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A política do café com leite foi uma política de revezamento do poder nacional executada

naRepública Velha entre 1898 e 1930, por presidentes civis fortemente influenciados pelo
setor agrário dos estados de São Paulo - mais poderoso economicamente, principalmente
devido à produção decafé - e Minas Gerais - maior pólo eleitoral do país da época e
produtor de leite.

Revezavam-se no poder representantes do Partido Republicano Paulista (PRP), e


do Partido Republicano Mineiro (PRM), que controlavam as eleições e gozavam do apoio
da elite agrária de outros estados do Brasil.

Instalou-se o poder dos governadores dos estados (Política dos Governadores), que
tinham grande autonomia em relação ao governo federal e se articulavam para escolher os
presidentes da repúblicas que tinham mandato de 4 anos sem direito a reeleição. Os
presidentes e governadores tinham a prerrogativa de destituir (as chamadas "degolas") os
deputados e senadores eleitos que não lhes fossem afeitos através das Comissões de
Verificação dos Poderes, que existiam nos congressos estaduais (atuais assembléias
legislativas estaduais) e no Congresso Nacional. O voto não era secreto, o que tornava
o voto a cabresto e a fraude eleitoral práticas comuns. Às articulações de bastidores
visando a escolha do candidato a presidente chamou-se política do café com leite.

Este período iniciou-se após a fase republicana denominada República da Espada (1889-
1894)- que teve como presidentes Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano
Peixoto e seu final foi determinado pela Revolução de 1930, com a ascensão do
Presidente Getúlio Vargas ao poder.

As cicatrizes desta política foram profundas e determinam até hoje o andamento do país
através de modificações permanentes que diferenciam desde então o federalismo no
Brasil de como esse sistema funciona no restante dos países do mundo, inclusive
nos Estados Unidos, seu maior propagador.

Índice
[esconder]

• 1 A política do café com


leite

• 2 Consequências

• 3 Presidentes mineiros
(PRM)

• 4 Presidentes paulistas
(PRP)

• 5 Exceção
• 6 Dias de hoje

• 7 Notas e referências

• 8 Ligações externas

[editar]A política do café com leite


São Paulo(produtor de café) e Minas Gerais(produtor de leite) eram os estados mais ricos
e populosos no Brasil da República Velha. Aoligarquia paulista estava reunida no Partido
Republicano Paulista(PRP), e a mineira, no Partido Republicano Mineiro(PRM). Ciente
disso, esses dois partidos se aliavam para fazer prevalecer seus interesses. Por diversas
vezes o PRP e o PRM escolheram um único candidato á eleição para presidente: ora o
candidato era indicado por São Paulo e apoiado por Minas Gerais, ora se dava o contrário.
Por isso, a maioria dos presidentes da República Velha representou os interesses das
oligarquias paulista e mineira. Essa alternância entre São Paulo e Minas na presidência da
Replúbica é chamada de política do café com leite. Como dito acima, a república
continuava as práticas centralizadoras do Império, através da política dos Presidentes de
Estado (Governadores), que controlavam, de um lado, o poder local através dos coronéis,
e, de outro, davam sustentação aos presidentes. A República Velha já possuía, nesse
momento, entre seus dirigentes principais, as oligarquias paulista e mineira ligadas ao
setor agro-exportador, representado pelos cafeicultores paulistas, uma vez que o café
constituía o setor mais dinâmico da economia brasileira. Por isso, os primeiros
compromissos do governo civil republicano visaram garantir a cooperação dos credores
estrangeiros, comprometendo-se o novo regime a pagar dívidas contraídas com eles por
cafeicultores brasileiros.

O conhecido acordo da dívida externa – funding loan – foi pago às custas de aumento de
impostos, paralisação de obras públicas e abandono da idéia de incentivo à indústria
nacional. Essa política recessiva e impopular adotada por Campos Sales foi concretizada
com o apoio dos governadores estaduais através de um compromisso pelo qual esses
governadores receberiam recursos, cargos públicos e ainda a garantia de que o governo
federal não apoiaria os grupos oposicionistas estaduais. Ou seja, tudo foi feito utilizando-
se a estrutura da Política dos Governadores.

