You are on page 1of 14

Fundada em 24 de Fevereiro de 2007 Registro na ABIM - 005/JV

Editorial ______________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________

“Se tua mente não atingiu, ainda, o necessário grau de domínio das paixões
e vagueia para cá e para lá, desviando-se do seu Objetivo Supremo,
procura ser vigilante e refreiá-la pela força de tua vontade
concentrada, recondizindo-a sempre ao Objetivo.”
Professor Henrique José de Souza

É
muito salutar nos encontrarmos novamente e travarmos um caloroso diálogo através de mais
uma edição de nossa Revista. Tem sido muito gratificante podermos espargir, através de
nossas linhas, a luz de excelsos ensinamentos. Todavia, como veículo de informação, que
somos, temos algumas obrigações com nossos leitores; conscientizá-los; elucidá-los e, até, chamá-
los à razão para certas situações, que se vêm tornando insustentáveis.
Causa-nos espécie a rapidez com que o tempo se esvai; e as coisas acontecem tão
simultaneamente no mundo, tornando a catástrofe em um acontecimento do cotidiano; a inversão
de valores, nos deixando vazios de sentimentos com a dor alheia; o abandono aos códigos de ética,
a ponto de perdermos o referencial do certo.
A natureza clama por equilíbrio, enquanto o homem, descomprometido com o amanhã e revestido, cada vez mais, de
uma postura materialista, lança-se em um consumismo desvairado, esvaziando o mundo de esperança por dias melhores.
Marchamos cegamente, para repetirmos a tragédia da “queda da civilização atlante” e, novamente, submergirmos em
nossos próprios desatinos!
Não podemos, mais, esperar que, a cada eleição, surja um “Salvador da Pátria”. Precisamos conscientizar-nos de que,
quisermos mudar o mundo, essa mudança deverá começar em cada um nós! Deverá começar no seio de nossos lares! A “Palavra
de Passe” para transpormos esse umbral, em todos os sentidos, é REEDUCAÇÃO!
O nosso voto e a nossa consciência são as únicas e eficazes ferramentas para essa mudança. O nosso descaso é tão
criminoso quanto o mau político, que rouba, que vende nossa Amazônia, que cria leis em benefício próprio.
Nosso planeta, já há algum tempo, entrou em convulsão, e a natureza cobra, carmicamente, as contas do nosso total
descaso.
Mas o que é que temos a ver com isso? TUDO! Se não formos parte da solução para esse quadro caótico e apocalíptico, já,
por si só, seremos parte do problema!
Temos a sincera esperança de escrever melhores linhas em próximos Editoriais, pois nos colocamos como parte da
solução e temos o compromisso de deixar esse mundo melhor do que encontramos! Devemos isso às próximas gerações!
Dentro dessa postura altruística de conscientização, escolhemos para Coluna Destaques a matéria “Não é Possível”, da
escritora Zélia Scorza, como um verdadeiro despertar; a matéria do nosso Irmão Antônio Fadista – “A Noção de Esoterismo”,
que nos elucida quanto à diferença entre os termos esotérico e exotérico.
A Coluna Ritos Maçônicos presenteia o leitor com um trabalho sobre “O Rito de Heredom ou Perfeição”, a raiz do
R∴E∴A∴A∴. Já a Coluna “Os Grandes Iniciados” traz a matéria “Kunaton – O Maior Rei Sacerdote do Antigo Egito”. A Vida e a
Obra de mais um Mestre da Sabedoria, auxiliando a humanidade, de então, com seus excelsos ensinamentos.
Mês de junho é a época de transição de administração das Lojas Simbólicas, e, oportunamente, destacamos, na Coluna
Trabalhos, a matéria de autoria do Irmão Valdemar Sansão, com o título “Ao Venerável Mestre Recém-Empossado”, enquanto
convidamos a todos a uma profunda reflexão através da matéria “Humildade x Orgulho”, na Coluna Reflexões.
Inauguramos, a partir desta edição, a Coluna “Informe Cultural”. Essa Coluna, assim como o objetivo precípuo de
nossa Revista, desde sua criação, estará apoiando os mais diversos eventos maçônico-cultural, além de trazer à luz o prestimoso
e importantíssimo trabalho das Academias Maçônicas de Letras e Lojas de Estudos e Pesquisas.
A Revista Arte Real, com a prestimosa participação de nossos colaboradores e patrocinadores, tem feito sua parte. A
resposta nos chega em números bastante expressivos, computando quase 11.000 e-mails de toda parte do Brasil e do exterior.
Vários sites maçônicos juntaram-se a nós, nessa empreitada em prol da cultura maçônica, e têm disponibilizado nossa Revista
para download. Nas listas de contatos de nossos leitores, sua redistribuição tem sido uma
prática muito dinâmica.
Temos recebido muitos e-mails calorosos de incentivo e a informação de que as
matérias publicadas têm sido apresentadas em Loja e servido como verdadeiras Peças de
Arquitetura. Tudo isso nos dá a certeza de que a iniciativa de criação desse periódico foi
pura inspiração Divina e de que somos, apenas, mais um canal, utilizado pelos Excelsos
Seres da Grande Fraternidade Branca, para bem servir, como mais um Guia, aos nossos
seletos leitores pelos estreitos caminhos da Iniciação.
Chegamos à 16ª Edição e, enquanto for a Vontade do G∴A∴D∴U∴, estaremos,
humildemente, à Sua disposição, como uma ferramenta para edificação de Sua Obra – A
Obra do Eterno na face da Terra!
Encontrar-nos-emos na próxima edição!
Nesta Edição _____________________________________________________________________________________

Capa – João – o Batista – Nosso Patrono...........................Capa


Editorial.....................................................................................2 Ritos Maçônicos – Rito de Heredon ou Perfeição..............7
Matéria da Capa - João – o Batista: Nosso Patrono.............3 Os Grandes Iniciados – Kunaton.........................................9
Informe Cultural - Divulgação de Eventos............................4 Trabalhos – Ao Venerável Mestre Recém-Empossado.........11
Destaque - A Noção do Esoterismo........................................ .5 - Druidas e Solstícios........................................12
- Não é Impossível...................................................... ...6 Reflexões – Humildade x Orgulho.......................................14

Matéria da Capa _____________________________________________________________________

