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RESUMO DO LIVRO: PROCESSO COLETIVO (autores: Fredie Didier Jr e Hermes Zaneti Jr.

)

CAPÍTULO I – Introdução ao Estudo do Processo Coletivo
1 - AÇÃO COLETIVA NÃO É LITISCONSÓRCIO MULTITUDINÁRIO: A ESTRUTRA MOLECULAR DO LITÍGIO. A regra geral estabelecida pelo art. 6º do CPC demonstra que somente ao titular do direito é permitido pleitear seu cumprimento por via de ação (ou seja, a regra é a coincidência entre os titulares da relação material e os titulares da relação processual). Tal situação denuncia o viés privatista do sistema processual. Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Atualmente, o direito tende a publicização ante a preocupação com o desenvolvimento da pessoa humana, da cidadania e dos direitos sociais e coletivos. A tradicional separação entre o direito público e o privado não mais tem espaço em uma sociedade de massa que provoca litígios ou litigiosidade de massa (contratos de adesão; um mesmo ilícito atingindo um grande número de pessoas...). Esse novo paradigma trouxe a necessidade da criação de novos instrumentos condizentes a solucionar os conflitos de massa. Já que o direito tende à publicização em todas as áreas, abandonou-se as soluções meramente privatistas. Tratamento atomizado: trata os litígios com se fosse um átomo (uma coisa singular, individual) – coaduna-se com a proposta do art. 6º do CPC onde somente o titular do direito material pode pleiteá-lo por via de ação. Tratamento molecular: trata os litígios como moléculas (conjunto de átomos), de uma forma mais coletiva, tal idéia se coaduna com os textos do CDC e da LACP que impõe um tratamento molecular, coletivizado, aos conflitos. IMPORTANTE! Há que se diferenciar a seguinte situação: litisconsórcio não é ação coletiva!! O litisconsórcio é o exercício conjunto da ação por pessoas distintas. É o cúmulo de sujeitos em um dos pólos da demanda (ou em ambos). É a união de litigantes ativa ou passivamente na defesa de interesses subjetivos individuais. Tanto não é ação coletiva que o juiz poderá fragmentar esse litisconsórcio (litisconsórcio multitudinário ou recusável). A ação coletiva caracteriza-se por uma particular relação entre a matéria litigiosa e a coletividade que necessita de tutela para solver o litígio. O que é importante para a caracterização de um processo coletivo não é a estrutura subjetiva (nº de autores ou de réus), mas sim a matéria neles discutida. Tal ação, embora de interesse de inúmeras pessoas, pode ser manejada por um único sujeito. 2 - O PROCESSO COLETIVO COMO ESPÉCIE DE “PROCESSO DE INTERESSE PÚBLICO” (PUBLIC LAW LITIGATION).

Inicia-se um novo modelo de litigação: a litigação de interesse público (public law litigation). O processo coletivo serve à litigação que vai além de interesses meramente individuais, mas sim àqueles referentes à preservação da harmonia e à realização de objetivos constitucionais da sociedade e da comunidade. O que se quer com o processo coletivo é ir além da tutela de interesses meramente individuais e tutelar o próprio interesse público primário (dos cidadãos), inclusive na atuação de controle e realização de políticas públicas através dessa litigação (VER: STJ/2009 – controle judicial de políticas públicas). Obs: o interesse público que realmente importa é o primário; o interesse público secundário não pode desenvolver-se senão em consonância com o primário, que é seu fundamento de validade e seu fim único. IMPORTANTE! o STF/STJ admitem em situações excepcionais o controle de políticas públicas pelo judiciário: “possibilidade de o judiciário, excepcionalmente, determinar a implementação de políticas públicas definidas pela própria CF, sempre que os órgão estatais competentes omitem-se, comprometendo a eficácia e a integridade de direitos sociais e culturais constantes da CF” (info. nº 410).
8 – (STF/2009) JUDICIÁRIO PODE INTERFERIR NAS POLÍTICAS PÚBLICAS. Caso: ACP ajuizada pelo MP objetivava compelir o estado ao fornecimento de equipamentos e materiais faltantes em hospital. Decidiu-se: 1) os direitos sociais não podem ficar condicionados à mera vontade do administrador, sendo imprescindível que o judiciário atue como órgão controlador da atividade administrativa. O princípio da separação dos poderes, que existe para os direitos fundamentais, não pode ser invocado para impedir a concretização de direitos sociais, que Tb são direitos fundamentais. 2) o poder judiciário está autorizado a reconhecer que o executivo não cumpriu sua obrigação legal quando agrediu direitos difusos e coletivos, bem como corrigir tal distorção, restaurando a ordem jurídica violada. 3) a intromissão do judiciário no controle de políticas públicas não se faz de forma indiscriminada, pois violaria o princípio da separação dos poderes. Só é possível essa intromissão quando a administração, de forma clara, viola direitos fundamentais, por falta injustificada de programa de governo. 4) o princípio da reserva do possível não pode ser oposto ao princípio do mínimo existencial. Somente depois de garantir o mínimo existencial é que a administração pode cogitar o princípio da reserva do possível.

É traço marcante da ação coletiva que ela se caracteriza como um processo de interesse público (justamente pq lida com interesses que vão além dos meramente individuais). Ao poder judiciário foi conferida uma nova função: a da solução de conflitos metaindividuais (ex: implantação de políticas públicas). 3 - CONCEITO DE PROCESSO COLETIVO NO DIREITO BRASILEIRO São características do processo coletivo: abcdpresença de interesse público primário; legitimação para agir de entes coletivos; matéria coletiva (pode ser processo coletivo ativo ou passivo); extensão subjetiva da coisa julgada.

Processo coletivo é aquele instaurado por ou em face de um legitimado autônomo, em que se postula um direito coletivo lato sensu ou se afirma a existência de uma situação

jurídica coletiva passiva, com o fito de obter um provimento jurisdicional que atingirá uma coletividade, um grupo ou um determinado número de pessoas. Procedimentos especificamante criados para a tutela de direitos coletivos: ação popular; ação civil pública; mandado de segurança coletivo; ações coletivas para a defesa de direitos individuais homogêneos (art. 91/100 do CDC); ação de improbidade. Obs: há quem defenda que as ações de controle de constitucionalidade podem ser vistas como modalidades de tutela coletiva. ATENÇÃO: não se admite ação coletiva no juizado! Obs: existe ação coletiva no âmbito eleitoral, bem como no trabalhista. Obs: as ações coletivas são tendentes a fomentar participação democrática. 4 - O MICROSSISTEMA PROCESSUAL COLETIVO O CDC é a matriz do microssistema de processo coletivo. Ele estabelece os conceitos de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos. O CDC manda aplicar as normas da LACP, que manda aplicar as normas do CDC (normas de reenvio). No que for compatível, aplica-se o título III do CDC à ação popular, ação de improbidade, ACP, MS coletivo. Dado o caráter de norma de ordem pública do CDC, Capeletti chamou de devido processo social. IMPORTANTE! STF: “a lei de improbidade administrativa, juntamente com a lei de ação civil pública, da ação popular, do MS coletivo, do CDC, do ECA e do estatuto do idoso compõe um microssistema de tutela de interesses transindividuais e sob esse enfoque interdisciplinar, interpenentram-se e subsidiam-se.” Tem-se com a utilização de um sistema que integra leis esparsas a quebra do modelo codificado. Tal micorossistema é propositalmente incompleto para aumentar sua flexibilidade e durabilidade em uma realidade pluralista, complexa e muito dinâmica. Assim deve ser solucionado, p. ex., o problema de uma ACP: 1º) busca-se as normas da LACP; 2º) busca-se as normas do CDC; 3º) busca-se as normas nas demais leis integrantes do microssistema. Obs: o CDC serve apenas em último caso.

CAPÍTULO II – Direitos Coletivos Latu sensu
Os direitos coletivos em sentido amplo se dividem da seguinte maneira (art. 81 do CDC):

Ex: a proteção ao meio ambiente e à moralidade administrativa. I do CDC). indivisíveis cujos titulares são pessoas indeterminadas ligadas por circunstâncias de fato. ou seja. não dá pra determinar os membros do grupo. mas dá pra determinar o grupo). O elemento diferenciador entre os direitos difusos e coletivos é a determinabilidade do grupo e a relação jurídica base anterior à lesão que liga os membros do grupo ou o causador da lesão. pertencentes a uma coletividade). mas sim por uma circunstância de fato (assistiram ao comercial).DIREITOS DIFUSOS Aspecto subjetivo: trata-se de direito transindividual supraindividuais.DIREITOS COLETIVOS EM SENTIDO ESTRITO São direitos transindividuais. ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base. de que seja titular um grupo.a) direitos difusos b) direitos coletivos em sentido restrito c) direitos individuais homogêneos Em uma tradicional divisão os direitos difusos e coletivos são considerados como essencialmente coletivos. IMPORTANTE! A relação jurídica base necessita ser anterior à lesão. 103. Titulares: pessoas indeterminadas ligadas por circunstâncias de fato. 2 . A coisa julgada que se formará em um processo que discute direitos difusos é erga omnes. categoria ou classe de pessoas (indeterminadas. Ex: publicidade enganosa veiculada pela TV: atinge um número indeterminado de pessoas (todos os que assistem TV) não ligadas por uma relação jurídica (não precisam ter comprado o produto). irá atingir todos de maneira igual (art. . inexistindo um vínculo jurídico comum. categoria ou classe – ou seja. 1 . (metaindividuais. Aspecto objetivo: trata-se de direito indivisível (só podem ser considerados como um todo). Direitos difusos são direitos transindividuais. enquanto que os individuais homogêneos como acidentalmente coletivos. Dica: di fusos – di fato!!. mas determináveis enquanto grupo. de natureza indivisível.

IMPORTANTE! Os direitos individuais homogêneos são indivisíveis e indisponíveis até o momento de sua liquidação e execução. 104 do CDC). se existirem (ex: maior lesão em uma determinada pessoa. A coisa julgada tem eficácia erga omnes. “Origem comum” significa que o que causou o dano/lesão aos sujeitos é a mesma coisa. O CDC conceitua direitos individuais homogêneos como aqueles decorrentes de origem comum. já que na primeira fase (conhecimento) o direito é tratado de forma geral (tese jurídica geral) sem analisar as peculiaridades individuais (que serão tratadas em outro momento). Trata-se de uma ficção do direito. quando são tratadas as peculiaridades .A coisa julgada será ultra partes. 1ª corrente  Para alguns. IMPORTANTE! As peculiaridades dos direitos individuais. mas sim de direitos individuais coletivamente tratados. Dessa forma ele não será alcançado pela sentença coletiva (o que é um grande burrice já que a sentença coletiva nunca poderia prejudicá-lo) 3 . É possível determinar quem são as pessoas lesadas (por isso alguns dizem que são direitos individuais coletivamente tratados). de não se submeter ao processo coletivo. consistente em tratar de modo coletivo (molecular) direitos individuais. porém (melhor corrente). decorrente da massificação/padronização das relações jurídicas e das lesões ai decorrentes. mas sim uma verdadeira ação coletiva. categoria ou classe. 2ª corrente*  Outros. não se trata de direitos coletivos propriamente ditos. os titulares dos direitos individuais são atingidos genérica e abstratamente. É a tutela coletiva de direitos individuais com natural dimensão coletiva em razão de sua homogeneidade. e os autores dos processos individuais não serão prejudicados desde que optem pela suspensão do processo individual. IMPORTANTE! right to opt out é do direito de pular fora. A relação jurídica entre as partes é post factum. mas limitada ao grupo. Dá-se quando o sujeito que ajuizou ação individual não a suspende quando tem notícia de uma ação coletiva ou que após a ação coletiva ajuíza uma ação individual (art. com vistas à efetividade. Ex: todos comeram um iogurte de determinada marca e passaram mal (ainda que tenham comido em dias e locais diferentes). ou lesão menor em outra) deverão ser tratados em liquidação de sentença.DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS Trata-se de uma classe de direitos um pouco sui generis. ou seja. afirmam que uma ação coletiva que trate de direitos individuais homogêneos não é simplesmente uma soma de ações individuais.

Obs: procedimento trifásico da efetivação da tutela jurisdicional: 1ª fase: conhecimento do ilícito individual homogêneo  não há necessidade de individualizar os titulares do direito nem a extensão de seu prejuízo. parte da doutrina encara os direitos individuais não como direitos coletivos. 2ª fase: liquidação e execução do direito individual  há individualização dos titulares do direito e análise da extensão do dano para que este possa ser reparado (é uma liquidação diferenciada). constituindo-se em subespécie de direitos coletivos” (julgado de 2000). mas de direitos coletivizados pelo ordenamento jurídico para fins de obter a tutela jurisdicional constitucionalmente adequada. IMPORTANTE! o STF já entendeu que se tratam de verdadeiros direitos coletivos: “direitos ou interesses homogêneos são os que têm a mesma origem comum. mas só coloca 95m. 3ª fase: liquidação e execução coletiva  passado 1 ano sem a habilitação de lesados em número compatível com a gravidade da lesão.individuais voltando a ser indivisíveis se não ocorrer a tutela integral do ilícito (fluid recovery). com a previsão do fluid recovery caso não apareçam lesados em número compatível. Ocorre que. Vai além. amparado direitos que não seriam amparados se tratados de forma individual. mas sim como direitos individuais coletivamente tratados. a tutela desses direitos não se restringe aos direitos individuais das vítimas. para Fredie não é bem assim: os direitos individuais homogêneos seriam mesmo direitos coletivos. 4 . A previsão de direitos individuais homogêneos entre os coletivos serve para corrigir distorções. com a reversão dos valores ao fundo”. Ex: uma fábrica de rolos de papel higiênico anuncia 100m por rolo.DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS COMO DIREITOS COLETIVOS: VISÃO CRÍTICA DA DOUTRINA DOS “DIREITOS INDIVIDUAIS COLETIVAMENTE TRATADOS”. III do CDC). tem fins educativos e de repressão à conduta danosa. a execução será promovida pelo MP ou qlq outro legitimado e vai para um fundo (fluid recovery). Segundo fredie. “ora. Essa causa será adequadamente tratada de forma coletiva. 95 e 103. . tutelando a coletividade mesmo quando os titulares dos direitos individuais não se habilitarem em número compatível com a gravidade do dano. pelo que podemos perceber até aqui. Tal previsão é para não deixar o causador do dano sem a “penalidade” de ter que repará-lo. Como visto. A sentença faz coisa julgada erga omnes sem a necessidade de individualização (art. Não é atrativo para o consumidor ajuizar uma ação individual para lutar por 5m de papel higiênico. não se tratam de direitos acidentalmente coletivos.

Dessa forma, a empresa não mais lucrará às custas do prejuízo alheio (função educativa e de repressão de condutas futuras). 5 - TITULARIDADE DOS DIREITOS COLETIVOS LATO SENSU: DIREITOS SUBJETIVOS COLETIVOS Direitos difusos: os titulares são as pessoas indeterminadas ligadas por circunstâncias de fato. Direitos coletivos: o titular é o grupo, categoria ou classe de pessoas (indetermináveis enquanto indivíduos, mas determináveis enquanto grupo/categoria/classe). Direitos individuais homogêneos: os titulares são os indivíduos lesados, quando a lesão decorrer de origem comum, tomados abstrata e genericamente para fins de tutela. 6 - CRITÉRIOS PARA A IDENTIFICAÇÃO DO DIREITO OBJETO DA AÇÃO COLETIVA As espécies de direitos coletivos (difusos, coletivos e IH) muitas vezes se confundem umas com as outras. O CDC disciplina os direitos coletivos em sentido lato de modo a permitir a instrumentalização, primando pela tutela do direito em detrimento da correta identificação (uma espécie de fungibilidade). 7 - AÇÕES PSEUDOINDIVIDUAIS? Kazuo Watanebe defende a existência de ações pseudoindividuais. Tais ações são aquelas que, apesar de serem individuais, atingem toda uma coletividade, comportando-se como verdadeiras ações coletivas. Ex: um determinado sujeito que mora nos arredores de uma fábrica poluidora promove uma ação para que a empresa parar de poluir. Essa ação além de afetar o demandante (que é titular de um direito individual já que mora nos arredores da fábrica e tem danos por conta da poluição) vai afetar toda a comunidade atingida pela poluição. Ex: ações sobre tarifas de telefonia.

CAPÍTULO III – Princípios da Tutela Coletiva
Obs: Tanto os princípios como as regras são normas jurídicas, com força vinculante. 1 – PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL COLETIVO A estruturação de um processo coletivo exige um regramento distinto do previsto para as ações individuais, que não alcançam as peculiaridades do processo coletivo. O DPL coletivo tem os seguintes subprincípios:
1.1 – princípio da adequada representação (legitimação)

Tal princípio impõe o controle judicial da adequada representação. Legitimação conglobante: para que um sujeito seja considerado legitimado a propor uma ação coletiva, além de estar previsto em lei no rol dos legitimados, deve ter condições de adequadamente desenvolver a defesa em juízo dos direitos afirmados. A parte, para ter legitimidade, precisa ser capaz de atuar satisfatoriamente. É necessário que o legitimado exerça da defesa do direito coletivo em sua plenitude e guie o processo com recursos financeiros adequados, qualificação técnica e probidade. Isso decorre da forte presença de interesse público primário nas ações coletivas (IMPORTANTE!). 1.2 – princípio da adequada certificação da ação coletiva O juiz deve atestar, em uma fase inicial do procedimento, que se trata mesmo de uma ação coletiva. Com isso, segue-se todas as peculiaridades de uma ação coletiva. 1.3 – princípio da coisa julgada diferenciada e a “extensão subjetiva” da coisa julgada secundum eventum litis à esfera individual A coisa julgada coletiva possui uma série de distinções em relação à coisa julgada individual: a- Como regra, ela é secundum eventum probationis b- Os titulares dos direitos individuais não serão prejudicados, somente beneficiados, pela decisão coletiva
c- Fica garantido ao titular de um direito individual a utilização da sentença

coletiva em seu favor (transporte in utilibus da coisa julgada) Obs: tem capítulo específico sobre coisa julgada coletiva mais pra baixo. 1.4 – princípio da informação e publicidade adequadas Abarca a adequada representação aos membros do grupo, por meio de editais. Essa comunicação serve para que o titular do direito possa fiscalizar a condução do processo pelo legitimado extraordinário, bem como exercer o right to opt out (direito de sair) propondo uma ação individual concomitante ou não suspendendo a ação individual. Abarca Tb o princípio da informação aos órgãos competentes (art. 6º e 7º da lei nº 7347/85). 1.5 – princípio da competência adequada (forum non conveniens e forum shopping) Tendo em vista a natureza do direito em jogo, cujo titular pode ser um agrupamento de pessoas quem podem estar em lugares distintos, a competência é um dos aspectos mais polêmicos que envolvem as causas coletivas. No que tange a competência, o legislador optou por um sistema de foros concorrentes (diversos juízos competentes) para os casos de dano nacional ou regional.

