UNIPAC Universidade Presidente Antonio Carlos Departamento de Graduação

Paulo Henrique Thiago Lucas

ANALISE DO ARTIGO CIENTIFICO SOBRE AMPLIFICADOR CLASSE D PARA SUBWOOFER

CONSELHEIRO LAFAIETE 2011

UNIPAC Universidade Presidente Antonio Carlos Departamento de Graduação Paulo Henrique Thiago Lucas ANALISE DO ARTIGO CIENTIFICO SOBRE AMPLIFICADOR CLASSE D PARA SUBWOOFER CONSELHEIRO LAFAIETE 2011 .

da Silva. batista@ufu. A.br. princípio de operação e estratégia de controle também são apresentados. João Batista Vieira Júnior. oferecem baixa distorção. ernane@ufu.ldsmartins@gmail. O rendimento máximo teórico do amplificador Classe D é 100% e rendimentos em torno de 90% são .br.os dispositivos de potência destes amplificadores operam no corte ou na saturação. Av. R. Faculdade de Engenharia Elétrica -FEELT . baixo rendimento e a necessidade de circuitos complexos com duas ou mais etapas excitadoras em cascata. 2121 -Campus Santa Mônica. dependendo do controle implementado. Uberlândia. amplificador Classe D.Amplificador classe d para subwoofer Fabio V. os amplificadores chaveados e os híbridos apresentam rendimento elevado e. Palavras-chave: Alto rendimento. a quantidade de distorção e a possibilidade de instabilidade devido à complexidade da função de transferência. 1 INTRODUCÃO Os amplificadores lineares de áudio apresentam vantagens como: b aixa distorção e ruído reduzido. CEP 38400-902 . Phone: +55-3432394166. Classe D . Roteiro de projeto. Ernane A. Luiz Carlos de Freitas Universidade Federal de Uberlândia. baixo THD. Por outro lado. Martins. possuem a desvantagem do peso elevado. João Naves de Ávila. Leandro dos S. Coelho. Um protótipo de 1 kW foi implementado em laboratório obtendo-se rendimento superior a 90 % e THD inferior a 1 %.com. A estrutura proposta não necessita de fonte de alimentação estabilizada e filtro passa baixas de saída como ocorre com os amplificadores Classe D tradicionais. As principais características destes amplificadores são: 1. freitas@uf u. aumentando o custo do equipamento. No entanto.com. MG Brasil. Núcleo de Eletrônica de Potência -NuEP . Bloco "3N".br RESUMO Este artigo apresenta uma topologia de amplificador Classe D de potência adequado para operar com subwoofer. fabiovince@gmail. Janssen (2004).

2. Gianart et al. como mencionado em Chang et al. Vale salientar que o sinal PWM gerado depende do nível da fonte de alimentação do circuito de potência. . são formados por um estágio modulador de largura de pulso (PWM). Para solucionar esse problema. B ou AB).obtidos na prática. o sinal de referência é comparado com um sinal dente de serra de alta frequência de modo a se obter os pulsos proporcionais ao sinal de referência amplificado. Buscando-se reduzir o nível de ruído.(2007) e Nilsen (1997). (2007). O filtro de saída é usado para remover as componentes harmô nicas do sinal PWM de modo a recompor o sinal de referência amplificado que é aplicado na carga. B e AB). Fig. devido a não linearidade do amplificador chaveado e evitar a distorção causada pelo cruzamento por zero (crossover distor tion). Amplificadores Híbridos (Switch-Mode assisted linear amplifier -SMALA). Os amplificadores chaveados tradicionais. O estágio de potência é frequentemente composto por uma estrutura do tipo inversor de tensão em ponte completa de modo que níveis de potência de saída mais elevados possam ser alcançados. em aplicações de baixa tensão. (2003). Antuneset al. Portanto. (2003) e Zee e Tuijl (2003). A idéia de se cascatear um amplificador linear com um chaveado foi apresentada pela primeira vez por Yundt (1986). por um estágio de potência e um filtro passa baixas de saída. (2003). inúmeros circuitos. principalmente. Ertl et al. Figura 2: Conversor Classe D apresentado em trabalhos anteriores. Mioni (2007). Lai e Smedley (1996). qualquer oscilação no nível da fonte de alimentação afetará o sinal PWM amplificado dist rcendo o sinal de o áudio. Oliva et al. (2004) e Pascual et al. 1. Walker (2003). No estágio PWM. um circuito de realimentação deve ser implementado. Neste contexto. são amplificadores compostos por um amplificador Classe D e um linear (Classe A. com diferentes topologias e estratégias de controle foram propostos na literatura técnica e científica. os amplificadores Classe D possuem rendimento superior aos amplificadores (Classe A.