João, o Batista: Patrono da Maçonaria


João Camanho

T ransfiram0-nos para épocas pretéritas, nos dias de Percebe-se, então, que as profecias milenares, calcadas
Herodes, o cruel rei da Judéia. na Sabedoria Iniciática das Idades, sempre, legaram à
Vivia, nessa época, um sacerdote de nome Zacarias, humanidade a tradição de Seres Ungidos, como Krishna,
casado com Isabel, ambos justos aos olhos do Senhor dos Kunaton, Hermes - o Trismegisto -, Buddha, Jesus, os mais
Mundos. Não tinha filho, porque a mulher era estéril, mas, conhecidos, dados como filhos de Mães Virgens e chamados o
sempre rezando, confiava que seria agraciado pelo Senhor com Sol, o Salvador, o Christo, o Messias. E tais seres,
a geração de um herdeiro. Um dia, no Templo, apareceu-lhe invariavelmente, eram anunciados pelos Yokanaans, os que saem
um Anjo e lhe disse: pelo mundo, pregando, ensinando, doutrinando e batizando.
“Não temais, Zacarias, foi ouvida vossa oração; Com tal esclarecimento, desvelando um pouco dos
vossa esposa vos dará um filho, a quem dareis o nome de mistérios, vamos voltar ao Grande Yokanaan, peregrinando
João” pelo deserto e alimentando-se de mel, frutos e gafanhotos,
Chegou o tempo em que Isabel devia dar à luz um segundo a Bíblia. Contudo, de acordo com os Escritos de
filho. Nasce a criança. Seu pai, Zacarias, rompeu com essas Qumram, descobertos nessa região do Mar Morto, consta que
palavras proféticas: Ele e Jesus estavam iniciando-se junto aos Essênios e se
“Bendito sois vós, ó Deus de Israel, porque redimistes fortalecendo para suas nobres missões.
vosso povo, enviando-nos um Salvador Poderoso (...). E vós, Era no décimo quinto ano do reinado de Tibério, o
menino, sereis chamado Profeta do Altíssimo e ireis Imperador romano. Pôncio Pilatos era governador da Judéia.
preparar-LHE o caminho”. Herodes, Tetrarca da Galiléia. Anaz e Caifaz eram Sumos
Nas palavras de Zacarias, intuído por Deus, revela-se a Sacerdotes. Nesse contexto histórico, eis que a palavra de
grande missão de João Batista: anunciar a vinda do Christo Deus veio a João. E ele se pôs a andar pelas terras do Jordão, o
Universal, o Avatara (AVA = antigo + TARA = rota, torah, lei), rio sagrado, pregando o batismo e a conversão para remissão
a manifestação da Divina Lei para o Segundo Milênio (a Era de dos pecados.
“Piscis”), veiculada na Terra por Jeoshua Ben Pandira (Jesus, Segundo o profeta Isaías, assim falava João às massas
o Cristo). E essa vinda, apenas, vem confirmar o que está que afluíam para a unção:
escrito no Mahabhârata (poema épico hindu), pois havia “Raça de víboras! Quem vos disse que escapareis ao
chegado a hora de esse Altíssimo Ser vir atuar em auxílio da juízo divino que vos ameaça? Produzi bons frutos (...). O
humanidade, tal como fora anunciado a Arjuna, quando se machado já está deitado à raiz das árvores; toda árvore que
apresentara o momento de Krishna: não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo (...)”.
“Todas as vezes, ó filho de Bhârata, que Dharma (a Diante dessas
Lei Justa) declina e Adharma (o contrário) se levanta, EU me palavras, proferidas com
manifesto para salvação dos bons e destruição dos maus. autoridade e sabedoria, que
Para restabelecimento da LEI, EU nasço em cada Yuga (era, teriam validade nos nossos
idade, ciclo)”. dias, um “ciclo gasto e
apodrecido”, a Kali-Yuga
(KALI = negra + YUGA =
idade), tal qual a Era a que
no referimos, o povo, em
grande expectativa, pensava
que João era o Christo. Ao
que Ele redargüiu:
“Eu vos batizo com
a água, mas virá Outro
muito mais poderoso que
eu, cujas correias das
sandálias não sou digno de
desatar; ELE é que vos
batizará com o fogo do
Espírito Santo”.
E o profeta continuava a dirigir muitas outras E, por isso mesmo, tudo que está ligado ao Cordeiro,
exortações àquela gente que O seguia em número cada vez ligado está à Maçonaria Adonhiramita, cujo símbolo é o
maior, anunciando-lhe a Nova Era. Numa dessas práticas, referido Cordeiro, o guardião do Livro das Virtudes, o Livro
Jesus veio até ELE para, também, ser ungido. A multidão não dos Sete Selos.
O reconheceu; só o Iluminado Pregador O percebeu. E foi visto Mas voltemos a João, que estava prestes a se tornar
abrir-se o Céu e descer sobre o Divino Mestre o Espírito Santo mais uma vítima do arbítrio, já que havia censurado Herodes
em forma corpórea, como uma pomba, ouvindo-se, ainda, publicamente por seus crimes, por sua crueldade e por prática
bradar uma voz celeste:“Vós sois meu filho bem-amado; em de concubinato com Herodíade, esposa de seu Irmão Filipe, e
vós depositei toda a minha complacência”. o tetrarca, instigado pela mulher, mandara lançar o nosso
João Batista, primo-irmão de Jesus, deixou-se Profeta ao cárcere.
ajoelhar, insistindo que devia ser batizado por ELE, o Cordeiro Eis que chega o dia fatídico. No seu aniversário,
de Deus (Agnus Dei), que vinha remir a humanidade, isto é, ofereceu Herodes um banquete aos poderosos da Corte. A filha
resgatar o karma da mesma, através da crucificação e do amor. de Herodíade, Salomé, numa dança luxuriosa e inebriante, em
Jesus, mansamente, argumentou: que, aos poucos, ia tirando os tecidos
“João, deixemos, por ora, que se que lhe cobriam o corpo, levou o
cumpra toda a justiça”. concupiscente tetrarca ao delírio e à
E, assim, João Batista, ao ungi- perdição de sua alma, ao exclamar:
LO, restabelecia a Nova Aliança entre a “Dar-vos-ei tudo, ainda que
Divindade e a humanidade, o pacto com seja metade do meu reino”.
o Salvador, com o Cordeiro, de que nos A trama diabólica, perpetrada
falam as milenares profecias. pela vingativa mãe, leva a filha a pedir,
Mais uma ponta dos velados numa bandeja, a cabeça do Justo, ao
conhecimentos esotéricos pode ser que o pérfido Rei aquiesceu. E mais um
levantada. Há milênios, antes de Christo, crime hediondo fora cometido,
nascia Rama, o Manu (condutor) da aumentando o débito clamoroso de
Raça Ariana, o qual, depois de muitas monstruosidades de Herodes.
peregrinações com seu povo, expostos O martírio de João Batista não
ambos a terríveis provações, no Pamir, foi em vão. A Maçonaria, reconhecendo-
na Índia, comandou os povos solares O como o Profeta do Altíssimo, como o
(seguidores do Princípio Universal Masculino), na luta contra anunciador do Christo e revelador de grandes Mistérios
os povos lunares, remanescentes da Lemúria e da Atlântida Iniciáticos dos quais a Nossa Ordem se afastou na Fase
(seguidores do Princípio Universal Feminino), tornando-se Operativa e aos quais regressou na Fase Especulativa, pois,
vencedor e criando, assim, o grande império Hindu. Tal sabiamente, sentindo a necessidade de “reconstruir” não-
episódio histórico e iniciático está descrito nas epopéias monumentos de pedra, mas o próprio HOMEM, viu que não
constantes do Zend-Avesta (Livro Sagrado dos Persas) e do poderia abrir mão do Simbolismo, e vendo-O, principalmente,
Ramayana (Livro Sagrado dos Indus). como o rebelde, que não se curvou diante do poder e ousou
Depois da vitória, criou, no Tibeth, a casta sacerdotal enfrentar a brutalidade de uma aristocracia corrompida e
dos Lamas (Lamaísmo), proclamando-se o primeiro Lama. sacerdotes inescrupulosos, preocupados com o poder
Deixou de ser o Senhor de RAM, o Carneiro, para ser o Senhor temporal, consagrou-O como PATRONO.
de LAM, o Cordeiro, isto é, trocou o irascível e belicoso Uma sábia decisão. Pois, mirando-se no exemplo
Carneiro pelo pacífico, plácido e tolerante Cordeiro. Uma edificante de João, o Batista, nosso Patrono, com a mesma
simbologia ligada à expressão, usada até o Ciclo atual, obstinação legada por Ele, pôde, decisivamente, influir a
“Cordeiro de Deus”, ligada ao fogo místico, o fogo sagrado, que Maçonaria nos destinos da humanidade, participando de
arde em todas as coisas, através da expressão latina “Agnus todos os movimentos libertários e afirmando os nossos
Dei” e da palavra sânscrita “Agni”. norteadores princípios: “LIBERTÉ, EGALITÉ, FRATERNITÉ”.

Informe Cultural _____________________________________________________________________

Francisco Feitosa

I nauguramos, a partir desta edição, a Coluna “Informe Cultural”,


que traz, em seu próprio nome, o objetivo para o qual foi criada -
divulgar as diversas atividades maçônico-culturais, que estarão
acontecendo em todo o nosso universo maçônico.
Esta Coluna, assim como o objetivo principal de nossa Revista, desde
sua criação, estará apoiando os mais diversos eventos de cunho cultural, além
de se colocar como uma janela aberta aos nossos leitores, elucidando-os e
exaltando o prestimoso e importantíssimo trabalho das Academias Maçônicas
de Letras e Lojas de Estudos e Pesquisas Maçônicas.
Faça contato e saiba como se utilizar desse espaço para divulgação de
eventos maçônico-culturais!
Abrindo esta Coluna, por solicitação do Coordenador Geral -
Ir∴Newton Figueiredo Pinto, informamos que estará acontecendo o 10º
Congresso Maçônico Paraibano do Grande Oriente do Brasil, na cidade de Sousa - Paraíba (O Vale dos Dinossauros), durante os
dias 06 e 07 de Junho de 2008, no Campus da Universidade Federal, com o Tema principal "Transposição de Águas do Rio
São Francisco para o Semi-Árido Nordestino".
O evento contará com os palestrantes: Coronel Informamos, também, que, desde janeiro de 2008,
Ferreira, da Reserva do Exército Brasileiro; Deputado Federal estamos compondo o seleto quadro de Acadêmicos, na
Marcondes Gadelha; o Senador, Ir∴Efraim Morais; o qualidade de Membro Correspondente, da Loja Francisco
Arcebispo Estadual da Paraíba - Dom Aldo Pagotto; Pe. Djacy Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas, com sede no Oriente
Brasileiro; Pe. Milton Alexandre, e outros, além das presenças de Porto Alegre – RS e filiada ao G∴O∴R∴G∴S∴. Essa
do Soberano Grão-Mestre Geral do G∴O∴B∴, Ir∴Marcos Excelsa “Casa de Cultura” foi fundada em 19 de novembro de
José da Silva, e do Grão-Mestre Estadual, Ir∴Aderaldo Pereira 1995 e vem, através de seus valorosos Confrades, produzindo
de Oliveira, e, também, IIr∴Veneráveis e Autoridades pérolas literárias, engrandecendo culturalmente nossa Ordem.
Maçônicas de toda a região. Fruto disso é o periódico maçônico CHICO DA
O principal objetivo desse Congresso é proporcionar BOTICA, espargindo a Luz da sabedoria aos seus leitores.
um encontro especial, voltado à luta social pela Transposição No dia 08 de maio p.p., tivemos a honra de sermos
de Águas do Rio São Francisco para o Semi-Árido Nordestino, admitidos como Membro Honorário na Loja de Pesquisas
além da realização de diversas palestras de interesse da nossa Maçônicas QUATUOR CORONATI Pedro Campos de
Ordem. Portanto, a Família Maçônica Sousense sente-se Miranda. Essa Excelsa Loja reúne-se mensalmente, em Belo
honrada com a oportunidade de realizar esse importante Horizonte – MG, e está jurisdicionada à G∴L∴M∴M∴G∴,
evento e, fraternalmente, acolhe com carinho os Congressistas tendo como Venerável Mestre nosso querido Ir∴ José
e Palestrantes. Maurício Guimarães.

