You are on page 1of 8

Suplemento de Geografia.

Profº Marcelo Miranda Aula:


Capitalismo.

Evolução do modo de Produção Capitalista.

Capitalismo é o sistema econômico e social que se caracteriza pela propriedade privada dos meios de
produção, trabalho livre assalariado e acumulação de capital (riqueza). É traduzido em um sistema de
mercado baseado na iniciativa privada, racionalização dos meios de produção e exploração de
oportunidades de mercado para efeito de lucro.

Situação histórica que determinou o surgimento do Capitalismo : O Capitalismo tem seu início na
Europa. Suas características aparecem desde a baixa idade média (do século XI ao XV) com
transferência do centro da vida econômica social e política dos feudos para a cidade.

O feudalismo passou por uma grave crise decorrente da catástrofe demográfica causada pela Peste
Negra que dizimou 40% da população européia e pela fome que assolava o povo. Entretanto, a elevada
taxa de natalidade permitiu o aumento progressivo da população que, em 1500, era de
aproximadamente 70 milhões de habitantes em toda a Europa, o que significava recuperar os níveis
anteriores à Peste Negra.

Embora o povoamento fosse majoritariamente rural, havia ligeira tendência à migração da população
para as cidades. No início do século XVI, algumas delas, como Nápoles, Paris, Sevilha e Lisboa, contavam
com cerca de 200 mil habitantes.

No mundo rural podem ser destacadas as seguintes transformações entre os séculos XV e XVI:

• O declínio progressivo da servidão;


• O pequeno crescimento das rendas agrárias em relação ao aumento das manufaturas ou no
comércio. Com isso, os encargos impostos pela nobreza rural aos camponeses aumentara, de
modo notável;
• A concentração da propriedade rural nas mãos das grandes famílias, com o passar do tempo
consolidaram alguns traços e instituições mais característicos, como os matrimônios endogâmicos
e as primogenituras. A pequena nobreza emigrou para as cidades;
• As revoltas camponesas, sobretudo no Sacro Império Romano-Germânico (atual Alemanha),
provocadas por tributos senhoriais, secas, pragas e anos de fome.

Manifestou-se nas cidades o desejo recíproco de unir, pelo matrimônio, as famílias burguesas e as da
nobreza – classe burguesa. Esta nova classe social buscava o lucro através de atividades comerciais.

Nesse contexto, surgem também os banqueiros e cambistas, cujos ganhos estavam relacionados aos
dinheiro em circulação, numa economia que estava em pleno desenvolvimento. Historiadores e
economistas identificam nesta burguesia, e também nos cambistas e banqueiros, ideiais embrionários do
sistema capitalista: lucro, acúmulo de riquezas, controle do sistema de produção e expansão
dos negócios.

A época moderna pode ser considerada, exatamente, como uma época de “revolução social” cuja base
consiste na “substituição do modo de produção feudal pelo modo de produção capitalista”. Com as
revoluções liberais da Idade Moderna o capitalismo se estabeleceu como sistema econômico
predominante, pela primeira vez na história, nos países da Europa Ocidental. Algumas dessas revoluções
foram a Revolução Inglesa (1640-60), a Revolução Francesa (1789-99), e a independência dos EUA, que
construíram o arcabouço de suporte ao desenvolvimento capitalista. Assim começou a era do capitalismo
moderno.

Podemos compreender que a prática comercial experimentada nesse período imprimiu uma nova lógica
econômica onde o comerciante substituiu a valor-de-uso das mercadorias pelo seu valor-de-troca. Isso
fez com que a economia começasse a se basear em cima de quantias que determinavam
numericamente o valor de cada mercadoria. Dessa maneira, o comerciante deixou de julgar o valor das
mercadorias tendo como base sua utilidade e demanda, para calcular custos e lucros a serem
convertidos em uma determinada quantia monetária. Com esse processo de monetarização, o
comerciante passou a trabalhar tendo como fim máximo a obtenção de lucros e o acúmulo de capitais.

