1

O LIBERALISMO Conceito: Doutrina que serviu de substrato ideológico às revoluções antiabsolutistas que ocorreram na Europa (Inglaterra e França, basicamente) ao longo dos séculos XVII e XVIII e à luta pela independência dos Estados Unidos. Defendendo a liberdade individual no campo econômico e político, correspondeu aos anseios de poder da burguesia, que consolidava sua força econômica ante uma aristocracia em decadência amparada no absolutismo monárquico.

O liberalismo defendia: 1) a mais ampla liberdade INDIVIDUAL; 2)

separação e independência entre três poderes (executivo, legislativo e judiciário); 3) o direito inalienável à propriedade; 4) a livre iniciativa e a concorrência como princípios básicos capazes de harmonizar os interesses individuais e coletivos e gerar o progresso social; 5) não-intervenção econômica do Estado, que deve apenas garantir a livre-concorrência entre as empresas e o direito à propriedade privada, agindo apenas quando esta for ameaçada por convulsões sociais. PENSAMENTO ECONÔMICO LIBERAL

O pensamento liberal de cunho econômico se constitui a partir do século

XVIII no processo da Revolução Industrial. A formulação dos princípios liberais na economia teve em Adam Smith, um escocês do século XVIII, a sua principal figura, por muitos considerado o fundador da ciência econômica. Sua obra mais importante foi “Uma Investigação acerca da Natureza e Causa da Riqueza das Nações”, publicada em 1776.

Para Adam Smith (1723-1790), o homem é sempre impulsionado por um

interesse pessoal, egoísta, sequer pensando na sociedade. Essa preocupação consigo próprio conduz o indivíduo, de modo natural, a procurar maximizar o seu ganho pessoal, e ao agir assim, acaba indiretamente beneficiando o conjunto da sociedade.

formando a chamada escola clássica da economia. OBS: A defesa do livre-cambismo foi uma iniciativa fundamentalmente da Inglaterra. A livre-concorrência não deverá ser objeto de intervenção do Estado OU de grupos particulares. cabendo ao indivíduo apenas descobri-las para melhor atuar segundo os mecanismos dessa ordem natural. OBS: O liberalismo econômico que teve. é regida por leis universais e imutáveis. outros representantes. e a concorrência trabalhem livremente. • Interesses sociais e individuais se harmonizam. realizar sua tendência natural de alcançar o máximo de lucro com o mínimo de esforço. • Existe uma "ordem natural" que se estabelece espontaneamente no domínio econômico. pode ser equívoca. além de Adam Smith. uma identificação entre o interesse pessoal e o da sociedade. que CONDENAVA as práticas mercantilistas.2 OBS: Estabelece-se. digamos de um ESTADO-GUARDA-CAMPESTRE. "ao perseguir seu próprio interesse. Jean-Baptiste Say e Frédéric Bastiat. Cabe ao indivíduo descobrir as leis econômicas que. a nação mais industrializada da época. Esta é a chamada concepção do Estadopolicial (a imagem. David Ricardo. cabendo ao homem o papel de agente econômico ao qual deve ser concedida ampla liberdade de ação. uma polícia que não intervém senão em caso de flagrante delito. tal como a natureza física. individual ou coletiva. tais como John Stuart Mill. dessa maneira. ansiosa por colocar seus produtos em todos os mercados europeus e coloniais. Assim. atualmente. como as leis físicas. as barreiras alfandegárias e protecionistas. . livre do Estado e da pressão de grupos sociais. • Os princípios do laissez-faire aplicados ao comércio internacional levaram à política do livre-cambismo. Eles consideravam que a economia. Só assim poderia o homo oeconomicus. pela confusão que se pode fazer com polícia). conduzem ao equilíbrio da economia. • O Estado deve deixar que a iniciativa privada. o homem serve muito mais eficazmente ao interesse social do que se tivesse realmente o propósito de lhe servir". Thomas Malthus.