Destaques __________________________________________________________________________________

A Noção do Esoterismo
Antônio Rocha Fadista

D entre os termos, que maçons e não-maçons usam com palavra esoterismo, sem pensarem, imediatamente, em
freqüência, sem lhes dar uma definição precisa, um dos ocultismo ou coisa do gênero, e para as quais o termo
mais usados é esoterismo. Para tal, contribuem influências esoterismo não tem o mínimo sentido”. Para Guénon, o termo
históricas, doutrinais e filosóficas, ocultistas e espíritas, tudo Esoterismo é iniciático, metafísico na sua essência, e engloba
isso inserido no princípio de que o conhecimento deve ser múltiplos aspectos que, sem serem todos de ordem metafísica,
reservado e até secreto. Com freqüência, essa conceituação é apresentam um caráter igualmente esotérico.
colocada em dúvida, devido à constante divulgação de Ainda, segundo Guénon, pode-se falar de um
conhecimentos, relacionados com o esoterismo. esoterismo e de um exoterismo em todas as doutrinas,
Por isso mesmo, alguns distinguindo-se a criação da expressão:
estudiosos têm procurado aprofundar o a primeira, sendo totalmente interior,
sentido desse termo, seja reconduzindo- oculta; a segunda, nada mais sendo do
o à sua origem, seja através da análise que a sua exteriorização. Dessa
filosófica dos seus significados. Eles definição, conclui-se que o Esoterismo
tentam chegar a uma definição não serve para qualificar nenhuma
conceitual de um nome reintroduzido na doutrina particular, nem serve para uso
linguagem comum, nos primeiros anos exclusivo de nenhuma elite intelectual.
do séc. XIX. Desse modo, a referência das
De fato, é sabido que esse noções de esoterismo à metafísica está
substantivo não existia e que os adjetivos ligada ao conhecimento das Leis, que
correspondentes tinham a ver com uma regem o Universo e o Homem. Na
doutrina, reservada a uma categoria de prática, isso explica por que o
pessoas, oposta àquela, relacionada com Esoterismo só existe, quando existe
o termo exotérico, usado para designar o uma doutrina; explica, também, por
conhecimento acessível a todo o mundo. que, mediante o Esoterismo, unificam-
Escritores, como Galeno e se todas as doutrinas tradicionais,
Jâmblico, adotaram o termo esotérico, acima das diferenças, existentes nas
enquanto Aristóteles usava o termo suas formas exteriores, ou exotéricas.
exotérico, quando se referia às suas aulas Sob esse ponto de vista, não há
públicas, reservando o temo dúvida de que o elemento principal da
“acromáticos” para um círculo de alunos noção de Esoterismo esteja nas suas
mais restrito. relações com a Iniciação, que, em seus
Na expressão grega eiswuew - faço entrar – se encontra aspectos fundamentais, implica uma purificação do ser, uma
a noção de esoterismo. Fazer entrar significa abrir uma porta, iluminação e uma regeneração simbólica. A morte do profano
oferecer aos homens a possibilidade de passar do exterior para o é necessária para que nasça o iniciado, com capacidade para
interior; simbolicamente, é o revelar de uma verdade escondida, reencontrar a Palavra Perdida, atingindo um nível de
um sentido oculto. Nesse sentido, o Esoterismo se aproxima do conhecimento, perdido no passado. É o simbólico retomar dos
Ocultismo, como o define Eliphas Levi, ao comentar a obra de privilégios, que o ser humano tinha antes da “queda”.
Cornélio Agrippa, Philosophia Oculta. O Esoterismo pode, então, ser definido como sendo a
Característica a respeito é a posição de Guénon, doutrina, estabelecedora da forma de se lidar com os
segundo o qual “existem pessoas que não podem ouvir a conhecimentos, que podem interferir nas relações entre o
Homem e o seu Criador.
Pode acontecer que o costume de qualificar, com esse conhecimentos herméticos, de magia e de ocultismo.
adjetivo, doutrinas ou teorias específicas tenha influenciado a Tudo isso explica por que nem sempre o plano
distinção aristotélica entre o ensinamento, ministrado pela esotérico tem uma correspondência no plano exotérico,
manhã ao círculo restrito de seus discípulos, e aquele, feito à ganhando vida própria e constituindo uma linguagem
noite para o público em geral. específica e com características próprias. São elas: de um lado,
Nesse sentido, vale a definição do Dicionário Robert: a reserva, que impede de falar ou escrever sobre determinados
“Esotérico é o ensinamento, ministrado em algumas Escolas da assuntos, em grande parte ligados ao simbolismo; de outro, a
Grécia antiga, que aprofundavam a sua doutrina, baseada nos capacidade de referir-se a uma multiplicidade de doutrinas e
deuses do Olimpo. Diz-se, também, de toda doutrina ou de teorias. Capacidade essa, que permitiu assumir conteúdos
conhecimento, transmitidos pela tradição oral aos discípulos ou diferentes, desde o Esoterismo Maçônico até ao Esoterismo
adeptos qualificados”. O mesmo dicionário define adepto como Judaico ou Cristão, cada um com suas particularidades
sendo toda pessoa, “iniciada em uma doutrina esotérica”. específicas.
É nesse sentido que o já citado Dicionário afirma, Para finalizar, deve-se acrescentar que a diversidade
tomando o aspecto mais evidente do significado do termo: das doutrinas responde a um esquema unitário, que constitui
“Esoterismo é uma doutrina cujos conhecimentos não podem a passagem necessária para atingir a Gnosis, pretendendo
ou não devem ser divulgados, a não ser a um pequeno e reunir todo o conhecimento, que trata das relações
escolhido número de discípulos”. Esse é um conjunto de fundamentais do Homem com Deus e com o Universo.

Destaques __________________________________________________________________________________

Não é Impossível
Zélia Sorza Pires
Adiante explicaremos o porquê.

