UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Reitor Lúcio José Botelho Vice- Reitor Ariovaldo Bolzan EDITORA DA UFSC Diretor Executivo Alcides Buss Conselho Editorial Alcides Buss - Diretor Executivo Eunice Sueli Nodari - Presidente Cornélio Celso de Brasil Camargo Jõao Hernesto Weber Luiz Henrique de araújo Dutra Nilcéa Pelandré Regina Carvalho Sergio F. Torres de Freitas

Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (Orgs.)

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina Universidade Federal de Santa Catarina

Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (Organizadores)

Capa
Maria José H. Coelho

Editoração Eletrônica
Sandra Werle

Revisão
Maria Elizabeth Saraiva Nogueira

Supervisão Editorial
Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti

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Jornalismo em perspectiva / Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (org.). - Florianópolis: [s.n.], 2005. 288p. Inclui bibliografia. 1. Jornalismo - Santa Catarina - História. 2. Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina - História. 3. Imprensa - História. 4. Ética Jornalística. 5. Jornalismo - Objetividade. 6. Jornalismo - Aspectos Sociais. I. Baldessar, Maria José. II. Christofoletti, Rogério. CDU: 07.01

Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

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Mario Luiz Fernandes A imprensa na Grande Florianópolis . mas ágil como adolescente .Jacques Mick 123 131 143 153 165 .Marli Cristina Scomazzon 85 87 103 Rádio: na 3ª idade.Paulo Ramos Derengoski A imprensa no norte de Santa Catarina .Histórias do jornalismo catarinense Imprensa na Serra .César Valente 11 13 21 33 45 49 71 Parte 2 .Andressa Braun Mulheres e jornalismo .Expansões e Transformações Assessoria de Imprensa: mercado em expansão .Áureo Moraes Jornalismo e Política . jornalismo e negócios .Moacir Pereira Jornalismo em cima do muro .Apolinário Ternes Uma história de coragem no sul do estado .Celso Martins Resistência no oeste catarinense .Índice Apresentação 7 Parte 1 .Elaine Borges Televisão.Rubens Lunge A mídia no Vale do Itajaí .Roger Bittencourt Comunicação no Terceiro Setor .Regina Zandomênico 115 Fotojornalismo Catarina .

Maria José Baldessar 203 A preocupação com a ética: tradição e futuro .Gastão Cassel 187 Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e contradições.Rogério Christofoletti 219 A contribuição das escolas: o curso da UFSC .Francisco José Karam 233 A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia Mario Xavier 247 Parte 4 .Parte 3 .O traço do jornalismo catarinense Apresentação Bonson Fábio Abreu Frank Samuel Casal Sandro Zé Dassilva 265 267 268 270 272 274 276 278 Os autores se apresentam 281 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 6 .Inovação e Perspectivas 185 Muita história para contar (ou Uma história por contar) .

Este livro marca as celebrações dos 50 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. mas para reconhecer e sublinhar os esforços aqui empreendidos. fatia de tempo fartamente recheada pelos avanços tecnológicos. A obra se debruça muito mais sobre o próprio jornalismo que vimos construindo nas últimas décadas. entidade que vem acompanhando a evolução do jornalismo no estado e que vem contribuindo para muito desse desenvolvimento. Isso se traduziu em outras sociabilidades e comunicabilidades. modificando o impacto sobre o meio ambiente. os organizadores deste Jornalismo em perspectiva consideram necessárias algumas palavras não para introduzir o leitor nas histórias que lerá a seguir. alterando nossas relações interpessoais. Tanto por seu título quanto por seu escopo. dos confrontos armados e da complexidade das sociedades. Assistimos a uma enxurrada de progressos ao mesmo tempo em que percebemos o aumento da desigualdade social. Os últimos 50 anos mudaram a face da vida humana no globo. pela profissionalização do exercício e pela consolidação do jornalismo como uma atividade vital para a sociedade. Entretanto. Mas este não é um livro sobre o Sindicato. A vida parece ter ficado JORNALISMO EM PERSPECTIVA 7 . conferindo novos contornos também às nossas idéias e condutas. Tanto pelos autores quanto pelo ineditismo da obra.Apresentação Um livro como este dispensaria apresentações. O mundo parece ter ficado menor com as novas velocidades dos meios de transporte e mesmo com a facilidade de manuseio e agilidade dos veículos de comunicação.

diversão e informação. fazendo circular bens e notícias. editores. A mídia e a indústria cultural também se expandiram. tornando-se em berçários dos novos jornalistas. investiu em infra-estrutura e melhorou seus índices de desenvolvimento humano. mais curta. Escolas de comunicação se espalharam. O jornalismo catarinense deu sucessivos saltos de qualidade neste período: estendeu a malha de cobertura noticiosa. Os meios de comunicação registraram tudo isso. num pólo tecnológico. Por conta de sua distribuição geográfica. num diversificado exportador. E tudo isso apesar da sua pouca extensão territorial. Santa Catarina deixou um modesto posto entre as unidades da federação para se converter num destacado produtor agrícola. Repórteres. fazendo girar a roda da fortuna nos departamentos comerciais. de forma a registrar parte das ações humanas no campo da comunicação em Santa Catarina. morais e de comportamento. O que só alimenta a disposição pelo res- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 8 . foram convidados jornalistas de todo o estado para tentar oferecer ao leitor um retrato de 50 anos de jornalismo. o mercado publicitário também evoluiu. homens e mulheres dos mais diferentes meios reúnem aqui uma generosa parcela da história recente do campo jornalístico local. num estado industrialmente competitivo. fortaleceu sua infra-estrutura e passou a capacitar melhor os seus profissionais. arte. e o jornalismo apressou-se em contar as histórias que serviam de fundo para as revoluções tecnológicas. Em 50 anos. cobrindo todas as regiões catarinenses. Muita gente e muita história ficaram de fora.mais rápida. Para tanto. Um pouco desse mosaico de realizações está descrito nas próximas páginas. o estado ampliou a qualidade de vida. Na última metade do século XX. É evidente que o tema não se esgota neste título. chargistas e ilustradores. o estado viu surgirem no interior influentes jornais e empresas de radiodifusão. Paralelamente. colunistas.

gate de mais fatos em novos volumes, como bem o fazemos cotidianamente no jornalismo. Autêntico trabalho de Sísifo, o exercício de reportar os fatos não termina nunca, sabemos todos. Este Jornalismo em perspectiva não dá conta de tudo o que se produziu em meio século na área. Mas isso já era esperado desde os primeiros instantes dessa idéia. A intenção era mesmo produzir uma obra multifacetada, parcial, plural, dinâmica. Ao longo dessas páginas, o leitor vai se deparar com a menção a nomes já mitificados na imprensa local e vai encontrar também a citação de autores de outros capítulos do volume. Não é mera coincidência, já que alguns dos convidados a escrever não apenas foram testemunhas dos acontecimentos como imprimiram suas digitais neles, participando ativamente da história. O livro foi totalmente produzido por jornalistas: dos textos às ilustrações, da capa ao projeto gráfico, da organização e revisão à captação de recursos para a sua impressão. Disposto em quatro partes, o conteúdo não apenas reconta a trajetória dos acontecimentos que talharam o jornalismo catarinense nos últimos 50 anos. Inicialmente, é apresentada uma certa geografia do fazer jornalístico no estado, seção em que o leitor poderá visualizar as regiões catarinenses como peças de um quebra-cabeça. Nesta parte, o foco se desloca do Planalto Serrano ao Vale do Itajaí, do Norte ao Sul e passando pelo Oeste e pela região metropolitana, salientando a imprensa local, os principais nomes, as maiores empresas. Na segunda parte do livro, a produção jornalística de outros meios é mostrada. O fio condutor é o conjunto de expansões e transformações que a atividade sofreu no rádio e na televisão, na fotografia e na política, bem como os impactos das assessorias de comunicação no mercado de trabalho. Como nenhum balanço é completo sem a miragem de algum futuro, a terceira parte do livro realça as inovações que marcaram o jornalismo local e sinalizam algumas perspectivas para a área.

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O advento das escolas de comunicação, a discussão sobre a ética profissional e a chegada dos computadores às redações são alguns dos tópicos abordados. Mas também são apontadas a participação das mulheres no fazer jornalístico e as contribuições do Sindicato dos Jornalistas na articulação dos profissionais. Para completar, a quarta parte reúne trabalhos de alguns dos mais talentosos e importantes ilustradores e chargistas de Santa Catarina: crítica, humor e inteligência. Jornalismo em perspectiva serve de registro do passado, reflete ações do presente e lança luzes para caminhadas futuras. As contribuições que este livro oferece vão da preservação da memória de um tempo ao desenvolvimento de novos procedimentos que aperfeiçoem as práticas diárias dos que vivem das notícias. Este projeto deve um agradecimento especial à Universidade Federal de Santa Catarina, que patrocinou a impressão desta obra, e a todos os jornalistas envolvidos na sua produção. Uma história do jornalismo catarinense – mesmo que parcial – só poderia mesmo ser escrita por jornalistas. Os que aqui imprimem as suas assinaturas, o fizeram sem nenhuma remuneração, sem qualquer menção a ganhos eventuais. Todos os autores deste Jornalismo em perspectiva acreditaram no projeto, e cederam direitos autorais, e parcela de sua energia e entusiasmo para viabilizar o produto. As páginas que o leitor vê a seguir foram pura obra de um esforço coletivo. Os organizadores

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Histórias do jornalismo catarinense

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Imprensa na Serra

Paulo Ramos Derengoski

Nos primórdios, a imprensa serrana foi basicamente a imprensa de Lages. E o primeiro jornal editado em Lages foi “O Lageano”, na verdade um micro-jornal de formato 23x33 cm, com apenas quatro páginas. O primeiro número circulou em 14 de abril de 1883. Dirigido pelo professor João da Cruz e Silva, era um vibrante e pequenino semanário que dedicava seus artigos de fundo à defesa do ensino público, criticando as péssimas estradas da região e exigindo a criação de um Mercado Público, bem como a retirada do cemitério da época do centro da cidade. Dentre os colaboradores que mais se destacaram com empolgados textos estavam o médico homeopata e futuro desembargador, Genuíno Firmino Vidal Capistrano e João José Theodoro da Costa. Em 4 de janeiro de 1884, o pequeno semanário foi vendido para Henrique José Siqueira, que acrescentou “mais uma coluna em cada página”. Nessa fase, o grande colaborador seria o acadêmico de Direito, “nosso correspondente em São Paulo”, Caetano José da Costa, que entre reportagens memoráveis, descreveu a visita à bandeirante capital de dois manda-chuvas lageanos: os coronéis Belizário de Oliveira Ramos e Henrique de Oliveira Ramos, “que conferenciaram com o chefe da democracia paulista”, dr. Rangel Pestana, e foram à ópera, assistir “A Corsa do Bosque”. Com a proclamação da República, “O Lageano” deixou de circular por algum tempo. Não que ele fosse monarquista. Ao conJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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Sebastião Furtado. cujo gerente era José Joaquim de Córdova Passos e cujo lema era: “Não se admitem testas de ferro”. “O Escudo”. Caetano Costa e Antônio Henrique. Nessa ocasião. João Nunes. saía o primeiro número da “Gazeta de Lages’. Henrique José Siqueira. historiadores como Fernando Athayde e até poetas como Sebastião Furtado. surge na Serra – com duração até hoje – a sátira e o humor irônico para encarar as pugnas partidárias provin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 14 . e os “autógrafos que nos forem remetidos não serão devolvidos”. o seu proprietário. Julio da Costa e Manoel Thiago de Castro. Vidal Ramos. Suas páginas registraram uma polêmica que marcou época entre Caetano Costa e Pedro Leite Júnior. o Professor Tota. um bi-semanário que circulava às quintas-feiras e aos domingos e que tinha um sistema de entregas nas grandes fazendas da região. Seria substituído em 1893 pelo “Rebate”. órgão do Partido Liberal. agora órgão do Partido Republicano Federalista. Do mesmo diretor apareceria em 1896 “O Município”. Até que em 1º de janeiro de 1897 começaria a circular um jornal de maior duração: o “Região Serrana” dirigido também por Manoel Thiago de Castro e que marcaria época em todas as regiões catarinenses pela ampla atuação política. com boa penetração. Em 21 de abril de 1892. Seus redatores eram homens cultos.“do Cajuru aos fundos da Coxilha Rica”. mudou o nome para “Quinze de Novembro”. Era diretorproprietário Manoel Thiago de Castro. O saudoso pequenino “O Lageano” voltaria a circular em 1891 pelas mãos de João Costa. seria fuzilado barbaramente em 1893.trário. mas sob a direção do mesmo José Joaquim de Córdova Passos. Em 1886. Advertindo ainda que as assinaturas teriam que ser pagas adiantadas. Caetano Costa. notável intelectual serrano. já circulava em Lages. Belizário Ramos. Mesmo assim.

Ao que este respondia dizendo que o outro era “dominado pela vaidade... em decassílabos: “Os feitos e os varões proeminentes Que da terra fecunda deste Estado Surgiram afobados. chamado pelo contendor de “tucano de bombacha”. Os versos de sátira política. atingiram até a Capital. até que a turma do deixa-disso interviesse.. que fundou o semanário “O Imparcial” em 23 de junho de 1901. impacientes Em assalto ao Poder representado Pela honra e critério convenientes Ao povo e ao partido denodado (. querendo chamar para si as glórias do mundo (. Até hoje se discute quem era o autor das setas envenenadas – ou dos perdigotos cáusticos – que eram lançadas de Serra Acima. arvorado em pasquineiro. Uma das discussões mais famosas travou-se entre os grandes fazendeiros José Maria Antunes Ramos e Hortencio Rosa. tornando-se um verdadeiro idiota.. calúnia e traição (. Ele atacaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 15 .. marcando um bom churrasco “sem bebidas alcoólicas”.. Eram as famosas “herciliadas”.) De tudo desfazer do pé pra mão Pelo insulto. O tom subiu tanto que muitas matérias eram pagas pelos contendores. Outro polemista violento foi José Castello Branco.. publicados no semanário. Furtado e o professor Tota.) (. Acredito que eram feitas por três mestres: Caetano..ciais... baseadas nos Lusíadas e assinadas pelo pseudônimo de “Petit Camões”. Eis um exemplo mordaz.inspiração” Grandes polêmicas.) Camoneando exporei nesta Secção Se pra tanto houver tempo e. algumas de caráter puramente pessoal. aventureiro desalmado.) abrindo diques de asneiras...) (.” Muitas dessas ofensas terminavam em desforços pessoais e ameaças de tiros... provocando o então governador Hercílio Luz. inundavam as paginas do “Região Serrana”.

E ameaçava: “Quem apoiar tão nojento órgão a-católico (não católico) seja por assinatura ou recomendação. E já no seu número 9. chamando-o de Pedro Barulho. que davam um aporte quando o preço do boi subia. E ainda por cima foi editada pelos padres uma espécie de revista mensal intitulada “A Sineta do Céu”. intelectual franciscano respeitado e autor de vários livros. A fase mais profissional da imprensa serrana começa em 1915. desabrido e até agressivo.” Talvez de tão acossado “O Imparcial” faliu em 1907. aparecia “O Clarim”. surgia “A Aurora” jornal que se pretendia humorístico e literário. os nanicos da região se uniram e proibiram a circulação do mesmo na Serra. de 1º de maio de 1904. que teve que mudar de profissão transformando-se em “cenógrafo teatral”. Por isso. quase todos tinham vida curta. não é isento de Culpa. No dia 7 de setembro de 1906. caía em cima do “Imparcial”. principalmente frei Pedro Sinzig. de Itajaí) ousou criticar o hábito serrano das serenatas noturnas. mas com um número bem avantajado de páginas. Observe que na ocasião era muito grande a influência da Loja Maçônica Lageana – “A Luz Serrana”. ameaçando o seu “correspondente”. é indecente e obsceno.. Os franciscanos lançaram então o semanário “O Cruzeiro do Sul”. dirigido por Bibiano Lima. dizendo: “É um mau jornal. mas que cortavam a grana quando vinham as cíclicas crises do preço da carne. de tal modo que não pode ser lido por famílias”. quando um jornal de fora (“Evolução”. sob a direção do frei Sinzig no dia 13 de maio de 1902 e que também usava um tom polêmico. Quase todas essas publicações dependiam de “amigos e favorecedores”. quando volta a circular “O Lageano” sob a direção de Jucundino Godinho e que teve notável atuação política quando da cisão do poderoso Partido Republicano Catarinense em 1920 e lançou JORNALISMO EM PERSPECTIVA 16 . Em fins de 1907. Mesmo assim..va os padres.

Quase todos eram semanários. tinham apenas quatro páginas e tiragem variável. por seu estilo refinado. Ou. lageano que também se destacaria nos jornais da Capital. lançou “A Época”. também editou por breve período “O Cruz e Sousa”. começava a circular “O Planalto”. o “Zum-Zum”. “A Marreta”. “A Metralhadora”. entidade que congregava basicamente representantes da raça negra. como Octacílio Costa. Geralmente. o chefe político da oposição lageana. com uma linha editorial agressiva e com violentos ataques aos adversários. todos de vida breve e feliz: “A Coruja”. Até que um jornal de bom nível. sob a direção de João Pedro Ghiorzi e do coronel Aristiliano Ramos. etc. “A Verruma”. O Centro Cívico Cruz e Sousa. “O Fantasma”. Até o distrito lageano do Painel (hoje município) teve um jornal semi-manuscrito. não deixavam de publicar alguns jornais nanicos. O secretário de Redação era um nome legendário na imprensa catarinense. voltou às bancas em 5 de setembro de 1937. Com o acirramento das lutas políticas. cultura e bom humor: Jayme de Arruda Ramos. “O Garoto”.em suas páginas a candidatura de Nereu Ramos a deputado federal. sob a direção dos irmãos Athayde e que tinha no expediente um elenco de colaboradores permanentes de alto nível. Nesse período em que a imprensa serrana se profissionalizava. do advogado Odílio Malheiros. “A Região Serrana”. menor no inverno. Em 23 de junho de 1917. “O Diabo”. “O Dunguinha”. Em 1924. contra a vontade das cúpulas partidárias. novos jornais surgiam e desapareciam do dia para a noite. “O Painelense” de 1917. coronel Aristiliano Ramos. que também teve vida efêmera. Mas com o crescente acirramen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 17 . Mais radical ainda era “A Defesa”. maior no verão. com o advento do tenentismo no sul do Brasil. cuja circulação havia sido interrompida em 1914. Excelentes crônicas sobre a história de Lages começaram a ser publicadas no “Planalto”. como preferiam se auto-intitular: “Hebdomadários”.

Depois de uma breve interrupção. frei Archanjo Moratelli em março de 1936 e que se pretendia “apolítico”. com análises sobre a história e as tradições da Serra. Octacílio Costa com as pesquisas de outrora. As páginas culturais do “Guia Serrano” eram de boa qualidade. lançado pelo próprio Vigário de Lages. tendo a lado a cultura de Edésio Nery Caon. A partir de 21 de outubro de 1951. Bom Retiro e até a Capital onde muitos eram os assinantes. Até que em 1955 as máquinas pararam. De bissemanário a diário foi um pulo. quando saiu o número 3. com guerras mundiais. Rio do Sul. são os atuais proprietários. reapareceria sob a direção de um empreendedor da imprensa. nacional e local. José Paschoal Baggio. Durou 35 anos ininterruptos até dezembro de 1971. Curitibanos. Izabel e Paulo Baggio. o jornal de mais forte permanência voltou a ser dos padres. seus filhos. O editorialista Nevio Santana de Fernandes tem milhares de artigos assinados e a atual editora-chefe é a jornalista Olivette Salmória que conduz uma equipe de bons profissionais. a grande estrela da imprensa lageana passou a ser o “Correio Lageano” sob a direção de João Ribas Ramos e Almiro de Freitas. Fernando Athayde com alentados arquivos de notas e o padre mineiro (Brude) Sebastião da Silva Neiva.158.to das lutas políticas nacionais e até mundiais. genealogista. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 18 . golpes e revoluções. Era o poderoso “Guia Serrano”. O seu alcance se estendia a municípios vizinhos como São Joaquim. Nesse período conturbado. que formou gerações de serranos com suas aulas de inglês. principalmente no Palácio do Governo. Após o falecimento de José Baggio. totalmente informatizado. E assim se conserva até hoje com grandes inovações gráficas. o tradicional “Região” partia também para o ataque e a retaliação. Nele pontificavam os professores: Walter Dachs. com amplo noticiário internacional.

Em Caçador tem boa penetração o semanário “Folha da Cidade”. “Folha do Planalto”. refletem uma tendência mundial.Em 1977. “Correio da Sorte”. Em outros municípios. Em Joaçaba. O diretor do vibrante jornal é Wilson Graupner. o semanário “O Tempo”. vários semanários apareceram: “Correio do Norte”. Lages é a cidade onde se gera a imagem da Rede TV Sul. Pois em quase todos os países. “Jornal da Cidade” e “O Melhor”. foram pioneiras no estado a TV Pinhão. Em Curitibanos. médias e pequenas cidades têm seus próprios jornais. jornais bem mais jovens vêm se firmando. com periodicidade mensal. E em Taió. econômicos e sociais da comunidades onde se situam. com um corpo de veteranos radialistas. dirigido pelo engenheiro Roberto Amaral. Em Canoinhas. e a poderosa Rádio Clube de Lages. “A Semana”. relatando. não restam dúvidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 19 . de Roberto Amaral. tendo um vasto número de leitores. de grande penetração no campo. com um bom corpo de redatores e repórteres e cujo forte é a cobertura completa de área local e policial. aparecia em Lages “O Planalto”. Em Ponte Serrada. Com as novas técnicas de impressão quase todos esses jornais são em cores e nesse sentido. o semanário “Gazeta do Alto Vale”. Mas nem só em Lages floresceu a imprensa serrana. descrevendo. Se o tamanho e o alcance da imprensa reflete as dimensões de uma região como queria Victor Hugo. Um semanário que se firmou em Lages é “O Momento”. Em Capinzal. o bissemanal “O Vale”. Na TV por assinatura. noticiando fatos diversos. proprietário de uma grande rede de rádios e televisão no Estado. às vezes se esgotando mal chega às bancas. “O Gazeta do Oeste”. a TV Nova Era e a TV Câmara Municipal. que já teve em seus quadros um brilhante diagramador: Moacyr Oliveira. embora alguns tenham vida curta.

. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 20 . De um modo geral. mais vale gastar-se do que se enferrujar. como nos jornais – e até na máquina do mundo –..que a imprensa da Serra catarinense é o reflexo de uma sociedade pujante e dinâmica. passando pelos gráficos. Porque na vida. E que sempre existiram graças ao esforço dos que nela trabalham e trabalharam: os operários do jornalismo – desde os simples entregadores. são jornais que se impuseram pelo critério. refletindo o império da opinião pública. jornalistas colaboradores aos diretores. redação.

a imprensa no Norte de Santa Catarina tem como data de nascimento o dia 2 de novembro de 1852. repetirem de 20 a 30 outras cópias comercializadas a 120 réis a ávidos leitores da colônia. de águas calmas e serenas. além de receber notícias “de fora”. bem informado sobre tudo o que acontecia na colônia Dona Francisca. que redigia de próprio punho e depois “assalariava” terceiros calígrafos para. estrepitoso. já pelo título denunciava o perfil da publicação que tinha o espírito indomável do melhor jornalismo. Karl Knüppel procedia da cidadezinha de Pinne. assim denominado em homenagem ao presidente da Sociedade Colonizadora Hamburguesa de 1849. contudo.. atual Polônia. sob a iniciativa do imigrante polonês Karl Konstantin Knüppel. de ironia. exaustivamente. De profissão lavrador. “O Observador às margens do Rio Mathias”. como tal. interior da Prússia Oriental. denúncia e críticas. próprio para designar grandes rios como o Amazonas ou o Nilo. viria a se constituir no escrivão da colônia e.A Imprensa no norte de Santa Catarina Apolinário Ternes Mesmo com São Francisco do Sul então com cerca de dois séculos de existência. constituía-se num plácido córrego no centro da colônia. senador Mathias Schroeder.   JORNALISMO EM PERSPECTIVA 21 . solteiro. Decidiu publicar um “boletim informativo”. chegado a Joinville a 13 de dezembro de 1851 a bordo do veleiro “Neptun”. jamais num rio caudaloso. quando surge o jornal manuscrito “Der Beobachter am Mathiasstrom” – O Observador às margens do Rio Mathias . Aos 34 anos. como seria o caso do vocábulo “strom”. O ribeirão Mathias.

o Príncipe de Joinville e a Sociedade Colonizadora. debater as condições entre empregadores e empregados e demonstrar porque seria mais vantajoso para a colônia se fossem empregados apenas trabalhadores europeus. Pouco adiante. do qual deve ter tido conhecimento em razão de suas funções de escrivão na colônia. Apoderou-se de nós e consigo nos arrastou a possante corrente de desconfiança e do fracasso. aos milhares. Knüppel. demonstrar a necessidade da formação de uma comuna. esclarecer assuntos como escola. que generosamente se revela. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 22 . Na primeira página. hospital. Não tinha mais espaço para nós. desde o seu início. sempre que um coração torturado anseia por mitigação e que. caridade e coleta”. a terra que fez a felicidade de nossos pais e que amávamos mais do que o nosso sangue? O que foi – e continua sendo – que nos expulsou. pródiga. os objetivos do jornal: “Levar a opinião e os anseios de todos ao conhecimento geral. o “artigo de fundo” do número 1 do “Observador”. informar a respeito das obrigações dos colonos e de seus direitos para com o Estado. informar os colonos a respeito das condições da colônia. fundado em Porto Alegre a 2 de agosto de 1852. informar as obrigações da Sociedade Colonizadora e a maneira de sua aplicação. É possível que o próprio lavrador-jornalista da colônia Dona Francisca. demonstrar a situação no futuro. da idolatrada e inesquecível pátria? É a vontade de uma Providência onisciente e insondável. estende sua mão. Ah! Doloroso adeus. O de Joinville seria o segundo em língua alemã no Brasil. igreja. destaca: “demos adeus à plagas do torrão natal. onde existe alma em desespero”. então o primeiro jornal em língua alemã em todo o país.“Mathiasstrom”  O “Mathiasstrom” nasceu apenas três meses antes de “Der Kolonist” – O Colono -. tenha sido estimulado pelo surgimento do jornal portoalegrense. caso perdurem as atuais condições.

fundou o “Colégio Benjamin Franklin”. Instalado em modesta casa onde mais tarde edificaria a sólida residência que hoje abriga o Museu de Arte de Joinville. com a publicação do “probenummer”. pp.1998.   “Kolonie. chegado à colônia a bordo do “Floretin”. Ottokar Doerffel terá excepcional presença na vida política. no dia 20 de novembro de 1854. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 23 . figurando como fundador das primeiras instituições.Zeitung”  A “grande imprensa” da colônia Dona Francisca teria início com o surgimento do “Kolonie-Zeitung”. cultural e econômica da colônia. transferiu-se para Botucatu. ali mesmo instalaria uma pequena prensa. publicará anedotas e pilhérias sadias e miscelâneas que lhe forem enviadas e anúncios”. a 20 de dezembro de 1862. e iniciaria a publicação do primeiro jornal impresso de Joinville. Posteriormente. nem informações sobre até quando circulou o “Observador”. das quais o jornal “Kolonie” será das mais importantes e fundamentais para o sucesso do empreendimento colonizador. onde. que o jornalista Knüppel no ano de 1861. em 1880. já casado com Caroline Baring desde julho de 1853. (Tradução Elly Herkenhoff. O “Observador” irá ainda: “divulgar os meios para melhor produção das diversas culturas agrícolas e esclarecer sobre a venda dos produtos. adquirida em Leipzig. Sabe-se. e para que o útil seja unido ao agradável. instalou-se na cidade de São Paulo para lecionar na Escola Alemã.exemplar de prova – por iniciativa do advogado. na Rua 15 de novembro. in “História da Imprensa de Joinville”. 18 e 19) Não se tem notícia sobre a existência de uma única cópia do primeiro jornal da colônia. jornalista e político Ottokar Doerffel. coletar e publicar assuntos de interesse geral. vindo a falecer no dia 18 de setembro de l895. contudo.

integralmente em língua alemã. A assinatura anual custava 1500 réis e o número avulso 100 réis. o que determinou o fechamento da empresa. destinava-se a ser uma espécie de órgão oficial das colônias de Joinville e Blumenau. em razão da Campanha de Nacionalização decretada por Getúlio Vargas. só conseguia ler jornal na língua de Goethe. Após a morte de Ottokar. A única coleção completa das oito décadas do jornal encontra-se no Arquivo Histórico de Joinville. Otto. enquanto os anúncios serão cobrados a 150 réis e 120 réis. ampliou o número de páginas e de edições. que mantiveram por longas décadas importante empresa gráfica e livraria na cidade. Boehm e depois para seu filho. depois de quatro anos de dificuldades crescentes. inicialmente de Carl W. enumera dezenas de publicações jornalísticas feitas na cidade até aquela data.Publicado aos sábados. 80 anos após a edição número 1 do “KolonieZeitung”. em 1951. Ainda no início da década de 1940. o jornal passou às mãos da família Boehm. circulando até três vezes por semana. quase todas de cunho político-partidário. por linha”. O jornal de Ottokar Doerffel será publicado ininterruptamente por 80 anos consecutivos. uma característica do jornalismo que se pratiJORNALISMO EM PERSPECTIVA 24 . A grande maioria foi de publicações efêmeras.   Outras publicações Levantamento feito pelo historiador Plácido Gomes e publicado no Álbum do Centenário de Joinville. “Qualquer artigo de interesse geral será publicado gratuitamente. e teve sua publicação interrompida em 1942. O “Kolonie – Zeitung” cresceu ao longo dos anos. a grande maioria de assinantes e leitores. espalhados por todo o Sul do Brasil. a partir de 1938. quando seus editores tiveram que publicar o jornal em português. em 1906. transformando-se em importante fonte de informações para a história de Joinville.

Raras foram as iniciativas de cunho empresarial. posteriormente sucedido por Vitor Mueller e Francisco Schendl. surge outra “Gazeta de Joinville”. lendo apenas textos em alemão. tendo como redator Albino Kolbach. com a grande maioria falando apenas o alemão e. em 1927. também. 1910 – Surge o “Die Fackel”. de forma que passamos a citar de forma abreviada as principais publicações enumeradas por Plácido Gomes: 1884 – Publicou-se “O Globo”. de propriedade do jornalista Eduardo Schwartz. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 25 . 1905 – Em abril. de caráter supra-partidário. 1891 – Surge “A Gazeta de Joinville”. 1891 – Imprimiu-se o “Volkstaat”. com duas publicações semanais. e posteriormente passou a denominar-se “O Democrata”. 1885 – Apareceu “O Constitucional”. sem caráter políticopartidário. Moreira da Silva Reis Jr.cava na primeira metade do século XX em todo o país. um dos mais conceituados jornalistas de Joinville nas primeiras décadas do século 20 e que seria assassinado em Florianópolis. órgão oficial do Partido Liberal. tendo como redator Crispim Mira..primeiro jornal em português – numa colônia de pouco mais de 20 mil habitantes. “noticioso e comercial”. que nasciam e desapareciam ao sabor dos interesses político-eleitorais de cada momento. substituído logo depois pelo “Reform”. sob a orientação política do Dr. de propriedade de M. A Gazeta era impressa na gráfica do “Kolonie” e tinha como redator principal Carlos Lange e colaboradores Etiene Douat e o telegrafista Manoel da Costa Pereira. sob a direção de Robert Gernhad. 1885 – Imprime-se o “Neue Kolonie Zeitung”. composto e impresso em tipografia própria. filiado ao Partido Conservador. 1877 – “A Gazeta de Joinville” . Abdon Batista.

F. Carlos Gomes de Oliveira e Marinho Lobo. publicam-se em Joinville. Busse e poucos mais. registre-se os seguintes apontamentos sobre veículos e redatores importantes na primeira metade do século XX: “depois de 1905. Montezuma de Carvalho. tendo como redatores Aristides Rego e Carlos Gomes de Oliveira. Eduardo Schutel.   Jornalistas importantes Ainda da lavra de Plácido Gomes. publicações com nomes sugestivos de “O Gato e a Borboleta” e a “Revista do Estado”. “A Comarca” é outro jornal de cunho político. Kasting. Eduardo Schwartz. Nas seções JORNALISMO EM PERSPECTIVA 26 . Depois de 1940. Wolfgang Ammon. a partir de 1924. Otto Boehm. Carlos Gomes de Oliveira. Arthur Costa. Primeiramente bissemanário. José de Diniz. Augusto Sylvio Prodhol e Ilmar Carvalho. Circulam ainda. “A Gazeta” e o “Comércio de Joinville”. César de Carvalho e Dr. Ignácio Bastos. Ulysses Costa. Avelino de Carvalho. sob a direção do Dr. Manoel Simões. de propriedade do jornalista Eduardo Schwartz. cada qual em seu tempo e com mais ou menos assiduidade: Crispim Mira. Plácido Gomes. Hudler. Leopoldo Jardim. Leonel Costa.” Na imprensa alemã: Victor Muller. depois trissemanário e por fim diário. Plácido Olympio de Oliveira. Circulou até a década de l980. C. R. Albino Kolbach. podem ser citados como os mais freqüentes colaboradores da imprensa joinvilense os seguintes. em português. posteriormente encampado pela rede dos Diários Associados. Aristides Rego.Ao longo da década de 1910. Em alemão. o “Joinvillenzer Zeitung” e o “Kolonie Zeitung”. Moacyr Gomes. 1919 – Surge o “Jornal de Joinville”. Foi um dos mais importantes jornais da cidade. novos colaboradores vieram-se juntar à lista dos precedentes: Heráclito Lobato. no período. por cerca de 20 anos editorialista de “A Notícia”. Oswaldo Silva.

(IN: Dr. o jornal saía às ruas às segundas. Aurino tinha a pele morena. acima das correntes políticas e em língua portuguesa. quando Aurino Soares morre de forma repentina. quartas e sábados. Jota Gonçalves. passa a circular todos os dias da semana. Álbum do Centenário de Joinville.   “A Notícia” O primeiro número de “A Notícia” circulou no dia 24 de fevereiro de 1923. Hugo Weber. O fundador do jornal. Realcy Moreira. Plácido Gomes. de terça a domingo. a maioria só usando a língua alemã. passou a bissemanário e partir de l926. Com máquina impressora capaz de imprimir caderno de até 32 páginas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 27 . tanto para o convívio social.esportivas. quanto como fonte de informação. ou seja. Rio de Janeiro e Florianópolis. Desde o início. Arcy Neves.49-53). espírito aventureiro e grande tino comercial. pp. vítima de aneurisma cerebral. N. o que acontece até 17 de dezembro de 1944. Nesse período de pouco mais de 20 anos. Posteriormente. adquire máquina própria de impressão e desde 11 de outubro de 1930. mesmo com a cidade tendo pouco mais de 20 mil habitantes. 1951. Stamm. se instalara na ainda quase colônia de Joinville há pouco tempo e vinha de experiências jornalísticas em cidades como Curitiba. tinha como intenção criar um jornal independente. Personagem polêmico e contraditório. Raul Vidal e Gilberto Navarro Lins. com parque gráfico próprio e dos mais equipados em todo o Sul do país. “A Notícia” evoluirá de um modestíssimo semanário de quatro páginas para um grande jornal. A primeira fase de “A Notícia” desenvolve-se no período em que seu fundador comanda diretamente o jornal. o paranaense Aurino Soares. Em 1929. Instalou a redação na Rua 3 de maio e começou “A Notícia” como semanário. José Lopes de Oliveira.

Quando Thomazi chegou à empresa. impressão em cores. a redação é constituída por 130 profissionais e as edições têm média de 50 páginas todos os dias.. em cores. O controle acionário pertence então ao empresário Antonio Ramos Alvim e ao político Aderbal Ramos da Silva. especialmente projetada para acolher empresa jornalística. Wittich Freitag e Baltasar Buschle. posteriormente. liderados por três empresários importantes da cidade: Helmut Fallgatter. No eixo Rio de Janeiro – Porto Alegre. Nova sede. produtos especiais e contínua atualização em informática. A quarta fase tem início em 1978 e dura até o presente. com sistema próprio de gestão ambiental. com 24 páginas e tinha grande circulação no Estado de Santa Catarina e no Sul do país. com o jornal passando ao controle de um grupo de 130 acionistas. em l978. com apenas oito jornalistas. o jornal publicava aos domingos revista ilustrada.– a primeira rotativa instalada no estado -. de Florianópolis. Com a morte do fundador. com índices de crescimento recordes no setor em todo o país. o jornal deixa de circular por 18 meses. conferem nova e pujante dimensão à empresa. inicialmente. com a chegada de Moacir Thomazi à presidência do jornal. “A Notícia” foi o primeiro jornal brasileiro a conquistar a certificação ISO 14001. encarregado. 112. A terceira fase de “A Notícia” começa no dia 23 de outubro de 1956. aprovado o seu projeto de recuperação. quando inicia a chamada segunda fase. à Rua Caçador. edições todos os dias da semana. de vender o jornal e. “A Notícia” vem escrevendo novos capítulos de expansão desde então. “A Notícia” tinha tiragem de cerca de oito mil exemplares e edições de 8 a 12 páginas. Ocupando nova sede. que se prolonga até 1956. que detém desde o ano JORNALISMO EM PERSPECTIVA 28 . de recolocar “A Notícia” na liderança editorial e jornalística em Santa Catarina. era um dos principais jornais. só voltando às ruas a 1º de maio de 1946. Hoje. quase todos de Joinville. novo parque gráfico.

O “Liberdade” deu lugar. doze anos após a fundação da colônia. a publicação tem caráter empresarial e pretende disputar o mercado editorial com edições de 12 páginas e circulação apenas local. Semanário. a existência em Joinville. fundado por este autor. Em São Bento. também com os mesmos ideais republicanistas. um republicano convicto. em dezembro de 2004. ainda do mesmo médico e jornalista Maria Wolf. o “Estadão” e “O Globo”. O autor da idéia será o médico Felipe Maria Wolf. do Rio de Janeiro. Posteriormente. a partir de 1885. da Associação Brasileira da Indústria Gráfica. ao “Legalidade”. impresso em tipografia. em 1852. como o “Mathiasstrom” em Joinville. em 1988 e 1989. quando era semanário e depois bissemanário. São Bento do Sul A história da imprensa em São Bento do Sul começa também com o surgimento de um jornal manuscrito. que cedeu sua residência para a instalação do quartel general dos revolucionários federalistas de 1893. que se manteve em sua direção até janeiro de 1979. foi transformado em diário e assim se manteve até o encerramento de suas atividades.Paulo”. no período de março de 1978 a outubro de 1988 do jornal “Extra”.2002 e também a única empresa jornalística com tal certificação na América Latina. em outubro de 1988. nos anos de 1999 e 2002. que usava o periódico para difundir suas idéias republicanas. “A Notícia” obteve o primeiro lugar no prêmio Fernando Pini de excelência gráfica. Também o surgimento da “Gazeta de Joinville”. em 1892. disputando as finais com jornais de porte como a “Folha de S. Já em 1860 surge o “Liberdade”. ainda. A registrar. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 29 . será a vez de “O Urubu”. Depois de conquistar dois prêmios Esso de Jornalismo na região Sul.

composto de três páginas em língua alemã e uma página em português. hoje circula às quartas-feiras e sábados. em 2003. o cabeçalho indicava Antonio Dias e Nivaldo Lang como diretores. A 1º de maio de 1911 vem à lume “O Catharinense”. A adoção de sucursais comprova que o Tribuna tinha pretensões de regionalização”. ainda do mesmo Maria Wolf. que circulava em Mafra. A partir da edição número 2. surge o “Tribuna da Serra”. no Paraná. reunindo a colaboração de nomes importantes da vida cultural sãobentense e seu último número circulou 29 anos depois da primeira edição. segundo pesquisa da jornalista Marília Maciel em sua monografia de final de curso. São Bento conhece simultaneamente o “Wolkszeitung”. semanário. Em 1908. “Tri- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 30 . Arno Fendrich como diretor da sucursal de São Bento e Carlos Von Bathen como diretor da sucursal de Rio Negrinho e Alaor Lino da Silva como diretor-gerente. Nos dias atuais. fundado por Luiz de Vasconcellos. Na data de 3 de janeiro de 1963. a 19 de novembro de 1938. que tinha o título de “Gazeta do Povo”. em português. surge o “Der Wolksbote”. “Evolução”. que também mantinha secções em alemão. Publicações de vida curta foram se multiplicando ao longo dos anos 30 e 40 em São Bento do Sul. escrito em língua alemã. criado em 1990. Inicialmente semanário. circulando desde 14 de junho de 1979. “A princípio saía como ‘Tribuna da Fronteira’ e funcionava como uma extensão do jornal do mesmo nome.Em julho de 1900. São Bento conta com quatro jornais: “Informação”. defendendo a proclamação da República. e tinha forte conotação de jornal partidário. com redação e sede na cidade de Rio Negro. cuja circulação perdurou por dez anos. circula às sextas-feiras. em Joinville. na turma de Jornalismo do Instituto de Ensino Superior Luterano. com quatro páginas. sob a direção de Pedro Skiba. O jornal teria vida longa. informa a jornalista Marília Maciel.

com destaque para as editorias de esporte e sociedade. aos 82 anos de idade e poucos dias antes da passagem dos 85 anos do “Correio do Povo”. 12 anos proprietário. “AN Jaraguá”. jornal com 85 anos de existência. primeiro jornal eletrônico de Santa Catarina. diretor do “Correio do Povo” desde 1957. diariamente. seguindo-se Murilo Barreto de Azevedo e Fidelis Wolf. Depois. juntamente com Waldemar Grubba. de 1946 a 1959.   Outras publicações Nos dias atuais. Jaraguá do Sul Jaraguá do Sul tem no “Correio do Povo”. entre os anos de 1922 a 1936. o seu mais antigo jornal. quatro anos antes de “A Notícia” em Joinville. caderno diário de “A JORNALISMO EM PERSPECTIVA 31 . que voltou ao jornal numa segunda gestão entre os anos de l943 a 1957. muitos personagens da política e da economia de Jaraguá do sul. jornal diário. que circula desde 15 de março de 1995. Seguiu-se a gestão de Artur Muller. e “A Gazeta”. O fundador do jornal foi Venâncio da Silva Porto. veio o comando de Paulino Pedri. o jornal teve outros proprietários. até chegar ao comando o jornalista Eugênio Victor Schmöckel. sob a direção de Jairson Sabino. na forma de semanário. circulam em Jaraguá do Sul os seguintes jornais: “A Gazeta”. Antes de Eugenio Victor Schmöckel. Mudando de proprietários várias vezes.buna do Povo”. fundado em 1919. pela internert. através de empresa gráfica sólida e com ambiciosos planos de futuro. o “Correio do Povo” tem se constituído num porta-voz da comunidade jaraguaense e hoje circula cinco vezes por semana. falecido no dia 17 de maio de 2004. semanário. Honorato Tomelin. sob a direção de Cezar Celeski. que o dirigiu e imprimiu entre os anos de 1919 a 1922. “Absoluto”.

Na região do Vale do Itapocu. Apolinário.Notícia”. com circulação desde 1997 (semanal) e diária desde 4 de abril de 2000. com destaque para política. UFSC e Fundação Cultural de Joinville. “Quale”. Ielusc. 2ª edição revista e ampliada: 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 32 . 1951 Correio do Povo. esportes e comunidade. edição especial de 85 anos. História do Jornal “A Notícia”. “Mercado Brasil” e “Conteúdo”. 2003 TERNES. destaque ainda para o “Jornal do Vale”. 1ª edição: 1983. Marília. Imprensa em São Bento. História da Imprensa de Joinville. monografia. Em Jaraguá do Sul circulam ainda sete revistas: “Nossa Região”. Elly. 1998 MACIEL. maio de 2004 HERKENHOFF. em Guaramirim e jornal “O Regional”. da mesma cidade. “Thefato”. “Fia Mais”. “Dom sete”.   Referências bibliográficas Álbum do Centenário de Joinville.

pensou em tudo o que já havia ocorrido. ouvida da janela da casa onde funcionava a gráfica do jornal “A Imprensa”. e enfrentar armado qualquer tentativa de invasão da gráfica de seu jornal. em Ouro Fino (MG). caído em desgraça perante o governador. em fins de março de 1925. que aproveitou o momento para atingir pessoas ligadas ao coronel João Fernandes. descontente com matérias sobre episódios ocorridos em Araranguá. segundo Walter Zumblick. valentão! Foi assim que o capitão Elpídio Silveira deu voz de prisão ao jornalista João de Oliveira. o jornalista e advogado João de Oliveira. João de Oliveira denunciou as “arbitrariedades” promovidas pelo “ditador catarinense”.Uma história de coragem no sul do estado Celso Martins – Sai para a rua. conduzido pelo próprio capitão Silveira. ele resolveu ignorar a ordem de prisão. fora aberto um inquérito para apurar o assassinato do delegado de polícia Manoel Maciel. Por esse motivo. Nesses momentos de muita tensão e medo. O oficial da então Força Pública trazia uma ordem de prisão do governador Hercílio Luz. “Inteligente” e “orador de recursos que iam às figuras e aos gestos teatrais. o que resultou na ordem de prisão. Nessa cidade. poeta de rimas inspiradas”. no final da primeira década do século passado. no município de Tubarão. Havia chegado em Tubarão como bacharel recém-formado na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. o jovem logo se casou com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 33 . superintendente municipal e chefe do Partido Republicano em Araranguá há 30 anos. nascido em 18 de fevereiro de 1891.

“fazia dele o seu florete de corte perigoso. já que as máquinas foram desmontadas e os tipos e prelo lançados no rio Tubarão. Na saída. “Polemista duro. embriagado. “O Fiscal” ficou sem circular algumas semanas. coronel João Luiz Colaço. o que gerou uma revolta geral. e “A Folha”. A resposta foi uma saraivada de balas na direção do grupo. o dentista Antônio Pereira Pitta. e deu um tiro para o alto. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 34 . O que não pôde ser quebrado foi parar dentro do rio. No dia 2 de fevereiro do ano seguinte. em 1913. e gritou: – Quero ver se o João de Oliveira é homem de coragem. que esgrimia com audácia e agilidade”. a partir de 1º de janeiro de 1912. o mais famoso. iniciado em 1911. vinda de dois lados. alguns homens se reuniram no hotel Itália. fazendo grande bebedeira. Pitta foi atingido e morreu. um “hebdomadário crítico. foi a vez da destruição da gráfica da tipografia Americana. onde foram conferenciar com o governador Vidal Ramos. circulando desde julho de 1911. na rua de Baixo. Dirigido por Fábio Silva. Os Colaços e genro partiram de trem até Laguna e de lá num vapor para a Capital. logo adquiriu inimizades. disse. sacou a arma ao passar pela frente da casa do coronel Colaço. literário e noticioso” e “órgão de oposição à grei política chefiada pelos Colaços”. a vestir seus argumentos com a roupagem das frases contundentes”. a casa do superintendente e imediações da ponte sobre o rio Tubarão. enquanto a gráfica onde João de Oliveira imprimia seus jornais foi empastelada. destaca Zumblick. Na noite do dia 14 de agosto de 1913. “Gazeta do Sul”. Mestre no editorial. filha do superintendente municipal e chefe político local. levando à invasão da residência do superintendente e sua deposição.Maria Elisa Colaço. Eram todos da oposição. 1914. em Tubarão. João de Oliveira começou no jornalismo imprimindo três jornais na tipografia municipal – “O Argonauta”. onde era impresso o jornal “O Fiscal”. Não demorou muito e estavam todos de volta.

Entre a manhã do dia 27 até a noite de 31 de março de 1924. João de Oliveira recorda a ocasião: “Depois de haverem subjugado e amordaçado Pedro Spritze [gerente gráfico]. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 35 . Depois dos episódios de 1913 e 1914. conta Zumblick. A notícia só chegou a Tubarão 35 horas após a partida do beneficiado. No seu livro “O Ditador Catarinense”. no edifício de ‘A Imprensa’. cuja oficina tipográfica havia sido empastela às 3 horas do dia 7 de agosto de 1922. às 2 da madrugada de 1º de abril. escrito em parceria com Alexandrino Barreto. por ordem do Governo do Estado. “A Tribuna” (1919) e finalmente “A Imprensa”. contou mais tarde. havia editado a “Folha do Sul” (1918). que foi transformado em seu reduto”. que corre a cem metros mais ou menos”. o tipógrafo Geraldino Eduardo.João de Oliveira pensava em todos esses acontecimentos durante o cerco do final de março de 1924 a seu jornal. o então Superior Tribunal de Justiça do Estado acatou pedido de habeas-corpus preventivo em favor de Oliveira. que já estava próximo da fronteira com o Rio Grande do Sul quando um emissário chegou com a informação. requerido pelo jovem advogado Nereu Ramos. quando “máquinas. Alertados pelos amigos sobre a iminência de uma tragédia – o capitão Elpídio dissera que em 12 horas efetuaria a prisão “custasse o que custasse” –. dentro da lei. Nesse mesmo dia. Às 15h30 do dia 4 de abril. às 15 horas. delegado especial de polícia. o tenente e seus soldados amarraram. tipos e latas de tinta foram atirados ao rio”. estava de volta a Tubarão. João de Oliveira entregou os pontos e seguiu rumo ao Rio Grande do Sul. ato contínuo. “Correio do Sul”. cujas caixas e demais materiais tipográficos eram conduzidos pelos soldados e atirados ao rio Tubarão. dando começo então ao ato de selvageria e banditismo que consistiu no empastelamento da tipografia. “esse jornalista resistiu de armas em punho. A ação foi executada pelo tenente da Força Pública Athanázio de Freitas.

“a soldadesca investiu a coices de carabinas.“A decisão do Egrégio tribunal”. escreveu. ocupando a Superintendência Municipal (prefeitura). Hercílio Luz exigia “a todo custo a minha prisão. Arrombados o portão de ferro e as grossas portas reforçadas com trancas de madeira. Hercílio Luz renova a ordem de prisão. com suas “carabinas embaladas”. armados de fuzis e fartamente municiados”. No dia 5 de abril. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 36 . Seu substituto. de confusão e de correria”. “com escolhido grupo de soldados. uma sexta-feira santa. Segundo Oliveira. um “momento de pavor. 22 policiais. e que a resistência oferecida por ele. o célebre Trogílio Melo tratou de recrutar reforços pela região. foi fundada no direito que assiste ao cidadão de reagir contra ordens ilegais. trazidas pelo novo delegado especial. eram de uma violência desumana. muito embora emanadas de autoridades constituídas”. o capitão Trogílio Melo. sendo chamado de volta à Capital. Autoridade que. lança um desafio: “Sai para a rua. recorda Oliveira em “O Ditador Catarinense”. com pancadas violentas e sucessivas”. Foi um corre-corre na cidade. O cenário do confronto estava montado. “veio demonstrar que a prisão do dr João de Oliveira era um ato de puro arbítrio. “As ordens escritas. chegou no dia seguinte. Ao todo. garante em telegrama ao mesmo capitão Elpídio. “É assunto que regularizarei”. e ordenava que se invadisse o prédio das oficinas gráficas de ‘A Imprensa’. Além dos homens que levou da Capital. colocando patrulhas nas ruas à noite. valentão!” Mas o sossego ao lado da família não durou 24 horas. durante cinco dias. ignorando o habeas-corpus preventivo. 21 de abril. de uma verdadeira ferocidade”. afim de que fossem arrebatadas as máquinas de impressão”. que tentou sem êxito cumprir a ordem até o dia 17. evidentemente ilegal. que invadiram o edifício do jornal às 9h15 do dia de Tiradentes. ao invés de dar uma ordem de prisão. “horda de selvagens.

para tiragem de jornal. em altas vozes. se justificou. secretário do Interior e Justiça do Estado. a pedal. “muito agitado e cheio de raiva. mas as carabinas dos soldados se voltaram contra eles. em 19 de maio. O capitão. irmão de Maria Elisa. À noite. seguiram para Florianópolis. a pedal e força matriz. perante uma população estarrecida. Depois. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 37 .em sertões agrestes. Alguns exemplares. Colocadas em caixotes.Não sou eu o bandido. o interior do prédio enfim”. em plena cidade. É nesse momento que Oliveira reúne os artigos que vão compor o livro “O Ditador Catarinense”. o Supremo Tribunal Federal confirmou o habeas-corpus da Corte catarinense. ele requisitou um mecânico e carpinteiro das oficinas da Estrada de Ferro Teresa Cristina para que desmontassem as duas máquinas de impressão. não sou eu! Veja esta ordem! O velho coronel Colaço olhou a assinatura e viu o nome de seu filho. a força deixou o prédio “levando um prelo grande. entretanto. “Novas máquinas foram adquiridas a custa de sacrifícios”. Mais tarde. os escritórios. anuncia. Os oito tipógrafos que trabalham no local fugiram. “O saque a mão armada se consumou. Vencidos os obstáculos se consuma a invasão. acovardada e transita de susto”. protestando “com altivez e dignidade contra o ato de banditismo que se cometia”. esposa de João de Oliveira. O capitão Trogílio e seus soldados ocuparam a tipografia. foram parar nas mãos de amigos e na Biblioteca Pública do Estado. anuncia Oliveira. “A Imprensa” vai “circular em breve”. cunhado de João de Oliveira. palavrões que homem educado não diz a frente de uma senhora”. à luz do dia. serviço que durou todo o dia. não causa tanto horror. chegaram o coronel João Colaço e sua filha Maria Elisa. impresso na Alemanha e que não chegou a circular devido o falecimento de Hercílio Luz. como o grupo armado que depreda e assalta. Nesse momento. proferindo. para impressão de avulsos e serviços de gabinete”. . e um prelo pequeno.

“Sacrifício e esforço”
Uma característica comum entre a segunda metade do século XIX, e avançando bastante no seguinte, foi o “topete atrevido do corpo redatorial”. Todos eles possuem “forte tempero característico que o tempo ainda não conseguiu apagar”, escreve Zumblick no início da década de 1970. Quase todos eram partidários e, ao mesmo tempo em que “teciam loas aos seus”, respingavam “a lama mal cheirosa de um palavreado feio e nada elegante, àqueles outros, da oposição”. Até o surgimento do off-set e da informatização, as oficinas gráficas eram o lugar do “desconforto e igual sujeira”, quase sempre “montadas em pardieiros”. Quem chegou a conhecer uma deve se lembrar que “pelo ar, dominando o ambiente, o constante resfolegar compassado do prelo grande, a pedal, num movimento de mandíbulas, enchendo de letras e borrões escuros o branco das páginas”, descreve Zumblick. A rotina era mais ou menos comum. Na segunda-feira, bem cedo, eram desmanchadas as páginas da última edição, devolvidos os tipos a seus lugares nas gavetas, estantes e prateleiras. Era um trabalho demorado e minucioso. Lá pela quarta-feira, com os originais à mão ou datilografados na frente, o tipógrafo ia montando letra por letra o texto a ser impresso. As manchetes e títulos tinham tipos especiais, mantidos após o surgimento das máquinas linotipos para a composição. Claro que essa sujeira era eliminada periodicamente, mas a natureza da atividade era ingrata: com o tempo, a tinta e a fumaça impregnavam e escureciam o ambiente. Muitas dessas oficinas eram instaladas em porões, devido ao peso do conjunto de equipamentos, facilitando a chegada de papel e a saída dos jornais impressos. A análise de Zumblick dos profissionais que fizeram a imprensa em Tubarão, serve de perfil para os demais. “Há muito diletantismo nos homens que movimentaram os nossos semanários
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de ontem” e, jornalistas mesmo, “poucos o foram”. Entre esses, sempre estiveram presentes “o sacrifício e o esforço”, vivendo “intensamente” os dramas de um jornalismo “inçado de discórdias e polêmicas”, momentos que eram “soltas as amarras da ética, cortados os cabos do bom senso e desamarradas as cordas da polidez”. As retaliações “pipocavam atrevidas” e “os fatos mais íntimos ganhavam inteiras dimensões. Ao redor das refregas valiam todos os tipos de armas. Armas-palavra. Armas-vitupério. Armascalúnia”, resume o mesmo Zumblick.