FASES DO CAPITALISMO: O capitalismo como sistema de produção pode ser dividido em três fases
distintas que apresenta os contextos históricos dos períodos em que se caracterizam, sendo elas: o
Capitalismo Comercial, o Capitalismo Industrial e o Capitalismo Financeiro.
Primeira Fase: Capitalismo Comercial ou Pré-Capitalismo

Este período estende-se do século XVI ao XVIII. Inicia-se com as Grandes Navegações e Expansões
Marítimas Européias, fase em que a burguesia mercante começa a buscar riquezas em outras terras
fora da Europa. Os comerciantes e a nobreza estavam a procura de ouro, prata, especiarias e matérias-
primas não encontradas em solo europeu. Estes comerciantes, financiados por reis e nobres, ao
chegarem à América, por exemplo, vão começar um ciclo de exploração, cujo objetivo principal era o
enriquecimento e o acúmulo de capital. Nessa fase surge as primeiras potências européias: Portugal e
Espanha. Neste contexto, podemos identificar as seguintes características capitalistas: busca do lucro,
uso de mão-de-obra assalariada, moeda substituindo o sistema de trocas, relações bancárias,
fortalecimento do poder da burguesia e desigualdades sociais

Segunda Fase: Capitalismo Industrial

No século XVIII, a Europa passa por uma mudança significativa no que se refere ao sistema de
produção. A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, fortalece o sistema capitalista e solidifica suas
raízes na Europa e em outras regiões do mundo. Também a utilização do carvão mineral como fonte de
energia para a indústria têxtil recebeu com o invento da máquina a vapor, a inserção de outras nações
no processo, como França, Alemanha, Estados Unidos e Japão. O imperialismo europeu, a partilha
colonial, o liberalismo e o surgimento do socialismo também marcaram esse período. A Revolução
Industrial modificou o sistema de produção, pois colocou a máquina para fazer o trabalho que antes era
realizado pelos artesãos. O dono da fábrica conseguiu, desta forma, aumentar sua margem de lucro,
pois a produção acontecia com mais rapidez. Se por um lado esta mudança trouxe benefícios (queda no
preço das mercadorias), por outro a população perdeu muito. O desemprego, baixos salários, péssimas
condições de trabalho, poluição do ar e rios e acidentes nas máquinas foram problemas enfrentados
pelos trabalhadores deste período.

O lucro ficava com o empresário que pagava um salário baixo pela mão-de-obra dos operários. As
indústrias, utilizando máquinas a vapor, espalharam-se rapidamente pelos quatro cantos da Europa. O
capitalismo ganhava um novo formato.

Muitos países europeus, no século XIX, começaram a incluir a Ásia e a África dentro deste sistema. Estes
dois continentes foram explorados pelos europeus, dentro de um contexto conhecido como
neocolonialismo. As populações destes continentes foram dominadas a força e tiveram suas matérias-
primas e riquezas exploradas pelos europeus. Eram também forçados a trabalharem em jazidas de
minérios e a consumirem os produtos industrializados das fábricas européias.

Terceira Fase: Capitalismo Monopolista-Financeiro

Iniciada no século XX, esta fase vai ter no sistema bancário, nas grandes corporações financeiras e no
mercado globalizado as molas mestras de desenvolvimento. Podemos dizer que este período está em
pleno funcionamento até os dias atuais.
Nessa fase podemos caracterizar o que chamamos de Segunda Revolução Industrial, o descobrimento
do petróleo como fonte de energia, invento do motor à combustão, a indústria automobilística e a
evolução nos transportes, economia monopolizada de indústria e finanças, a criação da União
Soviética, Crash da Bolsa de Nova York em 1929, intervenção do estado na economia, terminando
com o liberalismo puro, a expansão e surgimento de grandes corporações e empresas transnacionais.
Grande parte dos lucros e do capital em circulação no mundo passa pelo sistema financeiro. A
globalização permitiu as grandes corporações produzirem seus produtos em diversas partes do mundo,
buscando a redução de custos.

Estas empresas, dentro de uma economia de mercado, vendem estes produtos para vários países,
mantendo um comércio ativo de grandes proporções. Os sistemas informatizados possibilitam a
circulação e transferência de valores em tempo quase real. Apesar das indústrias e do comercio
continuarem a lucrar muito dentro deste sistema, podemos dizer que os sistemas bancário e financeiro
são aqueles que mais lucram e acumulam capitais dentro deste contexto econômico atual.

