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JHENNIFER VALE TAQUES

ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS DELTÓIDE E TRAPÉZIO SUPERIOR


EM PACIENTES COM LESÃO MEDULAR INSERIDOS EM UM PROGRAMA DE
REABILITAÇÃO

Artigo apresentado como Trabalho de


Conclusão de Curso de Fisioterapia da
Universidade de Franca.
Orientador: Prof. Almir Resende Coelho.

FRANCA
2010
2

ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS DELTÓIDE E TRAPÉZIO SUPERIOR


EM PACIENTES COM LESÃO MEDULAR INSERIDOS EM UM PROGRAMA DE
REABILITAÇÃO

ELECTROMYOGRAPHIC ANALYSIS OF DELTOID AND TRAPEZOID MUSCLES


SUPERIOR IN PATIENTS WITH SPINAL CORD INSERTED INTO A PROGRAM
REABILITATION

Jhennifer Vale Taques 1


Almir Resende Coelho2

RESUMO

Introdução: A lesão medular (LM) é uma das formas mais graves dentro das síndromes incapacitantes,
sendo um desafio para a reabilitação, pois a medula espinhal é uma via de comunicação entre diversas
partes do corpo com o cérebro e também um centro regulador, que controla importantes funções
fisiológicas. A eletromiografia (EMG) tem sido utilizada como instrumento de estudo da função
muscular, sendo empregada na análise da atividade muscular e no estabelecimento do papel dos
músculos e atividades específicas. Assim, o estudo eletromiográfico pode auxiliar nos estudos sobre a
ação muscular e as possibilidades de maiores ganhos funcionais em um programa de reabilitação.
Objetivo: verificar as diferenças na atividade eletromiográfica dos músculos deltóide e trapézio
superior entre indivíduos saudáveis e pacientes com lesão medular inseridos em um programa de
reabilitação direcionado. Material e Método: o estudo foi previamente aprovado pelo CEP nº 0044/10.
Fizeram parte deste estudo 6 sujeitos saudáveis, grupo controle (G1), e 6 sujeitos com (LM), grupo
estudo (G2),com seqüela de plegia de membros inferiores (lesão entre T4 e T12), inseridos no
programa de reabilitação, do setor de neurologia da Universidade de Franca. Para a avaliação, aplicou-
se os eletrodos nas musculaturas: deltóide e trapézio superior bilaterais. Os sinais foram captados com
utilização de eletrodos de superfície e registrados em um eletromiógrafo (EMG System do Brasil
Ltda.®). Os valores numéricos de RMS (root mean square) foram normalizados em termos de
porcentagem da contração isométrica voluntária máxima para cada sujeito. Para análise estatística, das
diferenças entre os grupos, foi utilizado o teste T de Student, com nível de significância estatística
aceita de p ≤ 0,05. Resultados: foram observados aumentos nos sinais eletromiográficos do G2 quando
comparados a atividade eletromiográfica dos mesmos músculos para o G1 para o músculo Deltóide
(275,50 mV ± 57,63 X 224,33 mV ± 36,09, p = 0,048) e Trapézio (209,50mV ± 39,61 X 173,50mV ±
20,75, p = 0,038) sendo a diferença estatisticamente significante em ambos os músculos. Conclusão: a
atividade muscular aumentada nos músculos avaliados, de pacientes com LM, pode ser identificada
como resultado da eficiência do programa de reabilitação direcionado e também de uma maior
solicitação destes nas transferências diárias de tais pacientes e atividades de vida diária.