O berço em Laguna
José Joaquim Lopes foi um baiano nascido em 24 de outubro de 1805, militar voluntário da guerra da Independência, estabelecido em Laguna com a dissolução de seu batalhão e aparecendo em 1831, como professor de primeiras letras na cidade. Com os episódios da República Catarinense em 1839, se transferiu para Desterro (Florianópolis), voltando os olhos para o jornalismo, tendo adquirido em hasta pública a Tipografia Provincial. Além de criar o jornal “O Argus da Província de Santa Catarina”, em 1º de janeiro de 1856, que passou a circular três vezes por semana a partir de 1861, considerado diário, ligado ao Partido Conservador. Ele é apontado como autor do primeiro jornal de Laguna, denominado “Pirilampo”, lançado em 6 de junho de 1864, de curta duração. Mestre-escola e deputado provincial (18501863), J. J. Lopes também foi editor, tendo falecido em 6 de abril de 1894, em Florianópolis. O segundo periódico, impresso em Laguna, foi o “Município”. Circulou a partir de 12 de setembro de 1878, dirigido pelo sergipano Prezalino Lery Santos, que tinha 28 anos de idade ao ser contratado por negociantes locais para a instalação de um colégio. “Era baixo, magro, moreno, nariz grande e usava somente bigode”, “volumoso e preto”, diz Saul Ulysséa.
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Os primeiros números do “Município”, impressos em tipografia própria, tinham o formato de 17 x 23 centímetros, ampliado depois para 23 x 29 cm. “Ensinou a alguns rapazes a arte tipográfica”, um deles “de nome Pedro Gaspar e um pardo de nome Luiz”. Lery Santos, como ficou conhecido, montou o colégio e dava aulas nas residências. “Era inteligente e bom orador”, recorda o mesmo Ulysséa, um de seus ex-alunos. O terceiro jornal lagunense apareceu em 6 de julho de 1879, por iniciativa de Tomáz Argemiro Ferreira Chaves – “A Verdade”. Chaves era natural do Recife (PE), nascido em 28 de julho de 1851, advogado e deputado estadual entre 1882-1885, ano em que faleceu na Capital. Outros dois profissionais pioneiros do jornalismo em Laguna, então o município mais importante do Sul do Estado, foram José Johanny e Antônio Bessa. Nascido em Laguna em 30 de maio de 1872, filho do armador e exportador Henrique Joahanny, José tinha onze anos de idade ao concluir o ensino primário e ingressar como aprendiz no jornal “A Verdade”, do advogado Chaves. Desde então, dedicouse de corpo e alma às artes tipográficas, passando por diversos periódicos de Laguna, como “Fanal” (1887), “O Trabalho” (1888), “A Pátria” (1892). Em 1892, Johanny, com 20 anos, atuou em “O Lidador” e gerenciou o jornal “O Pharol”, órgão federalista. Com 24 anos de idade teve que ganhar a vida, ingressando como agente de correio (Gravatal, 1896) e professor público (1899), passando em seguida ao comércio. Também foi secretário da Câmara de Laguna (1902-1908) e deputado estadual nas 6ª e 7ª legislaturas, em 1909 e 1910-1912, respectivamente. Mas renunciou ao mandato para assumir a direção do jornal “O Albor” (1910), onde permaneceu pouco tempo, passando a se dedicar à edição da “Revista Catarinense”, seu principal trabalho. Tendo circulado entre 1911 e 1914, a “Revista Catarinense” deu ênfase aos episódios da República Catarinense de 1839, publi-

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cando textos de Tobias Becker (“Os farrapos em Santa Catarina”), em capítulos, assim como as atas da Câmara de Laguna sobre a experiência republicana. Em suas páginas foram editados artigos de Cruz e Souza, Henrique, José e Lucas Boiteux, José Vieira da Rosa, Luiz Delfino, Horácio Nunes, Virgílio Várzea e Crispim Mira, entre outros. Johanny faleceu em 1915, com 43 anos de idade, no auge da produção jornalística. A história do principal semanário de Laguna começa no dia 15 de setembro de 1901, quando três adolescentes resolvem fundar um jornal denominado “O Albor”: Adalberto Bessa, Manoel dos Passos Bessa e Manoel Bessa. Antônio Bessa, que trabalhava na gráfica Futuro, onde era impresso o jornal, assumiu a direção de “O Albor” a partir de 1904. “O jornal circulou até 19 de janeiro de 1965, e só parou de circular devido a uma grande alta no preço do papel”, entre outros fatores, conta Lúcia Maria Barros da Silveira, bisneta de Antônio, autora de um trabalho de conclusão de curso de Jornalismo na UFSC sobre o periódico. “Até 2000, era o semanário com maior tempo de circulação no Estado”, assinala a jornalista, que passou um ano e meio lendo as 3.054 edições – os primeiros números na Secretaria de Turismo de Laguna e os restantes na Biblioteca Pública do Estado. Durante algum tempo, “O Albor” enfrentou a concorrência do jornal “Correio do Sul”, fundado em 1931, pelo mesmo João de Oliveira já referido, e que circulou até 1955, ano de seu falecimento. O prédio onde funcionou o semanário, em Laguna, ainda ostenta na fachada a logomarca da publicação. “A pessoa que adquiriu a edificação manteve intactos, como meu pai deixou, os móveis e equipamentos da redação”, conta Vamiré Collaço de Oliveira. Um excelente perfil de João de Oliveira pode ser conferido em “Retrato Político de uma Época - 1947-1960” (Editora Insular: Florianópolis, 1999), de Paulo Konder Bornhausen.

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Imigrantes italianos
Os demais jornais do Sul do Estado surgiram em regiões de imigração italiana, iniciada em 1878, como Criciúma, Orleans e Urussanga. Nessa última cidade, vamos encontrar José Caruso MacDonald, siciliano, regente real do consulado italiano em Florianópolis, que se dedicou desde a chegada à educação. Era um homem de “inteligência aberta e muito interessante no processo de colônia”, diz o padre Luigi Marzano. Chegado em Urussanga em 1899, primeiro padre italiano, Marzano entrou em conflito com a liderança dos colonos. “Quando o sacerdote chegou, encontrou os pobres imigrantes italianos à mercê da exploração de alguns patrícios seus, prepostos do governo de Itália”, narra o padre Claudino Biff. “Eram eles filhos do Mezzagiorno e da Reggio Emilia, ainda hoje a mais comunista das províncias italianas. E por que eram anticlericais, carbonários, logo de início sentiram a força da liderança do sacerdote que contestava a opressão destes funcionários do governo italiano”, acrescenta. Um deles era o próprio Mac-Donald, que passou a publicar um jornal intitulado “L’Azino” (O Asno), atacando padre Marzano, que não se intimidou e mandou editar a resposta em Turim, sob a denominação de “Il Mulo” (“O Jumento”). O enfrentamento durou até 1908, quando o padre foi chamado de volta a Roma. O principal trabalho de Mac-Donald, entretanto, foi o “La Patria”, editado em italiano, entre maio de 1901 e maio de 1902, num total de 52 números. “A Gazeta Orleanense”, de Orleans, surgiu em 1915 e circulou durante três anos, nas mãos do jornalista Tito Carvalho (Orleans 1896, Florianópolis 1975), então auxiliar de escritório do Loyd, ao lado do cunhado, Godofredo Marques. Outros jornais surgiram no município, todos com assinantes em Braço do Norte, Urussanga, Tubarão, Laguna e Florianópolis e mesmo no Rio de Janeiro
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e São Paulo. “Jornal de Bairros”. que já em 1911. Em Criciúma. podemos dizer que o Sul de Santa Catarina conheceu centenas de periódicos desde fins do século XIX. “O Mineiro”. Entre os mais importantes de Tubarão destaque para “A Imprensa”. O jornal pioneiro de Criciúma foi lançado em 1º de janeiro de 1926. Entre os pioneiros no aprimoramento técnico. “Quase todos os jornais eram de orientação política definida. o presidente do Conselho Municipal (Câmara). a região conta com vários jornais. Hoje. “Nossa Folha” e “Última Hora” (Tubarão). circulam os semanários “Folha de Criciúma”. e o minerador Frederico Minatto. feita por Walter Zumblick. data da posse do primeiro superintendente (prefeito) municipal. “do alto do seu jornal. Zumblick fala num “destemido jornalista” que. impresso em Porto Alegre (RS). com circulação regional. fustigava Deus e todo mundo”. primeiro jornal catarinense a circular em off-set a partir de 1969. dirigido por Manoel de Aguiar entre 1934 e 1960. “Folha dos Municípios” e “Folha Regional” (editado em Maracajá). “Agora” e “Hoje” (Orleans). “O Mineiro” registrou os principais momentos da criação de um novo município catarinense. Marcos Rovaris. Jornalismo hoje Tomando por base a relação de cerca de 100 jornais editados em Tubarão. ligados ao Partido Republicano Catarinense”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 43 . O jornal foi criado por ele. estava no ramo. Os principais semanários são o “Jornal de Laguna” (Laguna). diz o padre João Leonir Dall’Alba. destaque para o “Gazeta do Sul”. Tendo o professor Adolpho Campos como redator. Outro personagem de presença permanente e controversa foi o jornalista Hermínio Menezes. editado em Tubarão desde 1959. “Jornal da Cidade”. “A Crítica”. Pedro Benedet.

João Leonir da. Laguna antes de 1880. 2001 ULYSSÉA. Este meu Tubarão. Colonos e mineiros no grande Orleans. editado em Braço do Norte. Italianos em Santa Catarina (Vol 1). circula o “Diário do Sul Litoral”. Walter. Walter F (org). Orleans: Edição do Autor/Instituto São José. Em Criciúma. Em Imbituba. circulam os diários “Jornal da Manh㔠(desde 1983) e “Tribuna do Dia” (1955. em Lauro Müller. Florianópolis: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina (Ioesc). Saul. cobre os municípios entre o vale de Braço do Norte e o pé da Serra do Rio do Rastro. desde 1995. Fontes BIFF.! (Vol 2). O Dictador Catharinense – Artigos de defesa. BARRETO. 1986 OLIVEIRA. 1943 ZUMBLICK. . s/d. Tubarão: A Imprensa.. Tubarão: Edição do Autor. João de.O diário mais antigo é o “Diário do Sul” (Tubarão). Tubarão: Edição do Autor. antigo “Tribuna Criciumense”) e o “Diário de Criciúma”. Florianópolis: Lunardelli. O “Diário do Sul Vale”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 44 . 1996 DALL’ALBA. e o “Notisul” (iniciado em 2000) no mesmo município. 1924 PIAZZA. Crônicas da Diocese de Tubarão.. terceiro do país a usar sistema de fotografia digital. Alexandrino. Claudino.

mesmo com os cursos superiores. três mulheres e a redação de um tradicional e conceituado jornal impresso.Resistência no Oeste catarinense Rubens Lunge A ação coletiva em defesa dos direitos dos trabalhadores pelos jornalistas do Oeste de Santa Catarina tem como parâmetro o mês de fevereiro de 2004. no final da mesma década. por fim em Lages. neste início de século e milênio. primeiramente em Chapecó. que enconJORNALISMO EM PERSPECTIVA 45 . ainda são problemas a serem vencidos: as Universidades formam jornalistas. somente sofreu forte transformação com a chegada dos cursos superiores. e depois em Concórdia. principalmente quanto ao exercício profissional. Longe demais Antes de iniciar efetivamente esta parte da história do jornalismo brasileiro. envolvendo mais de um terço da área de Santa Catarina e mais de uma centena de municípios –. É esta a história que devo contar com o ex-chefe de uma redação de jornalistas que buscou a verdade como fonte e construiu a unidade como profissionais. profissionais resistem até mesmo ao mais cruel argumento dos empresários: a demissão. como o cumprimento da legislação. em meados da década de 1990. vale registrar que a categoria na região – um vasto território. na fronteira com a Argentina. É possível que o ciclo esteja se findando com a abertura de um curso de Jornalismo em São Miguel do Oeste. Mas as grandes preocupações dos jornalistas. Em nome de uma idéia e de um conceito sobre jornalismo e equipe. e.

tram não habilitados exercendo a função nos meios de comunicação. diante da quase impossibilidade do exercício do sindicalismo de ação pelos dirigentes sindicais. assim como a carência de formação voltada para os dirigentes. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 46 . pela falta de estrutura. Ocorre o mesmo nas redações de Passo Fundo. Principalmente aquelas que tratam de assuntos relacionados com o Poder Executivo e com os grupos economicamente mais ativos. mas faz questão de se pautar por suas relações. uma outra possibilidade começou a acontecer em maio de 2004. credenciar conveniados e. em tempo algum. que deveria ser promovido pelos órgãos governamentais. no final dos anos de 1980. O choque legalista. “Diário da Manh㔠O jornal “Diário da Manh㔠começou a circular em Chapecó há um quarto de século. especialmente a fiscalização do Ministério do Trabalho. em buscar a filiação de jornalistas profissionais. não se verifica. a matriz. A ação sindical ocupou-se. Erechim e Carazinho. como o realizado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina. No entanto. promover cursos de aperfeiçoamento. carência de tempo. Mantém um estilo sóbrio. O espaço privilegiado para os debates sempre foi o da Universidade. debater com maior profundidade e substância o exercício profissional. A notícia que os jornalistas dariam nem sempre é aquela que a empresa recomenda. e pelas distâncias a serem percorridas para o fazer sindical na base. quando o grupo da redação – um chefe de redação e quatro repórteres – iniciam a construção de uma proposta buscando na comunidade a resposta que ela – a comunidade – quer nos meios de comunicação. eventualmente. sucessão após sucessão de dirigentes. foi liberado. uma vez que nenhum.

a greve estava declarada. A estratégia da empresa foi desfazer a equipe. preferindo mais um ato que atenta contra a liberdade de organização de qualquer categoria de trabalhadores: demite as repórteres Fernanda Conte e Cátia Leila De Filtro por justa causa. e principalmente porque antes de tudo quer cumprir o seu acordo. a sua aliança. em Passo Fundo (RS). brutal – e recheada de ameaças -. em vista de sua condição de dirigente sindical. todos os que tiveram. com o leitor. através do novo gerente. para abertura de inquérito administrativo. Sem justificativa. e afasta. ele mesmo o faz. Nem mesmo com a convocação da Subdelegacia Regional do Trabalho de Chapecó os representantes da empresa compareceram para a negociação.Nem bem haviam se passado seis meses deste início. buscaram reparação. acusando insubordinação. faz uma nova tentativa para acabar com este grupo de jornalistas. porque comprometido com a informação verdadeira e ética. que aplicava na prática uma das propostas teóricas de todas as faculdades de jornalismo que se possa ter conhecimento: o exercício da função pública do trabalhador jornalista. ocorre a demissão do chefe de redação e o seu retorno. o dirigente sindical e chefe de redação. e tendo como deflagrador a troca de gerentes da unidade. A empresa “Diário da Manhã”. encaminha uma pauta de solicitações para a sede da empresa. em fevereiro de 2004. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 47 . por ordem judicial. Na Justiça. a demissão da jornalista Solange Oro moveu os colegas da redação. os seus direitos atingidos. Diante da negativa. O gerente exige que o chefe de redação demita uma das jornalistas. com o seu público. pela empresa. que na tentativa de construir o diálogo com os proprietários da empresa. O grupo exigia a anulação da demissão de Solange Oro. e notificam que se não houvesse conversações. oferecendo informação de qualidade e sem nenhum compromisso que não o do interesse coletivo.

e. que acreditam que a informação não tem versão. Solange. Solange Oro. e que elas não poderiam sonhar com as teorias da Universidade. Não porque foram as primeiras a participar de uma greve em um meio de comunicação na maior cidade do Oeste de Santa Catarina para exigir justiça. em que a solidariedade é a base para todas as ações. porém com o coração e as mentes dirigidas pela função pública – e. sim. Em poucos meses. forçosamente. Essas três trabalhadoras do jornalismo de Chapecó devem ter seus nomes guardados. Resolveram dizer que acreditam na Universidade. Pela demonstração que deixaram para aqueles que lhes são contemporâneas e para todas as gerações futuras. principalmente. mas porque demonstraram o verdadeiro espírito do sindicalismo. constataram que em alguns lugares ainda há preferências orientadas pela relação comercial.Jornalismo e Realidade Recém-formadas. voltada para todos. mas tem verdade. Fernanda Conte e Cátia Leila De Filtro chegaram ao mercado de trabalho com os sonhos de todos os principiantes: construir através da comunicação uma relação melhor. teriam que se render aos ditames do mercado. na profissão de jornalista – empregado. Fernanda e Cátia fizeram a opção mais difícil. de uma empresa privada. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 48 .

TV Bela Aliança (Rio do Sul). religiosos. escolares. Em pesquisa realizada em 19992 . além dos quatro maiores: “Diário Catarinense”. Das 184 emissoras de rádio existentes no estado. o destaque é o “Jornal de Santa Catarina”. “A Notícia”. isto sem levar em conta as educativas e comunitárias. Há ainda seis emissoras de televisão com sinal aberto1 . Na pesquisa. “Jornal de Santa Catarina” e “O Esta1 Comerciais: RBS TV Blumenau (Blumenau) e TV Record (Itajaí). além de emissoras comerciais não filiadas à entidade. 2 A dissertação de mestrado defendida na Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 2000 é um estudo inédito sobre a pequena imprensa catarinense e foi transformada no livro “A Força do Jornal do Interior” (Fernandes. o Vale do Itajaí tem um papel singular na história dos meios de comunicação do estado. No jornalismo impresso. colocando a cidade em posição de vanguarda em relação a municípios maiores como Florianópolis e Joinville. mais precisamente em Blumenau. house organs. TV Panorama (Balneário Camboriú). sindicais. constatamos que a imprensa catarinense é constituída por 177 pequenos jornais. além dos canais por assinatura. Educativas: TV Brasil Esperança (Itajaí). É no Vale. especializados e outros mantidos por instituições não comerciais. não foram considerados jornais institucionais como de bairros. TV Educativa Vale do Itajaí (Blumenau). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 49 .A mídia no Vale do Itajaí Mario Luiz Fernandes Uma das mais ricas e populosas regiões de Santa Catarina e segundo pólo têxtil do mundo. a região mantém posição de destaque na radiodifusão. que nasceu a mídia eletrônica – rádio e televisão – catarinense. Mais de setenta anos depois. de acordo com a Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão. pelo menos 36 (17 FMs e 19 AMs) estão no Vale. o terceiro mais importante do estado. 2003).

numa época em que não havia serviço telefônico de longa distância e o telégrafo era ainda bastante precário” (1999 : 29). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 50 . Entre os pequenos. No final de 1931. Dois estão entre os seis mais antigos3 do estado ainda em circulação: 3º) “Nova Era” (Rio do Sul – desde 26/12/1937). Por suas atuações nas respectivas comunidades. e “O Comércio” (11 de junho de 1931). “A Voz da Razão” e “Tribuna Regional” (Blumenau). o serviço de rádio amador prestado por Medeiros Júnior. “Jornal do Médio Vale” (Timbó). Ingo Hering. também. Esta pequena panorâmica evidencia a necessidade de uma ampla pesquisa para se traçar o perfil da imprensa no Vale do Itajaí. “Cruzeiro do Vale” (Gaspar). que estes são os municípios mais expressivos e os pioneiros da indústria cultural do Vale e de Santa Catarina. “A Cidade” (Rio do Sul) e o “Jornal do Comércio” (Piçarras). de Porto União. Em razão da brevidade desse capítulo.do”. é importante ressaltar que o pioneirismo do rádio coube a João Medeiros Júnior. “O Atlântico” (Itapema). 6º) “O Município” (Brusque – desde 25/06/1954). a maioria semanários. de Florianópolis. Roberto Grossembacher e Medeiros Júnior. ele iniciou as primeiras experiências radiofônicas e em 1935 a Rádio Clube (PCR-4) estava no ar. Tal delimitação parte do fato. 4 De acordo com Medeiros e Vieira. de Jaraguá do Sul. o primeiro radioamador4 licenciado do estado.5 3 “O Estado” (13 de maio de 1915). vale registrar ainda o “Página 3” e “Tribuna Catarinense” (Balneário Camboriú). os dois primeiros são “Correio do Povo” (10 de maio de 1919). 45 (25%) estavam no Vale. Entre os pequenos jornais. A licença saiu em 19 de março de 1936. “Diário da Cidade” e o polêmico “Diário do Litoral” (Itajaí). 5 A rádio contava então com dez sócios. concentraremos nossa abordagem na imprensa escrita de Blumenau e Itajaí como representativas da região. é o jornal catarinense mais antigo ainda em circulação. durante 15 anos. entre eles Luiz de Freitas Melro. “foi o principal elo de comunicação de Blumenau com o Brasil e com o mundo. Apenas como ilustração. e que em 1929 instalou um serviço de alto-falantes no centro de Blumenau.

Rádio Guarujá (Florianópolis . 8 Liderada pela Rádio Clube de Blumenau. em 26 de outubro de 1942. 7 A emissora foi fundada em 23 de abril de 1923 por Roquete Pinto e Henrique Morize. em São Paulo. o porta-voz dos blumenauenses e por isso mesmo considerado o primeiro jornal 6 Depois da Rádio Clube vieram a Rádio Difusora de Joinville (Joinville . a primeira emissora oficialmente instalada em Santa Catarina. Ao contrário do que ocorreria com a mídia eletrônica no século XX. o fundador dos Diários Associados. Breve retorno às origens Para compreendermos melhor o processo de evolução da imprensa no Vale do Itajaí. a TV Coligadas. era constituída a Rede Coligadas de Rádio8 que. mais tarde .01/02/ 1941). dezenove anos depois da TV Tupi. e só nos últimos vinte anos vem rompendo lentamente essas amarras. durante vinte anos. Araguaia (Brusque). Difusora (Blumenau) e Clube de Itajaí. o jornalismo impresso nasceu tardiamente em Santa Catarina e mais ainda no Vale do Itajaí. a terceira em solo catarinense. foi. foi o pioneiro da televisão brasileira ao fundar a TV Tupi Difusora. a primeira do Brasil7 . lançado em Joinville em 1862. Em Itajaí. Dagoberto Alves Nogueira e Adolfo de Oliveira Júnior instalaram oficialmente a Rádio Difusora. é sempre necessário recorrermos à história. em 1º de setembro de 1969. Clube de Indaial.Santa Catarina entrava na era do rádio6 . Surgia assim. Rádio Difusora de Itajaí (Itajaí . a rede contava ainda com a Clube de Gaspar.06/07/1945). Em 1954. a primeira do país9 .14/05/1943) e Rádio Catarinense (Joaçaba . 9 Assis Chateaubriand. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 51 .26/10/1942).pleiteou a concessão de um canal de televisão para Blumenau. O “Kolonie Zeitung”. Assim como ocorreu nos primórdios da imprensa em todo mundo. em 18 de setembro de 1950. 23 anos depois de fundada a Rádio Sociedade Rio de Janeiro. o jornalismo na região também nasceu estreitamente comprometido com o poder político.

Com uma impressora importada de Leipzig (Alemanha). redigido em alemão e com circulação nas principais cidades catarinenses. Tal conservadorismo é defendido por Silva (1977: 10) como “altamente proveitoso à ordem e disciplina JORNALISMO EM PERSPECTIVA 52 . o administrador da colônia. Nascido em Blumenau. Hermann Blumenau.da colônia fundada por Hermann Blumenau. onde mantinha agentes (Itajaí. o valor das ações foi devolvido gradativamente aos cotistas. de fato. Joinville. o semanário surgia no formado 30 por 39. em 1879.5 centímetros. mas ilustrado em Porto Alegre e Rio de Janeiro. O primeiro periódico local. Brusque. Blumenau recebia a devolução de sua parcela no empreendimento. foi resultado de uma ação cooperativada da qual 71 colonos eram cotistas. A falta de recursos financeiros o levou à constituição da Sociedade Tipográfica Blumenauer Zeitung. o primeiro jornal da província. Desterro). e Baugartem tornou-se o único dono. Ou seja. Uma semana depois da primeira edição. Blumenau O “Blumenauer Zeitung” (“Gazeta Blumenauense”). o Vale do Itajaí só teve imprensa própria cinqüenta anos após Jerônimo Coelho ter lançado em 28 de julho de 1831. comprou duas ações e sob sua assinatura colocou a observação bedingt (condicionalmente). Conforme o estabelecido em contrato. Em Itajaí. Antônio Härte era o redator e Hermann Baumgarten o editor. só surgiu em 1º de janeiro de 1881. somente em 1884. em Desterro. A iniciativa partiu de Hermann Bauggarten. Circulou até 2 de dezembro de 1938. e 31 anos após o início da colonização oficial de Blumenau. Mesmo contrário à criação do jornal. “O Catharinense”. quatro páginas. então com 25 anos. primeiro jornal de Blumenau e do Vale. além do Rio de Janeiro e Alemanha. o descendente de alemães voltou à sua terra natal com o objetivo de montar um jornal.

ataques à moral e à dignidade dos contendores e dos seus adeptos” (idem). Antunes. o Immigrant e dos debates entre as duas folhas. Em 18 de julho de 1892. lutas sérias. os dois jornais travaram novo embate. embora sem sombra de dúvidas. O confronto entre os dois jornais chegou à esfera do poder público. Após a grande enchente de 1880 . A comissão praticou desmandos. O “Immigrant”. Os desafetos só amenizaram quando a comissão Antunes deixou Blumenau. de matiz liberal.que atrasou em dois anos a instalação do município -.da Colônia”. revidou. Sem apoio. chefiada pelo Dr. ligado ao Partido Conservador. segundo jornal da colônia blumenauense. voltadas exclusivamente para a defesa do nome da Colônia e dos interesses dos seus moradores. As atividades políticas desse jornal. editado em português e alemão. surge “O Município”. nasceram discórdias. O jornal teve apenas 32 edições e saiu de circulação em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 53 . já que o “Blumenauer” fazia oposição ao intendente. e em muitos casos bastante contundentes. O “Immigrant”. para fazer o levantamento dos prejuízos e atuar na reconstrução da colônia. Nascia como resultado declarado de um embate político. Justifica o autor: “Os anos que se seguiram à publicação regular do Blumenauer-Zeitung vieram dar-lhe razão. Após a Proclamação da República. o governo imperial designou uma comissão de engenheiros. provocou a fundação de outro jornal. o “Immigrant” fechou as portas em 1891. O objetivo era veicular os comunicados oficiais da Intendência. favorecimentos e atos de corrupção que geraram pronta reação do “Blumenauer-Zeitung”. O “Blumenauer”. comemorou o novo regime em vários editoriais e perdeu muitos aliados. sendo debatido na Câmara de Vereadores. foi criado por Bernardo Scheimantel e circulou de abril de 1883 a abril de 1891. criada em 1882. os opositores à política florianista. Foi então que simpatizantes e beneficiados por Antunes criaram o “Immigrant”.

o jornal chegava à tiragem de cinco mil exemplares. assumindo também colorações políticas. e mais ao cotidiano urbano e industrial. que circulou até 29 de agosto de 1941. classistas. A maioria da população era republicana e tinha como porta-voz o “Blumenauer”. Os confrontos entre os dois jornais não tardaram. Variados e ricos suplementos. agremiativos. inclusive impressos na Alemanha. foram encartados em “Der Urwaldsbote” durante muitos anos. foi o principal jornal blumenauense até o nascimento do “Jornal de Santa Catarina” em 1971. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 54 . que passou a editar o semanário religioso “Der Urwaldsbote” (“O Mensageiro da Floresta”). Seguindo a vocação industrial do município. “A Nação” (1943/1980). que retornou em 23 de agosto de 1919. de acordo com Silva. colegiais. foi substituído por Eugênio Fouquet. Em sua longa trajetória. Este foi o responsável pela orientação do jornal durante quase trinta anos. house organs. com novos veículos de comunicação emergindo como porta-vozes destas novas comunidades. o “Der Urwaldsbote” trocou de proprietário algumas vezes. foi substituído pela segunda versão de o “Immigrant”. “Immigrant” desaparecia pela segunda vez. em nome da Conferência Pastoral Evangélica. No mesmo mês. A partir da década de 30. Os novos títulos criados a partir do início do século XX expandiram a imprensa de Blumenau. A Primeira Guerra interrompeu a circulação do jornal por dois anos. fundado por Honorato Tomelin. O pastor Faulhaber ficou no comando da redação até 1898 e. Em 1928. agora sob a direção de Paulo Stelzer. nada menos que 32 municípios foram desmembrados de Blumenau. foram 137 publicações entre jornais-empresa.março de 1893. revistas. que defendia a causa federalista. Em 16 de julho. anuários e outros. Foi comprado pelo pastor Faulhaber. Até início dos anos 70. após as eleições daquele ano. após 16 edições. órgãos sindicais. os jornais tornaram-se cada vez menos voltados às questões da imigração e à agricultura.

Porém. Com uma postura editorial de isenção ante às refregas políticas locais. um dos líderes locais do republicanismo. cenário que só começaria a mudar gradativamente a partir do final do século XX. também republicanista. circularam na cidade O “Immigrant” (1890). em 18 de fevereiro de 1886. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 55 . Em 10 de maio de 1884. “As precárias condições econômicas e tecnológicas aliadas aos obstáculos políticos oferecidos à circulação de idéias em uma sociedade nitidamente autoritária” são elencadas por Santos (2002: 259) como as principais causas que condicionaram o atraso do nascimento da imprensa itajaiense. esta aparente neutralidade da imprensa local muda radicalmente em setembro de 1890 quando o médico Pedro Ferreira e Silva. funda a “Gazeta de Itajahy” “para divulgar as idéias republicanas e defender as ações político-administrativas do interventor Lauro Muller” (Ibidem: 260). em 20 de fevereiro de 1887. o mestre Janja. “A Flexa” e “A Semana Ilustrada” (1894). Tranqüilo Antônio da Silva e Eduardo Dias de Miranda lançam o moderado bissemanário “A Idéia”. Inovou ainda na distribuição gratuita e no conteúdo bilíngüe (português e alemão). expressiva parcela dos jornais catarinenses não escondia suas cores partidárias. que circulou pouco mais de um mês. e o primeiro com circulação em todo o Vale. “Jornal do Brasil” (1896) e o “Progresso” (1899). Galdino de Pereira Lima coloca em circulação “A Liberdade”. lança o semanário “Itajahy”. O exemplo seguinte foi um outro semanário intitulado “Gazeta de Itajahy” criado em 13 de outubro de 1892. Este foi o mote inicial para que a imprensa da foz do Itajaí estivesse cada vez mais atrelada ao poder político. às portas da Proclamação da República.Itajaí Em uma época em que. Na mesma linha editorial. João da Cruz. Encerrando a primeira fase da imprensa itajaiense do final do século XIX. ocorre a primeira e breve experiência da imprensa de Itajaí.

não é tarefa fácil. de acordo com levantamento de Santos (2002). No segmento revista. foi fechado pela censura de Getúlio Vargas. quando do surgimento do jornal “A Nação”. de Dalmo Viveira. conscientização e espírito de classe dos profissionais. de Rui Barbosa em 1910. qualidade do conteúJORNALISMO EM PERSPECTIVA 56 . Caminhos para a profissionalização Definir com precisão o início da profissionalização da imprensa escrita no Vale do Itajaí. Longe de limitar a questão em torno de ter ou não diploma superior para exercer a profissão. dominando o cenário jornalístico itajaiense até o início dos anos 60. e “Papa Siri”. “O Correio” (1963/1976). vale o registro da “Realeza”. consistência e independência/imparcialidade da linha editorial. entendemos por profissionalização aquela que passa pela modernização e consolidação econômica das empresas. algumas se tornaram marcos na imprensa local por sua longevidade e postura editorial: “Novidades” (1904/ 1919). de oposição e postura crítica. “Diário da Cidade” (1992). “Diário de Itajaí” (1914 – quatro meses). Marcos e Adolpho) e desempenhou importante papel na Campanha Civilista. “Diário do Litoral” (1979).Do início ao final do século XX. “Jornal do Povo” (1935/1989). criado por João Honório de Miranda. por Adilson Amaral. passou por várias fases com diferentes proprietários. 83 jornais foram lançados. editada em Balneário Camboriú por Coninck Júnior e Ivaine Salete Gilioli. de Manoel Ferreira de Miranda. fundado por Abdon Fóes. Em meio a tantas publicações efêmeras. fundado por Tibúrcio de Freitas. vinculada à Academia Itajaiense de Letras. o único jornal local de oposição ao regime militar e inclusive era revisado por censores do Serviço Nacional de Informação (SNI). foi o primeiro diário da cidade. de Elias Adaime. teve a colaboração dos irmãos Konder (Victor. “O Pharol” (1904/1936). de Valdemir Corrêa das Chagas.

Acrescentamos ainda a contribuição do professor e jornalista Hélio Floriano dos Santos10 . que há anos estuda a imprensa de Itajaí. fundado por Honorato Tomelim em 29 de maio de 1943. O jornalismo técnico de “A Nação” O jornal “A Nação”. o “Jornal de Santa Catarina”. Já em agosto do ano seguinte era adquirido pelo voraz Assis Chateaubrian. quintas e sábados. de Itajaí. Seis meses depois se tornava diário. sob a direção de Wilfredo Eugênio Currlin e 10 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004.do informativo. Em Santa Catarina. a chegada dos primeiros jornalistas com formação superior. é um desmembramento do “A Nação”. pelo menos em alguns dos aspectos enumerados. como o primeiro a implantar as modernas técnicas de redação. e a divide nas fases artesanal – estruturada no jornalismo opinativo e no jornalismo adjetivado – e industrial – centrada no jornalismo técnico e no jornalismo técnico-profissional. de Itajaí. Todos fecharam em 1980 com a falência do grupo. o primeiro do Vale. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 57 . o grupo contava ainda com o “Jornal de Joinville” (1919) e “Diário Catarinense” (Florianópolis – 1973). Nesta direção. e compromisso social com a informação e com o leitor. Ou seja. A versão itajaiense de “A Nação” foi lançada em 15 de novembro de 1962. conduta ética de empresários e jornalistas. de Blumenau. de Blumenau. elencamos pelo menos quatro marcos fundamentais: o jornal “A Nação”. processo este que ainda está em construção. o curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). O jornal blumenauense nasceu com seis páginas e circulação às terças. o primeiro grande e moderno empreendimento jornalístico do estado. Estas fases da imprensa itajaiense não só complementam como aprofundam a proposta deste artigo. dos Diários Associados.

Às vezes. No relato do jornalista. o repórter Renato Mannes de Freitas fez estágio no “Diário do Paraná”. inflamado. Os leitores não eram levados à reflexão. foi Álvaro Balbinot. Outro repórter do “A Nação” a dar uma forte contribuição à difusão das novas técnicas jornalísticas em Itajaí. que se tornou uma verdadeira academia “formando” pelo menos duas gerações de jornalistas dentro da nova técnica. Com a nova técnica tudo isso foi revisto. Durante o ano de 1967. Numa época em que o texto jornalístico era carregado de adjetivação. só que com outras palavras“. mas se espalhou rapidamente pela redação de “A Nação”. entrevistados). A nova técnica também chegou às emissoras de rádio. apenas ficavam lendo bajulações. O repórter passou a ter a função de relatar de forma impessoal os fatos. o uso de normas e o manual de redação. já que seus departamentos de jornalismo tinham os jornais como suas fontes. Era um texto de cunho pessoal. quase um testemunho. Basicamente aprendemos a elaborar um texto onde estava bem separado o fato e a opinião” (Freitas In: Santos. de onde traz para Itajaí as novas técnicas de redação. objetividade e imparcialidade. 2004). O jornal disponibilizava muito espaço e nós tínhamos que preencher. após realizar um curso de jornalismo técnico por correspondência no Instituto Gutenberg. O jornalismo era mais comentado. acabávamos escrevendo a mesma coisa. Os comentários e opiniões ficavam por conta das fontes (informantes. Estas incluem as seis perguntas clássicas que compõem o lead – O quê? Quem? Quando? Como? Onde? Por quê? – além do conceito de pirâmide invertida. Na verdade o jornalismo era mais feito de opinião do que de informação. “Antes se misturava muito os fatos e as opiniões. em Curitiba. uma síntese do que era o improviso e o amadorismo do jornalismo da época: “a imprensa só elogiava e as matérias eram superficiais. opinião e proposições políticas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 58 . a nova técnica causou polêmicas.Nilton Isaac Russi.

ninguém se arriscava”. também impunha suas amarras à imprensa local e os efeitos eram nefastos à autonomia editorial. “Os jornalistas tinham medo de se posicionar e sofrer represálias na redação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 59 . atingir os então 197 municípios catarinenses. questiona o empresário. Foram dois anos de planejamento. que estava no seu auge no início dos anos 70. Como então a imprensa podia ser independente?”. para. constava “Santa Catarina. “Boa parte dos jornalistas não vivia do jornalismo. 22 de setembro de 1971”. Na capa. ao invés da cidade sede e a data. 2003: 77). concorrendo com “A Notícia” (Joinville) e “O Estado” (Florianópolis). o conteúdo editorial e a produção industrial. Santa Catarina entra na era do jornalismo moderno com o seu primeiro jornal em off-set. O governador Colombo Machado Salles acionou as rotativas que imprimiram a primeira edição com a manchete em tom de denúncia e embalada em moderno projeto gráfico: “Esgoto só existe em duas cidades de Santa Catarina”. a partir de Blumenau. principalmente no Governo do Estado. O projeto era coordenado pelo professor e jornalista gaúcho Nestor Fedrizzi que deixou um exemplo de profissionalismo para a imprensa catarinense. sistema de composição que era privilégio apenas dos grandes diários das principais capitais brasileiras. Por isso não existia censura. vivia de outros empregos. O “Jornal de Santa Catarina” inicia a era da modernização A 22 de setembro de 1971. abaixo do logotipo. incluindo edições pilotos para avaliar o projeto gráfico. Assim nascia o “Jornal de Santa Catarina”. lembra Balbinot (In Jordão. Foi também o primeiro jornal a ter um sistema de telefoto no estado e a contar com uma frota de 26 veículos para a distribuição do jornal em todo território catarinense. Era uma época que “Santa Catarina não tinha jornal independente”. destaca Flávio de Almeida Coelho11 .A ditadura militar.

A titularidade do jornal passa por diferentes grupos políticos e empresariais. O “Jornal de Santa Catarina” nascia para completar a primeira grande rede de comunicação do estado. Contava com cerca de 40 profissionais na sede e outros 20 apenas na sucursal de Florianópolis. entre outros que formavam o grupo. Flávio Rosa e Flávio de Almeida Coelho. Dois anos depois. logo surge a primeira crise interna a que se sucederiam várias outras. pelo menos 15 dos 40 profissionais da sede em Blumenau foram trazidos de Porto Alegre. e operava com as agências de notícias do “Jornal do Brasil”. só faltava o jornal impresso. indo da matiz política de direita à esquerda12 . Para montar a moderna redação. Reuters e Asa Press. Caetano Deecke de Figueiredo. 12 Em 1972. pois os gaúchos não conheciam as peculiaridades de Santa Catarina e levou algum tempo para se adaptarem ao novo cenário. Apesar do sucesso. 11 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004. incluindo o jornalista Adolfo Ziguelli. Paulo”. Essa alternância de comando afetou a estrutura da empresa e a linha editorial do jornal que perde sua independência e imparcialidade. o Santa contava com 200 funcionários e chegou a 400 no início da década de 80. Quando do seu lançamento. onde os cursos de Jornalismo da Universidade Federal e da Universidade Católica já tinham 20 anos de tradição. no projeto dos empresários Wilson de Freitas Melro. “Folha de S. o controle acionário passa a um grupo de empresários e políticos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 60 .A redação sob o comando de Nestor Fedrizzi (também diretor do departamento de telejornalismo da TV Coligadas). Wilson Melro e Caetano Deecke se desentendem sobre a administração das empresas e os jornalistas gaúchos são demitidos. Com a TV Coligadas operando desde setembro de 1969 e uma cadeia de emissoras de rádios associadas. Essa “importação” deu trabalho. não era nada modesta para a época. Tinha a colaboração de colunistas como Ibraim Sued e Joelmir Betting.

seus jornalistas realizaram a mais longa greve da categoria. No final dos anos 80. Segundo o autor. embora o movimento tenha sido julgado legal. Flávio Coelho e Rudi Bauer ficam no comando até 1983. foi a vez de Petrelli vender sua parte e Flávio de Almeida Coelho passa a acionista majoritário. Flávio Coelho. o Santa representava um grande portal de entrada da RBS naquele importante mercado de anunciantes e leitores. entre outros. desta vez para um grupo de 12 empresários blumenauenses. o Santa mergulha em grave crise financeira. comercial e administrativo. a transação foi conduzida secretamente pelo então presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). não conseguia penetrar maciçamente no Vale do Itajaí. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 61 . é o terceiro em tiragem no estado. Brusque.Com a venda da TV Coligadas em 1980. Durante o tempo em que a redação parou. Em maio de 1990. Mário Petrelli. Itajaí. Atualmente. fechando praticamente todas as sucursais. No ano seguinte. 1992 : 126)”. chegando a 20 mil exemplares de segunda a sábado e cerca de 25 mil aos domingos. integrado por Mário Petrelli. Nogert Wiest. Flávio Coelho negocia o jornal com o empreiteiro Nilton José dos Reis. Em 1985. Paulo e Jorge Bornhausen. “Mais de 40 profissionais foram demitidos. O Santa foi regionalizado e atualmente atinge 64 municípios do Vale do Itajaí com sucursais em Florianópolis. mantendo íntimas ligações com o Palácio Santa Catarina (Pereira. e o Santa passa “a ser dirigido por profissionais indicados ou aprovados pelo governo do PMDB. jornal do grupo lançado em Florianópolis em 1986. o jornal circulou precariamente e no início uma edição de quatro páginas explicava aos leitores o que estava acontecendo” (Zero. Já em setembro de 1994. tesoureiro da campanha do governador Pedro Ivo Campos. que durou quase dois meses. Conta com cerca de 50 profissionais na redação que produzem a média de 44 páginas diárias. nova transferência. Como o “Diário Catarinense”. Nas primeiras semanas a adesão foi de quase 100% dos jornalistas. Em 1º de setembro de 1992. ano em que Bauer deixa a sociedade. a RBS assumia o jornal imprimindo-lhe novo ritmo editorial. A aquisição era estratégica. passava a ser impresso em cores e em 1996 chegava à Internet. 1993 : 14). Rio do Sul e Jaraguá do Sul. acentuada pela recessão no início do Governo Collor.

atuou em jornais de Curitiba. Em Itajaí. voltou à região para atuar na Rádio União de Blumenau (1980/1982). foram contratados principalmente jornalistas paranaenses. Era uma época em que muitos jornalistas não eram nem provisionados e a grande maioria tinha apenas formação em nível de 2º grau. o jornal não deixou de trazer jornalistas de outros estados para aperfeiçoar seu quadro profissional.Nesta nova fase. itajaiense formado pela Universidade Nacional de Brasília em 1980. encerrando as atividades como jornalista em 1982. TV Vale do Itajaí (1986/1988 e 1991/ 1993). trabalhou na sucursal de “A Notícia” (1982/1987). Alberto César Russi. A primeira foi a itajaiense Constância Teresinha Severino. que a partir de janeiro de 2000 tornou-se o atual editor-chefe. chega a Itajaí a primeira geração de jornalistas com graduação na área. No início de 1993. na época pertencente a Rede Eldorado de Comunicações – RCE. 13 Entrevista concedida ao autor em 10/01/2005. Trabalhou ainda na sucursal de “O Estado” e no “Diário do Litoral”. chegaram mais seis gaúchos. mas foi um “choque” para os jornalistas de Joinville e Itajaí verem invadido um território que até então era exclusivamente masculino13 . além de profissionais do Rio de Janeiro. e foi colunista esportivo no “Diário do Litoral” (1989/1991). Entre eles. dirige a Rádio e TV Univali e é diretor do Centro de Ciências Humanas e da Comunicação da Univali. Após a greve de 1990. Atualmente. Ela lembra que não houve preconceito. Antes de retornar à terra natal. Edgar Gonçalves Júnior. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 62 . Os desbravadores No início dos anos 80. formada pela Universidade Católica do Paraná em 1976. São Paulo e Paraná. Foi a primeira mulher na imprensa de Joinville (“Jornal de Joinville” – 1978) e em Itajaí (sucursal de A Notícia – 1980).

de 1985 a 1990. Da fase inicial.Das duas primeiras turmas formadas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 15 Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004. vieram atuar na imprensa de Itajaí e atualmente são professoras do curso de Jornalismo da Univali. Um deles. Janete Jane Cardozo da Silveira (turma de 1983). Em 1991. No Santa. Chegou a Blumenau no final de 1987 onde atuou no “Jornal de Santa Catarina” e em 1988 na assessoria de comunicação do grupo Hering. Entre 1994 e 1996. Jane Cardozo atuou ainda em vários veículos entre eles nas sucursais de “O Estado”. Passou três anos estudando e trabalhando no México (1984/1987). foi apresentadora do Jornal do Meio Dia na TV Vale de Itajaí. muitas vezes. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 63 . destaca o improviso e a estrutura amadora que era a televisão. observa a jornalista14. é editora-chefe da Rádio Educativa Univali FM. foi a falta da formação de profissionais es14 Entrevista concedida ao autor em 21/12/2004. foi a primeira professora jornalista contratada no curso de Jornalismo da Univali. Curso de Jornalismo da Univali Vários fatores relegaram ao atraso a imprensa catarinense. Em 1984. sem dúvida. inclusive com jornalistas tendo. Além do ensino. foi uma das demitidas durante a greve de 1990. de Waldemir Correa das Chagas. Foi a primeira mulher a atuar na televisão em Itajaí. A lageana Márcia Estela da Costa foi da primeira turma (1982). também da turma de 1983. que produzir matérias comerciais15. Hoje o profissional é mais voltado para o mercado”. coincidentemente todas mulheres. Luciene Cruz. ingressou no semanário “Liberal do Vale”. voltou à emissora como produtora. três profissionais. “A Notícia” e “Jornal de Santa Catarina” e desde 1993 é professora no curso de Jornalismo da Univali. Fazia parte de uma geração “mais idealista” para a qual a atividade jornalística “era mais um ideal que uma profissão.

Movimento de Oposição Sindical Além desses fatores que marcaram o início da profissionalização da imprensa no Vale do Itajaí. de 1962 a 1967. Dos seus mais de 50 profissionais da redação. este índice ultrapassa aos 80%. mais da metade é egressa da Univali. como já dissemos. Para ele. o curso já havia formado 518 profissionais.. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 64 . editor-chefe. Entre a formatura da primeira turma em setembro de 1995 e final de 2004. é um importante termômetro da evolução do curso na região. acrescentamos a contribuição do professor Hélio Floriano dos Santos sobre o jornalismo do município de Itajaí. que formou a primeira turma em 1982. o da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). lembra que dos egressos das primeiras turmas que chegavam ao Santa em busca de uma colocação. pratica-se um jornalismo adjetivado e com vínculo político-econômico. entre tantos outros.pecializados. o desenvolvimento da imprensa local se divide em duas fases: artesanal e industrial. A artesanal tem dois momentos: de 1886 a 1962. muitos deles atuando nos mais variados veículos de comunicação do país. Hoje. O “Jornal de Santa Catarina”. apenas 30% eram selecionados. Porém. jornalistas formados no estado só começaram a chegar em maior número às redações do Vale após a criação do curso de Jornalismo da Univali em 1991. caracteriza-se pelo jornalismo opinativo e estrutura empresarial constituída por sociedades ou subsidiada por grupos político-econômicos. Edgar Gonçalves Jr. Ele destaca que alguns destes jornalistas já alçaram um novo patamar profissional no jornal e hoje ocupam cargos de chefia na redação. mas começa a se constituir como empresa capitalista. Esta realidade só começou a mudar lentamente com a criação do primeiro curso de Jornalismo do estado.

em Florianópolis. nasce o atual período da diplomação. o MOS venceu as eleições daquele ano. sendo três com diploma de jornalista. o período é ditado pelo jornalismo técnico-profissional que se subdivide em: a) oposição sindical (1980 a 1986). apenas três profissionais itajaienses foram filiados e puderam votar. aqui focaremos os três períodos mais recentes que dizem respeito à questão sindical e à diplomação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 65 . O Movimento de Oposição Sindical – MOS – surgiu em 1980. em razão dos artifícios criados pela diretoria da entidade para dificultar a filiação de novos sócios. nas eleições de 1986. Itajaí já contava com 31 filiados votantes. Em Itajaí. é marcada pelo jornalismo técnico que prima pela informação em detrimento da opinião e notícia passa a ser tratada como um produto.A fase industrial também se divide em dois períodos: de 1967 a 1980. Com a criação do curso de Jornalismo da Univali e a conscientização profissional iniciado nas fases anteriores. criou a Delegacia Regional do Sindicato. embora estes ainda atuem em bom número em Itajaí. Depois de um trabalho de base feito pelo jornalista e encaminhamento de processos de provisionamento. num momento em que o Sindicato de Santa Catarina vivia um forte atrelamento político. e muitos jornalistas tinham na folha de pagamento do Estado sua principal fonte de renda. Hélio Floriano destaca que nas eleições de 1982 para o Sindicato dos Jornalistas. Este vem sendo marcado pelo expurgo gradativo dos provisionados e não diplomados. Como resultado desse processo que também ocorreu em outras cidades. Portanto. Blumenau e Itajaí. b) situação sindical (1986 a 1991). c) período de diplomação (1991 em diante). de 1980 aos dias atuais. inclusive com algumas despesas da entidade – aluguel da sede da entidade. As características da chamada fase artesanal e sua transição para a industrial já foram abordadas. tendo como delegado Hélio Floriano dos Santos. por exemplo – sendo custeados pelo governo.

Em 1988. com a eleição da primeira diretoria que teve como presidente José Pereira. o que se percebe é uma frágil qualidade editorial – estética e de conteúdo –. da maior a menor. as empresas. Porém. A gestão de Hélio Floriano iniciou em 10 de maio de 1985 e atuou prioritariamente no registro dos profissionais da imprensa junto aos sindicatos dos jornalistas e radialistas. Considerações finais O “Jornal de Santa Catarina” é uma exceção na imprensa escrita do Vale do Itajaí. mostrando que o CIITA pretendia ser mais que um clube recreativo. comercial. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 66 . De entidade recreativa. era entregue um abaixo-assinado dos profissionais da imprensa ao reitor da Univali. Em alguns veículos ainda há resistência na contratação de jornalistas formados. A posse foi em 12 de julho e já no dia 29 daquele mês era realizada palestra com o presidente do Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina – Hugo Silveira Lopes. reivindicando o curso. quer defendendo seus filiados contra atos de censura e arbitrariedades. se modernizaram. Com a popularização do computador.Outro processo que está na base da conscientização profissional na imprensa local foi a criação do Clube da Imprensa de Itajaí – CIITA – que iniciou informalmente em novembro de 1980. Aproximou o CIITA do Sindicato dos Jornalistas e iniciou a campanha para criação do curso de Jornalismo na Univali. passou a atuar em questões técnicas e políticas. Como resultado. Sua instalação oficial se deu em 15 de maio de 1981. falta investir em recursos humanos. Os demais veículos ainda precisam superar algumas etapas para chegarem ao estágio da profissionalização. na solenidade de posse de Emerson Ghislandi como presidente da entidade. Edson Villela. quer promovendo coletivas de imprensa. e à Delegacia Regional do Trabalho. administrativa e até de circulação. coordenado por Valdemir Correa das Chagas.

evidenciava o perfil de um profissional jovem. principalmente aguçando a sadia concorrência. mas a consistência e independência/imparcialidade da linha editorial. mal remunerado. É este conjunto de competências técnicas e culturais que legitimam o profissional na construção social da realidade de uma comunidade. a profissionalização não está relacionada apenas à instrumentalização técnica propiciada aos profissionais pelas universidades. sem formação profissional e com pouca experiência profissional. não significa apenas diploma universitário para os jornalistas. conscientização e espírito de classe dos profissionais. mas também pela formação humanística e o discernimento crítico e ético. Neste contexto. Ou seja. há espaço para sólidos e modernos grupos de comunicação. Porém. faltam investimentos para que o Vale tenha a imprensa que precisa e merece. A consolidação econômica das empresas também faz parte desse processo. Os novos profissionais.A já referida pesquisa que realizamos em 1999 sobre a pequena imprensa catarinense. seja criando seu próprio negócio de comunicação ou atuando nas redações dos veículos já estabelecidos. também começam a redimensionar o setor. no caso das redações. profissionalização. compromisso social com a informação e com o leitor. os profissionais com formação superior seja jornalista. para que empresários e jornalistas possam atuar com a autonomia indispensável ao jornalismo. Esse também é o perfil do profissional atuante no Vale do Itajaí. conduta ética de empresários e jornalistas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 67 . publicitário ou administrador de empresas – têm o importante compromisso de colocar nossa imprensa no caminho da profissionalização. Como assinalamos. Em uma região tão rica. qualidade do conteúdo informativo.

Entrevistas COELHO. _______. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 68 . PEREIRA. A Nação: o surgimento do jornalismo moderno em Itajaí (artigo). Florianópolis : Insular. Itajaí: s. Márcia Estela da. Flávio de Almeida. Florianópolis : Lunardelli. J. MEDEIROS. 1996. A História da Imprensa na Cidade de Itajaí. A Imprensa em Blumenau. Jornal a Nação – o surgimento do jornalismo técnico em Itajaí. Itajaí: Prefeitura Municipal / Secretaria da Educação / Fundação Genésio Miranda Lins. Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Univali. JORDÃO. Florianópolis: Secretaria da Educação e Cultura: 1977. Itajaí: s. ________. 1999. Dulce Márcia. Hélio Floriano dos.d. SILVA.A Comunicação em Santa Catarina. Florianópolis-Blumenau : UFSC-FURB. In: LENZI. Itajaí. Flávia dos Santos. FERNANDES.Referências Bibliográficas CRUZ. COSTA. Luciene Rebelo. Televisão e Negócio – A RBS em Santa Catarina. História do Rádio em Santa Catarina. Moacir. Rogério Marcos (organizador). Ferreira da. Entrevista concedida ao autor em 19/01/2005 CRUZ. 2003. A Força do Jornal do Interior. Ricardo. SANTOS. Entrevista concedida ao autor em 20/12/ 2004. Imprensa & Poder . Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004. VIEIRA. Itajaí Outras Histórias. Mario Luiz. 1992. Lúcia Helena. Itajaí : Univali. A História do Clube da Imprensa de Itajaí (artigo).d. 2003. 2002.