Vale ressaltar, no entanto, que, para conseguir apoio ao "funding loan", o presidente
Campos Sales, paulista, buscou, em especial, a ajuda de Minas Gerais, que possuía 37
deputados federais e era a maior bancada da Assembléia, devido a sua população.
Em 1899, Silviano Brandão, governador de Minas Gerais, aceitou o pacto com São Paulo
para alternar-se com este estado no poder, usufruindo ambos de sua vantagem econômica
sobre o restante dos estados - era a grande oportunidade para Minas Gerais ocupar uma
situação privilegiada, tirando vantagens políticas e econômicas para a elite mineira. Em um
país em que a maioria da população era pobre e analfabeta, e onde faltavainfra-
estrutura básica, até ligando os estados, a república federativa estava fadada a implodir,
como previra Dom Pedro II, após o fim dademocracia imposto por Deodoro da Fonseca
com o fechamento do Congresso em 1891. Esse acordo entre os fazendeiros
exportadorespaulistas e mineiros, sedentos de um poder político que estivesse à altura do
poder financeiro que acumularam no final do século XIX, transformou o federalismo no
Brasil ao estabelecer privilégios oficiais aos dois estados durante a República Velha.

A política do café com leite, como ficou conhecida essa aliança, permitiu
à burguesia cafeeira paulista controlar, no âmbito nacional, a política monetária e cambial,
e a negociação no exterior de empréstimos para a compra das sacas de café excedentes,
enfim, uma política de intervenção ainda mais ativa que garantia aos cafeicultores lucros
seguros. Para Minas Gerais, o apoio a São Paulo garantia a nomeação dos membros da
elite mineira para cargos na área federal e verbas para obras públicas, como a construção
de ferrovias. Esta política criada por Campos Sales quando das negociações (demárches)
sobre sua sucessão, foi explica por ele mesmo, no seu livro "Da propraganda à
presidência", assim se expressando em relação à necessidade de ele próprio conduzir sua
sucessão presidencial que se daria em 1902, para a qual Campos Sales indicou o
paulista Rodrigues Alves como candidato à presidência: O poder financeiro das
aristocracias rurais daqueles dois estados, crescente durante o século anterior, havia
permitido que seus políticos adquirissem projeção nacional. Desta forma, a política do café
com leite consolidou o poder das famílias mais abastadas, formando as oligarquias. Os
paulistas e os mineiros ocupavam os cargos de presidente da República, vice-presidente e
os Ministérios da Justiça, das Finanças e da Agricultura, entre outros. Nos Estados,
poucas famílias ocupavam os cargos de Governador do Estado; as secretarias das
Finanças, Educação e Saúde; a prefeitura da capital; a chefia de Polícia Estadual; a
diretoria da Imprensa Oficial; a presidência dos Bancos Estaduais; e a presidência da
Assembléia Legislativa.

Em Minas, por exemplo, as principais famílias a controlar o poder durante a política do


café com leite eram representadas por Cesário Alvim;Crispim Jacques Bias Fortes; Júlio
Bueno Brandão; Afonso Pena, que se tornou presidente; Francisco Sales, que chegou a
fundar um Banco; Artur Bernardes, que também se tornou Presidente; entre outros. Para
integrar a oligarquia mineira, contavam os "laços de família", educação e poder financeiro.
Tal oligarquia estava também aberta aos indivíduos talentosos que formavam-se
principalmente em Direito nas Universidades do Rio de Janeiro e São Paulo. De volta ao
estado, tornavam-se promotores públicos, juízes, casavam-se com moças da elite, e
podiam tornar-se políticos elegendo-se vereadores, prefeitos e deputados. Ainda, a
oligarquia mineira controlava o poder através do Partido Republicano Mineiro (PRM). A
lista dos candidatos era organizada pela Comissão Executiva do PRM, que mandava os
nomes para serem homologados pelo governador do estado. Para integrar essa lista, o
candidato tinha de ser da confiança dos chefes políticos da região, os coronéis, ou
indicados pelo governo devido ao talento e cultura. Não havia lugar no Partido
Republicano Mineiro para os dissidentes, que eram expulsos.

A política do café com leite, que teve início com o governo de Campos Sales na década de
1890, só terminou oficialmente com a Revolução de 30, quando Getúlio Vargas assumiu o
governo do Brasil. Não obstante, mostrou alguns sinais de fraqueza já no decorrer
da República Velha, como, por exemplo, quando da eleição do gaúcho Hermes da
Fonseca e do paraibano Epitácio Pessoa – ainda que sendo, ao final, concessos das
oligarquias paulista e mineira.

