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HISTÓRIA
DA ARTE
professora
Eloiza Amália
Referência: WWW.historiadaarte.com.br

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INDICE

INTRODUÇÃO

1- PRÉ HISTÓRIA

1.01 PALEOLÍTICO INFERIOR


1.02 PALEOLÍTICO SUPERIOR
1.03 NEOLÍTICO
1.04 IDADE DOS METAIS

2- ARTE ANTIGA

2.01 EGÍPCIA
2.02 GREGA
2.03 ROMANA
2.04 PALEOCRISTÃ
2.05 BIZANTINA
2.06 ISLÂMICA

3- IDADE MÉDIA

3.01 ROMÂNICA
3.02 GÓTICA

4- IDADE MODERNA

4.01 RENASCIMENTO
4.02 MANEIRISMO
4.03 BARROCO
4.04 ROCOCÓ

5- CONTEMPORÂNEA

5.01 NEOCLÁSSICO
5.02 ROMANTICA
5.03 REALISTA
5.04 IMPRESSIONISMO
5.05 EXPRESSIONISMO
5.06 CUBISMO
5.07 ABSTRACIONISMO
5.08 FAUVISMO
5.09 CONSTRUTIVISMO
5.10 SURREALISMO
5.11 DADAÍSMO
5.12 OP ART
5.13 POP ART
5.14 INSTALAÇÃO
5.15 INTERFERÊNCIA
5.16 COBRA
5.17 FUTURISMO
5.18 ART NAIF
5.19 PINTURA METAFÍSICA

6- ARTE BRASILEIRA

6.01 PRÉ HISTPORIA


6.02 ARTE INDÍGENA

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6.03 COLONIAL
6.04 HOLANDESA
6.05 BARROCO
6.06 MISSÃO FRANCESA
6.07 ARTE ACADÊMICA
6.08 MODERNISMO BRASILEIRO
6.09 EXPRESSIONISMO
6.10 ARTE NAIF
INTRODUÇÃO

O que é arte?
Criação humana com valores estéticos (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta) que sintetizam as suas
emoções, sua história, seus sentimentos e a sua cultura. É um conjunto de procedimentos utilizados
para realizar obras, e no qual aplicamos nossos conhecimentos. Apresenta-se sob variadas formas
como: a plástica, a música, a escultura, o cinema, o teatro, a dança, a arquitetura etc. Pode ser vista ou
percebida pelo homem de três maneiras: visualizadas, ouvidas ou mistas (audiovisuais). Hoje, alguns
tipos de arte permitem que o apreciador participe da obra. O artista precisa da arte e da técnica para
comunicar-se.

Quem faz arte?


O homem criou objetos para satisfazer as suas necessidades práticas, como as ferramentas para cavar
a terra e os utensílios de cozinha. Outros objetos são criados por serem interessantes ou possuírem um
caráter instrutivo. O homem cria a arte como meio de vida, para que o mundo saiba o que pensa, para
divulgar as suas crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos outros, para
explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas.

Por que o mundo necessita de arte?


Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos de função da arte que pode ser:
• feita para decorar o mundo
• para espelhar o nosso mundo (naturalista)
• para ajudar no dia-a-dia (utilitária)
• para explicar e descrever a história
• para ser usada na cura de doenças
• para ajudar a explorar o mundo.

Como entendemos a arte?


O que vemos quando admiramos uma arte depende:
• da nossa experiência e conhecimentos
• da nossa disposição no momento
• da imaginação e
• daquilo que o artista pretendeu mostrar.

PROCESSO DE DIÁLOGO COM O TRABALHO DO ARTISTA

VOCÊ, O APRECIADOR
Exige esforço, dedicação e diálogo com o
trabalho, então pergunte-se:
Qual é o tema?
Quais são os materiais utilizados?
O ARTISTA O A obra tem título?
Pode ter uma mensagem e TRABALHO Quando e onde foi feita?
toma decisões (obra de arte) Qual o seu tamanho?
Quais são as suas cores?
Como são as suas formas?
Você gosta?
Como ela faz se sentir?
Já viu algo parecido?

O que é estilo? Por que rotulamos os estilos de arte?


Estilo é como o trabalho se mostra, depois de o artista ter tomado suas decisões. Cada artista possui um
estilo único. Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas numa sala gigantesca.
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Nunca conseguiríamos ver quem fez o que, quando e como. Os artistas e as pessoas que registram as
mudanças na forma de se fazer arte, no caso os críticos e historiadores, costumam classificá-las por
categorias e rotulá-las. É um procedimento comum na arte ocidental. Ex.: Renascimento,
Impressionismo Cubismo, Surrealismo, etc.

Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte?


Podemos verificar que tipo de arte foi feita, quando, onde e como. Desta maneira estaremos dialogando
com a obra de arte, e assim podemos entender as mudanças que o mundo teve.

Como as idéias se espalham pelo mundo?


Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam apresentar às pessoas idéias de outras
culturas. Os pregressos na tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se espalham através
da:
• arqueologia , quando se descobrem objetos de outras civilizações.
• Pela fotografia, a arte passou a ser reproduzida e, nos anos 1890, muitas das revistas
internacionais de arte já tinham fotos
• pelo rádio e televisão, o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926, permitindo que as
idéias fossem transmitidas por todo o mundo rapidamente, os estilos de arte podem ser
observados, as teorias debatidas e as técnicas compartilhadas
• pela imprensa, que foi inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450, assim os livros e arte
podiam ser impressos e distribuídos em grande quantidade
• pela internet, alguns artistas colocam suas obras em exposição e podemos pesquisá-las, bem
como saber sobre outros estilos.

Os historiadores de arte, críticos e estudiosos classificam os períodos, estilos ou movimentos


artísticos separadamente, para facilitar o entendimento das produções artísticas.

Não há coincidência com a linha do tempo histórica, pois


• a partir de 1848 consideramos o início da Arte Moderna e
• o movimento Pop Art o início da Arte Pós-Moderna.
Porém, optamos por apresentar a arte por meio da linha do tempo histórica, por considerarmos ser mais
didática.

1- PRE HISTORIA

Um dos períodos mais fascinantes da história humana é a Pré-História. Esse período não foi registrado
por nenhum documento escrito, pois é exatamente a época anterior à escrita. Tudo o que sabemos dos
homens que viveram nesse tempo é o resultado da pesquisa de antropólogos, historiadores e dos
estudos da moderna ciência arqueológica, que reconstituíram a cultura do homem.

Divisão da Pré-História:

1.1- PALEOLÍTICO INFERIOR


• aproximadamente 5.000.000 a 25.000 a.C.
• primeiros hominídios
• caça e coleta
• controle do fogo e
• instrumentos de pedra e pedra lascada, madeira e ossos: facas, machados.

a principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os
seres, um animal, por exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a
natureza tal qual sua vista captava. Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada
por caçadores, e que fazia parte do processo de magia por meio do qual procurava-se interferir na
captura de animais, ou seja, o pintor-caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que
possuísse a sua imagem. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o representasse
ferido mortalmente num desenho. Utilizavam as pinturas rupestres, isto é, feitas em rochedos e
paredes de cavernas. O homem deste período era nômade.
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1.2- PALEOLÍTICO SUPERIOR


• instrumentos de marfim, ossos, madeira e pedra: machado, arco e flecha, lançador de
dardos, anzol e linha; e
• desenvolvimento da pintura e da escultura

Os artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. Mas, tanto na pintura
quanto na escultura, nota-se a ausência de figuras masculinas. Predominam figuras femininas, com a
cabeça surgindo como prolongamento do pescoço, seios volumosos, ventre saltado e grandes nádegas.
Destaca-se: Vênus de Willendorf.

1.3- NEOLÍTICO
• instrumentos de pedra polida, enxada e tear;
• início do cultivo dos campos;
• artesanato: cerâmica e tecidos;
• construção de pedra; e
• primeiros arquitetos do mundo.

A fixação do homem da Idade da Pedra Polida, garantida pelo cultivo da terra e pela manutenção de
manadas, ocasionou um aumento rápido da população e o desenvolvimento das primeiras instituições,
como família e a divisão do trabalho. Assim, o homem do Neolítico desenvolveu a técnica de tecer
panos, de fabricar cerâmicas e construiu as primeiras moradias, constituindo-se os primeiros arquitetos
do mundo. Conseguiu ainda, produzir o fogo através do atrito e deu início ao trabalho com metais.
Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte. O homem, que se tornara um
camponês, não precisava mais ter os sentidos apurados do caçador do Paleolítico, e o seu poder de
observação foi substituído pela abstração e racionalização. Como conseqüência surge um estilo
simplificador e geometrizante, sinais e figuras mais que sugerem do que reproduzem os seres. Os
próprios temas da arte mudaram: começaram as representações da vida coletiva.
Além de desenhos e pinturas, o artista do Neolítico produziu uma cerâmica que revela sua preocupação
com a beleza e não apenas com a utilidade do objeto, também esculturas de metal.
Desse período temos as construções denominadas dolmens. Consistem em duas ou mais pedras
grandes fincadas verticalmente no chão, como se fossem paredes, e uma grande pedra era colocada
horizontalmente sobre elas, parecendo um teto. E o menir que era monumento megalítico que consiste
num único bloco de pedra fincado no solo em sentido vertical.
O Santuário de Stonehenge, no sul da Inglaterra, pode ser considerado uma das primeiras obras da
arquitetura que a História registra. Ele apresenta um enorme círculo de pedras erguidas a intervalos
regulares, que sustentam traves horizontais rodeando outros dois círculos interiores. No centro do último
está um bloco semelhante a um altar. O conjunto está orientado para o ponto do horizonte onde nasce o
Sol no dia do solstício de verão, indício de que se destinava às práticas rituais de um culto solar.
Lembrando que as pedras eram colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa.

1.4- IDADE DOS METAIS


• aparecimento de metalurgia;
• aparecimento das cidades;
• invenção da roda;
• invenção da escrita; e
• arado de bois.

As Cavernas
Antes de pintar as paredes da caverna, o homem fazia ornamentos corporais, como colares e, depois,
magníficas estatuetas, como as famosas “Vênus”.

Existem várias cavernas pelo mundo, que demonstram a pintura rupestre, algumas delas são:
Caverna de ALTAMIRA, Espanha, quase uma centena de desenhos feitos há 14.000 anos, foram os
primeiros desenhos descobertos, em 1868. Sua autenticidade, porém, só foi reconhecida em 1902.
Caverna de LASCAUX, França, suas pinturas são achadas em 1942, têm 17.000 anos. A cor preta, por
exemplo, contém carvão moído e dióxido de manganês.
Caverna de CHAUVET, França, há ursos, panteras, cavalos, mamutes, hienas, dezenas de rinocerontes
peludos e animais diversos, descoberta em 1994.
Gruta de RODÉSIA, África, com mais de 40.000 anos.

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IMAGENS

2- ARTE ANTIGA

2.1 – EGÍPCIA

Uma das principais civilizações da Antigüidade foi a que se desenvolveu no Egito. Era uma civilização já
bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações culturais.
A religião invadiu toda a vida egípcia, interpretando o universo, justificando sua organização social e
política, determinando o papel de cada classe social e, conseqüentemente, orientando toda a produção
artística desse povo.

Além de crer em deuses, que poderiam interferir na história humana, os egípcios acreditavam também
numa vida após a morte e achavam que essa vida era mais importante do que a que viviam no presente.
O fundamento ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto divinizado, para o
qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos.

2.1.1- ARQUITETURA
As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e, foram construídas por
importantes reis do Antigo Império: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Junto a essas três pirâmides está a
esfinge mais conhecida do Egito, que representa o faraó Quéfren, mas a ação erosiva do vento e das
areias do deserto deram-lhe, ao longo dos séculos, um aspecto enigmático e misterioso.

As características gerais da arquitetura egípcia são:


• solidez e durabilidade;
• sentimento de eternidade; e
• aspecto misterioso e impenetrável.

As pirâmides tinham base quadrangular, eram feitas com pedras que pesavam cerca de vinte toneladas
e mediam dez metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A porta da frente da
pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se concentrasse sobre a múmia. O
interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara funerária, local onde estava a múmia do faraó e
seus pertences.

Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor, ambos dedicados ao deus Amon.Os monumentos
mais expressivos da arte egípcia são os túmulos, divididos em três categorias:

Pirâmide - túmulo real, destinado ao faraó;


Mastaba - túmulo para a nobreza; e
Hipogeu - túmulo destinado à gente do povo.

Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididas conforme seu capitel:

Palmiforme - flores de palmeira;


Papiriforme - flores de papiro; e
Lotiforme - flor de lótus.

Para seu conhecimento


Esfinge: representa corpo de leão (força) e cabeça humana (sabedoria). Eram colocadas na alameda de
entrada do templo para afastar os maus espíritos.
Obelisco: eram colocados à frente dos templos para materializar a luz solar.

2.1.2- ESCULTURA
Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase sempre de
frente, sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam com isso traduzir, na pedra, uma ilusão de
imortalidade. Com esse objetivo ainda, exageravam freqüentemente as proporções do corpo humano,
dando às figuras representadas uma impressão de força e de majestade.
Os Usciabtis eram figuras funerárias em miniatura, geralmente esmaltadas de azul e verde, destinadas a
substituir o faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além, muitas vezes coberto de inscrições.

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Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também expressão da qualidade
superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Recobriam colunas e paredes, dando um encanto todo
especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos, muitas vezes, em baixo-relevo.

2.1.3- PINTURA
A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes religiosas.

Suas características gerais são:


• ausência de três dimensões;
• ignorância da profundidade;
• colorido à tinta lisa, sem claro-escuro e sem indicação do relevo; e
• Lei da Frontalidade que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre de
frente,
• enquanto sua cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos de perfil.

Quanto à hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com maior importância no
reino, ou seja, nesta ordem de grandeza: o rei, a mulher do rei, o sacerdote, os soldados e o povo. As
figuras femininas eram pintadas em ocre, enquanto que as masculinas pintadas de vermelho.

Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras como nós. Desenvolveram três formas de
escrita:
Hieróglifos - considerados a escrita sagrada;
Hierática - uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes; e
Demótica - a escrita popular.

Livro dos Mortos, ou seja um rolo de papiro com rituais funerários que era posto no sarcófago do faraó
morto, era ilustrado com cenas muito vivas, que acompanham o texto com singular eficácia. Formado de
tramas de fibras do tronco de papiro, as quais eram batidas e prensadas transformando-se em folhas.

Para seu conhecimento


Hieróglifos: foi decifrada por Champolion, que descobriu o seu significado em 1822, ela se deu na
Pedra de Rosetta que foi encontrada na cidade do mesmo nome no Delta do Nilo.
Mumificação:
a) eram retirados o cérebro, os intestinos e outros órgãos vitais, e colocados num vaso de pedra
chamado Canopo.
b) nas cavidades do corpo eram colocadas resinas aromáticas e perfumes.
c) as incisões eram costuradas e o corpo mergulhado num tanque com Nitrato de Potássio.
d) Após 70 dias o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de algodão, embebida em betume,
que servia como impermeabilização.

2.2 – GREGA

Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte grega liga-se à inteligência, pois os seus
reis não eram deuses, mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem-estar do povo. A arte
grega volta-se para o gozo da vida presente. Contemplando a natureza, o artista se empolga pela vida e
tenta, através da arte, exprimir suas manifestações. Na sua constante busca da perfeição, o artista grego
cria uma arte de elaboração intelectual em que predomina o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal. Ele tem
como características:
• o racionalismo;
• amor pela beleza;
• interesse pelo homem, essa pequena criatura que é “a medida de todas as coisas”; e
• a democracia.

2.2.1- ARQUITETURA
As edificações que despertaram maior interesse são os templos. A característica mais evidente dos
templos gregos é a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos. O templo era construído sobre
uma base de três degraus. O degrau mais elevado chamava-se estilóbata e sobre ele eram erguidas as
colunas. As colunas sustentavam um entablamento horizontal formado por três partes: a arquitrave, o
friso e a cornija. As colunas e entablamento eram construídos segundo os modelos da ordem dórica,
jônica e coríntia.
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• Ordem Dórica - era simples e maciça. O fuste da coluna era monolítico e grosso. O capitel era
uma almofada de pedra. Nascida do sentir do povo grego, nela se expressa o pensamento.
Sendo a mais antiga das ordens arquitetônicas gregas, a ordem dórica, por sua simplicidade e
severidade, empresta uma idéia de solidez e imponência
• Ordem Jônica - representava a graça e o feminino. A coluna apresentava fuste mais delgado e
não se firmava diretamente sobre o estilóbata, mas sobre uma base decorada. O capitel era
formado por duas espirais unidas por duas curvas. A ordem dórica traduz a forma do homem e a
ordem jônica traduz a forma da mulher.
• Ordem Coríntia - o capitel era formado com folhas de acanto e quatro espirais simétricas, muito
usado no lugar do capitel jônico, de um modo a variar e enriquecer aquela ordem. Sugere luxo e
ostentação.

Os principais monumentos da arquitetura grega:


• Templos, dos quais o mais importante é o Partenon de Atenas. Na Acrópole, também, se
encontram as Cariátides, que homenageavam as mulheres de Cária.
• Teatros, que eram construídos em lugares abertos (encosta) e que compunham de três partes:
o a skene ou cena, para os atores;
o a konistra ou orquestra, para o coro;
o o koilon ou arquibancada, para os espectadores.
Um exemplo típico é o Teatro de Epidauro, construído, no séc. IV a.C., ao ar livre, composto por
55 degraus divididos em duas ordens e calculados de acordo com uma inclinação perfeita.
Chegava a acomodar cerca de 14.000 espectadores e tornou-se famoso por sua acústica
perfeita.
• Ginásios, edifícios destinados à cultura física.
• Praça - Ágora onde os gregos se reuniam para discutir os mais variados assuntos, entre eles;
filosofia.

2.2.2- PINTURA
A pintura grega encontra-se na arte cerâmica. Os vasos gregos são também conhecidos não só pelo
equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para
a ornamentação. Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre
outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à função para que
eram destinados:
• Ânfora - vasilha em forma de coração, com o gargalo largo ornado com duas asas;
• Hidra - (derivado de ydor, água) tinha três asas, uma vertical para segurar enquanto corria a
água e duas para levantar;
• Cratera - tinha a boca muito larga, com o corpo em forma de um sino invertido, servia para
misturar água com o vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro), etc.
As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega. O
maior pintor de figuras negras foi Exéquias.

