UCG Depto de Ciências Jurídicas - JUR Disciplina: DIREITO DO TRABALHO II Prof.: Milton I.

Heinen Texto 3

AVISO PRÉVIO
1. LEGISLAÇÃO: CF/88, art. 7º, XXI CLT, artigos 487 a 491.

2. CONCEITO E ORIGEM: Aviso prévio é a comunicação escrita ou verbal, que uma das partes faz à outra parte, dando-lhe notícia acerca de sua intenção de resilir o contrato de trabalho (de emprego) dentro do prazo previsto em lei ou, eventualmente, em instrumento normativo coletivo. Trata-se, portanto, de aviso efetuado previamente, pela parte que, sem haver causa justa a alegar, não pretende mais continuar na relação contratual. Historicamente é possível localizar o aviso nas corporações de ofício, onde o companheiro era obrigado a avisar ao mestre de sua intenção de não mais continuar trabalhando para o mestre, sendo que este não possuía a mesma obrigação. O Código Comercial (de 1850) também prevê a obrigação de aviso com um mês de antecedência. O novo Código Civil, no art. 599 determina a concessão de aviso nos contratos de prestação de serviços que não tenham previsão de término, sendo que o parágrafo único deste artigo estabblece prazos diferenciados a depender da forma periódica ajuste do salário, indicando duração máxima do aviso de 8 dias. De qualquer forma, estes dispositivos não se aplicam às relações de trabalho subordinado, que são regidas pela CLT, ficando restritas ao trabalho autônomo. 3. NATUREZA JURÍDICA: Atualmente predomina o entendimento que o aviso prévio é direito e obrigação recíprocos. Qualquer das partes, ante a pretensão de rescindir o contrato de prazo indeterminado sem justa causa, tem a obrigação de comunicar o fato à outra parte esta sua intenção, com a antecedência mínima de 30 dias, sob pena de responder pelas consequências legais da falta desta comunicação. Trata-se, então, de ato de comunicação, com prazo mínimo, para que a outra parte possa tomar as providências necessárias ( procurar novo emprego, se empregado, ou, procurar novo empregado, no caso do empregador), além de definir o pagamento correspondente ao prazo do aviso, que integra o contrato para todos os efeitos. Assim, o aviso prévio conjuga os elementos comunicação, prazo e pagamento. Tem caráter salarial. Não trabalhado, é indenização.

que independe da aceitação da outra parte (direito potestativo). . da existência de data certa ou aproximada do seu término. Ao empregado impede o abandono imediato do emprego e se o fizer permite ao empregador efetuar o desconto correspondente. em caso de controvérsia. de modo que. o empregado terá direito ao aviso prévio (trabalhado ou indenizado). o aviso prévio. Cabe. em razão do próprio contrato. Ainda assim. conforme artigo 487. 4. a norma traz limitações para qualquer das partes que tomar a iniciativa da rescisão contratual. a lei não exige forma para a concessão do aviso prévio. nos termos do art. se o empregador alega justo motivo mas concede aviso prévio ao empregado. 5. o empregador determina a realização de outras atividades e o empregado os faz. safra da cana). poderá ser efetuado por escrito ou verbalmente. desapropriação). na dispensa por justa causa (resolução) não cabe aviso prévio. devendo observar o prazo mínimo ou indenizá-lo. (ex. Assim. (art. cabendo aviso para posterior extinção do contrato. É que as partes já sabem. ou ainda a culpa recíproca (justa causa dada por ambas as partes) não cabe o aviso prévio. em duas vias. se ocorrer motivo de força maior ou mesmo o “factum principes” (fato de terceiro. FORMA: Como não se trata de ato solene. na hipótese das partes estipularem no contrato de prazo determinado a possibilidade da rescisão antecipada do contrato. Se as partes fizerem acordo de extinção do contrato também não cabe o aviso Tratando-se de contrato de prazo determinado. se por ocasião do término do contrato de safra. irrenunciável por parte do empregado. pode ocorrer do empregado não saber se o contrato está concluído. Assim. a matéria não é totalmente pacífica em relação aos contratos de safra e os de obra certa. poderá ter dificuldades de prová-lo. há a presunção de que ocorreu a dispensa imotivada. No caso de cessação da atividade da empresa (fechamento. Contudo. Ao empregador é norma limitante do poder de despedir. a parte concedente. 487 da CLT). Por outro lado. Contudo. ainda. ficando cada parte com uma. falência). SITUAÇÕES CONTRATUAIS EM QUE CABE: A regra geral é a do cabimento do aviso na rescisão contratual sem justa causa dos contratos para os quais não foi estipulado prazo (exato ou aproximado) de seu término. 481 da CLT. os quais normalmente possuem data aproximada de termino ou este está condicionado à conclusão do serviço objeto do contrato. uma vez que não cabe a ele assumir o risco do empreendimento. o contrato se converte em prazo indeterminado. Ao mesmo tempo. como prova efetiva do ato praticado. Porém. Caso contrário. não cabe aviso prévio. a melhor forma é a escrita.O aviso prévio é ato unilateral.