Essa política foi quebrada quando o então presidente paulista Washington Luís apoiou a
candidatura do também paulista Júlio Prestes, o que desagradou à elite mineira, que se
aliou à elite do Rio Grande do Sul, sendo um dos principais motivos para que
o gaúcho Getúlio Vargas viesse a assumir a presidência. Dessa forma, o último presidente
"oficialmente" eleito nos moldes dessa política foi Washington Luís. Outro fator para a
queda desta política foi a Crise de 1929, quando os preços do café brasileiro despencaram
no mercado internacional, retirando dos barões do café seu poder político. Como resultado
desse conflito entre Washington Luís e os mineiros liderados pelo presidente de Minas
Gerais Antônio Carlos Ribeiro de Andrada ocorre a Revolução de 1930 que impede a
posse do presidente de São Paulo, eleito presidente do Brasil, Júlio Prestes, depõe
Washington Luís e desaloja os paulistas do poder federal. São Paulo tenta uma reação em
1932, com a Revolução de 1932 que fracassa. Júlio Prestes se torna assim o último
paulista a ser eleito presidente do Brasil.

Entretanto, no período compreendido entre a década de 1890 e a década de 1930, o café


paulista enfrentava cada vez maior concorrência internacional, uma vez que o café de
outros países passava a apresentar preços mais competitivos. Assim, o imposto de
exportação, que rotineiramente sofria aumentos e tinha importância crescente na
arrecadação do estado de São Paulo, passava a ser menos viável, pois aumentava o
preço do café paulista no mercado internacional - o imposto de exportação era
basicamente pago pelos compradores internacionais. Além disso, os impostos de
exportação e outras taxas coletados pelo estado de São Paulo durante o ponto alto do
ciclo do café, apesar de grandes, não eram suficientes para pagar pelos gastos desse
estado com seus investimentos em infra-estrutura.

Com a super oferta de café internacionalmente e a queda nos preços decorrente dela, o
endividamento interno, e a faca de dois gumes que eram os impostos de exportação, o
estado de São Paulo precisava encontrar uma maneira de, ao mesmo tempo, tornar seu
produto mais precioso no mercado, e, portanto, mais lucrativo, e também encontrar um
substituto para os impostos de exportação. Passou, então, a estocar sacas de café, as
quais comprava dos produtores com a intenção de retirá-las do mercado, diminuir a oferta
e elevar o valor do produto em si próprio. Criou, também, outros tipos de impostos que
substituíssem os de exportação, taxando basicamente a indústria, o comércio e
propriedades. Essas novas taxações, no entanto, não eram suficiente para cobrir os
gastos, aumentados ainda mais devido à política de valorização e a compra de incontáveis
sacas de café pelo governo estadual. Por esse motivo, São Paulo passa a recorrer a
empréstimos, tanto dentro do Brasil quanto no exterior, uma vez que o Governo Central,
no acordo de 1891, dera carta branca ao estado para que administrasse suas próprias
contas como quisesse. Em 1908, São Paulo já investia na política de valorização do café
quantia equivalente a 119% de todos os seus outros gastos combinados, dinheiro este
vindo de fontes estrangeiras. Até o ano de 1930, o estado contratou 25 empréstimos
internacionais. A situação chegou a tal ponto que a dívida internacional paulista, sem
considerar o que devia a credores brasileiros, representou mais de 60% da dívida
combinada de todos os estados brasileiros no ano de 1933.

Na contratação de tais empréstimos no estrangeiro, o estado de São Paulo contou com o


apoio do governo federal, controlado por paulistas e mineiros durante a política do café
com leite. De forma a manter os juros desses empréstimos baixos e lucrativos para o
estado, era o Governo Federal que oferecia garantias aos credores internacionais, prática
que começou com o presidente Campos Sales, ex-governador paulista. O último
empréstimo internacional deste tipo foi a Realization Loan, tomada no ano de 1930 no
valor de noventa e oito milhões de dólares, arranjado por J. Henry Schroeder. Com o
grande endividamento do estado e os problemas financeiros mundiais que tiveram início
naPrimeira Guerra Mundial e culminaram com a Quebra da Bolsa de Nova
Iorque em 1929, a fonte estrangeira secou e São Paulo passou a recorrer diretamente à
ajuda financeira do governo federal de forma a manter sua política de valorização, além de
outros gastos em infra-estrutura, como a construção de ferrovias no próprio estado.