que o assinou. impedindo assim o exercício do poder absoluto). M. o liberalismo obteve novas oportunidades. Essa defasagem acentuou-se com as crises cíclicas do capitalismo. que o liberalismo adquiriu novas perspectivas. baseada na concentração da renda e da propriedade. quando o Estado tornou-se um dos principais agentes orientadores das economias nacionais. encarando a intervenção do Estado na economia e os próprios oligopólios como uma evolução racional e natural no desenvolvimento capitalista. com a Revolução de 1789. os princípios do liberalismo econômico foram cada vez mais entrando em CONTRADIÇÃO com a nova realidade econômica. sistema definitivamente consagrado com os trabalhos de Montesquieu. especialmente o do Rei João. o liberalismo de Locke é essencialmente representado pela separação dos poderes. há muito dirigismo econômico na sociedade capitalista moderna. contradizem os princípios do liberalismo clássico. ato parlamentar de 1689 no qual eram reafirmadas e reestruturadas as antigas liberdades medievais obtidas desde o século XIII (MAGNA CARTA . Politicamente.3 • Com o desenvolvimento da economia capitalista e a formação dos oligopólios no final do século XIX. sobretudo a partir da Primeira Guerra Mundial. na prática. OBS: O liberalismo econômico ATUAL mantém-se mais no nível da retórica.documento de 1215 que limitou o poder dos monarcas da Inglaterra. como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). . Coube a J. ampliadas com o Bill of Rights. Keynes redefinir os pressupostos da economia clássica. Foi na Inglaterra. graças ao triunfo da burguesia e ao aniquilamento dos privilégios aristocráticos. PENSAMENTO POLÍTICO LIBERAL • Neste setor o inglês John Locke (1632-1704) surge como o mais resoluto formulador dos princípios liberais. Também as diretrizes dos mais importantes organismos econômico-financeiros internacionais. pois. • Também na França. a partir da chamada Revolução Gloriosa.

também será preciso reduzilo tanto quanto possível. na medida que ela representa uma garantia do indivíduo face ao absolutismo. • A DESCENTRALIZAÇÃO é outro meio de limitar o poder. DESCONFIANÇA NÃO MENOR EM RELAÇÃO ÀS CORPORAÇÕES E GRUPOS. nessa perspectiva. iguais. como uma regra fundamental. a tudo o que ameaça sufocar a iniciativa individual. enquanto que. o liberalismo propõe toda uma gama de FÓRMULAS INSTITUCIONAIS. a começar pela do Estado. isto é. sendo as infrações deferidas a tribunais e sancionadas. eles se NEUTRALIZAM. Cuidar-se-á de transferir do centro para a periferia. o ideal do liberalismo é sempre o poder mais fraco possível. Este é um dos papéis do parlamentarismo: exercer controle sobre o funcionamento regular do poder. todo liberal subscreve a afirmação de que o poder é mau em si. • Última precaução. e como limitá-lo melhor do que fracionando-o. • Desconfiança em relação ao Estado. haveria grande risco de ver o mais poderoso absorver os outros.4 • Enquanto filosofia política coloca-se contra toda autoridade. de que seu uso é pernicioso e de que. Declarado ou oculto. o agenciamento do poder deve ser definido por REGRAS DE DIREITO CONSIGNADAS NOS TEXTOS ESCRITOS e cujo respeito será controlado por jurisdições. OBS: O poder deve ser dividido igualmente em órgãos de forças iguais. talvez a mais importante. Se desiguais. aplicando o princípio da separação dos poderes. a uma autoridade sem limites. boa parte das atribuições que o poder central tende a reservar para si. se for preciso acomodar-se a ele. Para evitar . e do ponto mais alto para escalões intermediários. e alguns não dissimulam que o melhor governo. desconfiança do poder. desconfiando profundamente do Estado e do poder. de acordo com eles. que surge. aquele cuja ação não se faz sentir. é o governo invisível. • Para evitar a volta ao absolutismo. O poder deve ser limitado. porque o EQUILÍBRIO dos poderes não é menos importante que sua separação.