A humanidade parece não ter noção de que vive o estertor desapareceu. A espontaneidade e a singeleza, também. A
de um final de ciclo, e, se algumas pessoas têm pureza tornou-se coisa do passado. A candura não encontra
consciência disso, parece que, também, não se importam onde se encaixar. A sofisticação em quase tudo é o que
muito. Com isso, as forças do mal não encontram barreiras interessa. A preocupação pela aparência tornou-se uma
para seus projetos. Ainda mais que os recursos notáveis da obsessão. E a inocência? Esta foi subjugada.
modernidade fazem com que muitas dessas forças, em forma Certas da vitória, que não terão, essas forças do mal
humana... introduzam, com facilidade, na tecnologia, o seu vibram com a quantidade de almas já conquistadas. E, como
mortal veneno... referimo-nos aos querem mais, ousam penetrar até
conteúdos perniciosos, que mesmo onde antes lhes era
abarrotam a Internet e outros meios proibido... Muitas almas, já tidas
de comunicação e publicidade, onde como salvas no Grande
a maldade, agressividade, Julgamento, talvez, nem sejam
permissividade e outros conjuntos mais elas mesmas, de tanto que se
de coisas pervertem a mente deixaram influenciar pelas coisas
inquieta da juventude e da garotada. efêmeras do mundo a que tanto se
Por estar incompleta a sua apegam. Ao transpor os portais do
evolução, o homem é meio-divino e lado desconhecido da vida, nada
meio-animal, portanto necessita de levarão.
elementos que o ajudem a Como nos livrarmos de
desabrochar, e não que o façam fenecer... O Anjo Protetor de todas essas armadilhas? Chegamos,
cada um vive momentos difíceis, pois o homem está às tontas então, ao ponto inicial de nosso modesto trabalho. Não é
diante de tantas novidades atraentes, surgindo à sua frente. impossível. Através dos tempos, a humanidade, sempre,
Botões em quantidade, tem hoje o homem para apertar, afora as recebeu dos Avataras e de tantos outros Luminares a ajuda e o
senhas, os chips, enfim, um aglomerado de vantagens, Conhecimento de que precisaram. Tudo de acordo com o estado
tentadoras por sinal, mas que servem, apenas, à vida material. de consciência da época. Como escapar dessas forças do mal
Onde fica nisso tudo o Espírito? Logo ele, que faz do homem um que tanto insistem em tirar do homem a liberdade de decidir as
ser meio-divino... Tristonho e desiludido, o Espírito não sabe coisas por si mesmo, e não por influência delas? Uma saída: nos
mais o que fazer, para atrair a Alma, em que tanto confiou... tornando invisíveis... Sim, não é fácil, mas, também, não é
A ausência de complicação, na vida do homem, impossível. Para isso, é fazer o que nossa Mãe Espiritual nos
recomendou a vida inteira: VIGILÂNCIA DOS SENTIDOS.
Agora lhes foi dado o direito de se misturar aos parte, mas principalmente no astral inferior, onde o que não falta
homens, como oportunidade única, quem sabe, de se são parceiros seus. Mas do jeito que está hoje a face da Terra:
arrependerem. Um pequeno lampejo que qualquer uma delas guerras, crimes bárbaros, degradação das coisas sagradas,
emita, e imediatamente lá estará um Ser de Luz, que a libertará, experiências genéticas duvidosas, epidemia de desonestidade,
para ter a oportunidade de reencarnar seja onde for. Mas, imoralidade, campeando abertamente, tudo isso aproximou,
enquanto isso, a superfície da Terra é perigosamente, a atmosfera terrestre do
o seu pasto... E o alimento delas, creio plano astral inferior... Sem saber, talvez,
que sejamos nós... Nossa salvação está estejamos ora em um, ora em outro
na VIGILÂNCIA DOS SENTIDOS. plano... Nossa salvaguarda é a MENTE
Não podemos fracassar, sob pena de, LIMPA e o CORAÇÃO PURO.
após a morte, passarmos por maus Para isso, é evitar tudo que
momentos, pois, enquanto de posse do entre em choque com o nosso Deus-
corpo físico, temos chance de nos Interior. A VIGILÂNCIA DOS
defender. O corpo físico, embora SENTIDOS nos ajuda a ver, em nosso
descartável e temporário, de certa semelhante, um irmão que, como nós,
forma, blinda-nos contra as forças do luta para conseguir a imortalidade da
mal, desde que tenhamos força de alma. Ajuda, também, a apreciar, em
vontade. Mas, no decorrer da noite, nossos irmãos, as suas boas
quando nos entregamos ao sono, qualidades. Coopera, não deixando
ficamos expostos, porque, por um que julguemos os atos alheios.
fenômeno natural, desligamo-nos do Contribui para que não alimentemos
corpo físico. Mas, se tivermos conversas inúteis. Auxilia-nos a não
VIGILÂNCIA DOS SENTIDOS maliciar... Enfim, fortalecendo nossa
durante a vigília, ao nos desligarmos do corpo físico pelo sono, alma com coisas boas, a mente se tornará limpa e o coração
teremos o amparo do nosso Anjo da Guarda. O segredo está em puro. Isso nos fará passar do plano denso da matéria para um
não criarmos condições, que forcem nosso Anjo Protetor a se mais sutil, tornando-nos invisíveis às forças do mal... Elas não
distanciar de nós, a fim de que, numa intercessão rápida, ele nos verão! Impossível? Não é impossível, pois elas não
não esteja tão distante assim... conseguem captar coisa alguma que ultrapasse a matéria
Onde agem essas forças do mal? Perambulam por toda grosseira a que estão acostumadas. Podemos conseguir isto!

Ritos Maçônicos _____________________________________________________________________

Rito de Heredon ou Perfeição


Francisco Feitosa

A vem
Coluna Ritos Maçônicos, já, por algumas edições apresentado em qualquer assembléia de Maçons, podendo,
presenteando nossos leitores com a publicação até, ser apócrifo, segundo alguns autores, pois se acredita que
das particularidades de cada Rito. Antes de falarmos no haja, pelo menos, quatro versões do mesmo, foi distribuído,
Rito Escocês Antigo e Aceito, se faz necessário fartamente, em todas as Lojas da França e países vizinhos.
abordarmos aquele que lhe Nesse documento, Ramsay
serviu de berço - O Rito de faz apologia de que a Maçonaria seria
Heredom ou Rito de Perfeição. originária dos Templários, o que não
Através de estudos, foi-nos é verdade; tece comentários, pela
possível compilar suas primeira vez, enfatizando hierarquia
peculiaridades, porém estamos na Ordem; proclama o ideal
certos que, ainda, estamos muito maçônico na Fraternidade e em um
longe de esgotar toda a sua história. mundo sem fronteiras, tentando
Este trabalho é, apenas, um impingir uma falsa antiguidade e
atrativo, para que o leitor se nobreza à Maçonaria.
enverede em sua pesquisa e, Fez uma proposta às Lojas
conseqüentemente, entenda a inglesas, para acrescentarem mais