Nesses casos [dano regional ou nacional] o sujeito passivo pode ser demandado em qlq capital de estado ou em Brasília (art. 93 do CDC). Fórum shopping é justamente a possibilidade dada ao autor da demanda de escolha entre foros concorrentes. Fredie aponta que essa escolha tem por critérios dificultar a defesa do demandado ou pq o autor sabe que determinado juízo tem um posicionamento que lhe é favorável. Tendo em conta esses aspectos, com o fim de evitar o abuso de direito por parte do demandante, fredie afirma que deve ser inserido no sistema o princípio da competência adequada. (perceba que esse princípio ainda não existe no ordenamento jurídico brasileiro) O princípio da competência adequada tem origem nos EUA. Consiste no seguinte: o juiz da causa, ao receber a demanda, deverá controlar a competência adequada através do princípio do forum non conveniens, que nasceu com freio ao forum shopping. Pelo princípio da competência adequada entende-se que o juiz é competente para avaliar a sua própria competência, evitando, dessa forma, julgar causas para as quais não seja o juízo mais adequado, seja em razão do direito seja em razão dos fatos debatidos. Pelo princípio da competência adequada, é competente aquele juízo que se mostre mais adequado para atender aos interesses das partes ou às exigências da justiça em geral. Frisa-se mais um vez, entretanto: esse princípio ainda não foi inserido no ordenamento jurídico pátrio!! 1.6 – princípio da primazia do conhecimento de mérito do processo coletivo O princípio da primazia do conhecimento de mérito é uma decorrência do princípio da instrumentalidade substancial das formas. Ou seja, aplica-se os sistema das invalidades (somente se invalida se houver prejuízo) tb na análise do juízo de admissibilidade da demanda. Em outras palavras, somente se extingue sem julgamento de mérito se a causa da invalidade for insuperável e se gerar prejuízo a parte que não deu causa. Essa idéia serve tb para a tutela individual, mas no âmbito da tutela coletiva é ainda mais evidente. Esse princípio parte da idéia de que questões meramente formais não podem embaçar a finalidade do processo, permitindo ao juiz que seja mais flexível na análise do preenchimento dos requisitos de admissibilidade processual. Não é possível que o poder judiciário fique preso a questões formais, devendo flexibilizar os requisitos de admissibilidade processual para enfrentar o mérito da causa. Obs: perceba uma implicação: existe hoje uma divergência no que se refere à improbidade administrativa. Alguns entendem que ela deve ser veiculada por ACP outros entendem que ela só pode ser veiculada por ação própria (ação de improbidade administrativa). Pelo princípio ora analisado isso pouco importa. Desde que a demanda esteja apta a produzir os resultados que pretende foda-se se é ACP ou ação de

Obs: outro exemplo é que a ilegitimidade ativa em processo coletivo implica a sucessão processual em vez da extinção do processo sem exame de mérito (o mesmo se diga da desistência). 3 – REPARAÇÃO INTEGRAL DO DANO O dano ao grupo deve ser reparado integralmente. afastando a coisa julgada material quando a sentença deriva de uma ficção (distribuição do ônus da prova). o MP (ou outro legitimado) executa para o fundo. Obs: sempre que o MP não for parte deverá atuar na causa como fiscal da lei. Obs: um exemplo desse princípio é na previsão de coisa julgada secundum eventum pronationis (não faz coisa julgada a improcedência por falta de provas).improbidade. mesmo que entenda ser a ação manejada indevida. sendo obrigatório que o MP (ou outro legitimado) prossiga com a causa no caso de desistência infundada ou abandono do ente legitimado que a propôs (art. devendo o juiz avançar e julgar o mérito da questão em qlq caso. O que o legislador pretendeu com isso é que a coisa julgada só se forme quando o juiz de fato analisa o mérito da causa. este se retira da natureza da ação popular e da ação de improbidade administrativa. 2 – PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DA DEMANDA COLETIVA O processo coletivo vem impregnado com a idéia de indisponibilidade do interesse público (processo de interesse público). não se podendo abrir mão de uma condenação já imposta. de modo que nada fique irressarcido. O fluid recovery é uma outra faceta desse princípio. IMPORTANTE! Prova disso é que o arquivamento do inquérito civil deve sujeitar-se a controle pelo Conselho Superior do MP (o promotor arquiva e manda ao conselho superior do MP para ver se concorda). Se em 60 dias do trânsito em julgado o legitimado não requerer a execução. cabe ao MP fazê-lo. Obs: antes de assumir a causa o MP (ou o outro legitimado) deve fazer um juízo de conveniência/oportunidade. Mesmo que não tenha sido feito pedido de condenação. §1º LACP). admitindo-se uma espécie de pedido implícito. vez que não há a obrigatoriedade de prosseguir com uma lide infundada ou temerária. Não havendo habilitação de interessados em número compatível com o dano. . IMPORTANTE! Na demanda executiva a indisponibilidade não comporta exceções. 5º. Princípio da disponibilidade motivada da ação coletiva: motivada pq a desistência infundada gera apenas a sucessão processual e não a extinção da ação. É dever do estado efetivar o direito coletivo latu sensu.

mas sim de competência territorial. I do CDC e o art. permitindo-se. Obs: esse princípio tem a ver com a possibilidade de controle judicial de políticas públicas. ao estabelecer competência territorial absoluta (chamou de competência funcional) ao foro do local do dano atribuiu competência federal às varas estaduais se no local onde ocorreu o dano não tivesse JF. O que deve ficar na sua mente. Pela leitura desse artigo chega-se a conclusão de que para a ACP é preciso a ocorrência efetiva de dano (ação repressiva). que nem por isso deixou de ser competência territorial). Obs: a previsão de competência funcional = competência territorial absoluta  o legislador adotou para a determinação de competência nas causas coletivas a denominação competência funcional (art. em 2000 (RE 228. É preciso ter em mente que a natureza da tutela jurisdicional coletiva exige uma interpretação mais flexível das regras de competência. nas comarcas que não sejam sede de vara da justiça federal. A peculiaridade é que é competência territorial absoluta (a exemplo do art. 2º LACP). ajuizamento de ação coletiva preventiva. permitindo a tutela preventiva do dano. 2º da LACP é bastante para permitir o julgamento de causa federal por juiz estadual onde não houver vara federal. estudioso de concurso que esta lendo isso. principalmente na competência territorial. Essa súmula foi cancelada!!!! O que prevalece hoje é o pensamento do STF (que realmente está correto). além de estarem espalhadas por todo território nacional. por haver uma forte presença de interesse público. pois não é caso de competência funcional. muitas delas compostas por pessoas que não possuem qlq vínculo entre si.4 – PRINCÍPIO DO ATIVISMO JUDICIAL Sobretudo nos processos coletivos. É preciso que o processo passe pelo filtro da competência adequada. ainda que a união figure no processo”). 93. Esse artigo fala que é competente para a ACP o foro do local onde ocorreu o dano. 2º da LACP. Trata-se de uma impropriedade do legislador. 209 do ECA tem redação mais acertada (o primeiro fala em local onde ocorreu ou deva ocorrer o dano. o art.955-9- . processar e julgar ACP. 2º da LACP. é que quando o legislador disse competência funcional ele quis apenas afirmar que se trata de competência absoluta (que nem por isso deixa de ser territorial)!! Obs: tutela preventiva do dano  observe o art. e o segundo fala em local onde ocorre). portanto. Obs: a competência para ACP e o julgamento de causa federal por juiz estadual  muito já se discutiu se o art. Em contrapartida. Como se trata de um microssistema de processo coletivo as disposições do ECA e do CDC (mais acertadas) devem ser estendidas para todos os casos (inclusive ACP). é preciso muito cuidado na identificação das regras de competência. O STF. CAPÍTULO IV – Competência 1 – COMPETÊNCIA TERRITORIAL Obs: princípio da competência adequada  como a ação coletiva atinge direitos que pertencem a coletividades. 95 do CPC. Tal posicionamento redundou na súmula nº 183 (“compete ao juiz estadual. O STJ tinha (não tem mais) o seguinte entendimento: o art. o juiz tem um papel fundamental.

alguns membros do MP têm ajuizado ações coletivas para tutelar o reflexo local do dano nacional (como se o dano fosse local). É necessário que o juiz avalie se o foro onde foi proposta a ação é adequado para o julgamento da causa. No caso não existe qualquer previsão na LACP nesse sentido. não há que se falar em delegação de competência federal para o julgamento de ACP. Que fique claro: ainda que não exista vara federal no foro do local do dano esse local (do dano) estará sob a jurisdição de alguma vara federal (de uma localidade próxima. É ai que entra o princípio da competência adequada. ainda. afirmou que somente é possível a delegação de competência federal à vara estadual (a teor do que dispõe o art. Assim. b) competência quando o dano ou o ilícito for regional É questão ainda mais complicada. II do CDC. a) competência quando o dano ou ilícito for nacional Art. 93. Ex: não tem vara federal em Alegre. Se não for o juízo competente. IMPORTANTE! É preciso ponderar. com base nessa idéia. No que se refere a danos nacionais. A LACP só fala que será competente o foro do local do dano. Alguns afirmam que é aquele que atinge alguma das 5 regiões do país. II) prevê a competência de qlq capital. vale dizer que não existe definição do que seja dano regional. mas este município é atendido pela vara federal de Cachoeiro). 2ª – a competência seria exclusiva do DF. Inicialmente. se qlq capital de estado é competente para a causa coletiva de dano nacional.842-DF) e afirmou que os foros das capitais dos estados e do distrito federal possuem competência concorrente para processar e julgar as ações coletivas cujo dano é de âmbito nacional. 93. Perceba uma parada: se o âmbito é de abrangência nacional é óbvio que ele é de abrangência local (quero dizer o seguinte: se um dano atinge todo o Brasil certamente ele atinge tb a cidade de Muriaé-MG. que está no Brasil). indo de encontro ao espírito do processo coletivo (que é dar tratamento molecular às demandas). Fredie afirma que isso não é correto pois causa a fragmentarização de demandas que se multiplicariam indevidamente. Pois bem. §3º da CF) se houver expressa previsão em lei. 109. IMPORTANTE! O STJ pacificou a matéria (conflito de competência nº 26. remete-se ao juízo competente (ao invés de extinguir a ação). 93. O CDC (art. outros que é aquele que atinge um número mínimo de cidades (fredie afirma: “a questão é complicada!”). duas foram as interpretações surgida a partir do art. .RS). II do CDC: 1ª – haveriam foros concorrentes: capital dos estados-membros e do distrito federal.

A conseqüência dessa limitação territorial dos efeitos subjetivos da coisa julgada vai de encontro ao princípio mais elementar do processo coletivo.contraria a natureza dos direitos coletivos. impondo exigências absurdas e irrazoáveis.cria diferença ao tratamento processual dado aos brasileiros e dificulta a proteção dos direitos coletivos em juízo. 16 LACP e art. É possível que a capital de qlq estado julgue a causa?? É possível que Porto Velho (p. Pois bem. que é o tratamento molecular do conflito e a indivisibilidade do bem tutelado (tratar de tudo em uma só ação). É um dano regional? Pode se dizer que sim pq atinge apenas um pedaço do território nacional. compete à capital do Estado onde o dano ocorreu. (observe que pela lei pode ser qlq capital de estado msm) c) competência quando o dano ou o ilícito for estadual Não existe regra expressa.ex. São inconstitucionais. Por analogia à competência em relação ao dano nacional. Tais artigos visam uma restrição subjetiva à coisa julgada em ação coletiva. Tal previsão permite (até mesmo exige) o ajuizamento de tantas ações quantas sejam as divisões das comarcas. .Fredie aponta alguns exemplos e faz indagações (sem responder de forma categórica ao problema).) julgue?? Analisando pelo princípio da competência adequada. embora a propaganda passe em todo país.A RESTRIÇÃO TERRITORIAL DA EFICÁCIA DAS DECISÕES EM AÇÃO COLETIVA Art. A ACP é proposta em Vitória/ES (dano nacional. 2º da lei 9494/97. Ex: uma ação coletiva com base nos direitos individuais homogêneos dos telespectadores de uma propaganda enganosa. . Segundo Fredie tais disposições são inconstitucionais e infelizes. os efeitos da coisa julgada ficariam limitados à Vitória. impondo uma limitação territorial aos efeitos da coisa julgada. Fredie aponta as seguintes críticas à limitação territorial dos efeitos da coisa julgada: . fredie propõe que sejam competentes somente juízos que tem alguma coisa a ver com a causa. mesmo que sejam demandas iguais. pois ferem o princípio da razoabilidade. que é a indivisibilidade.prejuízo à economia processual. pode ser ajuizada em qlq capital). Tal fato gera a possibilidade de julgamentos díspares para casos idênticos (IMPORTANTE!). 2 . que fica restrita ao âmbito da jurisdição do órgão prolator. Vejamos: Ex: um dano que ocorre na região da estrada real (Bahia e Minas e Rio) é um dano nacional? Pode-se dizer que sim pois atinge a história do brasil. .

16 da LACP é uma merda (inconstitucional e irrazoável). III só se aplica à essa espécie de direitos coletivos. O que se objetivou com essas previsões foi a fragmentação das decisões coletivas. 93. não há pressa nenhuma em tratar dessa assunto). O mesmo se diz de dano regional. quando diz que para o dano nacional a competência é da capital de estado ou a capital federal se está ampliando a competência do órgão prolator. 93.ex. Da mesma forma. p.há uma clara ilogicidade em relação às regras de competência previstas no CDC (art. cujo julgamento vinculará todo o território nacional. o art. para vincular todo o território nacional deveria ter uma ACP em cada comarca do Brasil. 93.III do CDC (o que o STJ não considerou é que. por se tratar de um microssistema. uma sentença coletiva brasileira somente pode produzir efeitos nos limites do órgão prolator. Nas demandas coletivas o interesse é essencialmente indivisível. a regra do art. se homologada pelo STJ uma sentença de qlq país é apta a produzir efeitos em todo território nacional. IMPORTANTE! Nelson Nery afirma que tal dispositivo é inconstitucional pois foi introduzido por Medida Provisória sem que estivessem presentes os requisitos da urgência e relevância (sobretudo urgência. 93). Obs: quero dizer. pelo princípio do microssistema. III do CDC se aplica tb aos direitos difusos e coletivos). 16 da LACP não se aplica às causas que envolvem direitos individuais homogêneos. 93. desnaturando todo o sistema de extensão subjetiva dos efeitos das decisões coletivas. há uma luz no fim do túnel: o STJ/2007 entendeu que a limitação do art. sob o argumento de que o art. o STJ já sinalizou que o dispositivo não se aplica às ações que envolvem direitos individuais homogêneos por conta do art. III do CDC se aplica a todas as ações coletivas. No entanto. não teria sentido o legislador prever. Nelson Nery aponta a seguinte questão: desde que homologada. Conclusão: o art. uma sentença brasileira pode produzir efeitos em qlq lugar do planeta. Obs: O que está errado no entendimento do STJ é que. essa limitação territorial dos efeitos da coisa julgada conduz a ploriferação de demandas. além de ir de encontro a todo o sistema processual coletivo. Trata-se de um absurdo sem precedentes. o STJ vem aplicando. Entretanto. que para um dano nacional a competência seja de Brasília se o efeito dessa coisa julgada somente vincular Brasília. 16 da LACP. . Se valesse de fato a regra do art. Caso contrário essa regra de competência não teria o menor sentido. Apesar disso. o que pode levar a resultados distintos.. A lógica da tutela coletiva está justamente no tratamento único de um caso que pode envolver inúmeras pessoas. IMPORTANTE! O STJ tem aplicado esse dispositivo escroto!! IMPORTANTE! Entretanto. ferindo o princípio da isonomia. Como dito. o que impõe uma decisão única..

na esfera penal. Segundo o STF o precedente do Rcl 2138 só se aplica aos min. Conclusão: hoje não existe mais divergência alguma. passando a ser aplicável aos agentes políticos a lei de improbidade administrativa. o que é impossível. Para ele uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.CONEXÃO . CAPÍTULO V – Conexão e Litispendência Entre Ações Coletivas e a Relação entre Ações coletivas e Ações Individuais 1 . Ou seja. Joaquim Barbosa é um dos que defendem tanto a aplicação da lei de improbidade como do crime de responsabilidade. o Lula.628/02. b) Competência para julgamentos Responsabilidade e bis in idem) dos agentes políticos (Crime de Essa sim é uma grande questão: os agentes políticos podem ser condenados por improbidade administrativa ou só lhes cabe a imputação de crime de responsabilidade? IMPORTANTE! Na reclamação 2138. de estado e aos min.628/02 (prerrogativa de função) Antigamente existia controvérsia sobre se era possível aplicar o foro por prerrogativa de função. já que as regras que definem a competência do STJ e STF estão previstas na CF. do STF. Com essa lei foi criada uma hipótese especial de competência cível por prerrogativa de função. previsto para alguns agentes. o Pelé. às ações de improbidade administrativa. pelo apertadíssimo placar de 6x5 o pleno do STF disse que agentes políticos não se submetem a lei de improbidade administrativa.3 . uma coisa é a punição política por crime de responsabilidade.COMPETÊNCIA PARA A AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA a) a inconstitucionalidade da lei federal nº 10. seja contra quem for (pode ser até contra o Papa. o Adriano Imperador. IMPORTANTE! O min. o Didi Mocó – sempre será no primeiro grau). IMPORTANTE! Em 2009 o STF entendeu cabível a condenação de um prefeito por improbidade administrativa. Ocorre que com a mudança na composição do STF a tendência que vem sendo demonstrada é pela mudança desse posicionamento. que alterou o CPP e previu expressamente o foro por prerrogativa de função para ação de improbidade administrativa. Ocorre que tal norma foi julgada inconstitucional pelo STF já que houve uma ampliação das regras de competência do STF e STJ via norma infraconstitucional. sendo pacífico que ação de improbidade administrativa (como qlq ação civil) só pode ser ajuizada no primeiro grau de jurisdição. outra coisa é a condenação civil por improbidade administrativa. Esse é o posicionamento atual. foi publicada a lei nº 10. Para suprir a discussão.

as causas devem ser reunidas. fazendo com que um só juiz julgue as diferentes causas conexas. somente se não for possível a reunião é que teremos a suspensão de uma das causas. veja o quadro abaixo: Mesma competência territorial  Competência territorial diferente  Ações coletivas  Primeiro despacho (art. §ú da LACP prevê a conexão quando as ações possuírem o mesmo objeto (pedido) ou a mesma causa de pedir (obs: os critérios de conexão entre as ações coletivas são os mesmo que nas ações individuais). a luz das peculiaridades do caso concreto. IMPORTANTE! a reunião das causas é o efeito principal e desejado. no processo civil comum as demandas reputam-se conexas quando há identidade no pedido ou na causa de pedir (aspectos objetivos da demanda).quando não for possível a junção dos processos com a modificação da competência. 106 CPC) Primeira citação válida (art. Os objetivos da conexão são: evitar a prolação de decisões contraditória e a economia processual. Então. A conexão pode gerar os seguintes efeitos: . de modo a evitar decisões contraditórias. # qual é o juízo prevento? R: depende. 103 do CPC. (caso as causas tramitem em juízos com competência absoluta distintas ou que os procedimentos sejam incompatíveis não será possível a modificação da competência). # em qual juízo as ações devem ser reunidas? R: no juízo prevento. . a conexão gera o efeito de suspender uma das causas a espera da outra. . ficando a cargo do juiz definir quando. 219 CPC) Onde a primeira demanda foi proposta Para as ações coletivas considera-se prevento o juízo onde foi proposta a primeira demanda. b) A conexão e a prevenção na tutela jurisdicional coletiva O art. É uma relação de semelhança entre as demandas apta a produzir determinados efeitos processuais.o efeito normal é a modificação da competência.a) considerações gerais sobre conexão A conexão pressupõe ações distintas que mantém entre si alguma espécie de vínculo. 2º. o critério para a reunião das demandas é o da prevenção. De acordo com o art. A legislação deveria trazer apenas um conceito vago. Obs: Fredie afirma que a melhor técnica seria não ter um conceito legal de conexão.

sem nenhuma peculiaridade que exija a previsão em separado. Conclusão: a conexão só se aplica quando as ações forem propostas em comarcas com a mesma competência territorial!!!! (ex: uma proposta na 1ª vara cível de Vitória e outra na 12ª vara cível de Vitória). Com base nisso surge a dúvida: é possível reunir ações coletivas por conexão. já que os beneficiários seriam diversos (IMPORTANTE!). no processo coletivo a conexão pode ser conhecida de ofício pelo juiz. §ú) e a regra da limitação territorial dos efeitos da coisa julgada coletiva (art. Assim.ATENÇÃO: ver no caderno de processo civil que o conceito de conexão foi bastante alargado pela jurisprudência e pela doutrina. Ocorre que. Para Fredie essa é uma boa opção legislativa pois continência é apenas uma espécie de conexão. c) a conexão em causas coletivas pode importar em modificação de uma regra de competência absoluta? Como visto. a qlq tempo. 2º.LITISPENDÊNCIA a) considerações gerais sobre litispendência . O juízo prevento (para as ações coletivas) é aquele onde foi proposta a primeira demanda (considera-se proposta a demanda na data de sua distribuição ou na data do despacho. 2 . De acordo com as normas do CPC a conexão só pode modificar a competência relativa. a competência territorial nas ações coletivas é absoluta (competência funcional). já que a competência territorial é absoluta? A resposta deve ser afirmativa. outro sujeito propõe uma ação idêntica em Salvador. Pela regra do art. 16 da LACP). NOTE: existe incompatibilidade entre a regra que prevê a conexão em ações coletivas (art. 16 a coisa julgada só atinge os limites do órgão julgador. as ações devem ser reunidas em Vitória. 2º §ú da LACP. senão não teria porque a previsão do art. Obs: a legislação que trata de processo coletivo somente menciona o fenômeno da conexão. Digo isso pelo seguinte: um sujeito propõe uma ação na comarca de Vitória. no caso de na comarca só existir uma vara). com o objetivo de que a coisa julgada alcance também Salvador. deixando de prever a continência. Assim como no processo individual. nunca a absoluta. A solução encontrada pelo STJ é não aplicar a regra de conexão em casos de competência territorial distinta. pelas regras de conexão.