estuda os programas. Esta é a interpretação do liberalismo geralmente proposta pelos próprios liberais. apesar de muitas vezes ser ele reduzido a seu aspecto econômico. MESMO EXISTINDO UM LIBERALISMO CATÓLICO. uma filosofia global. mais complementares do que contraditórias. que considera as camadas sociais. 1. propondo duas interpretações bastante diferentes do mesmo fenômeno. Trata-se de um sistema completo que engloba todos os aspectos da vida na sociedade. que libertará a mulher da tutela do marido. Igrejas. e que julga ter resposta para todos os problemas colocados pela existência coletiva. primeiramente. é também a mais lisonjeira. A IDEOLOGIA LIBERAL • Tomemos primeiro o caminho mais intelectual. O LIBERALISMO É ANTICLERICAL. e ao FEMINISMO. • O liberalismo é. o que privilegia as idéias. de acordo com a qual a sociedade política deve basear-se na liberdade e encontrar sua justificativa na consagração da mesma. sendo esse um prolongamento do liberalismo. . é bom destacar duas abordagens distintas: uma ideológica. e outra sociológica. DUAS ABORDAGENS ACERCA DO FENÔMENO LIBERAL: Para estudar o movimento liberal. sem dúvida. examina os princípios. acarretando habitualmente a vitória das maiorias liberais a adoção do divórcio. • O liberalismo também é contra as autoridades tanto intelectuais quanto espirituais. corporações e sindicatos deverão ser proibidos.5 que a profissão ou ofício não reconstitua uma tutela sobre os indivíduos. • O liberalismo leva naturalmente à emancipação de todos os membros da família. ligada às idéias. dogmas impostos e. religiões de Estado. • O liberalismo é também uma filosofia política inteiramente orientada para a idéia de liberdade. mas.

às decisões ditadas pelos interesses. ele se opõe ao jugo da autoridade. que. assim como aos impulsos do instinto. mas pelos indivíduos. . • conhecimento e pela verdade. na medida em que coloca o indivíduo à frente da razão de Estado. 2. ao império do preconceito. A SOCIOLOGIA DO LIBERALISMO • Completamente diversa é a visão que se obtém com uma abordagem sociológica. nitidamente posterior aos acontecimentos. das exigências da coletividade. Dando ênfase aos condicionamentos sócio-econômicos. não pelas forças coletivas. OBS: Fundamentalmente racionalista. o liberalismo acredita na descoberta progressiva da verdade pela razão individual. O espírito deverá procurar por si mesmo a verdade. aceitável por todos. o parlamentarismo não passa de uma tradução. de acordo com a qual a história é O liberalismo merece o nome de filosofia. em lugar de examinar os princípios. Em reação contra o método da autoridade. As assembléias representativas fornecem um quadro a essa busca comum de uma verdade média. sem constrangimento.6 • Trata-se também de uma filosofia social individualista. apresenta grande dificuldade em aceitar a liberdade de associação. • Podem-se entrever as conseqüências que essa filosofia do conhecimento implica: a rejeição dos dogmas impostos pelas Igrejas. uma verdade comum. • Trata-se ainda de uma filosofia da história. a afirmação do relativismo da verdade. A esse respeito. a tolerância. não reconhecendo sequer os grupos sociais. ao respeito cego pelo passado. • A visão sociológica é relativamente recente. pois advoga a busca pelo feita. pouco a pouco. no plano político. dos interesses de grupo. e opõe-se ao idealismo da interpretação anterior. escravizado pelos grupos. temendo que o indivíduo fosse absorvido. e é do confronto dos pontos de vista que deve surgir. dessa confiança na força do diálogo. considera os atores e as forças sociais.

• Se. É-lhes mais fácil contornar as disposições da lei do que o é para os empregados. IMPORTANTE: A visão idealista insistia no aspecto subversivo. revolucionário. OBS: Além do mais. pelo menos enquanto filosofia. constataremos que os países em que o liberalismo aparece. a expressão de um grupo social. quando aplicada aos patrões ou a seus empregados. como o artigo do Código . por exemplo. a aplicação do liberalismo tende a MANTER A DESIGUALDADE SOCIAL. Ela controla o acesso a todos os cargos públicos e administrativos. A interdição de estabelecer as corporações não chega a prejudicar os patrões. na prática. • E CONTRA A ASCENSÃO DAS CAMADAS A burguesia reserva para si o poder político pelo censo eleitoral. sob uma enganosa aparência de igualdade. comerciantes. com o apoio dessa afirmação. mas. enquanto que os assalariados. são obrigados a aceitar sem discussões o que lhes é imposto pelos empregadores. por não poderem se agrupar. Desse modo. CONTRA A VOLTA DE UMA ARISTOCRACIA POPULARES. a desigualdade nem sempre é camuflada e. mesmo se os patrões respeitassem a interdição. Assim. onde se desenvolveram os movimentos liberais. em que as teorias liberais encontraram maior simpatia. na importância explosiva dos princípios liberais. A interdição. na lei e nos códigos. fizermos intervir a geografia e a sociologia do liberalismo. A burguesia fez a Revolução e a Revolução entregou-lhe o poder. nem os impede de se concertarem oficiosamente. a doutrina que melhor serve aos interesses de uma classe. ela pretende conservá-lo. isso não chegaria a afetar seus interesses.7 essa abordagem corrige nossa interpretação histórica e sugere que o liberalismo é. De resto. a proibição das associações faz o jogo dos patrões. etc). são aqueles onde já existe uma burguesia importante (profissionais liberais. OBS: É muito íntima a concordância entre as aplicações da doutrina liberal e os interesses vitais da burguesia. encontramos discriminações caracterizadas. dos agrupamentos tem efeitos desiguais. esses princípios sempre foram aplicados dentro de limites restritos. intelectuais.

