2.Obstáculos que impedem a realização de um protagonismo do leigo 2.1.

O primeiro obstáculo à realização de um protagonismo do leigo A interiorização, pelos próprios leigos, de uma estrutura eclesiástica hierarquizada produziu uma consciência de "ovelha passiva e obediente". Não obstante o fato provado da formação de uma nova mentalidade de autonomia dentro da população urbana, somos confrontados dentro da Igreja com um quadro específico e oposto. Podemos constatar até certa "esquizofrenia" estrutural. Isso porque, de um lado, se exige do homem de hoje uma autonomia e uma capacidade de decisão como em nenhuma época do passado. Dentro do campo sociopolítico, científico e profissional, cada vez mais pessoas estão assumindo esta autonomia. Do outro lado, porém, permanece o fato de que, por lima história de séculos, a palavra-chave que caracterizava o bom cristão católico era aquela da ovelha obediente. A própria palavra "Pastoral" sustenta a idéia, muito rica, aliás, e muito bíblica, de um rebanho seguindo sem hesitação o seu pastor. A imagem bíblica se encontra na boca do próprio Jesus. Mas a perspectiva a partir da qual na história se usou o modelo, em muitos casos, era muito distante da intenção de nosso Senhor. A partir da era de Constantino, diz Walter Bühlmann, se estabeleceu uma dicotomia de classes dentro da própria Igreja.1o A acentuação de tal dicotomia seguiu em muitos casos os interesses de poder e de prestígio. Observamos também neste caso aquele mecanismo que Bernhard Haring, com toda a sua sutileza de teólogo experiente, sintetiza nos seguintes termos: "A história da religião e especialmente a história da Igreja ... mostram formas extremamente críticas ... de uma sobrevalorização extrema da autoridade, que muito se aproximam da atitude de dominação dos sistemas mundanos de poder". O resultado para a situação do leigo era aquilo que Walbert Bühlmann, capuchinho e por muito tempo professor de pastoral missionária, formula em termos meio drásticos: aos leigos na Igreja "restava apenas, como se diz nos EUA, "to pray, to obey, to pay" (rezar, obedecer, pagar) 12

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Apesar de que "uma distinção entre clero e leigos. a partir do século III. Paulo usa a imagem muito significativa do corpo humano: Não pode o olho dizer à mão: "Não preciso de ti". Por uma história milenar de submissão.13 os assim chamados leigos perderam passo a passo a consciência de sua dignidade como "povo eleito". dentro e fora da Igreja.. Nas cartas de Paulo. o povo de sua particular propriedade. mas em torno de igualdade de valores e de direitos. Aquilo que vale para as comunidades de Paulo. e apesar do grande passo que se fez no Concílio Vaticano II. Apesar de todos os documentos que afirmam o contrário.2. mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. é o primeiro passo para a indiferença e o afastamento.15-19 onde o amor que serve está sendo contraposto à idéia de uma estratificação de poder.. vale da mesma maneira para aquelas de João. nem tampouco pode a cabeça dizer aos pés: "Não preciso de vós". Não queremos no decorrer destas reflexões entrar nos problemas e nos méritos deste fato histórico. (1Cor 12. Edward Schillebeeckx acentua o fato de que é sobretudo em Jo 21. diversidade de ministérios. são os mais necessários. Para exemplificar este fato. não justifica uma valorização..(1Cor 12. pelo contrário. 2. então estes seguidores terão esquecido a profunda advertência de seu fundador: "Entre vocês não seja assim . no entanto. o povo de Deus perdeu a sua confiança de ser AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO DA IGREJA E DA SOCIEDADE. Passividade.. O ponto-chave é a variedade de carismas postos à serviço da comunidade: "Há diversidade de dons. justifica a igualdade de todos.. A vida desta comunidade não está sendo organizada a partir de uma pirâmide de hierarquias e de poder.os membros tenham igual solicitude uns com os outros. 