Palavras- chave: Plegia, eletromiografia, reabilitação


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ABSTRACT

Introduction: Spinal cord injury (SCI) is one of the most severe forms of disabling syndromes, and a
challenge for rehabilitation, because the spinal cord is a channel for communication between different
parts of the body with the brain and also a central regulator, which controlling important physiological
functions. Electromyography (EMG) has been used as a tool to study muscle function, being used in
the analysis of muscle activity and the establishment of the role of muscles and activities. Thus, the
study may help in electromyographic studies of muscular action and the potential for greater functional
gains in a rehabilitation program. Objective: To investigate the differences in electromyographic
activity of upper trapezius and deltoid muscles among healthy subjects and patients with spinal cord
inserted into a rehab program directed. Methods: The study was approved by the CEP No 0044/10.
This study was six healthy subjects, control group (G1) and 6 subjects (LM), group (G2), with sequelae
of lower limb plegia (injury between T4 and T12) placed in the rehabilitation program, the sector of
neurology at the Universidade de Franca. For the assessment was applied to the electrodes in the
muscles: deltoid and upper trapezius bilaterally. The signals were obtained using surface electrodes and
recorded on an electromyography (EMG System do Brazil Ltda. ®). The numerical values of RMS
(root mean square) were normalized in terms of percentage of maximal voluntary contraction for each
subject. Statistical analysis of differences between groups was performed using the Student t test, with
statistical significance accepted at p ≤ 0.05. Results: there were increases in electromyographic signals
from G2 compared the electromyographic activity of these muscles for the G1 to the Deltoid muscle
(275.50 ± 57.63 mV mV X 224.33 ± 36.09, p = 0.048), and Trapezium (209.50 ± 39.61 mV mV X
173.50 ± 20.75, p = 0.038) with the difference being statistically significant in both muscles.
Conclusion: The increased muscle activity in the muscles evaluated in SCI patients can be identified as
a result of the efficiency of the rehabilitation program and also directed the greater demands of the
daily transfers of such patients and daily activities.

Keywords: plegia, electromyography, rehabilitation

______________________________________________________________________
1- Graduanda em Fisioterapia. Universidade de Franca – UNIFRAN.
2- Fisioterapeuta, docente do curso de Fisioterapia. Universidade de Franca – UNIFRAN.
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INTRODUÇÃO

A lesão medular (LM) é uma das formas mais graves dentro das síndromes incapacitantes, sendo
um desafio para a reabilitação, pois a medula espinhal é uma via de comunicação entre diversas partes
do corpo com o cérebro e também um centro regulador, que controla importantes funções como
respiração, circulação, bexiga, intestino, controle térmico e atividade sexual (LIANZA, 2001;
BENAVENT, 2003).
Várias patologias podem comprometer a coluna vertebral e ter como conseqüência a lesão
medular: congênitas, traumáticas, degenerativas, tumorais, infecciosas, doenças neurológicas,
sistêmicas e doenças vasculares. (GREVE, 2001)
A lesão medular aguda (LMA), na maioria das vezes, está relacionada ao trauma, 45% acidentes
de trânsito, 20% quedas, 15% traumas esportivos, 15% atos de violência e 5% miscelânea, que pode ser
representada por uma doença degenerativa da coluna vertebral, isquemia das artérias medulares,
inflamação medular, uma neoplasia rapidamente expansiva, uma massa piogênica (GHEZZI, 2001;
GUPTA, 2003).
O campo do biofeedback tem testemunhado um crescimento e um amadurecimento significativos
nesta década e, hoje, há um grande número de distúrbios para os quais o biofeedback tem sido
utilizado. Tem-se constatado que todos os grandes centros de reabilitação usam técnicas de biofeedback
em alguma medida (GOLDSMITH, 1985). Várias pesquisas reportando resultados consistentemente
positivos consolidaram o valor do biofeedback no tratamento de diversos diagnósticos. Há várias
publicações de experiências relatando amplo uso da técnica do biofeedback em reabilitação de
pacientes com diversas patologias e lesões neurológicas, tais como lesão medular, acidente vascular
cerebral, traumatismo crânio-encefálico e paralisia cerebral (BOOKER, RUBOY e COLEMAN, 1969;
BRUCKER, 1980; CARROBLES, 1983; DEBACHER, 1989).
Atualmente, a eletromiografia (EMG) é empregada na avaliação do alcance da doença
neuromuscular ou do traumatismo, e como um instrumento cinesiológico para estudo da função
muscular (O´SULLIVAN, 1993). Eletromografia é uma técnica de monitoramento da atividade elétrica
das membranas excitáveis, representando a medida dos potenciais de ação do sarcolema, como efeito
de voltagem em função do tempo. O sinal eletromiografico (EMG) é a somação algébrica de todos os
sinais detectados em certa área, podendo ser afetado por propriedades musculares, anatômicas e
fisiológicas, assim como pelo controle do sistema nervoso periférico e a instrumentação utilizada para a
aquisição dos sinais (ENOKA, 2000).
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O feedback eletromiográfico mensura a atividade elétrica dos músculos esqueléticos, a qual


expressa o grau de contração ou relaxamento dos mesmos. A utilização desta técnica em reabilitação de
pacientes com lesão medular incompleta tem apontado ganhos motores significativos ainda que, muitas
vezes, isto não signifique recuperação total e sim, algum ganho funcional (GOLDSMITH, 1985).

