O que é um transgênico?

Transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGM), são seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza: planta com bactéria, animal com inseto, bactéria com vírus, etc. Usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colá-los em outra, os cientistas criam organismos totalmente novos com características específicas. Esta alteração ocorre entre espécies diferentes presentes na natureza e como objetivo de melhorar as características do organismo em estudo A soja e o milho são exemplos de alimentos geneticamente modificados que estão sendo comercializados no mundo e já existem outros, como mamão, o feijão e o cacau, que ainda estão em estudo. Porém, a grande novidade é o arroz dourado, contendo betacaroteno – precursor da vitamina A – e o tomate rico em licopeno. A soja Roundup Ready da Monsanto, por exemplo, recebeu genes de um vírus, duas bactérias e uma flor para se tornar resistente ao agrotóxico vendido pela própria Monsanto. Já foram permitidos nos EUA certas variedades de tomate, soja, algodão, milho e batata. O plantio comercial intensivo também é feito na Argentina, Canadá e China. Na Europa, foi autorizada a comercialização de fumo, soja, milho e chicória, (só o milho é plantado em escala comercial na França, Espanha e Alemanha.) Estima-se que aproximadamente 60% dos alimentos processados contenham algum derivado de soja transgênica e que 30% tenham ingredientes de milho transgênico. Porém, como a maioria destes produtos não estão rotulados, é impossível saber o quanto de alimentos transgênicos está presente em nossa mesa. Em grande parte do mundo os governos nem sequer são notificados se o milho ou a soja que eles importam dos EUA são produtos de um cultivo transgênico ou não. Um fato é omitido. Durante o processo de mutação, ocorre uma reação química de conseqüências desconhecidas. Isso significa que não há certeza sobre os resultados da transformação de alimento convencional para transgênico. Uma indústria japonesa, Showa Denko, utilizou um organismo geneticamente modificado em um suplemento alimentar e acabou criando uma toxina letal que matou 35 pessoas e deixou outras 1.500 permanentemente lesadas. No Brasil, segundo o artigo 225 da Constituição Federal Brasileira: "Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder público e à Coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Parágrafo 1 – Para assegurar a efetividade desse direito, incube ao Poder Publico; (...) II- Preservar a diversidade e a integridade do Patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético

A soja da Monsanto. E isso significa que mais agrotóxico será depositado no solo e na água ao redor da lavoura. Qual o problema dos transgênicos para o meio ambiente? Entre os principais problemas ambientais relacionados aos transgênicos está a contaminação genética. Os transgênicos dispensam o uso de agrotóxico? Não. que acontece quando plantas transgênicas cruzam com plantas convencionais e se sobrepõem. os transgênicos criados para terem propriedades inseticidas. No entanto.. Para acabar com esse problema. os OGM também podem aumentar o uso de agrotóxicos. Em 1995. em 1997. Muitas pessoas acreditam que os OGM foram criados para produzir mais. pelo contrário. que são hoje mais de 800. para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiental. na forma de lei. Este fato permitiu que se iniciassem os testes de campo com cultivos geneticamente modificados. depois de mais de 10 anos da primeira plantação comercial de transgênicos. V – controlar a produção. No Brasil. Isso já aconteceu com o milho no México. a que se dará publicidade. que passam a ficar mais fortes e resistentes. secas e temperaturas extremas. por exemplo. que gerou a Constituição da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). causando uma perda da diversidade genética da espécie. ou ainda para resistir a chuvas. o agricultor começa a ter problemas para matar as ervas daninhas.(. a comercialização e o emprego de técnicas. Variedades que vinham sendo melhoradas há séculos pelos agricultores foram perdidas quando tiveram contato com o milho transgênico. Que tipo de transgênicos existe no mundo atualmente? Desde o início da utilização dos transgênicos em larga escala. Uma avaliação feita nos Estados Unidos durante os oito primeiros anos de cultivo de . foi aprovada a Lei de Biossegurança no Brasil. e os transgênicos que combinam essas duas características. ou para ter mais nutrientes. a primeira variedade aprovada foi a soja da Monsanto.. Essas variedades até foram estudadas em laboratório. no médio e longo prazo. por exemplo. mas nunca chegaram a ser comercializadas. a qualidade de vida e o meio ambiente. ele é obrigado a aplicar o veneno mais vezes e em quantidades cada vez maiores. foi feita para ser resistente a um único pesticida.) II – Exigir. pertencente ao MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia). apenas 3 tipos foram adotados comercialmente: os transgênicos para resistir a um determinado agrotóxico. resistente a um agrotóxico da própria Monsanto. Além disso. nada disso se confirmou. o uso de agrotóxico aumenta. Após alguns anos usando sempre o mesmo produto. métodos e substâncias que comportem risco para a vida.