domingo ou feriado. Assim. como é de direito material. inserida no inciso XXI do art. No entanto. 487 da CLT). não há que se falar em horário de trabalho reduzido. Ocorrendo pedido de demissão. Desta forma. E prazo de 30 dias corridos. a parte pretende encerrar o contrato. Não poderá. de forma que aquele pagará normalmente o salário do período correspondente e as demais verbas (aviso indenizado). 15 da Lei n0 5. ao que tudo indica. Aliás. 7º da Constituição Federal. . descontar outro tipo de verba. como para o cálculo de férias. EFEITOS DO AVISO EM RELAÇÃO AO CONTRATO E SUA RESILIÇÃO: O aviso prévio não extingue o contrato. podendo optar pelo trabalho em jornada normal de forma a poder faltar. exclui o dia do início e inclui o dia final. Neste caso não cabe a redução da jornada em duas horas/dia e nem mesmo a concentração da redução para 7 dias corridos. A falta de aviso por parte do empregador garante ao empregado os mesmos direitos. o período do aviso. seria no sentido do aumento do prazo de acordo com a maior duração do contrato. trabalhado ou não. para todos os efeitos legais. porém.889/73).6. Porém. 8. é encerrar-se nas mesmas condições. a não ser que exista norma coletiva estabelecendo prazo superior. PRAZO DO AVISO: A regra atual. depois de certo prazo. é que a duração do aviso é de no mínimo de 30 dias. na sua duração. também. 488 e parágrafo único). o que é perfeitamente possível. uma vez que não exige a pratica de ato específico. indicando. sem prejuízo do salário. independente do dia da semana em que caírem. Apenas comunica à outra parte que. Sobre isso as partes podem convencionar. 487 da CLT. integra o contrato. sem desconto do salário. 7. está superado em parte o disposto no art. Tratando-se de rescisão de iniciativa do empregador. depósito de FGTS. (art. que deve ser proporcional ao tempo de serviço. por 7 dias durante o período do aviso. o prazo pode começar a contar em Sábado. REDUÇÃO DA JORNADA (ou da duração semanal do trabalho). A proporcionalidade prevista pelo legislador constituinte. Não se trata de prazo processual. Para o empregado rural aplica-se regra diferente. Como a obrigação do aviso é recíproca. a duração de 30 dias acaba sendo prazo único. com aviso do empregado ao empregador. o empregado terá direito a reduzir a sua tornada de trabalho em duas horas/dia. Assim. também o empregado sofre as conseqüências da falta desta comunicação. salário. não pode ser inferior a 30 dias. A contagem do prazo. permitindo ao. etc. sendo que este terá direito de folga ao trabalho em um dia por semana. empregador descontar o salário correspondente ao período do aviso ( § 3º do art. sem prejuízo do salário. esta proporcionalidade ainda não foi definida por lei ordinária reclamada pelo referido inciso. (art.