Com o fim da política do café com leite, o estado de São Paulo, insatisfeito com a redução
de seus privilégios no nível federal durante o governo de Getúlio Vargas, lançou
a Revolução Constitucionalista. Na negociação da paz, Getútio Vargas se comprometeu a
assumir, através do Governo Federal, o pagamento dos empréstimos no estrangeiro do
estado de São Paulo. Nos títulos da dívida pública brasileira, a quantia devida por São
Paulo recebeu nota 2, a segunda mais alta, enquanto a dívida de todos os outros estados
tinham nota 4, 8 e os credores do estado do Ceará, por exemplo, receberam somente 12%
do valor de face de seus títulos.'

[editar]Consequências
O principal resultado da política do café com leite foi a transformação estrutural
do federalismo no Brasil, já diferente desde sua criação, segundo estudiosos,
do federalismo dos Estados Unidos da América.

Considerando-se que a definição de federalismo diz que os estados de uma federação têm
de ser iguais entre si, quando há o controle da máquina estatal por dois estados, cria-se
um desequilíbrio que vai contra o próprio conceito de federalismo. Havendo dois estados
diferentes dos outros em termos de importância, criou-se no Brasil um pseudo federalismo,
além disso altamente regionalizado.[1]

Ao manter para si a riqueza gerada pelas exportações, São Paulo, mais ainda que Minas
Gerais, investiu fortemente em sua infra-estrutura e em seu próprio mercado. Criou, desta
forma, um crescimento artificializado - segundo alguns analistas - ao contratar enorme
dívida para manter o alto nível de exportações, São Paulo, portanto, financiava seu próprio
sucesso através de empréstimos, depois pagos pelo Governo Federal por Getúlio Vargas.
Sua infra-estrutura foi durante o período imensamente melhorada. O mesmo não ocorreu
com outros estados, especialmente no Nordeste, ainda mais empobrecidos devido, não
somente a sua falta de adaptação ao sistema capitalista do século XX, mas, também, à
fraca distribuição de recursos por parte do Governo Federal.[2] Assim, passaram a fornecer
migrantes para o estado de São Paulo e outros da região Sudeste.

Tudo isso somado à grande e rápida concentração populacional explica as posições de


destaque que Minas Gerais e São Paulo hoje possuem entre os estados brasileiros.

[editar]Presidentes mineiros (PRM)

 Afonso Pena - presidente da República (1906-1909)


 Venceslau Brás - presidente da República (1914-1918)
 Delfim Moreira - presidente da República (1918-1919)- Eleito vice-presidente,
assumiu a presidência com a morte do paulista Rodrigues Alves
 Artur Bernardes - presidente da República (1922-1926)

[editar]Presidentes paulistas (PRP)

 Prudente de Morais - presidente da República (1894-1898)


 Campos Sales - presidente da República (1898-1902)
 Rodrigues Alves - presidente da República (1902-1906) e reeleito em 1918,
quando não tomou posse por estar doente.
 Washington Luís - presidente da República (1926-1930), era natural do estado do
Rio de Janeiro.
 Júlio Prestes - presidente da República (mandato 1930-1934; não tomou posse); o
PRM desejava fazer o presidente deste período; como o PRP insistiu em continuar no
poder, os mineiros manifestaram-se apoiando à Revolução de 1930, pondo fim à
república velha.

[editar]Exceção

As exceções do período foi a eleição de Hermes da Fonseca, do Partido Republicano


Conservador, PRC, que ocupou a Presidência da República de 1910 a 1914, e, em 1919,
foi eleito presidente Epitácio Pessoa da Paraíba que governou de 1919 a 1922.

[editar]Dias de hoje
Ainda hoje, São Paulo e Minas Gerais exercem enorme poder na política brasileira,
principalmente graças ao grande número de eleitores que possuem e, portanto, graças a
sua influência no nível federal. Dos presidentes eleitos após o fim da ditadura, Tancredo
Neves era mineiro (mas faleceu antes de tomar posse); Fernando Henrique
Cardoso e Lula são políticos paulistas, apesar de nascidos em outros estados; e Itamar
Franco, eleito como vice-presidente de Fernando Collor de Mello, também é mineiro.