2 de setembro de 1977. Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. edição número 15. Florianópolis : Edição número 5. Constância Teresinha. Suplemento Especial. Alberto César. Edgard. Florianópolis : outubro de 1999. Periódicos JORNAL DE SANTA CATARINA. SILVEIRA. Suplemento Especial. Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Blumenau : Caderno Especial. Entrevista concedida ao autor em 10/ 01/2005. RUSSI.GONÇALVES JÚNIOR. Entrevista concedida ao autor em 19/01/2005. ZERO. 22 e 23 de setembro de 2001. Entrevista concedida ao autor em 07/12/ 2004. 22 e 23 de setembro de 1996. Edição número 5 de agosto de 1999. Suplemento Especial. 29 de outubro de 1997. PAPEL JORNAL. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 69 . SEVERINO. Entrevista concedida ao autor em 20/12/ 2004. Hélio Floriano dos. SANTOS. Janete Jane Cardoso da. 20 de dezembro de 1993. Entrevista concedida ao autor em 21/ 12/2004.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 70 .

Amigos e apadrinhados das principais personalidades políticas de cada clã. na Santa Catarina da época da criação do Sindicato.A imprensa na Grande Florianópolis César Valente No princípio. A mesma coisa. o PSD (Partido Social Democrático) e a UDN (União Democrática Nacional). Uma espécie de serviço de alto-falantes dos principais partidos ou coligações. de certa forma. Mais especificamente. Por décadas a imprensa da capital de Santa Catarina viveu essa rotina provinciana. redatores daqueles textos rebuscados que invariavelmente iniciavam com um longo “nariz de cera”. Simples assim. Os jornais e as emissoras de rádio em Florianópolis eram conhecidos por serem “de propriedade” de uma ou de outra corrente política. às claras: todos sabiam que se quisessem encontrar críticas aos Ramos teriam que ler o jornal da UDN. Os jornais eram mantidos em estado de indigência tecnológica pela falta de ambição comercial. eram também partidários. as notícias eram copiadas do repórter Esso. A rádio Guarujá e o jornal “O Estado” elogiavam quem era simpático ao PSD e expunham as mazelas dos adversários. só que com o sinal inverso. da UDN. da Rádio Nacional do Rio. ora. eram os partidos políticos. ditadas pela fonte ou ainda recortadas de jornais de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 71 . As notícias. faziam a rádio Diário da Manhã e o jornal “A Gazeta”. Os jornalistas. E era um jogo. E para saber o que estavam dizendo dos Bornhausen era só ler o jornal do PSD. Ninguém parecia interessado em ganhar dinheiro com jornais ou em buscar mais leitores com algumas inovações já disponíveis em outras capitais brasileiras: bastava que cumprissem seu papel de arautos dos partidos.

Paschoal e seu irmão Nicolau foram encarregados da parte cultural e Zury Machado fazia a coluna social.uol. Em 1956. Além dos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 72 . Paschoal Pitsica contou. o jornal fica sob a responsabilidade de José Matusalém Comelli. A crise financeira. A pequena cidade.br/grande/pitsica). certamente contribuiu para que as coisas mudassem ou pelo menos se tornassem menos evidentes e preponderantes. o jornal “O Estado” já era de propriedade do exgovernador Aderbal Ramos da Silva. 1996. os demais jornais permaneciam onde sempre estiveram ou regrediam. Já podia produzir suas próprias fotos e ilustrações. A extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2. ao comprar uma segunda linotipo. em 1958. fez grande sucesso e reuniu colaborações dos principais nomes da época.com. resolveram criar. Em 1964. um Suplemento Dominical “cultural e social” em “O Estado”. Em 1957. o jornal “O Estado” iniciou um lento e longo processo de modernização. instalou uma rotoplana. jovem genro do “Doutor Aderbal”. ainda que capital de estado. que a essa altura é um personagem novo. depois irá se instalar confortavelmente e tomar parte em todos os movimentos da imprensa florianopolitana. animados com os novos equipamentos. Foi uma espécie de “primavera de Praga” que durou um ano. mas sem novidades. em 1965.fora e publicadas no dia seguinte. Quando Rubens de Arruda Ramos deixa a direção. disponível em http://an. não tinha a pressa de hoje. que o diretor Rubens de Arruda Ramos e o gerente Domingos de Aquino. A justificativa para o fechamento do suplemento foi a necessidade de economizar. impressora mais moderna e rápida que a prensa tipográfica anterior e instalou uma clicheria. de tempos em tempos comprava uma ou outra máquina nova. O “Diário da Tarde” fechou e “A Gazeta” continuava. Enquanto “O Estado”. numa entrevista a Apolinário Ternes (“A Notícia”. Essa polarização PSD/UDN durou mais ou menos até a década de 70.

mas ainda não tinha sido feito qualquer processo de compra ou importação de equipamentos. surpreendido pela iniciativa do Santa. composto a frio e impresso em rotativa off-set. E o jornal “O Estado” continuava sua lenta e segura trajetória de mudanças. com João Aveline. E um projeto editorial moderno e competitivo. foi um terremoto jornalístico cuja onda de choque chegou a Florianópolis com toda a força. ao chegar a Florianópolis em 1970. em Blumenau. começou a montar uma grande sucursal na capital. trazido de São Paulo por Nestor Fedrizzi. José Matusalém Comelli conta que a modernização de “O Estado” estava sendo pensada e planejada. mesmo antes de tornar-se colunista do jornal. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 73 . O jornal “O Estado” foi. um radialista de prestígio que embora apaixonado por Florianópolis e defensor das tradições locais.filhos de Rubens (Sérgio da Costa Ramos que desde os 14 anos de idade convivia com o jornal e Paulo da Costa Ramos). não hostilizou os recém-chegados e os ajudou de inúmeras formas. uma rotina jornalística profissional e nova tecnologia de impressão. em 1971. Raul Caldas Filho. O Santa foi lançado em 22 de setembro de 1971. Não só porque Nestor Fedrizzi (jornalista gaúcho responsável. de certa forma. pelo sucesso da “Última Hora” em Porto Alegre) levou para Blumenau jornalistas da melhor qualidade. Mauro Júlio Amorim e Luiz Henrique Tancredo. antes mesmo do lançamento. O lançamento do “Jornal de Santa Catarina”. procedimentos excessivamente burocratizados e que. Ayrton Kanitz lembra que. com a tarefa de montar a sucursal do Santa (como é chamado o jornal de Blumenau) foi muito bem recebido por Adolfo Zigelli. Comelli cercou-se de outros jovens. como Marcílio Medeiros Filho. em geral. Todos os demais jornais tinham composição a quente (com linotipos) ou manual (com tipos móveis) e impressão direta plana ou no máximo rotoplana (matriz plana e entintador rotativo). mas também porque. demorava mais de um ano.

enquanto ainda estavam nos portos de Santos e Paranaguá. “O Estado” conseguiu renovar-se. tanto no serviço de imprensa do Palácio quanto na rádio da UDN. após sete meses de mandato. Foi por isso que. como um todo. oito meses depois. em portos brasileiros. surpreendendo a todos. percebe o momento histórico e acaba ganhando credibilidade com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 74 . locutor de rádio do partido. o jornal “O Estado” estreava sua nova sede. Adolfo Zigelli conseguia. No rádio. trouxe parte da equipe que lançara o Santa. As máquinas tinham acabado de chegar e. foi beneficiado pelo acaso. Não eram só os jornais que mudavam. do grupo de apoio do então governador paranaense Haroldo Leon Peres. com equipamentos semelhantes aos do concorrente de Blumenau. Diante disso. em tempo recorde. importara todo o maquinário para instalar um jornal em Maringá. A imprensa. Jorge Daux (então proprietário da rede de cinemas da capital) procurou Comelli para apresentá-lo a um deputado paranaense que estava vendendo o equipamento que “O Estado” precisava. “O Estado”.Mesmo assim. com todos os demais equipamentos complementares à venda. acrescentando alguns jornalistas gaúchos recém-chegados e poucos locais. estava em processo de mudança. Praticamente pronta entrega. Em meados de 1971. O amigo de Daux. na rua Felipe Schmidt. trazido para Florianópolis para continuar a atuar politicamente. Para fazê-lo. Um jornal totalmente renovado. O jornalista florianopolitano também nunca mais foi o mesmo. com o Vanguarda. gráfica e editorialmente. o dono do jornal achou melhor não lançá-lo e saiu em busca de compradores para as máquinas. completar uma das histórias profissionais mais interessantes: o garoto engajado nas lides da UDN em Joaçaba. havia todo um sistema de composição a frio IBM e uma rotativa off-set Goss. em maio de 1972. o governador deixou o cargo (Peres renunciou em setembro de 1971. Portanto. num episódio até hoje obscuro). na verdade.

O Jorge Escosteguy (falecido em 1996). Elaine Borges. Nós éramos os iniciantes. Não era um fato isolado. trabalhar em qualquer lugar do mundo. eu estava entre os jornalistas catarinenses que compunham a redação. Jorge Escosteguy. os postos principais nas principais editorias eram ocupados pelos “gaúchos”. o partido-frente que se opunha ao MDB. Em 1972. Eles eram os jornalistas experientes. a UDN estava unida ao PSD na Aliança Renovadora Nacional – Arena –. Ocupava uma vaga de redator no Caderno 2. como de fato alguns fizeram. na sucursal do Santa e no jornal “O Estado”. Florianópolis estava “cheia” de jornalistas gaúchos. Mário Medaglia. era uma esfinge arrogante aos olhos curiosos dos locais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 75 . E não eram quaisquer jornalistas: Ayrton Kanitz. Naturalmente. Nei Duclós. Tinha vindo diretamente de Porto Alegre. JB Scalco. só que numa linguagem moderna. trabalhava sem descanso e sem levar a sério aquele bando de provincianos que circundava o grande centro do saber. na nova etapa de “O Estado”. no Rio e em São Paulo também estavam “cheias” de gaúchos talentosos. editado pelo Paulo da Costa Ramos. O Vanguarda não era um programa da UDN e não tinha o ranço político-partidário que caracterizou o passado do mesmo Zigelli. por exemplo. com 19 anos. Vale lembrar que. grande jornalista que depois tornou-se nacionalmente conhecido e respeitado. porque as redações dos principais veículos.uma atuação focada na defesa da cidade e de seus valores que começavam a desaparecer (como a até hoje injustificada demolição do Miramar). Ele desenhava e diagramava as páginas que editava. poderiam. Virson Olderbaun. O choque cultural e profissional era ao mesmo tempo assustador e estimulante. mas não deixava também de ter a visão política básica dos dessa corrente. nessa época. mais à esquerda. traduzia os telegramas das agências internacionais. o outro partido-frente do sistema bipartidário. Em março de 1972. sem ter passado pelo Santa.

embora radical. responsáveis pela implantação de uma mudança que. para poder manter o jornal circulando. Tomamo-nos de brios e ninguém mais falou em ir pra casa. os “gaúchos” foram embora. Muitos dos jornalistas que vieram de outros estados naquela época. Em outubro de 1972. A segunda. favorecendo os atritos. àquela altura. Provamos. jantar. fomos chamados a assumir todas as funções do jornal que tinham ficado desguarnecidas. Aprender a fazer tudo o que ainda não tínhamos aprendido. sem maiores responsabilidades do que dar texto final a matérias culturais. No meio da tarde. os jornalistas que tinham sido criados num ambiente empresarial mais profissional (Porto Alegre. Havia um conflito latente sobre como conduzir o jornal “O Estado”: de um lado. os remanescentes e inexperientes catarinas. Mas a conjuntura na qual o incidente ocorreu era mais ampla. Mas o melhor estava por vir. E ainda me pagavam para participar daquela festa. E os principais jorna- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 76 . para nós mesmos e para o mundo. literalmente de uma hora para a outra. fiquei dois dias inteiros no jornal. de repente. mesmo sem os “gaúchos”. Parecia que o ritmo dos locais que estavam se esforçando para modernizar a imprensa provinciana e de quem tinha vindo de fora com o mesmo objetivo não estava sintonizado. pelo menos. achava tudo muito divertido. parece mesmo apenas uma gota (uma discussão menor sobre funções e atribuições). A gota d’água que provocou a saída daquela turma. acabaram ficando na cidade até hoje. nós. alguns de grande qualidade jornalística) e do outro os dirigentes do jornal. um pouco mais cedo. descansar.E eu. tinha menos de um ano de vida. mas chegou. tinha cinco ou seis jornais. muitas delas traduzidas de revistas estrangeiras. Tivemos que arrebentar a caixa preta a marretadas. A primeira edição que fizemos chegou às bancas perto do meiodia (não lembro se antes ou depois). que éramos capazes de baixar um jornal. vista a esta distância. Eu.

o miolo era igual. de uma ou outra forma. Essa injeção de profissionalismo nas práticas semi-amadoras do jornalismo ilhéu foi. em Blumenau e o “Jornal de Joinville”. Vânio Bossle (“Folha de S. Marcílio Medeiros Filho (“Jornal do Brasil”). houve uma tentativa de reativação do jornal “A Gazeta”. o Zico (“O Estado de S. o jornal “O Estado” começou a recompor sua equipe tomando mais cuidado para não ficar tão dependente de grupos de profissionais. E um marco fundamental para o jornalismo catarinense. a meu ver. Em 1977. Paulo”). Com uma sucursal grande e ativa na capital. que circulava na Grande Florianópolis. influenciados. para inserção das matérias dos correspondentes de cada um dos locais. (“Correio do Povo”). Agitou o ambiente. Também nesse ano. Raul Caldas Filho (“Manchete”). correspondentes de publicações de outros estados: Sérgio da Costa Ramos (“Veja”). Reforçou a redação. foram. as fotos e ilustrações perdiam em qualidade. Depois da “debandada” dos “gaúchos”. Nos três.listas locais. movimentou o mercado. ao longo da década de 70. Sem dispor da qualidade do off-set. mas continuava a ser impresso tipograficamente. o “Jornal de Santa Catarina” continuava. José Carlos Soares. mas não chegou a ameaçar de fato os líderes. como o concorrente mais importante de “O Estado”. por maior ou menor tempo. A cidade não foi mais a mesma. estimulou o aperfeiçoamento. Trouxeram uns de São Paulo. Paulo”) e Silva Jr. O surgimento dos jornais do grupo Diários Associados. com redação em Florianópolis. A experiência durou pouco tempo. outros do Paraná e mais alguns foram recrutados em Florianópolis mesmo. também naquela época. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 77 . o principal fato jornalístico destes 50 anos. foram lançados três jornais: o “Diário de Notícias”. provocou discussões. melhorou a cobertura. Antônio Kowalsky (“O Globo”). mudando apenas a capa. A década de 70 é um marco importante na imprensa florianopolitana. “A Nação”. todos fomos.

Florianópolis viu surgir muitos veículos. foi uma idéia de Luiz Daux. com grande espaço para anúncios. ciclone. semanário de distribuição gratuita. maroto e bem humorado. Teve. Seria mais útil cursar Jornalismo em cidades como Porto Alegre ou São Paulo e depois voltar para exercer a profissão com uma visão mais aberta e atualizada. na trilha aberta por Zózimo Barroso do Amaral. com maior ou menor sucesso e variado tempo de vida. “Afinal”. Zigelli. escolham o chavão preferido para nomear as mudanças na primeira metade da década de 70). Durante boa parte da sua vida. empresário da construção civil. George Daux. o grupo de trabalho liderado pelo jornalista Moacir Pereira chegou à conclusão contrária. Entre eles.. Durante os primeiros anos da década. elaborou o projeto do curso em poucos meses. Não sobreviveu ao início da década de 80. dando opinião e lançando sobre a província e seus hábitos um olhar crítico. além do próprio Fedrizzi. “A Ponte” e o “Vento Sul”. por favor.. por exemplo. Acreditavam que ainda não havia. Valdir Zwetsch. empresas jornalísticas em número e qualidade suficientes. o MEC autorizou e no vestibular de 1979 foram colocadas à disposição as primeiras 40 vagas. na cidade. o “Jornal da Semana”. Luiz Lanzetta e Flávio de Sturdze. teve uma circulação de cerca de 20 mil exemplares.A partir desse impulso inicial e talvez estimulados pelo ambiente de renovação. Em 1978. deliciando-se com as novidades. tornado. Tratava-se de um “Shopping News”. Beto Stodieck dava às colunas sociais uma nova roupagem. entre seus editores. assim como Ayrton Kanitz. a cidade estava posta em sossego. Lançado em fevereiro de 1975. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 78 . de Nestor Fedrizzi (o mesmo que criou o Santa) e de José Joaquim de Souza. que teve a participação do irmão. tratando sem frescuras tanto de amenidades quanto de fatos políticos. Outro jornal que teve uma trajetória importante na cidade foi o “Bom Dia. Passado o furacão (tsunami. eram contrários à criação de um curso de Jornalismo em Florianópolis. Domingo”. no JB.

Suas inovações e contribuições ajudaram a colocar Florianópolis no mapa do ensino do jornalismo no País. Mas a pressão contra essa aliança com os “estrangeiros” cresce. Imaginavam os opositores da sociedade. Mas seu desenrolar definiu o perfil e o futuro da imprensa nesta pequena ilha do sul do Brasil. Comelli e Aderbal recuam e Sirotsky decide entrar na disputa sem sócios. A televisão entra no ar em 1979. numa movimentação que provavelmente a maioria da população e mesmo dos jornalistas nem tenha percebido. A minuta do contrato chega a ser redigida. o governador tomaria partido dos locais. Estamos em plena ditadura (ainda que num processo “lento e seguro” de distenção). portanto. Maurício Sirotsky. mas o principal concorrente. em Porto Alegre. José Matusalém Comelli foi.O curso de Jornalismo da UFSC acabaria se destacando entre os demais cursos brasileiros. também está interessado. disse que achava “muito justo que o jornal “O Estado” tenha um canal de TV. O jornal “O Estado” continua sem um canal de TV. o “Jornal de Santa Catarina”. a TV Catarinense é outorgada à RBS (Rede Brasil Sul). retransmitindo a programação da Globo. que anteriormente era exclusividade da TV Coligadas. A abertura da concorrência para o segundo canal de televisão em VHF de Florianópolis agitou o empresariado local e das cidades e estados vizinhos. dono da TV Gaúcha e do jornal “Zero Hora”. que numa disputa com um pretendente de outro estado. ao governador Antônio Carlos Konder Reis informar que liderava um grupo que pretendia disputar o canal. Em 1977. sempre político. têm grande participação no processo. indicados sem voto popular. de Sirotsky. de concessão de canais de TV. da mesma forma que o “Jornal de Santa Catarina” tem a TV Coligadas”. O governador. com as bênçãos de Antônio Carlos Konder Reis. conta Comelli. também estava sem a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 79 . o presidente é o general Ernesto Geisel e os governadores. Propõe sociedade a Comelli e ao ex-governador Aderbal Ramos da Silva.

que fora vendida em 1975 para o grupo paranaense de Mário Petrelli. que teve ampla adesão em todo o estado. uma longa luta para colocar no Sindicato dos Jornalistas uma diretoria mais sintonizada com os novos tempos. Para estimular a sindicalização (sem a qual não haveria votos). da diretoria presidida por Celso Vicenzi. desta vez para comprar ou associar-se ao JORNALISMO EM PERSPECTIVA 80 .sua TV. como os fotógrafos. Na noite de 12 de abril de 1980. “Tinha até o nome do vigia. Começou. Muitos chegaram ainda no sábado à noite e vários. passaram a madrugada no local do acidente. entre os quais me incluía. foi publicado. conta. O jornal fez três edições extras. Muitos jornalistas. emocionado. e fazer campanha. foi criado o Movimento de Oposição Sindical. todos os jornalistas e funcionários de O Estado tinham voluntariamente chegado à redação para trabalhar. Como reconhecimento ao fato de todos terem aparecido. em cada uma das edições. próximo à sede do jornal “O Estado” e já era madrugada quando o local foi alcançado pela polícia e pela Aeronáutica. Às 8 horas da manhã de domingo. A RBS iniciou a década de 80 retomando as conversas com José Matusalém Comelli. caiu um avião da Transbrasil no morro dos Ratones. O MOS atingiu seu objetivo com a posse. então. que escalou o morro para buscar os filmes e trazer para revelar”. Osmar Schlindwein. um sábado. em 1987. As que perderam saíram desgastadas e a ganhadora chega ao estado com o poderosíssimo trunfo que é a Rede Globo e seu quase monopólio de faturamento comercial. Assim como a chegada do off-set e das novas práticas profissionais foi importante para os jornalistas e para o jornalismo. Essa disputa mexe profundamente com as empresas de comunicação de Florianópolis. tinham o sentimento que a profissionalização e a paixão pela profissão precisavam ser acompanhadas pelo Sindicato. a disputa pelo segundo canal de TV em Florianópolis foi decisiva para as empresas. um expediente especial com a nominata completa.

ampliando a sucursal. nas oficinas tipográficas de “O Estado”. Lembro-me dele sujo de tinta. de “O Estado”. colunistas e jornalistas e levou. anos mais tarde. o “Diário Catarinense” é lançado em 1986. A RBS-TV. até hoje não superado: 102 mil JORNALISMO EM PERSPECTIVA 81 . foi vendido para o empresário Nilton Reis. Envolveu-se de tal maneira com a manufatura dos jornais. empresários. em 1970. Comelli conta isso com uma certa mágoa. Sem negócio com “O Estado”. naquele “O Estado” da rua Conselheiro Mafra. lidera a audiência e garante o suporte financeiro para a empreitada. Em geral amigos. Não é repórter. grande empenho para ajudar o jornal a sobreviver. fez ou fazia. Osmar começou cedo. Mas também lembro dele colocando ordem na composição eletrônica do jornal. que resolveu reforçar sua circulação em Florianópolis. mas sabe quando uma matéria está bem escrita e quando o repórter é apenas um enrolão. políticos. cujo gerente era Domingos de Aquino. O “Jornal de Santa Catarina”. Após dois anos de estudos. não por acaso seu tio.jornal “O Estado”. Osmar lembra que estava no Santa quando o jornal bateu o recorde catarinense de tiragem. em 1985. talvez porque depois não tenha visto. a decisão acabou sofrendo a influência de muitos grupos de pressão. naqueles que pressionaram para que o negócio não fosse feito. a cavaleiro da programação da Globo. que viam na venda de “O Estado” uma espécie de rendição ao “inimigo”. que não se pode delimitar exatamente o que o Osmar faz. a RBS decide lançar seu próprio jornal. também. o jornalista escalado para fazer as primeiras sondagens e ajudar na formatação do projeto. uma das personalidades mais versáteis do jornalismo da capital: Osmar Schlindwein. E certamente muitos o viram prestando consultoria a seus próprios chefes. Novamente. apaziguando ânimos. Já o vi dirigindo o comercial. Armando Burd. Tirou. Mas também fazia as vezes de gerente de recursos humanos. chega à cidade em 1984 e começa as conversas com jornalistas.

Uma demonstração de vitalidade que parece difícil de se repetir. A tabela não era exclusiva. naturalmente. fiz questão que o jornal recontratasse o Osmar Schlindwein. Ao completar 80 anos. em Santa Catarina. Fui editor-chefe de “O Estado” de 1988 a 1989. para dar um susto na concorrência. o grupo que pu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 82 . que existem até hoje e circulam também em outros estados. o colocava como principal concorrente do DC. E sempre que fazíamos alguma cobertura melhor que o concorrente. Com a ajuda do Flávio de Sturdze.exemplares da edição extra com a tabela da Sunab do plano Cruzado. O interesse por economia e negócios cresce no país todo e em Florianópolis surgem duas revistas especializadas. mudou para o formato tablóide e raramente tem edições com mais de 16 páginas. em 1986. Nessa época “O Estado” ainda circulava na maioria dos municípios e sua venda. Bastava ir lá buscar e publicar. Em 1995. aos domingos. a cerca de 30 mil exemplares). em “O Estado”. a população literalmente foi às ruas para comprar a lista. a estatal EBN (Empresa Brasileira de Notícias) distribuiu para todos os seus escritórios. A equipe viveu. que ainda não podia ser considerado “líder”. grande emoções: tanto lá quanto cá havia gente capaz de produzir um bom jornal. deu-se conta da importância e do apelo popular desse material. tanto em bancas quanto de assinaturas (chegava. E. a “Expressão” (1990) e a “Empreendedor” (1993). ainda em formato standard. Só que nenhum outro jornal. O Estado publicou um caderno comemorativo com 76 páginas bem recheadas de anúncios. Uma vez publicada a edição extra. Emocionados com o elementar e saudável efeito da disputa pelo leitor. em todos os estados. o jornal hoje só circula na Grande Florianópolis. enchíamonos de justificado orgulho. trouxe para o “mais antigo” vários jornalistas que estavam se destacando no nascente “Diário Catarinense”. Acuado pela crise. para reforçar a equipe. em 1995. Achei que poderíamos fazer uma boa dupla.

As empresas justificam os baixos salários com a crise. ora mundial.blica o “Indústria & Comércio” em Curitiba. a sucursal edita um caderno. como um dos projetos mais estáveis e bem sucedidos. não se refletiu na melhoria do padrão salarial. com uma sucursal que também passou a fazer parte do mercado profissional. Toda essa movimentação profissional e empresarial. Isso leva o leitor a desacreditar dos jornais e a desconfiar que seja assim em todo lugar. porque montou uma equipe de grande qualidade (com jornalistas como Flávio de Sturdze e Belmiro Southier. por exemplo). ora nacional. lançou aqui um jornal com o mesmo nome. como conseqüência. o que é pior. Inicialmente parecia promissor. Mas não chegou a completar quatro anos. E os salários. Assim como a sucursal do “Jornal de Santa Catarina” teve papel importante no jornalismo da capital. não são suficientes nem para remunerar um trabalho com tal responsabilidade e nem para dar aos jornalistas uma vida digna. impresso em off-set a partir de 1980. Montou uma redação local para editar algumas páginas e utilizava material do jornal paranaense para fechar as demais páginas. A impressão era em Curitiba. ora local. Além de fornecer material para o jornal principal. Para agravar a situação. de Joinville. levou-o a instalar-se em Florianópolis. semanários que institucionalizam a picaretagem: as “reportagens” só são publicadas se os interessados pagarem. o crescimento do jornal “A Notícia”. que circula com o reparte da Grande Florianópolis. E. o “ANCapital”. em muitos bairros. nos últimos anos surgiram. que trouxe tantas mudanças e afetou de tantas maneiras o jornalismo da capital. a achar que isso é jornalismo. Na verdade. editado em Joinville. ora estadual. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 83 . não houve crescimento do número de leitores e a verba publicitária gerada pela economia da Capital não parece suficiente para manter os veículos.

conversei com alguns dos participantes dessa história. Marcílio Medeiros Filho. por condensar num capítulo tantos casos e lembranças. Mário Medaglia e Osmar Schlindwein. que me ajudaram a confirmar muitos detalhes e informações. que valeriam um livro inteiro): Ayrton Kanitz. A eles o meu agradecimento (e desculpas. Elaine Borges. Flávio de Sturdze. José Matusalém Comelli.Agradecimentos Em dezembro de 2004 e janeiro de 2005. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 84 .

Expansões e Transformações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 85 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 86 .

Ou ainda. é função de jornalista e hoje um importante campo no mercado de trabalho para a categoria. telespectadores e ouvintes não parecem ter dúvidas neste sentido. por que na essência são jornalistas e não vão perder esta condição por estarem desempenhando este ou aquele papel. todas próprias do Jornalismo. E o pior. mas na essência as atividades estão muito próximas. Numa assessoria de imprensa também se faz pautas. O cargo de assessor é uma das atividades do Jornalismo. na execução de algumas tarefas. para ficar nas mais tradicionais. O experiente e respeitado jornalista. entre outras ações. que até hoje brigam para fazer valer a obrigatoriedade do diploma universitário para exercer a profissão. Mas afinal.Assessoria de imprensa: mercado em expansão Roger Bittencourt Jornalista ou assessor? É comum muita confusão entre uma definição e outra. a edição e a pauta. A assessoria de imprensa. é claro. já que clientes. mas todo o assessor de imprensa é jornalista – ou pelo menos deveria ser. como o nome mesmo diz. programas de rádio e televisão. a discussão se dá mais entre os próprios jornalistas. São aqueles que se aproveitam da falta de regulamentação e fiscalização da atividade profissional dos jornalistas. Há diferenças. jornalista ou assessor? Nem todo jornalista é assessor. Os assessores e jornalistas de redações trabalham com a mesma matéria-prima – a informação. edição de informativos. assim como a reportagem. os profissionais saem das redações para trabalhar em assessorias e vice-versa. fontes. assessor e escritor Francisco Viana destaca inclusive que as assessoJORNALISMO EM PERSPECTIVA 87 . reportagens. Atualmente. Claro que existe muito assessor que não é jornalista. se assessor de imprensa é jornalista ou não. leitores.

nada mais é que o reconhecimento da importância da atividade – até como perspectiva de absorção dos centenas de jornalistas que se formam em todo país anualmente. no livro “O Papel do Assessor”. ganhando espaço e reconhecimento nas redações. escreve o texto. Por que a dúvida então entre jornalista ou assessor? Porque alguns míopes ainda tentam contrapor as duas atividades. conseqüentemente. Entende de todas as pontas do processo. e edita. No livro “De Cara com a Mídia”. O mestre em Comunicação João José Forni considera que o relacionamento do assessor com o jornalista de redação passou a ser um jogo pautado pelo respeito ao trabalho de cada um. “Jornalista é aquele que pensa a pauta. A disciplina de Jornalismo Empresarial. informações de interesse coletivo. assim como nas universidades. ou seja lá como for chamada. à sociedade. norteando o seu trabalho de forma ética e consciente”. afirma Viana. Francisco Viana define bem essa relação: “Nunca consegui ver empresários e imprensa em campos opostos. seus funcionários e a opinião pública e fornecer aos veículos de comunicação e. ou Jornalismo Empreendedor. A jornalista Eliane Ulhôa. onde deve prevalecer o profissionalismo e o interesse público. que vai aproveitar ou não estas informações. A atividade de assessor vem a cada dia se profissionalizando. com a compreensão de que o papel do assessor – como o nome mesmo define – é assessorar na divulgação de notícias. não é diferente”.rias devem caminhar para um modelo de redação de jornal. Na assessoria. Assim como não posso aceitar o princípio de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 88 . auxiliando inclusive o trabalho da imprensa. como se não pudessem conviver em perfeita harmonia. nos sindicatos de jornalistas e junto à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). ressalta a função desses profissionais na “nem sempre fácil tarefa de contribuir para o aperfeiçoamento da comunicação entre a instituição.

há bons e maus assessores. nos Estados Unidos. é cada vez menos expressiva a restrição à assessoria de imprensa. se é que se poderia chamar assim na época. Com um setor de imJORNALISMO EM PERSPECTIVA 89 . autor do livro “O que é Assessoria de Imprensa”. Gaudêncio Torquato do Rêgo. professor e jornalista. na China (202 a. ou melhor. É claro que. Contudo estão unidos no objetivo maior de construir o desenvolvimento e promover justiça social.C). Já a precursora na área de assessoria de imprensa. da prensa de tipos móveis e ainda mais com a chegada da rotativa em 1811 e do linotipo em 1885. editado pela primeira vez em 1696. Pelo contrário. segundo Boanerges Lopes. Esta definição seria ampliada muito tempo depois. que remonta a um passado bastante distante e onde não havia controvérsias. O professor e jornalista Boanerges Lopes. organizada por Amos Kendall para o Governo de Andrew Jackson. revela que vem das cartas circulares que apresentavam decisões e realizações da Dinastia Han. No século XIX. como em toda atividade.que o assessor e o jornalista que trabalha na mídia são adversários. por Gutenberg. com a invenção. surgem nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha as primeiras publicações empresariais para reduzir o descontentamento interno em diversas organizações. empresários e imprensa. em lados antagônicos. uma atividade. no século XV. credita ao Lloyd´s List. na Inglaterra. assessores e jornalistas ocupam sim espaços diferentes e desempenham funções diferentes na sociedade. Estão unidos em busca da transparência e da racionalidade”. data de 1829. bons e maus jornalistas. o conceito básico de assessoria de imprensa: a necessidade de divulgar opiniões e realizações de um indivíduo ou grupo de pessoas. já que os empregados não tinham acesso à grande imprensa da época. Um pouco de história Atualmente. o título de primeiro exemplar do chamado jornalismo empresarial.

o DIP acabou se transformando em um órgão de promoção pessoal de Vargas e de censura. a assessoria pioneira publica o “The Globe”. “foi um dos piores momentos do setor”. opiniões e explicações que interessam à sociedade” e à imprensa. seguida pelo Ministério da Agricultura. Mas foi o presidente Getúlio Vargas que criou oficialmente um serviço de atendimento à imprensa durante o Estado Novo – o temido DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Com o advento do Regime Militar em 1964. em muitos casos. Essa re- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 90 . pela primeira. apontado por muitos estudiosos do assunto como o primeiro house-organ. pois o assessor passou a ser. É nos anos 80 que o setor de assessoria de imprensa se consolida. vez as expressões agente de imprensa (press agent) e divulgador (publicity agent). Na opinião de Clovis Rossi. Paulo”. tinham exatamente o papel oposto ao que se propunham na essência – cabia a elas esconder a verdade. Em 1868. surgem nos Estados Unidos. na maioria das vezes. os jornalistas passaram a ser inimigos do sistema e a imagem negativa das assessorias de imprensa aumentou. conforme revela o professor de Jornalismo Manoel Carlos Chaparro. retoma seu conceito original e passa a ocupar importante espaço tanto na absorção de mão-de-obra como nos processos jornalísticos. cúmplice do regime e inimigos da informação para a imprensa.prensa e relações públicas bem organizado. “as assessorias estão inseridas em todas as fontes detentoras de informações. ainda com a missão clara do controle da informação para o público. Até porque. Segundo o professor Chaparro. jornalista da “Folha de S. Criado para divulgar obras e atos do presidente. Essa deformação talvez seja a responsável até hoje pela postura equivocada de alguns jornalistas em relação às assessorias de imprensa. que a partir da década de 70 tiveram rápida expansão. A excelente pesquisa do professor Boanerges Lopes revela que no Brasil a Light foi a precursora do conceito de preservação e divulgação positiva da imagem da empresa.

inclusive em Santa Catarina. Na mesma linha. a mídia especializada (dos mais diversos setores) e uma quantidade cada vez maior de jornalistas inteligentes já perceberam que o assessor pode e deve auxiliar muito na busca de informações. a Fenaj cria o Departamento de Mobilização em Assessoria de Imprensa. Grandes empresas. Apesar do setor ainda não ser suficientemente organizado para se ter uma estatística nacional completa. O impulso se deu tanto pela importância da atividade e sua compreensão pelo mercado da comunicação. que hoje utilizam cada vez mais profissionais qualificados e novas tecnologias. o que igualmente contribui para o boom deste mercado. Mercado em expansão Este crescimento é inegável nos últimos anos. como por ser mais uma alternativa de trabalho para centenas de jornalistas que saem das universidades todos os anos. com a proliferação dos serviços em todas as regiões e não apenas na Capital e em Joinville. órgãos governamentais descobriram o valor da atividade das assessorias de imprensa. inclusive em muitos veículos de comunicação. O crescimento do mercado também é registrado em números. Boanerges lembra que a importância do setor se consolida nos anos 90 com as faculdades de Comunicação criando disciplinas específicas tanto na graduação como em cursos de especialização. Também nesta época surgem os primeiros manuais de assessoria de imprensa e a valorização do setor pelas entidades de classe dos jornalistas. com o fortalecimento das comissões de assessoria de imprensa em diversos sindicatos. Veículos segmentados da grande imprensa (em especial nas áreas de Economia e Esportes).tomada dos valores iniciais é acompanhada também do reconhecimento hoje existente. para retratar o universo das assessorias de imprensa. na última pesquisa da AbraJORNALISMO EM PERSPECTIVA 91 . da importância do papel da assessoria de imprensa seja para ajudar a obter informações ou acelerar esta busca. em 1995. entidades.

ampliando o leque de atuação. educação (37%). E as perspectivas são animadoras: 32% dos entrevistados apostam que o mercado vai permanecer regular e 64% acreditam que vai melhorar. com 185 empresas de assessoria. 66% das assessorias contam com até dez clientes e 25% chegam até 20 clientes. O papel desempenhado pelas assessorias para profissionalizar o setor foi e está sendo fundamental para quebrar resistências e valorizar as empresas deste segmento. Ainda segundo o mesmo levantamento. a função do assessor de imprensa tem sido mais estimulada e respeita- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 92 . que hoje conta com muitos especialistas e busca cada vez mais se adequar aos anseios dos clientes e às necessidades das redações. saúde (46%). assim como as transformações no País e no mundo. tecnologia (40%). sempre enxutas e correndo contra o relógio. contra apenas 22% das empresas onde houve redução de trabalho. Nas universidades. Os setores de serviços (62%). privilegiando a transparência e precisão nas informações. 41% revelaram que o número de clientes aumentou e para 37% este índice permaneceu estável. E esta pequena amostragem revela que praticamente todos os setores hoje já utilizam o serviço de assessoria de imprensa. que deixou de ser prerrogativa das grandes corporações para beneficiar os processos de comunicação de médias e até pequenas empresas. comércio varejista (37%). bom (29%) ou muito bom (9%). apesar dos valores pagos ainda serem considerados baixos – o investimento máximo das empresas em assessoria é de R$ 3 mil em 46% dos contratos. Também é inquestionável a profissionalização do segmento.com – Associação Brasileira das Agências de Comunicação –. sindicatos e já em muitas redações. o mercado é considerado regular (36%). Para 74% das assessorias. realizada em 2003. indústria (37%) e terceiro setor (33%) são alguns dos mais atendidos pelas assessorias de imprensa.

não partiram de dentro das redações (pautas próprias). Apesar de toda evolução e reconhecimento do setor de assessoria de imprensa. ao invés de saberem aproveitar o material que recebem.da. rádio. ou seja. Estes poucos. ainda preferem condenar e até boicotar o trabalho das assessorias de imprensa. ao contrário de perder tempo combatendo a atividade. Já para a assessoria. Recente pesquisa da Universidade de São Paulo junto à mídia mostrou que mais de 80% das notícias publicadas em jornais tiveram origem em estímulo externo. hoje reconhecida nacionalmente. Não se tem o dado. Agindo assim. o que se vê é um processo desvirtuado. E a tendência é aumentar. quem manda é a redação. O poder da redação E qual o papel das redações neste caso específico? Filtrar as informações que chegam e transformá-las em notícias de interesse para o público. certos jornalistas. São casos cada vez menores. Nos EstaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 93 . quando entender que há valor no material recebido da assessoria. São os profissionais do jornal. Na verdade. ou simplesmente descartá-lo quando inútil. deveriam se preocupar em qualificar mais suas equipes para usarem corretamente o que estas empresas oferecem de melhor e descartar o que não é Jornalismo. mas que ainda existem até porque esses profissionais não têm a percepção do poder da redação. portal ou televisão que vão decidir se vão e quando aproveitar as sugestões enviadas pelas assessorias. estarão inclusive contribuindo para qualificar ainda mais as assessorias e adquirindo fontes confiáveis para busca de informações. que ainda mantêm uma visão ultrapassada sobre o papel da assessoria de imprensa. revista. Em alguns casos. mas com certeza boa parte destas informações foram geradas por assessorias. é importante manter um excelente e permanente diálogo com as redações e seus jornalistas.

transformando informações da empresa em notícias potenciais. não por favores. buscar divulgação para o cliente. mas pelo trabalho pró-ativo e dinâmico.dos Unidos. oferecer aos veículos de comunicação conteúdo adequado de interesse para a sociedade. É ele quem organiza o trânsito das informações em áreas em que os repórteres não conseguiriam entrar. o assessor de imprensa tem que fazer fluir a informação. Na opinião do jornalista Augusto Nunes. A assessoria trabalha de forma a equilibrar dois interesses distintos. Cabe à assessoria buscar esta visibilidade positiva do cliente seguindo as regras do Jornalismo e os princípios éticos que norteiam a profissão. é comum assessores fazerem estágios nas redações para adquirir experiência e compreender na prática o funcionamento dos veículos. O desafio da assessoria É exatamente quando uma empresa ou interlocutor transforma-se em fonte fidedigna para o jornalista e consegue igualmente divulgar o serviço ou produto por ela desenvolvido com foco positivo que podemos considerar que a assessoria de imprensa cumpriu o seu papel na plenitude. Para o professor Manuel Carlos Chaparro. “Transformar em ponto de referência dos jornalistas. lembra João José Forni. há uma JORNALISMO EM PERSPECTIVA 94 . eficiência e credibilidade é um resultado que poucos conseguem”. onde o press agent é muito respeitado pelos colegas que atuam em veículos. rapidez. Forni é outro que aponta como papel do assessor contribuir com o repórter na apuração da matéria e buscar dar uma característica de serviço ao leitor/telespectador naquilo que é divulgado. De um lado. Daí a importância da assessoria estar permanentemente sintonizada com as redações para ter a percepção de quais as pautas podem despertar mais interesse. Uma boa assessoria de imprensa saberá oferecer de maneira oportuna a matéria-prima (notícia do cliente) para os veículos de comunicação. e de outro.

O trabalho da assessoria de imprensa é de manter seu cliente no lado positivo da notícia. só o comunicador (assessor) está habilitado a diagnosticar e prescrever ações de comunicação. Com a profissionalização do setor. profetiza Francisco Viana. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 95 . mais chances terá a assessoria de imprensa de conseguir uma boa colocação na mídia. Quanto mais experiência a assessoria tiver em realizar este tipo de trabalho. Do “Manual de Comunicação da Unimed” vem uma analogia interessante neste sentido: da mesma maneira que só o médico pode diagnosticar e receitar quando o assunto é saúde.relação cada vez mais profissionalizada entre jornalista e fontes justamente porque a capacidade das assessorias de produzir conteúdos rompeu com os limites do jornal. maiores serão as chances de sucesso na publicação de uma matéria. produtividade. iniciativa e proximidade com a comunidade onde atua. este trabalho de “construção de uma boa pauta jornalística” e de “convencimento” das redações que a notícia tem importância deve ser feito exclusivamente por uma assessoria de imprensa. É o valor da notícia que determina o espaço ocupado jornalisticamente. É provocar situações que rendam à determinada marca uma imagem associada à competência. Com jornalistas conquista-se a simpatia pela tese – é o convencimento democrático. quanto mais feeling jornalístico seus profissionais forem capazes de possuir e quanto maior credibilidade a assessoria de imprensa conquistar junto às redações e suas equipes. Quanto mais interessante ou importante for a informação que uma empresa tem a divulgar. Isto explica porque as maiores organizações de todo o mundo aliam o trabalho de publicidade ao de assessoria de imprensa quando precisam estar em intensa evidência positiva junto à comunidade ou ao seu público consumidor.

O especialista em assessoria João José Forni destaca no livro “O Papel do Assessor” que o leitor quer informação correta e o jornalista não pode enganá-lo: “Se esse jornalista se sentir usado. ainda que referente a um fato desagradável ou inconveniente. elaborado pela Fenaj é mais enfático: “A mentira é condenável em qualquer circunstância. O “Manual Nacional de Assessoria”. qualidade fundamental no relacionamento com os veículos de comunicação. tanto do cliente quanto dos veículos de comunicação. A verdade. hoje. pode ser mais bem compreendida do que qualquer mentira e nunca fecha as portas para futuros entendimentos”. Essa rapidez deve ocorrer no momento de divulgação de um novo serviço/projeto. buscando a informação em outras vertentes”. os assessores devem estar permanentemente em contato com o cliente não apenas atendendo às solicitações da empresa. fidelidade e presença constante para alcançar bons resultados. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 96 . para quem o pecado mortal de uma fonte é mentir – “Nesses casos não há absolvição: acaba-se a fonte”. não levará a assessoria a sério. as assessorias de imprensa devem se pautar pela verdade sob pena de prejudicar o nome do cliente e. Idéia compartilhada por Augusto Nunes. A veracidade no relacionamento com as informações e com a imprensa é outra características indispensável para uma assessoria obter sucesso e manter a credibilidade. principalmente. Mesmo tendo que atender os interesse dos clientes. as assessorias de imprensa precisam atuar com a agilidade necessária para dar resposta às demandas. Para isso.Apostando a verdade Com a modernização e a facilidade tecnológica para a comunicação. da própria assessoria. como também na hora de esclarecer alguma informação equivocadamente publicada. O trabalho de assessoria de imprensa também exige continuidade. mas também propondo fatos geradores de notícias e descobrindo assuntos internos que gerem exposição positiva na mídia.

Em artigo escrito em conjunto com o professor e jornalista Armando Medeiros Faria. trata-se de um caso permanente de relação interpessoal (assessor x jornalista de redação). Não são raros os casos de fontes querendo ser editadas da maneira como desejam. Daí caber também à assessoria exercer um trabalho pedagógico com seus clientes. Elementos como estes prejudicam o processo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 97 . de centralização da informação e até de incompreensão do papel da imprensa. o claro entendimento de que área comercial do veículo é uma coisa e redação é outra. E a saída apontada por ele parece simples. a consistência das informações e a atenção aos compromissos dos jornalistas são elementos que contribuem muito para o sucesso. “É preciso ser flexível e criativo”. assim como o desconhecimento sobre o funcionamento do processo jornalístico e até do que é notícia realmente. portanto uma regra pode ser estabelecida: é fundamental conhecer bem o cliente e os veículos de comunicação. natureza e características da mídia permite às assessorias de imprensa encontrarem um caminho adequado no relacionamento. ressalta Forni. ainda existe uma ausência de uma cultura de comunicação com a imprensa em muitas empresas. a presença imediata. Com tantos vetores influenciando no trabalho e ainda levando-se em consideração que no fundo. Manuais de assessoria ensinam que a transparência. afirma João José Forni. não é possível definir um modelo de trabalho para assessorias de imprensa. qual o modelo de atuação? Para Francisco Viana. Apesar de todos os avanços no segmento de assessoria. ele ressalta: “Essa capacidade sólida – teórica e prática – a respeito do papel. As peculiaridades dos clientes e dos veículos de comunicação é que vão definir o mecanismo de operação. Evita que a assessoria seja preconceituosa em relação à imprensa ou maniqueísta (sentir-se sempre vítima de perseguições da mídia)”.Entender a imprensa é pré-requisito fundamental. hoje.

no entanto. a sistematização da comunicação para consolidar a imagem de uma empresa ou instituição é uma meta a ser alcançada e a assessoria. Ou pior. Atuando de forma integrada e seguindo a mesma linguagem. cada vez mais. Aliada ao marketing e à publicidade. Positiva no atual mercado nacional de comunicação e Santa Catarina não foge à regra. Com base nessa premissa. e assim se intitularem. prejudicando inclusive o nome assessoria de imprensa. as três áreas contribuem de maneira inequívoca para a solidificação de uma marca. é a percepção dos produtos. mas jamais vinculada. uma das ferramentas. com credibilidade. Assessoria integrada com a publicidade. na maioria das vezes sem profissionais especializados ou em quantidade insuficiente para atender às necessidades dos clientes com resultados pelo menos satisfatórios. O que até é uma ofensa aos jornalistas. serviços e da marca. o que até pouco tempo não ocorria. a assessoria de imprensa passou a ser um instrumento fundamental para o bom desempenho da estratégia de comunicação de uma empresa ou instituição. é cada vez mais comum que as agências incluam em seu planejamento estratégico a utilização dos serviços de assessoria de imprensa. a própria agência se aventurava à tarefa. é a percepção cada vez maior das agências de publicidade de que o trabalho de uma assessoria de imprensa dentro de uma empresa contribui em muito para reforçar. sem serem efetivamente jornalistas e sem a mínima formação para a função. serviço ou conceito. produto. a mensagem passada através dos anúncios. que a compra legítima de espaço publicitário não implica na reserva automática de espaço editorial no jornal ou televisão. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 98 .Sintonia com a publicidade Num mercado onde o que importa. Vale ressaltar. sim. Conceito também abalado por todos aqueles que se metem a exercer as funções de assessor de imprensa.

hoje. newsletter on line e murais informativos. A nova denominação vem acompanhada de uma série de serviços oferecidos. até o desenvolvimento de roteiros e produção de vídeos institucionais e peças eletrônicas jornalísticas para veiculação no rádio e na televisão. Ele compartilha a tese de que a concepção negativa do passado já não existe mais e hoje a ferramenta é indispensável. O surgimento da internet abriu novos caminhos para as assessorias. completa o jornalista e mestre em Comunicação João José Forni. Outra novidade é o que se convencionou chamar de release eletrônico. De assessoria de imprensa.“Comunicação é essencial na vida das empresas. “Ignorar ou menosprezar o papel da assessoria seria colocar fora importante instrumento de conquistas de espaço na imprensa”. revistas. tanto para ampliar o leque de divulgação. as assessorias vêm desenvolvendo outras atividades complementares para atender a demanda dos clientes na área de comunicação. Essas atribuições incluem desde a criação e execução de projetos de jornais. Além da atividade original de divulgação na imprensa e relacionamento com os jornalistas. destacou Francisco Viana em recente entrevista ao site Comunique-se. como para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 99 . boletins. seminários. com a respectiva edição e envio de texto com as informações para utilização pelas emissoras de televisão que não tiveram oportunidade de realizar a cobertura. eventos. as empresas do setor passaram a assessorias de comunicação. o que Francisco Viana define como “a mesma coisa dita de forma diferente”. Atuação diversificada O mercado de assessoria de imprensa não apenas cresceu como buscou novas vertentes. Nada mais é que a produção de vídeo com imagens e entrevistas realizadas em palestras. Trata-se de um investimento prioritário e estratégico”.

artigos. bem como a manutenção de notícias online na página da empresa e de envio automático de matérias para jornalistas cadastrados. organização e muita produção. editoriais e até na revisão de conteúdos. coordenar o trabalho de atendimento aos veículos e elaborar estratégias para garantir que as versões do cliente também mereçam atenção. muito em evidência atualmente – o media training. abriu mais oportunidades de divulgação e igualmente exigiu uma maior preparação dos entrevistados e uma adaptação não apenas do conteúdo. As assessorias desenvolveram então um novo produto. planejamento. Algumas empresas do segmento se especializaram na administração de assuntos que tornaram-se crises na imprensa. Afinal. relacionados à credibilidade. A comum tarefa dos jornalistas de escrever ganhou relevância na elaboração de discursos. palestras. comprar espaços nos veículos de comunicação não é atividade de jornalistas e sim das agências de publicidade. É o treinamento das fontes para se relacionarem com os jornalistas e de como se posicionarem em entrevistas de rádios e televisão para que a mensagem seja melhor captada pelo público. É importante ter métodos claros.oferecer o trabalho de elaboração de conteúdo para sites e portais. é preciso diversificar. apresentações. em especial da televisão fechada. Enfim. prefácios. a partir de um fato inesperado ou mesmo já previsto. com eficiente sistema de aferição de resultados. posicionamento e valorização da marca. mas também ao formato. A análise dos resultados vai além dos números e atinge elementos subjetivos. As assessorias assumiram o papel de monitorar as notícias veiculadas pela imprensa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 100 . até por uma questão de sobrevivência pelo surgimento de muitas assessorias. que não se materializa no simples cálculo de quantos centímetros por coluna ou minutos de exposição o cliente mereceu e quanto isso representa em termos financeiros. A proliferação dos meios eletrônicos.

ainda há dificuldades no setor público. não tiveram formação adequada ou não gostam de se dedicar aos processos administrativos. A assessoria da Assembléia Legislativa até um canal de televisão mantém no ar e a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado possui um eficiente sistema de comunicação por rádio que oferece de maneira ágil e fácil informações para todas as emissoras do Estado. onde as tentativas de dominar a mídia. que. e as prerrogativas são as mesmas. mas jornalistas que desejam atuar neste setor vão encontrar um bom filão. Para ficar em alguns exemplos. Prefeituras de grande e médio porte também possuem suas assessorias bem instaladas e até o Judiciário investe no melhor relacionamento com a imprensa através de estruturação de assessorias profissionais. já que normalmente os profissionais são concursados ou indicados. em geral. os três poderes têm grandes e eficientes estruturas.A profissionalização da gestão é também outra necessidade hoje para as assessorias de imprensa. já que as oportunidades são muitas. É claro que existem algumas peculiaridades. Setor público O papel e as características da assessoria de imprensa. aqui abordados. na essência a função é a mesma. Tarefa difícil aos jornalistas. Não é um mercado alvissareiro para as empresas de assessoria de imprensa. em geral com estruturas internas. A ética que rege a assessoria de imprensa do órgão público é a mesma que serve para a iniciativa privada. servem igualmente para o setor público. no entanto. No entanto. esta é uma necessidade para a sobrevivência da assessoria. Órgãos públicos. A profissionalização das assessorias de imprensa não deve ser prerrogativa de clientes da iniciativa privada. hoje têm sistemas de assessoria muito eficientes e bem montados. vincular a ação editorial ao processo publicitário ou personalizar as ações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 101 . Em Santa Catarina. ou deveria ser. No entanto.

Em função do oficialismo das notícias. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 102 . Não podemos vulgarizar nosso trabalho”. à busca da informação. modernizar processos jornalísticos. Concluindo essa colcha de retalhos sobre o mister de assessoria de imprensa. à veracidade e à ética. Faz tempo que assessoria deixou de ser bico para jornalistas.são grandes. diversificar os serviços e gerenciar profissionalmente a empresa. onde efetivamente é mais difícil para o profissional não incorporar o papel do assessorado. é preciso buscar o aprimoramento constante. função jornalística. em muitos casos a própria imprensa vai em busca das informações diariamente. inovar. no entanto. cabe também ao assessor de órgão público ser ainda mais criativo nas suas estratégias de comunicação e capaz no relacionamento com a imprensa. vale ressaltar que a atividade é. E por ser trabalho para jornalistas. também são maiores nesta esfera e é preciso ao assessor conhecimento. com a imprensa e com o assessorado. Utilizando palavras de Francisco Viana para evidenciar o valor da atividade . paciência e senso de equilíbrio para lidar com o assunto. Esta talvez seja a maior diferença entre o assessor de imprensa de uma empresa privada e de um órgão público.“Comunicação é arte divina. hoje desenvolvida por profissionais com experiência e competência e que merecem o respeito das redações. assim também deve ser encarado pelo assessores no que tange à criatividade. considerando a vantagem que. Os momentos de crise. sim. Assessoria é igualmente um excelente mercado para os novos profissionais. em geral.

coordenador do Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor da PUC/SP As ONGs formam um conjunto que é convenção se cha. Outras defendem interesses empresariais. seriam naturalmente atendidas pelas instituições formais. serão tratados alguns aspectos do trabalho do jornalista neste tipo de organização. esportivos. Parte destas entidades tem orientação filantrópica ou assistencial. O enfoque dar-se-á. cooperativas. A forma de organização também é muito variada. àquelas instituições preocupadas com democracia e que atuam na contestação da hierarquia social. atualmente.3 milhão de pessoas. institutos. econômica e cultural predominante. Neste capítulo. sindicatos. sociais. comunitários. cerca de 250 mil ONGs (Organizações Não Governamentais). de classe. sobretudo. Algumas destas são jornalistas que prestam assessoria de imprensa para estas instituições. mar de Terceiro Setor. fundações. E sua importância econômica no conjunto não é desprezível. Segundo Junqueira. Com número tão expressivo é de se esperar que tanto os interesses. culturais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 103 . o Terceiro Setor no Brasil movimenta R$ 23 bilhões/ano e emprega aproximadamente 1. com destaque especial ao movimento sindical e à experiência da autora no Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e Região. como a forma de atuar. sejam muito diversos. Existem no Brasil. Podem se instituir como redes.Comunicação no Terceiro Setor Marli Cristina Scomazzon O Terceiro Setor existe para preencher lacunas de demandas sociais que. segundo Luciano Junqueira. numa sociedade ideal.

audiovisuais. que procura a construção da democracia. estudantes e professores da rede pública de ensino fundamental e médio. além do jornalismo. distribuído especialmente para os ativistas do movimento em todo país. combatendo desigualdades e estimulando a participação cidadã. escolas. gestores de políticas públicas. O objetivo aqui é dar visibilidade às ações da instituição e expor suas propostas. cuja ação é organizada em rede e aproveita boa parte da estrutura da igreja católica no país. vídeos. através de suas próprias publicações. O público-alvo é o de movimentos sociais populares. Edita. interferir no debate público. Outro exemplo é o do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). folhetos. segundo seu estatuto. A primeira criando meios de diálogo dentro da organização – a comunicação interna. as relações públicas e a propaganda. à prestação de contas e informação dos rumos adotados pelo comando da instituição. em menor grau. boa parte dela dedicada à formação dos integrantes da entidade e. entre outros. A segunda visa abrir canais externos de interação com a sociedade e o Estado. a revista semanal “Democracia Viva” e um jornal bimestral – “Jornal da Cidadania”. vai desde materiais educativos. O serviço de comunicação da Pastoral é extenso. rádios comunitárias e experiências em comunicação alternativa.A comunicação no Terceiro Setor atua em duas frentes. a idéia de que é necessário primeiro entender para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 104 . na orientação de suas políticas de comunicação. Ambas têm em comum. até a produção de um jornal bimestral. formadores de opinião nos meios de comunicação de massa. Um trabalho exemplar em termos de comunicação em uma ONG brasileira é o da Pastoral da Criança. formando opiniões. criado em 1981. que é uma instituição. parlamentares e assessores. inserir sua visão de mundo na mídia e. Também tem um programa de rádio semanal de veiculação nacional. de 16 páginas com 230 mil exemplares. O processo de comunicação no Terceiro Setor inclui.

