleito. nos dois últimos quadrimestres do último ano da legislatura e do mandato do Chefe do Poder Executivo. Além disso. Após a LRF.4. Isto porque nem todos os pagamentos de despesas coincidem com o término do exercício financeiro e é natural que algumas despesas que pertencem a um exercício venham a ser pagas no exercício seguinte (NUNES. E. portanto. ocasionavam deslocamento de outras despesas. eventuais dívidas poderiam ser roladas ao longo de um mesmo mandato.mandato do Chefe do Poder Executivo . Por outro lado. O orçamento do exercício seguinte. a menos que haja igual ou superior disponibilidade de caixa para o sucessor. a pressão pela acomodação de despesas também aumentava. A situação tornava-se mais grave quando a série de planejamentos deficientes fazia com que os problemas se acumulassem. na sua origem. O art. para serem atendidos. por sua vez.2003). por sua vez. alimentado por superestimativas de receitas e/ou subestimativas de despesas. muitas vezes. os Restos a Pagar foram sendo utilizados como instrumento de rolagem de dívidas. por um lado. evitar que. destinava-se a compatibilizar o término do exercício financeiro com a continuidade da administração pública. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal foi concebido com o espírito de. Estas. elevando o volume de Restos a Pagar a tal magnitude que.em anos normais poderão ser contratadas até 10 de dezembro. o sucessor era forçado a consumir um ou mais anos de seu mandato apenas para saldar dívidas contraídas em mandatos anteriores. esse tipo de rolagem de dívidas fica vedado no último ano de mandato. Essa prática decorria. Com o passar do tempo. A regra busca obrigar o governante a “deixar a casa arrumada para o sucessor”. A falta de sincronia entre orçamento e execução financeira e a ausência de medidas corretivas ocasionava uma sobra de pagamentos que não podiam ser atendidos no mesmo exercício e. O orçamento. em último ano da administração. Em outras palavras. o fim do mandato serviria também como ponto de corte para equacionamento de todos os estoques. 9. de deficiências do processo orçamentário como instrumento de planejamento. eram transferidos para o exercício seguinte sob a forma de Restos a Pagar. dando origem a uma trajetória crescente de endividamento de curto prazo. 23 . sejam irresponsavelmente contraídas novas despesas que não possam ser pagas no mesmo exercício. não poderá ser assumida obrigação cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício. em grande medida. seriam também transferidas sob a mesma rubrica para o exercício subseqüente.

observado o cronograma pactuado. caracterizou como crime. decorrem algumas conclusões: 1. 2. Além disso. Caso contrário. ficariam inviabilizados investimentos. de 13 de agosto de 2007 (LDO da União para 2008). tornando-se necessários alguns esclarecimentos. a Lei nº 10. no seu artigo 50. Também a Lei nº 11. No caso de despesas relativas à prestação de serviços já existentes e destinados à manutenção da administração pública. somente poderá ser inscrita em Restos a Pagar a despesa empenhada. de 19 de outubro de 2000. se essa conduta fosse exigida. Parágrafo único. Ressalte-se que na Administração Pública. Deste entendimento. disposição esta que se aplica também aos Restos a Pagar. São a razoabilidade das leis e a continuidade da Administração Pública que impõem a interpretação do dispositivo à luz do conceito de Restos a Pagar. Nos termos do artigo 36 da Lei nº 4.514. Várias dúvidas surgiram em relação à interpretação desse dispositivo. a assinatura de contrato não basta para caracterizar a obrigação de despesa. etc. pagamento da dívida pública e contratos de prestação de serviços (recolhimento de lixo. a LRF. em seu artigo 108 determina: Art. não poderá inscrever em Restos a Pagar ao final do exercício de 2008 despesas que não sejam da competência daquele exercício. Para efeito do disposto no art. o ente público que empenha as folhas do exercício em janeiro de cada ano e 24 . transporte. considera-se contraída a obrigação no momento da formalização do contrato administrativo ou instrumento congênere. a qual deve também ser empenhada e liquidada para que possa ser paga. Pela mesma razão. a expressão “contrair obrigação de despesa” do artigo 42 insere-se em seção denominada “Dos Restos a Pagar” e assim deve ser entendida. Então. de 2000.028. 42 da LRF.Posteriormente. Além disso.) que se estendem além do final deste exercício. ordenar ou autorizar a assunção de obrigação em desacordo com a determinação do referido art. determina que a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o regime de competência. É preciso observar ainda que as despesas que legalmente pertencem ao exercício deverão ser pagas no mesmo exercício ou serem acompanhadas de disponibilidade de caixa. mas não paga até 31 de dezembro. consideram-se compromissadas apenas as prestações cujo pagamento deva se verificar no exercício financeiro. denominada Lei de Crimes Fiscais.320/64. também não se deve esperar que o administrador público deixe disponibilidade de caixa para atender a todas as parcelas futuras que não são da competência de 2008. inciso II. 42 da Lei Complementar nº 101. 108. Se o governante realizar um contrato com execução prevista em vários exercícios (plurianual). Vamos utilizar como referência o ano de 2008 que é último ano de mandato municipal.