origem dos Altos Graus maçônicos. três Graus aos já existentes (Mestre
Entre as lendas do início Escocês, Noviço e Cavaleiro do
das origens dos Altos Graus, Templo). A Maçonaria inglesa
aparece o Cavaleiro de Ramsay rejeitou. Estes três Graus teriam
(André Michél - 1686-1743), homem erudito, nascido na sido, segundo Ragon, criados por Ramsay.
Escócia, partidário dos Stuarts, protegido do Bispo de Fez uma proposta às Lojas francesas, para que se
Fenelon, com ligações em todas as cortes da Europa, ao qual acrescentassem mais sete Graus Suplementares. Também, não
se atribui ter sido o inspirador da criação dos Graus foi aceito. Mas, de qualquer forma, a partir daí, começaram as
Superiores e ter ajudado a elaboração dos Graus Simbólicos. introduções templárias e rosacrucianas, e os Altos Graus
O seu famoso discurso, escrito em 1737, mas que, começaram a aparecer. Muitos autores não aceitam esse fato,
talvez, nunca tenha sido lido em qualquer Loja, ou rejeitam a participação de Ramsay. Entretanto, outros, como
Ragon, a apoiam.
Segundo Paul Naudon, o fato mais importante, Na mesma Colônia francesa de São Domingos (Haiti),
acontecido após o polêmico discurso de Ramsay, foi a criação alguns anos mais tarde, apareceram os Maçons, o Conde
do Capítulo de Clermont pelo Cavaleiro de Bonneville, em Alexandre François Auguste de Grasse Tilly e o seu sogro Jean
1754. Os Irmãos, que criaram esse Corpo, pretendiam Baptiste Delahogue, os quais, posteriormente, em 1793,
continuar os mesmos princípios da Loja de Saint-Germian-en- mudaram-se para Charleston. Grasse Tilly já tinha pensado
Laye, fundada muito tempo antes, ou seja, praticar os Altos em fundar um Supremo Conselho nessa cidade. Lá
Graus, criando sete Graus e opondo-se à política da Grande encontraram mais dois Maçons: Frederik Dalcho e John
Loja da França, a qual seria, posteriormente, dissolvida em 24 Mitchel.
de dezembro de 1772. A Maçonaria norte-americana, ainda, era muito
O Capítulo de Clermont teve uma duração efêmera, incipiente, pois a sua história tinha menos de 30 anos. Esse
mas valeu pelas conseqüências, pois uma das suas rito foi chamado de Rito de Perfeição, ou de Heredom. Tanto é
ramificações, através de Pirlet, em Paris, em 1758, criou o verdade, que o rito, cujo primeiro Supremo Conselho foi
Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente da criado em 1801, em Charleston, Carolina do Sul, EUA, foi
Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém, a chamado, inicialmente, de Rito dos Maçons Antigos e Aceitos
qual foi a mais importante das potências escocesas, no século (apenas), com 22 graus, os do Rito de Perfeição, ou de
XVIII, organizando um Rito chamado Rito de Perfeição ou de Heredon. E são os seguintes os graus do Heredom:
Heredom. Primeira Classe - 1. Aprendiz - 2. Companheiro - 3. Mestre.
Em 1761, o Conselho de Imperadores teria fornecido, Segunda Classe - 4. Mestre Eleito - 5. Mestre Perfeito - 6.
através do Irmão Chaillon de Joinville, substituto Geral da Secretário Íntimo - 7. Intendente dos Edifícios - 8. Preboste e
Ordem, e mais oito Irmãos da alta hierarquia, que, também, Juiz.
teriam assinado o documento, uma patente constitucional de
Terceira Classe - 9. Mestre Eleito dos Nove - 10. Mestre
Grande Inspetor do Rito de Perfeição ao Irmão Etienne ou
Eleito dos Quinze - 11. Ilustre Eleito das Doze Tribos.
Stephen Morin, autorizando-o a estabelecer e perpetuar a
Sublime Maçonaria em todas as partes do mundo e Quarta Classe - 12. Grande Mestre Arquiteto - 13. Cavaleiro
investindo-o de poderes de sagrar novos Inspetores. do Real Arco - 14. Grande Eleito, Antigo Mestre Perfeito
Foi criado um sistema de Altos Graus, impondo-lhe o Quinta Classe - 15. Cavaleiro da Espada ou do Oriente - 16.
limite de 25, resolução, que seria, oficialmente, inscrita nos Príncipe de Jerusalém - 17. Cavaleiro do Oriente e do Ocidente -
seus estatutos, segundo Mellor, em 1762. Nesse ano, sob os 18. Cavaleiro Rosa-Cruz.
auspícios desse Conselho, foram publicados os Regulamentos Sexta Classe - 19. Grande Pontífice, ou Mestre Ad Vitam - 20.
e Constituição da Maçonaria de Perfeição, elaborados por nove Grande Patriarca Noaquita - 20. Grande Mestre da Chave da
comissários (Constituição de Bordeaux, em 21 de setembro de Maçonaria - 22. Príncipe do Líbano, Cavaleiro da Real Acha.
1762). Sétima Classe - 23. Cavaleiro do Sol, ou Príncipe Adepto,
Seus membros, conhecedores de várias tradições Chefe do Grande Consitório - 24 - Ilustre Cavaleiro Grande
místicas e gnósticas antigas, trouxeram para esse Corpo Comendador da Águia Branca e Negra, Grande Eleito Kadosh -
Maçônico as influências templárias, rosacrucianas e egípcias, 25. Mui Ilustre Soberano Príncipe da Maçonaria, Grande
além de se dizerem herdeiros dos Ritos de Clermont e das Cavaleiro Sublime Comendador do Real Segredo.
correntes escocesas de Kilwinning e Heredom. Estava, assim, Qualquer semelhança com o R∴E∴A∴A∴ não é mera
decretada a influência esotérica na Ordem. coincidência.
Chegando à Colônia francesa de São Domingos (hoje A decadência do Rito de Perfeição, com 25 graus, a
Haiti), no mesmo ano, pôs-se a trabalhar. Há fortes suspeitas partir do ano de 1771, perdendo caoticamente a sua forma
de que esse documento seja fraudado. Também, segundo original no hemisfério Ocidental, fez com que, em 1795, dois
muitos autores, Etienne teria comercializado esses Altos franceses, sogro e genro, que chegaram a Charleston, Carolina
Graus. Na realidade, o Rito de Perfeição ficou muito mal do Sul, USA, Alexander Francisco - Conde Crasse de Rouville,
trabalhado durante mais ou menos trinta anos. Foi esquecido Marques de Tilly e João Batista Noel Maria De La Hogue
o seu conteúdo esotérico e sua ritualística muito mal usada. tomando como base legal a Constituição Maçônica,
Mas, de qualquer forma, os americanos aceitaram muito bem promulgada em 1786, pelo rei Frederico II da Prússia, e
o Rito e, ainda, acharam que os vinte e cinco Graus eram contando com auxílio de diversos deputados franceses e
insuficientes, para abranger toda a iniciática maçônica. alemães, criassem os novos graus do Rito.
Morin teria entregado certificados ou carta patente a outros Existem autores que afirmam que Dalcho teve a idéia
Irmãos, e um deles foi um Irmão de nome Henry A. Francken, de criar mais oito Graus, enquanto outros sustentam que, o
também, de origem judaica, que teria estabelecido o Rito em Nova último Grau, Grasse Tilly criou.
York. Outro grupo introduziu o Rito em Charleston, em 1783.
Os Grandes Iniciados ____________________________________________________________

