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A Aliança Abraâmica

A aliança abraâmica encontra-se em Gênesis 12. Ela é confirmada e ampliada em outros


capítulos de Gênesis.
“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu
pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e
engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.”
[Gênesis 12:1-3]
“Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre.”
[Gênesis 13:15]
“E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em
suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência
depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas
peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus.”
[Gênesis 17:7, 8]
Analisando essas passagens percebe-se que existem promessas pessoais a Abraão,
promessas nacionais a Israel (sua descendência) e promessas universais que abrangem
todas as nações.
- Promessas a Abraão:
De Abraão sairia uma grande nação. Essa é uma grande promessa a Abraão, pois vendo
o contexto do capítulo sabemos que Abraão e Sara eram avançados em idade e que Sara
era estéril. Abraão seria extremamente abençoado, e seria uma bênção a todos os povos
do mundo. Deus seria o seu Deus e de sua descendência.
-Promessas à Descendência (Israel):
A nação seria grande. Podemos entender grande tanto em importância (é o centro do
plano de Deus) como em número, pois seria incontável (Gn 13:16). À descendência é
prometida a posse perpétua da terra de Canaã. Deus também seria perpetuamente o
Deus da descendência de Abraão.
- Promessas a todas as nações:
As nações seriam abençoadas através de Abraão, e implicitamente através de sua
descendência. A bênção é muito genérica nessa passagem, mas acreditamos que a
bênção prometida às nações foi cumprida com o sacríficio de Cristo (descendência de
Abraão) que trouxe salvação a todos os povos (bênção espiritual) e também será
cumprida no Reino Milenar de Cristo (bênção material).
Elemento Condicional na Aliança Abraâmica
Apesar de a aliança ser incondicional, houve apenas um elemento condicional. Esse
elemento era a ordem para Abraão deixar sua terra natal rumo a uma terra desconhecida.
Esse foi o único elemento condicional da aliança, pois dependia exclusivamente de
Abraão e sua disposição em deixar sua terra. Quando Abraão obedeceu a Deus e chegou
à Canaã, o Senhor lhe disse, “... À tua descendência darei esta terra.” (Gn 12:7). E as
promessas são confirmadas e ampliadas no capítulo 13, 15, 17 e 22. É importante
observar que quando as promessas são confirmadas e ampliadas nenhum elemento
condicional é acrescentado, nada que dependia da fé de Abraão ou de sua descendência.
Argumentos que Sustentam o Caráter Incondicional:
1º Todas as alianças, com exceção da mosaica, são incondicionais.
2º Com exceção da condição inicial de deixar sua terra natal, toda a aliança é firmada
sem condições.
3º A aliança é confirmada e ampliada diversas vezes (caps. 13, 15, 17 e 22). Nenhuma
vez as promessas adicionadas se condicionam a fé de Abraão ou de sua descendência.
4º Para distinguir os que herdariam as promessas como indivíduos dos que eram apenas
a semente física de Abraão, foi dado o sinal visível da circuncisão (Gn 17). No entanto,
o cumprimento da aliança e a posse da terra não estavam ligados à fidelidade ao pacto
da circuncisão. Aliás, as promessas da terra foram feitas antes da instituição da
circuncisão.
5º A aliança abraâmica foi confirmada pelo nascimento de Isaque e de Jacó, os quais
receberam repetições das promessas na forma original (Gn 17, 28).
6º A aliança foi confirmada várias vezes a despeito da desobediência ou dúvida. Abraão
foi para o Egito, por causa da fome, sem a permissão ou instrução de Deus (Gn 12). Em
duas localidades Abraão mentiu sobre sua esposa, dizendo que ela era sua irmã (Gn 12,
20). Abraão e Sara duvidaram que teriam um filho devido a sua idade avançada (Gn 15,
16, 17, 18) e não confiaram em Deus quando Abraão teve um filho com Hagar (Gn 16).
Apesar dessas circunstâncias a aliança não foi alterada de maneira nenhuma e bênçãos
não foram removidas.
7º As confirmações posteriores da aliança foram feitas em meio à apostasia de Israel
(ex: Jr 31:35, 36).
8º Em Hebreus a aliança abraâmica é declarada imutável (Hb 6:13-18). Ela não foi
apenas prometida, mas solenemente confirmada por juramento de Deus.
9º Toda a revelação das Escrituras a respeito de Israel e de seu futuro, se interpretada
literalmente, confirma e sustenta o caráter incondicional das promessas feitas a Abraão.
10º A aliança abraâmica é formalizada em um ritual divinamente ordenado, que mostra
seu caráter totalmente incondicional, em Gênesis 15. Em resposta à fé de Abraão, para
dar-lhe um sinal que as promessas serão cumpridas, Deus ordena que ele prepare
animais de sacrifício para que entrem numa aliança de sangue.