Decorrem. nos oito meses que antecedem o final do mandato. que deverá acompanhar toda a LRF. Não se tratam aqui das Secretarias. a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Município. 20 são. no caso dos municípios. a qual permite o pagamento posterior. Não obstante a regra do artigo 42 aplicar-se apenas às despesas contraídas nos últimos oito meses do último ano de mandato. 20. Respeito aos contratos. estar acima dos limites para gastos com pessoal (6% da RCL). Tribunais) referido no art. não deve ser dada prioridade à liquidação dos débitos dos últimos 8 meses do mandato em detrimento dos anteriores. no artigo 20. O Poder Executivo Municipal. obedecer. evitando contrair despesas sem que tenha certeza de que haverá condições financeiras para saldá-las. Infringe o artigo 42 quem. 20. a Lei nº 8. apenas exige a disponibilidade de caixa. em caso de reeleição. contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele ou que a inscreva em Restos a Pagar (e para tanto deverá previamente empenhar a despesa) sem deixar igual disponibilidade de caixa para que o sucessor possa atendê-la. para cada fonte diferenciada de recursos.liquida parte da folha de dezembro no dia 5 do mês subseqüente. a estrita ordem cronológica das datas de suas exigibilidades. Assim. portanto. a todos os Poderes independentemente de ser o mandato eletivo ou não. 3. Individualização de responsabilidades. por exemplo. devidamente publicada”. Em consonância com a LRF.. A disponibilidade de caixa e os Restos a Pagar a serem considerados para efeito de aplicação do artigo 42 são os do Poder ou órgão referido no art. A LRF também não autoriza nem incentiva a quebra de contratos ou a “maquiagem contábil”. 25 . 2. A regra possui cunho de responsabilização pessoal e aplica-se no último ano de mandato dos chefes de Poder (Prefeito) ou órgão (Câmara. Assim. mesmo que o Poder Executivo esteja cumprindo o seu limite percentual (54% da RCL)..666/93 veda tal conduta: em seu art. Os órgãos referidos no art. pois não é esse o nível de responsabilização definido no art. Isto porque.. por exemplo. nesse sentido. Assim. então algumas conclusões: 1. 4. é definido o nível de individualização das responsabilidades por Poder. 5º a referida legislação determina. primeiro. a qual respeita e preserva o princípio constitucional de independência dos Poderes. um Poder não será responsabilizado pela ação irregular de outro. ainda que o sucessor seja o próprio Prefeito. O comportamento do Gestor Público deverá pautar-se pela prudência. salvo quando relevantes razões de interesse público e mediante prévia justificativa da autoridade competente. A independência dos Poderes não isenta o Município das sanções fiscais no caso de o Poder Legislativo. a regra precisará ser atendida. funciona um órgão único e geral. 20. não deverá ser dada prioridade a liquidação desses débitos em detrimento dos assumidos em meses anteriores. deverá deixar disponibilidade de caixa. A regra do artigo 42 aplica-se ao último ano de mandato independentemente de quem seja o sucessor. in verbis. quando houver e outros que possuem autonomia. A LRF não contraria a lei trabalhista. “Devendo cada unidade da Administração.. enquanto órgãos do Poder Executivo Municipal.

pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas e as despesas legalmente empenhadas. Uma vez assumido o compromisso e tendo sido o bem ou serviço entregue (liquidado). em uma análise conjunta e em conformidade com os artigos 58 a 65 da Lei nº 4. com fornecedores para pagamento a posteriori de bens e serviços (“contratos de gaveta”). em obediência ao princípio da anualidade orçamentária. Em decorrência do art. tal entendimento não se afiguraria como procedente. em sua integralidade.A LRF não autoriza nem incentiva a realização de contratos à margem do processo orçamentário. deverão ser consideradas as despesas compromissadas a pagar até o final do exercício. 42 da LRF refere-se à obrigação de despesa. também todo aquele compromisso assumido e que efetivamente ainda não esteja materializado na fase do empenho. Contudo. As despesas compromissadas são aquelas que foram ou irão ultrapassar a fase da liquidação do empenho até o final do exercício. mas. diz-se que temos um regime contábil misto adotado no Brasil. Em determinadas circunstâncias. com fonte de financiamento nos orçamentos dos próximos exercícios. no caixa do Poder ou órgão. pune com pena de reclusão de um a dois anos a realização de operação de crédito sem autorização legislativa ou com inobservância de condição estabelecida em lei. ficando as demais. quando do final do exercício. a “obrigação de despesa” de que trata o artigo 42 da LRF. de caixa para a receita e de competência para a despesa. Assim. caracterizando-se tal ação como operação de crédito irregular. seria praticamente sinônimo de despesa liquidada ou em execução. embora o ideal seja agir prudencialmente. contudo.320/64. A Lei de Crimes Fiscais. Porém. na determinação das disponibilidades de caixa. há limites para fazê-lo. notadamente o princípio da anualidade orçamentária. do total da obrigação de despesa contraída nos dois últimos quadrimestres. para fins da apuração das disponibilidades de caixa. que deveria ter o seu 26 . daí decorrendo. recursos necessários à satisfação das obrigações de despesa contraídas. ao regulamentar o caput. sem autorização orçamentária. qual seja. somente seriam consideradas aquelas parcelas do compromisso assumido que fossem liquidadas até o final do exercício. recomenda-se que toda a despesa transite pelo orçamento e que toda a despesa a pagar seja efetivamente registrada na rubrica “Restos a Pagar”. Assim. 35 da Lei nº 4. por sua vez.320/64. é possível cancelar empenhos sem prejuízo a fornecedores. o pagamento é devido e o fornecedor que o fez de boa-fé não deve ser lesado. que ultrapassassem aquele exercício. poderia levar à interpretação de que o administrador público teria a obrigatoriedade de manter. esclarece que. que todo o empenho gera obrigação de despesa. Os contratos assumidos que se referirem a serviços já prestados deverão ser honrados. o seu parágrafo único. 42. em situações extremas é possível e até recomendável promover o ajuste fiscal por meio do cancelamento de empenhos. e com o próprio parágrafo único do art. Por conseqüência da aplicação do princípio contábil da competência da despesa. Uma leitura rápida e descontextualizada dos princípios constitucionais orçamentários. o artigo 37 da LRF proíbe a assunção de obrigação. logo. e sendo necessário. O termo “obrigação de despesa” como posto na LC nº 101/2000 tem o objetivo de atingir não somente o empenho de despesa. Por isso. Ao contrário. Ocorre que o caput do art.