As principais vantagens da topologia proposta. o controle realimentado foi implementado com um circuito de baixo custo e em caso do disparo simultâneo dos quatro interruptores. os indutores em série protegem os interruptores. proposta por Silva et al. Além disso. Com o objetivo de reduzir o número de interruptores da topologia apresentada na Fig. mostrada na Fig. devido a ruído. uma nova topologia de amplificador Classe D foi desenvolvida e é apresentada neste trabalho. apresentou uma inovação expressiva. 3. 2. Por outro lado.Em trabalhos anteriores. eliminando o filtro passa baixas na saída. (1999a) e Silva et al. este arranjo necessita de quatro interruptores e utiliza snubber dissipativo em todos os interruptores. com relação aos amplificadores Classe D tradicionais. com relação a estruturas apresentadas em trabalhos anteriores são: . a topologia exibida na Fig. (1999b). 2 e evitar o uso de snubbers dissipativos.

três regras devem ser consideradas: i O capacitor C1 equivale a uma fonte de tensão com a polaridade indicada na Figura 4 (VDC1 = VCP + VDC2). 2 PRINCÍPIO DE OPERAÇÃO E ESTRATÉGIA DE CONTROLE Os interruptores S1 e S2 operam de modo complementar. dois circuitos de comando de interruptor proporcionando redução de custo. ‡ Comutação suave é naturalmente obtida. . Primeiro. De modo a introduzir o princípio de operação do amplificador de potência proposto. consequentemente. isto é. os estágios de operação serão descritos a seguir. ‡ Snubbers dissipativos são desnecessários. o que reduz a emissão de EMI.‡ A nova topologia utiliza apenas dois interruptores e. quanto o interruptor S1 está conduzindo o interruptor S2 está aberto e vice-versa.

. iii Em qualquer instante de tempo a soma das tensões sobre os capacitores C1 e C2 é igual a soma das tensões VDC1 e VDC2 (VC1 + VC2 = VDC1 + VDC2).ii O capacitor C2 equivale a uma fonte de tensão com a polaridade indicada naFigura 4 (VDC2 = VCP + VDC1).