A pintura grega se divide em três grupos:


• figuras negras sobre o fundo vermelho
• figuras vermelhas sobre o fundo negro
• figuras vermelhas sobre o fundo branco

2.2.3- ESCULTURA
A estatuária grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. Na escultura, o
antropomorfismo - esculturas de formas humanas - foi insuperável. As estátuas adquiriram, além do
equilíbrio e perfeição das formas, o movimento.

No Período Arcaico os gregos começaram a esculpir, em mármores, grandes figuras de homens.


Primeiramente aparecem esculturas simétricas, em rigorosa posição frontal, com o peso do corpo
igualmente distribuído sobre as duas pernas. Esse tipo de estátua é chamado Kouros (palavra grega:
homem jovem).

No Período Clássico passou-se a procurar movimento nas estátuas, para isto, se começou a usar o
bronze que era mais resistente do que o mármore, podendo fixar o movimento sem se quebrar. Surge o
nu feminino, pois no período arcaico, as figuras de mulheres eram esculpidas sempre vestidas.
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Período Helenístico podemos observar o crescente naturalismo: os seres humanos não eram
representados apenas de acordo com a idade e a personalidade, mas também segundo as emoções e o
estado de espírito de um momento. O grande desafio e a grande conquista da escultura do período
helenístico foi a representação não de uma figura apenas, mas de grupos de figuras que mantivessem a
sugestão de mobilidade e fossem bonitos de todos os ângulos que pudessem ser observados.
Os principais mestres da escultura clássica grega são:
• Praxíteles, celebrado pela graça das suas esculturas, pela lânguida pose em “S” (Hermes com
Dionísio menino), foi o primeiro artista que esculpiu o nu feminino.
• Policleto, autor de Doríforo - condutor da lança, criou padrões de beleza e equilíbrio através do
tamanho das estátuas que deveriam ter sete vezes e meia o tamanho da cabeça.
• Fídias, talvez o mais famoso de todos, autor de Zeus Olímpico, sua obra-prima, e Atenéia.
Realizou toda a decoração em baixos-relevos do templo Partenon: as esculturas dos frontões,
métopas e frisos.
• Lisipo, representava os homens “tal como se vêem” e “não como são” (verdadeiros retratos). Foi
Lisipo que introduziu a proporção ideal do corpo humano com a medida de oito vezes a cabeças.
• Miron, autor do Discóbolo - homem arremessando o disco.

Para seu conhecimento:


Mitologia:
• Zeus: senhor dos céus;
• Atenéia: deusa da guerra;
• Afrodite: deusa do amor;
• Apolo: deus das artes e da beleza;
• Posseidon: deus das águas; entre outros.
Olimpíadas: Realizavam-se em Olímpia, cada 4 anos, em honra a Zeus. Os primeiros jogos começaram
em 776 a.C. As festas olímpicas serviam de base para marcar o tempo.
Teatro: Foi criada a comédia e a tragédia. Entre as mais famosas: Édipo Rei de Sófocles.
Música: Significa a arte das musas, entre os gregos a lira era o instrumento nacional.

IMAGENS
Cerâmica | Lisipo | Praxiteles | Partenon | Teseion | Coluna Dórica | Coluna Jônica | Coluna Coríntia

2.3 – ROMANA

A arte romana sofreu duas fortes influências:


• a da arte etrusca popular e voltada para a expressão da realidade vivida, e
• a da greco-helenística, orientada para a expressão de um ideal de beleza. Um dos legados
culturais mais importantes que os etruscos deixaram aos romanos foi o uso do arco e da
abóbada nas construções.

2.3.1- ARQUITETURA
As características gerais da arquitetura romana são:
• busca do útil imediato, senso de realismo;
• grandeza material, realçando a idéia de força;
• energia e sentimento;
• predomínio do caráter sobre a beleza;
• originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas.

As construção eram de cinco espécies, de acordo com as funções:

1) Religião: Templos
Pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Júpiter Stater, o de Saturno, o da
Concórdia e o de César. O Panteão, construído em Roma durante o reinado do Imperador Adriano foi
planejado para reunir a grande variedade de deuses existentes em todo o Império, esse templo romano,
com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia
para o culto.

2) Comércio e civismo: Basílica

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A princípio destinada a operações comerciais e a atos judiciários, a basílica servia para reuniões da
bolsa, para tribunal e leitura de editos. Mais tarde, já com o Cristianismo, passou a designar uma igreja
com certos privilégios. A basílica apresenta uma característica inconfundível: a planta retangular, (de
quatro a cinco mil metros) dividida em várias colunatas. Para citar uma, a basílica Julia, iniciada no
governo de Júlio César, foi concluída no Império de Otávio Augusto.

3) Higiene: Termas
Constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram o centro social de Roma. As mais
famosas são as termas de Caracala que, além de casas de banho, eram centro de reuniões sociais e
esportes.

4) Divertimentos:
• Circo: extremamente afeito aos divertimentos, foi de Roma que se originou o circo. Dos jogos
praticados temos:
§ jogos circenses - corridas de carros;
§ ginásios - incluídos neles o pugilato;
§ jogos de Tróia - aquele em que havia torneios a cavalo;
§ jogos de escravos - executados por cavaleiros conduzidos por escravos;
Sob a influência grega, os verdadeiros jogos circenses romanos só surgiram pelo ano 264 a.C.
Dos circos romanos, o mais célebre é o "Circus Maximus".
• Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de Marcelus. Tinha cenários versáteis,
giratórios e retiráveis.
• Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos gladiadores. Essas lutas compunham
um espetáculo que podia ser apreciado de qualquer ângulo. Pois a palavra anfiteatro significa
teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros
romanos. Externamente o edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos
arcos, e por três andares com as ordens de colunas gregas (de baixo para cima: ordem dórica,
ordem jônica e ordem coríntia). Essas colunas, na verdade eram meias colunas, pois ficavam
presas à estrutura das arcadas. Portanto, não tinham a função de sustentar a construção, mas
apenas de ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a acomodar 40.000
pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé.

5) Monumentos decorativos
• Arco de Triunfo: pórtico monumental feito em homenagem aos imperadores e generais
vitoriosos. O mais famoso deles é o arco de Tito, todo em mármore, construído no Forum
Romano para comemorar a tomada de Jerusalém.
• Coluna Triunfal: a mais famosa é a coluna de Trajano, com seu característico friso em
espiral que possui a narrativa histórica dos feitos do Imperador em baixos-relevos no fuste.
Foi erguida por ordem do Senado para comemorar a vitória de Trajano sobre os dácios e os
partos.

6) Moradia:
Casa : Era construída ao redor de um pátio chamada Atrio.

2.3.2 – PINTURA
O Mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em geral.
A maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de Pompéia e Herculano,
que foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. Os estudiosos da pintura existente em
Pompéia classificam a decoração das paredes internas dos edifícios em quatro estilos.
• Primeiro estilo: recobrir as paredes de uma sala com uma camada de gesso pintado; que dava
impressão de placas de mármore.
• Segundo estilo: Os artistas começaram então a pintar painéis que criavam a ilusão de janelas
abertas por onde eram vistas paisagens com animais, aves e pessoas, formando um grande
mural.
• Terceiro estilo: representações fiéis da realidade e valorizou a delicadeza dos pequenos
detalhes.
• Quarto estilo: um painel de fundo vermelho, tendo ao centro uma pintura, geralmente cópia de
obra grega, imitando um cenário teatral.

2.3.3 – ESCULTURA

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Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes
dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e
não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens
da sociedade. Mais realista que idealista, a estatuária romana teve seu maior êxito nos retratos.

Com a invasão dos bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram
realizados pelo Estado. Era o começo da decadência do Império Romano que, no séc. V - precisamente
no ano de 476 - perde o domínio do seu vasto território do Ocidente para os invasores germânicos.

2.4 – PALEOCRISTÃ

Enquanto os romanos desenvolviam uma arte colossal e espalhavam seu estilo por toda a Europa e
parte da Ásia, os cristãos (aqueles que seguiam os ensinamentos de Jesus Cristo) começaram a criar
uma arte simples e simbólica executada por pessoas que não eram grandes artistas.Surge a arte cristã
primitiva. Os romanos testemunharam o nascimento de Jesus Cristo, o qual marcou uma nova era e uma
nova filosofia.Com o surgimento de um "novo reino" espiritual, o poder romano viu-se extremamente
abalado e teve início um período de perseguição não só a Jesus, mas também a todos aqueles que
aceitaram sua condição de profeta e acreditaram nos seus princípios. Esta perseguição marcou a
primeira fase da arte paleocristã: a fase catacumbária, que recebe este nome devido às catacumbas,
cemitérios subterrâneos em Roma, onde os primeiros cristãos secretamente celebravam seus
cultos.Nesses locais, a pintura é simbólica.

Para entender melhor a simbologia:


• Jesus Cristo poderia estar simbolizado por um círculo ou por um peixe, pois a palavra peixe, em
grego ichtus, forma as iniciais da frase: "Jesus Cristo de Deus Filho Salvador".
• Outra forma de simboliza-lo é o desenho do pastor com ovelhas "Jesus Cristo é o Bom Pastor" e
também, o cordeiro "Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus".
• Passagens da Bíblia também eram ali simbolizadas, por exemplo: Arca de Noé; Jonas engolido
pelo peixe e Daniel na cova dos leões.
• Ainda hoje podemos visitar as catacumbas de Santa Priscila e Santa Domitila, nos arredores de
Roma.
• Os cristãos foram perseguidos por três séculos, até que em 313 d.C. o imperador Constantino
legaliza o cristianismo, dando início à 2a fase da arte paleocristã : a fase basilical.Tanto os
gregos como os romanos, adotavam um modelo de edifício denominado "Basílica" (origem do
nome: Basileu = Juíz) , lugar civil destinado ao comércio e assuntos judiciais. Eram edifícios com
grandes dimensões: um plano retangular de 4 a 5 mil metros quadrados com três naves
separadas por colunas e uma única porta na fachada principal. Com o fim da perseguição aos
cristãos, os romanos cederam algumas basílicas para eles podessem usar como local para as
suas celebrações.
• O mosaico, muito utilizado pelos gregos e romanos, foi o material escolhido para o revestimento
interno das basílicas, utilizando imagens do Antigo e do Novo Testamento. Esse tratamento
artístico também foi dado aos mausoléus e os sarcófagos feitos para os fiéis mais ricos eram
decorados com relevos usando imagens de passagens bíblicas.
• Na cidade de Ravena pode-se apreciar o Mausoléu de Gala Placídia e a igreja de Santo
Apolinário, o Novo e a de São Vital com riquíssimos mosaicos.
• Em 395 d.C., o imperador Teodósio dividiu o Império Romano entre seus dois filhos: Honório e
Arcádio.Honório ficou com o Império Romano do Ocidente, tendo Roma como sua capital , e
Arcádio ficou com o Império Romano do Oriente, com a capital Constantinopla (antiga Bizâncio e
atual Istambul).
• O império Romano do Ocidente sofreu várias invasões, principalmente de povos bárbaros, até
que, em 476 d.C., foi completamente dominado (esta data, 476 d.c., marca o fim da Idade Antiga
e o início da Idade Média). Já o Império Romano do Oriente (onde se desenvolveu a arte
bizantina), apesar das dificuldades financeiras, dos ataques bárbaros e das pestes, conseguiu se
manter até 1453, quando a sua capital Constantinopla foi totalmente dominada pelos
muçulmanos (esta data, 1453, marca o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna).

2.5 – BIZANTINA
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O cristianismo não foi a única preocupação para o Império Romano nos primeiros séculos de nossa
era.Por volta do século IV, começou a invasão dos povos bárbaros e que levou Constantino a transferir a
capital do Império para Bizâncio, cidade grega, depois batizada por Constantinopla. A mudança da
capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma; facilitou a formação dos Reinos
Bárbaros e possibilitou o aparecimento do primeiro estilo de arte cristã - Arte Bizantina.

Graças a sua localização(Constantinopla) a arte bizantina sofreu influências de Roma, Grécia e do


Oriente. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto na técnica como na
cor.

A arte bizantina está dirigida pela religião; ao clero cabia, além das suas funções, organizar também as
artes, tornando os artistas meros executores.O regime era teocrático e o imperador possuía poderes
administrativos e espirituais; era o representante de Deus, tanto que se convencionou representá-lo com
uma auréola sobre a cabeça, e, não raro encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa,
ladeando a Virgem Maria e o Menino Jesus.

O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar as paredes e
abóbadas, mas instruir os fiéis mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos profetas e dos vários
imperadores. Plasticamente, o mosaico bizantino em nada se assemelha aos mosaicos romanos; são
confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que regem inclusive os afrescos. Neles,
por exemplo, as pessoas são representadas de frente e verticalizadas para criar certa espiritualidade; a
perspectiva e o volume são ignorados e o dourado é demasiadamente utilizado devido à associação com
o maior bem existente na terra: o ouro.

A arquitetura das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte bizantina, elas eram planejadas sobre
uma base circular, octogonal ou quadrada. Tinha imensas cúpulas, criando-se prédios enormes e
espaçosos, totalmente decorados.

A Igreja de Santa Sofia (Sofia = Sabedoria), na hoje Istambul, foi um dos maiores triunfos da nova
técnica bizantina, projetada pelos arquitetos Antêmio de Tralles e Isidoro de Mileto. Ela possui uma
cúpula de 55 metros apoiada em quatro arcos plenos.Tal método tornou a cúpula extremamente
elevada, sugerindo, por associação à abóbada celeste, sentimentos de universalidade e poder absoluto.
Apresenta pinturas nas paredes, colunas com capitel ricamente decorado com mosaicos e o chão de
mármore polido. A verdadeira beleza de Santa Sofia, a maior igreja de Constantinopla, capital do Império
Bizantino, encontra-se no seu vasto interior.Um olhar mais atento permite ao visitante ver o trabalho
requintado dos artífices bizantinos no colorido resplandecente dos mosaicos agora restaurados; no
mármore profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais, folhas de acantos
envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher Teodora. No alto, sobre um solo de mármore,
bordada em filigrama de sombras dos candelabros suspensos, resplandece a grande cúpula. Embora a
igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e prata, mosaicos e afrescos, há uma
beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de sombra e luz - um claro-escuro admirável
quando os raios de sol penetram e iluminam o seu interior.

Toda essa atração por decoração aliada a prevenção que os cristãos tinham contra a estatuária que
lembrava de imediato o paganismo romano, afasta o gosto pela forma e conseqüentemente a
escultura não teve tanto destaque neste período.O que se encontra restringe-se a baixos relevos
acoplados à decoração.

A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI, durante o reinado do Imperador Justiniano.Porém,
logo sucedeu-se um período de crise chamado de Iconoclastia. Constituía na destruição de qualquer
imagem santa devido ao conflito entre os imperadores e o clero.

A arte bizantina não se extinguiu em 1453, pois, durante a segunda metade do século XV e boa parte do
século XVI, a arte daquelas regiões onde ainda florescia a ortodoxia grega permaneceu dentro da arte
bizantina. Essa arte extravasou em muito os limites territoriais do império, penetrando, por exemplo, nos
países eslavos.

2.6 – ISLÂMICA

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No ano de 622, o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de Yatrib e para aquela que desde então
se conhece como Medina (Madinat al-Nabi, cidade do profeta). De lá, sob a orientação dos califas,
sucessores do profeta, começou a rápida expansão do Islã até a Palestina, Síria, Pérsia, Índia, Ásia
Menor, Norte da África e Espanha. De origem nômade, os muçulmanos demoraram certo tempo para
estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética própria com a qual se
identificassem.

Ao fazer isso, inevitavelmente devem ter absorvido traços estilísticos dos povos conquistados, que no
entanto souberam adaptar muito bem ao seu modo de pensar e sentir, transformando-os em seus
próprios sinais de identidade. Foi assim que as cúpulas bizantinas coroaram suas mesquitas, e os
esplêndidos tapetes persas, combinados com os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente
sensual, a arte islâmica foi na realidade, desde seu início, conceitual e religiosa.

No âmbito sagrado evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no geométrico e abstrato, mais simbólico
do que transcendental. A representação figurativa era considerada uma má imitação de uma realidade
fugaz e fictícia. Daí o emprego de formas como os arabescos, resultado da combinação de traços
ornamentais com caligrafia, que desempenham duas funções: lembrar o verbo divino e alegrar a vista.
As letras lavradas na parede lembram o neófito, que contempla uma obra feita para deus.

Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no início, como exclusividade das classes
altas e dos príncipes mecenas, que eram os únicos economicamente capazes de construir mesquitas,
mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiões do povo e conscientes da
importância da religião como base para a organização política e social, eles realizavam suas obras para
a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração, esmola, jejum e peregrinação.

2.6.1- ARQUITETURA
As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos VI e VIII, seguindo o modelo da
casa de Maomé em Medina: uma planta quadrangular, com um pátio voltado para o sul e duas galerias
com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A área de oração era coberta, enquanto no pátio
estavam as fontes para as abluções. A casa de Maomé era local de reuniões para oração, centro
político, hospital e refúgio para os mais pobres. Essas funções foram herdadas por mesquitas e alguns
edifícios públicos.

No entanto, a arquitetura sagrada não manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do
profeta, sendo exemplo disso as obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no Iraque, a Cúpula da
Roca, em Jerusalém, e a Grande Mesquita de Damasco. Contudo, persistiu a preocupação com a
preservação de certas formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão importante
quanto o arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo
controlava sua realização.

A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um círculo, foi um dos sistemas mais
utilizados na construção de mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As numerosas
variações locais mantiveram a distribuição dos ambientes, mas nem sempre conservaram sua forma. As
mesquitas transferiram depois parte de suas funções aos edifícios públicos: por exemplo, as escolas de
teologia, semelhantes àquelas na forma. A construção de palácios, castelos e demais edifícios públicos
merece um capítulo à parte.