IMPORTANTE! o caso de tríplice identidade é onde se melhor visualiza a ocorrência de litispendência. Dessa forma. e) litispendência entre demandas coletivas que tramitam sob procedimentos diversos . IMPORTANTE! Ocorre que. Ex: dano ambiental causado pela empresa X que desmatou 1000 hectares de mata atlântica. Disso conclui-se que o pólo ativo não interfere na caracterização de litispendência (no caso de ação coletiva passiva a irrelevância está no pólo passivo). a solução é a reunião de processos. c) efeito da litispendência entre demandas com autores distintos Pelas regras do CPC a constatação de litispendência leva a extinção do segundo processo. existirá litispendência.Litispendência possui dois significados: duas ações idênticas correndo simultaneamente ou pendência de lide (ação em curso). b) litispendência entre demandas coletivas propostas por legitimados diversos A competência nas ações coletivas pode ser classificada como extraordinária (o legitimado age em nome próprio defendendo direito alheio). desse modo os autores podem atuar em conjunto em busca da proteção do interesse coletivo. se basear nessa premissa. Entretanto. em outra ação outro legitimado pede o ressarcimento pecuniário referente ao dano ambiental a ser destinado ao fundo de proteção à mata atlântica. há litispendência pq a situação posta em juízo é a mesma (é a mesma controvérsia coletiva). de modo cego. em uma ação o MP pede o reflorestamento e. Embora as partes sejam diversas e os pedidos sejam diversos. Trataremos do primeiro sentido. concorrente (há vários legitimados) e disjuntiva (qlq um dos legitimados pode atuar sozinho). é possível que haja litispendência sem que haja identidade de partes (ex: uma demanda coletiva proposta pelo MP e outra ação idêntica só que proposta pela defensoria). d) identidade da situação jurídica substancial deduzida Independente de tríplice indentidade. mesmo pedido e mesma causa de pedir. Com base nisso. existem certas peculiaridades. quando as ações são idênticas só que com autores distintos. Em uma visão tradicional (válida para o processo individual) ocorre litispendência quando há entre as demandas tríplice identidade: mesmas partes. É isso que ocorre também no processo coletivo quando se verifica a litispendência por tríplice identidade. se a mesma situação controvertida for posta em juízo em processos diversos. a análise da litispendência em ações coletivas não pode. pela existência de interesse público (processo de interesse público).

ex. embora fundadas nos mesmos fatos. Obs: repare que o prazo corre da ciência do ajuizamento. a ação individual fica parada até o trânsito em julgado do processo coletivo. 104. o nome da ação é irrelevante para a caracterização de litispendência. Ao não suspender a ação individual o sujeito está dizendo que não quer ser atingido pela coisa julgada coletiva. pode existir litispendência entre uma ACP e uma Ação Popular. A ciência inequívoca da existência do processo coletivo e o ônus do demandado de informar o autor da ação individual A coisa julgada coletiva não pode prejudicar os direitos individuais. Trata-se do transporte in utilibus da coisa julgada coletiva para o plano individual. no art. p.Pelo princípio da atipicidade da tutela coletiva pode-se dizer que qlq espécie de ação serve à tutela de interesses coletivos. 3 . o direito de optar por ficar excluído dos efeitos da coisa julgada coletiva se exerce quando. IMPORTANTE! o transporte in utilibus não ocorrerá se não houver a suspensão da ação individual no prazo de 30 dias a contar da ciência inequívoca do ajuizamento da ação coletiva.RELAÇÃO ENTRE A AÇÃO COLETIVA E A AÇÃO INDIVIDUAL a) a ação coletiva não induz litispendência para a ação individual O CDC. Nada mais óbvio já que as ações não são idênticas. O prosseguimento simultâneo de ação individual excluirá o seu autor dos efeitos benéficos da coisa julgada coletiva. Quando fundadas nos mesmos fatos. o autor da ação individual não a suspende no prazo de 30 dias. apenas beneficiálos. Dessa forma. embora não haja litispendência. afirma que não há litispendência entre ação coletiva e ação individual. após a ciência do ajuizamento de ação coletiva. nas ações individuais se pleiteia direito individual. Ou seja. . b) o pedido de suspensão do processo individual. na ação coletiva se pleiteia direito coletivo lato senso. Se optar por suspender. ou seja. Obs: O right to opt out. há relação de preliminariedade já que a procedência dessa ação coletiva sobre direitos difusos torna desnecessária a ação coletiva com base em direitos individuais homogêneos por conta do transporte in utilibus da coisa julgada. não do ajuizamento em si. f) há litispendência entre uma ação que verse sobre direitos difusos e outra que verse sobre direitos individuais homogêneos? Para Fredie a posição correta é a que afirma não ser possível a litispendência entre uma ação coletiva que trate de direitos individuais homogêneos e outra que trate de direitos difusos.

# até quando pode ser requerida a suspensão da ação individual? R: Fredie diz que o pedido de suspensão pode ser requerido até antes do trânsito em julgado da ação individual. de pedido e da parte ativa da demanda. que isso pode gerar uma situação um pouco injusta quando o processo coletivo tiver início só após o trânsito em julgado da ação individual. 2ª – legitimação ordinária das entidades civis: os entes legitimados agem na defesa de seus próprios objetivos institucionais. c) há continência entre a ação coletiva e a ação individual? A pergunta que deve ser feita é a seguinte: seria possível considerar o pedido da ação coletiva mais abrangente do que o da ação individual e. já que isso tumultuaria muito a condução do procedimento. portanto. contudo. CAPÍTULO VI – Legitimação Ad Causam nas Ações Coletivas 1 . Obs: Gajardoni fala que a corrente correta é a da legitimação autônoma para a condução do processo. Sem essa ciência inequívoca. 81 do CDC: .Cabe ao réu da ação coletiva a obrigação de dar ciência inequívoca ao autor da ação individual da existência da ação coletiva. Seria a autorização. pq há diversidade de causas de pedir (uma causa é coletiva e outra é individual). Nesse caso o autor individual sequer teve a chance de optar pela suspensão.NATUREZA JURÍDICA DA LEGITIMAÇÃO COLETIVA Existem três correntes que tentam explicar a natureza jurídica da legitimação em processo coletivo: 1ª – substituição processual: trata-se de legitimidade extraordinária. o autor da ação individual não será prejudicado pelo prosseguimento da ação coletiva. independente da relação de direito material. à condução do processo por um ente que não tenha relação com o direito material deduzido. dada pelo direito. Os titulares do direito são os do art. Os legitimados para as ações coletivas agiriam em nome próprio na defesa de direitos alheios (da coletividade). 3ª – legitimação autônoma para a condução do processo: trata-se de uma espécie de legitimação objetiva. Os titulares do direito são uns e os legitimados são outros. reconhecer a existência de continência entre essas demandas? Ricardo de Barros Leonel afirma não existir continência nesses casos. Obs: Fredie lembra que ainda que isso seja possível o efeito não pode ser o da reunião dos processos. Observa-se. Fredie prega que a corrente correta é a da legitimação extraordinária (substituição processual).

assim entendidos. assim entendidos os decorrentes de origem comum. ou a título coletivo. para efeitos deste código. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I . § 1° O requisito da pré-constituição pode ser dispensado pelo juiz. III . Por sua vez. a legitimação extraordinária (substituição processual) exclusiva e autônoma. IV . definiu a titularidade dos direitos difusos. os legitimados para a defesa dos direitos coletivos são os do art. Quer dizer. 82. de interesses próprios. 81. de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. os transindividuais. pois os próprios titulares do direito não podem fazer valer. que entendeu mais bem aparelhados para a ação (art. os Estados. baseando-se no fato de que os entes legitimados tratam. Obs: Fredie fala que o direito brasileiro adotou.as entidades e órgãos da Administração Pública. assim entendidos. são legitimados concorrentemente: (Redação dada pela Lei nº 9. diretamente. no processo coletivo. ainda que sem personalidade jurídica. 82 do CDC: Art. parágrafo único. Assim. 91 e seguintes.interesses ou direitos coletivos. está errada. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base.a União. Parágrafo único. ligados a seus fins institucionais e também de interesses da coletividade.interesses ou direitos individuais homogêneos. Lembrar que é um microssistema (normas se interpenetram) Obs: para o Fredie a corrente que prega que a natureza jurídica é de legitimidade ordinária.Art. de natureza indivisível de que seja titular grupo.1995) I . II . coletivos e individuais homogêneos (art. os Municípios e o Distrito Federal. . direta ou indireta. No processo coletivo isso não se aplica. ex. ao mesmo tempo. os transindividuais. 81.o Ministério Público.3. III .interesses ou direitos difusos. de forma exclusiva. agindo sem a necessidade de autorização (é a lei quem autoriza). para efeitos deste código. ATENÇÃO: no processo individual a substituição processual faz com que o substituído seja atingido pela coisa julgada. nas ações previstas nos arts. 5º LACP). qlq que seja o resultado do processo.as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código. seus direitos subjetivos coletivos. especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código. Para os fins do art. dispensada a autorização assemblear. o que não ocorre. em nome do direito subjetivo de outrem. II . de natureza indivisível. 81 do CDC) e atribuiu a proteção desses direitos a outros sujeitos. Segundo o autor.008. o autor é substituto processual. se tal corrente fosse verdadeira. a defensoria pública). A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente. seria necessário sempre investigar quais são as finalidades estatutárias dos entes que estão em juízo demandando na ação coletiva. somente sendo possível o transporte in utilibus da coisa julgada. ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano. Obs: além desses a LACP traz um rol com outros legitimados (p. de 21.

se diz que a legitimação coletiva é plúrima e mista. como o rol dos legitimados está previsto em lei.. concorrente e disjuntiva. cabendo a ele simplesmente aferir se aquele que pretende entrar com a ação consta no rol dos legitimados. Vejamos cada uma dessas características separadamente.CARACTERÍSTICAS DA LEGITIMAÇÃO COLETIVA E O PROBLEMA DO INTERESSE DO SUBSTITUTO A legitimação extraordinária coletiva é autônoma. Obs: o sistema da class action norte americana adotou a legitimação fundada na adequada representação. ou seja tanto na procedência como na improcedência do pedido). associações e partidos políticos) c) Legitimação de órgãos do poder público (MP.) estão previstos na lei.. Obs: ao que tudo indica. de acordo com Fredie. somente ocorre na ação popular). mista pq são legitimados entes do Estado e da Sociedade Civil. tudo certo (quer dizer. Ou seja.) Por este motivo.. 2. cabe ao juiz o controle da legitimação ativa no processo coletivo. defensoria.LEGITIMAÇÃO ATIVA Como visto. No sistema brasileiro o rol dos legitimados e as condições para que exerçam a legitimação (ex: representação no congresso nacional para o partido político poder impetrar MS coletivo. exclusiva. Nesse sistema [dos EUA] a coisa julgada atinge a todos os membros da classe pro et contra (independente da solução da lide. b) Legitimação de pessoas jurídicas de direito privado (sindicatos. 94 do CDC) . a defensoria pública está no rol dos legitimados da ACP sem qlq restrição. 1.. assim. o juiz não tem a prerrogativa de controlar essa legitimidade. 3 . São três as técnicas de legitimação adotadas pelo sistema coletivo brasileiro: a) Legitimação do particular (é exceção. não podendo o substituído (titular do direito) conduzir o processo. só que o fredie não se pronuncia expressamente. o direito coletivo brasileiro optou pelo sistema da legitimação extraordinária (art. O direito brasileiro seguiu um outro caminho. Em outras palavras. existência a mais de 1 ano para a associação impetrar ACP. Plúrima pq são vários os entes legitimados. 6º CPC).2 .Autônoma: há legitimação extraordinária autônoma quando o legitimado extraordinário está autorizado a conduzir o processo independentemente da participação do titular do direito litigioso (o substituto vai sem o substituído). o legitimado somente será legitimado se a legitimação for confirmada pelo juiz. Se constar.Exclusiva: a legitimação é somente do substituto. se tratar-se de direito individual homogêneo (art. a defensoria poderia ajuizar ACP em qlq caso) . Somente é possível a participação do titular do direito material na ação na condição de assistente litisconsorcial.

Conclusão: o MP tem legitimidade para a defesa de direitos individuais homogêneos disponíveis. que o MP possui legitimidade para a ação quer se trata de direito homogêneo indisponível ou disponível. que tem ocupado o judiciário. sendo disponível. desde que relevantes ou de grande repercussão. p. o certo é que a legitimação coletiva possui as seguintes características: a) Está regulada por lei (art. Com isso. Fredie deixa transparecer que não é possível o controle judicial da legitimação processual coletiva. contudo. Nestes casos. o juiz não pode dizer que. Prevalece. concorrente e simples. finalidade afeta “sempre” ao MP.Disjuntiva: apesar de concorrente. IMPORTANTE! A substituição processual independe da existência de um específico interesse processual ou material do substituído: o que se deve verificar é a existência de um interesse processual na solução do conflito. pertencentes a titulares individuais é questão não pacífica. até mesmo. desde que. exclusiva.. Não poderia o . # o MP pode ajuizar ação coletiva para a proteção de direitos individuais homogêneos? R: a legitimidade do parquet para a defesa de direitos patrimoniais disponíveis. 4 . mas interesses sociais..CONTROLE JURISDICIONAL DA LEGITIMAÇÃO COLETIVA Existem duas correntes sobre a possibilidade de controle judicial: 1ª corrente  Há quem afirme que no Brasil para a legitimação coletiva é necessário a análise do texto da lei. qlq deles podendo entrar com a ação coletiva. privados e despersonalizados. Ou seja. não sendo relevante a informação de quem seja o substituto processual. a meu ver. Obs: já vi em julgados desse ano que o MP possui legitimidade para a defesa de direitos individuais indisponíveis tb. 4. já que se trata de legitimação ope legis.3. não o juiz. É a lei quem diz quais são os legitimados. sem relacioná-lo à figura do substituto processual. não serão simples direitos individuais. que possuem legitimação autônoma.Concorrente: é concorrente entre os legitimados extraordinários (e não entre esses e os titulares do direito material) na medida em que vários são os legitimados extraordinários para a tutela dos direitos coletivos. a defensoria não pode ajuizar ACP sobre o direito individual homogêneo dos acionistas da bolsa de valores pq isso não é afeto aos interesses da instituição. 5º LACP. na ação popular c) O legitimado coletivo atua em nome próprio na defesa de direitos que pertencem a um agrupamento humano d) Esse agrupamento humano não tem personalidade jurídica. cuja defesa cabe aos legitimados coletivos. A possibilidade jurídica do pedido e o interesse de agir devem ser examinados em relação à situação jurídica litigiosa posta em juízo.) b) É conferida a entes públicos. Enfim. ao cidadão..ex. cada entidade legitimada exerce a legitimação independentemente da vontade dos demais co-legitimados. seja relevante (presença forte de interesse público primário) ou de amplitude significativa (grande número de direitos individuais lesados). portanto não pode atuar em juízo para proteger os seus direitos. e.

. Essa doutrina parte da premissa (que o fredie julga estar correta) de que não é razoável imaginar que uma entidade. a legitimação coletiva seria. das Confederações e entidades de classe. teria estabelecido uma presunção absoluta de quem seriam os “representantes adequados” não cabendo essa análise ao magistrado. mas da interpretação que esta Corte fez diretamente do texto constitucional.792. É de aplicar-se.Na ADI 1. e requisito que não decorreu de disposição legal. com base na experiência americana.99. possa propor qlq demanda coletiva.11. É preciso verificar se o legitimado coletivo reúne os atributos que o tornem o representante adequado para a melhor condução de determinado processo coletivo. esse requisito persiste não obstante ter sido vetado o parágrafo único do artigo 2º da Lei 9. conforme as características do legitimado. 2ª corrente  Existem outros. seria feita em dois momentos: 1º momento: verifica-se se a parte encontra-se no rol taxativo dos legitimados para a condução do processo coletivo. pois. Obs: para os defensores dessa corrente nem mesmo o MP seria um legitimado coletivo universal A pertinência temática entre o legitimado e o objeto litigioso é um exemplo de critério para a aferição da legitimação coletiva. o precedente acima referido. pouco importando suas peculiaridades. devendo essa adequação ser analisada pelo magistrado. em determinado caso em concreto. Ação direta de inconstitucionalidade não conhecida.868. por se ter entendido que os notários e registradores não podem enquadrar-se no conceito de profissionais liberais. (ADI 2482/MG) . de 10. a mesma Confederação Nacional das Profissões Liberais – CNPL não teve reconhecida sua legitimidade para propô-la por falta de pertinência temática entre a matéria disciplinada nos dispositivos então impugnados e os objetivos institucionais específicos dela. A análise da legitimação coletiva. entre outros. no caso em concreto. que.Sendo a pertinência temática requisito implícito da legitimação. ao prever um rol taxativo de legitimados. para essa corrente. direito de conduzir o processo. admitem o controle judicial da “representatividade adequada”. Esses permitem que o juiz possa controlar a legitimação coletiva no caso em concreto. A verificação da adequacy of representation seria tarefa do legislador. no caso. ope legis. . Vejamos o STF: Ação direta de inconstitucionalidade. portanto. Falta de legitimidade ativa. pela simples circunstância de estar autorizada pela lei (de forma abstrata) para a condução do processo coletivo.magistrado afirmar que um ente legalmente legitimado não possui. 2º momento: o juiz faz o controle em concreto da adequação da legitimidade para aferir se estão presentes os elementos que asseguram a representatividade adequada dos direitos em tela. Confederação Nacional das Profissões Liberais – CNPL. porém. Para essa doutrina o legislador.

impede que a solução da ilegitimidade ativa nas ações coletivas gere a simples extinção sem exame de mérito. convocado ao processo por meio da publicação de editais. A correta solução para casos como este é o aproveitamento do processo coletivo. O art. É a função de cuidar dos necessitados. que poderá vir a ser disciplinada nos projetos de código de processo coletivo em trâmite no congresso. nas esferas administrativa e judicial. 9º do CPC) Até a edição da lei 11448/07 (que alterou a LACP) a doutrina e a jurisprudência eram desfavoráveis ao ajuizamento de ação coletiva pela defensoria. Quanto a jurisprudência do STF citada. Nesse caso. exceto em dois casos.Análise minha: essa segunda corrente é apenas uma tendência. a) função típica: é a que pressupõe a hipossuficiência econômica. Ocorre que adotar a teoria da adequada representação poderia levar (e certamente levará) a extinção do processo sem a análise de mérito. que é hipossuficiente economicamente. ao concluir pela ilegitimidade ativa do processo coletivo o juiz deve providenciar a substituição da parte quer pelo MP quer por qlq outro legitimado. atente para o fato de que se trata de uma Confederação e. 5º LXXIV.CONSEQUÊNCIA DA FALTA DE LEGITIMAÇÃO COLETIVA ATIVA O princípio da prevalência do exame de mérito e a importância das questões em debate. Uma dificuldade para a 2ª corrente: como é certo. segundo o qual faz-se de tudo para avançar até a análise do mérito. não se pode simplesmente pegar esse julgado e afirmar que em casos como o da defensoria pública isso seria aplicável. b) função atípica: não pressupõe a hipossuficiência econômica. Hoje. Isso pq a defensoria possuiu funções típicas e atípicas. na forma do art. com a substituição (ou sucessão) da parte que se reputa ilegítima. porém. procura a defensoria pública para ajuizar uma ação coletiva para evitar um dano ambiental. o STF aproximou-a do requisito de pertinência temática previsto para as associações. em processo coletivo vige o princípio da primazia do conhecimento de mérito.LEGITIMIDADE ATIVA DAS DEFENSORIAS PÚBLICAS A função da defensoria pública é a orientação jurídica e a defesa em todos os graus.uma associação de moradores. basta que se apresente alguma daquelas situações do art. 6 . Quer dizer. É importante frisar que a defensoria atua mesmo em favor de quem não é hipossuficiente econômico. 1º . seu destinatário não é o necessitado econômico. a . (lembra Guilherme Freire de Melo Barros – autor do livro da coleção leis especiais para concurso – afirma que a função de curador especial que desenvolve a defensoria não exige que o sujeito seja um necessitado econômico. Assim. 5 . 5º da lei 7347/85 autoriza a impetração desse tipo de ação por associação. é difícil não afirmar que a legitimação coletiva é ope legis e que não se pode exigir mais requisitos do que a lei exigiu. por isso. mas sim o necessitado jurídico. aos necessitados.

onde os diplomas legais se intercalam. mesmo que despersonalizado.o art. 5º da LACP. atuando esta como um órgão de defesa do consumidor. A ampliação do rol dos legitimados para a ACP segue a tendência de conferir maior proteção aos direitos coletivos. demonstração esta que deverá ser feita na fase de liquidação e execução. que. Frisa-se. para que a defensoria seja considerada “legitimada adequada” é preciso que seja demonstrado o nexo entre a demanda coletiva e o interesse de uma coletividade composta por pessoas “necessitadas”. porém. Não poderia a defensoria ajuizar ação coletiva para a defesa dos consumidores de PlayStation III ou de Mercedez Benz. poderá promover individualmente a liquidação e a execução da sentença coletiva (art. IMPORTANTE! Segundo Fredie. necessitada ou não. se as vítimas identificadas forem pessoas necessitadas. somente pode beneficiar as partes que comprovem ser necessitadas. 82. essa discussão está superada. Caso a defensoria proponha uma ação coletiva que envolva direito tanto de pessoas necessitadas. Teori Zavascki (STJ) já ficou consignado que a decisão coletiva. afirmando que a propositura de ACP é atribuição do MP. que pertencem a uma coletividade de pessoas indeterminadas – já que nesse caso não dá para saber de antemão quem é necessitado e quem não é). IMPORTANTE! Em obter dictum de voto-vista do Min. a defensoria pública somente pode promover a execução individual de sentença genérica (direitos individuais homogêneos. todas essas poderão se beneficiar com a ação (necessitados ou não). III do CDC prevê a legitimação de órgãos de defesa do consumidor. Mas qlq vítima. 2º .defensoria agiria apenas como representante judicial (conferindo capacidade postulatória à associação de moradores) a parte autora seria a associação legalmente constituída e em funcionamento a pelo menos 1 ano. que a coletividade seja composta exclusivamente por pessoas necessitadas (se fosse assim. (segundo fredie esse entendimento do STJ é errado). 97 do CDC). Veja que o CDC não legitima de forma expressa a defensoria pública. coletivos e individuais homogêneos dos consumidores. 98 do CDC). contudo. IMPORTANTE! lembra Fredie que passada a fase de conhecimento. O STF disse que a lei é constitucional sim. nos casos de ação proposta pela defensoria. IMPORTANTE! O Conselho Nacional do MP já propôs ADI alegando a inconstitucionalidade da ampliação do rol dos legitimados para a ACP. essa hipótese seria extensível a todas as ações coletivas. ainda que não se trate de direito do consumidor. já que agora está expressamente previsto a defensoria pública entre os legitimados para a propositura de ação civil pública. para atuar na defesa de direitos difusos. Lembra Fredie que como se trata de um microssistema de processo coletivo. com de pessoas não necessitadas. art. com a alteração do art. . Não é necessário. estaria praticamente excluída a legitimação da defensoria para a defesa de interesses difusos.