o ministro brasileiro do Segundo Reinado. suas crenças. • A abordagem sociológica tem o grande mérito de lembrar. o primeiro seria acreditado pelo que afirmasse. os ultras. • Enquanto o liberalismo se encontra na oposição. que combate alternativamente dois adversários. Agindo assim. é uma DOUTRINA AMBÍGUA. ao lado de uma visão idealizada. o apelido dado à Monarquia de Julho: "O . porque a soberania nacional. que mostra o avesso do liberalismo e revela que ele é também uma doutrina de conservação política e social. e nada mais liberal que um conservador na oposição”). Ele reserva esse poder para uma elite. que impõe seus interesses. portanto. que se situa a meio-caminho entre esses dois extremos e cuja melhor definição é. não é a soberania popular. de que os liberais fazem alarde. OBS: O LIBERALISMO TOMARÁ TODO O CUIDADO PARA NÃO ENTREGAR AO POVO O PODER DE QUE O POVO PRIVOU O MONARCA. as Igrejas. sem dúvida. a existência de aspectos importantes da realidade. eles nada mais farão do que revelar sucessivamente dois aspectos complementares dessa mesma doutrina. “não há nada mais conservador que um liberal no poder. do açambarcamento do poder pela burguesia capitalista: é a doutrina de uma sociedade burguesa. Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque. enquanto que o segundo deveria apresentar provas do que dissesse. enfatiza-se seu aspecto subversivo e combativo. em caso de litígio entre empregador e empregado.8 Penal que prevê que. portanto. os contra-revolucionários. e o LIBERALISMO NÃO É A DEMOCRACIA. contra a monarquia. o passado e o futuro. • O liberalismo. enquanto ele tem de lutar contra as forças do Antigo Regime. • O liberalismo é. o Antigo Regime e a futura democracia. o visconde de Albuquerque. o disfarce do domínio de uma classe. ambígua por si mesma. Mas basta que os LIBERAIS SUBAM AO PODER PARA QUE SEU ASPECTO CONSERVADOR TOME A DIANTEIRA (Segundo. seus valores.

de residência. A substituição da posse da terra ou do nascimento pelo dinheiro como princípio de diferenciação social é incontestavelmente um elemento de emancipação. pelo contrário. Contudo. parece conservador. É porque o liberalismo é um justo meio que. o domínio exclusivo do dinheiro provoca.9 JUSTO MEIO". AS CONTRADIÇÕES E LIMITES PRÁTICOS DO LIBERALISMO Igualdade de Direito. • O reconhecimento da igualdade de todos diante da lei. um princípio de opressão. Desigualdade de Fato • A sociedade repousa sobre a igualdade de direito: todos dispõem dos mesmos direitos civis. • Além da desigualdade de princípio e da desigualdade de fato. em parte sem que o saiba deliberadamente. diante do imposto não exclui a diferença das condições sociais. mobilidade das pessoas no espaço. o liberalismo mantém uma desigualdade de fato e vai dar ocasião para a crítica dos democratas e dos socialistas. uma distribuição muito desigual da cultura. de região. os dois pivôs da sociedade. alguns dos quais são propriamente libertadores. visto da esquerda. Para aqueles que não o possuem. o agravamento da situação de penúria. parece revolucionário e. diante da justiça. . abre possibilidades de mobilidade: mobilidade dos bens que trocam de mãos. produzem simultaneamente conseqüências que podem ser contrárias. fundada sobre o dinheiro. fortuna e cultura. visto da direita. O dinheiro e como a instrução produzem efeitos. Basta ter dinheiro para que haja a possibilidade de mudar de lugar. • Esses dois princípios. • O dinheiro é um princípio libertador. enquanto outros tendem a manter ou a reforçar a opressão. A sociedade liberal. a sociedade liberal repousa essencialmente no dinheiro e na instrução. assim também. • Mas o contrário é evidente. porque as possibilidades não estão ao alcance de todos. que são os dois pilares da ordem liberal. a disparidade das fortunas. de trocar de profissão. e o dinheiro é. na escala social.