As residências dos emires constituíram uma arquitetura de segunda classe em relação às mesquitas.
Seus palácios eram planejados num estilo semelhante, pensados como um microcosmo e constituíam o
hábitat privativo do governante. Exemplo disso é o Alhambra, em Granada. De planta quadrangular e
cercado de muralhas sólidas, o palácio tinha aspecto de fortaleza, embora se comunicasse com a
mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais importante era o diwan ou sala do trono.

Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie de torre
cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que a voz do
almuadem ou muezim pudesse chegar até todos os fiéis, convidando-os à oração. A Giralda, em Sevilha,
era o antigo minarete da cidade. Outras construções representativas foram os mausoléus ou
monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a santos e mártires.

2.6.2- TAPETES
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Os tapetes e tecidos desde sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião islâmicas.
Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para decorar o interior das
tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e tapetes passaram a decorar
palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas mesquitas, já que o muçulmano, ao
rezar, não deve ficar em contato com a terra.

Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma. Os fabricados
antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80 000 nós por metro quadrado. Os
mais valiosos são de origem persa e têm 40 000 nós por decímetro quadrado. As oficinas mais
importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no Ocidente. Entre os
desenhos mais clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça, com animais e plantas, e os
geométricos, de decoração.

2.6.3- PINTURA E GRÁFICA


As obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas. Das primeiras, muito poucas
chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente usadas para decorar
paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça e da vida cotidiana da
corte. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o lugar, sofresse uma grande
influência indiana, bizantina e inclusive chinesa.

A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas sim nas publicações
de divulgação científica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para acompanhar a narração. O
estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das miniaturas bizantinas, com fundo
dourado e ausência de perspectiva. O Corão era decorado com figuras geométricas muito precisas, a fim
de marcar a organização do texto, por exemplo, separando um capítulo de outro.

Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de Bizâncio e da
Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de mesquitas e palácios,
junto com a cerâmica. No início, as representações eram completamente figurativas, semelhantes às
antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se transformarem em folhas e flores misturadas
com letras desenhadas artisticamente, o que é conhecido como arabesco.

Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica islâmica,
cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de gesso das
cúpulas. Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas até o infinito criaram
superfícies de verdadeiro horror ao espaço vazio. A mesma função desempenhava a cerâmica, mais
utilizada a partir do século XII e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram criadas peças de uso
cotidiano.

3- IDADE MÉDIA

3.1 – ROMÂNICA

3.1.1- ARQUITETURA
No final dos séculos XI e XII, na Europa, surge a arte românica cuja estrutura era semelhante às
construções dos antigos romanos.
As características mais significativas da arquitetura românica são:
• abóbadas em substituição ao telhado das basílicas;
• pilares maciços que sustentavam as paredes espessas;
• aberturas raras e estreitas usadas como janelas;
• torres, que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada; e
• arcos que são formados por 180 graus.
A primeira coisa que chama a atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. Elas são sempre
grandes e sólidas. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus. A explicação mais aceita para as formas
volumosas, estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado
da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros urbanos, é um estilo essencialmente clerical. A

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arte desse período passa, assim, a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda
à divindade.

A mais famosa é a Catedral de Pisa sendo o edifício mais conhecido do seu conjunto o campanário que
começou a ser construído em 1.174. Trata-se da Torre de Pisa que se inclinou porque, com o passar do
tempo, o terreno cedeu.

Na Itália, diferente do resto da Europa, não apresenta formas pesadas, duras e primitivas.

3.1.2- PINTURA E ESCULTURA


Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a Igreja recorria à pintura e à escultura para narrar
histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. Não podemos estudá-las desassociadas da
arquitetura. A pintura românica desenvolveu-se sobretudo nas grandes decorações murais, através da
técnica do afresco, que originalmente era uma técnica de pintar sobre a parede úmida.

Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. As características essenciais da pintura
românica foram a deformação e o colorismo. A deformação, na verdade, traduz os sentimentos
religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. A figura de Cristo, por exemplo, é
sempre maior do que as outras que o cercam. O colorismo realizou-se no emprego de cores chapadas,
sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra, pois não havia a menor intenção de
imitar a natureza.

Na porta, a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano, nome que recebe a parede semicircular
que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta. Imitação de formas rudes, curtas
ou alongadas, ausência de movimentos naturais.

Mosaicos são pequenas pedras coloridas que colocadas lado a lado, vão formando o desenho. Usado
desde a Antiguidade, veio do Oriente a técnica bizantina que utilizava o azul e dourado, para representar
o próprio céu. No Ocidente foi utilizado principalmente nas igrejas.

3.2 – GÓTICA

No século XII, entre os anos 1150 e 1500, tem início uma economia fundamentada no comércio. Isso faz
com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e apareça a burguesia urbana.
No começo do século XII, a arquitetura predominante ainda é a românica, mas já começaram a aparecer
as primeiras mudanças que conduziram a uma revolução profunda na arte de projetar e construir
grandes edifícios.

3.2.1- ARQUITETURA
A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. Enquanto, de modo
geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja gótica tem três portais que dão acesso à três
naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais.
A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase
todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.
Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais
coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja.
As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame
de Chartres.

3.2.2- ESCULTURA
As esculturas estão ligadas à arquitetura e se alongam para o alto, demonstrando verticalidade,
alongamento exagerado das formas, e as feições são caracterizadas de formas a que o fiel possa
reconhecer facilmente a personagem representada.

3.2.3- ILUMINURAS
Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos. A gravura não fora ainda inventada,
ou então é um privilégio da quase mística China.
Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de expressão também nos objetos
preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre

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as páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações, os
cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto.
Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões:
• a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois
destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas,
• a segunda é que os artistas ilustradores ao períodos gótico tornaram-se tão habilidosos na
representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena, que seus
trabalhos acabaram influenciando outros pintores.

3.2.4- PINTURA
A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV, quando começou a
ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura
do realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas.

Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento


(Duocento):

Giotto - a característica principal do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres
humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais
importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura
de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até
ganhar plenitude no Renascimento.
Obras destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim
entre os Pastores.

Jan Van Eyck - procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de
sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e
as paisagens.
Obras destacadas: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

4- IDADE MODERNA

4.1- RENASCIMENTO

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e
1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e
incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança
clássica. O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito
do Renascimento. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem
(Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado
a cultura da Idade Média.
Características gerais:
• Racionalidade
• Dignidade do Ser Humano
• Rigor Científico
• Ideal Humanista
• Reutilização das artes greco-romana

4.1.1- ARQUITETURA
Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas
estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto
em que se coloque.
“Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o
segredo do edifício” (Bruno Zevi, Saber Ver a Arquitetura)

Principais características:
Ordens Arquitetônicas
• Arcos de Volta-Perfeita
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• Simplicidade na construção
• A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas

Construções palácios:
• igrejas,
• vilas (casa de descanso fora da cidade),
• fortalezas (funções militares)

O principal arquiteto renascentista:


Brunelleschi - é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto. Além
de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante.
Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da
catedral de Florença e a Capela Pazzi.

4.1.2- PINTURA
Principais características:
• Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm
entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.
• Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de
contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.
• Realismo: o artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do
mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio
Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não
apenas admirada.
• Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo.
Outra característica da arte do Renascimento, em especial da pintura, foi o surgimento de artistas com
um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade e,
consequentemente, pelo individualismo.

Os principais pintores foram:

Botticelli - os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam
de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão. Por isso, as
figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo,
melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus.
Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.

Leonardo da Vinci - ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma
atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de um
espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do
conhecimento humano.
Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa.

Michelângelo - entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para
essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que
expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a criação do homem.
Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família

Rafael - suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos
que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma simetria
equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”.
Obras destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã.

4.1.3- ESCULTURA
Em meados do século XV, com a volta dos papas de Avinhão para Roma, esta re-adquire o seu
prestígio. Protetores das artes, os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Ali,
grandes escultores se revelam, o maior dos quais é Michelângelo, que domina toda a escultura italiana
do século XVI. Algumas obras: Moisés, Davi (4,10m) e Pietá.

Outro grande escultor desse período foi Andrea del Verrochio. Trabalhou em ourivesaria e esse fato
acabou influenciando sua escultura. Obra destacada: Davi (1,26m) em bronze.

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Principais Características:
• Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade
• Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade
• Profundidade e perspectiva
• Estudo do corpo e do caráter humano

O Renascimento Italiano se espalha pela Europa, trazendo novos artistas que nacionalizaram as idéias
italianas. São eles:
• Dürer
• Hans Holbein
• Bosch
• Bruegel

Para seu conhecimento

• A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). E é na


própria Capela que se faz o Conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa para
proceder a eleição do próximo. Possui alareira que produz:
o fumaça negra - que o Papa ainda não foi escolhido;
o fumaça branca - que o Papa acaba de ser escolhido,
e que avisa o povo na Praça de São Pedro, no Vaticano
• Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem, pois
tendo dissecado cadáveres por muito tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia exatamente
a posição de cada músculo, cada tendão, cada veia.
• Além de pintor, Leonardo da Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão:
“Parafuso Aéreo”, primitiva versão do helicóptero, a ponte elevadiça, o escafandro, um modelo
de asa-delta, etc.
• Quando deparamos com o quadro da famosa MONALISA não conseguimos desgrudar os olhos
do seu olhar, parece que ele nos persegue. Por que acontece isso? Será que seus olhos podem
se mexer? Este quadro foi pintado, pelo famoso artista e inventor italiano Leonardo da Vinci
(1452-1519) e qual será o truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se pinta uma
pessoa olhando para a frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a impressão que
o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os quadros são lisos. Se
olharmos para a Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-a sempre com os olhos e a
ponta do nariz para a frente, e não poderemos ver o lado do seu rosto. Aí está o truque: em
qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de frente.

4.2 – MANEIRISMO

Paralelamente ao renascimento clássico, desenvolve-se em Roma, do ano de 1520 até por volta de
1610, um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: o
maneirismo (maniera, em italiano, significa maneira). Uma evidente tendência para a estilização
exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas
dos cânones clássicos.

Alguns historiadores o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco, enquanto outros
preferem vê-lo como um estilo, propriamente dito. O certo, porém, é que o maneirismo é uma
conseqüência de um renascimento clássico que entra em decadência. Os artistas se vêem obrigados a
partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas
adquiridas durante o renascimento.

Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito religioso reinante na Europa nesse momento.
Não só a Igreja, mas toda a Europa estava dividida após a Reforma de Lutero. Carlos V, depois de
derrotar as tropas do sumo pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os
grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo.

Pintores, arquitetos e escultores são impelidos a deixar Roma com destino a outras cidades. Valendo-se
dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma
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arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo
maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias.

4.2.1- ARQUITETURA
A arquitetura maneirista dá prioridade à construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais
longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano
centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças
que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na
distribuição da luz e na decoração.

Principais características:
Nas igrejas:
• Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coros com escadas em espiral, que na
maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de rara
singularidade.
• Guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoadas de figuras caprichosas são a decoração
mais característica desse estilo. Caracóis, conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando
uma exuberante selva de pedra que confunde a vista.
Nos ricos palácios e casas de campo:
• Formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecem sobre o quadrado
disciplinado do renascimento.
• A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse
caprichoso e refinado estilo que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a
necessidade de renovação.

Principais Artistas:

BARTOLOMEO AMMANATI , (1511-1592), Autor de vários projetos arquitetônicos por toda a Itália, tais
como: a construção do túmulo do conde de Montefeltro, o palácio dos Mantova, a villa na Porta del
Popolo. a fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de
Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos
jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens.

GIORGIO VASARI, (1511-1574), Vasari é conhecido por sua obra literária Le Vite (As Vidas), na qual,
além de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato às vezes pouco fiel, mas muito
interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer comentários mal-intencionados e
elogios exagerados. Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de suas únicas obras
significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari também trabalhou em colaboração com
Michelangelo em Roma, na década de 30. Suas biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso
que se seguiram várias edições. Passou os últimos dias de sua vida em Florença, dedicado à
arquitetura.

PALLADIO, (1508-1580), O interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na totalidade de sua
obra arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a clareza de linhas e a harmonia das
proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a uma expressão mínima. Somente dez anos
depois iria se dedicar à arquitetura sacra em Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio
Maggiore e Il Redentore. Não se pode dizer que Palladio tenha sido um arquiteto tipicamente maneirista,
no entanto, é um dos mais importantes desse período. A obra de Palladio foi uma referência obrigatória
para os arquitetos ingleses e franceses do barroco.

4.2.2- PINTURA
É na pintura que o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os pintores da segunda
década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo estilo, procurando
deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando re-valorizar a arte pela própria arte.

Principais características :
• Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos
reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma
atmosfera de tensão permanente.

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• Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados do


renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para os seres
humanos.
• Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores
brilhantes.
• A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis.
• Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva, mas em
algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade,encontrá-lo.

Principal Artista:

EL GRECO, (1541-1614), Ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido da


pintura veneziana e a religiosidade espanhola. Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida
por seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou como pintor de ícones no
convento de Santa Catarina, em Cândia. De acordo com documentos existentes, no ano de 1567
emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de Ticiano, com quem realizou algumas
obras. Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu na cidade de Toledo, onde
trabalhou praticamente com exclusividade para a corte de Filipe II, para os conventos locais e para a
nobreza toledana. Entre suas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio
caminho entre o retrato e a espiritualidade mística. Homem com a Mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O
Martírio de São Maurício. Esta última lhe custou a expulsão da corte.

4.2.3- ESCULTURA
Na escultura, o maneirismo segue o caminho traçado por Michelangelo: às formas clássicas soma-se o
novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade. Em resumo, repetem-se as
características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas,
as superposições de planos, ou ainda o exagero nos detalhes, elementos que criam essa atmosfera de
tensão tão característica do espírito maneirista.

Principais características:
• A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras,
num equilíbrio aparentemente frágil, as figuras são unidas por contorções extremadas e
exagerado alongamento dos músculos.
• O modo de enlaçar as figuras, atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis, permite
que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário, isso sempre respeitando a
composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto.

Principais Artistas:

BARTOLOMEO AMMANATI, (1511-1592), Realizou trabalhos em várias cidades italianas. Decorou


também o palácio dos Mantova e o túmulo do conde da cidade. Conheceu a poetisa Laura Battiferi, com
quem se casou, e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II, que incumbiu-o da
construção de sua villa na Porta del Popolo. Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto.
No ano de 1555, com a morte do papa, voltou para Florença, onde venceu um concurso para a
construção da fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os
tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os
preceitos dos jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens.

GIAMBOLOGNA, (1529-1608), De origem flamenga, Giambologna deu seus primeiros passos como
escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. Poucos anos depois mudou-se para Roma, onde se
supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de suas obras. Estabeleceu-se finalmente em
Florença, na corte dos Medici. O Rapto das Sabinas, Mercúrio, Baco e Os Pescadores estão entre as
obras mais importantes desse período. Participou também de um concurso na cidade de Bolonha, para o
qual realizou uma de suas mais célebres esculturas, A Fonte de Netuno.Trabalhou com igual maestria a
pedra calcária e o mármore e foi grande conhecedor da técnica de despejar os metais, como
demonstram suas esculturas de bronze. Giambologna está para o maneirismo como Michelangelo está
para o renascimento.

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4.3 – BARROCO

A arte barroca originou-se na Itália (séc. XVII) mas não tardou a irradiar-se por outros países da Europa
e a chegar também ao continente americano, trazida pelos colonizadores portugueses e espanhóis.
As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os
artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca predominam as
emoções e não o racionalismo da arte renascentista.

É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O homem se coloca em constante dualismo:


• Paganismo X Cristianismo e
• Espírito X Matéria.

Suas características gerais são:


• emocional sobre o racional;
• busca de efeitos decorativos e visuais, através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas;
• entrelaçamento entre a arquitetura e escultura;
• violentos contrastes de luz e sombra;
• pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de
profundidade conseguida.

4.3.1- PINTURA
Características da pintura barroca:
• Composição em diagonal
• Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos)
• Realista, abrangendo todas as camadas sociais

Dentre os pintores barrocos italianos:


Caravaggio - o que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como ele usa a luz. Ela
não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a atenção
do observador.
Obra destacada: Vocação de São Mateus.
Andrea Pozzo - realizou grandes composições de perspectiva nas pinturas dos tetos das igrejas
barrocas, causando a ilusão de que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, e de que este se
abre para o céu, de onde santos e anjos convidam os homens para a santidade.
Obra destacada: A Glória de Santo Inácio.

A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Dentre os pintores mais representativos, de outros países
da Europa, temos:

Velázquez - além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII procurou registrar em seus
quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia-a-dia do povo espanhol num dado
momento da história.
Obra destacada: O Conde Duque de Olivares.

Rubens (espanhol) - além de um colorista vibrante, se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir
das linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros, é
geralmente, no vestuário que se localizam as cores quentes - o vermelho, o verde e o amarelo - que
contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas.
Obra destacada: O Jardim do Amor.

Rembrandt (holandês) - o que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o
contraste entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem
áreas de luminosidade mais intensa.
Obra destacada: Aula de Anatomia.

4.3.2- ESCULTURA
Predominam as linhas curvas, os drapeados das vestes e o uso do dourado. Os gestos e os rostos das
personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento.

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Bernini - arquiteto, urbanista, decorador e escultor, algumas de suas obras serviram de elementos
decorativos das igrejas, como, por exemplo, o baldaquino e a cadeira de São Pedro, ambos na Basílica
de São Pedro, no Vaticano.
Obra destacada: A Praça de São Pedro, Vaticano e o Êxtase de Santa Teresa.

Para seu conhecimento :

Barroco: termo de origem espanhola ‘Barrueco’, aplicado para designar pérolas de forma irregular.

4.4 – ROCOCÓ

Rococó é o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco, mais leve e intimista
que aquele e usado inicialmente em decoração de interiores.

Desenvolveu-se na Europa do século XVIII, e da arquitetura disseminou-se para todas as artes. Vigoroso
até o advento da reação neoclássica, por volta de 1770, difundiu-se principalmente na parte católica da
Alemanha, na Prússia e em Portugal.

Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã (as fêtes galantes) e da mitologia,
pastorais, alusões ao teatro italiano da época, motivos religiosos e farta estilização naturalista do mundo
vegetal em ornatos e molduras.