Isto foi resultado da formação. em Florianópolis. Em Santa Catarina Nos últimos 20 anos. na maioria das vezes.porque não têm simpatia pela causa em questão). à contratação de jornalistas para ocuparem os departamentos de imprensa destas instituições. durante uma greve geral nacional de quatro dias. não vão dedicar seu tempo à leitura de algo que já conhecem. também não lêem – a não ser para polemizar . que abrangia a Grande Florianópolis. o jornal nunca foi editado. portanto.depois propor. existem hoje publicações que abandonaram o característico estilo amador presente em muitas das produções comunicativas deste segmento. com o chamado novo sindicalismo. Isto se deve à profissionalização. Estes veículos buscam. através da informação que veiculam. a ser vendido em bancas. que em 1993. do Grupo Nois (Núcleo Organizado da Imprensa Sindical) que criou. com tiragem diária de 60 mil exemplares. em 1991. inclusive. estas entidades passaram a ser uma frente de trabalho para jornalistas. sobretudo no movimento sindical que viveu um crescimento no país. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 105 . O avanço maior aconteceu no início da década de 90. os que discordam. a imprensa no Terceiro Setor em Santa Catarina evoluiu sensivelmente. Por vários fatores. propagandísticos que afastam os leitores (porque os que concordam com as posições defendidas já sabem o que será dito e. Para se ter um exemplo da efervescência no estado vale registrar. o movimento sindical catarinense produziu um jornal unificado. sem cair na linguagem ativista e provocar a participação. por exemplo. o engajamento na sua causa. Embora o aprimoramento não tenha sido uniforme. um projeto de jornal unificado. Evitam cair num erro freqüente das publicações do Terceiro Setor que é dedicar seus conteúdos exclusivamente a discursos panfletários. Assim. formar o leitor.

E existem já bons exemplos a seguir como o da sobriedade do boletim do Sintrafesc. que era realizado por um profissional. Em algumas ocasiões. a atuação no Terceiro Setor pode ser classificada ainda como convencional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 106 . Tivemos ainda exemplos de resistência. os jornalistas Gastão Cassel e Jacques Mick. como a autopromoção. destaca-se também o trabalho do departamento de comunicação do Observatório Social. É claro que há necessidade de muito mais. o peso e seriedade da home page do nosso próprio sindicato. No geral. lideranças sindicais e professores universitários com objetivo de difundir informações à margem da grande imprensa Também no início da década de 90. Ainda predomina o amadorismo. propuseram que a comunicação destas duas entidades fizesse uso da linguagem jornalística (proposta a ser detalhada quando falarmos do caso do Sinergia). a agilidade da home page do Sintrajusc e. que sequer cumprem objetivos menores. o SJSC. é claro. assessores de imprensa dos sindicatos dos eletricitários e bancários respectivamente. Há pouca informação a respeito da importância da comunicação para as ONG’s e são recorrentes os gastos desmedidos com publicações inócuas. o programa chegou a ser censurado pela emissora e saiu do ar. do volume e periodicidade dos informativos da Apufsc. como o do programa de rádio semanal do Mucap (Movimento Unificado Contra a Privatização). sobretudo no que diz respeito à profissionalização e possibilidade de financiamento dos setores de comunicação do Terceiro Setor em Santa Catarina. o trabalho está sendo feito.Ainda em 1991. com entrevistas ou diálogos sobre temas atuais e veiculado todos os sábados pela rádio CBN. Mas. Atualmente. formada por jornalistas. a Fundação Democracia e Comunicação Adelmo Genro Filho passou a produzir boletins (eram quatro boletins mensais) através da agência Ipsis Litteris.

no final da década de 80. Coelho. uma espécie de co-irmã do “Linha Viva”. definiram um projeto denominado “Imprensa Cidadã”. O primeiro jornalista contratado pelo Sinergia. Logo depois. no início da década de 90. em agosto do mesmo ano. Em 1987. que já atuava na “Folha Sindical”. Cassel e Mick detalham a proposta: “Defendemos uma visão de imprensa sindical baseada na informação e orientada por um comportamento ético rigoroso. com o nome “Linha Viva”. surge o primeiro informativo e. Num documento datado de 1992. em março de 1988. foi estruturado o departamento de imprensa. O projeto gráfico foi de Maria José H. do Sindicato dos Bancários de Florianópolis.que é de quatro páginas semanais com a contra-capa dedicada quase exclusivamente a temas culturais. orientado para os interesses próprios da diretoria do sindicato. efetivamente. Ou seja. O objetivo era não repetir. construindo uma imprensa que se coloque como alternativa especialmente por sua seriedade e credibilidade”. quando o jornal chegou a sua centésima edição.O exemplo do Sinergia A comunicação no Sindicato dos Eletricitários de Floranópolis começou. O objetivo deveria ser o de viabilizar a cidadania. o primeiro jornal. As análises e propostas do projeto foram muito importantes e são elas que orientam todo trabalho do setor de comunicação do Sinergia até hoje. ocorreu a mudança gráfica e passou a ter o formato que mantém até hoje . O primeiro boletim em arquivo data de fevereiro de 87. com os meios de comunicação sindical. Gastão Cassel. justamente colocando a informação à disposição dos cidadãos para que estes possam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 107 . Em julho de 1990. na época trabalhando no Sindicato dos Bancários. E mais: “A imprensa sindical tem o papel de disputar a hegemonia. com a contratação de um jornalista. o mesmo comportamento da grande imprensa. utilizá-los como um instrumento de dominação. junto com o jornalista Jacques Mick.

De acordo com as premissas da “Imprensa Cidadã”. evitam-se temas ou enfoques da grande imprensa. esporte. Portanto. o jornal “Linha Viva” – que já teve até ombudsman (tarefa executada durante alguns meses pelo jornalista Cesar Valen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 108 . Como a perspectiva era a mesma da diretoria das duas entidades. Ele ainda serve para diminuir a dispersão organizativa que existe dentro das duas intersindicais: a Intercel. Porém. a imprensa sindical é. comportamento. na Eletrosul e Tractebel em quatro estados. devido à redução do quadro de pessoal das empresas. O jornal procura realizar a cobertura jornalística de diversas áreas: economia. sobretudo. pois é enviado. ou seja. a escolha de temas gerais se dá pelo seu conteúdo alternativo. o “Linha Viva” procurou sempre balancear as notícias corporativas com as de interesse geral. sociedade. cultura. que a objetividade pode ser mais revolucionária que uma análise”. junto com a home page (esta inaugurada em 2003). jornalismo”. procurando-se dar para reflexão do leitor elementos novos e que encontram pouco eco nas publicações tradicionais. A publicação semanal tem função dupla: a de comunicação interna (com a categoria eletricitária de Santa Catarina e para alguns eletricitários dos outros dois estados do Sul) e de ligação com setores do público externo. Sua tiragem já foi de sete mil exemplares e hoje está nos quatro mil. para formadores de opinião. por correio. é o produto de maior visibilidade do Sinergia. o projeto não teve grandes problemas de implementação e foi ao longo do tempo formando uma nova mentalidade que passou a entender que “a importância de um relato é mais forte que um discurso.se posicionar frente ao mundo que os rodeia. que representa os trabalhadores da Celesc em todo estado de Santa Catarina. política. e a Intersul que reúne sindicatos de eletricitários atuantes no ONS. O jornal “Linha Viva”. Em última análise.

folders. à classe política em geral. Por isso. além do jornal semanal. Um dos grandes feitos do “Linha Viva” é a sua edição ininterrupta. sem obviedades. trata de temas atuais. Abrange desde pessoas medianamente alfabetizadas àquelas com pós-graduação. teve fases mais diversificadas em que produzia cartazes. O setor. tendo mantido a periodicidade semanal desde a primeira edição. todo este material. O público-alvo do jornal. assim como a home JORNALISMO EM PERSPECTIVA 109 . informar seus leitores sobre assuntos de interesse específico dos trabalhadores. aos trabalhadores tratados como uma categoria homogênea e. a linguagem escolhida pela publicação é a comum.te) – além de difundir as ações dos sindicatos. numa tentativa ambiciosa que é a de dar argumentos a esses leitores a fim de que ampliem seus conceitos de cidadania. desenvolvam novas perspectivas de intervenção na sociedade. Toda matéria que tem objetivo não informativo é classificada como editorial. Existe um espaço dedicado ao leitor chamado “Tribuna Livre”. completando em dezembro de 2004 sua edição número 776. Cada edição começa a ser preparada com uma semana de antecedência e inicia com uma reunião de pauta com a diretoria executiva do Sinergia. Os editoriais são dirigidos em geral aos patrões. adesivos. Hoje. algumas vezes. porém. Ainda dentro da perspectiva de que o jornalismo é uma forma de conhecimento democrático. em termo de educação formal. a primeira pessoa do singular e do plural só aparece se devidamente identificada. O jornal passa por fases de maior e menor participação dos associados. a assessoria de imprensa elabora alguns boletins e releases. brochuras e livros. A grande queixa dos dirigentes sindicais é da pouca quantidade do que chamam de “matérias investigativas” que seriam reportagens e registro de depoimentos de trabalhadores. é bastante diferenciado. Atualmente.

projetos. onde a fonte de poder de decisões – o governo estadual . é claro. O departamento não conseguiu assumir a função estratégica de sugerir ações. encontros. surgiu outra ameaça: a privatização da Celesc. Também são confeccionados por terceiros calendários.estava perto e era suscetível aos movimentos da comunidade local – que foi onde se JORNALISMO EM PERSPECTIVA 110 . canetas. bonés. Para o setor de imprensa. Collor. a atuação do setor foi tímida em relação à Eletrosul e mais positiva em termos de Celesc. essencialmente. congressos.page. levando-se em conta este e outros fatores. internamente as mudanças decorrentes deste episódio. Por orientação política. Faltaram ainda interlocutores experientes para trocar idéias. esta era apenas uma parte do que teria que ser enfrentado. Porém. teve reflexos diretos na entidade. enfim todo material específico de marketing de campanhas. Limitou-se a “apagar o fogo” diário e se retraiu devido. a “caça aos marajás” e o início da fase de “desestatização”. O quadro de pessoal da empresa. caiu sensivelmente e isto. como de resto para toda entidade. Apesar da imagem externa da entidade não ter sofrido muito. neste período. a entidade não ocupa espaços publicitários nos grandes veículos de audiência aberta. à idéia que havia na entidade de que a opinião pública teria sido iludida pelo marketing e propaganda da privatização. O processo começou timidamente no início da década de 90 com a “desregulamentação”. como a falta de planejamento para a comunicação no período. chaveiros. Privatização Um dos grandes desafios para o departamento de imprensa foi o processo de privatização da Eletrosul. é terceirizado. concursos promovidos pelo sindicato. geraram muita instabilidade e incertezas. já que a venda da Eletrosul foi um acontecimento incomum. foi um período difícil. Em meados da década de 90. Assim.

como jornalistas. no dia a dia de trabalho numa ONG. pode assegurar e firmar sua postura profissional denJORNALISMO EM PERSPECTIVA 111 . É importante procurar saber se pode haver um equilíbrio entre o nosso papel social como profissionais e cidadãos. E. nosso dever ético é de não manipular eventos ou informações. O jornalista no Terceiro Setor Um dos debates típicos em torno da comunicação para o Terceiro Setor diz respeito à militância do profissional de comunicação contratado pela instituição. Minha experiência mostrou que se tivermos em conta que o coração da atividade jornalística é informar. já que não existem respostas prontas. que é a partir disto que todo resto do exercício da profissão acontece. esse equilíbrio fica mais fácil de ser alcançado. pode-se abordar a questão de outra forma: é importante para o jornalista que trabalha para este tipo de entidade estar em sintonia com os objetivos primeiros da organização. Essa empatia é crucial para a entidade. por exemplo. qual a melhor abordagem para tornar relevante um desafio no qual a entidade vai despender muita energia. Mas. sobretudo com as mobilizações do Mucap. que vai precisar inúmeras vezes confiar no julgamento do jornalista quando decidir. A identificação é importante para o jornalista porque. A grande questão seria: o assessor de imprensa deve ser também um ativista da ONG? Essa discussão precisa ser feita com maior rigor. só a partir dela.concentrou todo trabalho do departamento. o trabalho numa assessoria de imprensa no Terceiro Setor não será diferente do trabalho numa redação da grande imprensa. Se não esquecermos que. ou como apresentar posicionamentos que dizem respeito a sua imagem junto à sociedade. está sempre presente. o tema do engajamento do jornalista é recorrente.

O engajamento com a causa maior da entidade permite executar seu trabalho de acordo com o “primeiro mandamento”: informar clara e objetivamente. Do meu ponto de vista. Quer dizer. nos contatos com a grande imprensa o correto. Ele deverá periodicamente lembrar os integrantes da instituição qual é o papel da imprensa e mostrar que. ou deixei me “arrebatar” ao narrar um fato. O dilema central de um jornalista trabalhando para uma ONG é a da neutralidade e conseqüentemente o da objetividade. compreensível. no sentido de instrumentalizar um marketing de promoção pessoal. a ONG ganha em respeito externo e mantém uma estrutura interna sólida e segura. ou de um grupo de pessoas. junto a entidades do Terceiro Setor. os anseios das pessoas para as quais trabalho. a respeito do meu comportamento. tanto para o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 112 . Mas a prática da militância interferindo na produção da assessoria de imprensa é prejudicial para ambos. e mais produtivo. no sentido pejorativo do termo. De forma geral. isto não é tarefa para jornalista. dos leitores e minhas. se a ética jornalística for valorizada. O trabalho do jornalista numa ONG também tem um aspecto educacional. Outro foco de discussões é a relação da assessoria com os jornalistas da grande imprensa. acessível para um público maior. No meu trabalho. os resultados do que produzi trouxeram danos para a entidade – que sofreu descrédito e passou a ser alvo de preconceito junto a diversos públicos – e censuras negativas de meus colegas. porque acredito que o assessor de imprensa não é a fonte original de informação. a intervenção deste público. Nunca simpatizei muito com a função de “porta-voz”. Outra polêmica a respeito da atividade jornalística numa ONG tem a ver com o papel de “relações públicas”. facilitando. que muitas vezes é condenada por parte da entidade. encorajando a participação. toda vez que descuidei e agi como ativista. Meu esforço tem sido sempre no sentido de tornar inteligível.tro da organização.

Esta rotina exige esforços – alguns dos quais foram mencionados rapidamente aqui – que. do direito da sociedade à livre informação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 113 . jamais fazer colocações off the record.assessor. o de ser objetivo e verdadeiro no que faz. A comunicação no Terceiro Setor passa por uma tarefa diária dupla: a de incentivar o ativismo dentro da organização e de tornar visível este ativismo para a sociedade. como para os integrantes da ONG. no geral. é: nunca mentir. são os mesmos do jornalista que trabalha em qualquer outro segmento: o da responsabilidade com a ética. evitar exageros. não falar do que não se sabe.

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Distante 160 quilômetros da capital catarinense. da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. inaugurada em 1927. ao radioamador João Medeiros Júnior foi concedida a paternidade da radiodifusão em nosso estado com a instalação em 1935. além de presenciar as profundas mudanças que os avanços tecnológicos provocaram em todas as áreas de conhecimento. tanto o Rio Grande do Sul. principalmente a catarinense. em 1923. Blumenau traz no currículo o pioneirismo da primeira emissora de rádio. A oficialização só ocorreu depois de uma veiculação de dois anos em caráter experimental que começou com um sistema de alto-falantes. mas ágil como adolescente Regina Zandomênico O rádio em Santa Catarina. tem uma marca invejável. já ouviam a Rádio Clube Paranaense. um município. por exemplo. Dos três estados da Região Sul. logo após a instalação oficial da primeira emissora brasileira. solidificaram a importância dos veículos de comunicação. Na cronologia dos acontecimentos. e os gaúchos a Rádio Gaúcha. a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Santa Catarina foi o último a despertar para o novo veículo de comunicação. aos 70 anos de idade. quanto o Paraná já desfrutavam da novidade que mexia com o imaginário dos ouvintes. as inovações ajudaram a consolidar a informação como poder e. Já na década de 20. acompanhou e repercutiu fatos políticos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 115 . conseqüentemente. Em Santa Catarina.Rádio: na 3ª idade. localizado no Vale do Itajaí. Os paranaenses em 1924. e da primeira estação de TV ao término dos anos 60. No jornalismo. econômicos e sociais que marcaram a história. no final da década de 30.

Embora o trabalho na rádio fosse inovador e empolgante. A programação ao vivo da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. entretanto. um jovem técnico em eletrônica descendente de alemães cujo avô era proprietário do jornal “Kolonie Zeitung”. instalou oficialmente em 1941 a Rádio Difusora de Joinville. O esforço de Brosig. enfrentava situações absurdas para os padrões atuais: interrupções devido à precariedade dos equipamentos e à falta de locutores conhecidos como speakers. financeiramente não era atraente o que justificava que os integrantes do quadro de funcionários trabalhassem em outros locais com jornadas mais rígidas. O fundador Medeiros Júnior. A novidade chegou pelas mãos de Wolfgang Brosig. seis anos depois do primeiro passo da radiodifusão catarinense. fizeram com que em 1997. aos 80 anos. O maior município de Santa Catarina. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 116 . editado na língua alemã e que circulou em Blumenau e Joinville de 1862 a 1934. constatou na pioneira Rádio Clube de Blumenau o poder que o meio exercia ao veicular. formada principalmente por repertório musical e leitura de comunicados. a data instituída como o Dia da Mentira pelos franceses há cinco séculos. recebesse da Câmara de Vereadores de Joinville o título de Cidadão Benemérito.O surgimento da primeira emissora catarinense seguiu os moldes da época baseado na fundação de clubes ou sociedades onde os associados pagavam cotas que financiavam o funcionamento das emissoras. como uma espécie de Orson Welles tupiniquim. Nesse contexto. acumulando as funções de locutor. O jornalismo não era a marca da nova emissora e a figura do repórter sequer existia. era comum a veiculação nas próprias emissoras e nos jornais impressos de pedidos de contribuições financeiras para ajudar na manutenção dos novos veículos. operador de áudio e até mesmo ator de radionovela. O início da emissora em 1938 também foi através de alto-falantes. fatos fictícios para conferir a reação dos ouvintes e mais tarde lembrá-los que se tratava de primeiro de abril.

A Radio Guarujá passou a desempenhar um papel de “assessor político” do PSD (Partido Social Democrático). os ouvintes acompanhavam uma programação mais popular que incluía jornalismo. A presença dos comerciais mudou o perfil das emissoras que. principalmente políticas. a ironia foi saber que o nome da emissora – Rádio Guarujá – era uma homenagem a um bairro de Santos. manteve por cerca de um ano o sistema de alto-falantes e conseguiu oficializar a emissora em 1943. Se o fato de receber a novidade com atraso incomodava os mais afoitos. e programas de auditório ao vivo. buscaram alternativas para aumentar a audiência. em São Paulo. remo e basquete. Nesse período. conhecidos como “reclames”. incluindo futebol.O surgimento das primeiras emissoras longe de Florianópolis indica que o pomposo título de capital não contribuiu para que a Ilha fosse pioneira na radiodifusão catarinense. assumiu o comando da emissora. acompanhado de um grupo de amigos. com estórias criadas ou adaptadas por roteiristas catarinenses. a oportunidade de ouvir entrevistas com personalidades. era uma garantia de audiência. O crescimento do número de ouvintes incentivou as emissoras a apostarem na JORNALISMO EM PERSPECTIVA 117 . já estava autorizada pelo Governo Federal e a programação das emissoras vivenciava a chamada “Época de Ouro”. Três anos mais tarde. Embora nos primeiros programas os locutores lessem notícias veiculadas nos jornais. O gaúcho Ivo Serrão Vieira. por terem a obrigação de se tornarem rentáveis. O final da década de 40 marcou o surgimento de emissoras em várias regiões catarinenses em um período onde a veiculação de comerciais nas rádios. Os florianopolitanos. transmissões de esporte. eleito no ano seguinte governador do Estado. e o responsável por ela não havia nascido na Ilha ou sequer era catarinense. começaram a ouvir a sua primeira rádio através de um sistema de alto-falantes. Aderbal Ramos da Silva. radionovelas. a exemplo dos ouvintes de Blumenau e Joinville.

A efervescência do jornalismo. a exemplo da Rádio Guarujá. ele conseguiu a concessão da Rádio Diário da Manhã. Em 1954. autor do livro “A Era do Rádio”. chegaram a pertencer a grupos políticos que nos noticiários defendiam abertamente seus interesses confrontando adversários. A “Época de Ouro” do rádio em Santa Catarina também foi marcada pela forte influência política. outro governador. pela chegada da TV no Brasil. O sociólogo Antonio Miranda. Ainda nessa década surgiram na capital outras emissoras como a Anita Garibaldi e a Rádio Jornal A Verdade. aliada à influência política. o que conseqüentemente melhorou a factualidade das notícias locais nos radiojornais. Irineu Bornhausen. para defender os interesses da UDN (União Democrática Nacional). motivou a criação da primeira rede de emissoras do estado. em Blumenau. Boa parte delas com tempo de vida vinculado apenas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 118 . A descoberta do rádio como peça de marketing político influenciou o surgimento de várias emissoras em todas as regiões catarinenses. em Florianópolis. Também era comum a compra de espaços na programação por parte daqueles que ainda não tinham suas próprias emissoras. Ligada ao PSD. Um dos destaques da emissora era o programa “Vanguarda”. também se aventurou pelas ondas do rádio como peça de persuasão política. a Rede Coligadas.figura do repórter. avalia que esse período causou na sociedade brasileira impactos mais profundos do que os provocados . as rádios pertencentes à Rede só concediam espaço aos adversários mediante pagamento. como também despertava nos ouvintes uma participação social mais ativa. A programação do rádio não apenas entretinha e anunciava produtos. no ano de 1954. sob a responsabilidade dos irmãos Adolfo e Walter Ziguelli. Além de Aderbal Ramos da Silva. a partir de 1950. Muitas emissoras.

como um campeonato panamericano de remo na Argentina. a primeira emissora de TV do estado. na década de 50. A onipotência do rádio no Brasil começou a ser ameaçada com a chegada da TV em 1950. inclusive. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 119 . investiu no “As crianças se divertem” retransmitido para 14 emissoras. À medida que as estações de TV foram se espalhando pelo território nacional e o público tendo contato com o veículo que além do som trazia imagens. poesias e conselhos de beleza. Muitas rádios chegaram. Em Santa Catarina. e posteriormente com a inauguração da TV Cultura. O público específico era mais uma ferramenta que as emissoras dispunham para atrair anunciantes e aumentar os lucros. o processo não foi diferente e começou em 1969 com a chegada da TV Coligadas. a transmitir comícios eleitorais. A Rádio Diário da Manhã. Além das radionovelas. Paralelo aos programas de forte influência política.ao período eleitoral. Em todo o estado as rádios se destacavam por particularidades da programação. as rádios também investiram em programas dirigidos aos universos feminino e infantil. as emissoras foram perdendo o espaço conquistado. A produção usava a estrutura de texto e sonoplastia das radionovelas para apresentar as notícias da cidade. inaugurada oficialmente em 1946 e localizada a pouco mais de 100 quilômetros da Capital. na capital. um dos diferenciais era o programa “Picadeiro Político”. incluindo até mesmo fatos políticos. A liberdade de expressão permitia que os veículos se posicionassem abertamente e a participação dos ouvintes era intensa nos programas de debates. O espírito jornalístico das rádios catarinenses que concretizou até transmissões internacionais. as ouvintes podiam sintonizar programas que tratavam de culinária. em Blumenau. Na Difusora de Laguna. foi aos poucos perdendo espaço para uma programação quase que exclusivamente musical e que retomava com força a antiga prática do gillete press. em 1970.

também eram produzidas ao vivo. Em 1980. como Santa Catarina.412 com o mesmo perfil foram fechadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por terem sido consideradas ile- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 120 . prevendo o fim do jornalismo  gráfico. Muitos ouvintes deixaram os antigos programas AM de lado e passaram a sintonizar as FMs que ofereciam uma nova linguagem. assim como as  rádios continuam crescendo e se adaptando cada vez mais às novas tecnologias – as rádios virtuais são uma prova. também provocou mudanças. desde a descoberta do transistor em 1947 por cientistas americanos. no início. várias previsões pessimistas garantiram que os avanços tecnológicos beneficiariam a TV e a internet e provocariam o desaparecimento do jornal impresso e do rádio. em 2004. outras 4. a partir da década de 70. Em centros menores. Além disso. o rádio não está mais submetido à conexão de uma tomada e pode ser ouvido em qualquer lugar. Uma avaliação superficial do rádio pode considerar que atualmente o veículo não possui o mesmo poder de informação em relação aos outros meios de comunicação. Nas últimas décadas. 2. Fatos recentes em Santa Catarina. Dados do Ministério das Comunicações indicam que. embora a TV exigisse um “olho no olho” com o telespectador e a preocupação com a relação texto/imagem.  Entretanto. em outubro de 2004. como Rio de Janeiro e São Paulo. jornais e revistas.Nos grandes centros. só no âmbito das rádios comunitárias.119 tinham autorização para funcionar no país. a ausência de telenovelas locais colocou os atores em uma situação difícil. mas a realidade é outra. e a passagem do ciclone Catarina. Para os locutores. a adaptação foi mais fácil. A chegada das FMs no Brasil. os atores do rádio migraram para as telenovelas que. No ano anterior. o americano Anthony Smith conseguiu recordes de vendagem ao lançar o livro “Adeus a Gutenberg”. mostraram a eficiência do veículo. como o apagão de 2003 em Florianópolis.

Cabe salientar que nesta relação não estão computadas as rádios comunitárias. Nem mesmo os jornais online que trabalham em fluxo  contínuo  conseguem chegar na frente na disputa com o meio quando a tarefa é veicular e repercutir o factual. muitas delas tendo o jornalismo como carro-chefe aliado às transmissões esportivas. as piratas. com seu custo relativamente baixo. Os estudiosos da comunicação consideram que  entre as novas tecnologias. as veiculadas pela internet. Para os que ainda teimam em ser pessimistas uma má notícia: às vésperas de completar 83 anos no Brasil e 70 em Santa Catarina. cabe salientar que as novas tecnologias mudaram a relação do jornalista com o tempo. seu quadro de filiados tem atualmente 71 emissoras FM e 101 AM. é o que mais rápido e facilmente consegue colocar em prática a filosofia do slogan “pense global. A prática jornalística do dia a dia demonstra que em termos de agilidade o rádio ainda é imbatível. elaboração e difusão da informação. O rádio. aja local”. o rádio ainda tem fôlego e está na ativa. Dentro deste contexto. a que mais se destaca é a relacionada à transmissão. O mais recente levantamento feito pela Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) aponta que todas as regiões de Santa Catarina estão contempladas com emissoras radiofônicas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 121 . um fator sempre determinante para um profissional da área.gais. De acordo com a entidade. e algumas oficiais não filiadas à associação.

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Até começo da década de 1960. por Alfred Baumgarten. A produção fotojornalística em Santa Catarina também foi incentivada pelo trabalho do catarinense Valdemar Anacleto que. em 1906. A exceção foi a publicação precursora e isolada do jornal blumenauense “Blumenauer Zeitung”. em julho de 1871. fazia imagens do estado para expôlas em painéis no Rio de Janeiro. A publicação de fotografias por jornais e revistas esbarrava na dificuldade técnica de se imprimir toda a gama de tons diferentes de cinza (entre o branco absoluto e o preto absoluto). em Blumenau. a primeira foto jornalística registra a inauguração da ponte sobre o ribeirão Garcia. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 123 . O marco do fotojornalismo mundial é a publicação da primeira imagem pelo jornal sueco “Nordisk Boktrycheri-Tidning”. O fotógrafo era um grande entusiasta da documentação fotográfica num período em que as imagens eram utilizadas apenas como ilustração das matérias de jornal.Fotojornalismo Catarina Andressa Braun Após Roger Fenton. de tanto aventurar trabalhos fotográficos em casa. em meados da década de 1960. Em Santa Catarina. a única maneira de incluir fotos na imprensa era recortá-las de outras publicações e colá-las para a reprodução no jornal. a técnica conhecida como gilette press. que formam uma imagem fotográfica em preto-e-branco. que pela experiência autônoma de Alfred Baumgarten. um século se passou até que aparecessem os fotógrafos precursores da imprensa catarinense. filho do fundador do jornal. instalou um laboratório próprio e fez as primeiras ampliações em 1910. o inglês considerado o primeiro fotojornalista da história.

As fotos se tornaram mais presentes na imprensa catarinense por volta de 1963. O jornal “O Estado”, o mais antigo diário em circulação em Santa Catarina, fundado em 1915, comprava o resultado do trabalho independente do fotojornalista Paulo Dutra, que começou a fotografar fatos isolados que considerava de interesse da imprensa. A publicação era realizada geralmente na capa com legendas explicativas criadas pela redação. Dutra possuía um pequeno laboratório de revelação e ampliação em casa. Simultaneamente, ele fazia fotos de Florianópolis e as vendia ao jornal gaúcho “Correio do Povo”. Paulo Dutra também teve experiências em publicações nacionais. Em 1970, quando trabalhava no Palácio do Governo do Estado de Santa Catarina, fotografou uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça e, sem perceber, registrou o momento exato do choque entre duas aeronaves. O acidente, de repercussão nacional, foi assunto na revista “Manchete”, da editora Bloch, que pouco tempo depois contratou Dutra. Lá, ele trabalhou por dez anos. Mas foi em Santa Catarina que passou a maior parte de sua carreira. Funcionário público federal, ele trabalhou, entre outras repartições, na Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina. Dutra voltou em 1988 ao jornal “O Estado”, onde permaneceu, entre entradas e breves saídas, até 2002. Paulo Dutra ainda participou da primeira equipe profissional de fotojornalistas de um jornal catarinense. Junto com Gaston Guglielmi, Sérgio Rosário e Rivaldo de Souza, sob o comando de Orestes Araújo, eles formaram, em 1972, o time de fotógrafos de O Estado. Foi nesse ano que o jornal de Florianópolis adquiriu uma máquina de impressão off-set – que facilitava a impressão de fotografias – exatamente um ano depois da compra do mesmo equipamento pelo concorrente, o “Jornal de Santa Catarina”, com sede em Blumenau. O jornal do Vale publicava fotografias produzidas pelos cinegrafistas da TV Coligadas, que faziam o trabalho de cam-

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po munidos de filmadora e câmara fotográfica. A parceria era possível porque o jornal e a TV pertenciam ao mesmo grupo. Para Orestes Araújo, o início do fotojornalismo foi marcado por uma incansável busca pelas melhores imagens, relacionada com o “realizar algo proibido”. “Algumas vezes sentia um certo medo de estar tão perto da notícia”, acrescenta. O relato é também embasado pelo pioneirismo na fundação, em 1965, da assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, ao lado do jornalista João José de Souza. Nesse período, Orestes profissionalizou-se com a realização de cursos de fotografia em São Paulo. Lá, percebeu o interesse de publicações de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro, por fotografias de Santa Catarina. “As revistas do eixo Rio-São Paulo mandavam profissionais para o Estado quando precisavam de imagens”, conta ao relembrar o motivo que o levou a oferecer as próprias fotos a publicações como a revista “Veja”, onde trabalhou doze anos como correspondente em Santa Catarina. Todas essas experiências creditaram Orestes Araújo a finalizar, em 1985, a formação da equipe de fotógrafos do “Diário Catarinense”, o primeiro jornal totalmente informatizado criado no Brasil. Em 1986, o DC possuía os mais modernos e completos equipamentos fotográficos de imprensa da época: 18 câmeras Nikon modelos F-3 e F-3 HP grande-angulares, teleobjetivas, flashes, , tripés e filtros, entre outros acessórios. Além disso, o “Diário Catarinense” ainda dispunha dos melhores computadores e programas de edição eletrônica de textos para imprensa da América Latina. Até 1991, Orestes Araújo continuou o trabalho em outros diferentes veículos de comunicação e na assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Naquele ano, ele cria o “Jornal de Barreiros”, onde até hoje realiza diversas funções: produção fotográfica, texto, edição, distribuição e até venda de espaços publicitários.

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A partir do início da década de 1970, a linguagem fotográfica passou a estar de acordo com o texto, matéria jornalística e imagem complementavam-se. Para o fotógrafo e historiador do fotojornalismo Tim Gidal (1971), a evolução do fotojornalismo moderno deve-se a um fator técnico – desenvolvimento de câmaras fotográficas compactas, luminosas e com visor na parte traseira – e outro intelectual - o surgimento de uma nova geração de fotógrafos no mundo, na maioria com educação superior e descendência judaica. Na década de 1970, as revistas já utilizavam fotos coloridas, captadas por slides. Apesar da dificuldade inicial de utilização da nova tecnologia, ela teve que ser adotada pelos profissionais. A informação transmitida pela foto colorida deixava a imagem com aparência plastificada, porque além da dificuldade de trabalho dos fotógrafos, os gráficos também tinham problemas para a impressão. “Foi um verdadeiro caos para o fotojornalismo”, opina o fotojornalista Tarcísio Mattos sobre o início do uso de slides quando “muitos profissionais deixaram de fotografar porque não conseguiam se adaptar”. Tarcísio Mattos é sócio–fundador da Soma Fotojornalismo, empresa criada em 1988 e que passou a cobrir pautas para o “Jornal de Santa Catarina”, AN e “O Estado”, geralmente em cidades que não eram sede dos jornais. A carreira começou aos 18 anos, em 1979, como laboratorista do jornal “O Estado”. No ano seguinte, foi fotografar profissionalmente na equipe do jornal, com a saída do pioneiro Rivaldo de Souza. “Quando ingressei no mercado, o material era muito barato, o que me permitia experimentar”. No começo dos anos de 1980, ele trocou uma câmera Canon Ftb por uma Pentax SP 500. Bem humorado, Mattos conta que, como era o mais novo da equipe, só recebia pautas que classifica como “carne de pescoço”. Em dois anos de trabalho, ele teve que provar que tinha capa-

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cidade. Depois de realizar com sucesso uma pauta sobre argentinos em Balneário Camboriú, passou a ser escalado para coberturas mais importantes. Ele lembra que, naturalmente, o repórter fotográfico “cobria melhor”, direcionava-se para o assunto com o qual mais se identificava.

Uma questão também de sorte
Paulo Dutra acredita que, para fazer uma boa fotografia para imprensa, o profissional tem que ter sorte acima de tudo, técnica e muita rapidez. O fotojornalista Tarcísio Mattos não discorda, mas defende que o profissional deve ser, antes de tudo, um jornalista. “Ele tem que ter técnica, senso estético, mas, essencialmente, precisa estar ligado à notícia.” A fotojornalista Suzete Sandin, a primeira no Estado, concorda que além de “olho” (refere-se à sensibilidade para perceber o que é importante e inusitado em uma cena), o profissional precisa da sorte. Ela reconhece que a tecnologia no fotojornalismo proporcionou ganho de tempo, mas critica: “Com a era digital, a fotografia tornou-se muito mais programada, menos espontânea. É difícil uma foto que realmente chame a atenção”. Para ela, o slide ainda garante melhor definição e fidelidade de cores, diferente do equipamento digital. Mattos diz que, hoje, o fotógrafo é escravizado pela técnica, o que se reflete na grande quantidade de fotos posadas nos jornais. “A fotografia privilegia a técnica em detrimento da informação”, completa. Para ele, a tecnologia foi somente uma evolução e não pode ser vista como fim, mas como meio. Ele cita, por exemplo, a baixa qualidade das imagens vendidas por agências de notícias. Ao mesmo tempo, reconhece ser difícil atender tantos interesses diferentes, o que justifica, em parte, a perda na qualidade. Orestes Araújo comprovou o quanto a sorte na profissão é importante depois de um episódio inusitado. No início da década
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de 1970, quando os Estados Unidos e o mundo questionavam se o presidente Richard Nixon seria candidato à reeleição, o fotojornalista conheceu, por insistência de um amigo, uma fábrica em Rio Negrinho, no interior de Santa Catarina, que estampava em canecos, a pedido do comitê de reeleição, a imagem do então presidente. Como de costume, Orestes levou consigo o equipamento fotográfico, fez fotos e as vendeu para as principais publicações brasileiras e agências internacionais. O fotógrafo defende a complementaridade imagem-texto. “A boa imagem para o jornal deve ser casada com o texto. Deve seguir a mesma linguagem, além de ter qualidade, bom ângulo e bom enquadramento”. Para Orestes, o fotojornalismo contribuiu muito para a valorização do produto jornal. “Hoje, ninguém mais lê jornal sem foto”, completa Paulo Dutra.

Uma estranha no ninho
Com o surgimento do primeiro jornal totalmente informatizado criado no Brasil, surge também a primeira fotojornalista do estado, Suzete Sandin. Ingressa por acaso na profissão, como ela mesmo descreve, Suzete só se interessou profissionalmente pela fotografia durante a realização de um curso de especialização com um profissional norte-americano de passagem por Florianópolis. Ela foi sorteada e recebeu uma bolsa para o curso na época em que estudava Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Após o trabalho de conclusão do curso superior - um audiovisual que demonstrava o destino do lixo em Florianópolis -, surgiram várias oportunidades de trabalhos freelancers em fotografia. Hoje, Suzete diz que a escolha pelo fotojornalismo foi uma casualidade que deu certo. Em 1985, ela tornou-se parte da equipe de fotógrafos do “Diário Catarinense”. “Foi ali que aprendi tudo”, reconhece.

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Uma das coberturas que mais a marcou e com a qual conquistou reconhecimento internacional foi realizada em 1997 em um acampamento de trabalhadores rurais sem-terra em Abelardo Luz. Pouco depois. Era graças à ajuda dos outros fotógrafos que “encarava” as brincadeiras da torcida. e realiza eventuais trabalhos freelancers para revistas como “Caras” e “Quem”. Suzete acredita que um dos maiores desafios do fotojornalista é transmitir toda a informação em uma única imagem. Suzete passa seis meses no Brasil e outros seis no Canadá. Um dos objetivos era mostrar de que forma o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pressionava o governo. “Você tem sempre que encontrar uma saída e levar a foto para a redação”. futebol naquela época. o profissional deve conhecer bem o assunto e saber exatamente o que deseja transmitir”. A fotojornalista acreditou que fosse a Polícia tentando retirar os trabalhadores do lugar em que estavam. Suzete passou uma semana acampada e viveu momentos de apreensão. Outra cobertura fotográfica que Suzete não se esquece foi realizada para a revista americana “Life”. por exemplo. Um deles foram tiros na madrugada. a fotografia deve chamar a atenção para o texto porque uma boa imagem estimula a leitura. Para ela. “A fotografia para jornal deve emocionar. “Aprendi todos os palavrões da minha vida no campo de futebol”. conclui Suzete. o jornalismo diário é a melhor escola de fotografia. Apesar das dificuldades. Uma das fotografias da cobertura foi premiada pela revista francesa “Photo” com o 1º lugar na categoria La Lumière.Ela lembra das dificuldades de uma mulher cobrir. para Suzete. Ela fotografou em Santa Catarina um alemão que criava tigres em casa. Atualmente. soube que esta era a forma que os agricultores comemoram o retorno da colheita. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 129 .

fotojornalista e sócio-fundador da Soma Fotojornalismo Dissertação: IVAN LUIZ GIACOMELLI. Santa Catarina no Século XX. SÍLVIO COELHO DOS. EDITH. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 130 . Maria José Baldessar e Luciany Alves Schlickmann. fotojornalista responsável pela criação da primeira equipe de fotógrafos do jornal “O Estado” e editor do “Jornal de Barreiros” Paulo Dutra. Florianópolis: Edeme Indústria Gráfica e Comunicação. Florianópolis: Oficinas Gráficas da Imprensa da UFSC. aposentado Suzete Sandin. 2000 Livros: CABRAL. 1996 SANTOS. Celso Martins. Nossa Senhora do Desterro. Dissertação para o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC. Volume IV. Impacto da fotografia digital no fotojornalismo diário: um estudo de caso. primeiro fotojornalista a exercer profissionalmente a função no Estado. primeira fotojornalista de Santa Catarina Tarcísio Mattos. Agradecimentos Aos jornalistas Celso Vicenzi. OSWALDO.REFERÊNCIAS Entrevistas pessoais: Orestes Araújo. 1972 KORMANN. cultura e as histórias de sua gente (1950-85). 1999. Florianópolis: Editora da UFSC. Blumenau – arte. FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e Univali.

Mulheres e Jornalismo Elaine Borges . eu estava no aeroporto Hercílio Luz embarcando para Belém do Pará. a Amazônia (sonho que se transformou em pesadelo – a Transamazônica era mais um projeto megalômano do governo ditatorial do general Emílio Garrastazu Médici). atraídos pelas promessas de uma nova vida. Naquele mesmo ano – 1972 –. entre outras. eram editorias eminentemente femininas. Enviada especial do jornal “O Estado”. Nossas funções nas redações estavam delimitadas: variedades. E – pelo inusitado – virei notícia. fui escalada para cobrir o famoso clássico Avaí e Figueirense. Se hoje vejo na mídia eminentes lideranças políticas de Santa Catarina dando freqüentes entrevistas às repórteres do setor. tradicionalmente eram preenchidas por jornalistas do sexo masculino. Minha reportagem era acompanhar a reação da torcida. esporte e polícia. Em plena ditadura militar. a maioria do oeste catarinense que. fui acompanhar agricultores. iriam para a terra dos sonhos. Na época. Mais raro ainda era fazer reportagens nos campos de futebol. As editorias de política. Rece- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 131 .E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!? A pergunta – feita por uma autoridade do alto escalão do governo Colombo Machado Salles – retrata bem o momento em que vivíamos. comportamento. era raríssimo mulher-repórter trabalhar nas editorias de esporte. cultura. sorrio quando lembro as barreiras invisíveis que estes mesmos políticos erguiam ao perceberem a presença de repórteres. tentei inúmeras vezes entrevistar um deles. Naquela tarde do mês de outubro de 1972.

“não”. Galanteios que sempre procurava reverter em boas declarações. era chefe da sucursal do “Jornal de Santa Catarina”. além de jornalista. até mesmo com cara de poucos amigos. Trabalhou também no jornalismo político e relembra: “Eu. ou depois contestavam o que haviam dito. com pouco mais de um metro e 60. exigíamos igualdade. Mas havia aquelas que. é campeã sênior de tênis). para chegar às minhas fontes. em Florianópolis. Decididas e combativas. Inúmeras vezes. De tanta insistência.das delícias de morar numa ilha paradisíaca.nunca aceita pela direção do jornal. magra. em alguns episódios. tive de enfrentar os entrevistados por insistirem em ler os textos antes de publicados. nos anos 70. Nesse período – década de 70 – presidi duas vezes o Clube dos Repórteres Políticos de Santa Catarina. Sofríamos mais contestação nas matérias que escrevíamos do que os jornalistas do sexo masculino. Era para impor respeito”.. Lideranças nacionais – como Ulysses Guimarães – transformavam entrevistas em aulas de democracia e de resistência.bia apenas respostas lacônicas. Marise de Martini Fetter (hoje morando em Brasília) foi uma das tantas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 132 . Mas os galanteios eram inevitáveis. Paulo”. além de novas oportunidades de emprego oferecidas em Santa Catarina. limitando-se ao “sim”. Bernadete Santos Viana (hoje. fui orientada por seus assessores para encaminhar perguntas por escrito. também queriam usufruir como ainda hoje . “talvez”. tinha que ficar sempre muito séria. Correspondente de “O Estado de S.” Aline Bertoli (assessora de imprensa do Tribunal de Contas) foi uma das primeiras jornalistas a apresentar telejornal em Santa Catarina. lembra: “A desconfiança que despertávamos na época não sei se era atribuída à profissão ou a nossa condição de sermos mulheres jornalistas.. minha demissão foi “gentilmente” solicitada por lideranças locais . As respostas foram as mais lacônicas.

no Rio). ainda na década de 70. Trabalhou no jornal O Estado e depois na TV Cultura. tinha sempre festa! E aquela musicalidade do jeito de falar dos ilhéus. ele dizia”.por ser uma mulher exercendo a profissão de jornalista . foi surpreendida com um convite inusitado: “Espera um momento”. em 1975 chegou a Florianópolis vinda do Rio de Janeiro. mantinha uma coluna com informações e comentários destinados ao público feminino. O secretário sempre estava disponível. Queria registrar o que considerou um fato inédito: ser entrevistado por uma mulher. Eloá Miranda. conclui.. as praias. e imediatamente o secretário colocou o braço em volta do ombro da Rosinha e pediu que o fotógrafo tirasse uma foto de ambos. foi homenageada com a medalha do mérito pela Associação Catarinense de Imprensa.que veio do sul para trabalhar em Florianópolis: “Para mim era fazer turismo. Mas o que me chamou a atenção foi a facilidade com que a gente falava com as autoridades. O governador era acessível. Marisa é assessora de imprensa da Casa Civil do governo de Santa Catarina. Aquilo me impressionava muito. Uma mulher que sabe tudo. Em 1999. “Eu lembro que o Celso Pamplona (famoso e folclórico colunista social da cidade) tinha um programa de Variedades na TV Cultura e me convidou . Essa facilidade percebida por Marise foi também registrada por Rosamaria Urbanetto (hoje trabalhando na Globonews. Atualmente.para ser entrevistada. Mais tarde. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 133 . com a modernização do jornal “O Estado”.. Coisa de foca”. ao contrário da turma que veio do sul. A jornalista Marisa Ramos (que na década de 60 teve a “ousadia” de ser a primeira mulher de Florianópolis a botar a barriga de fora usando maiô de duas peças) foi também umas das primeiras mulheres jornalistas a comandar programas televisivos. Ao entrevistar um secretário de estado. o vento sul. Trabalhou na antiga TV Cultura dirigindo um programa voltado para as mulheres.

certamente. Traumas também marcaram a vida profissional de algumas repórteres. Estou certa de que ela desconfiava que eu era um cacho do marido. Aprendi na marra. repórter do “Diário Catarinense” no final das décadas de 80 e 90. no final da década de 80. não uma repórter. eu explicava em detalhes a matéria em curso para que se sentissem importantes. Repórter setorista de “O Estado” na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. em São José. grosseiramente ofendidas por homens públicos. acha que exagero. ao fazer uma série de reportagens. em Joinville e da Estácio de Sá. No fundo. E não entende que ser mulher. Hoje. É o caso da jornalista Roseméri Laurindo (hoje trabalhando na FURB. escreveu uma reportagem comparando os assédios dos partidos aos deputados como se fosssem lances de um leilão (havia um intenso troca-troca de partidos devido à chegada do PRN do Collor). Imara Stallbaum. denunciando a retirada ilegal de madeira de uma floresta da reserva Indígena de Ibirama. pode ser um problema na hora da entrevista se a jornalista for também inteligente. Em determinadas situações. bonita. agir com sutileza foi sempre uma tática da repórter: “Na época. Por isso.O “saber tudo” e a ousadia intrigavam e faziam aflorar o lado machista de alguns políticos e empresários. professora dos cursos de Jornalismo da Ielusc. Imara gosta de dar um recado às futuras colegas: “Digo que devem evitar decotes ousados e tudo que possa desviar a atenção ou seduzir o entrevistado. A maioria. Ao ligar. O ataque do madeireiro a ela “consistiu em tentar me desmoralizar de forma machista”. desenvolvi uma tática para ligar para a casa de algumas fontes ou autoridades. isso era uma prática feminista”. No dia JORNALISMO EM PERSPECTIVA 134 . Eu ligava e a mulher do sujeito atendia. O ideal é serem maravilhosas na hora de escrever a matéria”. Ninguém me ensinou isso. foi acusada de “mentirosa e irresponsável”. um dos primeiros desafios que aprendi a superar foi aturar suas mulheres e as secretárias. atraente. em Blumenau).

Nas eleições municipais de 2004. embora nunca tenha enfrentado problemas profissionais. nessas situações. que lidam diretamente com o poder – exercido predominantemente por homens – têm desafios dobrados. rebatia: “ué. pelo então candidato a prefeito de São José. ele me questionava e depois repetia várias vezes:“ah. se fosse homem. muito menos por uma mulher”. Rose nunca mais voltou à AL e direcionou sua profissão para outros caminhos: “Fiquei traumatizada com o episódio”. Há um outro episódio que retrata bem a necessidade quase permanente das mulheres jornalistas provarem que são capazes e inteligentes: “Lembro-me de uma longa conversa com um deputado. que são quase comuns. me chamando de mau caráter. o da política. confessa. há mais de dez anos é repórter de política e. é preciso ter jogo de cintura. Precisam mostrar extrema competência e independência para conquistar o respeito do meio. deixaria de sofrer as agressões. em Florianópolis. na redação do “A Notícia”. Lúcia Helena Vieira. reconhece que “num mundo que ainda é predominantemente masculino. As mulheres jornalistas que trabalham em áreas como a política. Ficamos falando sobre o quadro político do momento. Ele não admitiu ser questionado ou denunciado. foi recebida duramente por um deles: “Eu não tenho nada a declarar a você que está na zona”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 135 .Não sei se. Foi preciso ser muito firme para deixar clara a relação sempre profissional. experiente jornalista. Lúcia Helena foi agredida verbalmente. “também enfrentei poderosos que pediram minha cabeça . disse. Fernando Elias (PSDB): “Ele ficou possesso por causa de uma matéria minha e deu de dedo na minha cara..seguinte à publicação da matéria.. Levantei e também dei de dedo na cara dele. Há os assédios. No “Diário Catarinense”. tanto dentro quanto fora do jornal”. espantadíssima com as observações dele. Talvez o ‘valentão’ que botou o dedo no meu nariz não o fizesse se eu fosse homem”. mas tu és inteligente!” E eu.

“A redação. “Logo percebi que no mundo da política as entrevistas coletivas não deveriam provocar espanto nos jornalistas mais experientes. cheios de pompa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 136 . Detalhes que fazem a diferença chamaram a atenção da Doroti Port. 30 anos de profissão. Em 1975.mas o que o senhor esperava”? Mais tarde compreendi que ele não estava acostumado a lidar com mulheres que pensam!” Deborah Almada (sócia-proprietária de uma agência de notícias) sempre teve uma estranha impressão de que os colegas jornalistas homens impunham mais respeito: “Eles chegavam nas entrevistas coletivas sempre muito sérios. As exceções confirmam a regra”. As laudas (que com a internet não mais existem) tinham então dupla utilidade. grande parte deles vividos nas redações dos jornais. logo eu. ficou surpresa: não havia banheiro feminino e às vezes nem papel higiênico. Reverenciados pelos políticos. parecia um tanto bagunçada. lascando sempre as melhores perguntas e naturalmente arrancando dos entrevistados as melhores respostas”. os jornalistas apenas emprestavam seu prestígio a eventos desta natureza. Durante dez anos – de 1986 a 1996 –. Mas vou morrer achando que a gravata é quase que uma senha de acesso ao mundinho da política. Deborah atuou na editoria de política e tinha esperanças de um dia aprender a “fórmula mágica” de comparecer às coletivas já muito bem informada. Ao avaliar sua atuação no jornalismo político. Deborah constata que os espaços de maior prestígio continuam sendo preenchidos por colegas do sexo masculino: “Não quero diminuir a presença feminina no jornalismo político.. ano em que chegou de Porto Alegre para trabalhar na redação de “O Estado”. Longe de mim. que só fiz isso boa parte da vida. aos olhos de uma mulher. Até porque já tinham sido informados em primeira mão dos acontecimentos num café da manhã no dia anterior”. cheia de papéis jogados no chão”.. vestidos de terno e gravata.

prefere o esporte amador. se eu viajasse. Com a honraria. antes eram as “cantadas”. Aquela coisa de matar um leão por dia”. A seriedade e a competência profissional foram reconhecidas: em 1995. eram todos homens”. as gracinhas e o assédio sempre existiram. acostumados a mandar equipes com motorista. Claudia. Assédios que logo eram contornados: “Mostrávamos que éramos profissionais sérias”. é repórter especializada em cobrir esportes. “Quando eu dizia que trabalhava na editoria de esportes. como o esporte. mas tive que me esforçar mais do que muitos homens para conquistar meu espaço. sem contar que num mundo masculino. Era recebida “com certa resistência. é a que está mais tempo em atividade no jornalismo esportivo de Santa Catarina (18 anos). Claudia Sanz. a empresa teria um custo adicional.Outra constatação: “os chefes de reportagem. quebrou um tabu: até então os agraciados eram radialistas e homens. Doroti lembra que alguns “figurões” tentavam aproximações mais pessoais. Fora das redações. redação e editores. Suzete Antunes trabalhou no “Diário Catarinen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 137 . pois teria que reservar dois quartos”. as mulheres jornalistas também têm histórias para contar. Atuar no jornalismo esportivo também exigia das profissionais duplo esforço: mostrar competência e superar preconceitos. Claudia Sanz ganhou a Bola de Ouro – prêmio entregue aos cronistas esportivos de todo o país. Mas lembra que dificilmente era escolhida para trabalhar fora de Florianópolis porque “os jornais. desde 1987. as pessoas invariavelmente perguntavam: ‘mas você entra no vestiário para entrevistar os jogadores?’” Claudia trabalhou pouco na cobertura de futebol. as cantadas. Eu sempre tirei de letra tudo isso. entre as mulheres. colocavam todos no mesmo quarto no hotel e. Não foi fácil para Claudia se impor profissionalmente. O que hoje chamam assédio. fotógrafo e repórter.

para ser respeitada. “Naquele momento tenso. Foi durante uma reportagem sobre a Farra do Boi. ou com decote acentuado. fôssemos entrevistar Maura de Senna Madureira. ela certamente teria muito que contar. no entanto. Maura não só aceitou o desafio como. em Florianópolis. passaram a agredi-la verbalmente. tomo muito cuidado com meu visual. Argumento do chefe: “e se eu for jantar com um jornalista homem. através do jornal “O Elegante”. Nunca vou trabalhar de saia curta. com a ajuda da máquina do tempo. Pelo contrário. Se. ficou nítido que se fosse um repórter a reação não seria tão violenta”. Maura foi a pioneira. A profissional. desafiou publicamente as mulheres a escreverem na imprensa de Florianópolis. de ser agredida. Ligia Gastaldi . Os farristas. como posso ir acompanhado por uma assessora. irritados com a presença dos repórteres. O que me livrou de algumas cantadas indesejáveis”.há mais de vinte anos trabalhando na RBS/TV – percebe que há jornalistas que fazem do visual um marketing pessoal: “Conheço casos de mulheres que vestem roupas mais ousadas para conquistar certas vantagens no trabalho. mas eu sou contra isso e nunca usei de tal artimanha. Reconhece que na redação o convívio entre os colegas foi sempre harmonioso.se” no final da década de 80. Viu uma colega ser preterida a assumir um posto de chefia por ser mulher. além da eterna preocupação com a aparência (exigência também para os profissionais do sexo masculino). a partir do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 138 . há percalços a serem superados. O que considera ser “o maior exemplo de sexismo estúpido” aconteceu quando passou a atuar como assessora de imprensa. chamando-a de “mulherzinha” e “vagabunda”. tem que assumir uma postura séria. A seriedade profissional não a impediu. Histórias sobre a atuação das mulheres na imprensa de Santa Catarina são muitas. uma mulher?” Entre as jornalistas que trabalham nas emissoras de televisão. Seu primeiro texto foi em resposta a um desafio: José Acrísio.

das mentiras de salão. Em 2003. sem a menor reflexão. Basta ver os números para constatar que a presença das mulheres jornalistas nas diversas mídias passou a predominar. carmin e crayon.seu primeiro texto. Dez anos depois. de um total de 20 formandos. eram 27 mulheres e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 139 . Dois anos após a publicação do seu primeiro texto. vivendo a vida material das futilidades e do coquettismo. usava um pseudônimo – Alba Lygia – logo esquecido. Foi a primeira autora de um artigo feminista publicado em Santa Catarina (1923). com especialidade. no primeiro semestre de 1995. escreveu: “Nesses últimos tempos. E o que mais: que não viva unicamente a cuidar de si. 15 eram mulheres e cinco homens. No começo. em 2000. e que lhe assegurará a mesma existência cômmoda e chic. formaramse sete mulheres e três homens. para apparecer bem. de invejável posição social. No curso de Comunicação Social da Univali. à medida que as universidades – públicas e particulares – formavam jornalistas. formada em 1982. em busca do marido rico. bem mascarada. muito se há pregado uma profissão para a mulher. Nas universidades particularidades. Que ella se não dedique exclusivamente à aprendizagem de encargos domésticos e prendas especialmente feminis.)” O aumento do número de mulheres jornalistas nas redações em Santa Catarina está relacionado diretamente ao aumento dos cursos de comunicação. Nas últimas décadas.. cuidando das modas e de flirt. a quem levianamente entregará o coração e a vida. em 1992.. formaram-se 19 mulheres e 14 homens.(. era composta de nove homens e nove mulheres. quase sempre sem amor. O curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina iniciou em 1979 e a primeira turma. à força de rouge. as mulheres passaram a buscar empregos nas empresas de comunicação. o percentual de mulheres jornalistas também é superior ao dos homens. não mais deixou de escrever.