“...Eu sou o SENHOR, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para
herdá-la. E disse ele (Abraão): Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la? E
disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro
de três anos, uma rola e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio,
e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu... E pondo-se o sol,
um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu
sobre ele... E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e
uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades. Naquele mesmo dia fez o
SENHOR uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra,
desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;...” [Gênesis 15:7-18]

Eis uma citação do livro The Pentateuch (O Pentateuco) de C.F. Keil e Franz Delitzsch,
que lança luz sobre essa passagem:
“O que precedera correspondia ao costume, dominante em muitas nações antigas, de
sacrificar animais ao fazer uma aliança, e depois cortá-los em pedaços, colocar os
pedaços em lados opostos um ao outro, de modo que as pessoas que participavam da
aliança pudessem passar entre eles... Da natureza dessa aliança, segue, contudo, que
Deus passou sozinho entre os pedaços, numa representação simbólica de si mesmo, e
não também de Abrão. Pois, apesar de uma aliança sempre estabelecer relação recíproca
entre dois indivíduos, nessa aliança, que Deus celebrou com Abrão, o homem não ficou
em pé de igualdade com Deus, mas Deus estabeleceu o relacionamento de comunhão
por Sua promessa e por Sua complacência para com o homem.”
Assim Deus se uniu numa aliança de sangue a Abraão. E vemos que apenas Deus
passou entre as metades, pois Abraão dormia, ou seja, toda a responsabilidade de
cumprir as promessas foi de Deus, reforçando, assim, o caráter incondicional desta
aliança.
Argumentos que Sustentam a Interpretação Literal da Aliança:
Deve se enfatizar que as alianças são literais, portanto, não devem ser espiritualizadas
como certas correntes teológicas fazem. Conclui-se obviamente que a aliança abraâmica
é literal pois:
1º Abraão entendeu a aliança literalmente.
"Então (Deus) o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as
podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência. E creu ele no SENHOR, e
imputou-lhe isto por justiça." [Gênesis 15:5-6].
Ele creu que o Senhor realmente lhe daria um filho e que teria uma grande
descendência. Ele não acreditaria assim em algo que não fosse literal.
2º O Senhor realmente deu um filho a Abraão. Isso se cumpriu literalmente.
3º O Senhor realmente fez de Abraão uma grande nação. Israel foi uma grande nação,
chegou ao seu auge no reinado de Salomão, quando foi extremamente próspera, rica,
poderosa e chegou a sua máxima extensão territorial. E Israel será ainda mais poderoso
e abençoado durante o Reino Milenar.
4º O Senhor realmente abençoou a Abraão. Vemos em Gênesis que Abraão foi
extremamente rico, possuía prata, ouro, grande quantidade de animais e servos. E
Isaque e Jacó também foram extremamente ricos.
5º O nome de Abraão realmente se tornou grande, entre a nação de Israel, entre os
gentios por causa do evangelho e historicamente, pois é reconhecido como o pai das três
grandes religiões monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e o Islamismo). Até hoje seu
túmulo permanece em Hebrom e é visitado e reverenciado por judeus e muçulmanos.
Portanto, a aliança deve ser tomada literalmente, isso nos leva às...
Implicações Escatológicas da Aliança Abraâmica