2 ."Vós sois a raça eleita. tal distinção se estabeleceu. Ela.15).. em todo caso não encontra atestação no Novo Testamento". mas também igualdade na obrigação de assumir responsabilidade. devemos formular de maneira veemente uma primeira exigência fundamental. os membros do corpo que parecem mais fracos. porém. Pelo contrário.. Há publicações profundas sobre o tema. apresenta no entanto exatamente tal fenômeno: UMA INSTITUCIONALIZAÇÃO HIERÁRQUICA CRESCENTE. diversos modos de ação. RUMO AO REINO DE DEUS. igualdade de direitos. mas o Senhor é o mesmo. O que interessa ao nosso tema é simplesmente o fato de uma tal institucionalização e hierarquização ter acontecido. O povo perdeu a sua confiança de ser agente de transformação. a nação santa. MAS TAMBÉM NA IGREJA.4-11) Esta variedade de carismas. Se isso acontecer entre os seguidores de Jesus. O resultado era a passividade progressiva do povo..15 esta situação é até hoje um dos grandes obstáculos a um verdadeiro protagonismo do leigo. o sacerdócio real.16 A história da Igreja. Cada um recebe o Dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos". conquistado por Deus.14 na realidade histórica. " (Mc 10.21ss) O resultado de toda esta argumentação só pode ser a rejeição de qualquer estratificação e de qualquer sobreposição de uns sobre os outros. PRIMEIRA EXIGÊNCIA O LEIGO DEVE RECUPERAR A CONSCIÊNCIA DE SUA MISSÃO COMO AGENTE RESPONSÁVEL DE TRANSFORMAÇÃO NÃO SÓ NO MUNDO. mas o Espírito é o mesmo. encontramos uma Igreja comunidade. " Em vez de praticar com base em tal atitude a sua "liberdade dos filhos de Deus" (d. Igualdade de valor. a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa .42-43). Diante de tal situação. no sentido de grupos claramente demarcados ou de 'posições' na Igreja. O segundo obstáculo à realização de um protagonismo do leigo Uma estrutura hierárquica rígida impede uma verdadeira participação do leigo. A realização desta exigência se torna um dos pressupostos para que o projeto de um protagonismo do leigo deixe de ser puro papel. Rm 8.

do direito da decisão. ela não tem outro direito senão o de se deixar conduzir e guiar docilmente por seus pastores". "Comunidade". interiorizada cada vez mais por integrantes da sociedade pós-industrial. Talvez se pergunte em ocasiões específicas qual é a sua opinião. E estas categorias são tão diferentes entre si. o homem do século 21 se torna cada vez mais consciente. Mas exatamente isso. dentro de uma Igreja cada vez mais institucionalizada. hoje. mudou. de obedecer. e a multidão dos fiéis. que só na hierarquia residem o direito e a autoridade necessários para promover e dirigir todos os membros de acordo com os objetivos da sociedade. inspirado pelos mecanismos do poder do Império Romano e sustentado pela obra neoplatônica do Pseudo-Dionísio. Ele está excluído. porém. Como exemplo. Onde uma tal participação está sendo vetada a um certo grupo. deste fato. Ela se torna excludente.19 Em certos níveis da vida eclesial encontramos até hoje o resultado histórico de todo este processo estrutural: Quem decide na Igreja sobre assuntos eclesiásticos e dogmáticos são os assim chamados "ordenados". os cristãos do século 21 se tornam cada vez mais conscientes da contradição entre "ser comunidade" e "ser excluído das estruturas de decisão". 20 Papa Pio X (Vehementer nos . a outros. os demais são os eclesiásticos".O já citado Edward Schillebeeckx mostra como esta hierarquização dos serviços.. em força de sua própria natureza. ): A Igreja. e. os bispos e os padres. cada vez mais trabalhadores de todos os níveis aprendem uma das verdades básicas do management de hoje e do futuro: Estruturas não participativas são menos eficientes do que estruturas participativas! Estruturas não participativas contradizem a todos os princípios organizacionais da administração de hoje e muito mais ainda do futuro! 3 . já começou a partir do século IV. é uma sociedade desigual. que se reflete numa declaração do papa Gregório XVI (1831-1846) e foi confirmada por Pio X na sua encíclica "Vehementer nos" de 11 de fevereiro de 1906: Papa Gregório XVI: "Ninguém pode ignorar que a Igreja é uma sociedade desigual na qual Deus reservou a alguns a missão de mandar e. A toda esta nova onda de conscientização se acrescenta hoje e no futuro próximo ainda uma experiência. estes últimos são os leigos. sejam eles leigos ou mulheres. está em certas situações presente ainda aquela mentalidade. isto é: o papa. está sendo mencionado muitas vezes o sínodo do ano 1987 sobre os leigos na Igreja. os assim chamados leigos aceitaram de maneira passiva tal atitude. Cresce dentro dos leigos a consciência de que uma comunidade onde não há participação. mas não se tomam providências". O leigo não tem direito nenhum de participar das decisões. Engloba duas categorias de pessoas: os pastores e o rebanho. Apesar de ser de longe superada na teoria. não é comunidade.18 No que diz respeito ao leigo. mesmo quando ela usa o termo em todos os seus pronunciamentos. Walbert Bühlmann o comenta assim: "Deixa-se que as pessoas falem.17 Ela continuou e se fixou a partir do século VI. o resultado de todo este processo histórico está sendo resumido por Schillebeeckx nas seguintes palavras: Esta hierarquização no topo da Igreja desvalorizou o leigo. promovidos pela indústria. os que ocupam os vários graus de hierarquia. fazendo dele um mero objeto da pastoral sacerdotaI. 