Kunaton – O Maior Rei Sacerdote do Antigo Egito


Francisco Feitosa

S eguimos com nossa Coluna “Os Grandes Iniciados”, a nova orientação religiosa do
elucidando o verdadeiro papel desses Excelsos faraó. Ele cuidou de ensinar a nova
Seres – Os Avataras. Nesta edição, presenteamos nossos espiritualidade a todos seus
leitores com esse trabalho de compilação da Vida e da auxiliares diretos. Essa
Obra do maior Rei Sacerdote do antigo Egito – espiritualidade se baseava numa
Amenophis IV ou Akhenaton – imortalizado como religião interior e na certeza de que
Kunaton. existe um mesmo Deus para todos
os homens.
Seu reinado se deu de 1386 a 1370 a. C., dentro,
portanto, da XVIII dinastia dos Amenophis e Thutmés Capital do Egito, cidade
(1580/1321 a.C). Como todos os seus antecessores, Amenophis protegida, Amarna é, antes de
IV era considerado "filho e herdeiro dos deuses", tudo, mística em virtude da própria
particularmente, como sucessor de Amon-Râ, padroeiro de personalidade do Rei. Viver em
Tebas, "a cidade das cem portas", como era a mesma chamada, Amarna era compartilhar da vida
quando capital do Novo Império. do casal real, suas alegrias e suas
dores. Era descobrir, no Rei, um
Nas muralhas e nos templos da cidade estavam mestre espiritual que ensinava as leis da evolução interior.
gravadas as cenas tradicionais, que atestavam "a procriação do
rei pelo deus e, portanto, seu direito de governar os homens". Amenophis IV favoreceu a ascensão social de
numerosos estrangeiros, abrindo, ainda mais, o Egito para a
Seu pai, o faraó Amenophis III, começou a reinar por influência de culturas de outros povos. Assim, rapidamente, o
volta de 1.408 a.C. Seu governo se perfil social do Egito sofreu uma
estendera sobre um Egito alteração de grande vulto. É fácil
fabulosamente rico, que conheceu imaginar que muitos ficaram
seu verdadeiro apogeu. O prestígio descontentes com a nova situação,
das Duas Terras, nome tradicional mas a grandiosidade do faraó fazia
do Egito, era imenso, tanto pela com que se mantivesse um
qualidade da civilização, quanto pelo equilíbrio na sociedade e, de sua
poderio militar. A corte de sabedoria, emanasse uma energia
Amenophis III apresentou um que influenciava, positivamente,
padrão de dignidade muito acima da todos os aspectos da vida no Egito.
média, e, durante seu reinado, as
artes, a arquitetura e as ciências Os hinos religiosos,
receberam, por parte do faraó, uma compostos por Ele,
atenção especial. testemunhavam uma inteligência
mística, uma sensibilidade muito
Amenophis IV, também, era chamado Neferkheperure, viva, que se espalhava por toda a sua natureza. Era de um
filho de Amenophis III e da Imperatriz Tiy e marido de coração bondoso a toda prova, embora violento contra tudo
Nefertiti, cuja beleza ficou conhecida através de esculturas da quanto achasse ser prejudicial à felicidade humana. Espírito
época. Foi o último soberano da XVIII dinastia do Império sutil, tenaz e sistemático, esse sonhador e místico ia até o fim
Novo e se destacou por identificar-se com Aton, ou Aten, Deus de suas idéias, além de rápido em suas resoluções.
Solar, aceitando-o como único criador do universo. Alguns Infelizmente, seu reinado durou apenas dezesseis anos, o que
eruditos consideram-no o primeiro monoteísta. não lhe permitiu implantar suas elevadas idéias na Terra, que
Implantou o culto do Deus único Aton, levando às outras não foram, senão, as de restabelecer, à sua prístina
massas o conhecimento do aspecto único e mais elevado da integridade, a Sabedoria Iniciática das Idades.
Divindade, do qual era a expressão. Combatendo, assim, a
superstição e a idolatria, promovida pelos sacerdotes, Kunaton
criou a primeira religião verdadeiramente monoteísta em nível
nacional.
Não se pode entender sua Obra sem se conhecer a
figura de sua esposa, Nefertiti, a bela que chegou, bem como a
figura de seus pais e Amenhotep. Segundo os historiadores,
era uma mulher de rara beleza. Nefertiti, egípcia, pertencia a
uma grande família nobre.
Do mesmo modo de Tiy, Nefertiti era muito mais que
uma esposa e mãe, embora preenchesse perfeitamente estas
funções. Foi, também, uma das cabeças pensantes da
civilização amarniana, como ficou conhecida a Obra de
Amenophis IV. Sob sua doçura e fascínio, ocultava uma
vontade de impiedoso rigor.
Para administrar a cidade, tendo como conselheiros
políticos o pai, a mãe e um tio, de nome Aí, herdou grande
parte dos auxiliares de seu pai, que adotaram com entusiasmo
A arte egípcia foi, particularmente, influenciada ambos primando pelo ideal do monoteísmo e se colocando
durante o reinado de Amenophis IV, sendo, historicamente, como mestres dos ensinamentos divinos para todo um povo. A
classificada como a Arte Amarniana. De forma extremamente religião de Amarna continha uma magia maravilhosa, que
inovadora para a época, ela registra a visão que o faraó tinha aproximava o homem de sua fonte divina.
do homem e do universo. Pela primeira vez surgem obras, A implantação da nova ordem religiosa tornou-se quase
mostrando a vida familiar, o que vem ao encontro de sua que a única tarefa merecedora da atenção do faraó. Com isso, não
concepção de que o fluxo divino passa, obrigatoriamente, pelo combateu os movimentos internos daqueles que se sentiram
organismo familiar. prejudicados pela nova ordem e, também, pelo crescimento
Depois de instituir uma nova religião, mudou seu bélico dos hititas. Por volta do 12º ano de seu reinado, com a
nome de Amenophis IV para Akhenaton, que significa "Aton morte de Amenophis III, esses movimentos internos tomavam
está satisfeito". Fundou uma nova capital, à qual deu o nome vulto, e as hostilidades externas se agravavam.
de Akhetaton, entre as cidades de Mênphis e Tebas, onde hoje Akhenaton, porém, fiel aos seus princípios religiosos,
se encontra a vila de Tell el-Amarna, a 280 km, ao sul do se recusava a tomar atitudes de guerra, acreditando poder
Cairo, e a 350 km, ao norte de Luxor. Abandona a, então, conquistar seus inimigos com o poder do amor de Aton.
capital Tebas e vai, com sua corte, habitar a nova cidade-
Nessa altura, sua saúde começa a dar sinais de
capital, que teve a duração de somente 12 anos,
fraqueza, e ele resolve iniciar um novo faraó. Em Amarna,
aproximadamente. Construída no ano 1376 a.C., não
Nefertiti iniciara a preparação de Tut-ankh-Aton, segundo
sobreviveu à morte do Faraó.
genro do faraó, para a linha de sucessão, uma vez que o casal
Ordenou a destruição de todos os resquícios da não possuía filho homem. Akhenaton, no entanto, escolhe
religião politeísta de seus ancestrais. Essa revolução religiosa Semenkhkare, iniciando com ele uma co-regência do trono.
determinou
Embora não
transformações no
existam registros claros
trabalho dos artistas
sobre esse período, tudo
egípcios e, também, no
indica que, durante a co-
desenvolvimento de uma
regência, que durou 5 ou 6
nova literatura religiosa.
anos, morre Nefertiti, e sua
Devemos observar perda foi um golpe
que, mesmo durante o demasiadamente forte para
período, em que Tebas Akhenaton, que vem a
exerceu a maior influência falecer pouco depois, com
na religião egípcia, aproximadamente 33 anos.
Mênphis e Heliópolis Seu reinado, no total,
continuavam a alimentar a durou cerca de 16 anos.
espiritualidade do reino.
Semenkhkare,
Os sacerdotes também, faleceu
dessas cidades, sem o praticamente na mesma
poder material de Tebas, época, deixando vazio o
consagravam-se ao estudo trono do Egito e
das tradições sagradas, que permitindo aos sacerdotes
cada faraó devia conhecer. de Tebas a indicação de
Com esses sacerdotes, Tut-ankh-Aton, que
Akhenaton foi buscar as imediatamente mudou
bases na nova ordem religiosa. Apesar dos séculos, que nos seu nome para Tut-ankh-Amon, indicando que Amon voltava
separam da aventura espiritual de Akhenaton, podemos a ser o deus supremo do Egito.
perceber seu ideal e sua razão de ser e nos aproximarmos, passo
Por ser muito jovem e não possuir a estrutura de seus
a passo, de Aton, cetro misterioso da fé do faraó.
antecessores, Tut-ankh-Amon permitiu a volta da influência
Para ele, Aton é um princípio divino invisível, de Tebas, que, por sua vez, não mediu esforços para destruir
intangível e onipresente, porque nada pode existir sem ele. todo o legado de Akhenaton, incluindo-se a cidade de Amarna.
Aton tem a possibilidade de revelar o que está oculto, sendo o
O fim dramático da aventura amarniana foi devido às
núcleo da força criadora, que se manifesta sob inúmeras
circunstâncias políticas e históricas, que não diminuem em
formas, iluminando, ao mesmo tempo, o mundo dos vivos e
nada o valor do ensinamento de Akhenaton. Se for inegável
dos mortos e, portanto, iluminando o espírito humano. Por
que o fundador da cidade do Sol, a cidade da Energia
isso, sua representação é o disco solar, sem rosto, mas que a
Criadora, entrou em conflito com os homens, que ele queria
todos ilumina.
unir pelo amor de Deus, não é menos verdade que abriu uma
Segundo Ele, todos os homens são iguais diante de nova concepção sobre esta Luz, que, a cada instante, oferece-
Aton. A experiência espiritual de Akhenaton e os textos da se aos homens de boa vontade.
época amarniana deslumbraram, mais de uma vez, os sábios
Sua experiência foi uma tentativa sincera de perceber a
cristãos. Numa certa medida, pode-se dizer que ele foi uma
Eterna Sabedoria e de torná-la perceptível a todos. A coragem,
prefiguração do Cristianismo, que viria, com uma visão
que demonstrou na luta constante por seus ideais, sem dúvida,
profunda da unicidade divina, traduzida pelo monoteísmo. É
fez dele um marco eterno na história da humanidade.
espantosa a semelhança existente, entre o Hino a Aton e os
textos do Livro dos Salmos da Bíblia, em especial o Salmo 104. A história de Akhenaton mostra, mais uma vez, que
um homem melhor faz um meio melhor e que a força de sua
Por outro lado, é fácil encontrar semelhanças entre a
convicção em seu objetivo altera a vida do meio, seja ele uma
vida de Akhenaton e a de Moisés. Se um destrói o bezerro de
rua, um bairro, uma cidade, um país, do Universo. Para isto,
ouro, o outro luta contra a multiplicidade de deuses egípcios,
há de se ter Coragem!
Trabalhos ___________________________________________________________________________________