A filha aniversariante já estava dormindo abraçada à irmã mais velha. com raras exceções. No vestibular de 2005. em Palhoça. nossas tarefas e rotinas estão relacionadas com o escrever. É necessário refletir sobre esta tendência”. 28 são mulheres. Devido a uma pauta inesperada. 24 mulheres e oito homens. em São Miguel do Oeste. com o pensar. o desafio é administrar a vida pessoal com a imprevisibilidade da função. A maioria dos que concluem os cursos de jornalismo não exercerá a profissão – ou por falta de emprego ou por terem optado por outras profissões. 31 mulheres ingressaram no curso em 2005 e apenas 14 homens. a repórter Imara Stallbaum foi fazer uma matéria no dia do aniversário de uma das filhas. atingem o cargo de editoras. com o observar. Correu atrás da fonte. Para as que escolheram jornalismo como profissão. Elas realizam um trabalho competente em suas editorias. No entanto. Na Unisul. A presença das jornalistas nas redações representa um expressivo percentual. em 2005 ingressaram no curso de jornalismo 24 mulheres e seis homens no período diurno e 18 mulheres e oito homens. de um total de 50 aprovados em 2005. A jornalista Ana Cláudia Menezes observa que “há uma dificuldade das mulheres em chegarem a postos de chefia em Santa Catarina. Histórias que aqui são contadas evidenciam que o longo caminho percorrido pelas mulheres jornalistas em Santa Catarina têm JORNALISMO EM PERSPECTIVA 140 . escreveu e finalmente foi para casa. entre 40 aprovados. A visibilidade cada vez maior das mulheres nas diversas mídias não corresponde ao aumento de poder. em 2004. 36 são mulheres. mas. No curso de Comunicação Social da UNOESC. Na Unochapecó. no noturno. a presença das mulheres nas redações não tem correspondido ao acesso aos postos de relevância.sete homens. Sendo nossa profissão uma atividade intelectual. Conciliar a vida doméstica com a profissão sempre foi um grande desafio para as mulheres.

sido de conquista. de quebra de tabus. estaremos atingindo o ideal no mercado de trabalho – ou seja. E não mais ouviremos a pergunta: “E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!?” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 141 . Há quem diga que se hoje há um grande número de mulheres nas redações é porque os salários pagos aos jornalistas são baixos. oportunidade igual para todos com salários dignos. e até de enfrentamento. Convém sublinhar que as barreiras a vencer são heranças culturais. Talvez no dia em que não mais dedicarmos espaços para registrar a presença da mulher na imprensa. de preconceito.

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quando tivemos a oportunidade de permanecer uma semana em Rio Branco.Televisão. uma rede de televisão. Summus. . o estado do Acre tem algo em torno de 10% da população de Santa Catarina (5. crescimento. militares e outros do bloco do poder. políticos. Santa Catarina ocupa uma área relativa a 60% do território do Acre. produtividade.Octávio Ianni1 Talvez uma das provas mais contundentes da importância do negócio chamado televisão possa ser ilustrada por uma experiência pessoal. em termos de aplicação de capital. jornalismo e negócios Áureo Moraes “. Em termos comparativos. Laurindo Leal. identidade nacional ou progresso. religiosos. estabilidade política. 1988 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 143 . “Atrás das câmeras.3 milhões de habitantes contra 560 mil). Informações e idéias congruentes com os interesses econômicos. pode ser importante para divulgar informações e idéias que interessem às classes dominantes. Dizem respeito à ordem. paz social. educacionais. além de ser um alto negócio... por exemplo. Relações entre cultura. segurança. estado e televisão”. modernização”. 1 In FILHO. integração.5% do número de municípios (293 contra 22) e. pouco mais de 7. por outro lado. desenvolvimento. ministrando cursos de atualização para jornalistas. vivida há poucos anos.

sabidamente. ambos. partir desta condição consolidada. a empresarial e a profissional. cada uma delas cumpre a função de explicitar em que medida é peculiar o papel da TV no cotidiano dos catarinenses. cinco. o que está em jogo são interesses de grupos. Era um período em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 144 . em termos de veículos de comunicação. Em relação à primeira das dimensões. mas de constatar que. longe de atender às demandas de uma população. a constituição de tais empresas reunia os componentes familiar e político. Ou seus administradores eram proprietários de outros negócios aos quais foi incorporada a emissora ou seus membros estavam ligados a grupos políticos. têm uma realidade muito semelhante: só para ficar no caso das emissoras de televisão. Nesta perspectiva. Logo. o modelo de concessão e autorização do funcionamento é. mais adiante. a atuação dos agentes políticos e das forças do capital transformam o quadro das comunicações num universo em que. Aliás. tendo como referenciais as relações estreitas entre seus proprietários e os governantes da época. ao nosso ver. as duas capitais têm o mesmo número de empresas. Ou até ambas as situações ocorriam simultaneamente. Em regra. E é só. Cada uma a seu tempo foi formada a partir da realidade política nacional e estadual. seja o do capital. o que chamou a atenção foi que. não se trata aqui de requerer uma redução lá ou uma ampliação cá. E em Santa Catarina não haveria como ser diferente.Longe de qualquer interpretação pejorativa. O contexto da televisão no estado pode ser situado em três dimensões: a histórica. catarinenses e acreanos. a TV Catarinense. Em momentos distintos. situaremos as pioneiras. a de que o veículo ao longo dos últimos 50 anos sempre se pautou por esta relação intensa com o poder. falar da televisão como negócio deve. baseado nestas relações. mais precisamente as TVs Coligadas e Cultura e. seja o do Estado. ainda que a realidade sócio-econômica seja incomparável.

as emissoras funcionavam a partir da lógica oligárquica.cehcom. o poder 2 A História da TV Coligadas de Blumenau – Joni César Tomazoni – disponível no site do LAMCE (http://www.br/lamce/impressao/livro21. tem seu reconhecimento no que se refere ao caráter de pioneirismo em si mesmo. formação profissional restrita. fazer TV era missão das mais difíceis. Esta dimensão. modelo fartamente adotado pelo rádio de então. Assim. por razões inclusive tecnológicas. O próprio mercado de anunciantes era emergente e. com alguma experiência em rádio. uma experiência adequada a espíritos empreendedores. Ainda que na sua origem muitas das emissoras tenham surgido a partir da associação de empreendedores. assumindo o lugar de protagonista que antes cabia às emissões radiofônicas. Falemos agora da segunda dimensão. O capital montava a empresa. Neste contexto – histórico e político –. sobre cuja linguagem foram acrescentadas as imagens. Muito antes pelo contrário: iniciava-se o processo de consolidação de sua ação junto ao grande público. exibido pela TV Coligadas logo no início de suas transmissões e relatado no trabalho de Joni César Tomazoni2. descrente dos resultados que o veículo então em surgimento poderia oferecer. restando pouco que se possa avaliar desde o ponto de vista da gestão do negócio. receber a concessão implicava em fazer concessões. a empresarial. vale dizer partidário. a histórica. Com uma forte ascendência do rádio. Invariavelmente ligadas a famílias. de certo modo. ainda captadas em câmeras de película. o meio TV já não despertava tanta desconfiança nem era mais alvo de grande descrença. o regime de concessões e autorizações de operação passou a ser gerido pelo componente político.que. a partir dos anos de 1960/1970. Equipamentos caros. multiplicaram-se as concessões. Funcionava ainda o sistema de programação jornalística vinculada ao nome do anunciante. Exemplo disso era o Jornal Malhas Hering.univali.pdf) JORNALISMO EM PERSPECTIVA 145 . Vivia-se então uma era de transformações tecnológicas.

De outra parte. empresários. entrevistas coletivas e solenidades ganhavam destaque. como as “listas negras” que freqüentavam redações. na melhor hipótese. atuação coletiva. abriu novas e diferentes perspectivas no cenário da TV. Inaugurações. em outros turnos. eram palavras um tanto distantes do exercício profissional. entraremos no que chamamos da terceira dimensão do contexto da TV no estado. A pauta dos noticiários revelava-se absolutamente oficial. No âmbito da atuação profissional. redatores e. de modo geral acabou por tomar conta do mercado da televisão a partir dos anos de 1980. levaram às transformações. Aos inimigos. Aos amigos. Deputados. em 1979. apresentadores. detinham o uso e o abuso da televisão. No caso de Santa Catarina. era ainda incipiente a ação política dos profissionais. a implantação de uma faculdade de jornalismo daria início ao processo que. senadores. A criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Mas o ambiente e seus vetores. Atuavam como repórteres. Muitos mantinham duplo vínculo. Em finais da década de 1970. a programação jornalística refletia igualmente a circunstância em torno das relações entre estado e televisão. Lembremonos de que o país ebulia neste período. prefeitos. Consciência profissional. o anonimato. isenção. profundamente ligados entre si. combinados. Deste período é importante destacar situações emblemáticas. como assessores.político sustentava a conquista da autorização e. a totalidade dos profissionais atuantes em Santa Catarina. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 146 . para a omissão. Aqui. com formação universitária. Pronto! Estavam criadas as condições para a promiscuidade ou. Óbvio que a criação pura e simples de uma faculdade não foi a única responsável pelas mudanças que o mercado de TV passou a experimentar. ambos garantiam a manutenção da relação por meio da atuação política nas esferas do estado. ou vinham de outros estados ou eram graduados em áreas como o Direito. a fartura da presença no vídeo.

o Jornalismo da UFSC já nasceu rebelde. quando se formou a primeira turma. Experiências inovadoras de programas e processos. tinha poucos equipamentos e quase nenhuma estrutura laboratorial. rigorosa e literalmente. críticos. e seguindo a agenda da nação. Mas sua inserção no mercado de trabalho e.” A realidade que se tinha. portanto. formar jornalistas. as chamadas pautas comunitárias. Sua vocação para a formação crítica. a intenção de.ufsc. Ainda que se credite uma boa dose de idealismo e outro tanto de carências estruturais à primeira fase de implantação do Curso. estabeleceu outras bases para a atuação dos profissionais que passou a formar. pedagogicamente inovador. Deste período houve frutos no mercado local de televisão. até então. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 147 .br: “Os primeiros anos foram de intensa participação na vida política do Estado. se a formação política estava em alta. ocupando salas do prédio da Imprensa Universitária. fazia dos profissionais ali formados jornalistas com conhecimento amplo do sentido da profissão. Os estudantes daquelas primeiras turmas possuíam o perfil de outros tantos de diferentes áreas do conhecimento na época: contestadores. aproximando a população da TV. Forma-se como um combatente do estado de coisas. por exemplo.Pioneiro no estado. Mas.jornalismo. Conforme o histórico do curso no sítio www. mas acaba por se render ao inimigo. sua condição de protagonista no processo de mudança do negócio chamado TV ainda era tímida. democratizando em alguma medida o acesso à informação. O Jornalismo funcionava com espaço físico reduzido. trazendo. em 1982. O curso que se tornara conhecido nacionalmente como inovador. ele tinha no seu seio. Em 1984 constatou-se a inviabilidade de um projeto estritamente político e muitos professores deixaram a universidade. socialmente preocupados e politicamente engajados. viveu um período de desânimo. constataram-se deficiências nas áreas técnica e científica.

eram tratados nas emissoras como radialistas. o MOS – Movimento de Oposição Sindical. No conteúdo apresentado.Outro resultado dos primeiros anos da faculdade de Jornalismo da UFSC foi. A partir de discussões e debates nascidos entre os alunos e professores se articulou. os profissionais passaram a agir com outros princípios. Algumas delas determinadas pelo fluxo do mercado. com outras condutas. Neste período. em que a pura e simples eqüidade de tratamento tornou-os jornalistas. legitimados a utilizar tal expressão. criaram-se ali as condições para superar o oficialismo sindical que se mantinha pelos favores do estado. sobretudo. a remuneração devida entre outras conquistas. o Sindicato dos Jornalistas processa a inclusão de um grupo de profissionais de televisão até então excluídos do reconhecimento legal. a conquista de uma dignidade profissional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 148 . Foi a partir da atuação da recém-eleita diretoria do SJSC que se passou a ter exigências hoje absolutamente banais. Um movimento criado naquele ambiente de teimosa democracia. sem dúvida. Na fase derradeira dos anos de chumbo. E o reflexo se deu no dia-a-dia do negócio chamado TV. em meados dos anos de 1980. A geração que atuava era mais atenta às questões sociais. também houve mudanças. O reflexo no dia-a-dia dos repórteres da imagem foi altamente positivo: jornada de trabalho e salários adequados e. posicionada criticamente perante os aspectos legais do exercício profissional e engajada nas transformações políticas em curso. um dos mais relevantes. mais precisamente nos anos de 1988 a 1990. o devido enquadramento de funções restritas aos jornalistas. Somente por meio da consolidação de um projeto de ação sindical baseado nos marcos legais existentes foi possível integrar ao Sindicato estes jornalistas. outras pelo tipo de formação que passou a existir. O registro profissional. Trata-se dos repórteres cinematográficos que. àquela época. a jornada de trabalho. Vencidas as eleições para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina.

diferentes perspectivas de mundo ampliam as opções do espectador. provocada pelas mudanças tecnológicas. Se por um lado o fato gerou discussões do tipo “haverá mercado para todos”. Ainda que se julgue que a nova realidade profissional tenha boa parcela de participação na transformação do meio TV naqueles tempos. a produção independente ganha força. o negócio TV passou a sofrer com a crescente variedade de espaços de difusão de informações. ressalvado que o tema estará sempre inconcluso. No início da última década do século XX. que democratizar era distribuir as emissoras entre a sociedade. A saída. novos olhares. Neste sentido. mais oportunidade de consolidação de um olhar local sobra a realidade local. Novas abordagens. em um país cuja ordem política já não dependia dos generais. sua implantação levou à conclusão de que mais do que ser dono é possível ser produtor. estava em se deter o modo de produção. a bandeira utilizada levava à convicção de que somente pela redistribuição do modelo concentrado se obteria a efetiva democratização da comunicação. mais formandos. Nos anos de 1970 e 1980. de outro é inegável admitir que. As TVs por assinatura elevam o número de pessoas com acesso a outros canais. a grande crítica aos meios de comunicação eletrônica era quanto à concentração de sua propriedade em poucas mãos. no âmbito das emissoras de televisão houve um expressivo aumento de profissionais com conhecimento da realidade regional. A título de conclusão. Mesmo que se leve em conta o fracasso parcial do modelo de TV a cabo – decorrência da superestimação do mercado –. mais adiante. que deter a concessão não seria de fato a melhor maneira de se chegar ao acesso universal. destacamos algumas considerações do professor Hé- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 149 . a implantação de outras escolas de Jornalismo no estado. Como elemento de um discurso ideológico. Dizia-se em corredores e salas de aula.Seguiu-se ao Curso da UFSC. há que se validar outras variáveis com tanta ou maior relevância. Viu-se. Mais escolas.

”3 Diante das três dimensões aqui propostas – a histórica. XXI Congresso da Intercom. por empresas jornalísticas. E determinante: no sentido de quem serão seus pioneiros. Hélio Ademar Schuch.(. 2) aumento da oferta de novas revistas semanais.lio Schuch. imaginamos ser possível prever que elas persistirão daqui para o futuro. 6) intensificação da cobertura regional por veículos nacionais. Tudo isso amplia as possibilidades de escolha da audiência. e também de jornais e revistas. Não apenas no caso de veículos impressos como também nos eletrônicos. seja de meios eletrônicos. quinzenais e mensais. do Departamento de Jornalismo da UFSC em artigo publicado em 1998: “O mercado brasileiro de jornalismo movimenta-se no sentido de forte competição. seja de meios impressos. a concorrência torna-se um componente decisivo na gestão das empresas que têm o jornalismo como negócio. 7) intensificação da cobertura local por veículos regionais. Pode-se dizer que a atividade jornalística sob enfoque de mercado não é um assunto devidamente analisado e discutido nas escolas.. a empresarial e a profissional –. em si. mas o que atrai atenção é o acirramento desta competição em anos recentes. 4) especialização da programação jornalística de emissoras de rádio e de televisão por assinatura. Nesta competição os veículos estabelecem as mais diversas estratégias de ação. impressa ou via internet. É uma falha que deve ser corrigida. um fato novo. 3) aumento da oferta de novos jornais. 1998 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 150 . 5) oferta de novos serviços de informação. já que o ambiente de concorrência que se estabelece no jornalismo deve ser melhor compreendido”. A TV Digital bate às portas como fato iminente.. como se darão as relações de poder entre os agra- 3 Jornalismo e Mercado: análise da competição entre veículos jornalísticos.) A concorrência entre veículos jornalísticos não é. Isso pode ser constatado pelos seguintes indicadores: 1) surgimento de novos canais de televisão por assinatura.

que profissionais as escolas irão formar e que foco eles terão diante da nova tecnologia.ciados com a concessão dos canais digitais e os sem-concessão. Perguntas que outros cinqüenta anos nos ajudarão a responder. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 151 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 152 .

um dos nossos mais festejados historiadores.Jornalismo e Política Moacir Pereira Apontada pelos círculos acadêmicos como um dos clássicos da literatura universal. “Ilusões Perdidas” é um desses livros a merecer leitura obrigatória dos estudantes de todos os cursos de Comunicação do Brasil. a coleção “Comédia Humana”. tem um volume com lições extraordinárias sobre a prática do jornalismo. Foi dos últimos pesquisadores o que mais se dedicou à leitura dos jornais e o que mais buscou documentos nos arquivos públicos e particulares para confirmar versões e fatos. fruto de seu pioneiro trabalho na instalação do Museu de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina. seja pelo conteúdo literário. foi definitivo. seja pela atualidade de suas apreciações. Tendo com o saudoso médico uma fraterna convivência. passando pela mais ostensiva manipulação política. Qualquer abordagem que se faça sobre o jornalismo e a política exercidos em Santa Catarina nestes 174 anos de existência da imprensa não poderá prescindir dos escritos do professor Oswaldo Rodrigues Cabral. Ali estão denunciadas as várias faces do jornalismo. Indagado certa vez sobre a inexistência de um livro de sua autoria sobre a imprensa catarinense. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 153 . ao afirmar que a história da imprensa não pode ser desvinculada da história da política e dos partidos. do talentoso escritor francês Honoré de Balzac. do exercido de forma engajada ao praticado pela permuta do vil metal. Publicado em 1843. consegui alguns depoimentos em conversas informais e entrevistas gravadas sobre temas polêmicos da história catarinense.

Dois excepcionais jornalistas atuavam em trincheiras opostas: Rubens de Arruda Ramos defendia o PSD e atacava a UDN na famosa coluna “Frechando”. o arqueiro da justiça. Restabelecida a democracia. e seu irmão.Proclamou em 1975: “A imprensa de Santa Catarina nunca se desvinculou da política. Veio a ditadura getulista e com ela a censura do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) aos órgãos de imprensa. Instalaram-se as principais emissoras de rádio. valendo-se do pseudônimo Guilherme Tell. Enquanto o PSD defendia os governos pessedistas pelo jornal “O Estado”. Jerônimo Coelho. E. disparava contra o PSD e usava todos os escudos para promover a UDN em sua JORNALISMO EM PERSPECTIVA 154 . Os exemplos clássicos expressam de forma contundente este cenário predominante em inúmeros municípios. ou pelas páginas de “A Gazeta”. já mais acentuada com a marca do partidarismo. na maioria delas. Ao longo do período monárquico. Sobre estes três diários há singulares registros históricos. em “O Estado”. subordinadas às principais correntes de pensamento: liberal e conservador. do líder pessedista Aderbal Ramos da Silva. os principais jornais estabeleceram-se em Florianópolis. a atuação partidária. com uma bela ilustração em bico de pena. revelou este engajamento político ao declarar guerra aberta ao centralismo governamental. era a voz ativa da UDN. Seguiu-se na República velha idêntica conotação. atirando pesado contra o Império. a UDN fazia o mesmo no jornal “Diário da Manhã”. defendia os interesses do PSD. do líder udenista Irineu Bornhausen. de maneira que os jornais sempre viveram em função da política e dos partidos”. A política sempre foi o nosso esporte. A Rádio Guarujá. quando lançou o primeiro número de “O Catharinense”. Jaime de Arruda Ramos. a Rádio Diário da Manhã. os jornais tinham duas tendências claras. Os jornais assumiam até no frontispício a condição de órgãos de atuação partidária.

o temível adversário na mídia. mas eles permanecem sempre na mesma posição. O acordo. segundo os críticos de plantão.prestigiada coluna “Tim Tim”. ostentava “Um jornal sem ligações partidárias”. Rubens teve que viajar ao Rio de Janeiro. Na fase final. o advento da televisão. Os gladiadores podiam tudo. quinzenários e até diários criados por candidatos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 155 . Uma prática que marcou os períodos eleitorais em Santa Catarina deixou de existir há anos: semanários. A chegada de novos jornais. era mais folclórico do que real.com as oposições.. que acrescentavam “. Acometido pela doença que o vitimou. Como dependia quase sempre das verbas governamentais. partidos e empresas com objetivo específico de fazer o marketing de seus candidatos. O fato é que Rubens e Jaime não faziam concessões partidárias. marca atuação de vários veículos neste início do século XXI em diferentes municípios do Estado. mas esgrimavam com categoria e elegância. estilo literário e alto nível em todas as batalhas. A instalação do curso de Jornalismo na UFSC consolidou esta tendência. garantem os filhos da notável dupla. E que desapareciam imediatamente após o término das eleições. usando o pseudônimo “Tim Tim”. A irmandade exigia de ambos fina ironia. o fim do pluripartidarismo e as novas tecnologias em todos os veículos mudou o perfil da imprensa catarinense. O matutino “A Gazeta” teve forte presença em Florianópolis durante anos.” Situação que. era alvo de tiradas irônicas dos concorrentes. Fundado por Jairo Callado. E seguiu acompanhado do irmão Jaime. teve o comando de Martinho Callado Júnior.. A disputa sequer arranhou a fraterna amizade que cultivaram durante toda a vida. em “A Gazeta” ou no “Diário da Manhã”. Os governos mudam. que foi abandonando gradativamente essa forte atuação partidária para assumir uma postura mais profissional e isenta. menos xingar a mãe. Versão que corre há decênios nos meios jornalísticos revela que Rubens e Jaime tinham um pacto.

os jornalistas políticos sentem-se mais contingenciados. sejam elas auto- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 156 . antenado. defesa de princípios.A fase mais recente vai identificar os jornais na busca de uma postura mais profissional na linha editorial e na cobertura política. registra-se um paradoxo. Enquanto os cronistas esportivos realizam-se plenamente nos grandes eventos – campeonatos e olimpíadas –. De um lado. Mas também. nos bastidores. registrará fatos e ouvirá depoimentos que ampliam suas informações mais amplas de acontecimentos nos bastidores. as informações se multiplicam sobre motivação política na origem da decisão. penosa e sacrificada. contudo. enfim. porque muitas vezes incompreendida. E estas. limitam o jornalismo político: a cobertura das campanhas eleitorais e as múltiplas pressões sobre os profissionais. sobretudo no jornalismo político. na investigação e na qualidade da impressão dos jornais de Florianópolis e de praticamente todos os diários das principais cidades de Santa Catarina. Mas. Sacrificada. Dois fenômenos. O repórter político. Nas eleições. sejam eles econômicos. proclamação de valores e direitos. uma vez que a cobertura tradicional tem se limitado aos fatos e declarações oficiais. as redes de televisão e os jornais alegam sempre “contenção de despesas” ou “mudanças editoriais”. particulares e até sociais. Ao demitirem seus comentaristas políticos. O jornalismo constitui atividade profissional realizadora. muitas vezes exercido como missão. Este fato acaba empobrecendo a análise política. pela exigência de plantão permanente nas 24 horas do dia. São visíveis os avanços técnicos na edição. a propagação de mensagens que atuem na promoção humana. transmitindo toda a emoção vivida na cobertura. O analista político não sobrevive sem boas fontes. combate a toda forma de desonestidade. o comentarista político é exigido em todos os ambientes que freqüente. eis que. pela possibilidade de prestação de serviço público.

o nível de investigação do jornalismo praticado no Estado. se hoje são altamente qualificadas e freqüentam as colunas com registros positivos. a falta de unidade da classe e a representatividade restrita das entidades de classe. Uma delas deu prestígio estadual e pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 157 . em todos os níveis. a nominata dos fundadores e. porque pode implicar num envolvimento comprometedor pela proximidade ou num distanciamento limitador das informações. O Sindicato dos Jornalistas. dos primeiros associados vai encontrar número elevado de comerciantes. no segmento político. iniciou-se um processo de depuração. Era a primeira seleção destinada a transformar a entidade na representação efetiva dos jornalistas catarinenses.ridades. como ética e responsabilidade social. amanhã podem ser alvo de avaliações críticas ou até denúncias de ocorrências que as envolvem em práticas condenáveis pela sociedade. é extremamente delicada. viveu períodos distintos nestas cinco décadas. afinal. oxigenado por dois privilégios conferidos pela legislação: jornalistas tinham desconto de 50% nas passagens aéreas e gozavam de isenção do imposto de renda. sobretudo. parlamentares ou dirigentes partidários. Antes e depois da regulamentação. Esta relação jornalista-fonte. mantendo no Sindicato apenas os jornalistas registrados nos termos da legislação. As comemorações do cinqüentenário de fundação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina oferecem uma oportunidade singular para debates e reflexões em torno destas questões profissionais de real interesse coletivo e abordagem de temas sempre relevantes e atuais. Por isso mesmo. o Sindicato viveu fases distintas de sua trajetória. Uma comissão mista designada pelo Ministério do Trabalho fez uma profunda triagem. Começou forte e numeroso. profissionais liberais e até intelectuais que não praticavam o jornalismo e que buscavam o registro na época para o desfrute dos benefícios legais. Com a regulamentação profissional imposta pelo DecretoLei 972/69.

mostra uma transformação inédita. ofereci aos colegas um relatório resumido de fim do mandato. O Sindicato instalou delegacias em quatro municípios. jamais titubeou em avalizar apoio a moções e documentos que denunciavam atentados contra o exercício profissional e enfatizavam a volta da constitucionalidade. Em primeiro lugar. Dela me recordo com saudade e emoção. cito com respeito o nome do corajoso amigo e bravo companheiro Audálio Dantas (São Paulo). Entre eles. Alguns testemunhos insuspeitos dos presidentes e diretores dos Sindicatos de vários Estados. atestam a riqueza política e intelectual desta época. orgulho e sentimento do dever cumprido. subscrevendo todos os documentos nacionais da classe pelo restabelecimento da liberdade de imprensa e da democracia. várias frentes foram atacadas. o sindicato catarinense alinhou-se à histórica luta do Sindicato de São Paulo contra a censura imposta pelo AI-5. Eleito pelo voto direto dos companheiros de todo o estado. Mauricio Azedo (Rio de Janeiro). na cerimônia de transmissão do cargo. para viabilizar a regu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 158 .jeção nacional ao jornalismo catarinense. Armando Rolemberg (Brasília). Joesil de Barros (Pernambuco). Derrotado na tentativa de reeleição. desde que o Brasil foi sacudido com a morte do jornalista Vladimir Herzog. João Borges de Souza e Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (Rio Grande do Sul). pelo engajamento determinado em todas as lutas contra a censura e pelo restabelecimento da ordem jurídica no Brasil. num dos episódios mais dramáticos de nossa história recente. Dídimo Paiva e Washington de Melo (Minas Gerais). que revela as intensas e proveitosas atividades do período. Dentro do estado. Aprovado pela assembléia da categoria. com uma atuação nacional sem precedentes e uma produtividade estadual até hoje não suplantada. tive o privilégio de presidir o Sindicato dos Jornalistas de 1975 a 1978. Nos congressos nacionais e conferências.

Editado o livro “Hipólito da Costa”. Data desta fase uma constante atuação na Delegacia do Ministério do Trabalho para o efetivo cumprimento da legislação. Promoção dos prêmios Jerônimo Coelho de Reportagem. na edição de “O Estado”. A programação cultural não foi desprezada. conquista que já era uma realidade no Rio Grande do Sul. que depois tornou-se best-seller. sobre o famoso caso Watergate. uma cartilha sobre todo o processo de registro e sindicalização. para prestação de assistência odontológica e médica. para o segundo lançamento nacional de seu livro “A Ilha”. São Paulo e outros estados. Foram assinados convênios com a Caixa de Assistência dos Advogados da OAB. Um produtivo debate foi realizado após a exibição do filme “Todos os homens do presidente”. até sob protestos de alguns colegas conservadores. O Sindicato trouxe a Florianópolis. com a Ciclo e com a Medisan. Propôs na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho o primeiro acordo para fixação de piso salarial. Homenageado o saudoso repórter Rodolfo Sullivan. Várias entidades de classe e empresas privadas passaram a contratar profissionais registrados para edição de jornais e revistas. o jornalista Fernando Morais. tinham sempre casa cheia. o que permitiu a ampliação de sua base de oito para dezessete municípios. As três principais empresas jornalísticas de Florianópolis assinaram acordo de piso de três salários mínimos para cinco horas de jornada diária. do jornalista Adolfo Zigelli. baseado no livro denúncia dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein. Editou o livro “Jornalista-Orientação Profissional”. Audálio Dantas participou de noite de autógrafos de seu vitorioso “O Circo do Desespero”. além de outros benefícios. ressalte-se. com a presença efetiva de companheiros de várias ten- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 159 . Eventos que. que levou o presidente Nixon à renúncia.lamentação profissional. e do Prêmio Imprensa. em cooperação com a Assembléia Legislativa.

Luiz Antônio Soares. Rivaldo Souza. O Sindicato ganhou tanto prestígio de congêneres do país que obteve aprovação. Coroando estas realizações. Foram lançadas quatro edições do jornal “Encontro”. à proposta de realização da 12ª Conferência Nacional dos Jornalistas. e nos congressos e conferências nacionais. Sérgio Bonson. que teve a participação dos jornalistas Aluízio de Amorim. Idealizadas e realizadas duas edições da Semana Catarinense de Jornalismo. o que aconteceu em Florianópolis em 1979. Depois de aprovar moções em todos os eventos promovidos pelo Sindicato. como Cláudio Abramo (“Folha de S. Hélio Fernandes (“Tribuna da Imprensa”). e uma edição do Encontro da Imprensa Catarinense (Chapecó). por unanimidade. Ivani Borges. Bento Silvério. Flávio Sturtdze. Villas Boas Correa (“Jornal do Brasil”).dências ideológicas e partidárias. Lourenço Cazarré. o Jaguar (“O Pasquim”). Orestes Araújo. Laudelino José Sarda. a Diretoria iniciou entendi- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 160 . que trouxeram a Santa Catarina nomes destacados da imprensa nacional. em Florianópolis. Seminário Internacional de Jornalismo. ganhou destaque por último a articulação para criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. que contou com a presença dos jornalistas americanos Bruce Wandler (“The Washigton Post”) e Roberto Sullivan (“The New York Times”). Paulo”). enfatize-se. Eurico Andrade (“Veja”). José Carlos Soares e Rosamaria Urbanetto. Ricardo Kotscho (“O Estado de S. em Santa Catarina. Raimundo Caruso. Sérgio Jaguaribe. Paulo”). Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (PUC-RS). César Valente. órgão oficial do Sindicato. e o 1º. José Marques de Melo (USP). Jandyr Corte Real. Fernando Morais (“Veja”). tiveram a maior repercussão na comunidade e contaram sempre com platéias expressivas. Eventos que. Elaine Borges. Imara Stailbaun. Sérgio Motta Melo (Rede Globo).

Sua principal realização foi a aprovação do Estatuto do Sindicato. fato que viabilizou sua reeleição por novo mandato. foi possível resgatar alguns dados dos dirigentes sindicais. consolidando a obra dos fundadores da Associação Catarinense de Imprensa. instrumento legal que permitiria o pleno funcionamento da organização profissional.mentos com o reitor Caspar Erich Stemmer. Tratou de dar à entidade a marca sindical. foi o segundo presidente. Ali. a garantia de um sistema de assistên- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 161 . com o auditório lotado. Gustavo Neves assumiu a presidência em 1961. marco do ciclo de eventos profissionais. transformou-se o único empregador a dirigir um sindicato de empregados no Brasil. que se comprometeu em acolher as reivindicações e viabilizou a instalação do curso através de vários atos assinados em 1978. Durante muitos anos. pelo estilo elegante com que escrevia. sigla que mais tarde o elevaria ao cargo de secretário da Educação do governo Celso Ramos. Sua presença no comando da entidade representou dignidade e prestígio para o jornalismo. Na 1ª Semana Catarinense de Jornalismo. Jairo Callado. generoso com os amigos e muito bem relacionado com os poderes constituídos. Primeiro presidente. políticos e culturais. diretor proprietário de “A Gazeta”. mas teve o mérito de manter a classe unida e prestigiada. o jornalista Adão Miranda. O jornalista Alírio Bosle exerceu dois mandatos com uma fixação: a união da categoria. figura humana de extraordinária comunicação. a semente plantada anos antes. Martinho Callado Júnior mesclava atividades profissionais com a militância no Partido Democrata Cristão. Enfrentou um período de dificuldades. Foi sucedido por seu secretário. Marcou o mandato com a conquista da carta sindical. com uma característica singular. Homenageado com a denominação de “Príncipe”. foram lembrados todos os ex-presidentes.

onde era constante e numerosa freqüência dos jornalistas e radialistas. a integração entre patrões e empregados tendo como parâmetro a prestigiada Associação Riograndense de Imprensa. tendo como candidato a presidente o jornalista Osmar Antônio Schlindwein. sobretudo. destinada a abrigar todos os profissionais da imprensa. O 5º. onde cumpria várias tarefas jornalísticas. Ação posterior do jornalista Cyro Barreto naquela unidade da Marinha resultou no cancelamento do veto à Moacir Pereira. na época com sede em Florianópolis e maior unidade militar de Santa Catarina. Fato inédito na história do Sindicato aconteceu na sucessão de Alirio Bossle. e a atuação harmônica entre os Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas. dandolhe caráter mais social e cultural. Foi eleita chapa única. Credenciado na área patronal e com trânsito nas agências de propaganda. o advogado Moacyr JORNALISMO EM PERSPECTIVA 162 . compareceu na sede da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho. que controlava pelo Serviço Secreto as liberações de candidatos às eleições sindicais. montada de comum acordo com várias correntes. que coordenava por lei todo o processo eleitoral. comerciais e administrativas. obteve a cessão por empréstimo de um casarão na rua Vidal Ramos. Ciro Belli Muller. Motivo alegado: o jornalista havia sido confundido com um homônimo. Graças às excelentes relações com o então governador Ivo Silveira.cia social aos mais idosos e. O delegado. mas não assumiu. onde atuava há décadas. Intimado na véspera da posse. seu conterrâneo de Brusque. retardara a notícia na esperança de vê-la revogada. Batalhou durante muito tempo até fundar a Casa do Jornalista. Distrito Naval. aprovado pelos sócios de outros jornais. companheiro de excelentes relações com a redação de “O Estado”. Osmar Schlindwein foi eleito pela totalidade dos associados. Moacir Pereira. por suas funções exercidas no “mais antigo diário de Santa Catarina”. havia cassado a posse do presidente Osmar Schlindwein e do suplente da diretoria.

pelo piso salarial. pelo cumprimento da regulamentação profissional. ao contrário. o Zico. ela assume seu verdadeiro papel reafirmando os direitos e garantias individuais. Schlindwein teve cassação definitiva e jamais exerceu a presidência do Sindicato. ex-vereador do PTB. a categoria demonstrava mais prestígio e união e estava oficialmente criado o Curso de Comunicação-habilitação em Jornalismo pela UFSC. colegas e convidados. que viria a ser mais tarde inquieto repórter policial e leal assessor de Esperidião Amin em várias funções públicas e dois mandatos de governador do Estado. para o lugar do jornalista impugnado. o aperfeiçoamento promovido por incontáveis promoções de interesse profissional e público. concluído o mandato. os demais membros da Diretoria decidiram então eleger Antônio Kowalski Sobrinho. pelo congraçamento de todos os profissionais e pela criação de um curso de Jornalismo. relatava que o AI-5 estava sendo guilhotinado definitivamente. quase sempre ao lado do inseparável amigo e vizinho. José Carlos Soares. Ao assumir a presidência.Pereira. exigência do Decreto-Lei 972/69. o piso salarial conquistado. Nova revisão dos registros profissionais. pende para o partidarismo e vincula-se a interesses de grupos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 163 . pelo aprimoramento e unidade da classe. fichado no Distrito Naval por atuar na concessão de benefícios aos pescadores. dedicado e competente redator que fez carreira desde menino na antiga redação de “O Estado”. prometi lutar pela eliminação da censura prévia oficial. Tive o prazer de pronunciar discurso perante autoridades. Três anos depois. Criado o impasse. foi um dos marcos da gestão de Kowalski. na rua Conselheiro Mafra. Quando. em que proclamava a certa altura: “Quando a imprensa curva-se diante das benesses do poder. a cidadania entrega-se aos azares do arbítrio. o registro profissional mantido como exigência legal. o vice.

os apelos pelos direitos dos cidadãos. Na realidade. cremos haver chegado a um grau elogiável de conscientização profissional no jornalismo catarinense. mas realizadora missão. esta jornada sindical constitui-se na melhor escola de formação de liderança. incompreendida. foi a experiência que termina. o firme propósito de ver os irmãos unidos e mais próximos. impondo juridicamente as regras do equilíbrio entre liberdade e autoridade”. dizia há 27 anos: “Gratificante. todos vivendo sem discriminações”. uma magnífica oportunidade de enriquecimento político. que pautaram as ações do Sindicato dos Jornalistas nestes três anos. protege o cidadão e segura o Estado. realmente. os desejos de justiça social. Estes postulados sopram como vento nas redações. O Brasil dá um magnífico exemplo ao mundo. os ideais de um entendimento amplo com a concessão da anistia reparadora de punições injustas. onde são marcantes hoje os anseios de democracia. pessoal e profissional.disseminando princípios democráticos e espalhando valores humanos e cristãos. O exercício da presidência de um sindicato constitui. de política e de cidadania. as mensagens eloqüentes pela melhoria das condições de vida de todos os brasileiros.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 164 . aí. Diria que a nenhum jornalista seria lícito negar o exercício de tão sacrificada. tendo na presidência da República um retirante nordestino que forjou toda sua formação na luta sindical. Ao concluir o mandato. penosa. sim. enfim. Prosseguia a manifestação de despedida: “Como fruto dessas lições e enunciados. difícil. sob todos os títulos.

ainda. quando não rivais. deveria estar livre. providenciais espaços de conexão entre os territórios favorecem a confluência de interesses comuns ou o contrabando. na revisão teórica de conceitos de jornalismo econômico. editores. segrega a gerência comercial e simboliza a hegemonia de um jornalismo que. nas práticas orientadas pelo profissionalismo e pela ética. Este capítulo analisa a profissionalização da cobertura econômica na história recente da imprensa catarinense. mas deontologicamente expressiva) tenta dar conta da complexidade da relação. não se vende. particularmente. à sombra de tais jogos de pressão. é simplesmente um falso obstáculo. túneis. O muro demarca territórios. Essa relação de confronto/confluência de interesses cerca. noutros é delgada e porosa. assessores de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 165 . na concepção dos transeuntes. escadas. A imagem (pobre de estilo. de cada um desses setores. um embaraço no meio de um caminho que. O texto é especulativo e ampara-se em resgate histórico. noutros. o muro se dissolve.Jornalismo em cima do muro Jacques Mick Uma metáfora político-arquitetônica é evocada com freqüência para defender a autonomia dos jornalistas: é com um muro imaginário entre o departamento comercial e a redação que a categoria separa os interesses distintos. na observação crítica da cobertura do setor dos últimos quinze anos e no diálogo com repórteres. orientado pelo interesse público. vãos. Quando anunciantes interessados em aparecer bem na imprensa encontram empresas jornalísticas ou profissionais dispostos a agradá-los. Fendas. o jornalismo econômico. A parede é mais espessa e alta em certas editorias ou veículos.

Nenhum desses profissionais tem qualquer responsabilidade sobre os juízos de valor emitidos neste artigo. Sérgio Murillo de Andrade. como reação à censura: falar de economia era uma maneira disfarçada de. falar de política. Rogério Christofoletti e Samuel Pantoja Lima. Na segunda. me parecem relevantes para compreender limites e potencialidades do jornalismo econômico praticado no estado. – aos quais agradeço. As adversidades da economia nacional nas décadas de 1980 e 1990 contribuíram para evidenciar a 1 A escolha dos entrevistados foi apenas parcialmente aleatória: procurei personalidades ao mesmo tempo relevantes para a história recente do jornalismo econômico e acessíveis no prazo de 60 dias (contando Natal e Ano Ano-Novo) entre a encomenda e a entrega do capítulo. Sou grato também às críticas apresentadas pelos professores Gastão Cassel. Luiz Felipe Guimarães Soares. A cobertura do setor se desenvolveu nos anos 1970. Cláudio Loetz. como anotam Basile (2002) e Caldas (2003). Eli Diniz. formuladores de políticas (mais do que suas vítimas). também. A consolidação do jornalismo econômico em Santa Catarina O jornalismo econômico. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 166 .imprensa e/ou empresários que contribuíram para que a área alcançasse o status que detinha em 20041. derivados da revisão histórica. apresento uma interpretação da história recente do jornalismo econômico em Santa Catarina. Daisi Vogel. como o papel desempenhado pelas assessorias de imprensa e as novas formas de envolvimento com a mídia adotadas pelo empresariado. cobre os acontecimentos de dois universos inter-relacionados: o mercado e a política econômica. Foram entrevistados e/ou opinaram sobre os originais Aluízio de Amorim. Silvio Melatti e Zuba Coutinho. A argumentação está desdobrada em duas partes. Na primeira. de modo a delimitar mais precisamente o objeto que será analisado na seqüência. proponho uma crítica em torno de temas que. A rotina da editoria envolve ouvir vendedores e compradores. empresários (mais do que trabalhadores).

2 Só mudanças de moedas. Em Santa Catarina. desde a década de [19]70. 3 Há jornalismo econômico em emissoras de rádio e TV e em veículos na internet. em conexão com esse fenômeno. a partir de 1971. culturas de imigração). sem contar indexadores (como a URV). Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg. nas iniciativas político-empresariais na disputa por leitores. criado por iniciativa dos mesmos empresários que haviam inaugurado a TV Coligadas. não é possível falar de jornalismo econômico antes dos 25 anos precedentes a 2004. Joelmir Beting. a inflação chegoujá foi de a 84. como Luiz Nassif. sob diversas identidades3. foram ocupando em maior número as redações de jornais e emissoras de rádio e TV” (TERNES. Escrito por uma equipe imigrante de repórteres4. Celso Ming. trazendo. o Jornal de Santa Catarina inovou os meios editoriais e jornalísticos de Santa Catarina. p. a variedade e a complexidade desse arranjo produtivo constituem um desafio permanente para a cobertura jornalística. em conseqüência.32% no último mês do governo José Sarney. mas interpretar tais manifestações é objetivo inatingível nos limites deste texto. a cobertura setorial surgiu e se consolidou. inclusive. 4 “Impresso em Blumenau e com boa circulação nas principais regiões do Estado. os primeiros profissionais de imprensa do Rio Grande do Sul. O desenvolvimento do estado teve relação com suas características geográficas e humanas (topografia acidentada. A história recente da imprensa catarinense tem como um marco a audácia do "Jornal de Santa Catarina". que se concentra na mídia impressa. houve cinco no país entre 1986 e 1994. 2003. o estado registrou intenso crescimento de sua economia. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 167 . em 1969. Somente então. Aloysio Biondi. foi o primeiro diário impresso em offset no estado.relevância das pautas dessa área para os cidadãos2 e transformar em celebridades jornalísticas os principais colunistas da área. Nesse um quarto de século. que. Mas não é apenas no aspecto temático que jornalismo e mercado se relacionam: o crescimento do estado se refletiu também nas mudanças na estrutura de propriedade dos veículos de comunicação e. 85).

da Tupy. preservando seu prestígio e a maior tiragem da época5. em termos de tiragem. o prêmio Fernando Pini. o Santa passou ao controle do empresário Mário Petrelli. 5 “É na década de 70 que o ‘mais antigo’ registrará fase áurea. a impressão em cores (TERNES. é reconhecido pela excelência gráfica: a elegância do projeto. da Tigre. o AN investiu US$ 6 milhões para informatizar a redação e modernizar o parque gráfico.” (TERNES. 7 Uma década depois. por exemplo. o que permitiu. aprimorou o sistema de impressão dois anos depois. associado a Jorge e Paulo Konder Bornhausen. este é um mérito a ser destacado. em 33 cadernos e tiragem de 50 mil exemplares. p. os US$ 5 milhões aplicados na modernização do processo produtivo foram aportados por Dieter Schmidt. Jorge Konder Bornhausen. 119). 2003. 88-89). Baltasar Buschle. e também pelo acionista majoritário e ex-prefeito Helmut Fallgatter. encontrava-se o apoio político de Antônio Carlos Konder Reis. com total de 264 páginas. de propriedade familiar. a partir de 31 de janeiro de 1980. Os investimentos para a modernização tecnológica das empresas jornalísticas incrementaram a articulação entre proprietários de imprensa. e para marcar a data foi idealizado o mais arrojado projeto editorial da imprensa catarinense de todos os tempos: uma edição histórica. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 168 . p. Em "A Notícia". ex-presidente da Drogaria Catarinense.. No final dos anos 1970. da Buschle & Lepper. cuja repercussão e importância são lembradas ainda nos dias atuais. o BB financiou parte do empreendimento) (TERNES. Ao lado do suporte dos grandes empresários. indicado por Bornhausen. realizava-se a mais completa revolução numa empresa de comunicação do país. Osvaldo Colin (à época. A Notícia trocou a linotipo pelo offset em 19806. 2003)7. assegurou ao diário o troféu de maior prestígio no setor. um quarto de século depois da edição. O jornal. O Estado.Seu principal concorrente. 6 Apolinário Ternes descreveu com superlativos o significado da inovação tecnológica para o diário de Joinville: “De um dia para outro. 105-106). p. circulação e prestígio em todo o Estado” (PEREIRA. a partir de setembro de 1995. aliás. Numa imprensa em geral carente de brilhantismo. presidente do Banco do Brasil. lideranças políticas e alguns dos maiores empresários do estado. c1992. combinada com o apuro na rodagem. 2003. João Hansen Jr.

Pereira (1992. a acompanhar um noticiário predominantemente produzido por agências. com uma série de matérias sobre fraudes no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). no ano do Plano Cruzado. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 169 . mas o segundo Prêmio Esso Regional Sul recebido pelo veículo. "O Estado" e "A Notícia"). cultivando suas fontes nos palácios e noutros ícones do poder quase dez anos antes da criação de editorias estruturadas para a área. seis eram regularmente dedicadas ao tema e. pelo direito à liberdade 8 Para os dados. quando surge o "Diário Catarinense". AN e DC adotaram colunistas exclusivos de economia no mesmo ano. desde o final dos anos 1970. "A Notícia" vitaminou sua editoria de economia em 1992. enfeitado pela reprodução das colunas das estrelas nacionais do setor ("A Notícia" e Santa publicavam Celso Ming. 9 O primeiro fora recebido no ano anterior. já havia sido uma conquista da equipe. com sete meses de distância um do outro. "O Estado" veiculava Joelmir Beting). com a pauta "Fraude em seguro lesa o BESC"9. As mudanças tecnológicas dos anos 1970 e o aumento da concorrência nos anos 1980 deram início ao que Moacir Pereira chamou de década da profissionalização (1992. A cartola "Economia" passa. em 1989. oito. O DC nasce ambicioso e desde o início adota uma editoria robusta para economia. os jornais catarinenses adotaram o discurso de que são pautados pelo interesse público.O fim do ciclo de adoção do offset coincide com o surgimento dos primeiros repórteres especializados na cobertura econômica no estado. p. p. Das 40 páginas. conceito que simbolizaria o rompimento com a tradição de vínculo direto entre os veículos e os grupos político-partidários que os criaram. 1999. 80). Em 1986. para caprichar na cobertura do mercado da região norte do estado. aos domingos. já não podiam ignorar o impacto das decisões econômicas no cotidiano dos cidadãos-leitores8. o estado tinha 72 jornais locais e três diários de circulação regional (Santa. 128). que. Por essa época.

Os vínculos político-partidários permaneciam.. imparcialidade e eqüidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais. que circulou com capa colorida e diagramação em módulos desde o primeiro número.. apontando circunstâncias em que a censura ou a argumentação silogística restringem a pluralidade de opiniões e/ou violam o interesse público. Karam (2004) critica o cinismo do discurso. isso significou que mais jornalistas profissionais passaram a acompanhar a área. O aprimoramento da cobertura econômica dos diários locais foi apimentado pela concorrência com os principais jornais do 10 Tais valores são consolidados em manifestações de classe como a Declaração de Chapultepec.de expressão e pelo compromisso com a pluralidade de pontos de vista10. pôde empregar profissionais formados em Santa Catarina. característicos de um jornalismo de fato orientado pelo interesse público. de 1996. na qual os empresários da comunicação afirmaram que “a credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade. (.) Em uma sociedade livre. a economia passou a ocupar lugar central na edição dos diários. de tema periférico. 11 O DC foi o primeiro dos jornais catarinenses que. E a editoria de economia nos diários mais antigos beneficiou-se das inovações adotadas pelos veículos na programação visual (incluindo a impressão em cores) para fazer frente à concorrência do DC. acrescentando às pautas de política econômica e de vida empresarial o jornalismo de serviço ao consumidor e ao empreendedor e o acompanhamento de negócios. Como resultado. mas a bandeira da profissionalização levou à adoção de novos processos produtivos. Na cobertura econômica. A primeira turma do Curso de Jornalismo da UFSC fora graduada em 1982. desde sua criação. acompanhando-a por longo tempo. substituindo ou acompanhando os economistas que iniciaram o métier11. além de maior estabilidade na cobertura. com repórteres familiarizados à temática. a opinião pública premia ou castiga”. à busca de precisão. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 170 . isso trouxe aprimoramentos na linguagem e na qualidade do trabalho de reportagem. A cobertura se diversificou. Entre outros avanços.

selecionados aleatoria- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 171 . por exemplo. manteve o serviço de 1989 a 1996. surgiram e conquistaram mercado duas revistas especializadas no mundo empresarial. Uma olhada para a lista das maiores empresas do estado em dois momentos da história recente (1973 e 2004. a práticas de responsabilidade social. prestando informação útil a empresários e a novos empreendedores. Focavam-se nas boas práticas de gestão. Ao que parece. Também nos anos 1990. com um jornalismo investigativo capaz de perturbar proprietários de empresas ou governantes. Como saldo dessas transformações no mercado e no modo de produzir o jornalismo. Deram relevância. seguramente. O jornal "Indústria & Comércio" atuou no mercado catarinense durante poucos anos. Paulo". Eram projetos cujo conteúdo era orientado por uma identificação entre os valores do veículo e os de seu público preferencial: nenhum leitor esperaria das revistas uma cobertura ácida. editava um caderno diário sobre a economia estadual. praticavam um jornalismo cuidadoso e. Mudara o jornalismo. a inovações tecnológicas e a iniciativas empresariais para preservar o meio ambiente. Produto mais completo e denso do jornalismo econômico catarinense. além de uma equipe de correspondentes. Nos limites dessa opção. mas também o empresariado.país. o caderno foi extinto em 2001. importante segmento da cobertura econômica. diários predominantemente econômicos voltados ao mercado local. que entre meados de 1980 e 2000 tiveram sucursais em Florianópolis para cobrir os acontecimentos de Santa Catarina. em termos comerciais. Expressão e Empreendedor mostraram que era possível realizar uma abordagem competente do universo corporativo. mais aprofundado que os jornais diários. não havia leitores suficientes para tornar viáveis. A "Folha de S. por exemplo. os empresários e outras fontes da área econômica desenvolveram opiniões mais elaboradas sobre a cobertura. A "Gazeta Mercantil".

como os atores da política. 221-222). a indústria têxtil perdeu relevância. FGV (PL dolarizado pela cotação de 31/12/2003).mas que a imprensa local precisa deles. MICHELS. zelosos quanto a informações estratégicas (tanto quanto um governante gestando reformas no primeiro escalão). Julgam que não precisam da imprensa local . Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 1973 Empresa Hansen Tupy Hering Consul Carlos Renaux Teka Battistela Cremer PL (US$ mi) 35 27 15 13 9 9 8 7 2004 Empresa Tractebel Sadia Bunge Embraco Perdigão Weg Seara Maesa PL (US$ mi) 900 517 498 270 266 189 142 119 Fontes: Para 1973.mente) mostra como se alteraram a composição e o perfil da elite empresarial: somente uma empresa permaneceu na relação (Embraco/Consul). portanto. FGV (apud. p. a exportação tornara-se variável-chave para o desempenho das empresas (Quadro 1). 1998. São. limitando os contatos com a imprensa local às ocasiões convenientes para a estratégia de vinculação com a comunidade. Há fontes empresariais que esperam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 172 . assim como a presença do capital estrangeiro. o predomínio da gestão familiar foi substituído pelo das SAs. Pesquisa de Schuch (1996) mapeou a percepção do empresariado catarinense sobre a ação da imprensa. utilizam as informações da imprensa para traçar cenários e identificar os movimentos da concorrência. a partir de entrevistas com 19 representantes das maiores empresas do estado em 1995. Global players preferem dar entrevistas para veículos nacionais. Os empresários. a agroindústria surgiu e consolidou-se. Para 2004.