Uma vez verificado que esta aliança é incondicional, imutável, eterna e literal chegamos
às suas implicações escatológicas. Como essa aliança é eterna, apesar da desobediência
de Israel e rejeição de Cristo, suas promessas serão cumpridas cabalmente por Deus
num ponto da história. Essas promessas (junto com as das outras três alianças)
determinam todo o plano escatológico divino.
Segunda as promessas, feitas por Deus, vemos que Israel tem direito perpétuo à terra
(em sua totalidade), deve ser preservado durante a história por Deus, possuirá a terra em
sua extensão total (do rio do Egito ao rio Eufrates no Iraque), usufruirá das bênçãos da
aliança e será uma bênção a todas as nações.
Como Israel foi expulso de sua terra, em 135 AD, pelos romanos e espalhado por todas
as nações, Deus terá que restaurá-lo como nação e reintegrá-lo à sua terra (isso inclui os
territórios que vão do rio do Egito até o Eufrates). Esse será um processo gradual (como
é visto claramente em Ezequiel 37). Esse processo começou no fim do século XIX
(1897) e resultou no renascimento de Israel no dia 14 de maio de 1948. A partir dessa
data o relógio profético de Deus começou a fazer “tic tac”. O processo só terminará com
a segunda vinda de Jesus Cristo e o estabelecimento do Reino Milenar, no qual Israel
terá a posse definitiva da terra prometida, em toda sua extensão, e será de fato uma
bênção a todas as nações, algo que até agora nunca ocorreu plenamente em sua história.
Durante o Reino Milenar todas as bênçãos e promessas serão cumpridas a Israel.

A Aliança palestina
Nos capítulos finais do livro de Deuteronômio, os filhos de Israel, a semente física de
Abraão, enfrentam uma crise nacional. Estão prestes a passar da liderança comprovada
de Moisés para a liderança iniciante de Josué. Estão na entrada da terra que lhes foi
prometida por Deus nos seguintes termos:
Darei à tua descendência esta terra (Gn 12.7)
... porque toda essa terra que vês, eu te darei, a ti e à tua descendência, para sempre
(Gn 13.15).
Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas
gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência (Gn 17.7,8).

Essa terra, todavia, é possuída pelos inimigos de Israel, que resistirão a qualquer
tentativa dos israelitas de entrar na terra prometida. É impossível para eles retornar ao
antigo status de nação escrava, e a terra em direção à qual viajavam como "estrangeiros
e peregrinos" parecia estar fechada diante deles. Por conseguinte, certas considerações
importantes precisavam ser enfrentadas pela nação. A terra da Palestina ainda lhes
pertencia? A inauguração da aliança mosaica, que todos concordam ter sido
condicional, pôs de lado a aliança incondicional feita com Abraão? Israel poderia
esperar tomar posse permanente de sua terra diante de tal oposição? Para responder a
essas perguntas importantes, Deus reafirmou em Deuteronômio 30.1-10 Sua promessa
pactuai relativa à posse da terra e à herança de Israel. A essa afirmação chamamos
aliança palestina, porque ela responde à pergunta sobre a relação de Israel com as
promessas da terra contidas na aliança abraâmica.

I. A Importância da Aliança Palestina:

Essa aliança é de grande importância:


1) pelo fato de reafirmar, a Israel, claramente, o título de posse da terra prometida.
Apesar da infidelidade e da descrença manifestas tão freqüentemente na história de
Israel desde a promessa a Abraão até então, a aliança não foi anulada. A terra ainda era
deles por promessa.
2) Além disso, a introdução de uma aliança condicional, sob a qual Israel estava então
vivendo, não podia desprezar, nem havia posto de lado a promessa original e
misericordi¬osa referente ao propósito de Deus. Esse fato é a base do argumento de
Paulo ao escrever: "Uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio
quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a
promessa" (Gl 3.17).
3) Essa aliança é uma confirmação e uma ampliação da aliança original feita com
Abraão. A aliança palestina estende as características da terra da aliança abraâmica. A
ampliação, vindo após descrença e desobediência inten¬cionais na vida da nação, apóia
a tese de que a promessa original seria cumprida a despeito da desobediência.