deverá haver previsão da mesma tanto na LDO. prevê. tãosomente. em relação a uma determinada obra de vulto considerável ou a um contrato para prestação de serviços de engenharia de 60 meses. que a dotação orçamentária necessária à licitação deve ser conjugada com o planejamento da execução a ser realizada no exercício financeiro. Transferências Voluntárias A definição legal para o conceito de Transferência Voluntária encontra-se no artigo 25 da Lei de Responsabilidade Fiscal . § 2º. somente. Por conseqüência. e nem poderia ser.5. deve propiciar a integração do princípio do equilíbrio e da continuidade da administração destacado pela LRF. a exemplo do que já foi exposto. para satisfação da obrigação. essa obra deve ser objeto de previsão no Plano Plurianual . 165). Convém destacar. ainda. 7º da Lei de Licitações.320/64 e no art. conforme já asseverado. além de a obra estar incluída no PPA. relativas a cada exercício ao qual a mesma se estenda. no mínimo. 7º. acertadamente. preliminarmente. art. Esta disposição da Lei de Licitações. quanto na LOA. se o crédito orçamentário deve limitar-se àquelas parcelas da execução da obra que forem planejadas para o exercício. projeto básico. 9. é a que se refere à contratação de execução de obra pública ou de serviços nos últimos oito meses de mandato. cuja execução do respectivo objeto fosse iniciada nos últimos oito meses de mandato. fosse o administrador compelido a dispor de todo o recurso financeiro necessário quando da celebração do contrato de execução. que determina que a receita e a despesa devem referir-se.666/93. Um dos principais dispositivos que elucidam o impasse encontra. não se poderia interpretar que. não pelo valor total. No que tange às parcelas subseqüentes. 165 da CF/88. que para uma obra ser licitada. com os princípios e normas constitucionais orçamentárias e legislação correlata. mas. III. mesmo que o pagamento ocorresse no exercício seguinte. As Transferências Voluntárias permitem atribuir aos 27 .se na Lei nº 8. que houvesse recursos em caixa disponíveis. ao período coincidente com o exercício financeiro. de forma que preserve a razoabilidade das ações de governo. tudo nos limites financeiros em consonância com o cronograma de execução físico-financeiro.LRF. ou seja. neste mesmo exercício. o mesmo ocorrerá em relação aos respectivos empenhos da despesa. as parcelas do cronograma físico-financeiro que correspondam ao executado no exercício financeiro.pagamento efetuado dentro ainda do exercício financeiro ou. liquidação e pagamento. por importante. Não é esse o interesse da Lei. está em conformidade com o princípio da anualidade previsto no art.PPA.LOA. De acordo com o transcrito art. Nesse sentido. Outra situação prática que tem suscitado dúvida de interpretação. na Lei de Diretrizes Orçamentárias . que incluirão um cronograma de execução.LDO e na Lei Orçamentária Anual . deve haver. projeto executivo e normas de execução dessa obra. os contratos para a execução de obras ou prestação de serviços serão empenhados e liquidados no exercício. 2º da Lei nº 4. Em conclusão. deve ser atendido o princípio constitucional do planejamento integrado (CF. que é o art. sempre. A interpretação desse caso.

Convênio é qualquer instrumento que discipline a transferência de recursos públicos e tenha como partícipe órgão da administração pública federal direta. em ano eleitoral. projeto/atividade ou evento de interesse recíproco. Essa modalidade de transferência tem sido utilizada nos repasses de recursos destinados a programas de educação. o Programa Dinheiro Direto na Escola e. não podendo ser utilizadas com finalidade diversa daquela pactuada. Existem Transferências Voluntárias que não são realizadas via convênio. não há vedação legal em relação a transferência de recursos à entidade privada. Resta ainda considerar que em ano eleitoral. Todos estes recursos são passíveis de prestação de contas pelas partes beneficiadas. Nas transferências automáticas. nos três meses que antecedem as eleições. deverão observar as disposições da Lei nº 9. empresa pública ou sociedade de economia mista que estejam gerindo recursos dos orçamentos da União. Porém. Por outro lado. parcela dos recursos repassados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa Dinheiro Direto na Escola. por intermédio de instituição ou agência financeira oficial federal. exceto para aquelas obras e serviços em andamento onde já houve assinatura de convênios. O contrato de repasse é o instrumento utilizado para transferências de recursos financeiros da União para Estados. É firmado entre as instituições financeiras federais da União (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) e o órgão ou entidade estadual ou municipal. também. repasses realizados por meio de convênios que não podem ser classificados como Transferências Voluntárias. o convênio tem sido o instrumento utilizado pela Administração Federal para transferir recursos aos Municípios. ainda. As regras para as transferências voluntárias. 73. Tradicionalmente. é vedada a realização de transferências voluntárias a Estados e Municípios. sendo aquelas responsáveis pelo acompanhamento da aplicação dos recursos previamente à liberação das parcelas. de 1997 que determina em seu artigo 73. como por exemplo. Esse tipo de instrumento vem sendo utilizado pelo Governo Federal. saneamento e infra-estrutura urbana e de programas relacionados à agricultura. para a execução de programas sociais na área de habitação. as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais: 28 . servidores ou não. visando à execução de programas de trabalho. existem dois outros mecanismos de transferência: contrato de repasse e transferência automática. in verbis: Art. acordo ou contrato. autárquica ou fundacional. Distrito Federal e Municípios são transferidos automaticamente para conta corrente específica aberta em nome do beneficiário.Municípios ou a instituições vinculadas a responsabilidade final pela aplicação de recursos. em especial. principalmente. É importante.504. Distrito Federal ou Municípios. os recursos descentralizados pela União para Estados. estabelecer a diferença entre Transferências Voluntárias e convênios. como por exemplo. destinados à execução de programas governamentais. sem a necessidade de realização de convênio. em regime de mútua cooperação (IN STN no 01/1997). São proibidas aos agentes públicos.