Portanto. parte da energia é devolvida para as fontes de tensão VDC1 e VDC2 através dos diodos D3 e D4. o capacitor C2 recebe a energia armazenada em L2 e parte desta energia é desviada através de L1. a carga recebe energia da fonte de tensão VDC1 através do indutor L1 . 4 (b). 4 (c). ajuda a modular a forma de onda de tensão de saída como mostrado na Fig. 5. depende da dinâmica do circuito de realimentação e da rapidez do comparador utilizado. como mostrado no diagrama de blocos da Fig. junto com a carga.Primeira Etapa: durante o semi-ciclo positivo da tensão VCP . Os sinais de gatilho dos interruptores S1 e S2 são obtidos por meio de laço de histerese entre a comparação da amostra de tensão do sinal de saída (tensão sobre o capacitorCP ) e a tensão de referência. o circuito composto por C1 . C2. O sinal de referência é aplicado na entrada não inversora do amplificador operacional e o resultado da comparação é usado para comandar os interruptores S1 e S2 de modo complementar. 6. a forma de onda de tensão de saída segue o sinal de referência por meio de uma estratégia de controle de baixo custo. como indicado na Fig. Terceira Etapa: neste estágio a fonte de tensão VDC2. a frequência de chaveamento está em torno de 50 kHz. a frequência de chaveamento. 4 (a). Neste instante. Segunda Etapa: existe um tempo morto durante a abertura de um interruptor e o fechamento de outro. No protótipo implementado. consequentemente. D1 e D2 recebe a energia armazenada nos indutores L1 e L2 quando os interruptores S1 e S2 estão simultâneamente abertos. a tensão de referência é modulada sobre o capacitorCP e de acordo com as regras i e ii a tensão sobre os capacitores C1 e C2 é igual à tensão sobre o capacitorCP mais um nível cc fornecido pelas respectivas fontes de tensão VDC1 e VDC2. como mostrado na Fig. implementado com um LM318. . Desta maneira. do conversor proposto. Seguindo estas etapas. Deste modo. cuja polaridade está indicada na Fig. > Este comportamento evita sobretensão nos interruptores S1 e S2. Ao mesmo tempo. dispensa o uso de snubbers e. eleva o rendimento do amplificador. Um divisor resistivo é utilizado para medir a tensão de saída e o sinal é aplicado na entrada inversora de um comparador.

Onde: vCp (t) -valor instantâneo de um Estágio de P sinal senoidal sobre o capacitor CP . Quanto maior a frequência da forma de onda a ser reproduzida. a ser amplificado. por ser facilmente gerada em frequências e amplitudes variáveis e por simplificar a elaboração de cálculos matemáticos. O "slew-rate" é a máxima taxa de variação (dv/dt) da saída do amplificador por unidade de tempo. maior o "slew-rate" necessário. determinar o "slew-rate" máximo utilizando-se forma de onda senoidal. para que sejam reproduzidas. É prática comum. pois teoricamente. Este valor. deste modo. com baixa taxa de distorção harmônica. o que na realidade não acontece. em amplificadores de áudio. . Por conseguinte. na teoria. o máximo "slew-rate" é determinado considerando a máxima frequência da forma de onda senoidal ou triangular a ser amplificada. A forma deonda quadrada não pode ser considerada para o cálculo do máximo "slew -rate".3 EQUAÇÕES PRINCIPAIS O valor máximo do "slew-rate" deve ser considerado de modo a se alcançar um projeto preciso do amplificador Classe D proposto. deveria ser infinito. esta forma de onda possui "slew-rate" infinito. a equação do sinal instantâneo. O "slew-rate" é o fator que limita a máxima frequência que pode ser amplificada. é apresentada em (1).

C1 e C2 determinará o valor do "slew-rate" máximo do amplificador. Isso significa que cos( . o circuito mostrado na Fig. .Vpk -valor de pico do sinal senoidal.f . Por este motivo. . de modo que cos(0) = 1. O valor dos indutores L1 e L2. bem como o valor do capacitor CP . Portanto. o "slew-rate" desejado pode ser calculado por: A máxima variação de tensão ocorre no cruzamento por zero para a máxima frequência a ser amplificada. 7 pode ser usado para encontrar a equação da corrente que produz o máximo "slew-rate". -frequência angular 2. Combinando (3) e (4) resulta em: Onde: fmax -frequência máxima do sinal amplificado pelo estágio modulador de largura de pulso. A equação (4) relaciona corrente e capacitância e é importante para calcular a corrente necessária para produzir o "slew-rate" desejado no capacitor de filtro de saída.t) presente na equação (2) pode ser substituído por 1 resultando em (3).

obtém-se: Como a frequência angular é: Então: . a tensão sobre o indutor é: Sendo VC0 = q0/C têm-se: Se VDC = VL + VC . 7 pode-se obter o valor de pico da corrente iL(t). A condição inicial foi indicada com o sub-índice 0.Baseado no circuito LC série mostrado na Fig. resulta em: Substituindo (6) e (7) em (8). A máxima corrente no indutor causa a máxima variação de tensão no capacitor C. por exemplo VC0 e IC0. Deste modo.

