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A função mais conhecida dos rins pelas pessoas é de livrar o corpo das
substâncias indesejáveis que são ingeridas ou produzidas como metabolitos, porém
uma segunda função do sistema renal é controlar o volume e a composição dos
líquidos corporais, esta função reguladora mantém estável o ambiente de que as
células necessitam para executar suas diversas atividades (GUYTON, 1997).

A urina começa sua formação no glomérulo, onde 20% do plasma que entra
no rim pela artéria renal são filtrados a través da pressão hidrostática do sang ue nos
capilares glomerulares, o filtrado é um fluido de composição semelhante a do
plasma, porém com poucas proteínas e macromoléculas, pois o tamanho dessas
substâncias dificulta sua filtração através da parede do gl omérulo renal, após a
formação do filtrado ele será conduzido através dos túbulos renais, durante este
estágio sua composição é alterada pelos mecanismos de absorção e secreção
tubulares existentes ao longo dos néfrons, em seguida se encaminha para a bexig a
onde ficará armazenada até a sua liberação pelo órgão excretor (AIRES, 1999).

Normalmente o rim possui uma extraordinária capacidade de variar as


porções relativas de solutos e de água na urina como resposta a diversos desafios,
quando há excesso de água no corpo e a osmolaridade do liquido corporal fica
reduzida o rim pode excretar uma urina com uma osmolaridade baixa, inversamente
quando o corpo humano apresenta um déficit de água e a osmolaridade do líquido
extracelular fica alta o rim excreta uma urin a com uma osmolaridade alta, o mais
importante é que indiferente se a excreção urinária é alta ou baixa não haverá
grandes alterações das taxas de excreção de solutos como sódio e potássio
(GUYTON, 1997).


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Este trabalho teve a finalidade de demonstrar aspectos da função renal do


homem, após ter sido provocadas alterações nas funções básicas dos rins pelas
mudanças no estado de hidratação do indivíduo, onde foi analisado o fluxo urinário,
densidade urinária, coloração, pH e turbidez.
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Foram selecionados quinze voluntários que se dividiram igualmente em três


grupos, a saber: controle, ingestão aguda e ingestão crônica; todos esvaziaram a
bexiga, dando assim, o início dos testes. Os voluntários do grupo controle não
consumiram água durante todo o período do experimento (uma hora); o grupo
ingestão aguda tomou 1,5 L de água no período de noventa segundos e o último,
consumiu este mesmo volume durante trinta minutos.

Durante todo o experimento, os voluntários podiam esvaziar a bexiga toda vez


que sentisse a necessidade, sendo que a urina era coletada em mensurado seu
volume em provetas individuais. A urina coletada foi analisada sob vários
parâmetros, a saber: pH, turvação, cor, densidade e fluxo; e todos os dados obtidos
foram inseridos em uma tabela.

Observações

a. O esvaziamento da bexiga antes do decorrer de uma hora pode ser feito


sempre que fosse necessário desde que os volumes parciais de urina
fossem recolhidos na mesma proveta para se obter no final do tempo o
volume total;
b. Foi necessário obedecer rigorosamente o tempo de coleta.


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Para melhor visualização, os dados coletados foram inseridos na tabela a


seguir:
Tabela 1. Comparação das amostras de urina coletadas nos diferentes grupos
segundo a ingestão de água.
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a
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$%&'( $'&(

A Amarelo citrino 6,6 Sim 1,014 0,56


B Amarelo ouro 5,33 Não 1,016 0,25
a
C Amarelo ouro 6,6 Não 1,014 1,25
 
D Amarelo ouro 6,21 Não 1,012 0,83
E Amarelo ouro 5,28 Não 1,016 0,65
F Amarelo claro 6,41 Não 1,000 5,0

Ê%   G Amarelo ouro 6,15 Não 1,004 1,75


% H Amarelo ouro 6,58 Não 1,008 1,33
$*+ %( I Amarelo citrino 6,63 Não 1,000 6,83
J Amarelo citrino 5,75 Não 1,000 5,9
K Amarelo citrino 5,72 Sim 1,004 1,58

Ê%   L Amarelo claro 6,9 Não 1,008 5,55


,- M Amarelo claro 6,14 Não 1,002 3,55
$.+( N Amarelo claro 6,63 Sim 1,000 3,5
O Amarelo citrino 6,7 Não 1,006 3,0
Fonte: Alunos do 3º semestre do curso de farmácia do Centro Universitário São Camilo ,
nov/2010.