Durante as campanhas eleitorais de 2006, no dia 31 de julho, os políticos José


Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves se reuniram para selar um pacto político e
acenaram com uma "política do café com leite do século XXI". José Serra observou: "É a
política café com leite do século XXI", a que Aécio Neves respondeu: "Hoje nós estamos
selando aqui um pacto claro de parceria. De parceria durante a caminhada eleitoral, mas,
sobretudo, de parceria no futuro, se nós tivermos a ventura de vencer as eleições". [3]

Acordo marcou a República Velha


Vitor Amorim de Angelo
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Campos Salles, em cujo


governo teve início formal a
política do café-com-leite
A política do café-com-leite foi um acordo firmado entre as oligarquias estaduais e o governo federal
durante a República Velha para que os presidentes da República fossem escolhidos entre os
políticos de São Paulo e Minas Gerais. Portanto, ora o presidente seria paulista, ora mineiro.

O nome desse acordo era uma alusão à economia de São Paulo e Minas, grandes produtores,
respectivamente, de café e leite. Além disso, eram estados bastante populosos, fortes politicamente
e berços de duas das principais legendas republicanas: o Partido Republicano Paulista e o Partido
Republicano Mineiro.

A política do café-com-leite só pode ser entendida quando analisada dentro do quadro político-
econômico da Republica Velha. Afinal, a prerrogativa dos paulistas e mineiros para a escolha dos
presidentes correspondia, de outro lado, aos benefícios garantidos pelo governo federal às
oligarquias das demais províncias - não se chamavam estados, na época.

Em troca da autonomia local e da não interferência do governo federal nas questões provinciais, as
elites estaduais garantiam o apoio das suas bancadas ao presidente da República. Essa era a
essência de um outro acordo mais amplo que a política do café-com-leite e no qual esta se
encaixava: a política dos governadores. Dentro desse contexto, São Paulo e Minas Gerais
controlaram o processo sucessório nacional justamente em razão do seu peso econômico,
demográfico e político.

Alternância no poder
Formalmente, a política do café-com-leite teve início em 1898, no governo do paulista Manuel
Ferraz de Campos Salles, e encerrou-se em 1930, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder.
Da Proclamação da República, em 1889, até o início do governo Campos Sales, o Brasil teve dois
presidentes militares: os marechais Deodoro da Fonseca, que governou o país até 1891, e Floriano
Peixoto, que ocupou a Presidência até 1894.

Naquele ano, 1894, foi eleito o primeiro presidente civil da história republicana brasileira - Prudente
de Moraes. Herdando do antecessor uma grave crise política, provocada por divergências entre os
governos federal e provincial em torno dos rumos da nascente República, Prudente de Moraes
enfrentou ainda algumas tensões político-sociais, como a revolta em Canudos, na Bahia, e
aRevolução Federalista, no Rio Grande do Sul.

Com a derrota dos seguidores de Antônio Conselheiro e dos federalistas gaúchos, restou ao
sucessor de Prudente de Moraes, Campos Salles, a tarefa de estabilizar a relação do poder central
com as províncias. Seu governo conseguiu equacionar as divergências provocadas pelas estruturas
de dominação locais, abrindo um novo momento político na história do país, denominado de
República Oligárquica.

Durante os mais de 30 anos em que perdurou a política do café-com-leite, o Brasil elegeu 11


presidentes da República, sendo 6 paulistas - incluindo Prudente de Moraes e Campos Salles - e 3
mineiros. Dois vice-presidentes assumiram o posto do titular ao longo desse período: o
fluminense Nilo Peçanha, no lugar de Afonso Pena, falecido em 1909; e o mineiro Delfim Moreira,
substituindo o paulista Rodrigues Alves, morto em 1918, antes mesmo de tomar posse naquele que
seria seu segundo mandato como presidente.

Cisões na política do café-com-leite


Embora, no geral, o acordo entre São Paulo e Minas Gerais visasse a ocupação da Presidência da
República pelos dois estados, houve momentos de grande tensão na aliança paulista e mineira,
levando à escolha de candidatos de outras regiões do país. Este foi o caso, por exemplo, do
gaúcho Hermes da Fonseca e do paraibano Epitácio Pessoa.

Em 1909, diante de divergências entre políticos mineiros quanto à escolha do candidato à sucessão
presidencial, Pinheiro Machado, expressiva liderança política do Rio Grande do Sul, lançou o nome
de Hermes da Fonseca. No caso de Epitácio Pessoa, sua eleição, em 1919, para suceder Delfim
Moreira, que se afastara do cargo, foi um desdobramento dos problemas causados pelaPrimeira
Guerra Mundial na economia brasileira.