Uma das consequências mais importantes do crescimento acelerado da economia Capitalista foi o brutal
processo de centralização dos capitais. Várias empresas surgiram e cresceram rapidamente: Indústrias,
Bancos, Corretoras de Valores e etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes empresas, levando a
fusões e incorporações que regularam a partir dos fins do século XIX, na monopolização de muitos
setores da economia.
Expansão do liberalismo - A aplicação prática das invenções técnicas às indústrias e aos transportes
(em especial a máquina a vapor e as novas técnicas de fundição), associada aos ideais do
liberalismo, proporcionou uma espetacular expansão econômica e o alargamento dos mercados a
uma escala mundial.
As empresas, sentindo uma necessidade crescente de expansão, recorreram a investimentos em
máquinas e novas instalações, e também a processos de concentração empresarial, ou seja, de
eliminação dos concorrentes de menor porte. Assim, com o objetivo de financiar esse desenvolvimento,
aprimoram-se os bancos e as corretoras de valores. Ao mesmo tempo, há o enfraquecimento da livre
concorrência.
Os bancos emprestam dinheiro às empresas ou investem diretamente. O sistema bancário torna-se
dominante e passa a controlar as demais atividades econômicas. As indústrias, por sua vez, incorporam
ou constituem bancos, a fim de ampliar sua capacidade de autofinanciamento.

As holdings e a internacionalização do capital Começam a surgir, então, os primeiros trustes:


grandes grupos que controlam todas as etapas da produção, desde a exploração da matéria-prima até a
distribuição das mercadorias. Surgem também os cartéis: associações entre empresas para uma atuação
coordenada, estabelecendo um preço comum, restringindo a livre concorrência e, dessa forma,
estabelecendo preços aviltantes para as mercadorias. Por fim, criam-se os conglomerados: corporações
que atuam no sentido de criar holdings, ou seja, uma única organização que reúne várias empresas, dos
mais diversos setores e ramos, o que garante a ampliação e a diversificação dos negócios, e,
consequentemente, o controle da oferta de determinados produtos ou serviços.

Com a consolidação do capitalismo financeiro, as empresas tornam-se muito mais poderosas e


influentes, acentuando a internacionalização dos capitais. Os grandes grupos econômicos - como
Mitsubishi, Exxon, General Motors, IBM, Siemens, entre outros - surgiram nesse período.
Em geral, essas grandes empresas têm um acionista majoritário, que pode ser representado por uma
pessoa, uma família, uma outra empresa, um banco ou uma holding. Ao mesmo tempo, milhões de
outras ações (títulos negociáveis e transmissíveis que representam uma fração do capital da empresa ou
da holding) estão nas mãos de pequenos investidores.

Um dos maiores conglomerados do mundo, por exemplo, é o Mitsubishi Group, que fabrica alimentos,
automóveis, aço, aparelhos de som, televisores, navios, aviões, etc. O Mitsubishi tem como financiador o
Banco Mitsubishi, que, após sua fusão, quando se transformou em Banco Tókyo-Mitsubishi, tornou-se um
dos maiores do planeta.

Refletindo sobre o Modo de produção capitalista.

A explicação sobre as origens do capitalismo remonta uma história de longa duração onde nos
deparamos com as mais diversas experiências políticas, sociais e econômicas. Em geral,
compreendemos a deflagração desse processo com o renascimento comercial experimentado nos
primeiros séculos da Baixa Idade Média, a partir do arrendamento de terras e a remuneração da mão-de-
obra com o surgimento do salário.

Essas transformações marcaram a passagem da Idade Média para a Idade Moderna incentivaram o
nascimento do chamado capitalismo mercantil e das grandes navegações. Esse período possibilitou uma
impressionante acumulação de riquezas, o capitalismo mercantil criou uma economia de aspecto
concorrencial onde as potências econômicas buscavam acordos, implantavam tarifas e promoveram
guerras com o objetivo de ampliar suas perspectivas comerciais.

Foi nesse período que os princípios da filosofia iluminista defenderam uma maior autonomia das
instituições políticas e criticou a ação autoritária da realeza. É nesse contexto de valores que as
revoluções liberais foram iniciadas pela convulsão sócio-política que ganhou espaço na Inglaterra do
século XVII. Pela primeira vez, as autoridades monárquicas passaram a estar submetidas ao interesse de
outro poder com forte capacidade de intervenção política. Não é por acaso que foi nesse mesmo lugar
que o capitalismo passou a ganhar novas forças com a Revolução Industrial.

A experiência da revolução imprimiu um novo ritmo de progresso tecnológico e integração da economia


onde percebemos as feições mais próximas da economia experimentada no mundo contemporâneo. O
desenvolvimento tecnológico, a obtenção de matérias-primas a baixo custo e a expansão dos mercados
consumidores fez com que o sistema capitalista conseguisse gerar uma situação de extrema
ambigüidade: o ápice do enriquecimento das elites capitalistas e o empobrecimento da classe operária.