este será reduzido. no decorrer do aviso. Não havendo aceitação. ocorreria a contagem do prazo que faltava. Há controvérsias quanto a melhor interpretação da norma para o caso em que o empregado foi dispensado do cumprimento do aviso e sofre acidente ou é acometido por doença que o impede de procurar outro emprego. a rescisão contratual segue seu curso normal. ESTABILIDADE COMO IMPEDITIVO DE CONCESSÃO DE AVISO: O empregador está impedido de conceder aviso prévio a empregado que tem a seu favor a estabilidade. pois este não alcançou o seu objetivo de permitir prazo para o empregado procurar novo emprego (Súmula 230 do TST. como o aviso é tempo de contrato. mesmo inferior a 8 horas/dia.Nos casos de jornada reduzida. qualquer que for o horário normal. 10. seja qual for o motivo desta. em forma de pedido de reconsideração. Prevalece o entendimento de que a lei é taxativa ao dispor da redução de 2 horas/dia. também neste caso se suspenderia o curso do aviso . Da mesma forma. passar a ter a garantia de emprego. como se não tivesse sido dado aviso. que tiver comunicado à outra parte acerca da rescisão contratual. em sua duração integral após o termino do período da garantia de emprego. A não concessão de horário reduzido de trabalho ao empregado no decorrer do aviso prévio significa aviso não concedido. independentemente da duração da jornada do empregado. antes do total término do período de estabilidade. há o entendimento de suspensão do prazo. em razão de eleição para cargo de diretor sindical. ainda que provisória. após o término da garantia provisória de emprego. Este entendimento tem por base principalmente a interpretação literal do disposto no artigo 488 da CLT. No caso de acidente de trabalho ocorrido no decorrer do prazo do aviso prévio. dando continuidade à relação contratual. Assim. o que lhe garantirá a retomada do aviso. com a extinção contratual no término do prazo do aviso. A continuação da prestação de serviços após o término do aviso pode caracterizar a reconsideração tácita. de 06 horas ou menos. Assim. poderá apresentar o arrependimento. Há entendimento de que. preferencialmente por escrito. o aviso prévio não poderá ser concedido. É interrupção. ou ainda por ter sofrido acidente de trabalho. (Súmula 348 do TST). representante dos empregados na CIPA ou em Comissão de Conciliação Prévia na empresa. ARREPENDIMENTO: Qualquer das partes da relação contratual. pode ocorrer de o empregado. ficando facultado á outra parte aceitar ou não o pedido.) 9.. não há uniformidade plena na doutrina quanto à quantidade de horas a reduzir. de forma que. Este dispositivo legal determina que o horário normal de trabalho do empregado será reduzido em duas horas. de forma que esta seria aplicável em qualquer contrato.

celebrar instrumento normativo coletivo estabelecendo outras condições mais favoráveis de aferimento do valor do aviso prévio. esta dispensa de cumprimento do aviso (de trabalho no decorrer do período do aviso) não significa dispensa do pagamento deste. . O aviso trabalhado é salário. tarefa. o empregador deverá. este comparece perante a empresa. sendo que o aviso cumprido em casa poderá até ensejar a caracterização de dano moral e a consequente indenização. deverá ser efetuada a média da remuneração dos últimos 12 meses ou de todo o tempo do contrato.x. Ocorrendo a dispensa de forma abrupta. para a rescisão. mesmo que o empregado reduza o horário normal de trabalho. e multiplicado pelo valor da unidade de produção do momento da rescisão. ficaria prejudicado. Não sendo trabalhado. com a diferença de que tem apenas 10 dias após a extinção do contrato para quitar as obrigações com o obreiro. (Enunciado 94 do TST foi cancelado recentemente. Contudo. Assim. NÃO CUMPRIMENTO DO AVISO . o que é diferente de dispensa do cumprimento deste. encerrado o prazo do aviso que o empregado não trabalhou. Contudo. VALOR DO AVISO PRÉVIO (TRABALHADO OU NÃO): O valor do aviso prévio. inclusive o depósito de FGTS ( Súmula 305 do TST). 12. Caso contrário. prevalece o entendimento de que. ou perante o sindicato. econômica e profissional. etc). tem caráter indenizatório. ou esta diretamente com a empresa. conforme o caso. se houver. peça. trabalhado ou apenas indenizado. terá direito a indenizacão adicional de um salário mensal mesmo tratando-se de aviso prévio indenizado cujo prazo também conta como tempo trabalhado. buscando evitar problemas de relacionamento com os demais empregados ou questões relacionadas à qualidade do serviço. .11. Mas em qualquer caso integra a duração do contrato para todos os efeitos legais. além dos adicionais habitualmente recebidos. igualmente. acerto e homologação do contrato.x. trabalhar o período do aviso é um direito do empregado. englobando o fixo e parte variável. Ocorrendo a chamada despedida obstativa caracterizada pela dispensa do empregado dentro do período de 30 dias da data-base da categoria. ( Súmula 182 do TST). Isto garantirá o valor salarial total. no prazo legal. É indenização compensatória. excluindo as horas extras habituais da base de cálculo do aviso prévio indenizado). deve corresponder ao montante do salário do empregado na ocasião da rescisão contratual. É possível às categorias. sem concessão de aviso. pagar o período correspondente. Tendo e empregado salário variável (comissão.DISPENSA OU CUMPRIMENTO EM CASA: É muito comum o empregador dispensar o empregado do cumprimento do aviso. sendo o aviso tempo trabalhado. se for inferior.