Como se trata de mero procedimento administrativo. É de instauração facultativa e possui função instrumental. Celso de Mello (STF) o inquérito civil é conceituado como: “procedimento meramente administrativo. em suma. CAPÍTULO VII – INQUÉRITO CIVIL 1 – NOÇÕES GERAIS Segundo o Min. não precisa de contraditório. É possível litisconsórcio entre a DPMG e a DPES. o IC somente cabe ao MP). como o TAC. Trata-se de instrumento de titularidade exclusiva do MP (apesar da pluralidade de sujeitos que recebe a titularidade ativa das ações coletivas. que se realiza extrajudicialmente. de caráter inquisitivo. . IMPORTANTE! Ficar atento pq o IC também serve para embasar atuação extraprocessual do MP. mas tb não custa nada). d) Obrigatoriedade: é não obrigatório (facultativo). É um meio de buscar provas e/ou qlq outros elementos de convicção que possam fundamentar a atuação processual do MP. já que é um órgão público (art. não é imperativo o respeito ao contraditório. no campo não penal. O IC. ação coletiva ou de termo de ajustamento de conduta (TAC) c) Natureza jurídica: procedimento administrativo. destinado a viabilizar o exercício responsável da ACP. embora em muitos casos sua observância seja aconselhável (é como no IP. O objeto do IC é. a coleta de elementos de prova e de convicção para as atuações processuais e extraprocessuais a cargo do MP.Obs: é possível o litisconsórcio facultativo entre defensorias públicas co-legitimadas a propositura da mesma ação coletiva (do mesmo jeito que é possível o litisconsórcio entre MPs). informal. Obs: a DP não tem legitimidade para instaurar Inquérito Civil Público que é procedimento investigatório exclusivo do MP. a emissão de relatórios e recomendações e etc. a realização de audiências públicas. 5º lei 7347/85).” As principais características do IC são: a) Titularidade: exclusividade do MP b) Objetivo: angariar provas e elementos de convicção para o exercício de ação civil a cargo do MP. que afeta os pescadores do rio doce. configura um procedimento preparatório. basicamente. Ex: um dano ambiental que ocorra na divisa de MG e ES. Obs: a DP pode celebrar compromisso de ajustamento de conduta. de caráter pré-processual. de caráter inquisitivo.

trata-se de um mero procedimento administrativo (e não de um processo adm). e pelas leis federais de organização do MP. III) e pelo CDC (art. ou não. trazido pela própria CF (art. funciona como um facilitador da conciliação extrajudicial do conflito coletivo – de fato. b. 26. (essa é a posição tradicional!!) . TAC ou ajuizamento da ação). é mitigada a observância do princípio do contraditório.Interrupção da decadência (art. só no que diz respeito a esse tipo de direito é que o IC é cabível.O IC.Conclusão (que pode ser: arquivamento. 90). §2º CDC). Como o IC está previsto na legislação que trata de direitos coletivos lato sensu. 129. este é cabível em todas as matérias afetas ao MP. usa o art.Instauração b. Caso discorde do arquivamento proposto. Os efeitos da instauração do IC são: a. por exemplo: nas demais atribuições constitucionais e legais do MP? R: duas correntes. Segundo Mazzilli essa corrente é melhor por causa do sucessivo alargamento do objeto do IC. Fredie tb concorda com essa corrente mais permissiva.Possibilidade de requisição de perícias e informações. No IC o arquivamento é controlado diretamente pelo próprio MP (CSMP .Possibilidade de expedição de requisições e notificações. 28 do CPP). IMPORTANTE! A principal diferença entre o IC e o IP é no arquivamento. 2ª corrente*  como a norma constitucional faz referência expressa ao IC. além de servir para a colheita de elementos para a propositura responsável da ACP. # é possível a utilização do IC em ações para a defesa de direitos não configurados diretamente como direitos coletivos. Dessa forma. afirmando ser possível a instauração do IC para a propositura de qlq ação civil ligada as atribuições de defesa de direitos individuais (de caráter social ou indisponível) pelo MP. 1ª corrente  só cabe IC em matéria de direitos coletivos. 2 – PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Como o objetivo do IC não é a aplicação de sanção ao investigado. c.sem passar pelo juiz). um dos desfechos mais comuns no IC é a celebração de TAC. O IC é dividido em três fases: a.Produção de provas c. bem como condução coercitiva. No IP o arquivamento é controlado pelo juiz (que serve como um fiscal do princípio da obrigatoriedade. seja direito coletivo.

em contraditório. o CNMP editou a res. Nº 23 afirmando que aplica-se ao IC o princípio da publicidade dos autos. exceto nos casos em que haja sigilo legal ou em que a publicidade possa acarretar prejuízo às investigações.ex. o ato de instauração do IC deve ser fundamentado. O contraditório no IC prestigia. a economia processual. Trata-se de ato que pode ser praticado de ofício pelo membro do MP que tem competência para ajuizar a eventual ação coletiva. O contraditório no IC existe. exceto se: a) Informações sigilosas fizerem parte dos autos. ainda que sucintamente.IMPORTANTE! Segundo fredie. como se vê. Assim. Ex: garantese ao investigado. b) A publicidade puder resultar em prejuízo à investigação ou ao interesse da sociedade. mas não a elimina. A regra nos estados democráticos de direito é a publicidade. embora em seu aspecto mínimo: o direito de ser informado (direito à informação) e o de participação em determinados atos. 5 – INQUÉRITO CIVIL E COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA Um dos desfechos possíveis do IC é a celebração de um compromisso de ajustamento de conduta. 3 – PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE O IC é inquisitivo. p. permitindo que durante a fase de instauração do processo jurisdicional coletivo.. oficio ou representação que tenha sido enviada ao MP. Isso é conseqüência da difusão da idéia da eficácia horizontal dos direitos fundamentais. não sejam repetidas provas anteriormente produzidas administrativamente. Por conta disso. A decretação do sigilo deverá ser sempre motivada. a função investigatória do IC atenua a garantia do contraditório. mas não é secreto. Segundo o autor. Mazzilli entende que o IC se sujeita ao princípio do contraditório. . na medida em que são métodos de exercício do poder. o sigilo é exceção. atualmente vivemos uma era de processualização dos procedimentos: os procedimentos. 4 – INSTAURAÇÃO DO IC A instauração pode ser por Portaria ou por despacho exarado nos autos do requerimento. vêm sendo modulados com a previsão de respeito ao princípio do contraditório. ser acompanhado por advogado. O IC só deve ser instaurado quando haja interesse público.

submetendo-se. que entende que o TAC deve ser submetido ao controle imediato do CSMP. somente nessa ocasião. porém.O TAC. quando realizado pelo MP. que. teria o condão de encerrar o inquérito civil. IMPORTANTE! essa posição não é adotada pelo MP de SP. segundo a corrente majoritária. Todo arquivamento deve ser expresso e motivado (justamente para que o controle do arquivamento pelo CSMP seja possível). de pronto. IMPORTANTE! O arquivamento implícito pode ocorrer com a superveniência de compromisso de ajustamento de conduta. 9º da lei 7347/85). Segundo ela. O arquivamento do IC ou das peças de informação deve ser submetido ao CSMP em até 3 dias. Segundo ela. (é isso que prevalece para concursos!!) 6 – ARQUIVAMENTO DO IC O arquivamento do IC é ato que deve ser submetido ao controle do CSMP (art. o arquivamento ao CSMP. caso em que este deverá ser remetido ao CSMP para apreciação de eventual ocorrência de arquivamento implícito. 9º da lei 7347/85). Ao propor a ação. pq pode significar arquivamento implícito do IC. sob pena de o membro do MP incorrer em falta grave. Justamente para evitar que isso ocorra é que se exige que o TAC seja submetido. é necessário deixar claro que nem sempre o TAC irá importar em extinção do IC. Obs: Para Geisa de Assis Rodrigues (concordo com ela) o TAC não importa em extinção do IC em hipótese alguma. Entretanto. . inexistindo outras medidas a serem adotadas. que designou a propositura da ação (como se fosse o art. Obs: é possível que o autor de eventual representação enviada ao MP ou algum colegitimado para a ação coletiva elabora petição ao CSMP demonstrando o equívoco no pedido de arquivamento. deve ser submetido à apreciação do Conselho Superior do MP (CSMP). o TAC apenas suspende o IC até o seu efetivo cumprimento. caso em que o IC prosseguirá quanto ao restante. O TAC pode se referir a apenas parte da matéria tratada pelo IC. ou pode se referir a toda matéria tratada pelo IC. Obs: a autora defende que o controle do termo de ajustamento de conduta somente se faça após o seu efetivo cumprimento já que é somente nessa ocasião que o IC será arquivado. a apreciação do CSMP. imaginar situações de arquivamento implícito do IC. É possível. o parquet designado fará as vezes de longa manus do CSMP. somente após o cumprimento do TAC. 28 do CPP). Tb se submete ao controle do CSMP o arquivamento das peças de informação (art. deverá designar outro membro do MP para a propositura da ação. Se o CSMP não homologar o arquivamento. é que o IC deverá ser arquivado.

IMPORTANTE! na verdade a regra é a seguinte: não tendo gerado ação coletiva. Fazer afirmação falsa. já que não objetiva a imposição de sanção). Obs: a questão é saber se IC é processo administrativo ou procedimento administrativo (prevalece que é procedimento. tradutor ou intérprete em processo judicial. ou administrativo.reclusão. dessa forma. perito. não há como enquadrar aquele que faz afirmação falsa em IC no crime de falso testemunho. ou seja. 342 do CP tem a seguinte redação: Art. O art. de um a três anos. 8 – O IC E O CRIME DE FALSO TESTEMUNHO O crime do art. Sua finalidade é a melhoria dos serviços públicos e de relevância pública (agindo antes que o ilícito ocorra). contador. 342. e multa. inclusive para fins de improbidade administrativa. 7 – REABERTURA DO IC E REAPRECIAÇÃO DE PROVAS No que diz respeito à reabertura do IC que outrora fora arquivado. dando ensejo. as condutas praticadas em desconformidade serão consideradas dolosas. Servem para comunicar a necessidade de adequação das condutas ao disposto na legislação antes do advento dos atos ilícitos que poderão gerar a responsabilização. 19 do CPP). ou negar ou calar a verdade como testemunha. Note: após a expedição de notificação. qlq que seja o resultado do IC. Trata-se de uma analogia ao IP (art. justificando seu posicionamento nas peculiaridades do processo coletivo (que é impregnado pelo interesse púbico primário). 9 – RECOMENDAÇÕES As recomendações são importantes instrumentos de que dispõe o MP. 2ª corrente*: é possível a reabertura do IC sem a obtenção de novas provas pq não há previsão legal que faça essa exigência. É certo que no direito penal não existe analogia in malam partem. . mas somente a processo administrativo. deverá ser submetido ao CSMP para reexame. antes de o ilícito acontecer (pq se o ilícito já ocorreu a ação para apurar as responsabilidades é indispensável). inquérito policial. Fredie e Mazzilli se posicionam nesse sentido. existem duas correntes: 1ª corrente: só é possível a reabertura do IC se surgirem novas provas. inclusive a responsabilização pelo seu descumprimento (são ordens!!). ou em juízo arbitral: Pena . 342 não faz referência a procedimento administrativo. As recomendações somente devem ser manejadas quando ainda não houver conseqüências jurídicas.

Contudo. logicamente que pode intervir na demanda na qualidade de assistente litisconsorcial (quem pode o mais que é propor a demanda coletiva pode o menos que é intervir na qualidade de assistente). Daí a importância da audiência pública para ouvir os anseios da população. CAPÍTULO VIII – INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 1 . mas com os mesmos poderes deste. bem como de participação popular na tomada de decisões pelos órgãos públicos em geral. em direito coletivo o assistente pode comportar-se contrariamente aos interesses do assistido nos casos em que o assistido está se . Reflete os ideais da democracia direta. IMPORTANTE! Em decorrência dos princípios que regem o direito coletivo chega-se a inusitada conclusão de que. Ex: para uma cidade que baseia sua economia em torno de uma determinada fábrica que polui o meio ambiente. recebendo o processo no estado em que se encontra. Essa assistência jamais se justificaria pela absoluta falta de interesse. duas questões devem ser analisadas: A – saber se é possível a intervenção do particular. no que se refere à assistência no pólo ativo. Ressalta Antônio Gidi: “ao se admitir a intervenção assistencial de particulares nas ações coletivas.” E mais: “poderíamos ter tantos assistentes que inviabilizaria a condução do processo”. como um legitimado para a propositura da demanda. pois o resultado da demanda jamais poderá prejudicar o particular (transporte in utilibus da coisa julgada). não terá para intervir em ação coletiva. o co-legitimado que intervém no processo passa a ser um litisconsorte unitário ulterior do autor. estar-se-ia negando a própria razão de ser das ações coletivas no direito brasileiro. a decisão de ajuizar uma ACP que vise o seu fechamento tem que ser tomada após cuidadoso exame das alternativas existentes. B – saber se é possível a intervenção de um co-legitimado. E mais: “se o indivíduo não tem legitimidade ad causam para propor a ação coletiva. Na verdade. Vamos à primeira questão: Não pode o particular intervir como assistente nas causas coletivas.” Conclusão: o particular não pode intervir no pólo ativo de ação que envolva direitos difusos ou coletivos.ASSISTÊNCIA NAS CAUSAS QUE VERSEM SOBRE DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS STRICO SENSU Não há peculiaridades em relação à assistência no pólo passivo da demanda.10 – AUDIÊNCIAS PÚBLICAS Trata-se de um importante instrumento de democratização dos procedimentos administrativos. Vamos à segunda questão: O co-legitimado.

comportando de maneira contrária aos interesses da coletividade titular do direito em jogo (ex: firmando um acordo lesivo ao interesse em jogo. IMPORTANTE! A grande parada é que aquele que interveio submete-se ao julgamento da causa pro et contra. Isso será possível quando o direito em questão puder tb ser veiculado por meio de ação popular. Não obstante esses casos onde a previsão do amicus curiae é expressa. a possibilidade de qlq cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. Nesses casos. §5º. pois a extensão da coisa julgada é secundum eventum litis. 6º. A intervenção dar-se-á sob a forma de assistência litinsconsorcial.INTERVENÇÃO DE AMICUS CURIAE EM AÇÕES COLETIVAS Para algumas ações coletivas existe a previsão expressa de intervenção do amicus curiae. hoje há uma tendência doutrinaria e jurisprudencial que tem a ver com a maior proteção ao direito coletivo e ao tratamento molecular do conflito. que prega a possibilidade de participação do amicus curiae em qlq processo. ter ajuizado a ação. senão a ação popular. nas ações coletivas que versem sobre a proteção à concorrência a intervenção do CADE é obrigatória. Fredie critica essa possibilidade de intervenção. o particular tem interesse em intervir na causa já que o direito lhe pertence. Esse é o motivo que possibilita a sua intervenção. 2 . São elas: nas ações coletivas que versem sobre a proteção do mercado de capitais a intervenção da CVM é obrigatória. não importa se a ação for procedente ou improcedente. potencialmente capaz de gerar tumultos indesejáveis”. 3 . não se justifica essa possibilidade de intervenção. 94 do CDC). sendo negligente etc. já que não poderia propor a ação coletiva. ou seja. Ao menos em tese os direitos individuais homogêneos são a expressão coletiva de um feixe de direitos individuais. ATENÇÃO! Existe a possibilidade de o cidadão (particular) intervir como assistente em ação coletiva. 4 . . se o assistido desistir da ação o cidadão não poderá substituí-lo na condução do processo. no art. Assim.).ASSISTÊNCIA NA AÇÃO POPULAR A lei de ação popular prevê expressamente.ASSISTÊNCIA NAS CAUSAS QUE VERSEM SOBRE DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS O CDC prevê expressamente a possibilidade de o particular intervir em causas que versem sobre direitos individuais homogêneos (art. por meio de ação popular. Observe que nesse caso o cidadão é um verdadeiro colegitimado já que poderia ele. Ademais. “como o particular não sofrerá os efeitos daninhos de um julgamento pela improcedência do pedido. a participação do assistente (cidadão) está vinculado à conduta do assistido. sendo um verdadeiro litisconsórcio ulterior.

não será possível de ser feito pq significa burla à garantia do juiz natural. Um ponto a favor dessa corrente é que o MP é será sucessor processual do autor popular que por ventura desista/abandone a causa (art. contudo. tb pode as associações civis. Poderá até mesmo deixar de intervir na causa. Para esses. todos os cidadãos poderiam intervir em uma ação popular.POSSIBILIDADE DE CO-LEGITIMADO ALTERAR/AMPLIAR O OBJETO DO PROCESSO Mazzilli defende a possibilidade de um co-legitimado ingressar em demanda coletiva pendente e alterar/ampliar o objeto do processo. 5 . 6 . o mesmo bem tutelado na ação popular pode ser tutelado por ACP (pode até mesmo haver litispendência entre essas ações). Além do respeito aos art. 264 e 294 do CPC somente será possível que o assistente modifique ou amplie o objeto do processo se o novo pedido for conexo com o da demanda em trâmite. Atribuiu-se à PJ o poder de assumir no processo a posição que melhor convier ao interesse público. existem autores que sustenta a possibilidade de o MP intervir em ação popular. por economia processual. . é melhor deixar o assistente (co-legitimado) propor um novo pedido na ação já em curso.INTERVENÇÃO DA PJ INTERESSADA NA AÇÃO POPULAR E NA AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Tanto a lei de ação popular quanto a lei de ação civil pública permitem que a PJ de direito público ou privado. Dessa forma. 9º). a justificativa de se permitir que o assistente amplie a causa com pedido conexo é que se não lhe fosse dada essa oportunidade ele poderia (já que é um colegitimado) ajuizar uma nova demanda coletiva que obrigatoriamente seguirá junto com a primeira. IMPORTANTE! Ocorre que. de modo que se fosse proposto em ação autônoma seria imperiosa a reunião dos feitos. Caso o novo pedido não seja conexo. fica permitido ao juiz invocar o art.Trata-se de um co-legitimado intervindo na ação popular que ele mesmo poderia ter proposto. em tese. A meu ver. # o MP pode ser assistente litisconsorcial em ação popular? R: considerando que a legitimidade ativa para a ação popular é exclusiva do cidadão. a princípio não é possível que o MP seja assistente nessas ações. Dessa forma. cujo ato seja objeto de impugnação. Obs: pelos mesmos motivos que o MP pode ser assistente litisconsorcial do autor da ação popular. 264 e 294 do CPC (antes da citação pode  depois da citação só com concordância do réu  após o saneamento não pode). deve respeitar as regras do art. 46 do CPC e recusar o litisconsórcio (litisconsórcio multitudinário recusável). Essa possibilidade. assumir qlq dos pólos da demanda ou deixar de se manifestar. o que inviabilizaria a tramitação da causa. refutando ou concordando com as alegações do MP. Entretanto.

for necessário o reexame das provas que caracterizam a verossimilhança da alegação e . 273 DO CPC. Contudo. Segundo Fredie não prevalece nem uma nem outra corrente. 88 do CDC proibiu a DDL em causas de consumo para que o consumidor (demandante) não fosse prejudicado na tutela jurisdicional de seus direitos com o acréscimo de elementos à causa. Essa corrente prega que é impossível que a DDL haja a introdução de fundamento jurídico novo. Nas palavras de Calmon de Passos: temos direito regressivo toda vez que vai a pessoa buscar das mãos de outrem aquilo que se desfalcou ou foi desfalcado o seu patrimônio para reintegrá-lo na posição anterior. caso a caso. Com isso. para tanto. São duas as concepções sobre esse dispositivo: 1ª – concepção restritiva: somente é possível a DDL para o exercício de pretensão regressiva nas hipóteses que houver transferência de direito pessoal. IMPORTANTE! O art. em todos os casos em que há direito de regresso existe a possibilidade de DDL. obs: o STJ já se manifestou pela impossibilidade de DDL. com a satisfação do pagamento ou da indenização devida. tem legitimidade para promover ação civil pública em defesa do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. seja pelo acréscimo de pedido novo. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA PARA IMPOR À RÉ A REALIZAÇÃO DE OBRAS PARA SOLUCIONAR O PROBLEMA. LANÇAMENTO EM RIO DE ESGOTO SEM TRATAMENTO. REEXAME DE PROVA. DDL na ação civil pública: não há nenhuma regra que proíba de forma expressa a DDL em causas coletivas. Assim. REQUISITOS DO ART. verificar se a DDL comprometerá a rápida solução do litígio ou se significará em pesados ônus à outra parte. dificulta a situação da outra parte.A isso dá-se o nome de intervenção móvel da pessoa jurídica. não se pode negar que a DDL amplia a carga cognitiva do magistrado. III do CPC. I – O Ministério Público. É o juiz que analisará o caso em concreto e verificará se a DDL é ou não conveniente para a economia e celeridade processuais. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 70. É destes interesses que se cuida no caso. cabe à recorrente. segundo procura demonstrar o autor. pois visa o parquet a coibir o lançamento em rio de esgoto não tratado.DENUNCIAÇÃO DA LIDE A questão do cabimento de denunciação da lide em causas coletivas passa pela interpretação do art. II – O deferimento de antecipação dos efeitos da tutela não pode ser revisto em recurso especial quando. 7 . O magistrado deve. sobretudo em casos em que a questão principal verse sobre responsabilidade objetiva e a DDL amplie a causa que passará a tratar de questão que envolva tb responsabilidade subjetiva. problema cuja solução. seja pela ampliação dos argumentos. 2ª – concepção ampliativa: a redação do dispositivo é intencionalmente ampla. A conclusão sobre o cabimento ou não de DDL é casuística. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA A DEFESA DOS DIREITOS DIFUSOS. segundo expressa disposição constitucional.