II . do Ministério Público. policiais civis e de agentes penitenciários. partido político ou coligação. VI . contratar ou de qualquer forma admitir. nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos. sob pena de nulidade de pleno direito. b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário. com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo. na circunscrição do pleito. do Distrito Federal.nomear. para comitês de campanha eleitoral de candidato. ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para 29 .fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato. suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e. dos Tribunais ou Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República. remover. partido político ou coligação. ex officio. c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo. bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União. sob pena de nulidade de pleno direito. estadual ou municipal do Poder Executivo. e) a transferência ou remoção ex officio de militares. salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado. ou usar de seus serviços. ressalvados: a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança. ainda. dos Estados. em benefício de candidato. durante o horário de expediente normal.ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal. III .usar materiais ou serviços. de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público. demitir sem justa causa. partido político ou coligação.I . dos Territórios e dos Municípios. V .nos três meses que antecedem o pleito: a) realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios. IV . e dos Estados aos Municípios. d) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais. que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram.ceder ou usar. transferir ou exonerar servidor público. ressalvada a realização de convenção partidária. custeados pelos Governos ou Casas Legislativas.

cargo. obedecido o disposto no art. em campanha. alíneas b e c. salvo em caso de grave e urgente necessidade pública. desde que não tenham caráter de ato público. nem ao uso. 7º desta Lei e até a posse dos eleitos. nomeação. ou fundacional. na circunscrição do pleito. que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição. a partir do início do prazo estabelecido no art. ou das respectivas entidades da administração indireta. de suas residências oficiais para realização de contatos. encontros e reuniões pertinentes à própria campanha. designação. para os efeitos deste artigo. estaduais ou municipais. em ano de eleição.fazer. pelos candidatos a reeleição de Presidente e VicePresidente da República. Prefeito e Vice-Prefeito. salvo quando. revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição. de transporte oficial pelo Presidente da República. e sujeitará os responsáveis a multa no valor de cinco a cem mil UFIR. em campanha. Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal. mandato. antes do prazo fixado no inciso anterior. despesas com publicidade dos órgãos públicos federais. e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública. relevante e característica das funções de governo. a critério da Justiça Eleitoral. VII . por eleição.execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado. fora do horário eleitoral gratuito. quando for o caso. c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão. 76. b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado. tratar-se de matéria urgente. serviços e campanhas dos órgãos públicos federais. 30 . contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. § 2º A vedação do inciso I do caput não se aplica ao uso. estaduais ou municipais. emprego ou função nos órgãos ou entidades da administração pública direta. § 3º As vedações do inciso VI do caput. indireta. VIII . programas. § 1º Reputa-se agente público. obras. aplicam-se apenas aos agentes públicos das esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição. ou das respectivas entidades da administração indireta. ainda que transitoriamente ou sem remuneração.realizar. assim reconhecida pela Justiça Eleitoral. quem exerce. autorizar publicidade institucional dos atos. § 4º O descumprimento do disposto neste artigo acarretará a suspensão imediata da conduta vedada.

exceto nos casos de calamidade pública.096. § 10.429. pelos danos causados pelo seu antecessor. coligações e candidatos que delas se beneficiarem. por exemplo). No ano em que se realizar eleição.840. a que se refere o art.7. um prefeito municipal que tentará uma candidatura legislativa. inciso I. deverão ser excluídos os partidos beneficiados pelos atos que originaram as multas. § 7º As condutas enumeradas no caput caracterizam. O raciocínio aqui é bastante simples: quem suceder. Regras de Transição 3 Em geral.6. Atitude diferente poderá representar omissão ou mesmo convivência com a prática irregular. de 2006) 9. fica proibida a distribuição gratuita de bens.9. cabendo ao gestor que fica. (Incluído pela Lei nº 11. quem assume o posto é alguém indicado pelo antecessor (o Vice-Prefeito. § 9º Na distribuição dos recursos do Fundo Partidário (Lei nº 9. Por outro lado. atos de improbidade administrativa. § 6º As multas de que trata este artigo serão duplicadas a cada reincidência. de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior. casos em que o Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa. o candidato beneficiado. Responsabilização Solidária Resta ainda considerar que o Administrador Público que assumir a administração nos últimos meses de mandato. a responsabilidade objetiva e solidária pelos atos de gestão da administração da qual participou. II. de 2 de junho de 1992.§ 5º Nos casos de descumprimento do disposto nos incisos I. 31 . III. (Redação dada pela Lei nº 9. 11. portanto. e sujeitam-se às disposições daquele diploma legal. em especial às cominações do art. ainda. § 8º Aplicam-se as sanções do § 4º aos agentes públicos responsáveis pelas condutas vedadas e aos partidos.1999). inciso III. sem prejuízo do disposto no parágrafo anterior. teve alguma participação nas ações da Administração municipal3. de 28. em geral. por exemplo. bem como. 12. o novo Administrador deverá denunciar irregularidades e tentar sanar os danos ao erário. ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma. de 19 de setembro de 1995) oriundos da aplicação do disposto no § 4º.300. agente público ou não. IV e VI do caput. conhecendo os problemas causados por seu antecessor. em alguma medida. será responsável pelos fatos que ocorreram no seu período de gestão. 9. da Lei nº 8. valores ou benefícios por parte da Administração Pública.