O termo deriva do francês rocaille, que significa "embrechado", técnica de incrustação de conchas e
fragmentos de vidro utilizadas originariamente na decoração de grutas artificiais.

Na França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI.

Características gerais:
• Uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos decorativos, tais como conchas,
laços e flores.
• Possui leveza, caráter intimista, elegância, alegria, bizarro, frivolidade e exuberante.

4.4.1- ARQUITETURA
Durante o Iluminismo, entre 1700 e 1780, o rococó foi a principal corrente da arte e da arquitetura pós-
barroca. Nos primeiros anos do século XVIII, o centro artístico da Europa transferiu-se de Roma para
Paris. Surgido na França com a obra do decorador Pierre Lepautre, o rococó era a princípio apenas um
novo estilo decorativo.

Principais características:
• Cores vivas foram substituídas por tons pastéis, a luz difusa inundou os interiores por meio de
numerosas janelas e o relevo abrupto das superfícies deu lugar a texturas suaves.
• A estrutura das construções ganhou leveza e o espaço interno foi unificado, com maior graça e
intimidade.

Principal Artista:

Johann Michael Fischer, (1692-1766), responsável pela abadia beneditina de Ottobeuren, marco do
rococó bávaro. Grande mestre do estilo rococó, responsável por vários edifícios na Baviera. Restaurou
dezenas de igrejas, mosteiros e palácios.

4.4.2- ESCULTURA
Na escultura e na pintura da Europa oriental e central, ao contrário do que ocorreu na arquitetura, não é
possível traçar uma clara linha divisória entre o barroco e o rococó, quer cronológica, quer
estilisticamente.

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Mais do que nas peças esculpidas, é em sua disposição dentro da arquitetura que se manifesta o
espírito rococó. Os grandes grupos coordenados dão lugar a figuras isoladas, cada uma com existência
própria e individual, que dessa maneira contribuem para o equilíbrio geral da decoração interior das
igrejas.

Principais Artistas:

Johann Michael Feichtmayr, (1709-1772), escultor alemão, membro de um grupo de famílias de


mestres da moldagem no estuque, distinguiu-se pela criação de santos e anjos de grande tamanho,
obras-primas dos interiores rococós.

Ignaz Günther, (1725-1775), escultor alemão, um dos maiores representantes do estilo rococó na
Alemanha. Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir policromadas. "Anunciação",
"Anjo da guarda", "Pietà".

4.4.3- PINTURA
Durante muito tempo, o rococó francês ficou restrito às artes decorativas e teve pequeno impacto na
escultura e pintura francesas. No final do reinado de Luís XIV, em que se afirmou o predomínio político e
cultural da França sobre o resto da Europa, apareceram as primeiras pinturas rococós sob influência da
técnica de Rubens.

Principais Artistas:

Antoine Watteau, (1684-1721), as figuras e cenas de Watteau se converteram em modelos de um estilo


bastante copiado, que durante muito tempo obscureceu a verdadeira contribuição do artista para a
pintura do século XIX.

François Boucher, (1703-1770), as expressões ingênuas e maliciosas de suas numerosas figuras de


deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais não evocavam a solenidade
clássica, mas a alegre descontração do estilo rococó. Além dos quadros de caráter mitológico, pintou,
sempre com grande perfeição no desenho, alguns retratos, paisagens ("O casario de Issei") e cenas de
interior ("O pintor em seu estúdio").

Jean-Honoré Fragonard, (1732-1806), desenhista e retratista de talento, Fragonard destacou-se


principalmente como pintor do amor e da natureza, de cenas galantes em paisagens idílicas. Foi um dos
últimos expoentes do período rococó, caracterizado por uma arte alegre e sensual, e um dos mais
antigos precursores do impressionismo.

5- CONTEMPORÂNEA

5.1 – NEOCLÁSSICO

Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX, uma nova tendência
estética predominou nas criações dos artistas europeus. Trata-se do Academicismo ou Neoclassicismo,
que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que assumiu a direção da
Sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão.

Principais características:
• retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos;
• academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas
escolas
• ou academias de belas-artes;
• arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles.

5.1.1- ARQUITETURA
Tanto nas construções civis quanto nas religiosas, a arquitetura neoclássica seguiu o modelo dos
templos greco-romanos ou o das edificações do Renascimento italiano. Exemplos dessa

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arquitetura são a igreja de Santa Genoveva, transformada depois no Panteão Nacional, em Paris, e a
Porta do Brandemburgo, em Berlim.

5.1.2- PINTURA
A pintura desse período foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na pintura
renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da composição.

Características da pintura:
• Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante.
• Exatidão nos contornos
• Harmonia do colorido

Os maiores representantes da pintura neoclássica são, sem dúvida,

Jacques-Louis David - foi considerado o pintor da Revolução Francesa, mais tarde, tornou-se o pintor
oficial do Império de Napoleão. Durante o governo de Napoleão, registrou fatos históricos ligados à vida
do imperador. Suas obras geralmente expressam um vibrante realismo, mas algumas delas exprimem
fortes emoções.
Obra destacada: Bonaparte atravessando os Alpes e Morte de Marat

Ingres - sua obra abrange, além de composições mitológicas e literárias, nus, retratos e paisagens, mas
a crítica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. Ingres soube registrar a
fisionomia da classe burguesa do seu tempo, principalmente no gosto pelo poder e na sua confiança na
individualidade.
Obra destacada: Banhista de Valpinçon.

Para seu conhecimento


Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta arqueológica de Pompéia. Diante daquelas
construções, num erro de interpretação, os historiadores de arte acreditavam que os edifícios gregos
eram recobertos com mármore branco, ocasionando a construção de tantos edifícios brancos. Exemplo:
Casa Branca dos Estados Unidos.

5.2 – ROMÂNTICA

O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais causadas pela Revolução
Industrial e pela Revolução Francesa do final do século XVIII. Do mesmo modo, a atividade artística
tornou-se complexa.
Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão
da personalidade do artista.
Características gerais:
• a valorização dos sentimentos e da imaginação;
• o nacionalismo;
• a valorização da natureza como princípios da criação artística; e
• os sentimentos do presente.

5.2.1- ARQUITETURA
Característica principal da arquitetura:
• Revaloriza-se o gótico, considerado estilo genuinamente europeu.

Obra Destacada: Edifício do Parlamento Inglês

5.2.2- PINTURA
Características da pintura:
• Aproximação das formas barrocas
• Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador
• Valorização das cores, claro-escuro
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• Dramaticidade

Temas da pintura:
• Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas
• Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas
• Mitologia Grega

Principais artistas:

Goya - trabalhou temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo,
os horrores da guerra, a ação incompreensível de monstros, cenas históricas e as lutas pela liberdade.
Obra destacada: Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808.

Turner - representou grandes movimentos da natureza, mas por meio do estudo da luz que a natureza
reflete, procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem. Uma das primeiras vezes que a arte
registra a presença da máquina (locomotiva).
Obras destacadas: Chuva, Vapor e Velocidade e O Grande Canal, Veneza.

Delacroix - suas obras apresentam forte comprometimento político, e o valor da pintura é assegurada
pelo uso das cores, das luzes e das sombras, dando-nos a sensação de grande movimentação.
Representava assuntos abstratos personificando-os.
Obras destacadas: A Liberdade guiando o povo e Agitação de Tânger.

5.3 – REALISTA

Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias, sobretudo na pintura francesa, uma nova tendência
estética chamada Realismo, que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades.
O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento científico e a técnica para interpretar e
dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas,
deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade.

São características gerais:


• o cientificismo
• a valorização do objeto
• o sóbrio e o minucioso
• a expressão da realidade e dos aspectos descritivos

5.3.1- ARQUITETURA
Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas,
criadas pela industrialização. As cidades não exigem mais ricos palácios e templos. Elas precisam de
fábricas, estações, ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os
operários quanto para a nova burguesia.

Em 1889, Gustavo Eiffel levanta, em Paris, a Torre Eiffel, hoje logotipo da "Cidade Luz".

5.3.2- ESCULTURA
Auguste Rodin - não se preocupou com a idealização da realidade. Ao contrário, procurou recriar os
seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiam os temas contemporâneos, assumindo
muitas vezes uma intenção política em suas obras. Sua característica principal é a fixação do momento
significativo de um gesto humano.
Obras destacadas: Balzac, Os Burgueses de Calais, O Beijo e O Pensador.

5.3.3- PINTURA
Características da pintura;

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• Representação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um


fenômeno da natureza.
• Ao artista não cabe "melhorar" artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade tal qual
ela é.
• Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade

Temas da pintura:
• Politização
• Pintura social denunciando as injustiças e as imensas desigualdades entre a miséria dos
trabalhadores e a opulência da burguesia.

Principais pintores:

Courbet - foi considerado o criador do realismo social na pintura, pois procurou retratar em suas telas
temas da vida cotidiana, principalmente das classes populares. Manifesta sua simpatia particular pelos
trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade no século XIX. Courbet dizia: "Sou democrata,
republicano, socialista, realista, amigo da verdade e verdadeiro"
Obra destacada: Moças Peneirando o Trigo.

Jean-François Millet, sensível observador da vida campestre, criou uma obra realista na qual o principal
elemento é a ligação atávica (características de ascendentes remotos) do homem com a terra. Foi
educado num meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. Trabalhou na lavoura desde muito
cedo. Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram, mais tarde, Pissarro e Van Gogh. É o
caso, por exemplo, "Angelus".

5.4 – IMPRESSIONISMO

O Impressionismo foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu início às
grandes tendências da arte do século XX. Havia algumas considerações gerais, muito mais práticas do
que teóricas, que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que
caracterizaram a pintura impressionista.

Principais Características:
• A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num
determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da
incidência da luz do sol.
• As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para
representar imagens.
• As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e
não escuras ou pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado.
• Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores
complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de
sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos.
• As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo
contrário, devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador
que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa,
portanto, de ser técnica para se óptica.

A primeira vez que o público teve contato com a obra dos impressionistas foi numa exposição coletiva
realizada em Paris, em abril de 1874. Mas o público e a crítica reagiram muito mal ao novo movimento,
pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da pintura.

Principais artistas:

Monet - incessante pesquisador da luz e seus efeitos, pintou vários motivos em diversas horas do dia,
afim de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade.
Obras Destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em Pleno Sol.

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Renoir - foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o
reconhecimento da crítica, ainda em vida. Seus quadros manifestam otimismo, alegria e a intensa
movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. Pintou o corpo feminino com formas puras e
isentas de erotismo e sensualidade, preferia os nus ao ar livre, as composições com personagens do
cotidiano, os retratos e as naturezas mortas.
Obras Destacadas: Baile do Moulin de la Galette e La Grenouillière.

Degas - sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e
não apenas a cor, que era a grande paixão do Impressionismo. Além disso, foi pintor de poucas
paisagens e cenas ao ar livre. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é artificial. Sua
grande preocupação era flagrar um instante da vida das pessoas, aprender um momento do movimento
de um corpo ou da expressão de um rosto. Adorava o teatro de bailados.
Obra Destacada: O Ensaio.

Seurat - Mestre no pontilhismo. Obra Destacada: Tarde de Domingo na Ilha Grande Jatte.

Visconti (Brasileiro) - ele já não se preocupa mais em imitar modelos clássicos; procura,
decididamente, registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas telas.
Ganhou uma viagem à Europa, onde teve contato com a obra dos impressionistas. A influência que
recebeu desses artistas foi tão grande que ele é considerado o maior representante dessa tendência na
pintura brasileira.
Obra destacada: Trigal.

Para seu conhecimento


• O quadro Mulheres no Jardim, de Monet, foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do
sol. São cenas do jardim da casa do artista.
• O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas
aconteciam no estúdio fotográfico de Nadar, na Rue de Capucines, Paris.

5.5- EXPRESSIONISMO

O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, “expressando”


sentimentos humanos. Utilizando cores patéticas, dá forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à
solidão, à miséria humana, à prostituição. Deforma-se a figura, para ressaltar o sentimento.
Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais.

Principais características:
• pesquisa no domínio psicológico;
• cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas;
• dinamismo improvisado, abrupto, inesperado;
• pasta grossa, martelada, áspera;
• técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou
provocando explosões;
• preferência pelo patético, trágico e sombrio

OBSERVAÇÃO: Alguns historiadores determinam para esses pintores o movimento ”Pós


Impressionista”. Os pintores não queriam destruir os efeitos impressionistas, mas queriam levá-los mais
longe. Os três primeiros pintores abaixo estão incluídos nessa designação.

Principais artistas:

Gauguin - Depois de passar a infância no Peru, Gauguin voltou com os pais para a França, mais
precisamente para Orléans. Em 1887 entrou para a marinha e mais tarde trabalhou na bolsa de valores.
Aos 35 anos tomou a decisão mais importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura. Começou
assim uma vida de viagens e boemia, que resultou numa produção artística singular e determinante das
vanguardas do século XX. Sua obra, longe de poder ser enquadrada em algum movimento, foi tão
singular como a de seus amigos Van Gogh ou Cézanne. Apesar disso, é verdade que teve seguidores e
que pode ser considerado o fundador do grupo Navis, que, mais do que um conceito artístico,

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representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida. Suas primeiras obras tentavam
captar a simplicidade da vida no campo, algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores, em
oposição a qualquer naturalismo, como demonstra o seu famoso Cristo Amarelo. As cores se estendem
planas e puras sobre a superfície, quase decorativamente.No ano de 1891, o pintor parte para o Taiti,
em busca de novos temas, para se libertar dos condicionamentos da Europa. Suas telas surgem
carregadas da iconografia exótica do lugar, e não faltam cenas que mostram um erotismo natural, fruto,
segundo conhecidos do pintor, de sua paixão pelas nativas. A cor adquire mais preponderância
representada pelos vermelhos intensos, amarelos, verdes e violetas. Quando voltou a Paris, realizou
uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel, voltou ao Taiti, mas fixou-se definitivamente na ilha
Dominique. Obra Destacada: Jovens Taitianas com Flores de Manga.

Cézanne - sua tendência foi converter os elementos naturais em figuras geométricas - como cilindros,
cones e esferas - acentua-se cada vez mais, de tal forma que se torna impossível para ele recriar a
realidade segundo “impressões” captadas pelos sentidos.
Obras Destacadas: Castelo de Médan e Madame Cézanne

Van Gogh - empenhou profundamente em recriar a beleza dos seres humanos e da natureza através da
cor, que para ele era o elemento fundamental da pintura. Foi uma pessoa solitária. Interessou-se pelo
trabalho de Gauguin, principalmente pela sua decisão de simplificar as formas dos seres, reduzir os
efeitos de luz e usar zonas de cores bem definidas. Em 1888, deixou Paris e foi para Arles, cidade do sul
da França, onde passou a pintar ao ar livre. O sol intenso da região mediterrânea interferiu em sua
pintura, e ele libertou-se completamente de qualquer naturalismo no emprego das cores, declarando-se
um colorista arbitrário. Apaixonou-se então pelas cores intensas e puras, sem nenhuma matização, pois
elas tinham para ele a função de representar emoções. Entretanto ele passou por várias crises nervosas
e, depois de internações e tratamentos médicos, dirigiu-se, em maio de 1890, para Anvers, uma cidade
tranqüila ao norte da França. Nessa época, em três meses apenas, pintou cerca de oitenta telas com
cores fortes e retorcidas. Em julho do mesmo ano, ele suicidou-se, deixando uma obra plástica composta
por 879 pinturas, 1756 desenhos e dez gravuras. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem
pelo críticos, que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna, nem
compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores. Obras
Destacadas: Trigal com Corvos e Café à Noite.

Toulouse-Lautrec - Pintava temas pertencentes à vida noturna de Paris, e também foi responsável
pelos cartazes das artistas que se apresentavam no Moulin Rouge. Boêmio, morreu jovem.
Obra Destacada: Ivette Guilbert que Saúda o Público.

Munch - foi um dos primeiros artistas do século XX que conseguiu conceder às cores um valor simbólico
e subjetivo, longe das representações realistas. Seus quadros exerceram grande influência nos artistas
do grupo Die Brücke, que conheciam e admiravam sua obra. Nascido em Loten, Noruega, Munch iniciou
sua formação na cidade de Oslo, no ateliê do pintor Krogh. Realizou uma viagem a Paris, na qual
conheceu Gauguin, Toulouse-Lautrec e Van Gogh. Em seu regresso, foi convidado a participar da
exposição da Associação de Berlim. Numa segunda viagem a Paris, começou a se especializar em
gravações e litografias, realizando trabalhos para a Ópera. Em pouco tempo pôde se apresentar no
Salão dos Independentes. A partir de 1907, morou na Alemanha, onde, além de exposições, realizou
cenários. Passou seus últimos anos em Oslo, na Noruega. Uma de suas obras mais importantes é O
Grito (1889). O Grito é um exemplo dos temas que sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência.
Nela a figura humana não apresenta sua linhas reais mas contorce-se sob o efeito de suas emoções. As
linhas sinuosas do céu e da água, e a linha diagonal da ponte, conduzem o olhar do observador para a
boca da figura que se abre num grito perturbador.

Kirchner - foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die Brücke. Influenciado pelo
cubismo e fauvismo, o pintor alemão deu formas geométricas às cores e despojou-as de sua função
decorativa por meio de contrastes agressivos, com o fim de manifestar sua verdadeira visão da
realidade. Tendo concluído seus estudos de arquitetura na cidade de Dresden, Kirchner continuou sua
formação na cidade de Munique. Pouco tempo depois reuniu-se com os pintores Heckel e Schmidt-
Rottluf em Berlim, com os quais, motivados pela leitura de Nietzsche, fundou o grupo Die Brücke (A
Ponte, numa referência à frase do escritor: “...a ponte que conduz ao super-homem”). Veio então a
época em que os pintores se reuniam numa casa de veraneio em Moritzburg e se dedicavam apenas ao
que mais lhes interessava: pintar. Dessa época são os quadros mais ousados de paisagens e nus, bem
como cenas circenses e de variedades. Em 1914 Kirchner foi convocado para a guerra, e um ano depois
tentou o suicídio. Quando suas mãos se recuperaram do ferimento, voltou a pintar ao ar livre, em sua
casa ao pé dos Alpes. Quando finalmente sua contribuição para a arte alemã foi reconhecida, foi
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nomeado membro da academia de Berlim, em 1931, para seis anos mais tarde, durante o nazismo, ver
sua obra ser destruída e desprestigiada pelos órgãos de censura. Kirchner tentou mostrar em toda a sua
produção pictórica uma realidade de pesadelo e decadência. Sensivelmente influenciado pelos desastres
da guerra, seus quadros se transformaram num amontoado neurótico de cores contrastantes e
agressivas, produto de uma profunda tristeza.No final de 1938 o pintor pôs fim à própria vida. Suas obras
mais importantes estão dispersas pelos museus de arte moderna mais importantes da Alemanha.