"O jornalismo econômico é um instrumento auxiliar de administração empresarial. sem os devidos critérios de checagem e que não espelham a realidade" (SCHUCH. Nas mídias de circulação nacional identificavam principalmente maior correção na informação e critérios mais rigorosos quanto à checagem. o jornalismo econômico de Santa Catarina tem uma importância considerável". às vezes. Diferenciação semelhante efetuavam entre o pessoal das revistas especializadas e o dos diários. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 173 .docilidade da imprensa. um cuidado revisional. De todo modo. diretores. assessores. gerentes. Os depoimentos destacaram a "melhoria das editorias econômicas dos veículos tradicionais". são as fontes que estão mais bem informadas sobre as fragilidades que 12 Lastimavelmente o autor não discute as implicações da subordinação do jornalismo econômico à administração de empresas. de especialização do repórter. evitando que matérias publicadas contenham índices (percentuais) e valores (monetários) distorcidos. Quando isso não ocorre. a frase indica o quanto podem ser reveladoras pesquisas sobre as representações do empresariado em relação à mídia. a falta de precisão e correção e. O levantamento de Schuch constatou o predomínio de impressões positivas entre o empresariado quanto à importância do jornalismo econômico catarinense. 1996)12. Os setoristas. mas colheu críticas duras aos diários do estado. A natureza da crítica indica que a relação da imprensa com as fontes no mundo empresarial melhorou nos últimos 25 anos. especializados ou não em economia. no entanto. "pela posição econômica do estado. em geral. já que. por serem "agressivos". estão mais bem informados sobre o que cobrem e procuram estabelecer relações profissionais com CEOs. em relação aos da imprensa diária estadual ou regional. no entanto. Condenaram. Há que se ter. mas agem com ela com o mesmo autoritarismo com que conduzem seus negócios. Repórteres incisivos são ainda rejeitados. As fontes percebiam diferenças na qualificação dos repórteres dos jornais nacionais.

41 mil exemplares.cercam o exercício da profissão e agem com mais tolerância diante delas. comparação. visibilidade que estimula devaneios de poder político. apesar de suas tiragens inferiores a 10 mil exemplares: o "Correio Lageano". segmentadas. os veículos de circulação nacional operavam com freelancers ou deslocavam para coberturas episódicas no estado repórteres e correspondentes do Paraná ou do Rio Grande do Sul. o "Jornal de Santa Catarina". simplesmente. conquistaram viabilidade financei- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 174 . assolado por imenso passivo e atolado em vaidosa incompetência administrativa. de Itajaí. Eram apenas dois os diários que buscavam o mercado estadual. eles tinham poucas razões para alimentar rancores: a cobertura econômica era bastante dócil. Saldo da crise financeira que os atingira após o fim da paridade cambial entre real e dólar. Boa parte dos empresários aprecia coberturas positivas. Outro ex-standard. Quanto a este último aspecto. o "Diário da Manhã". de Criciúma. o DC e o AN. e o "Diário do Litoral" (Diarinho). havia se tornado novamente um veículo de importância local. mudou o formato para tablóide. detesta o mau jornalismo ou. "O Estado". era simplesmente irrelevante. Quatro diários locais conservavam algum prestígio. Do confronto à convergência Em 2004. adquirido pelo grupo RBS em 1º de setembro de 1992. o estado de Santa Catarina tinha quase 6 milhões de habitantes. até 2004. Nascidas como concorrentes. o "Jornal da Manhã". amenidades. de Chapecó. em dias de semana. em 1999. considerando o tamanho da população catarinense: o Diário imprimia. crítica). ambos com tiragens pouco expressivas. por motivos que serão analisados na próxima seção. as revistas especializadas em economia haviam encontrado nichos específicos de mercado. o jornalismo (investigação. contra 32 mil de "A Notícia".

em cumplicidade com burocratas enrustidos e equivocados" . Quanto aos materiais elementares de que é feito o jornal. especialmente as oficiais. A ausência de distanciamento crítico está relacionada com outro problema: o fontismo. ao final de 2004. Com tiragem e zonas de circulação cristalizadas havia vários anos. Excluída a competitividade como motivador da qualidade dos veículos. para que coubessem em suas expectativas de faturamento. de todos os portes” ao “mostrar e ressaltar os empresários que estão inovando e agregando valores aos seus produtos e serviços. é possível apontar o hermetismo na linguagem e o descuido com a 13 Expressão deixara de ser uma revista mensal para tornar-se um conjunto de seis anuários temáticos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 175 .ra e puderam dar continuidade às premissas que orientavam a qualidade de seu jornalismo13. caracterizado pela falta de pluralismo nas abordagens. A julgar pelas críticas de empresários e intelectuais (e também pela autocrítica dos profissionais). Como aponta Beting (2003). Em função dessas características dos competidores. Empreendedor. Trata-se da aceitação acrítica das políticas econômicas e das declarações das fontes. focara-se em “orientar e estimular os atuais e futuros empreendedores. além de apresentar as mais modernas e eficientes formas de gestão empresarial”. não existia concorrência efetiva entre os veículos de imprensa. certo jornalismo econômico "se deixou ficar refém de cenaristas recorrentes e tendenciosos. a exigência dos leitores ou o empenho espontâneo dos profissionais. baseados em conteúdo exclusivo (como pesquisas para a elaboração do ranking de maiores empresas da Região Sul e a definição de prêmios para empresas nas áreas de meio ambiente e inovação tecnológica). criada em 1994. os avanços de qualidade registrados desde os anos 1980 mantiveram o jornalismo econômico desenvolvido pelos diários num patamar inferior ao que merecem os leitores. os diários dedicavam-se a controlar custos de produção. Analistas como Kucinski condenam o adesismo como falha crucial das abordagens. esta dependia de fatores tão voláteis quanto o desejo dos proprietários.

na busca do inédito. Com estruturas limitadas e linhas telefônicas suficientes.) revelava um jornalismo sem imaginação. Como notou Chaparro (1994. sensação que é agravada pela falta de profundidade: as coberturas usualmente não avançam na identificação de tendências. significativamente alteradas na década de 1990. A profissão fora pauperizada e o trabalho de reportagem passara a ser feito por equipes cada vez mais jovens. Pouco jornalismo de serviço limitava o público da editoria de economia aos formadores de opinião. A falta de rigor na apuração e no tratamento da informação.se limitam a refleti-las ou a ecoar as modas da administração. a última pesquisa do IBGE. Erros banais revelam um jornalismo imaturo. em regra. euro e real. mas poucas são aquelas capazes de acrescentar conhecimento ao leitor. ou a confusão entre dólar. mas relativamente poucas abordagens decisivamente relacionadas ao interesse público. padecia de falta de criatividade: a cobertura apresentava abundantes relatos sobre a vida das empresas. os setoristas de economia tinham salários tão baixos quanto os demais. lastimavelmente freqüente. Concepções militantes da profissão haviam sido JORNALISMO EM PERSPECTIVA 176 .informação como questões recorrentes. Não antecipam tendências . Os jornais publicam muitas histórias. Parte das razões para tantos problemas encontrava-se nas características das organizações jornalísticas. "os jornalistas das redações escrevem cada vez mais sobre fatos que não observam e sobre assuntos de que não entendem". mas eram mais exigidos.. Folhas de pagamentos enxutas e contas de telefone enormes eram a síntese contábil desse modo de fazer jornal. Além disso. e disto por bilhões. Uma variável cultural também pode ter influenciado a cobertura econômica. leva a confusões banais como a troca de milhares por milhões. a política industrial do governo federal. a cobertura se burocratizara. do diferencial. 73). p. A sucessão de pautas-clichê (como a suíte no estado de temas nacionais. O resultado era um material que.. como a variação na taxa de desemprego.

é provável que. mas não há pesquisas disponíveis sobre o tema. Sob tais transformações no ambiente das empresas de comunicação. o trabalho ficara facilitado. a maioria trabalhasse em assessoria de imprensa. mas mais regulares. socialistas. e ela se dá. encontram apoio quando desejam continuar seus estudos (que jornal ou emissora de TV contribui com o pagamento de um curso de pós-graduação?)14. tycoons do emprego e das oportunidades. Redações não eram mais abrigo. na veiculação de "notícias positivas". a suas técnicas de gestão. a seus produtos. A perda de prestígio do conceito de luta de classes e a hegemonia do liberalismo revigoraram a imagem dos empresários. comunistas. muito menos celeiro de anarquistas. Havia menos entusiasmo quanto à contribuição potencial do jornalismo para as mudanças sociais (e menos ilusões).que levaram à criação da metáfora do muro . Empresas jornalísticas também. sobretudo. Para equipes competentes de assessoria de imprensa.foram progressivamente substituídos por concepções de harmonia. dentre eles. os conflitos de interesse entre o jornalismo e os anunciantes . JORNALISMO EM PERSPECTIVA 177 . Assessores de empresas ou jornalistas de firmas especializadas em assessoria tendem a ter melhores salários e formação mais completa do que o pessoal das redações. têm jornadas freqüentemente mais extensas.substituídas por uma noção (que parece pragmática. há convergência de interesses. mas é apenas cínica) que identificava o jornalismo com um produto e com o mercado. A percepção dos atores sociais teve seus sinais ideológicos alterados: empresários que no passado eram vistos pelos repórteres como adversários de classe passaram a ser reconhecidos como agentes de desenvolvimento. Raramente trabalham aos domingos. 14 Mais da metade dos jornalistas catarinenses não estava empregada em veículos de comunicação em 2004. A profissionalização das assessorias foi mais veloz e abrangente do que a das redações. Empresas em geral têm interesse em dar visibilidade a suas inovações. Portanto.

É como um improvável artilheiro. Aprende-se que a qualidade da informação (e sua veracidade) tem relação direta com a imagem positiva da empresa. a deputado federal ou a suplente de Jorge Bornhausen no Senado. capaz de acertar o gol (ou passar perto) oito vezes a cada dez chutes: mesmo que o goleiro defenda. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 178 . base para novos textos ou. A Fiesc adotou uma estrutura de assessoria de imprensa profissional. transcrições integrais. Há uma tecnologia para a gestão de situações de crise. A ação do empresariado também explorou o prestígio de suas entidades de classe para projetar lideranças na mídia. O media-training discorre sobre os limites do trabalho da imprensa.O sucesso das firmas de assessoria de imprensa (ou das divisões especializadas dentro das empresas ou organizações de classe) é medido pelo aproveitamento do material enviado às redações. a torcida tem o que celebrar. O padrão de relacionamento entre a Fiesc e a imprensa ilustra esse comportamento. A repercussão das ações sociais de instituições como o Sesi e 15 A esse respeito. como notas. para perseguir o objetivo de converter em interesse público suas reivindicações corporativas. mas empresas do setor somam 80% a 90% de utilização de seus releases. para blindar os principais executivos e preservar a imagem da corporação. Algumas empresas de assessoria de imprensa contribuíram para levar o entendimento de empresários em relação aos meios de comunicação a transcender o senso comum. esquematiza os "pecados capitais" cometidos pelos empresários na relação com os jornalistas (como pedir para ler a matéria antes da publicação). pautas. O aproveitamento na íntegra é mais raro. A organização do empresariado industrial se fortaleceu nos anos 1970 e se consolidou na década seguinte. potencializando candidaturas de confiança15. basta lembrar das sucessivas especulações dos colunistas políticos sobre a possibilidade de o ex-presidente da Fiesc Osvaldo Douat lançar sua candidatura a governador. simplesmente.

grandes anunciantes faziam pressões explícitas sobre os veículos. A criação do Prêmio Fiesc de Jornalismo Econômico. O jornal mantém a abordagem do tema. O exercício da barganha era cotidiano. Articulado com outros empresários. publica16 A pressão cresce quando interesses econômicos e políticos estão articulados para pressionar os jornais ou blindar determinados temas.o Senai contribuiu para revigorar a imagem do empresariado e de sua principal entidade representativa. diretamente ou por intermédio de suas agências de propaganda ou órgãos de representação. Meses mais tarde. Em parte como resultado dessas estratégias mais sofisticadas de relacionamento com a imprensa adotadas pelo empresariado. os embates diretos eram cada vez menos freqüentes. A cobertura do tema é interrompida. de uma fonte confiável mergulhada em uísque. O boicote é praticado. que se esgota em poucos dias. especialmente diante de noticiário que os desagradasse. Um punhado de exemplos reais: a) o jornal banca uma série de reportagens sobre suspeitas de irregularidades cometidas num órgão paraestatal. consolidou a estratégia de relacionamento cordial com a mídia. apontando as referências de qualidade profissional sob o prisma da entidade de classe. a confirmação de que uma grande empresa local será vendida a uma multinacional. o veículo fecha. ainda nos anos 1980. ameaçando cortar verbas publicitárias. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 179 . e mais freqüente em momentos de crise (se ele produzia resultados. é outra questão)16. Somados. o dono da loteria ameaça boicotar o veículo. A notícia. mergulhado em problemas financeiros. Ainda assim. os anúncios do poder público e dos grandes anunciantes representam pressão muito elevada sobre o veículo. c) um repórter que só bebe Coca-Cola ouve. O órgão e seus congêneres pressionam a direção do veículo para que suspenda a cobertura. b) o mesmo jornal aponta irregularidades nos sorteios de uma loteria. A ameaça não é cumprida.

da dias depois, é negada com veemência pelo dono da empresa, que ameaça o jornal. O proprietário do veículo decide apoiar o repórter. Semanas depois, a venda é confirmada, nos termos exatos da primeira notícia; d) um vazamento de óleo de uma grande indústria afeta o rio que abastece de água a cidade. Os prejuízos para a população são dramáticos, mas a cobertura enfatiza a agilidade da empresa em reconhecer sua responsabilidade e tomar providências para conter o dano. A ação da empresa recebe mais destaque que o dano em si. A agilidade da iniciativa, combinada ao fato de a empresa ser um grande anunciante, elimina naturalmente as zonas de ruído com a imprensa, que espontaneamente abandona sua função como porta-voz do interesse público para repercutir a "responsabilidade" social de quem se restringe a cumprir seu dever. Em função do histórico de pressões, havia equipes que se autocensuravam, rejeitando a hipótese de investigar denúncias contra proprietários de marcas renomadas, driblando os dissabores que anteviam. Em vez do "publique isto", prevalecia o "evite isto". A gestão profissional da relação com a imprensa, a voluntária contenção dos veículos no tratamento de temas espinhosos para o empresariado, a pressão direta dos anunciantes, a ação estratégica em momentos de crise - todos esses fenômenos tornaram mais rara a prática do "jabá". Desde os pontos mais remotos da história do Jornalismo houve repórter ou empresa que trocou diretamente notícia por dinheiro. Hoje, o "jabá" foi diferido. O mais comum dos fluxos envolve uma conexão entre o departamento comercial e algum cargo elevado na redação. Surge quando o cliente pede à agência de propaganda que interfira junto ao veículo para que providencie cobertura ao evento que constitui o objeto do anúncio ou da campanha. A agência autoriza a veiculação dos anúncios (digamos que se trata de uma verba de dezenas de milhares de reais) e apresenta o pedido para o contato comercial. A "sugestão de pauJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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ta" chega à editoria e é gentilmente acatada, povoando o noticiário de bobagens e irrelevâncias. Há também o "jabá" miúdo e sedutor. Anunciantes pagam viagens, distribuem brindes, fazem agrados. O catálogo de mimos é vasto: agendas exclusivas com capas de couro, CDs, livros, calendários, canetas importadas e dezenas de objetos inocentes. Organizam-se megaeventos de relações públicas, de cardápio fino e farto. Oferecem-se viagens, e assim focas conhecem o Costão do Sauípe, veteranos vão mais uma vez ao Salão do Automóvel, hospedados em hotéis cujas diárias equivalem a vários salários mínimos. É simplista afirmar que a generosidade compra simpatias assim como é ingênuo supor que, independentemente de tamanha amabilidade, as empresas recebam o mesmo tratamento. Em síntese, o problema ético continua muito vivo, especialmente na cobertura econômica. Poderia ser diferente, caso os jornais afirmassem, nas negociações comerciais, seu compromisso editorial com o interesse público - o que, definitivamente, não ocorre. (As crianças aprendem que um "não" pode ser tão amoroso quanto um "sim", mas contatos comerciais não negam coisa alguma a seus clientes.) A inexistência de uma cultura comercial que valorize a autonomia do jornalismo não é, evidentemente, uma responsabilidade do pessoal da redação, mas uma prática do veículo, derivada da histórica relação com os governos e as grandes empresas. E o interesse público?

Considerações finais
O muro entre a redação e o departamento comercial dissolve-se nessa trajetória de convergência de interesses e aprendizado mútuo entre jornais e suas fontes-anunciantes. A cobertura econômica, no núcleo desta relação, é como um espelho mágico que, ao mesmo tempo em que reflete o jornalismo de seu tempo, indica antecipadamente a direção para onde caminham as práticas profisJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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sionais. Ao final de 2004, a voz desse espelho descrevia, no fim do caminho, a imagem de um muro metaforicamente derrubado e, sobre os escombros, a coexistência de interesses outrora percebidos como rivais. A distinção entre o jornalismo econômico e o jornalismo empresarial encontra-se na idéia de que um é supostamente orientado pelo interesse público e o outro, claramente identificado com o privado17. Como vimos, apenas excepcionalmente os diários, driblando seus próprios limites organizacionais, alcançam excelência na cobertura econômica. Cada vez menos os anunciantes impõem censura, porque ela surge espontaneamente. Não há cultura comercial para sustentar um jornalismo mais independente. Diante disso, faz algum sentido o discurso de que os diários operam de acordo com o interesse público? Ao fazer jornalismo de qualidade com maior regularidade, embora com o enfoque restrito dado pela identificação com o interesse do empresariado, as revistas tornaram-se mais úteis a seus públicos do que os diários. Afirmar claramente sua identidade de valores com uma determinada categoria social - os empreendedores - não impediu tais veículos de desenvolverem coberturas abrangentes e aprofundadas, no recorte temático imposto pela identificação. Tal recorte, entretanto, é insatisfatório para públicos nãoespecíficos. Ainda que a aproximação de interesses entre a imprensa e o empresariado seja acompanhada de um aprimoramento na qualidade da cobertura do jornalismo diário, a autocensura, a vulnerabilidade a pressões, a aceitação acrítica das técnicas de relacionamento impostas pelas assessorias de imprensa continuarão operando em desfavor do leitor. Moacir Pereira concluiu seu livro sobre as conexões entre a imprensa e a política em Santa Catarina indicando dois pontos em
17 Essa distinção merece análise mais aprofundada, desafio que escapa aos limites deste capítulo.

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que o jornalismo catarinense ainda teria muito a avançar. Um era a ampliação das tiragens dos principais veículos, de modo a que se tornassem compatíveis com o tamanho da população do estado. O segundo era mais inquietação na busca da informação diferenciada, para qualificar o produto. Tais desafios, como vimos, permanecem por ser superados, e dificilmente o serão sem um incremento da concorrência entre os veículos capaz de romper a estagnação provocada pela crise e pela acomodação dos diários. A competitividade não pode ser vista como uma panacéia, mas sem ela os avanços dependerão de fatores ainda mais complexos - como a auto-organização dos leitores ou dos jornalistas para discutir o trabalho da imprensa e reivindicar melhorias18. Ao final de 2004, a fragilidade da imprensa regional (ainda maior nos veículos locais) a tornava especialmente vulnerável às pressões econômicas. O equilíbrio financeiro precário a levava ao apelo permanente à generosidade dos órgãos públicos, ao assédio aos grandes anunciantes, à mendicância nas portas das maiores agências de propaganda. A situação financeira dos diários do estado permitia a seus donos dividir resultados, ao preço de um produto burocrático, sem qualquer brilhantismo. A ausência de novos concorrentes no mercado só agravava o paradoxo: veículos financeiramente frágeis não desenvolvem jornalismo independente e, ao não fazê-lo, continuam frágeis19. Como produto, às vezes se assemelhavam a cadernos de classificados, embrulhados em jornal.

18 Para uma noção das resistências das empresas de comunicação a qualquer possibilidade de controle social, basta evocar a criação do Conselho Federal de Jornalismo, idéia que sequer pôde ser discutida em 2004 antes de ser soterrada por uma eficaz ação do lobby do setor no Congresso Nacional. 19 É possível que a ausência de novidades no mercado posteriores à aquisição do “Jornal de Santa Catarina” pelo grupo RBS, em 1992, se deva à recessão econômica, combinada às taxas de juros elevadas, fatores que tornam arriscado e desinteressante, para proprietários de capital, o investimento em atividade produtiva.

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Inovação e Perspectivas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 185 .

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em hipótese alguma. pretendemos constituir um pequeno guia para quem se aventurar a trabalhar num documento mais completo do ponto de vista historiográfico1 . alguns com registros incompletos. Nada poderia ser mais relativo na época do que a própria expressão “jornalistas profissionais”. contar a história do Sindicato. A maior parte dessa história está guardada na lembrança dos seus personagens e precisa ser cruzada com algum tipo de registro oficial que lhes confira a exatidão e a precisão que a memória não consegue lhe emprestar. A memória da entidade não foi preservada nem sistematizada pelas diretorias que a dirigiram especialmente nas primeiras três décadas dos seus cinqüenta anos. Este capítulo não pretende. que era suficientemente ampla para abrigar uma categoria que não tinha muitos 1 Há neste livro uma Linha do Tempo elaborada caprichosamente por Mário Xavier da qual foram retiradas várias referências para compor este capítulo. especialmente sobre a primeira campanha de moralização da emissão de registros profissionais no estado. Ao recuperar diversos episódios desse período.Muita história para contar (ou Uma história por contar) Gastão Cassel A história do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina ainda está por ser contada. fundada três anos antes. No dia 13 de maio de 1955. em Sindicato. Os documentos são dispersos. Não é tarefa para um fragmento de livro relatar e conectar com seu tempo tudo o que ocorreu em meio século. A profissão era regulamentada por legislação de 1938. foi expedida a Carta Sindical que transformou a Associação dos Jornalistas Profissionais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 187 .

aposentadoria especial. Não se precisava muito mais do que vontade de ser jornalista para se obter um registro profissional na Delegacia Regional do Trabalho. Quando tinham alguma formação superior. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 188 . Jornalista tinha isenção de Imposto de Renda. mas é provável que o Sindicato nos seus primeiros anos de vida funcionasse como um balcão onde pessoas ligadas a esquemas de poder iam buscar declarações que facilitassem a obtenção do registro no Ministério do Trabalho. Com uma declaração expedida por uma empresa de comunicação e o aval do sindicato. Por estas e outras razões. hoje chamado de ITBI). desconto de 50% em passagens aéreas (garantido por lei) e em passagens terrestres (por liberalidade das empresas). Não encontramos registros que sustentem a hipótese. qualquer um virava “jornalista”. E muita gente queria ser jornalista. do imposto inter-vivos (aquele pago quando se vende um imóvel. mas que obtinham com facilidade a documentação que os faria jornalistas de papel passado. Não pelo amor ao ofício de informar. mas para usufruir direitos que a sociedade dava a quem tivesse registro.espaços efetivos para a formação profissional. e até tratamento especial na Justiça. uma vez que era escassa a quantidade de cursos universitários de jornalismo no país. tratava-se de uma categoria sem uma identidade própria. era geralmente em Direito ou Letras. sem referências que pudessem dar a ela um espírito de unidade ou mesmo uma noção de coletividade. Os jornalistas daquela época se formavam no calor das redações de jornais e dos estúdios de rádio. O Sindicato dos Jornalistas era uma espécie de avalista do passe para essas benesses com que se locupletavam pessoas que jamais haviam chegado perto de uma redação. facilidade de acesso a financiamentos de casa própria e de automóvel. O diploma não era uma exigência para exercer o jornalismo e talvez nem pudesse ser.

Nesse tempo. Adolfo Ziguelli. mas alguns papéis deixados para trás mostram que ajudar os militares a perseguir jornalistas foi uma das práticas do Sindicato durante os anos de chumbo da história do Brasil. para “verificar fatos ligados à Reserva de Índios de Xanxerê”. O pesquisador precisará descobrir o que mais o Sindicato fazia. Melo Prates e outros. deputados. entre 1955 e 1964. justamente brigando pela moralização da concessão de registros profissionais. o jornalista Alírio Bosle. no período mais obscuro do Regime Militar.. O elenco de perguntas era objetivo: “O Sr. recebeu a correspondência 663/68 do general Álvaro Veiga Lima. funcionários públicos. Erasmo Prates de Souza é Jornalista Profissional? O referido Jornalista é sindicalizado?. O Serviço Nacional de Informações queria saber da vida do jornalista Erasmo Prates de Souza. comerciantes e até autoridades do clero. presidente do Sindicato. que entre 1962 e 1963 lançou a primeira campanha pública do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Silveira Lenzi. banqueiros. Quem pesquisar essa fase da história da entidade terá que recorrer aos componentes do Primeiro Comando de Ação (PCA). prefeitos. Não há muitos documentos.A relação dos associados ao Sindicato. na época. chefe do SNI/-NAFL em Santa Catarina. As atividades do PCA não tardaram a ser estigmatizadas como “coisa de comunista” nas vésperas do golpe militar de 1964. Jorge Cherem. O pessoal do Primeiro Comando fazia oposição à diretoria da entidade e era liderado pelos jornalistas Eurides Antunes Severo. É proprietário de jornal em Xanxerê? Qual o nome do Jornal? Jornalismo é profissão única do referido senhor? Qual seu conceito na área do Sindicato? Outros dados úteis ao esclarecimento JORNALISMO EM PERSPECTIVA 189 . incluindo secretários de estado. o sindicato tinha cerca de 400 filiados. era recheada de personalidades notáveis. além de multiplicar o número de registros frios. mas estima-se que 70% deles eram ilegítimos. Em 13 de agosto de 1968..

Bosle encaminhou resposta ao general mediante ofício número 26 do Sindicato. Durante a ditadura. Entre os convidados para os jantares do Sindicato. mas que eram muito bem colocadas na esfera do poder. Mas não se conhece o teor da carta. Na cópia da carta.. 60. prefeito indicado de Florianópolis. através do ofício número 143/NAFL/SNI/71. “se o Sr. “Vale assinalar. A praxe era pelo menos um jantar por mês para homenagear autoridades que pouco tinham a ver com a categoria.sobre a vida funcional e particular do citado cidadão”. do exercício de 1970. 62 Dec.700.00. revela de forma inequívoca a cordialidade da entidade com o Regime Militar. Três anos depois. no informativo mimeografado da entidade. Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos)”. o chefe do SNI/NAFL continuava preocupado com Xanxerê. J. ao transcurso de mais um aniversário da Revolução. que na época era presidido por Adão Miranda. ainda. perguntou a Bosle. eram chamadas de anfitriãs. R. dia em que foi homenageado Osmar Dutra. sem a bebida. diretor do jornal Imprensa do Povo [. No dia 27 do mesmo mês. em sessão solene de confraternização”. desfilavam nomes como o do general Paulo Weber Vieira da Rosa.] é associado e devidamente registrado nessa Associação”. o Sindicato fez muita festa. O Relatório da Diretoria do SJPSC. quando reunimos as autoridades militares desta Capital.S. Em 20 de fevereiro de 1971. algumas vezes. há apenas a anotação manuscrita “Providenciado” e um carimbo do remetente que diz que “O destinatário é Responsável pela Manutenção do Sigilo dêste Documento (Art. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 190 .417/67. Os jantares eram. Mas quem fosse a estes rapa-pés teria que desembolsar CR$ 2. Martins. N. relata o periódico de 10 de outubro de 1966. homenageado por sugestão da agência A.. empresário e primeiro suplente de deputado eleito pela UDN. bancados pelas empresas de comunicação que. Propague. a solenidade que realizamos no mês de Março.

o então presidente do Sindicato. A participação na excursão aos EUA não era resultado do prestígio de Miranda. As boas relações com o poder rendiam seus frutos.Júlio Zandrozny recebeu homenagens. partiu para uma viagem de 45 dias a 25 cidades norte-americanas. Em 31 de julho de 1966. Nilson Bender. A entidade se limitava a transitar junto aos poderosos numa simbiose de vaidades e locupletações. em Curitiba). o Sindicato sinaliza tênue defesa das liberda2 A estratégia de levar sindicalistas para os EUA e sua articulação com os movimentos anti-comunistas é fartamente relatada por René Armand Dreifuss em seu livro “1964: A Conquista do Poder”. uma vez como diretor da Artex e outra como presidente da Celesc. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 191 . As viagens eram parte do programa de cooptação sindical articulado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES).2 Os anos 60 e 70 foram levados pelo Sindicato nesta toada. As festas. Adão Miranda. Entre 1975 e 1978 há um período da vida do SJPSC que merece atenção especial do pesquisador. Ele foi como bolsista convidado pelo Adido Trabalhista da Embaixada dos Estados Unidos junto com outros cinco sindicalistas catarinenses. Nesta época. diretor da Fundação Tupy (pré-candidato ao governo derrotado internamente na UDN) também estrelou um jantar. eram promovidas em cidades do interior e invariavelmente destacavam autoridades e empresários bem relacionados com o governo. muitas vezes. Comandado pelo jornalista Moacir Pereira. pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e pelo Conselho Superior das Classes Produtoras (CONCLAP) em colaboração com o Departamento de Estado Americano (leiase CIA) para combater a “avanço do comunismo na América Latina”. a Federação Nacional dos Jornalistas esboçava uma reação à censura imposta pelo governo (como em documento aprovado pelo congresso da entidade em junho de 1976.

Ao mesmo tempo que denunciava e enfrentava a direção do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. embora avance inegavelmente no sentido da construção de uma identidade corporativa para os jornalistas. na realização de vários eventos e palestras com profissionais de destaque nacional. É nesta gestão que é assinado o primeiro Acordo Coletivo da categoria. a criação do Curso de Jornalismo da UFSC começam a desenhar definitivamente um elo de articulação entre os jornalistas catarinenses. do Programa de PósGraduação em Ciências Sociais da UFSC. contraditoriamente. pois a maioria dos jornalistas ignorava o Sindicato. o MOS também tratava de fortalecer a entidade por meio de campanhas de sindicalização. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 192 . A partir de 1979. a reorganização dos movimentos sociais e. O crescimento da resistência democrática no país. Boa parte dos fatos que mencionamos aqui é descrita em tal trabalho. sob orientação da professora Ilse Scherer Warren.des individuais e faz denúncias contra a censura. Os novos filiados representavam uma base eleitoral potencial para as eleições da entidade que ocorreriam em 1984. particularmente em Santa Catarina. o Movimento de Oposição Sindical (MOS) dos jornalistas começa a fazer o trabalho que o sindicato deveria fazer3. não rompe com a tradição de relação estreita com o poder. Pereira investe. em 1985. que começavam a se organizar dentro dos sindicatos ou em oposições que visavam a conquistar as estruturas sindicais. criando o piso salarial de seis salários mínimos para os jornalistas. Também investe no discurso de qualificação profissional. uma vez que este pouco significava em termos práticos para a categoria. mas com mais força a partir de 1982. mas o MOS tinha o exemplo próximo dos operários do ABC paulista. também. A gestão de Pereira. 3 O jornalista e professor Eduardo Meditsch. o que o Sindicato insistia em não ser. relata e analisa o MOS em artigo produzido para a disciplina Movimentos Sociais. Os jornalistas catarinenses não tinham nenhuma tradição de organização trabalhista.

Ionice Lorenzoni. Associações e clubes de imprensa de todo o estado passaram a apoiar o MOS. Ayrton Kanitz. Ayrton Kanitz foi escolhido para liderar a chapa. Nem a divisão entre tendências dentro do MOS parecia atrapalhar. Para escolher os nomes que concorreriam à direção do Sindicato. apesar de o pleito ter sido prejudicado pela enchente que ocorreu em 1984 em Santa Catarina. Os simpatizantes do novo sindicalismo do ABC paulista (que viria a desaguar na Central Única dos Trabalhadores) disputavam com ampla vantagem espaços com os representantes da Unidade Sindical (que viria a criar a Força Sindical liderada por Medeiros e Magri). que elegeram a primeira Comissão Executiva do MOS. reconheciam o movimento ao permitir que seus representantes visitassem as redações para distribuir informativos e discutir com a categoria. Sua representatividade logo foi constatada pela categoria e pelos setores da sociedade vinculados às lutas democráticas. com mais de 200 participantes. que tiveram mais de 220 votantes. que crescia como uma locomotiva que se deslocava a todo vapor em direção ao Sindicato. que tinha ainda os nomes de Elaine Borges. composta de Artur Scavone. Maria Lins. o MOS se estadualizou e celebrou a sua consolidação no encontro estadual realizado em Blumenau. Tendo como voz o “Jornal dos Jornalistas”. Elizabeth Brandão. Diversas entidades apoiaram política e estruturalmente a oposição dos jornalistas. Mário Medaglia e Celso Vicenzi. As próprias empresas de comunicação.Realizar reuniões com cerca de 60 pessoas era normal para o MOS. A situação lançou Cyro Barreto JORNALISMO EM PERSPECTIVA 193 . Bonifácio Thiesen e Valdir Alves. que estava disposta a manter o seu singelo aparelho sob controle. de maneira inconfessa. em pleno Teatro Carlos Gomes. o MOS realizou eleições prévias em todo o estado. Moacir Loth. nos dias 24 e 25 de abril de 1983. O principal obstáculo era a máquina política do governo do estado. Moacir Loth.

Ficou fácil suprimir papéis e. Como o presidente do Sindicato. nove foram acatadas. A abertura oficial do processo eleitoral revelou um adversário difícil de ser enfrentado: o conjunto de regras e leis sindicais que favorecia de diversas formas o continuísmo. mas continuou fazendo vistas grossas para as outras irregularidades. De 24 solicitações. pedir a impugnação de todos os membros da chapa de oposição junto ao Ministério do Trabalho. A Delegacia Regional do Trabalho emudecia diante das denúncias da oposição. dois dias depois de uma forte enchente fustigar o Estado. o MOS venceu a situação por dois votos de diferença: 120 a 118. que compunha a chapa de situação. Nova eleição foi marcada para 9 de agosto. O MOS brigou pelo adiamento. A eleição ocorreu assim mesmo. na maioria das vezes. Mas o resultado não valia nada. A oposição não tinha.para concorrer à eleição. O Ministério do Trabalho adiou a eleição na última hora. com a prerrogativa de escolher pessoalmente os outros 23 nomes que comporiam a chapa. sob boatos e trocas de acusações. só ele tinha acesso à documentação de habilitação das chapas. era legalmente o coordenador do processo eleitoral. que foi contestado pela situação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 194 . No segundo turno. pois a legislação exigia que a chapa vencedora obtivesse maioria absoluta num primeiro turno. Um funcionário da Celesc ligado politicamente ao governador da época. ainda que de forma velada. as cédulas foram levadas para o interior do estado pelos próprios candidatos da situação. No dia 25 de julho de 1984. que via na calamidade a chance de descontar os votos do interior do estado que havia perdido no primeiro escrutínio. acesso às listas de votantes. por exemplo. alegando falta de documentos. que “informavam” os eleitores que a chapa do MOS havia sido impugnada. E a diretoria do Sindicato criava empecilhos para que os associados pagassem as suas mensalidades para ter direito a voto. As empresas de comunicação se dedicavam a auxiliar a situação.

Mesmo assim. que tinha como patrimônio um arquivo de aço e um telefone. as cédulas eram trocadas nas dependências internas dos Correios. no entanto. Mas em 1987 o Movimento reergueu-se para concorrer a novas eleições e dessa vez obteve êxito. O resultado dessa nova auto-imagem é a mobilização. foi um fracasso. uma de doze dias. eram poucas as categorias profissionais que não iam às ruas reivindicar seus direitos. Sua gestão. O jornal “O Estado” também enfrentou duas paralisações dos jornalistas. então com as garantias que o cargo lhe assegurava. uma na sucursal de Florianópolis e uma em toda a empresa. Durante as greves. a RBS imediatamente demitiu-o. Renunciou em fevereiro de 1986 alegando que a oposição anarquizara o Sindicato. relatou a um eletricitário que. A gestão de Vicenzi ocorreu num momento em que o Movimento Sindical estava a plenos pulmões. mas oito meses depois uma determinação judicial reintegrou-o ao emprego.Esperidião Amin. “O Estado” era fecha4 Ao saber que Celso Vicenzi compunha a chapa do MOS. a identificação de um parceiro de agruras e possibilidades em cada colega de redação. Celso Vicenzi. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 195 . como coletivo. Ele sequer completou o mandato. iniciou uma nova fase da vida do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. repórter do “Diário Catarinense”4. enquanto os fiscais do MOS conferiam a chegada de votos por correspondência na Caixa Postal do Sindicato. Com o país sob um processo inflacionário e recessivo. O impacto da derrota desarticulou o MOS por longo período. Nos três anos da primeira gestão do MOS. Várias lideranças do movimento deixaram o estado ou se envolveram em projetos profissionais que os afastaram do cotidiano da categoria. com a complacência e colaboração do órgão. O resultado foi a vitória de Cyro Barreto por 137 a 116 votos. Nesse momento também os jornalistas começam a se enxergar como categoria. venceu a eleição e assumiu a entidade. acontecem duas greves na redação do “Jornal de Santa Catarina”.

Em várias negociações houve reajustes diferenciados que privilegiaram os salários mais baixos. o Sindicato persegue desde sempre o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 196 . quando a direção do “Diário Catarinense” resolveu impedir os sindicalistas de entrarem na redação para distribuir um informativo. Sem recursos. que era dividido em cinco faixas distintas por função (repórter. Nenhum acordo foi fechado sem que se obtivesse pelo menos a reposição da inflação do período. por força do Acordo Coletivo. fotógrafo). por exemplo.do praticamente só com despachos de agências de notícias e algumas matérias de assessorias de imprensa. criando vínculos essenciais com a categoria. A diretoria não ficava 15 dias sem passar nas redações para debater as questões emergentes. Ativados por alguns telefonemas. praticamente todos os profissionais do jornal deixaram seus postos de trabalho e foram até a frente do prédio ouvir o que o Sindicato tinha a dizer. a descontar em folha a mensalidade da entidade. editor. A atividade sindical desse período foi sempre realizada na adversidade. O piso salarial catarinense. Conquista importante foi a unificação do piso salarial. que diminuíram a escala de produção de releases. diagramador. Um trabalho do comando de greve junto aos assessores do governo angariou a solidariedade de alguns deles. chegou a ser o mais alto do Brasil. e as empresas se negavam. só foi sustentado porque a representatividade do sindicato se impôs. o que só foi conseguido mais tarde. que algumas vezes acabaram em dissídio julgado pela Justiça.dificultando ainda mais o baixamento do jornal. sobretudo. O endurecimento das negociações. subeditor. Hoje. De estrutura o Sindicato não dispunha. Os empresários de comunicação começaram a sentir o peso de uma gestão sindical disposta a batalhar pelos direitos da categoria. que era o terceiro mais baixo do país. O estreitamento das relações entre o Sindicato e a categoria se evidenciou em situações como a que ocorreu num dia de 1988. o piso regional está na média nacional.

um repórter da RBS TV entrevistava ao vivo o presidente do Tribunal JORNALISMO EM PERSPECTIVA 197 . especialmente em eventos de grande repercussão.sonho da interiorização. sem ônus para o SJPSC. que destoava do servilismo que caracterizou as gestões anteriores. Embora tenha um enorme potencial de representatividade e credibilidade. cartas às agências de publicidade. a sociedade civil identifica nos sindicatos de jornalistas uma legitimidade similar a de órgãos como a OAB. especialmente exposições de fotos e charges que correram o estado. Passeatas. Para quebrar a barreira de comunicação com a sociedade. algum jornalista aparecia de “papagaio de pirata” atrás do repórter com um cartaz com alguma reivindicação dos jornalistas. que era veiculada mensalmente nos jornais. o Sindicato investiu em eventos culturais. A criatividade e a ousadia deram forma à Operação Papagaio. por exemplo. out-doors e faixas em viadutos foram utilizados dentro das parcas possibilidades financeiras da entidade. A idéia era simples: fazer aparecer na televisão mensagens sobre as condições de trabalho dos jornalistas. mas sua falta de estrutura não consegue dar conta dessa tarefa. Uma dificuldade paradoxal do Sindicato é a de se comunicar com a sociedade. Então. que poderia redundar no fortalecimento das próprias lutas internas da categoria. O problema se agravou depois que as empresas de comunicação espertamente suprimiram dos Acordos Coletivos a publicação da coluna do Sindicato. em várias transmissões ao vivo. Mas ainda era pouco. Por ser uma entidade que representa profissionais de comunicação. da presença efetiva em todos os pontos do estado. não consegue estar presente em todos os espaços sociais que seu prestígio permite. A dificuldade da entidade se comunicar foi bem explorada pelos colunistas que cerraram fileira com os interesses das empresas. Na cobertura das eleições de 1992. Vários deles usaram as suas colunas para atacar o novo comportamento do Sindicato.

ao final do espetáculo. Quando Xuxa veio ao estádio Orlando Scarpelli como convidada da RBS para as festas de Natal. Os principais alvos do sindicato eram as transmissões do Jornal do Almoço ao vivo. Se as duas gestões de Celso Vicenzi tiveram o caráter de dar ao sindicato uma estrutura mínima e à categoria uma identidade corporativa. a equipe da Operação Papagaio despertou a ira de Pedro Sirotsky que. Essa prática ganhou outras formas de expressão. ainda. com as iniciais da empresa grifadas. disse o herdeiro da RBS com o dedo em riste. Ele não gostou das faixas que diziam “Xuxa. a RBS contratou mais de 200 seguranças para o show do roqueiro Rod Stewart. os sorteios do Caminhão do Faustão e os grandes shows. Obviamente. como a distribuição em encontros empresariais de panfletos que comparavam os editoriais nos quais as empresas de comunicação defendiam práticas de gestão moderna com o tratamento feudal dispensado aos jornalistas. então repórter do jornal “O Estado”. “Isso não vai ficar assim”. desceu de seu camarote para desafiar os dirigentes do Sindicato. essas ações de guerrilha informativa espalharam pânico e paranóia entre as empresas de comunicação. com o cartaz “RBS Rede de Baixos Salários”. Melhor para as empresas de segurança que eram contratadas para evitar que qualquer faixa ou cartaz fosse aberto diante das câmeras. Para evitar ações dessa natureza.Regional Eleitoral quando atrás da autoridade surgiu Valdir Cachoeira. Deu uma enorme confusão e Cachoeira teve sua credencial caçada pelo TRE. as duas de Sérgio Murillo de Andrade tiveram. a tarefa de reivindicar salários e condições de trabalho fica muito mais difícil quando é necessário debater com a sociedade a necessidade de se ter diploma para exercer o jornalismo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 198 . a tarefa de defender a categoria dos ataques à regulamentação da profissão. Embora singelas. baixinho é o salário do jornalista” e o já tradicional “Rede de Baixos Salários”.

Já é possível perceber que a exposição pública dessa categoria não é proporcional à sua remuneração e. por exemplo). A proliferação de cursos de comunicação em Santa Catarina. Hoje. Pesquisa publicada pela revista “Imprensa” mostra que a cate- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 199 . O auto-engano com relação ao status da profissão talvez seja hoje menos relevante do que no passado. com a multiplicação numérica dos jornalistas.Prevalecia até pouco tempo o arquétipo do jornalista como uma pessoa bem situada economicamente e com trânsito nos escalões do poder. os desafios se tornaram pelo menos mais complexos para os sindicalistas. A sofisticação dos processos de cooptação dentro das empresas com políticas ousadas de endomarketing e desenvolvimento de culturas empresariais certamente também concorre para dissolver o espírito classista. a dissolução do espírito coletivo solidificado em meados dos anos 80 é um fato que acompanha uma postura de quem confia no seu sindicato. pelo menos para os setores mais esclarecidos. mas um fato que desafia todo o movimento sindical no momento em que as ideologias que alavancam o individualismo ganham força e terreno. Defender a profissionalização do mercado. mas não participa de suas iniciativas. que parecia uma tarefa dos anos 70. muito menos. O reflexo deste novo quadro na organização sindical é grande. a mitificação parece relativizada e. provavelmente atingindo jornalistas mais jovens. A desmobilização não é um fenômeno que atinge somente os jornalistas. com um maior número de jornalistas no mercado. trouxe algumas vantagens e muitos desafios para o Sindicato (como sindicalizar os egressos dos cursos. que ainda não tiveram contato com toda a extensão da realidade profissional. Nesse período. os jornalistas não carregam mais o glamour que lhes era atribuído. às difíceis condições de trabalho que enfrentam na maioria das vezes. estar presente desde o processo de formação dos novos profissionais. No entanto. passa a ser novamente uma urgência.

mas que esse índice é mais baixo entre os jornalistas jovens e recém-egressos de universidades. e retornando em seguida) acontece em circunstâncias em que se redesenha o perfil dos jornalistas. nova postura institucional e. jornais e TVs. O resultado imediato foi um aquecimento da mobilização nas campanhas salariais. governo e terceiro setor. estão nas suas próprias agências de comunicação (às vezes. mas superando os metalúrgicos). Estatisticamente. seus locais de trabalho não são mais majoritariamente as redações de rádios. estão nas universidades ensinando jornalismo (o que é uma função jornalística. Ter uma entidade representativa desta nova categoria exige novos entendimentos. além disso. com presença freqüente de diretores nas principais cidades. Mas o olhar sobre ela já carece de reciclagem. A dinâmica da sociedade repercute muito rapidamente nessa categoria. mas que precisa lembrar que há outros habitats para a categoria que também merecem atenção. Vai ter que articular os poucos documentos que localizar com o seu tempo. que por sua natureza precisa estar sintonizada com as movimentações tecnológicas. novas habilidades de abordagem. Eles estão espalhados nas assessorias de empresas. mais nova ainda em Santa Catarina. só perdendo para os bancários. Por tudo isso.goria tem alto índice de sindicalização (cerca de 40% em escala nacional. A primeira gestão de Luis Fernando Assunção foi marcada justamente pelo esforço de interiorização do sindicato. O Jornalismo é profissão nova. Vai ter que encontrar os nexos entre as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 200 . outro tipo de estrutura física e operacional. até como empregadores de outros jornalistas). com as tendências do mercado e os novos paradigmas produtivos da sociedade. passando a direção para Rogério Christofoletti. segundo a Fenaj). quem for contar a história do Sindicato vai ter muito trabalho. Não se trata de dizer que o Sindicato deve esquecer as redações. Já a segunda gestão (durante a qual Assunção licenciou-se por onze meses.

relações de poder de cada época e as atitudes da entidade. Vai ter que conhecer a conjuntura política de cada circunstância e sua influência nas ações. Vai ter que pensar sobre jornalismo e jornalistas. Vai ter muita história para contar. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 201 . Vai ter que resgatar o folclore dos personagens e inseri-lo na história coletiva.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 202 .

o rádio.. se observarmos a linha de tempo de algumas invenções dos dois últimos séculos. sejam elas noticiosas ou não.Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e informatização nas redações catarinenses Maria José Baldessar contradições .H.Um breve relato da chegada da “(. Cada uma dessas inovações teve grande impacto em sua época e todas.) Nada conseguiremos compreender da era moderna se não nos apercebermos da maneira como a revolução na comunicação criou um novo mundo”. inventada em 1873. a televisão. continuam a existir e a exercer forte papel no cotidiano das pessoas. pois a posse da informação caracteriza uma forma de poder. o computador e. Entre elas destacam-se o telefone. verificaremos que o tempo de difusão da Internet é incomparavelmente menor que os demais. aumenta sobremaneira. Ao contrário do que muitos pensavam. sem exceção. o cinema. atingiu 50 milhões de usuários JORNALISMO EM PERSPECTIVA 203 . a Internet. No entanto. A cada dia. No decorrer do século XX..Cooley Os avanços da ciência e tecnologia vivenciados na atualidade se refletem em todos os segmentos da sociedade. e a Internet com certeza não será exceção à regra e nem será a última invenção humana nessa área. A eletricidade. a humanidade presenciou o surgimento de diversas inovações na área da comunicação. a busca de informações. C. nenhuma suplantou totalmente a outra. por fim.

fotografia e os equipamentos para produzir materiais para estes suportes não estão diretamente ligados a ela? O que seriam o telefone.depois de 46 anos de existência. Nessa meia parede havia uma passagem estreita por onde o aprendiz levava o material escrito a máquina ou a mão para a composição. muitas vezes. um muro (literalmente) separou os jornalistas desses inventos maravilhosos. a televisão (1926). A Internet. diferentemente dos jornalistas. Por acaso os aparelhos de rádio. Carlos Sepetiba. O princípio da Linotype consiste em juntar. 22 anos. atrás ficavam gráficos que contavam histórias engraçadas e que. com a ajuda de um teclado. 16 anos. Estes números são motivo de reflexão e de impaciência: qual o próximo invento humano? Embora um sem-número de jornalistas continue a afirmar que a profissão nada tem de tecnológica e que é movida pela criatividade e expressividade do profissional. de Florianópolis. 55 anos. 1 Máquina de linotipia inventada pelo alemão Ottmar Mergenthaler em 1879. Por isso estas máquinas se chamam “linhas bloco” em oposição às máquinas que compõem linhas letra por letra (ex: Monotype). revisor do extinto jornal A Gazeta. o telefone (1876). E mais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 204 . o fax. “era na parte da frente que trabalhava a intelectualidade. que está na origem do seu nome. Desde sempre o Jornalismo esteve ligado à tecnologia. 26 anos e o microcomputador (1975). o velho telex e as máquinas de linotipia e clicheria senão formas de tecnologia? Talvez o que se possa discutir é que. 35 anos para atingir esta mesma marca. televisão. não letras mas matrizes de letras que formam um molde/bloco em linha. o automóvel (1886). conta que na sede da Rua Conselheiro Mafra a redação ficava na frente e as Mergenthaler1 atrás – separadas por meia parede de tijolos. eram organizados. ou seja “line of type” (linha de matrizes). ideológicos e tinham os salários pagos sempre em dia”. É esta particularidade de fundir num só bloco de chumbo uma linha de matrizes (type em inglês). a realidade que se apresenta é bem diversa. tem hoje 378 milhões de usuários. criada na década de 90. o rádio (1906). por sua vez.

. sobretudo..As mudanças nas redações e no cotidiano profissional Sem dúvida.) e a sinfonia das pretinhas deu lugar a um silêncio cibernético.) e o impiedoso papel carbono tingia mesas... Um artigo publicado na revista Imprensa sobre a informatização do jornal O Globo descreve as mudanças no ambiente da redação.. O fazer texto através do computador. gargalhadas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 205 .2 As mudanças são percebidas não só no ambiente e na estrutura física. campainhas reverberavam impunemente (. paletós. cujos focos de luz só iluminam as mesas dos terminais.) um sistema de ar condicionado central acabou com o clima tropical que sufocava (. iniciada na década de oitenta...) e a limpeza.. assinado por Astrid Fontenelle e Débora Chaves. mas também numa nova relação com o texto. sem reflexos nos olhos ou nas telas (.. Com a introdução dos computadores. com suas possibilidades de proces2 Artigo publicado na revista Imprensa em setembro de 1987. Neste artigo são descritas as condições da redação do jornal O Globo antes e depois da informatização.) as Olivetti e Remington que não sofriam de arritmia eram disputadas no tapa (... telefones. mãos e rostos menos atentos (. estabelecendo um paralelo entre a redação do passado e a atual: “uma louca sinfonia de gritos.. mangas de camisa.. propiciado pelos 140 terminais e suas 138 teclas (. nada de montanhas de papel”. a especialização crescente.) hoje as persianas amarrotadas foram substituídas por um moderno sistema de iluminação que inclui um requinte inimaginável: calhas especialmente desenhadas.) montanhas de laudas se formavam para qualquer lado que se olhasse (.. a intensificação do trabalho. as modificações nas condições de trabalho e. os jornalistas tiveram de se adaptar a uma realidade profissional que incluía a exigência de maior qualificação. dedos. as grandes mudanças no cotidiano profissional dos jornalistas começam com a informatização das redações dos jornais e revistas no Brasil.

é tarefa que cabe a nós jornalistas. hoje isso é rotina e já está incorporado ao dia-a-dia. um a um. como profissionais e categoria laboral. sumiram as caixas de papel carbono para as cópias necessárias para a linha de produção.. é na linha de produção de um jornal ou revista que se percebem as mudanças mais óbvias: o diagramador.. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 206 .. simplesmente.. o computador hifeniza (. em qualquer ponto”. de um lado a matéria do repórter e do outro a do redator (. Criada original3 Idem nota de rodapé anterior. sem dúvida nenhuma. as cartelas de letras set e a caneta nanquim.) mas é no terminal que se escondem as mais saborosas novidades para qualquer jornalista (. Se antes do computador era inimaginável uma redação com ar condicionado e persiana nas janelas. Mudou também a iluminação e a temperatura do ar.. Mas.) para começar o usuário fica dispensado da preocupação com o fim de cada linha. fazer.. ganha mobilidade e rapidez: “ (. Jornalismo e a Internet A cada década do último século surgiram mídias e se desenvolveram ferramentas capazes de torná-las massivas e populares em poucos anos.. Avaliar se o jornal ficou melhor ou pior sem esses dois profissionais. Até mesmo o cafezinho e o cigarro se renderam à tecnologia.) o computador também permite a inserção de qualquer informação..) a tela pode ser dividida em duas. numa linha de produção ordenada. A mesma sorte não tiveram os revisores e copy-desks que. foram desaparecendo da redação. aderiu aos softwares de edição de texto e trabalha com precisão. Com a Internet não foi diferente. que antes não vivia sem a régua de paicas.samento e arquivo de texto.3 No espaço físico das redações a tecnologia introduziu limpeza – desapareceram as centenas de laudas amassadas no chão. uma vez que os terminais ficam prejudicados com farelos e ambientes poluídos.