Chegando ao século XIX, percebemos que o capitalismo promoveu uma riqueza custeada pela
exploração da mão-de-obra e a formação de grandes monopólios industriais. Nesse período vemos a
ascensão das doutrinas socialistas em franca contraposição ao modelo de desenvolvimento social,
econômico e político trazido pelo sistema capitalista. Mesmo movendo diversas revoluções e levantes
contra o sistema, o socialismo não conseguiu interromper o processo de desenvolvimento do capital.

No século passado, o capitalismo viveu diversos momentos de crise onde percebemos claramente os
problemas de sua lógica de crescimento permanente. Apesar disso, vemos que novas formas de
rearticulação das políticas econômicas e o afamado progresso tecnológico conseguiram dar suporte para
que o capitalismo alcançasse novas fronteiras. Com isso, muitos chegam a acreditar que seria impossível
imaginar um outro mundo fora do capitalismo.

No entanto, seria mesmo plausível afirmar que o capitalismo nunca teria um fim? Para uma afirmativa
tão segura e linear como essa, podemos somente lançar a mão do tempo e de suas transformações para
que novas perspectivas possam oferecer uma nova forma de desenvolvimento. Sendo imortal ou mortal,
o capitalismo ainda se faz presente em nossas vidas sob formas que se reconfiguram com uma
velocidade cada vez mais surpreendente.

SOCIALISMO

O Socialismo é um sistema político-econômico ou uma linha de pensamento criado no século XIX para
confrontar o liberalismo e o capitalismo. A idéia foi desenvolvida a partir da realidade na qual o
trabalhador era subordinado naquele momento, entre elas: baixos salários e enorme jornada de trabalho.

Nesse sentido, o socialismo propõe a extinção da propriedade privada dos meios de produção e a
tomada do poder por parte do proletariado e controle do Estado e divisão igualitária da renda.

História do Socialismo: A revolução industrial iniciada na Grã-Bretanha, no século XVIII, estabeleceu


um tipo de sociedade dividida em duas classes sobre as quais se sustentava o sistema capitalista: a
burguesia (empresariado), e o proletariado (trabalhadores assalariados). A burguesia, formada pelos
proprietários dos meios de produção, conquistou o poder político na França, com a revolução de 1789, e
depois em vários países. Nessa ocasião o modelo capitalista se afirmou ideologicamente com base nos
princípios do liberalismo: liberdade econômica, propriedade privada e igualdade perante a lei. A grande
massa da população proletária, no entanto, permaneceu inicialmente excluída do cenário político. Logo
ficou claro que a igualdade jurídica não era suficiente para equilibrar uma situação de desigualdade
econômica e social, na qual uma classe reduzida, a burguesia, possuía os meios de produção enquanto a
maioria da população não conseguia prosperar. Aí então surgiram as idéias socialistas.

Um dos primeiros precursores do socialismo utópico (socialismo, na prática, insustentável) foi o


revolucionário francês François-Noël Babeuf, que, inspirado nas idéias de Jean-Jacques Rousseau, tentou
em 1796 subverter a nova ordem econômica (“burguesa”) por meio de um levante popular. Foi preso e
condenado à morte na guilhotina.

A crescente degradação das condições de vida da classe operária motivou o surgimento dos diversos
teóricos do chamado socialismo utópico, alguns dos quais tentaram, sem sucesso, criar comunidades e
unidades econômicas baseadas em princípios socialistas de inspiração humanitária.

Apesar das idéias socialistas terem sido criadas ainda no século XIX, foram somente no século XX
colocadas em vigor. O primeiro país a implantar esse regime político foi à Rússia, a partir de 1917
quando ocorreu a Revolução Russa, momento em que o governo monarquista foi retirado do poder e
instaurado o socialismo. Após a Segunda Guerra Mundial, esse regime foi introduzido em países do leste
europeu, nesse mesmo momento outras nações aderiram ao socialismo em diferentes lugares do
mundo, a China, no futuro Cuba, alguns países africanos e outros do sudeste asiático.

Diante de todas as considerações, a seguir os principais aspectos do socialismo que deixam claro a
disparidade com o sistema capitalista.