Paul Klee - considerado um dos artistas mais originais do movimento expressionista. Convencido de que
a realidade artística era totalmente diferente da observada na natureza, este pintor dedicou-se durante
toda sua carreira a buscar o ponto de encontro entre realidade e espírito. A exemplo de Kandinski, Klee
estudou com o mestre Von Stuck em Munique. Depois de uma viagem pela Itália, entrou em contato com
os pintores da Nova Associação de Artistas e finalmente uniu-se ao grupo de artistas do Der Blaue
Reiter. Em 1912 viajou para Paris, onde se encontrou com Delaunay, que seria de vital importância para
suas obras posteriores. Klee escreveu: "A cor, como a forma, pode expressar ritmo e movimento". Mas a
grande descoberta ocorreria dois anos depois, em sua primeira viagem a Túnis. As formas cúbicas da
arquitetura e os graciosos arabescos na terracota deixaram sua marca na obra do pintor. Iniciou uma
fase de grande produtividade, com quadros de caráter quase surrealista, criados, segundo o pintor, em
cima de "matéria e sonhos". Entre eles merecem ser mencionados Anatomia de Afrodite, Demônios,
Flores Noturnas e Villa R. Depois de lutar durante dois anos na Primeira Guerra, Klee juntou-se em 1924
ao grupo Die vier Blauen, mas antes apresentou suas obras em Paris, na primeira exposição dos
surrealistas. Paralelamente, começou a trabalhar como professor em Dusseldorf e mais tarde na escola
da Bauhaus em Weimar. Em 1933, Klee emigrou para a Suíça. Sua última exposição em vida aconteceu
em Basiléia, em 1940. Além de sua obra pictórica, Klee deixou vários trabalhos escritos que resumem
seu pensamento artístico.

Amadeo Modigliani - iniciou sua formação como pintor no ateliê de Micheli, em Livorno, sua cidade
natal. Em 1902 entrou na Academia de Florença e um ano mais tarde na de Veneza. Três anos depois
mudou-se para Paris, onde teve aulas na academia de Colarossi. Nessa cidade travou conhecimento
com os pintores Utrillo, Picasso e Braque. Em 1908 participou do Salão dos Independentes e lá
conheceu Juan Gris e Brancusi. Produziu então suas primeiras esculturas motivado pelas peças de arte
africana chegadas à França das colônias. Esse aspecto de máscara foi uma das constantes nos seus
retratos e nus sensuais. Modigliani teve em comum com os cubistas e expressionistas o distanciamento
das academias, a revalorização da cor e o estudo das formas puras. Sua visão tão subjetiva dos seres
humanos e a emotividade de suas cores o aproximam mais do reduzido grupo de expressionistas
franceses, composto por Rouault e Soutine. Apesar disso, pode-se muito bem dizer que sua obra,
elegante, recatada e ao mesmo tempo misteriosa, pertence, juntamente com a dos mestres Cézanne e
Van Gogh, para citar alguns, à dos gênios solitários.

5.6- CUBISMO

Historicamente o Cubismo originou-se na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as
formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe
do que Cézanne. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. É
como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao
espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de
fidelidade com a aparência real das coisas.
O pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas
geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou
objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos
visuais, por cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes.
Principais características:
• geometrização das formas e volumes;
• renúncia à perspectiva;
• o claro-escuro perde sua função;
• representação do volume colorido sobre superfícies planas;
• sensação de pintura escultórica;

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• cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho
suave.

O cubismo se divide em duas fases:


• Cubismo Analítico - caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos.
Decompondo a obra em partes, o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos
e superpostos, procurando a visão total da figura, examinado-a em todos os ângulos no mesmo
instante, através da fragmentação dela. Essa fragmentação dos seres foi tão grande, que se
tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas.
• Cubismo Sintético - reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua
estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis.
Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira,
vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção
do artista em criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a
pintura sugere, despertando também no observador as sensações táteis.

Principais artistas:

Picasso - tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até próximo à sua morte passou por
diversas fases. Entretanto, são mais nítidas a fase azul, que representa a tristeza e a melancolia dos
mais pobres, e a fase rosa em que pinta acrobatas e arlequins. Depois de descobrir a arte africana e
compreender que o artista negro não pinta ou esculpe de acordo com as tendências de um determinado
movimento estético, mas com uma liberdade muito maior, Picasso desenvolveu uma verdadeira
revolução na arte. Em 1907, com a obra Les Demoiselles d’Avignon começa a elaborar a estética cubista
que, como vimos anteriormente, se fundamenta na destruição de harmonia clássica das figuras e na
decomposição da realidade. Podemos destacar, também o mural Guernica, que representa, com
veemente indignação, o bombardeio da cidade espanhola de Guernica, responsável pela morte de
grande parte da população civil formada por crianças, mulheres e trabalhadores, durante a Guerra
Espanhola.
Outra obra destacada: O Poeta.

Braque - um artista que passou pela fase do cubismo analítico e sintético. Obra destacada: Mulher com
Violão.

Dos artistas brasileiros destacamos:

Tarsila do Amaral - apesar de não ter exposto na Semana de 22, colaborou decisivamente para o
desenvolvimento da arte moderna brasileira, pois produziu uma obra indicadora de novos rumos. Em
1928 deu início a uma fase chamada antropofágica. A ela pertence a tela Abaporu cujo nome, segundo
a artista é de origem indígena e significa “antropófago”. Também usou de temática social nos seus
quadros como na tela Operários.

Rego Monteiro - um dos primeiros artistas brasileiros a realizar uma obra dentro da estética cubista.
Estudou em Paris, depois da Semana de Arte Moderna, sua vida alternou-se entre a França e o Brasil.
Foi reconhecido também naquele país, tem seus quadros dentro do acervo de alguns importantes
museus.
Obra destacada: Pietà.

5.7- ABSTRACIONISMO

A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os planos,
as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um
quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a
sua obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.

O Abstracionismo apresenta várias fases, desde a mais sensível até a intelectualidade máxima.

Abstracionismo Informal ou Sensível, predominam os sentimentos e emoções. As cores e as formas


são criadas livremente. Na Alemanha surge o movimento denominado "Der blaue Reiter" (O Cavaleiro
Azul) cujos fundadores são os Kandinsky, Franz Marc e Paul Klee. Uma arte abstrata, que coloca na cor

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e forma a sua expressividade maior. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas,


conseguindo variações espaciais e formais na pintura, através das tonalidades e matizes obtidos. Eles
querem um expressionismo abstrato, sensivel e emotivo. Com a forma, a cor e alinha, o artista é livre
para expressar seus sentimentos interiores, sem relacioná-los a lembrança do mundo exterior. Estes
elementos da composição devem ter uma unidade e harmonia, tal qual uma obra musical.

Principais Artistas:

WASSILY KANDINSKY (1866-1944), pintor russo, antes do abstracionismo participou de vários


movimentos artísticos como impressionismo, atravessou uma curta fase fauve e expressionismo.
Escreveu livros, como em 1911, Sobre o espiritual na arte, em que procurou apontar correspondências
simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores, e em 1926, Do ponto e da
linha até a superfície, explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte. Dezenas de
suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de "Arte Degenerada".

PAUL KLEE (1879-1940), pintor suiço, capaz de aliar o rigor artesanal a uma absoluta liberdade de
invenção, surpreende sempre pela multiplicidade de formas, desde composições em que se insinua a
representação figurativa até fascinantes experiências com formas puras e inusitadas. Sua obra possui
uma sistemática rigorosa, são constantes as oposições entre ângulos retos na maior parte de suas obras
construtivistas e, em contraste, as sinuosidades predominantes em outros quadros, como ainda se
alternam os estudos de perspectiva e os de pura plasticidade bidimensional, ou o jogo entre as imagens
de pura linha e os contrastes cromáticos. O artista deixou vários textos críticos e seus famosos Diários.

FRANZ MARC (1880-1916), pintor alemão, apaixonado pela arte dos povos primitivos, das crianças e
dos doentes mentais, o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais,
conheceu Kandinski, sob a influência deste, convenceu-se de que a essência dos seres se revela na
abstração. A admiração pelos futuristas italianos imprimiram nova dinâmica à obra de Marc, que passou
a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista. Os nazistas destruíram
várias de suas obras. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas-Artes de Liège, no
Kunstmuseum, em Basiléia, na Städtische Galarie im Lembachhaus, em Munique, no Walker Art Center,
em Minneapolis, e no Guggenheim Museum, em Nova York.

5.7.1- SUPREMATISMO
É uma pintura com base nas formas geométricas planas, sem qualquer preocupação de representação.
Os elementos principais são: retângulo, círculo, triângulo e a cruz. O manifesto do Suprematismo,
assinado por Malevitch e Maiakovski, poeta russo, foi um dos principais integrantes do movimento
futurista em seu país, defendia a supremacia da sensibilidade sobre o próprio objeto.
Mais racional que as obras abstratas de Kandisky e Paul Klee, reduz as formas, à pureza geométrica do
quadrado. Suas características são rígidas e se baseiam nas relações formais e perceptivas entre a
forma e a cor. Pesquisa os efeitos perceptivos do quadrado negro sobre o campo branco, nas variações
ambíguas de fundo e forma.

Principal Artista:

KAZIMIR MALEVITCH (1878-1935), pintor russo. Fundador da corrente suprematista, que levou o
abstracionismo geométrico à simplicidade extrema. foi o primeiro artista a usar elementos geométricos
abstratos. Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais, destituídas de toda sensualidade.
O "Quadro negro sobre fundo branco" constituiu uma ruptura radical com a arte da época. Pintado entre
1913 e 1915, compõe-se apenas de dois quadrados, um dentro do outro, com os lados paralelos aos da
tela. A problemática dessa composição seria novamente abordada no "Quadro branco sobre fundo
branco" (1918), hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York.

5.7.2- CONSTRUTIVISMO OU ABSTRACIONISMO GEOMÉTRICO


Onde as cores e as formas são organizadas de maneira que a composição resulte apenas a expressão
de uma concepção geométrica.

Principal Artista:

PIET MONDRIAN (1872-1944), pintor holandês, desenvolveu uma nova fase da arte abstrata: o
neoplasticismo. Depois de haver participado da arte cubista, continua simplificando suas formas até
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conseguir um resultado, baseado nas proporções matemáticas ideais, entre as relações formais de um
espaço estudado. O artista utiliza, como elemento de base, uma superfície plano, retangular e as três
cores primárias: vermelho, azul e amarelo - com um pouco de preto e branco. Essas superfícies
coloridas são distribuídas e justapostas buscando uma arte pura. Ele procura, pesquisa e consegue um
equilíbrio da composição perfeito, despojado de todo excesso da cor, da linha ou da forma. Em 1940
Mondrian foi para Nova York, onde realizou a última fase de sua obra: desapareceram as barras negras
e o quadro ficou dividido em múltiplos retângulos de cores vivas. É a série dos quadros boogie-woogie.

A arte do néo-plasticismo de Mondrian vai ter uma influência considerável na arquitetura e no desenho
gráfico do século XX.

5.7.3- ARTE ABSTRATA AMERICANA


Em 1937, funda-se nos Estados Unidos, a Sociedade dos Artistas Abstratos. O abstracionismo cresce e
se desenvolve nas Américas, chegando à criação de um estilo original. É a "Action Painting" ou pintura
de ação gestual, criada por Jackson Pollock nos anos de 1947 a 1950.

Características da Pintura:
• Compreensão da pintura como meio de emoções intensas.
• Execução cheia de violenta agressividade, espontaneidade e automatismo.
• Destruição dos meios tradicionais de execução - pincéis, trincha, espátulas, etc.
• Técnica: pintura direta na parede ou no chão, em telas enormes, utilizando tinta à óleo, duco,
pasta espessa de areia, vidro moído.

Principais Artistas:

JACKSON POLLOCK (1912-1956), pintor americano, introduziu nova modalidade na técnica, gotejando
(dripping) as tintas que escorrem de recipientes furados intencionalmente, numa execução veloz, com
gestos bruscos e impetuosos, borrifando, manchando, pintando a superfície escolhida com resultados
extraordinários e fantásticos, algumas vezes realizada diante do público. Desenvolveu pesquisas sobre
pintura aromática. Nos últimos trabalhos nessa linha, o artista usou materiais como pregos, conchas e
pedaços de tela, misturavam-se às camadas de tinta para dar relevo à textura. Usou freqüentemente
tintas industriais, muitas delas usadas na pintura de automóveis.

HANS HARTUNG (1904-1989), Pintor francês nascido na Alemanha. Um dos principais representantes
do expressionismo abstrato na Europa. Conhecido sobretudo pelo emprego de delicadas linhas negras
em fundos coloridos. Grande prêmio da Bienal de Veneza de 1960. Uma das influências mais fortes é
Kandinski. Para ele, a liberdade é conquistada pelo esforço do pintor, que faz da própria mão um
"pensamento em ação". Em seus quadros, é bem visível essa liberdade interior e Hartung dá aos pretos
diferenças de intensidade, transparência e consistência.

5.8- FAUVISMO

Em 1905, em Paris, no Salão de Outono, alguns artistas foram chamados de fauves (em português
significa feras), em virtude da intensidade com que usavam as cores puras, sem misturá-las ou matizá-
las. Quem lhes deu este nome foi o crítico Louis Vauxcelles, pois estavam expostas um conjunto de
pinturas modernas ao lado de uma estatueta renascentista.

Os princípios deste movimento artístico eram:


• Criar, em arte, não tem relação com o intelecto e nem com sentimentos.
• Criar é seguir os impulsos do instinto, as sensações primárias.
• A cor pura deve ser exaltada.
• As linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as sensações elementares, no
mesmo estado de graça das crianças e dos selvagens.

Características da pintura:
• Pincelada violente, expontânea e definitiva;
• Ausência de ar livre;
• Colorido brutal, pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva, não correspondendo à
realidade;
Uso exclusivo das cores puras, como saem das bisnagas;
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• Pintura por manchas largas, formando grandes planos;

Principais Artistas:

MAURICE DE VLAMINCK (1876-1958), pintor francês, foi o mais autêntico fauvista, dizia: "Quero
incendiar a Escola de Belas Artes com meus vermelhos e azuis." Adotou mais tarde estilo entre
expressionista e realista.

ANDRÉ DERAIN (1880-1954), pintor francês, dizia: "As cores chegaram a ser para nós cartuchos de
dinamite." Por volta de 1900, ligou-se a Maurice de Vlaminck e a Matisse, com os quais se tornou um
dos principais pintores fauvistas. Nessa fase, pintou figuras e paisagens em brilhantes cores chapadas,
recorrendo a traços impulsivos e a pinceladas descontínuas para obter suas composições espontâneas.
Após romper com o fauvismo, em 1908, sofreu influências de Cézanne e depois do cubismo. Na década
de 1920, seus nus, retratos e naturezas-mortas haviam adquirido uma entonação neoclássica, com o
gradual desaparecimento da gestualidade espontânea das primeiras obras. Seu estilo, desde então, não
mudou.

HENRI MATISSE (1869-1954), pintor francês, Nas suas pinturas ele não se preocupa como realismo,
tanto das figuras como das suas cores. O que interessa é a composição e não as figuras em si, como de
pessoas ou de naturezas-mortas. Abandonou assim a perspectiva, as técnicas do desenho e o efeito de
claro-escuro para tratar a cor como valor em si mesma. Dos pintores fauvistas, que exploraram o
sensualismo das cores fortes, ele foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em
composições planas, sem profundidade. Foi, também, escultor, ilustrador e litógrafo.

RAOUL DUFY (1877-1953), pintor, gravador e decorador francês. Contrastes tonais e a geometrização
da forma caracterizaram sua obra. Impressionista a princípio, evoluiu gradativamente para o fauvismo,
depois de travar contato com Matisse. Morreu um ano depois de receber o prêmio de pintura da bienal
de Veneza.

5.9- CONTRUTIVISMO

Trata-se de um abstrato geométrico que busca movimento perspectivo vibratório através das cores e
linhas. É a síntese das teorias abstratas e científicas da arte moderna. É uma pintura em duas
dimensões.

Artista destacado:

Mondrian - ele buscava o que existe de constante nos seres, apesar de eles parecerem diferentes; cada
coisa, seja ela uma casa, uma árvore ou uma paisagem, possui uma essência que está por trás de sua
aparência. E as coisas, em sua essência, estão em harmonia no Universo. O papel do artista, para ele,
seria revelar essa essência oculta e essa harmonia universal.
Obras Destacadas: Árvores em Flor e Composição.

5.10- SURREALISMO

Nas duas primeiras décadas do século XX, os estudos psicanalíticos de FREUD e as incertezas políticas
criaram um clima favorável para o desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil
condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo. Surgem movimentos estéticos que
interferem de maneira fantasiosa na realidade.

O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do


subconsciente. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De
Chirico. Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o
freio do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para
penetrarem no irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar
apenas com a aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle. A publicação
do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton em outubro de 1924, marcou historicamente o
nascimento do movimento. Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do instinto
como ponto de partida para uma nova linguagem artística. Para isso era preciso que o homem tivesse

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uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a
realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições. A livre associação e a
análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos
básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja, qualquer
forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam
plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais
profunda do ser humano: o subconsciente.