Mas o aumento do uso de agrotóxicos não é um bom sinal.transgênicos no país revelou que houve uma redução no uso de agrotóxicos inicialmente (nos 3 primeiros anos). mais vezes e em quantidades maiores Os transgênicos fazem mal a saúde? Até hoje. Os poucos estudos sobre os efeitos dos transgênicos na saúde humana indicam que há possibilidade de aumento de alergias. Para ser plantado em escala comercial e vendido para consumidores e agricultores em todo o país. Porém. o efeito é bom. O Brasil tem ganhado cada vez mais mercados pelo fato de ser o único grande fornecedor de grãos não-transgênicos do mundo e corre o risco de perder . respectivamente – participam do processo de liberação comercial de transgênico no Brasil. a Lei de Biossegurança determina as regras para a liberação de novos transgênicos. depois de repetidas aplicações da mesma substância. Aí. os brasileiros estão comendo pelo menos 50 vezes mais veneno. ele é obrigado a aplicar outras substâncias. a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) teve que aumentar em 50 vezes a quantidade permitida de resíduo de agrotóxico na soja. Ou seja: ao comer a soja transgênica. pois significa maior quantidade de resíduo de veneno indo para o seu prato. consumi-los significa correr um risco desnecessário. O Brasil não está ficando pra trás na economia mundial ao deixar de liberar e plantar transgênicos? Muito pelo contrário. E é justamente por isso que devemos ter cuidado dobrado: como não existem informações suficientes sobre a segurança dos transgênicos para os seres humanos. No início. uma nova variedade precisa passar por duas comissões: a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e o CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança). nenhum estudo até hoje foi conclusivo. Prova disso é que quando o governo brasileiro autorizou a soja transgênica no país. a quantidade aumentou significativamente. No entanto. é a mesma coisa. Como se dá o processo de liberação de um transgênico no Brasil? Desde 2005. Nem Ibama e nem Anvisa – que são os órgãos especializados em meio ambiente e saúde. aumento da resistência a tratamentos com antibióticos e alterações de peso em fígados e rins de cobaias. Um dia o antibiótico pára de fazer efeito e é preciso mudar de produto. ninguém conseguiu provar que os transgênicos são seguros para o ser humano. mas a partir do sexto ano. É o que acontece quando se usa um antibiótico durante muito tempo para combater uma doença. mas com o tempo o organismo adquire resistência e devemos aumentar as doses. começam a aparecer ervas daninhas que resistem àquele agrotóxico. Isso aconteceu devido ao surgimento das ‘super-pragas’. O agricultor pode aplicá-lo algumas vezes e ter resultado. Com o agrotóxico.

sob rígido controle. cada país precisaria recorrer à sua própria legislação. O que é o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança? O Protocolo de Biossegurança..estes mercados com a liberação do plantio de transgênicos. Porque o Greenpeace faz campanha contra os transgênicos? O Greenpeace faz campanha apenas contra a liberação dos transgênicos no meio ambiente. . os agricultores brasileiros precisam pagar royalties para as multinacionais detentoras das patentes dessas variedades transgênicas. O Protocolo é o único instrumento internacional legal reconhecido para regulamentar o transporte de transgênicos. portanto. ao plantar transgênicos. também estabelece. entrou em vigor em setembro de 2003 e é o único acordo internacional que trata do movimento de transgênicos entre países. Nestes casos. Sem ele. os países correriam o risco de sofrer retaliações na Organização Mundial do Comércio (OMC). ser controlada. assinado em janeiro de 2000. Existem transgênicos farmacêuticos que são criados e manipulados em laboratório. Ainda há pouquíssimos estudos sobre o que pode acontecer com a saúde humana ou animal caso esses organismos sejam plantados. permitindo que as partes tomem a decisão de "evitar ou minimizar tais efeitos potenciais adversos". por exemplo. tornando nossa agricultura cada vez mais dependente de grandes corporações e enviando uma parte significativa do lucro gerado por este setor para fora do país. A assinatura do Protocolo significa o reconhecimento de que a engenharia genética pode trazer danos ao meio ambiente e à saúde humana e necessita. Estas empresas estão buscando o monopólio do mercado de sementes e agrotóxicos. o Greenpeace não se opõe. que o exportador forneça informações ao país importador sobre as características e a avaliação de risco do transgênico que está sendo comercializado. E sem um padrão internacional. Mais do que isso. irreversíveis e incontroláveis. Até agora. ninguém conseguiu provar que eles sejam seguros. O Protocolo de Biossegurança reconhece que o conhecimento científico sobre transgênicos é incompleto e permite que os países tomem medidas para prevenir danos ambientais na ausência de certeza científica sobre o dano. o que pode causar impactos imprevisíveis.

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