• Socialização dos meios de produção: todas as formas produtivas, como indústrias, fazendas entre
outros, passam a pertencer à sociedade e são controladas pelo Estado, não concentrando a
riqueza nas mãos de uma minoria.
• Não existem classes, ou seja, existe somente a classe trabalhadora e todos possuem os mesmos
rendimentos e oportunidades.
• Economia planificada: corresponde a todo controle dos setores econômicos, dirigidos pelo Estado,
determinando os preços, os estoques, salários, regulando o mercado como um todo.

O socialismo que foi desenvolvido no decorrer do século XX e que permanece em alguns países até os
dias atuais é conhecido por socialismo real, em outras palavras foi executado de forma prática.

Por outro lado, o socialismo ideal é aquele desenvolvido no século XIX, que pregava uma sociedade sem
distinção e igualitária, que acabava com o capitalismo. Os pensadores dessa vertente socialista eram em
sua maioria anarquistas.
O principal pensador do socialismo foi Karl Marx, para ele esse regime surgiu a partir do capitalismo e
seus meios de produção, tendo seu controle desempenhado pelo proletário, assim como o Estado, que
posteriormente seria extinto, dando origem ao comunismo que corresponde a uma sociedade sem
governo, polícia, forças armadas entre outros, além de não possuir classes sociais e economia de
mercado.

Os precursores importantes que se enquadram no socialismo científico são os conhecidos Karl Marx e
Friedrich Engels.

Marxismo e anarquismo: Na metade do século XIX, separaram-se as duas vertentes do movimento


socialista que polarizaram as discussões ideológicas: o marxismo e o anarquismo. Ao mesmo tempo, o
movimento operário começava a adquirir força no Reino Unido, França e em outros países onde a
industrialização progredia.

Contra as formas utópicas, humanitárias ou religiosas, Karl Marx e Friedrich Engels propuseram o
estabelecimento de bases que chamaram de “científicas” para a transformação da sociedade: o mundo
nunca seria modificado somente por idéias e sentimentos generosos, mas sim, pela luta de classes. Com
base numa síntese entre a filosofia de Hegel, a economia clássica britânica e o socialismo francês,
defenderam o uso da violência como único meio de estabelecer a ditadura do proletariado (comunismo)
e assim atingir uma sociedade justa, igualitária e solidária. No Manifesto comunista, de 1848, os dois
autores apresentaram uma previsão de decadência do sistema capitalista e prognosticavam a marcha
dos acontecimentos rumo à revolução socialista.

O anarquismo contou com diversos teóricos de diferentes tendências, mas nunca se converteu num
corpo dogmático de idéias, como o de Marx. Proudhon combateu o conceito de propriedade privada e
afirmou que os bens adquiridos mediante a exploração da força de trabalho constituíam um roubo.
Bakunin negou os próprios fundamentos do estado e da religião e criticou o autoritarismo do
pensamento marxista. Piotr Kropotkin via na dissolução das instituições opressoras e na solidariedade o
caminho para o que chamou de comunismo libertário.

Na Rússia czarista, o Partido Social Democrata foi fundado em 1898, na clandestinidade, mas dividiu-se
em 1903 entre o setor marxista revolucionário, dos bolcheviques, e o setor moderado, dos
mencheviques. Liderados por Vladimir Lenin, os bolcheviques chegaram ao poder com a revolução de
1917.

As idéias socialistas tiveram bastante aceitação em diversos países das áreas menos industrializadas do
planeta. Na maioria dos casos, porém, o socialismo da periferia capitalista adotou práticas políticas
muito afastadas do modelo europeu, com forte conteúdo nacionalista.

Fim do "socialismo real" (comunismo): Na última década do século XX chegou ao fim, de forma
inesperada, abrupta e inexorável, o modelo socialista criado pela União Soviética. O próprio país,
herdeiro do antigo império russo, deixou de existir. Nos anos que se seguiram, cientistas políticos das
mais diversas tendências se dedicaram a estudar as causas e consequências de um fato histórico e
político de tanta relevância. Dentre os fatores explicativos do fim do chamado "socialismo real" da União
Soviética destaca-se a incapacidade do país de acompanhar a revolução tecnológica contemporânea,
especialmente na área da informática, a ausência de práticas democráticas e a frustração das
expectativas de progresso material da população. As explicações sobre o colapso da União Soviética
abrangem os demais países do leste europeu que, apesar de suas especificidades, partilharam das
mesmas carências

Outros elementos foram importantes para a desintegração do socialismo, dentre os quais o papel do
Estado centralizador e planificador das economias socialistas, regulando, administrando, distribuindo a
produção e definindo padrões de consumo funcionou como uma faca de dois gumes. Por um lado
permitiu uma produção acessível a toda a população. Mas, por outro lado, o controle absoluto, a
corrupção e a falta de motivação, fez subir o custo da produção.