Objetivo

Verificar as diferenças na atividade eletromiográfica dos músculos deltóide e trapézio superior


entre indivíduos saudáveis e pacientes com lesão medular inseridos em um programa de reabilitação
direcionado.

Material e Método

O estudo é exploratório do tipo descritivo, na qual foi previamente aprovado pelo comitê de
ética em pesquisa da Universidade de Franca sob o protocolo de n. 0044/10, no ano de 2010. O
experimento foi realizado no Laboratório de Eletromiografia inserido no Centro de Diagnóstico
Funcional da Clínica de Fisioterapia da Universidade de Franca.

Amostra

Foram selecionados 6 sujeitos, triados na clínica escola de Fisioterapia da UNIFRAN, com o


diagnóstico de lesão medular média baixa, sendo 5 homens e 1 mulher com idade entre 25 – 40 anos,
com seqüela de paraplegia e 6 sujeitos normais, sendo 5 homens e 1 mulher, com idade entre 20 – 40
anos. Realizamos avaliação músculo-esquéltica, na qual foram tomados como critério de exclusão
todos os indivíduos com algum grau de déficit motor nos membros superiores e musculatura de tronco.
Antecedendo o exame físico e a aquisição dos dados, os indivíduos foram informados sobre a
proposta e os procedimentos a serem adotados durante os testes e assinaram o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido, de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

Instrumentação

Para a captação do sinal eletromiográfico foi utilizado um sistema de aquisição com 8 canais
(EMG System do Brasil Ltda.®), filtro do corte passa-banda de 20-500 Hz, com ganho de amplificação
de 1000 vezes e modo comum de rejeição de 120 dB. Para a aquisição dos dados foi utilizado o
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software WinDaq (dataq Instruments®), digitalizados por placa de conversão A/D (analógico-digital)
com 16 bits de resolução e sinais com freqüência de 2 kHz. Esse sistema é composto por eletrodos
bipolares ativos com ganho de 20 vezes.

Procedimento experimental

Na coleta do sinal utilizamos eletrodos auto-adesivos circulares de prata-cloreto de prata


(Ag/AgCl) descartáveis, com diâmetro de 10mm (Medical Trace), e distância intereletrodos centro a
centro de 20 mm. A atividade elétrica dos músculos Deltóide e Trapézio foram feita com base no
registro eletromiográfico dos músculos citados. Em relação ao local de fixação do eletrodo de
superfície foram utilizados os parâmetros do SENIAM, após tricotomia e limpeza da pele com álcool
70%. Como referência, foi utilizado um eletrodo terra, fixado na pele sobre a crista ilíaca do osso do
quadril no lado direito. Por ser considerado um ponto de referência ideal (CLARK; HOLT; SINYARD,
2003; VAZ; GUIMARÃES; CAMPOS, 1991; WILLET et al., 2001).
Os pacientes permaneceram sentados, com flexão de quadril e joelho a 90º e mantendo o tronco
estável. Foi solicitado, então, contração isométrica em posição máxima dos músculos Deltóide e
Trapézio.
Para controlar a amplitude do movimento de abdução foi utilizado um eletrogoniômetro (EMG
System do Brasil Ltda.®), com suas hastes fixadas por faixas com velcro, sendo que a haste móvel
permaneceu alinhada com a linha médio-lateral do úmero, a haste fixa, paralela aos processos
espinhosos das vértebras, e o centro alinhado com a face posterior do acrômio. Esse equipamento
interagiu de forma conjugada com o sistema de aquisição de sinais eletromiográficos, informando a
posição articular do ombro durante o movimento de abdução no plano da escápula. A atividade
eletromiográfica das porções clavicular, acromial e escapular do músculo deltóide durante a abdução
em contração isométrica com esforço máximo foi gravada durante 10 segundos.