Relatório de Gestão Fiscal e a sua versão simplificada.1 Transparência na Gestão Fiscal Nesta seção. Por sua vez. voltado às contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo. controle e avaliação do grau de sucesso obtido na administração das finanças públicas. 10. Nesse caso. os orçamentos e a lei de diretrizes orçamentárias. É necessário. particularmente sob o prisma das normas previstas na LRF. As prestações de contas e o respectivo parecer prévio. que a administração que encerra seu mandato forme Equipe de Transição que será responsável pela elaboração de relatórios e a separação daqueles documentos (mesmo em versão preliminar) que comprovem o cumprimento das regras com despesas de pessoal. Relatório Resumido da Execução Orçamentária e a sua versão simplificada. tanto durante a elaboração como no curso da discussão dos planos. Para efeito da LRF. no âmbito tanto do respectivo Poder Legislativo como do órgão 32 . convênios. Esse procedimento garante a transparência e a responsabilidade do administrador público em relação a continuidade da administração. Controle e Fiscalização Este capítulo da LRF reúne todos os comandos normativos necessários à confecção e à divulgação de relatórios e demonstrativos ligados às atividades de condução das finanças públicas. A Administração que assume também deverá constituir sua Equipe de Transição entre profissionais qualificados que possam se debruçar sobre as informações disponíveis e apresentar relatórios consistentes a respeito da saúde econômica e financeira do Município. 10. da lei de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos. específico. e a título de exemplo. restos a pagar. estabelecendo regras e procedimentos de fiscalização. serviços terceirizados. processos judiciais em andamento etc. as contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo devem estar à disposição do público. nível de endividamento. consideram-se instrumentos de transparência: • • • • Os planos. dedicado à explicitação dos instrumentos de transparência na gestão fiscal.Transparência. outro.As regras referentes ao final de mandato deverão considerar ainda aspectos relacionados a transição de governo que ocorrerá entre o período do processo eleitoral (primeiro e segundo turno) e a data da titulação dos novos administradores públicos. nesse caso. havendo um volume de Restos a Pagar superior às disponibilidades de caixa (referentes às despesas de competência dos últimos oito meses) o novo Prefeito deverá ser informado para dar ciência aos órgãos de controle (Tribunais de Contas e Controladorias). verifica-se a existência de dois blocos normativos distintos: um de caráter geral. A transparência da gestão pública exige também o incentivo à participação popular e pela realização de audiências públicas.

os resultados primário e nominal. especificando as aplicações efetuadas com recursos oriundos dos orçamentos fiscal e da seguridade social. de 05 de outubro de 1988. da variação patrimonial e da conformidade do montante das operações de crédito com aquele das despesas de capital. parágrafo 3º. Tratando-se da União. Todos os Municípios brasileiros (inclusive aqueles que possuírem menos de 50 mil habitantes) deverão apresentar o RREO a cada bimestre. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária é composto de duas peças básicas e de alguns demonstrativos de suporte. em caráter nacional. nos termos previstos no inciso III do art. por intermédio de seu § 3º do art. devem os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária ser destacados dentre as demais receitas de operações de crédito. cuja função é especificar. Tratando-se do Relatório de último bimestre de cada exercício. exige-se a demonstração das projeções atuariais dos regimes de previdência social. As limitações impostas ao empenho de dotações devem ser justificadas. até trinta dias após o encerramento de cada bimestre. Já os demonstrativos de suporte visam evidenciar a receita corrente líquida. há vários anos. devendo ocorrer em até trinta dias após o encerramento de cada bimestre. no caso de frustração na previsão de receitas. e o demonstrativo de execução das receitas (por categoria econômica e fonte) e das despesas (por categoria econômica. 10. cada vez mais. a sociedade. Trata-se de documento cuja publicação é comandada pela própria Constituição Federal. as despesas com juros e os valores inscritos em restos a pagar. cuidam as normas da LRF de especificar. os parâmetros necessários à elaboração do chamado Relatório Resumido da Execução Orçamentária. as receitas e as despesas. 165. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária . as receitas e despesas previdenciárias. acompanhe e analise o desempenho da execução orçamentária do Governo Federal. estabelece as normas para elaboração e publicação do RREO. grupo de natureza. assim como o impacto fiscal das operações realizadas pelas agências de fomento. 33 . de 04 de maio de 2000. conheça. Nessas peças.Relatório Resumido da Execução Orçamentária . O objetivo dessa periodicidade é permitir que. sob risco de punições fiscais e penais.2. que estabelece em seu artigo 165. confeccionados pelo Tesouro Nacional e pelas agências financeiras oficiais de fomento. que se refere às normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. As peças básicas são o balanço orçamentário. função e subfunção). por categoria econômica. 167 da Constituição. as contas devem ser acompanhadas por demonstrativos. por meio dos diversos órgãos de controle. assim como relacionadas as medidas destinadas à elevação da arrecadação. que o Poder Executivo o publicará. mensalmente.técnico responsável por sua elaboração.RREO Neste item. A Lei Complementar nº 101. A União já o divulga. O quadro a seguir apresenta um modelo do Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional.RREO é exigido pela Constituição da República Federativa do Brasil.

