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EXMO. SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA 15ª VARA DE


FAMÍLIA DA COMARCA DE FORTALEZA.

CONTESTAÇÃO DE AÇÃO DE ALIMENTOS

PROCESSO Nº 2004.02.07483-1

FRANCISCO JOSÉ GOMES DA COSTA,


brasileiro, casado, bancário/advogado, portador da Carteira
de Identidade nº 8911003007207 SSPCe, residente e
domiciliado na rua José Lourenço, 2434 – Aldeota –
Fortaleza, Estado do Ceará, advogando em causa própria,
ou de seu procurador judicial in fine assinado, conforme
instrumento de procuração anexa(doc 1), vem
respeitosamente perante Vossa Excelência, apresentar a
sua CONTESTAÇÃO nos autos da AÇÃO DE
ALIMENTÍCIOS que lhe promove seus filhos: IASKÁRA
ARAGÃO GOMES, FRANCISCO RONCALLI ARAGÃO
GOMES E RILKA ARAGÃO GOMES, todos brasileiros,
solteiros e estudantes, no ato assistida por sua genitora
MARIA DE FÁTIMA ARAGÃO GOMES, assaz qualificada
no processo em tela, o que faz mediante os motivos fáticos
e de direito, a seguir expostos, para ao final requer:
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I - PRELIMINARMENTE

Aduz a mãe dos requerentes pelos


benefícios da gratuidade da justiça, por serem pobres na
forma da lei, ocorre Excelência que a genitora, jamais
poderia evocar este privilégio, pois trata-se de empresária,
bancária, agiota e detentora de grande patrimônio.

II - DOS FATOS
]

O Sr. Francisco José Gomes da Costa


casou-se com a Sra. Maria de Fátima Aragão Gomes, em
11.06.82, deste matrimônio de 21 anos, nasceram os filhos
mencionados anteriormente e conforme atesta as certidões
nos autos.

Ocorre que a Autora faltou com a verdade,


pois está longe de ser um exemplo de esposa e mãe,
cumpridora dos seus deveres matrimoniais, contrariando
assim, o art. 5º da Lei 6.515/77, como se demonstrará a
seguir.

Na verdade, a Autora passou, no decorrer


da vida conjugal, sem motivo aparente, a negar-se a
cumprir seus deveres de esposa, fato que levou o Réu a
desconfiar da sua fidelidade, pois a mesma não
demonstrava nenhum interesse diante das inúmeras
tentativas de reconciliação para a retomada da vida em
comum proposta pelo marido.

Cabe ressaltar que os desentendimentos


havidos entre o casal, cingiam-se nas tentativas de
reconciliação, pois era notório que a Autora as desprezava,
e sobretudo no fato da Autora não cuidar,
apropriadamente,de seus deveres como mãe e esposa,
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tendo em vista que ausentava-se do lar por várias horas,


sob pretexto que estava a serviço da indústria de
confecção, quase que diariamente, sem apresentar ou
mesmo justificar o motivo.
Diante do abandono do lar e do
comportamento da Autora, passou a reclamar das atitudes
levianas e nefasta, revoltada, a autora instruída pelos seus
advogados, passou a fazer BOs, no sentido de retirá-lo do
lar, que na verdade era suas intenções bem como ajuizar
pensão.

Após ajuizamento da cautelar de separação


de corpos, em 28.01.2003, a REVELIA , apenas saí de casa
sem levar nada, imediatamente ingressei com Ação de
Separação Judicial, justamente no período mais difícil de
minha vida quando acabava de terminar o curso de Direito,
e com muita dívida para pagá-la que até hoje me
recomponho.

Atualmente a Autora está em situação


privilegiada, não paga aluguel, desfruta de uma bela
mansão na Aldeota, feita pelo Hércule trabalho do marido,
funcionária do Banco do Brasil,com assistência medico-
hospitalar, empresária do ramos de confecção, exerce
atividade financeiras, alugueis, recebe vales alimentação
do banco, carro importados etc.conf. anexo 02.

O Progenitor, por sua vez, paga de


empréstimos ao Banco do Brasil, em torno R$ 600,00,
aluguel/condomínio R$ 800,00, sem falar de gasolina,
empregada, energia elétrica, mercantil etc, fazendo
milagre do mísero e exclusive salário que recebe de R$
1.800,00 do Banco do Brasil, conforme anexos, 03, 04, 05 e
06.

Ocorre excelência, que a Autora


descabidamente alega meu ganho salarial em R$ 2.853,28,
não sei onde ela encontrou o referido ganho, só sei que
passei a receber parte de pequenos alugueis, antes
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recebido pela Autora, em torno de R$ 240,00 reais, deste


faço doação ao meio, aos meus genitores com idades
aproximadamente de 100 anos.

Com relação a necessidades dos filhos,


existe dois maiores civilmente aptos ao trabalho, já
universitária que pode prestar serviços na área de saúde, o
outro na iminência de ingressar também, a terceira a filha
menor cursa a 8ª série que realmente precisa ser assistida
em parte conforme minhas possibilidades, bem como na
sua maioria pela genitora, uma vez que ficou com a
indústria, fonte da maior renda e não paga aluguel.

Com relação da possibilidade de prestar


alimentos, no presente momento não tenho condições
financeiras, pois com o que pago atualmente com aluguel,
condomínio e empregada era o que poderia dar como
pensão, no entanto, acredito no mais breve possível se
resolva a dissolução dos bens em ação já proposta, desta
forma espero a contribuir no que for possível.

Ocorre Excelência, que tenho o maior


prazer em contribuir com ajuda aos meus filhos, entretanto,
estabelecer alimentos provisionais, no momento, seria um
verdadeiro martírio, por que não após a partilha de bens.