Principais artistas

Salvador Dali - é, sem dúvida, o mais conhecido dos artistas surrealistas. Estudou em Barcelona e
depois em Madri, na Academia de San Fernando. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e
Buñuel. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de
Giorgio De Chirico. Finalmente aderiu ao surrealismo, junto com seu amigo Luis Buñuel, cineasta. Em
1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela psicanálise de Freud, de grande
importância ao longo de toda a sua obra. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi fundamental para sua
carreira. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de Tanguy e o maneirista
Arcimboldo. O filme O Cão Andaluz, que fez com Buñuel, data de 1929. Ele criou o conceito de “paranóia
critica“ para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a vida comum das pessoas .Segundo
ele, é preciso “contribuir para o total descrédito da realidade”. No final dos anos 30 foi várias vezes para
a Itália a fim de estudar os grandes mestres. Instalou seu ateliê em Roma, embora continuasse viajando.
Depois de conhecer em Londres Sigmund Freud, fez uma viagem para a América, onde publicou sua
biografia A Vida Secreta de Salvador Dali (1942). Ao voltar, se estabeleceu definitivamente em Port
Lligat com Gala, sua mulher, ex-mulher do poeta e amigo Paul Éluard. Desde 1970 até sua morte
dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu. Além da pintura ele desenvolveu esculturas e
desenho de jóias e móveis.
Obra Destacada: Mae West.

Joan Miró - iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja, em Barcelona. Em 1912 entrou
para a escola de arte de Francisco Gali, onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas
franceses. Nessa época, fez amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas,
em cujo grupo militou durante algum tempo. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão
voltasse para Montroig), onde se formara um grupo de amigos pintores, entre os quais estavam Masson,
Leiris, Artaud e Lial. Dois anos depois adquiriu forma La masía, obra fundamental em seu
desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miró demonstrou uma grande precisão gráfica. A partir daí
sua pintura mudou radicalmente. Breton falava dela como o máximo do surrealismo e se permitiu
destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da arte. A famosa
magia de Miró se manifesta nessas telas de traços nítidos e formas sinceras na aparência, mas difíceis
de serem elucidadas, embora se apresentem de forma amistosa ao observador. Miró também se dedicou
à cerâmica e à escultura, nas quais extravasou suas inquietações pictóricas. Obra Destacada: Noitada
Esnobe da Princesa.

Para seu conhecimento

“O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do
Manifesto do Surrealismo de André Breton, francês que lançou o movimento).

5.11- DADAÍSMO

Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que, se tivessem permanecido em seus
respectivos países, teriam sido convocados para o serviço militar, o Dada foi um movimento de negação.
Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários
ao envolvimento dos seus próprios países na guerra. Fundaram um movimento literário para expressar
suas decepções em relação a incapacidade da ciências, religião, filosofia que se revelaram pouco
eficazes em evitar a destruição da Europa. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball
e por Tzara Tristan num dicionário alemão-francês. Dada é uma palavra francesa que significa na
linguagem infantil "cavalo de pau". Esse nome escolhido não fazia sentido, assim como a arte que
perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra. Sua proposta é que a arte ficasse solta das
amarras racionalistas e fosse apenas o resultado do automatismo psíquico, selecionado e combinando
elementos por acaso.
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O fim do Dada como atividade de grupo ocorreu por volta de 1921.

Principais artistas:

MARCEL DUCHAMP (1887-1968), pintor e escultor francês, sua arte abriu caminho para movimentos
como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. Reinterpretou o cubismo a sua maneira,
interessando-se pelo movimento das formas.O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias
radicais em arte, antes do surgimento do grupo Dada (Zurique, 1916). Criou os ready-mades, objetos
escolhidos ao acaso, e que, após leve intervenção e receberem um título, adquiriam a condição de
objeto de arte. Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de "Fonte".
Depois fez interferências (pintou bigodes na Mona Lisa, para demonstrar seu desprezo pela arte
tradicional), inventou mecanismos ópticos.

FRANÇOIS PICABIA (1879-1953), pintor e escritor francês. Envolveu-se sucessivamente com os


principais movimentos estéticos do início do século XX, como cubismo, surrealismo e dadaísmo.
Colaborou com Tristan Tzara na revista Dada. Suas primeiras pinturas cubistas, eram mais próximas de
Léger do que de Picasso, são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas que se encaixam
umas nas outras. Formas e cores tornaram-se a seguir mais discretas, até que por volta de 1916 o
artista se concentrou nos engenhos mecânicos do dadaísmo, de índole satírica. Depois de 1927,
abandonou a abstração pura que praticara por anos e criou pinturas baseadas na figura humana, com a
superposição de formas lineares e transparentes.

MAX ERNEST (1891-1976), pintor alemão, Adepto do irracional e do onírico e do inconsciente, esteve
envolvido em outros movimentos artísticos, criando técnicas em pintura e escultura. No Dadaímo
contribuiu com colagens e fotomontagens, composições que sugerem a múltipla identidade dos objetos
por ele escolhidos para tema. Inventou técnicas como a decalcomania e o frottage, que consiste em
aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rugosa, como a madeira de veios salientes, e esfregar
um lápis de cor ou grafita, de modo que o papel adquira o aspecto da superfície posta debaixo dele.

5.12- OP ART

A expressão “op-art” vem do inglês (optical art) e significa “arte óptica”. Apesar de ter ganho força na
metade da década de 1950, a Op Art passou por um desenvolvimento relativamente lento. Ela não tem o
ímpeto atual e o apelo emocional da Pop Art; em comparação, parece excessivamente cerebral e
sistemática, mais próxima das ciências do que das humanidades. Por outro lado, suas possibilidades
parecem ser tão limitadas quanto as da ciência e da tecnologia.

Obras Destacadas: Mach-C do artista Vassarely e Pintura com Movimento Transformável do artista
Jacob Agam.

5.13- POP ART

Movimento principalmente americano e britânico, sua denominação foi empregada pela primeira vez em
1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura popular da civilização
ocidental, sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos.

Com raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, o pop art começou a tomar forma no final da década de
1950, quando alguns artistas, após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos
Estados Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras.

Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na


vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao
expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia
era a da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.

Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, ela
operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando

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como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais principais, tinta
acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do
cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo
tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais
se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo, como aconteceu por exemplo, com as
Sopas Campbell, de Andy Warhol, um dos principais artistas da Pop Art. Além disso, muito do que era
considerado brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e
significado conforme o contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do
que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmistificando, já que se
utilizava de objetos próprios delas, a arte para poucos.

Principais Artistas:

Robert Rauschenberg (1925) Depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal
amassado do início da década de 1950, Rauschenberg criou as pinturas "combinadas", com garrafas de
Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados. Por volta de 1962, adotou
a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e
unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos tiveram como temas
episódios da história americana moderna e da cultura popular.

Roy Lichtenstein (1923-1997). Seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico
começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos.
Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos
anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por
exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas. Cores brilhantes,
planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.
Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas.
Seus quadros, desvinculados do contexto de uma história, aparecem como imagens frias, intelectuais,
símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração.

Andy Warhol (1927-1987). Ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do pop art, Warhol
mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa
série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe. Warhol
entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da
celebridade. Da mesma forma, e usando sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade
do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa
Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro. Produziu filmes e discos de um grupo musical, incentivou o
trabalho de outros artistas e uma revista mensal

5.14- INSTALAÇÃO

São ampliações de ambientes que são transformados em cenários do tamanho de uma sala.
É utilizada a pintura, juntamente com a escultura e outros materiais, para ativar o espaço arquitetônico.
O espectador participa da obra, e não somente à aprecia.

Obra Destacada: Homenagem a Chico Mendes do artista Roberto Evangelista.

5.15- INTERFERÊNCIA

Como a pintura já não é claramente definível e deixou de ser a única fornecedora de memoráveis
imagens visuais. Alguns artistas interferem na paisagem, colocam cortinas, guarda-sóis, embrulhos em
locais públicos.Atualmente, ressaltamos Christo, o único artista que se destaca com suas interferências.
Obras Destacadas:: Cortina no Vale, Ponte Neuf (Paris) embrulhada para presente, Guarda-sóis
colocados em um vale da Califórnia e mais recentemente o Reichstag ( Parlamento Germânico em 1988
- Berlim), que foi envolvido em tecido sintético com duração de duas semanas.

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5.16- COBRA

Movimento artístico criado na Holanda, Sigla de Copenhague-Bruxelas-Amsterdam, grupo artístico


europeu que surgiu entre 1948 e 1951. Ligado esteticamente ao expressionismo figurativo, teve como
principais representantes Asger Jorn, Karel Appel e Pierre Alechinski. Assim como as obras de Jackson
Pollock essa pintura é gestual, livre, violenta na escolha de cores e texturas.

Principais Artistas:

PIERRE ALECHINSKY, pintor e gravador belga. Um dos mais jovens integrantes do grupo Cobra,
marcou sua obra pelo tachismo. Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo, em 1965.

ASGER JORN, pintor dinamarquês. Sua obra é caracterizada pelo uso de cores vivas e formas
distorcidas. Sofreu influência dos pintores James Ensor e Paul Klee.

KAREL APPEL, pintor holandês. Criador de uma obra vigorosa e colorida, caracterizada pela figuração
rude e simplificada. Realizou também esculturas em madeira e metal.

5.17- FUTURISMO

O primeiro manifesto foi publicado no Le Fígaro de Paris, em 22/02/1909, e nele, o poeta italiano
Marinetti, dizendo que "o esplendor do mundo enriqueceu-se com uma nova beleza: a beleza da
velocidade. Um automóvel de carreira é mais belo que a Vitória de Samotrácia". O segundo manifesto,
de 1910, resultou do encontro do poeta com os pintores Carlo Carra, Russolo, Severini, Boccioni e
Giacomo Balla.

Os futuristas saúdam a era moderna, aderindo entusiasticamente à máquina. Para Balla, "é mais belo
um ferro elétrico que uma escultura". Para os futuristas, os objetos não se esgotam no contorno aparente
e seus aspectos se interpenetram continuamente a um só tempo, ou vários tempos num só espaço. O
grupo pretendia fortalecer a sociedade italiana através de uma pregação patriótica que incluía a
aceitação e exaltação da tecnologia.

O futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço bidimensional. Procura-se neste estilo


expressar o movimento real, registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. O
artista futurista não está interessado em pintar um automóvel, mas captar a forma plástica a velocidade
descrita por ele no espaço.

Principais Artistas:

GIACOMO BALLA , em sua obra o pintor italiano tentou endeusar os novos avanços científicos e
técnicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas, embora sem chegar a uma total
abstração.Mesmo assim, mostrou grande preocupação com o dinamismo das formas, com a situação da
luz e a integração do espectro cromático. A formação acadêmica de Balla restringiu-se a um curso
noturno de desenho, de dois meses de duração, na Academia Albertina de Turim, sua cidade natal. Em
1895 o pintor mudou-se para Roma, onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas as
exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas-Artes. Cinco anos mais tarde, fez uma
viagem a Paris, onde entrou em contato com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e
participou de várias exposições. Na volta a Roma, conheceu Marinetti, Boccioni e Severini. Um ano mais
tarde, juntava-se a eles para assinar o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. Preocupado, como seus
companheiros, em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento, apresentou em 1912
seu primeiro quadro futurista intitulado Cão na Coleira ou Cão Atrelado. Dissolvido o movimento, Balla
retornou às suas pinturas realistas e se voltou para a escultura e a cenografia. Embora em princípio Balla
continuasse influenciado pelos divisionistas, não demorou a encontrar uma maneira de se ajustar à nova
linguagem do movimento a que pertencia. Um recurso dos mais originais que ele usou para representar
o dinamismo foi a simultaneidade, ou desintegração das formas, numa repetição quase infinita, que
permitia ao observador captar de uma só vez todas as seqüências do movimento..

CARLO CARRA (1881-1966), junto com Giorgio De Chirico, ele se separaria finalmente do futurismo
para se dedicar àquilo que eles próprios dariam o nome de Pintura Metafísica. Enquanto ganhava seu
sustento como pintor-decorador freqüentava as aulas de pintura na Academia Brera, em Milão. Em 1900

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fez sua primeira viagem a Paris, contratado para a decoração da Exposição Mundial. De lá mudou-se
para Londres. Ao voltar, retomou as aulas na Academia Brera e conheceu Boccioni e o poeta Marinetti.
Um ano mais tarde assinou o Primeiro Manifesto Futurista, redigido pelo poeta italiano e publicado no
jornal Le Figaro. Nessa época iniciou seus primeiros estudos e esboços de Ritmo dos Objetos e Trens,
por definição suas obras mais futuristas. Numa segunda viagem a Paris entrou em contato com
Apollinaire, Modigliani e Picasso. A partir desse momento começaram a aparecer as referências cubistas
em suas obras. Carrà não deixou de comparecer às exposições futuristas de Paris, Londres e Berlim,
mas já em 1915 separou-se definitivamente do grupo. Juntou-se a Giorgio De Chirico e realizou sua
primeira pintura metafísica. Em suas últimas obras retornou ao cubismo.Publicou vários trabalhos, entre
eles La Pittura Metafísica (1919) e La Mia Vita (1943), pintor italiano. Representante do futurismo e mais
tarde da pintura metafísica, influenciou a arte de seu país nas décadas de 1920 e 1930. UMBERTO
BOCCIONI (1882-1916), sua obra se manteve sob a influência do cubismo, mas incorporando os
conceitos de dinamismo e simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em
direções contrárias. Nascido em Reggio di Calábria, Boccioni mudou-se ainda muito jovem para Roma,
onde estudou em diferentes academias. Logo fez amizade com os pintores Balla e Severini. No início,
mostrou-se interessado na pintura impressionista, principalmente na obra de Cézanne. Fez então
algumas viagens a Paris, São Petersburgo e Milão. Ao voltar, entrou em contato com Carrà e Marinetti e
um ano depois se encontrava entre os autores do Manifesto Futurista de Pintura, do qual foi um dos
principais teóricos. Foi com a intenção de procurar as bases dessa nova estética que ele viajou a Paris,
onde se encontrou com Picasso e Braque. Ao retornar, publicou o Manifesto Técnico da Pintura
Futurista, no qual foram registrados os princípios teóricos da arte futurista: condenação do passado,
desprezo pela representação naturalista, indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos
conceitos de harmonia e bom gosto aplicados à pintura. Em 1912, participou da primeira exposição
futurista. Suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos propostos
pelo cubismo. Os retratos deformados pelas superposições de planos ainda não conseguiam expressar
com clareza sua concepção teórica. Um ano mais tarde, com sua obra Dinamismo de um Jogador de
Futebol, Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do movimento por meio de cores e planos
desordenados, como num pseudofotograma. Durante a Primeira Guerra Mundial, o pintor se alistou
como voluntário e ao voltar publicou o livro Pittura, Scultura Futurista, Dinâmico Plástico (Pintura,
Escultura Futurista, Dinamismo Plástico). Morreu dois anos depois, em 1916, na cidade de Verona.

Fragmento "Fundação e manifesto do futurismo", 1908, publicado em 1909.


"Então, com o vulto coberto pela boa lama das fábricas - empaste de escórias metálicas, de suores
inúteis, de fuliges celestes, contundidos e enfaixados os braços, mas impávidos, ditamos nossas
primeiras vontades a todos os homens vivos da terra:
1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia.
3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar
o movimento agressivo, a insônia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro.
4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da
velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito
explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória
de Samotrácia.
5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a
toda velocidade no circuito de sua própria órbita.
6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico
fervor dos elementos primordiais.
7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser
uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas
para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.
8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se
queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram
ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade onipresente.
9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto
destruidor dos anarquistas, as belas idéias pelas quais se morre e o desprezo da mulher.
10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo tipo, e combater o
moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.
11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação;
cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o
vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas: as
estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens
pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que
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transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos
que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como
enormes cavalos de aço refreados por tubos e o vôo deslizante dos aeroplanos, cujas hélices se
agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta.
É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual
fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores,
arqueólogos, cicerones e antiquários.
Há muito tempo a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis
museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.
Museus: cemitérios!... Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se
conhecem. Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou
desconhecidos! Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam
ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes!
Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério no dia dos mortos, tudo
bem. Que uma vez por ano se desponta uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não
admitimos passear diariamente pelos museus nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida
inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer?
E que se pode ver num velho quadro senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em
infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?...
Admirar um quadro antigo equivale a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de
projetá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de ação.
Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado,
da qual saís fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?
Em verdade eu vos digo que a frequentação cotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias
(cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados!...) é, para
os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados por seus
prisioneiros, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos dos seus males, já que para
eles o futuro está barrado... Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes
futuristas!
Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com seus dedos carbonizados! Ei-los!... Aqui!... Ponham fogo
nas estantes das bibliotecas!... Desviem o curso dos canais para inundar os museus!... Oh, a alegria de
ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas!... Empunhem as
picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas!
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim, pelo menos um decênio mais jovens e válidos
que nos jogarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. - Pois é isso que queremos!
Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando à cadência alada dos seus
primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das
academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefação, já prometidas às catacumbas das
bibliotecas.
Mas nós não estaremos lá... Por fim eles nos encontrarão - numa noite de inverno - em campo aberto,
sob um triste galpão tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos
aeroplanos trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de
hoje flamejando sob o vôo das nossas imagens.
Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa
soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais
implacável quanto seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.
A forte e sã Injustiça explodirá radiosa em seus olhos - A arte, de fato, não pode ser senão violência,
crueldade e injustiça.
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força,
de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem
jamais hesitar, sem jamais repousar, até perder o fôlego... Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos!
Nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade!...
Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Eretos sobre o pináculo do
mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!
Vós nos opondes objeções?... Basta! Basta! Já as conhecemos... Já entendemos!... Nossa bela e
mendaz inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. -
Talvez!... Seja!... Mas que importa? Não queremos entender!... Ai de quem nos repetir essas palavras
infames!...
Cabeça erguida!...
Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas."
Teorias da Arte Moderna, H.B.Chipp, Martins Fontes, 1993.

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5.18- ART NAIF

É a arte da espontaneidade, da criatividade autêntica, do fazer artístico sem escola nem orientação,
portanto é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. Claro que, como numa arte mais
intelectualizada, existem os realmente marcantes e outros nem tanto.

Art naïf (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Trata-se
de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências
modernistas, nem tampouco no conceito de arte popular.

Esse isolamento situa o art naïf numa faixa próxima à da arte infantil, da arte do doente mental e da arte
primitiva, sem que, no entanto, se confunda com elas.