De qualquer forma, mesmo nos momentos de crise, a eleição presidencial contou com o apoio das
províncias de São Paulo e Minas Gerais. Isso é, ainda que não elegessem um paulista ou mineiro,
as duas províncias sempre participavam das articulações para a escolha do novo presidente. Por
outro lado, as divergências que envolviam o processo sucessório demonstravam que outras
províncias, de importância menor, também aspiravam ao poder central.

A evolução dessa crise política acabaria levando ao movimento de 1930, liderado pela oligarquia
gaúcha - tendo à frente Vargas - com o apoio da Paraíba, a quem foi dado o cargo de vice na chapa
de Getúlio, e Minas Gerais, que abandonara a aliança com São Paulo quando o
paulista Washington Luísoptou pela indicação do também paulista Júlio Prestes. Embora vitorioso,
nem mesmo chegou a tomar posse, atropelado pela intensa movimentação política que culminaria
na instalação de um governo provisório, em novembro de 1930.

Importância da política do café com leite para a


história do brasil?
Preciso pra hoje aindaaa
• 2 anos atrás
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LeoElias
Melhor resposta - Escolhida por votação
A política do café-com-leite foi uma política de revezamento do poder nacional executada
na República Velha pelos estados de São Paulo - mais poderoso economicamente,
principalmente devido à produção de café - e Minas Gerais - maior pólo eleitoral do país da
época e produtor de leite. As cicatrizes desta política foram profundas e determinam até
hoje o andamento do país através de modificações permanentes que diferenciam desde
então o federalismo no Brasil de como esse sistema funciona no restante dos países do
mundo, inclusive nos Estados Unidos, seu maior propagador.
• 2 anos atrás
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• s2 Garotinha demais s2
Um dos motivos para a pouca importância dada à política do café-com-leite em estudos e
universidades de história e ciências sociais brasileiros seria a influência de Karl Marx e
Max Weber entre os intelectuais do país na primeira metade e em meados do século XX.
Estudiosos brasileiros seguidores desses teóricos, tais quais Caio Prado Jr., Sérgio
Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, tratam a história do Brasil de acordo com os
conflitos entre classes hostis. Focam a população ordinária e, para eles, a ação de
indivíduos (ou de estados individuais) não tem tanta importância.

Ainda hoje, São Paulo e Minas Gerais exercem enorme poder na política brasileira,
principalmente graças ao grande número de eleitores que possuem e, portanto, graças a
sua influência no nível federal. Dos presidentes eleitos após o fim da ditadura, Tancredo
Neves era mineiro (mas faleceu antes de tomar posse); Fernando Henrique Cardoso e
Lula são políticos paulistas, apesar de nascidos em outros estados; e Itamar Franco, eleito
como vice-presidente de Fernando Collor de Mello, também é mineiro.

Durante as campanhas eleitorais de 2006, no dia 31 de julho, os políticos José Serra,


Geraldo Alckmin e Aécio Neves se reuniram para selar um pacto político e acenaram com
uma "política do café-com-leite do século XXI". José Serra observou: “É a política café-
com-leite do século XXI”, a que Aécio Neves respondeu: “Hoje nós estamos selando aqui
um pacto claro de parceria. De parceria durante a caminhada eleitoral, mas, sobretudo, de
parceria no futuro, se nós tivermos a ventura de vencer as eleições”.

espero q ajude

vlw bj
Fonte(s):
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_do_caf%C3%A9-com-leite
o 2 anos atrás
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• IsA
Política do café-com-leite
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A política do café-com-leite foi uma política de revezamento do poder nacional executada
na República Velha pelos estados de São Paulo - mais poderoso economicamente,
principalmente devido à produção de café - e Minas Gerais - maior pólo eleitoral do país da
época e produtor de leite. As cicatrizes desta política foram profundas e determinam até
hoje o andamento do país através de modificações permanentes que diferenciam desde
então o federalismo no Brasil de como esse sistema funciona no restante dos países do
mundo, inclusive nos Estados Unidos, seu maior propagador.
Precedentes históricos
Com o golpe militar de 15 de novembro de 1889, Dom Pedro II, idoso foi deposto, e o
Brasil se tornou uma república federativa.