Implosão do socialismo no Leste europeu


País Acontecimento
Alemanha Em 1989 o muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria, é derrubado.
Oriental
Operários poloneses, reunidos no movimento sindicalistas Solidariedade, derrubam o
Polônia monolitismo do Partido Comunista (PC). Lech Walesa, do Solidariedade é eleito
presidente em 1990.
Estabelecimento do pluripartidarismo, desde 1988, e derrota do comunismo, em
Bulgária
1991.
Hungria Dissolução do PC, em 1989, e abandono do socialismo, em 1990.
Romênia Uma revolução derruba o regime ditatorial de Ceaucescu, que é executado junto com
sua mulher em 1989.
Tchecoslováq Revolução de Veludo termina o regime socialista de forma não-violenta, em 1989.
uia Divisão do país (1993) em República Tcheca e Eslováquia.
Países que se Ucrânia (1990), Estônia, Lituânia, Letônia (todas em 1991).
tornaram
independente
s
Mikhail Gorbatchov inicia em 1985 a abertura política (glasnost) e a reestruturação
URSS econômica (perestroika). Dissolução da URSS (1991) e formação da Comunidade dos
Estados Independentes (CEI).

Após o declínio do socialismo, a partir de 1991 com a queda da União Soviética, o sistema perdeu força
no mundo, atualmente poucos países são socialistas, é o caso da China, Vietnã, Coréia do Norte e Cuba.

Socialismo no Brasil: O primeiro partido socialista brasileiro foi fundado em 1902, em São Paulo, sob a
direção do imigrante italiano Alcebíades Bertollotti, que dirigia o jornal Avanti, vinculado ao Partido
Socialista Italiano.

A fundação do Partido Comunista Brasileiro, em 1922, e seu rápido crescimento sufocaram as dezenas
de organizações anarquistas que na década anterior chegaram a realizar greves importantes. Pouco
antes da revolução de 1930, Maurício de Lacerda organizou a Frente Unida das Esquerdas.

Proibida a atividade político-partidária durante a ditadura Vargas, o socialismo voltou a se desenvolver


em 1945, com a criação da Esquerda Democrática, que em agosto de 1947 foi registrada na justiça
eleitoral com o nome de Partido Socialista Brasileiro.

Com o golpe militar de 1964, todos os partidos políticos foram dissolvidos e as organizações socialistas
puderam atuar apenas na clandestinidade. A criação do bipartidarismo em 1965 permitiu que os políticos
de esquerda moderada se abrigassem na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido
de oposição consentida ao regime militar, ao lado de conservadores e liberais.

Na segunda metade da década de 1960 e ao longo da década de 1970, os comunistas (socialistas


radicais), ao lado de outros setores de oposição ao regime militar, sofreram implacável combate.
Professava idéias comunistas a imensa maioria dos militantes de organizações armadas que
confrontaram o regime militar. O lento processo de redemocratização iniciado pelo general Ernesto
Geisel na segunda metade da década de 1970 deu seus primeiros frutos na década seguinte, quando os
partidos socialistas puderam mais uma vez se organizar livremente e apresentar seus próprios
candidatos a cargos eletivos.

Refletindo sobre o modo de produção socialista.

No final da primeira metade do século XIX, diversos movimentos contra as monarquias nacionais
contaram com a participação do operariado de diferentes países. Por meio da derrubada desses regimes
absolutistas, a figura do trabalhador representava as contradições e os anseios de um grupo social
subordinado ao interesse daqueles que concentravam extenso poder econômico em mãos. Foi nesse
período em que novas doutrinas socialistas ofereceram uma nova perspectiva sobre a sociedade
capitalista e a condição do trabalhador contemporâneo.

Lançando a obra “Manifesto Comunista”, Karl Marx e Friedrich Engels inauguraram um conceito fundado
na idéia de que, ao longo da História, as sociedades foram marcadas pelo conflito de classes. Dessa
maneira, a sociedade industrial dividia-se em dois grupos principais: de um lado a burguesia, detentora
dos meios de produção (máquinas, fábricas e terras); e do outro o proletariado, que vendia sua força de
trabalho ao burguês em troca de um salário que o sustentasse.