II. As Disposições da Aliança Palestina


A aliança palestina é apresentada em Deuteronômio 30.1-10, em que lemos:
Quando, pois, todas estas cousas vierem sobre ti, a bênção e a maldição que pus diante
de ti, se te recordares delas entre todas as nações para onde te lançar o SENHOR, teu
Deus; e tomares ao SENHOR, teu Deus, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda
a tua alma, e deres ouvidos à sua voz, segundo tudo o que hoje te ordeno, então, o
SENHOR, teu Deus, mudará a tua sorte, e se compadecerá de ti, e te ajuntará, de novo,
de todos os povos entre os quais te havia espalhado o SENHOR, teu Deus [...] O
SENHOR, teu Deus, te introduzirá na terra que teus pais possuíram, e a possuirás [...] O
SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para
amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas. O
Senhor, teu Deus, porá todas estas maldições sobre os teus inimigos [...] De novo, pois,
darás ouvidos à voz do SENHOR; cumprirás todos os seus mandamentos que hoje te
ordeno. O SENHOR, teu Deus, te dará abundância [...] porquanto o SENHOR tornará a
exultar em ti, para te fazer bem...
Uma análise dessa passagem demonstrará que há sete características principais no plano
ali revelado:
1) A nação será tirada da terra por causa de sua infidelidade (Dt 28.63-68; 30.1-3);
2) Haverá um arrependimento futuro de Israel (Dt 28.63-68; 30.1-3);
3) O Messias retornará (Dt 30.3-6);
4) Israel será reintegrado à terra (Dt 30.5);
5) Israel será convertido como nação (Dt 30.4-8; cf. Rm 11.26,27);
6) Os inimigos de Israel serão julgados (Dt 30.7);
7) A nação receberá então bênção completa (Dt 30.9)
À medida que se pesquisam as grandes áreas incluídas nessa única passagem, a qual
estabelece o plano da aliança, é quase forçoso reconhecer que Deus considera a relação
de Israel com a terra de extrema importância. Deus não só lhes garante a posse, mas Se
obriga a julgar e afastar todos os inimigos de Israel, a dar à nação um coração novo e a
convertê-los, antes de colocá-los na terra.
Essa mesma aliança é confirmada mais tarde na história de Israel. Ela se torna um dos
assuntos da profecia de Ezequiel. Deus confirma Seu amor para com Israel durante a
infância (Ez 16.1-7); Ele lembra de que Israel foi escolhido e aparentado a Jeová por
casamento (v. 8-14); no entanto, Israel agiu como uma prostituta (v. 15-34); logo, a
punição da dispersão foi cumprida contra ele (v. 35-52); essa rejeição de Israel, todavia,
não é definitiva, porque haverá uma restauração (v 53-63). A restauração é baseada na
promessa:
Mas eu me lembrarei da aliança que fiz contigo nos dias da tua mocidade e estabelecerei
contigo uma aliança eterna. Então, te lembrarás dos teus caminhos, e te envergonharás
quando receberes as tuas irmãs, tanto as mais velhas como as mais novas, e tas darei por
filhas, mas não pela tua aliança. Estabelecerei a minha aliança contigo, e saberás que eu
sou o SENHOR (Ez 16.60-62).
Assim o Senhor confirma a aliança palestina e a declara aliança eterna, com a qual está
comprometido.