Ao Venerável Mestre Recém-Empossado!


“Todas as máximas já foram escritas, falta apenas aplicá-las.” (Pascal.)
Valdemar Sansão

A odeve
pleitear ser instalado na Cadeira de Salomão, o Maçom Existe um poder que se transforma em força: é o
considerar seu dever, sua capacidade para o Amor. Sob várias formas, cresce no coração dos homens e,
trabalho de condutor de seus Irmãos. em cada aspecto, manifesta a Força; força que faz mudar a
crueldade em sacrifício, a devassidão e o orgulho em devoção.
Promete ser compreensivo em suas atitudes de Em tudo o que a sua mão fizer, deve aplicar toda a sua força.
comportamento e se inteirar de todos os princípios básicos Isso tudo o amor produz.
fundamentais, que aceitou, ao entrar para a Maçonaria. Por
aceitação e prática desses princípios e preceitos, ele deverá Os grandes problemas da humanidade, porém, são: o
tornar-se um crédito a si mesmo e, também, um exemplo e um egoísmo e o egocentrismo. Ainda, estamos presos,
benfeitor para os outros. unicamente, às materialidades primárias, às honrarias, ao
poder econômico e, conseqüentemente, à ascensão social, a
Instalação, rigorosamente, significa posse. Dessa qualquer custo.
maneira, qualquer pessoa, que toma posse de um Cargo, está
instalada nesse Cargo. Nos círculos maçônicos, o Obreiro, A Loja ensina muitas coisas: conviver pacífica e
eleito para o veneralato de uma Loja, a partir do momento em harmoniosamente, diante dos conflitos de idéias e de
que é empossado, Instalado no Cargo, torna-se Venerável posicionamentos, aspectos tão necessários e fundamentais para o
Mestre Instalado. crescimento intelectual, cultural e
moral de uma Oficina; adquirir as
O Mestre Instalado é o qualidades necessárias, para
mais importante de todos os caminhar e crescer no caminho da
Maçons e de todos os Graus. Na luz e da verdade, assegurando,
Sessão de Instalação de um assim, a plena felicidade.
Mestre, só entra Mestre Aprendemos como evitar nosso
Instalado. Nenhum Maçom, que desejo de vingança e substituí-lo
não seja Mestre Instalado, poderá pelo perdão. Perdoando, elevamo-
participar de uma Sessão de nos acima daqueles que nos
Instalação de Mestre. Terá que insultaram ou magoaram, e esse
“cobrir” o Templo. Daí se ato de perdão põe fim na
concluir que não existe nada além discórdia. Descobriremos que,
do Mestre Instalado, nenhum somente pelo Amor, alcançamos
Grau, nem Cargo, nem Título. a paz interior, a verdadeira
O que é preciso são sabedoria, alegria de viver e a vida
nossos Mestres Instalados se em bem-aventurança. Não é bastante ter Amor: devemos dar
conscientizarem disso e fazerem valer, perante a Maçonaria, Amor – viver Amor – tornarmo-nos Amor.
essa especial condição de Mestre Instalado. A Maçonaria é, portanto, um exercício intelectual e
Para que o Venerável Mestre possa tentar rejuvenescer filosófico, designado e dirigido, para fazer uma contribuição
o interesse na freqüência da Loja, encorajando aqueles individual para a sociedade e o desenvolvimento muito maior das
faltosos a se tornarem membros ativos novamente, um capacidades e habilidades de seus Obreiros, através da
programa definido de ação deve ser levado a cabo. Irmandade e da Loja. Ela preenche muitas necessidades da
Basicamente, isso tem somente uma finalidade – fazer as média geral dos homens. Os homens sentem um instinto do
reuniões da Loja mais atrativas, como se fosse alguma coisa a grupo social de maneira mais forte. Necessitam pertencer a
ser desfrutada, e não para ser suportada alguma coisa, como a uma escola, a um time, a uma fraternidade.
Como em qualquer local fraternal, as necessidades de E a Loja desempenha esse papel, providenciando as válvulas de
um Irmão ou de seus dependentes deverão receber a simpatia escape, proporcionando, acima de tudo, a Paz e a tranqüilidade,
e o suporte dos seus Irmãos, nem sempre ou necessariamente um porto, onde a segurança e a esperança são, infalivelmente,
financeira. A Caridade é um ramo natural do Amor Fraternal, encontradas e a incrível turbulência da vida profana pode, com
proporcionado explicitamente dentro da natureza moral de certeza, ser evitada e esquecida por algum tempo. Nela,
todo Maçom. baterias podem ser recarregadas, e a sua serena influência
Não é só de coisas materiais (pão) que nos ajuda a recompor a vida de alguém, uma vez mais.
alimentamos, mas, principalmente, das permanentes atributos
do espírito, donde nos provêm toda a força, inspiração e
entusiasmo, que nos habilitam a afrontar impavidamente os
cruciantes e complexos problemas de nossa existência.
A Caridade maçônica não é restrita a beneficiários
maçônicos; ela é dirigida para qualquer causa ou caso merecido.
Na sua vida diária e na sua capacidade pessoal, um Maçom está
completamente em liberdade para ajudar qualquer classe de
beneficiários com os quais possua simpatia, assim, realizando e
preenchendo o seu desejo, expresso na sua Iniciação: tornar-se
“mais extensivamente útil entre seus próximos”.
Nosso sonho e desejo é colocar o conhecimento ao mais”. É uma pena, pois o efeito poderia ou deveria ser “que
alcance do Maçom, através da literatura de que precisa, para pena termos que esperar mais uma semana inteira, para
se tornar bem-informado, tornar nossos Mestres capacitados estarmos aqui novamente”.
instrutores, tendo em mente que a Maçonaria é uma escola, Que nossas Oficinas sejam Corpos “de almas puras e
que ensina a meditar, a refletir, a pesquisar, e o Venerável, o saudáveis, manifestando qualidades da mais alta
legítimo condutor, instrutor e Mestre dos Mestres da Loja. As integridade, honestidade e veracidade; com uma maneira
instruções maçônicas, como qualquer outro tipo de instrução, estabelecida de vida, que os Obreiros sejam desapegados dos
são tudo o que a humanidade precisa para uma vida repleta de bens materiais, que tenham amor a Deus através do serviço,
paz, harmonia e felicidade, que nos levará à Maçonaria, prestado à humanidade”. Para que sua influência sobre o tipo
adotada sem mentiras ou fingimentos, os maiores obstáculos à pessoal de seus membros seja boa, deve ser bom para a
nossa Evolução. sociedade em geral.
Cada Loja é um Corpo Nós precisamos primeiro:
independente autônomo, tentar demonstrar para todo
responsável por suas próprias mundo que somos dessa maneira,
atividades e funções para a sua esperançosos, para fazer a nossa
verdadeira sobrevivência; seus Ordem mais atrativa para todos
membros compreenderão que todos aqueles que poderiam ser
são um e que, portanto, só aquilo membros, para que a Maçonaria
que os une, pode, realmente, ser possa desenvolver o indivíduo, para
agradável a todos. ser um bom cidadão, e um homem
A Obediência é um Corpo de bons fundamentos e rigorosa
administrativo e regulador, com uma moral; segundo: viver e socorrer
estrutura hierárquica, sob a qual os que caminham nas trevas da
estão as Lojas maçônicas básicas. ignorância; terceiro: confiar em si
Apesar de poder fazer sugestões e mesmo, confiar n’Ele, porque, se
ditar regras, no final de cada não o fizer, nem mesmo Ele, poderá
responsabilidade, precisa assegurar que o Ritual seja bem ajudar. Sem que haja perfeita confiança, não poderá haver
dado e que os negócios da Loja sejam conduzidos com perfeita efusão de amor e poder; quarto: nunca perder a
eficiência e efetividade, cujo conteúdo seja de interesse, e não oportunidade de iluminar uma pessoa que precisa de umas
mera rotina. poucas palavras de incentivo; quinto: o Venerável é o maior
O Venerável Mestre nunca deve sobressair nem querer servidor, o mais dedicado a atender às necessidades dos
parecer instruído; é aconselhável falar pouco; mas dizer – Irmãos. E, no final de seu mandato, que passará rápido
salvo dever superior – apenas, o verdadeiro, ou que se pensa demais, saberá que, mesmo com incontáveis dúvidas, foi capaz
ser verdadeiro; melhor, ainda, é nada dizer, a não ser que de lutar, para que, cada dia, tenha valido a pena ter tentado
esteja seguro de que o que pretende dizer é verdadeiro, amável construir o melhor possível para sua Oficina; sexto: para
e útil. Antes de falar, pensar, cuidadosamente, se o que alcançar seu objetivo, talvez, venha a sofrer inúmeras
pretende dizer preenche essas três qualidades; se assim não desilusões, mas fará com que elas percam a importância
for, não o diga. Assim, deve-se acostumar, antes a ouvir do diante dos gestos fraternos de amor, que encontrará no dia-a-
que falar. Mas, acima de tudo, conscientize a todos os Irmãos dia. Deverá utilizar pensamentos, palavras e atos, para
– geralmente, os mesmos Irmãos – que não falem demais e, mostrar a todos os Obreiros a alegria e a beleza, que o Grande
também, sejam verdadeiros e sem exageros na ação. Arquiteto do Universo nos concedeu.
Nas reuniões da Loja, discursos pobres, muito longos, Glória e felicidade, aguardam os que conseguem
é uma receita certa para alguém dizer: “Eu não volto nunca perceber harmonia, alegria plena e muito empenho e trabalho,
para que todos sejam dignos do brilho de muita Luz.

Trabalhos ___________________________________________________________________________________