nos termos previstos no inciso III do art. As informações deverão ser elaboradas a partir do consolidado de todas as unidades gestoras. do Distrito Federal e dos Municípios. empresas públicas e sociedades de economia mista que recebem recursos dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. as receitas e as despesas. Nessas peças. 167 da Constituição. grupo de natureza. dos Poderes e entidades da Administração Indireta . aquelas empresas lucrativas que recebam recursos para aumento de capital. exige-se a demonstração das projeções atuariais dos regimes de previdência social. da variação patrimonial e da conformidade do montante das operações de crédito com aquele das despesas de capital. fundos especiais. excluídas. assim como as medidas destinadas à elevação da arrecadação. serão apresentadas justificativas da limitação de empenho e da frustração de receitas. no âmbito da Administração Direta. autarquias. e • demonstrativo de execução das receitas (por categoria econômica e fonte) e das despesas (por categoria econômica. no caso de frustração na previsão de receitas. As peças básicas são: • balanço orçamentário. Quando for o caso. neste caso. fundações. e as ações de fiscalização e cobrança . empresas públicas e sociedades de economia mista. O RREO será elaborado e publicado pelo Poder Executivo da União. dos Estados. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária é composto de duas peças básicas e de alguns demonstrativos de suporte. constituídas pelas autarquias. ou de auxílios para pagamento de despesas de capital. As limitações impostas ao empenho de dotações devem ser justificadas. função e subfunção). os resultados primário e nominal. fundos especiais. cuja função é especificar. por categoria econômica.O RREO e seus demonstrativos abrangerão os órgãos da Administração Direta. Tratando-se do Relatório de último bimestre de cada exercício. 34 . O modelo do Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO foi publicado na Portaria STN 517/2002. devem os valores referentes ao refinanciamento da dívida mobiliária ser destacados dentre as demais receitas de operações de crédito. Já os demonstrativos de suporte visam evidenciar a receita corrente líquida. fundações. inclusive sob a forma de subvenções para pagamento de pessoal e de custeio. adotadas e a adotar. as receitas e despesas previdenciárias. as despesas com juros e os valores inscritos em restos a pagar. Apenas os demonstrativos definidos no artigo 53 da LRF é que poderão ser apresentados semestralmente por esses Municípios. especificando as medidas de combate à sonegação e à evasão fiscal. Cumpre ressaltar que o veto presidencial ao item “a” do inciso II do artigo 63 impediu a apresentação semestral do RREO para os municípios com menos de 50 mil habitantes.

.RGF Do ponto de vista do regime de finanças públicas implantado com a LRF. das operações de crédito e das despesas com juros.o Ministério Público. Judiciário. . A Lei Complementar nº 101. Constam. da concessão de garantias. do Relatório: • As informações necessárias à verificação da conformidade.a Câmara de Vereadores do Poder Legislativo Municipal e o Tribunal de Contas do Município.o Supremo Tribunal Federal. de 4 de maio de 2000 concernente às normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal.3. deve emitir o seu próprio Relatório de Gestão Fiscal. estabelece que. Relatório de Gestão Fiscal .o Tribunal de Contas da União. .a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do Distrito Federal. sob risco de sofrerem punições fiscais e penais. o Relatório de Gestão Fiscal ocupa posição central no que diz respeito ao acompanhamento das atividades financeiras do Estado. Para fins de emissão do Relatório de Gestão Fiscal. ao final de cada quadrimestre. . tratando-se do último quadrimestre.na esfera federal. Cada um dos Poderes. portanto. . quando houver. Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Estado e do Distrito Federal). com os limites de que trata a LRF. Executivo e Ministério Público da União. além do Ministério Público.as respectivas Casas do Poder Legislativo Federal.na esfera municipal. será emitido Relatório de Gestão Fiscal pelos titulares dos Poderes e órgãos. A faculdade de apresentação semestral refere-se aos anexos do RREO. . Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Município. 35 . Judiciário. das despesas com pessoal. Executivo e Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal. abrangendo todas as variáveis imprescindíveis à consecução das metas fiscais e à observância dos limites fixados para despesas e dívida. Legislativo ( incluído o Tribunal de Contas da União). demonstração do montante das disponibilidades ao final do exercício financeiro e das despesas inscritas em restos a pagar. entende-se como Poder e órgão: Poder: .Todos os Municípios brasileiros (inclusive aqueles que possuírem menos de 50 mil habitantes) deverão apresentar o RREO a cada bimestre. quando houver) e Executivo. 10. e . Órgão: . • Elenco de medidas adotadas com vistas à adequação das variáveis fiscais aos seus respectivos limites.na esfera estadual e Distrito Federal. das dívidas consolidada e mobiliária.a Assembléia Legislativa e os Tribunais de Contas do Poder Legislativo Estadual. .

até trinta dias após o encerramento do período a que corresponder. A Lei de Responsabilidade Fiscal determina que o relatório deverá ser publicado e disponibilizado ao acesso público. autarquias. . conforme determina a supracitada Lei. .Chefe do Poder Executivo. O relatório será emitido pelos titulares dos Poderes e órgãos e assinado pelo: . . da União e dos Estados. . inclusive em meios eletrônicos. para o segundo quadrimestre. fundos. A divulgação do relatório com os seus demonstrativos deverá ser realizada em até trinta dias após o encerramento do 36 . para o primeiro quadrimestre. no último quadrimestre..os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais. para o terceiro quadrimestre. se encerra em 30 de setembro e.os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. . O Relatório de Gestão Fiscal dos Poderes e órgãos abrange administração direta. ser acrescido de demonstrativos referentes ao montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro. . o Relatório de Gestão Fiscal. devendo.Presidente de Tribunal e demais membros de Conselho de Administração ou órgão decisório equivalente. . conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Judiciário.o Superior Tribunal de Justiça. conterá demonstrativos com informações relativas à despesa total com pessoal. das inscrições em Restos a Pagar e da despesa com serviços de terceiros. empresas públicas e sociedades de economia mista beneficiários de recursos dos orçamentos fiscal e da seguridade social.Chefe do Ministério Público.os Tribunais e Juízes Eleitorais. quando houver. excetuadas aquelas empresas que recebem recursos exclusivamente para aumento de capital oriundos de investimentos do respectivo ente. bem como por outras definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão. . dívida consolidada. bem como operações de crédito. concessão de garantias e contragarantias. O Relatório de Gestão Fiscal. fundações. se encerra em 30 de janeiro do ano subseqüente ao de referência. Prazo que.Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou órgão decisório equivalente. O relatório também será assinado pelas autoridades responsáveis pela administração financeira e pelo controle interno. É facultado aos Municípios com população inferior a cinqüenta mil habitantes optar por divulgar. para manutenção de suas atividades. semestralmente. se encerra em 30 de maio. .os Tribunais e Juízes Militares. conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Legislativo.o Tribunal de Justiça dos Estados e outros.os Tribunais e Juízes do Trabalho.