III. O Caráter da Aliança Palestina

A aliança feita por Deus referente à relação de Israel com a terra deve ser vista como
incondicional. Há várias razões para apoiar isso. Primeiro, é chamada por Deus aliança
eterna em Ezequiel 16.60. Seria eterna apenas se seu cumprimento fosse dissociado da
responsabilida¬de humana e repousasse exclusivamente na Palavra do Eterno.
Em se¬gundo lugar, é apenas uma expansão de partes da aliança abraâmica, a qual é,
ela mesma, incondicional; logo, essa ampliação deve ser também eterna e incondicional.
Em terceiro lugar, essa aliança tem a garantia divina de que Deus efetuará a conversão
essencial para seu cumprimento. Romanos 11.26,27, Oséias 2.14-23, Deuteronômio
30.6 e Ezequiel 11.16-21 deixam isso claro.
A conversão é vista nas Escrituras como ato soberano de Deus e deve ser reconhecida
como inevitável dada a Sua integridade. Em quarto lugar, partes dessa aliança já foram
cumpridas literalmente. Israel passou pelas dispersões como julgamento de sua
infidelidade. Israel passou por retornos à terra e espera o retorno definitivo. A história
de Israel está repleta de exemplos de juízos divinos contra seus inimigos. Esses
cumprimentos parciais, que foram literais, indicam um cumprimento literal futuro de
partes irrealizadas, nos mesmos moldes.
Alguns podem sustentar que essa aliança é condicional por causa das afirmações de
Deuteronômio 30.1-3: "quando [...] então". Devemos observar que o único elemento
condicional aqui é o elemento temporal. O plano é inevitável; o tempo em que esse
plano se cumprirá depende da conversão da nação. Elementos condicionais de tempo
não tornam todo o plano condicional, no entanto.

IV. Implicações Escatológicas da Aliança Palestina

A partir da afirmação original das disposições dessa aliança, é fácil perceber que, com
base num cumprimento literal, Israel deve ser convertido como nação, reunido de sua
dispersão mundial, instalado na sua terra, cuja posse lhe é restaurada, e ainda
testemunhar o julgamento de seus inimigos, recebendo bênçãos materiais a ele
asseguradas. Essa aliança, então, exerce grande influência na nossa expectativa
escatológica. Já que tudo isso jamais foi cumprido, e uma aliança eterna e incondicional
exige cumprimento, devemos colocar tal plano no nosso cronograma de acontecimentos
futuros. Tal é a expectativa dos profetas que escrevem para Israel: Isaías 11.11,12; 14.1-
3; 27.12,13; 43.1-8; 49.8-16; 66.20-22; Jeremias 16.14-16; 23.3-8; 30.10,11; 31.8,31-
37; Ezequiel 11.17-21; 20.33-38; 34.11-16; 39.25-29; Oséias 1.10,11; Joel 3.17-21;
Amós 9.11-15; Miquéias 4.4-7; Sofonias 3.14-20; Zacarias 8.4-8. Tal era a promessa
oferecida aos santos. Quer eles vivessem para testemunhar o Messias confirmar essas
promessas, quer alcançassem a terra por meio da ressurreição, gozariam paz enquanto
esperavam a promessa de Deus.