21 Em todos os séculos passados. Quanto à multidão. se diz. Há vozes dentro do laicato que vêem exemplos da continuação de tal mentalidade até os dias de hoje. seja no nível das decisões dentro de paróquias e comunidades. Nos seus cursos de reciclagem. "significa participação plena".. COMUNIDADE SEM PARTICIPAÇÃO PLENA E VERDADEIRA NÃO É COMUNIDADE! Esta verdade sociológica está sendo lembrada hoje em todos os níveis. A partir de uma nova consciência de autonomia e de autovalor. seja no nível da Igreja global. quando a Igreja se tornou Igreja oficial do Império Bizantino. que se encontrou na base da pirâmide. a comunidade se destrói a si mesma.

n. Há inúmeros membros da assim chamada hierarquia dentro da Igreja. esta dicotomia se tornou hoje um dos grandes temas na discussão em torno de um verdadeiro engajamento de todos os membros da Igreja. É por causa destes que devemos insistir que as bases dogmáticas para uma Igreja de comunhão e participação de todos existem. já se encontra nas formulações do próprio Concílio Vaticano II.] Aquilo. 22 Tal afirmação com certeza é exagerada. cheios do Espírito Santo. quando observamos tantas tentativas de esquecê-lo ou de relativizá-lo. os padres conciliares formulam uma visão nova da Igreja. porém. 3038. Vale a pena não esquecer aquilo que. Na Constituição Lumen Gentium. sem esperança de poder mudar aquilo que no seu ponto de vista é superado. O eixo principal destas novas estruturas acentuava a profunda e essencial COMUNHÃO E PARTICIPAÇÃO DE TODOS OS MEMBROS DA IGREJA.. A sua emigração. no entanto. encontramos a emigração silenciosa cada vez maior deles e delas. Um dos fenômenos perigosos já em andamento é uma progressiva EMIGRAÇÃO SILENCIOSA para fora da Igreja! Confrontados com este fenômeno. A "correção de curso". mais uma vez. Elas simplesmente vão embora sem dizer nada.. mais uma vez. 2. muitos cristãos e cristãs o encontram na sua Igreja de maneira explícita. Em vez de observarmos um protagonismo dos leigos. Vale a pena lembrar-se disso. "ainda não marca de maneira alguma o rosto da nossa Igreja". O Concílio. diz Medard KehI. Porém. que aprenderam ser necessário eliminar nas suas empresas. desiludidas. Aquilo que dizíamos sobre o perigo de as novas visões de Igreja ficarem só no papel. sobretudo numa época como a de hoje. 4 . cada vez mais pessoas reagem com uma atitude muito conhecida pela psicologia: elas emigram. na realidade não é novidade nenhuma. e elas são dignas de uma Igreja guiada pelo Espírito Santo. Há milhares de comunidades. já se havia mostrado sensível a este problema. Decepcionadas. sem falar.[. Dentro dela se abriu espaço para estruturas novas. os bispos reunidos estabeleceram como novo modelo de uma Igreja do futuro. A sua emigração é silenciosa. naquela ocasião. onde a colaboração entre irmãos ordenados e não-ordenados se realiza hoje em plena fraternidade. cujo agir é exemplo de humildade e de respeito aos cristãos leigos e às cristãs leigas. devemos de maneira urgente formular uma segunda exigência como pressuposto para um possível protagonismo do leigo: SEGUNDA EXIGÊNCIA As estruturas fechadas do poder hierárquico devem ser abertas e substituídas por estruturas de COMUNHÃO E PARTICIPAÇÃO. Surgida a partir de situações e necessidades históricas e pastorais. O terceiro obstáculo à realização de um protagonismo do leigo A consagração histórica de uma estrutura hierárquica de poder acentuou a formação de duas classes dentro da Igreja. não se faz com grande barulho e protesto eloqüente.3. Tal exigência. A sua base. tem significado especial quando se trata da antiga dicotomia entre pessoas ordenadas e não ordenadas dentro da Igreja. devemos cuidar para que os respectivos documentos não fiquem só no papel. iniciada de maneira profética pelo Concílio. e esta emigração silenciosa é um dos grandes perigos que a Igreja do século 21 corre. Cada vez mais pessoas se afastam. Diante desta contradição. Mas há também exemplos opostos. que correspondiam aos sinais de novos tempos. que parece a muitos audaciosa e fora de toda cogitação.