b) dívida consolidada. d) da despesa com serviços de terceiros . O Relatório de Gestão Fiscal conterá demonstrativos comparativos com os limites de que trata a LRF. sendo o pagamento da multa de sua responsabilidade pessoal. e) demonstrativo dos limites Além disso. o ente da Federação estará impedido de receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. se ultrapassado qualquer dos limites. estadual ou municipal). b) da inscrição em Restos a Pagar das despesas liquidadas. o referido relatório indicará as medidas corretivas adotadas ou a adotar. os seguintes demonstrativos: a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro. nos prazos e condições estabelecidos em lei. embora não conste explicitamente. evidenciando as despesas com ativos. inscritas até o limite do saldo da disponibilidade de caixa e das não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados. até o dia dez de dezembro de cada ano. no último quadrimestre. Prazo que. Judiciário ou Executivo) compromete toda a esfera correspondente (federal. irá compô-lo. não havendo. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária . tendo em vista que o gestor deverá observar os limites fixados para essas despesas. O demonstrativo da despesa com serviços de terceiros. com juros e outros encargos incidentes. A extrapolação dos limites definidos na legislação em um dos poderes (Legislativo. para o primeiro semestre. e d) operações de crédito. Este demonstrativo fará parte do Relatório de Gestão Fiscal até o final do exercício de 2003. se encerra em 30 de janeiro do ano subseqüente ao de referência. Além disso. inativos e pensionistas. o relatório deverá conter. se encerra em 30 de julho e. é punida com multa de trinta por cento dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa. além do atendimento à proibição de contratar tais operações no último ano de mandato do Presidente. das empenhadas e não liquidadas. c) do cumprimento do disposto na Lei de Responsabilidade Fiscal. também. como parte integrante do Relatório de Gestão Fiscal. A não divulgação do referido relatório.semestre. na LRF. dos seguintes montantes : a) despesa total com pessoal. para o segundo semestre. Governador ou Prefeito Municipal. no que se refere à liquidação da operação de crédito por antecipação de receita. portanto. No último quadrimestre. compensação entre os poderes.Do ponto de vista do 37 . c) concessão de garantias e contragarantias.

Todas as contas são objeto de parecer prévio do respectivo Tribunal de Contas. abrangendo todas as variáveis imprescindíveis à consecução das metas fiscais e à observância dos limites fixados para despesas e dívida. 10. e às operações de crédito. o desempenho da arrecadação de receitas. • O elenco de medidas adotadas com vistas à adequação das variáveis fiscais aos seus respectivos limites. Ênfase especial deve ser atribuída. devem as contas prestadas pelo Chefe do Poder Executivo ser acompanhadas pelas dos Presidentes do órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário.regime de finanças públicas implantado pela LRF. demonstração do montante das disponibilidades ao final do exercício financeiro e das despesas inscritas em restos a pagar. deve o conteúdo das prestações de contas englobar. além do Ministério Público. do Relatório: • As informações necessárias à verificação da conformidade. Tratando-se do último quadrimestre. a alguns aspectos específicos: 38 . destacando: as providências adotadas quanto à fiscalização e ao combate à sonegação. e aos sistemas de controle interno de cada Poder e do Ministério Público. Fiscalização da Gestão Fiscal A responsabilidade pela fiscalização quanto ao cumprimento das normas de gestão fiscal é atribuída ao Poder Legislativo. Quanto à sua composição. Em todo e qualquer caso. quanto às prestações de contas: a sua composição. este com o auxílio do Tribunal de Contas. à concessão de garantias. Constam. contados da data do recebimento das contas. desde que não seja capital. as medidas administrativas e judiciais de recuperação de créditos e as destinadas ao incremento das receitas tributárias e de contribuições. 10. A emissão do parecer prévio deve ocorrer no prazo de sessenta dias. Cada um dos Poderes. na fiscalização. além das do Chefe do Ministério Público. sem prejuízo de que se abordem outros assuntos. deve emitir o seu próprio Relatório de Gestão Fiscal. portanto. Finalmente. às dívidas consolidada e mobiliária. o Relatório de Gestão Fiscal ocupa posição central no que diz respeito ao acompanhamento das atividades financeiras do Estado. e. veda-se aos Tribunais de Contas o recesso de suas atividades enquanto houver contas pendentes do respectivo parecer. Prestações de Contas Três são os aspectos abordados.5. com os limites relativos às despesas com pessoal. por elas estabelecido. tratando-se de Município com menos de duzentos mil habitantes. Acaso as constituições estaduais ou as leis orgânicas municipais disponham diferentemente. prevalece o prazo. esse prazo é dilatado para cento e oitenta dias. as condições para a emissão do respectivo parecer prévio e o seu conteúdo.4. para a emissão do parecer. nesta seção.