Assim sendo. Aplicação da Súmula n. A Ação Civil Pública deve discutir. As ações constitutivas são as que veiculam direitos potestativos. 5. assim. quer tutelando interesses de um sujeito determinado – ex: poder familiar e dever de educação aos filhos – quer tutelando a coletividade – dever de a administração pública agir em conformidade com a legalidade. São duas as espécies de direitos-deveres. (julgado de 2006) PROCESSUAL CIVIL. (O ordenamento impõe a proteção de determinados direitos) Os direitos-deveres são a categoria de direitos subjetivos mais característica das ações coletivas.º 7 desta Corte. já que não depende da atuação do mandatário. IV – Recurso especial improvido. diferentemente das outras categorias de direitos subjetivos. Incabível. 70. Tais direitos estão sujeitos à prescrição. nos direitos-deveres se atua tb para a satisfação do interesse do sujeito passivo ou para atender interesses superiores da coletividade. deve ser discutido em ação própria. As questões de ordem pública decididas no saneador não são atingidas pela preclusão. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. por essa afirmação. Ambas se caracterizam pela satisfação de interesses não só do titular. DANO AMBIENTAL. do Código de Processo Civil o acórdão que indefere pedido de denunciação da Fazenda local sob o fundamento de que os deveres impostos ao Estado pela Constituição Federal e pela Constituição Estadual não implicam o reconhecimento automático do direito de regresso. Estão sujeitos a prazo decadencial. Direito de regresso. 4. não viola o art. a denunciação da lide. III – É incabível a denunciação da lide se o alegado direito de regresso não decorre de lei ou contrato. A ação condenatória é a que veicula direitos-prestção. apenas se exerce um poder. Recurso especial improvido. (julgado de 2000) CAPÍTULO IX – ASPECTOS GERAIS DA TUTELA COLETIVA 1 . 3. Ex: a revogação de um mandato. 1. mas depende ainda de apuração segundo as regras genéricas da responsabilidade civil. c) direitos-deveres: são os que decorrem de uma determinação objetiva proferida pelo ordenamento jurídico. a relação jurídica referente à proteção do meio ambiente e das suas conseqüências pela violação a ele praticada.a iminência de dano grave irreparável. Nada se exige. III. É parte legítima para figurar no pólo passivo da Ação Civil Pública a pessoa jurídica ou física apontada como tendo praticado o dano ambiental. . Ex: relações obrigacionais de débito e crédito b) direitos potestativos: são aqueles cuja satisfação não depende de atuação ou vontade do sujeito passivo. 6. unicamente. 2.CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS SUBJETIVOS Existem três espécies de direitos subjetivos: a) direitos-pretação: são os que exigem de outrem um comportamento determinado em proveito do próprio titular do direito. se decorrente do fenômeno de violação ao meio ambiente.

Entretanto. portanto. é perceptível o interesse da CF em proteger os direitos coletivos do decurso do tempo. Assim. São os seguintes argumentos: a) não existe previsão expressa de prescrição ou decadência para interesses supraindividuais. eles (os titulares dos direitos) não podem ser penalizados pela desídia do legitimado extraordinário (IMPORTANTE!). Já defenderam alguns a total imprescritibilidade das ações coletivas alegando que estas são ações sem interesse patrimonial direto. adotando a premissa de que só os direitos patrimoniais se sujeitam a prescrição. portanto. b) os titulares dos direitos não são legitimados para a defesa de seus direitos.As ações que mais frequentemente veiculam esses direitos são as mandamentais e as executivas lato sensu (que se inserem nas condenatórias) isto pq tais ações são as que são mais aptas a prestar a tutela específica. IMPORTANTE! há quem critique a imprescritibilidade dos direitos individuais homogêneos. 2 . depende da disponibilidade. do direito em jogo.A IMPRESCRITIBILIDADE DAS AÇÕES COLETIVAS A prescritibilidade. ou não. Tal direito é. pois cada um dos interessados poderia ajuizar uma ação individual na defesa desse direito. nos termos da CF. Ora. quando são considerados sob a ótica metaindividual. Na sua forma singular os direitos e ações sofrem prescrição ou decadência. das ações coletivas já foi muito debatida na doutrina. afirmando que estes são verdadeiros direitos individuais apenas equiparados a coletivos por questões de política legislativa. ou não. do direito deduzido na forma de direito individual homogêneo. Outros argumentos para a imprescritibilidade das ações coletivas foram levantados por Ricardo de Barros Leonel. ou não. assim. Dessa forma. O MPT ajuíza uma ação coletiva. Ex1: um acordo coletivo entre o OGMO e a categoria dos Estivadores estabelece um prêmio em R$ para os estivadores que atingirem determinada produtividade. é imprescritível. se cada estivador quiser pode entrar com uma ação individual para cobrar o prêmio. O OGMO não pode falar que há mais de 20 anos polui o . mas apenas reflexo. O que não se nega é a natureza patrimonial e. Ocorre que essa crítica não merece prosperar. não se poderia falar em prescrição nas demandas coletivas (salvo na parte patrimonial). bem como dos direitos individuais que se apresentam como reflexo dos direitos coletivos em sentido estrito. c) a ação de reparação de danos ao patrimônio público. Obs: Carlos Henrique Bezerra Leite prega que a prescritibilidade. Nada impede tb que o MPT ajuíze uma ação coletiva para tutelar os interesses do grupo. Bezerra Leite acha que os direitos individuais homogêneos disponíveis estão sujeitos a prescrição. podem ser postulados a qlq tempo dada a impossibilidade de implementação da demanda pelos interessados mesmo quanto aos interesses individuais homogêneos. prescritível. que é uma espécie de ação coletiva. disponível. Ex2: o OGMO não oferece um ambiente de trabalho sadio aos estivadores.

para a imensa maioria da doutrina esses prazos referem-se apenas às ações individuais. §5º CF). Obs: esse prazo prescricional não se aplica se a pretensão da ação popular (ou da ACP.ambiente de trabalho e que. PZ PRESCRICIONAL. contrárias a idéia de imprescritibilidade das ações coletivas: a) existe menção expressa de prescrição dos pedidos repressivos-sancionatórios na ação de improbidade administrativa (art. Fredie aponta as seguintes questões. No MS a extinção é sem análise do mérito e o único efeito é impossibilitar a via do MS. Obs: a decadência no MS é uma exceção à regra de que a decadência gera a extinção do processo com exame de mérito. iniciando-se a contagem a partir do conhecimento do dano e de sua autoria). poderão os legitimados extraordinários promover a liquidação e execução coletiva. 30 – (stj) LACP. que tb se aplica ao MS coletivo. b) existe previsão expressa de prazo decadencial de 1 anos para os titulares dos direitos individuais homogêneos se habilitarem para a liquidação e execução da condenação obtida por meio de ação coletiva. para o ajuizamento de ação popular (art. portanto. Em razão disso. em favor do fundo (art. LAP. aplica-se por analogia a prescrição qüinqüenal prevista na lei de ação popular. e) existe previsão expressa de prescrição e decadência para os direitos do consumidor (30 dias para produtos/serviços não duráveis e 90 dias para produtos/serviços duráveis e 5 anos no caso de reparação de danos causados por fato do produto ou do serviço. A lei de ação civil pública é silente quanto ao pz prescricional. no caso de vinculo estável com a administração [cargo ou emprego público efetivos]). IMPORTANTE! São chamadas de ações perpétuas aquelas que não sofrem prescrição ou decadência a exemplo das ações meramente declaratórias e da ação de ressarcimento ao erário (art. 100 do CDC). c) existe previsão expressa de prescrição (ou decadência). 21 LAPOP).PRESCRITIBILIDADE DAS AÇÕES COLETIVAS Ainda sobre a prescritibilidade ou imprescritibilidade das ações coletivas. Caso não se habilitarem em nº compatível com a gravidade do dano. 35. 23 da lei 8429/92 – prescreve em 5 anos para vínculos temporários [cargos em comissão. Frisa-se que. d) existe menção expressa ao prazo decadencial de 120 dias para o MS. por analogia) versar sobre ressarcimento de danos ao erário (cuja imprescritibilidade é constitucional). função de confiança ou mandato eletivo] ou prescreve no mesmo prazo previsto para a prescrição das faltas disciplinares punidas com demissão. Isso decorre da indisponibilidade do meio ambiente sadio de trabalho. no prazo de 5 anos. a pretensão está prescrita. não gerando a perda do direito alegado. 3 . Ocorre que Fredie lembra o seguinte: (1) a norma não restringe a aplicação .

da existência de dano e de sua autoria.desses prazos aos direitos individuais. não se pode negar a prescritibilidade. Em matéria de direito coletivo não se aplica a norma do art. 20 – (stj) PRESCRIÇÃO. cargo em comissão e função comissionada) o prazo é de 5 anos após o término do vínculo (o prazo não começa afluir até o término do vínculo). pois o seu início não se dá com a violação ao direito. Conhecimento do Dano + Conhecimento da Autoria. como se trata de um microssistema processual coletivo. segundo a qual o início flexível se aplica a todas as ações coletivas (mesmo que não relacionadas ao direito do consumidor). a mais restritiva. 4 . ao menos nesses casos onde existe previsão expressa. Conclusão: embora grande parte da doutrina afirme que os direitos coletivos são imprescritíveis. Para os vínculos permanentes. mas sim com a ciência inequívoca. o prazo será o que a legislação específica determina para as faltas punidas com demissão (nesse caso o prazo começa a correr da data em que o agente praticou o ato). é possível uma interpretação mais ampliativa. Na pior interpretação possível. 189 do CC que reza que o prazo se inicia com a violação ao direito. Peculiaridades da ação de improbidade administrativa: a lei apresenta duas modalidades de prazo. Entretanto. Para vínculos não permanentes (mandato eletivo. Tenha claro: a norma exige cumulação de conhecimentos. por parte do ente legitimado para a causa (1) da violação ao direito e (2) do autor da violação ao direito.MOMENTO DA FLUÊNCIA E APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CDC – INÍCIO FLEXÍVEL O início do prazo prescricional somente pode ocorrer após a concomitância do conhecimento inequívoco. b) Vinculo permanente: o pz é tratado por lei específica (o mesmo para a aplicação da pena de demissão). IMPORTANTE! O início flexível é previsto no CDC (art. 27). já que se trata de uma benesse que visa maior tutela dos direitos coletivos. A prescrição na improbidade administrativa é regulada pelo tipo de vínculo que o agente tem com a administração: a) Vínculo temporário: o pz prescricional é de 5 anos e começa com o fim do vínculo. IMPROBIDADE. pelo ente legitimado. o início do prazo prescricional é mais difícil). todas as ações coletivas que tratem de direitos do consumidor devem observar o início flexível. . O caráter distintivo é a natureza do vínculo com a administração pública. (2) o inquérito civil é indicado expressamente como causa obstativa da decadência (e IC é para direitos coletivos). Diz-se que o prazo prescricional é de início flexível. Tal exceção ao CC se justifica pela necessidade de maior proteção aos direitos coletivos dada a alta carga de interesse público primário (por esse motivo.

A questão é saber se o início do prazo prescricional é com o fim do 1º mandato ou somente com o fim do 2º mandato. o vinculo do prefeito com a adm só acaba com o 2º mandato.IMPORTANTE! No caso. 21 – (stj) IMPROBIDADE. Obs: na ação de improbidade administrativa o marco interruptivo da prescrição retroage à data da propositura da ação. após a análise da defesa preliminar. ainda que formalmente o 1º vinculo acabe com o 1º mandato. 6 . No caso. o vínculo permanente. o STJ entendeu que se considera. ainda que o ato ímprobo tenha sido no 1º mandato.. sendo imperativa a sua reversão para evitar que a lesão seja ainda maior). Nesses casos. No caso de danos imediatos de efeitos permanentes. . danos marginais ou secundários. gerando recomposição do tecido jurídico e pacificação social. materialmente. Muito menos para os danos continuados. já que há uma continuidade.MOMENTO DA FLUÊNCIA: DANOS PERMANENTES E CONTINUADOS Existem três espécies de danos em relação aos efeitos no tempo: a) danos imediatos de efeitos permanentes (podendo ser compreendidos como aqueles que esgotam sua potencialidade lesiva no ato ilícito praticado). Obs: os prazos da ação de improbidade administrativa são prescricionais (e não decadenciais) pois trata-se da prescrição da pretensão punitiva da administração pública face ao agente público imputado Obs: os demais agentes públicos (que se inserem no conceito amplo de agente público. situação não tratada pela lei é a do agente que tem. PRESCRIÇÃO. É certo que nos casos de vinculo temporário com a adm (como é o caso de mandato eletivo) a LIA manda que o termo inicial do prazo de prescrição seja o fim do vinculo.ex: um mesário. é preciso analisar a natureza do direito para verificar a existência de prescrição ou decadência. p. O mesmo se aplica ao terceiro que praticar a improbidade junto com o agente público. PREFEITO REELEITO. prefeito que foi reeleito para segundo mandato cometeu ato de improbidade administrativa ainda no 1º mandato. Ex: uma empresa que durante 20 anos joga esgoto num rio) Para os danos permanentes não se pode falar em prescrição. para efeitos de prescrição. mas sim o despacho do juiz que ordena a citação. que é o mais estável. b) danos permanentes com desdobramento no tempo (compreendido como o dano principal que continua a produzir efeitos no tempo.) se praticarem ato de improbidade administrativa estão sujeitos ao prazo de 5 anos previsto para os agentes de vínculo não estável. Assim. segundo a regra do CC/02 o que interrompe a prescrição não é a citação válida. vinculo permanente e temporário. ao mesmo tempo. fracionados em diversas condutas lesivas. ainda que a citação só ocorra em momento posterior. c) danos continuados com repetição de conduta (há a prática reiterada de ilícitos que são repetidos continuamente.. um estagiário. isto pq tais situações tendem a estabilizar-se. No caso. Demais disso. o STJ entendeu que o termo a quo é o fim do 2º mandato.

isso por causa da possibilidade de todos os titulares de direitos individuais serem beneficiados pelo transporte in utilibus da coisa julgada. devendo sua reparação ser integral. b) Ampliação e aditamento do pedido É como no processo individual: Antes da citação  pode alterar de qlq jeito Após a citação  só pode alterar com consentimento do réu Após o saneamento  não pode alterar de jeito nenhum Obs: há entendimento segundo o qual a mudança feita de ofício pelo magistrado deve ser impugnada. a propositura de uma ação coletiva interrompe o prazo prescricional da ação individual. Dessa forma. 8 . bem como da causa de pedir. Fredie ressalta que a interpretação extensiva do pedido e da causa de pedir somente será lícita se.O PEDIDO NA AÇÃO COLETIVA a) Interpretação do pedido O art. c) Pedido de indenização por dano moral coletivo .IMPORTANTE! no caso de danos permanentes com desdobramentos no tempo e danos continuados com repetição de conduta a prescrição não atinge nada. aqueles titulares de direito individual que esperaram para ver o resultado do processo coletivo não poderão ser prejudicados pela prescrição de suas ações individuais (até pq a ação coletiva pode ser improcedente). Obs: a única alteração de pedido possível após o saneamento é a que decorre da oposição. 293 do CPC diz que o pedido deve ser interpretado restritivamente (é só o que está ali escrito e pronto – em regra não se admite pedido implícito). nem mesmo parcela do ilícito. antes. A idéia é preservar o contraditório preventivo sem que o juiz surpreenda as partes com o deferimento/indeferimento de um pedido não expresso. de ofício alterar o objeto da ação). (ex: a empresa não pode falar que em relação ao esgoto que lançou no rio a 20 anos atrás ocorreu a prescrição). prevendo a interpretação extensiva do pedido. 7 . que amplia subjetiva e objetivamente a causa.A PROPOSITURA DE UMA AÇÃO COLETIVA INTERROMPE O PRAZO PRESCRICIONAL PARA A AÇÃO INDIVIDUAL? Evidentemente. sob pena de ocorrer a preclusão (só gera nulidade relativa o fato de o magistrado. Nos projetos de codificação do direito coletivo existe proposta em sentido diamentralmente oposto. em homenagem aos princípios da cooperação e do contraditório for dada às partes a oportunidade de se manifestar sobre aquele pedido/causa de pedir que o magistrado reputa estar implícito.

entre outro. 1ª corrente: é possível dano moral coletivo  O primeiro passo a favor da existência de dano moral coletivo é a constatação de que o dano moral não é privilégio das pessoas físicas. Defendem esta tese. tombado pelo patrimônio público nacional. perfeitamente. a possibilidade de dano moral coletivo: a lesão ao meio ambiente. Isso é enxergado muito claramente quando se tem em mente que as PJ podem. necessariamente. Isso pq a vítima do dano moral é necessáriamente uma pessoa. Análise das decisões do STJ  A questão é controvertida também na jurisprudência do STJ. E continua o autor: cada individuo tem sua carga de valores. por ser um conjunto de indivíduos. ou seja. Ex: um dano a um prédio histórico. de valores do corpo. com facilidade. IMPOSSIBILIDADE (1ª TURMA). 16 – (stj) DANO MORAL COLETIVO. 1º da lei 7347/85 e CDC). existe muita polêmica quanto ao seu cabimento. tem sua dimensão ética. O dano extrapatrimonial coletivo prescinde da idéia de dor. sofrimento psíquico e de caráter individual. POSSIBILIDADE (2º TURMA). pode. Segundo Fredie existem três espécies de lesões a direitos difusos que revelam. é a violação antijurídica de um determinado circulo de valores coletivos. sofrer dano moral. a lesão psíquica. Rui Stoco e Teori Albino Zavascki. a lesão aos direitos dos trabalhadores e a lesão ao patrimônio histórico.Muito embora exista previsão expressa de dano moral coletivo (art. já que o dano moral envolve a dor. advir de dor subjetiva ou estado anímico negativo. Manifesta-se no prejuízo à imagem e moral coletivas e sua averiguação deve pautar-se . assim. geraria dano moral coletivo. que. em 2009. Segundo Carlos Alberto Bittar: é preciso enfatizar o imenso dano moral coletivo causado pelas agressões aos interesses transindividuais. que existe no meio social. o sentimento. ao contrário. valores estes que não se confundem com os dos indivíduos que compõe o corpo. no mesmo informativo decidiu: 15 – (stj) DANO MORAL COLETIVO. O dano não precisa. sofrimento ou abalo psíquico sofrido pelos indivíduos. É necessária a vinculação do dano moral com a idéia de dor. tb a comunidade. ser caracterizado pelo desprestígio do serviço público. o entendimento segundo o qual o dano moral é incompatível com a idéia de transindividualidade não pode mais prevalecer. com a noção de transindividualidade. entretanto. Trata-se. Segundo a 2ª turma. a boa imagem de nossas leis ou mesmo o desconforto da moral pública. 2ª corrente: não é possível dano moral coletivo  Os defensores dessa tese sustentam que o dano moral não pode assumir um caráter transindividual. O dano moral coletivo é a injusta lesão da esfera moral de uma dada comunidade. incompatível. do nome social.