Assim, o artista naïf é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras, muito embora,
mesmo nesses casos, seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia
popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos. Não se
trata, portanto, de uma criação totalmente subjetiva, sem nenhuma referência cultural.

O artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos
das figuras que representa.

Características gerais:
• Composição plana, bidimensional, tende à simetria e a linha é sempre figurativa
• Não existe perspectiva geométrica linear.
• Pinceladas contidas com muitas cores.

Principal Artista:

Henri Rousseau (1844-1910), homem de pouca instrução geral e quase nenhuma formação em pintura.
Em sua primeira exposição foi acusado pela crítica de ignorar regras elementares de desenho,
composição e perspectiva, e de empregar as cores de modo arbitrário. Estreou com uma original obra-
prima, "Um dia de carnaval", no Salão dos Independentes. Criou exóticas paisagens de selva que
lembram tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros. Nos primeiros anos do
século XX, após despertar a admiração de Alfred Jarry, Guillaume Apollinaire, Pablo Picasso, Robert
Delaunay e outros intelectuais e artistas, seu trabalho foi reconhecido em Paris e posteriormente
influenciou o surrealismo.

5.19 – PINTURA METAFÍSICA

A pintura deve criar um impressão de mistério, através de associações pouco comuns de objetos
totalmente imprevistos, em arcadas e arquiteturas puras, idealizadas, muitas vezes com a inclusão de
estátuas, manequins, frutas, legumes, numa transfiguração toda especial, em curiosas perspectivas
divergentes. A pintura metafísica explora os efeitos de luzes misteriosas, sombras sedutoras e cores
ricas e profundas, de plástica despojada e escultural. Tem inspiração na Metafísica, ciência que estuda
tudo quanto se manifesta de maneira sobrenatural.

Principais Artistas:

GIORGIO DE CHIRICO (1888-1978), pintor italiano, nascido na Grécia, principal


representante da "pintura metafísica", Giorgio De Chirico constitui um caso singular: poucas vezes um
artista alcançou tão rapidamente a fama para em seguida renegar o estilo que o celebrizara e cair em um
esquecimento quase absoluto. As suas obras retratam cenários arquitetônicos, solitários, irreais e
enigmáticos, onde colocava objetos heterogêneos para revelar um mundo onírico e subconsciente,
perpassado de inquietações metafísicas. Também usada nas suas obras manequins, nus ou vestidos à
moda clássica, enigmáticos e sem rosto, que pareciam simbolizar a estranheza do ser humano diante do
seu meio ambiente.

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GIORGIO MORANDI (1890-1964), pintor italiano. Notável por suas naturezas-mortas, em que buscava a
unidade das coisas do universo. Conferiu imobilidade e transparência de formas, recorte intimista e
atmosfera de luz cinza-clara às naturezas-mortas que pintou usando como modelos frascos, garrafas,
caixas e lâmpadas velhas.

6- ARTE BRASILEIRA

6.1- PRE-HISTÓRIA

O Primeiro Homem das Américas

Escavações feitas no boqueirão da Pedra Furada, no Parque Nacional da Serra da Capivara, pela
equipe da arquiteta Niède Guidon encontraram o que eles acreditam ser restos de uma fogueira e pedras
lascadas, datadas em mais de 50 mil anos. A comunidade científica internacional se dividiu sobre o
tema. Alguns rechaçam essas pesquisas, ponderando que a suposta fogueira pode ter sido na verdade
madeira incinerada por um raio e que nada garante que as rochas não foram lascadas durante a queda
de um bloco. A questão por trás dessa briga é a elucidação de qual teria sido a porta de entrada do
homem na América. De um lado estão os que acreditam que foi a travessia do estreito de Bering, entre
15 mil e 12 mil anos atrás - quando o nível do mar chegou a descer 100 metros em relação ao atual -,
tenha sido o único caminho adotado. Para quem não aceita essa exclusividade, outra porta de entrada
do continente americano poderia ser a costa do Pacífico na América Latina, com viajantes vindos do
sudeste asiático e das ilhas oceânicas. Ou seja, a colonização teria acontecido por povos diferentes em
épocas diferentes. A situação começou a tomar novos rumos com a descoberta da toca do Garrincho.
Dentes com 15 mil anos foram desenterrados e apresentados ao público. Com essa idade, são os
fósseis humanos mais antigos do continente. Se confirmada, a presumida datação em 40 mil anos das
pinturas do sertões da Bastiana também será um grande indício de que o homem pode ter vivido aqui
bem antes do que na América do Norte. Se aceitos pela comunidade internacional, os dentes e
desenhos - que não podem ser causados por raios ou quedas de blocos - representarão uma nova fase
nos estudos sobre a ocupação do continente.

As mais importantes pinturas rupestres do Brasil:


• PEDRA PINTADA (PA), aqui, em 1996, a arqueóloga americana Anna Rosevelt achou pinturas
com cerca de 11.000 anos.
• PERUAÇU (MG), tem vários estilos de pinturas entre 2.000 a 10.000 anos. Exibe espetaculares
desenhos geométricos.
• LAGOA SANTA (MG), suas pinturas de animais, conhecidas desde 1834, têm entre 2.000 e
10.000 anos de idade.
• SÃO RAIMUNDO NONATO (PI), segundo Niède Guindon, da Universidade Estadual de
Campinas, possui vestígios humanos de 40.000 anos e pinturas de 15.000 anos.

Para seu conhecimento:


A tinta de pedra é feita de cacos de minério que forneciam as cores para as pinturas rupestres: os
artistas raspavam as pedras para arrancar os pigmentos coloridos, o vermelho e o amarelo vinham do
minério de ferro, o preto, do manganês. Misturado com cera de abelha ou resina de árvores o pigmento
virava tinta.

6.2- ARTE INDÍGENA

“Somos Parte Da Terra E Ela É Parte De Nós”


Os olhos e as mentes intelectuais da humanidade começaram no séc. XX a reconhecer os povos nativos
como culturas diferentes das civilizações oficiais e vislumbraram contribuições sociais e ambientais
deixadas pelos guerreiros que tiveram o sonho como professores. Mas a maior contribuição que os
povos da floresta podem deixar ao homem branco é a prática de ser uno com a natureza interna de si. A
Tradição do Sol, da Lua e da Grande Mãe ensinam que tudo se desdobra de uma fonte única, formando
uma trama sagrada de relações e inter-relações, de modo que tudo se conecta a tudo. O pulsar de uma
estrela na noite é o mesmo que do coração. Homens, árvores, serras, rios e mares são um corpo, com
ações interdependentes. Esse conceito só pode ser compreendido através do coração, ou seja, da
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natureza interna de cada um. Quando o humano das cidades petrificadas largarem as armas do
intelecto, essa contribuição será compreendida. Nesse momento entraremos no Ciclo da Unicidade, e a
Terra sem Males se manifestará no reino humano.

A Visão Indígena Brasileira

O que é índio? Um índio não chama nem a si mesmo de índio. Esse nome veio trazido pelos
colonizadores no séc. XVI. O índio mais antigo desta terra hoje chamada Brasil se autodenomina Tupy,
que significa "Tu" (som) e "py" (pé), ou seja, o som-de-pé, de modo que o índio é uma qualidade de
espírito posta em uma harmonia de forma.

Qual a origem dos índios? Conforme o mito Tupy-Guarani, o Criador, cujo coração é o Sol, tataravô
desse Sol que vemos, soprou seu cachimbo sagrado e da fumaça desse cachimbo se fez a Mãe Terra.
Chamou sete anciões e disse: ‘Gostaria que criassem ali uma humanidade’. Os anciões navegaram em
uma canoa que era como cobra de fogo pelo céu; e a cobra-canoa levou-os até a Terra. Logo eles
criaram o primeiro ser humano e disseram: ‘Você é o guardião da roça’. Estava criado o homem. O
primeiro homem desceu do céu através do arco-íris em que os anciões se transformaram. Seu nome era
Nanderuvuçu, o nosso Pai Antepassado, o que viria a ser o Sol. E logo os anciões fizeram surgir da
Águas do Grande Rio Nanderykei-cy, a nossa Mãe Antepassada. Depois eles geraram a humanidade,
um se transformou no Sol, e a outra, na Lua. São nossos tataravós.

Esta história revela o jeito do povo indígena de contar a sua origem, a origem do mundo, do
cosmos, e também mostra como funciona o pensamento nativo. Os antropólogos chamam de
mito, e algumas dessas histórias são denominadas de lendas.

6.2.1- ARQUITETURA
Taba ou Aldeia é a reunião de 4 a 10 ocas, em cada oca vivem várias famílias (ascendentes e
descendentes), geralmente entre 300 a 400 pessoas. O lugar ideal para erguer a taba deve ser bem
ventilado, dominando visualmente a vizinhança, próxima de rios e da mata. A terra, própria para o cultivo
da mandioca e do milho.

No centro da aldeia fica a ocara, a praça. Ali se reúnem os conselheiros, as mulheres preparam as
bebidas rituais, têm lugar as grandes festas. Dessa praça partem trilhas chamadas pucu que levam à
roça, ao campo e ao bosque.

Destinada a durar no máximo 5 anos a oca é erguida com varas, fechada e coberta com palhas ou
folhas. Não recebe reparos e quando inabitável os ocupantes a abandonam. Não possuem janelas, têm
uma abertura em cada extremidade e em seu interior não tem nenhuma parede ou divisão aparente.
Vivem de modo harmonioso.

6.2.2- PINTURA CORPORAL E ARTE PLUMÁRIA


Pintam o corpo para enfeitá-lo e também para defende-lo contra o sol, os insetos e os espíritos maus. E
para revelar de quem se trata, como está se sentindo e o que pretende. As cores e os desenhos ‘falam’,
dão recados. Boa tinta, boa pintura, bom desenho garantem boa sorte na caça, na guerra, na pesca, na
viagem. Cada tribo e cada família desenvolvem padrões de pintura fiéis ao seu modo de ser. Nos dias
comuns a pintura pode ser bastante simples, porém nas festas, nos combates, mostra-se requintada,
cobrindo também a testa, as faces e o nariz. A pintura corporal é função feminina, a mulher pinta os
corpos dos filhos e do marido. Assim como a pintura corporal, a arte plumária serve para enfeites:
mantos, máscaras, cocares, e passam aos seus portadores elegância e majestade. Esta é uma arte
muito especial porque não está associada a nenhum fim utilitário, mas apenas a pura busca da beleza.

6.2.3- A ALDEIA CABE NO COCAR


A disposição e as cores das penas do cocar não são aleatórias. Além de bonito, ele indica a posição de
chefe dentro do grupo e simboliza a própria ordenação da vida em uma aldeia Kayapó. Em forma de
arco, uma grande roda a girar entre o presente e o passado. "É uma lógica de manutenção e não de
progresso", explica Luis Donisete Grupioni. A aldeia também é disposta assim. Lá, cada um tem seu
lugar e sua função determinados.

6.2.4- TRANÇADOS E CERÂMICA


A variedade de plantas que são apropriadas ao trançado no Brasil dá ao índio uma inesgotável fonte de
matéria prima. É trançando que o índio constrói a sua casa e uma grande variedade de utensílios, como
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cestos para uso doméstico, para transporte de alimentos e objetos trançados para ajudar no preparo de
alimentos (peneiras), armadilhas para caça e pesca, abanos para aliviar o calor e avivar o fogo, objetos
de adorno pessoal (cocares, tangas, pulseiras), redes para pescar e dormir, instrumentos musicais para
uso em rituais religiosos, etc. Tudo isso sem perder a beleza e feito com muita perfeição.
A cerâmica destacou-se principalmente pela sua utilidade, buscando a sua forma, nas cores e na
decoração exterior, o seu ponto alto ocorreu na ilha de Marajó.

Ótimo site, visite: http://www.estadao.com.br/villasboas/

6.3- COLONIAL

Após a chegada de Cabral, Portugal tomou posse do território e transformou o Brasil em sua colônia.
Primeiramente, foram construídas as feitorias, que eram construções muito simples com cerca de pau-a-
pique ao redor, porque os portugueses temiam ser atacados pelo índios. Preocupado com que outros
povos ocupassem terras brasileiras, o rei de Portugal enviou, em 1530, uma expedição comandada por
Martim Afonso de Sousa para dar início à colonização. Martim Afonso fundou a vila de São Vicente
(1532) e instalou o primeiro engenho de açúcar, iniciando-se o plantio de cana-de-açúcar, que se
tornaria a principal fonte de riqueza produzida no Brasil.

Após a divisão em capitanias hereditárias, houve grande necessidade de construir moradias para os
colonizadores que aqui chegaram e engenhos para a fabricação de açúcar.

6.3.1- ARQUITETURA
A arquitetura era bastante simples, sempre com estruturas retangulares e cobertura de palha sustentada
por estruturas de madeira roliça inclinada. Essas construções eram conhecidas por tejupares, palavra
que vem do tupi-guarani (tejy=gente e upad=lugar). Com o tempo os tejupares melhoram e passam os
colonizadores a construir casas de taipa.Com essa evolução começam a aparecer as capelas, os
centros das vilas, dirigidas por missionários jesuítas. Nas capelas há crucifixo, a imagem de Nossa
Senhora e a de algum santo, trazidos de Portugal.A arquitetura religiosa foi introduzida no Brasil pelo
irmão jesuíta Francisco Dias, que trabalhou em Portugal com o arquiteto italiano Filipe Terzi, projetista
da igreja de São Roque de Lisboa.

Esquema de arquitetura primitiva:


Dois eram os modelos de arquitetura primitiva. A igreja de Jesus de Roma (autor: Vignola) e a igreja de
São Roque de Lisboa, ambas de padres jesuítas.
Floresciam as igrejas em todos sos lugares onde chegavam os colonizadores, especialmente no litoral.
Os principais arquitetos do período colonial foram: Francisco Dias, Francisco Frias de Mesquita, Gregório
de Magalhães e Fernandes Pinto Alpoim.
A liberdade de estilo dada ao arquiteto modifica o esquema simples, mas talvez pela falta de tempo ou
por deficiência técnica não se deu um acabamento mais aprimorado.

Algumas das principais construções de taipas:


• Muralha ao redor de Salvador, construída por Tomé de Sousa;
• Igreja Matriz de Cananéia;
• Vila inteira de São Vicente, destruída por um maremoto e reconstruída entre 1542 e
1545;
• Engenhos de cana-de-açúcar; e
• Casa da Companhia de Jesus, que deu origem à cidade de São Paulo.

Taipa
Construção feita de varas, galhos, cipós entrelaçados e cobertos com barro. Para que o barro tivesse
maior consistência a melhor resistência à chuva, ele era misturado com sangue de boi e óleo de peixe.
Elas podem ser feitas com técnicas diferentes:
• A taipa de pilão, de origem árabe, consiste em comprimir a terra em formas de madeira,
formando um caixão, onde o material a ser socado ia disposto em camadas de 15 cm
aproximadamente. Essas camadas reduziam-se a metade após o apiloamento. Quando a terra
apilada atingia mais ou menos 2/3 da altura do taipal, eram nela introduzidas transversalmente,
pequenos paus roliços envolvidos em folhas, geralmente de bananeiras, produzindo orifícios
cilíndricos denominados cabodás que permitiam o ancoramento do taipal em nova posição. Essa

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técnica é usada para formar as paredes externas e nas internas estruturais, sobrecarregadas
com pavimento superior ou com madeiramento do telhado.
• A taipa de mão ou pau-a-pique que caracterizava-se por uma trama de paus verticais e
horizontais, eqüidistantes, e alternadamente dispostos. Essa trama era fixada verticalmente na
estrutura do edifício e tinha seus vãos preenchidos com barro, atirado por duas pessoas
simultaneamente uma de cada lado. A taipa de mão geralmente é utilizada nas paredes internas
da construção.

Forte São João


• No ano de 1531, após viagem através do Atlântico Sul, as naus de Martim Afonso de Souza
avistaram terras tupi-guaranis.O lugar, chamado "Buriquioca"(morada dos macacos) pelos
nativos, encantou os portugueses por suas belezas naturais e exóticas.
• Apesar da bela paisagem, por motivo de segurança seguiram viagem, indo aportar em São
Vicente, no dia 22 de janeiro de 1532.
• Neste mesmo ano, Martim Afonso enviou João Ramalho à Bertioga a fim de verificar a
possibilidade de construir uma fortificação para proteger a nova vila dos ataques Tamoios.
• Em 1540, Hans Staden, famoso artilheiro alemão, naufragou na costa brasileira e foi levado à
São Vicente. Lá, foi nomeado para comandar a fortificação em Bertioga.
• Em 1547, a primitiva paliçada de madeira foi substituída por alvenaria de pedra e cal e óleo de
baleia, o que originou o verdadeiro Forte. Primeiramente foi chamado Forte Sant'Iago (ou São
Tiago), recebeu a denominação de Forte São João em 1765, devido à restauração de sua
capela, erguida em louvor a São João Batista.
• Em 1940, a fortaleza, considerada a mais antiga do Brasil, foi tombada pelo Iphan (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)
• Aproveitando a comemoração dos 500 anos do Brasil, a Prefeitura de Bertioga e o Iphan
entregam para visitação o forte totalmente restaurado.

6.3.2- ESCULTURA
Os jesuítas ensinaram aos índios e negros o alfabeto, a religião e a trabalhar o barro, a madeira e a
pedra. O índio é muito hábil na imitação, mas, também muito primário e rústico na execução. O negro
adapta-se mais facilmente e é exuberante no desenho, na arte, no talhe e nas lavras. Sob direção dos
religiosos e de mestres, vindos além-mar, o índio e o negro esculpiram muitos trabalhos, que são a base
ao enxerto da arte Barroca, em auge na Europa.

6.4- HOLANDESA

Na virada do século, os portugueses defenderam o Brasil dos invasores ingleses, franceses e


holandeses. Porém, os holandeses resistiram e se instalaram no nordeste do país por quase 25 anos
(início em 1624). O Conde Maurício de Nassau trouxe à “Nova Holanda” artistas e cientistas que se
instalaram em Recife. Foi sob a orientação de Nassau que o arquiteto Pieter Post projetou a construção
da Cidade Maurícia e também os palácios e prédios administrativos.