a palavra "leigo" alcançou desde a Idade Média um significado específico: O leigo era "o não ordenado". eram de fato só os clérigos que tinham formação. (LG 31) O Concílio baseia a sua concepção de uma Igreja do futuro na vocação de todos os cristãos. E uma vez detectado o verdadeiro problema. No Concílio e nos anos seguintes. "A comunidade do povo de Deus tem prioridade sobre a estrutura jurídica e hierárquica". ou caso ela talvez em certos casos até seja mantida por um desejo inconsciente de defender posições de poder.Como conseqüência dela se diz explicitamente que todos os fiéis. analisando esta divisão. aqueles que sabiam. 5 . não podemos negar que. a palavra leigo é usada no sentido de alguém que nada entende de um assunto: "Ela é leiga nesse assunto!" Dentro de uma terminologia especificamente eclesial.Schilebeeckx) 25 A problemática do enfoque. Até uns séculos atrás. mas ainda hoje a palavra carrega aquele significado de distinção entre aquele que sabe e o ignorante. aqui. devemos outra vez voltar à visão do Concílio: Uma Igreja de Comunhão e de participação de todos. então devemos o mais rápido possível lembrar as palavras de nosso fundador: "Entre vocês não seja assim!".(E. Em tal Igreja. até hoje. Ele foi compreendido unicamente a partir do status do clérigo. mesmo assim. Ser clérigo. e que por causa disso nem tinha a possibilidade nem o direito de participar nas decisões. ela é talvez mais urgente do que na época quando Schillebeeckx a formulou. e não num status jurídico. foram incorporados a Cristo. mas o serviço. Assim encontramos também nos textos respectivos conciliares uma visão moderna e convincente que abre perspectivas para o futuro. O sopro do Espírito Santo se faz sentir. em muitos casos ainda acentua muito mais uma divisão classista do que uma visão de comunhão e participação de todos os batizados em Cristo. Edward Schillebeeckx analisa esta problemática de maneira profunda. o "não clérigo". é uma função de serviço na Igreja. É dentro desta perspectiva que devemos analisar a problemática da questão do leigo dentro da Igreja. o leigo tornou-se o homem "politicamente engajado" no mundo. a distinção entre ordenados e nãoordenados. tinham decidido. observamos um grande esforço de dar à palavra leigo um significado positivo. A partir de um ponto de vista neutro e imparcial. Ele só tinha de aceitar aquilo que os outros. se detecta a presença do Espírito que guia a sua Igreja. O clérigo tornou-se o homem "apolítico" da Igreja. o Concílio acentuou fortemente a superação deste ponto de vista. no entanto. A diversificação não se faz a partir de uma questão de "ordenação". Todavia. encontramos todo tipo de enfoques problemáticos. já não é "útil". Ele só devia obedecer. pelo que exercem sua parte na missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. a preocupação com a noção de "leigo" só ajudou a ofuscar o verdadeiro ponto-chave de toda a discussão. mas a partir dos vários carismas. 24 Não podemos esquecer que. vale a pena citar algumas de suas reflexões a respeito: Definiu-se o característico do "ser leigo" na relação com o mundo. Encontramos mais uma vez. hoje. um sinal da grandiosidade de nossa Igreja. 