A soma das capacitâncias CP . 9. 8 e 9. como pode ser observado na Fig. a impedância da carga é relevante na análise da resposta em frequência e/ou do projeto do filtro. As frequências utilizadas nos experimentos para a .t0)=1. Desta maneira. obtém-se (15) que relaciona a indutância e a capacitância para se obter o "slew-rate" desejado. C1. aplicando-se a transformada inversa de Laplace à equação (11). o diagrama de Bode da Fig. É importante salientar que a impedância da carga não foi considerada porque a carga não é relacionada com o "slew-rate". O teste de 1137W foi possível porque tanto os indutores quanto os MOSFETs utilizados estavam dimensionados acima das especificações de projeto. 8 mostra que o rendimento atinge 92% na condição de 800W de potência de saída com carga de 8 e THD de 0. foram extraídas com uma carga resistiva de 5 e frequência de 200 Hz. 10 mostra o ganho do amplificador em função da frequência.137W. Valores apropriados para C1 e C2são: 4 RESULTADOS EXPERIMENTAIS A Fig. A potência de 1.78 %. exibida no gráfico das Fig.Como a impedância característica do circuito ressonante é: Então. Por fim.e C2 é igual à capacitância ressonante C. obtém-se: A Equação 14 mostra que a corrente máxima no indutor ocorre quando sen 0(t . fazendo (5) igual a (14). Entretanto. a corrente instantânea sobre o indutor é: Para IL0 = VC0 =0.

000 Hz.elaboração do diagrama de Bode formam: 10. A partir de 200 Hz a frequência sofreu acréscimo de 200 Hz até o valor final de 20 kHz. .. 400.. 100. 200.20.

.(t)). A Fig. 12 apresenta o sinal amplificado e a forma de onda de corrente em uma carga resistiva de 20 .(t)) e o sinal amplificado correspondente com 100 V de pico (VCP. aplicado na entrada do amplificador (VREF. 11 apresenta a forma de onda de um sinal dente-de-serra com 4 V de pico. O experimento demonstra o comportamento do amplificador quando submetido a uma forma de onda com variação brusca da taxa de crescimento do sinal.A Fig.

13 exibe o espectro de frequência. . até a 13ªcomponente harmônica.A Fig. do sinal dente -de-serra de referência e do sinal amplificado. onde observa-se a semelhança entre as amplitudes das componentes harmônicas dos sinais de entrada e de saída.

As principais vantagens da topologia proposta com relação a trabalhos anteriores são: circuito composto por apenas dois interruptores e. O amplificador proposto apresentou rendimento superior a 90%.A Fig. Além disso. O valor obtido é 5.33 vezes superior ao "slew -rate" do amplificador operacional de propósito geral LM741 que é de 0. 5 CONCLUSÃO O artigo apresenta uma proposta de amplificador de áudio Classe D. 14 mostra o ensaio utilizado para medir o "slew-rate" do amplificador. necessidade de somente dois circuitos de ataque de gatilho o que proporciona redução dos custos. Usando uma onda quadrada como sinal. apresenta comutação não dissipativa. por exemplo. O valor medido foi de 200 V ÷75µs =2.5 V /µs. .666V/µs. THD menor que 1% e não necessita de fonte de tensão regulada devido a realimentação por um circuito de controle de baixo custo. medimos a taxa de variação da rampa em seu ponto de máxima inclinação. não necessita de filtro externo utilizado nos amplificadores de áudio convencionais para filtrar as componentes harmônicas dos pulsos PWM gerados pelo estágio de saída. não utiliza snubbers dissipativos. consequentemente.

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