1974. & GIAMBIAGI. • Respeito aos limites aplicáveis aos gastos do Poder Legislativo municipal. • Observância dos limites e das condições para a realização de operações de crédito e a inscrição de despesas em restos a pagar. A. • Que as despesas com inativos e pensionistas se encontram acima do limite correspondente. caso existam tais limites.. ALÉM. Antônio Carlos Cintra. Boletim de Desenvolvimento Fiscal nº 03. Atlas. assim como indícios de irregularidades na gestão. por intermédio do Tesouro Nacional. 6. Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado – RERE nº 5. Rio de Janeiro: Campus. F. • Observância das normas atinentes à destinação dos recursos oriundos da alienação de ativos. IPEA.AMARAL. DI PRIETO. BARRO. FORTES. de O.BARBOSA. F. Ivo e MORGADO. São Paulo. 9. Brasília. Finanças Públicas: teoria e prática no Brasil. além de verificar o cumprimento dos limites relativos às despesas com pessoal. 1095-1117. nº 249. 5. Jeferson. 2001. V. A Eficiência do Estado. Public Choice. O Princípio da Eficiência no Direito Administrativo. • Adoção de medidas para a adequação das despesas com pessoal e das dívidas mobiliária e consolidada aos respectivos limites. 2005. Orçamento Público. 2. 2006. 81.SCHUKNECHT. das operações de crédito e das garantias concedidas ultrapassarem 90 por cento dos limites a elas aplicáveis. 2000. J.AFONSO. • Quando às despesas com pessoal e os montantes das dívidas consolidada e mobiliária. Vestcon – 2000. GIAMBIAGI. F. Brasília: Franco & Fortes. Contabilidade Pública. Ao Tribunal de Contas da União foi dada a especial incumbência de acompanhar a legalidade das operações com títulos públicos. p.. Cabe ainda aos Tribunais de Contas. Revista Brasileira de Economia. e o Banco Central do Brasil. 39 . L e TANZI. João. Public Sector Efficiency: an international comparison. DEBUS. • Sobre fatos que comprometam os custos ou os resultados de programas. 11. 8. O ajuste fiscal de 1990-93: uma análise retrospectiva. 13ª ed.. realizadas entre a União.586p 10. Antônio. 4. alertar Poderes e órgãos: • Sobre a possibilidade de extrapolação do limite referencial para as despesas com juros. 123: 321-347 3. 2001. BRASIL . Jul/Set 1995. C.AFONSO.Constituição Federal Brasileira de 1988. Salvador. 2006. A. Bibliografia Consultada 1. Direito Administrativo. 7.• Verificação do cumprimento das metas previstas na lei de diretrizes. Maria Sylvia Zanella. R. Age government bonds net wealth? Journal of political economy. 2ª edição.

ICMS: Evolução Recente e Guerra Fiscal. Politics and The Architecture of Choice. Edição Especial Comemorativa.com. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Campus..direitopublico.SARAVIA. RIANI. Brasília – 2008 site www. 20. Texto para Discussão nº 2. 32. Texto para Discussão nº 2.gov. REZENDE. SECRETARIA DO TESOURO NACIONAL. 2007. M. 17. Economia do Setor Público. vários números. Novembro de 1995. NASCIMENTO. Políticas Públicas – coletânea. MACHADO. fevereiro de 1996. Edson Ronaldo.MONTEIRO. janeiro de 1996. R. 26 ed. MONTEIRO. Revista Diálogo Jurídico nº 02. D. Finanças Públicas.11. Selene Perez. Brasília. Jorge. 787-796. P. Vianna. Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM. 24. REZENDE.. São Paulo. Paulo. JONES.stn. Entendendo a Lei de Responsabilidade Fiscal. 2006. Ilvo. Rio de Janeiro. KHAIR. Lei de Responsabilidade Fiscal – Guia de Orientação para as Prefeituras. & MAGINA. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA. NASCIMENTO. Fabio. Manual de Treinamento Municipal.2003 28. 21. MUSGRAVE. 14ª ed. Brasília. 389 pp. 2 v. 2006 25. RAP. 15. E. 300 p. Resultado do Tesouro Nacional. A Lei nº 4. Brasília. (1980) Finanças Públicas. Elisabete (Organizadores). University of Chicago Press. Fernando. 14. RAP nº 41. Amir Antônio. IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 2006. Ricardo. BNDES.402. Ministério de Planejamento e Gestão. Gestão Pública. Perez. p 219-238. 16. 33. Celso Antônio Bandeira de. 2002. Ministério da Fazenda. LAVINAS L. 2001. 2001. Introduction to the Theory and Application of Data Envelopment Analysis. 2001. Brasília. José. MODESTO. A Conjuntura das Escolhas Públicas: escolhas públicas de má qualidade e democracia representativa.gov.planejamento. IPEA. págs 97-102. Malheiros Editores. BNDES. Editora Atlas. Kluwer Academic Publishers.THANASSOULIS. Maria de Fátima. 13. Federalismo e Desenvolvimento Regional: Debates da Revisão Constitucional. MELLO. 22. 27. São Paulo: Ed. págs.br. 2008. São Paulo. 29. 2001 30. Execução Orçamentária e Financeira. Curso de Direito Administrativo. Internet: www. Editora Atlas.br.br. Jr. Rio de Janeiro. José Teixeira e Heraldo da Costa Reis. 2002. 40 . A. Texto para Discussão nº 390. Notas para um debate sobre o princípio constitucional da eficiência. Marcelo e Perobelli. 2007. 31. 3 ed. Bryan. 2003. Editora Saraiva. ENAP. setembro de 1997. 7. Edson Ronaldo e Debus. Rio de Janeiro.Atlas. MATIAS-PEREIRA. A Evolução do Sistema Tributário Brasileiro ao Longo do Século: Anotações e Reflexões para Futuras Reformas. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA. Finanças Públicas. 19. NUNES. Internet: www. 23. Jorge Vianna. 26.fazenda.405. PIANCASTELLI. 18. Enrique e FERRAREZI. 2000. São Paulo . Manual Técnico Orçamentário – MTO de 2000 a 2008.320 Comentada.VARSANO. Escolhas Públicas no Brasil.. & MUSGRAVE.

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