Dessarte. ou seja. ainda que difuso. A uma pq não é só o MP que pode ajuizar ação coletiva (ex: uma associação de comerciantes poderia ajuizar uma ação coletiva alegando a inconstitucionalidade de determinado tributo). e) Ação coletiva em matéria tributária e previdenciária Outra questão polêmica é a possibilidade de discussão de matéria tributária em ação coletiva. não caberia ao MP ajuizar demanda coletiva para a sua proteção. Obs: lembrar que as modificações introduzidas por MP são para limitar o cabimento de ACP. Obs: para Marcelo Abelha. Ora. eventual procedência do pedido equivaleria a declaração de inconstitucionalidade feita pelo STF já que produzirá efeitos para além das partes. inclusive nos TRFs.nas características próprias aos interesses difusos e coletivos. não incidindo os efeitos da coisa julgada). com a vedação temos um caso de impossibilidade jurídica do pedido. essa idéia não parte de premissas verdadeiras. Na época dessa discussão doutrinária o STF decidiu por negar legitimação ao MP para propor ACP em matéria tributária. No mesmo sentido passou a julgar o STJ. portanto. (a meu ver. O problema é que como nas ações coletivas a coisa julgada é erga omnes. ATENÇÃO: Fredie lembra que mesmo com a MP a matéria não está sedimentada nos tribunais pátrios e com a entrada de novos ministros no STF a jurisprudência da corte suprema poderá ser modificada. O STF (foi o pleno) disse que é possível o controle difuso de constitucionalidade por meio de ação civil pública (os argumentos do STF são justamente os que eu expus acima). Como não é questão principal. Alguns argumentavam que. Em 2001. veio a lume a Medida Provisória nº 2180-35 que acrescentou o §ú ao art. . o dano moral coletivo pode ser examinado e mensurado. Se a ACP veicular controle de constitucionalidade esse controle será incidental. estará da ratio decidende e não no dispositivo. vedando expressamente a possibilidade de ACP em matéria tributária. d) Ações coletivas e controle de constitucionalidade. e. Lembra o autor que não são poucos os precedentes admitindo ações coletivas em direito tributário e previdenciário nos diversos tribunais do país. Existe grande polêmica quanto à possibilidade de a ACP servir como instrumento de controle de constitucionalidade. por via de exceção. 1º da LACP. tratar-se-á de questão incidental e não de questão principal. A duas pq segundo a lei do MPF cabe ao MPF zelar pela observância do sistema tributário nacional. Esse argumento não merece prosperar. o que faz coisa julgada é somente o dispositivo. por se tratar de direitos disponíveis. não estará no dispositivo.

267. Obs: em atenção ao contraditório e ao princípio da cooperação. como ocorre no direito individual.DESISTÊNCIA EM AÇÃO COLETIVA A desistência em ACP tem regramento expresso (art. Obs: Hugo Nigro Mazzili defende que se a desistência for do MP ou se ele não assumir a causa. 11 . se qlq um dos legitimados desistir da ação de forma infundada. Em caso de desistência infundada. ATENÇÃO: com aqui a desistência não gera a extinção do processo. a interpretação correta do dispositivo deve estender sua aplicação a todos os legitimados. §4º CPC). 5º. faz-se de tudo para avançar ao julgamento de mérito. São eles: a) identidade ou compatibilidade de rito com a demanda principal. um outro legitimado assume em seu lugar. deverá submeter sua não atuação ao Conselho Superior do MP (em analogia ao arquivamento do IC). Em direito coletivo o abandono do autor gera um efeito bem peculiar. ATENÇÃO: na ação popular a parada é mais radical.ABANDONO EM AÇÕES COLETIVAS A disciplina está no art. ATENÇÃO: embora a lei se refira somente a associação. a causa é assumida pelo MP ou por outro legitimado. De acordo com o art. os quais são tb aplicáveis ao processo coletivo. 5º da LACP. Não ocorre a extinção da ação. Esse efeito decorre do princípio da primazia do conhecimento de mérito e tb da preponderância de interesse público primário que existe nas causas coletivas. Assim. . o juiz deve intimar a parte para agir em 48h. antes de concluir pelo abandono da ação e chamar o outro legitimado. Ou seja. mas sim a sucessão processual. §3º). Qlq desistência (fundada ou infundada) gera a sucessão processual. ATENÇÃO: na lei de ação popular é ainda mais radical.RECONVENÇÃO A análise do cabimento da reconvenção em ação coletiva não pode ser feita sem ter em mente os requisitos genéricos para o cabimento da reconvenção. 9º quando o cidadão-autor der causa a qlq hipótese de extinção da ação sem julgamento de mérito (não apenas por abandono) o juiz deve fazer publicar editais para convocar qlq outro cidadão ou o MP para a condução do processo.9 . §3º do art. não existe a necessidade de o réu concordar com a desistência (art. autoriza-se que outro legitimado assuma a ação. 10 . Por isso.

Esse posicionamento se baseia . Nos termos desse dispositivo. Quanto ao primeiro requisito. sendo as causas de rito compatível. §ú do CPC (que trata da reconvenção feita pelo legitimado extraordinário). como os legitimados são substitutos processuais. mas em tese é possível. §ú do CPC. Então. 12 . se quiser reconvir contra autor que é legitimado extraordinário o pedido deve ser em face do substituído (a quem pertence o direito discutido na ação principal). Dessa forma. e sua aplicação inflexível pode conduzir a julgamentos injustos. em face da coletividade (não pode formular pretensão contra o autor da ação coletiva. ou seja. o réu somente poderia reconvir em face do substituído. 315. Segundo Fredie a concepção mais acertada do ônus da prova é a que permite a flexibilidade. nem o autor nem o réu têm condições de atender ao ônus da prova que lhes foi rigidamente atribuído (prova diabólica). No caso da ação coletiva. Perceba que são dois os pressupostos: (1) reconvenção ser em face do substituído e (2) a defesa do substituído na reconvenção caber ao substituto. o réu. O segundo requisito é mais problemático. o dinamismo de sua distribuição. Ou seja. não haveria maiores problemas se a reconvenção tb fosse uma ação coletiva (ex: o réu de uma ação popular reconvém deduzindo outra ação popular alegando que o requerente da ação principal é o verdadeiro autor do dano ao erário ou ao meio ambiente). modificativos ou extintivos de seu direito (art. se o réu deduzir em sua reconvenção uma ação coletiva passiva (em que a coletividade é ré) para a qual o autor (substituto processual) da ação principal tenha legitimidade para a defesa da coletividade. De acordo com o art. o mais justo é que a prova incumba a quem tem melhores condições de produzi-la (prova quem pode). o réu não pode reconvir ao autor quando este demandar em nome de outrem (ou seja.DISTRIBUIÇÃO DINÂMICA DO ÔNUS DA PROVA Trata-se de um ponto muuuito importante! O CPC acolheu a teoria da distribuição estática do ônus da prova. que é apenas um substituto processual). de acordo com as particularidades do caso em concreto. 315.b) respeito ao art. Conclusão: é muito difícil reconvenção em ação coletiva. incumbindo ao autor a prova dos fatos constitutivos de seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos. é a lei que pré distribui o ônus da prova entre as parte do processo. Ocorre que. não há óbice a esta reconvenção. muitas vezes. 333). quando se tratar de um substituto processual – exatamente o que ocorre nas ações coletivas). desde que para tal ação subsista a legitimidade do substituto processual para a defesa do substituído. É por isso que se diz que a distribuição rígida do ônus da prova atrofia nosso sistema.

A teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova vem com força total nos projetos de codificação para o direito coletivo. IMPORTANTE! A redistribuição do ônus da prova deve ser feita pelo magistrado antes da fase instrutória. que redistribua o ônus da prova (inversão do ônus da prova) caso preenchidos pressupostos de aferição circunstancial e casuística (os pressupostos são a verossimilhança do direito ou a hipossuficiência). existe menção a esta teoria no CDC (art. uma forma mais rápida de proteção ao direito ameaçado ou lesado. 841 do CC. (a distribuição do ônus da prova no CDC é ope judicis) IMPORTANTE! a jurisprudência e a doutrina. (4) não é relevante a natureza do fato que se quer provar. Note tb que no que se refere aos direitos coletivos. (3) pouco importa. 6º. principalmente o médico. (2) sua distribuição não pode ser estática e inflexível. . o juiz deve redistribuir o ônus da prova sempre que o fornecedor tenha melhores condições do que o consumidor de arcar com este encargo. da cooperação e da igualdade. VIII) em favor do consumidor. em causas referentes ao direito do consumidor. a posição que a parte ocupa no processo. com a transação. mas sim quem tem mais possibilidades de prová-lo. mas sim casuisticamente. não se pode aplicálo somente na sentença já que seria por demais injusto com a parte para a qual o ônus foi invertido. com base em princípios do processo civil.CONCILIAÇÃO NAS CAUSAS COLETIVAS – COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA Note uma parada interessante: embora as causas coletivas tratem de direitos indisponíveis. por meio de termos de ajustamento de conduta (TAC). 13 .nos princípios da adaptabilidade do procedimento ao caso concreto. que é pra dar tempo de a parte incumbida buscar a prova que necessita (apesar de o ônus da prova ser uma regra de julgamento. a parte (que não é nem titular do direito. Busca-se. IMPORTANTE! Atualmente. sendo apenas um substituto processual) pode transacionar. se autor ou se réu. mas sim dinâmica. Em síntese. De acordo com essa teoria: (1) o encargo probatório jamais pode ser distribuído prévia e abstratamente. Um caso que essa teoria tem sido muito utilizada é o da responsabilidade civil do profissional liberal. Trata-se de uma exceção à regra do art. caracterizados pela forte presença de interesse público primário. têm estendido a distribuição dinâmica do ônus da prova para casos que vão além do direito do consumidor. a transação busca proteger os direitos coletivos). que seria surpreendida no momento da sentença). que sempre tem melhores condições de provar que agiu regularmente do que a vítima de provar que o médico agiu de forma irregular. para a distribuição do ônus da prova. Tal dispositivo permite ao juiz. o instituto da transação foi estabelecido com vistas a maior efetividade desses direitos (ao contrário do que pode parecer.

Este não tem interesse em recorrer do acordo judicial firmado já que não poderá ser prejudicado pelo mesmo em virtude do transporte in utilibus da coisa julgada. Obs: Geisa de Assis Rodrigues aponta algumas diferenças entre o acordo judicial e o acordo extrajudicial: (1) a legitimidade para o acordo judicial é mais ampla do que para o extrajudicial. só não cabe a conciliação em relação ao pedidos que se referem à pretensão da punição administrativa) 14 . Fredie prega que a regra deve ser vista com temperamentos. impedindo a repropositura da demanda por qlq co-legitimado. celebrado entre os órgãos públicos legitimados para a ação coletiva e quem seria réu da ação. é possível transação extrajudicial (TAC) e transação judicial. ATENÇÃO: Como visto existe previsão de transação extrajudicial (justamente o TAC). É certo que a coisa julgada no processo coletivo foge à regra geral. (2) o acordo judicial gera extinção com julgamento de mérito. se quiser. Assim. (3) no acordo judicial forma-se titulo executivo judicial. pode impugnar o acordo pelos meios normais de impugnação das decisões judiciais). §1º). inclusive aquele que não participou da celebração do negócio jurídico. havendo a homologação de acordo judicial haverá a formação de coisa julgada erga omnes. IMPORTANTE! Questão preocupante á a coisa julgada formada com a homologação de acordo judicial (julgamento de mérito). com nítida finalidade conciliatória. não existindo razão para impedir a conciliação no que se refere à reparação dos prejuízos ao erário.O TAC é um negócio jurídico extrajudicial. IMPORTANTE! Na ação de improbidade administrativa não é possível a conciliação (art. Segundo ele. Tendo em conta essa questão Fredie admite que um co-legitimado que se sentir prejudicado pelo acordo firmado recorra ou proponha alguma ação autônoma de impugnação (ou seja. A partir dessa previsão. III do CPC). principalmente no que se refere aos seus limites subjetivos. com força de título executivo extrajudicial. Ou seja. A conclusão que o Fredie chega é que sempre será possível a conciliação no processo de improbidade administrativa em relação a pedidos que poderiam ter sido formulados em processos coletivos comuns (em outras palavras. impedir a conciliação nesses casos é criar um grande e desnecessário embaraço para a tutela coletiva (ex: é possível transacionar que o pagamento do dano ao erário será feito em parcelas). 269.TUTELA DE URGÊNCIA NOS PROCESSOS COLETIVOS . Trata-se de uma modalidade de acordo. O TAC visa regular o modo como se dará a reparação do dano. o co-legitimado. 17. Obs: situação diferente é a do titular de um direito individual. que se limita aos órgãos públicos. aceita-se tb que as partes litigantes firmem acordos em demandas coletivas (dentro do processo). no acordo extrajudicial forma-se título executivo extrajudicial. de modo que se ponha fim a demanda com julgamento de mérito (art.

o juiz deverá conceder a liminar sem a oitiva da PJ. de acordo com a redação do art. 2 – o art. mas. Obs: segundo Fredie trata-se de “uma norma de profundo conteúdo ético”. regulam ou restringem a concessão de tutela de urgência (em processo individual ou coletivo) poderão ser submetidas ao controle difuso de constitucionalidade. mas todos sabem que a tutela inibitória possui natureza jurídica de medida satisfativa – o legislador deu mole) 3 – os efeitos da concessão da medida liminar no processo coletivo serão erga omnes (iguais aos efeitos da sentença) 4 – no MS coletivo e na ACP a liminar será concedida. ao consumidor. com seu substituto processual. (está escrito cautelar na lei. após a audiência do representante judicial da PJ de direito público (essa audiência deve ocorrer em 72h). Obs: essa limitação (exigência de prévia oitiva) não se aplica à ação popular nem à ACP (art. nos próprios autos da ação principal. 1º da lei 8437. não se aplica às ações populares”. Conclusão: todas as leis que limitam. 12. Diz ele que se o demandado sagrar-se vitorioso não seria justo ter ele que arcar com uma multa que foi estipulada para satisfazer um direito que. Obs: o STJ já decidiu pela nulidade da decisão liminar conferida antes da oitiva da PJ de direito público. §2º da lei 8437/92). Uma diferença é que a LACP (art. A razão de ser deste dispositivo é a defesa do patrimônio público contra a amplitude da liminar em processo coletivo (contraditório preventivo. a ordem urbanística. Não é justo que alguém que não tenha razão saia do processo mais rico do que entrou. já permitia a tutela antecipada antes mesmo da previsão genérica do art. tecer algumas observações: 1 – a ACP.. 273 do CPC. quando cabível. no entanto.. fundamentadamente. O dispositivo tb permite a concessão de medida cautelar liminarmente. feito anteriormente à concessão da liminar para conferir maior segurança ao juiz). não existia. sendo devida desde o dia em que foi cominada (esse dispositivo foi repetido no ECA e no EI). Vale.A tutela de urgência no processo coletivo não apresenta peculiaridades. Obs: segundo Fredie e Cássio Scarpinella se. Vejamos STJ: “o autor popular não litiga contra o estado. 1º. ao contrário. . tendo em conta critérios de razoabilidade em face do risco de ineficácia da decisão futura (no fundo no fundo é sempre uma análise casuística). em determinado caso concreto. 12. 5 – aos processos coletivos aplica-se o pedido de suspensão de segurança das decisões proferidas contra o poder público 6 – a disciplina das astrientes no processo coletivo não se afasta das ações individuais. na verdade. razão pela qual a vedação de concessão de liminares contida no art. com a audiência ou não do poder público. a prévia oitiva do representante judicial da PJ de direito público significar ineficácia do provimento jurisidicional. Segue a regra do processo individual. 4º da LACP prevê a possibilidade de concessão de medida cautelar inibitória a fim de evitar dano ao meio ambiente. §2º) disciplina que a multa cominada liminarmente só será exigível após o trânsito em julgado da decisão favorável ao autor.

§5º). qlq dos litigantes ou intervenientes pode ser considerado de má-fé. foi pq o autor injustificadamente descumpriu uma determinação judicial. A incidência da multa. o MP não recebe honorários). é possível que outros sujeitos processuais sejam considerados litigantes de má-fé. O texto da lei menciona a possibilidade de condenação da associação autora e seus diretores pela litigância de má-fé (solidariamente). o autor será condenado em despesas. Qlq legitimado (e não só as associações) pode estar de má-fé. mas sim ao momento em que foi concedida. 87 do CDC) prevê o pagamento de custas e honorários apenas no caso de litigância de má-fé.. em um dado momento do processo o juiz concedeu a liminar por acreditar serem relevantes os argumentos do autor e que o direito corria risco. isso é um absurdo. É um estímulo para o ajuizamento dessas ações.. Apesar do dispositivo da lei. isso é um absurdo!. quem arca com os mesmos é a fazenda pública. Obs: caso ocorra a condenação do MP em custas e honorários.LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ E DESPESAS PROCESSUAIS Com a finalidade de facilitar ao máximo o acesso à justiça a lei expressamente dispensa o adiantamento de custas e isenta o pagamento de honorários advocatícios em desfavor do demandante em sede de ações coletivas. 5º.. Ora. O sistema (art. ou seja. inclusive o MP. IMPORTANTE! O grande problema é o seguinte: perante qual justiça tramitará essa ação coletiva? Federal ou estadual? Saber se o MPE pode atuar na JF ou se o . nada se liga a procedência final da ação. Se incorreu em multa. não vou cumprir essa ordem judicial de merda!!”.. Assim. Ex: litisconsórcio entre o MPE e o MPF. Obs: caso o MP vença a ação existem dois entendimentos: (1) fala que não são devidos honorários para o MP já que. Porra. honorários e no décuplo das custas. segundo o EAOB os honorários pertencem ao advogado e promotor não é advogado. se o réu incorreu em multa é pq deixou de cumprir uma determinação judicial. Segundo ele é provisória pq se o réu ganhar não haverá multa e as partes deverão regressar ao status quo ante. Obs: o Fredie acha possível a execução provisória da multa mesmo antes da sentença final. O pensamento do Fredie permite que a parte faça o seguinte: “olha.Obs: com todo respeito.ATUAÇÃO DO MP NAS AÇÕES COLETIVAS a – litisconsórcio entre ministérios públicos e o problema da competência É perfeitamente possível a formação de litisconsórcio facultativo entre ministérios públicos para a propositura da ACP (art. (2) incide a condenação em honorários que serão revertidos aos cofres públicos (prevalece a primeira corrente. Nesse caso. como eu tenho razão e sei que ao final do processo ganharei. a meu ver. 16 . 15 .

esse é o entendimento do STF. A meu ver isso é contra legem pq fere o art. já que não há lei que cuide dessa situação. pertencentes a titulares individuais?? Se existe essa legitimidade. quebrando a igualdade entre as parte. b) a expressa autorização para o litisconsórcio facultativo entre ministérios públicos para a propositura da ACP (art. O MP tem legitimidade para a defesa de direitos patrimoniais disponíveis. §1º LACP) impondo a participação do MP como custus nas causas em que não for parte (ou seja. c – MP e os direitos individuais homogêneos: função promocional dos grandes interesses sociais As maiores discussões a respeito do papel do MP nas demandas coletivas estão no campo dos direitos individuais homogêneos. o MP sempre participará do processo coletivo). b – intervenção como custus legis As demandas coletivas estão regradas para tutelar o interesse público primário. já que ninguém pode atuar imparcialmente como fiscal de si próprio. é extremamente importante a participação do MP nestas ações para garantir que não se afaste desse importante objetivo (tutelar o interesse público primário). Há norma expressa (art. Assim. outro membro deverá fazer as vezes de fiscal da lei pq é impossível que o membro que está agindo como parte aja também como fiscal. ela decorre da categoria dos direitos coletivos lato sensu ou de uma especial configuração desses direitos no processo?? A doutrina e a jurisprudência tendem a conferir legitimidade ativa ao MP no que se refere a direitos individuais homogêneos. Se tivéssemos o MP duas vezes no processo seria uma intensificação indevida na fala do estado. Mesmo quando atua como parte o MP é sempre fiscal da lei. seja indisponível ou disponível. 5º. 5º. 5º. Prevalece a corrente que diz que qlq MP pode atuar em qlq justiça. §5º LACP) revela nitidamente a possibilidade de o MP litigar em justiça que não lhe é correspondente. a legitimação do MP se condiciona a dois requisitos: a) relevância social (presença forte de interesse público primário) b) amplitude significativa (grande nº de lesados) obs: Embora prevaleça o entendimento acima exposto. Isso pq: a) a delimitação das funções de cada MP não está constitucionalmente vinculada à competência dos órgãos judiciais.MPF pode atuar na JE é uma questão bastante complicada. c) o titular do direito de ação é o MP com instituição e não por seus órgãos fragmentados. Em se tratando de direitos disponíveis. desde que a causa posta em juízo esteja dentro das suas atribuições. a jurisprudência e a doutrina se dividem em 4 correntes: . §1º da LACP que fala que o MP atuará como fiscal da lei quando não propor a ação. Obs: Fredie tem um entendimento bizarro (a meu ver contrário ao STF) que fala que mesmo se o MP propor a ação.

b) Exigir a devolução de remuneração recebida a maior por vice-prefeito. os adeptos dessa corrente afirmam que somente cabe ao MP a defesa de direitos individuais quando indisponíveis. 2 – teoria restritiva absoluta: por falta de previsão no art. Ademais. Quando atua na tutela do patrimônio público o MP está agindo em defesa do interesse público primário: o bolso do contribuinte. cabendo tal papel às procuradorias. caso se trate de uma causa relevante a participação do MP será necessária. III da CF. o que tornaria esses direitos automaticamente indisponíveis. mas somente quando houver forte presença de interesse social). o MP nunca poderá propor ação que trate de direitos individuais homogêneos.1 – teoria ampliativa: por se tratar de ação coletiva sempre existe o interesse público (forte presença de interesse público primário) quando se trata de direitos individuais homogêneos. III da CF (que só fala em interesses difusos e coletivos). d) Exigir a devolução ao erário municipal de verbas de representação indevidamente recebidas por vice-prefeito. 127. c) Ressarcimento ao erário de danos causados pela malversação de verbas públicas. entre outros: a) Ressarcimento de danos causados ao patrimônio público por funcionário público. Dinamarco entende. da CF. 127 e 129. que a própria CF vedou essa possibilidade ao falar que o MP não pode atuar na defesa de PJ de direito público. interesse do povo e não do estado. conferindo legitimidade ao MP sempre. contudo. Fredie discorda desse entendimento de Dinamarco. o patrimônio público e social foi expressamente reconhecido em lei e na CF como direito coletivo lato sensu. Assim. O STF e o STJ já conferiram legitimidade ao MP nos seguintes casos. d – MP e proteção ao erário A função de proteção do patrimônio público e social pelo MP é prevista nos art. quando não se tinha ainda a correta noção de direitos individuais homogêneos. 3 – teoria restritiva aos direitos indisponíveis: fazendo uma interpretação literal do art. . Obs: a CF não fala expressamente em legitimidade do MP para propor ACP que trate de direitos individuais homogêneos pq o CDC (onde os direitos individuais homogêneos foram mais detalhadamente tratados e compreendidos) veio após a CF/88. Para simplificar: deve ser indagado se se trata de uma causa relevante. 4 – teoria eclética: é a que prevalece. caput. 129. Seus adeptos pregam que deve se averiguar no caso concreto a presença de forte interesse social que legitime a atuação do MP (não é em toda causa coletiva relativa a direitos individuais homogêneos que o MP terá legitimidade.