Excelência, diante dos fatos acima narrados,


é de indagar-se por qual motivo a mãe dos requerentes não
se contenta com o que ganha, uma vez que tais condições
foi beneficiada pela ajuda do marido,ou simplesmente e
pretexto para postular um provimento judicial a fim de
imputar ao promovido o pretenso direito à pensão
alimentícia que a seus filhos faz jus;

Ora, se a mãe dos requerentes salienta, em


sua exordial, que os frutos percebidos por ela, de atividades
industriais, bancárias, fianceiras, alugueis etc são
insuficientes para mantença, educação e saúde de seus
filhos, certamente que, para o atendimento dessas
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necessidades, teria que contar com a ajuda do pai da


requerente;

DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO

Em síntese, no mérito aduz a mãe dosa


Requerentes que o ato ensejador da vertente postulação,
provem do fato de não restarem dúvidas quanto a
possibilidade do promovido em prestar alimentos aos filhos,
já que o Requerido é um simples bancário, percebe
rendimentos fixos e vive muito com dificuldades, em imóvel
não próprio. Já os filhos e mãe, desfrutam de luxo e
bonança e não passa dificuldades financeiras, pois com o
que ganha justifica plenamente que não há necessidades
de ajuda ou pela omissão de seu genitor;

Excelência, não bastassem às afirmações do


Requerido acima explanadas, as alegações meritórias,
também, não procedem, senão vejamos:

A uma, porque, hoje, os vencimentos de um


Bancário, diante da crise econômica que assola o país e,
conseqüentemente o arrocho salarial, não chega a tanto,
capaz de atender todas as necessidades básicas de uma
família;

Ressalte-se, Excelência, que é dever do pai e


da mãe de prover a subsistência da filha. As
responsabilidades pelos estudos da menor, mensalidades
escolares, também devem ficar a cargo de ambos.

Como é cediço, a fixação do valor de


pensão alimentícia deve adequar-se à possibilidade
econômica do alimentante dentro da necessidade do
alimentando, ou seja, que satisfaça as partes dentro de
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suas reais possibilidades, sem desfalcar um ou outro, são


portanto os pressupostos e parâmetros para o julgador;

Analisando os pressupostos para a fixação


do pensionamento, tem-se que levar em consideração que
o Requerido pretende constituir família, e desta forma
jamais poderá te-la.

ALIMENTOS - ALIMENTANTE COM NOVA


FAMÍLIA - NASCIMENTO DE FILHO –
REDUÇÃO.

A constituição de nova família, com


nascimento de filho, por si só, não enseja
motivo para a exoneração dos alimentos
até então devidos, mas permite a
redução dos mesmos, vez que tal
circunstância vem diminuir,
inevitavelmente, a capacidade financeira
do alimentante, mantida, porém, igualdade
de assistência entre todos os filhos
menores, independentemente da natureza
da filiação (TJ-MG - Ac. unân. da 3.ª Câm.
Cív. publ. no DJ de 5-6-99 - Ap.
126.362/3-Capital - Rel. Des. Monteiro de
Barros.

Por outro lado a mãe da Requerente aufere


rendimentos próprios altíssimo, embora informal. Também
nada há que comprove ser, mãe e filhos, incapacitadas para
qualquer atividade produtiva.

Na fixação da pensão, esse juízo, concedeu


liminarmente, alimentos provisórios na base de 30% dos
vencimento e demais vantagem do promovido, no entanto,
é perfeitamente compreensível, pelo menos em um
primeiro momento, que essa fixação provisória, baseada
apenas na versão da autora, nem sempre
acompanhada de documentos comprobatórios, seja o
parâmetro ideal para que, em definitivo, seja, arbitrado o
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valor da pensão, caso assim fosse, restava por prejudicado


os requisitos do art. 1.694, § 1º do Código Civil, sem se falar
nos danos irreparáveis para o alimentante, dada a
irrestituibilidade dos alimentos;

Da Proposta do Pensionamento

O Requerido, após analisados os


pressupostos de que trata o artigo acima, oferece, na
presente demanda 10% (dez por cento) de seus
vencimentos líquidos mais o Custeio do Plano de Saúde,
atualmente vinculado a CASSI – Caixa de Assistência do
Funcionários do Banco do Brasil, inclusive os benefícios da
Pensão Bancária, que, na falta do pai, ficará recebendo
seus vencimento integrais pelo resto da vida, juntamente
com seus filhos. requerido;

Portanto, Excelência, o que ora se oferece,


a título de pensionamento, pelo Requerido, se afigura
suficiente para o custeio das despesas de seus filhos, se
adequando, no momento, aos parâmetros que limitam a
necessidade do alimentando e a possibilidade do
alimentante, é o que, de logo requer;

DO PEDIDO

Diante de toda a argumentação aqui


expendida, REQUER seja acatada a proposta do Requerido
acima aludida, julgando improcedente o pedido da
Requerente, condenando-a nas custas e demais
cominações de estilo
Por último, suplica que seja pago as custar
processuais e não a concessão dos benefícios da Justiça
gratuita, com esteio no art. 4º da Lei 1.060/50, com a nova
redação implementada pelo art. lº da Lei 7.410/86, pois
tem o Requerido condições de patrocinar despesas, custas
processuais, assumir risco e/ou suportar ônus de eventual
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sucumbência, sem comprometer seu sustento pessoal e de


seus familiares;

Protesta provar o alegado por todos os


meios de prova em direito admitido, notadamente,
depoimentos pessoais, pena de confesso, oitiva das
testemunhas que serão oportunamente arroladas, juntada
posterior de novos documentos, tudo, desde logo requerido.

Nestes termos,

P. deferimento.

Fortaleza – Ce., 22 de março de 2004.

Francisco José Gomes da Costa


OAB/CE – 15.318