A Aliança Davídica

A aliança davídica é uma aliança feita com Davi após a morte de Saul. É a última
aliança no Antigo Testamento. Tem uma posição de reinado apontando para a Nova
Aliança. A aliança davídica é uma extensão da aliança abraâmica e uma confirmação da
aliança mosaica.
Promessa principal – um reinado! Gn.17:6; 35:11; 49:10 (Siló = Messias). Judá
significa louvor. É da tribo do louvor que o cetro não será tirado e virá o Messias.
Nm.23:21 – Sempre aponta para Jesus quando se fala em reinado. 2a Sm.7; Sl.132;
89:20, 21, 28, 29. Fala da semente eterna de Davi, que é a semente de Abraão. A aliança
davídica inclui em si a Nova Aliança. Is.9:6-9 – O governo está em Seus ombros – um
reino perpétuo. Mt.1:1 – Jesus consuma as duas alianças: abraâmica e davídica. A
ligação entre as 3 alianças é o que diz respeito ao Messias. Is.22:22; Ap.3:7.
Davi aponta para o Messias. Foi vontade de Deus estabelecer uma monarquia em Israel.
Israel sempre falhou no ciclo provatório de Juízes. Esse ciclo culmina com Samuel, que
traz Israel de volta aos caminhos do Senhor.
1a Sm.8:1-4. O sacerdote deveria conduzir o povo. Nota triste: Samuel ouvia a Deus
desde criança, era justo, mas teve filhos perversos. O povo sai e pede um rei 40 anos
antes do tempo de Deus. O povo demorou 40 anos para entrar na terra prometida. É
preciso que estejamos no tempo de Deus. 1a Sm.8:5-8 – Ainda que não fosse Sua
vontade, Ele deixa haver um reinado naquela época.
Saul, da tribo de Benjamin (para a qual não há promessas de reinado), é instituído rei, e
é só depois de 40 anos que Davi entra e Deus faz uma aliança.
Palavras:
Deus dá palavras mesmo antes da unção. 1a Sm.15:28; 16:13. Jesus, no batismo, ao sair
das águas, é ungido e conduzido pelo Espírito Santo, que se apoderou dEle. Messias
(hebraico) = ungido. Davi foi um rei controlado pelo Espírito de Deus. 1a Sm.21:11 –
Ele não era rei. O vizinho rei chamou o soldado de rei. 1a Sm.23:17 – “Tu reinarás
sobre Israel”.
1a Sm.24:25. Há uma segunda unção – 2a Sm.2:1-4. No devido tempo os anciãos vêm.
3a unção – 2ºº Sm.5:1-5.
Jesus começou Seu ministério com 30 anos. O homem segundo o coração de Deus
recebendo uma tripla unção: do profeta, da sua tribo e de todo o Israel, como o centro
do começo do estabelecimento da graça de Deus.
Salmo 89.
Promessas:
2º Sm.7:10
1) terra preparada – 1a Cr.17:9 – Ainda que estivessem em Israel, Deus promete uma
terra preparada.
2) Vitória sobre os inimigos – 2a Sm.7:11; Gn.22:27; 24:60; 2a Cr.9:26. O reino de
Salomão é herança de Davi. Quem construiu a paz sobre Israel foi Davi. Ap.5:5 – A
vitória de Davi aponta para a vitória do Leão da Tribo de Judá. Mt.16:18.
3) Dinastia Governante – Gn.17:6.
Semente Davídica: Mt.1:1;
Casa Davídica: sua dinastia;
Trono de Davi: sua autoridade;
Reino de Davi: seu domínio.
Deus escolhe a família de Jessé e a tribo de Judá. Nada é por acaso. Sl.78:67-72. A tribo
de Judá é a escolhida. A tribo de Judá – louvor. –“Desta vez louvarei ao Senhor” – disse
sua mãe. De uma visão de cima do Tabernáculo, Israel tinha o formato de uma cruz e,
bem no centro do acampamento, à sua frente, a tribo de Judá. O louvor antes de tudo.
As outras tribos dispostas ao Norte, ao Sul, a Leste e a Oeste.
Davi encarnou o nome da sua tribo.É um homem destes que o Senhor quer encontrar:
um adorador! Somos da tribo de Judá! Chegamos para implantar o reino de Yahweh.
Somos da tribo de Judá. Adoramos a Jesus. Nosso Rei é nosso Senhor. Somos da tribo
do louvor. Deus habita nos louvores do Seu povo.
Davi é aquele que está no lugar certo para trazer à terra um novo mover. Ele vive fora
de sua época, nos dias da nova aliança. Há uma promessa: a restauração da adoração!

4) Misericórdia assegurada – 2a Sm.7:15, 16; 1a Cr.17:13. Corrigiria os filhos mas não


retiraria as misericórdias. Sl.57:1-3. Ele confia até na sua vitória na misericórdia de
Deus. Sl.89:3, 4, 29, 33-38.
Ainda que haja falha, a misericórdia não vai falhar. É uma aliança com juramento, então
é permanente. O rei deveria governar em consonância com aquilo que Deus queria.