23 A linha do Concílio neste sentido é bem clara. profético e régio de Cristo.26 Se ela. o fato de que a base de todo agir como cristão é o seu enraizamento em Cristo. nos atinge até hoje. o estado ontológico do novo homem. e pouco engajado nas coisas eclesiológicas. tendo todos o mesmo objetivo: servir ao Reino de Deus. a legitimação de todos os ministérios tem a sua base nos serviços da comunidade. Mas. não é nem status nem classe. Havia até uma discussão "sobre se não se deveria evitar a palavra 'leigo' por causa de sua carga pejorativa". enquanto a relação com a Igreja caracterizaria o clérigo. Dentro da atual conjuntura de neoconservadorismo dentro de nossa Igreja. porém. chega a seu respeito a uma tomada de posição bem definida: "Não fica claro em que isso pode ser útil dentro de uma Igreja que se entende como communio" . entre clérigos e leigos. Apesar de todas as tentativas de superar estes significados. pelo batismo. eles estão presentes de maneira inconsciente e latente até hoje. analisado por Schillebeeckx. isto é. A partir desta perspectiva. os formados. A palavra-chave não é o poder. constituídos em Povo de Deus e a seu modo feitos partícipes do múnus sacerdotal. aquele que não sabia. A dimensão ecIesiaI de todo "christifidelis" (aquele que tem fé em Cristo) e a sua relação com o mundo se desfigurou assim para os dois lados. renascido pelo batismo do Espírito Santo. Nos seus textos de base. assim não foi reconhecido no seu valor próprio. Nas discussões teologais. porém. Medard Kehl.

compreendido a partir de sua base bíblica. Ele reage e os rejeita. este carisma não se sobrepõe sobre outros. formulou esta verdade fundamental de maneira bem acentuada no seu pronunciamento crítico. não é preciso rebaixar outros carismas. riquíssimo e indispensável dentro da comunidade daqueles que têm fé.29 O texto aqui apresentado nos parece um ótimo exemplo de como hoje. valores mais altos do que no chamado de Deus. Em tal Igreja. Lumen Gentium 9-17). Um futuro onde. tudo se baseia na base de uma igualdade fundamental de todos aqueles que fazem parte do povo de Deus (cf. deve ser substituída por estruturas de comunhão e de participação fraternal. ele vai embora. NÃO PODE HAVER DICOTOMIA NENHUMA ENTRE IRMÃOS CLÉRIGOS E LEIGOS. com eles. sem acentuar a dicotomia entre este ministério e tantos outros dentro da Igreja. a partir do espírito do Concílio.42-45) Nos séculos passados. Esta mesma população. não um fim sacramental em si. Os padres do Concílio tinham percebido os "sinais dos tempos". Os novos tempos chegaram e. na Áustria. em vez de se acentuar a distinção fundamental entre clero e leigo. Voltar a responder a eles a partir de um espírito pré-conciliar. com certeza não resolve os problemas. Onde tal dicotomia existe. em relação ao decreto romano sobre a colaboração dos leigos: O ministério na Igreja. Numa Igreja classista. no compartilhar da fé e em todas as formas de comunhão eclesial. com o qual se quer manter ou restabelecer um status especial para alguns. devemos formular esta nossa terceira exigência para um possível protagonismo do leigo: Terceira EXIGÊNCIA NA IGREJA DO FUTURO.. os assim chamados leigos dentro da Igreja não tinham uma percepção clara em relação a certos jogos de poder. permanece um carisma maravilhoso. A tendência de ver. outras maneiras de se engajar em nossa Igreja e no mundo. mas irmãos e irmãs entre irmãos e irmãs. antes mesmo de estes tempos começarem. Por causa disso. ou como a encontramos em textos a exemplo daquilo que a Assembléia do Episcopado Francês formulou em 1975: Os sacerdotes têm a necessidade de promover a co-responsabilidade diferenciada dos diversos membros da Igreja no que diz respeito ao anúncio do Evangelho. se tornou sensível a isso. uma nova mentalidade. ele se deixa engajar. não pode marcar o pensamento de uma Igreja de Comunhão entre irmãos e irmãs. Dentro de uma comunidade.. eles