Processamento e análise dos dados

Para a normalização dos dados eletromiográficos, foi utilizada a média dos valores obtidos em
três coletas com contração voluntária máxima (CVIM), utilizando-se o teste de função muscular
sugerido por Kendall (1993). O tempo de coleta para cada porção muscular foi de 10 segundos, sempre
respeitando um intervalo de descanso de 2 minutos entre cada coleta, para evitar os efeitos da fadiga.
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Para a quantificação da atividade elétrica foi utilizada a Raiz Quadrada da média do sinal (
Root Mean Square – RMS), em μV. Os valores de RMS obtidos foram normalizados em relação aos
valores de RMS obtidos na atividade de CIVM e multiplicados por 100, de acordo com Hanten e
Schulthies (1990) e, portanto, encontram-se expressos em porcentagem.
Os resultados foram expostos sob a forma de média e desvio padrão para a análise estatística, da
diferença entre os grupos, foi utilizado o teste T Student com nível de significância de p ≤ 0,05.

RESULTADOS

Durante o período de estudo, 12 indivíduos foram avaliados seguindo o protocolo da


eletromiografia. Os dados obtidos através do eletromiógrafo podem ser analisados seguindo as tabelas
1 e 2 abaixo.

Tabela I – Dados referentes ao músculo deltóide e trapézio do grupo controle

Sujeitos Deltóide Trapézio

A 219 186
B 290 183
C 184 193
D 234 164
E 212 179
F 207 136
Média 224,33 173,50
Desvpad 36,09 20,75
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Tabela II – Dados referentes ao músculo Deltóide e Trapézio do grupo estudo

Sujeitos Nível da Lesão Deltóide Trapézio


G T10 341 271
H T4 301 175
I T10 187 198
J T11 227 211
L T9 284 237
M T12 313 165
Média 275,50 209,50
Desvpad 57,63 39,61

Na variável contração isométrica voluntária máxima, para o músculo deltóide, obtivemos uma
média de 224,33 ± 36,09 para o grupo controle e 275,50 ± 57,63 para o grupo de pacientes com lesão
medular, na qual não demostraram significância estatística, quando comparados ao grupo controle
(tabela3).
Já na variável contração isométrica voluntária máxima, para o músculo trapézio, obtivemos uma
média de 173,50 ± 20,75 para o grupo controle e 209,50 ± 39,61 para o grupo de pacientes com lesão
medular, na qual demostraram significância estatística, quando comparados ao grupo controle com p=
0,05 (tabela3).

Tabela III – Comparação dos resultados

Grupo Estudo Grupo Controle


Variáveis N6 N6 p*

Média DP Média DP

Deltóide (μV) 275,50 ± 57,63 224,33 ± 36,09 0,07

Trapézio (μV) 209,50 ± 39,61 173,50 ± 20,75 0,05*

*Significativamente menor entre os grupos estudados, de acordo com t de student, p≤ 0,05.


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Os resultados do presente estudo demonstram que o grupo de pacientes com lesão medular
possui uma maior atividade eletromiográfica dos músculos deltóide e trapézio quando comparado com
o grupo controle conforme visto na (Figura 1).