Segundo apontam Abrúcio[1] e Stepan [2], baseando-se nas reflexões de Ruy Barbosa, a
federação brasileira foi constituída por motivos opostos aos que guiaram a formação da
federação estadunidense. Os Estados Unidos da América se uniram porque diferentes
entidades queriam ser guiadas por uma autoridade política comum. Já as inclinações
federais dos Estados Unidos do Brasil refletiam um desejo de ganhar autonomia de um
Governo Central já estabelecido durante o Império, principalmente durante o governo de
Dom Pedro II.

Houve a adesão de antigos monarquistas ao sistema republicano de governo. O poder,


entretanto, era dos grandes proprietários. Assim, apesar do liberalismo defendido pelas
elites brasileiras, o Estado intervinha protegendo o setor exportador, principalmente os
cafeicultores - mais concentrados no Estado de São Paulo -, quando o valor das
exportações por alguma razão decrescia. Na verdade, entre todos os produtos agrícolas, o
Governo Federal dava suporte à cafeicultura em detrimento aos demais, como o leite, cujo
maior produtor era Minas Gerais.
As necessidades da população como um todo permaneciam ignoradas, tendo sido
congelados os investimentos nacionais em infra-estrutura básica realizados por Dom
Pedro II em seu governo. Houve também a diminuição dos direitos civis defendidos pelo
Imperador. Quanto aos escravos recém-libertos por D. Pedro II pelas mãos da Princesa
Isabel, passaram a sofrer com racismo sob o novo sistema republicano, que pôs um fim à
democracia racial (abstraindo-se a escravatura), pela qual o Brasil ficara
internacionalmente conhecido durante o Segundo Reinado. Sendo assim, a massa de
cidadãos era composta por homens brancos de classe-média, que compareciam às urnas
para votar nos candidatos indicados pelas famíl
o 2 anos atrás
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• Lindoerle Ferreira
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• Ivone P

Política do café-com-leite
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História do Brasil

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A política do café-com-leite foi uma política de revezamento do poder nacional executada
na República Velha pelos estados de São Paulo - mais poderoso economicamente,
principalmente devido à produção de café - e Minas Gerais - maior pólo eleitoral do país da
época e produtor de leite. As cicatrizes desta política foram profundas e determinam até
hoje o andamento do país através de modificações permanentes que diferenciam desde
então o federalismo no Brasil de como esse sistema funciona no restante dos países do
mundo, inclusive nos Estados Unidos, seu maior propagador.

Índice [esconder]
1 Precedentes históricos
1.1 O caso de Minas Gerais
1.2 O caso de São Paulo
1.3 Coronelismo
1.4 A política dos governadores
2 A política do café-com-leite
2.1 Mudanças fiscais - efeitos no funcionamento interno da máquina do Estado
2.2 Usos dos impostos de exportação, decadência do café e ajuda federal ao estado de
São Paulo
3 Conseqüências
4 Dias de hoje
5 Notas e referências
6 Ver também
7 Ligações externas

[editar] Precedentes históricos


Com o golpe militar de 15 de novembro de 1889, Dom Pedro II, idoso foi deposto, e o
Brasil se tornou uma república federativa.

Segundo apontam Abrúcio[1] e Stepan [2], baseando-se nas reflexões de Ruy Barbosa, a
federação brasileira foi constituída por motivos opostos aos que guiaram a formação da
federação estadunidense. Os Estados Unidos da América se uniram porque diferentes
entidades queriam ser guiadas por uma autoridade política comum. Já as inclinações
federais dos Estados Unidos do Brasil refletiam um desejo de ganhar autonomia de um
Governo Central já estabelecido durante o Império, principalmente durante o governo de
Dom Pedro II.

Houve a adesão de antigos monarquistas ao sistema republicano de governo. O poder,


entretanto, era dos grandes proprietários. Assim, apesar do liberalismo defendido pelas
elites brasileiras, o Estado intervinha protegendo o setor exportador, principalmente os
cafeicultores - mais concentrados no Estado de São Paulo -, quando o valor das
exportações por alguma razão decrescia. Na verdade, entre todos os produtos agrícolas, o
Governo Federal dava suporte à cafeicultura em detrimento aos demais, como o leite, cujo
maior produtor era Minas Gerais.

As necessidades da população como um todo permaneciam ignoradas, tendo sido


congelados os investimentos nacionais em infra-estrutura básica realizados por Dom
Pedro II em seu governo. Houve também a diminuição dos direitos civ