Na perspectiva desses pensadores, a oposição de interesses dessas classes representava um tipo de


antagonismo que, ao longo da trajetória das civilizações, configurou-se de diferentes formas. Essa luta
de classes era originada pelas condições em que as riquezas eram distribuídas entre os homens. Essas
formas de distribuição formavam a teoria do materialismo histórico que, em suma, defendia que as
maneiras de pensar e agir eram determinadas pelas condições materiais de uma sociedade.

No caso da sociedade capitalista, os operários viviam em constante situação penosa, pois a burguesia
organizava meios para que os trabalhadores permanecessem em uma situação excludente. Por meio da
teoria da mais-valia, Marx e Engels, demonstraram que os trabalhadores não recebiam um pagamento
equivalente ao valor das riquezas por eles produzido. Isso seria possível devido o monopólio dos bens de
produção exercido pela burguesia e pela alienação dos trabalhadores que, por meio da especialização de
seu trabalho, não sabiam ao certo o valor da riqueza que produziam.

Mesmo assinalando todas as desigualdades e problemas do mundo capitalista, a teoria marxista propôs
uma solução a essa situação injusta. Estudando as transformações da história, o marxismo percebeu
uma relação dialética (transformadora) entre os homens. A partir daí, a instabilidade do mundo
capitalista e a piora das condições do proletário abriu portas para o surgimento de idéias novas e
contrárias à realidade vigente. Os trabalhadores tomaram consciência de sua situação e, por
conseguinte, buscaram meios para que as diferenças que os afastavam da burguesia fossem de alguma
forma superadas.

Segundo o marxismo, a luta dos trabalhadores deveria mover-se em direção da tomada do poder
político. Assumindo as instituições políticas, a chamada ditadura do proletariado deveria extinguir as
condições de privilégio e dominação criadas pela burguesia. Instituindo um governo socialista, as
desigualdades e as classes sociais deveriam ser abolidas. Os meios de produção deveriam ficar nas
mãos do Estado e toda riqueza deveria ser igualitariamente dividia.

Com isso, as distinções entre os homens perderiam o seu espaço. A propriedade privada, as classes
sociais e, por fim, o Estado finalmente desapareceria. A ditadura do proletariado não seria mais
necessária, pois a sociedade comunista não veria sentido em nenhuma forma de poder instituído. Os
indivíduos alcançariam a felicidade exercendo o trabalho que melhor lhe conviesse e, por ele,
receberiam um salário capaz de prover o seu sustento.

Antevendo a reprodução e internacionalização de todas as mazelas do mundo capitalista, Marx defendeu


a imediata união dos trabalhadores rumo ao conjunto de transformações necessárias para o início dessa
revolução. Por isso, enxergou na união do proletariado o mais poderoso instrumento pelo qual,
finalmente, as desigualdades do capitalismo pudessem ser superadas. É por isso que, a mais célebre
frase do Manifesto Comunista profere: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”.

Com o legado científico deixado por Marx e Engels, o socialismo passou a configurar uma nova forma de
enxergar a condição do homem e sua história. Por meio de suas propostas, novos movimentos e
pensadores deram continuidade ao desenvolvimento de diversas teorias de influência marxista. Apesar
do socialismo real ter sucumbido aos desejos consumista e a sedução do desenvolvimento sugerido pelo
Capitalismo, este regime baseado na igualdade de direitos praticamente sumiu da maioria do países,
permanece a difíceis custos na China e em Cuba, por exemplo, mas nos dias de hoje, caracterizado pelo
totalitarismo e por seu redime fechado acabou atraindo a antipatia da maioria das pessoas em seus
países e no mundo, tornando praticamente certa a sua queda, decretando o fim do
socialismo/comunismo no mundo. Mas, ainda hoje, podemos nos deparar em vários países com partidos
e movimentos que lutam cada um a seu modo, pelas idéias um dia elaboradas por esses teóricos.
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E DA PRODUÇÃO

Desde a Primeira Revolução Tecnológica o trabalho artesanal e personalizado pouco a pouco foi
substituído pela produção em massa e padronizada das fábricas.