5) Bênção da promessa messiânica. 2a Sm.7:16 – Aponta para alguém que não morre.
Jesus é a raiz de Davi, então Davi nasceu dEle! Quando é raiz, fala de Sua divindade,
quando é filho de Davi, fala de Sua humanidade.
Promessas de filho para pai:
a) Is.7:14;
b) Jr.25:5 e 6;
c) Mt.1:1;
d) Rm.1:3, 4;
e) Ap.22:16;
f) Ap.5:5
g) Lc.1:31
h) Is.9:6, 7 – “Para que aumente o seu governo e venha paz sobre o trono de Davi”
(Versão Amplificada).
O trono de Davi é o trono de Jesus. Deus não cancelou a aliança, interrompeu
fisicamente dentro do plano físico. Mas o trono não está vazio! A semente de Davi está
viva! A partir da nova aliança o plano se torna espiritual

6) O Templo – 2a Sm.7:8-16. Deus disse para Davi: “Ao invés de você edificar uma
casa para mim, Eu vou edificar uma casa para você”. Deus não faz acepção de pessoas,
mas alguns se fecham. Bendito o homem cujo coração está escancarado para Deus.
Vv.18-22 – é o coração do adorador.
Davi entra diretamente na linhagem do Messias. O Templo foi conhecido como o
Templo de Salomão. – 1a Co.3:16; Jo.2:18-21. O verdadeiro santuário é Jesus, não se
referia à Casa de Deus, sabendo que Ele mesmo era o santuário. 1a Tm.3:15.
Promessas de maldição não há. Se houver transgressão, há apenas açoites.

Termos: fé e obediência.
Fé - Davi era um homem de fé? Leia os seus salmos! Sl.27:3 – Ele creu para o futuro.
2a Sm.7 – A resposta de Davi era uma resposta de fé. Não andar no caminho de Davi é
rebelião.
Obediência – At.13:22 – Davi era o homem segundo o coração de Deus, cumpria toda a
Sua vontade. É um homem que, quando cai, volta arrependido para Deus. Sl.132:11, 12
– Condição: obediência! Deus não violou Sua Palavra porque Jesus é o filho de Davi,
obediente.

Juramento: Sl.89:3; 132:11 – aliança irrevogável com o cumprimento em Jesus –


At.2:29-35. Ele é ungido, Ele é o Rei e assenta-se eternamente no trono de Davi.

Livro: registro em 2a Samuel, 1a Crônicas e Salmos.

17.2. SANGUE:

Davi vive sob as alianças mosaica, cananita e davídica.

Sacrifício: segundo a aliança mosaica, Davi não podia oferecer sacrifício, mas ele
ofereceu sacrifícios de ações de graça e ofertas voluntárias. Sacrifícios de adoração: 2a
Sm.6:17 (corpo). Sangue: derramado conseqüentemente nos sacrifícios. O sacrifício de
louvor instituído por Davi era dividido em turnos, nas 24 horas do dia. Heb.13:15, 16;
Sl.27:6; 116:17-19. Nova aliança: 1a Pd.2:5.

Sacerdócio: ele agiu como rei-sacerdote, segundo a aliança davídica. Aponta para Jesus:
a) Davi usava uma veste sacerdotal – 1a Cr.15:27. Sacerdócio levítico – 1a Cr.15 e 16 –
Só para ministrar o culto no tabernáculo de Davi.
b) Ofereceu sacrifícios – 2a Sm.6:17; Deus não julgou os sacrifícios de Davi, que era
sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque e rei sobre todo o Israel – 2a Sm.2:4; 5:3;
Sl.110:1-4; 133; Hb.7; Sacrifícios não sangrentos, mas espirituais. A função era
ministrar ao Senhor; 2a Pd.2:5; At.6:7; Ap.1:6 – Somos uma nação de sacerdotes.
c) Pronunciou a bênção sacerdotal – Nm.6:24-27; 1a Cr.16:12;
d) Estabeleceu um outro Tabernáculo – 1a Cr.16:1;
e) Davi não usava um cetro, mas um shophah (vara sacerdotal) enquanto Arão
(sacerdote) usava uma vara representando um cetro – Sl.132:16, 17; Lc.1:69.

Santuário: não podia desprezar o Tabernáculo, mas estabeleceu o Tabernáculo de Davi


no monte Sião. A arca da aliança é posta lá. 2a Sm.6:12; Is.16:5 – Quem é Ele? Jesus! E
senta-se onde? No Tabernáculo de Davi!
Am.9:11 – Por que o Tabernáculo caiu? A Palavra fala que a adoração parou. At.15:16
e 17. O tabernáculo de Moisés eram os contínuos sacrifícios de animais, enquanto que o
tabernáculo de Davi eram os contínuos sacrifícios de ações de graça, louvor e adoração.
Sl.132:13-16 - No monte Sião, no tabernáculo de Davi, a lâmpada é Jesus!
Sião = Jerusalém – (1o) Capital do reino de Davi e 2o) Centro religioso, lugar de
adoração. Sl.48; 78; 110 – salmos sionistas. Hb.12:22-24 – Nós estamos em Sião, no
lugar de adoração. Sl.9:11; 48:2 – Esse grande Rei é Cristo Jesus.
Sião com seu tabernáculo e seu trono mostram tanto um rei como um sacerdote. Sl.65:1;
87 – Deus ama por causa do louvor e da adoração. É a morada de Deus porque ali há
louvor 24 horas por dia.
Sl.99:1; 102:13-16 – sentido profético espiritual: a restauração do tabernáculo de Davi.
Sl.102:17-18; Sl.134:3 – o cumprimento desse tabernáculo é em Cristo e na Igreja, onde
tanto judeus como gentios se reúnem para adorar. Is.16:5 – Jesus é quem está no trono.
Am.9:11 e 12 – Época do Santuário de Salomão – O louvor 24 horas por dia precisa
voltar. Em Hebreus o crente não está sob o tabernáculo de Moisés, mas sim sob o de
Davi.

SELO:
Jr.33:19-21 – Enquanto durar o sol, a lua e as estrelas, a aliança davídica permanecerá.
Vv.22-26. Ainda temos sol, lua e estrelas, o pacto davídico permanece. Ap.19:16; 21:1-
5, 9, 22-25. É assim que a aliança davídica vai nos introduzir diretamente na nova
aliança, em Cristo Jesus.
A aliança davídica nos prepara para a nova aliança que aponta para Jesus. Deus é o
Deus das alianças.

A NOVA ALIANÇA

A promessa de uma nova aliança está em Jeremias 31.31-33: "Vêm dias, diz o Senhor,
em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá... porei a
minha lei no seu interior, e as escreverei no seu coração. Eu serei o seu Deus, e eles
serão o meu povo." A nova aliança foi selada com o sangue de Jesus, com seu sacrifício
voluntário, com sua morte expiatória: "Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança,
que é derramado por muitos, para remissão de pecados" (Mateus 26.28). A nova aliança
é superior à antiga: "Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é
mediador de UM MELHOR CONCERTO, que está confirmado em melhores
promessas" (Hebreus 8.6). E as melhores promessas são: os que se arrependem têm seus
pecados totalmente perdoados (Hebreus 8.12); um novo coração e uma nova natureza
recebem aqueles que verdadeiramente amam e obedecem a Deus (Ezequiel 11.19-20);
são recebidos como filhos de Deus (Romanos 8.15-16); têm experiência maior em
relação ao Espírito Santo (Joel 2.28; Atos 1.5,8).
A nova aliança foi selada com o sangue de Jesus, com seu sacrifício voluntário, com sua
morte expiatória:
"Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para
remissão de pecados" (Mt 26.28).
A nova aliança é superior à antiga: "Mas agora alcançou ele ministério tanto mais
excelente, quanto é mediador de UM MELHOR CONCERTO, que está confirmado em
melhores promessas; porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria
buscado lugar para o segundo; estabelecerei um novo concerto com a casa de Israel e
com a casa de Judá, não segundo o concerto que fiz com seus pais...; dizendo novo
concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está
de acabar” (Hb 8.6,7,8,9,13).
A novidade do novo concerto é a graça que é concedida à pessoa que se arrepende do
pecado e crê em Cristo como Senhor e Salvador (At 2.38; Ef 2.8), tenha cumprido a
circuncisão ou não. Foi esta a conclusão a que chegaram Paulo, Barnabé, Pedro, Tiago e
outros discípulos reunidos em assembléia, em Jerusalém, para decidirem se os gentios
convertidos deveriam ser circuncidados, como imaginavam os judeus. Segundo estes, o
cumprimento do rito mosaico era indispensável à salvação.