estão aqui. onde não há membros de segunda categoria. O discurso tradicional. Não se estabelece uma dicotomia entre uma classe especial e o resto do povo. nas quais se mantêm a dignidade e o valor de cada um dos respectivos carismas. Mantêm-se toda a dignidade e a grandeza do carisma especial de sacerdote. apesar disso. é um ministério a serviço da salvação. Tal linguagem. nas ordens e tradições humanas. hoje. mas.. a partir desta visão. O sacerdócio. Mas. não está mais sendo aceito por grande parte da população. Vale mais uma vez a palavra e a advertência de Jesus: “Entre vocês não seja assim!”(Mc 10.O bispo da diocese de Innsbruck. o homem de hoje aceita. 28 Nesta argumentação fica claro que a distinção entre aqueles que têm poder e competência e os outros que não pertencem a esta elite. O homem de hoje. o homem de hoje concorda em colaborar. Mas ele ganha de volta a sua dignidade de serviço. é a característica chocante de muitas decisões de nossa Igreja no fim desde século. 6 . teríamos uma comunidade de irmãos e irmãs que põem as suas capacidades a serviço do mestre comum de todos nós: Jesus Cristo e o seu projeto de um Reino de Deus. de outro lado. O que se acentua é a comunhão e participação de todos. outros serviços. talvez. a partir de uma perspectiva de serviço ao Reino de Deus. Ter a coragem de seguir os passos do Concílio abre caminhos para um novo futuro. Em vez de termos uma classe que decide e uma classe que obedece. se pode falar do ministério sacerdotal. Para que isto se possa fazer de maneira nova e renovada dentro de uma nova mentalidade dos homens e das mulheres de uma época pós-moderna e pós-industrial. no entanto. compreende e aceita muito bem uma descrição do ministério sacerdotal como foi feita pelo Concílio.

Também: W.. 110 23 Luis Perrez Aguirre.p. Paris: Desclée.p.64 11 Bernhard Häring. no seu comentário ao decreto romano sobre a colaboração dos leigos.60 21 Walbert Bühlmann.193 20 Apud Guido Zagheni. aujourd’hui e demain.76.1989.op. São Paulo: Edições paulinas.15 “ Vocês não receberam um espírito de escravos. 1994. 1986. p. Decreto sobre o apostolado dos leigos. Walbert Bühlmann.49 24 P.David Regan.. op.p. São Paulo: Paulus. 26 Medard Kehl. também: João Paulo II.. p.. Reinold Stecher. São Paulo: Ática.cit. p. A Igreja no limiar do terceiro milênio. bispo diocesano de Innsbruck. Cf. 1994. 12 Walter Bulmann.120 25 Edward Schillebeeckx.p. instituion et foi. Aparecida: Santuário. Ministères dans l’Église.65 13 RM 8.p. 1985. em defesa de uma nova forma de relacionamento na Igreja. Edward Schillebeeckx. Áustria. São Paulo: Paulus.. A Igreja em crise.AA. op. L’église. 7 . 1988. p. 1979. Encíclica Christifidelis Laici. op. Cit. É possível mudar. 16 Cf. 1994.117 17 Cf. 1980.” 14 Medard Kehl. Christliche Identität um kirchliches Amt. vol IV. A Igreja no limiar do terceiro milênio. em www. Curso de História da Igreja.cit.org/de/ 29 Cf Jean Rigal. Bruxelles: Publications dês Facultes Universitaires Saint-Luis. p... São Paulo: Loyola. 115 27 Cf.192. Os ministérios não-ordenados na Igreja latino-Americana. p.cit. 18 Ibid. 110. Antonio José de Almeida. 28 Dr. 47-48.174ss.Bibliografia: 10 Cf. 15 Cf.. p. Christliche Identität um kirchliches Amt Düsseldorf: Patmos.ex Constituição dogmática sobre a Igreja. Cit. Lumem Gentium. A idade contemporânea. Der laie und das Gottesvolk. Frankfurt. Neuner. Igreja paa a libertação.. p.we-are-church.69 22 Medard Kehl.. 193 19 Ibid. Apostolicam Actuositatem. op.p.p. 1996.. p. p.

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