Embora no Brasil não se tenha estatísticas sobre o número de publicações online. Em 2002 a Internet recebeu mais de 130 milhões de novos usuários e o número global atingiu mais de 620 milhões . segundo o Instituto de Pesquisa NEC.ainda sem uma linguagem definida..com.9% da população mundial. destes. trinta anos mais tarde. apropriando-se da linguagem de outros veículos para a difusão de textos.5% e na Índia. 3. O número de usuários nos países em desenvolvimento aumentou 40%.ccp.ucla. segundo o American Journalism Review News4 . o Ibope fez um levantamento sobre a audiência desses veículos. aproximadamente 300 milhões de computadores em 150 países do mundo. no entanto. uma das regiões menos conectadas do mundo. em 2002. Acessado 18 de junho de 2003. Não restam dúvidas. o número aumentou 75% em 2002. lideram o número de publicações online: são 4. ligado à Universidade de Princeton. Hoje. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 207 .622 pertencem a empresas de comunicação. 50% dos 25 mil internautas entrevistados afirmaram que navegam na Internet em busca de informações5 .folha. sons e imagens. Mesmo no Oriente Médio. começou interconectando dez computadores.edu. que essa linguagem se estabelecerá a partir da convergência das mídias e da união dos recursos infinitos de arquivo com a transmissão de informação em tempo real e com as possibilidades inéditas de interatividade e customização. “(.925 sites de notícias existentes até setembro de 1998. reúne.) só poderemos desenvolver o verdadeiro jornalismo online quando 4 Disponível em www. para Simone (2001). no Brasil. Apesar destes números.mente pelos militares americanos no final dos anos 60. a Internet vive a sua pré-história como meio de comunicação . três vezes mais que nos países desenvolvidos. De acordo com a pesquisa realizada em 1999. o uso da Internet cresceu 116%.9. 78.br/informacao. Na China. Acessado em 24 de junho de 2003 5 Disponível em www. No entanto. 136%. Os EUA..

em alguma medida. de forma paradoxal. O mesmo não acontece com o restante do conteúdo da rede. mesmo os que dispõem de links para últimas notícias. manchetes principais e chamadas para notícias secundárias. No Brasil. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 208 . Os portais de ou com conteúdo jornalístico. ou seja. animação – e não esboços destas ferramentas”. áudio. do que os americanos conceituam como “shovelware”. não é sem propósito que todos nós navegamos ou folheamos os sites jornalísticos com uma certa facilidade. a saber: (1) transpositivo .todos nós tivermos possibilidade de usar a banda larga e todos os benefícios que vêm do vídeo. “é integrante dos três estágios do desenvolvimento de conteúdos para Web. Para Pavlick (1997) o modelo transpositivo – shovelware. a transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. e em boa parte do mundo. muitas vezes. vai fluir. continuam com características de jornal e revista impressa. com capa.transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. (2) adaptativo. a incapacidade de chegar a resultados satisfatórios quando temos que ousar em hiperlinks múltiplos. que tem como característica a integração das linguagens dos meios tradicionais com as novas possibilidades da rede e (3) onde “um original conteúdo noticioso. bastando verificar a dependência que temos dos instrumentos de busca e. banners comerciais e links para negócios. desenhado especificamente para a Web como um novo meio de comunicação”. O jornalismo na Internet ou jornalismo online vive seus primórdios. ainda está “agarrado” aos velhos paradigmas do jornal impresso e se aproxima do rádio. Esse terceiro estágio seria caracterizado também pela “aceitação 6 As empresas brasileiras de mídia se utilizam. quando se trata de conteúdo e forma textual. Assim.6 A maioria dos sites de notícia ainda são divididos em editorias (índice à vista).

o próprio conceito de jornalismo poderá modificar-se devido a vários fatores. processamento e difusão da informação. aceitação de experimentar novas formas de contar uma história”. além da circulação. (3) diminuição do custo de obtenção de informações em todos os níveis e em todos os assuntos. A constatação de que o jornalismo está passando por transformações profundas e se encontra em processo de renovação de muitas de suas práticas pode ser aferida se aceitarmos que o mundo online está reconfigurando as redações e as práticas profissionais. edição e publicação da notícia. audiência e relação com os receptores. (6) aumento do acesso à informação. disponibilizando conteúdos na Internet. (7) incremento da confiança técnica e maior exatidão das informações.de repensar a natureza de uma comunidade online. 2000:83) Para estudiosos como Garrison (1993) e Reddick/King (1995). a aumentar a informação disponível e a sofisticar a metodologia de identificação e acesso às informações”. entre eles (1) a possibilidade de cada um atuar como jornalista. (Bastos. (5) menor dependência das fontes para interpretação daquelas informações. (4) qualidade na análise das informações. redação. Podemos enumerar estas mudanças e mesmo as avaliarmos como positivas: (1) acesso às fontes. “É consensual a idéia de que a Internet evoluirá de forma a garantir uma mais rápida circulação da informação na rede. E os jornalistas. (9) maior agilidade e facilidades de deslocamento. como ficam? Muitos pesquisadores afirmam que a ascensão e consolidação do jornalismo online vai alterar aspectos importantes de produção. (2) aumento na produtividade dos repórteres. (8) melhores formas de arquivo e busca das informações. mais. alterando as rotinas de coleta. (2) a usurpação ao jornalista da função de gatekeeper privilegiado do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 209 .

possibilitando acesso a todo tipo de detalhe. A cronomentalidade dos jornalistas poderá acentuarse. a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 210 . seja por força da própria natureza da Internet. seja por força de novas políticas editoriais das organizações noticiosas. Outros como Koch (1991). de modo a poder confrontar a informação recebida da mesma maneira que o bom jornalista confronta. Nem repórteres. que possibilita a diluição das responsabilidades e até o anonimato.. “(. As normas que norteiam o jornalismo poderão alterar-se.) Na Internet. a bancos de dados.. uma vez que. nem repórteres fotográficos. Campos (2001) compartilha dessa visão e vai além. a edições anteriores. devido à possibilidade de atualização constante do noticiário. Pavlik (1996) e Dizard (1997) afirmam que. que permitem o aproveitamento do hipermedia (a confluência de “várias mídias numa só” e das hiperligações (os links que permitem a navegação na Internet). editores ou mesmo projetistas gráficos têm seus empregos ameaçados pela tecnologia.) Uma reciclagem que nos permita a inclusão entre nossas atividades de boa parte das tarefas outrora exercidas pelos trabalhadores gráficos. inclusive em outras línguas.. Já em 1996 Lage discutia essas modificações na profissão e apontava a necessidade permanente de reciclagem para o enfrentamento do cotidiano profissional. se não mesmo a clandestinidade.. além das imagens atualizadas e até do som se for o caso. “checa” a informação recebida de suas fontes”. Ele afirma que a Internet permite uma forma diferente de fazer jornalismo e aponta as possibilidades do profissional de contextualizar cotidianos e fatos através dos hiperlinks e de como o receptor pode interagir como essa nova notícia.espaço público informativo. o receptor conta com várias “camadas” de texto que formam o hiperlink. as deadlines tendem a concretizar-se no imediatismo. (3) as características próprias da Internet. o perfil profissional também mudará. “(. redatores. em função dessas mudanças. isto é. a pesquisas de todo tipo.

sem dúvida. é claro. Ampliou-se.curto e médio prazos. por exemplo.” Um profissional capaz e com qualificação adequada pode servir de mediador entre as diversas “tribos” do mundo globalizado. Nesse contexto. como os estudos culturais – um dos contextos em que se procede uma reflexão multifacetada e transdisci- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 211 . outro aspecto que pode ser considerado é a expansão do mercado de trabalho. que está montando escritórios de jornalismo e relações públicas para a produção dos manuais de instrução. está contratando jornalistas e publicitários para traduzirem a linguagem médica das bulas de medicamentos. A indústria farmacêutica internacional. nos obriga a acrescentar às nossas habilidades o manuseio de sistemas informatizados e o conhecimento de processos de telemática. Talvez devamos considerar questões como: (1) as novas tecnologias da informação desencadearam uma discussão sobre a identidade e a sobrevivência das profissões que eram responsáveis pela mediação simbólica. a exemplo do que já acontece hoje. uma percepção mais aguda do cotidiano. cada vez mais. e assim evitar os erros de interpretação e conseqüentemente. A reciclagem necessária para isso é do tipo inclusiva isto é. enciclopédias virtuais e banco de dados. de modo a torná-las acessíveis ao grande público. um profissional qualificado para a produção de cd-rom. o que é ser jornalista na atualidade? (2) sendo as ciências da Comunicação e Jornalismo – e os estudos teóricos relacionados a ambas. os processos judiciais. o âmbito de suas atribuições. Mas como formar esse profissional? Essa talvez seja a principal discussão que permeia o cotidiano das escolas de Comunicação e Jornalismo país afora. afora. O mesmo procedimento está sendo adotado pela indústria de eletrodomésticos da Europa e Ásia. a explosão das chamadas novas mídias tende a exigir. Como formar um jornalista que saiba aliar a capacidade técnica de produção com um olhar crítico da realidade? Para muitos essa parceria é inviável. Finalmente. Assim sendo.

Paulo” foi um dos pioneiros na adoção e criação de uma rede informatizada.plinar sobre o mundo de hoje. no país inteiro. com a chegada dos computadores. A informatização nas redações catarinenses: pioneirismo e contradições Em todo o Brasil. Já nas redações o processo foi iniciado na década de 80. na década de 70. desenvolve linguagens. estéticas e de linguagem que as especificidades do jornalismo exigem? (3) considerando o jornalismo online como transposição de uma certa forma de olhar a realidade (o olhar jornalístico) para o suporte informático. a modernização nas empresas de comunicação começou pelas áreas gráfica e gerencial. cria novas formas de mostrar o mundo através da informação. levando em conta questões éticas. A cada novo invento a profissão modifica suas práticas. que via com bons olhos “a modernização da infra-estrutrura física e administrativa das empresas de comunicação“. apesar de lento. O processo. mas que utiliza a Internet e o mundo em rede como ferramenta cotidiana. O jornal “Folha de S. será possível afirmar que a especificidade do meio não altera a especificidade da mensagem? (4) até onde a construção desse profissional deve aprofundar saberes específicos ou mesclá-los com generalidades e saberes localizados? As respostas a estas questões talvez possam ser facilitadas se tivermos claro que o jornalismo sempre teve seu fazer cotidiano ligado à tecnologia. como forma de racionalizar custos e de prepa- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 212 . sempre foi incentivado pela Associação Nacional dos Jornais. A assimilação desse fato facilita o vislumbre do profissional necessário para a atualidade: um profissional que cumpre as atividades jornalísticas tradicionais. como deveria ser a formação de um profissional que dê conta dessa realidade.

editores. No ano de sua implantação. de Brusque. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UFSC. No final da década de 80 e início de 90 uma série de greves. do grupo RBS. como forma de burlar as leis trabalhistas e do piso salarial vigente. demissões arbitrárias e até o enquadramento dos profissionais em outras categorias. sendo que até 1992 o jornal “O Município”. mostrou aos jornalistas catarinenses uma nova realidade. Sua redação era composta por 126 jornalistas. e. paralisações e protestos mostraram a organização dos jornalistas catarinense e o resultado desse processo foi o fortalecimento do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e da categoria profissional. fotógrafos e diagramadores. que mesclava necessidade de reciclagem profissional e adaptação a novas ferramentas de trabalho. o processo de modernização das redações apresentou surpresas e veio acompanhado de pioneirismo e contradição. entre repórteres.7 Em Santa Catarina. A reforma dos parques gráficos começou no jornal “O Estado” em 1971. No interior. o primeiro jornal a “nascer” informatizado na América Latina. em 1972. Contradição gerada por relações de trabalho truculentas. Estudo sobre a Associação Nacional dos Jornais. que só em 1980 adotou a off-set. 7 Ver. o processo não foi diferente. 1997. o DC atingia 166 municípios. finalmente.rar para uma “possibilidade de ampliação de mercado e de internacionalização da comunicação. Compreensivelmente. ainda tirava suas edições em linotipia. através do advento da Internet. considerando-se assinaturas e venda avulsa. seguido pelo “Jornal de Santa Catarina”. a adoção de novas formas de imprimir deu-se aos poucos. Maria José. redatores. marcadas pelo desrespeito a jornada profissional de cinco horas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 213 . Pioneirismo por conta da implantação do “Diário Catarinense”. A criação do DC. Baldessar. com uma circulação média de 26 mil exemplares. por “A Notícia”. Mimeo. em maio de 1986.

A informatização mudou as redações. alimentação e outros. o processo de digitalização só começaria no final da década seguinte. Depois do DC. os diagramadores continuaram a usar as réguas de paica e os diagramas. No interior. Cada profissional dispunha de uma senha para abrir sua “máquina” e modificar o texto. o processo acompanhou a evolução regional. mais recentemente. hospedagem. já que serviam exclusivamente para escrever. as novidades se misturavam com a tradição: embora os terminais permitissem um pré-cálculo do tamanho da matéria.Mas onde está a diferença? A estrutura da redação do DC era diferente de tudo o que era conhecido no jornalismo catarinense até então. e se espalhado até mesmo aos jornais de pequeno porte. Na diagramação e fotografia. isso implicava a possibilidade de cobrir assuntos com mais rapidez e agilidade. As normas rígidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 214 . Para os jornalistas. os demais jornais catarinenses seguiram a tendência de informatização das redações. num investimento aproximado de U$$ 500 mil. outra novidade foram as estações móveis de trabalho. Simplesmente substituíam as máquinas de datilografia. “A Notícia” iniciou o processo em 1994. A limpeza e o silêncio contrastavam com tudo o que se conhecia. que incluíam horas-extras. Ainda dentro da experiência pioneira do DC. Isso só mudaria anos mais tarde com o aperfeiçoamento dos processadores de texto. que não precisavam se deslocar até a redação para terminar a matéria. Eram uma prerrogativa dos repórteres especiais. Cada editoria ficava em uma sala e em cada uma delas havia diversos monitores ligados a uma única CPU – eram os chamados computadores burros. o jornal “O Estado”. tendo começado pelos semanários de Criciúma e Chapecó. No fotojornalismo. a experiência durou menos de dois anos e as estações móveis foram desativadas por implicarem “gastos excessivos”. depois o “Jornal de Santa Catarina” e. No entanto. por sua vez.

Para os que tenham mais de 35 anos de idade. do tipo bip ou telefone portátil. tendo como resultado o enquadramento em outra categoria profissional. aparecem cláusulas de proteção ao jornalista em virtude da adoção das novas tecnologias. como.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 215 . os jornalistas tinham outras preocupações. Os não aproveitados farão jus a um aviso prévio de. estudos de reaproveitamento em outras atividades dos jornalistas atingidos. já que a produção do texto para muitos jornalistas começava com o ritual do cigarro e do café. Além do desemprego. que não se coadunavam com o cotidiano profissional até então estabelecido.acesso e uso das máquinas eram complementadas pelos avisos de “proibido fazer lanche”. no mínimo. em que o salário era menor e a jornada de trabalho maior que o limite de cinco horas de trabalho estabelecido pela CLT para os jornalistas. em 1980. 90 dias. as empresas ficam obrigadas a desenvolver. Paulo”. junto com o Sindicato. “proibido fumar” e outros. os jornalistas logo perceberam outras ameaças: as mudanças na nomenclatura de contratação. quando a informatização da redação deixou pelo menos 200 desempregados. mudaram a representação sindical – de jornalistas passaram a gráficos. Adoção de novas tecnologias: “Na hipótese de adoção de novas tecnologias que possam implicar redução do quadro funcional. Em todos os acordos e dissídios coletivos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Nessa primeira fase. pagarão adicional de 30% sobre o salário mensal”. Em conseqüência. a partir de 1986. Os diagramadores passaram a ser “paginadores eletrônicos”. uma vez que todos estavam a par do que ocorrera na “Folha de S. por exemplo. celular ou qualquer forma de plantão permanente. a das horas de sobreaviso 8 . Estas cláusulas foram muito discutidas. Outro aspecto relevante foi a juvenização da profissão. As escolas de comunicação lançam no mercado cerca de três mil pro8 Horas de sobreaviso: “As empresas que exigirem a utilização de aparelhos eletrônicos de localização. o aviso será de 180 dias.

identificou as doenças cardiovasculares. Onze anos depois. bronquite crônica devido ao ar refrigerado. Em 1995. além de problemas de ergonomia. Uma pesquisa da Organização Mundial do Trabalho. “A Notícia”. feita em 1984. não só mostram o desrespeito à legislação profissional como evidenciam a precarização do trabalho.fissionais/ano – em Santa Catarina esse número chega a quase 300. Das trinta empresas fiscalizadas – entre elas os jornais “Diário Catarinense”. Os laudos da Delegacia Regional do Trabalho. apesar das mudanças físicas nas redações e algumas alterações nos procedimentos cotidianos de coleta da informação. qualificado e jovem tem permitido ao empresariado a opção pela contratação de profissionais recém formados. as neuroses e as doenças do aparelho digestivo como sendo as enfermidades mais freqüentes na profissão de jornalista. alergias. a evidência de precarização no trabalho é observada nos chamados procedimentos flexibilizados. epilepsia. Some-se ainda a estes problemas a questão da saúde. responsável pela fiscalização. pode-se afirmar que a introdução dos com- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 216 . Esse procedimento acirra a rotatividade e reforça a manutenção de salários baixos. Além da deterioração das condições de saúde. lesões permanentes nos tendões. a OIT refaz a pesquisa e acrescenta outros problemas causados pelo computador: deficiências na visão e no sistema reprodutor. Esse exército de reserva numeroso. em vinte e duas o não depósito de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Assim. em quinze a abolição do controle de ponto através de livro ou máquina. no uso da Internet como fonte de dados e do computador como banco de informações.em seis é constatada a existência de contratos temporários de trabalho. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina” . e em catorze o não pagamento do salário normativo. em detrimento de outros com mais idade e experiência. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina deflagrou uma campanha contra o exercício irregular da profissão. estresse.

Porto Alegre. . LÉVY.observatoriodaimprensa. Referências bibliográficas CAMPOS. Wilson P A nova mídia: a comunicação de massa na era da . Nova Fronteira. C. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Nilson. assim como em todo o país. New Jersey: Laurence Erlbaum Associates. Pierre. COOLEY. Edição em jornalismo eletrônico. Publicado no Website Observatório da Imprensa. Bruce. In: Congresso Nacional dos Jornalistas. www.putadores nas redações catarinenses. Acessado em 23 de junho de 2003. emissão e recepção do discurso.com. Convergência Tecnológica. New York: Charles Scribner’s Sons. A tecnologia não mudou a relação do jornalista com seu fazer profissional ou com as ferramentas de trabalho necessárias a ele. Da mesma forma.br/artigos.H. essa continua sendo mediada pelo capital e pela apropriação do trabalho. 1997 GARRISON. não alterou a condição social do jornalista. Roger. Mediamorphosis: Understanding New Media: Journalism and communications for new century. Computer-assisted reporting. informação. Califórnia: Pine Forge Press. Rio de Janeiro. Novos paradigmas de produção. Mahwah. 1901 CORRÊA. 1998 FIDLER. Social Organization. DIZARD. Pedro Celso. 1996. 1995 LAGE. não mudou a relação entre o empresariado de comunicação e os profissionais. Elizabet Saad. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. 27. São Paulo: Edicom ECA/USP 2000. 1989 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 217 .

jun/ago. 1996 ———————— The future of Online Journalismo. Nicholas. 1997. A Vida Digital. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 218 . John. New York: Allyn&Bacon.NEGROPONTE. Columbia Rewiew. Journalism: a guide to who’s doing what. New media technologies and the information highway. São Paulo: Companhia das Letras. 1995 PAVLICK.

controlado por uma certa rigidez dos princípios e pela indeclinável vontade de alguns de manter a retidão da conduta. manifestam suas preocupações com a ética? É bem verdade que não há um único pólo irradiador dos valores deontológicos que marginam as ações dos sujeitos. ética e liberdade Onde fica o centro de gravidade moral de uma profissão? De que forma uma categoria profissional escolhe e adota suas referências de conduta? Como os indivíduos orientam suas ações quando estão no campo de trabalho? De que maneira esses sujeitos.Jornalismo.A preocupação com a ética: tradição e futuro Rogério Christofoletti “A reflexão sobre o jornalismo não pode levar em conta somente a prática e seus limites. EntreJORNALISMO EM PERSPECTIVA 219 . que comungam rotinas e valores. iniciativas isoladas que tentam traçar linhas imaginárias que orientem os profissionais na sua lida diária. Há núcleos morais duros em volta dos quais gravitam outros valores e práticas. temos de reconhecer que há uma moral que o envolve e uma ética profissional que pode ser tratada especificamente”. O centro de gravidade moral de uma profissão deslocase num raio mínimo. Se reconhecemos a importância contemporânea do jornalismo e a necessidade de refletirmos sobre ela. Francisco José Karam . Existem. mas também a possibilidade de ruptura com esses limites para formular uma outra prática. sim.

códigos de ética surjam a partir das discussões que essas entidades lideram e estimulam. O primeiro código de ética dos jornalistas brasileiros vai surgir em fevereiro de 1949. o que se percebe é que o grosso das iniciativas para a preservação de valores e atenção ética se dá em dois ambientes: nas entidades de classe e na academia. Mais perenes são as iniciativas coletivas. a preocupação com a ética data dos primeiros tempos de sua organização como categoria profissional. marcadamente liberais”. para as quais chegou a elaborar um plano”. Em 1926. a propor a criação de um tribunal de imprensa. “embora ainda não tenham um código de ética definido. essas entidades de classe não apenas atuam nas esferas de defesa dos direitos e interesses dos jornalistas. Assim. 39) relata que. provocando novos debates nos anos seguintes. historicamente.tanto. de mais legitimidade e autoridade moral. por exemplo. p. de mais reflexão social. 97) conta que. frente ao dinamismo da vida e à tensão freqüente dos muitos interesses em jogo. idéia que não avança. p. no primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas. esses esforços se liquefazem diante da complexidade das situações. mas também promovem ações de reforço aos valores que dão o perfil identitário da profissão. os jornalistas brasileiros balizam sua atuação pelos códigos vigentes em outros países. nessa época. Adísia Sá (1999. Barbosa Lima Sobrinho chega. o tema da ética profissional foi intensamente discutido. Em 1911. porque essas gozam de mais profundidade nas discussões. Não é à toa que. inclusive. admitia a elevação do nível profissional por meio de escolas. entre os jornalistas. motivado já pela Federação Nacional JORNALISMO EM PERSPECTIVA 220 . As primeiras são sindicatos e organizações associativas que reúnem os profissionais tendo como frente demandas relativas ao trabalho. Pelo menos no jornalismo. Baldessar (2003. a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) “ocupava-se com os delitos de Imprensa e das incontinências de linguagem dos jornalistas. Sete anos depois.

pp. Fenaj – fundada em 1946 – e aprovado no terceiro congresso nacional da categoria em Salvador1 . com a condição do profissional e seu compromisso com a comunidade. o que poderia induzir o leitor a erro e à desinformação. fixava os deveres fundamentais do jornalista. apesar de fixar os deveres e os valores que balizariam a conduta.). lembra Adísia Sá (op. em Porto Alegre. Quem fazia cumprir o código eram os sindicatos e eles deveriam decidir as sanções conforme as regras de seus estatutos de funcionamento. prolixo e com poucas condições de perenidade. durante o 12º congresso da categoria. O texto deste segundo código já era mais sintético. mas o texto não chegou a ser votado. Mesmo assim. Entretanto. preocupava-se com o emprego de ternos dúbios pelo jornalista. O documento era relativamente longo.dos Jornalistas. sua cultura e sua moral”. cuja conduta deveria se pautar por valores que elevassem e dignificassem o ser humano. No conteúdo. O código ainda apontava a necessidade do profissional esforçar-se para “aprimorar seus conhecimentos técnico-profissionais. a primeira carta de intenções deontológicas dos jornalistas brasileiros já estava caduca. Por isso. com apenas quinze artigos e duas disposições gerais.cit. um novo código de ética foi discutido. O código de 1949 “considerava indeclinável dever das empresas coibir a publicação de estampas e fotografias que possam ferir o pudor público. Em 1968. 1 Mario Erbolato (1982. Além disso. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 221 . a dignidade e o decoro de alguém”. o segundo código deontológico dos jornalistas não estabelecia as sanções àqueles que desacatassem o documento. com o sigilo de fontes.219-220) relata que os jornalistas Alberto Dines e Washington Novaes teriam formulado uma proposta de código de ética a pedido da ABI. e “sem que houvesse aceitação dos participantes – mesmo assim foi aprovado”. os jornalistas manifestavam preocupação com a imparcialidade.

Ceará. Em 1986. por fim. na de Caucaia. O órgão dá sustentação ao texto e a partir de 1987 os sindicatos se ajustam para seguir as novas orientações de observação deontológica. tornando-se o terceiro código de ética dos jornalistas brasileiros. T rata. no Rio de Janeiro em 1985.Em 1971. prega a liberdade de expressão. o código tem consonância com os principais documentos internacionais acerca do papel dos meios de comunicação e dos jornalistas. o 21º Congresso Nacional da categoria faz adendos ao texto. mas frisa trechos estratégicos. o acesso à informação como um direito do cidadão e o exercício de informar como um dever do jornalista. O texto foi amplamente discutido e aprovado. a Declaração de Prin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 222 . e o jornalista mineiro Didimo Paiva assume a relatoria do documento que seria apresentado na 15ª Conferência Nacional. define os trâmites de um processo nas comissões de ética quando se observa desvio ou falha deontológica. Reforços a essa proposição são feitos em 1977. por exemplo. e em 1981. condena o arbítrio. a Declaração da Unesco sobre os meios de comunicação (1983). A Fenaj indica uma comissão para reunir as sugestões vindas de todo o país. a censura e a opressão. Não são mais os sindicatos quem deliberam sobre as sanções aos faltosos. partiu a orientação de que os sindicatos deveriam promover debates acerca dos valores que norteavam a atuação dos trabalhadores em veículos de comunicação. o Código de Ética do Jornalista Brasileiro é parecido com a sua versão anterior. orienta a conduta do profissional e ressalta a sua responsabilidade social. Da 8ª Conferência de Goiânia. versão que vigora até hoje. Contemporâneo e bem situado. e cria a Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Expressão. na Conferência de Manaus. tais como o Código Latino-Americano de Ética Jornalística (1981). Os sindicatos criam comissões locais para a discussão de um novo texto deontológico nacional. a discussão sobre a ética continuava a atrair os olhares dos profissionais. Com 27 artigos.

quando. os membros eram Eduardo Meditsch. Elaine Borges. Em fevereiro daquele ano. a primeira Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais surgiu em 1987. Sérgio Lopes e Mario Medaglia. prestes a completar vinte anos2. as comissões de ética são um advento recente. São elas também que propagam com mais empenho os valores próprios da profissão. na gestão de Celso Vicenzi. presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina no final dos anos 70. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 223 . gerando debates internos e notas públicas. uma parcela dos trabalhadores do jornal O Estado. de Florianópolis. Jarson Frank. Apesar de ainda pouco conhecida. a Declaração de Chapultepec (1994) e a Declaração de Princípios para a conduta dos jornalistas. as questões pertinentes à ética jornalística eram tratadas pela diretoria da entidade.cípios da American Society of Newspapers Editors (1975). da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ). As comissões de ética Principais braços dos sindicatos no campo da deontologia. A dis2 Segundo Moacir Pereira. a comissão que atuou de 1987 a 1990 chegou a analisar alguns casos. Entre os propósitos principais do grupo. quando o assunto se mostrava mais grave. e assim o fazem com maior autoridade porque contam com mais legitimidade. estavam a institucionalização da comissão e a divulgação de sua existência e finalidades. Por determinação do Código. inclusive. acompanhou o embate entre dois grupos de jornalistas por ocasião de uma greve. datada de 1954 e emendada em 1968. destacadamente em 1989. Escolhidos por uma assembléia da categoria após a eleição da diretoria da entidade – conforme estabelece o Código -. são essas comissões que recebem denúncias sobre supostos desvios éticos. Em Santa Catarina. enquanto que outros jornalistas assumiram as funções dos grevistas. decidiu cruzar os braços. naquela época. e que dão o devido encaminhamento aos casos concretos.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 224 . a Constituição de 1988 se infiltra positivamente no cotidiano dos cidadãos. Em sua decisão.cussão sobre se a adesão à paralisação teria sido uma infração ética foi a espinha dorsal do processo que consumiu dois meses de trabalho da comissão do Sindicato. e esse espírito vai ajudar a forjar uma casca moral um pouco mais rígida no imaginário nacional. Essas transformações contribuem para um resgate de alguns princípios esquecidos pela população (ou pelo menos recalcados pela ditadura militar). Num dos casos. veiculadas nas páginas dos quatro principais jornais catarinenses3 . a “impunidade” e o “mandonismo”. Não é à toa que deste período emergiram severas punições em processos éticos no Estado: duas advertências públicas a jornalistas. já que havia claro conflito de interesses naquela condição. Foi num ambiente como esse que a Comissão de Ética do Sindicato atuou. publicada em “A Notícia”. o Sindicato não tinha ainda o seu próprio informativo impresso. Dois nomes se mantiveram – os de Eduardo Meditsch e Elaine Borges – e a eles se somaram os de Ademar Vargas de Freitas. Em 1990. Francisco José Karam e Moacir Loth. mas penalizou o proprietário do jornal. Os tempos são de definições importantes na vida social brasileira: o primeiro presidente civil após o Golpe de 1964 é eleito diretamente. E todas as suas decisões mais importantes eram veiculadas na Coluna dos Jornalistas. “Diário Catarinense”. “civismo” e “justiça”. o Papel Jornal. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina”. a Comissão de Ética não entendeu que os jornalistas tinham ferido os princípios do Código. um colunista foi advertido por 3 Na época. Pelo menos no terreno da administração pública. José Matusalém Comelli. com a sua exclusão do quadro de associados do Sindicato. Fixam-se na mentalidade coletiva valores como “cidadania”. uma nova Comissão de Ética foi escolhida pela assembléia dos jornalistas. Camadas sociais cada vez mais expressivas vão rechaçar o “jeitinho brasileiro”. Uma atmosfera de legalismo se espalha pelo país ao mesmo tempo em que se multiplicam as denúncias sobre corrupção na esfera pública.

em 1996. e entre 1994 e 2000. toma posse a terceira Comissão de Ética do SJSC: Francisco José Karam. Celso Vicenzi. a instância se consolidou como referência ética no Estado. e as denúncias de condutas reprimíveis cresceram nos anos seguintes. mas que todos achavam muito importante o assunto. Em 1997. com sete perguntas. Entre 1991 e 1993. Moacir Loth. Elaine Borges e Eduardo Meditsch. com o apoio da Agência de Comunicação (Agecom-UFSC) e da gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina4. As duas comissões trabalharam sob o período das gestões de Sérgio Murillo de Andrade à frente do Sindicato e não apenas analisaram denúncias como também tiveram ações afirmativas como a impressão e distribuição de milhares de exemplares de bolso do Código de Ética do Jornalista. os arquivos da Comissão no Sindicato contabilizam a tramitação de sete casos. Com os resultados do trabalho. a Comissão de Ética decidiu consultar a categoria para aperfeiçoar seu trabalho. As respostas apontaram para o fato de que nem todos se consideravam bem informados sobre ética. em outro caso. mais seis. Nas duas situações. A sondagem ainda reuniu sugestões e considerações sobre como a Comissão de Ética deveria atuar melhor. Aluízio Amorim. foi distribuído entre os jornalistas de diversas partes do Estado.defender a aplicação da censura e estimular a demissão de jornalistas. 4 Esse mesmo esforço já havia sido feito em 1992 na Comissão de Ética anterior. mas simplesmente ignoraram as convocações da Comissão de Ética. Mario Xavier. Para um período de mais três anos. são eleitos Silvio Melatti. Para isso. conforme lembrou Francisco José Karam. um questionário simples. Doroti Port e José Gayoso. Em 1993. o réu desrespeitara acintosamente fontes mencionadas em suas crônicas. os envolvidos tiveram amplas condições para se defender. o Código de Ética foi ferido e em ambos os casos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 225 .

duas não deram andamento – ou por não ser da competência de análise da Comissão ou por fugir de seu alcance de julgamento. conforme o Código -. para garantir o equilíbrio da avaliação já que a denúncia havia partido de um dos membros da própria comissão catarinense. Laudelino Santos Neto. Dependentes das queixas externas e submissas às sanções do Código. o que inibe a apresentação de novas denúncias. Tanto é que entre 2001 e 2004. Eduardo Meditsch e Laudelino dos Santos Neto. A pesquisa revelou que os próprios jornalistas “desconhecem muitos dos dispositivos que têm para fiscalizar seus procedimentos sob um prisma de valores éticos. Para o período de 2002 a 2005.139). as comissões vêm trabalhando. Uma terceira foi encaminhada à Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Expressão. p. Se não os conhecem. como exigir-lhes que os acessem?” (Christofoletti. Nilson Lage. Assumiram os postos os jornalistas Raquel Moysés. houve uma evidente renovação nos quadros da Comissão de Ética do sindicato catarinense. Muito possivelmente por causa disso. questionei pessoalmente os jornalistas locais sobre a sua confiança na eficácia do Código de Ética e no andamento dos processos nas comissões competentes. o número de denúncias vem caindo gradativamente. Mesmo tendo pouco poder punitivo – a expulsão do Sindicato e a advertência pública são as maiores sanções. Destas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 226 . O estudo mostrou que há dúvidas quanto ao alcance e eficiência do Código de Ética como um instrumento forte na orientação da conduta dos jornalistas. Entre 2000 e 2001. as comissões de ética perdem muito de seu poder de atuação. Edelberto Behs. foram escolhidos os jornalistas Maria José Baldessar. foram protocoladas na sede do Sindicato apenas quatro ocorrências. da Fenaj.Em 1999. Celso Vicenzi. observou-se também. Francisco José Karam e Sérgio Murillo de Andrade. 2003.

Eventos A discussão sobre a ética profissional ganha mais evidência a partir do final dos anos 80. em 2003. Florianópolis sediou o 24º Congresso Nacional dos Jornalistas. Realizado em Rio do Sul. Não é à toa que o assunto será tema de uma série de eventos promovidos pelas entidades classistas. À época. Blumenau reuniu a categoria para o 2º Congresso Estadual dos Jornalistas. ética e poder”. No programa. Fernando Portela. a democratização da comunicação e a ética profissional. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina completou 40 anos de atividades. Hélio Doyle. do então ombudsman do ANCapital. com as presenças do diretor de comunicação da Fiat. e o professor Nilson Lage. Mario Xavier. Na segunda quinzena de agosto de 1992. Ao longo das celebrações. o evento trouxe em seu programa um painel que discutiu a lei de imprensa. destacaram-se dois concorridos debates envolvendo a ética jornalística: “Que jornalismo é esse?”. mais uma vez. Em 1995. Florianópolis deu lugar ao 14º Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação JORNALISMO EM PERSPECTIVA 227 . entre 11 e 13 de outubro de 1991. Oito anos depois. Augusto Nunes. os debatedores foram os jornalistas Moacir Pereira. debates sobre o mercado de trabalho. Os clamores por mudanças na lei de imprensa e na estrutura concentrada dos meios de comunicação brasileiros foram. Um ano antes. o então editor de Zero Hora. os jornalistas colocam o debate sobre a conduta profissional no centro de suas preocupações. Em Santa Catarina. Sérgio Murillo de Andrade e Francisco José Karam. pauta no evento que ocorreu de 31 de outubro a 4 de novembro de 1990. sobre o ensino de comunicação e sobre a ética e a democratização dos meios. com o secretário de governo de Brasília. e do professor da Universidade Federal. Com um código deontológico nacional e comissões de ética em todos os estados. Hélio Schuch. e “Jornalismo. o 1º Congresso Estadual dos Jornalistas vai espelhar essa tendência.

o ensino propicia a repetição e a transmissão desses valores deontológicos às próximas gerações de jornalistas. É nessas escolas que se forma o grosso da mão JORNALISMO EM PERSPECTIVA 228 . Porém. Formação e Mercado”. Grande parte da produção intelectual sobre ética jornalística vem da academia. No ambiente acadêmico. há outro ambiente igualmente fértil para essas reflexões: a universidade. Em 25 anos. Santa Catarina viu surgir onze cursos superiores para a formação de jornalistas. E isso se observa nas estantes e nas novas gerações que passam a ocupar mais espaços nas redações. A pesquisa científica e a produção de conhecimento ajudam a repensar as práticas do mercado. os eventos reuniram mais de trezentos participantes que discutiram também o tema da ética nas relações com as fontes de informação. E todas as regiões hoje são contempladas com unidades de ensino – quase todas particulares. De qualquer modo. Sob a rubrica “Ética. com exceção da Universidade Federal.(Enjac) e ao 4º Encontro Internacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação no Mercosul. percebe-se que a academia e a organização classista são os nichos mais estruturados de discussão da ética profissional e onde se vê com mais transparência essa preocupação. As escolas Enxerga-se com mais nitidez nas entidades de classe as discussões que os profissionais fazem sobre a ética jornalística. com os clientes e com os colegas dos meios de comunicação. que passam a considerar que exista uma distância intransponível entre a teoria e a prática. entre a cotidiano concreto e o ideário das escolas. em Florianópolis – que atendem a esses propósitos. confrontando-as com os valores já cristalizados. Esse embate gera uma atmosfera de crítica e autocrítica que nem sempre é bem recebida pelos profissionais desconectados das universidades.

sendo uma de Ética Jornalística e outra de Legislação em Comunicação. “Síndrome da antena parabólica”. 2003) e “A ética jornalística e o interesse público”. 2002). de Daniel Cornu (Edusc. “Monitores de mídia: como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos”. e outro que oferece ao aluno duas disciplinas separadas. 1998). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 229 . UFSC e Ed. Há basicamente dois modelos: um que oferece a disciplina de Legislação e Ética em Jornalismo. 2004). inclusive com contribuições de Santa Catarina. de Bernardo Kucinski (Fundação Perseu Abramo. de Mayra Rodrigues (Escrituras. todos os cursos contam com matérias voltadas à discussão da conduta profissional. Mas não apenas isso. a UnC (Concórdia). estão a UFSC. os últimos quinze anos assistiram a uma avalanche de lançamentos editoriais na área. “A deontologia das mídias”. é importante citar alguns títulos vindos da academia: “Jornalismo. 1999). cidadania e imprensa”. a Estácio de Sá (São José) e o Ibes (Blumenau). No segundo. 2002).de obra que abastece o mercado de trabalho local. “Ética e jornalismo”. “Ética. 1998). a Unisul (Palhoça e Tubarão). A academia tem funcionado como um pólo gerador de novos conhecimentos e de muita reflexão sobre o fazer-ser jornalista. Neste contexto nacional. a Univali (Itajaí). As disciplinas constam de 4 créditos e carga horária que varia de 60 a 72 horas/aula. organizado por Raquel Paiva (Mauad: 2002). que instrui sobre aspectos legais da profissão e que arranha valores e princípios morais da profissão. Univali. de Francisco José Karam (Summus. o Ielusc (Joinville). Além do ensino da técnica jornalística e do estímulo à reflexão. No primeiro modelo. “O arsenal da democracia” de Claude-Jean Bertrand (Edusc. de Francisco José Karam (Summus. a Facvest (Lages) e a Unidavi (Rio do Sul). a Unochapecó (Chapecó). No campo da deontologia. “Ética da informação”. ética e liberdade”. E se o assunto é ética jornalística. de Rogério Christofoletti (Ed. parte das universidades a maioria dos livros produzidos sobre jornalismo. de Claude-Jean Bertrand (Edusc. 1997).

visivelmente ligado ao empresariado da radiodifusão gaúcha. Para muitos. As entidades de classe – como os sindicatos e a própria Fenaj – precisam fortalecer suas comissões de ética. Com o descarte dos conselhos profissionais para os jornalistas. Não totalmente compreendida. As entidades precisam dar mais visibilidade a essas instâncias bem como disseminar mais e mais o seu código deontológico na tentativa de introjetá-lo na vida cotidiana dos trabalhadores. A medida tinha entre os seus objetivos fortalecer o Código de Ética na medida em que traria mais condições à categoria de punição aos profissionais faltosos. perdeu-se uma histórica chance de discussão aprofundada sobre as condições em que se produz jornalismo no país. a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) conseguiu o apoio do governo federal para a tramitação no Congresso de um projeto de lei que criaria o Conselho Federal de Jornalismo e suas instâncias regionais.O que há adiante Em 2004. dando transparência ao seu trabalho e difundindo a existência de um sistema próprio de avaliação da conduta profissional. Perdeu-se ainda uma excelente oportunidade de constituir um instrumento público de acompanhamento da conduta dos jornalistas. Boa parte do caminho parece já ter sido palmilhada. O projeto de lei tramitou aceleradamente no Congresso Nacional e foi rejeitado pelo relator. visando o cumprimento do código de ética e a atuação profissional em defesa dos interesses do público. a proposta recebeu uma saraivada de críticas do empresariado de comunicações. Existe ainda a necessiJORNALISMO EM PERSPECTIVA 230 . Adiada essa possibilidade. o que há pela frente? Muita coisa pode ser feita. o deputado Nelson Proença (PPS-RS). Os conselhos de jornalismo poderiam fazer valer os princípios e valores éticos expressos pelos jornalistas em seu código deontológico. era uma solução a pouca efetividade das sanções aplicáveis e à oferta de um instrumento importante para a sociedade. da política nacional e até de parcelas da categoria.

podem investir mais na pesquisa e no ensino da deontologia. por sua vez. 1982 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 231 .dade de que o tema da ética permaneça vivo nas rodas de discussão da classe. enfrentando o claro desafio de tornar a disciplina tão prática e concreta quanto qualquer outra matéria que trate da técnica no jornalismo. Mario. nos eventos promovidos. de crítica e autocrítica permanentes. A mudança anunciada – o cotidiano dos jornalistas com o computador na redação. de reflexão intensa. preocupadas com a boa formação dos profissionais e com a sua permanente reflexão sobre o bom exercício da profissão. estabelecendo pontes de entendimento comum. Insular. Rogério. Deontologia da Comunicação Social. nos documentos oficiais e nas manifestações públicas. Itajaí-Florianópolis: Ed. Portanto. Monitores de Mídia – como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos. Esse processo depende também de um engajamento coletivo. A academia precisa se aproximar mais do mercado de trabalho e das entidades de classe. 2003 CHRISTOFOLETTI. As escolas de comunicação. é um caminho que não se faz isoladamente. UFSC e Ed. Enfim. porque segue regras históricas. é necessária ainda revisão contínua das regras que a categoria e o público estabelecem. Referências Bibliográficas BALDESSAR. UFSC. É um caminho que se faz no gerúndio. Maria José. Univali e Ed. 2003 ERBOLATO. Florianópolis: Ed. a construção de um processo em que a ética esteja no centro das preocupações jornalísticas é lento. Petrópolis: Vozes.

de 1946 a 1999. 2ª edição revisada. 1999. ética e liberdade. Jornalismo.KARAM. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 232 . Adísia. SP: Summus Editorial. ampliada e atualizada. 1997 SÁ. Fortaleza: Edições Fundação Demócrito Rocha. Francisco José. O jornalista brasileiro – Federação Nacional dos Jornalistas.

e ainda mais rapidamente . Num volume como nunca na história da humanidade. os campos de conhecimento. hoje temos informações instantâneas e dobra-se o volume de informação e conhecimento a cada dois anos. resulta1 Parte deste texto formou o dossiê da candidatura do Curso ao Prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação 2004. Quando a informação aumenta e a tecnologia se acelera e diversifica.por meio. os centros de estudos. mais saber. sem precisar que a forma quadrada se arredonde ao longo de décadas ou séculos. dos espaços sistematizados e acelerados dos processos de conhecimento. Isto é. Teríamos de juntar as duas palavras numa só – o jornalista profissional e pensar sobre o que é ser isso. precisamente. jornalista profissional.A contribuição das escolas: o curso da UFSC Francisco José Castilhos Karam 1 Para que deve existir um curso de Jornalismo? Para formar profissionais cidadãos? Para formar para o mercado? Para formar críticos do mercado? Ainda que resumidamente. que permanecem campos de sistematização do saber apesar dos mais de oito séculos que as sustentam. pode-se responder que é para formar profissionais jornalistas. a de Bolonha. chega-se a ela rapidamente. por meio do entendimento de como é possível fazêla. É possível conhecer . vencedora na categoria Instituição Paradigmática. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 233 . circula mais conhecimento e. potencialmente. ainda que como qualidade sempre em discussão. Como conhecer? Duas das mais antigas universidades do planeta. podem responder. (Itália) e Salamanca (Espanha). Eles surgem por necessidade social e porque não é possível “descobrir a roda” a cada momento.

teórica. Mas. As escolas de Jornalismo em Santa Catarina só chegam no final de 1979. mais 10 cursos. com os desafios JORNALISMO EM PERSPECTIVA 234 . tanto diante da multiplicidade de mídias e de desdobramento tecnológico quanto diante das especificidades de ordem ética. em 1979. dos muitos possíveis. faço apenas alguns registros. em universidades. tarefa certamente delicada.do da diversificação dos saberes e da divisão social do trabalho. Assim. adequado tecnicamente e com suporte para a reflexão teórica e ética do jornalismo e da mídia. estética e técnica que a profissão e a formação para ela demandam. E. contemporaneamente. Da proposição política à qualificação integral em Jornalismo Desde sua fundação. já que é preciso uma certa recuperação de um árduo período. em sua forma mais elevada e complexa. também. necessária. Passados 26 anos. a UFSC foi destacada para integrar o livro alusivo aos 50 anos do Sindicato. um duro projeto a ser criado. A profissão jornalística seguiu tal tendência por necessidade social e para a afirmação de um ethos que significa uma forma de ser profissional. E para afirmar a necessidade de formação graduada em Jornalismo. os que agora chegam encontram um ambiente estruturado tecnologicamente. em centros de estudos e. e um local onde se possa acessá-los mais rapidamente. seguindo-se. E mais: uma forma moral de ser profissional. como pioneira na formação de jornalistas. que me pareceram importantes para afirmar o curso de Jornalismo da UFSC no cenário catarinense e nacional. A primeira foi a da Universidade Federal de Santa Catarina. o curso de Jornalismo persegue a excelência no ensino e o compromisso com a sociedade. transformamse. isso era apenas um sonho para alguns. No entanto. em meados dos anos 70. nos últimos 26 anos.

Ayrton Kanitz. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 235 . a mídia e o jornalismo no país apresentavam alguns desafios: de um lado. com o apoio institucional de alguns administradores da UFSC. Entre eles. que integra este livro. hoje aposentado. ainda que a estrutura funcional fosse incipiente. Carlos Müller. a criação do curso e acompanhava os debates nacionais e internacionais sobre a formação acadêmica. de outro. geral e irrestrita” e a incipiente constituição de pólos universitários de ensino e pesquisa sobre a comunicação. sequer. César Orlando Valente. ser necessário um curso de graduação em Jornalismo. contra a visão então hegemônica de setores profissionais e acadêmicos do estado catarinense. que o curso estruturou seu projeto pedagógico com base no conhecimento 2 Ver mais detalhes sobre a formação inicial das comissões e primórdios do curso no capítulo de Mário Xavier. teve logo o ingresso de jornalistas então muito jovens. a resistência ou a desconfiança em relação a um curso universitário de Jornalismo em Santa Catarina (o primeiro) em ambiente em que a maioria dos profissionais que então atuavam não tinham diploma na área ou. iniciado em 1979. nos primeiros cinco anos. de grande qualidade técnica e teórica.e obstáculos a serem superados.dada a complexidade crescente social e a profissionalização em outras regiões . em sucessivas reuniões. que vivia o final da ditadura militar. Pontificam. Assim. Luiz Lanzetta. a luta pela “anistia ampla. um punhado de profissionais.exigia um campo de sistematização do conhecimento prático-teórico e do envolvimento de tal campo com os novos desdobramentos sociais que o país viveria dali por diante. E foi de 1979 a 1984. Daniel Koslowski Herz. professores e pesquisadores consideraram. destacou-se a figura do jornalista Moacir Pereira2 . Paulo José da Cunha Brito. que defendeu. Maria Elena Hermosilla e Orlando Tambosi. que contribuíram para a rápida qualificação acadêmica . a realidade . de graduação em outra área. no início dos anos 80. O ambiente então. O curso.

Ao grupo de professores. em 84. como a luta pelas Diretas Já (nome da terceira turma. Tal etapa. para alocação de salas de aula e laboratórios. À cultura de comprometimento com mudanças políticas somava-se a necessidade de formar com qualidade os futuros jornalistas. formada em 31 de março de 1984. três mil pessoas. em 1983). para a presidência do Sindicato dos Jornalistas. Dalton Barreto e Sônia Silva. o primeiro até hoje no curso de Jornalismo. além do contrato de trabalho. das primeiras reivindicações por mais equipamentos e professores. o Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação. o encontro da Federação Latino-Americana de Faculdades de Comunicação Social . somavam-se dois dos principais funcionários técnico-administrativos que dariam sustentação às atividades administrativas. as mudanças na profissionalização e no compromisso do jornalista com a sociedade (concorrendo. então. por posicionamentos políticos contra a ditadura e por mudanças sociais no país. buscando formar profissionais qualificados do ponto de vista teórico e técnico e com preocupações éticas e estéticas. o então professor Ayrton Kanitz). as lutas pelas políticas democráticas e públicas de comunicação (movimento iniciado em 84 na UFSC por meio de Daniel Herz). em 1982. além do expediente e do período letivo: foi época de luta por espaço físico. realizando excelente trabalho operacional.Felafacs. e na qual se formou Sérgio Murillo de Andrade. com o envolvimento de alunos e professores (organizando o Congresso da União Católica Brasileira de Comunicação. vinculando sua formação tanto ao exercício diário do jornalismo quanto às questões sócio-políticas e econômicas da sociedade brasileira. a participação em eventos de porte nacional e estadual. que custou aulas no saguão da JORNALISMO EM PERSPECTIVA 236 . Tal tarefa exigiu dedicação além do previsto. em 1981 – memorável encontro que reuniu.prático-teórico. eleito em 2004 presidente da Federação Nacional dos Jornalistas).

quase todo o grupo inicial sempre manteve contato. autor de diversos livros sobre política e um especial sobre Teoria do Jornalismo. tornando-se referência teórica e ética para os colegas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 237 . para colaborar na manutenção da qualidade didático-pedagógica do projeto. superando resistências do campo da Comunicação. entre eles Herz. como substituto ou convidado. falecido cinco anos depois. hoje um clássico na área. Foi o reconhecimento pelo pioneirismo na constituição de uma teoria bem sistematizada para a área. Maria Elena e Valente.Reitoria. nome que obteve a maioria dos votos diante de quatro apresentados no 2º Encontro da SBPJor. Lanzetta. Foi no início dos anos 80. o curso teve algumas modificações estruturais. tendo retornado. Müller. com a saída então do primeiro grupo de professores. As culturas profissional e política se ampliavam. que até hoje perdura. que se tornou disciplina no curso de UFSC e em vários espalhados por todo o país. precisamente em março de 1983. responsável pela ampliação das preocupações e reflexões sobre a área. Em novembro de 2004. alunos e categoria profissional. De 83 a 88. com professores e ex-alunos. além de acompanhar o movimento do curso até 2005. protestos estudantis e luta pela defesa da formação (diploma). Foi um período de ingresso de novos e jovens professores. capitaneada pelo recém-professor Hélio Schuch e já então coordenador do curso. convidados a atuar em novos e desafiantes projetos. como em 1986. que ingressou nos quadros do Jornalismo da UFSC o professor Adelmo Genro Filho. embora este último sempre tenha mantido relação muito próxima à instituição. em Salvador (Bahia). No entanto. Kanitz. refratária a estudos específicos sobre jornalismo. que uniam militância política e experiência/cultura profissional. a Assembléia Geral da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo criou o Prêmio de Pesquisa em Jornalismo Adelmo Genro Filho. no país e exterior.

por meio da criação de espaços específicos de debates sobre a profissão e da qualificação prático-teórica. a intervenção e a discussão sobre a formação profissional. Francisco José Castilhos Karam. Da mesma forma. Carlos Locatelli. o Conselho Federal de Jornalismo. Luiz Scotto. Valci Zuculoto. ao lado de já exalunos como Maria José Baldessar . iniciando-se discussões sobre um novo currículo. e de projetos de extensão. como debates ético-deontológicos junto com o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e com a Federação Nacional dos Jornalistas. não perdendo nunca. mais adequado aos novos rumos sociais e de acordo com os desdobramentos tecnológicos que o final da década de 80 e anos 90 iriam enfrentar. ingressam professores como Hélio Ademar Schuch. a Lei de Imprensa. já no decorrer dos anos 80. Sérgio Weigert e Sérgio Mattos. de 2000 a 2005. Simultaneamente. Neila Bianchin. envolvimento com temas da categoria profissional e qualificação prático-teórica. Carmem Rial. ou logo depois. Áureo Moraes e Ivan Giacomelli (estes entre o final dos anos 80 e década de 90) renovam os desafios. Mauro Pommer. mantendo o compromisso com as grandes questões sociais sem perder a necessidade sempre renovada de atualização curricular.Em 1982. ampliou-se a parceria para melhorar a formação dos profissionais. Durante todos os 26 anos. chega ao curso o professor Eduardo Barreto Vianna Meditsch. o Conselho de Comunicação Social. Aglair Bernardo. os Direitos Autorais. o curso sempre esteve atuando ao lado das questões profissionais. de vista. Regina Carvalho. o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e muitos outros temas. especialmente na área de rádio. continuando nos últimos seis. Muitos alunos têm participado de pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 238 . Gilka Girardello. Ricardo Barreto. que amplia a cultura profissional naquela década e se torna responsável pelo desenvolvimento de pesquisas. Fernando Crócomo. nos últimos cinco anos. que.

por meio de tópicos. Sportv. em torno de 55 a 60%. do Estado de S. de 1991. uma parte de disciplinas optativas e uma terceira que. por exemplo – também. Paulo. tanto específicos profissionais quanto de carências sociais. além de refletir necessidades de novas áreas e procedimentos. além de cursar as necessárias obrigatórias e as optativas – podendo dar ênfase mais à área de mídia impressa ou telejornalística ou digital. e subscrito pelas principais entidades da área. O último currículo. Parece que. Projeto Caras Novas (hoje desativado) da Rede Brasil Sul. o currículo atual do curso de Jornalismo – o sexto de sua trajetória – está novamente em discussão. buscando novas exigências e estimulando novos estudos. assim. sem nome de disciplina apriorístico. Compós. A explicação está. no fato de que o currículo é “móvel”. é possível adequar rapidamente (a cada semestre) as ne- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 239 . por razões que parecem ser mais um mérito do que dificuldades em alterá-lo. é o mais longo da história do curso.gramas de estágio ou aperfeiçoamento como os da TV Globo. Acredita-se que assim deve ser. atualizado em 1996. Abecom e Enecos. aprovado em 1987. é formada por tópicos especiais. permitindo tanto a busca pelo emprego quanto mantendo a capacidade crítica diante do entorno profissional e social. Ensino/Currículos Depois de passar por sucessivas mudanças ao longo de 26 anos. como Intercom. além de ser optativa. Editora Abril. basicamente. Há uma parte de disciplinas obrigatórias. e por meio de dois programas especiais. São projetos que ampliam e sedimentam a pluralidade necessária ao ambiente universitário. E contemplam o disposto no Programa Nacional de Qualidade de Ensino da Fenai. como o da Cátedra Fenaj-UFSC de Jornalismo para a Cidadania e o da Cátedra UFSC-RBS para aproximação ao mercado profissional.

de buscar disciplinas em outros cursos da Universidade. no último ano. Planejamento Gráfico. seja Grande Reportagem (por exemplo. programas de rádio ou tevê. seja em voltadas para o texto de revista ou jornal. Políticas de Comunicação. Tal lógica percorre todo o currículo. revistas ou jornais e similares). Há a opção. Redação para Rádio e TV e outras laboratoriais que. comportamento – tanto por meio de reportagens em qualquer suporte quanto temáticas de discussões e seminários. sobre questões de cultura. como disciplinas que podem ser. buscando o saber fazer e o saber pensar sobre o fazer. permite a conexão entre aspectos específicos da profissão com o entendimento e a reflexão sobre aspectos históricos do Brasil. a área para desenvolver o projeto. Na primeira fase. Ao mesmo tempo. podendo escolher tema adequado para o Trabalho de Conclusão de Curso. um outro conjunto de disciplinas que ensinam a escrever e a pesquisar. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 240 . os TCCs permitem escolher. Foto. ainda. Comunicação e Filosofia e o conjunto de tópicos e optativas permitem ao aluno chegar. para revista. relacionando sua futura atividade à sociedade em que a profissão está inserida. disciplinas como Teoria da Comunicação. Legislação e Ética do Jornalismo. história . Teoria do Jornalismo. Fotojornalismo. Pesquisa Científica (objeto de estudos em Jornalismo) ou Práticas Editoriais (por exemplo implantação de sítios digitais. acompanham as disciplinas como Tele I . Jornalismo on line. também. para a formação profissional em Jornalismo.cessidades de formação a aspectos emergenciais que surgem. O curso também é voltado. que lida com todas as áreas sociais. Método de Pesquisa. desde a primeira fase. economia. abrindo-se a interdisciplinaridade própria do Jornalismo. política. Assim. seja em investigação via internet. junto com a de Comunicação e Realidade Brasileira I. tele ou rádio). Radio I. jornal. há disciplinas como Técnica de Reportagem. Assim. por exemplo. Estética e Cultura de Massas. juntamente com o suporte mais apropriado em cada caso.

e com plantões aos finais de semana. em coberturas especiais como o vestibular ou durante as greves. o surgimento de novas tecnologias e a crise de empregabilidade gerou novos desafios e necessidades: atuar em assessorias de imprensa ou de comunicação. 24 horas no ar. a partir de 1998. A produção é feita por alunos bolsistas ou voluntários. via internet. Hoje. mesclando notícias com grandes reportagens temáticas. No telejornalismo. o curso de Jornalismo ampliou significativamente seus projetos de extensão internos ou junto à comunidade. o Projeto Universidade Aberta obtém reconhecimento nacional. O Unaberta Digital. como Rádio Cultura e CBN. tanto no âmbito da própria UFSC quanto no estado e no país. prestar serviços por meio de micro-empresas e similares. em média. Trata-se de sítio digital com atualização. supervisionados por professores da área. cursar pós-graduação ou trabalhar. Também o Unaberta Rádio mantém programas sobre a Universidade e a Educação em emissoras locais. hoje espalhados pelo estado e país. Extensão A partir de 1991. chega. A mudança nas rotinas profissionais. rádios e tevês. tarefa a que muitos hoje se dedicam. que em média tem três mil acessos por dia.Nos 26 anos de existência. a cada 30 minutos. o curso da UFSC formou ao redor de 800 profissionais. portais. e mantém. a Radioponto UFSC. revistas. a 10 mil acessos diários. a Revista da Semana e outros ocupam os espaços destinados pela UFSC TV JORNALISMO EM PERSPECTIVA 241 . no estado ou pelo país afora. Muitos deles atuam em jornais. trazendo informações sobre a Universidade Federal de Santa Catarina e o mundo da Educação. o TV e Ação Comunitária. além de vários terem escolhido o exterior para viver.

alunos e funcionários especializados. o projeto Rádio Beatriz. se produz um conjunto de programas que. junto a uma escola do Bairro Pantanal. ain- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 242 . Foi criado. sítios digitais produzidos – 21. mas de segmentos do entorno social e da educação como um todo. envolvendo comunicação institucional – 14. a necessidade de buscar parcerias para profissionalizar os respectivos setores. sendo momento profícuo de apresentação e de debates sobre a formação e o resultado dela para o futuro jornalista e para a sociedade. os jornais murais. Os Trabalhos de Conclusão de Curso ampliam os dados a cada ano. edições de jornal – 8. chegou aos seguintes indicadores: programas em vídeo – 252. capazes de desenvolver pesquisas e projetos que auxiliem tanto a formação como desenvolvam o mercado qualitativamente. supervisionado por acadêmico bolsista. projetos prestados junto à comunidade. ressaltando-se. junto à comunidade. da Associação Catarinense de Integração do Cego. Em 2004. Com isso. assessoria para desenvolvimento de pequenas revistas e jornais. São projetos com a participação de professores.(canal a cabo) e pela TV Cultura local (aberto). e buscam a captação de recursos junto a órgãos de fomento e estabelecem parcerias com instituições públicas e privadas. Mantém-se o Núcleo de Radioteatro. Tais projetos foram intensificados a partir de 1998. programas de rádio – 1296. a cada ano. e de entidades filantrópicas ou sem fins lucrativos. foram criados dois núcleos: o de Projetos Editoriais e o de Televisão Digital Interativa. acrescentando-se a cobertura do Vestibular e sua produção midiática jornalística. como o da Associação dos Aposentados do Hospital Universitário. há tratamento de temas de interesse não apenas da universidade. Destacase que. junto à comunidade. no momento seguinte. Mantém-se. mesmo nos programas não diretamente vinculados à comunidade. o jornal-laboratório “Zero” e desenvolve-se. em 2003. além de sítios digitais.

que atende o conceito A no item específico previsto nos processos de avaliação dos cursos da área. permitindo que o aluno trabalhe Pesquisa Científica. com câmeras fotográficas e de vídeo de última geração. a partir do início dos anos 2000. éticos e políticos. hoje. O número de equipamentos nos laboratórios de rádio. foto. com quatorze estações não lineares para edição de vídeo. Da mesma forma. para desenvolver projetos adequados aos próximos anos. fotojornalismo. softwares atualizados nas áreas de telejornalismo. com digitalização de praticamente todas as suas produções. totalizando 60. Estrutura laboratorial Em parte. Grande Reportagem ou Práticas Editoriais. tal projeto fez com que o curso de Jornalismo da UFSC tenha conseguido – juntamente com outros apresentados junto a instituições de fomento – estruturar seus laboratórios. de 30 por sala. tele. radiojornalismo e jornalismo digital. o espaço de planejamento e confecção dos trabalhos de conclusão de curso. que se trabalhe com um aluno por computador nos laboratórios.da. conhecido como projeto Fungradão. é possível manter tal perspectiva. o Laboratório de Mídias Digitais e Convergência Tecnológica. à chegada de equipamentos via Governo Federal. Com dois ingressos de 30 alunos. mídia impressa. tem produzido alguns projetos que resultam em sítios digitais JORNALISMO EM PERSPECTIVA 243 . por exemplo. nas teóricas. Bem aproveitado. características possíveis dada a divisão das turmas laboratoriais em no máximo 15 alunos por sala e. sites e afins permite. nos meses de março e agosto. internet. este acréscimo de projetos deveu-se. tanto no sentido de proposição de estudos e soluções quanto no de acompanhar o desdobramento da área na atividade jornalística em seus aspectos técnicos. destinado a melhorar as condições de ensino e aparelhar tecnologicamente as instituições federais de ensino superior.