Figura I – Diferença entre o grupo de estudo e grupo controle

DISCUSSÃO

A contração muscular e a produção de força são provocadas pela mudança relativa de posição
de várias moléculas ou filamentos no interior do arranjo muscular. O deslizamento dos filamentos é
provocado por um fenômeno elétrico conhecido como potencial de ação. O potencial de ação resulta da
mudança no potencial de membrana que existe entre o interior e o exterior da célula muscular. O
registro dos padrões de potenciais de ação é denominado eletromiografia. O registro por si só
denomina-se eletromiograma (EMG). A eletromiografia registra um fenômeno elétrico que está
casualmente relacionado com a contração muscular (KUMAR e MITAL, 1996).
A eletromiografia é um dos métodos clássicos utilizados para registrar a atividade de um
determinado músculo. A eletromiografia pode ser dividida em dois tipos, seguindo a seguinte
classificação: Eletromiografia de profundidade: os eletrodos são colocados no interior do músculo, em
contato direto com as fibras musculares. Este tipo de registro não é representativo quando o objetivo é
estudar a atividade global de um músculo, é pouco utilizado por ser um método
invasivo. Eletromiografia de superfície: os eletrodos são colocados sob a pele, captando a soma da
atividade elétrica de todas as fibras musculares ativas. Caracteriza-se por ser um método não invasivo e
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de fácil execução, este método é largamente utilizado em áreas como o estudo cinesiológico e
neurofisiologico dos músculos superficiais (CORREIA et. al. 1993 apud AÑEZ, 2000).
Este exame tem se mostrado de extrema importância no processo de avaliação, pois por meio
dele pode-se verificar o comportamento muscular em determinados movimentos e a partir daí o
fisioterapeuta pode definir qual posição angular da articulação, bem como qual o melhor tipo de
atividade pode ser ministrada com os pacientes. Alem disto é possível acompanhar e quantificar os
resultados de intervenção fisioterapêutica (VEIGA, 2007: CARVALHO et al, 2001: MORAES et al,
2003).
Estudos mostram que para paraplégicos e tetraplégicos a nível C7, a atividade eletromiográfica
dominante foi registrada nos músculos grande dorsal, peitoral maior e tríceps. Os resultados mostram
que pacientes tetraplégicos tiveram atividade no músculo deltóide anterior e do infraespinhoso
significantemente maior comparado aos paraplégicos. Os autores concluíram que tetraplégicos
necessitam de força normal nos músculos primários (grande dorsal, peitoral maior e tríceps) utilizados
por paraplégicos durante a manobra de push-up(extensão do cotovelo). Entretanto, maior ativação do
deltóide anterior auxiliada com extensão do cotovelo contribui potencialmente para o pinçamento da
articulação glenoumeral (NEWSAM et al, 2003).
A técnica da eletromiografia está baseada no fenômeno do acoplamento eletromecânico do
músculo. Sinais elétricos gerados no músculo eventualmente conduzem ao fenômeno da contração
muscular, potenciais de ação simples ou em salva atravessam a membrana muscular (sarcolema), essas
diferenças de potencial viajam profundamente dentro das células musculares através dos túbulos t. Os
túbulos t são invaginações da membrana muscular dentro das células musculares (KUMAR e MITAL,
1996).
A eletromiografia fornece informações para o paciente, permitindo-lhe que aprenda a controlar
suas próprias respostas neuromusculares. A aplicação eletromiográfica serve para obtenção de
informações para o terapeuta, identificação de atividades que de outra forma passariam despercebidas;
para permitir o ajuste da técnica ou posição; e para a obtenção de informações acerca da afetividade de
um procedimento específico.
A lesão medular acarreta alterações em vários sistemas orgânicos, incluindo metabolismo de
cálcio e o sistema ósseo (DEPARTMENT OF PHYSICAL MEDICINE AND REHABILITATION,
1997). A lesão medular inclui perda da função motora, geralmente irreversível, e diminuição da tensão
mecânica sobre os ossos, devido à paralisia.
Até recentemente, o tratamento de lesados medulares estava restrito apenas a clínica e de forma
individual, prevenindo apenas os danos à medula espinhal, e com isso o tratamento fisioterapêutico
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ficava limitado. Além disso, o aumento da expectativa de vida desses indivíduos fez com que o
processo de reabilitação fosse para além da prevenção dos danos causados pela lesão medular, e
objetivasse também a melhora da qualidade de vida e a independência funcional. Com isso, Peixoto
(2003) afirma que a promoção e a atenção á saúde dos indivíduos lesados medulares, englobam
medidas restauradoras, preventivas e de reabilitação para a melhoria das funções motoras ou sensitivas
e do bem-estar.
Segundo Cowell (1986) apud Lampert (1999), a inatividade após o trauma raquimedular causa
uma diminuição da massa muscular e da capacidade aeróbica, uma condição osteoporótica e disfunção
renal, e além disso coloca o indivíduo em risco de doenças cardíacas e conseqüentemente reduz sua
expectativa de vida. Stots (1986) apud Lampert (1999), evidenciou os benefícios da atividade física
em indivíduos com traumatismo raquimedular, e observou uma melhora da força muscular,
coordenação e resistência; diminuição das reações psicológicas negativas, como a depressão,
inatividade mental e o isolamento social; melhora da independência nas atividades de vida diária;
diminuição de complicações como infecção do trato urinário, escaras e hospitalizações e melhora do
humor.

CONCLUSÃO

Os resultados do presente estudo mostram que o grupo de pacientes com lesão medular devido
ao tratamento fisioterapêutico possui maior força nos músculos trapézio e deltóide em relação ao grupo
controle de pessoas que não possuem nenhuma doença e não realizam atividades com freqüência. A
atividade muscular aumentada nos músculos avaliados, de pacientes com LM, pode ser identificada
como resultado da eficiência do programa de reabilitação direcionado e também de uma maior
solicitação destes nas transferências diárias de tais pacientes e atividades de vida diária.

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