A questão é saber se o rol de legitimados para o MS coletivo é um rol exaustivo ou exemplificativo. a súmula 329 do STJ: “o Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público. Obs: no concurso o cespe adotou o entendimento de que o rol é exaustivo! Fredie fica meio que em cima do muro diz: “há argumentos ponderáveis para ambos os lados. em casos excepcionais. Assim. não seria. E mais. município). Se for exaustivo. O MP possui legitimidade extraordinária para. podemos extrair as seguintes regras: . dando a entender que o interesse do legislador é somente legitimar aquelas pessoas mesmo (pq a lei do MS poderia ampliar o rol e não o fez). A questão é que o MP não pode atuar como advogado de pessoa jurídica de direito público (isso cabe à procuradoria). É preciso ter em mente que o rol dos legitimados é constitucional. porém. a nova lei do MS apenas repetiu os legitimados que a CF já trazia. entendem que o rol do MS coletivo é exemplificativo. o cabimento do recurso de terceiro segue as mesmas regras da assistência. Há que se mencionar. Outros.Em 2009 tivemos os seguintes julgados: 3 – (stj) MP. o fato de o MP (e tb a defensoria) não estarem presentes na nova lei do MS entre os legitimados não tem qlq problema já que se trata de um microssistema de direito coletivo.” e – MP e MS Coletivo Trata-se de uma questão divergente. segue a teoria geral das modalidades de intervenção de terceiro. Obs: caiu isso na DPEPI (só que lá perguntava acerca de legitimidade da defensoria). Uns afirmam que o MP não pode ajuizar MS coletivo pq não está no rol dos legitimados da CF. que pode ser ampliado infraconstitucionalmente. legitimados para propor o MS coletivo.QUESTÕES RECURSAIS A . Ora. Assim. LEGITIMIDADE. O MP tem legitimidade para requerer a execução de título executivo em favor de ente público (no caso. 5 – (stj) LEGITIMIDADE DO MP PARA AÇÃO DE EXECUÇÃO. sendo possível usar o rol dos legitimados da ACP para justificar a legitimação no MS coletivo.” 17 . Em ação coletiva. E mais. vereador devia ao município). 5º) não impede a sua ampliação (só impede a redução). a partir do juízo prévio de ponderação feito pelo legislador. Só que cabe ao MP proteger o patrimônio público. o MP (bem como a defensoria). na defesa do patrimônio público. Como tal. o STJ dá essa legitimidade para propor execução ao MP. promover ação de execução de título executivo extrajudicial formado por decisão do TCE (no caso. EXECUÇÃO EM FAVOR DO PATRIMÔNIO PÚBLICO. o fato de ser um rol constitucional (art. Frisa-se que não é o caso de o MP estar advogando para a fazenda pública. A concepção deste curso é a de que o controle da legitimação coletiva deve ser feito in concreto pelo magistrado. Outros acreditam que o rol dos legitimados da CF é apenas um núcleo mínimo.Recurso de terceiro O recurso de terceiro é modalidade de intervenção de terceiro. ainda. como não estão incluídos no rol.

sendo possível que qlq legitimado reproponha a ação se surgirem fatos novos (nesse caso não cabe AR. mas tb aos fundamentos. Não faz coisa julgada se o juízo de improcedência se fundar em falta de provas. B . os fundamentos da sentença fazem toda a diferença para o processo coletivo. em processo coletivo. No processo coletivo é diferente. para falar que o juiz não deveria ter julgado improcedente por ausência de provas. Somente co-legitimado para a ação pode interpor recurso de terceiro (obs: o cidadão-eleitor pode interpor recurso de terceiro na ação popular. A coisa julgada que se forma é secundum eventum probationis. pq nem precisa. Ou seja. a sucumbência.Efeito suspensivo dos recursos De acordo com o art. caso em que não se beneficiará do transporte in utilibus da coisa julgada). Contudo. bastando que a parte reproponha a ação). Assim.Interesse recursal Regra geral. no processo individual não existe interesse em recorrer de fundamentos. além de caber recurso de terceiro interposto por outro cidadãoeleitor. ATENÇÃO: na ação popular a apelação tem efeito suspensivo quando interposta contra sentença que julgar procedente a demanda – esse efeito suspensivo é para . Conclusão: em se tratando de processo coletivo. já que é co-legitimado) b) na ação popular. c) nas causas que versem sobre direitos individuais homogêneos cabe recurso de terceiro pelo particular-prejudicado-substituído (titular do direito individual) que atuará na causa como assistente litisconsorcial (isso pq nessas causas é possível que o particular intervenha como assistente. é possível que algum outro legitimado das demais ações coletivas interponha o recurso de terceiro na ação popular desde que a causa verse sobre questão que poderia ter sido proposta em outra ação coletiva para a qual o terceiro que interpôs o recurso seria legitimado (ex: a matéria poderia ser trata tb em ACP). não se refere só ao dispositivo. A irresignação da parte deve incidir sobre o dispositivo. é preciso que a parte peça. por exemplo. é possível recurso que questione fundamento da sentença. Obs: como visto acima é possível que um co-legitimado impugne o acordo judicial firmado por outro co-legitimado a fim de evitar que se forme coisa julgada com efeitos erga omnes. há interesse recursal do réu. Assim. o juiz pode lhes conferir efeito suspensivo a fim de evitar dano irreparável à parte. mas sim que deveria ter julgado improcedente com base nas provas existentes. O juiz não pode dar efeito suspensivo de ofício. C .a) não cabe recurso de terceiro interposto por particular. 14 da LACP os recursos possuem efeito meramente devolutivo.

há remessa necessária. a meu ver. mas somente atinge. julgada improcedente ACP ou extinto o processo por carência de ação. condenada a fazenda pública em ACP.suspender os efeitos da procedência da ação – é um efeito suspensivo. (2) limites objetivos – o quê se submete a coisa julgada?.A coisa julgada ultra partes é aquela que atinge não só as partes do processo. Liga-se ao direito fundamental à segurança jurídica. É o que geralmente ocorre quando há substituição processual em que a coisa julgada vincula tb o substituído. como tb determinados terceiros (pessoas que não participaram do processo).A coisa julgada inter partes somente vincula as partes do processo. surgiram 4 correntes: 1ª ) não há reexame necessário em ACP. 1 . O regime jurídico da coisa julgada é visualizado a partir da análise de três dados: (1) os limites subjetivos – quem se submete à coisa julgada?. Trata-se da regra geral do processo individual. apesar de não ter ele participado da demanda. há. certas terceiras pessoas. Dessa forma. tb. 2 . Cabe reexame necessário de sentença de improcedência ou de extinção sem julgamento de mérito da ação popular. Não posso esquecer que a coisa julgada ultra partes não atinge a todos de modo indiscriminado. Assim. Em outras palavras: há reexame necessário pro societat e reexame necessário em prol da fazenda pública. CAPÍTULO X – COISA JULGADA 1 .NOÇÕES GERAIS A coisa julgada é a situação jurídica que torna indiscutível as eficácias constantes do conteúdo de determinadas decisões judiciais. A LACP não prevê o reexame necessário. 2ª) aplica-se a regra geral do CPC (art. remesse necessária. ultra partes ou erga omnes. envolva ou não ente público.Reexame necessário IMPORTANTE! Para a ação popular o reexame necessário é pro societate. 475 – reexame quando prejudicar a fazenda pública) 3ª) aplica-se a regra geral da LAPOP (reexame pro societate) 4ª) aplica-se o reexame utilizando-se ambos os regimes (quando a sentença prejudicar o poder público e pro societate)** Prevalece a última corrente. (3) modo de produção – como se forma a coisa julgada? Em relação aos limites subjetivos a coisa julgada por ser inter partes. além daqueles que participaram do processo. . contrário ao interesse público (art. 19) D .

pouco importa se procedência ou improcedência (é a regra geral). Obs: grosso modo. . A coisa julgada que se forma é como se fosse coisa julgada formal. A . cujo julgamento sempre será com suficiência de provas e tb nas demandas improcedentes com suficiência de provas. Essa é a diferença para a coisa julgada ultra partes.Coisa julgada secundum eventum litis é aquela que só é produzida se a demanda for julgada procedente. a coisa julgada atinge a todos de forma indiscriminada. Se a ação for tida por improcedente (qualquer que seja a causa da improdência) ela poderá ser reproposta. que possibilita a repropositura da ação. 2 . Em relação aos limites objetivos somente se submete aos efeitos da coisa julgada o dispositivo da sentença.A coisa julgada pro et contra. sendo possível repropor a ação com base em prova nova. Na coisa julgada secundum eventum probationis o único elemento que importa é o esgotamento das provas. Quanto ao modo de produção. É preciso de um lado proteger o réu que não pode ser demandado infinitas vezes sobre uma mesma questão e de outro limitar o poder do estado que não pode ser autorizado a sempre rever o que já foi decidido. nesse sistema.Coisa julgada secundum eventum probationis aquela que só se forma em caso de esgotamento de provas. que é a que se forma independentemente do resultado do processo. C . Ou seja. Esse regime não é bem visto pela doutrina pq coloca as partes em situação desigual. Obs: nesses casos. tenham ou não participado da demanda. Não forma coisa julgada a sentença de improcedência por ausência de provas. Aqui na erga omnens. b) de outro o risco de exposição indefinida do réu ao judiciário e a necessidade de estabilidade jurídica para o estado. IMPORTANTE! Aqui a coisa julgada tb é pro et contra já que se forma independente da procedência ou improcedência da ação. Tal risco decorre do fato de os legitimados para as ações coletivas não serem os titulares do direito em jogo (substituição processual). tenha ou não participado do processo. ficando o réu em posição de flagrante desvantagem.REGIME JURÍDICO DA COISA JULGADA COLETIVA São dois os aspectos que centralizam todas as discussões que envolvem a coisa julgada coletiva: a) de um lado o risco de interferência injusta nas garantias do indivíduo titular do direito subjetivo que poderia ficar sujeito à imutabilidade de uma decisão da qual não participou. temos coisa julgada nas demandas procedentes. Há três diferentes tipos de coisa julgada. pouco importa o resultado da ação (é claro que só há resultado com base na insuficiência de provas na improcedência da ação). B .A coisa julgada erga omnes atinge todos. que é a parte que trata da solução do pedido principal.3 . a decisão que não se baseia na existência completa de provas é considerada uma decisão sem exame de mérito. não cabe ação rescisória pq é como se fosse uma decisão sem exame de mérito.

A opção pela coisa julgada secundum eventum probationis revela o objetivo de prestigiar o valor “justiça” em detrimento do valor “segurança jurídica”. Apesar de serem ambos os casos de coisa julgada secundum eventum probationis. qlq legitimado (inclusive o que propôs a primeira demanda) pode propô-la novamente. é possível propor ações individuais.Em matéria de direito coletivo. 103. 81. é possível propor ação individual. caso o julgamento seja de improcedência por falta de prova. exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas. 81.COISA JULGADA COLETIVA NAS AÇÕES QUE VERSAM SOBRE DIREITOS DIFUSOS OU COLETIVOS A opção adotada para os direitos difusos e coletivos foi a coisa julgada secundum eventum probationis. a sentença fará coisa julgada: I . categoria ou classe.ultra partes. a coisa julgada não é idêntica para direitos coletivos e difusos. mas limitadamente ao grupo. 103 do CDC funciona como regra geral sobre a coisa julgada: Art. apenas no caso de procedência do pedido. I e II). bem como preservar os processos coletivos do conluio e da fraude processual. o art. ou seja. A prova nova deve ser hábil a gerar um resultado novo no processo (só assim se ultrapassará o juízo de admissibilidade da nova demanda). cujo transporte será in utilibus. . só será transportada a procedência da ação. salvo improcedência por insuficiência de provas. hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação. Obs: não basta prova nova. b) Improcedência sem provas  é possível repropor a ação coletiva. não faz coisa julgada a improcedência por insuficiência de provas (art. III . nos termos do inciso anterior.erga omnes. Ou seja. Desta feita. IMPORTANTE! Seja a sentença dada com esgotamento de provas. O que é secundum eventum littis é sua extensão aos terceiros (indivíduos). Nas ações coletivas de que trata este código. Perceba as implicações disso: a) Improcedência com provas  não se pode repropor a ação coletiva. c) Procedência (que é sempre com provas)  não é possível repropor a ação coletiva (msm pq não há interesse). 3 . para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores. a demanda não poderá ser reproposta. tanto faz pela improcedência ou pela procedência do pedido (pq apesar de ser secundum eventum littis é pro et contra). com base em novas provas. 81. 103. II . com idêntico fundamento valendo-se de nova prova. na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. não precisa de ação individual (pq o titular individual do direito se beneficia da sentença coletiva). Por isso não é correto dizer que a coisa julgada coletiva (pelo menos em relação aos direitos difusos e coletivos) é secundum eventum littis. na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art.erga omnes.

categoria ou classe. Em outras palavras: haverá extensão da coisa julgada para o plano individual no caso de procedência do pedido da ação coletiva. III do CDC).O ART. A maioria da doutrina adota a interpretação literal do art. se a ação coletiva for julgada procedente ou improcedente no mérito. em se tratando de direitos individuais homogêneos. com base. seja pela procedência. Se julgada improcedente por falta de provas não haverá coisa julgada material no âmbito coletivo (é igual à coisa julgada nos direitos coletivos e individuais homogêneos).COISA JULGADA COLETIVA NAS AÇÕES QUE VERSAM SOBRE DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS Em se tratando de direitos individuais homogêneos a coisa julgada é erga omnes. apenas no caso de procedência do pedido.Nos direitos difusos a eficácia subjetiva da coisa julgada é erga omnes. IMPORTANTE! Perceba-se que a legislação não disciplina a coisa julgada coletiva nas ações que envolvam direitos individuais homogêneos. a igualdade e a universalidade da jurisdição. Assim. 16 DA LACP E A RESTRIÇÃO TERRITORIAL DA COISA JULGADA COLETIVA O mencionado dispositivo legal afirma que a sentença coletiva somente fará coisa julgada nos limites da competência territorial do órgão prolator. mas apenas trata da extensão da coisa julgada coletiva para o plano individual (diz apenas que o transporte é in utilibus). Eis os motivos desse artigo ser uma porcaria: a) É inconstitucional. ou não. afirmam que sempre se formará coisa julgada seja na decisão com base em provas seja na decisão por ausência de provas. 5 . deve-se buscar no microssistema uma forma de superar essa lacuna legislativa. para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores (art. 4 . segundo Fredie. IMPORTANTE! Dessa forma. ferindo o acesso à justiça. no esgotamento das provas. Ou seja. Assim. atingindo todos os indivíduos indeterminados que se ligam pela circunstância de fato tratada no processo. Fredie afirma que. III do CDC. . haverá coisa julgada no âmbito coletivo. atrás). atingindo todos os membros do grupo. 103. Nos direitos coletivos a eficácia subjetiva da coisa julgada é ultra partes. A doutrina é quase unânime em sentar o cacete nesse dispositivo dizendo que ele é uma bosta que vai de encontro a todo o espírito do direito coletivo (ver pag. decidida a ação coletiva. seja pela improcedência. ANTENÇÃO! A posição acima é minoritária. nunca será possível a repropositura da ação coletiva. 103.

obviamente o indivíduo deverá liquidar o valor. a sentença de procedência na ação coletiva pode ser usada pelos indivíduos. 103. a sentença de improcedência na ação coletiva (com ou sem esgotamento de provas) não produz efeitos na esfera individual. . proposta pela vítima que se beneficiou do transporte in utillibus. 6 . uma sentença coletiva que trata de direitos difusos (p. Não há extensão da coisa julgada aos membros do grupo. §2º e §3º do CDC. mas sim da eficácia da sentença. a coisa julgada coletiva estende seus efeitos ao plano individual in utillibus: o indivíduo poderá valer-se da coisa julgada coletiva para proceder a liquidação de seus prejuízos e promover a execução da sentença. Trata-se da chamada liquidação imprópria. indo direito para a liquidação e execução. Frisa-se que. não prejudicando as pretensões individuais. No que diz respeito às demandas coletivas. as normas do CDC se aplicam à ACP. ferindo a disposição processual de que a jurisdição é uma em todo o território nacional. em se tratando de direitos individuais homogêneos faz (segundo posição majoritária). podemos ter as seguintes situações: a) Procedência: coisa julgada material no âmbito coletivo. Assim. Assim. evitando a fragmentação das demandas. porém. pois além do quantum debeatur o indivíduo deverá demonstrar que é um dos atingidos pela coisa julgada.) serve de título executivo para uma execução coletiva e para uma execução individual. c) Não se trata de limitação da coisa julgada. só um retardado vai querer intervir). Trata-se do transporte in utillibus da coisa julgada. d) Contraria a essência do processo coletivo que prevê o tratamento molecular dos litígios. b) Improcedência por insuficiência de provas: em se tratando de direitos coletivos e difusos.ex. que não necessitam mais passar pela fase de conhecimento. o STJ tem aplicado esse artigo. a coisa julgada lhe afetará. Infelizmente. Por outro lado. c) Improcedência com provas: faz coisa julgada no âmbito coletivo.b) É ineficaz pq o art. não faz coisa julgada no âmbito coletivo. mesmo no caso de improcedência da ação (dessa forma. com extensão (transporte in utillibus) para todos os membros grupo (erga omnes ou ultra partes). IMPORTANTE! Antes de executar o seu crédito.REPERCUSSÃO DA COISA JULGADA COLETIVA NO PLANO INDIVIDUAL Art. Segundo dispõe o CDC. se o indivíduo intervir na ação coletiva que envolva direitos individuais homogêneos (pq só com relação a esse tipo de direito é que é cabível a intervenção do indivíduo). Não há extensão aos membros do grupo. como se trata de um microssistema. 103 do CDC trata a coisa julgada de forma mais ampla e.

inclusive na improcedência. §4º do CDC). a ação de improbidade em nada difere das demais ações coletivas ressarcitórias. IMPORTANTE! Em relação ao pedido ressarcitório. tendo em vista a segurança jurídica e o risco de exposição infinita do réu a ações judiciais.. São os casos de crimes cuja vítima é a sociedade/coletividade (ex: crimes ligados à proteção da concorrência. Esse tipo de sentença penal “coletiva” pode ensejar ação civil individual ex delicto. 103.ALGUNS POSICIONAMENTOS DOUTRINÁRIOS CRÍTICOS DA EXTENSÃO DA COISA JULGADA AO PLANO INDIVIDUAL SECUNDUM EVENTUM LITIS Inicialmente. Há também aqui. ou seja. alguns doutrinadores criticam o fato de ela ser secundum eventum litis. É preciso buscar uma solução por analogia. parte-se da premissa de que a ação de improbidade administrativa é uma ação coletiva que pode trazer duas espécies de situações jurídicas ativas: (1) pedido de aplicação de sansões ao agente ímprobo e (2) pedido de ressarcimento ao erário. com a liquidação e execução de danos individuais. Nesses casos. que traz em si alto teor sancionatório. titulares do direito lesado. 103.. A coisa julgada coletiva (para direitos difusos e coletivos) é secundum eventum probationis. somente na procedência do pedido. ou seja: qualquer decisão de mérito. favorável ou não ao autor. cujo objetivo é a aplicação de sanção civil em decorrência da prática de um ilícito.TRANSPORTE IN UTILIBUS DA COISA JULGADA PENAL COLETIVA PARA A ESFERA COLETIVA E INDIVIDUAL (ART.COISA JULGADA NA AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Não há regra legal sobre o assunto. §4º DO CDC) A violação de um direito coletivo é ato ilícito que pode dar ensejo a demandas cíveis e penais. faz coisa julgada material. Para tanto. às relações de consumo. .7 .). e ação civil coletiva ex delicto. a coisa julgada segue a regra comum. Quanto à extensão da coisa julgada coletiva ao plano individual. É isso mesmo! A tutela jurisdicional dos direitos coletivos pode ser feita por meio de ações penais. nesse aspecto. Tais autores consideram mais adequada constitucionalmente a extensão erga omnes da eficácia da sentença. deve ficar claro de uma vez por todas que o sistema brasileiro não adotou a coisa julgada coletiva secundum eventum litis. O que é secundum eventum litis é a extensão da coisa julgada coletiva aos indivíduos. 9 . transporte in utilibus da coisa julgada coletiva (art. 8 . fredie afirma que é mais adequado utilizar a regra geral do microssistema de direito coletivo pois. com a liquidação e execução de danos difusos e coletivos. beneficiando a vítima da conduta criminosa. IMPORTANTE! Em relação ao primeiro pedido. a sentença penal condenatória repercutirá no cível.