No início do século, Henry Ford introduziu em suas fábricas de automóveis inovações no processo de
produção, que ficou conhecido como regime fordista. Com a finalidade de produzir mais em tempo
menor, instituiu-se uma divisão e hierarquização do trabalho, de modo que cada trabalhador realizava
apenas uma etapa do processo produtivo. No sistema de linha de montagem, uma esteira move as peças
(visando acelerar o ritmo da produção) enquanto o trabalhador permanece fixo, realizando tarefas
especializadas, simples e repetitivas. Nesse caso, os trabalhadores não precisam de muita qualificação e
os produtos finais são homogeneizados, de qualidade padronizada e com preço relativamente baixo.
Frederick Taylor sistematizou o processo fordista propondo a separação entre trabalho intelectual e
manual. Como o regime fordista incorporou a doutrina de Taylor, é chamado também de
fordista/taylorista.

Durante muito tempo o modelo fordista predominou na produção industrial. A inflexibilidade desse
modelo, no qual cada operário deve entrar no ritmo repetitivo e na rotina da esteira de montagem,
acarretaram problemas, como defeitos em alguns produtos, obrigando despender enormes somas com a
finalização e controle de qualidade. Para inserir alguma mudança no produto, era necessário reestruturar
totalmente as máquinas e a linha de montagem.

O chamado modelo pós-fordista ou capitalismo flexível foi introduzido na economia a partir de


experiências realizadas na década de 1950 na fábrica Toyota. O chamado modelo toyotista baseia-se
numa reestruturação produtiva, com inovações tecnológicas, organizacionais e de gestão. Propõe
trabalho em equipes, com utilização de máquinas de ajuste flexível, tornando possíveis modificações
rápidas, difíceis de realizar no esquema fordista/taylorista. Esse modelo possibilitava também reduzir
custos e fugir da padronização rígida e massificação do fordismo, diversificando e variando a produção,
além de permitir a desconcentração espacial da atividade industrial.

Com o processo Just in time (tempo justo), passou-se a fornecer mercadorias sob encomenda,
padronizadas, mas com características personalizadas segundo as necessidades do mercado e da
demanda. Desse modo foi possível reduzir os estoques, abundantes no regime fordista. Nesse esquema,
estimulava-se a polivalência e a atualização dos funcionários fixos, aumentando a participação e a
responsabilidade destes na empresas. Com isso, economizava-se com controle de qualidade, pois o
trabalho era supervisionado e fiscalizado pela própria equipe.

No entanto, a grande maioria dos funcionários passou a ser contratado em regime temporário ou
terceirizado, sem os benefícios destinados aos empregados permanentes, o que debilitou a organização
dos trabalhadores e enfraqueceu os sindicatos. O desemprego, que já marcava as sociedades desde a
automação da produção, se acentuou nesse período.

Características das fases do Capitalismo


Característica Capitalismo Comercial Capitalismo Industrial Capitalismo Financeiro
Período Século XVI a 1850 1850 ao início do Século XX
aproximado século XX
Principal Mercantilismo Liberalismo econômico Neoliberalismo
prática
econômica
Escala especial Formação de grandes Soberania para o Imperialismo e domínio dos blocos
impérios Estado-nação e econômicos
neocolonialismo
Papel do Intervenção na Regulação da Desregulamentação, abertura da
Estado economia economia, defesa da economia para as transnacionais
(predominante) propriedade e da livre
iniciativa.
Centro de Nacional Nacional Supranacional
decisões
Principais Transportes marítimos, 1ª Rev. Industrial: 3ª Rev. Industrial: computação,
Inovações armamentos e máquina a vapor química fina, telecomunicações,
tecnológicas técnicas de navegação 2ª Rev. Industrial: nuclear, robótica, biotecnologia
motores, química,
aparelhos eletrônicos,
trens elétricos,
petróleo, automóveis
Mercado Protecionismo Barreiras Internacionalização da economia
alfandegário alfandegárias
Organização do Artesanal e Produção em massa e Tayotismo, inovações, ajustes
trabalho personalizado padronizada flexíveis, Just in time
(predominante) (fordismo / taylorismo)
Economia Expansão comercial Produção Industrial Período técnico-científico:
(aspecto informação e comunicação
determinante)
Principais Portugal, Espanha, Grã-Bretanha, França, EUA, Japão, União Européia, Tigres
espaços de França, Inglaterra, EUA, Japão, Alemanha Asiáticos.
referência Holanda