Embora fosse comum a presença de artistas nas primeiras expedições enviadas à América, Maurício de
Nassau afirmou, em carta à Luiz XIV, em 1678, ter a sua disposição seis pintores no Brasil, entre os
quais Frans Post e Albert Eckhout. Holandeses, flamengos, alemães, os chamados pintores de Nassau,
por não serem católicos, puderam facilmente dedicar-se a temas profanos, o que não era permitido aos
portugueses. Em conseqüência disso foram os primeiros artistas no Brasil e na América a abordar a
paisagem, os tipos étnicos, a fauna e a flora como temática de suas produções artísticas, livre dos
preconceitos e das superstições que era de praxe se encontrar nas representações pictóricas que
apresentavam temas americanos. Foram verdadeiros repórteres do século XVII.

FRANS J. POST - Nascido em Haarlen, Holanda (1612-1680), foi pintor, desenhista e gravador. Tinha
24 anos quando chegou ao Brasil, contratado por Nassau, permaneceria até 1644. Era irmão do
arquiteto Pieter Post. Sua principal tarefa era nas novas terras do foi documentar edifícios, portos e
fortificações. Destacou-se entre os pintores de Nassau: é considerado o primeiro paisagista a trabalhar
nas Américas. Foi autor de cerca de 150 obras, costumava pintar pequenas figuras para funcionar como
pontos de atração nos quadros e deixa-los mais interessantes. Vários museus do mundo mantêm em
seus acervos obras de sua autoria. No Brasil podemos ver a sua obra no MASP, em São Paulo e MNBA
no Rio de Janeiro.

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Obras destacadas: A cidade e o castelo de Frederik na Paraíba; Paisagem Brasileira com nativos
dançando; Paisagem com Tamanduá; Mauritsstad e Recife.

ALBERT ECKHOUT - Nascido em Groninger, Holanda (1610-1666), foi artista e botânico, veio para o
Brasil em 1637 e permaneceu até 1644, como pintor contratado por Maurício de Nassau. Aqui realizou
grande parte de sua obra. Nela destacam-se naturezas-mortas com frutas e legumes tropicais,
representações dos tipos humanos que habitavam o país e costumes. Ficou fascinado pelo o que
encontrou no Brasil. O Conde de Nassau freqüentemente ofereceu obras de Eckhout como presente à
nobreza européia. O rei da Dinamarca recebeu vinte pinturas retratando tipos brasileiros e naturezas-
mortas. O rei da França recebeu uma coleção de pinturas que foi usada para fazer tapeçarias, as
chamadas “Tapeçarias das Índias” tornaram-se muito conhecidas e foram tão copiadas que os cartões
originais se estragaram. Os trabalhos de Eckhout contribuem para que os europeus se interessassem
pelo Brasil.
Obras destacadas: Dança Tapuia; Composição com cabaças, frutas e cactos; Os dois touros; Mameluca;
Mulato; Índia Tapuia; Mulher Africana.

6.5- BARROCO

O estilo barroco desenvolveu-se plenamente no Brasil durante o século XVIII, perdurando ainda no início
do século XIX. O barroco brasileiro é claramente associado à religião católica. Duas linhas diferentes
caracterizam o estilo barroco brasileiro. Nas regiões enriquecidas pelo comércio de açúcar e pela
mineração, encontramos igrejas com trabalhos em relevos feitos em madeira - as talhas - recobertas por
finas camadas de ouro, com janelas, cornijas e portas decoradas com detalhados trabalhos de escultura.
Já nas regiões onde não existia nem açúcar nem ouro, as igrejas apresentam talhas modestas e os
trabalhos foram realizados por artistas menos experientes e famosos do que os que viviam nas regiões
mais ricas.

O ponto culminante da integração entre arquitetura, escultura, talha e pintura aparece em Minas Gerais,
sem dúvida a partir dos trabalhos de:

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho - seu projeto para a igreja de São Francisco, em Ouro Preto,
por exemplo, bem como a sua realização, expressam uma obra de arte plena e perfeita. Desde a
portada, com um belíssimo trabalho de medalhões, anjos e fitas esculpidos em pedra-sabão, o visitante
já tem certeza de que está diante de um artista completo. Além de extraordinário arquiteto e decorador
de igrejas foi também incomparável escultor. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas
do Campo, é constituído por uma igreja em cujo adro estão as esculturas em pedra-sabão de doze
profetas, cada um desses personagens numa posição diferente e executando gestos que se coordenam.
Com isso, ele conseguiu um resultado muito interessante, pois torna muito forte para o observador a
sugestão de que as figuras de pedra estão se movimentando.

Características da escultura de Aleijadinho:


• Olhos espaçados
• Nariz reto e alongado
• Lábios entreabertos
• Queixo pontiagudo
• Pescoço alongado em forma de V

Manuel da Costa Ataíde - suas pinturas em tetos das igrejas seguiam as características do estilo
barroco, e aliavam-se perfeitamente às esculturas e arquitetura de Aleijadinho. O Mestre Ataíde pintou
várias igrejas de Minas Gerais com um estilo próprio e bem brasileiro. Usava cores vivas e alegres e
gostava muito do azul. Ataíde utilizava tanto a tinta a óleo (que era importada da Europa) como a
têmpera. Os pintores da época nem sempre podiam importar suas tintas. Faziam então suas próprias
cores com pigmentos e solventes naturais aqui da terra. Entre outros, usavam terra queimada, leite e
óleo de baleia, clara de ovo, além de extratos de plantas e flores. E é claro criavam suas próprias
receitas que eram mantidas em segredo. Talvez por isso é que se diz que não existe, no mundo inteiro,
um colorido como o das cidades mineiras da época do barroco.
Obra Destacada: Pintura do Teto da Igreja de São Francisco de Assis.

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6.6- MISSÃO FRANCESA

No início do século XIX, os exércitos de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal, obrigando D. João VI
(rei de Portugal), sua família e sua corte (nobres, artistas, empregados, etc.) a virem para o Brasil.
D. João VI, preocupado com o desenvolvimento cultural, trouxe para cá material para montar a primeira
gráfica brasileira, onde foram impressos diversos livros e um jornal chamado A Gazeta do Rio de
Janeiro. Nesse momento, o Brasil recebe forte influência cultural européia, intensificada ainda mais com
a chegada de um grupo de artistas franceses (1816) encarregado da fundação da Academia de Belas-
Artes (1826), na qual os alunos poderiam aprender as artes e os ofícios artísticos. Esse grupo ficou
conhecido como Missão Artística Francesa.

Os artistas da Missão Artística Francesa pintavam, desenhavam, esculpiam e construíam à moda


européia. Obedeciam ao estilo neoclássico (novo clássico), ou seja, um estilo artístico que propunha a
volta aos padrões da arte clássica (greco-romana) da Antigüidade.

Algumas características de construções neoclássicas:


• Colunas (de origem grega): Estrutura de sustentação das construções. Compõe-se de três
partes : base, fuste (parte maior) e capitel (parte superior com ornamentos).
• Arcos (de origem romana): Elemento de construção de formato curvo existente na parte superior
das portas e passagens que servem de sustentação.
• Frontões: Estrutura geralmente triangular existente acima de portas e colunas e abaixo do
telhado. Os frontões podem receber os mais variados tipos de decoração.

Os pintores deveriam seguir algumas regras na pintura tais como: inspirada nas esculturas clássicas
gregas e na pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da
composição e da harmonia do colorido.

Principais artistas:

Nicolas-Antonine Taunay: (1775-1830) pintor francês de grande destaque na corte de Napoleão


Bonaparte e considerado um dos mais importantes da Missão Francesa. Durante os cinco anos que
residiu no Brasil, retratou várias paisagens do Rio de Janeiro.

Jean-Baptiste Debret: (1768-1848) foi chamado de "a alma da Missão Francesa". Ele foi desenhista,
aquarelista, pintor cenográfico, decorador, professor de pintura e organizador da primeira exposição de
arte no Brasil (1829). Em 1818 trabalhou no projeto de ornamentação da cidade do Rio de Janeiro para
os festejos da aclamação de D.João VI como rei de Portugal, Brasil e Algarve. Mas é em Viagem
pitoresca ao Brasil, coleção composta de três volumes com um total de 150 ilustrações, que ele retrata e
descreve a sociedade brasileira. Seus temas preferidos são a nobreza e as cenas do cotidiano brasileiro
e suas obras nos dão uma excelente idéia da sociedade brasileira do século XIX.

Alguns dos artistas da Missão Francesa, vieram para o Brasil, no séc. XIX, outros pintores motivados
pela paisagem luminosa e pela existência de uma burguesia rica e desejosa de ser retratada. É nessa
perspectiva que se situa alguns artistas europeus independentes da Missão Artística Francesa:
Thomas Ender, era austríaco e chegou ao Brasil com a comitiva da Princesa Leopoldina, viajou pelo
interior, retratando paisagens e cenas da vida no nosso povo em Minas Gerais, São Paulo e Rio de
Janeiro. Sua obra compõem-se de 800 desenhos e aquarelas.
Johann-Moritz Rugendas, era alemão, esteve no Brasil entre 1821 e 1825. Além do nosso país, visitou
outros países da América Latina, documentando, por meio de desenhos e aquarelas, a paisagem e os
costumes dos povos que conheceu.

6.7- ARTE ACADÊMICA

A partir da vinda de D. João VI, o Brasil recebe forte influência da cultura européia, que começa assimilar
e a imitar. A Academia e Escola de Belas-Artes abriu os cursos em novembro de 1826. Os principais
artistas acadêmicos:

Pedro Américo de Figueiredo e Melo - sua pintura abrangeu temas bíblicos e históricos, mas também
realizou imponentes retratos.

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Obra Destacada: Independência ou Morte (Conhecido também como Grito do Ipiranga).

Vitor Meireles de Lima - sua obra mais conhecida é A Primeira Missa no Brasil; os temas preferidos
eram históricos, bíblicos e os retratos.
Obra destacada: Moema

Almeida Júnior - sua obra pictórica é grande e de temática variada, pois inclui quadros históricos,
religiosos e regionalistas. Produziu as obras: Leitura, as telas de inspiração regionalista como Picando
Fumo e O Violeiro.

6.8- SEMANA DE 22 - MODERNISMO BRASILEIRO

Essa arte nova aparece inicialmente através da atividade crítica e literária de Oswald de Andrade,
Menotti del Picchia, Mário de Andrade e alguns outros artistas que vão se conscientizando do tempo em
que vivem. Oswald de Andrade, já em 1912, começa a falar do Manifesto Futurista, de Marinetti, que
propõe “o compromisso da literatura com a nova civilização técnica”.

Mas, ao mesmo tempo, Oswald de Andrade alerta para a valorização das raízes nacionais, que devem
ser o ponto de partida para os artistas brasileiros. Assim, cria movimentos, como o Pau-Brasil, escreve
para os jornais expondo suas idéias renovadores de grupos de artistas que começam a se unir em torno
de uma nova proposta estética.

Antes dos anos 20, são feitas em São Paulo duas exposições de pintura que colocam a arte moderna de
um modo concreto para os brasileiros:
• a de Lasar Segall, em 1913, e
• a de Anita Malfatti, em 1917.

A exposição de Anita Malfatti provocou uma grande polêmica com os adeptos da arte acadêmica. Dessa
polêmica, o artigo de Monteiro Lobato para o jornal O Estado de S. Paulo, intitulado: “A propósito da
Exposição Malfatti”, publicado na seção “Artes e Artistas” da edição de 20 de dezembro de 1917, foi a
reação mais contundente dos espíritos conservadores.

No artigo publicado nesse jornal, Monteiro Lobato, preso a princípios estéticos conservadores, afirma
que “todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo
nem da latitude”. Mas Monteiro Lobato vai mais longe ao criticar os novos movimentos artísticos. Assim,
escreve que “quando as sensações do mundo externo transformaram-se em impressões cerebrais, nós
‘sentimos’. Para que sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é forçoso ou que a harmonia do
universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em ‘pane’ por virtude de alguma grave
lesão. Enquanto a percepção sensorial se fizer normalmente no homem, através da porta comum dos
cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá ‘sentir’ senão um gato, e é falsa a ‘interpretação
quem do bichano fizer um totó, um escaravelho ou um amontoado de cubos transparentes”.

Em posição totalmente contrária à de Monteiro Lobato estaria, anos mais tarde, Mário de Andrade. Suas
idéias estéticas estão expostas basicamente no “Prefácio Interessantíssimo” de sua obra Paulicéia
Desvairada, publicada em 1922. Aí, Mário de Andrade afirma que:
• Belo da arte: arbitrário convencional, transitório - questão de moda.
• Belo da natureza: imutável, objetivo, natural - tem a eternidade que a natureza tiver.
"Arte não consegue reproduzir natureza, nem este é seu fim. Todos os grandes artistas, ora conscientes
(Rafael das Madonas, Rodin de Balzac, Beethoven da Pastoral, Machado de Assis do Braz Cubas) ora
inconscientes ( a grande maioria) foram deformadores da natureza. Donde infiro que o belo artístico será
tanto mais artístico, tanto mais subjetivo quanto mais se afastar do belo natural. Outros infiram o que
quiserem. Pouco me importa”.
(Mário de Andrade, Poesias Completas)

Embora existia uma diferença de alguns anos entre a publicação desses dois textos, eles colocam de
uma forma clara as idéias em que se dividiram artistas e críticos diante da arte. De um lado, os que
tendiam que a arte fosse uma cópia fiel do real; do outro, os que almejavam uma tal liberdade criadora
para o artista, que ele não se sentisse cerceado pelo limites da realidade.
Essa divisão entre os defensores de uma estética conservadora e os de uma renovadora, prevaleceu por
muito tempo e atingiu seu clímax na Semana de Arte Moderna realizada nos dias 13, 15 e 17 de

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fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. No interior do teatro, foram apresentados
concertos e conferências, enquanto no saguão foram montadas exposições de artistas plásticos, como
os arquitetos Antonio Moya e George Prsyrembel, os escultores Vítor Brecheret e W. Haerberg e os
desenhistas e pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Martins Ribeiro, Zina Aita, João Fernando
de Almeida Prado, Ignácio da Costa Ferreira, Vicente do Rego Monteiro.

Estes eventos da Semana de Arte Moderna foram o marco mais caracterizador da presença, entre nós,
de uma nova concepção do fazer e compreender a obra de arte.

6.9- EXPRESSIONISMO

Principais Artistas:
Lasar Segall - seu desenho anguloso e suas cores fortes procuram expressar as paixões e os
sofrimentos de ser humanos. Em 1924 assumiu uma temática brasileira: seus personagens agora são
mulatas, prostitutas e marinheiros; sua paisagem, favelas e bananeiras.
Obras Destacadas: Bananal e Dois Seres.

Anita Malfatti - sua arte era livre das limitações que o academicismo impunha, seus trabalhos se
tornaram marcos na pintura moderna brasileira, por seu comprometimento com as novas tendências.
Obra Destacada: A Estudante Russa.

Di Cavalcanti - as obras deste pintor ficaram muito conhecidas pela presença da mulher mulata uma
espécie de símbolo de brasilidade e, na opinião do jornalista Luís Martins, um admirável elemento
plástico.
Obras Destacadas: Pescadores e Nascimento de Vênus.

IMAGENS
Lasar Segall

6.10- ARTE NAIF

O surgimento do art naïf no Brasil foi posterior à Semana de Arte Moderna (1922). A pintura de Tarsila
do Amaral, por sua busca das formas simples e de uma temática "primitiva", guarda algum parentesco
com o art naïf, mas seria um equívoco inseri-la nessa categoria.

Mais próxima dos naïfs está a pintura de Djanira, com seus santos, seus pescadores, suas cenas de
trabalho na roça, tudo tratado em composições bidimensionais, cores planas e desenho simplificado.

Principais Artistas :

Cardosinho (1861-1947), primitivo ingênuo, começou a pintar aos 70 anos e chegou a produzir cerca de
600 quadros. Uma de suas obras está na Tate Gallery, em Londres. com suas fantasias beirando o
surreal, copiadas de cartões-postais.

Heitor dos Prazeres (1898-1966), é um artista que revela minúcias e detalhes da realidade que retrata.
A figura humana é o centro de seus trabalhos e, nela, dois detalhes chamam a atenção do observador: o
rosto quase de perfil e a forte sugestão de movimento, resultante do fato das figuras estarem quase
sempre na ponta dos pés, como se dançassem ou simplesmente andassem. Sua arte deixa de lado os
preconceitos e os fatos tristes da realidade social. Ao contrário, procura mostrar um mundo fraterno em
que diferentes pessoas participam de uma mesma atividade.

Mestre Vitalino, criador de figurinhas de barro que representam pessoas e fatos da região sertaneja de
Pernambuco. Entre os personagens de Vitalino estão os vaqueiros, os retirantes, os cangaceiros, que,
isolados ou compondo uma cena, nos comunicam o modo de ser da gente rústica do sertão.

Djanira, sua arte é dividida em dois períodos, no primeiro, da década de 40, apresenta principalmente
temas da vida carioca. As figuras sempre sugerem movimento e são contornadas por forte traço escuro.
Na segunda fase, da década de 50, apresenta sobretudo as atividades rurais das mais diferentes regiões
do Brasil. Nessa fase, suas cores são mais claras, mas os limites entre essas cores são bem nítidos.

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Para seu conhecimento:

O Museu Internacional de Arte Naif é um projeto do joalheiro e desenhista de jóias francês Lucien
Finkelstein, e começou a funcionar em janeiro de 1995, no Cosme Velho, zona sul do Rio de Janeiro,
numa casa tombada que já serviu de ateliê para o pintor Eliseu Visconti (autor das pinturas do Teatro
Municipal do Rio). Seu acervo, de quase 10 mil quadros de artistas de cerca de 130 países, o torna o
maior do mundo. O Museu recebe uma média de 2.000 visitantes por mês. No verão, quase metade do
público é composta de turistas estrangeiros. No resto do ano, o forte é a visita de grupos escolares.
Lucien Finkelstein chegou ao Rio em 1948. Tinha 16 anos e veio a passeio, visitar parentes. Gostou,
resolveu ficar e comprou seu primeiro quadro naif, uma pintura de Heitor dos Prazeres, "Sambistas". Dali
para frente se tornou um grande colecionador de pinturas.

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