Unaberta e Jornalismo no Cinema. voltado para a formação do jornalista qualificado nos planos teórico. seja por meio de livros. como o de adoção de menores. juntamente com outros. A perspectiva. dentro do espírito da plataforma Rede Alfredo de Carvalho para a História da Mídia. Pesquisa/produção científica O curso de Jornalismo da UFSC é de graduação. em sua quarta edição durante 2005. assim como em congressos em países europeus e nos Estados Unidos. E programa ainda incipiente de pesquisa na graduação. técnico. livros como reportagens sobre política. O corpo docente. quer tem na UFSC a produção de seu sítio digital. produz periodicamente nas suas áreas. os encontros da Compós (encontro de programas das pós-graduações). para 2006. artigos. seleção para apresentação em emissoras de rádio ou tevê.permanentes. concursos catarinenses e similares. como o da SBPJor. seja no corpo diretor JORNALISMO EM PERSPECTIVA 244 . Alguns dos trabalhos têm sido apresentados em eventos e obtido destaque. Vários dos docentes integram diretorias de entidades de pesquisa na área. do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. resenhas e participações em eventos como os do Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). ético. mantém Programa de Estudos em Jornalismo e Mídia. é a criação do mestrado acadêmico em Jornalismo. Atualmente. nível de Especialização. por meio da Iniciação Científica. esportes ou narcotráfico. ao qual se integraram nos últimos dois anos as professoras Gislene Silva e Heloiza Herscovitz. seja no Expocom (premiação da Intercom para produção de alunos da graduação). pesquisas sobre jornais catarinenses. da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic). estético e tecnológico.

A ampliação de estudos na área. venceu o renomado prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação’2004. o currículo. na categoria Instituição Paradigmática. incluindo. nos dois últimos de forma isolada. Mas certamente. mais especificamente no campo do Jornalismo. ao focar seu projeto didáticopedagógico em Jornalismo. onde poderá ser conhecida parte da trajetória. agora já com 50 anos de experiência. cresceu a partir dos anos 1990. Palavras finais O Curso de Jornalismo mantém. O projeto descrito aqui não é o único existente e nem o exclusivo a seguir. houve a atribuição de conceito Cinco Estrelas pelo Guia do Estudante da Abril. especialmente a partir de 92. incluindo atividades profissionais e acadêmicas. que. Quando comemorou 25 anos. 2004). os programas. hoje. desde 1998. E parte integra. com a contratação do professor Nilson Lemos Lage.jornalismo. a produção científica e outros itens. É o principal prêmio na área acadêmica e tal fato confirma os caminhos. Também. trilhados pelo Jornalismo da UFSC na implementação e consolidação de seu projeto didático-pedagógico. 2003.ou como coordenação de Grupo de Trabalho.ufsc. contribuiu para grande visibilidade social e profissional do curso por meio de sua extensa produção científica e reconhecimento nacional de sua atividade nas redações e na academia. o corpo docente. além de torná-las mais úteis e consistentes no tratamento das questões de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 245 . conselhos editoriais de revistas acadêmicas.br. o curso da UFSC ajudou a consolidar a profissão e a formação no estado catarinense e no Brasil. também. seu sítio digital no ar. Está acessível por meio de www. os alunos. ainda que árduos. pelo terceiro ano consecutivo (2002.

Apesar das dificuldades operativas no dia-a-dia de uma Universidade Pública. com as dimensões que significam as palavras formação e jornalista. servidores técnico-administrativos e alunos. vinculadas às contribuições sociais que delas decorrem. pelo envolvimento de professores. o curso soube. encontrar um caminho que legitimou sua aposta: um projeto voltado para a formação de jornalistas. precisamente porque valorizou o profissional integral. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 246 .interesse social a partir de sua especificidade.

Surgiu então a consciência da necessidade de instrumentos e ferramentas que JORNALISMO EM PERSPECTIVA 247 . contribuintes e consumidores.A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia Mário Xavier Nos 50 anos de existência do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) . incentivando a defesa pública dos direitos elementares dos cidadãos. no Brasil. Nos anos 70.de 1955 a 2005 -. industrial-tecnológico. Os anos 90 representaram a tentativa de afirmação de um jornalismo voltado crescentemente para os interesses sociais amplos. As cinco décadas que nos antecederam coincidem com a criação dos primeiros cursos de Jornalismo e faculdades de Comunicação Social do país. o neoliberalismo e a globalização dos anos 90. como resposta à reorganização da sociedade civil e da promulgação da nova Constituição em 1988. E o movimento sindical ressurgiu também com mais força no começo dos anos 80. eleitores. plural e de qualidade. a pesquisa e a pós-graduação no campo midiático. os anos JK. comercial-mercadológico e de conteúdo editorial. a academia passou a aprimorar a formação. nos anos 50: uma demanda da sociedade e da categoria. a imprensa do estado e do país registrou grandes e marcantes transformações nos campos político-ideológico. em diferentes períodos como: o pós II Guerra. a ditadura militar dos anos 60 e 70. de forma a atender o cidadão nas suas expectativas de uma informação cada dia mais ética. Uma parte significativa dessas mudanças refletiu macro tendências mundiais e se inseriu. resultante da própria evolução e complexidade crescentes da mídia e do fazer jornalístico. a redemocratização nos anos 80.

qualificar a atuação da categoria e abrir diversos caminhos para a formulação e exercício de uma crítica de mídia fundamentada na observação.fundada em 18/11/1953 e que deu origem ao SJSC . Silveira Lenzi. ainda há muito a construir e consolidar nesse campo. ações práticas que contribuíram para aperfeiçoar o exercício do jornalismo. A linha do tempo a seguir visa resgatar e pontuar cronologicamente momentos dessa trajetória de contribuições catarinenses ao tema em pauta. 1962 a 1963 Registram-se as primeiras campanhas públicas pela valorização da categoria e promoção de valores éticos e profissionais junto aos associados e à comunidade.contribuíssem mais diretamente para o aperfeiçoamento da imprensa e dos jornalistas. mediante uma crítica sistemática da mídia e uma permanente atenção ao ser-fazer jornalístico.recebe a Carta Sindical dia 13 de maio. Amaral e Silva e outros. que vinha descumprindo suas obrigações. tornando-se a entidade credenciada a representar e defender coletiva e juridicamente os interesses dos profissionais que atuam em todo o estado. Adolfo Ziguelli. buscando servir de inspiração e referência para pesquisas e projetos futuros mais detalhados e aprofundados sobre o assunto. 1955 A Associação dos Jornalistas Profissionais . de oposição à diretoria do SJSC na época. Melo Prates. no monitoramento público e na auto-observação. Jorge Cherem.como no Brasil de um modo geral -. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 248 . A iniciativa foi de um Comando Permanente de Ação liderado pelos jornalistas sindicalizados Eurides Antunes de Severo. Em Santa Catarina . ao longo dos anos. Mas já é possível pinçar.

Questionou legislações governamentais para jornalistas e combateu o usufruto ilegal de direitos tais como: isenção de imposto de renda e do imposto intervivos. entre 1962 e 1963. funcionários públicos e autoridades do clero. prefeitos. integrando os estudantes do ensino superior na campanha de moralização da classe jornalística. o número de verdadeiros jornalistas sindicalizados. que era feita com a conivência de órgãos como o Ministério do Trabalho. “Eram pessoas que estavam interessadas nos benefícios materiais. Somente uma “empresa jornalística” havia emitido 73 atestados falsos. industriais. alguns buscavam obter o status de jornalista junto ao SJSC e ao Ministério do Trabalho. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 249 .A campanha de moralização denunciou a emissão irregular de carteiras de jornalistas. banqueiros. Em 29 de abril de 1963 (cerca de um ano antes do golpe militar de 1964). num total de aproximadamente 400. aposentadoria especial. A fim de usufruírem ilegalmente desses benefícios. sendo os outros 70% composto pelos pseudojornalistas que detinham carteiras frias. encontravam-se até mesmo indivíduos de destacada posição econômica e social: secretários de estado. descontos de 50% nas passagens aéreas e nas passagens terrestres. comerciantes bem-sucedidos. deputados. “Não faltou quem nos acusasse de comunistas perigosos. veterano radialista e jornalista catarinense. Isso fez com que. facilidades de financiamento para aquisição da casa própria e de automóvel. extremistas exaltados”. em Florianópolis. Na lista dos “jornalistas” ilegais de então. descreve um relato do Comando de Ação Permanente da época. fosse de apenas cerca de 30% dos associados ao SJSC. o SJSC organiza o 1º Seminário de Imprensa Universitária. o que resultava em descrédito público da categoria e deterioração da profissão. em detrimento da responsabilidade de informar”. relembra Severo. tratamento especial da justiça civil. mediante declarações falsas de empresas do setor.

Nestor Fedrizzi. 1971 É criado em Blumenau o “Jornal de Santa Catarina”. Entre os participantes. que obrigava as empresas jornalísticas a requisitar profissionais de outros centros. 70 e meados de 80. incluem-se: a professora Aurora Goulart. Segundo Pereira. Na década de 60. notadamente do Rio Grande do Sul. também o primeiro diretor de telejornalismo da TV Coligadas. muitos jornalistas já graduados ou com experiência profissional migraram para Santa Catarina.1968 É fundada a Associação Catarinense de Imprensa (ACI). Marcílio Medeiros Filho. 1973 É formado o primeiro grupo de trabalho para a criação do curso de Jornalismo da UFSC. sob o comando do jornalista e ex-professor da PUC de Porto Alegre. também denominada Casa do Jornalista. o primeiro com o projeto editorial de cobertura estadual. o destaque desse período foram as lutas do SinJORNALISMO EM PERSPECTIVA 250 . e os jornalistas Antônio Kowalski Sobrinho. 1969 O SJSC passa a propor a criação de um curso superior de Jornalismo em Santa Catarina para qualificar os profissionais e suprir as deficiências do mercado de trabalho regional. O Santa marcou também o começo de um novo estilo profissional. 1975 O jornalista Moacir Pereira preside o SJSC de 1975 a 1978. os professores Aníbal Nunes Pires e Murilo Pirajá Martins. Moacir Pereira e Osmar Teixeira.

Moacir Pereira e Paulo Brito. O jornalista Adolfo Zigelli. convencerase de que somente com um curso de Jornalismo catarinense seria possível cumprir a legislação profissional (decreto-lei 972/ 69) que exigia o curso superior. conferindo-lhes: formação eclética. participando de eventos nacionais e regionais de jornalismo. Porém. Roberto Mündell de Lacerda. o que adia a criação do curso. Foi lançado também o primeiro jornal do SJSC. Zigelli falece em um desastre aéreo. foi assinado o primeiro acordo coletivo entre a categoria e as empresas do setor. estabelecendo piso salarial de seis salários-mínimos. As propostas foram aprovadas em junho de 1978 pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da UFSC. 1978 É constituído um outro grupo de trabalho para retomar a iniciativa da criação do curso de Jornalismo da UFSC. palestras com profissionais de destaque nacional e internacional. do professor José Marques de Melo (SP) e de Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles. o curso foi criado por portaria do reitor Caspar Erich Stemmer. universal e com espírito crítico. Santa Catarina era JORNALISMO EM PERSPECTIVA 251 .dicato pela defesa das liberdades. Espalhava-se a figura do jornalista provisionado. professor da PUC de Porto Alegre e presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS. Na época. na Universidade. contra a censura e pelo aprimoramento profissional. Moacir Pereira relembra que. como presidente do SJSC. debates. e tornava-se imperativo a formação de profissionais no estado. além dos jornalistas César Valente. personalidade marcante na renovação profissional do jornalismo catarinense especialmente na área do rádio. Participam desta vez os professores Aurora Goulart e Celestino Sachet. entre outros. que receberam apoio. Em 30 de junho. além da realização de seminários. é convidado para coordenar a implantação do curso de Jornalismo pelo então reitor da UFSC.

A primeira turma se formou em 1982. lança as bases da Frente Nacional de Luta por Políticas Democráticas de Comunicação. Segundo seu primeiro coordenador. Ao lado da formação científica e técnica. pela aprovação das leis federais de criação do Conselho de Comunicação Social. professor Moacir Pereira. dando início a um processo de resgate da ética na categoria e à formação de um novo conjunto de lideranças sindicais. 1983 O jornalista e professor da UFSC Ayrton Kanitz tem papel fundamental na articulação do MOS e foi o primeiro candidato à preJORNALISMO EM PERSPECTIVA 252 . profissionais e acadêmicas que assumiriam o SJSC seis anos mais tarde.o único estado do Sul do Brasil que não tinha ainda um curso superior de Jornalismo. que daria origem ao atual Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC): responsável. 1979 Começam as atividades do primeiro curso de Jornalismo do estado. entre outras conquistas posteriores. que ficou conhecido como uma faculdade “alternativa”. um dos primeiros professores do curso da UFSC e autor do livro “A história secreta da Rede Globo”. Os jornalistas catarinenses criam o MOS – Movimento de Oposição Sindical -. Com uma proposta pedagógica inovadora. consciência crítica e responsabilidade”. na UFSC. da TV a Cabo e da Radiodifusão Comunitária. nas eleições de 1987. influindo no rumo da categoria no estado até o final do século XX e começo do século XXI. deveria estar a formação política. nasceu durante a ditadura. mas comprometido com a democracia. 1982 O jornalista Daniel Herz. o lema era: “liberdade.

1986 A implantação do jornal “Diário Catarinense” em Florianópolis e nas cidades-pólo de Santa Catarina.sidência do Sindicato pelo movimento. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é redigido em 1985 e aprovado em congresso realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) no Rio de Janeiro. para a chapa da situação. 1984 Os professores e estudantes do curso de Jornalismo da UFSC participam ativamente do processo político do país. em 30 anos de história do prêmio. representa um novo desafio de competitividade no cenário da imprensa barriga-verde: induzindo a uma maior qualificação geral dos profissionais e do produto jornal. que colou grau em março de 1984. com a participação de delegados catarinenses. mas perde a eleição. que um jornalista conquistou um prêmio nacional com um trabalho publicado num veículo de comunicação fora do eixo Rio-São Paulo. 1985 O jornalista Celso Vicenzi recebe o Prêmio Esso de Informação Científica e Tecnológica. conectados on-line via intranet. contribuindo de forma decisiva e pioneira para o começo da campanha pelas Diretas Já em Santa Catarina. Foi a primeira vez. O MOS vence no primeiro turno. no segundo turno. cujo lema é adotado pela turma de formandos de 1983. com uma série de reportagens publicadas no jornal “O Estado”. estimulando a organização sindical dos jornalistas e renovando e intensificando a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 253 .

técnicos e acadêmicos voltados para a dignidade da categoria e aperfeiçoamento da profissão e da imprensa catarinense. também motivou a migração de jornalistas de outros estados como São Paulo. na década de 90. O modelo serve de referência. política e social de todo o estado. dá início à formulação e implementação de uma pioneira Política Pública de Comunicação que é reconhecida em 1994 pelo CNPq com o Prêmio José de Reis de Divulgação Científica.integração informativa. Morreu em Florianópolis. A criação do DC.para uma teoria marxista do jornalismo”. especialmente as integrantes do Fascom – Fórum de Assessores de Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Rio de Janeiro. dirigida pelo jornalista Moacir Loth. O professor do curso de Jornalismo da UFSC. dando início a uma gestão calcada em propostas e valores éticos. em 1988. além de ampliar o mercado para profissionais locais experientes e para os jovens formandos catarinenses. Adelmo Genro Filho. para outras instituições de ensino superior. incentivando uma movimentação e discussão em torno do fazer jornalístico. Florianópolis é a segunda cidade do país a receber (depois de São Paulo). Sua obra influenciou dezenas de teses sobre jornalismo em todo o país. Paraná e Rio Grande do Sul. 1987 O jornalista Celso Vicenzi é eleito presidente do SJSC pela chapa do MOS. uma das três maiores agências de fotojornalismo do mundo. publica sua dissertação de mestrado “O segredo da pirâmide . aos 37 anos. Genro Filho é considerado o virtual introdutor. da disciplina de Teoria do Jornalismo. no Brasil. cultural. A Agência de Comunicação da UFSC (Agecom). a exposição de fotografias “20 Anos da Gamma Presse Imagens”. com 2 mil fotógrafos em vários países que enviam fotos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 254 .

A exposição também é realizada em Blumenau e Chapecó. Luís Fernando Veríssimo e Reinaldo (da turma do Casseta e Planeta). Participam cerca de 300 jornalistas e alguns convidados estrangeiros. em parceria com o Conselho da Condição Feminina. integrado pelos irmãos Paulo e Chico Caruso. a exposição seguiu também para Blumenau. UFSC e Secretaria de Cultura e Esporte. e em Joinville. com mandato até 1993. nas duas cidades. Arquidiocese de São Paulo. Em Florianópolis. Organizada pelo SJSC na Galeria de Arte da Associação Catarinense de Artistas Plásticos. O SJSC traz a Florianópolis uma exposição internacional de cartazes sobre a paz.   1989 O SJSC traz a Florianópolis a exposição de fotos premiadas em 33 anos do Prêmio Esso de Jornalismo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 255 .   1988 O SJSC organiza a exposição Humor na Ilha e Humor em Joinville. O jornalista Celso Vicenzi é reeleito presidente do SJSC. com dezenas dos principais cartunistas do país. culminando com um show.   1990 O SJSC realiza em Florianópolis o 24º Congresso Nacional de Jornalistas. do Muda Brasil Tancredo Jazz Band. Joinville.a mais de 2 mil publicações internacionais. o mais importante do país. no Museu de Arte de Joinville. a exposição foi apresentada no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC). Chapecó e Gravatal.

realizado em Rio do Sul. A campanha se repete em 1997. A expansão ocorre com: o surgimento de novas estações de rádio no interior. O jornalista e advogado Moacir Pereira lança o livro “Imprensa & Poder . em Blumenau.A Comunicação em Santa Catarina”. Apufsc. como parte das ações da Agecom/UFSC. entre outros.Núcleo Organizado de Imprensa Sindical (SC) -. lança o texto “A imprensa no Sindicato Cidadão: uma reflexão sobre o exercício do jornalismo sindical”. Sinte. que tentava sistematizar as experiências na área e foi debatido em eventos no estado e no país. decidem pela filiação do Sindicato à Central Única dos Trabalhadores. inauguração da TV Coligadas.  São Francisco do Sul sedia o 1º Seminário Estadual sobre Ética Jornalística.   1992 Por iniciativa dos jornalistas Moacir Loth e Francisco Karam. e profissionalização (anos 80). modernização (anos 70). lançamento da TV Florianópolis. uma promoção do SJSC. A ação insere-se numa estratégia inédita de disseminação do tema e valorização do bom jornalismo e da qualificação profissional na imprensa e na mídia brasileiras. Sindprevs. democratização da comunicação e ética profissional. O NOIS . de 11 a 13 de outubro. a Agecom e a Fenaj imprimem e distribuem exemplares do Código de Ética da categoria a todos os profissionais e às faculdades e cursos de Comunicação e Jornalismo do Brasil. O encontro também debateu a Lei de Imprensa. estruturado especialmente pelos profissionais do Sinergia.1991 Profissionais de imprensa participantes do 1º Congresso Estadual dos Jornalistas. SEEB (Bancários). e o processo JORNALISMO EM PERSPECTIVA 256 . integrantes da Comissão de Ética do SJSC. Pereira divide em três fases distintas a evolução da imprensa catarinense: expansão (anos 60). Na obra.

Ainda conforme o autor. de um processo histórico: a subordinação . Ricardo Noblat. a presença do grupo de comunicação RBS.partidária. entre outros. o aperfeiçoamento dos profissionais. assim como o rádio. e de Nestor Fedrizzi. a profissionalização tem como principais causas a imparcialidade dos jornalistas Adolfo Zigelli. a nova concepção empresarial do setor. como Ricardo Kotscho. a eliminação da vinculação política nos meios. Além de palestras. o meio jornal era inexpressivo e ainda não conseguira se desvencilhar.de implantação da TV Cultura na Capital. no MASC. no radiojornalismo. que trouxe à Capital catarinense vários jornalistas de destaque dos principais veículos de comunicação do país.  O SJSC e o curso de Jornalismo da UFSC organizam o projeto Memória do Jornalismo. na qual dedica um capítulo a ques- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 257 . com mandato até 1996. José Hamilton Ribeiro e Washington Novaes. as fotos premiadas no InterpressPhoto 1992 – o maior concurso internacional de fotojornalismo. O SJSC traz a Florianópolis. o processo de abertura política e redemocratização do Brasil. e o aumento da concorrência entre os diversos veículos. o movimento de oposição sindical (MOS). a criação do curso de Jornalismo da UFSC. Neste período. 1995 O jornalista e professor Itamar Aguiar publica sua dissertação de mestrado “Violência e golpe eleitoral: Jaison e Amin na disputa pelo governo catarinense”.ou a linha editorial . cada participante gravou entrevista em vídeo sobre o exercício do jornalismo e o ofício do jornalista. no jornalismo impresso. 1993 O jornalista Sérgio Murillo de Andrade é eleito presidente do SJSC.

o caso do Sindicato dos Jornalistas e a “construção” da imagem. nos EUA. O jornalista é convidado a compartilhar sua experiência em palestras e even- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 258 . Neste período. à criação da seccional catarinense da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO). O jornalista Mário Xavier assume pioneiramente no Sul do Brasil. representa Santa Catarina e o Brasil.A imprensa de Desterro no século XIX”. A implantação do ombudsman de imprensa no ANC tem repercussões em outras esferas da vida catarinense.tões como a mídia na campanha. no Congresso Internacional da ONO (Organization of News Ombudsmen). UFSC e Universidad Católica Andrés Bello . UFRGS. segunda a autora. instrumento de política partidária”. em 1997 nos Supermercados Angeloni e. pela Editora da UFSC. A historiadora Joana Maria Pedro lança a obra “Nas Tramas entre o Público e o Privado . e exerce a função até agosto de 1997. em Florianópolis. em instituições como a Secretaria de Saúde e o CREA. nos próximos anos. dando origem. em setembro. em 2003. o controle pela elite. vida curta. A experiência do jornalista Mário Xavier como ombudsman passa a ser inserida como objeto de pesquisas universitárias por estudantes da UnB. 1996 O jornalista Sérgio Murillo é reeleito presidente do SJSC. UFPR. da Venezuela. em 1996.Facultad de Humanidades y Educación Escuela de Comunicación Social. UFRJ. já eram perceptíveis as principais características que marcariam o jornalismo catarinense até os anos 80 do século XX: “vinculação partidária direta ou indiretamente com o poder público. com mandato até 1999. e em 1996 são criados cargos de ouvidores na UFSC e na Celesc. a função de ombudsman de imprensa do jornal “A Notícia Capital” (ANC).

num debate nacional sobre os 30 anos da regulamentação da profissão de jornalista no país.tos. O jornalista Mário Xavier é convidado a escrever para o sítio do Instituto Gutenberg. o artigo é um dos incluídos pelos advogados da Fenaj no “agravo de instrumento” apresentado ao Tribunal Regional Federal de São Paulo para defender a regulamentação da profissão e contestar a medida da juíza paulista Carla Abrantkoski Rister.Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina. recolheu a edição e recolocou-a no mercado com outra capa. Em 2001. o SJSC. 1999 O jornalista Luis Fernando Assunção é eleito presidente do SJSC. Equador. com mandato até 2002. que tentava suspender a obrigatoriedade de formação superior para o exercício profissional do jornalismo. O livro é uma das poucas obras no país a refletir o conflito regional X global na TV. em conjunto com a Fenaj e a Agecom da UFSC. O jornalista Carlos Alberto de Souza lança pela Editora da Univali o livro “O fundo do espelho é outro”. sob a liderança do jornalista Moacir Loth. na edição nº 54 da Chasqui – Revista Latinoamericana de Comunicación. também direJORNALISMO EM PERSPECTIVA 259 . e a escrever o artigo “Los Ombudsmen de Prensa son necesarios? Por qué?”. A Editora da Univali. o artigo “A quem interessa ser contra o diploma?”. de Quito. O livro causou polêmica. atendendo a pedido da emissora. à época. 2000 De 2 a 5 de maio. onde analisa a condição da RBS TV de afiliada da TV Globo. editada pelo CIESPAL . porque trazia em sua capa uma arte que mesclava as marcas da Globo e da RBS. discutindo identidade regional e padrão nacional de produção televisiva.

organizam e realizam pela primeira vez fora do eixo Rio . defende a dissertação de mestrado “Perfil da Pequena Imprensa de SC”. 2001 O jornalista. um inédito trabalho de pesquisa e extensão denominado Monitor de Mídia. liderado pelos professores doutores José Marques de Melo e Francisco Karam. tornando-se referência acadêmica nacional como instrumento de crítica e aperfeiçoamento da imprensa. tendo como ponto de partida saber quantos jornais existiam no estado.preservando a memória e construindo a história dos 200 anos da Imprensa no Brasil. foram percorridos mais de seis mil quilômetros visitando pequenas redações e entrevistando empresários e jornalistas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 260 . então coordenador do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali. tem participação destacada na criação do projeto Rede Alfredo de Carvalho (Rede Alcar) . por intermédio da UFSC e de integrantes do SJSC. como eles estavam estruturados e vários outros temas de interesse. Santa Catarina. o 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico. O Monitor de Mídia faz o acompanhamento sistemático dos três maiores jornais diários do estado. professor e doutor em Comunicação Rogério Christofoletti implanta na Universidade do Vale do Itajaí (Univali).São Paulo . O jornalista e professor Mario Luiz Fernandes. avaliando criticamente sua cobertura noticiosa.Minas Gerais. junto ao Centro de Ensino Superior de Ciências Humanas e da Comunicação (CEHCOM). na PUC-RS: uma pesquisa inédita e de referência.tor da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). A ABJC era então presidida pelo jornalista Hamilton Ribeiro. e que inclui um sítio digital sob a responsabilidade de Clóvis Geyer e Vinicius Carvalho. Para traçar este perfil. Um dos resultados do evento foi a publicação do livro “Comunicando a Ciência”.

em 5/04/2001. ao ajudar a fundar e tornar-se o primeiro presidente da ABI. com apoio do curso de Jornalismo da UFSC. A Fenaj. lança o livro “Formação Superior em Jornalismo – uma exigência que interessa à sociedade”. jornalista Fernando Segismundo. Sua premissa é a de que o processo civilizatório ancora-se na capacidade de abstração intelectual dos componentes de qualquer sociedade humana.   2002 O jornalista Luiz Fernando Assunção é reeleito presidente do SJSC. com mandato até 2005.ninguém acreditava que fosse possível transformar o ofício noticioso numa profissão juridicamente reconhecida e socialmente legitimada”. contribuindo para o fortalecimento da nossa cidadania. impulsionara (o catarinense e desterrense) Gustavo de Lacerda a lançar as bases do associativismo jornalístico no país. fez alusão histórica afirmando que a utopia ali esboçada assemelhava-se ao sonho que. na sede da ABI (RJ). 2003 O SJSC promove e organiza o 14º Enjac (Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Imprensa) e o 4º Encontro dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação do Mercosul. obra que discute a importância do diploma e da formação superior na área. há um século. o presidente da entidade. Quando da constituição formal da Rede Alcar.A Rede Alcar propõe converter o século XXI no século da imprensa brasileira. O livro foi distribuído em todo o país. “Em 1908 – afirmou Segismundo . no qual avalia as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 261 . A jornalista e professora Maria José Baldessar lança o livro “A Mudança Anunciada” (Editoras UFSC e Insular). como carro-chefe da campanha da Fenaj pela afirmação do diploma.

Por proposição da ACI à Assembléia Legislativa. 42 anos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 262 . Nele. é eleito presidente da Fenaj. o Dia da Imprensa Catarinense. trabalha como professor do curso de Jornalismo do Ielusc.000 profissionais. Rogério Christofoletti lança o livro “Monitores da Mídia – Como o jornalismo catarinense percebe os seus deslizes éticos”. O livro é um dos poucos no país sobre o cotidiano dos jornalistas e sobre os impactos tecnológicos em suas rotinas de trabalho. O SJSC participa do Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Profissão de Jornalista com diversas atividades em todo o Estado. 2004 O jornalista catarinense Sérgio Murillo de Andrade. analisa vários dispositivos de aferição do comportamento profissional. em 1908. é instituído em Florianópolis o Fórum Catarinense de Acompanhamento da Mídia (FCAM). pela Lei nº 12. Todo o cidadão pode denunciar abusos na programação de rádio e TV. pelo telefone 0800-619 619. Ancorado no código de ética da categoria.946. braço catarinense da campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania. Há cinco anos. quase 100 anos após outro catarinense. ter se tornado o primeiro presidente da ABI. é mestrando na mesma universidade e diretor do SJSC. Com a participação do SJSC. em Joinville. Murillo formou-se pela UFSC em 1984. o Governo do Estado institui. aponta para a preocupação de como os jornalistas catarinenses avaliam seus procedimentos éticos no dia a dia das redações e das assessorias de imprensa. A Fenaj congrega 31 sindicatos de jornalistas de todo o País. Gustavo de Lacerda. que representam mais de 30. expresidente por duas vezes do SJSC.modificações sofridas pelos jornalistas catarinenses com a adoção do computador em suas rotinas de trabalho. estadual ou nacional. pela Editora da UFSC. como as comissões de ética dos órgãos da categoria e a figura do ombudsman (ouvidor).

O jornalista. O SJSC atua como co-promotor e co-organizador do 2º Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho e do 7º Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo. tendo como objeto de estudo o papel social e político da atividade jornalística. Para ele. “O Catarinense”. O jornal “Diário Catarinense” e o “Jornal de Santa Catarina” criam pioneiramente na imprensa estadual o “Conselho de Leitores”. atuando firmemente na defesa da categoria e da própria profissão. O Curso de Jornalismo da UFSC completa 25 anos. lutando pela democracia e justiça social. editores e executivos do jornal para fazer críticas e sugestões. Karam mostra que a informação diária de qualidade. É lançado.comemorado anualmente em 28 de julho: data em que circulou em Desterro o primeiro jornal da Província de Santa Catarina. e que tinha como slogan “Sentinela da Liberdade”. em ato público na Assembléia Legislativa. 2005 O SJSC completa seus 50 anos. professor do curso de Jornalismo da UFSC e doutor Francisco Karam lança o livro “A Ética Jornalística e o Interesse Público”. em Florianópolis. é essencial para a democracia e para a consolidação e a manutenção da cidadania. os princípios que regeram a atividade no século XX buscaram estabelecer um estreito vínculo entre a ética profissional e o interesse público. e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 263 . editado pelo lagunense Jerônimo Francisco Coelho. estando presente na vida social e política do país. o Comitê Catarinense de Apoio à Criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). produzida por profissionais íntegros e competentes. uma modalidade de monitoramento público da qualidade e do conteúdo da imprensa executada com a participação não-remunerada de nove leitores que se reúnem a cada 20 dias com o editor-chefe.

integrem a categoria profissional. PUC-RS. Moacir Loth. UFRGS. Instituto Gutenberg. ACI/Casa do Jornalista. Fontes consultadas ABI. com o objetivo de oferecer ao leitor um panorama do jornalismo praticado em SC nas últimas cinco décadas. Sílvio da Costa Pereira. Celso Vicenzi.destacando-se na luta pela democratização da comunicação no Brasil. Rede Alcar. Antunes Severo. Rogério Christofoletti. Podem se associar ao SJSC todos os profissionais que. Sérgio Luiz Casares Pinto. Luiz Paulo Fedrizzi. Univali. Elaine Borges. por atividade prevista na legislação que regulamenta a profissão. É lançado pelo SJSC o livro “Jornalismo em Perspectiva”. Flávio de Sturdze. Fenaj. SJSC. Moacir Pereira. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 264 . Nei Manique. Francisco Karam. UFSC/Departamento de Jornalismo. Maria José Baldessar.

O traço do jornalismo catarinense JORNALISMO EM PERSPECTIVA 265 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 266 .

No outro dia. Explicar esse trabalho em palavras é difícil. buscando a síntese. No caso das charges e cartuns. então. O chargista. o humor dá a dimensão precisa da crítica. mas representativa amostra do talento e da inteligência desses jornalistas. rabisca caprichosamente a gag e preenche o espaço na página do jornal. A ilustração também assume papel cada vez mais relevante no noticiário cotidiano. a charge provocará gargalhadas e ranger de dentes. O alto apuro estético. Tarefa ingrata é a do chargista que vasculha nas folhas do tempo vestígios que podem levá-lo à melhor piada. o equilíbrio. desenhos e croquis são mais uma ferramenta informativa na edição. Sem fazer esforço. para tornar os conteúdos mais compreensíveis. Há ainda nomes premiados como Samuel Casal e obras originais como a de Sandro ou a de Fábio Abreu. A imprensa cotidiana é diariamente abastecida com trabalhos que não só sintetizam situações e personagens como dão graça e leveza ao noticiário. a melhor tradução imagética de palavras e ações. a noção de espaço e a precisa exploração das páginas auxiliam os profissionais que fazem de curvas. vai começar tudo de novo.Apresentação O jornalismo catarinense é pródigo também no humor gráfico. Infográficos. cores e formas o seu vocabulário diário. melhor é virar a página e encontrá-lo numa curta. e em pouco tempo se perderá na memória do público. Quando nela chega. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 267 . na ilustração e nas diversas formas de expressão do traço. é possível lembrar nomes de expressão nacional em diversas gerações: de Clóvis Geyer e Bonson a Frank e Zé Dassilva. da interpretação do fato e de sua relação com demais acontecimentos.

10 de fevereiro de 2004 “A Notícia” .13 de outubro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 268 .Bonson “A Notícia” .

“A Notícia” .15 de julho de 2004 “A Notícia” .27 de setembro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 269 .

Fábio Abreu “A Notícia” 26 de agosto de 2001 “A Notícia” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 270 .

“A Notícia”6 de agosto de 2003 “A Notícia” .20 de abril de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 271 .

abril de 2000 “A Notícia” .7 de fevereiro de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 272 .Frank “A Notícia” .

15 de fevereiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 273 .2 de junho de 2001 “A Notícia” .“A Notícia” .

Samuel Casal “Diário Catarinense” 16 de março de 2002 “Diário Catarinense” 22 de agosto de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 274 .

“Diário Catarinense” 24 de agosto de 2003 “Diário Catarinense” .17 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 275 .

2002 “A Notícia” .Sandro “A Notícia” .2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 276 .

2004 “A Notícia” .“A Notícia” .2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 277 .

Zé Dassilva “Diário Catarinense” .6 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 278 .29 de outubro de 2002 “Diário Catarinense” .

“Diário Catarinense” .30 de novembro de 2003 “Diário Catarinense” .11 de janeiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 279 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 280 .

com/art2/sergiobonson email: bonson@tecnohelp. no “finado” jornal “O Estado”. Áureo Mafra de Moraes – Natural de Brusque (SC).br JORNALISMO EM PERSPECTIVA 281 . onde exerce a função de editorialista há 25 anos. Desde maio de 2004. Bonson nasceu em 13/11/49. pela UDESC. expôs na França em 91 na cidade Bonson. Depois. onde já exerceu as funções de Chefe do Departamento de Jornalismo e Diretor da Assessoria de Comunicação. romance. jornalista formado pela UFSC em 1987. Foi diretor do Arquivo Histórico e da Biblioteca Pública de Joinville. passou por emissoras de TV. crônica e teatro. atuou como diretor de programas políticos e desde 1993 é professor do Curso de Jornalismo da UFSC. sul da França.Trabalhou na Folha e no Estadão em 84 e 85.com. Até maio de 04. iniciou profissionalmente em rádio em 1984 como locutor e repórter. Como aquarelista e desenhista. jornais. como chargista em “A Notícia”.Os autores se apresentam Andressa Braun é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. é formado em História e Direito e tem Mestrado em Cultura e Educação. Apolinário Ternes – Jornalista e historiador.angelfire. Atua em “A Notícia” desde l970. É autor de 23 livros dedicados à história regional. assessora de comunicação e pesquisadora da Rede Alfredo de Carvalho. Seus trabalhos podem ser vistos no site www. Na imprensa como cartunista desde 74. ocupa a Chefia do Gabinete do Reitor.

Em Florianópolis. Profissional do desenho desde 92. exerci praticamente todas as funções previstas na definição profissional do Jornalismo. 1998) e “Aninha virou Anita” (A Notícia.Álvaro Ventura e o PCB catarinense” (Paralelo 27. Sou sócio-diretor de uma empresa de serviços de jornalismo e comunicação (Multitarefa Ltda. em Laguna (SC). coordenou a Editoria de Política do “Diário Catarinense” e foi repórter do “Jornal de Santa Catarina”. É acadêmico de História da UDESC. entre outros. como Assessor de Informação da Secretaria da Administração. Ocupo um cargo de confiança no governo do estado de Santa Catarina. César Valente – Jornalista desde 1972 e florianopolitano desde 1953. em jornal. Trabalhei em Florianópolis. o jornal “O Estado” e o governo federal (UFSC e EBN). Fábio Abreu – Nascido em 1964. e também participou do livro “Hercílio Luz – Uma ponte” (Tempo Editorial). Também integrou a equipe da Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. sou carioca de origem com sólida formação em Bahia. Os principais empregadores foram a TV Gaúcha. 1995). a Gazeta Mercantil. brincava de fazer história em quadrinhos.A esquina do Atlântico” (Garapuvu. Paulo” em Santa Catarina por mais de duas décadas. trabalhei no JORNALISMO EM PERSPECTIVA 282 . 1999). Elaine Borges foi correspondente do jornal “O Estado de S. “Farol de Santa Marta . Vivo em Joinville desde 1995. nascido em 23 de novembro de 1955. É co-autora do livro “Vozes da Lagoa” (editado pela Fundação Municipal de Cultura Franklin Cascaes). “O Estado” e “Jornal da Semana”. atua no jornalismo desde 1976.Celso Martins da Silveira Júnior. São Paulo e Brasília. Nos primórdios.). É autor de “Os Comunas . 7 de Novembro. e repórter especial da sucursal do jornal “A Notícia” em Florianópolis. Fez parte do Movimento de Oposição Sindical e integrou duas vezes a Comissão de Ética do SJSC. Porto Alegre.

é autor dos livros “Jornalismo. caricaturas. na página dois do jornal “A Notícia” faz oito anos. onde publi-cou as primeiras tirinhas. Trabalhou no jornal “A Razão” e na sucursal da Empresa Jornalística Caldas Júnior (“Correio do Povo” e “Rádio Guaíba”) e atuou como repórter fotográfico freelancer  para vários jornais do RS. Em Florianópolis. de Joinville. Ética e Liberdade” e “A Ética Jornalística e o Interesse Público”. iniciou a carreira docente no curso de Jornalismo da UFSC atuando nas áreas de Redação Jornalística e Planejamento Gráfico.“Bahia Hoje”.SBPJor. onde sou Editor de Arte. faço ilustrações. e hoje está no Ielusc. virou Frank Maia na faculdade de Jornalismo da UFSC (1986) e arredondou para apenas FRANK. Lecionou. No mesmo período. Pai da Luiza. Integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo . sua empresa. adoro ficar com ela e gosto de jogar futebol e tomar cerveja com os amigos. veio morar em Florianópolis em 1979. de Salvador e em “A Notícia”. infografias e desenho umas páginas. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo. os dois pela Summus (SP). editou o fanzine “Futio Indispensável” e é ilustrador freelancer pela Traça Editorial. também. Passou pelo jornal “O Estado”. onde colaborou no suplemento “O Estadinho”. Gastão Cassel é jornalista formado na Universidade Federal de Santa Maria em 1986. Foi assessor de imprensa da CUT/RS. Sócio da Quorum Comunicação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 283 . Nascido Frank Luiz Maia Bretas em 29 de abril de 1967. em Nilópolis (RJ). na Univali. Lá. trabalhou oito anos na assessoria de comunicação do Sindicato dos Eletricitários. Francisco José Castilhos Karam é jornalista e professor no Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. a ordem dos fatores depende do dia. onde criou e editou o semanário “Linha Viva”.

professor do Curso de Jornalismo do Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus/Ielusc (de Joinville). é professor do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajai (Univali). Na UFSC. Mario Luiz Fernandes – Natural de Jonville (SC). e diretor da Quorum Comunicação (em Florianópolis). onde iniciou no jornalismo aos 16 anos. em Porto Alegre (RS). Foi repórter do jornal “A Notícia” e editor dos semanários “Evolução” (São Bento do Sul) e “O Município” (Brusque). Maria José Baldessar é professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. coordenou projetos de extensão como Universidade Aberta. Foi secretária-geral do SJSC por duas gestões e atualmente integra a Comissão de Ética da entidade. Jacques Mick é jornalista. pelas mãos do jornalista Nes- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 284 . é especialista em Marketing pela UDESC/ESAG. atuando como auxiliar de redação e posteriormente como repórter na sucursal do “Jornal de Santa Catarina”. Fazendo Rádio na Escola e implantação da rádio Ponto. em Blumenau. É mestre e doutorando em Comunicação Social pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Desde 1995. além de ministrar aulas. doutoranda da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e mestre em Sociologia Política. Trabalhou nas TVs Barriga Verde e Cultura e depois em assessoria de imprensa. doutor em Sociologia Política (UFSC). Cursou Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) entre 1986 e 1989. Conheceu SC no começo dos anos 70. Mário Xavier Antunes de Oliveira nasceu em 02/05/1956.agência especializada em comunicação e marketing institucional que atua no mercado há dez anos. visitando o jornal Santa.

tor Fredrizzi. assessoria. “O Estado de S. pelo jornalista catarinense Políbio Braga. conselheiro da Fenaj e da UCBC. Depois de uma bolsa de estudos culturais nos Estados Unidos. em 1982. Paulo”. Trabalhou também como assessor de imprensa de entidades públicas e privadas e como professor universitário. Criador da Redactor. em 1974/75. Moacir Pereira . atua hoje como empreendedor independente. sua Comissão de Ética. De 1995 a 1997. da Universidade Federal de Santa Catarina. colunista político. na região de New York. “O Estado”. Em 1985. Foi repórter. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 285 . chefe de reportagem. prestando serviços de consul-toria. tornou-se o 1º ombudsman de imprensa catarinense. Escreveu como freelancer para jornais e revistas como “Veja”.Ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas de SC. pesquisa. fundador e primeiro coordenador do Curso de Jornalismo da UFSC. presta assessoria de imprensa para o Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e região e para as intersindicais dos eletricitários de Santa Catarina (Intercel) e do Sul do Brasil (Intersul). “Diário Catarinense”. “Isto ɔ. Graduou-se Bacharel em Comunicação pela UFRGS. redação e edição de conteúdos. nos anos 90. filiando-se ao SJSC e vindo a integrar. Já trabalhou em jornais como “Zero Hora”. membro da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e autor de 21 livros sobre jornalismo. política e comunicação. editor e colaborador na imprensa escrita. “O Globo”. é jornalista graduada em Jornalismo Gráfico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem mestrado em Mídia e Conhecimento pela Engenharia de Produção e Sistema. foi iniciado na profissão em 1980. Desde 1991. Prêmio Nacional de Comunicação Luiz Beltrão (Intercom). Marli Cristina Scomazzon tem 48 anos. radicou-se em Florianópolis. “Jornal de Santa Catarina” e na RBS TV.

Na década de 70. Também foi repórter e editora de revistas especializadas. Regina Zandomênico – formada em Comunicação Social – habilitação Jornalismo pela UFSC e mestre em Engenharia de Produção. Carlos Heitor Cony. foi repórter da “Última Hora” de Porto Alegre. Róger Bittencourt – 38 anos. foi redator da revista “Manchete”. atua em Santa Catarina há 18 anos. Na década de 60. meio ambiente e índios guarani. além de entidades privadas. onde sofreu pressão do AI-5 por entrevista–bomba de um general. foi sub-secretário da Sucursal Rio da “Folha de S. Foi repórter e editor de Política do “Diário Catarinense” e editor de Geral do DC. em Florianópolis. Regina lecionou nos cursos de Jornalismo da UFSC e do Ielusc e atualmente é professora e coordenadora da agência de notícias da Faculdade Estácio de Sá em Santa Catarina. voltou para Santa Catarina. Depois. Ocupou o cargo de secretário de Comunicação do Estado e hoje é diretor da FábriJORNALISMO EM PERSPECTIVA 286 . onde escreveu vários livros sobre a Guerra do Contestado. Record e foi assessora de imprensa na Assembléia Legislativa de Santa Catarina e do Governo do Estado.Paulo” a convite de Cláudio Abramo. ao lado de Nilson Lage. trabalhou na RBSTV. Começou a carreira há 17 anos na extinta Rádio União FM.Paulo Ramos Derengoski é lageano. ainda menor. Atualmente. onde se destacou com a matéria “Sabonete Fugiu Pela Porta Escura da Morte” sobre um preso comum. Na década de 80. Salim Miguel e outros. jornalista formado pela PUC-RS. tem coluna semanal no “Diário Catarinense” e colabora com outros jornais do país. Atuou como professor nos cursos de Jornalismo da UFSC e da Univali. Trabalhou como chefe de reportagem e editor-chefe de Jornalismo na RBS-TV em Santa Catarina. na área de Mídia e Conhecimento. Barriga Verde. sobre grandes pintores.

10. É mestre em Lingüística pela UFSC e doutor em Ciências da Comunicação pela USP Professor do curso . e integra duas coletâneas de contos. Atualmente. “Exame Info”. Paulo” entre outras. de Jornalismo da Univali. 9. 30 anos. é vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. ganhou o Troféu HQmix como Desenhista Revelação e em 2003 venceu o XI Salão de Desenho para Imprensa. Ragú 5 e no catálogo da exposição ConSeqüências (Madri/Espanha). “Mundo Estranho”. Rogério Christofoletti – Paulista radicado em Santa Catarina há oito anos. um na Banheira e Ninguém no Gol”. Paraná e Santa Catarina. “Macmania”. Já atuou em jornais e revistas de São Paulo. “Você S/A”. Desde 2002. UnC Concórdia e leciona atualmente na Faculdade Concórdia. é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Comunicação pela Universidade Metodista. Em 2001. é Editor de Arte do “Diário Catarinense”. “Folha de S.ca de Comunicação. e ilustrador  freelancer. 45. Rubens Lunge. e também trabalhou como assessor de imprensa. é jornalista desde 1991.dois de contos e um de poesia . Samuel Casal. 11. em Florianópolis. tem três livros publicados . é autor de dois livros: “O discurso da transição” (2000) e “Monitores de Mídia .como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos” (2003). “Superinteressante”. Foi professor na UnoChapecó. na categoria Histórias em QuaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 287 . 12 e 14. na coletânea “10 na Área. Casal também é quadrinista e suas hqs já  foram publicadas nos álbuns Front 8. é ilustrador profissional desde 1990. Escritor. empresa de assessoria de imprensa com atuação estadual e nacional. É diretor do Sindicato dos Jornalistas de SC e reside em Concórdia. já tendo colaborado com várias publicações nacionais como “Caros Amigos”.

Zé Dassilva nasceu em Criciúma. Xuxa. e lá fiquei até 2005. Formou-se em jornalismo na UFSC aos 20 anos e lançou. Gente Inocente. escreveu para os programas Sai de Baixo.com e www. Em 2004. Sandro Luis Schmidt. dois anos mais tarde. como melhor Desenhista Nacional. Desde 1998 é chargista do “Diário Catarinense”. o Monkey News. onde é roteirista desde 2000. natural de Joinville. mando charges pro site do Zé Simão. com o Xerocs Porcoration. o livro “Histórias que a Bola Esqueceu”. arquiteto. Comecei a carreira como chargista e quadrinhista no jornal “A Notícia” em 1988. já colaborei com a revista MAD e com o PASQUIM21. no último dia do ano de 1973. chargista.br. 36 anos. Participo dos sites www.drinhos. de onde seus cartuns já foram pinçados para republicação em veículos como “Veja”. que depois rendeu um documentário dirigido por ele. recebeu Menção Honrosa na categoria  Ilustração Editorial também no Salão Internacional de POA e mais três  troféus HQmix. “Zero Hora” e “O Globo”. Também escreveu duas biografias institucionais.com. Também produziu cartuns animados para o canal SporTv e vinhetas para a TV Globo.cybercomix. Lá. Casseta & Planeta. Turma do Didi e Globo Ciência.patodelaranja. como ghost-writer. eventualmente. Ilustrador Nacional e pelo melhor Fanzine. “Pasquim 21”. uma reportagem sobre o lendário time de futebol Metropol. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 288 .