Druidas e Solstícios
José Castellani

É Idade dos Metais, surgiram na Ásia Menor (sumerianos, VI


sabido que as primeiras civilizações estratificadas, da religioso, que dominaram todo o mundo antigo; técnicas de
construção, que influenciaram a Arquitetura greco-romana.
milênio a.C.) e no Norte da África (egípcios, V milênio a.C.). A
Suméria ocupava o Sul da Mesopotâmia ("terra entre rios"),
entre os rios Tigre e Eufrates, junto ao Golfo Pérsico. Hoje, já
se sabe que a escrita foi invenção dos sumerianos
(cuneiforme) e que o sumeriano era a língua hierática
(sagrada), usada, apenas, nos textos religiosos de
praticamente todos os povos da Antigüidade, enquanto o
acadiano (de Acad, ao Norte da Suméria) era a língua
diplomática, usada, inclusive, pelos egípcios. Além disso, os
antigos sumerianos tudo criaram: administração e justiça
fundada em códigos, que serviram de padrão; formas políticas
de governo, que vão desde as cidades-estado até ao império;
instrumentos de troca e de produção, formas de pensamento
A religião foi, na realidade, a base e o centro da vida da principalmente, o famoso conjunto de Stonehenge, apesar de seu
Mesopotâmia, sendo, toda ela, originária da concepção religiosa primitivismo. Mesmo primitivo, ele desenvolveu um sofisticado
de Sumer, que remonta à era neolítica e que influenciou todos método de calcular, um calendário de precisão surpreendente,
os povos antigos, cuja religião era baseada em divindades predizendo eclipses e assinalando solstícios, do qual os menires
cósmicas, principalmente no deus Sol. Assim, na religião são provas irrefutáveis. As imensas pedras, com cinco toneladas
sumeriana, os três deuses fundamentais eram: Anu, rei do Céu; cada uma, de Stonehenge foram extraídas dos montes Prescelly,
Enlil, rei da Terra; Ea, deus do Oceano. Esses deuses em Gales, e transportadas até á planície de Salisbury, a 380
primordiais criaram os deuses astrais, que se ocupam quilômetros de distância. Constituído de diversos blocos,
diretamente do homem: Chamach, deus-Sol; Sin, deus-Lua formando semicírculos e fechado por um anel de pedras, com
(masculino); Ishtar, a deusa Vênus (relativa ao planeta); distâncias regulares entre elas, o monumento foi submetido pelo
Dumuzi, deus agrário (das mortes e ressurreições anuais dos professor G S. Hawkins a análises computadorizadas, que
vegetais, de acordo com o ciclo do Sol). Foi dos sumerianos, revelaram uma grande variação de alinhamentos, mostrando que
portanto, o primeiro culto solar da humanidade na História, é, na realidade, um grande computador astrológico.
embora já possa ter havido algum, na era neolítica da Pré- Os celtas vieram bem depois do povo beaker. E druida é o
História. Grandes matemáticos, os mesopotâmios adquiriram membro de um culto sacerdotal entre os antigos celtas, na
grande conhecimento sobre a Astronomia, prevendo eclipses Inglaterra, na França e na Irlanda, cujos sacerdotes adoravam vários
solares e lunares, aprendendo a plantar de acordo com as fases deuses semelhantes aos do panteão greco-romano, mas com nomes
da Lua, dividindo o ano em 12 meses lunares, os meses em diferentes, reunindo-se nas florestas, ou em cavernas. Na verdade,
semanas, a semana em sete dias (cada um consagrado a um dos pouco se conhece sobre os rituais dos druidas, o que tem gerado
sete "planetas" da Antigüidade), o dia em vinte e quatro horas, a muita especulação, sem nenhuma comprovação. Eles consideravam
hora em sessenta minutos e o o meio-dia e a meia-noite como
minuto em sessenta segundos. horas sagradas, o que não era
Quando elaboraram o seu sistema novidade; sagardas, também, eram
cosmológico, fizeram uso das doze algumas árvores, como o carvalho.
constelações principais, através na Irlanda, segundo alguns, faziam
das quais o Sol e a Lua passavam sacrifícios humanos. E, geralmente,
regularmente, e que foram as faziam predições através da
precursoras do zodíaco. interpretação do vôo dos pássaros e
No Egito antigo, embora de sinais encontrados nas vísceras
fosse muito confuso o conceito do de animais sacrificados; e podem ter
deus-Sol, tendo o astro diversas usado Stonehenge como lugar de
representações (Amon, Rá, culto.
Hórus), ele era, num certo desvio Foram destruídos, na
para o monoteísmo, o deus do Inglaterra, no ano 78 da era
império unificado e o senhor do atual, pelos romanos; na Irlanda,
céu e dos deuses. Havia somente sobreviveram até ao século V,
um deus egípcio cuja importância quando foram expulsos, com a
era semelhante à do deus-Sol: Osíris, deus da fertilidade e do expansão do cristianismo.
reino dos mortos, cuja lenda, baseada nos mitos solares - ele, O que importa considerar: os rituais solares, inclusive
segundo a lenda, foi morto no 17º dia do mês Hator, quando os solsticiais, eram muito mais antigos do que os druidas.
começava o inverno - tinha grande sucesso entre o povo, Considerando-se que pouco se conhece sobre os rituais druidas,
preocupado com o além, pois ela mostrava os mistérios da secretos e transmitidos oralmente, a interpretação de seu
morte e da ressurreição (essa lenda é considerada o germe da pensamento fica no terreno especulativo, ou da imaginação de
lenda do 3º grau maçônico). Já no terceiro milênio a.C., os muitos autores. E, evidentemente, se ínfima influência tiveram
egípcios elaboraram um calendário solar, o mais perfeito da sobre outras civilizações, nada poderiam ter sobre a Maçonaria,
Antigüidade, permitindo-lhes, inclusive, prever as cheias do rio cuja influência mais palpável é sem dúvida a do cristianismo, já
Nilo. O rio era a fonte de toda a vida, e os egípcios acreditavam que a Maçonaria operativa e mesmo a dos Aceitos, em seus
que as cheias eram ativadas pela ação combinada do Sol e de primórdios, viveu e floresceu à sombra da Igreja. O entrave ao
Sírius, tendo, esta estrela, assumido grande importância. As ingresso da mulher na Ordem deve ser procurado na própria
pirâmides, construídas durante a III Dinastia do Antigo sociedade dos séculos XVII e XVIII, e não em antigas
Império, tinham dupla finalidade: monumentos funerários e civilizações, já que, se assim for, até os adeptos de Mitra, na
calculadores astrológicos. Ao faraó Ramsés II, um dos maiores antiga Pérsia, entram na dança, pois o Mitraísmo era uma
do Novo Império, é atribuída a responsabilidade pelo religião de soldados e, portanto, não admitia mulheres.
estabelecimento dos quatro signos cardeais do zodíaco: Áries, "O verdadeiro sábio é um eterno Aprendiz"
Libra, Câncer e Capricórnio.
À Europa, a civilização chegou bem depois. E, à parte
mais Ocidental da Europa, mais tarde ainda. Basta dizer que, na
época do surgimento dos monumentos megalíticos, ou seja, dois
milênios a.C., a região era primitivíssima, sendo habitada por um
povo - chamado pelos arqueólogos de povo beaker – que, ainda,
estava no início da Idade dos Metais e não tinha meios de
registrar o seu conhecimento. Nessa época, o Egito já iniciava o
seu Médio Império, e, na Grécia arcaica, já começara a civilização
micênica. Exatamente, na Grécia, a Astronomia e a Astrologia
teriam grande impulso, deixando o empirismo anterior.
Ao povo beaker, muito anterior aos druidas, atribuem-se
os menires (monumentos megalíticos) europeus e,
Reflexões _____________________________________________________________________________________

Humilde x Orgulho
Autor desconhecido

V ocê já deve ter ouvido, muitas vezes, a palavra


humildade, não é mesmo? Essa palavra é muito usada,
mas nem todas as pessoas conseguem entender o seu
reverencia ao Criador todos os dias, porque sabe que há
muitas verdades que ainda desconhece.
Uma pessoa humilde defende as idéias que julga
verdadeiro significado. nobres, sem se importar de quem elas
O termo humildade vem de venham. A pessoa orgulhosa defende
húmus, palavra de origem latina, que sempre suas idéias, não porque acredite
quer dizer terra fértil, rica em nutrientes nelas, mas porque são suas.
e preparada para receber a semente. Enfim, como se pode perceber, o
Assim, uma pessoa humilde está, sempre, orgulho é grilhão que impede a evolução
disposta a aprender e deixar brotar, no das criaturas, a humildade é chave que
solo fértil da sua alma, a boa semente. abre as Portas da Perfeição. Você sabe
A verdadeira humildade é firme, por que o mar é tão grande? Tão imenso?
segura, sóbria, e jamais compartilha com Tão poderoso? É porque foi humilde o
a hipocrisia ou com a pieguice. A bastante para colocar-se alguns
humildade é a mais nobre de todas as centímetros abaixo de todos os rios.
virtudes, pois, somente, ela predispõe o Sabendo receber, tornou-se
seu portador à sabedoria real. grande. Se quisesse ser o primeiro, se
O contrário de humildade é orgulho, porque o quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma
orgulhoso nega tudo o que a humildade defende. O orgulhoso ilha. E certamente estaria isolado.
é soberbo, julga-se superior e esconde-se por detrás da falsa
humildade ou da tola vaidade. Alguns exemplos, talvez,
tornem mais claras nossas reflexões.
Quando, por exemplo, uma pessoa humilde comete um
erro, diz: "eu me equivoquei", pois sua intenção é de aprender,
de crescer. Mas quando uma pessoa orgulhosa comete um
erro, diz: "não foi minha culpa", porque se acha acima de
qualquer suspeita.
Uma pessoa orgulhosa se acha perfeita. A pessoa
humilde diz: "eu sou bom, porém não tão bom como eu
gostaria de ser".
A pessoa orgulhosa não aceita críticas, a humilde está
sempre disposta a ouvir todas as opiniões e a reter as
melhores. Quem é humilde cresce sempre, quem é orgulhoso
fica estagnado, iludido, na falsa posição de superioridade.
O orgulhoso se diz céptico, por achar que não pode
haver nada no universo que ele desconheça; o humilde

Arte Real __________________________________________________________________________________________________________

A rte Real é uma Revista maçônica virtual, de publicação mensal, que se apresenta
como mais um canal de informação, integração e incentivo à cultura maçônica,
sendo distribuída, diretamente, via Internet, para cerca de 11.000 e-mails de
Irmãos de todo o Brasil e, também, do exterior, além de uma vasta redistribuição em
listas de discussões, sites maçônicos e listas particulares de nossos leitores.
Editor Responsável, Diagramação e Editoração Gráfica: Francisco Feitosa
Revisão: João Geraldo de Freitas Camanho
Colaboradores nesta edição: Antônio Rocha Fadista - João Geraldo Camanho
– José Castellani – Valdemar Sansão – Zélia Scorza Pires
Empresas Patrocinadoras: Arte Real Software – CH Dedetizadora – CONCIV
Construções Civis - CFC Objetiva Auto Escola - Jorge Vicente - Maqtem –
Maurílio Advocacia – Santana Pneus – Studio 3008 - Sul Minas Lab. Fotográfico.
Contatos: feitosa@entreirmaos.net MSN – entre-irmaos@hotmail.com
Distribuição gratuita via Internet.
Os textos editados são de inteira responsabilidade dos signatários.
Comunicado Importante!
Até a edição passada estávamos distribuindo nossa Revista diretamente aos nossos leitores, por e-mail. Devido à
nossa lista de e-mails ter atingido a um número astronômico e a cada edição estarmos recebendo cerca 400 solicitações de
inscrição, a partir de então, a cada edição, estaremos, previamente, disponibilizando um link para download da mesma.
Contamos com a, sempre, prestimosa compreensão de nossos seletos leitores!