tentar sua chance nos concursos de ingresso em qualquer instituição. pode-se dizer igualmente que é um fator de libertação. Mas é fácil adivinhar . o bacharelado foi contemporâneo. de súbito. venda. abrindo o acesso a escolas para as quais se etra mediante concurso (SOCIEDADE MERITOCRÁTICA). Tendo saudade da antiga ordem de coisas. remuneração. sancionado por diplomas. outro fundamento da sociedade liberal. e não são raros os exemplos de indivíduos que tiveram um brilhante êxito social. • Qualquer um pode estudar. na qual a proteção do superior garantia ao inferior que ele não morresse de fome. organizado. e vive agora numa sociedade anônima. muitos querem que seja restaurada essa sociedade paternalista.10 OBS: Toda uma população indigente. da reforma do ensino promovida por Napoleão e dirigida pela Universidade de Paris. • Desse modo. um tostão. apresentar-se ao bacharelado. enquanto que NA SOCIEDADE LIBERAL NÃO HÁ MAIS AJUDA NEM RECURSO CONTRA A MISÉRIA e a desclassificação. mas que deram prova de habilidade e de inteligência. na qual as relações são jurídicas. perdeu a proteção que lhe era assegurada pela rede das relações pessoais que era própria às sociedades rurais. que chegaram até a tomar parte no poder sem que tivessem. e solidário com a organização das grandes escolas. • Criado em 1807. é verdade. pertence a todo o sistema saído da Revolução. portanto. no início. uma sociedade na qual os inferiores encontravam compensações a seu dispor. a instrução e a inteligência ocupam um lugar de importância tão grande quanto o dinheiro. • Quanto ao ensino. hierarquizada. salário: fora daí não há salvação. repensado como um ensino canalizado. disciplinado. mas feita de laços pessoais. mas também que sua privação lança parte das pessoas num estado de perpétua dependência. • Na escala dos valores liberais. uma parte da opinião pública conservará a nostalgia da sociedade antiga. Compra. impessoais e materializadas pelo dinheiro. ao qual alguns historiadores da idade liberal atribuem uma importância demasiado exclusiva.

Richard.11 os inconvenientes desse prestígio da cultura: essa sociedade abre possibilidades de promoção. Liberalismo e Democracia. Rio de Janeiro: Campus. Por meio do dinheiro e da instrução. que a democracia irá precisamente questionar. HEILBRONE. 1982. vemos quais são os traços constitutivos e específicos das sociedades liberais. História do Pensamento Econômico. BELLAMY.K. • Como o dinheiro. e aos que não ostentam os sacramentos universitários são reservadas as funções subalternas da sociedade. Évelyne. abrir todas as possibilidades e chances que as sociedades liberais nada mais fizeram do que entreabrir para uma minoria. HUNT. História do Pensamento Econômico: uma perspectiva crítica. São Paulo: Nova Cultural. . São Paulo: Brasiliense. 2000. E. DUHAMEL. Trata-se de sociedades em movimento. OBS: Essa sociedade aberta também é uma sociedade desigual. Robert L. 1994. PISIER-KOUCHNER. É da justaposição desses dois caracteres que se depreende a natureza intrínseca da sociedade liberal. Esta procurará alargar a brecha. 1996. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Unesp. Olivier. São Paulo: Ed. 1995. mas apenas a um pequeno grupo. Norberto. CHÂTELET. e esta é sua grande diferença em relação ao Antigo Regime. Sugestão para Leitura: BOBBIO. François. Liberalismo e Sociedade Moderna. História das Idéias Políticas. a instrução é ao mesmo tempo EMANCIPADORA e EXCLUDENTE.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful