You are on page 1of 13

Capítulo 3

Formas de ondas
Neste capítulo são apresentadas formas de ondas de tensões e correntes, com ênfase
para as alternadas.

3.1 Introdução

Em circuitos elétricos, as tensões e correntes apresentam um comportamento ao


longo do tempo que pode ser caracterizado graficamente, o que corresponde ao que
se denomina forma de onda. Assim, a forma de onda de uma grandeza elétrica é
representada pelo respectivo gráfico em função do tempo. Por exemplo, a tensão
u1(t) dada por:
u1(t)=U1.sen(at) V (3.1)

corresponde a uma forma de onda senoidal e seu comportamento ao longo do tempo é


mostrado na Figura 3.1(a).

u1(t) u2(t)
π
Ua
1 U2

π t
a t
0 2π 0 t0 2t0
a

-U1 -U2

(a) Senoidal (b) Quadrada


Figura 3.1 - Formas de ondas

A tensão u2(t), cujo comportamento ao longo do tempo é mostrado na Figura 3.1(b),


apresenta uma forma de onda quadrada. A expressão que a define é:

 U 2 para nt0 ≤ t < (n + 1)t0



u 2 (t) =  V (3.2)
− U 2 para (n + 1)t 0 ≤ t < (n + 2)t0
 n = 0,2,4,6
Três categorias de formas de ondas são de especial interesse, e suas
características são apresentadas a seguir.

• Formas de ondas oscilatórias: são formas de ondas que crescem e decrescem


alternadamente ao longo do tempo de acordo com alguma lei definida. A Figura
3.2(a) apresenta uma corrente elétrica cuja forma de onda é oscilatória. A lei
que a define é:
sen(at)
i(t)= A (3.3)
e bt

• Formas de ondas periódicas: são formas de ondas oscilatórias cujos valores se


repetem a intervalos de tempo iguais. A Figura 3.2(b) apresenta uma corrente
periódica. A lei que a define é do tipo:

i(t) = I0 + I1.sen(at)+ I 3.sen(3at + α) A (3.4)

Os valores instantâneos da corrente se repetem a cada intervalo de tempo T, ou


seja, para qualquer instante de tempo t, assim como para t=t0 mostrado na Figura
3.2(b), tem-se:
i(t0 + T) = i(t0 ) (3.5)
13
i(t) i(t)

t t
t0 t0+T

T
(a) Oscilatória (b) Periódica

i(t) i(t)
IM
∆I
t t
t1 t2 t1 t2

-IM

T T
(c) Alternada (d) Periódica

Figura 3.2 – Tipos de formas de ondas

• Formas de ondas alternadas: são formas de ondas periódicas cujos valores médios
são nulos. A definição matemática de valor médio de uma forma de onda é
apresentada somente na próxima seção. No entanto, é possível identificar uma
forma de onda alternada através de uma interpretação intuitiva de valor médio.

Observe a Figura 3.2(c) na qual está representada uma forma de onda triangular
que, evidentemente, possui as características de uma forma de onda periódica, ou
seja, seus valores se repetem a intervalos de tempo T. Além disso, no intervalo
0<t<t1, a corrente assume valores instantâneos positivos e no intervalo t1<t<t2,
valores instantâneos negativos. A partir de t=t2, os valores instantâneos de
corrente passam a se repetir, seguindo a mesma seqüência do intervalo 0<t<t1.
Através da simples visualização do gráfico, nota-se que a área contida entre a
forma de onda e o eixo das abscissas (tempo) no primeiro intervalo de tempo 0<t<t1
é igual em módulo à área correspondente ao segundo intervalo de tempo t1<t<t2. De
acordo com a figura, a área para o primeiro intervalo de tempo é:

A1 = .I M .(t1 − 0 ) = .I M .∆t
1 1
(3.6)
2 2
Para o segundo intervalo de tempo, a área é:

A2 = .(− I M ).(t 2 − t1 )
1
(3.7)
2
e como (t2-t1)= ∆t:
1
A2 = − .I M .∆t = − A1 (3.8)
2
Verifica-se que a soma das áreas para o intervalo de tempo 0≤t≤t2 é igual a zero.
Basicamente, o valor médio de uma forma de onda é diretamente proporcional à área
total calculada para o intervalo de tempo referente ao conjunto de valores que se
repetem. Como esta área é nula, o valor médio também é nulo, podendo-se, de acordo
com a definição, classificar a forma de onda da Figura 3.2(c) como alternada.
14
A Figura 3.2(d) mostra uma forma de onda triangular semelhante àquela da Figura
3.2(c), porém deslocada verticalmente de ∆I. Neste caso, verifica-se que o
intervalo de tempo em que os valores se repetem continua o mesmo, mas as áreas
para os intervalos de tempo em que a forma de onda assume valores positivos e
negativos são diferentes, o que resulta em uma soma não nula. Assim, esta forma de
onda não pode ser classificada como alternada, mas apenas como periódica.

3.2 Valores característicos das formas de ondas periódicas

Os valores característicos apresentados nesta seção são aplicáveis às formas de


ondas alternadas, que formam uma classe particular das formas de ondas periódicas.
Entre as formas de ondas alternadas destaca-se a forma de onda senoidal, que é a
utilizada comercialmente na geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica. Assim, a descrição dos valores característicos das formas de ondas
periódicas é exemplificada na maioria dos casos através de formas de ondas
senoidais, sem perda da generalidade.

• Ciclo: é o conjunto completo de valores instantâneos que se repetem a


intervalos de tempo iguais. Na Figura 3.3, em linha contínua, é destacado um
ciclo da corrente senoidal i(t).
T
i(t)

t1 t2 t

ciclo

T
Figura 3.3 - Ciclo e período de uma forma de onda periódica

• Período: é o intervalo de tempo T em que ocorre um ciclo. Veja na Figura 3.3 a


indicação desta grandeza. Definido um instante de tempo qualquer como
referência (por exemplo, t1 na Figura 3.3) obtém-se outro instante de tempo t2
tal que a diferença t2-t1 seja o menor intervalo de tempo possível para o qual
sempre se tem:
i(t2 ) = i(t1 ) (3.9)
Logo, o período corresponde a:
T = t2 −t1 (3.10)

u(t)
Exemplo 3.1
Um
Determinar o período da forma de onda
da tensão u(t) mostrada na Figura 3.4.
t[ms]
0 1 2 5 10

-Um

Figura 3.4 - Forma de onda de tensão

15
Considerando o instante de tempo t1=1 ms como referência, de acordo com a definição
apresentada para o período de uma forma de onda, obtém-se t2 = 9 ms e u(9)=u(1)=Um.
Logo:
T = t2 −t1 = 9 − 1 = 8 ms (3.11)

Pode-se notar no gráfico que para t3 = 3 ms tem-se também u(3)= u(1)= Um. No entanto,
de acordo com a definição apresentada, o período deve corresponder ao menor
intervalo de tempo possível para o qual sempre se tem u(t3)=u(t1). Considerando os
instantes t1 e t3, o que corresponderia a um intervalo de tempo de 2 ms, essa
definição não é atendida, pois, por exemplo, u(10)≠ u(8).

• Freqüência: medida em Hertz (Hz), esta grandeza corresponde à quantidade de


ciclos por unidade de tempo e portanto é expressa por:

1
f = Hz (3.12)
T
em que T é o período.

Exemplo 3.2
Obter a freqüência da forma de onda da tensão u(t) mostrada na Figura 3.4.
1 1
f = = = 125 Hz (3.13)
T 8.10 −3

• Velocidade angular ou freqüência angular: a Figura 3.5 mostra a forma de onda


de uma corrente senoidal expressa pela função:

i(t)=Imax.sen(t) ou i(t)=Imax.sen(wt) A (3.14)

(a) i(t)
Imax

T/2 t [s]
(a)
0 T

-Imax
1 ciclo

i(t)
Imax

(b)
0 π 2π wt[rad]

-Imax

Figura 3.5 - Velocidade angular ou freqüência angular de uma forma de onda

Pode-se constatar na Figura 3.5(a), que um ciclo ocorre entre os instantes de


tempo t=0 e t=T. Portanto, o período desta forma de onda é T. Na Figura 3.5(b)
tem-se a mesma forma de onda em função do ângulo wt, cuja unidade é radianos. Um
ciclo ocorre entre os ângulos wt = 0 e wt = 2π rad. Comparando os dois gráficos para
i(t), nota-se que um mesmo valor instantâneo de corrente ocorre para o instante de
tempo t=T (Figura 3.5(a)) e para o ângulo wt = wT = 2π rad (Figura 3.5(b)). Assim:

w= = 2.π.f rad/s (3.15)
T
A grandeza w corresponde à velocidade (ou freqüência) angular da corrente i(t).
16
Exemplo 3.3
No Brasil, a freqüência da tensão senoidal gerada nas usinas (hidrelétricas ou
termelétricas) é 60 Hz. Calcular o período e a velocidade angular.

1 1
Período → T= = = 16,67 ms (3.16)
f 60

Velocidade angular → w = 2πf = 2π 60 ≅ 377 rad/s (3.17)

• Valor de pico: é o valor instantâneo máximo que a forma de onda atinge no


ciclo. Considerando a forma de onda para a corrente i(t) da Figura 3.5, o seu
valor de pico corresponde a:
I p = I max (3.18)

• Ângulo de fase: ou simplesmente fase, é um ângulo arbitrário definido para a


forma de onda de modo a estabelecer um referencial de tempo para a mesma. Na
Figura 3.6 tem-se duas formas de onda para uma corrente senoidal, sendo
matematicamente representadas por:

i(t) = I p .sen(wt + α) A i(t) = I p .sen(wt − α) A (3.19)


i(t) - i(t)

Ip Ip

-α 2π-α 0 α 2π+α
0 π-α wt [rad] π+α wt [rad]
α -α

-Ip -Ip

Figura 3.6 - Ângulo de fase de uma forma de onda

Nas duas formas de onda, α corresponde ao ângulo de fase e no instante t=0 o valor
instantâneo da corrente é:

i(0) = I p .sen( α) A i(0) = I p .sen(-α) A (3.20)

Através de (3.19) e das formas de onda da Figura 3.6 pode-se concluir que α
corresponde ao valor do deslocamento horizontal da onda em relação à referência
“zero”.

• Diferença de fase ou defasagem: é a diferença entre os ângulos de fases de duas


formas de ondas. Considerando duas formas de ondas de corrente cujas funções
são:
i1(t)=I1.sen(wt+α) A (3.21)

i2(t)=I2.sen(wt+β ) A (3.22)

a diferença de fase φ entre elas é dada por:

φ = β −α (3.23)

A Figura 3.7 ilustra a diferença de fase (defasagem) entre duas formas de ondas.

17
P2 P1

i2(t) i1(t)

0 wt [rad]
α

β φ
defasagem
Figura 3.7 - Diferença de fase entre duas formas de ondas

Neste caso, diz-se que a corrente i2(t) está adiantada de φ em relação a i1(t) ou,
de outra forma, i1(t) está atrasada de φ em relação a i2(t). Um método simples de se
determinar a forma de onda que está adiantada ou atrasada está ilustrado na Figura
3.7. Identifica-se os picos das formas de onda mais próximos entre si (ambos
positivos ou negativos) que na figura 3.7 correspondem aos pontos P1 e P2. O ponto
que se encontra à esquerda do outro indica que a respectiva forma de onda está
adiantada, que na figura corresponde ao ponto P2 e portanto i2(t) está adiantada em
relação a i1(t) ou ainda, i1(t) está atrasada em relação a i2(t).

Assim sendo, agora se pode entender porque na expressão (3.23) φ é calculado em


módulo, pois o sinal de φ depende da referência. Se na Figura 3.7 i1(t) for a
referência, φ é positivo e se i2(t) for a referência, φ é negativo. Veja exemplo
numérico a seguir.

Exemplo 3.4
Na Figura 3.8 tem-se as formas de ondas da tensão e das correntes em um circuito
composto por uma fonte de tensão alternada senoidal que alimenta um resistor, um
indutor e um capacitor, todos conectados em paralelo.

iC(t)
u(t)
iR(t) iL(t)
iR(t) iL(t)
iC(t)
u(t) ~ R L C

wt

Figura 3.8 - Formas de ondas de tensão e corrente em um circuito

Tomando-se como referência de ângulo de fase, a tensão fornecida pela fonte:

u(t)=Up.sen(wt) V (3.24)

As correntes pelos elementos do circuito são expressas por:

i R ( t ) = I R p . sen( wt ) A (3.25)

i L ( t ) = I L p . sen( wt − π ) A (3.26)
2
iC ( t ) = I C p . sen( wt + π ) A (3.27)
2

18
Constata-se que a corrente no resistor está em fase com a tensão da fonte; a
corrente no indutor está atrasada de 900 (φ =-90o) em relação à tensão e a corrente
no capacitor está adiantada de 900 (φ =+90o) em relação à tensão.

Nas seções seguintes é evidenciado que as diferenças de fase entre tensões e


correntes para um determinado circuito elétrico são bem determinadas e dependem
somente dos elementos que o constituem, bastando definir, como referência, a fase
de apenas uma das formas de ondas. Todas as outras terão suas fases determinadas
em função da referência e dos elementos que constituem o circuito.

• Valor médio: é definido para uma forma de onda periódica u(t) de período T como:

1 t0 + T
T ∫ t0
Um = . u (t ).dt (3.28)

Para uma forma de onda senoidal com período T:


 2π 
u(t) = U p .sen(t + α) = U p .sen t + α  V (3.29)
T 
a integral de u(t) no intervalo [t0, t0+T] que aparece na equação (3.28) pode ser
escrita como:
t0 + T t0 + T t0 + T
∫ u ( t ).dt = ∫1t0 42u (43
t ).dt + ∫ T u (t ).dt
2
(3.30)
t0 t +
10 422
43
A1 A2

A1 corresponde à área da forma de onda em relação ao eixo das abscissas no


intervalo [t0, t0+T/2], enquanto que A2 corresponde à área no intervalo [t0+T/2,
t0+T], como mostra a Figura 3.9.

u(t)

A1
t0 to + T
2 t 0+ T t

A2

T
Figura 3.9 - Interpretação gráfica do valor médio de uma forma de onda

Assim, a integral da equação (3.28) corresponde à área total da forma de onda em


relação ao eixo das abscissas no período. Torna-se então mais clara a análise
feita na seção 3.1, em que foi apresentada a forma de onda alternada e foi
mencionado que seu valor médio é proporcional à sua área no período T. No caso de
u(t) definida segundo a equação (3.29):

.( A1 + A2 ) = 0
1
Um = V (3.31)
T
Analise:
Por que Um resultou igual a zero em (3.31) e quando isto é válido?

19
Exemplo 3.5
Calcular o valor médio das seguintes formas de ondas periódicas:

(a) u(t)=15.sen(wt) V

(b) i(t)=7+10.sen(wt+π/6) A

(a) A forma de onda de u(t) é mostrada na Figura 3.10. A freqüência angular é w e


o período é:

T= s
w
u(t) (V)

15

t (s)
0 π/w 2π/w

-15

Figura 3.10 - Forma de onda de u(t)

Considerando como referência de tempo t0=0, o valor médio de u(t) é calculado por:

w 2π w
2π ∫ 0
Um = . 15. sen( wt ).dt


15.w  cos(wt) w
.[1 − 1] = 0
= .− 15
Um =−
2π  w 
V
0 2π

Assim, de acordo com a definição apresentada na seção 3.1, u(t) é uma forma de
onda alternada, pois seu valor médio é igual a zero. Naturalmente, uma simples
inspeção da forma de onda de u(t) mostrada na Figura 3.10, leva à conclusão de que
seu valor médio é nulo.

(b) Na Figura 3.11, a corrente i(t) também tem período igual a 2π mas é uma
w
forma de onda senoidal deslocada no eixo vertical de 7 A, conforme pode-se
constatar nesta figura.

i(t) (A)

17

0 t (s)

-3

Figura 3.11 - Forma de onda de i(t)


20
Considerando também como referência de tempo t0=0, o seu valor médio é calculado
por:

Im =
w 2π w
2π ∫0
. [
7 + 10.sen(wt + π .dt
6
]
( )

w  2π w 2π
 7.w w
Im = .7 ∫ dt + 10.∫ w sen wt + π dt  = .t =7 A
2π  0 0 6  2π 0

Portanto, a corrente i(t) é uma forma de onda periódica, porém, não é alternada.

• Valor eficaz: a Figura 3.12 corresponde a um circuito em que uma lâmpada pode
ser conectada a uma fonte de corrente contínua (fechando-se a chave ch1) ou a
uma fonte de corrente alternada (fechando-se a chave ch2). A tensão da fonte
c.c. é igual a Ucc e a da fonte c.a. é senoidal e igual a:

u(t) = U p .sen(wt + α) V (3.32)

ch1 ch2

+
- Ucc ~ u(t) lâmpada

Figura 3.12 - Circuito exemplo para a definição de valor eficaz

Com a chave ch1 fechada, circula pela lâmpada uma corrente contínua de valor Icc .
A potência entregue a ela corresponde a:

Pcc = U cc .I cc = ( R.I cc ).I cc = R.I cc2 W (3.33)

em que R é a resistência do filamento da lâmpada (desconsiderar a sua variação com


a temperatura).

Tomando como referência um instante de tempo t0, a energia consumida pela lâmpada
em um intervalo de tempo T vale:

t0 +T t0 +T
Ecc =
∫ t0
2
Pcc .dt = R.I cc
∫ t0
dt ⇒ E cc = R.I cc2 .T Wh (3.34)

Com a chave ch2 fechada, circula pela lâmpada uma corrente alternada do tipo:

u( t )
i( t ) = = I p . sen( wt ) A (3.35)
R
Neste caso, a potência entregue à lâmpada é variável no tempo, pois resulta do
produto de uma tensão por uma corrente, ambas variáveis no tempo.

p (t ) = u (t ).i (t ) = R.i 2 (t ) W (3.36)

21
A energia consumida pela lâmpada em um intervalo de tempo T a partir de t0 é dada
por:
t0 +T
E ca =
∫ t0
p(t).dt (3.37)

t0 +T
Eca = R.
∫ t0
i 2 (t ).dt (3.38)

Impondo-se a condição de que a energia consumida pela lâmpada nos dois casos seja
a mesma, tem-se:
t0 +T
E cc = E ca ⇒
2
R.I cc

.T = R.
t0
i 2 (t ).dt

1 t 0 +T 2
I cc = .
T t0∫ i (t ).dt A (3.39)

Sendo T o período da corrente i(t), o termo do lado direito da expressão anterior


é denominado valor eficaz da corrente alternada i(t), ou seja:

1 t 0 +T 2
I ef = .
T t0 ∫ i (t ).dt A (3.40)

Assim, se a fonte de corrente contínua é ajustada de tal forma que a corrente que
circula pela lâmpada, Icc, é igual ao valor eficaz Ief da corrente alternada i(t), a
energia consumida pela lâmpada nos dois casos é a mesma. O valor eficaz de uma
forma de onda é também conhecido como valor RMS (root-mean-square).

Exemplo 3.6
Calcular o valor eficaz da tensão alternada:

u(t) = 179,6.sen (wt) V

Sendo o período de u(t) igual a 2π o valor eficaz (Uef) é dado por:


w

.∫ [179,6. sen( wt )] .d ( wt )
w 2π w 2 1 2π 2 1 2π
u ( t ).dt = .∫ u ( wt ).d ( wt ) =
2
U ef = .∫
2π 0 2π 0 2π 0

(179,6)2 . 2π [sen(wt )]2 .d (wt )


Uef =
2π ∫0
Considerando a relação trigonométrica:

[sen(wt )]2 = 1 .[1 − cos(2wt )]


2
o valor eficaz de u(t) vale:

(179,6 )2 . 2π
d ( wt ) − ∫ cos( 2wt ).d ( wt )  =
2π (179,6)2 .wt 2π sen(2 wt ) 2π

 ∫
U ef =  − 
4π 0 0  4π 
0
2 0 

Uef =
(179,6)2 .[(2π − 0) − (0 − 0)] = (179,6)2 =
179,6
≅ 127 V
4π 2 2

22
Da solução do exemplo 3.6, conclui-se que a relação entre o valor de pico e o
valor eficaz, para uma onda alternada senoidal, é:
Up
= 2 (3.41)
U ef
ou
Up
U ef = (3.42)
2
Analise:
Obter o valor eficaz para cada uma das formas de onda do exemplo 3.5.

Valores Nominais

Os equipamentos eletro-eletrônicos e componentes de um circuito elétrico devem ser


comercializados dispondo de informações mínimas com relação aos valores das
respectivas grandezas elétricas, denominados Valores Nominais, tais como:
magnitude da tensão, potência, etc.. No caso da lâmpada incandescente, no bulbo
devem estar gravadas a potência e a magnitude da tensão, como por exemplo, 100 W e
220 V, respectivamente.

Assim sendo, convencionou-se que os valores nominais das magnitudes da tensão e da


corrente devem corresponder aos respectivos valores eficazes e portanto, nos
equipamentos/componentes que podem ser conectados em uma fonte c.a. ou em uma
fonte c.c., o valor da tensão especificada (tensão nominal) é o mesmo para ambos
os tipos de fonte, sendo que no caso da fonte c.a. o valor nominal corresponde ao
respectivo valor eficaz.

3.3 Visualização de formas de ondas no osciloscópio

O osciloscópio é o mais versátil dos instrumentos eletrônicos de medição. Pode-se


com ele examinar qualitativa e quantitativamente os sinais elétricos, mostrando
sua variação em função do tempo, amplitude, nível CC, freqüência, período, fase,
etc. Alguns osciloscópios possuem recursos que permitem a comparação de dois ou
mais sinais na tela, base de tempo atrasada, frequencímetro, leitura digital das
escalas, etc.

IMPORTANTE: Qualquer sinal a ser examinado em um osciloscópio, deve ser traduzido


em uma tensão. Por exemplo: a forma de onda da corrente que circula por um motor
deve passar por um resistor linear cuja diferença de potencial (d.d.p.) será
aplicada ao osciloscópio (Figura 3.13). Com isso, observamos uma onda de tensão
proporcional à onda de corrente, mas que conserva todas as características desta.

Figura 3.13

• Medida de amplitude e freqüência

Devidamente calibrado, o osciloscópio fornece no eixo vertical a medida da


amplitude do sinal (Volts). Se a amplitude do sinal for tal que a maior escala do
controle de ganho não é suficiente para medi-la, pode-se usar uma ponta de prova
com atenuação, por exemplo, uma que reduz em 10 vezes a amplitude do sinal.

23
Se o osciloscópio em uso não possibilita medir a freqüência do sinal ( f ), pode-
se calculá-la calibrando a escala horizontal (TIME/CM) e medindo o período ( T )
do sinal, conforme indicado na Figura 3.14.

Figura 3.14
• Referencial para as medidas

Nos osciloscópios, as partes metálicas (parte externa das conexões de entrada dos
canais verticais, parafusos, suportes, etc.) estão interconectadas, ou seja, estão
em um mesmo potencial elétrico. Quando o cabo de alimentação do aparelho possui um
terceiro pino (pino de terra), todas estas partes metálicas estão a ele conectadas
e, portanto, as medidas correspondem às diferenças de potencial entre os pontos
medidos e o terra. Deve-se cuidar para que o terminal correspondente ao terra do
cabo com o qual se faz a medida (GND da ponta de prova), não seja colocado em um
ponto com potencial diferente de zero, o que provocará um curto-circuito. Também
se deve estar atento ao fato de que os GND’s das pontas de prova são ligados ao
terceiro pino.

Uma alternativa para eliminar tal precaução é utilizar um transformador conectado


entre a rede elétrica e o cabo de força (alimentação) do osciloscópio (Figura
3.15), fazendo com que os terminais de medida do osciloscópio não estejam
referenciados a qualquer potencial da rede.

Figura 3.15 – Osciloscópio isolado da rede elétrica

• Conexão das pontas de prova

Observe na Figura 3.16 as conexões do osciloscópio nos terminais dos componentes


do circuito.

24
Figura 3.16

As indicações CH1 e CH2 referem-se a dois canais do osciloscópio, através dos


quais poderemos observar na tela (display) as formas de ondas da tensão no
resistor (CH1) e da tensão no capacitor (CH2). Isto é possível porque o GND está
conectado entre os dois bipolos.

Analise:
Se os contatos do GND e do CH2 forem trocados, quais formas de ondas serão
observadas na tela do osciloscópio?

• Recursos para medidas de grandezas elétricas

Os fabricantes têm incorporado aos osciloscópios recursos tecnológicos para a


obtenção de medidas de grandezas elétricas tais como magnitude da tensão;
freqüência; defasagem entre duas formas de ondas e outras. No respectivo manual há
explicações para uso desses recursos, sendo em geral fáceis de serem assimilados.

3.4 Leituras adicionais

• Análise de Circuitos Elétricos


W. Bolton, MAKRON Books do Brasil Editora Ltda., São Paulo, 1994.

• Circuitos de Corrente Alternada - Um Curso Introdutório


Carlos A. Castro Jr e Márcia R. Tanaka, Editora da Unicamp - Campinas - 1995.

• Circuitos Elétricos
Robert A. Bartkowiak, MAKRON Books do Brasil Editora Ltda., São Paulo, 1994.

• Circuitos Elétricos
Yaro Burian Jr. e Ana Cristina Cavalcanti Lyra
Editora: Pearson Prentice Hall, 2006.

• Laboratório de Eletricidade e Eletrônica


Francisco Gabriel Capuano e Maria Aparecida Mendes Marino, Livros Érica Editora
Ltda. - São Paulo - 1993.

Vídeo:
Conceito de Valor Eficaz
http://www.youtube.com/watch?v=nxpSgrKOrLU

25