 #- 

Para uma melhor compreensão dos resultados, os parâmetros contidos na


tabela serão discutidos separadamente.

Coloração

Observou-se que a coloração tornava-se mais clara conforme aumentava a


ingestão de água. A coloração amarelo ouro, teve predominância no grupo controle,
se comparado com os grupos de ingestão crônica e ingestão aguda, isto se deve ao
fato deste grupo não ter consumido água durante o experimento , obtendo assim,
uma urina mais concentrada. Normalmente a urina apresenta coloração amarelo
citrino, porém, esta pode sofrer alterações de acordo com o aumento da ingestão de
líquidos, tornando-se mais clara, ou mais escura com um baixo consumo de líquidos
(GANONG, 2006).
 
pH

Os valores do pH variaram entre 5,28 a 6,9; onde o menor valor foi do


voluntário E (grupo controle), e o maior foi do voluntári o L (grupo de ingestão
crônica), onde esses extremos se encontram normais; segundo Ganong, 2006 o pH
da urina está na faixa de 4,5 até aproximadamente 8,0. O pH da urina pode variar
por diversos fatores, entre eles: dieta, medicamentos, doenças renais e do enças
metabólicas (GANONG, 2006).

Turbidez

Dentre os quinze voluntários foi observado um caso de turbidez na urina do


grupo controle (voluntário A), e dois casos no grupo ingestão crônica (voluntários K e
N). Geralmente a urina apresenta aspecto translucido, podendo ocorrer turbidez por
excesso de muco no caso de inflamações do trato urinário inferior ou do trato genital ,
contudo, uma ligeira turvação não significa necessariamente uma patologia
(GANONG, 2006).
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Densidade

Em relação à densidade, o grupo controle obteve os maiores valores,


alcançando um pico de 1,016 g/mL (voluntários B e E), se comparado com os
valores obtidos pelos voluntários dos grupos ingestão crônica e ingestão aguda,
estes obtiveram valores entre 1,000 g/mL e 1,008 g/mL. Todos os valores
encontrados estão dentro da normalidade; segundo Guyton (1992), em situações
normais, a densidade da urina pode variar entre 1,002 g/mL à 1,045 g/mL , porém o
consumo exacerbado de água pode tornar a urina mais diluída (GUYTON, 1992).
Isso explica os valores obtidos abaixo 1,002 g/mL.

Fluxo

O grupo que houve menor fluxo urinário foi o grupo controle, seguido pelo
grupo ingestão aguda e o maior fluxo foi do grupo de ingestão crônica, com exceção
do voluntário K (fluxo de 1,58 mL/min), portanto, o fluxo aumentou de acordo com o
consumo de água. Segundo Moura, 2008, o valor para o fluxo urinário pode var iar
por diversos fatores como: ingestão de água, dieta, temperatura do ambiente,
volume corporal, sudorese, uso de diuréticos, entre outros; este valor pode variar
entre 800 a 1800 mL/dia para um adulto normal, segundo o mesmo autor.




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Após os experimentos realizados pode se perceber a necessidade de tomar


água no dia-a-dia, o volume da ingestão líquida irá alterar a funcionalidade dos rins
diante a necessidade do corpo pelos nutrientes ; com o aumento do volume líquido
no corpo, aumenta o volume da filtração sanguínea e inibição da ADH (hormônio
antidiurético), conseqüentemente serão eliminadas mais impureza s do organismo.
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AIRES, M. M. )%  . 2ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.

GANONG, W. F. )% - , 22ª ed., Artmed Editora/Grupo A, Porto


Alegre, RS. 2006.

GUYTON, A. C. HALL, J. E. !   /% - . Tradução de Charles


Alfred Esbérard. 8ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992.

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. )%    -    . 9ª


ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.

MOURA, R. A. et. al. Exame de urina.   0-1-2- .


8ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.