95 do CDC).A LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA GENÉRICA PROFERIDA EM PROCESSO EM QUE SE DISCUTE DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS A sentença de procedência na ação coletiva que trata de direitos individuais homogêneos é genérica (art. Não é como uma liquidação comum. deu-se o apelido de liquidação imprópria. IMPORTANTE! Nas liquidações dessas sentenças coletivas há ampliação do tema a ser decidido. CONCLUSÃO: nas ações de improbidade administrativa. Ou seja. 2 . e não um processo autônomo. quanto à aplicação de sanções incide a regra geral do processo individual. Ex: numa ACP em que se busca reparação pelo equivalente pecuniário em virtude de prejuízos causados ao meio ambiente. quando a apuração do valor depender de simples cálculo. Nessa liquidação são apurados: a) os fatos e alegações referentes ao dano individualmente sofrido pelo demandante. Em razão disso. além do valor devido. A extensão da coisa julgada ao plano individual fica condicionada à efetividade prática (em regra não há). Ou seja. líquida. CAPÍTULO XI – LIQUIDAÇÃO E EXECUÇÃO DA SENTENÇA 1 . Aqui. o regime da coisa julgada é diferenciado conforme o capítulo da sentença: quanto ao ressarcimento ao Erário.Obs: em regra não há transporte da coisa julgada para o plano individual pq o único indivíduo que poderia se beneficiar é a PJ de direito público lesada que já se beneficia diretamente com a sentença.A FASE DE LIQUIDAÇÃO Ainda que não exista regra específica sobre o sincretismo do processo coletivo. nesses casos. não há possibilidade de a própria sentença coletiva que trata de direitos individuais homogêneos trazer o quantum já definido (ela é sempre ilíquida). a liquidação do valor da indenização por danos materiais imposta ao réu deve ser buscada como fase do processo. a liquidação deve apurar a titularidade do crédito (se o individuo está entre os atingidos pela coisa julgada). seja qual for a denominação adotada) da liquidação conterá duas declarações: . a liquidação coletiva (de ação que envolva direitos difusos e coletivos) é uma fase do processo coletivo. incide o microssistema coletivo plenamente. b) a relação de causalidade entre o dano do indivíduo e o fato potencialmente danoso acertado na sentença c) o dimensionamento dos danos sofridos A decisão (ou sentença. antes da instauração da fase executiva do julgado. Obs: seria possível uma sentença. este tb é sincrético. aplicando-se as regras do CPC.

liquidação imprópria. haverá. coletivamente o dano é considerável pois. não se distinguindo de uma liquidação de uma sentença individual comum. Individualmente não há interesse em cada um dos indivíduos de cobrar indenização referente a seus 100 ml de xampu faltantes. . Ex de uso do Fluid recovery: uma empresa vende uma embalagem de xampu que deveria conter 1L com apenas 900 ml. Fluid recovery: Se decorrido o prazo de um ano sem que tenham se habilitado para receber indenização indivíduos em número compatível com o dano. Busca-se a definição do quantum debeatur. Fluid recovery = execução fluida. titular do direito coletivo). já que os demais elementos já se encontram na sentença. O Fluid recovery serve para garantir o princípio da tutela integral do bem jurídico coletivo já que. suponhamos que a empresa tenha vendido 1 milhão dessas embalagens. com a necessidade de determinar o valor a ser executado e o titular do crédito.LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA EM QUE SE DISCUTE DIREITOS DIFUSOS OU COLETIVOS (PRESTAÇÕES PECUNIÁRIAS) Esses tipos de direitos podem dar ensejo a dois tipos de execução: uma coletiva e uma individual proposta pela vítima a partir do transporte in utilibus da coisa julgada coletiva. igual aos direitos difusos. 4 . em regra). conseqüentemente. Trata-se de uma liquidação e execução coletiva provenientes de uma sentença condenatória proferida em ação envolvendo direitos individuais homogêneos.a) a de que o demandante é credor de uma indenização. poderão os legitimados do art. 82 do CDC (os legitimados para as ações coletivas) promover a liquidação e execução da sentença coletiva genérica relacionada aos direitos individuais homogêneos (art. No caso de liquidação para execução individual. A liquidação para a execução coletiva não tem maiores peculiaridades. Pode ser feita por artigos ou por arbitramento.A FLUID RECOVERY Trata-se de uma parada que se relaciona aos direitos individuais homogêneos (onde a execução é individual. O produto dessa execução é destinado a um Fundo (FDD). 100 do CDC). b) o valor da indenização devida. Porém. o autor do dano teria um benefício (já que não pagaria as indenizações devidas). que inclusive define a quem se deve (no caso. 3 . à comunidade lesada. sem o Fluid recovery o dano não seria integralmente indenizado e.

é possível a existência concomitante de uma execução da pretensão coletiva. 475-I a 475-R do CPC. 100 do CDC prevê é uma legitimação extraordinária subsidiária. art. doações. 15 da LACP. 82) instaurar a liquidação coletiva após 1 ano do trânsito em julgado da ação. 5 . proposta pela vítima. na promoção de . O valor a ser executado e liquidado pelo sistema do Fluid recovery é residual. o fluid recovery nas ações que envolvem direitos individuais homogêneos. inclusive por aquele que não tenha sido o autor da ação coletiva de conhecimento (se ninguém fizer em 60 dias o MP é obrigado a executar!). Ou seja. multas por descumprimento de decisão judicial. cabe ao réu demonstrar a existência de liquidações individuais em andamento e o eventual valor já pago para que isso possa ser descontado da execução do Fluid recovery. Ou seja. 461-A do CPC. desconta-se o montante pago nas execuções individuais. Ou seja. sendo os recursos destinados à recuperação dos bens lesados. só permitindo ao ente coletivo (art. Obs: tudo o que se refere à execução coletiva vai para o FDD. 6 . 461 do CPC. V. sem a necessidade de instaurar uma nova relação jurídica processual para a liquidação e execução do julgado. é claro).EXECUÇÃO DE SENTENÇA NO PROCESSO COLETIVO A execução no processo coletivo segue a regra do CPC no que diz respeito ao sincretismo processual. IMPORTANTE! No caso de ação que discuta direitos coletivos ou direitos difusos é possível a existência de um concurso de credores. A execução da sentença de fazer/não fazer segue as regras dos art. Obs: esse prazo não implica na perda do direito das vítimas requererem a liquidação e execução de forma individual. # o que vai para o FDD? R: o R$ advindo de ação que envolva direitos difusos e coletivos (no caso de execução coletiva). proposta por qualquer legitimado extraordinário e de uma execução de pretensão individual (por conta do transporte in utilibus). As de entregar coisa seguem as regra do art.IMPORTANTE! O que o art. IMPORTANTE! A execução coletiva pode ser promovida por qualquer legitimado coletivo. as ações coletivas também são sincréticas. 13 da LACP dispõe que. # como são usados os recursos do FDD? R: a aplicação dos recursos deve estar relacionada com a natureza da infração ou do dano causado. Os recursos serão usados na recuperação de bens. Nesses casos. havendo condenação em R$ (no caso de execução coletiva. E a execução das sentenças de pagar quantia segue as regras dos art.O FUNDO DE DEFESA DOS DIREITOS DIFUSOS O art. Dessa forma. os credores individuais têm privilégio no recebimento de seus créditos. a indenização será destinada ao fundo de defesa dos direitos difusos (FDD).

97 e 98 do CDC. O exemplo mais comum disso é a execução fundada em termo de ajustamento de conduta (TAC) que tem natureza de título executivo extrajudicial. Vê-se.2” comumente é chamada de execução coletiva. Cabe ao MPF e ao próprio CADE.. Observe. científicos e na edição de material informativo especificamente relacionados com a natureza da infração ou do dano causado. Além desse exemplo temos outro: a execução das decisões administrativas do CADE.eventos educativos. existam pretensões individuais. Isso está disciplinado nos art. nos termos da lei nº 8884/94. . Explicando. pois o direito tutelado é individual puro. Certo tb que o credor individual tem privilégio no recebimento da indenização. é possível que junto com a pretensão coletiva. que não se trata de execução coletiva. proposta pelo legitimado extraordinário coletivo. legitimados extraordinários (no caso de vítimas individuais já identificadas. IMPORTANTE! Como visto. 8 .EXECUÇÃO COLETIVA DE TÍTILO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL É possível uma execução coletiva baseada em título executivo extrajudicial. ATENÇÃO! À execução do item “a. uma sentença que envolve direitos individuais homogêneos pode dar origem e dois tipos de execução: individual e coletiva. os recursos serão prioritariamente aplicados na reparação específica do dano causado. 7 . Ou seja.2) proposta por um dos entes coletivos.. A execução individual pode ser proposta tanto pela vítima (e seus sucessores) como por um dos entes coletivos (legitimados extraordinários). contudo. nesse sentido. a importância recolhida ao FDD terá destinação sustada enquanto pendentes de recursos as ações de indenização pelos danos individuais. com o valor já liquidado) b) execução coletiva: residual – fluid recovery. 82 do CDC) não tem o condão de transformá-la em execução coletiva. sendo o R$ destinado ao FDD. que é um requisito para essa execução que as vítimas estejam individualizadas e com os valores já liquidados. É coletiva a execução de sentença que trata de direitos individuais homogêneos quando for caso de fluid recovery (só nesse caso).EXECUÇÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA GENÉRICA QUE ENVOLVE DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS A execução de tal sentença pode ser das seguintes maneiras: a) execução das pretensões individuais: a. Dessa forma. salvo na hipótese de o patrimônio do devedor ser manifestamente suficiente para responder pela integralidade da dívida. Trata-se assim de execução individual e o fato de ser proposta por um dos entes coletivos (art. 97 CDC) a.1) proposta pelas vítimas e seus sucessores (art.

ATENÇÃO: Perceba que o fundamento do julgado era que ação de execução é autônoma. NOVA REDAÇÃO DO ART. 18 só se aplica aos processos de conhecimento. fazendo uma interpretação sistemática do microssistema de processo coletivo. PROCESSUAL CIVIL./Ag. entende que. A uma primeira vista a regra contradiz o teor do art. a Lei 7.448-SP e Ag.Tratando-se os autos em espeque de processo executivo. 9 . a não ser que se trata de demanda manifestamente infundada ou litigância de má-fé.DESPESAS PROCESSUAIS NA EXECUÇÃO Poder-se-ia imaginar que a fase de execução segue a regra do art. IMPORTANTE! Ocorre que o STJ possui entendimento de que o art.347/85.347/85. 18 da LACP. 18 da LACP. incide à espécie. 20.Rg. honorários periciais e quaisquer outras despesas quando se tratar de processo cognitivo em que não haja pretensão manifestamente infundada ou litigância de má-fé. como se trata de direitos difusos. INCIDÊNCIA DAS REGRAS DO CPC. 64. 216. não são devidas custas. emolumentos.REGIME DE HONORÁRIOS NA EXECUÇÃO DE SENT. COLETIVA NÃO EMBARGADA O art. CONCEITO. a isenção dos ônus sucumbenciais fora dos expressos limites traçados em seu artigo 18. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. é indispensável que o credor . do contrário estar-se-ia dificultando a efetividade do processo coletivo. # qual é a razão da dispensa de honorários nas execuções não embargadas pela fazenda pública? R: a razão da fixação de honorários decorre do princípio da causalidade: aquele que deu causa à demanda deve arcar com os custos do processo e igualmente com os honorários de advogado. 557 DO CPC. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. uma peculiaridade. INAPLICABILIDADE DO ART. 1º-D da lei nº 9494/97 fala que não serão devidos honorários advocatícios pela fazenda pública nas execuções não embargadas. pois os processos de conhecimento e de execução são autônomos.022-DF Fredie acha que esse entendimento não é correto. II. emolumentos.Obs: Eduardo Talamini. a regra geral do Código de Processo Civil. I. Afinal. §4º do CPC que fala que incidem honorários em execução embargada ou não. Precedentes: REsp. incidindo as despesas processuais quando se trate de execução.347/85 não contemplou. Como segue o regime constitucional de precatórios. 10 .A jurisprudência desta Corte distingue nitidamente as hipóteses de aplicação do artigo 18 da Lei 7. não são devidas custas. 18 DA LEI 7. ou seja. qlq um dos entes coletivos legitimados pode propor a ação (me parece que ele tem razão). AÇÃO CIVIL PÚBLICA. nem honorários advocatícios. ou seja. em seu texto legal. entretanto. devendo tb a fase de execução seguir a regra do art. A execução contra a fazenda pública tem. Com o processo sincrético (agora tudo é uma coisa só) é possível que o STJ mude de posição. INTELIGÊNCIA. AGRAVO INTERNO. PROCESSO DE EXECUÇÃO.

A competência é diferente liquidação/execução coletiva. Obs: nas execuções de pequeno valor (menos que 60 salários) incide honorários sendo. Por sua vez. por sua vez. tb juízo sobre a titularidade do exeqüente em relação ao direito material”. Nesse passo. é na liquidação que incidem honorários e não na execução não embargada. 11 . não havendo razão para honorários. segundo o STJ. Em outras palavras: não é possível que a fazenda pública cumpra espontaneamente a obrigação. IMPORTANTE! Por essa razão o STF reduziu a aplicação do art. pq somente nesses casos é que a não incidência de honorários se justifica. além da individualização e liquidação do valor devido.execute o crédito sob pena de não vê-lo incluído na ordem de pagamento dos precatórios. 1ª D seria aplicável somente nas execuções de sentenças individuais. pois. quando já está tudo definido. Nas coletivas não! IMPORTANTE! HARMONIZAÇÃO: Como visto. ainda que não embargadas” # qual é a razão dessa súmula nº 345 do STJ? R: o STJ entendeu que cabem honorários advocatícios mesmo se a execução não for embargada pela fazenda pública pois “não se trata de uma ação de execução comum. não havendo embargos. ou não embargada a execução. É ação de elevada carga cognitiva. em consonância com o que dispõe o art. pois nela se promove. 98. em se tratando de liquidação/individual e a) Individual: a liquidação pode se dar no foro de domicílio do exeqüente (indivíduo que se beneficiou da sentença coletiva). o art. segundo o STF. CONCLUSÃO: desse modo. existe uma aparente divergência entre o STF e o STJ. vez que essa é necessária no regime de precatórios. 101. §2º do CDC. se assim fizesse estaria burlando a ordem de precatórios. em consonância com o que fala o STF. que redunde em precatórios. IMPORTANTE! PROBLEMA – POSIÇÃO DO STJ: o STJ. I do CDC. fredie diz (e é verdade) que o STJ se equivocou. não há resistência nem causalidade. Assim. manifestado na súmula nº 345 do STJ: “são devidos honorários advocatícios pela fazenda pública nas execuções individuais de sentença proferida em ação coletiva.COMPETÊNCIA PARA LIQUIDAÇÃO E EXECUÇÃO COLETIVAS Art. O que tem elevada carga executiva nos processos coletivos é a liquidação (liquidação imprópria) e não a execução. adotou entendimento aparentemente contrário ao do STF. Trata-se de regra indispensável para a efetividade do processo coletivo e que busca facilitar o acesso à justiça (seria muito difícil para algumas vítimas se dirigir ao juízo da sentença para propor a . Assim. Vê-se que a fazenda não dá causa ao ajuizamento da execução. a execução de sentença coletiva (como tb a individual) contra a fazenda pública não embargada. Necessária a harmonização do pensamento de ambos os tribunais. não gera o pagamento de despesas processuais. 1º-D somente aos casos em que a execução contra a fazenda pública se dá por meio de precatórios.

475-P do CPC que. 475-P). • classificações Ação coletiva passiva original: é a que dá início a um processo coletivo. Ficamos assim então: 1. EXECUÇÃO. como forma de garantir-lhe o acesso à justiça. 475-P). liquidação/execução coletiva: (a) foro da ação de conhecimento. um direito coletivo pode estar relacionado a uma situação jurídica coletiva passiva (ex: o direito de uma categoria de trabalhadores a que determinada categoria de empregadores reajuste os salários). 475-P). . Formula-se uma demanda contra a coletividade. CAPÍTULO XII – PROCESSO COLETIVO PASSIVO 1 . (c) foro do local onde se encontram os bens sujeitos à expropriação (art. b) Coletiva: a execução/liquidação é feita no foro do processo de conhecimento. 2. Trata-se da regra contida do art. Ou seja. 475-P). (b) foro do domicílio do exeqüente. São deveres ou estados de sujeição difusos e individuais homogêneos.SITUAÇÕES JURÍDICAS COLETIVAS PASSIVAS Há ação coletiva passiva quando um agrupamento humano for colocado como sujeito passivo de uma relação jurídica afirmada na petição inicial. (d) foro do local onde se encontram os bens sujeitos à expropriação (art. 98. A isso (tanto na execução/liquidação coletiva como na individual) soma-se a possibilidade de opção conferida pelo art. Para que se possa melhor vislumbrar a existência de ações coletivas passivas é preciso ter em mente que existem casos em que a coletividade será ré. I do CDC que permite que a liquidação corra no foro do domicílio do titular do direito lesado. (b) foro do atual domicílio do executado (art. (c) foro do atual domicílio do executado (art. DOMICÍLIO DO EXEQUENTE. sem qualquer vinculação a um processo anterior.liquidação/execução pois este juízo pode ser muito distante de sua residência). 4 – (STJ/422) SENTENÇA COLETIVA. se aplica ao processo coletivo. liquidação/execução individual: (a) foro da ação de conhecimento. Sentença coletiva proferida na JF do RJ pode ser liquidada e executada individualmente na JF do AM (local de domicílio do exeqüente). Ou ainda. por tratar-se de regra que visa a efetividade do processo. existem casos em que um direito individual pode estar relacionado a uma situação jurídica passiva coletiva (ex: o direito do titular de uma patente de impedir a reiterada violação por um grupo de empresas). ou ainda no foro onde se processou o processo de conhecimento.

deveres individuais homogêneos. pois. de ações duplamente coletivas. que teriam. 2 . . Ex3: ação proposta contra o sindicato dos revendedores de combustível em que se pediu a adequação dos preços aos limites máximos de lucro. cabendo ao juiz o controle in concreto da adequada legitimação. Observe que a universidade afirma possuir direitos individuais contra cada um dos invasores.Ação coletiva passiva derivada: é a que decorre de um processo coletivo ativo anterior e é proposta pelo réu desse processo (ex: ação de rescisão da sentença coletiva ativa. já que este será o que está no pólo ativo da demanda principal. Tratam-se. portanto.EXEMPLOS DE AÇÕES COLETIVAS PASSIVAS Ex1: Os litígios coletivos trabalhistas contam com a coletividade em ambos os pólos do processo (sindicato dos trabalhadores x sindicato dos empregadores). o governo federal ingressou com ação contra o sindicato dos policiais federais. Ex4: ação possessória proposta contra os alunos que invadiram o prédio da reitoria da UNB em 2008. como forma de proteção da concorrência e dos consumidores. ação cautelar incidental a um processo coletivo ativo). Segundo Fredie uma das maiores dificuldades na ação coletiva passiva é saber quem é o adequado representante para figurar no pólo passivo da demanda representando os direitos da coletividade. em 2004. Fredie prega que o autor deverá propor a ação contra um dos que encontram-se no rol dos legitimados ativos para ações coletivas. requerendo o retorno às atividades. Ex2: no caso da greve nacional dos policiais federais. Obs: a importância dessa classificação é que nas ações coletivas passivas derivadas não há dificuldade em saber quem é o representante adequado.